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Crimes Cibernéticos: Conceitos Fundamentais

Aula sobre Crimes Cibernéticos: introdução ao conceito analítico de crime no direito penal informático, adotando a teoria tripartida (tipicidade, antijuridicidade, culpabilidade); detalha fato típico (conduta, resultado, nexo de causalidade, tipicidade) e causas de exclusão da ilicitude (art.23 CP).

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AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CRIMES CIBERNÉTICOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Juliana Bertholdi 
 
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TEMA 1 – INTRODUÇÃO AO CONCEITO ANALÍTICO DE CRIME 
Como já aduzido anteriormente, a disciplina tem por escopo estudar o 
direito penal informático, razão pela qual se faz fulcral que se introduzam 
brevemente as noções que permeiam as Ciências do Direito Penal, a fim de que 
se sintam igualmente contemplados o aluno que não cursou Direito. Um desses 
conceitos fulcrais para o estudo do direito penal é o conceito de crime. 
Historicamente, a preocupação com a legitimidade da criminalização, do 
ponto de vista da conduta, somente emergiu com o estudo detido do bem jurídico: 
a partir da atenção dos estudiosos ao objeto de tutela da norma penal, surgiu o 
conceito material de crime, que se opõe ao conceito formal pautado no 
legalismo. Enquanto a preocupação primeira do conceito formal seria puramente 
legalista – se a lei diz que é crime, basta –, o conceito material preocupa-se 
precipuamente com a ofensa ao bem jurídico que a norma busca tutelar – sem 
ofensa ao bem jurídico, não há efetivamente crime. 
Entendendo que por vezes a mera ofensa ao bem jurídico pode ignorar as 
complexidades das relações humanas, sendo assim necessária análise mais 
pormenorizada da conduta que se pretende criminosa, passou a se entender que 
o estudo de alguns elementos seria fundamental para análise da conduta a fim 
de identificá-la como passível de repressão estatal: surge desse modo o conceito 
analítico de crime, formado pelos elementos do crime. 
Assim, neste primeiro tópico, vamos explanar como se conceitua a conduta 
criminosa na atualidade: crime é a conduta típica, antijurídica e culpável, 
prevista em lei estrita anteriormente ao seu cometimento (como vimos quando 
abordamos o princípio da anterioridade). Nesse sentido, de acordo com Gomes: 
O conceito de delito ainda hoje predominante na ciência do Direito Penal 
(em termos internacionais, inclusive) é o tripartido (cf. Juarez Cirino dos 
Santos, A moderna teoria do fato punível, cit., p. 5), elaborado da 
seguinte forma: fato típico, antijurídico e culpável. 
Quase a totalidade absoluta dos manuais de Direito penal (fora do Brasil 
e até mesmo alguns brasileiros: Bitencourt, Regis Prado, Fragoso, 
Juarez Cirino, Greco etc.) adota esse sistema (tripartido). (2007, p.190-
191) 
Tomaremos por referência acadêmica a teoria do conceito tripartido do 
crime, em que a conduta criminosa se configura quando estão presentes seus 
três elementos fundamentais: tipicidade, antijuridicidade e culpabilidade. 
Crime = fato típico + antijurídico + culpável 
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Vejamos cada um dos elementos. 
1.1 Fato típico 
Fato típico é composto por conduta, resultado, nexo de causalidade e 
tipicidade. 
 Conduta é a ação ou a omissão humana voluntária. A conduta pode ser 
comissiva ou omissiva, sendo a primeira consistente num ato, e a segunda, 
a omissão de agir. A conduta pode ainda ser dolosa, quando há a intenção 
de cometê-la, ou culposa, quando cometida mediante imperícia, 
imprudência ou negligência. 
 Resultado consiste na materialização da conduta, a verificação dos 
resultados empíricos. Há de se anotar, no entanto, que existem crimes que 
independem de resultado naturalístico (material); a estes crimes damos o 
nome de crime de mera conduta. 
 Nexo de causalidade é a ligação entre a conduta, o ato praticado e o 
resultado naturalístico. Para haver fato típico, a conduta deve ser o fato 
gerador do resultado. 
 Tipicidade se refere à previsão legal; é a adequação do fato/ação a uma 
norma penal incriminadora previamente editada. 
1.2 Antijuridicidade 
A antijuridicidade é a contrariedade ao direito posto; assim, a 
antijuridicidade se perfaz a partir da verificação de que determinada conduta 
efetivamente viola regras jurídicas impostas pelo ordenamento jurídico local. 
Assim, enquanto a tipicidade está ligada à previsão legal de determinado ato, a 
antijuridicidade oferece visão mais sistêmica. 
Neste escopo, adotando justamente a visão sistêmica, é importante 
salientar que o Código Penal Brasileiro prevê, em seu art. 23, as causas de 
exclusão de ilicitude (antijuridicidade): 
Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: 
I - em estado de necessidade; 
II - em legítima defesa; 
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de 
direito. (Brasil, 1984) 
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Neste sentido, incidindo o sujeito em alguma das causas de exclusão da 
ilicitude anteriormente elencadas, deixa de existir a conduta criminosa por 
ausência de elemento essencial do conceito analítico de crime. 
1.3 Culpabilidade 
A culpabilidade é a reprovabilidade da conduta praticada pelo agente. 
Resta perfectibilizada nas oportunidades nas quais se verifica que seria exigível 
do autor que agisse de acordo com a legislação vigente, mas ele deliberadamente 
opta por infringir tais normas. 
A culpabilidade é composta por: 
Imputabilidade + potencial consciência da ilicitude + exigibilidade de conduta 
diversa 
 Imputabilidade: consiste na possibilidade de o autor responder 
criminalmente por seus atos. Deve se configurar nos critérios biológico 
(maior de 18 anos) e psicológico (condições de entender o caráter lícito ou 
ilícito de seus atos). 
 Potencial consciência da ilicitude: trata-se da possibilidade de o homem 
médio entender que age em contrariedade das normas jurídicas. 
 Exigibilidade de conduta diversa: possibilidade de que o agente aja de 
acordo com a norma sem danos maiores do que os por ele causados. 
TEMA 2 – TUTELA AOS BENS INFORMÁTICOS 
Como bem ensinam Jesus e Milagre (2016, p. 47), tratar de crimes 
informáticos sempre foi um desafio, especialmente com um Código Penal da Era 
do Rádio. O Código Penal, Decreto-lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940, 
embora tutele boa parte dos delitos informáticos, é omisso em questões em que 
a informática é o bem protegido pelo direito penal. 
Por razões evidentes que remontam à época de sua promulgação, o 
Código Penal não tratava a informática como um bem jurídico relevante, 
merecedor da tutela do direito penal. Foi apenas com o desenvolvimento da 
sociedade da informação, mencionada anteriormente, que o Direito começou a 
reconhecer outros valores penalmente relevantes, passando a se falar então 
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em normas protetoras dos direitos dos cidadãos em face das novas tecnologias e 
do uso mal-intencionado delas. 
Considerando assim que o direito penal é a ultima ratio, ou seja, só deve 
agir preservando os bens mais relevantes e imprescindíveis das relações sociais, 
intervindo minimamente na vida do cidadão, não foi tarefa fácil aprovar a 
legislação que tipifica crimes cibernéticos – era preciso demonstrar que os bens 
jurídicos informáticos mereciam também a tutela penal. 
Assim se posicionaram Jesus e Milagre (2016, p. 43): 
novas figuras delitivas no Código Penal, embora no nosso sentir não 
resolvam o problema da falta de estrutura investigativa, sem dúvida 
alguma eram clamadas por autoridades e operadores do Direito. E elas 
surgiram. 
De fato, é inegável que onde há relevância econômica deve haver 
relevância jurídica, e é esta a tutela que se apresenta, a proteção á 
incolumidade de informações bancárias, financeiras, dentre outras 
informações geradas e tratadas por pessoas físicas e jurídicas. Sistemas 
informáticos processam e tratam dados eletrônicos, geral significado e 
informações. Logo, são merecedores da tutela penal, pois a informação 
é bem precioso. 
Desta feita, ainda nos ensinamentos deJesus e Milagre (2016, p. 48): 
como salienta Ferreira Lima (2011, p. 6) diante da evolução tecnológica 
existe uma predisposição social em reconhecer os bens jurídicos 
informáticos, dentre os quais se destacam o sigilo e a segurança de 
dados e informações eletrônicas. Destaca a autora que é tal juízo de 
reprovação (violação a dados e informações privadas) que move o 
Direito Penal. Vai além ao afirmar que um juízo de reprovação inicial até 
existia, mas foi preciso uma pessoa pública ser vitimada por um suposto 
crime informático para que somente então a questão ganhasse 
relevância e o legislativo finalmente encerrasse discussão de mais de 10 
(dez) anos no Congresso Nacional, com a aprovação da Lei nº 
12737/2012, sancionada em novembro deste mesmo ano. 
Esse foi, portanto, o processo que levou ao reconhecimento dos dados 
informáticos e dispositivos ao status de valores jurídicos fundamentais às relações 
sociais de uma sociedade dependente da tecnologia da informação. 
Assim, é importante destacar que os bens jurídicos tutelados pelos crimes 
cibernéticos são atinentes justamente à informação. Demais crimes cometidos 
em ambiente cibernético, por mais que façam uso das técnicas e ferramentas 
cibernéticas, são cometidos em face de bem jurídico diverso, muitas vezes 
tutelado em delito autônomo do Código Penal – que pode ser agravado, majorado 
pelo emprego de tais técnicas em seu exercício. 
 
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TEMA 3 – CONCEITO JURÍDICO DE CRIME INFORMÁTICO 
 Estabelecido o bem jurídico dos crimes informáticos, resta abordar o 
consequente crime informático. Destaca-se, novamente, que tais crimes se tratam 
de fenômeno inerente às transformações tecnológicas que a sociedade 
experimenta e que influenciam diretamente no direito penal. 
 A Organization for Economic Cooperation and Development (OECD), de 
1986, conceitua crime eletrônico como: “[...] qualquer comportamento ilegal, aético 
ou não autorizado envolvendo processamento automático de dados e, 
transmissão dos dados, podendo implicar a manipulação de dados ou 
informações, a falsificação de programas, o acesso e/ou uso não autorizado de 
computadores e redes.” 
 Neste sentido, destaca Ferreira (2004): 
Vianna (2003, p.2-3) alerta sobre a utilização desse termo e explica que, 
partindo do conceito formal de crime, conclui-se que, para o Direito Penal 
brasileiro, algumas condutas ditas na bibliografia como crimes de 
Informática, como, por exemplo, o acesso não-autorizado a sistemas, 
não é crime, visto não haver previsão legal de tais condutas no Código 
Penal de nosso país. Quanto ao conceito analítico, segundo o qual crime 
é toda a conduta típica e antijurídica, tais ações são apenas condutas 
atípicas, pois não são contempladas em nenhum dos tipos penais do 
nosso sistema jurídico penal. Já com relação ao conceito material, é 
mister verificar se a conduta ofende ou não a um bem juridicamente 
tutelado. O autor afirma que “a inviolabilidade das informações é 
decorrência natural do direito à privacidade, devendo, portanto, ser 
reconhecida como bem jurídico essencial para a convivência numa 
sociedade”. 
Assim, defende o autor, a inviolabilidade de dados e informações 
armazenados em sistemas computadorizados surge como um novo bem 
jurídico a ser tutelado pelo Direito Penal, de forma a garantir a 
privacidade e a integridade desses bens. Então, “existindo um bem 
jurídico a ser tutelado, há crime sob o aspecto material. A simples 
omissão normativa não é suficiente para descaracterizá-lo como objeto 
de estudo do Direito Penal, já que este reconhece sua existência sob o 
aspecto material”. 
A doutrina apresenta ainda significativa divergência entre delitos 
informáticos e criminalidade na internet: os crimes informáticos teriam como objeto 
de ataque um elemento informático, ou seja, dados ou sistemas informáticos, 
enquanto a criminalidade na internet seria o instrumento do delito (Jesus; Milagre, 
2016, p. 49). 
Assim, conforme Jesus e Milagre (2016, p. 49), conceitua-se crime 
informático como: 
o fato típico e antijurídico cometido por meio da ou contra a tecnologia 
da informação. Desta feita, decorre do Direito Informático, que é o 
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conjunto de princípios, normas e entendimentos jurídicos oriundos da 
atividade informática. Assim, é um ato típico e antijurídico, cometido 
através da informática em geral, ou contra um sistema, dispositivo 
informático ou rede de computadores. Em verdade, pode-se afirmar que 
no crime informático, a informática ou é bem ofendido ou o meio para 
ofensa de bem já protegido pelo Direito Penal. 
Parece que no Brasil optou-se por nomear os crimes cometidos contra a 
informática de delitos informáticos, termo usual nos países de língua espanhola 
que se relaciona à ideia de proteção informática do objetivo jurídico. 
Deste modo, os crimes virtuais eram em tese considerados crimes-meio, 
em que se utilizaria meio virtual para atingir bem jurídico já tutelado. No entanto, 
discordam Jesus e Milagre (2016, p. 49) ao aduzirem que “o crime virtual pode ser 
tanto um crime meio quando um crime fim, o que inclusive demandou a tipificação 
autônoma de alguns crimes informáticos próprios, com as leis 12.735/2012 e 
12.737/2012”. Nesse sentido vale citar o HC n. 76.689/PB. 
Os exemplos citados pelos autores como crimes mais comuns praticados 
na rede são o estelionato, a pornografia infantil, e os ataques mais comuns 
praticados por meio de vírus de computador ou malware, seguidos de invasão de 
perfis nas redes sociais e ataques de phising. Os crimes cibernéticos mais raros 
são aqueles relacionados a utilização de códigos maliciosos, negação de serviço, 
dispositivos roubados, sequestrados e roubo de informações privilegiadas. 
Como visto, “os dados e a segurança dos sistemas e redes informáticos 
clamavam por proteção específica” (Jesus; Milagre, 2016, p. 57). 
TEMA 4 – CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES INFORMÁTICOS 
Assim como em todos os ramos do direito, 
pode-se classificar o Direito da Informática em Direito Civil da Informática 
e Direito Penal da Informática. O Direito Civil da internet é aquele que atrai 
as normas, regulamentações e entendimentos jurídicos atinentes às 
relações privadas oriundas ou realizadas por meio da tecnologia da 
informação. Já o Direito Penal da Informática é o complexo de normas, 
regulamentos e entendimentos jurídicos concebidos no escopo de 
repreender fatos criminosos que atentem contra os bens informáticos. 
(Jesus; Milagre, 2016, p. 50) 
Estudaremos parte das classificações mais conhecidas/clássicas, 
destacadas na obra de Jesus e Milagre (2016): 
4.1 Klaus Tiedemann 
Autor da década de 1980, classificou a criminalidade informática no âmbito 
dos delitos econômicos em: 
a) manipulações; 
b) espionagem; 
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c) sabotagem; 
d) furto de tempo. 
 
4.2 Ulrich Sieber 
Autor contemporâneo, classificou a criminalidade informática, ao emitir 
parecer para a Comissão Europeia: 
a) violação à privacidade; 
b) crimes econômicos: 
a. hacking; 
b. espionagem; 
c. pirataria em geral (cópias não autorizadas); 
d. sabotagem e extorsão; 
e. fraude; 
c) conteúdos ilegais e nocivos; 
d) outros ilícitos: 
a. contra a vida; 
b. crime organizado; 
c. guerra eletrônica. 
 
4.3 Martine Briat 
Autora francesa, buscou classificar os delitos informáticos em crimes em 
que a informática é o meio para a prática delituosa, e os demais delitos 
restantes: 
a) manipulação de dados e/ou programas a fim de que se cometa infração 
já prevista na legislação tradicional; 
b) falsificação de dados de programas; 
c) deterioração de dados e de programas e entrave a sua utilização; 
d) divulgação, utilização ou reprodução ilícita de dados e de programas; 
e) uso não autorizado de sistemasde informática. 
 
4.4. Rovira del Canto 
Autor também contemporâneo, com uma das classificações mais amplas: 
a) infrações à intimidade; 
b) ilícitos econômicos; 
c) ilícitos de comunicação ou difusão de conteúdos ilegais ou perigosos; 
d) outros delitos. 
 
4.5 Túlio Lima Vianna (2003, p. 122): 
Vianna adota a classificação que exploraremos mais detidamente, por ser 
a mais utilizada atualmente 
a) impróprios – aqueles em que o computador é usado como instrumento 
para a execução do crime, porém não há ofensa ao bem jurídico 
inviolabilidade dos dados ou informações. Exemplo: crimes contra a honra 
cometidos por meio da Internet; 
b) próprios – aqueles em que o bem jurídico protegido pela norma penal 
é a inviolabilidade dos dados ou informações. Exemplo: Art. 313-A, do CP, 
acrescentado pela Lei nº 9.983/2000, que determina: 
“Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a inserção de dados falsos ou 
excluir indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados da 
Administração Pública com o fim de obter vantagem para si ou para 
outrem ou para causar dano: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos 
e multa” (VIANNA, 2003); 
c) mistos – são crimes complexos em que a norma visa tutelar, além da 
proteção da inviolabilidade dos dados, bem jurídico de natureza diversa. 
São delitos derivados do acesso não-autorizado a sistemas 
computacionais. O autor destaca que, no ordenamento jurídico brasileiro, 
o delito informático fundamental ainda não foi tipificado, enquanto que um 
derivado já o foi, a saber: acesso não-autorizado a sistemas 
computacionais do sistema eleitoral, com a Lei nº 9.100/95, em seu art. 
69, VII, que prevê: “Obter ou tentar obter, indevidamente, acesso a 
sistema de tratamento automático de dados utilizado pelo serviço eleitoral, 
a fim de alterar a apuração ou contagem de votos” (apud VIANNA, 2003); 
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d) mediatos ou indiretos – delito-fim não-informático que herdou essa 
característica do delito-meio informático realizado para poder ser 
consumado. Exemplo: o acesso não-autorizado a um sistema 
computacional bancário para a realização de um furto. Pelo princípio da 
consumação, o agente só será punido pelo furto, e esse será classificado 
como informático mediato ou indireto, pois um crime-meio informático 
não será punido em razão da consumação desse outro crime. 
TEMA 5 – SUJEITO ATIVO, COMPETÊNCIA E LUGAR 
Dando sequência aos estudos de direito penal, cumpre esclarecer três 
pontos significativos a ele: o sujeito ativo do delito, a competência para julgá-lo e 
o lugar. 
5.1 Sujeito ativo do crime informático 
 A matéria será melhor abordada em disciplina própria. Neste primeiro 
momento, vamos destacar apenas que não existe consenso doutrinário quanto ao 
perfil do criminoso digital (Jesus; Milagre, 2016, p. 57). Do ponto de vista das 
ciências penais, os crimes digitais, em geral, tratam de crimes comuns que podem 
ser cometidos por qualquer sujeito ativo. 
 A curiosidade na matéria fica por conta do termo hacker, correntemente 
aplicado de forma equivocada. O hacker se trata, em realidade, de um profundo 
conhecedor da informática, podendo ser, inclusive, o profissional de segurança da 
informação ou pesquisador, que não se utiliza de seus conhecimentos para fins 
espúrios. Assim, válido trazer à baila a classificação Crespo (2011, p. 95): 
 Hackers: expressão que surgiu nos laboratórios do MIT. Qualquer um que 
detenha profundo conhecimento em informática e programação, capaz de 
realizar invasões. 
 Carders: estelionatários especializados em fraudes com cartões. 
 Crackers: verdadeiros criminosos das redes. Utilizam seus conhecimentos 
de tecnologia para finalidades espúrias. 
 Phreakers: hackers de telefonia. 
Destaca-se ainda a classificação entre White Hats, Gray Hats e Black Hats. 
Os primeiros seriam os hackers éticos, que utilizam seus conhecimentos para fins 
nobres, enquanto os gray hats, embora não utilizem seus conhecimentos 
maléficos, sem autorização ou legitimidade para atuar, podem comprometer 
sistemas. Os black hats, por sua vez, teriam de fato o intento criminoso (Jesus; 
Milagre, 2016, p. 59). 
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5.2 Competência e lugar do crime informático 
Quanto à competência para o julgamento dos crimes praticados pela 
internet, sejam próprios ou impróprios, devem ser considerados o local de 
transmissão (onde foi publicado o conteúdo criminoso) e a existência ou 
não da transnacionalidade do delito. 
Assim, o local competente será em regra aquele onde foi publicado o 
conteúdo criminoso; quando não for possível identificar o local, a competência 
recairá ao juízo que iniciou as investigações correlatas. 
No que concerne à hipótese de transnacionalidade do delito – quando sua 
realização ultrapassa as fronteiras nacionais –, a competência será da Justiça 
Federal. 
5.3 Competência e matéria 
A regra é a competência da Justiça Estadual. No entanto, será de 
competência da Justiça Federal nos casos em que for vítima a União. Ainda, será 
competência da Justiça Federal nos casos que envolvem tratado ou convenção 
ratificada pelo Brasil. 
5.4 O Supremo Tribunal Federal e a competência do delito de pornografia 
infantil na internet 
O STF, em julgamento de repercussão geral, reconheceu que a 
competência para o processamento e julgamento dos crimes de divulgação de 
imagens de crianças e adolescentes por meio da internet será impreterivelmente 
da Justiça Federal (RE 628624). 
Leitura obrigatória 
Recurso Extraordinário nº 628624 de Minas Gerais. DJe -085, divulgado 
em 7 de maio de 2013, publicado em 8 de maio de 2013. 
 
 
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REFERÊNCIAS 
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. 
Diário Oficial da União, Brasília, DF, 5 out. 1988. 
_____. Lei n. 12.735, de 30 de novembro de 2012. Diário Oficial da União, Poder 
Legisltivo, Brasília, DF, 3 dez. 2012. 
_____. Lei n. 12.737, de 30 de novembro de 2012. Diário Oficial da União, Poder 
Legisltivo, Brasília, DF, 3 dez. 2012. 
_____. Lei n. 12.965, de 23 de abril de 2014. Diário Oficial da União, Poder 
Legisltivo, Brasília, DF, 24 abr. 2014. 
_____. Lei n. 11.829, de 25 de novembro de 2008. Diário Oficial da União, Poder 
Legisltivo, Brasília, DF, 26 nov. 2008. 
CÂMARA DOS DEPUTADOS. CPI dos Crimes Cibernéticos. Brasília, 2016. 
Disponível em: . Acesso em: 8 mar. 2019. 
_____. Marco Civil da Internet. Brasília, 2014. Disponível em 
. Acesso em: 8 mar. 2019. 
CRYSTAL, D. A revolução da linguagem. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005. 
FERREIRA, É. L. Criminalidade econômica empresarial e cibernética. 
Florianópolis: Momento Atual, 2005. 
JESUS, D. de; MILAGRE, J. A. Manual de crimes informáticos. São Paulo: 
Saraiva, 2016. 
JUSTINIANO, N. F. Terminologia e tecnologia: um estudo de termos de crimes 
cibernéticos. 106 f. Dissertação (Mestrado em Linguística) – Universidade de 
Brasília, Brasília, 2017. 
LEVY, P. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999. 
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