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<p>Renascimentos: conceitos e</p><p>“invenção” da modernidade</p><p>Prof.ª Thaiana Vieira</p><p>Descrição</p><p>O período entre os séculos XIII e XVI na Europa e suas transformações,</p><p>sobretudo culturais, e os conceitos que circundam esse período, com</p><p>suas diferentes perspectivas.</p><p>Propósito</p><p>Compreender o conceito de Renascimento e Modernidade,</p><p>especificamente as transformações culturais, os contextos dos seus</p><p>desenvolvimentos e suas implicações nas diferentes sociedades.</p><p>Objetivos</p><p>Módulo 1</p><p>Outono da Idade Média ou Primavera dos</p><p>tempos modernos</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 1/69</p><p>Discutir as perspectivas referentes ao período “Outono da Idade</p><p>Média ou Primavera dos tempos modernos”.</p><p>Módulo 2</p><p>Renascimento cultural</p><p>Reconhecer o surgimento do movimento renascentista e o</p><p>desenvolvimento das novidades culturais nas diferentes áreas:</p><p>pintura, escultura, literatura, filosofia, política e teologia e ciência.</p><p>Módulo 3</p><p>Conceitos de Modernidade</p><p>Descrever os conceitos de Modernidade a partir das diferentes áreas</p><p>das ciências humanas.</p><p>Vamos conhecer o movimento do Renascimento, seus</p><p>desdobramentos, suas implicações, seus elementos principais, os</p><p>avanços pelo espaço e sua relação com a Modernidade. O</p><p>conteúdo é segmentado pelos aspectos mais relevantes do</p><p>movimento. O primeiro módulo trata das diferentes perspectivas de</p><p>percepção do Renascimento, ou seja, como um elemento do final</p><p>do período medieval ou como uma novidade intensa que inicia uma</p><p>nova era. O segundo módulo apresenta as expressões culturais do</p><p>Renascimento, ou seja, as transformações nos segmentos de artes</p><p>plásticas, pintura, literatura, filosofia e ciências. O terceiro módulo</p><p>refere-se aos conceitos de Modernidade das diferentes áreas das</p><p>ciências humanas e consiste em apresentar uma faceta que nem</p><p>sempre aparece, ou seja, demonstrá-la como um processo</p><p>heterogêneo e violento, em muitos casos, sobretudo com aqueles</p><p>que se distanciavam do projeto ideal estabelecido.</p><p>O movimento renascentista possui relevância no curso da trajetória</p><p>da humanidade. Resultou em mudanças significativas no modo de</p><p>Introdução</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 2/69</p><p>1 - Outono da Idade Média ou Primavera dos tempos modernos</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de discutir as perspectivas referentes ao período</p><p>“Outono da Idade Média ou Primavera dos tempos modernos”.</p><p>O �m de um período: o que é Idade</p><p>Média</p><p>Idade Média</p><p>Idade Média é o nome dado a um intervalo de tempo de</p><p>aproximadamente mil anos, compreendido entre os séculos V e XV,</p><p>como a maioria dos estudiosos aponta. Esse período tem início logo</p><p>após a queda do Império Romano do Ocidente e seu declínio acontece</p><p>com a conquista de Constantinopla pelo Império Turco-Otomano. Esses</p><p>acontecimentos são momentos de grandes rupturas em relação ao que</p><p>ser, estar, viver, agir, perceber e questionar o mundo. Assim, a maior</p><p>expressão do movimento é no campo cultural, onde variados</p><p>aspectos são contemplados com novidades e que aborda como o</p><p>homem contemporâneo vive e sente essas mudanças.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 3/69</p><p>era vivenciado até então, por isso, são considerados marcos de</p><p>mudança de era.</p><p>O período medieval pode ser segmentado em Alta Idade Média e Baixa</p><p>Idade Média. Destacamos que essa não é uma divisão unânime, há</p><p>outras possibilidades de separar o período, mas essa é a mais</p><p>amplamente utilizada.</p><p>Retrato de Maomé II, o conquistador, por Gentile Bellini (1480).</p><p>Dessa forma, percebemos que dentro da noção de Idade Média cabem</p><p>algumas classificações, porque esses anos possuem muito em comum</p><p>(por isso estão no grande grupo conhecido como Idade Média), mas</p><p>também englobam algumas transformações que os distanciam. De</p><p>modo geral, foi um período marcado pela união da herança romana com</p><p>a cultura dos povos germânicos, conhecidos comumente como</p><p>bárbaros, que invadiram o Império Romano.</p><p>A Alta Idade Média</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 4/69</p><p>A Alta Idade Média refere-se ao período que tem início com a formação</p><p>da Europa medieval, no século V, e perdura até o seu apogeu, no século</p><p>X. O Império Romano do Ocidente ruiu no século IV, e o imenso território</p><p>conquistado pelos romanos pertencia, a partir disso, aos povos</p><p>germânicos.</p><p>O Saque de Roma em 455, por Karl Bryullov (1833).</p><p>Dessa forma, esse período é formado pela união da herança romana à</p><p>cultura dos povos bárbaros. As invasões dos povos germânicos</p><p>propiciaram a fuga dos habitantes dos centros urbanos em direção ao</p><p>campo. A Europa Ocidental caminhava para a ruralização e a riqueza</p><p>passa a ser a terra.</p><p>Naquele momento, a Igreja católica tornou-se uma instituição poderosa</p><p>e influente não apenas na religião, mas também na política e na</p><p>sociedade medieval. Acontece que os reinos germânicos adaptaram</p><p>seus costumes aos dos romanos, abriram mão de suas práticas</p><p>religiosas e aderiram ao cristianismo, que também se transformou,</p><p>adequando elementos das profissões de fé desses povos para a</p><p>realidade cristã católica. Dessa forma, a Igreja aliou-se aos reis e</p><p>estabeleceu-se como referência para o povo germânico e o romano. A fé</p><p>cristã se espalhou pela Europa Ocidental, reforçando o poder do papa.</p><p>A sociedade medieval era organizada hierarquicamente</p><p>em camadas rígidas, era chamada de estamental e não</p><p>permitia mobilidade social. Na parte de cima da</p><p>pirâmide social estava o clero, seguido pela nobreza, e</p><p>na base estavam as camadas mais baixas da</p><p>sociedade: os servos, que trabalhavam e sustentavam</p><p>as camadas de cima. A agricultura, então, tornou-se a</p><p>principal atividade econômica. Era essa última</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 5/69</p><p>camada, dos servos, que trabalhava a terra para o</p><p>sustento de sua família e do seu senhor.</p><p>Uma das principais características da Idade Média foi o feudalismo, um</p><p>sistema social, econômico e político que se estabeleceu por todo</p><p>período medieval, ora com mais ou menos força. Nele, as terras eram</p><p>concedidas por um suserano (senhor feudal) ao seu vassalo</p><p>(dependente), em troca de fidelidade e ajuda militar. Na prática, os</p><p>senhores feudais, donos da terra, controlavam os feudos, como eram</p><p>chamadas as terras, e os servos trabalhavam na terra produzindo</p><p>alimentos para si e para o dono da terra, e pagavam impostos ao senhor</p><p>feudal e ao clero.</p><p>No que se refere à cultura, a Alta Idade Média concentrava nos</p><p>mosteiros sua riqueza. O que foi produzido na Antiguidade Clássica foi</p><p>preservado nesses espaços com a motivação de proteger as obras das</p><p>desvatações que aconteciam. Os monges copistas tinham como função</p><p>fazer cópias dos textos antigos, principalmente para que não se</p><p>perdessem com o tempo. Esse trabalho era demorado e custoso,</p><p>poucos tinham acesso aos livros, ainda que para transcrevê-los. O</p><p>acesso às bibliotecas era restrito e o trabalho era manual, por esse</p><p>motivo, levavam-se longos períodos para finalizar uma obra.</p><p>Ruínas do Mosteiro de Disibodenberg, na Alemanha, fundado no século VIII sobre a tumba de</p><p>São Disibod.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 6/69</p><p>A Baixa Idade Média</p><p>A Baixa Idade Média tem início com o aumento populacional ocorrido a</p><p>partir do ano 1000. Há algumas perspectivas e teorias sobre esse</p><p>aumento, que pode ter sido motivado principalmente pela diminuição</p><p>significativa das guerras com os povos germânicos. Mas não só isso, os</p><p>servos e</p><p>na experiência para o mesmo fim.</p><p>É preciso considerar que esse era um momento fecundo para a Filosofia,</p><p>pois as transformações que aconteceram desde os momentos finais da</p><p>Idade Média ocasionaram muitas inquietações e angústias nos sujeitos,</p><p>o que os levou à reflexão. Assim, diversas mudanças aconteceram no</p><p>campo do pensamento:</p><p>O surgimento de uma nova camada social, a burguesia.</p><p>A formação dos Estados nacionais.</p><p>O absolutismo.</p><p>O mercantilismo.</p><p>A transição do feudalismo para o capitalismo.</p><p>A Reforma Protestante.</p><p>As Grades Navegações e as descobertas do novo mundo.</p><p>A imprensa.</p><p>O Renascimento e todas as suas mudanças.</p><p>As principais características da Filosofia Moderna se desenvolvem a</p><p>partir dos conceitos: Antropocentrismo, que considera o homem como</p><p>agente transformador, dotado de inteligência e que, portanto, estava no</p><p>centro do mundo.</p><p> Antropocentrismo</p><p>Considera o homem como agente transformador,</p><p>dotado de inteligência e que, portanto, estava no</p><p>centro do mundo.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 56/69</p><p> Humanismo</p><p>Significa, principalmente, valorizar o ser e a</p><p>condição humana; cientificismo, que prioriza a</p><p>ciência e os seus métodos.</p><p> Valorização da natureza</p><p>Não apenas contemplá-la, mas percebê-la e</p><p>formular questões pautadas na razão sobre os</p><p>elementos naturais.</p><p> Racionalismo</p><p>Valorização da razão nas atitudes e reflexões.</p><p> Empirismo</p><p>Debruçar-se sobre os dados da experiência para</p><p>construir novas teorias.</p><p> Renascimento</p><p>A emergência de um vasto movimento cultural e</p><p>artístico, que recupera as ideias e os valores da</p><p>Antiguidade Clássica.</p><p> Iluminismo</p><p>U i l l l ã</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 57/69</p><p>Os principais filósofos desse período são:</p><p>Nicolau Maquiavel (1469-1527)</p><p>Filósofo e político durante o Renascimento. Sua maior</p><p>contribuição foi introduzir ética e valores morais na política,</p><p>depois de elaborar a obra O Príncipe, em que a política não</p><p>possuía qualquer ética.</p><p>Francis Bacon (1561-1626)</p><p>Filósofo e político, sua maior contribuição foi a elaboração de um</p><p>método científico baseado nas observações dos fenômenos</p><p>Um movimento cultural que eleva a razão e a</p><p>ciência em detrimento de noções religiosas e das</p><p>superstições.</p><p> Filoso�a laica</p><p>Completamente separada daquela praticada pela</p><p>religiosidade.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 58/69</p><p>naturais.</p><p>Galileu Galilei (1564-1642)</p><p>Astrônomo, físico e matemático, colaborou com descobertas</p><p>científicas e propiciou reflexões filosóficas relevantes, além de</p><p>contribuir para a aceitação da teoria heliocêntrica.</p><p>René Descartes (1596-1650)</p><p>Filósofo e matemático francês, sua maior contribuição foi a</p><p>criação do pensamento cartesiano que originou a Filosofia</p><p>Moderna. Além disso, é o autor da frase “Penso, logo existo”, que</p><p>traz a racionalidade fundamental para a condição humana.</p><p>Thomas Hobbes (1588-1679)</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 59/69</p><p>Filósofo e teórico político inglês, sua maior contribuição é a obra</p><p>Leviatã, de 1651, na qual aborda a teoria do contrato social, que</p><p>prevê a exisência de um soberano.</p><p>Immanuel Kant (1724-1804)</p><p>Filósofo alemão que criou uma espécie de ética em que os</p><p>princípios advêm de um conhecimento fundamentado na</p><p>sensibilidade e no entendimento.</p><p>Com relação à segunda possibilidade de abordagem da Filosofia e da</p><p>Modernidade, trazemos alguns filósofos que trabalharam com o tema.</p><p>Sobre o conhecimento na Modernidade, Henri Lefebvre (1901-1991),</p><p>filósofo e sociólogo francês, aponta que há uma diferença entre o</p><p>conceito e o modernismo, de modo que este último carrega certa</p><p>arrogância e considera inferior o ato de não saber algo e questionar. O</p><p>moderno está justamente no fato de buscar sanar essa falta. A</p><p>Modernidade exige reflexões, pois é um conceito que deve ser pensado</p><p>de maneira recorrente com o passar do tempo. Dessa maneira, para o</p><p>autor, a Modernidade é a própria dúvida, questionar-se é uma das</p><p>tarefas mais urgentes da sociedade.</p><p>Para Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-</p><p>1895), os dois fundadores do materialismo-histórico, a</p><p>Modernidade e o capitalismo coincidem e, ao mesmo</p><p>tempo, contrapõem-se às sociedades do passado,</p><p>militares e teológicas. Para os autores, o conceito</p><p>implica, em primeiro lugar, uma mudança na</p><p>temporalidade, uma descontinuidade, pois inaugura</p><p>uma nova mentalidade, um tempo caracterizado pelo</p><p>desenvolvimento da sociedade burguesa.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 60/69</p><p>O que os autores apresentam é que há um movimento fundante</p><p>importante para o desenvolvimento da sociedade capitalista moderna:</p><p>um movimento que se expressa e se justifica racionalmente por meio da</p><p>ideia da divisão. De modo que enquanto a sociedade se mantiver nas</p><p>relações de divisão de trabalho, imposta por um discurso baseado na</p><p>“sociedade natural”, isto é, que separa interesses privados de interesses</p><p>coletivos, os conflitos sociais seguirão existindo.</p><p>Dentro da sociedade natural, a divisão de trabalho contrapõe os</p><p>interesses coletivos e os privados. Ainda assim, os interesses coletivos</p><p>passam a ser interesses de grupos, e não mais dos indivíduos nem da</p><p>coletividade geral. Esse interesse segregado aparece como a</p><p>representação moderna do Estado. Os autores explicam que o Estado é</p><p>uma representação coletiva ilusória.</p><p>Resumindo</p><p>Os filósofos que estudam a Modernidade, entre os quais selecionamos</p><p>três para apresentar, apontam que para analisar a Modernidade é</p><p>preciso uma discussão de fundamento com três conceitos: liberdade,</p><p>homem e desenvolvimento.</p><p>A ideia de liberdade surge como um sinônimo de vontade ou desejo,</p><p>para somente depois se configurar em uma certeza de ação em relação</p><p>à independência e autonomia.</p><p>A noção de homem, proposta por Marx e influente para os demais</p><p>filósofos que pensam a moderndade, consiste na ideia de um sujeito</p><p>que está convencido das relações materiais de produção. De acordo</p><p>com o autor, houve um empenho dos economistas para manipular uma</p><p>imagem de homem distante da realidade: o homem egoísta e isolado.</p><p>E assim, relaciona-se com o último conceito primordial, o</p><p>desenvolvimento, que estaria direcionado a construir alienações. Isso</p><p>indica, de forma muito objetiva, que para ocorrer desenvolvimento,</p><p>muitos padecerão. Assim, desenvolver envolve, obrigatoriamente,</p><p>aprofundar as desigualdades.</p><p>Re�exões necessárias</p><p>Depois de tantas perspectivas sobre o tema, não restam dúvidas de que</p><p>Modernidade, um termo amplamente utilizado nas sociedades atuais,</p><p>precisa de atenção e cuidado quando utilizado como conceito.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 61/69</p><p>As transformações aconteceram de modo muio</p><p>intenso e as sociedades se transformaram</p><p>profundamente. São muitas as reflexões sobre a</p><p>Modernidade e as diferentes áreas das ciências</p><p>humanas trabalham com diferentes pontos de vista,</p><p>critérios, cronologias, e outras variações. É inegável</p><p>que a Modernidade envolveu inúmeros progressos em</p><p>diferentes áreas, o que ressaltamos é a necessidade de</p><p>perceber os impactos que causaram.</p><p>A Modernidade significou em todas as áreas e perspectivas muitas</p><p>mudanças na economia, sociedade, política e cultura. Destacamos que</p><p>o assunto é amplamente pesquisado atualmente e essa não é uma</p><p>questão encerrada, exatamene o oposto, seguem surgindo novas</p><p>produções sobre o tema que, certamente, enriquecerão a discussão.</p><p>Modernidade</p><p>como invenção</p><p>Por fim vamos ver a parte final deste mini-doc pensando sobre a</p><p>Invenção da Modernidade.</p><p></p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 62/69</p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>A Modernidade marca, então, a era de nossa História em que a</p><p>razão, o progresso e a individualidade são tomados como os</p><p>princípios centrais de organização da sociedade. A partir dessa</p><p>afirmativa, assinale a alternativa correta.</p><p>A</p><p>O colonialismo europeu pode ser entendido como</p><p>um desenvolvimento negativo da explosão da</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 63/69</p><p>Parabéns! A alternativa A está correta.</p><p>As pinturas do Renascimento surgem com uma valorização da</p><p>perspectiva e da proporção, são características relevantes dessas</p><p>pinturas, junto com luz e sombra e realismo, por exemplo. São duas</p><p>técnicas que se relacionam com o desenvolvimento do</p><p>conhecimento matemático e de geometria. As artes utilizam desse</p><p>conhecimento para criar uma imagem mais realista para o</p><p>espectador.</p><p>A modernidade filosófica oscila entre a paixão por si é pelos seus</p><p>valores e os aspectos terríveis de seus resultados. Nesse sentido,</p><p>métricas como desenvolvimento técnico científico e</p><p>aprofundamentos de debates filosóficos foram construídos,</p><p>também, como legitimados de superioridade e imposição de</p><p>parâmetros culturais. Logo, as afirmativas que flertam com o</p><p>entendimento de naturalizar e somente positiva a relação com a</p><p>modernidade europeia estão incorretas.</p><p>Questão 2</p><p>O conceito de Modernidade é trabalhado por diferentes áreas das</p><p>ciências humanas. A partir dessa afirmação e das variadas</p><p>perspectivas que o termo oferece, avalie as seguintes afirmações:</p><p>técnica e da ciência e com execução dominadora e</p><p>violenta.</p><p>B</p><p>A Modernidade envolve uma sociedade</p><p>hierarquizada e rígida, sem mobilidade social.</p><p>C</p><p>O processo de modernização aconteceu igual em</p><p>todos os espaços do mundo.</p><p>D</p><p>O progresso divulgado pela modernização chega</p><p>para todos os sujeitos e todas as sociedades.</p><p>E</p><p>O eurocentrismo foi positivo para a trajetória da</p><p>humanidade.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 64/69</p><p>I – Os sociólogos não estão preocupados com a cronologia do</p><p>conceito.</p><p>II – Os historiadores não apresentam consenso em relação à</p><p>cronologia do conceito.</p><p>III – Os filósofos só pensam a Modernidade a partir de suas</p><p>expressões econômicas.</p><p>IV – A Modernidade envolveu intensas transformações técnicas,</p><p>econômicas, políticas e culturais.</p><p>É correto o que se afirma em</p><p>Parabéns! A alternativa C está correta.</p><p>Os historiadores apresentam divergências em relação à cronologia,</p><p>tanto em relação ao início, quanto em relação ao fim. Optamos por</p><p>trabalhar com a era Moderna mais amplamente aceita, que abrange</p><p>desde o fim do século XV até o fim do século XVIII. Mas isso não é</p><p>um consenso. E a Modernidade envolve transformações bruscas e</p><p>intensas em todos os aspectos da sociedade, foi um momento de</p><p>muita mudança. As demais opções estão erradas. Os sociólogos se</p><p>preocupam com a cronologia, não possuem um consenso sobre tal,</p><p>mas há um comprometimento em definir a que momento o termo</p><p>se refere. E os filósofos pensam o conceito por variados aspectos e</p><p>não apenas o econômico.</p><p>A I, II e III.</p><p>B II e III.</p><p>C II e IV.</p><p>D II, III e IV.</p><p>E I e II.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 65/69</p><p>Considerações �nais</p><p>O momento compreendido entre o século XIV até o XVII ou XX, a</p><p>depender da cronologia adotada, é muito rico e muito complexo. Envolve</p><p>movimentos, artísticos, políticos, culturais, religiosos e econômicos. As</p><p>transformações acontecem em diferentes níveis e nos diferentes</p><p>espaços.</p><p>O Renascimento é um movimento que surgiu na atual Itália e</p><p>rapidamente se expandiu para os diversos espaços da Europa,</p><p>sobretudo ocidental. E esse movimento se desenvolveu das mais</p><p>variadas formas, por isso, a abordagem de renascimentos. É</p><p>empobrecedor tratar um o movimento tão complexo, potente e</p><p>abundante por uma única perspectiva. Nesse espaço, trabalhamos</p><p>predominantemente com a perspectiva desenvolvida na região em que</p><p>surgiu. Mas é preciso ter em mente a necessidade de análise específica,</p><p>pois as regiões são diversas e a difusão e desenvolvimento também o</p><p>foi</p><p>Devemos estar sempre atentos ao fato de que a Modernidade foi</p><p>vivenciada de modos muito diferentes em diversas partes do mundo.</p><p>Em alguns casos ela é percebida de modo pacífico, em outros, de modo</p><p>violento; ora as mudanças são suaves e, às vezes, são bruscas e</p><p>intensas. É mesmo muito particular e deve ser analisada com cuidado,</p><p>atenção e respeito a todas as histórias envolvidas.</p><p>Atualmente, e desde o século XX, muitos estudiosos se debruçam sobre</p><p>esses temas a fim de repensar as produções e as histórias que</p><p>construímos de mundo. Os caminhos ainda são longos, mas,</p><p>certamente, revisitar as fontes e os estudos sobre a Modernidade, a</p><p>partir das perspectivas mais atuais de investigação, distantes do</p><p>eurocentrismo que produziu a história que conhecemos, possibilitará</p><p>muitas informações ainda desconhecidas.</p><p>Podcast</p><p>Ouça agora um podcast que apresenta os pontos mais importantes do</p><p>conteúdo.</p><p></p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 66/69</p><p>Explore +</p><p>Outono na Idade Media ou Primavera dos Tempos Modernos</p><p>Para se ambientar mais na perspectiva de Outono na Idade Média,</p><p>contemple a rica produção de arte dos irmãos Van Eyck. Foi para</p><p>compreender essas obras que Johan Huizinga começou a reflexão que</p><p>deu origem ao livro Outono na Idade Média.</p><p>Renascimento cultural</p><p>Para conhecer mais o Renascimento e a produção artística mais famosa</p><p>do período, faça o tour virtual pela Capela Sistina.</p><p>Para saber mais sobre o pensamento filosófico do período, leia O</p><p>Príncipe, de Maquiavel.</p><p>Para descobrir mais sobre Dante e sua produção, assista aos vídeos do</p><p>Instituto Cultural Italiano comemorativos de 500 anos de ausência da</p><p>personalidade.</p><p>Conceitos de Modernidade</p><p>Para ver mais sobre as principais características da Modernidade,</p><p>assista ao filme Tempos modernos, de Charlie Chaplin, 1936, que</p><p>apresenta as noções básicas desse conceito.</p><p>Para saber mais sobre um dos modos de difusão desse conceito de</p><p>Modernidade e conhecer mais sobre as Grandes Navegações, assista ao</p><p>filme 1492: A Conquista do Paraíso, de Ridley Scott, 1992.</p><p>Referências</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 67/69</p><p>ARIÉS, P. ; DUBY, G. (orgs.). História da Vida Privada: Da Europa Feudal à</p><p>Renascença. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.</p><p>BAUMAN, Z. Modernidade e Ambivalência. 1. ed. Rio de Janeiro: Zahar,</p><p>1999.</p><p>BAUMAN, Z. Modernidade Líquida. 1. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.</p><p>DURANT, W. História da Filosofia – A Vida e as Ideias dos Grandes</p><p>Filósofo. São Paulo: Nacional, 1. ed., 1926.</p><p>GIDDENS, A. As Consequências da Modernidade, 2. ed. São Paulo:</p><p>Universidade Estadual Paulista (Unesp), 1991.</p><p>GOMBRICH, E. H. J. História da Arte. Rio de Janeiro: LTC, 1999.</p><p>HUIZINGA, J. Outono da Idade Média: Estudo sobra as formas de vida e</p><p>de pensamentos dos séculos XIV e XV na França e nos Países Baixos.</p><p>São Paulo: Companhia das Letras, 2021</p><p>LEFEBVRE, H. Introdução à Modernidade. Rio de Janeiro: Paz e Terra,</p><p>1969.</p><p>LEFEBVRE, H. Vida cotidiana no mundo moderno. São Paulo: Ática,</p><p>1991.</p><p>MACEDO, J. R. Repensando o ensino da Idade Média no ensino de</p><p>História. In: KARNAL, L. História na sala</p><p>de aula: conceitos, práticas e</p><p>propostas. São Paulo: Contexto, 2004.</p><p>MARQUES, A. H. R. de O. A sociedade Medieval Portuguesa: aspectos</p><p>da vida quotidiana. 6. ed. Lisboa: A Esfera dos Livros, 2010.</p><p>MARTINS, J. de S. O Cotidiano Invisível – Uma entrevista com José de</p><p>Souza Martins. Consultado na internet em: 17 jan. 2021.</p><p>SIMMEL. G. A Metrópole e a Vida Mental. In: VELHO, O. G. (org.). O</p><p>Fenômeno Urbano. Rio de Janeiro: Guanabara, 1987.</p><p>SIMMEL, G. O dinheiro na cultura moderna. In: SOUZA, J.; ÖELZE, B.</p><p>(orgs.) Simmel e a modernidade. Brasília: UnB, 1998. p. 23-40.</p><p>WEBER, M. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. 1. ed. São</p><p>Paulo: Companhia das Letras, 2004.</p><p>WEBER, M. Economia e Sociedade. 2 vol. 1. ed. São Paulo: Imprensa</p><p>Oficial do Estado de São Paulo; Brasília: UNB, 2004.</p><p>WEBER, M. Economia e sociedade. Brasília: UNB, 1991.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 68/69</p><p>Material para download</p><p>Clique no botão abaixo para fazer o download do</p><p>conteúdo completo em formato PDF.</p><p>Download material</p><p>O que você achou do conteúdo?</p><p>Relatar problema</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 69/69</p><p>javascript:CriaPDF()</p><p>os senhores feudais estavam isolados nos feudos, e portanto,</p><p>menos sujeitos às epidemias. Assim, tinham melhores condições de</p><p>vida, possibilitando a melhoria do cultivo e a possibilidade de</p><p>crescimento demográfico.</p><p>Comentário</p><p>Os números indicam um aumento significativo na taxa de natalidade e</p><p>uma estabilidade da taxa de mortalidade. Fato é que a expansão</p><p>demográfica promoveu um desequilíbrio na oferta e demanda de</p><p>alimentos e esse aumento populacional provocou mudanças intensas</p><p>na estrutura medieval.</p><p>Com esse aumento populacional houve a necessidade de maiores</p><p>volumes de colheitas. Assim, a forma de lidar com a terra se tranformou</p><p>e foi preciso usar as terras que ficavam em repouso. O desgaste da terra</p><p>aconteceu em pouco tempo e acarretou dificuldades na produção. A</p><p>vida no campo começou a ficar difícil e as pessoas se encaminham para</p><p>os centros urbanos, que passaram a ter movimentação mais intensa.</p><p>Como alternativa de fonte de vida, teve início um investimento no</p><p>comércio, e logo esse ofício ficou intenso por meio da troca de</p><p>mercadorias.</p><p>Outro aspecto relevante do período baixo medieval foram as Cruzadas,</p><p>surgidas como movimento militar religioso cristão e justificativa de</p><p>busca pela retomada de terras tidas como santas dos muçulmanos.</p><p>Entretanto, essas batalhas se prolongaram por longos anos e</p><p>transformaram sua atuação, de modo que foram responsáveis por</p><p>muitos contatos comerciais com o Oriente. Essa movimentação</p><p>propiciou a retomada das navegações pelo mar Mediterrâneo, que até</p><p>então estavam abandonadas, por causa da ruralização da Europa e do</p><p>domínio islâmico.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 7/69</p><p>A cidade medieval de Carassonne, na França.</p><p>O retorno das pessoas para os centros urbanos e o desenvolvimento do</p><p>comércio resultou no aparecimento das feiras, que aconteciam ao redor</p><p>dos feudos e comercializavam os produtos vindos do Oriente. As feiras</p><p>se espalharam e houve a necessidade da criação de bancos de apoio</p><p>para troca de moedas que circulavam nesses centros urbanos. Com</p><p>esse desenvolvimento, surgiu uma nova camada social, a burguesia.</p><p>É ainda relevante mencionar sobre esse período, inclusive para o</p><p>assunto que abordaremos a seguir, o surgimento das universidades, no</p><p>século XIII, que promoveram mudanças significativas na vida cultural da</p><p>Idade Média. Elas se tornaram locais de estudos e discussão livre de</p><p>ideias, um espaço de verdadeira liberdade intelectual.</p><p>Ricardo Coração de Leão rumo à Jerusalém, por James William Glass (1850).</p><p>Com isso, os mosteiros perderam sua força cultural, e, a partir de então,</p><p>a moeda que circulava nas atividades comerciais começou a financiar</p><p>as produções artística e intelectual.</p><p>Essas transformações foram muito intensas e a estrutura social entrou</p><p>em crise e as bases dos sistemas que sustentavam o período medieval</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 8/69</p><p>foram afetadas. A crise do século XIV engloba três grandes problemas</p><p>fundamentais: fome, pestes e guerras.</p><p>Detalhe da pintura O Triunfo da Morte, por Pieter Bruegel (1562).</p><p>Fome</p><p>A agricultura entrou em decacência por causa das intempéries</p><p>climáticas, provocava fome e resultava no esvaziamento do</p><p>campo, com o consequente crescimento do comércio,</p><p>movimentando as cidades.</p><p>Detalhe da pintura A Dança Macabra, por Bernt Notke (1475), enfatizando o fato de</p><p>que a peste era indiferente a classes sociais.</p><p>Pestes</p><p>As pestes contagiosas se espalharam rápido e dizimaram</p><p>milhões de pessoas. Os poucos servos que mantiveram-se nos</p><p>feudos tiveram que trabalhar mais, o que inflamou uma revolta</p><p>servil, abalando a estrutura feudal.</p><p>Outra seção da pintura O Triunfo da Morte, por Pieter Bruegel (1562).</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 9/69</p><p>Guerra</p><p>As guerras entre os reinos europeus e as revoltas servis foram</p><p>refreadas pelos reis, os quais, com novos papéis sociais, não</p><p>eram mais chefes militares e passaram a ser governantes dos</p><p>reinos.</p><p>Nas cidades e nas universidades, as ideias antes dominadas pela Igreja</p><p>circulavam com mais liberdade e com questionamentos. Desse modo, a</p><p>fé deixava de ser a norteadora de pensamentos, condutas e</p><p>comportamentos cotidianos e a razão começava a ser presente na vida</p><p>das pessoas.</p><p>Visões sobre o medievo</p><p>Idade Média, uma visão pejorativa</p><p>A nomenclatura Idade Média foi intensamente discutida na</p><p>historiografia. Os estudiosos do século XV em diante, defensores do</p><p>pensamento racional e admiradores da cultura greco-romana, fizeram</p><p>uma análise sobre o período que se encerrara.</p><p>A ideia do termo era considerar o intervalo entre a</p><p>queda do Império Romano do Ocidente e o século XV</p><p>como um período de transição entre a Antiguidade</p><p>Clássica e a Idade Moderna. Assim, cunhou-se Idade</p><p>Média, com o termo média já atuando de modo</p><p>pejorativo, como se nada de interessante tivesse</p><p>acontecido entre os tempos áureos de Grécia e Roma</p><p>Antiga e a era que buscava o resgate da cultura</p><p>humanística idealizada pelos primeiros filósofos</p><p>gregos e concretizada pelos romanos.</p><p>Seguindo essa linha de compreensão do período, convencionou-se</p><p>também chamar a Idade Média como Idade das Trevas. De modo geral,</p><p>essa era é comumente associada a aquilo que é obsoleto e negativo e a</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 10/69</p><p>uma religião que domina seus seguidores e fiéis. Acreditavam que o</p><p>pensamento racional era desprezado, que não houve qualquer tipo de</p><p>reflexão para além das crenças que a Igreja propagava.</p><p>Outro problema dessa terminologia é a questão da simplificação, pois</p><p>classifica uma cultura, no caso, a medieval, como inferior a outras: a</p><p>antiga e a moderna. Como a sugestão de uso dos termos média e trevas</p><p>para fazer menção ao período partiu dos indivíduos que viveram nos</p><p>séculos XIV e XV, consideramos que era um modo desses sujeitos se</p><p>afirmarem como inovadores, transformadores e diferentes daqueles que</p><p>tinham vivido os anos anteriores.</p><p>Os antigos germânicos, por Philipp Clüver (1616).</p><p>O caso dos povos bárbaros merece atenção como mais um exemplo de</p><p>terminologia pejorativa. Já mencionamos que são comumente</p><p>chamados dessa forma, porém, o mais adequado seria referi-los como</p><p>povos germânicos. Acontece que eram chamados de bárbaros os</p><p>grupos de pessoas que tinham diferenças em relação aos gregos.</p><p>Eram povos com idioma, cultura, crenças religiosas, governo, educação</p><p>e formas de vestir diferentes. No primeiro contato, isso gerava</p><p>estranhamento por parte dos gregos e, posteriormente, dos romanos,</p><p>que optaram por se referir a todos os grupos diferentes pelo mesmo</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 11/69</p><p>nome. Os povos bárbaros não são uma unidade, é um único nome para</p><p>tratar de várias tribos diferentes como: godos, saxões, vândalos, hunos,</p><p>pictos, entre outras.</p><p>Trazendo a questão dos povos germânicos para uma amplitude maior,</p><p>encontramos mais uma consequência negativa em considerar esse</p><p>período como intermediário, que é o fato de resumir a história de</p><p>diversos povos que viviam na Europa como história única.</p><p>No período medieval, no espaço da Europa Ocidental, diversos povos</p><p>conviveram com maior ou menor proximidade. É o caso de mouros,</p><p>judeus, critãos, povos germanos que se estabeleceram, entre outros.</p><p>Esses povos possuem desenvolvimentos diferentes, paricularidades</p><p>culturais, manifestação de religiosidades distintas, vestimentas próprias,</p><p>hábitos alimentares singulares, entre outras práticas culturais.</p><p>Comentário</p><p>O fato é que, quando assumimos</p><p>a perspectiva sobre esse momento</p><p>como meramente intermediário, todo o período acaba perdendo a</p><p>pluralidade e é percebido como uma história única, o que,</p><p>definitivamente, não corresponde às conclusões dos estudos mais</p><p>atuais.</p><p>Atualmente, o termo Idade das Trevas não é mais utilizado pela</p><p>historiografia. Por meio de inúmeras pesquisas sobre o período e sobre</p><p>as mais variadas temáticas, hoje em dia temos conhecimento da sua</p><p>vasta produção.</p><p>Vale ressaltar que numerosas realizações do período são relevantes</p><p>para aqueles contemporâneos e também são para as gerações futuras.</p><p>Por exemplo, as obras de Filosofia medieval são fundamentais para o</p><p>conhecimento humano; a preservação dos livros e documentos da</p><p>Antiguidade Clássica nos mosteiros impediu que fossem destruidos, e</p><p>possibilitaram conhecimentos naquele momento e novos tipos de</p><p>experiências e compreensões nos séculos seguintes.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 12/69</p><p>O triunfo de São Tomás sobre Averroes, por Benozzo Gozzoli (1468).</p><p>O problema é que muitas pessoas aprenderam História dessa forma e</p><p>ainda se referem ao período como Idade das Trevas. Isso inclina, pelo</p><p>menos o senso comum, a aceitar que tudo o que foi produzido ao longo</p><p>desses anos é pouco expressivo em termos de avanços,</p><p>desenvolvimentos e que não teve contribuições intelectuais de relevo.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 13/69</p><p>Os Cavaleiros da Távola Redonda recebem uma visão do Santo Graal, por Évrard d'Espinques</p><p>(1475).</p><p>A Idade Média e seus elementos são frequentemente utilizados até os</p><p>dias atuais, em histórias populares ou não. Destacamos isso, pois é</p><p>certo que esse tipo de narrativa, seja por meio de filmes, séries, jogos</p><p>on-line, de cartas ou de tabuleiro, literaturas ou qualquer outra mídia,</p><p>interfere na percepção das pessoas sobre o período.</p><p>Essas obras têm, na maioria das vezes, a motivação de entretenimento e</p><p>não uma reparação dos documentos históricos ou da historiografia. Os</p><p>elementos mais comuns nessas realizações são princesas, castelos,</p><p>dragões, reis, feiticeiras, bruxas, monges, padres, bispos e cavaleiros.</p><p>Também é costumeiro tratar da bravura dos cavaleiros das Cruzadas,</p><p>que atravessaram o Oriente Médio e a Europa para lutar contra os infiéis;</p><p>da busca da princesa por um par ideal e o conflito com a escolha da</p><p>família; de histórias de fundo religioso que apresentam diversos rituais</p><p>católicos que tiveram origem nesse período, entre outros.</p><p>Por mais que a Idade Média seja um período fecundo para produções de</p><p>entretenimento, ela foi composta por fatos reais e é preciso separar a</p><p>realidade da ficção.</p><p>Outono da Idade Média</p><p>A cidade ideal, por Piero della Francesca (1470).</p><p>Uma vez que já tratamos dos pontos principais acerca da Idade Média,</p><p>podemos entender como os momentos finais desse período são</p><p>interpretados pelos estudiosos do tema. Ressaltamos que durante a</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 14/69</p><p>apresentação anterior do período não tivemos a pretensão de encerrar o</p><p>assunto, exatamente o oposto, suscitamos alguns pontos pertinentes</p><p>para um pensamento crítico do que vem a seguir.</p><p>A noção de Outono na Idade Média dialoga</p><p>diretamente com o período que intitula e aparece como</p><p>uma interpretação de seus séculos finais, ou seja, os</p><p>séculos XIV e XV, principalmente na França e na</p><p>Borgonha, como os últimos momentos de uma cultura</p><p>em processo avançado de amadurecimento e não o</p><p>início de um período como o Renascimento (HUIZINGA,</p><p>2021. p. 10).</p><p>Para tratar do tema, vamos partir de uma obra de Johan Huizinga, que</p><p>leva o mesmo nome: O Outono da Idade Média. O historiador holandês</p><p>faz variadas análises sobre as formas de vida e pensamento, de um</p><p>modo geral.</p><p>Uma reflexão interessante acontece quando ele faz uma observação e</p><p>as ponderações sobre o quadro O casamento dos Arnolfini, de Van Eyck,</p><p>que, inclusive, é capa de uma das publicações do livro. Ele aponta que o</p><p>pintor representa, para além do casal, o anoitecer da Idade Média, uma</p><p>era feliz, nobre, pura e simples da canção popular. Essa pintura, para o</p><p>historiador, representa o auge da estética medieval na pintura. Ainda, a</p><p>arte de Van Eyck é, para ele, completamente medieval e traduz o seu</p><p>ponto final.</p><p>A arte em questão é uma apresentação lúdica da ideia do livro e do</p><p>conceito, como um todo. A Idade Média não tem os séculos finais,</p><p>sobretudo no campo da cultura, como um declínio ou um encerramento</p><p>inferior.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 15/69</p><p>O Casamento de Arnolfini, por Jan van Eyck (1434).</p><p>A metáfora outonal sugere, antes de tudo, uma</p><p>metamorfose, mas também uma latência que desbota</p><p>os marcos rígidos entre começo e fim de um ciclo.</p><p>Assim, o outono pode ser uma estação de queda e</p><p>decomposição, bem como de amadurecimento e</p><p>colheita (HUIZINGA, 2021. p. 12).</p><p>Dessa maneira, o autor sugere que esse período deve ser interpretado</p><p>como um momento de transformações. Ele nos indica que a passagem</p><p>da Idade Média para o Renascimento não é percebida com uma ruptura</p><p>brusca, nem como uma continuidade absoluta, mas como um processo</p><p>complexo que teria ocorrido em meio ao colapso da cultura medieval</p><p>(HUIZINGA, 2021. p. 11).</p><p>O contexto de crise a que o historiador se refere é o das pestes, de fome</p><p>e guerra. Nesse sentido, o homem do fim da Idade Média, que se</p><p>encontra nessa realidade de profundo pessimismo e perspectivas</p><p>futuras limitadas, busca o prazer imediato no amor, na dança e na</p><p>música. Entretanto, esses elementos não bastam em sua forma comum,</p><p>é necessário enobrecê-la com a beleza. Não se buscava a arte em si,</p><p>mas a vida bela, decorada pela arte.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 16/69</p><p>Túmulo de Giuliano de Medici, por Michelangelo (1533).</p><p>É fato que Michelangelo se opõe e critica a arte medieval,</p><p>principalmente pela tendência a considerar cada particularidade da obra</p><p>como uma coisa independente, fato que destaca ao espectador a obra</p><p>medieval. Para Huizinga, Michelangelo, assim como a maioria dos</p><p>renascentistas, sofreram de uma cegueira temporária para a beleza e</p><p>verdade da arte medieval.</p><p>E mais, o autor aponta que o melhor do fundamento medieval foi</p><p>preservado na pintura flamenga, mais do que na poesia. E resume que o</p><p>Renascimento é menos moderno e mais medieval (HUIZINGA, 2021.</p><p>p.16). Assim, o desprezo do pintor italiano pela arte medieval acontece</p><p>de modo infundado e limitado, afinal, ele não a compreendia.</p><p>Comentário</p><p>Essa obra é amplamente conhecida pelos historiadores, sobretudo os</p><p>medievalistas, entretanto, não foi aceita como historiografia em um</p><p>primeiro momento, e ainda hoje não é por parte dos estudiosos. O</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 17/69</p><p>motivo é que o autor trabalha com a história da cultura, e alguns</p><p>profissionais ponderam que é apenas um ponto de vista, inferior, sobre</p><p>os fatos, considerando a produção mais próxima de uma literatura do</p><p>que de um trabalho científico.</p><p>A ritualização da vida aristocrática se parece com um “nobre jogo”, a</p><p>perspectiva segundo a qual a cultura tardo-medieval deveria ser vista: à</p><p>luz falsa e ofuscante do romantismo cavaleiresco, em que a tensão</p><p>entre as forças de vida e a realidade seria incrivelmente forte</p><p>(HUIZINGA, 2021. p.16). Assim, ele justifica as escolhas por retratar a</p><p>arte, a cultura e a estética do período, por meio da perspectiva outonal.</p><p>O historiador</p><p>aponta que no contexto “em que morte e vida, novo e</p><p>antigo, se entrecruzam e se fecundam, o brilho púrpura e ouro do</p><p>Renascimento se transforma naquele de um sol poente, em que os tons</p><p>crepusculares do outono medieval se misturam aos tons alvorais da</p><p>primavera renascentista, a ponto de se confundirem como o verso e o</p><p>reverso de um mesmo processo” (HUIZINGA, 2021. p. 11).</p><p>A adoração do cordeiro, por Jan van Eyck (1432).</p><p>Esse conceito destaca de modo eficaz que a Idade Moderna é</p><p>desenvolvimento de muitas conquistas medievais, como o renascimento</p><p>comercial da Europa no século XI, que acontece principalmente por</p><p>meio da ação e dos desdobramentos das Cruzadas, no período entre os</p><p>séculos XI e XIII.</p><p>Primavera dos tempos modernos</p><p>Debates sobre o ciclo do tempo</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 18/69</p><p>Membros da guilda de fabricantes de tecidos, por Rembrandt (1662).</p><p>Após a compreensão do Outono da Idade Média, avançamos para uma</p><p>perspectiva nova em relação aos séculos finais da Idade Média. É o</p><p>caso da Primavera dos tempos modernos, que considera esse momento</p><p>como o preâmbulo, como o florescer dos novos tempos. A primavera,</p><p>mesmo que frequentemente atravessada por elementos do inverno,</p><p>apresenta-se rica em promessas.</p><p>Para tratar desse assunto, partiremos da obra que possui esse conceito</p><p>no título, chamada Outono da Idade Média ou Primavera dos tempos</p><p>modernos, de Philippe Wolff (1913-2001). Nesse livro, o autor trata do</p><p>Outono e oferece um ponto de vista distinto. Wolff, que estuda</p><p>sobretudo os aspectos econômicos, sustenta a tese de que o</p><p>desenvolvimento material da humanidade não seria possível sem uma</p><p>intensa transformação intelectual. Ou seja, prioriza os progressos e</p><p>aperfeiçoamentos no campo do pensamento em relação aos demais</p><p>avanços, que só seriam possíveis a partir do primeiro.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 19/69</p><p>A Ceia em Emaús, por Rembrandt (1629).</p><p>A metamorfose provocada pelo pensamento humano não acontece sem</p><p>conflitos interiores, sem interrogações e sem dúvidas. E assim, propõe</p><p>que a visão harmônica do Renascimento como um momento em que as</p><p>invenções simplesmente surgem como elementos prontos e repletos de</p><p>alegria e realizações é deturpada. Na prática, as descobertas ocorreram</p><p>ao redor e em meio a conflitos, angústia e dor. A pessoa que vive nesse</p><p>momento, de transição e efervescências, vivencia essas transformações</p><p>de maneira angustiada e dolorosa. Os principais motivos de angústias</p><p>do período são: fome, pestes e guerra, como já citamos.</p><p>O autor corrobora esses motivos, apresenta que essas situações não se</p><p>desenvolveram iguais por toda a Europa, e acrescenta que, em algumas</p><p>regiões, as condições climáticas intensificaram essas aflições.</p><p>O autor não corrobora a teoria de que a depressão se</p><p>relaciona diretamente com a expansão demográfica do</p><p>século XI e aponta que a diferença cada vez maior</p><p>entre o crescimento demográfico e a produção agrícola</p><p>é intensificada pela guerra, mesmo nos locais que não</p><p>apresentam devastações. Ressalta, ainda, que não</p><p>devemos desconsiderar o aspecto social, e aponta que</p><p>a depressão tem início por volta de 1270, como o caso</p><p>da Inglaterra, e a Peste, em 1348, encontra as pessoas</p><p>em condição de subalimentação.</p><p>Após essas constatações, Wolff apresenta as melhorias introduzidas na</p><p>agricultura, nos negócios e nos transportes. E mostra como o</p><p>crescimento da população urbana resultou na ampliação da gama de</p><p>cereais, hortaliças e frutos cultivados; como os dias de abstinência</p><p>causam um aumento do consumo de peixe, especificamente do</p><p>bacalhau, cuja pesca possui papel relevante nas descobertas em</p><p>direção à América do Norte; as consequências, na indústria e no</p><p>comércio, das necessidades de temperar os alimentos com azeite,</p><p>manteiga, sal ou sal-gema, ou ainda com especiarias; o consumo do</p><p>vinho e as atividades relacionadas, como a criação de vinhedos nas</p><p>cidades, o envelhecimento da bebida, os respectivos impostos e sua</p><p>relevância nas finanças municipais.</p><p>As inovações técnicas que mais modificaram as condições de trabalho</p><p>humano foram:</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 20/69</p><p>A transformação de um movimento circular contínuo, como o</p><p>produzido pela mó do moinho, em movimento retilíneo alternado,</p><p>que permitiu o aperfeiçoamento dos tornos para o trabalho em</p><p>madeira e metal, além do fabrico de bombas de aspiração e de</p><p>compressão, que revolucionaram a mineração.</p><p>A mecanização do pisoamento, que favoreceu novas</p><p>possibilidades à indústria têxtil.</p><p>O aperfeiçoamento dos teares para a elaboração de desenhos</p><p>complexos.</p><p>A explanação dos segredos do fabrico do vidro, que levou ao</p><p>surgimento do óculo côncavo e ao espelho, que foi tão útil no</p><p>processo de expansão marítima.</p><p>O aperfeiçoamento das condições do tratamento dos minérios,</p><p>que permitiu maior rendimento da produção do ferro.</p><p>O uso do carvão mineral, em vez do vegetal.</p><p>A separação quase total entre a prata e o cobre pela adjunção de</p><p>chumbo, o que permitiu a utilização do cobre em larga escala na</p><p>construção de embarcações de longo curso e, consequentemente,</p><p>os grandes descobrimentos.</p><p>A fabricação de livros, que usufrui dos aperfeiçoamentos</p><p>ocorridos na indústria de papel, resultantes da melhor transmissão</p><p>de energia, e da expansão da cultura do cânhamo e do linho, bem</p><p>como de melhoramentos introduzidos pelos ourives e cunhadores</p><p>de moedas, que levaram à substituição da xilogravura por</p><p>caracteres de metal.</p><p>O autor conclui que a maior contribuição do aparecimento da imprensa</p><p>é a difusão das línguas vulgares, que veremos adiante.</p><p>As mudanças que o Wolff considera mais positivas ocorrem no campo</p><p>do comércio: a contabilidade, surgida na Itália, entre 1250 e 1400, o</p><p>decréscimo das feiras e o progresso das associações, de comércio</p><p>marítimo e as de comércio terrestre, de base familiar, contextualizando</p><p>com os desenvolvimentos na agricultura e na indústria, o progresso dos</p><p>transportes e a circulação de materiais.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 21/69</p><p>A luta entre o Carnaval e a Quaresma, por Pieter Bruegel, o Velho (1559).</p><p>O autor aponta as melhorias mais significativas aparecem nos</p><p>transportes marítimos: procura-se aumentar a capacidade de carga, a</p><p>velocidade e estabilidade de navegação; surgem variedades de</p><p>embarcações com capacidade cada vez maior.</p><p>Assim, exceto em casos de mercadorias custosas e facilmente</p><p>deterioráveis pela umidade, o transporte preferido foi o marítimo.</p><p>A dinâmica urbana traz novos hábitos: o gosto pelos estudos é</p><p>estimulado, e não apenas aos gênios ou mais propensos, mas também</p><p>àqueles que buscam as informações, os estudos e o desenvolvimento</p><p>nas escolas e no trabalho.</p><p>Atenção!</p><p>É relevante destacar que as universidades se afastam cada vez mais da</p><p>Igreja, afinal, não são apenas as mercadorias que circulam, as ideias</p><p>possuem espaço nas cidades e ganham força e alguma autonomia. A</p><p>curiosidade por notícias aumenta, os sujeitos desejam saber sobre as</p><p>famílias governantes, as guerras, as agitações sociais, as oscilações</p><p>monetárias e o que mais esteja acontecendo.</p><p>Visões sobre a Idade Média</p><p>Vamos assistir um mini-doc sobre o conceito de Outono da Idade Média</p><p>e Primavera dos Tempos Modernos.</p><p></p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 22/69</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 23/69</p><p>Falta pouco para</p><p>atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>A Idade Média é um período histórico que vai do século V ao século</p><p>X. A seguir, apontamos algumas afirmativas acerca do período em</p><p>questão. Assinale a alternativa correta.</p><p>Parabéns! A alternativa C está correta.</p><p>A Idade Média é marcada por uma religiosidade intensa e a fé cristã</p><p>e católica foi a dominante no medievo ocidental. Mas o papel da</p><p>Igreja não se encerra nos limites da religião, desde o início do</p><p>período medieval, a Igreja se consolida e, por meio das pessoas que</p><p>compunham o clero, assume funções políticas e sociais relevantes.</p><p>Questão 2</p><p>A</p><p>A Idade Média é um período que teve insignificantes</p><p>transformações ao longo dos anos.</p><p>B</p><p>O período medieval é retratado com fidelidade na</p><p>maioria dos casos.</p><p>C</p><p>A Igreja católica teve um papel religioso, político e</p><p>social durante maior parte do período medieval.</p><p>D As universidades surgiram na Alta Idade Média.</p><p>E</p><p>A Idade Média é um período que não teve produções</p><p>intelectuais relevantes.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 24/69</p><p>É possível entender os séculos XIV e XV como Outono da Idade</p><p>Média ou como Primavera dos tempos modernos. Tendo isso em</p><p>mente, assinale a alternativa correta.</p><p>Parabéns! A alternativa A está correta.</p><p>O Outono da Idade Média é um conceito que aponta a arte medieval</p><p>como plena e madura nos séculos finais, e por esse motivo é capaz</p><p>de se transformar, por meio de sutilezas e alguns elementos mais</p><p>firmes, resultando na arte que se apresentará na Idade Moderna.</p><p>Assim, a arte renascentista relaciona-se diretamente com a</p><p>medieval, inclusive, menos que com a moderna.</p><p>A</p><p>O Outono da Idade Média aponta, de modo geral,</p><p>que o Renascimento é mais medieval do que</p><p>moderno.</p><p>B</p><p>A Primavera dos tempos modernos indica que a</p><p>cultura floresceu e a economia permaneceu</p><p>estagnada nesses séculos.</p><p>C</p><p>A perspectiva outonal refere-se a um estudo acerca</p><p>da política medieval.</p><p>D</p><p>Apenas a perspectiva primaveril possui respaldo</p><p>historiográfico.</p><p>E</p><p>Ambas as perspectivas sugerem a mesma coisa:</p><p>desenvolvimento econômico.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 25/69</p><p>2 - Renascimento cultural</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer o surgimento do movimento</p><p>renascentista e o desenvolvimento das novidades culturais nas diferentes áreas: pintura,</p><p>escultura, literatura, �loso�a, política e teologia e ciência.</p><p>O conceito de Renascimento</p><p>Renascimento Cultural</p><p>A Última Ceia, por Leonardo da Vinci (1495).</p><p>Renascimento é o nome conferido ao movimento artístico, cultural,</p><p>político, econômico e filosófico que aconteceu na Europa entre meados</p><p>do século XIV e fim do século XVI. Ele configura um ressurgimento da</p><p>estética do mundo clássico greco-romano e o florescimento de</p><p>literatura, ciência, arte, religião e política. A partir de uma revisitação</p><p>desses conteúdos clássicos, flexibilizou-se o dogmatismo religioso e as</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 26/69</p><p>crenças culturais da sociedade, junto com a incipiente e crescente</p><p>relevância da racionalidade.</p><p>Leda e o Cisne, por Leonardo da Vinci (1510).</p><p>Ideologicamente, o Renascimento é tido como o período de maior</p><p>desenvolvimento cultural e de elegância. Isso acontece, pois esse</p><p>movimento se fundamenta em resgate da Antiguidade Clássica</p><p>diretamente em oposição à Idade Média, considerada como um longo</p><p>período sombrio, atrasado e intermediário (GOMBRICH, 2013. p. 167).</p><p>Durante o desenvolvimento do Renascimento, novas reflexões levam a</p><p>uma alteração na percepção do ser humano. Este, que vivia em função</p><p>das designações de Deus, passa a ser a figura central do pensamento.</p><p>Ou seja, o homem é percebido como responsável por suas ações e,</p><p>portanto, está no centro no mundo. É o chamado antropocentrismo.</p><p>Assim, há uma valorização intensa do humano e a</p><p>substituição (no pensamento e nas ações) de Deus</p><p>como centro do mundo (teocentrismo), pelo homem.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 27/69</p><p>Dessa forma, surge o Humanismo, principal corrente</p><p>de pensamento desse período.</p><p>O Renascimento cultural foi propiciado pelas expansões marítimas e</p><p>pelos contatos comerciais, sobretudo com o Oriente, que ampliaram as</p><p>diversidades de produtos na Europa.</p><p>O comércio expandido também colabora com o movimento de outro</p><p>modo, pois possibilitou o acúmulo de riquezas que foram,</p><p>posteriormente, investidas em produções artísticas das mais variadas</p><p>expressões (escultura, pintura, filosofia, músicos, arquitetos, entre</p><p>outros).</p><p>O incentivo monetário não acontece apenas por parte dos comerciantes</p><p>enriquecidos. Os governantes e o clero da Europa começaram a prover</p><p>recursos aos artistas e intelectuais, é o chamado mecenato. É</p><p>importante ter em mente que os mecenas não investiam nas artes sem</p><p>qualquer interesse, eles eram as camadas mais altas da sociedade e</p><p>desejavam se tornar mais populares. Assim, muitas famílias de</p><p>mecenas encomendavam pinturas e esculturas a esses artistas e, por</p><p>isso, o gênero dos retratos foi tão difundido nesse momento.</p><p>Retrato por Jacopo Pontormo de Cosimo de Médici, banqueiro e político da cidade de Florença,</p><p>na Itália, além de patrono das artes.</p><p>O movimento renascentista apareceu na atual Itália, especificamente na</p><p>região de Florença, no início do século XV, e sua divulgação foi rápida e</p><p>efetiva. Nesse momento, na Europa, as transformações artísticas</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 28/69</p><p>acontecem, efervescem e propiciam que novos eventos ocorram. Assim,</p><p>durante séculos, constantes manifestações artísticas decorrentes desse</p><p>período seguiram aparecendo, até quase os momentos atuais.</p><p>A seguir, apresentamos as características mais relevantes, os principais</p><p>nomes e as técnicas mais utilizadas em cada expressão cultural</p><p>desenvolvida no Renascimento.</p><p>As formas artísticas do Renascimento</p><p>Pintura</p><p>Concorrência pelo santo sacramento, por Rafael (1511).</p><p>A pintura é a categoria artística com uma rica e potencial manifestação</p><p>de técnicas, criatividade e talentos. Na prática, um único lugar e um</p><p>mesmo momento fez florescer diversos pintores, admirados por suas</p><p>produções de destaque até os dias atuais. Sem dúvida, um elemento</p><p>que merece destaque e atenção.</p><p>As principais características da pintura relacionam</p><p>diretamente a um desenvolvimento técnico</p><p>exponencial em termos de utensílios e matérias-</p><p>primas e também respondem a uma maior liberdade de</p><p>pensamento. São elas: a perspectiva, utilização de luz</p><p>e sombra, o realismo, proporcionalidade, temática</p><p>focada na natureza e no homem, representação das</p><p>emoções e harmonia e beleza idealizadas.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 29/69</p><p>A Entrega das Chaves, por Pietro Perugino (1482).</p><p>A perspectiva consiste em, a partir dos conhecimentos de matemática e</p><p>geometria, valorizar as distâncias e proporções dos elementos que</p><p>estão sendo retratados. Em termos de efeito visual, é o que nos garante</p><p>perceber a profundidade na obra, quais artigos estão em primeiro plano,</p><p>quais estão em segundo e quais são apenas detalhes.</p><p>Para o espectador ter essa dimensão é preciso que, durante a</p><p>confecção, o pintor utilize um ponto de fuga que consiste em um ponto</p><p>na tela, físico e de referência no horizonte, de onde saem as linhas retas</p><p>para construir a imagem a partir dessas menções.</p><p>Modelo de plano de fundo para projeção de esquema de arquitetura.</p><p>A característica luz e sombra é muito relevante e foi amplamente</p><p>utilizada pelos pintores. É também conhecida como claro-escuro,</p><p>referindo-se ao modo de produzir o efeito. Na prática, consiste em</p><p>depositar tinta em tons claros em algumas áreas da tela de modo a</p><p>iluminar, criar a luz, e em outras áreas depositar tintas em tons mais</p><p>escuros, para gerar a sombra.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 30/69</p><p>O contraste visual sugere imediatamente ao espectador a ideia de luz e</p><p>sombra e uma composição de volume nos elementos pintados.</p><p>O realismo é um aspecto mais relacionado à percepção do artista sobre</p><p>a função do homem no mundo. O planeta passa a ser entendido como</p><p>uma realidade a ser analisada e compreendida e não apenas admirada.</p><p>Assim, a função do homem é desvendar o que o cerca e não só observar</p><p>e contemplar. Como resultado, as pinturas devem ser mais</p><p>comprometidas com a fidelidade ao que está sendo retratado.</p><p>A proporcionalidade está diretamente relacionada à perspectiva e</p><p>significa colocar os elementos da obra em alguma escala com a</p><p>realidade e repetir essa escala para os demais componentes da obra,</p><p>criando uma pintura equilibrada.</p><p>Estudo sobre o David de Michelangelo, por Leonardo da Vinci (1505).</p><p>A temática focada na natureza e no homem responde à motivação</p><p>básica no movimento de antagonismo à arte anterior, medieval. O</p><p>interesse está em retratar aquilo que não remete à religiosidade. Esse</p><p>mesmo incentivo implica na representação das emoções nos homens e</p><p>na harmonia e beleza idealizadas.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 31/69</p><p>A descoberta do mel por Baco, por Piero di Cosimo (1505).</p><p>Por fim, alguns aspectos que merecem atenção. Esse é momento do</p><p>início do uso da tinta a óleo para a pintura, são precisos ajustes nas</p><p>técnicas de pintura relacionados à textura, tonalidade, ao brilho, à</p><p>consistência, entre outros, e o resultado também é diferenciado em</p><p>relação às tintas vigentes.</p><p>A pintura, que até esse momento aparece como um detalhe de uma obra</p><p>arquitetônica, ou com uma função dependente da expressão da</p><p>arquitetura, consegue uma autonomia e torna-se uma manifestação</p><p>independente.</p><p>Surge a noção de estilo pessoal que cada artista teria</p><p>ligado à noção de liberdade que impacta a criação e</p><p>também uma transformação social que está</p><p>acontecendo que é o surgimento da noção de</p><p>indivíduo. Tal fato nos relembra que todas essas</p><p>manifestações artísticas fazem parte de um contexto</p><p>político, social e econômico que age direta ou</p><p>indiretamente nos processos e resultados.</p><p>São exemplos de pintores desse período: Leonardo da Vinci (1452-</p><p>1519), Giotto di Bondone (c. 1267-1337), Michelangelo Buonarroti</p><p>(1475-1564), Sandro Botticelli (1445-1510), Rafael Sanzio (1483-1520),</p><p>Ticiano Vecellio (c. 1473/90-1576), Hieronymus Bosch (1450-1516),</p><p>Pieter Bruegel (1525-1569), Albrecht Dürer (1471-1528) e Hans Holbein</p><p>(1497-1543).</p><p>Escultura</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 32/69</p><p>Assim como a pintura, a escultura alcança a independência da</p><p>arquitetura no Renascimento. É importante, entretanto, ter em mente</p><p>que nesse movimento a escultura não produziu enormes rupturas e</p><p>transformações em relação ao período anterior. Podemos afirmar que</p><p>há um conjunto de características para as esculturas renascentistas,</p><p>mas não ocorreram numerosas novas regras e técnicas.</p><p>As maiores novidades nessa expressão artística decorrem mais da</p><p>liberdade propiciada pelo ideal do movimento, ou seja, referem-se mais</p><p>ao gosto do artista, àquilo que ele mais deseja criar. Para identificar uma</p><p>escultura renascentista, é preciso estar atento às inspirações que ela</p><p>declara para si, os aspectos de fundo, não apenas o elemento central.</p><p>O Rapto das Sabinas, por Giambologna (1582).</p><p>Como muitas vezes as obras eram encomendadas pelos mecenas, é no</p><p>espaço secundário que surge a possibilidade de demonstração de um</p><p>estilo pessoal do artista, conforme já ressaltado.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 33/69</p><p>Os aspectos de fundo mais comuns nas esculturas desse momento são:</p><p>um naturalismo enfático, isto é, uma necessidade de busca pela</p><p>verossimilhança, era preciso veracidade; um profundo interesse pela</p><p>retratação do homem, sua anatomia, suas emoções e expressões</p><p>faciais; presença de ostentação do conhecimento, ou seja, não era</p><p>suficiente ter o conhecimento e domínio das técnicas, era relevante</p><p>vangloriar isso; como desenvolvimento do aspecto anterior, havia um</p><p>desejo pela monumentalidade, pelo grandioso e espetaculoso; por fim,</p><p>era frequente a utilização de formas geométricas simples, utilizadas</p><p>como elementos de composição da obra.</p><p>A valorização do homem por meio do Humanismo se</p><p>manifesta nas esculturas de modo a representar os</p><p>corpos com maior comprometimento com a verdade</p><p>possível. Por esse motivo, as esculturas são marcadas</p><p>por linhas curvas e sinuosas.</p><p>Pietà, por Michelangelo (1497).</p><p>Os mais destacados escultores desse movimento são: Michelangelo</p><p>Buonarroti (1475-1564), Donato di Niccoló di Betto Bardi, conhecido</p><p>como Donatello (1386-1466) e Andrea di Francesco di Cione, conhecido</p><p>como Andrea del Verrochio (1435-1488).</p><p>Literatura</p><p>O Renascimento literário surgiu no início do movimento, na primeira</p><p>fase, conhecida como Trecento, em referência aos anos 1300. Logo no</p><p>início, foi publicada uma obra muito característica desse período, A</p><p>Divina Comédia, que conferia críticas à Igreja dominante no período</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 34/69</p><p>medieval e mesmo assim apresentava características marcadamente</p><p>associadas ao período.</p><p>Isso é fundamental para compreender o pensamento nesse momento</p><p>de permanências e rupturas. O autor da obra citada é Dante Alighieri</p><p>(1265-1321), um personagem singular desse momento. Foi um escritor,</p><p>poeta e político da região de Florença, na atual Itália.</p><p>Gravura de Gustave Doré para A Divina Comédia.</p><p>Um objetivo relevante da arte do período é o antagonismo ao período</p><p>medieval. Nesse sentido, a literatura retomou o modo clássico de</p><p>atuação em relação à aprendizagem e ao conhecimento, criando novas</p><p>possibilidades de desenvolvimento de compreensão do mundo para</p><p>além da produção que advinha da Igreja.</p><p>Foi frequente o ato de escritores disseminarem suas</p><p>ideias, valores e idiomas, conforme circulavam pela</p><p>Europa. Assim, em uma única obra havia diversos tipos</p><p>de conhecimentos para que o leitor se abrisse a novos</p><p>diálogos.</p><p>Além da inspiração na Antiguidade Clássica, a literatura possui</p><p>características coerentes com o movimento que a integra:</p><p>O antropocentrismo</p><p>Percebe o mundo a partir do homem no centro do universo.</p><p>O racionalismo</p><p>Valoriza a razão como forma de obtenção de conhecimento.</p><p>O hedonismo</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 35/69</p><p>Indica que o prazer como finalidade da vida humana e, na literatura, a</p><p>natureza aparece muitas vezes como fonte de prazer.</p><p>Na prática, a inspiração na Antiguidade Clássica aparecia nos temas da</p><p>escrita e nas formas literárias adotadas. As histórias eram contadas em</p><p>um mundo, a partir da perspectiva do homem no centro. E a busca de</p><p>prazeres e uma vivência racional e crítica aparecem em diversas obras</p><p>das mais variadas maneiras.</p><p>A literatura renascentista é relevante na trajetória de desenvolvimento de</p><p>conhecimentos por um motivo que não se relaciona diretamente com</p><p>características literárias. Acontece</p><p>que nesse momento, os sujeitos</p><p>começam a escrever em suas línguas vernáculas (nativas) e não mais</p><p>em latim, francês ou provençal.</p><p>Isso é relevante por alguns motivos: porque registra o dialeto ou a</p><p>língua; faz com que o texto alcance as pessoas daquela região ou que</p><p>compreendem aquela comunicação e, em muitos casos, desenvolve-se</p><p>como língua oficial da região. Por exemplo, na atual Itália, disseminou-se</p><p>a utilização do dialeto toscano, o mais próximo de uma matriz do</p><p>italiano contemporâneo. No fim do século XV, com a impressão das</p><p>obras, essa língua, as ideias do movimento, os personagens e as</p><p>célebres histórias foram difundidas por todo o mundo.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 36/69</p><p>Gravura de Gustave Doré para o romance Dom Quixote de Miguel de Cervantes.</p><p>Os nomes mais notáveis da literatura renascentista são: Dante Alighieri</p><p>(1265-1321), Francesco Petrarca (1304-1374) e Nicolau Maquiavel</p><p>(1469-1527). Porém, há nomes relevantes em diversos espaços da</p><p>Europa que escreveram, foram pioneiros e influentes em suas línguas,</p><p>tais como: Baltasar Castiglione (1478-1529), que escreveu poesia lírica</p><p>em linguagem vulgar e poesia latina, autor de O cortesão; William</p><p>Shakespeare (1564-1616), que escreveu Romeu e Julieta e se consagrou</p><p>o escritor de língua inglesa mais reconhecido; Luís de Camões (1524-</p><p>1580), autor de Os lusíadas, um dos maiores representantes da língua</p><p>portuguesa; e outros inúmeros autores, que escreveram em suas línguas</p><p>vernáculas suas histórias no contexto do Renascimento.</p><p>Bases do pensamento renascentista</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 37/69</p><p>Filoso�a, Política e Teologia</p><p>A Filosofia, a Política e a Teologia no momento do Renascimento são de</p><p>relacionamento muito próximo, as ideias são intrínsecas e se</p><p>influenciam mutuamente a todo momento. Todas essas vertentes</p><p>culturais seguem as bases do movimento de maior aproximação com a</p><p>Antiguidade Clássica como uma direta oposição ao período medieval. A</p><p>negação do momento anterior era tanta que os filósofos do</p><p>Renascimento se opuseram ao teocentrismo medieval de modo a</p><p>colocar o ser humano como eixo central (o antropocentrismo).</p><p>Para além desse ideal do movimento, a sociedade passava por outras</p><p>transformações que colocam em dúvida o pensamento filosófico</p><p>vigente:</p><p>Luthero diante do Conselho de Worms, por Anton von Werner (1877).</p><p>A Reforma Protestante estabelece uma fragmentação do</p><p>poder religioso.</p><p>Colômbo diante da raínha, por Emanuel Leutze (1843).</p><p>As expansões marítimas apresentam a necessidade de</p><p>enfrentar novos desafios.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 38/69</p><p>Ronda da Noite, por Rembrandt (1642).</p><p>A burguesia, como nova camada social, demanda adequações</p><p>na hierarquia vigente e suas justificativas.</p><p>A impressão de livros, por Daniel Nikolaus Chodowiecki (1770).</p><p>O surgimento da prensa (imprensa).</p><p>A Filosofia do Renascimento foi um movimento relevante para o</p><p>desenvolvimento de inúmeras áreas do conhecimento. Muitas crenças,</p><p>tidas como verdades, e até como conhecimento, foram refutadas pela</p><p>reflexão propiciada pela Filosofia em questão que se relaciona</p><p>diretamente com a Ciência e as investigações empíricas.</p><p>Nesse momento, Deus deixava de ser o ponto central do pensamento</p><p>filosófico e abordagens e reflexões começavam a surgir. Os limites</p><p>impostos pelos dogmas da Igreja também deixavam de existir, afinal,</p><p>uma vez que não acreditavam mais unicamente naqueles limites, eles</p><p>ficam invalidados.</p><p>A partir disso, houve uma efervescência e vários pensadores</p><p>começaram a adotar posturas diversas de pensamento, criando um</p><p>movimento heterogêneo, diverso e fecundo.</p><p>Por exemplo, Giordano Bruno (1548-1600) defendia um panteísmo</p><p>baseado na infinidade do universo e Nicolau de Cusa (1401-1464)</p><p>questionou a possibilidade de conhecer a natureza de Deus.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 39/69</p><p>Monumento a Giordano Bruno em Campo de' Fiori, em Roma.</p><p>Os filósofos renascentistas são críticos em relação às doutrinas</p><p>intelectuais medievais. A obra mais relevante da Filosofia renascentista</p><p>é de Nicolau Maquiavel intitulada O Príncipe. Nela, ele buscou</p><p>apresentar a vida política como realmente era e não por meio do seu</p><p>ideal. Essa obra é tão relevante que, em diversos espaços, ele é</p><p>considerado o fundador da ciência política moderna e é lida até os dias</p><p>atuais.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 40/69</p><p>Retrato de Nicolau Maquiavel, por Santi di Tito.</p><p>A inovação do texto de Maquiavel consiste em ser pragmático sobre os</p><p>ideais filosóficos e políticos. O filósofo apresentava que um líder, dotado</p><p>de poder, precisava entender a moralidade pública e privada como</p><p>diferentes para governar satisfatoriamente. Assim, a atenção do</p><p>governante não deveria recair apenas na reputação, mas ele precisaria</p><p>agir imoralmente nos momentos certos, estratégicos.</p><p>A relação entre Filosofia, Teologia e Política é interligada. Nesse</p><p>momento, com os questionamentos e ideais renascentistas, o</p><p>predomínio da religião deixou de ser absoluto e possibilitou o</p><p>desenvolvimento das demais áreas.</p><p>Atenção!</p><p>Esses fatos são relevantes e servem de base e também de fundo para a</p><p>separação que ocorreria momentos depois entre o Estado e a Igreja,</p><p>bem como para o movimento Iluminista, que surgiria anos mais tarde.</p><p>Os ideais renascentistas inauguraram o pensamento moderno, no qual a</p><p>razão se torna independente da fé e estrutura a Ciência.</p><p>Ciência</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 41/69</p><p>Em um diálogo direto com a Filosofia, a Teologia e a Política, há a</p><p>ciência e seus desenvolvimentos durante o Renascimento. Esse período</p><p>foi marcado por inúmeras descobertas científicas, sobretudo nos</p><p>campos da Astronomia, Física, Medicina, Matemática e Geografia.</p><p>O Astrônomo Copérnico em conversação com Deus, por Jan Matejko (1872).</p><p>Foi Nicolau Copérnico, astrônomo e matemático, o responsável pelo</p><p>heliocentrismo, teoria que demonstra o Sol como o centro do sistema</p><p>solar e a Terra como mais um planeta que girava ao seu redor. Com essa</p><p>única atitude, ele negou a teoria geocêntrica, que indica a Terra no</p><p>centro do sistema solar, defendida pela Igreja e também por Aristóteles.</p><p>Já Galileu Galilei é considerado o pai da Ciência moderna, com</p><p>contribuições na Matemática, Física e Astronomia. Ele criou um</p><p>telescópio e ao apontar para o céu, nas suas investigações, descobriu</p><p>os anéis de Saturno, as manchas solares, os satélites de Júpiter, o relevo</p><p>da Lua e a composição estelar da Via Láctea.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 42/69</p><p>Galileu e o Doge de Veneza, por Giuseppe Bertini (1858).</p><p>Entre outras invenções, temos o relógio de pêndulo, o binóculo, o</p><p>telescópio astronômico, a balança hidrostática e o compasso</p><p>geométrico. Ele tentou medir a velocidade da luz, sem sucesso, por não</p><p>ter equipamentos capazes da medição.</p><p>Demonstrou que a velocidade da queda independe do peso dos corpos e</p><p>fez contribuições também sobre a inércia. Por todas essas descobertas</p><p>e proposições, Galileu foi perseguido e ameaçado pela Igreja e obrigado</p><p>a negar publicamente suas ideias e descobertas.</p><p>Johannes Kepler foi um astrônomo, astrólogo e matemático que criou</p><p>as chamadas Leis de Kepler, que descrevem os movimentos elípticos</p><p>dos planetas do sistema solar, a partir de modelos heliocêntricos.</p><p>A primeira lei afirma que os planetas descrevem órbitas elípticas (ou</p><p>seja, em relação ao cônico ou cilíndrico) em torno do Sol.</p><p>A segunda lei indica que os segmentos que unem o Sol aos planetas</p><p>possuem áreas e intervalos de tempo idênticos.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 43/69</p><p>A terceira lei aponta relação entre a distância de cada planeta e seu</p><p>intervalo de translação.</p><p>Kepler também foi um astrólogo notável e escreveu diversos</p><p>almanaques astronômicos.</p><p>Na Medicina, as descobertas e os desenvolvimentos de conhecimentos</p><p>avançaram com trabalhos e experiências sobre, principalmente,</p><p>circulação sanguínea, métodos de cauterização e princípios gerais de</p><p>anatomia.</p><p>Atenção!</p><p>Vale ressaltar que todos os avanços na Ciência não foram bem</p><p>recebidos pela Igreja e muitos indivíduos que se envolveram nessas</p><p>descobertas e produções tiveram problemas de curto ou longo prazo</p><p>com a instituição. E isso significava ter implicações na sua vida</p><p>cotidiana e outros ajustes.</p><p>Renascimento como movimento</p><p>Vamos continuar assistindo mini.doc sobre Renascimento, agora é o</p><p>momento de pensarmos sobre a arte e seu papel nesse momento.</p><p></p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 44/69</p><p>Falta pouco para atingir seus objetivos.</p><p>Vamos praticar alguns conceitos?</p><p>Questão 1</p><p>O Renascimento é um movimento artístico e cultural que surge e se</p><p>manifesta, na Itália, no século XIV, e configura um ressurgimento da</p><p>estética do mundo clássico greco-romano. A partir dessa</p><p>afirmação, assinale a alternativa correta.</p><p>A As pinturas renascentistas eram desarmoniosas.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 45/69</p><p>Parabéns! A alternativa D está correta.</p><p>As pinturas do Renascimento surgem com uma valorização da</p><p>perspectiva e da proporção, são características relevantes dessas</p><p>pinturas, junto com luz e sombra e realismo, por exemplo. São duas</p><p>técnicas que se relacionam com o desenvolvimento do</p><p>conhecimento matemático e de geometria. As artes utilizam esse</p><p>conhecimento para criar uma imagem mais realista para o</p><p>espectador.</p><p>Questão 2</p><p>O Renascimento foi um movimento artístico, literário e científico</p><p>que surgiu na Península Itálica e expandiu-se por quase toda a</p><p>Europa em pouco tempo, provocando transformações intensas nas</p><p>sociedades. A partir dessa afirmação é correto afirmar que</p><p>B</p><p>A pintura não possui relação com o</p><p>desenvolvimento cultural da nação.</p><p>C</p><p>A escultura não se altera em relação aos períodos</p><p>anteriores.</p><p>D</p><p>A pintura renascentista respeita regras de proporção</p><p>e perspectiva.</p><p>E As temáticas de pintura são relacionadas ao divino.</p><p>A</p><p>o antropocentrismo destaca o homem como</p><p>elemento central e surge questionando o</p><p>teocentrismo, que considera Deus a unidade central.</p><p>B</p><p>houve o resgate, pelos intelectuais renascentistas,</p><p>dos ideais medievais ligados aos dogmas da Igreja.</p><p>C</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 46/69</p><p>Parabéns! A alternativa A está correta.</p><p>Uma das principais características do movimento renascentista é o</p><p>antropocentrismo, filosofia que ressalta o homem como dotado de</p><p>inteligência para lidar com o mundo para além das justificativas</p><p>sem base racional da Igreja. Surge como um contraponto ao</p><p>teocentrismo, que situa Deus no centro de toda explicação de</p><p>mundo.</p><p>3 - Conceitos de Modernidade</p><p>Ao �nal deste módulo, você será capaz de descrever os conceitos de Modernidade a partir das</p><p>diferentes áreas das ciências humanas.</p><p>o movimento buscava o ápice da cultura medieval,</p><p>valorizando-a e reforçando-a.</p><p>D</p><p>a natureza foi completamente desprezada nesse</p><p>período, pois era associada à ação divina.</p><p>E</p><p>os intelectuais renascentistas negaram o método</p><p>experimental e a reflexão racional, valorizando os</p><p>dogmas da Igreja.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 47/69</p><p>O conceito de Modernidade</p><p>Modernidade</p><p>Modernidade é uma palavra que possui interpretações variadas. De</p><p>modo geral, é associada à ideia de novo, atual, diferente, recém-chegado</p><p>e com algum apelo inovador. Está inevitavelmente relacionada a aquilo</p><p>que é recente, é a expressão do moderno.</p><p>O termo é amplamente utilizado nas ciências humanas e pode referir-se</p><p>a diferentes aspectos em distintas áreas: tempo histórico, que tem início</p><p>com o fim da Idade Média, na História; uma transformação na</p><p>sociedade, também entendida como a racionalização social, na</p><p>Sociologia; ou uma vanguarda artística, e nesse caso com uma pequena</p><p>variação, que seria o termo modernismo, nas artes.</p><p>Modernidade na História</p><p>Maomé II adentrando Constantinopla, por Fausto Zonaro.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 48/69</p><p>A utilização mais comum do termo Modernidade é para referir-se ao</p><p>tempo histórico posterior à Idade Média, mas sua cronologia não é</p><p>consenso entre os estudiosos. Alguns estudiosos entendem o</p><p>Renascimento, o Humanismo, a Reforma Protestante e as Grandes</p><p>Navegações, logo o século XVI, como o surgimento da Modernidade.</p><p>Outros consideram que ela só começou no século XVIII, com o</p><p>Iluminismo e a Revolução Francesa.</p><p>O mesmo acontece com o final, alguns apontam que ela se encerra no</p><p>século XVIII, outros destacam que ainda vivemos na Modernidade; no</p><p>séxulo XX, apontaram que já vivíamos a pós-Modernidade, isto é, uma</p><p>época depois.</p><p>E isso é debate em curso, com muitas reflexões envolvidadas, em</p><p>diversas áreas.</p><p>De modo geral, considera-se a Idade Moderna a partir</p><p>de final do século XV até a época das revoluções, no</p><p>século XVIII. Os marcos sociais dessa era são a</p><p>tomada de Constantinopla pelos turcos otomanos em</p><p>1453, como início; e a Revolução Francesa em 1789,</p><p>como final.</p><p>Nesse momento, consideramos essa cronologia para estudarmos. E</p><p>aproveitamos para apresentar que a Modernidade é tema de grandes</p><p>discussões e controvérsias, mas há consensos sobre as suas</p><p>características.</p><p>Comparando o Medievo e a</p><p>Modernidade</p><p>Comparações</p><p>A apresentação do período será feita de modo comparativo, assim, as</p><p>mudanças em relação ao período anterior ficam intensas e é possível</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 49/69</p><p>perceber com maior nitidez o porquê da ideia de que tudo era muito</p><p>inovador.</p><p>Galileu enfrenta a Inquisição Romana, por Cristiano Banti (1857).</p><p>A orientação e explicação de mundo no período medieval era religiosa, a</p><p>produção de conhecimento acontecia nas igrejas, com o clero, e nos</p><p>mosteiros, inclusive, a instituição era responsável por guardar e copiar</p><p>os livros. A explicação do mundo e da vida aconteciam nos momentos</p><p>das pregações. Na Modernidade, a Ciência interpreta o mundo. Há a</p><p>valorização da razão e não concebem outro modo de perceber o</p><p>planeta.</p><p>Na organização econômica medieval, predominava o feudalismo na</p><p>maior parte do tempo, sua mão de obra era majoritariamene servil e o</p><p>comércio e a circulação de moedas eram secundárias. Na Modernidade,</p><p>o capitalismo é a esrutura da economia. Ele se baseia na propriedade</p><p>privada dos meios de produção, na grande circulação de moeda por</p><p>meio do comércio e no trabalho assalariado.</p><p>A organização social medieval era rígida e hierarquizada. A sociedade</p><p>era estamental e isso significa que a posição social de cada um era</p><p>determinada no nascimento e a mudança era praticamente inexistente.</p><p>Na Modernidade, a</p><p>sociedade passa a ser organizada em classes, de</p><p>modo que o lugar social que cada pessoa ocupa é determinado pela</p><p>quantidade de bens que a pessoa possui. Nesse momento, a mobilidade</p><p>social é maior, é possível ascender socialmente e adquirir bens.</p><p>Na política durante a Idade Média, o centro de poder mais proeminente</p><p>era o da Igreja católica, o poder civil era descentralizado.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 50/69</p><p>Ilustração do século XIII representando o clero, a nobreza e os plebeus.</p><p>O que acontecia era um endosso da Igreja ao poder político, mesmo</p><p>dispersado, assim o poder político era exercido sob tutela do poder</p><p>religioso. Na Modernidade, existem Estados centralizados e fortes que</p><p>se constituíram como monarquias.</p><p>Após apresentarmos as características mais relevantes do período em</p><p>modo comparativo com o período medieval, chamamos a atenção para</p><p>a necessidade de tratar esses fatos com rigor científico e afastar o</p><p>julgamento de valor.</p><p>É comum a explicação da Modernidade a partir de juízos de valor,</p><p>inclusive e principalmente, pelos próprios homens modernos que</p><p>entenderam a História como um processo evolutivo de direção única e</p><p>esabeleceram o moderno como superior ao não moderno.</p><p>Exemplo</p><p>Algumas das características da Modernidade, como a Ciência, o</p><p>capitalismo, a sociedade de classe, o Estado centralizado, rapidamente</p><p>foram ícones do que é mais arrojado, promissor e avançado no mundo.</p><p>O domínio do tempo</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 51/69</p><p>Eurocentrismo</p><p>Pizarro capturando o rei Inca, por John Everett (1846).</p><p>Essa noção de que o moderno é superior nos leva a outro grande</p><p>problema que possui consequências sérias para toda a História da</p><p>humanidade: o eurocentrismo. Quando pensamos em Modernidade e</p><p>também quando a estudamos, vemos o que aconteceu na Europa, e</p><p>principalmente, na Europa Ocidental.</p><p>As características já apresentadas aconteceram de acordo com a</p><p>trajetória que as sociedades europeias desenvolveram. Em outras partes</p><p>do mundo, as sociedades se desenvolveram de outras maneiras, em</p><p>outras direções, e alcançaram outras formas de viver e manter suas</p><p>necessidades básicas.</p><p>Destacamos que o eurocentrismo atinge seu ápice em</p><p>momentos posteriores à cronologia que adotamos</p><p>para esse estudo, por meio da ação do imperialismo na</p><p>África nos séculos XIX e XX, e é possível dizer que</p><p>ainda vivemos à sua sombra.</p><p>Entretanto, por meio dos processos expansivos, propiciados pelas</p><p>Grandes Navegações, por exemplo, os europeus saíram da sua região e</p><p>alcançaram territórios que não sabiam que existiam, consideraram</p><p>esses fatos como descobertas e julgaram os povos que encontraram</p><p>como inferiores, atrasados, incultos, incivilizados, de modo que todas as</p><p>suas formas de organização política, econômica, cultural e social foram</p><p>rebaixadas.</p><p>A partir dessa compreensão, logo nos primeiros contatos, impuseram</p><p>seu ponto de vista e seus modos de fazer todas as coisas. O resultado é</p><p>que esses povos, como, por exemplo, os da América, inclusive o Brasil,</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 52/69</p><p>adotaram o modelo europeu, mas alcançaram desenvolvimentos</p><p>diferentes em tempos diversos.</p><p>Dessa situação surgem dois novos problemas: como o ponto de vista</p><p>europeu foi imposto e como os desenvolvimentos acontecem.</p><p>Índios derramam ouro derretido na boca dos espanhóis, por Theodor de Bry.</p><p>O primeiro ponto é apresentado diretamente: com violência, brutalidade</p><p>e desrespeito em diversos níveis e em muitos aspectos. Com a certeza</p><p>da sua superioridade, os europeus chegaram aos espaços exercendo a</p><p>dominação. Não houve diálogo, uma tentativa de troca cultural</p><p>minimamente equilibrada.</p><p>Na prática, a percepção das diferenças pelos europeus é percebida</p><p>como oportunidade de avanço de seus domínios, e pelos nativos das</p><p>regiões, na maioria das vezes, como curiosidade. Assim, os</p><p>expansionistas começam a impor sua cultura, sua língua, sua religão,</p><p>sua razão e a devastar as estruturas dos povos originários.</p><p>Em toda e qualquer situação de resistência ocorrida durante o processo,</p><p>os europeus demonstravam truculência e violência física. Mas</p><p>ressaltamos que também nos referimos à violência emocional da</p><p>comunidade e seus personagens, por terem sua comunicação</p><p>modificada, pela imposição de uma nova língua; suas muheres</p><p>estupradas pelos desejos dos europeus; suas crenças impedidas de</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 53/69</p><p>serem praticadas; sua alimentação modificada pela imposição de novos</p><p>hábitos; entre outras situações. É fundamental considerar que foi um</p><p>processo heterogêneo e violento com aqueles que diferiam do modelo</p><p>ideal almejado pelo projeto da Modernidade.</p><p>O segundo aspecto refere-se a como os desenvolvimentos</p><p>aconteceram. É ilusório acreditar que os europeus chegaram na</p><p>América, por exemplo, e ao impor sua cultura, a trajetória naquela região</p><p>seguiria os mesmos caminhos que a região que determinou. Na prática,</p><p>a cultura original não é esquecida, isso significa que, em muitos</p><p>aspectos, ambas culturas irão coexistir. O resultado é uma Modernidade</p><p>marcada pela convivência de características de diferentes épocas e</p><p>estágios de desenvolvimento.</p><p>Carnaval na Rua Prancha, pory Jean-Baptiste Debret (1834).</p><p>Como exemplo, há lugares, como o Brasil, onde o capitalismo convive</p><p>com formas econômicas comuns no período medieval, ao mesmo</p><p>tempo em que a Ciência e a razão convivem com justificativas religiosas</p><p>ou místicas sobre os eventos. Ainda, é preciso entender que essa noção</p><p>de progresso não é, na prática, possível para todos, ainda mais</p><p>acontecendo dessa forma, imposto, como aconteceu no processo de</p><p>colonização europeu.</p><p>Todos esses acontecimentos formaram o que Giddens (1991) considera</p><p>três maiores características da Modernidade:</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 54/69</p><p>Uma percepção do mundo como disponível à transformação humana.</p><p>Um complexo de instituições econômicas pautadas na divisão do</p><p>trabalho, na produção industrial e na economia de mercado.</p><p>Uma organização de instituições políticas, principalmente o Estado</p><p>moderno centralizado.</p><p>Essas transformações culturais e sociais, drásticas e intensas, fizeram</p><p>da Modernidade uma era guiada e caracterizada pela ideia de progresso.</p><p>Modernidade �losó�ca</p><p>Pensando sobre a modernidade</p><p>Capa da 1ª edição da obra Leviatã, de Thomas Hobbes.</p><p>Para tratar da Modernidade na Filosofia, há duas maneiras: analisar</p><p>como foi a Filosofia no período moderno e estudar os filósofos que</p><p>trabalham o tema. Vamos trazer brevemente as duas perspectivas, a fim</p><p>de tornar o estudo mais rico.</p><p>A respeito da primeira abordagem, apontamos que a Filosofia moderna</p><p>tem início no final do século XV, exatamente quando começa a Idade</p><p>Moderna e se encerra no século XVIII, também acompanhando a era.</p><p>11/08/2024, 20:13 Renascimentos: conceitos e “invenção” da modernidade</p><p>https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212hu/03207/index.html?brand=estacio# 55/69</p><p>A principal característica é a transição do pensamento</p><p>baseado na convicção da fé e nas relações entre o</p><p>homem e Deus, comum na Idade Média, para o</p><p>pensamento fundamentado na razão, que direciona a</p><p>humanidade para os questionamentos, que era comum</p><p>na Idade Moderna.</p><p>A partir da valorização dos estudos, indagações e reflexões, surgem as</p><p>principais correntes filosóficas modernas: racionalismo e empirismo. A</p><p>primeira ocorre a partir da razão para produção de conhecimeno</p><p>humano e a segunda fundamenta-se</p>