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Resumo Direito Civil Contratos - Rubem Valente

Apostila sobre contratos: conceito; princípios (autonomia, obrigatoriedade, relatividade, função social, boa‑fé objetiva); classificação de tipos; contratos que atingem terceiros (estipulação, promessa de fato, pessoa a declarar); referência aos arts.421‑424 do CC/2002; interpretação e extinção.

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CONTRATOS 
 
CONCEITO 
Contrato é o negócio jurídico bilateral, formado pela convergência de duas ou mais 
vontades para criar, modificar ou extinguir relações jurídicas de natureza patrimonial. 
 
PRINCÍPIOS CONTRATUAIS 
•Princípio da autonomia privada: todo e qualquer contrato pressupõe certa liberdade 
intelectual, pautada na ideia do consensualismo. 
•Princípio da obrigatoriedade: as partes não são obrigadas a contratar, mas, uma 
vez que o façam, ficam obrigadas a cumprir suas cláusulas. Também conhecido 
como princípio da força obrigatória dos contratos. 
•Princípio da relatividade dos efeitos dos contratos: o contratante só pode opor os 
direitos oriundos do contrato ao outro contratante, e não a pessoas estranhas à 
relação contratual. Somente as partes podem ter direitos e deveres frutos do 
contrato que celebraram. 
•Princípio da função social do contrato: se o contrato repercute negativamente para 
a sociedade, o juiz pode nele intervir para preservação do interesse coletivo. É um 
princípio que limita a liberdade de contratar, estabelecendo parâmetros. 
•Princípio da boa-fé objetiva: obriga as partes contratantes a agirem de boa-fé 
quando da celebração de um contrato. A palavra-chave do princípio é confiança, que 
significa parceria contratual. 
 
CLASSIFICAÇÃO DOS CONTRATOS 
•Contratos unilateral, bilateral e plurilateral: diferenciam-se pelo número de 
prestações: unilateral (há prestação apenas para uma das partes); bilateral (além de 
duas vontades, tem prestação para ambas as partes); e plurilateral (há pelo menos 
três vontades envolvidas). 
•Contratos oneroso e gratuito: oneroso (há equilíbrio econômico entre as partes, 
porque ambos perdem e ganham na mesma proporção econômica); e gratuito (a 
parte não ganha algo equivalente à sua prestação, havendo desequilíbrio 
econômico). 
•Contratos comutativo e aleatório: comutativo (as partes podem prever seus efeitos 
ao celebrar o contrato); e aleatório (as partes não podem prever os seus efeitos – é 
o contrato de risco). 
•Contratos consensual e real: consensual (forma-se com o acordo de vontades das 
partes, sendo a regra de contratos); e real (estabelecido com a tradição, entrega do 
bem após o acordo de vontades). 
•Contratos de execução instantânea, continuada e diferida: instantânea (é cumprido 
em uma só vez, no momento da celebração do contrato); continuada (a prestação é 
cumprida em cotas periódicas); e diferida (a prestação é cumprida em uma só vez, 
mas no futuro). 
•Contratos entre presentes e entre ausentes: é uma classificação que se refere à 
formação do contrato: entre presentes (a proposta e a aceitação ocorrem em tempo 
real, mesmo que por telefone ou outro meio de comunicação); e entre ausentes (a 
proposta e a aceitação não se dão em tempo real). 
 
CONTRATOS EM GERAL 
Em razão do princípio da relatividade de seus efeitos, o contrato, em regra, só atinge 
as partes, ou seja, apenas quem é parte pode ter direitos e deveres que dele 
decorrem. Todavia, há três contratos em que um terceiro é por ele atingido, vez que 
terão direitos e deveres decorrentes de um contrato que não celebraram 
originariamente: 
a)Estipulação em favor de terceiro: um dos contratantes determina que a prestação 
seja cumprida em benefício de um terceiro. 
b)Promessa de fato de terceiro: um dos contratantes promete que um terceiro 
cumprirá a prestação em favor do outro. 
c)Contrato com pessoa a declarar: um dos contratantes pode indicar uma pessoa 
que assumirá sua posição no contrato. 
 
O Código Civil de 2002 procurou estabelecer o cumprimento do princípio da função 
social do contrato (art. 421), devendo ser observado sempre no momento da 
aplicação do contrato. Portanto a liberdade das partes para contratar deverá ser 
exercida dentro dos limites da função social do contrato. Além disso, a conduta das 
partes deve estar pautada nos princípios da probidade e da boa-fé (art. 422). 
No que se refere ao contrato de adesão, o Código estabeleceu que, quando houver 
cláusulas ambíguas ou contraditórias, dever-se-á adotar a interpretação mais 
favorável ao aderente (art. 423). Ademais, são nulas as cláusulas que estipulem a 
renúncia antecipada do aderente a direito resultante da natureza do negócio (art. 
424). 
 
INTERPRETAÇÃO 
A interpretação dos contratos consiste em traduzir, exatamente, a vontade das 
partes. 
A tradução do contrato pode ocorrer sob duas formas: declaratória (intuito de 
descobrir a real intenção das partes contratantes no momento da celebração 
contratual); e construtiva (quando a finalidade é preencher as lacunas existentes no 
contrato). 
 
EXTINÇÃO DOS CONTRATOS 
Extinção do contrato é o fim de sua existência, sua morte, seu desaparecimento do 
mundo jurídico. Extinção é o gênero, a expressão mais ampla para o fim do contrato, 
seja pela causa que for, que contempla várias espécies. 
A inexecução pode causar três tipos de extinção do contrato: 
•Resilição: extinção do contrato por vontade de um ou ambos os contratantes, sem 
qualquer razão jurídica para tanto. 
•Resolução: extinção do contrato pelo inadimplemento de uma das partes, 
legitimando a outra a pedir sua resolução. 
•Rescisão: alguns autores mencionam rescisão como uma espécie de resolução do 
contrato, significando a resolução culposa ou voluntária, ou seja, quando o contrato 
é extinto por inadimplemento culposo do outro contratante. A jurisprudência 
brasileira (teoria pragmática) entende que rescisão tem o mesmo conceito de 
resolução. 
 
DISPOSIÇÕES ESPECIAIS 
•Exceção do contrato não cumprido: é a defesa processual adequada para que uma 
das partes oponha à outra, caso esta esteja exigindo prestação sem ter realizado a 
sua parte. 
•Cláusula solve et repete: estabelecida num contrato com o objetivo de impossibilitar 
a alegação do não cumprimento da outra parte em matéria de defesa, sendo que o 
mesmo só poderá reclamar desta em outra ação, visando, assim, ao pagamento ao 
credor sem outra oposição. 
 
VÍCIOS REDIBITÓRIOS 
Consistem em defeitos ocultos que tornam o bem impróprio para o uso a que 
habitualmente se destina ou que lhe diminuem o valor. 
Os prazos decadenciais para reclamar são (art. 445): trinta dias para bens móveis e 
um ano para imóveis da data da entrega, ou, se já estava na posse do bem, da 
alienação reduz pela metade o prazo. Quando, por sua própria natureza, o vício só 
puder ser conhecido posteriormente, conta-se, do momento em que tiver ciência, 
cento e oitenta dias para móveis e um ano para imóveis. 
 
 
EVICÇÃO 
A evicção, prevista como garantia legal do adquirente, ocorre quando o adquirente 
vem a perder a posse ou a propriedade da coisa, em virtude do reconhecimento 
judicial ou administrativo do direito anterior de terceiro. 
•Compra e venda: um dos contratantes se obriga a transferir o domínio de certa 
coisa, e o outro, a pagar-lhe certo preço em dinheiro. 
•Troca ou permuta: as partes pactuam suas obrigações, remu-nerando-se, por meio 
da compensação dos ofícios estabelecidos por cada uma delas. 
•Contrato estimatório: pode ser chamado também de venda em consignação. Sua 
finalidade é vender, em nome próprio, bens móveis de propriedade de terceiros. 
 
•Doação: uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou 
vantagens para o de outra. 
 
CONTRATOS EM ESPÉCIE 
•Locação de coisas: o locador cede ao locatário determinado bem, objetivando que o 
mesmo use e goze da coisa de forma contínua e temporária, mediante o pagamento 
de aluguel. 
•Comodato: é o empréstimo gratuito de coisas não fungíveis. 
•Mútuo: é o empréstimo de coisas fungíveis. 
•Prestação de serviços: o Código Civil rege toda espécie de serviço ou trabalho 
lícito, material ou imaterial que pode ser contratada mediante retribuição, e que não 
esteja sujeita às leis trabalhistas ou à lei especial. 
•Empreitada: o empreiteiro se obriga, sem subordinação ou dependência, a realizar 
pessoalmente ou porterceiros determinada obra para o dono ou para o empreiteiro 
contratado, com material próprio ou fornecido pelo dono da obra, mediante 
remuneração determinada ou proporcional ao trabalho executado. 
•Depósito: o depositário recebe um objeto móvel para guardar até que o depositante 
o reclame. 
•Mandato: quando alguém recebe de outrem poderes para, em seu nome, praticar 
atos ou administrar interesses, sendo a procuração o seu instrumento. 
•Fiança: garantia fidejussória em que um terceiro (fiador) passa a garantir 
pessoalmente perante o credor a dívida do devedor com seu patrimônio, tendo 
dessa forma uma responsabilidade sem débito. 
•Seguro: o segurador se obriga, mediante o pagamento do prêmio, a garantir o 
interesse legítimo do segurado, relativo a pessoa ou a coisa, contra riscos 
predeterminados. 
ATOS UNILATERAIS 
Os atos unilaterais correspondem a declarações de vontade proferidas de maneira 
unilateral, consistindo em verdadeiras fontes de obrigações: 
•Promessa de recompensa: aquele em que o promitente fica obrigado a cumprir com 
aquilo que declarou publicamente. 
•Gestão de negócios: ocorre quando uma pessoa, sem autorização do interessado, 
intervém na administração de um empreendimento, dirigindo segundo o interesse e 
a vontade presumível de seu dono. 
•Pagamento indevido: espécie do enriquecimento sem causa, posto que quem 
receber valor que não era devido, gerará a obrigação de restituir aquilo que recebeu. 
•Enriquecimento sem causa: configura-se quando alguém aproveita de coisa alheia, 
aumentando o seu patrimônio em detrimento de outrem, ou se beneficia de alguma 
vantagem indevidamente.

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