Prévia do material em texto
1 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA INSTITUTO FEDERAL GOIANO – CAMPUS CERES APOSTILA DE FORRAGICULTURA Professor: Adalto José de Souza Contatos: e-mail adalto.souza@ifgoiano.edu.br 062 981733707 adalto_sb Aluno:________________________________________ CERES-2024 4 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO À FORRAGICULTURA ................................................................ 5 2. ASPECTOS GERAIS DE PRODUÇÃO DE FORRAGEM AOS ANIMAIS .......... 10 3. PLANTAS FORRAGEIRAS ................................................................................ 15 3.1. CLASSIFICAÇÕES DAS ESPÉCIES FORRAGEIRAS .......................................................................16 3.1.1. FAMÍLIA .......................................................................................................................16 3.1.2. DURAÇÃO DO CICLO .....................................................................................................18 3.1.3. ÉPOCA DE CRESCIMENTO ..............................................................................................20 3.1.4. HÁBITO DE CRESCIMENTO .............................................................................................21 3.1.5. ADAPTAÇÃO DAS FORRAGEIRAS AS CONDIÇÕES DE FERTILIDADE DO SOLO E PH. ..............22 3.2. CARACTERÍSTICAS E INDICAÇÃO DE UTILIZAÇÃO DAS PRINCIPAIS FORRAGEIRAS ..........................24 3.2.1. GRUPO PARA PASTEJO .................................................................................................28 3.2.2. GRUPO PARA CAPINEIRAS ............................................................................................43 3.2.3. GRUPO PARA ENSILAGEM..............................................................................................47 3.2.4. GRUPO PARA FENAÇÃO ................................................................................................51 3.3. INDICAÇÃO DE FORRAGEIRAS ..................................................................................................55 4. PRODUÇÃO ANIMAL INTEGRADA À AGRICULTURA .................................... 61 5. CONSIERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 62 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................... 63 5 1. INTRODUÇÃO À FORRAGICULTURA O Brasil possui vasta extensão territorial com aproximadamente 190 milhões de hectares ocupados por espécies de plantas forrageiras introduzidas (120 milhões) e nativas (70 milhões) (FONSECA E MARTUSCELLO, 2010) em diferentes condições edáfica e climática para o crescimento e desenvolvimento da agropecuária, principalmente em sistema de pastagens perenes, pois os custos de produção são competitivos, em razão, do uso em pastejo suprimir o corte, o transporte, a armazenagem e a distribuição de forrageiras (COAN, et. al., 1997). Figura 1. Mapa de localização do Brasil, com a distribuição das áreas de cerrado. Fonte: Bezerra (2008) Nestas áreas abrigam aproximadamente: 220 milhões de bovídeos (bovinos e bubalinos), 30 milhões de pequenos ruminantes (ovinos e caprinos), 10 milhões de equídeos (equinos, muares e asininos), que somam aproximadamente 140 milhões de Unidades Animal (1 U.A. equivale à 450 kg de Peso Vivo). Estes números proporcionam taxa de lotação próxima de 0,7 UA ha-¹. Unidade Animal: Refere-se à equivalência em peso do animal: 1 UA = 450 kg de PV ou 1 vaca Categoria animal Categoria animal FCUA Touro 1,3 a 1,4 Equino adulto 1,2 a 1,3 Vaca lactante (parida) 1,2 a 1,4 Potros 0.5 a 0.8 Vaca solteira 1,0 a 1,1 Bezerros mamando 0,4 a 0,5 Novilho de engorda 0,8 a 0,9 Bezerros desmamados 0,6 a 0,7 Novilha (gestação) 0,8 a 0,9 Ovinos adulto 0,2 a 0,25 Garrote e novilha 0,6 a 0,8 Cordeiros 0,1 a 0,15 Fator de conversão (UA=vaca) Observa-se que eficiênciapraticidade e flexibilidade de manejo, fácil recuperação de pastagens pelo banco de sementes produzidas de grande quantidade e boa qualidade germinativa e, principalmente pela arquitetura foliar e longa duração de folhas vivas, possibilita seu emprego como feno-em-pé de média a alta qualidade para uso no período da seca, além de serem resistente ao pisoteio e arranquio em questões de superpastejo. Fatores limitantes estão relacionados a susceptibilidade ao ataque de cigarrinhas e o problema da fotossensibilização em animais jovens, especialmente com a cultivar B. decumbens. As Brachiarias cultivadas no Brasil atualmente são pouco resistentes a baixas temperaturas e alta umidade (solos mal drenados), exceto a B. humidícola e dictyoneura, B. mutica e B. arrecta. Brachiaria decumbens (Brachiarinha) Primeira introdução foi feita pelo IPEAN, hoje CPATU/EMBRAPA, em 1960, e ela disseminou-se rapidamente para a região de cerrados. Adapta-se bem em vários tipos de solos, para ter produção satisfatória, requer boa drenagem e adapta-se em solos com fertilidade baixa e acidez. Portanto sua produção depende da fertilidade do solo onde se encontra estabelecida. Em relação ao regime hídrico exige pelo menos 800 mm de água/ ano para ser firmar como boa produtora. É usada especialmente m pastejo nas águas e na forma de feno-em-pé, sendo indicado para animais de menor exigências em função do seu menor valor nutritivo, além de ser rejeitada pelos equinos. Após o seu estabelecimento consegue suprimir as invasoras, sendo uma opção recente utilizada em ILP para formação de palhada. A Brachiaria decumbens caracteriza por proporcionar ganhos por animal baixos, porém apresenta uma capacidade de suporte relativamente alta, em relação às outras em condições de baixa fertilidade. Não tolera solos argilosos, secas prolongadas, e sofre bastante com ataque de cigarrinhas e percevejos de pastagem. Rebrota ao fogo e apresenta regular resistência ao frio e ao pisoteio. A fotossensibilização hepatógena sempre teve associada a esta forrageira, principalmente em bezerros de 8 a 16 meses e ovinos. O fungo responsável por este problema é o Phitomyces chartarum (Bert & Cunt) que está presente nas pastagens, especialmente no início das chuvas, onde a elevada umidade e taxa de decomposição do resíduo de pastejo. Brachiaria humidícola (Quicuio) Forrageira também é conhecida por Quicuio, tendo sua origem na África e a partir de 1973, tornou-se importante na Amazônia Brasileira, tem como característica a tolerância a solos mal drenados e encharcados, pouca exigência em fertilidade, sendo uma planta de hábito estolonífero com intenso perfilhamento ereto, sendo bem aceita pelos equídeos. Esta cultivar é tolerante a cigarrinha das pastagens, podendo, entretanto, hospedar altas populações da praga que 32 ocasionalmente podem causar danos nesta gramínea ou em outras espécies. Pode ser multiplicada por mudas ou sementes, sendo estas dormentes por até 1 ano. Por isso muitas vezes é plantada juntamente com culturas como arroz, milho, pois demora a germinar as sementes e cobrir o solo. Apresenta na sua composição química de 4 a 11% de PB (dependendo do momento de colheita). Sendo considerada uma forrageira de baixo valor nutritivo em concentração de nutrientes digestibilidade e oxalatos. Em situações boas pode chegar até a 10 ton MS/ha/ano, sendo sempre de 20 a 30% inferior em rendimento em relação a B. decumbens. A humidícola perde a qualidade mais rapidamente que outras braquiárias quando manejada com maiores intervalos de utilização. A utilização da pastagem com altas cargas animais ou com maior freqüência pode resultar melhoria da qualidade do alimento disponível, porem com menor produtividade de forragem. Recomenda- se uma utilização mais freqüente e deixando um resíduo pós-pastejo de 5 cm de altura. Em 2011, a Embrapa lançou a BRS Tupi, cultivar de Brachiaria humidicola, que se mostrou resistente às cigarrinhas, por tolerância, revelando-se melhor planta hospedeira que a humidicola comum. No entanto, comparando-se ambas quanto ao nível de resistência por tolerância, a BRS Tupi foi mais resistente. Quanto à produtividade, apresenta florescimento mais precoce (primavera/verão), mas de produtividade de sementes semelhante à comum. Em comparação à humidícola comum, a BRS Tupi apresentou desempenho superior, sobretudo na seca, quando sustentou lotação mais alta e garantiu uma produção de 53 kg de peso vivo/ha, comparada a 20 kg da outra. A nova cultivar também possibilitou maior ganho de peso individual na estiagem em decorrência da melhor relação folha/caule e boa digestibilidade. Os resultados, contudo, variam de acordo com a região do país. É uma opção na diversificação de pastagens, diminuindo o risco eventual a pragas e doenças. Também é uma alternativa para a formação de pastagens por sementes nas áreas úmidas sujeitas a alagamentos Brachiaria brizantha Existem hoje no Brasil vários cultivares que são empregadas comercialmente do grupo da Brachiaria brizantha: MARANDU, XARAÉS (MG5), PIATÃ, VITÓRIA (MG4), PAIAGUÁS. Cada uma delas apresenta características agronômicas de manejo e nutricionais diferentes, sendo uma opção para diversificar as gramíneas da propriedade conforme as características do solo e finalidade de produção, com destaque para sistemas de integração com lavoura e pecuária. Brachiaria brizantha cv MARANDU (Brachiarão) Lançada em 1984 como uma alternativa a B. decumbens, para solos de média e alta fertilidade, sendo amplamente distribuída e representa o maior volume de sementes comercializadas no Brasil. Considerada de média qualidade nutricional e com produções de MS variando entre 10 a 15 ton MS/ha/ano, em áreas corretamente adubadas já se obteve até 20 ton MS/ha/ano. O desempenho animal pode ser considerado bom nesta forrageira se comparado com outras gramíneas tropicais como se observa no quadro abaixo. Segundo ALVES et al., (2005), esta cultivar apresenta plantas bem vigorosas, bainha pilosa com cílios na margem, geralmente mais longas que os entrenós, escondendo os nós dando a impressão que o colmo vegetativo é piloso. A lâmina foliar é larga, longa e com margens não cortante. Linear e lanceolada, esparsamente pilosa na face ventral e glaba na face dorsal. Inflorescência de até 40 cm de comprimento, geralmente entre 4 a 6 racemos, bastante equidistantes ao longo do eixo, medindo entre 7 a 10 cm de comprimento, mas podendo chegar a 20 cm em plantas muito vigorosas. Adapta-se bem a solos de textura média a arenosa, apresentando média proteção ao solo, indicada para locais de topografia plana a levemente ondulada, tem boa tolerância ao fogo, seca, e não tolera o encharcamento. Devido ao manejo incorreto e a falta de reposição de fertilidade do solo temos áreas grandes desta cultivar com sinais de degradação. 33 O marandu é a principal forrageira empregada para gado de corte na fase de cria, recria e engorda, porém não deixa de ter importância para exploração de gado de leite. Especialmente por ser estrategicamente empregada no manejo de feno em pé para uso no período seco do ano. De modo geral pode-se recomendar para o manejo da B. brizantha cv Marandu em sistemas de pastejo contínuo a faixa ótima estaria entre 20 – 40 cm de altura, dentro da qual a faixa de desempenho animal pode ser planejada de acordo com as necessidades da categoria. Durante a seca a manutenção desta cultivar com média de 15 cm (10-20cm) permitiria um rápido estabelecimento da forrageiras logo após as primeiras chuvas. Sendo em sistema de manejo intensivo, indicado a altura de 25 a 15 cm para proporcionar melhor desempenho animal. Ultimamente tem observado nas brachiarias brizantha recorrentes problemas com cigarrinhas nas pastagens. Diante disso, a Embrapa lançou em parceria com a UNIPASTO, em 2017, o híbrido BRS IPYPORÃ, resultado de um cruzamento entre B. ruziziensis e B. brizantha. Porém com pequena aceitaçãopor parte dos produtores. Outras brachiaria e seus híbridos tem sido lançada no mercado, na tentativa de substituir a dominante marandu. Entre elas detaca-se: Mulato, Convert,..... Nome Empresa Destaque Mulato II (CONVERT* HD364) Barenbrug e Dow Agro Sciences Alta produção com elevada capacidade de perfilhamento de forrageira com alta qualidade devido os elevados índices de proteína e digestibilidade; Cayana Barenbrug Capim de maior produtividade para área de maior fertilidade. Alta capacidade de perfilhamento, elevado acúmulo de forragem e ótima relação folha colmo (BARENBRUG, 2021). Sabiá Barenbrug Maior produção de forragem e lâminas foliares na época seca do ano em relação a brachiaria marandu; possui grande perfilhamento (BARENBRUG, 2021). MG 13 Braúna Matsuda Produção nédia de 8 a 12 ton MS/ha/ano indicado para solos médios com boa tolerância aos arenosos. Crescimento prostado e decumbente, intenso perfilhamento e perfilhos/colmo fino, além de uma boa tolerância à estiagem (MATSUDA, 2017), apresentando uma boa distribuição no ano. https://www.barenbrug.com.br Gênero Panicum Iniciou com o capim Colonião, comumente observam-se resquícios deste cultivar às margens das rodovias em locais de terra argilosa e férteis. Atualmente, devido aos problemas de cigarrinha de pastagens de brachiaria aliado a necessidade de maior ganho em produtividade por área, os panicuns tem sido melhorado e apresentado excelentes resultados complementares ao tradicional brachiarão. Entre eles, predomina nas propriedades o capim Mombaça de porte alto e o capim Massai de porte médio (semelhante ao capim Aruana, Atlas, Áires pouco difundido em nossa região). O Tanzânia foi introduzido em época semelhante ao Mombaça, apresentando um porte de manejo menor e com manejo mais fácil. Porém problemas com fungos fez essa forrageira sumir por falta de interesse entre os produtores e sendo substituído por novas cultivares. No geral, os Panicum maximum são reconhecidos mundialmente em clima tropical por sua elevada capacidade produtiva, vigor de rebrota e qualidade de suas folhas largas e compridas que facilita o pastejo, além de diferenciar das brachiaria por ter maior resistência a cigarrinha das pastagens. São plantas perenes, propagadas por sementes e crescem vigorosamente formando densas touceiras que necessita de maior controle no manejo de altura de uso em função da sua 34 rápida formação de colmos vigorosos (“talos”), nos panicuns de porte alto, que não aceito pelos animais, sendo indicado para o método de pastejo intermitente ou rotativo em sistema intensivo com adubações periódicas de reposição. Em função da sua alta taxa de crescimento e qualidade proteica, os tornam, exigentes em fertilidade (especialmente N) e regime pluviométrico bem distribuído com precipitações acima de 1000 mm/ano, o que favorece a rebrotas vigorosas, no entanto nota-se maior estacionalidade produtiva (águas/seca) nos panicuns (80%/20%) comparado às brachiaria (70%/30%). Quadro. Resumido de Manejo para os principais Cultivares de Panicum Manejo (altura) Tanzânia Mombaça Massai Entrada (cm) 70 90 45-60 Saída (cm) 25 30 15-20 Estacionalidade 90% águas 80% águas 70% águas Com exceção para o capim-massai de porte médio, que difere neste gênero pelo seu porte e crescimento mais bem distribuído no decorrer do ano, mais rústico e agressivo, porém sua parede celular secundária mais resistente a digestão microbiana, torna-o de menor qualidade nutricional e consequentemente menor desempenho animal. Recentemente, com as vantagens do porte baixo e colmos finos, foi introduzido o cultivar Tamani, com qualidade oposta ao Massai. O Tamani trás em sua genética a produtividade e qualidade dos panicuns com maior flexibilidade de manejo em função de seu porte baixo, e alta relação folha/colmo, sendo até utilizado para vedação de pastagem e fenação. Os panicuns são indicados especialmente em pastejo no sistema intensivo de produção de leite e recria/engorda à pasto de bovinos e criação de equinos, por apresentarem excelente vigor de rebrota com acúmulo de massa seca (potencial pode variar de 20 a 40 ton de MS/ha/ano) possibilitando capacidade de suporte entre 3 a 6 UA ha-¹ em condições médias, podendo atingir 8 a 10 UA ha-¹ em sistemas mais intensivo e adubações regulares durante o período de chuvas, com possibilidade de atingir 10 a 14 UA ha-¹ com em área pós-lavouras de alta fertilidade e uso de irrigação suplementar para melhoria da eficiência de adubação nitrogenada e minimização dos veranicos. Possui alta qualidade da forragem (PB de 12 a 15% na MS e digestibilidade superior a 55%), desde que realize um adequado controle no manejo rotativo para favorecer a oferta de folhas de maior qualidade e evite a formação de colmos/ “talos”. No geral não é indicado para pastejo sob lotação contínua, pois apresenta pouca flexibilidade de manejo e formação de “talos” em relação ao gênero brachiaria. Os panicuns de porte médio (massai e tamani) são mais flexíveis quanto à intensidade e método de pastejo. A cultivar Mombaça predominou entre as forrageiras tropicais mais procuradas para cultivo em solos de alta fertilidade, principalmente para engorda de animais e/ou produção de leite. Essa forrageira é utilizada em toda a região tropical da América Latina e sua boa produtividade no verão tem motivado a expansão de seu cultivo em áreas de pastagens cultivadas. Atualmente tem observado que reduzir a altura de manejo de 90/45 cm para 80/40 cm, ou seja, reduzindo a interceptação luminosa (IL%) tradicional de 95% para 90% tem melhorado o desempenho animal com maior produção de folhas e maior facilidade de manejo, com resíduo menos fibroso. Esses problemas como o crescimento excessivo de hastes, acúmulo excessivo de material morto na base da touceira, inconsistência da taxa de lotação, níveis de desempenho dos animais constante, altura de entrada e de saída dos animais no pastejo rotativo, entre outros tem sido os maiores problemas da escolha destas forrageiras para pastejo. Nesse sentido, foi lançado em 2017 a cultivar QUÊNIA que concentra a produtividade, vigor de rebrota e qualidade do panicum, e um porte um pouco menor com alta proporção de folhas largas, compridas e macias de alta qualidade e desempenho animal. Tornando um panicum de fácil manejo em relação aos panicuns de porte maior. 35 Porém, a única desvantagem observada no Quênia é a dificuldade de produção de sementes em quantidade para competir no mercado. Fazendo com que esse excelente material perda jogo de interesse lucrativo no mercado de produção de sementes, liderados pela Embrapa e UNIPASTO. Outra característica que chama atenção dos panicuns é sua resistência a cigarrinha comum das touceiras das brachiarias, no qual o capim massai sido uma alternativa de grande aceitação. Por outro lado, os panicuns são mais apreciados pelas lagartas e recentemente o ataque por cigarrinha do milho tem transmitido uma virose que causam estriamento e amarelamento suave nas folhas do capim, e uma redução no vigor de rebrota, produtividade e qualidade, especialmente no início do período chuvoso. Devido as vantagens dos panicuns e o sua rápida e crescente demanda por sementes para formação de novas áreas, especialmente no grande mercado norte para substituir área comprometidas pela morte súbita das brachiaria s em áreas no norte do país ou panicuns para intensificação nos sistemas de produção de bovinos com pastejo rotacionados e ensilagem de massa forrageira para seca, criou uma oportunidade e novos cultivares tem surgido com características geral dos panicuns, mas com grande diferença estrutural e de manejo. Neste cenário, todos em comparação ao tradicional Mombaça, foi lançado pela EMBRAPA o ZURI na premissa de ter um porte pouco menor com touceiras mais abertas que facilita o manejo do pastejo. Já outras empresas não governamentais, encontraram variedadescom o cacho da panícula mais adensada e grande com grande produção de sementes, plantas de folhas largas e mais cumpridas e um porte maior e colmo mais ereto, e propagaram e lançaram no mercado com o nome de MG12-Paredão da MATSUDA, Carcará da BARENBRUG semelhante ao Mombaça, e o Miyagui da APROSEM que tem o maior porte entre os panicuns, ambos notável pelo formato do cacho. Fonte: 1Jank (1995); 2EUCLIDES et al (1993); 3 EUCLIDES et al., (2000); 4 VALÉRIO, J.R. (comunicação pessoal); JANK, E.; A HISTÓRIA DO Panicum maximum NO BRASIL, pg 14 Retirado da revista JC Maschieto, sementes de pastagens, AGOSTO 2003 Recentemente foi lançado BRS Tamani, BRS Quênia e BRS Zuri BRS Tamani x Massai Entre essas tecnologias lançadas pela Embrapa, o híbrido forrageiro BRS Tamani, tem as características que trazem vantagem ao produtor por apresentar alta produção e proporção de folhas, vigor (rebrota rápida), porte baixo, facilidade de manejo em áreas mais extensas, produtividade semelhantes ao marandu, e especialmente resistência às cigarrinhas e fungos, no qual se assemelha ao capim-massai, porém com a grande alternativa de obter folhas mais largas, escuras e de maior valor nutritivo, proporcionando melhor desempenho animal. Entretanto o Tamani é indicado para solos (manchas/glebas) de alta fertilidade e constante adubados, afim de atender a produtividade por área e produção de animais mais exigentes (precoce e com alto ganho de peso) em múltiplos sistemas de criação, sendo indicado para animais que responde a tecnologia, como recria e engorda de bovinos e ovinos, e para a manutenção da tropa de equídeos nas fazendas. Avaliada em parcelas sobre cortes manuais, a BRS Tamani alcançou a produção anual de 15 toneladas/hectare de matéria seca de folhas na região de Campo Grande (MS). Destacou-se pela maior porcentagem de folhas que a média das demais cultivares de Panicum e pela qualidade da forragem, tendo apresentado 9% mais proteína bruta no período de chuvas em relação a outras cultivares. 36 Outra performance importante é a boa produção em regiões de baixas temperaturas, sendo um indicativo de uso em área irrigada no inverno para pastejo ou produção de feno de alta qualidade. BRS Quênia x Tanzânia O cultivar de capim BRS Quênia supre demandas de mercado por plantas da espécie Panicum maximum que alia importantes atributos para intensificação da produção animal qualidade para alimentação animal, como alta produção, qualidade e maior facilidade de manejo em comparação ao Tanzânia de porte médio também. Segundo Liana Jank, a BRS Quênia é uma combinação perfeita e por ser híbrida (resultado de cruzamento entre plantas) supera em todos os quesitos. A planta se sobressaiu em todos os ensaios que foram conduzidos nos Estados de Mato Grosso do Sul, Brasília, Rondônia, Acre, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Quanto ao desempenho animal (ganho de peso), taxa de lotação e produtividade de folhas, em experimento sob pastejo conduzido em Campo Grande por três anos, a planta superou outras cultivares de panicum, especialmente do Tanzânia, tanto nas águas quanto na seca. Sendo superior no ganho de peso animal comparado ao capim Tanzânia, com peso vivo superior a 860 quilos por hectare na média dos dois anos de estudos, o que equivale a 28,7 arrobas por hectare por ano. Isso, segundo os pesquisadores, deve ao fato de a BRS Quênia a grande diferença está na estrutura do pasto, por possuir maior proporção de folhas, colmos mais tenros e finos e que não se alonga conforme o amadurecimento, cuminando em superioridade no valor nutritivo, com maior digestibilidade da matéria orgânica e maiores teores de proteína bruta. Esse menor entouceramento e formação de talos, na prática é fundamental para o manejo das pastagens, onde comumente é um problema corriqueiro no uso do Tanzânia e Mombaça, que as vezes é necessário ceifar/roçar para ajustar a altura da pastagem. Outra vantagem em relação ao Tanzânia e outros panicum é a resistência ao fungo Bipolaris Maydes causador da antracnose ou mancha das folhas. BRS Zuri x Mombaça No lançamento feito pela embrapa no bioma cerrado, o BRS Zuri apresentou produtividade animal (kg P.V/ha) 10% superior à cv. Mombaça na média de 2 anos de avaliação. No qual apresentou taxa de lotação levemente inferior, mas compensada pelo maior ganho em peso individual (g/animal/dia). Entretanto novas pesquisas e características, como resistência a pragas e doenças, tolerância ao encharcamento, resposta à adubação, entre outros, devem ser avaliadas para justificar seu lançamento e indicação nas renovações de pastagens. Paredão e Miyagui O Capim MG12 Paredão da Matsuda e o Miyagui da Anprosem são panicuns de porte alto recentemente lançados de alta produtividade. Suas características são bem semelhantes ao Zuri e Mombaça. Entretanto as empresas apresentam testes e propagandas indicando maiores produtividade, com folhas mais compridas e largas. Além de apresentar um cacho mais denso que facilita a colheita mecanizada das sementes a um valor mais competitivo. Nota-se um grande emprego em sistemas intensivo, mas devido seu alto vigor e porte, deve ser ter cuidado para o capim não passar de 90 cm e consequentemente perder qualidade e eficiência de pastejo. Outra aplicação de uso está na produção de silagem com estas forrageiras devido sua alta produtividade relata por muitos produtores, o que promove baixo custo de produção de silagem. Entretanto, para esta finalidade, o corte é realizado com capim mais alto, entre 120 a 180 cm, afim de aumentar o rendimento e teor e massa seca necessário para conservação de silagem de capim. 37 Fotos de Panicuns38 Gênero Cynodon São forrageiras originárias da África, sendo bem adaptadas a regiões tropicais e subtropicais. Este Gênero foi introduzido nos EUA na Universidade da Geórgia, na cidade de Tifton, e também pesquisadas na Flórida, onde vários cultivares foram lançados no mercado. No grupo destas gramíneas, destacam: Gramas Bermudas (Cynodon dactilon) e Gramas Estrela (Cynodon nlemfluensis). As bermudas são bem adaptadas e resistentes aos invernos moderadamente frios, de clima ameno que permite resposta a irrigação no inverno tropical. Enquanto as estrelas, por não terem rizomas, são menos resistentes ao frio e predominam nas áreas tropicais e solos menos férteis. Dos inúmeros cruzamentos, formaram híbridos estéreis, sendo necessária a reprodução via vegetativa, dos estolões ou mudas pré-brotadas (MPB_@amazonmudas). No grupo das gramas bermudas vários híbridos estão disponíveis como o Cultivar Tifton-85 e Coastcross e mais recentemente a variedade Jiggs e o híbrido Vaquero (única que se propaga também por semente, que são de baixa qualidade). São forrageiras perenes, estolonífera e/ou rizomatosa de porte baixo e elevada qualidade nutritiva, com alto potencial produtivo e resposta a adubação, tanto em clima tropical, quanto subtropical, sendo essa característica fundamental para irrigação, principalmente no inverno. É muito utilizada para sistema intensivo de pastejo intensivo e fenação em função da qualidade nutricional, estrutural do relvado baixo, colmos finos e de maior número e proporção de folhas por perfilhos. Sendo o tifton-85 vastamente utilizado com os produtores de leite da Novazelândia no Brasil. Devido estas características de produtividade e qualidade, tornam estas forrageiras exigentes quanto a fertilidade dos solos com média e alta fertilidade, semelhantes ao do gênero panicum, especialmente os níveis de nitrogênio para garantir sua produtividade proteica. Isso é notável no seu excelente desempenho próximo à locais que concentram esterco dos animais, notadamente próximo aos currais de manejo. Este grupo de forrageiras deve ser manejado com altura residual entre 5 a 10 cm de altura, responde bem a adubação nitrogenada e potássica, que além de aumentar a produção por área melhora o teor de proteína bruta, quando é manejada em sistema rotativo, permite uma recuperação mais rápida. Existe uma grande variação qualitativa e quantitativa entre as espécies forrageiras, e a adubação nitrogenada por si só é capaz de mudar essas duas variáveis (ASSIS, 1997). Quando bem adubado este gênero permite altas lotações que variam de 5 a 10 UA/ha, com ganho médio diário superior a 0,6 kg/dia ou 12 L/vaca/dia. Os principais cuidados são que devido sua qualidade nutricional, são bastante desfolhadas por lagartas, especialmente no início das chuvas. No qual tem que monitorar e utilizar inseticidas para controle. Outro problema com cynodon, é devido seu porte baixo, ocorre rejeição de parte da forragem em função de fezes dos animais ou folhas lameadas pelos próprios animais que passa em locais com muito barro. Sendo recomendado a técnica de manejo ultra denso de manejo da pastagem/pastejo em faixas de pastejo para maior eficiência de colheita da forragem (@ernesto_coser da Datamars/Trutest/Speedrite no Brasil) 39 Fotos de Cynodon Tifton-85 Jiggs Estrela Africana 40 Resumo 41 Característica para manejo em pastejo: Altura x N°de Folhas x Tempo de descanso Tabela. Alturas (cm) e n°de folhas verdes/perfilho (N°FVP) das principais gramíneas forrageiras Espécies forrageiras Altura (cm) das forrageiras nas pastagens N°FVP* Lotação Intermitente Lotação contínua Cultivares e alturas recomendadas pela SBZ e Embrapa Entrada- Pré pastejo Saída- Pós pastejo Amplitude dossel (cm) Ajuste na lotação Quant. Capim elefante 100-150 45 a 50 Não indicado 8 a 10 Panicum – Miyagui/Mombaça/Zuri 90-85 45-40 Não indicado 2,5 a 3 Panicum – Tanzânia/ Quênia/ Carcará 70-65 35-30 Não indicado 2,5 a 3 Panicum - Massai/Tamani/Aruana 55-50 30-25 55 a 25 cm 2,5 a 3 Andropogon 50-60 20-30 55 a 20 cm 4 a 5 Brachiaria brizantha- Xaraés (MG5) 45-40 25-20 45 a 20 cm 5 a 6 Brachiaria brizantha- Marandu/Piatã 40-35 20-15 35 a 20 cm 5 a 6 Brachiaria brizantha: Paiaguás/ MG4 35-30 20-15 35 a 15 cm 5 a 6 Brachiaria decumbens: Basilisk 30-25 15-10 30 a 10 cm Brachiaria humidícula: Quicuio/Tupi 20-15 10-5 20 a 10 cm Cynodon spp: Tifton, Jiggs, Coastcross, Estrela 30-25 10-5 25 a 10 cm 8 a 10 Fonte. Adaptado de Sila Carneiro, Esalq, Piracicaba, SP e Nascimento Júnior et al. (2010), Costa & Queiroz-Embrapa 2017. Obs: Em média a altura de saída é a metade da altura de entrada. Plantas de colmos mais fins permite abaixar até 1/3 da altura de entrada. Nos piquetes sob pastejo contínuo a régua de manejo indica o momento de aumentar ou reduzir a lotação do pasto. Quando o capim atinge a altura MÁXIMA (Figura 3) é hora de42 aumentar o número de animais no piquete. Quando chega na altura MÍNIMA deve-se reduzir o número de animais no pasto, ou deixá-lo em descanso. A taxa de lotação mais adequada será aquela que mantiver a pastagem numa altura intermediária entre a máxima e a mínima. As alturas de manejo indicadas no objeto se baseiam na fisiologia das plantas forrageiras, apontando como momento de entrada aquele de maior acúmulo líquido de forragem, quando é máxima a formação de novas folhas e ainda é baixa a perda de folhas por senescência. O momento de saída é determinado de forma que o resíduo do pastejo contenha tecido fotossinteticamente ativo suficiente para sobrevivência da planta e rápida rebrota, proporcionando acúmulo de forragem para um novo ciclo de pastejo. Forrageiras indicadas para Diferimento de Pastagem O diferimento de pastagem é uma técnica, simples, fácil e barata, de conservar forragem para atender grupo de animais de menor exigência a baixo custo. Segundo SANTOS (2005), o diferimento de pastagens (também conhecido como “vedação da pastagem” ou “feno em pé”) consiste em suspender a utilização de determinada área da propriedade no final da estação das águas (estação de crescimento-out/abri) para que a forragem acumulada (vedada) seja utilizada durante o período de entressafra (período de seca), preferencialmente a partir de julho. Figura.xx. Rebanho de Vacas Nelore em Pastagem de B. Brizantha Cv. Marandu no Período Seco do Ano. O sucesso do pastejo diferido é dependente da massa de forragem residual por ocasião da vedação e das condições climáticas durante o período do acúmulo de forragem em que a pastagem permanece vedada que reflete no valor alimentar da forragem no momento da sua utilização e da eficiência de utilização com menor perda por acamamento. Um mínimo de 2,5 ton MS/ha de forragem, coma maior proporção de folhas, no momento da entrada dos animais no pasto diferido é necessário para viabilizar essa prática. Deve-se salientar que existem riscos climáticos, em caso de chuvas ocasionais durante a seca ou fogo acidental. Pastagem com acúmulo superior a 4 ton MS/ha de forragem, geralmente muito colmo de baixa qualidade e muitas plantas acamada que reduz a eficiência de utilização. A utilização do pastejo rotativo auxilia no manejo da pastagem e favorece a liberação de áreas para a vedação (Figura abaixo). Essas estratégias de manejo da pastagem (pastejo rotativo e pastejo diferido) possibilitam incrementos da ordem de 40% a 50% na taxa de lotação na propriedade quando as taxas de lotação na fazenda forem baixas. Nessas situações, a melhora na eficiência de uso da pastagem (pastejo rotativo), associada à utilização de pastejo diferido, permite que a taxa de lotação anual na fazenda passe de cerca de 0,5 a 0,7 UA/ha para 0,8 a 1,5 UA/ha. Figuras xx. Representação de diferimento de pastagem. 43 3.2.2. Grupo para Capineiras Nesse grupo indicado para uso como capineiras em área cultivada e utilizada sob corte, preferencialmente sendo fornecida verde picada no cocho, a maioria formado por gramínea de alto potencial de produtividade. Podendo ser armazenada na forma de pré-secado, ensilada ou fenada, para utilização posterior, em épocas críticas. As gramíneas comumente utilizadas em ótima qualidade no período chuvoso são o capim- elefante (Pennisetum purpureum) e em menor quantidade o capim-guatemala (Tripsacum facciculatum). Por serem estacionais, parte do seu uso deve ser conservada na forma de feno ou silagem para uso na seca. Porém seu alto teor de umidade na época de bom valor nutritivo, exige técnicas com a desidratação da fenação, murchamento ou adição de fubá para equilíbrio da umidade da massa em no máximo 75% de Água interligados aos 25%de MS. A cana-de-açúcar (Saccharum officinarum), também de uso como capineira, apresenta boa quantidade de massa seca de fibras (CF) e açúcar (CNF) em pleno período de seca, porém é pobre em PB e MM de baixa disponibilidade em complexo com alto teor de fibra indigestível. Gênero Pennisetum (capim-elefante) Pennisetum purpureum, Schum. O capim-elefante tem como centro de origem o continente africano, de regiões com precipitação pluviométrica superiores a 1000 mm ano-1. É uma gramínea cespitosa com colmos ereto e compridos (3 a 6 m de altura). As cultivares tem sido dividido em grupos de acordo com a época de florescimento, pilosidade da planta, diâmetro do colmo, formato da touceira, largura da folha, n° e tipo de perfilhos. - Grupo Anão: São mais adaptadas para pastejo em função do menor comprimento dos entrenós e porte baixo (1,5m), com elevada relação lâmina: colmo. Um exemplo é a cultivar Mott, base para formação do BRS Kurumi, recentemente lançado para atender as demandas para pastejo. Com alta produtividade, vigor, perfilhamento, proporção de folha e qualidade proteica e digestível. - Grupo Mercker: Caracterizado por apresentar porte mediano, colmos finos, folhas finas, menores e mais numerosas, e época de florescimento precoce (março a abril). Ex.:Mercker, Porto Rico de ala aceitação pelos animais. - Grupo Napier: As cultivares deste grupo apresentam variedades de plantas com colmos grossos, folhas largas, época de florescimento intermediaria (abril a maio) e touceiras abertas. Têm exemplares como as cultivares Napier, Napier Roxo, Mineiro. São cultivares de maior resistência e adaptabilidade ao Cerrado com limitações de fertilidade. - Grupo Cameroon: Apresentam plantas de porte ereto (ideal para corte mecanizado em ensiladora de linha), colmos grossos, predominância de perfilhos basilares, folhas largas, florescimento tardio (maio a julho) ou ausente, e touceiras densas. Ex. Cameroon, Guaçu. Lançamento da Embrapa: BRS Kurumi, BRS Canará, BRS Capiaçu. - Grupo dos Híbridos: Resultantes do cruzamento entre espécies de Pennisetum, principalmente P. purpureum e P. americanum (Paraíso, Carajás da Matsuda) No geral, as principais variedades estudadas do gênero de porte alto são o Napier, Mineiro, Cameroon, Roxo. Outras variedades de porte menores, colmos mais finos e alto perfilhamento 44 são indicados também para pastejo intensivo, como o Mercker, Pioneiro, Porto Rico e o Mott (anão). Recentemente foi lançada pela a embrapa os cultivares BRS Kurumi para pastejo e BRS Canará para corte e biomassa. Existe no mercado a empresa Matsuda com o cultivar Paraíso de propagação por sementes, obtida do cruzamento do Napier com o Milheto. A principal característica dos Pennisetum é a eficiência fotossintética, apresentando grande capacidade de produção e acúmulo de massa seca de boa qualidade, logo sendo muito exigentes em fertilidade e regime pluviométrico. As plantas possuem alto vigor e persistência (rústica), suporta bem o frio e fogo, porém não suporta encharcamento do solo. Para multiplicação usa propagação vegetativa com o uso de pedaços de colmo numa relação 1:10 a 50, ou seja, 1 ha de mudas para formar 10 a 50 ha. Depois de colhidas as mudas devem ser mantidas à sombra e devem ser plantadas rapidamente diretamente no solo ou nas tecnologias de mudas pré-brotadas (Copos e/ou Tubetes em viveiro de mudas irrigadas até o tlanplantio. A capineira constitui a forma mais comum de utilização em regime de corte e fornecimento de verde picado, sendo capaz de produzir em 1 ha forragem para atender 10 a 30 vacas durante aproximadamente 180 dias nas chuvas ou 180 dias na seca, desde que adequadamente conservadas. Com capacidade de produção altamente variável ao manejo empregado. Possibilitando apenas mantença em forragem velha ou passada, até manutenção e produção de leite em torno de 6 a 12 kg/vaca/dia em forragem colhida no ponto adequado. Estas forrageiras apresentam a desvantagem de passa do ponto ideal de nutrição rapidamente. De modo geral, podemos dizer que entre os 43 a 55 dias pode ter o teor de PB acima de 9 a 15% na MS, porém em estágios mais avançados entre 70 e 90 diasde idade o valor proteico pode cair para 8 a 6 %PB. Além de ficar muito fibroso, com redução drástica no consumo e na digestibilidade. Diante disso, alguns autores, recomendam a conservação do material produzido no período chuvoso para uso na seca na forma de silagem. Desde que, use técnicas de pré- murchamento devido ao alto teor de umidade em condições de boa qualidade e/ou aditivos microbianos e com fonte de carboidratos solúveis para adequado processo fermentativo. Nos relatos de vários experimentos encontram-se rendimentos entre 30 a 40 ton de matéria verde por corte/ha. Se a opção de aproveitamento for de corte em regime de capineira, recomenda-se seja realizado o corte rente ao solo para favorecer a rebrota, quando a planta tiver com altura entre 1,50 a 1,80 m, a cada 45 a 60 pós-corte. Com isso, pode conseguir em 1 ha, em regime de corte, alimentar 20 vacas por 50 dias se usar em média 30 kg MV/animal/dia. Em razão da boa aceitabilidade pelos animais, tem a opção de uso em pastejo rotativo, no qual os animais devem entrar quando atinge de 1,00 a 1,20 m e sair com 50 a 60 cm, com período de 1 a 7 dias de ocupação e descanso de 35 a 45 dias. Este gênero tem capacidade de suporte de 4 a 6 UA/ha/ano, no período das águas, sendo que tem esta capacidade bastante reduzida na época seca. Recentes pesquisas no IF Goiano têm apresentado valores de produtividade e qualidade superiores aos da literatura. Estimulando a continuidades nas pesquisas sobre estes gêneros. Tripsacum facciculatum (Capim-guatemala) É uma gramínea tropical perene de médio porte (entre 2 a 3 m) cespitoso, com abundância de folhas muito parecidas com as do milho, medindo de 1 a 1,5 m de comprimento por 7 a 9,5cm de largura, na parte mediana. Possui colmo (medula esponjosa, tenra e adocicada) pequeno com entrenó curto e grosso que ao atingi um determinado crescimento, deitam ao solo e emitem raízes adventícias no nó e se fixa ao solo para auxiliar a sustentação exercida por raízes rizomatosas. Prefere terrenos férteis e bem drenados, não se desenvolvendo nos solos muito úmidos. Sua propagação e persistência são delicadas. Se propagado por meio de mudas enraizadas e as pontas ou pedaços de colmos (com 3 a 7 nós) e aproximadamente 25 cm. As covas devem ser 45 feitas com intervalos de 70 cm no mínimo, sendo nelas colocadas colmos com 1/3 fora da terra e 2/3 enterrados. Quando for usar estacas da base e do meio do colmo, podem ser colocadas no fundo das covas e cobertas completamente de terra. Depois de 15 a 20 dias, os primeiros brotos começam a aparecer na superfície. O corte deve ser feito, no mínimo, 15 cm acima da terra, pois quando é feito rente ao solo, muitos colmos secam e apodrecem o que prejudica sua persistência (principal limitação). Aos 70 dias ou até mesmo antes ou quando as plantas atingem 1,5m de altura, já podem ser feitos os cortes, cujo rendimento varia de 50 a 70 toneladas por hectare, em 2 cortes por ano. O Guatemala pode produzir 3 ou mais cortes anuais e dá bons resultados para ensilagem com aditivos. Essa gramínea é de grande rendimento e muito resistente às secas, mas não se dá bem em climas muito frios. Cana-de-açúcar (Saccharum officinarum) A cana-de-açúcar é uma gramínea perene que se desenvolve em forma de touceira (moita) em ciclo anuais, com concentração de açúcar solúvel em suas fibras, em pleno período de seca, no qual é largamente utilizado para alimentação animal neste período seca. No qual pode usar variedades de diferentes ciclos (precoce, médio e tardio) para melhor aproveitamento do poll energético no decorrer da seca, ou usar apenas plantas de ciclo tardio se o objetivo for apenas suplementar na parte final da seca. No geral, o canavial visa três objetivos básicos: Produtividade – alta produção de fitomassa por unidade de área, isto é, elevado rendimento agrícola de colmos onde a sacarose é armazenada (parte mais nutritiva). Quando associada à produtividade, a longevidade reflete-se na produção por unidade de área, tendo em visa aumentar o número de cortes econômicos, refletindo-se num prazo maior de tempo entre as reformas do canavial, resultando em diluição dos custos elevados durante o estabelecimento. Existe diferentes variedade de cana com diferentes características morfológica e agronômica para uso forrageiro, com destaque para àquelas que apresentem alta produtividade de massa verde (300 t/ha em três anos), maior teor de açúcar (>50%) e menor teor de FDN (além de permitir a elaboração de dietas mais econômicas e a possibilidade de mais um corte. Sendo, o sorgo e o milheto, recomendado, principalmente próximo aos grandes centros, onde existe o risco de roubo de espigas, comprometendo o valor da silagem do milho. Fundamento para Produção de Silagem A conservação da forragem em forma de silagem por processos fermentativos para estabilização depende da composição química da forrageira e das condições as bactérias. De acordo com COAN et al. (2005), o teor de matéria seca (MS) deve estar entre 28 a 34% para que tenha equilíbrio da atividade da água para adequado processo fermentativo, abaixo disso, aumenta as perdas por efluentes (redução de nutrientes mais solúveis) e acima dificulta a eliminação de oxigênio (contido entre as partículas de forragem) pela dificuldade de compactação (aumenta as perdas por gazes em função da deterioração causada por microrganismos aeróbicos que promove aquecimento e mofo). No geral, durante a ensilagem, a anaerobiose no silo é fundamental, pois inibe a respiração celular da planta e o crescimento de microrganismos aeróbicos, estimulando o crescimento das bactérias ácido-láticas, que fermentam os carboidratos solúveis (CHOsol) da planta e convertem a ácidos orgânicos, com predomínio de ácido lático, pois tem maior eficiência na redução rápida do pH (maior constante de dissociação), no qual promove redução (inibição) da ação prologada de microrganismos indesejáveis causadoras da atividade proteolítica e formação de ácidos fracos e gases indesejáveis (SANTOS et al., 2010). Porém em condições inadequadas de umidade, pH e oxigênio estas fermentações prolongam (continuam), entre elas, destacam-se a heterofermentativa, enterobacteriana e clostridiana. Essas fermentações são caracterizadas por formação de ácidos indesejáveis, como, acético, propiônico e/ou butírico com grandes perdas de massa (5 a 51%) e energia (1 a 19%) do material ensilado. 48 Além do teor de MS e massa específica (M.E.), deve apresentar conteúdo de CHOsol acima de 6% na matéria seca e baixo poder tampão (PT) a fim de facilita os processos fermentativos e não oferecer resistência à redução do pH para valores entre 3,8 a 4,2 para garantir adequada preservação e conservar os níveis de nitrogênio amoniacal a baixo de 8,0% do nitrogênio total, no qual indica que o processo de armazenamento não resultou em degradação excessiva da proteína em amônia (NUSSIO & RIBEIRO, 2008). O ácido lático é o principal determinante do pH da silagem, podendo representar mais de 10% da matéria seca em silagem de milho, sendo também o mais forte e apresenta alta correlação com os teores de CHOsol. A redução rápida do pH é fundamental para inibir algumas bactérias indesejáveis do gênero Clostridium, pois fermentam açúcares, ácidos orgânicos e proteínas produzindo ácido butírico, acético e degradação da fração proteica em amônia, além de consumir ácido lático aumentando assim o pH e reduzindo o valor nutritivo da silagem devido à proteólise, com consequente redução do valor nutricional aceitabilidade, culminando para baixa ingestão voluntária (McDONALD et al., 1991; VAN SOEST, 1994; OLIVEIRA et al., 2010). O valor nutritivo da silagem é normalmente levemente inferior ao valor nutritivo da planta antes da ensilagem. No entanto pode ainda sofrer profundas alterações se o processo de ensilagem e de manejo do silo não forem bem conduzidos. Para constatar que a silagem possui alta qualidade nutritiva que permita a formulação de dietas econômicas, faça constantemente a análise bromatológica. Se os valores biológicos da silagem estiverem dentro dos padrões a silagem será considerada de alta qualidade. No geral as silagens são pobres em proteínas, minerais e gorduras, que somam em média 15% da matéria seca. Porém, é muito rica em carboidratos, entre eles destaca as fibras (CF), e os carboidratos solúveis (CNF: amido e açúcares), que somam aproximadamente 85% da matéria seca. Sendo esta relação o principal indicador de qualidade nutritiva da silagem. Figura. Composição da matéria seca da silagem de milho Fonte: Agroceres O amido dos cereais é digerido no rúmen pelas bactérias e, no intestino, pelas enzimas digestivas. No rúmen, o amido é utilizado muito mais como substrato para as bactérias crescerem e se proliferarem para digestão da fibra, enquanto no intestino é fonte primária de energia para o animal. Além disso, aproximadamente 65% da energia de um ruminante advêm da produção de ácidos graxos voláteis, resultantes da fermentação e da digestão do amido no rúmen. No Brasil O Brasil possui uma grande diversidade de forrageiras que podem ser ensiladas (cada qual com suas características próprias), o que flexibiliza a formulação de dietas, a custos e retornos variáveis. Sabe-se que essas forrageiras podem suprir de maneira diferenciada a energia utilizada pelos animais. Daí a necessidade de avaliá-las de maneira qualitativa e quantitativa, além de compará-las entre si. A decisão por determinada cultura a ser ensilada é dependente das características intrínsecas de cada localidade, como região geográfica, tipo de clima, época do ano, tipo de solo, máquinas e equipamentos, recursos a serem investidos com insumos, grau de treinamento da 49 mão-de-obra, tipo de rebanho, entre outros. Portanto, cada propriedade tem o que nós chamamos de aptidão agrícola, a qual é quem decidirá a espécie mais adequada para ser conduzida agronomicamente e, posteriormente, ser ensilada e fornecida aos animais. No geral, buscam-se plantas que uni maior produtividade de massa verde, como meio de obtenção de muito alimento a custo baixo e/ou para suprir as necessidades da época de entressafra forrageira com melhor qualidade para atender o incremento do nível genético do rebanho, visando economia no uso de concentrados energéticos, na dieta animal que eleva o custo. Combinar as duas situações com o conhecimento da fração forragem das plantas, buscando alta digestibilidade da fração verde da planta, combinados com a alta produtividade de grãos, resultavam em silagem de melhor qualidade, independentemente da contribuição das partes da planta na composição da silagem. Entretanto, destaca-se nesse grupo as plantas com característica de concentrar carboidratos solúveis nos grãos e possuir boa qualidade nutricional em umidade inferior a 72% para adequado processo fermentativo e produção de ácidos orgânicos para conservação da silagem em pH ácido e ausência de oxigênio, aliado ao alto rendimento em massa por hectare e porte ereto para facilitar o corte mecanizado, entre outros. Neste cenário, o milho é a cultura tradicional de maior interesse, e recentemente nota-se crescimento da cultura de sorgo e milheiro, cultivados solteiro e consorciado com culturas perenes de alto porte, com destaque para tanzânia e mombaça. Zea mays L. (Milho) A silagem de milho é a principal fonte de energia das rações de bovinos em todo o mundo. Segundo uma pesquisa com produtores, à preferência se dar em função da facilidade de implantação, fácil mecanização de todo processo, elevada aceitabilidade pelos animais, elevada produtividade, facilidade de cultivo e elevada energia. Tecnicamente, esta espécie apresenta concentração de matéria seca (MS) ideal, alta concentração de carboidratos solúveis e baixo poder tamponante no momento ideal do corte, o que favorece a fermentação da massa. O milho ainda reúne duas características extremamente importantes em um volumoso suplementar: alto potencial de produção de MS e elevado valor nutricional. Apresenta também flexibilidade quanto ao uso para silagem, ou seja, pode-se fazer da planta inteira (silagem de maior qualidade) e/ou após a remoção parcial das espigas comercializadas como milho verde (silagem de menor qualidade). Sendo esse uma preocupação adicional, pelo constante roubo de espigas em cultivo próximo as zonas urbanas e margens de rodovias. Embora,o seu custo de produção seja mais elevado e vinculado ao mercado internacional. Outro entrave é que a espécie é agronomicamente exigente e complexa, ou seja, exige boas condições climáticas e tratos culturais frequentes e intensos (fertilizantes, herbicidas, inseticidas e fungicidas). A colheita durante o período chuvoso também pode ser um limitante quando se pensa no processo de ensilagem e compactação do solo. Recentemente as pesquisas indicam as forrageiras com grão do tipo mole ou dentado em relação ao de tipo duro, por apresentarem maior digestibilidade e melhor aproveitamento do amido devido à alta taxa de passagem dos grãos tipo duro pelo trato digestivo (TGI), resulta em significativas perdas de amido nas fezes dos animais, principalmente quando cortados em estágios mais avançados de maturidade. Sorghum bicolor L. (Sorgo) O sorgo é uma fonte volumosa que vem ganhando destaque na produção de silagem em todo o mundo, com destaque para seu alto rendimento de forragem e possibilidade de realizar mais de 1 corte por cultivo, devido a rebrota vigorosa, e consequentemente reduzindo os fixos fixo 50 das etapas de plantio. Acrescenta ainda a flexibilidade de uso, no qual tem cultivares específico para uso em pastejo de verão. Assim como o milho, a planta de sorgo apresenta concentração de MS ideal, alta concentração de carboidratos solúveis e baixo poder tamponante no momento ideal do corte, favorecendo o processo fermentativo. Quando comparado ao milho, possuir menor sensibilidade ao fotoperíodo e um sistema radicular fibroso e extenso (50%>que o milho), tornando-o mais eficiente na exploração de água e nutriente no solo, sendo uma excelente alternativa em cultivo secundário (safrinha) ou regiões com distribuição de chuvas irregular e déficit hídrico e menor nível de adubação, refletindo diretamente no menor custo de produção. Agronomicamente, exige tratos culturais menos frequentes e intensos em relação ao milho convencional. No entanto, é atacada intensivamente por pássaros quando os grãos estão na fase de enchimento, o que pode levar a elevadas perdas da principal componente nutritivo e fundamental para o processo fermentativo. Um aspecto importante a ser ressaltado é a diferença entre os híbridos que são disponibilizados no mercado. Os híbridos denominados “forrageiros” são bons produtores de massa e fibras com menor valor nutricional, além de apresentar problema de acamamento. Já os materiais denominados “graníferos” produzem menos massa e mais grãos com maior valor nutritivo, contudo apresentam elevação no custo por unidade de silagem produzida. Portanto, a planta de sorgo não reúne produtividade e valor nutricional, como ocorre com o milho, cabendo ao técnico decidir qual opção (forrageiro ou granífero) é mais viável para o seu sistema de produção. Milheto O milheto é uma cultura originária da África, domesticada ha cerca de 4000 anos. Caracteriza-se por ser uma gramínea anual de verão, de ciclo curto e se destaca como forrageira por sua habilidade em desenvolver-se em estações chuvosas curtas, com baixas precipitações pluviométricas e pelo crescimento rápido, boa capacidade de rebrote e boa qualidade como forragem. A grande tolerância desta cultura à seca deve-se ao seu sistema radicular agressivo, que pode alcançar 3,60 metros de profundidade e à sua eficiência na transformação de água em matéria seca, pois necessita de cerca 300 a 400 gramas de água para produzir 1 grama de matéria seca. É capaz de vegetar em regiões com precipitações pluviométricas inferiores a 400 mm anuais, tendo em vista que é cultivado na Índia, onde a pluviosidade é de apenas 130 a 180 mm por ano. O ciclo vegetativo é curto, variando de 60 a 90 dias para variedades precoces e 100 a 150 dias para as tardias, com uma temperatura ótima de crescimento de 28 a 30º C, não suportando temperaturas inferiores a 10 ºC. É uma cultura influenciada pelo fotoperíodo, de modo que, quanto mais tardiamente for realizado o plantio, menos dias a planta levará da germinação ao florescimento, que ocorre, geralmente, por volta de 10 a 12 semanas após o plantio. Em função de características de rusticidade e adaptação a plantios de fim de verão ou princípio de outono, o milheto é considerado como uma cultura de grande potencial para produção de silagem em regiões com problemas de veranico ou seca ou em plantios de sucessão ou safrinha, podendo substituir o milho e o sorgo nessas ocasiões. No Brasil, a silagem do milheto ainda é pouco estudada, mas alguns trabalhos já demonstraram que é possível produzir forragem em quantidade e qualidade satisfatórias quando a cultura é cultivada e manejada adequadamente (Guimarães Jr, 2006). Assim como a silagem produzida a partir de capins, o maior limitante para produção de silagem de milheto é o teor de matéria seca no material a ser ensilado. O momento adequado de colheita do milheto para confecção de silagem se dá quando seus grãos se encontram em estádio pastoso-farináceo, no entanto, nesse momento, a planta encontra-se com teor de matéria seca baixo, entre 20 e 23 %. Apesar disso, é possível ainda produzir silagens com bom padrão fermentativo. A incorporação de 3 a 7 % desses aditivos farelados é suficiente para elevar o teor de matéria seca da silagem para 51 25 % de MS, porém a utilização ou não dessa estratégia deverá sempre ser avaliada com base no custo. O cultivo do milheto tem se expandido de forma acelerada na região do Cerrado devido sua versatilidade de usos, com facilidade e rapidez de implantação e estabelecimento, com crescimento rápido, alta capacidade de produtividade de massa acumulada em suas rebrotas aliado a qualidade nutricional. A grande capacidade de desenvolvimento radicular e rusticidade, possibilita ao milheto resistência à seca e adaptação a solos de baixa fertilidade, tornando uma alternativa para plantio em épocas e locais desfavoráveis a outras culturas. Capins tropicais Outras espécies que são mais indicadas para pastagem ou capineira (capim-Elefante) podem ser aproveitadas/flexibilizas seu uso como silagem de qualidade inferior. Entre as diversas espécies de capins tropicais que podem ser ensiladas, destacam-se as de hábito cespitoso, maior porte e altamente produtivas: capim-Elefante, capim-Mombaça, capim-Tanzânia. Podendo realizar vários cortes (2 a 4) durante o ano, a maioria no período chuvoso, que normalmente ocorre excedente de forragem. Entretanto, quanto aos aspectos fermentativos, os capins tropicais apresentam alta umidade, baixa concentração de carboidratos solúveis e alto poder tamponante no momento ideal do corte, o que desfavorece a fermentação (aumenta os riscos da conservação não se concretizar). Além de apresentar baixo valor nutricional (NDTculturas perene excedentes pastagens e/ou de capineiras, entre capim elefante e também sobra do canavial. Fazendo durante os cortes alternados e misturas dos materiais durantes a ensilagem, podendo ser adicionados concentrados para melhorar o processo de ensilagem. Neste caso é importante o técnico saber planejar o cronograma fenológico (ponto de colheita) e proporção de mistura, com base nos cálculos de massa ha-¹ x área (ha), para as forrageiras utilizadas. Bem como, utilizar de forma racional e técnica aditivos microbiológicos e/ou farelados de acordo com o objetivo. 3.2.4. Grupo para Fenação Feno é o produto volumoso seco obtido pelo processo de fenação de plantas forrageiras, no qual consiste em onerosas etapas para corte, desidratação ou secagem e enfardamento, com propósito de conservar a qualidade para utilização posterior. Sendo indicado para suplementação 52 volumosa em épocas crítica do ano e na composição de dietas em confinamento, pois a conservação e o armazenamento de forrageiras são atividades essenciais em um sistema de produção animal. Considerações e fundamentos gerais A técnica de fenação é utilizada há muito tempo, tendo registro em túmulos dos antigos faraós usando feno para alimentar os cavalos de guerra. No Brasil, a fenação teve bom impulso com a criação de animais de elite, equinos para esporte, lazer e trabalho e algumas propriedades especializadas na produção e comercialização do feno para comércio. Devido à demanda pagar o valor agregado, capacidade de produzir de 4 a 6 safras por ano, atingindo produtividade superior a 30 toneladas de Feno/ ha/ ano, permitindo uma entrada constante de receitas. No entanto é pouco produzido ou mal utilizado por questões climáticas (umidade alta no período natural de crescimento) e culturais (feno para locais de inverno e silagem em cima topicais), com exceção aos produtores do Sul e Nordeste, especialmente para atender a alimentação de equídeos e pequenos ruminantes (caprinos e ovinos). No geral, os produtores consideram a técnica trabalhosa e de difícil armazenagem devido a necessidade de espaço coberto e arejado para evitar danos ao material. Além disso, possui um elevado devido os custos com maquinários e implementos para o processo mecanização ou alta demanda de mão-de-obra para o processo manual ou semi-mecanizado. Considerando que o feno deve ser de forrageira de alta produtividade e qualidade, faz necessária área de solo fértil, plana ou levemente inclinada, drenada e livre de encharcamento, sem tocos, pedras, cupins ou formigueiros e quaisquer outros tipos de obstáculos que prejudique as operações. E preferencialmente irrigada para controle aliar ao clima seca para desidratação. Neste cenário, a utilização do feno como volumoso na alimentação de ruminantes pode ser encarada como estratégica, pois é fundamental para o funcionamento do sistema digestivo dos herbívoros e fornecimento de nutrientes de qualidade superior para atender grupos de animais de maior exigência, sendo adequado para uso cria de bezerras e novilhas de leite, vacas em lactação e equídeos. No caso dos equídeos, por serem monogástrico herbívoro, os fenos têm lugar de destaque para atender suas necessidades nutricionais e evitar cólicas devido à alta produção de gases no ceco devido fermentação quando se usa dietas com alta proporção de concentrados. Em função do custo elevado de fenação, é recomendável em campos destinados exclusivamente à produção intensiva de feno, com o cultivo de gramíneas de alto rendimento de forragem e excelente qualidade nutricional e atributos peculiares. Características das plantas mais indicada como feno Todas as gramíneas são possíveis de ser fenada, especialmente quando há necessidade estratégica de aproveitamento do excedente de pasto no verão para feno. Porém, Andrigueto et al. (1982), Moura (1990) e Vilela (1994) sugerem que escolha forrageiras adequadas para fenação devem possuir o máximo das seguintes características desejáveis e importantes: • Alto potencial de produção e vigor de rebrota, tolerância a cortes baixos e frequentes; Alta proporção de folhas (maior relação folha/colmo) e colmo finos (secagem - desidratação rápida e uniforme) e que as folhas ficam aderidas ao colmo o que prediz um maior valor nutricional (composição química, aceitabilidade e digestibilidade); • Facilidade de corte, fardamento e fornecimento e boa cobertura do solo (características morfológicas das estolioníferas); Boa de manejo e que não provoca irritação de pele (característica indesejável das brachiarias). 53 Dentre estas características, a mais indicada são as gramíneas do gênero Cynodon (Tifton- 85, Jiggs e Coast-cross) por atender todos os requisitos. Os panicuns de porte médio (Massai, Aruana, Tamani) tem sido uma opção de uso crescente, em virtude da facilidade de propagação e interação com as empresas de produção de sementes, sendo neste caso reutilizando a forragem após retirada da semente, neste caso com baixa qualidade, porém de baixo custo. Os panicuns apresenta outras desvantagens, como sua baixa resistência à cortes baixos e frequentes, comprometendo seu potencial produtivo e a maiores perdas de folha durante a fenação. Já as brachiaria é última opção, pois pinica muito, sendo rejeitada pelas pessoas em manejo manual. Porém nota-se um grande aproveitamento do feno de forrageiras de campo de produção de sementes. Embora de baixa possibilidade é possível manter peso dos animais e em muitos casos minimizar perda de peso e morte. Entre as leguminosas adaptadas a clima tropical, o Arachis pintoi (Amendoim forrageiro) merece destaque pelo teor proteico e digestibilidade, sendo considerada a Alfafa dos trópicos principalmente por aproveitar área levemente sombreadas e as folhas permanecerem aderida ao colmo durante a fenação. Entretanto sua dificuldade de estabelecimento e baixa produtividade compromete seu uso comercial. Sendo indicada apenas como alternativa nestas áreas e em pequena escala integrada com outras atividades econômica, como aproveitamento das entre a silvicultura e frutíferas. 54 Atividade 1- Complete o quadro de acordo com as características morfológicas de seus órgãos: Gramíneas Leguminosas Raízes Caule Folhas Fruto 2- De acordo com a família, ciclo de vida, época e hábito de crescimento, preencha o quadro abaixo: Espécie ou Cultivar Família Ciclo de vida Época de crescimento Hábito de crescimento P. maximum cv. Tanzânia B. brizantha cv. Marandu B. humidícola cv. Quicuio Zea mays – Milho Cajanus cajan - Feijão Guandu 3- As forrageiras são formadas por vários gêneros com características peculiares, diante disto complete o quadro abaixo: Principais Características Principais Gêneros/Espécie/Cultivar de Gramíneas Andropogon B.brizantha Marandu Cynodon spp Tifton 85 P. maximum Mombaça Pennisetum Napier Produtividade (t MS/ha/ano) Exigência em fertilidade Qualidade nutricional nas águas Facilidade de manejo Principais formas de utilização Principais desvantagens ou limitações 4- Descreva as características favoráveis/potencial/vantagens e desfavoráveis/limitações/desvantágens para silagem das forrageiras abaixo: Cultura/Características Favoráveis Desfavoráveis Milho Sorgo Milheto Capins Tropicais Milho+Mombaça Elefante+Cana 55 3.3. Indicação de Forrageiras Esta é uma das etapas cautelosa e muito influenciada pelo mercado econômico/ciclo pecuário e modismo. Podemos fazer uma analogia ao comércio de veículos: Qual carro comprar? Deve-se como um Médico, só recomendar ou prescreve algo, após marca uma consulta, fazer diagnóstico prévio, exame clínico e após os resultados de exames laboratoriais básicos e complementares. Os principais fatores a serem consideradosno diagnóstico são: ➢ Interesses/Objetivos, necessidades e condições do produtor; ➢ Estágio de degradação da forragem atual/ existente e levantamento da comunidade forrageira; ➢ Características edáficas (topográficas e amostragem do solo para análise física e químicas do solo); ➢ Condições climáticas (Época-estação do ano e previsões do tempo); Diagnóstico com o produtor sobre a situação da degradação das pastagens Degradação de Pastagens: MACEDO (2000) definiu como degradação o processo evolutivo onde percebemos na pastagem a queda do vigor de rebrota, produtividade e da capacidade de recuperação da pastagem, tornando-a incapaz de sustentar os níveis de produção e qualidade exigidos pelos animais, bem como superar os efeitos nocivos de pragas, doenças e invasoras. Em estágio avançado ocorre considerável degradação dos recursos naturais, através da compactação, levando a baixa infiltração de água no solo para reabastecimento do lençol freático, seguido de perda do solo por processos erosivos e, consequentemente assoreamento dos cursos d’água. Figura. Representação gráfica simplificada do processo de degradação de pastagens cultivadas em suas diferentes etapas de tempo A degradação em situações que não utiliza adubações de manutenção/reposição e práticas conservacionistas do solo e manejo adequado da pastagem, inicia-se com declínio da 56 produção, entre dois a quatro anos, progredindo para degradação das pastagens, por volta de quatro a seis anos, e avançada sobre a superfície do solo, entre seis a oito anos (SOARES FILHO et al., 1996). Segundo EUCLIDES (2000) essa situação contribui para a não sustentabilidade da produção pecuária. Na prática, com base na vivência sobre o potencial produtivo de uma determinada forrageira, o estágio de degradação da pastagem, segundo VIEIRA e KICHEL, (1995), pode ser facilmente avaliado pela observação de algumas características sequenciais: A: Disponibilidade de forragem: Pastos baixos, com escassez de material disponível; B: Capacidade de rebrota: Produção de MS não reage à vedação prolongada, mesmo em condições favoráveis de clima; C: Cobertura vegetal: Baixo Stand com muitos espaços vazios; D: Lotação: Capacidade de suporte baixa para o potencial da forrageira; E: Ganho de peso dos animais: Abaixo do potencial genético para a categoria; F: Invasoras e Pragas: Surgimento espontâneo de plantas oportunistas e pragas (efeito estético e/ou competitivo); G: Características químicas do solo: Deficiências de 1 ou vários minerais limitantes (observações realiza-se amostragem do solo para análises laboratoriais verificação da textura e avaliação da fertilidade do solo); H: Características físicas: Compactação e sinais de erosão (existe equipamento e métodos especializados). Mas ao fazer a amostragem do solo poderá perceber o nível de compactação do solo; A escolha de forrageiras, adaptadas à região e ao manejo, é fundamentalmente para o êxito da implantação de pastagens cultivadas. Os critérios relacionados às características agronômicas das forrageiras (potencial produtivo, persistência e adaptação a fatores bióticos, climáticos e edáficos, hábitos de crescimento, etc), somados às de qualidade nutricional, infra- estrutura da propriedade e às condições do produtor, poderão servir de base para técnicos e proprietários na escolha das forrageiras. As exigências e tolerâncias das gramíneas e leguminosas tropicais poderão ser descritas, conforme os quadros abaixo. Ribeiro (1968) relatou que uma boa forrageira deve possuir as seguintes características: a) ser perene; b) bom crescimento durante o ano todo; c) alto valor nutritivo compatível ao sistema e condições edafoclimática; d) apresentar alta relação folha/haste; f) boa aceitabilidade; g) facilidade em se estabelecer e dominar; g) resistência às pragas e doenças; h) resistência a extremos climáticos; i) resistência ao fogo e abalos mecânicos (pisoteio); No entanto, esses fatores são generalizados e quase impossíveis de uma cultivar atender todas estas características e principalmente no decorrer das estações do ano. Sendo importante o produtor possuir na propriedade uns 3-4 gêneros de forrageiras, com 1 a 2 cultivar por gênero, para obter maior flexibilidade de manejo e oferta de forragem. Diante disso segue algumas informações para reflexão: (a) a relação folha/ haste tem forte influência de manejo e estação, especialmente no andropogon e panicum, como mombaça; em (b) estas forrageiras também concentram sua produção nos período de chuva, no qual para essas características tem como vantagens os capim do gênero brachiaria, e o capim-massai, e principalmente o gênero Cynodon no inverno; (c) com as tecnologia de ILP, as culturas não perenes, como aveia e azevém tornaram uma excelente opção para cultivo em sobressemeadura em pastagens irrigadas na época de frio (inverno) e as culturas de sorgo e milheto são excelente alternativas para formação de pastagem rápida, tanto na primavera, quanto em safrinha; (d,e) sobre a facilidade de estabelecer, as gramas do gênero cynodon e amendoim forrageiro propagados por mudas, apresenta estabelecimento mais difícil, porém após estabelecer são ótimas para obter forragem de alta qualidade e persistir mesmo sem a 57 produção de sementes; (f) a palatabilidade/aceitabilidade está mais ligado às folhas, especialmente no estrato superior do dossel; (g) sobre a resistência à pragas, nota-se a expertise das lagartas em devora uma grama nutritiva, o avanço das cigarrinhas e fungos hepatotóxico em brachiarias; entre outros. Diante disso, torna-se importante o conhecimento de todas as potencialidades e limitações das forrageiras, bem como a possibilidade de diversificar tanto os sistemas como as cultivares para determinado objetivo. As forrageiras podem ser classificadas em três grupos, em ordem decrescente de exigência em fertilidade do solo, como mostra a Tabela 1. Tabela. Classificação das forrageiras de acordo com a resposta em saturação por bases. Grupo I Grupo II Grupo III Alta exigência Média exigência Baixa exigência V2= 60- 50% V2= 40-50% V2= 30-40% Capineiras: Capim Elefante e Cana Panicum:Tanzânia, Mombaça Cynodon: Tifton-85, Coast-cross Cultura anual: Milho Brizantha em geral; Panicum Massai; Cynodon: Grama Estrela Africana Culturas anuais: Sorgo, Milheto Andropogon, B. Decumbens B. Humidícola Nativos As pastagens tropicais produzem forragem adequadamente por 6 a 7 meses no ano, sendo o restante limitado por fatores climáticos, como baixa umidade e temperaturas. Diante disso, KICHEL et al. (2009) sugerem utilizar silagem e/ou “palhada” para suprir a baixa disponibilidade e qualidade forrageira. Em decorrência dessa distribuição irregular de forragem, durante o ano, torna-se indispensável um adequado planejamento alimentar, produção e conservação de volumosos e estratégias de produção e/ou aquisição de alimentos concentrados energéticos, pela elevada participação em rações para a alimentação animal. No Brasil, a eficiência do planejamento alimentar é muito variável, pois sua grande extensão, diversidade de atividade e sistemas produtivo aliados à diferenças condições edafoclimáticas possibilitar buscar alternativas mais apropriadas a cada região e situação, com destaque para a para o período seca de inverno e estiagens de verão (veranicos) no centro- oeste. Na Região do Cerrado, existem duas estações climáticas bem definidas. No período das chuvas (outubro a março), as condições climáticas são favoráveis ao rápido crescimento da planta forrageira. Nessa época do ano, é comum observar a concentração de 70% a 80% da produção anual de forragem. Entretanto, na época da seca (abril a setembro), pelo menos um dos fatores climáticos (umidade no solo (chuvas), temperatura, luz) mostra-se limitante ao crescimento das plantas e, consequentemente, a produção de forragem é baixa (MARTHA JUNIOR et. al., 2010).forrageira, tais como: pastagens reservadas/diferidas (“feno em pé”), capineiras, silagem e/ou feno aliada ao uso de suplementos concentrados, sendo este o principal desafio na pecuária moderna e tecnificada. Nesse sentido, este material abordará de forma integrada a produção e utilização de forrageiras para potencializar a produção animal de forma constante e estratégica. Visto que, o elevado custo dos insumos aliado à valorização das terras faz pressionar o produtor a conseguir altas produtividades através da verticalização da capacidade de produção, afim de diluir custos fixos e riscos mercadológicos, para que os lucros alcançados de forma estratégia com base na produção de forrageiras para pecuária tecnicamente evoluída. Para isto, passaremos a estudar, por partes, as variações existentes no sistema produtivo para construir condições de atuar tecnicamente para resolver os problemas, em cada propriedade e/ou situação que impedem a manifestação do potencial produtivo das forrageiras e dos animais herbívoros. A fim de adotar e aplicar técnicas capazes de promover aumento expressivo na capacidade de suporte animal na propriedade, como: Formação; Recuperação; Reforma; Renovação; Manutenção, Sistema e métodos de pastejo; Manejo de pastagens solteira e consorciadas; Correção e Adubação de pastagens; Diferimento de pastagens; Irrigação de pastagens; Produção, armazenamento e conservação de forrageiras para uso na entressafra, Integração Lavoura-Pecuária (ILP); Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF); entre outras. Indico como base de estudo a aquisição dos livros: INTEGRAÇÃO LAVOURA PECUÁRIA, de autoria de Kluthcouski, Stone e Aidar (2003) da EMBRAPA. FORRAGICULTURA: Ciência, Tecnologia e Gestão dos Recursos Forrageiros, de autoria de Reis, Bernardes e Siqueira, publicado em 2013. SOUZA, D.M.G; LOBATO, E. CERRADO: Correção do Solo e adubação. 2ªEd. Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica, 2004. 416 p. MARTHA JÚNIOR. G.B.; VILELA, L.; SOUZA, D M. G. CERRADO: Uso Eficiente de Corretivos e Fertilizantes em Pastagens. Planaltina, DF: Embrapa Cerrados, 2007. 224 p. RIBEIRO, A. C.; GUIMARÃES, P.T.G.; ALVAREZ, V. H. Recomendações para o uso de corretivos e fertilizantes em Minas Gerais - 5ª Aproximação. Editora(s): SBCS, 1999. 359 p. Atividade preliminar e complementar Com base na introdução, descreva o que você consegue observar na imagem abaixo. Comente a importância destes órgãos e explique seu funcionamento 1) Sobre os aspectos gerais da forragicultura, marque (V) para as alternativas verdadeiras e (F) para as falsas e reflitam. ( ) O Brasil possui vasta extensão territorial e um clima privilegiado para o crescimento contínuo de plantas, onde as condições são excelentes para o desenvolvimento da pecuária, principalmente em sistema de pastagens. ( ) No Brasil, predomina pastagem do gênero Panicum, que é uma cultura perene mais empregada para pastejo que apresenta a principal vantagem de suprimir o corte, o transporte, a armazenagem e a distribuição de forrageiras aos animais. ( ) Considerando que as áreas fossem forradas com 200 milhões de hectares pastagem, abrigando aproximadamente 100 milhões de Unidades Animal (U.A.- 450 kg de Peso Vivo) apresenta uma taxa de lotação de 2,0 U.A./ha. ( ) Observa-se que a eficiência desses sistemas está abaixo do seu potencial (2-6 U.A./ha), o que pode ser atribuído diversidade edafoclimáticas e principalmente à utilização inadequada dos recursos disponíveis. 8 ( ) Para atender esta demanda de produção animal a pasto, Santos et. al.(2002), explica que depende de fatores ligados ao clima, ao solo, à planta, ao animal e principalmente ao manejo que também interferem na eficiência do sistema. ( ) As forrageiras são as principais fontes de nutrientes na nutrição de monogástricos. Além da proteína e energia, as forrageiras provêm a fibra necessária nas rações para promover a mastigação, ruminação e saúde do rúmen. ( ) Na formulação de dietas para bovinos, a qualidade e a quantidade de forrageiras é o último fator a ser analisado no atendimento das exigências nutricionais e de fibra. ( ) A formação de boas pastagens e capineiras assumem real importância, tornando-se a melhor opção para a alimentação do rebanho, tornando uma alternativa bastante inviável na alimentação animal, em virtude de seu baixo potencial de produção e alto custo. ( ) A escolha das glebas (pequenas áreas), forrageiras, adubações, controle de pragas e plantas invasoras e, principalmente, um bom manejo, são práticas que vêm recebendo o devido crédito dos pecuaristas. ( ) Sendo as pastagens a forma mais econômica de criar ruminantes, tendo em vista que o custos de produção por tonelada de matéria seca oriunda de pastagem tropical e três vezes menor que o custo oriunda da cana-de-açúcar, quatro vezes menor que o da silagem de milho e 5 vezes menor que do feno. ( ) Nos períodos críticos (entressafra forrageira) deve ter segurança na exploração, mantendo a “retaguarda” da suplementação de forragem, pastagens reservadas, capineiras, silagem, feno. ( ) O baixo custo dos insumos modernos e a grande desvalorização das terras próximas aos grandes centros fazem pressionar o produtor a conseguir altas produtividades a baixos custos, para que os lucros também sejam maiores, fazendo das pastagens um dos principais elementos de uma pecuária tecnicamente evoluída. ( ) Devemos adotar e aplicar intensas técnicas capazes de promover aumentos expressivos de carga animal na propriedade, como: Formação; Manutenção; Reforma; Recuperação; Técnicas de Pastejo contínuo e rotativo; Correção e Adubação de pastagens; Diferimento de pastagens; Irrigação de pastagens; Armazenamento e Conservação, entre outras. ( ) Plantas forrageiras são todas as plantas que se destinam à alimentação de animais herbívoros podendo ser nativas ou cultivadas. ( ) A exploração às forrageiras podem ser cultivadas para pastejo, corte, fenação e silagem. ( ) As plantas forrageiras são conhecidas como alimentos volumosos, estes alimentos volumosos apresentam alta concentração de nutrientes digestíveis totais (NDT>60%) em função do baixo teor de fibras (FBNa grande parte desta região do Brasil central os produtores de bovinos de corte na fase de cria e recria predominam com a utilização e conservação de pastagens em pé, através de vedação de algumas áreas de pastagem e uso de suplemento proteico de baixo consumo. Já os terminadores de bovinos e os produtores de leite dão preferência ao uso de silagem em função da praticidade, operacionalidade, elevada produtividade de massa verde das gramíneas e, suplementa com concentrado de acordo com o nível de produção e/ou objetivo estabelecido, e circunstância dos preços do produto a ser comercializado. Observe a figura a baixo, a representação do crescimento forrageiro durante o ano o consumo de forrageiras pelos animais. Para obter maior equilíbrio entre oferta e consumo, nota- se que no período de outubro a março a elevada produção e no período de abril a até outubro ocorre redução na taxa de acúmulo. Ou seja, a capacidade de suporte é variável, e para manter 58 a taxa de lotação regular, produtor deve aprender a conservar o excesso para a época de escassez. Figura xx. Taxa de acúmulo de forragem (kg MS/ha/dia) projetadas para pastagens estabelecidas no cerrado em situações de fertilidade moderada. As linhas tracejadas indicam a expectativa de forragem ofertada aos animais quando 40% da forragem disponível for consumida (2% P.V.). Fonte: Embrapa Cerrados (2008) Na Figura acima, observa-se que durante o período de maior acúmulo de forragem seria possível a manutenção de uma taxa de lotação ao redor de 1,5 a 2,0 UA/ha. Contudo, a taxa de lotação deve ser reduzida para níveis próximos de 0,5 UA/ha na seca para possibilitar o ajuste da curva de acúmulo de forragem com a curva de consumo de forragem pelos animais. Como resultado, a taxa de lotação animal na fazenda é normalmente definida pelo período do ano de menor produção de forragem, neste caso fechando uma média anual de 1 UA/ha/ano, que representa a grande média das propriedades. O manejo da pastagem deve ser conduzido de modo a manter constante a disponibilidade de forragem em torno de 2.000 kg de MS/ha durante a estação de pastejo, e/ou uma oferta de forragem em torno de 4 a 8% de peso vivo animal. OF acima de 8%PV, deve se usar parte da área para fazer a conservação de forragem e OF abaixo de 4%PV deve fazer a suplementação. As forrageiras afetam as rações de ruminantes de dois modos: 1) pela contribuição de com nutrientes para dieta, e 2) pelo impacto deles nos custos da ração. A qualidade de uma forragem afeta sua habilidade para contribuir com nutrientes para a dieta. Forrageiras de alta 59 qualidade podem prover mais nutrientes e terá uma taxa de inclusão maior em dietas que forrageiras de baixa qualidade. Considerações sobre o valor nutritivo e uso de suplementos em pastagens As gramíneas são as principais fontes de forragem para os herbívoros. Forrageiras de alta qualidade podem suprir a maioria dos nutrientes dependendo da categoria animal em questão, da espécie forrageira, tipo de solo e fertilidade, idade da planta entre outros. Fatores importantes na determinação da qualidade é a idade ao corte ou pastejo e o estágio de maturação da planta, pois com avanço da idade, as plantas decrescem em proteína, energia, cálcio, fósforo e matéria seca digestível em função do aumento da fibra (FDN, FDA e lignina) complexada. Sendo as pastagens, adubadas e manejadas, a principal fonte de nutrientes de menor custo. Pois elas têm a vantagem adicional de eliminar a necessidade de manejo manual do material. Quando utilizadas em manejo rotativo, aumenta a eficiência de utilização e reduz perdas de material, mas requer maior mão de obra e reposição de nutrientes. Como a quantidade e qualidade das pastagens mudam durante o inverno, os animais necessitam um manejo diferenciado: pastagem diferida, pastagens armazenadas e outros alimentos (TEIXEIRA, 1997). A disponibilidade e a qualidade das forrageiras, em consequência da estacionalidade de produção, não fornecem quantidades suficientes de nutrientes para a produção máxima dos animais, sendo limitadas, pelo menos, durante a metade do ano, à baixa disponibilidade de forragem verde e ao baixo valor nutritivo durante a maior parte do período de rebrota ativa da planta. O desempenho animal é função de fatores como genética, sanidade, nutrição e manejo. Em termos de nutrição, os herbívoros demandam cinco nutrientes essências à sua mantença e produção (água, energia, proteína, minerais e vitaminas) que deve ser proveniente ao máximo dos volumosos, que são a fonte mais barata. Entre diversas formas práticas de suplementação, que devesse priorizar a suplementação com alimentos volumosos, que em termos crescentes de valores e qualidade, vai desde as pastagens diferidas (Feno em pé), capineiras, cana+uréia, silagem de gramíneas tropicais, sorgo e milho ao uso do feno. Ambas são utilizadas para suprir a falta de pasto no período seco, e out. nov. dez. jan. fev. mar. abr. mai. jun. jul. ago. set. 4 6 8 10 12 14 16 coloniao tanzania marandu decumbens out Nov dez Jan fev mar abr mai Jun Jul ago set 40 45 50 55 60 65 70 coloniao tanzania marandu decumbens 60 assim, contornar o problema da estacionalidade da produção de forrageiras das pastagens (GOMIDE, 1999). Sendo assim, as forrageiras são as principais fontes de nutrientes na nutrição de ruminantes. Além de energia e proteína, sua predominância em fibras é essencial nas rações para promover a mastigação, ruminação e saúde do rúmen. Na formulação de dietas para bovinos, a qualidade e a quantidade de forrageiras é o primeiro fator a ser analisado no atendimento das exigências nutricionais e qualquer alimento sólido adicional a forrageiras, denomina-se de suplementos. Destaca que sempre haverá deficiência mineral em qualquer época do ano, no qual disponibiliza sal mineral de pronto uso à vontade para os animais. No período de seca, acrescenta ao mineral fontes de N e CHOsol para maior desenvolvimento das bactérias ruminais, denominado de sal proteinado, que dependendo da concentração de sódio (regulador do consumo), chama-se SP de baixo ou de alto consumo. Dependendo da qualidade da forragem e do nível de desempenho que se busca. Será necessário utilizar outros suplementos mais concentrados, sendo elaborados de forma equilibrada para complementar o volumoso na dieta do animal para atender as exigências específicas em função das contribuições nutricionais das forrageiras e consumo, entre outros. Nesse sentido, a importância das forrageiras como a fundação das dietas de bovinos foi ilustrada recentemente por Lundquist em uma pirâmide de alimentação para bovinos, conforme figuras abaixo. Sal Mineral FORRAGENS Pastagem Sal Mineral FORRAGENS Pastagem diferida Ureia + Farelos Sal Mineral FORRAGENS Volumoso Concentrado PDR:CNF FORRAGENS Volumoso Fibras (efetiva) CNF PDR Minerais EE PNDR Aditivos Vitaminas 61 4. PRODUÇÃO ANIMAL INTEGRADA À AGRICULTURA Atualmente, os resultados têm mostrado maior sustentabilidade no sistema integrado de produção. Por um período de 4 meses no ano temos condições climáticas favoráveis para obter alta produtividade de forragem para atender os animais e usar para conservar forrageiras durante os 4 meses de seca sem praticamente ter produção de forragem. Os outros 4 meses corresponde os momentos de transição entre seca e águas. Período este fundamental para estabelecer estratégias de manejo e ajustes na distribuição e planejamento de oferta de forragem aos animais. 62 5. CONSIERAÇÕES FINAIS As pastagens, sendo a fonte mais barata de alimento para o rebanho, devem merecer por parte do proprietário toda a atenção, desde a formação até a utilização. É importante a construção de terraços para o controle de erosão; plantio de espécies de forrageiras que cobrem melhor o solo;o combate sistemático de formigas e cupins; adoção de práticas de correção e adubação do pasto; controlar as plantas invasoras, divisão de áreas de pastejo para facilitar aumentar a eficiência de pastejo que assegurará melhor aproveitamento e uma exploração mais intensiva; as suplementações no período seco do ano com outras forrageiras, nas formas de silagem, feno, cana-de-açúcar, capim picado e banco de proteína etc., são medidas que ajudam a aumentando significativamente a produtividade do animal e da propriedade. 63 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CORREIA, L.S.; SANTOS, P.M.; Características agronômicas das principais plantas forrageiras tropicais, CT 35, EMBRAPA SÃO CARLOS, (2002). COSTA, N. L. e TOWNSEN C. R., Características agronômicas das leguminosas forrageiras recomendadas para a formação de bancos-de-proteína na Amazônia Ocidental. In Utilização Estratégica de Pastagens Durante o Período Seco na Amazônia Ocidental, EMBRAPA AMAZONIA OCIDENTAL, (1995) http://www.aviculturabrasil.com.br/Cietec/Artigos/ArtigosTexto.asp?Codigo=498 acesso em 31-01-07. EUCLIDES, V. P. B.; VALLE, C. B.; SILVA, J. M.; VIEIRA, A. Avaliação de forrageiras tropicais manejadas para produção de feno-em-pé. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, DF, v. 25, p. 393-407, 1990. FONCECA, D.M.; MARTUSCELLO, J. A. Plantas forrageiras. 2ªre. Viçosa, MG: Ed. UFV, 2010. 537 p. KLUTHCOUSKI, J.; STONE, L.F.; AIDAR, H. INTEGRAÇÃO LAVOURA-PECUÁRIA. Embrapa Arroz e Feijão. Santo Antônio de Goiás, GO. 2003. 570 p. MARTHA JR, G.B.; VILELA, L.; BARCELOS, A.O.; A planta forrageira e o agrossistema, In: PEDREIRA, C.G.S.; MOURA, J.C.; SILVA, S.C.; FARIA V.P. (Eds); As pastagens e o meio ambiente (Simpósio sobre o manejo da pastagem, 23), Piracibaca, FEALQ, p. 87-133, 2006. PENATI, M. A. Planejamento do uso do solo para a produção de forragens; Mundo do leite, revista n. 31, p. 34-38; jun/jul 2008. REIS, R.A; BERNARDES, T.F; SIQUEIRA, G. R. FORRAGICULTURA: Ciência, Tecnologia e Gestão dos Recursos Forrageiros. 1ªed. UNESP-Jaboticabal, SP: Maria de Lourdes Brandel – ME, 2013. 714 p. SOUZA, F.H.D.; MATTA, F.P.; FÁVERO, A.P. Construção de Ideótipos de Gramíneas para Uso Diversos. EMBRAPA. Brasília, Df. 2013. 381 p.que podem ser ingeridas, digeridas e assimiladas, contribuindo assim para manutenção e a produção do animal. (4) Ração Balancead a ( ) É a mistura de alimentos calculada para satisfazer as necessidades diárias de um animal, incluindo todos os nutrientes necessários, nas quantidades e proporções devidas. (5) Nutriente Digestível ( ) É o constituinte dos alimentos, sua composição química em geral, assim como certas substâncias, que contribuem para manutenção da vida do animal: carboidratos, extrato etério, proteínas, vitaminas, minerais etc. (6) Proteína Bruta (PB) ( ) avalia a digestibilidade da parede celular, através dos componentes celulose (baixa digestibilidade) e lignina (indigestível), sendo utilizada para estimar a densidade energética da forragem. A lignina constitui a fração indigerível da porção fibra e limita a digestibilidade da FDN de forrageiras. 9 (7) Matéria Mineral (MM) ( ) representa a quantidade total de fibra na forragem expressada pela parede celular, composta por, “pectina”, celulose, hemicelulose e lignina. Níveis elevados de fibra de forragem limitam o consumo de matéria seca, que resultam no não-atendimento às exigências nutricionais e em maior demanda de alimentos concentrados. Valores ideais de FDN : > 25 ede assimilação são ricos em cloroplastos e apresentam células com parede delgada e sem lignina. Diante disso, as características morfológicas e histológicas podem ajudar a explicar diferenças em desempenho animal consumindo espécie ou cultivar em seus diferentes estádios de desenvolvimento ou amadurecimento. No geral, os avanços das pesquisas, buscaram-se forragem de boa qualidade que deve estar relacionada à capacidade de gerar desempenho animal em função da ingestão de nutrientes e da eficiência de conversão à uma maior taxa de reposta com possível retorno econômico. Neste sentido, as forrageiras com elevado potencial genético para produção de massa, taxa de crescimento e alto valor nutricional (composição química e aceitabilidade para pastejo/consumo/ingestão/aproveitamento) aos animais, tendem a perder característica adaptativa às variações ambientais, resistência a pragas e doenças, que deve ser averiguado com maiores frequência, principalmente no aspecto sanitário e nutricional da planta. Além de persistência por longo período que pode estar relacionada a sua capacidade competitiva em determinado ambiente. Nesse ponto nota-se a importância de espécies menos exigentes em determinados locais. Pois, plantas altamente produtivas em condições inférteis, logo desapareceram. Seja por menor crescimento, consumo excessivo, ou mesmo pelo arranquio pelos animais e perda da população. A diversidade de plantas forrageiras permite escolher e posicionar a planta mais adequada para cada situação. No entanto, ainda é comum o modismo de implantação de espécies ou cultivares em áreas inadequadas ou não condizentes com as características da planta e/ou do objetivo de produção animal. A escolha da forrageira a ser utilizada influência diretamente na etapa de crescimento, pois cada planta possui um potencial de produção determinado geneticamente e que, em função das condições impostas do meio, pode ser expresso em escala variável (FONSECA et al., 2010). Sendo as condições edafoclimáticas de uma determinada região representa o passo inicial quando se pensa em produzir forragem de forma eficiente. Entre vários fatores genéticos, destaco: a forma de crescimento (cespitoso, estolonífero e decumbente) em diferentes topografia e forma de uso; a capacidade de rebrotação, crescimento e acúmulo (produtividade) em relação às exigências em fertilidade e capacidade de adubações; a qualidade nutritiva para adequar ao tipo de animal; a resistência ao pisoteio ou arranquio, e flexibilidade de manejo para o método de pastejo adotado. Iniciação Pré-aparecimento Aparecimento Maturidade Senescência 13 Essa diversidade de recursos encaixa-se em diferentes sistemas de produção, no qual é constituído por conjunto de combinações integrado entre os componentes solos e nível de fertilização, clima e irrigação, planta, animais, método de pastejo, suplementação, instalações acessórias, entre outros, com o objetivo de se atingir metas específicas (PEREIRA, 2006). No geral deve aliar a produtividade desejada, nível das tecnologias que se quer usar, do objetivo que se busca na produção, da época do ano que se pretende utilizar a forragem, dentre outros. Tradicionalmente grande parte, especialmente no centro-oeste em sistemas adota- se: Andropogon nos morros/serras; Brachiaria (Marandu na terra boa, decumbes terra média, e humidícula em baixada) para rebanho de menor exigência ou de cria para animais de corte em sistemas mais extensivos. Já em sistemas mais tecnificado, os panicuns (Mombaça, Zuri, Quênia) ou Cynodon (Tifton ou Jiggs) tem maior uso para animais exigentes de alto potencial de desempenho, geralmente em atividade leiteira ou de corte (recria e engorda à pasto). Além das cultivares de pastejo, utilizam milho ou sorgo de primavera/verão para produção de silagem para rebanho de leite ou confinamento de corte no período de seca durante o inverno e início da primavera (“sequestro” em rebanho de corte). Atualmente, alternativa em baixa o valor do volumoso, tem crescido o retorno de cultivares de capineiras de maior produtividade e qualidade, que vem despertando os produtores a diversificar seus recursos forrageiros, com destaque para o uso do Capiaçu. Além do aproveitamento de panicuns de porte alto para ensilagem com a função de conservar fibra, mesmo de baixa qualidade. ✓ Fator Ambiental ➢ Fatores Climáticos – Umidade (precipitação); Temperatura (T°C); Luz (fotoperíodo). A luz solar e temperatura é indispensável a fotossíntese, e junto com a precipitação são determinantes para quase todos os manejos, que inclui a desde o acompanhamento da previsão do tempo até o manejo de plantio, adubação, aplicação de defensivos, irrigação, entre outros. Entre estes elementos climáticos, WITHEMAN (1980) destaca a temperatura ótima (TO), crítica inferior (TCI), crítica superior (TCS) para a fotossíntese de plantas C3- Leguminosas (Temperada: TCI= 5ºC; TO 20ºC; TCS= 30ºC) é menor que o ótimo para as plantas C4-Gramíneas (Tropical:TCI= 15ºC; TO 30ºC; TCS= 35 a 40º). 14 Diante disso, nota-se no Cerrado, em nossos sistemas plantas adaptadas ao clima tropical. Sendo as plantas favorecidas quando o dia é quente para a fotossíntese e a noite amena para minimizar a respiração noturna. Além disso, situações de forragem irrigadas nas épocas de primavera onde a umidade relativa do ar é baixa, são excepcionais a nutrição da planta por fluxo de massa, proporcionando as maiores produtividade. Sendo até maior que no verão em função dos dias de tempo de alta nebulosidade e chuvas em excesso. ➢ Fatores Edáficos – Propriedades Físicas do Solo; Topografia; e Fertilidade do Solo. De acordo com as propriedades físicas e topográficas do terreno se define sua capacidade de exploração e técnicas de manejo para proteção do contra perda de água e nutrientes, bem como o nível de adubação a determinada finalidade e objetivos. Este fator é muito importante, pois existe correlação direta entre produtividade com alta exigência, ou seja, plantas com capacidade de alta produtividade são muito exigentes em água e nutrientes. Geralmente por serem selecionada para produtividade e qualidade nutricional, apresentam maiores ataques de pragas e doenças e resistem menos às condições desfavoráveis. No cerrado, por ter características naturais de solo pobres em nutrientes e uma seca longa, é importe ter espécies adaptadas, tolerantes e rústicas a se perpetuar e persistir no ecossistema, mesmos que produzam relativamente pouco. Os principais exemplos são o uso do capim Andropogon e Jaraguá nos morros com maiores dificuldade de mecanização, adubação e reposição de nutrientes, as brachiaria brizhanta e decumbens em praticamente todas as áreas de baixa a média fertilidade, e as brachiaria humidículas, bengo, brachiaria do brejo nas baixadas encharcadas por serem mais tolerantes a alagamentos. ➢ Fatores Fisiológicos – Fases de crescimento/desenvolvimento; Fluxo de tecidos; Índice de área foliar; Reservas orgânicas. Estes fatores estão estritamente relacionados ao manejo das forrageiras e suas peculiaridades, sobretudo nos pastos nas áreas de pastagem, sendo um dos pontos de baixo investimento (sem custo com insumos, apenas conhecimento e capacitação) e possibilita alta resposta da planta. Nota-se que é possível aumentar de 25% à 50% a capacidade de suporte da fazenda apenas com manejo de pastagem ou melhorar de 20 a 50% o desempenho animal com manejo do pastejo. Manejo da Pastagem – Sistema de Pastejo; Taxa de Lotação Animal; Estratégias de Fertilização; Controle de invasoras e outras práticas culturais. **Todos estes fatores interagem entre si, fazendo parte do grande complexo: Solo X Planta x Animal x Homem. 15 3. PLANTAS FORRAGEIRAS Entende-se como plantas forrageiras, àquelas plantas de valor agronômico e zootécnico que são cultivadaspara serem destinadas à alimentação de animais herbívoros na forma de pastejo, corte, feno ou silagem e não deve ser confundida como forragem (ou seja, toda planta forrageira é uma forragem, mas nem toda forragem é uma planta forrageira). No geral as plantas forrageiras caracterizam por serem alimentos volumosos em função do alto teor de fibras (FB>18% ou FDN>35%, geralmente entre 50 a 80%FDN), e consequentemente menores concentração de nutrientes digestíveis totais (NDTe perenes, as que duram vários anos. 19 Anuais: São plantas que germinam, desenvolvem e reproduzem em menos de um ano, e priorizam a produção de sementes para atravessam períodos desfavoráveis e garantir a preservação da espécie. Ex.: Milho, Sorgo, Milheto. Sendo muito úteis para ensilagem. Perenes: São plantas que sobrevivem por mais de um ano ou ciclo, em geral apresentam um crescimento inicial mais lento, priorizando a acumulação de reservas. Geralmente produzem menos sementes que as espécies anuais. Sendo que em algumas são propagadas por sementes (Ex.: Brachiaria, Panicum, Colopogônio), e outras de sementes estéreis são propagadas via colmo/talo/rizoma, ou seja, por propagação vegetativa (Ex. Capim Elefante, Cynodon, Amendoim Forrageiro). 20 3.1.3. Época de crescimento As plantas forrageiras podem ainda ser classificadas, com relação ao período que concentra seu crescimento/produção de forragem, distingue-se em dois grupos: plantas de estação fria (hibernais) e plantas de estação quente (estivais). Não existe um pasto que produza o ano inteiro, sempre há um período em que a produção de massa é reduzida. Planta C3 é diferente de C4: As C4> C3 na assimilação de C em situação de > Luz e T°C Não confundir o ciclo metabólico (C3 e C4) com Família (Gramíneas x Leguminosas) 21 3.1.4. Hábito de crescimento A forma de crescimento do colmo determina o hábito de crescimento de plantas. As gramíneas podem ter hábito: O hábito de crescimento diz respeito à forma que se desenvolve a parte vegetativa das plantas, e deve ser conhecido para adequação do manejo de pastagem, especialmente no que se refere a relevo, pisoteio, erosão e compactação. Os tipos mais comuns presentes são: Plantas Eretas: Às vezes, os entrenós basais não são tão aproximados a ponto de formarem touceiras e tem seu crescimento perpendicular ao solo, e suas gemas se encontram acima do nível do solo. Ex.: Milho, Sorgo, Milheto. Sendo uma característica adequada para processo de corte/silagem mecanizados. Plantas Cespitosas: São as plantas que se desenvolvem com entrenós basais muito curtos, produzindo afilhos eretos de maneira a formar touceiras densas e apresentam pouca expansão lateral. Por formar touceiras deixam espaços maiores entre as plantas e por isso são recomendadas para locais de topografia mais plana para evitamos a formação de erosões nos solos mais acidentados. Ex Panicum em Geral (Mombaça, Tanzânia), Andropogon, e muitas das Brachiaria Brizantha (Marandu, MG5 Xaraés) e Capim Elefante em geral. Plantas Cespitosa Prostradas: Quando os colmos crescem encostados ao solo, sem enraizamento nos nós, só se erguendo a parte que tem a inflorescência. São plantas que ao desenvolverem formam touceiras não tão característica, geralmente se prostram, expandindo seus caules no sentido horizontal, cobrindo totalmente o solo, apresentando um denso relvado protetor do solo. Podemos nesta classe encontrar dois tipos de caules, os que não emitem raízes ao tocar o solo (decumbens) e os que podem emitir raízes nos nós dos colmos quando tocam o solo (estolonífera). Decumbente: Plantas com estas características apresentam, numa fase inicial, crescimento prostado e, posteriormente, em competição com outras plantas, alguns perfilhos ficam ereto. Ex.: Brachiaria decumbens (Brachiarinha), Brachiaria papuã (marmelada); Brachiaria ruziziense; Brachiaria brizantha cv MG4 e Paiaguás. Sendo estás muito utilizadas na formação de palhada para sistema de plantio direto (SPD) ou Integração Lavoura Pecuária (ILP). Estolonífero: Afilhos eretos e presença de estolões cujo desenvolvimento é estimulado por cortes mecânicos ou pastejos. Os colmos rasteiros, superficiais, enraízam- se nos nós que estão em contato com o solo, originando novas plantas em cada nó, emitidas na vertical. Ao nível do solo existem gemas de renovação protegidas por folhas mortas. Ex.: Característico das gramas em geral do gênero Cynodon sp. (Gramas), particularidade da Brachiaria humidícula (Quicuio), podendo ser propagado por mudas. Rizomatosas: São plantas que apresentam rizomas (colmo subterrâneo, aclorofilado, sendo coberto por afilhos. Dos nós partem raízes e novas plantas), que se diferem das raízes por apresentarem resquícios de nós e entrenós, e onde o colmo toca o solo tende a formar raízes. Devem ser implantadas por mudas. Ex. Grama-bermuda 22 (estolonífero rizomatoso), Pannisetum (Napier), Cana-de-açúcar, Paspalum notatum (grama de campo de futebol), Arachis pintoi (Amendoim forrageiro). Plantas Trepadora: São plantas que se apoiam nas demais em busca de luz, particularidades de algumas leguminosas, a mais comum em nossa região é o Calopogônio, no Sudeste a Lab-Lab e no Norte, a Kudzu, também denominada de Peuraria; No caso das leguminosas, o tamanho e diâmetro do caule, podemos dividi-las em: Herbácea- Porte pequeno – Ex. Alfafa, Stylosanthes; Arbusto- Porte Médio - 1 a 3 m Ex. Feijão Guandu; Arbóreo- Porte Grande – 3 a 15 m Ex. Leucena/Amoreira/Algaroba Estas forrageiras de porte médio à grande sãoadequadas como banco de proteína e com indicação para implantar em volta de cercas e sobre curvas em nível para servirem de sombra rápida e serem podadas eventualmente para os animais terem acesso às folhas. 3.1.5. Adaptação das forrageiras as condições de fertilidade do solo e pH. De maneira geral, pode considerar que o valor nutritivo de uma forrageira é multifatorial, entre eles destaca o potencial genético da espécie e/ou cultivar e o estado fisiológico que se encontra. Estando intimamente relacionado à idade e condições ambientais, especialmente clima e nutrientes no solo. As espécies forrageiras têm origem em diferentes regiões do mundo, predominante do continente africano. Deste modo, podemos verificar que algumas são mais exigentes em fertilidade, outras são mais tolerantes a solos pobres (“fracos”), tornando um fator a ser observado para escolha da forrageira. Se na escolha da forrageira observar a sua adaptação, já teremos eliminado o maior problema que é a escolha da forrageira errada para o local onde vai ser implantada. Para diferentes áreas de pastagens conforme a fertilidade deve ser escolhida a forrageira ideal e a categoria animal que poderá ser criada naquele local. Áreas de maior fertilidade ou capacidade de fertilização para as forrageiras mais produtivas e exigentes. Em locais de campo nativo, solo fraco ou de difícil correção deve ser priorizadas forrageiras menos produtivas ou exigentes à fertilidade. Quadro. Exigência das forrageiras as condições de fertilidade do solo e pH Exigências Gramíneas Leguminosas Espécies pouco exigentes; Saturação por bases (V2: 30-35); tolerante a acidez Andropogon; Jaraguá; B. decumbens (Brachiarinha); B. humidícula (Quicuio); Stylosantes; Calopogônio; Espécies exigentes; Saturação por bases (V2:45-50); levemente ácido B. brizantha (Marandu, MG-4, MG-5, Piatã); P. maximum cv Massai; Cynodon var. Estrela Africana. Amendoim forrageiro; Feijão Guandu; Espécies muito exigentes; Saturação por bases (V2:50-60); próximo à neutralidade Pennisetum purpureum (Elefante – Napier); Demais panicum maximum (Mombaça, Tanzânaia, Zuri, Quênia, Aruana, Tamani) Cynodon(Tifton, Jiggs, Coast-Cross); Alfafa; Leucena; Soja perene; 23 Potencial x Realidade Realidade Brasil = Taxa de Lotação de 1 UA/ha/ano 1 UA = 450 kg PV x IMS 2,2%±0,8%do PV = 10 kg MS/dia x 365 dias/ano = 3.650 kg MS/UA/Ano Se a ingestão de massa seca (MS)/UA/Ano é de 3,7 Ton Se a eficiência de pastejo for de 30 a 70%, seria necessário 12 a 5 Ton MS/UA/Ano Capacidade de suporte (UA/ha)= Produtividade de forragem (Ton MS/ha/ano) / Consumo (Ton MS/UA/Ano). Exemplificando com a Brachiaria Marandu de acordo com o gráfico Capacidade de suporte = 20 / 5 = 4 UA/ha, nota-se que o marandu tem potencial para produzir e suportar até 4 UA/ha/ano em uma condição de alta eficiência de pastejo, porém só observamos na prática conseguir 1 a 2 UA/ha. Ou seja, só aproveitamos 25 a 50% do seu potencial. Mas porque isso não ocorre? Fator 1_Climático_Estacionalidade de produção: 70% (outubro-março) e 30% (abril- setembro); Fator 2_Fisiológico/Manejo: Devido a necessidade de reservar pasto para a seca, a curva de crescimento vegetativo para passa para fase reprodutiva, reduzindo a taxa de acúmulo e eficiência de pastejo; Fator 3_Nutricioanal: Pela falta de nutrientes no solo e água para adequado crescimento; Figura. Taxa de acúmulo de forragem (kg MS/ha/dia) projetado para pastagens estabelecidas no cerrado em situação de fertilidade moderadas Fonte: Embrapa Cerrados (2008) Vejamos outra situação: Panicum Mombaça (35 ton MS/ha/ano) adequadamente Adubado e manejado; Estacionalida de 80% durante Out-Mar; Uso de 5 meses; Eficiência Pastejo Adequado (70%) no Método Rotacionado; Consumo de 3%PV Produção de forragem pastejada= 35 ton * 80% durante 5 meses = 28 Ton MS/ha * 70% eficiência de pastejo = 19,6 ton MS durante 150 dias Consumo animal/UA/dia= 450 kg x 3%= 13 kg MS/UA/dia x 150 dias = 1950 kg MS/UA Capacidade de suporte = 19600/1950 = 10 UA/há durante 5 meses de pastejo (nov/dez/jan/fev/mar). 24 3.2. Características e indicação de utilização das principais forrageiras F Gênero Espécie Cultivar C Hábito de Crescimento Potencial MS T/ha/ano Exigê. Fert. H 2 o Principais aspectos positivos Pontos negativos PO A C EA E - G ram íneas Panicum P. maximum Colonião P Cespitosa 8-20 M M Adaptação e Rusticidade- Uso no melhoramento genético “Talos”- Substituído por outros Mombaça/Zuri P Cespitosa 30-40 A A Produtividade e Qual.-Porte alto, Sazonalidade, colmo grossos e entouceiramento Tanzânia P Cespitosa 25-30 A A Prod. e Qual.-Porte alto, colmo mais fino que o mombaça Doenças por fungos BRS Quênia P Cespitosa 20-25 A A Prod. e Qual.-Porte médio, colmo fino e alta proporção de folhas Deve ter atenção aos ataques de lagarta e formigas BRS Tamani P Cespitosa 15-20 A A Prod. e Qual.-Porte médio e facilidade de manejo Aruana P Cespitosa 10-15 A A Prod. e Qual.-Porte baixo, alta exigência Sementeia constantemente Massai P Cespitosa 10-15 MB M Prod de menor qualidade e exigência, mas rustica Qualidade inferior aos demais Paspalum P. atratum Pojuca P Cespitosa 5-15 M M Rusticidade à área de baixada úmida Baixo valor nutritivo Brachiaria B. Brizantha Marandu P Cespitosa 15-20 M M Produção, persistência, adaptação e flexibilidade de manejo, vedação. Susceptíveis à cigarrinhas MG5 - Xaraés P Cespitosa 15-25 M M Produção e tolera solos ácidos e menos férteis Folhas duras e menor aceitação Piatã P Cespitosa 15-20 M M Colmo fino e mais folha. Tolera mais a umidade e a rebrota é rápida Cigarrinhas e acamamento MG4 P Cespitosa/Decum. 15-20 M M / B Folhas macias e colmo fino Acamamento Paiaguás P Cespitosa/Decum. 15-20 M M / B Folhas macias e facilidade de dessecação para SILP Susceptível à cigarrinhas B. decumbens Basilisk P Decumbente 5-10 B B Produção, Persistência, Baixa exigência Cigarrinha e intoxicação B. humidícola Quicuio P Estolonífera 4-8 B A Resistentes a baixadas úmidas (Várzea) Baixa produção B. mutica Angola/Bengo P Estolonífera 4-8 B A Resistentes a baixadas úmidas (Várzea) Só para brejo/plantio por mudas B. hibrida BRS Ipyporã P Cespitosa 15-20 M M Persistência e Resistência a Cigarrinha Baixa produção Pennisetum P. purpureum (Capim elefante) Napier P Cespitosa 25-35 A A Produt., Colmo grosso e folha larga – Touceiras aberta Dificuldade de manejo Cameroon P Ereta 30-40 A A Produt. Colmo grosso e folha larga – Touceiras ereta Morte de perfilhos Roxo P Cespitosa 20-30 M A Produt. e Rusticidade Qualidade inferior P. glaucum Milheto A Ereta 10-20 MB M Prod. E Qual., Tolerante a Seca Anual P. hybridum Paraíso P Ereta 40-50 A A Prod. e Qual., Tolerante a Seca Rebrotas menos vigorosa Cynodon C. dactylon Coast Cross P Estolonífera 20-25 A A Prod., Qual., pisoteio, responde ao frio Estabelecimento lento Tifton 85 P Estolonífera 25-30 A A Prod., Qual., pisoteio, responde ao frio Estabelecimento lento Jiggs P Estolonífera 20-25 A A Prod., Qual., pisoteio, responde ao frio Ataque constante de lagartas C. nlemfuensis Estrela Africana P Estolonífera 15-20 M M Prod., Qual., pisoteio, responde ao calor Perde qualidade rapidamente Hyparhenia H. rufa Jaraguá P Cespitosa 5-10 M B Resistência e tolerância Sazonal Andropogon A. gayanus Planaltina P Cespitosa 5-15 B B Resistentes à seca e queimadas, e rebrota rápida Sazonal FA B A C EA E Medicago M. sativa Alfafa P Herbácio 20 A A Prod. e Qual., PB e FBN De clima frio Neonotonia N. wightii Soja Perene P R. E. T. 5-10 A A Prod. e Qual, PB e FBN De clima frio Arachis A. pintoi Amendoim F. P R. E. T. 4-5 AM A Resistentes à sobra, PB e FBN Estabelecimento lento e difícil Calopogonium C. mucunoides Calopogônio P R. E. T. 4-5 B M Adaptabilidade e Tolerância, PB e FBN Baixa aceitabilidade Stylosanthes S. macrocephala20% Campo Grande P Herbácea 2-5B B Adaptabilidade e Tolerância, PB e FBN Baixa produção em solos argilosos, indicado para solos arenosos S. capitata (80%) B Adaptabilidade e Tolerância, PB e FBN S. guianensis Mineirão P Herbácea 2-5 B B Adaptabilidade e Tolerância, PB e FBN Pueraria P. phaseoloides Kudzu tropical P Herb.Trep. 5-10 B A Adaptabilidade, PB e FBN Muita chuva para produzir Lablab L. purpurens Lab Lab A Herb.Trep. 5-10 MA M Consórcio com culturas anuais Mucuna M. pruriens Mucuna Preta A Herb.Trep. 5-15 M M PB e N Invade culturas anuais Cajanus C. cajan Feijão Guandu A Arbusto 5-10 M M PB e N Produz pouco e Bianual Leucaena L. leucocephala Leucena P Arbóreo 5-15 MB B PB e N Manejo de pastejo C-Ciclo P-perene ou A-Anual; R.E.T (Rasteiro, Estolonífero ou Trepador); PB-Proteína e FBN – Fização Biológica de Nitrogênio Exigência em Fertilidade: A:Alta; M: Média; B:Baixa Desenvolvimento em Temperatura Média Anual: A:Superior > 20°C 1000 mmde bovinos é desconhecido. E se conhecidos, não são suficientemente fortes para sensibilizar na adoção. Para a reversão desse quadro, pastagens consorciadas devem gerar a percepção de tecnologia de baixo risco e de baixo custo. Para tanto, a adoção deve ser fundamentada no conhecimento das potencialidades e limitações dos cultivares e na detecção das melhores oportunidades de inclusão nos sistemas de produção de bovinos, visando ampliar o uso dessa opção tecnológica. 28 3.2.1. Grupo para pastejo São as principais forrageiras utilizadas para pastejo, especialmente por suportar a desfolha constante e pisoteio animal, entre outras características, como perfilhamento intenso, perenidade, facilidade de estabelecimento, persistência, aceitabilidade, produtividade e qualidade nutricional, onde os gêneros e cultivares têm suas peculiaridades. Comumente produtores esperam por capim milagroso, como já ocorreu com o braquiarão (B. brizantha cv Marandu), mas hoje nota-se que todos apresentam vantagens, desvantagens, peculiares que serve de norte para tomada de decisões no cenário de diversificação de pastagens em diferentes sistemas, atividades, biomas e condições abióticas. Atualmente é interessante que as propriedades diversifiquem as pastagens com 3 a 5 cultivares forrageiros em função das diferenças de mercado e sistema específico. Tais como cria, recria, engorda e mais recentemente os que integram com a agricultura. Diante destas e outras perspectivas, a Embrapa em parceria com a UNIPASTO realiza os estudos sobre as principais forrageiras indicadas para pastejo, no qual em seu programa realizam uma série de seleções: visual, resistência a pragas e doenças, desempenho animal, flexibilidade ao pastejo, resposta à adubação e produção de sementes. Possibilitando até a diversidade de atividades e sistemas. Entre os principais gêneros disponíveis no mercado, destacam-se os gêneros: Andropogon, brachiaria e panicum, ambos propagados por sementes. Entre os propagados por mudas, e por isso de pouco interesse no mercado de sementes, tem o gênero cynodon e pennisetum propagados por mudas, com destaque para o Capiaçu e Kurumi. Gênero Andropogon Originário da África Tropical, este gênero encontra-se amplamente distribuído na maioria dos cerrados tropicais, em regiões com estação seca bem prolongada. O Andropogon gayanus cv. Planaltina, lançado pela Embrapa Cerrado (1980), é uma gramínea forrageira de ciclo perene, cespitosa que cresce formando touceiras de até 1,0 m de diâmetro com grande perfilhamento (afilhos), que durante a fase reprodutiva apresenta porte ereto e alto (1,0 a 3,0 m), com “talo” bastante fibroso, principalmente, na fase de reprodutiva ao final das chuvas. Sendo uma adaptação importante para perpetuação da espécie (disseminação de semente pelo vento). Porém essa semente leve (360 sem/g) dificulta o plantio mecanizado em linha e por possuir porca reserva, deve semear (8 a 10 kg de sem./ha de 20%VC), com menor profundidade (0 a 1,0 cm). Este capim caracteriza por ser de baixa exigência e rebrota rápida no início das chuvas, sendo considerado um capim de estacionalidade vegetativa de pouco tempo (outubro à janeiro), onde tende a reproduzir precocemente e alongar rapidamente seu colmo. Nesse alongamento de colmo natural, exige atenção no manejo se necessário deve proceder ao rebaixamento drástico do pasto através de superpastejo e/ou roçagem para eliminação do material fibroso, lignificado e seco, que acumula durante o período de chuvas. Muitos produtores ainda realizam queimadas indesejáveis durante a seca para eliminar os colmos e favorece a rebrota logo no final da seca. O andropogon produzem raízes profundas e altamente ramificadas em solos porosos e tolerante ao alumínio tóxico, o que faz ser reconhecido por sua adaptabilidade a solos ácidos, arenosos, cascalhados, e de baixa fertilidade natural (pobre) e elevada tolerância ao fogo e secas prolongadas, pois mantém sua atividade fotossintética e metabólica sob condições de stress hídrico. Diante disso, seu emprego em áreas com declividade acentuada de difícil mecanização (serras e morros) é comum, principalmente para fazer o estabelecimento através de semeio manual. Esse acúmulo de raízes é fundamental para a planta apresentar rápida rebrota logo após as primeiras chuvas, no qual deve ser pastejado com intensidade, pois madurece precocemente e perde sua qualidade, que naturalmente já é baixa. Isso se torna uma potencialidade estratégica 29 interessante ao manejador das pastagens, pois após o rebrote do Andropogon, coloca-se o rebanho nele, reduzindo a pressão de pastejo nas áreas de brachiaria para recuperação da parte aérea. Além de permitir combinação adequada de intensificar o andropogon nas águas e realização de vedação das Brachiaria para uso na seca com suplementos proteicos. Outra combinação interessante destes dois gêneros é a tolerância do andropogon às cigarrinhas, porém é susceptível ao ataque de lagartas e formigas-cortadeiras. Fato oposto das brachiarias que são susceptíveis as cigarrinhas e resistente à formigas e lagartas. O dossel apresenta folhas de coloração verde claro e baixa relação folha:colmo em idade avançada, mas com ampla utilização para várias categorias e espécies animais, com destaque para bovinos, ovinos e equinos. Não apresenta fatores antinutricionais e apresenta boa produção de forragem no período de chuvas em condições adversas, mediana qualidade nutricional, desde que bem manejado, refletindo em lotações entre 1,0 a 1,5 UA ha-¹ no período chuvoso e ganhos médios entre 0,300 a 0,500 kg/dia (LEITE et al., 2000). Não sendo indicado para alimentação na seca, onde a produção e a qualidade nutricional são baixas. Resultados de pesquisa mostra que, em condições de baixa fertilidade, o andropogon foi superior ao Marandu (braquiarão) no período de chuvas, porém na seca ocorreu o inverso. Ambas, com capacidade de suporte relativamente baixas, especialmente no período seco, quando se mantiveram ao redor de 0,6 UA ha-¹. Relativamente o andropogon possui boa produção de forragem em solos de baixa fertilidade, devendo ser pastejado a cada 4 a 5 semanas, com amplitudes de 50 a 20 cm, para evitar a elevação precoce do meristema apical e obter maior eficiência de pastejo. Pesquisas recente (SOUZA et al., 2010), tem mostrado o potencial de resposta a adubação e uso rotativo, preconizando entrada no piquete com altura de 50 cm e a saída com resíduo de 25 cm. 30 Novidades: BRS Sarandi Fonte: Carvalho et al., (2021) 31 Gênero Brachiaria Este gênero de forrageira é muito importante no Brasil desde os tempos coloniais na década de 50, mas a verdadeira expressão ocorreu na década de 70 e 80, principalmente nas regiões mais quentes. Atualmente estima-se que ocupam mais de 80% das pastagens do Brasil tropical. O gênero Brachiaria compreende mais de 90 espécies de origem no leste África (ALVES, et al., 2005), entre elas, a mais importantes na américa são: B. brizantha; B. decumbens; B. ruziziensis; B. humidícola e dictyoneura; B. mutica e B. arecta. Embora tenha muitas espécies somente algumas são significativamente importantes em porcentagem de ocupação na pecuária nacional, pois mais de 85% das Brachiaria são representadas pelas espécies Brachiaria brizantha cv Marandu e Brachiaria decumbens cv Basilisk. Existem centenas e ecótipos sendo avaliados lançados no mercado de sementes do Brasil. As maiorias dos atributos forrageiros das Brachiaria relatadas pelos pecuaristas são: adaptação aos solos de baixa e média fertilidade,