Logo Passei Direto
Buscar

EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Material sobre Fundamentos da Educação Ambiental: histórico e definições, desenvolvimento teórico e marcos (década de 1960, Primavera Silenciosa), objetivos por módulos (concepções, Agenda 21, políticas públicas) e as leis, regulamentos e práticas da educação ambiental no Brasil.

Ferramentas de estudo

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Fundamentos da educação ambiental
Prof. Arthur Rodrigues Lourenço
Descrição A construção da educação ambiental ao longo da história e os
elementos primordiais para o seu exercício no Brasil.
Propósito Analisar o desenvolvimento da educação ambiental no mundo e a
atuação do Brasil para a implementação e a disseminação das ideias do
desenvolvimento sustentável por meio da educação.
Objetivos
Módulo 1
Educação ambiental
Identificar as concepções da educação
ambiental.
Módulo 2
Agenda 21
Comparar a Agenda 21 com a educação
ambiental.
Módulo 3
Política Nacional
Listar as políticas públicas brasileiras para
educação ambiental.
Abordaremos neste conteúdo como se desenvolveram os fundamentos
teóricos utilizados para a atuação em educação ambiental, incluindo aí seu
histórico e a construção de conhecimentos destinados ao alcance das
premissas do desenvolvimento sustentável.
Conheceremos ainda as leis e os regulamentos direcionadores da prática da
educação ambiental dentro e fora das salas de aulas. Veremos também
como ela avançou na sociedade e de que maneira ainda pode ser
incrementada como promotora da sustentabilidade.
Introdução
1 - Educação ambiental
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car as concepções da educação ambiental.
De�nição e contexto histórico
Assim como muitos dos campos científicos, o campo da educação ambiental,
incluindo o próprio conceito, se modificou ao longo do tempo conforme surgiam
novas informações, técnicas e correntes de pensamento. Sua origem advém da
percepção dos impactos negativos que nós, humanos, provocamos no meio
ambiente externo, ou seja, se refere aos danos que causamos a uma natureza
intocada/preservada.
No entanto, esse conceito foi ampliado, tendo em vista que o meio ambiente
inclui não só o meio natural, como também o artificial. Tal mudança começou a
acontecer no momento em que os seres humanos começaram a se enxergar
como parte integrante dos sistemas naturais, estando juntos de todos os outros
organismos. Essa modificação foi possibilitada graças ao surgimento das
teorias evolutivas e de todos os estudos que surgiram nesse sentido.
Hoje em dia, a educação ambiental é definida como o conjunto de ações
educativas cujo objetivo é conscientizar as pessoas sobre os problemas
ambientais existentes no meio ambiente intocado (natural) ou artificial
(construído pelo homem). Ela também busca soluções para esses problemas
ambientais.
Nos próximos tópicos, estudaremos como o conceito da educação ambiental foi
desenvolvido ao longo do tempo. Além disso, apontaremos sua aplicabilidade
nos diferentes setores da sociedade.
Década de 1960 (início dos pensamentos e
re�exões sobre a problemática ambiental)
Em meados da década de 1960, após a Terceira Revolução Industrial, na
Inglaterra, diversos problemas ambientais começaram a ser percebidos. Esses
problemas, que já vinham acontecendo em diferentes escalas em diversas
regiões do planeta, despertaram a atenção da opinião pública e dos governantes.
Curiosidade
Um dos acontecimentos mais importantes nessa época, foi o lançamento do
livro Primavera Silenciosa, da bióloga Rachel Carson, em 1962. No livro, Carson
apontou principalmente como o uso indiscriminado de pesticidas estava
diretamente relacionado à diminuição de pássaros e ao consequente
envenenamento da população na região.
Sem os pássaros, o local ficou “silencioso”, e esse silêncio era um alerta claro
sobre as intervenções humanas danosas ao meio ambiente. Além disso, nesse
livro, a autora fez duras críticas ao gerenciamento equivocado dos órgãos
públicos em relação à indústria química, o que resultou na oposição de muitos
cientistas da época.
Carson ainda fez previsões e levantou hipóteses proféticas de como o uso
exacerbado do DDT (pesticida) tornaria as pestes combatidas cada vez mais
resistentes, demandando o aumento gradativo do uso dessas substâncias com o
tempo.
Depois das percepções de Carson sobre o uso incontrolado de
pesticidas, se iniciou uma conscientização sobre os efeitos
danosos da má gestão dos recursos ambientais. Evidenciaram-
se, assim, os efeitos irreversíveis que as atividades humanas
podem causar nos ecossistemas naturais e nos seres humanos.
A partir disso, começou-se a perceber,
por exemplo, que a poluição dos rios
poderia tornar sua água imprópria
para consumo e ocasionar impactos
diretos em toda a cadeia alimentar.
Essas atitudes indiscriminadas, principalmente da indústria, tinham o potencial
de ocasionar modificações nos microrganismos (algas e animais
microscópicos), os quais, na maioria das vezes, são negligenciados. Essas
modificações, por sua vez, podem afetar os seres dependentes desses
microrganismos, como os peixes, animais com grande importância para as
populações humanas, já que eles são utilizados em nossa alimentação.
Resumindo
Os impactos ambientais, em algum momento, influenciarão a qualidade de vida
dos seres humanos. Assim que se entende esse fato, ocorre a conscientização
das pessoas sobre o motivo de evitar ou minimizar tais impactos. Isso promove
a ideia de finitude, ou seja, de limite dos recursos naturais.
Ainda na década de 1960, houve outros importantes acontecimentos. Vamos ver
a seguir:
 1965
O termo “educação ambiental” foi usado pela primeira vez
durante a conferência de educação da Universidade de
Keele, no Reino Unido. Nesse momento, a educação
bi l i d à id i d ã
Década de 1970 (popularização da
educação ambiental)
A partir da década de 1970, o termo “educação ambiental” começou a ser mais
difundido pelo mundo e, a partir daí, surgiriam as primeiras políticas ambientais.
A seguir, vamos conhecer importantes marcos para a educação ambiental na
década de 1970.
ambiental estava associada à ideia de que a conservação
da natureza deveria fazer parte do contexto escolar,
estando, assim, especialmente ligada às disciplinas de
Ciências e Biologia.
 1968
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a
Ciência e a Cultura (Unesco) atualizou a definição de
educação ambiental, dando a essa prática um caráter
abrangente e interdisciplinar.
 1969
No Reino Unido, foi fundada a Sociedade de Educação
Ambiental, cujo objetivo principal era incentivar a
investigação de problemas ambientais e como deveriam ser
feitas as abordagens educativas acerca desses problemas.
Teve início, naquele momento, um movimento ambientalista
impulsionado por artistas, políticos e imprensa europeia.
Dava-se cada vez mais atenção ao tema, sendo
popularizado o termo “educação ambiental” no mundo.
 1970
O termo apareceu pela primeira vez em uma publicação
intitulada Manifesto para a sobrevivência, editada pela
revista científica The ecologist.
 1972
Durante uma conferência da Organização das Nações
Unidas (ONU) sobre o meio ambiente humano, em
Estocolmo, na Suécia, a educação ambiental foi
apresentada como uma proposta para a contenção da crise
ambiental do planeta. Dessa forma, ela entrou em definitivo
para a agenda política de diversos governos.
 1975
A Unesco foi responsável pela promoção do Encontro
Internacional de Educação Ambiental, em Belgrado, na
Iugoslávia. Nesse importante encontro, foi criado o
Programa Internacional de Educação Ambiental (PIEA). O
principal objetivo do PIEA era orientar como a educação
ambiental deveria ser tratada: um processo multidisciplinar,
multilateral, continuado e em acordo com os interesses
regionais e nacionais de cada país.
 1977
Durante a Conferência Internacional de Educação Ambiental,
em Tbilisi, na Geórgia, foram estabelecidas a definição de
educação ambiental, assim como sua finalidade e os
princípios norteadores de atuação dela. Com isso, a
d ã bi l ôd d fi id áti d
De acordo com o documento editado no evento da Conferência Internacional de
Educação Ambiental em 1977, os princípios norteadores da educação ambiental
são:
Visão de
totalidade do
ambiente
Ideia de que todos
somos parte da
natureza, estando
interligados.
Processo
contínuonas disciplinas de Ciências e ou Geografia. A educação
ambiental não é uma tarefa fácil para os educadores brasileiros, que sempre
estão sobrecarregados pelo sistema educacional, e até mesmo para os alunos
que enfrentam aulas lotadas de conteúdo.
Ilustração didático-pedagógica apresentando o papel do educador ambiental no contexto escolar.
A partir da criação da educação ambiental e de sua inclusão no currículo das
escolas, os educadores devem contribuir para a formação de cidadãos
conscientes pelo desenvolvimento de reflexões e debates sobre questões
ambientais, potencializando nos alunos a capacidade crítica acerca de
problemas socioambientais e contribuindo para a formação de valores, o ensino
e a aprendizagem.
Para o desenvolvimento desse trabalho em sala de aula, o tema deve ser incluído
em situações do dia a dia dos alunos, correlacionando-o ao meio em que vivem,
debatendo e trazendo reflexões que visam estimular o raciocínio e a visão crítica,
alcançada com base nos conteúdos aprendidos nas disciplinas.
Assim, torna-se possível a
disseminação do aprendizado em
casa, na escola e na própria
vizinhança, fazendo com que mais
pessoas conheçam a importância das
questões ambientais e da
sustentabilidade. Crianças aprendem sobre plantio de árvores.
Atenção
É importante que o educador esteja atento aos problemas ambientais da
atualidade e que fazem parte do cotidiano dos alunos, buscando a melhor forma
de abordá-los. Deve-se considerar, nesse processo, a localização da escola, os
aspectos culturais dos alunos, o contexto socioeconômico, entre outras
particularidades que só podem ser observadas pelo educador em sala de aula ou
no caminho para a escola.
Educação Física e educação ambiental
Para muitos educadores, pode parecer uma tarefa impossível relacionar suas
disciplinas à educação ambiental, no entanto, com criatividade e boa vontade,
essa situação pode ser revertida e até contribuir para melhorar o interesse dos
alunos na aula.
Vamos imaginar agora um professor de Educação Física que
deseja trabalhar a educação ambiental e, ao mesmo tempo,
fazer com que os alunos se interessem por atividades físicas
essenciais para a manutenção da saúde. Uma opção para
utilizar o tempo destinado para atividade física no trabalho de
educação ambiental pode ser a realização de gincanas, jogos e
desafios que envolvam os princípios de educação ambiental
aprendidos em outras disciplinas, como Ciências, Biologia,
Geografia.
Exemplo
Imagine uma atividade que relacione a reciclagem e a coleta seletiva em uma
competição de corrida, na qual o aluno é estimulado a aplicar os conhecimentos
sobre reciclagem ao retirar ou sortear um determinado resíduo comum do seu
cotidiano (ex. garrafa PET) e levá-lo em uma curta corrida até a lixeira correta,
aplicando também os conceitos de coleta seletiva. No final, vencerá o aluno ou a
equipe que não só tenha o melhor tempo — que corra mais rápido — mas
também que destine os resíduos à lixeira correta.
Esse é um exemplo de como pode ser promovida a educação ambiental em
disciplinas que não são diretamente correlacionadas. O profissional de educação
física utiliza o conceito de reciclagem e coleta seletiva das aulas de Ciências
para realizar uma competição física e mental. Isso mostra como a educação
ambiental pode ser transversal e interdisciplinar.
Crianças em atividade envolvendo a coleta seletiva.
As problemáticas ambientais são cada vez mais frequentes no dia a dia das
pessoas e a educação ambiental se faz necessária em todos os níveis sociais,
mas principalmente no contexto da educação escolar e com os alunos dos anos
iniciais.
É mais fácil conscientizar crianças do que adultos, e elas são
importantes transmissoras dos conhecimentos aos adultos que,
futuramente, também serão bem informados.
Desse modo, as escolas têm papel fundamental na disseminação de ideias e
conhecimentos sobre a melhoria do relacionamento dos seres humanos com o
meio ambiente, formando pessoas com pensamento crítico e conscientes dos
impactos ambientais. Essas pessoas, quando fora do ambiente escolar, levarão
os conhecimentos aprendidos na escola para o seu bairro, o seu prédio, a sua
família e a sua casa.
Recomendação
Para que isso aconteça, é necessário que os profissionais da educação estejam
atentos à proposta pedagógica da educação ambiental formal e informal,
promovendo, mediante ações práticas ou não, a conscientização e a reflexão
ambiental, e buscando sempre a correlação dos conceitos com as vivências dos
alunos.
Podcast
Neste podcast, entenderemos o que é o lobby ambiental e como esse pode ser
um importante aliado na promoção da educação ambiental.

Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
“A panfletagem vem sendo uma estratégia de marketing cada vez mais
utilizada pelos empreendedores do município de Feira de Santana para
promover bens ou serviços que oferecem visando ao lucro. Os panfletos são
de diferentes modelos, tamanhos, espessuras e gramaturas. Diversos setores
do comércio utilizam deste tipo de marketing, setor de festas e eventos, setor
de prestação de serviços, de produtos de consumo, imobiliário, setor eleitoral,
científico, dentre outros.”
(Adaptado de LAUTON, D. C. R.; NUNES, V. de J.; LIMA, D. P. de. 2020, p. 509).
Quais das opções abaixo representam formas de atenuar o impacto
ambiental da panfletagem?
A Utilizar papel reciclável e tinta biodegradável.
B
Produzir folhetos extremamente coloridos e de alta qualidade
gráfica.
C
Recolher os panfletos após o uso e destiná-los para
incineração.
D Entregar os panfletos no horário de maior trânsito de pessoas.
Parabéns! A alternativa A está correta.
Entre as estratégias possíveis para se atenuar o impacto que a panfletagem
pode causar nas grandes cidades, pode-se utilizar papel reciclável de rápida
degradação, assim como optar pela utilização de menos tintas ou de tinta
composta de elementos menos tóxicos para o meio ambiente. Os folhetos
produzidos por gráficas utilizam papéis duráveis com muitas cores e tintas
que podem agredir o meio ambiente de diversas formas e agravar o impacto
ambiental que a panfletagem tem no meio urbano. Recolher os folhetos após
o uso é uma forma de reduzir os resíduos sólidos, entretanto, após
recolhidos, esses folhetos devem ser destinados para a cadeia de reciclagem,
pois a incineração desse material é poluente para a atmosfera. A panfletagem
quase sempre ocorre nos horários de maior movimentação de pessoas, o que
agrava o impacto ambiental gerado por ela, já que mais panfletos serão
distribuídos em menor tempo e talvez para pessoas desinteressadas na
informação. Sempre será uma opção melhor utilizar o papel em vez de
plástico, pois o papel é um resíduo biodegradável e o plástico não.
Questão 2
O ambiente urbano é caracterizado por possuir grandes e contínuas
edificações, alta concentração de habitações e desenvolvida infraestrutura. A
educação ambiental voltada para o ambiente urbano se faz necessária por
diversos motivos, que incluem
E
Utilizar panfletos de material plástico, como o PVC ao invés de
papel.
A
a conscientização sobre os benefícios da utilização de
automóveis particulares.
B
a conscientização sobre os malefícios da poluição do ar e da
água.
C
Parabéns! A alternativa B está correta.
A educação ambiental voltada para o ambiente urbano se faz necessária por
motivos que incluem a conscientização sobre os malefícios da poluição do ar
e da água. O ar e a água são diretamente impactados pelos resíduos da
atividade industrial e das atividades de subsistência da população em geral.
A utilização de transportes coletivos em vez de automóveis particulares é
preferida quando se trata de gerar menor impacto ambiental. O consumo de
alimentos orgânicos não impacta nossa saúde e não polui os solos e corpos
d'água com agrotóxicos. O cultivo de soja é uma das grandes ameaças à
vegetação nativa, quando o primeiro tem prioridade sobre osegundo por
motivações econômicas. A construção de estradas e centros comerciais
impacta o meio ambiente por resultar em perda de habitat natural e por estar
ligada a outros tipos de poluição, como a poluição do ar, do solo e da água,
bem como as poluições sonora e visual.
a conscientização sobre os malefícios da alimentação
orgânica.
D
a conscientização sobre os benefícios das extensas áreas de
cultivo de soja em substituição à vegetação nativa.
E
a conscientização sobre os benefícios das estradas, grandes
centros comerciais e parques urbanos.
2 - A Educação Ambiental no ambiente rural e em
populações tradicionais
Ao �nal deste módulo, você será capaz de analisar a educação ambiental no
ambiente rural e em comunidades tradicionais.
Características e componentes
do ambiente rural
O ambiente rural é caracterizado principalmente em função de sua densidade
demográfica, que difere do ambiente urbano por ser uma área menos populosa,
menos construída e mais preservada ambientalmente.
Densidade demográ�ca
Densidade populacional.
Ambiente tipicamente rural no estado de Minas Gerais, Brasil.
As características e os componentes do ambiente rural são:
Baixa densidade populacional – relação entre população e superfície do
território.
Urbanização escassa ou ausente – estradas de terra, ausência de rede de
água e esgoto, iluminação pública e outros.
Predominância de áreas destinadas à agropecuária em larga escala –
cultivo de vegetais, criação de animais, entre outras.
Pouca área construída – fazendas, sítios, chácaras e casas esparsamente
distribuídas em meio a grandes porções de terra descampada.
Pouca infraestrutura – pequenas escolas, ausência de hospitais,
comércios e outros serviços básicos como coleta de lixo, água encanada,
sistema de esgoto e até luz elétrica.
Predomínio de atividades econômicas do setor primário de produção –
agricultura, pecuária, silvicultura, extrativismo.
População com baixa escolaridade – em geral, são pessoas que vivem de
serviços rurais de baixa demanda técnica, predominando o trabalho braçal,
o que é agravado pelo difícil acesso a centros educacionais ou culturais.
Elementos naturais preservados – áreas florestadas, rios com água limpa
e ar puro.
De acordo com o Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE), o
território brasileiro pode ser
classificado de acordo com o grau de
urbanização, que demostra a
proporção de áreas rurais e urbanas
no território brasileiro. Para alcançar
essa classificação, é necessário
quantificar o número de habitantes
para definir a densidade populacional
de cada área e se obter o percentual
de áreas densamente ocupadas,
sendo definido como área
densamente ocupada aquela que
apresente mais de 300 habitantes por
quilômetro quadrado.
Mapa demostrando o grau de urbanização do
território brasileiro.
Desse modo, foi definido pelo IBGE:

Regiões com
alto grau de
urbanização
Quando mais de 75% da
população resida em
áreas de ocupação
densa.

Regiões com
moderado
grau de
urbanização
Quando entre 50% e 75%
da população resida em
área de ocupação
densa.

Regiões com
baixo grau
de
urbanização
Quando 50% da
população resida em
área de ocupação
densa.
A educação ambiental no
ambiente rural
Para trabalhar a educação ambiental, deve-se ter noção dos impactos
ambientais que as atividades humanas podem ocasionar no meio ambiente.
Diferentemente do ambiente urbano, o modo de vida rural está mais relacionado
aos elementos da natureza. Por vezes, isso torna mais palpável o trabalho de EA
nesses ambientes, pois a população tende a ser mais dependente do meio
natural para sua sobrevivência.
Tanques com água captada das chuvas para a
irrigação de plantações.
Em comunidades que possuem como
principal fonte de renda a agricultura,
por exemplo, seja ela com fins
comerciais ou apenas de subsistência,
existe a consciência coletiva do
quanto a disponibilidade de água pode
ser importante para a manutenção dos
cultivos e da vida como um todo.
Para o trabalho de educação ambiental, deve-se atentar aos problemas
ambientais na área de atuação e adaptar os projetos e seus objetivos para a
realidade das pessoas a serem conscientizadas.
A seguir, veremos alguns dos impactos ambientais no ambiente rural.
Resíduos
Como qualquer atividade humana tende a gerar algum tipo de resíduo, no meio
rural não é diferente. É comum que regiões rurais sejam afastadas dos grandes
centros urbanos e o serviço de coleta de lixo público seja deficiente ou até
ausente. Nesse sentido, uma prática comum no ambiente rural é o despejo de
resíduos sólidos em áreas naturais ou periféricas. Tal prática tende a oferecer
“alimento” inadequado para fauna natural que por vezes adentra propriedades ou
distritos rurais em busca de alimento.
Outro agravante é a queima dos
resíduos sólidos, que também é uma
prática comum nesses locais. Esse
comportamento tem influência direta
na qualidade do ar local e na emissão
de poluentes.
Queima de resíduos da agricultura.
Os resíduos líquidos (efluentes) também estão presentes nos vilarejos e nas
fazendas e por vezes são despejados sem tratamento prévio em córregos nas
proximidades, contribuindo para degradação de toda a rede hidrográfica regional.
Agricultura
Entre as atividades econômicas das regiões rurais, a agricultura é a mais
predominante e é uma prática que ocasiona variados impactos ambientais. A
utilização de agrotóxicos pode contaminar o lençol freático e ocasionar danos a
toda a população do entorno. Especialmente em locais que, em geral, não
possuem abastecimento de água por rede pública, a obtenção de água é feita de
nascentes, córregos e poços.
O uso de agroquímicos é um inimigo silencioso dos seres humanos, já que seus
danos geralmente não são observados no curto prazo. Essas substâncias
podem também contaminar o solo e influenciar os seres vivos dos ecossistemas
naturais.
O uso frequente de agrotóxicos pode contaminar o lençol freático e oferecer riscos à saúde da população.
Outro agravante é o risco direto a que estão sujeitos os trabalhadores que
aplicam essas substâncias e a população próxima às plantações. De acordo
com a Organização Mundial da Saúde, a intoxicação por agrotóxicos pode
ocasionar problemas cardíacos, renais, alérgicos e doenças crônicas como
Parkinson e câncer.
Dica
Uma alternativa para amenizar os efeitos da agricultura no meio ambiente pode
ser o incentivo à utilização de técnicas de cultivo com menor impacto ambiental,
como a permacultura e a agroecologia, por exemplo.
Podcast
Neste podcast, abordaremos as técnicas de agroecologia e permacultura e
como se relacionam com o desenvolvimento de uma agricultura sustentável e
com os objetivos da educação ambiental no ambiente rural.
Queimadas e incêndios florestais
A prática de queimadas pode causar grandes
incêndios florestais.
No meio rural, é muito comum e até
cultural a utilização do fogo para
preparar áreas de plantio ou para lidar
com os resíduos. Apesar disso,
queimar lixo e até produzir fogo
intencional em propriedade privada é
considerado crime ambiental, passível
de multa e prisão.
O crime se agrava quando o fogo
intencional em propriedade privada
perde o controle e atinge áreas
naturais preservadas, como áreas
florestais ou com vegetação natural
preservada, unidades de conservação,
reflorestamentos e até propriedades e
plantações vizinhas.
Caça, pesca e extrativismo
A população residente em áreas rurais possui o costume de obter alimentos não
convencionais de áreas naturais preservadas, sendo uma prática comum nesses
locais a caça de animais silvestres, a domesticação, a retirada de vegetais
nativos (ex. palmito, frutos, madeira, entre outros) e a pesca, seja para
alimentação ou comercialização. Tais atividades podem resultar em sérios
danos à biodiversidade regional.
Espécies como o tatu (Euphractus
sexcinctus) e a paca ( Cuniculus paca)
são alguns dos animais silvestres
mais utilizados para alimentaçãopor
populações rurais. Outros animais,
como a anta (Tapirus terrestris) e a
tartaruga tracajá (Podocnemis unifilis
), são ameaçados de extinção e
também são muito apreciados por
populações rurais para alimentação.
A paca (Cuniculus paca) é um animal muito
utilizado para alimentação.
Existe também a caça de animais para domesticação e comercialização. A arara-
azul (Anodorhynchus hyacinthinus), por exemplo, é um animal que atualmente se
encontra ameaçado de extinção e até extinto em alguns locais devido à captura
para comercialização com fins de domesticação. A jiboia (Boa constrictor),
apesar de não ter sido enquadrada em alto grau de ameaça para extinção, cada
vez mais é capturada e mantida em cativeiro como animal de estimação.
Saiba mais
No caso da jiboia, apesar de ser considerada de fácil manutenção em cativeiro,
diversos problemas surgem em decorrência dessa prática, por exemplo, a
transmissão de doenças para o homem, como a salmonelose que é causada por
bactérias do gênero Salmonella. Ainda, esses animais podem viver até 30 anos
em cativeiro e alcançar alguns metros de comprimento, sendo muitas das vezes
abandonados pelos criadores em áreas inadequadas.
Indivíduos de Callithrix jacchus vivendo livremente
no Parque Nacional da Tijuca, Rio de Janeiro.
Um exemplo clássico de animal
selvagem capturado e mantido como
animal doméstico é o do sagui
(Callithrix jacchus). Esse caso tem
íntima relação com o êxodo da
população rural para grandes centros
urbanos. O sagui, nativo do Nordeste
do Brasil, foi introduzido nas áreas
preservadas do Sudeste, causando
danos ambientais como a predação
de aves nativas.
Uma das prováveis causas dessa introdução foi a migração da população rural
do Nordeste para o Sudeste do Brasil. As pessoas que vinham para as cidades
em busca de melhores oportunidades de vida traziam consigo os costumes e as
práticas culturais de sua região, entre elas, a criação do sagui como animal
doméstico. Por vezes, esses animais eram acidentalmente ou até
intencionalmente soltos na natureza.
Hoje em dia, existe a consciência de que a presença desse animal nessas áreas
causa impactos ambientais, principalmente porque os ovos de pássaro fazem
parte da sua alimentação. Em algumas áreas como o Parque Nacional da Tijuca,
foi constatada a significativa redução de aves devido à predação do sagui. Um
dos trabalhos de educação ambiental realizado pela Unidade de Conservação é
promover a conscientização das pessoas para que não alimentem esses
animais, além de realizar ações de castração de indivíduos com objetivo de
reduzir a densidade populacional deles e possibilitar a reprodução das aves
nativas.
Objetivos da educação ambiental
em áreas rurais
O meio ambiente rural possui muitas possibilidades para realização do trabalho
de educação ambiental, principalmente da educação ambiental informal, já que
existe a possibilidade de sair da sala de aula para o ambiente natural. Esse
trabalho tende a valorizar os recursos naturais e reaproximar os seres humanos
da natureza.
Desde a década de 1970, a “revolução verde” traz práticas agrícolas que
objetivam a exploração extrema dos recursos naturais e a utilização de
agroquímicos. Contudo, sabe-se hoje que esse modelo é insustentável para o
meio ambiente e para pequenos produtores que desempenham a agricultura
familiar.
Avanço de área agrícola sobre vegetação natural.
Em outro sentido, a modernização
agrícola favoreceu o avanço das áreas
agrícolas sobre áreas de vegetação
natural, o que resultou em
desemprego e diminuição da
qualidade e da quantidade de recursos
naturais, assim como a perda de
conhecimentos tradicionais sobre
modos de produção mais
harmoniosos com o meio ambiente.
Em meio a tantos impactos, existem também as escolas do campo, como são
chamadas as poucas instituições formais de ensino que estão localizadas na
área rural. Nesses locais, trabalha-se mais a educação ambiental no contexto
cultural das comunidades rurais. Em 2009, o Ministério do Meio Ambiente
assumiu o compromisso de iniciar a construção de um programa de educação
ambiental no contexto da agricultura familiar. O Programa de Educação e
Agricultura Familiar (PEAAF) foi instituído em 2012 e tem entre suas diretrizes:
Articular a educação ambiental em seu
caráter formal e não formal, incorporando
o componente de educação ambiental não
formal em projetos e políticas públicas
voltadas para o desenvolvimento rural e
inserindo os espaços formais de educação
nos processos pedagógicos a serem
propostos.
(BRASIL, 2012, p. 4)
Cada vez mais fica explícita a desconexão do ser humano com o meio natural e
isso também está presente no contexto rural. Por isso, a educação ambiental é
um instrumento para enriquecer o conhecimento, sensibilizar a comunidade rural
e promover a reconexão com a natureza.
Dica
Dentro do contexto da educação ambiental no meio rural, existe o Serviço
Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), que disponibiliza, em algumas
localidades, capacitação e materiais didáticos para professores de escolas
rurais.
Turismo no ambiente rural
Atividades turísticas são cada vez mais comuns no ambiente rural e podem
fornecer importantes alternativas econômicas para a população rural. Se
realizadas da maneira certa, também podem contribuir para a preservação no
espaço e para a valorização dos recursos naturais. Ainda assim, deve-se
observar que tais práticas também podem agredir a natureza e agravar os
impactos ambientais, bem como proporcionar o surgimento de outros impactos
anteriormente não observados nessas regiões.
O turismo, quando realizado com respeito à natureza e fundamentado nos
conceitos de educação e sustentabilidade, torna-se ecoturismo sendo, portanto,
uma forma de praticar a educação ambiental em áreas rurais e preservadas.
Ecoturismo
Atividade turística que utiliza do patrimônio natural e cultural para incentivar a
conservação de áreas preservadas.
Algumas das práticas de ecoturismo são a observação de fauna, flora,
formações geológicas, visitação de cavernas e locais de interesse antropológico
(ex. pinturas rupestres), trilhas, caminhadas e safaris fotográficos.
Curiosidade
No Brasil, estima-se que a prática de ecoturismo fature anualmente 70 milhões
de dólares, além de ser um dos segmentos do turismo que mais cresce
globalmente.
Nesse contexto, existe ainda o que tem sido denominado como turismo rural ou
agroturismo, uma modalidade turística que tem o objetivo de proporcionar às
pessoas, geralmente residentes de grandes metrópoles, um contato direto com a
natureza, a agricultura e as tradições locais.
Esse tipo de turismo é fundamentado
em hospedagens domiciliares e
familiares de áreas rurais, onde, em
geral, são desenvolvidas atividades
agrícolas nas quais os visitantes se
envolvem. Algumas dessas atividades
podem ser impactantes para o meio
ambiente, enquanto outras podem ser
úteis como ferramenta de promoção
da educação ambiental.
Exemplo
Entre as atividades encontradas nessa modalidade de turismo, estão os
passeios a cavalos ou em veículos 4x4, a pesca esportiva, as trilhas e os
acampamentos.
Uma alternativa para algumas propriedades rurais é a transformação de terras
anteriormente utilizadas para agricultura e pecuária em locais para a promoção
da conservação ambiental, como é o caso das Reservas Particulares do
Patrimônio Natural (RPPNs), por exemplo. O número de RPPNs cresce
progressivamente no Brasil.
O Santuário do Caraça, em Minas Gerais é uma das grandes Reservas Particulares de patrimônio Natural do
país.
Em geral, é realizado o reflorestamento da área anteriormente desmatada para o
desenvolvimento de cultivos de espécies exóticas, entre outras atividades, como
a educação ambiental. Nesses locais, podem ser estimulados o ecoturismo, a
utilização do espaço para realização de aulas de campo, eventos e oficinas para
a população do entorno ou para o público visitante.
Vamos conhecer um projeto de
educação ambientalna zona
rural?
Neste vídeo, visitamos um centro de educação ambiental, para ver de perto
como pode ser praticada a educação ambiental com os dados de trabalhos de
monitoramento de impactos ambientais em uma rodovia, no ambiente rural.
A educação ambiental em
comunidades tradicionais e
aldeias indígenas
De acordo com a legislação brasileira, as comunidades tradicionais são
definidas como grupos culturalmentes diferenciados que possuem formas
próprias de organização social, sendo característica comum dessas populações
a utilização de conhecimentos, inovações e práticas geradas e transmitidas pela
tradição ancestral.

Inicialmente, eram reconhecidas como comunidades tradicionais os povos
indígenas e os quilombolas, no entanto, esse conceito foi ampliado com a
criação da Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e
Comunidades Tradicionais (PNPCT) pelo Ministério do Meio Ambiente. A partir
daí, são compreendidas como comunidades tradicionais, além dos indígenas e
quilombolas, as populações de matriz africana e terreiro (umbandistas e
candomblecistas), ribeirinhos e comunidades extrativistas (ex. seringueiros,
castanheiros, quebradeiras de coco) e pescadores tradicionais (ex. caiçaras),
entre outros.
Algumas das características das comunidades tradicionais são:
 Dependência da natureza
As moradias, os costumes e os modos de vida são
organizados de acordo com os ciclos da natureza e a
disponibilidade de recursos naturais.
 Apego territorial
Constroem e mantêm suas moradias em locais específicos
por várias gerações.
 Exploração da natureza
P i i l ã d b i ê i
O modo de vida dos povos tradicionais, quando comparado com o da sociedade
moderna que os cerca, mostra uma vivência muito mais harmoniosa com o meio
ambiente, considerando o baixo impacto ambiental que essas comunidades
provocam nas áreas naturais que as cercam.
Utilizando imagens de satélite, fica evidente a diferença da degradação
ambiental ao comparar uma área urbana, uma área rural e uma reserva indígena.
Área urbana. Área rural. Reserva indígena.
Impactos ambientais das comunidades
tradicionais e práticas de educação
ambiental
Embora possuam uma relação menos depredatória do meio ambiente quando
comparadas à sociedade urbana ou rural, as comunidades tradicionais não são
isentas de provocarem impactos ambientais negativos. A agricultura
desempenhada por essas comunidades é realizada em uma escala bem menor
do que o modelo industrial tão presente no ambiente rural, mas também tem
Principalmente para a manutenção de subsistência, como a
agricultura familiar, a coleta, a caça e a pesca.
 Utilização de tecnologias tradicionais para o
extrativismo
Uso de equipamentos para plantio, artes de pesca e caça,
por vezes artesanais — feitos à mão nessas comunidades,
com a matéria-prima ali encontrada — o que reduz o
impacto ambiental.
consequências negativas como o desmatamento e a exclusão de espécies
naturais.
Religiões de matriz africana, por
exemplo, têm o costume cultivar
plantas exóticas, como espada de São
Jorge, comigo-ninguém-pode e
dendezeiro, em áreas de vegetação
natural. Ainda, costumam deixar os
resíduos das atividades ritualísticas
em ruas, avenidas, florestas, praias e
Unidades de Conservação, que podem
se tornar, entre outras coisas, alimento
inadequado para a fauna silvestre.
Para as religiões de matrizes
africanas, é eminentemente
necessária a realização de trabalhos
de educação ambiental que incentive
o uso de materiais biodegradáveis em
vez de plásticos, cerâmicas e vidros,
além de estimular a retirada dos
resíduos após a realização das suas
atividades ritualísticas.
Alguns povos tradicionais praticam o cultivo de espécies de animais (ex.
suinocultura, avicultura) dentro de suas propriedades que são destinadas para
esse fim. O problema surge da proximidade entre muitos dos territórios
reservados para as comunidades tradicionais e as Unidades de Conservação,
pois, eventualmente, esses animais podem fugir dos cultivos e adentrar as áreas
preservadas.
Outra atividade muito comum em algumas comunidades tradicionais do Brasil é
a produção de artesanato, que pode gerar alguns impactos ambientais se não
for respeitado o tempo de regeneração da natureza. Quando realizada no
contexto de manutenção dos costumes e cultura, essa atividade utiliza matérias-
primas de forma substancial, o que não afeta o processo regenerativo de
espécies das quais são extraídos frutos e sementes, considerando também
partes de animais (ex. penas, dentes) e minerais (ex. argila, rochas, pedras
preciosas).
Recomendação
Em muitas comunidades, a venda de artesanato para turistas representa uma
das principais fontes de renda e esse fato deve ser observado e talvez
trabalhado em projetos de educação ambiental, com o intuito de amenizar
alguns dos impactos, tornando a atividade de produção de artesanato ainda
mais valorizada do ponto de vista da preservação ambiental.
As comunidades tradicionais
indígenas e caiçaras utilizam
atividades de caça, pesca e coleta
para obtenção de proteína em sua
alimentação. Algumas espécies
caçadas e pescadas, já tão predadas
pelo “homem moderno”, encontram-se
ameaçadas de extinção, como a onça,
a anta e certas espécies de pescado.
A onça-pintada é uma espécie ameaçada de
extinção por conta da caça predatória.
Nesse contexto, cabe realizar ações de educação ambiental nessas
comunidades, a fim de conscientizá-las das espécies que estão em risco de
extinção ou não, buscando o direcionamento da atividade para uma exploração
menos degradante.
Compreende-se, portanto, que a educação ambiental deve
considerar não só as questões ambientais, mas também as
particularidades sociais, culturais e políticas em que estão
imersas as comunidades tradicionais do Brasil.
A metodologia aplicada ao trabalho de educação ambiental nessas
comunidades pode ser fundamentada em estudos de caso, como a observação
detalhada das práticas, dos costumes e da sua inter-relação com os recursos
naturais circundantes.
Exemplo
Entrevistas formais ou informais são meios de se atingir tal objetivo: aplicar
questionários oralmente para professores, alunos, moradores e demais
integrantes dessas comunidades é uma forma de conhecer o pensamento das
partes e identificar as problemáticas ambientais a serem abordadas em
palestras, oficinas e outras ações no âmbito da educação ambiental.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
“Nesse trabalho, proponho uma definição integradora de paisagem como
sendo "um mosaico heterogêneo formado por unidades interativas, sendo
esta heterogeneidade existente para pelo menos um fator, segundo um
observador e numa determinada escala de observação". Esse "mosaico
heterogêneo" é essencialmente visto pelos olhos do homem, na abordagem
geográfica, e pelo olhar das espécies ou comunidades estudadas na
abordagem ecológica. O conceito de paisagem proposto evidencia ainda que
a paisagem não é obrigatoriamente um amplo espaço geográfico ou um novo
nível hierárquico de estudo em ecologia, justo acima de ecossistemas, pois a
escala e o nível biológico de análise dependem do observador e do objeto de
estudo. A ecologia de paisagens vem promovendo uma mudança de
paradigma nos estudos sobre fragmentação e conservação de espécies e
ecossistemas, pois permite a integração da heterogeneidade espacial e do
conceito de escala na análise ecológica, tornando esses trabalhos ainda mais
aplicados para resolução de problemas ambientais” (METZGER, J. P. 2001, p.
1).
Analisando as alternativas abaixo, marque a que melhor representa a
paisagem do ambiente rural.
A
Casas construídas sobre a água, na margem de grandes rios
amazônicos, pequenas canoas utilizadas para a pesca de
subsistência e vegetação aquática circundante.
B
Grandes construções verticais, intercaladas por
movimentadas avenidas asfaltadas com intenso trânsito de
veículos motorizados, lojas, shoppingse comércio variado,
com vegetação esparsamente distribuída ao longo das
calçadas, em geral antigas árvores e pequenos canteiros.
Parabéns! A alternativa D está correta.
A paisagem rural é composta por pequenas propriedades esparsamente
distribuídas ao longo de trechos de estradas de terra, intercaladas por
grandes áreas descampadas utilizadas para agricultura ou pecuária em larga
escala. As casas do ambiente rural em geral são circundadas de quintais
onde são plantadas árvores frutíferas e na maioria deles são criados animais
com fins alimentar para subsistência familiar. Nas outras alternativas, são
caracterizadas a paisagem do ambiente urbano e de comunidades
tradicionais, como os ribeirinhos amazônicos e caiçaras.
Questão 2
Qual das alternativas abaixo melhor caracteriza uma comunidade tradicional?
C
Casas de pau-a-pique em meio a uma densa vegetação
florestal circundante, com acesso dificultado por estradas de
terra em péssimas condições, trilhas ou caminhos só
acessados com a ajuda de guias locais.
D
Casas distribuídas esparsamente, circundadas de quintais
com árvores, com pequenos cultivos de hortaliças e criações
de subsistência, próximas de verdejantes descampados,
protegidas por cerca de arame farpado, acessadas por
estradas sem calçamento.
E
Casas rústicas de alvenaria, construídas sobre a areia fina de
praias, pequenos barcos de pesca, criação de animais e
cultivo de alguns poucos animais para subsistência, isolados,
acessados apenas mediante barco ou trilha em meio a áreas
florestadas circundantes.
A
Uso de técnicas ancestrais de caça, pesca e extrativismo de
subsistência.
Parabéns! A alternativa A está correta.
As comunidades tradicionais são caracterizadas principalmente em função
dos costumes tradicionais no modo de viver, como a utilização de técnicas
ancestrais para a obtenção de alimento, técnicas essas que são passadas
entre as gerações e estão intimamente relacionadas com a área em que a
comunidade está localizada. As demais alternativas, apesar de também
poderem caracterizar algumas comunidades tradicionais brasileiras, também
são comuns ao ambiente rural.
B Ausência de urbanização.
C Baixa densidade populacional.
D Predominância de áreas destinadas à agropecuária.
E Pouca área construída.
3 - ¨A Educação Ambiental em Unidades de
Conservação
Ao �nal deste módulo, você será capaz de analisar a educação ambiental em
Unidade de Conservação.
O que é uma Unidade de
Conservação?
De acordo com a Constituição Federal de 1988, no Brasil:
Todos têm direito ao meio ambiente
ecologicamente equilibrado, bem de uso
comum do povo e essencial à sadia
qualidade de vida, impondo-se ao Poder
Público e à coletividade o dever de
defendê-lo e preservá-lo para as presentes
e futuras gerações.
(BRASIL, art. 225, 1988)
Nesse sentido, as Unidades de Conservação (UC) são áreas naturais de
relevante interesse ecológico que merecem ser protegidas por suas
características especiais e os aspectos naturais relevantes para a preservação
da natureza e manutenção da vida, incluindo territórios com inegável beleza
cênica e recursos ambientais em abundância, como aquíferos, espécies
ameaçadas, formações geológicas, entre outros. Existem, ainda, as unidades de
conservação de uso sustentável, que são áreas protegidas com o objetivo não só
de preservar a natureza, mas também de conciliar a presença humana e a
exploração dos recursos naturais.
Reserva Particular do Patrimônio Natural Salto Morato (PR).
As unidades de conservação são criadas pelo poder público mediante a
realização de estudos técnicos sobre a importância ecológica da área e, em
alguns casos, mediante consulta pública. Esses locais ficam sujeitos a normas e
regras especialmente criadas para cada caso, que só podem ser alteradas ou
descumpridas a partir de medidas legislativas. As unidades de conservação são
classificadas como Unidades de Conservação de Proteção Integral e Unidades
de Conservação de Uso Sustentável. A seguir, apresentamos as principais
características de cada uma.
Unidades de Conservação de Proteção
Integral
Seu principal objetivo é preservar a natureza. As ações realizadas preveem
apenas o uso indireto do espaço e dos recursos naturais, não sendo permitida a
coleta, o dano e a extração de recursos naturais para consumo. Nessa
modalidade de UC, são desenvolvidas atividades de recreação, turismo
ecológico, práticas esportivas, pesquisa científica, atividades de educação e
interpretação ambiental, entre outras.
Alguns exemplos de UC de Proteção Integral são:
Atividades turísticas nas cachoeiras do PARNA Chapada dos Veadeiros, Goiás.
Parque Nacional (PARNA)
Objetivam preservar os ecossistemas naturais de inquestionável
relevância ecológica e beleza cênica. Entre as atividades realizadas
nessa área protegida, estão a pesquisa científica, a recreação, o turismo
e também a educação ambiental.
Atividade recreativa com crianças no MONA Morros do Pão de Açúcar e da Urca, no Rio de
Janeiro.
Monumento Natural (MONA)
Objetivam preservar locais naturais raros, únicos e de reconhecida
beleza cênica e apego popular, como cachoeiras, formações rochosas,
arquipélagos, entre outros. A visitação pública e a pesquisa científica
são permitidas, porém, de forma mais restrita e de acordo com as
regras estabelecidas pelo órgão administrador e seu plano de manejo.
Atividade de observação de fauna e contemplação da natureza na REBIO União, no Rio de
Janeiro.
Reserva Biológica (REBIO)
Busca a preservação integral de toda a biota da área delimitada e
outros atributos naturais existentes. Não são permitidas interferência
humana direta e modificações ambientais, com exceção para medidas
de recuperação e manejo de áreas impactadas pela ação humana.
Nessa área, ficam previstas normas mais restritas de utilização, em
geral, sendo permitida apenas a pesquisa científica e a visitação com
objetivo educacional.
Biota
Conjunto de seres vivos de uma determinada região.
Unidades de Conservação de Uso
Sustentável
Têm como objetivo principal promover o uso sustentável dos recursos naturais
de forma compatível com as premissas da preservação ambiental. Nessas
áreas, é permitida a presença humana e atividades como coleta de produtos
florestais (ex. frutos, sementes e madeira) e animais (ex. pesca e cultivo de
organismos), sempre realizadas de acordo com o plano de manejo e nos
modelos especificados, para manter os recursos naturais em constante
renovação e não interferir em processos ecológicos.
Alguns exemplos de UC de Uso Sustentável são:
Placa informativa sobre os regulamentos da
pesca artesanal na APA Delta do Parnaíba, no
Piauí.
Área de Proteção
Ambiental (APA)
Áreas onde existe grau elevado de
ocupação humana, mas ainda
estão presentes atributos naturais
e aspectos culturais que
merecem proteção e organização.
Nesses locais, além da proteção
da diversidade biológica, existe o
objetivo de organizar o processo
de ocupação humana e assegurar
a sustentabilidade no uso dos
recursos naturais.
Atividade de resgate de animais agregados
aos resíduos submersos no evento “Dia
Mundial de Limpeza de Praia e Rios”
realizado na RESEX Marinha de Itaipu, no Rio
de Janeiro.
Reserva Extrativista
(RESEX)
Locais utilizados pela população
da região para o extrativismo de
subsistência, agricultura e criação
de animais. Nas áreas
delimitadas, objetiva-se proteger
os modos de vida e a cultura —
principalmente de populações
tradicionais — além de utilizar
conscientemente os recursos
naturais.
Letreiro informativo utilizado para promover a
EA na RPPN Reserva Ecológica Guapiaçu, no
Rio de Janeiro.
Reserva Particular do
Patrimônio Natural
(RPPN)
Áreas privadas criadas a partir da
vontade do proprietário, não
havendo a desapropriação de
terra. Têm como objetivo principal
a conservação da diversidade
biológica e dos recursos naturais.
São permitidas pesquisas
científicas e manejo de recursos
naturais, bem como atividades
recreativas,turísticas e de
educação ambiental.
Você conhece uma RPPN?
Neste vídeo, iremos visitar uma RPPN para ver de perto como é realizado o
projeto conservacionista da preservação e como este se relaciona com os
objetivos da EA, com a pesquisa científica e com a preservação da
biodiversidade.

Quem são os responsáveis por
gerir a prática da educação
ambiental nas Unidades de
Conservação?
A Lei 9.985, de 18 de julho de 2000, instituiu o Sistema Nacional de Unidade de
Conservação (SNUC), o qual regulamenta a criação e manutenção das UCs por
esferas governamentais (federal, estadual, municipal) ou iniciativa privada.
Alguns dos objetivos da SNUC são:
contribuir para a conservação de espécies e recursos genéticos;
proteger espécies ameaçadas de extinção;
promover a preservação e restauração da diversidade ecossistêmica em
ambientes degradados;
promover o desenvolvimento sustentável, regulando o uso de recursos
naturais;
proteger características geomorfológicas, arqueológicas e culturais
relevantes;
incentivar e proporcionar condições para o desenvolvimento de pesquisas
científicas, estudos de monitoramento ambiental e projetos de educação
ambiental.
As unidades de conservação federais são administradas pelo Instituto Chico
Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), já as unidades estaduais e
municipais são de responsabilidade de sistemas estaduais ou municipais de
Unidades de Conservação.
Parques Nacionais (PARNA) por exemplo, são administrados pelo ICMBio, isto é,
são de responsabilidade do poder público federal, enquanto os Parques
Estaduais são de responsabilidade do poder público estadual. Da mesma forma,
os Parques Municipais são de responsabilidade das respectivas prefeituras e
seus órgãos subordinados.
Exemplo
No estado do Rio de Janeiro, o Instituto Estadual do Ambiente (INEA) é o
responsável pela administração dos Parques Estaduais, como o Parque Estadual
da Pedra Branca, localizado na capital. Já no município de Niterói, existe o
Parque Natural Municipal de Niterói, que é gerido pela Secretaria Municipal de
Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade (SMARHS), vinculada à
prefeitura municipal.
Como são responsáveis por criar, gerir e manter a UC, essas entidades públicas
também são responsáveis por promover a educação ambiental nesses locais.
Pedra do Ponto, localizada no ponto mais alto do Parque da Estadual da Pedra Branca, no Rio de Janeiro.
A educação ambiental formal em
Unidade de Conservação
Mediante a educação ambiental formal, podem ser elaborados projetos
articulando gestores e técnicos da unidade de conservação, instituições
privadas, secretarias municipais de educação e seus subordinados.
A partir de um levantamento prévio das necessidades escolares nas
proximidades e até dentro da UC, torna-se possível utilizar as vivências dos
professores, diretores e gestores escolares para a construção de ações
direcionadas e adaptadas para a realidade na região. Por outro lado, as UCs
conseguem o espaço para o desenvolvimento de um projeto fundamentado nas
problemáticas ambientais enfrentadas, sendo possível, ao final, realizar o
acompanhamento da efetividade do processo educacional por meio do
relacionamento com os visitantes.
Exemplo
Se em determinada UC a problemática a ser trabalhada é a caça, devido à
constância da caça na UC, será possível observar, ao final do processo, se a
atividade de caça tem alguma diminuição após realizada a conscientização
ambiental formal.
Educação ambiental informal em
Unidades de Conservação.
A educação informal é aquela que acontece fora do contexto da sala de aula,
utilizando, em vez da escola, as praças, as ruas, as trilhas, entre outros espaços
“informais”. Nesse sentido, as unidades de conservação, como áreas de
natureza preservadas, são verdadeiros laboratórios a céu aberto para praticar
EA. A possibilidade de explorar exemplos práticos para construção da
consciência ambiental traz para perto do educando a realidade da interferência
dos seres humanos na natureza.
Pôr do sol entre as Ilhas Cagarras, Rio de Janeiro.
As UCs, por si só, já tendem a ser um
instrumento de sensibilização. Quem
não gosta de sentir o ar puro?
Aproveitar a sombra das árvores ou
ver um belíssimo pôr do sol? É nesse
momento que uma ação educacional
pode ser ainda mais efetiva.
O visitante, no agradável ambiente de uma área preservada, torna-se mais
suscetível à conscientização dos danos que o ser humano pode causar para o
ambiente e para si próprio. Soma-se a isso o fato de que a educação ambiental
informal, quando realizada em uma UC, pode atingir diferentes faixas etárias e
estratos sociais.
Algumas ações no âmbito da educação informal nas UCs são a utilização de
placas informativas, apresentado as qualidades, expondo processos e/ou
problemáticas ambientais, visitas guiadas com intuito recreativo e educacional
ou até mesmo ações diretas na fonte da problemática ambiental.
Podcast
Discutiremos, neste podcast, como o ecoturismo pode ser utilizado para a
educação ambiental em unidades de conservação, bem como os impactos
negativos e positivos que essa atividade pode ter no meio ambiente.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Criado em 1937, o Parque Nacional do Itatiaia é a primeira Unidade de
Conservação do Brasil. Sobre o PARNA Itatiaia, é correto afirmar que

A é uma UC de Uso Sustentável.
B nessa área é permitida a extração de minerais e seres vivos.
C é uma instituição de ensino e pesquisa.
D é uma área destinada apenas ao trabalho de EA.
E é uma área administrada pelo governo federal.
Parabéns! A alternativa E está correta.
O PARNA Itatiaia é uma área administrada pelo governo federal e, como todo
parque nacional, é uma UC de proteção integral, onde não é permitida a
exploração de recursos naturais. Essa área destina-se principalmente à
conservação da natureza e à preservação de espécies e recursos naturais,
mas também pode ser usada para outros fins, como a pesquisa científica e a
educação ambiental. O PARNA não se configura como uma instituição de
ensino e pesquisa, contudo, muitas instituições desse tipo utilizam a sua
infraestrutura para tais fins.
Questão 2
De acordo com o texto, qual das opções abaixo é um exemplo de UC de
Proteção integral?
Parabéns! A alternativa C está correta.
Unidades de Conservação de Proteção Integral são áreas protegidas da
União, ou seja, não são particulares e possuem o objetivo de preservação
ambiental. Nessa modalidade de UC, não são permitidas atividades
extrativistas, como a coleta de produtos vegetais, a pesca, a caça e a
extração mineral. São exemplos de UC de Proteção Integral, Parques
A RESEX Rio Xingu.
B RPPN Fazenda Boa Esperança.
C MONA dos Morros do Pão de Açúcar e da Urca.
D APA Ibirapuitã.
E RPPN Pico do Barbado.
Nacionais (PARNAs), Reservas Biológicas (REBIOs), e Monumentos Naturais
(MONAs).
4 - Projetos de Educação Ambiental
Ao �nal deste módulo, você será capaz de descrever a construção de projetos de
educação ambiental.
O que é um projeto de Educação
Ambiental?
O trabalho dos educadores ambientais pode ter um caráter informal, no qual os
princípios e as práticas ligados aos fundamentos da EA são trabalhados durante
o processo de socialização — no cotidiano, no dia a dia, no bairro, em casa, em
atividades recreativas etc. E há também a educação ambiental formal, que é o
trabalho em ambiente escolar, universidades, centros de pesquisa e outras
instituições de ensino. Dito isso, veremos resumidamente como é feito o
processo de criação, aplicação e avaliação de um projeto de educação
ambiental.
Devemos deixar claro, primeiramente, que não há um modelo único, a
construção de um projeto de EA é um processo que busca atender a alguma
demanda de determinada comunidade ou grupo de pessoas. Então, é sempre
importante ter consciência das diversidades e complexidades regionais, sociais
e políticas na hora de aplicar os conhecimentosbásicos para construção de um
projeto.
Em sentido amplo, quando falamos
em projeto educacional, estamos nos
referindo a um plano, uma intenção, ao
desejo de realizar algo no futuro.
Nesse projeto, teremos de descrever
em detalhes o que motiva a
elaboração desse plano, como ele
será realizado e quais resultados
queremos alcançar, entre outras
coisas.
Um projeto de educação ambiental pode ser de dois tipos diferentes:
Caráter
empreendedor
Com o projeto, busca-se consolidar
um produto, bem de consumo ou
atividades com fins financeiros.
Caráter
extensionista
O educador irá se fundamentar em
experiências e ideias promissoras,
com o objetivo de encontrar soluções
para a problemática ambiental.
Nesse contexto, os projetos podem ser realizados nos diversos setores da
sociedade, por exemplo, empresas podem realizar ações de sustentabilidade
que busquem a conscientização sobre os danos de determinada prática humana
e ainda agregar valor à sua marca ou ao seu produto. Quando falamos em valor,
entretanto, não nos referimos ao valor monetário propriamente dito, mas ao valor
dado pelos consumidores que compactuam dos princípios de um modo de vida
mais harmonioso e respeitoso com o meio ambiente. Imagine que, para o
público que consome o produto, além do produto comprado, também é adquirido
o conhecimento, a contribuição ou a benfeitoria que o consumo desse
determinado produto trará para o meio ambiente em que vive.
Exemplo
Uma empresa que decide trocar suas embalagens plásticas por embalagens de
papel pode conquistar o consumidor que, consciente dos problemas dos
resíduos, irá optar pela opção menos danosa ao meio ambiente.
Professores podem utilizar do ambiente integrador de uma escola ou
organização local (ex. ONG, associação de moradores, cooperativas etc.) para a
criação e o desenvolvimento de um projeto de educação ambiental que busque a
resolução de problemas ambientais locais ou regionais.
O projeto pode ser encarado como um projeto de extensão, com o objetivo de levar os alunos para além dos
muros da escola.
Projetos de extensão podem fazer parte do compromisso de instituições, cursos
ou profissionais que atuem em Ciências Ambientais. E claro, todos os cidadãos
podem desenvolver projetos extensionistas caso sejam apreciados pela
sociedade em que se enquadra. Por exemplo, os gestores e funcionários de uma
Unidade de Conservação podem adentrar o ambiente escolar nas proximidades
da UC para trabalhar as questões ambientais que são enfrentadas na área
protegida.
Experiências em EA na
graduação
Neste vídeo, o professor Arthur Rodrigues Lourenço irá contar um pouco da sua
atuação em projetos de educação ambiental ao longo do período de graduação.
Veremos como a EA pode estar presente em diferentes contextos, como em

universidades, centros de pesquisa, trabalhos voluntários, unidades de
conservação e no dia a dia.
Por quê? Para quem? Com o quê?
Passos para a construção de um
projeto de EA
A primeira aproximação será a sugestão das possibilidades e prioridades do
projeto em determinado contexto. Pode ser feita a análise do contexto social
interagindo com uma problemática ambiental específica (“Por que realizar o
projeto?”). É nesse momento que o educador pode incorporar os grupos sociais
envolvidos, buscando a construção coletiva do projeto. Isso ajudará no
reconhecimento das demandas da comunidade e possibilitará compreender qual
dessas deve ser priorizada no desenvolvimento do projeto.
Existem vários métodos para o reconhecimento das demandas trabalháveis em
EA. Pode ser realizada a pesquisa bibliográfica, que irá considerar, além da
fundamentação teórica dos livros e artigos científicos, as reportagens de jornais
e os trabalhos técnicos, como relatórios de órgãos ambientais, empresas e
organizações não governamentais. Outra forma de reconhecer as demandas é
por meio da observação do educador. Para isso, é possível utilizar protocolos e
modelos (Quadro 1) com os dados importantes.
Quadro 1. Modelo de caderno de campo preenchido com dados fictícios.
Em seguida, deve-se realizar o contato com os órgãos educacionais
possivelmente interessados no projeto. É importante respeitar hierarquias e
fazer boas articulações, obedecendo o planejamentos e as normas
institucionais. No caso das escolas, pode-se verificar, por meio do Projeto
Político Pedagógico (PPP), se já existe especificada alguma demanda de
educação ambiental.
A partir da definição dos objetivos, da equipe técnica e do público-alvo (para
quem será realizado o projeto?), pode-se iniciar a construção de uma ação
educativa. Então, elabora-se um plano de trabalho ou plano de ação (com o que
será realizado o projeto?), que poderá ter diferentes abordagens: oficinas, cursos,
visitas orientadas, pesquisas interativas, questionários (Quadro 2), entrevistas,
entre outros, sempre valorizando o contexto, a cultura, os saberes e os valores
locais.
Quadro 2. Exemplo de questionário tratando o problema dos resíduos sólidos em uma comunidade.
Após um planejamento, é iniciada a execução da ação de educação ambiental.
Recomenda-se que o processo de execução também seja participativo, em
conformidade com as atividades planejadas e com o cronograma de execução.
Passos para a construção de um projeto de Educação Ambiental em Unidades de Conservação.
Atenção
É importante monitorar continuamente as atividades executadas, considerando
as possibilidades de ajustes, se necessário. Esse monitoramento deve ser
realizado durante o processo de implementação e execução do projeto; ao fim,
considerando os resultados, buscando avaliar as mudanças obtidas após as
ações de educação ambiental; e posteriormente à conclusão do projeto,
buscando qualificar e quantificar as alterações na comunidade em que o projeto
foi desenvolvido.
Comunicação e divulgação
A comunicação dos resultados obtidos com a realização do projeto irá fortalecer
a ação de educação ambiental. Essa comunicação deve sempre levar em
consideração a inclusão, a cooperação e a longevidade; além de pensar no que
deve ser comunicado, para quem quer comunicar e a melhor forma de
comunicar os dados obtidos, entre outros aspectos que podem nortear a
estratégia de comunicação.
Pode ser interessante incluir esse tópico ainda na etapa de elaboração do
projeto, tornando-o parte do plano de trabalho, dessa forma, a comunicação e a
divulgação pode ser pensada desde o início do projeto. Essa comunicação pode
ser feita:
Internamente, por exemplo, na
comunidade, escola ou empresa
em que a ação foi executada.
Externamente, em reportagens de
jornais, redes sociais, sites
especializados, revistas e eventos
acadêmicos.
Podcast
Neste podcast, discutiremos como um projeto de educação ambiental pode
articular com o setor privado, mostrando como leis e normas ambientais podem
estimular o desenvolvimento de projeto de EA e o que é preciso levar em
consideração na hora de apresentar um projeto para empresas.

Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
A partir do que foi visto no conteúdo, assinale a alternativa que apresenta a
maneira mais coerente de se iniciar um projeto de educação ambiental.
Parabéns! A alternativa C está correta.
Uma das estratégias mais coerentes no momento de elaboração de um
projeto de EA é analisar as problemáticas ambientais presentes na área de
A Pesquisar na internet temas globais e de ampla abrangência.
B
Utilizar leis e programas governamentais para propor um
projeto.
C
Analisar as problemáticas ambientais presentes na área em
que se deseja atuar.
D Definir qual o modelo será utilizado na ação de EA.
E
Monitorar atividades anteriormente realizadas para dar
continuidade a projetos já implementados.
atuação. Desse modo, pode-se elaborar um projeto que atenda diretamente à
comunidade e que leve em consideração as questões sociais e culturais da
região. Nesse sentido, utilizar temas globais e de ampla abrangência como
são oscolocados em leis e sites de internet não é a melhor forma de se
iniciar um projeto. A definição do modelo de projeto deve acontecer após a
noção da problemática que deverá ser trabalhada, entre outros fatores. O
monitoramento se faz necessário após o projeto implantado, buscando o
aprimoramento da técnica empregada.
Questão 2
Entre os objetivos disponíveis, escolha o que melhor caracteriza um projeto
de caráter empreendedor.
Parabéns! A alternativa D está correta.
Um projeto de caráter empreendedor é aquele que busca promover
determinado produto ou serviço que tenha em sua concepção os princípios
A
O objetivo é tratar de questões socioambientais no ambiente
escolar em parceria com UC.
B
O objetivo é coibir a caça de animais silvestres por meio de
folhetos informativos distribuídos na comunidade rural.
C
O objetivo é treinar a população tradicional para a prática de
ecoturismo.
D
O objetivo é comercializar produtos produzidos nos moldes
da sustentabilidade.
E
O objetivo é conscientizar os banhistas sobre os resíduos com
a colaboração de alunos do ensino médio.
do desenvolvimento sustentável. As demais alternativas tratam de projetos
extensionistas que não estejam diretamente ligados a fins comerciais.
Considerações �nais
A prática de educação ambiental mostra-se como uma importante ferramenta
para os profissionais que desejam atuar em ações preservacionistas. Neste
conteúdo, foram apresentadas diferentes maneiras de se trabalhar a educação
ambiental e demonstramos também como a educação ambiental pode estar
presente em diversos grupos sociais e locais.
Destacamos ainda os princípios norteadores para elaboração de um projeto de
educação ambiental. Por fim, proporcionamos o aprendizado de diferentes
formas de atingir um modo de vida sustentável, por meio da atuação de
educadores ambientais.
Explore +
Para saber mais sobre a problemática da criação de serpentes como
animais de estimação, acesse o site da World Animal Protection (Proteção
Animal Mundial) e leia a matéria “Descubra por que a jiboia não é um animal
de estimação”.
Você encontra mais informações sobre a elaboração de avaliação de um
projeto de educação ambiental em UCs na seguinte publicação do ICMBio:
Educação ambiental em Unidades de Conservação: ações voltadas para
comunidades escolares no contexto da gestão pública da biodiversidade.
Para conhecer projetos socioambientais realizados por entidades não
governamentais, acesse a página do Projeto UÇÁ, entre na seção
Publicações e analise os resultados dessa iniciativa.
Referências
BRANQUINHO, F. B.; FERREIRA, M. do C.; REIS, M. A. de S. Ciências naturais na
educação 2. Rio de Janeiro: Fundação CECIERJ, 2010. 290p., v. 1.
BRASIL. Portaria nº 169 de 23 de maio de 2012. Institui, no âmbito da Política
Nacional de Educação Ambiental, o Programa de Educação Ambiental e
Agricultura Familiar (PEAAF), e dá outras providências. Diário Oficial da União:
seção 1, Brasília, DF, n. 100, p. 56, 24 maio 2012.
CAJAÍBA, R. L.; SILVA, W. B da; PIOVESAN, P. R. R. Animais silvestres utilizados
como recurso alimentar em assentamentos rurais no município de Uruará, Pará,
Brasil. Desenvolvimento e Meio Ambiente. v. 34, p. 157-168, ago. 2015.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. IBGE. Coordenação de
Geografia. Classificação e caracterização dos espaços rurais e urbanos do
Brasil: uma primeira aproximação. Rio de Janeiro: IBGE, 2017. 84p. (Estudos e
pesquisas. Informação geográfica, n. 11).
INSTITUTO CHICO MENDES DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE. Educação
ambiental em Unidades de Conservação: ações voltadas para comunidades
escolares no contexto da gestão pública da biodiversidade. Brasília: ICMBIO,
2016.
LAUTON, D. C. R.; NUNES, V. de J.; LIMA, D. P. de. Informação ou resíduo?
Panfletagem no Município de Feira de Santana, Bahia, Brasil. Revista Brasileira de
Gestão Ambiental e Sustentabilidade, v. 7, n. 16, p. 501-523, 2020.
LUCCA, E. J.; BRUM, A. L. Educação ambiental: como implantá-la no meio rural?
Revista de Administração IMED, v. 3, n. 1, p. 33-42, jan. 2013.
MEDEIROS, A. B. de et al. A importância da educação ambiental na escola nas
séries iniciais. Revista Faculdade Montes Belos, v. 4, n. 1, p. 1-17, set. 2011.
METZGER, J. P. O que é ecologia de paisagens? Biota Neotropica, v. 1, n. 1, 2001.
VIEIRA T. F. et al. (orgs.). Educação ambiental em comunidades tradicionais.
Mossoró: EDUERN, 2017.
Consciência socioambiental e sustentabilidade
Prof. Igor Musauer Kessous, Profa. Juliana Velloso Durão
Apresentação Você vai estudar os conceitos de consciência socioambiental,
sustentabilidade e o contexto de aplicação da legislação ambiental
vigente. É fundamental atuarmos frente aos desafios socioambientais
enfrentados pela humanidade atualmente, assim como reconhecermos
que a conservação do meio ambiente e o desenvolvimento sustentável
são bases para uma sociedade mais justa, desenvolvida e
comprometida com as futuras gerações.
Propósito
Objetivos
Módulo 1
Políticas e de�nições de
consciência socioambiental
Módulo 2
Legislação ambiental no
Brasil
e sustentabilidade
Reconhecer políticas internacionais e
definições de consciência socioambiental e
sustentabilidade.
Identificar as principais leis ambientais
brasileiras sob uma perspectiva histórica.
Módulo 3
Gestão comunitária do meio
ambiente
Reconhecer a importância de cada um na
gestão comunitária do meio ambiente.
Introdução
Provavelmente você já ouviu falar em consciência socioambiental e
sustentabilidade. Esses temas vêm sendo muito recorrentes nos veículos
de comunicação, principalmente pela urgência de seu entendimento pela
sociedade em face da crise climática que estamos presenciando.
É inequívoco que os seres humanos tiveram — e têm — grande impacto na
modificação do planeta Terra, tanto estruturalmente quanto
climaticamente. Desde a Pré-História (período anterior a 3.500 a.C.), na
ascensão dos humanos, são retratados eventos de colonização de novas
regiões e o consequente “rastro” deixado, devido principalmente ao
desenvolvimento da agricultura e à caça de animais. Contudo, somente
após a Revolução Industrial, iniciada na segunda metade do século XVIII,
esses “rastros” evoluíram de forma exponencial, com o crescimento de
áreas urbanas e o forte extrativismo de recursos naturais para fins
lucrativos. Em conjunto com o desenvolvimento industrial das cidades, o
“dano colateral” da degradação ambiental também ocorreu de forma

exponencial, levando à contaminação de águas e solos e à poluição
atmosférica. A emissão dos gases de efeito estufa na atmosfera, como a
de CO2 apresentada no gráfico a seguir, foi e vem sendo um dos maiores
causadores da crise climática.
Gráfico: Emissão anual de gás carbônico na atmosfera.
Diante disso, é importante compreender que todos nós somos parte do
planeta e podemos contribuir para frear as mudanças climáticas e outros
desafios socioambientais, como a perda da biodiversidade e a degradação
dos ecossistemas naturais.
Neste conteúdo, definiremos os conceitos de consciência socioambiental e
sustentabilidade, importantes para a formação de cidadãos
comprometidos com as gerações atuais e futuras. Estudaremos a
legislação ambiental brasileira e seu histórico, assim como a importância
dos programas de gestão comunitária do meio ambiente.
Avanços importantes foram realizados nas últimas duas décadas quanto à
promoção de sustentabilidade e conscientização ambiental por parte da
população, no Brasil e no mundo, mas muito ainda precisa ser feito e
aprimorado.
Material para download
Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo
completo em formato PDF.
Download material
1 - Políticas e de�nições de consciência socioambiental e
sustentabilidade
Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer políticas internacionais e de�nições de
consciência socioambiental e sustentabilidade.
A consciência socioambiental
Assista ao vídeo a seguir para compreender o que é consciênciasocioambiental
e qual é a sua relação com a sociedade e o meio ambiente.
javascript:CriaPDF()
O termo socioambiental vem da união dos termos social e ambiental, pois esses
elementos e problemas, por vezes, são indissociáveis. Por exemplo, inúmeras
doenças são causadas pela falta de saneamento básico em determinadas
regiões do Brasil, o que representa um desafio social e ambiental.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que
aproximadamente 88% das mortes causadas por diarreia
ocorrem por falta de saneamento básico e higiene precária.
Estima-se que anualmente 15 mil pessoas morram e 350 mil sejam internadas
no Brasil devido a doenças ligadas à precariedade do saneamento básico (Jornal
da USP, 2020).
Comunidade em Ilhéus, BA, com esgoto a céu aberto.
Um exemplo também atual se refere
às consequências das mudanças
climáticas. As pessoas mais
vulneráveis, que vivem em situações
de pobreza, habitando moradias
irregulares e precárias, em encostas
ou nas margens de rios, são as
atingidas em maior quantidade e
intensidade pelas chuvas e outros
eventos climáticos extremos, como
ciclones, secas, furacões e ondas de
calor.
Destruição provocada pela passagem do furacão
Florence, nos Estados Unidos.
Em 2024, as ondas de calor no Brasil provocaram sensação térmica de 62°C.
Tais eventos evidenciam a vulnerabilidade da parcela mais carente da população
e a restrita atuação do poder público frente aos desafios ambientais, sempre
intensificados por questões sociais, políticas e econômicas.
É fundamental que entendamos os problemas socioambientais não apenas em
sua face ecológica, mas também considerando as consequências que podem
ser levadas para a sociedade. A questão socioambiental é diretamente
relacionada à desigualdade social. Como retratado acima, são diferentes escalas
de problemas sociais associados a desordens ambientais.
Saiba mais
A OMS aponta que cerca de um quarto da população mundial não tem acesso a
condições básicas de saneamento e cerca de 500 milhões de pessoas defecam
ao ar livre (WHO, 2021).
A evolução da cadeia produtiva resultou no desenvolvimento da medicina, da
ciência, da tecnologia, da comunicação, entre outros. No entanto, a falta de
planejamento causada por essa produção e pelo consumo desenfreado levou o
nosso planeta a uma crise ambiental sem precedentes.
O processo de conscientização individual e coletivo da
questão socioambiental representa o primeiro passo no
combate dessa problemática.
Nesse sentido, tornar-se consciente sobre a problemática socioambiental que
existe no Brasil e no planeta é um primeiro passo fundamental de todo cidadão,
que tem o direito e dever de estar informado sobre o contexto em que vive.
Como cidadão, o poder de voto, de cobrança e de decisão de consumo, pode
interferir e direcionar melhor as políticas governamentais e as ações
empresariais.
Escolhas de consumo consciente e geração de menos lixo (e destinação correta
do lixo para reaproveitamento ou reciclagem) são ações individuais básicas e
eficazes para cidadãos atentos e despertos. O processo de conscientização
individual e coletivo sobre a questão socioambiental representa um primeiro
movimento no combate dessa problemática.
Re�exão
Você sabia que hoje no Brasil mais de 1 milhão de pessoas ainda vivem sem
banheiro em casa?
De acordo com o Censo 2022, há 367 mil lares sem banheiro, nem mesmo
externo ou precário. Enquanto isso, na outra ponta, 5,4 milhões de pessoas
vivem em casas com quatro banheiros ou mais.
O Piauí enfrenta a pior situação do país, em que 5% da população vivem nessas
condições. O quadro é crítico em 169 municípios, em que 10% da população
habita lares sem banheiros ou sanitário. Em todo o país, há ainda 2,4 milhões de
pessoas em domicílios com instalações externas ou insalubres. O Brasil se
comprometeu a eliminar essa situação até 2030, seguindo os Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
A importância da consciência
socioambiental
Neste vídeo, assista à entrevista com as professoras Beatriz Neves e Juliana
Durão sobre ondas de calor, eventos climáticos extremos e sobre a relação entre
meio ambiente e desigualdade global.
Atividade 1
Leia atentamente as frases abaixo:
I. A consciência socioambiental é definida pela consciência exclusiva de chefes
de Estado em relação à biodiversidade do planeta.
II. A consciência socioambiental informa à população sobre as consequências
dos meios de produção e a problemática ambiental associada.
III. O voto, as cobranças e decisões de consumo individuais de cada cidadão
têm poder de pressionar e interferir em políticas governamentais e empresariais.

Está correto o que se afirma em:
Parabéns! A alternativa E está correta.
Na frase (I), o erro se encontra na atribuição da consciência socioambiental
apenas aos chefes de Estado e à biodiversidade, quando na verdade deve ser
atribuída à população como um todo e considerar também outros aspectos
além da biodiversidade, como o social, o econômico e o ambiental. As demais
frases se encontram corretas, (II) a consciência socioambiental tem como um
dos objetivos informar sobre as consequências das ações individuais e dos
meios de produção para o meio ambiente e (III) cada cidadão precisa agir com
responsabilidade e entender o poder do seu voto, das suas ações de cobrança e
consumo consciente frente às políticas do governo e de empresas, em prol de
um meio ambiente equilibrado, saudável e próspero para esta e as futuras
gerações.
O que é desenvolvimento sustentável?
A Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da Organização
das Nações Unidas (ONU) definiu desenvolvimento sustentável como um
modelo de desenvolvimento que considera as necessidades da atual geração,
A I e II apenas.
B I e III apenas.
C II apenas.
D I apenas.
E II e III apenas.
assim como as necessidades das gerações futuras.
A ideia é buscarmos modelos de desenvolvimento que sejam regenerativos e
considerem os limites planetários. No entanto, isso não vem acontecendo.
Para nos dar a ideia de como
andamos consumindo nossos
recursos naturais, foi criado o dia da
sobrecarga da Terra. A cada ano, esse
dia marca o momento em que a
humanidade já consumiu todos os
recursos naturais que o planeta pode
renovar, ou seja, pode nos prover
naquele ano. Quem mede esse índice
anualmente é a ONG GFN – Global
Footprint Network. Acontece que,
desde que esse indicador começou a
ser utilizado, entramos em débito com
o planeta com mais antecedência a
cada ano, ou seja, o dia é marcado
antes de o ano terminar e cada vez
mais cedo.
O dia da sobrecarga da Terra é o dia que foi definido como símbolo do nosso uso
desenfreado e insustentável de recursos naturais. Em 2023, no dia 02 agosto,
utilizamos todos os recursos naturais que poderíamos consumir durante o ano
todo. Após a data, tudo o que foi produzido e consumido foi além da capacidade
do planeta.
A sustentabilidade possui três pilares dependentes entre si, nenhum pode existir
sem o outro no longo prazo: o ambiental, o social e o econômico.
Os três pilares da sustentabilidade.
Já ouviu falar de ESG?
Hoje, grande parte das empresas tem utilizado uma nova nomenclatura para
tratar das questões socioambientais, ESG (environmental, social and
governance). No Brasil, usa-se também a sigla ASG (ambiental, social e
governança). Independentemente do nome, sustentabilidade ou ESG, o
importante é que as estratégias, o plano de negócio e as políticas de todas as
corporações incorporem, efetivamente, as questões ambientais, sociais e de
governança e que elas ganhem tanto peso quanto as questões econômicas.
Sustentabilidade e o dia da sobrecarga da
terra
Este vídeo aborda temas como desenvolvimento sustentável, sustentabilidade e
o dia da sobrecarga da terra.

Atividade 2
A incorporação de questões socioambientais na agenda empresarial tem
ganhado mais peso recentemente. Com base no exposto sobre ESG, qual das
empresas hipotéticas citadas abaixovocê indicaria como realmente
comprometida com as questões socioambientais:
A
A empresa CAP produz relatórios de sustentabilidade
anualmente, porém tem tido enormes problemas com a
comunidade ao entorno de sua fábrica por conta da poluição do
rio local, que passou a ser impróprio para o banho após sua
instalação e operação, por conta do despejo de materiais
impróprios oriundos do seu processo produtivo.
B
A empresa FNT estimula que seus funcionários realizem trabalho
voluntário para divulgar em suas redes sociais, no entanto, não
paga hora extra aos seus funcionários que realizam jornadas de
trabalho extenuantes.
C
A empresa GAT produz peças de roupa e em uma de suas
campanhas de marketing se define como marca sustentável por
ter utilizado em uma peça algodão orgânico. No entanto, ela
utiliza trabalho subvalorizado e explorado em suas fábricas na
Ásia.
A empresa SEQUOIA produz roupas de alta qualidade e
durabilidade. Toda a produção é feita por mulheres, que são bem
Parabéns! A alternativa D está correta.
A empresa SEQUOIA que se preocupa em produzir produtos duráveis, que não
serão descartados rapidamente, incentiva a igualdade de gênero, buscando
empregar mulheres, remunera bem suas empregadas e busca mão de obra local
e eficiência energética na sua produção, contribuindo com o meio ambiente.
Além do trabalho importante de divulgação baseada no consumo consciente.
Como alcançar o desenvolvimento
sustentável?
D
remuneradas e vivem no entorno de sua fábrica. Eles buscam a
eficiência energética em seus processos produtivos e a redução
das emissões de gases de efeito estufa e de outros poluentes.
Suas campanhas de marketing não estimulam a compra
excessiva de roupas, mas sim a compra de poucas peças,
duráveis e atemporais.
E
A empresa VIRTU é conhecida por produzir materiais para a
indústria de construção civil. Ela se comprometeu com várias
metas climáticas e foi considerada referência no seu setor por
conta disso. No entanto, por conta de questões financeiras, não
vem cumprindo as metas estabelecidas e passou a emitir mais
gases de efeito estufa nos últimos anos.
O desenvolvimento deve ser planejado
tendo em vista a melhor utilização dos
recursos naturais, sejam eles
renováveis ou não renováveis (aqueles
que são finitos) e considerando o
atendimento das necessidades
básicas da população.
É importante ressaltar que não
somente nossa sociedade atual
depende desse modelo de
desenvolvimento, mas também as
próximas gerações. O
desenvolvimento sustentável leva
mais em conta a qualidade da
produção do que a quantidade,
visando à reutilização de produtos,
reinserindo-os como matéria-prima
nos processos produtivos após o final
de sua vida útil, e à redução do uso de
matérias-primas.
Sendo assim, nos países em desenvolvimento como o Brasil, é importante ter em
vista que, para alcançar maiores patamares de riqueza, não é necessário seguir
o sistema adotado pelos países desenvolvidos, o que seria insustentável para o
planeta, mas elaborar meios e modelos de produção mais sustentáveis. O Brasil
é um país privilegiado por ter recursos naturais em abundância, porém precisa
utilizá-los melhor.
Metas para um desenvolvimento
sustentável
Este vídeo trata do conjunto de metas definidas por países-membros da ONU
como necessárias para alcançarmos o desenvolvimento sustentável. No Brasil,
elas são chamadas de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Para se alcançar o desenvolvimento sustentável das nações, é necessário ter
metas claras. Nesse sentido, em 2015, os países membros da ONU adotaram a
Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável, dividida em 17 objetivos (SDG –
Sustainable Development Goals) que entraram em vigor no dia 1° de janeiro de
2016 e devem ser alcançados até 31 de dezembro de 2030. No Brasil são
chamados de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Os 17 objetivos globais de desenvolvimento sustentável.
1 - Erradicação da pobreza: Acabar
com a pobreza em todas as suas
formas, em todos os lugares. Elaborar
políticas sólidas para reduzir em pelo
menos metade o número de pessoas
em pobreza extrema. Além disso,
deve-se assegurar a todos o acesso a
serviços básicos.
2 - Fome zero e agricultura
sustentável: Acabar com a fome,
alcançar a segurança alimentar e
melhoria da nutrição e promover a
agricultura sustentável. Ampliar a
produtividade agrícola de pequenos
agricultores, por meio de novos
investimentos. Garantir repartição
igualitária dos benefícios provenientes
de recursos genéticos e conhecimento
tradicional para comunidades locais.
3 - Saúde e bem-estar: Assegurar uma
vida saudável e promover o bem-estar
para todos, em todas as idades.
Diminuir a mortalidade materna e
infantil, acabar com epidemias e
incentivar o acesso universal a
serviços de saúde. Apoiar pesquisas
científicas no âmbito da saúde,
inclusive no desenvolvimento de
vacinas.
4 - Educação de qualidade: Assegurar
a educação inclusiva e equitativa e de
qualidade, e promover oportunidades
de aprendizagem ao longo da Garantir
os ensinos primário e secundário de
qualidade para todos. Eliminar a
disparidade de gênero na educação e
preparar os jovens para empregos na
vida adulta. Incentivar a formação de
professores por meio de cooperação
internacional.
5 - Igualdade de gênero: Alcançar a
igualdade de gênero e empoderar
todas as mulheres e meninas. Acabar
com qualquer tipo de discriminação
de gênero, bem como a violência
sofrida pelas mulheres. Assegurar o
acesso à propriedade e a participação
igualitária das mulheres na política, na
economia e na vida pública.
6 - Água potável e saneamento:
Assegurar a disponibilidade e gestão
sustentável da água e saneamento
para todos. Melhorar a qualidade da
água e reduzir a poluição. Incentivar e
capacitar países para a promoção do
saneamento básico. Proteger os
recursos hídricos e incentivar a
participação de comunidades locais
na gestão das águas.
7 - Energia limpa e sustentável:
Assegurar o acesso confiável,
sustentável, moderno e a preço
acessível à energia para todos.
Incentivar o uso de energia renovável
ampliando a infraestrutura e
modernizando tecnologias.
8 - Trabalho decente e crescimento
econômico: Promover o crescimento
econômico sustentado, inclusivo e
sustentável, o emprego pleno e
produtivo e o trabalho decente para
todos. Reduzir o número de jovens
desempregados, erradicar trabalhos
forçados ou análogos à escravidão,
bem como o trabalho infantil.
Assegurar a geração de emprego
decente e o empreendedorismo.
9 - Indústria, inovação e infraestrutura:
Construir infraestruturas resilientes,
promover a industrialização inclusiva e
sustentável e fomentar a inovação.
Promover uma indústria sustentável e
inclusiva, aumentando participação de
países em desenvolvimento e menos
desenvolvidos. Incentivar pesquisas
científicas para o desenvolvimento
tecnológico.
10 - Redução das desigualdades:
Reduzir a desigualdade dentro dos
países e entre eles. Aumentar a renda
dos mais pobres, incentivar a inclusão
social independentemente de crenças,
posicionamento político, gênero, raça,
cor e idade. Incentivar criação de
políticas públicas para se alcançar
uma maior igualdade.
11 - Cidades e comunidades
sustentáveis: Tornar as cidades e os
assentamentos humanos inclusivos,
seguros, resilientes e sustentáveis.
Dar acesso à habitação, à segurança,
ao transporte de forma sustentável a
todos. Reduzir número de mortes
atribuídas às catástrofes, à violência e
à baixa qualidade de água.
12 - Consumo e produção
responsáveis: Assegurar padrões de
produção e de consumo sustentáveis.
Reduzir significantemente o
desperdício de comida, a geração de
resíduos (mediante reciclagem).
Mudar produção e consumo para
padrões mais sustentáveis,
principalmente em países em
desenvolvimento.
13 - Ação contra a mudança global do
clima: Tomar medidas urgentes para
combater a mudança do clima e seus
impactos. Incentivare
permanente
A educação ambiental
deve ser tratada como
uma prática constante e
em evolução.
Interdisciplinaridade
Significa que essa
educação constitui um
tema comum a duas ou
mais disciplinas, como
as Ciências, a História
ou a Geografia.
Metodologia
participativa
Há espaço de fala e
participação para todos.
Formação de
cidadãos
Busca-se o sentimento
de responsabilidade
coletiva pelo planeta.
Saiba mais
No fim da década de 1970, no Brasil, a educação ambiental começou a fazer
parte do contexto escolar com o desenvolvimento de alguns projetos em escolas
públicas do Distrito Federal, de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Para os cursos de ensino superior, as disciplinas de Ciências Ambientais
começaram a fazer parte da grade curricular dos cursos de Engenharia.
educação ambiental pôde ser definida como a prática da
educação com a finalidade de resolução de problemas
relacionados ao meio ambiente por meio de um enfoque
interdisciplinar e de uma participação ativa e responsável
de cada indivíduo ou da coletividade.
Década de 1980 (aumento da visibilidade
da educação ambiental)
Na década de 1980, a educação ambiental passou a ter maior visibilidade com a
criação da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente, em 1983, e com a
realização da Conferência Internacional de Educação Ambiental, em 1987.
Vamos conhecer mais detalhes a seguir.
1983
Foi criada a Comissão
Mundial sobre o Meio
Ambiente, órgão da ONU que
trouxe mais clareza à ideia
do desenvolvimento
sustentável e da
conscientização coletiva
sobre o meio ambiente.
1987
Na cidade de Moscou, na
Rússia, ocorreu a
Conferência Internacional de
Educação Ambiental. Foi
lançado nessa conferência o
Relatório Brundtland, cujo
principal objetivo era
embasar e promover o
desenvolvimento
sustentável por meio da
apresentação de possíveis
estratégias e métodos a
serem empregados em
diversas situações.
Década de 1990 (evolução das políticas
ambientais)
A partir dos anos 1990, um novo jeito de pensar as políticas ambientais foi
implementado: o agir local e o pensar global. Essa nova abordagem sobre o
desenvolvimento sustentável e a educação ambiental se deu graças a dois
grandes eventos principais:
1992
Conferência sobre Meio
Ambiente e Desenvolvimento
da ONU no Rio de Janeiro,
também conhecida como Rio-
92.
1997
Conferência Internacional de
Educação Ambiental e
Sociedade, em Tessalônica, na
Grécia.
Nos dois eventos, a educação ambiental foi citada como forma
de disseminação das informações sobre o meio ambiente que
contribuiriam para a conscientização daquela e das próximas
gerações. Além disso, planos de ações de governos também
foram apreciados e discutidos.
A seguir, o professor Arthur Rodrigues Lourenço falará sobre o contexto em que
a Rio-92 ocorreu, quais foram seus objetivos, os países que participaram do
evento, quais foram as deliberações feitas sobre a educação ambiental, além de
suas consequências para sociedade brasileira e desdobramentos dos eventos
seguintes, como a Rio +10 e Rio +20. Vamos ouvir!
Podcast
Início do século XXI (disseminação da
sustentabilidade e eventos sobre

educação ambiental no Brasil)
Diversos outros eventos relacionados à educação ambiental e a outros temas
correlatos continuaram a acontecer ao longo dos anos.
Exemplo
Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU (Rio +10), em
2002, e Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU (Rio +20),
dez anos depois.
Com o passar dos anos, a educação ambiental foi sendo encarada como uma
aliada no combate à superexploração do meio ambiente e a promotora de uma
vida sustentável e digna a todos. Assim, a principal concepção sobre ela passou
a ser a de uma conscientizadora do indivíduo e da sociedade em geral sobre os
problemas ambientais presentes e futuros nos quais os seres humanos, como
parte integral do planeta, são colocados.
Hoje em dia, a educação ambiental
também está associada às mudanças
no estilo de vida e aos padrões de
consumo que adotamos como
indivíduos. Tudo isso exige processos
educativos que indiquem os caminhos
para uma relação mais harmoniosa
entre humanidade e natureza.
Concepções
A educação ambiental pode ser concebida em duas vertentes principais:
Educação ambiental formal
A educação ambiental formal ou
escolar consiste na apresentação de
informações e na conscientização de
alunos no contexto da sala de aula.
Você se lembra de quando estudou na
escola acerca dos problemas
ambientais? Sobre a destruição da
camada de ozônio, o desmatamento
ou as chuvas ácidas, por exemplo?
Todos esses problemas ambientais – e outros – são temas que
fazem parte do currículo escolar e representam a educação
ambiental formal.
Em geral, a educação ambiental formal está inserida nas disciplinas de Ciências
(ensino fundamental) e Biologia (ensino médio), mas ela tem repercussão em
diversas outras disciplinas, podendo – e devendo – ser tratada de forma
interdisciplinar pelos professores.
Saiba mais
A presença da educação ambiental formal nas salas de aula das escolas
brasileiras é definida pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN).
Educação ambiental não formal
Em algum momento da sua vida, você
já:
Viu cartazes na rua com mensagens
como “jogue o lixo no lixo”?
Observou indicações sobre como
descartar seu lixo de forma correta,
usando cestos específicos para
plástico, papel, vidro e metal?
Teve a oportunidade de participar
e/ou observar o plantio de mudas ou a
coleta coletiva de lixo em praias?
Ouviu uma palestra ou teve uma
conversa sobre a importância de se
saber de onde vem o alimento que
você está consumindo?
Essas perguntas são exemplos de formas educativas de conscientização sobre
suas ações e as respectivas consequências delas em relação ao meio ambiente.
Elas exemplificam, portanto, uma educação ambiental não formal.
A educação ambiental não formal pode se dar de múltiplas formas. Já sua
promoção ocorre por intermédio de diferentes órgãos, instituições ou empresas,
como os exemplos a seguir:
Museus Centros de
ciências
Parques
Praças Espaços
turísticos
Espaços
culturais
Ela, portanto, precisa ser formulada especificamente para cada contexto, tema e
público, tendo o devido respeito aos valores e à cultura do coletivo-alvo dessas
ações. Suas atividades preferencialmente devem envolver a participação ativa
do público-alvo e o incentivo para a continuidade de boas práticas.
Desa�os no Brasil e educação ambiental
para a sustentabilidade
Desde seus primórdios, a educação ambiental surge como uma prática que tira o
ser humano de sua zona de conforto e o apresenta a uma realidade nada
agradável, a qual, aliás, nada mais é do que o fruto de um desenvolvimento
exploratório insustentável. Hoje, ela possui, em sua concepção, o objetivo de
uma conscientização coletiva por meio de diversas práticas de caráter formal ou
não formal.
Se desejamos conhecer alguns dos principais desafios relativos à educação
ambiental de determinado local, comecemos analisando quais são seus
principais problemas ambientais. No caso do Brasil, podemos citar diversos
casos.
Listaremos alguns deles a seguir:
O
desmatamento
criminoso na
Amazônia
As queimadas
no Pantanal
A poluição do
ar na cidade
de São Paulo
A poluição da
Baía de
Guanabara, no
Rio de Janeiro
O descarte
incorreto de
lixo em mais
de 50% dos
municípios
brasileiros
A falta de
água potável
e as
frequentes
enchentes
causadas
pelas chuvas
A falta ou a imprecisão das informações que chegam até os brasileiros também
é um grande problema. Caberia à educação ambiental traçar planejamentos de
ação de cunho educativo voltados para a problematização dessas situações.
Entenda os desafios para a educação ambiental encontrados no contexto formal
e não formal.
Contexto formal
Na escola, os desafios
encontrados para a
realização plena da
educação ambiental variam
desde a esfera das políticas
educacionais até o
Contexto não formal
Nos espaços de educaçãopolíticas e
planejamento dos países no combate
à crise climática. Incentivar o reforço
da capacidade de adaptação a
catástrofes climáticas.
14 - Vida na água: Conservação e uso
sustentável dos oceanos, dos mares e
dos recursos marinhos para o
desenvolvimento sustentável. Reduzir
drasticamente a poluição marinha
recorrente de atividades terrestres.
Aumentar regiões de conservação em
áreas costeiras, acabar com a pesca
ilegal e destrutiva. Incentivar
pesquisas científicas oceanográficas.
15 - Vida terrestre: Proteger, recuperar
e promover o uso sustentável dos
ecossistemas terrestres, gerir de
forma sustentável as florestas,
combater a desertificação, deter e
reverter a degradação da terra e deter
a perda de biodiversidade. Promover
uso sustentável em florestas e
diminuir o desmatamento. Combater a
desertificação e promover a
restauração de florestas. Aumentar
aportes financeiros para a
conservação e o uso sustentável de
florestas.
16 - Paz, justiça e instituições
eficazes: Promover sociedades
pacíficas e inclusivas para o
desenvolvimento sustentável,
proporcionar o acesso à justiça para
todos e construir instituições eficazes,
responsáveis e inclusivas em todos os
níveis. Reduzir a corrupção e
assegurar o Estado de Direito a todos.
Acabar com a exploração infantil e
reduzir todas as formas de violência.
17 - Parcerias e meios de
implementação: Fortalecer os meios
de implementação e revitalizar a
parceria global para o
desenvolvimento sustentável.
Fortalecer a cooperação internacional
para o auxílio a países menos
desenvolvidos, bem como incentivar a
capacitação em países em
desenvolvimento. Ajudar países em
desenvolvimento a alcançar a
sustentabilidade.
Os ODS foram criados a partir das Metas do Milênio, que foram definidas na Rio-
92, o que pode ser considerado um dos marcos globais para a sustentabilidade.
Jogo de memória dos ODS
Este vídeo apresenta um jogo de memória dos ODS em que os 17 itens são
comentados por especialistas.
Atividade 3
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU foram adotados em 2015
pelos países signatários como uma chamada universal à ação para acabar com
a pobreza, preservar o planeta e garantir que até 2030 todas as pessoas
desfrutem de paz e prosperidade. Sendo assim, assinale a alternativa correta em
relação a esses objetivos.

A
Objetivo 1: Erradicação da pobreza, que se refere a acabar com a
pobreza em países africanos, visto que são os mais afetados
pela fome e falta de saneamento.
B
Objetivo 7: Energia limpa e acessível, que se refere a incentivar a
criação de fontes energéticas oriundas de combustíveis fósseis.
C
Objetivo 6: Água potável e saneamento, que se refere
exclusivamente ao incentivo dado por países desenvolvidos aos
menos desenvolvidos na criação de redes de esgoto.
Parabéns! A alternativa D está correta.
Segundo definição da ONU, o objetivo 15 visa proteger, recuperar e promover o
uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as
florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e
deter a perda de biodiversidade; o objetivo 1 visa erradicar a pobreza em todas
as formas e em todos os lugares; o objetivo 7 visa garantir o acesso a fontes de
energia fiáveis, sustentáveis e modernas para todos; o objetivo 6 visa garantir a
disponibilidade e a gestão sustentável da água potável e do saneamento para
todos; e o objetivo 16 visa reduzir significativamente todas as formas de
violência e as taxas de mortalidade relacionada em todos os lugares e promover
sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável.
Rio-92: marco global em prol do ambiente
e sustentabilidade
Também conhecida como Cúpula da Terra ou Eco-92, a Rio-92 ocorreu na cidade
do Rio de Janeiro em junho de 1992, vinte anos após a Conferência das Nações
Unidas sobre o Meio Ambiente Humano em Estocolmo, Suécia, realizada em
1972, na década em que efetivamente se iniciaram as discussões de cunho
ambiental.
A Rio-92 foi o marco internacional na
política ambiental do planeta, uma vez
que os países signatários admitiram
que era necessário modificar o
modelo de desenvolvimento da
D
Objetivo 15: Vida terrestre, que se refere a promoção e incentivo
à redução do desmatamento, recuperação e proteção dos
ecossistemas terrestres.
E
Objetivo 16: Paz, justiça e instituições eficazes, que se refere ao
incentivo ao armamento da população no combate à violência
das grandes cidades.
Logo da Rio-92. humanidade para um modo
sustentável, tendo em vista o
esgotamento de diversos recursos
para gerações futuras. Mais de 100
chefes de Estado estiveram presentes
e se reuniram, um número nunca visto.
Nessa conferência, os países desenvolvidos se comprometeram a auxiliar os
países em desenvolvimento (como o Brasil) a alcançar um modelo de
desenvolvimento sustentável e consumo reduzido, visto que, se os países em
desenvolvimento e menos desenvolvidos usassem os mesmos padrões de
desenvolvimento dos países desenvolvidos, não haveria recursos suficientes
sem que ocorressem graves consequências no meio ambiente. Dessa forma, a
Rio-92 resultou na produção dos seguintes documentos:
Propôs mudanças em padrões de consumo (principalmente recursos
energéticos), a proteção ambiental, o desenvolvimento tecnológico e o
combate ao desmatamento, à poluição e à desertificação de forma
integrada e participativa. Além disso, aspectos sociais intrínsecos ao
desenvolvimento sustentável como o combate à pobreza e às
desigualdades. Foi o principal documento da conferência.
Estabeleceu princípios acerca da paz mundial, sustentabilidade,
democracia, erradicação da pobreza e direitos humanos.
Comprometeram-se a reduzir emissões de gases prejudiciais, conservar
as espécies e combater a desertificação. Ainda, as nações concordaram
que os lucros dos recursos genéticos fossem repartidos.
Agenda 21 
Carta da Terra 
Convenções da Biodiversidade, Desertificação e Mudanças
climáticas 
Determinou a soberania das florestas pelos países, inclusive na
minimização de danos ambientais.
Abordou a proteção do meio ambiente tendo em vista aspectos
econômicos.
Embora não tenha estipulado prazos concretos, a Rio-92 teve grande legado na
consciência socioambiental do planeta como um todo, principalmente no
embasamento de ações concretas nas conferências seguintes da ONU e na
formulação dos ODS, que foram anteriormente apresentados.
Vinte anos após a Rio-92, em 2012, foi
realizada a Rio +20, a fim de avaliar o
progresso no tempo decorrido e
renovar o compromisso ambiental
com os países signatários. A
erradicação da pobreza e a economia
verde foram os principais temas dessa
conferência.
Lideranças reunidas durante a Rio+20.
Vale mencionar também o Protocolo de Quioto, que colocou no mercado
instrumentos como o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, para ajudar que os
países desenvolvidos (maiores emissores de gás de efeito estufa per capita)
compensassem suas emissões comprando créditos de carbono de países em
desenvolvimento. O Protocolo de Quioto entrou em vigor no dia 16 de fevereiro
de 2005, logo após o atendimento às condições que exigiam a ratificação por, no
mínimo, 55% do total de países-membros da convenção e que fossem
responsáveis por, pelo menos, 55% do total das emissões de 1990.
Comentário
Durante o primeiro período de compromisso, entre 2008-2012, 37 países
industrializados e a comunidade europeia comprometeram-se a reduzir as
emissões de gases de efeito estufa (GEE) para uma média de 5% em relação aos
Declaração de Princípios sobre Florestas 
Declaração do Rio sobre Ambiente e Desenvolvimento 
níveis de 1990. No segundo período de compromisso, as partes se
comprometeram a reduzir as emissões de GEE em pelo menos 18% abaixo dos
níveis de 1990 no período de oito anos, entre 2013-2020. Cada país negociou a
sua própria meta de redução de emissões em função da sua visão sobre a
capacidade de atingi-la no períodoconsiderado. O Brasil ratificou o documento
em 23 de agosto de 2002.
O Acordo de Paris, que foi o sucessor do Protocolo de Quioto, é um tratado
mundial que possui um único objetivo, o de reduzir o aquecimento global. Ele foi
discutido entre 195 países durante a Conferência das Partes (COP21), em Paris.
O compromisso internacional foi aprovado em 12 de dezembro de 2015 e entrou
em vigor oficialmente no dia 4 de novembro de 2016. O Acordo de Paris é um
tratado internacional cujos esforços estão voltados para limitar o aumento da
temperatura do planeta até o final do século a níveis seguros.
A partir de 2020, as medidas que esse acordo rege para a redução de emissão
de dióxido de carbono (CO2) iniciaram-se, reconhecendo a necessidade de uma
resposta eficaz e progressiva à ameaça da mudança do clima com base no
melhor conhecimento científico disponível. O Brasil ratificou o Acordo de Paris
em 12 de setembro de 2016.
Convenção da Diversidade Biológica
Neste vídeo, o professor Igor Kessous apresenta a Convenção da Diversidade
Biológica (CDB), estabelecida durante a Rio-92, e suas três bases principais: a
conservação da diversidade, o uso sustentável da biodiversidade e a repartição
equitativa dos benefícios.
Atividade 4

A Rio-92, também conhecida como Cúpula da Terra ou Eco-92, foi uma
conferência que representou um marco na política ambiental global, resultou na
criação de importantes documentos e lançou as bases para futuras
conferências ambientais. Assinale a alternativa que corretamente representa um
aspecto discutido ou um resultado da Rio-92.
Parabéns! A alternativa D está correta.
A Rio-92 realmente teve um impacto significativo na conscientização
socioambiental global e influenciou as conferências seguintes, além de
contribuir para a formulação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável
(ODS). A conferência não ocorreu em Nova York, mas no Rio de Janeiro em
1992, e não foram estipulados prazos concretos para o alcance de metas
ambientais. A lógica do compromisso de desenvolvimento sustentável é adotar
padrões de desenvolvimento que considerem o meio ambiente e faça uso
racional dos recursos naturais. O tema principal da Rio+20 é que foi a
erradicação da pobreza.
A
A Rio-92 foi realizada vinte anos após a Conferência das Nações
Unidas sobre o Meio Ambiente Humano em Nova York.
B
A Rio-92 estipulou prazos concretos para o alcance de metas
ambientais.
C
Os países em desenvolvimento se comprometeram a adotar
padrões de desenvolvimento iguais aos dos países
desenvolvidos.
D
A Rio-92 teve grande impacto na conscientização
socioambiental global e influenciou conferências subsequentes.
E A erradicação da pobreza foi o principal tema da Rio-92.
Principais desa�os ambientais e riscos
globais da atualidade
Há inúmeros desafios que a humanidade enfrenta atualmente e podemos
mencionar a poluição do ar, as mudanças climáticas, o desmatamento, a perda
de biodiversidade e a degradação do solo como desafios expressivos e que
devem ser solucionados para que o planeta continue sendo habitável para os
seres vivos.
Atenção!
Atualmente, há emissão excessiva de carbono e de outros gases de efeito estufa
na atmosfera. O uso de combustíveis fósseis e o desmatamento crescentes
aumentaram as concentrações atmosféricas de CO2 de 280 partes por milhão
(ppm), há 200 anos, para cerca de 400 ppm, o que representa um aumento sem
precedentes, tanto em escala quanto em velocidade e o resultado são as
perturbações climáticas que já ocorrem em todo mundo.
É importante destacar que o excesso de carbono é apenas uma das formas de
poluição do ar causadas pela queima de combustíveis fósseis, mas há inúmeros
componentes nocivos que são liberados a cada segundo na atmosfera pelas
atividades humanas.
Frente à mudança climática, que se tornou a grande preocupação ambiental dos
países e de instituições privadas, faz-se necessário substituir os combustíveis
fósseis por energia renovável, reflorestar, reduzir as emissões da agricultura,
melhorar os processos industriais e diminuir o atual padrão insustentável de
consumo.
Queimadas provocadas para dar espaço a gado.
Desmatamento
No que se refere ao desmatamento, esse é um problema crítico.
Florestas ricas e diversas vêm sendo destruídas para dar espaço para a
pecuária e monoculturas agrícolas, além de outras atividades. No Brasil,
a mudança e uso do solo é a maior fonte de emissões de gases de
efeito estufa, por exemplo, e o desmatamento cresce a cada ano.
Recuperar as florestas e conservar as que restam é fundamental.
Governos, empresas e cidadãos deveriam ter esse compromisso como
algo de grande importância para manutenção da vida no planeta.
Abelhas mortas em consequência da fumaça.
Perda da biodivesidade
Nesse sentido, é importante mencionar também a perda de
biodiversidade, outro problema crítico. De acordo com informações do
WWF (World Wide Fund for Nature), as estimativas de perda acelerada
de espécies de seres vivos que presenciamos hoje está entre 1.000 e
10.000 vezes acima da taxa de extinção natural e que entre 0,01 e 0,1%
das espécies do planeta são extintas por ano.
Solo degradado pela exploração excessiva de pastagens.
Degradação do solo
Em relação à degradação do solo, há no mundo hoje uma exploração
excessiva de pastagens, a crescente erosão dos solos, as
monoculturas, a compactação dos solos, sua exposição excessiva a
poluentes e outros, representando as diferentes formas de degradação
que sofrem. De acordo com a ONU, cerca de 12 milhões de hectares de
terras agrícolas são degradados anualmente.
Anualmente, é publicado o Relatório de Riscos Globais, desenvolvido pelo Fórum
Econômico Mundial em colaboração com a Zurich e a Marsh McLennan. Ele
apresenta os resultados da Pesquisa de Percepção de Riscos Globais (GRPS),
que coleta percepções de quase 1.500 especialistas globais todos os anos. No
relatório de 2024, entre os 10 principais riscos globais, cinco se referem a
questões socioambientais:
1. Condições climáticas extremas
2. Mudança crítica nos sistemas da Terra
3. Perda de biodiversidade e colapso do ecossistema
4. Escassez de recursos naturais e poluição
Esses são os riscos mais graves previstos para enfrentarmos ao longo da
próxima década.
Você já ouviu falar das fronteiras
planetárias?
Resposta
Conceito proposto em 2009 em um artigo científico,
as fronteiras planetárias definiram um conjunto de
limites interligados que garantem um espaço
operacional seguro para a humanidade. Foi feito um

Seguem os nove limites planetários: mudanças climáticas, integridade da
biosfera, mudança de uso do solo, fluxos bioquímicos, destruição do ozônio
estratosférico, uso da água doce, acidificação do oceano, carregamento de
aerossóis atmosféricos e incorporação de novas entidades.
As nove fronteiras planetárias, atualizado para o ano de 2023.
Com base no que estudamos até aqui, podemos concluir que a construção da
consciência socioambiental vem de um processo longo e complexo.
É necessário que o indivíduo explore, se informe, conheça e se
sinta parte do ambiente no qual está incluído.
balanço entre as agressões crescentes que minam
processos sistêmicos essenciais e a capacidade da
Terra de retornar ao seu estado natural após
perturbações. Das nove fronteiras ou limites
planetários, cientistas indicam que já cruzamos sete.
Preservá-lo vai além da conservação de florestas ou biodiversidade, está
diretamente relacionado ao futuro da humanidade e de nossos descendentes.
Diversas organizações das esferas públicas e privadas vêm desenvolvendo
políticas mais verdes devido à pressão de políticas públicas internacionais e
nacionais, entretanto, as ações conservacionistas devem ir além. Para isso, é
necessário a sensibilização dos cidadãos e ampla promoção da consciência
socioambiental, e você é parte disso!
Você sabia que já vivemos uma
emergência climática?
Em uma entrevista com a professora Juliana Velloso, serão abordados dois
assuntos importantes:o Relatório de Riscos Globais e as nove fronteiras
planetárias.
Atividade 5
Os desafios ambientais que a humanidade enfrenta atualmente incluem a
poluição do ar, as mudanças climáticas, o desmatamento, a perda de
biodiversidade e a degradação do solo. Em resposta a esses desafios, o
conceito das fronteiras planetárias foi proposto para definir limites interligados
que garantem um espaço operacional seguro para a humanidade. Nesse
contexto, qual das seguintes alternativas representa uma medida eficaz para
enfrentar tais desafios ambientais?

Parabéns! A alternativa C está correta.
A substituição de combustíveis fósseis por fontes de energia renovável é uma
medida eficaz para reduzir a emissão de gases de efeito estufa, combatendo as
mudanças climáticas e a poluição do ar. Além disso, essa medida contribui para
um modelo de desenvolvimento mais sustentável. As demais alternativas
representam ações que agravariam os problemas ambientais mencionados,
como o aumento das emissões de CO2, a degradação do solo e a perda de
biodiversidade.
A
Aumentar a utilização de combustíveis fósseis para impulsionar
o crescimento econômico.
B
Expandir a área de monoculturas agrícolas para aumentar a
produção de alimentos.
C
Promover a substituição de combustíveis fósseis por fontes de
energia renovável.
D
Reduzir os esforços de reflorestamento para ampliar áreas
urbanas.
E
Intensificar a exploração de pastagens para aumentar a
produção de carne bovina.
2 - Legislação ambiental no Brasil
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car as principais leis ambientais brasileiras sob uma
perspectiva histórica.
Início das discussões sobre meio
ambiente no Brasil
Assim como a comunidade internacional se voltou para o desenvolvimento de
políticas ambientais, principalmente a partir da década de 1970, o Brasil deu
início a uma série de leis e resoluções voltadas para essa pauta. Nosso país é
detentor de uma das maiores biodiversidades do planeta e, por outro lado,
possui profundos problemas relacionados à crise ambiental.
Um primeiro marco do início do compromisso brasileiro com a questão
ambiental se deu em 1981, com a criação da Política Nacional do Meio
Ambiente, dando espaço para a formulação e discussão de ideias no âmbito
nacional. No entanto, o debate que embasou esse marco na política ambiental
brasileira começou um pouco antes. Discutiremos a seguir, de forma resumida,
algumas das mais importantes leis e decretos a respeito do meio ambiente no
Brasil.
Vamos conhecer a legislação anterior à Política Nacional do Meio Ambiente
(1981). Abaixo, listamos as principais leis e decretos criados com enfoque em
algum aspecto relacionado ao meio ambiente antes da Lei 6938/81:
 Decreto nº 23.793, de 23 de janeiro de 1934:
Primeiro Código Florestal, estabelecido no governo de
Getúlio Vargas. Classifica florestas e regula a exploração
destas na premissa de que são bens de comum interesse a
todos os brasileiros.
 Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965:
Criação do novo Código Florestal Brasileiro. Definiu que as
florestas brasileiras (e todos os tipos de vegetação) são um
bem comum a todos os habitantes do Brasil. Definição dos
limites mínimos de APPs (Áreas de Preservação
Permanente), Reserva Legal e matas ciliares.
 Lei nº 5.197, de 3 de janeiro de 1967:
Determinou a proteção à fauna silvestre, seus locais de
acasalamento e abrigo. Além disso, proibiu a caça (com
possibilidade de exceções regionais), utilização, comércio
ou perseguição destes animais.
 Lei nº 6.225, de 14 de julho de 1975:
Estabeleceu a proteção dos solos e o combate à erosão em
determinadas regiões. Estipulou prazos para tomada de
providências por parte dos proprietários das terras.
 Decreto de Lei nº 1.413, de 14 de agosto de 1975:
Controle da poluição ambiental frente às atividades
industriais. Determinou que indústrias instaladas no Brasil
deverão corrigir possíveis danos ambientais causados e, em
áreas críticas, instalar equipamentos controladores de
poluição.
Primeiras leis ambientais no Brasil
Este vídeo apresenta as primeiras discussões ambientais e as legislações
voltadas para o meio ambiente no país.
Atividade 1
O Brasil, detentor de uma das maiores biodiversidades do planeta, iniciou uma
série de leis e resoluções voltadas para a política ambiental, principalmente a
 Lei nº 6.803, de 2 de julho de 1980:
Em continuação do decreto anterior, estabeleceu
zoneamento urbano nas áreas críticas de poluição, ou seja,
a divisão das cidades em zonas (estritamente industriais,
predominantemente industriais e de uso diversificado) no
intuito da preservação da saúde e segurança humana.
 Lei nº 6.902, de 27 de abril de 1981:
Criação de Áreas de Proteção Ambiental e Estações
ecológicas. Dispôs sobre sanções aplicadas ao não
cumprimento ou à violação de regras.

partir da criação da Política Nacional do Meio Ambiente em 1981. Antes disso,
várias leis e decretos importantes já tinham sido implementados com foco em
aspectos ambientais. Com base nas informações fornecidas, qual das seguintes
alternativas corretamente representa uma medida de proteção ambiental
implementada no Brasil antes da criação da Política Nacional do Meio Ambiente
em 1981?
Parabéns! A alternativa B está correta.
A Lei nº 5.197, de 3 de janeiro de 1967, determinou a proteção à fauna silvestre,
proibiu a caça e regulamentou a utilização e o comércio desses animais. As
outras alternativas contêm informações incorretas ou inexistentes para o
período anterior à Política Nacional do Meio Ambiente de 1981.
Política Nacional do Meio Ambiente e CF
88
A
A criação de áreas de proteção ambiental e estações ecológicas
em 1965.
B A proteção à fauna silvestre e proibição da caça em 1967.
C A regulamentação das atividades pesqueiras em 1970.
D
A implementação de políticas de reciclagem obrigatórias em
1975.
E
A definição de limites de emissão de gases de efeito estufa em
1980.
Diferentemente das legislações anteriores, a Lei nº 6.938, de 31 de agosto de
1981 dispôs a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), mais completa e
concisa, sendo considerada um marco na política ambiental brasileira. Essa lei
tinha como seu objetivo geral preservar e recuperar o meio ambiente tendo em
vista o desenvolvimento socioeconômico, a dignidade e a segurança nacional.
A PNMA é regida pelos seguintes princípios:
I - Ação governamental na manutenção do
equilíbrio ecológico, considerando o meio
ambiente como um patrimônio público a
ser necessariamente assegurado e
protegido, tendo em vista o uso coletivo.
II - Racionalização do uso do solo, do
subsolo, da água e do ar.
III - Planejamento e fiscalização do uso dos
recursos ambientais.
IV - Proteção dos ecossistemas, com a
preservação de áreas representativas.
V - Controle e zoneamento das atividades
potencial ou efetivamente poluidoras.
VI - Incentivos ao estudo e à pesquisa de
tecnologias orientadas para o uso racional
e a proteção dos recursos ambientais.
VII - Acompanhamento do estado da
qualidade ambiental.
VIII - Recuperação de áreas degradadas.
IX - Proteção de áreas ameaçadas de
degradação.
X - Educação ambiental a todos os níveis
de ensino, inclusive a educação da
comunidade, objetivando capacitá-la para
participação ativa na defesa do meio
ambiente.
(LEI Nº 6.938/81)
Objetivos da Política Nacional do Meio Ambiente
A Política Nacional do Meio Ambiente tem os seguintes objetivos:
1. Compatibilizar o desenvolvimento
socioeconômico com a preservação
ambiental.
2. Definir áreas prioritárias para a ação
governamental.
3. Estabelecer critérios, normas e
padrões de qualidade ambiental.
4. Apoiar pesquisas no âmbito do uso
de recursos ambientais de forma
responsável.
5. Incentivar as tecnologias para
manejar, preservar e comunicar sobre
o meio ambiente.
6. Preservar e restaurar recursos
ambientais.
7. Impor ao poluidor/predador o dever
de recuperar ou indenizar os danos
causados, independentemente de
culpa.
Em suma, a PolíticaNacional do Meio Ambiente regulamentou diversas
atividades relativas ao uso de recursos ambientais e efetivou o direito de todos a
um meio ambiente saudável e equilibrado de acordo com o desenvolvimento
econômico e social brasileiro.
Objetivos da Política Nacional do Meio

Ambiente
Neste vídeo, conheça os objetivos da Política Nacional do Meio Ambiente e
entenda porque esta lei é considerada a mais completa e concisa.
O meio ambiente também aparece na Constituição Federal de 1988 (CF 88). O
artigo 225 da Constituição assegura que todos têm o direito a um meio ambiente
equilibrado, contudo, possuem também o dever de preservar e defender o meio
ambiente para gerações futuras.
Dessa forma, cabe ao Poder Público preservar, restaurar e manejar recursos
ecológicos e o patrimônio genético, definir espaços a serem protegidos, exigir
estudos de impacto ambiental em obras causadoras de impacto, controlar
produção de substâncias que comportem risco à saúde e à vida, incentivar a
educação ambiental e proteger a fauna e a flora do país.
O infrator ou a empresa infratora relacionado a
prejuízos ambientais é passível de sanções penais
e administrativas.
A exploração de recursos minerais por
organizações deve ser compensada
com recuperação ambiental da área
degradada. Além disso, atividades que
lesam o meio ambiente levarão os
infratores a sanções penais e
administrativas.
Atividade 2
O objetivo da PNMA é regulamentar as atividades que envolvam o meio
ambiente, priorizando a preservação, melhoria e recuperação da qualidade
ambiental e assegurando o desenvolvimento social e econômico da população.
Com base no que acabou de estudar sobre a PNMA, indique o item abaixo que
apresenta um objetivo dessa legislação.
Parabéns! A alternativa C está correta.
A PNMA foi um marco na agenda ambiental brasileira, com a finalidade de
compatibilizar o desenvolvimento socioeconômico com a preservação
ambiental, estimulando a preservação e restauração ambiental, entre outros.
Criação do Ibama, regulamento de
agrotóxicos e crimes ambientais
Neste tópico trataremos dos esforços dos órgãos competentes brasileiros na
regulamentação e fiscalização do uso de agrotóxicos e dos crimes ambientais.
A criação do Ibama (Lei nº 7.735/89)
A
Incentivar modelos econômicos extrativistas sem obrigação de
minimizar impactos.
B
Eximir de culpa o poluidor, que por estar produzindo bens de
consumo para população, não deve se preocupar com a poluição
advinda de seus processos produtivos.
C Estimular a preservação e restauração de recursos ambientais.
D
Promover a exploração de recursos ambientais finitos mesmo
próximos de uma exaustão.
E
Eximir grandes empresas de cumprirem padrões de qualidade
ambiental.
Com a Política Nacional do Meio Ambiente, foi criado o Sistema Nacional do
Meio Ambiente (Sisnama), que é o conjunto de órgãos voltados para a defesa do
meio ambiente. A estrutura do Sisnama é prevista na legislação e abrange
órgãos e entidades da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.
Suas competências envolvem ações de proteção e melhoria da qualidade
ambiental.
Dentre os órgãos encontram-se o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o
Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), o Instituto Chico Mendes de
Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Instituto do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Cada um desses órgãos desempenha
funções específicas junto ao governo,
de forma a implementar os objetivos
de proteção ambiental previstos na lei.
O Ibama se enquadra na categoria de
órgãos executores, cuja finalidade é
executar e fazer executar a política e
as diretrizes governamentais para o
meio ambiente.
A criação do Ibama se deu pela Lei nº
7.735 de 22 de fevereiro de 1989. Esse
instituto foi proposto como uma
autarquia federal com autonomia
financeira, legal e administrativa.
O Ibama possui três finalidades básicas:
1. Agir como polícia ambiental.
2. Executar ações de licenciamento ambiental e controle da qualidade
ambiental, deliberar o uso dos recursos naturais, fiscalizar e monitorar
o meio ambiente.
3. Executar as ações ambientais da União em vigência no momento.
Uma das atividades do Ibama de grande importância é o licenciamento
ambiental federal. De acordo com a lei, o Ibama deve atuar no procedimento de
licenciamento ambiental no âmbito federal, quando os empreendimentos e
atividades forem, por exemplo, localizados em dois ou mais estados brasileiros,
em terras indígenas ou em unidades de conservação.
Saiba mais
O ICMBio é responsável por gerir, proteger, monitorar e fiscalizar todas as
centenas de Unidades de Conservação Federais (UC) existentes no país. Foi
criado pela Lei nº 11.516/07 e desempenha papel crucial na proteção do meio
ambiente e ecossistemas brasileiros. Assista ao vídeo a seguir e conheça mais
sobre as unidades de conservação.
Tipos de unidades de conservação
Com a palavra, o professor Igor Kessous, que apresenta os tipos de unidades de
conservação existentes no Brasil e as suas finalidades.
Agora vamos explorar outras
legislações ambientais importantes,
incluindo o regulamento dos
agrotóxicos (Lei nº 7.802/89). Entre
outras medidas, a Lei nº 7.802 de 11
de julho de 1989 dispõe sobre o
controle, a inspeção e a fiscalização
de agrotóxicos. Ela estipula que novos
agrotóxicos devem ser utilizados
somente se forem previamente
registrados e estiverem de acordo
com as exigências dos órgãos de
saúde federais. Além disso, dispõe
sobre os rótulos desses produtos bem
como o descarte das embalagens.
Saiba mais
A União Europeia é uma grande exportadora de agrotóxicos, inclusive daqueles
cujo uso é proibido em território nacional, são milhões de toneladas exportadas,
que somam bilhões de euros. No Brasil, os campeões em vendas - mancozebe,
atrazina, acefato, clorotalonil e clorpirifós - também são proibidos na Europa. Os

limites de resíduos dessas substâncias nos alimentos e na água dos brasileiros
costumam ser até milhares de vezes maiores do que aqueles permitidos na
União Europeia. O glifosato, agrotóxico mais vendido no país, é considerado
possivelmente cancerígeno para seres humanos pela Organização Mundial da
Saúde (OMS) e o resíduo autorizado desse herbicida na água potável dos
brasileiros é cinco mil vezes maior do que aquele autorizado na União Europeia.
Novo código �orestal e lei do patrimônio genético
A lei dos crimes ambientais, Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, dispõe
sobre ações penais e administrativas aplicadas a pessoas físicas ou jurídicas
que lesaram o meio ambiente. São exemplos dos crimes passíveis de punição de
acordo com essa lei:
São passíveis de punição quem matar, caçar ou utilizar de qualquer
forma espécimes da fauna sem permissão de autoridade competente.
Tratando-se de espécies ameaçadas de extinção, a pena é aumentada
em sua metade. Se for oriunda de caça profissional, a pena é aumentada
em até três vezes. Além disso, aplica penalidades na inclusão de
espécies não nativas no país, no abuso de animais e na pesca em locais
proibidos.
Por outro lado, não são considerados crimes quando a caça é realizada
para saciar a fome do caçador ou da família, para proteger propriedades
de produção agropecuária (de acordo com autoridade competente) e
tratando-se de animal nocivo.
Aplica penalidades a destruidores de florestas de preservação
permanente, de mata primária ou secundária, ou ainda em estágios de
regeneração. Se o dano afetar espécies ameaçadas, ainda será
considerado um agravante. Além disso, são passíveis de pena atos de
danificação ou destruição de plantas de ornamentação ou nativas.
Crime contra a fauna 
Crime contra a flora 
Poluição que afete a saúde da vida humana, influencie na morte de
animais ou danifique vegetações é passível de punição. Além disso, essa
seção dispõe sobre produtos ou substâncias tóxicas, serviços
potencialmente poluidores sem regulação ou em desacordo com as
normas e disseminaçãode doenças ou pragas que causem danos à
agropecuária, ou ecossistemas.
Aplicam-se penalidades também em relação à alteração de estruturas e
edificações, incluindo-se aquelas de valor ecológico ou paisagístico, sem
autorização. Pichações também são passíveis de punição.
Se o funcionário público sonegar dados de licenciamentos ambientais ou
estudos técnico-científicos, omitir a verdade ou ainda fizer afirmações
enganosas, é passível de penalidades. Também são considerados crimes
dessa esfera dificultar a fiscalização ambiental do Poder Público e
apresentar laudo ou licenciamento falso.
Lei dos crimes ambientais (Lei nº
9.605/98)
Você sabe sobre o que exatamente a Lei dos crimes ambientais dispõe? É sobre
isso que você aprenderá neste vídeo.
Poluição e outros crimes 
Crimes contra o ordenamento urbano e patrimônio cultural 
Crimes contra a administração ambiental 

Atividade 3
O Ibama foi criado para proteger o meio ambiente, garantir a qualidade
ambiental e assegurar a sustentabilidade no uso dos recursos naturais. Qual das
seguintes alternativas corretamente descreve uma das suas funções ou
característica?
Parabéns! A alternativa D está correta.
A
O Ibama é responsável pela gestão de todas as Unidades de
Conservação Federais.
B
O Ibama foi criado pela Lei nº 11.516/07 e possui autonomia
financeira, legal e administrativa.
C
O Ibama é um órgão consultivo do Sisnama, dedicado à
formulação de políticas ambientais.
D
O Ibama executa ações de licenciamento ambiental, fiscalização
e monitoramento do meio ambiente.
E
O Ibama é uma autarquia estadual voltada para a proteção dos
recursos hídricos.
As funções do Ibama incluem o licenciamento ambiental, fiscalização e
monitoramento do meio ambiente. A gestão das Unidades de Conservação
Federais é responsabilidade do ICMBio. A Lei nº 11.516/07 criou o ICMBio, já o
Ibama foi criado pela Lei nº 7.735 de 22 de fevereiro de 1989. O Ibama é um
órgão executor e não consultivo e é considerado uma autarquia federal, não
estadual, sendo suas funções não limitadas apenas à proteção dos recursos
hídricos, mas ambientais de forma geral.
O novo Código Florestal (Lei nº
12.651/2012)
Quase cinquenta anos após o último Código Florestal Brasileiro, foi publicado o
Novo Código Florestal, a Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012, como uma
atualização da lei anterior. Veja a seguir os princípios dessa lei, de forma
resumida:
I - Compromisso com a preservação das florestas e todas as formas de
vegetação nativa.
II - Reafirmação da função estratégica das atividades agrícola e pecuária na
sustentabilidade e no desenvolvimento econômico do país e da população.
III - Uso sustentável e proteção de florestas, águas e vegetação.
IV - Criação de políticas preservacionistas e de restauração da vegetação
nativa.
V - Incentivo à pesquisa científica para o uso sustentável, a preservação e a
recuperação do solo, da água e das florestas.
VI – Fomento à preservação e à recuperação de florestas e ao
desenvolvimento sustentável.
Essa nova lei tramitou na câmara dos deputados por mais de 12 anos e envolveu
muitas polêmicas, principalmente quanto ao impasse entre os ruralistas e os
ambientalistas. Na aprovação desse novo código, estimava-se que cerca de 9 a
cada 10 produtores rurais estavam com situação irregular (mais de 80 milhões
de hectares) de acordo com o último código florestal vigente. Dessa forma,
houve uma pressão dos produtores para a flexibilização de medidas adotadas no
código anterior, bem como nos limites de matas ciliares e desmatamento que,
por outro lado, segundo os próprios produtores, também iria beneficiar pequenos
agricultores.
Áreas de Preservação Permanente (APP) e Reserva Legal (RL) foram pontos
discordantes entre ambientalistas e ruralistas. O novo código propôs a redução
pela metade em APP, como em matas ciliares, por exemplo, para cursos d’água
de 5 metros (de 30 metros em 1965 para 15 metros em 2012). Com relação às
RL, o novo regulamento estipulado para a região da Amazônia Legal foi 80% em
área de florestas, 35% no cerrado e 20% nos campos gerais. As demais regiões
devem preservar 20% de suas matas.
Comentário
A proposta, contudo, não considera a região da Mata Atlântica como prioritária,
uma vez que restam apenas 12,4% da floresta inicial e é a região de maior
concentração da população brasileira (72%), presente em 17 estados da
federação.
Além disso, o Novo Código Florestal propôs a absolvição de irregularidades em
alguns casos. Pequenos produtores, de 20 a 400 hectares, foram excluídos da
obrigatoriedade de reflorestamento em regiões irregulares. Entretanto, a
problemática vai de encontro à divisão de latifúndios em lotes menores
atribuídos a diferentes membros de uma mesma família, isentando-os de
obrigações de reflorestamento.
Protesto de ambientalistas em Brasília contra o
novo Código Florestal.
Além da mobilização da bancada
ambientalista contra diversas medidas
adotadas nesse novo código, houve
grande pressão popular contra essas
mudanças, o que ocasionou alguns
vetos e mudanças propostas em leis
posteriores.
Lei do Patrimônio genético (Lei nº 13.123/2015)
A lei do patrimônio genético, Lei nº 13.123, de 20 de maio de 2015, também
conhecida como a Nova Lei da Biodiversidade, dispõe sobre o uso científico e de
produção da biodiversidade brasileira e seu conhecimento tradicional associado,
bem como a repartição de benefícios provindos dessas ações.
Já o conhecimento tradicional é caracterizado por práticas ou informações
utilizadas por indígenas, comunidades tradicionais (por exemplo, quilombolas)
ou agricultores tradicionais sobre os usos associados à biodiversidade e,
consequentemente, ao seu patrimônio genético.
O acesso ao patrimônio genético pode
resultar na produção de alimentos,
medicamentos, fontes de energia
renováveis ou até mesmo cosméticos.
A biodiversidade é um bem da
humanidade e dos países aos quais
pertence.
Mas o que é patrimônio genético?
Resposta
O patrimônio genético é o conjunto de informações
genéticas contidas nas plantas, nos animais e nos
microrganismos, no todo ou em suas partes (cascas,
folhas, raízes, pelos, penas, peles etc.), estejam eles
vivos ou mortos. O patrimônio genético também está
contido em substâncias produzidas por esses
organismos, como resinas, látex de plantas ou
venenos de animais e substâncias químicas
produzidas por microrganismos. O patrimônio
genético brasileiro está nos organismos que ocorrem
de forma natural no Brasil, ou seja, de seres vivos
nativos ou daqueles que adquiriram características
específicas no território nacional (MMA, Brasil).

Um exemplo de uso do patrimônio genético ocorre
na produção de cosméticos que usam ingredientes
naturais.
A valorização dos conhecimentos
tradicionais é essencial, e a repartição
dos lucros com as comunidades que
cedem esse conhecimento é uma
forma justa de progresso, tendo em
vista a economia de tempo e recursos
na idealização de novos produtos.
Fabricantes do produto oriundo da biodiversidade brasileira ou do conhecimento
tradicional associado deverão repartir os benefícios e, para isso, ficou instituído
o Fundo Nacional para a Repartição de Benefícios (FNRB), de forma monetária
ou não monetária.
Saiba mais
Amazônia é a maior floresta tropical do mundo, ela abriga não só uma grande
riqueza natural, mas um catálogo de plantas, animais e substâncias com grande
potencial biotecnológico, que diariamente são perdidos para o desmatamento,
queimadas, garimpo, dentre outras atividades ilegais. Além do valor
inquestionável de preservar a biodiversidade, os genes das espécies guardam a
receita de moléculas que podem ser úteis na medicina, em processos industriais
e outros – uma investigação chamada de bioprospecção. Bancos genéticos
objetivam proteger o recurso genético dessa biodiversidade e explorá-lo ao
mesmo tempo que traz retorno às populações locais.
A lei do patrimônio genético também se aplica para pesquisas científicas,que
muitas vezes incluem o envio de materiais biológicos para outros países, como
no caso de sequenciamento genético de espécies ou outros procedimentos
biotecnológicos. Para que haja a repartição dos benefícios e o controle das
atividades envolvendo o patrimônio genético e o conhecimento tradicional
brasileiros, as amostras, remessas, envios e pesquisas deverão ser cadastrados.
A lei demonstra que a preservação é relacionada ao uso sustentável e não à
proibição do uso desses recursos. Sendo assim, ela foi importante para
regulamentar e fiscalizar esses produtos e essas atividades, garantindo o
desenvolvimento sustentável aliado à conservação da biodiversidade. Não é
considerado nessa lei o patrimônio genético humano.
Novo código �orestal e lei do patrimônio

genético
Neste vídeo, você verá a importância do Novo Código Florestal e da Lei do
Patrimônio Genético.
Atividade 4
Analise o case a seguir:
Sebastião Salgado (1944) é um fotógrafo brasileiro considerado um dos
maiores talentos da fotografia mundial pelo teor social de seu trabalho. Ele
decidiu transformar uma fazenda adquirida por sua família em Minas Gerais,
que se encontrava em um cenário preocupante de degradação ambiental,
fundando o Instituto Terra, que faz um trabalho de reflorestamento, coletando
sementes e selecionando as que possuem mais chances de germinar. Depois
eles cultivam pequenas mudas e, quando estão maduras, elas são plantadas no
solo previamente tratado. O que era pasto virou uma floresta de mais de 600
hectares repleta de biodiversidade com centenas de espécies da fauna e flora
que retornaram para sua região nativa. Foram plantadas mais de 2,5 milhões de
árvores em 25 anos em área da Mata Atlântica.
Veja nas fotos a evolução da área reflorestada do ano de 1998 para o ano 2013.
Considerando a importância da recuperação de áreas degradadas e os objetivos
da legislação ambiental brasileira, marque a alternativa correta:
Parabéns! A alternativa E está correta.
Iniciativas como a de Sebastião Salgado são importantes para a recuperação de
áreas degradadas e estimuladas pelo governo. Estamos na década de
restauração de ecossistemas da ONU (2021 até 2030), cujo objetivo é inspirar e
apoiar governos, sociedade civil, empresas privadas, jovens, mulheres, povos
indígenas, agricultores e cidadãos do mundo inteiro, para colaborar e agir em
prol da restauração de áreas degradadas. Não basta conservar o que existe, é
preciso restaurar.
A
A legislação ambiental é fundamental para que agentes
poluidores continuem em seus processos poluentes ano após
ano.
B
A legislação ambiental incentiva que as empresas busquem
processos produtivos mais eficientes e destrutivos, sem
considerar a proteção da biodiversidade.
C
A legislação ambiental carece de instrumentos punitivos em
caso de infrações ambientais, o que impede agentes privados de
degradarem o meio ambiente.
D
A legislação ambiental impede que proprietários de terras
realizem reflorestamento e ações de proteção ao meio ambiente.
E
A legislação ambiental brasileira estimula que empresas
privadas busquem minimizar seus impactos socioambientais.
3 - Gestão comunitária do meio ambiente
Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer a importância de cada um na gestão
comunitária do meio ambiente.
O que é gestão comunitária do meio
ambiente?
O Brasil é um país de proporções continentais. Por isso, é importante incluir a
sociedade no manejo e na gestão do meio ambiente, pois isso auxilia no
entendimento dos indivíduos como parte daquele ambiente e facilita o trabalho
de órgãos reguladores no cumprimento das leis estabelecidas.
A gestão comunitária do meio
ambiente é um modelo de gestão que
inclui a participação da comunidade
na prestação de serviços e nas
decisões sobre o manejo de uma
localidade, com os órgãos reguladores
do meio ambiente. Dessa forma, é
possível descentralizar o poder dos
órgãos públicos e assegurar a
participação da sociedade no
desenvolvimento sustentável e
preservação.
Lembra-se da Agenda 21 mencionada anteriormente? Esse documento
apresenta medidas necessárias para o fortalecimento de comunidades no
desenvolvimento sustentável. Essas medidas tiveram como premissa a ideia de
que todos devem ter acesso à informação transparente sobre as medidas
adotadas por autoridades nacionais, incluindo aquelas que impactam o meio
ambiente e a proteção ambiental.
Veja a seguir a importância de alguns dos principais grupos no desenvolvimento
sustentável local.
O que é Gestão Comunitária do Meio
Ambiente?
Neste vídeo, veremos o que é gestão comunitária do meio ambiente, quem são
os atores envolvidos e qual é o seu objetivo.
A importância das mulheres
Tendo em vista a eliminação de todas as formas de discriminação contra a
mulher proposta pela ONU, posteriormente também incluída nos Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável, a comunidade internacional enfatizou a
participação das mulheres no manejo e na conservação de ecossistemas,
assegurando o direito da propriedade às mulheres.

Dessa forma, foi proposto aos governos promover o incentivo a ações inclusivas
de mulheres no manejo nacional de ecossistemas, o aumento da proporção de
mulheres em cargos de chefia e principalmente a igualdade entre homens e
mulheres em todos os aspectos que tangem o desenvolvimento econômico
socioambiental.
Você sabia que mulheres foram fundamentais na agenda socioambiental?
Seguem alguns exemplos para você conhecer:
Rachel Carson (1907 – 1964)
Em 1962, Carson, bióloga e conservacionista norte-americana, publicou
o famoso livro Primavera silenciosa, no qual tratava das devastadoras
consequências do uso de pesticidas na fauna, que contribuiu para o
despertar da consciência ambiental. Graças a ela, também começou a
ser comemorado o Dia da Terra e foi criada a Agência de Proteção
Ambiental dos Estados Unidos (EPA).
Jane Goodall (1934)
Primatóloga inglesa que tem revolucionado a ciência desde 1960 com
seus métodos inovadores e suas fascinantes descobertas sobre o
comportamento dos chimpanzés selvagens em Gombe (Tanzânia).
Com 89 anos, a Dra. Goodall continua trabalhando intensamente na
proteção dos ecossistemas e da biodiversidade, na educação ambiental
e na sustentabilidade.
Wangari Maathai (1940 – 2011)
Em 2004, a bióloga queniana conhecida como mulher-árvore, recebeu
prêmio Nobel da Paz por sua contribuição ao desenvolvimento
sustentável. Esse prêmio, o primeiro para uma mulher africana, foi o
ponto alto de uma trajetória que começou em 1977, quando fundou o
Green Belt Movement (Movimento Cinturão Verde), cujo objetivo era
combater a desertificação, o desmatamento, a crise da água e a fome
rural.
Vandana Shiva (1952)
Uma das grandes defensoras do ecofeminismo na atualidade. A física e
filósofa indiana entende a Terra como um ente que faz parte do
indivíduo e reivindica uma transformação que acabe com as mudanças
climáticas, a desigualdade, a injustiça, as guerras e a fome. Foi uma das
fundadoras da Women's Environment & Development Organization
(WEDO).
Sheila Watt- Cloutier (1953)
É uma ativista canadense que defende o direito de seu povo a viver no
frio. O mundo dos inuit (nome comum para os diferentes povos que
habitam as regiões árticas da América do Norte) está derretendo. Daí
provém sua luta contra o aquecimento global, tanto que foi nomeada
para o Prêmio Nobel da Paz em 2007.
A importância das crianças e dos adolescentes
Considerando que crianças e adolescentes compreendem cerca de um terço da
população mundial, é essencial sua participação no manejo comunitário para o
sucesso no longo prazo do desenvolvimento sustentável. É importante que a
juventude entenda que essas ações influenciam a sua vida atual e o seu futuro,
bem como o futuro de toda a comunidade na qual estão inseridos. Assim, os
países devem promover o diálogo com esse público, permitindo-lhes o acesso à
informação e a participação efetiva na tomada de decisões.
Além disso, é fundamentalpromover o
incentivo à educação —
principalmente no que engloba a
responsabilidade com o meio
ambiente — e eliminar a violação de
direitos humanos de crianças e
adolescentes, promovendo atividades
de cuidado ambiental que atendam às
suas comunidades.
A importância de populações indígenas
Historicamente, todos nós conhecemos a relação das populações indígenas
com as florestas e o meio ambiente. Essas comunidades desenvolveram
conhecimentos culturais e científicos sobre o uso e o manejo de recursos
naturais de suas terras e é necessário que também desfrutem dos benefícios
proporcionados. Nesse sentido, para se alcançar a cooperação dos povos
indígenas, é necessário que os governos primeiramente:
1. Adotem políticas públicas referentes às terras e tradições indígenas.
2. Reconheçam suas terras e as protejam de quaisquer atividades
ambientalmente incorretas.
3. Reconheçam as tradições culturais e os conhecimentos tradicionais na
implementação de manejo ambiental dessas regiões.
4. Reconheçam a dependência de utilização dos recursos naturais de
forma sustentável.
5. Fortaleçam mecanismos para solução de problemas relacionados ao
manejo de terras.
6. Apoiem meios de produção sustentáveis.
7. Intensifiquem o intercâmbio de conhecimentos e experiências de
manejo sobre o uso das terras e dos recursos naturais.
Comunidade indígena Pataxó.
Além disso, é necessária a participação de comunidades indígenas na criação de
políticas públicas de manejo de recursos naturais a nível nacional, regional e
local, bem como a avaliação das medidas adotadas anteriormente.
Saiba mais
Segundo pesquisas do Instituto Socioambiental (ISA), os povos indígenas e
tradicionais são responsáveis, juntos, pela proteção de um terço das florestas no
Brasil. Nos últimos 35 anos, somente as terras indígenas protegeram 20% do
total de florestas nacionais. O estudo do ISA revelou ainda que as terras
indígenas e as reservas extrativistas apresentaram melhor performance na
proteção das florestas quando comparadas com unidades de conservação de
proteção integral ou áreas de proteção ambiental (APAs). Os territórios de
ocupação tradicional também funcionam como barreiras contra o
desmatamento. Os altos índices de preservação revelados pelo estudo se dão
pelo conjunto de conhecimentos e práticas dos povos indígenas e tradicionais
no manejo das florestas.
Povos indígenas e populações tradicionais possuem outras concepções de
natureza e, consequentemente, outras formas de interagir com o meio ambiente.
Os saberes desses povos e suas práticas de manejo estão mesclados às
paisagens. Além disso, os modos de ocupação tradicional promovem barreiras
contra o desmatamento e favorecem a regeneração florestal.
A importância das ONGs
Assim como os órgãos públicos de cada país, as organizações não
governamentais (ONGs) possuem papel fundamental na gestão comunitária do
meio ambiente. A importância dessas organizações se dá principalmente pela
independência de governos, dando credibilidade e genuinidade em avaliações e
planos de manejo. O papel das ONGs é também de fortalecer a comunicação
com outras ONGs, órgãos internacionais, populações locais e governos sobre a
questão ambiental. Geralmente essas organizações possuem conhecimento
especializado para elaboração de desenvolvimento sustentável e saudável das
regiões.
São exemplos de ONGs que atuam na questão ambiental WWF, Greenpeace e
SOS Mata Atlântica.
O navio Rainbow Warrior do Greenpeace viaja pelo mundo combatendo a pesca predatória e ações de
empresas e governos que possam prejudicar o meio ambiente.
A importância das autoridades locais
Ponto de recarga para veículos elétricos em ação
de incentivo ao consumo sustentável da prefeitura
de Cascavel, no Paraná.
O papel das autoridades locais na
gestão comunitária é um fator
determinante para o cumprimento dos
ODS quanto à gestão comunitária.
Essas autoridades devem operar e
manter a estrutura social, ambiental e
econômica, além de supervisionar o
planejamento e as ações de políticas
ambientais locais. Devem também
promover a educação da população a
favor de um desenvolvimento
sustentável, propiciando o diálogo
entre cidadão, empresas privadas e
outras organizações locais.
A importância dos trabalhadores e dos sindicatos
São fatores essenciais na obtenção do desenvolvimento sustentável, uma vez
que estão diretamente ligados a mudanças nos ramos industriais, totalmente
conectados à proteção do meio ambiente e desenvolvimento socioeconômico.
Sendo assim, devem contribuir para uma cooperação em conjunto com governos
e patrões na busca do desenvolvimento sustentável.
A importância do comércio e da indústria
Desempenham um papel fundamental
no desenvolvimento socioeconômico
de um país. Além disso, são
fundamentais na redução do impacto
ambiental sobre o uso de recursos,
mediante uma produção limpa e mais
eficiente. Sendo assim, essas
empresas devem considerar o manejo
ambiental como uma de suas maiores
prioridades em conjunto com seu
desenvolvimento e de sua região.
Dessa forma, os ODS propuseram
bases para a ação de uma produção
mais limpa, sustentável e responsável.
A indústria e o comércio devem adotar medidas que promovam boas práticas
ambientais, promover políticas de produção mais limpa considerando também
sua influência sobre consumidores e fornecedores.
A importância da comunidade cientí�ca e
tecnológica
O papel principal da comunidade científica se refere ao fomento intelectual de
pesquisa sobre o meio ambiente e desenvolvimento sustentável, fornecendo ao
Estado e à população esses dados. Cabe à comunidade cientifica e tecnológica
a melhora na comunicação e na cooperação, facilitando o uso apropriado dos
dados e conhecimentos gerados. Os cientistas devem ser independentes de
interesses econômicos, de modo que não possuam restrições na divulgação dos
dados, mesmo que influenciem na imagem e reputação de empresas e governos.
A importância da comunidade cientí�ca
Este vídeo aborda a participação dos diferentes grupos da sociedade no
desenvolvimento sustentável, possíveis ações e contribuições de cada um deles.
Desse modo, os órgãos competentes e a comunidade científica e tecnológica
devem interagir mutuamente e propor novas estratégias de desenvolvimento
baseadas no conhecimento gerado. Cabe aos órgãos públicos proporcionarem
estrutura e fomento a essas pesquisas e, ao mesmo tempo, cabe à comunidade
cientifica e tecnológica estabelecer soluções.
Esse diálogo auxiliará a comunidade científica e tecnológica a definir prioridades
de pesquisa e propor medidas para soluções construtivas.
A importância dos agricultores
Uma vez que a agricultura engloba grande parte da superfície terrestre (cerca de
um terço), é importante a participação efetiva de grandes e pequenos
agricultores na gestão comunitária. Devido ao aumento da demanda da

população mundial, a agricultura cresceu de forma exponencial, tornando-se, por
vezes, um problema ambiental principalmente quanto ao uso de recursos
naturais não renováveis e desmatamento. Dessa forma, é necessário que
agricultores prezem por uma agricultura sustentável.
Devem ser estimuladas práticas
tecnológicas de desenvolvimento
sustentável para pequenos e grandes
agricultores, que incluam a redução do
uso de insumos e energia, além de
promover a participação de
agricultores na implementação de
políticas ambientais, tendo em vista o
desenvolvimento não só de sua
lavoura, mas também o
desenvolvimento ambiental, social e
econômico da população e da região
onde se encontram.
Diferentes grupos voltados para o
desenvolvimento sustentável
Neste vídeo, você verá as primeiras discussões ambientais e legislações
voltadas para o meio ambiente no país.
Atividade 1
A gestão comunitária do meio ambiente visa, entre outros aspectos, à
integração de governos, entidades e comunidades na gestão ambiental de

determinado local. Sendo assim, é necessário que cada membro da comunidadeentenda seu papel e contribua para o desenvolvimento sustentável. Assinale a
alternativa correta a respeito da importância dos indígenas na gestão
comunitária do meio ambiente.
Parabéns! A alternativa A está correta.
A
Os povos indígenas desenvolveram através de gerações
conhecimentos científicos e culturais sobre uso e manejo de
suas terras. Dessa forma, por meio do intercâmbio de
conhecimento, também cooperam na criação de políticas
públicas de manejo de recursos naturais e desenvolvimento
sustentável.
B
Os povos indígenas têm grande importância principalmente por
controlar a economia dessas regiões. Por isso, devem participar
promovendo investimentos em políticas públicas de manejo de
recursos naturais e desenvolvimento sustentável.
C
Os povos indígenas desenvolveram ao longo das gerações
tecnologias agrícolas necessárias para um desenvolvimento
mais sustentável de suas terras. Dessa forma, devem ceder
esses conhecimentos tecnológicos para o desenvolvimento de
políticas públicas de manejo nesse âmbito.
D
Os povos indígenas foram muito prejudicados desde a
colonização do Brasil. Dessa forma, é essencial que participem
na gestão de suas terras remanescentes como forma de
indenização histórico-cultural.
E
Os povos indígenas, por conhecerem as florestas, devem se aliar
às ONGs, auxiliando-as a promover políticas públicas de meio
ambiente a nível internacional.
Os conhecimentos científicos e culturais dos povos indígenas foram
desenvolvidos por gerações nas florestas brasileiras, contudo, ao longo do
tempo, muitas dessas informações se mantiveram exclusivas desses povos. A
partir do compartilhamento, essas informações, somadas a outros
conhecimentos científicos, auxiliam na formulação de políticas públicas
voltadas à conservação das terras.
Exemplos de programas de gestão
comunitária
Os programas de gestão comunitária podem e devem ser aplicados em todas as
regiões do Brasil. Contudo, nos últimos anos, a região amazônica tem sido o
foco desse tipo de gestão, principalmente pela sua importância internacional e
pela grande presença de povos indígenas. Nesse sentido, o governo brasileiro
propôs o Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), visando à criação e
manutenção de Unidades de Conservação (UCs) no longo prazo (2002-2039).
Saiba mais
Dentre os objetivos do ARPA, destaca-se a conservação da biodiversidade e
ecossistemas de forma interativa com as comunidades locais, a fim de alcançar
um desenvolvimento sustentável participativo, financeiramente independente e
descentralizado.
Um documento publicado em 2018 pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA)
apresentou alguns resultados referentes a diferentes objetivos de gestão
comunitária:
Em UCs dos estados Pará — inclusive na Reserva Extrativista do Xingu —,
Tocantins, Acre, Roraima e Maranhão, foram promovidas ações de gestão
territorial, a partir da troca de saberes entre extrativistas e indígenas, da
vigilância e proteção dos entornos de UCs e terras indígenas e da
implementação de atividades sustentáveis.
Gestão integrada de unidades de conservação e terras indígenas 
Em UCs do Amazonas e do Amapá foram realizadas ações de
conservação e monitoramento de quelônios (grupo das tartarugas) e
jacarés, manejo do pirarucu (incentivando meios de renda alternativa) e
gestão participativa da pesca.
Em UCs de Roraima, do Amazonas, do Pará e do Acre foram realizados
projetos de capacitação das comunidades locais para uso sustentável de
recursos naturais e de incentivo da visitação em parques nacionais, bem
como planos de fortalecimento das comunidades e iniciativas de
vigilância, organização comunitária e educação ambiental.
Em UCs do Acre, do Amazonas e de Mato Grosso foram realizados
projetos de promoção de conhecimentos científicos e técnicos para o
fortalecimento de culturas (como o cacau nativo), assim como projetos
acerca da energia elétrica fotovoltaica — para conservação de produtos
perecíveis —, da prevenção de impactos sociais e ambientais e do
desenvolvimento de atividades sustentáveis com ribeirinhos.
Em UCs do Amazonas e do Acre, foram desenvolvidos projetos de
capacitação e fortalecimento de jovens lideranças, de forma
protagonista, bem como projetos de gestão participativa por meio de
ações práticas em suas comunidades.
Assim como o Arpa, outras iniciativas de gestão comunitária do meio ambiente
estão apenas no começo, contudo, importantes resultados relativos ao manejo
Conservação e manejo de recursos naturais 
Fortalecimento da organização comunitária 
Produção agroecológica 
Formação e capacitação de lideranças 
de recursos naturais e ao desenvolvimento sustentável já são observados. Para
a continuidade e o aprimoramento dessas medidas, são necessários maiores
aportes de fundos para esses tipos de projeto, mediante editais dos governos e
da comunidade internacional. Além disso, é importante estreitar o conhecimento
acadêmico e as ações conservacionistas de forma a alcançar resultados mais
consistentes e rápidos na conservação das florestas brasileiras e no
desenvolvimento de suas comunidades associadas.
Agroecologia - Plantar Água
Neste vídeo, o professor Igor Kessous apresenta a agroecologia e explica como
esse modelo de produção pode contribuir para a preservação do meio ambiente
e dos recursos naturais.
Atividade 2
A Amazônia, com sua imensa riqueza natural desempenha serviços ecológicos
cruciais para sustentar as diferentes formas de vida que habitam a Terra,
inclusive a nossa, seres humanos. Apesar disso, a Amazônia sofre severos
impactos de degradação e enfrenta inúmeros desafios para sua conservação.
Qual das seguintes alternativas descreve corretamente uma estratégia eficaz
para a conservação da biodiversidade e dos ecossistemas da Amazônia?

A
Implementar políticas de desmatamento controlado para a
expansão agrícola.
B
Parabéns! A alternativa B está correta.
Promover programas de gestão comunitária que envolvam ativamente as
comunidades locais é uma estratégia eficaz para a conservação da
biodiversidade e dos ecossistemas da Amazônia. Essa abordagem reconhece o
conhecimento e a importância das comunidades locais na proteção ambiental,
promovendo um desenvolvimento sustentável e participativo. O desmatamento
leva à degradação ambiental. Incentivar a migração pode aumentar a pressão
sobre os recursos naturais. A administração exclusiva pelo governo não engaja
e inclui as comunidades locais. A introdução de espécies exóticas é causa de
desequilíbrio ecológico e perda da biodiversidade nativa.
Compromisso individual com as questões
socioambientais
De acordo com o PNUMA, órgão da ONU responsável pela agenda ambiental,
estamos vivenciando três crises planetárias: a crise climática, a crise da
natureza e a crise da poluição e dos resíduos. Alimentadas por um consumo e
uma produção insustentáveis, as três crises estão destruindo os sistemas
naturais que permitem às nossas economias prosperar. Nesta próxima década
Promover programas de gestão comunitária que envolvam
ativamente as comunidades locais.
C
Incentivar a migração de populações urbanas para áreas de
floresta nativa da Amazônia.
D
Estabelecer reservas naturais exclusivamente administradas
pelo governo federal.
E
Introduzir espécies exóticas para aumentar a diversidade
biológica.
decisiva para o futuro do planeta, precisamos reunir pessoas e agir como nunca.
Cada ação individual conta.
Comentário
Apesar de sabermos que os grandes motores de mudança são os setores
industrial e agrícola, já que juntos são responsáveis por mais da metade da água
consumida em todo o Brasil, por exemplo, além de terem grande
responsabilidade sobre a emissão de gases poluentes e poluição de rios e
mananciais, é preciso que cada indivíduo se comprometa e busque melhorar
suas escolhas e hábitos em prol de opções sustentáveis.
Muitas pessoas não enxergam o potencial das ações individuais para a
conservação do meio ambiente. Afinal, são pequenos hábitos. Épreciso pensar
que não são apenas os atos de cada um que farão a diferença, mas, sim, a
coletividade, os muitos fazendo a sua parte. Compartilhando a responsabilidade
da mudança, pode-se ajudar a diminuir a degradação do planeta.
A seguir apresentamos sugestões de mudanças que podem ser incorporadas no
dia a dia dos cidadãos para ajudar a frear as crises socioambientais que
enfrentamos:
Existem diversas empresas que buscam produzir da maneira mais
sustentável possível, utilizando materiais recicláveis, buscando
processos produtivos menos poluentes, maior eficiência energética e
utilizando fontes renováveis de energia. Sempre busque saber sobre o
compromisso socioambiental da marca antes de comprar seus produtos
ou contratar seus serviços. Quando for investir seu dinheiro, se preocupe
em não investir em setores que degradam o meio ambiente ou geram
conflitos socioambientais.
Objetos de vidro e metal têm uma durabilidade maior do que os de
plástico. Dessa maneira, são descartados em menor quantidade. Além
Dê preferência aos produtos de procedência sustentável e
empresas comprometidas com as questões socioambientais 
Utilize objetos de metal e vidro que possam ser reutilizados 
disso, quando enviados para reciclagem, possuem maior atratividade
econômica e são mais reciclados.
Reduzir é mais importante sempre, ação que vem antes da reciclagem,
que é considerado um processo energointensivo.
Envie seu lixo orgânico para compostagem ou tenha um minhocário em
casa. Você pode ter uma composteira doméstica em casa e gerar adubo
para plantas. O envio de resíduos orgânicos para aterros sanitários gera a
emissão de gás metano, um gás de efeito estufa muito mais potente do
que o CO2.
O plástico demora mais de 100 anos para degradar na natureza. Busque
usar sempre produtos reutilizáveis e elimine os descartáveis da sua vida.
O setor de transporte é um dos mais emissores de gases de efeito estufa
e de poluição. Além de gerar mais saúde para você, buscar ir a pé ou de
bike é sempre a melhor opção. Caso não seja possível, vá de transporte
público ou organize um esquema de carona.
Busque reduzir sua geração de lixo e direcione seu lixo para
reciclagem 
Composte seu lixo orgânico 
Evite utilizar produtos descartáveis 
Inicie um grupo de caronas ou vá de transporte público para o seu
trabalho 
Prefira documentos digitais 
Uma única folha de papel demanda 10 litros de água para ser produzida.
Utilizando recursos digitais para assinar e encaminhar documentos, você
evita o gasto desnecessário.
Mudar para uma dieta baseada em vegetais pode reduzir a pegada de
carbono anual de um indivíduo em até 2,1 toneladas com uma dieta
vegana ou em até 1,5 toneladas para vegetarianos, de acordo com a ONU.
Sempre que sair de um cômodo, lembre-se de desligar a luz. Não deixe os
aparelhos eletrônicos sempre ligados (isso pode ser até perigoso) e na
hora de tomar banho e lavar louça, use racionalmente a água. A maioria
das pessoas não sabe qual é o seu consumo mensal de energia e água,
acompanhe seu gasto, monitore as mudanças de consumo ao longo do
ano.
Como o setor de transporte é muito poluente, buscar consumir
localmente é uma boa forma de minimizar o impacto ambiental das suas
escolhas.
Se algum objeto quebrar na sua casa, não descarte imediatamente.
Lembre-se que para esse produto ser feito, foram utilizados muitos
recursos naturais, sendo a grande maioria finitos. Por isso, busque
reparar sempre, antes de trocar por um novo.
Coma mais plantas 
Busque utilizar eletricidade e água com mais racionalidade na sua
residência 
Busque consumir produtos locais e sazonais 
Sempre que puder, conserte 
Deixe o uso do avião para as viagens que só podem ser feitas dessa
forma e são inevitáveis. O setor aéreo é responsável por grande emissão
de gases de efeito estufa, por isso sempre que puder, utilize outros
modais para suas viagens.
Ao comer apenas o que necessita e ao reduzir o desperdício alimentar,
um indivíduo pode reduzir a sua pegada de carbono em até 1,3 toneladas
anualmente. Não só reduziremos as emissões pela redução do
desperdício alimentar, como também seremos mais saudáveis,
pouparemos dinheiro e protegeremos os nossos preciosos recursos para
as gerações futuras.
Faça da sua casa um centro de sustentabilidade. Da próxima vez que
planejar um projeto de construção ou mesmo uma pequena reparação,
verifique as credenciais ecológicas dos materiais que utiliza. Algumas
espécies de madeira são produzidas de forma mais sustentável, por
exemplo. Estima-se que os edifícios e a construção geram um terço do
total de resíduos do mundo – além de quase 40% das emissões de CO2
relacionadas com a energia.
Essas foram algumas sugestões do que um indivíduo pode fazer em prol de um
planeta mais justo e sustentável. Você não precisa colocar em prática todas
elas, mas pode escolher alguma ou algumas para começar a fazer sua parte.
Sugiro arregaçar as mangas e começarmos já!
Busque usar menos avião 
Reduza o desperdício de alimentos 
Use materiais sustentáveis na construção 
12 ações em prol de uma vida mais
sustentavel
Neste vídeo, assista a uma entrevista sobre o compromisso individual com as
questões socioambientais e as 12 ações individuais que podemos realizar em
prol de uma vida mais sustentável.
Atividade 3
Após estudarmos sobre as formas de você, cidadão, fazer sua parte por um
planeta mais sustentável em termos sociais e ambientais, marque a alternativa
abaixo que corresponde a uma dessa ações benéficas para o planeta:

A
Usar seu carro para ir ao trabalho sozinho, diariamente, enquanto
poderia utilizar um transporte público de qualidade ou fazer um
esquema de rodízio de caronas com colegas.
B
Buscar ter uma alimentação mais rica em vegetais e não tão
dependente de carne vermelha, bovina.
C
Deixar seus eletrônicos ligados direto na tomada, usando ou não,
dia após dia.
Parabéns! A alternativa B está correta.
O consumo da carne bovina tem grande impacto no meio ambiente. São usadas
grandes quantidades de água para a produção pecuária, o impacto na
degradação do solo é intenso, assim como é crítica a emissão dos gases de
efeito estufa que aquecem o planeta e estão relacionados às mudanças
climáticas. Bovinos liberam muito metano na atmosfera, um gás poluente de
contribuição muito mais potente do que o gás carbônico para o efeito estufa.
O que você aprendeu neste conteúdo?
O processo de consciência socioambiental é complexo e engloba
diferentes esferas, sendo a conscientização a primeira etapa para se
alcançar o desenvolvimento sustentável, que preconiza manter a
capacidade do planeta de suprir as necessidades da geração atual,
assim como das futuras.
Atualmente nos deparamos com inúmeros desafios socioambientais e,
por isso, precisamos, como cidadãos e como profissionais, atuarmos
para melhorar o cenário de degradação ambiental atual.
A consciência socioambiental global foi o gatilho do desenvolvimento
de políticas locais e nacionais para se alcançar a sustentabilidade.
Os países signatários da ONU, após diversas conferências e reuniões
ocorridas na segunda metade do século XX, como a Rio-92,
propuseram objetivos para alcançarmos o modelo de desenvolvimento
sustentável, pensando no bem-estar econômico, social e ambiental da
sociedade.
A partir de discussões internacionais e nacionais, o Brasil elaborou leis
referentes ao manejo de recursos naturais e à proteção das florestas,
D Sempre que algo em sua casa quebrar, trocar imediatamente por
um produto novo.
E Consumir roupas de marcas que exploram a mão de obra.
de outros ecossistemas e da biodiversidade associada, abordando
poluição, crimes ambientais, entre outros.
O marco da legislação ambiental brasileira foi a Política Nacional do
Meio ambiente, que englobou leis anteriores e embasou leis e medidas
posteriores sobre a questão ambiental. Ele é robusto e precisa apenas
ser colocado em prática.
Para alcançar o desenvolvimento sustentável,é importante
implantarmos um modelo de gestão participativa do meio ambiente, ou
seja, uma gestão em que diversas esferas da sociedade estejam
envolvidas e tenham voz na ação e elaboração de medidas, trabalhando
de forma cooperativa. Esse tipo de gestão ainda é importante para a
descentralização do poder e do domínio das leis pelos órgãos públicos,
tornando as políticas mais justas e efetivas para toda a comunidade
envolvida.
Podcast
O especialista irá demonstrar que, mesmo após a elaboração de leis importantes
sobre a conservação do meio ambiente, os órgãos reguladores vêm perdendo
força. Esse aspecto envolve questões políticas, sociais e econômicas.
Explore +
Para aprofundar seus conhecimentos sobre o assunto:
Assista ao vídeo sobre a Rio-92, disponível no YouTube: A Cúpula da Terra -
Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (1992).

Leia na íntegra o documento Fortalecimento comunitário em unidade de
conservação: desafios, avanços e lições aprendidas no Programa Áreas
Protegidas da Amazônia (ARPA), publicado pelo Ministério do Meio Ambiente e
disponível no portal do ICMBio.
Veja no texto de Carolina Cunha, publicado no portal UOL, a relação do meio
ambiente com pandemias, como no caso do Coronavírus: Coronavírus - Qual é a
relação entre o meio ambiente e pandemias de vírus.
Acesse o portal das Nações Unidas no Brasil, no qual você encontra os Objetivos
do Desenvolvimento Sustentável na íntegra. Leia cada um para compreender
melhor o que foi discutido neste estudo.
Assista ao documentário A história das coisas, disponível no YouTube, e entenda
um pouco mais sobre os nossos padrões de consumo enquanto sociedade, e a
necessidade de sermos mais sustentáveis.
Leia o livro Ideias para adiar o fim do mundo, do ambientalista, filósofo e líder
indígena Ailton Krenak, que fala sobre a relação da humanidade com a natureza
e como nossas ações podem acabar com o planeta.
Referências
BRASIL. Câmara dos Deputados. Legislação brasileira sobre meio ambiente. 2.
ed. Brasília, DF: Edições câmara, 2010.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Fortalecimento comunitário em unidade
de conservação: desafios, avanços e lições aprendidas no Programa Áreas
Protegidas da Amazônia (ARPA). Brasília, DF: MMA, 2018.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. ONU. Agenda 21. 1992. Consultado na
internet em: 17 set. 2021.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. ONU. A ONU e o meio ambiente. 16 set.
2020. Consultado na internet em: 18 set. 2021.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. ONU. Sobre o nosso trabalho para
alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil. Consultado na
internet em: 18 set. 2021.
SOS MATA ATLÂNTICA. Mata Atlântica. Consultado na internet em: 18 set. 2021.
DCNs para educação ambiental
Prof. Brendo Araujo Gomes
Descrição Fundamentos históricos, legislativos e conceituais sobre a cidadania e a
educação ambiental.
Propósito O conhecimento das principais concepções acerca da educação
ambiental e o histórico referente às suas disposições legais no Brasil é
primordial para a compreensão dos efeitos das ações humanas no
ambiente e para o estabelecimento de ações nas práticas
socioeducativas.
Objetivos
Módulo 1
A educação ambiental
Módulo 2
A cidadania ambiental
Descrever os principais conceitos e
contextos acerca da educação ambiental.
Reconhecer os principais pontos sobre a
cidadania ambiental.
Desde a origem da civilização, há necessidade e dependência do ser
humano em relação ao ambiente. Assim, ao longo do desenvolvimento da
humanidade, foram necessários o entendimento e a capacidade de
desenvolver e utilizar instrumentos para modificá-lo.
Com o avanço da tecnologia, o acelerado desenvolvimento industrial e a
necessidade de crescimento econômico a qualquer custo, o homem tem se
distanciado cada vez mais da natureza. Ou seja, ele não se vê como parte
dela, como parte do meio ambiente. É urgente, então, que a humanidade
esteja próxima e consciente das questões ambientais.
Por conta disso, são desenvolvidas práticas de educação ambiental para
permitir a formação de cidadãos conscientes e responsáveis pela
conservação e preservação do meio e de todos os recursos naturais, pela
sua própria sobrevivência e a das gerações futuras. Dessa forma, ao exercer
a cidadania ambiental, os indivíduos possibilitam o equilíbrio ambiental, o
que gera bons frutos em diversas áreas, como a social, a econômica e a
ecológica.
Introdução
1 - A educação ambiental
Ao �nal deste módulo, você será capaz de descrever os principais conceitos e
contextos acerca da educação ambiental.
Introdução à educação ambiental
A educação ambiental surgiu da necessidade de uma mudança brusca nos
modelos adotados pela sociedade que envolvem aspectos sociais, econômicos
e científicos. As problemáticas relacionadas a esses aspectos, tais como a alta
taxa de urbanização ligada ao crescimento populacional exponencial, o
comodismo e a praticidade do dia a dia resultantes do desenvolvimento de
tecnologias, forçaram a humanidade a refletir sobre a educação ambiental.
Quando observamos o cenário atual do nosso meio ambiente e de nossas
relações com ele, conseguimos perceber que algo está desbalanceado, não?!
Uma vez que essas relações socioambientais não estão em equilíbrio, com o
aumento assustador dos desmatamentos, da erosão e da poluição, graves
consequências podem vir a ocorrer para a humanidade e todos os seres vivos.
Os desastres naturais têm se tornado frequentes devido às mudanças climáticas provocadas pelas ações do
homem contra o meio ambiente.
Neste módulo, conheceremos um pouco mais sobre os principais conceitos
trabalhados na educação ambiental e sobre o histórico legal dessa abordagem
no Brasil e no mundo. Veremos também como esse tema é trabalhado no âmbito
do Ministério da Educação, por meio da Base Nacional Comum Curricular
(BNCC), dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) e das Diretrizes
Curriculares Nacionais (DCNs). Vamos lá?!
Principais conceitos acerca da
educação ambiental
A relação entre direitos humanos e meio ambiente se consolida no momento em
que as políticas mundiais assumem um compromisso de conservação e
preservação, garantindo um ambiente saudável e ideal para a humanidade
presente e futura. Entre as medidas intrínsecas a essa relação, a educação
ambiental é essencial para a conscientização sobre o mundo do qual fazemos
parte e necessitamos.
Costumamos ouvir essas duas palavras em diversos meios de comunicação e
escolas, mas o que seria educação ambiental ao certo?
De acordo com o primeiro artigo da Lei nº 9795, publicada em
1999, a educação ambiental abrange processos por meio dos
quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais,
conhecimentos, habilidades, atitudes e competências
voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso
comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua
sustentabilidade.
Percebe-se que esse tema compreende conceitos de cunho social e biológico. O
principal conceito é a educação, que se baseia na ideia de que os seres humanos
apresentam um potencial que deve ser desenvolvido no decorrer da vida. Assim,
o educador seria o responsável por criar condições para que esse
desenvolvimento ocorra, estimulando as pessoas a crescerem. Esse conceito,
então, é especificado na segunda palavra que o acompanha: ambiental.
E o que é o meio ambiente?
Conforme Sánchez (2015, p.18), ambiente pode ser um conceito amplo, pois
inclui a natureza e a sociedade; multifacetado, pois existem diferentes formas de
compreendê-lo; e maleável, já que pode ser reduzido ou ampliado de acordo com
quem fala sobre ele. Segundo a Lei nº 6.938 de 1981, o meio ambiente é o
conjunto de condições, leis, influências e interações (de ordem física, química e
biológica) que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas.
Dessa maneira, podemos também conceituar a educação ambiental como um
ramo da educação cujo objetivo não é apenas um modelo de transmissão de
conhecimento,não formal, os desafios são
muito mais diversos, uma
vez que os agentes, os
públicos-alvo e os contextos
são múltiplos. Desse modo,
cotidiano das salas de aula.
Nesse sentido, percebemos
que ela se faz presente nos
parâmetros curriculares,
embora muitas vezes as
ações propostas para cada
tema estejam defasadas da
realidade local.
Por isso, existe um
tratamento superficial dos
temas abordados. Além da
falta de diálogo entre as
matérias do currículo (já
que a educação ambiental
se trata de um tema
interdisciplinar), ocorre até
mesmo a ausência de
formação adequada do
corpo docente e dirigente
das escolas em relação aos
temas ambientais.
um obstáculo importante é
“falar a mesma língua”, ou
seja, fazer com que as
ações educativas e políticas
públicas atinjam de forma
democrática e eficaz todos
os públicos possíveis.
Se considerarmos a pandemia da covid-19 e as possíveis causas que levaram à
contração e à disseminação do vírus pelos humanos, existe uma hipótese de que
ele teria sido transmitido para os humanos por meio do consumo de animais de
origem silvestre.
Saiba mais

Entre 2019 e 2020, começou no mundo uma pandemia de proporções
catastróficas, a pandemia da COVID-19. As possíveis causas que levaram à
contração e disseminação do vírus da COVID-19 pelos humanos não são
totalmente conhecidas. Mas existe uma hipótese de que o vírus teria sido
transmitido para os humanos por meio do consumo de animais de origem
silvestre.
Em muitos lugares do mundo, o consumo de animais silvestres é proibido, já que
essa prática envolve a caça e o abate dos animais. Isso causa o desequilíbrio
dos ecossistemas em algum grau, além de outros problemas envolvidos, como o
próprio surgimento de novas doenças em humanos. Portanto, este também
constitui um problema ambiental que poderia e deveria ser melhor abordado
através de ações em educação ambiental.
A educação ambiental e a saúde pública
Neste vídeo, o professor Arthur Rodrigues Lourenço explica como a educação
ambiental, tanto formal como não-formal, pode ajudar na conscientização sobre
problemas ambientais e de saúde pública, incluindo a prevenção e contenção da
disseminação de doenças.
Nos tempos atuais, vem aumentando o acesso às novas tecnologias e às mídias
digitais. Esse fenômeno pode ser utilizado para aproximar realidades distantes e
promover a troca de conhecimentos e experiências em locais anteriormente
isolados e de difícil acesso.
A inclusão digital, cada vez mais presente e comum na
sociedade moderna, é um importante meio de divulgação das
notícias e do conhecimento. Entretanto, caberá aos promotores
de educação ambiental formal ou não formal o uso desse
recurso e a orientação relativa aos passos e às atividades a
serem realizados.

Dica
Esses promotores incluem desde os educadores formais, como os professores e
os cientistas, até os familiares e os cidadãos conscientes e engajados nas
causas ambientais.
Entre os muitos desafios, talvez o maior deles seja a urgência para que decisões
sejam tomadas em relação à problemática ambiental. Vivemos um momento em
que o planeta já apresenta sinais claros de exaustão de recursos naturais e de
capacidade de suporte às frequentes pressões antrópicas. As consequências
disso já estão sendo percebidas por todos.
A sustentabilidade é a ideia de
usufruir dos recursos naturais de
forma respeitosa e responsável com o
propósito de que seu uso no presente
não comprometa as futuras gerações.
Ela incentiva, desse modo, as práticas
que busquem minimizar os impactos
ambientais e até revertê-los.
A implantação de ações que promovam seus ideais constitui um dos princípios
da educação ambiental. A sustentabilidade gradativamente vem fazendo parte
do nosso dia a dia, já que ela representa o caminho para um futuro mais
harmonioso entre o homem e a natureza.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
A educação ambiental é uma prática que objetiva a sensibilização e a
conscientização das pessoas de que é possível e preciso estabelecer uma
relação saudável entre homem e natureza. Em que momento histórico foram
definidos a concepção, a finalidade e os princípios norteadores dela?
Parabéns! A alternativa C está correta.
Em 1965, na Conferência da Universidade de Keele, a expressão “educação
ambiental” foi utilizada pela primeira vez. Cinco anos depois, a publicação da
revista The Ecologist trouxe a mesma expressão para o meio científico. Na
Conferência Internacional de Educação Ambiental promovida pela Unesco na
cidade de Tbilisi, em 1977, ocorreu o lançamento da declaração sobre a
educação ambiental em que foram especificados a definição dela, suas
finalidades e seus princípios norteadores de ações. Já em 1987, na Rússia,
foram decididos os métodos e as estratégias a serem empregados nela. Por
A
Em 1965, na Conferência da Educação da Universidade de
Keele, no Reino Unido.
B
Em 1970, na publicação Manifesto para a sobrevivência da
revista científica The ecologist.
C
Em 1977, na Conferência Internacional de Educação
Ambiental, em Tbilisi, na Geórgia.
D
Em 1987, na Conferência Internacional de Educação
Ambiental, em Moscou, na Rússia.
E
Em 1992, na Conferência sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento da ONU, no Rio de Janeiro, no Brasil.
fim, em 1992, na Rio-92, diversos documentos fundamentados nos princípios
e nas definições já estabelecidos foram propostos em relação à educação
ambiental.
Questão 2
A educação ambiental está presente em diversos momentos de nosso
cotidiano e até ao longo de nossa vida. É um exemplo de educação ambiental
formal:
Parabéns! A alternativa B está correta.
Toda atividade classificada como educação ambiental formal ocorre dentro
do contexto escolar, sendo delimitada pelos PCNs. Quando a atividade
educativa não ocorre nesse contexto, sendo definida por um planejamento da
própria escola, é classificada como educação ambiental não formal, como
são todos os exemplos citados nas letras A, C, D e E.
A
Um ato de coleta de lixo em uma trilha promovido por uma
organização não governamental (ONG).
B
Um filme sobre as consequências do efeito estufa durante
uma aula de Ciências.
C
Uma palestra em um centro comunitário sobre como separar
o lixo reciclável do não reciclável.
D
A distribuição de panfletos que abordem os motivos para não
se fazer queimadas.
E
Um jogo educativo apresentado às crianças em uma praça
pública.
2 - Agenda 21
Ao �nal deste módulo, você será capaz de comparar a Agenda 21 à educação ambiental.
Apresentação e panorama atual
A Agenda 21 é um documento que foi editado e assinado por 179 países durante
a Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU, no Rio de
Janeiro, no Brasil, em 14 de junho de 1992. Tal documento trata dos planos e dos
direcionamentos para a promoção do desenvolvimento sustentável por meio de
estratégias que envolvem a conservação do meio ambiente, o consumo
consciente e a justiça social.
A Agenda 21 está organizada em 4 seções compostas por 40 capítulos. Em cada
uma delas, são abordados objetivos específicos e orientações para sua
implementação e atuação.
Todos esses objetivos estão comprometidos com a:
Melhoria da
qualidade de vida
de todos.
Gestão de
recursos naturais
para um
desenvolvimento
sustentável.
Veremos agora o que cada uma das suas seções aborda:
A primeira seção da Agenda 21 trata principalmente da melhoria da
qualidade da vida humana no planeta. Nela estão descritos os objetivos
específicos para a promoção do combate à miséria e à fome no mundo,
além de um melhoramento dos sistemas de saúde e do acesso à
educação.
Também estão prescritas nessa seção as orientações para uma melhor
gestão de recursos naturais e para o crescimento dos países em
desenvolvimento. Em relação àqueles mais desenvolvidos, há a
Seção I: dimensões sociais e econômicas 
pretensão de atuar na conscientização sobre os elevados padrões de
consumo e a introdução da sustentabilidademas sim um modelo de vida. Seu objetivo é promover a
transformação de comportamentos e valores e a busca por uma visão acerca da
necessidade e dependência dos recursos naturais, ligada diretamente à garantia
de futuro para a humanidade.
Além disso, a educação ambiental estimula a troca a partir e com os diferentes
sujeitos sociais em interlocução, a fim de construir soluções para questões
ambientais e diminuir o distanciamento do diálogo entre peritos e leigos ou, por
exemplo, entre os educadores e agentes ambientais e as crianças e jovens em
formação.
O professor desempenha um papel importante no
processo de educação ambiental.
O professor, como mediador, pode
auxiliar na compreensão da
importância da preservação e
utilização sustentável dos recursos, na
preparação dos indivíduos para a vida
enquanto membro da biosfera, no
saber lidar e manter os sistemas
ambientais em sua totalidade e no
processo de reconhecimento de
valores, conceitos e interrelações
entre a humanidade, suas culturas e o
meio ambiente.
Com isso, habilidades poderão ser desenvolvidas e atitudes modificadas
mediante essa abordagem que surgiu do interesse da humanidade pela
importância do meio ambiente.
Nesse contexto, existem diversas áreas e conceitos biológicos que são
discutidos no âmbito da sociedade. Um exemplo é o conceito de ecossistema.
Ecossistema é considerado um sistema estável,
autossuficiente e em equilíbrio dinâmico que inclui os seres
vivos e o ambiente com suas características físico-químicas e
interrelações.
Equilíbrio dinâmico
Condição de relativa estabilidade para o funcionamento adequado de um organismo
ou até mesmo de um ecossistema.
Ao alterarmos os fatores que mantêm esse equilíbrio dinâmico no ecossistema
por meio da diminuição da biodiversidade (ou diversidade de espécies), da maior
entrada de nutrientes em dado local (poluição) ou do aumento na quantidade de
uma única espécie em um local (criação de animais e monocultura, por
exemplo), consequências graves para a nossa sobrevivência podem surgir.
Assim fica fácil entender a necessidade da proteção, preservação e conservação
dos recursos naturais da biosfera, não?!
Principais práticas e abordagens da
educação ambiental
No estudo e aplicação da educação ambiental, há três correntes que
caracterizam a diversidade das práticas e abordagens: a protecionista, a
preservacionista/conservacionista e a pragmática. Vamos conhecer um pouco
mais sobre cada uma delas.
Pessoas adeptas à corrente protecionista centralizam sua atenção nos
problemas de proteção e defesa da vida animal e da vida selvagem.
Assim, por meio de ações diretas de campanhas, associações e
mediações políticas, os protecionistas defendem espécies de animais e
vegetais mais afetadas pelo comportamento e hábitos de vida dos
humanos, os quais são tidos como cruéis, atrasados e selvagens.
Abordagem protecionista 
Peça publicitária para divulgação de campanha pela preservação do Sauim.
Um exemplar de uma determinada espécie da fauna ou flora torna-se o
foco de ações políticas e educativas nesse tipo de corrente, em que um
público definido de pessoas que têm envolvimento direto com a espécie
é sensibilizado pela legislação ou pelos valores intrínsecos do ser vivo.
Dessa forma, espera-se que esse público mude o seu comportamento e
queira aderir à causa apresentada pelos protecionistas.
Diferentemente dos protecionistas, as pessoas adeptas da corrente
preservacionista ou conservacionista utilizam conhecimentos biológicos
e impactos dos processos de ocupação e industrialização para lutar em
prol do meio ambiente e da manutenção da nossa vida no planeta. Assim,
quando comparados aos protecionistas, os preservacionistas ampliam a
luta para além da proteção da vida selvagem e buscam ressignificar a
existência do ser humano, ao procurar superar o comportamento
selvagem na condição humana que leva à crueldade com os animais, por
exemplo.
Os preservacionistas pregam a necessidade de preservação de pedaços
intocados da natureza e da vida selvagem frente aos impactos
antrópicos, apenas permitindo a interação das pessoas com o espaço
preservado para fins de lazer, educação e conhecimento. Outro objetivo
da educação preservacionista é ter o foco no ambiente não humano e
nos problemas de preservação dos recursos naturais e de proteção da
vida selvagem, buscando salvar o ambiente pela sua beleza e valor
ecológico.
Abordagem preservacionista/conservacionista 
Ação de plantio de espécies para conservação da biodiversidade em área de mangue, na Malásia.
Dessa forma, os preservacionistas utilizam conceitos da biologia como
conteúdo para informar, criando uma política de regulação de uso e de
manutenção dos espaços naturais para preservação. Apesar de seus
ideais, essa corrente é criticada por não abordar junto com a
problemática ambiental as questões sociais, como os conflitos e os
direitos de territorialidade das populações.
Já a corrente pragmática tem como centro da educação ambiental o
aspecto utilitarista e racional da administração e exploração dos recursos
naturais. Bem diferente, não é mesmo? Nessa vertente, os adeptos
buscam pela redução de resíduos, pela eficiência na exploração e
consumo desses recursos e pela produção máxima de forma
sustentável. Esses fatores foram referências básicas para instituir o que
chamamos atualmente de política do desenvolvimento sustentável,
focando nas consequências da degradação ambiental.
A proposta de educação com enfoque pragmático englobou os
pressupostos da corrente preservacionista, em que são adotadas as
ideias de unidade de conservação intocada — com exceção para as
atividades de lazer, pesquisa e educação — e a utilização do
conhecimento proveniente da ecologia e das ciências naturais,
argumentando que a ignorância das populações locais sobre esse
conhecimento leva a comportamentos inadequados em relação ao
patrimônio natural.
Abordagem pragmática 
O que difere a corrente pragmática da proposta preservacionista é que
ela amplia as ações políticas, foca em minimizar o uso excessivo dos
recursos naturais e incentiva a mudança de hábitos relacionados a
consumo, desperdícios e mau comportamento. Aqui, o foco das ações
educativas é o comportamento individualizado, com propostas de
conscientização e mudanças de atitudes indesejadas.
Além dessas três propostas de educação ambiental de que falamos, existe uma
quarta, chamada educação ambiental crítica. Como as demais correntes, essa
foi criada a partir do desejo de transformação frente a uma crise socioambiental.
No entanto, ela propõe atividades educativas individuais e coletivas de forma
transversal e construtivista.
Nessa perspectiva, os indivíduos são
capazes de desenvolver o seu senso
crítico, ao se reconhecer como parte
do ambiente em que vivem e sugerir
soluções para os problemas
ambientais que encontram. Assim, a
educação ambiental crítica tem como
objetivo estimular a consciência de
que o ser humano é parte do
ambiente, superando a perspectiva
antropocêntrica.
Por fim, devemos sempre levar em consideração que qualquer análise histórica
sobre educação deve tomar como referência os diferentes grupos sociais que
estabelecem maneiras diversas de educar e entender a natureza. Dessa forma,
não há uma verdade universal ou estratégia educacional universalmente válida,
fazendo com que a realização de atividades socioambientais deva levar em
conta a população em questão.
Aspectos históricos da educação
ambiental no Brasil e no mundo
A prática educativa relativa ao meio ambiente — que chamamos atualmente de
educação ambiental — já recebeu diversos termos definidores ao longo dos
anos, como educação para desenvolvimento sustentável, educação para gestão
ambiental, ecopedagogia, educação para a cidadania e educação para um futuro
sustentável. Para entendermos de forma adequada seus conceitos, suas ações
educativas e seu objetivo, é preciso observar como começou o movimento
ambientalistae seu contexto histórico-social.
Os primeiros registros
Durante os séculos XVIII e XIX, acadêmicos como Jean-Jacques Rousseau e
Louis Agassiz já destacavam a importância do estudo do meio ambiente.
Naquela época, diversas concepções desenvolvidas por eles foram utilizadas
como base para os primórdios de programas educacionais acerca do meio
ambiente.
Jean-Jacques Rousseau
Louis Agassiz
No Brasil, a Lei nº 1, de 1 de outubro de 1828, já tratava de questões ambientais
como o dever de zelar por poços, fontes, aquedutos, dentre outros por parte da
polícia. Abordava também outras construções de uso e benefício comum da
população, como o plantio de árvores (BRANCO; ROYER; BRANCO, 2018, p. 190).
No início do século XX foi escrito o primeiro Manual para Estudos da Natureza
(Handbook of Nature Study), desenvolvido pela norte americana Anna Botsford
Comstock, em 1911. Nesse livro, a autora usava questões acerca do meio
ambiente para ensinar valores culturais.
Fila de trabalhadores desempregados em busca de
pão, um retrato da crise de 1929.
Anos depois, o mundo atravessava o
período da chamada Grande
Depressão — ou Crise de 1929 —,
enfrentando o colapso da
superprodução, do capitalismo e do
liberalismo econômico.
Em meio a esse contexto histórico,
desenvolveu-se o conceito de
educação ambiental conservacionista.
O conceito de educação ambiental conservacionista foi inspirado na ideia de
conservação da natureza, motivado pelo nosso bem-estar no ambiente natural, e
na sua valorização e proteção. Naquele momento ainda não havia uma
problematização profunda sobre os impactos antrópicos no ambiente e pouco
era falado sobre sua relação com as questões sociais e políticas.
Apesar da preocupação e do aumento da organização dos grupos dedicados à
causa da educação ambiental, o mundo continuou a presenciar o
desenvolvimento de “sintomas” da crise ambiental durante a década de 1950,
devido ao crescimento da poluição industrial.
A década de 1960
Essa década trouxe diversos
movimentos relacionados à proteção
do meio ambiente. No ano de 1962, o
livro Primavera Silenciosa foi publicado
pela autora Rachel Carson. A autora
buscava alertar acerca dos efeitos
danosos de inúmeras ações humanas
sobre o ambiente, como o uso
indiscriminado de pesticidas, por
exemplo.
Rachel Carson, autora de Primavera Silenciosa.
Cinco anos depois, em 3 de janeiro de 1967, foi publicada no Brasil a Lei nº
5.197, que dispõe sobre a proteção à fauna. O primeiro artigo dessa lei
determina que:
Os animais de quaisquer espécies, em
qualquer fase do seu desenvolvimento, e
que vivem naturalmente fora do cativeiro,
constituindo a fauna silvestre, bem como
seus ninhos, abrigos e criadouros naturais,
são propriedades do Estado, sendo
proibida a sua utilização, perseguição,
destruição, caça ou apanha.
(BRASIL, 1967)
A década de 1970
Dennis Meadows, um dos autores de Os Limites do
Crescimento.
Já no início da década de 1970 foi
desenvolvido o Manifesto para
Sobrevivência, em que grupos
observaram que um aumento
indefinido de demanda não pode ser
sustentado por recursos finitos.
Além desse manifesto, em 1972 foi
desenvolvido, pelo Conselho para
Educação Ambiental e pelo Clube de
Roma e o relatório chamado Os
Limites do Crescimento.
Esse relatório tinha como objetivo
estudar e propor ações para se obter
um equilíbrio global, tendo em vista
determinadas prioridades sociais e o
futuro desenvolvimento da
humanidade tais como energia,
poluição, saneamento, saúde,
ambiente, tecnologia e crescimento
populacional.
Ainda em 1972 foi também realizada a Conferência sobre o Desenvolvimento e
Meio Ambiente Humano, pela Organização das Nações Unidas (ONU) em
Estocolmo. A Declaração de Estocolmo indicava que, tanto para as gerações
presentes quanto para as futuras, um ambiente sadio e não degradado seria
reconhecido como direito fundamental à vida. Além disso, essa conferência
ficou marcada por outras diversas medidas importantes para intervenção nas
questões ambientais, como a formulação do Princípio 19.
O que dizia o Princípio 19? 
“É indispensável um trabalho de educação em questões ambientais,
visando tanto às gerações jovens como os adultos, dispensando a devida
atenção ao setor das populações menos privilegiadas, para assentar as
bases de uma opinião pública, bem informada e de uma conduta
responsável dos indivíduos, das empresas e das comunidades, inspirada
no sentido de sua responsabilidade, relativamente à proteção e
melhoramento do meio ambiente, em toda a sua dimensão humana."
Em conjunto com essas medidas e
declarações, a ONU criou um
organismo denominado United
Nations Environment Programme
(UNEP) ou, em português, Programa
das Nações Unidas para o Meio
Ambiente (PNUMA), sediado em
Nairóbi, que auxilia na coordenação de
ações internacionais.
Em 1975, ocorreu o Encontro Internacional em Educação Ambiental, realizado
pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
(UNESCO). Nesse evento, foi criado o Programa Internacional de Educação
Ambiental — PIEA. Também foi elaborada o que ficou conhecida como Carta de
Belgrado, que estabelece conceitos, metas e princípios da educação ambiental.
Essa carta define como objetivo da educação ambiental a formação de uma
população consciente e preocupada com o ambiente e com os seus problemas,
que detenha os conhecimentos, as competências, as motivações e o sentido de
compromisso que lhe permitam trabalhar de forma individual e coletiva na
resolução das dificuldades atuais e impedir que elas se apresentem de novo.
Em 1977, a cidade de Tbilisi, Geórgia
(ex-União Soviética), sediou a
Conferência Intergovernamental sobre
Educação Ambiental, realizada pela
UNESCO. Nela, definiram-se os
objetivos e as características da
educação ambiental, assim como
estratégias e princípios pertinentes no
plano nacional e internacional.
Já no final dessa década, em 1979,
aconteceu o Seminário de Educação
Ambiental para a América Latina,
realizado por UNESCO e PNUMA, na
Costa Rica.
Como você acompanhou até aqui, muitas medidas foram propostas e inúmeras
conferências internacionais foram realizadas. Um indicativo do crescimento do
alerta acerca das questões ambientais.
Mas e no Brasil?
O Brasil não ficou de fora, e também se desenvolveu durante a década de 1970
nas questões relacionadas ao ambiente. A Universidade Federal do Rio Grande
do Sul criou o primeiro curso de pós-graduação em Ecologia do país,
estimulando grupos científicos a progredir nas problemáticas ambientais dentro
do país. Após esse feito, também foram criados, em 1976, outros cursos de pós-
graduação em Ecologia nas Universidades do Amazonas, Brasília, Campinas, São
Carlos e o Instituto Nacional de Pesquisas Aéreas (INPA), em São José dos
Campos. Além disso, em 1973 foi criada a Secretaria Especial do Meio Ambiente
(SEMA).
A década de 1980
A década de 1980 foi marcada por avanços em políticas públicas no Brasil. Em
1981, estabeleceu-se a Política Nacional de Meio Ambiente (PNMA) no país por
meio da Lei nº 6.938/81. A PNMA dispõe sobre a necessidade da inclusão da
educação ambiental em todos os níveis de ensino, capacitando a população a
atuar na conservação e preservação do meio ambiente. Além dessa, também
nasceu o SISNAMA (Sistema Nacional do Meio Ambiente), com a promulgação
da Lei nº 6.938/81. Esse foi um verdadeiro marco na história da proteção
ambiental brasileira, pois articulou a proteção do meio ambiente sob a ideia de
um único sistema nacional.
Em 1985, o Ministério da Educação (MEC) publicou o parecer 819, reforçando a
necessidade da inclusão de conteúdos ecológicos ao longo do processo de
formação do ensino de 1º e 2º graus, que hoje conhecemos como ensinos
fundamental e médio.
Já em 1988, o Capítulo VI da
Constituição da República Federativa
do Brasil foi dedicado ao meio
ambiente e, no artigo 225, Inciso VI,
determina ao Poder Público promover
a educação ambiental em todos osníveis de ensino e a conscientização
pública para a preservação do meio
ambiente.
Além dos avanços na política brasileira, diversos acontecimentos nocivos ao
meio ambiente e à saúde humana aconteceram durante essa década ao redor do
mundo.
Em dezembro de 1984, cerca de 2 mil pessoas morreram envenenadas na Índia,
devido a um vazamento de gás da empresa Union Carbide.
Tonéis de gás da Union Carbide, em Bopal, na Índia.
Em abril de 1986, aconteceu o famoso acidente envolvendo o reator nuclear na
cidade de Chernobyl, na Ucrânia. As consequências desse fatídico acidente
ainda podem ser vistas atualmente em um ambiente que segue bastante
inóspito.
Um ano depois, em 1987, outro grande acidente radioativo ocorreu com a
abertura da cápsula de Césio 137, em Goiânia, no Brasil, por causa do descarte
indevido desse tipo de material.
Cidade de Pripyat, abandonada após o desastre de Chernobyl e que ainda apresenta sinais de contaminação
pela radiação.
Na década de 1980, também aconteceram eventos internacionais visando à
discussão de estratégias para a educação ambiental. Em 1987, ocorreu o
Congresso Internacional sobre Educação e Formação Relativas ao Meio
Ambiente, na cidade de Moscou, Rússia, promovido pela UNESCO.
Em 1989, foi realizada a 3ª Conferência Internacional sobre Educação Ambiental
para as Escolas de Ensino Médio, com o tema Tecnologia e Meio Ambiente, na
cidade de Illinois, Estados Unidos da América. Além dessa última conferência,
ocorreu o preparatório do evento Rio-92 mediante a declaração de Haia, em que
foi apontada a importância da cooperação internacional nas questões
ambientais.
A década de 1990
Diferentemente das demais décadas, a década de 1990 é conhecida por várias
conferências internacionais que focam diretamente a educação ambiental e os
planos de ação.
Por sinal, o ano de 1990 foi declarado pela ONU como o Ano Internacional do
Meio Ambiente. Além disso, foi publicada a Declaração Mundial sobre Educação
para Todos, em que pode ser encontrada a Satisfação das Necessidades
Básicas de Aprendizagem, aprovada na Conferência Mundial sobre Educação
para Todos, realizada em Jomtien, na Tailândia.
No Brasil, em 1991, foi criada uma Comissão Interministerial para as questões
ambientais e que teve como premissa considerar a educação ambiental como
um dos instrumentos da política ambiental brasileira.
Já em 1992, foi realizada a primeira Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento, chamada de Rio-92. Nela, foi desenvolvida a Agenda 21, que
continha um plano de ação de orientação para transformação da sociedade, e a
Carta da Terra, uma declaração que apresenta princípios que buscam promover
a paz, a justiça e a sustentabilidade na sociedade.
Além disso, também foi elaborado pela sociedade civil planetária no fórum
global um tratado de educação ambiental para sociedades sustentáveis com
responsabilidade global. Nesse documento estão os princípios fundamentais da
educação para sociedades sustentáveis, destacando a necessidade de
formação de pensamento crítico, coletivo e solidário, de interdisciplinaridade,
multiplicidade e diversidade.
Saiba mais
Em 1997, uma nova conferência internacional sobre o meio ambiente e a
sociedade aconteceu na cidade de Thessaloniki, na Grécia, para avaliação dos
resultados dos protocolos gerados na Rio-92. Dessa forma, foi constatado que o
desenvolvimento da educação ambiental foi insuficiente nesse período de cinco
anos.
Também no ano de 1997 iniciou-se a discussão acerca do Protocolo de Kyoto,
que propunha um calendário com metas de redução de emissão de gases do
efeito estufa que os países-membros teriam a obrigação de cumprir.
Logo do CONAMA.
Já na política ambiental brasileira,
outro passo importante foi a criação,
em 1993, de duas instâncias do poder
executivo destinadas a tratar da
educação ambiental: a Coordenação-
Geral de Educação Ambiental do MEC
e a Divisão Ambiental do IBAMA
(Instituto Brasileiro de Meio Ambiente
e dos Recursos Naturais Renováveis).
Já em 1994, foi criado o Programa
Nacional de Educação Ambiental
(PRONEA). Além disso, foi criada, em
1995, a Câmara Técnica Temporária
de Educação Ambiental, no Conselho
Nacional de Meio Ambiente –
CONAMA, determinante para o
fortalecimento da educação
ambiental.
Ao final da década de 1990, foi promulgada a Lei nº 9.605, de 13 de fevereiro de
1998, conhecida como Lei de Crimes Ambientais. Ela dispõe sobre as sanções
penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio
ambiente.
Em 27 de abril de 1999, nasceu a Lei nº 9.795, que instituiu a Política Nacional de
Educação Ambiental (PNEA). Nela é afirmado que todos têm direito à educação
ambiental, considerada como componente essencial e permanente da educação
nacional, que deve ser exercida de forma articulada em todos os níveis e
modalidades de ensino, sendo ela de responsabilidade do SISNAMA, do sistema
educacional, dos meios de comunicação, do Poder Público e da sociedade em
geral. Juntamente à criação dessa Lei, surgiu a Portaria nº 1648/99 pelo MEC
para criar um grupo de trabalho com representantes de todas as suas
secretarias, no qual se discutiu a regulamentação dessa política.
Que tal conhecer melhor o PNEA? Vamos começar pelos seus princípios
básicos:
I - o enfoque humanista, holístico,
democrático e participativo;
II - a concepção do meio ambiente em sua
totalidade, considerando a
interdependência entre o meio natural, o
socioeconômico e o cultural sob o enfoque
da sustentabilidade;
III - pluralismo de ideias e concepções
pedagógicas, na perspectiva da inter, multi
e transdisciplinaridade;
IV - a vinculação entre a ética, a educação,
o trabalho e as práticas sociais; a garantia
de continuidade e permanência do
processo educativo;
V - a permanente avaliação crítica do
processo educativo;
VI - a abordagem articulada das questões
ambientais locais, regionais, nacionais e
globais;
VII - o reconhecimento e o respeito à
pluralidade e à diversidade individual e
cultural.
(BRASIL, 1999)
Além disso, a PNEA tem como objetivos fundamentais da educação ambiental:
I - o desenvolvimento de uma
compreensão integrada do meio ambiente
em suas múltiplas e complexas relações,
envolvendo aspectos ecológicos,
psicológicos, legais, políticos, sociais,
econômicos, científicos, culturais e éticos;
II - a garantia de democratização das
informações ambientais;
III - o estímulo e o fortalecimento de uma
consciência crítica sobre a problemática
ambiental e social;
IV - o incentivo à participação individual e
coletiva, permanente e responsável, na
preservação do equilíbrio do meio
ambiente, entendendo-se a defesa da
qualidade ambiental como um valor
inseparável do exercício da cidadania;
V - o estímulo à cooperação entre as
diversas regiões do País, em níveis micro e
macrorregionais, com vistas à construção
de uma sociedade ambientalmente
equilibrada, fundada nos princípios da
liberdade, igualdade, solidariedade,
democracia, justiça social,
responsabilidade e sustentabilidade;
VI - o fortalecimento da cidadania,
autodeterminação da integração com a
ciência e a tecnologia;
VII - o fortalecimento da cidadania,
autodeterminação dos povos e
solidariedade como fundamentos para o
futuro da humanidade.
(BRASIL, 1999)
Os anos 2000
A partir da primeira década dos anos 2000, o mundo teve uma atenção maior
voltada para a educação ambiental e para problemas socioambientais, uma vez
que as consequências dessas complicações são cada vez mais eminentes. Em
2002, a ONU realizou a Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e
Desenvolvimento Sustentável, em Joanesburgo, na África do Sul. Conhecida
como Rio+10, o encontro teve como objetivo rever as metas propostas pela
Agenda 21 e implementar o que já estava em andamento.
Nos anos de 2004 e 2005, começou a vigorar o Protocolo de Kyoto. Esse acordo
determinava que, no período entre 2008 e 2012, pelo menos 5,2% da emissão
dos gases do efeito estufa deveria ser reduzida, em relaçãoaos níveis de 1990.
Líderanças mundiais reunidas para a Rio+20.
No ano de 2012, foi realizada, no Rio
de Janeiro, a conferência conhecida
como Rio+20, justamente por marcar
os vinte anos da Rio-92. Esta
conferência teve por objetivo garantir
e renovar o compromisso entre os
políticos para o desenvolvimento
sustentável.
Infelizmente, mesmo depois dos últimos eventos realizados com esse propósito,
ainda é possível observar o aumento dos problemas ambientais e
socioambientais.
Educação ambiental no âmbito
do Ministério da Educação:
PCNs, DCNs, BNCC
Segundo a Lei nº 9.795/99, a educação ambiental é um componente essencial e
permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada,
em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e
não formal.
Ainda segundo a lei, a abordagem ambiental formal é aquela desenvolvida no
âmbito dos currículos das instituições de ensino públicas e privadas, englobando
educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio),
educação superior, educação especial, educação profissional e educação de
jovens e adultos.
A PNEA também requer que a educação ambiental seja desenvolvida como uma
prática educativa integrada, contínua e permanente em todos os níveis e
modalidades do ensino formal. Dessa forma, ela não deve ser implantada como
disciplina específica no currículo de ensino, mas apenas facultada nos cursos de
pós-graduação e extensão nas áreas voltadas ao aspecto metodológico da
educação ambiental, quando se fizer necessário. Em cursos de formação e
especialização técnico-profissional, em todos os níveis, deve ser incorporado
conteúdo que trate da ética ambiental das atividades profissionais a serem
desenvolvidas.
Além dos alunos, a temática ambiental também deve constar nos currículos de
formação de professores em todos os níveis e em todas as disciplinas. Nesse
caso, os professores devem receber formação complementar em suas áreas de
atuação, com o propósito de atender adequadamente ao cumprimento dos
princípios e objetivos da PNEA.
De acordo com essa lei, há premissas
também para desenvolver a educação
ambiental não formal — que é
elaborada como atividades de
extensão e divulgação científica. A
educação ambiental não formal
compreende as ações e práticas
educativas voltadas à sensibilização
da coletividade sobre as questões
ambientais e à sua organização e
participação na defesa da qualidade
do meio ambiente.
E o poder público, de todas as esferas, incentivará atividades para:
I - a difusão, por intermédio dos meios de
comunicação de massa, em espaços
nobres, de programas e campanhas
educativas, e de informações acerca de
temas relacionados ao meio ambiente;
II - a ampla participação da escola, da
universidade e de organizações não
governamentais na formulação e execução
de programas e atividades vinculadas à
educação ambiental não formal;
III - a participação de empresas públicas e
privadas no desenvolvimento de
programas de educação ambiental em
parceria com a escola, a universidade e as
organizações não governamentais;
IV - a sensibilização da sociedade para a
importância das unidades de conservação;
V - a sensibilização ambiental das
populações tradicionais ligadas às
unidades de conservação;
VI - a sensibilização ambiental dos
agricultores;
VII - o ecoturismo.
(BRASIL, 1999)
De acordo com as informações que estudamos, podemos observar que a
educação ambiental é indispensável para formar o cidadão crítico e consciente
de seus direitos e deveres no meio em que está inserido. Sendo assim, aprimora-
se a cidadania do indivíduo para a preservação e manutenção da vida, para a
participação efetiva em tomadas de decisões coletivas e para a
responsabilização pela qualidade de vida e sobrevivência. Tal consciência
ambiental e senso crítico — que capacitam o indivíduo para compreender
diferenças sociais, políticas, financeiras e de recursos — podem ser
conquistadas por meio da educação.
Considerando a amplitude e sua fundamentação em diversas áreas, a educação
ambiental é interdisciplinar e sua pertinência deve ser inserida em todo currículo
escolar. Assim, além de observar a lei que estabelece os preceitos da PNEA,
também precisamos estudar como a educação é organizada nos documentos
educacionais norteadores: os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), as
Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) e a Base Nacional Comum Curricular
(BNCC).
PCNs são parâmetros determinados pelo Governo Federal para nortear
os educadores e normatizar fatores fundamentais inerentes a cada
disciplina. Com relação à educação ambiental, os conceitos e objetivos
são trabalhados em três volumes: Ciências Naturais, Meio Ambiente e
Temas Transversais. Apesar de divididos, os três volumes afirmam a
necessidade do desenvolvimento desse tema de forma transversal, por
todo o currículo de educação básica.
O caderno Ciências Naturais é um dos volumes que mais destaca a
educação ambiental, enfatizando a grande responsabilidade dessa
disciplina para dialogar sobre o caráter de preservação e utilização
consciente da natureza sob a concepção do desenvolvimento
sustentável. Embora o tema se encontre fortemente presente nesse
volume, o papel dos PCNs para mudar e viabilizar a educação ambiental
como explicitada na lei ainda é questionado.
Já o volume Meio Ambiente apresenta maior enfoque nos elementos
físicos e biológicos, assim como nos modos de interação do homem e da
natureza pela arte, tecnologia e ciência. Nele são exibidos os modelos de
desenvolvimento econômico e social na sociedade atual, auxiliando na
construção de uma consciência global em relação às problemáticas
ambientais e conferindo significado ao que aprendem sobre educação
ambiental.
Em Temas Transversais são apresentados pontos que buscam debater
questões presentes em vários aspectos da vida cotidiana e o fato de a
questão ambiental não ser atribuída a um componente curricular. Sendo
assim, faz-se necessária uma abordagem que integre conhecimentos
históricos, científicos, sociais, demográficos, econômicos, entre outros,
dada a complexidade do tema.
Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) 
Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) 
As DCNs são outro conjunto de normas obrigatórias que norteiam o
planejamento curricular de instituições de ensino públicas ou privadas.
Tais documentos ratificam o objetivo da educação ambiental em
contexto nacional, amparada pela Constituição Federal e pela PNEA, e
que abrange o desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio
ambiente, suas relações ecológicas, o incentivo à participação individual
e coletiva de forma permanente e o exercício da cidadania por meio da
defesa da qualidade ambiental.
Nesses documentos, há registros da produção das Diretrizes Curriculares
Nacionais para a Educação Ambiental (DCNEA) pelo MEC e pelo CNE. Por
sua vez, essas diretrizes enfatizam que a educação ambiental inclui o
entendimento de uma educação cidadã, responsável, crítica e
participativa por meio de saberes científicos e tradicionais, possibilitando
a tomada de decisões inovadoras e fortalecendo a responsabilidade
social. Dessa maneira, o tema aperfeiçoa-se na construção de uma
cidadania consciente voltada para culturas de sustentabilidade
socioambiental.
A BNCC, em concordância com a Lei nº 9.394/1996 (Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional), é um documento de caráter normativo que
tem como objetivo estabelecer um conjunto orgânico e progressivo de
aprendizagens essenciais, indicando conhecimentos e competências que
devem ser desenvolvidas por todos os estudantes ao longo da educação
básica. Esse documento foi revisado e modificado por especialistas e
gestores públicos.
Na primeira versão, publicada no ano de 2015, o documento não
apresenta o termo “educação ambiental”, restringindo-se a destacar que
discussões sobre meio ambiente, cidadania e direitos humanos deviam
ser reconhecidas como forma de debate interdisciplinar,ou seja, como
tema transversal. Já no ano seguinte, a segunda versão da BNCC
abarcou a concepção da educação ambiental como uma educação
escolar constituindo uma atividade intencional da prática social que
ensina ao indivíduo o caráter da sua relação com a natureza e com outros
seres humanos.
Base Nacional Comum Curricular (BNCC) 
Assim, ela passa a objetivar também: construção de conhecimento,
desenvolvimento de habilidades, atitudes e valores, cuidado com a
qualidade de vida, justiça e equidade socioambiental e proteção do meio
ambiente natural e construído. Por fim, em sua terceira e última versão
(2017), a BNCC novamente não contempla o termo educação ambiental.
Em substituição, o documento enfatiza a integração de tópicos, como
incentivo à proposição e adoção de alternativas individuais e coletivas
para a sustentabilidade ambiental na organização curricular das escolas.
Dessa forma, busca-se estimular o uso inteligente e responsável dos
recursos naturais e direciona-se o tema com ênfase maior na
sustentabilidade.
Desequilíbrios ecológicos e
problemáticas ambientais
antrópicas
Neste vídeo, o professor fala sobre as consequências ambientais de atividades
antrópicas, tais como a industrialização (poluição), o agronegócio
(desmatamento), a caça e o tráfico de animais silvestres (extinção), entre outros,
e sobre os impactos gerados pelo conjunto dessas ações, como as mudanças
climáticas.

Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
No estudo e aplicação da educação ambiental existem três principais
correntes ideológicas: a protecionista, a preservacionista ou conservacionista
e a pragmática. Além dessas, há mais uma corrente, a da educação
ambiental crítica. Quanto a essa última, assinale o conceito correto:
Parabéns! A alternativa D está correta.
Na educação ambiental crítica, há propostas de ações educativas de forma
transversal e construtivista, tendo como objetivo o desenvolvimento do senso
crítico acerca das problemáticas ambientais e de como essas afetam toda a
humanidade. A corrente protecionista propõe ações para proteção e defesa
da vida animal e da vida selvagem. A corrente preservacionista ou
conservacionista prega a necessidade de preservação de pedaços intocados
da natureza e da vida selvagem frente aos impactos antrópicos, utilizando
conhecimentos biológicos para suas ações de preservação do meio
ambiente. Já a corrente pragmática tem como centro das práticas
educacionais o comportamento individualizado, com propostas de
conscientização e mudanças de atitudes indesejadas, pregando o aspecto
utilitarista e racional da administração e exploração dos recursos naturais.
A
As pessoas adeptas a essa corrente centralizam sua atenção
nos problemas de proteção e defesa da vida animal e da vida
selvagem.
B
As pessoas adeptas a essa corrente utilizam conhecimentos
biológicos acerca dos impactos dos processos de ocupação e
industrialização para lutar em prol do meio ambiente e da
manutenção da nossa vida no planeta.
C
Essa corrente tem como centro da educação ambiental o
aspecto utilitarista e racional da administração e exploração
dos recursos naturais.
D
Propostas de atividades educativas individuais e coletivas de
forma transversal e construtivista fazem parte dessa corrente.
E
O foco das ações educativas dessa corrente é o
comportamento individualizado, com propostas de
conscientização e mudanças de atitudes indesejadas.
Questão 2
Segundo a Lei nº 9.795/99, a educação ambiental é um componente da
educação nacional que deve estar presente, de forma articulada, em todos os
níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não formal.
Quanto ao âmbito de aplicação da educação ambiental na educação não
formal, assinale a alternativa correta:
Parabéns! A alternativa C está correta.
Segundo a Lei Federal nº 9.795 art. 13, as atividades de ecoturismo são
entendidas como a aplicação da educação ambiental no âmbito não formal.
Segundo a Lei federal nº 9.795 art. 9 e art. 10, no âmbito formal, a educação
ambiental deve estar presente nos currículos de instituições de ensino
públicas e privadas, abarcada nos modelos de educação básica, superior,
especial, profissional e de jovens e adultos. Dentro da educação superior, é
facultada a inclusão da educação ambiental como disciplina individualizada.
A
A educação ambiental deve estar presente nos currículos de
instituições de ensino públicas e privadas.
B
A educação ambiental deve estar abarcada nos modelos de
educação básica, superior, especial, profissional e de jovens e
adultos.
C
A educação ambiental poderá ser incentivada em atividades
como o ecoturismo.
D
A educação ambiental poderá compor disciplina específica,
de forma facultada, nos cursos de pós-graduação.
E
A educação ambiental deve estar presente no currículo de
formação de novos professores, assim como na formação
complementar para aqueles já atuantes.
Além disso, a educação ambiental deve estar presente não só no currículo
dos alunos, mas também no dos novos ou já atuantes professores desses
modelos de educação formal.
2 - A cidadania ambiental
Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer os principais pontos sobre
a cidadania ambiental.
Introdução à cidadania
ambiental
Após entendermos os conceitos e questões abordadas pela educação
ambiental, falaremos sobre um assunto específico e intrínseco desse tema: a
cidadania ambiental. Trata-se de munir o ser humano com as informações e
condições necessárias para que ele atue em defesa à vida, sendo incentivado a
participar ativamente em prol do equilíbrio ambiental do planeta.
No Brasil, diferentes leis foram criadas em diferentes áreas de importância
ambiental e social, para garantir os direitos e deveres dos cidadãos e,
consequentemente, uma sociedade sustentável. Pronto para saber mais sobre o
assunto?
Conceitos em cidadania
ambiental
Antes de começarmos a entender o tema, precisamos responder a uma
importante pergunta:
O que é cidadania?
A cidadania é caracterizada pelo cumprimento dos
deveres para com o Estado e pelo exercício dos
direitos civis e políticos de um país.
Sendo assim, além do direito a um meio ambiente preservado, nós temos o
dever de preservar o espaço, não poluindo ou exaurindo seus recursos. Essa
consciência pode ser desenvolvida por meio da educação ou formação cidadã, a
partir da qual se entende que o modelo antropocêntrico tem levado ao
esgotamento de diversos recursos naturais e espécies viventes e que, sendo
assim, é preciso alterar valores éticos, para a manutenção da vida humana.
A conscientização ambiental,
mediante a formação cidadã, torna o
indivíduo capaz de gerenciar e
aprimorar as relações entre sociedade
e meio ambiente de forma eficiente e
sustentável, assim como evitar a
ocorrência de problemáticas
ambientais e tentar consertar ou fazer
a manutenção dos problemas já
instaurados.
O indivíduo passa a reconhecer o seu
papel perante a sociedade e o meio
ambiente — ou seja, todo espaço em
que vive e do qual depende.
Logo, é evidente a grande importância da educação para a conscientização,
formação e capacitação do cidadão, para assumir o seu papel e garantir a sua
própria sobrevivência e das futuras gerações. Cabe ressaltar que, apesar de
esses deveres serem restritos a limites geográficos, como países, suas
consequências são globais e podem afetar a todos. Dessa forma, deve-se ter em
mente que a cidadania ambiental é uma ferramenta para proteção
intercomunitária do bem difuso ambiental.
Não podemos falar de cidadania ambiental sem entender o termo
desenvolvimento sustentável. Esse tipo de desenvolvimento trata da
manutenção e melhoria da qualidade de vida, respeitando os limites de
capacidade de sobrevivência ecossistêmica do ambiente em que vivemos.
A percepção que temos atualmente do termo “sustentabilidade” é fruto de
reflexões que começaram na década de 1960 e se consolidaram na décadade
1980, com o relatório desenvolvido pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente
e Desenvolvimento das Nações Unidas. De acordo com esse relatório,
desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente
sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas
próprias necessidades.
Para a efetiva conservação e aplicação da cidadania ambiental, é necessária a
participação de todos os grupos sociais, como a administração pública (nível
federal, estadual e municipal), a sociedade com seus interlocutores (escola,
sindicato e associações) e o indivíduo, representando o cidadão, que
desempenha o seu papel em cuidar do meio ambiente no seu respectivo espaço
(casa, bairro e local de trabalho).
Em outras palavras, são pressupostos indispensáveis ao exercício da cidadania
ambiental: a participação do Estado – garantindo o mecanismo para
participação do cidadão – e do próprio cidadão – evitando o conformismo; e o
acesso à educação e à informação ambiental, primordiais para a
conscientização. Assim, atuar isoladamente seria ineficaz para alcançar uma
gestão ambiental eficiente.
União de grupos sociais para efetiva conservação ambiental.
Cidadania e educação ambiental
no Brasil
A educação ambiental é um dos recursos utilizados de forma ampla em escolas,
onde se espera o desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio
ambiente em suas múltiplas e complexas relações, e a garantia de
democratização das informações ambientais, envolvendo aspectos ecológicos,
psicológicos, legais, políticos, sociais, econômicos, científicos, culturais e éticos.
Assim, a instituição educacional é um ambiente favorável para trabalhar tais
conteúdos e metodologias adequadas de forma contínua no currículo escolar.
Além disso, a educação ambiental também pode ser trabalhada em diversos
outros campos, como:
 Estudos com dados básicos
que permitem a criação de
normas técnicas, como
aquelas instituídas por
órgãos regulatórios
(certificadores,
credenciadores e
habilitadores, como ABNT,
INMETRO e ANVISA,
respectivamente).
 Avaliações de consumo de
água, energia e materiais,
produção de alguns
materiais, desenvolvimento
de tecnologias e
qualificação de mão de
obra.
 Diagnóstico ambiental por
meio da avaliação dos
gastos energéticos, da
geração de resíduos (como
li ) d
São diversas áreas, não é mesmo?! A contribuição da educação ambiental
brasileira para a construção da cidadania ambiental é pautada nos seguintes
pilares: sensibilização, capacitação e gerenciamento. Portanto, as leis federais,
como a de nº 9.433 de 1997 (Política Nacional de Recursos Hídricos), nº 9.795
de 1999 (Política Nacional de Educação Ambiental), nº 9.985 de 2000 (Política
Nacional de Conservação da Natureza), e nº 10.257 de 2001 (Política Nacional
Urbana, o Estatuto da Cidade), determinam a participação cidadã no
planejamento e gerenciamento da água, da conservação da natureza e do
desenvolvimento das cidades.
Além do mecanismo legal, a educação ambiental é trabalhada também pelo
Ministério do Meio Ambiente (MMA), por meio de planos governamentais como
Educa+, Floresta+, Parque+, Cidades+Verdes, Agenda Ambiental na
Administração Pública (A3P), Arpa, PAN-Brasil, PNF, Salas Verdes, Circuito Tela
Verde, entre muitos outros. Esses são diversos projetos voltados para a
preservação e recuperação do meio ambiente (atmosfera, florestas, corpos
hídricos, fauna e flora).
esgoto, lixo e gases) e do
entendimento de processos
administrativos e
operacionais mais
adequados.
 Planos de ação, como
auditorias para fiscalização
e adequação de locais
(indústrias etc.) a normas
técnicas ou outros
regulamentos e
procedimentos; e
desenvolvimento da
capacidade de
retroalimentação
(diminuição de gastos e
resíduos).
Você sabia que existem punições legais para quem infringe leis
ambientais?
O cidadão ou instituição que transgride o cuidado ambiental pode e deve ser
punido na esfera civil, administrativa e criminal, sendo então cobrado pela
reparação do dano causado e, acima de tudo, conscientizado ou
reconscientizado acerca de sua cidadania ambiental. No entanto, você sabe o
que são infrações ambientais? São todas ações ou atividades que infrinjam a
harmonia ambiental, ou seja, que afetem o meio ambiente de forma negativa e
até mesmo danosa. Algumas dessas infrações são legais, isto é, são previstas
em lei, como queimadas, destruição de nascentes, cortes indiscriminados de
árvores, prisão de animais silvestres, entre outras. Tais ações têm como
consequências sanções, como advertências, multas e apreensões, e podem até
levar à prisão e à prestação de serviços.
Gestão ambiental
A gestão ambiental é a área em que a administração política realiza atividades
socioeconômicas visando à utilização prática e plena dos recursos naturais no
âmbito da sustentabilidade.
No entanto, nem tudo são flores quando tratamos de assuntos complexos que
envolvem meio ambiente e grupos sociais.
Os recursos ambientais são motivos de lutas sociais entre os interesses
públicos e privados, especialmente quando há investidas de grupos privados
sobre o patrimônio público, que afetam o acesso e a disponibilidade do recurso
para outros grupos sociais. Assim, essas lutas podem obter caráter de
publicidade e luta pela cidadania, uma vez que os grupos sociais prejudicados
reivindicam o caráter público do meio ambiente e seu uso comum.
Nesse contexto, a gestão ambiental pode ter uma participação fundamental para
revelar conflitos, prevenir, monitorar e garantir os direitos às indenizações dos
grupos que sofrem impactos socioambientais e tecnológicos, instituindo
políticas que respeitem os direitos de cidadania.
Questões sociais que afetam as populações mais
pobres devem ser consideradas para uma boa
gestão ambiental.
Outro importante fator a ser
considerado para as ações da gestão
ambiental é a situação de riscos que
certos grupos sociais enfrentam em
seu espaço, causados por múltiplos
agentes motores, como fenômenos
meteorológicos, geofísicos,
bioquímicos, tecnológicos,
sociopolíticos e culturais. Esses
agentes afetam principalmente grupos
mais pobres devido à precariedade de
sua situação de vida.
Problemáticas que envolvem a
cidadania ambiental
O ser humano, assim como outras espécies animais, sempre teve que confrontar
fenômenos naturais imprevisíveis, como terremotos, vulcões, raios, enchentes e
desmoronamentos. Ao longo de centenas de anos, desenvolvemos estratégias e
tecnologias para monitorar e contornar esses fenômenos, garantindo nossa
segurança e sobrevivência.
Então, qual seria o outro lado da moeda?
Para alcançar esse estágio na sociedade moderna, impactos antrópicos foram
causados na natureza, devido a esse novo ambiente construído, modificando
processos naturais de equilíbrio, barreiras naturais e serviços ambientais. Os
riscos que grupos humanos causam no meio ambiente podem não ser
passageiros e afetar a biodiversidade a longo prazo e de forma permanente.
Atividades como a utilização de agrotóxicos, o descarte indevido de
medicamentos e de resíduos industriais, o desmatamento, a construção de
hidrelétricas, termelétricas e polos petroquímicos, a mineração, os garimpos etc.
causam danos muitas vezes irreversíveis à natureza.
Um dos principais impactos que o ser humano pode causar no planeta é a
poluição nos diferentes ambientes, como atmosfera, oceano e solo. A poluição
pode ser caracterizada por mudanças físicas, químicas ou físico-químicas da
composição natural de um ambiente. Tal influência causa mudanças a curto e
longo prazo em níveis globais, como alterações na temperatura média global, na
disponibilidade hídrica, na produtividade agrícola, entre outras. Vamos conhecer
um pouco mais sobre cada tipo de poluição e as suas consequências.
Poluição atmosférica
A poluição atmosférica é definida pela contaminação do ar por gases, líquidos e
partículas sólidas em suspensão, material biológico e energia. Suaorigem pode
ser natural ou antropogênica:
Poluição
atmosférica natural
Pode ser exemplificada pelas
atividades vulcânicas, pela liberação
de metano por animais pastejadores e
de gases provenientes do processo de
decomposição.
Poluição
atmosférica
antropogênica
É causada pela industrialização,
queimadas, queima de combustíveis
fósseis, mineração, uso de aerossóis e
produção de energia elétrica.
A poluição atmosférica pode ter
consequências danosas para o meio
ambiente e para a saúde dos
humanos. Por estar presente em
grandes quantidades na atmosfera, os
compostos químicos podem afetar
patrimônios culturais por meio da
corrosão gradativa devido à
ocorrência de chuvas ácidas.
Outra consequência marcante é o
aumento do efeito estufa — ou
aquecimento global — em que
moléculas dispersas na atmosfera em
grande quantidade retêm o calor
proveniente das radiações solares,
ocasionando o aumento de
temperatura global. Com relação à
saúde humana, os poluentes podem
causar irritação nos olhos e na
garganta, dores de cabeça, vertigens e
perturbações sensoriais,
principalmente em grandes
metrópoles.
Poluição hídrica
Outra poluição que afeta a biodiversidade e a qualidade de vida dos seres
humanos é a poluição oceânica e fluvial, ou seja, a poluição hídrica. Ela é
resultado das alterações de qualidade e das propriedades da água, tornando-a
imprópria para consumo, assim como da presença de materiais estranhos que
acabam sendo prejudiciais aos organismos vivos que ali habitam. As atividades
humanas agrícola, doméstica e industrial são as principais responsáveis pela
poluição de corpos hídricos; e o plástico é um dos principais materiais
contaminantes, especialmente nos oceanos.
Quantas vezes já vimos notícias em meios de comunicação reportando
vazamentos de petróleo no mar e desastres ecológicos decorrentes deles?
Quantas campanhas são criadas por causa da morte de diversos organismos
marinhos? Quantos rios têm sido condenados por causa do despejo de efluentes
de toda natureza de atividade humana?
Derramamento de óleo na água.
Não podemos esquecer como nossas ações diárias podem impactar esse
cenário atual. Atividades domésticas podem produzir resíduos tão perigosos
quanto grandes empresas pela maior proporção de utilização, como o uso de
detergentes que acabam despejados em corpos hídricos pelo esgoto.
O despejo de grande quantidade de matéria orgânica e lixo sólido em lixões a
céu aberto e o lançamento de esgoto doméstico não tratado podem contaminar
os diversos ambientes aquáticos. A presença dessa alta quantidade de matéria
orgânica pode promover a ocorrência de floração de micro-organismos na água,
causando redução da oxigenação e, consequentemente, a morte de peixes –
processo de eutrofização. Alguns desses micro-organismos também podem
liberar toxinas que afetam a saúde humana e a dos animais.
A presença de esgoto nas águas também pode ocasionar doenças como
infecções gastrointestinais, disenteria, leptospirose, cólera e hepatite caso a
água contaminada seja ingerida. A falta de saneamento básico é um dos
principais fatores responsáveis pela poluição de corpos hídricos.
Não podemos falar sobre água sem
falar sobre um grande problema
ambiental que o mundo enfrenta nas
últimas décadas: o desperdício. A
Terra é constituída majoritariamente
por água, que cobre cerca de dois
terços da superfície do planeta.
Apesar disso, apenas 3% estão
disponíveis para consumo. Cabe
ressaltar que alternativas para tornar a
grande quantidade de água presente
nos oceanos própria para consumo
Dia Mundial da Água criado pela ONU.
são analisadas atualmente, como é o
caso dos processos de
dessalinização. Devido à sua
importância para a humanidade, a
ONU criou, em 1992, o Dia Mundial da
Água, comemorado no dia 22 de
março em todos os países do mundo.
Poluição do solo
Poluição do solo é qualquer mudança em suas características causada pelo
contato com produtos químicos, resíduos sólidos ou líquidos. O contato do solo
com esses agentes leva à sua deterioração e à morte de diversos organismos
(fungos, bactérias, protozoários e vermes decompositores), além de poder gerar
riscos para a saúde humana.
Por estar constantemente exposto, o solo é a camada mais afetada por agentes
poluidores, como resíduos (detergentes, tinta, gasolina, fluidos hidráulicos,
hidrocarbonetos, chumbo etc.), fertilizantes químicos, pesticidas e herbicidas.
Os nossos detritos, quando descartados de forma
errada, são uma das principais causas de poluição
do solo.
Além disso, devido à produção
exacerbada de lixo nos centros
urbanos, os detritos que produzimos
no dia a dia são a principal fonte de
poluição dos solos. Esses detritos são,
muitas vezes, depositados em áreas
ilegais e contaminam o solo com
metais pesados e produtos químicos
de alto risco. As consequências desse
tipo de poluição incluem: perda da
fauna, empobrecimento ou
esterilização do solo para plantação,
contaminação da água e problemas
para a saúde humana, como
hipersensibilidade alérgica,
infecundidade, disfunção hepática e
câncer.
Poluição térmica
Caracterizada pelo calor em excesso, a poluição térmica ocorre pela
modificação de temperatura do ar e da água devido às atividades de usinas
hidrelétricas, termelétricas e nucleares. Apesar de ter diversas influências na
saúde do meio ambiente e do ser humano, essa poluição é a menos conhecida.
Exemplo
Podemos citar as águas aquecidas que são despejadas pelas indústrias em
corpos hídricos, causando a mortandade de diversas espécies, como animais e
vegetais intolerantes à mudança brusca de temperatura, e o desequilíbrio no
ecossistema. Apesar de a produção de energia ser a principal responsável pela
poluição térmica, o desmatamento também pode causar o aumento de
temperatura em cursos de água.
Outro fator importante que é causador da poluição térmica é a urbanização
acelerada, que impede o escoamento natural da água pelo solo, devido à sua
pavimentação. Essa água, ao entrar em contato com o asfalto, realiza troca de
calor, permanece aquecida e retorna aos corpos hídricos.
Chaminés de usinas termelétricas.
Poluição radioativa
Apesar de sua utilização ser extremamente vantajosa quanto à produção de
energia, ao desenvolvimento de tratamento de doenças e à eliminação de
patógenos como insetos e bactérias, os elementos radioativos são a matéria que
produz a poluição mais perigosa para o planeta: a poluição radioativa ou nuclear.
Ela é causada por materiais radioativos — naturais ou não — que apresentam
elementos químicos com átomos com núcleos instáveis. A poluição radioativa é
produzida por usinas nucleares, nos descartes da fabricação de bombas
nucleares de urânio ou em acidentes nucleares que levam à liberação de
elementos tóxicos como estrôncio, iodo, césio, cobalto e plutônio.
Usina nuclear em Tihange, Bélgica.
Com relação aos seres humanos, os efeitos da exposição aos elementos
radioativos podem ser graves, como desenvolvimento de deficiências, mutações
genéticas, câncer e diversas outras patologias. Além disso, a poluição radioativa
pode contaminar a fauna e a flora do planeta, resultando em um desequilíbrio
terrestre. Apesar do conhecimento acerca da radioatividade, dos elementos
químicos, do manuseio e do cuidado, ainda não existem técnicas para “limpar” o
local que recebe os resíduos.
Poluição luminosa
Você já imaginou as consequências que o excesso de luz artificial pode trazer
para nós e para o ambiente? A poluição luminosa é um problema bastante
comum na atualidade, principalmente em grandes metrópoles, devido à maior
densidade de iluminação pública, anúncios, outdoors e placas luminosas.
Podemos afirmar que, com a descoberta da eletricidade, começamos a utilizar a
luz artificial em diversas situações, principalmente durante a noite, e a aumentar
a nossa qualidade de vida e segurança.
No entanto, à medida que populações humanas cresceram e passaram a
depender desse advento, impactosmaiores foram vistos no meio ambiente.
Vista noturna da cidade de Taipei, em Taiwan.
Mas quais são os efeitos da poluição luminosa?
Há estudos científicos que demonstraram mudança de comportamentos que
não são saudáveis ou mortalidade em animais de hábitos de vida noturnos,
devido à exposição intensa à luz artificial.
A poluição luminosa pode afetar hábitos alimentares, reprodutivos e ciclos
migratórios de diversas espécies. Já em relação aos seres humanos, quem
nunca ficou até tarde lendo um livro ou mexendo no celular? Esse é um
indicativo do quanto o excesso de luz pode alterar o nosso ciclo biológico,
modificando período de sono, qualidade de visibilidade, produção de hormônio,
batimentos cardíacos e humor.
Poluição sonora
Quem gosta de fazer uma festa com seus amigos e colocar música nas alturas?
Essa é uma situação comum no cotidiano em que podemos perceber o quanto a
poluição sonora é corriqueira em nossas vidas. Ela é caracterizada pelo excesso
de ruídos (ou altos níveis de decibéis) provocado por um barulho constante que
perturba o silêncio ambiental.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o nível de barulho admitido em
grandes centros urbanos é de até 50 decibéis. No entanto, o que verificamos
atualmente em áreas urbanizadas são barulhos que chegam a 100 decibéis,
devido a transportes urbanos, buzinas, sirenes, construções, máquinas, casas de
show, aparelhos de som, entre outros. Dessa forma, segundo a OMS, esse tipo
de poluição é o segundo que mais afeta o ambiente, atrás apenas da poluição
atmosférica.
Todo esse excesso de barulho pode causar problemas fisiológicos temporários
ou até mesmo permanentes. Em locais com ruídos altos, nós, humanos,
podemos desenvolver dor de cabeça, insônia, agitação, dificuldade de
concentração e de relaxamento, mau humor, stress e angústia, além de
problemas auditivos. Há estudos que comprovam perda de hábitat e prejuízos
nos regimes alimentares e reprodutivos de espécies afetadas pela poluição
sonora, como cetáceos, morcegos e corujas.
Outras sérias ameaças ambientais
Apesar de ser um país megadiverso, o Brasil enfrenta sérios problemas em
relação ao desmatamento. Com o intuito de abrir espaço para atividades
agropecuárias (como domesticação de animais e plantações de monocultura de
soja), florestas que sustentam grande biodiversidade estão sendo destruídas.
Além disso, a extração de madeira
para uso comercial, a criação de
hidrelétricas, a mineração e a
expansão das cidades também
causam o desmatamento,
prejudicando o ecossistema por meio
de erosões, processos de
desertificação, alterações no regime
de chuvas e redução da
biodiversidade.
Assim como o desmatamento, as queimadas antropogênicas são utilizadas para
limpar uma região e facilitar a colheita de certas espécies vegetais. No entanto,
os malefícios causados por essa atividade incluem: empobrecimento de solos
férteis, riscos de erosão e poluição atmosférica.
Saiba mais
Quando comparado com milhares de anos atrás, o planeta perdeu cerca de 9%
de sua cobertura florestal e 7,3 milhões de hectares devido à derrubada de
árvores ou queimadas.
Ambos os processos, desmatamento
e queimadas, resultam no
assoreamento, caracterizado pelo
acúmulo de sedimentos em ambientes
aquáticos, obstruindo cursos de água,
destruindo hábitats aquáticos e
veiculando poluentes em corpos
hídricos.
A questão da superpopulação
Vários dos problemas que discutimos neste módulo têm como cerne as grandes
populações humanas — ou superpopulação. Estima-se que a população continue
a crescer cada vez mais em todo o mundo. Você sabia que em apenas 100 anos
a população mundial cresceu em cerca de 5,9 bilhões de pessoas? Atualmente,
há 7,5 bilhões de pessoas no planeta e estudos indicam que a população
aumentará para 10 bilhões até 2050.
E qual será o efeito desse crescimento populacional para o meio
ambiente?
Boa parte das consequências nós já observamos, como a crise hídrica em certas
regiões do mundo. Outro resultado da superpopulação é a extinção de espécies
da fauna e da flora, seja para obtenção de carne, marfim e produtos medicinais
ou pela perda e destruição de seu hábitat.
Saiba mais
No Brasil, a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da
Natureza (IUCN) é um documento que contém espécies ameaçadas e que pode
nos dar um indicativo da perda de biodiversidade que enfrentamos no último
século.
Cabe ressaltar aqui que a vida selvagem também pode fornecer produtos e
exercer serviços ecossistêmicos importantes para a sobrevivência humana,
como as abelhas, que são responsáveis pelo processo de polinização.
Meio ambiente e
sustentabilidade: consumo e
produção conscientes
Neste vídeo, o professor apresenta alguns exemplos de soluções para as
problemáticas ambientais, com enfoque na aplicação da sustentabilidade em
atividades individuais e coletivas no dia a dia.

Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Para o efetivo desenvolvimento da cidadania ambiental, é necessária a
participação de diversos grupos políticos e sociais. Dentre esses grupos, qual
é o responsável por evitar o conformismo na aplicação da prática ambiental
consciente?
Parabéns! A alternativa B está correta.
O indivíduo, como cidadão, tem o dever de evitar o conformismo. Os
interlocutores da sociedade e dos cidadãos, assim como o Estado, por meio
da administração pública no âmbito municipal, estadual e federal, devem
garantir pressupostos indispensáveis para o exercício da cidadania
ambientalmente consciente.
A Administração pública
B Cidadão – indivíduo
C Instituição de ensino
D Sindicatos profissionais
E Associações locais
Questão 2
A gestão ambiental permite que os recursos naturais sejam utilizados de
forma sustentável pela sociedade. Porém, há diversas lutas sociais pela
reivindicação do meio ambiente como um bem público. Os grupos sociais
mais afetados pela falta de acesso ao meio ambiente, assim como por
fatores sociopolíticos, econômicos e culturais, entre outros, são:
Parabéns! A alternativa D está correta.
As instituições privadas, controladas pelos grupos mais ricos, têm pouco
interesse em investir no patrimônio público, especialmente se isso não traz
lucro ou outro tipo de retorno vantajoso. Os grupos de indivíduos mais pobres
são sempre prejudicados com falta de acesso ao meio ambiente e a outros
recursos indispensáveis a uma vida digna. Agências e associações são
interlocutores dos cidadãos, do Estado e de instituições privadas para
manutenção e garantia da prática de cidadania ambiental. O Estado, por meio
da administração pública, deve garantir o direito de acesso ao meio ambiente
à toda a sociedade, assim como garantir a sua utilização de maneira
sustentável.
A Instituições privadas.
B Grupos de indivíduos mais ricos.
C Estado – administração pública.
D Grupos de indivíduos mais pobres.
E Agências e associações.
Considerações �nais
Durante nossos estudos pudemos ver o histórico da educação ambiental no
Brasil e no mundo, tanto no âmbito legislativo quanto nos acontecimentos que
motivaram as concepções acerca da educação e cidadania ambiental creditadas
até hoje. Além disso, diversos conceitos e aspectos sobre essas temáticas
foram discutidos no contexto socioambiental.
Apesar do extenso conhecimento teórico em torno das questões ambientais e
das excessivas discussões já realizadas, pode-se dizer que pouco foi seguido e
alcançado frente às premissas essenciais para a manutenção do meio ambiente
e melhoria da vida. Isso pode ser um indicativo de que as práticas educacionais
— formais ou não — utilizadas para a formação de cidadãos ambientalmente
conscientes não se mostraram completamente eficazes. São necessárias
mudanças conceituais e atitudinais reais nas práticas de educação ambiental,
frente às problemáticas ambientais que se agravam a cada dia.
Concluímos, então, que o caminho educacional é o mais assertivo para se
alcançar osobjetivos sociais, legais e ambientais. Porém, é necessário refletir
sobre os métodos de ensino utilizados e sobre os meios de formação e
transmissão dos conhecimentos em educação ambiental para os indivíduos.
Podcast
Antes de finalizarmos, o professor fala sobre o histórico das políticas ambientais
no Brasil e seus principais aspectos.

Explore +
Para aprofundar seus conhecimentos sobre o tema:
Acesse o blog ECOOAR e leia a matéria Educação ambiental em
perspectiva.
Visite o blog Educação Ambiental em Ação e leia o artigo Uma importante
ferramenta para a educação ambiental: análise de blogs de educação
ambiental para educadores.
Referências
BRANCO, E. P.; ROYER, M.; BRANCO, A. B. de G. A abordagem da educação
ambiental nos PCNs, nas DCNs e na BNCC. Nuances: Estudos sobre Educação,
v. 29, n. 1, 2018.
BRASIL. Casa Civil. Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a
educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá
outras providências. Consultado na internet em: 9 nov. 2021.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Consultado
na internet em: 9 nov. 2021.
BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais 1º ao 5º
Ano. Consultado na internet em: 9 nov. 2021.
BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais 6º ao 9º
Ano. Consultado na internet em: 9 nov. 2021.
BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais para o
Ensino Médio (PCNEM). Consultado na internet em: 9 nov. 2021.
BRASIL. Ministério da Educação. Parecer CNE/CP nº 14/2012. Estabelece as
Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental. Consultado na
internet em: 9 nov. 2021.
BRASIL. Ministério da Educação. Resolução CNE/CP nº 02/2012. Estabelece as
Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental. Consultado na
internet em: 9 nov. 2021.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Educação e Cidadania Ambiental.
Consultado na internet em: 9 nov. 2021.
CARLSON, R. Primavera silenciosa. São Paulo: Guaia, 1962.
CYRNE, C. C. da S. et al. Gestão de resíduos, cidadania e educação ambiental: a
subversão do conceito de função. Revista Brasileira de Educação Ambiental
(RevBEA), v. 15, n. 5, p. 409-423, 2020.
RUFINO, L. R.; CAMARGO, D. R.; SÁNCHEZ, C. Educação ambiental desde el sur.
Revista Sergipana de Educação Ambiental, v. 7, n. especial, p. 1-11, 2020.
SÁNCHEZ, L. E. Avaliação de impacto ambiental: conceitos e métodos. São
Paulo: Oficina de Textos, 2013.
VANZELLA, J. M.; PENNA, M. C. Educação como caminho e condição para a
ampliação do conceito de cidadania e desenvolvimento da democracia
ambiental. Revista Jurídica Cesumar – Mestrado, v. 21, n. 1, p. 191-210, 2021.
Material para download
Clique no botão abaixo para fazer o download do conteúdo
completo em formato PDF.
Download material
javascript:CriaPDF()
EDUCAÇÃO AMBIENTAL ­ EEL0022
EDUCAÇÃO AMBIENTAL 26/05/2022
Contextualização
A disciplina de Educação Ambiental com caráter multidisciplinar desenvolve no estudante conteúdos e
capacidades de analisar, discutir o Plano Nacional de Educação Ambiental no contexto educacional
brasileiro. Produzindo projetos e atividades práticas multidisciplinares na compreensão da disciplina
como instrumento de transformação de posturas, condutas e hábitos sócio­ambientais na escola e na
comunidade.
Ementa
Abordagem das Correntes Pedagógicas clássicas e recentes da Educação Ambiental (EA). Análise crítica
das Declarações Internacionais da EA (Belgrado, Tbilisi, Moscou e Tessalonique) e Encontros Brasileiros
de Educação Ambiental. Programas e políticas públicas governamentais em EA. Educação Ambiental e
o Currículo Escolar e desenvolvimento de projetos em EA.
Objetivos Gerais
Oferecer embasamento teórico prático ao aluno para compreensão da disciplina de Educação Ambiental
como instrumento de transformação sócio­ambiental
Objetivos Específicos
ambiental; ­ Apresentar as diferentes correntes pedagógicas da Educação Ambiental; ­ Explicar as
declarações internacionais de Educação Ambiental de Belgrado, Tbilisi, Moscou e Rio­92; ­Analisar as
Políticas e Programas Públicos em Educação Ambiental ­Discutir sobre Educação Ambiental no
currículo escolar, para o desenvolvimento de projetos interdisciplinares de educação.
Conteúdos
Tema 1: Meio Ambiente e Educação: 1.1 Introdução e reflexão inicial sobre as questões ambientais e os
desafios da educação para o século XXI. Tema 2: Desenvolvimento Sustentável: 2.1 Desenvolvimento
sustentável no contexto da dimensão humana. 2.2 A questão do consumo consciente e do consumo
sustentável. Tema 3: Movimentos Ambientalistas: 3.1 Encontros e eventos importantes para a discussão
de meio ambiente e educação ambiental: Tbilisi, Moscou, Rio­92. Tema 4: Educação Ambiental,
Pedagogia, Política e Sociedade: 4.1 Discussões sobre modelo de desenvolvimento, desigualdade social,
globalização. 4.2 A inserção da educação ambiental nesse contexto Tema 5: Educação Ambiental e
Legislação: 5.1 A Política Nacional de Educação Ambiental (Lei N0 9.795/99). 5.2 A Política Nacional
do Meio Ambiente e seus Sistemas e Institutos. Tema 6: Indicadores Ambientais: 6.1 Apresentação dos
indicadores de meio ambiente: impactos ambientais, estudo de impactos ambientais e relatório de
impacto de meio ambiente. Tema 7: Projetos em Educação Ambiental: 7.1 O planejamento, construção e
avaliação de projetos em educação ambiental. Tema 8: Interdisciplinaridade x Pedagogia: 8.1 Requisitos
a relação da educação ambiental com outras áreas do conhecimento e da vida do homem em sociedade.
8.2 As correntes pedagógicas em educação ambiental. Tema 9: O Papel da Escola frente ao Meio
Ambiente: 9.1 A escola como promotora de preservação ambiental e da saúde. 9.2 A questão da
epidemiologia aplicada à Educação Ambiental. Tema 10: Tópico Especial em Educação Ambiental: 10.1
As temáticas de poluição, gerenciamento de resíduos e gestão ambiental. 10.2 Os desafios do educador
ambiental frente a esses problemas sociais e os espaços não­formais de educação (ONGs, empresas e
comunidades).
Procedimentos de Avaliação
A avaliação da disciplina segue as normas regimentais da Instituição. Nesta disciplina o aluno será
avaliado por seu desempenho nas avaliações presenciais, bem como nos simulados que realizar. No que
se refere às avaliações presenciais, o aluno agendará a realização da AV e, se necessário ? e
posteriormente ? a AVS. As referidas avaliações, realizadas no polo de apoio EAD, envolvem questões
objetivas e/ou discursivas a partir do banco de questão da disciplina e consideram diferentes níveis de
complexidade e diferentes níveis cognitivos. Os simulados ? tomam como base o conteúdo de toda a
disciplina e permitem a obtenção de até 2,0 pontos na média, desde que o aluno obtenha, pelo menos,
nota 4,0 na AV e na AVS
Bibliografia Básica
CHINALIA, Fabiana et. al. Educação ambiental.. Rio de Janeiro: SESES, 2015.
Disponível em: https://repositoriov2.azurewebsites.net/api/objetos/efetuaDownload/fd11e1e8­0f7e­42a6­
b547­3d561cd00c5c
FANTIN, Maria Eneida; OLIVEIRA, Edinalva. Educação ambiental: saúde e qualidade de vida.
Curitiba: Intersaberes, 2014.
Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/6446
PELIZZOLI, Marcelo L. Homo ecologicus: ética, educação ambiental e práticas vitais.. Caxias do
Sul: EDUCS, 2011.
Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/2953
Bibliografia Complementar
DOURADO, Juscelino; BELIZÁRIO, Fernanda. Reflexão e práticas em educação ambiental:
discutindo o consumo e a geração de resíduos.. São Paulo: Oficina de Textos, 2012.
Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/47449
LIMA, Gustavo Ferreira da Costa. Educação ambiental no Brasil: formação, identidades e desafios.
Campinas: Papirus, 2015.
Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/22543
PEDRINI, Alexandre de Gusmão; SAITO, Carlos Hiroo.]. Paradigmas metodológicos em educação
ambiental.. Petrópolis: Vozes, 2014.
Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/114687PINOTTI, Rafael. . Educação ambiental para o século XXI: no Brasil e no mundo. São Paulo:
BLUCHER, 2016.
Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/158551
SATO, Michèle; CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. Porto Alegre: ArtMed,
2011.
Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788536315294
Outras Informações
EDUCAÇÃO AMBIENTAL ­ EEL0022
EDUCAÇÃO AMBIENTAL 26/05/2022
Contextualização
A disciplina de Educação Ambiental com caráter multidisciplinar desenvolve no estudante conteúdos e
capacidades de analisar, discutir o Plano Nacional de Educação Ambiental no contexto educacional
brasileiro. Produzindo projetos e atividades práticas multidisciplinares na compreensão da disciplina
como instrumento de transformação de posturas, condutas e hábitos sócio­ambientais na escola e na
comunidade.
Ementa
Abordagem das Correntes Pedagógicas clássicas e recentes da Educação Ambiental (EA). Análise crítica
das Declarações Internacionais da EA (Belgrado, Tbilisi, Moscou e Tessalonique) e Encontros Brasileiros
de Educação Ambiental. Programas e políticas públicas governamentais em EA. Educação Ambiental e
o Currículo Escolar e desenvolvimento de projetos em EA.
Objetivos Gerais
Oferecer embasamento teórico prático ao aluno para compreensão da disciplina de Educação Ambiental
como instrumento de transformação sócio­ambiental
Objetivos Específicos
ambiental; ­ Apresentar as diferentes correntes pedagógicas da Educação Ambiental; ­ Explicar as
declarações internacionais de Educação Ambiental de Belgrado, Tbilisi, Moscou e Rio­92; ­Analisar as
Políticas e Programas Públicos em Educação Ambiental ­Discutir sobre Educação Ambiental no
currículo escolar, para o desenvolvimento de projetos interdisciplinares de educação.
Conteúdos
Tema 1: Meio Ambiente e Educação: 1.1 Introdução e reflexão inicial sobre as questões ambientais e os
desafios da educação para o século XXI. Tema 2: Desenvolvimento Sustentável: 2.1 Desenvolvimento
sustentável no contexto da dimensão humana. 2.2 A questão do consumo consciente e do consumo
sustentável. Tema 3: Movimentos Ambientalistas: 3.1 Encontros e eventos importantes para a discussão
de meio ambiente e educação ambiental: Tbilisi, Moscou, Rio­92. Tema 4: Educação Ambiental,
Pedagogia, Política e Sociedade: 4.1 Discussões sobre modelo de desenvolvimento, desigualdade social,
globalização. 4.2 A inserção da educação ambiental nesse contexto Tema 5: Educação Ambiental e
Legislação: 5.1 A Política Nacional de Educação Ambiental (Lei N0 9.795/99). 5.2 A Política Nacional
do Meio Ambiente e seus Sistemas e Institutos. Tema 6: Indicadores Ambientais: 6.1 Apresentação dos
indicadores de meio ambiente: impactos ambientais, estudo de impactos ambientais e relatório de
impacto de meio ambiente. Tema 7: Projetos em Educação Ambiental: 7.1 O planejamento, construção e
avaliação de projetos em educação ambiental. Tema 8: Interdisciplinaridade x Pedagogia: 8.1 Requisitos
a relação da educação ambiental com outras áreas do conhecimento e da vida do homem em sociedade.
8.2 As correntes pedagógicas em educação ambiental. Tema 9: O Papel da Escola frente ao Meio
Ambiente: 9.1 A escola como promotora de preservação ambiental e da saúde. 9.2 A questão da
epidemiologia aplicada à Educação Ambiental. Tema 10: Tópico Especial em Educação Ambiental: 10.1
As temáticas de poluição, gerenciamento de resíduos e gestão ambiental. 10.2 Os desafios do educador
ambiental frente a esses problemas sociais e os espaços não­formais de educação (ONGs, empresas e
comunidades).
Procedimentos de Avaliação
A avaliação da disciplina segue as normas regimentais da Instituição. Nesta disciplina o aluno será
avaliado por seu desempenho nas avaliações presenciais, bem como nos simulados que realizar. No que
se refere às avaliações presenciais, o aluno agendará a realização da AV e, se necessário ? e
posteriormente ? a AVS. As referidas avaliações, realizadas no polo de apoio EAD, envolvem questões
objetivas e/ou discursivas a partir do banco de questão da disciplina e consideram diferentes níveis de
complexidade e diferentes níveis cognitivos. Os simulados ? tomam como base o conteúdo de toda a
disciplina e permitem a obtenção de até 2,0 pontos na média, desde que o aluno obtenha, pelo menos,
nota 4,0 na AV e na AVS
Bibliografia Básica
CHINALIA, Fabiana et. al. Educação ambiental.. Rio de Janeiro: SESES, 2015.
Disponível em: https://repositoriov2.azurewebsites.net/api/objetos/efetuaDownload/fd11e1e8­0f7e­42a6­
b547­3d561cd00c5c
FANTIN, Maria Eneida; OLIVEIRA, Edinalva. Educação ambiental: saúde e qualidade de vida.
Curitiba: Intersaberes, 2014.
Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/6446
PELIZZOLI, Marcelo L. Homo ecologicus: ética, educação ambiental e práticas vitais.. Caxias do
Sul: EDUCS, 2011.
Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/2953
Bibliografia Complementar
DOURADO, Juscelino; BELIZÁRIO, Fernanda. Reflexão e práticas em educação ambiental:
discutindo o consumo e a geração de resíduos.. São Paulo: Oficina de Textos, 2012.
Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/47449
LIMA, Gustavo Ferreira da Costa. Educação ambiental no Brasil: formação, identidades e desafios.
Campinas: Papirus, 2015.
Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/22543
PEDRINI, Alexandre de Gusmão; SAITO, Carlos Hiroo.]. Paradigmas metodológicos em educação
ambiental.. Petrópolis: Vozes, 2014.
Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/114687
PINOTTI, Rafael. . Educação ambiental para o século XXI: no Brasil e no mundo. São Paulo:
BLUCHER, 2016.
Disponível em: https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/158551
SATO, Michèle; CARVALHO, Isabel. Educação ambiental: pesquisa e desafios. Porto Alegre: ArtMed,
2011.
Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/books/9788536315294
Outras Informaçõesno cotidiano.
A segunda seção está relacionada à gestão e à exploração mais
sustentável dos recursos naturais, principalmente no tocante ao uso
responsável do solo, da água e dos minerais. Ainda existe uma menção
ao potencial energético de recursos naturais; além disso, a gestão correta
e eficiente dos resíduos e das substâncias tóxicas também é citada.
Esta seção diz respeito à inclusão de grupos sociais nas tomadas de
decisão que envolvem políticas e interesses públicos. Ela busca,
portanto, conferir voz e participação a todas as camadas sociais.
Na última seção, existem os objetivos ligados às formas de
implementação do desenvolvimento sustentável. Por isso, estão
previstas a criação e a melhoria de órgãos e de políticas ligadas à
geração de renda e à tomada de decisões judiciais nacionais e
internacionais – e todos eles, especifica a seção, devem estar
conectados e orientados para a sustentabilidade. Os 40 capítulos da
Agenda 21 tratam de um extenso e variado conteúdo acerca das políticas
sustentáveis mundiais.
Exemplo: O capítulo 9 trata da proteção da atmosfera. No 16, é abordado
o manejo ambientalmente saudável da biotecnologia. No 26, por sua vez,
discute-se o reconhecimento e o fortalecimento do papel das populações
indígenas e de suas comunidades. Por fim, no 30, aborda-se a
comunidade científica e tecnológica.
Seção II: conservação e gerenciamento dos recursos para o
desenvolvimento 
Seção III: fortalecimento do papel dos grupos principais 
Seção IV: meios de implementação 
Todo o conhecimento discutido na Agenda 21 é de suma
importância para os profissionais em formação, especialmente
para aqueles que desejam atuar no setor de serviços
ambientais.
Comentário
Neste módulo, falaremos particularmente sobre o capítulo 36, que, de forma
direta, aborda o tema da educação ambiental.
A Agenda 21 Brasileira
O Brasil ainda demorou três anos, desde a Conferência sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento de 1992, para dar início à construção da própria Agenda 21.
Concluída em 1997, a versão brasileira tem como característica principal a
dependência mútua das esferas ambientais, econômicas, sociais e
institucionais.
A Agenda 21 Brasileira está organizada em seis eixos temáticos:
Gestão dos
recursos
naturais
Essa gestão fala sobre o
uso dos recursos
naturais renováveis,
como a água e os
biocombustíveis, e dos
não renováveis, como o
petróleo e os minerais.
Exemplo: Ações nesse
sentido incluem o
incentivo à utilização do
gás natural veicular
(GNV) e ao
desenvolvimento de
biocombustíveis.
Agricultura
sustentável
Engloba o uso
responsável do solo, da
água e dos insumos
necessários à prática da
agricultura.
Exemplo: Disseminação
do consumo de
alimentos orgânicos e
utilização das técnicas
agrícolas minimizadoras
dos impactos causados
pela agricultura, como a
agroecologia e a
aquaponia.
Cidades
sustentáveis
Elas são cidades que
praticam o devido
cuidado de seus
recursos naturais,
realizando o tratamento
de detritos gerados,
como lixo e esgoto, e
pensando em
alternativas para
problemas ambientais.
Exemplo: O
planejamento das áreas
verdes e ciclovias.
Infraestrutura
e integração
regional
São previstos
investimentos na
infraestrutura pública de
cidades, como hospitais
e escolas, que podem
atender a demandas
tanto locais quanto
regionais.
Exemplo:
Implementação de
hortas comunitárias em
escolas, gerando, com
isso, atividades
educacionais e a
produção de alimentos
saudáveis incluídos na
merenda escolar.
Redução das
desigualdades
sociais
Ela ocorre por meio de
programas:
Assistencialistas,
como os de
combate à fome e
à pobreza;
Capacitantes de
pessoas para
novas
oportunidades de
trabalho.
Exemplo: a Operação
LimpaOca promovida
pelo projeto Uçá. Ele
garante uma fonte de
renda aos catadores de
caranguejo durante o
período do defeso para
que seja realizada a
retirada de resíduos
sólidos dos
manguezais.
Ciência e
tecnologia para
o
desenvolvimento
sustentável
Estão previstos aqui os
investimentos em
instituições de ciência e
tecnologia cujo objetivo
seja o aprimoramento e
o desenvolvimento de
projetos com a temática
da sustentabilidade.
Exemplo: A
implementação de
ciclovias e o incentivo
ao uso de transportes
que não usam
combustíveis fósseis
são práticas adotadas
por cidades
sustentáveis e constam
na Agenda 21 Brasileira.
O que é e como funciona uma aquaponia
(em que está a sustentabilidade desta
prática) ?
Neste vídeo, o professor Arthur Rodrigues Lourenço ensina o que é e como
funciona um sistema de aquaponia. Ele também explica como a aplicação dessa
prática está ligada à utilização responsável dos recursos naturais. Veremos os

princípios e os métodos de aquaponia, relacionando-os ao desenvolvimento de
sistemas agrícolas sustentáveis.
Apesar de ter sido desenvolvida a partir de 1997, a Agenda 21 Brasileira
começou a ser implementada no país somente seis anos depois. Diversos
investimentos passaram então a ocorrer em vários setores.
Exemplo
A implementação de programas sociais, assim como a idealização e a
construção de universidades e institutos de ensino públicos.
A Agenda 21 Brasileira ainda tem seus objetivos e estratégias utilizados como
referência para eventos nacionais relacionados à sustentabilidade, como a
Conferência Nacional de Meio Ambiente, a Conferência das Cidades e a
Conferência da Saúde.
Agenda 21 e a educação ambiental
Dentro da Agenda 21, a educação ambiental é tratada de forma mais direta em
seu capítulo 36. Intitulado “Promoção do ensino, da conscientização e do
treinamento”, ele está alocado na seção IV do documento denominada “Meios de
implementação”.
Nesse capítulo, a educação ambiental, conforme definição acordada na
Conferência Internacional de Educação Ambiental de 1977, serve como base
para o desenvolvimento de novas estratégias.
O capítulo 36 é dividido em três áreas principais. Falaremos sobre cada uma
delas adiante:
Os objetivos para a educação ambiental incluem todas as possíveis
realidades a serem enfrentadas durante o processo educativo. Desse
modo, eles começam de forma mais ampla, como a garantia da
satisfação das necessidades básicas de aprendizagem para todos, até o
alcance dos mais específicos, como o desenvolvimento da consciência
do que é o meio ambiente e de que somos parte dele.
Ainda são encontradas citações sobre a importância das formas de
ensino formal e não formal. Além disso, é tratada com grande
importância a estratégia de se trabalhar a educação ambiental como
tema interdisciplinar, ou seja, como um tópico que dialoga com
disciplinas, como a Biologia, a Química e a Geografia.
É reconhecida como insuficiente a correlação das atividades humanas
com o meio ambiente, principalmente em países em desenvolvimento.
Nesses países, existe a imediata necessidade de tecnologias e
especialistas competentes para realizar a coleta e a disseminação de
informações – e isso é necessário para sensibilizar o público sobre os
problemas relativos ao meio ambiente e para incentivar o
desenvolvimento sustentável.
Os objetivos envolvidos para que haja um aumento dessa consciência,
portanto, estão relacionados a melhoria na distribuição das informações
sobre o meio ambiente, especialmente nos espaços de ensino formal e o
estímulo da população para a participação de debates sobre o meio
ambiente e o uso dos recursos naturais locais.
Além disso, é estimulada a conscientização dos setores privados –
principalmente dos tomadores de decisões, como chefes, responsáveis
Reorientação do ensino no sentido do desenvolvimento
sustentável 
Aumento da consciência pública 
técnicos, CEOs e políticos. Ainda se coloca que os países precisam
promover atividades de lazer e turismo ambientalmente coerentes com a
Declaração de Haia sobre Turismo, incentivando que museus, jardins
zoológicos, jardins botânicos e unidades de conservação sejam
utilizadas para tais fins.
Também é recomendado que, sempre que possível,as comunidades
tradicionais, como populações indígenas, quilombolas e rurais, sejam
integradas e consultadas sobre as decisões referentes ao manejo e ao
planejamento regional. Trata-se de um dever dos países, destaca o
capítulo 36, incentivar as organizações não governamentais (ONGs)
envolvidas nos problemas ambientais, promovendo, assim, o intercâmbio
dos diferentes setores com a sociedade.
Tal promoção pode ser definida como o treinamento de recursos
humanos, ou seja, de pessoas para as práticas sustentáveis. Seu objetivo,
desse modo, é preencher na sociedade a lacuna de pessoas aptas para
vivenciar e promover as práticas sustentáveis em seu ambiente de
trabalho.
Essa área prevê que as oportunidades de treinamento para a
sustentabilidade sejam iguais independentemente de sexo, idade,
condição social, raça e religião. Dessa forma, o objetivo final dela é
alcançar todas as esferas relativas aos ambientes de trabalho,
alcançando, entre outros setores de instituições públicas e particulares,
desde patrões e gerentes até o pessoal de serviços gerais e de
segurança.
A seguir o professor Arthur Rodrigues Lourenço irá falar sobre cursos voltados
para o meio ambiente e sustentabilidade, mostrando quais são as competências
e habilidades desejáveis para estes profissionais em formação. Trataremos
também das diferentes carreiras possíveis, no âmbito dos serviços ambientais,
considerando a atuação na educação ambiental dos profissionais da educação e
da indústria, por exemplo. Vamos ouvir!
Promoção do treinamento 
Podcast
Por fim, o texto do capítulo 36 da Agenda 21 traz a mensagem de que o ensino, a
consciência coletiva e o treinamento são ferramentas indispensáveis para o
desenvolvimento das pessoas e da sociedade, pois, com elas, é possível buscar
a sustentabilidade e um futuro melhor.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
A Agenda 21 Brasileira é um documento que busca orientar as práticas para o
desenvolvimento sustentável do país por meio de um planejamento
participativo e integrado. Ela é dividida em quantos eixos temáticos? O que
eles abordam?

A
Dois eixos temáticos: educação ambiental formal e não
formal.
B
Três eixos temáticos: reorientação do ensino no sentido do
desenvolvimento sustentável, aumento da consciência pública
e promoção do treinamento.
Parabéns! A alternativa E está correta.
A educação ambiental formal e a não formal constituem diferentes
concepções de educação ambiental. A reorientação do ensino no sentido do
desenvolvimento sustentável, o aumento da consciência pública e a
promoção do treinamento são as áreas discutidas no capítulo 36 da Agenda
21. Já as dimensões sociais e econômicas, a conservação e o gerenciamento
dos recursos para o desenvolvimento, o fortalecimento do papel dos grupos
principais e os meios de implementação são as quatro seções da Agenda 21
produzida na Rio-92.
Questão 2
A educação ambiental faz parte do conjunto de práticas para o
desenvolvimento sustentável, estando, assim, contida na agenda política
global da Agenda 21. Em qual capítulo dela essa educação é tratada de forma
direta?
C
Quatro eixos temáticos: dimensões sociais e econômicas,
conservação e gerenciamento dos recursos para o
desenvolvimento, fortalecimento do papel dos grupos
principais e meios de implementação.
D
Cinco eixos temáticos: reorientação do ensino no sentido do
desenvolvimento sustentável, aumento da consciência
pública, promoção do treinamento, educação ambiental
formal e não formal.
E
Seis eixos temáticos: gestão de recursos naturais, agricultura
sustentável, cidades sustentáveis, infraestrutura e integração
regional, redução das desigualdades sociais e ciência e
tecnologia para o desenvolvimento sustentável.
A 9
Parabéns! A alternativa E está correta.
Na Agenda 21, o capítulo 9 trata da proteção da atmosfera; o 16, do manejo
ambientalmente saudável da biotecnologia; o 26, do reconhecimento e do
fortalecimento do papel das populações indígenas e de suas comunidades; o
30, da comunidade científica e tecnológica; e, por fim, o 36, da educação
ambiental por meio da promoção do ensino, da conscientização e do
treinamento.
3 - Política Nacional de Educação Ambiental
B 16
C 26
D 30
E 36
Ao �nal deste módulo, você será capaz de listar as políticas públicas brasileiras para educação
ambiental.
Um breve histórico
Antes de ser promulgada de fato dentro da Constituição Federal, a Política
Nacional de Educação Ambiental (PNEA) foi sendo construída a partir de alguns
marcos legislativos no país.
Discorreremos brevemente sobre cada um deles:
A Constituição Federal é a lei suprema do país por meio da qual os
direitos fundamentais dos cidadãos são assegurados. Nela, a educação
ambiental é citada no artigo n° 225 como um dever do poder público.
Esse artigo ainda trata de:
Necessidade de expandir e trabalhar a educação ambiental em
todos os níveis de ensino.
Importância da conscientização pública para a preservação da
natureza.
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 
Lei de Diretrizes e Bases de 1996 
A Lei de Diretrizes e Bases (LDB) é um documento que define e organiza
a educação brasileira com base nas leis presentes na Constituição
Federal. A LDB de 1996 diz respeito, portanto, às leis contidas na
Constituição.
Ela aborda a importância da construção da ideia de um meio ambiente
interligado a todos os aspectos da vida humana, como o social, o político,
o artístico e o tecnológico. A LDB também inclui a capacitação de
professores e sua constante atualização como ponto fulcral para o
desenvolvimento de melhores estratégias em sala de aula.
Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) são um conjunto de
documentos elaborados pelo governo federal que servem de base para
as disciplinas ofertadas na educação pública do Brasil.
Os PCNs definem quais são os assuntos a serem tratados em cada
disciplina, como Ciências, Biologia, Geografia, Português e História, por
exemplo, e em qual ano escolar isso deve ocorrer. Nesse sentido, a
educação ambiental aparece em diversas disciplinas e anos escolares,
sendo proposta, assim, como um tema a ser dialogado entre várias delas.
A Lei da PNEA foi finalmente promulgada no final do século passado. É
ela que provê as definições e as orientações acerca da prática da
educação ambiental para o Brasil em 21 artigos.
A educação ambiental, segundo a PNEA, engloba “os processos por meio
dos quais a população consegue criar valores sobre o meio ambiente,
seu uso sustentável e sua conservação”. Seguindo esse raciocínio,
verificamos nessa lei a ideia de que ela constitui um tema indispensável
para o conteúdo escolar e a necessidade de sua promoção de modo não
formal.
As orientações da PNEA envolvem diversas linhas de atuação. Veremos
algumas delas a seguir:
Parâmetros Curriculares Nacionais de 1998 
Lei n° 9.795/1999: Política Nacional da Educação Ambiental 
Capacitação de recursos humanos: Formação de pessoas
preparadas para a atuação em práticas de educação ambiental
formal e não formal.
Desenvolvimento de estudos, pesquisas e experimentações:
Estabelece a necessidade de preparar uma base de conteúdo e de
testar diferentes formas de abordagem de assuntos sobre o meio
ambiente e a educação ambiental.
Produção e divulgação de material educativo: Trata-se da produção
de um material aliado das práticas formais e não formais de
educação ambiental, facilitando o processo de aprendizado e
trazendo informações novas para o público.
Acompanhamento e avaliação: Conforme a educação ambiental foi
e está sendo desenvolvida, é muito importante conhecer seu real
impacto na vida das pessoas e do ambiente. O acompanhamento
das práticas e de sua avaliação é uma maneira de medir a
qualidade e a eficácia das práticas em educação ambiental.
Após a promulgação da PNEA, foi necessária a criação do Decreto n°
4.281 em junho de 2002. Ele regulamenta ou complementa as
informaçõescontidas na Lei n° 9.795, além de possibilitar sua efetiva
aplicação.
Como a educação ambiental chega à sala
de aula?
Neste vídeo, o professor Arthur Rodrigues Lourenço explica os caminhos pelos
quais as propostas sobre educação ambiental e temas correlacionados passam,
antes de serem incluídos nos PCNs.
Decreto n° 4.281/2002 

Determinações: o que já foi implantado?
A promulgação da PNEA em 1999 acarretou diversas consequências
relacionadas a um melhor desenvolvimento da educação ambiental no Brasil.
Algumas delas podem ser medidas, entre outros quesitos, por meio da criação
de órgãos do governo federal ou de governos estaduais e da introdução dela nos
PCNs de uma maneira mais efetiva.
Abordaremos agora algumas dessas consequências:
Em 1999
No mesmo ano da promulgação da Lei da PNEA, foi criada a diretoria do
Programa Nacional de Educação Ambiental, que é vinculada ao Ministério do
Meio Ambiente.
Sua criação permitiu o desenvolvimento de atividades. Eis algumas delas:
Implantação do
Sistema
Brasileiro de
Informações
sobre
Educação
Ambiental
(Sibea)
A função da Sibea é
reunir as informações
sobre o
Implantação de
polos de
educação
ambiental e
difusão de
práticas
sustentáveis
nos estados
Isso faz parte do plano
de capacitação de
Fomento à
formação de
comissões
interinstitucionais
de educação
ambiental nos
estados
Trata-se de auxiliar de
forma financeira e
estratégica a elaboração
de agendas estaduais
desenvolvimento da
educação ambiental por
todo o país e torná-las
disponíveis para a
população.
recursos humanos para
a educação ambiental.
para a educação
ambiental.
Implantação de
curso de
educação
ambiental a
distância
Seu objetivo é
novamente a formação
de recursos humanos
para a atuação na área.
Implantação do
projeto
Protetores da
Vida
O propósito desse
projeto é formar e
capacitar jovens para
eles poderem lidar com
questões ambientais.
Na década de 2000
A educação ambiental se tornou um programa vinculado ao Plano Plurianual
(2000-2003) do Ministério do Meio Ambiente. Desse modo, ela passou a ser
oferecida em parceria com instituições governamentais, como por exemplo, o
Jardim Botânico do Rio de Janeiro.
Ainda na década de 2000, houve alguns conhecimentos importantes, vamos
conhecer a seguir:
2001
Ocorre o fortalecimento das instituições movidas pela educação
ambiental.
Apontaremos cinco delas a seguir:
Rede Brasileira de Educação Ambiental (Rebea);
Rede Paulista de Educação Ambiental (Repea);
Rede de Educação Ambiental da Região Sul (REASul);
Rede Pantanal de Educação Ambiental (Rede Aguapé);
Rede Acreana de Educação Ambiental (Raea).
2002
Há o sancionamento do Decreto n° 4.281, conforme apontamos
anteriormente. Tal decreto tornou mais claros os objetivos da Lei da PNAE
e facilitou os passos a serem tomados a partir dele.
2003
É criada a Comissão Intersetorial de Educação Ambiental (Cisea), que
está presente dentro de todas as secretarias e órgãos vinculados ao
Ministério do Meio Ambiente. No mesmo ano, o Ministério da Educação
(MEC) se mobilizou para colocar em prática algumas das orientações da
PNEA voltadas para a educação formal com a inclusão de conteúdos nos
PCNs.
2010-2020
Nos anos seguintes, diversos outros marcos solidificaram a ideia da
educação ambiental no país. Graças às resoluções adotadas pelo MEC
nos PCNs posteriores, ela passou então a atuar em todos os níveis do
ensino formal, além de manter as ações de formação continuada para
professores em exercício, como por exemplo, no ensino formal, diversos
programas nacionais e estaduais foram criados para incentivar a prática
da educação ambiental, como o programa Vamos cuidar do Brasil, voltado
prioritariamente para alunos do ensino fundamental.
Em 2012, o Brasil sediou a Conferência das Nações Unidas sobre
Desenvolvimento Sustentável, a Rio +20, no Rio de Janeiro. A Rio +20 marcou a
renovação do compromisso político que o país e todo o planeta têm com esse
tema.
No entanto, esse evento também foi um momento de grande reflexão sobre os
últimos vinte anos e as conquistas alcançadas desde a Rio-92 e a PNEA. Como
resultado disso, foram produzidos alguns documentos que vêm tendo um
impacto crescente na agenda política e na sociedade como um todo.
Exemplo
O futuro que queremos foi um texto importante gerado na Rio +20.
Ao final da década de 2010, a maior parte dos estados brasileiros já possuía ou
estava elaborando sua política estadual de educação ambiental com objetivos
próprios e demandas locais mais ajustadas. Outros programas estaduais de
educação ambiental ainda foram criados. como por exemplo, no Espírito Santo,
em 2017, e no Mato Grosso do Sul, em 2018, além de comissões especiais em
cada estado.
Plano Nacional de Gestão da Educação
Ambiental: histórico, determinações e o
que já foi implantado
Em 1989, foi criado o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (Ibama). Já no ano seguinte, surgiu o grupo de trabalho
para a elaboração das diretrizes da educação ambiental e a divulgação técnico-
científica dentro do Ibama.
A partir daí, ao longo de trinta anos, houve uma série eventos, reuniões e cursos
com o objetivo de capacitar seus servidores para atuarem no âmbito da
educação ambiental. Durante esse período, entidades governamentais e
administrativas atuaram e contribuíram para o desenvolvimento da educação
ambiental no Brasil.
Podemos destacar a criação do
Instituto Chico Mendes de
Conservação da Biodiversidade
(ICMBio) em 2007.
Cinco anos depois, foram
estabelecidas as bases técnicas para
que medidas compensatórias e
mitigadoras obrigatórias para
empreendimentos geradores de
impactos ambientais fossem
destinadas para os programas de
educação ambiental, gerando um
incremento de recursos financeiros
para o desenvolvimento deles e de
seus projetos derivados em todo o
país.
Em 2019, houve um esforço do Ibama para criar um grupo de trabalho com a
finalidade de construir o Plano Nacional de Gestão da educação ambiental
(Pangea). O documento redigido pelo órgão federal foi lançado dois anos depois.
O Pangea trabalha diversos aspectos da educação ambiental,
trazendo um histórico do tema no país e dentro do Ibama, assim
como sua missão e seus valores, além de outros aspectos
relacionados à sua aplicabilidade.
Os aspectos de aplicabilidade incluem:
Linhas de ação
Em relação às linhas de ação, destacam-se:
Plano de metas e ações
 Formação de educadores ambientais
Importante elo da cadeia educacional, esses profissionais
estão habilitados para desempenhar os conceitos
educacionais instituídos por essa corrente de pensamento.
 Desenvolvimento de metodologias e divulgação de
ações em educação ambiental
Seria a parte prática dela, que é um tópico muito importante
e carente de aprimoramentos.
 Desenvolvimento de ações educativas
Essas ações estão focadas, entre outras coisas, na gestão
de recursos pesqueiros, na proteção e no manejo da fauna e
da flora, assim como na recuperação de recursos hídricos e
áreas degradadas e na prevenção de desmatamentos e
incêndios.
Esse plano é um subtítulo do Pangea. As “metas” são os objetivos bem definidos
e claros da educação ambiental; as “ações”, as formas como essas metas
devem ser executadas.
O Pangea apresenta uma tabela em que cada meta e ação é pontuada, como
veremos adiante, segundo três variáveis: gravidade, urgência e tendência.
Essas variáveis são muito importantes para a implementação de cada atividade
educativa. Além disso, os somatórios delas classificam a relevância da ação a
ser tomada para o alcance de determinada meta. Já o sentido (GUT = G + U + T)
é uma forma de mensurar a prioridade de resolução dos diferentes problemas
ambientais.
Valor Gravidade Urgência
5
Quando é uma
solução corporativa
estratégica.
Exigência de prazo
legal inferior a três
meses.
4
Quando impactar
os processos do
Ibama.
Exigência de prazo
legal de 3 a 6
meses.
3
Quando impactar o
desenvolvimento
depessoas.
Necessidade de
implementação de
6 a 8 meses.
2
Quando impactar
os serviços de
educação
ambiental à
população.
Necessidade de
implementação de
8 a 10 meses.
1
Quando impactar
as melhorias
pontuais.
Necessidade de
implementação de
10 a 12 meses.
Quadro: Variáveis utilizadas para o reconhecimento das prioridades de ações educativas.
Adaptado de: BRASIL, 2021, p. 27.
Previsões orçamentárias
As previsões orçamentárias dizem respeito ao planejamento de gastos que o
Poder Executivo faz, diante da previsão de receitas a serem recebidas no período
em questão e de despesas que deverão ser realizadas. No que tange à educação
ambiental, a previsão orçamentária irá listar os gastos previstos:
De acordo com as
metas
preestabelecidas
e apresentadas no
Pangea.
Com a educação
ambiental para
cada unidade do
Ibama no país.
Fatores críticos para sua implantação
Dos fatores críticos para a implantação de cada meta no país e para a educação
ambiental como um todo na realidade brasileira, destacam-se os seguintes itens:
 Disponibilidade
orçamentária
Disponibilidade financeira
para as metas e ações.
 Disponibilidade de
recursos humanos
Di ibili ã d
A implantação de ações do Pangea está planejada para ocorrer
a partir 2021.
A seguir, o professor Arthur Rodrigues Lourenço demonstrará quais são as
principais atribuições deste órgão governamental em relação à conservação e ao
manejo da biodiversidade brasileira, juntamente com as práticas em Educação
Ambiental realizadas pelo órgão. Vamos ouvir!
Podcast
Disponibilização das
pessoas capacitadas para a
realização das atividades,
além daquelas disponíveis
para o
acompanhamento/supervisão
de todo o processo.
 Divulgação e
sensibilização de
funcionários do Ibama e
da população em geral
Quando ocorre a
distribuição de informações
importantes em educação
ambiental.

Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
A educação ambiental no Brasil, assim como em todo o mundo, depende
fundamentalmente de políticas públicas para sua execução de forma efetiva.
Por isso, diversos marcos importantes sobre o tema são encontrados na
legislação brasileira. Entretanto, ela realmente ganhou corpo com a
promulgação da Política Nacional da Educação Ambiental (PNEA). Qual é a
lei que constitui a PNEA?
Parabéns! A alternativa A está correta.
A Lei n° 9.795 dispõe sobre a educação ambiental, institui a PNEA e dá outras
providências. Já a Lei n° 9.000 trata da isenção do imposto sobre produtos
industrializados (IPI) na aquisição de equipamentos, máquinas, aparelhos e
instrumentos. A Lei n° 9.779 aborda a alteração da legislação do imposto
sobre a renda. Por outro lado, a Lei n° 9.099 fala sobre os juizados especiais
A Lei n° 9.795, de 1999.
B Lei n° 9.000, de 1995.
C Lei n° 9.779, de 1999.
D Lei n° 9.099, de 1995.
E Lei n° 9.605, de 1998.
cíveis e criminais e dá outras providências. Por fim, a Lei n° 9.605 dispõe
sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e
atividades lesivas ao meio ambiente e sugere outras providências.
Questão 2
A primeira versão do Plano Nacional de Gestão da Educação Ambiental
(Pangea), lançada em 2021, oferece diversos vieses para a prática da
educação ambiental, como, por exemplo, linhas de ação e previsões
orçamentárias. Qual órgão do governo federal é responsável pelo Pangea?
Parabéns! A alternativa E está correta.
O Ibama é o órgão do governo federal responsável pela edição e pela
aplicação do Pangea.O ICMBio, os governos estaduais, o MEC e o Ministério
de Minas e Energia não o são.
A ICMBio.
B Governos estaduais.
C Ministério da Educação.
D Ministério de Minas e Energia.
E Ibama.
Considerações �nais
A educação ambiental inclui o conjunto de práticas educacionais cujo principal
objetivo é conscientizar a população acerca dos problemas ambientais
existentes e promover sua resolução. Neste conteúdo, vimos o contexto
histórico por meio do qual ela pôde surgir e se desenvolver.
Entendemos também a diferença entre educação ambiental formal e não formal,
verificando como ela chega às salas de aula do Brasil e de que forma se
relaciona com as ações de sustentabilidade. Aprendemos ainda que a educação
ambiental está presente de forma discreta ou explícita na legislação brasileira e
em diversos acordos internacionais firmados.
Por isso, descrevemos os objetivos de diversas conferências internacionais e
suas resoluções mais importantes, como, por exemplo, a criação da Agenda 21.
Além disso, apresentamos diversas leis, como a PNEA, assim como decretos e
planos de metas e ações para a promoção da educação ambiental. Por fim,
conhecemos um pouco da sua história e compreendemos, com isso, quais são
seus objetivos e principais desafios.
Explore +
Consulte os seguintes textos.
Para saber mais sobre educação ambiental, consulte o documento redigido
ao fim da Rio +20:
BRASIL. O futuro que queremos. Rio+20. Consultado na internet em: 30 jun.
2021.
Para entender melhor a pandemia do COVID-19 e sua relação com a
educação ambiental, leia:
ROSTON, E. Want to stop the next pandemic? Start protecting wildlife habitats.
Time. Publicado em: 8 abr. 2020. Consultado na internet em: 30 jun. 2021.
Para despertar sua consciência, pesquise:
KRENAK, A. O amanhã não está à venda. 1. ed. Rio de Janeiro: Companhia das
Letras, 2020.
Para conhecer algumas das 39 maneiras de salvar o mundo (todas dizem
respeito ao desenvolvimento sustentável).
BBC NEWS BRASIL. Seis maneiras surpreendentes de salvar o mundo das
mudanças climáticas. Publicado em: 4 jun. 2021. Consultado na internet em: 30
jun. 2021.
Referências
BRASIL. Agenda 21 Brasileira: resultado da consulta nacional/Comissão de
Políticas de Desenvolvimento Sustentável e da Agenda 21 Nacional. 2. ed.
Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2004.
BRASIL. Decreto nº 4.281 de 25 de junho 2002. Regulamenta a Lei nº 9.795, de
27 de abril de 1999, que institui a Política Nacional de Educação Ambiental, e dá
outras providências.
BRASIL. Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação
ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras
providências.
BRASIL. Pangea – Plano Nacional de Gestão da Educação do Ibama. Brasília:
Ibama, 2021.
CARSON, R. Primavera silenciosa. São Paulo: Gaia, 2010.
SÃO PAULO (Estado). Educação ambiental e desenvolvimento: documentos
oficiais. São Paulo: Secretaria do Meio Ambiente, 1994.
SILVA, C. E. M.; TEIXEIRA, S. F. Educação ambiental no Brasil: reflexões a partir
da década da educação para o desenvolvimento sustentável das Nações Unidas
(2005-2014). Educação. v. 44. 2019.
A Prática da Educação Ambiental
Prof. Arthur Rodrigues Lourenço
Descrição Aspectos teóricos e metodológicos da prática da educação ambiental
em diferentes ambientes.
Propósito Proporcionar um entendimento da dimensão da educação ambiental
nas mais variadas esferas da vida humana.
Objetivos
Módulo 1
A Educação Ambiental
no Ambiente Urbano
Analisar a educação ambiental no ambiente
urbano.
Módulo 2
A Educação Ambiental
no Ambiente Rural e
em Populações
Tradicionais
Analisar a educação ambiental no ambiente
rural e em populações tradicionais.
Módulo 3
A Educação Ambiental
em Unidades de
Conservação
Analisar a educação ambiental em Unidades
de Conservação.
Módulo 4
Projetos de Educação
Ambiental
Descrever a construção de projetos de
educação ambiental.
A prática da educação ambiental (EA) é um processo contínuo e permanente
que deverá ser realizado em conjunto com diferentes instituições parceiras,
sempre buscando a construção colaborativa e a minimização de impactos
ambientais.
Este conteúdo irá elucidar particularidades da prática da educação
ambiental em diferentes contextos, como no ambiente urbano e em
Unidades de Conservação, por exemplo. Ao final, serão pontuadas questões
importantes para a elaboração e a execução de um projeto de educação
ambiental.
Introdução
1 -A Educação ambiental no Ambiente Urbano
Ao �nal deste módulo, você será capaz de analisar a educação ambiental no
ambiente urbano.
Características e componentes
do ambiente urbano
As cidades são fruto do desenvolvimento do homem em determinado território, o
que muitas vezes está relacionado às oportunidades que o território oferece.
Temos como exemplo das diferentes oportunidades de cada localidade os seres
humanos que migram de áreas rurais para áreas urbanas em busca de melhores
condições de trabalho.
Um ambiente com qualidade de vida só é possível se todas as pessoas que
vivem e contribuem para o seu desenvolvimento estiverem satisfeitas nas várias
dimensões da vida humana. A paisagem urbana também pode refletir os vários
tipos de uso do território, se considerado o contexto histórico, cultural, social,
econômico e ambiental em que o meio urbano está inserido.
O que você imagina quando pensa em urbano?
Quando nos deparamos com a palavra urbano, seja qual for o contexto, logo
imaginamos um local com muitas pessoas, intensa movimentação de veículos,
cores acinzentadas ou enegrecidas, muitas lojas, luzes e cartazes de
propagandas.
A cidade de Mumbai, uma das mais populosas da Índia.
O fato é que a definição do que é urbano ou não vai levar em consideração
principalmente a quantidade de pessoas que existem em determinado local,
sendo assim, os ambientes considerados urbanos são densamente populosos.
Entre os componentes do ambiente urbano, destacam-se:
Grandes e
contínuas
edi�cações
Prédios, avenidas,
praças.
Muitas
habitações
Casas, condomínios,
ocupações irregulares
e favelizações.
Urbanização
e
infraestrutura
Iluminação pública,
calçadas, serviços de
saúde, educação,
cultura e lazer.
Uma vez que o meio urbano é constituído pelas modificações que os seres
humanos realizam no ambiente natural, torna-se evidente que tais modificações
acarretarão algum tipo de impacto ambiental.
Os impactos ambientais, em geral negativos, são diversificados e podem passar
despercebidos devido à sua constância no cotidiano dos habitantes. É possível
ainda que esses impactos sejam agravados por desinformação, preconceitos e
ideologias.
Historicamente, a forma como as áreas urbanas foram
construídas e organizadas, na maioria dos casos, não
consideraram a degradação ambiental ocasionada para o seu
surgimento e consequente crescimento. Dessa maneira, um
futuro modo de vida saudável e em harmonia entre os seres
humanos e o meio ambiente, urbano ou não, é diretamente
afetado.
Impactos ambientais nos
ambientes urbanos
Os impactos e problemas ambientais encontrados no ambiente urbano são
inúmeros e diversos, podendo variar de acordo com a geografia local, com a
infraestrutura para sobrevivência proporcionada pelo governo, com os níveis de
escolaridade e poder aquisitivo dos habitantes, entre muitas outras variáveis. Por
isso, para se trabalhar a educação ambiental no ambiente urbano, é preciso
estar muito atento às questões sociais que permeiam a problemática ambiental.
Deve-se destinar atenção não só para
a mitigação dos impactos ambientais,
mas também para as causas dos
problemas sociais, o que pode tornar
as ações com intuito de promover a
conscientização ambiental mais
complexas.
Resíduos e poluição
Um dos grandes problemas ambientais relacionados às questões sociais é a
geração e o descarte inadequado de resíduos, que podem ser classificados
como:
Resíduos líquidos
Popularmente chamados esgoto ou chorume, oriundos do estilo de vida
urbano, são também chamados de efluentes. Podem ser de origem
doméstica, provenientes das casas, prédios e moradias em geral, ou
industriais, oriundos de fábricas, refinarias e outros.
Despejo de esgoto.
Esse tipo de resíduo, na maioria das regiões urbanizadas do Brasil, é
lançado sem tratamento em rios, lagoas e outros mananciais,
ocasionando odor fétido (poluição do ar), visual desagradável (poluição
visual) e até a disseminação de doenças. Em grandes metrópoles
brasileiras, é comum encontrarmos algum rio que se tornou tão poluído
ao ponto de atualmente só ter a função de receber e transportar os
efluentes para outros locais.
Existem também os resíduos líquidos provenientes de lixões e aterros
sanitários, que podem contaminar o lençol freático e causar sérios
problemas ambientais.
Resíduos sólidos
Popularmente chamado de lixo — também são um dos problemas
ambientais mais comuns no meio urbano. São gerados por praticamente
qualquer atividade humana e, se não forem destinados corretamente após
o uso, esses resíduos podem se deslocar a grandes distâncias por meio
do vento, da correnteza de rios ou da movimentação das marés. É
possível encontrar tais resíduos até mesmo em locais não habitados por
humanos, como no interior de florestas, no meio do oceano, entre outros.
Eco barreira para contenção de resíduos sólidos em rio poluído por efluentes.
A presença do lixo em áreas urbanas ainda pode resultar em problemas
mais graves, por exemplo, enchentes, obstrução do trânsito e até a
disseminação de doenças como dengue e leptospirose, entre outras.
A poluição também é um dos mais comuns problemas ambientais presentes no
ambiente urbano e pode ser de diferentes tipos e origens, a saber:
Poluição do ar
Está entre os mais graves tipos de poluição, pois interfere diretamente na saúde
e no bem-estar da população, e ainda pode passar despercebido, demandando
ações de conscientização para aumentar a percepção da população para esse
impacto. Os gases provenientes da queima de combustíveis fósseis, emitidos
por veículos ou por indústrias em números cada vez mais crescentes nos
grandes centros urbanos, são exemplos clássicos de poluição do ar.
O ar poluído pode gerar problemas respiratórios na população ou ocasionar o
fenômeno das chuvas ácidas, que está relacionado à degradação de
monumentos públicos (ex. estátuas e construções históricas), além de contribuir
para a formação das ilhas de calor. É possível atenuar esse impacto por meio do
uso de veículos elétricos e bicicletas ou apenas pela escolha do transporte
público em vez da utilização de veículos particulares.
Poluição sonora
É o excesso de ruídos acima dos níveis aceitáveis para o bem-estar da
população. Esse tipo de poluição afeta a saúde mental e física das pessoas,
além de ser considerado um crime ambiental.
Áreas com tráfego intenso tem altos índices de
poluição sonora.
A poluição sonora pode ser originada
por construções, trânsito de veículos,
eventos (ex. casas de shows e
templos religiosos), propagandas,
entre outros. É dever do poder público
fiscalizar e punir os geradores de
ruídos acima dos aceitáveis, mas
também é necessária a
conscientização das pessoas sobre os
males da poluição sonora e sobre a
existência de órgãos públicos
responsáveis por fiscalizar esse
impacto.
Poluição visual e luminosa
A poluição visual é ocasionada, em
geral, pelo excesso de propagandas de
empresas ou pela própria população,
devido à depredação e à vandalização
das áreas comuns com pichações,
vandalismo, lixo, entre outros.
Esse impacto pode influenciar a
qualidade de vida nos centros
urbanos, uma vez que interfere na
mobilidade urbana, na
descaracterização da arquitetura
original e de patrimônios históricos, e
ainda pode causar acidentes
automotivos.
Monumento vandalizado por pixação.
O caso da pan�etagem e os resíduos
sólidos
Uma prática muito comum nos centros urbanos é a panfletagem — o ato de
distribuir panfletos. Em geral, esses panfletos são utilizados para divulgação de
alguma coisa, como produtos ou serviços encontrados na região. Essa também
pode ser uma forma de informar a população sobre algum problema ambiental
que pode ser evitado.
O ato de distribuir pedaços de papel aleatoriamente, entretanto, pode resultar em
problemáticas ambientais, como o lixo nas ruas ou o manejo inadequado de
resíduos. É muito comum as pessoas pegarem os panfletos por “educação” ou
por simples comportamento condicionado,no entanto, também é bastante
comum as pessoas, em seguida, jogarem o panfleto no chão ou mesmo no lixo,
gerando resíduos sólidos.
No período de eleições, normalmente, é maior o impacto ambiental relacionado à panfletagem.
É possível reduzir os impactos provocados por essa
prática?
A prática da panfletagem deve ser realizada com muita cautela e existem formas
de atenuar os problemas ambientais gerados por ela. Uma dessas formas é
utilizar menos tinta no panfleto e produzi-lo apenas com as informações
realmente relevantes para divulgação. Pode-se optar pelo uso de papel reciclado
e carimbo com tinta biodegradável, em vez de folhetos extremamente coloridos
produzidos em gráficas com materiais tóxicos.
Outra forma de mitigar essa
problemática é destinar os folhetos
apenas aos que realmente estão
interessados em receber a
informação, e não os distribuir
aleatoriamente para qualquer um que
passe. Esse tipo de atitude pode ser
bem-vista pelo consumidor, que irá
considerar o compromisso do
anunciante, empresa ou organização
com a sustentabilidade. Isso gera
valor agregado e seria uma forma de
lobby ambiental.
Panfletagem acontecendo na cidade de Salvador,
Bahia.
As causas desses impactos no ambiente
urbano
São praticamente comuns a todas as regiões urbanas os resíduos e impactos
gerados pelo estilo de vida urbano e industrializado, como a poluição do ar, da
água e do solo, a ocupação irregular do solo, a criminalidade e os acidentes.
Fatores como as elevadas taxas de densidade demográfica, o
crescimento das áreas construídas, a pavimentação do solo e o
desenvolvimento de indústrias nas proximidades dos centros
urbanos podem resultar em alterações significativas na
qualidade do clima local, tornando, por exemplo, a temperatura
do ar mais elevada e desagradável.
Existem também a poluição sonora, a poluição visual e os problemas de
circulação relacionados ao elevado número de pessoas circulando, seja em
calçadas ou em veículos.
Comentário
Quando se trata de educação ambiental urbana, outros problemas ambientais —
ou socioambientais — não podem ficar de fora: os fatores sociais relacionados à
má gestão e à fiscalização do poder público que ocasiona a ocupação de áreas,
seja pela iniciativa privada ou pelo domínio de criminosos e grupos
paramilitares. Nessas áreas, os impactos ambientais são agravados, já que a
ausência de fiscalização abre margem para a ocupação irregular de áreas
preservadas, a poluição de mananciais, entre outras atitudes danosas.
Objetivos da educação ambiental
nos diferentes componentes do
ambiente urbano
O objetivo geral da educação ambiental é promover a conscientização das
diferentes partes integrantes de determinado sistema ou sociedade (população,
empresas, poder público, entre outros) sobre os malefícios de condutas
geradoras de impactos ambientais. Busca-se promover a mudança de hábitos e
comportamentos condicionados que são considerados normais por muitos, para
assim alcançar o bem-estar geral e a garantia de um modo de vida em harmonia
entre o ser humano e o ambiente que o cerca.
Dito isso, os objetivos da educação ambiental no ambiente urbano vão estar
relacionados diretamente aos impactos e problemas ambientais presentes e
futuros. Visto que esses problemas podem ser diferentes em função da cultura,
localização geográfica e práticas locais, trataremos aqui de algumas
problemáticas ambientais mais comuns das grandes cidades.
Nas cidades em geral, existem muitos prédios, avenidas e áreas urbanizadas,
portanto, as edificações e a infraestrutura urbana são alguns dos componentes
mais característicos do meio ambiente urbano. A urbanização, apesar de
oferecer melhores condições de vida para os habitantes e para os que a
acessam, seja por motivo de trabalho, lazer ou comércio, pode gerar problemas
como a poluição do ar, das ruas, das águas, entre muitos outros.
Ações de educação ambiental que mobilizem as empresas, o
poder público e outras partes integrantes do sistema podem ser
uma alternativa importante para prover informação para as
pessoas sobre os problemas ambientais existentes.
Exemplo
No âmbito da educação ambiental informal, eventos tratando da
sustentabilidade, como o Dia Mundial da Limpeza de Praias, Rios e Mares, são
uma forma de mobilizar a população para atuar diretamente na redução dos
resíduos sólidos em tais ambientes. Nesse tipo de evento, é dada visibilidade ao
problema dos resíduos sólidos e busca-se a participação dos frequentadores e
comerciantes que utilizam o espaço, seja em busca de lazer e entretenimento,
seja para obtenção de renda. Ao tornar essas informações acessíveis em locais
onde existe um intenso trânsito de pessoas, ocorre a educação ambiental de
forma passiva.
Embora essa modalidade seja pouco custosa financeiramente, é difícil medir a
sua efetividade. Nesse sentido, a educação ambiental informal é uma importante
aliada na promoção da conscientização nos espaços urbanos, mas se associada
à educação ambiental formal poderá ser mais efetiva e proveitosa.
No caso do Dia Mundial de Limpeza
de Praias, além de promover a retirada
de resíduos das praias, também é
realizada a quantificação e
classificação do que foi coletado,
gerando dados que podem ser
destinados a plataformas globais de
monitoramento de resíduos. Ainda,
essa data pode ser motivadora para
que universidades e projetos de
pesquisa exponham material científico
nesses locais ou até mesmo palestras
e aulas podem ser fundamentadas
nesse evento e proferidas para alunos
nos diferentes níveis de ensino, bem
como podem ser realizadas ações
sociais, culturais e comerciais.
Folheto informativo sobre o “Dia Mundial de
Limpeza de Praias e Rios”, realizado na cidade de
Niterói, RJ.
Cartaz informativo sobre o impacto dos resíduos e
a preservação de espécies ameaçadas.
Outra forma de conscientizar e
informar é pela utilização de placas e
letreiros informativos em áreas onde
ocorrem os impactos. Tais
informações são apreciadas pela
população que faz uso desses
espaços e também pode atingir
aqueles que não procuram ou não se
interessam por esse tipo de
informação.
Uma ação de educação ambiental, formal ou não, pode ter sua
efetividade mensurada por meio da aplicação de questionários, da
avaliação por profissional qualificado e até pelo feedback (opinião) dos
participantes. A efetividade da ação em EA é uma importante aliada na
construção de ações futuras, já que possibilita o alinhamento e a
calibração de determinada prática de conscientização ou mostra a
necessidade de tratar de outros assuntos, relacionados ou não.
Pesquisa-ação na educação
ambiental urbana
Neste vídeo, o especialista apresenta a metodologia de pesquisa-ação, e sua
relação com os trabalhos de educação ambiental realizados no ambiente
urbano, inclusive no contexto escolar.
E como podemos medir a efetividade das ações de educação
ambiental (e.g.: palestras, oficinas, cursos, pesquisa-ação, entre
outras)?


A educação ambiental no
contexto escolar
O meio ambiente é definido pela Constituição brasileira como um bem comum e
essencial para a qualidade de vida e para a saúde. O Ministério da Educação
trata o meio ambiente como um tema comum a diversas disciplinas e reconhece
a educação ambiental como essencial e permanente em todo o processo
educacional, sendo incluída pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e na
Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Base Nacional Comum Curricular
Documento normativo que define as competências e habilidades
que se espera dos alunos da Educação Básica no país.
Uma vez incluída como assunto transversal no currículo das escolas, a educação
ambiental pode ser tratada em todas as disciplinas, seja do Ensino Fundamental
ou do Ensino Médio. Embora a lei brasileira determine que a educação ambiental
deve ser tratada em todas as matérias ministradas em salas de aula, na
realidade escolar brasileira, os assuntos relativos à problemática ambiental são
abordados geralmente

Mais conteúdos dessa disciplina