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<p>de HEINRICH HOFFMANN Versão brasileira de GUILHERME DE ALMEIDA EDICÕES MELHORAMENTOS EDIÇÃO</p><p>é Rei do Desmazêlo: unha nem cabelo, Pois tem reguiça de tudo. Tudo cresce e êle não corta. Tem E nem se importa De que o cham n JOÃO FELPUDO! 3</p><p>ALFREDO MALVADO M atar passarinhos. Judiar dos bichinhos, Bater na criada, Que horror! Para Alfredo Tudo isso é brinquedo, É menos que nada! 5</p><p>Mas é certo que tudo isso, Certa vez, como o Virou contra o feiticeiro. Foi quando quis, um dia, Bater num que bebia: E o totó foi mais ligeiro. Que boa lição bem dada Com uma simples dentada!</p><p>Chorando na cama, Alfredo reclama: - "Doutor, tenha dó! Que gôsto horroroso!" - "Que almôço gostoso!" Resmunga o totó! 7</p><p>PAULINA PEGA-FOGO E stão em casa, Paulina e seus dois gatinhos. Paulina é um tanto levada. Brincou muito e, enfim, cansada, Sem ter mais com que brincar, Do que é que se foi lembrar? Vendo uns fósforos na mesa, Disse "Que bom! Que surprêsa! Vamos ter um novo jôgo!" "Miau! Miau! Não brinque com fogo!" Diz o gatinho a Paulina. - "Deixe os fósforos, menina!" Paulina desobedece. Risca um... dois... A chama desce 9</p><p>E o vestido se incendeia. Paulina grita, esperneia, E quanto mais ela tenta Correr, mais o fogo aumenta! Que triste história foi esta! De Paulina eis o que resta: Uma gatinha chorando, Um gatinho soluçando, Dois sapatinhos no chão, Uma fumaça e um carvão! 10</p><p>O NEGRINHO M uito limpo e direitinho, Passa na rua um negrinho Com seu guarda-sol aberto. Gaspar, Luisinho e Roberto, Que vivem constantemente Caçoando de tôda gente, Mal vêem o pobre passar, Começam logo a vaiar: - "Olhe o boneco de piche! Macaquinho de azeviche! Bôbo alegre! Sai, tição!"...</p><p>Mestre Tomás, o escrivão, Ouvindo isso, chama os três E diz-lhes: - "Que mal vos fêz Êsse pretinho infeliz Que é prêto porque Deus quis?" 12</p><p>Mas começou outra vaia: "Olhe o velhote de saia! - E com essa algazarra, Um por um Tomás agarra E, mais que ligeiro, Mergulha os três no tinteiro. 13</p><p>E, ao pé vadios, até Dos negrinho! Parece</p><p>CAÇADOR EO COELHO C om tremendo espalhafato, Vai caçar coelhos no mato Brás, o velho caçador. Mas, santo Deus! que calor! E numa sombra se deita. Ora, o coelhinho que o espreita, Mal adormece o velhinho, Vem tirar-lhe, de mansinho As lunetas e a espingarda.. 15</p><p>Brás acorda e se acovarda. - "Seu Coelho, isso não tem graça!" Mas, como um dia é da caça E outro do caçador, Ou seja lá como Aqui vão êles - que dois! É o carro adiante dos bois! 16</p><p>velho, que vem depressa, Chegando a casa, tropeça E cai no poço. - "Ai que eu morro!" E grita a velha: - "Socorro!" Bum! coelho a arma dispara E a bala a caneca vara Na mão da pobre mulher. Vêm o café e a colher Sôbre um coelhinho, coitado, Que ficou... coelho ensopado! 17</p><p>O CHUPA-DEDO S ó conhecia um brinquedo Juca: chupar o dedo. Ora, a mamãe, que saía De casa, lhe disse, um dia: - "Meu filho, seja bonzinho! Não chupe mais o dedinho! o alfaiate, um dia, traz A sua tesoura e - zás! Era uma vez êsse dedo!". Ora, o Juca não tem mêdo. Mal a mamãe vai-se embora, Diz êle consigo: - "É aggra!" E logo a chupar dedinho polegar. 19</p><p>Mas, ai do desobediente! Chegou voando, de repente, Com sua tesoura enorme, o alfaiate que não dorme. E, em vez de um dedo, que Cortou-lhe dois de uma vez! 20</p><p>PAULITO PALITO E' tão teimoso o Paulito! era gordo e bonito, De guardanapo ao pescoço, Quer no jantar, quer no Para não sujar a roupa... Um dia, implicou com a sopa. "Não quero sopa! Não quero!" Começou o Foi deixando de comer, Pôs-se logo a emagrecer. Ficou tão magro o Paulito, Que o chamavam de "Palito!" Mas, êle não se importava. Teimava sempre, teimava... Foi teimando... Emagreceu... Definhou... Murchou... Morreu... 21</p><p>TONICO BALANÇA-E-CAI S eu pai falava e falava... Mas Tonico costumava (Vejam só que brincadeira!) Balançar-se na cadeira Que não era de balanço... Era um vaivém sem descanso, Durante o e jantar. pai cansou de ralhar. - "Bão, babalão, Senhor capitão". Quem não ouve o seu papai Um dia... balança e cai. 23</p><p>E foi o que sucedeu. Certa vez, tanto mexeu, Tanto inclinou para trás Sua cadeira, que - zás! Tonico, vendo o perigo, Puxou a toalha consigo. 24</p><p>Foi tudo de cambulhada: Vinho, pão, sopa, feijoada! Que susto para o papai E para a mamãe! Mas, ai! Para o Tonico, no chão, Que formidável lição! 25</p><p>O "O Andava de déu em déu, De narizinho pra o ar. E nesse constante andar, Eram sempre tropeções, Encontrões e Levando a sua sacola, Cheira-Céu vai para a escola. Não se incomoda com o chão. Mas, eis que vem vindo um Numa louca disparada! Cheira-Céu não nota nada. E mesmo porque não nota, Foi aquela cambalhota! 27</p><p>Levantou-se, foi andando, Olhando o ar... E eis senão quando, Catrapus! caiu no mar! E ao vê-lo assim mergulhar, Três peixinhos distraídos Fugiram espavoridos!</p><p>Graças a Deus foi pescado Por dois homens, o coitado! Mas a pasta foi-se embora. Como é que vai ser agora, Na escola, quando chegar? que é que êle vai contar?... 29</p><p>638</p>