Prévia do material em texto
<p>Administração Financeira</p><p>e Orçamentária</p><p>O Orçamento das Contas e a Projeção dos Demonstrativos</p><p>Financeiros</p><p>Material Teórico</p><p>Responsável pelo Conteúdo:</p><p>Prof. Ms. Walter Franco Lopes Silva</p><p>Revisão Textual:</p><p>Profa. Ms. Luciene Oliveira da Costa Santos</p><p>5</p><p>• O que vem a ser uma Demonstração de Fluxos de Caixa (DFC)?</p><p>• O Trabalho de Projeção do Fluxo de Caixa: Passo a Passo</p><p>• Projetando a conta Operações</p><p>Nesta Unidade nós nos preocuparemos primeiramente com o entendimento, a definição, as</p><p>projeções e a análise de cada item integrante do importante demonstrativo de Fluxo de Caixa. Em</p><p>seguida, estudaremos como se projeta a Demonstração de Resultados do Exercício (DRE), bem</p><p>como as formas de efetuarmos a análise das contas que compõem os demonstrativos financeiros.</p><p>· Estudaremos e discutiremos temas muito importantes</p><p>relacionados com o levantamento, análise e organização</p><p>das informações essenciais para efetuarmos a projeção dos</p><p>principais Demonstrativos Financeiros de uma empresa.</p><p>O Orçamento das Contas e a Projeção</p><p>dos Demonstrativos Financeiros</p><p>• Projetando a conta Investimentos</p><p>• Projetando a conta Financiamentos</p><p>• Analisando as Projeções Efetuadas</p><p>• Como projetar a DRE?</p><p>• O trabalho de Projeção do Item Custo dos Produtos Vendidos</p><p>• O Trabalho de Projeção do Item Custos Fixos e Depreciação</p><p>• A Projeção dos Itens Despesas Operacionais e o Resultado Financeiro</p><p>• A Análise das Projeções Efetuadas</p><p>6</p><p>Unidade: O Orçamento das Contas e a Projeção dos Demonstrativos Financeiros</p><p>Contextualização</p><p>A análise e as projeções para os exercícios futuros do Demonstrativo de Fluxo de Caixa</p><p>e da DRE são essenciais para a execução do planejamento financeiro, portanto, cruciais no</p><p>trabalho e no processo de elaboração do Orçamento Empresarial por parte do profissional de</p><p>finanças. A projeção de qualquer demonstrativo financeiro – em especial as projeções da DRE</p><p>e do Fluxo de Caixa – exige do financista o profundo conhecimento do negócio analisado, bem</p><p>como a adoção de premissas econômico-financeiras em linha com as adotadas no Orçamento</p><p>Empresarial. Assim, estudaremos e discutiremos nesta Unidade III temas muito valiosos</p><p>para você, profissional e estudante de finanças preocupado com o trabalho de projeção dos</p><p>demonstrativos financeiros como parte do Orçamento da empresa.</p><p>7</p><p>O que vem a ser uma Demonstração de Fluxos de Caixa (DFC)?</p><p>A DFC é um dos principais demonstrativos emitidos pela empresa, cujo objetivo é oferecer uma</p><p>visão gerencial com base na situação econômico-financeira da mesma. Desde a promulgação</p><p>da nova Lei nº 11.638/07, a publicação da DFC é obrigatória para as Companhias de Capital</p><p>Aberto e nas Grandes Empresas Limitadas (Grande Ltda.).</p><p>Segundo Gitman (2009), a Demonstração de Fluxos de Caixa fornece um resumo dos fluxos</p><p>de caixa operacionais, de investimento e financiamento de uma empresa e concilia-os com as</p><p>variações de seus saldos de caixa e aplicações financeiras no período.</p><p>O Trabalho de Projeção do Fluxo de Caixa: Passo a Passo</p><p>A projeção de desempenho de uma empresa requer um trabalho cuidadoso de projeção,</p><p>linha a linha, das contas que compõem juntas o Demonstrativo do Fluxo de Caixa.</p><p>Dessa forma, devemos observar, além das premissas econômico-financeiras e dos números</p><p>reais publicados do último exercício, todas as demais informações necessárias para projetar os</p><p>dados e contas para os períodos que queremos analisar.</p><p>Sabemos que todo trabalho de projeção baseia-se nas estimativas de evolução das vendas,</p><p>custos e demais setores da empresa responsáveis pelo fornecimento das informações financeiras</p><p>reais e estimadas (projetadas) elaboradas quando da elaboração do orçamento.</p><p>Vejamos abaixo um modelo de Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC), do Ano 2012 (Real),</p><p>para a Empresa ABC S.A., ou seja, demonstrativos financeiros publicados e a projeção de</p><p>quatro anos futuros (até o Ano 2016):</p><p>Micro02</p><p>Realce</p><p>Micro02</p><p>Realce</p><p>8</p><p>Unidade: O Orçamento das Contas e a Projeção dos Demonstrativos Financeiros</p><p>Análise das projeções do Ano 2013 ao Ano 2016?</p><p>Primeiro, é feita uma avaliação e uma análise da empresa, com base em seu estado atual. Para</p><p>tanto, deve ocorrer o cuidadoso estudo dos números reportados do ano que servirá de base, ou</p><p>seja, no exemplo acima, o Ano 2012. Em seguida, é necessário que o analista financeiro adote</p><p>como premissa a continuidade da operação da empresa sem variações muito drásticas na forma</p><p>como ela vem sendo administrada e/ou operada pelos seus controladores.</p><p>Entretanto, apesar de ser regra a avaliação da empresa em seu estado atual, há, muitas</p><p>vezes, casos em que existem planejamento e informações suficientes que possibilitam projeções</p><p>de diferentes cenários, seja em razão de novos investimentos, uma mudança de estratégia</p><p>operacional, ou mesmo o lançamento de novos produtos, por exemplo. Nesses casos, a projeção</p><p>deve contemplar tais mudanças e considerar os impactos financeiros nas contas projetadas dos</p><p>exercícios futuros projetados.</p><p>Vamos agora analisar como cada linha da Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) da</p><p>Empresa ABC S.A. foi projetada:</p><p>Projetando a conta Operações</p><p>Importante perceber que sob a rubrica ‘Operações’ no Fluxo de Caixa temos as seguintes seis</p><p>contas contábeis para a análise e projeção:</p><p>1. Recebimento de Vendas</p><p>2. Pagamentos de Fornecedores</p><p>3. Pagamentos de Custos e Despesas</p><p>9</p><p>4. Pagamentos de Impostos</p><p>5. Pagamentos e Recebimentos Diversos</p><p>6. Resultado Financeiro (Receitas – Despesas Financeiras)</p><p>As premissas e projeções dessas contas foram estipuladas primeiramente com base na análise</p><p>do seu comportamento histórico e das perspectivas de crescimento de cada uma das variáveis</p><p>que afetam o crescimento. Trabalho que exige do analista o conhecimento de indicadores</p><p>econômico-financeiros do mercado de atuação da Empresa Modelo S.A., das perspectivas de</p><p>seu setor de atuação e, ainda, conforme estudamos anteriormente, um profundo entendimento</p><p>do seu histórico de desempenho.</p><p>• As premissas das receitas, ou ‘Recebimento de Vendas’, para os anos 2013 a 2016, estão</p><p>diretamente relacionadas com o levantamento das informações discutidas anteriormente,</p><p>em conjunto com as expectativas de crescimento de mercado e isto segundo a estratégia</p><p>comercial dos administradores.</p><p>Assim, percebemos um crescimento contínuo dos números projetados. Números que, em</p><p>quatro anos de atividades, apresentam um incremento do faturamento (vendas líquidas)</p><p>bastante otimista superior a 100%.</p><p>Agora vejamos em detalhes esta conta:</p><p>• As premissas relativas às contas redutoras das vendas para esse mesmo período, a saber:</p><p>‘Pagamentos de Fornecedores’, ‘Pagamentos de Custos e Despesas’ e ‘Pagamentos de</p><p>Impostos’ estão também diretamente relacionadas ao levantamento dessas informações</p><p>discutidas anteriormente somadas às expectativas de vendas. Importante destacar também</p><p>que as contas incorporam, entre outras coisas, ganhos de eficiência e produtividade (com</p><p>redução de custos e despesas), melhorias decorrentes de planos de investimentos, ou</p><p>mesmo adoção de novas tecnologias que diretamente levam a variações ao longo do</p><p>período analisado.</p><p>Assim, percebemos que os ‘Pagamentos de Fornecedores’ apresentam crescimento de apenas</p><p>67% (de R$ 360 mil no Ano 2012 para R$ 600 mil no Ano 2016) e isso mesmo com o aumento</p><p>das vendas de mais de 100%.</p><p>Enquanto que a conta ‘Pagamentos de Custos e Despesas’ cresce aproximadamente 86%,</p><p>de R$ 110 mil no Ano 2012, para R$ 205 mil quatro anos depois, certamente refletindo o</p><p>desempenho positivo do faturamento da empresa.</p><p>Os impostos, por sua vez, representados pela conta ‘Pagamentos de Impostos’, mantém-</p><p>se constantes como proporção do faturamento. Por fim, temos que analisar a conta</p><p>‘Pagamentos e Recebimentos Diversos’, que apresenta um padrão de crescimento esperado</p><p>em razão da expansão das operações da empresa, crescendo de R$ 24,5 mil no Ano 2012</p><p>para R$ 80 mil no Ano 2016.</p><p>10</p><p>Unidade: O Orçamento das Contas e a Projeção dos Demonstrativos</p><p>Financeiros</p><p>Agora vejamos em detalhes os números projetados para estas contas:</p><p>• Os demais valores que geram o Caixa Líquido da Operação da Empresa aparecem</p><p>representados pelas contas ‘Despesa Financeira Paga’ e ‘Despesa Financeira Recebida’</p><p>que juntas compõem o que chamamos de ‘Resultado Financeiro’ da empresa.</p><p>Percebemos que ambas as contas apresentam significativo crescimento, certamente refletindo</p><p>o incremento das atividades (e vendas) no período analisado, resultando nos gastos necessários</p><p>para a manutenção da estrutura da Organização, como vemos no crescimento de 62% (de R$</p><p>80 mil no Ano 2012 para R$ 130 mil no Ano 2016) da ‘Despesa Financeira Paga’.</p><p>Paralelamente, vemos a conta ‘Despesa Financeira Recebida’ expandir-se bem mais, de R$</p><p>50 mil em 2012 para R$ 255 mil, reportado em 2016. Enquanto que o ‘Caixa Líquido’ calculado</p><p>não apresenta, neste exemplo, uma tendência muito clara, apesar de partir no ano base de um</p><p>valor negativo (déficit de caixa de R$ 90,4 mil), para atingir R$ 194,7 mil quatro anos depois.</p><p>Agora vejamos em detalhes os números projetados para estas contas:</p><p>Projetando a conta Investimentos</p><p>Importante perceber que, sob a rubrica ‘Investimentos’ no Fluxo de Caixa, temos as seguintes</p><p>contas contábeis para análise e projeção:</p><p>1. Venda de Ativo Imobilizado</p><p>2. Aquisição Imobilizado</p><p>3. Aplicações em Diferido</p><p>4. Aplicações em Realizável L-P</p><p>Micro02</p><p>Realce</p><p>11</p><p>As premissas e projeções dessas contas normalmente exigem informações bem mais precisas</p><p>e em linha com o Orçamento. E isto em razão de fazerem parte do Plano de Investimentos da</p><p>empresa, crucial para o seu Planejamento Financeiro de curto, médio e longo prazo. Vejamos o</p><p>desempenho das contas:</p><p>• As premissas das contas ligadas ao Investimento apresentam na ‘Aquisição de Imobilizado’,</p><p>‘Aplicações em Diferido’ e ‘Realizável a Longo Prazo’ números que refletem as expectativas</p><p>de crescimento e investimento da empresa ao longo dos quatro anos analisados. Neste</p><p>sentido, apesar do valor relativo à ‘Venda de Ativo Imobilizado’ em 2012 e 2013 (de</p><p>R$ 12 mil e R$ 15 mil respectivamente), a empresa projeta investir gradativamente ao</p><p>longo do período subsequente. Assim, vemos os números projetados saírem do patamar</p><p>de R$ 80 mil, no ano base, para R$ 130 mil, na projeção para 2016. Enquanto que as</p><p>‘Aplicações em Realizável a Longo Prazo’ praticamente triplicaram no período, de R$ 11,9</p><p>mil em 2012, para R$ 35 mil em 2016.</p><p>Agora, vejamos em detalhes os números reportados:</p><p>A seguir, vamos estudar alguns conceitos importantes e as definições de alguns autores a</p><p>respeito das contas pertencentes ao Grupo ‘Investimentos’:</p><p>Glossário</p><p>Conta Ativo Imobilizado:</p><p>Todo investimento tangível (mensurável) que esteja diretamente ligado ao principal negócio da</p><p>empresa como, por exemplo, terrenos, edifícios, máquinas e equipamentos. No Balanço Patrimonial</p><p>aparecerá o valor líquido do Investimento, ou seja, já descontado do valor de sua depreciação.</p><p>Importante destacar que, ano a ano, o valor do imobilizado vai se reduzindo pelo valor da</p><p>depreciação, e vai sendo aumentado pelo montante dos novos investimentos.</p><p>Conta Diferido:</p><p>O ativo diferido apresenta características muito especiais e os critérios de tratamento e classificação</p><p>desses gastos/investimentos vêm sofrendo mudanças em razão das novas leis que tratam do tema;</p><p>Conta Realizável a Longo Prazo:</p><p>Composta por dois grupos distintos de contas: os investimentos de longo-prazo da empresa ligados</p><p>diretamente à sua operação e que podem ser transformados em “caixa” em um prazo superior a</p><p>um ano da data de publicação do balanço e lançados no Realizável a Longo Prazo (RLP); e os</p><p>Investimentos permanentes classificados no Ativo Permanente (AP). Exemplos de Contas do RLP:</p><p>Aplicações Financeiras de Longo Prazo, Recebível de Clientes no Longo Prazo e Depósitos Judiciais</p><p>de Longo Prazo.</p><p>Micro02</p><p>Realce</p><p>12</p><p>Unidade: O Orçamento das Contas e a Projeção dos Demonstrativos Financeiros</p><p>Segundo Málaga (2009),</p><p>Antes da Medida Provisória nº 449/2008 e segundo a lei nº 11.638/2007, clas-</p><p>sificavam-se no diferido as despesas pré-operacionais e os gastos de reestrutu-</p><p>ração, que deveriam contribuir efetivamente para o aumento do resultado de</p><p>mais de um exercício social e não configurariam somente redução de custos ou</p><p>acréscimos na eficiência operacional. A nova Lei limitou inicialmente a classi-</p><p>ficação dessa subconta às despesas pré-operacionais e aos gastos com reestru-</p><p>turação. No caso dos gastos com pesquisa e desenvolvimento (P&D), aqueles</p><p>referentes à fase de pesquisa deveriam ser tratados como despesa. Aqueles</p><p>referentes à fase de desenvolvimento (portanto menos incertos) poderiam ser</p><p>tratados como despesa do período ou como parte do intangível. Anteriormen-</p><p>te a essa Lei, ambos podiam ser classificados no diferido.</p><p>Projetando a conta Financiamentos</p><p>Sob a rubrica ‘Financiamentos’ no Fluxo de Caixa, temos para análise e projeção as seguintes</p><p>contas contábeis que somadas representam ‘Operações de Financiamentos Líquidas’:</p><p>• Resgate de Títulos</p><p>1. Aplicação em Títulos</p><p>2. Integralização de Capital</p><p>3. Recursos/Empréstimos de Longo Prazo</p><p>4. Amortização de Empréstimos</p><p>5. Pagamento de Dividendos</p><p>Todas as contas correspondentes a ‘Financiamentos’ estão ligadas às decisões econômico-</p><p>financeiras e estratégicas da empresa, ou seja, são de total responsabilidade da Tesouraria e da</p><p>sua Alta Administração.</p><p>As projeções referentes a algumas contas são, normalmente, decisões estratégicas tomadas</p><p>pelo responsável pelo Orçamento ou mesmo pela Alta Administração da empresa que – de uma</p><p>forma ou de outra – decorrem unicamente de decisões ligadas ao nível de liquidez (caixa) ou de</p><p>endividamento da Organização como, por exemplo, as contas ‘Resgate de Títulos’, ‘Aplicação</p><p>em Títulos’ em bancos, o aumento do endividamento representado pela conta ‘Recursos</p><p>Captados de Longo Prazo e Empréstimos’, a redução dos empréstimos representados pela conta</p><p>‘Amortização de Empréstimos’ e, por fim, o ‘Pagamentos de Dividendos’.</p><p>Importante destacar que no grupo ‘Financiamentos’ acima, há também a conta ‘Integra-</p><p>lização de Capital’ que, em poucas palavras, representa os valores efetivamente integraliza-</p><p>dos – ou seja, contabilizados – pelos acionistas e sócios. Neste subgrupo de contas aparece</p><p>o Capital subscrito deduzido da conta devedora de Capital a Integralizar no futuro. Agora,</p><p>vejamos em detalhes os números reportados:</p><p>13</p><p>Analisando as Projeções Efetuadas</p><p>Até este estágio de nosso estudo vimos como efetuar a projeção do Fluxo de Caixa de uma</p><p>empresa. Também estudamos os conceitos e formas de proceder com a análise de cada conta</p><p>que compõem o demonstrativo financeiro ao longo do período de projeção, sua importância,</p><p>aplicações e limitações no dia a dia do administrador financeiro. Para concluirmos um estudo</p><p>mais completo a respeito do tema é importante lembrarmos que o demonstrativo é parte essencial</p><p>do planejamento financeiro da empresa. Desse modo, a projeção e a comparação dos números</p><p>reportados em cada conta são importantes ferramentas na elaboração do orçamento empresarial.</p><p>Apesar de os métodos tradicionais de análise das demonstrações contábeis disponíveis ou</p><p>comumente utilizados pelos financistas (Métodos de Análise Vertical e Horizontal) não serem</p><p>objeto deste estudo, devemos sempre lembrar que utilizamos como parte integrante do trabalho</p><p>de planejamento financeiro e orçamentário.</p><p>Quando executamos as análises vertical e horizontal das contas, bem como as análises</p><p>através dos índices de liquidez, obtemos uma “fotografia” mais precisa da situação econômico-</p><p>financeira da empresa e da Projeção futura de seus resultados.</p><p>Sabemos que as técnicas disponíveis de análise através de análises horizontal, vertical e</p><p>de índices são partes relevantes do estudo da contabilidade e finanças, e essenciais quando</p><p>queremos comparar Demonstrativos de fluxos de caixa, balanços, demonstrativos de resultados</p><p>e demais números publicados pelas empresas no decorrer</p><p>de períodos de apurações.</p><p>No que se refere às análises horizontal e vertical das demonstrações contábeis, temos que</p><p>lembrar que são importantes instrumentos de verificação do desempenho da empresa, pois</p><p>permitem a visualização da variação dos valores apresentados em cada conta, e em diferentes</p><p>períodos de apuração.</p><p>Sempre é importante lembrar que toda análise dos demonstrativos contábeis é limitada a</p><p>apenas um exercício fiscal, ou seja, normalmente o período compreendido entre 1º de janeiro</p><p>e 31 de dezembro de determinado ano. Então, muitas vezes essa análise é pouco reveladora da</p><p>real situação da empresa, o que exige do analista e do administrador – sempre que possível –</p><p>fazer também análises comparativas com anos anteriores e posteriores (projetados).</p><p>Assim, é importante perceber que diversas análises poderão ser efetuadas, linha a linha,</p><p>coluna a coluna, oferecendo a você inúmeras possibilidades de indagar a respeito de variações</p><p>e participações de cada uma das contas publicadas pela empresa. Através dessas análises, você</p><p>poderá efetuar diversas perguntas aos administradores da empresa, e assim entenderá melhor</p><p>seus resultados, linha a linha e coluna a coluna.</p><p>14</p><p>Unidade: O Orçamento das Contas e a Projeção dos Demonstrativos Financeiros</p><p>A Análise Horizontal</p><p>Segundo Iudícibus (2009), a finalidade principal da análise horizontal é apontar o crescimento</p><p>de itens dos Balanços e das Demonstrações de Resultados através dos períodos, a fim de</p><p>caracterizar tendências. E para efetuarmos as análises horizontais, normalmente utilizamos</p><p>análise de índices obtidos a partir dos números dos demonstrativos.</p><p>A Análise Vertical</p><p>A análise vertical deve ser elaborada em conjunto com uma análise horizontal. Este tipo</p><p>de análise é valioso para o entendimento da evolução de cada conta de um determinado</p><p>demonstrativo de resultados ao longo de um período de tempo determinado.</p><p>A Análise dos Índices</p><p>Quando efetuamos análises de índices (também chamados de quocientes), normalmente</p><p>podemos fazer uso dos Fluxos de Caixa, Balanços, Demonstrativos de Resultados, e demais</p><p>demonstrações financeiras disponibilizadas pela empresa. Isso, além de outras informações</p><p>adicionais possíveis de serem fornecidas pelos administradores e pela Contabilidade.</p><p>As análises dos indicadores são possíveis de ser efetuadas pela simples divisão de dois números</p><p>reportados nos demonstrativos. Em seguida, certamente, o analista precisará interpretar esse</p><p>índice, explicá-lo e manter a sua memória de cálculo guardada. Em uma segunda etapa de</p><p>análise, o analista precisará avaliar o índice de forma a classificá-lo como bom, ruim ou razoável</p><p>para a empresa em questão; compará-lo com as suas parceiras no mercado, ou mesmo com</p><p>suas concorrentes, por exemplo.</p><p>Segundo Iudícibus (2009), os índices têm como finalidade principal permitir</p><p>ao analista extrair tendências e comparar os quocientes com padrões</p><p>preestabelecidos, oferecendo algumas bases para inferir o que poderá</p><p>acontecer no futuro. Por outro lado, temos sempre que ficar atentos às</p><p>limitações de tais análises através de índices, pois sabemos que cada empresa</p><p>utiliza um método diferente para contabilizar suas operações e movimentos,</p><p>o que pode causar grandes discrepâncias quando comparamos uma empresa</p><p>de um mesmo setor e atividade com outra.</p><p>Atenção</p><p>Lembre-se, portanto, que quanto mais detalhada a informação fornecida pela empresa, maior as possi-</p><p>bilidades de fazermos perguntas. Uma empresa que publica suas informações com poucos detalhes, per-</p><p>mite que você faça uma análise horizontal e vertical menos detalhada de suas projeções e de seus índices</p><p>Atenção</p><p>Micro02</p><p>Realce</p><p>Micro02</p><p>Realce</p><p>15</p><p>Para Pensar</p><p>Quais seriam então os pré-requisitos para você poder fazer uma análise como esta, baseada em uma</p><p>Projeção de Fluxo de Caixa?</p><p>Você já efetuou esse cálculo das porcentagens na coluna vertical dos demonstrativos contábeis de</p><p>sua empresa para melhorar a análise dos números da empresa onde trabalha?</p><p>Definindo Demonstração de Resultados do Exercício (DRE): A DRE é uma</p><p>demonstração contábil que mostra o fluxo de receitas e despesas da empresa no período de</p><p>publicação e que, por reflexo, representa a variação (aumento ou redução) do patrimônio</p><p>líquido entre as duas datas de apuração.</p><p>Vejamos na Figura abaixo um modelo simplificado de DRE da Empresa Industrial Casanova</p><p>Ltda. Neste, apresentamos o Ano 2012 (Real) – ou seja, demonstrativos financeiros publicados</p><p>– e a projeção de dois anos futuros até o Ano 2014:</p><p>DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO (DRE) EMPRESA INDUSTRIAL CASA NOVA LTDA</p><p>Ano 2012</p><p>(Real) em R$</p><p>Ano 2013</p><p>(Projetado) em R$</p><p>Ano2014</p><p>(Projetado) em R$</p><p>Receita Bruta de Vendas R$ 293.333 R$ 323.333 R$ 400.000</p><p>(–) Deduções da Receita Bruta (R$ 88.467) (R$ 86.533) (R$ 108.667)</p><p>Dedução & Abatimentos (R$ 26.667) (R$ 18.333) (R$ 21.667)</p><p>Imposto sobre Vendas (R$ 52.800) (R$ 58.200) (R$ 72.000)</p><p>Imposto sobre Serviço (R$ 9.000) (R$ 10.000) (R$ 15.000)</p><p>Receita Líquida R$ 204.467 R$ 236.800 R$ 291.333</p><p>(–) Custos dos Produtos Vendidos (R$ 150.000) (R$ 189.000) (R$ 206.667)</p><p>(=) Margem de Contribuição R$ 54.867 R$ 47.800 R$ 84.667</p><p>(–) Custos Fixos e Depreciação (R$ 34.667) (R$ 39.167) (R$ 46.833)</p><p>Custos Fixos (R$ 32.667) (R$ 36.667) (R$ 43.333)</p><p>Depreciação (R$ 2.000) (R$ 2.500) (R$ 3.500)</p><p>(=) Lucro Bruto R$ 20.200 R$ 8.633 R$ 37.834</p><p>(–) Despesas Operacionais: Vendas e Administrativas (R$ 99.000) (R$ 100.000) (R$ 120.000)</p><p>(=) Lucro/Prejuízo Operacional (R$ 78.800) (R$ 91.367) (R$ 82.166)</p><p>(+) Receitas Financeiras R$ 6.000 R$ 25.000 R$ 20.000</p><p>(–) Despesas Financeiras (R$ 3.400) (R$ 8.700) (R$ 9.900)</p><p>(=) Lucro /Prejuízo antes IR e CS (R$ 76.200) (R$ 75.067) (R$ 72.066)</p><p>(–) Previsão para IR e CS – – –</p><p>Lucro Líquido/Prejuízo do Exercício (R$ 76.200) (R$ 75.067) (R$ 72.066)</p><p>Nº de Ações 1.000 1.000 1.000</p><p>Lucro/Prejuízo por ação (R$ 76) (R$ 75) (R$ 72)</p><p>16</p><p>Unidade: O Orçamento das Contas e a Projeção dos Demonstrativos Financeiros</p><p>Explore</p><p>Para você interessado em ler mais a respeito da DRE, suas características, e outro exemplo e modelo,</p><p>sugerimos que veja, na nossa biblioteca virtual, a DRE da Bartlett Company, no livro Princípios da</p><p>Administração Financeira, de Lawrence J. Gitman, no Capítulo 2, p. 41.</p><p>Explore</p><p>Como projetar a DRE?</p><p>O desenvolvimento de um Orçamento Empresarial exige um trabalho cuidadoso de projeção</p><p>de linha a linha da DRE. Dessa forma, é necessário observarmos, além das premissas econômico-</p><p>financeiras e dos números reais publicados do último exercício, todas as demais informações</p><p>necessárias para projetar os dados – conta a conta – nos períodos que queremos analisar.</p><p>Uma vez que todo trabalho de análise e projeção de uma Demonstração de Resultados de</p><p>uma empresa requer informações precisas a respeito das estimativas de evolução da demanda,</p><p>estimativas dos departamentos de vendas, custos e demais setores da empresa responsáveis pelo</p><p>fornecimento das informações financeiras reais e estimadas (projetadas) elaboradas quando da</p><p>elaboração do orçamento.</p><p>Efetuando as Projeções dos anos 2013 e 2014:</p><p>Esse trabalho exige que seja feita uma avaliação e uma análise da empresa, com base em</p><p>seu estado atual, ou seja, como vem sendo a sua operação em seu mercado. É necessário o</p><p>cuidadoso estudo dos números reportados do ano que servirá de base - ou seja, o ano de 2012.</p><p>Em seguida, é necessário que o analista financeiro ou o responsável pelo Orçamento adote</p><p>como premissa a continuidade da operação da empresa sem variações muito drásticas na forma</p><p>como ela vem sendo administrada e/ou operada pelos seus controladores. Entretanto, apesar</p><p>de ser regra a avaliação da empresa em seu estado atual, há, muitas vezes, casos onde existe</p><p>planejamento e informações o suficiente que possibilitam projeções de diferentes cenários,</p><p>seja em razão de novos investimentos, uma mudança de estratégia operacional, ou mesmo o</p><p>lançamento de novos produtos, por exemplo.</p><p>Nesses casos, a projeção deve contemplar tais mudanças e considerar os impactos financeiros</p><p>nas contas projetadas dos exercícios futuros projetados. Vamos agora analisar como cada linha</p><p>da Demonstração do DRE da Empresa Industrial Casanova Ltda.</p><p>O Trabalho de Projeção da Conta Receita Bruta de Vendas:</p><p>É importante perceber que, juntamente com a rubrica ‘Receita Bruta de Vendas’ na DRE,</p><p>temos as seguintes contas contábeis que são redutoras do faturamento bruto (‘Deduções da</p><p>Receita Bruta’) e que são essenciais para a análise e projeção orçamentária:</p><p>17</p><p>1. Devoluções e Abatimentos</p><p>2. Impostos sobre Vendas</p><p>3. Impostos sobre Serviços</p><p>Devemos lembrar que as premissas e as projeções das Receitas Brutas devem ser estipuladas</p><p>com base na análise do seu comportamento histórico e – também – das perspectivas de crescimento</p><p>do seu mercado consumidor, além de criteriosa análise de cada uma das variáveis que afetam</p><p>o crescimento deste mesmo mercado. Trabalho este que exige do analista o conhecimento de</p><p>indicadores econômico-financeiros do mercado de atuação da empresa, das perspectivas de seu</p><p>setor de atuação e, ainda, conforme estudamos anteriormente, um profundo entendimento do</p><p>seu histórico de desempenho. Assim, as premissas das ‘Receita Bruta de Vendas’ para os anos</p><p>2013 a 2014 estão diretamente relacionadas com o levantamento das informações discutidas</p><p>anteriormente, em conjunto com as expectativas de crescimento de mercado e isto, segundo a</p><p>estratégia comercial dos administradores.</p><p>Este valor de faturamento representa o valor das vendas à vista e a prazo de mercadorias e/</p><p>ou serviços, e inclui todos os impostos, ou seja, trata-se de valor “bruto”, incluso dos impostos</p><p>incidentes sobre a produção e vendas das mercadorias e serviços por parte da empresa. Assim,</p><p>percebe-se um crescimento contínuo dos números projetados referentes ao faturamento da</p><p>empresa analisada. Números que, em três anos de atividades, apresentam um incremento do</p><p>faturamento (vendas líquidas) bastante otimista, partindo de R$ 204 mil em 2012, para alcançar</p><p>dois anos depois R$ 291 mil, incremento superior a 42% no período!</p><p>Agora vejamos em detalhes os valores projetados (orçados) para as contas:</p><p>Perceba que as premissas relativas às contas redutoras das vendas para o mesmo período,</p><p>a saber: ‘Devoluções e Abatimentos’, ‘Impostos sobre Vendas’ e ‘Impostos sobre Serviços’</p><p>estão também diretamente relacionadas com o levantamento das informações discutidas</p><p>anteriormente e às expectativas de vendas. Importante destacar também que essas contas</p><p>incorporam, entre outras, políticas comerciais de descontos e abatimentos concedidos a clientes,</p><p>situações específicas de mercado e eventuais mudanças em alíquotas de impostos incidentes</p><p>sobre vendas que podem ocorrer por decisão governamental.</p><p>No que tange às deduções, temos também que mencionar o item relativo às ‘Vendas</p><p>Canceladas’, representadas pelas mercadorias devolvidas pelos compradores ou mesmo</p><p>canceladas por diversos motivos comerciais ou não. Com relação aos ‘Abatimentos’, eles são</p><p>normalmente oferecidos aos clientes e atendem à política comercial do momento do negócio,</p><p>mas devem ser considerados ao efetuarmos as projeções e os orçamentos.</p><p>18</p><p>Unidade: O Orçamento das Contas e a Projeção dos Demonstrativos Financeiros</p><p>Podemos assim concluir que haverá sempre incerteza quando efetuarmos uma projeção de</p><p>Receita Bruta de Vendas e suas contas relacionadas de Deduções à Receita Bruta de Vendas.</p><p>Essa incerteza deve-se não apenas ao fato da incapacidade de projetarmos exatamente o nível</p><p>de faturamento do negócio analisado, mas também por eventuais fatores exógenos (externos</p><p>à empresa) que podem tanto contribuir para o aumento desse número (como por exemplo,</p><p>crescimento do mercado, interesse maior dos consumidores, ou aumento imprevisto de preços de</p><p>vendas), como para a redução dele (seja por devoluções acima do esperado, e/ou modificações</p><p>a maior nas alíquotas de impostos incidentes sobre essas mesmas vendas). Enquanto que as</p><p>‘Devoluções e Abatimentos’ apresentam queda significativa de 31% de 2012 para 2013 (de R$</p><p>26,7 mil para R$ 18,3 mil).</p><p>Somado a isso, esses valores referentes às ‘Devoluções e Abatimentos’ representavam mais</p><p>de 9% das Vendas Brutas em 2012 (R$ 26,7 mil / R$ 293,3 mil), reduzindo-se para apenas 6%</p><p>no ano seguinte de análise (R$ 18,3 mil / R$ 323 mil) e para 5,4% em 2014 (R$ 21,7 mil / R$</p><p>400 mil). Enquanto que a conta ‘Impostos sobre Vendas’ cresce proporcionalmente à Receita</p><p>de Vendas ano a ano, representando 18% do Faturamento Bruto, saindo de R$ 52,8 mil em</p><p>2012 para atingir R$ 72 mil três anos depois, claramente refletindo o desempenho positivo do</p><p>faturamento da empresa.</p><p>Os demais impostos, por sua vez, representados pela conta ‘Impostos sobre Serviços’, também</p><p>mantiveram-se constantes como proporção do faturamento, crescendo de R$ 9 mil no primeiro</p><p>ano de análise para R$ 15 mil no último ano de projeção orçamentária.</p><p>Segundo Hoji (2009, p. 267),</p><p>Os Impostos sobre vendas e serviços representam os impostos incidentes</p><p>sobre as vendas e os serviços prestados gerados por meio da emissão de</p><p>notas fiscais e faturas, tais como: Impostos sobre Produtos Industrializados</p><p>(IPI), Imposto sobre Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços</p><p>de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS),</p><p>Imposto sobre Serviços (ISS), Imposto sobre Vendas a Varejo e Combustíveis</p><p>Líquidos e Gasosos (IVVC) e Programa de Integração Social (PIS).</p><p>Assim, a ‘Receita Bruta de Vendas’, reduzida das ‘Deduções da Receita Bruta’ (cancelamentos,</p><p>abatimentos e impostos), gera a Receita Líquida da Empresa Industrial Casanova Ltda.</p><p>representada pela conta ‘Receita Líquida’, conforme mostrado na figura acima. Este total</p><p>apresenta um crescimento significativo ao longo do período analisado: de R$ 204 mil (valor</p><p>real) reportado em 2012, para R$ 236 mil no ano seguinte (crescimento projetado de 15,5%),</p><p>e R$ 291 mil em 2014 (crescimento projetado de 24%).</p><p>19</p><p>Refl ita</p><p>Sempre que estamos estudando os números publicados por uma empresa, a nossa principal</p><p>preocupação é analisar o desempenho das vendas. Isto ocorre por razões óbvias, afinal as vendas</p><p>são a essência do negócio. Toda empresa precisa para efetivamente operar (e, portanto, existir!),</p><p>faturar, ou seja, vender e obter receita desta operação. Neste sentido, sempre iniciamos nossa</p><p>análise pelas Receitas Líquidas, já que todos os itens redutores da receita – conforme analisados</p><p>anteriormente – são os mesmos para todas as empresas com operações e tamanhos semelhantes</p><p>em uma mesma cidade. Portanto, toda a Análise de Balanços deve utilizar a Receita Líquida</p><p>como seu ponto de partida.</p><p>O trabalho de Projeção do Item Custo dos Produtos Vendidos:</p><p>Todos os custos das vendas efetuadas precisam ser muito bem analisados, pois são,</p><p>juntamente com os impostos, itens que normalmente impactam nos resultados de</p><p>qualquer empresa. Dependendo do mercado onde a empresa atua, será necessário que</p><p>o administrador classifique os custos diferentemente. Assim, as classificações dos custos</p><p>das vendas normalmente utilizadas são: Comércio - Custo da Mercadoria Vendida (CMV),</p><p>Indústrias - Custo do Produto Vendido (CPV), Prestação de Serviços - Custo dos Serviços</p><p>Prestados (CSP).</p><p>Como parte dos trabalhos de planejamento financeiro e orçamentário das empresas, é</p><p>necessário conhecer bem e saber analisar e projetar os custos, sejam eles caracterizados pelo</p><p>CMV, CPV ou CSP. No nosso exemplo da Empresa Industrial Nacional Ltda. temos o CPV no</p><p>DRE apresentado.</p><p>Vejamos a seguir algumas definições importantes para o nosso estudo:</p><p>Custo da Mercadoria Vendida:</p><p>O CMV é representado pelo valor das mercadorias vendidas que foram compradas prontas</p><p>para serem comercializadas. Quando um supermercado compra determinado produto como</p><p>sabão em pó, por exemplo, ele paga ICMS na Nota Fiscal que a fábrica lhe envia junto com o</p><p>produto. Quando este mesmo supermercado revende o sabão</p><p>em pó ao cliente, na boca do</p><p>caixa, o ICMS incluso no preço (da fábrica) é abatido do ICMS a recolher sobre a venda ao</p><p>consumidor (na boca do caixa).</p><p>20</p><p>Unidade: O Orçamento das Contas e a Projeção dos Demonstrativos Financeiros</p><p>Refl ita</p><p>Vamos então pensar: será que a alíquota (a porcentagem do imposto) cobrada do ICMS afeta</p><p>o preço final da mercadoria? Certamente afeta, e quanto maior o imposto, maior o preço final.</p><p>Mas além de aumentar este preço, uma alíquota maior causa algum outro efeito na sociedade</p><p>(fornecedor, empresário, consumidor)? Este raciocínio sobre o ICMS já será um pouco diferente</p><p>para o caso do IPI, Frete e Seguros pagos pelo supermercado quando compra o sabão em pó,</p><p>citado no nosso exemplo. Nestes casos, os custos são efetivamente incorridos e integram o custo</p><p>da mercadoria comprada pelo supermercado para ser revendida.</p><p>Vamos então pensar: será que a alíquota (a porcentagem do imposto) cobrada do ICMS afeta</p><p>o preço final da mercadoria? Certamente afeta, e quanto maior o imposto, maior o preço final.</p><p>Mas além de aumentar este preço, uma alíquota maior causa algum outro efeito na sociedade</p><p>(fornecedor, empresário, consumidor)? Este raciocínio sobre o ICMS já será um pouco diferente</p><p>para o caso do IPI, Frete e Seguros pagos pelo supermercado quando compra o sabão em pó,</p><p>citado no nosso exemplo. Nestes casos, os custos são efetivamente incorridos e integram o custo</p><p>da mercadoria comprada pelo supermercado para ser revendida.</p><p>Exemplo: Vejamos a seguir a equação do cálculo do Custo da Mercadoria Vendida (CMV):</p><p>CMV = Estoque Inicial + Compras – Estoque Final</p><p>Custo do Produto Vendido:</p><p>O CPV representa, por sua vez, os custos necessários para a fabricação do produto pela</p><p>fábrica. Quando o produto é vendido, o “custo” aparece destacado na DRE – Demonstração</p><p>de Resultados da Empresa Industrial Nacional Ltda., reduzindo a Receita Líquida de Vendas.</p><p>Importante lembrar que, para fabricar um produto, a empresa terá custos de matérias-primas,</p><p>mão-de-obra de fabricação e demais custos diretos ligados à produção. Vejamos abaixo a</p><p>equação do cálculo do Custo do Produto Vendido (CPV):</p><p>CPV = EIPA + CP – EFPA</p><p>EIPA - Estoque Inicial de Produto Acabado</p><p>CP - Custo de Produção do Produto</p><p>EFPA - Estoque Final de Produto Acabado</p><p>Note que, caso o produto seja fabricado pela Empresa Industrial Nacional Ltda. - ou seja,</p><p>houve custo de produção - e o produto não tenha sido vendido, este custo aparecerá – será</p><p>somado - na conta “Estoques” de produtos acabados e/ou em processo no Balanço Patrimonial.</p><p>21</p><p>Outro detalhe importante: o CPV tem os valores de IPI (Imposto sobre Produto Industrializado)</p><p>referentes às suas compras de matérias primas e semiacabados abatidos do IPI sobre suas vendas,</p><p>que é um incentivo concedido pelo governo que oferece uma desoneração ao fabricante neste caso.</p><p>Glossário</p><p>Matéria- Prima: bens primários utilizados na produção de outros bens como, por exemplo, ferro,</p><p>aço, energia elétrica, borracha.</p><p>Produto Semiacabado: produtos com certo grau de manufatura que servem de base para a</p><p>produção de outros bens. Por exemplo, peças e componentes automotivos que são utilizados pelas</p><p>montadoras de veículos na produção dos carros.</p><p>Estoque de Produto Acabado: valores que a empresa detém sob a forma de estoque no final do</p><p>período analisado de produto acabado, por exemplo, veículos produzidos e prontos para a venda.</p><p>Estoque de Produto em Processo: valores que a empresa detém sob a forma de estoque no final</p><p>do período analisado de produto semi-industrializado, por exemplo, peças e componentes para a</p><p>produção de veículos.</p><p>bens primários utilizados na produção de outros bens como, por exemplo, ferro,</p><p>Custo do Serviço Prestado:</p><p>O CSP reflete os custos necessários para o funcionamento de uma atividade de prestação</p><p>de serviços, como uma empresa de consultoria, por exemplo. Custos estes, que são bastante</p><p>diferentes de uma fábrica. Em uma prestadora de serviços, os principais custos são decorrentes</p><p>de mão-de-obra, materiais e gastos do dia a dia da operação. Nestes casos, existem também os</p><p>custos decorrentes da depreciação dos materiais e itens utilizados na prestação do serviço, que</p><p>exigem um cuidado bem especial do analista na sua análise. No exemplo acima da Empresa</p><p>Industrial Casanova Ltda., o Custo dos Produtos Vendidos apresenta crescimento, certamente</p><p>refletindo o incremento das atividades (e vendas) no período, e os custos necessários para a</p><p>produção. Na DRE publicada vemos no crescimento de 26% no primeiro período anual de</p><p>análise (de R$ 150 mil em 2012 para R$ 189 mil em 2013 projetados). Estes valores se modificam</p><p>no período seguinte, expandindo-se de R$ 189 mil em 2012 para R$ 206 mil em 2014.</p><p>Abaixo o DRE com estas contas em detalhes:</p><p>22</p><p>Unidade: O Orçamento das Contas e a Projeção dos Demonstrativos Financeiros</p><p>O Trabalho de Projeção do Item Custos Fixos e Depreciação:</p><p>Quando calculamos o CPV de uma empresa, percebemos que a DRE sempre nos mostrará a</p><p>Margem de Contribuição e a “quebra” dos Custos Fixos e da Depreciação, de forma a oferecer</p><p>um valor de Lucro Bruto nos períodos analisados.</p><p>Agora, observe a continuação da DRE da empresa:</p><p>Atenção</p><p>Cuidado na Definição das Premissas:</p><p>As premissas e projeções das contas normalmente exigem informações muito precisas e em linha</p><p>com o Orçamento em razão de refletirem os planos de Investimentos da empresa analisada. Ou seja,</p><p>como já estudamos, as premissas das contas ligadas à ‘Depreciação’ refletem a ‘Aquisição de Imobi-</p><p>lizado’, ‘Aplicações em Diferido’ e ‘Realizável a Longo Prazo’. Contas que, por sua vez, refletem as</p><p>expectativas de crescimento e investimento da empresa ao longo dos quatro anos analisados.</p><p>Atenção</p><p>As contas ‘Custos Fixos’ também, de uma forma ou de outra, serão calculadas com base no</p><p>último DRE publicado, com base na análise histórica do desempenho e nos ganhos de eficiência</p><p>e de produtividade (que normalmente causam redução de custos) decorrentes de investimentos</p><p>em tecnologia, maquinário, procedimentos, e adoções de novas técnicas produtivas ou</p><p>administrativas, entre outras ações redutoras de custos.</p><p>É possível em nossa análise observar que o Lucro Bruto apresenta um comportamento</p><p>nada linear, ou seja, saindo de R$ 85,5 mil em 2012 para R$ 82 mil no ano seguinte. Sem</p><p>tomarmos conclusões precipitadas, podemos inferir que a empresa analisada vem efetuando</p><p>pouco destes ‘investimentos’ destacados acima. Apesar deste mesmo Lucro Bruto crescer</p><p>novamente em 2014 para R$ 124,5 mil, pouco podemos afirmar quanto às características</p><p>destes investimentos da empresa, pois a conta ‘Depreciação’ apresenta pequena variação</p><p>(como podemos observar na figura acima), significando baixo investimento no aumento de</p><p>máquinas e equipamentos em operação.</p><p>23</p><p>A Projeção dos Itens Despesas Operacionais e o Resultado Financeiro:</p><p>Depois de calculado o Lucro Bruto, o analista financeiro deve preocupar-se em analisar</p><p>e projetar as contas que aparecem logo abaixo de forma a atingir o Lucro/Prejuízo Antes do</p><p>Imposto de Renda e Contribuição Social. Estas contas são as seguintes:</p><p>1. Despesas Operacionais (Vendas e Administrativas)</p><p>2. Despesa e Receita Financeira (Resultado Financeiro)</p><p>No exemplo da Empresa Industrial Casanova Ltda., as Despesas Operacionais expandem-</p><p>se de R$ 99 mil para R$ 120 mil nos três anos analisados, refletindo o normal crescimento das</p><p>operações. Mas o Resultado Financeiro – que refletirá a soma das Despesas Financeiras com</p><p>as Receitas Financeiras – está muito ligado à estratégia da Alta Administração e de como esta</p><p>pretende financiar a sua expansão e suas atividades.</p><p>O Lucro/Prejuízo antes do IR (Imposto de Renda) e da CS (Contribuição Social) melhora,</p><p>portanto, de uma perda de R$ 10,8 mil em 2012 para um lucro de R$ 14,6 mil em 2014</p><p>talvez refletindo uma política acertada da Administração. Calculado este Lucro, parte-se para</p><p>a projeção dos resultados líquidos (Lucro Líquido do Exercício) depois de</p><p>Imposto de Renda</p><p>(IR) e da Contribuição Social (CS) que apenas deve seguir as regras e cálculos legais pré-</p><p>estabelecidos e definidos pela Contabilidade da empresa, em linha com as leis do país, Estado e</p><p>município. Perceba que na figura acima optamos por lançar valores de IR e CS apenas no último</p><p>ano quando a empresa sai do prejuízo.</p><p>24</p><p>Unidade: O Orçamento das Contas e a Projeção dos Demonstrativos Financeiros</p><p>A Análise das Projeções Efetuadas</p><p>Observe que, para concluirmos uma análise mais completa a respeito da DRE, é importante</p><p>lembrarmos que o demonstrativo é parte essencial do planejamento financeiro da empresa.</p><p>Deste modo, não apenas a projeção, mas também a comparação dos números reportados em</p><p>cada conta é importante ferramenta na elaboração do orçamento empresarial.</p><p>Assim, como no caso do Fluxo de Caixa, do Balanço Patrimonial e dos demais Demonstrativos</p><p>Financeiros publicados, deve-se (uma vez concluída a projeção) proceder com as técnicas</p><p>disponíveis de análise através. Técnicas como a análise horizontal, vertical e de índices que</p><p>permitem uma avaliação precisa da situação da empresa analisada. Análises estas, aliás, já</p><p>estudadas anteriormente em nossas aulas!</p><p>Sempre é importante lembrar também que a DRE é parte integrante de todo um conjunto</p><p>de Demonstrativos Financeiros das empresas sendo, portanto, publicada no término do</p><p>exercício fiscal, ou seja, normalmente o período compreendido entre 1º de janeiro e 31 de</p><p>dezembro do ano fiscal.</p><p>Trocando Ideias</p><p>Lembre-se, portanto, de que quanto mais detalhada a informação fornecida pela empresa em sua</p><p>DRE, maior as possibilidades de fazermos perguntas aos seus administradores ou responsáveis por</p><p>informações ao mercado (Diretor de Relações com Investidores, por exemplo).</p><p>Será que uma empresa que publica suas informações com poucos detalhes, permite que você faça</p><p>uma análise horizontal e vertical adequada das suas projeções? E uma análise de índices? E uma</p><p>análise do desempenho de seu negócio?</p><p>Ideias Chave</p><p>• A definição do conceito de Fluxo de Caixa das empresas</p><p>• As metodologias para a projeção do Fluxo de Caixa das empresas</p><p>• A importância das projeções no trabalho de planejamento financeiro</p><p>• A comparação dos números reais e projetados, as análises dos dados reportados e o cálculo dos</p><p>índices financeiros</p><p>• A definição do conceito de DRE das empresas</p><p>• As metodologias para a projeção do DRE das empresas</p><p>25</p><p>Material Complementar</p><p>Sugestão de Leitura</p><p>• Sabemos que as projeções dos Demonstrativos Financeiros são essenciais</p><p>para a elaboração de todo Modelo Orçamentário de uma empresa. No livro</p><p>Administração Financeira e Orçamentária de M. Hoji, temos uma excelente</p><p>explicação deste tema no Capítulo 16 – item 16.1. ‘Desenvolvimento de um</p><p>Modelo de Orçamento’. Sugiro, portanto, a sua leitura nas páginas 423 a 435</p><p>para um maior aprofundamento de seus estudos.</p><p>• Neste mesmo livro de Administração Financeira e Orçamentária de M. Hoji,</p><p>você encontrará o item 16.3 dedicado ao tema ‘Projeção de Resultados’. Assim,</p><p>sugiro que você pesquise e leia no Capítulo 16, ‘Desenvolvimento de um Modelo</p><p>de Orçamento’, as páginas 474 a 483 para um maior aprofundamento de seus</p><p>estudos.</p><p>26</p><p>Unidade: O Orçamento das Contas e a Projeção dos Demonstrativos Financeiros</p><p>Referências</p><p>GITMAN, L.J. Princípios de Administração Financeira. 10ª Ed. São Paulo: Pearson, 2007.</p><p>GROPPELLI, A.A. e NIKBAKHT, E. Administração Financeira. 3ª Ed. São Paulo: Saraiva,</p><p>2010.</p><p>HOJI, M. Administração Financeira e Orçamentária. São Paulo: Editora Atlas S.A., 2008.</p><p>MARION, J.C. Análise das Demonstrações Contábeis. Contabilidade Empresarial. São</p><p>Paulo: Editora Atlas S.A., 2009.</p><p>SANTOS, J.O. Valuation. Um Guia Prático. São Paulo: Editora Saraiva, 2012.</p><p>IUDÍCIBUS, S. Análise de Balanços. São Paulo: Editora Atlas S.A., 2009.</p><p>MÁLAGA, F.K. Análise de demonstrativos financeiros e da performance empresarial</p><p>para empresas não financeiras. São Paulo: Saint Paul Editora, 2009.</p><p>27</p><p>Anotações</p>