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<p>Dicionário de S inônimos da Língua Portuguesa � 65</p><p>82</p><p>ACALENTAR, amimar, consolar, agradar,</p><p>afagar, ameigar, acariciar, acarinhar, acari-</p><p>dar. – Acalentar designa particularmente a</p><p>“ação de aquecer a criança nos braços para</p><p>que sossegue e adormeça”; e por extensão e</p><p>figuradamente pode aplicar-se nos casos em</p><p>que se trata de coisas morais ou abstratas,</p><p>como: “acalentar sonhos, esperanças, desejos,</p><p>e até vícios”. – Amimar é tratar com mimos,</p><p>isto é, com “manifestações delicadas de afe-</p><p>to e desvelo, como... se fosse criança a pes-</p><p>soa que se amima”. – Consolar é, “por meio</p><p>de carinhos, de palavras de conforto, de atos</p><p>de amizade, procurar diminuir a pena, mi-</p><p>norar o sofrimento, ou tornar esquecido ou</p><p>menos intenso o pesar que aflige alguém”.</p><p>– Agradar, aqui, é quase afagar; pois ambos</p><p>indicam que se deseja fazer contente, gra-</p><p>ta conosco a pessoa a quem se agrada ou se</p><p>afaga. Este último verbo, no entanto, é mais</p><p>expressivo e intenso; e tanto quanto afago</p><p>o é em relação a agrado. Afagar é fazer,</p><p>por palavras, gestos e atos, demonstrações</p><p>de muita benevolência e afeto; agradar é</p><p>apenas, também por atos e palavras, dispor</p><p>bem, deixar satisfeito, bem impressionado.</p><p>– Ameigar diz propriamente “tratar com</p><p>meiguices, com muita brandura, de modo</p><p>a fazer suave, doce, meigo o que é tratado”.</p><p>– Acariciar é “tratar com carícia”, sendo</p><p>carícia sinal mais delicado ainda de amor</p><p>do que meiguice, mesmo do que carinho.</p><p>Daí o fato de ser acarinhar menos expressi-</p><p>vo de ternura do que acariciar. Acarinham-se</p><p>a todos os meninos, ou a todas as criaturas</p><p>desvalidas, tratando-as com afeto paternal;</p><p>acariciam-se as crianças, beijando-as, enchen-</p><p>do-as de afagos e mimos. Acarinha-se a um</p><p>amigo, a uma pessoa que se estima; só se</p><p>acariciam aquelas criaturas que merecem os</p><p>nossos afagos e blandícias, antes de tudo</p><p>porque são tenras, mimosas e têm o nosso</p><p>amor comovido. “Jesus acarinhava a todo o</p><p>mundo; mas as crianças ele acariciou sempre</p><p>com um estremecimento que dizia bem até</p><p>onde era capaz de ir, no enlevo de amar, a</p><p>sua ternura divina”. – Acaridar diz propria-</p><p>mente “tratar com caridade”, isto é, mos-</p><p>trando o amor que as almas bem formadas</p><p>têm pelos que sofrem, e por todos que pre-</p><p>cisam da nossa assistência e socorro. Só se</p><p>acaridam, portanto, àqueles que são menos</p><p>felizes do que nós, ou que se acham em si-</p><p>tuação em que tenham o direito de contar</p><p>com a nossa bondade de coração.</p><p>83</p><p>ACAMPAMENTO, arraial, bivaque. – Se-</p><p>gundo Bruns., “acampamento é termo</p><p>genérico, mas particularmente designa o</p><p>recinto ou área onde um exército em cam-</p><p>panha ergue as suas tendas e se instala com</p><p>certa comodidade e segurança. – Arraial,</p><p>palavra tomada ao espanhol, reales, designa-</p><p>va o acampamento em cujo centro se elevava</p><p>a tenda do rei; hoje é termo poético. – Bi-</p><p>vaque (do frandês bivac) é o estado de um</p><p>exército acampado ao ar livre, sem tendas</p><p>nem comodidades; por extensão, diz-se do</p><p>terreno onde esse exército passa a noite ao</p><p>sereno”.</p><p>84</p><p>ACANHADO, tímido, vergonhoso, mo-</p><p>desto, apoucado, pudico, pudibundo; aca-</p><p>nhamento, timidez, vergonha, modéstia,</p><p>apoucamento, pudor, pudicícia, pudor e</p><p>pundonor, pundonoroso. – Acanhado se</p><p>diz do que tem “tão pouco desembaraço e</p><p>vivacidade e que se mostra tão tolhido que</p><p>parece diminuir-se aos nossos olhos”. Entre</p><p>acanhado e tímido é preciso notar diferen-</p><p>ças que à primeira vista se não percebem</p><p>distintamente. A pessoa tímida é natural que</p><p>se mostre acanhada, entrando, por ex., num</p><p>salão sumptuoso, ou dirigindo-se a persona-</p><p>gem ilustre. É natural também que a pessoa</p><p>66 � Rocha Pombo</p><p>acanhada pareça tímida, pelos modos como se</p><p>apresenta. De sorte que se pode entender</p><p>acanhamento como sinal de timidez, não</p><p>sendo a inversa perfeitamente verdadeira.</p><p>Uma criança é natural que seja tímida, e</p><p>pode ser tímida sem ser propriamente aca-</p><p>nhada. Timidez é, portanto, uma condição</p><p>de índole, uma qualidade subjetiva, e que se</p><p>manifesta ou pela desconfiança que alguém</p><p>nos inspira, ou pelo receio de que sejamos</p><p>malsucedidos, ou ainda pela dúvida em que</p><p>nos sentimos a nosso próprio respeito; aca-</p><p>nhamento diz o gesto tacanho, o enleio no</p><p>movimento e na expressão, a postura con-</p><p>trafeita, os modos e ares indecisos que reve-</p><p>lam a timidez. Acanhamento sugere alguma</p><p>coisa de rude, trôpego, mofino, sem o modo</p><p>de ser normal; timidez diz algo de tibieza</p><p>de ânimo, de retraimento, de irresolução e</p><p>perplexidade. O tímido pode não ser acanhado;</p><p>mas o acanhado revela quase sempre timidez;</p><p>à vista do que, não seria própria esta forma:</p><p>acanhado e tímido. – Vergonhoso, neste gru-</p><p>po, diz mais do que tímido; pois a vergo-</p><p>nha, no sentido que tem aqui, já não dá só</p><p>ideia de simples tolhimento de alma: signi-</p><p>fica a vacilação, o escrúpulo, o pejo que, por</p><p>uma delicadeza da consciência moral, nos</p><p>impede de comprometer o nosso decoro, de</p><p>parecer, aos olhos de outrem, de um modo</p><p>incorreto. Uma criança tímida, nem por isso</p><p>há de ser vergonhosa, mesmo porque é de</p><p>supor que uma criança é inconsciente em</p><p>questões de bons costumes, de pudor, de</p><p>boa fama. – Modéstia não parece que seja</p><p>bem como definem os lexicógrafos – uma</p><p>completa ausência de vaidade: é antes uma</p><p>virtude dos sábios, e consiste num sentimen-</p><p>to natural de justa medida em tudo – no</p><p>agir, no falar, no modo como se comporta,</p><p>no trato com toda classe de homens. Mo-</p><p>desto diz, portanto, moderado, comedido,</p><p>razoável; discreto, sem ambições exagera-</p><p>das; indulgente, benigno e afável; sem exal-</p><p>tamentos, nem ímpetos – em suma sábio, na</p><p>acepção moral desta palavra. – Apoucado</p><p>e apoucamento não se podem confundir</p><p>com os dois precedentes; nem mesmo se</p><p>deve admitir apoucamento como degenera-</p><p>ção ou vício da modéstia: segundo a própria</p><p>formação, apoucamento exprime a falta de</p><p>ânimo, a pequenez de alma e de espírito que</p><p>diminuem um indivíduo e o tornam inútil,</p><p>trôpego, imprestável. Apoucado, assim, diz</p><p>“escasso, tacanho, mesquinho, sem o valor</p><p>que se devia esperar”. – Pudor e pudicícia</p><p>usam-se frequentemente um pelo outro. Am-</p><p>bos sugerem ideia de fina sensibilidade em</p><p>questões de moral; mas pudor é o próprio</p><p>sentimento que induz a escrúpulos delicados</p><p>contra tudo que se oponha à honestidade e</p><p>à decência; pudicícia é a “qualidade de ser</p><p>pudico, é a virtude de ter pudor”. – Pudico e</p><p>pudibundo também se confundem, mas de-</p><p>vem distinguir-se assim: pudico diz o “que</p><p>tem pudor”; pudibundo se emprega para</p><p>designar “o gesto, o modo que revela pudor,</p><p>que expressa a modéstia, o recato, o enleio</p><p>da pessoa pudica”. – Pudor e pundonor são</p><p>palavras de significação muito distinta e que</p><p>só por erro ou inadvertência são confundi-</p><p>das às vezes. – Pundonor parece termo que</p><p>os espanhóis adaptaram da dicção francesa</p><p>point d’honneur; e significa “nímia susceptibi-</p><p>lidade em questões de brio e amor-próprio;</p><p>cuidado, esmero com que se defende a hon-</p><p>ra”. Pundoroso é, portanto, “o que tem</p><p>pundonor”.</p><p>85</p><p>AÇÃO, ato, fato. – Segundo Lac., ação é</p><p>“um vocábulo abstrato; ato é um vocábulo</p><p>concreto. A ação é o exercício de uma po-</p><p>tência; ato é o resultado da ação dessa mes-</p><p>ma potência. A potência, quando emprega a</p><p>sua energia, está em ação e produz o ato”.</p><p>– Fato designa “ato de certa importância,</p><p>consumado e reconhecido”.</p><p>Dicionário de S inônimos da Língua Portuguesa � 67</p><p>86</p><p>AÇÃO, combate, batalha, peleja, pugna,</p><p>lide, luta, prélio, duelo, desafio, rixa, briga,</p><p>pendência, contenda, pleito, litígio, confli-</p><p>to, recontro, refrega, campanha, guerra. –</p><p>Ação é o mais genérico do grupo: seriam ra-</p><p>ríssimos os casos em que não pudesse subs-</p><p>tituir a qualquer dos outros. Ação aqui é “o</p><p>exercício da atividade hostil entre duas ou</p><p>mais forças em conflito”. – Combate – diz</p><p>Bruns. – “é o encontro de ordinário impre-</p><p>visto, de troços de exércitos inimigos que</p><p>travam luta entre si. Além dessa acepção,</p><p>aplica-se o termo combate para designar</p><p>qualquer luta em que a vida está exposta: o</p><p>combate dos Horácios e Coriáceos terminou</p><p>em combate entre dois homens”. – Batalha é</p><p>combate de vastas proporções; é peleja for-</p><p>mal e de resultados decisivos quase sempre,</p><p>ou pelo menos de grande importância. –</p><p>Peleja designa a luta encarniçada e corpo a</p><p>corpo. Dois inimigos separados por um rio</p><p>ou por outro qualquer acidente, combatem-</p><p>-se, lutam, mas não pelejam. – Pugna sig-</p><p>nifica propriamente “luta a punho, sem</p><p>armas”. – Duelo é “a luta entre duas (ou</p><p>mesmo mais) pessoas, luta convencionada,</p><p>regulada e solene, por questões de pundo-</p><p>nor”. – Desafio é “o ato de provocar outra</p><p>pessoa para duelo”. – Lide e luta tomam-</p><p>se ordinariamente quase como sinônimos</p><p>perfeitos; convém, no entanto, não esquecer</p><p>que lide (ou lida) vem de lis... litis “pleito, pro-</p><p>cesso, questão judiciária”; e só por extensão</p><p>se aplica no sentido de luta. Lide será, ali-</p><p>ás, uma luta caracterizada pela elevação dos</p><p>motivos. Dizemos – “as lutas políticas” –;</p><p>mas é muito mais próprio dizer – “as lides</p><p>acadêmicas”. “As lides do jornalismo” – diz</p><p>uma coisa; “as lutas da imprensa ou do jor-</p><p>nalismo” – diz outra. Em – “lutas da im-</p><p>prensa” há a sugestão de que os trabalhos</p><p>do jornalista amargaram no embate das in-</p><p>trigas e das perfídias; em – “lides da impren-</p><p>sa” sugere-se o afã nobilíssimo com que se</p><p>trata das altas questões, com que se empe-</p><p>nham devotamentos pelas grandes ideias de</p><p>que se presume que trata sempre um jor-</p><p>nalista cônscio da sua missão. – No latim</p><p>prœlium figura como radical o verbo eo... ire,</p><p>que significa, entre outras coisas, “marchar</p><p>contra, atacar”; e pode assim apanhar-se no</p><p>português prélio a significação de “luta em</p><p>que os lutadores se adiantem, se apressam a</p><p>investir um contra o outro”. – Briga e rixa</p><p>são termos vulgares que significam “disputa</p><p>escandalosa, pequenina, por motivos fúteis,</p><p>e sem graves consequências”; diferençando-</p><p>-se em que a rixa pode ficar só na disputa</p><p>de palavras ou degenerar em briga. – Litígio,</p><p>aqui, é a fase, ou “o estado de conflito em</p><p>que se põem duas ou mais pessoas, ou mes-</p><p>mo duas ou mais nações que não puderam</p><p>chegar a acordo em relação a algum reclamo</p><p>ou intento”. – Pleito é quase o mesmo que</p><p>litígio: pode, como este, significar também</p><p>questão judicial propriamente; mas sugere</p><p>melhor a ideia da correção dos que pleiteiam,</p><p>discutindo sem má-fé, só defendendo a sua</p><p>causa, e esperando pela sentença (placitum)</p><p>ou pelo desenlace favorável. Pleito, portan-</p><p>to, exprime “nobre questão em que alguém</p><p>se empenha confiante na justiça”. – Con-</p><p>tenda e pendência aproximam-se bastante:</p><p>ambos sugerem mais ideia de controvérsia</p><p>e discussão que de luta material: se bem</p><p>que se não lhes recuse esta última acepção.</p><p>Mas a contenda parece uma gradação da</p><p>pendência. Esta é o “litígio ou a questão</p><p>em que se empenham duas ou mais partes</p><p>trocando razões e argumentos, ou medin-</p><p>do forças e destrezas com capricho, mas</p><p>sem leviandades”; contenda é “a fase a que</p><p>pode chegar a pendência tornando-se mais</p><p>viva, mais apaixonada, intensa, violenta”. –</p><p>Conflito é “o encontro hostil, o choque,</p><p>a oposição ativa em que se põem duas ou</p><p>mais pessoas ou coisas”. Pode dar-se entre</p><p>68 � Rocha Pombo</p><p>nações, entre poderes públicos, entre indi-</p><p>víduos, entre interesses, desejos, pretensões,</p><p>entre animais, entre seres inanimados. É for-</p><p>ma geral e extensa que pode abranger quase</p><p>todos os casos em que figurem as outras do</p><p>grupo. – Recontro é “combate ligeiro, ca-</p><p>sual, indeciso entre inimigos”. – Refrega é</p><p>“recontro violento, furioso como tormenta,</p><p>produzindo debandada, e deixando tam-</p><p>bém indecisa a luta”. – Campanha expri-</p><p>me “todas as batalhas, combates, e todas</p><p>as vicissitudes de uma guerra, ou de certa</p><p>fase de uma guerra”; devendo notar-se que</p><p>o primeiro termo só se aplica para designar</p><p>a guerra terrestre.</p><p>87</p><p>AÇÃO, demanda, litígio, processo, pleito,</p><p>questão, querela. – Escreve Roq.: “Com</p><p>muita razão diz um autor que a demanda</p><p>dá origem e princípio ao litígio, e que este</p><p>se trata e se desenvolve no processo. Ao ato</p><p>de pedir ou requerer em direito se chama</p><p>demandar. À controvérsia judicial que se sus-</p><p>cita quando o demandado não consente no</p><p>que o demandante requer se chama com</p><p>razão litígio. Os feitos que correm em juí-</p><p>zo, os autos judiciais e termos que se fazem</p><p>por escrito em qualquer litígio se chamam</p><p>processo. Note-se, porém, que no uso ordi-</p><p>nário a palavra demanda não significa só o</p><p>ato de intentar o litígio, mas ainda a ação</p><p>proposta e disputada contenciosamente em</p><p>juízo – o que vale o mesmo que litígio ju-</p><p>dicial ou pleito. Os que neste caso usam a</p><p>palavra processo cometem um galicismo,</p><p>porque o que nós chamamos processo é em</p><p>francês procédure, e avoir un procès quer dizer</p><p>em português – ter uma demanda. Pleito é</p><p>palavra castelhana, e neste caso diz o mes-</p><p>mo que litígio judicial”. – Ação é termo</p><p>genérico ainda neste sentido: é o “próprio</p><p>ato de requerer ou demandar em juízo, o</p><p>uso do direito de pleitear perante um tri-</p><p>bunal”. – Questão designa “toda espécie de</p><p>dúvida em que ficam duas ou mais pessoas</p><p>e que deve ser dirimida em juízo, ou peran-</p><p>te uma autoridade superior”. – Querela é</p><p>equivalente quase a ação, sendo este apenas</p><p>mais lato: é “a denúncia ou queixa que se dá</p><p>contra alguém para reparação de agravo ou</p><p>ofensa”. Fora da acepção jurídica, querela</p><p>se emprega para designar questões e dissí-</p><p>dios de pequena monta.</p><p>88</p><p>ACASO, fortuna, sorte, fado, fadário, sina,</p><p>destino, estrela, ventura, dita, fatalidade.</p><p>– Acerca de muitos destes vocábulos, con-</p><p>substancia Bruns. o que se pode colher de</p><p>Roq., de fr. S. Luiz, e de outros. “O acaso –</p><p>diz ele – o mais fantástico de todos os seres</p><p>desta série, obra arbitrariamente; prepara</p><p>combinações de circunstâncias tão impos-</p><p>síveis de prever como de impedir; e delas</p><p>provêm fatos, felizes ou desgraçados, que</p><p>nos deixam estupefatos de prazer ou de dor.</p><p>As suas manifestações não são constantes;</p><p>isto é, não se lhe referem fatos sucessivos:</p><p>revela-se de quando em quando, oculta-se,</p><p>reaparece; persegue-nos ou abandona-nos;</p><p>favorece-nos ou esmaga-nos. É nisto que</p><p>não se assemelha à fortuna; pois esta parece</p><p>obrar de um modo constante, e ao acaso só</p><p>se imputam fatos isolados, tendo por isso</p><p>muita analogia com a fatalidade. É o acaso</p><p>que nos leva ao lugar onde encontramos a</p><p>felicidade ou a desventura. Quantas des-</p><p>cobertas são filhas do acaso? – A fortuna,</p><p>de que os antigos fizeram uma divindade</p><p>cega, caprichosa, volúvel, preside a todos</p><p>os atos da vida, e distribui os bens ou os</p><p>males segundo o seu desígnio...” Temos, por</p><p>isso, boa fortuna ou má fortuna, segundo nos</p><p>é ela favorável ou contrária. – “A sorte é ao</p><p>mesmo tempo efeito e causa; efeito quan-</p><p>do designa o estado, ou a condição a que</p><p>a fortuna ou o acaso trouxeram uma pessoa;</p><p>Dicionário de S inônimos da Língua Portuguesa � 69</p><p>causa, quando, considerando-a um misto de</p><p>acaso ou de fortuna, lhe atribuímos um fato</p><p>isolado, ou uma série de fatos favoráveis ou</p><p>desfavoráveis. Por outro lado, a palavra sorte</p><p>aplica-se melhor às condições modestas, for-</p><p>tuna às elevadas (ou de mais vulto): a sorte de</p><p>Creso ao lado de Ciro era mais invejável que</p><p>a sua fortuna. – A fatalidade (do latim fatum</p><p>“o que está dito ou decretado”) distingue-</p><p>-se do acaso, da fortuna e da sorte, em ser agen-</p><p>te e não sujeito. A fatalidade não obra arbi-</p><p>trária e caprichosamente: obedece como a</p><p>um impulso omnipotente, a uma disposição</p><p>superior e impenetrável. O estava escrito dos</p><p>maometanos é a fatalidade; como é fatalidade,</p><p>no cristianismo, a predestinação de S. Paulo.</p><p>– O destino era, entre os antigos, uma di-</p><p>vindade cega a quem os deuses e os homens</p><p>estavam submetidos: tinha nas mãos a sorte</p><p>dos mortais. Os seus decretos eram irrevo-</p><p>gáveis e tinham o caráter da fatalidade. Eis</p><p>por que denominamos destino à combinação</p><p>de circunstâncias ou de acontecimentos que</p><p>se efetuam em virtude de leis inflexíveis, e</p><p>que nos trazem fatal e inelutavelmente ao</p><p>ponto em que só nos resta obedecer: ante o</p><p>destino desaparece a nossa força, aniquila-se a</p><p>nossa vontade: somos obrigados a obedecer</p><p>ao destino; ninguém pode resistir às leis do</p><p>destino. – O fado é o estado que resulta das</p><p>imposições do destino, como bem o prova a</p><p>acepção que esta palavra tem nos contos de</p><p>encantamentos em que se vêm príncipes,</p><p>sujeitos ao seu fado, transformados em rãs</p><p>ou outras alimárias, até que um certo acon-</p><p>tecimento os venha libertar. O nosso fado é</p><p>intangível, acompanha-nos, persegue-nos, e</p><p>por mais que façamos, não nos deixa. – Fa-</p><p>dário é – diz Aul. – “destino extraordinário</p><p>e irresistível que se atribui a um poder so-</p><p>brenatural”. Refere-se mais particularmente</p><p>a certas vicissitudes da vida mundana, às ex-</p><p>travagâncias de que alguém se lamenta, mas</p><p>sem coragem para corrigir-se, e procurando</p><p>por isso consolar-se dos erros ou deslizes,</p><p>atribuindo-os ao seu fadário... – Sina marca</p><p>melhor do que quase todos os do grupo o</p><p>caráter de fatalidade das coisas que têm de</p><p>suceder na vida de cada um. Sina e destino</p><p>seriam sinônimos perfeitos se o primeiro</p><p>não se limitasse de ordinário às coisas fu-</p><p>nestas da vida. Dizemos, por ex. – “o alto</p><p>destino de Napoleão”; e decerto que neste</p><p>caso não empregaríamos sina. Podemos, é</p><p>claro, dizer – “a sina dos grandes homens”;</p><p>não, porém, quando fazemos referência às</p><p>ações ou obras que lhes deram lustre, mas</p><p>quando fazemos alusão às amarguras que</p><p>quase todos tiveram de sofrer. – Ventura</p><p>e dita são também seres fantásticos sem</p><p>vontade certa nem determinada; ventura,</p><p>geralmente, e dita, sempre tomam-se a boa</p><p>parte. – Estrela, como diz D. José de Lacer-</p><p>da, é outra palavra do mesmo gênero, que se</p><p>conservou na língua (com a significação que</p><p>tem aqui), apesar de terem passado as qui-</p><p>meras da astrologia, que lhe deram origem.</p><p>Refere-se à suposta influência dos astros no</p><p>destino dos homens; e ainda hoje se diz que</p><p>“tal indivíduo nasceu em boa ou má estre-</p><p>la”, ou que tem boa ou má estrela.</p><p>89</p><p>ACASO, por acaso, porventura. – São re-</p><p>almente muito fáceis de confundir-se. Nas</p><p>três frases seguintes vejamos, no entanto, se</p><p>poderiam ser trocadas, conservando-se-lhes</p><p>uma perfeita propriedade: “Teria o nosso</p><p>amigo visto acaso alguma coisa estranha lá no</p><p>parque?” “Passaste na vinda por acaso lá pela</p><p>pensão?” “Terias, oh rapaz, encontrado al-</p><p>guém porventura lá na praça à minha espera?”</p><p>Em qualquer desses casos, não haveria tal-</p><p>vez muita gente, mesmo de boas letras, que</p><p>hesitasse em empregar indistintamente, ou</p><p>sem preferências, qualquer das três formas;</p><p>e no entanto, se na primeira frase, em vez de</p><p>acaso, puséssemos por acaso, não exprimiría-</p><p>70 � Rocha Pombo</p><p>mos com a mesma precisão o pensamento</p><p>de quem perguntava. Quando pergunto se</p><p>o nosso amigo “viu acaso”, ponho em dú-</p><p>vida, e quase nego, que ele tenha visto; ou</p><p>estranho que isso se tenha dado. Quando</p><p>pergunto se ele “viu por acaso”, decerto que</p><p>exprimo dúvida também; mas aqui a minha</p><p>dúvida é mais condescendente, e não suge-</p><p>re, como acaso, a mesma ideia de estranhe-</p><p>za e negação. Caim retrucou ao anjo que</p><p>lhe perguntava por Abel: “Sou eu acaso o</p><p>guarda de meu irmão?” Este acaso, como no</p><p>exemplo acima, rebate, repulsa, nega inten-</p><p>cionalmente o que se pergunta. “És tu acaso</p><p>meu filho?” “Veio ele acaso ter conosco?”</p><p>“Tinha eu acaso notícia da tua chegada?” Em</p><p>nenhum destes exemplos, pelo menos, seria</p><p>indiferente usar acaso e por acaso. – Na segun-</p><p>da frase que formulamos acima: “Passaste</p><p>na vinda por acaso lá pela pensão?” – também</p><p>não poderíamos substituir a locução por aca-</p><p>so por simplesmente acaso, para dizer o que</p><p>desejamos. “Passaste acaso?” – equivaleria a –</p><p>“Dar-se-á que tenhas passado?” ou – “Será</p><p>possível que tenha passado?” E – “Passaste</p><p>por acaso?” – diria: – “Por uma casualidade</p><p>(isto é, “sem que te apercebesses”, ou “sem</p><p>que tivesses tensão”) passaste?” – A terceira</p><p>frase: “Terias, oh rapaz, encontrado alguém</p><p>porventura lá na praça à minha espera?” –</p><p>enuncia o meu intento de saber uma coisa</p><p>que desejo e pela qual estou ansioso. Se eu</p><p>empregasse a locução por acaso, não mostra-</p><p>ria o mesmo interesse; e se eu empregasse</p><p>o advérbio acaso, dizendo: “Terias visto ou</p><p>encontrado acaso alguém à minha espera?” –</p><p>é como se fizesse a pergunta insinuando a</p><p>negativa. – Segue-se, portanto: – que acaso</p><p>sugere contrariedade intencional e dá à per-</p><p>gunta a função de negar: – que por acaso é</p><p>mais convizinho de porventura, distinguindo-</p><p>se esta forma daquela em sugerir, em vez de</p><p>indiferença, a ideia do interesse com que se</p><p>espera por uma resposta satisfatória quando</p><p>se faz a pergunta. – Fora dos casos interro-</p><p>gativos, se há necessidade de distinção, há</p><p>de ser a mesma que se acaba de assinalar;</p><p>devendo notar-se que, então, só muito ra-</p><p>ramente poderá a locução por acaso ser subs-</p><p>tituída por qualquer dos dois outros advér-</p><p>bios. “Chegamos por acaso à livraria; fomos</p><p>dar conosco por acaso junto ao morro; feri o</p><p>dedo por acaso, limpando a pena”: aí não ca-</p><p>beria, em nenhuma dessas frases, acaso nem</p><p>porventura.</p><p>90</p><p>ACATAR, acatamento; respeito, respeitar;</p><p>veneração, venerar; reverência, reverenciar,</p><p>deferência, deferir. – Segundo fr. S. Luiz,</p><p>“acatamento é todo ato externo com que</p><p>mostramos o nosso respeito, reverência ou</p><p>veneração. Acatamos, mais ou menos, todas</p><p>as pessoas a quem devemos esses sentimen-</p><p>tos. – Respeito é a atenção, ou conside-</p><p>ração, que se tem ou se dá a alguém ou a</p><p>alguma coisa. Respeitamos os outros homens,</p><p>os seus direitos, as suas infelicidades; respei-</p><p>tamo-nos a nós mesmos, os nossos deveres, os</p><p>nossos justos interesses, etc. – Reverência</p><p>é respeito com temor filial. Reverenciamos os</p><p>mestres, os pais, os pastores, os magistra-</p><p>dos, o soberano; reverenciamos tudo aquilo,</p><p>em cuja presença estamos como o filho</p><p>costuma estar diante de seu pai, isto é, com</p><p>respeitoso temor. – Deferência é o respeito</p><p>que se tem aos sentimentos, desejos e gos-</p><p>tos de qualquer pessoa, preferindo-os aos</p><p>nossos próprios, por alguma superioridade</p><p>que julgamos haver nessa pessoa. Deferimos</p><p>(rendemos deferência) à idade, ao mérito, à</p><p>virtude, ao saber... – Veneração é respeito</p><p>profundo e submisso, respeito religioso; es-</p><p>pécie de culto, que se dá às coisas santas, ou</p><p>às que reputamos como tais, ou aos obje-</p><p>tos que julgamos mais dignos de respeito e</p><p>honra. Veneramos a Deus, os santos, as coisas</p><p>religiosas e sagradas; a tudo aquilo a que</p><p>Dicionário de S inônimos da Língua Portuguesa � 71</p><p>tributamos algum gênero de culto, como os</p><p>pais, a pátria, os homens de virtudes, etc.”</p><p>91</p><p>ACAUTELADO, cauto, cauteloso, pre-</p><p>venido, precavido, precatado, avisado,</p><p>prudente, previdente; cautela, prevenção,</p><p>sobreaviso, precaução, aviso, prudência,</p><p>previdência; acautelar, prevenir, precaver,</p><p>precatar, avisar, prever. – Cauto sugere</p><p>ideia da firmeza e segurança do que sabe</p><p>guardar-se contra os perigos. Designa qua-</p><p>lidade própria: não seria, pois, admissível</p><p>a forma: “está cauto”. Acautelado é o que</p><p>toma cautela no momento, ou em certas cir-</p><p>cunstâncias: e então “está acautelado”. Entre</p><p>cauto e acautelado fica sem dúvida cau-</p><p>teloso, que significa “prevenido de muito</p><p>cuidado, de meticulosa cautela”. Basta sentir</p><p>a diferença que há entre estas formas: “Ela</p><p>sempre se livrará cautamente (com a cautela,</p><p>ou segurança, que lhe é própria) daqueles</p><p>abismos”. “F. ficou acauteladamente em casa”.</p><p>Entrou, e seguiu logo cautelosamente pelo jar-</p><p>dim”. – Cautela é, portanto, “o apercebi-</p><p>mento, a atenção, a vigilância do espírito</p><p>contra o que pode sobrevir”. – Acautelar</p><p>diz, consequentemente, “defender, preve-</p><p>nir com cautela, pôr a bom recato, em boa</p><p>guarda”. Acautelam-se os interesses, os bens, a</p><p>fortuna, a honra; acautelam-se os cautos contra</p><p>males iminentes. – Prevenir (do latim prœve-</p><p>nio... ire “chegar antes, passar adiante, tomar</p><p>a dianteira”) enuncia a ação de “adiantar-</p><p>-se a tomar expediente acerca do que pode</p><p>acontecer; ficar ou pôr de sobreaviso a res-</p><p>peito de alguma coisa que se receia”. A pre-</p><p>venção, portanto, é “uma medida de pru-</p><p>dência posta em prática antecipadamente; é</p><p>o estado ou a atitude de suspeita em que</p><p>se fica em relação ao que se deve temer”;</p><p>e é prevenido, ou está prevenido quem se</p><p>põe ou se acha nesse estado. Quem se previne</p><p>põe-se de ânimo desconfiado contra alguém</p><p>ou alguma coisa; quem se acautela toma pro-</p><p>vidências, disposições, resguardos contra o</p><p>mal que teme. Quem acautela os negócios de</p><p>outrem cerca-os de garantias; quem previne</p><p>males previstos faz o que supõe que os evita</p><p>antes que eles ocorram: daí a diferença entre</p><p>acautelar e prevenir, e entre os respetivos</p><p>conexos. – Não há dificuldade em distinguir</p><p>prevenção de sobreaviso; sendo este “a dis-</p><p>posição de ânimo em que fica quem se pre-</p><p>vine”. – Precaver em certos casos poderia</p><p>confundir-se facilmente com prevenir; mas</p><p>é necessário não perder de vista o radical de</p><p>cada um desses verbos: – venio... ire significa</p><p>“vir”, chegar”: prevenir diz, portanto, como</p><p>já ficou exposto, “vir antes”, “adiantar-</p><p>se” à coisa contra a qual se previne; – caveo...</p><p>ere “tomar cuidado”, “guardar-se”: à vista</p><p>do que, precaver se aproxima ainda mais</p><p>de acautelar que de prevenir. Mas entre</p><p>acautelar e precaver há a diferença que</p><p>provém de que aquele que trata de precaver-</p><p>-se toma cuidado, guarda-se, defende-se por</p><p>assim dizer de eventualidades; e quem se</p><p>acautela cuida de resguardar-se contra coisas</p><p>certas de que está prevenido. Não diremos</p><p>que o homem que segura a sua casa se acau-</p><p>tele contra sinistros, pois ele não cogita de</p><p>um determinado mal, nem se apercebe de</p><p>que esteja para sobrevir sinistro, mas julga</p><p>apenas que isso é possível, e contra essa</p><p>possibilidade é que se apercebe precavendo-</p><p>-se. Precaver-me é, pois, guardar-me, defen-</p><p>der-me antecipadamente do mal possível; e</p><p>precaução é o ato de precaver-me, o modo</p><p>de ser precavido; prevenir-me é pôr-me de</p><p>sobreaviso; e acautelar-me é dispor os meios</p><p>de evitar alguma coisa que receio. Decerto</p><p>que eu não me posso precaver contra a noite;</p><p>mas previno-me contra o frio; e acautelo-me</p><p>deste ou contra este agasalhando-me. Não</p><p>será por isso que eu seja precavido; mas sou</p><p>prevenido e acautelado. – Precatar é “estar</p><p>atento, apercebido contra alguma coisa</p><p>72 � Rocha Pombo</p><p>certa que é para temer”; e assim, precatado</p><p>designa aquele que se não deixará pilhar</p><p>desprevenido em caso em que da atenção</p><p>dependa o sucesso. – Avisado é aquele que</p><p>está fortalecido do aviso que convém, do</p><p>conselho mais sábio para o caso, e sem o</p><p>qual não seria possível sair-se bem; sendo</p><p>o aviso esse estado de atividade conscien-</p><p>cial em que se acha o avisado; e sendo avisar</p><p>a ação de despertar ou ter desperto o âni-</p><p>mo ou produzir esse estado. – Prudência</p><p>é mais que aviso: designa a virtude de uma</p><p>sábia ponderação, que faz o ânimo calmo,</p><p>refletido e seguro no agir; e prudente será</p><p>aquele que possua essa virtude. – Previ-</p><p>dente é o que sabe prever; e prever diz</p><p>“ver antecipadamente o que se pode dar</p><p>em relação a alguma coisa que se deve evi-</p><p>tar”. – Previdência é, pois, a qualidade</p><p>de quem sabe prever; é o ato de prever tan-</p><p>to quanto é possível, e prevenir-se contra</p><p>surpresas.</p><p>92</p><p>ACEPÇÃO, significação, sentido. – Acep-</p><p>ção dizemos dos “vários sentidos em que</p><p>uma palavra pode ser empregada”. – Sig-</p><p>nificação é “o valor semântico da palavra,</p><p>o que ela diz por si mesma, a ideia que</p><p>exprime”. – Sentido é “o valor da palavra</p><p>conforme a aplicação que tem na frase; ou o</p><p>valor da frase ou do discurso, regulado pela</p><p>disposição das palavras”.</p><p>93</p><p>ACEDER, aquiescer, consentir, aderir, con-</p><p>descender, concordar, anuir, conformar-</p><p>-se, assentir. – Aceder, segundo Bruns., “é</p><p>declarar que se aceita o que outros decidi-</p><p>ram, e que se cooperará para o intuito geral;</p><p>deixa, porém, entrever que se tinham outras</p><p>tenções. Aquiescer é consentir voluntaria-</p><p>mente e sem esforço”. – Consentir sugere</p><p>ideia de “permitir, de não discordar, qual-</p><p>quer que seja o motivo do consentimento”.</p><p>– Aderir é “dar aprovação afinal àquilo que</p><p>se tinha recusado ou combatido”. – Con-</p><p>descender é “consentir por tolerância”. –</p><p>Concordar é “chegar a acordo depois de</p><p>dissensão, ou admitir por mero desejo de ser</p><p>agradável ou de não contrariar”. – Anuir é</p><p>propriamente “fazer sinal, ou exprimir de</p><p>qualquer modo, que se está de acordo e se</p><p>consente”. – Assentir é “mostrar que se é</p><p>da mesma opinião, do mesmo voto; que se</p><p>sente do mesmo modo”. – Conformar-se é</p><p>“estar, ou pôr-se em perfeita identidade de</p><p>sentimentos, de vistas, de ideias, de modo</p><p>de ver, etc.”.</p><p>94</p><p>ACEITAR, receber, tomar. – Muito judicio-</p><p>samente estabelece S. L. uma certa gradação</p><p>entre estes verbos, sob uma outra ordem.</p><p>“Tomar alguém uma certa coisa – diz ele</p><p>– é havê-la para si, chamá-la a si, apreendê-</p><p>-la com a mão (ou pô-la sob seu domínio).</p><p>Não envolve, nem supõe ação estranha, que</p><p>nos mande, ou dê, ou ofereça essa coisa; nem</p><p>ideia de movimento que no-la traga. Tomamos</p><p>o vestido, o chapéu, a espada; tomamos o livro</p><p>para ler, a pena para escrever, as armas para</p><p>brigar; tomamos amor, ódio, asco; tomamos</p><p>ocasião, ensejo, tempo, etc. – Receber é to-</p><p>mar o que se nos dá, ou se nos oferece, ou se</p><p>nos manda; ou o que vem a nós. Recebemos um</p><p>presente, um favor, uma injúria; recebemos um</p><p>hóspede, uma visita, uma notícia, uma feri-</p><p>da na guerra; recebemos o foro que se nos</p><p>paga, o dinheiro que se nos deve. – Aceitar</p><p>é receber com agrado e boa sombra; e tam-</p><p>bém aprovar, assentir, dar consentimento,</p><p>autorizar o que se nos oferece ou propõe.</p><p>Aceitamos um obséquio, uma graça, uma ofer-</p><p>ta; aceitamos as condições de um contrato, a</p><p>proposta que se nos faz, a obrigação que se</p><p>nos impõe, etc.”.</p>