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ECONOMIA E FINANÇAS AULA 6 Prof. Liezer Veloso 2 CONVERSA INICIAL Esta etapa apresenta um pouco mais sobre alguns conceitos e ferramentas essenciais para a gestão financeira das empresas. Você percebeu que o tema finanças não é tão complexo e chato, pois apresenta muitos pontos relacionados diretamente com nossa vida, como preço de compra e venda, entradas e saídas de dinheiro, gastos para produzir – tudo isso considerando também a economia. Aprenderemos também sobre planejamento financeiro, orçamento, ferramentas que as empresas utilizam para projetar e monitorar cenários desejados para atingir metas e objetivos. Além disso, ampliaremos o entendimento de forma micro, compreendendo fatores como orçamento de caixa, orçamento operacional e orçamento de capital. TOP – PLANEJAMENTO FINANCEIRO E ORÇAMENTÁRIO Você viajaria para um lugar sem antes planejar os recursos necessários, e até sem saber o destino, aplicando na prática aquele ditado sair sem rumo? Alimentação, hospedagem, transporte e tempo despendido são itens que devem ser pensados antes de dar os primeiros passos, você não acha? O planejamento é vital para tomar decisões pessoais, e nas empresas é requisito básico para qualquer gestor, porque saber planejar possibilita trilhar caminhos mais fáceis ou criar estratégias e planos que viabilizam o resultado. Segundo Cherobim, Jr. Lemes e Rigo (2018, p. 126), “Planejamento é o processo que identifica metas e objetivos que se quer alcançar, fórmula planos detalhados, produz estratégias e organiza meios para atingi-los. [...] é um processo que estabelece políticas e diretrizes para orientar a empresa na busca de seus objetivos estratégicos”. Alcançar maior participação de mercado, ampliar o portfólio de seus produtos, adentrar em outro segmento de mercado, expandir ou reduzir operações, ampliar a geração de lucros e caixa são alguns objetivos empresariais, os quais precisam ser atrelados a metas (prazos, números, percentuais) que possam apresentar o caminho a ser percorrido pela empresa. As estratégias são os meios essenciais para que os objetivos se tornem reais no período estipulado. 3 Para tanto, recursos precisam ser alocados em atividades e processos da empresa, de forma que contribuam com o alcance das metas e dos objetivos. O planejamento financeiro, portanto, é essencial para que a empresa tenha ideia dos desafios que seu caixa, suas operações e as demonstrações contábeis (BP, DRE e DFC) terão ao final do período orçado. Normalmente, as empresas efetuam um planejamento de curto prazo, abrangendo 12 meses. Para o longo prazo, olhando um horizonte maior, o plano de estende de 2 a 5 anos. Em ambos os casos, aspectos econômicos (variação da moeda, emprego e desemprego, inflação, taxas de juros etc.) precisam ser observados cuidadosamente. Tais condições são chamadas de cenário orçamentário e, falando metaforicamente, são o palco em que a empresa desenhará seu espetáculo. Compare um show de rock com uma festa junina; os dois eventos exigem atuações e posicionamentos diferentes. Os cenários podem ser construídos sobre três prismas: pessimista, provável e otimista. No primeiro, a empresa imagina as piores situações para seu produto e a economia. No segundo, aborda aspectos normais, conhecidos e prováveis, que podem estar relacionados a seu portfólio e à situação econômica. O terceiro e último cenário considera as melhores oportunidades e as condições mais benéficas e perfeitas de mercado e economia para a empresa. As organizações que conseguem criar esses três cenários têm maior probabilidade de elaborar um planejamento mais coerente e detentor de planos flexíveis, os quais podem se adaptar e trazer uma projeção mais realista. Diante desses cenários, Pereira Jr. et al... sugerem que a empresa visualize o plano financeiro sobre algumas bases (premissas). Quadro 1 – Premissas do plano financeiro • Examinar interações: ser transparente nos vínculos entre as propostas de investimento das diferentes atividades operacionais da empresa e as opções de financiamento disponíveis. • Explorar opções: oferecer à empresa a oportunidade de desenvolver, analisar e comparar muitos cenários diferentes de modo coerente. • Evitar surpresas: num cenário pessimista, e até no otimista, é preciso apresentar alternativas de ataque caso um ou outro aconteça, ou seja, oferecer caminhos sobre quais medidas serão adotadas se as coisas saírem muito errado ou melhores do que se imaginava. • Assegurar capacidade de realização e consistência interna: ter a vertente de conferir se objetivos e planos elaborados para as principais áreas – de produção, comercial, de pessoas ou financeira – de uma empresa são possíveis e internamente consistentes. Caso aconteçam conflitos entre objetivos e metas, essa é a hora de reajustes e melhorias no plano financeiro. Fonte: Pereira Jr., et al., 2020, p. 120-129. 4 As recomendações do Quadro 1 mostram que o plano precisa ter coerência, clareza e objetividade, trazendo à tona os desafios financeiros, econômicos e operacionais que a organização enfrentará durante o curso, e como ela poderá conquistar os valores idealizados (metas e objetivos). O planejamento financeiro pode ser elaborado de três formas: orçamento de caixa; orçamento operacional (ambos no curto prazo – 12 meses); e orçamento de capital (de longo prazo). A junção desses orçamentos permite que a empresa visualize resultados e desafios para toda sua estrutura. Aspectos como vendas, produção, investimentos, fontes de financiamentos, resultados financeiros (caixa) e econômicos (lucros) podem ser verificados. Observe, a seguir, um pouco mais das características de cada um. Quadro 2 – Tipos de orçamentos Fonte: Cherobim, Jr.; Lemes; Rigo, 2018, p. 126. • Demonstra entradas e saídas de caixa projetadas, possibilitando ao administrador financeiro visualizar momentos em que haverá superávits e déficits. Normalmente, é projetado para um ano, aberto em 12 meses, o primeiro mês aberto em semanas, e a primeira semana aberta em dias. Orçamento de Caixa • Trabalha com projeções de receitas, custos, despesas, lucros ou prejuízos, independente da movimentação do caixa, ou seja, o orçamento operacional considera o regime de competência. São comumente utilizados os termos: budget, para orçamento operacional; forecast, para orçamento ajustado; rolling, para orçamento contínuo (caracterizado pela grande flexibilidade). Orçamento Operacional • Considera propostas de investimento de capital, taxa interna de retorno, custo de capital e montante de recursos que a empresa deseja investir; é revisado constantemente em função das mudanças no ambiente de negócios. O horizonte de planejamento varia de empresa para empresa, e a ausência do orçamento de capital ou sua execução inadequada é uma razão citada com frequência para a ocorrência de dificuldades financeiras e falência de empresas. Orçamento de Capital 5 ROLÊ 1 – ORÇAMENTO DE CAIXA O gestor financeiro necessita obter informações acerca do potencial de pagamento da empresa, identificando momentos de sobras e faltas de dinheiro no caixa, além de ser responsável por encontrar indicadores de liquidez, calcular a necessidade do capital de giro e programar pagamentos em consonância aos recebimentos. Você conhece conceitos, ferramentas e controles que auxiliam o gestor financeiro na execução e no monitoramento da gestão financeira da empresa? Por meio do orçamento de caixa é possível avaliar se haverá necessidade de adquirir capital de terceiros (bancos, credores) para suprir deficiências de caixa. Para tanto, a projeção do orçamento deve apresentar todas as entradas (recebimentos) e saídas (pagamentos) que irão compor o caixa no prazo orçado (projetado). Com a elaboração desse orçamento, os gestores dispõem de informações acerca do caixa, podendo obter dados diários,semanais ou mensais. Assim, as decisões são tomadas com base na movimentação daquele período. Quadro 3 – Finalidades e vantagens do orçamento de caixa • Projetar resultado financeiro das operações planejadas; • Indicar sobra ou falta de recursos; • Indicar necessidade de empréstimos ou disponibilidade de capital para investimento; • Identificar capital de giro total: vendas, investimentos e capital de terceiros; • Demonstrar o momento adequado para retiradas, sem acarretar problemas financeiros; • Possibilitar investimento das disponibilidades de caixa de modo mais racional e lucrativo; • Utilizar o caixa para aproveitar descontos, mediante pagamento antecipado de contas; • Viabilizar estimativa de saldos de caixa e de períodos em que eles irão ocorrer; • Possibilitar negociação antecipada de linhas de crédito para períodos de déficits, reduzindo riscos e custos de empréstimo. Fonte: Pereira Jr. et al., 2020, p. 120-129; Cherobim, Jr.; Lemes; Rigo, 2018, p. 126. 6 Quadro 4 – Exemplo de orçamento de caixa Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro 1. Saldo Inicial 80.000 25.000 25.000 25.000 25.000 25.000 2. Entradas 15.050 27.700 41.750 68.100 90.200 81.500 2.1 Recebimento das vendas 15.050 27.700 41.750 68.100 90.200 81.500 3. Saídas operacionais 44.000 70.000 88.000 49.000 25.000 25.000 3.1 Pagamento de compras 36.000 60.000 60.000 36.000 15.000 12.000 3.2 Despesas de vendas, administrativas e salários 5.000 5.000 5.000 5.000 5.000 5.000 3.3 Salários variáveis 1.000 3.000 6.000 60.000 3.000 1.000 3.4 Aluguéis 2.000 2.000 2.000 2.000 2.000 2.000 3.5 Dividendos 0 0 10.000 0 0 0 3.6 Impostos 0 0 5.000 0 0 5.000 4. Geração operacional (2-3) -28.950 -42.300 -46.250 19.100 65.200 56.500 5. Entradas não operacionais 0 52.300 56.250 0 0 0 5.1 Tomada de empréstimo 52.300 56.250 6. Saídas não operacionais 26.050 10.000 10.000 19.100 65.200 56.500 6.1 Aplicações financeiras 26.050 0 0 13.100 65.200 46.500 6.2 Aquisição equipamento construção 0 10.000 1.000 0 0 10.000 6.3 Juros semestrais 0 0 0 6.000 0 0 6.4 Amortização de empréstimo 0 0 0 0 0 0 7. Geração não operacional (5-6) -26.050 42.300 46.250 -19.100 -65.200 -56.500 8. Saldo Final do fluxo de caixa (1+4+7) 25.000 25.000 25.000 25.000 25.000 25.000 Fonte: Cherobim, Jr.; Lemes; Rigo, 2018, p. 126. O Quadro 4 demonstra de modo visual as vantagens apresentada no Quadro 3. Ele traz um exemplo do orçamento de caixa, no qual você pode analisar que a empresa só tem entradas de caixa oriundas de suas vendas (item 2. Entradas); não há descrição se trata-se de vendas à vista ou a prazo. Esses valores não são capazes de satisfazer as necessidades de caixa, pois foram menores que as saídas. Tal afirmação é certa ao observar o item 5.1 Tomada de empréstimo, feita em maio e junho para suprir o caixa. Observe agora o item 4. Geração operacional, em que os três primeiros meses não geraram caixa suficiente (necessidade de empréstimo) e os próximos três meses geraram caixa de sobra. É interessante avaliar mais a fundo porque nenhuma parcela do empréstimo foi amortizada (item 6.4 Amortização de empréstimo). Tal empréstimo foi utilizado para investir em aplicações financeiras, em maio, agosto, setembro e outubro, e em equipamentos (item 6.2 Aquisição equipamento construção), em junho e julho. É vital que as empresas façam o orçamento de caixa, de forma a evidenciar as reais necessidades, podendo antecipar ou postergar aquisições (investimentos) necessárias à produção e aos demais processos. Decisões 7 acerca de políticas de crédito e pagamentos podem ser alteradas, revistas e melhoradas, sempre objetivando a saúde financeira mais adequada aos moldes do que a empresa necessita. ROLÊ 2 – ORÇAMENTO OPERACIONAL O orçamento operacional procura demonstrar como objetivos e metas da empresa serão delineados dentro de seu escopo operacional, de forma direta, abrangendo receitas, custos e despesas. Esse orçamento pode ser elaborado mensalmente ou trimestralmente, e todos os gastos devem ser elencados e demonstrados de modo que evidenciem as medidas necessárias para atingir metas e objetivos. Seu enfoque é econômico e, ao contrário do orçamento de caixa, as projeções são feitas utilizando o regime de competência, isto é, entradas e saídas são registradas no mês em que são geradas. O regime de caixa contabiliza as movimentações considerando o momento do recebimento ou pagamento, independente de quando foram geradas. O Quadro 5 apresenta os vários planos que devem ser criados para que se tenha orçamento operacional. Basicamente, é preciso elencar todos os processos e atividades que irão gerar e consumir recursos. Esse orçamento poderá ser feito por unidade de negócio, por aspectos geográficos, por tipo de produto ou serviço e de forma global. 8 Quadro 5 – Orçamento Fonte: Cherobim, Jr.; Lemes; Rigo, 2018, p. 126. O orçamento de vendas apresenta a quantidade que será vendida de cada produto ou serviço prestado, o preço que será praticado e os impostos incidentes. Depois de elaborado, esse orçamento permite que os demais sejam projetados, pois serão de conhecimento a quantidade de vendas estimada, os estoques e a produção necessária para atender às demandas. Orçamento de produção, por sua vez, é projetado considerando a quantidade de vendas e os estoques iniciais e finais em cada período (orçamento de estoques). Ele identifica as necessidades de materiais direto, embalagens e matéria-prima para atender à produção (orçamento de materiais diretos). Quantidades e valores com esses gastos são importantes, pois impactam demandas de compras, estocagem e caixa. Gastos com mão de obra, salários, 13º salários, férias e encargos sociais (FGTS e INSS) devem compor a projeção da mão de obra direta. O orçamento de mão de obra direta mostra a quantidade de horas necessárias para atender à produção, sendo essencial para identificar o quadro de trabalhadores de cada área e os departamentos do processo produtivo. Já o orçamento dos custos indiretos de fabricação apresenta gastos da produção, como seguro da fábrica, mão de obra indireta, manutenção, 9 inspeções de qualidade e demais despesas que não podem ser alocadas diretamente em produtos. Há ainda o orçamento de despesas administrativas e de vendas, elaborado com o objetivo de elencar gastos necessários para obter receita e gerenciar a empresa como um todo. Ele deve contemplar despesas com gestão de RH, finanças, contabilidade, logística de distribuição, marketing e demais atividades administrativas. Os valores com despesas financeiras (juros, multas, mora, taxas bancárias) sobre empréstimos, financiamentos e credores também precisam constar, tendo a vista a relevância que têm nos resultados. Após levantar esses orçamentos, é possível elaborar o orçamento de caixa projetado, que demonstrará como o dinheiro será gerado e consumido. Por fim, são elaboradas as demonstrações do Balanço Patrimonial (BP), a demonstração do Resultado e Exercício (DRE) e os relatórios auxiliares. Esse orçamento normalmente é feito para 12 meses, período em que as empresas procuram observar as estratégias necessárias para alcançar suas metas e objetivos, permitindo que planos sejam estruturados em consonância com o cenário econômico e financeiro, necessário para atingir o resultado projetado. TRILHA 1 – EXEMPLO ORÇAMENTO OPERACIONAL Nesse tópico, vamos aprender como elaborar de forma prática um orçamento operacional (exceto demonstrações projetadas). Com isso, você compreenderá o impacto de cada valor gasto, cada unidade de vendas ou produção no resultado e nos sacrifícios da organização. No quadro 6 há variações nas unidades que serão vendidas e no preço de venda. O total das vendas apresenta a receita bruta total (faturamento) em cadatrimestre e no ano. 10 Quadro 6 – Orçamento de vendas Trimestrais Ano 1 2 3 4 Unidades 5.000 6.000 8.000 5.000 24.000 Preço de venda 0,50 0,90 0,70 0,95 0,7625 Total das vendas em $ 2.500 5.400 5.600 4.750 18.250 Fonte: Cherobim, Jr.; Lemes; Rigo, 2018, p. 126-140. O quadro 7 apresenta a produção necessária para atender ao plano de vendas. O estoque inicial diminui e o estoque final aumenta a produção. Observe que nos trimestres 1 e 2 a produção é maior do que as vendas; nos trimestres 3 e 4 ela é menor, devido aos estoques iniciais serem maiores. O equilíbrio na estocagem é vital, pois excessos acarretam gastos desnecessários, além de perda de vendas e de lucro. Quadro 7 – Orçamento de produção Trimestrais Ano 1 2 3 4 Vendas (quadro 6) 5.000 6.000 8.000 5.000 24.000 Estoque final desejado 300 500 150 100 100 Total necessário 5.300 6.500 8.150 5.100 24.100 Estoque inicial -100 -300 -500 -150 -100 Unidades a produzir 5.200 6.200 7.650 4.950 24.000 Fonte: Cherobim, Jr.; Lemes; Rigo, 2018, p. 126-140. O quadro 8 apresenta as quantidades que deverão ser compradas em cada trimestre e o valor gasto necessário. Assim, a empresa pode projetar suas compras e negociar datas de entrega e de pagamento junto aos credores. Quadro 8 – Orçamento de materiais diretos (OMD) Trimestrais Ano 1 2 3 4 Unidades a produzir (quadro 7) 5.200 6.200 7.650 4.950 24.000 Materiais diretos por unidades 20 20 20 20 20 Necessidade de produção 104.000 124.000 153.000 99.000 480.000 Estoque final desejado 10.000 10.000 7.000 7.000 7.000 Total necessário 114.000 134.000 160.000 106.000 487.000 Estoque inicial -7.000 -10.000 -10.000 -7.000 -7.000 Materiais diretos a adquirir 107.000 124.000 150.000 99.000 480.000 Custo por unidade 0,015 0,015 0,015 0,015 0,015 Total de compras 1.605 1.860 2.250 1.485 7.200 Fonte: Cherobim, Jr.; Lemes; Rigo, 2018, p. 126-140. 11 O custo com MOD (quadro 9), mostra o valor gasto para produzir cada unidade e também o valor total da mão de obra direta. No valor/hora, devem estar computados todos os encargos trabalhistas e sociais. Nesse orçamento, os gastos são detalhados, sendo apresentados por departamento, atividade, tempo gasto em cada estágio, valores unitários e totais. Quadro 9 – Orçamento de mão de obra direta (MOD) Trimestrais Ano 1 2 3 4 Unidades a produzir (quadro 7) 5.200 6.200 7.650 4.950 24.000 Tempo MOD unitário (horas) 0,0080 0,0080 0,0080 0,0080 0,0080 Total de horas – MOD 41,6 49,6 61,2 39,6 192,0 Custo MOD/hora ($) 12,00 12,00 12,00 12,00 12,00 Total do custo MOD ($) 499,20 595,20 734,40 475,20 2.304,00 Fonte: Cherobim, Jr.; Lemes; Rigo, 2018, p. 126-140. No quadro 10, estão os custos indiretos de fabricação; são gastos referentes à produção e não estão nos materiais diretos e na mão de obra direta. Geralmente, trata-se de despesas com água, energia elétrica, seguros, manutenção e higienização, por exemplo. O CIF variável ($) e o Valor CIF variável são encontrados dividindo o total gasto pela produção do período, ou pelas médias anteriores. Quadro 10 – Orçamento de custos indiretos de fabricação (CIF) Trimestrais Ano 1 2 3 4 Total de horas - MOD (quadro 9) 41,60 49,60 61,20 39,60 192,00 CIF variável (S) 7,00 7,00 7,00 7,00 7,00 Valor CIF variável 291,2 347,2 428,4 277,2 1.344,0 Valor CIF fixo (com depreciação) 200,00 200,00 200,00 200,00 800,00 Valor total CIF ($) 491,20 547,20 628,40 477,20 2.144,00 Fonte: Cherobim, Jr.; Lemes; Rigo, 2018, p. 126-140. O quadro 11 apresenta gastos variáveis das despesas administravas e com vendas. Esses gastos estão relacionados aos impostos incidentes nas vendas (PIS, Cofins, ICMS) e comissões. As despesas fixas equivalem aos gastos para gerenciar departamentos e a empresa como um todo. As despesas causam grande impacto no lucro; portanto, quanto menores forem, melhor. 12 Quadro 11 – Orçamento de despesas de vendas e administrativas Trimestrais Ano 1 2 3 4 Vendas Orçadas (quadro 6) 5.000 6.000 8.000 5.000 24.000 Despesas das variáveis adm. e vendas ($) 0,06 0,06 0,06 0,06 0,06 Total de despesas variáveis 300 360 480 300 1.440 Despesas fixas adm. e vendas ($) 1. Salários 50,00 50,00 50,00 50,00 200,00 2. Publicidade e propaganda 8,00 8,00 8,00 8,00 8,00 3. Taxa de fiscalização 10,00 0,00 0,00 0,00 0,00 4. Depreciação 12,00 12,00 12,00 12,00 48,00 Total de despesas fixas ($) 80,00 70,00 70,00 70,00 256,00 Total de despesas de vendas e adm. ($) 380,00 430,00 550,00 370,00 1.696,00 Fonte: Cherobim, Jr. Lemes e Rigo (2018, p. 126-140). O quadro 12 apresenta gastos financeiros que podem decorrer de relações com instituições financeiras. Ao contrair empréstimos e financiamentos, a empresa arcará com juros, e estes são gastos financeiros não relacionados com atividades operacionais. Quadro 12 – Orçamento de despesas financeiras Trimestrais Ano 1 2 3 4 Juros 1.000 1.000 1.000 1.000 4.000 Taxas de cobrança bancária 500 500 500 500 2.000 Total de despesas financeiras 1.500 1.500 1.500 1.500 6.000 Fonte: Cherobim, Jr. Lemes e Rigo (2018, p. 126-140). Agora que já temos todos os orçamentos prontos, o próximo passo é elaborar as demonstrações contábeis (DRE, DFC e BP) e avaliar se os resultados estão em conformidade com o que a empresa deseja. Caso negativo, o orçamento precisa ser revisto e alterado. As demonstrações projetadas consideram valores do balanço anterior e saldo das contas no início do período orçado. Após aprovado o orçamento, futuramente inicia a fase de execução. Seu monitoramento e acompanhamento diário, semanal e/ou mensal é importante, pois a realidade pode trazer variações ou necessidades diferentes das que foram orçadas. O orçamento deverá ser confrontado (orçado x realizado) e os gestores devem tomar decisões de correção e ajustes, a fim de garantir que a realidade possa trazer os resultados projetados no orçamento. De forma simplificada, você observou como podemos calcular os valores do orçamento. Matematicamente, estamos falando de adição, subtração, 13 divisão e multiplicação; todavia, as relações diretas entre os valores são grandes. Considerando isso, o profissional responsável por elaborar orçamentos deve ser experiente e dominar processos, além de conhecer a realidade da empresa (taxas, percentuais, horas de MOD etc.). Isso evita que sejam feitos orçamentos deficitários e possibilita que decisões pautadas neles sejam tomadas de maneira assertiva e segura. TRILHA 2 – ORÇAMENTO DE CAPITAL Esse orçamento é importante para as empresas, pois muitos de seus ativos fixos ao longo do tempo tornam-se obsoletos, suas tecnologias não têm conexão com insumos atuais, a capacidade produtiva é baixa e não atende às intenções de crescimento e expansão da empresa. O orçamento de capital também é empregado em situações como: implementação de uma nova linha de produção, atuação em outro estado, criação de centros de distribuição, ampliação do mix de produtos podem necessitar da aquisição de novas máquinas, equipamentos e instalações para atender a essa demanda. Observe que a principal característica do orçamento de capital é investimento para propiciar melhores resultados diante da ampliação e diversificação de produtos e serviços oferecidos pela empresa. Sem investimentos, os resultados e processos da organização ficam estagnados e limitados, fazendo com que o PIB do país não tenha crescimento. Quando investimentos proporcionam vantagem competitiva à organização, ela irá desfrutar de resultados mais expressivos, oriundos de suas atividades operacionais; seus lucros serão maiores e aumentarão sua riqueza. Entretanto os lucros e o aumento de caixa precisam ser medidos e avaliados para verificar qual investimento de capital será mais benéfico. Afinal, todo investimento traz custos e despesasque reduzem os valores do caixa. Quadro 13 – Análise do investimento Período Fluxos de Caixa Investimento A VP VPL Fluxos de Caixa Investimento B VP VPL 0 -80.000 -80.000 -80.000 -100.00) -100.000 -100.000 1 25.000 22.727 -57.273 30.000 27.273 72.727 2 25.000 20.661 -36.612 30.000 24.793 47.934 3 25.000 18.783 -17.829 30.000 22.539 25.394 4 25.000 17.075 -753 40.000 27.321 1.926 14 O fluxo de caixa apresenta os valores de ganhos (-) menos os custos e despesas, ou seja, o valor realmente financeiro (entrada no caixa) que o investimento trará no período. O prazo (tempo) em que o investimento trará caixa deverá ser apontado; neste caso, o tempo é de 4 anos. Observe que os investimentos possuem valores diferentes, sendo 80.000 para A e 100.000 para B, sinalizados de forma negativa, como saída de caixa. Os fluxos de caixa futuro somado de A é de 100.000 e de B 130.000. O valor do fluxo de caixa (-) menos o valor do investimento é de 20.000 para A e 30.000 para B. Uma técnica utilizada para avaliar o investimento de capital é o valor presente líquido (VPL), que utiliza o fluxo de caixa, tem base em uma taxa (custo de capital, taxa de juro sobre capital próprio), traz para o presente e subtrai do valor investido. Usando a fórmula VPL = ∑ FC ÷ (1 + i)n, calculamos o VPL de cada investimento em cada período, consideramos a taxa de 10%. Observe que o investimento A tem VPL negativo de -753, ou seja, o caixa gerado não é suficiente para cobrir gastos e taxa de juros. O investimento B possui VPL positivo em 1.926, demonstrando que o valor cobre o investimento e os juros. Nesse caso, o projeto B seria aprovado e A reprovado. No orçamento de capital, a empresa faz, minuciosamente, a análise real do que precisa ser investido, pois o gasto (custo) é alto e ela precisa comprar com os fluxos de caixas futuros (benefícios), que devem ser capazes de cobrir todos os custos, despesas e juros incidentes na operação. É certo que investimentos precisam ser realizados, é preciso adquirir máquinas, equipamentos e desenvolver novos produtos e serviços para garantir resultados e se manter no mercado. Mas também é preciso elencar corretamente os valores para tomar a tomada de decisões mais assertivas. ELO Orçar é a melhor forma de a empresa conhecer todos os valores que nortearão seus resultados. Identificar sacrifícios com mão de obra direta, tempo para produzir, nivelar estoques de insumos e produtos acabados, encontrar o faturamento, elencar custos indiretos, projetar despesas administrativas e com vendas, e ainda despesas financeiras, permite fazer uma avaliação cuidadosa de todos os itens que causam impactos diretos no resultado, e se estes são capazes de trazer lucros e caixa para a organização. 15 Análise, análise, análise e muito questionamento acerca desses valores precisam ser sistematicamente feitos, pois um orçamento errado, uma decisão de investimento distorcida, pode colocar a empresa em maus lençóis, trazendo prejuízos, endividamento e perda de mercado, deslocando a oferta realizada pela empresa de forma regressiva. Agora, o sucesso está em suas mãos! Utilize todo conhecimento adquirido e aplique-o nas questões pessoais e profissionais. Sucesso e ótimos estudos! 16 REFERÊNCIAS CHEROBIM, A. P. M. S.; JR LEMES., A. B.; RIGO, C. M. Fundamentos de Finanças Empresariais - Técnicas e Práticas Essenciais. 1. ed. [2. reimpr.]. Rio de Janeiro: LTC, 2018. GRIFFIN, M. P. Contabilidade e finanças. 1. ed. Saraiva, 2012. (Série Fundamentos). MAYO, H. B. Finanças Básicas. 9. ed. Cengage Learning Brasil, 2012. PADOVEZE, C. L. Contabilidade geral facilitada. São Paulo: Forense, 2017. PEREIRA JR., S. A. A. et al. Fundamentos de Finanças. Porto Alegre: Sagah, 2020.