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<p>1</p><p>Grupo de Estudos de</p><p>Direitos Humanos</p><p>Olá, alunos! Bem-vindos à apostila do Grupo de Estudos de Direitos</p><p>Humanos! Aqui vocês irão encontrar todas as informações que aprendemos durante as</p><p>aulas, além de informações extras, questões comentadas e comentários que não tive</p><p>tempo de abordar nas aulas! Espero que gostem do conteúdo! Qualquer dúvida,</p><p>podem me mandar pelo instagram @reis_jamila.</p><p>Dicas de Estudo</p><p>Da mesma forma que iniciamos as aulas, vou deixar aqui na apostila as</p><p>dicas de estudo que me ajudaram a alcançar a aprovação em diversos concursos!</p><p>- Ter um material único para cada matéria;</p><p>Isso significa colocar todas as informações sobre uma matéria, como direitos</p><p>humanos, por exemplo, num só material que indico que seja digitado no word. Isso</p><p>porque caso tenhamos alguma alteração em leis, tratados, jurisprudência ou mesmo</p><p>na doutrina, poderemos atualizar o material rapidamente.</p><p>Por exemplo: eu fiz diversos cursos para as diversas matérias, mas tudo que</p><p>aprendi em cada um dos cursos, eu ia copiando e colando dos materiais e colocando</p><p>num só documento do word.</p><p>É claro que, para que o documento não fique pesado e trave em matérias</p><p>enormes como Direito Civil, Penal e Constitucional, dentre outras, o ideal é dividir por</p><p>partes das matérias ou capítulos, como se fosse um livro. Isso também é bom porque</p><p>te estimula a estudar aquela parte da matéria de uma vez e, ao ver que não faltam</p><p>tantas páginas assim, ficamos mais estimulados a terminar a meta do dia!</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>2</p><p>- Revisar periodicamente a matéria;</p><p>Lembrem sempre de anotar em algum local, que indico que seja digital também,</p><p>mas pode ser no papel, numa agenda etc, exatamente quando e o que estudaram. Isso</p><p>pra permitir que vocês saibam quando está na hora de revisar. É indicado revisar pelo</p><p>menos uma vez por mês ou numa periodicidade até menor, a depender da</p><p>proximidade da prova, para que não nos esqueçamos da matéria.</p><p>Exemplo: acabamos de terminar o nosso Grupo de Estudos, então vale a pena ler</p><p>e marcar essa apostila e revisá-la daqui a um mês ou algumas semanas relendo apenas</p><p>as partes grifadas para que seu cérebro vá se recordando da matéria.</p><p>- Ler a lei (pode ser “seca” ou “molhada”, no material único);</p><p>Acrescentem os artigos mais importantes no material único e leiam SEMPRE que</p><p>revisarem a matéria. Assim, estarão estudando doutrina e lei ao mesmo tempo e não</p><p>será a tão temida e chata “lei seca”, mas sim uma “lei molhada”, isto é,</p><p>contextualizada, que faz sentido junto ao seu estudo e que com certeza você vai</p><p>lembrar com mais facilidade!</p><p>- Mantenha a jurisprudência atualizada no material único;</p><p>Além da lei, seu material TEM QUE TER a jurisprudência atualizada porque ela cai</p><p>muito em provas e precisamos contextualizá-la com os temas estudados. Sempre lei a</p><p>jurisprudência no Dizer o Direito ou direto do site dos tribunais e atualize seu material!</p><p>Sobre a jurisprudência internacional, sigam perfis de professores que trazem</p><p>novidades sempre e fiquem de olho no site da Corte e da Comissão Interamericana de</p><p>Direitos Humanos.</p><p>Vou deixar os links aqui:</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>3</p><p>Dizer o Direito → https://www.dizerodireito.com.br/</p><p>Informativos STF →</p><p>https://portal.stf.jus.br/textos/verTexto.asp?servico=informativoSTF</p><p>Informativos STJ → https://processo.stj.jus.br/jurisprudencia/externo/informativo/</p><p>Corte IDH →</p><p>https://www.oas.org/pt/cidh/expressao/jurisprudencia/si_decisiones_corte.asp</p><p>Comissão IDH → https://www.oas.org/pt/cidh/decisiones/pc/admisibilidades.asp</p><p>Site do NIDH que tem uma casoteca explicando diversos casos da Corte IDH, da CIDH e</p><p>Opiniões Consultivas → https://nidh.com.br/</p><p>- Fazer exercícios dias depois de ter estudado aquela matéria;</p><p>Nunca façam exercícios logo depois de ler a matéria. Façam dias ou semanas</p><p>depois para verificar se se lembram corretamente dos temas e conceitos. Copiem e</p><p>colem as questões que erraram e coloquem no material no local em que aquele</p><p>assunto está. Se o assunto não estiver no seu material, faça uma pesquisa rápida na</p><p>internet mesmo ou em algum livro que possua sobre aquele tema e acrescente ao seu</p><p>material para revisá-lo da próxima vez. Afinal, nenhum material é completo até que</p><p>alguém comece a estuda-lo e revisá-lo e vá completando do seu jeito! Seu material é</p><p>único e só serve pra você porque ao final dos estudos vai estar 100% personalizado!</p><p>- Estudar deve ser seu foco: aprenda a dizer não para o que pode atrapalhar</p><p>seus estudos hoje;</p><p>Essa é uma das partes mais difíceis! Estudar para concursos exige renúncias</p><p>desde as menores, como não ficar muito tempo no celular e nas redes sociais para</p><p>aproveitar mais o tempo de estudo até as maiores como deixar de ver com tanta</p><p>frequência os amigos e a família para assistir uma aula ou revisar novamente seu</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>https://www.dizerodireito.com.br/</p><p>https://portal.stf.jus.br/textos/verTexto.asp?servico=informativoSTF</p><p>https://processo.stj.jus.br/jurisprudencia/externo/informativo/</p><p>https://www.oas.org/pt/cidh/expressao/jurisprudencia/si_decisiones_corte.asp</p><p>https://www.oas.org/pt/cidh/decisiones/pc/admisibilidades.asp</p><p>https://nidh.com.br/</p><p>4</p><p>material. Mas eu lhes digo: se fizerem escolhas e renúncias de forma sábia e</p><p>aproveitarem verdadeiramente o tempo de estudo e o tempo de lazer, tudo vai valer a</p><p>pena e sua saúde mental ficará em boas condições.</p><p>Vou dar um exemplo: minha irmã mora há anos fora do Brasil e só pôde vir nos</p><p>visitar depois de muito tempo exatamente uma semana antes da prova da 2ª fase da</p><p>DPERJ, que sempre foi meu concurso dos sonhos!</p><p>E agora? Como iria dar atenção para ela e matar as saudades num momento tão</p><p>difícil, cheio de ansiedades, medos e angústias?</p><p>Eu dividi meu dia com muita organização: acordava mais cedo, estudava logo os</p><p>temas mais complexos e que podiam cair na prova, almoçava com ela, depois estudava</p><p>a tarde inteira enquanto ela e meus pais passeavam e no final do dia, depois de ter</p><p>revisado tudo que precisava, jantava com todos. Não foi o ideal! Queria ter</p><p>aproveitado muito mais! Porém, foi o possível naquele momento.</p><p>Hoje em dia, estou empossada e em breve terei férias para poder visitá-la com</p><p>tranquilidade e passarmos o dia inteiro sem fazer nada ou só fazendo o que queremos!</p><p>hahahah</p><p>Entendem melhor agora as escolhas e renúncias?</p><p>Não é preciso abrir mão de tudo de bom da vida, mas, de fato, durante os</p><p>estudos, precisaremos ser muito criteriosos com como investimos nosso tempo e</p><p>nosso dinheiro, que, em regra são limitados, para que no futuro possamos colher os</p><p>frutos do que plantamos hoje!</p><p>Então, com a mentalidade correta, vamos estudar hoje para sermos aprovados</p><p>amanhã e eu garanto que com muito esforço e dedicação vocês alcançarão em breve a</p><p>tão sonhada aprovação!!!</p><p>- Acredite em você!</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>5</p><p>Não adianta que sua mãe, seu cachorro, seu papagaio, sua amiga e seu</p><p>namorado tenham certeza absoluta que você vai passar e vai ser o(a) melhor</p><p>defensor(a) do mundo se VOCÊ não acreditar também!</p><p>Eu sei que parece papo de autoajuda, mas isso é essencial! Não, não é fácil, a</p><p>gente não sabe quanto tempo vai ficar estudando, quando vai sair o edital dos sonhos</p><p>nem se estaremos preparados para a prova. Mas precisamos acreditar que estamos</p><p>fazendo sempre o melhor possível com base no que sabemos hoje.</p><p>Se amanhã você perceber que precisa estudar mais horas ou ler outro material,</p><p>fazer questões de forma diferente você sempre pode adaptar! Eu mesma comecei</p><p>estudando de um jeito e terminei completamente diferente. A gente aprende muito ao</p><p>longo do caminho.</p><p>Mas para trilhar esse caminho, precisamos confiar</p><p>jornal);</p><p>As comunicações devem descrever os fatos, a finalidade da denúncia e os</p><p>direitos violados;</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>44</p><p>Deve haver o esgotamento dos recursos internos, salvo seja demonstrado que os</p><p>recursos inexistem, são ineficazes ou estão demorando um período irrazoável para ser</p><p>analisados.</p><p>Esse procedimento é confidencial, a não ser que o Conselho de DH decida</p><p>apresentar um relatório ao Conselho Econômico e Social. Pode ser que o Conselho</p><p>levante o sigilo sobre o caso após a conclusão do estudo, que termina com a</p><p>apresentação de relatórios com recomendações aos Estados.]</p><p>Principais diferenças entre mecanismos convencionais e extraconvencionais</p><p>Mecanismos convencionais Mecanismos extraconvencionais</p><p>1. São criados por tratados</p><p>internacionais específicos.</p><p>1. São criados a partir de resoluções de</p><p>órgãos políticos da ONU.</p><p>2. A apresentação de petições</p><p>individuais perante os comitês internacionais</p><p>depende da ratificação do tratado respectivo</p><p>pelo Estado denunciado.</p><p>2. A apresentação de denúncias por</p><p>indivíduos ou grupos de indivíduos não depende</p><p>da ratificação de convenções específicas.</p><p>3. Usualmente, a apresentação de</p><p>petições depende, ainda, de uma declaração</p><p>de reconhecimento da vigência de uma</p><p>cláusula facultativa do tratado ou da</p><p>ratificação de um protocolo adicional</p><p>3. Não depende, tampouco, de declaração</p><p>relativa a cláusulas facultativas ou de ratificação</p><p>de protocolo adicional.</p><p>4. As petições individuais podem versar</p><p>apenas sobre os direitos previstos no tratado</p><p>específico</p><p>4. A apresentação de denúncias pode versar</p><p>sobre quaisquer direitos humanos.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>45</p><p>FCC – DPE AM – 2021 Trata-se de órgão ou mecanismo não previsto expressamente</p><p>na Carta das Nações Unidas ou em tratados e convenções internacionais do sistema</p><p>onusiano de proteção dos direitos humanos:</p><p>A) Subcomitê de Prevenção da Tortura.</p><p>B) Conselho de Direitos Humanos.</p><p>C) Comitê de Direitos Humanos.</p><p>D) Relatorias Especiais de Direitos Humanos.</p><p>E) Conselho Econômico-Social.1</p><p>Revisão Periódica Universal</p><p>Criada pela Resolução 60/251 da Assembleia Geral da ONU (a mesma que criou o</p><p>Conselho de Direitos Humanos), a RPU trata-se de um mecanismo de análise ou</p><p>avaliação da situação dos direitos humanos nos Estados membros da ONU. Os Estados</p><p>se analisam mutuamente gerando um diálogo construtivo entre Estados, Sociedade</p><p>Civil e Alto Comissariado nas Nações Unidas para Direitos Humanos.</p><p>Ao final, são apresentados relatórios que avaliam o estágio atual de</p><p>cumprimento das obrigações internacionais de direitos humanos assumidas pelos</p><p>Estados.</p><p>Na RPU, o Estado apresenta um relatório contando como está a situação dos</p><p>direitos humanos naquele período, depois outras informações advindas dos</p><p>procedimentos extraconvencionais são agregadas, podendo ONGs e atores da</p><p>sociedade civil apresentar informes e documentos adicionais – inclusive a Defensoria</p><p>Pública.</p><p>1 Gabarito: D</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>46</p><p>Em seguida, ocorre uma sessão de diálogo construtivo entre os Estados e demais</p><p>membros da ONU, sendo três Estados eleitos para serem relatores da Revisão</p><p>Periódica do Estado examinado.</p><p>Esses relatores elaboram o Relatório Final, trazendo a discussão, as observações</p><p>e emitindo sugestões aos Estados. O relatório deve ser votado e aprovado pelo</p><p>Conselho de Direitos Humanos.</p><p>DPE PR – FCC – 2014 – Dentre as funções do Conselho de Direitos Humanos das</p><p>Nações Unidas não se inclui a de:</p><p>a) conduzir a Revisão Periódica Universal.</p><p>b) encaminhar denúncias de violação dos direitos humanos à Corte Internacional de</p><p>Justiça.</p><p>c) estabelecer Procedimentos Especiais e indicar as pessoas que ocuparão os</p><p>respectivos mandatos.</p><p>d) promover a educação sobre direitos humanos.</p><p>e) fazer recomendações à Assembleia Geral tendo em vista o desenvolvimento do</p><p>Direito Internacional dos Direitos Humanos.2</p><p>DPE PI - 2022 - CESPE - Acerca do sistema onusiano de proteção dos direitos humanos</p><p>(universal ou global), assinale a opção correta.</p><p>a) Em 2006, a Comissão de Direitos Humanos foi substituída pelo Comitê de Direitos</p><p>Humanos.</p><p>b) O Conselho de Direitos Humanos é órgão vinculado à Assembleia Geral das Nações</p><p>Unidas, porém goza de maior autonomia que a Comissão de Direitos Humanos.</p><p>c) Um dos mecanismos mais importantes de monitoramento dos direitos humanos no</p><p>2 Gabarito: B.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>47</p><p>sistema universal é a revisão periódica universal (RPU), fundada no peer review no</p><p>âmbito do Comitê de Direitos Humanos.</p><p>d) O Comitê de Direitos Humanos é órgão vinculado ao Pacto de Direitos Civis e</p><p>Políticos e ao Pacto de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, que compõem o</p><p>chamado bill of rights.</p><p>e) Igualmente ao sistema interamericano, o sistema global de proteção dos direitos</p><p>humanos prevê a existência de uma corte que será responsável pela apreciação de</p><p>petições individuais e estatais e, enquanto esta não for criada, tal função será</p><p>exercida pela Corte Internacional de Justiça.</p><p>Correção:</p><p>DPE PI - 2022 - CESPE - Acerca do sistema onusiano de proteção dos direitos</p><p>humanos (universal ou global), assinale a opção correta.</p><p>a) Em 2006, a Comissão de Direitos Humanos foi substituída pelo Comitê de Direitos</p><p>Humanos.</p><p>Não confundam Comitê, Comissão e Conselho de DH!!! A Comissão foi</p><p>substituída pelo Conselho. Comitê de DH é vinculado ao PIDCP!</p><p>b) O Conselho de Direitos Humanos é órgão vinculado à Assembleia Geral das</p><p>Nações Unidas, porém goza de maior autonomia que a Comissão de Direitos</p><p>Humanos.</p><p>c) Um dos mecanismos mais importantes de monitoramento dos direitos</p><p>humanos no sistema universal é a revisão periódica universal (RPU), fundada no peer</p><p>review no âmbito do Comitê de Direitos Humanos.</p><p>d) O Comitê de Direitos Humanos é órgão vinculado ao Pacto de Direitos Civis e</p><p>Políticos e ao Pacto de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, que compõem o</p><p>chamado bill of rights.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>48</p><p>e) Igualmente ao sistema interamericano, o sistema global de proteção dos</p><p>direitos humanos prevê a existência de uma corte que será responsável pela</p><p>apreciação de petições individuais e estatais e, enquanto esta não for criada, tal</p><p>função será exercida pela Corte Internacional de Justiça.</p><p>Obs.: Retirei a parte histórica do curso, porque não é muito cobrada em provas,</p><p>mas algumas coisas vocês PRECISAM saber:</p><p>Magna Carta de 1215: Primeiro documento que garantia limitações do poder do rei,</p><p>na época, João Sem Terra, em relação aos nobres ingleses. É considerado o primeiro</p><p>documento constitucional do mundo ocidental e precursor dos Direitos Humanos.</p><p>Petition of Rights, de 1628: Buscou garantir as liberdades individuais</p><p>Bill of Rights: é um documento de 1689 que é considerado o primeiro a garantir a</p><p>participação popular, por meio de representantes parlamentares, na criação e</p><p>cobrança de tributos, sob pena de ilegalidade, vedando, ainda, a instituição de</p><p>impostos excessivos e de punições cruéis e incomuns. Ele surgiu ao fim da Revolução</p><p>Gloriosa na Inglaterra e limitou os poderes do monarca inglês.</p><p>Declaração Francesa dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789: consagra a</p><p>igualdade e a liberdade e levou à abolição de privilégios, direitos feudais e imunidades</p><p>de várias castas, em especial a aristocracia de terras. Lema dos revolucionários:</p><p>“liberté, egalité et fraternité.</p><p>Na década de 1940, surgiu a necessidade de criar tratados com força vinculante</p><p>que previssem os direitos humanos. Porém, devido ao embate entre os países do bloco</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>49</p><p>capitalista (priorizavam os direitos civis políticos) e do bloco socialista, em 1966, foi</p><p>necessário aprovar dois pactos distintos:</p><p>Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos</p><p>e</p><p>Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais</p><p>Qual é a grande diferença entre o PIDCP e o PIDESC?</p><p>Os direitos civis e políticos são aplicáveis e exigíveis dos Estados imediatamente.</p><p>Os direitos econômicos, sociais e culturais são aplicáveis de forma progressiva.</p><p>Se cair na prova perguntando o que é a Carta Internacional de Direitos</p><p>Humanos, lembrem-se desses documentos:</p><p>→ Declaração Universal de Direitos Humanos</p><p>→ Pacto de Direitos Civis e Políticos</p><p>→ Pacto Direitos Econômicos, Sociais e Culturais</p><p>→ Respectivos Protocolos Facultativos</p><p>Cuidado com a pegadinha! A Carta das Nações Unidas NÃO faz parte da Carta</p><p>Internacional de DH!</p><p>Declaração Universal de Direitos Humanos</p><p>Natureza jurídica: Resolução da AGNU (Assembleia Geral das Nações Unidas),</p><p>não sendo um tratado.</p><p>Valor jurídico: Inicialmente, era norma de soft law (sem natureza vinculante),</p><p>mas ao longo dos anos, a partir da consolidação da jurisprudência internacional,</p><p>adquiriu força vinculante, por representar a interpretação autêntica dos termos e</p><p>expressões direitos humanos previstos na Carta da ONU, esta sim, um tratado stricto</p><p>sensu.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>50</p><p>Além disso, pelo uso reiterado das normas da DUDH, ela se tornou uma norma</p><p>consuetudinária, isto é, um costume internacional, que é fonte do direito</p><p>internacional.</p><p>Assim explica André de Carvalho Ramos (Manual de Direitos Humanos, André de</p><p>Carvalho Ramos, 2018, pg. 50.)</p><p>“Em virtude de ser a DUDH uma declaração e não um tratado, há discussões na</p><p>doutrina e na prática dos Estados sobre sua força vinculante. Em resumo, podemos</p><p>identificar três vertentes possíveis: (i) aqueles que consideram que a DUDH possui</p><p>força vinculante por se constituir em interpretação autêntica do termo “direitos</p><p>humanos”, previsto na Carta das Nações Unidas (tratado, ou seja, tem força</p><p>vinculante); (ii) há aqueles que sustentam que a DUDH possui força vinculante por</p><p>representar o costume internacional sobre a matéria; (iii) há, finalmente, aqueles que</p><p>defendem que a DUDH representa tão somente a soft law na matéria, que consiste em</p><p>um conjunto de normas ainda não vinculantes, mas que buscam orientar a ação futura</p><p>dos Estados para que, então, venha a ter força vinculante.</p><p>Do nosso ponto de vista, parte da DUDH é entendida como espelho do costume</p><p>internacional de proteção de direitos humanos,</p><p>em especial quanto aos direitos à integridade física, igualdade e devido</p><p>processo legal.”</p><p>Nesse momento, pare tudo o que está fazendo e leia a DUDH. Ela é bem curtinha</p><p>e pode ser exigida por inteiro numa prova objetiva ou ser super útil para fundamentar</p><p>uma resposta discursiva ou oral.</p><p>Atenção aos artigos grifados:</p><p>Artigo 1</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>51</p><p>Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São</p><p>dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito</p><p>de fraternidade.</p><p>Artigo 2</p><p>1. Todo ser humano tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades</p><p>estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor,</p><p>sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social,</p><p>riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.</p><p>2. Não será também feita nenhuma distinção fundada na condição política,</p><p>jurídica ou internacional do país ou território a que pertença uma pessoa, quer se trate</p><p>de um território independente, sob tutela, sem governo próprio, quer sujeito a</p><p>qualquer outra limitação de soberania.</p><p>Artigo 3</p><p>Todo ser humano tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.</p><p>Artigo 4</p><p>Ninguém será mantido em escravidão ou servidão; a escravidão e o tráfico de</p><p>escravos serão proibidos em todas as suas formas.</p><p>Artigo 5</p><p>Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel,</p><p>desumano ou degradante.</p><p>Artigo 6</p><p>Todo ser humano tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como</p><p>pessoa perante a lei.</p><p>Artigo 7</p><p>Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual</p><p>proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que</p><p>viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.</p><p>Artigo 8</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>52</p><p>Todo ser humano tem direito a receber dos tribunais nacionais competentes</p><p>remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam</p><p>reconhecidos pela constituição ou pela lei.</p><p>Artigo 9</p><p>Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.</p><p>Artigo 10</p><p>Todo ser humano tem direito, em plena igualdade, a uma justa e pública</p><p>audiência por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir seus</p><p>direitos e deveres ou fundamento de qualquer acusação criminal contra ele.</p><p>Artigo 11</p><p>1.Todo ser humano acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido</p><p>inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em</p><p>julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias</p><p>necessárias à sua defesa.</p><p>2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não</p><p>constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Também não será</p><p>imposta pena mais forte de que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao</p><p>ato delituoso.</p><p>Artigo 12</p><p>Ninguém será sujeito à interferência na sua vida privada, na sua família, no seu</p><p>lar ou na sua correspondência, nem a ataque à sua honra e reputação. Todo ser</p><p>humano tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.</p><p>Artigo 13</p><p>1. Todo ser humano tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro</p><p>das fronteiras</p><p>de cada Estado.</p><p>2. Todo ser humano tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio e a</p><p>esse regressar.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>53</p><p>Artigo 14</p><p>1. Todo ser humano, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar</p><p>asilo em outros países.</p><p>2. Esse direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente</p><p>motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos objetivos e</p><p>princípios das Nações Unidas.</p><p>Artigo 15</p><p>1. Todo ser humano tem direito a uma nacionalidade.</p><p>2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de</p><p>mudar de nacionalidade.</p><p>Artigo 16</p><p>1. Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça,</p><p>nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família.</p><p>Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução.</p><p>2. O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos</p><p>nubentes.</p><p>3. A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da</p><p>sociedade e do Estado.</p><p>Artigo 17</p><p>1. Todo ser humano tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.</p><p>2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.</p><p>Artigo 18</p><p>Todo ser humano tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião;</p><p>esse direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de</p><p>manifestar essa religião ou crença pelo ensino, pela prática, pelo culto em público ou</p><p>em particular.</p><p>Artigo 19</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>54</p><p>Todo ser humano tem direito à liberdade</p><p>de opinião e expressão; esse direito</p><p>inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e</p><p>transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de</p><p>fronteiras.</p><p>Artigo 20</p><p>1. Todo ser humano tem direito à liberdade de reunião e associação pacífica.</p><p>2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.</p><p>Artigo 21</p><p>1. Todo ser humano tem o direito de tomar parte no governo de seu país</p><p>diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.</p><p>2. Todo ser humano tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.</p><p>3. A vontade do povo será a base da autoridade do governo; essa vontade será</p><p>expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou</p><p>processo equivalente que assegure a liberdade de voto.</p><p>Artigo 22</p><p>Todo ser humano, como membro da sociedade, tem direito à segurança social, à</p><p>realização pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a</p><p>organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais</p><p>indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade.</p><p>Artigo 23</p><p>1. Todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a</p><p>condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.</p><p>2. Todo ser humano, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual</p><p>trabalho.</p><p>3. Todo ser humano que trabalha tem direito a uma remuneração justa e satisfatória</p><p>que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a</p><p>dignidade humana e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção</p><p>social.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>55</p><p>4. Todo ser humano tem direito a organizar sindicatos e a neles ingressar para</p><p>proteção de seus interesses.</p><p>Artigo 24</p><p>Todo ser humano tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das</p><p>horas de trabalho e a férias remuneradas periódicas.</p><p>Artigo 25</p><p>1. Todo ser humano tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e à</p><p>sua família saúde, bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados</p><p>médicos e os serviços sociais indispensáveis e direito à segurança em caso de</p><p>desemprego, doença invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de</p><p>subsistência em circunstâncias fora de seu controle.</p><p>2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as</p><p>crianças, nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.</p><p>Artigo 26</p><p>1. Todo ser humano tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo</p><p>menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória.</p><p>A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior,</p><p>esta baseada no mérito.</p><p>2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade</p><p>humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos do ser humano e pelas</p><p>liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a</p><p>amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos e coadjuvará as atividades</p><p>das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.</p><p>3. Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será</p><p>ministrada a seus filhos.</p><p>Artigo 27</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>56</p><p>1. Todo ser humano tem o direito de participar livremente da vida cultural da</p><p>comunidade, de fruir as artes e de participar do progresso científico e de seus</p><p>benefícios.</p><p>2. Todo ser humano tem direito à proteção dos interesses morais e materiais</p><p>decorrentes de qualquer produção científica literária ou artística da qual seja autor.</p><p>Artigo 28</p><p>Todo ser humano tem direito a uma ordem social e internacional em que os</p><p>direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente</p><p>realizados.</p><p>Artigo 29</p><p>1. Todo ser humano tem deveres para com a comunidade, na qual o livre e pleno</p><p>desenvolvimento de sua personalidade é possível.</p><p>2. No exercício de seus direitos e liberdades, todo ser humano estará sujeito apenas às</p><p>limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido</p><p>reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer as justas</p><p>exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.</p><p>3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos</p><p>contrariamente aos objetivos e princípios das Nações Unidas.</p><p>Artigo 30</p><p>Nenhuma disposição da presente Declaração poder ser interpretada como o</p><p>reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer</p><p>atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e</p><p>liberdades aqui estabelecidos.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>57</p><p>Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos + 2</p><p>Protocolos Facultativos</p><p>O objetivo do PIDCP foi conferir natureza jurídica vinculante aos direitos civis e</p><p>políticos, os chamados direitos humanos liberais, bem como criar mecanismos de</p><p>monitoramento internacional para implementar esses direitos.</p><p>O PIDCP tem 6 partes:</p><p>Parte 1 (art. 1º): dispõe sobre o direito de todos os povos de dispor livremente</p><p>de suas riquezas e de seus recursos naturais e sobre o direito à autodeterminação.</p><p>Parte 2 (artigos 2º a 5º): estabelece as condições gerais de aplicação do Pacto</p><p>(obrigações dos Estados, suspensão de direitos etc.).</p><p>Parte 3 (artigos 6º a 27): traz os direitos protegidos pelo Pacto.</p><p>Parte 4 (artigos 28 a 45): cria os mecanismos de proteção, especialmente o</p><p>Comitê de Direitos Humanos.</p><p>Parte 5 (artigos 46 e 47): prevê a proteção a respeito da soberania dos recursos</p><p>naturais e a relação entre as obrigações dispostas no PIDCP e as previstas na Carta das</p><p>Nações Unidas.</p><p>Parte 6 (artigos 48 a 53): estabelece normas referentes à assinatura, ratificação</p><p>e entrada em vigor do Pacto.</p><p>O 1º Protocolo Facultativo deu ao Comitê de DH competência para receber e</p><p>processar petições ou comunicações individuais.</p><p>O 2º Protocolo Facultativo trouxe a abolição da pena de morte. Porém, foi</p><p>ressalvado que seria possível a pena de morte em países que ainda não a tenham</p><p>abolido e apenas nos casos de crimes mais graves, para que houvesse maior adesão ao</p><p>Protocolo.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>58</p><p>O Brasil fez reserva a esse artigo, tendo em vista que a CRFB prevê aplicação de</p><p>pena de morte nos casos de crimes militares cometidos no contexto de guerra</p><p>declarada.</p><p>Vejamos os direitos materiais protegidos pelo PIDCP:</p><p>Artigo 6º Direito à vida, proibição da privação arbitrária da liberdade e</p><p>limitação da pena de morte</p><p>Artigo 7º Integridade física e proibição de experimento médico ou</p><p>científico sem o livre consentimento. Proibição da tortura.</p><p>Artigo 8º Proibição da escravidão, servidão e do trabalho forçado ou</p><p>obrigatório</p><p>Artigo 9º Liberdade e segurança pessoais, proibição de prisão arbitrária e</p><p>garantia do habeas corpus. Audiência de custódia.</p><p>Artigo 10 Dignidade no tratamento nas prisões. Separação de presos</p><p>“jovens” e adultos.</p><p>Artigo 11 Proibição de prisão por dívidas</p><p>Artigo 12 Livre trânsito entre os países</p><p>Artigo 13 Proibição de expulsão arbitrária do território de um Estado</p><p>Artigo 14 Devido processo. Presunção de inocência. Publicidade</p><p>processual (exceto menores e matrimônio). Dupla instância.</p><p>Artigo 15 Irretroatividade da lei penal. Retroatividade da lei mais benéfica.</p><p>Artigo 16 Reconhecimento da personalidade jurídica</p><p>Artigo 17 Vida privada</p><p>Artigo 18 Liberdade de pensamento, consciência e religião</p><p>Artigo 19 Liberdade de expressão</p><p>Artigo 20 Proibição da</p><p>propaganda de guerra e apologia do ódio nacional,</p><p>racial ou religioso.</p><p>Artigo 21 Liberdade de reunião pacífica</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>59</p><p>Artigo 22 Liberdade de associação</p><p>Artigo 23 Família e liberdade de casamento</p><p>Artigo 24 Direito das crianças.</p><p>Toda criança deverá ser registrada imediatamente após seu nascimento e deverá</p><p>receber um nome. Toda criança terá o direito de adquirir uma nacionalidade.</p><p>Artigo 25 Direitos políticos. Sufrágio universal e igualitário; Voto secreto</p><p>Artigo 26 Igualdade perante a lei</p><p>Artigo 27 Proteção das minorias</p><p>Há previsão da possibilidade de derrogação temporária de certos direitos diante</p><p>de situações excepcionais, que ameacem a existência da nação e que sejam</p><p>proclamadas oficialmente como tal, na estrita medida exigida pelo problema, porém</p><p>não pode ser incompatível com as demais obrigações impostas aos Estados pelo</p><p>Direito Internacional e acarretar discriminação, bem como atingir os seguintes direitos</p><p>e garantias:</p><p>• Proteção à vida e limitação à pena de morte;</p><p>• Proibição da tortura e de tratamentos desumanos, cruéis ou</p><p>degradantes;</p><p>• Proibição da escravidão, servidão ou tráfico de escravos;</p><p>• Proibição da prisão por descumprimento de obrigação contratual;</p><p>• Anterioridade da norma e irretroatividade da lei penal, salvo em</p><p>beneficio do infrator;</p><p>• Direito ao reconhecimento da personalidade jurídica; e</p><p>• Direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião.</p><p>(DPE-CE 2022) 2. Preveem a possibilidade de o risco à saúde pública justificar a</p><p>limitação a direitos humanos previstos em tratados internacionais:</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>60</p><p>(A) a Convenção Internacional sobre Direitos das Pessoas com Deficiência e a</p><p>Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação</p><p>contra as Pessoas Portadoras de Deficiência.</p><p>(B) a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos nos casos Damião</p><p>Ximenes vs. Brasil e Poblete Vilches vs. Chile.</p><p>(C) a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a Declaração Americana de</p><p>Direitos e Deveres do Homem.</p><p>(D) o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos e a Convenção Americana</p><p>de Direitos Humanos.</p><p>(E) o Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais e o</p><p>Protocolo de San Salvador em Matéria de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais.</p><p>Gabarito: D.</p><p>PIDCP CADH</p><p>ARTIGO 21</p><p>O direito de reunião pacífica será</p><p>reconhecido. O exercício desse direito</p><p>estará sujeito apenas às restrições</p><p>previstas em lei e que se façam</p><p>necessárias, em uma sociedade</p><p>democrática, no interesse da segurança</p><p>nacional, da segurança ou da ordem</p><p>públicas, ou para proteger a saúde ou a</p><p>moral públicas ou os direitos e as</p><p>liberdades das demais pessoas.</p><p>Artigo 15. Direito de reunião</p><p>É reconhecido o direito de</p><p>reunião pacífica e sem armas. O</p><p>exercício de tal direito só pode estar</p><p>sujeito às restrições previstas pela lei e</p><p>que sejam necessárias, numa sociedade</p><p>democrática, no interesse da segurança</p><p>nacional, da segurança ou da ordem</p><p>públicas, ou para proteger a saúde ou a</p><p>moral públicas ou os direitos e</p><p>liberdades das demais pessoas.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>61</p><p>.</p><p>Comitê de Direitos Humanos</p><p>O Comitê de Direitos Humanos, criado pelo PIDCP é composto por 18 membros,</p><p>que não representam os Estados, mas sim exercem suas funções a título pessoal. Para</p><p>ser membro, é preciso ter elevada reputação moral e reconhecida competência em</p><p>matéria de direitos humanos. Não é exigida a formação jurídica.</p><p>Cada Estado-Parte do PIDCP pode indicar até dois nacionais para concorrerem à</p><p>vaga de membro, podendo a mesma pessoa ser indicada mais de uma vez.</p><p>O quórum para a eleição é de 2/3, a votação é secreta e o mandato dura quatro</p><p>anos, admitindo-se a reeleição.</p><p>Mecanismos de Proteção dos Direitos Humanos previstos no PIDCP:</p><p>Relatórios</p><p>São submetidos pelos Estados, que devem demonstrar as medidas que estão</p><p>adotando para efetivar os direitos humanos previstos no PIDCP.</p><p>Comunicação Interestatal</p><p>Depende da aceitação expressa do Estado e consiste em comunicação do Estado</p><p>denunciante encaminhada de forma direta ao Estado denunciado. Caso não se resolva</p><p>a situação, eles podem submetê-la ao Comitê de DH, que será uma espécie de</p><p>mediador, não podendo condenar nenhum Estado. Porém, é necessário que os</p><p>recursos internos tenham sido esgotados.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>62</p><p>O Brasil não aceitou expressamente tal procedimento, assim, não pode</p><p>demandar um Estado, nem ser demandado por outro Estado no Comitê de DH do</p><p>PIDCP.</p><p>Petições ou comunicações individuais</p><p>Para tanto, é necessário que o Estado tenha ratificado o 1º Protocolo Facultativo.</p><p>Os recursos internos devem ter sido esgotados e não pode haver litispendência nem</p><p>coisa julgada internacional.</p><p>O Brasil promulgou o PIDCP no Decreto 592/1992, porém não aceitou a</p><p>competência do Comitê de receber e examinar comunicações interestatais. Nós</p><p>ratificamos o 1º e o 2º Protocolos Facultativos em 2009, porém ainda não houve o</p><p>decreto de promulgação de nenhum deles.</p><p>É por conta dessa falta de internalização do 1º protocolo facultativo que o TSE</p><p>entendeu que a decisão do comitê de DH no Caso Lula não seria vinculante ou</p><p>coercitiva, isto é, que o Brasil não precisava respeitar tal decisão.</p><p>Outra corrente entende que, de acordo com o Princípio da Interpretação de Boa-</p><p>fé dos tratados, como o Brasil aderiu tanto ao PIDCP quanto ao Protocolo Facultativo,</p><p>ele não poderia descumprir as decisões do Comitê, independentemente de já ter</p><p>internalizado ou não tal protocolo. Até porque o direito interno é mero fato para o</p><p>direito internacional.</p><p>FCC – DPE AM – 2021 – O Primeiro e Segundo Protocolos Facultativos ao Pacto</p><p>Internacional de Direitos Civis e Políticos tratam, respectivamente,</p><p>A) da criação do Comitê de Direitos Humanos e do enfrentamento</p><p>e combate à tortura.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>63</p><p>B) de comunicações individuais ao Comitê de Direitos Humanos e</p><p>da abolição da pena de morte.</p><p>C) do enfrentamento e combate à tortura e da abolição da pena</p><p>de morte.</p><p>D) da criação do Comitê de Direitos Humanos e de comunicações</p><p>individuais ao Comitê de Direitos Humanos.</p><p>E) da abolição da pena de morte e da criação do Comitê de</p><p>Direitos Humanos.3</p><p>Pacto dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais</p><p>Objetivos: Conferir natureza vinculante aos direitos econômicos, sociais e</p><p>culturais</p><p>O PIDESC divide-se em cinco partes, sendo elas as seguintes:</p><p>Parte I (art. 1º): prevê o direito de todos os povos de dispor livremente de suas</p><p>riquezas e de seus recursos naturais e à autodeterminação.</p><p>Parte II (artigos 2º a 5º): estabelece as condições gerais de aplicação do Pacto</p><p>(obrigações dos Estados, suspensão de direitos etc.).</p><p>Parte III (artigos 6º a 15): apresenta os direitos protegidos pelo Pacto.</p><p>Parte IV (artigos 16 a 25): cuida dos mecanismos de proteção.</p><p>Parte V (artigos 26 e 31): estabelece normas referentes à assinatura, ratificação</p><p>e entrada em vigor do Pacto.</p><p>3 Gabarito: B.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>64</p><p>Direitos protegidos pelo PIDESC:</p><p>Artigo 6º Direito ao Trabalho</p><p>Artigo 7º Condições de trabalho justas e favoráveis</p><p>Artigo 8º Liberdade sindical</p><p>Artigo 9º Previdência social</p><p>Artigo 10 Proteção social da família</p><p>Artigo 11 Padrão adequado de vida (alimentação, vestimenta e moradia</p><p>adequadas etc).</p><p>Artigo 12 Mais elevado nível de saúde física e mental</p><p>Atenção ao art. 11 do PIDESC! Ele é base para a tese de doutorado da</p><p>examinadora Andrea Sepulveda justamente sobre Direito a um padrão adequado de</p><p>vida!</p><p>ARTIGO 11</p><p>1. Os Estados Partes do presente Pacto reconhecem o direito de toda pessoa a</p><p>um nível de vida adequado para si próprio e sua família, inclusive à alimentação,</p><p>vestimenta e moradia adequadas, assim como a uma melhoria contínua de suas</p><p>condições de vida. Os Estados Partes tomarão medidas apropriadas para assegurar a</p><p>consecução desse direito, reconhecendo, nesse sentido, a importância essencial da</p><p>cooperação internacional fundada no livre consentimento.</p><p>2. Os Estados Partes do presente Pacto, reconhecendo o direito fundamental de</p><p>toda pessoa de estar protegida contra a fome, adotarão, individualmente e mediante</p><p>cooperação internacional, as medidas, inclusive programas concretos, que se façam</p><p>necessárias para:</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>65</p><p>a) Melhorar os métodos de produção, conservação e distribuição de gêneros</p><p>alimentícios pela plena utilização dos conhecimentos técnicos e científicos, pela</p><p>difusão de princípios de educação nutricional e pelo aperfeiçoamento ou reforma dos</p><p>regimes agrários, de maneira que se assegurem a exploração e a utilização mais</p><p>eficazes dos recursos naturais;</p><p>b) Assegurar uma repartição eqüitativa dos recursos alimentícios mundiais em</p><p>relação às necessidades, levando-se em conta os problemas tanto dos países</p><p>importadores quanto dos exportadores de gêneros alimentícios.</p><p>DPE AM 2021 - A definição de saúde prevista pela Organização Mundial de</p><p>Saúde, no preâmbulo de sua carta de constituição, envolve a busca do mais elevado</p><p>nível de saúde física e mental, a qual também está inserida com o mesmo conceito</p><p>no seguinte documento:</p><p>A) Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais.</p><p>B) Convenção Internacional sobre os Direitos das Crianças.</p><p>C) Declaração Universal dos Direitos Humanos.</p><p>D) Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com</p><p>Deficiência.</p><p>E) Convenção Internacional para a Eliminação de Todas as Formas</p><p>de Discriminação contra a Mulher.</p><p>ATENÇÃO, NÃO CONFUNDA:</p><p>Direito ao melhor padrão possível de saúde: Convenção Direitos da Criança,</p><p>art. 24.</p><p>Direito de gozar do estado de saúde mais elevado possível: Convenção da ONU</p><p>sobre os direitos da pessoa com deficiência (Conv. Nova York), art. 25.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>66</p><p>Gabarito: A.</p><p>Artigo 13 Educação</p><p>Artigo 14 Educação primária</p><p>Artigo 15 Participação da vida cultural, desfrute do progresso científico e</p><p>benefício da proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de toda produção</p><p>científica, literária ou artística.</p><p>O modo de implementação dos direitos econômicos, sociais e culturais é</p><p>progressivo, como fica bem claro no artigo 2º do Pacto:</p><p>ARTIGO 2º</p><p>1. Cada Estado Parte do presente Pacto compromete-se a adotar medidas, tanto</p><p>por esforço próprio como pela assistência e cooperação internacionais, principalmente</p><p>nos planos econômico e técnico, até o máximo de seus recursos disponíveis, que</p><p>visem a assegurar, progressivamente, por todos os meios apropriados, o pleno</p><p>exercício dos direitos reconhecidos no presente Pacto, incluindo, em particular, a</p><p>adoção de medidas legislativas.</p><p>2. Os Estados Partes do presente Pacto comprometem-se a garantir que os</p><p>direitos nele enunciados e exercerão sem discriminação alguma por motivo de raça,</p><p>cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou</p><p>social, situação econômica, nascimento ou qualquer outra situação.</p><p>3. Os países em desenvolvimento, levando devidamente em consideração os</p><p>direitos humanos e a situação econômica nacional, poderão determinar em que</p><p>garantirão os direitos econômicos reconhecidos no presente Pacto àqueles que não</p><p>sejam seus nacionais.</p><p>Protocolo Facultativo</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>67</p><p>O PIDESC apenas possui um protocolo facultativo adotado em 2008 que atribuiu</p><p>competência ao Comitê de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, que foi criado em</p><p>1985 pelo ECOSOC, para receber e analisar petições individuais acerca de violações aos</p><p>direitos protegidos pelo pacto.</p><p>Mecanismos de Proteção</p><p>No PIDESC também temos mecanismos de proteção similares aos do PIDCP:</p><p>Relatórios: os Estados se comprometem a enviar relatórios sobre o progresso</p><p>acerca da proteção dos direitos humanos previstos no Pacto.</p><p>Petições ou comunicações individuais</p><p>Estado deve ter ratificado o protocolo facultativo (até hoje o Brasil não ratificou);</p><p>Esgotamento dos recursos internos;</p><p>Prazo de 1 ano após o esgotamento dos recursos internos para apresentar ao</p><p>Comitê (exceto se for impossível);</p><p>Inexistência de litispendência ou coisa julgada internacional;</p><p>Compatibilidade da comunicação com as disposições do Pacto;</p><p>Comunicação não pode ser infundada nem baseada exclusivamente em notícias;</p><p>Não pode constituir abuso de direito;</p><p>Comunicação não pode ser anônima e deve ser apresentada por escrito;</p><p>Comunicações interestatais</p><p>Exige-se a ratificação do Protocolo Facultativo e uma declaração especial</p><p>Inquérito</p><p>Exige-se a ratificação do Protocolo Facultativo e uma declaração especial;</p><p>Pode incluir visita ao Estado e deve ser confidencial.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>68</p><p>Comentários Gerais do Comitê DESC</p><p>COMENTÁRIOS GERAIS DO COMITÊ DE DIREITOS ECONÔMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS DA ONU</p><p>COMENTÁRIO GERAL N. 1: Trata sobre os Relatórios dos Estados Partes;</p><p>COMENTÁRIO GERAL N. 2 Medidas Internacionais de Aconselhamento Técnico;</p><p>COMENTÁRIO GERAL N. 3 Parágrafo 1º do artigo 2º do Pacto (Da natureza das obrigações</p><p>dos Estados Partes);</p><p>COMENTÁRIO GERAL N. 4 Parágrafo 1 do Artigo 11 (O direito a uma moradia adequada);</p><p>COMENTÁRIO GERAL N. 5 Pessoas com Deficiência;</p><p>COMENTÁRIO GERAL N. 6 Os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais das Pessoas Idosas;</p><p>COMENTÁRIO GERAL N. 7 O direito a uma moradia adequada (parágrafo 1 do artigo 11 do</p><p>Pacto): Remoções Forçadas;</p><p>COMENTÁRIO GERAL N. 8 Implementação do Convênio Internacional sobre Direitos</p><p>Econômicos, Sociais e Culturais;</p><p>COMENTÁRIO GERAL N. 9 Aplicação interna do Pacto;</p><p>COMENTÁRIO GERAL N. 10 Sobre o papel das instituições nacionais de direitos humanos na</p><p>proteção dos direitos econômicos, sociais e culturais;</p><p>COMENTÁRIO GERAL N. 11 Artigo 14 (Planos de ação para a educação primária);</p><p>COMENTÁRIO GERAL N. 12 Artigo 11 (O direito à alimentação adequada);</p><p>COMENTÁRIO GERAL N. 13 Artigo 13 (O direito à educação);</p><p>COMENTÁRIO GERAL N. 14 Artigo 12 (O direito ao mais elevado nível possível de saúde);</p><p>COMENTÁRIO GERAL N. 15 Artigos 11 e 12 (o direito à água);</p><p>COMENTÁRIO GERAL N. 16 Artigo 3 (Igualdade de direitos dos homens e mulheres a desfrutar</p><p>de todos os direitos econômicos, sociais e culturais);</p><p>COMENTÁRIO GERAL N. 17 Artigo 15, par. 1 (c) - O direito de todos se beneficiarem da</p><p>proteção do patrimônio moral e interesses materiais resultantes de</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>69</p><p>qualquer produção científica, literária ou artística da qual ele ou ela é o</p><p>autor(a);</p><p>COMENTÁRIO GERAL N. 18 Artigo 6 (O Direito ao Trabalho);</p><p>COMENTÁRIO GERAL N. 20 Artigo 2, Parágrafo 2 (Não Discriminação nos Direitos Econômicos,</p><p>Sociais e Culturais);</p><p>COMENTÁRIO GERAL N. 21 Artigo 15, parágrafo 1 (a) - Direito de Todos (as) Participarem da</p><p>Vida Cultural;</p><p>COMENTÁRIO GERAL N. 22 Artigo 12 (Sobre o direito à saúde sexual e reprodutiva)</p><p>COMENTÁRIO GERAL N. 23 Artigo 7 (sobre o direito de ter condições justas e favoráveis no</p><p>trabalho);</p><p>COMENTÁRIO GERAL N. 24 Sobre as obrigações dos Estados em virtude</p><p>do Pacto</p><p>Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais dentro do</p><p>contexto das atividades empresariais;</p><p>1ª Fase, XXVII Concurso DPERJ – Questão 87 – “Há dias neste 2021 em que Simone</p><p>Souza Bernardes, de 49 anos, deixa de comer para alimentar os filhos pequenos. Tem</p><p>quinze. Mora com nove. Já estava enquadrada na linha de extrema pobreza antes da</p><p>pandemia. Mas vive agora o medo maior: o de que um de seus filhos ou ela própria</p><p>morra de fome. Quando come, é uma vez por dia.”</p><p>(https://oglobo.globo.com/economia/sem-auxilio-emergencialnova-pobreza-aqui-</p><p>pandemia-que-gente-vive-a-da-fome-1- 24891545)</p><p>Tendo por base o Comentário Geral nº 12 do Comitê sobre Direitos Econômicos,</p><p>Sociais e Culturais, sobre o direito humano à alimentação adequada; bem como o</p><p>atendimento da alimentação escolar, é correto afirmar que:</p><p>(A) dentre os três tipos de obrigações dos Estados Partes na garantia do direito</p><p>humano à alimentação adequada, a obrigação de “proteger” significa o compromisso</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>70</p><p>de o Estado envolver-se proativamente em atividades destinadas a fortalecer o acesso</p><p>de pessoas a recursos e meios, e a sua utilização, de forma a garantir o seu modo de</p><p>vida, inclusive a sua segurança alimentar e a utilização desses recursos e meios por</p><p>estas pessoas;</p><p>(B) considerando que o direito à alimentação adequada é de caráter progressivo,</p><p>podem os Estados e Municípios, em vista dos recursos orçamentários disponíveis,</p><p>limitar o fornecimento da alimentação escolar apenas aos alunos da educação básica</p><p>com maior vulnerabilidade, tais como os inseridos no CadÚnico;</p><p>(C) apesar de os programas suplementares de alimentação escolar terem por objetivo</p><p>contribuir para a aprendizagem e o rendimento escolar, as despesas daí advindas não</p><p>são consideradas como de manutenção e desenvolvimento do ensino;</p><p>(D) se o Estado brasileiro demonstrar concretamente a limitação de recursos, restará</p><p>afastada a sua responsabilidade internacional por não assegurar a disponibilidade e a</p><p>acessibilidade aos alimentos necessários à proteção contra a fome;</p><p>(E) o direito à alimentação adequada é considerado satisfeito quando um pacote</p><p>mínimo de calorias, proteínas e outros nutrientes específicos é fornecido à pessoa.</p><p>Correção:</p><p>A alternativa A está incorreta, pois, de acordo com o comentário geral nº 12:</p><p>“15. O direito à alimentação adequada, como qualquer outro direito humano, impõe</p><p>três tipos ou níveis de obrigações aos Estados parte. As obrigações de respeitar,</p><p>proteger e satisfazer o direito. Por seu turno, a obrigação de satisfazer incorpora</p><p>tanto uma obrigação de facilitar como uma obrigação de prover. Originalmente, estes</p><p>três níveis de obrigações foram propostos da seguinte forma: respeitar, proteger e</p><p>assistir/realizar.(vide “ Right to adequate food as a human right, Study Series No.1,</p><p>1989 (United Nations publication, Sales No.E.89.XIV 2).) O nível intermediário,</p><p>“facilitar”, foi proposto como uma categoria do Comitê, mas este decidiu manter os</p><p>três níveis de obrigações. A obrigação de respeitar o acesso existente à alimentação</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>71</p><p>adequada requer que os Estados Parte não tomem quaisquer medidas que resultem</p><p>no bloqueio deste acesso. A obrigação de PROTEGER requer que medidas sejam</p><p>tomadas pelo Estado para assegurar que empresas ou indivíduos não privem outros</p><p>indivíduos de seu acesso à alimentação adequada. A obrigação</p><p>de SATISFAZER (facilitar) significa que o Estado deve envolver-se proativamente em</p><p>atividades destinadas a fortalecer o acesso de pessoas a recursos e meios, e a</p><p>utilização dos mesmos, de forma a garantir o seu modo de vida, inclusive a sua</p><p>segurança alimentar, e a utilização destes recursos e meios por estas pessoas. (...)</p><p>(Comentário Geral nº 12 do Comitê sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais,</p><p>sobre o direito humano à alimentação adequada)”</p><p>A alternativa B está incorreta, pois a Lei nº 13.987/2020, autorizou, em caráter</p><p>excepcional, durante o período de suspensão das aulas em razão de situação de</p><p>emergência ou calamidade pública, a distribuição de gêneros alimentícios adquiridos</p><p>com recursos do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) aos pais ou</p><p>responsáveis dos estudantes das escolas públicas de educação básica. Portanto, não</p><p>houve limitação do fornecimento da alimentação escolar apenas aos alunos da</p><p>educação básica com maior vulnerabilidade, tais como os inseridos no CadÚnico.</p><p>A alternativa C está correta, pois segundo o art. 71 da Lei de Diretrizes Básicas da</p><p>Educação - LDB, Não constituirão despesas de manutenção e desenvolvimento do</p><p>ensino aquelas realizadas com: (...) IV - programas suplementares de alimentação,</p><p>assistência médico-odontológica, farmacêutica e psicológica, e outras formas de</p><p>assistência social.</p><p>A alternativa D está incorreta, pois não se pode alegar a reserva do possível, isto é, a</p><p>limitação de recursos do Estado, para se negar o mínimo existencial.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>72</p><p>A alternativa E está incorreta: O direito humano à alimentação adequada traduz-se no</p><p>direito de cada pessoa ter o acesso físico e econômico, ininterruptamente, à</p><p>alimentação adequada ou aos meios para obter estes alimentos, sem comprometer os</p><p>recursos para obter outros direitos fundamentais, como saúde e educação. O direito</p><p>humano à alimentação adequada significa tanto que as pessoas estão livres da fome</p><p>e da desnutrição, mas também têm acesso a uma alimentação adequada e saudável.</p><p>Proteção de grupos específicos no Sistema</p><p>Global</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>https://www.qconcursos.com/usuario/perfil/fidelcastro_87</p><p>https://www.qconcursos.com/usuario/perfil/fidelcastro_87</p><p>73</p><p>Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as</p><p>Formas de Discriminação Racial</p><p>Aprovada pela AGNU em 1966</p><p>Ratificada e internalizada pelo Brasil em 1969</p><p>Objetivo extraído do preâmbulo: Eliminar a discriminação racial em todas as</p><p>suas formas e manifestações, prevenir e combater doutrinas e práticas racistas com o</p><p>objetivo de promover o entendimento entre as raças e construir uma comunidade</p><p>internacional livre de todas as formas de segregação racial e discriminação racial.</p><p>Tem como objetivo o combate à discriminação racial, sob os princípios da:</p><p>UNIVERSALIDADE;</p><p>IGUALDADE;</p><p>NÃO-DISCRIMINAÇÃO.</p><p>A discriminação racial não inclui apenas a discriminação por motivo de raça, mas</p><p>também pela cor, descendência ou origem étnica ou nacional (art. 1º).</p><p>Traz o conceito de discriminação racial no art. 1.1:</p><p>“a expressão “discriminação racial” significará qualquer distinção, exclusão,</p><p>restrição ou preferência baseadas em raça, cor, descendência ou origem nacional ou</p><p>étnica que tem por objetivo ou efeito anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou</p><p>exercício num mesmo plano, (em igualdade de condição), de direitos humanos e</p><p>liberdades fundamentais no domínio político econômico, social, cultural ou em</p><p>qualquer outro domínio de vida pública.”</p><p>Não configuram discriminação racial as distinções, exclusões, restrições e</p><p>preferencias entre cidadãos e não cidadãos, estabelecidas pelos Estados. Da mesma</p><p>forma, as políticas de ações afirmativas são possíveis.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>74</p><p>Art. 1.4. “Não serão consideradas discriminação racial as medidas especiais</p><p>tomadas com o único objetivo de assegurar progresso adequado de certos grupos</p><p>raciais ou étnicos ou de indivíduos que necessitem da proteção que possa ser</p><p>necessária para proporcionar a tais grupos ou indivíduos igual gozo ou exercício de</p><p>direitos humanos</p><p>e liberdades fundamentais, contanto que tais medidas não</p><p>conduzam, em consequência, à manutenção de direitos separados para diferentes</p><p>grupos raciais e não prossigam após terem sidos alcançados os seus objetivos”.</p><p>As ações afirmativas devem ser temporárias.</p><p>Pela Convenção, os Estados são obrigados a combater a propaganda e as</p><p>organizações que se inspirem em ideias ou teorias baseadas na superioridade de uma</p><p>raça ou de um grupo étnico (art. 4º).</p><p>A Convenção manda que os Estados criminalizem o racismo em seus</p><p>ordenamentos jurídicos no art. 4.1:</p><p>“declarar delitos puníveis por lei qualquer difusão de ideias baseadas na</p><p>superioridade ou no ódio raciais, qualquer incitamento à discriminação racial, assim</p><p>como quaisquer atos de violência ou provocação a tais atos, dirigidos contra</p><p>qualquer raça ou qualquer grupo de pessoas ou de outra cor ou de outra origem</p><p>étnica, como também qualquer assistência prestada a atividades racistas, inclusive</p><p>seu financiamento”</p><p>Trata-se de mandado de criminalização, isto é, o tratado está mandando que os</p><p>Estados signatários criminalizem os crimes de racismo.</p><p>Foi criado um órgão de monitoramento, o Comitê para Eliminação da</p><p>Discriminação Racial, que tem 18 especialistas.</p><p>O Brasil reconheceu e aceitou a competência do Comitê para receber petições</p><p>individuais em 2003.</p><p>É possível que haja Petições Interestatais, sendo essa cláusula obrigatória.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>75</p><p>É possível que os Estados criem órgãos nacionais para que eles analisem as</p><p>violações a direitos desta convenção antes de submeter ao Comitê contra a</p><p>discriminação racial.</p><p>O princípio da subsidiariedade é potencializado, pois será preciso esgotar mais</p><p>um recurso interno.</p><p>Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de</p><p>Discriminação contra as Mulheres (CEDAW)</p><p>Firmada em 1979, promulgada pelo Decreto 86.460/84, tem como objetivo</p><p>conferir maior peso político e jurídico à proteção da dignidade da mulher, com a</p><p>adoção pelos Estados de medidas especiais (inclusive de caráter temporário)</p><p>destinadas a acelerar a igualdade de fato entre o homem e a mulher.</p><p>Além disso, os Estados devem combater o tráfico e a exploração da mulher (Art.</p><p>6).</p><p>Por fim, consagra a proibição da discriminação por motivo de casamento,</p><p>consagrando ainda o direito da mulher ao acesso a serviços médicos que atendam às</p><p>peculiaridades da condição feminina.</p><p>Brasil fez reservas aos artigos 15.4 (“Os Estados-Partes concederão ao homem e</p><p>à mulher os mesmos direitos no que respeita à legislação relativa ao direito das</p><p>pessoas à liberdade de movimento e à liberdade de escolha de residência e</p><p>domicílio”).</p><p>E 16.1.a, c, g, h (medidas para eliminar a discriminação contra a mulher em</p><p>assuntos relativos ao casamento e às relações familiares, especialmente com base na</p><p>igualdade entre homens e mulheres)</p><p>16. 1. Os Estados-Partes adotarão todas as medidas adequadas para eliminar a</p><p>discriminação contra a mulher em todos os assuntos relativos ao casamento e às</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>76</p><p>ralações familiares e, em particular, com base na igualdade entre homens e mulheres,</p><p>assegurarão:</p><p>a) O mesmo direito de contrair matrimônio;</p><p>b) O mesmo direito de escolher livremente o cônjuge e de contrair</p><p>matrimônio somente com livre e pleno consentimento;</p><p>c) Os mesmos direitos e responsabilidades durante o casamento e por</p><p>ocasião de sua dissolução;</p><p>d) Os mesmos direitos e responsabilidades como pais, qualquer que seja seu</p><p>estado civil, em matérias pertinentes aos filhos. Em todos os casos, os interesses dos</p><p>filhos serão a consideração primordial;</p><p>e) Os mesmos direitos de decidir livre a responsavelmente sobre o número</p><p>de seus filhos e sobre o intervalo entre os nascimentos e a ter acesso à informação, à</p><p>educação e aos meios que lhes permitam exercer esses direitos;</p><p>f) Os mesmos direitos e responsabilidades com respeito à tutela, curatela,</p><p>guarda e adoção dos filhos, ou institutos análogos, quando esses conceitos existirem</p><p>na legislação nacional. Em todos os casos os interesses dos filhos serão a consideração</p><p>primordial;</p><p>g) Os mesmos direitos pessoais como marido e mulher, inclusive o direito de</p><p>escolher sobrenome, profissão e ocupação;</p><p>h) Os mesmos direitos a ambos os cônjuges em matéria de propriedade,</p><p>aquisição, gestão, administração, gozo e disposição dos bens, tanto a título gratuito</p><p>quanto à título oneroso.</p><p>Em 1994, o Brasil retirou todas as reservas e apenas em 2002 a Convenção foi,</p><p>de fato, promulgada.</p><p>O que é discriminação contra a mulher? O art. 1º da CEDAW nos diz:</p><p>Para os fins da presente Convenção, a expressão "discriminação contra a mulher"</p><p>significará toda a distinção, exclusão ou restrição baseada no sexo e que tenha por</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>77</p><p>objeto ou resultado prejudicar ou anular o reconhecimento, gozo ou exercício pela</p><p>mulher, independentemente de seu estado civil, com base na igualdade do homem e</p><p>da mulher, dos direitos humanos e liberdades fundamentais nos campos político,</p><p>econômico, social, cultural e civil ou em qualquer outro campo.</p><p>Foi criado um Comitê de Monitoramento:</p><p>1. Com o fim de examinar os progressos alcançados na aplicação desta</p><p>Convenção, será estabelecido um Comitê sobre a Eliminação da Discriminação contra</p><p>a Mulher (doravante denominado o Comitê) composto, no momento da entrada em</p><p>vigor da Convenção, de dezoito e, após sua ratificação ou adesão pelo trigésimo-quinto</p><p>Estado-Parte, de vinte e três peritos de grande prestígio moral e competência na área</p><p>abarcada pela Convenção. Os peritos serão eleitos pelos Estados-Partes entre seus</p><p>nacionais e exercerão suas funções a título pessoal; será levada em conta uma</p><p>repartição geográfica equitativa e a representação das formas diversas de civilização</p><p>assim como dos principais sistemas jurídicos;</p><p>Com a promulgação do Protocolo Facultativo, houve expansão da competência</p><p>do Comitê, que também passou a analisar comunicações de indivíduos e grupos de</p><p>indivíduos dos Estados aderentes à Convenção e seu protocolo facultativo.</p><p>O Brasil já aceitou a competência do Comitê da CEDAW para receber petições de</p><p>denúncias individuais.</p><p>No Caso Alyne Pimentel, o Brasil foi condenado pois a vítima sofreu violência</p><p>obstétrica.</p><p>Violência obstétrica é toda ação ou omissão praticada por profissional de saúde</p><p>antes, durante ou após o parto.</p><p>Formas mais comuns de violência obstétrica:</p><p>Censura da mulher</p><p>Tratamento agressivo</p><p>Impedir para que expresse comportamentos de dor física</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>78</p><p>Induzir a mulher a escolher cesárea sem necessidade</p><p>Impedir que a mulher seja acompanhada por uma pessoa de sua preferência,</p><p>como uma doula.</p><p>Manobra de Kristeller, ocitocil, tricotomia (raspagem dos pelos pubianos),</p><p>episiotomia (corte na vagina da mulher).</p><p>O recente caso que está na mídia do anestesista que cometeu crimes sexuais</p><p>contra mulheres durante o parto também é um exemplo de violência obstétrica.</p><p>1ª Fase DPERJ – Questão 80 – Sobre violência obstétrica, analise as afirmativas a</p><p>seguir.</p><p>I. São condutas praticadas por qualquer profissional de saúde, que, de forma verbal,</p><p>física ou psicológica afetem a mulher durante a gestação, o parto, o pré-parto, o</p><p>período do puerpério ou ainda em situação de abortamento.</p><p>II. Segundo o Ministério da Saúde, em pronunciamento oficial, o termo “violência</p><p>obstétrica” tem conotação inadequada, não agrega valor e prejudica a busca do</p><p>cuidado humanizado no continuum gestação-parto-puerpério, pois acredita-se que,</p><p>tanto o profissional de saúde quanto os de outras áreas, não têm a intencionalidade</p><p>de prejudicar</p><p>ou causar dano.</p><p>III. O caráter psicológico da violência obstétrica se expressa em qualquer ação verbal</p><p>ou comportamental que causa na mulher sentimento de inferioridade, de</p><p>vulnerabilidade, de abandono, de instabilidade e de coação.</p><p>Está correto o que se afirma em:</p><p>(A) somente II;</p><p>(B) somente III;</p><p>(C) somente I e II;</p><p>(D) somente II e III;</p><p>(E) I, II e III.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>79</p><p>Correção: Uma dica importantíssima para a prova da Defensoria do Rio é ficar</p><p>SEMPRE de olho nas notícias mais atuais. Percebam como a assertiva II requer que o</p><p>candidato saiba como se pronunciou o Ministério da Saúde! Não é doutrina,</p><p>jurisprudência, tratado, nem lei, mas sim conhecimento geral. Infelizmente, a</p><p>assertiva II está correta, pois, de fato o Ministério da Saúde se pronunciou nesse</p><p>sentido, como se vê nessa matéria:</p><p>https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/05/07/ministerio-diz-que-termo-</p><p>violencia-obstetrica-tem-conotacao-inadequada-e-deixara-de-ser-usado-pelo-</p><p>governo.ghtml</p><p>Felizmente esses tempos estão no passado.</p><p>Com relação à assertiva I e III estão absolutamente corretas, conforme analisamos</p><p>acima. Gabarito: E.</p><p>Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas</p><p>com Deficiência</p><p>Foi adotada pela ONU em 2007 e internalizada pelo Brasil de acordo com o art.</p><p>5º, §3º da CRFB</p><p>Tem status normativo de Emenda Constitucional</p><p>Qual é o conceito de pessoa com deficiência?</p><p>Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de</p><p>natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas</p><p>barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdades</p><p>de condições com as demais pessoas. (Art. 1º)</p><p>Objetivo: O propósito da presente Convenção é promover, proteger e assegurar</p><p>o exercício pleno e equitativo de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/05/07/ministerio-diz-que-termo-violencia-obstetrica-tem-conotacao-inadequada-e-deixara-de-ser-usado-pelo-governo.ghtml</p><p>https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/05/07/ministerio-diz-que-termo-violencia-obstetrica-tem-conotacao-inadequada-e-deixara-de-ser-usado-pelo-governo.ghtml</p><p>https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/05/07/ministerio-diz-que-termo-violencia-obstetrica-tem-conotacao-inadequada-e-deixara-de-ser-usado-pelo-governo.ghtml</p><p>80</p><p>por todas as pessoas com deficiência e promover o respeito pela sua dignidade</p><p>inerente. (Art. 1º)</p><p>“Comunicação” abrange as línguas, a visualização de textos, o braille, a</p><p>comunicação tátil, os caracteres ampliados, os dispositivos de multimídia acessível,</p><p>assim como a linguagem simples, escrita e oral, os sistemas auditivos e os meios de voz</p><p>digitalizada e os modos, meios e formatos aumentativos e alternativos de</p><p>comunicação, inclusive a tecnologia da informação e comunicação acessíveis;</p><p>“Língua” abrange as línguas faladas e de sinais e outras formas de comunicação</p><p>não-falada;</p><p>“Discriminação por motivo de deficiência” significa qualquer diferenciação,</p><p>exclusão ou restrição baseada em deficiência, com o propósito ou efeito de impedir ou</p><p>impossibilitar o reconhecimento, o desfrute ou o exercício, em igualdade de</p><p>oportunidades com as demais pessoas, de todos os direitos humanos e liberdades</p><p>fundamentais nos âmbitos político, econômico, social, cultural, civil ou qualquer outro.</p><p>Abrange todas as formas de discriminação, inclusive a recusa de adaptação razoável;</p><p>“Adaptação razoável” significa as modificações e os ajustes necessários e</p><p>adequados que não acarretem ônus desproporcional ou indevido, quando requeridos</p><p>em cada caso, a fim de assegurar que as pessoas com deficiência possam gozar ou</p><p>exercer, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, todos os direitos</p><p>humanos e liberdades fundamentais;</p><p>“Desenho universal” significa a concepção de produtos, ambientes, programas e</p><p>serviços a serem usados, na maior medida possível, por todas as pessoas, sem</p><p>necessidade de adaptação ou projeto específico. O “desenho universal” não excluirá</p><p>as ajudas técnicas para grupos específicos de pessoas com deficiência, quando</p><p>necessárias.</p><p>A Convenção de Nova Iorque deve ser aplicada de acordo com os seguintes</p><p>princípios:</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>81</p><p>➢ Respeito pela dignidade inerente a todas as pessoas com deficiência;</p><p>➢ Autonomia individual, inclusive a liberdade de fazer as próprias escolhas;</p><p>➢ Independência das pessoas;</p><p>➢ Não-discriminação;</p><p>➢ Plena e efetiva participação e inclusão na sociedade;</p><p>➢ Respeito pela diferença e pela aceitação das pessoas com deficiência como</p><p>parte da diversidade humana e da humanidade;</p><p>➢ Igualdade de oportunidades;</p><p>➢ Acessibilidade;</p><p>➢ Igualdade entre a mulher e o homem e;</p><p>➢ Respeito pelo desenvolvimento das capacidades das crianças com deficiência</p><p>e pelo direito dessas crianças de preservarem sua identidade.</p><p>Forma de monitoramento</p><p>O órgão de monitoramento da Convenção é o Comitê sobre os Direitos das</p><p>Pessoas com Deficiência. Suas formas de monitoramento são os relatórios periódicos</p><p>e as petições individuais.</p><p>O Brasil aceitou a competência do Comitê para receber petições individuais, pois</p><p>ratificou o protocolo facultativo.</p><p>Protocolo Facultativo, 1. Qualquer Estado Parte do presente Protocolo (“Estado</p><p>Parte”) reconhece a competência do Comitê sobre os Direitos das Pessoas com</p><p>Deficiência (“Comitê”) para receber e considerar comunicações submetidas por</p><p>pessoas ou grupos de pessoas, ou em nome deles, sujeitos à sua jurisdição, alegando</p><p>serem vítimas de violação das disposições da Convenção pelo referido Estado Parte.</p><p>2. O Comitê não receberá comunicação referente a qualquer Estado Parte que</p><p>não seja signatário do presente Protocolo.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>82</p><p>Protocolo Facultativo, Artigo 2 - O Comitê considerará inadmissível a</p><p>comunicação quando:</p><p>a) A comunicação for anônima;</p><p>b) A comunicação constituir abuso do direito de submeter tais comunicações ou</p><p>for incompatível com as disposições da Convenção;</p><p>c) A mesma matéria já tenha sido examinada pelo Comitê ou tenha sido ou</p><p>estiver sendo examinada sob outro procedimento de investigação ou resolução</p><p>internacional;</p><p>d) Não tenham sido esgotados todos os recursos internos disponíveis, salvo no</p><p>caso em que a tramitação desses recursos se prolongue injustificadamente, ou seja</p><p>improvável que se obtenha com eles solução efetiva;</p><p>e) A comunicação estiver precariamente fundamentada ou não for</p><p>suficientemente substanciada; ou</p><p>f) Os fatos que motivaram a comunicação tenham ocorrido antes da entrada</p><p>em vigor do presente Protocolo para o Estado Parte em apreço, salvo se os fatos</p><p>continuaram ocorrendo após aquela data.</p><p>1ª Fase XXVII Concurso DPERJ – Questão 88 – “’Nada por nós sem nós’ é um mantra</p><p>provavelmente criado por movimentos e grupos sul-africanos pela implementação de</p><p>direitos das pessoas com deficiência. Desde a sua criação, tem sido utilizado</p><p>mundialmente para se referir à ideia de que pessoas com deficiência devem estar à</p><p>frente de qualquer decisão a respeito das políticas públicas que afetem as suas vidas.”</p><p>Franits, L. E. (2005). The Issue is – Nothing about us without us: Searching for the</p><p>narrative of disability. American Journal of Occupational Therapy.</p><p>Tendo em conta o Comentário Geral nº 4 do Comitê sobre Direitos das Pessoas com</p><p>Deficiência e a Educação Especial, é correto afirmar que:</p><p>(A) considera-se inclusivo o sistema educacional que coloca pessoas com deficiência</p><p>nas instituições educacionais já existentes;</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>83</p><p>(B) a manutenção de dois sistemas de ensino, um regular e outro segregado ou</p><p>especial, não é mais compatível com o bloco de constitucionalidade, razão pela qual a</p><p>expressão “preferencialmente na rede regular”, contida nas Leis nº 8.069/1990 e nº</p><p>9.394/1996, está em trânsito para a inconstitucionalidade;</p><p>(C) o dever de promover adaptações razoáveis, dentre eles a contratação de</p><p>profissional de apoio escolar ao estudante da educação especial, por envolver custos</p><p>econômicos, pode gerar a cobrança de valor adicional do aluno, tendo em conta o</p><p>princípio da livre iniciativa que regula o funcionamento dos estabelecimentos</p><p>privados de ensino;</p><p>(D) os Estados devem eliminar as barreiras e promover a acessibilidade e a</p><p>disponibilidade de oportunidades inclusivas para que os estudantes realizem</p><p>atividades lúdicas e desportivas, no âmbito do sistema escolar. Entretanto, essa</p><p>obrigação não é extensível às atividades extraescolares que se realizam em outros</p><p>entornos educativos;</p><p>(E) o direito à educação inclusiva possui quatro características essenciais e inter-</p><p>relacionadas, que são: disponibilidade, acessibilidade, aceitabilidade e adaptabilidade.</p><p>Esta última está relacionada à obrigação de todas as instalações, bens e serviços</p><p>relacionados com a educação se estruturarem e utilizarem formas que tenham</p><p>plenamente em conta as necessidades, as culturas, as opiniões e as linguagens das</p><p>pessoas com deficiência.</p><p>Correção: A alternativa A está incorreta, tendo em vista os conceitos trazidos pelo</p><p>Comentário Geral nº 4 do Comitê sobre Direitos das Pessoas com Deficiência e a</p><p>Educação Especial:</p><p>“15. O Comitê ressalta a importância de reconhecer as diferenças entre exclusão,</p><p>segregação, integração e inclusão. Exclusão ocorre quando os estudantes estão direta</p><p>ou indiretamente impedidos ou tem negado o acesso à educação em qualquer forma.</p><p>A segregação ocorre quando a educação de estudantes com deficiência é oferecida</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>84</p><p>em ambientes separados, concebidos ou usados para atender a uma determinada ou</p><p>várias deficiências, isolados de estudantes sem deficiência. A integração é um</p><p>processo de inserção de pessoas com deficiência em instituições de ensino</p><p>tradicionais existentes, desde que elas possam se ajustar aos padrões estabelecidos</p><p>de tais instituições.[4] Inclusão envolve um processo de reforma sistemática,</p><p>incorporando alterações e modificações no conteúdo, métodos de ensino,</p><p>abordagens, estruturas e estratégias em matéria de educação, para superar as</p><p>barreiras com uma visão que serve para fornecer a todos os estudantes da faixa etária</p><p>relevante uma experiência e ambiente de aprendizagem igualitários e participativos,</p><p>que melhor correspondam às suas necessidades e preferências. Colocar os</p><p>estudantes com deficiência no ensino regular sem as mudanças estruturais</p><p>necessárias – por exemplo, organização, currículo e estratégias de ensino e</p><p>aprendizagem – não constitui inclusão. Além disso, a integração não garante</p><p>automaticamente a transição da segregação para a inclusão.”</p><p>A alternativa B está correta, tendo em vista que, com a aprovação Convenção sobre</p><p>os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo pelo quórum</p><p>previsto no art. 5º, §3º da CRFB, eles passaram a fazer parte do bloco de</p><p>constitucionalidade formal, sendo parâmetro para controle de constitucionalidade, o</p><p>que torna tal expressão inconstitucional. Como ainda não foi decretada sua</p><p>inconstitucionalidade formalmente e ainda se está em processo de alteração da</p><p>situação vigente no país, tal expressão pode ser considerada como em trânsito para a</p><p>inconstitucionalidade.</p><p>A alternativa C está incorreta, tendo em vista a previsão:</p><p>Comentário geral nº 4. Implementação em nível nacional. 76. [....] Instituições de</p><p>ensino, incluindo instituições educacionais privadas e empresas, não devem cobrar</p><p>taxas adicionais por razões de acessibilidade e/ou adaptação razoável.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>85</p><p>A alternativa D está incorreta, tendo em vista a previsão:</p><p>Comentário geral nº 4. Relação com outras disposições da Convenção. 62. Os Estados</p><p>Partes devem remover as barreiras e promover a acessibilidade e disponibilizar</p><p>oportunidades inclusivas para as pessoas com deficiência participarem em igualdade</p><p>de condições com outras pessoas em jogos, recreação e esporte no sistema</p><p>escolar, atividades extracurriculares e outros ambientes educacionais (artigo 30).</p><p>A letra E está incorreta, pois a adaptabilidade demanda que a escola se adapte a seu</p><p>grupo de estudantes; que a educação corresponda à realidade imediata das pessoas,</p><p>respeitando sua cultura, costumes, religião e diferenças; assim como às realidades</p><p>mundiais em rápida evolução, o que não condiz com o conceito apresentado na</p><p>alternativa.</p><p>FCC 2013 DPE SP Defensor Público – A respeito dos Comitês de monitoramento,</p><p>órgãos criados por tratados internacionais de direitos humanos do sistema da ONU, é</p><p>correto afirmar:</p><p>A) O Brasil ainda não reconheceu a competência do Comitê para a Eliminação de</p><p>Todas as Formas de Discriminação Racial para receber e analisar denúncias de</p><p>indivíduos ou grupo de indivíduos contra as violações de direitos elencados na</p><p>Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial, conforme</p><p>previsto na Declaração Facultativa do artigo 14 da mesma Convenção.</p><p>B) O Brasil adotou o Protocolo Facultativo à Convenção para a Eliminação de Todas as</p><p>Formas de Discriminação contra a Mulher, que estabelece a competência do</p><p>Subcomitê de Prevenção de Violência contra a Mulher, consistente na realização de</p><p>trabalho educativo e preventivo com vários instrumentos ao seu dispor, como, por</p><p>exemplo, o recebimento de denúncias sobre a matéria e a elaboração de</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>86</p><p>recomendações.</p><p>C) Os Comitês são órgãos colegiados integrados por especialistas independentes que</p><p>podem, de acordo com o previsto em cada tratado, ter a competência de examinar</p><p>relatórios dos Estados e da sociedade civil organizada sobre a situação dos direitos</p><p>protegidos, emitir recomendações, efetuar a revisão periódica universal, analisar</p><p>petições de vítimas de violações de direitos humanos contra os Estados, assim como</p><p>elaborar comentários ou observações gerais acerca da interpretação dos direitos</p><p>protegidos.</p><p>D) O Brasil ratificou o Terceiro Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da</p><p>Criança, que admite a análise do Comitê sobre os Direitos da Criança de petições</p><p>individuais de violações de direitos protegidos nesta Convenção contra os Estados</p><p>Partes, inclusive o próprio Brasil, restando a promulgação do Decreto Executivo para</p><p>incorporação no plano doméstico</p><p>E) O Brasil aderiu ao Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos das Pessoas</p><p>com Deficiência, que confere ao seu Comitê a autoridade de considerar inadmissível a</p><p>comunicação quando os fatos que a motivaram tenham ocorrido antes da entrada em</p><p>vigor do presente Protocolo para o Estado Parte em apreço, salvo se tais fatos</p><p>continuaram ocorrendo após aquela data.4</p><p>FCC DPE BA 2021 – Defensor(a) público(a) realizou diversas inspeções em entidades</p><p>de acolhimento social e internação em saúde voltadas para pessoas com deficiência</p><p>no estado da Bahia, financiadas pelo governo estadual, e constatou graves violações</p><p>de direitos previstos na Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência e na</p><p>Convenção Internacional sobre Direitos das Pessoas com Deficiência. Assim, propôs</p><p>ação civil pública para que as entidades e o próprio Estado realizassem adequações na</p><p>4 Gabarito: E. Sempre vão entrar na exceção os fatos que continuarem ocorrendo após a ratificação do</p><p>protocolo ou tratado.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>87</p><p>forma de atendimento disponibilizado, a qual foi indeferida liminarmente com base</p><p>na teoria da reserva do possível. A seguir, manejou todos os recursos cabíveis</p><p>internamente, os quais não foram aceitos. Nesse sentido, após analisar a</p><p>jurisprudência interamericana sobre o tema, o(a) defensor(a) público(a) entende que</p><p>a melhor estratégia é acionar o Comitê sobre Direitos das Pessoas com Deficiência da</p><p>ONU.</p><p>Diante do exposto e para formalizar a denúncia individual junto ao Comitê sobre</p><p>Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU, o(a) defensor(a) público(a) deverá</p><p>A) representar à Associação Interamericana de Defensorias Públicas (AIDEF) para que</p><p>seja formalizada a denúncia individual junto ao Comitê sobre Direitos das Pessoas</p><p>com Deficiência da ONU.</p><p>B) representar ao(à) Procurador(a)-Geral da República para que suscite incidente de</p><p>deslocamento de competência para a Justiça Federal e, em caso de indeferimento,</p><p>formalizar a denúncia junto ao Comitê sobre Direitos das Pessoas com Deficiência da</p><p>ONU.</p><p>C) elaborar a denúncia individual e encaminhar ao(à) Defensor(a) Público(a)</p><p>Interamericano(a) com atuação no Brasil, para que esse(a) represente o grupo de</p><p>vítimas hipossuficientes já identificadas.</p><p>D) relatar o caso e encaminhar ao Ministério das Relações Exteriores para que</p><p>formalize denúncia ao Comitê sobre Direitos das Pessoas com Deficiência da ONU.</p><p>E) elaborar a denúncia individual e formalizá-la diretamente ao Comitê sobre Direitos</p><p>das Pessoas com Deficiência da ONU, sem prejuízo dos trâmites de comunicação</p><p>interna na Defensoria Pública do Estado da Bahia.5</p><p>5 Gabarito: E. O Defensor público não precisa representar a ninguém, podendo oferecer denúncia</p><p>diretamente ao comitê.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>88</p><p>Convenção contra a Tortura ou Outras Penas ou</p><p>Tratamentos Cruéis, Desumanos ou Degradantes</p><p>Foi adotada pela AGNU em 1984</p><p>O Brasil aderiu à Convenção e a internalizou por meio do Decreto nº 40/1991.</p><p>Qual o conceito de Tortura para esta convenção?</p><p>1. Para os fins da presente Convenção, o termo "tortura" designa qualquer ato</p><p>pelo qual dores ou sofrimentos agudos, físicos ou mentais, são infligidos</p><p>intencionalmente a uma pessoa a fim de obter, dela ou de uma terceira pessoa,</p><p>informações ou confissões; de castigá-la por ato que ela ou uma terceira pessoa tenha</p><p>cometido ou seja suspeita de ter cometido; de intimidar ou coagir esta pessoa ou</p><p>outras pessoas; ou por qualquer motivo baseado em discriminação de qualquer</p><p>natureza; quando tais dores ou sofrimentos são infligidos por um funcionário público</p><p>ou outra pessoa no exercício de funções públicas, ou por sua instigação, ou com o seu</p><p>consentimento ou aquiescência. Não se considerará como tortura as dores ou</p><p>sofrimentos que sejam consequência unicamente de sanções legítimas, ou que sejam</p><p>inerentes a tais sanções ou delas decorram.</p><p>CUIDADO! O CONCEITO DA CONVENÇÃO INTERAMERICANA PARA PREVENIR E</p><p>PUNIR A TORTURA (1989) É DIFERENTE!</p><p>Conceito: Todo ato pelo qual são infligidos intencionalmente a uma pessoa penas</p><p>ou sofrimentos físicos ou mentais, com fins de investigação criminal, como meio de</p><p>intimidação, como castigo pessoal, como medida preventiva, como pena ou com</p><p>qualquer outro fim. Entender-se-á também como tortura a aplicação, sobre uma</p><p>pessoa, de métodos tendentes a anular a personalidade da vítima, ou a diminuir sua</p><p>capacidade física ou mental, embora não causem dor física ou angústia psíquica.</p><p>Não há finalidade específica na convenção interamericana, há previsão de</p><p>omissão e o particular pode ser sujeito ativo de tortura sem que esteja em concurso</p><p>com um agente público.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>89</p><p>Também configura tortura o ato que anule a personalidade da vítima ou</p><p>diminua a sua capacidade física ou mental, mesmo que dele não decorra qualquer dor</p><p>física ou psíquica.</p><p>O direito humano de não ser torturado é absoluto?</p><p>Segundo a Convenção contra a Tortura, SIM!</p><p>Art. 2.2 Em nenhum caso poderão invocar-se circunstâncias excepcionais tais</p><p>como ameaça ou estado de guerra, instabilidade política interna ou qualquer outra</p><p>emergência pública como justificação para tortura.</p><p>Art. 2.3. A ordem de um funcionário superior ou de uma autoridade pública não</p><p>poderá ser invocada como justificação para a tortura.</p><p>Teoria da Bomba Relógio</p><p>Essa teoria busca relativizar a proibição da tortura (que, na nossa Constituição, está</p><p>no artigo 5º, III e que é vetada expressamente por diversos tratados internacionais de</p><p>direitos humanos).</p><p>Segundo a teoria, se bombas relógio são instaladas em determinados locais, não</p><p>havendo outros meios de se localizar as bombas ou desarmá-las, a tortura do</p><p>terrorista responsável é justificável. Por exemplo: uma pessoa arma uma bomba para</p><p>matar 100 crianças. Nesse caso, seria possível tortura-lo para descobrir como</p><p>desarmar a bomba e salvar as 100 crianças.</p><p>Portanto, a aludida teoria tem a finalidade de justificar o uso da tortura em situações</p><p>excepcionais, em que não existe outra maneira eficaz de conter uma atividade</p><p>terrorista.</p><p>Essa teoria apareceu pela primeira vez no romance de Jean Larteguy, "Les</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>90</p><p>Centurions", de 1960, escrito durante a brutal ocupação francesa da Argélia. O herói</p><p>do livro descobre um plano iminente para explodir bombas em toda a Argélia e deve</p><p>correr contra o relógio para impedir.</p><p>SUPREMA CORTE AMERICANA:</p><p>O Ministro da Suprema Corte Antonin Scalia disse em uma recente entrevista que "o</p><p>uso de técnicas de interrogatório duras agora amplamente condenadas como tortura</p><p>pode não ser inconstitucional.</p><p>Segundo a teoria do"cenário da bomba relógio", seria difícil excluir o uso da tortura</p><p>para obter informações de suspeitos de terrorismo, se milhões de vidas estão em</p><p>jogo.</p><p>CRÍTICAS:</p><p>O uso desmedido dessa teoria tem admitido a prática reiterada da tortura em alguns</p><p>países, como os Estados Unidos. O Direito Internacional dos Direitos Humanos e o</p><p>direito interno brasileiro rechaçam essa possibilidade.</p><p>Quais são os outros direitos humanos absolutos?</p><p>Direito de não ser escravizado, direito a não ser vítima de desaparecimento</p><p>forçado, direito a não ter usadas contra si provas ilícitas.</p><p>Princípio do Non Refoulement ou Não Devolução</p><p>Art. 3.1. Nenhum Estado Parte procederá à expulsão, devolução ou extradição de</p><p>uma pessoa para outro Estado quando houver razões substanciais para crer que a</p><p>mesma corre perigo de ali ser submetida a tortura.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>91</p><p>Art. 3.2. A fim de determinar a existência de tais razões, as autoridades</p><p>competentes levarão em conta todas as considerações pertinentes, inclusive, quando</p><p>for o caso, a existência, no Estado em questão, de um quadro de violações</p><p>sistemáticas, graves e maciças de direitos humanos.</p><p>Esse princípio origina-se no Direito Internacional dos Refugiados, que prevê que</p><p>nenhum Estado pode devolver uma pessoa para um Estado no qual seus direitos</p><p>humanos serão ou correm grande risco de ser violados. Além disso, veda-se o non</p><p>refoulement indireto, no qual um país envia uma pessoa para um país que vai enviá-la</p><p>de volta para o país em que seus direitos humanos serão violados.</p><p>No caso da tortura, os Estados não podem enviar uma pessoa para um Estado</p><p>que pode torturá-la!</p><p>O art. 4.1 prevê um mandado internacional de criminalização: “Cada Estado</p><p>Parte assegurará que todos os atos de tortura sejam considerados crimes segundo a</p><p>sua legislação penal. O mesmo aplicar-se-á à tentativa de tortura e a todo</p><p>e acreditar em nós mesmos e</p><p>entender que somos capazes, tão capazes quanto qualquer um! Assim, tiramos o peso</p><p>do “e se não der certo?” das costas e ficamos com a mentalidade de que estamos</p><p>dando nosso melhor hoje com base no que sabemos hoje! E sempre temos que tentar</p><p>evoluir, claro, respeitando nossos limites!</p><p>Se pensarem assim, garanto que a jornada será, no mínimo, mais leve.</p><p>E, como sempre falo nas minhas lives ou quando alguém me manda perguntas:</p><p>façam terapia, vão aos médicos, façam exercícios e cuidem da saúde! Eu sei que mal</p><p>temos tempo de marcar uma consulta enquanto estudamos, eu passei por isso, mas</p><p>precisamos cuidar do corpo e da mente para que não terminemos essa jornada</p><p>aprovados, porém doentes.</p><p>A terapia é altamente recomendada nesse momento, pois o estudo e a incerteza</p><p>podem gerar ansiedade, depressão ou sensações ruins. Assim, acredito que com ajuda</p><p>profissional, conseguimos trilhar esse caminho de forma mais saudável e menos</p><p>traumática!</p><p>E se precisarem de qualquer coisa, estarei disponível no instagram! Vamos aos</p><p>estudos e um grande beijo!</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>6</p><p>Examinadores da Banca III</p><p>Andrea Sepulveda</p><p>Doutora em Direito Internacional dos Direitos Humanos pela University of</p><p>Essex, Inglaterra, Reino Unido. Tema: O Direito Humano a um Padrão de Vida</p><p>Adequado.</p><p>Mestre em Políticas Públicas (Direitos Humanos) pela Escola de Políticas</p><p>Públicas, UCL, Universidade de Londres, Inglaterra, Reino Unido.</p><p>Atua no núcleo regional de tutela coletiva na Baixada Fluminense.</p><p>Subcoordenadora do sistema protetivo do CDEDICA - Coordenadoria de</p><p>Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente.</p><p>Já foi subsecretária estadual de defesa e promoção dos Direitos Humanos.</p><p>Já foi presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos do</p><p>Rio de Janeiro CEDDH/RJ.</p><p>João Helvécio de Carvalho</p><p>O examinador atualmente é titular da DP JUNTO À 6.ª VARA CÍVEL DE</p><p>VOLTA REDONDA. Já foi coordenador do Núcleo de Terras e Habitação e do Núcleo de</p><p>Tutela Coletiva.</p><p>De acordo com a atuação institucional do examinador, apostamos em</p><p>temas como: regularização fundiária, aluguel social, povos tradicionais, direito à</p><p>educação, direito à moradia, meio ambiente e tutela coletiva.</p><p>Link de palestras no youtube:</p><p>Encontros Temáticos – COSAU (Coordenadoria de Saúde e Tutela Coletiva):</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=Jg3KVkkigUU</p><p>1º Lugar – Atuações estratégicas DPRJ:</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=Jg3KVkkigUU</p><p>7</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=iF8vqivqFuk</p><p>4º dia - Semana de Sensibilização 2021.1: política pública de tratamento de</p><p>resíduos sólidos: https://www.youtube.com/watch?v=AEWIk5uLbXg</p><p>I Seminário Virtual Palmares nas comunidades quilombolas e nos coletivos</p><p>urbanos do Sul Fluminense: https://www.youtube.com/watch?v=mHsZcZQ7VGE</p><p>(a fala do examinador é breve e começa no minuto 31)</p><p>Elisa Costa Cruz</p><p>Titular da DP junto à 2ª Vara Cível de Angra dos Reis</p><p>Doutora e Mestre em Direito Civil na Universidade do Estado do Rio de</p><p>Janeiro. Professora na FGV Direito Rio. Estágio pós-doutoral na ESS/UFRJ.</p><p>Formação acadêmica: Doutorado em Direito - Título: A guarda como</p><p>expressão de cuidado das responsabilidades parentais: a despatrimonialização do</p><p>instituto a partir do reconhecimento da criança como pessoa, Ano de obtenção: 2020.</p><p>Orientador: Heloisa Helena Barboza. Palavras-chave: guarda; cuidado.</p><p>Mestrado em Direito - Título: Dignidade na vida, na doença e para a morte:</p><p>as diretivas antecipadas como instrumento de realização da pessoa, Ano de Obtenção:</p><p>2012. Orientador: Maria Celina Bodin de Moraes. Palavras-chave: Diretivas</p><p>antecipadas; Testamento vital; Mandato duradouro; Autonomia; Dignidade da pessoa</p><p>humana; Autodeterminação corporal. Grande área: Ciências Sociais Aplicadas</p><p>Especialização em Direito Constitucional. - Título: Os limites de atuação do</p><p>Poder Judiciário na concretização da dignidade da pessoa humana. Orientador:</p><p>Bernardo Campinho.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=iF8vqivqFuk</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=AEWIk5uLbXg</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=mHsZcZQ7VGE</p><p>8</p><p>Graduação em Direito. - Título: O tratamento legislativo e a</p><p>constitucionalidade do direito sucessório dos companheiros no Código Civil de 2002.</p><p>Orientador: Ricardo Nery Falbo.</p><p>É professora de Direito da FGV, tendo como linhas de pesquisa</p><p>Vulnerabilidade e Biodireito e bioética.</p><p>Projetos de pesquisa:</p><p>2022 – Atual: Violência patrimonial na violência doméstica: levantamento</p><p>de casos na jurisprudência do TJRJ.</p><p>Descrição: Projeto de pesquisa com finalidade de realizar um levantamento</p><p>de dados, analisar a partir da doutrina jurídica e das Ciências Humanas e Sociais, com</p><p>objetivo de se demonstrar a importância da aplicação interdisciplinar da Lei Maria da</p><p>Penha. Para isso, serão coletadas decisões judiciais do TJRJ, de 2006 a 2022, por meio</p><p>da pesquisa boleana, em processos cíveis e criminais que abordem a Violência</p><p>Doméstica (em sentido amplo) ou a Lei Maria da Penha (em sentido estrito),</p><p>conjuntamente com discussões que envolvam o campo patrimonial da família. A</p><p>análise interdisciplinar dos casos permitirá ampliar a discussão que se pretende, a</p><p>partir da epistemologia já existente do direito público e do direito privado. A hipótese</p><p>que se pretende buscar a partir da coleta analisada, parte da carência na abordagem</p><p>interdisciplinar, que possa envolver a discussão do contexto patrimonial para além das</p><p>relações penais, majoritariamente discutidas no campo das relações familiares onde</p><p>existem casos de violência. Situação: Em andamento; Natureza: Pesquisa.</p><p>2020 – 2022: A construção do conteúdo da doutrina da proteção integral</p><p>e do princípio do melhor interesse no sistema de justiça.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>9</p><p>Descrição: A pesquisa tem por objetivo analisar a construção e o conteúdo</p><p>da proteção integral e do melhor interesse a partir das práticas e pensamentos dos</p><p>atores do sistema de justiça envolvidos em processos de infância. Situação: Concluído;</p><p>Natureza: Pesquisa.</p><p>Pela atuação institucional e produção científica da examinadora,</p><p>apostamos em temas relacionados com infância e juventude no geral, em especial:</p><p>doutrina da proteção integral, processo infracional, trabalho infantil, povos</p><p>tradicionais, acolhimento institucional e convivência familiar. Em direitos humanos, é</p><p>importante ficar atento ao direito das mulheres, das pessoas com deficiência e das</p><p>crianças e adolescentes. Alguns temas de administrativo e constitucional, como</p><p>servidores públicos e precatórios também podem aparecer.</p><p>A Dra. Elisa é, ainda, coordenadora da Coluna de Infância e Juventude do</p><p>site jurídico Migalhas (https://www.migalhas.com.br/coluna/migalhas-infancia-e-</p><p>juventude).</p><p>Destaquei aqui alguns trechos de colunas escritas pela examinadora, mas</p><p>caso tenham tempo, vale a pena ler na íntegra (links abaixo):</p><p>A tragédia yanomami tem raça, gênero e idade: O protagonismo às</p><p>avessas da infância indígena feminina marcada por abusos, fome e mortes.</p><p>Disponível em: https://www.migalhas.com.br/coluna/migalhas-infanciae-</p><p>juventude/382078/a-tragedia-yanomami-tem-raca-genero-e-idade</p><p>Mudanças à vista na política de convivência familiar? Disponível em:</p><p>https://www.migalhas.com.br/coluna/migalhas-infancia-e-</p><p>juventude/360949/mudancas-a-vista-na-politicade-convivencia-familiar</p><p>Videoconferência em processos infracionais: quando a produtividade vale</p><p>mais do que a proteção integral. Disponível em:</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>https://www.migalhas.com.br/coluna/migalhas-infancia-e-juventude</p><p>ato de</p><p>qualquer pessoa que constitua cumplicidade ou participação na tortura”.</p><p>Já o art. 8.2 diz que é possível extraditar um estrangeiro que cometeu tortura</p><p>com base nessa Convenção, ainda que não exista tratado de extradição entre os</p><p>países.</p><p>8.2. Se um Estado Parte que condiciona a extradição à existência de tratado de</p><p>receber um pedido de extradição por parte do outro Estado Parte com o qual não</p><p>mantém tratado de extradição, poderá considerar a presente Convenção com base</p><p>legal para a extradição com respeito a tais crimes. A extradição sujeitar-se-á ás outras</p><p>condições estabelecidas pela lei do Estado que receber a solicitação.</p><p>A Corte IDH já se posicionou acerca do non refoulement no Caso Família</p><p>Pacheco Tineo vs. Bolívia, em que a Bolívia foi condenada por expulsar a família para o</p><p>Peru, onde corriam risco de serem torturados e mortos.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>92</p><p>Os Estados são competentes para prender indivíduos que se encontrem em seus</p><p>territórios (extraterritorialidade) e que tenham cometido atos de tortura em outros</p><p>Estados e, caso não os extraditem, são também competentes para processá-los e</p><p>julgá-los;</p><p>Os Estados deverão cooperar no combate à tortura, inclusive por meio do</p><p>fornecimento de provas de atos de tortura (art. 9);</p><p>Nenhuma declaração prestada sob tortura poderá ser invocada como prova em</p><p>qualquer processo, salvo contra uma pessoa acusada de tortura como prova de que a</p><p>declaração foi prestada (art. 15);</p><p>O Estado deve assegurar o direito de a vítima de tortura apresentar queixa a</p><p>respeito perante as autoridades competentes, tomando as medidas cabíveis para</p><p>protegê-la contra qualquer intimidação.</p><p>Comitê contra a Tortura</p><p>Os mecanismos de proteção da Convenção, que são analisados pelo Comitê</p><p>contra a Tortura são:</p><p>a) relatórios periódicos;</p><p>b) procedimento de inquérito (depende de aceitação do Estado);</p><p>c) petições interestatais (depende de aceitação do Estado); e</p><p>e) petições individuais (depende de aceitação do Estado).</p><p>O Brasil aceitou a competência do Comitê em 2006 para receber petições</p><p>individuais, mas ainda não promulgou por meio de decreto.</p><p>Protocolo Facultativo à Convenção contra a Tortura ou Outras Penas ou</p><p>Tratamentos Cruéis, Desumanos ou Degradantes</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>93</p><p>Em 2002, a AGNU editou um protocolo facultativo, internalizado pelo Brasil pelo</p><p>Decreto nº 6.085/2007. que criou um sistema de visitas regulares aos Estados:</p><p>Art. 1. O objetivo do presente Protocolo é estabelecer um sistema de visitas</p><p>regulares efetuadas por órgãos nacionais e internacionais independentes a lugares</p><p>onde pessoas são privadas de sua liberdade, com a intenção de prevenir a tortura e</p><p>outros tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes.</p><p>Além disso, foi criado o Subcomitê de Prevenção da Tortura e outros</p><p>Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, com a finalidade de visitar</p><p>os lugares de privação de liberdade e colaborar com os Estados Partes na criação,</p><p>manutenção e fortalecimento dos mecanismos preventivos nacionais.</p><p>ATENÇÃO: ESSA É A ÚNICA CONVENÇÃO QUE TEM DOIS ÓRGÃOS: UM COMITÊ</p><p>E UM SUBCOMITÊ!</p><p>1. Um Subcomitê de Prevenção da Tortura e outros Tratamentos ou Penas</p><p>Cruéis, Desumanos ou Degradantes do Comitê contra a Tortura (doravante</p><p>denominado Subcomitê de Prevenção) deverá ser estabelecido e desempenhar as</p><p>funções definidas no presente Protocolo.</p><p>2. O Subcomitê de Prevenção deve desempenhar suas funções no marco da</p><p>Carta das Nações Unidas e deve ser guiado por seus princípios e propósitos, bem como</p><p>pelas normas das Nações Unidas relativas ao tratamento das pessoas privadas de sua</p><p>liberdade.</p><p>3. Igualmente, o Subcomitê de Prevenção deve ser guiado pelos princípios da</p><p>confidencialidade, imparcialidade, não seletividade, universalidade e objetividade.</p><p>4. O Subcomitê de Prevenção e os Estados-Partes devem cooperar na</p><p>implementação do presente Protocolo.</p><p>DPE GO 2021 FCC – O Protocolo Facultativo à Convenção Internacional contra a</p><p>Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, adotado</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>94</p><p>em 18 de dezembro de 2002, prevê</p><p>A) um sistema de visitas regulares efetuadas por órgãos nacionais e internacionais</p><p>independentes.</p><p>B) o estabelecimento de um Subcomitê de Prevenção à Tortura responsável pelo</p><p>recebimento de petições individuais.</p><p>C) a possibilidade de petições individuais e comunicações interestatais ao Comitê</p><p>contra a Tortura (CAT).</p><p>D) o estabelecimento do Comitê contra a Tortura (CAT), composto por dez peritos</p><p>eleitos a título pessoal.</p><p>E) a abolição da pena de morte, da prisão perpétua e de outras penas cruéis,</p><p>desumanas ou degradantes.</p><p>Correção:</p><p>DPE GO 2021 FCC – O Protocolo Facultativo à Convenção Internacional contra a</p><p>Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes, adotado</p><p>em 18 de dezembro de 2002, prevê</p><p>A) um sistema de visitas regulares efetuadas por órgãos nacionais e</p><p>internacionais independentes.</p><p>B) o estabelecimento de um Subcomitê de Prevenção à Tortura responsável pelo</p><p>recebimento de petições individuais. (Quem recebe é o Comitê)</p><p>C) a possibilidade de petições individuais e comunicações interestatais ao Comitê</p><p>contra a Tortura (CAT). (A Convenção previu e não o protocolo)</p><p>D) o estabelecimento do Comitê contra a Tortura (CAT), composto por dez</p><p>peritos eleitos a título pessoal. (Subcomitê)</p><p>E) a abolição da pena de morte, da prisão perpétua e de outras penas cruéis,</p><p>desumanas ou degradantes. (Confundiu com o 2º protocolo do PIDCP)</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>95</p><p>Gabarito: A.</p><p>Sistema Nacional de Prevenção e Combate à Tortura (SNPCT), regulamentado</p><p>pelo Decreto nº 8.154/2013.</p><p>O protocolo facultativo também prevê expressamente a obrigação de os Estados</p><p>Partes a criarem um ou mais mecanismos preventivos nacionais independentes para a</p><p>prevenção da tortura em nível doméstico (art. 17). O Brasil cumpriu com essa</p><p>obrigação e instituiu, com a Lei 12.847/2013, o Sistema Nacional de Prevenção e</p><p>Combate à Tortura (SNPCT), regulamentado pelo Decreto nº 8.154/2013.</p><p>Art. 17. Cada Estado-Parte deverá manter, designar ou estabelecer, dentro de</p><p>um ano da entrada em vigor do presente Protocolo ou de sua ratificação ou adesão,</p><p>um ou mais mecanismos preventivos nacionais independentes para a prevenção da</p><p>tortura em nível doméstico. Mecanismos estabelecidos através de unidades</p><p>descentralizadas poderão ser designados como mecanismos preventivos nacionais</p><p>para os fins do presente Protocolo se estiverem em conformidade com suas</p><p>disposições.</p><p>Art. 2º O SNPCT será integrado por órgãos e entidades públicas e privadas com</p><p>atribuições legais ou estatutárias de realizar o monitoramento, a supervisão e o</p><p>controle de estabelecimentos e unidades onde se encontrem pessoas privadas de</p><p>liberdade, ou de promover a defesa dos direitos e interesses dessas pessoas.</p><p>§ 1º O SNPCT será composto pelo Comitê Nacional de Prevenção e Combate à</p><p>Tortura – CNPCT, pelo Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura –</p><p>MNPCT, pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária – CNPCP e pelo</p><p>órgão do Ministério da Justiça responsável pelo sistema penitenciário nacional.</p><p>§ 2º O SNPCT poderá ser integrado, ainda, pelos seguintes órgãos e entidades,</p><p>dentre outros:</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>96</p><p>I – comitês e mecanismos estaduais e distrital de prevenção e combate à</p><p>tortura;</p><p>II – órgãos do Poder Judiciário com atuação nas áreas de infância, de juventude,</p><p>militar e de execução penal;</p><p>III – comissões de direitos humanos dos poderes legislativos federal,</p><p>estaduais,</p><p>distrital e municipais;</p><p>IV – órgãos do Ministério Público com atuação no controle externo da atividade</p><p>policial, pelas promotorias e procuradorias militares, da infância e da juventude e de</p><p>proteção ao cidadão ou pelos vinculados à execução penal;</p><p>V – defensorias públicas;</p><p>VI – conselhos da comunidade e conselhos penitenciários estaduais e distrital;</p><p>VII – corregedorias e ouvidorias de polícia, dos sistemas penitenciários federal,</p><p>estaduais e distrital e demais ouvidorias com atuação relacionada à prevenção e</p><p>combate à tortura, incluídas as agrárias;</p><p>VIII – conselhos estaduais, municipais e distrital de direitos humanos;</p><p>IX – conselhos tutelares e conselhos de direitos de crianças e adolescentes; e</p><p>X – organizações não governamentais que reconhecidamente atuem no combate</p><p>à tortura.</p><p>DPE BA 2021 FCC – A Lei n° 12.847/2013 criou o Mecanismo Nacional de Prevenção e</p><p>Combate à Tortura, responsável pela prevenção e combate à tortura e a outros</p><p>tratamentos ou penas cruéis, desumanos ou degradantes. O Mecanismo Nacional de</p><p>Prevenção e Combate à Tortura visa dar cumprimento ao que está previsto</p><p>expressamente:</p><p>A) na sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso Favela Nova</p><p>Brasília.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>97</p><p>B) na Convenção Internacional contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas</p><p>Cruéis, Desumanos ou Degradantes.</p><p>C) no Protocolo Facultativo à Convenção Internacional contra a Tortura e Outros</p><p>Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes.</p><p>D) na Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a Tortura.</p><p>E) na Convenção Interamericana sobre o Desaparecimento Forçado de Pessoas. 6</p><p>Convenção Internacional para a Proteção de Todas as</p><p>Pessoas contra os Desaparecimentos Forçados</p><p>Adotada pela AGNU em 2007 e internalizada pelo Brasil em 2016, por meio do</p><p>Decreto 8767/2016.</p><p>Também é um direito humano ABSOLUTO!</p><p>Art. 1. 1. Nenhuma pessoa será submetida a desaparecimento forçado.</p><p>Art. 1. 2. Nenhuma circunstância excepcional, seja estado de guerra ou ameaça</p><p>de guerra, instabilidade política interna ou qualquer outra emergência pública, poderá</p><p>ser invocada como justificativa para o desaparecimento forçado.</p><p>Conceito de Desaparecimento Forçado:</p><p>Para os efeitos desta Convenção, entende-se por “desaparecimento forçado” a</p><p>prisão, a detenção, o sequestro ou qualquer outra forma de privação de liberdade</p><p>que seja perpetrada por agentes do Estado ou por pessoas ou grupos de pessoas</p><p>agindo com a autorização, apoio ou aquiescência do Estado, e a subsequente recusa</p><p>em admitir a privação de liberdade ou a ocultação do destino ou do paradeiro da</p><p>pessoa desaparecida, privando-a assim da proteção da lei.</p><p>Existe mandado internacional de criminalização:</p><p>Artigo 3. Cada Estado Parte adotará as medidas apropriadas para investigar os</p><p>atos definidos no Artigo 2, cometidos por pessoas ou grupos de pessoas que atuem</p><p>6 Gabarito: C.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>98</p><p>sem a autorização, o apoio ou a aquiescência do Estado, e levar os responsáveis à</p><p>justiça.</p><p>Artigo 4. Cada Estado Parte tomará as medidas necessárias para assegurar que o</p><p>desaparecimento forçado constitua crime em conformidade com o seu direito penal.</p><p>Desaparecimento forçado cometido de forma sistemática é crime contra a</p><p>humanidade:</p><p>Artigo 5. A prática generalizada ou sistemática de desaparecimento forçado</p><p>constitui crime contra a humanidade, tal como define o direito internacional aplicável,</p><p>e estará sujeito às consequências previstas no direito internacional aplicável.</p><p>É um crime que pode ser prescritível, porém a Convenção traz regras:</p><p>Artigo 8. Sem prejuízo do disposto no Artigo 5</p><p>1.O Estado Parte que aplicar um regime de prescrição ao desaparecimento</p><p>forçado tomará as medidas necessárias para assegurar que o prazo da prescrição da</p><p>ação penal:</p><p>a) Seja de longa duração e proporcional à extrema seriedade desse crime; e</p><p>b) Inicie no momento em que cessar o desaparecimento forçado, considerando-</p><p>se a natureza contínua desse crime.</p><p>2. Cada Estado Parte garantirá às vítimas de desaparecimento forçado o direito a</p><p>um recurso efetivo durante o prazo de prescrição.</p><p>Mecanismos de proteção da Convenção:</p><p>1) relatórios periódicos;</p><p>2) ação urgente de pedido de busca e localização de uma pessoa desaparecida</p><p>(ler art. 30);</p><p>3) petições individuais (depende de aceitação do Estado);</p><p>4) petições interestatais (depende de aceitação do Estado); e</p><p>5) visita ao Estado Parte com a autorização deste.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>99</p><p>Obs.: Brasil ainda não aceitou a competência do Comitê para processar petições</p><p>individuais e interestatais.</p><p>Convenção sobre os Direitos da Criança</p><p>Foi criada pela AGNU em 1969</p><p>Porém só foi internalizada pelo Brasil em 1990</p><p>Órgão de monitoramento é o Comitê dos Direitos da Criança</p><p>Apenas prevê relatórios periódicos</p><p>É a que tem o maior número de ratificações pelos Estados</p><p>Conceito de Criança: Art. 1. Para efeitos da presente Convenção considera-se</p><p>como criança todo ser humano com menos de dezoito anos de idade, a não ser que,</p><p>em conformidade com a lei aplicável à criança, a maioridade seja alcançada antes.</p><p>1º Protocolo facultativo relativo ao envolvimento de crianças em conflitos</p><p>armados (Adotado pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 25 de maio de 2000;</p><p>promulgado pelo Decreto nº 5.006, de 8 de março de 2004).</p><p>2º Protocolo facultativo referente à venda de crianças, prostituição e</p><p>pornografia infantis (Adotado pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 25 de</p><p>maio de 2000; promulgado pelo Decreto nº 5.007, de 8 de março de 2004)</p><p>3º Protocolo facultativo relativo aos Procedimentos de Comunicação (Adotado</p><p>pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em 19 de dezembro de 2011; assinado pelo</p><p>Brasil em 28 de fevereiro de 2012.)</p><p>O 3º Protocolo Facultativo prevê petições individuais</p><p>Brasil assinou o protocolo facultativo, mas ainda não ratificou</p><p>O Comitê não pode receber petições individuais que denunciem o Brasil!</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>100</p><p>Art. 2.1. Os Estados Partes respeitarão os direitos enunciados na presente</p><p>Convenção e assegurarão sua aplicação a cada criança sujeita à sua jurisdição, sem</p><p>distinção alguma, independentemente de raça, cor, sexo, idioma, crença, opinião</p><p>política ou de outra índole, origem nacional, étnica ou social, posição econômica,</p><p>deficiências físicas, nascimento ou qualquer outra condição da criança, de seus pais</p><p>ou de seus representantes legais.</p><p>A criança tem direito à vida (art. 6) e, logo ao nascer, ao nome, à nacionalidade</p><p>e ao registro civil (art. 7);</p><p>O Estado deve conferir proteção especial às crianças. No entanto, a tarefa não</p><p>deve considerar os direitos e deveres que os pais, os responsáveis e a família como um</p><p>todo continuam a ter na educação dos filhos (art. 5);</p><p>Toda criança tem direito de conhecer seus pais e de ser cuidada por eles. A</p><p>responsabilidade dos pais é primordial (art. 18);</p><p>Nenhuma criança deve ser separada dos pais. No entanto, essa separação pode</p><p>ocorrer, em caso de maus tratos ou de descuido por parte de seus genitores, ou</p><p>quando estes vivem separados, e uma decisão deva ser tomada a respeito do local da</p><p>residência do menor;</p><p>A criança privada de seu ambiente familiar faz jus à proteção estatal;</p><p>Direito à liberdade de expressão das crianças, com liberdade de buscar, receber</p><p>e transmitir informações e ideias de todos os tipos, independentemente de fronteiras,</p><p>de forma oral, escrita ou impressa;</p><p>Liberdade de pensamento, consciência e de crença, de associação e reunião</p><p>pacíficas e à privacidade.</p><p>Direito de condições satisfatórias de saúde,</p><p>com atenção especial às portadoras</p><p>de necessidades especiais;</p><p>Direito à educação, que deve ser OBRIGATÓRIA NO NÍVEL PRIMÁRIO.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>101</p><p>Dever dos Estados de combater o tráfico de crianças para o exterior (art. 11); os</p><p>maus tratos físicos ou mentais; a exploração, inclusive sexual (art. 19 e 34), incluindo a</p><p>participação de menores de 18 anos em espetáculos ou na produção de materiais</p><p>pornográficos; exploração econômica (art. 32);</p><p>Necessidade de os Estados estabelecerem a jornada e condições de trabalho</p><p>para as crianças, vedado o trabalho perigoso ou que interfira na sua educação, ou</p><p>que seja nocivo à saúde;</p><p>Vedação do tráfico do tráfico de crianças (art. 35) e o envolvimento de crianças</p><p>em conflitos armados</p><p>→ MENORES DE 15 ANOS NÃO PODERÃO SE ENVOLVER EM HOSTILIDADES QUE</p><p>ENVOLVEM OS CONFLITOS ARMADOS (art. 38);</p><p>A adoção é regulada pela Convenção (art. 21), devendo atender ao superior</p><p>interesse da criança e ser concedida apenas pelas autoridades competentes. A adoção</p><p>por estrangeiros é permitida, mas apenas apos esgotadas as alternativas internas, não</p><p>devendo envolver benefícios financeiros;</p><p>A Convenção estabelece que CABE AOS ESTADOS DEFINIREM UMA IDADE</p><p>MÍNIMA DA IMPUTABILIDADE PENAL. (Um exemplo de aplicação da Teoria da</p><p>Margem de Apreciação, pois cada Estado pode definir a idade mínima).</p><p>Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da Criança referente à</p><p>Venda de Crianças, à Prostituição Infantil e à Pornografia Infantil de 2000</p><p>Esse protocolo parte da necessidade de proteção da criança contra toda forma</p><p>de exploração e de atos prejudiciais a seu desenvolvimento saudável.</p><p>A abordagem da questão deve ser HOLÍSTICA.</p><p>As medidas previstas no Protocolo incluem:</p><p>→ Recursos à cooperação internacional;</p><p>→ Assistência e recuperação de vítimas (art. 4-12);</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>102</p><p>Protocolo Facultativo sobre os Direitos das Crianças relativo aos Envolvimento</p><p>de Crianças em CONFLITOS ARMADOS</p><p>Esse protocolo determina que os Estados devem proteger os menores de 18</p><p>anos contra o impacto de guerra.</p><p>Os Estados também devem, progressivamente, elevar a idade mínima de</p><p>recrutamento, que atualmente é de 15 anos, exigência que não se aplica a escolas</p><p>operadas ou controladas pelas forças armadas dos Estados Partes (art. 3), como</p><p>colégios militares.</p><p>A norma também se aplica aos grupos armados distintos das forças armadas de</p><p>um Estado (art. 4).</p><p>Diretrizes das Nações Unidas para Prevenção da</p><p>Delinquência Juvenil (DIRETRIZES DE RIAD)</p><p>→ É soft law</p><p>→ Estabelecem diretrizes aos Estados com formas de prevenção da delinquência</p><p>juvenil, visando o não cometimento de atos infracionais (atuação preventiva).</p><p>→ Visa prevenção da “delinquência” infantil (desde primeira infância)</p><p>→ Destaca que devem fazer parte do processo de socialização: a família + o</p><p>Estado (educação) + a comunidade + os meios de comunicação).</p><p>→ Cita mazelas do etiquetamento (labelling approach ou rotulacionismo – alô</p><p>criminologia!)</p><p>→ Privilegia controle na comunidade e não formal. Determina que se deve evitar</p><p>criminalizar condutas que não causem grandes prejuízos (ofensividade,</p><p>lesividade, insignificância).</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>103</p><p>→ Destaca que o comportamento delinquente dos jovens é, com frequência,</p><p>parte do processo de amadurecimento e tende a desaparecer,</p><p>espontaneamente.</p><p>→ Prevê que tratamento do jovem não pode ser mais gravoso que o dado ao</p><p>adulto.</p><p>→ Versa sobre capacitação policial adequada + assistência jurídica + ombudsman.</p><p>Artigo 54 das Diretrizes de Riad de 1990 (artigo mais cobrado!)</p><p>54. Com o objetivo de impedir que se prossiga à estigmatização, à vitimização e</p><p>à incriminação dos jovens, deverá ser promulgada uma legislação pela qual seja</p><p>garantida que todo ato que não seja considerado um delito, nem seja punido</p><p>quando cometido por um adulto, também não deverá ser considerado um</p><p>delito, nem ser objeto de punição quando for cometido por um jovem.</p><p>(Princípio da Tipicidade Delegada e Vedação ao Tratamento mais gravoso)</p><p>FCC 2016 DPE BA Defensor Público - Dentre os princípios fundamentais enunciados</p><p>nas Diretrizes das Nações Unidas para Prevenção da Delinquência Juvenil (Princípios</p><p>Orientadores de Riad) consta, expressamente, a ideia de que:</p><p>A) considerando o consenso criminológico de que a delinquência juvenil está</p><p>diretamente associada aos estilos parentais autoritário, permissivo ou negligente, é</p><p>tarefa primordial dos estados, em colaboração com meios de comunicação, incentivar</p><p>os pais no aprimoramento de suas técnicas de criação e educação dos filhos.</p><p>B) o comportamento desajustado dos jovens aos valores e normas da sociedade são,</p><p>com frequência, parte do processo de amadurecimento e tendem a desaparecer,</p><p>espontaneamente, na maioria das pessoas, quando chegam à maturidade.</p><p>C) os estados devem criar instâncias especializadas de intervenção, de modo a</p><p>garantir que, quando o adolescente transgrida uma norma de natureza penal, os</p><p>organismos mais formais de controle social sejam acionados como primeira</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>104</p><p>alternativa.</p><p>D) embora desencadeados por fatores ambientais desfavoráveis, grande parte dos</p><p>delitos praticados por adolescentes são resultantes de quadros psicopatológicos, cujo</p><p>tratamento precoce é fundamental para uma política preventiva bem-sucedida.</p><p>E) devem ser oferecidas a crianças, adolescentes e jovens, sempre que possível,</p><p>oportunidades lícitas de geração de renda, garantindo-lhes acesso ao trabalho</p><p>protegido, não penoso e que não prejudique a frequência e o aproveitamento</p><p>escolar7.</p><p>Regras mínimas da ONU para proteção dos jovens privados de liberdade e para</p><p>administração da justiça da infância e juventude (Regras de Beijing)</p><p>→ Também é soft law, mas a Resolução 113 do CONANDA traz uma cláusula de</p><p>abertura, dando aspecto de certa forma cogente para essas regras de soft law.</p><p>→ Devido processo legal</p><p>→ Presunção de inocência</p><p>→ Defesa técnica</p><p>→ Assistência judiciária</p><p>→ Direito à presença dos pais ou tutores</p><p>→ Direito à confrontação com testemunhas e a interrogá-las</p><p>→ Direito de apelação ante uma autoridade superior.</p><p>→ Traz a juventude como um período mais vulnerável a um comportamento</p><p>desviado.</p><p>→ Visa reduzir a necessidade de intervenção legal e responsabilização penal</p><p>precoce.</p><p>→ Enfatiza: presunção de inocência, intimidade (não publicação de dados e não</p><p>identificação do jovem infrator) e proporcionalidade.</p><p>7 Gabarito: B</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>105</p><p>→ As regras de Beijing tratam dos privados de liberdade e também os que têm</p><p>algum contato com a justiça da infância e da juventude, como no caso da</p><p>remissão.</p><p>→ Prevê estabelecimento de justiça especializada (Justiça da Infância e da</p><p>Juventude), que deve ser equitativa e incluir minorias na atuação. Garante</p><p>assistência judiciária gratuita. Versa sobre remissão e garantias da internação.</p><p>→ Veda pena capital e corporal.</p><p>→ Policiais devem receber instrução e capacitação especial.</p><p>→ 21.2: Os registros dos jovens infratores não serão utilizados em processos de</p><p>adultos em casos subsequentes que envolvam o mesmo infrator.</p><p>É dividida em seis partes:</p><p>Primeira parte – Princípios gerais</p><p>Segunda parte – Investigação e Processamento</p><p>Terceira Parte – Decisão judicial e medidas</p><p>Quarta Parte – Tratamento em meio aberto</p><p>Quinta Parte – Tratamento institucional</p><p>Sexta Parte – Pesquisa, planejamento e formulação de políticas e avaliações.</p><p>→ As regras de Beijing também dispõem que “os jovens institucionalizados serão</p><p>mantidos separados dos adultos e serão detidos em estabelecimentos</p><p>separados ou partes separadas de um estabelecimento em que estejam</p><p>detidos adultos”.</p><p>→ A Corte IDH, no Caso Bulacio vs. Argentina em 2003, decidiu que “para proteger</p><p>os direitos das crianças detidas, especialmente seu direito à integridade</p><p>pessoal, é indispensável que sejam separados dos adultos”</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>106</p><p>→ Obs.: O STJ entende de forma mais restritiva e protetora, que adolescentes não</p><p>podem nem mesmo ficar no mesmo estabelecimento em que também são</p><p>detidos adultos.</p><p>Sistema Interamericano de Direitos</p><p>Humanos</p><p>Sistema Global de DH</p><p>Sistema Interamericano de DH</p><p>Administrado pela Organização das Nações</p><p>Unidas (ONU) e seu principal órgão é o Alto</p><p>Comissariado das Nações Unidas para os Direitos</p><p>Humanos.</p><p>Surge a partir da Organização dos Estados</p><p>Americanos (OEA)</p><p>Seus principais órgãos são:</p><p>(i) a Comissão Interamericana de Direitos</p><p>Humanos (CIDH) e</p><p>(ii) Conselho Interamericano para o</p><p>Desenvolvimento Integral.</p><p>Documentos mais importantes são:</p><p>(i) Declaração Universal dos Direitos</p><p>Humanos, de 1948;</p><p>(ii) Pacto sobre Direitos Civis e Políticos e;</p><p>(iii) Pacto sobre Direitos Econômicos,</p><p>Principais documentos:</p><p>(i) Declaração Americana dos Direitos e</p><p>Deveres do Homem (1948)</p><p>(ii) Convenção Americana de Direitos Humanos</p><p>(iii) Protocolo de San Salvador</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>107</p><p>Sociais e Culturais, de 1966</p><p>Atualmente, a OEA possui dois órgãos principais:</p><p>→ Comissão Interamericana de Direitos Humanos</p><p>→ Conselho Interamericano para o Desenvolvimento Integral, voltados à</p><p>promoção de direitos humanos.</p><p>Incumbe à Comissão Interamericana de Direitos Humanos a tarefa principal de</p><p>responsabilização dos Estados por descumprimento dos direitos civis e políticos</p><p>expressos na Carta e na Declaração Americana.</p><p>Já o Conselho Interamericano de Desenvolvimento Integral deve zelar pela</p><p>observância dos chamados direitos econômicos, sociais e culturais</p><p>Histórico</p><p>Desde o século XIX, vários encontros regionais ocorreram para discutir formas de</p><p>operação entre os Estados Americanos.</p><p>Em 1948, na 9ª Conferência Internacional Americana, que aconteceu em Bogotá,</p><p>Colômbia, foi aprovada a Carta da OEA e a Declaração Americana dos Direitos e</p><p>Deveres do Homem (DADDH).</p><p>A DADDH foi adotada em maio de 1948, 8 meses antes da DUDH, que só surge</p><p>em dezembro e sofreu influências da primeira.</p><p>A DADDH também surge como soft law, por não ser um tratado ou convenção.</p><p>A CADH tem dois protocolos facultativos:</p><p>1º Protocolo Facultativo: Protocolo Adicional à Convenção Americana sobre</p><p>Direitos Humanos em Matéria de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais "Protocolo</p><p>de São Salvador",</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>108</p><p>2º Protocolo Facultativo: Protocolo Adicional à Convenção Americana sobre</p><p>Direitos Humanos Referente à Abolição da Pena de Morte</p><p>Sistema global Sistema interamericano</p><p>Direitos Civis e Políticos Pacto Internacional dos</p><p>Direitos Civis e Políticos</p><p>Convenção Americana de</p><p>Direitos Humanos</p><p>Direitos Sociais,</p><p>Econômicos e Culturais</p><p>Pacto Internacional dos</p><p>Direitos Econômicos,</p><p>Sociais e Culturais</p><p>Protocolo de San Salvador</p><p>Existem dois subsistemas na OEA:</p><p>→ Um se baseia na DADDH e no Estatuto da CIDH, aplicando-se a todos os</p><p>membros da OEA (ex.: EUA e Canadá). A CIDH é o órgão de proteção desse</p><p>subsistema.</p><p>→ Outro se baseia na CADH e se aplica somente aos Estados que a ratificaram. A</p><p>CIDH e a Corte IDH são órgãos de proteção desse subsistema.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>109</p><p>COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS</p><p>HUMANOS</p><p>CORTE INTERAMERICANA DE DIREITOS</p><p>HUMANOS</p><p>É o principal órgão da OEA.</p><p>É sediado em Washington, capital dos EUA.</p><p>É órgão autônomo.</p><p>É sediada em São José, Costa Rica.</p><p>Não é órgão jurisdicional. É ÓRGÃO JURISDICIONAL.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>110</p><p>Composta por 7 (SETE) MEMBROS, pessoas de alta</p><p>autoridade moral e de conhecimento na área, com</p><p>MANDATO DE 4 ANOS com 1 reeleição.</p><p>#OBS.: Em 2009, na Opinião Consultiva n. 20, a</p><p>Corte restringiu a possibilidade do juiz que porventura</p><p>possuir a mesma nacionalidade do Estado Réu atuar</p><p>no caso. Somente o fará nas demandas interestatais.</p><p>Nas demandas iniciadas pela Comissão a pedido das</p><p>vítimas, o juiz da nacionalidade do Estado Réu deve se</p><p>abster de participar do julgamento, tal qual ocorre</p><p>com o Comissário da nacionalidade do Estado em</p><p>exame, que não pode participar das deliberações da</p><p>Comissão.</p><p>Composta por 7 (SETE) JUÍZES, nacionais dos</p><p>Estados-membros da OEA eleitos a título pessoal</p><p>dentre juristas da mais alta autoridade moral. São</p><p>eleitos por voto SECRETO da MAIORIA ABSOLUTA</p><p>dos Estados-partes, para MANDATO DE 6 (SEIS)</p><p>ANOS com 1 reeleição.</p><p>#OBS.: Além dos 7 juízes, determinado caso pode</p><p>ter um “juiz ad hoc” na jurisdição contenciosa,</p><p>caso o Estado Réu não possua um juiz de sua</p><p>nacionalidade em exercício na Corte. A Corte IDH</p><p>restringiu em 2009 – por meio de Opinião</p><p>Consultiva n. 20 – a interpretação do art. 55 da</p><p>Convenção, que trata do juiz ad hoc, eliminando</p><p>tal figura nas demandas iniciadas pela Comissão a</p><p>pedido de vítimas e mantendo-o somente para as</p><p>demandas originadas de comunicações</p><p>interestatais.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>111</p><p>COMPETÊNCIAS: formular recomendações; preparar</p><p>estudos; solicitar informações aos Estados; atender às</p><p>consultas dos Estados; prestar assessoramento;</p><p>apresentar relatório anual à Assembleia Geral da OEA.</p><p>Os Estados deverão submeter anualmente à</p><p>comissão cópias dos relatórios que fornecerem a</p><p>outros órgãos da OEA</p><p>COMPETÊNCIA: processar e julgar qualquer caso</p><p>relativo à interpretação e à aplicação das</p><p>disposições do Pacto de São José; apreciar</p><p>consultas; emitir pareceres; realizar controle de</p><p>convencionalidade.</p><p>Sua competência é CONTENCIOSA E</p><p>CONSULTIVA (arts. 61-64).</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>112</p><p>A comissão pode receber PETIÇÕES INDIVIDUAIS</p><p>relativas a violações do ESTADO.</p><p>#OBS.: Há também a possibilidade de</p><p>recebimento de petições INTERESTADUAIS.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>113</p><p>Legitimidade para seu acionamento:</p><p>Estados;</p><p>Órgãos da OEA;</p><p>Qualquer pessoa;</p><p>ou grupo;</p><p>ou entidade não governamental legalmente</p><p>reconhecida em um ou mais Estados-membros da</p><p>OEA.</p><p>A comissão adota o chamado jus standi, isto é,</p><p>qualquer pessoa pode peticionar perante ela</p><p>(preenchidos os requisitos convencionais)</p><p>ATENÇÃO: A CLÁUSULA QUE PREVÊ O DIREITO</p><p>DE PETIÇÃO INDIVIDUAL É OBRIGATÓRIA, AO PASSO</p><p>QUE A CLÁUSULA DE COMUNICAÇÕES</p><p>É FACULTATIVA.</p><p>Somente os ESTADOS-PARTES e a COMISSÃO</p><p>podem submeter casos à Corte.</p><p>Além disso, SOMENTE ESTADOS PODEM SER</p><p>RÉUS.</p><p>Assim, o indivíduo não tem legitimidade</p><p>ativa nem passiva na Corte.</p><p>A Corte IDH adota locus standi, pois apenas</p><p>petições encaminhadas pela Comissão podem</p><p>chegar até a Corte.</p><p>ATENÇÃO: a Corte somente pode atuar</p><p>APÓS A APRECIAÇÃO DA SITUAÇÃO PERANTE A</p><p>PRÓPRIA COMISSÃO!</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>114</p><p>REQUISITOS:</p><p>Esgotamento dos recursos internos, salvo</p><p>ineficácia ou inércia;</p><p>Petição apresentada dentro do prazo de 6 (seis)</p><p>meses após a notificação da decisão interna definitiva;</p><p>Matéria não pendente em outro órgão</p><p>internacional. (Ausência</p><p>de litispendência</p><p>internacional)</p><p>ATENÇÃO: NÃO É NECESSÁRIO O ENDOSSO DO</p><p>ESTADO OU A COMPROVAÇÃO DA CONDIÇÃO DE</p><p>VÍTIMA.</p><p>O exame do caso gera um relatório (solução</p><p>amistosa), a partir do qual são elaboradas</p><p>recomendações, ou encaminhamento do caso à Corte</p><p>(a própria comissão pode remeter à corte).</p><p>Se nenhuma das alternativas do relatório vier a</p><p>ocorrer em TRÊS MESES, a Comissão novamente fará</p><p>as recomendações e fixará novo prazo. Após esse</p><p>prazo, a comissão decidirá, pelo voto da MAIORIA</p><p>ABSOLUTA, se o Estado tomou ou não as medidas.</p><p>Atenção: a Comissão poderá remeter o caso à</p><p>Corte INDEPENDENTEMENTE DE QUALQUER AÇÃO</p><p>DOS ESTADOS OU DOS EVENTUAIS INTERESSADOS.</p><p>#OBS.: o Brasil formulou RESERVAS ao Pacto de</p><p>São José, no que concerne ao direito automático de a</p><p>comissão fazer visitas e inspeções in loco.</p><p>REQUISITOS:</p><p>Aceitação da competência;</p><p>Prévia avaliação pela Comissão;</p><p>Quórum para deliberação: 5 juízes.</p><p>#OBS.: o Brasil reconheceu a competência</p><p>obrigatória da Corte por prazo indeterminado e</p><p>fatos ocorridos após 1998. Esse reconhecimento</p><p>foi feito SOB RESERVA DE RECIPROCIDADE.</p><p>A sentença é obrigatória e INAPELÁVEL.</p><p>Todavia, no caso de divergência, cabe pedido de</p><p>esclarecimento, DENTRO DO PRAZO DE 90 DIAS.</p><p>(como se fossem embargos de declaração)</p><p>ALÉM DISSO, É DISPENSADA A</p><p>HOMOLOGAÇÃO DA SENTENÇA NA CORTE PARA</p><p>FINS DE APLICAÇÃO NO BRASIL.</p><p>#OBS.: no “Caso Júlia Gomes Lund e outros”,</p><p>a Corte decidiu que “As disposições da Lei de</p><p>Anistia brasileira que impedem a investigação e</p><p>sanção de graves violações de direitos humanos</p><p>são incompatíveis com a Convenção Americana,</p><p>carecem de efeitos jurídicos e não podem consistir</p><p>em obstáculo às investigações dos fatos e</p><p>responsáveis [...]”. Consequentemente, foi criada</p><p>a Comissão Nacional da Verdade.</p><p>Por outro lado, o STF entendeu que a Lei de</p><p>Anistia é constitucional.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>115</p><p>Comissão Interamericana de Direitos Humanos</p><p>→ Principal órgão da OEA</p><p>→ É autônoma</p><p>→ Recebe petições individuais contendo alegações de violações de direitos</p><p>humanos</p><p>→ Qualquer pessoa pode peticionar</p><p>CONDIÇÕES DE ADMISSIBILIDADE DAS PETIÇÕES:</p><p>(i) O esgotamento dos recursos locais;</p><p>(ii) Ausência do decurso do prazo de seis meses, contados do esgotamento dos</p><p>recursos internos, para a apresentação da petição;</p><p>(iii) Ausência de litispendência internacional, o que impede o uso simultâneo de</p><p>dois mecanismos internacionais de proteção de direitos humanos; e</p><p>(iv) Ausência de coisa julgada internacional, o que impede o uso sucessivo de</p><p>dois mecanismos internacionais de proteção de direitos humanos.</p><p>Medidas Cautelares</p><p>Em caso de gravidade e urgência, a Comissão pode solicitar que um Estado</p><p>adote medidas cautelares para evitar dano irreparável, independentemente de o caso</p><p>estar sendo analisado pela CIDH.</p><p>Estado pode ser ouvido ou não antes da Comissão editar medidas cautelares;</p><p>A falta de previsão expressa das medidas cautelares da Comissão na CADH faz</p><p>com que muitos dos Estados Partes da Convenção não aceitem sua força vinculante.</p><p>Por outro lado, a Comissão pode requerer medidas provisórias à Corte IDH, que</p><p>possuem previsão expressa na CADH (art. 63 da CADH).</p><p>Em 2011, a Comissão adotou medida cautelar requerendo a suspensão da</p><p>construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, a principal obra de fornecimento de</p><p>energia do Brasil nos últimos anos, por ofensa a diversos direitos dos povos indígenas.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>116</p><p>Após veemente recusa do Estado brasileiro em cumprir tal deliberação, a</p><p>Comissão modificou sua posição e decidiu que a obra poderia continuar desde que</p><p>fossem tomadas cautelas na preservação dos direitos até deliberação final da</p><p>Comissão.</p><p>Primeiro Informe (Relatório 50)</p><p>Se constatar violação de direitos humanos, a CIDH faz o Primeiro Informe,</p><p>Primeiro Relatório ou Relatório 50 e o encaminha ao Estado. Ele deve cumprir as</p><p>recomendações.</p><p>Esse primeiro informe é confidencial.</p><p>Se em até três meses prorrogáveis após a remessa ao Estado do primeiro</p><p>relatório da Comissão, o caso não tiver sido solucionado (reparação dos danos pelo</p><p>Estado), pode ser submetido à Corte, se</p><p>(i) o Estado infrator houver reconhecido sua jurisdição contenciosa; e</p><p>(ii) se a Comissão entender tal ação conveniente para a proteção dos direitos</p><p>humanos no caso concreto.</p><p>E se o Estado não tiver reconhecido a jurisdição contenciosa da Corte IDH ou</p><p>os fatos forem anteriores ao reconhecimento?</p><p>A CIDH vai elaborar um Segundo Informe, que é público e só surge caso não</p><p>haja denúncia à Corte IDH.</p><p>O 2º Informe traz recomendações com prazo para que o Estado cumpra.</p><p>Em caso de descumprimento, a CIDH encaminha relatório para que a AGOEA</p><p>saiba que aquele Estado descumpriu uma recomendação da CIDH, podendo a</p><p>OEA adotar as medidas cabíveis.</p><p>Legitimidade ativa para oferecer denúncia contra um Estado na CIDH: Qualquer</p><p>vítima de violação de DH ou representante.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>117</p><p>Corte Interamericana de Direitos Humanos</p><p>→ Criada pela Convenção Americana de Direitos Humanos em 1969</p><p>→ Sede fica em San José da Costa Rica</p><p>→ É composta por 7 juízes com 6 anos de mandato (que é prorrogado até o final</p><p>do julgamento de um caso)</p><p>→ É uma instituição judicial autônoma</p><p>→ Aplica a interpreta as normas previstas na CADH, podendo interpretar outros</p><p>tratados que protegem os direitos humanos</p><p>→ A AGOEA escolhe os juízes, determina o local da sede, aprova o estatuto da</p><p>corte e seu orçamento, além de ter poder disciplinar e sancionador sobre os</p><p>juízes</p><p>Requisitos para ser juiz da Corte IDH:</p><p>→ Ser independente do governo</p><p>→ Ser nacional de um Estado-membro da OEA (é possível que um americano ou</p><p>canadense sejam juízes da Corte IDH)</p><p>→ Ter a mais alta autoridade moral</p><p>→ Ter competência reconhecida em matéria de direitos humanos</p><p>São propostos pelos Estados que ratificaram a CADH, que podem propor até 3</p><p>candidatos, sendo pelo menos 1 estrangeiro.</p><p>Art. 53, 1. Os juízes da Corte serão eleitos, em votação secreta e pelo voto da</p><p>maioria absoluta dos Estados Partes na Convenção, na Assembleia Geral da</p><p>Organização, de uma lista de candidatos propostos pelos mesmos Estados.</p><p>Artigo 56 – O quórum para as deliberações da Corte é constituído por cinco</p><p>juízes.</p><p>A Corte IDH possui duas funções, jurisdições ou competências:</p><p>Função/Jurisdição/Competência Consultiva</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>118</p><p>e</p><p>Função/Jurisdição/Competência Contenciosa</p><p>Função Consultiva</p><p>A Corte IDH emite opiniões consultivas, que podem ser solicitadas por qualquer</p><p>Estado-membro da OEA e por qualquer órgão da OEA, tanto para interpretar artigos de</p><p>tratados e convenções de direitos humanos, quanto para analisar legislações internas.</p><p>Não é possível uma OC sobre questões que estejam ou possam vir a ser</p><p>analisadas pela Corte contenciosamente.</p><p>Objetivo da função consultiva da Corte IDH: Controle de convencionalidade</p><p>preventivo, pois interpreta tratados e orienta como os Estados devem cumpri-los,</p><p>além de verificar se as normas internas são compatíveis com os tratados de DH.</p><p>O que é controle de convencionalidade?</p><p>É verificar se a norma do direito interno de um Estado é compatível com as</p><p>normas do direito internacional dos Direitos Humanos às quais aquele Estado se</p><p>sujeita.</p><p>A Corte IDH pode emitir OC sobre tratados fora do SIDH, porém apenas do</p><p>sistema global, nunca dos sistemas regionais.</p><p>De acordo com Raphael Vasconcelos e Eraldo Silva Júnior:</p><p>“Mesmo sem ter caráter vinculante, as opiniões consultivas são um prenúncio</p><p>de posicionamento futuro da Corte IDH em caso concreto, além de servir para dar</p><p>maior grau de concretude ao</p><p>direito e conferir maior segurança jurídica ao ente</p><p>solicitante, especialmente se considerarmos a dificuldade para se determinar o</p><p>conteúdo de normas costumeiras e o baixo grau de institucionalidade que ainda</p><p>caracteriza o direito internacional.</p><p>Ao mesmo tempo, justamente por não serem vinculantes, as opiniões</p><p>consultivas conformam oportunidade ímpar para que uma corte de direitos humanos</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>119</p><p>adote posicionamentos mais ousados, que promovam maior proteção aos</p><p>indivíduos.”</p><p>OC 8/1987 → O habeas corpus sob suspensão de garantias (arts. 27.2, 25.1 e 7.6</p><p>da Convenção Americana sobre Direitos Humanos). Definiu que o habeas corpus não</p><p>pode ser suspenso durante Estado de exceção.</p><p>OC 12/1991 → Compatibilidade de um projeto de lei com o artigo 8.2.h da</p><p>Convenção Americana sobre Direitos Humanos. Definiu que é possível que haja</p><p>controle de convencionalidade prévio, antes da lei interna ser promulgada, enquanto</p><p>ainda é projeto de lei.</p><p>OC 17/2002 → Trata sobre a condição jurídica e os direitos humanos das</p><p>crianças.</p><p>OC 18/2003 → Trata sobre a condição jurídica e direitos dos migrantes</p><p>indocumentados.</p><p>OC 21/2014 → Trata sobre direitos e garantias de crianças no contexto da</p><p>migração e/ou em necessidade de proteção internacional.</p><p>OC 23/2017 → Meio ambiente e direitos humanos (obrigações estatais em</p><p>relação ao meio ambiente no marco da proteção e garantia dos direitos à vida e à</p><p>integridade pessoal.</p><p>OC 24/2017 → Trata sobre a identidade de gênero, igualdade e não</p><p>discriminação a casais do mesmo sexo. Além disso, traz obrigações estatais em relação</p><p>à mudança de nome, à identidade de gênero e aos direitos derivados de um vínculo</p><p>entre casais do mesmo sexo.</p><p>OC 25/2018 → Trata sobre a instituição do asilo e seu reconhecimento como</p><p>direito humano no Sistema Interamericano de Direitos Humanos. (Tem como pano de</p><p>fundo a situação de Julian Assange, que conseguiu asilo político na embaixada do</p><p>Equador em Londres)</p><p>OC 26/2020 → Trata dos efeitos sobre as obrigações estatais em matéria de</p><p>direitos humanos quando se está diante de denúncia do CADH e da denúncia à Carta</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>120</p><p>da OEA, que significa a retirada do Estado da OEA. (tem como pano de fundo a</p><p>denúncia da Venezuela à CADH)</p><p>De acordo com Patrícia Magno, quando a CADH é denunciada, as</p><p>consequências sobre suas obrigações internacionais de direitos humanos são:</p><p>→ as obrigações convencionais permanecem válidas durante o período de 1 ano</p><p>entre o Estado denunciar a CADH e de fato deixar de fazer parte dela.</p><p>→ a denúncia da CADH não tem efeitos retroativos (os fatos praticados até a</p><p>denúncia podem ser analisados pela CADH);</p><p>→ permanecem todas as obrigações decorrentes da ratificação de outros</p><p>tratados interamericanos de direitos humanos (isso porque só a CADH foi</p><p>denunciada).</p><p>→ a denúncia da CADH não anula nem impede a eficácia das interpretações já</p><p>feitas da CADH pelos órgãos internos;</p><p>→ as obrigações associadas ao limite mínimo de proteção mediante a Carta da</p><p>OEA e a DADH permanecem sob a supervisão da Comissão Interamericana de Direitos</p><p>Humanos (CIDH);</p><p>→ as normas consuetudinárias (costume internacional), as decorrentes dos</p><p>princípios gerais de direito e as normas de jus cogens continuam a vincular o Estado</p><p>devido ao direito internacional geral.</p><p>OC 27/2021 → Trata sobre direitos sindicais e seu alcance, bem como a relação</p><p>com a liberdade de expressão e opinião. Também fala sobre o papel das mulheres nos</p><p>direitos sindicais e como o Estado deve proteger tais direitos. Os sindicalizados devem</p><p>ter proteção especial. A negociação coletiva não pode ser in pejus, isto é, não pode</p><p>diminuir direitos.</p><p>Direito de greve é um direito humano, mas pode ter regras estabelecidas pelos</p><p>Estados.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>121</p><p>OC 28/2021 → Trata sobre reeleições indefinidas. A Corte IDH foi questionada</p><p>porque Evo Morales, ao ser reeleito pela 4ª vez, disse que tinha o direito humano de</p><p>ser reeleito indefinidas vezes. A Corte disse que é possível limitar as reeleições</p><p>indefinidas, aumentando a separação de poderes e a democracia.</p><p>Obs.: OC não pode ser sobre casos concretos normalmente, essa OC acaba</p><p>fugindo dessa regra, seguindo uma tendência da Corte IDH de analisar situações muito</p><p>similares a casos famosos e recentes, e por isso foi criticada por colegas e por mim</p><p>neste artigo: https://revista.defensoria.rs.def.br/defensoria/article/view/496/373</p><p>Função Contenciosa</p><p>A Corte IDH também tem uma função contenciosa, que é aplicada apenas a</p><p>Estados que reconheceram expressamente sua jurisdição.</p><p>Legitimidade ativa para oferecer denúncia contra um Estado na Corte IDH:</p><p>Somente Estados-parte da CADH e CIDH. Vítima não tem jus standi (acesso direito, que</p><p>no SEDH tem), mas apenas locus standi (acesso indireto)</p><p>Legitimidade passiva: Somente Estados-parte da CADH</p><p>Como funciona o procedimento da Corte IDH?</p><p>Defensor público interamericano ou representante da parte já iniciaram a ação</p><p>na CIDH.</p><p>A CIDH decide denunciar o Estado perante a Corte IDH através de um relatório</p><p>Vítima ou representantes são intimados a apresentar o Escrito de Petições,</p><p>argumentos e provas, no prazo de 2 meses. Se elas não tiverem advogado, serão</p><p>assistidas pelo Defensor Interamericano.</p><p>O Estado Réu é notificado para oferecer sua contestação no prazo improrrogável</p><p>de dois meses.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>https://revista.defensoria.rs.def.br/defensoria/article/view/496/373</p><p>122</p><p>O Estado demandado pode não impugnar os fatos e as pretensões, acatando sua</p><p>responsabilidade internacional.</p><p>Mas também pode impugnar, através das exceções preliminares.</p><p>A apresentação de exceções preliminares não suspenderá o procedimento em</p><p>relação ao mérito, nem aos prazos e aos termos respectivos.</p><p>A Comissão, as supostas vítimas ou seus representantes poderão apresentar suas</p><p>observações às exceções preliminares no prazo de 30 dias, contado a partir do seu</p><p>recebimento.</p><p>Quando considerar indispensável, a Corte poderá convocar uma audiência</p><p>especial para as exceções preliminares, depois da qual sobre estas decidirá.</p><p>A Corte analisará as exceções preliminares antes ou junto com o mérito da</p><p>sentença.</p><p>As provas admitidas são todos os modos de produção admitidos em direito.</p><p>Possibilidade de Amicus Curiae</p><p>Amicus curiae é uma pessoa ou instituição alheia ao litígio e ao processo que</p><p>apresenta à Corte fundamentos acerca dos fatos contidos no escrito de submissão do</p><p>caso ou formula considerações jurídicas sobre a matéria do processo, por meio de um</p><p>documento ou de uma alegação em audiência.</p><p>A petição escrita do amicus curiae na jurisdição contenciosa poderá ser</p><p>apresentada a qualquer momento do processo até a data limite de 15 dias posteriores</p><p>à celebração da audiência de coleta de testemunhos.</p><p>Se não houver audiência, a petição deverá ser remetida dentro dos 15 dias</p><p>posteriores à resolução correspondente na qual se outorga prazo para o envio de</p><p>alegações finais.</p><p>Audiência ou Procedimento Oral</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>123</p><p>A Corte solicitará à Comissão, às supostas vítimas ou aos seus representantes, ao</p><p>Estado demandado e, se for o caso, ao Estado demandante sua lista definitiva de</p><p>declarantes, na qual deverão confirmar ou desistir da propositura das declarações das</p><p>supostas vítimas, das testemunhas e dos peritos que oportunamente realizaram (...).</p><p>A Corte vai ouvir todos os declarantes e testemunhas e as vítimas, se estiverem</p><p>presentes.</p><p>Os representantes das vítimas e do Estado fazem as alegações finais orais (que</p><p>também podem ser escritas) e a CIDH,</p><p>ao final, faz algumas observações.</p><p>Os juízes podem fazer perguntas.</p><p>Medidas Provisórias</p><p>A Corte, nos casos sob sua apreciação, poderá tomar as medidas provisórias que</p><p>considerar pertinentes para, em casos de extrema gravidade e urgência, evitar danos</p><p>irreparáveis às pessoas.</p><p>Nos casos que já tramitam na Corte, ela pode deferir medidas provisórias de</p><p>ofício, por provocação da vítima ou de seus representantes.</p><p>Nos casos que ainda estão na CIDH, a Corte apenas poderá adotar medidas</p><p>provisórias sem a CIDH solicitar.</p><p>A Corte IDH entende que a CIDH pode pedir diretamente medidas provisórias,</p><p>mesmo que nunca tenha pedido anteriormente medidas cautelares.</p><p>Exemplos de Medidas Provisórias</p><p>Instituto Penal Plácido de Sá Carvalho</p><p>Em 2018, a Corte IDH expediu medidas provisórias no Caso Instituto Penal</p><p>Plácido de Sá Carvalho inéditas na sua jurisprudência, pois pela primeira vez</p><p>determinou uma espécie de remição de pena por tempo de privação de liberdade</p><p>ilícito calculado a partir da taxa de aprisionamento.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>124</p><p>A Corte IDH decidiu que como o IPPSC está com o dobro de pessoas reclusas, a</p><p>aflição da pena também é dobrada, de modo que o tempo de pena ou de medida</p><p>preventiva deve ser contado à razão de 2 dias de pena lícita por cada dia de efetiva</p><p>privação de liberdade em condições degradantes. E ainda, segundo a Corte IDH, esse</p><p>entendimento não deve ser automaticamente aplicado a condenados por crimes</p><p>contra a vida, integridade física ou de natureza sexual, mas somente em cada caso</p><p>concreto, a partir de exame criminológico. A Corte decidiu que cabe ao Estado a</p><p>decisão sobre a forma do cômputo, quem irá realizá-lo etc.</p><p>Outros exemplos de Medidas Provisórias:</p><p>Presídio Urso Branco</p><p>Complexo do Tatuapé da FEBEM</p><p>Complexo Penitenciário de Curado</p><p>Complexo Penitenciário de Pedrinhas</p><p>Ao final, a Corte IDH delibera e emite uma sentença.</p><p>Da sentença NÃO CABE RECURSO!</p><p>Somente uma espécie de embargos de declaração, caso haja alguma divergência</p><p>ou obscuridade na sentença, no prazo de 90 dias.</p><p>Nesse caso, a Corte vai fazer uma interpretação da sentença.</p><p>Entretanto, é possível que haja, ainda:</p><p>→ A desistência da ação</p><p>→ O reconhecimento total ou parcial pelo Estado da sua responsabilidade</p><p>→ Uma solução amistosa</p><p>→ Obs.: Mesmo nesses casos, a Corte pode decidir continuar com o processo.</p><p>VUNESP TJM SP 2016 – Em relação à Comissão e à Corte Interamericana de Direitos</p><p>Humanos, é correto afirmar que:</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>125</p><p>A) apenas em 2001 o Brasil reconheceu a competência jurisdicional da Corte.</p><p>B) apenas a Comissão e os Estados-membros podem submeter um caso à Corte</p><p>Interamericana. Contudo, em situações excepcionais, o indivíduo tem legitimidade</p><p>direta para submeter um caso à essa Corte.</p><p>C) no plano contencioso, se reconhecida a efetiva ocorrência de violação a algum</p><p>direito do homem, a Corte recomendará a adoção de medidas que se façam</p><p>necessárias à restauração do direito violado. Contudo, essa decisão não possui força</p><p>vinculante e obrigatória para os envolvidos, não podendo ser executada nos países</p><p>respectivos.</p><p>D) a Corte possui duas atribuições essenciais: uma de natureza consultiva, outra de</p><p>natureza contenciosa. A primeira pode ser solicitada por qualquer membro da OEA, já</p><p>quanto à segunda, a competência é limitada aos Estados-membros e à Comissão.</p><p>E) em caso de urgência, a Comissão poderá, por iniciativa própria ou mediante</p><p>solicitação da parte, implementar medidas cautelares para evitar danos irreparáveis.</p><p>Correção:</p><p>VUNESP TJM SP 2016 – Em relação à Comissão e à Corte Interamericana de</p><p>Direitos Humanos, é correto afirmar que:</p><p>A) apenas em 2001 o Brasil reconheceu a competência jurisdicional da Corte.</p><p>(1998)</p><p>B) apenas a Comissão e os Estados-membros podem submeter um caso à Corte</p><p>Interamericana. Contudo, em situações excepcionais, o indivíduo tem legitimidade</p><p>direta para submeter um caso à essa Corte.</p><p>C) no plano contencioso, se reconhecida a efetiva ocorrência de violação a algum</p><p>direito do homem, a Corte recomendará a adoção de medidas que se façam</p><p>necessárias à restauração do direito violado. Contudo, essa decisão não possui força</p><p>vinculante e obrigatória para os envolvidos, não podendo ser executada nos países</p><p>respectivos.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>126</p><p>D) a Corte possui duas atribuições essenciais: uma de natureza consultiva,</p><p>outra de natureza contenciosa. A primeira pode ser solicitada por qualquer membro</p><p>da OEA, já quanto à segunda, a competência é limitada aos Estados-membros e à</p><p>Comissão.</p><p>E) em caso de urgência, a Comissão poderá, por iniciativa própria ou mediante</p><p>solicitação da parte, implementar medidas cautelares para evitar danos irreparáveis.</p><p>A Comissão não pode implementar por iniciativa própria medidas cautelares.</p><p>DPE PR 2017 FCC - Acerca do Sistema Interamericano de Direitos Humanos, é correto</p><p>afirmar:</p><p>A) É possível ao Estado-membro suspender todas as garantias previstas na Convenção</p><p>Americana de Direitos Humanos em caso de guerra, perigo público ou outra</p><p>emergência que ameace a independência ou segurança do Estado.</p><p>B) São considerados trabalhos forçados os trabalhos ou serviços exigidos</p><p>normalmente de pessoa reclusa em cumprimento de sentença ou resolução formal</p><p>expedida pela autoridade judiciária competente, ainda que executados</p><p>exclusivamente sob a vigilância e controle das autoridades públicas.</p><p>C) Ao reconhecer o direito à vida, a Convenção Americana de Direitos Humanos não</p><p>aboliu a pena de morte. Houve imposição, contudo, de algumas limitações, a exemplo</p><p>da previsão de pena de morte para delitos políticos apenas quando atentarem contra</p><p>a nação.</p><p>D) Em similitude com o Sistema Global de Direitos Humanos, a Organização dos</p><p>Estados Americanos prevê os direitos civis e políticos e os direitos sociais, econômicos</p><p>e culturais em diplomas internacionais distintos.</p><p>E) Verificada grave violação de direitos humanos pelo Brasil e inexistindo solução</p><p>satisfatória da questão pelos poderes constituídos, o Defensor Público poderá</p><p>provocar a Corte Interamericana de Direitos Humanos, que poderá declarar a</p><p>responsabilidade internacional do Estado-parte e condená-lo na obrigação de pagar</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>127</p><p>indenização às vítimas.</p><p>DPE PR 2017 FCC - Acerca do Sistema Interamericano de Direitos Humanos, é</p><p>correto afirmar:</p><p>A) É possível ao Estado-membro suspender todas as garantias previstas na</p><p>Convenção Americana de Direitos Humanos em caso de guerra, perigo público ou</p><p>outra emergência que ameace a independência ou segurança do Estado.</p><p>B) NÃO São considerados trabalhos forçados os trabalhos ou serviços exigidos</p><p>normalmente de pessoa reclusa em cumprimento de sentença ou resolução formal</p><p>expedida pela autoridade judiciária competente, ainda que executados exclusivamente</p><p>sob a vigilância e controle das autoridades públicas.</p><p>C) Ao reconhecer o direito à vida, a Convenção Americana de Direitos Humanos</p><p>não aboliu a pena de morte. Houve imposição, contudo, de algumas limitações, a</p><p>exemplo da previsão de pena de morte para delitos políticos apenas quando</p><p>atentarem contra a nação.</p><p>D) Em similitude com o Sistema Global de Direitos Humanos, a Organização dos</p><p>Estados Americanos prevê os direitos civis e políticos e os direitos sociais,</p><p>econômicos e culturais em diplomas internacionais distintos.</p><p>E) Verificada grave violação de direitos humanos pelo Brasil e inexistindo solução</p><p>satisfatória da questão pelos poderes constituídos, o Defensor Público poderá</p><p>provocar a Corte Interamericana de Direitos Humanos, que poderá declarar a</p><p>responsabilidade internacional do Estado-parte e condená-lo</p><p>na obrigação de pagar</p><p>indenização às vítimas.</p><p>O Defensor só pode provocar a Comissão!</p><p>FCC - 2016 - DPE-ES – O sistema Regional Americano tem suas peculiaridades e,</p><p>dentre elas, pode-se mencionar a existência da Comissão Interamericana de Direitos</p><p>Humanos e a Corte interamericana de Direitos Humanos. A respeito destes órgãos, é</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>128</p><p>correto afirmar:</p><p>A) As medidas cautelares, adotadas pela Comissão, possuem natureza vinculante,</p><p>citando-se como exemplo o caso da Usina Belo Monte.</p><p>B) A Comissão Interamericana é composta por sete membros eleitos por quatro anos,</p><p>permitida só uma reeleição.</p><p>C) A Corte Interamericana é composta por sete membros por um mandato de quatro</p><p>anos, permitida a reeleição.</p><p>D) O indivíduo pode acessar ambos os órgãos mencionados, bastando, para tanto,</p><p>preencher o requisito do prévio esgotamento das vias ordinárias.</p><p>E) A Comissão Interamericana tem a competência de emitir opiniões consultivas</p><p>vinculantes aos Estados Membros.</p><p>Correção:</p><p>FCC - 2016 - DPE-ES – O sistema Regional Americano tem suas peculiaridades e, dentre</p><p>elas, pode-se mencionar a existência da Comissão Interamericana de Direitos Humanos</p><p>e a Corte interamericana de Direitos Humanos. A respeito destes órgãos, é correto</p><p>afirmar:</p><p>A) As medidas cautelares, adotadas pela Comissão, possuem natureza vinculante,</p><p>citando-se como exemplo o caso da Usina Belo Monte.</p><p>As medidas cautelares NÃO possuem natureza vinculante.</p><p>B) A Comissão Interamericana é composta por sete membros eleitos por quatro</p><p>anos, permitida só uma reeleição.</p><p>Gabarito!</p><p>C) A Corte Interamericana é composta por sete membros por um mandato de quatro</p><p>anos, permitida a reeleição.</p><p>O mandato é de 6 anos!</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>129</p><p>D) O indivíduo pode acessar ambos os órgãos mencionados, bastando, para tanto,</p><p>preencher o requisito do prévio esgotamento das vias ordinárias</p><p>Somente os Estados e a Comissão podem submeter um caso à Corte IDH.</p><p>E) A Comissão Interamericana tem a competência de emitir opiniões consultivas</p><p>vinculantes aos Estados Membros.</p><p>As Opiniões Consultivas NÃO têm força vinculante. Além disso, quem as mite é a</p><p>Corte IDH e não a Comissão.</p><p>Defensor Público Interamericano</p><p>O Defensor Interamericano é o representante legal das supostas vítimas de</p><p>violação de direitos humanos que não tenham advogado ou defensor público.</p><p>Anteriormente, quem cumpria esse papel era a CIDH, mas como ela sofria muita</p><p>pressão dos Estados, tinha uma postura mais neutra do que um defensor ou advogado</p><p>teria em relação às vítimas, até porque ela faz a admissibilidade da denúncia</p><p>previamente, funcionando como uma espécie de Ministério Público.</p><p>Por isso, em 2009, surge o Defensor Interamericano, de um acordo entre a AIDEF</p><p>(Associação Interamericana de Defensorias Públicas) e a Corte IDH.</p><p>Os Defensores Interamericanos são indicados por seus países (indicam 2) e</p><p>escolhidos pela AIDEF para atuar em cada caso.</p><p>A AIDEF sempre nomeia três defensores: um estrangeiro (que sofre menos</p><p>pressão política) e os outros dois podem ser do Estado (que conhece bem as leis), salvo</p><p>se as leis internas impedirem. Um deles é suplente.</p><p>Mandato à título pessoal de 3 anos, sendo possível 1 reeleição</p><p>Se o DPI começou a atuar na CIDH, deve continuar no caso até o final do</p><p>julgamento pela Corte IDH.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>130</p><p>Requisitos para a atuação do Defensor Público Interamericano</p><p>Na Corte Interamericana de Direitos</p><p>Humanos:</p><p>Na Comissão Interamericana de Direitos</p><p>Humanos:</p><p>A vítima deve ser hipossuficiente</p><p>OU</p><p>Não ter representação legal.</p><p>Assim, pode haver a atuação de defensor</p><p>público interamericano para vítima que possua</p><p>recursos econômicos, mas esteja sem</p><p>representação legal.</p><p>A vítima deve ser hipossuficiente E não ter</p><p>representação legal.</p><p>Além disso:</p><p>1) O caso deve ser complexo para a vítima</p><p>fática ou juridicamente, ou se referir a matérias</p><p>novas para a proteção dos direitos humanos na</p><p>região;</p><p>2) O caso deve envolver possíveis</p><p>violações a direitos humanos de especial</p><p>interesse para a AIDEF, tais como os direitos à</p><p>vida, à integridade pessoal, à liberdade pessoal,</p><p>às garantias e proteção judiciais, entre outras; e</p><p>3) O caso deve envolver uma ou mais</p><p>vítimas que pertençam a um grupo em situação</p><p>de vulnerabilidade</p><p>De acordo com André de Carvalho Ramos, dentre as várias atuações específicas</p><p>da OEA na área dos direitos humanos, destaca-se a valorização do trabalho dos</p><p>defensores públicos na promoção de direitos humanos.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>131</p><p>Nesse sentido, foi editada pela OEA a Resolução n. 2.656/2011, intitulada</p><p>“garantias de acesso à justiça: o papel dos defensores públicos oficiais”, que</p><p>destacou a importância do trabalho realizado pelos defensores públicos em diversos</p><p>países da América, na defesa dos direitos fundamentais dos indivíduos, que assegura o</p><p>acesso de todas as pessoas à justiça, sobretudo daquelas que se encontram em</p><p>situação especial de vulnerabilidade.</p><p>A OEA recomendou, pela resolução, aos Estados (como o Brasil) que já</p><p>disponham do serviço de assistência jurídica gratuita que adotem medidas que</p><p>garantam que os defensores públicos oficiais gozem de independência e autonomia</p><p>funcional. Também incentivou os Estados-membros que ainda não disponham da</p><p>instituição da defensoria pública oficial (o chamado “modelo brasileiro”) que</p><p>considerem a possibilidade de criá-la em seus ordenamentos jurídicos e ainda pugnou</p><p>pela celebração de convênios para a capacitação e formação de defensores públicos</p><p>oficiais.</p><p>Em 2012, a OEA editou a Resolução n. 2.714, de 2012, ressaltando a necessidade</p><p>dos Estados americanos em assegurar o acesso à justiça, bem como garantir a</p><p>independência e autonomia funcional da Defensoria Pública.</p><p>Apesar de não possuírem força vinculante, essas resoluções indicam a posição</p><p>da OEA sobre as defensorias, delineando o dever dos Estados de promover os direitos</p><p>humanos por intermédio da adoção do modelo de defensoria pública oficial.</p><p>DPE SC 2021 FCC – Por meio da Resolução nº 2.656/2011, a Assembleia Geral da</p><p>Organização dos Estados Americanos aprovou uma série de orientações sobre a</p><p>efetivação do acesso à justiça,</p><p>A) criando a figura do “Defensor Público Interamericano”, com o papel de atuação</p><p>suplementar nos Estados-membros que não contem com a existência da Defensoria</p><p>Pública.</p><p>B) recomendando aos Estados-membros que já disponham do serviço de assistência</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>132</p><p>jurídica gratuita que adotem medidas que garantam que os Defensores Públicos</p><p>oficiais gozem de foro privilegiado e independência funcional.</p><p>C) incentivando os Estados-membros que ainda não disponham da instituição da</p><p>Defensoria Pública que considerem a possibilidade de criá-la em seus ordenamentos</p><p>jurídicos, em conformidade ao modelo judicare.</p><p>D) afirmando a importância fundamental do serviço de assistência jurídica gratuita</p><p>para a promoção e a proteção do direito ao acesso à justiça de todas as pessoas, em</p><p>especial daquelas que se encontram em situação especial de vulnerabilidade.</p><p>E) incentivando os Estados e os órgãos do Sistema Interamericano a que promovam a</p><p>celebração de convênios de prestação de assistência jurídica suplementar.8</p><p>Principais tratados e casos do Sistema Interamericano</p><p>de Direitos Humanos</p><p>Casos contra o Brasil na Corte IDH</p><p>1) Caso Damião Ximenes Lopes</p><p>2) Caso Sétimo Garibaldi</p><p>3) Caso Escher</p><p>4) Caso Guerrilha do Araguaia</p><p>5) Caso Trabalhadores Da Fazenda Brasil Verde</p><p>6) Caso Favela Nova Brasília</p><p>7) Caso Povo Xucuru</p><p>8) Caso</p><p>Vladmir Herzog</p><p>9) Caso Empregados da Fábrica de Fogos em Santo Antônio de Jesus e outros</p><p>10) Caso Marcia Barbosa</p><p>11) Caso Nogueira De Carvalho</p><p>8 Gabarito: D.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>133</p><p>Caso Damião Ximenes Lopes (2006)</p><p>Este caso gira em torno dos maus tratos e da morte de Damião Ximenes Lopes</p><p>numa clínica privada de saúde mental vinculada ao Sistema Único de Saúde – SUS.</p><p>→ É a primeira condenação do Brasil na Corte IDH;</p><p>→ É o primeiro caso em que a Corte analisa a violação de direitos humanos de</p><p>pessoa com deficiência mental em sua jurisdição contenciosa; e</p><p>→ Corte atribuiu responsabilidade ao Estado mesmo com relação a atos</p><p>comissivos ou omissivos cometidos por particulares.</p><p>→ A Corte definiu que a sujeição só pode ser utilizada para proteger a integridade</p><p>física do paciente ou de terceiros e apenas pessoal treinado e qualificado pode</p><p>utilizar a sujeição, que é “qualquer ação que interfira na capacidade de um</p><p>paciente de tomar decisões ou que restrinja sua liberdade de movimento”.</p><p>Deve haver acompanhamento médico durante e após a sujeição.</p><p>A sujeição deve ser restritiva e a força não pode ser usada de maneira</p><p>desproporcional.</p><p>1ª Fase DPERJ, 2021 – Questão 78 – Segundo a jurisprudência da Corte Interamericana</p><p>de Direitos Humanos, reforçada no “Caso Ximenes Lopes vs. Brasil”, são fundamentos</p><p>da responsabilidade internacional do Estado:</p><p>(A) as ações atribuíveis aos órgãos ou funcionários do Estado;</p><p>(B) somente as ações dos particulares, desde que atribuíveis às omissões do Estado;</p><p>(C) as ações dos particulares que violem qualquer direito consagrado na Convenção</p><p>Americana de Direitos Humanos;</p><p>(D) as ações de qualquer pessoa ou órgão estatal que esteja autorizado pela legislação</p><p>do Estado a exercer autoridade governamental, seja pessoa física ou jurídica, sempre e</p><p>quando estiver atuando na referida competência;</p><p>(E) tanto as ações ou omissões atribuíveis aos órgãos ou funcionários do Estado, como</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>134</p><p>a omissão do Estado em prevenir que terceiros vulnerem os bens jurídicos que</p><p>protegem os direitos humanos consagrados na Convenção Americana de Direitos</p><p>Humanos.</p><p>Correção:</p><p>Como aprendemos acima, a Corte IDH no Caso Damião Ximenes Lopes entendeu que</p><p>as ações e omissões sejam do Estado, sejam de terceiros são puníveis caso violem os</p><p>bens jurídicos e direitos humanos consagrados na CADH. E vamos além: não somente</p><p>na CADH, mas em qualquer convenção internacional de direitos humanos aplicável</p><p>àquele Estado. Gabarito: E.</p><p>Caso Sétimo Garibaldi vs. Brasil (2009)</p><p>Esse caso trata sobre o assassinato de um militante do MST em conflito sobre</p><p>terra, durante um despejo extrajudicial feito numa fazenda no Paraná.</p><p>O Brasil ainda não cumpriu totalmente a decisão da Corte.</p><p>A Corte definiu os princípios que o Estado deve adotar na investigação de mortes</p><p>violentas:</p><p>→ Identificação da vítima</p><p>→ Identificação de testemunhas</p><p>→ Preservação da cadeia de custódia das provas</p><p>→ Determinação da causa, forma, lugar e momento da morte</p><p>→ Distinção entre morte natural, acidental, suicídio e homicídio.</p><p>Além disso, a Corte identificou o MST como um grupo em situação de</p><p>vulnerabilidade.</p><p>Caso Escher e outros vs. Brasil (2009)</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>135</p><p>Esse caso trata da implantação de escutas ilegais e interceptação telefônica de</p><p>membros de organizações comunitárias ligadas ao MST, que eram supostamente</p><p>suspeitos de crimes.</p><p>A CADH protege o sigilo das comunicações telefônicas numa interpretação</p><p>evolutiva do direito à intimidade e à vida privada;</p><p>É proibido divulgar conversas telefônicas interceptadas;</p><p>A Corte IDH entendeu que houve violação do direito à liberdade de associação;</p><p>Caso Guerrilha do Araguaia (2010)</p><p>Trata sobre a detenção arbitrária e o desaparecimento forçado de mais de 70</p><p>pessoas integrantes do Partido Comunista Brasileiro e camponeses do Tocantins.</p><p>A Corte decidiu que a Lei de Anistia (Lei 6683/79) era inconvencional, abrindo</p><p>divergência com o STF, que entende ser tal lei constitucional.</p><p>Ocorre que se trata de Duplo controle: o controle de convencionalidade e o de</p><p>constitucionalidade, pelo qual toda norma passa para se verificar se ela viola ou não os</p><p>direitos humanos.</p><p>Nesse caso, a Lei de Anistia passou no controle de constitucionalidade, mas foi</p><p>reprovada pelo controle de convencionalidade.</p><p>Caso Trabalhadores da Fazenda Brasil Verde vs. Brasil (2016)</p><p>Trata da falha do Brasil em investigar e punir os responsáveis por reduzirem à</p><p>condição análoga à de escravo diversas pessoas em fazendas no Pará.</p><p>Trata-se do primeiro caso analisado pela Corte sobre Trabalho Escravo.</p><p>A Corte decidiu que o crime de escravidão é imprescritível.</p><p>Caso Favela Nova Brasília/ Cosme Rosa Genoveva e outros vs. Brasil (2017)</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>136</p><p>Trata das execuções extrajudiciais praticadas por agentes da polícia civil no RJ</p><p>entre 1994 e 1995, em operações na Favela Nova Brasília, no Complexo do Alemão, Rio</p><p>de Janeiro.</p><p>Também ocorreu o estupro de três mulheres.</p><p>Corte IDH é contrária ao auto de resistência à prisão, pois é preciso investigar (de</p><p>forma imparcial, não podendo ser a própria polícia que realizou as prisões ou os</p><p>crimes) todas as mortes decorrentes de operações policiais.</p><p>Estado foi condenado a investigar e punir os policiais que assassinaram e</p><p>estupraram as vítimas, bem como a indenizá-las;</p><p>Além disso, o Estado deverá publicar anualmente um relatório oficial com dados</p><p>relativos às mortes ocasionadas durante operações da polícia em todos os estados do</p><p>país. Esse relatório deverá também conter informação atualizada anualmente sobre as</p><p>investigações realizadas a respeito de cada incidente que redunde na morte de um civil</p><p>ou de um policial.</p><p>1ª Fase XXVII Concurso DPERJ – Questão 81 – Sobre o “Caso Favela Nova Brasília”, é</p><p>correto afirmar que:</p><p>(A) os representantes reclamaram que, se a investigação dos fatos tivesse sido</p><p>registrada como “auto de resistência”, teria sido diligente e efetiva;</p><p>(B) para a Corte Interamericana de Direitos Humanos, o dever de investigar é uma</p><p>obrigação de resultado que corresponde ao direito das vítimas à justiça e à punição</p><p>dos perpetradores;</p><p>(C) para a Corte Interamericana de Direitos Humanos, o cumprimento da obrigação de</p><p>empreender uma investigação séria, imparcial e efetiva do ocorrido, no âmbito das</p><p>garantias do devido processo, implica também um exame do prazo da referida</p><p>investigação e independe da participação dos familiares da vítima durante essa</p><p>primeira fase;</p><p>(D) a Comissão Interamericana de Direitos Humanos ressaltou que as investigações</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>137</p><p>policiais foram realizadas pelas mesmas delegacias da Polícia Civil que haviam</p><p>realizado as operações, o que gerou a falta de independência das autoridades</p><p>encarregadas pelas investigações, violando os artigos 7.1 e 25.1, em relação ao artigo</p><p>1.1 da Convenção Americana de Direitos Humanos;</p><p>(E) a Corte Interamericana de Direitos Humanos considera essencial, em uma</p><p>investigação penal sobre morte decorrente de intervenção policial, a garantia de que o</p><p>órgão investigador seja independente dos funcionários envolvidos no incidente. Essa</p><p>independência implica a ausência de relação institucional ou hierárquica, bem como</p><p>sua independência na prática.</p><p>Correção:</p><p>A letra A está incorreta, pois a Corte IDH disse justamente o contrário: “autos de</p><p>resistência” não geram investigação diligente e eficaz.</p><p>A letra B está incorreta, pois a Corte IDH não entende que existe direito das</p><p>vítimas à</p><p>punição, mas sim de verdade, justiça, memória e reparação.</p><p>A letra C está incorreta, pois a Corte IDH entende sim que as vítimas e seus familiares</p><p>devem participar de todas as fases da investigação, independentemente de haver a</p><p>figura de assistente de acusação (ou de assistente da vítima, como a Defensoria do Rio</p><p>prefere) durante a fase de inquérito policial.</p><p>A letra D pode confundir os candidatos, pois quem ressaltou tal informação foi a Corte</p><p>IDH e não a Comissão IDH.</p><p>A letra E está correta.</p><p>Caso Povo Xucuru vs. Brasil (2018)</p><p>Esse caso trata sobre a demora no reconhecimento, na titulação e na demarcação</p><p>das terras do Povo Xucuru;</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>138</p><p>Foi a primeira condenação do Brasil na Corte IDH por ter violado os direitos</p><p>humanos de povos indígenas;</p><p>Brasil foi condenado a indenizar os indígenas do povo Xucuru.</p><p>Caso Vladimir Herzog vs. Brasil (2018)</p><p>Trata-se da morte do jornalista Vladimir Herzog no contexto da ditatura e</p><p>imprescritibilidade de crimes contra a humanidade.</p><p>O Brasil foi condenado por não ter investigado, julgado e punido os responsáveis</p><p>pela tortura e morte de Vladmir Herzog durante a ditadura civil-militar;</p><p>Corte IDH reforçou que as leis de autoanistia são inconvencionais e que crimes</p><p>contra a humanidade como esses não prescrevem.</p><p>Caso Empregados da Fábrica de Fogos em Santo Antônio de Jesus e outros vs.</p><p>Brasil (2020)</p><p>Trata-se de condenação do Brasil em razão da omissão e negligência em relação</p><p>aos direitos das pessoas em situação de vulnerabilidade econômica e racial;</p><p>Em 1998, uma fábrica de fogos em Santo Antônio de Jesus, Bahia, explodiu,</p><p>gerando a morte de 64 pessoas e lesões em 5.</p><p>A maioria das vítimas eram mulheres, sendo 2 grávidas, seguidas por 23 crianças,</p><p>bem como idosos entre 76 e 91 anos.</p><p>A maioria dos trabalhadores mortos eram negros (racismo estrutural)</p><p>A Corte IDH reconheceu que tudo ocorreu no marco de uma discriminação</p><p>estrutural histórica em razão da hipossuficiência e do pertencimento étnico-racial</p><p>Houve impacto desproporcional e discriminação indireta com relação às</p><p>mulheres (feminização da pobreza, interseccionalidade entre raça, classe e gênero)</p><p>Caso Marcia Barbosa de Souza e outros vs. Brasil (2021)</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>139</p><p>Este caso trata do feminicídio de Márcia Barbosa de Souza pelo parlamentar</p><p>Aécio Pereira de Lima, que utilizou indevidamente sua imunidade para nunca ser</p><p>responsabilizado criminalmente, tendo falecido de causas naturais antes de ser</p><p>condenado.</p><p>Como os fatos ocorreram em junho de 1998, antes da aceitação pelo Brasil da</p><p>competência contenciosa da Corte IDH, que apenas se deu em dezembro de 1998, o</p><p>direito à vida de Márcia não pôde ser analisado pela Corte, porém a Corte considerou</p><p>violadas as garantias judiciais, a proteção judicial, a proibição de discriminação e o</p><p>direito à integridade pessoal dos familiares de Márcia.</p><p>A Corte IDH entendeu, ainda que o Estado tem dever de analisar casos de</p><p>violência contra a mulher com uma perspectiva de gênero por parte dos</p><p>investigadores. Eles devem ser capacitados para não discriminar as mulheres e não</p><p>revitimizá-las, especialmente em casos de violência sexual.</p><p>Caso Nogueira de Carvalho vs. Brasil (2006)</p><p>Trata-se da ÚNICA ABSOLVIÇÃO DO BRASIL na Corte IDH até o momento.</p><p>Esse caso analisou o assassinato de um ativista de Direitos Humanos, porém</p><p>houve investigação e processamento do acusado, que foi absolvido no júri popular.</p><p>Gilson Nogueira de Carvalho estava pesquisando sobre os “meninos de ouro”, um</p><p>suposto grupo de extermínio composto por policiais civis e outros funcionários</p><p>públicos. Ele já havia sofrido ameaças de morte anteriormente.</p><p>Outros Casos importantes do Sistema Interamericano de Direitos Humanos</p><p>Atenção! Esses casos nós não vimos em aula, pois não tivemos tempo, então</p><p>deem atenção especial para eles!</p><p>Caso Olmedo Bustos vs. Chile ou “A Última Tentação de Cristo”</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>140</p><p>Este caso trata sobre a proibição da exibição do filme “A Última Tentação de</p><p>Cristo” pelo Conselho de Qualificação Cinematográfica do Chile. A Corte Suprema</p><p>manteve a decisão, pois havia expressa previsão constitucional prevendo tal</p><p>possibilidade.</p><p>A Corte IDH entendeu que foi violado o direito à liberdade de pensamento e de</p><p>expressão e o Chile foi condenado a reformar sua Constituição para eliminar a</p><p>possibilidade de censura. Isso demonstra como para o Direito Internacional dos</p><p>Direitos Humanos, o direito interno, ainda que se trate da Constituição, é mero fato e</p><p>deve SEMPRE se adequar aos pactos internacionais de defesa dos direitos humanos.</p><p>Importante lembrar que o tema da liberdade de expressão é muito importante</p><p>na América Latina, havendo até mesmo uma Relatoria especial sobre liberdade de</p><p>expressão no âmbito da OEA.</p><p>Além disso, tanto na época das ditaduras, quanto atualmente, é um tema muito</p><p>em alta, portanto tem tudo pra ser cobrado em provas!</p><p>CADH, Artigo 13. Liberdade de pensamento e de expressão</p><p>1. Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento e de expressão. Esse direito</p><p>compreende a liberdade de buscar, receber e difundir informações e ideias de toda</p><p>natureza, sem consideração de fronteiras, verbalmente ou por escrito, ou em forma</p><p>impressa ou artística, ou por qualquer outro processo de sua escolha.</p><p>2. O exercício do direito previsto no inciso precedente não pode estar sujeito a censura</p><p>prévia, mas a responsabilidades ulteriores, que devem ser expressamente fixadas pela</p><p>lei e ser necessárias para assegurar:</p><p>a. o respeito aos direitos ou à reputação das demais pessoas; ou</p><p>b. a proteção da segurança nacional, da ordem pública, ou da saúde ou da moral</p><p>públicas.</p><p>3. Não se pode restringir o direito de expressão por vias ou meios indiretos, tais como</p><p>o abuso de controles oficiais ou particulares de papel de imprensa, de frequências</p><p>radioelétricas ou de equipamentos e aparelhos usados na difusão de informação, nem</p><p>por quaisquer outros meios destinados a obstar a comunicação e a circulação de ideias</p><p>e opiniões.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>141</p><p>4. A lei pode submeter os espetáculos públicos a censura prévia, com o objetivo</p><p>exclusivo de regular o acesso a eles, para proteção moral da infância e da adolescência,</p><p>sem prejuízo do disposto no inciso 2.</p><p>5. A lei deve proibir toda propaganda a favor da guerra, bem como toda apologia ao</p><p>ódio nacional, racial ou religioso que constitua incitação à discriminação, à hostilidade,</p><p>ao crime ou à violência.</p><p>Caso Palamara Iribarne vs. CHILE</p><p>Palamara, ex-membro Armada do Chile, publicou um livro sobre seu período de</p><p>trabalho militar. O Chile entendeu que a publicação vulneraria a segurança e a defesa</p><p>nacionais e determinou a apreensão do livro, bem como o processamento de Palamara</p><p>por crimes de desacato (entre outros).</p><p>Em 2005, a Corte IDH condenou o Chile por violar o direito de liberdade de</p><p>expressão e de pensamento, praticando a censura prévia.</p><p>Ademais, decidiu, como em diversos outros casos, sendo jurisprudência pacífica</p><p>que JUSTIÇA PENAL MILITAR NÃO PODE JULGAR CIVIS!</p><p>Além disso, entendeu que a criminalização do desacato é incompatível com a</p><p>CADH quando utilizada como efeito resfriador ou chilling effect, isto é, para impedir</p><p>críticas feitas ao governo e a seu aparato repressor. O chilling effect pode gerar uma</p><p>autocensura nos próprios cidadãos, que se sentem coibidos a criticar o governo e o</p><p>Estado em si.</p><p>Entretanto, CUIDADO! A Corte nunca disse que o crime de desacato por si só é</p><p>inconvencional! Aqui temos uma grande divergência entre a Corte IDH e a Comissão!</p><p>A CIDH há muito vem se manifestando indistintamente contra as leis de</p><p>https://www.migalhas.com.br/coluna/migalhas-infancia-e-juventude</p><p>https://www.migalhas.com.br/coluna/migalhas-infanciae-juventude/382078/a-tragedia-yanomami-tem-raca-genero-e-idade</p><p>https://www.migalhas.com.br/coluna/migalhas-infanciae-juventude/382078/a-tragedia-yanomami-tem-raca-genero-e-idade</p><p>https://www.migalhas.com.br/coluna/migalhas-infancia-e-juventude/360949/mudancas-a-vista-na-politicade-convivencia-familiar</p><p>https://www.migalhas.com.br/coluna/migalhas-infancia-e-juventude/360949/mudancas-a-vista-na-politicade-convivencia-familiar</p><p>10</p><p>https://www.migalhas.com.br/coluna/migalhas-infancia-</p><p>ejuventude/338480/videoconferencia-em-processos-infracionais--quando-a-</p><p>produtividade-vale-mais-do-quea-protecao-integral</p><p>Pandemia e riscos às meninas: casamento infantil. Disponível em:</p><p>https://www.migalhas.com.br/coluna/migalhas-infancia-e-</p><p>juventude/344909/pandemia-e-riscos-asmeninas-casamento-infantil</p><p>O ECA no centro do debate do sistema de justiça: uma análise para além</p><p>do modelo adversarial. Disponível em:</p><p>https://www.migalhas.com.br/coluna/migalhas-infancia-e-juventude/353432/o-eca-</p><p>no-centro-dodebate-do-sistema-de-justica</p><p>Charlotth Back</p><p>Examinadora Externa</p><p>Charlotth Back tem doutorado em Ciências Jurídicas e Políticas na</p><p>Universidad Pablo de Olavide (Espanha), com estágio doutoral no Centro de Estudos</p><p>Sociais da Universidade de Coimbra (Portugal), mestrado em Direitos Humanos,</p><p>Interculturalidade e Desenvolvimento pela Universidad Pablo de Olavide (Espanha) e</p><p>mestrado em Relações Internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro</p><p>(Brasil).</p><p>Possui graduação em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro</p><p>(Brasil).</p><p>No momento, atua como professora nos cursos de Direito, Relações</p><p>Internacionais e Psicologia na Universidade Estácio de Sá (Brasil), e como pesquisadora</p><p>no HOMA - Centro de Direitos Humanos e Empresas da Universidade Federal de Juiz de</p><p>Fora (Brasil) e na CLACSO - Conselho Latino Americanos de Ciências Sociais (Argentina).</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>https://www.migalhas.com.br/coluna/migalhas-infancia-ejuventude/338480/videoconferencia-em-processos-infracionais--quando-a-produtividade-vale-mais-do-quea-protecao-integral</p><p>https://www.migalhas.com.br/coluna/migalhas-infancia-ejuventude/338480/videoconferencia-em-processos-infracionais--quando-a-produtividade-vale-mais-do-quea-protecao-integral</p><p>https://www.migalhas.com.br/coluna/migalhas-infancia-ejuventude/338480/videoconferencia-em-processos-infracionais--quando-a-produtividade-vale-mais-do-quea-protecao-integral</p><p>https://www.migalhas.com.br/coluna/migalhas-infancia-e-juventude/344909/pandemia-e-riscos-asmeninas-casamento-infantil</p><p>https://www.migalhas.com.br/coluna/migalhas-infancia-e-juventude/344909/pandemia-e-riscos-asmeninas-casamento-infantil</p><p>https://www.migalhas.com.br/coluna/migalhas-infancia-e-juventude/353432/o-eca-no-centro-dodebate-do-sistema-de-justica</p><p>https://www.migalhas.com.br/coluna/migalhas-infancia-e-juventude/353432/o-eca-no-centro-dodebate-do-sistema-de-justica</p><p>11</p><p>É sócia do escritório Proner & Strozake - Advocacia e pertence ao Setor de</p><p>Direitos Humanos do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST).</p><p>Participa da Secretaria Internacional da Associação Brasileira de Juristas</p><p>pela Democracia (ABJD), do Conselho Latino Americano de Justiça e Democracia</p><p>(CLAJUD) do Grupo de Puebla e da Comissão de Direito Constitucional da Ordem dos</p><p>Advogados do Brasil (Seccional Rio de Janeiro)</p><p>Desde 2020, exerce a Vice-Presidência da Comissão de Direito</p><p>Internacional da Ordem dos Advogados do Brasil (Seccional Rio de Janeiro) e a</p><p>representação do MST na Comissão Água e Terra do Conselho Nacional de Direitos</p><p>Humanos.</p><p>Tem experiência em temas de direito público, direito constitucional, direito</p><p>administrativo, direito internacional, direitos humanos e democracia.</p><p>Formação acadêmica:</p><p>Doutorado em Ciências Jurídicas e Políticas. Título: Contradições e</p><p>sementes deixadas pelos tribunais internacionais de mobilização social - o caso do</p><p>Tribunal Internacional para a Aplicação da Justiça Restaurativa em El Salvador, Ano de</p><p>obtenção: 2019.</p><p>Mestrado em Derechos Humanos, Interculturalidad y Desarrollo. Título:</p><p>Tribunais Internacionais de Opinião e os Direitos Humanos, Ano de Obtenção: 2017.</p><p>Orientador: Carol Proner.</p><p>Mestrado em Relações Internacionais. Título: A Política Externa Brasileira e</p><p>o Sistema Interamericano de Direitos Humanos, Ano de Obtenção: 2016. Orientador:</p><p>Ana Paula Tostes.</p><p>Graduação em Direito. Título: O princípio da moralidade e sua aplicação na</p><p>ação de impugnação de registro de candidatura. Orientador: Vânia Siciliano Aieta.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>12</p><p>A examinadora é advogada do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem</p><p>Terra e Representante da entidade na Comissão Água e Terra no Conselho Nacional de</p><p>Direitos Humanos (CNDH). Atua também como professora de Direito Internacional</p><p>Público, Direito Internacional Privado, Direito Administrativo, Direitos Humanos e</p><p>Filosofia, é pesquisadora do Centro de Direitos Humanos e Empresas da UFJF (HOMA),</p><p>investigadora do Grupo Lex Mercatoria, Derechos Humanos y Empresas do Conselho</p><p>Latino Americanos de Ciências Sociais (CLACSO), membro do membro do Consejo</p><p>Latino Americano de Justiça e Democracia do Grupo de Puebla (CLAJUD), vice-</p><p>presidente da Comissão de Direito Internacional e membro da Comissão de Direito</p><p>Constitucional da OAB-RJ. Em 2021, foi Observadora Eleitoral nas eleições</p><p>venezuelanas, e participou de duas missões internacionais da Associação Brasileira de</p><p>Juristas pela Democracia (ABJD): a Missão Internacional de Juristas pela Paz e pela</p><p>Democracia no Haiti, e a Coalizão Internacional Pela Paz e Pela Democracia na</p><p>Venezuela, ambas em 2019.</p><p>Pedro González</p><p>Titular da DP junto à 1ª Vara Cível e ao JEC de Queimados. Já foi</p><p>coordenador do Núcleo de Atendimento à Pessoa com Deficiência. Também já atuou</p><p>no Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos – NUDEDH e Núcleo Especial de</p><p>Atendimento à Pessoa Idosa – NEAPI.</p><p>Mestre em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal</p><p>Fluminense - UFF.</p><p>Especialista em Direito-Civil Constitucional pela Universidade do Estado do</p><p>Rio de Janeiro - UERJ (2015) e em Direito Civil pela Universidade Anhanguera-Uniderp</p><p>Rede LFG (2014).</p><p>Bacharel em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ</p><p>(2009).</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>13</p><p>Professor Auxiliar da Faculdade de Direito da Universidade Estácio de Sá</p><p>(UNESA).</p><p>Professor em cursos de extensão e de pós-graduação. Defensor Público da</p><p>Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro desde 2010. Tem experiência na área</p><p>de Direito, atuando principalmente nos seguintes temas: direito constitucional,</p><p>democracia, Defensoria Pública, acesso à justiça, assistência jurídica gratuita, direitos</p><p>humanos, direitos das pessoas com deficiência e direitos das pessoas idosas.</p><p>Formação acadêmica:</p><p>Mestrado em Sociologia e Direito. Título: A Definição Constitucional da</p><p>Defensoria Pública como Expressão e Instrumento do Regime Democrático: Para além</p><p>de sua Função Simbólica, Ano de Obtenção: 2018. Orientador: Cleber Francisco Alves.</p><p>Especialização em Direito Civil-Constitucional. Título: A flexibilização do</p><p>princípio da indivisibilidade da prestação diante da solidariedade social e da boa-fé</p><p>objetiva. Orientador: Aline de Miranda Valverde Terra.</p><p>Especialização em Direito Civil. Título: Despatrimonialização da reparação</p><p>dos danos morais: nova etapa da repersonalização do direito civil. Orientador: Renato</p><p>Sedano Onofri.</p><p>Graduação em Direito. Título: A tutela coletiva como instrumento de</p><p>efetividade dos direitos diante da desinformação jurídica: acesso à justiça e ao direito.</p><p>Orientador: Humberto</p><p>desacato, entendendo que quem ofende a honra de funcionário público não deve</p><p>receber nenhuma reprimenda penal.</p><p>Já a Corte ainda não estabelece a inconvencionalidade, compreendendo que ela</p><p>somente ocorrerá quando os tipos penais forem utilizados para cercear a liberdade de</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>142</p><p>expressão da forma como esse direito é concebido no sistema interamericano, isto é,</p><p>um direito humano que admite relativização.</p><p>Os casos em que a Corte considerou o desacato inconvencional foram aqueles em</p><p>que esses crimes foram usados de forma arbitrária para apenas cercear a liberdade de</p><p>expressão.</p><p>Agora, quando a pessoa agride a honra de um funcionário público, policial militar,</p><p>xingando, usando palavras de baixo calão, a Corte tem entendido que existe o desacato</p><p>sim.</p><p>Enquanto a CIDH se opõe de forma absoluta à criminalização da expressão que</p><p>ofende, insulta ou ameaça um funcionário público no exercício de suas atribuições</p><p>oficiais – seja qual for o tipo penal (desacato, difamação, injúria ou calúnia) – por</p><p>consistir uma censura indireta à liberdade de expressão, a Corte IDH não chega – pelo</p><p>menos ainda – a estabelecer claramente a inconvencionalidade desta criminalização,</p><p>compreendendo que ela haverá somente quando os tipos penais mencionados forem</p><p>utilizados para cercear a liberdade de expressão da forma como esse direito é</p><p>concebido no sistema interamericano, isto é, um direito humano que admite</p><p>relativização.</p><p>Alguns pontos importantes para lembrarmos na hora da prova sobre esse caso:</p><p>→ O STJ já tinha entendido que o crime de desacato era inconvencional, mas</p><p>depois mudou de posicionamento.</p><p>→ Atualmente, o STJ e o STF entendem que o crime de desacato é convencional</p><p>e constitucional.</p><p>→ A proteção da propriedade privada pela CADH (art. 21.1) abrange não</p><p>somente os bens materiais, mas também a propriedade intelectual.</p><p>→ A Justiça Militar é incompetente para julgar civis, ainda que estes estejam</p><p>prestando algum tipo de serviço de caráter transitório para as Forças Armadas.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>143</p><p>Caso Fontevecchia e D’amico vs. Argentina</p><p>Resumo dos fatos: (Zouein)</p><p>“(...) as vítimas do presente caso eram funcionários da Revista News, e haviam</p><p>sido civilmente condenados por publicarem dois artigos jornalísticos que tratavam da</p><p>possível existência de um filho “bastardo” do então Presidente da República argentino</p><p>(Carlos Saúl Menem) com uma Deputada. Depreende-se que a sentença havia sido</p><p>prolatada com fundamentação na violação do direito à vida privada e proteção da</p><p>honra e dignidade do então Presidente. Dado o exposto, o caso foi levado à Comissão</p><p>Interamericana por se considerar violação ao direito de liberdade de expressão.</p><p>Condenação desproporcional com claro intuito de censurar/ gerar efeito inibidor”.</p><p>(Valerio Mazzuoli)</p><p>A Corte IDH entendeu que as figuras públicas têm um grau diferenciado e</p><p>proteção da sua privacidade, além de haver interesse público em saber o que elas</p><p>fazem. Assim, a Argentina foi condenada por violar a liberdade de expressão, tendo em</p><p>vista que as informações divulgadas, na verdade, eram de caráter público.</p><p>Entretanto, infelizmente, a Argentina nunca cumpriu na íntegra a decisão da</p><p>Corte, pois alega que a decisão de seu mais alto tribunal nacional ratificou a</p><p>condenação civil dos jornalistas.</p><p>Caso Vélez Loor vs. Panamá</p><p>O Sr. Vélez Loor era um equatoriano que foi detido no Panamá por não ter os</p><p>documentos necessários para ficar no país e foi apenado por ter sido a segunda vez</p><p>que isso ocorreu. Ele foi preso num presídio, torturado, não teve direito a defensor e</p><p>nem pôde se comunicar com seu país de origem.</p><p>A Corte, em 2010, reconheceu que o Panamá violou diversos dispositivos,</p><p>especialmente pela a ausência de publicidade/fundamentação dos decretos prisionais;</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>144</p><p>ausência de assistência judiciária gratuita, e mesmo de recursos judiciais; Além disso,</p><p>condenou o Panamá pela impossibilidade de que Loor entrasse em contato com o</p><p>consulado de seu país; pela precariedade do sistema prisional, inclusive por não</p><p>separar os presos provisórios dos definitivos; por fim, por violação à integridade física,</p><p>diante da tortura perpetrada.</p><p>A condenação foi de fornecer tratamento médico e psicológico ao Sr. Vélez Loor,</p><p>investigar e punir os responsáveis por suas violações de direitos humanos, implementar</p><p>condições dignas para os imigrantes detidos no país e capacitar a rede de atendimento</p><p>aos imigrantes.</p><p>Além disso, a Corte ressaltou que qualquer pessoa detida tem direito à audiência</p><p>de custódia, inclusive aqueles detidos por conta da situação migratória irregular.</p><p>A Corte ressaltou, ainda, a necessidade de defesa técnica nos procedimentos</p><p>administrativos ou judiciais que possam resultar em decisão de expulsão, deportação</p><p>ou privação de liberdade, devendo haver serviço público gratuito de defesa para os</p><p>imigrantes.</p><p>Família Pacheco Tíneo vs. Bolívia</p><p>Este caso trata de uma família peruana perseguida pelo Governo Fujimori que</p><p>buscou refúgio na Bolívia. Porém, como eles ingressaram no país de maneira irregular,</p><p>a Bolívia decidiu expulsá-los de volta para o Peru, onde foram presos.</p><p>Em 2013, a Corte condenou a Bolívia por ofender e desrespeitar o direito</p><p>humano de buscar asilo, bem como a proteção especial das crianças, pois a família era</p><p>composta por pai, mão e duas crianças.</p><p>Além disso, como já vimos anteriormente, a Bolívia violou o princípio do non</p><p>refoulement, ou da proibição da devolução ao país em que o direito à vida esteja em</p><p>risco.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>145</p><p>A Bolívia foi condenada a indenizar a família, capacitar profissionais da imigração,</p><p>publicar a sentença e informar as medidas adotadas após um ano.</p><p>Caso das Meninas Yean e Bosico vs. República Dominicana</p><p>Este caso trata de duas meninas que nasceram na República Dominicana, porém</p><p>cujos pais eram haitianos. Elas não conseguiam de jeito nenhum o registro tardio de</p><p>seus nascimentos, pois as autoridades de registro civil se negavam a emitir as certidões</p><p>de nascimento.</p><p>Assim, era como se elas não existissem e fosse apátridas perante os Estados,</p><p>ficando numa situação de vulnerabilidade e ilegalidade absoluta! Isso prejudicou seu</p><p>acesso à saúde, à educação, à assistência social, enfim, à vida em sociedade.</p><p>Assim, a República Dominicana foi condenada pela Corte por negar tal direito às</p><p>meninas, por não dar um recurso judicial efetivo pra que elas questionassem a negativa</p><p>de seus direitos, bem como por violarem direitos de crianças, o que é ainda mais grave.</p><p>A Core também entendeu que, embora seja o Estado que decide quem é seu</p><p>nacional, não é possível que essa discricionariedade prejudique um ser humano,</p><p>devendo tal poder ser limitado para que haja proteção igualitária e efetiva da lei sem</p><p>discriminação, pois todos os Estados têm o dever de prevenir, evitar e reduzir a</p><p>apatridia.</p><p>Além do direito à nacionalidade e à personalidade jurídica, a República Dominana</p><p>violou o direito ao nome, que é elemento básico e indispensável da identidade de</p><p>qualquer pessoa. Assim, o Estado tem a obrigação de proteger o direito ao nome e</p><p>também de oferecer as medidas necessária para facilitar o registro de toda pessoa</p><p>imediatamente após o nascimento.</p><p>Caso Ivcher Bronstein vs. Peru</p><p>Também no Peru tivemos um caso de apatridia. Nesse caso, o Sr. Baruch Ivcher</p><p>Bronstein, nascido em Israel, recebeu a nacionalidade peruana do presidente do Peru,</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>146</p><p>porém com uma condição: que renunciasse à nacionalidade israelense. Ele fez isso. Isso</p><p>porque, na época,</p><p>apenas peruanos podiam ser proprietários de ações de empresas</p><p>concessionárias de canais de TV no Peru e o Sr. Bronstein queria justamente comprar</p><p>tais ações.</p><p>Ocorre que, anos depois, quando ele era proprietário de mais de 50% das ações a</p><p>operadora do canal 2, este canal difundiu num programa denúncias de torturas</p><p>cometidas por membros do Serviço de Inteligência do Exército do Peru e reportagens</p><p>sobre receitas milionárias recebidas por um assessor desse mesmo Serviço de</p><p>Inteligência.</p><p>Por conta disso, em 1997, a Direção Nacional da Polícia Fiscal abriu um processo</p><p>contra o sr. Bronstein e após, foi expedido um decreto permitindo a possibilidade de</p><p>cancelar a nacionalidade de pe torrs naturalizados. Adivinhem o que aconteceu? Isso</p><p>mesmo, ele perdeu a nacionalidade peruana. Ahh, mas ele voltou a ser israelense</p><p>então? Não! Lembrem que, em 1984, ele foi obrigado a renunciar à sua nacionalidade</p><p>israelense, portanto, ele se tornou apátrida, isto é, sem nenhuma nacionalidade.</p><p>No meio desse caso, o Peru resolveu comunicar à Corte que revogava a aceitação</p><p>da cláusula de submissão à jurisdição contenciosa da Corte. Porém, a Corte IDH NÃO</p><p>aceitou a retirada do Peru, explicando que a aceitação da competência contenciosa é</p><p>cláusula pétrea que não admite limitações, exceto as previstas no art. 62.1 da CADH.</p><p>Então é impossível que um Estado decida não mais aceitar a competência</p><p>contenciosa da Corte?</p><p>Não!! A Corte disse que é possível, mas nesse caso, o Estado terá que denunciar a</p><p>CADH como um todo! E ainda vai ter que esperar 1 ano pra essa denúncia começar a</p><p>valer.</p><p>Novamente, sobre o direito à nacionalidade, a Corte reforçou a</p><p>discricionariedade limitada do Estado. Assim, o Estado não pode decidir</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>147</p><p>arbitrariamente retirar a nacionalidade de um cidadão, especialmente se isso deixa-lo</p><p>apátrida.</p><p>A CADH estabeleceu expressamente que “A ninguém se deve privar</p><p>arbitrariamente de sua nacionalidade, nem do direito de mudá-la” (art. 20.3).</p><p>Com relação à autoridade competente para cancelar a nacionalidade, a Corte</p><p>observou que o senhor Ivcher adquiriu o título de nacional do Peru por uma resolução</p><p>do Presidente da República, também assinada pelo Ministro de Relações Exteriores.</p><p>Porém, o cancelamento da nacionalidade do senhor Ivcher se deu mediante uma</p><p>resolução do Diretor-Geral de Migrações e Naturalização, autoridade de menor</p><p>hierarquia do que aquela responsável pela outorga do título de nacional à vítima. Esse</p><p>foi um dos motivos que levou a Corte IDH a considerar que o Estado peruano privou</p><p>arbitrariamente o senhor Ivcher de sua nacionalidade (Mérito, reparações e custas, §§</p><p>96 e 109).</p><p>Caso Yatama vs. Nicarágua</p><p>Nesse caso, a organização indígena Yatama, que há décadas sempre representou</p><p>o grupo nas eleições do país, foi excluída por uma alteração legislativa, sem a</p><p>possibilidade de revisão dessa decisão.</p><p>A Corte condenou a Nicarágua por ter violado o princípio da igualdade e da não</p><p>discriminação, bem como por não ter possibilitado um recurso efetivo para a revisão</p><p>da decisão.</p><p>Além disso, exigiu que o país faça uma reforma eleitoral para que comunidades</p><p>indígenas participem das eleições em igualdades de condições.</p><p>A Corte reconheceu que o princípio da igualdade material tem natureza jus</p><p>cogens e que ocorreu discriminação indireta ou impacto desproporcional.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>148</p><p>A Teoria do Impacto Desproporcional trata sobre a adoção de um critério</p><p>aparentemente neutro, seja pelo setor público ou privado, que, numa situação</p><p>concreta gera impacto negativo desproporcional em relação a um grupo em situação</p><p>de vulnerabilidade. Foi exatamente o que aconteceu na Nicarágua, como pudemos</p><p>observar.</p><p>Caso Comunidad Moiwana vs. Suriname</p><p>Neste caso, o exército do Suriname massacrou e exilou a Comunidade N'djuka</p><p>Maroon, de Moiwana.</p><p>A Corte condenou o Suriname por violar o direito à integridade físico-psíquico</p><p>moral, à circulação e residência, à propriedade tradicional, o acesso à justiça e o devido</p><p>processo legal, bem como de honrar os membros falecidos com rituais de morte.</p><p>Assim, o Suriname foi condenado a investigar, processar e punir os violadores de</p><p>direitos humanos, recuperar os restos mortais, outorgar aos membros da comunidade</p><p>o título de proprietários daquela terra e a construir um monumento em memória do</p><p>povo.</p><p>Além disso, a Corte disse que houve um dano ao projeto de pós-vida, diferente</p><p>do projeto de vida reconhecido no Caso Loayza Tamayo (vamos ver em breve). Isso</p><p>porque Cançado Trindade, finado juiz da Corte IDH entendeu que houve dano</p><p>espiritual, que se relaciona com as crenças no destino da humanidade e sua relação</p><p>com os mortos.</p><p>Caso Comunidades Afrodescendentes Deslocadas da Bacia do Rio Cacarica vs.</p><p>Colômbia (ou Operação Gênesis)</p><p>Este caso trata do deslocamento forçado de quase 3500 afrodescendentes que</p><p>ocorreu devido a uma operação militar para captura de membros da guerrilha das</p><p>FARC. Além disso, o líder comunitário Marino López Mena foi morto.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>149</p><p>Neste caso, pela primeira vez, a Corte usou o termo afrodescendente. Antes</p><p>disso, ela usava o termo “comunidade tribal” ou “comunidades tradicionais”. Ademais,</p><p>antes, ela aplicava os direitos especiais dos povos indígenas ao povo tribunal de forma</p><p>indireta. Nesse caso, aplicou diretamente os direitos previstos na Convenção 169 da</p><p>OIT.</p><p>A CORTE IDH condenou a Colômbia por violação a diversos direitos</p><p>internacionais, a prestar assistência humanitária e indenizações, bem como garantir o</p><p>regresso das comunidades deslocadas.</p><p>O deslocamento forçado ofende normas de Direito Internacional Humanitário,</p><p>pois a população civil não pode ser alvo dos conflitos armados existentes na região.</p><p>Vamos aproveitar pra diferenciar os povos quilombolas dos povos indígenas?</p><p>QUILOMBOLA INDÍGENA</p><p>Propriedade (art. 68, ADCT) Posse/usufruto (art. 231, § 2º, CF)</p><p>Propriedade coletiva-privada (mas</p><p>inalienável, impenhorável e</p><p>imprescritível)</p><p>Propriedade da União (art. 20, XI)</p><p>Isenção do ITR (Lei n. 13.043/14) Imunidade tributária recíproca (art. 150, IV,</p><p>a)</p><p>Advento da CF/88 (ou abolição da</p><p>escravatura) não constitui marco para</p><p>seu reconhecimento.</p><p>Advento da CF/88 constitui marco para</p><p>reconhecimento de suas áreas (ocupação –</p><p>teoria do fato indígena)</p><p>1ª Fase XXVII Concurso DPERJ – Questão 82 – O Rio de Janeiro tem assistido ao</p><p>incremento da violência e da intensidade de ataques a terreiros/casas religiosas de</p><p>matrizes africanas. Além da violência física e psicológica contra os religiosos, as casas</p><p>têm sido invadidas, incendiadas, os artefatos sagrados quebrados e, em alguns casos,</p><p>os membros são expulsos de suas casas e impedidos de retornar. Quando muito, as</p><p>vítimas conseguem registrar as violências como violação de domicílio,</p><p>constrangimento ilegal, dano e furto. Para garantir maior proteção junto ao sistema</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>150</p><p>interno e internacional de direitos humanos:</p><p>(A) não pode ser mobilizada a Convenção 169 da OIT que se destina à proteção de</p><p>povos indígenas e tribais;</p><p>(B) não pode ser mobilizada a Convenção 169 da OIT, uma vez que o entendimento</p><p>acerca de povos tribais no Brasil se refere a comunidades quilombolas, ribeirinhas, de</p><p>pescadores e marisqueiras;</p><p>(C) só pode ser aplicada a Convenção 169 da OIT para os casos envolvendo terreiros</p><p>que se localizem em comunidades quilombolas;</p><p>(D) só pode ser aplicada a Convenção 169 da OIT para os casos envolvendo terreiros</p><p>cujas lideranças religiosas sejam de descendência africana, conforme mobilização do</p><p>conceito de Comunidades Tradicionais de Matrizes Africanas;</p><p>(E) pode</p><p>ser mobilizada a Convenção 169 da OIT, pois os terreiros possuem formas</p><p>próprias de organização social, ocupando e usando territórios e recursos naturais</p><p>como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica.</p><p>Correção: Essa questão é muito interessante e convidava o candidato a expandir seu</p><p>pensamento. Quando esse convite for feito na sua prova, aceite-o, pois normalmente</p><p>os examinadores da DPERJ, especialmente na matéria de Direitos Humanos, têm essa</p><p>pegada. A Convenção 169 da OIT trata especialmente sobre comunidades tradicionais,</p><p>mas pode ser aplicada a outras forma de organização social que utilizam territórios e</p><p>recursos naturais de forma distinta da sociedade “mainstream”. Foi exatamente isso</p><p>que a Corte IDH fez no Caso Comunidades Afrodescendentes Deslocadas da Bacia do</p><p>Rio Cacarica vs. Colômbia (ou Operação Gênesis), aplicando a Convenção 169 de</p><p>forma direta. Assim, o convite da examinadora foi para que aplicássemos também aos</p><p>povos de terreiros tal convenção, para que tivessem seus direitos humanos</p><p>protegidos. Nesse caso, aplicamos o princípio pro homine, para garantir a máxima</p><p>proteção aos direitos humanos dessas pessoas em situação de vulnerabilidade.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>151</p><p>Caso Loayza Tamayo vs. Peru</p><p>Este caso trata sobre uma professora universitária que foi acusada de pertencer</p><p>ao grupo revolucionário do Sendero Luminoso e por isso foi presa, torturada, ficou</p><p>incomunicável, foi constrangida a aparecer vestido traje listrado e foi julgada pela</p><p>Justiça Militar. Foi absolvida.</p><p>Porém, foi julgada depois pelos MESMOS FATOS na Justiça Comum e foi</p><p>condenada sem direito a recursos judiciais efetivos.</p><p>Foram violados a liberdade pessoal, a proteção judicial, a integridade pessoal</p><p>(maus-tratos, exibição pública em trajes infamantes), devido processo legal (juízes sem</p><p>rosto, foro militar, juiz parcial) e principalmente o princípio do non bis in idem, que diz</p><p>que ninguém pode ser julgado mais de uma vez pelo mesmo fato.</p><p>Neste caso, a Corte entendeu pela primeira vez que houve um dano ao projeto</p><p>de vida, pois passar por toda essa via crúcis prejudicou o planejamento de vida da</p><p>professora Loayza Tamayo.</p><p>Caso Villagrán Morales vs. Guatemala (Caso Meninos de Rua)</p><p>Nesse caso, meninos em situação de rua numa periferia foram sequestrados,</p><p>torturados e mortos, porém a Guatemala não investigou adequadamente tais crimes.</p><p>Assim, o país foi condenado por violar a vida, a liberdade pessoal, por detenção</p><p>ilegítima, a integridade pessoal, pela tortura e maus tratos, aos direitos da criança e à</p><p>proteção judicial e às garantias judiciais.</p><p>1ª Fase DPERJ – Questão 79 – O(A) Defensor(a) Público(a) da Comarca XX recebeu</p><p>assistente social que atua com pessoas em situação de rua, a qual informou, em</p><p>condição anônima, que tem recebido muitos pedidos de documentação e ouvido</p><p>diversos relatos de operações feitas pela Guarda Municipal, expulsando as pessoas</p><p>que dormem na Praça Central, pela madrugada, com violência. Contou que eles</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>152</p><p>chegam, jogam água fria para acordar as pessoas e queimam seus pertences. Ela disse</p><p>que, com a pandemia, o número de pessoas em situação de rua aumentou</p><p>consideravelmente. Elas ficam perambulando pelo centro da cidade e há muita</p><p>reclamação dos lojistas. Relatou também que as operações começaram há mais ou</p><p>menos três meses, e que há relatos de desaparecimento de jovens, crianças e bebês.</p><p>Tendo em vista essas informações, ela pede que a Defensoria Pública tome</p><p>providências. De acordo com o que foi narrado, a estratégia mais adequada a ser</p><p>adotada pela Defensoria Pública é:</p><p>(A) encaminhar a informante para o Ministério Público, vez que não há atuação</p><p>possível pela Defensoria Pública;</p><p>(B) realizar visita “in loco” para ouvir os relatos das pessoas em situação de rua e</p><p>colher provas;</p><p>(C) requisitar a Delegacia de Polícia, a instauração de uma investigação séria,</p><p>independente e imparcial sobre o desaparecimento dos jovens e eventuais sequestros</p><p>de crianças e bebês;</p><p>(D) oficiar a Guarda Municipal, a fim de que pare com esse tipo de abordagem,</p><p>esclarecendo que, além de ferir direitos e garantias individuais da pessoa em situação</p><p>de rua, viola os princípios da Política Nacional para a População em Situação de Rua</p><p>previstos no Decreto nº 7.053/2009;</p><p>(E) oficiar a Prefeitura Municipal, para que tome ciência de que está descumprindo as</p><p>normas do Decreto nº 7.053/2009, em especial do Art. 5º, I (respeito à dignidade da</p><p>pessoa humana), II (direito à convivência familiar e comunitária) e IV (atendimento</p><p>humanizado e universalizado).</p><p>Correção: Embora as alternativas C, D e E pareçam adequadas, nesse caso era</p><p>essencial compreender a visão da examinadora Renata Tavares, que estava na banca</p><p>anterior para acertar a questão. Ela preza muito pelas visitas in loco e oitiva das</p><p>pessoas em situação de vulnerabilidade antes de tomar qualquer providência. No XXVI</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>153</p><p>concurso, igualmente havia uma questão que tratava sobre a necessidade de ouvir a</p><p>assistida antes de tomar qualquer providência. Lembrem sempre disso quando</p><p>receberem notícias de um comunicante que NÃO seja a pessoa que está tendo seus</p><p>direitos humanos violados.</p><p>Sempre precisamos exercer uma escuta ativa das pessoas em situação de</p><p>vulnerabilidade antes de tomar qualquer providência.</p><p>Assim, a alternativa B era a alternativa correta.</p><p>Caso Duque vs. Colômbia</p><p>Esse caso trata da negativa da Colômbia de conceder pensão por morte ao sr.</p><p>Duque após o falecimento de seu companheiro. A Corte decidiu que a orientação</p><p>sexual não pode ser entendida como fator determinante para impedir a obtenção de</p><p>benefício previdenciário de pensão por morte.</p><p>Caso Flor Freire vs. Equador</p><p>Neste caso, o sr. Flor Freira, que era oficial militar, foi sancionado por praticar ato</p><p>sexual com pessoa do mesmo sexo, o que era previsto no Regulamento de Disciplina</p><p>Militar.</p><p>A Corte IDH condenou o Estado por violar a igualdade e a não discriminação, bem</p><p>como o devido processo legal.</p><p>Caso Azul Rojas Marín vs. Peru</p><p>Trata-se sobre a primeira condenação da Corte com relação a violência física</p><p>contra pessoa LGBTI. A Srª Marín, que atualmente se identifica como mulher</p><p>transgênero, na época se identificava como homem cisgênero gay, e foi detida</p><p>arbitrariamente em 2008 sem que os policiais apresentassem qualquer justificativa</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>154</p><p>além do fato de ela estar na rua muito tarde. Ela sofreu agressões verbais, insultos</p><p>homofóbicos, violência física e sexual.</p><p>A Corte condenou o Peru a adotar medidas de caráter individual, como</p><p>pagamento de indenização pecuniária e investigação dos fatos, bem como medidas</p><p>estruturais, dentre as quais, a criação de um protocolo para a investigação de casos</p><p>envolvendo violência contra pessoas LGBTI, criação de cursos de capacitação sobre o</p><p>tema, reunião de dados estatísticos sobre a violência motivada por orientação,</p><p>identidade e expressão sexual, entre outras.</p><p>Caso Artavia Murillo vs. Costa Rica (Caso da Fecundação in Vitro)</p><p>A Costa Rica proibia a prática da fertilização in vitro e isso prejudicou inúmeros</p><p>casais que não podiam fazer o procedimento no país. Os casais mais abastados</p><p>começaram a viajar para realizar a fertilização em outros países, porém os mais pobres</p><p>tiveram o sonho de gestar impossibilitado pelo Estado. Assim, percebe-se que houve</p><p>um impacto desproporcional.</p><p>A Corte entendeu que houve violação ao direito à vida privada e familiar, à</p><p>autonomia reprodutiva e à igualdade e determinou que o Estado não só tornasse sem</p><p>efeito a proibição da fecundação</p><p>in vitro, mas que também incluísse essa fecundação</p><p>dentre seus programas de infertilidade (não-discriminação).</p><p>A Corte entendeu ainda que o embrião ainda não pode ser considerado pessoa,</p><p>bem como a CIDH decidiu no Caso Baby Boy vs. EUA em que o objetivo era condenar</p><p>os EUA por permitir o aborto de embriões.</p><p>Caso Gonzalez Lluy vs. Equador</p><p>Este caso trata da menina Talia Gabriela Gonzalez Lluy que, numa transfusão de</p><p>sangue não testado, adquiriu o vírus da AIDS aos três anos. Depois disso, ela passou a</p><p>ser discriminada pela escola, não teve atendimento médico especializado adequado, foi</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>155</p><p>impedida pela diretoria da escola de estudar, pois havia o medo do risco da</p><p>contaminação, pois tudo se passou no final da década de 1990.</p><p>Mesmo a família de Talia tendo procurado o judiciário, este negou seus pedidos</p><p>pois disse que prevalecia o interesse dos alunos em prevenir um suposto risco de</p><p>contaminação e que Talia devia estudar de forma remota.</p><p>Além disso tudo, Talia e sua família eram extremamente pobres e tiveram que se</p><p>mudar várias vezes, além de sua mãe ter sido demitida várias vezes pelo preconceito.</p><p>Absurdo, né?</p><p>Por isso a Corte condenou o Equador por violar a vida, a integridade pessoal, a</p><p>educação, a não discriminação, o superior interesse da criança, dentre outros.</p><p>A Corte entendeu, ainda, que, embora ser soropositivo por si só não configure</p><p>deficiência, tal diagnóstico conjugado com barreiras socioeconômicas que impedem a</p><p>plena inclusão social da pessoa no meio social pode sim ser considerado deficiência.</p><p>Caso Sebástian Furlán vs. Argentina</p><p>O adolescente Sebástian Furlán, de 14 anos, estava brincando na rua em 1988</p><p>quando entrou num circuito de treinamento militar abandonado, sem proteção e</p><p>muito frequentado por jovens e sofreu um grave acidente: uma viga de aço caiu em</p><p>cima dele.</p><p>Por isso, ele ficou com graves sequelas e deficiências e o Estado argentino foi</p><p>condenado a prestar serviço médico e psicológico, a incluí-lo social, educacional e</p><p>profissionalmente e a indenizá-lo, bem como a sua família.</p><p>A Corte entendeu que ocorreu um dano ao projeto de vida, pois ele perdeu as</p><p>suas perspectivas de futuro de acordo com como era antes do acidente.</p><p>Este caso foi o primeiro em que um Defensor Interamericano atuou.</p><p>Caso Lagos del Campo vs. Peru</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>156</p><p>Esse caso trata sobre o sr. Alfredo Lagos del Campo, que era presidente do</p><p>Comitê Eleitoral da Comunidade Industrial da empresa Ceper-Pirelli, e foi demitido em</p><p>1989 após ter emitido manifestações, ainda na condição de seu cargo, que</p><p>denunciavam atos ilegais dos empregadores nas organizações representativas dos</p><p>trabalhadores.</p><p>De acordo com Caio Paiva e Thimotie Aragon Heeman, no livro Jurisprudência</p><p>Internacional de Direitos Humanos:</p><p>“Após o processamento do caso, a Corte IDH primeiro concluiu que o Estado</p><p>endossou uma restrição ao direito à liberdade de pensamento e de expressão do</p><p>senhor Lagos del Campo através de uma punição desnecessária em relação ao fim</p><p>buscado e sem uma motivação devida. Para a Corte, de acordo com as circunstâncias</p><p>do presente caso, não existiu uma necessidade imperiosa que justificasse a demissão</p><p>do senhor Lagos del Campo. A Corte ainda ressaltou que a liberdade de expressão do</p><p>senhor Lagos del Campo foi restringida sem levar em consideração se as suas</p><p>declarações se referiam a questões de interesse público e também sem levar em conta</p><p>que elas foram feitas na condição de Presidente do Comitê Eleitoral. Assim, a Corte</p><p>determinou que o Estado peruano violou os artigos 13.2 e 8.2 da CADH.”</p><p>Esse caso foi uma virada jurisprudencial na judicialização dos direitos</p><p>econômicos, sociais, culturais e ambientais (DESCA) que normalmente se dizia que não</p><p>poderiam ser judicializados.</p><p>Porém, nesse caso, mesmo sem pedido expresso da CIDH ou dos representantes</p><p>da vítima, a Corte entendeu que o Estado violou o direito à estabilidade laboral do sr.</p><p>Lagos del Campo. Para tanto, a Corte usou o art. 26 da CADH que diz que:</p><p>Artigo 26. Os Estados Partes comprometem-se a adotar providências, tanto no</p><p>âmbito interno como mediante cooperação internacional, especialmente econômica e</p><p>técnica, a fim de conseguir progressivamente a plena efetividade dos direitos que</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>157</p><p>decorrem das normas econômicas, sociais e sobre educação, ciência e cultura,</p><p>constantes da Carta da Organização dos Estados Americanos, reformada pelo Protocolo</p><p>de Buenos Aires, na medida dos recursos disponíveis, por via legislativa ou por outros</p><p>meios apropriados.</p><p>Na Carta da OEA, a Corte pinçou os artigos que tratam sobre o trabalho ser</p><p>direito e dever social, sobre a previdência social e sobre a eliminação da pobreza crítica</p><p>e a distribuição equitativa da riqueza e da renda, quais sejam: arts. 45.b, 46 e 34.</p><p>Caso Poblete Vilches e outros vs. Chile</p><p>Este caso trata sobre o sr. Poblete Vilches que era um idoso que buscou o</p><p>hospital duas vezes. Recebeu alta da primeira vez, porém retornou com grave quadro</p><p>de complicações e acabou falecendo.</p><p>A Corte condenou o Chile por não garantir a Poblete Vilches o direito à saúde</p><p>sem discriminação, mediante serviços necessários e urgentes em relação à sua situação</p><p>especial de vulnerabilidade como pessoa idosa.</p><p>Nesse caso, a Defensora Interamericana Rivana Ricarte atuou.</p><p>Caso Muelle Flores vs. Peru</p><p>Este caso trata sobre o descumprimento de duas decisões judiciais (mandados de</p><p>segurança), datadas de 1993 e 1999, que reconheciam os direitos de pensão ao Sr.</p><p>Muelle Flores, na qualidade de ex-trabalhador da mineradora estatal Tintaya.</p><p>Em sua sentença, a Corte IDH analisou o descumprimento das sentenças</p><p>nacionais à luz dos estândares sobre tutela judicial efetiva e prazo razoável.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>158</p><p>Também desenvolveu o alcance do direito à seguridade social como direito</p><p>autônomo, tratando-se também de judicialização de DESCA.</p><p>Convenções Interamericanas mais relevantes</p><p>→ Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra</p><p>a Mulher (OEA, 1994), também conhecida como Convenção de Belém do Pará.</p><p>Conceito de violência contra a mulher:</p><p>Para os efeitos desta Convenção, entender-se-á por violência contra a mulher</p><p>qualquer ato ou conduta baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento</p><p>físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto na esfera pública como na esfera privada.</p><p>A violência pode acontecer:</p><p>Na família ou em casa</p><p>Na comunidade, no local de trabalho</p><p>Pelo Estado ou seus agentes ou tolerada por eles, em qualquer lugar</p><p>Caso Maria da Penha (CIDH)</p><p>Foi vítima de tentativa de homicídio por seu marido diversas vezes e ficou</p><p>paraplégica.</p><p>Mesmo após 15 anos, o agressor ainda não tinha sido punido.</p><p>O Estado violou não apenas a obrigação de processar e condenar, como também</p><p>de prevenir práticas degradantes contra a mulher (art. 7 da Convenção de Belém do</p><p>Pará c/c artigos 8 e 25 da CADH e sua relação com o art. 1.1, também da CADH)</p><p>Recomendações:</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>159</p><p>→ Estabelecimento de formas alternativas às judiciais, rápidas e efetivas de</p><p>solução de conflitos intrafamiliares;</p><p>→ Aumento do número de delegacias especializadas em violência doméstica;</p><p>→ Ensino nas escolas sobre respeito à mulher e aos seus direitos;</p><p>Caso Campo Algodoeiro vs. México ou González e outras (sentença 2009)</p><p>Mulheres começaram a desaparecer em Ciudad Juarez, no México num contexto</p><p>de violência estrutural de gênero. A polícia dizia que elas tinham fugido com os</p><p>namorados e a investigação foi contaminada</p><p>por preconceito de gênero. No final,</p><p>apareçam mortas e com sinais de violência sexual numa plantação de algodão.</p><p>• Primeira vez que a Corte IDH analisou um caso envolvendo situação de</p><p>violência estrutural de gênero.</p><p>• Primeira vez que um tribunal internacional de direitos humanos reconheceu a</p><p>existência de “feminicídio” como crime.</p><p>Obs.: Feminicídio passou a ser qualificadora do homicídio no Brasil em 2015.</p><p>Caso Campo Algodoeiro vs. México ou González e outras</p><p>• A Corte IDH possui competência para analisar violações de outros tratados que</p><p>compõem o sistema interamericano, a exemplo da Convenção de Belém do Pará.</p><p>Obs.: A primeira vez que a Corte aplicou a Convenção de Belém do Pará foi no</p><p>Caso Presídio Miguel Castro Castro (assassinato e tortura de presos e presas políticas)</p><p>O México tentou impedir a aplicação da Convenção de Belém do Pará, ao dizer</p><p>que o art. 12 só se referia à CIDH e não à Corte. A corte decidiu que a Convenção</p><p>concede sim competência à Corte ao não excluí-la expressamente.</p><p>• Obs.: O dano ao projeto de vida não pode ser reconhecido quando as vítimas</p><p>não estiverem vivas.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>160</p><p>Convenção Interamericana contra o Racismo, a</p><p>Discriminação Racial e Formas Conexas de Intolerância</p><p>O Brasil ratificou e internalizou por meio do art. 5º, §3º da CRFB, tendo,</p><p>portanto, status de emenda constitucional</p><p>Discriminação Racial</p><p>Qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência, em qualquer área da vida</p><p>pública ou privada, cujo propósito ou efeito seja anular ou restringir o</p><p>reconhecimento, gozo ou exercício, em condições de igualdade, de um ou mais</p><p>direitos humanos e liberdades fundamentais consagrados nos instrumentos</p><p>internacionais aplicáveis aos Estados Partes. A discriminação racial pode basear-se em</p><p>raça, cor, ascendência ou origem nacional ou étnica.</p><p>Discriminação racial indireta: É aquela que ocorre, em qualquer esfera da vida</p><p>pública ou privada, quando um dispositivo, prática ou critério aparentemente neutro</p><p>tem a capacidade de acarretar uma desvantagem particular para pessoas pertencentes</p><p>a um grupo específico, ou as coloca em desvantagem, a menos que esse dispositivo,</p><p>prática ou critério tenha um objetivo ou justificativa razoável e legítima à luz do Direito</p><p>Internacional dos Direitos Humanos.</p><p>Discriminação múltipla ou agravada: é qualquer preferência, distinção, exclusão</p><p>ou restrição baseada, de modo concomitante, em dois ou mais critérios dispostos no</p><p>Artigo 1.1, ou outros reconhecidos em instrumentos internacionais, cujo objetivo ou</p><p>resultado seja anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou exercício, em condições</p><p>de igualdade, de um ou mais direitos humanos e liberdades fundamentais consagrados</p><p>nos instrumentos internacionais aplicáveis aos Estados Partes, em qualquer área da</p><p>vida pública ou privada.</p><p>Relaciona-se à Interseccionalidade ou aos Fatores de Imbricação de</p><p>Vulnerabilidades</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>161</p><p>Racismo: Consiste em qualquer teoria, doutrina, ideologia ou conjunto de ideias</p><p>que enunciam um vínculo causal entre as características fenotípicas ou genotípicas de</p><p>indivíduos ou grupos e seus traços intelectuais, culturais e de personalidade, inclusive</p><p>o falso conceito de superioridade racial. O racismo ocasiona desigualdades raciais e a</p><p>noção de que as relações discriminatórias entre grupos são moral e cientificamente</p><p>justificadas. Toda teoria, doutrina, ideologia e conjunto de ideias racistas descritas</p><p>neste artigo são cientificamente falsas, moralmente censuráveis, socialmente injustas</p><p>e contrárias aos princípios fundamentais do Direito Internacional e, portanto,</p><p>perturbam gravemente a paz e a segurança internacional, sendo, dessa maneira,</p><p>condenadas pelos Estados Partes.</p><p>Intolerância: É um ato ou conjunto de atos ou manifestações que denotam</p><p>desrespeito, rejeição ou desprezo à dignidade, características, convicções ou opiniões</p><p>de pessoas por serem diferentes ou contrárias. Pode manifestar-se como a</p><p>marginalização e a exclusão em condições de vulnerabilidade da participação em</p><p>qualquer esfera da vida pública ou privada ou como violência contra esses grupos.</p><p>Medidas especiais ou de ação afirmativa: As medidas especiais ou de ação</p><p>afirmativa adotadas com a finalidade de assegurar o gozo ou exercício, em condições</p><p>de igualdade, de um ou mais direitos humanos e liberdades fundamentais de grupos</p><p>que requeiram essa proteção não constituirão discriminação racial, desde que essas</p><p>medidas não levem à manutenção de direitos separados para grupos diferentes e não</p><p>se perpetuem uma vez alcançados seus objetivos.</p><p>Caso Simone André Diniz (CIDH)</p><p>Mulher negra que estava procurando emprego como faxineira e respondeu uma</p><p>proposta feita num jornal de São Paulo.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>162</p><p>Ao informar que era negra, foi recusada para a vaga. Ela denunciou a</p><p>discriminação racial à polícia, porém o Ministério Público arquivou o processo por falta</p><p>de indícios de que tivesse ocorrido racismo.</p><p>Embora quem tenha cometido o fato tenha sido a particular que publicou o</p><p>anúncio, o Estado Brasileiro tinha a obrigação de investiga-la, processá-la e puni-la,</p><p>caso houvesse crime, pois os direitos humanos de Simone foram violados.</p><p>Recomendações:</p><p>→ Prestar apoio financeiro para que Simone pudesse obter diploma superior;</p><p>→ Modificar as leis internas para que sejam efetivas contra o racismo,</p><p>eliminando obstáculos institucionais</p><p>→ Investigar os fatos de forma imparcial;</p><p>→ Organizar seminários com membros do Poder Judiciário, Ministério Público e</p><p>Secretarias de Segurança Pública locais com o objetivo de fortalecer a proteção contra</p><p>a discriminação racial e o racismo;</p><p>→ Criar delegacias especializadas em crimes de racismo;</p><p>→ Criar promotorias especializadas no combate ao racismo;</p><p>→ Educar em direitos humanos os funcionários públicos, especialmente da</p><p>polícia e da justiça, para que saibam analisar denúncias de racismo;</p><p>→ Indenizar a vítima;</p><p>→ Realizar campanhas de publicidade contra o racismo.</p><p>Racismo individual → Racismo praticado contra indivíduos ou grupo de</p><p>indivíduos.</p><p>Racismo Institucional → mencionado pela CIDH no caso Simone André Diniz.</p><p>Para Sylvio Almeida, racismo institucional não se confunde com racismo estrutural. A</p><p>concepção institucional é insuficiente.</p><p>“A discriminação estrutural ou sistêmica consiste na sujeição de grupos</p><p>historicamente vulneráveis a práticas constantes de negação de direitos ou tratamento</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>163</p><p>discriminatório inferiorizante. (…) No Brasil, a discriminação sistêmica foi detectada no</p><p>chamado ‘racismo institucional’ que consiste em um conjunto de normas, práticas e</p><p>comportamentos discriminatórios cotidianos adotados por organizações públicas ou</p><p>privadas que, movidos por estereótipos e preconceitos, impõe a membros de grupos</p><p>raciais ou étnicos discriminados situação de desvantagem no acesso a benefícios</p><p>gerados pelo Estado e por demais instituições e organizações.” (André de Carvalho</p><p>Ramos)</p><p>Racismo Estrutural → Aqui, abordam-se estruturas sociais que moldam as</p><p>instituições e os indivíduos racistas. É estruturante, pois é fundante da nossa</p><p>sociedade, da nossa visão de mundo, de nossos comportamentos sociais, de nossas</p><p>instituições.</p><p>De acordo com Silvio Almeida, o racismo é um processo político e histórico.</p><p>O racismo é processo político porque, como processo sistêmico de</p><p>discriminação que influencia a organização da sociedade, depende de poder político;</p><p>caso contrário seria inviável a discriminação sistemática de grupos sociais inteiros. Por</p><p>isso, é absolutamente sem sentido a ideia de racismo reverso.</p><p>O racismo reverso seria uma</p><p>espécie de “racismo ao contrário”, ou seja, um</p><p>racismo das minorias dirigido às maiorias. Há um grande equívoco nessa ideia porque</p><p>membros de grupos raciais minoritários podem até ser preconceituosos ou praticar</p><p>discriminação, mas não podem impor desvantagens sociais a membros de outros</p><p>grupos majoritários, seja direta, seja indiretamente. Homens brancos não perdem</p><p>vagas de emprego pelo fato de serem brancos, pessoas brancas não são “suspeitas” de</p><p>atos criminosos por sua condição racial, tampouco têm sua inteligência ou sua</p><p>capacidade profissional questionada devido à cor da pele.</p><p>1ª Fase XXVII Concurso DPERJ – Questão 83 – No caso Simone André Diniz, uma</p><p>empregada doméstica teve recusada a sua candidatura ao emprego por ser negra. O</p><p>caso levado à justiça brasileira foi arquivado. Ao analisar o tema, a Comissão</p><p>Interamericana de Direitos Humanos entendeu que:</p><p>(A) o caso não configura violação de direitos humanos, na medida em que sua</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>164</p><p>apuração seguiu o que preceitua a legislação brasileira. Houve instauração de</p><p>inquérito policial, e o arquivamento se deu pela autoridade judiciária competente</p><p>com base em parecer do Ministério Público, após terem sido ouvidos os depoimentos</p><p>das pessoas envolvidas;</p><p>(B) o fato de não ter sido aberta ação penal para apuração de denúncia de</p><p>discriminação racial viola o direito à não discriminação e ao acesso à justiça;</p><p>(C) o Estado brasileiro assumiu oficialmente a existência do racismo e não pode ser</p><p>condenado com base em um caso isolado, pois isso macularia uma série de iniciativas</p><p>que vêm sendo tomadas para superação do racismo, como a Lei nº 7.716/1989, a Lei</p><p>nº 10.639/2003, o Estatuto da Igualdade Racial, a criação de Secretarias de Promoção</p><p>da Igualdade Racial em todos os níveis da federação, etc.;</p><p>(D) toda vítima de violação de direitos humanos deve ter assegurada uma</p><p>investigação diligente e imparcial. A vulnerabilidade das vítimas exige que o caso seja</p><p>apurado/processado a partir da presunção relativa de ocorrência da violação;</p><p>(E) o reconhecimento da dimensão do problema racial no Brasil não admite violação</p><p>de normas processuais, como a que impede recurso da sentença que determina o</p><p>arquivamento do inquérito policial.</p><p>Correção: A alternativa A está incorreta, pois segundo a CIDH, o caso configurou sim</p><p>violação de direitos humanos, como já estudamos.</p><p>A alternativa B está correta.</p><p>A alternativa C está incorreta, pois sabemos que não se tratam de casos isolados.</p><p>Além disso, as medidas já adotadas claramente não impediram que os direitos de</p><p>Simone fossem violados.</p><p>A alternativa D está incorreta, pois não existe presunção relativa de que ocorreu</p><p>violação. É preciso que se apure o que ocorreu.</p><p>A alternativa E está incorreta, pois não se pode alegar direito interno para justificar a</p><p>violação de direitos humanos internacionais.</p><p>Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a</p><p>Tortura (1989)</p><p>O conceito de tortura abrange “todo ato pelo qual são infligidos</p><p>intencionalmente a uma pessoa penas ou sofrimentos físicos ou mentais, com fins de</p><p>investigação, intimidação, ou qualquer outro fim, bem como a aplicação de métodos</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>165</p><p>tendentes a anular a personalidade da vítima, ou a diminuir sua capacidade física ou</p><p>mental, embora não causem dor física ou angústia. A tortura não é justificada em</p><p>nenhuma hipótese.</p><p>Diferenças entre a convenção interamericana e a convenção internacional para</p><p>prevenir e punir a tortura:</p><p>Convenção da ONU Convenção interamericana</p><p>Elemento subjetivo: dolo. A tortura culposa</p><p>não é punível.</p><p>Elemento subjetivo: dolo. A tortura culposa</p><p>não é punível.</p><p>Finalidade específica: Obter confissão,</p><p>informação ou ainda como forma de punição ou</p><p>discriminação (“dolo específico”).</p><p>Finalidade específica: Não exige finalidade</p><p>específica.</p><p>Omissão: NÃO há previsão na Convenção. Omissão: Está prevista na Convenção</p><p>Interamericana.</p><p>Sujeito ativo: É o agente público ou</p><p>particular agindo em caráter oficial ou ainda por</p><p>instigação, consentimento ou aquiescência do</p><p>agente público.</p><p>Logo, a presença do funcionário público</p><p>como sujeito ativo é obrigatória.</p><p>Sujeito ativo: Empregados ou funcionários</p><p>públicos que, no exercício de sua função, ordenem a</p><p>prática de ato de tortura ou, ainda, instiguem ou</p><p>induzam a ele, cometam-no diretamente ou,</p><p>podendo impedi-lo, não o façam.</p><p>2º Sujeito ativo: As pessoas que, por</p><p>instigação dos funcionários ou empregados públicos</p><p>em apreço, ordenem sua prática, instiguem ou</p><p>induzam a ela, cometam-no diretamente ou nele</p><p>sejam cúmplices.</p><p>Logo, aqui o particular pode ser sujeito ativo</p><p>de tortura sem que esteja em concurso com um</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>166</p><p>agente público.</p><p>Caso Tibi vs. Equador</p><p>Daniel Tibi foi preso pela Polícia sem ordem judicial e com base apenas na</p><p>declaração de um suposto coautor de uma infração penal, em 27/09/95, quando</p><p>conduzia o seu automóvel por uma rua no Equador.</p><p>Ficou preso por 28 meses e, durante a prisão, foi torturado e obrigado a</p><p>confessar sua participação em narcotráfico, tendo tido seus bens apreendidos.</p><p>A Corte considerou que houve violação ao art. 7.5 da CADH, que dispõe: “Toda</p><p>pessoa presa detida ou retida deve ser conduzida, sem demora à presença de um juiz</p><p>ou outra autoridade autorizada por lei a exercer funções judiciais e tem o direito de ser</p><p>julgada em um prazo razoável ou de ser posta em liberdade, sem prejuízo de que</p><p>prossiga o processo. Sua liberdade pode ser condicionada a garantias que assegurem o</p><p>seu comparecimento em juízo.”</p><p>A Corte IDH entendeu que a tortura é proibida de forma absoluta, sendo um</p><p>direito humano absoluto.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>167</p><p>Também houve violação à Convenção Interamericana para Prevenir e Punir a</p><p>Tortura, por impedir a liberdade da pessoa, proteção judicial, integridade pessoal e</p><p>propriedade privada.</p><p>O Equador foi condenado a:</p><p>(i) num prazo razoável, investigar efetivamente os fatos com o fim de identificar,</p><p>julgar e punir os autores das violações cometias em prejuízo do senhor Tibi;</p><p>(ii) emitir uma declaração pública pelas autoridades do Estado na qual reconheça</p><p>sua responsabilidade internacional pelos fatos referidos neste caso;</p><p>(iii) estabelecer um programa de formação e capacitação para o corpo de</p><p>funcionários do Judiciário, MP, Polícia e Penitenciário;</p><p>(iv) pagar quantia fixa na sentença para fins de reparação de danos morais e</p><p>materiais provocadas ao senhor Tibi e à sua família.</p><p>Importância da Audiência de Custódia</p><p>É preciso que uma autoridade judicial analise o mais rápido possível se a prisão</p><p>da pessoa foi legal e necessária, isso porque a prisão preventiva tem caráter</p><p>excepcional e se guia pelos princípios da legalidade, da presunção de</p><p>inocência, da necessidade e da proporcionalidade.</p><p>Além disso, a audiência de custódia verifica se a pessoa foi torturada no</p><p>momento da prisão e impede tortura após a prisão;</p><p>Também está prevista no art. 9.3 do PIDCP;</p><p>Desde 2015, o STF firmou posicionamento acerca da obrigatoriedade da</p><p>submissão do preso cautelar à audiência de custódia, no prazo máximo de 24 horas</p><p>após a prisão, em observância aos artigos 9.3 do Pacto dos Direitos Civis e Políticos e</p><p>7.5 da Convenção Interamericana de Direitos Humanos.</p><p>A audiência de custódia (ou de apresentação) constitui direito público</p><p>subjetivo, de caráter fundamental, assegurado por convenções internacionais de</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>168</p><p>direitos humanos a que o Estado brasileiro aderiu, já incorporadas ao direito positivo</p><p>interno (Convenção Americana de Direitos Humanos e Pacto Internacional</p><p>sobre</p><p>Direitos Civis e Políticos). Traduz prerrogativa não suprimível assegurada a qualquer</p><p>pessoa. Sua imprescindibilidade tem o beneplácito do magistério jurisprudencial (ADPF</p><p>347 MC) e do ordenamento positivo doméstico (Lei nº 13.964/2019 e Resolução</p><p>213/2015 do CNJ).</p><p>STF. HC 188888/MG, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 6/10/2020 (Info 994).</p><p>CPP, Art. 310. Após receber o auto de prisão em flagrante, no prazo máximo de</p><p>até 24 (vinte e quatro) horas após a realização da prisão, o juiz deverá promover</p><p>audiência de custódia com a presença do acusado, seu advogado constituído ou</p><p>membro da Defensoria Pública e o membro do Ministério Público, e, nessa audiência,</p><p>o juiz deverá, fundamentadamente: (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)</p><p>(Vigência)</p><p>I - relaxar a prisão ilegal; ou (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).</p><p>II - converter a prisão em flagrante em preventiva, quando presentes os</p><p>requisitos constantes do art. 312 deste Código, e se revelarem inadequadas ou</p><p>insuficientes as medidas cautelares diversas da prisão; ou (Incluído pela Lei nº</p><p>12.403, de 2011).</p><p>III - conceder liberdade provisória, com ou sem fiança. (Incluído pela Lei</p><p>nº 12.403, de 2011).</p><p>(...)</p><p>§ 3º A autoridade que deu causa, sem motivação idônea, à não realização da</p><p>audiência de custódia no prazo estabelecido no caput deste artigo responderá</p><p>administrativa, civil e penalmente pela omissão. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)</p><p>§ 4º Transcorridas 24 (vinte e quatro) horas após o decurso do prazo</p><p>estabelecido no caput deste artigo, a não realização de audiência de custódia sem</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>169</p><p>motivação idônea ensejará também a ilegalidade da prisão, a ser relaxada pela</p><p>autoridade competente, sem prejuízo da possibilidade de imediata decretação de</p><p>prisão preventiva. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência) (Vide ADI</p><p>6.298) (Vide ADI 6.300) (Vide ADI 6.305)</p><p>O que acontece se não for realizada a audiência de custódia?</p><p>A ausência da realização da audiência de custódia qualifica-se como causa</p><p>geradora da ilegalidade da própria prisão em flagrante, com o consequente</p><p>relaxamento da privação cautelar da liberdade.</p><p>Se o magistrado deixar de realizar a audiência de custódia e não apresentar uma</p><p>motivação idônea para essa conduta, ele estará sujeito à tríplice responsabilidade, nos</p><p>termos do art. 310, § 3º do CPP.</p><p>STF. HC 188888/MG, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 6/10/2020 (Info 994).</p><p>DPE BA FCC 2016 – No famoso caso apreciado pela Corte Interamericana de Direitos</p><p>Humanos, TIBI vs. Equador, houve a violação específica do artigo 7.5 da Convenção</p><p>Americana de Direitos Humanos. Por meio desta violação, o Estado foi condenado,</p><p>tratando-se de violação do direito:</p><p>A) à assistência jurídica integral e gratuita.</p><p>B) ao duplo grau de jurisdição.</p><p>C) à liberdade de expressão.</p><p>D) a não extradição de um nacional.</p><p>E) de condução, sem demora, do preso à autoridade judicial competente.9</p><p>Ciclo Hondurenho – Velázquez Rodrigues vs. Honduras</p><p>O caso trata sobre um estudante hondurenho que foi preso de forma truculenta</p><p>e ilegal, sem ordem judicial, pela Direção Nacional de Investigação das Forças</p><p>9 Gabarito: E</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>170</p><p>Armadas. Ele foi torturado por supostamente ter cometido crimes políticos e nunca</p><p>mais foi encontrado, tendo sofrido desaparecimento forçado.</p><p>Nesse caso, a Corte IDH entendeu pela inversão do ônus da prova por ser</p><p>extremamente difícil que a vítima ou seus familiares provassem o que ocorreu,</p><p>especialmente porque as provas estão em poder do próprio Estado violador de direitos</p><p>humanos. Assim, em vez da vítima ter que provar o que alega, o Estado passou a ter</p><p>que provar que não violou aqueles direitos humanos.</p><p>DPE TO 2022 CESPE – Acerca da Corte Interamericana de Direitos Humanos,</p><p>assinale a opção correta.</p><p>A) As supostas vítimas, seus familiares ou seus representantes não possuem</p><p>capacidade postulatória, assim, não podem apresentar petições, argumentos e provas</p><p>de forma autônoma, sempre dependendo da participação da Comissão</p><p>Interamericana de Direitos Humanos.</p><p>B) Uma petição somente será aceita, se forem interpostos e esgotados os</p><p>recursos da jurisdição interna, regra que não comporta exceção.</p><p>C) A partir dos chamados Casos Hondurenhos, a Corte Interamericana passou a</p><p>flexibilizar a regra para casos envolvendo o desaparecimento forçado, em uma</p><p>presunção a favor das vítimas.</p><p>D) No Caso Povo Indígena Xucuru, a Corte entendeu que o ônus da</p><p>demonstração do esgotamento dos recursos internos é de quem alega, assim</p><p>desincumbiu o Estado brasileiro de tal demonstração, sob o fundamento de que a</p><p>inversão do ônus acarretaria a chamada "prova diabólica".</p><p>E) Em casos de extrema gravidade e urgência, além de ser medida necessária</p><p>para evitar prejuízos irreparáveis, poderão ser ordenadas medidas provisórias,</p><p>somente a pedido das partes. 10</p><p>Caso Almonacid Arellano e outros vs. Chile</p><p>10 Gabarito C.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>171</p><p>Este caso trata sobre a execução extrajudicial do Sr. Luís Alfredo Almonacid</p><p>Arellano, integrante do Partido Comunista e militante da esquerda chilena,</p><p>assassinado por agentes do Estado do Chile no período da ditatura civil-militar.</p><p>Devido à ausência de investigação e punição dos responsáveis, os familiares da</p><p>vítima peticionaram perante a CIDH em setembro de 1998. Por não obter êxito, a CIDH</p><p>submeteu o caso à Corte Interamericana.</p><p>A Corte IDH decidiu que a lei de anistia chilena é inconvencional.</p><p>Nesse caso, foi inaugurado formalmente o controle de convencionalidade e a</p><p>Corte IDH decidiu que ele pode ser exercido ex officio pelas autoridades do Poder</p><p>Judiciário.</p><p>A Corte também reconheceu a imprescritibilidade dos crimes de lesa-</p><p>humanidade de acordo com o direito internacional consuetudinário;</p><p>Além disso, decidiu que, no Estado Democrático de Direito, a jurisdição militar</p><p>deve ter um alcance restritivo e excepcional e deve estar voltada à proteção de</p><p>interesses jurídicos especiais, vinculados às funções que a lei atribuiu às forças</p><p>militares.</p><p>Caso Ruano Torres e outros vs. El Salvador</p><p>Este caso trata do cerceamento de defesa do Sr. Ruano Torres devido à atuação</p><p>insuficiente e insatisfatória da Defensoria Pública de El Salvador.</p><p>A Corte entendeu que o Estado pode ser responsabilizado pela atuação</p><p>insuficiente da Defensoria.</p><p>A defesa técnica prestada pela Defensoria Pública não deve ser concebida</p><p>apenas como uma formalidade processual, exigindo-se, ao contrário, que o defensor</p><p>público atue de forma diligente com o fim de proteger as garantias processuais do</p><p>acusado e evite que seus direitos sejam violados.</p><p>No processo penal, a CADH não condiciona o direito à assistência jurídica gratuita</p><p>no processo penal à hipossuficiência financeira, bastando a inatividade do acusado</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>172</p><p>para nomear advogado. Ela difere da CEDH e o PIDCP condicionam o direito à</p><p>assistência jurídica gratuita à hipossuficiência financeira.</p><p>A Corte IDH indicou, em rol não exaustivo, algumas hipóteses em que pode</p><p>ocorrer violação ao direito de defesa:</p><p>1) Não desenvolver uma mínima atividade probatória;</p><p>2) Inatividade argumentativa em favor dos interesses do acusado;</p><p>3) Carência de conhecimento técnico-jurídico do processo penal;</p><p>4) Falta de interposição de recursos em detrimento dos direitos do acusado;</p><p>5) Indevida fundamentação dos recursos interpostos; e</p><p>6) Abandono da defesa.</p><p>FGV – PCAM 2022 – Joana, ativista dos Direitos</p><p>Humanos, consultou um advogado a</p><p>respeito dos efeitos da sentença proferida pela Corte Interamericana de Direitos</p><p>Humanos (CIDH), no “Caso Favela Nova Brasília vs. Brasil”, mais especificamente se</p><p>permaneciam adstritos ao caso concreto, que envolvia os órgãos de segurança pública</p><p>do Estado do Rio de Janeiro, ou se assumiam contornos mais amplos.</p><p>O advogado respondeu corretamente que a decisão da CIDH:</p><p>A) somente produziu efeitos em relação ao caso concreto, não alcançando a</p><p>segurança pública como um todo, a exemplo da imposição de obrigações de caráter</p><p>geral ao Estado brasileiro.</p><p>B) somente produziu efeitos pecuniários, relacionados ao caso concreto, não</p><p>alcançando a segurança pública como um todo, de modo a impor obrigações de</p><p>caráter geral ao Estado brasileiro.</p><p>C) produziu efeitos em relação ao caso concreto e à segurança pública como um todo,</p><p>sendo determinado ao Estado brasileiro que altere o regime jurídico dos órgãos de</p><p>segurança pública brasileiros.</p><p>D) produziu efeitos em relação ao caso concreto e a outros aspectos da segurança</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>173</p><p>pública, sendo determinado ao Estado brasileiro que publique relatórios com mortes</p><p>resultantes de operações policiais em todo o país.</p><p>E) produziu efeitos em relação ao caso concreto e à segurança pública como um todo,</p><p>sendo definidas, de modo detalhado, as situações em que podem ser utilizados</p><p>helicópteros e armas de fogo em operações policiais.11</p><p>DPE TO CESPE Acerca dos casos brasileiros na Corte Interamericana de Direitos</p><p>Humanos, assinale a opção correta:</p><p>A) No Caso Escher, a sentença determinou a implementação de uma política</p><p>antimanicomial no país, o que se deu através da Lei n.º 10.216/2001 — em que pese</p><p>ter sido anterior à sentença, foi posterior à submissão do caso à Corte.</p><p>B) O Caso Márcia Barbosa envolveu um crime de feminicídio, no entanto, por não</p><p>estarem dentro da competência temporal da Corte, em sede de sentença, não houve</p><p>a apreciação do mérito.</p><p>C) Em sede de sentença condenatória no Caso Trabalhadores da Fábrica de Fogos, foi</p><p>reconhecida natureza da proibição do trabalho escravo como norma de jus cogens e</p><p>obrigação erga omnes, além da imprescritibilidade do crime de escravidão.</p><p>D) Ao julgar o Caso Trabalhadores da Fazenda Brasil Verde, a Corte reconheceu a</p><p>situação de discriminação estrutural e interseccional, diante da situação de pobreza</p><p>estrutural vivenciada pelos trabalhadores, em especial mulheres e meninas</p><p>afrodescendentes.</p><p>E) No Caso Favela Nova Brasília, na sentença de condenação houve repúdio aos autos</p><p>de resistência à prisão e de resistência seguida de morte, prática comum nos órgãos</p><p>de segurança pública para dar aspecto de legalidade a execuções sumárias. 12</p><p>11 Gabarito: D</p><p>12 Gabarito: E.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>174</p><p>Caso Chaparro Álvarez e Lapo Iñiguez vs. Equador</p><p>Caso em que os srs. Chaparro Álravez e Lapo Iñiguez foram presos apenas por serem</p><p>dono e gerente de uma fábrica de caixas de gelo, respectivamente e pelo fato de a polícia ter</p><p>apreendido no aeroporto um carregamento de pescado no qual foram encontradas caixas de</p><p>gelo com cocaína e heroína semelhantes às fabricadas pelos acusados.</p><p>Não houve informação sobre os motivos da prisão.</p><p>Não houve audiência de custódia. A Corte reiterou que a apresentação da pessoa presa</p><p>ao Ministério Público não cumpre o preceito convencional de apresentação imediata a uma</p><p>autoridade judicial previsto no art. 7.5 da CADH.</p><p>Atuação Deficiente da Defensoria Pública</p><p>A Corte IDH observou que quando o senhor Lapo Íñiguez foi interrogado na fase</p><p>investigatória, a defensora pública que lhe havia sido designada não esteve presente durante o</p><p>ato para prestar a devida assistência jurídica, participando somente no início e no final do</p><p>interrogatório, assinando a ata de presença. Diante disso, a Corte considerou que a “atitude da</p><p>defensora pública designada ao senhor Lapo é claramente incompatível com a obrigação</p><p>estatal de proporcionar uma defesa adequada a quem não possa defender-se por si mesmo</p><p>nem nomear defensor particular. Em especial a Corte ressalta que a assistência técnica</p><p>oferecida pelo estado deve ser efetiva, para o qual o Estado deve adotar todas as medidas</p><p>adequadas”.</p><p>Sistema Africano de Direitos Humanos</p><p>O Sistema Africano de Direitos Humanos também surge no âmbito de uma organização</p><p>internacional: A Organização da Unidade Africana, que foi criada em 1963 e substituída em</p><p>2001 pela União Africana.</p><p>O principal instrumento normativo deste sistema é a Carta Africana dos Direitos</p><p>Humanos e dos Povos (Carta de Banjul), adotada em 1981, em Banjul, na Gâmbia, tendo</p><p>entrado em vigor em 1986.</p><p>A Carta de Banjul tem algumas diferenças importantes em relação aos demais tratados</p><p>principais dos outros sistemas internacionais de proteção de Direitos Humanos (CADH, CEDH e</p><p>Pactos de 1966):</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>175</p><p>1) A Carta de Banjul não prevê apenas direitos, mas também prevê deveres;</p><p>2) Protege ao mesmo tempo direitos civis e políticos e também direitos econômicos,</p><p>sociais e culturais, entendendo que eles são indissociáveis e indivisíveis. A Carta Africana é o</p><p>único tratado que protege, ao mesmo tempo, os dois grupos de direitos humanos;</p><p>3) Sua perspectiva é coletivista e não individualista como os demais tratados, trazendo</p><p>uma atenção maior às tradições históricas e aos direitos dos povos africanos.</p><p>Além da Carta Africana do Direitos Humanos e dos Povos, o sistema africano de proteção</p><p>dos direitos humanos também se compõe de outros documentos, tais como:</p><p>1) Convenção da União Africana sobre a Proteção e Assistência às Pessoas Deslocadas</p><p>Internamente na África (2009);</p><p>2) do Protocolo à Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos sobre os Direitos das</p><p>Mulheres na África (2003);</p><p>3) do Protocolo à Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos sobre o</p><p>Estabelecimento do Tribunal Africano dos Direitos Humanos e dos Povos (1998);</p><p>4) da Carta Africana dos Direitos e Bem-Estar da Criança (1990); e</p><p>5) da Convenção da União Africana que regula Aspectos Específicos dos Problemas dos</p><p>Refugiados na África (1969).</p><p>O sistema africano de proteção dos direitos humanos conta com dois órgãos de</p><p>monitoramento, sendo eles a Comissão Africana dos Direitos Humanos e a Corte Africana dos</p><p>Direitos Humanos e dos Povos.</p><p>A Comissão Africana foi criada pela Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos</p><p>com competência para promover os direitos humanos e assegurar sua respectiva proteção na</p><p>África.</p><p>A Comissão Africana, que tem sede em Gâmbia e está em exercício desde 1987, é um</p><p>órgão político ou quase-judicial, tal como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos,</p><p>tendo ambas – a Comissão Africana e a CIDH – competências muito parecidas: relatorias</p><p>temáticas, estudos e pesquisas, relatórios dos Estados, petições individuais e interestatais etc.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>176</p><p>Diferentemente da CEDH e da CADH, a Carta Africana não estabeleceu inicialmente uma</p><p>Corte Africana, mas apenas a Comissão Africana. A Corte Africana foi criada somente em</p><p>1998, por meio de um Protocolo à Carta Africana, adotado em Ouagadougou, Burkina Faso,</p><p>em Junho de 1998.</p><p>Este Protocolo entrou em vigor somente em janeiro de 2004. Em 2006, a Assembleia dos</p><p>Estados da União Africana elegeu os juízes da Corte Africana. A Corte é sediada na Tanzânia,</p><p>em Arusha.</p><p>Ainda sobre a Corte Africana, ela é composta por 11 membros e possui competências</p><p>contenciosa e consultiva.</p><p>Quanto à competência contenciosa, a Corte Africana pode decidir sobre casos</p><p>submetidos pela Comissão</p><p>Africana, por Estados ou por organizações intergovernamentais.</p><p>Indivíduos e ONGs podem submeter denúncias diretamente à Corte Africana, sem passar</p><p>pela Comissão, se houver declaração do Estado nesse sentido.</p><p>Apenas 8 dos 34 Estados Partes no Protocolo depositaram a declaração que reconhece a</p><p>competência do Tribunal para conhecer casos apresentados diretamente por ONGs e</p><p>indivíduos.</p><p>Então, a competência contenciosa da Corte Africana fica num meio termo entre o</p><p>Sistema Europeu e o Interamericano. Ela garante o jus standi das vítimas quando o Estado</p><p>aceitar.</p><p>A Corte Africana já proferiu sentenças de mérito em mais de 30 casos e emitiu 15</p><p>opiniões consultivas. O órgão responsável pelo monitoramento da execução das sentenças da</p><p>Corte Africana pelos Estados é o Conselho de Ministros da União Africana.</p><p>(retirado do Protocolo de Istambul)</p><p>Tortura</p><p>Ao contrário dos sistemas Europeu e Interamericano, África não dispõe de uma convenção</p><p>relativa à tortura e à sua prevenção. A questão da tortura é posta no mesmo plano das</p><p>restantes violações de direitos humanos. A tortura é abordada, em primeiro lugar, na Carta</p><p>Africana dos Direitos do Homem e dos Povos, adoptada pela Organização de Unidade Africana</p><p>(OUA) a 27 de Junho de 1981 e entrada em vigor a 21 de Outubro de 198644, N.T.22.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>177</p><p>O artigo 5º da Carta Africana dispõe o seguinte: Todo o indivíduo tem direito ao respeito da</p><p>dignidade inerente à pessoa humana e ao reconhecimento da sua personalidade jurídica.</p><p>Todas as formas de exploração e de aviltamento do homem, nomeadamente a escravatura, o</p><p>tráfico de pessoas, a tortura física ou moral e as penas ou os tratamentos cruéis, desumanos</p><p>ou degradantes são interditas.</p><p>A Comissão Africana dos Direitos do Homem e dos Povos foi estabelecida em Junho de 1987,</p><p>em conformidade com o artigo 30.o da Carta Africana, com a missão de “promover os direitos</p><p>do homem e dos povos e de assegurar a respectiva protecção em África”.</p><p>Nas suas sessões regulares, a Comissão tem vindo a adoptar diversas resoluções sobre</p><p>matérias relativas à situação de direitos humanos em África, algumas das quais abordam a</p><p>questão da tortura, entre outras violações.</p><p>Direitos Humanos no Brasil</p><p>Incorporação dos Tratados de Direitos Humanos no Brasil</p><p>Celebração/Assinatura do tratado → Competência privativa do Presidente da</p><p>República, porém ele pode delegar, por exemplo para o Ministro das Relações</p><p>Exteriores</p><p>Referendo → É uma resolução definitiva sobre tratados que acarretem encargos</p><p>e depende de anuência parlamentar por decreto legislativo</p><p>Ratificação → Competência do Presidente da República em ato discricionário,</p><p>após a anuência do Congresso. A partir desse momento, o tratado entra em vigor no</p><p>plano internacional.</p><p>O Congresso Nacional vai aprovar o tratado com natureza de emenda</p><p>constitucional ou com natureza supralegal.</p><p>O Congresso Nacional não é obrigado a submeter os tratados ao procedimento</p><p>do art. 5º, §3º, CF. Se não o fizer, eles terão natureza supralegal, mas</p><p>infraconsttitucional.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>178</p><p>Promulgação → Última fase do processo de incorporação. O Presidente expede</p><p>um decreto promulgando o tratado e somente a partir dele é que o tratado passa a ser</p><p>obrigatório no plano interno.</p><p>Isso é muito criticado, pois para os internacionalistas, o tratado entra em vigor a</p><p>partir da ratificação no plano internacional.</p><p>Mas o STF entende que é necessária a promulgação.</p><p>É por isso que diversos tratados ainda não são aplicados pelo Brasil.</p><p>Incidente de Deslocamento de Competência</p><p>O art. 109, §5º foi introduzido na CF pela EC 45 de 2004 e diz:</p><p>Art. 109, §5º Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o</p><p>Procurador-Geral da República, com a finalidade de assegurar o cumprimento de</p><p>obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos quais o</p><p>Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer</p><p>fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento de competência para a</p><p>Justiça Federal.</p><p>Isso adveio de recomendação da CIDH ao Brasil em 1997 de que fosse</p><p>competência da Justiça Federal julgar crimes que envolvam violações de direitos</p><p>humanos.</p><p>O IDC busca combater a impunidade de violadores de direitos humanos e evitar a</p><p>responsabilização internacional do Estado em sistemas de proteção de Direitos</p><p>Humanos.</p><p>Além disso, ele respeita a cláusula federal da CADH que diz que, não importa</p><p>qual ente estatal tenha sido omisso ou violado direitos humanos, quem responde</p><p>sempre é o Estado Brasileiro, isto é, a União.</p><p>Requisitos:</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>179</p><p>O STJ estabeleceu os requisitos para cabimento do IDC no primeiro incidente de</p><p>deslocamento julgado (IDC nº 1 – Caso Dorothy Stang), que são:</p><p>a) grave violação a direitos humanos;</p><p>b) assegurar o cumprimento, pelo Brasil, de obrigações decorrentes de tratados</p><p>internacionais; e</p><p>c) incapacidade – devido à inércia, negligência, falta de vontade política, de</p><p>condições pessoais, materiais etc. – de o Estado-membro, por suas instituições e</p><p>autoridades, levar a cabo, em toda a sua extensão, a persecução criminal.</p><p>Legitimado para suscitar o IDC: Apenas o Procurador Geral da República</p><p>Competência para julgar o IDC: STJ</p><p>Momento em que o IDC pode ser ajuizado: O IDC pode ser ajuizado em qualquer</p><p>momento, mesmo se o fato ainda estiver sob investigação (penal ou cível).</p><p>Críticas ao IDC: Há muitas críticas ao IDC, dentre as quais a de que ele violaria o</p><p>pacto federativo, afrontaria os princípios do juiz e do promotor natural (e por que não</p><p>do defensor natural), bem como violaria a legalidade e o devido processo legal. Além</p><p>disso, ao dizer que a justiça federal julgaria o caso de forma mais adequada,</p><p>enfraqueceria as instâncias estaduais.</p><p>→ IDC 1: Trata sobre o assassinato da missionária Dorothy Stang no Pará. Foi</p><p>julgado improcedente sob o argumento de que as autoridades estaduais não estavam</p><p>negligentes na apuração do crime.</p><p>De fato, em 2010, houve a condenação de Pereira Galvão, acusado de ser o</p><p>mandante do crime contra a missionária.</p><p>→ IDC 2: morte do vereador e advogado Manoel Mattos na Paraíba. Primeiro</p><p>IDC julgado procedente pelo STJ, tendo a competência sido deslocada para a Justiça</p><p>Federal do Estado da Paraíba.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>180</p><p>→ IDC 3: Trata de ações de grupos de extermínio em Goiás. Foi julgado</p><p>parcialmente procedente pelo STJ, com a determinação de deslocamento de</p><p>apenas alguns dos processos.</p><p>→ IDC 4: ajuizado por Ministro do TCE/PE, relativo a atos do TCE que culminaram</p><p>com a sua aposentadoria. Foi negado conhecimento em razão da ilegitimidade</p><p>ativa.</p><p>→ IDC 5: morte do promotor de justiça Thiago Farias Soares no Pernambuco. Foi</p><p>julgado procedente pelo STJ, com o deslocamento da competência para a</p><p>Justiça Federal de PE.</p><p>→ IDC 7: Marielle Franco era vereadora do Rio de Janeiro na Legislatura 2017-</p><p>2020, tendo sido eleita em 2016, com a quinta maior votação.</p><p>Marielle era feminista, defensora dos direitos humanos, e criticava abertamente</p><p>a Polícia Militar e a intervenção federal no Rio de Janeiro, tendo denunciado vários</p><p>casos de abuso de autoridade por parte de policiais contra moradores de favelas.</p><p>Em 14 de março de 2018, foi assassinada a tiros junto de seu motorista,</p><p>Anderson Pedro Mathias Gomes no Rio de Janeiro.</p><p>Raquel Dodge, então PGR, pediu a federalização em 2019, argumentando que</p><p>depois de anos ainda não havia respostas para o crime. Porém o STJ indeferiu o</p><p>pedido, dizendo não haver provas de que as instituições estaduais não tinham</p><p>capacidade de investigar. Os familiares de Marielle,</p><p>a DPERJ, o MPRJ e a PCRJ foram</p><p>contra a federalização e apenas os acusados foram a favor.</p><p>→ IDC 9: Trata sobre investigação da participação de agentes públicos em</p><p>homicídios que teriam sido praticados no contexto de ações do PCC em São Paulo em</p><p>maio de 2016, no que foi conhecido como “maio sangrento” sendo que uma das</p><p>chacinas investigadas foi praticada no Parque Bristol. Pendente de julgamento.</p><p>→ IDC 10: envolve apuração de excessos praticados por policiais militares em</p><p>operação realizada no ano de 2015, no bairro do Cabula, em Salvador/BA, da qual</p><p>resultou a morte de 12 jovens. Fato conhecido como “Chacina do Cabula”. Julgado</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>181</p><p>improcedente pelo STJ sob o argumento de que as autoridades estaduais estavam</p><p>trabalhando de forma adequada. A PGR interpôs recurso extraordinário contra a</p><p>decisão.</p><p>→ IDC 11: Foi negado seguimento por ilegitimidade ativa.</p><p>→ IDC 14: envolve a apuração das consequências da grave de Polícia Militar do</p><p>Estado do Espírito Santo em fevereiro de 2017.</p><p>Em 2017, a PM realizou greve por 20 dias no Estado do Espírito Santo, o que</p><p>causou mortes, roubos, saques, entre outros crimes e prejuízos aos moradores</p><p>daquele estado. O PGR solicitou o deslocamento das investigações para a Justiça</p><p>Militar da União ou para a Justiça Federal. O STJ, em 2018, indeferiu o IDC.</p><p>→ IDC 15: trata da atuação de grupos de extermínio de que participariam</p><p>agentes e autoridades públicas estaduais, com graves e sistemáticas violações dos</p><p>direitos humanos. Como exemplo, a PGR citou o caso Pague Menos, o caso Ana Bruna</p><p>de Queiroz, o caso Lagosteiro e o caso Companhia do Extermínio. Ainda está pendente</p><p>de julgamento.</p><p>Chacinas na Favela Nova Brasília (RJ) – A PGR pede a federalização do caso que</p><p>trata de episódios de mortes e violência sexual ocorridos em operações policiais no Rio</p><p>de Janeiro, em 18/10/1994 e 8/5/1995 (processo em segredo judicial).</p><p>Conflitos agrários em Rondônia – No IDC 22, a PGR sustenta que Rondônia é o</p><p>segundo estado em número de mortes relacionadas à luta por terra, perdendo apenas</p><p>para o Pará. O pedido refere-se a crimes considerados graves e com suspeita de</p><p>envolvimento de agentes locais de segurança pública, sem resposta das autoridades</p><p>por longo tempo (homicídios e torturas de pessoas vinculadas a ligas de camponeses</p><p>ocorridos em 2009, 2011, 2012 e 2016).</p><p>Violações na área de socioeducação no Espírito Santo – Neste pedido, a PGR</p><p>aponta que violações contra direitos dos adolescentes e jovens custodiados vêm</p><p>ocorrendo sistematicamente desde 2009, com a permanência daqueles que cumprem</p><p>medidas socioeducativas em instalações inadequadas, insalubres e inseguras, sem</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>182</p><p>condições mínimas de higiene e sem respeito aos direitos fundamentais à saúde, à</p><p>educação e ao lazer, entre outros, e sujeitos a toda sorte de arbitrariedades, omissões</p><p>e violência (processo em segredo judicial).</p><p>Comissão Nacional da Verdade</p><p>Comissões da Verdade são formuladas pelo Estado para investigar violações de</p><p>Direitos Humanos ocorridas em um determinado período da história de um país.</p><p>Geralmente ocorrem durante um período de transição política, como por exemplo</p><p>após um regime autoritário.</p><p>Os objetivos das Comissões da Verdade são: analisar os contextos sociais e</p><p>históricos nos quais se passaram os abusos e violações, esclarecer fatos que podem ter</p><p>sido modificados ou escondidos pelo Estado e, com esses dados elaborar relatórios e</p><p>recomendações, com sugestões de reformas institucionais e maneiras de reparação</p><p>histórica.</p><p>Mais de 30 países já fizeram suas Comissões da Verdade, dentre eles, o Brasil.</p><p>A Comissão Nacional da Verdade brasileira foi criada em 2011 pela Lei 12.528</p><p>Iniciou-se em maio de 2012</p><p>Teve como objetivo investigar crimes como mortes e desaparecimentos</p><p>cometidos por agentes representantes do Estado no período de 18 de setembro de</p><p>1946 a 5 de outubro de 1988, principalmente aqueles ocorridos durante o período da</p><p>Ditadura Civil-Militar.</p><p>Composta por 7 membros</p><p>Encerrou seus trabalhos com três grandes relatórios em 2014.</p><p>O “Volume I” apresenta explicações sobre a criação da CNV, sobre as estruturas</p><p>do Estado e as graves violações de direitos humanos.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>183</p><p>O “Volume II: Textos Temáticos” apresenta como as violações ocorreram em</p><p>diferentes segmentos da sociedade, por exemplo no meio militar, aos trabalhadores,</p><p>camponeses, nas igrejas Cristãs, com os povos indígenas e nas Universidades. Também</p><p>apresenta dados sobre a ditadura e homossexualidades, os civis que colaboraram com</p><p>a ditadura e sobre a resistência da sociedade civil às violações de direitos humanos.</p><p>Já o “Volume III: Mortos e Desaparecidos Políticos” apresenta uma relação de</p><p>perfis de mortos e desaparecidos políticos – 1946-1988 (em ordem alfabética). Ao</p><p>todo, são contadas as histórias de 434 pessoas, com dados, biografia, circunstâncias da</p><p>morte, considerações sobre o caso e até mesmo a identificação da autoria dos crimes.</p><p>Q646182 UFMT 2016 DPE MT Defensor Público</p><p>Sobre a Comissão Nacional da Verdade instituída pela Lei nº 12.528, de 18 de</p><p>novembro de 2011, a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e</p><p>promover a reconciliação nacional, assinale a afirmativa INCORRETA.</p><p>A) A composição da Comissão Nacional da Verdade se deu de forma pluralista com um</p><p>total de sete membros, dos quais nenhum pôde tratar-se de pessoa que estivesse no</p><p>exercício de cargo em comissão ou função de confiança em qualquer esfera do poder</p><p>público.</p><p>B) A Comissão Nacional da Verdade se restringiu, quando da execução de atividades</p><p>de esclarecimento de casos de violações a direitos humanos, a requisitar informações</p><p>a diversos órgãos, convocar pessoas para entrevistas e promover audiências públicas</p><p>com o mesmo fim; sem poder interferir em competências de outras instituições,</p><p>como determinar realização de perícias, por exemplo, para coleta de informações.</p><p>C) A Comissão Nacional da Verdade é considerada extinta atualmente, visto o término</p><p>de seus trabalhos em dezembro de 2014, com o envio do respectivo Relatório ao</p><p>Poder Executivo Federal.</p><p>D) Os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade foram realizados em cooperação</p><p>àqueles realizados no âmbito de comissões da verdade nos estados, municípios,</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>184</p><p>universidades, sindicatos e seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil, sem</p><p>sobrepô-los em termos de autoridade hierárquica.</p><p>E) A lei que criou a Comissão Nacional da Verdade determina como dever a</p><p>colaboração de servidores públicos e de militares com os trabalhos desenvolvidos por</p><p>ela.</p><p>Correção:</p><p>Q646182 UFMT 2016 DPE MT Defensor Público</p><p>Sobre a Comissão Nacional da Verdade instituída pela Lei nº 12.528, de 18 de</p><p>novembro de 2011, a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e</p><p>promover a reconciliação nacional, assinale a afirmativa INCORRETA.</p><p>A) A composição da Comissão Nacional da Verdade se deu de forma pluralista</p><p>com um total de sete membros, dos quais nenhum pôde tratar-se de pessoa que</p><p>estivesse no exercício de cargo em comissão ou função de confiança em qualquer</p><p>esfera do poder público.</p><p>B) A Comissão Nacional da Verdade se restringiu, quando da execução de</p><p>atividades de esclarecimento de casos de violações a direitos humanos, a requisitar</p><p>informações a diversos órgãos, convocar pessoas para entrevistas e promover</p><p>audiências públicas com o mesmo fim; sem poder interferir em competências de</p><p>outras instituições, como determinar realização de perícias, por exemplo, para coleta</p><p>de informações.</p><p>Lei 12.528/11, Art. 4º Para execução dos objetivos previstos no art. 3º, a</p><p>Comissão</p><p>Dalla Bernadina de Pinho.</p><p>Beatriz Cunha</p><p>É titular da DP única de Piraí, mas atualmente está cedida para prestar</p><p>assessoria a ministro do STF.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>14</p><p>É Doutoranda (2023-2026) e Mestre em Direito Público pela UERJ (2023),</p><p>Pós-Graduada em Direitos Humanos pela PUC-Rio (2019) e Bacharel em Direito pela</p><p>UFRJ (2015). Atua como Assessora de Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF)</p><p>desde 2023. É Defensora Pública do Estado do Rio de Janeiro. Na Defensoria Pública,</p><p>foi Coordenadora da Coordenadoria de Defesa dos Direitos da Criança e do</p><p>Adolescente (CDEDICA) (2019-2020), Subcoordenadora Cível (2020-2022) e</p><p>Encarregada de Proteção de Dados (2021-2022). Tem como principais áreas de</p><p>interesse Direito Constitucional, Direito Administrativo e Direitos Humanos.</p><p>Formação acadêmica: Doutorado em andamento em Direito. Orientador:</p><p>Daniel Sarmento. Grande Área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Direito / Subárea:</p><p>Direito Constitucional.</p><p>Mestrado em Direito. Título: Educação para a Democracia: Propostas para</p><p>um país em crise, Ano de Obtenção: 2023. Orientador: Daniel Sarmento. Grande Área:</p><p>Ciências Sociais Aplicadas / Área: Direito / Subárea: Direito Constitucional.</p><p>Especialização em Pós-Graduação em Direitos Humanos. Título: A</p><p>Esterilização Compulsória de Mulheres com Deficiência: Uma Análise da</p><p>(in)Compatibilidade Convencional à Luz da Jurisprudência das Cortes de Direitos</p><p>Humanos. Orientador: Márcia Nina Bernardes.</p><p>Graduação em Direito. Título: O Dever de Mitigar o Próprio Prejuízo: Uma</p><p>Análise Crítica de sua Aplicação e o seu Reconhecimento pelo Poder Judiciário.</p><p>Orientador: Guilherme Magalhães Martins.</p><p>Gustavo Cives Seabra</p><p>É defensor da Região 0, mas ultimamente tem atuado na 1ª Vara Criminal</p><p>de Bangu.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>15</p><p>É Defensor Público do Estado do Rio de Janeiro. Foi Defensor Público do</p><p>Estado do Espírito Santo. Foi membro da banca examinadora dos II e III concursos para</p><p>residência na Defensoria Pública do Rio de Janeiro. Autor dos livros: Leis Especiais para</p><p>Concursos - Defensoria Pública; Leis Especiais para Concursos - SINASE, Sistema</p><p>Nacional de Atendimento Socioeducativo. Publicou o livro Manual de Direito da</p><p>Criança e do Adolescente pela editora CEI. Especialista em Direito Processual Civil pela</p><p>PUC-RJ. Graduado pela PUC-RJ. Foi professor convidado da disciplina Direito da Criança</p><p>e do Adolescente na FGV Direito-Rio.</p><p>Formação acadêmica:</p><p>Especialização em Direito Processual Civil. Título: A tentativa de acordo</p><p>com uma condição da ação nos feitos patrocinados pela Defensoria Pública.</p><p>Orientador: Firly Nascimento Filho</p><p>Graduação. Título: Aspectos da Transação Penal. Orientador: Carlos</p><p>Raimundo</p><p>Teoria Geral dos Direitos Humanos</p><p>1. Conceito de Direitos Humanos</p><p>1.1 Técnica Generalista</p><p>De acordo com esta técnica, direitos humanos são sinônimo de direitos</p><p>fundamentais, sendo o conjunto de direitos essenciais para a vida humana.</p><p>1.2 Técnica Específica</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>16</p><p>Direitos fundamentais seriam os previstos nas constituições dos países e direitos</p><p>humanos são os previstos nos instrumentos internacionais.</p><p>Os direitos humanos são normas que reconhecem e protegem a dignidade de</p><p>todos os seres humanos, independentemente de qualquer condição. Os direitos</p><p>humanos regem o modo como os seres humanos individualmente vivem em sociedade</p><p>e entre si, bem como sua relação com o Estado e as obrigações que o Estado tem em</p><p>relação a eles. (UNICEF adaptado)</p><p>Conceito de Caio Granduque: “Diferentemente do jusnaturalismo, para quem os</p><p>direitos são descobertos, e, também, do positivismo jurídico, para quem os direitos são</p><p>aplicados, este estudo sustenta que os direitos são construídos. Os DH são, portanto,</p><p>aquilo que nós fizermos com que eles sejam, i.e, direitos de cartas, porquanto</p><p>confinados no papel ou nas Cartas em que são proclamados, ou, ainda, direitos</p><p>propriamente ditos, reais, vivenciados por homens de carne e osso. (Caio Granduque.</p><p>A construção Existencial dos DH, p. 179)</p><p>Caio Granduque já foi examinador da FCC e é Defensor Público em São Paulo.</p><p>Classificações de Direitos Humanos</p><p>1 – Direitos Humanos em Gerações</p><p>Proposta inicialmente por Karel Vasak, em Conferência proferida no Instituto</p><p>Internacional de Direitos Humanos de Estrasburgo, França, em 1979, inspirado nos</p><p>ideais da Revolução Francesa. Vasak classificou os direitos humanos em 3 gerações:</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>17</p><p>1ª geração – Direitos de Liberdade.</p><p>Direito à vida, direito à liberdade.</p><p>Estes direitos demandariam apenas prestações negativas do Estado, isto é, ele</p><p>deveria se abster de se imiscuir na vida e na liberdade dos cidadãos.</p><p>2ª geração – Direitos de Igualdade</p><p>Direitos econômicos e sociais de modo geral, como por exemplo o direito à</p><p>educação.</p><p>3ª geração – Direitos de Fraternidade ou de Solidariedade</p><p>Ex.: direito ao meio ambiente equilibrado.</p><p>Posteriormente, outros autores, como o brasileiro Paulo Bonavides, propuseram</p><p>novas gerações:</p><p>4ª geração – Direitos decorrentes da Globalização Política</p><p>Ex.: Direito à Democracia</p><p>5ª geração – Direito à Paz</p><p>(Na classificação de Vasak, o direito à Paz integraria a 3º Geração)</p><p>Críticas à teoria das gerações</p><p>1 – Dá a ideia de que uma geração seria substituída por outra;</p><p>2 – Dá a ideia equivocada de historicidade das gerações, de antiguidade ou</p><p>posteridade de uma geração em relação a outras. (No direito internacional dos direitos</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>18</p><p>humanos, por exemplo, os direitos de segunda geração foram positivados antes dos</p><p>direitos de primeira geração, pelas Convenções da OIT);</p><p>3 – Favorecimento da fragmentação dos direitos humanos, em ofensa à</p><p>indivisibilidade;</p><p>4 – Ignorância de novas interpretações sobre o conteúdo dos direitos. Ex.:</p><p>prestações positivas do Estado para preservar os direitos de primeira geração, como o</p><p>direito a não ser torturado, quando o Estado prende alguém sem água potável,</p><p>condições de higiene adequadas, etc. Assim, o Estado deveria prestar positivamente a</p><p>construção de um presídio adequado, com um corpo carcerário humanizado.</p><p>Ademais, não se pode falar em direito à vida digna sem saúde, moradia,</p><p>educação, etc...</p><p>2 – Classificação conforme o direito internacional</p><p>dos direitos humanos</p><p>Devido aos embates ideológicos entre o capitalismo e o socialismo, que</p><p>perduraram durante a Guerra Fria, não foi possível o surgimento de um só tratado que</p><p>englobasse todos os direitos humanos, portanto, eles foram classificados e separados</p><p>em dois grandes blocos.</p><p>De um lado, a estrutura dos direitos civis e políticos e de outro, a dos direitos</p><p>econômicos, sociais e culturais.</p><p>Três eixos da proteção internacional dos Direitos Humanos</p><p>→ Direito Internacional dos Direitos Humanos (DIDH)</p><p>→ Direito Internacional Humanitário (DIH)</p><p>→ Direito Internacional dos Refugiados (DIR)</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>19</p><p>Não devem ser aplicados de forma compartimentada, mas sim de forma</p><p>complementar.</p><p>Direito Internacional dos Direitos Humanos (DIDH)</p><p>É o eixo mais amplo ou geral;</p><p>Protege o ser humano em todos os aspectos;</p><p>É o que vamos estudar de forma mais profunda.</p><p>Direito Internacional Humanitário (DIH)</p><p>Eixo de proteção especial a quem se encontra em conflitos armados</p><p>internacionais ou internos;</p><p>Conjunto de normas que, procura limitar os efeitos de conflitos armados;</p><p>É regido pelas Convenções de Genebra e pelas Convenções de Haia.</p><p>Direito Internacional dos Refugiados (DIR)</p><p>Nacional da Verdade poderá:</p><p>IV – determinar a realização de perícias e diligências para coleta ou recuperação</p><p>de informações, documentos e dados;</p><p>C) A Comissão Nacional da Verdade é considerada extinta atualmente, visto o</p><p>término de seus trabalhos em dezembro de 2014, com o envio do respectivo Relatório</p><p>ao Poder Executivo Federal.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>185</p><p>D) Os trabalhos da Comissão Nacional da Verdade foram realizados em</p><p>cooperação àqueles realizados no âmbito de comissões da verdade nos estados,</p><p>municípios, universidades, sindicatos e seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil,</p><p>sem sobrepô-los em termos de autoridade hierárquica.</p><p>E) A lei que criou a Comissão Nacional da Verdade determina como dever a</p><p>colaboração de servidores públicos e de militares com os trabalhos desenvolvidos por</p><p>ela.</p><p>Q553944 FCC 2015 DPE MA Defensor Público – Sobre a Comissão Nacional da</p><p>Verdade (CNV), criada pela Lei n° 12.528/11, e o seu relatório, considere as</p><p>afirmativas:</p><p>I. A CNV foi criada no âmbito do Poder Judiciário.</p><p>II. O relatório da CNV recomenda o fortalecimento das Defensorias Públicas por</p><p>entender, dentre outros, que o contato pessoal do defensor público com o</p><p>preso nos distritos policiais e no sistema prisional é a melhor garantia para o</p><p>exercício pleno do direito de defesa e para a prevenção de abusos e violações</p><p>de direitos fundamentais, especialmente tortura e maus tratos.</p><p>III. Poderiam ser membros da CNV aqueles que, na mesma época, estavam no</p><p>exercício de cargo em comissão ou função de confiança em quaisquer esferas</p><p>do poder público.</p><p>IV. O relatório da CNV recomenda a proibição da realização de eventos oficiais em</p><p>comemoração ao golpe militar de 1964.</p><p>Está correto o que se afirma APENAS em:</p><p>A) II e IV.</p><p>B) I e III.</p><p>C) II e III.</p><p>D) III e IV.</p><p>E) I e IV.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>186</p><p>Correção:</p><p>Q553944 FCC 2015 DPE MA Defensor PúblicoSobre a Comissão Nacional da</p><p>Verdade (CNV), criada pela Lei n° 12.528/11, e o seu relatório, considere as</p><p>afirmativas:</p><p>I. A CNV foi criada no âmbito do Poder Judiciário. (Casa Civil)</p><p>II. O relatório da CNV recomenda o fortalecimento das Defensorias Públicas por</p><p>entender, dentre outros, que o contato pessoal do defensor público com o preso nos</p><p>distritos policiais e no sistema prisional é a melhor garantia para o exercício pleno do</p><p>direito de defesa e para a prevenção de abusos e violações de direitos fundamentais,</p><p>especialmente tortura e maus tratos.</p><p>III. Poderiam ser membros da CNV aqueles que, na mesma época, estavam no</p><p>exercício de cargo em comissão ou função de confiança em quaisquer esferas do poder</p><p>público. (Errado! É o oposto!)</p><p>IV. O relatório da CNV recomenda a proibição da realização de eventos oficiais</p><p>em comemoração ao golpe militar de 1964.</p><p>Está correto o que se afirma APENAS em:</p><p>A) II e IV.</p><p>B) I e III.</p><p>C) II e III.</p><p>D) III e IV.</p><p>E) I e IV.</p><p>Estudo da população LGBTQIAPN+</p><p>Atualmente, a sigla mais usada para contemplar orientações sexuais e diversidade de</p><p>gênero é a LGBTQIAP+, que abarca oito variações, além do sinal de mais, que indica outros</p><p>grupos: lésbicas, gays, bissexuais, trans, queer, interssexuais, assexuais, pansexuais e não-</p><p>binaries).</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>187</p><p>Ainda não existe um tratado internacional específico sobre proteção da população</p><p>LGBTQIAP+, porém existem os Princípios de Yogyakarta, uma norma de soft law. Além disso,</p><p>diversos tratados e opiniões consultivas abordam o tema, como a OC 24 e a OC 29 da Corte</p><p>IDH.</p><p>É importante termos alguns conceitos em mente:</p><p>➔ Sexo:</p><p>Refere-se às características específicas e biológicas dos aparelhos reprodutores</p><p>feminino e masculino, ao seu funcionamento e aos caracteres sexuais secundários decorrentes</p><p>dos hormônios. O sexo não determina por si só, a identidade de gênero, e muito menos, a</p><p>orientação sexual de uma pessoa.</p><p>➔ Gênero:</p><p>Não é um conceito biológico, é um conceito mais subjetivo, podemos dizer que é</p><p>uma questão cultural, social. Gênero é um empreendimento realizado pela sociedade para</p><p>transformar o ser nascido com vagina ou pênis em mulher ou homem. Nesse sentido, gênero é</p><p>uma construção social, é preciso um investimento, a influência direta da família e da sociedade</p><p>para transformar um bebê em ‘mulher’ ou ‘homem’. Essa construção é realizada, reforçada, e</p><p>também, fiscalizada ao longo do tempo, principalmente, pelas instituições sociais, são elas: a</p><p>igreja, a família e a escola.</p><p>Resolução 627/2012 DPGERJ – permite que qualquer indivíduo use seu nome social dentro da</p><p>instituição.</p><p>RE 845.779 – trata sobre o uso de banheiros públicos. Uma mulher trans queria usar banheiro</p><p>na rodoviária de Itaperuna, porém ela foi agredida, chamada de traveco, hostilizada e</p><p>impedida de usar o banheiro. Assim, a DPERJ ajuizou ação de danos morais. O STF já entendeu</p><p>que há repercussão geral, porém ainda não decidiu o tema.</p><p>Não há necessidade de tratamento hormonal ou cirurgia para que seja reconhecido como o</p><p>gênero que se entende. Mesmo que haja eventuais constrangimentos, o constrangimento da</p><p>pessoa trans é superior aos das pessoas cis que estão usando o banheiro por serem daquele</p><p>sexo biológico.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>188</p><p>➔ Homossexual:</p><p>Palavra usada para designar uma das formas de orientação sexual possível, neste</p><p>caso, é a relação afetiva e sexual entre pessoas do mesmo sexo. No sentido literal, a palavra</p><p>tem origem grega, sendo homo, que exprime a ideia de semelhança, ou igual. Importante</p><p>ressaltar que a orientação sexual não é definida necessariamente pelo sexo ou pela identidade</p><p>de gênero de uma pessoa.</p><p>“Desde 1990, a homossexualidade não é considerada como doença pela Organização Mundial</p><p>da Saúde. No dia 17 de maio daquele ano, a Assembleia Geral da Organização excluiu a</p><p>orientação homossexual do catálogo internacional de doenças, declarando expressamente que</p><p>“a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão”. A mesma</p><p>providência já havia sido adotada pela Associação Americana de Psiquiatria, em 1975 e, no</p><p>Brasil, pelo Conselho Federal de Psicologia, em 1985. Como o sufixo “ISMO” conota patologia,</p><p>é incorreta a utilização do termo “homossexualismo” para se referir à orientação sexual</p><p>homossexual (ou por pessoas do mesmo sexo).” (O Ministério Público e a Igualdade de</p><p>Direitos para LGBTI: Conceitos e Legislação / Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão,</p><p>Ministério Público do Estado do Ceará. – 2. ed., rev. e atual. – Brasília : MPF, 2017, p. 10).</p><p>➔ Homoafetividade:</p><p>O preconceito em torno à homossexualidade espalha uma ideia de que</p><p>homossexuais se relacionam com o objetivo exclusivo de fazer sexo. As relações homossexuais</p><p>são vistas equivocadamente como relações de promiscuidade e perversão. O termo</p><p>“homoafetividade” é utilizado para visibilizar e romper com o paradigma de que a</p><p>homossexualidade está necessariamente restrita ao ato sexual. Que sim, a homossexualidade</p><p>envolve relações afetivas e/ou sexuais entre pessoas do mesmo sexo.</p><p>➔ Identidade de gênero:</p><p>Independente do sexo, um ser humano pode ter a identidade de gênero de mulher,</p><p>de homem ou ainda outras identidades de gênero possíveis, lembrando que a identidade de</p><p>gênero é uma construção social, e não um signo físico ou biológico.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>189</p><p>A identidade de gênero consiste na autoidentificação que o indivíduo possui com</p><p>um dos gêneros postos pela sociedade majoritária (masculino ou feminino). Nos termos dos</p><p>princípios de Yogyakarta, a identidade de gênero pode ser entendida como: “estando referida</p><p>à experiência interna, individual e profundamente</p><p>sentida que cada pessoa tem em relação ao</p><p>gênero, que pode, ou não, corresponder ao sexo atribuído no nascimento, incluindo-se aí o</p><p>sentimento pessoal do corpo (que pode envolver, por livre escolha, modificação da aparência</p><p>ou função corporal por meios médicos, cirúrgicos ou outros) e outras expressões de gênero,</p><p>inclusive o modo de vestir-se, o modo de falar e maneirismos”. Nessa mesma linha de</p><p>raciocínio, é o teor do artigo 1º, inciso II, do Decreto 8.727/2016: “identidade de gênero –</p><p>dimensão da identidade de uma pessoa que diz respeito à forma como se relaciona com as</p><p>representações de masculinidade e feminilidade e como isso se traduz em sua prática social,</p><p>sem guardar relação necessária com o sexo atribuído no nascimento”.</p><p>O que são papéis de gênero? Os papéis de gênero consistem em um conjunto de</p><p>comportamentos associados com masculinidade e feminilidade, em um grupo ou sistema</p><p>social. Ex: “Isto é coisa de menino”. “Isto é coisa de menina”.</p><p>O gênero pode ser entendido como uma construção social? No que consiste a</p><p>teoria queer?</p><p>A teoria queer (queer theory) nasceu nos Estados Unidos da América na década</p><p>de 1990 e propõe que a fluidez dos conceitos de gênero “masculino” e “feminino” criados pela</p><p>corrente do essencialismo biológico. Segundo a teoria queer, a orientação sexual, a identidade</p><p>sexual e o gênero são verdadeiras construções sociais, concebidos de forma líquida e fluída, ou</p><p>seja, variam ao longo do tempo e independem de padrões biológicos. Assim, a teoria queer</p><p>busca ir além do debate binário entre masculino vs. feminino, aprofundando o debate e os</p><p>estudos das minorias sexuais. Assim, é possível afirmar que a teoria queer é uma teoria de</p><p>desconstrução sexual, que critica o status binário envolvendo os gêneros masculino e</p><p>feminino.</p><p>Ao aluno que se interessar pelo tema, recomendo a leitura da obra Teoria Queer:</p><p>um aprendizado pelas diferenças, de Richard Miskolci. Sobre este tema, vejamos uma lição de</p><p>referido autor: Em outras palavras, a Teoria Queer tem um duplo efeito: ela vem enriquecer os</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>190</p><p>estudos gays e lésbicos com sua perspectiva feminista que lida com o conceito de gênero, e</p><p>também sofistica o feminismo, ampliando seu alcance para além das mulheres. (…)</p><p>Historicamente, o termo “Teoria Queer” foi cunhado por Teresa de Lauretis, em 1991, como</p><p>um rótulo que buscava encontrar o que há em comum em um conjunto muitas vezes disperso</p><p>e relativamente diverso de pesquisa”. MISKOLCI, Richard. Teoria Queer: um aprendizado pelas</p><p>diferenças. Cadernos da Diversidade. Editora Autêntica, 2012 p. 32</p><p>Teoria queer não é luta por mais direitos, mas sim uma análise foucaultiana para</p><p>analisar quais são as normas morais que definem o que é normal e o que é anormal (podemos</p><p>falar do Outro). Quais são as estruturas sociais que moldam nossa forma de pensar e nossa</p><p>psiquê? Cisheteronormatividade.</p><p>• A Teoria Queer foi desenvolvida na década de 90. A escolha do termo “queer” para se</p><p>autodenominar, ou seja, um xingamento que denotava anormalidade, perversão,</p><p>destacava o compromisso em desenvolver uma análise da normalização focada na</p><p>sexualidade. O ponto de partida foi a afirmação foucaultiana de que a sexualidade é</p><p>um dispositivo histórico do poder, tendo se baseado na inserção do sexo como</p><p>sistema regulação social.</p><p>• O objetivo era explicitar os processos que criam sujeitos normais, adaptados, em</p><p>suma, hegemônicos, apenas construindo também sujeitos ilegítimos, rotulados como</p><p>anormais e alocados na margem do social. O hegemônico só se constrói em uma</p><p>oposição necessária a algo inferiorizado e subordinado. A heterossexualidade só</p><p>existe em oposição à homossexualidade, compreendida como seu negativo inferior e</p><p>abjeto, em perversa e patologizante lógica binária.</p><p>• A verdade é que nosso pensamento continua formatado por uma velha presunção</p><p>ideológica que sente como um ataque tudo aquilo que desnatura o que nunca deveria</p><p>ter sido naturalizado. A luta pelo reconhecimento da diversidade é indispensável para</p><p>assegurar inclusão de todos na sociedade, pois a invisibilidade de suas distinções</p><p>acarreta discriminação e sentimento de inferiorização diante dos demais.</p><p>• A misoginia e a homofobia são interdepentendes. A ordem social do presente tem</p><p>como fundamento a heteronormatividade. A heteronormatividade expressa as</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>191</p><p>expectativas, as demandas e as obrigações sociais que derivam do pressuposto da</p><p>heterossexualidade como natural.</p><p>• O foco queer na heteronormatividade, contudo, não equivale a uma defesa de sujeitos</p><p>“não-heterossexuais”, pois ele é, antes de mais nada, definidor do empreendimento</p><p>desconstrutivista desta corrente teórica com relação à ordem social e os pressupostos</p><p>que embasam toda uma visão de mundo, práticas e até mesmo uma epistemologia. O</p><p>enfoque está nos processos sociais classificatórios, hierarquizadores, em suma, nas</p><p>estratégias sociais normalizadoras dos comportamentos.</p><p>• A Teoria Queer e os Estudos Pós-Coloniais são parte de um conjunto que podemos</p><p>chamar de teorias subalternas, as quais fazem uma crítica dos discursos hegemônicos</p><p>na cultura ocidental.</p><p>• Lembrança: “Entre la libertad y la igualdad: aportes de las teorias queer en la</p><p>agenda del movimento feminista” (Renata Tavares).</p><p>OBS.: Uma ideia interessante é relacionar o conceito de fluidez de gênero</p><p>proposto pela teoria queer com o conceito de modernidade líquida, proposto por Zygmunt</p><p>Bauman. O sociólogo polonês propõe que no atual momento da humanidade, tudo (amor,</p><p>amizades, trabalho etc) seria “líquido”, ou seja fluído, uma vez que o próprio ser humano</p><p>troca e muda de ideia rapidamente e em todo momento.</p><p>Identificar quais são as estruturas sociais que determinam o normal e o anormal.</p><p>Por isso se fala em cisheteronormatividade, que seria uma obrigatoriedade de ser</p><p>cisheteronormativo. A teoria queer busca saber quais estruturas impõem isso e como</p><p>inferiorizam o que denominam de anormal.</p><p>→ Orientação Sexual:</p><p>A orientação sexual demonstra por qual sexo o indivíduo possui</p><p>desejo/afetuosidade. Ainda nesse sentido, os princípios de Yogyakarta elencam o conceito de</p><p>orientação sexual como “estando referida à capacidade de cada pessoa de experimentar uma</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>192</p><p>profunda atração emocional, afetiva ou sexual por indivíduos de gênero diferente, do mesmo</p><p>gênero ou de mais de um gênero, assim como de ter relações íntimas e sexuais com essas</p><p>pessoas” Acerca deste tema, é importante utilizar a expressão orientação sexual em</p><p>detrimento ao termo “opção sexual”, uma vez que os estudiosos da matéria advogam no</p><p>sentido de que muitas vezes as questões envolvendo a sexualidade de determinado indivíduo</p><p>não representam uma simples escolha ou opção. Ainda sobre os conceitos de identidade de</p><p>gênero e orientação sexual, é a lição de Paulo Roberto Iotti Vecchiatti: “De forma mais</p><p>objetiva, em termos identitários, pode-se dizer que a orientação sexual refere-se à</p><p>homossexualidade, à heterossexualidade e à bissexualidade, por se referir ao sexo/gênero que</p><p>atrai a pessoa de forma erótico-afetiva, ao passo que a identidade de gênero refere-se a</p><p>travestilidade, à transgeneridade em geral e à cisgeneridade por se referir ao gênero com o</p><p>qual a pessoa se identifica”. (VECCHIATTI, Paulo Roberto Iotti. Constitucionalidade (e dever</p><p>constitucional) da classificação da homofobia e da transfobia como crimes de racismo. In.</p><p>Diversidade Sexual e Direito Homoafetivo. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2017, pp. 88).</p><p>➔ Padrão heteronormativo:</p><p>É o padrão social ou sistema social vigente na sociedade brasileira, onde a</p><p>heterossexualidade é ensinada, reforçada e exclusivamente aceita pelas instituições sociais e</p><p>pela</p><p>própria sociedade.</p><p>➔ Heterossexismo:</p><p>Designa um pensamento segundo o qual todas as pessoas são heterossexuais. Um</p><p>indivíduo ou grupo heterossexista não reconhece a possibilidade de existência legítima da</p><p>homossexualidade, ou mesmo da bissexualidade. É a ideia de que a heterossexualidade é a</p><p>orientação sexual “normal” e “natural”, que comportamentos “não-heterossexuais” são um</p><p>“desvio” da regra social, uma anomalia. O heterossexismo atribui vantagens à</p><p>heterossexualidade, privilegia os direitos de heterossexuais em detrimento dos direitos de</p><p>homossexuais. Por vezes sutil, o heterossexismo é a opressão de “não-heterossexuais” por</p><p>meio inclusive da negligência, omissão, supressão e distorção dessas vivências.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>193</p><p>➔ Homofobia:</p><p>É uma postura de repulsa ainda mais ampliada, ou seja, em relação às e aos</p><p>homossexuais, e ainda às e aos travestis, e às e aos transexuais (em relação às lésbicas, tem-se</p><p>a lesbofobia). A homofobia se expressa de muitas formas dificultando a formação educacional</p><p>e profissional de homossexuais; motivando demissões ou mesmo impedindo homossexuais de</p><p>conseguirem uma vaga no mercado de trabalho formal; impedindo a expressão da afetividade</p><p>de casais em vias públicas etc.</p><p>Em muitos casos, chega ao cúmulo da violência física e ao assassinato de</p><p>homossexuais, constituindo assim um problema de Estado, pois abarca a violação dos Direitos</p><p>Humanos, de todo um segmento populacional. Portanto, o entendimento da homofobia deve</p><p>ir para além de uma questão pessoal daquele que é homofóbico e ser assumido pelo Estado</p><p>como um problema social a ser solucionado.</p><p>➔ Intersexo:</p><p>É uma condição de nascença em que os órgãos sexuais e/ou reprodutivos não</p><p>correspondem ao que a sociedade espera para o sexo masculino ou feminino. Esta situação</p><p>pode se expressar na dúvida sobre o sexo da criança ou, em adolescentes criadas como</p><p>meninas, na ausência de útero, ovário ou presença de testículo na região do abdome.</p><p>→ Cisgêneras:</p><p>São as pessoas que possuem uma identidade de gênero correspondente ao sexo</p><p>biológico.</p><p>→ Transgêneras:</p><p>É a expressão guarda-chuva utilizada para designar as pessoas que possuem uma</p><p>identidade de gênero diferente daquela correspondente ao sexo biológico.</p><p>➔ Transsexual:</p><p>É a pessoa que, por se sentir pertencente ao outro gênero, pode manifestar o</p><p>desejo de fazer uma cirurgia no seu corpo para mudar de sexo, o que não acontece com</p><p>as travestis. Muitas travestis modificam seus corpos com ajuda de hormônios, terapias,</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>194</p><p>implantes de silicone e cirurgia plásticas, mas ainda desejam manter o órgão sexual de</p><p>origem.</p><p>➔ Travesti:</p><p>É uma pessoa que não se identifica com o gênero biológico e se veste e se</p><p>comporta como pessoas de outro sexo. É um homem que se veste como mulher, se</p><p>comporta como mulher e se sente mulher ou o contrário, uma mulher que se veste,</p><p>comporta e age como se fosse um homem.</p><p>Diante desses conceitos, Flávia Piovesan enfatiza que quatro princípios devem</p><p>orientar direitos sexuais e reprodutivos: (a) universalidade (b) indivisibilidade (c) diversidade</p><p>e (d) democrático. A respeito da igualdade de gênero, Basterd enfatiza as mudanças que esta</p><p>realidade está causando no ordenamento jurídico brasileiro:</p><p>“O controle da sexualidade sempre esteve presente no ordenamento jurídico</p><p>brasileiro como garantidor da constituição da família heterossexual e da procriação legítima</p><p>(..). Tal controle levou à criminalização de um conjunto de comportamentos considerados</p><p>‘atentatórios’ à família (adultério), à saúde (contágio de doença venérea) e liberdade sexual,</p><p>assim como acarretou a criminalização da prática do aborto, exceto quando resulta de</p><p>violência sexual [...] O direito brasileiro, em linhas gerais, apresenta duas possibilidades no que</p><p>refere ao exercício da sexualidade: um exercício estimulado para procriação e constrangido ao</p><p>âmbito familiar, e um exercício proibido e, por consequência, criminalizado.”</p><p>Essa realidade sofreu, e sofre, questionamentos por parte de movimentos</p><p>feministas e LGBTs, passando o Estado, paulatinamente, a incorporar nas políticas públicas</p><p>cuidados com temas como a prevenção e promoção da saúde, contra o contágio de DSTs; a</p><p>aprovação de lei de planejamento familiar (Lei 9.263/96) e ao acolhimento, pelo Ministério da</p><p>Saúde e pelo SUS, da cirurgia de mudança de sexo, fruto de ACP movida pelo MPF, que</p><p>resultou na edição da Portaria do Ministério da Saúde nº 1.707/08, fixando que a cirurgia para</p><p>mudança de sexo (transgenitalização) faria parte da lista de procedimentos do SUS”.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>195</p><p>“Criminalização” da homofobia e da transfobia no STF (ADO 26 e MI 4733)</p><p>1. Até que sobrevenha lei emanada do Congresso Nacional destinada a implementar os</p><p>mandados de criminalização definidos nos incisos XLI e XLII do art. 5º da Constituição da</p><p>República, as condutas homofóbicas e transfóbicas, reais ou supostas, que envolvem aversão</p><p>odiosa à orientação sexual ou à identidade de gênero de alguém, por traduzirem expressões</p><p>de racismo, compreendido este em sua dimensão social, ajustam-se, por identidade de razão e</p><p>mediante adequação típica, aos preceitos primários de incriminação definidos na Lei nº 7.716,</p><p>de 08.01.1989, constituindo, também, na hipótese de homicídio doloso, circunstância que o</p><p>qualifica, por configurar motivo torpe (Código Penal, art. 121, § 2º, I, “in fine”);</p><p>2. A repressão penal à prática da homotransfobia não alcança nem restringe ou limita o</p><p>exercício da liberdade religiosa, qualquer que seja a denominação confessional professada, a</p><p>cujos fiéis e ministros (sacerdotes, pastores, rabinos, mulás ou clérigos muçulmanos e líderes</p><p>ou celebrantes das religiões afro-brasileiras, entre outros) é assegurado o direito de pregar e</p><p>de divulgar, livremente, pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, o seu</p><p>pensamento e de externar suas convicções de acordo com o que se contiver em seus livros e</p><p>códigos sagrados, bem assim o de ensinar segundo sua orientação doutrinária e/ou teológica,</p><p>podendo buscar e conquistar prosélitos e praticar os atos de culto e respectiva liturgia,</p><p>independentemente do espaço, público ou privado, de sua atuação individual ou coletiva,</p><p>desde que tais manifestações não configurem discurso de ódio, assim entendidas aquelas</p><p>exteriorizações que incitem a discriminação, a hostilidade ou a violência contra pessoas em</p><p>razão de sua orientação sexual ou de sua identidade de gênero;</p><p>3. O conceito de racismo, compreendido em sua dimensão social, projeta-se para além</p><p>de aspectos estritamente biológicos ou fenotípicos, pois resulta, enquanto manifestação de</p><p>poder, de uma construção de índole histórico-cultural motivada pelo objetivo de justificar a</p><p>desigualdade e destinada ao controle ideológico, à dominação política, à subjugação social e à</p><p>negação da alteridade, da dignidade e da humanidade daqueles que, por integrarem grupo</p><p>vulnerável (LGBTI+) e por não pertencerem ao estamento que detém posição de hegemonia</p><p>em uma dada estrutura social, são considerados estranhos e diferentes, degradados à</p><p>condição de marginais do ordenamento jurídico, expostos, em consequência de odiosa</p><p>inferiorização e de perversa estigmatização, a uma injusta e lesiva situação de exclusão do</p><p>sistema geral de proteção do direito.</p><p>STF. Plenário. ADO 26/DF, Rel. Min. Celso de Mello; MI 4733/DF, Rel. Min. Edson Fachin,</p><p>julgados em em 13/6/2019 (Info 944).</p><p>Quanto ao MI:</p><p>O STF, por maioria, julgou procedente o mandado de injunção para:</p><p>a) reconhecer a mora inconstitucional do Congresso Nacional e;</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>196</p><p>b) aplicar, com efeitos prospectivos,</p><p>até que o Congresso Nacional venha a legislar a respeito,</p><p>a Lei nº 7.716/89 a fim de estender a tipificação prevista para os crimes resultantes de</p><p>discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional à</p><p>discriminação por orientação sexual ou identidade de gênero.</p><p>Quanto à ADO:</p><p>O STF, também por maioria, julgou a ADO procedente, com eficácia geral e efeito vinculante,</p><p>para:</p><p>a) reconhecer o estado de mora inconstitucional do Congresso Nacional na implementação da</p><p>prestação legislativa destinada a cumprir o mandado de incriminação a que se referem os</p><p>incisos XLI e XLII do art. 5º da Constituição, para efeito de proteção penal aos integrantes do</p><p>grupo LGBT;</p><p>b) declarar, em consequência, a existência de omissão normativa inconstitucional do Poder</p><p>Legislativo da União;</p><p>c) cientificar o Congresso Nacional, para os fins e efeitos a que se refere o art. 103, § 2º, da</p><p>Constituição c/c o art. 12-H, caput, da Lei nº 9.868/99:</p><p>Art. 103 (...)</p><p>§ 2º Declarada a inconstitucionalidade por omissão de medida para tornar efetiva norma</p><p>constitucional, será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências</p><p>necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em trinta dias.</p><p>Da Decisão na Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão</p><p>Art. 12-H. Declarada a inconstitucionalidade por omissão, com observância do disposto no art.</p><p>22, será dada ciência ao Poder competente para a adoção das providências necessárias.</p><p>d) dar interpretação conforme à Constituição, em face dos mandados constitucionais de</p><p>incriminação inscritos nos incisos XLI e XLII do art. 5º da Carta Política, para enquadrar a</p><p>homofobia e a transfobia, qualquer que seja a forma de sua manifestação, nos diversos tipos</p><p>penais definidos na Lei nº 7.716/89, até que sobrevenha legislação autônoma, editada pelo</p><p>Congresso Nacional, por dois motivos:</p><p>d.1) porque as práticas homotransfóbicas qualificam-se como espécies do gênero racismo, na</p><p>dimensão de racismo social consagrada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento plenário</p><p>do HC 82.424/RS (caso Ellwanger), na medida em que tais condutas importam em atos de</p><p>segregação que inferiorizam membros integrantes do grupo LGBT, em razão de sua orientação</p><p>sexual ou de sua identidade de gênero;</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>197</p><p>d.2) porque tais comportamentos de homotransfobia ajustam-se ao conceito de atos de</p><p>discriminação e de ofensa a direitos e liberdades fundamentais daqueles que compõem o</p><p>grupo vulnerável em questão;</p><p>e) declarar que os efeitos da interpretação conforme a que se refere a alínea “d” somente se</p><p>aplicarão a partir da data em que se concluir o presente julgamento.</p><p>Conceito de “raça”</p><p>O conceito de “raça” que compõe a estrutura normativa dos tipos penais incriminadores</p><p>previstos na Lei nº 7.716/89 tem merecido múltiplas interpretações, revestindo-se, por isso, de</p><p>inegável conteúdo polissêmico (algo que tem muitos significados).</p><p>Um exemplo disso foi o célebre julgamento do “caso Ellwanger” (HC 82424), em setembro de</p><p>2003, quando o STF manteve a condenação imposta ao escritor gaúcho Siegfried Ellwanger por</p><p>crime de racismo contra os judeus. Naquela ocasião, o STF afastou a alegação da defesa de que</p><p>os “judeus” não seriam uma “raça”. Pode-se dizer, portanto, que o STF adotou uma espécie de</p><p>conceito “social” de raça.</p><p>(...) 3. Raça humana. Subdivisão. Inexistência. Com a definição e o mapeamento do genoma</p><p>humano, cientificamente não existem distinções entre os homens, seja pela segmentação da</p><p>pele, formato dos olhos, altura, pêlos ou por quaisquer outras características físicas, visto que</p><p>todos se qualificam como espécie humana. Não há diferenças biológicas entre os seres</p><p>humanos. Na essência são todos iguais. 4. Raça e racismo. A divisão dos seres humanos em</p><p>raças resulta de um processo de conteúdo meramente político-social. Desse pressuposto</p><p>origina-se o racismo que, por sua vez, gera a discriminação e o preconceito segregacionista.</p><p>(...)</p><p>STF. Plenário. HC 82424, Relator p/ Acórdão Min. Maurício Corrêa, julgado em 17/09/2003.</p><p>Racismo é um conceito aberto que abrange preconceitos contra pessoas em razão de sua</p><p>orientação sexual ou identidade de gênero</p><p>Assim, a noção de racismo – para efeito de configuração típica dos delitos previstos na Lei nº</p><p>7.716/89 – não se resume a um conceito de ordem estritamente antropológica ou biológica.</p><p>Projeta-se, ao contrário, numa dimensão abertamente cultural e sociológica, a abranger até</p><p>mesmo situações de agressão injusta resultantes de discriminação ou de preconceito contra</p><p>pessoas por sua orientação sexual ou sua identidade de gênero.</p><p>Atos homofóbicos e transfóbicos são formas contemporâneas de racismo</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>198</p><p>A configuração de atos homofóbicos e transfóbicos como formas contemporâneas do racismo</p><p>objetiva preservar a incolumidade dos direitos da personalidade, como a essencial dignidade</p><p>da pessoa humana.</p><p>Busca inibir, desse modo, comportamentos abusivos que possam, impulsionados por</p><p>motivações subalternas, disseminar criminosamente o ódio público contra outras pessoas em</p><p>razão de sua orientação sexual ou de sua identidade de gênero.</p><p>Interpretação conforme</p><p>Vale ressaltar que a aplicação da Lei nº 7.716/89 para condutas homofóbicas e transfóbicas</p><p>resulta da aplicação do método da interpretação conforme.</p><p>Assim, fazendo-se uma intepretação conforme do conceito de “raça”, previsto na Lei nº</p><p>7.716/89, chega-se à conclusão de que ele pode abranger também orientação sexual e</p><p>identidade de gênero.</p><p>Nas exatas palavras do Min. Celso de Mello:</p><p>“A constatação da existência de múltiplas expressões semiológicas propiciadas pelo conteúdo</p><p>normativo da ideia de “raça” permite reconhecer como plenamente adequado o emprego, na</p><p>presente hipótese, da técnica de decisão e de controle de constitucionalidade fundada no</p><p>método da interpretação conforme à Constituição.”</p><p>Não se trata de analogia</p><p>Atenção. Para o Min. Celso de Mello, a construção que foi feita, ou seja, a aplicação da Lei nº</p><p>7.716/89 às condutas homofóbicas e transfóbicas, não é aplicação analógica. Para ele, houve</p><p>apenas interpretação conforme a Constituição. Confira:</p><p>“A solução propugnada não sugere a aplicação analógica das normas penais previstas na Lei</p><p>7.716/1989 nem implica a formulação de tipos criminais ou cominação de sanções penais.</p><p>É certo que, considerado o princípio constitucional da reserva absoluta de lei formal, o tema</p><p>pertinente à definição de tipo penal e à cominação de sanção penal subsume-se ao âmbito das</p><p>normas de direito material, de natureza eminentemente penal, regendo-se, em consequência,</p><p>pelo postulado da reserva de parlamento.</p><p>Assim, inviável, em controle abstrato de constitucionalidade, colmatar, mediante decisão</p><p>desta Corte Suprema, a omissão denunciada pelo autor da ação direta, procedendo-se à</p><p>tipificação penal de condutas atentatórias aos direitos e liberdades fundamentais dos</p><p>integrantes da comunidade LGBT.</p><p>Na verdade, a solução ora proposta limita-se à mera subsunção de condutas homotransfóbicas</p><p>aos diversos preceitos primários de incriminação definidos em legislação penal já existente (Lei</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>199</p><p>7.716/1989), pois os atos de homofobia e de transfobia constituem concretas manifestações</p><p>de racismo, compreendido em sua dimensão social, ou seja, o denominado racismo social.”</p><p>Não há ofensa à liberdade religiosa</p><p>É necessário destacar que a decisão, no presente caso, não implica a ocorrência de qualquer</p><p>ofensa ou dano potencial à liberdade religiosa, qualquer que seja a dimensão em que aquela</p><p>se projete.</p><p>A liberdade religiosa faz parte do regime democrático e não pode nem deve ser impedida</p><p>pelo</p><p>poder público nem submetida a ilícitas interferências do Estado.</p><p>A adoção pelo Estado de meios destinados a impedir condutas homofóbicas e transfóbicas em</p><p>hipótese alguma poderá restringir ou suprimir a liberdade de consciência e de crença, nem</p><p>autorizar qualquer medida que interfira nas celebrações litúrgicas ou que importe em</p><p>cerceamento à liberdade de palavra, seja como instrumento de pregação da mensagem</p><p>religiosa, seja, ainda, como forma de exercer o proselitismo em matéria confessional em</p><p>espaços públicos ou privados.</p><p>Há que se preservar, portanto, a possibilidade de os líderes e membros das religiões exporem</p><p>suas narrativas, conselhos, lições ou orientações constantes de seus livros sagrados, seja qual</p><p>for a religião (como a Bíblia, a Torah, o Alcorão, a Codificação Espírita, os Vedas hindus e o</p><p>Dhammapada budista).</p><p>Essas práticas não configuram delitos contra a honra, porque veiculados com o intuito de</p><p>divulgar o pensamento resultante do magistério teológico e da filosofia espiritual que são</p><p>próprios de cada uma dessas denominações confessionais. Tal circunstância descaracteriza,</p><p>por si só, o intuito doloso dos delitos contra a honra, a tornar legítimos o discurso e a pregação</p><p>como expressões dos postulados de fé dessas religiões.</p><p>Em caso de insultos, ofensas ou estimulo à violência, poderá haver crime</p><p>Por outro lado, o direito de dissentir deixa de ser legítimo quando a sua exteriorização ofender</p><p>valores e bens jurídicos igualmente protegidos pela ordem constitucional, como sucede com o</p><p>direito de terceiros à incolumidade de seu patrimônio moral.</p><p>Assim, pronunciamentos de índole religiosa que extravasem (extrapolem) os limites da livre</p><p>manifestação de ideias, constituindo-se em insultos, ofensas ou em estímulo à intolerância e</p><p>ao ódio público contra os integrantes da comunidade LGBT, não merecem proteção</p><p>constitucional e não podem ser considerados liberdade de expressão. Em tais situações,</p><p>haverá crime.</p><p>Função contramajoritária do STF</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>200</p><p>Para o Min. Celso de Mello, este julgamento reflete a função contramajoritária que o STF</p><p>possui de, no Estado Democrático de Direito, conferir efetiva proteção às minorias.</p><p>É uma função exercida no plano da jurisdição das liberdades.</p><p>Nesse sentido, o STF desempenha o papel de órgão investido do poder e da responsabilidade</p><p>institucional de proteger as minorias contra eventuais excessos da maioria ou contra omissões</p><p>que se tornem lesivas, diante da inércia do Estado, aos direitos daqueles que sofrem os efeitos</p><p>perversos do preconceito, da discriminação e da exclusão jurídica.</p><p>Assim, para que o regime democrático não se reduza a uma categoria político-jurídica</p><p>meramente conceitual ou simplesmente formal, torna-se necessário assegurar às minorias a</p><p>plenitude de meios que lhes permitam exercer, de modo efetivo, os direitos fundamentais</p><p>assegurados a todos. Ninguém se sobrepõe, nem mesmo os grupos majoritários, aos princípios</p><p>superiores consagrados pela Constituição da República.</p><p>Crítica: Uso do direito penal como solução dos problemas sociais, analogia in malam partem</p><p>(porém o próprio STF já disse que não se trata de analogia, pois isso é vedado no direito</p><p>penal).</p><p>Povos Ciganos</p><p>Em 2022, o estatuto dos Povos Ciganos foi aprovado no Senado e agora aguarda análise na</p><p>Câmara dos Deputados.</p><p>De acordo com tal estatuto, ciganos são:</p><p>Art. 2º Considera-se cigano o indivíduo que se autodeclara e é reconhecido por outros</p><p>indivíduos e/ou coletivos ciganos como ciganos, considerando sua consanguinidade e</p><p>genealogia, podendo ou não apresentar uma cultura distinta da sociedade nacional.</p><p>Parágrafo único. Para efeito deste Estatuto consideram-se ciganos vulneráveis os indivíduos ou</p><p>comunidades que vivem em situação considerada de pobreza e de extrema pobreza, podendo</p><p>se encontrar em situação de itinerância, nomadismo ou sedentarismo.</p><p>Art. 3° É dever do poder público e da sociedade em geral promover a inclusão social, política e</p><p>econômica dos ciganos, defendendo sua dignidade, sua liberdade religiosa e suas culturas.</p><p>Os ciganos não são um povo único e homogêneo, sendo divididos em diversas etnias. Não se</p><p>sabe ao certo sua origem, havendo divergências, porém sendo mais aceito atualmente que</p><p>teriam se originado na Índia, na região do Punjab, tendo passado pelo Egito e ido para o</p><p>continente europeu.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>201</p><p>A primeira menção a ciganos vem de um documento espanhol de 1423, em que verifica-se</p><p>pedido de permissão para cruzar o território a fim de peregrinar a Santiago de Compostela.</p><p>Onde vivem os ciganos?</p><p>Os países onde vivem o maior número de ciganos são os Estados Unidos (1.000.000), Brasil</p><p>(800.000) e Espanha (710.000).</p><p>No entanto, são em países como Sérvia, Bulgária, Eslovênia e Romênia é que se verifica a</p><p>maior proporção de ciganos na população.</p><p>Povo cigano no Brasil</p><p>Os ciganos chegaram ao Brasil com os navegantes portugueses. As autoridades de Portugal</p><p>viam nos seus territórios ultramarinos uma oportunidade de se livrar desses indivíduos que</p><p>eram considerados “indesejados”.</p><p>Os ciganos estabeleceram-se em praticamente todo o território nacional, especialmente na</p><p>Bahia.</p><p>Atualmente, existem três grandes grupos ciganos no País. O primeiro, oriundos de Portugal e</p><p>Espanha, que mantém o dialeto caló. O segundo, o Rom, que utiliza o romani, e são oriundos</p><p>especialmente do Leste Europeu. Finalmente, os Sintis, da Alemanha e da França, após a</p><p>Primeira Guerra Mundial (1914-1918).</p><p>Segundo os dados do IBGE, em 2010 havia cerca de 800 mil ciganos no Brasil. A maioria já não</p><p>vive como nômades e estão fixos numa região.</p><p>O Estatuto dos Povos Ciganos dispõe sobre educação, cultura, saúde, acesso à terra, moradia,</p><p>trabalho e ações afirmativas em favor dos povos ciganos. Suas disposições preliminares</p><p>elencam os objetivos de combate à discriminação e à intolerância; trazem breves definições</p><p>sobre quem são os ciganos, desigualdade racial, políticas públicas e ações afirmativas; impõem</p><p>ao Estado o dever de garantir igualdade de oportunidades e de defender a dignidade e os</p><p>valores religiosos e culturais dos ciganos, prioritariamente mediante políticas públicas de</p><p>desenvolvimento econômico e social, ações afirmativas e combate à discriminação.</p><p>O projeto busca também reconhecer, proteger e estimular o acesso à terra, à moradia e ao</p><p>trabalho. Além disso, cria o dever de coletar periodicamente informações demográficas sobre</p><p>os povos ciganos, para subsidiar a elaboração de políticas públicas em seu favor.</p><p>Em 2006, o presidente Lula sancionou um decreto criando o Dia Nacional do Cigano, que é dia</p><p>24 de maio.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>https://www.todamateria.com.br/espanha/</p><p>202</p><p>Refugiados</p><p>Há várias normas de soft law tanto no sistema global quanto no sistema</p><p>interamericano relativas à proteção internacional dos direitos humanos dos refugiados, mas o</p><p>documento internacional central, com natureza de tratado – e por isso, vinculante –, é a</p><p>Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados, adotada pela ONU em 1951.</p><p>A redação originária desta Convenção continha duas limitações, sendo uma de</p><p>natureza temporária (vigorando apenas para fatos ocorridos antes de 1951) e outra de</p><p>natureza geográfica (apenas para o continente europeu).</p><p>Um protocolo adotado em 1967 quebrou este paradigma eurocêntrico e superou as</p><p>limitações referidas. O Brasil ratificou e internalizou tanto a Convenção quanto o seu protocolo</p><p>facultativo. Internamente, a matéria é tratada na Lei 9.474/97.</p><p>Há, ainda, o ACNUR – Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, uma</p><p>agência especializada da ONU.</p><p>A solicitação de refúgio é sempre gratuita, não há taxas. Infelizmente</p><p>o processo de</p><p>declaração de refúgio é lento e burocrático. Por isso, enquanto a pessoa aguarda o resultado</p><p>do processo, ela recebe um protocolo da solicitação de refúgio para poder utilizar como</p><p>documento dentro do Brasil, enquanto não recebe o RNE (Registro Nacional de Estrangeiros).</p><p>Como solicitante de reconhecimento da condição de refugiado, o imigrante possui</p><p>o Protocolo de Refúgio, que serve como identidade e atesta sua condição migratória regular</p><p>no país, desde que dentro da validade. Com ele, o imigrante pode tirar carteira de trabalho e</p><p>outros documentos importantes para viver no Brasil.</p><p>De acordo com o Ministério da Justiça, o Protocolo de Refúgio é o documento de</p><p>identificação do solicitante de refúgio. Ele comprova que o solicitante está em situação</p><p>migratória regular no Brasil e pode exercer seus direitos, como ter acesso à educação, ser</p><p>atendido em hospitais públicos e trabalhar formalmente no Brasil.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>203</p><p>Esse documento precisa ser renovado anualmente na Polícia Federal, até o processo</p><p>de refúgio ser decidido pelo Conare. Se ele não for renovado após 6 meses da data de</p><p>validade, o processo de refúgio é extinto sem análise do Conare e o solicitante fica irregular</p><p>no Brasil.</p><p>Incidente de Deslocamento de Competência</p><p>O art. 109, §5º foi introduzido na CF pela EC 45 de 2004 e diz:</p><p>Art. 109, §5º Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral</p><p>da República, com a finalidade de assegurar o cumprimento de obrigações decorrentes de</p><p>tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar,</p><p>perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito ou processo, incidente</p><p>de deslocamento de competência para a Justiça Federal.</p><p>Isso adveio de recomendação da CIDH ao Brasil em 1997 de que fosse competência da</p><p>Justiça Federal julgar crimes que envolvam violações de direitos humanos.</p><p>O IDC busca combater a impunidade de violadores de direitos humanos e evitar a</p><p>responsabilização internacional do Estado em sistemas de proteção de Direitos Humanos.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>204</p><p>Além disso, ele respeita a cláusula federal da CADH que diz que, não importa qual ente</p><p>estatal tenha sido omisso ou violado direitos humanos, quem responde sempre é o Estado</p><p>Brasileiro, isto é, a União.</p><p>Requisitos:</p><p>O STJ estabeleceu os requisitos para cabimento do IDC no primeiro incidente de</p><p>deslocamento julgado (IDC nº 1 – Caso Dorothy Stang), que são:</p><p>a) grave violação a direitos humanos;</p><p>b) assegurar o cumprimento, pelo Brasil, de obrigações decorrentes de tratados</p><p>internacionais; e</p><p>c) incapacidade – devido à inércia, negligência, falta de vontade política, de condições</p><p>pessoais, materiais etc. – de o Estado-membro, por suas instituições e autoridades, levar a</p><p>cabo, em toda a sua extensão, a persecução criminal.</p><p>Legitimado para suscitar o IDC: Apenas o Procurador Geral da República</p><p>Competência para julgar o IDC: STJ</p><p>Momento em que o IDC pode ser ajuizado: O IDC pode ser ajuizado em qualquer</p><p>momento, mesmo se o fato ainda estiver sob investigação (penal ou cível).</p><p>Críticas ao IDC: Há muitas críticas ao IDC, dentre as quais a de que ele violaria o pacto</p><p>federativo, afrontaria os princípios do juiz e do promotor natural (e por que não do defensor</p><p>natural), bem como violaria a legalidade e o devido processo legal. Além disso, ao dizer que a</p><p>justiça federal julgaria o caso de forma mais adequada, enfraqueceria as instâncias estaduais.</p><p>→ IDC 1: Trata sobre o assassinato da missionária Dorothy Stang no Pará. Foi julgado</p><p>improcedente sob o argumento de que as autoridades estaduais não estavam negligentes na</p><p>apuração do crime.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>205</p><p>De fato, em 2010, houve a condenação de Pereira Galvão, acusado de ser o mandante</p><p>do crime contra a missionária.</p><p>→ IDC 2: morte do vereador e advogado Manoel Mattos na Paraíba. Primeiro IDC</p><p>julgado procedente pelo STJ, tendo a competência sido deslocada para a Justiça Federal do</p><p>Estado da Paraíba.</p><p>→ IDC 3: Trata de ações de grupos de extermínio em Goiás. Foi julgado parcialmente</p><p>procedente pelo STJ, com a determinação de deslocamento de apenas alguns dos</p><p>processos.</p><p>→ IDC 4: ajuizado por Ministro do TCE/PE, relativo a atos do TCE que culminaram com a</p><p>sua aposentadoria. Foi negado conhecimento em razão da ilegitimidade ativa.</p><p>→ IDC 5: morte do promotor de justiça Thiago Farias Soares no Pernambuco. Foi julgado</p><p>procedente pelo STJ, com o deslocamento da competência para a Justiça Federal de</p><p>PE.</p><p>→ IDC 7: Marielle Franco era vereadora do Rio de Janeiro na Legislatura 2017-2020,</p><p>tendo sido eleita em 2016, com a quinta maior votação.</p><p>Marielle era feminista, defensora dos direitos humanos, e criticava abertamente a</p><p>Polícia Militar e a intervenção federal no Rio de Janeiro, tendo denunciado vários casos de</p><p>abuso de autoridade por parte de policiais contra moradores de favelas.</p><p>Em 14 de março de 2018, foi assassinada a tiros junto de seu motorista, Anderson Pedro</p><p>Mathias Gomes no Rio de Janeiro.</p><p>Raquel Dodge, então PGR, pediu a federalização em 2019, argumentando que depois de</p><p>anos ainda não havia respostas para o crime. Porém o STJ indeferiu o pedido, dizendo não</p><p>haver provas de que as instituições estaduais não tinham capacidade de investigar. Os</p><p>familiares de Marielle, a DPERJ, o MPRJ e a PCRJ foram contra a federalização e apenas os</p><p>acusados foram a favor.</p><p>→ IDC 9: Trata sobre investigação da participação de agentes públicos em homicídios</p><p>que teriam sido praticados no contexto de ações do PCC em São Paulo em maio de 2016, no</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>206</p><p>que foi conhecido como “maio sangrento” sendo que uma das chacinas investigadas foi</p><p>praticada no Parque Bristol. Pendente de julgamento.</p><p>→ IDC 10: envolve apuração de excessos praticados por policiais militares em operação</p><p>realizada no ano de 2015, no bairro do Cabula, em Salvador/BA, da qual resultou a morte de</p><p>12 jovens. Fato conhecido como “Chacina do Cabula”. Julgado improcedente pelo STJ sob o</p><p>argumento de que as autoridades estaduais estavam trabalhando de forma adequada. A PGR</p><p>interpôs recurso extraordinário contra a decisão.</p><p>→ IDC 11: Foi negado seguimento por ilegitimidade ativa.</p><p>→ IDC 14: envolve a apuração das consequências da grave de Polícia Militar do Estado</p><p>do Espírito Santo em fevereiro de 2017.</p><p>Em 2017, a PM realizou greve por 20 dias no Estado do Espírito Santo, o que causou</p><p>mortes, roubos, saques, entre outros crimes e prejuízos aos moradores daquele estado. O PGR</p><p>solicitou o deslocamento das investigações para a Justiça Militar da União ou para a Justiça</p><p>Federal. O STJ, em 2018, indeferiu o IDC.</p><p>→ IDC 15: trata da atuação de grupos de extermínio de que participariam agentes e</p><p>autoridades públicas estaduais, com graves e sistemáticas violações dos direitos humanos.</p><p>Como exemplo, a PGR citou o caso Pague Menos, o caso Ana Bruna de Queiroz, o caso</p><p>Lagosteiro e o caso Companhia do Extermínio. Ainda está pendente de julgamento.</p><p>Chacinas na Favela Nova Brasília (RJ) – A PGR pede a federalização do caso que trata de</p><p>episódios de mortes e violência sexual ocorridos em operações policiais no Rio de Janeiro, em</p><p>18/10/1994 e 8/5/1995 (processo em segredo judicial).</p><p>Conflitos agrários em Rondônia – No IDC 22, a PGR sustenta que Rondônia é o segundo</p><p>estado em número de mortes relacionadas à luta por terra, perdendo apenas para o Pará. O</p><p>pedido refere-se a crimes considerados graves e com suspeita de envolvimento de agentes</p><p>locais de segurança pública, sem resposta das autoridades por longo tempo (homicídios e</p><p>torturas de pessoas vinculadas a ligas de</p><p>camponeses ocorridos em 2009, 2011, 2012 e 2016).</p><p>Violações na área de socioeducação no Espírito Santo – Neste pedido, a PGR aponta</p><p>que violações contra direitos dos adolescentes e jovens custodiados vêm ocorrendo</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>207</p><p>sistematicamente desde 2009, com a permanência daqueles que cumprem medidas</p><p>socioeducativas em instalações inadequadas, insalubres e inseguras, sem condições mínimas</p><p>de higiene e sem respeito aos direitos fundamentais à saúde, à educação e ao lazer, entre</p><p>outros, e sujeitos a toda sorte de arbitrariedades, omissões e violência (processo em segredo</p><p>judicial).</p><p>Como não temos tempo nem espaço para abordar todos os tratados</p><p>internacionais de direitos humanos, vou deixar um quadrinho aqui que foi sugestão de</p><p>uma aluna no instagram (podem mandar dúvidas, críticas e sugestões sempre, viu?! Eu</p><p>leio pessoalmente todas!!) e achei super interessante:</p><p>De verde, estão os Tratados ou protocolos já ratificados pelo Brasil. Caso esteja</p><p>em cinza, o Brasil ainda não ratificou, ou seja, ainda não é válido na ordem interna.</p><p>Tratado ou Convenção Ano de assinatura/Ano</p><p>de entrada em vigor</p><p>Protocolos Adicionais</p><p>Pacto dos Direitos Civis e</p><p>Políticos</p><p>1966/1976</p><p>Brasil ratificou em 1992</p><p>e ratificou os</p><p>protocolos em 2009.</p><p>1º: competência do Comitê de</p><p>Direitos Humanos (1976). 2º:</p><p>abolição da pena de morte (1989)</p><p>Pacto dos Direitos</p><p>Econômicos, Sociais e</p><p>Culturais</p><p>1966/1976</p><p>Brasil ratificou o</p><p>Estabelece o direito de</p><p>comunicações individuais e de</p><p>grupos para o Comitê de Direitos</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>208</p><p>tratado em 1992, mas</p><p>AINDA NÃO RATIFICOU</p><p>O PROTOCOLO</p><p>Econômicos da ONU (2013)</p><p>Convenção para</p><p>Eliminação de todas as</p><p>formas de discriminação</p><p>racial</p><p>1966/1969</p><p>Brasil ratificou o</p><p>tratado em 1968</p><p>Não há protocolos adicionais</p><p>Convenção para</p><p>eliminação de todas as</p><p>formas de discriminação</p><p>contra a mulher</p><p>1979/1981</p><p>Brasil ratificou o</p><p>tratado em 1984 e o</p><p>protocolo em 2001.</p><p>Estabelece o direito de</p><p>comunicações individuais e de</p><p>grupos para o Comitê CEDAW (2000)</p><p>Convenção para</p><p>Prevenção e Repressão</p><p>do crime de Genocídio</p><p>1948/1951</p><p>Brasil ratificou em 1952</p><p>Não há protocolos adicionais</p><p>Convenção sobre o</p><p>Estatuto dos Refugiados</p><p>1951/1954</p><p>Brasil ratificou o</p><p>tratado em 1960 e o</p><p>protocolo em 1972.</p><p>Protocolo adicional que estabelece a</p><p>aplicação das provisões da</p><p>Convenção sem limitação geográfica</p><p>nem de tempo. Pode ser ratificado</p><p>independentemente de adesão ao</p><p>tratado principal (1967)</p><p>Convenção contra a</p><p>tortura e outros</p><p>tratamentos ou penas</p><p>cruéis, desumanos ou</p><p>degradantes</p><p>1984/1987</p><p>Brasil ratificou o</p><p>tratado em 1985 e o</p><p>protocolo em 2007.</p><p>Protocolo adicional que estabelece o</p><p>dever de os Estados criarem</p><p>Subcomitês nacionais para</p><p>prevenção e combate à tortura</p><p>(2006)</p><p>Convenção dos Direitos</p><p>da Criança</p><p>1989/1990</p><p>1º:Estabelece o dever dos Estados</p><p>adotarem medidas contra o</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>209</p><p>Brasil ratificou o</p><p>tratado em 1990 e os</p><p>protocolos em 2004 (1º</p><p>e 2º) e 2017 (3º).</p><p>envolvimento de menores de 18</p><p>anos em conflitos armados (2002).</p><p>2º: combate à exploração sexual</p><p>infantil (2002) 3º: procedimentos de</p><p>comunicação ao Comitê dos Direitos</p><p>da Criança (2014)</p><p>Convenção sobre os</p><p>Direitos de todos os</p><p>trabalhadores migrantes</p><p>e membros de suas</p><p>famílias</p><p>1990/2003</p><p>O Brasil não assinou</p><p>nem ratificou essa</p><p>convenção</p><p>Não há protocolos adicionais</p><p>Convenção dos Direitos</p><p>da pessoa com</p><p>deficiência</p><p>2006/2008</p><p>Brasil ratificou o</p><p>tratado e o protocolo</p><p>em 2008.</p><p>Tem status de emenda</p><p>constitucional!</p><p>Estabelece os procedimentos de</p><p>comunicação ao Comitê sobre os</p><p>direitos das pessoas com deficiência.</p><p>Convenção para proteção</p><p>de todas as pessoas</p><p>contra o</p><p>desaparecimento forçado</p><p>2006/2010</p><p>Brasil ratificou em 2010</p><p>Não há protocolos adicionais</p><p>Tratado de Marraqueche</p><p>para Facilitar o Acesso a</p><p>Obras Publicadas às</p><p>Pessoas Cegas, com</p><p>Deficiência Visual ou com</p><p>Outras Dificuldades para</p><p>Ter Acesso ao Texto</p><p>2013/2016</p><p>Brasil ratificou em</p><p>2018.</p><p>Tem status de emenda</p><p>constitucional!</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>210</p><p>Impresso,</p><p>Tratados do Sistema</p><p>Interamericano</p><p>Ano de assinatura/Ano</p><p>de entrada em vigor</p><p>Protocolos Adicionais</p><p>Convenção Americana de</p><p>Direitos Humanos</p><p>1969/1978</p><p>Brasil ratificou a CADH</p><p>em 1992, o protocolo</p><p>de San Salvador em</p><p>1999 e o Protocolo</p><p>para abolir a pena de</p><p>morte em 1998.</p><p>Protocolo de San Salvador (1988) e</p><p>Protocolo Adicional à Convenção</p><p>Americana sobre Direitos Humanos</p><p>Referente à Abolição da Pena de</p><p>Morte (1990)</p><p>Convenção</p><p>Interamericana para</p><p>Prevenir e Punir Tortura</p><p>1985</p><p>Brasil ratificou em 1989</p><p>Convenção</p><p>Interamericana para</p><p>Prevenir, Punir e</p><p>Erradicar a Violência</p><p>contra a Mulher</p><p>(Convenção de Belém do</p><p>Pará)</p><p>1994/1995</p><p>Brasil ratificou em 1996</p><p>Convenção</p><p>Interamericana sobre</p><p>Tráfico Internacional de</p><p>Menores</p><p>1994</p><p>Brasil ratificou em 1998</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>211</p><p>Convenção</p><p>Interamericana para a</p><p>Eliminação de Todas as</p><p>Formas de Discriminação</p><p>Contra as Pessoas</p><p>Portadoras de Deficiência</p><p>1999</p><p>Brasil ratificou em 2001</p><p>Convenção</p><p>Interamericana contra o</p><p>Racismo</p><p>2013</p><p>Brasil ratificou em</p><p>2022.</p><p>Tem status de emenda</p><p>constitucional!</p><p>É isso, pessoal! Finalmente a apostila chegou ao fim! Mas recomendo que você a</p><p>revise novamente sempre que sentir necessidade ou em ciclos, junto com as demais</p><p>matérias!</p><p>Grande beijo e até mais!</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>Trata da proteção especial conferida aos refugiados e asilados, isto é, pessoas</p><p>que, por diversos motivos, não podem mais continuar a ter a proteção de seu Estado</p><p>de origem e precisam migrar para outro Estado. O principal documento que trata</p><p>sobre DIR é a Convenção relativa ao Estatuto dos Refugiados de 1951, que define</p><p>assim os refugiados:</p><p>“Que, em consequência dos acontecimentos ocorridos antes de 1º de janeiro de</p><p>1951 e temendo ser perseguida por motivos de raça, religião, nacionalidade, grupo</p><p>social ou opiniões políticas, se encontra fora do país de sua nacionalidade e que não</p><p>pode ou, em virtude desse temor, não quer valer-se da proteção desse país, ou que, se</p><p>não tem nacionalidade e se encontra fora do país no qual tinha sua residência habitual</p><p>em consequência de tais acontecimentos, não pode ou, devido ao referido temor, não</p><p>quer voltar a ele.”</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>20</p><p>1ª Fase DPERJ 2021 – Questão 77 - Maria Joana é uma mulher de 44 anos, nascida no</p><p>Paraguai, que vive na Cidade de Duque de Caxias há quatro anos, com seu</p><p>companheiro Edivaldo. Dessa união nasceram dois filhos: Maria Angel e Edivaldo</p><p>Junior. Maria Joana trabalhava como vendedora de “chipás” e outros produtos da</p><p>culinária Paraguaia na Estação de Trem de Saracuruna, onde era conhecida como “A</p><p>Paraguaia”. Dali, tirava o sustento de sua casa, já que Edivaldo, depois de perder o</p><p>emprego como segurança, nunca mais conseguiu outro. O relacionamento entre os</p><p>dois já estava muito deteriorado, especialmente depois que Maria Joana tornou-se a</p><p>única provedora do lar. Ela acostumou-se com uma rotina que a fazia acordar às 4h</p><p>para preparar a comida da barraca e seguir depois até a estação de trem, onde vendia</p><p>as suas coisas até umas 10h. Terminado o alvoroço do embarque no trem, ela voltava</p><p>para o seu lar a fim de “ajeitar” o almoço e a casa. Assim que as crianças saíam para a</p><p>escola, ela retornava para a barraca, de onde só sairia às 20h. Sábados e domingos</p><p>Maria Joana estava livre, mas, de uns anos pra cá, eram os seus dias de pesadelo.</p><p>Tudo porque Edivaldo pegava o dinheiro que ela conseguia juntar, ia até o bar e só</p><p>voltava à noite. Bêbado, agredia ela e os filhos. Esse fato piorou com a pandemia,</p><p>especialmente porque ela deixou de ter o dinheiro “do bar”. Bruna, estagiária da</p><p>Defensoria Pública, é vizinha de Maria Joana e acompanha todo o seu drama de longe.</p><p>Um dia, Bruna, cansada de ouvir os gritos de Edivaldo, vai até a porta da casa e</p><p>ameaça chamar a polícia. Maria Joana sai de casa e pede desesperadamente que não</p><p>chame, dizendo que “tudo isso vai se ajeitar”. Sem entender nada, Bruna obedece.</p><p>Mas, no dia seguinte, sem a presença de Edivaldo, questiona Maria Joana. E ela</p><p>responde que, se a polícia vier, será presa e perderá a guarda de seus filhos, pois está</p><p>em condição irregular no Brasil. Bruna leva o caso até o(a) Defensor(a) Público(a) da</p><p>Comarca de Duque de Caxias.</p><p>Nesse contexto, analise as afirmativas a seguir.</p><p>I. Segundo o direito internacional dos direitos humanos, é dever dos Estados</p><p>assegurar em todas as suas jurisdições o acesso igualitário dos imigrantes e suas</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>21</p><p>famílias nas mesmas condições de proteção e amparo que gozam os nacionais, em</p><p>particular, o acesso ao serviço social, à saúde, à educação, à justiça, ao trabalho e</p><p>emprego e à seguridade social. Considera-se imigrante para tal fim toda pessoa que,</p><p>devido a temor de perseguição de qualquer tipo, se encontra fora do país de sua</p><p>nacionalidade e não pode retornar.</p><p>II. O(A) Defensor(a) Público(a) poderá, independentemente da situação migratória,</p><p>entrar com pedido de medida protetiva, inclusive para afastar Edivaldo do lar, com</p><p>base na Lei Maria da Penha.</p><p>III. O(A) Defensor(a) Público(a) deverá encaminhar Maria Joana para a Defensoria</p><p>Pública da União e, uma vez que tenha a situação regularizada, entrar com o pedido</p><p>de medida protetiva.</p><p>Está correto o que se afirma em:</p><p>(A) somente I;</p><p>(B) somente II;</p><p>(C) somente I e II;</p><p>(D) somente II e III;</p><p>(E) I, II e III.</p><p>Correção:</p><p>A assertiva I está incorreta, tendo em vista que a última sentença, na verdade,</p><p>traz a definição de refugiado, conforme a Convenção de 1951, e não de imigrante.</p><p>A assertiva II está correta.</p><p>A assertiva III está incorreta, pois o defensor público sempre poderá requerer</p><p>medidas protetivas, independentemente da nacionalidade ou situação no país da</p><p>pessoa.</p><p>Assim, a alternativa correta é a letra B.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>22</p><p>– Princípios ou métodos de interpretação dos</p><p>tratados de direitos humanos</p><p>A Convenção de Viena sobre Direitos dos Tratados apresenta uma regra geral de</p><p>interpretação dos tratados, prevendo em seu art. 31.1 que todo tratado deve ser</p><p>interpretado:</p><p>a) de boa-fé;</p><p>b) conforme o sentido comum atribuível aos seus termos (interpretação</p><p>gramatical ou semântica);</p><p>c) levando-se em conta o seu contexto (interpretação sistemática); e</p><p>d) à luz do seu objetivo e da sua finalidade (interpretação teleológica).</p><p>O art. 32 da CVDT ainda prevê meios suplementares de interpretação dos</p><p>tratados a fim de confirmar o sentido de suas disposições, como, por exemplo, o</p><p>recurso aos trabalhos preparatórios e às circunstâncias de sua conclusão.</p><p>CADH também fala da boa-fé no Artigo 68</p><p>1. Os Estados Partes na Convenção comprometem-se a cumprir a decisão da</p><p>Corte em todo caso em que forem partes.</p><p>2. A parte da sentença que determinar indenização compensatória poderá ser</p><p>executada no país respectivo pelo processo interno vigente para a execução de</p><p>sentenças contra o Estado.</p><p>A partir dessa regra geral prevista na CVDT e na CADH, a doutrina e a</p><p>jurisprudência (internacional) desenvolveram princípios ou métodos específicos para</p><p>interpretação dos tratados de direitos humanos:</p><p>Princípio Pro Homine ou Pro Persona (art. 29, a, CADH)</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>23</p><p>Este princípio decorre do regime objetivo ou unilateral dos tratados de direitos</p><p>humanos, em que não vigora a lógica da reciprocidade entre Estados, mas sim a</p><p>proteção dos direitos da pessoa humana.</p><p>Assim, segundo o princípio pro persona, todo Tratado de Direitos Humanos deve</p><p>ter sempre como objetivo a proteção da pessoa, devendo ser interpretado da forma</p><p>mais favorável à vítima, não devendo prestigiar o Estado.</p><p>Inicialmente, era chamado Pro Homine, porém o movimento feminista, para</p><p>eliminar qualquer preconceito de gênero, passou a chamar de Pro Persona.</p><p>O Princípio pro persona pode prestigiar a vítima, ora a pessoa acusada de um</p><p>crime, no caso de processos criminais. A discussão sobre quem é a persona do</p><p>princípio pro persona ainda não foi um assunto muito enfrentado pela doutrina ou</p><p>pela jurisprudência internacional, é um bom tema para pós ou mestrado.</p><p>Do princípio Pro Persona decorrem vários subprincípios:</p><p>→ Princípio da Primazia da Norma mais favorável</p><p>Quando em conflito uma norma de direitos humanos e uma norma de direitos</p><p>fundamentais, deve prevalecer a norma mais favorável aos direitos humanos da</p><p>pessoa.</p><p>→ Princípio da Máxima Efetividade ou do Efeito Útil/ Effet Utile</p><p>Toda norma de direitos humanos deve ser interpretada para que tenha sua</p><p>máxima efetividade.</p><p>Velásquez Rodrigues: reparação integral e retorno ao status quo ante.</p><p>Campo Algodoeiro: não adianta voltar ao status quo ante, pois era patriarcalista.</p><p>As medidas de reparação devem ter vocação evolutiva. O efeito útil é justamente</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>24</p><p>produzir transformação na cultura de direitos humanos, rechaçando o patriarcalismo.</p><p>Interpretação evolutiva.</p><p>→ Princípio da eficácia</p><p>direta ou da autoexecutoriedade</p><p>Os tratados de direitos humanos são autoexecutáveis, logo, os Estados não</p><p>podem alegar ausência de norma interna para não aplicar normas de direitos humanos</p><p>ou descumpri-las.</p><p>Exemplo: Audiência de custódia. Art. 7.5 da CADH previa que toda pessoa presa</p><p>deve ser conduzida sem demora à presença de uma autoridade judicial, mas muitos</p><p>diziam que ele não poderia ser aplicado automaticamente no Brasil, pois dependeria</p><p>de norma interna inexistente. Porém essa argumentação não merece prosperar, visto</p><p>que ofende o princípio da eficácia direta ou da autoexecutoriedade dos tratados, não</p><p>tendo sido acolhida pelo STF felizmente.</p><p>Haveria assim uma violação dupla da CADH: violação do art. 7.5 e violação do</p><p>art. 2.1 que diz que o Estado tem a obrigação de adotar as disposições de direito</p><p>interno para cumprir o tratado.</p><p>Princípio da Interpretação Autônoma dos Tratados Internacionais de Direitos</p><p>Humanos</p><p>Os tratados de direitos humanos são produzidos levando em consideração</p><p>realidades nacionais distintas, o que pode gerar sentido próprio para diversos termos e</p><p>expressões, nem sempre igual aos termos do ordenamento jurídico interno dos países.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>25</p><p>Neste sentido, termos e expressões adquirem significado autônomo de acordo</p><p>com os tratados. Assim, o Estado não pode interpretar o tratado a partir de seu direito</p><p>interno, mas sim de acordo com o direito internacional dos direitos humanos.</p><p>Ex.: comprovação legal da culpa.</p><p>No direito brasileiro, todos se presumem inocentes até o trânsito em julgado da</p><p>sentença penal condenatória.</p><p>Porém na CADH, a expressão utilizada não é trânsito em julgado, mas sim</p><p>comprovação legal da culpa. O Brasil não pode dizer que as expressões são</p><p>equivalentes.</p><p>A construção dessa expressão foi feita de modo que comprovação legal da culpa</p><p>não se confunde com trânsito em julgado, apenas seria o respeito ao duplo grau de</p><p>jurisdição, respeito a um recurso ordinário, que, no Brasil é a apelação.</p><p>Princípio da interpretação evolutiva ou dinâmica</p><p>Um tratado internacional de direitos humanos deve ser interpretado não de</p><p>acordo com a época na qual ele foi redigido, mas sim de acordo com o momento da</p><p>sua aplicação. Assim, sua interpretação é evolutiva ou dinâmica.</p><p>Os tratados internacionais de direitos humanos são instrumentos vivos, não</p><p>estão petrificados na redação conforme a época de sua publicação. Por isso, eles</p><p>devem ser interpretados dinamicamente, de forma evolutiva.</p><p>Na Corte IDH esse princípio foi aplicado no caso Artavia Murillo e outros vs.</p><p>Costa Rica (Caso Fertilização in Vitro).</p><p>A fertilização in vitro, ao descartar embriões excedentes violaria o direito à vida,</p><p>de acordo com o caráter original da CADH. Porém, a Corte invocou o princípio da</p><p>interpretação evolutiva ou dinâmica para que se interpretasse o caso de acordo com o</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>26</p><p>momento em que o caso estava sendo julgado, visto que a CADH é da década de 1960,</p><p>quando nem havia fertilização in vitro.</p><p>Teoria da Margem de Apreciação</p><p>Conforme a lição de André de Carvalho Ramos:</p><p>“Essa tese [da teoria da margem de apreciação] é baseada na subsidiariedade da</p><p>jurisdição internacional e prega que determinadas questões polêmicas relacionadas</p><p>com as restrições estatais a direitos protegidos devem ser discutidas e dirimidas pelas</p><p>comunidades nacionais, não podendo o juiz internacional apreciá-las. Assim, caberia, a</p><p>princípio, ao próprio Estado estabelecer os limites e as restrições ao gozo de direitos</p><p>em face do interesse público” (Teoria Geral, p. 73).</p><p>Crítica de André de Carvalho Ramos: a teoria da margem de apreciação é um</p><p>disfarce teórico para o relativismo no campo dos Direitos Humanos, pois a Corte</p><p>Europeia se omite de criar standares para todos os países europeus, deixando que</p><p>cada um defina o que vai fazer. Isso ocorre porque a Corte Europeia pode ser acessada</p><p>diretamente pelas pessoas, por isso acabou criando um filtro para não ter que julgar</p><p>tantos processos.</p><p>Trata-se de um princípio de interpretação utilizado com frequência pela Corte</p><p>Europeia de Direitos Humanos e mais excepcionalmente pela Corte Interamericana.</p><p>Essa teoria prestigia e potencializa o caráter subsidiário dos sistemas de proteção</p><p>dos direitos humanos, tornando excepcional a interferência dos sistemas</p><p>internacionais na ordem jurídica interna.</p><p>Questões mais polêmicas deveriam ser resolvidas pelo próprio ordenamento</p><p>interno.</p><p>Na OC 24, sobre questões de gênero e alteração de nome, a Corte IDH utilizou</p><p>essa teoria.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>27</p><p>Características dos Direitos Humanos</p><p>As características dos direitos humanos não surgiram todas de uma só vez, mas</p><p>sim são resultado de um processo histórico, que ainda está ocorrendo até hoje, de</p><p>afirmação e consolidação dos direitos humanos em diversos ambientes, como em</p><p>Conferências Internacionais e Regionais, na positivação de tratados, na construção</p><p>doutrinária e jurisprudencial, etc.</p><p>Superioridade Normativa (Jus Cogens)</p><p>Os direitos humanos são imperativos, obrigatórios, são superiores aos demais</p><p>direitos normativamente falando.</p><p>Polêmica: Quais direitos humanos são dotados dessa superioridade?</p><p>1ª Corrente: Cançado Trindade (ex-juiz da Corte IDH e da Corte Internacional de</p><p>Justiça) diz que todos os direitos humanos, por serem indivisíveis são dotados de</p><p>superioridade, não apenas os “mais importantes”. Esta é também a posição da</p><p>Defensoria Pública. Contudo, não é corrente dominante.</p><p>2ª Corrente: Apenas a vida, integridade psicofísica e a liberdade seriam o núcleo</p><p>duro do jus cogens. Essa corrente mais restritiva é majoritária, pois a consequência</p><p>direta do jus cogens é a obrigação do Estado. Se todos os direitos humanos fossem jus</p><p>cogens, todos os Estados poderiam ser demandados por qualquer Estado por não ter</p><p>protegido esses direitos e isso poderia gerar um grande conflito internacional em que</p><p>todos os Estados se acusariam o tempo todo.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>28</p><p>Universalidade</p><p>A universalidade dos direitos humanos foi ressaltada na aprovação da Declaração</p><p>Universal dos Direitos Humanos (1948) e ratificada posteriormente nas Conferências</p><p>Mundiais de Direitos Humanos de Teerã (1968) e de Viena (1993).</p><p>De acordo com a universalidade, os direitos humanos seriam uma categoria</p><p>comum a todas as culturas. Essa teoria se contrapõe ao relativismo cultural, que surge</p><p>como uma crítica, ao entender que o conceito de direitos humanos como algo</p><p>universal seria forjado pelo ocidente e desconsideraria as diferentes culturas do</p><p>mundo.</p><p>Teorias filosóficas que surgiram para superar a discussão entre universalismo e</p><p>relativismo cultural:</p><p>Hermenênutica diatópica (Boaventura de Souza Santos) – Hermenêutica</p><p>diatópica seria aquilo que varia de acordo com a geografia. Boaventura entende que o</p><p>multiculturalismo e os valores de cada cultura devem ser respeitados.</p><p>No intuito de superar o conflito entre universalismo e relativismo, Joaquín</p><p>Herrera Flores elaborou os conceitos de universalismo de partida, universalismo de</p><p>linhas paralelas e universalismo de chegada.</p><p>Universalismo de Partida – Universalismo pensado desde o início como uma</p><p>concepção universal de direitos humanos (é o universalismo tradicional). Herrera</p><p>Flores discorda desse.</p><p>Universalismo de Linhas Paralelas – Primazia da comunidade, do local e do valor</p><p>da diferença, constituindo-se o conjunto mínimo de direitos que satisfaçam os</p><p>membros de um grupo específico. A dignidade consistiria justamente em respeitar a</p><p>diferença de cada grupo e sua cultura, sendo esta algo fechado. Por isso as linhas não</p><p>se cruzam,</p><p>as culturas andariam de forma paralela eternamente, sem interseção e sem</p><p>incorporação de traços da outra cultura. Se aproxima do relativismo cultural.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>29</p><p>Universalismo de chegada ou de confluência – Deve haver uma discussão</p><p>democrática entre as diferentes culturas para que o universalismo seja um objetivo</p><p>final que pode ou não ser atingido, ou seja, pode ou não se chegar a ele. (Por isso se</p><p>chama universalismo de chegada). Herrera Flores concorda com esse e é sua sugestão</p><p>para o fim da “briga” entre universalismo e relativismo cultural.</p><p>Para Herrera Flores, o ideal é a elaboração de um conceito de “universalismo</p><p>de chegada”, em que, para se entender os Direitos Humanos como forma de</p><p>resistência, é preciso estabelecer o núcleo duro de direitos mínimos que garantiriam</p><p>a dignidade do indivíduo. Na visão dele, essa definição deve passar antes pelo</p><p>reconhecimento das diferenças culturais e pela compreensão de que tais direitos são</p><p>uma construção. Ou seja, o autor defende a superação da clássica dicotomia entre a</p><p>visão universalista e a visão culturalista/relativista dos Direitos Humanos.</p><p>Interdependência</p><p>Unidade</p><p>A unidade denota que os direitos humanos devem ser interpretados de forma</p><p>uma e coerente, não devendo um direito excluir o outro.</p><p>Indivisibilidade</p><p>Os direitos humanos não devem ser interpretados isoladamente, mas de forma</p><p>conjunta e interativa com os demais direitos.</p><p>Essa característica quer dizer que todos os direitos humanos possuem o mesmo</p><p>status hierárquico e a dignidade humana apenas é efetivada quando todos os direitos</p><p>humanos são protegidos. A unidade, a indivisibilidade e a interdependência foram</p><p>ressaltadas de forma conjunta na Conferência Mundial de Direitos Humanos da ONU</p><p>em Teerã, que ocorreu em 1958 e na de Viena, que teve lugar em 1993.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>30</p><p>Indisponibilidade ou irrenunciabilidade</p><p>De acordo com André de Carvalho Ramo, a irrenunciabilidade ou a</p><p>indisponibilidade implica em que a vontade de seu titular no sentido de renúncia ou</p><p>disposição, somente pode ser manifestada sob controle. O atributo da</p><p>indisponibilidade vincula-se, é claro, às escolhas sociais daquilo que deve merecer</p><p>proteção especial, evitando-se que venha a ser dilapidado, mesmo com a anuência de</p><p>seu titular.</p><p>Assim, o titular do direito humano não pode dispor do núcleo essencial ou</p><p>mínimo dos seus direitos humanos.</p><p>Inalienabilidade</p><p>Direitos humanos não são alienáveis, isso é, não podem ser comercializados.</p><p>Uma exceção, porém, seria o direito à propriedade, que pode ser alienado.</p><p>Historicidade</p><p>Os direitos humanos não surgem todos de uma vez só, mas sim são resultado de</p><p>um processo histórico em que gradativamente, por meio de lutas, foram sendo</p><p>conquistados.</p><p>A historicidade se contrapõe à teoria jusnaturalista dos direitos humanos, que</p><p>acredita que os direitos humanos são naturais ao homem, não tendo sido fruto de</p><p>lutas e de conquistas políticas.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>31</p><p>Abertura ou Não Tipicidade ou Inexauribilidade dos Direitos</p><p>Humanos</p><p>Essa característica significa que não existe um catálogo taxativo de direitos</p><p>humanos, havendo sempre a possibilidade de surgirem novos direitos humanos,</p><p>devido ao seu caráter de conquista através da luta política.</p><p>Essa abertura ou não tipicidade pode ser encontrada tanto na CRFB, quanto em</p><p>tratados internacionais. Vejam os exemplos:</p><p>CRFB: “Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros</p><p>decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados</p><p>internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte” (art. 5º, § 2º)</p><p>Convenção Americana de Direitos Humanos:</p><p>“Nenhuma disposição desta Convenção pode ser interpretada no sentido de</p><p>excluir outros direitos e garantias que são inerentes ao ser humano ou que decorrem</p><p>da forma democrática representativa de governo” (art. 29.c).</p><p>Imprescritibilidade</p><p>De acordo com essa característica, a pretensão de respeito aos direitos humanos</p><p>é imprescritível, mas a pretensão de reparação econômica do dano pode não ser.</p><p>Normalmente, crimes que violam gravemente os direitos humanos são</p><p>imprescritíveis, como crimes de racismo, contra a dignidade da pessoa humana, etc. O</p><p>Estado não pode alegar nenhum óbice do direito interno, como a prescrição penal para</p><p>deixar de investigar, processar e julgar esses crimes.</p><p>Um exemplo são os crimes cometidos durante a ditatura civil-militar. A Corte IDH</p><p>já entendeu assim tanto no Caso Guerrilha do Araguaia (ou Gomes Lund e outros) e no</p><p>Caso Vladmir Herzog vs. Brasil.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>32</p><p>Vedação do retrocesso (Efeito Cliquet)</p><p>Para André de Carvalho Ramos, é proibido que os Estados diminuam a proteção</p><p>já conferida aos Direitos Humanos, mesmo que ratifiquem novos tratados</p><p>internacionais.</p><p>No plano constitucional brasileiro, a vedação ao retrocesso é vista como um</p><p>princípio e, assim, pode ser ponderado. Então, nos momentos de crise e recessão seria</p><p>possível criar políticas de austeridade, reduzindo-se, durante um prazo, repasses de</p><p>verbas ou programas sociais.</p><p>Mas no plano do Direito internacional dos Direitos Humanos essa característica é</p><p>uma regra que obriga os Estados e que não admite ponderação, se submetendo ao</p><p>critério da validade/ tudo ou nada (lembrem das aulas de constitucional!)</p><p>Por isso, ela é muito dura e os órgãos de fiscalização internacional são muito</p><p>severos em momentos de diminuição de direitos pelos Estados. O dinheiro tem que</p><p>sair da propaganda, dos shows de sertanejo e de coisas acessórias, não da saúde nem</p><p>da educação.</p><p>Eficácia Horizontal</p><p>É a aplicação, sem mediação de lei, dos direitos humanos nas relações entre</p><p>particulares (muito similar à eficácia horizontal dos direitos fundamentais, que se</p><p>contrapõe à eficácia vertical, que é aquela que prevê que os Estados devem respeitá-</p><p>los).</p><p>Dimensão Objetiva</p><p>Implica em reconhecer que os Direitos Humanos não devem ser entendidos</p><p>apenas como um conjunto de posições jurídicas conferidas a seus titulares, mas</p><p>também como um conjunto de regras impositivas de comportamentos voltadas à</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>33</p><p>proteção e satisfação daqueles direitos subjetivos conferidos aos indivíduos. Isso faz</p><p>com que os Direitos Humanos sejam regras de imposição de deveres, em geral ao</p><p>Estado, de implementação e desenvolvimento de direitos individuais.</p><p>Os Direitos Humanos não são recíprocos, ou seja, o Estado deve sempre aplicá-</p><p>los independentemente de quem seja aquele ser humano.</p><p>Eficácia Horizontal</p><p>É a aplicação, sem mediação de lei, dos direitos humanos nas relações entre</p><p>particulares.</p><p>Eficácia vertical</p><p>Prevê que os Estados devem respeitar os direitos humanos.</p><p>Dimensão Objetiva</p><p>Os Direitos Humanos não devem ser entendidos apenas como um conjunto de</p><p>posições jurídicas conferidas a seus titulares, mas também como um conjunto de</p><p>regras impositivas de comportamentos voltadas à proteção e satisfação daqueles</p><p>direitos subjetivos conferidos aos indivíduos. Isso faz com que os Direitos Humanos</p><p>sejam regras de imposição de deveres, em geral ao Estado, de implementação e</p><p>desenvolvimento de direitos individuais.</p><p>Os Direitos Humanos não são recíprocos, ou seja, o Estado deve sempre aplicá-</p><p>los independentemente de quem seja aquele ser humano.</p><p>Dúvida de uma aluna sobre a imprescritibilidade dos Direitos Humanos alcançar</p><p>ou não a reparação econômica:</p><p>União é responsável por consequências de prisão política; ação é imprescritível</p><p>O Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a responsabilidade</p><p>da União</p><p>pelas consequências de prisão e perseguição políticas realizadas durante o regime</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>34</p><p>militar. O Tribunal também afirmou que a ação para reparação desse tipo de dano é</p><p>imprescritível, ou seja, a vítima não está sujeita à perda do direito de ingressar na</p><p>justiça pela passagem do tempo. A Primeira Turma do STJ manteve a decisão que</p><p>condenou a União a indenizar filhas de ex-vereador de Rolândia (PR) em R$ 100 mil,</p><p>por danos morais.</p><p>Sistemas Internacionais de Proteção</p><p>dos Direitos Humanos</p><p>Os sistemas internacionais surgem após a segunda guerra mundial para quebrar</p><p>a noção de soberania e de monopólio dos Estados nacionais sobre os direitos</p><p>fundamentais.</p><p>Para identificar um sistema internacional de direitos humanos, precisamos</p><p>identificar 3 elementos:</p><p>1 – Normas: Tratados, declarações, instrumentos de soft law.</p><p>2– Órgãos: Podem ser convencionais (que decorrem de convenções ou tratados),</p><p>extraconvencionais (não vinculados a convenções ou tratados, como a Revisão</p><p>Periódica Universal), órgãos de natureza política (que não decidem casos específicos,</p><p>como o Conselho de Direitos Humanos da ONU), órgãos quase judiciais (recebem</p><p>petições individuais e fazem recomendações, como a CIDH) e órgãos com natureza</p><p>judicial (decidem casos específicos com força vinculante, como a Corte IDH, o TEDH e a</p><p>CIJ)</p><p>3 – Mecanismos: monitoram a proteção dos direitos humanos em cada sistema.</p><p>Princípios dos sistemas internacionais de proteção dos direitos humanos</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>35</p><p>Princípio da Coexistência – Os sistemas internacionais convivem em harmonia</p><p>entre si e se complementam, jamais se excluem.</p><p>Princípio da Livre Escolha – Quem for vítima de uma violação de direitos</p><p>humanos pode sempre escolher em qual sistema de proteção de direitos humanos</p><p>deseja acionar o Estado violador. Porém o Estado deve ter aceitado a competência</p><p>contenciosa desse sistema. Ex.: Uma vítima brasileira pode escolher processar o Brasil</p><p>no SIDH ou no Sistema Global, no Comitê de Direitos Humanos, como no caso do ex-</p><p>presidente Lula. Mas não no Sistema Europeu, pois o Brasil não aderiu à competência</p><p>contenciosa do TEDH.</p><p>Princípio da Complementariedade ou Subsidiariedade – Muito importante!! Os</p><p>Estados somente podem ser responsabilizados internacionalmente se tiverem</p><p>fracassado em reparar a violação de direitos humanos internamente. Daí surge a</p><p>necessidade do esgotamento dos recursos internos, que é um dos requisitos para que</p><p>uma petição seja admitida em um sistema internacional.</p><p>POLÊMICA: Vítima precisa esgotar inclusive os recursos extraordinários?</p><p>FCC 2017 DPE SC Defensor Público Substituto</p><p>A respeito do requisito do prévio esgotamento das vias ordinárias é INCORRETO</p><p>afirmar:</p><p>A) O requisito só será preenchido se o agente fizer uso de todos os recursos</p><p>internos, inclusive recurso extraordinário e especial.</p><p>B) Se já existir decisão de corte superior contrária à ação, o prévio esgotamento</p><p>poderá ser superado.</p><p>C) A ausência de uma Defensoria Pública aparelhada é um dos elementos que</p><p>podem influenciar no não esgotamento das vias ordinárias.</p><p>D) Se houver atraso injustificado no julgamento do feito, o registro já estará</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>36</p><p>satisfeito.</p><p>E) A parte não tem o dever de requerer a federalização como requisito do</p><p>prévio esgotamento.</p><p>O gabarito é a letra A, ou seja, a FCC considerou correto que, segundo a CIDH, a</p><p>vítima não precisa esgotar os recursos extraordinários para demandar contra o Brasil</p><p>perante a Corte IDH, conforme o Caso Luíza Melinho.</p><p>No caso Luiza Melinho, que trata da negativa do Estado brasileiro de realizar a</p><p>cirurgia de transgenitalização pelo SUS e a arcar com os custos do procedimento em</p><p>hospital privado. A Comissão apenas permitiu a análise da petição de Luísa, diante da</p><p>demora do Estado brasileiro pra processar e julgar os RE e Resp. Foi uma</p><p>excepcionalidade, porém a FCC cobrou na prova como se fosse regra.</p><p>Essa conclusão à qual chegou a DPE SC subtrairia do STJ e STF a possibilidade de</p><p>reparar as violações de direitos humanos cometidas pelas instâncias inferiores, pois já</p><p>se poderia chegar ao sistema interamericano sem mesmo impetrar RE e Resp.</p><p>Como a FCC chegou à essa conclusão?</p><p>Existem exceções à necessidade de esgotamento de recursos internos, como:</p><p>→ Impossibilidade do peticionário de esgotar os recursos por falta de assistência</p><p>judiciária gratuita (Alô, Defensoria!)</p><p>→ Falta de advogados (ocorre quando o caso enseja fundado temor aos</p><p>profissionais, que não querem assumir tais casos)</p><p>→ Recursos Inócuos</p><p>As disposições das alíneas a e b do inciso 1 deste artigo não se aplicarão quando:</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>37</p><p>a. não existir, na legislação interna do Estado de que se tratar, o devido processo</p><p>legal para a proteção do direito ou direitos que se alegue tenham sido violados;</p><p>b. não se houver permitido ao presumido prejudicado em seus direitos o acesso</p><p>aos recursos da jurisdição interna, ou houver sido ele impedido de esgotá-los; e</p><p>c. houver demora injustificada na decisão sobre os mencionados recursos.</p><p>Também decorre do princípio da livre escolha a fórmula da quarta instância:</p><p>Fórmula da Quarta Instância</p><p>A a Corte IDH não pode funcionar como um tribunal de superposição aos</p><p>tribunais nacionais. Assim, a Corte IDH não vai rever a decisão do tribunal nacional,</p><p>não vai decidir se a sentença foi justa ou não, apenas vai definir se houve ou não</p><p>violação de direitos humanos.</p><p>Princípio da Cooperação</p><p>Os Estados devem cooperar com os sistemas de direitos humanos, fornecendo</p><p>informações e documentos solicitados. Entretanto, o Estado pode sempre se defender</p><p>das acusações e, ao final, ser considerado inocente.</p><p>Princípio do Estoppel</p><p>Proíbe o comportamento contraditório, como o nemo potest venire contra</p><p>factum proprium, mas no âmbito do direito internacional dos direitos humanos.</p><p>Princípio da Impossibilidade do Estado de alegar disposições de seu direito</p><p>interno para se eximir do descumprimento dos tratados de direitos humanos</p><p>O Estado nunca poderá alegar o próprio direito nacional para descumprir</p><p>tratados, pois o direito interno é mero fato para o direito internacional e o Estado</p><p>sabia que seria obrigado a cumprir o tratado quando o ratificou.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>38</p><p>Sistema Global ou Sistema ONU de Direitos Humanos</p><p>Surge após a 2ª Guerra Mundial, em 1945, com o objetivo de impedir uma</p><p>terceira grande guerra com novas violações de direitos humanos. Em junho de 1945,</p><p>cria-se a Carta das Nações Unidas, em São Francisco, EUA, à qual o Brasil aderiu.</p><p>A Carta das Nações Unidas criou a Comissão de Direitos Humanos, órgão</p><p>vinculado ao Conselho Econômico e Social (ECOSOC) para elaborar uma Carta</p><p>Internacional de Direitos Humanos, que seria um documento único com natureza de</p><p>tratado. Em 2006, a Comissão de DH foi substituída pelo Conselho de DH.</p><p>Porém, houve grande resistência dos países em aceitar um tratado vinculante de</p><p>direitos humanos, por isso a CDH aprovou inicialmente a Declaração Universal de</p><p>Direitos Humanos, sem força vinculante, em 1948.</p><p>Mas ainda faltava um tratado com força vinculante que previsse os direitos</p><p>humanos. Devido à grande divergência política da época, tendo em vista que os países</p><p>capitalistas privilegiavam os direitos civis e políticos e os países socialistas</p><p>privilegiavam os direitos econômicos, sociais e culturais, foi necessário criar dois</p><p>tratados distintos.</p><p>Assim, após muitos debates, em 16 de dezembro de 1966 foram aprovados o</p><p>Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos</p><p>(PIDCP) e o Pacto Internacional de</p><p>Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (PIDESC)</p><p>A grande diferença entre os pactos, que foi o que gerou toda a discussão, é</p><p>justamente o fato de que os direitos civis e políticos são aplicáveis e exigíveis dos</p><p>Estados imediatamente, enquanto os direitos econômicos, sociais e culturais teriam</p><p>sua aplicação de forma progressiva.</p><p>Importante lembrar que os órgãos e mecanismos de proteção, que caracterizam</p><p>um sistema de direitos humanos, só vieram após os pactos, em protocolos facultativos.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>39</p><p>Em 1966, surge o 1º Protocolo Facultativo ao PIDCP, que prevê um mecanismo</p><p>de proteção e, apenas em 2008, surge o Protocolo Facultativo ao PIDESC que previu</p><p>mecanismo de proteção e monitoramento.</p><p>Se cair na prova perguntando o que é a Carta Internacional de Direitos</p><p>Humanos, lembrem-se desses documentos:</p><p>→ Declaração Universal de Direitos Humanos</p><p>→ Pacto de Direitos Civis e Políticos</p><p>→ Pacto Direitos Econômicos, Sociais e Culturais</p><p>→ Respectivos Protocolos Facultativos</p><p>Cuidado com a pegadinha! A Carta das Nações Unidas NÃO faz parte da Carta</p><p>Internacional de DH!</p><p>Vamos estudar cada um deles. Porém, antes, precisamos entender um pouco</p><p>sobre a estrutura da Organização das Nações Unidas:</p><p>Assembleia Geral (AGNU) → Principal órgão deliberativo da ONU, no qual se</p><p>reúnem todos os 193 Estados-membros.</p><p>Conselho de Segurança → Único órgão do sistema internacional capaz de adotar</p><p>decisões obrigatórias para todos os 193 Estados-membros da ONU. Membros</p><p>permanentes: Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido e China. De dois em dois</p><p>anos 5 membros não permanentes são eleitos.</p><p>Conselho Econômico e Social → É o órgão responsável por manter o debate</p><p>sobre o desenvolvimento sustentável em suas dimensões econômica, social e</p><p>ambiental.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>40</p><p>Corte Internacional de Justiça → É o principal órgão judicial da ONU, tendo sido</p><p>criada em junho de 1945. Busca solucionar, de acordo com o direito internacional,</p><p>conflitos e controvérsias jurídicas entre nações. É composta por 15 juízes, eleitos para</p><p>mandatos de nove anos pela Assembleia-Geral da ONU e pelo Conselho de Segurança.</p><p>Secretariado → É o órgão administrativo e burocrático que organiza a ONU.</p><p>Conselho de Tutela (porém este não funciona mais) → tinha a função de</p><p>proteger povos sem governo próprio sendo composto por membros do Conselho de</p><p>Segurança e outros eleitos pela Assembleia Geral. Foi desativado em 1997, três anos</p><p>após a independência da última colônia, Palau, que se tornou um Estado membro das</p><p>Nações Unidas, em dezembro de 1994.</p><p>A Carta das Nações Unidas criou a Comissão de Direitos Humanos, órgão</p><p>vinculado ao Conselho Econômico e Social (ECOSOC) para elaborar uma Carta</p><p>Internacional de Direitos Humanos, que seria um documento único com natureza de</p><p>tratado.</p><p>Comissão de Direitos Humanos → Objetivo: promover e proteger os DH, analisar</p><p>violações, fazer relatórios, etc. Era vinculada ao ECOSOC.</p><p>Conselho de Direitos Humanos → Em 2006, é extinta a Comissão, que é</p><p>substituída pelo Conselho. Ele é mais autônomo do que a Comissão. É vinculado ao</p><p>Alto Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos que, por sua vez,</p><p>é vinculado à AGNU.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>41</p><p>O Sistema Global é dividido em duas formas de funcionamento distintas, de</p><p>acordo com os mecanismos de proteção de direitos humanos:</p><p>Mecanismos Convencionais de Proteção de Direitos Humanos x Mecanismos</p><p>Extraconvencionais de Proteção de Direitos Humanos</p><p>Mecanismos convencionais são aqueles que tem como base normativa</p><p>convenções internacionais. Assim, seus órgãos e forma de funcionamento estão</p><p>previstos em algum tratado ou convenção. Ex.: petições individuais previstas no Pacto</p><p>Internacional dos Direitos Civis e Políticos apresentadas ao Comitê de Direitos</p><p>Humanos. Vamos estuda-los mais à frente.</p><p>→ O Estado precisa ratificar o tratado para que possam ser</p><p>analisadas petições individuais contra ele;</p><p>→ O Estado pode precisar ratificar um protocolo adicional (ex.:</p><p>Protocolo adicional ao PIDCP) ou reconhecer uma cláusula facultativa;</p><p>→ As petições apenas podem tratar de violações a direitos</p><p>previstos naquele tratado ratificado.</p><p>Os mecanismos convencionais dividem-se da seguinte maneira:</p><p>Órgãos Não contenciosos → Não possuem natureza coercitiva, o Estado deve</p><p>concordar e cooperar. Porém, normalmente são inseridos como cláusula obrigatória</p><p>nos tratados e o Estado não pode fazer reserva a eles. Tem finalidade preventiva para</p><p>impedir a violação de direitos humanos num Estado. Ex.: Relatórios periódicos que o</p><p>Estado deve apresentar.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>42</p><p>Órgãos Quase Contenciosos → Esses órgãos analisam petições apresentadas por</p><p>indivíduos ou Estados, porém não decidem uma questão, nem impõem sanções.</p><p>Petições Interestatais → Ocorrem quando um Estado denuncia o outro para o</p><p>Comitê de DH da ONU. ATENÇÃO! Esse mecanismo nunca foi utilizado, por medo de</p><p>gerar um efeito dominó e todos os Estados começarem a se denunciar o tempo todo.</p><p>Petições Individuais → As vítimas de violações de direitos humanos apresentam</p><p>denúncias contra o Estado perante Comitês de Tratados da ONU. O Estado deve ter</p><p>aceitado a competência do Comitê para analisar tais petições.</p><p>Órgãos Contenciosos → Nestes ocorre o processo judicial de apuração da</p><p>responsabilidade internacional do Estado. No Sistema ONU, existe a Corte</p><p>Internacional de Justiça, porém ela apenas decide demandas entre Estados,</p><p>diferentemente da Corte Interamericana e da Corte Europeia de Direitos Humanos,</p><p>que aceitam denúncias de vítimas.</p><p>Mecanismos Extraconvencionais, por sua vez, são aqueles que não tem como</p><p>base tratados, nem convenções, mas sim resoluções de órgãos políticos da ONU. Ex.:</p><p>Revisão Periódica Universal.</p><p>→ O Estado não precisa ratificar nenhuma convenção para que seja</p><p>denunciado por indivíduos ou grupos;</p><p>→ Tampouco precisa ratificar protocolos adicionais ou outras</p><p>cláusulas;</p><p>→ É possível denunciar o Estado por violação de qualquer direito</p><p>humano.</p><p>Licenciado para - JE</p><p>JO</p><p>D</p><p>P</p><p>E</p><p>- 05807918746 - P</p><p>rotegido por E</p><p>duzz.com</p><p>43</p><p>Os mecanismos extraconvencionais estão a encargo atualmente do Conselho</p><p>de Direitos Humanos da ONU, criado em 2006 para substituir a antiga Comissão de</p><p>Direitos Humanos da ONU.</p><p>Os mecanismos extraconvencionais dividem-se em:</p><p>Procedimentos Especiais → Trata-se de um coletivo de especialistas em direitos</p><p>humanos independentes que possuem mandatos outorgados pelo Conselho de</p><p>Direitos Humanos para analisar violações específicas de direitos humanos.</p><p>Existem mais de 50 Relatorias Especiais, dividindo-se em especialistas</p><p>independentes e grupos de trabalhos.</p><p>Os Especialistas Independentes são nomeados pelo Conselho de Direitos</p><p>Humanos para cumprir mandatos específicos e determinados, como por exemplo,</p><p>promover e proteger direitos como a liberdade de expressão, a reunião e o direito à</p><p>água e ao saneamento.</p><p>Procedimento de Queixa ou de Denúncia (Procedimento 1503) → Apresentação</p><p>de denúncia contra qualquer país-membro da ONU. Existem alguns requisitos para que</p><p>a Queixa ou denúncia possa ser recebida e examinada:</p><p>A comunicação não pode ser incompatível com os princípios da ONU, da DUDH e</p><p>de outros tratados de direitos humanos;</p><p>É preciso haver elementos suficientes para verificar as violações;</p><p>Indivíduos ou grupos de vítimas, bem como ONGs e defensores de direitos</p><p>humanos podem apresentar queixas ou denúncias;</p><p>Comunicações anônimas não são admissíveis, nem aquelas baseadas apenas em</p><p>notícias (ex.:</p>

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