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Material sobre microbiota humana: define a comunidade microbiana de pele e mucosas; distingue residente e transitória; indica locais com/sem microbiota, colonização no 1º ano e fatores que a afetam (parto, alimentação, antimicrobianos, higiene); descreve variações regionais e funções: digestão, produção de vitaminas e ácidos graxos, degradação de toxinas, maturação imunológica e resistência a patógenos.

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ThaisAlves

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<p>Microbiota Humana</p><p>A microbiota é a comunidade microbiana que se encontra em um nicho ecológico particular, no caso da humana, é uma população de microrganismos que habitam a pele e as mucosas dos indivíduos normais e sadios. Esse é o termo utilizado atualmente no lugar de flora e fauna. Há microbiota entérica, cutânea, vaginal, etc, funcionando como a primeira linha de defesa do organismo contra patógenos. A microbiota apresenta cerca de 10 vezes o número de células somáticas do ser humano, com 1,5-3 kg de microrganismos. O metabolismo bacteriano metaboliza matéria orgânica variada, como celulose e inorgânica (como ferro ferroso Fe2+ e ferro férrico Fe3+, assim como pode converter quimicamente para outras formas.</p><p>A microbiota pode ser do tipo residente, que apresenta microrganismos fixos encontrados em determinados locais, e do tipo transitória, que consiste em microrganismos não patogênicos ou potencialmente patogênicos que permanecem no organismo por um tempo vindos do meio ambiente, mas sem ocasionar doença e nem se estabelecer permanentemente.</p><p>A microbiota bacteriana normal ocorre na pele, no nariz, nasofaringe, trato gastrintestinal e reto, genitálias e uretra, tecidos conjuntivos, orelha externa, boca e orofaringe. Alguns locais sem microbiota são: sistema circulatório, sistema nervoso, aparelho locomotor, fígado, pâncreas, glândulas, rins, sistema respiratório inferior, útero e bexiga. A microbiota residente depende de fatores fisiológicos, como a temperatura, a umidade, bem como a presença de certos nutrientes e substâncias inibitórias, além de depender da idade, dieta, estado hormonal, saúde e higiene pessoal</p><p>A colonização ocorre no 1º ano de vida, sendo uma composição simples e variando amplamente, apresenta Firmicutes em suma maioria nos recém-nascidos, devido ao lactobacillus do leite, em seguida aparecem mais actinobactérias, talvez por causa de uma febre por volta do 92° dia, para só após cerca de 1 ano o bebê começar a apresentar bacteroidetes (adaptados à digestão de material vegetal passam a dominar), já que ele começa a ingerir frutas e cereais. A pele do bebê é colonizada primeiramente, seguida pela orofaringe, trato gastrointestinal e outras superfícies mucosas. A composição da microbiota normal de neonatos nascidos por parto normal é semelhante à microbiota vaginal das mães, enquanto neonatos nascidos de cesária raramente apresentam na composição de sua microbiota microrganismos vaginais (p. ex. Lactobacillus, Prevotella, Atopobium e Sneathia spp.). Quando a criança tem de 1-2 anos de idade o perfil microbiano estabiliza e começa a se parecer com o “estado adulto”. No adulto, a microbiota intestinal é extremamente densa e diversa, variando quantitativa, qualitativa e metabolicamente em função da localização e da idade do hospedeiro.	Comment by THAIS ALVES: Os organismos que colonizam os seres humanos (por períodos curtos de tempo, sejam horas ou dias [transitória] ou permanentemente) não interferem nas funções normais do corpo. Ao contrário, a doença ocorre quando a interação entre o micróbio e o ser humano leva a um processo patológico caracterizado por dano ao hospedeiro humano.</p><p>Fatores que interferem na colonização são:</p><p>· Tipo de parto (normal ou cesariana);</p><p>· Alimentação (no seio ou por fórmula);</p><p>· Necessidade de isolamento (prematuro);</p><p>· Utilização de antimicrobianos;</p><p>· Higiene extrema (Hipótese da higiene)</p><p>A composição da microbiota é variável de acordo com a região, tanto quanto às espécies quanto à quantidade, na pele predominam as actinobactérias e proteobacteria, enquanto na boca os firmicutes e bacteroidetes, bem como na orofaringe, cólon e estômago (onde predominam também as actinobactérias e há uma quantidade bem menor menor que no intestino - acidez limita), já na vagina há predomínio de actinobactérias e firmicutes. Já no intestino há bastante Streptococcus, lactobacillus e bacteroides.</p><p>A presença de microbiota não é essencial para vida (testes com animais germ free), mas possui papel na manutenção da saúde e função normal do organismo. Entre as funções da microbiota estão:</p><p>· Auxilia na digestão → Contribuição nutricional → Fornece vitaminas e substratos energéticos.</p><p>· Desempenha um papel na degradação das toxinas.</p><p>· Contribui para a maturação do sistema imunológico → Imunomodulação do hospedeiro → Permite uma resposta imune mais rápida e adequada durante uma infecção e contribui para a tolerância a micro-organismos simbióticos.</p><p>· Resistência à colonização → Inibe a multiplicação de patógenos alóctones (microbiota transitória) e autóctones (microbiota residente) oportunistas.</p><p>Na relação microbiota e nutrição, ao ingerir fibras não digeríveis pelo metabolismo humano, a microbiota intestinal apresenta funções metabólicas, podendo transformá-los em vitaminas e ácidos graxos. Certas bactérias metabolizam substâncias carcinogênicas da dieta e auxiliam na fermentação de resíduos não digestíveis da dieta, fornecendo energia. Além de contribuir para as necessidades de aminoácidos do hospedeiro (quando esses aa. não vêm pela alimentação). As bactérias intestinais produzem ácidos graxos de cadeia curta que controlam a diferenciação das células epiteliais intestinais. Elas sintetizam vitamina K, biotina e folato e melhoram a absorção de íons.</p><p>Quanto à relação entre a microbiota e a colonização há uma resistência à esse processo, com a capacidade de impedir que outros microrganismos colonizem o organismo, isso pois nas mucosas e na pele, a microbiota residente pode impedir a colonização por "interferência bacteriana". O mecanismo pode envolver a competição por receptores ou locais de ligação nas células do hospedeiro, competição por nutrientes, inibição mútua por produtos metabólicos ou tóxicos, por substâncias antibióticas ou bacteriocinas, ou outros mecanismos, como mudanças no pH do sítio anatômico. Alguns exemplos de casos são: Clostridium difficile e microbiota intestinal e Vaginoses e microbiota vaginal.</p><p>A Clostridium difficile é uma das principais bactérias que causam infecções hospitalares, com 15.000 – 20.000 mortes por ano e presente em baixas quantidades como microbiota normal em alguns indivíduos, capaz de causar a colite pseudomembranosa. Ela é comum em infecções hospitalares pois ao tratar-se com antibióticos, eliminam-se algumas espécies (microbiota normal), mas a C. difficile é resistente, proliferando-se enquanto as bactérias que costumavam atuar na resistência à colonização não são mais capazes de fazer isso, liberando assim sua toxina e causando a colite pseudomembranosa por inflação nas células epiteliais de I.G.</p><p>Na relação entre microbiota e vaginoses, primeiro, é importante saber que ao nascimento apresenta pH ácido (lactobacilos por um tempo), passa a ser neutro até a puberdade (com cocos e bacilos), mas na puberdade, com o aumento de produção de estrógeno ocorre o aumento da espessura do epitélio vaginal e o aumento na produção e liberação de glicogênio, com isso, os lactobacilos aeróbios e anaeróbios (advindos do intestino) reaparecem e contribuem para a manutenção do pH ácido com a produção de ácido a partir de carboidratos, em particular do glicogênio. Trata-se de um mecanismo importante para evitar o estabelecimento na vagina de outros microrganismos possivelmente prejudiciais, como Candida e HIV). Se os lactobacilos forem suprimidos pela administração de antimicrobianos, o número de leveduras ou várias bactérias aumentará, causando irritação e inflamação. A vaginose bacteriana é uma síndrome caracterizada por alterações drásticas nas espécies da microbiota vaginal e em suas proporções relativas.</p><p>Algumas ações que prejudicam a resistência à colonização da microbiota são o uso de antibióticos e a higienização excessiva.</p><p>Em relação à microbiota e o sistema imune, o sistema imune de animais tem o intestino grosso hiporresponsivo, sendo os microrganismos importantes para o desenvolvimento e a função do sistema imunológico das mucosas, sendo ele mais sensível a infecções bacterianas quando sem microbiota. Eles induzem a secreção de lgA, influenciam</p><p>o desenvolvimento do sistema imunológico humoral intestinal e modulam a resposta T celular e os perfis de citocinas. Ajuda o organismo a diferenciar os microrganismos da microbiota e tolerá-los, daqueles que são patogênicos, ou seja, na tolerância imunológica.</p><p>Há estudos que indicam diferenças no comportamento de acordo com a microbiota, sendo animais isentos de germes menos ansiosos e com maior movimentação, já os convencionais são mais ansiosos e apresentam menor movimentação.</p><p>Há também relação da microbiota com alergias - resposta imune exacerbada a antígenos inócuos (pólen, poeira, pelos, etc) em que há o envolvimento de IgE e células de defesa. Nos estudos de David Strachman em 1989, ele observou 16 crianças, crianças de famílias “grandes” desenvolviam menos alergias do que de famílias pequenas; nas famílias maiores, havia mais risco de infecções respiratórias (mais contato com microrganismos) e menos alergias, com isso surgiu a Hipótese da Higiene (sugeria que irmãos mais jovens apresentavam menos rinite alérgica do que seus irmãos mais velhos, porque tinham infecções mais freqüentes e, portanto, menos alergia).</p><p>Ainda seguindo essa teoria, crianças que nascem de parto cesárea possuem um risco a maior de terem algum tipo de alergia; a relação entre o uso de antibióticos na infância (bronquite) e o aparecimento de alergias na vida adulta; a microbiota de pessoas que têm alergia é diferente das que não tem. A exposição em época precoce da vida a agentes infecciosos e/ou endotoxina bacteriana, o convívio com grande número de crianças, o baixo uso de antimicrobianos, o tempo prolongado de aleitamento materno são alguns dos fatores relacionados com a proteção no aparecimento de asma e doenças alérgicas.</p><p>Há modulação da microbiota por fibras, com a microbiota transformando fibras não digeríveis atuando no trato intestinal através da fermentação no intestino grosso, aumentando a microbiota saudável. Durante a fermentação, são produzidos ácidos graxos de cadeia curta (AGCC, acetato, propionato e butirato), que atuam com efeito estimulador contrátil da musculatura e também na resposta imune, agindo como mediadores anti–inflamatórios, diminuindo a ativação de células dendríticas e linfócito Th2, diminuindo as inflamações das vias aéreas. Eles atuam no combate à inflamação, regulação do pH sanguíneo, controle do apetite, nutre bactérias produtoras de butirato e protege o corpo contra patógenos.</p><p>A obesidade tem como principal causa a ingestão calórica excessiva em comparação com os gastos. Em camundongos isentos de germes: Mais magros que aqueles com uma microbiota normal, resistentes à obesidade induzida por dieta alimentar rica em gorduras e açúcares, apresentam duas vezes mais excreções urinárias e fecal de calorias. Colonização de camundongos adultos isentos de germes com comunidade microbiana de camundongos convencionais ocasiona o aumento da gordura corporal em 10-14 dias.</p><p>A microbiota também está relacionada a outras doenças como:</p><p>· Infecções bacterianas, virais e fúngicas;</p><p>· Câncer gástrico, colorretal;</p><p>· Mucosite;</p><p>· Doenças inflamatórias intestinais ( Doença de Crohn e Colite Ulcerativa);</p><p>· Depressão;</p><p>· Diabetes.</p><p>Questões de revisão: pg. 181</p><p>image3.png</p><p>image6.png</p><p>image4.png</p><p>image2.png</p><p>image5.png</p><p>image1.png</p>

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