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Mitocôndrias A presença do núcleo e de organelas delimitadas por membranas é uma característica apenas das células eucarióticas. Células eucarióticas são 10x maiores em dimensão linear e até 1000x maiores em volume. Os 3 principais domínios (bacteria, archaea e eucariotas) são derivados de um último ancestral comum conhecido como LUCA. Células eucarióticas contemporâneas podem ter evoluído de uma simbiose. Acredita-se que a parceria entre uma célula predadora anaeróbia primitiva e uma célula bacteriana aeróbia foi estabelecida há bilhões de anos. A teoria endossimbiótica estabelece que os ancestrais das mitocôndrias eram organismos procarióticos independentes, que conseguiam produzir energia a partir do oxigênio. Essas células teriam sido fagocitadas por precursores anaeróbios de células eucarióticas, que forneciam a elas nutrientes necessários para maior produção aeróbica de energia. Essas células procarióticas perderam evolutivamente parte de seu material genético e não sobrevivem livremente. Essa teoria também se aplica à origem dos cloroplastos, cujos ancestrais eram células procariontes fotossintéticas em vez de aeróbias. Todas as eucariotas contêm (ou em algum tempo contiveram) mitocôndrias; organelas envoltas por camada dupla de membrana responsáveis por usar a energia de oxidação da glicose para produzir ATP e, portanto, fornecer energia à célula. O estilo de vida predatório que deu origem às células eucarióticas atuais requer que a célula seja grande, com membrana plasmática flexível e citoesqueleto elaborado e proteção interna do DNA. Embora não possam sobreviver livremente, as mitocôndrias possuem DNA próprio e ribossomos. Quando seu DNA foi sequenciado, descobriu-se que seu material genético é degenerado; são versões curtas de genoma bacteriano. A mitocôndria é uma organela de forma arredondada ou alongada com diâmetro de 0,5 a 1,0 μm e comprimento de 0,5 a 10μm. Sua forma e sua posição não são fixas, por serem influenciadas pela disposição do citoesqueleto. As mitocôndrias costumam estar associadas ao citoesqueleto microtubular. As mitocôndrias são de constituição lipoproteica e contêm também pequena quantidade de DNA e as três variedades de RNA. A maior parte de seus lipídios é formada por fosfolipídios, sendo o restante constituído por triacilglicerídeos e colesterol; as proteínas são, em maior parte, enzimas, das quais se conhece mais de 70 tipos. As mitocôndrias possuem uma membrana externa e uma interna, com funções e propriedades distintas. A membrana interna delimita a chamada matriz mitocondrial e é bastante enovelada, formando invaginações chamadas de cristas, que contêm em suas membranas proteínas da cadeia transportadora de elétrons. Onde as membranas das cristas se unem às membranas de limite interno formam-se tubos e fendas, conhecidos como junções das cristas. Assim como a membrana externa de bactérias, a membrana externa mitocondrial é livremente permeável a íons e moléculas pequenas; isso ocorre por apresentar muitas moléculas chamadas de porinas. Porinas são proteínas de membrana do tipo barril e criam poros na membrana. Como consequência, o espaço entre membranas tem a mesma composição iônica e eletroquímica do citoplasma. Diferente da membrana externa, a membrana interna é uma barreira para a difusão de íons e moléculas pequenas. Entretanto, alguns íons selecionados (principalmente fosfatos), assim como grupos metabólicos essenciais, podem atravessar essas membranas por intermédio de proteínas transportadoras especiais. A membrana é altamente diferenciada, ou seja, apresenta grupos específicos de proteínas em regiões específicas, conforme suas necessidades funcionais. Enquanto a membrana de limite interno apresenta maquinaria para importar proteínas, novas inserções de membrana e montagem de complexo da cadeia respiratória, as cristas contêm uma enzima chamada ATPsintase e grandes complexos proteicos das cadeias respiratórias. A cardiolipina é um fosfolipídio de duas cabeças restrito à membrana mitocondrial interna, onde ela também é produzida. A membrana interna da mitocôndria apresenta invaginações, formando cristas que aumentam muito sua superfície. Na sua superfície interna existem minúsculas partículas em forma de raquete, que são corpúsculos elementares onde se gera ATP e calor. A função da mitocôndria é a geração de energia através da respiração celular, em que se oxida moléculas geralmente derivadas da glicose presente no citoplasma e se converte a energia gerada dessa oxidação para a formação de moléculas carreadoras de energia, como o ATP. Para que a célula seja essa “indústria de reações químicas”, é necessária a participação de catalisadores (enzimas), que ajudam a acelerar os processos que ocorrem dentro da célula. As reações catalisadas por enzima são conectadas em série, formando uma rede de reações interconectadas, que podem ser definidas como metabolismo celular. O movimento em direção da desordem sempre é favorecido termodinamicamente, ou seja, requer energia para que se mantenha a organização. A entropia de um sistema isolado nunca diminui: ela aumenta ou se mantém constante. As células usam a energia do ambiente para manter sua organização interna. O calor é liberado no ambiente, desorganizando-o; o resultado total da entropia é, portanto, aumentado. Esse calor liberado vem da conversão da energia que ocorre no interior da célula através da queima controlada de alimentos. A oxidação e a redução envolvem a transferência de elétrons (oxidação quando se remove e redução quando se adiciona). O átomo mais eletronegativo fica com carga parcial negativa (maior concentração de elétrons). A energia das células está armazenada nas ligações químicas entre os fosfatos do ATP (ligações de alta energia) e pode ser facilmente utilizada. Uma pessoa média consome cerca de 50kg de ATP por dia enquanto atletas podem chegar a consumir centenas de quilogramas da molécula produzida principalmente pelasmitocôndrias. As mitocôndrias produzem ATP através de um processo chamado fosforilação oxidativa, em que açúcares consumidos são oxidados; os cloroplastos, por sua vez, o fazem por meio da fotossíntese. Ambos apresentam vastos sistemas de membranas, com complexos de proteínas fundamentais para a produção de energia. Células bacterianas apresentam esses complexos responsáveis pela produção de ATP em sua membrana plasmática. A maioria das suas proteínas são codificadas no núcleo da célula e importadas diretamente para o sítio específico da organela onde, por fim, desempenham sua função. As mitocôndrias captam a energia depositada nas ligações covalentes das moléculas dos alimentos e transferem para o ADP. Uma vez formado, o ATP sai da mitocôndria e se difunde pela célula, de modo que sua energia possa ser utilizada para as distintas atividades celulares. Quando a energia do ATP é removida, o ADP é reconstituído e reingressa nas mitocôndrias para receber uma nova “carga” de energia. A energia das moléculas alimentícias é extraída mediante oxidações; quando os alimentos são ingeridos, seus polissacarídeos, lipídios e proteínas são divididos em moléculas cada vez menores pela ação de uma grande variedade de enzimas. São estabelecidas verdadeiras cadeias metabólicas degradativas que, nas primeiras etapas, são distintas para cada tipo de alimento, mas nas etapas finais confluem em uma via metabólica comum. A cisão enzimática dos alimentos em três cenários orgânicos: o tubo digestório, o citosol e a mitocôndria. Toda oxidação de um átomo ou molécula está ligada à redução de outro átomo ou moléculas. Durante o processamento dos alimentos, em algumas reações de oxidação e redução, há intervenção de duas moléculas intermediárias importantes: as coenzimas NAD e FAD. Em sua forma oxidada, a coenzima NAD é representada pela sigla NAD+ e, em sua forma reduzida, NADH. A FAD é representada pelas siglas FAD e FADH2, respectivamente. A teoria quimiosmótica descreve a criação de um gradiente de concentração de prótons na membrana mitocondrial através do fluxo de elétrons por carreadores. A quebra desse gradiente está acoplada à síntese de ATP. Quando os prótons fluem a favor de seu gradiente eletroquímico por meio de uma elaborada máquina proteica da membrana (ATPsintase), a energia derivada dos alimentos consumidos é então convertida em moléculas de ATP. A respiração celular, processo através do qual moléculas orgânicas são oxidadas para que se forme ATP, ocorre em três etapas básicas: a glicólise, o ciclo de Krebs (ciclo do ácido cítrico) e a fosforilação oxidativa. No final da respiração celular há um saldo positivo total de 30 ou 32 moléculas de ATP, sem 2 da glicólise, 2 do ciclo de Krebs e 26 ou 28 da fosforilação oxidativa. A glicólise é uma etapa anaeróbia da respiração celular que ocorre no citosol e envolve dez reações químicas diferentes, responsáveis pela quebra de uma molécula de glicose (C 6 H 12 O 6 ) em duas moléculas de ácido pirúvico (C 3 H 4 O 3 ). O processo inicia-se com a adição de dois fosfatos, provenientes de duas moléculas de ATP, a uma molécula de glicose, promovendo sua ativação. Essa molécula torna-se instável e quebra-se facilmente com ácido pirúvico; com a quebra, ocorre a produção de 4 moléculas de ATP (como duas moléculas foram gastas, o saldo positivo é de 2 ATP). Dois dos quatro H+ liberados e os quatro elétrons são capturados por moléculas de NAD+, produzindo moléculas de NADH. O ciclo de Krebs , etapa aeróbia que se inicia após a glicólise ocorre no interior das mitocôndrias e inicia-se com o transporte do piruvato (ácido pirúvico) para a matriz mitocondrial. Na matriz, o piruvato reage com a coenzima A (CoA) produzindo uma molécula de acetil-CoA e uma de gás carbônico. Durante esse processo, uma molécula de NAD+ é transformada em uma de NADH em razão da captura de dois elétrons e um dos hidrogênios que foram liberados na reação. A molécula de acetil-CoA sofre oxidação e dá origem a duas moléculas de gás carbônico e uma molécula intacta de coenzima A. A última etapa da respiração celular, a fosforilação oxidativa , também ocorre nas mitocôndrias (mais precisamente, nas cristas mitocondriais). Nessa etapa o ATP é produzido a partir da adição de fosfato ao ADP (fosforilação). A maior parte da produção de ATP ocorre nessa etapa, na qual acontece a reoxidação das moléculas de NADH e FADH2. Nas cristas mitocondriais são encontradas proteínas que estão dispostas em sequência, as chamadas cadeias transportadoras de elétrons ou cadeias respiratórias. Nessas cadeias ocorre a condução dos elétrons presentes no NADH e no FADH2 até o oxigênio. As proteínas responsáveis por transferir os elétrons são chamadas de citocromos. O DNA mitocondrial, localizado na matriz, possui genoma haplóide. 99,99% do DNA mitocondrial é de origem materna, não havendo recombinação (se acredita que as poucas mitocôndrias presentes no espermatozóide são destruídas pelo gameta feminino após a fecundação).