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<p>Um guia do Bom de Pasto</p><p>Manoel Eduardo Rozalino Santos, Gustavo Segatto Borges,</p><p>Dallety Haloma A. Miler de Oliveira e Davi Moraes de Oliveira</p><p>Manoel Eduardo Rozalino Santos</p><p>Gustavo Segatto Borges</p><p>Dallety H. A. Miler de Oliveira</p><p>Davi Moraes de Oliveira</p><p>Princípio, Componentes</p><p>e Etapas da Produção</p><p>animal em pastagem</p><p>978-65-00-56054-1</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>Sumário</p><p>Introdução.......................................4</p><p>Antes, alguns conceitos................9</p><p>Componentes e etapas da produção</p><p>animal na pastagem........................16</p><p>Manejo da pastagem....................27</p><p>Princípio fundamental do manejo</p><p>da pastagem..................................36</p><p>Aumentando a produção animal</p><p>na pastagem..................................44</p><p>Mensagens Finais........................58</p><p>Trabalhos Citados.........................61</p><p>1.</p><p>2.</p><p>3.</p><p>4.</p><p>5.</p><p>6.</p><p>7.</p><p>8.</p><p>1.</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>A pecuária de corte ocupa 170 milhões de hectares de</p><p>pastagens, ou seja, cerca de 20% do território brasileiro</p><p>(ABIEC, 2018);</p><p>Em média, 98% da carne bovina do Brasil são produzidas</p><p>em pastagens (Barioni et al., 2017);</p><p>No Brasil, cerca de 90% dos nutrientes exigidos pelos</p><p>ruminantes são obtidos sob pastejo (Euclides et al., 2010);</p><p>O potencial produtivo de pastagens tropicais bem</p><p>manejadas é alto: 450 kg/ha.ano de carne (Kichel et al.,</p><p>2014).</p><p>A grande utilização das pastagens para a atividade</p><p>pecuária no Brasil se deve à alguns aspectos positivos</p><p>desses sistemas pastoris, tais como:</p><p>Geração de menor quantidade de resíduos orgânicos</p><p>com potencial de poluição;</p><p>Possibilidade de obtenção de produto animal de</p><p>excelente qualidade;</p><p>Menor gasto com infra-estrutura;</p><p>A importância das pastagens para a pecuária brasileira é</p><p>inquestionável, o que pode ser percebida pelas seguintes</p><p>informações:</p><p>Introdução</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>O pasto é um alimento barato, o que resulta em baixo</p><p>custo do leite ou da carne produzidos em pastagens.</p><p>como ocorre a produção animal em pastagens; e</p><p>como interferir nesse processo produtivo, a fim de obter</p><p>os resultados desejados.</p><p>Muitas das vezes, o pecuarista adota ações de manejo da</p><p>Essa última vantagem ocorre, dentre outros motivos,</p><p>porque o potencial de produção de forragem dos capins</p><p>tropicais é alto, o que dilui os custos por unidade de forragem</p><p>produzida. Além disso, usamos capins perenes para a</p><p>formação das pastagens, o que torna desnecessário gastar</p><p>com o estabelecimento do pasto anualmente. O fato do</p><p>próprio animal colher o pasto por meio do pastejo também</p><p>reduz o custo de produção dos sistemas baseados no uso de</p><p>pastagens.</p><p>Para aproveitar as vantagens da produção animal a pasto,</p><p>as pastagens têm que ser bem manejadas ou adequadamente</p><p>cuidadas.</p><p>Por sua vez, para que estratégias de manejo da pastagem</p><p>sejam utilizadas de modo correto, é imprescindível ter</p><p>conhecimento sobre o princípio, os componentes e as etapas</p><p>do processo de produção animal em pastagens.</p><p>Nesse sentido, neste e-book serão apresentadas as</p><p>informações que farão você, leitor, conhecer mais sobre:</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>pastagem de forma errada, simplesmente por não ter o</p><p>conhecimento certo. Isso ocasiona perda de tempo, de</p><p>trabalho e de dinheiro, gerando ineficiência no uso dos</p><p>recursos produtivos e, até mesmo, prejuízo econômico.</p><p>Para evitar esses problemas, o conhecimento é o</p><p>“remédio”!</p><p>Por isso, este e-book foi cuidadosamente elaborado, com</p><p>o intuito de levar o conhecimento científico, numa</p><p>linguagem mais simples ou de fácil entendimento, para</p><p>os profissionais que atuam como manejadores de</p><p>pastagens.</p><p>Esperamos, sinceramente, que o leitor tome posse desse</p><p>conhecimento e, depois, o aplique corretamente nas suas</p><p>práticas de manejo da pastagem.</p><p>É importante que você saiba que neste e-book serão</p><p>apresentadas informações sobre o manejo de pastagens</p><p>sem indícios de degradação. Em pastagens degradadas, é</p><p>necessário adotar estratégias permitam a sua</p><p>recuperação, porém esse tema não será tratado neste e-</p><p>book.</p><p>Com este e-book, você aprenderá sobre:</p><p>Os componentes e as etapas da produção animal em</p><p>pastagem;</p><p>Os tipos de estratégias de manejo da pastagem</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>O princípio fundamental do manejo da pastagem;</p><p>Os degraus da escada de intensificação da produção</p><p>animal em pastagens; e</p><p>Os principais problemas que atrapalham a produção</p><p>animal na pastagem durante a época das águas.</p><p>Agradecemos pelo seu interesse neste e-book e desejamos</p><p>que tenha uma boa leitura, com muita aprendizagem!</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>2.</p><p>ANTES, ALGUNS</p><p>CONCEITOS</p><p>Prezado leitor, antes de você iniciar a leitura desse livro,</p><p>pedimos que tenha um pouco de atenção à algumas palavras</p><p>ou termos que serão muito usados daqui em diante. É preciso</p><p>que você saiba o que eles significam, para que entenda</p><p>adequadamente o conteúdo desse e-book. Por isso, antes de</p><p>começarmos nossa jornada de aprendizagem para fazer sua</p><p>pastagem produzir mais carne ou leite durante a época das</p><p>águas, é importante saber que:</p><p>Antes, alguns conceitos</p><p>PASTAGEM: é área com plantas forrageiras e infra-</p><p>estrutura adequada para a produção animal em pastejo.</p><p>Dessa forma, também fazem parte da pastagem a cerca, o</p><p>bebedouro e o cocho para fornecimento de alimentos</p><p>suplementares (caso existam!).</p><p>PLANTA FORRAGEIRA: é a planta apropriada para a</p><p>alimentação dos herbívoros domésticos, sendo</p><p>geralmente adaptada ao pastejo. Os capins, que são tipos</p><p>de gramíneas, são as principais plantas forrageiras</p><p>utilizadas para formação das pastagens no Brasil.</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Mais alguns conceitos:</p><p>PASTO: é tipo de planta forrageira existente na</p><p>pastagem razão pela qual é comum falarmos “pasto de</p><p>capim-mombaça” ou “pasto de capim-marandu”.</p><p>Entretanto, toda a população de plantas presente na</p><p>pastagem constitui, na verdade, o pasto. Como algumas</p><p>partes das plantas que formam o pasto, principalmente</p><p>as folhas verdes, são consumidos pelos animais em</p><p>pastejo, o termo “pasto” também pode ser entendido</p><p>como um tipo de alimento volumoso ou forragem, com</p><p>alto teor de fibra.</p><p>PERFILHO: é a unidade de crescimento do capim;</p><p>vulgarmente, é chamado de broto. Um pasto é formado</p><p>por uma população de perfilhos.</p><p>FOTOSSÍNTESE: simplificadamente, é um processo</p><p>realizado pelas plantas para a produção de carboidrato,</p><p>utilizando gás carbônico da atmosfera, água e energia</p><p>da luz solar. Permite o crescimento das plantas</p><p>forrageiras.</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Mais alguns conceitos:</p><p>SENESCÊNCIA: processo em que a planta ou alguns de</p><p>seus órgãos, como folha e perfilho, morrem por</p><p>influência do ambiente e da genética do vegetal.</p><p>FORRAGEM: são as partes comestíveis das plantas,</p><p>exceto os grãos, que podem servir na alimentação dos</p><p>animais em pastejo ou colhidas e fornecidas no cocho</p><p>(Pinto & Ávila, 2013).</p><p>PASTEJO: é o processo de deslocamento dos animais na</p><p>busca de alimento, bem como a ação de colheita da</p><p>forragem pelo bocado do animal e seu processamento</p><p>para deglutição (Carvalho et al., 2005).</p><p>MANEJO DA PASTAGEM: ações que o homem adota nos</p><p>componentes da pastagem (solo, planta, animal e</p><p>ambiente) para alcançar seus objetivos.</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Mais alguns conceitos:</p><p>MANEJO DO PASTEJO: é o controle executado pelo</p><p>homem sobre o pastejo dos animais para alcançar seus</p><p>objetivos.</p><p>TAXA DE LOTAÇÃO: é relação entre o número de</p><p>animais ou unidades animais e a área da pastagem.</p><p>DESEMPENHO ANIMAL: é a quantidade de produto que</p><p>um animal produz ao longo de um período. Por exemplo:</p><p>10 kg por vaca por dia; ou 0,750 kg por bezerro por dia.</p><p>UNIDADE ANIMAL (UA): na Brasil corresponde à 450 kg</p><p>de peso corporal de animal.</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Mais alguns conceitos:</p><p>PRODUÇÃO POR ÁREA: é a quantidade de produto</p><p>animal (carne ou leite, por exemplo) produzido</p><p>em uma</p><p>área de pastagem (em, geral em 1 ha) ao longo de um</p><p>período. É calculado pela multiplicação da taxa de</p><p>lotação pelo desempenho animal.</p><p>VALOR NUTRITIVO DO PASTO: é a composição química</p><p>ou concentração de nutrientes do pasto, mais a</p><p>digestibilidade desses nutrientes.</p><p>DEGRADAÇÃO DA PASTAGEM: processo evolutivo de</p><p>perda de produtividade, de qualidade e de capacidade</p><p>para superar os efeitos nocivos de pragas, doenças e</p><p>plantas invasoras, culminando com a degradação dos</p><p>recursos naturais. Esse processo é causado por manejos</p><p>inadequados (Macedo et al., 2005).</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Mais alguns conceitos:</p><p>QUALIDADE DO PASTO: representa o potencial de</p><p>consumo e, portanto, de ingestão de nutrientes, que</p><p>permite o animal realizar sua função produtiva, isto é,</p><p>expressar o seu desempenho.</p><p>Agora que já sabemos esses conceitos, vamos de fato ao</p><p>conteúdo central deste e-book!</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>3.</p><p>COMPONENTES E</p><p>ETAPAS DA</p><p>PRODUÇÃO ANIMAL</p><p>EM PASTAGEM</p><p>Recursos físicos: é a como a base produtiva do sistema,</p><p>que inclui as condições de solo e de clima da região, a</p><p>infraestrutura e a localização geográfica do sistema</p><p>produtivo;</p><p>Recursos vegetais: a(s) espécie(s) forrageira(s) presentes</p><p>no sistema produtivo;</p><p>Recursos animais: espécie(s), categoria(s) e mérito</p><p>genético dos animais que serão criados;</p><p>Recursos humanos: pessoas envolvidas no processo</p><p>produtivo (quantidade e qualidade da mão-de-obra</p><p>disponível), cujas ações são decisivas para o sucesso ou</p><p>fracasso da produtividade desse sistema (Santos &</p><p>Fonseca, 2016).</p><p>Os componentes do sistema de produção animal em</p><p>pastagem são:</p><p>Os recursos deve ser arranjados e organizados em uma</p><p>sequência hierárquica e interativa (Sheath & Clark, 1996).</p><p>Para a utilização adequada desses recursos vegetais, deve-se</p><p>conhecer suas características, bem como a base produtiva do</p><p>sistema (recursos físicos).</p><p>Componentes e Etapas da Produção</p><p>Animal em Pastagem</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>A interação entre os recursos físicos e vegetais deve ser</p><p>harmoniosa, para que o sistema seja produtivo e sustentável.</p><p>Assegurada essa condição, também é possível escolher os</p><p>recursos animais (Da Silva & Corsi, 2003).</p><p>Infelizmente, essa condição básica para o bom</p><p>funcionamento do sistema de produção animal baseado no</p><p>uso da pastagem não tem sido respeitada.</p><p>A escolha inadequada de plantas forrageiras a ser</p><p>estabelecida na base física resulta em baixa produtividade e</p><p>lucratividade do sistema e, o que é mais preocupante, causa</p><p>degradação das e pastagens.</p><p>Nesse contexto, é importante chamar a atenção ao fato de</p><p>que ações de manejo podem e, muitas vezes, devem ser</p><p>implementadas com o objetivo de corrigir possíveis</p><p>limitações nos recursos físicos e, assim, tornar apropriada a</p><p>utilização dos recursos vegetais específicos e de interesse.</p><p>Idealmente, somente após o estabelecimento de uma</p><p>interação estável e harmônica entre os recursos físicos e</p><p>vegetais é que o terceiro componente do sistema de</p><p>produção animal em pastagens deve ser considerado, qual</p><p>seja: o recurso animal.</p><p>Os recursos animais também devem interagir de maneira</p><p>apropriada com os recursos vegetais para obtenção de bons</p><p>níveis de produtividade no sistema.</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Infelizmente, ainda é comum o emprego de recursos</p><p>animais inadequados aos recursos vegetais disponíveis.</p><p>Um exemplo de inadequação entre recursos vegetais e</p><p>animais é a situação em que o pecuarista adota a</p><p>inseminação artificial para melhorar a genética de seus</p><p>animais (aumentar a produção por animal), mas cultiva</p><p>plantas forrageiras de baixo potencial genético para valor</p><p>nutritivo, tal como a Brachiaria humidicola.</p><p>Os diferentes recursos animais exigem diferentes recursos</p><p>vegetais. Em condições de pastagem onde existe grande</p><p>quantidade de forragem de baixa qualidade, os animais de</p><p>menor tamanho ficam em desvantagem para atingir suas</p><p>exigências nutricionais devido à sua alta demanda</p><p>energética (Demment & Van Soest, 1985).</p><p>Por outro lado, os animais de grande porte têm a vantagem</p><p>de poder utilizar a estratégia de aumentar o tempo de</p><p>retenção do alimento no trato digestivo, explorando mais</p><p>eficientemente o pasto de baixa qualidade.</p><p>Os bovinos teriam, portanto, uma considerável vantagem</p><p>em relação aos ovinos, e principalmente em relação aos</p><p>caprinos, em condições de recursos vegetais de baixa</p><p>qualidade. Nesse mesmo sentido, para uma mesma espécie</p><p>animal, as categorias mais jovens são mais indicadas para</p><p>pastos de melhor qualidade</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>quando comparadas às categorias de animais de idade mais</p><p>avançada.</p><p>Vale destacar também que o recurso físico influencia o</p><p>recurso animal de duas formas, uma direta e outra indireta.</p><p>Um exemplo de como o recurso físico impõe restrições</p><p>diretas aos recursos animais no sistema de produção em</p><p>pastagens diz respeito ao efeito do clima tropical,</p><p>caracterizado por altas temperaturas e níveis de radiação</p><p>solar, que limita o uso de raças de ruminantes no sistema</p><p>produtivo, de modo que apenas as raças mais adaptadas a</p><p>essas condições, como as zebuínas (Nelore, Gir, Guzerá, etc)</p><p>de bovinos e seus mestiços, predominam em sistemas</p><p>pastoris dos países de clima tropical.</p><p>Já a influência indireta do recurso físico sobre o recurso</p><p>animal ocorre por intermédio do recurso vegetal. Dessa</p><p>maneira, é possível que o recurso físico modifique as</p><p>características (valor nutritivo, por exemplo) do recurso</p><p>vegetal que será consumido pelos recursos animais, o que é</p><p>determinante do desempenho destes últimos.</p><p>Outra consideração que deve ser realçada diz respeito aos</p><p>efeitos dos recursos animais sobre os recursos vegetais, que</p><p>ocorre por meio da deposição de fezes e urinas, do pisoteio e,</p><p>notadamente, pelo pastejo (remoção de folhas vivas).</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Os recursos vegetais e os recursos animais também podem</p><p>interferir nos recursos físicos. Um recurso vegetal bem</p><p>manejado garante adequada cobertura do solo, o que evita a</p><p>erosão eólica e hídrica do solo, conservando esse importante</p><p>recurso físico. O correto manejo do recurso vegetal também</p><p>tem potencial de aumentar os estoques de carbono do solo e</p><p>isso contribui para o “sequestro” de carbono no recurso</p><p>físico.</p><p>Da mesma forma, o recurso animal tem consequências</p><p>sobre o recurso físico. Por exemplo, a deposição de fezes</p><p>pelos ruminantes altera fertilidade do solo (Braz et al., 2002).</p><p>O inadequado manejo do recurso animal, como o emprego de</p><p>taxas de lotação acima da capacidade de suporte da</p><p>pastagem por um longo período, também pode aumentar a</p><p>compactação do solo, intensificando a degradação do</p><p>recurso físico.</p><p>Não se deve esquecer que o homem, através do manejo, é</p><p>quem, dentro de certos limites, controla e aplica as</p><p>modificações nos componentes do sistema de produção</p><p>animal em pastagens.</p><p>O homem (recurso humano), através do manejo, é quem,</p><p>dentro de certos limites, controla e aplica as modificações</p><p>nos componentes do sistema de produção animal em</p><p>pastagens.</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>As interferências do homem são necessárias para manter</p><p>a sustentabilidade do sistema produtivo e ocorrem através</p><p>de várias ações de manejo, tais como: escolha da(s)</p><p>espécie(s) de planta(s) forrageira(s) a ser(em) estabelecida(s)</p><p>na pastagem; adubação e correção do solo; controle de</p><p>plantas daninhas; subdivisão das pastagens em piquetes;</p><p>controle do período de pastejo e de descanso dos pastos</p><p>pelos animais; fornecimento de alimentos suplementares</p><p>aos animais mantidos na pastagem; etc.</p><p>Portanto, o recurso humano também deve ser considerado</p><p>um componente do sistema de produção (Santos & Fonseca,</p><p>2016) (ver Figura 1).</p><p>Além de compreender a natureza e as interações entre os</p><p>componentes ou recursos da produção animal em pastagens,</p><p>também é importante conhecer</p><p>as etapas responsáveis pela</p><p>produção animal em pastagens.</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Figura 1 – Componentes da produção do sistema de</p><p>produção animal em pastagens. Fonte; Santos & Fonseca</p><p>(2016).</p><p>A produção animal em pastagens pode ser entendida</p><p>como resultado de três etapas interdependentes:</p><p>crescimento, utilização e conversão (Hodgson, 1990) (ver</p><p>Figura 2).</p><p>Recurso</p><p>Físico</p><p>Recurso</p><p>Vegetal</p><p>Recurso</p><p>Animal</p><p>RECURSO</p><p>ANIMAL</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Mais recentemente, Santos & Martuscello (2022)</p><p>propuseram a adição de mais uma etapa ao sistema de</p><p>produção, denominada de “comercialização”, responsável</p><p>pela transformação do produto animal em dinheiro.</p><p>Figura 2 – Representação das etapas da produção animal em</p><p>pastagem. Adaptado de Hodgson (1990).</p><p>RECURSOS:</p><p>SOLO, CLIMA,</p><p>PLANTAS.</p><p>FORRAGEM</p><p>PRODUZIDA</p><p>FORRAGEM</p><p>CONSUMIDA</p><p>PRODUTO</p><p>ANIMAL</p><p>CRESCIMENTO UTILIZAÇÃO CONVERSÃO</p><p>PRODUÇÃO ANIMAL</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>A fixação de energia proveniente do sol e sua</p><p>transformação em tecido vegetal são processos responsáveis</p><p>pela produção de forragem e correspondem à etapa de</p><p>crescimento. Essa etapa é afetada pela disponibilidade de</p><p>luz, água, temperatura, nutrientes, radiação solar, bem como</p><p>pelo potencial genético da planta forrageira.</p><p>O homem pode lançar mão de várias estratégias de manejo</p><p>capazes de modificar a etapa de crescimento. O uso de</p><p>adubos e corretivos, o emprego de irrigação, a escolha de</p><p>plantas forrageiras com maior potencial genético para</p><p>produção de forragem são alguns exemplos de</p><p>possibilidades de interferência que o homem pode realizar.</p><p>A etapa de crescimento é determinada pela genética da</p><p>planta forrageira e pelas condições do ambiente (solo, clima</p><p>e manejo conferido pelo homem). Em geral, o potencial</p><p>genético da planta forrageira não é limitante ao crescimento</p><p>do pasto. Desse modo, o fator limitante da etapa de</p><p>crescimento consiste na inadequação do ambiente,</p><p>incluindo o manejo realizado pelo homem, à planta</p><p>forrageira.</p><p>Quando a forragem ou o pasto é colhido pelo animal por</p><p>meio do pastejo, ocorre a etapa de utilização. Esta etapa é</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>que garante os baixos custos, normalmente, associados aos</p><p>sistemas de produção animal em pastagens, porque, com o</p><p>pastejo, não há a necessidade de gastos com mão-de-obra e</p><p>combustível para as atividades relacionadas à alimentação</p><p>dos animais, como ocorre em sistemas de confinamento.</p><p>Para melhorar a utilização do pasto, o pecuarista pode</p><p>modificar a taxa de lotação na pastagem, alterar os períodos</p><p>de descanso e de ocupação dos pastos e subdividir as áreas</p><p>de pastagens na propriedade.</p><p>A conversão é a transformação da forragem consumida</p><p>em tecidos e produtos de origem animal. Dentre os fatores</p><p>que influenciam a etapa de conversão, pode-se citar o mérito</p><p>genético do animal e o valor nutritivo da forragem.</p><p>Assim, para melhorar a eficiência da produção animal em</p><p>pastagem é preciso melhorar as eficiências de cada etapa</p><p>produtiva: crescimento, utilização e conversão.</p><p>Uma vez compreendida a maneira pela qual ocorre a</p><p>produção animal em pastagem e as características dos seus</p><p>componentes, deve-se atuar, por meio do emprego de ações</p><p>adequadas de manejo da pastagem, para que se consiga</p><p>elevada eficiência em cada etapa produtiva. Esse assunto</p><p>será abordado no próximo capítulo.</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>4.</p><p>MANEJO DA</p><p>PASTAGEM</p><p>Assegurar a persistência da planta forrageira, isto é,</p><p>manter o pasto com adequado crescimento, boa</p><p>recuperação após o pastejo e às condições climáticas</p><p>adversas, alto perfilhamento, etc. Com isso, evita-se o</p><p>processo de degradação da pastagem.</p><p>Para obter alta produção de carne ou de leite em sistemas</p><p>produtivos baseados na utilização de pastagens, de maneira</p><p>sustentável, é necessário manejar corretamente as</p><p>pastagens. A palavra “manejar” tem os seguintes</p><p>significados: “ter conhecimento sobre algo”, “saber praticar”,</p><p>“fazer a gestão” ou “administrar”. Dessa forma, podemos</p><p>afirmar que manejar uma pastagem corresponde ao uso do</p><p>conhecimento para planejar e executar, de forma integrada,</p><p>as ações que irão interferir nos componentes e nas etapas do</p><p>sistema produtivo, com o objetivo de alcançar resultados</p><p>desejáveis.</p><p>Em outras palavras, o manejo da pastagem também pode</p><p>ser considerado o conjunto de ações realizadas pelo homem</p><p>sobre os componentes (solo, planta, animal e ambiente) e as</p><p>etapas (crescimento, utilização e conversão) da produção</p><p>animal em pastagem, com vistas obter seus objetivos.</p><p>Dentre os objetivos com o manejo da pastagem, destacam-</p><p>se:</p><p>Manejo da pastagem</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Escolha da espécie forrageira, pois cada capim tem uma</p><p>genética específica para produção de forragem. É sempre</p><p>bom lembrar que, como não existe um “supercapim” ou</p><p>um “capim milagroso”, é recomendável se ter vários</p><p>capins na fazenda (ao menos, quatro capins diferentes!).</p><p>Mas falaremos mais sobre essa questão no e-book</p><p>“Diversificação das pastagens” nº 6 dessa série.</p><p>Ações que geram modificações no ambiente em que o</p><p>capim cresce, tais como adubação, irrigação, controle de</p><p>plantas daninhas, etc.</p><p>Obter maior produtividade/lucratividade, de modo a</p><p>produzir carne ou leite com maior eficiência.</p><p>Existem várias ações de manejo da pastagem, como</p><p>adubação, irrigação, controle de plantas daninhas, método de</p><p>lotação (“pastejo contínuo” ou pastejo rotativo),</p><p>suplementação, dentre outras. Para adoção dessas</p><p>estratégias de manejo da pastagem de forma correta é</p><p>necessário ter conhecimento, fundamental para a tomada de</p><p>decisão.</p><p>Nesse contexto, dentre as estratégias de manejo da</p><p>pastagem que têm efeitos fortes sobre a etapa de</p><p>crescimento do pasto, destacam-se:</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Com relação ao crescimento do pasto, como já vimos no</p><p>capítulo 3 desse e-book, é sempre bom lembrar que a</p><p>produção de forragem é variável durante o ano. Por isso, é</p><p>importante realizar um adequado planejamento alimentar no</p><p>sistema de produção.</p><p>Outro fato que você deve saber é que o potencial genético</p><p>da planta forrageira quase sempre não é o fator limitante</p><p>para a produção de forragem. Nossos capins tropicais têm</p><p>elevada taxa de crescimento e, portanto, não são geralmente</p><p>os responsáveis pela baixa produção de forragem da</p><p>pastagem. Por isso, a simples troca de capins em situações</p><p>em que a pastagem está pouco produtiva, em geram, não</p><p>resolve o problema.</p><p>Assim, via de regra, o fator que mais limita o crescimento</p><p>do pasto e a produção de forragem na pastagem é a</p><p>inadequação do ambiente, como limitações de clima (baixa</p><p>temperatura, pouca chuva, dias mais curtos, nebulosidade,</p><p>etc) e de solo (fertilidade). O ambiente em que o pasto cresce</p><p>deve ser, na medida do possível, modificado pelo manejador</p><p>da pastagem, para criar as condições mais propicias para</p><p>ocorrer maior produção de forragem.</p><p>Com relação à utilização do pasto, as estratégias de manejo</p><p>que mais influenciam essa etapa são as ações de manejo do</p><p>pastejo.</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Tipo de planta forrageira, porque cada capim tem uma</p><p>genética específica para o valor nutritivo da forragem</p><p>que produz. Neste caso, é importante deixar claro que a</p><p>forma como o homem trata do capim (manejo) é muito</p><p>mais determinante sobre o valor nutritivo do que a</p><p>genética do capim.</p><p>Momento em que o animal colhe o pasto, controlado via</p><p>o manejo do pastejo.</p><p>Uso de concentrados, volumosos e, ou, aditivos</p><p>suplementares;</p><p>Genética, categoria, estádio fisiológico do animal.</p><p>O manejo do pastejo é o controle da colheita da forragem</p><p>pelo próprio animal, via o pastejo, na área da pastagem.</p><p>Sobre esse assunto, apresentaremos informações mais</p><p>detalhas nos e-books 2, 3 e 4 dessa série. Por ora, você deve</p><p>saber que o controle do pastejo pode ser feito pelo ajuste</p><p>do</p><p>período de descanso dos piquetes, pelo controle da altura do</p><p>pasto, pela modificação da taxa de lotação da pastagem e</p><p>pela escolha dos métodos de lotação (pastejo ”contínuo” ou</p><p>pastejo rotativo).</p><p>Por fim, as estratégias de manejo da pastagem que</p><p>influenciam a etapa de conversão todas as ações que geram</p><p>efeitos sobre a qualidade do pasto, tais como:</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Conforme você pode perceber, existe uma grande</p><p>variedade de estratégias de manejo que podem ser</p><p>empregadas na pastagem. Idealmente, essas estratégias de</p><p>manejo da pastagem devem ser empregadas de forma</p><p>integrada, porque uma determinada ação de manejo gera</p><p>efeitos que exigem mudanças em outras estratégias de</p><p>manejo.</p><p>Por exemplo, quando se começa a adubar uma pastagem,</p><p>é necessário ajustar o manejo do pastejo (aumentar a taxa de</p><p>lotação, reduzir o período de descanso). Portanto, uma a ação</p><p>de manejo (adubação) que altera a etapa de crescimento</p><p>resulta na necessidade de modificar a etapa de utilização</p><p>(manejo do pastejo).</p><p>O conhecimento de cada estratégia de manejo da</p><p>pastagem, aliado ao conhecimento do perfil e das</p><p>características do sistema de produção, são necessários para</p><p>que as recomendações mais adequadas sejam realizadas</p><p>para o manejo das pastagens. Contudo, apenas o</p><p>conhecimento não é suficiente para obter sucesso com a</p><p>produção animal em pastagens.</p><p>Também é necessário que o manejador da pastagem tenha</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Tecnologias de processo; e</p><p>Tecnologias de insumo.</p><p>As tecnologias de insumo referem-se às ações de manejo</p><p>da pastagem em que se usa insumos externos ao sistema</p><p>engajamento ou comprometimento, isto é, o manejador deve</p><p>se dedicar e se empenhar para adotar as ações de manejo do</p><p>forma correta, de acordo com o conhecimento que</p><p>conquistou e também conforme as orientações técnicas.</p><p>Um terceiro aspecto importante para o apropriado manejo</p><p>da pastagem diz respeito ao planejamento. De nada adianta,</p><p>executar as ações de manejo de forma desorganizada, fora da</p><p>ordem lógica e recomendável, ou no tempo errado. Para</p><p>evitar esses problemas, deve-se planejar, ou seja, definir</p><p>ações que podem ser executadas para alcançar um objetivo</p><p>no futuro (Parker, 1993).</p><p>Assim, para manejar adequadamente uma pastagem e</p><p>torná-la mais produtiva, são necessário três fatores:</p><p>conhecimento, comprometimento e planejamento. Com isso,</p><p>você evitará os principais erros de manejo da pastagem na</p><p>época das águas.</p><p>As estratégias de manejo da pastagem podem ser</p><p>classificadas em dois tipos:</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>natural de produção, como corretivos, adubos, água para</p><p>irrigação e alimentos suplementares. Por isso, elas exigem</p><p>gastos maiores para a sua adoção.</p><p>Por outro lado, as tecnologias de processo são aquelas</p><p>relacionadas ao controle do crescimento do pasto e dos</p><p>animais em pastejo. Elas são adotadas com base no</p><p>conhecimento desses processos. O principal insumo usado é</p><p>intelectual, sendo bem menor os gastos diretos.</p><p>Dentre as tecnologias de processo, destaca-se o manejo do</p><p>pastejo, prática que possibilita ao homem a escolha do</p><p>método de lotação, o controle da taxa de lotação da</p><p>pastagem, os ajustes em períodos de descanso e de ocupação</p><p>dos pastos, dentre outros.</p><p>Num primeiro momento, a produção animal da pastagem</p><p>pode ser melhorada sem a necessidade de insumos ou de</p><p>muitos recursos financeiros, isto é, somente usando as</p><p>tecnologias de processos.</p><p>Porém, nas etapas posteriores do processo de</p><p>intensificação ou de elevação da produção animal em</p><p>pastagens, as tecnologias de insumo são necessárias, como a</p><p>adubação, a irrigação e o fornecimento de suplementos aos</p><p>animais (ver Figura 3).</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Figura 3 – Classificação das estratégias de manejo da</p><p>pastagem.</p><p>Todas as estratégias de manejo que são adotadas nas</p><p>pastagens têm como objetivo maior alcançar um requisito:</p><p>fazer com que não sobre e nem falte pasto para os animais</p><p>do rebanho. Em outras palavras, a pastagem deve ser</p><p>manejada para equilibrar a quantidade de forragem</p><p>produzida com a quantidade de forragem que os animais</p><p>precisam. Esse é o princípio fundamental do manejo da</p><p>pastagem e mais informações sobre isso você terá no</p><p>próximo capítulo.</p><p>ESTRATÉGIAS</p><p>DE MANEJO DA</p><p>PASTAGEM</p><p>TECNOLOGIA DE</p><p>PROCESSOS</p><p>TECNOLOGIA DE</p><p>INSUMOS</p><p>MANEJO DO</p><p>PASTEJO</p><p>ADUBAÇÃO,</p><p>IRRIGAÇÃO,</p><p>SUPLEMENTAÇÃO</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>5.</p><p>PRINCÍPIO</p><p>FUNDAMENTAL DO</p><p>MANEJO DA</p><p>PASTAGEM</p><p>Um princípio básico e universal norteia todas as tomadas</p><p>de decisão pelo homem em curto, médio e longo prazo nos</p><p>sistemas de produção animal em pastagens, qual seja: o</p><p>suprimento de forragem nas pastagens deve ser igual à</p><p>demanda de forragem pelo rebanho (Da Silva & Pedreira,</p><p>1996) (Figura 4).</p><p>Princípio Fundamental do Manejo</p><p>da Pastagem</p><p>Figura 4 – Princípio fundamental do manejo das pastagens:</p><p>SUPRIMENTO de forragem = DEMANDA de forragem.</p><p>O suprimento de forragem de um sistema pastoril depende</p><p>do crescimento da planta forrageira, um processo</p><p>influenciado pela genética da planta, pelas condições do solo</p><p>e do clima e pelas técnicas de manejo da pastagem</p><p>utilizadas pelo homem.</p><p>SUPRIMENTO:</p><p>Produção de</p><p>forragem</p><p>DEMANDA:</p><p>Necessidade do</p><p>rebanho</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Algumas características do ambiente (radiação solar,</p><p>vento, precipitação pluvial, temperatura, propriedades físicas</p><p>do solo, etc) não podem ser controladas pelo homem e, desse</p><p>modo, o controle do suprimento de forragem é limitado pelo</p><p>manejador da pastagem.</p><p>De outro lado, a demanda de forragem pelo rebanho</p><p>depende da taxa de lotação na pastagem e do consumo</p><p>individual de cada animal. O consumo animal é determinado</p><p>pelas característica do próprio animal, como peso corporal,</p><p>sexo, estádio fisiológico, e desempenho; como também pelas</p><p>características do pasto, tais como altura e o valor nutritivo.</p><p>Por sua vez, a taxa de lotação pode ser controlada</p><p>efetivamente pelo homem, de acordo com seus objetivos e</p><p>com base em critérios técnicos adequados.</p><p>Percebe-se, então, que diferentemente do suprimento de</p><p>forragem, o homem pode empregar ações técnicas mais</p><p>eficazes e que geram respostas rápidas para a modificação</p><p>da demanda de forragem no sistema produtivo.</p><p>Para garantir o princípio “suprimento = demanda” deve-</p><p>se conhecer como a produção de forragem é distribuída nas</p><p>áreas de pastagens no decorrer do ano.</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Também deve-se saber sobre as exigências nutricionais de</p><p>todos os animais criados no sistema de produção.</p><p>Uma das informações mais difíceis de ser obtida é a</p><p>estimativa da produção de forragem nas pastagens, pois esta</p><p>é muito dependente das condições climáticas e de manejo da</p><p>pastagem, que, por sua vez, são variáveis entre os anos, as</p><p>regiões e os sistemas produtivos.</p><p>Percebe-se, então, que o princípio “suprimento = demanda”</p><p>é de simples compreensão, contudo a sua aplicação prática é</p><p>complexa, do modo que uma coincidência completa e</p><p>perfeita entre o crescimento do pasto e as exigências de</p><p>consumo pelos animais raramente é atingida. Isso acontece</p><p>porque, dentre outros fatores, a distribuição da produção de</p><p>forragem é totalmente previsível.</p><p>Mesmo assim, é importante a realização de um</p><p>planejamento forrageiro, de modo a estimar as quantidades</p><p>de forragem que serão produzidas nas pastagens da fazenda,</p><p>e também determinar a quantia de forragem que será</p><p>demandada pelo rebanho em cada mês do(s) próximo(s)</p><p>ano(s).</p><p>Com a estimativa do suprimento e da demanda de forragem</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Abundância de Forragem Escassez de Forragem</p><p>Comprar animais Vender animais</p><p>Retardar a época de venda dos</p><p>animais</p><p>Antecipar</p><p>a época de venda de</p><p>animais</p><p>Fazer silagem ou feno Suplementar</p><p>Reduzir a dose de adubo</p><p>nitrogenado</p><p>Aumentar a dose de adubo</p><p>nitrogenado</p><p>Arrendar pastagem para</p><p>terceiros</p><p>Arrendar pastagem de terceiros</p><p>em cada mês do ano, é possível identificar, com</p><p>antecedência temporal, períodos de excedente e, ou, de</p><p>escassez de forragem no sistema de produção. Isso permite a</p><p>adoção de estratégias de manejo para acabar ou diminuir</p><p>esses desequilíbrios (Tabela 1).</p><p>Tabela 1 – Exemplos de ações de estratégias de manejo</p><p>possíveis de serem empregadas em condições de</p><p>abundância ou escassez de forragem na pastagem</p><p>Para um determinado perfil de sistema de produção,</p><p>idealmente, a quantidade de forragem produzida é que</p><p>determina a taxa de lotação possível de ser empregada na</p><p>pastagem.</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Produção de</p><p>Forragem</p><p>SUPRIMENTO</p><p>Taxa de</p><p>Lotação</p><p>DEMANDA</p><p>SITUAÇÃO</p><p>EQUILÍBRIO</p><p>Ausência de degradação da pastagem</p><p>Quando esse princípio é adotado, o suprimento de forragem</p><p>está em equilíbrio com a demanda do rebanho na pastagem e</p><p>a produção animal tem sua sustentabilidade garantida.</p><p>Nesta condição, a taxa de lotação adotada permite a</p><p>otimização da produção animal, sem causar degradação da</p><p>pastagem, pois tanto a planta forrageira quanto o animal em</p><p>pastejo estão com seus desempenhos assegurados (Santos &</p><p>Fonseca, 2016) (Figura 5).</p><p>Figura 5 – Uma situação de equilíbrio entre o suprimento e a</p><p>demanda de forragem na pastagem evita a degradação da</p><p>pastagem. Fonte: Adaptado de Santos & Fonseca (2016).</p><p>compatível</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Evitar a condição de “suprimento de forragem > demanda</p><p>de forram” (subpastejo);</p><p>Todavia, situação de desequilíbrio acontece quando a</p><p>produção de forragem diminui e o pecuarista não reduz a</p><p>taxa de lotação na pastagem. Neste caso, ocorre o</p><p>superpastejo, onde a demanda por forragem do rebanho é</p><p>maior do que a capacidade produtiva (suprimento) do pasto,</p><p>o que tem consequências negativas sobre o desempenho dos</p><p>animais e a vida útil da pastagem.</p><p>Em um outro cenário, também de desequilíbrio, em que a</p><p>produção de forragem aumenta, porém o pecuarista não</p><p>incremente a taxa de lotação da pastagem, há o subpastejo,</p><p>situação onde o suprimento é maior do que a demanda de</p><p>forragem, e o desempenho animal pode ou não ser</p><p>prejudicado, contudo há alta perda de forragem. Como a</p><p>forragem não é eficientemente consumida pelos animais em</p><p>pastejo, ela não é convertida em produto animal, o que pode</p><p>gerar uma insustentabilidade econômica do sistema de</p><p>produção (Santos & Fonseca, 2016).</p><p>Então, com o manejo da pastagem deve-se:</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Evitar a condição de “suprimento de forragem < demanda</p><p>de forram” (superpastejo); e</p><p>Garantir a condição de “suprimento de forragem =</p><p>demanda de forram” (pastejo adequado).</p><p>Esses objetivos deve sempre ser levados em conta quando as</p><p>ações de manejo da pastagem são planejadas e executadas,</p><p>visando aumentar a produção animal da pastagem, conforme</p><p>veremos no próximo capítulo.</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>6.</p><p>AUMENTANDO A</p><p>PRODUÇÃO ANIMAL</p><p>NA PASTAGEM</p><p>O aumento da produção animal em pastagens também é</p><p>chamado de intensificação da produção animal. Nesse</p><p>contexto, as pastagens manejadas de forma mais intensiva</p><p>são denominadas de pastagens de alto nível tecnológico,</p><p>enquanto que aquelas manejadas de forma mais extensiva</p><p>são chamadas de pastagens de baixo nível tecnológico. Entre</p><p>esses dois extremos, ainda existem as pastagens sob os</p><p>níveis intermediários de uso de tecnologia.</p><p>Vale ressaltar que numa mesma fazenda normalmente</p><p>existem pastagens de alto nível tecnológico, bem como</p><p>pastagens manejadas de forma extensiva ou com baixo nível</p><p>tecnológico.</p><p>As pastagens de alto nível tecnológico são aquelas</p><p>normalmente manejadas com altos níveis de insumos</p><p>(fertilizantes, calcário, água, suplementos concentrados, etc.),</p><p>possibilitando aumento acentuado na taxa de lotação, de</p><p>acordo com a planta forrageira utilizada. Por outro lado, em</p><p>geral, as pastagens de baixo nível tecnológico caracterizam-</p><p>se pela utilização mínima de insumos e baixas taxas de</p><p>lotações, normalmente menores que 1 UA/ha/ano.</p><p>Aumentando a Produção Animal na</p><p>Pastagem</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Os sistemas de médio nível tecnológico caracterizam-se</p><p>por intensidade de pastejo e taxas de lotação intermediárias</p><p>(Cantarutti et al., 1999).</p><p>O conceito de intensificação também pode ter outra</p><p>interpretação. Por exemplo, a intensificação pode estar</p><p>associada ao nível, à intensidade e abrangência dos</p><p>conhecimentos aplicados no seu gerenciamento, mais do</p><p>que ao nível de investimento financeiro ou de utilização de</p><p>recursos externos, como adubos e corretivos (Carvalho et al.,</p><p>2005). Com base nesse conceito, sistemas intensivos são</p><p>caracterizados por alto uso de “insumo intelectual” ou</p><p>conhecimento, necessário para melhorar as interações entre</p><p>clima, solo, planta e animal por meio do manejo adequado.</p><p>Além disso, a intensificação da produção animal em</p><p>pastagem tem que ser sustentável, isto é, deve-se produzir</p><p>mais a partir do uso de uma mesma área de solo e com</p><p>redução dos impactos ambientais (Godfray et al., 2010).</p><p>No processo de intensificação da produção animal em</p><p>pastagens, as ações de manejo devem ser implementadas,</p><p>seguindo uma ordem de prioridades ao longo do tempo.</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Em outras palavras, existe uma sequência que deve ser</p><p>seguida para a adoção das estratégias de manejo da</p><p>pastagem. Se essa ordem cronológica for desrespeitada,</p><p>perde-se em eficiência e, ou deixa-se de produzir o efeito</p><p>esperado. Com isso, ocorre o desperdício de tempo, trabalho</p><p>e dinheiro, o que ninguém quer!</p><p>Podemos fazer uma analogia ou comparação de ideias</p><p>entre as ações de manejo da pastagem e a construção de</p><p>uma casa. Simplificadamente, durante a construção de uma</p><p>residência, primeiro trabalha-se na fundação; depois</p><p>levanta-se as paredes; e, por fim, se constrói o telhado.</p><p>Percebe que existe uma ordem lógica e adequada a ser</p><p>seguida nas etapas dessa construção? Não dá para levantar</p><p>as paredes ou pôr o telhado, se não for feita a fundação.</p><p>Nesse mesmo sentido, há grande risco das paredes e do</p><p>telhado caírem, caso a fundação não tenha ficado boa.</p><p>O mesmo ocorre com o manejo da pastagem: algumas</p><p>estratégias devem ser executadas primeiro, enquanto outras</p><p>ações, depois. Se isso não for respeitado, o manejo da</p><p>pastagem não funciona e não produz os resultados</p><p>desejados.</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Elas são as chamadas “tecnologias de processos”, que já</p><p>foram apresentadas no capítulo 5. Para sua adoção, deve-se,</p><p>primeiramente, conhecer os componentes do sistema, as</p><p>etapas da produção, e o princípio fundamental de</p><p>“suprimento de forragem = demanda de forragem” para o</p><p>manejo da pastagem.</p><p>Então, como ponto de partida em um processo de melhoria</p><p>ou aumento da produção animal em pastagens, atenção deve</p><p>ser dada inicialmente ao manejo do pastejo.</p><p>De modo geral, as pastagens mais extensivas ou de mais</p><p>baixo nível tecnológico são manejadas sob “pastejo</p><p>contínuo” (animais o tempo todo na pastagem) e com taxa de</p><p>lotação fixa (o número de animais não varia ao longo do</p><p>tempo). Além disso, a área dessas pastagens normalmente é</p><p>muito grande, o que resulta em alta desuniformidade de</p><p>pastejo. Nessa condição, o equilíbrio entre o suprimento de</p><p>forragem e a demanda de forragem raramente é alcançado,</p><p>pois para que animais não passem fome, a taxa de lotação</p><p>(número de animais/hectare da pastagem) é normalmente</p><p>calculada com base na menor produção de forragem no ano</p><p>(época da seca) e, dificilmente, se prevê qualquer tipo de</p><p>alimentação volumosa suplementar (Pedreira & Pedreira,</p><p>2014).</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Como consequência, as pastagens extensivas são</p><p>manejadas com baixa taxa de lotação, elevadas perdas de</p><p>forragem e com pouco o controle da altura do pasto e do</p><p>processo de pastejo.</p><p>Diante desse cenário, em geral, o próximo passo para</p><p>aumentar a produção animal desse tipo de pastagem</p><p>consiste em dividir a pastagem de área muito grande em</p><p>pastagens menores.</p><p>Com esse procedimento, evita-se a ocorrência de locais</p><p>com sub e superpastejo dentro da mesma pastagem, devido à</p><p>diminuição da desuniformidade do pastejo. Com pastagens</p><p>menores, o pecuarista também percebe mais facilmente os</p><p>desequilíbrios entre a oferta e a demanda de forragem</p><p>durante o ano. Porém, o uso de taxa de lotação fixa continua</p><p>a gerar grande desequilíbrio na relação entre o suprimento e</p><p>a demanda de forragem ao longo dos meses do ano.</p><p>Na sequência de melhoria ou de aumento da produção</p><p>animal na pastagem, pode-se adotar a lotação contínua, mas</p><p>com taxa de lotação variável, situação em que o número de</p><p>animais na área da pastagem varia ao longo do tempo. Com</p><p>esse manejo, é possível controlar mais efetivamente a altura</p><p>do pasto e, desse modo, reduzir as perdas de forragem e</p><p>melhorar o desempenho dos animais.</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Nessa situação, o controle da relação entre o suprimento e</p><p>a demanda de forragem é realizado, basicamente, através de</p><p>ajustes no número de animais na fazenda e, ou no tamanho</p><p>da área sendo destinada ao pastejo (Pedreira & Pedreira,</p><p>2014). Porém, com esse manejo, geralmente os animais tem</p><p>que ser vendidos ou comprados em épocas do ano em que os</p><p>preços são desfavoráveis, por questões de mercado (lei da</p><p>oferta e da procura de animais).</p><p>Então, o passo seguinte para o aumento da produção</p><p>animal na pastagem consiste em manter maior número de</p><p>animais na pastagem (maior taxa de lotação) ao longo de</p><p>todo o ano.</p><p>Para isso, é importante garantir colheita eficiente do</p><p>pasto, bem como o consumo adequado pelos animais em</p><p>pastejo durante a época das águas. Nessa condição, o uso do</p><p>pastejo rotativo assume importância, porque é a única</p><p>técnica de colheita que permite assegurar aproveitamento</p><p>eficiente da produção, respeitando as exigências específicas</p><p>de desfolhação de cada planta forrageira e, assim, garantindo</p><p>sua produtividade e longevidade, é a modalidade de pastejo</p><p>rotativo (Pedreira & Pedreira, 2014).</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Além disso, a maior taxa de lotação na pastagem durante</p><p>gera maior desequilíbrio na relação entre o suprimento e a</p><p>demanda de forragem no sistema ao longo das épocas do</p><p>ano. Como consequência, é necessário usar volumoso</p><p>suplementar durante a época seca do ano, para atender a</p><p>demanda do rebanho.</p><p>Assim, de forma simples, uma escala em ordem crescente</p><p>de intensificação do uso de plantas forrageiras em pastagens</p><p>teria no primeiro degrau a técnica de lotação contínua com</p><p>taxa de lotação fixa e, no último, o pastejo rotativo (Pedreira</p><p>& Pedreira, 2014).</p><p>Os demais degraus (níveis de intensificação</p><p>intermediários) seriam caracterizados pelo uso das</p><p>variações desses métodos de lotação, como o uso do pastejo</p><p>alternado, em que a pastagem é dividida em apenas dois</p><p>piquetes, que são manejados com período de descanso,</p><p>seguido de período de ocupação ao longo do tempo.</p><p>Ao mesmo tempo em que se melhora a eficiência do</p><p>manejo do pastejo, pode-se iniciar a correção do solo, com a</p><p>aplicação de calcário e gesso, de acordo com a análise do</p><p>solo e a recomendação de um especialista. Em seguida, é</p><p>comum a adição de nutrientes ao solo da pastagem, por meio</p><p>da adubação.</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>No começo do processo de aumento da produção animal</p><p>na pastagem, as doses de adubos são menores. Mas, na</p><p>medida em que o pecuarista trabalha com maior taxa de</p><p>lotação, ele deve aumentar as doses de adubos, sempre sob</p><p>uma adequada orientação técnica. Dessa maneira, pode</p><p>trabalhar com doses moderadas e, posteriormente, com</p><p>doses elevadas de adubos, principalmente os adubos</p><p>nitrogenados, que têm forte efeito no crescimento do pasto</p><p>(Santos & Fonseca, 2016).</p><p>Quando se deseja explorar o máximo potencial de</p><p>produção dos capins tropicais, geralmente a pastagem é</p><p>irrigada e adubada com doses elevadas de adubo. Assim, em</p><p>geral, se obtém o mais alto nível de produção animal em</p><p>pastagens.</p><p>Além das estratégias de manejo já citadas, também é</p><p>possível usar outras, como a integração entre lavoura e</p><p>pecuária ou a integração entre lavoura, pecuária e floresta. O</p><p>confinamento também pode ser uma estratégia comum em</p><p>sistemas produtivos de mais alto nível tecnológico, porque</p><p>nesse processo de aumento da produção animal em</p><p>pastagens, aumenta a necessidade de se produzir mais</p><p>volumoso suplementar, como silagem, para alimentar um</p><p>maior número de animais durante o período de seca.</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>E esses animais, então, podem ser confinados.</p><p>É importante salientar que, durante o processo de</p><p>intensificação da produção animal da pastagem, a</p><p>substituição do capim pode ser recomendada. Mas essa troca</p><p>geralmente não é imediata, porque a maioria das gramíneas</p><p>forrageiras utilizadas no Brasil são flexíveis quanto ao nível</p><p>tecnológico da pastagem. Com isso, quando se muda o</p><p>manejo de uma pastagem de baixo para médio nível</p><p>tecnológico, ou de médio para alto nível tecnológico, a troca</p><p>de capins geralmente não é necessária.</p><p>Por exemplo, o capim-braquiária (Brachiaria decumbens)</p><p>pode ser usado tanto em sistemas de baixo, quanto em</p><p>sistemas de alto nível tecnológico. Da mesma forma, o</p><p>capim-marandu ou capim braquiarão (Brachiaria brizantha</p><p>cv. Marandu) pode ser adequado às pastagens sob médio ou</p><p>alto nível tecnológico.</p><p>Assim, geralmente a substituição de capins torna-se</p><p>necessária apenas quando o manejo da pastagem muda de</p><p>modo mais drástico ou intenso, como ocorre quando o</p><p>manejo da pastagem passa de baixo para alto nível</p><p>tecnológico.</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>Na medida em que se melhora o manejo das pastagens, o</p><p>pecuarista também tem que se preocupar com a genética dos</p><p>seus animais, de modo a usar cada vez mais animais com</p><p>maior mérito genético. A utilização de animais com maior</p><p>potencial produtivo permite uma maior resposta produtiva,</p><p>quando o manejo da pastagem é melhorado.</p><p>Contudo, a utilização de animais com maior mérito</p><p>genético implica em oferta mais frequente de suplementos</p><p>concentrados para esses animais. Também, os cuidados</p><p>sanitários devem ser redobrados, da mesma forma que a</p><p>disposição de água e de sombra de qualidade não podem ser</p><p>negligenciados.</p><p>Outro aspecto que merece ser mencionado é que, na</p><p>medida em a produtividade da pastagem aumenta, o</p><p>processo de degradação da pastagem é paralisado, caso ele</p><p>estivesse em andamento na pastagem. Além disso, nesse</p><p>processo de intensificação da pastagem, o risco de</p><p>degradação diminui consideravelmente.</p><p>Diante de tudo o que foi apresentado sobre a intensificação</p><p>da produção animal em pastagens, pode generalizar que os</p><p>seguintes fatores ocorrem com mais frequência ou</p><p>intensidade na medida em que esse processo de</p><p>intensificação avança:</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>controle mais rigoroso e efetivo do processo de pastejo;</p><p>uso mais eficiente dos recursos produtivos;</p><p>maior uso de insumos (adubo, água de irrigação,</p><p>alimentos suplementares);</p><p>utilização de plantas forrageiras mais produtivas;</p><p>emprego de animais com maior mérito genético;</p><p>risco de desequilíbrios na relação entre suprimento e</p><p>demanda de forragem ao longo do ano;</p><p>qualificação da mão-de-obra, que deve apresentar maior</p><p>capacidade de gerenciamento do sistema.</p><p>A Figura 6 exemplifica a ordem temporal com que as ações</p><p>cumulativas de manejo são normalmente</p><p>adotadas em um</p><p>processo de intensificação da produção animal em</p><p>pastagens.</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>l</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>In</p><p>te</p><p>ns</p><p>ifi</p><p>ca</p><p>çã</p><p>o</p><p>Alimento suplementar</p><p>Animais de maior mérito genético</p><p>Tempo</p><p>Erros no manejo do pastejo;</p><p>Adequado manejo do pastejo;</p><p>Correção do solo;</p><p>Uso de baixo nível de adubos;</p><p>Uso de médio nível de adubos;</p><p>Uso de alto nível de adubos;</p><p>Irrigação.</p><p>Tecnologias de</p><p>Processo</p><p>Tecnologias de</p><p>Insumo</p><p>Figura 6 – Escada evolutiva demonstrando a ordem</p><p>cronológica com que as ações de manejo são normalmente</p><p>adotadas em um processo de intensificação ou melhoria da</p><p>produção animal em pastagens; essas ações de manejo são</p><p>cumulativas.</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>l</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>Para planejar o manejo que fará a sua pastagem mais</p><p>produtiva, você precisa conhecer os principais fatores que</p><p>influenciam o crescimento e a qualidade do pasto e, com</p><p>efeito, interferem na taxa de lotação e no desempenho dos</p><p>animais. Todos esses fatores podem e devem ser</p><p>controlados pelo homem.</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>7.</p><p>MENSAGENS</p><p>FINAIS</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>O conhecimento sobre como acontece a</p><p>produção animal em pastagem é a base para o</p><p>correto controle e a adequada intervenção no</p><p>sistema de produção.</p><p>Depois, esse conhecimento tem que ser</p><p>aplicado, procurando integrar o conhecimento</p><p>teórico com a análise dos resultados obtidos</p><p>na prática.</p><p>Assim, esperamos que as informações</p><p>contidas neste e-book lhe sejam úteis para o</p><p>aprimoramento do sistema de produção</p><p>animal baseado em pastagens!</p><p>Mensagens Finais</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>Para mais informações sobre produção</p><p>animal em pastagem:</p><p>Siga o Professor Manoel Rozalino.</p><p>Não perca a oportunidade de conhecer outros</p><p>trabalhos.</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>https://goodcoisas.com/products/livro-o-controle-do-pasto-engorda-o-gado</p><p>8.</p><p>TRABALHOS</p><p>CITADOS</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>ABIEC. Perfil da pecuária no Brasil, 2018. retirado de:</p><p>http://abiec.siteoficial.ws/images/upload/sumario-pt-010217.pdf.</p><p>BARIONI, L. G.; SILVA, R. O.; FASIABEN, M. V. R.; MEDEIROS, S. R.</p><p>Fitting brazilian livestock product to changes in natural and</p><p>political environments. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE</p><p>BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 54., 2017, Foz do Iguaçu. Anais... Foz</p><p>do Iguaçu: Sociedade Brasileira de Zootecnia, 2017.</p><p>BRAZ, S. P.; NASCIMENTO JUNIOR, D.; CANTARUTTI, R. B.;</p><p>REGAZZI, A. J.; MARTINS, C. E.; FONSECA, D. M.; BARBOSA, R. A.</p><p>Aspectos quantitativos do processo de reciclagem de nutrientes</p><p>pelas fezes de bovinos sob pastejo em pastagem de Brachiaria</p><p>decumbens na Zona da Mata de Minas Gerais. Revista Brasileira de</p><p>Zootecnia, v. 31, n. 2, p. 858-865, 2002.</p><p>CANTARUTTI, R. B.; MARTINS, C. E.; CARVALHO, M. M. de;</p><p>FONSECA, D. M. da; ARRUDA, M. L.; VILELA, H.; OLIVEIRA, F. T. T.</p><p>de. Pastagens. In: RIBEIRO, A. C.; GUIMARAES, P. T. G.; ALVAREZ V.,</p><p>V. H. (Ed.). Recomendação para o uso de corretivos e fertilizantes</p><p>em Minas Gerais: 5a. aproximação. Viçosa, MG: Comissão de</p><p>Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais, 1999. p. 331-341</p><p>Trabalhos Citados</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>CARVALHO, P.C.F. O manejo da pastagem como gerador de</p><p>ambientes pastoris adequados à produção animal. In: PEDREIRA, C.</p><p>G. S.; MOURA, J. C. DE; SILVA, S. C.; FARIA, V. P. (Org.). Teoria e</p><p>Prática da Produção Animal em Pastagens. Piracicaba, 2005, p. 7-</p><p>32.</p><p>DA SILVA, S.C.; CORSI, M. Manejo do pastejo. In: SIMPÓSIO SOBRE</p><p>MANEJO DE PASTAGENS, 20., 2003. Anais... Piracicaba: FEALQ,</p><p>2003, p.155-186.</p><p>DA SILVA, S. C. da; PEDREIRA, C. G. S. Fatores condicionantes e</p><p>predisponentes da produção animal a pasto. In: SIMPÓSIO SOBRE</p><p>O MANEJO DE PASTAGEM, 13., 1996, Piracicaba. Anais...</p><p>Piracicaba: Fealq, 1996. p. 317-327.</p><p>DEMMENT, M.W.; VAN SOEST, P.J. A nutritional explanation for</p><p>body-size patterns of ruminant and nonruminant herbivores. The</p><p>American Naturalist, v.125, p.641-672, 1985.</p><p>EUCLIDES, V. P. B. et al. Brazilian scientific progress in pasture</p><p>research during the first decade of XXI century. Revista Brasileira</p><p>de Zootecnia, v. 39, p. 151-168, 2010 (supl. especial).</p><p>GODFRAY, H. C. J.; BEDDINGTON, J. R.; CRUTE, I. R.; HADDAD, L.;</p><p>LAWRENCE, D.; MUIR, J. F.; PRETTY, J.; ROBINSON, S.; THOMAS, S.</p><p>M.; TOULMIN, C. Food security: the challenge of feeding 9 billion</p><p>people. Science, New York, v. 327, n. 5967, p. 812-818, 2010.</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>HODGSON, J. Grazing management: science into practice. Essex,</p><p>England, Longman Scientific & Technical, 1990. 203p</p><p>KICHEL, A. N. et al. Sistemas de integração lavoura-pecuária-</p><p>floresta (ILPF) - experiências no Brasil. Boletim de Indústria</p><p>Animal, Nova Odessa, v. 71, n. 1, p. 94-105, 2014.</p><p>MACEDO, M.C.M. Pastagens no ecossistema Cerrado: evolução das</p><p>pesquisas para o desenvolvimento sustentável. In: SIMPÓSIOS - A</p><p>PRODUÇAO ANIMAL E O FOCO NO AGRONEGÓCIO, 2005, Goiânia.</p><p>Anais da 42a Reunião da Sociedade Brasileira de Zootecnia, 2005.</p><p>p. 56-84.</p><p>PARKER, W.J. Feed planning on the farm. Proceedings of the</p><p>Central Districts Sheep and Beef Catle Conference, s.1, v.2, p. 75-84.</p><p>1993.</p><p>PEDREIRA, C. G. S; PEDREIRA, B.C. Manejo de pastagens tropicais</p><p>para intensificação da produção. In: Anais do 1º Simpósio de</p><p>Pecuária Integrada. Embrapa, Brasília-DF, p. 83-108, 2014.</p><p>PINTO, J. C.; ÁVILA, C. L. da S. Terminologias e Classificação de</p><p>Plantas Forrageiras. In: Reis, R. A.; Bernardes, T. F.; Siqueira, G. R.</p><p>(Org.). Forragicultura: Ciência, Tecnologia e Gestão dos Recursos</p><p>Forrageiros. 1ªed. Jaboticabal - SP: Gráfica Multipress, 2013, v.</p><p>único, p. 1-13.</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p><p>Instagram @bomdepasto</p><p>SANTOS, M.E.R.; FONSECA, D.M. Adubação de pastagens em</p><p>sistemas de produção animal. Editora UFV, 308p. 2016.</p><p>SANTOS, M.E.R.; MARTUSCELLO, J.A. Seu dinheiro é capim:</p><p>valorizando e manejando o pasto para gerar dinheiro. 1. ed. São</p><p>Paulo: Reino Editorial, 2022. 232p.</p><p>SHEATH, G.W.; CLARK, D.A. Management of grazing systems:</p><p>temperate pastures. In: HODGSON, J.; ILLIUS, A.W. (eds). The</p><p>ecology and management of grazing systems. Wallingford: CAB</p><p>International, p.301-323, 1996.</p><p>https://www.instagram.com/bomdepasto/</p>