Prévia do material em texto
HM VIII Thais M. Souto Procedimentos de Emergencia Envolvendo Acessos Vasculares • Procedimentos de emergência envolvendo acessos vasculares • Acesso venoso central guiado por USG Os procedimentos de emergência envolvendo acessos vasculares são essenciais para garantir a administração rápida de medicamentos, fluidos e sangue em situações críticas. Esses acessos são frequentemente necessários em cenários como choque, parada cardíaca, trauma e outros estados de emergência. Os acessos vasculares são procedimentos que permitem e facilitam diversas formas de tratamentos aos doentes, desde administração de medicamentos até a realização de nutrição. O acesso vascular pode ser dividido de várias maneiras: • Quanto ao sítio do acesso: periféricos ou centrais; • A estrutura vascular: artéria ou veia; • Topografia do vaso: superficial ou profundo; • Via de acesso: punção ou dissecção. Acesso Venoso Periferico É a primeira opção para infusão rápida de medicamentos e fluidos. ➔Procedimento: Indicação: Situações de emergência com necessidade imediata de administração de fluidos ou medicamentos. Locais mais comuns: Veias dos membros superiores (antebraço, mão) e inferiores (dorso do pé em situações específicas). Materiais: Cateter intravenoso (calibre 14-18G para infusão rápida), compressas, antisséptico, torniquete. ➔Técnica: • Assepsia e antissepsia do local da punção. • Escolha da veia periférica. • Introdução do cateter no vaso e conexão ao sistema de infusão. • Fixação adequada do cateter para prevenir deslocamento. Indicação em Emergência: • Parada cardíaca. • Choque hipovolêmico ou séptico. • Administração de medicamentos de emergência, como adrenalina, antiarrítmicos ou sedativos. Complicações: Acesso venoso periférico: Flebite, extravasamento de medicamentos, infecção. Acesso Venoso Central O acesso venoso central é definido como colocação de um cateter com a sua extremidade posicionada na veia cava superior ou no átrio direito. Indicado em casos onde o acesso periférico é inadequado ou impossível, ou quando há necessidade de administração de grandes volumes de fluidos ou drogas vasoativas. O cateterismo venoso central é realizado utilizando uma técnica chamada de Técnica de Seldinger, que consiste em puncionar a veia central com uma agulha longa, de pequeno calibre, por dentro da qual avança-se um fio-guia. Com o fio-guia na posição adequada, um dispositivo de dilatação venosa é introduzido vestindo o mesmo. A seguir, o cateter é passado vestindo o fio-guia até a posição desejada. ➔INDICAÇÕES: Acesso venoso periférico impossível ou insuficiente, administração de medicamentos irritantes, monitorização hemodinâmica. ➔CLASSIFICAÇÃO DOS CATETERES VENOSOS CENTRAIS: Sabe-se que existem 03 tipos de cateteres venosos centrais: cateter venoso central inserido perifericamente (CVCIP); cateter venoso central de longa permanência (tunelizado) e o cateter venoso central temporário (não tunelizado). HM VIII Thais M. Souto ➔Podemos dizer que uma das principais vantagens da realização desse procedimento é o fato de ela permitir a inserção de cateteres de grosso calibre e/ou de múltiplos lumens. Além disso, essa técnica é relativamente segura, com menores riscos de complicações imediatas, visto que o vaso é puncionado com uma agulha de calibre relativamente pequeno. • Monitorização hemodinâmica invasiva (pressão venosa central, pressão de artéria pulmonar, débito cardíaco por termodiluição); • Acesso vascular para a infusão de soluções cáusticas, irritantes ou hiperosmóticas; • Terapêutica substitutiva renal de urgência (hemofiltração, hemodiálise); acesso vascular de longo prazo para nutrição; • Parenteral prolongada ou quimioterapia; • Reposição rápida de fluidos ou sangue no trauma ou cirurgia; • Estimulação cardíaca artificial temporária; • Acesso venoso em pacientes com veias periféricas ruins. ➔A técnica de Seldinger também tem desvantagens. A principal delas é que o custo é mais alto quando comparado com o de outros métodos. ➔Locais mais comuns: 1. Veia jugular interna. 2. Veia subclávia. 3. Veia femoral. Materiais: Cateter central, kit de punção venosa central (agulha, fio-guia, dilatador, cateter), ultrassom (se disponível), antisséptico, compressas. Técnica: Posição do paciente: Trendelemburg (exceto em veia femoral). • Identificação da veia (se possível, com ultrassom). • Punção do vaso com agulha e passagem do fio-guia (técnica de Seldinger). Caso haja alguma alteração no ritmo cardíaco do paciente durante o procedimento, puxe o fio-guia de volta até que o ritmo se normalize. • Dilatação da pele e tecido subcutâneo. • Inserção do cateter central sobre o fio-guia. • Fixação e confirmação do posicionamento com radiografia (no caso de acesso subclávio ou jugular). ➔SÍTIOS DE PUNÇÃO: VEIA JUGULAR INTERNA Inicialmente, posiciona-se o paciente em decúbito dorsal horizontal com a cabeça para baixo a 30º, em posição de Trendelenburg, com coxim abaixo das escápulas, deixando a cabeça levemente estendida e rodada para lado oposto ao da punção. O local de referência é o triângulo de Sedillot, formado em sua base pela clavícula e lateralmente pelas porções esternal e clavicular do músculo esternocleidomastoideo. Direcione a ponta da agulha para o mamilo ipsilateral com angulação de 30º a 45º com a pele. → Dá-se preferência ao lado direito, pois as complicações como pneumotórax, hemotórax e quilotórax são mais frequentes após tentativas de punção do lado esquerdo. VANTAGENS: Boa visualização do ultrassom, acesso fácil e rápido; DESVANTAGENS: Mais risco de infecção e trombose (em relação a subclávia), além de risco de lesão carotídea; CONTRAINDICAÇÕES: Discrasias sanguíneas, uso recente de trombolíticos, endarterectomia de carótida ipsolateral. HM VIII Thais M. Souto VEIA SUBCLÁVIA Essa é a via de acesso considerada como a mais cômoda para o paciente, e tem uma taxa de sucesso em cerca de 95%. É o sítio de punção que tem a menor taxa de infecção e de trombose, porém, é o com maior risco de pneumotórax e complicações hemorrágicas. Possui dois tipos de abordagem, que são: • Infraclavicular: o local da punção está de 2 – 3cm lateral ao ponto médio da clavícula e a agulha deve ser direcionada para a fúrcula esternal, margeando a face posterior da clavícula; • Supraclavicular: o local de punção deve ser na borda lateral do ramo clavicular do esternocleidomastoideo, na margem superior da clavícula, em direção à fúrcula esternal. VANTAGENS: Menor risco de infecção e confortável para o paciente DESVANTAGENS: Mais risco de pneumotórax, difícil visualização por ultrassom CONTRAINDICAÇÕES: Discrasias sanguíneas, infecção ou queimadura, uso recente de trombolíticos VEIA FEMORAL A punção da veia femoral deve ser considerada uma via de exceção, pois possui altas taxas de infecção e trombose venosa profunda. A sua principal indicação é a rápida obtenção do acesso em pacientes instáveis hemodinamicamente, podendo ser realizada até durante uma reanimação cardiorrespiratória. A punção dessa veia consiste na palpação da artéria femoral na região inguinal e punção da veia femoral medialmente ao pulso femoral, cerca de 1 – 2 cm abaixo da prega inguinal. A veia femoral está localizada na virilha, medial às artérias femorais e ao nervo femoral, e pode ser palpada no triângulo femoral. VANTAGENS: Maior facilidade em anatomia complicada DESVANTAGENS: Maior risco de TVP, infecção e desconforto do paciente. HM VIII Thais M. Souto PROCEDIMENTO GUIADO POR ULTRASSONOGRAFIA: Vários estudos têm mostrado o aumento na taxa de sucesso no acesso venoso central guiado pelo ultrassom e também uma diminuição nos números de complicações. Na imagem ultrassonográfica tanto a veia quanto a artéria são anecoicas, mas a veia é muito maiscompressível do que a artéria, por isso, ao realizar uma leve compressão na pele com o transdutor, será possível identificar qual vaso é a veia. Benefícios do Acesso Guiado por Ultrassom: • Visualização em tempo real das estruturas anatômicas. • Redução de complicações como perfuração arterial, pneumotórax e hematomas. • Maior taxa de sucesso na primeira tentativa. • Possibilita o acesso em pacientes com anatomia difícil, como aqueles com veias colapsadas por hipovolemia ou choque. • Redução do tempo de procedimento ➔Complicações Potenciais: Acesso venoso central: Pneumotórax (na punção subclávia ou jugular), hematoma, Trombose na veia alvo. Infecção do sítio de punção. TÉCNICA DE INSERÇÃO DO ACESSO ➔Preparação do Paciente e do Equipamento • Explicação e Consentimento: Explique o procedimento ao paciente e obtenha o consentimento informado. • Posição do Paciente: Coloque o paciente em posição supina (decúbito dorsal) com a cabeça levemente inclinada para o lado oposto ao da inserção, especialmente no acesso jugular ou subclávio. No acesso femoral, mantenha a perna contínua e em posição neutra. • Assepsia: Realizar uma antissepsia ampla da pele com solução antisséptica (ex.: clorexidina) e cobrir a área com campos estéreis. • Paramentação: Vista gorro, máscara, avental e luvas estéreis. ➔Escolha e Preparação do Local de Inserção • Identifique uma veia a ser puncionada (jugular interna, subclávia ou femoral). • Utilize a ultrassonografia, se disponível, para localizar a veia e aumentar a segurança do procedimento. • Infiltre o local com anestésico local (ex.: lidocaína 1-2%) para diminuir o desconforto do paciente. ➔Inserção da Agulha • Inserção: Com uma seringa conectada à agulha de punção, insira a agulha no local de inserção direcionando-a para a veia. • Aspiração: Aspire suavemente ao avançar a agulha. A confirmação de que a agulha está dentro da veia ocorre quando se observa o retorno de sangue na seringa. • Retirada da Seringa: Mantenha a agulha no lugar e remova-a cuidadosamente, garantindo que o sangue flua da agulha, deixando a permanência dentro do vaso. ➔Inserção do Fio-Guia (Técnica de Seldinger) • Introdução do Fio-Guia: Insira o fio-guia através das agulhas com peculiaridades. Deve-se evitar resistência ao avanço, o que indica mau posicionamento. • Retirada da Agulha: Retire a agulha mantendo o fio-guia no lugar. • Confirmação: Certifique-se de que o fio-guia está posicionado com segurança dentro da veia, sem resistência. ➔Dilatação do Orifício de Inserção • Uso do Dilatador: Introduza o dilatador sobre o fio-guia para expandir as aberturas da pele e facilitar a passagem do cateter. Isso pode causar leve desconforto ao paciente. • Retirada do Dilatador: Remova o dilatador cuidadosamente enquanto mantém o fio-guia no lugar. ➔ Inserção do Cateter • Posicionamento do Cateter: Passe o cateter central sobre o fio-guia até que ele entre completamente na veia. HM VIII Thais M. Souto • Remoção do Fio-Guia: Após posicionar o cateter, remova o fio-guia suavemente, deixando apenas o cateter na veia. ➔Fixação e Confirmação • Aspiração e Lavagem: Conecte seringas às vias do cateter para aspirar o sangue e, em seguida, lave com solução salina para confirmar a permeabilidade do acesso. • Fixação do Cateter: Fixe o cateter à pele com pontos de sutura para evitar deslocamento. • Curativo Estéril: Aplique um curativo estéril no local da inserção para reduzir o risco de infecção. ➔Confirmação Radiológica (Acesso Jugular e Subclávio) • Radiografia de Tórax: Solicite uma radiografia para confirmar a posição correta do cateter na veia cava superior e para verificar possíveis complicações, como pneumotórax.