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PROCESSAMENTO PRIMÁRIO DE PETRÓLEO 1. Introdução -Ao longo da vida produtiva de um campo de petróleo ocorre, geralmente, a produção simultânea de gás, óleo e água, juntamente com impurezas. Como o interesse económico é apenas na produção de hidrocarbonetos, há necessidade de dotar os campos de facilidades de produção, que são instalações destinadas a efetuar, sob condições controladas, processamento primário dos fluidos dos fluidos. Portanto, o processamento primário dos fluidos abrange: Separação do óleo, do gás e da água com as impurezas em suspensão; Tratamento ou condicionamento dos hidrocarbonetos para que possam ser transferidos para as refinarias; Tratamento da água para reinjeção ou descarte. O objetivo do Processamento Primário de Petróleo é de separar gás, óleo, água e tratar essas correntes, de maneira a especifica-las aos padrões de envio aos terminais e refinarias (óleo e água) e de descarte (água oleosa); - Normalmente, a separação e o tratamento dessas fases é feita numa planta de processamento, por meio do uso de produtos químicos, aquecimento e vasos separadores (dispostos em estágios), em função dos mecanismos envolvidos na separação. 2. Vasos Separadores - Os fluidos produzidos passam, inicialmente por separadores que podem ser bifásicos ou trifásicos, atuando em série ou em paralelo. No separador bifásico ocorre a separação gás/líquido, enquanto no separador trifásico ocorre, também, a separação óleo/água; Separadores trifásicos Separador Bifásico - Fabricados nas formas vertical e horizontal; - Mecanismos principais para separar líquido do gás: • Acção da gravidade e diferença de densidades – decantação do fluido mais pesado; • Separação inercial – mudanças bruscas de velocidade e de direção de fluxo permitindo ao gás desprender-se da fase líquida devido a inércia que esta fase possui; • Aglutinação das partículas – contacto das gotículas de óleo dispersas sobre uma superfície, o que facilita sua coalescência, aglutinação e consequente decantação; • Força centrífuga – que aproveita as diferenças de densidade de líquido e do gás; - Um separador típico constitui-se de 4 secções distintas: • Secção de separação primária – Onde o fluido choca-se com defletores ou é dirigido por um difusor que lhe impõe um movimento giratório. É nesta secção que a maior parte do líquido é separado, removendo rapidamente as golfadas e as gotículas de maior diâmetro do líquido. • Secção de acumulação de líquido – Onde ocorre a separação das bolhas gasosas que ficaram no seio do líquido após a separação primária. Para que seja efetiva, o líquido deve permanecer retido durante um certo tempo; Secção de separação secundária – Onde se separam as gotículas menores de líquido carreado pelo gás após a separação primária; • Secção aglutinadora – onde as gotículas de líquidas arrastadas pela corrente de gás, são aglutinadas em meios porosos e recuperadas. Para retenção de pequenas gotículas de líquido na parte superior dos vasos, são utilizados extratores de névoa. 3. Processamento do Óleo bruto - O fluido entra no separador e choca-se com defletores de entrada que provocam uma mudança brusca de velocidade e direção do fluido. A força de gravidade causa a separação das gotículas mais pesadas que deixam a corrente de gás e se acumulam no fundo do vaso, onde o líquido é coletado. Esta secção de coleta assegura um tempo de retenção apropriado, necessário para que o gás se desprenda do líquido e vai para o espaço superior do separador. O gás separado flui sob os defletores de entrada e segue através da secção de separação submarina. À medida que o gás flui, pequenas gotas de líquido que ficaram na fase gasosa caem por acção da gravidade na interface gás/líquido. Algumas gotas têm diâmetro tão pequeno que não são facilmente separadas nesta secção de decantação. Entretanto, antes de deixar o vaso, o gás passa através de uma secção de aglutinação e coalescência composta por aletas de metal, almofadas de tela de arame ou placas pouco espaçadas que extraem a névoa presente no fluido. Defletor de entrada Extrator de névoa (Demister) • Finalidade de remover gotículas de óleo carreadas pela fase gasosa efluente; • Posicionados no bocal de saída de gás do separador; 4.Tratamento da Água Tratamento da Água Separador trifásico Finalidade de separar os fluidos (óleo/gás/água) produzidos em campos de petróleo; - Diferencia-se do bifásico pelo aparecimento de água, na secção de acumulação, o que implica na instalação de mais uma saída no vaso e na instalação adicional de um sistema de controlo de interface óleo/água além de alguns internos; - Apresenta uma câmara de decantação de líquido maior que a do bifásico para que, com um tempo de residência superior (3 à 5 minutos) e o uso de dispositivos adequados, haja um aumento na eficiência de separação óleo/água. Separador Trifásico - É denominado separador de água livre, quando é usado com a finalidade de remover grande parte da água produzida que não está emulsionada com o petróleo. Através de uma válvula comandada por controlador de nível de interface água/óleo a água é libertada do vaso. O óleo, coletado em câmaras independente após atingir o vertedor, também é drenado da mesma forma. Separador Vertical x Horizontal - Os separadores horizontais são normalmente mais eficientes sob o ponto de vista da separação gás/líquido, uma vez que oferecem uma área superficial de interface maior que permite uma maior decantação das gotículas de óleo presentes na fase gasosa, além de favorecer o desprendimento do gás da fase líquida separada; - Os separadores verticais requerem uma menor área para instalação e tem uma geometria que facilita a remoção de areia depositada no fundo. Uma desvantagem para uso offshore está relacionada ao manuseio por causa da altura. Absorvem bem a golfadas, pois toda a área da secção transversal do separador está disponível para o escoamento do gás; 5. Problemas operacionais nas plantas de processos Espuma • Causada por impurezas presentes no petróleo; Dificuldade em controlar o nível de líquido, pelo surgimento de mais fase no sistema; Redução no volume útil do vaso; Arraste de espuma no gás e líquidos efluentes; Parafina • Pode afetar a operação de separação, depositadas nas placas coalescedoras e extratores de névoa; Areia • Pode obstruir internos, acumular no fundo, causar erosão e/ou interrupção de válvulas; Emulsões • Causam problemas ao controle de nível de líquido, o que leva a uma redução na eficiência de separação; Arraste • Ocorre quanto líquido é arrastado pela corrente de gás ou quando o gás sai juntamente com o líquido. Gás natural - O gás natural é uma mistura de hidrocarbonetos gasosos cuja composição abrange do metano (CH4) ao hexano (C6H14) sendo o metano o principal componente. Apresenta também, pequenas quantidades de componentes diluentes, como o nitrogénio e o vapor de água, e contaminantes (gás sulfídrico e dióxido de carbono). Em geral, o teor de hidrocarbonetos é superior a 90 %. - É considerado rico quando a soma das percentagens de todos os componentes mais pesados que o propano (C3), inclusive, é maior que 7 %. - Composição típica: - O gás natural é mais leve do que o ar, não tem cheiro e a sua combustão (queima) fornece de 8.000 a 10.000 kcal/m3; - Os compostos que não são hidrocarbonetos e que podem estar presentes no gás natural são classificados em inertes, gases inertes, gases ácidos e vapor de água. - Os inertes (nitrogênio) possuem como características principais o facto de não apresentar em reatividade química; - O vapor de água é um contaminante preocupante. Teores elevados causam problemas operacionais (corrosão e hidratos) e podem deixar o gás fora de especificação; - Os gases ácidos são assim chamados pordo liner. A manutenção da pressão da corrente de rejeito, por onde sai o óleo recuperado, sempre abaixo da pressão de saída de água garante o direcionamento do cone de óleo no sentido oposto ao da saída da água. Vantagens: • Pequeno tamanho e baixo peso se comparado a um separador de placas água-óleo, dimensionado para a mesma capacidade. • Tempo de residência de poucos segundos; • Ideal para FPSO e SS’s por não sofrerem influência provocada pelo balanço desses sistemas; • Pode ser instalado na posição horizontal ou vertical; • Não apresenta partes móveis; • Necessita de pouca manutenção; • Necessita de pouco acompanhamento operacional; • Tolera flutuação na vazão. Desvantagens: • Só remove uma parte do óleo emulsionado fazendo com que o sistema de Tratamento de Água, onde foram instalados, não se consiga atingir os valores exigidos pela legislação (do liner. A manutenção da pressão da corrente de rejeito, por onde sai o óleo recuperado, sempre abaixo da pressão de saída de água garante o direcionamento do cone de óleo no sentido oposto ao da saída da água. Vantagens: • Pequeno tamanho e baixo peso se comparado a um separador de placas água-óleo, dimensionado para a mesma capacidade. • Tempo de residência de poucos segundos; • Ideal para FPSO e SS’s por não sofrerem influência provocada pelo balanço desses sistemas; • Pode ser instalado na posição horizontal ou vertical; • Não apresenta partes móveis; • Necessita de pouca manutenção; • Necessita de pouco acompanhamento operacional; • Tolera flutuação na vazão. Desvantagens: • Só remove uma parte do óleo emulsionado fazendo com que o sistema de Tratamento de Água, onde foram instalados, não se consiga atingir os valores exigidos pela legislação ( < 20 mg/L), somente com a sua utilização; • Facilita a deposição de sais incrustantes nas paredes dos liners. Nos sistemas com potencial de geração de sais incrustantes, a injeção de produtos anti incrustantes devem ser aumentadas para prevenir contra a incrustação. 10. Processo de separação por flotação: O processo de flotação de emulsões está baseado na ocorrência de contacto entre as bolhas de gás e as gotas de óleo, como as fases gás e óleo são menos densas do que a água, ambas tenderão a ascender naturalmente. Contudo, como a densidade do gás é muito menor do que a densidade do óleo, é de se esperar que as bolhas ascendem com uma velocidade maior do que as gotas de óleo. Esta diferença possibilita a ocorrência do contato (choque) bolha-gota. Em muitos casos, o movimento da água ao redor das bolhas pode afastar as gotas, reduzindo assim a possibilidade do contacto bolha gota. Principais processos de flotação: • Flotação por gás induzido (FGI) • Flotação por gás dissolvido (FGD) • Eletroflotação 11.Tratamento de água-flotadores Processos diferem entre si segundo a forma em que o gás é induzido no sistema. A Comparação entre o processo de flotação a gás dissolvido e a gás induzido: - O tamanho das bolhas de gás geradas, no processo de flotação a gás dissolvido, é normalmente, bem menores que no processo a gás induzido; - O processo de flotação a gás dissolvido tem um maior custo de instalação e operação que o processo a gás induzido; - A flotação a gás dissolvido é, normalmente, mais eficiente; - A energia interna e a turbulência gerada na célula de flotação a gás induzido é bem maior que na célula de flotação a gás dissolvido. Tratamento de água – tubo de despejo Tratamento de água – tubo de despejo -O tubo de despejo apresenta câmaras de decantação e anteparos de retenção para promover tempo extra de residência para separar qualquer óleo remanescente proveniente dos hidroclones. A água oleosa recuperada é enviada ao tanque recuperador, enquanto o restante é descartada para o meio ambiente; 2 PRODUÇÃO 1.pdf