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Fundamentos da educação ambiental Prof. Arthur Rodrigues Lourenço Descrição A construção da educação ambiental ao longo da história e os elementos primordiais para o seu exercício no Brasil. Propósito Analisar o desenvolvimento da educação ambiental no mundo e a atuação do Brasil para a implementação e a disseminação das ideias do desenvolvimento sustentável por meio da educação. Objetivos Módulo 1 Educação ambiental Identificar as concepções da educação ambiental. Módulo 2 Agenda 21 Comparar a Agenda 21 com a educação ambiental. Módulo 3 Política Nacional Listar as políticas públicas brasileiras para educação ambiental. Abordaremos neste conteúdo como se desenvolveram os fundamentos teóricos utilizados para a atuação em educação ambiental, incluindo aí seu histórico e a construção de conhecimentos destinados ao alcance das premissas do desenvolvimento sustentável. Conheceremos ainda as leis e os regulamentos direcionadores da prática da educação ambiental dentro e fora das salas de aulas. Veremos também como ela avançou na sociedade e de que maneira ainda pode ser incrementada como promotora da sustentabilidade. Introdução 1 - Educação ambiental Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car as concepções da educação ambiental. De�nição e contexto histórico Assim como muitos dos campos científicos, o campo da educação ambiental, incluindo o próprio conceito, se modificou ao longo do tempo conforme surgiam novas informações, técnicas e correntes de pensamento. Sua origem advém da percepção dos impactos negativos que nós, humanos, provocamos no meio ambiente externo, ou seja, se refere aos danos que causamos a uma natureza intocada/preservada. No entanto, esse conceito foi ampliado, tendo em vista que o meio ambiente inclui não só o meio natural, como também o artificial. Tal mudança começou a acontecer no momento em que os seres humanos começaram a se enxergar como parte integrante dos sistemas naturais, estando juntos de todos os outros organismos. Essa modificação foi possibilitada graças ao surgimento das teorias evolutivas e de todos os estudos que surgiram nesse sentido. Hoje em dia, a educação ambiental é definida como o conjunto de ações educativas cujo objetivo é conscientizar as pessoas sobre os problemas ambientais existentes no meio ambiente intocado (natural) ou artificial (construído pelo homem). Ela também busca soluções para esses problemas ambientais. Nos próximos tópicos, estudaremos como o conceito da educação ambiental foi desenvolvido ao longo do tempo. Além disso, apontaremos sua aplicabilidade nos diferentes setores da sociedade. Década de 1960 (início dos pensamentos e re�exões sobre a problemática ambiental) Em meados da década de 1960, após a Terceira Revolução Industrial, na Inglaterra, diversos problemas ambientais começaram a ser percebidos. Esses problemas, que já vinham acontecendo em diferentes escalas em diversas regiões do planeta, despertaram a atenção da opinião pública e dos governantes. Curiosidade Um dos acontecimentos mais importantes nessa época, foi o lançamento do livro Primavera Silenciosa, da bióloga Rachel Carson, em 1962. No livro, Carson apontou principalmente como o uso indiscriminado de pesticidas estava diretamente relacionado à diminuição de pássaros e ao consequente envenenamento da população na região. Sem os pássaros, o local ficou “silencioso”, e esse silêncio era um alerta claro sobre as intervenções humanas danosas ao meio ambiente. Além disso, nesse livro, a autora fez duras críticas ao gerenciamento equivocado dos órgãos públicos em relação à indústria química, o que resultou na oposição de muitos cientistas da época. Carson ainda fez previsões e levantou hipóteses proféticas de como o uso exacerbado do DDT (pesticida) tornaria as pestes combatidas cada vez mais resistentes, demandando o aumento gradativo do uso dessas substâncias com o tempo. Depois das percepções de Carson sobre o uso incontrolado de pesticidas, se iniciou uma conscientização sobre os efeitos danosos da má gestão dos recursos ambientais. Evidenciaram- se, assim, os efeitos irreversíveis que as atividades humanas podem causar nos ecossistemas naturais e nos seres humanos. A partir disso, começou-se a perceber, por exemplo, que a poluição dos rios poderia tornar sua água imprópria para consumo e ocasionar impactos diretos em toda a cadeia alimentar. Essas atitudes indiscriminadas, principalmente da indústria, tinham o potencial de ocasionar modificações nos microrganismos (algas e animais microscópicos), os quais, na maioria das vezes, são negligenciados. Essas modificações, por sua vez, podem afetar os seres dependentes desses microrganismos, como os peixes, animais com grande importância para as populações humanas, já que eles são utilizados em nossa alimentação. Resumindo Os impactos ambientais, em algum momento, influenciarão a qualidade de vida dos seres humanos. Assim que se entende esse fato, ocorre a conscientização das pessoas sobre o motivo de evitar ou minimizar tais impactos. Isso promove a ideia de finitude, ou seja, de limite dos recursos naturais. Ainda na década de 1960, houve outros importantes acontecimentos. Vamos ver a seguir: 1965 O termo “educação ambiental” foi usado pela primeira vez durante a conferência de educação da Universidade de Keele, no Reino Unido. Nesse momento, a educação bi l i d à id i d ã Década de 1970 (popularização da educação ambiental) A partir da década de 1970, o termo “educação ambiental” começou a ser mais difundido pelo mundo e, a partir daí, surgiriam as primeiras políticas ambientais. A seguir, vamos conhecer importantes marcos para a educação ambiental na década de 1970. ambiental estava associada à ideia de que a conservação da natureza deveria fazer parte do contexto escolar, estando, assim, especialmente ligada às disciplinas de Ciências e Biologia. 1968 A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) atualizou a definição de educação ambiental, dando a essa prática um caráter abrangente e interdisciplinar. 1969 No Reino Unido, foi fundada a Sociedade de Educação Ambiental, cujo objetivo principal era incentivar a investigação de problemas ambientais e como deveriam ser feitas as abordagens educativas acerca desses problemas. Teve início, naquele momento, um movimento ambientalista impulsionado por artistas, políticos e imprensa europeia. Dava-se cada vez mais atenção ao tema, sendo popularizado o termo “educação ambiental” no mundo. 1970 O termo apareceu pela primeira vez em uma publicação intitulada Manifesto para a sobrevivência, editada pela revista científica The ecologist. 1972 Durante uma conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o meio ambiente humano, em Estocolmo, na Suécia, a educação ambiental foi apresentada como uma proposta para a contenção da crise ambiental do planeta. Dessa forma, ela entrou em definitivo para a agenda política de diversos governos. 1975 A Unesco foi responsável pela promoção do Encontro Internacional de Educação Ambiental, em Belgrado, na Iugoslávia. Nesse importante encontro, foi criado o Programa Internacional de Educação Ambiental (PIEA). O principal objetivo do PIEA era orientar como a educação ambiental deveria ser tratada: um processo multidisciplinar, multilateral, continuado e em acordo com os interesses regionais e nacionais de cada país. 1977 Durante a Conferência Internacional de Educação Ambiental, em Tbilisi, na Geórgia, foram estabelecidas a definição de educação ambiental, assim como sua finalidade e os princípios norteadores de atuação dela. Com isso, a d ã bi l ôd d fi id áti d De acordo com o documento editado no evento da Conferência Internacional de Educação Ambiental em 1977, os princípios norteadores da educação ambiental são: Visão de totalidade do ambiente Ideia de que todos somos parte da natureza, estando interligados. Processo contínuonas disciplinas de Ciências e ou Geografia. A educação ambiental não é uma tarefa fácil para os educadores brasileiros, que sempre estão sobrecarregados pelo sistema educacional, e até mesmo para os alunos que enfrentam aulas lotadas de conteúdo. Ilustração didático-pedagógica apresentando o papel do educador ambiental no contexto escolar. A partir da criação da educação ambiental e de sua inclusão no currículo das escolas, os educadores devem contribuir para a formação de cidadãos conscientes pelo desenvolvimento de reflexões e debates sobre questões ambientais, potencializando nos alunos a capacidade crítica acerca de problemas socioambientais e contribuindo para a formação de valores, o ensino e a aprendizagem. Para o desenvolvimento desse trabalho em sala de aula, o tema deve ser incluído em situações do dia a dia dos alunos, correlacionando-o ao meio em que vivem, debatendo e trazendo reflexões que visam estimular o raciocínio e a visão crítica, alcançada com base nos conteúdos aprendidos nas disciplinas. Assim, torna-se possível a disseminação do aprendizado em casa, na escola e na própria vizinhança, fazendo com que mais pessoas conheçam a importância das questões ambientais e da sustentabilidade. Crianças aprendem sobre plantio de árvores. Atenção É importante que o educador esteja atento aos problemas ambientais da atualidade e que fazem parte do cotidiano dos alunos, buscando a melhor forma de abordá-los. Deve-se considerar, nesse processo, a localização da escola, os aspectos culturais dos alunos, o contexto socioeconômico, entre outras particularidades que só podem ser observadas pelo educador em sala de aula ou no caminho para a escola. Educação Física e educação ambiental Para muitos educadores, pode parecer uma tarefa impossível relacionar suas disciplinas à educação ambiental, no entanto, com criatividade e boa vontade, essa situação pode ser revertida e até contribuir para melhorar o interesse dos alunos na aula. Vamos imaginar agora um professor de Educação Física que deseja trabalhar a educação ambiental e, ao mesmo tempo, fazer com que os alunos se interessem por atividades físicas essenciais para a manutenção da saúde. Uma opção para utilizar o tempo destinado para atividade física no trabalho de educação ambiental pode ser a realização de gincanas, jogos e desafios que envolvam os princípios de educação ambiental aprendidos em outras disciplinas, como Ciências, Biologia, Geografia. Exemplo Imagine uma atividade que relacione a reciclagem e a coleta seletiva em uma competição de corrida, na qual o aluno é estimulado a aplicar os conhecimentos sobre reciclagem ao retirar ou sortear um determinado resíduo comum do seu cotidiano (ex. garrafa PET) e levá-lo em uma curta corrida até a lixeira correta, aplicando também os conceitos de coleta seletiva. No final, vencerá o aluno ou a equipe que não só tenha o melhor tempo — que corra mais rápido — mas também que destine os resíduos à lixeira correta. Esse é um exemplo de como pode ser promovida a educação ambiental em disciplinas que não são diretamente correlacionadas. O profissional de educação física utiliza o conceito de reciclagem e coleta seletiva das aulas de Ciências para realizar uma competição física e mental. Isso mostra como a educação ambiental pode ser transversal e interdisciplinar. Crianças em atividade envolvendo a coleta seletiva. As problemáticas ambientais são cada vez mais frequentes no dia a dia das pessoas e a educação ambiental se faz necessária em todos os níveis sociais, mas principalmente no contexto da educação escolar e com os alunos dos anos iniciais. É mais fácil conscientizar crianças do que adultos, e elas são importantes transmissoras dos conhecimentos aos adultos que, futuramente, também serão bem informados. Desse modo, as escolas têm papel fundamental na disseminação de ideias e conhecimentos sobre a melhoria do relacionamento dos seres humanos com o meio ambiente, formando pessoas com pensamento crítico e conscientes dos impactos ambientais. Essas pessoas, quando fora do ambiente escolar, levarão os conhecimentos aprendidos na escola para o seu bairro, o seu prédio, a sua família e a sua casa. Recomendação Para que isso aconteça, é necessário que os profissionais da educação estejam atentos à proposta pedagógica da educação ambiental formal e informal, promovendo, mediante ações práticas ou não, a conscientização e a reflexão ambiental, e buscando sempre a correlação dos conceitos com as vivências dos alunos. Podcast Neste podcast, entenderemos o que é o lobby ambiental e como esse pode ser um importante aliado na promoção da educação ambiental. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 “A panfletagem vem sendo uma estratégia de marketing cada vez mais utilizada pelos empreendedores do município de Feira de Santana para promover bens ou serviços que oferecem visando ao lucro. Os panfletos são de diferentes modelos, tamanhos, espessuras e gramaturas. Diversos setores do comércio utilizam deste tipo de marketing, setor de festas e eventos, setor de prestação de serviços, de produtos de consumo, imobiliário, setor eleitoral, científico, dentre outros.” (Adaptado de LAUTON, D. C. R.; NUNES, V. de J.; LIMA, D. P. de. 2020, p. 509). Quais das opções abaixo representam formas de atenuar o impacto ambiental da panfletagem? A Utilizar papel reciclável e tinta biodegradável. B Produzir folhetos extremamente coloridos e de alta qualidade gráfica. C Recolher os panfletos após o uso e destiná-los para incineração. D Entregar os panfletos no horário de maior trânsito de pessoas. Parabéns! A alternativa A está correta. Entre as estratégias possíveis para se atenuar o impacto que a panfletagem pode causar nas grandes cidades, pode-se utilizar papel reciclável de rápida degradação, assim como optar pela utilização de menos tintas ou de tinta composta de elementos menos tóxicos para o meio ambiente. Os folhetos produzidos por gráficas utilizam papéis duráveis com muitas cores e tintas que podem agredir o meio ambiente de diversas formas e agravar o impacto ambiental que a panfletagem tem no meio urbano. Recolher os folhetos após o uso é uma forma de reduzir os resíduos sólidos, entretanto, após recolhidos, esses folhetos devem ser destinados para a cadeia de reciclagem, pois a incineração desse material é poluente para a atmosfera. A panfletagem quase sempre ocorre nos horários de maior movimentação de pessoas, o que agrava o impacto ambiental gerado por ela, já que mais panfletos serão distribuídos em menor tempo e talvez para pessoas desinteressadas na informação. Sempre será uma opção melhor utilizar o papel em vez de plástico, pois o papel é um resíduo biodegradável e o plástico não. Questão 2 O ambiente urbano é caracterizado por possuir grandes e contínuas edificações, alta concentração de habitações e desenvolvida infraestrutura. A educação ambiental voltada para o ambiente urbano se faz necessária por diversos motivos, que incluem E Utilizar panfletos de material plástico, como o PVC ao invés de papel. A a conscientização sobre os benefícios da utilização de automóveis particulares. B a conscientização sobre os malefícios da poluição do ar e da água. C Parabéns! A alternativa B está correta. A educação ambiental voltada para o ambiente urbano se faz necessária por motivos que incluem a conscientização sobre os malefícios da poluição do ar e da água. O ar e a água são diretamente impactados pelos resíduos da atividade industrial e das atividades de subsistência da população em geral. A utilização de transportes coletivos em vez de automóveis particulares é preferida quando se trata de gerar menor impacto ambiental. O consumo de alimentos orgânicos não impacta nossa saúde e não polui os solos e corpos d'água com agrotóxicos. O cultivo de soja é uma das grandes ameaças à vegetação nativa, quando o primeiro tem prioridade sobre osegundo por motivações econômicas. A construção de estradas e centros comerciais impacta o meio ambiente por resultar em perda de habitat natural e por estar ligada a outros tipos de poluição, como a poluição do ar, do solo e da água, bem como as poluições sonora e visual. a conscientização sobre os malefícios da alimentação orgânica. D a conscientização sobre os benefícios das extensas áreas de cultivo de soja em substituição à vegetação nativa. E a conscientização sobre os benefícios das estradas, grandes centros comerciais e parques urbanos. 2 - A Educação Ambiental no ambiente rural e em populações tradicionais Ao �nal deste módulo, você será capaz de analisar a educação ambiental no ambiente rural e em comunidades tradicionais. Características e componentes do ambiente rural O ambiente rural é caracterizado principalmente em função de sua densidade demográfica, que difere do ambiente urbano por ser uma área menos populosa, menos construída e mais preservada ambientalmente. Densidade demográ�ca Densidade populacional. Ambiente tipicamente rural no estado de Minas Gerais, Brasil. As características e os componentes do ambiente rural são: Baixa densidade populacional – relação entre população e superfície do território. Urbanização escassa ou ausente – estradas de terra, ausência de rede de água e esgoto, iluminação pública e outros. Predominância de áreas destinadas à agropecuária em larga escala – cultivo de vegetais, criação de animais, entre outras. Pouca área construída – fazendas, sítios, chácaras e casas esparsamente distribuídas em meio a grandes porções de terra descampada. Pouca infraestrutura – pequenas escolas, ausência de hospitais, comércios e outros serviços básicos como coleta de lixo, água encanada, sistema de esgoto e até luz elétrica. Predomínio de atividades econômicas do setor primário de produção – agricultura, pecuária, silvicultura, extrativismo. População com baixa escolaridade – em geral, são pessoas que vivem de serviços rurais de baixa demanda técnica, predominando o trabalho braçal, o que é agravado pelo difícil acesso a centros educacionais ou culturais. Elementos naturais preservados – áreas florestadas, rios com água limpa e ar puro. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o território brasileiro pode ser classificado de acordo com o grau de urbanização, que demostra a proporção de áreas rurais e urbanas no território brasileiro. Para alcançar essa classificação, é necessário quantificar o número de habitantes para definir a densidade populacional de cada área e se obter o percentual de áreas densamente ocupadas, sendo definido como área densamente ocupada aquela que apresente mais de 300 habitantes por quilômetro quadrado. Mapa demostrando o grau de urbanização do território brasileiro. Desse modo, foi definido pelo IBGE: Regiões com alto grau de urbanização Quando mais de 75% da população resida em áreas de ocupação densa. Regiões com moderado grau de urbanização Quando entre 50% e 75% da população resida em área de ocupação densa. Regiões com baixo grau de urbanização Quando 50% da população resida em área de ocupação densa. A educação ambiental no ambiente rural Para trabalhar a educação ambiental, deve-se ter noção dos impactos ambientais que as atividades humanas podem ocasionar no meio ambiente. Diferentemente do ambiente urbano, o modo de vida rural está mais relacionado aos elementos da natureza. Por vezes, isso torna mais palpável o trabalho de EA nesses ambientes, pois a população tende a ser mais dependente do meio natural para sua sobrevivência. Tanques com água captada das chuvas para a irrigação de plantações. Em comunidades que possuem como principal fonte de renda a agricultura, por exemplo, seja ela com fins comerciais ou apenas de subsistência, existe a consciência coletiva do quanto a disponibilidade de água pode ser importante para a manutenção dos cultivos e da vida como um todo. Para o trabalho de educação ambiental, deve-se atentar aos problemas ambientais na área de atuação e adaptar os projetos e seus objetivos para a realidade das pessoas a serem conscientizadas. A seguir, veremos alguns dos impactos ambientais no ambiente rural. Resíduos Como qualquer atividade humana tende a gerar algum tipo de resíduo, no meio rural não é diferente. É comum que regiões rurais sejam afastadas dos grandes centros urbanos e o serviço de coleta de lixo público seja deficiente ou até ausente. Nesse sentido, uma prática comum no ambiente rural é o despejo de resíduos sólidos em áreas naturais ou periféricas. Tal prática tende a oferecer “alimento” inadequado para fauna natural que por vezes adentra propriedades ou distritos rurais em busca de alimento. Outro agravante é a queima dos resíduos sólidos, que também é uma prática comum nesses locais. Esse comportamento tem influência direta na qualidade do ar local e na emissão de poluentes. Queima de resíduos da agricultura. Os resíduos líquidos (efluentes) também estão presentes nos vilarejos e nas fazendas e por vezes são despejados sem tratamento prévio em córregos nas proximidades, contribuindo para degradação de toda a rede hidrográfica regional. Agricultura Entre as atividades econômicas das regiões rurais, a agricultura é a mais predominante e é uma prática que ocasiona variados impactos ambientais. A utilização de agrotóxicos pode contaminar o lençol freático e ocasionar danos a toda a população do entorno. Especialmente em locais que, em geral, não possuem abastecimento de água por rede pública, a obtenção de água é feita de nascentes, córregos e poços. O uso de agroquímicos é um inimigo silencioso dos seres humanos, já que seus danos geralmente não são observados no curto prazo. Essas substâncias podem também contaminar o solo e influenciar os seres vivos dos ecossistemas naturais. O uso frequente de agrotóxicos pode contaminar o lençol freático e oferecer riscos à saúde da população. Outro agravante é o risco direto a que estão sujeitos os trabalhadores que aplicam essas substâncias e a população próxima às plantações. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a intoxicação por agrotóxicos pode ocasionar problemas cardíacos, renais, alérgicos e doenças crônicas como Parkinson e câncer. Dica Uma alternativa para amenizar os efeitos da agricultura no meio ambiente pode ser o incentivo à utilização de técnicas de cultivo com menor impacto ambiental, como a permacultura e a agroecologia, por exemplo. Podcast Neste podcast, abordaremos as técnicas de agroecologia e permacultura e como se relacionam com o desenvolvimento de uma agricultura sustentável e com os objetivos da educação ambiental no ambiente rural. Queimadas e incêndios florestais A prática de queimadas pode causar grandes incêndios florestais. No meio rural, é muito comum e até cultural a utilização do fogo para preparar áreas de plantio ou para lidar com os resíduos. Apesar disso, queimar lixo e até produzir fogo intencional em propriedade privada é considerado crime ambiental, passível de multa e prisão. O crime se agrava quando o fogo intencional em propriedade privada perde o controle e atinge áreas naturais preservadas, como áreas florestais ou com vegetação natural preservada, unidades de conservação, reflorestamentos e até propriedades e plantações vizinhas. Caça, pesca e extrativismo A população residente em áreas rurais possui o costume de obter alimentos não convencionais de áreas naturais preservadas, sendo uma prática comum nesses locais a caça de animais silvestres, a domesticação, a retirada de vegetais nativos (ex. palmito, frutos, madeira, entre outros) e a pesca, seja para alimentação ou comercialização. Tais atividades podem resultar em sérios danos à biodiversidade regional. Espécies como o tatu (Euphractus sexcinctus) e a paca ( Cuniculus paca) são alguns dos animais silvestres mais utilizados para alimentaçãopor populações rurais. Outros animais, como a anta (Tapirus terrestris) e a tartaruga tracajá (Podocnemis unifilis ), são ameaçados de extinção e também são muito apreciados por populações rurais para alimentação. A paca (Cuniculus paca) é um animal muito utilizado para alimentação. Existe também a caça de animais para domesticação e comercialização. A arara- azul (Anodorhynchus hyacinthinus), por exemplo, é um animal que atualmente se encontra ameaçado de extinção e até extinto em alguns locais devido à captura para comercialização com fins de domesticação. A jiboia (Boa constrictor), apesar de não ter sido enquadrada em alto grau de ameaça para extinção, cada vez mais é capturada e mantida em cativeiro como animal de estimação. Saiba mais No caso da jiboia, apesar de ser considerada de fácil manutenção em cativeiro, diversos problemas surgem em decorrência dessa prática, por exemplo, a transmissão de doenças para o homem, como a salmonelose que é causada por bactérias do gênero Salmonella. Ainda, esses animais podem viver até 30 anos em cativeiro e alcançar alguns metros de comprimento, sendo muitas das vezes abandonados pelos criadores em áreas inadequadas. Indivíduos de Callithrix jacchus vivendo livremente no Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro. Um exemplo clássico de animal selvagem capturado e mantido como animal doméstico é o do sagui (Callithrix jacchus). Esse caso tem íntima relação com o êxodo da população rural para grandes centros urbanos. O sagui, nativo do Nordeste do Brasil, foi introduzido nas áreas preservadas do Sudeste, causando danos ambientais como a predação de aves nativas. Uma das prováveis causas dessa introdução foi a migração da população rural do Nordeste para o Sudeste do Brasil. As pessoas que vinham para as cidades em busca de melhores oportunidades de vida traziam consigo os costumes e as práticas culturais de sua região, entre elas, a criação do sagui como animal doméstico. Por vezes, esses animais eram acidentalmente ou até intencionalmente soltos na natureza. Hoje em dia, existe a consciência de que a presença desse animal nessas áreas causa impactos ambientais, principalmente porque os ovos de pássaro fazem parte da sua alimentação. Em algumas áreas como o Parque Nacional da Tijuca, foi constatada a significativa redução de aves devido à predação do sagui. Um dos trabalhos de educação ambiental realizado pela Unidade de Conservação é promover a conscientização das pessoas para que não alimentem esses animais, além de realizar ações de castração de indivíduos com objetivo de reduzir a densidade populacional deles e possibilitar a reprodução das aves nativas. Objetivos da educação ambiental em áreas rurais O meio ambiente rural possui muitas possibilidades para realização do trabalho de educação ambiental, principalmente da educação ambiental informal, já que existe a possibilidade de sair da sala de aula para o ambiente natural. Esse trabalho tende a valorizar os recursos naturais e reaproximar os seres humanos da natureza. Desde a década de 1970, a “revolução verde” traz práticas agrícolas que objetivam a exploração extrema dos recursos naturais e a utilização de agroquímicos. Contudo, sabe-se hoje que esse modelo é insustentável para o meio ambiente e para pequenos produtores que desempenham a agricultura familiar. Avanço de área agrícola sobre vegetação natural. Em outro sentido, a modernização agrícola favoreceu o avanço das áreas agrícolas sobre áreas de vegetação natural, o que resultou em desemprego e diminuição da qualidade e da quantidade de recursos naturais, assim como a perda de conhecimentos tradicionais sobre modos de produção mais harmoniosos com o meio ambiente. Em meio a tantos impactos, existem também as escolas do campo, como são chamadas as poucas instituições formais de ensino que estão localizadas na área rural. Nesses locais, trabalha-se mais a educação ambiental no contexto cultural das comunidades rurais. Em 2009, o Ministério do Meio Ambiente assumiu o compromisso de iniciar a construção de um programa de educação ambiental no contexto da agricultura familiar. O Programa de Educação e Agricultura Familiar (PEAAF) foi instituído em 2012 e tem entre suas diretrizes: Articular a educação ambiental em seu caráter formal e não formal, incorporando o componente de educação ambiental não formal em projetos e políticas públicas voltadas para o desenvolvimento rural e inserindo os espaços formais de educação nos processos pedagógicos a serem propostos. (BRASIL, 2012, p. 4) Cada vez mais fica explícita a desconexão do ser humano com o meio natural e isso também está presente no contexto rural. Por isso, a educação ambiental é um instrumento para enriquecer o conhecimento, sensibilizar a comunidade rural e promover a reconexão com a natureza. Dica Dentro do contexto da educação ambiental no meio rural, existe o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), que disponibiliza, em algumas localidades, capacitação e materiais didáticos para professores de escolas rurais. Turismo no ambiente rural Atividades turísticas são cada vez mais comuns no ambiente rural e podem fornecer importantes alternativas econômicas para a população rural. Se realizadas da maneira certa, também podem contribuir para a preservação no espaço e para a valorização dos recursos naturais. Ainda assim, deve-se observar que tais práticas também podem agredir a natureza e agravar os impactos ambientais, bem como proporcionar o surgimento de outros impactos anteriormente não observados nessas regiões. O turismo, quando realizado com respeito à natureza e fundamentado nos conceitos de educação e sustentabilidade, torna-se ecoturismo sendo, portanto, uma forma de praticar a educação ambiental em áreas rurais e preservadas. Ecoturismo Atividade turística que utiliza do patrimônio natural e cultural para incentivar a conservação de áreas preservadas. Algumas das práticas de ecoturismo são a observação de fauna, flora, formações geológicas, visitação de cavernas e locais de interesse antropológico (ex. pinturas rupestres), trilhas, caminhadas e safaris fotográficos. Curiosidade No Brasil, estima-se que a prática de ecoturismo fature anualmente 70 milhões de dólares, além de ser um dos segmentos do turismo que mais cresce globalmente. Nesse contexto, existe ainda o que tem sido denominado como turismo rural ou agroturismo, uma modalidade turística que tem o objetivo de proporcionar às pessoas, geralmente residentes de grandes metrópoles, um contato direto com a natureza, a agricultura e as tradições locais. Esse tipo de turismo é fundamentado em hospedagens domiciliares e familiares de áreas rurais, onde, em geral, são desenvolvidas atividades agrícolas nas quais os visitantes se envolvem. Algumas dessas atividades podem ser impactantes para o meio ambiente, enquanto outras podem ser úteis como ferramenta de promoção da educação ambiental. Exemplo Entre as atividades encontradas nessa modalidade de turismo, estão os passeios a cavalos ou em veículos 4x4, a pesca esportiva, as trilhas e os acampamentos. Uma alternativa para algumas propriedades rurais é a transformação de terras anteriormente utilizadas para agricultura e pecuária em locais para a promoção da conservação ambiental, como é o caso das Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), por exemplo. O número de RPPNs cresce progressivamente no Brasil. O Santuário do Caraça, em Minas Gerais é uma das grandes Reservas Particulares de patrimônio Natural do país. Em geral, é realizado o reflorestamento da área anteriormente desmatada para o desenvolvimento de cultivos de espécies exóticas, entre outras atividades, como a educação ambiental. Nesses locais, podem ser estimulados o ecoturismo, a utilização do espaço para realização de aulas de campo, eventos e oficinas para a população do entorno ou para o público visitante. Vamos conhecer um projeto de educação ambientalna zona rural? Neste vídeo, visitamos um centro de educação ambiental, para ver de perto como pode ser praticada a educação ambiental com os dados de trabalhos de monitoramento de impactos ambientais em uma rodovia, no ambiente rural. A educação ambiental em comunidades tradicionais e aldeias indígenas De acordo com a legislação brasileira, as comunidades tradicionais são definidas como grupos culturalmentes diferenciados que possuem formas próprias de organização social, sendo característica comum dessas populações a utilização de conhecimentos, inovações e práticas geradas e transmitidas pela tradição ancestral. Inicialmente, eram reconhecidas como comunidades tradicionais os povos indígenas e os quilombolas, no entanto, esse conceito foi ampliado com a criação da Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais (PNPCT) pelo Ministério do Meio Ambiente. A partir daí, são compreendidas como comunidades tradicionais, além dos indígenas e quilombolas, as populações de matriz africana e terreiro (umbandistas e candomblecistas), ribeirinhos e comunidades extrativistas (ex. seringueiros, castanheiros, quebradeiras de coco) e pescadores tradicionais (ex. caiçaras), entre outros. Algumas das características das comunidades tradicionais são: Dependência da natureza As moradias, os costumes e os modos de vida são organizados de acordo com os ciclos da natureza e a disponibilidade de recursos naturais. Apego territorial Constroem e mantêm suas moradias em locais específicos por várias gerações. Exploração da natureza P i i l ã d b i ê i O modo de vida dos povos tradicionais, quando comparado com o da sociedade moderna que os cerca, mostra uma vivência muito mais harmoniosa com o meio ambiente, considerando o baixo impacto ambiental que essas comunidades provocam nas áreas naturais que as cercam. Utilizando imagens de satélite, fica evidente a diferença da degradação ambiental ao comparar uma área urbana, uma área rural e uma reserva indígena. Área urbana. Área rural. Reserva indígena. Impactos ambientais das comunidades tradicionais e práticas de educação ambiental Embora possuam uma relação menos depredatória do meio ambiente quando comparadas à sociedade urbana ou rural, as comunidades tradicionais não são isentas de provocarem impactos ambientais negativos. A agricultura desempenhada por essas comunidades é realizada em uma escala bem menor do que o modelo industrial tão presente no ambiente rural, mas também tem Principalmente para a manutenção de subsistência, como a agricultura familiar, a coleta, a caça e a pesca. Utilização de tecnologias tradicionais para o extrativismo Uso de equipamentos para plantio, artes de pesca e caça, por vezes artesanais — feitos à mão nessas comunidades, com a matéria-prima ali encontrada — o que reduz o impacto ambiental. consequências negativas como o desmatamento e a exclusão de espécies naturais. Religiões de matriz africana, por exemplo, têm o costume cultivar plantas exóticas, como espada de São Jorge, comigo-ninguém-pode e dendezeiro, em áreas de vegetação natural. Ainda, costumam deixar os resíduos das atividades ritualísticas em ruas, avenidas, florestas, praias e Unidades de Conservação, que podem se tornar, entre outras coisas, alimento inadequado para a fauna silvestre. Para as religiões de matrizes africanas, é eminentemente necessária a realização de trabalhos de educação ambiental que incentive o uso de materiais biodegradáveis em vez de plásticos, cerâmicas e vidros, além de estimular a retirada dos resíduos após a realização das suas atividades ritualísticas. Alguns povos tradicionais praticam o cultivo de espécies de animais (ex. suinocultura, avicultura) dentro de suas propriedades que são destinadas para esse fim. O problema surge da proximidade entre muitos dos territórios reservados para as comunidades tradicionais e as Unidades de Conservação, pois, eventualmente, esses animais podem fugir dos cultivos e adentrar as áreas preservadas. Outra atividade muito comum em algumas comunidades tradicionais do Brasil é a produção de artesanato, que pode gerar alguns impactos ambientais se não for respeitado o tempo de regeneração da natureza. Quando realizada no contexto de manutenção dos costumes e cultura, essa atividade utiliza matérias- primas de forma substancial, o que não afeta o processo regenerativo de espécies das quais são extraídos frutos e sementes, considerando também partes de animais (ex. penas, dentes) e minerais (ex. argila, rochas, pedras preciosas). Recomendação Em muitas comunidades, a venda de artesanato para turistas representa uma das principais fontes de renda e esse fato deve ser observado e talvez trabalhado em projetos de educação ambiental, com o intuito de amenizar alguns dos impactos, tornando a atividade de produção de artesanato ainda mais valorizada do ponto de vista da preservação ambiental. As comunidades tradicionais indígenas e caiçaras utilizam atividades de caça, pesca e coleta para obtenção de proteína em sua alimentação. Algumas espécies caçadas e pescadas, já tão predadas pelo “homem moderno”, encontram-se ameaçadas de extinção, como a onça, a anta e certas espécies de pescado. A onça-pintada é uma espécie ameaçada de extinção por conta da caça predatória. Nesse contexto, cabe realizar ações de educação ambiental nessas comunidades, a fim de conscientizá-las das espécies que estão em risco de extinção ou não, buscando o direcionamento da atividade para uma exploração menos degradante. Compreende-se, portanto, que a educação ambiental deve considerar não só as questões ambientais, mas também as particularidades sociais, culturais e políticas em que estão imersas as comunidades tradicionais do Brasil. A metodologia aplicada ao trabalho de educação ambiental nessas comunidades pode ser fundamentada em estudos de caso, como a observação detalhada das práticas, dos costumes e da sua inter-relação com os recursos naturais circundantes. Exemplo Entrevistas formais ou informais são meios de se atingir tal objetivo: aplicar questionários oralmente para professores, alunos, moradores e demais integrantes dessas comunidades é uma forma de conhecer o pensamento das partes e identificar as problemáticas ambientais a serem abordadas em palestras, oficinas e outras ações no âmbito da educação ambiental. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 “Nesse trabalho, proponho uma definição integradora de paisagem como sendo "um mosaico heterogêneo formado por unidades interativas, sendo esta heterogeneidade existente para pelo menos um fator, segundo um observador e numa determinada escala de observação". Esse "mosaico heterogêneo" é essencialmente visto pelos olhos do homem, na abordagem geográfica, e pelo olhar das espécies ou comunidades estudadas na abordagem ecológica. O conceito de paisagem proposto evidencia ainda que a paisagem não é obrigatoriamente um amplo espaço geográfico ou um novo nível hierárquico de estudo em ecologia, justo acima de ecossistemas, pois a escala e o nível biológico de análise dependem do observador e do objeto de estudo. A ecologia de paisagens vem promovendo uma mudança de paradigma nos estudos sobre fragmentação e conservação de espécies e ecossistemas, pois permite a integração da heterogeneidade espacial e do conceito de escala na análise ecológica, tornando esses trabalhos ainda mais aplicados para resolução de problemas ambientais” (METZGER, J. P. 2001, p. 1). Analisando as alternativas abaixo, marque a que melhor representa a paisagem do ambiente rural. A Casas construídas sobre a água, na margem de grandes rios amazônicos, pequenas canoas utilizadas para a pesca de subsistência e vegetação aquática circundante. B Grandes construções verticais, intercaladas por movimentadas avenidas asfaltadas com intenso trânsito de veículos motorizados, lojas, shoppingse comércio variado, com vegetação esparsamente distribuída ao longo das calçadas, em geral antigas árvores e pequenos canteiros. Parabéns! A alternativa D está correta. A paisagem rural é composta por pequenas propriedades esparsamente distribuídas ao longo de trechos de estradas de terra, intercaladas por grandes áreas descampadas utilizadas para agricultura ou pecuária em larga escala. As casas do ambiente rural em geral são circundadas de quintais onde são plantadas árvores frutíferas e na maioria deles são criados animais com fins alimentar para subsistência familiar. Nas outras alternativas, são caracterizadas a paisagem do ambiente urbano e de comunidades tradicionais, como os ribeirinhos amazônicos e caiçaras. Questão 2 Qual das alternativas abaixo melhor caracteriza uma comunidade tradicional? C Casas de pau-a-pique em meio a uma densa vegetação florestal circundante, com acesso dificultado por estradas de terra em péssimas condições, trilhas ou caminhos só acessados com a ajuda de guias locais. D Casas distribuídas esparsamente, circundadas de quintais com árvores, com pequenos cultivos de hortaliças e criações de subsistência, próximas de verdejantes descampados, protegidas por cerca de arame farpado, acessadas por estradas sem calçamento. E Casas rústicas de alvenaria, construídas sobre a areia fina de praias, pequenos barcos de pesca, criação de animais e cultivo de alguns poucos animais para subsistência, isolados, acessados apenas mediante barco ou trilha em meio a áreas florestadas circundantes. A Uso de técnicas ancestrais de caça, pesca e extrativismo de subsistência. Parabéns! A alternativa A está correta. As comunidades tradicionais são caracterizadas principalmente em função dos costumes tradicionais no modo de viver, como a utilização de técnicas ancestrais para a obtenção de alimento, técnicas essas que são passadas entre as gerações e estão intimamente relacionadas com a área em que a comunidade está localizada. As demais alternativas, apesar de também poderem caracterizar algumas comunidades tradicionais brasileiras, também são comuns ao ambiente rural. B Ausência de urbanização. C Baixa densidade populacional. D Predominância de áreas destinadas à agropecuária. E Pouca área construída. 3 - ¨A Educação Ambiental em Unidades de Conservação Ao �nal deste módulo, você será capaz de analisar a educação ambiental em Unidade de Conservação. O que é uma Unidade de Conservação? De acordo com a Constituição Federal de 1988, no Brasil: Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. (BRASIL, art. 225, 1988) Nesse sentido, as Unidades de Conservação (UC) são áreas naturais de relevante interesse ecológico que merecem ser protegidas por suas características especiais e os aspectos naturais relevantes para a preservação da natureza e manutenção da vida, incluindo territórios com inegável beleza cênica e recursos ambientais em abundância, como aquíferos, espécies ameaçadas, formações geológicas, entre outros. Existem, ainda, as unidades de conservação de uso sustentável, que são áreas protegidas com o objetivo não só de preservar a natureza, mas também de conciliar a presença humana e a exploração dos recursos naturais. Reserva Particular do Patrimônio Natural Salto Morato (PR). As unidades de conservação são criadas pelo poder público mediante a realização de estudos técnicos sobre a importância ecológica da área e, em alguns casos, mediante consulta pública. Esses locais ficam sujeitos a normas e regras especialmente criadas para cada caso, que só podem ser alteradas ou descumpridas a partir de medidas legislativas. As unidades de conservação são classificadas como Unidades de Conservação de Proteção Integral e Unidades de Conservação de Uso Sustentável. A seguir, apresentamos as principais características de cada uma. Unidades de Conservação de Proteção Integral Seu principal objetivo é preservar a natureza. As ações realizadas preveem apenas o uso indireto do espaço e dos recursos naturais, não sendo permitida a coleta, o dano e a extração de recursos naturais para consumo. Nessa modalidade de UC, são desenvolvidas atividades de recreação, turismo ecológico, práticas esportivas, pesquisa científica, atividades de educação e interpretação ambiental, entre outras. Alguns exemplos de UC de Proteção Integral são: Atividades turísticas nas cachoeiras do PARNA Chapada dos Veadeiros, Goiás. Parque Nacional (PARNA) Objetivam preservar os ecossistemas naturais de inquestionável relevância ecológica e beleza cênica. Entre as atividades realizadas nessa área protegida, estão a pesquisa científica, a recreação, o turismo e também a educação ambiental. Atividade recreativa com crianças no MONA Morros do Pão de Açúcar e da Urca, no Rio de Janeiro. Monumento Natural (MONA) Objetivam preservar locais naturais raros, únicos e de reconhecida beleza cênica e apego popular, como cachoeiras, formações rochosas, arquipélagos, entre outros. A visitação pública e a pesquisa científica são permitidas, porém, de forma mais restrita e de acordo com as regras estabelecidas pelo órgão administrador e seu plano de manejo. Atividade de observação de fauna e contemplação da natureza na REBIO União, no Rio de Janeiro. Reserva Biológica (REBIO) Busca a preservação integral de toda a biota da área delimitada e outros atributos naturais existentes. Não são permitidas interferência humana direta e modificações ambientais, com exceção para medidas de recuperação e manejo de áreas impactadas pela ação humana. Nessa área, ficam previstas normas mais restritas de utilização, em geral, sendo permitida apenas a pesquisa científica e a visitação com objetivo educacional. Biota Conjunto de seres vivos de uma determinada região. Unidades de Conservação de Uso Sustentável Têm como objetivo principal promover o uso sustentável dos recursos naturais de forma compatível com as premissas da preservação ambiental. Nessas áreas, é permitida a presença humana e atividades como coleta de produtos florestais (ex. frutos, sementes e madeira) e animais (ex. pesca e cultivo de organismos), sempre realizadas de acordo com o plano de manejo e nos modelos especificados, para manter os recursos naturais em constante renovação e não interferir em processos ecológicos. Alguns exemplos de UC de Uso Sustentável são: Placa informativa sobre os regulamentos da pesca artesanal na APA Delta do Parnaíba, no Piauí. Área de Proteção Ambiental (APA) Áreas onde existe grau elevado de ocupação humana, mas ainda estão presentes atributos naturais e aspectos culturais que merecem proteção e organização. Nesses locais, além da proteção da diversidade biológica, existe o objetivo de organizar o processo de ocupação humana e assegurar a sustentabilidade no uso dos recursos naturais. Atividade de resgate de animais agregados aos resíduos submersos no evento “Dia Mundial de Limpeza de Praia e Rios” realizado na RESEX Marinha de Itaipu, no Rio de Janeiro. Reserva Extrativista (RESEX) Locais utilizados pela população da região para o extrativismo de subsistência, agricultura e criação de animais. Nas áreas delimitadas, objetiva-se proteger os modos de vida e a cultura — principalmente de populações tradicionais — além de utilizar conscientemente os recursos naturais. Letreiro informativo utilizado para promover a EA na RPPN Reserva Ecológica Guapiaçu, no Rio de Janeiro. Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Áreas privadas criadas a partir da vontade do proprietário, não havendo a desapropriação de terra. Têm como objetivo principal a conservação da diversidade biológica e dos recursos naturais. São permitidas pesquisas científicas e manejo de recursos naturais, bem como atividades recreativas,turísticas e de educação ambiental. Você conhece uma RPPN? Neste vídeo, iremos visitar uma RPPN para ver de perto como é realizado o projeto conservacionista da preservação e como este se relaciona com os objetivos da EA, com a pesquisa científica e com a preservação da biodiversidade. Quem são os responsáveis por gerir a prática da educação ambiental nas Unidades de Conservação? A Lei 9.985, de 18 de julho de 2000, instituiu o Sistema Nacional de Unidade de Conservação (SNUC), o qual regulamenta a criação e manutenção das UCs por esferas governamentais (federal, estadual, municipal) ou iniciativa privada. Alguns dos objetivos da SNUC são: contribuir para a conservação de espécies e recursos genéticos; proteger espécies ameaçadas de extinção; promover a preservação e restauração da diversidade ecossistêmica em ambientes degradados; promover o desenvolvimento sustentável, regulando o uso de recursos naturais; proteger características geomorfológicas, arqueológicas e culturais relevantes; incentivar e proporcionar condições para o desenvolvimento de pesquisas científicas, estudos de monitoramento ambiental e projetos de educação ambiental. As unidades de conservação federais são administradas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), já as unidades estaduais e municipais são de responsabilidade de sistemas estaduais ou municipais de Unidades de Conservação. Parques Nacionais (PARNA) por exemplo, são administrados pelo ICMBio, isto é, são de responsabilidade do poder público federal, enquanto os Parques Estaduais são de responsabilidade do poder público estadual. Da mesma forma, os Parques Municipais são de responsabilidade das respectivas prefeituras e seus órgãos subordinados. Exemplo No estado do Rio de Janeiro, o Instituto Estadual do Ambiente (INEA) é o responsável pela administração dos Parques Estaduais, como o Parque Estadual da Pedra Branca, localizado na capital. Já no município de Niterói, existe o Parque Natural Municipal de Niterói, que é gerido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade (SMARHS), vinculada à prefeitura municipal. Como são responsáveis por criar, gerir e manter a UC, essas entidades públicas também são responsáveis por promover a educação ambiental nesses locais. Pedra do Ponto, localizada no ponto mais alto do Parque da Estadual da Pedra Branca, no Rio de Janeiro. A educação ambiental formal em Unidade de Conservação Mediante a educação ambiental formal, podem ser elaborados projetos articulando gestores e técnicos da unidade de conservação, instituições privadas, secretarias municipais de educação e seus subordinados. A partir de um levantamento prévio das necessidades escolares nas proximidades e até dentro da UC, torna-se possível utilizar as vivências dos professores, diretores e gestores escolares para a construção de ações direcionadas e adaptadas para a realidade na região. Por outro lado, as UCs conseguem o espaço para o desenvolvimento de um projeto fundamentado nas problemáticas ambientais enfrentadas, sendo possível, ao final, realizar o acompanhamento da efetividade do processo educacional por meio do relacionamento com os visitantes. Exemplo Se em determinada UC a problemática a ser trabalhada é a caça, devido à constância da caça na UC, será possível observar, ao final do processo, se a atividade de caça tem alguma diminuição após realizada a conscientização ambiental formal. Educação ambiental informal em Unidades de Conservação. A educação informal é aquela que acontece fora do contexto da sala de aula, utilizando, em vez da escola, as praças, as ruas, as trilhas, entre outros espaços “informais”. Nesse sentido, as unidades de conservação, como áreas de natureza preservadas, são verdadeiros laboratórios a céu aberto para praticar EA. A possibilidade de explorar exemplos práticos para construção da consciência ambiental traz para perto do educando a realidade da interferência dos seres humanos na natureza. Pôr do sol entre as Ilhas Cagarras, Rio de Janeiro. As UCs, por si só, já tendem a ser um instrumento de sensibilização. Quem não gosta de sentir o ar puro? Aproveitar a sombra das árvores ou ver um belíssimo pôr do sol? É nesse momento que uma ação educacional pode ser ainda mais efetiva. O visitante, no agradável ambiente de uma área preservada, torna-se mais suscetível à conscientização dos danos que o ser humano pode causar para o ambiente e para si próprio. Soma-se a isso o fato de que a educação ambiental informal, quando realizada em uma UC, pode atingir diferentes faixas etárias e estratos sociais. Algumas ações no âmbito da educação informal nas UCs são a utilização de placas informativas, apresentado as qualidades, expondo processos e/ou problemáticas ambientais, visitas guiadas com intuito recreativo e educacional ou até mesmo ações diretas na fonte da problemática ambiental. Podcast Discutiremos, neste podcast, como o ecoturismo pode ser utilizado para a educação ambiental em unidades de conservação, bem como os impactos negativos e positivos que essa atividade pode ter no meio ambiente. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Criado em 1937, o Parque Nacional do Itatiaia é a primeira Unidade de Conservação do Brasil. Sobre o PARNA Itatiaia, é correto afirmar que A é uma UC de Uso Sustentável. B nessa área é permitida a extração de minerais e seres vivos. C é uma instituição de ensino e pesquisa. D é uma área destinada apenas ao trabalho de EA. E é uma área administrada pelo governo federal. Parabéns! A alternativa E está correta. O PARNA Itatiaia é uma área administrada pelo governo federal e, como todo parque nacional, é uma UC de proteção integral, onde não é permitida a exploração de recursos naturais. Essa área destina-se principalmente à conservação da natureza e à preservação de espécies e recursos naturais, mas também pode ser usada para outros fins, como a pesquisa científica e a educação ambiental. O PARNA não se configura como uma instituição de ensino e pesquisa, contudo, muitas instituições desse tipo utilizam a sua infraestrutura para tais fins. Questão 2 De acordo com o texto, qual das opções abaixo é um exemplo de UC de Proteção integral? Parabéns! A alternativa C está correta. Unidades de Conservação de Proteção Integral são áreas protegidas da União, ou seja, não são particulares e possuem o objetivo de preservação ambiental. Nessa modalidade de UC, não são permitidas atividades extrativistas, como a coleta de produtos vegetais, a pesca, a caça e a extração mineral. São exemplos de UC de Proteção Integral, Parques A RESEX Rio Xingu. B RPPN Fazenda Boa Esperança. C MONA dos Morros do Pão de Açúcar e da Urca. D APA Ibirapuitã. E RPPN Pico do Barbado. Nacionais (PARNAs), Reservas Biológicas (REBIOs), e Monumentos Naturais (MONAs). 4 - Projetos de Educação Ambiental Ao �nal deste módulo, você será capaz de descrever a construção de projetos de educação ambiental. O que é um projeto de Educação Ambiental? O trabalho dos educadores ambientais pode ter um caráter informal, no qual os princípios e as práticas ligados aos fundamentos da EA são trabalhados durante o processo de socialização — no cotidiano, no dia a dia, no bairro, em casa, em atividades recreativas etc. E há também a educação ambiental formal, que é o trabalho em ambiente escolar, universidades, centros de pesquisa e outras instituições de ensino. Dito isso, veremos resumidamente como é feito o processo de criação, aplicação e avaliação de um projeto de educação ambiental. Devemos deixar claro, primeiramente, que não há um modelo único, a construção de um projeto de EA é um processo que busca atender a alguma demanda de determinada comunidade ou grupo de pessoas. Então, é sempre importante ter consciência das diversidades e complexidades regionais, sociais e políticas na hora de aplicar os conhecimentosbásicos para construção de um projeto. Em sentido amplo, quando falamos em projeto educacional, estamos nos referindo a um plano, uma intenção, ao desejo de realizar algo no futuro. Nesse projeto, teremos de descrever em detalhes o que motiva a elaboração desse plano, como ele será realizado e quais resultados queremos alcançar, entre outras coisas. Um projeto de educação ambiental pode ser de dois tipos diferentes: Caráter empreendedor Com o projeto, busca-se consolidar um produto, bem de consumo ou atividades com fins financeiros. Caráter extensionista O educador irá se fundamentar em experiências e ideias promissoras, com o objetivo de encontrar soluções para a problemática ambiental. Nesse contexto, os projetos podem ser realizados nos diversos setores da sociedade, por exemplo, empresas podem realizar ações de sustentabilidade que busquem a conscientização sobre os danos de determinada prática humana e ainda agregar valor à sua marca ou ao seu produto. Quando falamos em valor, entretanto, não nos referimos ao valor monetário propriamente dito, mas ao valor dado pelos consumidores que compactuam dos princípios de um modo de vida mais harmonioso e respeitoso com o meio ambiente. Imagine que, para o público que consome o produto, além do produto comprado, também é adquirido o conhecimento, a contribuição ou a benfeitoria que o consumo desse determinado produto trará para o meio ambiente em que vive. Exemplo Uma empresa que decide trocar suas embalagens plásticas por embalagens de papel pode conquistar o consumidor que, consciente dos problemas dos resíduos, irá optar pela opção menos danosa ao meio ambiente. Professores podem utilizar do ambiente integrador de uma escola ou organização local (ex. ONG, associação de moradores, cooperativas etc.) para a criação e o desenvolvimento de um projeto de educação ambiental que busque a resolução de problemas ambientais locais ou regionais. O projeto pode ser encarado como um projeto de extensão, com o objetivo de levar os alunos para além dos muros da escola. Projetos de extensão podem fazer parte do compromisso de instituições, cursos ou profissionais que atuem em Ciências Ambientais. E claro, todos os cidadãos podem desenvolver projetos extensionistas caso sejam apreciados pela sociedade em que se enquadra. Por exemplo, os gestores e funcionários de uma Unidade de Conservação podem adentrar o ambiente escolar nas proximidades da UC para trabalhar as questões ambientais que são enfrentadas na área protegida. Experiências em EA na graduação Neste vídeo, o professor Arthur Rodrigues Lourenço irá contar um pouco da sua atuação em projetos de educação ambiental ao longo do período de graduação. Veremos como a EA pode estar presente em diferentes contextos, como em universidades, centros de pesquisa, trabalhos voluntários, unidades de conservação e no dia a dia. Por quê? Para quem? Com o quê? Passos para a construção de um projeto de EA A primeira aproximação será a sugestão das possibilidades e prioridades do projeto em determinado contexto. Pode ser feita a análise do contexto social interagindo com uma problemática ambiental específica (“Por que realizar o projeto?”). É nesse momento que o educador pode incorporar os grupos sociais envolvidos, buscando a construção coletiva do projeto. Isso ajudará no reconhecimento das demandas da comunidade e possibilitará compreender qual dessas deve ser priorizada no desenvolvimento do projeto. Existem vários métodos para o reconhecimento das demandas trabalháveis em EA. Pode ser realizada a pesquisa bibliográfica, que irá considerar, além da fundamentação teórica dos livros e artigos científicos, as reportagens de jornais e os trabalhos técnicos, como relatórios de órgãos ambientais, empresas e organizações não governamentais. Outra forma de reconhecer as demandas é por meio da observação do educador. Para isso, é possível utilizar protocolos e modelos (Quadro 1) com os dados importantes. Quadro 1. Modelo de caderno de campo preenchido com dados fictícios. Em seguida, deve-se realizar o contato com os órgãos educacionais possivelmente interessados no projeto. É importante respeitar hierarquias e fazer boas articulações, obedecendo o planejamentos e as normas institucionais. No caso das escolas, pode-se verificar, por meio do Projeto Político Pedagógico (PPP), se já existe especificada alguma demanda de educação ambiental. A partir da definição dos objetivos, da equipe técnica e do público-alvo (para quem será realizado o projeto?), pode-se iniciar a construção de uma ação educativa. Então, elabora-se um plano de trabalho ou plano de ação (com o que será realizado o projeto?), que poderá ter diferentes abordagens: oficinas, cursos, visitas orientadas, pesquisas interativas, questionários (Quadro 2), entrevistas, entre outros, sempre valorizando o contexto, a cultura, os saberes e os valores locais. Quadro 2. Exemplo de questionário tratando o problema dos resíduos sólidos em uma comunidade. Após um planejamento, é iniciada a execução da ação de educação ambiental. Recomenda-se que o processo de execução também seja participativo, em conformidade com as atividades planejadas e com o cronograma de execução. Passos para a construção de um projeto de Educação Ambiental em Unidades de Conservação. Atenção É importante monitorar continuamente as atividades executadas, considerando as possibilidades de ajustes, se necessário. Esse monitoramento deve ser realizado durante o processo de implementação e execução do projeto; ao fim, considerando os resultados, buscando avaliar as mudanças obtidas após as ações de educação ambiental; e posteriormente à conclusão do projeto, buscando qualificar e quantificar as alterações na comunidade em que o projeto foi desenvolvido. Comunicação e divulgação A comunicação dos resultados obtidos com a realização do projeto irá fortalecer a ação de educação ambiental. Essa comunicação deve sempre levar em consideração a inclusão, a cooperação e a longevidade; além de pensar no que deve ser comunicado, para quem quer comunicar e a melhor forma de comunicar os dados obtidos, entre outros aspectos que podem nortear a estratégia de comunicação. Pode ser interessante incluir esse tópico ainda na etapa de elaboração do projeto, tornando-o parte do plano de trabalho, dessa forma, a comunicação e a divulgação pode ser pensada desde o início do projeto. Essa comunicação pode ser feita: Internamente, por exemplo, na comunidade, escola ou empresa em que a ação foi executada. Externamente, em reportagens de jornais, redes sociais, sites especializados, revistas e eventos acadêmicos. Podcast Neste podcast, discutiremos como um projeto de educação ambiental pode articular com o setor privado, mostrando como leis e normas ambientais podem estimular o desenvolvimento de projeto de EA e o que é preciso levar em consideração na hora de apresentar um projeto para empresas. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 A partir do que foi visto no conteúdo, assinale a alternativa que apresenta a maneira mais coerente de se iniciar um projeto de educação ambiental. Parabéns! A alternativa C está correta. Uma das estratégias mais coerentes no momento de elaboração de um projeto de EA é analisar as problemáticas ambientais presentes na área de A Pesquisar na internet temas globais e de ampla abrangência. B Utilizar leis e programas governamentais para propor um projeto. C Analisar as problemáticas ambientais presentes na área em que se deseja atuar. D Definir qual o modelo será utilizado na ação de EA. E Monitorar atividades anteriormente realizadas para dar continuidade a projetos já implementados. atuação. Desse modo, pode-se elaborar um projeto que atenda diretamente à comunidade e que leve em consideração as questões sociais e culturais da região. Nesse sentido, utilizar temas globais e de ampla abrangência como são oscolocados em leis e sites de internet não é a melhor forma de se iniciar um projeto. A definição do modelo de projeto deve acontecer após a noção da problemática que deverá ser trabalhada, entre outros fatores. O monitoramento se faz necessário após o projeto implantado, buscando o aprimoramento da técnica empregada. Questão 2 Entre os objetivos disponíveis, escolha o que melhor caracteriza um projeto de caráter empreendedor. Parabéns! A alternativa D está correta. Um projeto de caráter empreendedor é aquele que busca promover determinado produto ou serviço que tenha em sua concepção os princípios A O objetivo é tratar de questões socioambientais no ambiente escolar em parceria com UC. B O objetivo é coibir a caça de animais silvestres por meio de folhetos informativos distribuídos na comunidade rural. C O objetivo é treinar a população tradicional para a prática de ecoturismo. D O objetivo é comercializar produtos produzidos nos moldes da sustentabilidade. E O objetivo é conscientizar os banhistas sobre os resíduos com a colaboração de alunos do ensino médio. do desenvolvimento sustentável. As demais alternativas tratam de projetos extensionistas que não estejam diretamente ligados a fins comerciais. Considerações �nais A prática de educação ambiental mostra-se como uma importante ferramenta para os profissionais que desejam atuar em ações preservacionistas. Neste conteúdo, foram apresentadas diferentes maneiras de se trabalhar a educação ambiental e demonstramos também como a educação ambiental pode estar presente em diversos grupos sociais e locais. Destacamos ainda os princípios norteadores para elaboração de um projeto de educação ambiental. Por fim, proporcionamos o aprendizado de diferentes formas de atingir um modo de vida sustentável, por meio da atuação de educadores ambientais. Explore + Para saber mais sobre a problemática da criação de serpentes como animais de estimação, acesse o site da World Animal Protection (Proteção Animal Mundial) e leia a matéria “Descubra por que a jiboia não é um animal de estimação”. Você encontra mais informações sobre a elaboração de avaliação de um projeto de educação ambiental em UCs na seguinte publicação do ICMBio: Educação ambiental em Unidades de Conservação: ações voltadas para comunidades escolares no contexto da gestão pública da biodiversidade. Para conhecer projetos socioambientais realizados por entidades não governamentais, acesse a página do Projeto UÇÁ, entre na seção Publicações e analise os resultados dessa iniciativa. Referências BRANQUINHO, F. B.; FERREIRA, M. do C.; REIS, M. A. de S. Ciências naturais na educação 2. Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2010. 290p., v. 1. BRASIL. Portaria nº 169 de 23 de maio de 2012. Institui, no âmbito da Política Nacional de Educação Ambiental, o Programa de Educação Ambiental e Agricultura Familiar (PEAAF), e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, n. 100, p. 56, 24 maio 2012. CAJAÍBA, R. L.; SILVA, W. B da; PIOVESAN, P. R. R. Animais silvestres utilizados como recurso alimentar em assentamentos rurais no município de Uruará, Pará, Brasil. Desenvolvimento e Meio Ambiente. v. 34, p. 157-168, ago. 2015. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. IBGE. Coordenação de Geografia. Classificação e caracterização dos espaços rurais e urbanos do Brasil: uma primeira aproximação. Rio de Janeiro: IBGE, 2017. 84p. (Estudos e pesquisas. Informação geográfica, n. 11). INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE. Educação ambiental em Unidades de Conservação: ações voltadas para comunidades escolares no contexto da gestão pública da biodiversidade. Brasília: ICMBIO, 2016. LAUTON, D. C. R.; NUNES, V. de J.; LIMA, D. P. de. Informação ou resíduo? Panfletagem no Município de Feira de Santana, Bahia, Brasil. Revista Brasileira de Gestão Ambiental e Sustentabilidade, v. 7, n. 16, p. 501-523, 2020. LUCCA, E. J.; BRUM, A. L. Educação ambiental: como implantá-la no meio rural? Revista de Administração IMED, v. 3, n. 1, p. 33-42, jan. 2013. MEDEIROS, A. B. de et al. A importância da educação ambiental na escola nas séries iniciais. Revista Faculdade Montes Belos, v. 4, n. 1, p. 1-17, set. 2011. METZGER, J. P. O que é ecologia de paisagens? Biota Neotropica, v. 1, n. 1, 2001. VIEIRA T. F. et al. (orgs.). Educação ambiental em comunidades tradicionais. Mossoró: EDUERN, 2017. Consciência socioambiental e sustentabilidade Prof. Igor Musauer Kessous, Profa. Juliana Velloso Durão Apresentação Você vai estudar os conceitos de consciência socioambiental, sustentabilidade e o contexto de aplicação da legislação ambiental vigente. É fundamental atuarmos frente aos desafios socioambientais enfrentados pela humanidade atualmente, assim como reconhecermos que a conservação do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável são bases para uma sociedade mais justa, desenvolvida e comprometida com as futuras gerações. Propósito Objetivos Módulo 1 Políticas e de�nições de consciência socioambiental Módulo 2 Legislação ambiental no Brasil e sustentabilidade Reconhecer políticas internacionais e definições de consciência socioambiental e sustentabilidade. Identificar as principais leis ambientais brasileiras sob uma perspectiva histórica. Módulo 3 Gestão comunitária do meio ambiente Reconhecer a importância de cada um na gestão comunitária do meio ambiente. Introdução Provavelmente você já ouviu falar em consciência socioambiental e sustentabilidade. Esses temas vêm sendo muito recorrentes nos veículos de comunicação, principalmente pela urgência de seu entendimento pela sociedade em face da crise climática que estamos presenciando. É inequívoco que os seres humanos tiveram — e têm — grande impacto na modificação do planeta Terra, tanto estruturalmente quanto climaticamente. Desde a Pré-História (período anterior a 3.500 a.C.), na ascensão dos humanos, são retratados eventos de colonização de novas regiões e o consequente “rastro” deixado, devido principalmente ao desenvolvimento da agricultura e à caça de animais. Contudo, somente após a Revolução Industrial, iniciada na segunda metade do século XVIII, esses “rastros” evoluíram de forma exponencial, com o crescimento de áreas urbanas e o forte extrativismo de recursos naturais para fins lucrativos. Em conjunto com o desenvolvimento industrial das cidades, o “dano colateral” da degradação ambiental também ocorreu de forma exponencial, levando à contaminação de águas e solos e à poluição atmosférica. A emissão dos gases de efeito estufa na atmosfera, como a de CO2 apresentada no gráfico a seguir, foi e vem sendo um dos maiores causadores da crise climática. Gráfico: Emissão anual de gás carbônico na atmosfera. Diante disso, é importante compreender que todos nós somos parte do planeta e podemos contribuir para frear as mudanças climáticas e outros desafios socioambientais, como a perda da biodiversidade e a degradação dos ecossistemas naturais. Neste conteúdo, definiremos os conceitos de consciência socioambiental e sustentabilidade, importantes para a formação de cidadãos comprometidos com as gerações atuais e futuras. Estudaremos a legislação ambiental brasileira e seu histórico, assim como a importância dos programas de gestão comunitária do meio ambiente. Avanços importantes foram realizados nas últimas duas décadas quanto à promoção de sustentabilidade e conscientização ambiental por parte da população, no Brasil e no mundo, mas muito ainda precisa ser feito e aprimorado. Material para download Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF. Download material 1 - Políticas e de�nições de consciência socioambiental e sustentabilidade Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer políticas internacionais e de�nições de consciência socioambiental e sustentabilidade. A consciência socioambiental Assista ao vídeo a seguir para compreender o que é consciênciasocioambiental e qual é a sua relação com a sociedade e o meio ambiente. javascript:CriaPDF() O termo socioambiental vem da união dos termos social e ambiental, pois esses elementos e problemas, por vezes, são indissociáveis. Por exemplo, inúmeras doenças são causadas pela falta de saneamento básico em determinadas regiões do Brasil, o que representa um desafio social e ambiental. A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que aproximadamente 88% das mortes causadas por diarreia ocorrem por falta de saneamento básico e higiene precária. Estima-se que anualmente 15 mil pessoas morram e 350 mil sejam internadas no Brasil devido a doenças ligadas à precariedade do saneamento básico (Jornal da USP, 2020). Comunidade em Ilhéus, BA, com esgoto a céu aberto. Um exemplo também atual se refere às consequências das mudanças climáticas. As pessoas mais vulneráveis, que vivem em situações de pobreza, habitando moradias irregulares e precárias, em encostas ou nas margens de rios, são as atingidas em maior quantidade e intensidade pelas chuvas e outros eventos climáticos extremos, como ciclones, secas, furacões e ondas de calor. Destruição provocada pela passagem do furacão Florence, nos Estados Unidos. Em 2024, as ondas de calor no Brasil provocaram sensação térmica de 62°C. Tais eventos evidenciam a vulnerabilidade da parcela mais carente da população e a restrita atuação do poder público frente aos desafios ambientais, sempre intensificados por questões sociais, políticas e econômicas. É fundamental que entendamos os problemas socioambientais não apenas em sua face ecológica, mas também considerando as consequências que podem ser levadas para a sociedade. A questão socioambiental é diretamente relacionada à desigualdade social. Como retratado acima, são diferentes escalas de problemas sociais associados a desordens ambientais. Saiba mais A OMS aponta que cerca de um quarto da população mundial não tem acesso a condições básicas de saneamento e cerca de 500 milhões de pessoas defecam ao ar livre (WHO, 2021). A evolução da cadeia produtiva resultou no desenvolvimento da medicina, da ciência, da tecnologia, da comunicação, entre outros. No entanto, a falta de planejamento causada por essa produção e pelo consumo desenfreado levou o nosso planeta a uma crise ambiental sem precedentes. O processo de conscientização individual e coletivo da questão socioambiental representa o primeiro passo no combate dessa problemática. Nesse sentido, tornar-se consciente sobre a problemática socioambiental que existe no Brasil e no planeta é um primeiro passo fundamental de todo cidadão, que tem o direito e dever de estar informado sobre o contexto em que vive. Como cidadão, o poder de voto, de cobrança e de decisão de consumo, pode interferir e direcionar melhor as políticas governamentais e as ações empresariais. Escolhas de consumo consciente e geração de menos lixo (e destinação correta do lixo para reaproveitamento ou reciclagem) são ações individuais básicas e eficazes para cidadãos atentos e despertos. O processo de conscientização individual e coletivo sobre a questão socioambiental representa um primeiro movimento no combate dessa problemática. Re�exão Você sabia que hoje no Brasil mais de 1 milhão de pessoas ainda vivem sem banheiro em casa? De acordo com o Censo 2022, há 367 mil lares sem banheiro, nem mesmo externo ou precário. Enquanto isso, na outra ponta, 5,4 milhões de pessoas vivem em casas com quatro banheiros ou mais. O Piauí enfrenta a pior situação do país, em que 5% da população vivem nessas condições. O quadro é crítico em 169 municípios, em que 10% da população habita lares sem banheiros ou sanitário. Em todo o país, há ainda 2,4 milhões de pessoas em domicílios com instalações externas ou insalubres. O Brasil se comprometeu a eliminar essa situação até 2030, seguindo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. A importância da consciência socioambiental Neste vídeo, assista à entrevista com as professoras Beatriz Neves e Juliana Durão sobre ondas de calor, eventos climáticos extremos e sobre a relação entre meio ambiente e desigualdade global. Atividade 1 Leia atentamente as frases abaixo: I. A consciência socioambiental é definida pela consciência exclusiva de chefes de Estado em relação à biodiversidade do planeta. II. A consciência socioambiental informa à população sobre as consequências dos meios de produção e a problemática ambiental associada. III. O voto, as cobranças e decisões de consumo individuais de cada cidadão têm poder de pressionar e interferir em políticas governamentais e empresariais. Está correto o que se afirma em: Parabéns! A alternativa E está correta. Na frase (I), o erro se encontra na atribuição da consciência socioambiental apenas aos chefes de Estado e à biodiversidade, quando na verdade deve ser atribuída à população como um todo e considerar também outros aspectos além da biodiversidade, como o social, o econômico e o ambiental. As demais frases se encontram corretas, (II) a consciência socioambiental tem como um dos objetivos informar sobre as consequências das ações individuais e dos meios de produção para o meio ambiente e (III) cada cidadão precisa agir com responsabilidade e entender o poder do seu voto, das suas ações de cobrança e consumo consciente frente às políticas do governo e de empresas, em prol de um meio ambiente equilibrado, saudável e próspero para esta e as futuras gerações. O que é desenvolvimento sustentável? A Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU) definiu desenvolvimento sustentável como um modelo de desenvolvimento que considera as necessidades da atual geração, A I e II apenas. B I e III apenas. C II apenas. D I apenas. E II e III apenas. assim como as necessidades das gerações futuras. A ideia é buscarmos modelos de desenvolvimento que sejam regenerativos e considerem os limites planetários. No entanto, isso não vem acontecendo. Para nos dar a ideia de como andamos consumindo nossos recursos naturais, foi criado o dia da sobrecarga da Terra. A cada ano, esse dia marca o momento em que a humanidade já consumiu todos os recursos naturais que o planeta pode renovar, ou seja, pode nos prover naquele ano. Quem mede esse índice anualmente é a ONG GFN – Global Footprint Network. Acontece que, desde que esse indicador começou a ser utilizado, entramos em débito com o planeta com mais antecedência a cada ano, ou seja, o dia é marcado antes de o ano terminar e cada vez mais cedo. O dia da sobrecarga da Terra é o dia que foi definido como símbolo do nosso uso desenfreado e insustentável de recursos naturais. Em 2023, no dia 02 agosto, utilizamos todos os recursos naturais que poderíamos consumir durante o ano todo. Após a data, tudo o que foi produzido e consumido foi além da capacidade do planeta. A sustentabilidade possui três pilares dependentes entre si, nenhum pode existir sem o outro no longo prazo: o ambiental, o social e o econômico. Os três pilares da sustentabilidade. Já ouviu falar de ESG? Hoje, grande parte das empresas tem utilizado uma nova nomenclatura para tratar das questões socioambientais, ESG (environmental, social and governance). No Brasil, usa-se também a sigla ASG (ambiental, social e governança). Independentemente do nome, sustentabilidade ou ESG, o importante é que as estratégias, o plano de negócio e as políticas de todas as corporações incorporem, efetivamente, as questões ambientais, sociais e de governança e que elas ganhem tanto peso quanto as questões econômicas. Sustentabilidade e o dia da sobrecarga da terra Este vídeo aborda temas como desenvolvimento sustentável, sustentabilidade e o dia da sobrecarga da terra. Atividade 2 A incorporação de questões socioambientais na agenda empresarial tem ganhado mais peso recentemente. Com base no exposto sobre ESG, qual das empresas hipotéticas citadas abaixovocê indicaria como realmente comprometida com as questões socioambientais: A A empresa CAP produz relatórios de sustentabilidade anualmente, porém tem tido enormes problemas com a comunidade ao entorno de sua fábrica por conta da poluição do rio local, que passou a ser impróprio para o banho após sua instalação e operação, por conta do despejo de materiais impróprios oriundos do seu processo produtivo. B A empresa FNT estimula que seus funcionários realizem trabalho voluntário para divulgar em suas redes sociais, no entanto, não paga hora extra aos seus funcionários que realizam jornadas de trabalho extenuantes. C A empresa GAT produz peças de roupa e em uma de suas campanhas de marketing se define como marca sustentável por ter utilizado em uma peça algodão orgânico. No entanto, ela utiliza trabalho subvalorizado e explorado em suas fábricas na Ásia. A empresa SEQUOIA produz roupas de alta qualidade e durabilidade. Toda a produção é feita por mulheres, que são bem Parabéns! A alternativa D está correta. A empresa SEQUOIA que se preocupa em produzir produtos duráveis, que não serão descartados rapidamente, incentiva a igualdade de gênero, buscando empregar mulheres, remunera bem suas empregadas e busca mão de obra local e eficiência energética na sua produção, contribuindo com o meio ambiente. Além do trabalho importante de divulgação baseada no consumo consciente. Como alcançar o desenvolvimento sustentável? D remuneradas e vivem no entorno de sua fábrica. Eles buscam a eficiência energética em seus processos produtivos e a redução das emissões de gases de efeito estufa e de outros poluentes. Suas campanhas de marketing não estimulam a compra excessiva de roupas, mas sim a compra de poucas peças, duráveis e atemporais. E A empresa VIRTU é conhecida por produzir materiais para a indústria de construção civil. Ela se comprometeu com várias metas climáticas e foi considerada referência no seu setor por conta disso. No entanto, por conta de questões financeiras, não vem cumprindo as metas estabelecidas e passou a emitir mais gases de efeito estufa nos últimos anos. O desenvolvimento deve ser planejado tendo em vista a melhor utilização dos recursos naturais, sejam eles renováveis ou não renováveis (aqueles que são finitos) e considerando o atendimento das necessidades básicas da população. É importante ressaltar que não somente nossa sociedade atual depende desse modelo de desenvolvimento, mas também as próximas gerações. O desenvolvimento sustentável leva mais em conta a qualidade da produção do que a quantidade, visando à reutilização de produtos, reinserindo-os como matéria-prima nos processos produtivos após o final de sua vida útil, e à redução do uso de matérias-primas. Sendo assim, nos países em desenvolvimento como o Brasil, é importante ter em vista que, para alcançar maiores patamares de riqueza, não é necessário seguir o sistema adotado pelos países desenvolvidos, o que seria insustentável para o planeta, mas elaborar meios e modelos de produção mais sustentáveis. O Brasil é um país privilegiado por ter recursos naturais em abundância, porém precisa utilizá-los melhor. Metas para um desenvolvimento sustentável Este vídeo trata do conjunto de metas definidas por países-membros da ONU como necessárias para alcançarmos o desenvolvimento sustentável. No Brasil, elas são chamadas de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Para se alcançar o desenvolvimento sustentável das nações, é necessário ter metas claras. Nesse sentido, em 2015, os países membros da ONU adotaram a Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, dividida em 17 objetivos (SDG – Sustainable Development Goals) que entraram em vigor no dia 1° de janeiro de 2016 e devem ser alcançados até 31 de dezembro de 2030. No Brasil são chamados de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Os 17 objetivos globais de desenvolvimento sustentável. 1 - Erradicação da pobreza: Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares. Elaborar políticas sólidas para reduzir em pelo menos metade o número de pessoas em pobreza extrema. Além disso, deve-se assegurar a todos o acesso a serviços básicos. 2 - Fome zero e agricultura sustentável: Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável. Ampliar a produtividade agrícola de pequenos agricultores, por meio de novos investimentos. Garantir repartição igualitária dos benefícios provenientes de recursos genéticos e conhecimento tradicional para comunidades locais. 3 - Saúde e bem-estar: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades. Diminuir a mortalidade materna e infantil, acabar com epidemias e incentivar o acesso universal a serviços de saúde. Apoiar pesquisas científicas no âmbito da saúde, inclusive no desenvolvimento de vacinas. 4 - Educação de qualidade: Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da Garantir os ensinos primário e secundário de qualidade para todos. Eliminar a disparidade de gênero na educação e preparar os jovens para empregos na vida adulta. Incentivar a formação de professores por meio de cooperação internacional. 5 - Igualdade de gênero: Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas. Acabar com qualquer tipo de discriminação de gênero, bem como a violência sofrida pelas mulheres. Assegurar o acesso à propriedade e a participação igualitária das mulheres na política, na economia e na vida pública. 6 - Água potável e saneamento: Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos. Melhorar a qualidade da água e reduzir a poluição. Incentivar e capacitar países para a promoção do saneamento básico. Proteger os recursos hídricos e incentivar a participação de comunidades locais na gestão das águas. 7 - Energia limpa e sustentável: Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos. Incentivar o uso de energia renovável ampliando a infraestrutura e modernizando tecnologias. 8 - Trabalho decente e crescimento econômico: Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, o emprego pleno e produtivo e o trabalho decente para todos. Reduzir o número de jovens desempregados, erradicar trabalhos forçados ou análogos à escravidão, bem como o trabalho infantil. Assegurar a geração de emprego decente e o empreendedorismo. 9 - Indústria, inovação e infraestrutura: Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação. Promover uma indústria sustentável e inclusiva, aumentando participação de países em desenvolvimento e menos desenvolvidos. Incentivar pesquisas científicas para o desenvolvimento tecnológico. 10 - Redução das desigualdades: Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles. Aumentar a renda dos mais pobres, incentivar a inclusão social independentemente de crenças, posicionamento político, gênero, raça, cor e idade. Incentivar criação de políticas públicas para se alcançar uma maior igualdade. 11 - Cidades e comunidades sustentáveis: Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. Dar acesso à habitação, à segurança, ao transporte de forma sustentável a todos. Reduzir número de mortes atribuídas às catástrofes, à violência e à baixa qualidade de água. 12 - Consumo e produção responsáveis: Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis. Reduzir significantemente o desperdício de comida, a geração de resíduos (mediante reciclagem). Mudar produção e consumo para padrões mais sustentáveis, principalmente em países em desenvolvimento. 13 - Ação contra a mudança global do clima: Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e seus impactos. Incentivare permanente A educação ambiental deve ser tratada como uma prática constante e em evolução. Interdisciplinaridade Significa que essa educação constitui um tema comum a duas ou mais disciplinas, como as Ciências, a História ou a Geografia. Metodologia participativa Há espaço de fala e participação para todos. Formação de cidadãos Busca-se o sentimento de responsabilidade coletiva pelo planeta. Saiba mais No fim da década de 1970, no Brasil, a educação ambiental começou a fazer parte do contexto escolar com o desenvolvimento de alguns projetos em escolas públicas do Distrito Federal, de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e de São Paulo. Para os cursos de ensino superior, as disciplinas de Ciências Ambientais começaram a fazer parte da grade curricular dos cursos de Engenharia. educação ambiental pôde ser definida como a prática da educação com a finalidade de resolução de problemas relacionados ao meio ambiente por meio de um enfoque interdisciplinar e de uma participação ativa e responsável de cada indivíduo ou da coletividade. Década de 1980 (aumento da visibilidade da educação ambiental) Na década de 1980, a educação ambiental passou a ter maior visibilidade com a criação da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente, em 1983, e com a realização da Conferência Internacional de Educação Ambiental, em 1987. Vamos conhecer mais detalhes a seguir. 1983 Foi criada a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente, órgão da ONU que trouxe mais clareza à ideia do desenvolvimento sustentável e da conscientização coletiva sobre o meio ambiente. 1987 Na cidade de Moscou, na Rússia, ocorreu a Conferência Internacional de Educação Ambiental. Foi lançado nessa conferência o Relatório Brundtland, cujo principal objetivo era embasar e promover o desenvolvimento sustentável por meio da apresentação de possíveis estratégias e métodos a serem empregados em diversas situações. Década de 1990 (evolução das políticas ambientais) A partir dos anos 1990, um novo jeito de pensar as políticas ambientais foi implementado: o agir local e o pensar global. Essa nova abordagem sobre o desenvolvimento sustentável e a educação ambiental se deu graças a dois grandes eventos principais: 1992 Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU no Rio de Janeiro, também conhecida como Rio- 92. 1997 Conferência Internacional de Educação Ambiental e Sociedade, em Tessalônica, na Grécia. Nos dois eventos, a educação ambiental foi citada como forma de disseminação das informações sobre o meio ambiente que contribuiriam para a conscientização daquela e das próximas gerações. Além disso, planos de ações de governos também foram apreciados e discutidos. A seguir, o professor Arthur Rodrigues Lourenço falará sobre o contexto em que a Rio-92 ocorreu, quais foram seus objetivos, os países que participaram do evento, quais foram as deliberações feitas sobre a educação ambiental, além de suas consequências para sociedade brasileira e desdobramentos dos eventos seguintes, como a Rio +10 e Rio +20. Vamos ouvir! Podcast Início do século XXI (disseminação da sustentabilidade e eventos sobre educação ambiental no Brasil) Diversos outros eventos relacionados à educação ambiental e a outros temas correlatos continuaram a acontecer ao longo dos anos. Exemplo Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU (Rio +10), em 2002, e Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU (Rio +20), dez anos depois. Com o passar dos anos, a educação ambiental foi sendo encarada como uma aliada no combate à superexploração do meio ambiente e a promotora de uma vida sustentável e digna a todos. Assim, a principal concepção sobre ela passou a ser a de uma conscientizadora do indivíduo e da sociedade em geral sobre os problemas ambientais presentes e futuros nos quais os seres humanos, como parte integral do planeta, são colocados. Hoje em dia, a educação ambiental também está associada às mudanças no estilo de vida e aos padrões de consumo que adotamos como indivíduos. Tudo isso exige processos educativos que indiquem os caminhos para uma relação mais harmoniosa entre humanidade e natureza. Concepções A educação ambiental pode ser concebida em duas vertentes principais: Educação ambiental formal A educação ambiental formal ou escolar consiste na apresentação de informações e na conscientização de alunos no contexto da sala de aula. Você se lembra de quando estudou na escola acerca dos problemas ambientais? Sobre a destruição da camada de ozônio, o desmatamento ou as chuvas ácidas, por exemplo? Todos esses problemas ambientais – e outros – são temas que fazem parte do currículo escolar e representam a educação ambiental formal. Em geral, a educação ambiental formal está inserida nas disciplinas de Ciências (ensino fundamental) e Biologia (ensino médio), mas ela tem repercussão em diversas outras disciplinas, podendo – e devendo – ser tratada de forma interdisciplinar pelos professores. Saiba mais A presença da educação ambiental formal nas salas de aula das escolas brasileiras é definida pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). Educação ambiental não formal Em algum momento da sua vida, você já: Viu cartazes na rua com mensagens como “jogue o lixo no lixo”? Observou indicações sobre como descartar seu lixo de forma correta, usando cestos específicos para plástico, papel, vidro e metal? Teve a oportunidade de participar e/ou observar o plantio de mudas ou a coleta coletiva de lixo em praias? Ouviu uma palestra ou teve uma conversa sobre a importância de se saber de onde vem o alimento que você está consumindo? Essas perguntas são exemplos de formas educativas de conscientização sobre suas ações e as respectivas consequências delas em relação ao meio ambiente. Elas exemplificam, portanto, uma educação ambiental não formal. A educação ambiental não formal pode se dar de múltiplas formas. Já sua promoção ocorre por intermédio de diferentes órgãos, instituições ou empresas, como os exemplos a seguir: Museus Centros de ciências Parques Praças Espaços turísticos Espaços culturais Ela, portanto, precisa ser formulada especificamente para cada contexto, tema e público, tendo o devido respeito aos valores e à cultura do coletivo-alvo dessas ações. Suas atividades preferencialmente devem envolver a participação ativa do público-alvo e o incentivo para a continuidade de boas práticas. Desa�os no Brasil e educação ambiental para a sustentabilidade Desde seus primórdios, a educação ambiental surge como uma prática que tira o ser humano de sua zona de conforto e o apresenta a uma realidade nada agradável, a qual, aliás, nada mais é do que o fruto de um desenvolvimento exploratório insustentável. Hoje, ela possui, em sua concepção, o objetivo de uma conscientização coletiva por meio de diversas práticas de caráter formal ou não formal. Se desejamos conhecer alguns dos principais desafios relativos à educação ambiental de determinado local, comecemos analisando quais são seus principais problemas ambientais. No caso do Brasil, podemos citar diversos casos. Listaremos alguns deles a seguir: O desmatamento criminoso na Amazônia As queimadas no Pantanal A poluição do ar na cidade de São Paulo A poluição da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro O descarte incorreto de lixo em mais de 50% dos municípios brasileiros A falta de água potável e as frequentes enchentes causadas pelas chuvas A falta ou a imprecisão das informações que chegam até os brasileiros também é um grande problema. Caberia à educação ambiental traçar planejamentos de ação de cunho educativo voltados para a problematização dessas situações. Entenda os desafios para a educação ambiental encontrados no contexto formal e não formal. Contexto formal Na escola, os desafios encontrados para a realização plena da educação ambiental variam desde a esfera das políticas educacionais até o Contexto não formal Nos espaços de educaçãopolíticas e planejamento dos países no combate à crise climática. Incentivar o reforço da capacidade de adaptação a catástrofes climáticas. 14 - Vida na água: Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável. Reduzir drasticamente a poluição marinha recorrente de atividades terrestres. Aumentar regiões de conservação em áreas costeiras, acabar com a pesca ilegal e destrutiva. Incentivar pesquisas científicas oceanográficas. 15 - Vida terrestre: Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade. Promover uso sustentável em florestas e diminuir o desmatamento. Combater a desertificação e promover a restauração de florestas. Aumentar aportes financeiros para a conservação e o uso sustentável de florestas. 16 - Paz, justiça e instituições eficazes: Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis. Reduzir a corrupção e assegurar o Estado de Direito a todos. Acabar com a exploração infantil e reduzir todas as formas de violência. 17 - Parcerias e meios de implementação: Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável. Fortalecer a cooperação internacional para o auxílio a países menos desenvolvidos, bem como incentivar a capacitação em países em desenvolvimento. Ajudar países em desenvolvimento a alcançar a sustentabilidade. Os ODS foram criados a partir das Metas do Milênio, que foram definidas na Rio- 92, o que pode ser considerado um dos marcos globais para a sustentabilidade. Jogo de memória dos ODS Este vídeo apresenta um jogo de memória dos ODS em que os 17 itens são comentados por especialistas. Atividade 3 Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU foram adotados em 2015 pelos países signatários como uma chamada universal à ação para acabar com a pobreza, preservar o planeta e garantir que até 2030 todas as pessoas desfrutem de paz e prosperidade. Sendo assim, assinale a alternativa correta em relação a esses objetivos. A Objetivo 1: Erradicação da pobreza, que se refere a acabar com a pobreza em países africanos, visto que são os mais afetados pela fome e falta de saneamento. B Objetivo 7: Energia limpa e acessível, que se refere a incentivar a criação de fontes energéticas oriundas de combustíveis fósseis. C Objetivo 6: Água potável e saneamento, que se refere exclusivamente ao incentivo dado por países desenvolvidos aos menos desenvolvidos na criação de redes de esgoto. Parabéns! A alternativa D está correta. Segundo definição da ONU, o objetivo 15 visa proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade; o objetivo 1 visa erradicar a pobreza em todas as formas e em todos os lugares; o objetivo 7 visa garantir o acesso a fontes de energia fiáveis, sustentáveis e modernas para todos; o objetivo 6 visa garantir a disponibilidade e a gestão sustentável da água potável e do saneamento para todos; e o objetivo 16 visa reduzir significativamente todas as formas de violência e as taxas de mortalidade relacionada em todos os lugares e promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável. Rio-92: marco global em prol do ambiente e sustentabilidade Também conhecida como Cúpula da Terra ou Eco-92, a Rio-92 ocorreu na cidade do Rio de Janeiro em junho de 1992, vinte anos após a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano em Estocolmo, Suécia, realizada em 1972, na década em que efetivamente se iniciaram as discussões de cunho ambiental. A Rio-92 foi o marco internacional na política ambiental do planeta, uma vez que os países signatários admitiram que era necessário modificar o modelo de desenvolvimento da D Objetivo 15: Vida terrestre, que se refere a promoção e incentivo à redução do desmatamento, recuperação e proteção dos ecossistemas terrestres. E Objetivo 16: Paz, justiça e instituições eficazes, que se refere ao incentivo ao armamento da população no combate à violência das grandes cidades. Logo da Rio-92. humanidade para um modo sustentável, tendo em vista o esgotamento de diversos recursos para gerações futuras. Mais de 100 chefes de Estado estiveram presentes e se reuniram, um número nunca visto. Nessa conferência, os países desenvolvidos se comprometeram a auxiliar os países em desenvolvimento (como o Brasil) a alcançar um modelo de desenvolvimento sustentável e consumo reduzido, visto que, se os países em desenvolvimento e menos desenvolvidos usassem os mesmos padrões de desenvolvimento dos países desenvolvidos, não haveria recursos suficientes sem que ocorressem graves consequências no meio ambiente. Dessa forma, a Rio-92 resultou na produção dos seguintes documentos: Propôs mudanças em padrões de consumo (principalmente recursos energéticos), a proteção ambiental, o desenvolvimento tecnológico e o combate ao desmatamento, à poluição e à desertificação de forma integrada e participativa. Além disso, aspectos sociais intrínsecos ao desenvolvimento sustentável como o combate à pobreza e às desigualdades. Foi o principal documento da conferência. Estabeleceu princípios acerca da paz mundial, sustentabilidade, democracia, erradicação da pobreza e direitos humanos. Comprometeram-se a reduzir emissões de gases prejudiciais, conservar as espécies e combater a desertificação. Ainda, as nações concordaram que os lucros dos recursos genéticos fossem repartidos. Agenda 21 Carta da Terra Convenções da Biodiversidade, Desertificação e Mudanças climáticas Determinou a soberania das florestas pelos países, inclusive na minimização de danos ambientais. Abordou a proteção do meio ambiente tendo em vista aspectos econômicos. Embora não tenha estipulado prazos concretos, a Rio-92 teve grande legado na consciência socioambiental do planeta como um todo, principalmente no embasamento de ações concretas nas conferências seguintes da ONU e na formulação dos ODS, que foram anteriormente apresentados. Vinte anos após a Rio-92, em 2012, foi realizada a Rio +20, a fim de avaliar o progresso no tempo decorrido e renovar o compromisso ambiental com os países signatários. A erradicação da pobreza e a economia verde foram os principais temas dessa conferência. Lideranças reunidas durante a Rio+20. Vale mencionar também o Protocolo de Quioto, que colocou no mercado instrumentos como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, para ajudar que os países desenvolvidos (maiores emissores de gás de efeito estufa per capita) compensassem suas emissões comprando créditos de carbono de países em desenvolvimento. O Protocolo de Quioto entrou em vigor no dia 16 de fevereiro de 2005, logo após o atendimento às condições que exigiam a ratificação por, no mínimo, 55% do total de países-membros da convenção e que fossem responsáveis por, pelo menos, 55% do total das emissões de 1990. Comentário Durante o primeiro período de compromisso, entre 2008-2012, 37 países industrializados e a comunidade europeia comprometeram-se a reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) para uma média de 5% em relação aos Declaração de Princípios sobre Florestas Declaração do Rio sobre Ambiente e Desenvolvimento níveis de 1990. No segundo período de compromisso, as partes se comprometeram a reduzir as emissões de GEE em pelo menos 18% abaixo dos níveis de 1990 no período de oito anos, entre 2013-2020. Cada país negociou a sua própria meta de redução de emissões em função da sua visão sobre a capacidade de atingi-la no períodoconsiderado. O Brasil ratificou o documento em 23 de agosto de 2002. O Acordo de Paris, que foi o sucessor do Protocolo de Quioto, é um tratado mundial que possui um único objetivo, o de reduzir o aquecimento global. Ele foi discutido entre 195 países durante a Conferência das Partes (COP21), em Paris. O compromisso internacional foi aprovado em 12 de dezembro de 2015 e entrou em vigor oficialmente no dia 4 de novembro de 2016. O Acordo de Paris é um tratado internacional cujos esforços estão voltados para limitar o aumento da temperatura do planeta até o final do século a níveis seguros. A partir de 2020, as medidas que esse acordo rege para a redução de emissão de dióxido de carbono (CO2) iniciaram-se, reconhecendo a necessidade de uma resposta eficaz e progressiva à ameaça da mudança do clima com base no melhor conhecimento científico disponível. O Brasil ratificou o Acordo de Paris em 12 de setembro de 2016. Convenção da Diversidade Biológica Neste vídeo, o professor Igor Kessous apresenta a Convenção da Diversidade Biológica (CDB), estabelecida durante a Rio-92, e suas três bases principais: a conservação da diversidade, o uso sustentável da biodiversidade e a repartição equitativa dos benefícios. Atividade 4 A Rio-92, também conhecida como Cúpula da Terra ou Eco-92, foi uma conferência que representou um marco na política ambiental global, resultou na criação de importantes documentos e lançou as bases para futuras conferências ambientais. Assinale a alternativa que corretamente representa um aspecto discutido ou um resultado da Rio-92. Parabéns! A alternativa D está correta. A Rio-92 realmente teve um impacto significativo na conscientização socioambiental global e influenciou as conferências seguintes, além de contribuir para a formulação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A conferência não ocorreu em Nova York, mas no Rio de Janeiro em 1992, e não foram estipulados prazos concretos para o alcance de metas ambientais. A lógica do compromisso de desenvolvimento sustentável é adotar padrões de desenvolvimento que considerem o meio ambiente e faça uso racional dos recursos naturais. O tema principal da Rio+20 é que foi a erradicação da pobreza. A A Rio-92 foi realizada vinte anos após a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano em Nova York. B A Rio-92 estipulou prazos concretos para o alcance de metas ambientais. C Os países em desenvolvimento se comprometeram a adotar padrões de desenvolvimento iguais aos dos países desenvolvidos. D A Rio-92 teve grande impacto na conscientização socioambiental global e influenciou conferências subsequentes. E A erradicação da pobreza foi o principal tema da Rio-92. Principais desa�os ambientais e riscos globais da atualidade Há inúmeros desafios que a humanidade enfrenta atualmente e podemos mencionar a poluição do ar, as mudanças climáticas, o desmatamento, a perda de biodiversidade e a degradação do solo como desafios expressivos e que devem ser solucionados para que o planeta continue sendo habitável para os seres vivos. Atenção! Atualmente, há emissão excessiva de carbono e de outros gases de efeito estufa na atmosfera. O uso de combustíveis fósseis e o desmatamento crescentes aumentaram as concentrações atmosféricas de CO2 de 280 partes por milhão (ppm), há 200 anos, para cerca de 400 ppm, o que representa um aumento sem precedentes, tanto em escala quanto em velocidade e o resultado são as perturbações climáticas que já ocorrem em todo mundo. É importante destacar que o excesso de carbono é apenas uma das formas de poluição do ar causadas pela queima de combustíveis fósseis, mas há inúmeros componentes nocivos que são liberados a cada segundo na atmosfera pelas atividades humanas. Frente à mudança climática, que se tornou a grande preocupação ambiental dos países e de instituições privadas, faz-se necessário substituir os combustíveis fósseis por energia renovável, reflorestar, reduzir as emissões da agricultura, melhorar os processos industriais e diminuir o atual padrão insustentável de consumo. Queimadas provocadas para dar espaço a gado. Desmatamento No que se refere ao desmatamento, esse é um problema crítico. Florestas ricas e diversas vêm sendo destruídas para dar espaço para a pecuária e monoculturas agrícolas, além de outras atividades. No Brasil, a mudança e uso do solo é a maior fonte de emissões de gases de efeito estufa, por exemplo, e o desmatamento cresce a cada ano. Recuperar as florestas e conservar as que restam é fundamental. Governos, empresas e cidadãos deveriam ter esse compromisso como algo de grande importância para manutenção da vida no planeta. Abelhas mortas em consequência da fumaça. Perda da biodivesidade Nesse sentido, é importante mencionar também a perda de biodiversidade, outro problema crítico. De acordo com informações do WWF (World Wide Fund for Nature), as estimativas de perda acelerada de espécies de seres vivos que presenciamos hoje está entre 1.000 e 10.000 vezes acima da taxa de extinção natural e que entre 0,01 e 0,1% das espécies do planeta são extintas por ano. Solo degradado pela exploração excessiva de pastagens. Degradação do solo Em relação à degradação do solo, há no mundo hoje uma exploração excessiva de pastagens, a crescente erosão dos solos, as monoculturas, a compactação dos solos, sua exposição excessiva a poluentes e outros, representando as diferentes formas de degradação que sofrem. De acordo com a ONU, cerca de 12 milhões de hectares de terras agrícolas são degradados anualmente. Anualmente, é publicado o Relatório de Riscos Globais, desenvolvido pelo Fórum Econômico Mundial em colaboração com a Zurich e a Marsh McLennan. Ele apresenta os resultados da Pesquisa de Percepção de Riscos Globais (GRPS), que coleta percepções de quase 1.500 especialistas globais todos os anos. No relatório de 2024, entre os 10 principais riscos globais, cinco se referem a questões socioambientais: 1. Condições climáticas extremas 2. Mudança crítica nos sistemas da Terra 3. Perda de biodiversidade e colapso do ecossistema 4. Escassez de recursos naturais e poluição Esses são os riscos mais graves previstos para enfrentarmos ao longo da próxima década. Você já ouviu falar das fronteiras planetárias? Resposta Conceito proposto em 2009 em um artigo científico, as fronteiras planetárias definiram um conjunto de limites interligados que garantem um espaço operacional seguro para a humanidade. Foi feito um Seguem os nove limites planetários: mudanças climáticas, integridade da biosfera, mudança de uso do solo, fluxos bioquímicos, destruição do ozônio estratosférico, uso da água doce, acidificação do oceano, carregamento de aerossóis atmosféricos e incorporação de novas entidades. As nove fronteiras planetárias, atualizado para o ano de 2023. Com base no que estudamos até aqui, podemos concluir que a construção da consciência socioambiental vem de um processo longo e complexo. É necessário que o indivíduo explore, se informe, conheça e se sinta parte do ambiente no qual está incluído. balanço entre as agressões crescentes que minam processos sistêmicos essenciais e a capacidade da Terra de retornar ao seu estado natural após perturbações. Das nove fronteiras ou limites planetários, cientistas indicam que já cruzamos sete. Preservá-lo vai além da conservação de florestas ou biodiversidade, está diretamente relacionado ao futuro da humanidade e de nossos descendentes. Diversas organizações das esferas públicas e privadas vêm desenvolvendo políticas mais verdes devido à pressão de políticas públicas internacionais e nacionais, entretanto, as ações conservacionistas devem ir além. Para isso, é necessário a sensibilização dos cidadãos e ampla promoção da consciência socioambiental, e você é parte disso! Você sabia que já vivemos uma emergência climática? Em uma entrevista com a professora Juliana Velloso, serão abordados dois assuntos importantes:o Relatório de Riscos Globais e as nove fronteiras planetárias. Atividade 5 Os desafios ambientais que a humanidade enfrenta atualmente incluem a poluição do ar, as mudanças climáticas, o desmatamento, a perda de biodiversidade e a degradação do solo. Em resposta a esses desafios, o conceito das fronteiras planetárias foi proposto para definir limites interligados que garantem um espaço operacional seguro para a humanidade. Nesse contexto, qual das seguintes alternativas representa uma medida eficaz para enfrentar tais desafios ambientais? Parabéns! A alternativa C está correta. A substituição de combustíveis fósseis por fontes de energia renovável é uma medida eficaz para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, combatendo as mudanças climáticas e a poluição do ar. Além disso, essa medida contribui para um modelo de desenvolvimento mais sustentável. As demais alternativas representam ações que agravariam os problemas ambientais mencionados, como o aumento das emissões de CO2, a degradação do solo e a perda de biodiversidade. A Aumentar a utilização de combustíveis fósseis para impulsionar o crescimento econômico. B Expandir a área de monoculturas agrícolas para aumentar a produção de alimentos. C Promover a substituição de combustíveis fósseis por fontes de energia renovável. D Reduzir os esforços de reflorestamento para ampliar áreas urbanas. E Intensificar a exploração de pastagens para aumentar a produção de carne bovina. 2 - Legislação ambiental no Brasil Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car as principais leis ambientais brasileiras sob uma perspectiva histórica. Início das discussões sobre meio ambiente no Brasil Assim como a comunidade internacional se voltou para o desenvolvimento de políticas ambientais, principalmente a partir da década de 1970, o Brasil deu início a uma série de leis e resoluções voltadas para essa pauta. Nosso país é detentor de uma das maiores biodiversidades do planeta e, por outro lado, possui profundos problemas relacionados à crise ambiental. Um primeiro marco do início do compromisso brasileiro com a questão ambiental se deu em 1981, com a criação da Política Nacional do Meio Ambiente, dando espaço para a formulação e discussão de ideias no âmbito nacional. No entanto, o debate que embasou esse marco na política ambiental brasileira começou um pouco antes. Discutiremos a seguir, de forma resumida, algumas das mais importantes leis e decretos a respeito do meio ambiente no Brasil. Vamos conhecer a legislação anterior à Política Nacional do Meio Ambiente (1981). Abaixo, listamos as principais leis e decretos criados com enfoque em algum aspecto relacionado ao meio ambiente antes da Lei 6938/81: Decreto nº 23.793, de 23 de janeiro de 1934: Primeiro Código Florestal, estabelecido no governo de Getúlio Vargas. Classifica florestas e regula a exploração destas na premissa de que são bens de comum interesse a todos os brasileiros. Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965: Criação do novo Código Florestal Brasileiro. Definiu que as florestas brasileiras (e todos os tipos de vegetação) são um bem comum a todos os habitantes do Brasil. Definição dos limites mínimos de APPs (Áreas de Preservação Permanente), Reserva Legal e matas ciliares. Lei nº 5.197, de 3 de janeiro de 1967: Determinou a proteção à fauna silvestre, seus locais de acasalamento e abrigo. Além disso, proibiu a caça (com possibilidade de exceções regionais), utilização, comércio ou perseguição destes animais. Lei nº 6.225, de 14 de julho de 1975: Estabeleceu a proteção dos solos e o combate à erosão em determinadas regiões. Estipulou prazos para tomada de providências por parte dos proprietários das terras. Decreto de Lei nº 1.413, de 14 de agosto de 1975: Controle da poluição ambiental frente às atividades industriais. Determinou que indústrias instaladas no Brasil deverão corrigir possíveis danos ambientais causados e, em áreas críticas, instalar equipamentos controladores de poluição. Primeiras leis ambientais no Brasil Este vídeo apresenta as primeiras discussões ambientais e as legislações voltadas para o meio ambiente no país. Atividade 1 O Brasil, detentor de uma das maiores biodiversidades do planeta, iniciou uma série de leis e resoluções voltadas para a política ambiental, principalmente a Lei nº 6.803, de 2 de julho de 1980: Em continuação do decreto anterior, estabeleceu zoneamento urbano nas áreas críticas de poluição, ou seja, a divisão das cidades em zonas (estritamente industriais, predominantemente industriais e de uso diversificado) no intuito da preservação da saúde e segurança humana. Lei nº 6.902, de 27 de abril de 1981: Criação de Áreas de Proteção Ambiental e Estações ecológicas. Dispôs sobre sanções aplicadas ao não cumprimento ou à violação de regras. partir da criação da Política Nacional do Meio Ambiente em 1981. Antes disso, várias leis e decretos importantes já tinham sido implementados com foco em aspectos ambientais. Com base nas informações fornecidas, qual das seguintes alternativas corretamente representa uma medida de proteção ambiental implementada no Brasil antes da criação da Política Nacional do Meio Ambiente em 1981? Parabéns! A alternativa B está correta. A Lei nº 5.197, de 3 de janeiro de 1967, determinou a proteção à fauna silvestre, proibiu a caça e regulamentou a utilização e o comércio desses animais. As outras alternativas contêm informações incorretas ou inexistentes para o período anterior à Política Nacional do Meio Ambiente de 1981. Política Nacional do Meio Ambiente e CF 88 A A criação de áreas de proteção ambiental e estações ecológicas em 1965. B A proteção à fauna silvestre e proibição da caça em 1967. C A regulamentação das atividades pesqueiras em 1970. D A implementação de políticas de reciclagem obrigatórias em 1975. E A definição de limites de emissão de gases de efeito estufa em 1980. Diferentemente das legislações anteriores, a Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981 dispôs a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), mais completa e concisa, sendo considerada um marco na política ambiental brasileira. Essa lei tinha como seu objetivo geral preservar e recuperar o meio ambiente tendo em vista o desenvolvimento socioeconômico, a dignidade e a segurança nacional. A PNMA é regida pelos seguintes princípios: I - Ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico, considerando o meio ambiente como um patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido, tendo em vista o uso coletivo. II - Racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar. III - Planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais. IV - Proteção dos ecossistemas, com a preservação de áreas representativas. V - Controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente poluidoras. VI - Incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para o uso racional e a proteção dos recursos ambientais. VII - Acompanhamento do estado da qualidade ambiental. VIII - Recuperação de áreas degradadas. IX - Proteção de áreas ameaçadas de degradação. X - Educação ambiental a todos os níveis de ensino, inclusive a educação da comunidade, objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio ambiente. (LEI Nº 6.938/81) Objetivos da Política Nacional do Meio Ambiente A Política Nacional do Meio Ambiente tem os seguintes objetivos: 1. Compatibilizar o desenvolvimento socioeconômico com a preservação ambiental. 2. Definir áreas prioritárias para a ação governamental. 3. Estabelecer critérios, normas e padrões de qualidade ambiental. 4. Apoiar pesquisas no âmbito do uso de recursos ambientais de forma responsável. 5. Incentivar as tecnologias para manejar, preservar e comunicar sobre o meio ambiente. 6. Preservar e restaurar recursos ambientais. 7. Impor ao poluidor/predador o dever de recuperar ou indenizar os danos causados, independentemente de culpa. Em suma, a PolíticaNacional do Meio Ambiente regulamentou diversas atividades relativas ao uso de recursos ambientais e efetivou o direito de todos a um meio ambiente saudável e equilibrado de acordo com o desenvolvimento econômico e social brasileiro. Objetivos da Política Nacional do Meio Ambiente Neste vídeo, conheça os objetivos da Política Nacional do Meio Ambiente e entenda porque esta lei é considerada a mais completa e concisa. O meio ambiente também aparece na Constituição Federal de 1988 (CF 88). O artigo 225 da Constituição assegura que todos têm o direito a um meio ambiente equilibrado, contudo, possuem também o dever de preservar e defender o meio ambiente para gerações futuras. Dessa forma, cabe ao Poder Público preservar, restaurar e manejar recursos ecológicos e o patrimônio genético, definir espaços a serem protegidos, exigir estudos de impacto ambiental em obras causadoras de impacto, controlar produção de substâncias que comportem risco à saúde e à vida, incentivar a educação ambiental e proteger a fauna e a flora do país. O infrator ou a empresa infratora relacionado a prejuízos ambientais é passível de sanções penais e administrativas. A exploração de recursos minerais por organizações deve ser compensada com recuperação ambiental da área degradada. Além disso, atividades que lesam o meio ambiente levarão os infratores a sanções penais e administrativas. Atividade 2 O objetivo da PNMA é regulamentar as atividades que envolvam o meio ambiente, priorizando a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental e assegurando o desenvolvimento social e econômico da população. Com base no que acabou de estudar sobre a PNMA, indique o item abaixo que apresenta um objetivo dessa legislação. Parabéns! A alternativa C está correta. A PNMA foi um marco na agenda ambiental brasileira, com a finalidade de compatibilizar o desenvolvimento socioeconômico com a preservação ambiental, estimulando a preservação e restauração ambiental, entre outros. Criação do Ibama, regulamento de agrotóxicos e crimes ambientais Neste tópico trataremos dos esforços dos órgãos competentes brasileiros na regulamentação e fiscalização do uso de agrotóxicos e dos crimes ambientais. A criação do Ibama (Lei nº 7.735/89) A Incentivar modelos econômicos extrativistas sem obrigação de minimizar impactos. B Eximir de culpa o poluidor, que por estar produzindo bens de consumo para população, não deve se preocupar com a poluição advinda de seus processos produtivos. C Estimular a preservação e restauração de recursos ambientais. D Promover a exploração de recursos ambientais finitos mesmo próximos de uma exaustão. E Eximir grandes empresas de cumprirem padrões de qualidade ambiental. Com a Política Nacional do Meio Ambiente, foi criado o Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama), que é o conjunto de órgãos voltados para a defesa do meio ambiente. A estrutura do Sisnama é prevista na legislação e abrange órgãos e entidades da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. Suas competências envolvem ações de proteção e melhoria da qualidade ambiental. Dentre os órgãos encontram-se o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Cada um desses órgãos desempenha funções específicas junto ao governo, de forma a implementar os objetivos de proteção ambiental previstos na lei. O Ibama se enquadra na categoria de órgãos executores, cuja finalidade é executar e fazer executar a política e as diretrizes governamentais para o meio ambiente. A criação do Ibama se deu pela Lei nº 7.735 de 22 de fevereiro de 1989. Esse instituto foi proposto como uma autarquia federal com autonomia financeira, legal e administrativa. O Ibama possui três finalidades básicas: 1. Agir como polícia ambiental. 2. Executar ações de licenciamento ambiental e controle da qualidade ambiental, deliberar o uso dos recursos naturais, fiscalizar e monitorar o meio ambiente. 3. Executar as ações ambientais da União em vigência no momento. Uma das atividades do Ibama de grande importância é o licenciamento ambiental federal. De acordo com a lei, o Ibama deve atuar no procedimento de licenciamento ambiental no âmbito federal, quando os empreendimentos e atividades forem, por exemplo, localizados em dois ou mais estados brasileiros, em terras indígenas ou em unidades de conservação. Saiba mais O ICMBio é responsável por gerir, proteger, monitorar e fiscalizar todas as centenas de Unidades de Conservação Federais (UC) existentes no país. Foi criado pela Lei nº 11.516/07 e desempenha papel crucial na proteção do meio ambiente e ecossistemas brasileiros. Assista ao vídeo a seguir e conheça mais sobre as unidades de conservação. Tipos de unidades de conservação Com a palavra, o professor Igor Kessous, que apresenta os tipos de unidades de conservação existentes no Brasil e as suas finalidades. Agora vamos explorar outras legislações ambientais importantes, incluindo o regulamento dos agrotóxicos (Lei nº 7.802/89). Entre outras medidas, a Lei nº 7.802 de 11 de julho de 1989 dispõe sobre o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos. Ela estipula que novos agrotóxicos devem ser utilizados somente se forem previamente registrados e estiverem de acordo com as exigências dos órgãos de saúde federais. Além disso, dispõe sobre os rótulos desses produtos bem como o descarte das embalagens. Saiba mais A União Europeia é uma grande exportadora de agrotóxicos, inclusive daqueles cujo uso é proibido em território nacional, são milhões de toneladas exportadas, que somam bilhões de euros. No Brasil, os campeões em vendas - mancozebe, atrazina, acefato, clorotalonil e clorpirifós - também são proibidos na Europa. Os limites de resíduos dessas substâncias nos alimentos e na água dos brasileiros costumam ser até milhares de vezes maiores do que aqueles permitidos na União Europeia. O glifosato, agrotóxico mais vendido no país, é considerado possivelmente cancerígeno para seres humanos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e o resíduo autorizado desse herbicida na água potável dos brasileiros é cinco mil vezes maior do que aquele autorizado na União Europeia. Novo código �orestal e lei do patrimônio genético A lei dos crimes ambientais, Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, dispõe sobre ações penais e administrativas aplicadas a pessoas físicas ou jurídicas que lesaram o meio ambiente. São exemplos dos crimes passíveis de punição de acordo com essa lei: São passíveis de punição quem matar, caçar ou utilizar de qualquer forma espécimes da fauna sem permissão de autoridade competente. Tratando-se de espécies ameaçadas de extinção, a pena é aumentada em sua metade. Se for oriunda de caça profissional, a pena é aumentada em até três vezes. Além disso, aplica penalidades na inclusão de espécies não nativas no país, no abuso de animais e na pesca em locais proibidos. Por outro lado, não são considerados crimes quando a caça é realizada para saciar a fome do caçador ou da família, para proteger propriedades de produção agropecuária (de acordo com autoridade competente) e tratando-se de animal nocivo. Aplica penalidades a destruidores de florestas de preservação permanente, de mata primária ou secundária, ou ainda em estágios de regeneração. Se o dano afetar espécies ameaçadas, ainda será considerado um agravante. Além disso, são passíveis de pena atos de danificação ou destruição de plantas de ornamentação ou nativas. Crime contra a fauna Crime contra a flora Poluição que afete a saúde da vida humana, influencie na morte de animais ou danifique vegetações é passível de punição. Além disso, essa seção dispõe sobre produtos ou substâncias tóxicas, serviços potencialmente poluidores sem regulação ou em desacordo com as normas e disseminaçãode doenças ou pragas que causem danos à agropecuária, ou ecossistemas. Aplicam-se penalidades também em relação à alteração de estruturas e edificações, incluindo-se aquelas de valor ecológico ou paisagístico, sem autorização. Pichações também são passíveis de punição. Se o funcionário público sonegar dados de licenciamentos ambientais ou estudos técnico-científicos, omitir a verdade ou ainda fizer afirmações enganosas, é passível de penalidades. Também são considerados crimes dessa esfera dificultar a fiscalização ambiental do Poder Público e apresentar laudo ou licenciamento falso. Lei dos crimes ambientais (Lei nº 9.605/98) Você sabe sobre o que exatamente a Lei dos crimes ambientais dispõe? É sobre isso que você aprenderá neste vídeo. Poluição e outros crimes Crimes contra o ordenamento urbano e patrimônio cultural Crimes contra a administração ambiental Atividade 3 O Ibama foi criado para proteger o meio ambiente, garantir a qualidade ambiental e assegurar a sustentabilidade no uso dos recursos naturais. Qual das seguintes alternativas corretamente descreve uma das suas funções ou característica? Parabéns! A alternativa D está correta. A O Ibama é responsável pela gestão de todas as Unidades de Conservação Federais. B O Ibama foi criado pela Lei nº 11.516/07 e possui autonomia financeira, legal e administrativa. C O Ibama é um órgão consultivo do Sisnama, dedicado à formulação de políticas ambientais. D O Ibama executa ações de licenciamento ambiental, fiscalização e monitoramento do meio ambiente. E O Ibama é uma autarquia estadual voltada para a proteção dos recursos hídricos. As funções do Ibama incluem o licenciamento ambiental, fiscalização e monitoramento do meio ambiente. A gestão das Unidades de Conservação Federais é responsabilidade do ICMBio. A Lei nº 11.516/07 criou o ICMBio, já o Ibama foi criado pela Lei nº 7.735 de 22 de fevereiro de 1989. O Ibama é um órgão executor e não consultivo e é considerado uma autarquia federal, não estadual, sendo suas funções não limitadas apenas à proteção dos recursos hídricos, mas ambientais de forma geral. O novo Código Florestal (Lei nº 12.651/2012) Quase cinquenta anos após o último Código Florestal Brasileiro, foi publicado o Novo Código Florestal, a Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012, como uma atualização da lei anterior. Veja a seguir os princípios dessa lei, de forma resumida: I - Compromisso com a preservação das florestas e todas as formas de vegetação nativa. II - Reafirmação da função estratégica das atividades agrícola e pecuária na sustentabilidade e no desenvolvimento econômico do país e da população. III - Uso sustentável e proteção de florestas, águas e vegetação. IV - Criação de políticas preservacionistas e de restauração da vegetação nativa. V - Incentivo à pesquisa científica para o uso sustentável, a preservação e a recuperação do solo, da água e das florestas. VI – Fomento à preservação e à recuperação de florestas e ao desenvolvimento sustentável. Essa nova lei tramitou na câmara dos deputados por mais de 12 anos e envolveu muitas polêmicas, principalmente quanto ao impasse entre os ruralistas e os ambientalistas. Na aprovação desse novo código, estimava-se que cerca de 9 a cada 10 produtores rurais estavam com situação irregular (mais de 80 milhões de hectares) de acordo com o último código florestal vigente. Dessa forma, houve uma pressão dos produtores para a flexibilização de medidas adotadas no código anterior, bem como nos limites de matas ciliares e desmatamento que, por outro lado, segundo os próprios produtores, também iria beneficiar pequenos agricultores. Áreas de Preservação Permanente (APP) e Reserva Legal (RL) foram pontos discordantes entre ambientalistas e ruralistas. O novo código propôs a redução pela metade em APP, como em matas ciliares, por exemplo, para cursos d’água de 5 metros (de 30 metros em 1965 para 15 metros em 2012). Com relação às RL, o novo regulamento estipulado para a região da Amazônia Legal foi 80% em área de florestas, 35% no cerrado e 20% nos campos gerais. As demais regiões devem preservar 20% de suas matas. Comentário A proposta, contudo, não considera a região da Mata Atlântica como prioritária, uma vez que restam apenas 12,4% da floresta inicial e é a região de maior concentração da população brasileira (72%), presente em 17 estados da federação. Além disso, o Novo Código Florestal propôs a absolvição de irregularidades em alguns casos. Pequenos produtores, de 20 a 400 hectares, foram excluídos da obrigatoriedade de reflorestamento em regiões irregulares. Entretanto, a problemática vai de encontro à divisão de latifúndios em lotes menores atribuídos a diferentes membros de uma mesma família, isentando-os de obrigações de reflorestamento. Protesto de ambientalistas em Brasília contra o novo Código Florestal. Além da mobilização da bancada ambientalista contra diversas medidas adotadas nesse novo código, houve grande pressão popular contra essas mudanças, o que ocasionou alguns vetos e mudanças propostas em leis posteriores. Lei do Patrimônio genético (Lei nº 13.123/2015) A lei do patrimônio genético, Lei nº 13.123, de 20 de maio de 2015, também conhecida como a Nova Lei da Biodiversidade, dispõe sobre o uso científico e de produção da biodiversidade brasileira e seu conhecimento tradicional associado, bem como a repartição de benefícios provindos dessas ações. Já o conhecimento tradicional é caracterizado por práticas ou informações utilizadas por indígenas, comunidades tradicionais (por exemplo, quilombolas) ou agricultores tradicionais sobre os usos associados à biodiversidade e, consequentemente, ao seu patrimônio genético. O acesso ao patrimônio genético pode resultar na produção de alimentos, medicamentos, fontes de energia renováveis ou até mesmo cosméticos. A biodiversidade é um bem da humanidade e dos países aos quais pertence. Mas o que é patrimônio genético? Resposta O patrimônio genético é o conjunto de informações genéticas contidas nas plantas, nos animais e nos microrganismos, no todo ou em suas partes (cascas, folhas, raízes, pelos, penas, peles etc.), estejam eles vivos ou mortos. O patrimônio genético também está contido em substâncias produzidas por esses organismos, como resinas, látex de plantas ou venenos de animais e substâncias químicas produzidas por microrganismos. O patrimônio genético brasileiro está nos organismos que ocorrem de forma natural no Brasil, ou seja, de seres vivos nativos ou daqueles que adquiriram características específicas no território nacional (MMA, Brasil). Um exemplo de uso do patrimônio genético ocorre na produção de cosméticos que usam ingredientes naturais. A valorização dos conhecimentos tradicionais é essencial, e a repartição dos lucros com as comunidades que cedem esse conhecimento é uma forma justa de progresso, tendo em vista a economia de tempo e recursos na idealização de novos produtos. Fabricantes do produto oriundo da biodiversidade brasileira ou do conhecimento tradicional associado deverão repartir os benefícios e, para isso, ficou instituído o Fundo Nacional para a Repartição de Benefícios (FNRB), de forma monetária ou não monetária. Saiba mais Amazônia é a maior floresta tropical do mundo, ela abriga não só uma grande riqueza natural, mas um catálogo de plantas, animais e substâncias com grande potencial biotecnológico, que diariamente são perdidos para o desmatamento, queimadas, garimpo, dentre outras atividades ilegais. Além do valor inquestionável de preservar a biodiversidade, os genes das espécies guardam a receita de moléculas que podem ser úteis na medicina, em processos industriais e outros – uma investigação chamada de bioprospecção. Bancos genéticos objetivam proteger o recurso genético dessa biodiversidade e explorá-lo ao mesmo tempo que traz retorno às populações locais. A lei do patrimônio genético também se aplica para pesquisas científicas,que muitas vezes incluem o envio de materiais biológicos para outros países, como no caso de sequenciamento genético de espécies ou outros procedimentos biotecnológicos. Para que haja a repartição dos benefícios e o controle das atividades envolvendo o patrimônio genético e o conhecimento tradicional brasileiros, as amostras, remessas, envios e pesquisas deverão ser cadastrados. A lei demonstra que a preservação é relacionada ao uso sustentável e não à proibição do uso desses recursos. Sendo assim, ela foi importante para regulamentar e fiscalizar esses produtos e essas atividades, garantindo o desenvolvimento sustentável aliado à conservação da biodiversidade. Não é considerado nessa lei o patrimônio genético humano. Novo código �orestal e lei do patrimônio genético Neste vídeo, você verá a importância do Novo Código Florestal e da Lei do Patrimônio Genético. Atividade 4 Analise o case a seguir: Sebastião Salgado (1944) é um fotógrafo brasileiro considerado um dos maiores talentos da fotografia mundial pelo teor social de seu trabalho. Ele decidiu transformar uma fazenda adquirida por sua família em Minas Gerais, que se encontrava em um cenário preocupante de degradação ambiental, fundando o Instituto Terra, que faz um trabalho de reflorestamento, coletando sementes e selecionando as que possuem mais chances de germinar. Depois eles cultivam pequenas mudas e, quando estão maduras, elas são plantadas no solo previamente tratado. O que era pasto virou uma floresta de mais de 600 hectares repleta de biodiversidade com centenas de espécies da fauna e flora que retornaram para sua região nativa. Foram plantadas mais de 2,5 milhões de árvores em 25 anos em área da Mata Atlântica. Veja nas fotos a evolução da área reflorestada do ano de 1998 para o ano 2013. Considerando a importância da recuperação de áreas degradadas e os objetivos da legislação ambiental brasileira, marque a alternativa correta: Parabéns! A alternativa E está correta. Iniciativas como a de Sebastião Salgado são importantes para a recuperação de áreas degradadas e estimuladas pelo governo. Estamos na década de restauração de ecossistemas da ONU (2021 até 2030), cujo objetivo é inspirar e apoiar governos, sociedade civil, empresas privadas, jovens, mulheres, povos indígenas, agricultores e cidadãos do mundo inteiro, para colaborar e agir em prol da restauração de áreas degradadas. Não basta conservar o que existe, é preciso restaurar. A A legislação ambiental é fundamental para que agentes poluidores continuem em seus processos poluentes ano após ano. B A legislação ambiental incentiva que as empresas busquem processos produtivos mais eficientes e destrutivos, sem considerar a proteção da biodiversidade. C A legislação ambiental carece de instrumentos punitivos em caso de infrações ambientais, o que impede agentes privados de degradarem o meio ambiente. D A legislação ambiental impede que proprietários de terras realizem reflorestamento e ações de proteção ao meio ambiente. E A legislação ambiental brasileira estimula que empresas privadas busquem minimizar seus impactos socioambientais. 3 - Gestão comunitária do meio ambiente Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer a importância de cada um na gestão comunitária do meio ambiente. O que é gestão comunitária do meio ambiente? O Brasil é um país de proporções continentais. Por isso, é importante incluir a sociedade no manejo e na gestão do meio ambiente, pois isso auxilia no entendimento dos indivíduos como parte daquele ambiente e facilita o trabalho de órgãos reguladores no cumprimento das leis estabelecidas. A gestão comunitária do meio ambiente é um modelo de gestão que inclui a participação da comunidade na prestação de serviços e nas decisões sobre o manejo de uma localidade, com os órgãos reguladores do meio ambiente. Dessa forma, é possível descentralizar o poder dos órgãos públicos e assegurar a participação da sociedade no desenvolvimento sustentável e preservação. Lembra-se da Agenda 21 mencionada anteriormente? Esse documento apresenta medidas necessárias para o fortalecimento de comunidades no desenvolvimento sustentável. Essas medidas tiveram como premissa a ideia de que todos devem ter acesso à informação transparente sobre as medidas adotadas por autoridades nacionais, incluindo aquelas que impactam o meio ambiente e a proteção ambiental. Veja a seguir a importância de alguns dos principais grupos no desenvolvimento sustentável local. O que é Gestão Comunitária do Meio Ambiente? Neste vídeo, veremos o que é gestão comunitária do meio ambiente, quem são os atores envolvidos e qual é o seu objetivo. A importância das mulheres Tendo em vista a eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher proposta pela ONU, posteriormente também incluída nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a comunidade internacional enfatizou a participação das mulheres no manejo e na conservação de ecossistemas, assegurando o direito da propriedade às mulheres. Dessa forma, foi proposto aos governos promover o incentivo a ações inclusivas de mulheres no manejo nacional de ecossistemas, o aumento da proporção de mulheres em cargos de chefia e principalmente a igualdade entre homens e mulheres em todos os aspectos que tangem o desenvolvimento econômico socioambiental. Você sabia que mulheres foram fundamentais na agenda socioambiental? Seguem alguns exemplos para você conhecer: Rachel Carson (1907 – 1964) Em 1962, Carson, bióloga e conservacionista norte-americana, publicou o famoso livro Primavera silenciosa, no qual tratava das devastadoras consequências do uso de pesticidas na fauna, que contribuiu para o despertar da consciência ambiental. Graças a ela, também começou a ser comemorado o Dia da Terra e foi criada a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA). Jane Goodall (1934) Primatóloga inglesa que tem revolucionado a ciência desde 1960 com seus métodos inovadores e suas fascinantes descobertas sobre o comportamento dos chimpanzés selvagens em Gombe (Tanzânia). Com 89 anos, a Dra. Goodall continua trabalhando intensamente na proteção dos ecossistemas e da biodiversidade, na educação ambiental e na sustentabilidade. Wangari Maathai (1940 – 2011) Em 2004, a bióloga queniana conhecida como mulher-árvore, recebeu prêmio Nobel da Paz por sua contribuição ao desenvolvimento sustentável. Esse prêmio, o primeiro para uma mulher africana, foi o ponto alto de uma trajetória que começou em 1977, quando fundou o Green Belt Movement (Movimento Cinturão Verde), cujo objetivo era combater a desertificação, o desmatamento, a crise da água e a fome rural. Vandana Shiva (1952) Uma das grandes defensoras do ecofeminismo na atualidade. A física e filósofa indiana entende a Terra como um ente que faz parte do indivíduo e reivindica uma transformação que acabe com as mudanças climáticas, a desigualdade, a injustiça, as guerras e a fome. Foi uma das fundadoras da Women's Environment & Development Organization (WEDO). Sheila Watt- Cloutier (1953) É uma ativista canadense que defende o direito de seu povo a viver no frio. O mundo dos inuit (nome comum para os diferentes povos que habitam as regiões árticas da América do Norte) está derretendo. Daí provém sua luta contra o aquecimento global, tanto que foi nomeada para o Prêmio Nobel da Paz em 2007. A importância das crianças e dos adolescentes Considerando que crianças e adolescentes compreendem cerca de um terço da população mundial, é essencial sua participação no manejo comunitário para o sucesso no longo prazo do desenvolvimento sustentável. É importante que a juventude entenda que essas ações influenciam a sua vida atual e o seu futuro, bem como o futuro de toda a comunidade na qual estão inseridos. Assim, os países devem promover o diálogo com esse público, permitindo-lhes o acesso à informação e a participação efetiva na tomada de decisões. Além disso, é fundamentalpromover o incentivo à educação — principalmente no que engloba a responsabilidade com o meio ambiente — e eliminar a violação de direitos humanos de crianças e adolescentes, promovendo atividades de cuidado ambiental que atendam às suas comunidades. A importância de populações indígenas Historicamente, todos nós conhecemos a relação das populações indígenas com as florestas e o meio ambiente. Essas comunidades desenvolveram conhecimentos culturais e científicos sobre o uso e o manejo de recursos naturais de suas terras e é necessário que também desfrutem dos benefícios proporcionados. Nesse sentido, para se alcançar a cooperação dos povos indígenas, é necessário que os governos primeiramente: 1. Adotem políticas públicas referentes às terras e tradições indígenas. 2. Reconheçam suas terras e as protejam de quaisquer atividades ambientalmente incorretas. 3. Reconheçam as tradições culturais e os conhecimentos tradicionais na implementação de manejo ambiental dessas regiões. 4. Reconheçam a dependência de utilização dos recursos naturais de forma sustentável. 5. Fortaleçam mecanismos para solução de problemas relacionados ao manejo de terras. 6. Apoiem meios de produção sustentáveis. 7. Intensifiquem o intercâmbio de conhecimentos e experiências de manejo sobre o uso das terras e dos recursos naturais. Comunidade indígena Pataxó. Além disso, é necessária a participação de comunidades indígenas na criação de políticas públicas de manejo de recursos naturais a nível nacional, regional e local, bem como a avaliação das medidas adotadas anteriormente. Saiba mais Segundo pesquisas do Instituto Socioambiental (ISA), os povos indígenas e tradicionais são responsáveis, juntos, pela proteção de um terço das florestas no Brasil. Nos últimos 35 anos, somente as terras indígenas protegeram 20% do total de florestas nacionais. O estudo do ISA revelou ainda que as terras indígenas e as reservas extrativistas apresentaram melhor performance na proteção das florestas quando comparadas com unidades de conservação de proteção integral ou áreas de proteção ambiental (APAs). Os territórios de ocupação tradicional também funcionam como barreiras contra o desmatamento. Os altos índices de preservação revelados pelo estudo se dão pelo conjunto de conhecimentos e práticas dos povos indígenas e tradicionais no manejo das florestas. Povos indígenas e populações tradicionais possuem outras concepções de natureza e, consequentemente, outras formas de interagir com o meio ambiente. Os saberes desses povos e suas práticas de manejo estão mesclados às paisagens. Além disso, os modos de ocupação tradicional promovem barreiras contra o desmatamento e favorecem a regeneração florestal. A importância das ONGs Assim como os órgãos públicos de cada país, as organizações não governamentais (ONGs) possuem papel fundamental na gestão comunitária do meio ambiente. A importância dessas organizações se dá principalmente pela independência de governos, dando credibilidade e genuinidade em avaliações e planos de manejo. O papel das ONGs é também de fortalecer a comunicação com outras ONGs, órgãos internacionais, populações locais e governos sobre a questão ambiental. Geralmente essas organizações possuem conhecimento especializado para elaboração de desenvolvimento sustentável e saudável das regiões. São exemplos de ONGs que atuam na questão ambiental WWF, Greenpeace e SOS Mata Atlântica. O navio Rainbow Warrior do Greenpeace viaja pelo mundo combatendo a pesca predatória e ações de empresas e governos que possam prejudicar o meio ambiente. A importância das autoridades locais Ponto de recarga para veículos elétricos em ação de incentivo ao consumo sustentável da prefeitura de Cascavel, no Paraná. O papel das autoridades locais na gestão comunitária é um fator determinante para o cumprimento dos ODS quanto à gestão comunitária. Essas autoridades devem operar e manter a estrutura social, ambiental e econômica, além de supervisionar o planejamento e as ações de políticas ambientais locais. Devem também promover a educação da população a favor de um desenvolvimento sustentável, propiciando o diálogo entre cidadão, empresas privadas e outras organizações locais. A importância dos trabalhadores e dos sindicatos São fatores essenciais na obtenção do desenvolvimento sustentável, uma vez que estão diretamente ligados a mudanças nos ramos industriais, totalmente conectados à proteção do meio ambiente e desenvolvimento socioeconômico. Sendo assim, devem contribuir para uma cooperação em conjunto com governos e patrões na busca do desenvolvimento sustentável. A importância do comércio e da indústria Desempenham um papel fundamental no desenvolvimento socioeconômico de um país. Além disso, são fundamentais na redução do impacto ambiental sobre o uso de recursos, mediante uma produção limpa e mais eficiente. Sendo assim, essas empresas devem considerar o manejo ambiental como uma de suas maiores prioridades em conjunto com seu desenvolvimento e de sua região. Dessa forma, os ODS propuseram bases para a ação de uma produção mais limpa, sustentável e responsável. A indústria e o comércio devem adotar medidas que promovam boas práticas ambientais, promover políticas de produção mais limpa considerando também sua influência sobre consumidores e fornecedores. A importância da comunidade cientí�ca e tecnológica O papel principal da comunidade científica se refere ao fomento intelectual de pesquisa sobre o meio ambiente e desenvolvimento sustentável, fornecendo ao Estado e à população esses dados. Cabe à comunidade cientifica e tecnológica a melhora na comunicação e na cooperação, facilitando o uso apropriado dos dados e conhecimentos gerados. Os cientistas devem ser independentes de interesses econômicos, de modo que não possuam restrições na divulgação dos dados, mesmo que influenciem na imagem e reputação de empresas e governos. A importância da comunidade cientí�ca Este vídeo aborda a participação dos diferentes grupos da sociedade no desenvolvimento sustentável, possíveis ações e contribuições de cada um deles. Desse modo, os órgãos competentes e a comunidade científica e tecnológica devem interagir mutuamente e propor novas estratégias de desenvolvimento baseadas no conhecimento gerado. Cabe aos órgãos públicos proporcionarem estrutura e fomento a essas pesquisas e, ao mesmo tempo, cabe à comunidade cientifica e tecnológica estabelecer soluções. Esse diálogo auxiliará a comunidade científica e tecnológica a definir prioridades de pesquisa e propor medidas para soluções construtivas. A importância dos agricultores Uma vez que a agricultura engloba grande parte da superfície terrestre (cerca de um terço), é importante a participação efetiva de grandes e pequenos agricultores na gestão comunitária. Devido ao aumento da demanda da população mundial, a agricultura cresceu de forma exponencial, tornando-se, por vezes, um problema ambiental principalmente quanto ao uso de recursos naturais não renováveis e desmatamento. Dessa forma, é necessário que agricultores prezem por uma agricultura sustentável. Devem ser estimuladas práticas tecnológicas de desenvolvimento sustentável para pequenos e grandes agricultores, que incluam a redução do uso de insumos e energia, além de promover a participação de agricultores na implementação de políticas ambientais, tendo em vista o desenvolvimento não só de sua lavoura, mas também o desenvolvimento ambiental, social e econômico da população e da região onde se encontram. Diferentes grupos voltados para o desenvolvimento sustentável Neste vídeo, você verá as primeiras discussões ambientais e legislações voltadas para o meio ambiente no país. Atividade 1 A gestão comunitária do meio ambiente visa, entre outros aspectos, à integração de governos, entidades e comunidades na gestão ambiental de determinado local. Sendo assim, é necessário que cada membro da comunidadeentenda seu papel e contribua para o desenvolvimento sustentável. Assinale a alternativa correta a respeito da importância dos indígenas na gestão comunitária do meio ambiente. Parabéns! A alternativa A está correta. A Os povos indígenas desenvolveram através de gerações conhecimentos científicos e culturais sobre uso e manejo de suas terras. Dessa forma, por meio do intercâmbio de conhecimento, também cooperam na criação de políticas públicas de manejo de recursos naturais e desenvolvimento sustentável. B Os povos indígenas têm grande importância principalmente por controlar a economia dessas regiões. Por isso, devem participar promovendo investimentos em políticas públicas de manejo de recursos naturais e desenvolvimento sustentável. C Os povos indígenas desenvolveram ao longo das gerações tecnologias agrícolas necessárias para um desenvolvimento mais sustentável de suas terras. Dessa forma, devem ceder esses conhecimentos tecnológicos para o desenvolvimento de políticas públicas de manejo nesse âmbito. D Os povos indígenas foram muito prejudicados desde a colonização do Brasil. Dessa forma, é essencial que participem na gestão de suas terras remanescentes como forma de indenização histórico-cultural. E Os povos indígenas, por conhecerem as florestas, devem se aliar às ONGs, auxiliando-as a promover políticas públicas de meio ambiente a nível internacional. Os conhecimentos científicos e culturais dos povos indígenas foram desenvolvidos por gerações nas florestas brasileiras, contudo, ao longo do tempo, muitas dessas informações se mantiveram exclusivas desses povos. A partir do compartilhamento, essas informações, somadas a outros conhecimentos científicos, auxiliam na formulação de políticas públicas voltadas à conservação das terras. Exemplos de programas de gestão comunitária Os programas de gestão comunitária podem e devem ser aplicados em todas as regiões do Brasil. Contudo, nos últimos anos, a região amazônica tem sido o foco desse tipo de gestão, principalmente pela sua importância internacional e pela grande presença de povos indígenas. Nesse sentido, o governo brasileiro propôs o Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), visando à criação e manutenção de Unidades de Conservação (UCs) no longo prazo (2002-2039). Saiba mais Dentre os objetivos do ARPA, destaca-se a conservação da biodiversidade e ecossistemas de forma interativa com as comunidades locais, a fim de alcançar um desenvolvimento sustentável participativo, financeiramente independente e descentralizado. Um documento publicado em 2018 pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) apresentou alguns resultados referentes a diferentes objetivos de gestão comunitária: Em UCs dos estados Pará — inclusive na Reserva Extrativista do Xingu —, Tocantins, Acre, Roraima e Maranhão, foram promovidas ações de gestão territorial, a partir da troca de saberes entre extrativistas e indígenas, da vigilância e proteção dos entornos de UCs e terras indígenas e da implementação de atividades sustentáveis. Gestão integrada de unidades de conservação e terras indígenas Em UCs do Amazonas e do Amapá foram realizadas ações de conservação e monitoramento de quelônios (grupo das tartarugas) e jacarés, manejo do pirarucu (incentivando meios de renda alternativa) e gestão participativa da pesca. Em UCs de Roraima, do Amazonas, do Pará e do Acre foram realizados projetos de capacitação das comunidades locais para uso sustentável de recursos naturais e de incentivo da visitação em parques nacionais, bem como planos de fortalecimento das comunidades e iniciativas de vigilância, organização comunitária e educação ambiental. Em UCs do Acre, do Amazonas e de Mato Grosso foram realizados projetos de promoção de conhecimentos científicos e técnicos para o fortalecimento de culturas (como o cacau nativo), assim como projetos acerca da energia elétrica fotovoltaica — para conservação de produtos perecíveis —, da prevenção de impactos sociais e ambientais e do desenvolvimento de atividades sustentáveis com ribeirinhos. Em UCs do Amazonas e do Acre, foram desenvolvidos projetos de capacitação e fortalecimento de jovens lideranças, de forma protagonista, bem como projetos de gestão participativa por meio de ações práticas em suas comunidades. Assim como o Arpa, outras iniciativas de gestão comunitária do meio ambiente estão apenas no começo, contudo, importantes resultados relativos ao manejo Conservação e manejo de recursos naturais Fortalecimento da organização comunitária Produção agroecológica Formação e capacitação de lideranças de recursos naturais e ao desenvolvimento sustentável já são observados. Para a continuidade e o aprimoramento dessas medidas, são necessários maiores aportes de fundos para esses tipos de projeto, mediante editais dos governos e da comunidade internacional. Além disso, é importante estreitar o conhecimento acadêmico e as ações conservacionistas de forma a alcançar resultados mais consistentes e rápidos na conservação das florestas brasileiras e no desenvolvimento de suas comunidades associadas. Agroecologia - Plantar Água Neste vídeo, o professor Igor Kessous apresenta a agroecologia e explica como esse modelo de produção pode contribuir para a preservação do meio ambiente e dos recursos naturais. Atividade 2 A Amazônia, com sua imensa riqueza natural desempenha serviços ecológicos cruciais para sustentar as diferentes formas de vida que habitam a Terra, inclusive a nossa, seres humanos. Apesar disso, a Amazônia sofre severos impactos de degradação e enfrenta inúmeros desafios para sua conservação. Qual das seguintes alternativas descreve corretamente uma estratégia eficaz para a conservação da biodiversidade e dos ecossistemas da Amazônia? A Implementar políticas de desmatamento controlado para a expansão agrícola. B Parabéns! A alternativa B está correta. Promover programas de gestão comunitária que envolvam ativamente as comunidades locais é uma estratégia eficaz para a conservação da biodiversidade e dos ecossistemas da Amazônia. Essa abordagem reconhece o conhecimento e a importância das comunidades locais na proteção ambiental, promovendo um desenvolvimento sustentável e participativo. O desmatamento leva à degradação ambiental. Incentivar a migração pode aumentar a pressão sobre os recursos naturais. A administração exclusiva pelo governo não engaja e inclui as comunidades locais. A introdução de espécies exóticas é causa de desequilíbrio ecológico e perda da biodiversidade nativa. Compromisso individual com as questões socioambientais De acordo com o PNUMA, órgão da ONU responsável pela agenda ambiental, estamos vivenciando três crises planetárias: a crise climática, a crise da natureza e a crise da poluição e dos resíduos. Alimentadas por um consumo e uma produção insustentáveis, as três crises estão destruindo os sistemas naturais que permitem às nossas economias prosperar. Nesta próxima década Promover programas de gestão comunitária que envolvam ativamente as comunidades locais. C Incentivar a migração de populações urbanas para áreas de floresta nativa da Amazônia. D Estabelecer reservas naturais exclusivamente administradas pelo governo federal. E Introduzir espécies exóticas para aumentar a diversidade biológica. decisiva para o futuro do planeta, precisamos reunir pessoas e agir como nunca. Cada ação individual conta. Comentário Apesar de sabermos que os grandes motores de mudança são os setores industrial e agrícola, já que juntos são responsáveis por mais da metade da água consumida em todo o Brasil, por exemplo, além de terem grande responsabilidade sobre a emissão de gases poluentes e poluição de rios e mananciais, é preciso que cada indivíduo se comprometa e busque melhorar suas escolhas e hábitos em prol de opções sustentáveis. Muitas pessoas não enxergam o potencial das ações individuais para a conservação do meio ambiente. Afinal, são pequenos hábitos. Épreciso pensar que não são apenas os atos de cada um que farão a diferença, mas, sim, a coletividade, os muitos fazendo a sua parte. Compartilhando a responsabilidade da mudança, pode-se ajudar a diminuir a degradação do planeta. A seguir apresentamos sugestões de mudanças que podem ser incorporadas no dia a dia dos cidadãos para ajudar a frear as crises socioambientais que enfrentamos: Existem diversas empresas que buscam produzir da maneira mais sustentável possível, utilizando materiais recicláveis, buscando processos produtivos menos poluentes, maior eficiência energética e utilizando fontes renováveis de energia. Sempre busque saber sobre o compromisso socioambiental da marca antes de comprar seus produtos ou contratar seus serviços. Quando for investir seu dinheiro, se preocupe em não investir em setores que degradam o meio ambiente ou geram conflitos socioambientais. Objetos de vidro e metal têm uma durabilidade maior do que os de plástico. Dessa maneira, são descartados em menor quantidade. Além Dê preferência aos produtos de procedência sustentável e empresas comprometidas com as questões socioambientais Utilize objetos de metal e vidro que possam ser reutilizados disso, quando enviados para reciclagem, possuem maior atratividade econômica e são mais reciclados. Reduzir é mais importante sempre, ação que vem antes da reciclagem, que é considerado um processo energointensivo. Envie seu lixo orgânico para compostagem ou tenha um minhocário em casa. Você pode ter uma composteira doméstica em casa e gerar adubo para plantas. O envio de resíduos orgânicos para aterros sanitários gera a emissão de gás metano, um gás de efeito estufa muito mais potente do que o CO2. O plástico demora mais de 100 anos para degradar na natureza. Busque usar sempre produtos reutilizáveis e elimine os descartáveis da sua vida. O setor de transporte é um dos mais emissores de gases de efeito estufa e de poluição. Além de gerar mais saúde para você, buscar ir a pé ou de bike é sempre a melhor opção. Caso não seja possível, vá de transporte público ou organize um esquema de carona. Busque reduzir sua geração de lixo e direcione seu lixo para reciclagem Composte seu lixo orgânico Evite utilizar produtos descartáveis Inicie um grupo de caronas ou vá de transporte público para o seu trabalho Prefira documentos digitais Uma única folha de papel demanda 10 litros de água para ser produzida. Utilizando recursos digitais para assinar e encaminhar documentos, você evita o gasto desnecessário. Mudar para uma dieta baseada em vegetais pode reduzir a pegada de carbono anual de um indivíduo em até 2,1 toneladas com uma dieta vegana ou em até 1,5 toneladas para vegetarianos, de acordo com a ONU. Sempre que sair de um cômodo, lembre-se de desligar a luz. Não deixe os aparelhos eletrônicos sempre ligados (isso pode ser até perigoso) e na hora de tomar banho e lavar louça, use racionalmente a água. A maioria das pessoas não sabe qual é o seu consumo mensal de energia e água, acompanhe seu gasto, monitore as mudanças de consumo ao longo do ano. Como o setor de transporte é muito poluente, buscar consumir localmente é uma boa forma de minimizar o impacto ambiental das suas escolhas. Se algum objeto quebrar na sua casa, não descarte imediatamente. Lembre-se que para esse produto ser feito, foram utilizados muitos recursos naturais, sendo a grande maioria finitos. Por isso, busque reparar sempre, antes de trocar por um novo. Coma mais plantas Busque utilizar eletricidade e água com mais racionalidade na sua residência Busque consumir produtos locais e sazonais Sempre que puder, conserte Deixe o uso do avião para as viagens que só podem ser feitas dessa forma e são inevitáveis. O setor aéreo é responsável por grande emissão de gases de efeito estufa, por isso sempre que puder, utilize outros modais para suas viagens. Ao comer apenas o que necessita e ao reduzir o desperdício alimentar, um indivíduo pode reduzir a sua pegada de carbono em até 1,3 toneladas anualmente. Não só reduziremos as emissões pela redução do desperdício alimentar, como também seremos mais saudáveis, pouparemos dinheiro e protegeremos os nossos preciosos recursos para as gerações futuras. Faça da sua casa um centro de sustentabilidade. Da próxima vez que planejar um projeto de construção ou mesmo uma pequena reparação, verifique as credenciais ecológicas dos materiais que utiliza. Algumas espécies de madeira são produzidas de forma mais sustentável, por exemplo. Estima-se que os edifícios e a construção geram um terço do total de resíduos do mundo – além de quase 40% das emissões de CO2 relacionadas com a energia. Essas foram algumas sugestões do que um indivíduo pode fazer em prol de um planeta mais justo e sustentável. Você não precisa colocar em prática todas elas, mas pode escolher alguma ou algumas para começar a fazer sua parte. Sugiro arregaçar as mangas e começarmos já! Busque usar menos avião Reduza o desperdício de alimentos Use materiais sustentáveis na construção 12 ações em prol de uma vida mais sustentavel Neste vídeo, assista a uma entrevista sobre o compromisso individual com as questões socioambientais e as 12 ações individuais que podemos realizar em prol de uma vida mais sustentável. Atividade 3 Após estudarmos sobre as formas de você, cidadão, fazer sua parte por um planeta mais sustentável em termos sociais e ambientais, marque a alternativa abaixo que corresponde a uma dessa ações benéficas para o planeta: A Usar seu carro para ir ao trabalho sozinho, diariamente, enquanto poderia utilizar um transporte público de qualidade ou fazer um esquema de rodízio de caronas com colegas. B Buscar ter uma alimentação mais rica em vegetais e não tão dependente de carne vermelha, bovina. C Deixar seus eletrônicos ligados direto na tomada, usando ou não, dia após dia. Parabéns! A alternativa B está correta. O consumo da carne bovina tem grande impacto no meio ambiente. São usadas grandes quantidades de água para a produção pecuária, o impacto na degradação do solo é intenso, assim como é crítica a emissão dos gases de efeito estufa que aquecem o planeta e estão relacionados às mudanças climáticas. Bovinos liberam muito metano na atmosfera, um gás poluente de contribuição muito mais potente do que o gás carbônico para o efeito estufa. O que você aprendeu neste conteúdo? O processo de consciência socioambiental é complexo e engloba diferentes esferas, sendo a conscientização a primeira etapa para se alcançar o desenvolvimento sustentável, que preconiza manter a capacidade do planeta de suprir as necessidades da geração atual, assim como das futuras. Atualmente nos deparamos com inúmeros desafios socioambientais e, por isso, precisamos, como cidadãos e como profissionais, atuarmos para melhorar o cenário de degradação ambiental atual. A consciência socioambiental global foi o gatilho do desenvolvimento de políticas locais e nacionais para se alcançar a sustentabilidade. Os países signatários da ONU, após diversas conferências e reuniões ocorridas na segunda metade do século XX, como a Rio-92, propuseram objetivos para alcançarmos o modelo de desenvolvimento sustentável, pensando no bem-estar econômico, social e ambiental da sociedade. A partir de discussões internacionais e nacionais, o Brasil elaborou leis referentes ao manejo de recursos naturais e à proteção das florestas, D Sempre que algo em sua casa quebrar, trocar imediatamente por um produto novo. E Consumir roupas de marcas que exploram a mão de obra. de outros ecossistemas e da biodiversidade associada, abordando poluição, crimes ambientais, entre outros. O marco da legislação ambiental brasileira foi a Política Nacional do Meio ambiente, que englobou leis anteriores e embasou leis e medidas posteriores sobre a questão ambiental. Ele é robusto e precisa apenas ser colocado em prática. Para alcançar o desenvolvimento sustentável,é importante implantarmos um modelo de gestão participativa do meio ambiente, ou seja, uma gestão em que diversas esferas da sociedade estejam envolvidas e tenham voz na ação e elaboração de medidas, trabalhando de forma cooperativa. Esse tipo de gestão ainda é importante para a descentralização do poder e do domínio das leis pelos órgãos públicos, tornando as políticas mais justas e efetivas para toda a comunidade envolvida. Podcast O especialista irá demonstrar que, mesmo após a elaboração de leis importantes sobre a conservação do meio ambiente, os órgãos reguladores vêm perdendo força. Esse aspecto envolve questões políticas, sociais e econômicas. Explore + Para aprofundar seus conhecimentos sobre o assunto: Assista ao vídeo sobre a Rio-92, disponível no YouTube: A Cúpula da Terra - Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (1992). Leia na íntegra o documento Fortalecimento comunitário em unidade de conservação: desafios, avanços e lições aprendidas no Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA), publicado pelo Ministério do Meio Ambiente e disponível no portal do ICMBio. Veja no texto de Carolina Cunha, publicado no portal UOL, a relação do meio ambiente com pandemias, como no caso do Coronavírus: Coronavírus - Qual é a relação entre o meio ambiente e pandemias de vírus. Acesse o portal das Nações Unidas no Brasil, no qual você encontra os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável na íntegra. Leia cada um para compreender melhor o que foi discutido neste estudo. Assista ao documentário A história das coisas, disponível no YouTube, e entenda um pouco mais sobre os nossos padrões de consumo enquanto sociedade, e a necessidade de sermos mais sustentáveis. Leia o livro Ideias para adiar o fim do mundo, do ambientalista, filósofo e líder indígena Ailton Krenak, que fala sobre a relação da humanidade com a natureza e como nossas ações podem acabar com o planeta. Referências BRASIL. Câmara dos Deputados. Legislação brasileira sobre meio ambiente. 2. ed. Brasília, DF: Edições câmara, 2010. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Fortalecimento comunitário em unidade de conservação: desafios, avanços e lições aprendidas no Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA). Brasília, DF: MMA, 2018. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. ONU. Agenda 21. 1992. Consultado na internet em: 17 set. 2021. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. ONU. A ONU e o meio ambiente. 16 set. 2020. Consultado na internet em: 18 set. 2021. ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. ONU. Sobre o nosso trabalho para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil. Consultado na internet em: 18 set. 2021. SOS MATA ATLÂNTICA. Mata Atlântica. Consultado na internet em: 18 set. 2021. DCNs para educação ambiental Prof. Brendo Araujo Gomes Descrição Fundamentos históricos, legislativos e conceituais sobre a cidadania e a educação ambiental. Propósito O conhecimento das principais concepções acerca da educação ambiental e o histórico referente às suas disposições legais no Brasil é primordial para a compreensão dos efeitos das ações humanas no ambiente e para o estabelecimento de ações nas práticas socioeducativas. Objetivos Módulo 1 A educação ambiental Módulo 2 A cidadania ambiental Descrever os principais conceitos e contextos acerca da educação ambiental. Reconhecer os principais pontos sobre a cidadania ambiental. Desde a origem da civilização, há necessidade e dependência do ser humano em relação ao ambiente. Assim, ao longo do desenvolvimento da humanidade, foram necessários o entendimento e a capacidade de desenvolver e utilizar instrumentos para modificá-lo. Com o avanço da tecnologia, o acelerado desenvolvimento industrial e a necessidade de crescimento econômico a qualquer custo, o homem tem se distanciado cada vez mais da natureza. Ou seja, ele não se vê como parte dela, como parte do meio ambiente. É urgente, então, que a humanidade esteja próxima e consciente das questões ambientais. Por conta disso, são desenvolvidas práticas de educação ambiental para permitir a formação de cidadãos conscientes e responsáveis pela conservação e preservação do meio e de todos os recursos naturais, pela sua própria sobrevivência e a das gerações futuras. Dessa forma, ao exercer a cidadania ambiental, os indivíduos possibilitam o equilíbrio ambiental, o que gera bons frutos em diversas áreas, como a social, a econômica e a ecológica. Introdução 1 - A educação ambiental Ao �nal deste módulo, você será capaz de descrever os principais conceitos e contextos acerca da educação ambiental. Introdução à educação ambiental A educação ambiental surgiu da necessidade de uma mudança brusca nos modelos adotados pela sociedade que envolvem aspectos sociais, econômicos e científicos. As problemáticas relacionadas a esses aspectos, tais como a alta taxa de urbanização ligada ao crescimento populacional exponencial, o comodismo e a praticidade do dia a dia resultantes do desenvolvimento de tecnologias, forçaram a humanidade a refletir sobre a educação ambiental. Quando observamos o cenário atual do nosso meio ambiente e de nossas relações com ele, conseguimos perceber que algo está desbalanceado, não?! Uma vez que essas relações socioambientais não estão em equilíbrio, com o aumento assustador dos desmatamentos, da erosão e da poluição, graves consequências podem vir a ocorrer para a humanidade e todos os seres vivos. Os desastres naturais têm se tornado frequentes devido às mudanças climáticas provocadas pelas ações do homem contra o meio ambiente. Neste módulo, conheceremos um pouco mais sobre os principais conceitos trabalhados na educação ambiental e sobre o histórico legal dessa abordagem no Brasil e no mundo. Veremos também como esse tema é trabalhado no âmbito do Ministério da Educação, por meio da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs). Vamos lá?! Principais conceitos acerca da educação ambiental A relação entre direitos humanos e meio ambiente se consolida no momento em que as políticas mundiais assumem um compromisso de conservação e preservação, garantindo um ambiente saudável e ideal para a humanidade presente e futura. Entre as medidas intrínsecas a essa relação, a educação ambiental é essencial para a conscientização sobre o mundo do qual fazemos parte e necessitamos. Costumamos ouvir essas duas palavras em diversos meios de comunicação e escolas, mas o que seria educação ambiental ao certo? De acordo com o primeiro artigo da Lei nº 9795, publicada em 1999, a educação ambiental abrange processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. Percebe-se que esse tema compreende conceitos de cunho social e biológico. O principal conceito é a educação, que se baseia na ideia de que os seres humanos apresentam um potencial que deve ser desenvolvido no decorrer da vida. Assim, o educador seria o responsável por criar condições para que esse desenvolvimento ocorra, estimulando as pessoas a crescerem. Esse conceito, então, é especificado na segunda palavra que o acompanha: ambiental. E o que é o meio ambiente? Conforme Sánchez (2015, p.18), ambiente pode ser um conceito amplo, pois inclui a natureza e a sociedade; multifacetado, pois existem diferentes formas de compreendê-lo; e maleável, já que pode ser reduzido ou ampliado de acordo com quem fala sobre ele. Segundo a Lei nº 6.938 de 1981, o meio ambiente é o conjunto de condições, leis, influências e interações (de ordem física, química e biológica) que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas. Dessa maneira, podemos também conceituar a educação ambiental como um ramo da educação cujo objetivo não é apenas um modelo de transmissão de conhecimento,não formal, os desafios são muito mais diversos, uma vez que os agentes, os públicos-alvo e os contextos são múltiplos. Desse modo, cotidiano das salas de aula. Nesse sentido, percebemos que ela se faz presente nos parâmetros curriculares, embora muitas vezes as ações propostas para cada tema estejam defasadas da realidade local. Por isso, existe um tratamento superficial dos temas abordados. Além da falta de diálogo entre as matérias do currículo (já que a educação ambiental se trata de um tema interdisciplinar), ocorre até mesmo a ausência de formação adequada do corpo docente e dirigente das escolas em relação aos temas ambientais. um obstáculo importante é “falar a mesma língua”, ou seja, fazer com que as ações educativas e políticas públicas atinjam de forma democrática e eficaz todos os públicos possíveis. Se considerarmos a pandemia da covid-19 e as possíveis causas que levaram à contração e à disseminação do vírus pelos humanos, existe uma hipótese de que ele teria sido transmitido para os humanos por meio do consumo de animais de origem silvestre. Saiba mais Entre 2019 e 2020, começou no mundo uma pandemia de proporções catastróficas, a pandemia da COVID-19. As possíveis causas que levaram à contração e disseminação do vírus da COVID-19 pelos humanos não são totalmente conhecidas. Mas existe uma hipótese de que o vírus teria sido transmitido para os humanos por meio do consumo de animais de origem silvestre. Em muitos lugares do mundo, o consumo de animais silvestres é proibido, já que essa prática envolve a caça e o abate dos animais. Isso causa o desequilíbrio dos ecossistemas em algum grau, além de outros problemas envolvidos, como o próprio surgimento de novas doenças em humanos. Portanto, este também constitui um problema ambiental que poderia e deveria ser melhor abordado através de ações em educação ambiental. A educação ambiental e a saúde pública Neste vídeo, o professor Arthur Rodrigues Lourenço explica como a educação ambiental, tanto formal como não-formal, pode ajudar na conscientização sobre problemas ambientais e de saúde pública, incluindo a prevenção e contenção da disseminação de doenças. Nos tempos atuais, vem aumentando o acesso às novas tecnologias e às mídias digitais. Esse fenômeno pode ser utilizado para aproximar realidades distantes e promover a troca de conhecimentos e experiências em locais anteriormente isolados e de difícil acesso. A inclusão digital, cada vez mais presente e comum na sociedade moderna, é um importante meio de divulgação das notícias e do conhecimento. Entretanto, caberá aos promotores de educação ambiental formal ou não formal o uso desse recurso e a orientação relativa aos passos e às atividades a serem realizados. Dica Esses promotores incluem desde os educadores formais, como os professores e os cientistas, até os familiares e os cidadãos conscientes e engajados nas causas ambientais. Entre os muitos desafios, talvez o maior deles seja a urgência para que decisões sejam tomadas em relação à problemática ambiental. Vivemos um momento em que o planeta já apresenta sinais claros de exaustão de recursos naturais e de capacidade de suporte às frequentes pressões antrópicas. As consequências disso já estão sendo percebidas por todos. A sustentabilidade é a ideia de usufruir dos recursos naturais de forma respeitosa e responsável com o propósito de que seu uso no presente não comprometa as futuras gerações. Ela incentiva, desse modo, as práticas que busquem minimizar os impactos ambientais e até revertê-los. A implantação de ações que promovam seus ideais constitui um dos princípios da educação ambiental. A sustentabilidade gradativamente vem fazendo parte do nosso dia a dia, já que ela representa o caminho para um futuro mais harmonioso entre o homem e a natureza. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 A educação ambiental é uma prática que objetiva a sensibilização e a conscientização das pessoas de que é possível e preciso estabelecer uma relação saudável entre homem e natureza. Em que momento histórico foram definidos a concepção, a finalidade e os princípios norteadores dela? Parabéns! A alternativa C está correta. Em 1965, na Conferência da Universidade de Keele, a expressão “educação ambiental” foi utilizada pela primeira vez. Cinco anos depois, a publicação da revista The Ecologist trouxe a mesma expressão para o meio científico. Na Conferência Internacional de Educação Ambiental promovida pela Unesco na cidade de Tbilisi, em 1977, ocorreu o lançamento da declaração sobre a educação ambiental em que foram especificados a definição dela, suas finalidades e seus princípios norteadores de ações. Já em 1987, na Rússia, foram decididos os métodos e as estratégias a serem empregados nela. Por A Em 1965, na Conferência da Educação da Universidade de Keele, no Reino Unido. B Em 1970, na publicação Manifesto para a sobrevivência da revista científica The ecologist. C Em 1977, na Conferência Internacional de Educação Ambiental, em Tbilisi, na Geórgia. D Em 1987, na Conferência Internacional de Educação Ambiental, em Moscou, na Rússia. E Em 1992, na Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU, no Rio de Janeiro, no Brasil. fim, em 1992, na Rio-92, diversos documentos fundamentados nos princípios e nas definições já estabelecidos foram propostos em relação à educação ambiental. Questão 2 A educação ambiental está presente em diversos momentos de nosso cotidiano e até ao longo de nossa vida. É um exemplo de educação ambiental formal: Parabéns! A alternativa B está correta. Toda atividade classificada como educação ambiental formal ocorre dentro do contexto escolar, sendo delimitada pelos PCNs. Quando a atividade educativa não ocorre nesse contexto, sendo definida por um planejamento da própria escola, é classificada como educação ambiental não formal, como são todos os exemplos citados nas letras A, C, D e E. A Um ato de coleta de lixo em uma trilha promovido por uma organização não governamental (ONG). B Um filme sobre as consequências do efeito estufa durante uma aula de Ciências. C Uma palestra em um centro comunitário sobre como separar o lixo reciclável do não reciclável. D A distribuição de panfletos que abordem os motivos para não se fazer queimadas. E Um jogo educativo apresentado às crianças em uma praça pública. 2 - Agenda 21 Ao �nal deste módulo, você será capaz de comparar a Agenda 21 à educação ambiental. Apresentação e panorama atual A Agenda 21 é um documento que foi editado e assinado por 179 países durante a Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU, no Rio de Janeiro, no Brasil, em 14 de junho de 1992. Tal documento trata dos planos e dos direcionamentos para a promoção do desenvolvimento sustentável por meio de estratégias que envolvem a conservação do meio ambiente, o consumo consciente e a justiça social. A Agenda 21 está organizada em 4 seções compostas por 40 capítulos. Em cada uma delas, são abordados objetivos específicos e orientações para sua implementação e atuação. Todos esses objetivos estão comprometidos com a: Melhoria da qualidade de vida de todos. Gestão de recursos naturais para um desenvolvimento sustentável. Veremos agora o que cada uma das suas seções aborda: A primeira seção da Agenda 21 trata principalmente da melhoria da qualidade da vida humana no planeta. Nela estão descritos os objetivos específicos para a promoção do combate à miséria e à fome no mundo, além de um melhoramento dos sistemas de saúde e do acesso à educação. Também estão prescritas nessa seção as orientações para uma melhor gestão de recursos naturais e para o crescimento dos países em desenvolvimento. Em relação àqueles mais desenvolvidos, há a Seção I: dimensões sociais e econômicas pretensão de atuar na conscientização sobre os elevados padrões de consumo e a introdução da sustentabilidademas sim um modelo de vida. Seu objetivo é promover a transformação de comportamentos e valores e a busca por uma visão acerca da necessidade e dependência dos recursos naturais, ligada diretamente à garantia de futuro para a humanidade. Além disso, a educação ambiental estimula a troca a partir e com os diferentes sujeitos sociais em interlocução, a fim de construir soluções para questões ambientais e diminuir o distanciamento do diálogo entre peritos e leigos ou, por exemplo, entre os educadores e agentes ambientais e as crianças e jovens em formação. O professor desempenha um papel importante no processo de educação ambiental. O professor, como mediador, pode auxiliar na compreensão da importância da preservação e utilização sustentável dos recursos, na preparação dos indivíduos para a vida enquanto membro da biosfera, no saber lidar e manter os sistemas ambientais em sua totalidade e no processo de reconhecimento de valores, conceitos e interrelações entre a humanidade, suas culturas e o meio ambiente. Com isso, habilidades poderão ser desenvolvidas e atitudes modificadas mediante essa abordagem que surgiu do interesse da humanidade pela importância do meio ambiente. Nesse contexto, existem diversas áreas e conceitos biológicos que são discutidos no âmbito da sociedade. Um exemplo é o conceito de ecossistema. Ecossistema é considerado um sistema estável, autossuficiente e em equilíbrio dinâmico que inclui os seres vivos e o ambiente com suas características físico-químicas e interrelações. Equilíbrio dinâmico Condição de relativa estabilidade para o funcionamento adequado de um organismo ou até mesmo de um ecossistema. Ao alterarmos os fatores que mantêm esse equilíbrio dinâmico no ecossistema por meio da diminuição da biodiversidade (ou diversidade de espécies), da maior entrada de nutrientes em dado local (poluição) ou do aumento na quantidade de uma única espécie em um local (criação de animais e monocultura, por exemplo), consequências graves para a nossa sobrevivência podem surgir. Assim fica fácil entender a necessidade da proteção, preservação e conservação dos recursos naturais da biosfera, não?! Principais práticas e abordagens da educação ambiental No estudo e aplicação da educação ambiental, há três correntes que caracterizam a diversidade das práticas e abordagens: a protecionista, a preservacionista/conservacionista e a pragmática. Vamos conhecer um pouco mais sobre cada uma delas. Pessoas adeptas à corrente protecionista centralizam sua atenção nos problemas de proteção e defesa da vida animal e da vida selvagem. Assim, por meio de ações diretas de campanhas, associações e mediações políticas, os protecionistas defendem espécies de animais e vegetais mais afetadas pelo comportamento e hábitos de vida dos humanos, os quais são tidos como cruéis, atrasados e selvagens. Abordagem protecionista Peça publicitária para divulgação de campanha pela preservação do Sauim. Um exemplar de uma determinada espécie da fauna ou flora torna-se o foco de ações políticas e educativas nesse tipo de corrente, em que um público definido de pessoas que têm envolvimento direto com a espécie é sensibilizado pela legislação ou pelos valores intrínsecos do ser vivo. Dessa forma, espera-se que esse público mude o seu comportamento e queira aderir à causa apresentada pelos protecionistas. Diferentemente dos protecionistas, as pessoas adeptas da corrente preservacionista ou conservacionista utilizam conhecimentos biológicos e impactos dos processos de ocupação e industrialização para lutar em prol do meio ambiente e da manutenção da nossa vida no planeta. Assim, quando comparados aos protecionistas, os preservacionistas ampliam a luta para além da proteção da vida selvagem e buscam ressignificar a existência do ser humano, ao procurar superar o comportamento selvagem na condição humana que leva à crueldade com os animais, por exemplo. Os preservacionistas pregam a necessidade de preservação de pedaços intocados da natureza e da vida selvagem frente aos impactos antrópicos, apenas permitindo a interação das pessoas com o espaço preservado para fins de lazer, educação e conhecimento. Outro objetivo da educação preservacionista é ter o foco no ambiente não humano e nos problemas de preservação dos recursos naturais e de proteção da vida selvagem, buscando salvar o ambiente pela sua beleza e valor ecológico. Abordagem preservacionista/conservacionista Ação de plantio de espécies para conservação da biodiversidade em área de mangue, na Malásia. Dessa forma, os preservacionistas utilizam conceitos da biologia como conteúdo para informar, criando uma política de regulação de uso e de manutenção dos espaços naturais para preservação. Apesar de seus ideais, essa corrente é criticada por não abordar junto com a problemática ambiental as questões sociais, como os conflitos e os direitos de territorialidade das populações. Já a corrente pragmática tem como centro da educação ambiental o aspecto utilitarista e racional da administração e exploração dos recursos naturais. Bem diferente, não é mesmo? Nessa vertente, os adeptos buscam pela redução de resíduos, pela eficiência na exploração e consumo desses recursos e pela produção máxima de forma sustentável. Esses fatores foram referências básicas para instituir o que chamamos atualmente de política do desenvolvimento sustentável, focando nas consequências da degradação ambiental. A proposta de educação com enfoque pragmático englobou os pressupostos da corrente preservacionista, em que são adotadas as ideias de unidade de conservação intocada — com exceção para as atividades de lazer, pesquisa e educação — e a utilização do conhecimento proveniente da ecologia e das ciências naturais, argumentando que a ignorância das populações locais sobre esse conhecimento leva a comportamentos inadequados em relação ao patrimônio natural. Abordagem pragmática O que difere a corrente pragmática da proposta preservacionista é que ela amplia as ações políticas, foca em minimizar o uso excessivo dos recursos naturais e incentiva a mudança de hábitos relacionados a consumo, desperdícios e mau comportamento. Aqui, o foco das ações educativas é o comportamento individualizado, com propostas de conscientização e mudanças de atitudes indesejadas. Além dessas três propostas de educação ambiental de que falamos, existe uma quarta, chamada educação ambiental crítica. Como as demais correntes, essa foi criada a partir do desejo de transformação frente a uma crise socioambiental. No entanto, ela propõe atividades educativas individuais e coletivas de forma transversal e construtivista. Nessa perspectiva, os indivíduos são capazes de desenvolver o seu senso crítico, ao se reconhecer como parte do ambiente em que vivem e sugerir soluções para os problemas ambientais que encontram. Assim, a educação ambiental crítica tem como objetivo estimular a consciência de que o ser humano é parte do ambiente, superando a perspectiva antropocêntrica. Por fim, devemos sempre levar em consideração que qualquer análise histórica sobre educação deve tomar como referência os diferentes grupos sociais que estabelecem maneiras diversas de educar e entender a natureza. Dessa forma, não há uma verdade universal ou estratégia educacional universalmente válida, fazendo com que a realização de atividades socioambientais deva levar em conta a população em questão. Aspectos históricos da educação ambiental no Brasil e no mundo A prática educativa relativa ao meio ambiente — que chamamos atualmente de educação ambiental — já recebeu diversos termos definidores ao longo dos anos, como educação para desenvolvimento sustentável, educação para gestão ambiental, ecopedagogia, educação para a cidadania e educação para um futuro sustentável. Para entendermos de forma adequada seus conceitos, suas ações educativas e seu objetivo, é preciso observar como começou o movimento ambientalistae seu contexto histórico-social. Os primeiros registros Durante os séculos XVIII e XIX, acadêmicos como Jean-Jacques Rousseau e Louis Agassiz já destacavam a importância do estudo do meio ambiente. Naquela época, diversas concepções desenvolvidas por eles foram utilizadas como base para os primórdios de programas educacionais acerca do meio ambiente. Jean-Jacques Rousseau Louis Agassiz No Brasil, a Lei nº 1, de 1 de outubro de 1828, já tratava de questões ambientais como o dever de zelar por poços, fontes, aquedutos, dentre outros por parte da polícia. Abordava também outras construções de uso e benefício comum da população, como o plantio de árvores (BRANCO; ROYER; BRANCO, 2018, p. 190). No início do século XX foi escrito o primeiro Manual para Estudos da Natureza (Handbook of Nature Study), desenvolvido pela norte americana Anna Botsford Comstock, em 1911. Nesse livro, a autora usava questões acerca do meio ambiente para ensinar valores culturais. Fila de trabalhadores desempregados em busca de pão, um retrato da crise de 1929. Anos depois, o mundo atravessava o período da chamada Grande Depressão — ou Crise de 1929 —, enfrentando o colapso da superprodução, do capitalismo e do liberalismo econômico. Em meio a esse contexto histórico, desenvolveu-se o conceito de educação ambiental conservacionista. O conceito de educação ambiental conservacionista foi inspirado na ideia de conservação da natureza, motivado pelo nosso bem-estar no ambiente natural, e na sua valorização e proteção. Naquele momento ainda não havia uma problematização profunda sobre os impactos antrópicos no ambiente e pouco era falado sobre sua relação com as questões sociais e políticas. Apesar da preocupação e do aumento da organização dos grupos dedicados à causa da educação ambiental, o mundo continuou a presenciar o desenvolvimento de “sintomas” da crise ambiental durante a década de 1950, devido ao crescimento da poluição industrial. A década de 1960 Essa década trouxe diversos movimentos relacionados à proteção do meio ambiente. No ano de 1962, o livro Primavera Silenciosa foi publicado pela autora Rachel Carson. A autora buscava alertar acerca dos efeitos danosos de inúmeras ações humanas sobre o ambiente, como o uso indiscriminado de pesticidas, por exemplo. Rachel Carson, autora de Primavera Silenciosa. Cinco anos depois, em 3 de janeiro de 1967, foi publicada no Brasil a Lei nº 5.197, que dispõe sobre a proteção à fauna. O primeiro artigo dessa lei determina que: Os animais de quaisquer espécies, em qualquer fase do seu desenvolvimento, e que vivem naturalmente fora do cativeiro, constituindo a fauna silvestre, bem como seus ninhos, abrigos e criadouros naturais, são propriedades do Estado, sendo proibida a sua utilização, perseguição, destruição, caça ou apanha. (BRASIL, 1967) A década de 1970 Dennis Meadows, um dos autores de Os Limites do Crescimento. Já no início da década de 1970 foi desenvolvido o Manifesto para Sobrevivência, em que grupos observaram que um aumento indefinido de demanda não pode ser sustentado por recursos finitos. Além desse manifesto, em 1972 foi desenvolvido, pelo Conselho para Educação Ambiental e pelo Clube de Roma e o relatório chamado Os Limites do Crescimento. Esse relatório tinha como objetivo estudar e propor ações para se obter um equilíbrio global, tendo em vista determinadas prioridades sociais e o futuro desenvolvimento da humanidade tais como energia, poluição, saneamento, saúde, ambiente, tecnologia e crescimento populacional. Ainda em 1972 foi também realizada a Conferência sobre o Desenvolvimento e Meio Ambiente Humano, pela Organização das Nações Unidas (ONU) em Estocolmo. A Declaração de Estocolmo indicava que, tanto para as gerações presentes quanto para as futuras, um ambiente sadio e não degradado seria reconhecido como direito fundamental à vida. Além disso, essa conferência ficou marcada por outras diversas medidas importantes para intervenção nas questões ambientais, como a formulação do Princípio 19. O que dizia o Princípio 19? “É indispensável um trabalho de educação em questões ambientais, visando tanto às gerações jovens como os adultos, dispensando a devida atenção ao setor das populações menos privilegiadas, para assentar as bases de uma opinião pública, bem informada e de uma conduta responsável dos indivíduos, das empresas e das comunidades, inspirada no sentido de sua responsabilidade, relativamente à proteção e melhoramento do meio ambiente, em toda a sua dimensão humana." Em conjunto com essas medidas e declarações, a ONU criou um organismo denominado United Nations Environment Programme (UNEP) ou, em português, Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), sediado em Nairóbi, que auxilia na coordenação de ações internacionais. Em 1975, ocorreu o Encontro Internacional em Educação Ambiental, realizado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Nesse evento, foi criado o Programa Internacional de Educação Ambiental — PIEA. Também foi elaborada o que ficou conhecida como Carta de Belgrado, que estabelece conceitos, metas e princípios da educação ambiental. Essa carta define como objetivo da educação ambiental a formação de uma população consciente e preocupada com o ambiente e com os seus problemas, que detenha os conhecimentos, as competências, as motivações e o sentido de compromisso que lhe permitam trabalhar de forma individual e coletiva na resolução das dificuldades atuais e impedir que elas se apresentem de novo. Em 1977, a cidade de Tbilisi, Geórgia (ex-União Soviética), sediou a Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental, realizada pela UNESCO. Nela, definiram-se os objetivos e as características da educação ambiental, assim como estratégias e princípios pertinentes no plano nacional e internacional. Já no final dessa década, em 1979, aconteceu o Seminário de Educação Ambiental para a América Latina, realizado por UNESCO e PNUMA, na Costa Rica. Como você acompanhou até aqui, muitas medidas foram propostas e inúmeras conferências internacionais foram realizadas. Um indicativo do crescimento do alerta acerca das questões ambientais. Mas e no Brasil? O Brasil não ficou de fora, e também se desenvolveu durante a década de 1970 nas questões relacionadas ao ambiente. A Universidade Federal do Rio Grande do Sul criou o primeiro curso de pós-graduação em Ecologia do país, estimulando grupos científicos a progredir nas problemáticas ambientais dentro do país. Após esse feito, também foram criados, em 1976, outros cursos de pós- graduação em Ecologia nas Universidades do Amazonas, Brasília, Campinas, São Carlos e o Instituto Nacional de Pesquisas Aéreas (INPA), em São José dos Campos. Além disso, em 1973 foi criada a Secretaria Especial do Meio Ambiente (SEMA). A década de 1980 A década de 1980 foi marcada por avanços em políticas públicas no Brasil. Em 1981, estabeleceu-se a Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA) no país por meio da Lei nº 6.938/81. A PNMA dispõe sobre a necessidade da inclusão da educação ambiental em todos os níveis de ensino, capacitando a população a atuar na conservação e preservação do meio ambiente. Além dessa, também nasceu o SISNAMA (Sistema Nacional do Meio Ambiente), com a promulgação da Lei nº 6.938/81. Esse foi um verdadeiro marco na história da proteção ambiental brasileira, pois articulou a proteção do meio ambiente sob a ideia de um único sistema nacional. Em 1985, o Ministério da Educação (MEC) publicou o parecer 819, reforçando a necessidade da inclusão de conteúdos ecológicos ao longo do processo de formação do ensino de 1º e 2º graus, que hoje conhecemos como ensinos fundamental e médio. Já em 1988, o Capítulo VI da Constituição da República Federativa do Brasil foi dedicado ao meio ambiente e, no artigo 225, Inciso VI, determina ao Poder Público promover a educação ambiental em todos osníveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente. Além dos avanços na política brasileira, diversos acontecimentos nocivos ao meio ambiente e à saúde humana aconteceram durante essa década ao redor do mundo. Em dezembro de 1984, cerca de 2 mil pessoas morreram envenenadas na Índia, devido a um vazamento de gás da empresa Union Carbide. Tonéis de gás da Union Carbide, em Bopal, na Índia. Em abril de 1986, aconteceu o famoso acidente envolvendo o reator nuclear na cidade de Chernobyl, na Ucrânia. As consequências desse fatídico acidente ainda podem ser vistas atualmente em um ambiente que segue bastante inóspito. Um ano depois, em 1987, outro grande acidente radioativo ocorreu com a abertura da cápsula de Césio 137, em Goiânia, no Brasil, por causa do descarte indevido desse tipo de material. Cidade de Pripyat, abandonada após o desastre de Chernobyl e que ainda apresenta sinais de contaminação pela radiação. Na década de 1980, também aconteceram eventos internacionais visando à discussão de estratégias para a educação ambiental. Em 1987, ocorreu o Congresso Internacional sobre Educação e Formação Relativas ao Meio Ambiente, na cidade de Moscou, Rússia, promovido pela UNESCO. Em 1989, foi realizada a 3ª Conferência Internacional sobre Educação Ambiental para as Escolas de Ensino Médio, com o tema Tecnologia e Meio Ambiente, na cidade de Illinois, Estados Unidos da América. Além dessa última conferência, ocorreu o preparatório do evento Rio-92 mediante a declaração de Haia, em que foi apontada a importância da cooperação internacional nas questões ambientais. A década de 1990 Diferentemente das demais décadas, a década de 1990 é conhecida por várias conferências internacionais que focam diretamente a educação ambiental e os planos de ação. Por sinal, o ano de 1990 foi declarado pela ONU como o Ano Internacional do Meio Ambiente. Além disso, foi publicada a Declaração Mundial sobre Educação para Todos, em que pode ser encontrada a Satisfação das Necessidades Básicas de Aprendizagem, aprovada na Conferência Mundial sobre Educação para Todos, realizada em Jomtien, na Tailândia. No Brasil, em 1991, foi criada uma Comissão Interministerial para as questões ambientais e que teve como premissa considerar a educação ambiental como um dos instrumentos da política ambiental brasileira. Já em 1992, foi realizada a primeira Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, chamada de Rio-92. Nela, foi desenvolvida a Agenda 21, que continha um plano de ação de orientação para transformação da sociedade, e a Carta da Terra, uma declaração que apresenta princípios que buscam promover a paz, a justiça e a sustentabilidade na sociedade. Além disso, também foi elaborado pela sociedade civil planetária no fórum global um tratado de educação ambiental para sociedades sustentáveis com responsabilidade global. Nesse documento estão os princípios fundamentais da educação para sociedades sustentáveis, destacando a necessidade de formação de pensamento crítico, coletivo e solidário, de interdisciplinaridade, multiplicidade e diversidade. Saiba mais Em 1997, uma nova conferência internacional sobre o meio ambiente e a sociedade aconteceu na cidade de Thessaloniki, na Grécia, para avaliação dos resultados dos protocolos gerados na Rio-92. Dessa forma, foi constatado que o desenvolvimento da educação ambiental foi insuficiente nesse período de cinco anos. Também no ano de 1997 iniciou-se a discussão acerca do Protocolo de Kyoto, que propunha um calendário com metas de redução de emissão de gases do efeito estufa que os países-membros teriam a obrigação de cumprir. Logo do CONAMA. Já na política ambiental brasileira, outro passo importante foi a criação, em 1993, de duas instâncias do poder executivo destinadas a tratar da educação ambiental: a Coordenação- Geral de Educação Ambiental do MEC e a Divisão Ambiental do IBAMA (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). Já em 1994, foi criado o Programa Nacional de Educação Ambiental (PRONEA). Além disso, foi criada, em 1995, a Câmara Técnica Temporária de Educação Ambiental, no Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA, determinante para o fortalecimento da educação ambiental. Ao final da década de 1990, foi promulgada a Lei nº 9.605, de 13 de fevereiro de 1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais. Ela dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente. Em 27 de abril de 1999, nasceu a Lei nº 9.795, que instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA). Nela é afirmado que todos têm direito à educação ambiental, considerada como componente essencial e permanente da educação nacional, que deve ser exercida de forma articulada em todos os níveis e modalidades de ensino, sendo ela de responsabilidade do SISNAMA, do sistema educacional, dos meios de comunicação, do Poder Público e da sociedade em geral. Juntamente à criação dessa Lei, surgiu a Portaria nº 1648/99 pelo MEC para criar um grupo de trabalho com representantes de todas as suas secretarias, no qual se discutiu a regulamentação dessa política. Que tal conhecer melhor o PNEA? Vamos começar pelos seus princípios básicos: I - o enfoque humanista, holístico, democrático e participativo; II - a concepção do meio ambiente em sua totalidade, considerando a interdependência entre o meio natural, o socioeconômico e o cultural sob o enfoque da sustentabilidade; III - pluralismo de ideias e concepções pedagógicas, na perspectiva da inter, multi e transdisciplinaridade; IV - a vinculação entre a ética, a educação, o trabalho e as práticas sociais; a garantia de continuidade e permanência do processo educativo; V - a permanente avaliação crítica do processo educativo; VI - a abordagem articulada das questões ambientais locais, regionais, nacionais e globais; VII - o reconhecimento e o respeito à pluralidade e à diversidade individual e cultural. (BRASIL, 1999) Além disso, a PNEA tem como objetivos fundamentais da educação ambiental: I - o desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas e complexas relações, envolvendo aspectos ecológicos, psicológicos, legais, políticos, sociais, econômicos, científicos, culturais e éticos; II - a garantia de democratização das informações ambientais; III - o estímulo e o fortalecimento de uma consciência crítica sobre a problemática ambiental e social; IV - o incentivo à participação individual e coletiva, permanente e responsável, na preservação do equilíbrio do meio ambiente, entendendo-se a defesa da qualidade ambiental como um valor inseparável do exercício da cidadania; V - o estímulo à cooperação entre as diversas regiões do País, em níveis micro e macrorregionais, com vistas à construção de uma sociedade ambientalmente equilibrada, fundada nos princípios da liberdade, igualdade, solidariedade, democracia, justiça social, responsabilidade e sustentabilidade; VI - o fortalecimento da cidadania, autodeterminação da integração com a ciência e a tecnologia; VII - o fortalecimento da cidadania, autodeterminação dos povos e solidariedade como fundamentos para o futuro da humanidade. (BRASIL, 1999) Os anos 2000 A partir da primeira década dos anos 2000, o mundo teve uma atenção maior voltada para a educação ambiental e para problemas socioambientais, uma vez que as consequências dessas complicações são cada vez mais eminentes. Em 2002, a ONU realizou a Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, em Joanesburgo, na África do Sul. Conhecida como Rio+10, o encontro teve como objetivo rever as metas propostas pela Agenda 21 e implementar o que já estava em andamento. Nos anos de 2004 e 2005, começou a vigorar o Protocolo de Kyoto. Esse acordo determinava que, no período entre 2008 e 2012, pelo menos 5,2% da emissão dos gases do efeito estufa deveria ser reduzida, em relaçãoaos níveis de 1990. Líderanças mundiais reunidas para a Rio+20. No ano de 2012, foi realizada, no Rio de Janeiro, a conferência conhecida como Rio+20, justamente por marcar os vinte anos da Rio-92. Esta conferência teve por objetivo garantir e renovar o compromisso entre os políticos para o desenvolvimento sustentável. Infelizmente, mesmo depois dos últimos eventos realizados com esse propósito, ainda é possível observar o aumento dos problemas ambientais e socioambientais. Educação ambiental no âmbito do Ministério da Educação: PCNs, DCNs, BNCC Segundo a Lei nº 9.795/99, a educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não formal. Ainda segundo a lei, a abordagem ambiental formal é aquela desenvolvida no âmbito dos currículos das instituições de ensino públicas e privadas, englobando educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio), educação superior, educação especial, educação profissional e educação de jovens e adultos. A PNEA também requer que a educação ambiental seja desenvolvida como uma prática educativa integrada, contínua e permanente em todos os níveis e modalidades do ensino formal. Dessa forma, ela não deve ser implantada como disciplina específica no currículo de ensino, mas apenas facultada nos cursos de pós-graduação e extensão nas áreas voltadas ao aspecto metodológico da educação ambiental, quando se fizer necessário. Em cursos de formação e especialização técnico-profissional, em todos os níveis, deve ser incorporado conteúdo que trate da ética ambiental das atividades profissionais a serem desenvolvidas. Além dos alunos, a temática ambiental também deve constar nos currículos de formação de professores em todos os níveis e em todas as disciplinas. Nesse caso, os professores devem receber formação complementar em suas áreas de atuação, com o propósito de atender adequadamente ao cumprimento dos princípios e objetivos da PNEA. De acordo com essa lei, há premissas também para desenvolver a educação ambiental não formal — que é elaborada como atividades de extensão e divulgação científica. A educação ambiental não formal compreende as ações e práticas educativas voltadas à sensibilização da coletividade sobre as questões ambientais e à sua organização e participação na defesa da qualidade do meio ambiente. E o poder público, de todas as esferas, incentivará atividades para: I - a difusão, por intermédio dos meios de comunicação de massa, em espaços nobres, de programas e campanhas educativas, e de informações acerca de temas relacionados ao meio ambiente; II - a ampla participação da escola, da universidade e de organizações não governamentais na formulação e execução de programas e atividades vinculadas à educação ambiental não formal; III - a participação de empresas públicas e privadas no desenvolvimento de programas de educação ambiental em parceria com a escola, a universidade e as organizações não governamentais; IV - a sensibilização da sociedade para a importância das unidades de conservação; V - a sensibilização ambiental das populações tradicionais ligadas às unidades de conservação; VI - a sensibilização ambiental dos agricultores; VII - o ecoturismo. (BRASIL, 1999) De acordo com as informações que estudamos, podemos observar que a educação ambiental é indispensável para formar o cidadão crítico e consciente de seus direitos e deveres no meio em que está inserido. Sendo assim, aprimora- se a cidadania do indivíduo para a preservação e manutenção da vida, para a participação efetiva em tomadas de decisões coletivas e para a responsabilização pela qualidade de vida e sobrevivência. Tal consciência ambiental e senso crítico — que capacitam o indivíduo para compreender diferenças sociais, políticas, financeiras e de recursos — podem ser conquistadas por meio da educação. Considerando a amplitude e sua fundamentação em diversas áreas, a educação ambiental é interdisciplinar e sua pertinência deve ser inserida em todo currículo escolar. Assim, além de observar a lei que estabelece os preceitos da PNEA, também precisamos estudar como a educação é organizada nos documentos educacionais norteadores: os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) e a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). PCNs são parâmetros determinados pelo Governo Federal para nortear os educadores e normatizar fatores fundamentais inerentes a cada disciplina. Com relação à educação ambiental, os conceitos e objetivos são trabalhados em três volumes: Ciências Naturais, Meio Ambiente e Temas Transversais. Apesar de divididos, os três volumes afirmam a necessidade do desenvolvimento desse tema de forma transversal, por todo o currículo de educação básica. O caderno Ciências Naturais é um dos volumes que mais destaca a educação ambiental, enfatizando a grande responsabilidade dessa disciplina para dialogar sobre o caráter de preservação e utilização consciente da natureza sob a concepção do desenvolvimento sustentável. Embora o tema se encontre fortemente presente nesse volume, o papel dos PCNs para mudar e viabilizar a educação ambiental como explicitada na lei ainda é questionado. Já o volume Meio Ambiente apresenta maior enfoque nos elementos físicos e biológicos, assim como nos modos de interação do homem e da natureza pela arte, tecnologia e ciência. Nele são exibidos os modelos de desenvolvimento econômico e social na sociedade atual, auxiliando na construção de uma consciência global em relação às problemáticas ambientais e conferindo significado ao que aprendem sobre educação ambiental. Em Temas Transversais são apresentados pontos que buscam debater questões presentes em vários aspectos da vida cotidiana e o fato de a questão ambiental não ser atribuída a um componente curricular. Sendo assim, faz-se necessária uma abordagem que integre conhecimentos históricos, científicos, sociais, demográficos, econômicos, entre outros, dada a complexidade do tema. Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) As DCNs são outro conjunto de normas obrigatórias que norteiam o planejamento curricular de instituições de ensino públicas ou privadas. Tais documentos ratificam o objetivo da educação ambiental em contexto nacional, amparada pela Constituição Federal e pela PNEA, e que abrange o desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente, suas relações ecológicas, o incentivo à participação individual e coletiva de forma permanente e o exercício da cidadania por meio da defesa da qualidade ambiental. Nesses documentos, há registros da produção das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental (DCNEA) pelo MEC e pelo CNE. Por sua vez, essas diretrizes enfatizam que a educação ambiental inclui o entendimento de uma educação cidadã, responsável, crítica e participativa por meio de saberes científicos e tradicionais, possibilitando a tomada de decisões inovadoras e fortalecendo a responsabilidade social. Dessa maneira, o tema aperfeiçoa-se na construção de uma cidadania consciente voltada para culturas de sustentabilidade socioambiental. A BNCC, em concordância com a Lei nº 9.394/1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), é um documento de caráter normativo que tem como objetivo estabelecer um conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais, indicando conhecimentos e competências que devem ser desenvolvidas por todos os estudantes ao longo da educação básica. Esse documento foi revisado e modificado por especialistas e gestores públicos. Na primeira versão, publicada no ano de 2015, o documento não apresenta o termo “educação ambiental”, restringindo-se a destacar que discussões sobre meio ambiente, cidadania e direitos humanos deviam ser reconhecidas como forma de debate interdisciplinar,ou seja, como tema transversal. Já no ano seguinte, a segunda versão da BNCC abarcou a concepção da educação ambiental como uma educação escolar constituindo uma atividade intencional da prática social que ensina ao indivíduo o caráter da sua relação com a natureza e com outros seres humanos. Base Nacional Comum Curricular (BNCC) Assim, ela passa a objetivar também: construção de conhecimento, desenvolvimento de habilidades, atitudes e valores, cuidado com a qualidade de vida, justiça e equidade socioambiental e proteção do meio ambiente natural e construído. Por fim, em sua terceira e última versão (2017), a BNCC novamente não contempla o termo educação ambiental. Em substituição, o documento enfatiza a integração de tópicos, como incentivo à proposição e adoção de alternativas individuais e coletivas para a sustentabilidade ambiental na organização curricular das escolas. Dessa forma, busca-se estimular o uso inteligente e responsável dos recursos naturais e direciona-se o tema com ênfase maior na sustentabilidade. Desequilíbrios ecológicos e problemáticas ambientais antrópicas Neste vídeo, o professor fala sobre as consequências ambientais de atividades antrópicas, tais como a industrialização (poluição), o agronegócio (desmatamento), a caça e o tráfico de animais silvestres (extinção), entre outros, e sobre os impactos gerados pelo conjunto dessas ações, como as mudanças climáticas. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 No estudo e aplicação da educação ambiental existem três principais correntes ideológicas: a protecionista, a preservacionista ou conservacionista e a pragmática. Além dessas, há mais uma corrente, a da educação ambiental crítica. Quanto a essa última, assinale o conceito correto: Parabéns! A alternativa D está correta. Na educação ambiental crítica, há propostas de ações educativas de forma transversal e construtivista, tendo como objetivo o desenvolvimento do senso crítico acerca das problemáticas ambientais e de como essas afetam toda a humanidade. A corrente protecionista propõe ações para proteção e defesa da vida animal e da vida selvagem. A corrente preservacionista ou conservacionista prega a necessidade de preservação de pedaços intocados da natureza e da vida selvagem frente aos impactos antrópicos, utilizando conhecimentos biológicos para suas ações de preservação do meio ambiente. Já a corrente pragmática tem como centro das práticas educacionais o comportamento individualizado, com propostas de conscientização e mudanças de atitudes indesejadas, pregando o aspecto utilitarista e racional da administração e exploração dos recursos naturais. A As pessoas adeptas a essa corrente centralizam sua atenção nos problemas de proteção e defesa da vida animal e da vida selvagem. B As pessoas adeptas a essa corrente utilizam conhecimentos biológicos acerca dos impactos dos processos de ocupação e industrialização para lutar em prol do meio ambiente e da manutenção da nossa vida no planeta. C Essa corrente tem como centro da educação ambiental o aspecto utilitarista e racional da administração e exploração dos recursos naturais. D Propostas de atividades educativas individuais e coletivas de forma transversal e construtivista fazem parte dessa corrente. E O foco das ações educativas dessa corrente é o comportamento individualizado, com propostas de conscientização e mudanças de atitudes indesejadas. Questão 2 Segundo a Lei nº 9.795/99, a educação ambiental é um componente da educação nacional que deve estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não formal. Quanto ao âmbito de aplicação da educação ambiental na educação não formal, assinale a alternativa correta: Parabéns! A alternativa C está correta. Segundo a Lei Federal nº 9.795 art. 13, as atividades de ecoturismo são entendidas como a aplicação da educação ambiental no âmbito não formal. Segundo a Lei federal nº 9.795 art. 9 e art. 10, no âmbito formal, a educação ambiental deve estar presente nos currículos de instituições de ensino públicas e privadas, abarcada nos modelos de educação básica, superior, especial, profissional e de jovens e adultos. Dentro da educação superior, é facultada a inclusão da educação ambiental como disciplina individualizada. A A educação ambiental deve estar presente nos currículos de instituições de ensino públicas e privadas. B A educação ambiental deve estar abarcada nos modelos de educação básica, superior, especial, profissional e de jovens e adultos. C A educação ambiental poderá ser incentivada em atividades como o ecoturismo. D A educação ambiental poderá compor disciplina específica, de forma facultada, nos cursos de pós-graduação. E A educação ambiental deve estar presente no currículo de formação de novos professores, assim como na formação complementar para aqueles já atuantes. Além disso, a educação ambiental deve estar presente não só no currículo dos alunos, mas também no dos novos ou já atuantes professores desses modelos de educação formal. 2 - A cidadania ambiental Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer os principais pontos sobre a cidadania ambiental. Introdução à cidadania ambiental Após entendermos os conceitos e questões abordadas pela educação ambiental, falaremos sobre um assunto específico e intrínseco desse tema: a cidadania ambiental. Trata-se de munir o ser humano com as informações e condições necessárias para que ele atue em defesa à vida, sendo incentivado a participar ativamente em prol do equilíbrio ambiental do planeta. No Brasil, diferentes leis foram criadas em diferentes áreas de importância ambiental e social, para garantir os direitos e deveres dos cidadãos e, consequentemente, uma sociedade sustentável. Pronto para saber mais sobre o assunto? Conceitos em cidadania ambiental Antes de começarmos a entender o tema, precisamos responder a uma importante pergunta: O que é cidadania? A cidadania é caracterizada pelo cumprimento dos deveres para com o Estado e pelo exercício dos direitos civis e políticos de um país. Sendo assim, além do direito a um meio ambiente preservado, nós temos o dever de preservar o espaço, não poluindo ou exaurindo seus recursos. Essa consciência pode ser desenvolvida por meio da educação ou formação cidadã, a partir da qual se entende que o modelo antropocêntrico tem levado ao esgotamento de diversos recursos naturais e espécies viventes e que, sendo assim, é preciso alterar valores éticos, para a manutenção da vida humana. A conscientização ambiental, mediante a formação cidadã, torna o indivíduo capaz de gerenciar e aprimorar as relações entre sociedade e meio ambiente de forma eficiente e sustentável, assim como evitar a ocorrência de problemáticas ambientais e tentar consertar ou fazer a manutenção dos problemas já instaurados. O indivíduo passa a reconhecer o seu papel perante a sociedade e o meio ambiente — ou seja, todo espaço em que vive e do qual depende. Logo, é evidente a grande importância da educação para a conscientização, formação e capacitação do cidadão, para assumir o seu papel e garantir a sua própria sobrevivência e das futuras gerações. Cabe ressaltar que, apesar de esses deveres serem restritos a limites geográficos, como países, suas consequências são globais e podem afetar a todos. Dessa forma, deve-se ter em mente que a cidadania ambiental é uma ferramenta para proteção intercomunitária do bem difuso ambiental. Não podemos falar de cidadania ambiental sem entender o termo desenvolvimento sustentável. Esse tipo de desenvolvimento trata da manutenção e melhoria da qualidade de vida, respeitando os limites de capacidade de sobrevivência ecossistêmica do ambiente em que vivemos. A percepção que temos atualmente do termo “sustentabilidade” é fruto de reflexões que começaram na década de 1960 e se consolidaram na décadade 1980, com o relatório desenvolvido pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas. De acordo com esse relatório, desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas próprias necessidades. Para a efetiva conservação e aplicação da cidadania ambiental, é necessária a participação de todos os grupos sociais, como a administração pública (nível federal, estadual e municipal), a sociedade com seus interlocutores (escola, sindicato e associações) e o indivíduo, representando o cidadão, que desempenha o seu papel em cuidar do meio ambiente no seu respectivo espaço (casa, bairro e local de trabalho). Em outras palavras, são pressupostos indispensáveis ao exercício da cidadania ambiental: a participação do Estado – garantindo o mecanismo para participação do cidadão – e do próprio cidadão – evitando o conformismo; e o acesso à educação e à informação ambiental, primordiais para a conscientização. Assim, atuar isoladamente seria ineficaz para alcançar uma gestão ambiental eficiente. União de grupos sociais para efetiva conservação ambiental. Cidadania e educação ambiental no Brasil A educação ambiental é um dos recursos utilizados de forma ampla em escolas, onde se espera o desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas e complexas relações, e a garantia de democratização das informações ambientais, envolvendo aspectos ecológicos, psicológicos, legais, políticos, sociais, econômicos, científicos, culturais e éticos. Assim, a instituição educacional é um ambiente favorável para trabalhar tais conteúdos e metodologias adequadas de forma contínua no currículo escolar. Além disso, a educação ambiental também pode ser trabalhada em diversos outros campos, como: Estudos com dados básicos que permitem a criação de normas técnicas, como aquelas instituídas por órgãos regulatórios (certificadores, credenciadores e habilitadores, como ABNT, INMETRO e ANVISA, respectivamente). Avaliações de consumo de água, energia e materiais, produção de alguns materiais, desenvolvimento de tecnologias e qualificação de mão de obra. Diagnóstico ambiental por meio da avaliação dos gastos energéticos, da geração de resíduos (como li ) d São diversas áreas, não é mesmo?! A contribuição da educação ambiental brasileira para a construção da cidadania ambiental é pautada nos seguintes pilares: sensibilização, capacitação e gerenciamento. Portanto, as leis federais, como a de nº 9.433 de 1997 (Política Nacional de Recursos Hídricos), nº 9.795 de 1999 (Política Nacional de Educação Ambiental), nº 9.985 de 2000 (Política Nacional de Conservação da Natureza), e nº 10.257 de 2001 (Política Nacional Urbana, o Estatuto da Cidade), determinam a participação cidadã no planejamento e gerenciamento da água, da conservação da natureza e do desenvolvimento das cidades. Além do mecanismo legal, a educação ambiental é trabalhada também pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), por meio de planos governamentais como Educa+, Floresta+, Parque+, Cidades+Verdes, Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P), Arpa, PAN-Brasil, PNF, Salas Verdes, Circuito Tela Verde, entre muitos outros. Esses são diversos projetos voltados para a preservação e recuperação do meio ambiente (atmosfera, florestas, corpos hídricos, fauna e flora). esgoto, lixo e gases) e do entendimento de processos administrativos e operacionais mais adequados. Planos de ação, como auditorias para fiscalização e adequação de locais (indústrias etc.) a normas técnicas ou outros regulamentos e procedimentos; e desenvolvimento da capacidade de retroalimentação (diminuição de gastos e resíduos). Você sabia que existem punições legais para quem infringe leis ambientais? O cidadão ou instituição que transgride o cuidado ambiental pode e deve ser punido na esfera civil, administrativa e criminal, sendo então cobrado pela reparação do dano causado e, acima de tudo, conscientizado ou reconscientizado acerca de sua cidadania ambiental. No entanto, você sabe o que são infrações ambientais? São todas ações ou atividades que infrinjam a harmonia ambiental, ou seja, que afetem o meio ambiente de forma negativa e até mesmo danosa. Algumas dessas infrações são legais, isto é, são previstas em lei, como queimadas, destruição de nascentes, cortes indiscriminados de árvores, prisão de animais silvestres, entre outras. Tais ações têm como consequências sanções, como advertências, multas e apreensões, e podem até levar à prisão e à prestação de serviços. Gestão ambiental A gestão ambiental é a área em que a administração política realiza atividades socioeconômicas visando à utilização prática e plena dos recursos naturais no âmbito da sustentabilidade. No entanto, nem tudo são flores quando tratamos de assuntos complexos que envolvem meio ambiente e grupos sociais. Os recursos ambientais são motivos de lutas sociais entre os interesses públicos e privados, especialmente quando há investidas de grupos privados sobre o patrimônio público, que afetam o acesso e a disponibilidade do recurso para outros grupos sociais. Assim, essas lutas podem obter caráter de publicidade e luta pela cidadania, uma vez que os grupos sociais prejudicados reivindicam o caráter público do meio ambiente e seu uso comum. Nesse contexto, a gestão ambiental pode ter uma participação fundamental para revelar conflitos, prevenir, monitorar e garantir os direitos às indenizações dos grupos que sofrem impactos socioambientais e tecnológicos, instituindo políticas que respeitem os direitos de cidadania. Questões sociais que afetam as populações mais pobres devem ser consideradas para uma boa gestão ambiental. Outro importante fator a ser considerado para as ações da gestão ambiental é a situação de riscos que certos grupos sociais enfrentam em seu espaço, causados por múltiplos agentes motores, como fenômenos meteorológicos, geofísicos, bioquímicos, tecnológicos, sociopolíticos e culturais. Esses agentes afetam principalmente grupos mais pobres devido à precariedade de sua situação de vida. Problemáticas que envolvem a cidadania ambiental O ser humano, assim como outras espécies animais, sempre teve que confrontar fenômenos naturais imprevisíveis, como terremotos, vulcões, raios, enchentes e desmoronamentos. Ao longo de centenas de anos, desenvolvemos estratégias e tecnologias para monitorar e contornar esses fenômenos, garantindo nossa segurança e sobrevivência. Então, qual seria o outro lado da moeda? Para alcançar esse estágio na sociedade moderna, impactos antrópicos foram causados na natureza, devido a esse novo ambiente construído, modificando processos naturais de equilíbrio, barreiras naturais e serviços ambientais. Os riscos que grupos humanos causam no meio ambiente podem não ser passageiros e afetar a biodiversidade a longo prazo e de forma permanente. Atividades como a utilização de agrotóxicos, o descarte indevido de medicamentos e de resíduos industriais, o desmatamento, a construção de hidrelétricas, termelétricas e polos petroquímicos, a mineração, os garimpos etc. causam danos muitas vezes irreversíveis à natureza. Um dos principais impactos que o ser humano pode causar no planeta é a poluição nos diferentes ambientes, como atmosfera, oceano e solo. A poluição pode ser caracterizada por mudanças físicas, químicas ou físico-químicas da composição natural de um ambiente. Tal influência causa mudanças a curto e longo prazo em níveis globais, como alterações na temperatura média global, na disponibilidade hídrica, na produtividade agrícola, entre outras. Vamos conhecer um pouco mais sobre cada tipo de poluição e as suas consequências. Poluição atmosférica A poluição atmosférica é definida pela contaminação do ar por gases, líquidos e partículas sólidas em suspensão, material biológico e energia. Suaorigem pode ser natural ou antropogênica: Poluição atmosférica natural Pode ser exemplificada pelas atividades vulcânicas, pela liberação de metano por animais pastejadores e de gases provenientes do processo de decomposição. Poluição atmosférica antropogênica É causada pela industrialização, queimadas, queima de combustíveis fósseis, mineração, uso de aerossóis e produção de energia elétrica. A poluição atmosférica pode ter consequências danosas para o meio ambiente e para a saúde dos humanos. Por estar presente em grandes quantidades na atmosfera, os compostos químicos podem afetar patrimônios culturais por meio da corrosão gradativa devido à ocorrência de chuvas ácidas. Outra consequência marcante é o aumento do efeito estufa — ou aquecimento global — em que moléculas dispersas na atmosfera em grande quantidade retêm o calor proveniente das radiações solares, ocasionando o aumento de temperatura global. Com relação à saúde humana, os poluentes podem causar irritação nos olhos e na garganta, dores de cabeça, vertigens e perturbações sensoriais, principalmente em grandes metrópoles. Poluição hídrica Outra poluição que afeta a biodiversidade e a qualidade de vida dos seres humanos é a poluição oceânica e fluvial, ou seja, a poluição hídrica. Ela é resultado das alterações de qualidade e das propriedades da água, tornando-a imprópria para consumo, assim como da presença de materiais estranhos que acabam sendo prejudiciais aos organismos vivos que ali habitam. As atividades humanas agrícola, doméstica e industrial são as principais responsáveis pela poluição de corpos hídricos; e o plástico é um dos principais materiais contaminantes, especialmente nos oceanos. Quantas vezes já vimos notícias em meios de comunicação reportando vazamentos de petróleo no mar e desastres ecológicos decorrentes deles? Quantas campanhas são criadas por causa da morte de diversos organismos marinhos? Quantos rios têm sido condenados por causa do despejo de efluentes de toda natureza de atividade humana? Derramamento de óleo na água. Não podemos esquecer como nossas ações diárias podem impactar esse cenário atual. Atividades domésticas podem produzir resíduos tão perigosos quanto grandes empresas pela maior proporção de utilização, como o uso de detergentes que acabam despejados em corpos hídricos pelo esgoto. O despejo de grande quantidade de matéria orgânica e lixo sólido em lixões a céu aberto e o lançamento de esgoto doméstico não tratado podem contaminar os diversos ambientes aquáticos. A presença dessa alta quantidade de matéria orgânica pode promover a ocorrência de floração de micro-organismos na água, causando redução da oxigenação e, consequentemente, a morte de peixes – processo de eutrofização. Alguns desses micro-organismos também podem liberar toxinas que afetam a saúde humana e a dos animais. A presença de esgoto nas águas também pode ocasionar doenças como infecções gastrointestinais, disenteria, leptospirose, cólera e hepatite caso a água contaminada seja ingerida. A falta de saneamento básico é um dos principais fatores responsáveis pela poluição de corpos hídricos. Não podemos falar sobre água sem falar sobre um grande problema ambiental que o mundo enfrenta nas últimas décadas: o desperdício. A Terra é constituída majoritariamente por água, que cobre cerca de dois terços da superfície do planeta. Apesar disso, apenas 3% estão disponíveis para consumo. Cabe ressaltar que alternativas para tornar a grande quantidade de água presente nos oceanos própria para consumo Dia Mundial da Água criado pela ONU. são analisadas atualmente, como é o caso dos processos de dessalinização. Devido à sua importância para a humanidade, a ONU criou, em 1992, o Dia Mundial da Água, comemorado no dia 22 de março em todos os países do mundo. Poluição do solo Poluição do solo é qualquer mudança em suas características causada pelo contato com produtos químicos, resíduos sólidos ou líquidos. O contato do solo com esses agentes leva à sua deterioração e à morte de diversos organismos (fungos, bactérias, protozoários e vermes decompositores), além de poder gerar riscos para a saúde humana. Por estar constantemente exposto, o solo é a camada mais afetada por agentes poluidores, como resíduos (detergentes, tinta, gasolina, fluidos hidráulicos, hidrocarbonetos, chumbo etc.), fertilizantes químicos, pesticidas e herbicidas. Os nossos detritos, quando descartados de forma errada, são uma das principais causas de poluição do solo. Além disso, devido à produção exacerbada de lixo nos centros urbanos, os detritos que produzimos no dia a dia são a principal fonte de poluição dos solos. Esses detritos são, muitas vezes, depositados em áreas ilegais e contaminam o solo com metais pesados e produtos químicos de alto risco. As consequências desse tipo de poluição incluem: perda da fauna, empobrecimento ou esterilização do solo para plantação, contaminação da água e problemas para a saúde humana, como hipersensibilidade alérgica, infecundidade, disfunção hepática e câncer. Poluição térmica Caracterizada pelo calor em excesso, a poluição térmica ocorre pela modificação de temperatura do ar e da água devido às atividades de usinas hidrelétricas, termelétricas e nucleares. Apesar de ter diversas influências na saúde do meio ambiente e do ser humano, essa poluição é a menos conhecida. Exemplo Podemos citar as águas aquecidas que são despejadas pelas indústrias em corpos hídricos, causando a mortandade de diversas espécies, como animais e vegetais intolerantes à mudança brusca de temperatura, e o desequilíbrio no ecossistema. Apesar de a produção de energia ser a principal responsável pela poluição térmica, o desmatamento também pode causar o aumento de temperatura em cursos de água. Outro fator importante que é causador da poluição térmica é a urbanização acelerada, que impede o escoamento natural da água pelo solo, devido à sua pavimentação. Essa água, ao entrar em contato com o asfalto, realiza troca de calor, permanece aquecida e retorna aos corpos hídricos. Chaminés de usinas termelétricas. Poluição radioativa Apesar de sua utilização ser extremamente vantajosa quanto à produção de energia, ao desenvolvimento de tratamento de doenças e à eliminação de patógenos como insetos e bactérias, os elementos radioativos são a matéria que produz a poluição mais perigosa para o planeta: a poluição radioativa ou nuclear. Ela é causada por materiais radioativos — naturais ou não — que apresentam elementos químicos com átomos com núcleos instáveis. A poluição radioativa é produzida por usinas nucleares, nos descartes da fabricação de bombas nucleares de urânio ou em acidentes nucleares que levam à liberação de elementos tóxicos como estrôncio, iodo, césio, cobalto e plutônio. Usina nuclear em Tihange, Bélgica. Com relação aos seres humanos, os efeitos da exposição aos elementos radioativos podem ser graves, como desenvolvimento de deficiências, mutações genéticas, câncer e diversas outras patologias. Além disso, a poluição radioativa pode contaminar a fauna e a flora do planeta, resultando em um desequilíbrio terrestre. Apesar do conhecimento acerca da radioatividade, dos elementos químicos, do manuseio e do cuidado, ainda não existem técnicas para “limpar” o local que recebe os resíduos. Poluição luminosa Você já imaginou as consequências que o excesso de luz artificial pode trazer para nós e para o ambiente? A poluição luminosa é um problema bastante comum na atualidade, principalmente em grandes metrópoles, devido à maior densidade de iluminação pública, anúncios, outdoors e placas luminosas. Podemos afirmar que, com a descoberta da eletricidade, começamos a utilizar a luz artificial em diversas situações, principalmente durante a noite, e a aumentar a nossa qualidade de vida e segurança. No entanto, à medida que populações humanas cresceram e passaram a depender desse advento, impactosmaiores foram vistos no meio ambiente. Vista noturna da cidade de Taipei, em Taiwan. Mas quais são os efeitos da poluição luminosa? Há estudos científicos que demonstraram mudança de comportamentos que não são saudáveis ou mortalidade em animais de hábitos de vida noturnos, devido à exposição intensa à luz artificial. A poluição luminosa pode afetar hábitos alimentares, reprodutivos e ciclos migratórios de diversas espécies. Já em relação aos seres humanos, quem nunca ficou até tarde lendo um livro ou mexendo no celular? Esse é um indicativo do quanto o excesso de luz pode alterar o nosso ciclo biológico, modificando período de sono, qualidade de visibilidade, produção de hormônio, batimentos cardíacos e humor. Poluição sonora Quem gosta de fazer uma festa com seus amigos e colocar música nas alturas? Essa é uma situação comum no cotidiano em que podemos perceber o quanto a poluição sonora é corriqueira em nossas vidas. Ela é caracterizada pelo excesso de ruídos (ou altos níveis de decibéis) provocado por um barulho constante que perturba o silêncio ambiental. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o nível de barulho admitido em grandes centros urbanos é de até 50 decibéis. No entanto, o que verificamos atualmente em áreas urbanizadas são barulhos que chegam a 100 decibéis, devido a transportes urbanos, buzinas, sirenes, construções, máquinas, casas de show, aparelhos de som, entre outros. Dessa forma, segundo a OMS, esse tipo de poluição é o segundo que mais afeta o ambiente, atrás apenas da poluição atmosférica. Todo esse excesso de barulho pode causar problemas fisiológicos temporários ou até mesmo permanentes. Em locais com ruídos altos, nós, humanos, podemos desenvolver dor de cabeça, insônia, agitação, dificuldade de concentração e de relaxamento, mau humor, stress e angústia, além de problemas auditivos. Há estudos que comprovam perda de hábitat e prejuízos nos regimes alimentares e reprodutivos de espécies afetadas pela poluição sonora, como cetáceos, morcegos e corujas. Outras sérias ameaças ambientais Apesar de ser um país megadiverso, o Brasil enfrenta sérios problemas em relação ao desmatamento. Com o intuito de abrir espaço para atividades agropecuárias (como domesticação de animais e plantações de monocultura de soja), florestas que sustentam grande biodiversidade estão sendo destruídas. Além disso, a extração de madeira para uso comercial, a criação de hidrelétricas, a mineração e a expansão das cidades também causam o desmatamento, prejudicando o ecossistema por meio de erosões, processos de desertificação, alterações no regime de chuvas e redução da biodiversidade. Assim como o desmatamento, as queimadas antropogênicas são utilizadas para limpar uma região e facilitar a colheita de certas espécies vegetais. No entanto, os malefícios causados por essa atividade incluem: empobrecimento de solos férteis, riscos de erosão e poluição atmosférica. Saiba mais Quando comparado com milhares de anos atrás, o planeta perdeu cerca de 9% de sua cobertura florestal e 7,3 milhões de hectares devido à derrubada de árvores ou queimadas. Ambos os processos, desmatamento e queimadas, resultam no assoreamento, caracterizado pelo acúmulo de sedimentos em ambientes aquáticos, obstruindo cursos de água, destruindo hábitats aquáticos e veiculando poluentes em corpos hídricos. A questão da superpopulação Vários dos problemas que discutimos neste módulo têm como cerne as grandes populações humanas — ou superpopulação. Estima-se que a população continue a crescer cada vez mais em todo o mundo. Você sabia que em apenas 100 anos a população mundial cresceu em cerca de 5,9 bilhões de pessoas? Atualmente, há 7,5 bilhões de pessoas no planeta e estudos indicam que a população aumentará para 10 bilhões até 2050. E qual será o efeito desse crescimento populacional para o meio ambiente? Boa parte das consequências nós já observamos, como a crise hídrica em certas regiões do mundo. Outro resultado da superpopulação é a extinção de espécies da fauna e da flora, seja para obtenção de carne, marfim e produtos medicinais ou pela perda e destruição de seu hábitat. Saiba mais No Brasil, a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) é um documento que contém espécies ameaçadas e que pode nos dar um indicativo da perda de biodiversidade que enfrentamos no último século. Cabe ressaltar aqui que a vida selvagem também pode fornecer produtos e exercer serviços ecossistêmicos importantes para a sobrevivência humana, como as abelhas, que são responsáveis pelo processo de polinização. Meio ambiente e sustentabilidade: consumo e produção conscientes Neste vídeo, o professor apresenta alguns exemplos de soluções para as problemáticas ambientais, com enfoque na aplicação da sustentabilidade em atividades individuais e coletivas no dia a dia. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Para o efetivo desenvolvimento da cidadania ambiental, é necessária a participação de diversos grupos políticos e sociais. Dentre esses grupos, qual é o responsável por evitar o conformismo na aplicação da prática ambiental consciente? Parabéns! A alternativa B está correta. O indivíduo, como cidadão, tem o dever de evitar o conformismo. Os interlocutores da sociedade e dos cidadãos, assim como o Estado, por meio da administração pública no âmbito municipal, estadual e federal, devem garantir pressupostos indispensáveis para o exercício da cidadania ambientalmente consciente. A Administração pública B Cidadão – indivíduo C Instituição de ensino D Sindicatos profissionais E Associações locais Questão 2 A gestão ambiental permite que os recursos naturais sejam utilizados de forma sustentável pela sociedade. Porém, há diversas lutas sociais pela reivindicação do meio ambiente como um bem público. Os grupos sociais mais afetados pela falta de acesso ao meio ambiente, assim como por fatores sociopolíticos, econômicos e culturais, entre outros, são: Parabéns! A alternativa D está correta. As instituições privadas, controladas pelos grupos mais ricos, têm pouco interesse em investir no patrimônio público, especialmente se isso não traz lucro ou outro tipo de retorno vantajoso. Os grupos de indivíduos mais pobres são sempre prejudicados com falta de acesso ao meio ambiente e a outros recursos indispensáveis a uma vida digna. Agências e associações são interlocutores dos cidadãos, do Estado e de instituições privadas para manutenção e garantia da prática de cidadania ambiental. O Estado, por meio da administração pública, deve garantir o direito de acesso ao meio ambiente à toda a sociedade, assim como garantir a sua utilização de maneira sustentável. A Instituições privadas. B Grupos de indivíduos mais ricos. C Estado – administração pública. D Grupos de indivíduos mais pobres. E Agências e associações. Considerações �nais Durante nossos estudos pudemos ver o histórico da educação ambiental no Brasil e no mundo, tanto no âmbito legislativo quanto nos acontecimentos que motivaram as concepções acerca da educação e cidadania ambiental creditadas até hoje. Além disso, diversos conceitos e aspectos sobre essas temáticas foram discutidos no contexto socioambiental. Apesar do extenso conhecimento teórico em torno das questões ambientais e das excessivas discussões já realizadas, pode-se dizer que pouco foi seguido e alcançado frente às premissas essenciais para a manutenção do meio ambiente e melhoria da vida. Isso pode ser um indicativo de que as práticas educacionais — formais ou não — utilizadas para a formação de cidadãos ambientalmente conscientes não se mostraram completamente eficazes. São necessárias mudanças conceituais e atitudinais reais nas práticas de educação ambiental, frente às problemáticas ambientais que se agravam a cada dia. Concluímos, então, que o caminho educacional é o mais assertivo para se alcançar osobjetivos sociais, legais e ambientais. Porém, é necessário refletir sobre os métodos de ensino utilizados e sobre os meios de formação e transmissão dos conhecimentos em educação ambiental para os indivíduos. Podcast Antes de finalizarmos, o professor fala sobre o histórico das políticas ambientais no Brasil e seus principais aspectos. Explore + Para aprofundar seus conhecimentos sobre o tema: Acesse o blog ECOOAR e leia a matéria Educação ambiental em perspectiva. Visite o blog Educação Ambiental em Ação e leia o artigo Uma importante ferramenta para a educação ambiental: análise de blogs de educação ambiental para educadores. Referências BRANCO, E. P.; ROYER, M.; BRANCO, A. B. de G. A abordagem da educação ambiental nos PCNs, nas DCNs e na BNCC. Nuances: Estudos sobre Educação, v. 29, n. 1, 2018. BRASIL. Casa Civil. Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Consultado na internet em: 9 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Consultado na internet em: 9 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais 1º ao 5º Ano. Consultado na internet em: 9 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais 6º ao 9º Ano. Consultado na internet em: 9 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM). Consultado na internet em: 9 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Parecer CNE/CP nº 14/2012. Estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental. Consultado na internet em: 9 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Resolução CNE/CP nº 02/2012. Estabelece as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental. Consultado na internet em: 9 nov. 2021. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Educação e Cidadania Ambiental. Consultado na internet em: 9 nov. 2021. CARLSON, R. Primavera silenciosa. São Paulo: Guaia, 1962. CYRNE, C. C. da S. et al. Gestão de resíduos, cidadania e educação ambiental: a subversão do conceito de função. Revista Brasileira de Educação Ambiental (RevBEA), v. 15, n. 5, p. 409-423, 2020. RUFINO, L. R.; CAMARGO, D. R.; SÁNCHEZ, C. Educação ambiental desde el sur. Revista Sergipana de Educação Ambiental, v. 7, n. especial, p. 1-11, 2020. SÁNCHEZ, L. E. Avaliação de impacto ambiental: conceitos e métodos. São Paulo: Oficina de Textos, 2013. VANZELLA, J. M.; PENNA, M. C. Educação como caminho e condição para a ampliação do conceito de cidadania e desenvolvimento da democracia ambiental. Revista Jurídica Cesumar – Mestrado, v. 21, n. 1, p. 191-210, 2021. Material para download Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo completo em formato PDF. Download material javascript:CriaPDF() EDUCAÇÃO AMBIENTAL EEL0022 EDUCAÇÃO AMBIENTAL 26/05/2022 Contextualização A disciplina de Educação Ambiental com caráter multidisciplinar desenvolve no estudante conteúdos e capacidades de analisar, discutir o Plano Nacional de Educação Ambiental no contexto educacional brasileiro. Produzindo projetos e atividades práticas multidisciplinares na compreensão da disciplina como instrumento de transformação de posturas, condutas e hábitos sócioambientais na escola e na comunidade. Ementa Abordagem das Correntes Pedagógicas clássicas e recentes da Educação Ambiental (EA). Análise crítica das Declarações Internacionais da EA (Belgrado, Tbilisi, Moscou e Tessalonique) e Encontros Brasileiros de Educação Ambiental. Programas e políticas públicas governamentais em EA. Educação Ambiental e o Currículo Escolar e desenvolvimento de projetos em EA. Objetivos Gerais Oferecer embasamento teórico prático ao aluno para compreensão da disciplina de Educação Ambiental como instrumento de transformação sócioambiental Objetivos Específicos ambiental; Apresentar as diferentes correntes pedagógicas da Educação Ambiental; Explicar as declarações internacionais de Educação Ambiental de Belgrado, Tbilisi, Moscou e Rio92; Analisar as Políticas e Programas Públicos em Educação Ambiental Discutir sobre Educação Ambiental no currículo escolar, para o desenvolvimento de projetos interdisciplinares de educação. Conteúdos Tema 1: Meio Ambiente e Educação: 1.1 Introdução e reflexão inicial sobre as questões ambientais e os desafios da educação para o século XXI. Tema 2: Desenvolvimento Sustentável: 2.1 Desenvolvimento sustentável no contexto da dimensão humana. 2.2 A questão do consumo consciente e do consumo sustentável. Tema 3: Movimentos Ambientalistas: 3.1 Encontros e eventos importantes para a discussão de meio ambiente e educação ambiental: Tbilisi, Moscou, Rio92. Tema 4: Educação Ambiental, Pedagogia, Política e Sociedade: 4.1 Discussões sobre modelo de desenvolvimento, desigualdade social, globalização. 4.2 A inserção da educação ambiental nesse contexto Tema 5: Educação Ambiental e Legislação: 5.1 A Política Nacional de Educação Ambiental (Lei N0 9.795/99). 5.2 A Política Nacional do Meio Ambiente e seus Sistemas e Institutos. Tema 6: Indicadores Ambientais: 6.1 Apresentação dos indicadores de meio ambiente: impactos ambientais, estudo de impactos ambientais e relatório de impacto de meio ambiente. Tema 7: Projetos em Educação Ambiental: 7.1 O planejamento, construção e avaliação de projetos em educação ambiental. Tema 8: Interdisciplinaridade x Pedagogia: 8.1 Requisitos a relação da educação ambiental com outras áreas do conhecimento e da vida do homem em sociedade. 8.2 As correntes pedagógicas em educação ambiental. Tema 9: O Papel da Escola frente ao Meio Ambiente: 9.1 A escola como promotora de preservação ambiental e da saúde. 9.2 A questão da epidemiologia aplicada à Educação Ambiental. Tema 10: Tópico Especial em Educação Ambiental: 10.1 As temáticas de poluição, gerenciamento de resíduos e gestão ambiental. 10.2 Os desafios do educador ambiental frente a esses problemas sociais e os espaços nãoformais de educação (ONGs, empresas e comunidades). Procedimentos de Avaliação A avaliação da disciplina segue as normas regimentais da Instituição. Nesta disciplina o aluno será avaliado por seu desempenho nas avaliações presenciais, bem como nos simulados que realizar. No que se refere às avaliações presenciais, o aluno agendará a realização da AV e, se necessário ? e posteriormente ? a AVS. As referidas avaliações, realizadas no polo de apoio EAD, envolvem questões objetivas e/ou discursivas a partir do banco de questão da disciplina e consideram diferentes níveis de complexidade e diferentes níveis cognitivos. Os simulados ? tomam como base o conteúdo de toda a disciplina e permitem a obtenção de até 2,0 pontos na média, desde que o aluno obtenha, pelo menos, nota 4,0 na AV e na AVS Bibliografia Básica CHINALIA, Fabiana et. al. Educação ambiental.. Rio de Janeiro: SESES, 2015. Disponível em: https://repositoriov2.azurewebsites.net/api/objetos/efetuaDownload/fd11e1e80f7e42a6 b5473d561cd00c5c FANTIN, Maria Eneida; OLIVEIRA, Edinalva. Educação ambiental: saúde e qualidade de vida. Curitiba: Intersaberes, 2014. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/6446 PELIZZOLI, Marcelo L. Homo ecologicus: ética, educação ambiental e práticas vitais.. Caxias do Sul: EDUCS, 2011. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/2953 Bibliografia Complementar DOURADO, Juscelino; BELIZÁRIO, Fernanda. Reflexão e práticas em educação ambiental: discutindo o consumo e a geração de resíduos.. São Paulo: Oficina de Textos, 2012. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/47449 LIMA, Gustavo Ferreira da Costa. Educação ambiental no Brasil: formação, identidades e desafios. Campinas: Papirus, 2015. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/22543 PEDRINI, Alexandre de Gusmão; SAITO, Carlos Hiroo.]. Paradigmas metodológicos em educação ambiental.. Petrópolis: Vozes, 2014. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/114687PINOTTI, Rafael. . Educação ambiental para o século XXI: no Brasil e no mundo. São Paulo: BLUCHER, 2016. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/158551 SATO, Michèle; CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. Porto Alegre: ArtMed, 2011. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788536315294 Outras Informações EDUCAÇÃO AMBIENTAL EEL0022 EDUCAÇÃO AMBIENTAL 26/05/2022 Contextualização A disciplina de Educação Ambiental com caráter multidisciplinar desenvolve no estudante conteúdos e capacidades de analisar, discutir o Plano Nacional de Educação Ambiental no contexto educacional brasileiro. Produzindo projetos e atividades práticas multidisciplinares na compreensão da disciplina como instrumento de transformação de posturas, condutas e hábitos sócioambientais na escola e na comunidade. Ementa Abordagem das Correntes Pedagógicas clássicas e recentes da Educação Ambiental (EA). Análise crítica das Declarações Internacionais da EA (Belgrado, Tbilisi, Moscou e Tessalonique) e Encontros Brasileiros de Educação Ambiental. Programas e políticas públicas governamentais em EA. Educação Ambiental e o Currículo Escolar e desenvolvimento de projetos em EA. Objetivos Gerais Oferecer embasamento teórico prático ao aluno para compreensão da disciplina de Educação Ambiental como instrumento de transformação sócioambiental Objetivos Específicos ambiental; Apresentar as diferentes correntes pedagógicas da Educação Ambiental; Explicar as declarações internacionais de Educação Ambiental de Belgrado, Tbilisi, Moscou e Rio92; Analisar as Políticas e Programas Públicos em Educação Ambiental Discutir sobre Educação Ambiental no currículo escolar, para o desenvolvimento de projetos interdisciplinares de educação. Conteúdos Tema 1: Meio Ambiente e Educação: 1.1 Introdução e reflexão inicial sobre as questões ambientais e os desafios da educação para o século XXI. Tema 2: Desenvolvimento Sustentável: 2.1 Desenvolvimento sustentável no contexto da dimensão humana. 2.2 A questão do consumo consciente e do consumo sustentável. Tema 3: Movimentos Ambientalistas: 3.1 Encontros e eventos importantes para a discussão de meio ambiente e educação ambiental: Tbilisi, Moscou, Rio92. Tema 4: Educação Ambiental, Pedagogia, Política e Sociedade: 4.1 Discussões sobre modelo de desenvolvimento, desigualdade social, globalização. 4.2 A inserção da educação ambiental nesse contexto Tema 5: Educação Ambiental e Legislação: 5.1 A Política Nacional de Educação Ambiental (Lei N0 9.795/99). 5.2 A Política Nacional do Meio Ambiente e seus Sistemas e Institutos. Tema 6: Indicadores Ambientais: 6.1 Apresentação dos indicadores de meio ambiente: impactos ambientais, estudo de impactos ambientais e relatório de impacto de meio ambiente. Tema 7: Projetos em Educação Ambiental: 7.1 O planejamento, construção e avaliação de projetos em educação ambiental. Tema 8: Interdisciplinaridade x Pedagogia: 8.1 Requisitos a relação da educação ambiental com outras áreas do conhecimento e da vida do homem em sociedade. 8.2 As correntes pedagógicas em educação ambiental. Tema 9: O Papel da Escola frente ao Meio Ambiente: 9.1 A escola como promotora de preservação ambiental e da saúde. 9.2 A questão da epidemiologia aplicada à Educação Ambiental. Tema 10: Tópico Especial em Educação Ambiental: 10.1 As temáticas de poluição, gerenciamento de resíduos e gestão ambiental. 10.2 Os desafios do educador ambiental frente a esses problemas sociais e os espaços nãoformais de educação (ONGs, empresas e comunidades). Procedimentos de Avaliação A avaliação da disciplina segue as normas regimentais da Instituição. Nesta disciplina o aluno será avaliado por seu desempenho nas avaliações presenciais, bem como nos simulados que realizar. No que se refere às avaliações presenciais, o aluno agendará a realização da AV e, se necessário ? e posteriormente ? a AVS. As referidas avaliações, realizadas no polo de apoio EAD, envolvem questões objetivas e/ou discursivas a partir do banco de questão da disciplina e consideram diferentes níveis de complexidade e diferentes níveis cognitivos. Os simulados ? tomam como base o conteúdo de toda a disciplina e permitem a obtenção de até 2,0 pontos na média, desde que o aluno obtenha, pelo menos, nota 4,0 na AV e na AVS Bibliografia Básica CHINALIA, Fabiana et. al. Educação ambiental.. Rio de Janeiro: SESES, 2015. Disponível em: https://repositoriov2.azurewebsites.net/api/objetos/efetuaDownload/fd11e1e80f7e42a6 b5473d561cd00c5c FANTIN, Maria Eneida; OLIVEIRA, Edinalva. Educação ambiental: saúde e qualidade de vida. Curitiba: Intersaberes, 2014. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/6446 PELIZZOLI, Marcelo L. Homo ecologicus: ética, educação ambiental e práticas vitais.. Caxias do Sul: EDUCS, 2011. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/2953 Bibliografia Complementar DOURADO, Juscelino; BELIZÁRIO, Fernanda. Reflexão e práticas em educação ambiental: discutindo o consumo e a geração de resíduos.. São Paulo: Oficina de Textos, 2012. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/47449 LIMA, Gustavo Ferreira da Costa. Educação ambiental no Brasil: formação, identidades e desafios. Campinas: Papirus, 2015. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/22543 PEDRINI, Alexandre de Gusmão; SAITO, Carlos Hiroo.]. Paradigmas metodológicos em educação ambiental.. Petrópolis: Vozes, 2014. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/114687 PINOTTI, Rafael. . Educação ambiental para o século XXI: no Brasil e no mundo. São Paulo: BLUCHER, 2016. Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/158551 SATO, Michèle; CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. Porto Alegre: ArtMed, 2011. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788536315294 Outras Informaçõesno cotidiano. A segunda seção está relacionada à gestão e à exploração mais sustentável dos recursos naturais, principalmente no tocante ao uso responsável do solo, da água e dos minerais. Ainda existe uma menção ao potencial energético de recursos naturais; além disso, a gestão correta e eficiente dos resíduos e das substâncias tóxicas também é citada. Esta seção diz respeito à inclusão de grupos sociais nas tomadas de decisão que envolvem políticas e interesses públicos. Ela busca, portanto, conferir voz e participação a todas as camadas sociais. Na última seção, existem os objetivos ligados às formas de implementação do desenvolvimento sustentável. Por isso, estão previstas a criação e a melhoria de órgãos e de políticas ligadas à geração de renda e à tomada de decisões judiciais nacionais e internacionais – e todos eles, especifica a seção, devem estar conectados e orientados para a sustentabilidade. Os 40 capítulos da Agenda 21 tratam de um extenso e variado conteúdo acerca das políticas sustentáveis mundiais. Exemplo: O capítulo 9 trata da proteção da atmosfera. No 16, é abordado o manejo ambientalmente saudável da biotecnologia. No 26, por sua vez, discute-se o reconhecimento e o fortalecimento do papel das populações indígenas e de suas comunidades. Por fim, no 30, aborda-se a comunidade científica e tecnológica. Seção II: conservação e gerenciamento dos recursos para o desenvolvimento Seção III: fortalecimento do papel dos grupos principais Seção IV: meios de implementação Todo o conhecimento discutido na Agenda 21 é de suma importância para os profissionais em formação, especialmente para aqueles que desejam atuar no setor de serviços ambientais. Comentário Neste módulo, falaremos particularmente sobre o capítulo 36, que, de forma direta, aborda o tema da educação ambiental. A Agenda 21 Brasileira O Brasil ainda demorou três anos, desde a Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento de 1992, para dar início à construção da própria Agenda 21. Concluída em 1997, a versão brasileira tem como característica principal a dependência mútua das esferas ambientais, econômicas, sociais e institucionais. A Agenda 21 Brasileira está organizada em seis eixos temáticos: Gestão dos recursos naturais Essa gestão fala sobre o uso dos recursos naturais renováveis, como a água e os biocombustíveis, e dos não renováveis, como o petróleo e os minerais. Exemplo: Ações nesse sentido incluem o incentivo à utilização do gás natural veicular (GNV) e ao desenvolvimento de biocombustíveis. Agricultura sustentável Engloba o uso responsável do solo, da água e dos insumos necessários à prática da agricultura. Exemplo: Disseminação do consumo de alimentos orgânicos e utilização das técnicas agrícolas minimizadoras dos impactos causados pela agricultura, como a agroecologia e a aquaponia. Cidades sustentáveis Elas são cidades que praticam o devido cuidado de seus recursos naturais, realizando o tratamento de detritos gerados, como lixo e esgoto, e pensando em alternativas para problemas ambientais. Exemplo: O planejamento das áreas verdes e ciclovias. Infraestrutura e integração regional São previstos investimentos na infraestrutura pública de cidades, como hospitais e escolas, que podem atender a demandas tanto locais quanto regionais. Exemplo: Implementação de hortas comunitárias em escolas, gerando, com isso, atividades educacionais e a produção de alimentos saudáveis incluídos na merenda escolar. Redução das desigualdades sociais Ela ocorre por meio de programas: Assistencialistas, como os de combate à fome e à pobreza; Capacitantes de pessoas para novas oportunidades de trabalho. Exemplo: a Operação LimpaOca promovida pelo projeto Uçá. Ele garante uma fonte de renda aos catadores de caranguejo durante o período do defeso para que seja realizada a retirada de resíduos sólidos dos manguezais. Ciência e tecnologia para o desenvolvimento sustentável Estão previstos aqui os investimentos em instituições de ciência e tecnologia cujo objetivo seja o aprimoramento e o desenvolvimento de projetos com a temática da sustentabilidade. Exemplo: A implementação de ciclovias e o incentivo ao uso de transportes que não usam combustíveis fósseis são práticas adotadas por cidades sustentáveis e constam na Agenda 21 Brasileira. O que é e como funciona uma aquaponia (em que está a sustentabilidade desta prática) ? Neste vídeo, o professor Arthur Rodrigues Lourenço ensina o que é e como funciona um sistema de aquaponia. Ele também explica como a aplicação dessa prática está ligada à utilização responsável dos recursos naturais. Veremos os princípios e os métodos de aquaponia, relacionando-os ao desenvolvimento de sistemas agrícolas sustentáveis. Apesar de ter sido desenvolvida a partir de 1997, a Agenda 21 Brasileira começou a ser implementada no país somente seis anos depois. Diversos investimentos passaram então a ocorrer em vários setores. Exemplo A implementação de programas sociais, assim como a idealização e a construção de universidades e institutos de ensino públicos. A Agenda 21 Brasileira ainda tem seus objetivos e estratégias utilizados como referência para eventos nacionais relacionados à sustentabilidade, como a Conferência Nacional de Meio Ambiente, a Conferência das Cidades e a Conferência da Saúde. Agenda 21 e a educação ambiental Dentro da Agenda 21, a educação ambiental é tratada de forma mais direta em seu capítulo 36. Intitulado “Promoção do ensino, da conscientização e do treinamento”, ele está alocado na seção IV do documento denominada “Meios de implementação”. Nesse capítulo, a educação ambiental, conforme definição acordada na Conferência Internacional de Educação Ambiental de 1977, serve como base para o desenvolvimento de novas estratégias. O capítulo 36 é dividido em três áreas principais. Falaremos sobre cada uma delas adiante: Os objetivos para a educação ambiental incluem todas as possíveis realidades a serem enfrentadas durante o processo educativo. Desse modo, eles começam de forma mais ampla, como a garantia da satisfação das necessidades básicas de aprendizagem para todos, até o alcance dos mais específicos, como o desenvolvimento da consciência do que é o meio ambiente e de que somos parte dele. Ainda são encontradas citações sobre a importância das formas de ensino formal e não formal. Além disso, é tratada com grande importância a estratégia de se trabalhar a educação ambiental como tema interdisciplinar, ou seja, como um tópico que dialoga com disciplinas, como a Biologia, a Química e a Geografia. É reconhecida como insuficiente a correlação das atividades humanas com o meio ambiente, principalmente em países em desenvolvimento. Nesses países, existe a imediata necessidade de tecnologias e especialistas competentes para realizar a coleta e a disseminação de informações – e isso é necessário para sensibilizar o público sobre os problemas relativos ao meio ambiente e para incentivar o desenvolvimento sustentável. Os objetivos envolvidos para que haja um aumento dessa consciência, portanto, estão relacionados a melhoria na distribuição das informações sobre o meio ambiente, especialmente nos espaços de ensino formal e o estímulo da população para a participação de debates sobre o meio ambiente e o uso dos recursos naturais locais. Além disso, é estimulada a conscientização dos setores privados – principalmente dos tomadores de decisões, como chefes, responsáveis Reorientação do ensino no sentido do desenvolvimento sustentável Aumento da consciência pública técnicos, CEOs e políticos. Ainda se coloca que os países precisam promover atividades de lazer e turismo ambientalmente coerentes com a Declaração de Haia sobre Turismo, incentivando que museus, jardins zoológicos, jardins botânicos e unidades de conservação sejam utilizadas para tais fins. Também é recomendado que, sempre que possível,as comunidades tradicionais, como populações indígenas, quilombolas e rurais, sejam integradas e consultadas sobre as decisões referentes ao manejo e ao planejamento regional. Trata-se de um dever dos países, destaca o capítulo 36, incentivar as organizações não governamentais (ONGs) envolvidas nos problemas ambientais, promovendo, assim, o intercâmbio dos diferentes setores com a sociedade. Tal promoção pode ser definida como o treinamento de recursos humanos, ou seja, de pessoas para as práticas sustentáveis. Seu objetivo, desse modo, é preencher na sociedade a lacuna de pessoas aptas para vivenciar e promover as práticas sustentáveis em seu ambiente de trabalho. Essa área prevê que as oportunidades de treinamento para a sustentabilidade sejam iguais independentemente de sexo, idade, condição social, raça e religião. Dessa forma, o objetivo final dela é alcançar todas as esferas relativas aos ambientes de trabalho, alcançando, entre outros setores de instituições públicas e particulares, desde patrões e gerentes até o pessoal de serviços gerais e de segurança. A seguir o professor Arthur Rodrigues Lourenço irá falar sobre cursos voltados para o meio ambiente e sustentabilidade, mostrando quais são as competências e habilidades desejáveis para estes profissionais em formação. Trataremos também das diferentes carreiras possíveis, no âmbito dos serviços ambientais, considerando a atuação na educação ambiental dos profissionais da educação e da indústria, por exemplo. Vamos ouvir! Promoção do treinamento Podcast Por fim, o texto do capítulo 36 da Agenda 21 traz a mensagem de que o ensino, a consciência coletiva e o treinamento são ferramentas indispensáveis para o desenvolvimento das pessoas e da sociedade, pois, com elas, é possível buscar a sustentabilidade e um futuro melhor. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 A Agenda 21 Brasileira é um documento que busca orientar as práticas para o desenvolvimento sustentável do país por meio de um planejamento participativo e integrado. Ela é dividida em quantos eixos temáticos? O que eles abordam? A Dois eixos temáticos: educação ambiental formal e não formal. B Três eixos temáticos: reorientação do ensino no sentido do desenvolvimento sustentável, aumento da consciência pública e promoção do treinamento. Parabéns! A alternativa E está correta. A educação ambiental formal e a não formal constituem diferentes concepções de educação ambiental. A reorientação do ensino no sentido do desenvolvimento sustentável, o aumento da consciência pública e a promoção do treinamento são as áreas discutidas no capítulo 36 da Agenda 21. Já as dimensões sociais e econômicas, a conservação e o gerenciamento dos recursos para o desenvolvimento, o fortalecimento do papel dos grupos principais e os meios de implementação são as quatro seções da Agenda 21 produzida na Rio-92. Questão 2 A educação ambiental faz parte do conjunto de práticas para o desenvolvimento sustentável, estando, assim, contida na agenda política global da Agenda 21. Em qual capítulo dela essa educação é tratada de forma direta? C Quatro eixos temáticos: dimensões sociais e econômicas, conservação e gerenciamento dos recursos para o desenvolvimento, fortalecimento do papel dos grupos principais e meios de implementação. D Cinco eixos temáticos: reorientação do ensino no sentido do desenvolvimento sustentável, aumento da consciência pública, promoção do treinamento, educação ambiental formal e não formal. E Seis eixos temáticos: gestão de recursos naturais, agricultura sustentável, cidades sustentáveis, infraestrutura e integração regional, redução das desigualdades sociais e ciência e tecnologia para o desenvolvimento sustentável. A 9 Parabéns! A alternativa E está correta. Na Agenda 21, o capítulo 9 trata da proteção da atmosfera; o 16, do manejo ambientalmente saudável da biotecnologia; o 26, do reconhecimento e do fortalecimento do papel das populações indígenas e de suas comunidades; o 30, da comunidade científica e tecnológica; e, por fim, o 36, da educação ambiental por meio da promoção do ensino, da conscientização e do treinamento. 3 - Política Nacional de Educação Ambiental B 16 C 26 D 30 E 36 Ao �nal deste módulo, você será capaz de listar as políticas públicas brasileiras para educação ambiental. Um breve histórico Antes de ser promulgada de fato dentro da Constituição Federal, a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA) foi sendo construída a partir de alguns marcos legislativos no país. Discorreremos brevemente sobre cada um deles: A Constituição Federal é a lei suprema do país por meio da qual os direitos fundamentais dos cidadãos são assegurados. Nela, a educação ambiental é citada no artigo n° 225 como um dever do poder público. Esse artigo ainda trata de: Necessidade de expandir e trabalhar a educação ambiental em todos os níveis de ensino. Importância da conscientização pública para a preservação da natureza. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 Lei de Diretrizes e Bases de 1996 A Lei de Diretrizes e Bases (LDB) é um documento que define e organiza a educação brasileira com base nas leis presentes na Constituição Federal. A LDB de 1996 diz respeito, portanto, às leis contidas na Constituição. Ela aborda a importância da construção da ideia de um meio ambiente interligado a todos os aspectos da vida humana, como o social, o político, o artístico e o tecnológico. A LDB também inclui a capacitação de professores e sua constante atualização como ponto fulcral para o desenvolvimento de melhores estratégias em sala de aula. Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) são um conjunto de documentos elaborados pelo governo federal que servem de base para as disciplinas ofertadas na educação pública do Brasil. Os PCNs definem quais são os assuntos a serem tratados em cada disciplina, como Ciências, Biologia, Geografia, Português e História, por exemplo, e em qual ano escolar isso deve ocorrer. Nesse sentido, a educação ambiental aparece em diversas disciplinas e anos escolares, sendo proposta, assim, como um tema a ser dialogado entre várias delas. A Lei da PNEA foi finalmente promulgada no final do século passado. É ela que provê as definições e as orientações acerca da prática da educação ambiental para o Brasil em 21 artigos. A educação ambiental, segundo a PNEA, engloba “os processos por meio dos quais a população consegue criar valores sobre o meio ambiente, seu uso sustentável e sua conservação”. Seguindo esse raciocínio, verificamos nessa lei a ideia de que ela constitui um tema indispensável para o conteúdo escolar e a necessidade de sua promoção de modo não formal. As orientações da PNEA envolvem diversas linhas de atuação. Veremos algumas delas a seguir: Parâmetros Curriculares Nacionais de 1998 Lei n° 9.795/1999: Política Nacional da Educação Ambiental Capacitação de recursos humanos: Formação de pessoas preparadas para a atuação em práticas de educação ambiental formal e não formal. Desenvolvimento de estudos, pesquisas e experimentações: Estabelece a necessidade de preparar uma base de conteúdo e de testar diferentes formas de abordagem de assuntos sobre o meio ambiente e a educação ambiental. Produção e divulgação de material educativo: Trata-se da produção de um material aliado das práticas formais e não formais de educação ambiental, facilitando o processo de aprendizado e trazendo informações novas para o público. Acompanhamento e avaliação: Conforme a educação ambiental foi e está sendo desenvolvida, é muito importante conhecer seu real impacto na vida das pessoas e do ambiente. O acompanhamento das práticas e de sua avaliação é uma maneira de medir a qualidade e a eficácia das práticas em educação ambiental. Após a promulgação da PNEA, foi necessária a criação do Decreto n° 4.281 em junho de 2002. Ele regulamenta ou complementa as informaçõescontidas na Lei n° 9.795, além de possibilitar sua efetiva aplicação. Como a educação ambiental chega à sala de aula? Neste vídeo, o professor Arthur Rodrigues Lourenço explica os caminhos pelos quais as propostas sobre educação ambiental e temas correlacionados passam, antes de serem incluídos nos PCNs. Decreto n° 4.281/2002 Determinações: o que já foi implantado? A promulgação da PNEA em 1999 acarretou diversas consequências relacionadas a um melhor desenvolvimento da educação ambiental no Brasil. Algumas delas podem ser medidas, entre outros quesitos, por meio da criação de órgãos do governo federal ou de governos estaduais e da introdução dela nos PCNs de uma maneira mais efetiva. Abordaremos agora algumas dessas consequências: Em 1999 No mesmo ano da promulgação da Lei da PNEA, foi criada a diretoria do Programa Nacional de Educação Ambiental, que é vinculada ao Ministério do Meio Ambiente. Sua criação permitiu o desenvolvimento de atividades. Eis algumas delas: Implantação do Sistema Brasileiro de Informações sobre Educação Ambiental (Sibea) A função da Sibea é reunir as informações sobre o Implantação de polos de educação ambiental e difusão de práticas sustentáveis nos estados Isso faz parte do plano de capacitação de Fomento à formação de comissões interinstitucionais de educação ambiental nos estados Trata-se de auxiliar de forma financeira e estratégica a elaboração de agendas estaduais desenvolvimento da educação ambiental por todo o país e torná-las disponíveis para a população. recursos humanos para a educação ambiental. para a educação ambiental. Implantação de curso de educação ambiental a distância Seu objetivo é novamente a formação de recursos humanos para a atuação na área. Implantação do projeto Protetores da Vida O propósito desse projeto é formar e capacitar jovens para eles poderem lidar com questões ambientais. Na década de 2000 A educação ambiental se tornou um programa vinculado ao Plano Plurianual (2000-2003) do Ministério do Meio Ambiente. Desse modo, ela passou a ser oferecida em parceria com instituições governamentais, como por exemplo, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Ainda na década de 2000, houve alguns conhecimentos importantes, vamos conhecer a seguir: 2001 Ocorre o fortalecimento das instituições movidas pela educação ambiental. Apontaremos cinco delas a seguir: Rede Brasileira de Educação Ambiental (Rebea); Rede Paulista de Educação Ambiental (Repea); Rede de Educação Ambiental da Região Sul (REASul); Rede Pantanal de Educação Ambiental (Rede Aguapé); Rede Acreana de Educação Ambiental (Raea). 2002 Há o sancionamento do Decreto n° 4.281, conforme apontamos anteriormente. Tal decreto tornou mais claros os objetivos da Lei da PNAE e facilitou os passos a serem tomados a partir dele. 2003 É criada a Comissão Intersetorial de Educação Ambiental (Cisea), que está presente dentro de todas as secretarias e órgãos vinculados ao Ministério do Meio Ambiente. No mesmo ano, o Ministério da Educação (MEC) se mobilizou para colocar em prática algumas das orientações da PNEA voltadas para a educação formal com a inclusão de conteúdos nos PCNs. 2010-2020 Nos anos seguintes, diversos outros marcos solidificaram a ideia da educação ambiental no país. Graças às resoluções adotadas pelo MEC nos PCNs posteriores, ela passou então a atuar em todos os níveis do ensino formal, além de manter as ações de formação continuada para professores em exercício, como por exemplo, no ensino formal, diversos programas nacionais e estaduais foram criados para incentivar a prática da educação ambiental, como o programa Vamos cuidar do Brasil, voltado prioritariamente para alunos do ensino fundamental. Em 2012, o Brasil sediou a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio +20, no Rio de Janeiro. A Rio +20 marcou a renovação do compromisso político que o país e todo o planeta têm com esse tema. No entanto, esse evento também foi um momento de grande reflexão sobre os últimos vinte anos e as conquistas alcançadas desde a Rio-92 e a PNEA. Como resultado disso, foram produzidos alguns documentos que vêm tendo um impacto crescente na agenda política e na sociedade como um todo. Exemplo O futuro que queremos foi um texto importante gerado na Rio +20. Ao final da década de 2010, a maior parte dos estados brasileiros já possuía ou estava elaborando sua política estadual de educação ambiental com objetivos próprios e demandas locais mais ajustadas. Outros programas estaduais de educação ambiental ainda foram criados. como por exemplo, no Espírito Santo, em 2017, e no Mato Grosso do Sul, em 2018, além de comissões especiais em cada estado. Plano Nacional de Gestão da Educação Ambiental: histórico, determinações e o que já foi implantado Em 1989, foi criado o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Já no ano seguinte, surgiu o grupo de trabalho para a elaboração das diretrizes da educação ambiental e a divulgação técnico- científica dentro do Ibama. A partir daí, ao longo de trinta anos, houve uma série eventos, reuniões e cursos com o objetivo de capacitar seus servidores para atuarem no âmbito da educação ambiental. Durante esse período, entidades governamentais e administrativas atuaram e contribuíram para o desenvolvimento da educação ambiental no Brasil. Podemos destacar a criação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em 2007. Cinco anos depois, foram estabelecidas as bases técnicas para que medidas compensatórias e mitigadoras obrigatórias para empreendimentos geradores de impactos ambientais fossem destinadas para os programas de educação ambiental, gerando um incremento de recursos financeiros para o desenvolvimento deles e de seus projetos derivados em todo o país. Em 2019, houve um esforço do Ibama para criar um grupo de trabalho com a finalidade de construir o Plano Nacional de Gestão da educação ambiental (Pangea). O documento redigido pelo órgão federal foi lançado dois anos depois. O Pangea trabalha diversos aspectos da educação ambiental, trazendo um histórico do tema no país e dentro do Ibama, assim como sua missão e seus valores, além de outros aspectos relacionados à sua aplicabilidade. Os aspectos de aplicabilidade incluem: Linhas de ação Em relação às linhas de ação, destacam-se: Plano de metas e ações Formação de educadores ambientais Importante elo da cadeia educacional, esses profissionais estão habilitados para desempenhar os conceitos educacionais instituídos por essa corrente de pensamento. Desenvolvimento de metodologias e divulgação de ações em educação ambiental Seria a parte prática dela, que é um tópico muito importante e carente de aprimoramentos. Desenvolvimento de ações educativas Essas ações estão focadas, entre outras coisas, na gestão de recursos pesqueiros, na proteção e no manejo da fauna e da flora, assim como na recuperação de recursos hídricos e áreas degradadas e na prevenção de desmatamentos e incêndios. Esse plano é um subtítulo do Pangea. As “metas” são os objetivos bem definidos e claros da educação ambiental; as “ações”, as formas como essas metas devem ser executadas. O Pangea apresenta uma tabela em que cada meta e ação é pontuada, como veremos adiante, segundo três variáveis: gravidade, urgência e tendência. Essas variáveis são muito importantes para a implementação de cada atividade educativa. Além disso, os somatórios delas classificam a relevância da ação a ser tomada para o alcance de determinada meta. Já o sentido (GUT = G + U + T) é uma forma de mensurar a prioridade de resolução dos diferentes problemas ambientais. Valor Gravidade Urgência 5 Quando é uma solução corporativa estratégica. Exigência de prazo legal inferior a três meses. 4 Quando impactar os processos do Ibama. Exigência de prazo legal de 3 a 6 meses. 3 Quando impactar o desenvolvimento depessoas. Necessidade de implementação de 6 a 8 meses. 2 Quando impactar os serviços de educação ambiental à população. Necessidade de implementação de 8 a 10 meses. 1 Quando impactar as melhorias pontuais. Necessidade de implementação de 10 a 12 meses. Quadro: Variáveis utilizadas para o reconhecimento das prioridades de ações educativas. Adaptado de: BRASIL, 2021, p. 27. Previsões orçamentárias As previsões orçamentárias dizem respeito ao planejamento de gastos que o Poder Executivo faz, diante da previsão de receitas a serem recebidas no período em questão e de despesas que deverão ser realizadas. No que tange à educação ambiental, a previsão orçamentária irá listar os gastos previstos: De acordo com as metas preestabelecidas e apresentadas no Pangea. Com a educação ambiental para cada unidade do Ibama no país. Fatores críticos para sua implantação Dos fatores críticos para a implantação de cada meta no país e para a educação ambiental como um todo na realidade brasileira, destacam-se os seguintes itens: Disponibilidade orçamentária Disponibilidade financeira para as metas e ações. Disponibilidade de recursos humanos Di ibili ã d A implantação de ações do Pangea está planejada para ocorrer a partir 2021. A seguir, o professor Arthur Rodrigues Lourenço demonstrará quais são as principais atribuições deste órgão governamental em relação à conservação e ao manejo da biodiversidade brasileira, juntamente com as práticas em Educação Ambiental realizadas pelo órgão. Vamos ouvir! Podcast Disponibilização das pessoas capacitadas para a realização das atividades, além daquelas disponíveis para o acompanhamento/supervisão de todo o processo. Divulgação e sensibilização de funcionários do Ibama e da população em geral Quando ocorre a distribuição de informações importantes em educação ambiental. Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 A educação ambiental no Brasil, assim como em todo o mundo, depende fundamentalmente de políticas públicas para sua execução de forma efetiva. Por isso, diversos marcos importantes sobre o tema são encontrados na legislação brasileira. Entretanto, ela realmente ganhou corpo com a promulgação da Política Nacional da Educação Ambiental (PNEA). Qual é a lei que constitui a PNEA? Parabéns! A alternativa A está correta. A Lei n° 9.795 dispõe sobre a educação ambiental, institui a PNEA e dá outras providências. Já a Lei n° 9.000 trata da isenção do imposto sobre produtos industrializados (IPI) na aquisição de equipamentos, máquinas, aparelhos e instrumentos. A Lei n° 9.779 aborda a alteração da legislação do imposto sobre a renda. Por outro lado, a Lei n° 9.099 fala sobre os juizados especiais A Lei n° 9.795, de 1999. B Lei n° 9.000, de 1995. C Lei n° 9.779, de 1999. D Lei n° 9.099, de 1995. E Lei n° 9.605, de 1998. cíveis e criminais e dá outras providências. Por fim, a Lei n° 9.605 dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente e sugere outras providências. Questão 2 A primeira versão do Plano Nacional de Gestão da Educação Ambiental (Pangea), lançada em 2021, oferece diversos vieses para a prática da educação ambiental, como, por exemplo, linhas de ação e previsões orçamentárias. Qual órgão do governo federal é responsável pelo Pangea? Parabéns! A alternativa E está correta. O Ibama é o órgão do governo federal responsável pela edição e pela aplicação do Pangea.O ICMBio, os governos estaduais, o MEC e o Ministério de Minas e Energia não o são. A ICMBio. B Governos estaduais. C Ministério da Educação. D Ministério de Minas e Energia. E Ibama. Considerações �nais A educação ambiental inclui o conjunto de práticas educacionais cujo principal objetivo é conscientizar a população acerca dos problemas ambientais existentes e promover sua resolução. Neste conteúdo, vimos o contexto histórico por meio do qual ela pôde surgir e se desenvolver. Entendemos também a diferença entre educação ambiental formal e não formal, verificando como ela chega às salas de aula do Brasil e de que forma se relaciona com as ações de sustentabilidade. Aprendemos ainda que a educação ambiental está presente de forma discreta ou explícita na legislação brasileira e em diversos acordos internacionais firmados. Por isso, descrevemos os objetivos de diversas conferências internacionais e suas resoluções mais importantes, como, por exemplo, a criação da Agenda 21. Além disso, apresentamos diversas leis, como a PNEA, assim como decretos e planos de metas e ações para a promoção da educação ambiental. Por fim, conhecemos um pouco da sua história e compreendemos, com isso, quais são seus objetivos e principais desafios. Explore + Consulte os seguintes textos. Para saber mais sobre educação ambiental, consulte o documento redigido ao fim da Rio +20: BRASIL. O futuro que queremos. Rio+20. Consultado na internet em: 30 jun. 2021. Para entender melhor a pandemia do COVID-19 e sua relação com a educação ambiental, leia: ROSTON, E. Want to stop the next pandemic? Start protecting wildlife habitats. Time. Publicado em: 8 abr. 2020. Consultado na internet em: 30 jun. 2021. Para despertar sua consciência, pesquise: KRENAK, A. O amanhã não está à venda. 1. ed. Rio de Janeiro: Companhia das Letras, 2020. Para conhecer algumas das 39 maneiras de salvar o mundo (todas dizem respeito ao desenvolvimento sustentável). BBC NEWS BRASIL. Seis maneiras surpreendentes de salvar o mundo das mudanças climáticas. Publicado em: 4 jun. 2021. Consultado na internet em: 30 jun. 2021. Referências BRASIL. Agenda 21 Brasileira: resultado da consulta nacional/Comissão de Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Nacional. 2. ed. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2004. BRASIL. Decreto nº 4.281 de 25 de junho 2002. Regulamenta a Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999, que institui a Política Nacional de Educação Ambiental, e dá outras providências. BRASIL. Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. BRASIL. Pangea – Plano Nacional de Gestão da Educação do Ibama. Brasília: Ibama, 2021. CARSON, R. Primavera silenciosa. São Paulo: Gaia, 2010. SÃO PAULO (Estado). Educação ambiental e desenvolvimento: documentos oficiais. São Paulo: Secretaria do Meio Ambiente, 1994. SILVA, C. E. M.; TEIXEIRA, S. F. Educação ambiental no Brasil: reflexões a partir da década da educação para o desenvolvimento sustentável das Nações Unidas (2005-2014). Educação. v. 44. 2019. A Prática da Educação Ambiental Prof. Arthur Rodrigues Lourenço Descrição Aspectos teóricos e metodológicos da prática da educação ambiental em diferentes ambientes. Propósito Proporcionar um entendimento da dimensão da educação ambiental nas mais variadas esferas da vida humana. Objetivos Módulo 1 A Educação Ambiental no Ambiente Urbano Analisar a educação ambiental no ambiente urbano. Módulo 2 A Educação Ambiental no Ambiente Rural e em Populações Tradicionais Analisar a educação ambiental no ambiente rural e em populações tradicionais. Módulo 3 A Educação Ambiental em Unidades de Conservação Analisar a educação ambiental em Unidades de Conservação. Módulo 4 Projetos de Educação Ambiental Descrever a construção de projetos de educação ambiental. A prática da educação ambiental (EA) é um processo contínuo e permanente que deverá ser realizado em conjunto com diferentes instituições parceiras, sempre buscando a construção colaborativa e a minimização de impactos ambientais. Este conteúdo irá elucidar particularidades da prática da educação ambiental em diferentes contextos, como no ambiente urbano e em Unidades de Conservação, por exemplo. Ao final, serão pontuadas questões importantes para a elaboração e a execução de um projeto de educação ambiental. Introdução 1 -A Educação ambiental no Ambiente Urbano Ao �nal deste módulo, você será capaz de analisar a educação ambiental no ambiente urbano. Características e componentes do ambiente urbano As cidades são fruto do desenvolvimento do homem em determinado território, o que muitas vezes está relacionado às oportunidades que o território oferece. Temos como exemplo das diferentes oportunidades de cada localidade os seres humanos que migram de áreas rurais para áreas urbanas em busca de melhores condições de trabalho. Um ambiente com qualidade de vida só é possível se todas as pessoas que vivem e contribuem para o seu desenvolvimento estiverem satisfeitas nas várias dimensões da vida humana. A paisagem urbana também pode refletir os vários tipos de uso do território, se considerado o contexto histórico, cultural, social, econômico e ambiental em que o meio urbano está inserido. O que você imagina quando pensa em urbano? Quando nos deparamos com a palavra urbano, seja qual for o contexto, logo imaginamos um local com muitas pessoas, intensa movimentação de veículos, cores acinzentadas ou enegrecidas, muitas lojas, luzes e cartazes de propagandas. A cidade de Mumbai, uma das mais populosas da Índia. O fato é que a definição do que é urbano ou não vai levar em consideração principalmente a quantidade de pessoas que existem em determinado local, sendo assim, os ambientes considerados urbanos são densamente populosos. Entre os componentes do ambiente urbano, destacam-se: Grandes e contínuas edi�cações Prédios, avenidas, praças. Muitas habitações Casas, condomínios, ocupações irregulares e favelizações. Urbanização e infraestrutura Iluminação pública, calçadas, serviços de saúde, educação, cultura e lazer. Uma vez que o meio urbano é constituído pelas modificações que os seres humanos realizam no ambiente natural, torna-se evidente que tais modificações acarretarão algum tipo de impacto ambiental. Os impactos ambientais, em geral negativos, são diversificados e podem passar despercebidos devido à sua constância no cotidiano dos habitantes. É possível ainda que esses impactos sejam agravados por desinformação, preconceitos e ideologias. Historicamente, a forma como as áreas urbanas foram construídas e organizadas, na maioria dos casos, não consideraram a degradação ambiental ocasionada para o seu surgimento e consequente crescimento. Dessa maneira, um futuro modo de vida saudável e em harmonia entre os seres humanos e o meio ambiente, urbano ou não, é diretamente afetado. Impactos ambientais nos ambientes urbanos Os impactos e problemas ambientais encontrados no ambiente urbano são inúmeros e diversos, podendo variar de acordo com a geografia local, com a infraestrutura para sobrevivência proporcionada pelo governo, com os níveis de escolaridade e poder aquisitivo dos habitantes, entre muitas outras variáveis. Por isso, para se trabalhar a educação ambiental no ambiente urbano, é preciso estar muito atento às questões sociais que permeiam a problemática ambiental. Deve-se destinar atenção não só para a mitigação dos impactos ambientais, mas também para as causas dos problemas sociais, o que pode tornar as ações com intuito de promover a conscientização ambiental mais complexas. Resíduos e poluição Um dos grandes problemas ambientais relacionados às questões sociais é a geração e o descarte inadequado de resíduos, que podem ser classificados como: Resíduos líquidos Popularmente chamados esgoto ou chorume, oriundos do estilo de vida urbano, são também chamados de efluentes. Podem ser de origem doméstica, provenientes das casas, prédios e moradias em geral, ou industriais, oriundos de fábricas, refinarias e outros. Despejo de esgoto. Esse tipo de resíduo, na maioria das regiões urbanizadas do Brasil, é lançado sem tratamento em rios, lagoas e outros mananciais, ocasionando odor fétido (poluição do ar), visual desagradável (poluição visual) e até a disseminação de doenças. Em grandes metrópoles brasileiras, é comum encontrarmos algum rio que se tornou tão poluído ao ponto de atualmente só ter a função de receber e transportar os efluentes para outros locais. Existem também os resíduos líquidos provenientes de lixões e aterros sanitários, que podem contaminar o lençol freático e causar sérios problemas ambientais. Resíduos sólidos Popularmente chamado de lixo — também são um dos problemas ambientais mais comuns no meio urbano. São gerados por praticamente qualquer atividade humana e, se não forem destinados corretamente após o uso, esses resíduos podem se deslocar a grandes distâncias por meio do vento, da correnteza de rios ou da movimentação das marés. É possível encontrar tais resíduos até mesmo em locais não habitados por humanos, como no interior de florestas, no meio do oceano, entre outros. Eco barreira para contenção de resíduos sólidos em rio poluído por efluentes. A presença do lixo em áreas urbanas ainda pode resultar em problemas mais graves, por exemplo, enchentes, obstrução do trânsito e até a disseminação de doenças como dengue e leptospirose, entre outras. A poluição também é um dos mais comuns problemas ambientais presentes no ambiente urbano e pode ser de diferentes tipos e origens, a saber: Poluição do ar Está entre os mais graves tipos de poluição, pois interfere diretamente na saúde e no bem-estar da população, e ainda pode passar despercebido, demandando ações de conscientização para aumentar a percepção da população para esse impacto. Os gases provenientes da queima de combustíveis fósseis, emitidos por veículos ou por indústrias em números cada vez mais crescentes nos grandes centros urbanos, são exemplos clássicos de poluição do ar. O ar poluído pode gerar problemas respiratórios na população ou ocasionar o fenômeno das chuvas ácidas, que está relacionado à degradação de monumentos públicos (ex. estátuas e construções históricas), além de contribuir para a formação das ilhas de calor. É possível atenuar esse impacto por meio do uso de veículos elétricos e bicicletas ou apenas pela escolha do transporte público em vez da utilização de veículos particulares. Poluição sonora É o excesso de ruídos acima dos níveis aceitáveis para o bem-estar da população. Esse tipo de poluição afeta a saúde mental e física das pessoas, além de ser considerado um crime ambiental. Áreas com tráfego intenso tem altos índices de poluição sonora. A poluição sonora pode ser originada por construções, trânsito de veículos, eventos (ex. casas de shows e templos religiosos), propagandas, entre outros. É dever do poder público fiscalizar e punir os geradores de ruídos acima dos aceitáveis, mas também é necessária a conscientização das pessoas sobre os males da poluição sonora e sobre a existência de órgãos públicos responsáveis por fiscalizar esse impacto. Poluição visual e luminosa A poluição visual é ocasionada, em geral, pelo excesso de propagandas de empresas ou pela própria população, devido à depredação e à vandalização das áreas comuns com pichações, vandalismo, lixo, entre outros. Esse impacto pode influenciar a qualidade de vida nos centros urbanos, uma vez que interfere na mobilidade urbana, na descaracterização da arquitetura original e de patrimônios históricos, e ainda pode causar acidentes automotivos. Monumento vandalizado por pixação. O caso da pan�etagem e os resíduos sólidos Uma prática muito comum nos centros urbanos é a panfletagem — o ato de distribuir panfletos. Em geral, esses panfletos são utilizados para divulgação de alguma coisa, como produtos ou serviços encontrados na região. Essa também pode ser uma forma de informar a população sobre algum problema ambiental que pode ser evitado. O ato de distribuir pedaços de papel aleatoriamente, entretanto, pode resultar em problemáticas ambientais, como o lixo nas ruas ou o manejo inadequado de resíduos. É muito comum as pessoas pegarem os panfletos por “educação” ou por simples comportamento condicionado,no entanto, também é bastante comum as pessoas, em seguida, jogarem o panfleto no chão ou mesmo no lixo, gerando resíduos sólidos. No período de eleições, normalmente, é maior o impacto ambiental relacionado à panfletagem. É possível reduzir os impactos provocados por essa prática? A prática da panfletagem deve ser realizada com muita cautela e existem formas de atenuar os problemas ambientais gerados por ela. Uma dessas formas é utilizar menos tinta no panfleto e produzi-lo apenas com as informações realmente relevantes para divulgação. Pode-se optar pelo uso de papel reciclado e carimbo com tinta biodegradável, em vez de folhetos extremamente coloridos produzidos em gráficas com materiais tóxicos. Outra forma de mitigar essa problemática é destinar os folhetos apenas aos que realmente estão interessados em receber a informação, e não os distribuir aleatoriamente para qualquer um que passe. Esse tipo de atitude pode ser bem-vista pelo consumidor, que irá considerar o compromisso do anunciante, empresa ou organização com a sustentabilidade. Isso gera valor agregado e seria uma forma de lobby ambiental. Panfletagem acontecendo na cidade de Salvador, Bahia. As causas desses impactos no ambiente urbano São praticamente comuns a todas as regiões urbanas os resíduos e impactos gerados pelo estilo de vida urbano e industrializado, como a poluição do ar, da água e do solo, a ocupação irregular do solo, a criminalidade e os acidentes. Fatores como as elevadas taxas de densidade demográfica, o crescimento das áreas construídas, a pavimentação do solo e o desenvolvimento de indústrias nas proximidades dos centros urbanos podem resultar em alterações significativas na qualidade do clima local, tornando, por exemplo, a temperatura do ar mais elevada e desagradável. Existem também a poluição sonora, a poluição visual e os problemas de circulação relacionados ao elevado número de pessoas circulando, seja em calçadas ou em veículos. Comentário Quando se trata de educação ambiental urbana, outros problemas ambientais — ou socioambientais — não podem ficar de fora: os fatores sociais relacionados à má gestão e à fiscalização do poder público que ocasiona a ocupação de áreas, seja pela iniciativa privada ou pelo domínio de criminosos e grupos paramilitares. Nessas áreas, os impactos ambientais são agravados, já que a ausência de fiscalização abre margem para a ocupação irregular de áreas preservadas, a poluição de mananciais, entre outras atitudes danosas. Objetivos da educação ambiental nos diferentes componentes do ambiente urbano O objetivo geral da educação ambiental é promover a conscientização das diferentes partes integrantes de determinado sistema ou sociedade (população, empresas, poder público, entre outros) sobre os malefícios de condutas geradoras de impactos ambientais. Busca-se promover a mudança de hábitos e comportamentos condicionados que são considerados normais por muitos, para assim alcançar o bem-estar geral e a garantia de um modo de vida em harmonia entre o ser humano e o ambiente que o cerca. Dito isso, os objetivos da educação ambiental no ambiente urbano vão estar relacionados diretamente aos impactos e problemas ambientais presentes e futuros. Visto que esses problemas podem ser diferentes em função da cultura, localização geográfica e práticas locais, trataremos aqui de algumas problemáticas ambientais mais comuns das grandes cidades. Nas cidades em geral, existem muitos prédios, avenidas e áreas urbanizadas, portanto, as edificações e a infraestrutura urbana são alguns dos componentes mais característicos do meio ambiente urbano. A urbanização, apesar de oferecer melhores condições de vida para os habitantes e para os que a acessam, seja por motivo de trabalho, lazer ou comércio, pode gerar problemas como a poluição do ar, das ruas, das águas, entre muitos outros. Ações de educação ambiental que mobilizem as empresas, o poder público e outras partes integrantes do sistema podem ser uma alternativa importante para prover informação para as pessoas sobre os problemas ambientais existentes. Exemplo No âmbito da educação ambiental informal, eventos tratando da sustentabilidade, como o Dia Mundial da Limpeza de Praias, Rios e Mares, são uma forma de mobilizar a população para atuar diretamente na redução dos resíduos sólidos em tais ambientes. Nesse tipo de evento, é dada visibilidade ao problema dos resíduos sólidos e busca-se a participação dos frequentadores e comerciantes que utilizam o espaço, seja em busca de lazer e entretenimento, seja para obtenção de renda. Ao tornar essas informações acessíveis em locais onde existe um intenso trânsito de pessoas, ocorre a educação ambiental de forma passiva. Embora essa modalidade seja pouco custosa financeiramente, é difícil medir a sua efetividade. Nesse sentido, a educação ambiental informal é uma importante aliada na promoção da conscientização nos espaços urbanos, mas se associada à educação ambiental formal poderá ser mais efetiva e proveitosa. No caso do Dia Mundial de Limpeza de Praias, além de promover a retirada de resíduos das praias, também é realizada a quantificação e classificação do que foi coletado, gerando dados que podem ser destinados a plataformas globais de monitoramento de resíduos. Ainda, essa data pode ser motivadora para que universidades e projetos de pesquisa exponham material científico nesses locais ou até mesmo palestras e aulas podem ser fundamentadas nesse evento e proferidas para alunos nos diferentes níveis de ensino, bem como podem ser realizadas ações sociais, culturais e comerciais. Folheto informativo sobre o “Dia Mundial de Limpeza de Praias e Rios”, realizado na cidade de Niterói, RJ. Cartaz informativo sobre o impacto dos resíduos e a preservação de espécies ameaçadas. Outra forma de conscientizar e informar é pela utilização de placas e letreiros informativos em áreas onde ocorrem os impactos. Tais informações são apreciadas pela população que faz uso desses espaços e também pode atingir aqueles que não procuram ou não se interessam por esse tipo de informação. Uma ação de educação ambiental, formal ou não, pode ter sua efetividade mensurada por meio da aplicação de questionários, da avaliação por profissional qualificado e até pelo feedback (opinião) dos participantes. A efetividade da ação em EA é uma importante aliada na construção de ações futuras, já que possibilita o alinhamento e a calibração de determinada prática de conscientização ou mostra a necessidade de tratar de outros assuntos, relacionados ou não. Pesquisa-ação na educação ambiental urbana Neste vídeo, o especialista apresenta a metodologia de pesquisa-ação, e sua relação com os trabalhos de educação ambiental realizados no ambiente urbano, inclusive no contexto escolar. E como podemos medir a efetividade das ações de educação ambiental (e.g.: palestras, oficinas, cursos, pesquisa-ação, entre outras)? A educação ambiental no contexto escolar O meio ambiente é definido pela Constituição brasileira como um bem comum e essencial para a qualidade de vida e para a saúde. O Ministério da Educação trata o meio ambiente como um tema comum a diversas disciplinas e reconhece a educação ambiental como essencial e permanente em todo o processo educacional, sendo incluída pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e na Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Base Nacional Comum Curricular Documento normativo que define as competências e habilidades que se espera dos alunos da Educação Básica no país. Uma vez incluída como assunto transversal no currículo das escolas, a educação ambiental pode ser tratada em todas as disciplinas, seja do Ensino Fundamental ou do Ensino Médio. Embora a lei brasileira determine que a educação ambiental deve ser tratada em todas as matérias ministradas em salas de aula, na realidade escolar brasileira, os assuntos relativos à problemática ambiental são abordados geralmente