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TESTAMENTO VITAL
O Testamento Vital, também conhecido como Diretiva Antecipada de Vontade (DAV), é um documento legal em que uma pessoa expressa previamente seus desejos sobre tratamentos médicos que gostaria ou não de receber em situações em que não possa manifestar sua vontade, como em casos de doença terminal ou estado vegetativo.
Embora o Testamento Vital não permita a eutanásia (que é proibida no Brasil), ele está relacionado ao direito de recusa de tratamentos excessivos ou desproporcionais, como aqueles que apenas prolongam o processo de morte sem trazer benefícios ao paciente.
Segundo definição do Professor Flávio Tartuce, o testamento é “um negócio jurídico unilateral, personalíssimo e revogável pelo qual o testador faz disposições de caráter patrimonial ou extrapatrimonial, para depois de sua morte”. TARTUCE, Flávio. Direito civil, v.6: direito das sucessões, 10ª edição, Rio de Janeiro: Forense, 2017.
CONCEITO DE TESTAMENTO VITAL
O Testamento Vital permite que uma pessoa determine quais tipos de tratamentos médicos ou intervenções ela aceita ou recusa em circunstâncias futuras, principalmente em casos de:
· Doenças terminais;
· Situações em que não há possibilidade de cura;
· Estados de coma ou inconsciência prolongada;
· Estados em que a pessoa não possa expressar sua vontade, como demências avançadas.
Essas diretivas podem incluir a recusa de tratamentos como reanimação, ventilação mecânica, nutrição e hidratação artificiais, entre outros, mas não incluem o pedido para realizar a eutanásia.
Características do testamento vital:
1. Documento escrito e assinado pelo paciente.
2. Expressa a vontade do paciente em relação aos cuidados médicos.
3. Pode incluir diretrizes para:
· Tratamentos médicos específicos.
· Procedimentos de reanimação.
· Cuidados paliativos.
· Eutanásia.
4. É válido enquanto o paciente estiver incapacitado ou em estado terminal.
Objetivos do testamento vital:
1. Garantir a autonomia do paciente.
2. Evitar intervenções médicas desnecessárias.
3. Respeitar a dignidade e os valores do paciente.
Tipos de testamento vital:
1. Testamento vital simples: expressa a vontade geral do paciente.
2. Testamento vital específico: detalha opções específicas de cuidados médicos.
LEGISLAÇÃO BRASILEIRA – TESTAMENTO VITAL
No Brasil, o testamento vital não possui uma lei específica que o regulamente, mas é um documento que pode ser elaborado com base na legislação já existente sobre direitos do paciente e autonomia pessoal. Esse direito é assegurado por princípios da Constituição Federal, como o direito à dignidade, à vida e à liberdade, bem como pelo Código Civil e pelo Código de Ética Médica.
Principais referências legais:
1. Constituição Federal (Art. 5º): garante a dignidade da pessoa humana e o direito à liberdade, incluindo o direito de decidir sobre o próprio corpo e saúde.
2. Código Civil (Art. 15): assegura que "ninguém pode ser constrangido a submeter-se, com risco de vida, a tratamento médico ou intervenção cirúrgica". Esse princípio dá respaldo à recusa de certos tratamentos.
3. Resolução nº 1.995/2012 do CFM: regulamenta as “Diretivas Antecipadas de Vontade” (DAV), que incluem o testamento vital. O Conselho Federal de Medicina (CFM) autoriza médicos a seguirem as orientações de um testamento vital, desde que estejam em conformidade com a legislação e a ética médica. Segundo a resolução, o testamento vital deve ser seguido em casos onde o paciente não possa manifestar sua vontade, e cabe ao médico respeitar as diretrizes do paciente, salvo em casos de tratamentos que vão contra a ética ou para os quais exista alternativa viável.
No Brasil, o Conselho Federal de Medicina (CFM), por meio da Resolução CFM 1.995/2012, regulamenta o Testamento Vital, permitindo que o paciente tenha o direito de recusar tratamentos fúteis ou desproporcionais em fase terminal. A Resolução estabelece que:
· O paciente tem o direito de expressar antecipadamente sua vontade em relação a tratamentos médicos;
· Os médicos devem respeitar a decisão do paciente, desde que ela esteja de acordo com os princípios éticos da medicina.
No entanto, o Testamento Vital não pode incluir a solicitação de eutanásia, já que ela é proibida pelo Código Penal Brasileiro, como mencionado anteriormente.
É preciso advertir, contudo, que o testamento vital não pode ser confundido com a eutanásia, já que o médico não pratica nenhum ato para interromper a vida. Ao atuar em consonância com as diretivas antecipadas de vontade do paciente, o médico apenas leva a efeito a posição daquele que não pretende submeter-se a tratamentos que apenas prolongariam, de forma artificial, angustiante e dolorosa, a sua vida. O testamento vital, além de afastar os procedimentos médicos desnecessários, também evita que o médico seja processado por não ter oferecido tratamento a paciente em fase terminal, conforme solicitado por meio desse documento.
O testamento vital é um documento, e seu termo mais conhecido nos âmbitos discutidos se dá por nome: diretivas antecipadas de vontade, que nada mais é do que manifestações dos pacientes, expressando suas vontades sobre os cuidados e tratamentos médicos que passam a ser submetidos. 
DIRETIVAS ANTECIPADAS DE VONTADE
O nome soa complicado “diretivas antecipadas de vontade” ou “testamento vital” e nos parece burocrático. Contudo, o que sabemos é que além de ser pouco conhecido no Brasil, ele é simples de ser elaborado, podendo inclusive ser escrito a mão.
O artigo 1º da Resolução nº 1.995/2012, da Confederação Federal de Medicina, conceitua as diretivas antecipadas de vontade como um conjunto de desejos, manifestados de forma prévia e expressa pelo paciente, a respeito de todos os cuidados e tratamentos que deseja ou não receber quando não puder expressar, livre e autonomamente, sua vontade.
As Diretivas Antecipadas de Vontade (DAV) incluem duas modalidades principais: o Testamento Vital e o Mandato Duradouro, cada um com funções específicas.
O Testamento Vital é uma declaração formal elaborada por uma pessoa mentalmente capaz, em que ela expressa claramente quais tratamentos médicos deseja ou recusa receber em situações onde não consiga manifestar sua vontade diretamente, como em condições de saúde irreversíveis. Esse documento busca assegurar que os desejos do paciente sejam respeitados, especialmente em situações de terminalidade.
Já o Mandato Duradouro envolve a designação de um procurador ou representante legal, que fica encarregado de tomar decisões médicas em nome do outorgante, caso ele perca a capacidade temporária ou permanente de expressar suas vontades. A escolha desse representante permite que as decisões sejam guiadas pelo entendimento que ele tem dos valores e preferências do paciente.
Essas diretivas são um tipo de negócio jurídico, pois refletem a vontade da pessoa em relação aos cuidados de saúde futuros e produzem efeitos para momentos em que o declarante não puder expressar suas preferências devido a seu estado clínico. Elas são pessoais, gratuitas, podem ser revogadas a qualquer momento e recomenda-se que sejam formalizadas por escritura pública.
O propósito central das DAVs é garantir ao paciente que seus desejos sobre o tratamento médico sejam respeitados e fornecer segurança jurídica ao profissional de saúde responsável. A sua legitimidade é amparada por princípios constitucionais, como a dignidade da pessoa humana (Constituição Federal, art. 1º, III) e a proteção contra tratamentos desumanos (Constituição Federal, art. 5º, III). Esses princípios sustentam a autonomia individual, ainda que não exista uma legislação específica no Brasil sobre o tema.
No entanto, há regulamentações infralegais importantes. O Código de Ética Médica (Resolução CFM nº 1.931/2009) e a Resolução CFM nº 1.995/2012 abordam as diretivas antecipadas, fornecendo diretrizes para a prática médica.
É fundamental ressaltar que as DAVs não podem ser confundidas com eutanásia, ortotanásia ou práticas como a distanásia e o suicídio assistido, todas vedadas pela legislação brasileira. Qualquer cláusula que solicitetais práticas é considerada inválida, pois contraria o Código Civil (art. 166, II) devido à ilicitude do objeto.
Recomenda-se que o documento seja elaborado com apoio médico, especialmente ao especificar recusas a tratamentos e as condições em que essas recusas devem ser aplicadas. Embora a presença de um médico não seja obrigatória, ela ajuda a confirmar que o paciente estava plenamente consciente de suas escolhas ao redigir o documento.
Ainda que as DAVs sejam mais comuns em casos de pacientes com doenças terminais, o uso delas é baixo no Brasil. Esse baixo índice de adesão se deve, em parte, à falta de uma legislação específica que promova e normalize o uso dessas diretivas.
DIFERENÇA ENTRE TESTAMENTO VITAL E EUTANÁSIA
O testamento vital e a eutanásia envolvem escolhas de fim de vida, mas são conceitos distintos em essência e propósito. O testamento vital é um documento onde a pessoa registra, enquanto está lúcida, quais tratamentos médicos deseja ou recusa em casos de doença grave ou terminal, especialmente se ficar incapacitada de decidir. Ele visa respeitar a autonomia do paciente, orientando médicos sobre quais procedimentos realizar ou evitar, como ressuscitação ou ventilação artificial.
A eutanásia, por outro lado, é a prática de induzir a morte de uma pessoa a fim de aliviar seu sofrimento em casos irreversíveis. No Brasil, a eutanásia é ilegal, diferentemente do testamento vital, que é permitido pelo Conselho Federal de Medicina para garantir que os desejos do paciente sejam respeitados.
· Testamento Vital: Documento em que a pessoa expressa sua vontade de recusar tratamentos fúteis que apenas prolongam a vida sem trazer qualidade de vida. Ele não inclui a possibilidade de solicitar a eutanásia.
· Eutanásia: Ação direta para provocar a morte de uma pessoa para aliviar o sofrimento, o que é considerado crime no Brasil.
ORTOTANÁSIA E O TESTAMENTO VITAL
A ortotanásia e o testamento vital estão relacionados a escolhas sobre cuidados no fim da vida, mas têm objetivos e implicações diferentes.
A ortotanásia é a prática de permitir que a morte ocorra naturalmente, sem intervenções médicas para prolongar artificialmente a vida, em casos de doenças terminais e irreversíveis. Ela envolve a suspensão de tratamentos que não trarão cura ou melhora significativa e busca respeitar o processo natural da morte sem recorrer à eutanásia ou ao prolongamento artificial. No Brasil, a ortotanásia é permitida e considerada uma prática ética pelo Conselho Federal de Medicina.
O testamento vital, por sua vez, é um documento escrito pelo próprio paciente enquanto ele ainda está consciente e em pleno uso das suas faculdades mentais, especificando quais tratamentos e intervenções aceita ou recusa em uma situação de incapacidade futura. Através do testamento vital, o paciente pode antecipar decisões, como optar pela ortotanásia, recusando medidas de suporte artificial quando em estado terminal. Assim, o testamento vital garante que a vontade do paciente seja respeitada, alinhando-se à prática da ortotanásia quando ele decide por um cuidado paliativo e natural.
DIREITO DO CIDADÃO
 Testamento vital é uma declaração de um cidadão mostrando – nos casos em que se atinge a terminalidade da vida, em doenças crônicas ou acidentes graves sem possiblidade de recuperação – quais são os tratamentos que quer receber quando a morte se aproxima, e, em especial, se deseja o uso dos tratamentos paliativos (que tragam conforto) ou os agressivos e intervencionistas. E, além disso, quais as medidas de suporte vital que entende serem cabíveis nessas condições, e que devem ser seguidas, mesmo quando estiver inconsciente e não conseguir mais se comunicar com o médico.
O documento pode ser feito por qualquer um que tenha mais de 18 anos, devendo ser efetuado por escrito, assinado e, preferentemente, com testemunhas que confirmem sua autenticidade. Não há qualquer impedimento para a elaboração de um testamento vital, pelo doente em estado grave, com câncer, ou por aqueles que tenham insuficiências orgânicas avançadas (cardíaca, respiratória, hepática, respiratória, renal), os HIV positivos em estado avançado e, dependendo do caso, pelos portadores de doenças neurológicas degenerativas, se estiverem em plena consciência de suas faculdades mentais, e que tenham real ciência de seu estado para exercer a autonomia. 
Como um mecanismo importante para garantir a morte digna, o testamento vital é uma forma de atender aos anseios e desejos do declarante, além de evitar conflitos entre familiares e médicos, permitindo que a passagem do indivíduo se dê nos termos por ele definidos, desde que não infrinjam a legislação vigente.
REFERENCIA:
SILVA, Maria Clara de. O Testamento Vital e seus limites jurídicos frente à proibição da eutanásia no Brasil. Revista de Direito e Bioética, v. 10, n. 2, p. 23-45, 2020.
CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Resolução CFM 1.995/2012. Dispõe sobre as diretivas antecipadas de vontade dos pacientes. Diário Oficial da União, Brasília, 31 ago. 2012. Seção 1, p. 269.
COSTA, João Carlos; MENDONÇA, Patrícia. Direito médico e bioética: questões contemporâneas. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2018.
ROXANA CARDOSO BRASILEIRO BORGES,Direitos da personalidade e autonomia privada, São Paulo : Saraiva, 2. ed., 2007, p. 240.
Sites:
BRAGA, Pérola Melissa Vianna. O Testamento vital e seus aspectos jurídicos e gerontológicos. Revista Portal de Divulgação. 2015, n. 45, ano V, Jun./Jul./Ago. 2015. Disponível em: https://revistalongeviver.com.br/index.php/revistaportal/article/viewFile/523/562. Acesso em: 03 mar. 2022.
https://www.conjur.com.br/2021-out-04/fernanda-avelar-diretivas-antecipadas-vontade/
https://www.cremesp.org.br/?siteAcao=Jornal&id=2076
https://sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/resolucoes/BR/2012/1995, acesso em 31/10/2024.

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