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AULA 2 CRIMES CIBERNÉTICOS Profª Juliana Bertholdi A luno: V anessa G iovana S ilva de S á E m ail: vanessagiovanasa@ gm ail.com 2 TEMA 1 – INTRODUÇÃO AO CONCEITO ANALÍTICO DE CRIME Como já aduzido anteriormente, a disciplina tem por escopo estudar o direito penal informático, razão pela qual se faz fulcral que se introduzam brevemente as noções que permeiam as Ciências do Direito Penal, a fim de que se sintam igualmente contemplados o aluno que não cursou Direito. Um desses conceitos fulcrais para o estudo do direito penal é o conceito de crime. Historicamente, a preocupação com a legitimidade da criminalização, do ponto de vista da conduta, somente emergiu com o estudo detido do bem jurídico: a partir da atenção dos estudiosos ao objeto de tutela da norma penal, surgiu o conceito material de crime, que se opõe ao conceito formal pautado no legalismo. Enquanto a preocupação primeira do conceito formal seria puramente legalista – se a lei diz que é crime, basta –, o conceito material preocupa-se precipuamente com a ofensa ao bem jurídico que a norma busca tutelar – sem ofensa ao bem jurídico, não há efetivamente crime. Entendendo que por vezes a mera ofensa ao bem jurídico pode ignorar as complexidades das relações humanas, sendo assim necessária análise mais pormenorizada da conduta que se pretende criminosa, passou a se entender que o estudo de alguns elementos seria fundamental para análise da conduta a fim de identificá-la como passível de repressão estatal: surge desse modo o conceito analítico de crime, formado pelos elementos do crime. Assim, neste primeiro tópico, vamos explanar como se conceitua a conduta criminosa na atualidade: crime é a conduta típica, antijurídica e culpável, prevista em lei estrita anteriormente ao seu cometimento (como vimos quando abordamos o princípio da anterioridade). Nesse sentido, de acordo com Gomes: O conceito de delito ainda hoje predominante na ciência do Direito Penal (em termos internacionais, inclusive) é o tripartido (cf. Juarez Cirino dos Santos, A moderna teoria do fato punível, cit., p. 5), elaborado da seguinte forma: fato típico, antijurídico e culpável. Quase a totalidade absoluta dos manuais de Direito penal (fora do Brasil e até mesmo alguns brasileiros: Bitencourt, Regis Prado, Fragoso, Juarez Cirino, Greco etc.) adota esse sistema (tripartido). (2007, p.190- 191) Tomaremos por referência acadêmica a teoria do conceito tripartido do crime, em que a conduta criminosa se configura quando estão presentes seus três elementos fundamentais: tipicidade, antijuridicidade e culpabilidade. Crime = fato típico + antijurídico + culpável A luno: V anessa G iovana S ilva de S á E m ail: vanessagiovanasa@ gm ail.com 3 Vejamos cada um dos elementos. 1.1 Fato típico Fato típico é composto por conduta, resultado, nexo de causalidade e tipicidade. Conduta é a ação ou a omissão humana voluntária. A conduta pode ser comissiva ou omissiva, sendo a primeira consistente num ato, e a segunda, a omissão de agir. A conduta pode ainda ser dolosa, quando há a intenção de cometê-la, ou culposa, quando cometida mediante imperícia, imprudência ou negligência. Resultado consiste na materialização da conduta, a verificação dos resultados empíricos. Há de se anotar, no entanto, que existem crimes que independem de resultado naturalístico (material); a estes crimes damos o nome de crime de mera conduta. Nexo de causalidade é a ligação entre a conduta, o ato praticado e o resultado naturalístico. Para haver fato típico, a conduta deve ser o fato gerador do resultado. Tipicidade se refere à previsão legal; é a adequação do fato/ação a uma norma penal incriminadora previamente editada. 1.2 Antijuridicidade A antijuridicidade é a contrariedade ao direito posto; assim, a antijuridicidade se perfaz a partir da verificação de que determinada conduta efetivamente viola regras jurídicas impostas pelo ordenamento jurídico local. Assim, enquanto a tipicidade está ligada à previsão legal de determinado ato, a antijuridicidade oferece visão mais sistêmica. Neste escopo, adotando justamente a visão sistêmica, é importante salientar que o Código Penal Brasileiro prevê, em seu art. 23, as causas de exclusão de ilicitude (antijuridicidade): Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato: I - em estado de necessidade; II - em legítima defesa; III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito. (Brasil, 1984) A luno: V anessa G iovana S ilva de S á E m ail: vanessagiovanasa@ gm ail.com 4 Neste sentido, incidindo o sujeito em alguma das causas de exclusão da ilicitude anteriormente elencadas, deixa de existir a conduta criminosa por ausência de elemento essencial do conceito analítico de crime. 1.3 Culpabilidade A culpabilidade é a reprovabilidade da conduta praticada pelo agente. Resta perfectibilizada nas oportunidades nas quais se verifica que seria exigível do autor que agisse de acordo com a legislação vigente, mas ele deliberadamente opta por infringir tais normas. A culpabilidade é composta por: Imputabilidade + potencial consciência da ilicitude + exigibilidade de conduta diversa Imputabilidade: consiste na possibilidade de o autor responder criminalmente por seus atos. Deve se configurar nos critérios biológico (maior de 18 anos) e psicológico (condições de entender o caráter lícito ou ilícito de seus atos). Potencial consciência da ilicitude: trata-se da possibilidade de o homem médio entender que age em contrariedade das normas jurídicas. Exigibilidade de conduta diversa: possibilidade de que o agente aja de acordo com a norma sem danos maiores do que os por ele causados. TEMA 2 – TUTELA AOS BENS INFORMÁTICOS Como bem ensinam Jesus e Milagre (2016, p. 47), tratar de crimes informáticos sempre foi um desafio, especialmente com um Código Penal da Era do Rádio. O Código Penal, Decreto-lei n. 2.848, de 7 de dezembro de 1940, embora tutele boa parte dos delitos informáticos, é omisso em questões em que a informática é o bem protegido pelo direito penal. Por razões evidentes que remontam à época de sua promulgação, o Código Penal não tratava a informática como um bem jurídico relevante, merecedor da tutela do direito penal. Foi apenas com o desenvolvimento da sociedade da informação, mencionada anteriormente, que o Direito começou a reconhecer outros valores penalmente relevantes, passando a se falar então A luno: V anessa G iovana S ilva de S á E m ail: vanessagiovanasa@ gm ail.com 5 em normas protetoras dos direitos dos cidadãos em face das novas tecnologias e do uso mal-intencionado delas. Considerando assim que o direito penal é a ultima ratio, ou seja, só deve agir preservando os bens mais relevantes e imprescindíveis das relações sociais, intervindo minimamente na vida do cidadão, não foi tarefa fácil aprovar a legislação que tipifica crimes cibernéticos – era preciso demonstrar que os bens jurídicos informáticos mereciam também a tutela penal. Assim se posicionaram Jesus e Milagre (2016, p. 43): novas figuras delitivas no Código Penal, embora no nosso sentir não resolvam o problema da falta de estrutura investigativa, sem dúvida alguma eram clamadas por autoridades e operadores do Direito. E elas surgiram. De fato, é inegável que onde há relevância econômica deve haver relevância jurídica, e é esta a tutela que se apresenta, a proteção á incolumidade de informações bancárias, financeiras, dentre outras informações geradas e tratadas por pessoas físicas e jurídicas. Sistemas informáticos processam e tratam dados eletrônicos, geral significado e informações. Logo, são merecedores da tutela penal, pois a informação é bem precioso. Desta feita, ainda nos ensinamentos deJesus e Milagre (2016, p. 48): como salienta Ferreira Lima (2011, p. 6) diante da evolução tecnológica existe uma predisposição social em reconhecer os bens jurídicos informáticos, dentre os quais se destacam o sigilo e a segurança de dados e informações eletrônicas. Destaca a autora que é tal juízo de reprovação (violação a dados e informações privadas) que move o Direito Penal. Vai além ao afirmar que um juízo de reprovação inicial até existia, mas foi preciso uma pessoa pública ser vitimada por um suposto crime informático para que somente então a questão ganhasse relevância e o legislativo finalmente encerrasse discussão de mais de 10 (dez) anos no Congresso Nacional, com a aprovação da Lei nº 12737/2012, sancionada em novembro deste mesmo ano. Esse foi, portanto, o processo que levou ao reconhecimento dos dados informáticos e dispositivos ao status de valores jurídicos fundamentais às relações sociais de uma sociedade dependente da tecnologia da informação. Assim, é importante destacar que os bens jurídicos tutelados pelos crimes cibernéticos são atinentes justamente à informação. Demais crimes cometidos em ambiente cibernético, por mais que façam uso das técnicas e ferramentas cibernéticas, são cometidos em face de bem jurídico diverso, muitas vezes tutelado em delito autônomo do Código Penal – que pode ser agravado, majorado pelo emprego de tais técnicas em seu exercício. A luno: V anessa G iovana S ilva de S á E m ail: vanessagiovanasa@ gm ail.com 6 TEMA 3 – CONCEITO JURÍDICO DE CRIME INFORMÁTICO Estabelecido o bem jurídico dos crimes informáticos, resta abordar o consequente crime informático. Destaca-se, novamente, que tais crimes se tratam de fenômeno inerente às transformações tecnológicas que a sociedade experimenta e que influenciam diretamente no direito penal. A Organization for Economic Cooperation and Development (OECD), de 1986, conceitua crime eletrônico como: “[...] qualquer comportamento ilegal, aético ou não autorizado envolvendo processamento automático de dados e, transmissão dos dados, podendo implicar a manipulação de dados ou informações, a falsificação de programas, o acesso e/ou uso não autorizado de computadores e redes.” Neste sentido, destaca Ferreira (2004): Vianna (2003, p.2-3) alerta sobre a utilização desse termo e explica que, partindo do conceito formal de crime, conclui-se que, para o Direito Penal brasileiro, algumas condutas ditas na bibliografia como crimes de Informática, como, por exemplo, o acesso não-autorizado a sistemas, não é crime, visto não haver previsão legal de tais condutas no Código Penal de nosso país. Quanto ao conceito analítico, segundo o qual crime é toda a conduta típica e antijurídica, tais ações são apenas condutas atípicas, pois não são contempladas em nenhum dos tipos penais do nosso sistema jurídico penal. Já com relação ao conceito material, é mister verificar se a conduta ofende ou não a um bem juridicamente tutelado. O autor afirma que “a inviolabilidade das informações é decorrência natural do direito à privacidade, devendo, portanto, ser reconhecida como bem jurídico essencial para a convivência numa sociedade”. Assim, defende o autor, a inviolabilidade de dados e informações armazenados em sistemas computadorizados surge como um novo bem jurídico a ser tutelado pelo Direito Penal, de forma a garantir a privacidade e a integridade desses bens. Então, “existindo um bem jurídico a ser tutelado, há crime sob o aspecto material. A simples omissão normativa não é suficiente para descaracterizá-lo como objeto de estudo do Direito Penal, já que este reconhece sua existência sob o aspecto material”. A doutrina apresenta ainda significativa divergência entre delitos informáticos e criminalidade na internet: os crimes informáticos teriam como objeto de ataque um elemento informático, ou seja, dados ou sistemas informáticos, enquanto a criminalidade na internet seria o instrumento do delito (Jesus; Milagre, 2016, p. 49). Assim, conforme Jesus e Milagre (2016, p. 49), conceitua-se crime informático como: o fato típico e antijurídico cometido por meio da ou contra a tecnologia da informação. Desta feita, decorre do Direito Informático, que é o A luno: V anessa G iovana S ilva de S á E m ail: vanessagiovanasa@ gm ail.com 7 conjunto de princípios, normas e entendimentos jurídicos oriundos da atividade informática. Assim, é um ato típico e antijurídico, cometido através da informática em geral, ou contra um sistema, dispositivo informático ou rede de computadores. Em verdade, pode-se afirmar que no crime informático, a informática ou é bem ofendido ou o meio para ofensa de bem já protegido pelo Direito Penal. Parece que no Brasil optou-se por nomear os crimes cometidos contra a informática de delitos informáticos, termo usual nos países de língua espanhola que se relaciona à ideia de proteção informática do objetivo jurídico. Deste modo, os crimes virtuais eram em tese considerados crimes-meio, em que se utilizaria meio virtual para atingir bem jurídico já tutelado. No entanto, discordam Jesus e Milagre (2016, p. 49) ao aduzirem que “o crime virtual pode ser tanto um crime meio quando um crime fim, o que inclusive demandou a tipificação autônoma de alguns crimes informáticos próprios, com as leis 12.735/2012 e 12.737/2012”. Nesse sentido vale citar o HC n. 76.689/PB. Os exemplos citados pelos autores como crimes mais comuns praticados na rede são o estelionato, a pornografia infantil, e os ataques mais comuns praticados por meio de vírus de computador ou malware, seguidos de invasão de perfis nas redes sociais e ataques de phising. Os crimes cibernéticos mais raros são aqueles relacionados a utilização de códigos maliciosos, negação de serviço, dispositivos roubados, sequestrados e roubo de informações privilegiadas. Como visto, “os dados e a segurança dos sistemas e redes informáticos clamavam por proteção específica” (Jesus; Milagre, 2016, p. 57). TEMA 4 – CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES INFORMÁTICOS Assim como em todos os ramos do direito, pode-se classificar o Direito da Informática em Direito Civil da Informática e Direito Penal da Informática. O Direito Civil da internet é aquele que atrai as normas, regulamentações e entendimentos jurídicos atinentes às relações privadas oriundas ou realizadas por meio da tecnologia da informação. Já o Direito Penal da Informática é o complexo de normas, regulamentos e entendimentos jurídicos concebidos no escopo de repreender fatos criminosos que atentem contra os bens informáticos. (Jesus; Milagre, 2016, p. 50) Estudaremos parte das classificações mais conhecidas/clássicas, destacadas na obra de Jesus e Milagre (2016): 4.1 Klaus Tiedemann Autor da década de 1980, classificou a criminalidade informática no âmbito dos delitos econômicos em: a) manipulações; b) espionagem; A luno: V anessa G iovana S ilva de S á E m ail: vanessagiovanasa@ gm ail.com 8 c) sabotagem; d) furto de tempo. 4.2 Ulrich Sieber Autor contemporâneo, classificou a criminalidade informática, ao emitir parecer para a Comissão Europeia: a) violação à privacidade; b) crimes econômicos: a. hacking; b. espionagem; c. pirataria em geral (cópias não autorizadas); d. sabotagem e extorsão; e. fraude; c) conteúdos ilegais e nocivos; d) outros ilícitos: a. contra a vida; b. crime organizado; c. guerra eletrônica. 4.3 Martine Briat Autora francesa, buscou classificar os delitos informáticos em crimes em que a informática é o meio para a prática delituosa, e os demais delitos restantes: a) manipulação de dados e/ou programas a fim de que se cometa infração já prevista na legislação tradicional; b) falsificação de dados de programas; c) deterioração de dados e de programas e entrave a sua utilização; d) divulgação, utilização ou reprodução ilícita de dados e de programas; e) uso não autorizado de sistemasde informática. 4.4. Rovira del Canto Autor também contemporâneo, com uma das classificações mais amplas: a) infrações à intimidade; b) ilícitos econômicos; c) ilícitos de comunicação ou difusão de conteúdos ilegais ou perigosos; d) outros delitos. 4.5 Túlio Lima Vianna (2003, p. 122): Vianna adota a classificação que exploraremos mais detidamente, por ser a mais utilizada atualmente a) impróprios – aqueles em que o computador é usado como instrumento para a execução do crime, porém não há ofensa ao bem jurídico inviolabilidade dos dados ou informações. Exemplo: crimes contra a honra cometidos por meio da Internet; b) próprios – aqueles em que o bem jurídico protegido pela norma penal é a inviolabilidade dos dados ou informações. Exemplo: Art. 313-A, do CP, acrescentado pela Lei nº 9.983/2000, que determina: “Inserir ou facilitar, o funcionário autorizado, a inserção de dados falsos ou excluir indevidamente dados corretos nos sistemas informatizados da Administração Pública com o fim de obter vantagem para si ou para outrem ou para causar dano: Pena – reclusão, de 2 (dois) a 12 (doze) anos e multa” (VIANNA, 2003); c) mistos – são crimes complexos em que a norma visa tutelar, além da proteção da inviolabilidade dos dados, bem jurídico de natureza diversa. São delitos derivados do acesso não-autorizado a sistemas computacionais. O autor destaca que, no ordenamento jurídico brasileiro, o delito informático fundamental ainda não foi tipificado, enquanto que um derivado já o foi, a saber: acesso não-autorizado a sistemas computacionais do sistema eleitoral, com a Lei nº 9.100/95, em seu art. 69, VII, que prevê: “Obter ou tentar obter, indevidamente, acesso a sistema de tratamento automático de dados utilizado pelo serviço eleitoral, a fim de alterar a apuração ou contagem de votos” (apud VIANNA, 2003); A luno: V anessa G iovana S ilva de S á E m ail: vanessagiovanasa@ gm ail.com 9 d) mediatos ou indiretos – delito-fim não-informático que herdou essa característica do delito-meio informático realizado para poder ser consumado. Exemplo: o acesso não-autorizado a um sistema computacional bancário para a realização de um furto. Pelo princípio da consumação, o agente só será punido pelo furto, e esse será classificado como informático mediato ou indireto, pois um crime-meio informático não será punido em razão da consumação desse outro crime. TEMA 5 – SUJEITO ATIVO, COMPETÊNCIA E LUGAR Dando sequência aos estudos de direito penal, cumpre esclarecer três pontos significativos a ele: o sujeito ativo do delito, a competência para julgá-lo e o lugar. 5.1 Sujeito ativo do crime informático A matéria será melhor abordada em disciplina própria. Neste primeiro momento, vamos destacar apenas que não existe consenso doutrinário quanto ao perfil do criminoso digital (Jesus; Milagre, 2016, p. 57). Do ponto de vista das ciências penais, os crimes digitais, em geral, tratam de crimes comuns que podem ser cometidos por qualquer sujeito ativo. A curiosidade na matéria fica por conta do termo hacker, correntemente aplicado de forma equivocada. O hacker se trata, em realidade, de um profundo conhecedor da informática, podendo ser, inclusive, o profissional de segurança da informação ou pesquisador, que não se utiliza de seus conhecimentos para fins espúrios. Assim, válido trazer à baila a classificação Crespo (2011, p. 95): Hackers: expressão que surgiu nos laboratórios do MIT. Qualquer um que detenha profundo conhecimento em informática e programação, capaz de realizar invasões. Carders: estelionatários especializados em fraudes com cartões. Crackers: verdadeiros criminosos das redes. Utilizam seus conhecimentos de tecnologia para finalidades espúrias. Phreakers: hackers de telefonia. Destaca-se ainda a classificação entre White Hats, Gray Hats e Black Hats. Os primeiros seriam os hackers éticos, que utilizam seus conhecimentos para fins nobres, enquanto os gray hats, embora não utilizem seus conhecimentos maléficos, sem autorização ou legitimidade para atuar, podem comprometer sistemas. Os black hats, por sua vez, teriam de fato o intento criminoso (Jesus; Milagre, 2016, p. 59). A luno: V anessa G iovana S ilva de S á E m ail: vanessagiovanasa@ gm ail.com 10 5.2 Competência e lugar do crime informático Quanto à competência para o julgamento dos crimes praticados pela internet, sejam próprios ou impróprios, devem ser considerados o local de transmissão (onde foi publicado o conteúdo criminoso) e a existência ou não da transnacionalidade do delito. Assim, o local competente será em regra aquele onde foi publicado o conteúdo criminoso; quando não for possível identificar o local, a competência recairá ao juízo que iniciou as investigações correlatas. No que concerne à hipótese de transnacionalidade do delito – quando sua realização ultrapassa as fronteiras nacionais –, a competência será da Justiça Federal. 5.3 Competência e matéria A regra é a competência da Justiça Estadual. No entanto, será de competência da Justiça Federal nos casos em que for vítima a União. Ainda, será competência da Justiça Federal nos casos que envolvem tratado ou convenção ratificada pelo Brasil. 5.4 O Supremo Tribunal Federal e a competência do delito de pornografia infantil na internet O STF, em julgamento de repercussão geral, reconheceu que a competência para o processamento e julgamento dos crimes de divulgação de imagens de crianças e adolescentes por meio da internet será impreterivelmente da Justiça Federal (RE 628624). Leitura obrigatória Recurso Extraordinário nº 628624 de Minas Gerais. DJe -085, divulgado em 7 de maio de 2013, publicado em 8 de maio de 2013. A luno: V anessa G iovana S ilva de S á E m ail: vanessagiovanasa@ gm ail.com 11 REFERÊNCIAS BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 5 out. 1988. _____. Lei n. 12.735, de 30 de novembro de 2012. Diário Oficial da União, Poder Legisltivo, Brasília, DF, 3 dez. 2012. _____. Lei n. 12.737, de 30 de novembro de 2012. Diário Oficial da União, Poder Legisltivo, Brasília, DF, 3 dez. 2012. _____. Lei n. 12.965, de 23 de abril de 2014. Diário Oficial da União, Poder Legisltivo, Brasília, DF, 24 abr. 2014. _____. Lei n. 11.829, de 25 de novembro de 2008. Diário Oficial da União, Poder Legisltivo, Brasília, DF, 26 nov. 2008. CÂMARA DOS DEPUTADOS. CPI dos Crimes Cibernéticos. Brasília, 2016. Disponível em: . Acesso em: 8 mar. 2019. _____. Marco Civil da Internet. Brasília, 2014. Disponível em . Acesso em: 8 mar. 2019. CRYSTAL, D. A revolução da linguagem. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005. FERREIRA, É. L. Criminalidade econômica empresarial e cibernética. Florianópolis: Momento Atual, 2005. JESUS, D. de; MILAGRE, J. A. Manual de crimes informáticos. São Paulo: Saraiva, 2016. JUSTINIANO, N. F. Terminologia e tecnologia: um estudo de termos de crimes cibernéticos. 106 f. Dissertação (Mestrado em Linguística) – Universidade de Brasília, Brasília, 2017. LEVY, P. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999. A luno: V anessa G iovana S ilva de S á E m ail: vanessagiovanasa@ gm ail.com