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Resumo Citologia (Danillo Souza) 
 
O fundo de saco vaginal não é adequado para a coleta citológica por conter células em estado 
degenerativo. 
ENDOCÉRVICE – Epitélio colunar simples. Se dispõem em paliçada e em favo de mel. 
ECTOCÉRVICE – Epitélio estratificado pavimentoso com quatro camadas. 
 
 
 
CÉLULAS BASAIS – Estão presente na camada basal formando uma monocamada imediatamente antes da 
lâmina basal. É a última camada do epitélio. 
CÉLULAS PARABASAIS – Presentes na camada basal. São células maiores e apresentam um importante 
papel na regeneração epitelial. 
CÉLULAS INTERMEDIÁRIAS – São de formato poliédrico e advém da maturação das células parabasais e 
mediada por ação hormonal (Progesterona). Núcleo vesiculoso. Apresentam glicogênio em seu citoplasma. Os 
lactobacilos degradam o glicogênio produzindo ácido lático diminuindo o pH vaginal (presença de citólise e 
núcleos nus). Reação irritativa à mucosa vaginal. 
CÉLULAS SUPERFICIAS – Grau máximo de maturação, mediado pelo hormônio Estrógeno. Redução do 
núcleo (piquinótico) e aumento do citoplasma. 
 
 
 
 
 
COLETA ONCÓTICA – Realizada no colo do útero, deve compreender o epitélio da ectocérvice 
(Pavimentoso estratificado), junção escamo colunar (JEC) e endocérvice (Colunar glandular) para que a amostra 
seja representativa. 
EPITÉLIO ECTÓPICO – Quando o epitélio colunar na puberdade se exterioriza para a ectocérvice. Se torna 
escamoso devido ao meio ácido. 
ZONA DE TRANSFORMAÇÃO – Trata-se de um epitélio revestido de células metaplásicas que se originaram 
á partir de células de reserva após a exteriorização do epitélio cilíndrico (Frente ao pH ácido) se transformando, 
e na base deste epitélio cilindrico há células de reserva. Frente a agressão ocasionada pelo pH ácido, as células 
de reserva originam células metaplásicas substituindo-a. A zona de transformação é a região em que existe a 
maior probabilidade de surgir lesões precurssoras do câncer do colo de útero. 
JEC ORIGINAL – Antes da puberdade (interna) 
JEC FUNCIONAL – Presença de células metaplásicas. 
 
 
 
PADRÃO CITOLÓGICO – Ao nascimento a menina está sob a ação hormonal materna (Pregesterona – 
hormônio que mantém a gravidez) - presença de células intermediárias. Na infâncica o padrão é atrófico, 
devido a ausência de hormônio - a criânça só possui células basais. Na menacne, a adolescente possui um 
padrão misto (células intermediárias e superficiais). Na senilidade há uma atrofia do epitélio vaginal (presença 
de células parabasais e basais), o epitélio fica sensível devido a ausência das células mais superficiais. Tmabém 
há presença de polimorfonucleares. Quando a mulher vai fazer a coleta usa-se um creme vaginal para induzir a 
produção das células intermediárias e superficiais. 
ELEMENTOS NÃO EPITELIAIS – Tudo aquilo que não for células do epitélio vaginal (hemácia, microbiota, 
fio mucoso, polimorfonucleares). 
 
TÉCNICA DE COLETA E COLORAÇÃO 
 
COLETA POR CITOLOGIA ESFOLIATIVA – Se descamam espontaneamente e se depositam no fundo do saco 
vaginal (boa representatividade de células). 
 
COLETA ABRASIVA – Remoção de células da superfície com auxílio de algum instrumento. 
 
 
MATERIAIS PARA COLETA ABRASIVA – Espátula de Ayre, swab, escova endocervical, espéculo (abertura do 
canal vaginal), porta lâmina com álcool absoluto, lâmina com extremidade fosca, lápis grafite e um fixador 
(fixador de propilenoflicol – forma uma membrana no esfregaço – mais caro e tem que retirar a membrana de 
propileno antes da coloração, uma etapa a mais), (fixador – Alcool absoluto). 
 
 
 
ORIENTAÇÕES PARA A COLETA – Evitar relações sexuais e duchas vaginais dentro de um período de 24 
horas. Evitar o uso de material medicamentoso tópico vaginal na região da coleta dentro de um período de 48 
horas. 
COLETA IDEAL – Na idade reprodutiva (no meio do ciclo para um ciclo de 28 dias). No início do ciclo pode 
haver restos de hemácias decorrentes ao fluxo menstrual e no final do ciclo pode haver grande quantidade de 
lactobacilos. No meio do ciclo onde se tem o período da ovulação observa-se a presença de bastante células 
intermediárias e superficiais. 
NOTA: A progesterona prepara o endométrio para receber o embrião (prevalecimento de células 
intermediárias) – meio do ciclo. Coleta-se uma amostra mais límpida. 
 
COLETA HORMONAL – Terço posterior superior da parede lateral da vagina. É feita nesta região devido a 
maior quantidade de receptores hormonais. 
A coleta oncótica é feita na região de colo de útero, tríplice coleta (Endocérvice, Ectocérvice e JEC). 
 
 
 
Na coleta oncótica, temos a citologia convencional (é a que se vê no dia a dia – pega o material coletado e 
faz o esfregaço sobre a lâmina e colora) e é a mais usada porque possui um baixo custo. E a citologia em base 
líquida (pouco usada, mais cara, maior exigência para a realização do exame). 
 
 
FALHAS NA COLETA – Fixação incorreta (não pode demorar), esfregaço espesso (dificuldade de 
visualização), excesso de sangue (preferência pelo meio do ciclo), citólise excessiva, artefatos de confecção 
(sutileza ao confeccionar a lâmina), excesso de polimorfos. Todos estes geram um material insatisfatório. 
PADRÃO OURO INTERNACIONAL DE COLORAÇÃO NA CITOLOGIA CÉRVICO VAGINAL – Papa Nicolau. 
Objetivo de evidenciar variáveis morfológicas assim como os graus de maturação celular através do uso de três 
corantes. 
CORANTES: Ácidos, básicos e policromáticos. 
CORANTES SIMPLES: Hematoxilina de Haris (solução aquosa) “básico”, possui afinidade por estruturas 
ácidas, cora o núcleo – coloração azulada. Orange G (soluções alcoólica) – Caráter “ácido”, cora as estruturas 
basófilas do citoplasma. 
POLICOROMÁTICO (ÁCIDOS E BÁSICOS): EA 36 (soluções alcoólicas) – Mistrura de três corantes (Light 
green– verde luz “ácido”; Pardo Bismark “básico”; e a Eosina y “ácido”). Cora as estruturas citoplasmáticas que 
não foram coradas pelo Orange G. Corante citoplasmático. NOTA: O EA 65 tem metade do Verde Luz que o EA 
36. 
 
 
 
ETAPAS DA COLORAÇÃO: Hidratação, coloração, desidratação, montagem e leitura. 
 BATERIA DE COLORAÇÃO: 
- Primeira cuba é a cuba do álcool absoluto (1 minuto). Garante que todo o material tenha contato com o 
álcool antes de iniciar a coloração. 
- Água destilada (1 minuto) – Vem antes da Hematoxilina devido á este corante ser uma solução aquosa 
(favorecimento da interação). 
- Hematoxilina de Haris (4 minutos) – Corar os componentes ácidos do núcleo. 
- Água destilada (1 minuto) – Retirar o excesso de corante. 
- Álcool absoluto – Desidratação (1 minuto) – Porque o corante Orange G é um corante alcoólico. 
- Álcool absoluto – Desidratação (1 minuto) – Porque o corante Orange G é um corante alcoólico. 
 
 
 
- Orange G (2 minutos) – Corante que cora estruturas básicas. 
- Álcool absoluto (1 minuto) – Só precisa retirar o excesso de corante pois já é uma lâmina desidratada 
- EA 36 (4 minutos)– Corante policromático. 
- Três cubas de álcool seguidas (1 minuto, 1 minuto, 2 minutos) - (Desidratar completamente). 
- Secagem de lâmina e montagem (bálsamo do Canadá ou Entellan – Resinas). 
 
 
Os corantes podem ser reutilizáveis até certo ponto. A Hematoxilina possui óxido de mercúrio 
(carcinogênico) – uso de luvas. No Spray de propilenoglicol. Tem que deixar duas horas no álcool antes de usar. 
O QUE É INFLAMAÇÃO? É uma resposta dos tecidos ás agressões física, química, biológica. Existe a 
inflamação aguda e a crônica. Na inflamação aguda visualiza-se uma notória migração de polimorfonucleares. 
Na inflamação crônica encontramos linfócitos e macrófagos e a proliferação de fibroblastos. 
PRINCIPAIS AGENTES FÍSICOS: Calor, radiação, lesões de parto, pós-cirurgia via vaginal, lesões por perfuro 
cortantes, quimioterapia, radioterapia, presença de DIU. Caso a paciente tenha sido submetida à radiação 
(radioterapia) informar ao citologista, pois as células irão apresentar-se alteradas. 
PRINCIPAISAGENTES QUÍMICOS: Anticoncepcionais intravaginais e espermicidas, antissépticos (iodo, 
permanganato de K...), cremes, desodorantes vaginais, xampus. 
O líquido seminal pode induzir uma reação alérgica na mulher, dependendo da ingestão alimentar do 
homem. O resultado do processamento dos alimentos pode originar algum alérgeno. 
PRINCIPAIS ALTERAÇÕES REATIVAS FRENTE A UM DESEQUILÍBRIO: Halo perinuclear (células 
intermediárias), Pseudo eosinofilia (células intermediárias – pois deveriam, normalmente, ser cianofílicas), 
cariomegalia, vacuolização citoplasmática, binucleação (encontrada mais normalmente em infecção por HPV), 
metacromasia (afinidade da célula por dois corantes) e a queratinização. 
 
 
 
 Pseudo eosinofilia Halo perinuclear 
 
 Binucleação Cariomegalia 
 
 Metacromasia Queratinização 
Não é normal a presença de queratina no epitélio vaginal (indício de inflamação acentuada). 
COMO ATUAM AS CÉLULAS DE DEFESA NO SISTEMA GENITAL FEMININO? Resposta primária por células 
residuais (Macrófagos, células dendríticas – apresentadoras de antígenos) – estas células encontram-se 
permeadas na mucosa e fazem parte da resposta imune inata. Estas células de defesa fagocitam e processam o 
patógeno gerando epítopos (peptídeos) que irão ser apresentados aos linfócitos pela migração destas aos 
linfonodos mais próximos induzindo a produção de citocinas ou produção de anticorpos levando a uma 
imunidade celular e humoral. Na mucosa tem a presença de IGa que induz a produção IGg. A microbiota 
vaginal normal pode via a originar uma inflamação pela alteração do pH, imunossupressão... 
PRINCIPAIS PATÓGENOS: Lactobacillus sp ou lactobacilos de Doderlein (fazem parte da microbiota vaginal 
– mantêm o pH da mucosa vaginal ácido – Citólise “Vaginite citolítica”), Candida sp. (fungo), 
Gardnerella vaginalis. 
 
 
 
CANDIDA 
 
A candida é um fungo que está muito relacionado ao pH ácido, pode apresentar-se como Pseudo-hifas ou 
como esporos. É um dos patógenos mais prevalentes nas infecções da mucosa cérvico vaginal tendo a candida 
albicans como a mais prevalente. A presença da candida gera um processo descamativo e transudativo 
denominado candidíase. Alguns fatores favorecem a candidíase (gravidez “progesterona e acidificação do 
meio”, obesidade “presença de dobras cutâneas”, diabetes mellitus “glicose na urina – consumo pela candida”, 
uso de antibióticos “destruição da microbiota natural”, imunodepressão “sistema imunológico debilitado” e o 
stress “liberação de cortisol”). 
 
 
H: Hifas. E: Esporos de candida sp. 
 
FATORES DE VIRULÊNCIA 
 
- Aderência às células epiteliais; 
- Elaboração de proteases; 
- Capacidade de germinação (formação de Pseudo hifas e de esporos); 
- Produção de fosfolipases (degradação dos fosfolipídeos da membrana); 
- Imunossupressão; 
- Variação fenotípica; 
- Produção de hemolisina (utilizam o ferro do hospedeiro); 
- Presença de micotoxinas; 
- Presença de receptores específicos. 
 
FISIOPATOGÊNESE DA CANDIDA (Mecanismo pelo qual o patógeno induz a infecção) 
 
A candida adere à parede vaginal através de adesinas, quando ela adere ela libera proteases ácidas que 
vão agredir as imunoglobulinas locais, fazendo com que haja inibição do processo de fagocitose, não havendo a 
fagocitose não haverá a apresentação dos antígenos aos linfócitos e, portanto não haverá ativação da resposta 
imunológica adaptativa por esta supressão da resposta celular. A candida se favorece devido a principal forma 
de destruí-la ser a fagocitose. O patógeno inibe a resposta TH1 e favorece a resposta TH2, ou seja, inibe a 
resposta imune celular e favorece a humoral. 
 
 
Em mulheres alérgicas há produção de histaminas, essas histaminas induzem os macrófagos a liberarem 
prostaglandinas E2, essa prostaglandina age no epitélio, inibindo a ativação de fatores de crescimento via 
linfócito T e via interleucina 2 (uma das principais citocinas TH1), portanto por este mecanismo os linfócitos T e 
nem as interleucinas são ativadas e assim favorece seu crescimento pela inibição da resposta celular. Então em 
mulheres alérgicas, a histamina auxiliaria a candida a se instalar. 
OBS: No exame citológico não tem como distinguir a espécie de candida presente, então nominamos por 
candida sp. 
 
PRINCIPAIS SINAIS E SINTOMAS DA CANDIDÍASE 
 
- Prurido e ardência vulvar; 
- Disúria (dor ao urinar); 
- Dispareunia (dor ao ato sexual); 
- Hiperemia difusa (vermelhidão em várias regiões da vulva); 
- Edema na parede vaginal. 
 
DIAGNÓSTICO CLÍNICO 
Pelo próprio corrimento o médico ginecologista consegue identificar. Características do corrimento: 
descarga vaginal pastosa, flocular, branco-esverdeado, aderente à mucosa semelhante a leite coalhado ou a 
queijo ricota com odor agridoce. 
 
 
OBS: O parceiro sexual não precisa ser tratado no caso da candidíase. O fungo não se adapta ao genital 
masculino. A infecção no homem pode acontecer quando o homem não é circuncidado e quando não se tem 
uma higiene adequada acumulando esmegma (gordura e células mortas). 
FRASE: Assim na medicina como no amor, nem sempre, nem nunca. 
 
 
 
 
 
 
 No homem, só deve ser tratado quando este desenvolve a balanopostite (lesão macular, húmida, 
avermelhada, dolorida e podendo ter um odor desagradável). 
 
Balanopostite 
COMO A CANDIDA É OBSERVADA NO ESFREGAÇO CITOLÓGICO 
 
 Hifas e esporos Pseudo-hifas com brotamento 
 
 
 Pseudo-hifas Esporos 
MICOTOXINAS: Na candidíase no homem, o que causa irritação são as micotoxinas que o fungo libera. 
ACTINOMYCES SP 
 É uma bactéria filamentosa, gram negativa de difícil classificação. Causa infecção mais comumente em 
mulheres que utilizam o DIU. Tem formato de ouriço do mar e provoca uma reação inflamatória bastante 
intensa com presença acentuada de neutrófilos e macrófagos. O actinomyces pode ascender provocando a 
esterilidade na mulher caso não seja feito o tratamento da paciente adequado. A mulher pode reportar dor 
pélvica e sangramento irregular. 
 
 
 
 
COMO O ACTINOMYCES É OBSERVADO NO ESFREGAÇO CITOLÓGICO 
 
Lembra um ouriço do mar ou um tufo de algodão preto e pode estar rodeado de polimorfos. 
 
LEPTOTHRIX 
 São bacilos gram negativos anaeróbios, formam estruturas longas, capiliformes, finas e acinzentadas, 
lembra fios de cabelo curvados. O leptothrix pode vir associado com o trichomonas. 
COMO O LEPTOTHRIX É OBSERVADO NO ESFREGAÇO CITOLÓGICO 
 
 
MICROBIOTA COCÁCEA 
GARDNERELLA VAGINALIS 
São bacilos gram negativos que aderem às células escamosas recobrindo toda a sua superfície (clue cell - 
célula guia ou ainda células indicadoras). Para dar o diagnóstico de gardnerella tem que ser observado a 
presença da clue cell. A presença deste patógeno causa a vaginose bacteriana. A gardnerella é bastante 
semelhante ao mobiluncus sp, portanto para o laudo citológico se diagnostica gardnerella/mobiluncus sp. 
FISIOPATOGÊNESE 
Liberação, pelo patógeno, das enzimas proteolíticas que interagem com os peptídeos das células 
liberando aminas vasoativas, que aumentam a transudação dos fluidos vaginais e a esfoliação das células 
epiteliais. 
 
 
 
 
 
COMO A GARDNERELLA VAGINALIS/MOBILUNCUS SP. É OBSERVADA NOESFREGAÇO CITOLÓGICO 
 
Obs: Só pode-se afirmar que o patógeno é gardnerella vaginalis se for encontrada a clue cell no esfregaço. 
As aminas vasoativas (cadaverina, putrecina, trimetilamina), quando em contato com substâncias 
alcalinas elas volatilizam promovendo um odor fétido e desagradável lembrando a peixe podre. Muito 
frequente no período pós-menstrual e após o ato sexual porque o sêmen e o sangue menstrual são meios 
alcalinos. 
PS: A infecção por gardnerella vaginalis, quando exacerbada, promove a diminuição dos lactobacilos – que 
são produtores de peróxido – inibindo indiretamente a produção de H2O2, que segundo alguns autores tem 
efeito viricida, isso faz com que haja um impedimento da ação dos linfócitos T CD4 gerando uma 
susceptibilidade ao vírus HIV. 
Na vaginose bacteriana, a mulher não reporta prurido, o corrimento vaginal é discreto, fino e leitoso 
podendo ser acinzentado, amarelado ou esbranquiçado, de odor fétido. 
 
 
Secreção + Potássio a 10% = volatilização das aminas vasoativas. 
Não precisa tratar o parceiro sexual (homem), pois não se trata de uma DST. 
 
 
 
MOBILUNCUS SP. 
 São bactérias gram negativas que se coram em azul no papa Nicolau. Apresentam-se como bacilos finos e 
curtos em forma de vírgula. Aderem às células escamosas que são chamadas de comma cells (células em 
vírgula). 
 
COMO O MOBILUNCUS SP É OBSERVADO NO ESFREGAÇO CITOLÓGICO 
 
 
TRICHOMONAS VAGINALIS 
 É um protozoário flagelado, existente apenas na forma trofozoíta. Se apresentam como estruturas 
ovaladas, piriforme, mal coradas ou cinza esverdeadas, por vezes com formato irregular. No esfregaço 
citológico positivo para trichomonas observa-se muitos polimorfos. É o agente causador da tricomoníase, que é 
uma DST de origem por protozoário. Tem prevalência nas idades entre 20 a 40 anos. O trichomonas possui 
diversos mecanismos de escape contra o sistema imunológico, dentre eles: 
 - Destruição do sistema complemento; 
 - Mimetismo molecular; 
 - Produção de interleucina imunossupressora (IL 10 e TGF beta – induz resposta humoral); 
 - Indução da apoptose. 
 
FISIOPATOGÊNESE 
 Adere à parede celular através da liberação de enzimas proteolíticas (proteases). Estas enzimas irão 
causar uma hemólise e a excreção de fatores solúveis que possibilitam o aproveitamento dos nutrientes 
celulares pelo trichomonas vaginalis. Também possui a capacidade de fagocitar os lactobacilos, fato que altera 
o pH vaginal e favorece seu desenvolvimento, tendo em vista que ele necessita de um ambiente mais alcalino. 
As proteases lizam as células causando uma reação inflamatória local, e por isso encontra-se uma grande 
quantidade de polimorfonucleares. Causa micro hemorragia. 
 
CANNON BALL 
 Quando os polimorfos se agregam a uma célula para tentar combater o patógeno. 
 
 
 
Cannon Ball 
SINAIS E SINTOMAS DA TRICOMONÍASE 
 - Disúria; 
 - Dispareunia; 
 - Ardência e prurido vaginal; 
 - Corrimento vaginal amarelo-esverdeado, fluido, abundante, espumoso ou bolhoso com ou sem odor 
desagradável. 
 
 
 
 OBS: Faz o tratamento do parceiro sexual mesmo que assintomático. 
 A presença do trichomonas vaginalis na uretra ou na próstata do parceiro é passível de recidiva. 
 
COMO O TRICHOMONAS VAGINALIS É OBSERVADO NO ESFREGAÇO CITOLÓGICO 
 
 
 Todos estes patógenos tendem a causar um processo inflamatório, diante disso o laudo consta - lesão 
inespecífica associado a algum patógeno. LAUDO: NILM (Negativo para lesão intra epitelial por malignidade). 
 
CHLAMYDIA TRACHOMATIS 
 
 Associação da infecção por Chlamydia com a esterilidade é devido a alterações nas tubas uterinas por 
mecanismo imunológico. A Chlamydia possui uma proteína de choque térmico 60 chamada de HSP60, o 
organismo reconhece o invasor e é produzido anticorpos contra esta proteína, sendo que quando há a 
 
 
produção destes anticorpos ocorre uma sensibilização dos linfócitos T que reconhecem as células da tuba 
uterina como sendo estranhos, correndo uma destruição das células das tubas uterinas e do patógeno. A 
Chlamydia pode levar a esterilidade e a gravidez ectópica. Diagnóstico é imunológico e não por citologia. Tem 
que tratar o parceiro sexual porque é uma DST. 
 
COMO A CHLAMYDIA TRACHOMATIS É OBSERVADA NO ESFREGAÇO CITOLÓGICO 
 
 
ALTERAÇÕES CELULARES 
Euplasia – Atividade normal da célula. Segue um padrão morfológico com uniformidade de forma e tamanho, 
contorno nuclear regular. 
Retroplasia – Quando a célula está diminuindo a atividade. O núcleo tende a murchar de contorno irregular. 
Proplasia – Atividade celular aumenta. Regeneração, reparo. Aumento de núcleo, de figuras mitóticas, 
múltiplos nucléolos. 
Neoplasia – Crescimento anormal de células anormais. 
 REPARAÇÃO E METAPLASIA ESCAMOSA. 
 A reparação pode ser causada por biópsias, radioterapia, inflamações, pressão exercida pelo DIU, pólipos 
endocervicais. Células basais recuperam a região lesada. No achado citológico encontra-se a presença do lençol 
citoplasmático e de nucléolos. Na reparação, restitui-se um epitélio destruído. Após a agressão, ocorre uma 
inflamação e o epitélio reconhece que é preciso regenerar, então as células basais começam a se proliferar 
para restituir este epitélio. O reparo é a hiperplasia das células basais adjacentes. 
 
Reparação 
 
 Na metaplasia escamosa substitui-se um epitélio por outro. É um processo que origina uma alteração 
reversível, onde um tipo celular adulto dá origem a outro tipo celular adulto. É a substituição do epitélio para 
adaptação. Quando o epitélio colunar se expõe devido ao pH, torna-se um epitélio bastante resistente. As 
células de reserva se proliferam e ocorre a metaplasia. A metaplasia é a hiperplasia das células de reserva. 
 
 
 
Metaplasia 
 
CITOLOGIA HORMONAL – DO NASCIMENTO À SENILIDADE (2ª UNIDADE) 
 A importância do estudo hormonal no epitélio vaginal pode ser constatada na avaliação da função 
ovariana, no prognóstico e guia de conduta durante a gravidez, em estudos de inseminação artificial, guia de 
terapia de reposição hormonal, no diagnóstico de tumor produtor de hormônio seja na infância ou na 
menopausa. Na infância a menina não tem estimulação hormonal, logo não pode se visualizar um esfregaço 
citológico trófico, e a mulher na menopausa também não apresenta normalmente um padrão trófico de 
células. Estas situações podem dar um indicativo de um possível tumor produtor de hormônio. A citologia 
hormonal também é importante no estudo da puberdade precoce e tardia. 
 
PERFÍS CELULARES 
- TRÓFICO: Maior índice de maturação (células superficiais) 
- HIPOTRÓFICO: Encontra-se predominantemente células intermediárias e está relacionado à progesterona. 
- ATRÓFICO: Vê-se o esfregaço com células profundas (basais e parabasais), onde não há a estimulação 
hormonal para maturar estas células jovens. 
 - ATROFIA LEVE: Onde, ao entrar na menopausa, a mulher ainda tem a capacidade de produzir 
hormônios, mas em menor quantidade, pois se trata de um processo gradual, sendo ainda visualizadas no 
esfregaço citológico, células superficiais e intermediárias, mas, no entanto, começa a se observar células 
profundas. 
 - ATROFIA MODERADA: Quando o estrógeno cai consideravelmente e há uma redução das células 
superficiais, porém há uma predominância das células profundas. 
 - ATROFIA SEVERA (TARDIA): Só encontram-se células profundas associadas a um esfregaço sujo com 
presença de polimorfonucleares. 
 
Na ovulação, a mulher tem um padrão de células superficiais, que é característico do pico de estrogênio. 
(Estrógeno = células superficiais / Progesterona = células intermediárias / Ausência de hormônios = células 
basais e parabasais). 
A coleta na citologia hormonal se dá no terço posterior, superior da parede lateral da vagina devido a 
maiorquantidade de receptores hormonais neste local. A coleta oncótica é na região de colo de útero. O 
aspirado da região de fundo de saco é útil para se observar células alteradas vindas do endométrio, ovário, 
tubas uterinas, porém são células que sofrem processo de degeneração, não sendo o local ideal para a coleta 
hormonal. 
 
 
 
FALHAS NA CITOLOGIA HORMONAL 
 Pode ser causada por infecção vaginal (alteração do padrão celular normal); relações sexuais; duchas 
vaginais; uso de cremes, geleias ou óvulos vaginais; coleta cervical mal feita; má fixação na lâmina. 
 
FISIOLOGIA HORMONAL 
 A função menstrual normal vem de interações entre o eixo hipotálamo – hipófise anterior – ovários. A 
hipófise está associada à liberação de vários hormônios tais como a prolactina, tireotrófico, 
adrenocorticotrófico, gonadotróficos (que estão associados com os ovários), entre outros. 
 Na liberação dos hormônios gonadais, o hipotálamo libera o hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) 
para a hipófise anterior, a hipófise anterior ao receber o estímulo vindo do hipotálamo induz a liberação do 
hormônio luteinizante (LH) e do hormônio folículo estimulante (FSH). Esse LH e FSH irão atuar diretamente 
sobre os ovários, que por sua vez irão liberar estrógeno e progesterona que estão associados aos caracteres 
sexuais secundários como anabolismo, crescimento ósseo, preparo do útero para a gravidez e mamas para a 
lactação. Isso faz com que quando o estrógeno aumente haja ovulação, quando a progesterona aumenta haja a 
preparação do endométrio e quando esses hormônios cessam haja a descamação do endométrio. 
 
Toda mulher já nasce com uma quantidade de folículos “x” à espera de um estímulo hormonal vindo da 
ação ovariana que libera estrógeno e progesterona. Esses folículos entram em processo de maturação a cada 
mês, pois eles precisam maturar para liberar um óvulo. Esses folículos primordiais sofrem ação principalmente 
do estrógeno, sendo responsável por sua maturação até a formação do folículo pré-ovulatório. Quando há 
ovulação, há um pico associado de LH e estrógeno, o FSH também está associado á ovulação porque é ele que 
induz a maturação do folículo. 
Quando há produção de progesterona o endométrio começa a se preparar para receber o concepto, 
então há espessamento, aumento de vascularização. Quando não há a concepção, o organismo entende que 
deve haver a descamação do endométrio (menstruação). 
Ao nascer o padrão citológico da criança é de células intermediárias, devido à ação hormonal da 
progesterona da mãe. Na infância observa-se um esfregaço mais límpido com células profundas (basais e 
 
 
parabasais) devido a não ter ação hormonal. Durante a menacne, o padrão citológico é regido aos hormônios 
estrógeno e progesterona, apresentando células superficiais e intermediárias, que irão estar presentes em 
proporções diferentes de acordo com o ciclo menstrual. E durante a senilidade (climatério) o esfregaço 
apresenta-se sujo com bastante polimorfonucleares, muco com a presença de células profundas (basais e 
parabasais). 
Obs: As células que se descamam agrupadas são as intermediárias (na gravidez isso ocorre com maior 
frequência), as células superficiais descamam mais isoladas, pois não apresentam mais os desmossomos. 
Obs: As mulheres ao entrar na menopausa, por não possuírem as células mais externas (superficiais e 
intermediárias) devido a não ação hormonal, não possuem essa camada de células que conferem, dentre 
outras funções, proteção. Relatam dor ao ato sexual e ressecamento vaginal. 
 
CICLO REPRODUTIVO FEMININO 
O ciclo reprodutivo feminino é marcado por dois fenômenos; a ovulação e a menstruação. Pode-se 
resumir o ciclo menstrual em duas fases; a fase proliferativa (proliferação dos óvulos no interior dos ovários) 
que é regida pelo estrógeno com ação do FSH; e a fase secretora (liberação do óvulo ou ovulação) que é regida 
pela progesterona, que tem como função preparar o útero para receber o concepto. 
Do 1° ao 5º dia a mulher tem a menstruação. Do 6° ao 11° é a fase de maturação do folículo dominante 
para ocorrer a ovulação. Na metade do ciclo, 11° ao 16° dia, ocorre a ovulação e o LH começa a ser liberado 
mais expressivamente. Quando a mulher ovula, o organismo já começa a produzir progesterona para preparar 
o endométrio para receber o concepto. Do 17° ao 28º (fase luteínica – produção de progesterona pelo corpo 
lúteo) o organismo está sob a ação da progesterona. Quando ocorre a gravidez, o corpo lúteo (remanescente 
do óvulo) começa a produzir progesterona. A progesterona se mantêm quando ocorre a gravidez. Quando não 
ocorre a gravidez, há um feedback negativo dos ovários que sinalizam ao hipotálamo, fazendo com que haja a 
redução do aporte de progesterona e a descamação do endométrio. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Na fase pré-ovulatória o muco cervical (protéico e em forma de folha de samambaia) torna-se fluido para 
facilitar a motilidade do espermatozoide. Quando a mulher ovula (fase luteínica), o muco torna-se espesso por 
ação da progesterona. Quando se faz uso de anticoncepcional, o medicamento simula a progesterona 
endógena. 
 
(Muco cervical pré-ovulatório) 
 
LINK INTERESSANTE: http://fertilidadeinteligente.blogspot.com/2012_08_01_archive.html 
NOTA: O folículo dominante recebe um aporte maior de progesterona inibindo os outros folículos, maturando 
sozinho. 
Na fase menstrual há a presença de hemácias no esfregaço citológico (descamação do endométrio), após 
a menstruação o epitélio se regenera. Na fase estrogênica, se vê células superficiais em grande quantidade. 
Após a ovulação começa a surgir as células intermediárias associado ao muco cervical espesso. Na fase lútea 
(gestacional), predominam as células intermediárias, há redução de muco. Na menopausa predominam as 
células basais e parabasais. 
PS: O estrógeno é importante para muitas outras funções, inclusive nos sintomas da menopausa quando do 
seu decaimento (depressão, esquecimento, demência, irritabilidade). Os sintomas da TPM são causados pela 
ausência do estrógeno (hormônio que está associado ao humor). 
Antes das ovulações os ovários são rosados de aspecto liso, porém quando começam as ovulações, os 
ovários adquirem cicatrizes e fica com aspecto rugoso (branco acinzentado), e na menopausa ele atrofia devido 
a falta de hormônios. 
FENÔMENO DO ÊXODO: É quando ocorre a descamação de placas endometriais e os macrófagos migram 
(êxodo) para fagocitar os restos celulares remanescentes. 
PS: Se ouver a presença de células basais e parabasais é indicativo de perfil atrófico, não é normal este tipo 
celular. 
 
 
 
CITOLOGIA DA GRAVIDEZ 
 Na gravidez, o padrão celular muda completamente perante o perfil de hormônio. O padrão de células 
tende a ser hipotrófico devido ao maior aporte de progesterona (se vê no esfregaço uma grande quantidade de 
células intermediárias ricas em glicogênio que favorece a presença dos lactobacilos que por sua vez aumentam 
a citólise das células intermediárias). Então, uma vez que a mulher entra na fase luteínica e engravida, a 
progesterona se mantém e o padrão celular se torna hipotrófico. 
 Na gravidez as células se agrupam, apresentam-se com dobras nas extremidades (pregueadas) e são 
chamadas de células naviculares. Tem-se um padrão celular no 1º trimestre, 2º trimestre, 3º trimestre, 
próximo do termo e pós parto. 
 
Padrão gestacional. Este campo mostra uma outra característica vista no esfregaço cérvico-vaginal na gestação. Células mostram um citoplasma dobrado e são 
moldados juntos, com as bordas enroladas. Isto resulta na formação de formas características e daí a descrição das células como em “ostra” ou “naviculares”. 
Além disto os núcleos podem ser ovóides e colocados excentricamente e a névoa amarela em algumas indica a presença de glicogênio 
No 1º trimestre, células intermediárias do tipo naviculares podem estar presentes. Mas 
independentementede serem naviculares, são majoritariamente intermediárias. Vê-se células ainda células 
superficiais, pois a queda de estrógeno é gradual e progressiva. 
No 2º trimestre prevalecem as células naviculares (riquíssimas em glicogênio – apresentam placas 
amareladas de glicogênio). Citólise acentuada. As células superficiais são menos de 10% ou não estarão 
presentes, dependendo da mulher. 
No 3º trimestre há uma presença em demasia das células naviculares, citólise excessiva (vaginite 
citolítica). Normalmente não se visualiza células superficiais. 
 
 Células naviculares 
Próximo do termo, as células intermediárias se aglutinam (por meio dos desmossomos) devido à alta 
quantidade deste tipo celular. A citólise e as células naviculares são características desta fase. 
No pós-parto o esfregaço é atrófico, pois o ciclo hormonal cessa. Só irá ser observado um novo padrão 
de troficidade quando o ciclo hormonal voltar. 
 
 
 
 
As células intermediárias aparecem frequentemente na forma de células naviculares. Durante a gravidez a 
quantidade elevada do glicogênio caracteriza a célula navicular. Esta tem forma de barco, com núcleo 
deslocado pelo glicogênio para periferia da célula (Imagem 1). 
As células endocervicais encontradas, raramente observadas em esfregaços citológicos hormonais, 
mostram-se muito ativas na produção de muco (Imagem 2). 
 
 
 Imagem 1 Imagem 2 
OBS: A citologia hormonal não procura avaliar células endocervicais, porém estas também sofrem 
alterações diante o padrão hormonal. 
 
Aglutinação – Células intermediárias agrupadas (Característico da gravidez) 
 
FENÔMENOS QUE OCORREM DURANTE A GRAVIDEZ 
� PRESENÇA DE CÉLULAS DECIDUAIS – São células que advém da transformação das células do estroma 
do endométrio quando de sua descamação. Célula importante para o fornecimento de nutrientes para o 
embrião que irá se desenvolver no endométrio. Também impede a rejeição do embrião assim como as células 
do trofoblasto. (É uma célula grande de citoplasma abundante e discretamente vacuolizado, núcleo grande 
podendo ser lobulado, presença de nucléolos). Pode ser confundida como presença de malignidade. PS: 
Importante informar a gravidez. 
 
Células deciduais 
 
 
 
� FENÔMENO DE ARIAS STELLA – Ocorre em decorrência do processo de fecundação. Trata-se de uma 
alteração que acomete as células das glândulas endometriais ou endocervicais. São células grandes que contém 
grandes núcleos que podem ser hipercromados e multilobulados, seu citoplasma apresenta vacuolizações. Este 
fenômeno é característico da gravidez. Possui um padrão celular semelhante ao de células cancerosas, 
podendo haver confusão entre ambas. Quando a gravidez está bem estabelecida não se encontra este padrão 
celular, sendo mais visível no primeiro trimestre. PS: Importante informar a gravidez. 
 
No puerpério (logo após o parto), os níveis de progesterona decaem e os níveis de estrógeno estão muito 
baixos, e a mulher apresenta um esfregaço com basicamente células intermediárias e parabasais, característico 
do padrão atrófico. Este padrão só irá mudar quando o ciclo hormonal da mulher voltar ao normal. 
 
Padrão puerperal. Este campo mostra células parabasais de coloração escura e células intermediárias pequenas e mais claras. Seguindo ao parto, o 
padrão celular torna-se atrófico. Nem todas as mulheres desenvolvem este padrão. Tem sido sugerido que estas mudanças são devido a uma queda súbita nos 
níveis hormonais depois da saída da placenta, mas existem também evidências sustentando esta opinião que seria causada pela regeneração do epitélio após o 
trauma do parto. 
 
COMO É PERCEBIDO O ABORTO 
O aborto possui várias características clínicas, tais como o sangramento (que também pode ser 
confundido com o descolamento da placenta). No período da gravidez, é normal observar no exame citológico 
células naviculares (intermediárias) e citólise (3º trimestre) devido ao padrão hormonal regido à progesterona. 
No início da gravidez (1º trimestre) ainda se é comum observar células superficiais (e se desenvolve em células epiteliais), por isso a infecção pelo HPV se 
desenvolve em pele e anexos. 
 
Existem algumas proteínas do vírus que são importantíssimas para a fisiopatogênese da doença. A 
proteína L1 – que é a maior proteína do capsídeo viral; a proteína L2 – que é a menor proteína do capsídeo 
viral; existem duas proteínas muito importantes na oncogênese – as oncoproteínas E6 e E7. O envelope viral é 
formado por um capsômero onde o DNA viral se aloca. 
É um vírus que possui trofismo pelo núcleo celular, porém pode ser encontrado também no citoplasma. 
Tende a infectar os queratinócitos, porém sabe-se que há trofismo do vírus pelas células basais - células não 
permissivas. Á medida que o vírus se desenvolve, ele ascende para as células intermediárias e superficiais – 
células permissivas, onde ocorre a maior expansão viral. 
No ato da infecção, o vírus penetra por alguma microfissura da pele (no ato sexual - DST), em que uma 
pessoa infectada pode infectar o (a) parceiro (a). 
Há mais de 100 tipos identificados do vírus HPV, sendo de 30-40 estão relacionados á infecção anogenital. 
 
VÍRUS ONCOGÊNICOS E NÃO ONCOGÊNICOS 
Existem vários vírus oncogênicos, sendo que os mais importantes e mais estudados são os vírus 16 e 18 
onde o 16 está mais relacionado a casos de câncer cervical. E os não oncogênicos, o 6 e o 11, sendo que o 11 
está muito associado á formação das verrugas genitais (condilomas). 
 
COILÓCITOS 
São células denominadas de marcadoras para o HPV. A sua presença define ou não se a mulher está 
infectada pelo vírus. Trata-se de uma célula em que há a degradação do citoesqueleto no citoplasma pela 
proteína E7, levando a formação da zona de cavitação. Pode haver a bi ou multinucleação, com núcleos 
grandes, hipercromáticos, de cromatina irregular e excêntricos. Às vezes o núcleo apresenta-se achatado 
lembrando uma uva passa. Trocando em miúdos; o coilócito é o marcador citológico para lesão por HPV. 
OBS: Apenas 5% das mulheres infectadas apresentam coilócitos no citológico, pois a sensibilidade da 
citologia para o HPV é muito baixa. Quem define o laudo é a histologia a partir da biópsia. 
 
 
 
 
 
 
Infecção pelo vírus do papiloma humano (HPV): coilocitose. Purola & Savia (1977) e Meisels e co-autores (1976, 1977) reconheceram coilocitose como 
diagnóstico da infecção por HPV. Este campo mostra coilocitose típica com núcleos reativos, aumentados e halo característico profundo separado do 
citoplasma por uma borda nitidamente condensada. Estes halos devem ser distinguidos dos halos perinucleares finos com uma borda borrada vista em 
muitas infecções como uma infecção não específica. 
A incidência de infecção pelo vírus HPV diminui com a idade, sendo que o pico se dá ao redor dos vinte 
anos devido ao auge da maturidade sexual. 80% das mulheres infectadas não apresentam sintomas clínicos. 
Nos consultórios particulares o padrão é que após o citológico já proceder com a colposcopia. Já no SUS, a 
mulher faz o Papa Nicolau, caso dê alguma alteração aí sim se faz a colposcopia. 
OBS: Todo esfregaço com HPV é tratado como uma lesão de baixo grau. Quando há uma lesão de baixo 
grau é importante fazer a colposcopia. Diante o resultado da colposcopia faz ou não uma biópsia para o laudo 
final. 
 
OS TIPOS DE HPV 
Existem quatro principais, porém já existem mais de cem que infectam a região de ânus e órgãos genitais. 
Divide-se em duas categorias de risco: 
- BAIXO RISCO: São os vírus que provocam infecção, mas normalmente não estão associados ao câncer 
cervical, como o 6 e o 11. Estão associados a lesões benignas como os condilomas. 
 - ALTO RISCO: São os que fazem parte da pré-disposição no desenvolvimento do câncer do colo de útero, 
como o 16 e o 18. 
 
COMO OCORRE A INFECÇÃO? 
É uma DST (pois a principal via de transmissão é pelo ato sexual). Uma pessoa que está infectada, 
principalmente na forma assintomática (geralmente o homem), e no ato sexual, devido ao desprendimento das 
células devido ao atrito gerado, os vírus são liberados e penetram através de microfissuras causadas pela ação 
mecânica ao ato sexual. PS: O vírus não penetra na pele íntegra. 
OUTRAS VIAS DE TRANSMISSÃO: 
- Canal do parto; 
- Compartilhamento de roupas íntimas; 
- Contato orogenital. 
 
 
O vírus infecta as células basais do epitélio causando lesões hiperplásicas benignas que podem evoluir 
para o câncer. Na queda da imunidade, o vírus se desenvolve nas células basais e estas células irão 
amadurecendo. Quanto mais madura for a célula (intermediária e superficial) mais o vírus replica. 
 
CONDILOMAS 
São lesões inflamatórias benignas (verrugas) causadas pelo HPV tipo 6 e 11, que são vírus de baixo risco. 
 
MECANISMO DE AÇÃO DO VÍRUS 
O vírus entra através de uma micro lesão e migra para a camada basal do epitélio permanecendo em 
latência (as células basais são células não permissivas). Lembrando que uma vez infectado pelo vírus, este 
permanece no infectado por toda a vida, sendo que o vírus só irá se desenvolver se o hospedeiro estiver com 
alguma debilidade no sistema imunológico, caso contrário este pode permanecer em latência durante toda a 
vida do infectado, sendo assintomáticos. O vírus se desenvolve nas células mais maduras (intermediárias e 
superficiais) que são as células permissivas. 
 
Existem dois mecanismos pelo qual a infecção por HPV se manifesta que é pela integração do DNA viral ao 
nosso DNA ou pela não integração. Então se diz que existem dois padrões de infecção, a forma EPISSOMAL (as 
partículas do vírus ficam no núcleo celular, mas não integram no DNA – formam condilomas ‘verrugas’) e a 
forma INTEGRADA (quando o vírus entra no núcleo celular e intercala o seu material genético com o nosso – 
processo carcinogênico podendo ser ‘in situ’ ou invasor dependendo do grau da lesão). 
As proteínas E-6 e E-7 são proteínas que estão associadas ao processo de oncogênese. Elas degradam a 
proteína P-53, que é uma proteína que está relacionada ao processo de diferenciação celular, logo, se a P-53 
for degradada não irá haver a regulação no processo de diferenciação, consequentemente, as células atingidas 
irão se desenvolver indeterminadamente sem qualquer controle de ciclo. 
A proteína pRb (proteína de retinoblastoma) também é alvo das proteínas virais E-6 e E-7. Quando a 
proteína de retinoblastoma se liga ao fator E-2F o ciclo celular para. Quando a pessoa está infectada pelo HPV, 
a proteína E-7 desloca a E-2F e se liga no seu sítio de ligação, consequentemente não há sinal de parada de 
ciclo fazendo com que a célula prolifere indefinidamente desenvolvendo uma displasia de média à severa ou o 
desenvolvimento da carcinogênese. 
 
 
 
 O HPV induz uma resposta inflamatória no local da infecção, e faz com que as células CD-4 e CD-8 não 
desempenhem uma resposta TH1 satisfatória, ele induz uma resposta T-regulatória e imunossupressora. O 
vírus induz localmente IL-10, FOXP3 e TGF β. A presença destas citocinas favorece a persistência do vírus, pois o 
que seria necessário era o Interferon ɣ, no entanto não se tem, neste caso. Estas citocinas imunossupressoras 
(IL-10, FOXP3 e TGF β) são induzidas pelo vírus para que ele consiga predominar. 
 
TIPOS DE INFECÇÃO 
Infecção latente: Quando o vírus se encontra na célula basal. Só é detectado por biologia molecular. 
Infecção sub-clínica: Infecção onde não apresenta uma lesão visível (a olho nú). 80% dos casos. É 
identificado na colposcopia. 
Infecção clínica: É a forma que apresentam os condilomas, e seu diagnóstico clínico é fácil. 
 
O diagnóstico pode ser clínico, citopatológico ou molecular, sendo que o diagnóstico clínico é feito pelo 
médico. A citopatologia tem uma sensibilidade limitada, pois apenas 5% das mulheres com HPV apresentam 
coilócitos no esfregaço. A imuno-históquímica utiliza o revestimento proteico da partícula viral (como por 
exemplo, as proteínas oncogênicas). Na biologia molecular faz-sea hibridização molecular onde se identifica o 
tipo de vírus. A captura híbrida onde se consegue identificar a carga viral e a reação de PCR onde se identifica a 
quantidade mínima de vírus. 
As verrugas podem ser retiradas por crioterapia, por cauterização, por medicamentos (podofilina – 
altamente tóxica, não pode fazer em região interna apenas em regiões externas; o ácido tricloroacético (região 
de mucosa); Iniquimod). 
 
 
Pode haver a auto contaminação pelo HPV quando houver prurido na região infectada e o infectado coçar 
e depois levar as mãos à região da boca, ou do ânus ou da genitália, desenvolvendo assim infecção em outros 
sítios. Ou também por meio do ato sexual oral. 
Nos homens, o HPV pode ser confundido com as glândulas de Tyson (pápulas penianas peroláceas), são 
estruturas que secretam substâncias que protegem o pênis, podendo facilitar a penetração e estão presentes 
em todos os homens (portanto, não é doença). 
 
 
Glândulas de Tyson 
 
DIAGNÓSTICO COLPOSCÓPICO 
A colposcopia embasa-se em dois testes: O TESTE DO ÁCIDO ACÉTICO, que geralmente é uma solução à 
5% (podendo varias de 3-5%) e o TESTE DE SCHILLER (uma solução iodada – Lugol). 
 
O teste do ácido acético tem como principal efeito o de coagular as proteínas citoplasmáticas e nucleares 
do epitélio pavimentoso e de torná-las brancas. Após a aplicação do ácido acético (com gaze impregnada da 
solução sobre a região de colo do útero), o epitélio pavimentoso anormalmente carregado em proteínas, torna-
se branco progressivamente. Entre 10 a 30 segundos teremos a imagem colposcópica das lesões matrizes. O 
teste é negativo caso a mulher não esteja infectada, apresentando-se com coloração normal, caso seja positivo, 
a região de colo apresenta-se esbranquiçada. Caso o resultado seja positivo deve-se proceder com a biópsia. 
 
 
 
O teste de Schiller é um exame de diagnóstico que consiste em colorir a região interna da vagina e do colo 
do útero com uma solução iodada, a fim de observar a integridade do epitélio desta região. Não deve ser usado 
em pacientes alérgicos ao iodo. Quando o colo uterino apresenta-se normal, a coloração deve ser escura, 
característico da interação do iodo do lugol com o epitélio, sendo IODO POSITIVO. Quando o epitélio não reage 
ao iodo significa que a paciente tem uma lesão e a coloração é normal, sendo IODO NEGATIVO para estes 
casos. Sendo o contrário do teste do ácido acético. Caso o resultado seja positivo deve-se proceder com a 
biópsia. 
Teste/Padrão NORMAL LESÃO 
Teste do ácido acético - + 
Teste do Iodo + - 
Teste negativo (-); Teste positivo (+). 
 
Teste positivo para ácido acético e Schiller 
DIAGNÓSTICO CITOPATOLÓGICO 
Abrange a citopatologia e a histopatologia, sendo que no histológico a sensibilidade é muito maior. 
Observação do coilócito (marcadores na citologia). 
 
PS: Quanto maior a agressão, maior a chance de ocorrer queratinização. 
DIAGNÓSTICO MOLECULAR 
Hibridização in situ, reação de cadeia de polimerase, microscopia eletrônica, imuno-histoquímica. 
 
PREVENÇÃO E FATORES DE RISCO 
Usar preservativo, evitar multi-parceiros, vida sexual precoce (na precocidade há mais células basais e 
parabasais), tabagismo e alcoolismo (debilidade do sistema imune), multiparidade, exame preventivo periódico 
(papa Nicolau), vacinação. 
 
 
A vacinação compreende a vacina bivalente (vírus 16 e 18) e a vacina quadrivalente (vírus 6, 11, 16 e 18). 
Contém uma partícula do vírus, onde se usa a maior proteína viral – L1. Une as proteínas L1, formando um 
capsômero, e um conjunto de 72 capsômeros irão dar origem a VLP (Virus Light Protein). O interior do 
capsômero é “oco”, não possui material genético, pois o sistema imune reconhece estas proteínas virais. 
A vacina age pelo reconhecimento das células apresentadoras de antígeno às partículas virais presentes 
na vacina, estas células irão migrar para os órgãos linfoides secundários mais próximos para fazer a 
apresentação de antígenos. Ao entrar em contato com um linfócito T este é ativado e passa um sinal que ativa 
o linfócito B e estes se dividem formando os plasmócitos que por sua vez irão dar origem as imunoglobulinas. 
A vacina quadrivalente protege contra o condiloma acuminado também, é mais completa.

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