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1 - INTRODUÇÃO .............................................................................................. 4 
1.1 - Classificação da Ergonomia ............................................................ 6 
1.2 - O Desenvolvimento da Ergonomia .................................................. 7 
1.3 - A Ergonomia no Brasil ..................................................................... 9 
2 - A RELAÇÃO E OS ASPECTOS ENTRE A ERGONOMIA E A SEGURANÇA 
DO TRABALHO ............................................................................................... 12 
2.1- O Mapa de Riscos ................................................................................ 17 
2.1.1 - Benefícios da Adoção do Mapa de Risco ....................................... 18 
2.1.2 - Elaboração do Mapa de Risco ........................................................ 19 
2.2 - Medidas Preventivas dos Riscos Mapeados .................................... 21 
3 - PROTEÇÃO E NEUTRALIZAÇÃO DE AGENTES – EPI E EPC ............... 29 
3.1 - Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC) ....................................... 29 
3.2 - Equipamentos de Proteção Individual (EPI) ...................................... 31 
4 – ABORDAGEM DA NORMA REGULAMENTADORA 17 – ERGONOMIA 35 
4.1 - Introdução à Organização do Trabalho............................................. 35 
4.2 - Características Psicofisiológicas ...................................................... 39 
4.3 - Análise Ergonômica do Trabalho ...................................................... 40 
4.3.1 - Etapas da AET................................................................................ 42 
4.4 - Levantamento, Transporte e Descarga Individual de Material........ 43 
4.4.1 – Leitura complementar 01 - Artigo 198 CLT – contradição e erro. .. 43 
4.4.2 - Equação de NIOSH ........................................................................ 45 
4.5 - Transporte Manual de Cargas ............................................................ 46 
4.6 - Mobiliário dos Postos de Trabalho ................................................... 47 
4.7 – Pedais ................................................................................................. 49 
4.8 - Trabalho Sentado ................................................................................ 50 
4.9 – Assentos ............................................................................................. 51 
4.10 - Trabalho em Pé ................................................................................. 51 
4.11 - Apoio para os Pés ............................................................................. 52 
4.12 – Postura .............................................................................................. 52 
4.13 - Equipamentos dos Postos de Trabalho .......................................... 53 
4.14 - Condições Ambientais de Trabalho ................................................ 54 
4.14.1 - Níveis de ruído.............................................................................. 54 
4.14.2 - Índice de temperatura efetiva ....................................................... 55 
4.14.3 - Velocidade e umidade relativa do ar ............................................. 55 
 
 
4.14.4 – Iluminância ................................................................................... 56 
4.15 - Trabalho em Processamento de Dados e Digitação ...................... 56 
4.16 - Anexo II da NR 17 .............................................................................. 58 
4.16.1 - Trabalho em teleatendimento/telemarketing ................................. 58 
4.16.2 - Mobiliário do posto de trabalho ..................................................... 60 
4.16.3 - Assentos ....................................................................................... 61 
4.16.4 - Equipamentos dos postos de trabalho .......................................... 61 
4.16.5 - Condições ambientais de trabalho ................................................ 63 
4.17 - Síndrome do Edifício Doente ........................................................... 63 
4.18 - Atividades aos Domingos e Feriados ............................................. 64 
5 - ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO .............................................................. 66 
5.1 - Organização do Trabalho e Saúde .................................................... 68 
5.2 - Mecanismo do Stress ......................................................................... 69 
5.2.1 - Causa dos Stress ............................................................................. 70 
5.3 - Dificuldades Percebidas no Trabalho ............................................... 72 
5.4 – Seleção e Treinamento ...................................................................... 76 
5.5 – Outros Pontos Dinâmicos a Serem Observados na Organização do 
Trabalho ....................................................................................................... 76 
Referências Bibliográficas ............................................................................ 77 
 
 
 
4 
 
1 - INTRODUÇÃO 
 
Ao contrário de muitas outras ciências cujas origens se perdem no tempo 
e no espaço, Iida (2005) relata que a ergonomia tem uma data oficial de 
nascimento: 12 de julho de 1949. Nesse dia, um grupo de cientistas reuniu-se, 
pela primeira vez, na Inglaterra, para discutir e formalizar a existência desse novo 
ramo de aplicação interdisciplinar da ciência. Na segunda reunião desse mesmo 
grupo, ocorrida em 16 de fevereiro de 1950, foi proposto o neologismo 
ergonomia, formado pelos termos gregos ergon que significa trabalho e nomos, 
que significa regras, leis naturais (Murrell, 1965). 
Porém, esse termo já tinha sido em outro momento da história pelo 
polonês Wojciech Jastrzebowski, que publicou o artigo "Ensaios de ergonomia 
ou ciência do trabalho, baseada nas leis objetivas da ciência sobre a natureza" 
no ano de 1857. Então, ergonomia só adquiriu status de uma disciplina mais 
formalizada a partir do início da década de 1950, com a criação da Ergonomics 
Research Society, na Inglaterra. 
 
Figura 01: Difusão de conhecimento 
Fonte: https://br.depositphotos.com 
 
Diversos pesquisadores pioneiros, ligados essa sociedade, iniciaram a 
difusão de seus conhecimentos, visando a sua aplicação industrial e não apenas 
militar, como tinha acontecido na década anterior. O termo ergonomia foi 
adotado nos principais países europeus, substituindo antigas denominações 
como fisiologia do trabalho e psicologia do trabalho. Nos Estados Unidos adotou-
https://br.depositphotos.com/
5 
 
se a denominação human factors (fatores humanos), mas ergonomia já é aceita 
como seu sinônimo, naquele país. 
 
 
 
Figura 02: Indagação 
Fonte: https://br.depositphotos.com 
 
A palavra Ergonomia é formada pela junção de duas palavras gregas: ergos 
(trabalho) e nomos (normas, leis, regras). Portanto, em poucas palavras, 
Ergonomia é a organização do trabalho. Seu estudo possibilita a adaptação do 
trabalho ao homem. Segundo a International Ergonomics Association (IEA), a 
Ergonomia é uma disciplina científica relacionada ao entendimento das 
interações entre os seres humanos e outros elementos ou sistemas, e à 
aplicação de teorias, princípios, dados e métodos a projetos a fim de otimizar o 
bem-estar humano e o desempenho global do sistema. Os ergonomistas 
contribuem para o planejamento, o projeto e a avaliação de tarefas, postos de 
trabalho, produtos, ambientes e sistemas, de modo a torná-los compatíveis com 
as necessidades, habilidades e limitações das pessoas. 
 
Assista o vídeo de referência: https://www.youtube.com/watch?v=q8xoi4fEx6o 
 
https://br.depositphotos.com/
https://www.youtube.com/watch?v=q8xoi4fEx6o
6 
 
1.1 - Classificação da Ergonomia 
 
Voltemos nossa atenção para a classificação realizada pela IEA sobre a 
Ergonomia: 
- Ergonomiaem função das características e peculiaridades do trabalho a ser executado. A 
utilização de pedais pode introduzir mais um risco ergonômico para os 
operadores de máquinas e equipamentos, por isso, a NR12 –Segurança no 
Trabalho em Máquinas e Equipamentos determina que sua utilização deve 
considerar as características biomecânicas e antropométricas dos operadores, 
sendo até mesmo proibido, em determinadas máquinas ou equipamentos, o uso 
de pedais ou pedais com atuação mecânica. 
 
 
50 
 
4.8 - Trabalho Sentado 
 
Figura 21: Trabalho sentado. 
Fonte: https://br.depositphotos.com 
Sempre que o trabalho puder ser executado na posição sentada, o posto de 
trabalho deve ser planejado ou adaptado para essa posição. Trabalhar sentado 
permite maior controle dos movimentos porque o esforço para manter o equilíbrio 
postural é reduzido. As vantagens da posição sentada são: 
- baixa solicitação da musculatura dos membros inferiores, reduzindo, assim, a 
sensação de desconforto e cansaço; 
- possibilidade de evitar posições forçadas do corpo; menor consumo de energia; 
- facilitação da circulação sanguínea pelos membros inferiores. 
As desvantagens da posição sentada são: 
 - pequena atividade física geral (sedentarismo); 
- adoção de posturas desfavoráveis: lordose ou cifoses excessivas; 
- estase sanguínea (diminuição do fluxo sanguíneo) nos membros inferiores, 
situação agravada quando há compressão da face posterior das coxas ou da 
panturrilha contra a cadeira, se essa estiver mal posicionada. 
Uma vez adaptado o posto para o trabalho sentado, é preciso observar certos 
critérios na escolha do assento, como veremos a seguir. 
 
https://br.depositphotos.com/
51 
 
4.9 – Assentos 
 
Figura 22: Trabalho sentado. 
Fonte: https://br.depositphotos.com 
Os assentos devem ter características de pouca ou nenhuma 
conformação na base. Isso significa que sua base não deve se modificar ou 
modificar muito pouco com o peso do trabalhador. Assentos “anatômicos” nos 
quais os quadris se “encaixam” não são recomendados. A borda frontal do 
assento deve ser arredondada, evitando pressão na parte de trás dos joelhos. O 
assento deve ser de altura ajustável à estatura do trabalhador e à natureza da 
função exercida. O encosto deve ter forma levemente adaptada ao corpo para 
proteção da região lombar. Além disso, o material usado para revestir o assento 
deve possibilitar a dissipação do calor e da umidade gerados pelo corpo, não 
sendo recomendável a utilização de materiais de textura plástica, lisa ou 
impermeável. 
4.10 - Trabalho em Pé 
 
Para as atividades em que os trabalhos devam ser realizados de pé, 
devem ser colocados assentos para descanso em locais em que possam ser 
utilizados por todos os trabalhadores durante as pausas. A intenção é reduzir o 
tempo na posição de trabalho em pé. Segundo o Manual de Aplicação da NR-17 
(2002), a manutenção da postura em pé imóvel tem as seguintes desvantagens: 
tendência à acumulação do sangue nas pernas, o que predispõe ao 
aparecimento de insuficiência valvular venosa nos membros inferiores, 
resultando em varizes e sensação de peso nas pernas; sensações dolorosas nas 
superfícies de contato articulares que suportam o peso do corpo (pés, joelhos, 
quadris); a tensão muscular permanentemente desenvolvida para manter o 
equilíbrio dificulta a execução de tarefas que exijam precisão; a penosidade da 
https://br.depositphotos.com/
52 
 
posição em pé pode ser reforçada se o trabalhador tiver ainda que manter 
posturas inadequadas dos braços (acima do ombro, por exemplo), inclinação ou 
torção de tronco ou de outros segmentos corporais; a tensão muscular 
desenvolvida em permanência para manutenção do equilíbrio traz mais 
dificuldades para a execução de trabalhos de precisão. A escolha da postura em 
pé só será justificada caso a tarefa exija: deslocamentos contínuos como no caso 
de carteiros e rondantes; manipulação de cargas com peso igual ou superior a 
4,5 kg; alcances amplos frequentes, para cima, para frente ou para baixo; no 
entanto, deve-se tentar reduzir a amplitude desses alcances para que se possa 
trabalhar sentado; operações frequentes em vários locais de trabalho, 
fisicamente separados; aplicação de forças para baixo, como em 
empacotamento. 
4.11 - Apoio para os Pés 
 
O item 17.3.4 determina que para as atividades em que os trabalhos devam ser 
realizados sentados, a partir da análise ergonômica do trabalho, poderá ser 
exigido suporte para os pés, que se adapte ao comprimento da perna do 
trabalhador. Vejam então, que, regra geral, no caso de trabalhos que devem ser 
realizados sentados, a obrigatoriedade do fornecimento do apoio ou suporte para 
os pés deve estar prevista na AET. Entretanto, no 
caso dos operadores de checkout, a própria norma determina expressamente a 
obrigatoriedade do fornecimento do apoio para os pés, independente da cadeira. 
É importante esclarecer que os planos de trabalho devem ter ajustes suficientes 
para permitir que a maioria da população de trabalhadores possa sentar com os 
pés apoiados no chão, evitando-se problemas circulatórios. Nesse sentido, o 
apoio para os pés deve ser visto como um acessório, que pode ser útil para que 
o trabalhador varie um pouco a sua postura, porém não deve ser usado por 
períodos prolongados. 
4.12 – Postura 
A postura mais adequada ao trabalhador é aquela que ele escolhe 
livremente e que pode ser variada ao longo do tempo. O tempo de manutenção 
de uma postura deve ser o mais breve possível, pois seus efeitos, 
53 
 
eventualmente nocivos, dependem do tempo durante o qual ela será mantida. 
A organização do trabalho deve permitir as pausas e a mudança de posição ao 
longo da jornada. Os materiais a serem utilizados para a realização das tarefas 
devem estar localizados numa zona que possibilite o seu alcance pelos 
membros superiores do trabalhador sem levá-lo a adotar posturas extremas. 
Assista o vídeo de referência: 
https://www.youtube.com/watch?v=RwZKm5aP4lQ 
 
4.13 - Equipamentos dos Postos de Trabalho 
 
Todos os equipamentos que compõem um posto de trabalho devem estar 
adequados às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza 
do trabalho a ser executado. “Adequados à natureza do trabalho” significa que 
os equipamentos devem facilitar a execução da tarefa específica. Nas atividades 
que envolvam leitura de documentos para digitação, datilografia ou 
mecanografia deve-se: fornecer suporte adequado para documentos que possa 
ser ajustado proporcionando boa postura, visualização e operação, evitando 
movimentação frequente do pescoço e fadiga visual; utilizar documento de fácil 
legibilidade sempre que possível, sendo vedada a utilização do papel brilhante, 
ou de qualquer outro tipo que provoque ofuscamento. Os equipamentos 
utilizados no processamento eletrônico de dados com terminais de vídeo devem 
ser posicionados em superfícies de trabalho com altura ajustável e possuir 
condições de mobilidade suficientes para permitir o ajuste da tela do 
equipamento à iluminação do ambiente, protegendo-a contra reflexos, 
proporcionando corretos ângulos de visibilidade ao trabalhador. O teclado deve 
ser independente e ter mobilidade, permitindo ao trabalhador ajustá-lo de acordo 
com as tarefas a serem executadas. 
Além disso, a tela, o teclado e o suporte para documentos devem ser colocados 
de maneira que as distâncias olho-tela, olho-teclado e olho-documento sejam 
aproximadamente iguais. É importante evitar que a 
parte superior da tela esteja situada acima da linha dos olhos, assim como não 
deve estar muito abaixo dessa linha. 
https://www.youtube.com/watch?v=RwZKm5aP4lQ
54 
 
4.14 - Condições Ambientais de Trabalho 
 
Nos locais de trabalho onde são executadas atividades que exijam solicitação 
intelectual e atenção constantes, como salas de controle, laboratórios, 
escritórios, salas de desenvolvimento ou análisedeprojetos, devem ser 
observadas as seguintes condições de conforto: 
Níveis de ruído: de acordo com o estabelecido na NBR 10152, norma brasileira 
registrada no INMETRO; 
Índice de temperatura efetiva: entre 20ºC e 23ºC; 
Velocidade do ar: não superior a 0,75 m/s; 
Umidade relativa do ar: não inferior a 40%. 
4.14.1 - Níveis de ruído 
 
Para as atividades que possuam as características definidas no subitem 17.5.2, 
mas não apresentam equivalência ou correlação com aquelas relacionadas na 
NBR 10152,o nível de ruído aceitável para efeito de conforto será de até 65 dB 
(A) e a curva de avaliação de ruído (NC – Noise criteria) de valor não superior a 
60 dB. Essa é a redação do item 17.5.2.1. Ou seja, em geral, nas situações em 
que se exigem solicitação intelectual e atenção constantes, o nível de ruído (ou 
nível de pressão sonora) aceitável para o conforto acústico é de 65 dB. Não 
devemos confundir esse nível de conforto acústico (65 dB) com o nível de 
pressão sonora máximo admissível para jornada de oito horas previsto na NR15 
(Atividades insalubres), que é de 85 dB. O primeiro (NR17) se refere às 
condições de conforto acústico e o segundo (NR15) é medido para fins de 
caracterização da insalubridade. A curva de avaliação de ruído (NC) citada no 
item 17.5.2.1 concerne a um critério de medição de ruído que, além dos níveis 
de pressão sonora, considera também as frequências dos ruídos presentes no 
ambiente. Segundo o item 17.5.2.2, os níveis de ruído devem ser medidos 
próximos à zona auditiva. 
55 
 
 
Figura 23: Medidor de Nível de pressão Sonora. 
 
4.14.2 - Índice de temperatura efetiva 
O índice de temperatura efetiva se refere à medida de temperatura 
considerando-se mais dois parâmetros: a velocidade do ar e a umidade relativa. 
Esse índice reflete o conforto térmico, e novamente não podemos confundi-lo 
com a sobrecarga térmica avaliada por meio do Índice Bulbo Úmido Termômetro 
de Globo (IBUTG), cujo procedimento de medição está previsto no Anexo 3 da 
NR15. 
4.14.3 - Velocidade e umidade relativa do ar 
A temperatura, a velocidade do ar e a umidade do ar devem ser medidas na 
altura do tórax do trabalhador. Todos esses parâmetros devem ser medidos nos 
postos de trabalho. 
 
 
Figura 23: Anemômetro, utilizado para quantificar a velocidade o ar. 
56 
 
4.14.4 – Iluminância 
Os níveis mínimos de iluminamento a serem observados nos locais de trabalho 
são os valores de iluminâncias estabelecidos na NBR 5413, norma brasileira 
registrada no INMETRO. Apesar de ainda constar no texto da NR17, essa NBR 
encontra-se revogada, tendo sido substituída pela norma NBR ISO/CIE8995-1 – 
Iluminação de ambientes de trabalho. Devemos distinguir iluminância e 
luminância: 
Iluminância é a quantidade de luz que incide sobre um plano de trabalho ou um 
objeto; 
Luminância é a quantidade de luz refletida ou emitida por uma superfície. A NR17 
trata da iluminância (com i) e não da luminância (com l). Os itens 17.5.3.4 e 
17.5.3.5 determinam que a medição dos níveis de iluminamento deve ser feita 
no campo de trabalho onde se realiza a tarefa visual, utilizando-se de um 
equipamento chamado luxímetro. (O luxímetro mede a iluminância. Já o 
aparelho usado para medir a luminância chama-se fotômetro.) Caso não seja 
possível definir o campo de trabalho, este deverá ser um plano horizontal a 0,75 
m do piso. A figura a seguir apresenta uma consolidação dos diversos locais nos 
quais devem ser efetuadas as medições: 
 
Figura 24: Locais para realização de medições 
Fonte: Camisassa (2015) 
4.15 - Trabalho em Processamento de Dados e Digitação 
 
O item 17.6.4 da NR17 determina que, nas atividades de processamento 
eletrônico de dados, se deve, salvo o disposto em convenções e acordos 
57 
 
coletivos de trabalho, observar o seguinte: O empregador não deve promover 
qualquer sistema de avaliação dos trabalhadores envolvidos nas atividades de 
digitação, baseado no número individual de toques sobre o teclado, inclusive o 
automatizado, para efeito de remuneração e vantagens de qualquer espécie; O 
número máximo de toques reais exigidos pelo empregador não deve ser superior 
a 8.000 por hora trabalhada, sendo considerado toque real, para efeito da NR17, 
cada movimento de pressão sobre o teclado; 
 
Figura 25: Trabalho de digitação. 
Fonte: https://br.depositphotos.com 
 O tempo efetivo de trabalho de entrada de dados não deve exceder o limite 
máximo de 5 (cinco) horas, sendo que, no período de tempo restante da jornada, 
o trabalhador poderá exercer outras atividades, observado o disposto no art. 468 
da Consolidação das Leis do Trabalho, desde que não exijam movimentos 
repetitivos, nem esforço visual; Nas atividades de entrada de dados deve haver, 
no mínimo, uma pausa de 10 minutos para cada 50 minutos trabalhados, não 
deduzidos da jornada normal de trabalho; 
Quando do retorno ao trabalho, após qualquer tipo de afastamento igual ou 
superior a 15 (quinze) dias, a exigência de produção em relação ao número de 
toques deverá ser iniciado em níveis inferiores do máximo estabelecido na alínea 
“b” e ser ampliada progressivamente. Todas as determinações contidas nesse 
item podem ser alteradas por convenções e acordos coletivos de trabalho, 
lembrando que o princípio da vedação ao retrocesso é considerado uma garantia 
constitucional implícita. Cabe aqui uma consideração quanto ao tempo 
https://br.depositphotos.com/
58 
 
trabalhado x intervalos de descanso nas atividades 
de entrada de dados, ou seja, para os digitadores. 
 
 
 
4.16 - Anexo II da NR 17 
 
4.16.1 - Trabalho em teleatendimento/telemarketing 
 
 
Figura 26: Trabalho em telemarketing. 
Fonte: https://br.depositphotos.com 
Esse anexo trata do trabalho em teleatendimento e telemarketing e aplica-se a 
todas as em presas que mantêm esse serviço tanto na modalidade ativo 
(geração de chamadas) ou receptivo (recebimento de chamadas, também 
conhecido com o modal idade passivo), em centrais de atendimento telefônico 
e/ou centrais de relacionamento com clientes (call centers), para prestação de 
serviços, informações e comercialização de produtos. Entende-se com o call 
center o ambiente de trabalho no qual a principal atividade é conduzida via 
telefone e/ou rádio com utilização simultânea de terminais de computador. 
Entende-se como trabalho de teleatendimento/ telemarketing aquele cuja 
comunicação com interlocutores clientes e usuários é realizada a distância por 
intermédio da voz e/ou mensagens eletrônicas, com a utilização simultânea de 
equipamentos de audição/escuta e fala telefônica e sistemas informatizados ou 
manuais de processamento de dados. O trabalho dos operadores de 
https://br.depositphotos.com/
59 
 
teleatendimento/ telemarketing é cercado de inúmeros riscos notadamente 
ergonômicos e psicossociais. Dentre os principais fatores de adoecimento 
destacam-se: 
Forte solicitação da memória e da atenção e emoção contida. 
Repetitividade da tarefa em contraste com sua complexidade; 
Ritmos acelerados e insuficiência de pausas; 
Monitoramento pessoal e eletrônico constrangedor; 
A falta de controle sobre o trabalho; 
Relação difícil ou ameaçadora com a supervisão e os clientes/usuários; 
Metas estabelecidas produzem uma exposição entre os “melhores” e os “piores” 
teleoperadores e disciplinam o coletivo; 
Uma produtividade fundada na obtenção de lucros e na lógica da competição; 
O desemprego amedronta e os laços de submissão exigem mais trabalho, ao 
passo que a solidariedade se perde; 
O trabalho em seu ritmo acelerado imprime a automatização do pensamento; 
síndrome de pânicos e fobias que sinalizam limite no corpo e na mente dos 
teleoperadores, comprometendo sua saúde. 
OBJETIVO 
O objetivo desse anexo é estabelecer parâmetros mínimos para o trabalho em 
atividades de teleatendimento/telemarketing nas diversas modalidades desse 
serviço, de modo a proporcionar um máximo de conforto,segurança, saúde e 
desempenho eficiente. Além das em presas especificamente voltadas para essa 
atividade-fim, esse anexo aplica-se também a setores de empresas e postos de 
trabalho a ela dedicados. Esse é o caso, por exemplo, de uma fábrica de 
laticínios que possui um serviço de atendimento ao cliente, responsável pelo 
atendimento de chamadas referentes ao esclarecimento de dúvidas, 
reclamações, críticas e sugestões (teleatendimento receptivo, ou passivo). O 
60 
 
setor que realiza esse serviço está obrigado a cumprir as determinações do 
Anexo 2 da NR17, apesar de essa não ser a atividade principal da em presa. 
4.16.2 - Mobiliário do posto de trabalho 
Para trabalho manual sentado ou que tenha de ser feito em pé deve ser 
disponibilizado ao trabalhador mobiliário que atenda às determinações do texto 
geral da norma, conforme vimos anteriormente, e que permita variações 
posturais, com ajustes de fácil acionamento, de modo a prover espaço suficiente 
para seu conforto. 
O plano de trabalho deve ter bordas arredondadas e as superfícies de trabalho 
devem ser reguláveis em altura em um intervalo mínim de 13 centímetros, 
medidos de sua face superior, permitindo o apoio das plantas dos pés no piso. 
Nos casos em que os pés do operador não alcançarem o piso, mesmo após a 
regulagem do assento, deverá ser fornecido apoio para os pés que se adapte ao 
comprimento das pernas do trabalhador, permitindo o apoio das plantas dos pés, 
com inclinação ajustável e superfície revestida de material antiderrapante. 
O monitor de vídeo e o teclado devem estar apoiados em superfícies com 
mecanismos de regulagem independentes, sendo aceita superfície regulável 
única para teclado e monitor quando este for dotado de regulagem independente 
de, no mínimo, 26 centímetros no plano vertical. O dispositivo de apontamento 
na tela (mouse) deve estar apoiado na mesma superfície do teclado, colocado 
em área de fácil alcance e com espaço suficiente para sua livre utilização. 
No tocante à bancada, a norma estabelece requisitos para bancada sem material 
de consulta e com material de consulta. A bancada sem material de consulta 
deve ter, no mínimo, profundidade de 75 centímetros medidos a partir de sua 
borda frontal e largura de 90 centímetros que proporcionem zonas de alcance 
manual de, n o máximo, 65 centímetros de raio em cada lado, medidas centradas 
nos ombros do operador em posição de trabalho. A bancada com material de 
consulta deve ter, no mínimo, profundidade de 90 centímetros a partir de sua 
borda frontal e largura de 100 centímetros que proporcionem zonas de alcance 
manual de, no máximo, 65 centímetros de raio em cada lado. Essas medidas 
devem estar centradas nos ombros do operador em posição de trabalho para 
livre utilização e acesso de documentos. 
61 
 
O espaço sob a superfície de trabalho deve ter profundidade livre mínima de 45 
centímetros ao nível dos joelhos e de 70 centímetros ao nível dos pés, medidos 
de sua borda frontal. 
4.16.3 - Assentos 
Os assentos devem ser dotados de apoio em cinco pés, com rodízios cuja 
resistência evite deslocamentos involuntários e que não comprometam a 
estabilidade do assento. Não devemos confundir esse apoio em cinco pés com 
o apoio para os pés. O primeiro funciona com o apoio da estrutura da própria 
cadeira, enquanto o segundo com o descanso para os pés. 
As superfícies dos assentos onde ocorre contato corporal devem ser estofadas 
e revestidas de material que permita a perspiração. A base deve ser estofada 
com material de densidade entre 40 a 50 k g /m³. A altura da superfície superior 
da base do assento deve ser ajustável, em relação ao piso, entre 37 e 50 
centímetros, podendo ser adotados até três tipos de cadeiras com alturas 
diferentes, de forma a atender as necessidades de todos os operadores. A 
profundidade útil da base do assento deve estar entre 38 a 46 centímetros. O 
assento deve ter borda frontal arredondada e características de pouca ou 
nenhuma conformação na base. 
O encosto deve ser ajustável em altura e em sentido anteroposterior, com forma 
levemente adaptada ao corpo para proteção da região lombar com largura de, 
no mínimo, 40 centímetros e, quanto aos encostos, de no mínimo, 30,5 
centímetros. 
O assento também deve possuir apoio de braços regulável em altura de 20 a 25 
centímetros a partir do assento, e seu comprimento não deve interferir no 
movimento de aproximação da cadeira em relação à mesa, nem com os 
movimentos inerentes à execução da tarefa. 
4.16.4 - Equipamentos dos postos de trabalho 
Headsets 
Devem ser fornecidos gratuitamente conjuntos de microfone e fone de ouvido 
(headsets) in dividuais, que permitam ao operador a alternância do uso das 
orelhas ao longo da jornada de trabalho e que sejam substituídos sempre que 
62 
 
apresentarem defeitos ou desgaste devido ao uso. Alternativamente, poderá ser 
fornecido um headset par a cada posto de atendimento, desde que as partes que 
permitam qualquer espécie de contágio ou risco à saúde sejam de uso individual. 
Normalmente, tais peças são a espum a do fone de ouvido e o tubo de plástico 
descartável que cobre o microfone. É importante frisar que o headset não é 
Equipamento de Proteção Individual (EPI ). 
 
Figura 26: Headset de telemarketing. 
 
Os headsets devem: 
Ter seus dispositivos de operação e controles de fácil uso e alcance; 
Permitir ajuste individual da intensidade do nível sonoro e ser providos de 
sistema de proteção contra choques acústicos e ruídos indesejáveis de alta 
intensidade, garantindo o entendimento das mensagens. 
No tocante aos headsets, os empregadores devem: 
Garantir a correta higienização e as condições operacionais recomendadas 
pelos fabricantes; 
Substituí-los prontamente quando situações irregulares de funcionamento forem 
detectadas pelo operador. 
Monitores de vídeo 
Os monitores de vídeo devem proporcionar corretos ângulos de visão e ser 
posicionados frontalmente ao operador, devendo ser dotados de regulagem que 
63 
 
permita o correto ajuste da tela à iluminação do ambiente, protegendo o 
trabalhador contra reflexos indesejáveis. 
4.16.5 - Condições ambientais de trabalho 
Condições do conforto acústico 
Os locais de trabalho devem ser providos de condições acústicas adequadas à 
comunicação telefônica, adotando-se medidas como o arranjo físico geral e dos 
postos de trabalho, pisos e paredes, isolamento acústico do ruído externo, 
tamanho, forma, revestimento e distribuição das divisórias entre os postos, com 
a finalidade de atender o disposto no item 17.5.2 “a” da norma: “níveis de ruído 
de acordo com o estabelecido na NBR 10152, norma brasileira registrada no 
INMETRO”. Tais medidas são de extrema importância, pois ajudam a diminuir o 
ruído de fundo. 
Condições de conforto térmico 
Também devem ser implementados projetos adequados de climatização dos 
ambientes de trabalho que permitam distribuição homogênea das temperaturas 
e fluxos de ar utilizando, se necessário, controles locais e/ou setorizados da 
temperatura, velocidade e direção dos fluxos. 
A norma faculta às empresas a instalação de higrômetros ou outros 
equipamentos que permitam ao trabalhador acompanhar a temperatura efetiva 
e a umidade do ar do ambiente de trabalho. 
 
4.17 - Síndrome do Edifício Doente 
 
Esta síndrome ocorre quando os ocupantes de um determinado prédio 
experimentam sintomas que não se encaixam no padrão de qualquer doença 
particular e torna-se difícil localizar uma fonte específica de tais sintomas. Esses 
efeitos parecem estar vinculados ao tempo de permanência no edifício, mas 
nenhuma doença específica, ou causa, pode ser identificada. Normalmente, a 
sintomatologia aumenta durante a permanência no prédio (hora de trabalho) e 
diminui rapidamente ao sair do prédio para almoço e/ou retornar para casa. A 
maioria dos sintomas, com exceção dos cutâneos, melhora aos finais de semana 
64 
 
e desaparececompletamente nas férias. Enfim, a Síndrome do Edifício Doente 
implica, necessariamente, um ambiente de trabalho desagradável, com 
eficiência reduzida e aumento no absenteísmo. 
Para a prevenção desta síndrome, devem ser atendidos: 
- o Regulamento Técnico do Ministério da Saúde sobre “Qualidade do Ar de 
Interiores em Ambientes Climatizados”, com redação da Portaria MS n.º 3.523, 
de 28 de agosto de 1998 ou outra que a venha substituir; 
- os Padrões Referenciais de Qualidade do Ar Interior em ambientes climatizados 
artificialmente de uso público e coletivo, com redação dada pela Resolução RE 
nº. 9, de 16 de janeiro de 2003, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária 
(ANVISA), ou outra que a venha substituir, à exceção dos parâmetros físicos de 
temperatura e umidade definidos no item 4.2 desse Anexo; 
- o disposto no item 9.3.5.1 da Norma Regulamentadora n.º 9 (NR 9). 
- a Resolução RE n.º 9 da ANVISA supracitada prevê a avaliação quantitativa de 
agentes biológicos do tipo fungos. Cabe aqui o reforço desse item a apenas para 
desmitificar o entendimento que os agentes biológicos devem ser avaliados 
somente qualitativamente. Como demonstrado, esse entendimento não é 
correto. 
Assista ao vídeo de referência: https://www.youtube.com/watch?v=R-
3SxJ8mQSI 
 
4.18 - Atividades aos Domingos e Feriados 
 
A organização do trabalho deve ser contemplada de forma a não haver 
atividades aos domingos e feriados, seja total ou parcial, com exceção das 
empresas autorizadas previamente pelo Ministério do Trabalho e Emprego, 
conforme o previsto no art. 68, caput, da CL T e das atividades previstas em lei. 
https://www.youtube.com/watch?v=R-3SxJ8mQSI
https://www.youtube.com/watch?v=R-3SxJ8mQSI
65 
 
 
Figura 27: Calendário de trabalho. 
Fonte: https://br.depositphotos.com 
Vejamos a seguir a redação dos artigos 67 e 68 da CLT: 
Para períodos de trabalho efetivo de teleatendimento/ telemarketing de até 4 
horas diárias, deve ser observada a concessão de uma pausa de descanso 
contínuo de 10 minutos. As pausas para descanso devem ser consignadas em 
registro impresso ou eletrônico, que deve ser disponibilizado impresso para a 
fiscalização do trabalho no curso da inspeção, sempre que exigido. A norma 
também determina que os trabalhadores tenham acesso aos seus registros de 
pausas. Devem ser garantidas pausas no trabalho imediatamente após 
operação onde hajam ocorrido ameaças, abuso verbal, agressões ou que tenha 
sido especialmente desgastante, que permitam ao operador recuperar-se e 
socializar conflitos e dificuldades com colegas, supervisores ou profissionais de 
saúde ocupacional especialmente capacitados para tal acolhimento. 
 
 
 
 
 
 
https://br.depositphotos.com/
66 
 
5 - ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO 
 
Iida (2005) argumenta que um dos maiores problemas dos trabalhadores 
modernos é a questão do stress, causado principalmente pela pressão, 
competição, exigência e conflitos. Estes, até certo ponto, podem ser reduzidos 
pela correta definição e atribuição de tarefas, seleção e treinamento, 
estabelecimento de planos salariais e de carreira, e principalmente, por um 
relacionamento franco, sincero e saudável entre os trabalhadores e a liderança 
da empresa. 
Pontos importantes que devem ser vistos com mais cuidado são: 
- Alocação do trabalho em equipe 
 Atualmente, dentro do cenário industrial, esta é uma situação considerada 
como regra. 
- Trabalho noturno. 
 Dentro de um quadro funcional de uma empresa que atua em 3 turnos, 
pode-se afirmar que 20 a 30%dos trabalhadores estão envolvidos em atividades 
noturnas. 
- Humanização do trabalho. 
Tempos atrás, dadas as condições encontradas nos ambientes laborais, 
o trabalho era considerado um castigo, ou desejado apenas por que necessitava 
de rendimentos para sobrevivência. As fábricas eram mal iluminadas, sujas, com 
máquinas sem nenhum tipo de adequação ao trabalhador, oferecendo riscos. Os 
postos de trabalho eram improvisados e com isso, exigia-se muito da condição 
física do proletariado e desencadeando em diversos acidentes. 
Num passado mais próximo, as fábricas buscaram cada vez mais um novo 
aspecto. Postos de trabalho, muitas vezes dão lugar a máquinas complexas, que 
para serem operadas de forma eficiente e sem riscos, necessitaram de diversos 
especialistas de várias áreas para o desenvolvimento. Outros fatores chamaram 
a atenção como temperatura, iluminação, facilitação do relacionamento entre 
67 
 
companheiros de trabalho e supervisores e assim, o trabalho em si deixou de ser 
um sacrifício, tornado-se um fonte de auto-realização e satisfação pessoal e 
profissional. 
 
Para a promoção destas mudanças e transformações, é preciso entender as 
principais fontes de insatisfação dos trabalhadores. 
Tais fontes de insatisfação dependem de vários fatores, como a natureza do 
trabalho, assim, pode-se afirmar que trabalhadores de uma indústria metalúrgica 
terão diferentes fontes de insatisfação que outros da indústria de alimentos, por 
exemplo. Apesar desta segmentação em diferentes áreas, as fontes de 
insatisfação podem ser agrupadas da seguinte forma: 
 
-Ambiente físico: Este abrange o posto de trabalho, as condições físicas como a 
iluminação, temperatura, ruídos e vibrações. Se estes agentes físicos não 
respeitarem os limites de tolerância do corpo humano, descritos em normas, 
surgem aqui fontes de stress e insatisfação, não deixando de fora o risco de 
doença desencadeada devido ao ambiente laboral. 
 
- Ambiente psicossocial: este fator é formado pelo sentimento de segurança e 
estima, oportunidades de progresso funcional, percepção da imagem da 
empresa, aspectos intrínsecos do trabalho, relacionamento social com os 
colegas e benefícios recebidos da empresa. Apesar de alguns destes aspectos 
serem de difícil mensuração, isso não os torna menos importante. 
 
- Remuneração: pesquisas demonstram que trabalhadores são extremamente 
sensíveis aos ganhos financeiros relativos, ficando mais incomodados com 
injustiças ou diferenças salariais, em relação aos seus colegas, do que 
propriamente com os seus valores absolutos. A questão da remuneração está 
diretamente ligada ao prestígio, status e reconhecimento de mérito pela 
68 
 
empresa. Com relação às queixas salariais, estas tendem a ser mais freqüentes 
quando existem outros fatores causadores de insatisfação, como por exemplo, 
o ambiente físico. 
 
- Jornada de trabalho: este aspecto já sofreu diversas mudanças. No início da 
revolução industrial, as jornadas de trabalho eram de 16h diárias, sem descanso 
semanal ou férias. Atualmente as jornadas são de 8 horas diárias, considerando 
40h semanais e muitas empresas mais desenvolvidas vislumbram uma redução 
para 30 horas semanais com férias mais longas. Cabe aqui ressaltar que esses 
valores são inversamente proporcionais ao nível de desenvolvimento da 
empresa e do país; No Brasil, muitas empresas adotam regimes de horas-extras 
para atender demandas sazonais como a produção de ovos de páscoa. Aqui 
cabe o comentário que jornadas superiores a 8 ou 9 horas diárias de trabalho 
são improdutivas. 
Assista ao vídeo de referência: 
https://www.youtube.com/watch?v=25ETo5d2AVY 
 
5.1 - Organização do Trabalho e Saúde 
 
Neste tópico, abordaremos implicações que quando sofrem alterações podem 
trazer benefícios. 
- Mudança de método: métodos simples e repetitivos exigem sempre a contração 
ou esforço dos mesmos conjuntos musculares. Este esforço resulta em fadiga 
ou até mesmo em DORT. Aumentando a variedade de tarefas, está fadiga 
poderá ser mais bem distribuída e consequentemente, reduzida. 
 
- Rigidez organizacional: a rigidez excessiva na organização do trabalho, com 
imposição de ritmo artificial neutraliza a vida mental durante o trabalho, tornando 
assim o trabalhador mais suscetível a doenças. Quando os trabalhadores 
https://www.youtube.com/watch?v=25ETo5d2AVY
69 
 
possuemuma certa liberdade, cada um podendo promover ajustes de acordo 
com suas necessidades, isso resulta num equilíbrio psicosomático. 
 
- Participação dos trabalhadores: uma administração que se esforce para 
envolver os trabalhadores na busca de soluções só poderá obter vantagens. Não 
há ninguém que conheça melhor a produção que o próprio trabalhador. Outro 
ponto a favor, é que isso contribui para melhorar a aceitação de propostas, e 
colabora com a diminuição da resistência dos funcionários. 
 
- Alargamento e enriquecimento do trabalho. Estes dois tópicos aparecem como 
propostas para reduzir as inconveniências dos trabalhos altamente repetitivos, 
aumentando tanto o ciclo de trabalho como as responsabilidades dos 
trabalhadores. 
O alargamento do trabalho (chamado também de enriquecimento horizontal) 
acrescenta, a cada trabalhador, outras tarefas de complexidade semelhantes, 
sem mudanças substanciais na natureza do trabalho. 
Já o enriquecimento do trabalho, ocorre no sentido vertical, buscando introduzir 
mudanças qualitativas, aumentando a responsabilidades, auto-realização, e as 
chances de crescer. Certamente que este envolve mudanças mais profundas 
que as do alargamento, e coloca os trabalhadores em situações que eles se 
sintam realmente desafiados pela exigência de novas responsabilidades, novos 
conhecimentos, novas habilidades e tenham chances de mostrar seu valor. 
 
 
5.2 - Mecanismo do Stress 
 
As pessoas estressadas apresentam mudanças significativas e perceptíveis no 
comportamento. Como ponto inicial, há uma perda da autoestima e da 
autoconfiança, que por consequência levam pessoas a relaxar nos cuidados e 
70 
 
na higiene pessoal. Em paralelo, sofrem de insônia, buscam válvula de escape 
na bebida ou fumo, desencadeando em transformações neuro-endocrinológicas, 
os tornado mais vulneráveis a doenças, com dores musculares, problemas 
gastrointestinais e doenças caridovasculares. 
 
Figura 28: Nível do stress. 
Fonte: https://br.depositphotos.com 
 
O stress, quando se manifesta nos trabalhadores, afeta o SNC, reduzindo a 
capacidade do organismo em responder a estímulos, diminuindo a vigilância e 
provocando distúrbios emocionais. Nestas situações, também são frequentes 
quadros de ansiedade e depressão. 
 
5.2.1 - Causa dos Stress 
O stress se revela a parte de motivos variados e seu efeito é cumulativo. 
Exigencias físicas e mentais exageradas são exemplos que causas de stress, 
mas este ode incidir em trabalhadores já afetados por outros fatores, como 
conflitos internos (com a chefia) ou externos (problemas domésticos). Apesar 
das causas serem variadas, vamos listar algumas delas: 
 
- Conteúdo do trabalho: uma das maiores causas do stress no trabalho é a 
pressão para manter um ritmo de produção. Isso ocorre tanto em linhas de 
https://br.depositphotos.com/
71 
 
produção quanto no atendimento de uma fila ou devido ao prazo exíguo para 
entrega de um documento. 
- Sentimento de incapacidade: o Stress decorre da percepção pessoal da 
incapacidade em atender a demanda do trabalho ou terminá-lo dentro de um 
prazo estabelecido 
 
- Condições de trabalho: As condições de trabalho físicas desfavoráveis, como 
excesso de calor, ruídos exagerados, ventilação deficiente, iluminação 
inadequada, ofuscamento, concentração de gases nocivos ou tóxicos, uso de 
cores irritantes, no ambiente de trabalho também contribuem para o aumento do 
stress. Aqui se inclui também a questão do projeto inadequado do posto de 
trabalho, que leva o trabalhador a exercer sua função numa postura inadequada 
ou com dificuldades de visualizar instrumentos e alcançar os controles. 
 
- Fatores organizacionais : Entre os fatores incluem-se os comportamentos dos 
chefes, líderes e supervisores que podem ser demasiadamente exigentes e 
críticos e, portanto, pouco encorajadores. Outros fatores como salários, carreira, 
horário de trabalho, horas extra, e turnos interferem nesta questão. 
 
- Pressões econômico-sociais: A questão da renda para quitar as contas e a forte 
pressão exercida pela sociedade de consumo são elementos freqüentes de 
preocupações. Além disso, os conflitos internos à empresa e também externos 
são motivadores do stress. 
O conjunto de fatores acima é ilustrado na figura 29. É importante notar que não 
é necessário que os fatores ocorram paralela ou simultaneamente, e mesmo 
assim, eles contribuem para o aparecimento das doenças decorrentes do stress. 
72 
 
 
Figura 29: Representação gráfica do stress ocupacional, que é provocado por diversos fatores, 
com efeito cumulativo sobre o organismo. 
Fonte: Iida (2005) 
 
5.3 - Dificuldades Percebidas no Trabalho 
 
Uma das fontes de stress entre trabalhadores é a dificuldade na realização do 
respectivo trabalho. Por vezes, são introduzidas modificações no posto de 
trabalho, em sistemas de produção ou no programa de treinamento, baseadas 
apenas em suposições de dificuldades encontradas pelos trabalhadores. 
Entretanto, essa percepção dos trabalhadores pode ser falsa, fazendo com que 
as reais causas de stress não sejam eliminadas. 
Visando resolver esta questão, a metodologia apresentada por Hebert, em 1978 
continua eficaz até hoje: 
1) Identificação das dificuldades – Para identificar as dificuldades, foram 
inicialmente selecionados alguns cargos para estudo, como os de 
contadores, e chefes de enfermagem. Para cada cargo, foram escolhidos 
5 a 10 ocupantes dos mesmos. 
Essas pessoas selecionadas passaram a ser entrevistadas 
semanalmente, para que pudessem falar sobre as dificuldades 
encontradas no cargo. Alguns dos candidatos foram entrevistados apenas 
2 ou 3 vezes, mas outros chegaram a realizar 10 rodadas em semanas 
consecutivas. Com o tempo, percebeu-se que os próprios candidatos se 
organizaram para fazer pequenas anotações sobre as dificuldades 
73 
 
enfrentadas durante a semana. Com isso, forma obtidas listas com mais 
de 100 quesitos das dificuldades de cada cargo e, a partir desta, gerou-
se a classificação abaixo: 
a) Dificuldade relacionadas à tomada de decisões: 
- as informações disponíveis são insuficientes 
- as informações disponíveis não são confiáveis 
- as informações disponíveis são complicadas 
- minha ação pode prejudicar a empresa 
- minha ação pode prejudicar outras pessoas 
- as possíveis consequências da ação são desconhecidas. 
b) Dificuldades relativas ao relacionamento pessoal, como: 
- preciso convencer as pessoas para que tenham opiniões 
diferentes. 
- as pessoas não realizam aquilo que foi combinado. 
- algumas pessoas não transmitem as informações. 
- há pessoas que praticam “jogo sujo” e é necessário agir com 
cautela. 
c) Dificuldades relacionadas com o gasto de tempo e energia, como: 
- o tempo disponível é muito curto. 
- a tarefa é pesada, desgastante. 
- o ruído do compressor perturba muito. 
- o trabalhador é muito interrompido por telefonemas. 
2) Avaliação de dificuldades: com base nesses quesitos, elaborou-se um 
questionário para ser respondido por um numero maior de pessoas. Cerca de 10 
a 15 pessoas para cada cargom sendo escolhidas aquelas pessoas com maior 
experiência e que com uma visão mais abrangente do respectivo cargo. Estas 
pessoas deveriam avaliar cada um dos quesitos numa escala de 0 a 10, com 
grau 0 correspondendo a “extremamente fácil” e grau 10 “dificuldade máxima 
insuportável”. 
3) Análises estatísticas – As avaliações de cada quesito foram totalizadas 
e colocados em ordem decrescente de dificuldade. Diversas análises estatísticas 
74 
 
foram realizadas para validar os resultados coletados. Os resultados avaliados 
apresentam as reais dificuldades de cada cargo, que quando comparadas com 
as suposições, são completamente diferentes. 
Em resumo, o método mostrou-se válido para levantar junto aos 
trabalhadores, o elenco das principais dificuldades que eles sentiam no cargo, 
fornecedo bases mais confiáveis parase fazer qualquer tipo de intervenção no 
sentido ou reduzir essas dificuldades. 
 
 
- Redução do stress 
Como o stress tem várias causas e afeta diferentemente as pessoas, não é 
possível estabelecer uma forma única para preveni-lo ou combatê-lo. Existem 
diversas medidas que podem ser adotadas descritas a segui: 
Enriquecimento da tarefa – Quando o trabalhador tem a possibilidade de 
tomar decisões sobre o seu próprio trabalho, por exemplo, escolhendo a melhor 
forma de executá-lo, podendo adotar procedimentos alternativos, acelerando ou 
reduzindo o seu ritmo, o stress pode ser diminuído, em relação à situação de 
trabalho repetitivo com ritmo comandado pela máquina. Outro problema é o da 
excessiva divisão do trabalho. O sentimento de auto-realização, que contribui 
para reduzir o stress, será maior se cada trabalhador puder completar seu 
trabalho identificando-se em um determinado produto ou serviço executado. 
Redesenho do posto de trabalho – O redesenho d posto de trabalho deve 
visar uma postura melhor do trabalhador, adaptando-se às suas dimensões 
antropométricas e facilitando a realização dos movimentos corporais. Esse 
redesenho deve visar também também uma redução da carga sensorial (visual, 
auditiva) e motora, se for constatada uma sobrecarga dos mesmos. 
Adicionalmente, deve-se verificar se os agentes físicos do ambiente estão dentro 
dos limites recomendados. 
 
75 
 
Contatos sociais – No redesenho do posto de trabalho, é extremamente 
importante não provocar ou evitar o isolamento dos trabalhadores, reduzindo ou 
impedindo os contatos sociais entre eles. O contato social é importante para 
combater o stress. Em alguns casos, os ambientes ruidosos não permitem uma 
conversa normal e, em outros, esse isolamento, no espaço (cabines acústicas) 
ou no tempo (guarda noturno, porteiro), torna-se inevitável. Nestes casos, é 
importante providencias pausas freqüentes no trabalho, para que esses contatos 
sociais se tornem possíveis. Essas pausas também possuem a função de 
permitir mudanças na postura e promover uma recuperação da fadiga. Algumas 
empresas busca criar ambientes denominados área ou espaço de 
descompressão para esta finalidade. 
Treinamento – O novato enfrenta uma situação muito estressante, 
principalmente se houver a possibilidade de não ser aceito pelos novos colegas 
de trabalho. Muitas empresas não oferecem nenhum treinamento e outras, 
simplesmente, colocam o novato ao lado de outro mais experiente, para que seja 
treinado no próprio cargo (on-the-job training). Para reduzir a insegurança do 
novo elemento, é aconselhável ter algum tipo sistematizado de treinamento, 
onde além do desenvolvimento das habilidades específicas do cargo, sejam 
fornecidas informações sobre a empresa e os serviços que ela oferece aos seus 
empregados, como alimentação, transporte, plano de saúde, vale alimentação e 
participação nos resultados. 
 
Cargos e salários – As tarefas do cargo, salários e os critérios para 
ascensão funcional devem estar claramente definidos, pois o sentimento de 
injustiça, neste ponto, pode provocar aborrecimentos e desmotivação. A 
descoberta de que uma pessoa menos capaz ou menos eficiente está ganhando 
mais, ou de que fora preterido numa promoção a que teria direito, é fonte de 
grande stress, levando até ao abandono do emprego. 
 
Tratamentos individuais e coletivos – Muitas empresas adotam a prática 
da ginástica laboral para relaxar. Há também programas mais completos, 
76 
 
incluindo exercícios para relaxamento muscular, exercícios respiratórios, 
psicoterapia de grupo e assim por diante. Alguns desses exercícios podem ser 
feitos no local de trabalho e há resultados positivos comprovados com a redução 
de ansiedade e das dores de cabeça. Porém, os caso mais graves e persistentes 
devem ser tratados individualmente, com a assistência de um médico ou 
psicólogo. 
5.4 – Seleção e Treinamento 
Uma das premissas da ergonomia ressalta que as máquinas e o ambiente 
de trabalho devem ser adaptados ao homem, ou seja, as maquias e o ambiente 
são as variáveis e o homem, seu parâmetro. Está é uma premissa válida na 
maioria dos casos, porem, o homem jamais deve ser visto como um parâmetro 
rígido e imutável deste conjunto. Devido às grandes diferenças individuais 
existentes entre as pessoas, elas podem ser adequadamente selecionadas e 
modificadas pelo treinamento. Por fim, cabe dizer que existe também uma 
adaptabilidade, uma flexibilidade humana que deverá ser aproveitada para 
melhorar o desempenho do sistema produtivo. 
 
5.5 – Outros Pontos Dinâmicos a Serem Observados na Organização do 
Trabalho 
 
Listaremos abaixo outros pontos dinâmicos que devem ser observados 
quando da organização do trabalho: 
- Diferenças individuais de produtividade: Cada ser humano é individual, 
apesar de suas similaridades. Quando a questão é capacidade de realização de 
um trabalho, isso se torna mais aparente. Os produtos e processos de uma 
empresa podem ser padronizados, mas os trabalhadores diferem entre si. 
- Alocação de trabalho em equipe: A distribuição de tarefas de uma equipe 
depende d vários fatores, como a natureza das mesmas, duração e a 
capacitação de cada membro para desempenhar uma tarefa específica. Por 
vezes, a fixação de tarefas feita pela administração da empresa, significa a 
77 
 
atribuição de responsabilidades ao trabalhador, visando evitar situações de 
esquiva da situação. 
- Trabalho noturno: o trabalho noturno é uma realidade sem volta. 
Algumas plantas industriais como refinarias de petróleo, indústrias químicas e 
siderúrgicas não podem ser paralisadas. Outras, visando amortizar seu custo de 
instalação, ou para atender demandas, também rodam em 3 turnos. Outros 
serviços exigem obrigatoriamente serviços noturnos, como o abastecimento para 
feirantes, atendimento hospitalar, dentre outros. O serviço noturno exige 
atividade do organismo quando ele está disposto a descansar. Cabe aqui 
ressaltar que o número de erros e acidentes ocorridos durante o trabalho noturno 
é maior que as atividades exercidas durante o dia, já o desempenho medido no 
3º turno é consideravelmente menor. 
 
 
 
 
 
 
 
Referências Bibliográficas 
 
BRASIL, Ministério do Trabalho e Emprego. NR 17 – Ergonomia, (2015). 
Disponível em: . Acesso em 10/010/2017 
BRASIL, Portaria nº 3214 de 08/06/1978. Aprova as Normas Regulamentadoras 
do Ministério de Estado do Trabalho, no uso de suas atribuições legais, 
considerando o disposto no art. 200, da Consolidação das Leis do Trabalho, com 
http://trabalho.gov.br/seguranca-e-saude-no-trabalho/normatizacao/normas-regulamentadoras/norma-regulamentadora-n-17-ergonomia
http://trabalho.gov.br/seguranca-e-saude-no-trabalho/normatizacao/normas-regulamentadoras/norma-regulamentadora-n-17-ergonomia
http://trabalho.gov.br/seguranca-e-saude-no-trabalho/normatizacao/normas-regulamentadoras/norma-regulamentadora-n-17-ergonomia
78 
 
redação dada pela Lei nº 6.514, de 22 de dezembro de 1977. Brasília, 1978. 
Disponível em: acesso 
em 22/11/2017. 
CAMISASSA, M. Q. Segurança e saúde no trabalho: NRs 1 a 36 comentadas 
e descomplicadas – São Paulo: Método: 2015. 
IIDA, I. Ergonomia: Projeto e Produção - 2º edição revista e ampliada. São 
Paulo: Edgard Blucher, 2005. 
Manual de aplicação da Norma Regulamentadora nº 17. – 2 ed. – Brasília : 
MTE, SIT, 2002. 
Manual sobre Ergonomia - DGRH – Unicamp. Disponível em: 
 
Acesso em 06/10/2017 
MUNIZ, M. L. Segurança e Saúde do Trabalho – Pernambuco: Secretaria de 
Educação, 2015. 
SANDERS, M. S., MCCORMICK, E. J. Human factors in engineering and design. 
7ª ed. New York: McGraw-Hill, Inc., 1993. 
SILVA, A. P. Ergonomia- Interpretando a NR 17: Manual Técnico e Prático para 
a Interpretação da NR 17. São Paulo: LTR, 2013. 
SILVA, JCP., and PASCHOARELLI, LC., orgs. A evolução histórica da 
ergonomia no mundo e seus pioneiros [online]. São Paulo: Editora UNESP; São 
Paulo: Cultura Acadêmica, 2010. SciELO Books http://books.scielo.org acesso 
em 24/11/2017. 
WISNER, Alain. A Inteligência no Trabalho. Editora Fundacentro, São Paulo, 
1994 
http://www.camara.gov.br/sileg/integras/839945.pdf
http://www.dgrh.unicamp.br/documentos/manuais/man_dsso_ergonomia.pdf
http://books.scielo.org/Física: Aborda o estudo da postura no trabalho, manuseio de 
materiais, movimentos repetitivos, distúrbios musculoesqueléticos relacionados 
ao trabalho, projeto de posto de trabalho, segurança e saúde; 
 
Figura 03: Exemplo de postura no trabalho 
Fonte: https://br.depositphotos.com 
 
- Ergonomia Cognitiva: Abrange o estudo da carga mental de trabalho, tomada 
de decisão, desempenho especializado, interação homem-computador, 
confiabilidade humana, estresse profissional e a respectiva formação 
(especialidades, treinamentos); 
https://br.depositphotos.com/
7 
 
 
Figura 04: Carga mental 
Fonte: https://br.depositphotos.com 
- Ergonomia Organizacional: Foca os estudos no gerenciamento de recursos 
coletivos de trabalho, organização temporal do trabalho, projeto participativo, 
novos paradigmas do trabalho, trabalho cooperativo, trabalho em grupo, cultura 
organizacional, organizações em rede, teletrabalho e gestão de qualidade. 
 
Figura 05: Organização temporal. 
Fonte: https://br.depositphotos.com 
1.2 - O Desenvolvimento da Ergonomia 
 
A formalização propriamente dita da ergonomia, enquanto disciplina, é 
datada de 1949, com a criação da Ergonomics Research Society, na Inglaterra. 
Em 1959 foram criadas a Human Factors Society (HFS) e a International 
Ergonomics Society (IES) nos Estados Unidos e, em 1963, a Societé 
d’Ergonomie de Langue Française (SELF), na França. 
https://br.depositphotos.com/
https://br.depositphotos.com/
8 
 
Historicamente, a adaptação das condições do ambiente ou mesmo das 
ferramentas de trabalho às características humanas remonta aos primórdios da 
humanidade (SANDER; MACORNICK, 1993). Há evidências de que o homem 
das cavernas já se preocupava em produzir artefatos cada vez mais apropria dos 
às suas necessidades e características. A história do homem é permeada por 
exemplos do aprimoramento de suas técnicas, da introdução de novas 
ferramentas e procedimentos. 
 
Os relatos sobre as origens da ergonomia moderna, frequentemente, são 
associados ao final da Segunda Guerra Mundial. Na época, a Royal Air Force 
(Força Aérea Real Britânica) buscava compreender por que equipamentos 
extremamente modernos, que deveriam facilitar a conduta dos pilotos da 
aviação, não eram operados com a eficiência e a eficácia esperadas (WISNER, 
1994). Para responder a esta demanda, constituiu-se uma equipe interdisciplinar 
composta por um engenheiro, um psicólogo e um fisiologista. A análise da 
situação por diferentes olhares foi determinante no diagnóstico do problema e 
para as soluções propostas. 
Nesse período, as indústrias europeia e americana estavam se adequando ao 
contexto do pós-guerra, buscando elevar a produção com notória escassez de 
trabalhadores qualificados e, no limite, de matéria-prima. A demanda formulada 
aos ergonomistas se relacionava, sobretudo, às questões referentes à: 
• Insalubridade; 
• Condições de trabalho; 
• Dimensionamento dos homens e equipamentos; 
• Adaptação de ferramentas e instrumentos de trabalho; 
• Organização do trabalho (variabilidade dos homens, equipamentos e matéria 
prima). 
Assim, podemos dizer que nos primórdios de sua história a ergonomia 
preocupou-se em desenvolver pesquisas e projetos voltados para a aplicação de 
conhecimentos já disponíveis em fisiologia e psicologia e também para o estudo 
9 
 
do dimensionamento humano, custo energético, visando à concepção e 
definição de controles, painéis, arranjo do espaço físico e dos ambientes de 
trabalho. 
Com a evolução dos movimentos sociais, muitas demandas em ergonomia 
buscavam respostas para os problemas ligados às más condições de trabalho, 
à organização dos tempos de trabalho e à rejeição da fragmentação das tarefas, 
resultante da exacerbação da divisão do trabalho. O auge destes movimentos 
se situa no final dos anos 1960 e nos anos 1970 do século XX. 
A partir da década de 1980, o foco de interesse dos ergonomistas voltou-se para 
a análise de sistemas automáticos e informatizados com ênfase na natureza 
cognitiva do trabalho. Essa mudança ocorreu, principalmente, devido aos 
insucessos na implantação desses sistemas que eram projetados com uma 
lógica que não contemplava os processos cognitivos envolvidos na ação, e, 
portanto, apresentavam muitas dificuldades na operação do sistema. 
Esses processos de automação definiram uma nova relação do ser humano com 
o seu trabalho: ele deixa de ser um executor direto e passa a exercer o papel de 
controlador do processo. 
 
 
 
1.3 - A Ergonomia no Brasil 
 
Silva et al (2010) relata que no Brasil, a ergonomia teve seu início vinculada 
às áreas de Engenharia de Produção e Desenho Industrial, e o seu âmbito de 
atuação foi voltado à aplicação dos conhecimentos produzidos sobre as medidas 
humanas e a produção de normas e padrões para a população brasileira. O 
segundo momento da ergonomia no país teve desdobramentos com os estudos 
na área de Psicologia em universidades, com pesquisas experimentais sobre o 
comportamento de motoristas e estudos socioténicos realizados pela Fundação 
Getulio Vargas, localizada na cidade do Rio de Janeiro. 
10 
 
Paralelamente às ações voltadas para a antropometria e medidas dos 
segmentos corporais, os pesquisadores brasileiros iniciaram um diálogo com 
pesquisadores europeus, principalmente da França, dentre eles, o professor 
Alain Wisner, patrono da ergonomia brasileira. Posteriormente, o acesso à 
literatura Europeia foi facilitado e, com isso o acesso aos trabalhos de outros 
pesquisadores. 
 
Figura 07: Antropometria. 
Fonte: ttps://br.depositphotos.com 
 
Assita ao vídeo de referência: https://www.youtube.com/watch?v=Ies_tdExkyA 
 
A Associação Brasileira de Ergonomia (Abergo), constituída em 1983 que 
congrega os diversos núcleos de ergonomia no país, por meio da divulgação de 
conhecimentos produzidos pela área (como o Congresso Brasileiro de 
Ergonomia) e da normalização da ergonomia enquanto categoria profissional. 
Entre as normas regulamentadoras brasileiras dispõe-se da NR 17, 
especificamente dedicada à ergonomia, resultado da articulação entre os 
sindicatos e ergonomistas e apoiada pelo Ministério do Trabalho. 
 
 
https://www.youtube.com/watch?v=Ies_tdExkyA
11 
 
Leitura complementar 01: Acesse o site do MTE e faça a leitura da NR 17 na 
íntegra. 
http://trabalho.gov.br/seguranca-e-saude-no-trabalho/normatizacao/normas-
regulamentadoras/norma-regulamentadora-n-17-ergonomia 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://trabalho.gov.br/seguranca-e-saude-no-trabalho/normatizacao/normas-regulamentadoras/norma-regulamentadora-n-17-ergonomia
http://trabalho.gov.br/seguranca-e-saude-no-trabalho/normatizacao/normas-regulamentadoras/norma-regulamentadora-n-17-ergonomia
12 
 
2 - A RELAÇÃO E OS ASPECTOS ENTRE A ERGONOMIA E A 
SEGURANÇA DO TRABALHO 
 
Apesar da ergonomia organizacional abordar estudos no gerenciamento 
de recursos coletivos de trabalho, organização temporal do trabalho, projeto 
participativo, novos paradigmas do trabalho, trabalho cooperativo,trabalho em 
grupo, cultura organizacional, organizações em rede, teletrabalho e gestão de 
qualidade, ela não deixa de lado características como o stress e o 
comportamento do trabalhador, que serão abordados dentro do tópico 
Organização do trabalho. Estes fatores também podem desencadear doenças 
originadas do trabalho ou doenças ocupacionais. As doenças ocupacionais são 
adquiridas pelo trabalhador através da exposição a agentes químicos, físicos, 
biológicos, ergonômicos e mecânicos (ou de acidentes). Algumas vezes, elas só 
ocorrem após vários anos de exposição ou depois que o trabalhador se afasta 
do agente causador. Neste ponto vamos discorrer sobre os tipos de riscos 
ambientais, o mapa de risco e as medidas de prevenção e correção para evitar 
tais agravos. 
Como neste tópico abordaremos riscos ocupacionais e a seguir falaremos de 
mapa de riscos, explanaremos agoraas definições de cada classificação e risco 
contidas em nossa legislação: 
Muniz (2015) destaca que os riscos ambientais englobam os agentes existentes 
nos ambientes de trabalho, capazes de causar danos à saúde do empregado. 
Os ambientes de trabalho, pela natureza das atividades desenvolvidas e/ou 
pelas características de organização, podem comprometer a saúde do 
trabalhador em curto, médio e longo prazo, gerando lesões imediatas, doenças 
ou a morte, além de prejuízos de ordem legal e patrimonial para a empresa. No 
intuito de minimizar esses danos, torna-se necessária a investigação dos riscos 
no local de trabalho para conhecer a que fatores os funcionários estão expostos 
e que possíveis medidas de proteção são passíveis de serem aplicadas. 
Ressaltando que não apenas a presença de um agente nocivo no ambiente 
laboral é suficiente para causar transtornos. O que será prejudicial é a presença 
do fator de risco somada a sua alta concentração, forma de apresentação 
13 
 
(líquido, sólido, gasoso), ao seu nível de toxidade e ao tempo de exposição do 
trabalhador. 
A portaria nº 3214, de junho de 1978, do Ministério do Trabalho e Emprego 
(MTE), foi responsável pela criação das Normas Regulamentadoras (NR) que se 
referem à Segurança e Medicina do Trabalho. Estas normas foram criadas com 
o objetivo de obrigar as empresas a observarem os aspectos relacionados à 
saúde de seus trabalhadores. Uma dessas normas traz o entendimento de que 
o desencadeamento das doenças ocupacionais também está diretamente 
relacionado ao Limite de Tolerância (LT) dos agentes ambientais a que o 
trabalhador fica exposto. A NR-15 (Atividades e Operações Insalubres) define 
limite de tolerância como “a concentração ou intensidade máxima ou mínima 
relacionada com a natureza e o tempo de exposição ao agente que não causará 
dano à saúde do trabalhador durante sua vida laboral.” Já a NR-9, Programa de 
Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) considera como riscos ambientais os 
agentes físicos, químicos e biológicos existentes nos ambientes de trabalho. 
Os riscos físicos são as diversas formas de energia, as quais os trabalhadores 
podem estar expostos. Os agentes geradores deste risco possuem a capacidade 
de alterar as características físicas do meio ambiente, exigem um meio de 
transmissão para se propagar e podem agir até mesmo sobre indivíduos que não 
têm contato direto com a fonte de risco. São representados por fatores ou 
agentes existentes no ambiente de trabalho que podem afetar a saúde dos 
trabalhadores, como: ruídos, vibrações, radiações, frio, calor, pressões anormais 
e umidade. 
 
Figura 08: Risco físico - Ruído 
Fonte: https://br.depositphotos.com 
https://br.depositphotos.com/
14 
 
Assista ao vídeo de referência: 
https://www.youtube.com/watch?v=MVA9aiYNWWQ 
 
Os riscos químicos são caracterizados pelo grande número de 
substâncias que podem contaminar o ambiente de trabalho e provocar danos à 
integridade física e mental dos trabalhadores, a exemplo de poeiras, fumos, 
névoas, neblinas, gases, vapores, substâncias, compostos ou outros produtos 
químicos. São substâncias compostas ou produtos que podem penetrar no 
organismo pela via respiratória, pela via cutânea (através do contato com a pele) 
ou através do trato gastrointestinal (digestão). Pode ter ação localizada, quando 
atua somente na região de contato, e ação sistêmica, quando são absorvidos e 
distribuídos dentro do organismo, afetando diferentes órgãos e tecidos. 
 
Figura 09: Exemplo de risco químico 
 
 
Assita o vídeo de referência: https://www.youtube.com/watch?v=4noZLzdAIcg 
 
Microrganismos incluindo os geneticamente modificados ou não, as culturas de 
células, os parasitas, as toxinas e os príons, contemplam os riscos biológicos, 
que podem provocar infecções, alergias ou toxidades em seres humanos. Ainda 
podemos incluir as bactérias, os vírus, os fungos e mordidas e ataques por 
animais peçonhentos, domésticos e selvagens. 
https://www.youtube.com/watch?v=MVA9aiYNWWQ
https://www.youtube.com/watch?v=4noZLzdAIcg
15 
 
 
Figura 10: Risco Biológico – Organismos vivos. 
Fonte: https://br.depositphotos.com 
Assista ao Vídeo de Referência: 
https://www.youtube.com/watch?v=wLamh9vhOi8 
Outros agentes existentes nos ambientes laborais e que são passíveis de causar 
danos aos colaboradores são os riscos ergonômicos e de acidente ou 
mecânicos. Estes dois outros riscos são trazidos pela norma regulamentadora 9 
que serviu para ampliar o conceito de risco ambiental. 
Os agentes ergonômicos estão correlacionados à execução de tarefas, à 
organização e às relações de trabalho, ao esforço físico intenso, levantamento e 
transporte manual de peso, mobiliário inadequado, posturas incorretas, controle 
rígido de tempo para produtividade, imposição de ritmos excessivos, trabalho em 
turno diurno e noturno, jornadas de trabalho prolongadas, monotonia e 
repetitividade. São abrangidos também os fatores psicossociais e entre eles 
podemos citar as situações causadoras de estresse e o relacionamento 
interpessoal entre o trabalhador e seus colegas de trabalho ou a chefia. 
https://br.depositphotos.com/
https://www.youtube.com/watch?v=wLamh9vhOi8
16 
 
 
Figura 11: Exemplo de posturas corretas e incorretas. 
Fonte: ttps://br.depositphotos.com 
Assista ao Vídeo de Referência: https://www.youtube.com/watch?v=ou6Vj1JdQ6o 
 
 
Os riscos de acidente ou mecânicos são variados e estão surgem no arranjo 
físico inadequado, pisos pouco resistentes ou irregulares, material ou matéria-
prima fora de especificação, máquinas e equipamentos sem proteção, 
ferramentas impróprias ou defeituosas, iluminação excessiva ou insuficiente, 
instalações elétricas defeituosas, probabilidade de incêndio ou explosão, 
armazenamento inadequado, animais peçonhentos e outras situações de risco 
que possa contribuir para a ocorrência de acidentes. 
Assista ai vídeo de referência: https://www.youtube.com/watch?v=urfpBTF1uik 
 
https://www.youtube.com/watch?v=ou6Vj1JdQ6o
https://www.youtube.com/watch?v=urfpBTF1uik
17 
 
 
2.1- O Mapa de Riscos 
O mapa de risco é a representação gráfica (em uma planta baixa) dos fatores de 
risco existentes em um setor de trabalho ou em toda a empresa. Segundo 
Camisassa (2015), esta representação é feita através de círculos de diferentes 
cores e tamanhos, permitindo fácil visualização de todos os riscos de uma 
empresa. Cada risco tem uma cor que o representa, e o tamanho dos círculos 
vai ser de acordo com a graduação do risco que pode ser classificado em 
pequeno (leve), médio e grande (elevado). Esta graduação vai ser mensurada 
em conformidade com as sensibilidades dos trabalhadores. 
Considerando os agentes e o dinamismo dos riscos existentes, trabalha-se com 
uma ferramenta denominada mapa de riscos. 
A NR5, que aborda o mapa de riscos, determina e caracteriza os tipos de riscos 
em grupos, separados por diferentes contes, conforme a Tabela I. 
 
TABELA I – Grupos e classificação de riscos 
Grupo 1 Grupo 2 Grupo 3 Grupo 4 Grupo 5 
Verde Vermelho Marrom Amarelo Azul 
Riscos 
Físicos 
Riscos Químicos Riscos 
Biológicos 
Riscos 
Ergonômicos 
Riscos de Acidentes 
Ruído Poeiras Vírus Esforço Físico Arranjo físico 
inadequado 
Vibrações Fumos Bactérias Posições forçadas Ferramentas 
defeituosas e Máquinas 
sem Proteção 
Radiações Gases Protozoários Monotonia Iluminação inadequada 
Temperaturas Vapores Fungos Jornadas 
Prolongadas 
Armazenamento 
Inadequado 
Pressões Substâncias e 
Compostos 
Parasitas Eletricidade 
Umidade Névoas Bacilos Animais Peçonhentos 
Fonte: Anexo IV da NR5 (Dez 1994) 
 
18 
 
A partir destas informações, torna-se possível construir o mapa de riscos, 
indicando o tipo de risco pela coloração e determinando se é um rico leve, 
moderado ou elevado, pelo tamanho da circunferência. 
 
Figura 12 Simbologia das cores para uso no mapa de risco 
Fonte: http://www.areaseg.com/sinais/mapaderisco.htmlCamisassa (2015) afirma que o mapa de riscos é considerado um 
instrumento participativo, elaborado com a colaboração dos trabalhadores que 
serão organizados e acompanhados pela CIPA e supervisão e colaboração do 
SESMT. Este momento de elaboração possibilita a troca e divulgação de 
informações entre os trabalhadores, bem como estimula a sua participação nas 
atividades de prevenção. Podemos atribuir ao mapa de risco a capacidade de 
fazer um levantamento preliminar de riscos no ambiente da empresa e de 
informar o quantitativo de funcionários expostos a esses riscos. Dessa forma se 
torna possível gerar informação para todos os empregados da empresa e 
visitantes, e criar um planejamento para as ações preventivas que serão 
adotadas pela empresa. 
 
Assita ao vídeo de referência: 
https://www.youtube.com/watch?v=jRR4xiaoHM4 
2.1.1 - Benefícios da Adoção do Mapa de Risco 
 Identificação e antecipação dos riscos existentes nos locais de trabalho aos 
quais os trabalhadores poderão estar expostos; 
 Conscientização quanto ao uso adequado das medidas e dos equipamentos 
de proteção coletiva e individual; 
https://www.youtube.com/watch?v=jRR4xiaoHM4
19 
 
 Redução de gastos com acidentes e doenças, medicação, indenização, 
substituição de trabalhadores e danos patrimoniais; 
 Facilitação da gestão de saúde e segurança no trabalho com aumento da 
segurança interna e externa; 
 Melhoria do clima organizacional, maior produtividade, competitividade e 
lucratividade. 
 
2.1.2 - Elaboração do Mapa de Risco: 
1. Conhecer o processo de trabalho do local analisado: 
 Os trabalhadores: número, sexo, idade, queixas de saúde, jornada e 
treinamentos recebido; 
 Os equipamentos, instrumentos e materiais de trabalho; 
 As atividades exercidas; 
 O ambiente. 
 
2. Identificar os riscos existentes no local analisado, conforme a 
classificação específica dos riscos ambientais. 
 
3. Identificar as medidas preventivas existentes e sua eficácia referente à: 
 Proteção coletiva; 
 Organização do trabalho 
 Proteção individual; 
 Higiene e conforto: banheiro, lavatórios, vestiários, armários, bebedouro, 
refeitório, área de lazer. 
 
4. Identificar os Indicadores de Saúde: 
 Queixas mais frequentes e comuns entre os trabalhadores expostos aos 
mesmos riscos; 
 Acidentes de trabalho ocorridos; 
 Doenças profissionais diagnosticadas; 
20 
 
 Causas mais frequentes de ausência ao trabalho. 
 
5. Elaborar o Mapa de Riscos, sobre o layout da empresa, indicando 
através de círculos: 
 O grupo a que pertence o risco, de acordo com a cor padronizada; 
 O número de trabalhadores expostos ao risco, o qual deve ser anotado 
dentro ou abaixo do círculo; 
 A intensidade do risco, de acordo com a percepção dos trabalhadores, 
que deve ser representada por tamanhos proporcionalmente diferentes 
de círculos. 
 
 
Figura 13: Exemplo de elaboração do mapa de riscos 
Fonte: Muniz (2015) 
 
Depois de discutido e aprovado pela CIPA, o mapa de riscos, completo ou 
setorial, deverá ser afixado em cada local analisado, de forma claramente visível 
e de fácil acesso para os trabalhadores. O ideal é que logo na entrada da 
empresa tenha um mapa de riscos de todos os setores da mesma informando, 
assim, a todos os trabalhadores e funcionários os riscos que podem ser 
encontrados em cada ambiente. 
 
21 
 
2.2 - Medidas Preventivas dos Riscos Mapeados 
 
Quando mencionamos a palavra “prevenção”, não podemos deixar de 
lado o conceito do Programa de Prevenção dos Riscos Ambientais (PPRA). 
 
Figura 12: Documentação do PPRA. 
Fonte: https://br.depositphotos.com 
O PPRA é um programa obrigatório e fundamental para todos os 
empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados, 
visando à preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores. Busca-se 
neste programa através antecipação, reconhecimento, avaliação e conseqüente 
controle da ocorrência de riscos ambientais existentes ou que venham a existir 
no ambiente de trabalho, reduzindo acidentes e gerando excelentes resultados 
resultando quanto à gestão de segurança do trabalho. 
Voltando os olhares para as medidas preventivas dos agentes, 
Camisassa (2015) inicia seu relato pelos agentes físicos, que são as diversas 
formas de energia, as quais os trabalhadores podem estar expostos. Os agentes 
geradores deste risco possuem a capacidade de alterar as características físicas 
do meio ambiente, exigem um meio de transmissão para propagar sua 
nocividade e agem até mesmo sobre indivíduos que não têm contato direto com 
a fonte de risco. Vamos elencar as medidas de controle do agente físico calor: 
 Insuflação de ar fresco no ambiente (ventiladores e ar condicionado); 
 Arejar o ambiente através da abertura de portas e janelas; 
 Exaustão de vapores de água (ventiladores ou encanação); 
22 
 
 Uso de barreiras refletoras (alumínio polido, aço inoxidável), colocadas entre o 
trabalhador e a fonte geradora de calor; 
 Automatização do processo (uso de máquinas no lugar de homens);  
 Aclimatação, ou seja, inicialmente expor o trabalhador de forma gradual ao 
risco para que o organismo através da sua capacidade fisiológica se adapte ao 
ambiente; 
 Exames periódicos; 
 Reposição hídrica e salina (instalar bebedores em locais estratégicos no local 
de trabalho); 
 Limitar o tempo de exposição do trabalhador; 
 Equipamentos de proteção individual, vestimentas de tecido leve, cor clara, que 
absorva o calor do organismo do funcionário e com sistema de ventilação 
acoplado. 
Pensando agora no agente físico frio, apresentamos as medidas de controle: 
 Exames médicos periódicos; 
 Aclimatação do trabalhador; 
  Alimentação balanceada devido à perda grande de energia; 
 Hidratação adequada; 
 Evitar trabalhos solitários; 
 Evitar trabalhos exaustivos que levem ao suor e consequente umedecimento 
das roupas; 
 Troca das vestimentas úmidas por secas sempre que necessário; 
 Períodos de descanso em locais aquecidos; 
 Educação continuada através de treinamentos; 
23 
 
 Reduzir o tempo de exposição; 
 Não conter assentos metálicos nem sistema de ventilação; 
 Sistema que permita a abertura das portas internamente; 
 As roupas devem estar sempre limpas e secas e serem compostas de camadas 
múltiplas (calça, capote e luvas) e as botas de couro com forro. 
 
Abordados o calor e frio, passamos agora a enumerar as medidas de controle 
do agente físico radiação ionizante: 
  Áreas controladas delimitadas com sinalização e barreiras físicas com 
blindagem feita de concreto, aço ou chumbo; 
 Utilização de avental plumbífero, protetor de gônadas e tireoide e óculos de 
vidro plumbífero com proteção lateral; 
 Guarda adequada dos EPI para evitar fissuras ou rompimentos no lençol de 
chumbo;  Monitoração individual do agente; 
 Monitoramento biológico através de exames de sangue. 
 
A radiação não ionizante também necessita de cuidados. Listamos abaixo as 
medidas de controle: 
 Diminuir o tempo de exposição; 
 Proporcionar descanso em ambiente coberto; 
 Realizar exames periódicos; 
 Utilizar blusas de manga, calças compridas, touca árabe, óculos de sol e 
protetor solar. 
 
24 
 
Pressões anormais requerem cuidados específicos. A seguir apontamos as 
medidas de controle do agente físico supracitado: 
  Capacitar o trabalhador quanto aos riscos e os cuidados que ele deve ter para 
evitar traumas e doenças descompressivas; 
 Os exames de rotina devem estar rigorosamente em dia e a saúde do 
trabalhador perfeita. 
 
Passando agora, enumerar as medidas de controle do agente físico ruído: 
 Substituição de equipamento por um mais silencioso; 
 Manutenção das máquinas (balanceamento e equilíbrio das partes móveis, 
lubrificação dos rolamentos e regulação dos motores); 
 Programação das operações de forma que fique o menor númerode máquinas 
funcionando simultaneamente; 
 Substituição de engrenagens metálicas por outras poliméricas; 
  Isolar a fonte através de barreira isolante e adsorvente de som; 
 Monitoramento periódico no agente no ambiente de trabalho; 
 Realização dos exames de rotina; 
 EPIs – protetor auricular. 
Quanto ao agente físico vibração, as medidas de controle são: 
 Substituição de equipamentos que produzam vibração; 
 Instalar amortecedores de vibração em assentos; 
 Calibrar o pneu de veículos; 
 Utilizar ferramentas com características antivibratórias; 
 Colocar pedais de borracha nas máquinas; 
25 
 
 Realizar manutenção periódica nos equipamentos; 
 Limitar o tempo de exposição do funcionário; 
 Implantar rodízios e pausas na jornada de trabalho; 
 Capacitação sobre a forma de utilização correta das ferramentas e 
equipamentos para minimizar a vibração; 
 Realizar controle médico dos trabalhadores; 
 EPIs – luvas antivibração e botas de borracha. 
 
Agora, enumenado as medidas de controle do agente físico umidade: 
 Construção de caneletas para permitir o escoamento da água utilizada; 
 Rodízio de funcionários; 
 Horários destinados ao descanso em ambientes secos; 
 Exames periódicos; 
 Utilização de EPIs impermeáveis (luvas, macacões e botas). 
 
Agentes Biológicos são microrganismos incluindo os geneticamente modificados 
ou não, as culturas de células, os parasitas, as toxinas e os príons, capazes de 
provocar infecções, alergias ou toxidades em seres humanos. Ainda podemos 
incluir as bactérias, os vírus, os fungos e mordidas e ataques por animais 
peçonhentos, domésticos e selvagens. Quando de sua ocorrência, as medidas 
de controle são: 
 Seleção de equipamentos de trabalho; 
 Substituição de microrganismos; 
 Modificação do processo de trabalho. Ou seja, do passo a passo, de como o 
trabalho é realizado; 
26 
 
 Minimizar a proliferação de contaminantes no ambiente através de limpeza, 
desinfecção, ventilação e controle de vetores; 
 Utilizar sinalização para indicar a presença do risco; 
 Todo local onde exista possibilidade de exposição ao agente biológico deve ter 
lavatório exclusivo para higiene das mãos provido de água corrente, sabonete 
líquido, toalha descartável e lixeira provida de sistema de abertura sem contato 
manual; 
 Informar sobre os riscos de exposição ao agente biológico; 
 Capacitar o trabalhador quanto às normas e procedimentos padronizados; 
 Diminuir o número de trabalhadores expostos; 
 Fazer uso das precauções padrão ou precauções universais. Inclui realizar os 
procedimentos com segurança, utilizar adequadamente os EPIs, evitar 
manipulação desnecessária de material biológico, manipular cuidadosamente 
instrumentos perfurocortantes potencialmente contaminados, utilizar coletor 
resistente para descarte destes materiais e evitar o reencape de agulha ou a 
desconexão da agulha da seringa; 
 Uso de equipamentos de proteção individual adequados a cada tipo de 
exposição (avental jaleco, gorro, máscara, luva, avental cirúrgico, protetor ocular, 
protetor facial, sapatos fechados, botas, propé, etc); 
 Fazer uso de dispositivos de segurança como conectores e sistemas de infusão 
sem agulhas, agulhas e seringas com travas de segurança e seringas com 
sistema retrátil da agulha; 
 Lavagem das mãos antes e depois de cada procedimento; 
 A higienização das vestimentas utilizadas nos centros cirúrgicos e obstétricos, 
serviços de tratamento intensivo, unidades de pacientes com doenças 
infectocontagiosas e quando houver contato direto da vestimenta com material 
orgânico, deve ser de responsabilidade do empregador; 
 Acompanhamento médico dos funcionários; 
27 
 
 Programa de imunização; 
 Protocolos de atendimentos pós-exposição a material orgânico; 
 Não deve ser permitida a utilização de pias de trabalho para fins diversos dos 
previstos, o ato de fumar, o uso de adornos e o manuseio de lentes de contato 
nos postos de trabalho, o consumo de alimentos e bebidas nos postos de 
trabalho, a guarda de alimentos em locais não destinados para este fim, o uso 
de calçados abertos e deixar o local de trabalho com os equipamentos de 
proteção individual e as vestimentas utilizadas em suas atividades laborais. 
 
Agentes Químicos são substâncias compostas ou produtos que podem penetrar 
no organismo pela via respiratória, pela via cutânea (através do contato com a 
pele) ou através do trato gastrointestinal (digestão). Pode ter ação localizada, 
quando atua somente na região de contato, e ação sistêmica, quando são 
absorvidos e distribuídos dentro do organismo, afetando diferentes órgãos e 
tecidos. As medidas de controle necessárias estão listadas a seguir: 
 Substituição do agente, substância, ferramenta ou tecnologia de trabalho por 
outro mais seguro, menos tóxico ou lesivo; 
 Mudanças ou alteração do processo produtivo por automatização. Ou seja, a 
máquina fazendo o papel do homem e consequentemente o afastando do risco; 
 Enclausuramento da operação. Impede a dispersão do contaminante para o 
ambiente de trabalho;  Isolamento ou segregação da operação. Pode ser feito 
o isolamento no tempo, que consiste em realizar as operações fora do horário 
normal, reduzindo assim o quantitativo de trabalhadores expostos, e o 
isolamento do espaço, que consiste em realizar o processo a distância da 
maioria dos funcionários; 
 Umidificação do processo para controlar as poeiras; 
 Implantação e manutenção de sistema de ventilação local exaustora adequada 
e eficiente. Consiste em esgotar os poluentes (poeiras, gases, vapores, fumos) 
na fonte antes de sua dispersão para o ambiente de trabalho; 
28 
 
 Medidas de higiene. O ambiente deve ser sempre limpo com água ou aspirador, 
ou umedecer a poeira a ser removida; 
 Manutenção preventiva e corretiva de máquinas e equipamentos. Evitando a 
poluição dos gases e vapores pela eliminação de folgas e frestas e pela 
lubrificação eficiente;  Monitoramento sistemático dos agentes agressores; 
 Classificação e rotulagem das substâncias químicas; 
 Equipamentos de proteção ambiental (respiradores, cremes protetores, luvas, 
botas...); 
 Treinamento. Educação continuada dos funcionários sobre segurança, saúde, 
uso adequado dos EPI e desenvolvimento de suas atividades; 
 Monitoramento individual. Através de exames médicos; 
 Medidas de higiene pessoal. Cuidados como lavar as mãos, o rosto e os 
cabelos no fim da jornada de trabalho e nas pausas para refeições. 
Agentes Ergonômicos são condições de trabalho que interferem nas 
características psicofisiológicas dos trabalhadores. Ou seja, aspectos 
relacionados ao levantamento, transporte e descarga de materiais, ao mobiliário, 
aos equipamentos e às condições ambientais do posto de trabalho e à própria 
organização do trabalho. 
Os acidentes em um ambiente de trabalho são muito variados e vão depender 
da atividade que está sendo realizada. Sendo assim vamos enumerar algumas 
medidas gerais de controle dos riscos de acidente: 
 Promover um ambiente de trabalho confortável; 
 Manter o local de trabalho organizado com todos os objetos nos seus lugares 
e bem arrumados; 
 Informar quanto aos riscos existentes na empresa e as formas de preveni-los; 
 Orientar sobre a importância de seguir todas as normas de segurança; 
 Utilizar de forma correta os dispositivos de prevenção de acidentes. 
29 
 
3 - PROTEÇÃO E NEUTRALIZAÇÃO DE AGENTES – EPI E EPC 
 
Abordemos agora as medidas de prevenção dos riscos e com as definições de 
equipamento de proteção individual (EPI), e equipamentos de proteção coletivos 
(EPC). Posteriormente, faremos mais do que isso, vamos saber qual a utilidade 
e importância desses materiais para os trabalhadores e de uma forma geral, 
quais as medidas e os diversos equipamentos que podem ser adotados para 
evitar doenças e acidentes dotrabalho. 
3.1 - Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC) 
 
Os equipamentos que protegem vários trabalhadores ao mesmo tempo e 
otimizam o ambiente de trabalho são denominados de equipamentos de 
proteção coletiva e são conhecidos pela sigla EPC. Eles neutralizam o risco na 
fonte, dispensando, em determinados casos, o uso dos equipamentos de 
proteção individual. 
Os EPCs são dispositivos utilizados no ambiente laboral com o objetivo de 
proteger os trabalhadores dos riscos inerentes aos processos. Normalmente os 
equipamentos de proteção coletiva envolvem facilidades para os processos 
industriais colaborando no aumento da produtividade e minimizando os efeitos 
de perdas em função de melhorias nos ambientes de trabalho. 
 
Figura 13: Exemplos de Equipamentos de proteção coletiva (EPC) 
Fonte: http://blog.inbep.com.br/o-que-e-um-epc/ 
 
Os equipamentos de proteção coletiva podem ser simples, como corrimãos de 
escadas até sistemas sofisticados de detecção de gases dentro de uma planta 
química. 
http://blog.inbep.com.br/o-que-e-um-epc/
30 
 
Exemplos de EPC: isolamento de máquinas, corrimão e pastilhas 
antiderrapantes em escadas, extintor de incêndio, chuveiros, pias, iluminação 
adequada, limpeza do local de trabalho, sistema de exaustão e alarmes. 
Os equipamentos de proteção coletiva devem ser mantidos nas condições que 
os especialistas em segurança estabelecerem, devendo ser reparados sempre 
que apresentarem qualquer deficiência. 
 
Exemplos e aplicações de EPCs: 
 Sistema de exaustão que elimina gases, vapores ou poeiras do local de 
trabalho; 
 Enclausuramento, ou seja, fechamento de máquina barulhenta para atenuação 
do ruído excessivo do ambiente; 
 Cabo de segurança para conter equipamentos suspensos sujeitos a esforço 
caso venham a se desprender; 
 Comando bimanual que matem as mãos ocupadas, fora da zona de perigo, 
durante o ciclo de uma máquina. 
Os EPCs quando adequadamente escolhidos e instalados não prejudicam a 
eficiência do trabalho. Para serem perfeitamente adequados eles devem 
respeitar os seguintes critérios: 
 Ser do tipo adequado em relação ao risco que vai neutralizar; 
 Depender o menos possível da atuação do homem para atender suas 
finalidades; 
 Ser resistente às agressividades de impactos, corrosão e desgastes a que 
estiverem sujeitos; 
 Permitir serviços e acessórios como limpeza, manutenção e lubrificação; 
 Não criar outros tipos de riscos, principalmente mecânicos como obstruções de 
passagens, cantos vivos e etc. 
31 
 
Uma das maiores vantagens dos EPCs é a de além de proteger a coletividade 
dos trabalhadores, não provocar desconforto no seu uso. Os dispositivos de 
segurança em máquinas tem a finalidade principal de proteger a integridade 
física das pessoas, quer sejam operadores ou outros trabalhadores presentes 
nas áreas de processo. 
Assista aos vídeos de referência: 
1) https://www.youtube.com/watch?v=TVoaev9vrbk 
2) https://www.youtube.com/watch?v=qx3xxHb2IjY 
 
3.2 - Equipamentos de Proteção Individual (EPI) 
 
Hoje a ciência e a tecnologia colocam a nossa disposição no mercado uma vasta 
quantidade de medidas e equipamentos de proteção. Todas elas visam 
minimizar os risco e evitar as doenças ocupacionais e os acidentes de trabalho. 
Os dispositivos de uso individual, destinados à proteção da integridade física e 
da saúde de apenas um trabalhador são os equipamentos de proteção individual, 
conhecidos pela sigla EPI. 
Os EPIs formam, em conjunto, um recurso amplamente empregado para a 
segurança do trabalhador no exercício de suas funções. Quando não for possível 
adotar medidas de segurança de ordem geral para garantir a proteção contra os 
riscos de acidentes e doenças ocupacionais, recorremos aos equipamentos de 
proteção individual. 
 
https://www.youtube.com/watch?v=TVoaev9vrbk
https://www.youtube.com/watch?v=qx3xxHb2IjY
32 
 
 
Figura 14: Exemplos de Equipamentos de proteção individual (EPI) 
Fonte: http://www.aguado.com.br/produtos/mostra/16/epi---equip-protecao-individual.html 
 
O controle dos riscos através do uso de EPI deve ser implantado somente depois 
de esgotadas as análises para eliminação do risco existente em sua fonte 
geradora e quando não for possível a adoção de outras medidas de proteção 
coletiva. 
São exemplos de EPI: 
 luvas, botas, máscara, capacete, jaleco e protetor auricular. 
Como já foi dito anteriormente, o EPI nunca deve ser a primeira opção, na 
verdade ele só deve ser usado em último caso. A sua utilização ocorre 
rotineiramente ou excepcionalmente nas seguintes situações: 
 Quando o trabalhador se expõe diretamente a riscos não controláveis por 
outros meios técnicos de segurança, ou seja, quando não for possível eliminar o 
risco por outras medidas ou equipamento de proteção coletiva (EPC). 
Exemplo: uso de óculos, protetores, máscaras e outros EPIs em operações com 
aparelhos de soldagem. 
 Quando o trabalhador se expõe a riscos apenas parcialmente controlados por 
outros recursos técnicos, um caso seria quando for necessário que um 
funcionário além de utilizar a proteção coletiva faça uma complementação com 
o uso de uma proteção individual. 
http://www.aguado.com.br/produtos/mostra/16/epi---equip-protecao-individual.html
33 
 
Exemplo: uso de máscaras respiratórias apropriadas em cabines de pintura, 
mesmo que ela já seja provida de ventilação. 
 A título precário, em período de instalação, reparos ou substituição de 
dispositivos, para impedir o contato do trabalhador com o fator de risco. 
Situações com exposição de curto período. 
Exemplo: Uso de luvas de amianto para a manipulação de peças quentes, 
enquanto não se dispõe de equipamentos para esse manuseio. 
 Em trabalhos eventuais e ou emergenciais, ou seja, quando a rotina do trabalho 
é quebrada por qualquer anormalidade, exigindo o uso de proteção 
complementar e temporária pelos trabalhadores envolvidos. 
Exemplo: uso de máscaras respiratórias apropriadas para reparos de 
vazamentos de contaminantes. 
A padronização dos EPIs é feita de acordo com o estabelecido na legislação, 
dentro das necessidades da Empresa e com aprovação do Serviço 
Especializado em Engenharia de Segurança em Medicina do Trabalho (SESMT). 
O profissional que ficar responsável pela seleção do EPI a ser usado deve ter no 
mínimo o conhecimento: 
 Do equipamento; 
 Das condições em que o trabalho é executado; 
 Do tipo de risco a ser prevenido; 
 Da parte do corpo a ser atingida; 
 Das características e qualidade técnica do EPI; 
 Do grau de proteção que o produto deve proporcionar; 
 Se ele possui o certificado de aprovação (CA) do Ministério do Trabalho e 
Emprego. 
34 
 
A utilização de Equipamentos de Proteção Individual – EPI é obrigatória para 
todos os trabalhadores, de acordo com as definições feitas pelo SESMT da 
Empresa. 
Cabe à empresa o fornecimento do EPI adequado, entretanto não adianta 
apenas providenciar o equipamento ao funcionário, é preciso conscientizá-lo da 
importância do seu uso na prevenção de acidentes e doenças e fornecer 
informação através de capacitações continuadas da forma correta de utilizá-los. 
O empregador deve controlar o uso do EPI adequado ao risco, conforme a 
legislação específica e quando solicitado ou observar que o produto não oferece 
proteção eficiente contra o agente nocivo, o supervisor ou representante do 
SESMT deve providenciar a substituição do equipamento. 
Quando a empresa fornece um equipamento de proteção individual a um 
funcionário é recomendado que ela emita uma declaração. Este documento vai 
servir tanto para comprovar que o equipamento foi entregue ao funcionário 
quanto para responsabilizar o mesmo pela guarda e uso adequado do EPI. 
Todo EPI deve conter um manual de utilização. Este manual deve ser elaborado 
pelo SESMT, em conjunto com a engenharia e empregados, e tem por objetivo 
apresentar os EPIs padronizados e utilizados na empresa.Neste documento é 
possível encontrar informações quanto às situações de uso, conservação, 
periodicidade de troca, especificações aplicáveis e códigos para requisição, além 
de ser utilizado como material de consulta e treinamento para profissionais do 
SESMT e usuários. 
Voltando à questão do Certificado de Aprovação (CA), este é concedido aos 
EPIs, para fins de comercialização, tendo validade de 5 anos, podendo ser 
renovado. Os EPIs devem apresentar em letras bem visíveis o nome comercial 
da empresa fabricante, o lote de fabricação e o número do CA e no caso de EPI 
importado, o nome do importador, o lote de fabricação e o número do CA. No 
caso de impossibilidade em realizar esta gravação no EPI, o órgão competente 
em matéria de segurança e saúde no trabalho poderá autorizar e determinar uma 
forma alternativa de gravação, a ser proposta pelo fabricante ou importador. 
35 
 
Assista ao vídeo de referência: 
https://www.youtube.com/watch?v=R7VpzTROE6s 
 
4 – ABORDAGEM DA NORMA REGULAMENTADORA 17 – 
ERGONOMIA 
 
O Brasil possui um arcabouço de normas junto ao Ministério do Trabalho e 
emprego. Dentre elas, a Norma Regulamentadora 17 (NR17) é dedicada 
especificamente à ergonomia, e tem por objetivo estabelecer parâmetros que 
permitam a adaptação das condições de trabalho às características 
psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de 
conforto, segurança e desempenho eficiente. Camisassa (2015) reforça que ao 
buscar a adaptação do trabalho ao homem, “a ergonomia supera a concepção 
taylorista de homo economicus, mostra os limites do ponto de vista reducionista 
em que apenas o ‘trabalho físico’ é considerado, revelando a complexidade do 
trabalhador e a multiplicidade dos fatores que o compõem”. A seguir, veremos o 
alcance das expressões condições de trabalho, organização do trabalho e 
características psicofisiológicas, importantes no entendimento da NR17. 
 
4.1 - Introdução à Organização do Trabalho 
Neste tópico introdutório veremos o arcabouço de informações que constam na 
NR17 com relação à organização do trabalho. A diante, por se tratar de um 
assunto mais profundo iremos abordá-lo novamente. Para efeito da NR17, 
deve levar em consideração, no mínimo: 
- as normas de produção; 
- o modo operatório; 
-a exigência de tempo; 
- a determinação do conteúdo de tempo; 
- o ritmo de trabalho; 
- o conteúdo das tarefas. 
https://www.youtube.com/watch?v=R7VpzTROE6s
36 
 
 
 
Figura 15: Ritmo de produção 
https://br.depositphotos.com 
 
Para conhecermos a organização do trabalho em uma empresa, é preciso 
observar atentamente como o trabalho é realizado, conversar com os 
trabalhadores, identificar o modo ou a forma de executar determinadas tarefas, 
se o trabalho é baseado em metas (às vezes inatingíveis), quem ou o que 
determina o ritmo do trabalho, entre outros. A figura 16 apresenta um esquema 
que auxiliará o entendimento e a fixação dos conceitos, condições de trabalho e 
organização do trabalho. 
 
Figura 16: Esquema ilustrativo de condições e organização do trabalho 
Fonte: Camisassa (2015) 
https://br.depositphotos.com/
37 
 
Ainda na mesma esteira, devemos ter em mente que ela abrange: 
- as normas de produção; 
- o modo operatório; 
- a exigência de tempo; 
- a determinação do conteúdo de tempo; 
- o ritmo de trabalho; 
- o conteúdo das tarefas. 
As normas de produção são as regras da empresa, escritas ou não, que o 
trabalhador deve seguir para realizar suas tarefas, por exemplo: jornada de 
trabalho, horário de pausas e intervalos, as máquinas e ferramentas que deverá 
utilizar para realizar sua tarefa etc. 
 
Figura 17: Máquinas e disposição delas numa empresa. 
Fonte: https://br.depositphotos.com 
O modo operatório diz respeito às atividades que devem ser executadas para 
realização do trabalho. 
Silva (2013), afirma que existe o modo operatório prescrito (ou trabalho 
prescrito), que é aquele ditado pela empresa, e o modo operatório real (ou 
trabalho real), que é o modo particular, individual, que cada trabalhador adota 
para execução de seu trabalho. Além das condições psicofisiológicas do 
https://br.depositphotos.com/
38 
 
trabalhador, o modo operatório depende também das condições da matéria-
prima, do estado das ferramentas e das máquinas utilizadas na realização do 
trabalho. O improviso também faz parte do trabalho real. 
 
Figura 18: Modo operatório e improviso. 
Fonte: https://br.depositphotos.com 
 
A exigência de tempo diz respeito às metas da produção: “quanto deve ser 
produzido em determinado tempo, sob imposição”. Os limites fixados pela 
empresa muitas vezes superam a capacidade do trabalhador, colocando em 
risco sua saúde. Um exemplo é o trabalho repetitivo, causador de distúrbios 
osteomusculares. 
A determinação do conteúdo de tempo está relacionada à atividade que envolve 
subtarefas. Por exemplo, um auxiliar de produção em um frigorífico de aves, que 
trabalha na área de corte: durante a execução de seu trabalho ele precisa se 
afastar do seu posto de trabalho várias vezes durante o dia, seja para amolar a 
faca, seja para lavar seu avental. Essas tarefas (amolar a faca, lavar o avental) 
são consideradas subtarefas, necessárias para a realização da tarefa principal 
(cortar as partes das aves). É importante que a análise ergonômica leve em 
consideração a realização dessas subtarefas, seja para reestruturá-las, ou até 
mesmo redesenhar o arranjo físico. Alguns autores chamam as subtarefas de 
tarefas invisíveis. 
https://br.depositphotos.com/
39 
 
O ritmo de trabalho pode ser livre, ou seja, o próprio trabalhador t em 
autonomia para determinar a cadência de movimentos, ou pode ser imposto por 
uma esteira ou uma linha de montagem. É também classificado como ritmo de 
trabalho imposto aquele que é influenciado pelo modo de remuneração, por 
exemplo, renda variável de acordo com a quantidade de peças fabricadas por 
dia. 
A cadência refere-se à velocidade dos movimentos que se repetem em 
uma dada unidade de tempo e, por isso, concerne ao aspecto quantitativo; já a 
o sentido da palavra ritmo refere-se ao aspecto qualitativo. 
O conteúdo das tarefas está relacionado ao modo como o trabalhador percebe 
seu trabalho: 
- socialmente importante, desafiador, monótono etc. 
 
 
4.2 - Características Psicofisiológicas 
 
Como mencionamos acima as características psicofisiológicas, cabe aqui 
abordar que estas dizem respeito a todo o conhecimento referente ao 
funcionamento do ser humano. Se a ergonomia se distingue pela sua 
característica de buscar a adaptação das condições de trabalho ao homem, a 
primeira pergunta a se colocar é: quem é esse ou quem são esses seres 
humanos a quem vou adaptar o trabalho? Nessa questão, todo o conhecimento 
antropológico, psicológico, fisiológico do ser humano está aí incluído, e não 
podemos fazer uma listagem completa dessas características. Ainda não se tem 
um conhecimento acabado sobre o homem. Entretanto, todas as aquisições dos 
diversos ramos do conhecimento devem ser utilizadas na melhoria das 
condições de trabalho. Camisassa (2015) apresenta alguns exemplos das 
principais características psicofisiológicas do ser humano, que são consenso 
entre os estudiosos e estão implícitas na redação da NR17. Nessas situações o 
trabalhador: apresenta sinais de estresse quando tem seu rendimento avaliado 
por meio de metas de desempenho; prefere impor seu próprio ritmo de trabalho, 
40 
 
incomoda-se com tarefas com tempo de execução reduzido; apresenta uma 
tendência a acelerar seu ritmo de trabalho quando motivado financeiramente ou 
por algum programa de premiação; prefere escolher livremente sua postura no 
posto de trabalho. Observem, então, que no contexto do ambiente de trabalho 
as características psicofisiológicas se referem a comportamentos reacionais 
físicos e psicológicos diante de determinada atividade imposta ao trabalhador.A 
ergonomia almeja o bem-estar do trabalhador, e o resultado das adaptações por 
ela propostas deverá proporcionar conforto e segurança, bem como garantir a 
eficiência do seu trabalho, evitando esforços repetitivos ou, ainda, a execução 
de rotinas de trabalho mal planejadas. 
 
4.3 - Análise Ergonômica do Trabalho 
 
Segundo Silva (2013), a NR17 determina que, para avaliar a adaptação das 
condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, 
cabe ao empregador realizar a análise ergonômica do trabalho, devendo 
abordar, no mínimo, as condições de trabalho, conforme estabelecido na NR17. 
A Análise Ergonômica do Trabalho (AET) é uma abordagem metodológica 
proposta pela Ergonomia, que realiza uma avaliação detalhada e minuciosa das 
tarefas, modos operatórios, comparação entre o trabalho real e o trabalho 
prescrito, variabilidade do contexto do trabalho (condições ambientais, 
trabalhadores mais altos, mais baixos etc.), bem como dos instrumentos 
utilizados. A partir daí, são apresentadas propostas, como mudanças de arranjo 
físico, de mobiliário, e até mesmo de postura de trabalho. Entretanto, para se 
validarem as mudanças é imprescindível submeter as propostas aos 
trabalhadores (nova ferramenta, novo processo, novo mobiliário). Além disso, é 
necessário que o ergonomista ou responsável pela AET acompanhe a execução 
das atividades dos trabalhadores ao longo de determinado período, evitando-se 
uma visão pontual da execução das tarefas. As atividades devem ser 
decompostas em indicadores observáveis: 
deslocamentos, gestos, posturas, comunicações (com a chefia, colegas, 
clientes, fornecedores), punições, movimentos, solicitação visual da tarefa, 
41 
 
verbalizações simultâneas ao trabalho, jargões e manifestações de cansaço ou 
desprazer. 
Durante o levantamento de dados da AET, também podem ser utilizados 
questionários e check-lists. Entretanto, alguns estudiosos destacam que, em 
razão de sua subjetividade, essas ferramentas devem ser usadas 
apropriadamente, pois podem limitar a verificação do trabalho real em 
contraposição ao trabalho prescrito. 
Ademais, toda introdução de novos métodos ou dispositivos tecnológicos que 
alterem os modos operatórios dos trabalhadores deve ser alvo de análise 
ergonômica prévia, estabelecendo-se períodos e procedimentos adequados de 
capacitação e adaptação. 
 
Figura 19: Checklist para AET. 
Fonte: https://br.depositphotos.com 
 
Assita o vídeo de referência: https://www.youtube.com/watch?v=z4SMNjWDJps 
 
Leitura complementar 02: Faça a leitura da Nota Técnica 287/2016 
http://www.ufrgs.br/medtrabalho/nt-287 
 
 
 
https://br.depositphotos.com/
https://www.youtube.com/watch?v=z4SMNjWDJps
http://www.ufrgs.br/medtrabalho/nt-287
42 
 
4.3.1 - Etapas da AET 
A Análise Ergonômica deverá conter, minimamente, as seguintes etapas: 
- análise da demanda e do contexto; 
- análise global da empresa; 
- análise da população de trabalhadores; 
- definição das situações de trabalho a serem estudadas; 
- descrição das tarefas prescritas, das tarefas reais e das atividades 
desenvolvidas para executá-las. 
A demanda pela análise ergonômica tem diversas origens. Pode ser a 
constatação de que em determinado setor há um número elevado de doenças 
ou acidentes (demanda de saúde) ou reclamações de sindicato de trabalhadores 
(demanda social) ou a partir de uma notificação de auditores fiscais do trabalho 
ou de ações civis públicas (demandas legais) que, por sua vez, também se 
originaram de alguma queixa ou reclamação. Da parte das empresas, uma 
demanda quase sempre advém da necessidade de melhorar a qualidade de um 
produto ou serviço prestado ou motivado por maiores ganhos de produtividade. 
A demanda deve ser estudada para direcionar a análise do contexto, ou seja, 
para situar o problema a ser analisado. 
A análise global da empresa busca identificar o grau de evolução técnica em que 
se encontra a empresa, sua posição no mercado, sua situação econômico-
financeira, a expectativa de crescimento, entre outros fatores. Tudo isso para 
que as soluções propostas possam ser adequadas à realidade da empresa. Não 
se propõe uma automação baseada na microeletrônica de última tecnologia, 
para uma empresa de caseira ou simplória, assim como não se propõe a solução 
de um novo arranjo físico, sem levar em conta o aumento da quantidade de 
empregados. 
Na etapa de análise da população de trabalhadores devem ser estudados vários 
fatores como a política de pessoal, a faixa etária, evolução da pirâmide de 
idades, rotatividade, antiguidade na função atual e na empresa, tipos de contrato, 
43 
 
experiência adquirida, categorias profissionais envolvidas, níveis hierárquicos, 
características antropométricas, pré-requisitos para contratação, nível de 
escolaridade e capacitação, estado de saúde, morbidade, mortalidade, 
absenteísmo. Sem conhecermos a população à qual se destina, é logicamente 
impossível promover a adaptação do trabalho ao homem, objetivo final da 
ergonomia. A definição das situações de trabalho a serem estudadas terá como 
ponto de partida a demanda dos primeiros contatos com os trabalhadores e das 
hipóteses iniciais que já começam a ser formuladas. A escolha deve levar em 
conta a gravidade e a urgência das situações de trabalho encontradas. 
A descrição das tarefas prescritas, das tarefas reais e das atividades se refere à 
descrição do trabalho prescrito e do trabalho real. O trabalho prescrito é a forma 
como trabalho deve ser executado de acordo com as determinações da 
empresa: o modo de utilizar as ferramentas e as máquinas, o tempo concedido 
para cada operação, e as regras a serem observadas. O trabalho real é o 
trabalho efetivamente executado pelo trabalhador. Ou seja, o trabalho real é 
como o trabalhador executa o trabalho prescrito. As inadequações para 
execução do trabalho ficam evidenciadas quando se nota o descompasso entre 
o que é exigido pela empresa e o que é realmente executado pelo trabalhador. 
 
4.4 - Levantamento, Transporte e Descarga Individual de Material. 
 
No item 17.2 da NR17, é abordado o tema “levantamento, transporte e descarga 
individual de materiais”, aqui, convidamos você, caro leitor, para a leitura do texto 
abaixo. 
4.4.1 – Leitura complementar 01 - Artigo 198 CLT – contradição e erro. 
Ao estabelecer o limite de 60 quilos como peso máximo a ser movimentado 
individualmente por um trabalhador, conforme consta no art. 198 da CLT, o 
legislador nacional incorreu em um erro técnico e em uma grave inadequação do 
ponto de vista preventivo. O erro técnico está na unidade de medida utilizada: o 
elaborador adotou a unidade de massa “kg” (quilo) ao se referir ao peso, cuja 
44 
 
unidade correta, segundo o Sistema Internacional de Medidas, é o “kgf” 
(quilograma-força), ou “N” (Newton). 
A inadequação do ponto de vista preventivo decorre da desconsideração de 
premissas básicas sobre as condições de levantamento da carga, condições 
físicas do trabalhador e das consequências à sua saúde. A elevação de uma 
carga de 60 quilos pode provocar lesões na coluna e nas articulações do joelho 
e cotovelos. A redação do art. 198 da CLT contradiz a Convenção 127 – Peso 
Máximo das Cargas – da Organização Internacional do Trabalho (OIT), ratificada 
pelo Brasil em 1970. O artigo III dessa convenção estabelece que: “O transporte 
manual, por um trabalhador, de cargas cujo peso seria suscetível de 
comprometer sua saúde ou sua segurança não deverá ser exigido nem 
admitido”. O art. 198 da CLT também é contrário à Norma ISO 6385:2004 que 
trata dos Princípios Ergonômicos para Sistemas de Trabalho. Essa norma dispõe 
que: “As demandas de força devem ser compatíveis com as capacidades físicas 
do trabalhador, devendo-se considerar os conhecimentos científicos sobre as 
relações entre forças, frequência de aplicação, postura, fadiga, etc.”. O artigo em 
comento tambémé incompatível com o art. 7.º, XXII, da Constituição Federal de 
1988, cuja redação determina que é direito do trabalhador a redução dos riscos 
inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança. 
Finalmente, esse artigo também é contrário ao item 17.2.2 da NR17, conforme 
apresentado a seguir. 
 
A NR17, com o objetivo de adaptar as condições de trabalho às condições do 
trabalhador, determina em seu item 17.2.2 que: 
Não deverá ser exigido nem admitido o transporte manual de cargas, por um 
trabalhador cujo peso seja suscetível de comprometer sua saúde ou sua 
segurança. Para analisar qual norma deve prevalecer, se o art.198 da CLT ou o 
item 17.2.2 da NR17, deve-se considerar que essa norma é superveniente à CLT 
e mais favorável ao trabalhador. Dessa forma, toda e qualquer análise do valor 
máximo para levantamento de carga deve partir do texto da NR17. A redação do 
item 17.2.2 nos leva inexoravelmente à seguinte pergunta: Qual é o peso que 
não comprometerá a saúde e a segurança do trabalhador? A resposta está em 
45 
 
uma equação proposta pelo National Institute for Occupational Safety and Health 
(NIOSH), conhecida como Equação de NIOSH. 
Essa equação determina um critério de avaliação para o levantamento manual 
de cargas e permite avaliar as chances de o trabalhador apresentar lesões na 
coluna e no sistema musculoligamentar durante a jornada de trabalho, em função 
do peso da carga a ser levantada e movimentada. Esse critério adota os 
seguintes indicadores: Limite de Peso Recomendado (LPR); e Índice de 
Levantamento (IL) (Lifting Risk). 
4.4.2 - Equação de NIOSH 
Limite de Peso Recomendado (LPR): O cálculo do LPR parte do princípio de que 
o peso máximo a ser levantado, em condições ideais, por 90% dos homens e 
75% das mulheres, sem causar lesões, é 23 kg. O levantamento de cargas em 
condições ideais, com peso inferior a esse valor, não apresentará significativo 
comprometimento do sistema osteomuscular. 
O LPR é obtido a partir da seguinte equação: 
LPR = LC * HM * VM * DM * AM * FM * CM, em que: 
LC: constante de carga (23 kg) 
HM: distância horizontal do indivíduo à carga 
VM: localização vertical da carga (na origem, em relação ao trabalhador) 
DM: distância vertical (percorrida pela carga ao ser levantada) 
AM: ângulo de assimetria (necessidade de rotação lateral do tronco) 
FM: frequência de levantamento 
CM: qualidade da pega da carga 
O LPR é obtido a partir da multiplicação, dos fatores indicados acima, à 
constante de carga. 
Tais fatores têm como referência condições ideais de levantamento, e o valor 
efetivo correspondente a cada um deles é atingido em função dos desvios que a 
tarefa a ser executada apresenta em relação a essas condições. O valor máximo 
46 
 
de cada um desses fatores é 1, de forma que o valor máximo do LPR é 23 kg. 
Quanto mais próximas as condições de levantamento da carga estiverem das 
condições ideais (valor dos fatores próximos ou iguais a 1), mais próximo o LPR 
estará dos 23 kg. Por outro lado, quanto mais distantes as condições de 
levantamento da carga estiverem das condições ideais (valor dos fatores 
menores que 1), mais afastado o LPR estará dos 23 kg. 
 
Limite de Peso Recomendado (LPR) 
Uma vez determinado o LPR, calcula-se o Índice de Levantamento: 
 
 
Com a determinação do Índice de Levantamento, pode-se estimar a magnitude 
relativa do estresse físico de uma tarefa, definir as prioridades das ações de 
modificação da atividade, utilizar os fatores multiplicadores para identificar 
problemas específicos relacionados ao trabalho, além de utilizar o peso limite 
como peso recomendado para a redução do risco. A tabela a seguir apresenta 
como deve ser feita a interpretação dos valores obtidos para o Índice de 
Levantamento: 
TABELA II: Índice de levantamento de cargas. 
 
Fonte: Camisassa (2015) 
 
 
 
4.5 - Transporte Manual de Cargas 
 
De acordo com a NR17, transporte manual de cargas é definido como todo 
transporte no qual o peso da carga é suportado inteiramente por um só 
47 
 
trabalhador, compreendendo as atividades de levantamento e deposição da 
carga. Já a expressão transporte manual regular de cargas designa toda 
atividade realizada de maneira contínua ou que inclua, mesmo de forma 
descontínua, o transporte manual de cargas. No transporte manual de cargas 
deverão ser usados meios técnicos apropriados com o objetivo de limitar ou 
facilitar a execução da tarefa. Todo trabalhador designado para o transporte 
manual regular de cargas, com exceção das cargas leves, deve receber 
treinamento ou instruções satisfatórias quanto aos métodos de trabalho que 
deverá utilizar, com intuito de proteger sua saúde e prevenir acidentes. A NR17 
não define os parâmetros a serem considerados para definição de cargas leves, 
mas vale também o uso, do critério da equação de NIOSH, como vimos 
anteriormente. De qualquer forma, não deverá ser exigido nem admitido o 
transporte manual de cargas por um trabalhador cujo peso seja suscetível de 
comprometer sua saúde ou segurança. Quando mulheres e trabalhadores jovens 
(entre 14 e 16 anos) forem designados para o transporte manual de cargas, o 
peso máximo dessas cargas deverá ser nitidamente inferior àquele admitido para 
os homens, para não comprometer a sua saúde ou a sua segurança. O 
transporte e a descarga de materiais feitos por impulsão ou tração de vagonetes 
sobre trilhos, carros de mão ou qualquer outro aparelho mecânico, bem como o 
levantamento de material feito com equipamento mecânico, deverão ser 
executados de forma que o esforço físico realizado pelo trabalhador seja 
compatível com sua capacidade de força e não comprometa sua saúde ou 
segurança. 
Asssita ao vídeo de referência: 
https://www.youtube.com/watch?v=f4q4Z9NpMO4 
 
4.6 - Mobiliário dos Postos de Trabalho 
 
O mobiliário deve ser concebido com regulagens que permitam ao trabalhador 
adaptá-lo às suas características antropométricas (altura, peso, comprimento 
dos braços, das pernas etc.), além de permitir alternâncias de posturas (sentado, 
em pé etc.), pois não existe nenhuma postura fixa que seja confortável. No 
https://www.youtube.com/watch?v=f4q4Z9NpMO4
48 
 
entanto, além de considerar fatores antropométricos, o mobiliário deve ser 
adaptado à natureza do trabalho, ou seja, às exigências da tarefa. Por exemplo: 
caso exista necessidade de esforço físico com os membros superiores, um plano 
mais baixo permite que a força seja exercida com o antebraço em extensão, que 
é a posição na qual se consegue maior força. Por outro lado, se há grande 
necessidade de controle visual da tarefa (por exemplo, costurar), um plano mais 
elevado facilita a aproximação dos olhos até o detalhe a ser visualizado. O item 
17.3.2. determina que, para o trabalho manual sentado ou que tenha de ser feito 
em pé, as bancadas, mesas, escrivaninhas e os painéis devem proporcionar ao 
trabalhador condições de boa postura, visualização e operação, e devem 
atender aos seguintes requisitos mínimos: ter altura e características da 
superfície de trabalho compatíveis com o tipo de atividade, com a distância 
requerida dos olhos ao campo de trabalho e com a altura do assento; ter área de 
trabalho de fácil alcance e visualização pelo trabalhador; ter características 
dimensionais que possibilitem posicionamento e movimentação adequados dos 
segmentos corporais. 
Assista ao vídeo de referência: https://www.youtube.com/watch?v=k7OvIf99ptw 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
https://www.youtube.com/watch?v=k7OvIf99ptw
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4.7 – Pedais 
 
 
Figura 20: Pedais para operação. 
 
Para trabalhos que necessitem da utilização dos pés, além dos requisitos 
estabelecidos no item 17.3.2, os pedais e demais comandos para acionamento 
pelos pés devem ter posicionamento e dimensões que possibilitem fácil alcance, 
bem como ângulos adequados entre as diversas partes do corpo do trabalhador,

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