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mas o seu remate. Se a televisão, por exemplo, pode revelar-se aborrecida ou nociva, _______________________________________ (Lúcio Costa, “O novo humanismo científico e tecnológico”) a) não é que o deve ser necessariamente, mas porque o critério do seu emprego a torna assim. b) não é que deva sê-lo necessariamente, mas por que o critério do seu emprego a torna assim. c) não é porque seja-o necessariamente, mas por que o critério do seu emprego torna-a assim. d) não é que a deve ser necessariamente, mas porque o critério do seu emprego torna-a assim. e) não é que deve sê-la necessariamente, mas por que o critério do seu emprego torna-a assim. Gabarito: A Comentário. Além do aspecto semântico, devemos observar a correção gramatical. Por isso, para aumentar nossas chances de acertar a questão, vamos eliminar os itens que apresentam erros gramaticais: As opções b, c e e apresentam o vocábulo por que (separado), que é um pronome interrogativo. Na oração, deve ser usada uma conjunção de valor explicativo. Na opção d, o erro é de colocação pronominal: numa oração subordinada explicativa, iniciada pela conjunção explicativa porque, o pronome deve estar em próclise; contudo, observa-se o pronome em ênclise (“mas porque o critério do seu emprego torna-a assim”). Só com essa análise gramatical, teríamos acertado a questão. Para fins didáticos, iremos avaliar o aspecto semântico da construção e a função de seus elementos. É preciso, antes de tudo, compreender o texto. Para isso, precisamos vencer alguns obstáculos, quais sejam: o emprego de vocábulos desconhecidos por nós. Alguns são essenciais, outros não. Glossário: Imanente – algo sempre presente, inseparável; Porquanto – conjunção de valor causal, equivalente a porque; Remate – acabamento, fim, e, em linguagem conotativa, cume, auge, ponto máximo. 32 Fala-se da coerência própria do desenvolvimento científico e tecnológico, de seu desvirtuamento e das conseqüências disso, sempre a favor do homem, que é não só parte, mas também o fim desse processo. A partir disso, aborda-se o papel da televisão nesse contexto. Para compreendermos a função do pronome demonstrativo o em “não é que o deve ser necessariamente”, vamos dissecar a passagem: “Se a televisão, por exemplo, pode revelar-se aborrecida ou nociva, não é que necessariamente deve (a televisão) ser assim (aborrecida ou nociva), mas porque o seu emprego (emprego da televisão) a torna (torna a televisão) assim (aborrecida ou nociva).” Afinal, qual a função do pronome demonstrativo em “não é que o deve ser”? Retomar a idéia de que “a televisão pode revelar-se aborrecida ou nociva”. Por ser usado em referência a todo um período anterior, o pronome demonstrativo, em função vicária (substitui todo o antecedente), mantém-se neutro – no singular masculino – “o deve ser”. Um exemplo desse tipo de construção é “Preciso tirar férias mas vou fazê-lo no próximo ano.”. “Fazê-lo” retoma a idéia de “tirar férias”. Mantém-se, portanto, sob forma neutra – masculino e singular. Leia o texto abaixo para responder à questão 25. A extrema diferenciação contemporânea entre a moral, a ciência e a arte hegemônicas e a desconexão das três com a vida cotidiana desacreditaram a utopia iluminista. Não faltaram tentativas de conectar o conhecimento científico com as práticas ordinárias, a arte com a vida, as grandes doutrinas éticas com a conduta comum, mas os resultados desses movimentos foram pobres. Será então a modernidade uma causa perdida ou um projeto inconcluso? (Nestor Garcia Canclini, Culturas Híbridas, p. 33, com adaptações) 25 - (AFRF 2005) Assinale a opção que constituiria, de maneira coerente com a argumentação e gramaticalmente correta, uma possível resposta para a pergunta final do texto. a) A resposta poderia estar na sugestão de aprofundar o projeto modernista, inserindo-o com a prática cotidiana, renovando-o o sentido das possíveis contradições. b) Para não considerá-la causa perdida, alguns teóricos sugerem encontrar outras vias de inserção da cultura especializada na práxis 33