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1 
 
 
 
 
 
2 
 
SUMÁRIO 
INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 3 
1 DIREITO PREVIDENCIÁRIO ...................................................................... 4 
2 O PROCESSO JUDICIAL PREVIDENCIÁRIO ........................................... 6 
2.1 Processo previdenciário administrativo ................................................ 7 
2.2 Processo previdenciário judicial ........................................................... 9 
3 AÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ................................................................... 11 
4 COMPETÊNCIAS ..................................................................................... 20 
5 JUIZADOS ESPECIAIS FEDERAIS – JEFS ............................................ 28 
6 JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS NA JUSTIÇA FEDERAL ....................... 30 
7 RECURSOS PREVIDENCIÁRIOS ........................................................... 33 
8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................ 40 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
INTRODUÇÃO 
Prezado aluno! 
 
O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante 
ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um 
aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma 
pergunta, para ser esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é que esse 
aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a resposta. No 
espaço virtual, é o mesmo. Não hesite em perguntar, as perguntas poderão ser 
direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em tempo hábil. 
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa 
disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das 
avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora 
que lhe convier para isso. 
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser 
seguida e prazos definidos para as atividades. 
 
Bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
1 DIREITO PREVIDENCIÁRIO 
 
Fonte: bit.ly/3MDpCQh 
 
 
O Direito Previdenciário é uma área de estudo e prática do direito público, que 
se concentra em questões relacionadas à Previdência Social, especialmente à 
Seguridade Social. Por isso, a disciplina e tem como matéria de atuação a Previdência 
Social, regularizando, defendendo e aplicando as relações entre os beneficiários da 
Previdência Social, a relação do Estado e das organizações privadas nesse âmbito e 
as contribuições que custeiam a mesma. 
A Previdência Social é reconhecida como um direito social no Brasil, conforme 
estabelecido no artigo 6º da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. 
Nesse contexto, o direito à Seguridade Social é consagrado como um princípio 
fundamental, salvaguardando o direito dos cidadãos à consecução de seus direitos 
constitucionais. Segundo o texto constitucional: 
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a 
moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção 
à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta 
Constituição. (BRASIL, 1988) 
 
 
 
5 
 
De acordo com Agostinho (2020), a materialização mais evidente e coesa da 
legislação previdenciária encontra-se na estrutura normativa do Instituto Nacional de 
Seguridade Social (INSS), entidade encarregada da administração da previdência 
pública no território brasileiro. 
 Uma das notáveis peculiaridades do Direito Previdenciário, sobretudo no 
contexto da Previdência Social, reside na sua capacidade de estabelecer uma relação 
contínua entre o passado e o presente. Isso suscita a necessidade constante de 
pesquisa e aprofundamento por parte dos advogados que almejam se especializar 
nesse campo de atuação. 
Indubitavelmente, as transformações no sistema da Previdência Social têm um 
impacto significativo sobre indivíduos que podem ter contribuído para benefícios ao 
longo de décadas. Entende-se, assim, que a reforma previdenciária, que se 
materializou como uma realidade inescapável, assume uma relevância ímpar nesse 
cenário, especialmente em tempos atuais, ao efetuar mudanças substanciais em 
diversos aspectos da estruturação e cálculo da Previdência Social. Essas alterações 
reverberam diretamente na vida de uma expressiva parcela da população, impactando 
milhões de pessoas de maneira direta e indireta. 
A magnitude das transformações advindas da reforma da previdência não pode 
ser subestimada. Essas mudanças reverberam em áreas cruciais como a idade e os 
requisitos para a aposentadoria, as fórmulas de cálculo dos benefícios, as regras para 
concessão de pensões, entre outros aspectos. O resultado é uma redefinição 
abrangente do panorama previdenciário, que exige uma abordagem atenta e 
adaptativa tanto por parte dos beneficiários quanto dos profissionais do Direito 
Previdenciário. 
Advogados especializados nessa área enfrentam o desafio de compreender as 
nuances da legislação reformulada, assim como suas implicações práticas para os 
clientes. A pesquisa e atualização constante tornam-se imperativas para garantir que 
os direitos dos beneficiários sejam adequadamente defendidos e assegurados. Além 
disso, a reforma da previdência também amplia o escopo da consultoria legal, uma 
vez que os indivíduos buscam orientação para navegar por esse novo cenário. 
 
 
 
6 
 
Tendo isso em mente, nosso propósito nesta exposição é abordar a atualidade 
do direito previdenciário no contexto brasileiro. Em síntese, a reforma da Previdência 
Social transcende a esfera de um mero ajuste técnico, pois reconfigura 
fundamentalmente o cerne do sistema, exercendo uma influência profunda nas vidas 
daqueles que dependem desses benefícios. Nesse contexto, a interseção entre a lei 
e a realidade cotidiana adquire uma complexidade renovada, o que convoca os 
advogados especializados a adotarem uma postura proativa e adaptável. Esse 
direcionamento visa assegurar a proteção dos direitos previdenciários dos cidadãos 
diante dessas mudanças substanciais. 
2 O PROCESSO JUDICIAL PREVIDENCIÁRIO 
O Processo Judicial Previdenciário consiste no conjunto de procedimentos 
legais e jurídicos destinados a resolver litígios relacionados a questões 
previdenciárias, envolvendo direitos e benefícios sociais assegurados pela 
Previdência Social. Esse processo abrange a análise de casos como a concessão ou 
revisão de aposentadorias, pensões, auxílios e demais benefícios, garantindo que os 
direitos dos segurados sejam adequadamente protegidos e aplicados dentro do 
sistema legal. 
Compreende-se, assim, que os processos previdenciários têm múltiplas 
finalidades, desde o fornecimento de benefícios aos segurados até a revisão de outros 
processos já concluídos. Por esse motivo, é necessário compreender o seu 
funcionamento para usá-lo corretamente. Essas regras não são tão simples, pois têm 
múltiplas funções e seguem procedimentos legalmente obrigatórios. No entanto, é 
possível saber como garantir seus direitos de forma básica. 
Segundo Castro e Lazzari (2020), um processo previdenciário é um 
procedimento judicial ou administrativo, onde uma das partes envolvidas é o Instituto 
Nacional do Seguro Social (INSS). Sendo esta autarquia federal responsável pelo 
pagamento e concessão dos benefícios assistenciais e previdenciários. 
 
 
 
7 
 
 
 
Fonte: Adaptado de Castro e Lazzari (2020) 
 
Para requerer a concessão de um benefício a partir de um processo 
previdenciário, é preciso: 
 
Fonte: Adaptado de Castro e Lazzari (2020) 
 
Quando um segurado deve obter benefícios por via judicial, o procedimento da 
Previdência Social pode ser feito administrativamente, junto ao INSS oujudicialmente). Nos tópicos seguintes, abordaremos de forma mais detalhada esses 
processos. 
2.1 Processo previdenciário administrativo 
O Processo Previdenciário Administrativo compreende os trâmites e 
procedimentos realizados perante órgãos administrativos, como o Instituto Nacional 
 
 
 
8 
 
de Seguridade Social (INSS), para a análise e decisão de questões previdenciárias. 
Envolve a solicitação, análise e eventual recurso referente a benefícios 
previdenciários, como aposentadorias, pensões e auxílios, antes de recorrer ao 
âmbito judicial. Esse processo busca uma solução administrativa para os litígios 
previdenciários, sem necessariamente envolver os tribunais judiciais. 
Entende-se, portanto, que o andamento do processo previdenciário 
administrativo é realizado no próprio INSS. Ou seja, ocorre quando um segurado 
solicita um benefício ou revisão a um órgão federal. Esse procedimento possui um 
sistema para realizar esses processos e avaliar se o segurado tem direito aos 
benefícios, apesar de ser uma das partes no processo. Não há nada de ilegal nesta 
situação. Um juiz imparcial é necessário apenas no campo judicial. 
Existem várias etapas no processo administrativo previdenciário, acompanhe a 
seguir: 
Fonte: Adaptado de Castro e Lazzari (2020) 
 
 
 
9 
 
2.2 Processo previdenciário judicial 
Para Tavares (2015), caso o segurado esteja insatisfeito após ter passado por 
todo o processo previdenciário administrativo e o resultado não for o esperado, é 
possível ingressar no Poder Judiciário. O processo judicial previdenciário é a via para 
os segurados que tiveram uma decisão negativa do INSS em recurso administrativo 
ou pedido inicial. Vale lembrar que o Judiciário pode ser acionado caso essa negativa 
persista. 
Geralmente, os processos previdenciários são ajuizados na Justiça Federal, 
porque o INSS é uma Autarquia Federal. Um caso é decidido por um juiz eleito para 
esse cargo. Uma pessoa imparcial que entende a lei das regras do caso. 
Como em qualquer procedimento administrativo, o segurado deve apresentar 
em conjunto todos os documentos que comprovem e com base no pedido. O INSS 
pode se opor a isso. Finalmente, o juiz decide o caso como procedente, quando o 
segurado ganha; ou como improcedente, quando o pedido é negado. Caso surja o 
segundo caso, o pedido também será indeferido pelo juiz, mas o segurado poderá 
recorrer. Um tribunal superior que irá julgar. Nos processos previdenciários, são os 
tribunais distritais federais que podem rever decisões e revogar sentenças em que 
haja divergências. 
De acordo com Agostinho (2020), o processo administrativo para 
aposentadorias terá aproximadamente a duração de 6 a 9 meses (sem recurso), ou, 
de 6 a 18 meses (com recurso). Para benefícios como LOAS, auxílio-doença, pensão 
por morte ou salário maternidade, os prazos e etapas são mais curtos, pois, o INSS 
demora em média 60 dias. 
 
Fonte: Adaptado de Agostinho (2020) 
 
 
 
10 
 
Com o avanço da tecnologia, dar entrada na aposentadoria através do 
processo previdenciário ficou simples e mais eficiente do que nunca. A digitalização 
dos procedimentos e a implementação de sistemas automatizados permitiram que os 
requerentes pudessem acessar e submeter seus documentos diretamente pela 
internet. Isso eliminou a necessidade de deslocamentos até as agências físicas e 
reduziu significativamente o tempo de espera para a análise dos pedidos. Acessando 
o portal ‘Meu INSS’ basta solicitar o serviço no lugar indicado pelo aplicativo. Todo o 
processo é feito online, sendo necessário apenas preencher os dados solicitados 
corretamente. 
Agostinho (2020), explica que uma vez apresentado o pedido, o INSS analisará 
as informações e verificará se o pedido pode ser aceito. Caso tudo correr bem, o 
Instituto Nacional do Seguro Social desembolsará e pagará a pensão dentro de 
algumas semanas. Se o pedido for indeferido, o requerente pode recorrer e requerer 
a anulação da decisão. 
 
Fonte: Adaptado de Agostinho (2020) 
 
Além disso, garante que o procedimento respeite a lei e não viole os direitos do 
segurado. Como os termos e regras que ambas as partes devem cumprir. Contratar 
um advogado é realmente um investimento que reduz despesas e garante o melhor 
atendimento ao segurado. Proporciona a certeza de que está sendo seguindo de perto 
e para que seu processo de aposentadoria não dê errado. 
 
 
 
11 
 
3 AÇÕES PREVIDENCIÁRIAS 
O entendimento de Castro e Lazzari (2020), é de que a maioria dos brasileiros 
que contribuem para a Previdência Social reivindicam benefícios do Instituto Nacional 
do Seguro Social (INSS). Quando esta pessoa apresenta um pedido ao município, 
administrativo ou judicialmente, inicia o processo de segurança social. Os processos 
previdenciários podem ser tanto processos administrativos diretamente com o INSS 
quanto processos judiciais em que o segurado deve comparecer em juízo para obter 
benefícios. Confira abaixo como cada um funciona e as diferenças: 
Fonte: Adaptado de Castro e Lazzari (2020) 
 
Se o INSS negar erroneamente o pedido ou não responder em 45 dias, o 
cidadão pode entrar com uma ação previdenciária e obter seus direitos. Seja qual for 
a solicitação, é imprescindível que ela seja acompanhada de documentação que 
comprove o indeferimento pelas autoridades administrativas em acordo firmado pelo 
Tribunal de Justiça Federal. 
 
Aposentadoria por tempo de contribuição 
 
As regras atuais para a concessão da aposentadoria por tempo de serviço é 
que o trabalhador tenha contribuído: 
 
 
 
 
12 
 
 
 
Muitas vezes, o INSS não calcula corretamente todas as contribuições dos 
segurados, sobretudo as mais antigas, quando o sistema do órgão ainda não era 
totalmente informatizado, e acaba indeferindo o benefício. Pode acontecer também 
de o trabalhador descobrir que o seu empregador não realizava corretamente o 
pagamento referente aos valores, o que acaba por prejudicá-lo no momento da 
aposentadoria. 
Independente do problema relatado, é fundamental ingressar com uma ação 
de contagem de tempo de serviço, para ser analisado e feito corretamente. É 
importante fornecer para o advogado todos os tipos de comprovação de trabalho: 
CTPS, contratos, entre outros, para demonstrar os vínculos empregatícios. 
 
Aposentadoria por idade 
 
Regra geral, a aposentadoria por idade ficou estabelecida da seguinte maneira: 
 
 
 
NO CASO DOS HOMENS, 35 ANOS DE 
CONTRIBUIÇÃO E 60 ANOS DE IDADE
NO CASO DAS MULHERES, 30 ANOS DE 
CONTRIBUIÇÃO E 57 ANOS DE IDADE
TRABALHADOR URBANO, COM IDADE MÍNIMA DE 
65 ANOS E MÍNIMO DE 180 MESES DE TRABALHO;
TRABALHADORA URBANA, COM IDADE MÍNIMA DE 
62 ANOS E MÍNIMO DE 180 MESES DE TRABALHO;
TRABALHADOR RURAL, COM IDADE MÍNIMA DE 
60 ANOS E MÍNIMO DE 180 MESES DE TRABALHO;
TRABALHADORA RURAL, COM IDADE MÍNIMA DE 
55 ANOS E MÍNIMO DE 180 MESES DE TRABALHO;
 
 
 
13 
 
Fonte: Adaptado de Castro e Lazzari (2020) 
 
Cumpridas essas condições e com a negativa do INSS, o segurado pode 
apresentar um pedido de pensão, para a concessão da aposentadoria por idade. 
 
Aposentadoria por invalidez 
 
A aposentadoria por invalidez é atribuída ao segurado que não possa exercer 
uma atividade a qual lhe assegure a subsistência e não disponha de meios para se 
reabilitar. Para isso, o requerimento de auxílio-doença deve ser apresentado em uma 
das repartições do INSS, pois, os requisitos são os mesmos. 
Se o pedido for negado (indeferido), o indicado é contratar um advogado para 
apresentar seus direitos no judiciário. Para tanto, deverá ser anexada cópia dos 
documentos pessoais do autor, requerimento e recusa administrativa, eventual 
competência e prontuários particulares. 
 
Aposentadoria especial 
 
A pensão especial é um benefício concedido aos cidadãos que estão constante 
e continuamente expostos às substâncias nocivas, como calor e ruído, além dos 
limites estabelecidos por lei. Osegurado que comprovar emprego remunerado nessas 
condições pode se aposentar com 15, 20 ou 25 anos contribuindo, dependendo do 
poluente (agente nocivo) ao qual o segurado esteve exposto. 
 
Fonte: Adaptado de Castro e Lazzari (2020) 
 
 
 
 
14 
 
Portanto, é necessário ajuizar ação específica de conversão de aposentadoria 
comum em especial e comprovar em juízo todos os períodos de contribuição e as 
condições de insalubridade ou periculosidade que sofreu. Isso é geralmente indicado 
pelo seu Perfil Profissiográfico Previdenciário - PPP, que deve ser fornecido pelo 
empregador. 
 
Revisional de benefício 
 
Em tese, os benefícios garantidos pela Previdência Social necessitam ser 
reajustados para garantir seu valor real, vedada a não dedução de salários pela 
Constituição Federal. Portanto, se o valor pago pelo INSS não utilizar o índice 
estatutário (índices legais), ou se o cálculo não incluir corretamente o salário 
contribuído, poderá ser ajuizada ação revisional de benefício. Colete os comprovantes 
de pagamento, explique os erros e, se possível, forneça uma planilha mostrando seus 
cálculos corretamente para que o juiz possa avaliar seu caso. 
 
Concessão de pensão por morte 
 
A pensão por morte é um benefício pago aos dependentes do segurado que 
falecer, ou também, em caso de desaparecimento (com morte declarada 
judicialmente). Isso inclui filhos dependentes, menores de 21 anos, e cônjuges (com 
exceções). 
A duração da sua pensão depende da sua idade e do tipo de beneficiário. Caso 
haja indeferimento do pedido ou tentativa de cessar o benefício antes do tempo, o 
dependente poderá ingressar com uma ação para garantir que a pensão seja paga. 
 
Concessão de dupla aposentadoria 
 
Os segurados que comprovem ter pago simultaneamente em diferentes 
regimes de pensões (públicos e privados) poderão ter o direito a uma pensão dupla. 
 
 
 
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Acórdão proferido pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ) protege milhões de 
trabalhadores que enfrentam dificuldades para obter benefícios por meio do INSS. 
 
Fonte: Adaptado de Castro e Lazzari (2020) 
 
Ação acidentária 
 
Quando um trabalhador sofre um acidente no ambiente laboral e como 
resultado fica permanentemente incapacitado para exercer suas atividades 
profissionais, é aberta a possibilidade de solicitar o auxílio-acidente. Esta medida visa 
prover suporte financeiro aos indivíduos que enfrentam limitações em decorrência do 
acidente, sem que isso seja equivalente a uma aposentadoria completa. 
Nesse cenário, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) assume a 
responsabilidade de conceder um pagamento mensal, que pode chegar a até 50% do 
salário de benefício. Esse auxílio tem o propósito de auxiliar o beneficiário a lidar com 
as consequências da incapacidade, proporcionando um suporte financeiro contínuo 
para enfrentar os desafios decorrentes do acidente. 
Vale notar que essa assistência não se encerra necessariamente no momento 
da aposentadoria. Em vez disso, ela perdura ao longo do tempo, mantendo-se válida 
até que o trabalhador alcance tal status. Dessa maneira, o auxílio-acidente tem um 
impacto significativo na vida do beneficiário, fornecendo-lhe uma fonte de sustento 
adicional em face das dificuldades enfrentadas devido ao acidente ocorrido no 
contexto do trabalho. 
O auxílio-acidente, além de servir como apoio financeiro, também cumpre um 
papel social ao incentivar a manutenção da atividade laboral de maneira adaptada, 
sempre que possível. Isso contribui para a integração dos indivíduos na força de 
trabalho, ao mesmo tempo em que reconhece as limitações que possam surgir devido 
ao acidente. 
 
 
 
16 
 
Dessa forma, a implementação do auxílio-acidente, mediada pelo INSS, 
desempenha um papel fundamental na salvaguarda dos direitos dos trabalhadores 
que sofrem acidentes no ambiente de trabalho. Ele representa uma forma de proteção 
social que não apenas contempla aspectos financeiros, mas também promove a 
inclusão e a adaptação ao novo cenário criado pela incapacidade resultante do 
acidente. 
 
Fonte: Adaptado de Castro e Lazzari (2020) 
 
Gratuidade da justiça e assistência judiciária 
 
Inicialmente, é crucial estabelecer uma distinção entre assistência judiciária e 
a gratuidade da justiça. A gratuidade da justiça tem um caráter fundamentalmente 
processual, regulamentada nos artigos 98 a 102 do Código de Processo Civil de 2015. 
Esse benefício pode ser solicitado em qualquer fase do processo, seja no início da 
ação ou durante seu desenvolvimento. Uma vez concedida, acarreta na isenção das 
despesas relacionadas ao processo. Importante notar que, caso o direito à gratuidade 
esteja vencido, as obrigações resultantes das despesas processuais ficam suspensas, 
aguardando a exigibilidade. 
 
 
 
17 
 
 
Fonte: Adaptado de Castro e Lazzari (2020) 
 
 
Se a ação estiver sendo representada por um advogado particular, em oposição 
a um defensor público, o foco deve ser na busca por uma indenização, visando à 
isenção das custas processuais e dos honorários advocatícios, em vez de buscar a 
assistência judiciária gratuita. 
Conforme estabelecido pelo Código de Processo Civil de 2015, tanto pessoas 
naturais quanto jurídicas que não possuem recursos suficientes para cobrir os custos 
dos honorários advocatícios, das despesas processuais e dos próprios honorários 
advocatícios têm direito à concessão da justiça gratuita. O juiz só pode rejeitar tal 
pedido se houver evidência nos autos de que não se atendem aos requisitos legais 
para a concessão desse benefício. Além disso, antes de tomar qualquer decisão, é 
necessário que as partes sejam previamente apresentadas com a comprovação do 
cumprimento das condições mencionadas. 
É importante observar que alegações insuficientes feitas por pessoas físicas 
não são descartadas, sendo consideradas pertinentes e merecedoras de atenção. 
Portanto, o texto do Código de Processo Civil estabelece diretrizes claras para garantir 
o acesso à justiça gratuita, desde que os critérios preestabelecidos sejam atendidos. 
 
 
 
18 
 
 
Fonte: Lazzari, 2021, p. 529. 
 
Já nos casos da Assistência Judiciária, será colocada à disposição do hipossuficiente, 
para garantir seu acesso à justiça, não só a isenção de custas, como também um 
defensor custeado pelo erário. 
 
Prioridade na tramitação dos feitos 
 
Conforme o art. 1.048, do CPC de 2015, os procedimentos judiciais em que 
figure como parte; interessado; pessoa com idade igual ou superior a 60 anos; ou 
portadora de doença grave, estão incluídos com a prioridade de tramitação em todas 
as instâncias. Esse tratamento estende-se também aos procedimentos regulados pela 
 
 
 
19 
 
Lei n.º 8.069/1990 - Estatuto da Criança e do Adolescente. Em relação às doenças 
graves, a opção foi pelo rol da Lei n.º 7.713/1988 (Legislação do Imposto de Renda), 
contido no art. 6º, XIV, que prevê: 
 
Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos 
percebidos por pessoas físicas: 
XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em 
serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, 
tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, 
cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia 
grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, 
hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte 
deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência 
adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a 
doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; 
(Redação dada pela Lei n.º 11.052, de 2004) (Vide Lei n.º 13.105, de 2015) 
(Vigência) (Vide ADIN 6025) (BRASIL, 1988). 
 
Ainda, segundo o Estatuto do Idoso (alterado pela Lei no 13.466, de 2017), 
entre os processos de idosos, dar-se-á prioridade especialaos maiores de 80 anos, 
ou seja, todas as pessoas com mais de 60 anos continuam tendo prioridade, mas os 
acima de 80 anos possuem uma “superprioridade” diante dos demais idosos. 
 
 
Esse estatuto confere o atendimento prioritário em todas as instituições e 
serviços de atendimento ao público, em procedimentos judiciais e administrativos, 
contemplando todos os atos e diligências (art. 9º). E para garantir o acesso à justiça 
em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, os artigos 79 e 80 aduzem 
que: 
 
 
 
20 
 
Art. 79. O poder público deve assegurar o acesso da pessoa com deficiência 
à justiça, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, 
garantindo, sempre que requeridos, adaptações e recursos de tecnologia 
assistiva. 
§ 1º A fim de garantir a atuação da pessoa com deficiência em todo o 
processo judicial, o poder público deve capacitar os membros e os servidores 
que atuam no Poder Judiciário, no Ministério Público, na Defensoria Pública, 
nos órgãos de segurança pública e no sistema penitenciário quanto aos 
direitos da pessoa com deficiência. 
§ 2º Devem ser assegurados à pessoa com deficiência submetida a medida 
restritiva de liberdade todos os direitos e garantias a que fazem jus os 
apenados sem deficiência, garantida a acessibilidade. 
§ 3º A Defensoria Pública e o Ministério Público tomarão as medidas 
necessárias à garantia dos direitos previstos nesta Lei. 
Art. 80. Devem ser oferecidos todos os recursos de tecnologia assistiva 
disponíveis para que a pessoa com deficiência tenha garantido o acesso à 
justiça, sempre que figure em um dos polos da ação ou atue como 
testemunha, partícipe da lide posta em juízo, advogado, defensor público, 
magistrado ou membro do Ministério Público. 
Parágrafo único. A pessoa com deficiência tem garantido o acesso ao 
conteúdo de todos os atos processuais de seu interesse, inclusive no 
exercício da advocacia. 
No caso de ação judicial, o interessado em obter os respectivos benefícios, 
deve requerer, com comprovação das suas circunstâncias, a autoridade judiciária 
competente para decidir sobre o procedimento, o que será determinado pelo registro 
das ações a serem realizadas. Quando a prioridade é dada, os registros recebem sua 
própria definição para indicar o processo de tramitação prioritária. 
Fonte: Adaptado de Castro e Lazzari (2020) 
4 COMPETÊNCIAS 
De acordo com Castro e Lazzari (2020), o Direito Previdenciário possui 
algumas características distintas nos estudos jurisdicionais, pois, Tribunais Federais, 
Especiais Federais e a Justiça Estadual podem julgar seus próprios casos legais. 
Assim, é necessário haver uma análise de cada caso concreto. 
 
 
 
21 
 
No que se refere à matéria Previdenciária, é notório a presença do Instituto 
Nacional do Seguro Social (INSS) em suas respectivas ações no polo da demanda, 
visto que, o INSS, possui qualidade de Autarquia Federal, deste modo, integra o 
conceito de Fazenda Pública, usado para designar as pessoas jurídicas de Direito 
Público representadas como parte em ações judiciais. 
É também vinculado ao Ministério da Previdência Social, e encarregado pelo 
recebimento das contribuições para a manutenção do Regime Geral da Previdência 
Social (RGPS), assim como é responsável pela cobertura previdenciária diante do 
pagamento dos benefícios a quem deles carecer e ter o efetivo direito. 
 
Fonte: Adaptado de Castro e Lazzari (2020) 
 
A competência se divide em relativa e absoluta. A incompetência absoluta 
precisa ser declarada por ofício, podendo ser alegada em qualquer tempo ou grau de 
jurisdição (art. 64, § 1º, do CPC). Já a incompetência relativa carece de ser alegada 
pelo réu como preliminar de contestação, vale ressaltar que, caso não o faça, dar-se-
á a prorrogação, e o juiz, que era incompetente, passará a ser competente, mesmo 
que pudesse ter sido afastado (art. 65 do CPC). 
Segundo Castro e Lazzari (2020), para processar e julgar ações previdenciárias 
da competência da Justiça Federal para a Justiça dos Estados, encontra-se prevista 
no art. 109, § 3º, da Constituição Federal, que determina: 
Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: 
§ 3º Lei poderá autorizar que as causas de competência da Justiça Federal 
em que forem parte instituição de Previdência Social e segurado possam ser 
processadas e julgadas na justiça estadual quando a comarca do domicílio 
do segurado não for sede de vara federal. (Redação dada pela Emenda 
Constitucional n.º 103, de 2019) (BRASIL, 1988). 
 
 
 
 
22 
 
 
 
4.1 Prestações acidentárias 
As demandas contra o INSS dos dependentes e segurados, decorrentes de 
acidentes ou doenças do trabalho, são reivindicadas na Justiça Estadual por se tratar 
de competência residual prevista no art. 109, I da CRFB/88. O STJ (Superior Tribunal 
de Justiça) mitigou o entendimento acerca a matéria ao editar a Súmula 15: “Compete 
à Justiça Estadual processar e julgar os litígios decorrentes de acidente do trabalho”. 
Portanto, para Castro e Lazzari (2020), um pedido de concessão ou 
recuperação de benefícios de doença, benefícios por invalidez, benefícios por 
acidente ou benefícios por morte resultantes de lesão ocupacional, doença 
ocupacional ou do trabalho, deverão ser apresentados a Justiça Estadual, com 
recursos aos Tribunais de Justiça. 
4.2 Prestações comuns previdenciárias 
O art. 109, I, da Constituição Federal prevê: 
 
Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: 
 
I - As causas em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal 
forem interessadas na condição de autoras, rés, assistentes ou oponentes, 
exceto as de falência, as de acidentes de trabalho e as sujeitas à Justiça 
Eleitoral e à Justiça do Trabalho; (BRASIL, 1988). 
O inciso supracitado é em razão da pessoa que é parte no feito (União, entidade 
autárquica ou empresa pública). Compete à Justiça Federal julgar os litígios em que 
esses entes estejam presentes, exceto quando a matéria em questão se refira a 
acidente de trabalho, falência, eleitoral e trabalhista. 
Castro e Lazzari (2020), estabelecem que: a competência da Justiça Federal, 
fixada na Constituição de 88, somente pode ser ampliada ou reduzida por Emenda 
Constitucional, contra ela não prevalecendo dispositivo legal hierarquicamente 
 
 
 
23 
 
inferior. Admite a Constituição como veremos, delegação de parte da competência 
Federal para a Justiça Estadual. 
Assim, ações judiciais que visam a concessão de benefícios previdenciários 
(cuja origem não esteja relacionada a doenças equiparadas ou acidente do trabalho), 
pedidos de revisão do valor dos benefícios pagos pela Previdência Social, entre 
outros, devem ser propostas perante a Justiça Federal. Além disso, a Justiça Federal 
é competente para processar e julgar demanda proposta em face do INSS com o 
objetivo de ver reconhecido exclusivamente o direito da autora de receber pensão 
decorrente da morte do alegado companheiro, ainda que seja necessário enfrentar 
questão prejudicial referente à existência, ou não, da União estável. 
4.3 Causas do benefício assistencial 
No contexto das causas que levam ao benefício assistencial, é importante 
destacar o disposto no artigo 203 da Constituição Federal de 88. Esse dispositivo 
estabelece que os benefícios de pensão destinados a idosos e deficientes físicos, cujo 
valor equivale ao salário mínimo, e que são regulamentados pela Lei n.º 8.742/93, 
devem ser distinguidos de maneira clara dos benefícios previdenciários estabelecidos 
pela Lei n.º 8.213/91. É fundamental notar que, embora ambos os benefícios sejam 
concedidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), eles não devem ser 
confundidos entre si. 
Essa distinção é essencial para evitar equívocos ao analisar esses benefícios, 
já que eles têm origens distintas e atendem a propósitos específicos. Os benefícios 
assistenciais destinados a idosos e deficientes físicos visam proporcionar um suporte 
financeiromínimo, representado pelo salário mínimo, a indivíduos em situações de 
vulnerabilidade. Por outro lado, os benefícios previdenciários, regidos pela Lei n.º 
8.213/91, têm como base as contribuições previdenciárias realizadas pelo trabalhador 
ao longo de sua vida laboral, garantindo-lhes uma segurança financeira durante a 
aposentadoria ou em casos de incapacidade. 
Além disso, o artigo 203 da Constituição Federal de 88, ao discorrer sobre a 
assistência social, que será prestada a quem dela necessitar, tal benefício assistencial 
 
 
 
24 
 
é uma medida de apoio social que visa atender indivíduos e famílias que se encontram 
em situações de vulnerabilidade ou necessidade. As causas que levam à concessão 
desses benefícios podem variar amplamente de acordo com o contexto social, político 
e econômico de cada país ou região. 
A concessão de benefícios assistenciais deve ser feita de forma planejada e 
estratégica, visando realmente ajudar aqueles que necessitam, ao mesmo tempo em 
que promove a dignidade e a autonomia das pessoas beneficiárias. 
Portanto, é crucial reconhecer que, embora ambos os benefícios sejam 
administrados pelo INSS, eles operam em bases distintas e respondem a objetivos 
diferentes. Essa clara diferenciação é fundamental para uma compreensão precisa 
dos sistemas de proteção social estabelecidos no país, bem como para assegurar que 
os indivíduos tenham acesso adequado aos benefícios que lhes são devidos de 
acordo com as circunstâncias específicas. 
4.4 Ações pela via administrativa 
Na via administrativa, a discussão sobre a exigência da comprovação de 
condição para a propositura de ação previdenciária, é tema bastante debatido em 
nossos Tribunais, além de ser recorrente nos litígios forenses. Contudo, a exigência 
de declaração prévia da autoridade pública como condição para o exercício da 
jurisdição estabelecido no artigo 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal de 88, é 
clausula que é aplicada em casos de lesão ou ameaça de direito a serem analisadas 
pelo Poder Judiciário. 
As ações previdenciárias pela via administrativa são um conjunto de 
procedimentos que visam garantir o acesso aos direitos previdenciários de forma mais 
ágil e eficiente, evitando a necessidade de ingressar com ações judiciais. Essa 
abordagem busca simplificar o processo de concessão e revisão dos benefícios 
previdenciários, oferecendo uma alternativa de resolução de conflitos mais rápida e 
menos onerosa para os segurados e beneficiários do sistema previdenciário. 
Portanto, pela via administrativa têm como objetivo agilizar a concessão de 
benefícios, reduzindo a necessidade de demandas judiciais e proporcionando um 
 
 
 
25 
 
acesso mais rápido aos direitos previdenciários. No entanto, em alguns casos, quando 
há discordância entre o segurado e a decisão administrativa, a via judicial ainda é uma 
opção para buscar a revisão ou concessão de benefícios. 
 
Juizados especiais cíveis – JUSTIÇA FEDERAL 
 
No âmbito da Justiça Federal, a criação dos Juizados Especiais Cíveis, tem por 
base a EC n.º 22/99, e sua instituição se deu com a Lei n.º 10.259/2001, aplicando-
se, de forma complementar no que não for conflitante, as disposições da Lei n.º 
9.099/95, que regula os Juizados Especiais Estaduais. 
Para Castro e Lazzari (2020), o processo nos Juizados Especiais está 
subordinado aos princípios processuais previstos na Constituição Federal de 88, entre 
eles: 
 
• PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL: art. 5º, LIV — “ninguém 
será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal”; 
• PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA: art. 5º, LV 
– “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados 
em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios 
e recursos a ela inerentes”; 
• INADMISSIBILIDADE DE PROVAS ILÍCITAS: art. 5º, LVI - “são 
inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos”; 
• PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL: art. 5º, LIII — “ninguém será 
processado nem sentenciado senão pela autoridade competente”; e art. 
5º, XXXVII — “não haverá juízo ou tribunal de exceção”; 
• PRINCÍPIO DA INAFASTABILIDADE DA APRECIAÇÃO 
JURISDICIONAL: art. 5º, XXXV — “a lei não excluirá da apreciação do 
Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”; 
• PRINCÍPIO DA RAZOÁVEL DURAÇÃO DO PROCESSO: art. 5º, 
LXXVIII – “a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados 
 
 
 
26 
 
a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade 
de sua tramitação”. 
4.5 Dano moral previdenciário 
O direito à indenização por danos materiais, moral ou de imagem é um dos 
direitos e garantias fundamentais dos cidadãos, disposto no art. 5º, incisos V e X da 
Constituição Federal de 88. Também, conforme o art. 37, § 6º, da lei maior, existe 
responsabilidade objetiva das pessoas jurídicas de direito público e as de direito 
privado prestadoras de serviços públicos pelos danos causados pelos seus agentes. 
Nesse sentido, decisão do STF: 
 
Fonte: Adaptado de Castro e Lazzari (2020) 
 
No âmbito da Lei n.º 10.406/02, que estabelece o Código Civil, dentre os vários 
dispositivos que abordam esse tema, o art. 186 se destaca e dispõe que: “Aquele que, 
por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar 
dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito” (BRASIL, 2002). 
Em resumo, a responsabilidade civil pressupõe: 
 
• A prática de ato ou omissão voluntária de caráter imputável; 
• A existência de dano e; 
• A presença de nexo causal entre o ato e o resultado (prejuízo) alegado. 
 
 
 
 
27 
 
Logo, se comprovado o nexo de causalidade entre a conduta de um e o dano 
causado a outro, cabível o dever de indenizar. Nesse sentido, o STJ fixou que: 
“Constatado o nexo de causalidade entre o ato da Autarquia e o resultado lesivo 
suportado pelo segurado, é devida a reparação dos danos morais” (STJ, AgRg no 
AREsp 193.163/SE, DJe 8.5.2014). E, ainda, editou a Súmula n.º 37, sedimentando 
que: “São cumuláveis as indenizações por dano material e dano moral oriundos do 
mesmo fato”. 
Destacamos que a jurisprudência dominante é contrária à condenação em 
danos morais sem provas dos prejuízos sofridos pelo ato administrativo desarrazoado, 
sob o fundamento de que “O simples indeferimento de benefício previdenciário, ainda 
que equivocado, não é o bastante para dar ensejo a uma indenização por dano moral” 
(v.g., TRF4, AC 5013774-97.2014.404.7202, j. 24.7.2017). 
Para Castro e Lazzari (2020), segundo uniformização de jurisprudência da TNU 
(TURMA NACIONAL DE UNIFORMIZAÇÃO DOS JUIZADOS ESPECIAIS 
FEDERAIS), “a condenação em danos morais em virtude do cancelamento de 
benefício previdenciário demanda a fundamentação no contexto fático-probatório, não 
havendo presunção de dano pela simples cessação, devendo eventual procedência 
ou improcedência ser justificada com base nas provas dos autos”. (PEDILEF 
5000304-31.2012.4.04.7214, 22.6.2017). 
Entretanto, há situações em que o dano moral pode ser considerado presumido 
ou in re ipsa, dispensando-se a vítima do ônus da prova da ofensa moral. São 
exemplos: a) Cessação indevida de auxílio-doença por erro na identificação do óbito 
de homônimo do beneficiário (STJ, AgRg no AREsp 486.376, de 14.8.2014); e b) 
Empréstimo consignado fraudulento gerando descontos indevidos no valor do 
benefício (TRF 4, AC 5022198-51.2011.404.7100, 4ª Turma, em 24.4.2017). 
Com relação à prescrição, há que se observar a orientação fixada pelo STJ no 
sentido de que: “O prazo prescricional das ações indenizatórias ajuizadas contra a 
Fazenda Pública é quinquenal (Decreto n.º 20.910/1932), tendo como termo a quo a 
data do ato ou fato do qual originou a lesão ao patrimônio material ou imaterial” (Tema 
553, REsp 1.251.993/PR, 1ª Seção, j. 12.12.2012). E quanto à correção monetária a 
tese de que incide desde a data do arbitramento (STJ, Súmulan.º 362). 
 
 
 
28 
 
4.6 Valor da causa 
Os critérios para definição do valor da causa geram controvérsias no âmbito 
dos JEF, em face da interpretação dada ao art. 3º, § 2º, da Lei n. 10.259/2001, que 
dispõe: 
Art. 3º Compete ao Juizado Especial Federal Cível processar, conciliar e 
julgar causas de competência da Justiça Federal até o valor de sessenta 
salários mínimos, bem como executar as suas sentenças. 
(...) § 2º Quando a pretensão versar sobre obrigações vincendas, para fins de 
competência do Juizado Especial, a soma de doze parcelas não poderá 
exceder o valor referido no art. 3º, caput. (BRASIL, 2001) 
 
Fonte: Adaptado de Castro e Lazzari (2020) 
 
Em caso de cumulação objetiva de pedidos que ostentem causas diversas, 
deverá ser considerada a repercussão econômica de cada pretensão individualmente, 
independentemente do valor hipotético total da condenação. 
5 JUIZADOS ESPECIAIS FEDERAIS – JEFS 
O Juizado Especial Federal encontra-se regulado pela Lei n.º 10.259, de 12 de 
julho de 2001, aplicando-se de forma complementar as normas expressas na Lei n.º 
9.099/1995, que trata dos Juizados Especiais Estaduais. 
Em virtude da lei instituidora dos Juizados Especiais, foram nomeados como 
princípios especiais norteadores desse microssistema processual o princípio da 
oralidade; princípio simplicidade, princípio informalidade, princípio da economia 
 
 
 
29 
 
processual e o princípio da celeridade, buscando sempre que possível a transação ou 
a conciliação (art. 2.º da Lei n.º 9.099/1995). 
Ressalte-se que também se aplicam os princípios informadores do sistema 
recursal brasileiro, desde que correspondam ao espírito dos juizados especiais, tais 
como: 
• O Princípio da proibição da reforma in pejus; 
• O Princípio da irrecorribilidade das decisões interlocutórias; 
• O Princípio da taxatividade e dos recursos; 
• Os Princípio da singularidade e da correlação do recurso e; 
• O Princípio da fungibilidade dos recursos. 
 
Competência dos JEF 
 
Compete ao Juizado Especial Cível processar, conciliar e julgar causas de 
competência da Justiça Federal até o valor de 60 salários mínimos, bem como 
executar suas sentenças. São excluídas dessa competência: 
 
• As causas referidas no art. 109, incisos ii, iii e xi, da Constituição federal 
de 88; 
• As ações de mandados de segurança, de desapropriação, de divisão e 
demarcação, populares, execuções fiscais e por improbidade 
administrativa e; 
• As demandas sobre direitos ou interesses difusos, coletivos ou 
individuais homogêneos, as causas relativas aos imóveis da união e das 
autarquias e fundações públicas federais, entre outras, previstas no § 1.º 
do art. 3º da lei nº 10.259/2001. 
 
Registre-se a posição adotada pelo STJ acerca da competência dos JEF: 
 
a) Os JEFs têm competência absoluta, onde estiverem instalados, para toda 
ação cujo valor não ultrapasse 60 salários mínimos; 
 
 
 
30 
 
b) A complexidade da causa não afasta a competência dos JEFs, já que o 
critério escolhido pelo legislador foi o do valor da causa; 
c) Caso o autor da ação pretenda ver sua demanda julgada por um juizado 
especial, poderá renunciar ao valor que exceda o limite lega estabelecido no art. 3.º, 
caput, da Lei nº 10.259/2001, de forma expressa (STJ, 3ª Seção, CC nº 86.398-RJ, 
DJ 22.02.2008); 
d) Para o estabelecimento do valor da causa devem ser somadas as parcelas 
vencidas com 12 vincendas pelo exame conjugado da Lei nº 10.259/2001 com os §§ 
1º e 2º do art. 292 do CPC/2015 — art. 260 do CPC/1973 (CC nº 46.732/MS, DJU 
14.03.2005); 
e) O valor da causa para fins de fixação da competência nos JEFs, na hipótese 
de existência de litisconsórcio ativo, deve ser calculado dividindo-se o montante pelo 
número de autores (REsp 1.257.935/PB, 2ª Turma, rel. Min. Eliana Calmon, DJe 
29.10.2012). 
Nos termos da Súmula n.º 17 da TNU e do Enunciado FONAJEF n.º 16, não há 
renúncia tácita nos JEF para fins de fixação competência. Portanto, a renúncia quando 
do interesse da parte autora para postular nos JEF deverá ser expressa, não havendo 
limite quanto ao montante passível dessa renúncia. 
Sobre a possibilidade, ou não, à luz do art. 3º da Lei n.º 10.259/2001, de a parte 
renunciar ao valor excedente a sessenta salários mínimos, incluídas prestações 
vincendas, para poder demandar no âmbito dos JEF, o STJ fixou a seguinte tese no 
Repetitivo n.º 1.030: “Ao autor que deseje litigar no âmbito de Juizado Especial 
Federal Cível, é lícito renunciar, de modo expresso e para fins de atribuição de valor 
à causa, ao montante que exceda os 60 (sessenta) salários mínimos previstos no art. 
3º, caput, da Lei 10.259/2001, incluídas, sendo o caso, as prestações vincendas.” 
6 JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS NA JUSTIÇA FEDERAL 
A criação dos Juizados Especiais Cíveis no âmbito da Justiça Federal encontra 
amparo na Emenda Constitucional n.º 22, de 1999, e sua instituição se deu com a Lei 
n.º 10.259/2001, utilizando-se, de forma complementar, desde que não seja 
 
 
 
31 
 
conflitante, as normas contidas na Lei n.º 9.099/1995, que dispõe sobre o 
funcionamento dos Juizados Especiais Estaduais. E, também, de forma subsidiária e 
supletiva, as disposições do CPC, uma vez que não sejam incompatíveis com as 
regras e princípios dos juizados especiais. 
Para Agostinho (2020), o processo nos Juizados Especiais está sujeito aos 
princípios processuais previstos na Constituição Federal de 88, que são: 
 
a) PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL: art. 5º, LIV — “ninguém será 
privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal”; 
b) PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA: art. 5º, LV — 
“aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são 
assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes”, 
c) INADMISSIBILIDADE DE PROVAS ILÍCITAS: art. 5º, LVI — "são 
inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos”; 
d) PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL: art. 5º, LIII — “ninguém será processado 
nem sentenciado senão pela autoridade competente”; e art. 5º XXXVII — “não haverá 
juízo ou tribunal de exceção”; 
e) PRINCÍPIO DA INAFASTABILIDADE DA APRECIAÇÃO JURISDICIONAL: 
art. 5º, XXXV — “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça 
a direito”; 
f) PRINCÍPIO DA RAZOÁVEL DURAÇÃO DO PROCESSO: art. 5º, LXXVIII — 
“a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do 
processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação" (incluído pela 
Emenda Constitucional nº 45, de 2004). 
 
Para Agostinho (2020), merecem destaques no âmbito dos Juizados Especiais 
Federais: 
 
• A igualdade de prazos para a prática de qualquer ato processual, entre 
o particular e o ente público demandado; 
• A abolição do reexame necessário; 
 
 
 
32 
 
• A redução dos recursos, pois somente se admitirá recurso de sentença 
definitiva e das decisões que (in) deferirem medidas Cautelares ou tutela 
provisória, no curso do processo; 
• O pagamento imediato (60 dias) das condenações até 60 salários 
mínimos (sem precatórios); 
• A desnecessidade de que as partes estejam representadas por 
advogado para a propositura da ação; e 
• A autorização legal aos representantes judiciais dos entes públicos para 
conciliar, transigir ou desistir. 
 
Os Juizados Especiais Federais foram constituídos a partir de novos valores, 
visando a modernização da prestação jurisdicional brasileira, primando pela eficiência 
e celeridade na resolução de soluções de conflitos. O saudoso Ministro e 
processualista do STF, Teori Albino Zavascki, entende que se trata de uma grande 
reforma a criação dos juizados, por oferecer uma alternativa desburocratizada e 
moderna, permitindo que o juiz incorpore processos eletrônicos, não sendo necessário 
reuniões físicas, o que possibilita mais agilidade. 
Segundo Agostinho (2020), a facilidade de acesso aos juizadosmotivou um 
enorme aumento de ações. Porém, a estrutura dos JEF em muitos locais é insuficiente 
para atender essa demanda na forma esperada pelos jurisdicionados. Ou seja, o 
acesso à justiça e não apenas o acesso ao judiciário significa que não há obstáculos 
para garantir um julgamento justo. Isso significa garantir o acesso a dispositivos onde 
as disputas podem ser resolvidas de forma rápida e segura. Com o número de casos 
que precisam ser tratados pelos tribunais sem uma estrutura adequada, isso tem 
criado dificuldades para que a justiça chegue a quem precisa. 
Para estruturar e implantar a primeira instância dos JEF, os TRF transformaram 
Varas Comuns em Varas de Juizados, mas, não foi o suficiente. Posteriormente, 
novas leis foram aprovadas para ampliar a estrutura da Justiça Federal e concluir o 
processo de criação do Juizado Especial. 
 
 
 
33 
 
7 RECURSOS PREVIDENCIÁRIOS 
Para Castro e Lazzari (2020), apesar de alguns avanços na estruturação dos 
JEF com a criação de novos tribunais e a conversão dos tribunais ordinários em 
tribunais, outro grande problema surgiu: o sistema de revisão das decisões dos 
juizados especiais. Um obstáculo é a existência de procedimentos que tornam o 
mecanismo de auditoria muito formal e burocrático, o que tira grande parte das 
vantagens para as quais esse microssistema foi originalmente projetado. Entre os 
entraves, está a existência de procedimentos que tornam o mecanismo de revisão 
excessivamente formal e burocratizado, retirando grande parte das vantagens 
inicialmente previstas para esse microssistema. 
Importante referir a previsão contida no art. 14, § 10, da Lei n.º 10.259/2001: 
“Os Tribunais Regionais, o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal 
Federal, no âmbito de suas competências, expedirão normas 
regulamentando a composição dos órgãos e os procedimentos a serem 
adotados para o processamento e o julgamento do pedido de uniformização 
e do recurso extraordinário” (BRASIL, 2001). 
Como resultado dessa delegação, foram estabelecidas regras dentro das 
classes recursais e normativas apresentadas pelos tribunais competentes, que vão 
desde a fixação de prazos de recurso até a criação de novos recursos e o 
estabelecimento de requisitos para admissibilidade de recursos. 
No que se refere aos Regimentos Internos, vale ressaltar que são modificados 
com frequência, o que dificulta a sedimentação das regras e acaba burocratizando o 
acesso às esferas de uniformização de jurisprudência. Além disso, a dificuldade de 
verificar a admissibilidade de uma denúncia é um fator inibidor na avaliação do direito 
à padronização substantiva. 
Não se pode esquecer que as partes têm dificuldade em provar as distinções 
jurídicas em recursos aos juizados especiais federais, uma vez que a indexação e 
publicação das decisões dos órgãos recursais é quase inexistente. Ressalta-se que 
no recurso, as partes serão obrigatoriamente representadas por advogado, conforme 
disserta o art. 41, § 2º, da Lei n.º 9.099/1995). A dispensa aplica-se apenas à jurisdição 
de primeira instância. 
 
 
 
34 
 
Art. 41. Da sentença, excetuada a homologatória de conciliação ou laudo 
arbitral, caberá recurso para o próprio Juizado. 
§ 2º No recurso, as partes serão obrigatoriamente representadas por 
advogado. (BRASIL, 1995) 
Já o art. 42, § 1º, da referida lei, dispõe: 
Art. 42. O recurso será interposto no prazo de dez dias, contados da ciência 
da sentença, por petição escrita, da qual constarão as razões e o pedido do 
recorrente. 
§ 1º O preparo será feito, independentemente de intimação, nas quarenta e 
oito horas seguintes à interposição, sob pena de deserção. (BRASIL, 1995). 
Como já mencionado, nos JEF não há prazo em dobro para recorrer em favor 
do INSS, União ou demais entes públicos (art. 9º da Lei n.º 10.259/2001): 
Art. 9º Não haverá prazo diferenciado para a prática de qualquer ato 
processual pelas pessoas jurídicas de direito público, inclusive a interposição 
de recursos, devendo a citação para audiência de conciliação ser efetuada 
com antecedência mínima de trinta dias. (BRASIL, 2001). 
Quanto à liminar, ela é aplicada em recurso. Cabe aos juízes responsáveis pela 
apreciação da admissibilidade e dos relatores de recurso decidir de ofício ou a 
requerimento das partes sobre as medidas cautelares, urgentes e probatórias, bem 
como sobre o cumprimento imediato da obrigação de fazer. Para Castro e Lazzari 
(2020), os principais recursos são: 
 
• Recurso contra decisão que aprecia pedidos de liminares e de tutela 
provisória; 
• Recurso contra sentença (recurso inominado); 
• Incidente regional de uniformização de jurisprudência; 
• Pedido de Uniformização de Interpretação de Lei federal (PUIL); 
• Pedido de Uniformização de Interpretação de Lei (PUIL) dirigido ao 
Superior Tribunal de Justiça. 
 
Continuamente os recursos nominados e detalhados, poderão ser interpostos 
também: 
 
 
 
 
35 
 
Embargos de Declaração 
 
No âmbito dos Juizados Especiais caberão embargos de declaração quando, 
na sentença ou no acórdão, houver obscuridade, contradição ou omissão e ainda para 
corrigir erro material (art. 48 da Lei n.º 9.099/1995, com redação conferida pela Lei n. 
13.105/2015). 
O prazo de 5 (cinco) dias úteis para interposição é contado da ciência da 
decisão e interrompe o prazo para recurso contra a sentença ou acórdão (art. 50 da 
Lei n.º 9.099/1995, com redação conferida pela Lei n.º 13.105/2015). Até essa 
modificação, a interrupção ocorria apenas contra o acórdão. 
 
Agravo Interno 
 
O cabimento de agravo interno está previsto no art. 29 da Resolução CJF n.º 
586/2019, Regimento Interno da TNU, em face da decisão do relator, no prazo de 15 
(quinze) dias, o qual deverá ser incluído em pauta, caso não haja reconsideração. 
 
Agravo Regimental 
 
No art. 2º, § 4º, da Resolução CJF n.º 347/2015, que dispõe sobre a 
compatibilização dos regimentos internos das Turmas Recursais e das Turmas 
Regionais de Uniformização dos JEF, também há previsão do cabimento do agravo 
regimental da decisão do relator e do presidente da Turma Recursal ou Regional no 
prazo de 15 (quinze) dias úteis. Se não houver retratação, o prolator da decisão 
apresentará o processo em mesa, proferindo voto. 
A competência para julgamento é da turma em que proferir a decisão recorrida. 
E, caso a decisão do relator tenha sido submetida à Turma Recursal e por ela 
confirmada, não será cabível a interposição de agravo regimental (art. 2º, § 5º, da Res. 
CJF n.º 347/2015). 
 
Recurso Extraordinário 
 
 
 
36 
 
 
O recurso extraordinário em matéria constitucional de repercussão geral caberá 
de decisão de última instância, que pode ser de Tribunal, de Turma Recursal e de 
Uniformização e do STJ (art. 102, III, “a”, da CF c/c o art. 15 da Lei n.º 10.259/2001 e 
Regimento Interno do STF). 
Recebida a petição do recurso pela secretaria do tribunal ou da turma recursal, 
o recorrido será intimado para apresentar contrarrazões no prazo de 15 (quinze) dias 
úteis, findo o qual os autos serão conclusos ao presidente ou ao vice-presidente do 
tribunal ou turma recursal recorrida, que deverá fazer o juízo de admissibilidade na 
forma prevista no art. 1.030 do CPC/2015. Como indicam Castro e Lazzari (2020), de 
acordo com o art. 1.035 do CPC/2015, para da repercussão geral, será considerada 
a existência, ou não, de questões relevantes do ponto de vista econômico, político, 
social ou jurídico, que ultrapassem os interesses subjetivos do processo. 
Haverá também repercussão geral, segundo o § 3º do art. 1.035 do CPC/2015, 
sempre que o recurso impugnar acórdão que contrarie súmula ou jurisprudência 
dominante do STF, e, tenha reconhecido a inconstitucionalidade de tratado ou de lei 
federal, nos termos do art. 97 da Constituição Federal. 
Art. 1.035. O Supremo Tribunal Federal, em decisão irrecorrível, não 
conhecerá do recurso extraordinário quando a questão constitucionalnele 
versada não tiver repercussão geral, nos termos deste artigo. 
§ 3º Haverá repercussão geral sempre que o recurso impugnar acórdão que: 
I - contrarie súmula ou jurisprudência dominante do Supremo Tribunal 
Federal; 
II - tenha sido proferido em julgamento de casos repetitivos; 
III - tenha reconhecido a inconstitucionalidade de tratado ou de lei federal, 
nos termos do art. 97 da Constituição Federal (BRASIL, 2015). 
Segundo Castro e Lazzari (2020), cabe agravo interno, no prazo de quinze dias 
úteis, dirigido para o respectivo órgão colegiado (prolator do acórdão que ensejou a 
interposição do recurso extraordinário) contra decisão de inadmissão de recurso 
extraordinário que: 
 
a) discuta questão constitucional à qual o STF não tenha reconhecido a 
existência de repercussão geral ou a recurso extraordinário interposto 
 
 
 
37 
 
contra acórdão que esteja em conformidade com entendimento do STF 
exarado no regime de repercussão geral; 
b) sobrestar o recurso que versar sobre controvérsia de caráter repetitivo 
ainda não decidida pelo STF (art. 1.030, § 2º, do CPC). Também caberá 
agravo (nos próprios autos), no prazo de quinze dias úteis, dirigido ao 
STF, da decisão do presidente ou do vice-presidente do tribunal ou 
turma recorrida que inadmitir recurso extraordinário, salvo quando 
fundada na aplicação de entendimento firmado em regime de 
repercussão geral, (art. 1.042 do CPC). 
 
Mandado de Segurança 
 
Não se admite Mandado de Segurança para Turma Recursal, exceto na 
hipótese de ato jurisdicional teratológico contra o qual não caiba recurso. Neste 
sentido o Enunciado FONAJEF n.º 88. 
Cabe à TNU processar e julgar os mandados de segurança contra atos de seus 
membros (art. 6º, II do RI da TNU). As turmas recursais, possuem competência para 
processar e julgar os mandados de segurança contra ato de juiz federal no exercício 
da competência dos JEF e contra os seus próprios atos e decisões (Resolução n.º 
347/2015 do CJF que trata da compatibilização dos Regimentos Internos das Turmas 
Recursais e das TRU dos JEF – art. 2º, IV; súmula n.º 376 do STJ). 
Ainda segundo o STF, compete à Turma Recursal o exame de mandado de 
segurança, quando utilizado como substitutivo recursal, contra ato de juiz federal dos 
JEF (RE 586.789/PR, Tribunal Pleno, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, DJe 
24.02.2012). 
Não há previsão do cabimento de recurso ordinário da decisão do mandado de 
segurança proferida pelos Juizados Especiais, por força de disposição expressa 
contida no art. 102, II, “a”, e art. 105, II, “b”, da Constituição Federal, regulamentados 
pelo art. 539 do CPC, admitido apenas das decisões de tribunais. 
Eventual insurgência pode ser apreciada em incidente de uniformização nas 
hipóteses em que caracterizada a divergência de interpretação de direito material. 
 
 
 
38 
 
Reclamação 
 
O instituto da reclamação é previsto constitucionalmente para a preservação 
da competência e garantia da autoridade das decisões do STF e do STJ (art. 102, I, 
“i”, e art. 105, I, “f”), cuja regulamentação se deu pela Lei n.º 8.038, de 1990. 
Na legislação dos Juizados Especiais não há disposição expressa quanto seu 
cabimento. No entanto, para dar efetividade à sistemática de uniformização de 
jurisprudência adotada no âmbito dos Juizados Especiais Federais, torna-se 
necessário admitir-se a reclamação perante as Turmas de Uniformização. 
 
Recursos não cabíveis nos Juizados Especiais Federais 
 
Considerando, as características dos JEF, alguns recursos previstos no CPC 
não são admitidos nestes Juizados, sendo admitidos, porém, em segunda instância, 
são eles: agravo de instrumento contra decisão interlocutória. Recurso adesivo. 
Recurso oficial/Reexame necessário. Recurso especial. Embargos à execução de 
sentença. Ação Rescisória. E, conforme já referido, não caberá recurso da sentença 
homologatória de conciliação ou laudo arbitral, por força de disposição legal (art. 41 
da Lei n.º 9.099/1995 e art. 5º da Lei n.º 10.259/2001). 
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Em síntese, as ações previdenciárias e o processo previdenciário 
desempenham um papel crucial no sistema jurídico, ao assegurar os direitos dos 
cidadãos no que se refere à proteção social e ao acesso aos benefícios 
previdenciários. O universo das ações previdenciárias abrange uma variedade de 
situações, desde requerimentos de aposentadoria e pensão até solicitações de 
auxílio-doença e benefícios assistenciais. 
O processo previdenciário, por sua vez, se desenvolve dentro do contexto dos 
Juizados Especiais Federais (JEFs) e outras instâncias judiciais, onde se busca a 
resolução ágil e eficaz das demandas previdenciárias. A simplificação dos 
 
 
 
39 
 
procedimentos, aliada aos princípios de oralidade, informalidade e celeridade, busca 
garantir que os cidadãos tenham acesso facilitado à justiça e obtenham uma decisão 
justa e tempestiva. 
Contudo, mesmo com os avanços proporcionados pelos JEFs e outros 
mecanismos processuais, ainda existem desafios a serem superados. A crescente 
demanda, as particularidades das matérias previdenciárias e a necessidade de 
garantir uma estrutura adequada para o trâmite processual são aspectos que 
requerem constante atenção e aprimoramento. 
Nesse cenário, a atuação de profissionais do Direito e a compreensão das 
complexidades do processo previdenciário são fundamentais para guiar os cidadãos 
no exercício de seus direitos. A adequada análise de casos, a busca por soluções 
extrajudiciais sempre que possível e a utilização das ferramentas disponíveis no 
sistema judiciário contribuem para um processo mais ágil e efetivo. 
Em última análise, as ações previdenciárias e o processo previdenciário são 
áreas dinâmicas e essenciais do Direito, onde a interação entre a legislação, os 
profissionais do Direito e a busca por justiça se entrelaçam. Assegurar a proteção 
social e a devida aplicação das normas previdenciárias não apenas atende aos 
interesses individuais dos cidadãos, mas também contribui para a construção de uma 
sociedade mais justa e inclusiva. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
AGOSTINHO, Theodoro. Manual de direito previdenciário. São Paulo: Saraiva 
Educação, 2020. 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, 
1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituição/constituicao. 
htm. Acesso em: 23 de jun. 2023. 
BRASIL. Lei n.º 9.099, de 26 de setembro de 1995. Dispõe sobre os Juizados 
Especiais Cíveis e Criminais e dá outras providências. Disponível em: 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9099.htm. Acesso em: 23 de jun. 2023. 
BRASIL. Lei n.º 10.259, de 12 de julho de 2001. Dispõe sobre a instituição dos 
Juizados Especiais Cíveis e Criminais no âmbito da Justiça Federal. Disponível em: 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10259.htm. Acesso em: 23 de jun. 
2023. 
BRASIL. Lei n.º 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Disponível 
em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm. Acesso em: 
23 de jun. 2023. 
BRASIL. Lei n.º 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Altera a legislação do imposto de 
renda e dá outras providências. Disponível em: 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l7713.htm. Acesso em: 23 de jun. 2023. 
CASTRO, Alberto Pereira de; LAZZARI, João Batista. Manual de direito 
previdenciário. 23. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 2020. 
CASTRO, Carlos Alberto Pereira de; LAZZARI, João Batista. Manual de direito 
previdenciário. 22. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2019. 
LAZZARI, João Batista. CASTRO, Carlos Alberto Pereira de; KRAVICHYNCHYN, 
Gisele Lemos; KRAVICHYNCHYN, Jefferson Luiz. Prática Processual 
Previdenciária – Administrativa e Judicial. 11. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2019. 
LAZZARI, João Batista; CASTRO, Carlos Alberto Pereira de. Direito previdenciário. 
2. ed. – Rio de Janeiro: Editora Forense, 2021.TAVARES, Marcelo Leonardo. Direito previdenciário. 16ª. ed. Rio de Janeiro: Lumen 
Juris, 2015. 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituição/constituicao

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