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A AÇÃO POPULAR (AP) E O DEPOIMENTO DE PANZERA: Cultura militante no interior da Bahia (1968-1972)
Wanessa Silva de Oliveira
Graduanda, Universidade do Estado do Pará,
profa.wanessa.oliveira@gmail.com.
RESUMO
Resumo em língua vernácula (de 100 a 150 palavras, espaço simples, fonte arial, tamanho 11, justificado). O resumo deve apresentar,Título: Claro e informativo; Introdução: Contexto e relevância do estudo.; Objetivo: O que a pesquisa pretende alcançar; Metodologia: Principais métodos utilizados;Resultados: Principais achados do estudo; Conclusões: Implicações dos resultados e considerações finais.
É uma pesquisa com a metodologia de pesquisa documental (histórico-educacional) com abordagem qualitativa à luz da história social, utilizando-se da investigação crítica e interpretativa das fontes produzidas pelo militante Neco Panzera. Isso demonstrou (resultado) que nos fazem refletir sobre a situação dos camponeses que se encontram desassistidos pelo Estado.
Palavras-chave: Artigo, Formatação, Modelo. 
1. INTRODUÇÃO 
Estudar a preparação e a própria luta armada é extremamente recente, inicia-se na década de 70 e 80 por ex-militantes e jornalistas contemporâneos, assim como de historiadores e sociólogos que foram militantes e de outros sem uma relação direta com a luta armada. Como incentivo para a produção historiográfica desse período a partir da década de 1990, os documentos das organizações que pensaram e/ou fizeram a luta armada, dos órgãos de repressão e de acervos particulares passaram a integrar os arquivos públicos. Em paralelo a isso, a história oral passou a ganhar espaço como instrumento teórico e metodológico, e assim entrevistas e depoimentos puderam enriquecer as investigações sobre o tema. (Rollemberg, 2019)
No Brasil conseguimos perceber a intensificação de uma disputa de memória no que tange a Ditadura Militar, sobretudo com a ascensão do Bolsonarismo que passou a reforçar uma ideia de que a Ditadura foi Incruenta, ou seja, sem o derramamento de sangue. E assim, discutir o período se tornar imprescindível a partir de novos objetos e abordagens é imprescindível.
Na presente pesquisa visamos discutir a cultura militante que foi se moldando através das práticas de solidariedade formadas entre militantes da AP com os camponeses durante a Ditadura Militar a partir da experiência de Marcos Panzera como militante da AP no interior da Bahia, durante 1968 até 1972, quando a organização se incorpora ao PCdoB. Diante disso, qual é o impacto da educação empreendida nos espaços informais de conhecimento articuladas por militantes da Ação Popular (AP) para a consciência social e política dos camponeses?
Como objetivo geral: Analisar o impacto da educação empreendida em espaços informais por militantes da AP para a consciência social e política de camponeses. E como objetivos específicos: a) Entender as condições para a implementação do trabalho político dos militantes da AP; b) dimensionar a situação dos camponeses no meio rural.; c) compreender o perfil dos militantes que atuaram nesse trabalho. 
A AP foi formada em 1962 após uma ruptura entre militantes do movimento leigos da Igreja Católica e a sua hierarquia que não aceitavam seu ingresso em atividades políticas. E assim, ela adotou uma doutrina própria definida como “socialismo humanista” que os fez concentrar suas atividades sobre as massas, participando, por exemplo, do processo de alfabetização em parceria com o governo de Goulart conhecido como Movimento de Educação de Base (MEB). (Dias, 2012)
A deflagração do Golpe Civil- Militar e a Ditadura Militar representou uma derrota para as esquerdas esperançosa com as reformas de base de Jango. E Embora a esquerda esperasse uma resposta rápida dos conservadores, segundo Grynszpan e Dezemone (2007) essa não conseguiu se articular para impedir a ascensão dos militares e é nesse contexto que há “uma verdadeira descoberta do campo e dos camponeses” visto que o Brasil era essencialmente ruralista e assim a força motriz para mudanças sociais e políticas estariam no campo.
Com Golpe a AP passou por uma fase conturbada com os esvaziamento do seus adeptos em decorrência de prisões e evacuação pelo medo de represálias. Mesmo assim, a insatisfação crescente com a situação do Brasil alcançou seu auge em 1968, quando a AP e movimento estudantil organizaram uma série de manifestações que teriam como resposta o AI-5, que intensificou a perseguição aos militantes da AP. (Dias, 2012)
2. DESENVOLVIMENTO 
	Segundo Grynszpan e Dezemone (2007, p. 215), durante a segunda metade do século XX, ocorreu a produção e a generalização de novas categorias para a percepção do mundo rural e de suas populações realizaram uma “verdadeira descoberta do campo pela cidade” com a produção artística e cultural que favoreceu tanta a descoberta do campo pela cidade, assim como da cidade pelo campo.
	Mesmo depois do AI-5 e as perseguições decorrentes dele, a AP continuou o trabalho com as massas e iniciou o processo de “proletarização” com objetivo tornar a organização proletária, visto que muito de seus militantes eram de classe média, e para a organização, os militantes precisavam se tornar de fato proletários, trabalhando como operários e/ou camponeses. (Panzera, 2016)
É a partir disso que Panzera é direcionado ao interior da Bahia onde inicia o seu processo de proletarização. Nesse momento ele passa a dimensionar melhor as contradições sociais do campo, assim como encontra as limitações da teoria e prática decorrentes da sua formação de agrônomo, pois na prática, a vida no campo era muito mais dura. (Panzera, 2016)
Outro desafio na vida do campo encontrado pelos militantes, apontado por ele, era efetivar a orientação dada pela organização de se tornar parte da paisagem local porque o nível de formação desses militantes não passava despercebido pelos camponeses, sobretudo, porque o mais recorrente que as pessoas fugissem da seca e não irem de encontro a ela, dessa maneira, a presença deles causava estranheza. (Panzera, 2016)
	Mas, paulatinamente, essa situação foi se revertendo a partir do trabalho social e político na região que perpassavam pelos laços de solidariedade do cotidiano, onde os militantes passaram a realizar trabalhos assistencialistas e a criar laços afetivos com moradores da região, como é possível verificar no seguinte trecho:
” Sendo solidários, na prática, com as dificuldades que passavam a maioria das famílias. Receitávamos remédios e aplicávamos injeções e prestávamos uma série de outros serviços. Quando tínhamos que sair para o trabalho ou uma viagem, confiávamos nossos filhos para que suas famílias tomassem conta. Dessa forma, nossos laços foram se aprofundando. E eles cada vez confiávamos mais em nós. Era um trabalho lento que exigia paciência e tenacidade.” (Panzera, 2016, p. 63)
	Como subversivos e dentro de ambiente político pautado na censura e com um gigantesco aparato repressivo estatal, o trabalho ocorria às escondidas, de maneira, que precisava passar despercebido tanto por latifundiários como dos informantes e agentes do Estado, como é possível notar: 
“Em nosso trabalho, procurávamos ir aos poucos mudando esses hábitos, pregando a união dos trabalhadores, através de histórias que contávamos das lutas de lutas vitoriosas de trabalhadores de outras regiões. Visitávamos sempre os lavradores à noite, quando batíamos longos papos, aprofundando e consolidando amizades e o conhecimento. (Panzera, 2016, p. 63)
O trabalho político educativo em espaços não oficiais de ensino tinha como objetivo, numa perspectiva freireana, trabalhar processo de humanização do homem que consiste em o educar para reconhecer a exploração na qual está inserido. (Freire, 2013).
“Costumava ocorrer que o gado do fazendeiro entrava em uma roça de arroz, feijão ou milho e dava prejuízo ao meieiro. 
O patrão se desculpava e, na hora, da divisão. Dividia-se também o prejuízo: a metade da produção para cada. Revoltados com aquela situação, pois o responsável pelo gado comer parte da roça era o dono do gado, o fazendeiro, passamosa divulgar a palavra de ordem: ‘gado comeu a roça, comeu a parte do patrão’. De tal forma que quem tinha que arcar o prejuízo era o dono do gado.” (Panzera, 2016, p. 64)
Nesse ponto, o segmento anterior, é um exemplo prático de educação política evidencia bem a situação de exploração que os camponeses eram submetidos, pois dentro de uma relação de trabalho desigual ainda precisavam assumir responsabilidades que os não competiam e que acentuavam as desigualdades as quais estavam inseridos.
É importante deixar a ingenuidade de lado e deixar de acreditar que as esquerdas revolucionárias que estavam inseridas nesse trabalho político no campo apenas queriam restaurar a democracia, a qual antes do Golpe Civil-Militar era essencialmente burguesa e liberal. (Rollemberg, 2019) Na verdade, elas queriam um futuro radicalmente novo pautado no socialismo que seria construído a partir da luta armada com participação popular.
3. CONCLUSÃO 
As considerações finais e conclusão devem ser breves e responder às questões correspondentes aos objetivos. Caso seja necessário, podem ser apresentadas as recomendações e as sugestões para trabalhos futuros. A formatação da página, dos parágrafos, da fonte são as mesmas descritas na seção anterior. Lembrando que TÍTULOS e SUBTÍTULOS devem estar em letra maiúscula, fonte Arial 12, em negrito e abertura de parágrafo 1,25 cm.
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
DIAS, C. M. A. A memória de três militantes da ação popular (AP) sobre a repressão desferida contra eles pelos órgãos de segurança a serviço da Ditadura Civil- Militar brasileira: 1972/1974. IN: Encontro Estadual de História, XI., 2012, Rio Grande do Sul. Anais eletrônicos.[...] Rio Grande do Sul: ANPUHRS, 2012. P. 677- 691. Disponível em: https://www.eeh2012.anpuh-rs.org.br/resources/anais/18/1345225153_ARQUIVO_Artigo.pdf Acessado em: 29/06/2024.
FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 1 ed. Rio de Janeiro: Paz & Terra, 2013.
PANZERA, Marcos Casteli. História de rebeldia: um recorte instigante de 50 anos de vida e de luta de Neco Panzera e do PcdoB. 1ed. Belém: Paka- Tatu, 2016.
ROLLEMBERG, Denise. Esquerdas revolucionárias e luta armada. IN: IN: FERREIRA, Jorge; DELGADO, Lucília de Almeida (org.) O tempo do regime autoritário: Ditadura militar e redemocratização. O Brasil Republicano. 9 edição. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2019.
SOBRENOME, Nome. Título do livro: subtítulo (se houver). Edição. Local: Editora, ano.
SOBRENOME, Nome (Org.). Título do livro: subtítulo (se houver). Edição. Local: Editora, ano.
SOBRENOME, Nome. Título do artigo. Título da revista, cidade, editora, volume, número do fascículo, páginas (inicial e final do artigo), mês e ano. 
SOBRENOME, Nome. Título do texto. Disponível em: Acesso em: dia, mês e ano. 
ENTIDADE. Título da publicação. Edição. Local: Editora, ano.

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