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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS 
Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas 
 
 
 
 
 
 
Gustavo Godinho de Brito 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Portifólio de aprendizagem 
 Relações entre o Estado Moderno e Capitalismo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Belo Horizonte/MG 
2024 
A política e o poder são temas centrais na discussão do Estado Moderno. Segundo José 
Ângelo Machado em "Poder, política e Estado" (2018), a política envolve a tomada de 
decisões que afetam a sociedade e a distribuição do poder em diferentes níveis. Aristóteles 
entende a política como uma estrutura relacional e um interesse comum entre governantes e 
governados. Ele argumenta que o bem-estar da sociedade é alcançado quando o governante 
busca o interesse coletivo, estabelecendo um equilíbrio nas relações de poder. 
Hobbes, em "Leviatã", apresenta uma visão diferente, onde o Estado surge como um contrato 
social necessário para evitar a "guerra de todos contra todos". Para Hobbes, a natureza 
humana é marcada pela competição e desconfiança, necessitando de um poder centralizado e 
absoluto para garantir a ordem e a segurança. Este conceito se contrapõe à ideia de 
Aristóteles, pois para Hobbes, o poder deve ser imposto para evitar o caos, enquanto 
Aristóteles acredita em um poder mais colaborativo. 
Max Weber contribui para essa discussão ao definir o Estado como a entidade que detém o 
monopólio legítimo do uso da força. Ele identifica três tipos de dominação legítima: 
tradicional, carismática e legal-racional, sendo esta última a mais característica do Estado 
Moderno. A obediência a uma ordem legal-racional confere legitimidade ao poder, 
diferenciando-se da visão autoritária de poder absoluto. Weber também destaca a importância 
das fontes de legitimidade do poder, essencial para a estabilidade e eficácia do Estado. 
Norberto Bobbio, em "A Era dos Direitos" (1992), complementa essa análise ao discutir a 
democracia moderna. Para Bobbio, a soberania reside nos cidadãos individuais, não no povo 
como uma abstração coletiva. Ele enfatiza que a democracia moderna é caracterizada pela 
proteção dos direitos humanos e pela participação ativa dos indivíduos nas decisões coletivas. 
Esse enfoque nos direitos individuais contrasta com a visão tradicional de soberania popular, 
destacando a importância da legalidade e da institucionalidade na manutenção da ordem 
democrática. 
O Estado Moderno, conforme descrito por Machado, é caracterizado por uma estrutura 
política e jurídica que exerce autoridade sobre um território e sua população. Ele é 
responsável pela manutenção da ordem pública, pela proteção dos direitos dos cidadãos e pela 
provisão de serviços essenciais. A modernidade trouxe uma transformação significativa nas 
relações de poder, destacando o papel do Estado na regulação das relações sociais e 
econômicas. 
Benjamin Constant, em "Da Liberdade dos Antigos Comparada à dos Modernos" (1985), 
diferencia a liberdade coletiva dos antigos, centrada na participação política direta, da 
liberdade individual dos modernos, focada nos direitos civis e na proteção contra a 
interferência governamental. Na antiguidade, a liberdade estava ligada à participação ativa na 
vida pública, enquanto na modernidade, a liberdade se refere principalmente à autonomia 
individual e à proteção de direitos pessoais. 
Essa transição reflete a evolução do pensamento político e a adaptação das estruturas de poder 
às novas realidades sociais e econômicas. O desenvolvimento das democracias modernas e a 
ênfase nos direitos individuais são aspectos centrais dessa transformação, conforme 
argumentado por Constant e Bobbio. A modernidade trouxe consigo a necessidade de 
equilibrar a autoridade do Estado com a proteção dos direitos individuais, promovendo um 
ambiente em que a participação política é garantida e os direitos são protegidos. 
O capitalismo, como sistema econômico, promove a acumulação de capital, o lucro 
financeiro, a competição e a liberdade econômica. Adam Smith, em "A Riqueza das Nações", 
argumenta que a "mão invisível" do mercado guia os indivíduos a promoverem o bem-estar 
coletivo ao buscarem seus próprios interesses. No entanto, o capitalismo também traz consigo 
desigualdades sociais e econômicas, além de impactos ambientais negativos. 
Karl Polanyi, em "A Grande Transformação" (1980), critica a mercantilização do trabalho, da 
terra e do dinheiro, argumentando que tratá-los como mercadorias levou a consequências 
desastrosas, como desemprego, degradação ambiental e crises financeiras. Polanyi observa 
que a tentativa de impor uma lógica de mercado a todos os aspectos da vida social resultou em 
tensões e crises profundas. Ele argumenta que o trabalho, a terra e o dinheiro não são 
mercadorias verdadeiras, pois não são produzidos para venda, e sua mercantilização 
desregulada pode causar danos irreparáveis à sociedade. 
Roberto DaMatta, em "A Casa & a Rua" (1987), oferece uma análise das interações sociais no 
contexto brasileiro, destacando as dinâmicas de poder e cidadania que coexistem em espaços 
de igualdade e hierarquia. DaMatta identifica dois espaços sociais principais: a casa, onde 
prevalecem as relações hierárquicas e de autoridade, e a rua, onde as relações são mais 
horizontais e igualitárias. Ele argumenta que essa dualidade é essencial para compreender as 
dinâmicas de poder e cidadania no Brasil. 
A democracia moderna, conforme discutida por Norberto Bobbio, baseia-se na soberania dos 
cidadãos e na proteção dos direitos individuais. A democracia repousa na participação ativa 
dos indivíduos nas decisões coletivas e na interligação intrínseca com os direitos humanos. 
Bobbio destaca que a democracia moderna não se trata apenas de um sistema de governo, mas 
de um conjunto de valores e princípios que garantem a liberdade e a igualdade dos cidadãos. 
A relação entre o protestantismo e o capitalismo é outro aspecto crucial na compreensão do 
Estado Moderno. Max Weber, em "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", 
argumenta que a ética protestante, particularmente a doutrina da predestinação e a valorização 
do trabalho como vocação, influenciou significativamente o desenvolvimento do capitalismo. 
Segundo Weber, a ética protestante incentivou o trabalho árduo, a frugalidade e a 
reinvestimento dos lucros, criando um ambiente propício ao desenvolvimento capitalista. 
A Reforma Protestante do século XVI, com sua rejeição ao luxo e ao consumo ostentatório, 
promoveu valores como a simplicidade e a responsabilidade individual, que moldaram a 
conduta econômica e contribuíram para o surgimento do capitalismo moderno. Weber 
argumenta que a "ética protestante" e o "espírito do capitalismo" são interligados, com a 
ascensão do capitalismo sendo, em parte, um resultado das mudanças culturais e religiosas 
trazidas pela Reforma. 
Este portfólio, ao reunir e relacionar os conceitos de política, poder, Estado e capitalismo, 
evidencia as complexas interações entre esses elementos no contexto do Estado Moderno. 
Através das obras de diversos autores, percebemos como a modernidade e o capitalismo 
moldaram as estruturas de poder e as relações sociais, promovendo tanto avanços quanto 
desafios para a sociedade contemporânea. A análise das dinâmicas entre democracia e 
protestantismo oferece uma visão mais ampla das influências culturais e religiosas no 
desenvolvimento econômico e político.

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