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💣 Atualizado até os informativos: 1002 (STF); 679 (STJ) DISCIPLINAS E LEIS PARTE 💀 DIREITO CONSTITUCIONAL - Constituição Federal (arts. 1º-110; 125-144; 170-232; 243) - Lei nº 9.868/1990 - ADI/ADC - Lei nº 9.882/1990 - ADPF DIREITO PENAL - Código Penal (completo) DIREITO PROCESSUAL PENAL - Código de Processo Penal (arts. 1º-405; 513-518; 531-538; 647-667) DIREITO CIVIL - LINDB - CC (arts. 1º-232; 927-954; 1.196-1.224; 1.228-1.276) DIREITO PROCESSUAL CIVIL - NCPC (arts. 1º-69; 165-175; 294-317; 334) - Lei nº 4.717/1965 - Ação Popular - Lei nº 7.347/1985 - Ação Civil Pública - Lei nº 9.507/1997 - HD - Lei nº 12.016/2009 - MS - Lei nº 13.300/2016 – MI DIREITO EMPRESARIAL - Empresarial no CC (arts. 887-926; 966-1.195) OBS.: NÃO ABRANGE A LEI DE FALÊNCIA DIREITO TRIBUTÁRIO DIREITO FINANCEIRO - Tributário na CF (arts. 145-162) - Lei nº 5.172/1966 - CTN - Finaceiro na CF (arts. 163-169) - Lei nº 4.320/1964 - Normas Gerais sobre Direito Financeiro - LC nº 101/2000 - Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) DIREITO PREVIDENCIÁRIO - Lei nº 8.212/91 - Lei nº 8.213/91 PARTE 💀💀 DIREITO ADMINISTRATIVO - Lei nº 8.112/1990 - Regime Jurídico dos Servidores Civis da União - Lei nº 8.429/1992 - Improbidade Administrativa - Lei nº 8.666/1993 - Licitações e Contratos - Lei nº 8.987/1995 - Serviços Públicos - Lei nº 9.266/1996 - Carreira da PF - Lei nº 9.784/1999 - Processo Administrativo - Lei nº 10.520/2002 - Pregão - Lei nº 11.079/2004 - PPP’s - Lei nº 11.107/2005 - Consórcios Públicos LEGISLAÇÃO ESPECIAL - Decreto-Lei nº 201/1967 - Lei de Crimes de Responsabilidade dos Prefeitos e Vereadores - Lei nº 4.737/1965 - Crimes Eleitorais - Lei nº 5.553/68 - Lei de Apresentação e Uso de Documentos de Identificação Pessoal - Lei nº 6.001/73 - Estatuto do Índio - Lei nº 7.210/1984 - LEP - Lei nº 7.492/1986 - Crimes contra o Sistema Financeiro Nacional - Lei nº 7.716/1989 - Crimes de Preconceito - Lei nº 7.960/1989 - Prisão Temporária - Lei nº 8.069/1990 - Crimes do Eca - Lei nº 8.072/1990 - Crimes Hediondos - Lei nº 8.078/1990 - Crimes contra o Consumidor - Lei nº 8.137/1990 - Crimes contra a Ordem Tributária - Lei nº 8.176/91 - Crimes contra a Ordem Econômica - Lei nº 8.666/1993 - Crimes Licitatórios - Lei nº 9.099/1995 - Juizados Especiais Criminais - Lei nº 9.296/1996 - Interceptações Telefônicas - Lei nº 9.455/1997 - Crime de Tortura - Lei nº 9.605/1998 - Crimes Ambientais - Lei nº 9.613/1998 - Lavagem de Dinheiro - Lei nº 10.446/2002 - Lei de Atribuições da Polícia Federal - Lei nº 10.741/2003 - Crimes contra o Idoso - Lei nº 10.826/2003 - Estatuto do Desarmamento - Lei nº 11.101/2005 - Crimes Falimentares - Lei nº 11.343/2006 - Lei de Drogas - Lei nº 12.037/2009 - Identificação Criminal - Lei nº 12.830/2013 - Investigação Criminal Conduzida pelo Delegado de Polícia - Lei nº 12.850/2013 - Organizações Criminosas - Lei nº 13.146/15 - Crimes do Estatuto da Pessoa com Deficiência - Lei nº 13.260/2016 - Lei Antiterrorismo - Lei nº 13.869/2019 - Abuso de Autoridade DIREITO INTERNACIONAL - Lei nº 13.445/17 - Lei de Migração - Convenção de Viena sobre os Direitos dos Tratados - Declaração Universal de Direitos Humanos - Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos - Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais - Decreto nº 5.015/04 - Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional (Convenção de Palermo) - Decreto nº 5.016/04 - Protocolo Adicional à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional, relativo ao Combate ao Tráfico de Migrantes por Via Terrestre, Marítima e Aérea - Decreto nº 5.017/04 - Protocolo Adicional à Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional Relativo à Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas, em Especial Mulheres e Crianças - Decreto nº 5.941/06 - Protocolo contra a Fabricação e o Tráfico Ilícito de Armas de Fogo, suas Peças, Componentes e Munições, complementando a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional - Decreto nº 5.687/06 - Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção (Convenção de Mérida) - Decreto nº 154/91 - Convenção Contra o Tráfico Ilícito de Entorpecentes e Substâncias Psicotrópicas - Decreto nº 3.468/00 - Protocolo de Assistência Jurídica Mútua em Assuntos Penais - Decreto nº 6.340/08 - Convenção Interamericana sobre Assistência Mútua em Matéria Penal - Decreto nº 8.833/16 - Convenção de Auxílio Judiciário em Matéria Penal entre os Estados Membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa SUMÁRIO 1. CONSTITUIÇÃO FEDERAL ................................................................................................................................................................................. 5 2. ADI/ADC – LEI Nº 9.868/1999 ................................................................................................................................................................... 316 3. ADPF – LEI Nº 9.882/1999 ........................................................................................................................................................................... 324 4. CÓDIGO PENAL ............................................................................................................................................................................................... 332 5. CÓDIGO DE PROCESSO PENAL ................................................................................................................................................................ 608 6. LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO (LINDB) – DECRETO-LEI Nº 4.657/1942 ...................... 821 7. CÓDIGO CIVIL .................................................................................................................................................................................................. 830 8. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL ................................................................................................................................................................... 911 9. LEI DO MANDADO DE SEGURANÇA – LEI Nº 12.016/2009 .......................................................................................................... 938 10. LEI DO MANDADO DE INJUNÇÃO – LEI Nº 13.300/2016 ............................................................................................................ 953 11. HABEAS DATA – LEI Nº 9.507/1997 ...................................................................................................................................................... 958 12. AÇÃO POPULAR – LEI Nº 4.717/1965 .................................................................................................................................................. 962 13. LEI DA AÇÃO CIVIL PÚBLICA – LEI Nº 7.347/1985 .......................................................................................................................... 969 14. EMPRESARIAL NO CC................................................................................................................................................................................. 978 15. TRIBUTÁRIO NA CF .................................................................................................................................................................................. 1034 16. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL ...................................................................................................................................................... 1060 17. FINANCEIRO NA CF .................................................................................................................................................................................real destino desses recursos públicos. STJ. 5ª Turma. HC 308.493-CE. Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca. Julgado em 20/10/2015 (Info 572). STF. 2ª Turma. RHC 133118/CE. Rel. Min. Dias Toffoli. Julgado em 26/9/2017 (Info 879). - Dados obtidos com a quebra de sigilo bancário não podem ser divulgados abertamente em site oficial. Os dados obtidos por meio da quebra dos sigilos bancário, telefônico e fiscal devem ser mantidos sob reserva. Assim, a página do Senado Federal na internet não pode divulgar os dados obtidos por meio da quebra de sigilo determinada por comissão parlamentar de inquérito (CPI). STF. Plenário. MS 25940, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 26/4/2018 (Info 899). - Entrega espontânea de documentos por ex-companheira de investigado e sigilo bancário. Não configura quebra de sigilo bancário e fiscal o acesso do MP a recibos e comprovantes de depósitos bancários entregues espontaneamente pela ex-companheira do investigado os quais foram voluntariamente deixados sob a responsabilidade dela pelo próprio investigado. STJ. 5ª Turma. RHC 34.799-PA, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 17/3/2016 (Info 581). - Publicação no jornal dos nomes dos clientes que tinham contas de poupança no banco, em determinado período, representa quebra do sigilo bancário. A divulgação de elementos cadastrais dos beneficiários de decisão proferida em ação civil pública que determinou o pagamento dos expurgos inflacionários decorrentes de planos econômicos configura quebra de sigilo bancário. STJ. 3ª Turma. REsp 1.285.437-MS, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 23/5/2017 (Info 605). XIII - é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a LEI ESTABELECER; Obs.: Norma constitucional de eficácia CONTIDA #INFO - A exigência de que o leiloeiro preste caução para o exercício da profissão é compatível com a Constituição, não havendo ofensa ao art. 5º, XIII, tendo em vista que a garantia é necessária para resguardar eventuais danos ao patrimônio de terceiros. Os arts. 6º a 8º do Decreto nº 21.981/1932 exigem que o indivíduo que quiser exercer a profissão de leiloeiro preste uma garantia (caução). A exigência de garantia para o exercício da profissão de leiloeiro, prevista nos arts. 6º a 8º do Decreto 21.981/1932, é compatível com o art. 5º, XIII, da Constituição Federal de 1988. Isso porque o leiloeiro lida diariamente com o patrimônio de terceiros, de forma que a prestação de fiança como condição para o exercício de sua profissão busca reduzir o risco de dano ao proprietário, o que reforça o interesse social da norma protetiva, bem como justifica a limitação para o exercício da profissão. STF. Plenário. RE 1263641/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 9/10/2020 (Repercussão Geral – Tema 455) (Info 994). - A restrição imposta pela Lei 13.021/2014, no sentido de que apenas farmacêuticos legalmente habilitados podem figurar como responsáveis técnicos de farmácias e drogarias, não é incompatível com o 5º XIII, da Constituição Federal. Surgem constitucionais os artigos 5º e 6º, inciso I, da Lei nº 13.021/2014, no que previsto ser do farmacêutico a responsabilidade técnica por drogaria. 28 STF. Plenário. RE 1156197, Rel. Marco Aurélio, julgado em 24/08/2020 (Repercussão Geral – Tema 1.049) (Info 991 – clipping). - É constitucional a previsão da lei de que determinadas atividades são privativas de nutricionistas. É constitucional a expressão “privativas”, contida no caput do art. 3º da Lei nº 8.234/91, que regulamenta a profissão de nutricionista, respeitado o âmbito de atuação profissional das demais profissões regulamentadas. STF. Plenário. ADI 803/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 28/9/2017 (Info 879). XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional; Obs.: Restringível pelo Estado de Sítio - art. 139, III, CF XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, NOS TERMOS DA LEI, nele entrar, permanecer ou dele sair com seus bens; Obs.: Restringível pelo Estado de Sítio - art. 139, I e II, CF #INFO - Lei estadual pode exigir que servidor more no Município onde atua, mas não pode exigir que ele peça autorização todas as vezes em que for sair da localidade. A regra que estabelece a necessidade de residência do servidor no município em que exerce suas funções é compatível com a Constituição de 1988, a qual já prevê obrigação semelhante para magistrados, nos termos do seu art. 93, VII. Por outro lado, viola a Constituição a lei estadual que proíba a saída do servidor do Município sede da unidade em que atua sem autorização do superior hierárquico. Essa previsão configura grave violação da liberdade fundamental de locomoção (art. 5º, XV, da CF/88) e do devido processo legal (art. 5º, LIV). STF. Plenário. ADPF 90, Rel. Luiz Fux, julgado em 03/04/2020 (Info 977). XVI - todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público, INDEPENDENTEMENTE de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente; DIREITO DE REUNIÃO - deve ser pacífica; - não pode ter uso de armas, inclusive as brancas; - não precisa da autorização da Administração Pública; - precisa de um prévio aviso a Administração Pública; - não pode atrapalhar uma outra Reunião. Ex.: ser no mesmo lugar; - tem que ser em um lugar aberto, por exemplo: Avenida Paulista. Obs.: Em caso de lesão ou ameaça de lesão ao direito de reunião, o remédio constitucional cabível é o mandado de segurança. XVII - é plena a liberdade de associação para fins lícitos, VEDADA a de caráter paramilitar; XVIII - a CRIAÇÃO de associações e, na forma da lei, a de cooperativas INDEPENDEM de autorização, sendo VEDADA a interferência estatal em seu funcionamento; XIX - as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial, exigindo-se, no primeiro caso (compulsoriamente dissolvidas), o trânsito em julgado; XX - ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado; XXI - as entidades associativas, QUANDO EXPRESSAMENTE AUTORIZADAS, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente; Obs.: Trata-se de REPRESENTAÇÃO JUDICIAL, e não de substituição processual (como ocorre com os sindicatos). 29 - Súmula nº 629, STF: “A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes.” - Súmula nº 630, STF: “A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria.” ASSOCIAÇÕES Objetivos Exigências Criação - Não depende de autorização do poder público; - É vedada a criação de associações de caráter paramilitar. Suspensão das atividades - Somente por decisão judicial. Dissolução - Somente por decisão judicial com trânsito em julgado. #INFO - Ação coletiva proposta pela associação em favor de seus filiados. A autorização estatutária genérica conferida à associação não é suficiente para legitimar a sua atuação em juízo na defesa de direitos de seus filiados. Para cada ação, é indispensável que os filiados autorizem de forma expressa e específica a demanda. Exceção: no caso de impetração de mandado de segurança coletivo, a associação não precisa de autorização específica dos filiados. STF. Plenário. RE 573232/SC, rel. orig. Min. Ricardo Lewandowski, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, julgado em 14/5/2014 (Info 746). AS ASSOCIAÇÕES PRECISAM DE AUTORIZAÇÃO ESPECÍFICA DE SEUS FILIADOS PARA O AJUIZAMENTODE AÇÕES EM DEFESA DESTES? Regra SIM A autorização estatutária genérica conferida à associação não é suficiente para legitimar a sua atuação em juízo na defesa de direitos de seus filiados. Para cada ação, é indispensável que os filiados autorizem, de forma expressa e específica, a demanda. O inciso XXI do art. 5º da CF/88 exige autorização expressa. Trata-se de hipótese de legitimação processual (a associação defende, em nome dos filiados, direito dos filiados que autorizaram). Exceções 1. MS Coletivo Fundamento: o inciso LXX do art. 5º da CF/88 NÃO exige autorização expressa. O LXX do art. 5º da CF/88 NÃO exige autorização expressa. Trata- se de hipótese de legitimação extraordinária (substituição processual), ou seja, a associação defende, em nome próprio, direito dos filiados. 2. MI Coletivo Fundamento: o art. 12, III, da Lei nº 13.300/2016 afirma expressamente que o mandado de injunção coletivo pode ser promovido pela associação, dispensada, para tanto, autorização especial. *Fonte: site Dizer o Direito. XXII - é garantido o direito de propriedade; XXIII - a propriedade atenderá a sua função social; 30 XXIV - a lei estabelecerá o procedimento para DESAPROPRIAÇÃO por necessidade ou utilidade pública, ou por interesse social, mediante justa e prévia indenização em dinheiro, RESSALVADOS os casos previstos nesta Constituição; Obs.: Desapropriação: competência para legislar: privativa da União - art. 22, II, CF DESAPROPRIAÇÃO (MODALIDADES) ESPÉCIE SENTIDO INDENIZAÇÃO ENTES ORDINÁRIA OU COMUM (art. 5º, XXIV, CF; DL 3.365/41; Lei 4.132/62) - utilidade pública - necessidade pública ou - interesse social Justa, prévia e em dinheiro. Todos os Entes EXTRAORDINÁRIA OU SANCIONATÓRIA URBANÍSTICA (art. 182, § 4º, III, CF; Lei 10.257/01 - Estatuto da Cidade) Realizada caso o imóvel urbano não esteja cumprindo a sua função social (imóvel não edificado, subutilizado ou não utilizado). - Títulos da dívida pública - prazo de resgate de até 10 anos, assegurados o valor real da indenização e os juros legais. Município e DF RURAL (art. 184, CF; Lei 8.629/93; LC 76/93) Realizada caso o imóvel rural não esteja cumprindo a sua função social. O imóvel desapropriado será utilizado para o programa de reforma agrária. Justa e prévia, mas paga em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo de até 20 anos, a partir do segundo ano de sua emissão. União CONFISCATÓRIA OU EXPROPRIAÇÃO (art. 243, CF) Realizada caso sejam localizadas, no interior da propriedade (urbana ou rural): • culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou • a exploração de trabalho escravo. Não há indenização. O imóvel é expropriado (confiscado) e será destinado à reforma agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer indenização ao proprietário. União INDIRETA OU APOSSAMENTO ADMINISTRATIVO (art. 35 do DL 3.365/41) Ocorre quando o Poder Público se apropria do bem de um particular sem observar as formalidades previstas em lei para a desapropriação, dentre as quais a declaração indicativa de seu interesse e a indenização prévia. A indenização é posterior e somente ocorre caso não seja possível a retomada do bem (se o bem expropriado já está afetado a uma finalidade pública). Todos os Entes #INFO - Desistência da desapropriação. É possível que o expropriante desista da ação de desapropriação? SIM, é possível a desistência da desapropriação a qualquer tempo, mesmo após o trânsito em julgado, desde que: a) ainda não tenha havido o pagamento integral do preço (pois nessa hipótese já terá se consolidado a transferência da propriedade do expropriado para o expropriante); e b) o imóvel possa ser devolvido sem que ele tenha sido alterado de forma substancial (que impeça sua utilização como antes era possível). É ônus do expropriado provar a existência de fato impeditivo do direito de desistência da desapropriação. STJ. 2ª Turma. REsp 1.368.773-MS, Rel. Min. Og Fernandes, Rel. para acórdão Min. Herman Benjamin, julgado em 6/12/2016 (Info 596). 31 - Citação do proprietário dispensa a do cônjuge. Na ação de desapropriação por utilidade pública, a citação do proprietário do imóvel desapropriado dispensa a do respectivo cônjuge. STJ. 2ª Turma. REsp 1.404.085-CE, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 5/8/2014 (Info 547). XXV - no caso de iminente perigo público, a autoridade competente PODERÁ USAR de propriedade particular, ASSEGURADA ao proprietário indenização ULTERIOR, SE HOUVER DANO; Obs.: Requisição Administrativa: competência para legislar: privativa da União - art. 22, III, CF #NÃOCONFUNDA: DESAPROPRIAÇÃO REQUISIÇÃO Bens Bens e Serviços Aquisição da propriedade Uso da propriedade Necessidades permanentes Necessidades transitórias Necessidade pública; Utilidade pública; Interesse social. Iminente perigo público. Indenização: - justa; - prévia; e - em dinheiro. Indenização: - ulterior, se houver dano. #INFO - Os entes federativos podem decretar a requisição administrativa de bens e serviços para enfrentar a Covid- 19 sem necessidade de autorização do Ministério da Saúde. O art. 3º, caput, VII e § 7º, III, da Lei nº 13.979/2020 autoriza que os gestores locais de saúde (secretarias estaduais e municipais, p. ex.), mesmo sem autorização do Ministério da Saúde, façam a requisição de bens e serviços. O STF afirmou que esses dispositivos são constitucionais. Não se exige autorização do Ministério da Saúde para que os Estados-membros, Distrito Federal e Municípios decretem a requisição administrativa prevista no art. 3º, caput, VII e § 7º, III, da Lei nº 13.979/2020, no exercício de suas competências constitucionais. STF. Plenário. ADI 6362/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 2/9/2020 (Info 989). XXVI - a pequena propriedade rural, assim definida em lei (Estatuto da Terra), desde que trabalhada pela família, NÃO SERÁ OBJETO de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva, dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento; XXVII - aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras, transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar; XXVIII - são assegurados, NOS TERMOS DA LEI: a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas; b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que participarem aos criadores, aos intérpretes e às respectivas representações sindicais e associativas; XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização, bem como proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País; XXX - é garantido o direito de herança; XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do "de cujus"; 32 XXXII - o Estado promoverá, na forma da lei, a defesa do consumidor; XXXIII - todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, RESSALVADAS aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado; XXXIV - são a todos assegurados, INDEPENDENTEMENTE do pagamento de taxas: a) o DIREITO DE PETIÇÃO aos Poderes Públicos em defesa de direitosou contra ilegalidade ou abuso de poder; Obs.: O direito de petição pode ser exercido por qualquer pessoa, não havendo a necessidade de assistência de advogado. b) a OBTENÇÃO DE CERTIDÕES em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal; Obs.: Não confunda: o remédio constitucional adequado para combater o indeferimento de Certidões é o MANDADO DE SEGURANÇA, e não o Habeas Data. XXXV - a lei NÃO EXCLUIRÁ da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; (P. DA INAFASTABILIDADE DO CONTROLE JURISDICIONAL) XXXVI - a lei NÃO PREJUDICARÁ o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada; Obs.: O STF já consolidou o entendimento de que a garantia constitucional de irredutibilidade de vencimentos dos servidores públicos é “modalidade qualificada” de “direito adquirido” (STF, RE 105.137). - Súmula nº 654, STF: “A garantia da irretroatividade da lei, prevista no art. 5º, XXXVI, da Constituição da República, não é invocável pela entidade estatal que a tenha editado.” #INFO - A Lei nº 9.656/98 não pode ser aplicada aos contratos firmados anteriormente à sua vigência. As disposições da Lei nº 9.656/98, à luz do art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal, somente incidem sobre os contratos celebrados a partir de sua vigência, bem como sobre os contratos que, firmados anteriormente, foram adaptados ao seu regime, sendo as respectivas disposições inaplicáveis aos beneficiários que, exercendo sua autonomia de vontade, optaram por manter os planos antigos inalterados. STF. Plenário. RE 948634, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 20/10/2020 (Repercussão Geral – Tema 123) (Info 995). XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; (P. DO JUIZ NATURAL) XXXVIII - é reconhecida a INSTITUIÇÃO DO JÚRI, com a organização que lhe der a lei, assegurados: a) a plenitude de defesa; b) o sigilo das votações; c) a soberania dos veredictos; d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida; - Súmula Vinculante nº 45: “A competência constitucional do Tribunal do Júri prevalece sobre o foro por prerrogativa de função estabelecido exclusivamente pela constituição estadual.” TRIBUNAL DO JÚRI COMPETÊNCIA - para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida: *homicídio (art. 121, CP) *induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou a automutilação (art. 122, CP) *infanticídio (art. 123, CP) *aborto (arts. 124, 125 e 126, CP) PRINCÍPIOS - plenitude de defesa; - sigilo das votações; - soberania dos veredictos; 33 XXXIX - não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal; (dois princípios penais: P. DA RESERVA LEGAL/ESTRITA LEGALIDADE E P. DA ANTERIORIDADE PENAL) XL - a lei penal NÃO RETROAGIRÁ, SALVO para beneficiar o réu; (P. DA IRRETROATIVIDADE DA LEI PENAL) LEI PENAL Regra - Irretroatividade 💣 Exceção - Retroatividade para beneficiar o réu XLI - a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais; XLII - a prática do RACISMO constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei; (mandado de criminalização) XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da TORTURA, o TRÁFICO ILÍCITO DE ENTORPECENTES E DROGAS AFINS, o TERRORISMO e os definidos como CRIMES HEDIONDOS, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem; (mandado de criminalização) XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a AÇÃO DE GRUPOS ARMADOS, CIVIS OU MILITARES, CONTRA A ORDEM CONSTITUCIONAL E O ESTADO DEMOCRÁTICO; (mandado de criminalização) CRIMES INAFIANÇÁVEL IMPRESCRITÍVEL INSUSCETÍVEIS DE GRAÇA OU ANISTIA Ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático Sim Sim – Racismo Sim Sim – Hediondos e TTT’s Sim – Sim BIZU: TODOS RAÇÃO H/TTT´s MANDADOS DE CRIMINALIZAÇÃO Expressos ou Explícitos Os mandados de criminalização indicam matérias sobre as quais o legislador ordinário não tem a faculdade de legislar, mas a obrigatoriedade de tratar, protegendo determinados bens ou interesses de forma adequada e, dentro do possível, integral. Ex.: art. 5º, incs. XLI, XLII (racismo), XLIII (tortura, tráfico de entorpecentes e drogas afins, terrorismo e crimes hediondos), XLIV (ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado democrático), 7°, inciso X (retenção dolosa do salário dos trabalhadores), 227, § 4° (abuso, violência e exploração sexual da criança ou adolescente), e art. 225, § 3º (condutas lesivas ao meio ambiente). Tácitos ou Implícitos É pressuposto lógico que o legislador deve criminalizar condutas que lesem bens e interesses exaustivamente protegidos pela CF, ainda que ela assim não determine de forma expressa. Ex.: o combate à corrupção. XLV - nenhuma pena passará da pessoa do condenado, podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser, nos termos da lei, ESTENDIDAS AOS SUCESSORES e contra eles executadas, até o limite do valor do patrimônio transferido; (P. DA PESSOALIDADE, RESPONSABILIDADE PESSOAL OU DA INTRANSCEDÊNCIA) 34 XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: (P. DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA) a) privação ou restrição da liberdade; b) perda de bens; c) multa; d) prestação social alternativa; e) suspensão ou interdição de direitos; XLVII - NÃO HAVERÁ PENAS: a) de morte, SALVO em caso de guerra declarada (modalidade fuzilamento), nos termos do art. 84, XIX; Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: XIX - declarar guerra, no caso de agressão estrangeira, autorizado pelo Congresso Nacional ou referendado por ele, quando ocorrida no intervalo das sessões legislativas, e, nas mesmas condições, decretar, total ou parcialmente, a mobilização nacional; b) de caráter perpétuo; c) de trabalhos forçados; d) de banimento; e) cruéis; XLVIII - a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado; XLIX - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral; #INFO - Responsabilidade civil do Estado em caso de morte de detento. Em caso de inobservância de seu dever específico de proteção previsto no art. 5°, inciso XLIX, da CF/88, o Estado é responsável pela morte de detento. STF. Plenário. RE 841526/RS. Rel. Mm. Luiz Fux, julgado em 30/03/2016 (repercussão geral) (Info 819). L - às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação; LI - nenhum brasileiro será extraditado, SALVO o naturalizado, em caso de crime comum, praticado antes da naturalização, OU de comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, NA FORMA DA LEI; - Súmula nº 421, STF: “Não impede a extradição a circunstância de ser o extraditando casado com brasileira ou ter filho brasileiro.” - Súmula nº 1, STF: “É vedada a expulsão de estrangeiro casado com Brasileira, ou que tenha filho Brasileiro, dependente da economia paterna.” LII - NÃO SERÁ CONCEDIDA extradição de estrangeiro por crime político OU de opinião; EXTRADIÇÃO Crime Comum Crime Político ou de Opinião Brasileiro Nato Não Não Brasileiro Naturalizado Sim, desde que seja por: - crime comum praticado antes da naturalização; - comprovado envolvimento em tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, na forma da lei (a qualquer tempo). Não Estrangeiro Sim Não 35 LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente; (P. DO JUIZ NATURAL) LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processolegal; (P. DO DEVIDO PROCESSO LEGAL) LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA, com os meios e recursos a ela inerentes; (P. DO CONTRADITÓIO E P. DA AMPLA DEFESA) - Súmula Vinculante nº 5: “A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição.” - Súmula Vinculante nº 14: “É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.” - Súmula nº 639, STJ: “Não fere o contraditório e o devido processo decisão que, sem ouvida prévia da defesa, determine transferência ou permanência de custodiado em estabelecimento penitenciário federal.” LVI - são INADMISSÍVEIS, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos; LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória; (P. DA PRESUNÇÃO DA INOCÊNCIA OU DA NÃO CULPABILIDADE) #INFO - O cumprimento da pena somente pode ter início com o esgotamento de todos os recursos. #MUDANÇADEENTENDIMENTO O art. 283 do CPP, que exige o trânsito em julgado da condenação para que se inicie o cumprimento da pena, é constitucional, sendo compatível com o princípio da presunção de inocência, previsto no art. 5º, LVII, da CF/88. Assim, é proibida a chamada “execução provisória da pena”. Vale ressaltar que é possível que o réu seja preso antes do trânsito em julgado (antes do esgotamento de todos os recursos), no entanto, para isso, é necessário que seja proferida uma decisão judicial individualmente fundamentada, na qual o magistrado demonstre que estão presentes os requisitos para a prisão preventiva previstos no art. 312 do CPP. Dessa forma, o réu até pode ficar preso antes do trânsito em julgado, mas cautelarmente (preventivamente), e não como execução provisória da pena. STF. Plenário. ADC 43/DF, ADC 44/DF e ADC 54/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, j. em 7/11/2019 (Info 958). - Não é possível a execução provisória da pena mesmo em caso de condenações pelo Tribunal do Júri. Não é possível a execução provisória da pena mesmo em caso de condenações pelo Tribunal do Júri. STF. 2ª Turma. HC 163814 ED/MG, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 19/11/2019 (Info 960). - Se o Tribunal de 2ª instância não analisou a necessidade da prisão preventiva em razão de ter aplicado o antigo entendimento do STF sobre a execução provisória, antes de ser decretada a liberdade, deve o Tribunal fazer essa análise. Juiz condenou o réu, concedeu a ele o direito de recorrer em liberdade, mas lhe aplicou uma série de medidas cautelares diversas da prisão previstas no art. 319 do CPP. Em apelação, o Tribunal de Justiça manteve a condenação. Contra esse acórdão, o réu interpôs, simultaneamente, recurso especial e extraordinário. A decisão do TJ foi proferida na época em que o entendimento do STF era no sentido de ser cabível a execução provisória da pena. Diante disso, o TJ, logo depois de receber os recursos especial e extraordinário, determinou que o condenado iniciasse imediatamente o cumprimento da pena. Ocorre que logo depois, o STF alterou a sua posição e passou a proibir a execução provisória da pena (ADC 43/DF, julgada em 7/11/2019). 36 A defesa do réu impetrou habeas corpus pedindo a liberdade imediata do condenado. O STF concedeu a ordem, mas não para a liberdade imediata do condenado, e sim para que o Tribunal de Justiça analise eventual necessidade de prisão preventiva ou a aplicação de medidas cautelares diversas. STF. 1ª Turma. HC 174875/MG, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 3/12/2019 (Info 962). LVIII - o civilmente identificado NÃO SERÁ SUBMETIDO a identificação criminal, SALVO nas hipóteses previstas em lei (Lei nº 12.037/09); LIX - será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal; LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem; (P. DA PUBLICIDADE RESTRITA) LXI - ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, SALVO nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei; LXII - a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados IMEDIATAMENTE ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada; LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado; LXIV - o preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu interrogatório policial; LXV - a prisão ilegal será IMEDIATAMENTE relaxada pela autoridade judiciária; LXVI - ninguém será levado à prisão ou nela mantido, quando a lei admitir a liberdade provisória, com ou sem fiança; LXVII - não haverá prisão civil por dívida, SALVO a do responsável pelo inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel; - Súmula Vinculante nº 25: “É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito.” LXVIII - conceder-se-á HABEAS CORPUS sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder; HABEAS CORPUS BASE CONSTITUCIONAL - Art. 5º, LXVIII, CF BASE LEGAL - CPP - arts. 647 a 667 HISTÓRICO - CF de 1891 (remédio mais antigo) DICAS * Não admite dilação probatória; * Exige prova pré-constituída (assim como no MS). OBJETO - proteger a liberdade de locomoção. LEGITIMIDADE Ativa * É universal, sendo que qualquer indivíduo, nacional ou estrangeiro, independentemente da capacidade civil, política ou profissional, de idade ou estado mental, tem legitimidade para ingressar com HC, em benefício próprio ou alheio. # Paciente: será a pessoa física beneficiada pela ordem. * Pessoa jurídica pode impetrar HC em favor de pessoa física. * Pessoa jurídica não pode ser paciente de HC. 37 Passiva * É aquele que pratica a coação ou ilegalidade ao direito de locomoção do paciente (autoridade coatora). * Particular pode ficar como autoridade coatora (ex.: diretor de hospital particular) ESPÉCIES - Preventivo: o risco à liberdade é iminente, objetivando-se a obtenção de salvo conduto. - Repressivo: a liberdade de locomoção já está limitada, almejando-se a expedição de alvará de soltura. AÇÃO - Penal LIMINAR - Sim ADVOGADO - NÃO, não é necessária capacidade postulatória (único remédio constitucional que não precisa de advogado) GRATUITO - Sim PRAZO - Não há prazo! COMPETÊNCIA - Foro por prerrogativa função estabelecido na CF (de acordo com a autoridade coatora ou paciente) CABIMENTO X NÃO CABIMENTO CABE ✅ - Coletivo (Info 891, STF); - para tratar de questões processuais quando a liberdade do paciente estiver ameaçada, ainda que indiretamente (Info 985, STF); - para questionar a imposição de medidas cautelares diversas da prisão (Infos 984 e 888, STF); - para questionar medidas protetivas de urgência previstas na Lei Maria da Penha, consistente na proibição de aproximar-se de vítima de violência doméstica e familiar (Info 574, STJ); - para impugnar decisão judicial que determinou a retenção de passaporte (Info 631, STJ); - para questionar a decisão do magistrado que não permite que os réus delatados apresentem alegações finais somente após os réus colaboradores (Info 949, STF); - para análise de afastamento de cargo de prefeito (Info 561, STJ); - mesmo que o paciente tenha aceitado suspensãocondicional do processo (Info 557, STJ); - contra pena pecuniária passível de conversão em privativa de liberdade (HC 122.563/MG); - para questionamento da razoável duração do processo; - para análise de legalidade de prisão em punições disciplinares militares; - contra instauração de IP ou indiciamento, sem que haja justa causa para estes atos (HC trancativo); - contra o indeferimento de prova de interesse do investigado ou acusado; - contra o deferimento de prova ilícita ou deferimento inválido de prova lícita; - contra a autorização judicial de quebra de sigilos – bancário, fiscal, telefônico, etc – em procedimento penal. NÃO CABE ❌ - Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus impetrado contra decisão do Relator que, em habeas corpus requerido a tribunal superior, indefere a liminar (Súmula nº 691, STF); Exceção: teratologia, flagrante ilegalidade ou abuso de poder (Info 868, STF) - Não se conhece de habeas corpus contra omissão de relator de extradição, se fundado em fato ou direito estrangeiro cuja prova não constava dos autos, nem foi ele provocado a respeito (Súmula nº 692, STF); - Não cabe HC contra decisão condenatória a pena de multa, ou relativo a processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada (Súmula nº 693, STF); 38 - Não cabe o HC contra a pena de exclusão de militar ou perda de patente ou de função pública (Súmula nº 694, STF); - Não cabe HC quando já extinta a pena privativa de liberdade (Súmula nº 695, STF); - contra decisão monocrática de Ministro do STF (Info 985); - para discussão sobre a correta fixação da competência e se existe conexão entre os crimes (Info 959, STF); - em regra, contra decisão transitada em julgado (Info 892, STF); Exceção: ilegalidade flagrante - para discutir processo criminal envolvendo o art. 28 da Lei de Drogas (Info, 887, STF); - para obter direito à visita íntima (Info 887, STF); - não é meio processual adequado para se discutir direito de visita a preso (Infos 827 e 792, STF); - para trancar processo de impeachment (Info 830, STF); - para se discutir se houve dolo eventual ou culpa consciente em homicídio praticado na direção de veículo automotor (Info 819, STF); - contra decisão monocrática de Ministro do STJ (Info 862, STF); Exceção: decisão teratológica, flagrantemente ilegal, abusiva ou manifestamente contrária à jurisprudência do STF - contra decisão do Ministro do STJ que nega a liminar em ação cautelar (Info 872, STF); - para reexame dos pressupostos de admissibilidade de recurso interposto no STJ (Info 858, STF); - para reexame dos pressupostos de admissibilidade dos recursos (Info 810, STF); - contra decisão judicial que determinou a suspensão de CNH ou do direito de dirigir (Infos 631 e 550, STJ); - para se questionar nulidade cujo tema não foi trazido antes do trânsito em julgado da ação originária e tampouco antes do trânsito em julgado da revisão criminal (Info 837, STF); - para excluir qualificadora que não era manifestamente improcedente (Info 711, STF); - para discutir tipificação dos fatos (Info 702, STF); - para rediscutir dosimetria da pena (HC 110152/MS, STF); - O STF decidiu que não tem competência para julgar habeas corpus cuja autoridade apontada como coatora seja delegado federal chefe da Interpol no Brasil (Info 722, STF); - em favor de PJ, nem mesmo para trancamento de IP sem justa causa no qual se investiga crime ambiental; - contra o efeito extrapenal de perda do cargo advindo de sentença condenatória transitada em julgado; - contra a apreensão de veículos; - para eventual pedido de reabilitação do paciente; - para assegurar a preservação da relação de confidencialidade entre cliente e advogado; - para pleitear a extração gratuita de cópias de processo criminal; - para requerimento de aditamento da denúncia a fim de incluir outro acusado; - contra a perda de direitos políticos; - para discutir a reparação civil fixada na sentença condenatória criminal; - para garantir a proteção do direito de visita a menor cuja guarda se encontre sob disputa judicial; - para discussão de mérito administrativo de prisão em punições disciplinares militares. SÚMULAS - Súmula nº 208, STF: “O assistente do Ministério Público não pode recorrer, extraordinariamente, de decisão concessiva de habeas corpus.” 39 - Súmula nº 299, STF: “O recurso ordinário e o extraordinário interpostos no mesmo processo de mandado de segurança, ou de habeas corpus, serão julgados conjuntamente pelo Tribunal Pleno.” - Súmula nº 319, STF: “O prazo do recurso ordinário para o Supremo Tribunal Federal, em habeas corpus ou mandado de segurança, é de cinco dias.” - Súmula nº 344, STF: “Sentença de primeira instância concessiva de habeas corpus, em caso de crime praticado em detrimento de bens, serviços ou interesses da União, está sujeita a recurso ex officio.” - Súmula nº 395, STF: “Não se conhece de recurso de habeas corpus cujo objeto seja resolver sobre o ônus das custas, por não estar mais em causa a liberdade de locomoção.” - Súmula nº 431, STF: “É nulo o julgamento de recurso criminal, na segunda instância, sem prévia intimação, ou publicação da pauta, salvo em habeas corpus.” - Súmula nº 606, STF: “Não cabe habeas corpus originário para o Tribunal Pleno de decisão de turma, ou do plenário, proferida em habeas corpus ou no respectivo recurso.” - Súmula nº 691, STF: “Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer de habeas corpus impetrado contra decisão do Relator que, em habeas corpus requerido a tribunal superior, indefere a liminar.” Obs.: Essa súmula não é rigorosamente aplicada pelo STF, nos casos de flagrante ilegalidade, decisões teratológicas ou abuso de poder, o Tribunal, excepcionalmente poderá conhecer de HC impetrado contra HC já impetrado perante Tribunal Superior. - Súmula nº 692, STF: “Não se conhece de habeas corpus contra omissão de relator de extradição, se fundado em fato ou direito estrangeiro cuja prova não constava dos autos, nem foi ele provocado a respeito.” - Súmula nº 693, STF: “Não cabe habeas corpus contra decisão condenatória a pena de multa, ou relativo a processo em curso por infração penal a que a pena pecuniária seja a única cominada.” - Súmula nº 694, STF: “Não cabe habeas corpus contra a imposição da pena de exclusão de militar ou de perda de patente ou de função pública.” - Súmula nº 695, STF: “Não cabe habeas corpus quando já extinta a pena privativa de liberdade.” JURIS * A via do habeas corpus é adequada para pleitear a interrupção de gravidez fora das hipóteses previstas no Código Penal (art. 28, incs. I e II), tendo em vista a real ameaça a constrição à liberdade ambulatorial, caso a gestante venha a interromper a gravidez sem autorização judicial (STJ, HC 56572/SP). * O habeas corpus é a via adequada para o devedor de pensão alimentícia pedir o afastamento de sua prisão, contudo não pode alegar incapacidade de arcar com o pagamentos dos valores executados. Em outras palavras, não é possível analisar o binônimo necessidade/possibilidade em HC (STJ, HC 224769/DF). 40 * Na apreciação do habeas corpus, o órgão jurisdicional não está vinculado à causa de pedir e ao pedido, podendo ser a ordem concedida, em sentido diverso ou mais amplo do que for pleiteado ou mencionado pelo impetrante (STJ, HC 69421/SP). LXIX - conceder-se-á MANDADO DE SEGURANÇA para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data (caráter residual), quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público; LXX - o MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO pode ser impetrado por: a) partido político com representação no Congresso Nacional; b) organização sindical,entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados; #INFO - O ato praticado sem motivação pode ser corrigido se a fundamentação for feita pela autoridade nas informações prestadas no mandado de segurança. O ato de remoção de servidor público por interesse da Administração Pública deve ser motivado. Caso não o seja, haverá nulidade. No entanto, é possível que o vício da ausência de motivação seja corrigido em momento posterior à edição dos atos administrativos impugnados. Assim, se a autoridade removeu o servidor sem motivação, mas ela, ao prestar as informações no mandado de segurança, trouxe aos autos os motivos que justificaram a remoção, o vício que existia foi corrigido. STJ. 1ª Turma. AgRg no RMS 40.427-DF, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 3/9/2013 (Info 529). MANDADO DE SEGURANÇA (MS) BASE CONSTITUCIONAL - Art. 5º, LXIX (individual) e LXX (coletivo), CF BASE LEGAL - Lei nº 12.016/09 HISTÓRICO - MS Individual - CF de 1934 (ausente na CF de 37) - MS Coletivo - CF de 1988 DICAS - Ação residual (cabível quando não couber HC ou HD); - Não admite dilação probatória; - Exige prova pré-constituída (assim como no HC). OBJETO - proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do Poder Público. LEGITIMIDADE Ativa - MS Individual * detentor do direito líquido e certo, podendo ser qualquer pessoa física, jurídica, alguns órgãos públicos com capacidade processual, agentes políticos, além de outros entes despersonalizados com capacidade processual. - MS Coletivo * partido político com representação no Congresso Nacional * organização sindical * entidade de classe * associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos 1 ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados Passiva * autoridade coatora ESPÉCIES - Preventivo: quando há temor de violação a direito líquido e certo. - Repressivo: quando já ocorreu violação a direito líquido e certo. Prazo decadencial de 120 dias. AÇÃO - Civil 41 LIMINAR - Sim - NÃO SERÁ CONCEDIDA MEDIDA LIMINAR EM MS QUE TENHA POR OBJETO: * compensação de créditos tributários; * entrega de mercadorias e bens provenientes do exterior; * reclassificação ou equiparação de servidores públicos; * concessão de aumento ou a extensão de vantagens ou pagamento de qualquer natureza. ADVOGADO - Sim GRATUITO - NÃO PRAZO - Decadencial = 120 dias - MS repressivo COMPETÊNCIA - Foro por prerrogativa função estabelecido na CF (de acordo com a autoridade coatora ou paciente) NÃO CABIMENTO - CONTRA * Atos de gestão comercial praticados por administradores de EP, SEM e de Concessionárias (art. 1º, § 2o, da Lei 12.016/09); * Lei em tese (súmula nº 266, STF); * Ato judicial passível de recurso ou correição (súmula nº 267, STF); * Decisão judicial transitada em julgado (art. 5º, III, da Lei 12.016/09; súmula nº 268, STF); * Ato que caiba recurso administrativo COM efeito suspensivo, independentemente de caução (art. 5º, I, da Lei 12.016/09); * Decisão judicial que caiba recurso COM efeito suspensivo (art. 5º, II, da Lei 12.016/09). - PARA * convalidar a compensação tributária realizada pelo contribuinte (súmula nº 460, STJ). Obs.: Cabe para a declaração do direito à compensação tributária (súmula nº 213, STJ). MS NÃO SUBSTITUI * Ação popular (súmula nº 101, STF); * Ação de cobrança (súmula nº 269, STF). NÃO CABE NO PROCESSO DE MS * Condenação em honorários advocatícios (art. 25, Lei nº 12.016/09; súmula nº 512, STF; súmula nº 105, STJ); * Interposição de embargos infringentes (art. 25, Lei nº 12.016/09). SÚMULAS STF - Súmula nº 101, STF: “O mandado de segurança não substitui a ação popular.” - Súmula nº 266, STF: “Não cabe mandado de segurança contra lei em tese.” Obs.: Alguns autores apontam que uma exceção a essa súmula seria a lei de efeitos concretos. - Súmula nº 267, STF: “Não cabe mandado de segurança contra ato judicial passível de recurso ou correição.” Exceção: O STJ admite MS contra ato judicial passível de recurso se houver, no caso concreto, uma situação teratológica, abusiva, que possa gerar dano irreparável e desde que o recurso previsto não tenha ou não possa obter efeito suspensivo (STJ AgRg no MS 18.995/DF). - Súmula nº 268, STF: “Não cabe mandado de segurança contra decisão judicial com trânsito em julgado.” 42 Exceção: #INFO - O mandado de segurança deverá ter seu mérito apreciado independentemente de superveniente trânsito em julgado da decisão questionada pelo mandamus. É incabível mandado de segurança contra decisão judicial transitada em julgado (art. 5º, III, da Lei nº 12.016/2009 e Súmula nº 268-STF). No entanto, se a impetração do mandado de segurança for anterior ao trânsito em julgado da decisão questionada, mesmo que este venha a acontecer posteriormente, o mérito do MS deverá ser julgado, não podendo ser invocado o seu não cabimento ou a perda de objeto. STJ. Corte Especial. EDcl no MS 22.157-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 14/03/2019 (Info 650). - Súmula nº 269, STF: “O mandado de segurança não é substitutivo de ação de cobrança.” - Súmula nº 429, STF: “A existência de recurso administrativo com efeito suspensivo não impede o uso do mandado de segurança contra omissão da autoridade.” - Súmula nº 430, STF: “Pedido de reconsideração na via administrativa não interrompe o prazo para o mandado de segurança.” - Súmula nº 510, STF: “Praticado o ato por autoridade, no exercício de competência delegada, contra ela cabe o mandado de segurança ou a medida judicial.” - Súmula nº 512, STF: “Não cabe condenação em honorários de advogado na ação de mandado de segurança.” - Súmula nº 623, STF: “Não gera por si só a competência originária do Supremo Tribunal Federal para conhecer do mandado de segurança com base no art. 102, I, n, da Constituição, dirigir-se o pedido contra deliberação administrativa do tribunal de origem, da qual haja participado a maioria ou a totalidade de seus membros.” - Súmula nº 624, STF: “Não compete ao Supremo Tribunal Federal conhecer originariamente de mandado de segurança contra atos de outros tribunais.” Obs.: O STF não dispõe de competência originária para processar e julgar MS impetrado contra ato de outros Tribunais judiciários, ainda que se trate do STJ. Compete ao próprio STJ julgar os mandados de segurança impetrados contra seus atos ou omissões. - Súmula nº 625, STF: “Controvérsia sobre matéria de direito não impede concessão de mandado de segurança.” - Súmula nº 629, STF: “A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes.” Obs.: Não é necessária autorização dos associados porque se trata de substituição processual, situação na qual a entidade defenderá, em nome próprio, interesse alheio (de seus associados). - Súmula nº 630, STF: “A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria.” 43 - Súmula nº 632, STF: “É constitucional lei que fixa o prazo de decadência para a impetração de mandado de segurança.” - Súmula nº 701, STF: “No mandado de segurança impetrado pelo ministério público contra decisão proferida em processo penal, é obrigatória a citação do réu como litisconsorte passivo.” STJ - Súmula nº 105, STJ: “Na ação de mandado de segurança não se admite condenação em honorários advocatícios.” - Súmula nº 213, STJ: “O mandado de segurança constitui ação adequada paraa declaração do direito à compensação tributária.” - Súmula nº 333, STJ: “Cabe mandado de segurança contra ato praticado em licitação promovida por sociedade de economia mista ou empresa pública.” - Súmula nº 376, STJ: “Compete à turma recursal processar e julgar o mandado de segurança contra ato de juizado especial.” - Súmula nº 460, STJ: “É incabível o mandado de segurança para convalidar a compensação tributária realizada pelo contribuinte.” #NÃOCONFUNDA: - convalidar a compensação tributária: não cabe - declarar o direito a compensação tributária: cabe - Súmula nº 604, STJ: “O mandado de segurança não se presta para atribuir efeito suspensivo a recurso criminal interposto pelo Ministério Público.” - Súmula nº 628, STJ: “A teoria da encampação é aplicada no mandado de segurança quando presentes, cumulativamente, os seguintes requisitos: a) existência de vínculo hierárquico entre a autoridade que prestou informações e a que ordenou a prática do ato impugnado; b) manifestação a respeito do mérito nas informações prestadas; e c) ausência de modificação de competência estabelecida na Constituição Federal.” LXXI - conceder-se-á MANDADO DE INJUNÇÃO sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania; MANDADO DE INJUNÇÃO (MI) BASE CONSTITUCIONAL - Art. 5º, LXXI, CF BASE LEGAL - Lei nº 13.300/16 HISTÓRICO - CF de 1988 OBJETO - suprir a falta de norma regulamentadora que torna inviável o exercício de direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. LEGITIMIDADE Ativa - MI Individual * qualquer pessoa física ou jurídica - MI Coletivo * partido político com representação no Congresso Nacional * organização sindical 44 * entidade de classe * associação legalmente constituída e em funcionamento há pelo menos 1 ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados * Ministério Público * Defensoria Pública Obs.: Os legitimados não são previstos na CF, mas na Lei nº 13.300/16 e tem mais legitimados que o MS coletivo. Passiva * autoridade ou órgãos responsáveis pela edição da medida ou da norma regulamentadora. AÇÃO - Civil LIMINAR - NÃO ADVOGADO - Sim GRATUITO - NÃO PRAZO - Não há prazo! COMPETÊNCIA - Foro por prerrogativa de função estabelecido na CF (de acordo com a autoridade competente para criar o ato) EFEITOS DA DECISÃO CONCESSIVA (TEORIAS) - POSIÇÃO NÃO-CONCRETISTA A decisão concessiva da injunção tem natureza declaratória. O Judiciário apenas reconhece a omissão na edição da norma regulamentadora, ou seja, a mora do legislador. O Poder Judiciário não poderia suprir a omissão da norma faltante, tampouco determinar prazo para o legislador elaborar a lei, restando a sentença tendo efeito apenas de declarar a mora legislativa. Esta é a posição clássica do STF até 2007. - POSIÇÃO CONCRETISTA * Geral A decisão judicial produz efeitos erga omnes, permitindo a viabilização do exercício do direito para todos, até que sobrevenha a norma pendente. Este posicionamento atribui ao Judiciário o papel de legislador positivo. Adotada pelo STF. * Individual A decisão judicial produz efeitos inter partes. **Direta O Judiciário deve implementar o direito e forma imediata, sendo desnecessário aguardar que o órgão ou autoridade competentes se disponham a fazê-lo. Adotada como EXCEÇÃO pela Lei nº 13.300/16 ** Intermediária O Judiciário não deve implementar o direito e forma imediata, pois deve, inicialmente, reconhecer a mora e dar ciência ao órgão ou autoridade impetrada a fim de que a solução seja apresentada. Caso o prazo transcorra sem que a omissão seja suprida, aí sim o órgão julgador deve tomar as providências pertinentes. Adotada como REGRA pela Lei nº 13.300/16 MANDADO DE INJUNÇÃO ADI POR OMISSÃO – ADO Previsão Art. 5º, LXXI, CF e Lei nº 13.300/16 Art. 103, § 2º, CF e Lei nº 9.868/99 Natureza do Processo Subjetivo (em defesa de direito do impetrante) Objetivo (em defesa do ordenamento jurídico) Finalidade A finalidade é viabilizar o exercício de um direito. Há controle concreto. A finalidade é declarar que há uma omissão, já que não existe determinada medida necessária para tornar efetiva uma norma constitucional. Há controle abstrato. 45 Cabimento Cabível quando faltar norma regulamentadora de direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. Cabível quando faltar norma regulamentadora relacionada com qualquer norma constitucional de eficácia limitada. Legitimados Ativos MI individual: pessoas físicas ou jurídicas; Legitimados do art. 103 da CF/88. (mesmos da ADI/ADC) MI coletivo: Art. 12 da Lei nº 13.300/16. Legitimados Passivos Autoridade ou órgãos responsáveis pela edição da medida ou da norma regulamentadora. Autoridade ou órgãos responsáveis pela edição da medida ou da norma regulamentadora. Competência Dependerá da autoridade que possua atribuição para editar a norma. Se relacionada com norma da CF: STF; Se relacionada com norma da CE: TJ. Nat. do Controle Concreto Abstrato Efeitos da decisão Em regra, inter partes (art. 9º - Lei 13.300/16) Art. 9º A decisão terá eficácia subjetiva limitada às partes e produzirá efeitos até o advento da norma regulamentadora. § 1º Poderá ser conferida eficácia ultra partes ou erga omnes à decisão, quando isso for inerente ou indispensável ao exercício do direito, da liberdade ou da prerrogativa objeto da impetração. § 2º Transitada em julgado a decisão, seus efeitos poderão ser estendidos aos casos análogos por decisão monocrática do relator. § 3º O indeferimento do pedido por insuficiência de prova não impede a renovação da impetração fundada em outros elementos probatórios. Em regra, erga omnes Prazos Art. 8º Reconhecido o estado de mora legislativa, será deferida a injunção para: I - determinar prazo razoável para que o impetrado promova a edição da norma regulamentadora; II - estabelecer as condições em que se dará o exercício dos direitos, das liberdades ou das prerrogativas reclamados ou, se for o caso, as condições em que poderá o interessado promover ação própria visando a exercê-los, caso não seja suprida a mora legislativa no prazo determinado. Parágrafo único. Será dispensada a determinação a que se refere o inciso I do caput quando comprovado que o impetrado deixou de atender, em mandado de injunção anterior, ao prazo estabelecido para a edição da norma. Art. 103, § 2º, CF. Declarada a inconstitucionalidade por omissão, o Judiciário dará ciência ao Poder competente para que este adote as providências necessárias e, em se tratando de órgão administrativo, para fazê-lo em trinta dias. - Se for órgão administrativo: trinta dias ou prazo razoável; - Se for o Poder Legislativo: não há prazo. LXXII - conceder-se-á HABEAS DATA: a) para assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráter público; b) para a retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo; 46 HABEAS DATA (HD) BASE CONSTITUCIONAL - Art. 5º, LXXII, CF BASE LEGAL - Lei nº 9.507/97 HISTÓRICO - CF de 1988 DICAS - Não admite dilação probatória; - É necessária prova pré-constituída. - Procedimento especial; - Tem prioridade sobre todos os atos judiciais. Exceção: HC e MS OBJETO - assegurar o conhecimento de informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados de entidades governamentais ou de caráterpúblico - retificação de dados, quando não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo LEGITIMIDADE Ativa * qualquer pessoa, física ou jurídica, seja nacional ou estrangeira, para ter acesso às informações a seu respeito. * Ação personalíssima (exceção: herdeiro do de cujus - STF); Passiva * entidades governamentais ou particulares que tenham caráter público. AÇÃO - Civil LIMINAR - Sim (Não há previsão. Prevalece que cabe) ADVOGADO - Sim GRATUITO - Sim PRAZO - Não há prazo! COMPETÊNCIA - Foro por prerrogativa de função estabelecido na CF (de acordo com a autoridade coatora) CONDICIONAMENTO ADMINISTRATIVO - Exige condicionamento administrativo – recusa das informações pela autoridade administrativa (Súmula nº 2, STJ) NÃO CABE - para que se tenha acesso a autos de processos administrativos (STF) - para a obtenção de acesso aos critérios utilizados em correção de prova discursiva aplicada em concursos públicos (STJ) SÚMULAS - Súmula nº 2, STJ: “Não cabe o habeas data (CF, art. 5º, LXXII, letra "a") se não houve recusa de informações por parte da autoridade administrativa.” LXXIII - qualquer cidadão é parte legítima para propor AÇÃO POPULAR que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, SALVO comprovada má-fé, ISENTO de custas judiciais e do ônus da sucumbência; AÇÃO POPULAR (AP) BASE CONSTITUCIONAL - Art. 5º, LXXIII, CF BASE LEGAL - Lei nº 4.717/65 HISTÓRICO - CF de 1934 (ausente na CF de 37) OBJETO - Anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural LEGITIMIDADE Ativa - Somente o cidadão tem legitimidade ativa (brasileiro nato ou naturalizado); *A cidadania é comprovada mediante título de eleitor ou documento que a ele corresponda. *O menor com 16 anos, desde que tenha título de eleitor e que esteja em pleo gozo de seus direitos políticos, é legitimado, ainda que sem assistência. 47 Não podem propor ação popular: #JACIAU * Inalistáveis; * Inalistados; * Pessoa Jurídica (S. 365, STF); * Ministério Público (Obs.: Pode promover o prosseguimento em caso de desistência ou absolvição de instância). Passiva (Litisconsórcio passivo necessário) - pessoas públicas ou privadas e as entidades referidas no art. 1º; - autoridades, funcionários ou administradores que houverem autorizado, aprovado, ratificado ou praticado o ato impugnado, ou que, por omissas, tiverem dado oportunidade à lesão; - beneficiários diretos do mesmo. ESPÉCIES - Preventiva e Repressiva AÇÃO - Civil LIMINAR - Sim ADVOGADO - Sim GRATUITO - Sim Salvo comprovada má-fé PRAZO - Prescricional = 5 anos COMPETÊNCIA - É julgada em 1ª instância (Estadual ou Federal); Não há foro por prerrogativa de função! SÚMULAS - Súmula nº 101, STF: “O mandado de segurança não substitui a ação popular.” - Súmula nº 365, STF: “Pessoa jurídica não tem legitimidade para propor ação popular.” LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos; LXXV - o Estado indenizará o condenado por erro judiciário, assim como o que ficar preso além do tempo fixado na sentença; LXXVI - são GRATUITOS para os reconhecidamente pobres, na forma da lei: a) o registro civil de nascimento; b) a certidão de óbito; LXXVII - são GRATUITAS as ações de HABEAS CORPUS e HABEAS DATA, e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania. PREVISÃO CONSTITUCIONAL DE ISENÇÃO DE CUSTAS - Habeas Corpus; - Habeas Data; - Ação Popular (salvo se comprovada má-fé do autor); - Direito de petição; - Obtenção de certidões; - Na forma da lei, Atos necessários ao exercício da cidadania; - Na forma da lei, Registro civil de nascimento (para os reconhecidamente pobres); - Na forma da lei, Certidão de óbito (para os reconhecidamente pobres). 48 LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. § 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação IMEDIATA. Obs.: Exemplo de elemento FORMAL DE APLICABILIDADE. § 2º Os direitos e garantias expressos nesta Constituição NÃO EXCLUEM outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. Obs.: O rol dos direitos fundamentais previsto na CF é EXEMPLIFICATIVO, a teor de seu art. 5º, § 2º. § 3º Os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados, em cada casa do congresso nacional, em dois turnos, por três quintos dos votos dos respectivos membros, serão equivalentes às EMENDAS CONSTITUCIONAIS. TRATADOS INTERNACIONAIS (POSIÇÃO HIERÁRQUICA) Tratado Status Parâmetro p/ Controle Exemplo Tratado internacional de direitos humanos aprovado em procedimento especial – 2 turnos de aprovação em cada casa e quórum de 3/5. Emenda Constitucional Sim (Parâmetro de Constitucionalidade) - Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu respectivo Protocolo Facultativo - Convenção de Nova Iorque; e - Tratado de Marraqueche para facilitar o acesso a obras publicadas às pessoas cegas, com deficiência visual ou com outras dificuldades para aceder ao texto impresso. Tratado internacional de direitos humanos aprovado em procedimento simples. Norma Supralegal Não (Parâmetro de Convencionalidade ou Supralegalidade) - Pacto de São José de Costa Rica (CADH) Tratado internacional sobre outros assuntos. Lei Ordinária Federal Não (Parâmetro de Legalidade) - Convenção interamericana para prevenir, punir e erradicar a violência contra a mulher – Convenção de Belém do Pará § 4º O Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional a cuja criação tenha manifestado adesão. SÚMULAS SOBRE DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS STF STJ - Súmula Vinculante nº 25: “É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito.” - Súmula nº 654, STF: “A garantia da irretroatividade da lei, prevista no art. 5º, XXXVI, da Constituição da República, não é invocável pela entidade estatal que a tenha editado.” - Súmula nº 2, STJ: “Não cabe o habeas data (CF, art. 5º, LXXII, letra "a") se não houve recusa de informações por parte da autoridade administrativa.” - Súmula nº 403, STJ: “Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não autorizada da imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais.” - Súmula nº 419, STJ: “Descabe a prisão civil do depositário infiel.” 49 - Súmula nº 444, STJ: “É vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso para agravar a pena-base.” #INFO JURISPRUDÊNCIA SOBRE DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS (OUTROS JULGAOS) - Constitucionalidade do sistema de cotas raciais em concursos públicos. A Lei nº 12.990/2014 estabeleceu uma cota aos negros de 20% das vagas em concursos públicos realizados no âmbito da administração pública federal, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista controladas pela União. O STF declarou que essa Lei é constitucional e fixou a seguinte tese de julgamento: "É constitucional a reserva de 20% das vagas oferecidas nos concursos públicos para provimento de cargos efetivos e empregos públicos no âmbito da administração pública direta e indireta.” STF. Plenário. ADC 41/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 8/6/2017 (Info 868). - Alémda autodeclaração, é possível que a Administração Pública adote critérios de heteroidentificação para analisar se o candidato se enquadra nos parâmetros da cota. A Lei nº 12.990/2014 estabeleceu uma cota aos negros de 20% das vagas em concursos públicos da administração pública federal, direta e indireta. Segundo o art. 2º da Lei, poderão concorrer às vagas reservadas a candidatos negros aqueles que se autodeclararem pretos ou pardos no ato da inscrição no concurso público, conforme o quesito cor ou raça utilizado pelo IBGE. Trata-se do chamado critério da autodeclaração. O STF afirmou que este critério é constitucional. Entretanto, é possível também que a Administração Pública adote um controle heterônomo, sobretudo quando existirem fundadas razões para acreditar que houve abuso na autodeclaração. Assim, é legítima a utilização de critérios subsidiários de heteroidentificação dos candidatos que se declararam pretos ou pardos. A finalidade é combater condutas fraudulentas e garantir que os objetivos da política de cotas sejam efetivamente alcançados. Vale ressaltar que tais critérios deverão respeitar a dignidade da pessoa humana e assegurar o contraditório e a ampla defesa. Exemplos desse controle heterônomo: exigência de autodeclaração presencial perante a comissão do concurso; exigência de apresentação de fotos pelos candidatos; formação de comissões com composição plural para entrevista dos candidatos em momento posterior à autodeclaração. Essa conclusão do STF foi resumida na seguinte tese de julgamento: "É legítima a utilização, além da autodeclaração, de critérios subsidiários de heteroidentificação, desde que respeitada a dignidade da pessoa humana e garantidos o contraditório e a ampla defesa". STF. Plenário. ADC 41/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 8/6/2017 (Info 868). - STF determina que Ministério da Saúde faça a divulgação integral de dados sobre Covid-19. #COVID A redução da transparência dos dados referentes à pandemia de COVID-19 representa violação a preceitos fundamentais da Constituição Federal, nomeadamente o acesso à informação, os princípios da publicidade e transparência da Administração Pública e o direito à saúde. STF. Plenário. ADPF 690 MC-Ref/DF, ADPF 691 MC-Ref/DF e ADPF 692 MC-Ref/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 20/11/2020 (Info 1000). - É INCONSTITUCIONAL lei estadual que proíba a Administração Pública de contratar empresa que tenha tido empregado condenado por crime ou contravenção relacionados com a prática de atos discriminatórios. É inconstitucional lei estadual que proíba que a Administração Pública contrate empresa cujo diretor, gerente ou empregado tenha sido condenado por crime ou contravenção relacionados com a prática de atos discriminatórios. Essa lei viola os princípios da intransmissibilidade da pena, da responsabilidade pessoal e do devido processo legal. STF. Plenário. ADI 3092, Rel. Marco Aurélio, julgado em 22/06/2020 (Info 987 – clipping). 50 - É INCONSTITUCIONAL lei municipal que proíba a divulgação de material com referência a “ideologia de gênero” nas escolas municipais. Compete privativamente à União legislar sobre diretrizes e bases da educação nacional (art. 22, XXIV, da CF), de modo que os Municípios não têm competência para editar lei proibindo a divulgação de material com referência a “ideologia de gênero” nas escolas municipais. Existe inconstitucionalidade formal. Há também inconstitucionalidade material nessa lei. Lei municipal proibindo essa divulgação viola: • a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber (art. 206, II, CF/88); e • o pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas (art. 206, III). Essa lei contraria ainda um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil, que é a promoção do bem de todos sem preconceitos (art. 3º, IV, CF/88). Por fim, essa lei não cumpre com o dever estatal de promover políticas de inclusão e de igualdade, contribuindo para a manutenção da discriminação com base na orientação sexual e identidade de gênero. STF. Plenário. ADPF 457, Rel. Alexandre de Moraes, julgado em 27/04/2020 (Info 980 – clipping). - É INCONSTITUCIONAL Lei distrital que preveja percentual de vagas nas universidades públicas reservadas para alunos que estudaram nas escolas públicas do Distrito Federal, excluindo, portanto, alunos de escolas públicas de outros Estados da Federação. É inconstitucional a lei distrital que preveja que 40% das vagas das universidades e faculdades públicas do Distrito Federal serão reservadas para alunos que estudaram em escolas públicas do Distrito Federal. Essa lei, ao restringir a cota apenas aos alunos que estudaram no Distrito Federal, viola o art. 3º, IV e o art. 19, III, da CF/88, tendo em vista que faz uma restrição injustificável entre brasileiros. Vale ressaltar que a inconstitucionalidade não está no fato de ter sido estipulada a cota em favor de alunos de escolas públicas, mas sim em razão de a lei ter restringindo as vagas para alunos do Distrito Federal, em detrimento dos estudantes de outros Estados da Federação. STF. Plenário. ADI 4868, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 27/03/2020 (Info 973). - Classificação indicativa dos programas de rádio e TV. É inconstitucional a expressão “em horário diverso do autorizado” contida no art. 254 do ECA. "Art. 254. Transmitir, através de rádio ou televisão, espetáculo em horário diverso do autorizado ou sem aviso de sua classificação: Pena - multa de vinte a cem salários de referência; duplicada em caso de reincidência a autoridade judiciária poderá determinar a suspensão da programação da emissora por até dois dias." O Estado não pode determinar que os programas somente possam ser exibidos em determinados horários. Isso seria uma imposição, o que é vedado pelo texto constitucional por configurar censura. O Poder Público pode apenas recomendar os horários adequados. A classificação dos programas é indicativa (e não obrigatória). STF. Plenário. ADI 2404/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 31/8/2016 (Info 837). - Violam a CF/88 os atos de busca e apreensão de materiais de cunho eleitoral e a suspensão de atividades de divulgação de ideias em universidades públicas e privadas. São inconstitucionais os atos judiciais ou administrativos que determinem ou promovam: • o ingresso de agentes públicos em universidades públicas e privadas; • o recolhimento de documentos (ex: panfletos); • a interrupção de aulas, debates ou manifestações de docentes e discentes universitários; • a realização de atividade disciplinar docente e discente e a coleta irregular de depoimentos desses cidadãos pela prática de manifestação livre de ideias e divulgação do pensamento nos ambientes universitários ou em equipamentos sob a administração de universidades públicas e privadas. STF. Plenário. ADPF 548 MC-Ref/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 31/10/2018 (Info 922). - Judiciário pode determinar a realização de obras de acessibilidade em prédios públicos. O Poder Judiciário pode condenar universidade pública a adequar seus prédios às normas de acessibilidade a fim de permitir a sua utilização por pessoas com deficiência. No campo dos direitos individuais e sociais de absoluta prioridade, o juiz não deve se impressionar nem se sensibilizar com alegações de conveniência e oportunidade trazidas pelo administrador relapso. 51 Se um direito é qualificado pelo legislador como absoluta prioridade, deixa de integrar o universo de incidência da reserva do possível, já que a sua possibilidade é obrigatoriamente, fixada pela Constituição ou pela lei. STJ. 2ª Turma. REsp 1.607.472-PE, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 15/9/2016 (Info 592). - Poder Judiciário pode impor obrigação de obras emergenciais em estabelecimento prisional. É lícito ao Poder Judiciário impor àAdministração Pública obrigação de fazer, consistente na promoção de medidas ou na execução de obras emergenciais em estabelecimentos prisionais para dar efetividade ao postulado da dignidade da pessoa humana e assegurar aos detentos o respeito à sua integridade física e moral, nos termos do que preceitua o art. 5º, XLIX, da CF, não sendo oponível à decisão o argumento da reserva do possível nem o princípio da separação dos poderes. STF. Plenário. RE 592581/RS, rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 13/8/2015 (Info 794). - Poder Judiciário pode obrigar a Administração Pública a manter quantidade mínima de determinado medicamento em estoque. A Administração Pública pode ser obrigada, por decisão do Poder Judiciário, a manter estoque mínimo de determinado medicamento utilizado no combate a certa doença grave, de modo a evitar novas interrupções no tratamento. Não há violação ao princípio da separação dos poderes no caso. Isso porque com essa decisão o Poder Judiciário não está determinando metas nem prioridades do Estado, nem tampouco interferindo na gestão de suas verbas. O que se está fazendo é controlar os atos e serviços da Administração Pública que, neste caso, se mostraram ilegais ou abusivos já que, mesmo o Poder Público se comprometendo a adquirir os medicamentos, há falta em seu estoque, ocasionando graves prejuízos aos pacientes. Assim, não tendo a Administração adquirido o medicamento em tempo hábil a dar continuidade ao tratamento dos pacientes, atuou de forma ilegítima, violando o direito à saúde daqueles pacientes, o que autoriza a ingerência do Poder Judiciário. STJ. 1ª Turma. RE 429903/RJ, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 25/6/2014 (Info 752). - É possível que o magistrado condene o autor da ofensa a divulgar a sentença condenatória nos mesmos veículos de comunicação em que foi cometida a ofensa à honra. O direito à retratação e ao esclarecimento da verdade possui previsão na Constituição da República e na Lei Civil, não tendo sido afastado pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADPF 130/DF. O princípio da reparação integral (arts. 927 e 944 do CC) possibilita o pagamento da indenização em pecúnia e in natura, a fim de se dar efetividade ao instituto da responsabilidade civil. Dessa forma, é possível que o magistrado condene o autor da ofensa a divulgar a sentença condenatória nos mesmos veículos de comunicação em que foi cometida a ofensa à honra, desde que fundamentada em dispositivos legais diversos da Lei de Imprensa. STJ. 3ª Turma. REsp 1.771.866-DF, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 12/02/2019 (Info 642). - Se o indivíduo possui contra si uma condenação criminal transitada em julgado, ele não poderá ser vigilante, mesmo que já tenha cumprido a pena há mais de 5 anos. Viola o princípio da presunção de inocência o impedimento de participação ou registro de curso de formação ou reciclagem de vigilante, por ter sido verificada a existência de inquérito ou ação penal não transitada em julgado. Assim, não havendo sentença condenatória transitada em julgado, o simples fato de existir um processo penal em andamento não pode ser considerada antecedente criminal para o fim de impedir que o vigilante se matricule no curso de reciclagem. STJ. 2ª Turma. REsp 1597088/PE, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 15/08/2017. A existência de condenação criminal transitada em julgado impede o exercício da atividade profissional de vigilante por ausência de idoneidade moral. STJ. 2ª Turma. REsp 1.666.294-DF, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 05/09/2019 (Info 658). - A omissão injustificada da Administração em providenciar a disponibilização de banho quente nos estabelecimentos prisionais fere a dignidade de presos sob sua custódia. A omissão injustificada da Administração em providenciar a disponibilização de banho quente nos estabelecimentos prisionais fere a dignidade de presos sob sua custódia. 52 A determinação de que o Estado forneça banho quente aos presos está relacionada com a dignidade da pessoa humana, naquilo que concerne à integridade física e mental a todos garantida. O Estado tem a obrigação inafastável e imprescritível de tratar prisioneiros como pessoas, e não como animais. O encarceramento configura pena de restrição do direito de liberdade, e não salvo-conduto para a aplicação de sanções extralegais e extrajudiciais, diretas ou indiretas. Em presídios e lugares similares de confinamento, ampliam-se os deveres estatais de proteção da saúde pública e de exercício de medidas de assepsia pessoal e do ambiente, em razão do risco agravado de enfermidades, consequência da natureza fechada dos estabelecimentos, propícia à disseminação de patologias. STJ. 2ª Turma. REsp 1.537.530-SP, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 27/04/2017 (Info 666). - Critérios para que o parágrafo único do art. 4º da Lei 9.883/99 seja compatível com a Constituição Federal. O parágrafo único do art. 4º da Lei 9.883/99 prevê que os órgãos que compõem o SISBIN deverão fornecer informações para a ABIN: Art. 4º (...) Parágrafo único. Os órgãos componentes do Sistema Brasileiro de Inteligência fornecerão à ABIN, nos termos e condições a serem aprovados mediante ato presidencial, para fins de integração, dados e conhecimentos específicos relacionados com a defesa das instituições e dos interesses nacionais. O Plenário do STF afirmou que esse dispositivo é constitucional desde que seja interpretado com base em quatro critérios definidos pela Corte. Assim, o STF conferiu interpretação conforme à Constituição Federal ao parágrafo único do art. 4º da Lei 9.883/99, para estabelecer que: a) os órgãos componentes do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin) somente podem fornecer dados e conhecimentos específicos à Agência Brasileira de Inteligência (Abin) quando comprovado o interesse público da medida, afastada qualquer possibilidade de esses dados atenderem interesses pessoais ou privados; b) toda e qualquer decisão que solicitar os dados deverá ser devidamente motivada para eventual controle de legalidade pelo Poder Judiciário; c) mesmo quando presente o interesse público, os dados referentes a comunicações telefônicas ou dados sujeitos à reserva de jurisdição não podem ser compartilhados na forma do dispositivo em razão daquela limitação, decorrente do respeito aos direitos fundamentais; e d) nas hipóteses cabíveis de fornecimento de informações e dados à Abin, é imprescindível procedimento formalmente instaurado e existência de sistemas eletrônicos de segurança e registro de acesso, inclusive para efeito de responsabilização, em caso de eventuais omissões, desvios ou abusos. STF. Plenário. ADI 6529 MC/DF, rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 13/8/2020 (Info 986). CAPÍTULO II DOS DIREITOS SOCIAIS Art. 6º São DIREITOS SOCIAIS a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição. Art. 7º São direitos dos trabalhadores URBANOS E RURAIS, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de LEI COMPLEMENTAR, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos; II - seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário; III - fundo de garantia do tempo de serviço; IV - salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo VEDADA sua vinculação para qualquer fim; 53 - Súmula Vinculante nº 4: “Salvo nos casos previstos na Constituição,1121 18. NORMAS GERAIS DE DIREITO FINANCEIRO – LEI Nº 4.320/1964 ........................................................................................ 1132 19. LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL – LC Nº 101/2000 .............................................................................................................. 1147 20. LEI ORGÂNICA DA SEGURIDADE SOCIAL – LEI Nº 8.212/1991 .............................................................................................. 1168 21. LEI DOS PLANOS DE BENEFÍCIOS DA PREVIDÊNCIA SOCIAL – LEI Nº 8.213/1991 ........................................................ 1195 5 1. CONSTITUIÇÃO FEDERAL DIREITO CONSTITUCIONAL – NOÇÕES INTRODUTÓRIAS CONCEITO DE CONSTITUIÇÃO SocioLógico (Fernand Lassalle) A Constituição é a soma dos fatores reais de poder que emanam da sociedade. A Constituição é um reflexo das relações de poder vigentes em determinada comunidade política. Defendia a existência duas constituições, uma real (ou efetiva) e outra escrita. - Constituição real ou efetiva: soma dos fatores reais de poder; - Constituição escrita: mera folha de papel. PolíTico (Carl SchmiTt) A Constituição decorre de uma decisão política fundamental, e se traduz na estrutura do Estado e dos Poderes e na presença de um rol de direitos fundamentais. Faz distinção entre Constituição, que são normas vinculadas à decisão política fundamental e Leis Constitucionais, que são normas, que embora integrem o texto constitucional, são dispensáveis por não comporem a decisão política fundamental do Estado. - Constituição = BIZU: DEO: Direitos Fundamentais; Estrutura do Estado e Organização dos Poderes. Jurídico (Hans Kelsen) A Constituição é enfocada em dois sentidos: a) Lógico-jurídico: é a norma fundamental hipotética pura, cuja função é servir de fundamento lógico de validade da Constituição jurídico-positivo (plano lógico). - Norma fundamental hipotética; - Plano suposto; - Fundamento lógico-transcendental de validade da Constituição jurídico-positiva. b) Jurídico-positivo: é a norma posta, norma positiva suprema, conjunto de normas que serve para regular a criação de outras normas (plano positivo). - Norma posta, positivada; - Norma positivada suprema; - Fundamento das demais normas jurídicas. Culturalista (Meirelles Teixeira) A Constituição é produto de um fato cultural, produzido pela sociedade e que sobre ela pode influir. É uma formação objetiva de cultura. Relaciona-se com o conceito de constituição total, que apresenta, na sua complexidade intrínseca, aspectos econômicos, sociológicos, jurídicos e filosóficos, a fim de abranger o seu o conceito em uma perspectiva unitária. ELEMENTOS DA CONSTITUIÇÃO (José Afonso da Silva) BIZU: O SELF Elementos Orgânicos São as normas que tratam da estrutura do Estado, dispondo sobre a sua organização e funcionamento. Exs.: Título III (Da Organização do Estado); e Título IV (Da Organização dos Poderes e do Sistema de Governo). Elementos Socioideológicos São as normas que revelam o compromisso da ordem constitucional. Exs.: Título II, Capítulo II (Dos Direitos Sociais); Título VII (Da Ordem Econômica e Financeira); e Título VIII (Da Ordem Social). Elementos de Estabilização Constitucional São as normas destinadas a garantir a solução dos conflitos constitucionais para assegurar a supremacia constitucional e a manutenção do próprio Estado. 6 Exs.: Título V, Capítulo I (Do Estado de Defesa e do Estado de Sítio); Arts. 34 a 36 (Intervenção nos Estados e Municípios); Emendas à Constituição; e Controle de Constitucionalidade. Elementos Limitativos São as normas que tratam dos limites de atuação do Estado, restringindo o poder de atuação de seus agentes para resguardar direitos indispensáveis à pessoa humana. Exs.: Título II, Capítulo I (Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos). Elementos Formais de Aplicabilidade São as normas destinadas a possibilitar a aplicação dos dispositivos constitucionais. Exs.: Preâmbulo; ADCT; e Art. 5º, § 1º (normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata). APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS (José Afonso da Silva) Normas Constitucionais de Eficácia Plena São auto-aplicáveis e não podem ser reduzidas pelo legislador infraconstitucional. - Autoaplicáveis; - Não restringíveis; - Aplicabilidade Direta, Imediata e Integral - BIZU: IDI. Ex.: Art. 2°, CF: São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário; Remédios constitucionais. Normas Constitucionais de Eficácia Contida São auto-aplicáveis, mas podem ser reduzidas pelo legislador infraconstitucional. - Autoaplicáveis; - Restringíveis; - Aplicabilidade Direta, Imediata e Não Integral - BIZU: DI. Ex.: Art. 5º, XIII, CF: é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. Normas Constitucionais de Eficácia Limitada Não auto-aplicáveis, dependendo de ato infraconstitucional ou de EC posterior para inteira aplicabilidade. - Não-autoaplicáveis; - Aplicabilidade Indireta, Mediata e Reduzida - BIZU: MI. Ex.: Art. 88, CF: A lei disporá sobre a criação e extinção de Ministérios e órgãos da administração pública; Direito de greve do servidor público. Podem ser: 1) Normas de Princípio Institutivo ou Organizativo São aquelas que dependem de lei para dar corpo, dar estrutura às instituições, pessoas e órgãos previstos na CF. Ex.: Art. 134, § 1º, CF: Lei complementar organizará a Defensoria Pública da União e do Distrito Federal e dos Territórios e prescreverá normas gerais para sua organização nos Estados, em cargos de carreira, providos, na classe inicial, mediante concurso público de provas e títulos, assegurada a seus integrantes a garantia da inamovibilidade e vedado o exercício da advocacia fora das atribuições institucionais. 2) Normas de Princípio Programático São aquelas que veiculam programas a serem implementados pelo Estado visando a realização de fins sociais. Ex.: Art. 205, CF: A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. 7 MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL Método Hermenêutico Clássico ou Jurídico (Ernest Forsthoff) Este método considera que a Constituição é uma lei como qualquer outra, devendo ser interpretada usando as regras da hermenêutica tradicional, ou seja, os elementos literal (textual), lógico (sistemático), histórico, teleológico e genético. - Elemento literal: analisa o texto da norma em sua literalidade; - Elemento lógico: avalia a relação de cada norma com o restante da Constituição; - Elemento histórico: avalia o momento de elaboração da norma (ideologia então vigente); - Elemento teleológico: busca a sua finalidade; e - Elemento genético: investiga a origem dos conceitos empregados na Constituição. BIZU: Regras de hermenêutica tradicional: gramatical, histórico, teleológico, sistemático, genético Método Tópico-problemático ou da Tópida (Theodor Viehweg) Neste método, há prevalência do problema sobre a norma, ou seja, busca-se solucionar determinado problema por meio da interpretação de norma constitucional. Este método parte das premissas seguintes: a interpretação constitucional tem caráter prático, pois busca resolver problemas concretos e a norma constitucional é aberta, de significado indeterminado (por isso, deve-se dar preferência à discussão do problema). BIZU: Prevalência do problema sobre a norma Método Hermenêutico-concretizador (Konrad Hesse) A leitura da Constituição inicia-se pelao salário mínimo não pode ser usado como indexador de base de cálculo de vantagem de servidor público ou de empregado, nem ser substituído por decisão judicial.” #INFO - Não há vedação para a fixação de piso salarial em múltiplos do salário mínimo, desde que inexistam reajustes automáticos. Não há vedação para a fixação de piso salarial em múltiplos do salário mínimo, desde que inexistam reajustes automáticos. Isso não configura afronta ao art. 7º, IV, da CF/88 nem à SV 4. STF. 1ª Turma. RE 1077813 AgR/PR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 05/02/2019 (Info 929). STF. 2ª Turma. ARE 1110094 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 29/06/2018. No mesmo sentido é a OJ 71, da SBDI-2 do TST: “A estipulação do salário profissional em múltiplos do salário mínimo não afronta o art. 7º, inciso IV, da Constituição Federal de 1988, só incorrendo em vulneração do referido preceito constitucional a fixação de correção automática do salário pelo reajuste do salário mínimo.” V - piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho; VI - irredutibilidade do salário, SALVO o disposto em convenção ou acordo coletivo; VII - garantia de salário, NUNCA INFERIOR ao mínimo, para os que percebem remuneração variável; VIII - décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria; IX – remuneração do trabalho noturno SUPERIOR à do diurno; X - proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa; XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, EXCEPCIONALMENTE, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; XII - salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos da lei; XIII - duração do trabalho normal NÃO SUPERIOR a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho; XIV - jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento, SALVO negociação coletiva; XV - repouso semanal remunerado, PREFERENCIALMENTE aos domingos; XVI - remuneração do serviço extraordinário SUPERIOR, no mínimo, em cinqüenta por cento à do normal; XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal; XVIII - licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias; XIX - licença-paternidade, nos termos fixados em lei; XX - proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei; Obs.: Norma constitucional de eficácia LIMITADA DE PRINCÍPIO PROGRAMÁTICO XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos termos da lei; XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança; 54 #INFO - É INCONSTITUCIONAL lei que autorize o trabalho de gestantes e lactantes em atividades insalubres. É inconstitucional a expressão “quando apresentar atestado de saúde, emitido por médico de confiança da mulher, que recomende o afastamento”, contida nos incisos II e III do art. 394-A da CLT, inseridos pelo art. 1º da Lei nº 13.467/2017. Essa expressão, inserida no art. 394-A da CLT, tinha como objetivo autorizar que empregadas grávidas ou lactantes pudessem trabalhar em atividades insalubres. Ocorre que o STF entendeu que o trabalho de gestantes e de lactantes em atividades insalubres viola a Constituição Federal. O art. 6º da CF/88 proclama importantes direitos, entre eles a proteção à maternidade, a proteção do mercado de trabalho da mulher e redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança. A proteção para que a gestante e a lactante não sejam expostas a atividades insalubres caracteriza-se como importante direito social instrumental que protege não apenas a mulher como também a criança (art. 227 da CF/88). A proteção à maternidade e a integral proteção à criança são direitos irrenunciáveis e não podem ser afastados pelo desconhecimento, impossibilidade ou a própria negligência da gestante ou lactante em apresentar um atestado médico, sob pena de prejudicá-la e prejudicar o recém-nascido. Em suma, é proibido o trabalho da gestante ou da lactante em atividades insalubres. STF. Plenário. ADI 5938/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 29/5/2019 (Info 942). XXIII - adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei; XXIV - aposentadoria; XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5 (cinco) anos de idade em creches e pré-escolas; XXVI - reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho; XXVII - proteção em face da automação, na forma da lei; XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa; XXIX - ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, ATÉ O LIMITE de dois anos após a extinção do contrato de trabalho; XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil; - Súmula nº 683, STF: “O limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. 7º, XXX, da Constituição, quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido.” XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência; XXXII - proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os profissionais respectivos; XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a MENORES de dezoito e de qualquer trabalho a MENORES de dezesseis anos, SALVO na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos; 55 PROIBIÇÃO DE TRABALHO Menores de 18 anos - noturno - perigoso ou - insalubre Menores 16 anos - Regra: qualquer trabalho 💣 Exceção: aprendiz (a partir de 14 anos) #INFO - A EC 20/98 ampliou a proibição do trabalho infantil ao elevar de 14 para 16 anos a idade mínima permitida para o trabalho; essa alteração é constitucional e tem por objetivo proteger as crianças e adolescentes. A norma fundada no art. 7º, XXXIII, da Constituição Federal, na alteração que lhe deu a Emenda Constitucional 20/1998, tem plena validade constitucional. Logo, é vedado “qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos”. STF. Plenário. ADI 2096/DF, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 9/10/2020 (Info 994). XXXIV - igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso. Parágrafo único. SÃO ASSEGURADOS à categoria dos TRABALHADORES DOMÉSTICOS os direitos previstos nos incisos IV, VI, VII, VIII, X, XIII, XV, XVI, XVII, XVIII, XIX, XXI, XXII, XXIV, XXVI, XXX, XXXI e XXXIII e, atendidas as condições estabelecidas em lei e observada a simplificação do cumprimento das obrigações tributárias, principais e acessórias, decorrentes da relação de trabalho e suas peculiaridades, os previstos nos incisos I, II, III, IX, XII, XXV e XXVIII, bem como a sua integração à previdência social. TRABALHADORES DOMÉSTICOS EFICÁCIA PLENA EFICÁCIA LIMITADA NÃO POSSUEM IV - salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem opoder aquisitivo, sendo VEDADA sua vinculação para qualquer fim; VI - irredutibilidade do salário, SALVO o disposto em convenção ou acordo coletivo; VII - garantia de salário, NUNCA INFERIOR ao mínimo, para os que percebem remuneração variável; VIII - décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria; X - proteção do salário na forma da lei, constituindo crime sua retenção dolosa; XIII - duração do trabalho normal NÃO SUPERIOR a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, I - relação de emprego protegida contra despedida arbitrária ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que preverá indenização compensatória, dentre outros direitos; II - seguro-desemprego, em caso de desemprego involuntário; III - fundo de garantia do tempo de serviço; IX – remuneração do trabalho noturno SUPERIOR à do diurno; XII - salário-família pago em razão do dependente do trabalhador de baixa renda nos termos da lei; XXV - assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 5 (cinco) anos de idade em creches e pré-escolas; XXVIII - seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa; V – piso salarial proporcional à extensão e à complexidade do trabalho; XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; XIV – jornada de seis horas para o trabalho realizado em turnos ininterruptos de revezamento, salvo negociação coletiva; XX – proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante incentivos específicos, nos termos da lei; XXIII – adicional de remuneração para as atividades penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei; XXVII – proteção em face da automação, na forma da lei; XXIX – ação, quanto aos créditos resultantes das relações de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos 56 mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho; XV - repouso semanal remunerado, PREFERENCIALMENTE aos domingos; XVI - remuneração do serviço extraordinário SUPERIOR, no mínimo, em cinqüenta por cento à do normal; XVII - gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos, um terço a mais do que o salário normal; XVIII - licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias; XIX - licença-paternidade, nos termos fixados em lei; XXI - aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo no mínimo de trinta dias, nos termos da lei; XXII - redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança; XXIV - aposentadoria; XXVI - reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho; XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil; XXXI - proibição de qualquer discriminação no tocante a salário e critérios de admissão do trabalhador portador de deficiência; XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a MENORES de dezoito e de qualquer trabalho a MENORES de dezesseis anos, SALVO na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos; após a extinção do contrato de trabalho; XXXII – proibição de distinção entre trabalho manual, técnico e intelectual ou entre os profissionais respectivos; XXXIV – igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo empregatício permanente e o trabalhador avulso; Art. 8º É livre a ASSOCIAÇÃO PROFISSIONAL OU SINDICAL, observado o seguinte: I - a lei não poderá exigir autorização do Estado para a fundação de sindicato, ressalvado o registro no órgão competente, VEDADAS ao Poder Público a interferência e a intervenção na organização sindical; II - é VEDADA a criação de mais de uma organização sindical, em qualquer grau, representativa de categoria profissional ou econômica, na mesma base territorial, que será definida pelos trabalhadores ou empregadores interessados, não podendo ser inferior à área de um Município; (PRINCÍPIO DA UNICIDADE SINDICAL) 57 #INFO - É indispensável o registro do sindicato no Ministério do Trabalho para poder ingressar em juízo na defesa de seus filiados. A legitimidade dos sindicatos para representação de determinada categoria depende do devido registro no Ministério do Trabalho em obediência ao princípio constitucional da unicidade sindical (art. 8º, II, da CF/88). STF. 1ª Turma. RE 740434 AgR/MA, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19/2/2019 (Info 931). III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas; Obs.: Trata-se de SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL, e não de representação judicial (como ocorre com as associações). #NÃOCONFUNDA: Ação Coletiva proposta por ASSOCIAÇÃO Ação Coletiva proposta por SINDICATO Art. 5º (...) XXI - as entidades associativas, quando expressamente autorizadas, têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente; Art. 8º (...) III - ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões judiciais ou administrativas; A associação atua como representante processual (atua em nome dos associados) O sindicato atua como substituto processual (atua em nome próprio defendendo direito alheio) A associação precisa de autorização dos associados para propor a ação coletiva na defesa de seus interesses. O sindicato não precisa de autorização dos membros da categoria (trabalhadores) para propor a ação coletiva na defesa de seus interesses. A associação é obrigada a apresentar a relação nominal dos associados que autorizaram a demanda juntamente com a petição inicial da ação proposta. O sindicato não precisa apresentar a relação nominal dos substituídos juntamente com a petição inicial da ação proposta. *Fonte: site Dizer o Direito. IV - a assembléia geral fixará a contribuição que, em se tratando de categoria profissional, será descontada em folha, para custeio do sistema confederativo da representação sindical respectiva, INDEPENDENTEMENTE da contribuição prevista em lei; - Súmula Vinculante nº 40: “A contribuição confederativa de que trata o art. 8º, IV, da Constituição Federal só é exigível dos filiados ao sindicato respectivo.” V - ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato; VI - é OBRIGATÓRIA a participação dos sindicatos nas negociações coletivas de trabalho; VII - o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado nas organizações sindicais; VIII - é VEDADA a dispensa do empregado sindicalizado a partir do registro da candidatura a cargo de direção ou representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, ATÉ um ano após o final do mandato, SALVO se cometer falta grave nos termos da lei. Parágrafo único. As disposições deste artigo APLICAM-SE à organização de sindicatos rurais e de colônias de pescadores, atendidas as condições que a lei estabelecer. #INFO - O art. 522 da CLT, que prevê um número máximo empregados que podem ser dirigentes sindicais, é compatível com a CF/88 e não viola a garantia da liberdade sindical. O art. 8º, VIII, da CF/88 prevê que os dirigentes sindicais não podem ser demitidos, salvo se cometerem falta grave. O art. 522 da CLT prevê um número máximo empregados que podem ser dirigentes sindicais. 58 Assim que a CF/88 foi promulgada, alguns doutrinadores começaram a sustentar a tese de que o art. 522 da CLT não teria sidorecepcionado pela Carta Constitucional. Isso porque o inciso I do art. 8º da Constituição prevê que a liberdade sindical, ou seja, proíbe que o poder público interfira na organização dos sindicatos. O TST e o STF não concordaram com essa tese. A liberdade sindical tem previsão constitucional, mas não possui caráter absoluto. A previsão legal de número máximo de dirigentes sindicais dotados de estabilidade de emprego não esvazia a liberdade sindical. Essa garantia constitucional existe para que possa assegurar a autonomia da entidade sindical, mas não serve para criar situações de estabilidade genérica e ilimitada que violem a razoabilidade e a finalidade da norma constitucional garantidora do direito. Logo, o art. 522 da CLT foi recepcionado pela Constituição Federal de 1988. STF. Plenário. ADPF 276, Rel. Cármen Lúcia, julgado em 15/05/2020 (Info 980 – clipping). - É CONSTITUCIONAL a lei que extinguiu a contribuição sindical obrigatória. São compatíveis com a Constituição Federal os dispositivos da Lei nº 13.467/2017 (Reforma Trabalhista) que extinguiram a obrigatoriedade da contribuição sindical e condicionaram o seu pagamento à prévia e expressa autorização dos filiados. No âmbito formal, o STF entendeu que a Lei nº 13.467/2017 não contempla normas gerais de direito tributário (art. 146, III, “a”, da CF/88). Assim, não era necessária a edição de lei complementar para tratar sobre matéria relativa a contribuições. Também não se aplica ao caso a exigência de lei específica prevista no art. 150, § 6º, da CF/88, pois a norma impugnada não disciplinou nenhum dos benefícios fiscais nele mencionados, quais sejam, subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão. Sob o ângulo material, o STF afirmou que a Constituição assegura a livre associação profissional ou sindical, de modo que ninguém é obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato (art. 8º, V, da CF/88). O princípio constitucional da liberdade sindical garante tanto ao trabalhador quanto ao empregador a liberdade de se associar a uma organização sindical, passando a contribuir voluntariamente com essa representação. Não há nenhum comando na Constituição Federal determinando que a contribuição sindical é compulsória. Não se pode admitir que o texto constitucional, de um lado, consagre a liberdade de associação, sindicalização e expressão (art. 5º, IV e XVII, e art. 8º) e, de outro, imponha uma contribuição compulsória a todos os integrantes das categorias econômicas e profissionais. STF. Plenário. ADI 5794/DF, Rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Luiz Fux. J. em 29/6/2018 (Info 908). Art. 9º É assegurado o DIREITO DE GREVE, competindo aos trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê- lo e sobre os interesses que devam por meio dele defender. § 1º A LEI definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da comunidade. § 2º Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas da lei. Art. 10. É assegurada a participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgãos públicos em que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto de discussão e deliberação. Art. 11. Nas empresas de MAIS de duzentos empregados, é assegurada a ELEIÇÃO de um representante destes com a finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto com os empregadores. 59 CAPÍTULO III DA NACIONALIDADE Nacionalidade ORIGINÁRIA, Primária, Atribuída ou Involuntária É aquela que resulta de um fato natural (o nascimento). A pessoa se torna nacional nato. Critérios para atribuição da nacionalidade originária: a) Critério territorial (jus soli): se a pessoa nascer no território do país, será considerada nacional deste. b) Critério sanguíneo (jus sanguinis): a pessoa irá adquirir a nacionalidade de seus ascendentes, não importando que tenha nascido no território de outro país. No Brasil, adota-se, como regra, o critério do jus soli, havendo, no entanto, situações nas quais o critério sanguíneo é aceito. Nacionalidade SECUNDÁRIA, Derivada, Adquirida ou Voluntária É aquela decorrente de um ato voluntário da pessoa, que decide adquirir, para si, uma nova nacionalidade. A isso se dá o nome de naturalização. A pessoa se torna nacional naturalizado. *Fonte: site Dizer o Direito. Art. 12. SÃO BRASILEIROS: I - NATOS: (nacionalidade primária) a) os nascidos na República Federativa do Brasil, AINDA QUE de pais estrangeiros, DESDE QUE estes não estejam a serviço de seu país (critério: jus soli); b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, DESDE QUE qualquer deles esteja a serviço da república federativa do brasil (critério: jus sanguinis + funcional); c) os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, DESDE QUE sejam registrados em repartição brasileira competente (critério: jus sanguinis + registro na repartição brasileira competente - consulado) OU venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira (critério: jus sanguinis + jus domicilii + opção - NACIONALIDADE POTESTATIVA); II - NATURALIZADOS: (nacionalidade secundária) a) os que, na forma da lei (Lei nº 13.445/17 - lei de migração), adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários de países de língua portuguesa APENAS residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral; (NATURALIZAÇÃO ORDINÁRIA) b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa do Brasil HÁ MAIS de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, DESDE QUE requeiram a nacionalidade brasileira. (NATURALIZAÇÃO EXTRAORDINÁRIA) BRASILEIROS NATO - os nascidos na República Federativa do Brasil, AINDA QUE de pais estrangeiros, DESDE QUE estes não estejam a serviço de seu país; - os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, DESDE QUE qualquer deles esteja a serviço da república federativa do brasil; - os nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de mãe brasileira, DESDE QUE sejam registrados em repartição brasileira competente OU venham a residir na República Federativa do Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira. NATURALIZADOS - os que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade brasileira, exigidas aos originários de países de língua portuguesa APENAS residência por um ano ininterrupto e idoneidade moral; - os estrangeiros de qualquer nacionalidade, residentes na República Federativa do Brasil HÁ MAIS de quinze anos ininterruptos e sem condenação penal, DESDE QUE requeiram a nacionalidade brasileira. 60 NATURALIZAÇÃO ORDINÁRIA NATURALIZAÇÃO EXTRAORDINÁRIA Requisitos 1 – Estrangeiro que cumpram o requisitos estabelecidos em lei (Lei nº 13.445/17 - Art. 65): - ter capacidade civil, segundo a lei brasileira; - ter residência em território nacional, pelo prazo mínimo de 4 anos; - comunicar-se em língua portuguesa, consideradas as condições do naturalizando; e - não possuir condenação penal ou estiver reabilitado, nos termos da lei. - Residência por + de 15 anos ininterruptos; - Ausência de condenação penal; e - Requerimento do interessado. 2 – Estrangeiro originários de países de língua portuguesa: - Residência por 1 ano ininterrupto; e - Idoneidade moral. Decisão Discricionária Vinculada § 1º Aos PORTUGUESES com residência permanente no País, se houver reciprocidade em favor de brasileiros, serão atribuídos os direitos inerentes ao brasileiro, SALVO os casos previstos nesta Constituição. (QUASE NACIONALIDADE) § 2º A lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados, SALVO nos casos previstos nesta Constituição. § 3ºsão PRIVATIVOS de brasileiro NATO os cargos: BIZU: “MP3.COM” I - de Presidente e Vice-Presidente da República; II - de Presidente da Câmara dos Deputados; III - de Presidente do Senado Federal; IV - de Ministro do Supremo Tribunal Federal; V - da carreira diplomática; VI - de oficial das Forças Armadas. VII - de Ministro de Estado da Defesa CARGOS PRIVATIVOS DE BRASILEIRO NATO (art. 12, § 3º) Ministro do STF Presidente e Vice-Presidente da República Presidente da Câmara dos Deputados Presidente do Senado Federal Carreira Diplomática Oficial das Forças Armadas Ministro de Estado da Defesa BIZU: MP3.COM EXISTEM OUTROS CARGOS NA CF EM QUE SE EXIGE SER BRASILEIRO NATO: 1. Presidente do Conselho Nacional de Justiça (art. 103-B, § 1º c/c art. 12, § 3º, IV, ambos CF) - O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) é presidido pelo Presidente do STF (art. 103-B, § 1º, CF); - O Presidente do STF é um dos ministros que integram o STF; - Para ser ministro do STF, o sujeito deve ser, obrigatoriamente, brasileiro nato (art. 12, § 3º, IV, CF). Conclusão: O Presidente do CNJ é um brasileiro nato. 2. Seis cidadãos brasileiros natos que participam do Conselho da República (art. 89, IV, CF) 3. A propriedade de empresa jornalística e de radiodifusão sonora e de sons e imagens é privativa de brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos, ou de pessoas jurídicas constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sede no País (art. 222, CF) 61 § 4º será declarada a PERDA da nacionalidade do brasileiro que: I - tiver cancelada sua naturalização, por sentença judicial, em virtude de atividade nociva ao interesse nacional; (PERDA-SANÇÃO) II - adquirir outra nacionalidade, SALVO nos casos: (PERDA-MUDANÇA) a) de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei estrangeira; b) de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao brasileiro residente em estado estrangeiro, como condição para permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis; PERDA DA NACIONALIDADE – art. 12, § 4º, CF TIPO MOTIVO DESTINATÁRIO VIA EFEITOS DA SENTENÇA E DO DECRETO REAQUISIÇÃO Perda-Punição (art. 12, § 4º, I) Atividade nociva ao interesse nacional Naturalizado Judicial Sentença (Justiça Federal) Ex nunc Ação Rescisória Perda-Mudança (art. 12, § 4º, II) Adquirir outra nacionalidade Nato; e Naturalizado Administrativa Decreto (Ministério da Justiça) Ex nunc Novo ato do ministro da justiça (mediante requerimento, em caso de renúncia a outra nacionalidade) ou revogação do ato ministerial, em caso de dupla nacionalidade #INFO - Brasileiro, titular de green card, que adquire nacionalidade norte-americana, perde a nacionalidade brasileira e pode ser extraditado pelo Brasil. Se um brasileiro nato que mora nos EUA e possui o green card decidir adquirir a nacionalidade norte-americana, ele irá perder a nacionalidade brasileira. Não se pode afirmar que a presente situação se enquadre na exceção prevista na alínea "b" do incisos II do § 4º do art. 12 da CF/88. Isso porque, como ele já tinha o green card, não havia necessidade de ter adquirido a nacionalidade norte-americana como condição para permanência ou para o exercido de direitos civis. O estrangeiro titular de green card já pode morar e trabalhar livremente nos EUA. Dessa forma, conclui-se que a aquisição da cidadania americana ocorreu por livre e espontânea vontade. Vale ressaltar que, perdendo a nacionalidade, ele perde os direitos e garantias inerentes ao brasileiro nato. Assim, se cometer um crime nos EUA e fugir para o Brasil, poderá ser extraditado sem que isso configure ofensa ao art. 5º, LI, da CF/88. STF. 1ª Turma. MS 33864/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 19/4/2016 (lnfo 822). STF. 1ª Turma. Ext 1462/DF. Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 28/3/2017 (lnfo 859). Art. 13. A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil. § 1º São símbolos da república federativa do brasil a BAndeira, o HIno, as Armas e o Selo Nacionais. BIZU: “BA.HI.A.S” § 2º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios PODERÃO TER símbolos próprios. 62 CAPÍTULO IV DOS DIREITOS POLÍTICOS DIREITOS POLÍTICOS Positivos Capacidade Eleitoral Ativa (votar) - Voto e alistamento *Regra: obrigatórios *Exceção: facultativos (> 70 anos; > 16Estrangeiros; e Conscritos, durante o período do serviço militar obrigatório. Inalistáveis; e Analfabetos. § 5º O Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal, os Prefeitos e quem os houver sucedido, ou substituído no curso dos mandatos poderão ser REELEITOS para um único período subseqüente. § 6º Para concorrerem a OUTROS CARGOS, o Presidente da República, os Governadores de Estado e do Distrito Federal e os Prefeitos devem RENUNCIAR aos respectivos mandatos ATÉ seis meses antes do pleito. (DESINCOMPATIBILIZAÇÃO) Obs.1: Para a reeleição, não há desincompatibilização! 64 Obs.2: A desincompatibilização não aplica-se a deputados, senadores e vereadores. É exclusiva de chefes do executivo. § 7º São INELEGÍVEIS, no território de jurisdição do titular, o cônjuge e os parentes consangüíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do Presidente da República, de Governador de Estado ou Território, do Distrito Federal, de Prefeito ou de quem os haja substituído dentro dos seis meses anteriores ao pleito, SALVO se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição. (INELEGIBILIDADE REFLEXA) - Súmula Vinculante nº 18: “A dissolução da sociedade ou do vínculo conjugal, no curso do mandato, não afasta a inelegibilidade prevista no § 7º do art. 14 da Constituição Federal.” Obs.: É inelegível para o cargo de prefeito de Município resultante de desmembramento territorial o irmão do atual chefe do Poder Executivo do município-mãe (STF. RE 158.314. Min, Celso de Melo). #INFO - A súmula vinculante 18 não aplica-se no caso de dissolução do vínculo conjugal por morte de um dos cônjuges. A inelegibilidade do art. 14, § 7º, da Constituição NÃO ALCANÇA o cônjuge supérstite (sobrevivente, viúvo) quando o falecimento tiver ocorrido no primeiro mandato, com regular sucessão do vice-prefeito, e tendo em conta a construção de novo núcleo familiar. A Súmula Vinculante 18 do STF não se aplica aos casos de extinção do vínculo conjugal pela morte de um dos cônjuges. STF. Plenário. RE 758461/PB, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado 22/5/2014 (repercussão geral) (Info 747). - As hipóteses de inelegibilidade reflexas são aplicáveis às eleições suplementares. As hipóteses de inelegibilidade previstas no art. 14, § 7º da CF, inclusive quanto ao prazo de seis meses, são aplicáveis às eleições suplementares. STF. Plenário. RE 8434S5/DF. Rei. Mm. Teori Zavascki. Julgado em 7/10/2015 (Info 802). - A vedação ao exercício de três mandatos consecutivos pelo mesmo núcleo familiar aplica-se também na hipótese em que um dos mandatos tenha sido para suceder o eleito que foi cassado. Ao se fazer uma interpretação conjugada dos §§ 5º e 7º do art. 14 da CF/88 chega-se à conclusão de que a intenção do poder constituinte foi a de proibir que pessoas do mesmo núcleo familiar ocupem três mandatos consecutivos para o mesmo cargo no Poder Executivo. Em outras palavras, a CF/88 quis proibir que o mesmo núcleo familiar ocupasse três mandatos consecutivos de Prefeito, de Governador ou de Presidente. A vedação ao exercício de três mandatos consecutivos de prefeito pelo mesmo núcleo familiar aplica-se também na hipótese em que tenha havido a convocação do segundo colocado nas eleições para o exercício de mandato- tampão. Ex.: de 2010 a 2012, o Prefeito da cidade era Auricélio. Era o primeiro mandato de Auricélio. Seis meses antes das eleições, Auricélio renunciou ao cargo. Em 2012, Hélio (cunhado de Auricélio) vence a eleição para Prefeito da mesma cidade. De 2013 a 2016, Hélio cumpre o mandato de Prefeito. Em 2016, Hélio não poderá se candidatar à reeleição ao cargo de Prefeito porque seria o terceiro mandato consecutivo deste núcleo familiar. STF. 2ª Turma. RE 1128439/RN, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 23/10/2018 (Info 921). § 8º O militar alistável é elegível, atendidas as seguintes condições: I - se contar MENOS de dez anos de serviço, deverá afastar-se da atividade; II - se contar MAIS de dez anos de serviço, será agregado pela autoridade superior e, se eleito, passará automaticamente, no ato da DIPLOMAÇÃO, para a inatividade. MENOS de 10 anos de serviço Afasta-se da atividade (definitivamente). MAIS de 10 anos de serviço Agregado (afastamento temporário). Se eleito, passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade. 65 § 9º LEI COMPLEMENTAR estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de mandato considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta. § 10. O mandato eletivo PODERÁ SER IMPUGNADO ante a Justiça Eleitoral no prazo de quinze dias contados da DIPLOMAÇÃO, instruída a ação com provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude. § 11. A ação de impugnação de mandato tramitará em segredo de justiça, respondendo o autor, na forma da lei, se temerária ou de manifesta má-fé. IMPUGNAÇÃO DE MANDATO ELETIVO - Justiça Eleitoral; - prazo 15 dias; - contados da Diplomação (não é da posse – é o que cai em prova); - provas de abuso do poder econômico, corrupção ou fraude; - tramitação em segredo de justiça. Art. 15. É VEDADA a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de: I - cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado; (PERDA) II - incapacidade civil absoluta; (SUSPENSÃO) III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos; (SUSPENSÃO) - Súmula nº 9, TSE: “A suspensão de direitos políticos decorrente de condenação criminal transitada em julgado cessa com o cumprimento ou a extinção da pena, independendo de reabilitação ou de prova de reparação dos danos.” Obs.1: Efeito automático da sentença, ou seja, NÃO precisa vir expresso; Obs.2: A suspensão também decorre da condenação criminal transitada em julgado por CONTRAVENÇÃO e não importa a natureza ou montante da pena; Obs.3: Deputados Federais e Senadores (exceção): a perda do cargo será decidida pela respectiva Casa Legislativa. O mesmo raciocínio aplica-se aos Deputados Estaduais, tendo em vista que possuem as mesmas prerrogativas referentes à perda do mandato dos Deputados Federais. Obs.4: Vereados: não alcançam as mesmas prerrogativas dos parlamentares federais, de maneira que não excepcionam a regra do art. 15, III. #INFO - A suspensão de direitos políticos prevista no art. 15, III, da CF, aplica-se tanto para condenados a penas privativas de liberdade como também a penas restritivas de direitos. A suspensão de direitos políticos prevista no art. 15, III, da Constituição Federal, aplica-se no caso de substituição da pena privativa de liberdade pela restritiva de direitos. Havendo condenação criminal transitada em julgado, a pessoa condenada fica com seus direitos políticos suspensos tanto no caso de pena privativa de liberdade como na hipótese de substituição por pena restritiva de direitos. STF. Plenário. RE 601182/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 8/5/2019 (repercussão geral) (Info 939). 66 IV - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII; (PERDA) Art. 5º (...) VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei; V - improbidade administrativa, nos termos do art. 37, § 4º. (SUSPENSÃO) Art. 37 (...) § 4º - Os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da funçãopública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível. DIREITOS POLÍTICOS Cassação - vedada Suspensão (temporária) - incapacidade civil absoluta; - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos; - improbidade administrativa. Perda (definitiva) - cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado; - recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa. Art. 16. A lei que alterar o PROCESSO ELEITORAL entrará em vigor na data de sua publicação, NÃO SE APLICANDO à eleição que ocorra ATÉ um ano da data de sua vigência. (PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE DA LEI ELEITORAL) Obs.1: É considerado cláusula pétrea (STF); Obs.2: Lei que ALTERA PROCESSO ELEITORAL (observância da anualidade): É aquela que consiste num conjunto de atos abrangendo a preparação e a realização das eleições, incluindo a apuração dos votos e a diplomação dos eleitos. Assim, as "regras instrumentais que não causam desequilíbrio nas eleições (e ao contrário, somente auxiliam no processo eleitoral), não estão abrangidas pelo precitado princípio". Ex.: Lei que determine a proibição a partidos e candidatos de receber doação em dinheiro ou estimável em dinheiro procedente de entidades beneficentes e religiosas, bem como de organizações não-governamentais que recebam recursos públicos. CAPÍTULO V DOS PARTIDOS POLÍTICOS Art. 17. É LIVRE a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana e observados os seguintes preceitos: I - caráter nacional; II - proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação a estes; III - prestação de contas à Justiça Eleitoral; IV - funcionamento parlamentar de acordo com a lei. § 1º É ASSEGURADA aos partidos políticos autonomia para definir sua estrutura interna e estabelecer regras sobre escolha, formação e duração de seus órgãos permanentes e provisórios e sobre sua organização e funcionamento e para adotar os critérios de escolha e o regime de suas COLIGAÇÕES nas eleições majoritárias, VEDADA a sua celebração nas eleições proporcionais, SEM OBRIGATORIEDADE de vinculação entre as candidaturas em âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo seus estatutos estabelecer normas de disciplina e fidelidade partidária. EC nº 97/17 - “Art. 2º A vedação a celebração de coligações nas eleições proporcionais, prevista no § 1º do art. 17 da Constituição Federal, aplicar-se-á a partir das eleições de 2020.” 67 § 2º Os partidos políticos, APÓS adquirirem personalidade jurídica, na forma da lei civil, registrarão seus estatutos no TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL. Obs.: Partido político = pessoa jurídica de direito privado (art. 44, V, CC). § 3º Somente terão direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão, na forma da lei, os partidos políticos que ALTERNATIVAMENTE: I - obtiverem, nas eleições para a Câmara dos Deputados, NO MÍNIMO, 3% (três por cento) dos votos válidos, distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação, com um mínimo de 2% (dois por cento) dos votos válidos em cada uma delas; OU II - tiverem elegido pelo menos quinze Deputados Federais distribuídos em pelo menos um terço das unidades da Federação. EC nº 97/17 - “Art. 3º O disposto no § 3º do art. 17 da Constituição Federal quanto ao acesso dos partidos políticos aos recursos do fundo partidário e à propaganda gratuita no rádio e na televisão aplicar-se-á a partir das eleições de 2030.” DIREITO A RECURSOS DO FUNDO PARTIDÁRIO E ACESSO GRATUITO AO RÁDIO E À TELEVISÃO - 3% dos votos válidos na Câmara dos Deputados; 1/3 das unidades da Federação, com um mínimo de 2% dos votos válidos em cada; OU - Elegido pelo menos 15 Deputados Federais em pelo menos 1/3 das unidades da Federação. § 4º É VEDADA a utilização pelos partidos políticos de organização paramilitar. § 5º Ao eleito por partido que não preencher os requisitos previstos no § 3º deste artigo é assegurado o mandato e facultada a filiação, SEM perda do mandato, a outro partido que os tenha atingido, NÃO SENDO ESSA FILIAÇÃO CONSIDERADA para fins de distribuição dos recursos do fundo partidário e de acesso gratuito ao tempo de rádio e de televisão. #INFO - O Diretório Nacional de Partido Político tem legitimidade ativa para propor ação de indenização por ofensas feitas contra candidato da agremiação e contra o Partido. O Diretório Nacional de Partido Político tem legitimidade ativa para ajuizamento de demanda indenizatória por alegada ofensa lançada contra candidato a cargo político. Ex: o Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) possui legitimidade para ajuizar ação de indenização por danos morais em razão de ofensas feitas contra a então candidata da agremiação Dilma Rousseff e contra o próprio Partido. STJ. 4ª Turma. REsp 1.484.422-DF, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 28/05/2019 (Info 653). - Impossibilidade de intervenção de partido político como amicus curiae em processo criminal de seu filiado. Determinado Deputado Federal estava respondendo a ação penal no STF pela suposta prática do crime de peculato. O partido político que ele integra requereu a sua intervenção no feito como amicus curiae. O STF indeferiu o pedido afirmando que a agremiação partidária, autoqualificando-se como amicus curiae, pretendia, na verdade, ingressar numa posição que a relação processual penal não admite, considerados os estritos termos do CPP. STF. 1ª Turma. AP 504/DF, rel. orig. Min. Cármen Lúcia, red. p/ o acórdão Min. Dias Toffoli, julgado em 9/8/2016 (Info 834). - Perda do mandato por infidelidade partidária não se aplica a cargos eletivos majoritários. Se o titular do mandato eletivo, sem justa causa, decidir sair do partido político no qual foi eleito, ele perderá o cargo que ocupa? a) Se for um cargo eletivo MAJORITÁRIO: NÃO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Constituicao.htm#art17%C2%A73 68 A perda do mandato em razão de mudança de partido não se aplica aos candidatos eleitos pelo sistema majoritário, sob pena de violação da soberania popular e das escolhas feitas pelo eleitor. No sistema majoritário, o candidato escolhido é aquele que obteve mais votos, não importando o quociente eleitoral nem o quociente partidário. Nos pleitos dessa natureza, os eleitores votam no candidato e não no seu partido político. Desse modo, no sistema majoritário, a imposição da perda do mandato por infidelidade partidária é antagônica (contrária) à soberania popular. b) Se for um cargo eletivo PROPORCIONAL: SIM O mandato parlamentar conquistado no sistema eleitoral proporcional pertence ao partido político. Assim, se o parlamentar eleito decidir mudar de partido político, ele sofrerá um processo na Justiça Eleitoral que poderá resultar na perda do seu mandato. Neste processo, com contraditório e ampla defesa, será analisado se havia justa causa para essa mudança. O assunto está disciplinado na Resolução 22.610/2007 do TSE, que elenca, inclusive, as hipóteses consideradas como “justa causa”. STF. Plenário. ADI 5081/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 27/5/2015 (Info 787). TÍTULO III Da Organização do Estado CAPÍTULO I DA ORGANIZAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA Art. 18. A organização político-administrativa da República Federativa do Brasil compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos, nos termos desta Constituição. FEDERAÇÃO CARACTERÍSTICAS - Descentralização político-administrativa fixada pela constituição - Participação das vontades parciais na vontade geral - Auto-organizaçãodos Estados-membros ESTADO FEDERADO x ESTADO UNITÁRIO - Estado Federado É a forma de Estado na qual existe descentralização no exercício do poder político, estando este pulverizado em mais de uma entidade política, todas funcionando como centros emanadores de comandos normativos e decisórios. - Estado Unitário Sua nota marcante é a centralização política, pois o poder encontra-se enraizado em um único núcleo estatal, do qual emanam todas as decisões. É a forma básica de organização política, cuja característica essencial é a concentração de poder por um único homem ou órgão. FEDERAÇÃO x CONFEDERAÇÃO - Federação * Estado * Unidos pela constituição * Membros são dotados de autonomia * Veda o direito de secessão * Atividades relacionadas a assuntos internos e externos * Cidadãos possuem a nacionalidade do Estado Federal - Confederação * Pessoa jurídica de Direito Público * Unidos por tratado internacional * Membros são dotados de soberania 69 * Permite o direito de secessão * Atividades voltadas especialmente aos negócios externos * Cidadãos são nacionais dos respectivos Estados TIPOS DE FEDERALISMO - QUANTO AO SURGIMENTO OU À ORIGEM * Por Agregação Surge quando Estados Soberanos abrem mão de uma parcela de sua soberania para formar um ente único, no qual os integrantes passam a ter apenas autonomia. O Estado Federal passa ser soberano e os estados- membros autônomos. É o que ocorreu com os EUA. O poder é direcionado dos estados periféricos para o centro (movimento centrípeto). * Por Segregação ou Desagregação O poder central (Estado Unitário), é repartido para outros entes. Foi o que aconteceu no Brasil, onde um Estado Unitário repartiu sua competência com outros entes, este movimento foi centrífugo (sai do centro para as periferias). O poder é direcionado do centro para fora (movimento centrífugo). Brasil - QUANTO À CONCENTRAÇÃO DO PODER * Centrípeto ou Centralizador É aquele no qual há um fortalecimento excessivo do poder central. O poder está concentrado perto do centro. Portanto, o governo central detém a maior parte do poder. * Centrífugo ou Descentralizador É uma tentativa de reação à centralização do poder na esfera federal. A federação brasileira surgiu nesse federalismo. * De equilíbrio Prioriza a conciliação entre integração e autonomia, unidade e diversidade. Busca-se uma relação mais harmoniosa e equânime por meio da repartição equilibrada de competências entre o ente central e os entes periféricos. - QUANTO ÀS CARACTERÍSTICAS DOMINANTES * Simétrico É aquele que permite a identificação das características dominantes, frequentemente encontradas nos outros estados. Há uma simetria entre a federação e as demais federações existentes (outros países). * Assimétrico É aquele no qual há um rompimento com as linhas tradicionais definidoras do federalismo simétrico, em razão do funcionamento do sistema federal. Município como ente federativo no Brasil. Brasil - QUANTO À HOMOGENEIDADE NA DISTRIBUIÇÃO DA COMPETÊNCIA * Simétrico ou homogêneo Caracteriza-se pelo equilíbrio na distribuição constitucional de competências entre os entes federativos de mesmo grau. Brasil * Assimétrico ou heterogêneo A constituição confere tratamento jurídico diferenciado a entes federativos de mesmo grau, com o objetivo de respeitar/minimizar diferenças e existentes nos âmbitos regional e social. - QUANTO ÀS ESFERAS OU CENTROS DE COMPETÊNCIA * Típico, Bidimensional, bipartite ou de Segundo Grau Caracteriza-se pela existência de duas esferas de competência: a central (União) e a regional (Estados-membros). É o modelo adotado nos Estados Unidos e em praticamente todas as federações atuais. No Brasil, foi adotado até o advento da Constituição de 1988. 70 * Atípico, Tridimensional, Tripartite ou de Terceiro Grau Se constata a existência de três esferas de competência: a central (União), a regional (Estados-membros) e a local (Municípios). A CF de 1988 adota esse modelo, pois embora o Distrito Federal também seja ente federativo, suas competências são as mesmas titularizadas por Estados e Municípios (CF, art. 32, § 1º). Brasil - QUANTO À REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS * Dualista ou Dual Há uma relação de coordenação entre a União e os Estados, vinculada por meio de uma repartição horizontal de competências. Não há hierarquia entre a União e os Estados membros, que estão situados no mesmo plano e cada um tem suas normas próprias (competências determinadas pela CF), há um equilíbrio entre eles. * Por Integração Há uma relação de subordinação dos Estados à União, veiculada por meio de uma repartição vertical de competências. A União estabelece as diretrizes que os Estados-membros devem seguir, e estes estão subordinados às leis federais. Há uma hierarquia entre lei federal e lei estadual. Adotado pelo Brasil na CF/67 e CF/69. * Por Cooperação ou Cooperativo Busca-se o meio termo entre o federalismo dualista e o federalismo por integração. Há uma repartição horizontal de competências, mas algumas delas ficam sob a tutela da União. É o caso da Federação Alemã, EUA e Brasil (pós CF/88). Brasil #INFO - Não é possível o envio da Força Nacional de Segurança para atuar no Estado-membro sem que tenha havido pedido ou concordância do Governador. Compete ao Ministro da Justiça determinar a ida da Força Nacional de Segurança Pública para atuar em determinado Estado-membro ou Distrito Federal. Segundo a redação do art. 4º do Decreto nº 5.289/2004 a determinação do emprego da Força Nacional pode ocorrer de duas formas: 1) mediante solicitação expressa do Governador formulada ao Ministro da Justiça; 2) mediante iniciativa do próprio Ministro da Justiça, mesmo sem solicitação do Governador. Se o próprio Governador solicita o auxílio, não há qualquer problema ou questionamento. No entanto, e se o Ministro da Justiça determina o envio da Força Nacional mesmo sem pedido do Governador? Essa atuação seria constitucionalmente válida? NÃO. Isso viola o princípio da autonomia estadual. Foi o que decidiu o STF, em juízo de delibação, ao apreciar medida liminar em ação cível originária. Afirmou a Corte: É plausível a alegação de que a norma inscrita no art. 4º do Decreto 5.289/2004, naquilo em que dispensa a anuência do governador de estado no emprego da Força Nacional de Segurança Pública, viole o princípio da autonomia estadual. STF. Plenário. ACO 3427 Ref-MC/BA, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 24/9/2020 (Info 992). § 1º Brasília é a Capital Federal. § 2º Os TERRITÓRIOS FEDERAIS integram a União, e sua criação, transformação em Estado ou reintegração ao Estado de origem serão reguladas em LEI COMPLEMENTAR. § 3º Os ESTADOS podem incorporar-se entre si, subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros, ou formarem novos Estados ou Territórios Federais, mediante APROVAÇÃO da população diretamente interessada, através de plebiscito, E do Congresso Nacional, por LEI COMPLEMENTAR. 71 Art. 48. Cabe ao Congresso Nacional, com a sanção do Presidente da República, não exigida esta para o especificado nos arts. 49, 51 e 52, dispor sobre todas as matérias de competência da União, especialmente sobre: (...) VI - incorporação, subdivisão ou desmembramento de áreas de Territórios ou Estados, ouvidas as respectivas Assembléias Legislativas; Obs.: O desmembramento de um estado da federação deve envolver não somente a população do território a ser desmembrado, mas a de todo o estado (STF, ADI 2650). § 4º A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de MUNICÍPIOS, far-se-ão por lei estadual, dentro do período determinado por LEI COMPLEMENTAR FEDERAL, e dependerão de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos, após divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal, apresentados epublicados na forma da lei. Obs.1: A partir da EC 15/1996, nenhum Município pode ser criado, incorporado, fundido ou desmembrado, considerando-se que não existe ainda a Lei Complementar Federal de que trata o § 4º do art. 18 da CF/88, sendo esse dispositivo norma constitucional de eficácia limitada (depende de lei para produzir todos os seus efeitos); Obs.2: Os Municípios criados, incorporados, fundidos ou desmembrados até 31/12/2006, mesmo sendo contrários ao § 4º do art. 18 da CF/88, foram “convalidados” (confirmados, ratificados, regularizados) por força da EC 57/2008 - art. 96 do ADCT; Obs.3: As leis estaduais que criarem, incorporarem, fundirem ou desmembrarem Municípios após 31/12/2006 devem ser consideradas inconstitucionais; Criação, Incorporação, Fusão e Desmembramento de Estados Criação, Incorporação, Fusão e Desmembramento de Municípios Aprovação da população diretamente interessada, através de plebiscito. Lei estadual, dentro do período determinado por LC Federal. Aprovação do Congresso Nacional, por LC. Divulgação dos Estudos de Viabilidade Municipal, apresentados e publicados na forma da lei. Consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos. #INFO - Lei estadual que modifique os limites geográficos de Município pode ser objeto de ADI. Lei estadual que dispõe sobre criação, incorporação, fusão ou desmembramento de municípios possui natureza normativa e abstrata, desafiando o controle concentrado. STF. Plenário. ADI 1825, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 15/04/2020 (Info 978). - É necessária a edição de LC federal para que possam ser criados novos municípios. Para a criação de novos Municípios, o art. 18, § 4º, da CF/88 exige a edição de uma Lei Complementar Federal estabelecendo o procedimento e o período no qual os Municípios poderão ser criados, incorporados, fundidos ou desmembrados. Como atualmente não existe essa LC, as Leis estaduais que forem editadas criando novos Municípios serão inconstitucionais por violarem a exigência do § 4º do art. 18. STF. Plenário. AD/499Z/RO. Rel. Min. Gilmar Mendes. Julgado em 11/9/2014 (lnfo 758). - Alteração dos limites de um Município exige plebiscito. Para que sejam alterados os Limites territoriais de um Município é necessária a realização de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações dos Municípios envolvidos. Nos termos do art. 18, § 4º da CF/88. STF. Plenário. ADI 2921/RJ. Rel. orig. Min. Ayres Brito. Red. p/ o ac. Min. Dias Toffoli. J. 9/8/2017 (Info 872). 72 Art. 19. É VEDADO à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de dependência ou aliança, RESSALVADA, na forma da lei, a colaboração de interesse público; II - recusar fé aos documentos públicos; III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si. #INFO - É INCONSTITUCIONAL lei distrital que preveja percentual de vagas nas universidades públicas reservadas para alunos que estudaram nas escolas públicas do Distrito Federal, excluindo, portanto, alunos de escolas públicas de outros Estados da Federação. É inconstitucional a lei distrital que preveja que 40% das vagas das universidades e faculdades públicas do Distrito Federal serão reservadas para alunos que estudaram em escolas públicas do Distrito Federal. Essa lei, ao restringir a cota apenas aos alunos que estudaram no Distrito Federal, viola o art. 3º, IV e o art. 19, III, da CF/88, tendo em vista que faz uma restrição injustificável entre brasileiros. Vale ressaltar que a inconstitucionalidade não está no fato de ter sido estipulada a cota em favor de alunos de escolas públicas, mas sim em razão de a lei ter restringindo as vagas para alunos do Distrito Federal, em detrimento dos estudantes de outros Estados da Federação. STF. Plenário. ADI 4868, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 27/03/2020 (Info 973). CAPÍTULO II DA UNIÃO Art. 20. São BENS da UNIÃO: I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser atribuídos; II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei; III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais; IV - as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras, EXCLUÍDAS, DESTAS, as que contenham a sede de Municípios, EXCETO aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental federal, e as referidas no art. 26, II; Art. 26. Incluem-se entre os bens dos Estados: (...) II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio, excluídas aquelas sob domínio da União, Municípios ou terceiros; V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva; VI - o mar territorial; VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos; VIII - os potenciais de energia hidráulica; IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo; X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos; XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios. 73 TERRAS TRADICIONALMENTE OCUPADAS PELOS ÍNDIOS Índios - posse permanente das terras (art. 231, § 2º) União - propriedade das terras (art. 20, XI) #INFO - Não se pode caracterizar as terras ocupadas pelos indígenas como devolutas. As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios são bens da União (art. 20, XI, da CF/88) e, portanto, não podem ser consideradas como terras devolutas de domínio do Estado-membro. STF. Plenário. ACO 362/MT e ACO 366/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, julgados em 16/8/2017 (Info 873). - Impossibilidade de ampliação de terra indígena já demarcada. É vedada a ampliação de terra indígena já demarcada, tendo em conta o princípio da segurança jurídica. A União poderá até ampliar a terra indígena, mas isso não deverá ser feito por meio de demarcação (art. 231 da CF/88), salvo se ficar demonstrado que, no processo originário de demarcação, houve algum vício de ilegalidade e, ainda assim, desde que respeitado o prazo decadencial de 5 anos (art. 54 da Lei n.º 9.754/99). STF. 2ª Turma. RMS 29542/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 30/9/2014 (Info 761). - Renitente esbulho e desocupação forçada ocorrida no passado. Como regra, se os índios não estavam na posse da área em 05/10/1988, ela não será considerada terra indígena (art. 231 da CF/88). Existe, contudo, uma exceção a essa regra. Trata-se do chamado renitente esbulho. Assim, se, na época da promulgação da CF/88, os índios não ocupavam a terra porque dela haviam sido expulsos em virtude de conflito possessório, considera-se que eles foram vítimas de esbulho e, assim, essa área será considerada terra indígena para os fins do art. 231. O renitente esbulho se caracteriza pelo efetivo conflito possessório, iniciado no passado e persistente até o marco demarcatório temporal da data da promulgação da Constituição de 1988, materializado por circunstâncias de fato ou por controvérsia possessória judicializada. Vale ressaltar que, para que se caracterize o renitente esbulho, é necessário que, no momento da promulgação da CF/88, os índios ainda estivessem disputando a posse da terra ou tivessem sido delas expulsos há pouco tempo. Se eles foram dela expulsos muitos anos antes de entrar em vigor a CF/88, não se configura o chamado “renitente esbulho”. Exemplo: no caso concreto apreciado pelo STF, a última ocupação indígenana área ocorreu no ano de 1953, data em que os índios foram expulsos da região. Nessa situação, a Corte entendeu que não estava caracterizado o renitente esbulho, mas sim “a desocupação forçada ocorrida no passado” já que, no momento da promulgação da CF/88, já havia se passado muitos anos da saída dos índios do local e eles não mais estavam em conflito possessório por aquelas terras. STF. 2ª Turma. ARE 803462 AgR/MS, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 9/12/2014 (Info 771). #SELIGA: ILHAS FLUVIAIS E LACUSTRES Regra: Pertencem aos Estados (art. 26, III); 💣 Exceção: Nas zonas limítrofes com outros países pertencem à União (art. 20, IV). Bens dominicais, em regra ILHAS OCEÂNICAS E COSTEIRAS Regra: Pertencem à União (art. 20, IV); 💣 Exceção: As que contenham a sede de Municípios - serão do Município; excluindo-se neste caso, do domínio dos Municípios, as áreas, dentro destas ilhas, que sejam afetadas ao serviço público federal, as que integrem unidade ambiental federal e as do domínio dos Estados (art. 26, II). Bens dominicais, em regra TERRAS DEVOLUTAS Regra: Pertencem aos Estados (art. 26, IV); 74 💣 Exceção: As indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei, pertencem à União (art. 20, II). Bens dominicais TERRAS TRADICIONALMENTE OCUPADAS PELOS ÍNDIOS Pertencem à União (art. 20, XI) Bens de uso especial TERRENOS DA MARINHA Pertencem à União (art. 20, VII) Bens dominicais § 1º É ASSEGURADA, nos termos da lei, à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, ou compensação financeira por essa exploração. (EC nº 102/2019) § 2º A faixa de até cento e cinqüenta quilômetros de largura, ao longo das fronteiras terrestres, designada como FAIXA DE FRONTEIRA, é considerada fundamental para defesa do território nacional, e sua ocupação e utilização serão reguladas em lei. REPARTIÇÃO DE COMPETÊNCIAS Dispositivo Competência Delegação Observações Art. 21 EXCLUSIVA (material) Indelegável Começa com verbos (em regra) Art. 22 PRIVATIVA (legislativa) Delegável por LC Começa com substantivos (em regra) Capacete PM Art. 23 COMUM (material) – Comum - Com Municípios Art. 24 CONCORRENTE (legislativa) – Municípios não tem Pufet Art. 21. Compete à UNIÃO: (EXCLUSIVA = MATERIAL - INDELEGÁVEL) I - manter relações com Estados estrangeiros e participar de organizações internacionais; II - declarar a guerra e celebrar a paz; III - assegurar a defesa nacional; IV - permitir, nos casos previstos em LEI COMPLEMENTAR, que forças estrangeiras transitem pelo território nacional ou nele permaneçam temporariamente; V - decretar o estado de sítio, o estado de defesa e a intervenção federal; VI - autorizar e fiscalizar a produção e o comércio de material bélico; VII - emitir moeda; VIII - administrar as reservas cambiais do País e fiscalizar as operações de natureza financeira, especialmente as de crédito, câmbio e capitalização, bem como as de seguros e de previdência privada; http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Constituicao.htm#art20%C2%A71.0 75 IX - elaborar e executar planos nacionais e regionais de ordenação do território e de desenvolvimento econômico e social; X - manter o serviço postal e o correio aéreo nacional; XI - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão, os serviços de telecomunicações, nos termos da lei, que disporá sobre a organização dos serviços, a criação de um órgão regulador e outros aspectos institucionais; XII - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão: a) os serviços de radiodifusão sonora, e de sons e imagens; #INFO - É INCONSTITUCIONAL lei municipal que preveja que o Poder Executivo poderá conceder autorização para que sejam explorados serviços de radiodifusão no Município. É formalmente inconstitucional lei municipal que autoriza o Poder Executivo Municipal a conceder a exploração do Serviço de Radiodifusão Comunitária no âmbito do território do Município. O art. 21, XII, “a”, da CF/88 estabelece que a competência para conceder autorização para tais serviços é da União. Além disso, o art. 22, IV da CF/88 confere à União a competência privativa para legislar sobre o tema “radiodifusão”. STF. Plenário. ADPF 235/TO, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 14/8/2019 (Info 947). b) os serviços e instalações de energia elétrica e o aproveitamento energético dos cursos de água, em articulação com os Estados onde se situam os potenciais hidroenergéticos; c) a navegação aérea, aeroespacial e a infra-estrutura aeroportuária; d) os serviços de transporte ferroviário e aquaviário entre portos brasileiros e fronteiras nacionais, ou que transponham os limites de Estado ou Território; e) os serviços de transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros; f) os portos marítimos, fluviais e lacustres; XIII - organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios e a Defensoria Pública dos Territórios; #NÃOCONFUNDA: Defensoria Pública dos Territórios União Defensoria Pública do DF DF XIV - organizar e manter a polícia civil, a polícia penal, a polícia militar e o corpo de bombeiros militar do Distrito Federal, bem como prestar assistência financeira ao Distrito Federal para a execução de serviços públicos, por meio de fundo próprio; (EC nº 104/2019) - Súmula Vinculante nº 39: “Compete privativamente à União legislar sobre vencimentos dos membros das polícias civil e militar e do corpo de bombeiros militar do Distrito Federal.” Obs.: Apesar da Organização e Manutenção ser de competência da União nos termos do dispositivo supra, por expressa disposição do art. 144, § 6º da CF elas ainda são SUBORDINADOS ao governador do DF. #NÃOCONFUNDA: - ORGANIZAÇÃO E MANUTENÇÃO (DF) – União (art. 21, XIV) - SUBORDINAÇÃO (DF) – Governador do Estado (art. 144, § 6º) #INFO - Lei estadual não pode prever paridade e integralidade para os policiais civis nem conceder a eles adicional de final de carreira para que recebam aposentadoria em classe superior ao que estavam na ativa. É inconstitucional norma que preveja a concessão de aposentadoria com paridade e integralidade de proventos a policiais civis. É inconstitucional norma que preveja a concessão de “adicional de final de carreira” a policiais civis. STF. Plenário. ADI 5039/RO, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 10/11/2020 (Info 998). 76 - É INCONSTITUCIONAL lei do Distrito Federal que trate sobre a estrutura e o regime jurídico da Polícia Civil do Distrito Federal (a competência para isso é da União). É inconstitucional lei do Distrito Federal que institua, extinga e transforme órgãos internos da Polícia Civil do Distrito Federal. Essa lei viola o art. 21, XIV, da CF/88, que fixa a competência da União para manter e organizar a Polícia Civil do Distrito Federal. Deve-se reconhecer que o art. 21, XIV, CF/88 trata tanto de competência administrativa quanto legislativa, sendo a matéria, portanto, atribuída, prioritariamente, à União. As leis distritais impugnadas, ao criarem cargos em comissão e novos órgãos, também instituíram novas obrigações pecuniárias a serem suportadas pela União. Ocorre que é vedado ao Distrito Federal valer-se de leis distritais para instituir encargos financeiros a serem arcados pela União. Como as leis distritais declaradas inconstitucionais eram muito antigas (2001, 2002 e 2005), o STF decidiu modular os efeitosda decisão. STF. Plenário. ADI 3666, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 06/12/2018. XV - organizar e manter os serviços oficiais de estatística, geografia, geologia e cartografia de âmbito nacional; XVI - exercer a classificação, para efeito indicativo, de diversões públicas e de programas de rádio e televisão; XVII - conceder anistia; XVIII - planejar e promover a defesa permanente contra as calamidades públicas, especialmente as secas e as inundações; XIX - instituir sistema nacional de gerenciamento de recursos hídricos e definir critérios de outorga de direitos de seu uso; XX - instituir diretrizes para o desenvolvimento urbano, inclusive habitação, saneamento básico e transportes urbanos; XXI - estabelecer princípios e diretrizes para o sistema nacional de viação; XXII - executar os serviços de polícia marítima, aeroportuária e de fronteiras; XXIII - explorar os serviços e instalações nucleares de qualquer natureza e exercer monopólio estatal sobre a pesquisa, a lavra, o enriquecimento e reprocessamento, a industrialização e o comércio de minérios nucleares e seus derivados, atendidos os seguintes princípios e condições: a) toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins pacíficos e mediante aprovação do Congresso Nacional; b) sob regime de permissão, são autorizadas a comercialização e a utilização de radioisótopos para a pesquisa e usos médicos, agrícolas e industriais; c) sob regime de permissão, são autorizadas a produção, comercialização e utilização de radioisótopos de meia-vida igual ou inferior a duas horas; d) a responsabilidade civil por danos nucleares INDEPENDE da existência de culpa; XXIV - organizar, manter e executar a inspeção do trabalho; XXV - estabelecer as áreas e as condições para o exercício da atividade de garimpagem, em forma associativa. 77 Art. 22. Compete PRIVATIVAMENTE à UNIÃO legislar sobre: (PRIVATIVA = LEGISLATIVA - DELEGÁVEL POR LC) I - direito civil, comercial, penal, processual, eleitoral, agrário, marítimo, aeronáutico, espacial e do trabalho; BIZU: “C.A.P.A.C.E.T.E. P.M” Direito Processual Procedimentos em matéria processual Privativa da União Concorrente da União, Estados e Distrito Federal #INFO - É INCONSTITUCIONAL lei estadual que crie hipóteses de isenção de pagamento de direitos autorais fora do rol trazido pela Lei federal nº 9.610/98. É inconstitucional lei estadual que isenta entidades filantrópicas de recolher as taxas de retribuição autoral arrecadadas pelo ECAD. A lei estadual que cria novas hipóteses de não recolhimento de direitos autorais não previstas na Lei federal usurpa a competência privativa da União para legislar sobre direito civil, direito de propriedade e para estabelecer regras de intervenção no domínio econômico (art. 22, I, da CF/88). Além disso, essa lei estadual retira dos autores das obras musicais o seu direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução das obras ou do reconhecimento por sua criação, afrontando o art. 5º, XXII e XXVII, da CF/88. STF. Plenário. ADI 5800/AM, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 8/5/2019 (Info 939). II - desapropriação; III - requisições civis e militares, em caso de iminente perigo e em tempo de guerra; IV - águas, energia, informática, telecomunicações e radiodifusão; #INFO - É INCONSTITUCIONAL lei estadual que obriga as operadoras de telefonia a fornecer os dados de localização de celulares furtados ou roubados. São inconstitucionais normas estaduais que imponham obrigações de compartilhamento de dados com órgãos de segurança pública às concessionárias de telefonia, por configurar ofensa à competência privativa da União para legislar sobre telecomunicações (arts. 21, XI e 22, IV, da CF/88). STF. Plenário. ADI 5040/PI, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 3/11/2020 (Info 997). - É INCONSTITUCIONAL lei estadual que discipline a instalação de antenas transmissoras de telefonia celular. É inconstitucional Lei estadual que, a pretexto de proteger a saúde da população, estabelece limites de radiação para a instalação de antenas transmissoras de telefonia celular. Essa lei adentra na esfera de competência privativa da União para legislar sobre telecomunicações. A União, no exercício de suas competências (art. 21, XI e art. 22, IV, da CF/88), editou a Lei nº 9.472/97, que, de forma nítida, atribui à ANATEL a definição de limites para a tolerância da radiação emitida por antenas transmissoras. A União, por meio da Lei nº 11.934/2009, fixou limites proporcionalmente adequados à exposição humana a campos elétricos, magnéticos e eletromagnéticos. Dessa forma, a presunção de que gozam os entes menores para, nos assuntos de interesse comum e concorrente, legislarem sobre seus respectivos interesses (presumption against preemption) foi nitidamente afastada por norma federal expressa (clear statement rule). STF. Plenário. ADI 2902, Rel. Edson Fachin, julgado em 04/05/2020 (Info 981 – clipping). - Lei estadual não pode proibir que as concessionárias de energia elétrica cobrem um valor do consumidor para a religação do serviço que havia sido suspenso por inadimplemento. É inconstitucional lei estadual que proíbe que as empresas concessionárias cobrem “taxa” de religação no caso de corte de fornecimento de energia por atraso no pagamento. 78 Essa lei estadual invadiu a competência privativa da União para dispor sobre energia, violando, assim, o art. 22, IV, da CF/88. Além disso, também interferiu na prestação de um serviço público federal, considerando que o serviço de energia elétrica é de competência da União, nos termos do art. 21, XII, “b”, da CF/88. Ex: concessionária havia “cortado” (suspendido) o serviço de energia elétrica em razão de inadimplemento; o consumidor regularizou a situação, quitando os débitos; a concessionária pode exigir do cliente o pagamento de uma tarifa para efetuar o religamento do serviço; lei estadual não pode proibir que a concessionária cobre esse valor. STF. Plenário. ADI 5610/BA, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 8/8/2019 (Info 946). - Lei estadual que obriga concessionárias a instalarem bloqueadores de celular é INCONSTITUCIONAL. Lei estadual que disponha sobre bloqueadores de sinal de celular em presídio invade a competência da União para legislar sobre telecomunicações. STF. Plenário. ADI 3835/MS, Rel. Min. Marco Aurélio, ADI 5356/MS, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, ADI 5253/BA, Rel. Min. Dias Toffoli, ADI 5327/PR, Rel. Min Dias Toffoli, ADI 4861/SC, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgados em 3/8/2016 (Info 833). V - serviço postal; VI - sistema monetário e de medidas, títulos e garantias dos metais; VII - política de crédito, câmbio, seguros e transferência de valores; VIII - comércio exterior e interestadual; IX - diretrizes da política nacional de transportes; X - regime dos portos, navegação lacustre, fluvial, marítima, aérea e aeroespacial; XI - trânsito e transporte; #INFO - Os Municípios, ao editarem as leis locais regulamentando o transporte de passageiros mediante aplicativo, deverão observar as regras impostas pela Lei federal nº 13.640/2018. No exercício de sua competência para regulamentação e fiscalização do transporte privado individual de passageiros, os municípios e o Distrito Federal não podem contrariar os parâmetros fixados pelo legislador federal. Isso porque compete à União legislar sobre “trânsito e transporte”, nos termos do art. 22, XI, da CF/88. STF. Plenário. ADPF 449/DF, Rel. Min. Luiz Fux; RE 1054110/SP, Rel. Min. Roberto Barroso, julgados em 8 e 9/5/2019 (repercussão geral) (Info 939). - São inconstitucionais leis municipais que proíbam o serviço de transporte de passageiros mediante aplicativo. A proibição ou restrição da atividade de transporte privado individual por motoristapré-compreensão do seu sentido pelo intérprete, a quem cabe aplicar a norma para a resolução de uma situação concreta. Valoriza a atividade interpretativa e as circunstâncias nas quais esta se desenvolve, promovendo uma relação entre texto e contexto, transformando a interpretação em “movimento de ir e vir” (círculo hermenêutico). BIZU: Prevalência da norma sobre o problema Método Científico-espiritual, Integrativo, Interpretativo Evolutivo ou Valorativo (Rudolf Smend) A interpretação da Constituição deve considerar a ordem ou o sistema de valores subjacentes ao texto constitucional. A Constituição deve ser interpretada como um todo, dentro da realidade do Estado. BIZU: Considera-se o “espírito da constituição”, o sistema de valores subjacente ao texto constitucional Método Normativo-estruturante ou Concretista (Friedrich Müller) Este método considera que a norma jurídica é diferente do texto normativo: aquela é mais ampla que este, pois resulta não só da atividade legislativa, mas igualmente da jurisdicional e da administrativa. Assim, para se interpretar a norma, deve-se utilizar tanto seu texto quanto a verificação de como se dá sua aplicação à realidade social (contexto). A norma seria o resultado da interpretação do texto aliado ao contexto. BIZU: Texto da norma x Norma jurídica. A norma jurídica deve ser interpretada de acordo com o contexto Método Comparativo ou da Comparação Constitucional (Peter Häberle) Para este método a interpretação dos institutos se implementa mediante comparação nos vários ordenamentos. Estabelece-se, assim, uma comunicação entre as várias Constituições. Partindo dos 4 métodos ou elementos desenvolvidos por Savigny (gramatical, lógico, histórico e sistemático), Peter Haberle sustenta a canonização da comparação constitucional como um quinto método de interpretação. BIZU: Comparação entre Constituições 8 PRINCÍPIOS DA INTERPRETAÇÃO CONSTITUCIONAL Princípio da Unidade Esse princípio determina que o texto da Constituição deve ser interpretado de forma a evitar contradições entre suas normas ou entre os princípios constitucionais em abstrato. Assim, não há antinomias reais no texto da Constituição; as antinomias são apenas aparentes. Segundo esse princípio, na interpretação deve-se considerar a Constituição como um todo, e não se interpretarem as normas de maneira isolada. Não há hierarquida entre as normas da CF. BIZU: Evitar contradições; Não há hierarquia entre as normas da CF Princípio da Máxima Efetividade, da Eficiência ou da Interpretação Efetiva Esse princípio estabelece que o intérprete deve atribuir à norma constitucional o sentido que lhe dê maior efetividade social. Visa, portanto, a maximizar a norma, a fim de extrair dela todas as suas potencialidades. Sua utilização se dá principalmente na aplicação dos direitos fundamentais, embora possa ser usado na interpretação de todas as normas constitucionais. Diferenças entre as categorias de normas: - Existência: é uma norma produzida por uma autoridade aparentemente competente para tal. - Validade: produzida de acordo com seu fundamento, produzido de acordo com a norma superior. - Vigência: uma norma que existe no mundo jurídico. Inicia sua vigência na sua publicação ou após a vacatio legis. - Eficácia: aptidão da norma para ser aplicada ao caso concreto (eficácia positiva) ou para invalidar norma contraria (eficácia negativa). - Efetividade: quando a norma atinge os efeitos para qual foi criado. BIZU: Efetividade social Princípio da Justeza, da Conformidade Funcional, da Correção Funcional ou da Exatidão Funcional Esse princípio determina que o órgão encarregado de interpretar a Constituição não pode chegar a uma conclusão que subverta o esquema organizatório-funcional estabelecido pelo constituinte. Assim, este órgão não poderia alterar, pela interpretação, as competências estabelecidas pela Constituição para a União, por exemplo. BIZU: Não subverta o esquema organizatório-funcional estabelecido pela CF Princípio da Concordância Prática ou da Harmonização Esse princípio impõe a harmonização dos bens jurídicos em caso de conflito entre eles em concreto, de modo a evitar o sacrifício total de uns em relação aos outros. É geralmente usado na solução de problemas referentes à colisão de direitos fundamentais. Assim, apesar de a Constituição, por exemplo, garantir a livre manifestação do pensamento (art. 5º, IV, CF/88), este direito não é absoluto. Ele encontra limites na proteção à vida privada (art. 5º, X, CF/88), outro direito protegido constitucionalmente. BIZU: Harmonização dos bens jurídicos em conflito; Evitar sacrifício Princípio do Efeito Integrador ou Eficácia Integradora Esse princípio busca que, na interpretação da Constituição, seja dada preferência às determinações que favoreçam a integração política e social e o reforço da unidade política. É, muitas vezes, associado ao princípio da unidade da constituição, justamente por ter como objetivo reforçar a unidade política. BIZU: Favoreçam a integração política e social 9 Princípio da Força Normativa Esse princípio determina que toda norma jurídica precisa de um mínimo de eficácia, sob pena de não ser aplicada. Estabelece, portanto, que, na interpretação constitucional, deve-se dar preferência às soluções que possibilitem a atualização de suas normas, garantindo-lhes eficácia e permanência. São reflexos: * Efeito Transcendente * Objetivação do Controle Difuso * Relativização da Coisa Julgada BIZU: Buscar a eficácia Princípio da Convivência das Liberdades Públicas ou da Relatividade Parte da presunção que não existem princípios absolutos, pois todos encontram limites em outros princípios também consagrados na constituição. Para que as liberdades possam conviver, elas não podem ser absolutas, devem encontrar óbices. BIZU: Não existem princípios absolutos DIREITO INTERTEMPORAL As normas da constituição anterior e as normas infraconstitucionais anteriores podem sofrer algumas consequências jurídicas diversas com a instauração de uma nova ordem constitucional: Recepção A norma infraconstitucional (préconstitucional), que não contrariar a nova ordem, será recepcionada, podendo, inclusive, adquirir uma outra “roupagem”. Ex.: CTN (Código Tributário Nacional - Lei nº 5.172/66), que, embora tenha sido elaborado com natureza jurídica de lei ordinária, foi recepcionado pela nova ordem como lei complementar, sendo que os ditames que tratam das matérias previstas no art. 146, I, II e III, da CF só poderão ser alterados por lei complementar, aprovada com o quórum da maioria absoluta (art. 69). Requisitos: - estar em vigor no momento do advento da nova Constituição; - não ter sido declarada inconstitucional durante a sua vigência no ordenamento anterior; - ter compatibilidade formal e material perante a Constituição sob cuja regência ela foi editada (no ordenamento anterior); - ter compatibilidade somente material perante a nova Constituição, pouco importando a compatibilidade formal. Não recepção ou revogação É a regra. É tácita e dispensa disposição nesse sentido. Lei nova revoga lei anterior no que lhe for contrário. Desconstitucionalização As normas constitucionais são recepcionadas com status de lei infraconstitucional pela nova constituição, desde que compatível materialmente com a nova ordem e que haja previsão expressa. --> Requisitos: - deve ser compatível materialmente com a nova Constituição; - deve vir expressamente prevista na nova Constituição; Obs.: NÃO É ADOTADO NO BRASIL! Recepção Material das Normas Constitucionais É a persistência de normas constitucionais anteriores que guardam, se bem que a título secundário, a antiga qualidade de normas constitucionais. Ex.: art. 34, caput, e seu § 1º, do ADCT, que asseguram, expressamente,cadastrado em aplicativo é inconstitucional, por violação aos princípios da livre iniciativa e da livre concorrência. STF. Plenário. ADPF 449/DF, Rel. Min. Luiz Fux; RE 1054110/SP, Rel. Min. Roberto Barroso, julgados em 8 e 9/5/2019 (repercussão geral) (Info 939). XII - jazidas, minas, outros recursos minerais e metalurgia; Jazidas, minas, outros recursos minerais e metalurgia Florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição Privativa da União Concorrente da União, Estados e Distrito Federal 79 XIII - nacionalidade, cidadania e naturalização; XIV - populações indígenas; XV - emigração e imigração, entrada, extradição e expulsão de estrangeiros; XVI - organização do sistema nacional de emprego e condições para o exercício de profissões; XVII - organização judiciária, do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios e da Defensoria Pública dos Territórios, bem como organização administrativa destes; XVIII - sistema estatístico, sistema cartográfico e de geologia nacionais; XIX - sistemas de poupança, captação e garantia da poupança popular; XX - sistemas de consórcios e sorteios; - Súmula Vinculante nº 2: “É inconstitucional a lei ou ato normativo estadual ou distrital que disponhas sobre sistemas de consórcios e sorteios, inclusive bingos e loterias.” #INFO - Os estados-membros detêm competência administrativa para explorar loterias. A competência da União para legislar exclusivamente sobre sistemas de consórcios e sorteios, inclusive loterias, não obsta a competência material (administrativa) para a exploração dessas atividades pelos entes estaduais ou municipais, nem a competência regulamentar dessa exploração. Os arts. 1º e 32, caput e § 1º, do Decreto-Lei 204/1967 não foram recepcionados pela Constituição Federal de 1988. STF. Plenário. ADPF 492/RJ, ADPF 493/DF e ADI 4986/MT, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgados em 30/9/2020 (Info 993). XXI - normas gerais de organização, efetivos, material bélico, garantias, convocação, mobilização, inatividades e pensões das POLÍCIAS MILITARES e dos CORPOS DE BOMBEIROS MILITARES; (EC nº 103/2019) XXII - competência da polícia federal e das polícias rodoviária e ferroviária federais; XXIII - seguridade social; Seguridade Social Previdência Social Privativa da União Concorrente da União, Estados e Distrito Federal XXIV - diretrizes e bases da educação nacional; Diretrizes e bases da educação nacional Educação, cultura, ensino, desporto, ciência, tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e inovação Privativa da União Concorrente da União, Estados e Distrito Federal #INFO - INCONSTITUCIONALIDADE de lei estadual que afaste as exigências de revalidação de diplomas emitidos por instituições de ensino superior estrangeiras. É inconstitucional lei estadual que afasta as exigências de revalidação de diploma obtido em instituições de ensino superior de outros países para a concessão de benefícios e progressões a servidores públicos. Essa lei invade a competência privativa da União para legislar sobre diretrizes e bases da educação nacional (art. 22, XXIV, CF/88). STF. Plenário. ADI 6073, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 27/03/2020 (Info 979). 80 XXV - registros públicos; #INFO - É INCONSTITUCIONAL lei estadual que determine aos titulares das serventias extrajudiciais que façam a microfilmagem dos documentos arquivados no cartório. Os Estados-membros não possuem competência legislativa para determinar a microfilmagem de documentos arquivados nos cartórios extrajudiciais do Estado. Esse tema envolve registros públicos e responsabilidade civil dos notários e registros, matéria que é de competência privativa da União, nos termos do art. 22, XXV, da CF/88. STF. Plenário. ADI 3723, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 27/03/2020 (Info 973). XXVI - atividades nucleares de qualquer natureza; #INFO - Estado-membro não pode legislar sobre energia nuclear. É inconstitucional norma estadual que dispõe sobre a implantação de instalações industriais destinadas à produção de energia nuclear no âmbito espacial do território estadual. STF. Plenário. ADI 330/RS, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 9/10/2020 (Info 994). XXVII - normas gerais de licitação e contratação, em todas as modalidades, para as administrações públicas diretas, autárquicas e fundacionais da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, obedecido o disposto no art. 37, XXI, e para as empresas públicas e sociedades de economia mista, nos termos do art. 173, § 1°, III; XXVIII - defesa territorial, defesa aeroespacial, defesa marítima, defesa civil e mobilização nacional; XXIX - propaganda comercial. Propaganda Comercial e Direito Comercial Junta Comercial Privativa da União Concorrente da União, Estados e Distrito Federal Parágrafo único. LEI COMPLEMENTAR poderá autorizar os ESTADOS a legislar sobre questões específicas das matérias relacionadas neste artigo. Obs.: A LC deve autorizar todos os Estados e não apenas um isoladamente. SÚMULAS SOBRE COMPETÊNCIA DA UNIÃO - Súmula Vinculante nº 2: “É inconstitucional a lei ou ato normativo estadual ou distrital que disponhas sobre sistemas de consórcios e sorteios, inclusive bingos e loterias.” - Súmula Vinculante nº 39: “Compete privativamente à União legislar sobre vencimentos dos membros das polícias civil e militar e do corpo de bombeiros militar do Distrito Federal.” - Súmula Vinculante nº 46: “A definição dos crimes de responsabilidade e o estabelecimento das respectivas normas de processo e julgamento são da competência legislativa privativa da União.” Art. 23. É competência COMUM da UNIÃO, dos ESTADOS, do DISTRITO FEDERAL e dos MUNICÍPIOS: I - zelar pela guarda da Constituição, das leis e das instituições democráticas e conservar o patrimônio público; II - cuidar da saúde e assistência pública, da proteção e garantia das pessoas portadoras de deficiência; III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos; 81 IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de obras de arte e de outros bens de valor histórico, artístico ou cultural; V - proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação, à ciência, à tecnologia, à pesquisa e à inovação; VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas; VII - preservar as florestas, a fauna e a flora; VIII - fomentar a produção agropecuária e organizar o abastecimento alimentar; IX - promover programas de construção de moradias e a melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico; X - combater as causas da pobreza e os fatores de marginalização, promovendo a integração social dos setores desfavorecidos; XI - registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de direitos de pesquisa e exploração de recursos hídricos e minerais em seus territórios; XII - estabelecer e implantar política de educação para a segurança do trânsito. Parágrafo único. LEIS COMPLEMENTARES fixarão normas para a cooperação entre a União e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em âmbito nacional. Art. 24. Compete à UNIÃO, aos ESTADOS e ao DISTRITO FEDERAL legislar CONCORRENTEMENTE sobre: I - direito tributário, financeiro, penitenciário, econômico e urbanístico; BIZU: "P.U.F.E.T." COMPETÊNCIA PRIVATIVA DA UNIÃO – ART. 22, I, CF. COMPETÊNCIA CONCORRENTE DA UNIÃO, ESTADOS E DF – ART. 24, I, CF. C = Comercial A = Agrário P = Penal A = Aeronáutico C = Civil E = Eleitoral T = Trabalho E = Espacial P = ProcessualM = Marítimo P = Penitenciário U = Urbanístico F = Financeiro E = Econômico T = Tributário BIZU: “C.A.P.A.C.E.T.E P.M” BIZU: “P.U.F.E.T” II - orçamento; III - juntas comerciais; Propaganda Comercial e Direito Comercial Junta Comercial Privativa da União Concorrente da União, Estados e Distrito Federal 82 IV - custas dos serviços forenses; V - produção e consumo; #INFO - É CONSTITUCIONAL lei estadual que obriga a empresa de telefonia celular a disponibilizar na internet extrato detalhado das chamadas telefônicas e serviços utilizados nos planos pré-pagos. É constitucional norma estadual que disponha sobre a obrigação de as operadoras de telefonia móvel e fixa disponibilizarem, em portal da “internet”, extrato detalhado das chamadas telefônicas e serviços utilizados na modalidade de planos “pré-pagos”. Trata-se de norma sobre direito do consumidor que admite regulamentação concorrente pelos Estados-Membros, nos termos do art. 24, V, da Constituição Federal. STF. Plenário. ADI 5724/PI, rel. orig. Min. Roberto Barroso, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 27/11/2020 (Info 1000). - É CONSTITUCIONAL lei estadual que proíba a prática de fidelização nos contratos de consumo. É constitucional lei estadual que proíba, no âmbito estadual, a inserção de cláusulas que exijam a fidelização nos contratos prestação de serviços. A fidelização contratual consiste em contrapartida exigida do consumidor, em razão de benefícios oferecidos pela prestadora na formação do contrato de prestação de serviços, todavia, não se confunde com esse. A cláusula de fidelidade contratual é autônoma e agregativa ao contrato de prestação de serviço, inserindo-se no espaço comercial das prestadoras, e não no campo regulatório das atividades de caráter público. O objeto da norma estadual impugnada em nada interfere no regime de exploração ou na estrutura remuneratória da prestação do serviço. Essa lei busca apenas a proteção do consumidor, ainda que realizada paralelamente a contrato de prestação de serviço. STF. Plenário. ADI 5963, Rel. Rosa Weber, julgado em 29/06/2020 (Info 992 – clipping). - É CONSTITUCIONAL lei estadual que autoriza a comercialização de bebidas alcoólicas nas arenas desportivas e nos estádios. É constitucional lei estadual que autoriza a comercialização de bebidas alcoólicas nas arenas desportivas e nos estádios. Trata-se de legislação sobre consumo, matéria de competência concorrente (art. 24, V, da CF/88). O art. 13-A, II, da Lei nº 10.671/2003 (Estatuto do Torcedor) indica como “condições de acesso e permanência do torcedor no recinto esportivo”, entre outras, “não portar objetos, bebidas ou substâncias proibidas ou suscetíveis de gerar ou possibilitar a prática de atos de violência”. Não há, contudo, uma vedação geral e absoluta por parte do Estatuto do Torcedor, de modo que o legislador estadual, no exercício de sua competência concorrente complementar, observadas as especificidades locais, pode regulamentar a matéria, autorizando, por exemplo, a venda de cerveja e chope (bebidas de baixo teor alcóolico) nos estádios. Vale lembrar que isso já é autorizado nos grandes eventos mundiais de futebol e outros esportes, inclusive na Copa do mundo organizada pela FIFA e nas Olimpíadas. STF. Plenário. ADI 6195, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 27/03/2020 (Info 973). VI - florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição; Jazidas, minas, outros recursos minerais e metalurgia Florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição Privativa da União Concorrente da União, Estados e Distrito Federal 83 #INFO - É constitucional lei estadual que proíba a utilização de animais para desenvolvimento, experimentos e testes de produtos cosméticos. É constitucional lei estadual que proíba a utilização de animais para desenvolvimento, experimentos e testes de produtos cosméticos, de higiene pessoal, perfumes e seus componentes. A proteção da fauna é matéria de competência legislativa concorrente (art. 24, VI, da CF/88). A Lei federal nº 11.794/2008 possui uma natureza permissiva, autorizando, a utilização de animais em atividades de ensino e pesquisas científicas, desde que sejam observadas algumas condições relacionadas aos procedimentos adotados, que visam a evitar e/ou atenuar o sofrimento dos animais. Mesmo que o tema tenha sido tratado de forma mais restrita pela lei estadual, isso não se mostra inconstitucional porque, em princípio, é possível que os Estados editem normas mais protetivas ao meio ambiente, com fundamento em suas peculiaridades regionais e na preponderância de seu interesse, conforme o caso. STF. Plenário. ADI 5996, Rel. Alexandre de Moraes, julgado em 15/04/2020 (Info 975). VII - proteção ao patrimônio histórico, cultural, artístico, turístico e paisagístico; VIII - responsabilidade por dano ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico; IX - educação, cultura, ensino, desporto, ciência, tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e inovação; Diretrizes e bases da educação nacional Educação, cultura, ensino, desporto, ciência, tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e inovação Privativa da União Concorrente da União, Estados e Distrito Federal X - criação, funcionamento e processo do juizado de pequenas causas; XI - procedimentos em matéria processual; Direito Processual Procedimentos em matéria processual Privativa da União Concorrente da União, Estados e Distrito Federal XII - previdência social, proteção e defesa da saúde; Seguridade Social Previdência Social Privativa da União Concorrente da União, Estados e Distrito Federal XIII - assistência jurídica e Defensoria pública; XIV - proteção e integração social das pessoas portadoras de deficiência; XV - proteção à infância e à juventude; XVI - organização, garantias, direitos e deveres das POLÍCIAS CIVIS. #INFO - É constitucional lei estadual que transforma o cargo de datiloscopista da Polícia Civil em perito papiloscopista. O art. 3º da LC 156/2010, do Estado de Pernambuco redenominou o cargo de datiloscopista policial para perito papiloscopista, no âmbito da polícia civil. Para o STF, essa previsão é constitucional. 84 A competência para dispor sobre os peritos oficiais da polícia civil é concorrente, nos termos do art. 24, XVI, da CF/88, que prevê que compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre organização, garantias, direitos e deveres dos policiais civis. A União, cumprindo o que prevê o art. 24, XVI, da CF/88, editou as normas gerais sobre o tema, ao aprovar a Lei nº 12.030/2009, que “dispõe sobre as perícias oficiais”. A LC estadual 156/2010 não possui nenhuma antinomia com a Lei federal nº 12.030/2009. O art. 5º da Lei nº 12.030/2009 não foi exaustivo ao elencar determinados peritos. Podem existir outros. Além disso, a Lei nº 12.030/2009 não proibiu que se equiparassem os cargos de datiloscopista ou papiloscopista. A expressão “perito criminal” abrange, portanto, todos os peritos oficiais que possuem a incumbência estatal de elucidar crimes, sendo possível aventar um rol bem mais amplo de agentes que atuam como peritos oficiais. STF. Plenário. ADI 5182/PE, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 19/12/2019 (Info 964). § 1º No âmbito da legislação concorrente, a competência da União LIMITAR-SE-Á a estabelecer normas gerais. § 2º A competência da União para legislar sobre normas gerais NÃO EXCLUI a competência suplementar dos Estados. § 3º Inexistindo lei federal sobre normas gerais, os Estados exercerão a competêncialegislativa PLENA, para atender a suas peculiaridades. § 4º A superveniência de lei federal sobre normas gerais SUSPENDE A EFICÁCIA (não é revogação) da lei estadual, no que lhe for contrário. #INFO - Estados e DF podem legislar sobre postagem de boletos de empresas públicas e privadas. Os Estados-membros e o Distrito Federal têm competência legislativa para estabelecer regras de postagem de boletos referentes a pagamento de serviços prestados por empresas públicas e privadas. STF. Plenário. ARE 649379/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 13/11/2020 (Repercussão Geral – Tema 491) (Info 999). - É CONSTITUCIONAL lei estadual que responsabiliza Estado-membro por danos causados a pessoas presas na ditadura. #IMPORTANTE É constitucional a Lei nº 5.751/98, do estado do Espírito Santo, de iniciativa parlamentar, que versa sobre a responsabilidade do ente público por danos físicos e psicológicos causados a pessoas detidas por motivos políticos. STF. Plenário. ADI 3738/ES, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 3/11/2020 (Info 997). #COVID - É INCONSTITUCIONAL lei estadual que autoriza suspensão da cobrança de empréstimos consignados, mesmo que durante a pandemia da covid-19. É inconstitucional norma estadual que autoriza a suspensão, pelo prazo de 120 dias, do cumprimento de obrigações financeiras referentes a empréstimos realizados e empréstimos consignados. Ao interferir nas relações obrigacionais firmadas entre instituições de crédito e os tomadores de empréstimos, a lei adentrou em matéria relacionada com direito civil e com política de crédito, assuntos que são de competência legislativa privativa da União, nos termos do art. 22, I e VII, da CF/88. STF. Plenário. ADI 6495/RJ, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 20/11/2020 (Info 1000). É inconstitucional lei estadual que determina a suspensão temporária da cobrança das consignações voluntárias contratadas por servidores públicos estaduais. STF. Plenário. ADI 6484, Rel. Roberto Barroso, julgado em 05/10/2020. - Os entes federativos podem decretar a requisição administrativa de bens e serviços para enfrentar a Covid- 19 SEM necessidade de autorização do Ministério da Saúde. O art. 3º, caput, VII e § 7º, III, da Lei nº 13.979/2020 autoriza que os gestores locais de saúde (secretarias estaduais e municipais, p. ex.), mesmo sem autorização do Ministério da Saúde, façam a requisição de bens e serviços. 85 O STF afirmou que esses dispositivos são constitucionais. Não se exige autorização do Ministério da Saúde para que os Estados-membros, Distrito Federal e Municípios decretem a requisição administrativa prevista no art. 3º, caput, VII e § 7º, III, da Lei nº 13.979/2020, no exercício de suas competências constitucionais. STF. Plenário. ADI 6362/DF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 2/9/2020 (Info 989). - Além da União, os Estados/DF e Municípios também podem adotar medidas de combate ao coronavírus considerando que a proteção da saúde é de competência concorrente; o Presidente pode definir as atividades essenciais, mas preservando a autonomia dos entes. A Lei nº 13.979/2020 prevê medidas que poderão ser adotadas pelo Brasil para enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus. A MP 926/2020 alterou o caput e o inciso VI do art. 3º da Lei nº 13.979/2020 e acrescentou os §§ 8º a 11 ao art. 3º da Lei nº 13.979/2020. Foi ajuizada uma ADI contra esta MP. O STF, ao apreciar a medida cautelar, decidiu: • confirmar a medida acauteladora concedida monocraticamente pelo Relator para “tornar explícita, no campo pedagógico e na dicção do Supremo, a competência concorrente.” Em outras palavras, as providências adotadas pelo Governo Federal “não afastam atos a serem praticados por Estado, o Distrito Federal e Município considerada a competência concorrente na forma do artigo 23, inciso II, da Lei Maior.” • dar interpretação conforme à Constituição ao § 9º do art. 3º da Lei nº 13.979/2020, a fim de explicitar que o Presidente da República pode dispor, mediante decreto, sobre os serviços públicos e atividades essenciais, no entanto, esse decreto deverá preservar a atribuição de cada esfera de governo, nos termos do inciso I do art. 198 da Constituição Federal. STF. Plenário. ADI 6341 MC-Ref/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado em 15/4/2020 (Info 973). - Não é possível exigir que Estados-membros e Municípios se vinculem a autorizações e decisões de órgãos federais para tomar atitudes de combate à pandemia. A Lei nº 13.979/2020 previu, em seu art. 3º, um rol exemplificativo de oito medidas que podem ser adotadas pelo poder público para o combate ao coronavírus. O art. 3º, VI, “b”, e os §§ 6º e 7º, II, da Lei nº 13.979/2020 estabeleceram que os Estados e Municípios somente poderia adotar algumas medidas se houvesse autorização da União. O STF, ao apreciar ADI contra a Lei, decidiu: a) suspender parcialmente, sem redução de texto, o disposto no art. 3º, VI, “b”, e §§ 6º e 7º, II, da Lei nº 13.979/2020, a fim de excluir estados e municípios da necessidade de autorização ou de observância ao ente federal; e b) conferir interpretação conforme aos referidos dispositivos no sentido de que as medidas neles previstas devem ser precedidas de recomendação técnica e fundamentada, devendo ainda ser resguardada a locomoção dos produtos e serviços essenciais definidos por decreto da respectiva autoridade federativa, sempre respeitadas as definições no âmbito da competência constitucional de cada ente federativo. Assim, os Estados/DF e Municípios podem, mesmo sem autorização da União, adotar medidas como isolamento, quarentena, exumação, necropsia, cremação e manejo de cadáver e restrição à locomoção interestadual e intermunicipal em rodovias, portos ou aeroportos. Vale ressaltar que Estados e Municípios não podem fechar fronteiras, pois sairiam de suas competências constitucionais. A adoção de medidas restritivas relativas à locomoção e ao transporte, por qualquer dos entes federativos, deve estar embasada em recomendação técnica fundamentada de órgãos da vigilância sanitária e tem de preservar o transporte de produtos e serviços essenciais, assim definidos nos decretos da autoridade federativa competente. STF. Plenário. ADI 6343 MC-Ref/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 6/5/2020 (Info 976). 86 #NÃOCONFUNDA: PRIVATIVA DA UNIÃO CONCORRENTE DA UNIÃO, ESTADOS E DISTRITO FEDERAL Seguridade Social Previdência Social Diretrizes e bases da educação nacional Educação, cultura, ensino, desporto, ciência, tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e inovação Direito Processual Procedimentos em matéria processual Propaganda Comercial e Direito Comercial Junta Comercial Penal Penitenciário Jazidas, minas, outros recursos minerais e metalurgia Florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do meio ambiente e controle da poluição SÚMULAS SOBRE COMPETÊNCIA LEGISLATIVA - Súmula Vinculante nº 2: “É inconstitucional a lei ou ato normativo estadual ou distrital que disponhas sobre sistemas de consórcios e sorteios, inclusive bingos e loterias.” - Súmula Vinculante nº 38: “É competente o município para fixar o horário de funcionamento de estabelecimento comercial.” - Súmula Vinculante nº 39: “Compete privativamente à União legislar sobre vencimentos dos membros das polícias civil e militar e do corpo de bombeiros militar do Distrito Federal.” - Súmula Vinculante nº 46: “A definição dos crimes de responsabilidade e o estabelecimento das respectivas normas de processo e julgamento são da competência legislativa privativa da União.” - Súmula Vinculante nº 49: “Ofende o princípio da livre concorrêncialei municipal que impede a instalação de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em determinada área.” REPARTIÇÃO CONSTITUCIONAL DE COMPETÊNCIA COMPETÊNCIAS MATERIAIS Tratam da responsabilidade pelo exercício de determinados serviços públicos/administrativos. - EXCLUSIVAS (art. 21) União - COMUNS (art. 23) Todos os entes federados COMPETÊNCIAS LEGISLATIVAS É a competência para a edição de normas. Os entes federados não podem legislar sobre assuntos de competência uns dos outros, evitando a superposição de atividade legislativa, mesmo na competência legislativa comum do artigo 24. - EXCLUSIVAS Cada ente tem a sua, excluindo os demais. - PRIVATIVAS (art. 22 e p. único) União. Pode ser delegada aos Estados para legislarem sobre determinada matéria, por meio de Lei complementar. Desde que, sobre questões específicas. - CONCORRENTES (art. 24) Os municípios estão excluídos, cabe a União, Estados e Distrito Federal, que poderão legislar concorrentemente sobre os assuntos constantes no artigo 24, mas, não há superposição. §§ 1º a 4º (à união competem às normas gerais; os Estados têm competência suplementar; se a União não emitir as normas gerais, os Estados poderão exercer a competência plena sobre o assunto; se após o exercício da competência plena dos Estados, surgir 87 supervenientemente regulamentação sobre normas gerais da União, a norma dos Estados terá a eficácia suspensa). - SUPLEMENTARES (art. 24, § 2º; art. 30, II) No primeiro artigo trata-se competência legislativa suplementar dos Estados; no segundo artigo fala da competência legislativa suplementar dos Municípios. CAPÍTULO III DOS ESTADOS FEDERADOS Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que adotarem, observados os princípios desta Constituição. § 1º São reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas por esta Constituição. Obs.: As competências dos Estados-membros são definidas na forma de poderes remanescentes. As competências dos Estados-membros são RESIDUAIS, ou seja, quando não for vedada pela CF. #INFO - É CONSTITUCIONAL lei estadual que conceda dois assentos gratuitos a policiais militares devidamente fardados nos transportes coletivos intermunicipais. A segurança pública é de competência comum dos Estados-membros (art. 144 da CF/88), sendo também sua competência remanescente a prerrogativa de legislar sobre transporte intermunicipal (art. 25, § 1º). A concessão de dois assentos a policiais militares devidamente fardados nos transportes coletivos intermunicipais vai ao encontro da melhoria das condições de segurança pública nesse meio de locomoção, em benefício de toda a Sociedade, questão flagrantemente de competência dos Estados-membros (art. 144 da CF/88) e afasta qualquer alegação de desrespeito ao princípio da igualdade, uma vez que o discrímen adotado é legítimo e razoável, pois destinado àqueles que exercem atividade de polícia ostensiva e visam à preservação da ordem pública. Essa lei estadual não representa indevida interferência no contrato de concessão firmado com a concessionária, uma vez que não há alteração na equação do equilíbrio financeiroeconômico do contrato administrativo. STF. Plenário. ADI 1052, Rel. Luiz Fux, Rel. p/ Acórdão: Alexandre de Moraes, julgado em 24/08/2020 (Info 991). § 2º Cabe aos Estados explorar diretamente, ou mediante concessão, os SERVIÇOS LOCAIS DE GÁS CANALIZADO, na forma da lei, VEDADA a edição de medida provisória para a sua regulamentação. #NÃOCONFUNDA: GÁS NATURAL/PETRÓLEO UNIÃO (art. 20, § 1º) GÁS CANALIZADO ESTADOS (art. 25, § 2º) § 3º Os Estados poderão, mediante LEI COMPLEMENTAR, instituir regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões, constituídas por agrupamentos de municípios limítrofes, para integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum. #NÃOCONFUNDA: Instituir REGIÕES METROPOLITANAS, AGLOMERAÇÕES URBANAS e MICRORREGIÕES (mediante LC) ESTADOS (art. 25, § 3º) Criar, organizar e suprimir DISTRITOS MUNICÍPIOS (art. 30, IV) Art. 26. Incluem-se entre os BENS dos ESTADOS: I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, RESSALVADAS, neste caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União; II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio, EXCLUÍDAS aquelas sob domínio da União, Municípios ou terceiros; 88 III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União; IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da União. #INFO - As terras devolutas pertencem, em regra, aos Estados-membros, com exceção daquelas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, que são de propriedade da União. As terras devolutas pertencem, em regra, aos Estados-membros, com exceção daquelas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, que são de propriedade da União (art. 20, II, da CF/88). As terras devolutas pertencem aos Estados-membros desde a Constituição de 1891, que delas excetuava apenas a porção do território indispensável para a defesa das fronteiras, fortificações, construções militares e estradas de ferro federais. Esse mesmo tratamento jurídico foi mantido, com pequenas variações, nas Constituições de 1934, 1937, 1946, 1967, EC 1 de 1969 e, finalmente, na Constituição Federal de 1988. Caso concreto: no Estado de São Paulo havia uma grande área que era considerada como terra devoluta. Diante disso, em 1939, o Estado ajuizou ação discriminatória para regularizar essa área, tendo o pedido sido julgado procedente, com a expedição de títulos de domínio das terras em favor do autor. A União, posteriormente, propôs ação anulatória alegando que as referidas terras seriam de sua propriedade desde 1872, por anexação. O Estado de São Paulo, por sua vez, alegou que eram terras devolutas, e, por isso, passíveis de alienação a particulares. Apesar de inexistente, à época, qualquer registro imobiliário no sentido de se cuidar de terras devolutas, não se exigiria prova nesse sentido, pois a regra então vigente era no sentido da presunção da natureza devoluta dessas terras. Assim, havia presunção de que eram terras devolutas e cabia à União o ônus de provar que adquiriu as terras por meio de compra ou anexação; que as terras lhe eram úteis; e a exata individuação para fins de saber se elas coincidem com as áreas em relação às quais o estado de São Paulo expediu os títulos que se pretende anular. É possível concluir que a União adquiriu terras na região, mediante compra ou anexação. Entretanto, não há provas de que essas terras tenham sido efetivamente úteis para o suposto fim original a que se prestariam. Além disso, não há qualquer precisão na individuação dessas terras à época da aquisição. A União não se desincumbiu de seu ônus probatório. STF. Plenário. ACO 158/SP, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 12/3/2020 (Info 969). #SELIGA: ILHAS FLUVIAIS E LACUSTRES Regra: Pertencem aos Estados (art. 26, III); 💣 Exceção: Nas zonas limítrofes com outros países pertencem à União (art. 20, IV). Bens dominicais, em regra ILHAS OCEÂNICAS E COSTEIRAS Regra: Pertencem à União (art. 20, IV); 💣 Exceção: As que contenham a sede de Municípios - serão do Município; excluindo-se neste caso, do domínio dos Municípios, as áreas, dentro destas ilhas, que sejam afetadas ao serviço público federal, as que integrem unidade ambiental federal e as do domínio dos Estados (art. 26, II). Bens dominicais, em regra TERRAS DEVOLUTAS Regra: Pertencem aos Estados (art. 26, IV); 💣 Exceção: As indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificaçõese construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei, pertencem à União (art. 20, II). Bens dominicais 89 TERRAS TRADICIONALMENTE OCUPADAS PELOS ÍNDIOS Pertencem à União (art. 20, XI) Bens de uso especial TERRENOS DA MARINHA Pertencem à União (art. 20, VII) Bens dominicais #TABELACOMPARATIVA: Bens da UNIÃO (art. 20) Bens dos ESTADOS (art. 26) I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser atribuídos; II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei; III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais; IV - as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras, EXCLUÍDAS, DESTAS, as que contenham a sede de Municípios, EXCETO aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental federal, e as referidas no art. 26, II; V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva; VI - o mar territorial; VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos; VIII - os potenciais de energia hidráulica; IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo; X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos; XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios. I - as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes, emergentes e em depósito, RESSALVADAS, neste caso, na forma da lei, as decorrentes de obras da União; II - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio, EXCLUÍDAS aquelas sob domínio da União, Municípios ou terceiros; III - as ilhas fluviais e lacustres não pertencentes à União; IV - as terras devolutas não compreendidas entre as da União. ilhas fluviais e lacustres: (exceção) - nas zonas limítrofes com outros países. ilhas fluviais e lacustres: (regra) - não pertencentes à União. ilhas oceânicas e costeiras: (regra) - excluídas, destas, as que contenham a sede de Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental federal, e as dos Estados. ilhas oceânicas e costeiras: (exceção) - as áreas, nas ilhas oceânicas e costeiras, que estiverem no seu domínio, excluídas aquelas sob domínio da União, Municípios ou terceiros. Art. 27. O número de Deputados à Assembléia Legislativa corresponderá ao triplo da representação do Estado na Câmara dos Deputados e, atingido o número de trinta e seis, será acrescido de tantos quantos forem os Deputados Federais acima de doze. § 1º Será de quatro anos o mandato dos Deputados Estaduais, aplicando-sê-lhes as regras desta Constituição sobre sistema eleitoral, inviolabilidade, imunidades, remuneração, perda de mandato, licença, impedimentos e incorporação às Forças Armadas. 90 § 2º O subsídio dos Deputados Estaduais será fixado por lei de iniciativa da Assembléia Legislativa, na razão de, NO MÁXIMO, setenta e cinco por cento daquele estabelecido, em espécie, para os Deputados Federais, observado o que dispõem os arts. 39, § 4º, 57, § 7º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I. § 3º Compete às Assembléias Legislativas dispor sobre seu regimento interno, polícia e serviços administrativos de sua secretaria, e prover os respectivos cargos. § 4º A LEI disporá sobre a INICIATIVA POPULAR no processo legislativo estadual. INICIATIVA POPULAR Federal A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à câmara dos deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles. (art. 61, § 2º) Estadual A lei disporá sobre a iniciativa popular no processo legislativo estadual. (art. 27, § 4º) Municipal Iniciativa popular de projetos de lei de interesse específico do município, da cidade ou de bairros, através de manifestação de, pelo menos, cinco por cento do eleitorado; (art. 29, XIII) Art. 28. A eleição do Governador e do Vice-Governador de Estado, para mandato de quatro anos, realizar-se-á no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior ao do término do mandato de seus antecessores, e a posse ocorrerá em primeiro de janeiro do ano subseqüente, observado, quanto ao mais, o disposto no art. 77. § 1º Perderá o mandato o GOVERNADOR que assumir outro cargo ou função na administração pública direta ou indireta, RESSALVADA a posse em virtude de concurso público e observado o disposto no art. 38, I, IV e V. Art. 38. Ao servidor público da administração direta, autárquica e fundacional, no exercício de mandato eletivo, aplicam-se as seguintes disposições: I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, ficará afastado de seu cargo, emprego ou função; (...) IV - em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício de mandato eletivo, seu tempo de serviço será contado para todos os efeitos legais, exceto para promoção por merecimento; V - para efeito de benefício previdenciário, no caso de afastamento, os valores serão determinados como se no exercício estivesse. § 2º Os subsídios do Governador, do Vice-Governador e dos Secretários de Estado serão fixados por lei de iniciativa da Assembléia Legislativa, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I. #INFO - É INCONSTITUCIONAL o pagamento de subsídio mensal e vitalício a ex-Governadores de Estado, assim, como o pagamento de pensão às viúvas dos ex-ocupantes deste cargo; contudo, as pessoas beneficiadas com o pagamento não terão que devolver as quantias recebidas. Algumas Constituições estaduais preveem que a pessoa que tiver exercido o cargo de Governador do Estado fará jus, após deixar o mandato, a um subsídio mensal e vitalício. Alguns chamam isso de representação, outros de pensão vitalícia e outros de pensão civil. A previsão desse pagamento é compatível com a CF/88? NÃO. A instituição de prestação pecuniária mensal e vitalícia a ex-governadores corresponde à concessão de benesse que não se compatibiliza com a Constituição Federal (notadamente com o princípio republicano e o princípio da igualdade, consectário daquele), por configurar tratamento diferenciado e privilegiado sem fundamento jurídico razoável, em favor de quem não exerce função pública ou presta qualquer serviço à administração. Os ex-Governadores (ou as viúvas) que foram beneficiados com esse “subsídio” ou com a “pensão” dela decorrente terão que devolver as quantias que receberam antes do STF declarar inconstitucional a previsão da Constituição Estadual? 91 NÃO. Não é necessária a devolução dos valores percebidos até o julgamento da ação. Isso por conta dos princípios da boa-fé, da segurança jurídica e, ainda, da dignidade da pessoa humana. STF. Plenário. ADI 4545/PR, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em 5/12/2019 (Info 962). CAPÍTULO IV Dos Municípios Art. 29. O Município reger-se-á por lei orgânica, votada em dois turnos, com o interstício mínimo de dez dias, e aprovada por dois terços dos membros da Câmara Municipal, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição, na Constituição do respectivo Estado e os seguintes preceitos: LEI ORGÂNICA DOS MUNICÍPIOS BIZU: DDD - votada em Dois turnos... - interstício mínimo de Dez dias... e - aprovada por Dois terços dos membros da Câmara Municipal. I - eleição do Prefeito, do Vice-Prefeitoe dos Vereadores, para mandato de quatro anos, mediante pleito direto e simultâneo realizado em todo o País; II - eleição do Prefeito e do Vice-Prefeito realizada no primeiro domingo de outubro do ano anterior ao término do mandato dos que devam suceder, aplicadas as regras do art. 77 (segundo turno), no caso de Municípios com MAIS de duzentos mil eleitores (não é habitantes. #CUIDADO); III - posse do Prefeito e do Vice-Prefeito no dia 1º de janeiro do ano subseqüente ao da eleição; IV - para a composição das Câmaras Municipais, será observado o limite máximo de: a) 9 (nove) Vereadores, nos Municípios de até 15.000 (quinze mil) habitantes; b) 11 (onze) Vereadores, nos Municípios de mais de 15.000 (quinze mil) habitantes e de até 30.000 (trinta mil) habitantes; c) 13 (treze) Vereadores, nos Municípios com mais de 30.000 (trinta mil) habitantes e de até 50.000 (cinquenta mil) habitantes; d) 15 (quinze) Vereadores, nos Municípios de mais de 50.000 (cinquenta mil) habitantes e de até 80.000 (oitenta mil) habitantes; e) 17 (dezessete) Vereadores, nos Municípios de mais de 80.000 (oitenta mil) habitantes e de até 120.000 (cento e vinte mil) habitantes; f) 19 (dezenove) Vereadores, nos Municípios de mais de 120.000 (cento e vinte mil) habitantes e de até 160.000 (cento sessenta mil) habitantes; g) 21 (vinte e um) Vereadores, nos Municípios de mais de 160.000 (cento e sessenta mil) habitantes e de até 300.000 (trezentos mil) habitantes; h) 23 (vinte e três) Vereadores, nos Municípios de mais de 300.000 (trezentos mil) habitantes e de até 450.000 (quatrocentos e cinquenta mil) habitantes; i) 25 (vinte e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de 450.000 (quatrocentos e cinquenta mil) habitantes e de até 600.000 (seiscentos mil) habitantes; j) 27 (vinte e sete) Vereadores, nos Municípios de mais de 600.000 (seiscentos mil) habitantes e de até 750.000 (setecentos cinquenta mil) habitantes; k) 29 (vinte e nove) Vereadores, nos Municípios de mais de 750.000 (setecentos e cinquenta mil) habitantes e de até 900.000 (novecentos mil) habitantes; l) 31 (trinta e um) Vereadores, nos Municípios de mais de 900.000 (novecentos mil) habitantes e de até 1.050.000 (um milhão e cinquenta mil) habitantes; m) 33 (trinta e três) Vereadores, nos Municípios de mais de 1.050.000 (um milhão e cinquenta mil) habitantes e de até 1.200.000 (um milhão e duzentos mil) habitantes; n) 35 (trinta e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de 1.200.000 (um milhão e duzentos mil) habitantes e de até 1.350.000 (um milhão e trezentos e cinquenta mil) habitantes; 92 o) 37 (trinta e sete) Vereadores, nos Municípios de 1.350.000 (um milhão e trezentos e cinquenta mil) habitantes e de até 1.500.000 (um milhão e quinhentos mil) habitantes; p) 39 (trinta e nove) Vereadores, nos Municípios de mais de 1.500.000 (um milhão e quinhentos mil) habitantes e de até 1.800.000 (um milhão e oitocentos mil) habitantes; q) 41 (quarenta e um) Vereadores, nos Municípios de mais de 1.800.000 (um milhão e oitocentos mil) habitantes e de até 2.400.000 (dois milhões e quatrocentos mil) habitantes; r) 43 (quarenta e três) Vereadores, nos Municípios de mais de 2.400.000 (dois milhões e quatrocentos mil) habitantes e de até 3.000.000 (três milhões) de habitantes; s) 45 (quarenta e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de 3.000.000 (três milhões) de habitantes e de até 4.000.000 (quatro milhões) de habitantes; t) 47 (quarenta e sete) Vereadores, nos Municípios de mais de 4.000.000 (quatro milhões) de habitantes e de até 5.000.000 (cinco milhões) de habitantes; u) 49 (quarenta e nove) Vereadores, nos Municípios de mais de 5.000.000 (cinco milhões) de habitantes e de até 6.000.000 (seis milhões) de habitantes; v) 51 (cinquenta e um) Vereadores, nos Municípios de mais de 6.000.000 (seis milhões) de habitantes e de até 7.000.000 (sete milhões) de habitantes; w) 53 (cinquenta e três) Vereadores, nos Municípios de mais de 7.000.000 (sete milhões) de habitantes e de até 8.000.000 (oito milhões) de habitantes; e x) 55 (cinquenta e cinco) Vereadores, nos Municípios de mais de 8.000.000 (oito milhões) de habitantes; NÚMERO DE VEREADOS Número de Habitantes por Município Quantidade de Vereadores Até 15 mil habitantes 9 + 15 a 30 mil habitantes 11 + 30 a 50 mil habitantes 13 + 50 a 80 mil habitantes 15 + 80 a 120 mil habitantes 17 + 120 a 160 mil habitantes 19 + 160 a 300 mil habitantes 21 + 300 a 450 mil habitantes 23 + 450 a 600 mil habitantes 25 + 600 a 750 mil habitantes 27 + 750 a 900 mil habitantes 29 + 900 mil a 1.050.000 habitantes 31 + 1.050.00 a 1.200.000 habitantes 33 + 1.200.000 a 1.350.00 habitantes 35 + 1.350.000 a 1.500.000 habitantes 37 + 1.500.000 a 1.800.000 habitantes 39 + 1.800.000 a 2.400.000 habitantes 41 + 2.400.000 a 3.000.000 habitantes 43 + 3.000.000 a 4.000.000 habitantes 45 + 4.000.000 a 5.000.000 habitantes 47 + 5.000.000 a 6.000.000 habitantes 49 + 6.000.000 a 7.000.000 habitantes 51 + 7.000.000 a 8.000.000 habitantes 53 + 8.000.000 habitantes 55 V - subsídios do Prefeito, do Vice-Prefeito e dos Secretários Municipais fixados por lei de iniciativa da Câmara Municipal, observado o que dispõem os arts. 37, XI, 39, § 4º, 150, II, 153, III, e 153, § 2º, I; VI - o subsídio dos Vereadores será fixado pelas respectivas Câmaras Municipais em cada legislatura para a subseqüente, observado o que dispõe esta Constituição, observados os critérios estabelecidos na respectiva Lei Orgânica e os seguintes limites máximos: 93 a) em Municípios de até dez mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a vinte por cento do subsídio dos Deputados Estaduais; b) em Municípios de dez mil e um a cinqüenta mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a trinta por cento do subsídio dos Deputados Estaduais; c) em Municípios de cinqüenta mil e um a cem mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a quarenta por cento do subsídio dos Deputados Estaduais; d) em Municípios de cem mil e um a trezentos mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a cinqüenta por cento do subsídio dos Deputados Estaduais; e) em Municípios de trezentos mil e um a quinhentos mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a sessenta por cento do subsídio dos Deputados Estaduais; f) em Municípios de mais de quinhentos mil habitantes, o subsídio máximo dos Vereadores corresponderá a setenta e cinco por cento do subsídio dos Deputados Estaduais; SUBSÍDIO DOS VEREADOS Número de Habitantes por Município Limites Máximos em função do subsídio dos Deputados Estaduais Até 10 mil habitantes 20% Entre 10 a 50 mil habitantes 30% Entre 50 a 100 mil habitantes 40% Entre 100 a 300 mil habitantes 50% Entre 300 a 500 mil habitantes 60% + 500 mil habitantes 75% VII - o total da despesa com a remuneração dos Vereadores NÃO PODERÁ ULTRAPASSAR o montante de cinco por cento da receita do Município; VIII - inviolabilidade dos Vereadores por suas opiniões, palavras e votos no exercício do mandato e na circunscrição do Município; (IMUNIDADE MATERIAL) #INFO - Imunidade material dos Vereadores. Durante sessão da Câmara Municipal, após discussão sobre uma representação contra o Prefeito, um Vereador passou a proferir pesadas ofensas contra outro Parlamentar. O Vereador ofendido ajuizou ação de indenização por danos morais contra o ofensor. A questão chegou até o STF que, julgando o tema sob a sistemática da repercussão geral, declarou que o Vereador não deveria ser condenado porque agiu sob o manto da imunidade material. Na oportunidade, o STF definiu a seguinte tese que deverá ser aplicada aos casos semelhantes: Nos limites da circunscrição do Município e havendo pertinência com o exercício do mandato, garante-se a imunidade previstano art. 29, VIII, da CF aos vereadores. STF. Plenário. RE 600063/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 25/2/2015 (repercussão geral) (Info 775). IX - proibições e incompatibilidades, no exercício da vereança, SIMILARES, NO QUE COUBER, ao disposto nesta Constituição para os membros do Congresso Nacional e na Constituição do respectivo Estado para os membros da Assembléia Legislativa; X - julgamento do PREFEITO perante o Tribunal de Justiça; SÚMULAS SOBRE PROCESSO E JULGAMENTO DE PREFEITOS STF STF - Súmula nº 702, STF: “A competência do Tribunal de Justiça para julgar Prefeitos restringe-se aos crimes de competência da Justiça comum estadual; nos demais casos, a competência originária caberá ao respectivo tribunal de segundo grau.” - Súmula nº 164, STJ: “O prefeito municipal, após a extinção do mandato, continua sujeito a processo por crime previsto no art. 1. Do Decreto-lei n. 201, de 27/02/67.” 94 - Súmula nº 703, STF: “A extinção do mandato do Prefeito não impede a instauração de processo pela prática dos crimes previstos no art. 1º do Dec.-lei 201/67.” - Súmula nº 208, STJ: “Compete a Justiça Federal processar e julgar prefeito municipal por desvio de verba sujeita a prestação de contas perante órgão federal.” - Súmula nº 209, STJ: “Compete a Justiça Estadual processar e julgar prefeito por desvio de verba transferida e incorporada ao patrimônio municipal.” #NÃOCONFUNDA: - desvio de verba sujeita a prestação de contas perante órgão federal: Justiça Federal - desvio de verba transferida e incorporada ao patrimônio municipal: Justiça Estadual COMPETÊNCIA PARA JULGAR PREFEITO Crime Comum Estadual - TJ (art. 29, X, CF; art. 1º, Decreto-Lei nº 201/67) Crime Comum Federal/Crime Eleitoral - TRF/TRE (Súmula nº 702, STF) Crime Político - Câmara Municipal (art. 4º, Decreto-Lei nº 201/67) XI - organização das funções legislativas e fiscalizadoras da Câmara Municipal; XII - cooperação das associações representativas no planejamento municipal; XIII - INICIATIVA POPULAR de projetos de lei de interesse específico do Município, da cidade ou de bairros, através de manifestação de, pelo menos, cinco por cento do eleitorado; INICIATIVA POPULAR Federal A iniciativa popular pode ser exercida pela apresentação à câmara dos deputados de projeto de lei subscrito por, no mínimo, um por cento do eleitorado nacional, distribuído pelo menos por cinco estados, com não menos de três décimos por cento dos eleitores de cada um deles. (art. 61, § 2º) Estadual A lei disporá sobre a iniciativa popular no processo legislativo estadual. (art. 27, § 4º) Municipal Iniciativa popular de projetos de lei de interesse específico do município, da cidade ou de bairros, através de manifestação de, pelo menos, cinco por cento do eleitorado; (art. 29, XIII) XIV - Perda do mandato do PREFEITO, nos termos do art. 28, parágrafo único (leia-se: art. 28, § 1º). Art. 28. A eleição do Governador e do Vice-Governador de Estado, para mandato de quatro anos, realizar-se-á no primeiro domingo de outubro, em primeiro turno, e no último domingo de outubro, em segundo turno, se houver, do ano anterior ao do término do mandato de seus antecessores, e a posse ocorrerá em primeiro de janeiro do ano subseqüente, observado, quanto ao mais, o disposto no art. 77. § 1º Perderá o mandato o Governador que assumir outro cargo ou função na administração pública direta ou indireta, ressalvada a posse em virtude de concurso público e observado o disposto no art. 38, I, IV e V. Art. 29-A. O total da despesa do Poder Legislativo Municipal, INCLUÍDOS os subsídios dos Vereadores e EXCLUÍDOS os gastos com inativos, NÃO PODERÁ ULTRAPASSAR os seguintes percentuais, relativos ao somatório da receita tributária e das transferências previstas no § 5o do art. 153 e nos arts. 158 e 159, efetivamente realizado no exercício anterior: (EC nº 109/2021) I - 7% (sete por cento) para Municípios com população de até 100.000 (cem mil) habitantes; II - 6% (seis por cento) para Municípios com população entre 100.000 (cem mil) e 300.000 (trezentos mil) habitantes; http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm#art28§1 95 III - 5% (cinco por cento) para Municípios com população entre 300.001 (trezentos mil e um) e 500.000 (quinhentos mil) habitantes; IV - 4,5% (quatro inteiros e cinco décimos por cento) para Municípios com população entre 500.001 (quinhentos mil e um) e 3.000.000 (três milhões) de habitantes; V - 4% (quatro por cento) para Municípios com população entre 3.000.001 (três milhões e um) e 8.000.000 (oito milhões) de habitantes; VI - 3,5% (três inteiros e cinco décimos por cento) para Municípios com população acima de 8.000.001 (oito milhões e um) habitantes. § 1o A Câmara Municipal NÃO GASTARÁ MAIS de setenta por cento de sua receita com folha de pagamento, INCLUÍDO o gasto com o subsídio de seus Vereadores. #NÃOCONFUNDA: Total que a Câmara Municipal gastará de sua receita com folha de pagamento, incluído o gasto com o subsídio de seus vereadores: Limitado a 70% de sua receita Total da despesa com a remuneração dos Vereadores: Limitado a 5% da receita do Município #INFO - É INCONSTITUCIONAL o pagamento de subsídio mensal e vitalício a ex-Vereadores, assim, como o pagamento de pensão por morte aos dependentes dos ex-ocupantes deste cargo. Algumas leis municipais preveem que a pessoa que tiver exercido o cargo de Vereador fará jus, após deixar o mandato, a um subsídio mensal e vitalício. Alguns chamam isso de representação, outros de pensão vitalícia e outros de pensão civil. A previsão desse pagamento é compatível com a CF/88? NÃO. O STF fixou a seguinte tese a respeito do tema: Lei municipal a versar a percepção, mensal e vitalícia, de “subsídio” por ex-vereador e a consequente pensão em caso de morte não é harmônica com a Constituição Federal de 1988. STF. Plenário. RE 638307/MS, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 19/12/2019 (Tema 672 – repercussão geral) (Info 964). § 2o Constitui CRIME DE RESPONSABILIDADE do Prefeito Municipal: I - efetuar repasse que supere os limites definidos neste artigo; II - não enviar o repasse até o dia vinte de cada mês; ou III - enviá-lo a menor em relação à proporção fixada na Lei Orçamentária. § 3o Constitui CRIME DE RESPONSABILIDADE do Presidente da Câmara Municipal o desrespeito ao § 1o deste artigo. CRIME DE RESPONSABILIDADE Prefeito Municipal - efetuar repasse que supere os limites definidos neste artigo; - não enviar o repasse até o dia vinte de cada mês; ou - enviá-lo a menor em relação à proporção fixada na Lei Orçamentária. Presidente da Câmara Municipal - gastar mais de setenta por cento da receita da Câmara Municipal com folha de pagamento, incluído o gasto com o subsídio dos Vereadores. 96 Art. 30. Compete aos MUNICÍPIOS: I - legislar sobre assuntos de interesse local; II - suplementar a legislação federal e a estadual no que couber; III - instituir e arrecadar os tributos de sua competência, bem como aplicar suas rendas, sem prejuízo da obrigatoriedade de prestar contas e publicar balancetes nos prazos fixados em lei; IV - criar, organizar e suprimir distritos, observada a legislação estadual; #NÃOCONFUNDA: Instituir REGIÕES METROPOLITANAS, AGLOMERAÇÕES URBANAS e MICRORREGIÕES (mediante LC) ESTADOS (art. 25, § 3º) Criar, organizar e suprimir DISTRITOS MUNICÍPIOS (art. 30, IV) V - organizar e prestar, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, os serviços públicos de interesse local, incluído o de transporte coletivo, que tem caráter essencial; VI - manter, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, programas de educação infantil e deensino fundamental; VII - prestar, com a cooperação técnica e financeira da União e do Estado, serviços de atendimento à saúde da população; VIII - promover, no que couber, adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano; IX - promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual. #INFO - Usurpa a competência dos Municípios a exigência feita pela Constituição Estadual de que os serviços de saneamento e abastecimento de água sejam realizados por pessoa jurídica de direito público ou sociedade de economia mista. É inconstitucional dispositivo da Constituição Estadual que preveja que os serviços públicos de saneamento e de abastecimento de água serão prestados por pessoas jurídicas de direito público ou por sociedade de economia mista sob controle acionário e administrativo, do Poder Público Estadual ou Municipal. Compete aos Municípios a titularidade dos serviços públicos de saneamento básico. Assim, a eles cabe escolher a forma da prestação desses serviços, se diretamente ou por delegação à iniciativa privada mediante prévia licitação. Isso é garantido pelo art. 30, I e IV, da CF/88. Além disso, essa previsão da Constituição Estadual também viola o art. 175 da Constituição Federal, que atribui ao poder público a escolha da prestação de serviços públicos de forma direta ou sob regime de concessão ou permissão mediante prévia licitação. STF. Plenário. ADI 4454, Rel. Cármen Lúcia, julgado em 05/08/2020 (Info 988 – clipping). - Em regra, é IMPRESCINDÍVEL prévia licitação para a concessão ou permissão da exploração de serviços de transporte coletivo de passageiros. Salvo situações excepcionais, devidamente comprovadas, o implemento de transporte público coletivo pressupõe prévia licitação. STF. Plenário. RE 1001104, Rel. Marco Aurélio, julgado em 15/05/2020 (Repercussão Geral – Tema 854) (Info 982 – clipping). 97 SÚMULAS SOBRE COMPETÊNCIA DOS MUNICÍPIOS - Súmula Vinculante nº 38: “É competente o município para fixar o horário de funcionamento de estabelecimento comercial.” - Súmula Vinculante nº 49: “Ofende o princípio da livre concorrência lei municipal que impede a instalação de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em determinada área.” - Súmula nº 419, STF: “Os municípios têm competência para regular o horário do comércio local, desde que não infrinjam leis estaduais* ou federais válidas. *Obs.: Não é da competência dos Estados-membros legislar sobre horário do comércio local. Art. 31. A fiscalização do Município será exercida pelo Poder Legislativo Municipal, mediante controle externo, e pelos sistemas de controle interno do Poder Executivo Municipal, na forma da lei. Obs.: O órgão competente para rejeitar as contas de Prefeito Municipal, tornando inelegível, é a Câmara de Vereadores. § 1º O controle externo da Câmara Municipal será exercido com o auxílio dos Tribunais de Contas dos Estados ou do Município ou dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios, onde houver. § 2º O parecer prévio, emitido pelo órgão competente sobre as contas que o Prefeito deve anualmente prestar, SÓ DEIXARÁ DE PREVALECER por decisão de dois terços dos membros da Câmara Municipal. #INFO - Competência para julgamento das contas dos Prefeitos. Para os fins do artigo 1º, inciso I, alínea g, da Lei Complementar 64/1990, a apreciação das contas de Prefeito, tanto as de governo quanto as de gestão, será exercida pelas Câmaras Municipais, com auxílio dos Tribunais de Contas competentes, cujo parecer prévio somente deixará de prevalecer por decisão de dois terços dos vereadores. STF. Plenário. RE 848826/DF. Rel. orig. Min. Roberto Barroso, red. p/ o acórdão Min. Ricardo Lewandowski. Julgado em 10/08/2016 (repercussão geral) (lnfo 834). - Natureza do parecer do Tribunal de Contas na análise das contas dos Prefeitos. Parecer técnico elaborado pelo Tribunal de Contas tem natureza meramente opinativa, competindo exclusivamente à Câmara de Vereadores o julgamento das contas anuais do chefe do Poder Executivo local, sendo incabível o julgamento ficto das contas por decurso de prazo. STF. Plenário. RE 729744/MG, Rel. Min. Gilmar Mendes. J. em 10/08/2016 (repercussão geral) (Info 834). § 3º As contas dos Municípios ficarão, durante sessenta dias, ANUALMENTE, à disposição de qualquer contribuinte, para exame e apreciação, o qual poderá questionar-lhes a legitimidade, nos termos da lei. § 4º É VEDADA a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos de Contas MUNICIPAIS. #INFO - A Constituição Federal não proíbe a extinção de Tribunais de Contas dos Municípios. A Constituição Federal não proíbe a extinção de Tribunais de Contas dos Municípios. STF. Plenário. ADI 5763/CE, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 26/10/2017 (Info 883). #NÃOCONFUNDA: TRIBUNAIS DE CONTAS DOS MUNICÍPIOS TRIBUNAIS DE CONTAS DO MUNICÍPIO Órgão Estadual que atua na fiscalização das contas de todos os Municípios de determinado Estado. Órgão Municipal que atua na fiscalização das contas de um único Município. Atua como órgão auxiliar de todas as Câmaras Municipais de determinado Estado no exercício do Atua como órgão auxiliar de uma única Câmara Municipal no exercício do controle externo sobre determinado Município. 98 controle externo sobre os respectivos Municípios daquele Estado. A CF permite que os Estados criem novos Tribunais de Contas dos Municípios. A CF proíbe que os Estados criem novos Tribunais de Contas Municipais. Atualmente, existem três: TCM/BA; TCM/GO; TCM/PA. Atualmente, existem dois: TCM/Rio de Janeiro; TCM/São Paulo. *Fonte: site Dizer o Direito. CAPÍTULO V DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS Seção I DO DISTRITO FEDERAL Art. 32. O Distrito Federal, VEDADA sua divisão em Municípios, reger- se-á por lei orgânica, votada em dois turnos com interstício MÍNIMO de dez dias, e aprovada por dois terços da Câmara Legislativa, que a promulgará, atendidos os princípios estabelecidos nesta Constituição. LEI ORGÂNICA DO DF BIZU: DDD - votada em Dois turnos... - interstício mínimo de Dez dias... e - aprovada por Dois terços da Câmara Legislativa. #NÃOCONFUNDA: DF Territórios Não pode ser dividido em Municípios Podem ser divididos em Municípios § 1º Ao Distrito Federal são atribuídas as competências legislativas reservadas aos Estados e Municípios. § 2º A eleição do Governador e do Vice-Governador, observadas as regras do art. 77, e dos Deputados Distritais coincidirá com a dos Governadores e Deputados Estaduais, para mandato de igual duração. § 3º Aos Deputados Distritais e à Câmara Legislativa aplica-se o disposto no art. 27. § 4º Lei federal disporá sobre a UTILIZAÇÃO, pelo Governo do Distrito Federal, da polícia civil, da polícia penal, da polícia militar e do corpo de bombeiros militar. (EC nº 104/2019) Seção II DOS TERRITÓRIOS Art. 33. A lei disporá sobre a organização administrativa e judiciária dos Territórios. § 1º Os Territórios PODERÃO ser divididos em Municípios, aos quais se aplicará, no que couber, o disposto no Capítulo IV (Municípios) deste Título. #NÃOCONFUNDA: DF Territórios Não pode ser dividido em Municípios Podem ser divididos em Municípios § 2º As contas do Governo do Território serão submetidas ao Congresso Nacional, com parecer prévio do Tribunal de Contas da União. § 3º Nos Territórios Federais com MAIS de cem mil habitantes, além do Governador nomeado (pelo PR) na forma desta Constituição, haverá órgãos judiciários de primeira e segunda instância, membros do Ministério 99 Público e defensores públicos federais; a lei disporá sobre as eleições para a Câmara Territorial e sua competência deliberativa. #SELIGA: TERRITÓRIOS- integram: a União, mas não são Entes da Federação, não possuindo autonomia política, sendo meras descentralizações administrativas (Autarquias Federais); - divisão em Municípios: podem ser divididos em Municípios. DF não pode; - criação, transformação ou reintegração: LEI COMPLEMENTAR; - organização administrativa e judiciária: Lei Ordinária; - Legislativo: haverá 4 Deputados. Não haverá Senadores; - Executivo: Governador (não é eleito, mas nomeado pelo PR). As contas do Governo serão submetidas ao Congresso Nacional, com parecer prévio do TCU. - mais de 100 mil habitantes: Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública e Câmara Territorial. CAPÍTULO VI DA INTERVENÇÃO Art. 34. A União NÃO INTERVIRÁ nos Estados nem no Distrito Federal, EXCETO para: I - MANTER a integridade nacional; (Espontânea) II - REPELIR invasão estrangeira ou de uma unidade da Federação em outra; (Espontânea) III - PÔR TERMO a grave comprometimento da ordem pública; (Espontânea) IV - GARANTIR o livre exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da Federação; (Provocação por Soliticação - Poderes Executivo e Legislativo/ Provocação por Requisição - Poder Judiciário) V - REORGANIZAR as finanças da unidade da Federação que: (Espontânea) a) suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos consecutivos, SALVO motivo de força maior; b) deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias fixadas nesta Constituição, dentro dos prazos estabelecidos em lei; VI - PROVER a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial; (Provocação por Requisição) VII - ASSEGURAR a observância dos seguintes princípios constitucionais: (PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS SENSÍVEIS) (Provocação por Requisição) a) forma republicana, sistema representativo e regime democrático; PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS SENSÍVEIS - art. 34, VII, a CLÁUSULA PÉTREA - art. 60, § 4º, I Forma Republicana Sistema Representativo Regime Democrático Forma Federativa b) direitos da pessoa humana; c) autonomia municipal; d) prestação de contas da administração pública, direta e indireta. e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde. Obs.: A insuficiência de recursos financeiros pelo Estado não caracteriza fundamento razoável para se deferir pleito de intervenção federal - STF. 100 Art. 35. O Estado NÃO INTERVIRÁ em seus Municípios, nem a União nos Municípios localizados em Território Federal, EXCETO quando: I - deixar de ser paga, sem motivo de força maior, por dois anos consecutivos, a dívida fundada; II - não forem prestadas contas devidas, na forma da lei; III - não tiver sido aplicado o mínimo exigido da receita municipal na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde; IV - o Tribunal de Justiça der provimento a representação para assegurar a observância de princípios indicados na Constituição Estadual, ou para prover a execução de lei, de ordem ou de decisão judicial. - Súmula nº 637, STF: “Não cabe recurso extraordinário contra acórdão de Tribunal de Justiça que defere pedido de intervenção estadual em Município.” Existem duas hipóteses de intervenção constitucionalmente previstas: Intervenção Federal União intervém no Estado/DF ou no Município do Território Federal. Intervenção Estadual Estado intervém no Município. Obs.1: A única possibilidade de intervenção da União em Municípios se dá quando estes pertencerem a Território Federal. Em nenhuma outra hipótese, a União poderá intervir em Municípios em respeito ao Pacto Federativo. Obs.2: Não é possível Estado-membro intervir em Município de outro Estado-membro. Art. 36. A decretação da intervenção DEPENDERÁ: I - no caso do art. 34, IV, de SOLICITAÇÃO do Poder Legislativo ou do Poder Executivo coacto ou impedido, ou de REQUISIÇÃO do Supremo Tribunal Federal, se a coação for exercida contra o Poder Judiciário; IV - garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da Federação; II - no caso de desobediência a ordem ou decisão judiciária, de REQUISIÇÃO do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça ou do Tribunal Superior Eleitoral; III de PROVIMENTO, pelo Supremo Tribunal Federal, de representação do Procurador-Geral da República, na hipótese do art. 34, VII (princípios constitucionais sensíveis), e no caso de recusa à execução de lei federal. Art. 34. (...) VII - assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais: a) forma republicana, sistema representativo e regime democrático; b) direitos da pessoa humana; c) autonomia municipal; d) prestação de contas da administração pública, direta e indireta. e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde. § 1º O DECRETO de intervenção, que especificará a amplitude, o prazo e as condições de execução e que, SE COUBER, nomeará o interventor, será submetido à apreciação do Congresso Nacional ou da Assembléia Legislativa do Estado, no prazo de vinte e quatro horas. Obs.1: Atuação do CN ou AL: posterior; Obs.2: Perceba que a nomeação de interventor é facultativa (se couber). § 2º Se não estiver funcionando o Congresso Nacional ou a Assembléia Legislativa, far-se-á convocação extraordinária, no mesmo prazo de vinte e quatro horas. § 3º Nos casos do art. 34, VI e VII, ou do art. 35, IV, dispensada a apreciação pelo Congresso Nacional ou pela Assembléia Legislativa, o decreto limitar-se-á a suspender a execução do ato impugnado, se essa medida bastar ao restabelecimento da normalidade. Art. 34 (...) VI - prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial; VII - assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais: a) forma republicana, sistema representativo e regime democrático; 101 b) direitos da pessoa humana; c) autonomia municipal; d) prestação de contas da administração pública, direta e indireta. e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde. Art. 35 (...) IV - o Tribunal de Justiça der provimento a representação para assegurar a observância de princípios indicados na Constituição Estadual, ou para prover a execução de lei, de ordem ou de decisão judicial. § 4º Cessados os motivos da intervenção, as autoridades afastadas de seus cargos a estes voltarão, SALVO impedimento legal. #INFO - A Constituição Estadual não pode disciplinar sobre intervenção estadual de forma diferente das regras previstas na Constituição Federal. A Constituição Estadual não pode trazer hipóteses de intervenção estadual diferentes daquelas que são previstas no art. 35 da Constituição Federal. As hipóteses de intervenção estadual previstas no art. 35 da CF/88 são taxativas. Caso concreto: STF julgou inconstitucional dispositivo da Constituição de Pernambuco que previa que o Estado- membro poderia intervir nos Municípios caso ali ocorressem atos de corrupção e improbidade administrativa. STF. Plenário. ADI 2917, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 27/03/2020 (Info 973). Viola a Constituição Federal a previsão contida na Constituição Estadual atribuindo aos Tribunais de Contas a competência para requerer ou decretar intervenção em Município. Essa previsão não encontra amparo nos arts. 34 e 36 da CF/88. STF. Plenário. ADI 3029, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 27/03/2020 (Info 973). INTERVENÇÃO CONCEITO Intervenção é uma medida temporária e excepcional, prevista na Constituição em hipóteses restritas, queautoriza que um ente federado passe a ter ingerência nos negócio políticos de outra entidade federada, suprimindo-lhe, por tempo determinado, a autonomia. PRINCÍPIOS Princípio da Não-intervenção A regra é não intervir. O texto constitucional indica esse norte interpretativo ao preceituar que a União não vai intervir nos Estados ou no Distrito Federal, exceto nos casos listados no art. 34, do mesmo modo que dispõe que os Estados não intervirão em seus Municípios, nem a União nos Municípios localizados em Território Federal, exceto quando uma das situações descritas no art. 35 se apresentar. Deste modo, sempre que houver alguma outra medida menos gravosa e apta a assegurar a manutenção da federação, ela será preferível à intervenção. Princípio da Taxatividade As possibilidades de utilização deste mecanismo extremo estão previstas de modo categórico no texto constitucional. Isso significa que a listagem do art. 34 e a enunciação do art. 35 são taxativas, isto é, as hipóteses de intervenção estão descritas na Constituição Federal em um rol fechado, numerus clausulus. Princípio da Temporariedade A intervenção não pode perpetuar no tempo, afinal a federação se estrutura tendo por base a autonomia de todos os seus entes integrantes. Assim, o período de duração da supressão da autonomia do ente deve ser aquele imprescindível ao restabelecimento da normalidade e nada mais. Não por outra razão, o art. 36, § 1º, CF/88 exige que no decreto interventivo presidencial conste o prazo de duração da intervenção (e caso o limite temporal seja insuficiente, poderá ser prorrogado). 102 ESPÉCIES ESPONTÂNEA Obs.: PR age discricionariamente (Art. 34, I, II, III e V, CF): - Hipóteses (Pressupostos Materiais) * manter a integridade nacional; * repelir invasão estrangeira ou de uma unidade da Federação em outra; * pôr termo a grave comprometimento da ordem pública; * reorganizar as finanças da unidade da Federação que: a) suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos consecutivos, salvo motivo de força maior; b) deixar de entregar aos Municípios receitas tributárias fixadas na Constituição, dentro dos prazos estabelecidos em lei. - Procedimento (Pressupostos Formais) Decretada pelo PR de ofício, independente de qualquer provocação. O Decreto de Intervenção, que especificará a amplitude, o prazo e as condições de execução e que, se couber, nomeará o interventor, será submetido à apreciação do CN, no prazo de 24 horas. Se o CN não estiver funcionando, o Presidente do Senado deverá fazer uma convocação extraordinária, no prazo de 24 horas. Antes de decretar a intervenção, o Presidente consultará o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, sendo tais manifestações apenas opinativas (não vinculantes). Cabe o controle POLÍTICO pelo Congresso. PROVOCADA Por Solicitação Obs.: PR age discricionariamente (Art. 34, IV, CF): - Hipóteses (Pressupostos Materiais) * garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da Federação. - Procedimento (Pressupostos Formais) (Art. 36, I, 1ª parte, CF): Solicitação do Poder Legislativo (Assembleia Legislativa ou Câmara Legislativa) ou do Poder Executivo (Governador) coacto ou impedido, ao PR. O Decreto de Intervenção, que especificará a amplitude, o prazo e as condições de execução e que, se couber, nomeará o interventor, será submetido à apreciação do CN, no prazo de 24 horas. Se o CN não estiver funcionando, o Presidente do Senado deverá fazer uma convocação extraordinária, no prazo de 24 horas. Antes de decretar a intervenção, o Presidente consultará o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, sendo tais manifestações apenas opinativas (não vinculantes). Cabe o controle POLÍTICO pelo Congresso. Por Requisição Obs.: Em todas as 4 hipóteses, o PR está vinculado 1. (Art. 34, IV, CF): - Hipóteses (Pressupostos Materiais) * garantir o livre exercício de qualquer dos Poderes nas unidades da Federação; - Procedimento (Pressupostos Formais) Art. 36, I, 2ª parte, CF): 103 Requisição do STF, se a coação for exercida contra o Poder Judiciário, ao PR. O Decreto de Intervenção, que especificará a amplitude, o prazo e as condições de execução e que, se couber, nomeará o interventor, será submetido à apreciação do CN, no prazo de 24 horas. Se o CN não estiver funcionando, o Presidente do Senado deverá fazer uma convocação extraordinária, no prazo de 24 horas. Antes de decretar a intervenção, o Presidente consultará o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional, sendo tais manifestações apenas opinativas (não vinculantes). Cabe o controle POLÍTICO pelo Congresso. 2. (Art. 34, VI, 2ª parte, CF): - Hipóteses (Pressupostos Materiais) * prover a execução de ordem ou decisão judicial; - Procedimento (Pressupostos Formais) (Art. 36, II, CF) Requisição do STF, STJ ou TSE, ao PR. Não Cabe o controle POLÍTICO pelo Congresso. 3. Art. 34, VI, 1ª parte, CF): * prover a execução de lei federal; (Art, 34, VII, CF): * assegurar a observância dos seguintes princípios constitucionais (sensíveis): a) forma republicana, sistema representativo e regime democrático; b) direitos da pessoa humana; c) autonomia municipal; d) prestação de contas da administração pública, direta e indireta. e) aplicação do mínimo exigido da receita resultante de impostos estaduais, compreendida a proveniente de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde. - Procedimento (Pressupostos Formais) (Art. 36, III, 1ª e 2ª partes, CF): Provimento pelo STF, de representação do PGR; Se o STF julgar a ação procedente, deverá levar ao conhecimento do Presidente da República para que este, no prazo 104 improrrogável de até 15 dias, tome as seguintes providências: a) Expeça decreto de intervenção; b) Nomeie, nesse mesmo decreto, o interventor (se couber). Não Cabe o controle POLÍTICO pelo Congresso. DISPOSITIVOS QUE DEVEM SER LIDOS CONJUNTAMENTE Art. 21. Compete à UNIÃO: V - decretar o estado de sítio, o estado de defesa e a intervenção federal; Art. 49. É da competência EXCLUSIVA do Congresso Nacional: IV - aprovar o estado de defesa e a intervenção federal, autorizar o estado de sítio, ou suspender qualquer uma dessas medidas Art. 57. (...) § 6º A CONVOCAÇÃO EXTRAORDINÁRIA do Congresso Nacional far-se-á: I - pelo Presidente do Senado Federal, em caso de decretação de estado de defesa ou de intervenção federal, de pedido de autorização para a decretação de estado de sítio e para o compromisso e a posse do Presidente e do Vice-Presidente da República; Art. 60. (...) § 1º A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio. Obs.: A intervenção federal é limitação circunstancial ao poder reformador. Art. 84. Compete PRIVATIVAMENTE ao Presidente da República: X - decretar e executar a intervenção federal; Art. 90. Compete ao Conselho da República pronunciar-se sobre: I - intervenção federal, estado de defesa e estado de sítio; Art. 91. (...) § 1º Compete ao Conselho de Defesa Nacional: II - opinar sobre a decretação do estado de defesa, do estado de sítio e da intervenção federal; Obs.: As manifestações dos Conselhos da República e de Defesa Nacional são opinativas, não vinculando o PR. CAPÍTULO VII DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Seção I DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: BIZU: “L.I.M.P.E” PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS EXPRESSOS Legalidadea continuidade da vigência de artigos da Constituição anterior, com o caráter de norma constitucional, no novo ordenamento jurídico instaurado. As referidas normas são recebidas por prazo certo, em razão de seu caráter precário, características marcantes no fenômeno da recepção material das normas constitucionais. 10 Só será admitido se houver expressa manifestação da nova Constituição; caso contrário, as normas da Constituição anterior serão revogadas. Requisitos: - deve vir expressamente previsto na nova Constituição; - são recebidas por prazo certo, em razão de seu caráter precário. CLASSIFICAÇÃO DAS CONSTITUIÇÕES - QUANTO À ORIGEM * Outorgadas, Impostas, Ditadoriais ou Autocráticas São aquelas impostas pelo detentor do poder político. Exs.: CF’s brasileiras de 1824, 1937, 1967 e EC nº 01/69. * Democráticas, Promulgadas, Votadas ou Populares (CF) São aquelas produzidas com a participação popular em regime de democracia (seja direta ou representativa). Normalmente, são fruto do trabalho de uma Assembleia Constituinte. Exs.: CF’s brasileiras de 1891, 1934, 1946 e 1988. * Cesaristas ou Bonapartistas São aquelas produzidas pelo detentor do poder político, mas dependem de ratificação popular por meio de referendo. Não há constituições brasileiras. * Dualistas ou Pactuadas São aquelas fruto de um compromisso instável de duas forças políticas rivais antagônicas. Governo/monarquia enfraquecido x Burguesia fortalecida. Não há constituições brasileiras. - QUANTO À FORMA * Escritas, Legais ou Instrumentais (CF) São aquelas produzidas em documentos formais/escritos e solenes. * Não Escritas, Históricas, Costumeiras ou Consuetudinárias São aquelas pautadas em costumes, tradições, leis esparsas e jurisprudência. #CUIDADO: as constituições não escritas também são formadas por leis e convenções. Ex.: Constituição inglesa. - QUANTO À SISTEMÁTICA * Codificadas (CF) São aquelas cujas normas se encontram inteiramente contidas em um só texto, formando um único corpo de lei. * Não Codificadas São aquelas escritas formadas por normas esparsas ou fragmentadas em vários textos. 11 - QUANTO AO MODO DE ELABORAÇÃO * Dogmáticas ou Sistemáticas (CF) São aquelas que são sempre escritas e elaboradas por um órgão constituinte, segundo os dogmas e valores em voga. * Históricas ou Costumeiras São aquelas que são não escritas e concebidas historicamente pela sociedade, produto de um processo social lento. São mais estáveis que as dogmáticas. Ex.: Constituição inglesa. - QUANTO AO CONTEÚDO * Materiais São aquelas identificadas por consagrarem um conjunto de normas estruturais da sociedade. São consideradas normas materialmente constitucionais as que contêm matérias típicas de uma constituição, quais sejam, estrutura do Estado, organização dos poderes e direitos e garantias fundamentais. Ex.: Constituição imperial brasileira de 1824. * Formais (CF) São aquelas que podem ser definidas como o conjunto de normas jurídicas produzidas por um processo mais árduo e mais solene que o ordinário, com o propósito de tornar mais difícil a sua alteração. Esta espécie pressupõe uma constituição escrita. - QUANTO À EXTENSÃO * Analíticas, Prolixas, Extensas ou Longas (CF) São aquelas que versam sobre determinadas matérias de forma detalhada e específica. São necessariamente escritas e fruto do Constitucionalismo Contemporâneo. Ex.: Constituição de 1988 * Sintéticas, Concisas, Sumárias ou Curtas São aquelas que possuem conteúdo abreviado e versam tão somente sobre princípios gerais e regras básicas sobre organização e funcionamento do Estado. Ex.: Constituição do EUA, que possui apenas sete artigos - QUANTO À ESTABILIDADE OU MUTABILIDADE * Imutáveis, Graníticas, Intocáveis ou Permanentes São as Leis Fundamentais antigas (Código de Hamurabi e a Lei das XII Tábuas), que surgiram com a pretensão de eternidade e que, por isso, não podiam ser modificadas sob pena de maldição dos deuses. * Fixas ou Silenciosas São aquelas que só podem ser modificadas pelo mesmo poder constituinte que as elaborou, quando convocado. Ex.: Constituições francesas da época de Napoleão I. 12 * Rígidas (CF) São aquelas que somente podem ser modificadas mediante procedimentos mais solenes e complexos que o processo legislativo ordinário. São sempre escritas, mas as escritas nem sempre são rígidas. Exs.: CF’s brasileiras de 1891, 1934, 1937, 1946, 1967 e 1988. * Super-rígidas Classificação trazida por Alexandre de Moraes. São aquelas constituições rígidas dotadas de normas imutáveis (clausúlas pétreas). Para o autor, a CF é um exemplo desta classificação. * Semirrígidas ou Semiflexíveis São aquelas que contêm uma parte rígida e outra flexível. Ex.: Constituição imperial brasileira de 1824. * Flexíveis ou Plásticas São aquelas que permitem a modificação de suas normas por um processo idêntico ao de lei ordinária. As normas de uma Constituição flexível reduzem-se a normas legais, não possuindo nenhuma supremacia sobre as demais. - QUANTO À IDEOLOGIA * Ecléticas ou Compromissórias (CF) São aquelas que procuram conciliar ideologias políticas opostas. * Ortodoxas São aquelas que adotam apenas uma ideologia política. Ex.: Constituição Soviética de 1977 (Comunismo). - QUANTO À ORIGEM DE DECRETAÇÃO * Autoconstituições (CF) São aquelas elaboradas por órgãos do próprio Estado, como a Assembleia Constituinte. * Heteroconstituições São aquelas elaboradas por órgãos de fora do Estado, seja por Organização Internacional ou por outros Estados. - QUANTO AO SISTEMA * Principiológicas (CF) São aquelas em que predominam os princípios. * Preceituais São aquelas em que predominam as regras. 13 - QUANTO À FINALIDADE * Constituições-garantia ou Constituições-quadro São aquelas que se concentram nas limitações do poder do Estatal junto aos cidadãos (liberdade negativa). * Constituições-balanço ou Constituições-registro São aquelas que descrevem e registram, periodicamente, o grau de organização política e relações reais de poder. Fazem, de tempos em tempos, um balanço do estágio em que se encontra a evolução social. * Constituições-dirigente ou Constituições-programática (CF) São aquelas de texto extenso, que definem programas, planos e diretrizes para a atuação estatal. - QUANTO À CORRESPONDÊNCIA COM A REALIDADE (CRITÉRIO ONTOLÓGICO DE KARL LOEWENSTEIN) * Normativas (CF) São aquelas que estão em consonância com a realidade social e política do Estado e são utilizadas pela população. Exs.: Constituições brasileiras de 1891, 1934 e 1946. * Nominativas ou Nominais São aquelas que não conseguiram ficar em consonância com a realidade social, mas que anseiam chegar a este estágio e alcançar a simetria entre a Constituição e a realidade. São constituições prospectivas. * Semânticas São aquelas que além de não estarem em consonância com a realidade social, são feitas para beneficiar os detentores do poder, sendo os interesses sociais relegados a segundo plano. Exs.: CF’s brasileiras de 1937, 1967 e 1969. - QUANTO AO PAPEL DA CONSTITUIÇÃO OU FUNÇÃO DESEMPENHADA PELA CONSTITUIÇÃO * Constituições-lei São aqueles em que suas normas são equiparadas às demais leis do ordenamento, desprovidas de status hierárquico diferenciado. Nesse sentido, não são capazes de moldar a atuação do legislador e funcionam, apenas, como diretrizes não vinculantes. * Constituições-moldura São aqueles que são só a moldura de um quadro vazio, funcionando como limite à atuação do legislador ordinário, que não poderá atuar fora dos limites previamente estabelecidos. * Constituições-fundamentoA atuação da Administração Pública deve ser autorizada por lei. #NÃOCONFUNDA: - Administração: só pode fazer o que é autorizado pela lei; - Particular: pode fazer tudo que a lei permite ou autoriza. #SELIGA: Atualmente, a doutrina contemporânea entende que o princípio da legalidade foi substituído pelo PRINCÍPIO DA JURIDICIDADE, segundo o qual a Administração se vincula 105 não apenas à lei, mas também a todo o ordenamento jurídico, especialmente à Constituição Federal. Impessoalidade Pode ser analisado sob duas perspectivas: - Isonomia: a Administração deve tratar todos os administrados da mesma forma. - Proibição de promoção pessoal: o administrador não pode se valer das realizações públicas para se promover. Obs.: A efetivação de pagamento de precatório em desobediência à ordem cronológica traduz violação ao princípio da impessoalidade. Moralidade O administrador deve se pautar de acordo com padrões éticos no exercício de suas funções. - Súmula Vinculante nº 13: “A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal.” Publicidade Os atos da Administração devem ser públicos, o que permite maior controle pelos administrados. Eficiência Introduzido pela EC 19/00, fruto do poder constituinte derivado reformador, impõe a busca por melhores resultados, com o menor custo possível (substitui a Administração burocrática pela Administração gerencial) #INFO JURISPRUDÊNCIA SOBRE PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS PRINCÍPIO DA MORALIDADE - O STF tem afastado a aplicação da SV 13 a cargos públicos de natureza política, como são os cargos de Secretário Estadual e Municipal. O STF tem afastado a aplicação da SV 13 a cargos públicos de natureza política, como são os cargos de Secretário Estadual e Municipal. Mesmo em caso de cargos políticos, será possível considerar a nomeação indevida nas hipóteses de: • nepotismo cruzado; • fraude à lei e • inequívoca falta de razoabilidade da indicação, por manifesta ausência de qualificação técnica ou por inidoneidade moral do nomeado. STF. 1ª Turma. Rcl 29033 AgR/RJ, rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 17/9/2019 (Info 952). - A nomeação da esposa do prefeito como Secretária Municipal não configura, por si só, nepotismo e ato de improbidade administrativa. A nomeação do cônjuge de prefeito para o cargo de Secretário Municipal, por se tratar de cargo público de natureza política, por si só, não caracteriza ato de improbidade administrativa. STF. 2ª Turma. Rcl 22339 AgR/SP, Rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Gilmar Mendes, julgado em 4/9/2018 (Info 914). Em regra, a proibição da SV 13 não se aplica para cargos públicos de natureza política, como, por exemplo, Secretário Municipal. Assim, a jurisprudência do STF, em regra, tem excepcionado a regra sumulada e garantido a permanência de parentes de autoridades públicas em cargos políticos, sob o fundamento de que tal prática não configura nepotismo. Exceção: poderá ficar caracterizado o nepotismo mesmo em se tratando de cargo político caso fique demonstrada a inequívoca falta de razoabilidade na nomeação por manifesta ausência de qualificação técnica ou inidoneidade moral do nomeado. STF. 1ª Turma. Rcl 28024 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 29/05/2018. 106 - Norma que impede nepotismo no serviço público não alcança servidores de provimento efetivo. A Constituição do Estado do Espírito Santo prevê, em seu art. 32, VI, que é "vedado ao servidor público servir sob a direção imediata de cônjuge ou parente até segundo grau civil". Foi proposta uma ADI contra esta norma. O STF julgou a norma constitucional. Mas decidiu dar interpretação conforme à Constituição, no sentido de o dispositivo ser válido somente quando incidir sobre os cargos de provimento em comissão, função gratificada, cargos de direção e assessoramento. Em outras palavras, o STF afirmou que essa vedação não pode alcançar os servidores admitidos mediante prévia aprovação em concurso público, ocupantes de cargo de provimento efetivo, haja vista que isso poderia inibir o próprio provimento desses cargos, violando, dessa forma, o art. 37, I e II, da CF/88, que garante o livre acesso aos cargos, funções e empregos públicos aos aprovados em concurso público. STF. Plenário. ADI 524/ES. Rel. orig. Min. Sepúlveda Pertence. red. p/ o acórdão Min. Ricardo Lewandowski. Julgado em 20/05/2015 (lnfo 786). - Não haverá nepotismo se a pessoa nomeada possui um parente no órgão, mas sem influência hierárquica sobre a nomeação. Não há nepotismo na nomeação de servidor para ocupar o cargo de assessor de controle externo do Tribunal de Contas mesmo que seu tio (parente em Linha colateral de 3º grau) já exerça o cargo de assessor-chefe de gabinete de determinado Conselheiro, especialmente pelo fato de que o cargo do referido tio não tem qualquer poder Legal de nomeação do sobrinho. A incompatibilidade da prática enunciada na SV 13 com o art. 37 da CF/88 não decorre diretamente da existência de relação de parentesco entre pessoa designada e agente político ou servidor público, mas de presunção de que a escolha para ocupar cargo de direção, chefia ou assessoramento tenha sido direcionado à pessoa com relação de parentesco com quem tenha potencial de interferir no processo de seleção. STF. 2ª Turma. Rcl 18564/SP. Rel. orig. Min. Gilmar Mendes. red. p/ o acórdão Min. Dias Toffoli. Julgado em 23/02/2016 (lnfo 815). - Lei que proíba o nepotismo no Poder Executivo pode ser proposta por parlamentar. As leis que proíbam o nepotismo na Administração Pública não são de iniciativa exclusiva do Chefe do Poder Executivo, podendo, portanto, ser propostas pelos parlamentares. STF. Plenário. RE 570392/RS. Rel. Min. Cármen Lúcia. Julgado em 11/12/2014 (Info 771). - Vedação ao nepotismo: inconstitucionalidade de lei estadual que preveja exceções. É inconstitucional lei estadual que excepciona a vedação da prática do nepotismo, permitindo que sejam nomeados para cargos em comissão ou funções gratificadas de até dois parentes das autoridades estaduais, além do cônjuge do Governador. STF. Plenário. ADI/3745/GO. Rel. Min. Dias Toffoli. Julgado 15/05/2013 (lnfo 706). PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE - Divulgação de vencimentos dos servidores públicos com relação nominal. É legítima a publicação, inclusive em sítio eletrônico mantido pela Administração Pública, dos nomes de seus servidores e do valor dos correspondentes vencimentos e vantagens pecuniárias. STF. Plenário. ARE 652777/SP, Rel. Min. Teori Zavascki, j. em 23/4/2015 (repercussão geral) (Info 782). - Direito de jornal ter acesso a informações sobre o uso da verba indenizatória por Senadores. Determinado jornal requereu ao Senado Federal cópia dos documentos que demonstrassem como os Senadores utilizaram a verba indenizatória dos seus gabinetes. A Presidência do Senado negou ao jornal o acesso aos dados sob o fundamento de que os documentos solicitados seriam sigilosos e que haveria uma invasão à privacidade dos Parlamentares. O STF determinou que o Senado forneça cópia dos documentos solicitados. A verba indenizatória destina-se a custear despesas direta e exclusivamente relacionadas ao exercício da função parlamentar. Desse modo, tais valores possuem natureza pública, tanto pelo fato de estarem sendo pagas por um órgão público (Senado Federal) quanto pela finalidade a que se destinam, estando vinculadasao exercício da representação popular (mandato). Sendo a verba pública, a regra geral é a de que as informações sobre o seu uso são públicas. 107 A Corte entendeu que o fornecimento de tais informações não acarreta qualquer risco à segurança nem viola a privacidade ou intimidade dos Parlamentares. STF. Plenário. MS 28178/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 4/3/2015 (Info 776). PRINCÍPIOS DA INTRANSCENDÊNCIA DAS SANÇÕES, DEVIDO PROCESSO LEGAL, RAZOABILIDADE E OUTROS - Município pode obter certidão positiva com efeitos de negativa quando os débitos são da Câmara Municipal (e não do Poder Executivo). É possível ao Município obter certidão positiva de débitos com efeito de negativa quando a Câmara Municipal do mesmo ente possui débitos com a Fazenda Nacional, tendo em conta o princípio da intranscendência subjetiva das sanções financeiras. STF. Plenário. RE 770149, Rel. Min. Marco Aurélio, Relator p/ Acórdão Min. Edson Fachin, julgado em 05/08/2020 (Repercussão Geral – tema 743) (Info 993). - Poder Executivo não pode ser incluído nos cadastros de inadimplentes da União por irregularidades praticadas pelos outros Poderes ou órgãos autônomos. A imposição de sanções ao Poder Executivo estadual em virtude de pendências de órgãos dotados de autonomia institucional e orgânico-administrativa, tais como o Ministério Público estadual, constitui violação do princípio da intranscendência, na medida em que o Governo do Estado não tem competência para intervir na esfera orgânica dessa instituição autônoma. O Poder Executivo não pode ser impedido de contratar operações de crédito em razão do descumprimento dos limites setoriais de despesa com pessoal por outros poderes e órgãos autônomos (art. 20, II, e 23, § 3º, da Lei de Responsabilidade Fiscal). STF. Plenário. ACO 3072, Rel. Ricardo Lewandowski, julgado em 24/08/2020 (Info 991 – clipping). - A União é parte legítima para figurar no polo passivo das ações em que Estado-membro impugna inscrição em cadastros federais desabonadores e/ou de restrição de crédito. - Descabimento da inscrição do Estado-membro nos cadastros desabonadores em decorrência de pendências administrativas relativas a débitos já submetidos a pagamento por precatório. Caso concreto O Estado do Amapá possui débitos com o INCRA e com o IBAMA, duas autarquias federais. Em razão desses débitos, o Estado foi inserido no SIAFI, no CADIN e no CAUC, cadastros de inadimplência mantidos pela União. Tanto o INCRA como o IBAMA ajuizaram execução fiscal para cobrar os débitos e o Estado expediu precatórios, que, no entanto, ainda estão pendentes de pagamento. O Estado do Amapá ajuizou ação cível originária contra a União pedindo a exclusão do Estado dos cadastros restritivos. Legitimidade da União para figurar no polo passivo A União é parte legítima para figurar no polo passivo das ações em que Estado-membro impugna inscrição em cadastros federais desabonadores e/ou de restrição de crédito, mesmo que os débitos sejam decorrentes de dívidas com entidades federais (e não com a administração direta). Isso porque os Sistemas SIAFI/CAUC/CADIN são organizados e mantidos pela União, conforme suas leis de regência, do que decorre a legitimidade desta para figurar no polo passivo. Manutenção nos cadastros viola o princípio da razoabilidade É indevida a inscrição do Estado-membro nos cadastros desabonadores em decorrência de pendências administrativas relativas a débitos já submetidos a pagamento por precatório. Isso porque a CF/88 já previu que, em caso de descumprimento do pagamento do precatório, existe a possibilidade de intervenção federal no ente inadimplente. Logo, é incompatível com o postulado da razoabilidade onerar duplamente o Estado-membro, tanto com a possibilidade de intervenção federal quanto com a sua inscrição em cadastros desabonadores. STF. Plenário. ACO 3083, Rel. Ricardo Lewandowski, julgado em 24/08/2020 (Info 991 – clipping). - A inscrição de Estado-membro nos cadastros federais de inadimplência antes da instauração e do julgamento de tomada de contas especial viola o devido processo legal. A tomada de contas especial é a medida adequada para se alcançar o reconhecimento definitivo das irregularidades detectadas. Só a partir daí é que se permite a inscrição do ente nos cadastros de restrição ao crédito organizados e mantidos pela União. O processo de contas é essencial para a apuração de responsabilidades. Não se pode impor sanção sem anterior identificação de responsáveis. STF. Plenário. ACO 2910 AgR, Rel. Roberto Barroso, julgado em 29/06/2020 (Info 988 – clipping). 108 - Em caso de irregularidades do Estado-membro em convênio federal, a União somente poderá inscrever o ente no SIAFI, no CADIN e no CAUC após o término do processo de prestação de contas especial, observados os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. O cadastro restritivo não deve ser feito de forma unilateral e sem acesso à ampla defesa e ao contraditório. Isso porque, muitas vezes, a inscrição pode ter, além de motivação meramente financeira, razões políticas. Assim, ao poder central (União) é possível suspender imediatamente o repasse de verbas ou a execução de convênios, mas o cadastro deve ser feito nos termos da lei, ou seja, mediante a verificação da veracidade das irregularidades apontadas. Isso porque o cadastro tem consequências, como a impossibilidade da repartição constitucional de verbas das receitas voluntárias. A tomada de contas especial, procedimento por meio do qual se alcança o reconhecimento definitivo das irregularidades, com a devida observância do contraditório e da ampla defesa, tem suas regras definidas em lei. Ao final, é possível tornar o dano ao erário dívida líquida e certa, e a decisão tem eficácia de título executivo extrajudicial. STF. Plenário. ACO 2892 AgR/DF, rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 11/9/2019 (Info 951). - Princípio da intranscendência e atos praticados pelas gestões anteriores. Segundo a posição que prevalece no STF, se a irregularidade no convênio foi praticada pelo gestor anterior e a gestão atual, depois que assumiu, tomou todas as medidas para ressarcir o erário e corrigir as falhas (exs.: apresentou todos os documentos ao órgão fiscalizador, ajuizou ações de ressarcimento contra o antigo gestor etc.), neste caso, o ente (Estado ou Município) não poderá ser incluído nos cadastros de inadimplentes da União. Assim, segundo esta acepção, o princípio da intranscendência subjetiva das sanções proíbe a aplicação de sanções às administrações atuais por atos de gestão praticados por administrações anteriores. STF. 1ª Turma. ACO 732/AP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 10/5/2016 (Info 825). STF. 1ª Turma. AC 2614/PE, AC 781/PI e AC 2946/PI, Rel. Min. Luiz Fux, j. em 23/6/2015 (Info 791). - Observância do devido processo legal, contraditório e ampla defesa antes da inclusão de entes federativos nos cadastros federais de inadimplência. É necessária a observância da garantia do devido processo legal, em especial, do contraditório e da ampla defesa, relativamente à inscrição de entes públicos em cadastros federais de inadimplência. Assim, a União, antes de incluir Estados-membros ou Municípios nos cadastros federais de inadimplência (exs.: CAUC, SIAF) deverá assegurar o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. STF. 1ª Turma. ACO 732/AP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 10/5/2016 (Info 825). STF. Plenário. ACO 1995/BA, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 26/3/2015 (Info 779). - Monitoramento de e-mail corporativo de servidor público. As informações obtidas por monitoramento de e-mail corporativo de servidor público não configuram prova ilícita quando relacionadas com aspectos "não pessoais" e de interesse da Administração Pública e da própria coletividade, especialmentequando exista, nas disposições normativas acerca do seu uso, expressa menção da sua destinação somente para assuntos e matérias afetas ao serviço, bem como advertência sobre monitoramento e acesso ao conteúdo das comunicações dos usuários para cumprir disposições legais ou instruir procedimento administrativo. STJ. 2ª Turma. RMS 48.665-SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 15/9/2015 (Info 576). I - os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei; ACESSO AO CARGOS, EMPREGOS E FUNÇÕES PÚBLICAS Quanto aos BRASILEIROS Norma de eficácia CONTIDA Quanto aos ESTRANGEIROS Norma de eficácia LIMITADA 109 II - a investidura em cargo ou emprego público depende de aprovação prévia em concurso público de provas ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, RESSALVADAS as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração; III - o PRAZO DE VALIDADE do concurso público será de ATÉ dois anos, prorrogável uma vez, por igual período; IV - durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele aprovado em concurso público de provas ou de provas e títulos será convocado com prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou emprego, na carreira; SÚMULAS SOBRE CONCURSOS PÚBLICOS STF STJ - Súmula Vinculante nº 43: “É inconstitucional toda modalidade de provimento que propicie ao servidor investir-se, sem prévia aprovação em concurso público destinado ao seu provimento, em cargo que não integra a carreira na qual anteriormente investido.” - Súmula Vinculante nº 44: “Só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a habilitação de candidato a cargo público.” - Súmula nº 15, STF: “Dentro do prazo de validade do concurso, o candidato aprovado tem o direito à nomeação, quando o cargo fôr preenchido sem observância da classificação.” - Súmula nº 683, STF: “O limite de idade para a inscrição em concurso público só se legitima em face do art. 7º, XXX, da Constituição, quando possa ser justificado pela natureza das atribuições do cargo a ser preenchido.” - Súmula nº 684, STF: “É inconstitucional o veto não motivado à participação de candidato a concurso público. - Súmula nº 266, STJ: “O diploma ou habilitação legal para o exercício do cargo deve ser exigido na posse e não na inscrição para o concurso público.” - Súmula nº 377, STJ: “O portador de visão monocular tem direito de concorrer, em concurso público, às vagas reservadas aos deficientes.” - Súmula nº 552, STJ: “O portador de surdez unilateral não se qualifica como pessoa com deficiência para o fim de disputar as vagas reservadas em concursos públicos.” #EMRESUMO: Portador de visão monocular Portador de surdez unilateral Tem direito de concorrer às vagas de deficientes nos concursos Não tem direito de concorrer às vagas de deficientes nos concursos JURISPRUDÊNCIA EM TESES Nº 9 DO STJ - CONCURSOS PÚBLICOS I 1) A banca examinadora pode exigir conhecimento sobre legislação superveniente à publicação do edital, desde que vinculada às matérias nele previstas. 2) O Poder Judiciário não analisa critérios de formulação e correção de provas em concursos públicos, salvo nos casos de ilegalidade ou inobservância das regras do edital. 3) A limitação de idade, sexo e altura para o ingresso na carreira militar é válida desde que haja previsão em lei específica e no edital do concurso público. 4) Somente a lei pode estabelecer limites de idade nos concursos das Forças Armadas, sendo vedado, diante do princípio constitucional da reserva legal, que a lei faculte tal regulamentação a atos administrativos expedidos pela Marinha, Exército ou Aeronáutica. 5) A aferição do cumprimento do requisito de idade deve se dar no momento da posse no cargo público e não no momento da inscrição. Obs.: Para o STF, o limitide de idade deve ser comprovado no momento da inscrição no concurso (Info 791). 6) O edital é a lei do concurso e suas regras vinculam tanto a Administração Pública quanto os candidatos. 7) O portador de visão monocular tem direito de concorrer, em concurso público, às vagas reservadas aos deficientes. (Súmula 377 do STJ) 8) A exigência de exame psicotécnico é legítima quando prevista em lei e no edital, a avaliação esteja pautada em critérios objetivos, o resultado seja público e passível de recurso. 110 9) Constatada a ilegalidade do exame psicotécnico, o candidato deve ser submetido a nova avaliação, pautada por critérios objetivos e assegurada a ampla defesa. 10) A exigência de teste de aptidão física é legítima quando prevista em lei, guarde relação de pertinência com as atividades a serem desenvolvidas, esteja pautada em critérios objetivos e seja passível de recurso. 11) É vedada a realização de novo teste de aptidão física em concurso público no caso de incapacidade temporária, salvo previsão expressa no edital. 12) É possível a realização de novo teste de aptidão física em concurso público no caso de gravidez, sem que isso caracterize violação do edital ou do princípio da isonomia. - É constitucional a remarcação do teste de aptidão física de candidata que esteja grávida à época de sua realização, independentemente da previsão expressa em edital do concurso público. (Info 924, STF) - É constitucional a remarcação de curso de formação para o cargo de agente penitenciário feminino de candidata que esteja lactante à época de sua realização, independentemente da previsão expressa em edital do concurso público. (Info 645, STJ) 13) O candidato não pode ser eliminado de concurso público, na fase de investigação social, em virtude da existência de termo circunstanciado, inquérito policial ou ação penal sem trânsito em julgado ou extinta pela prescrição da pretensão punitiva. 14) O entendimento de que o candidato não pode ser eliminado de concurso público, na fase de investigação social, em virtude da existência de termo circunstanciado, inquérito policial ou ação penal sem trânsito em julgado ou extinta pela prescrição da pretensão punitiva não se aplica aos cargos cujos ocupantes agem stricto sensu em nome do Estado, como o de delegado de polícia. 15) O candidato não pode ser eliminado de concurso público, na fase de investigação social, em virtude da existência de registro em órgãos de proteção ao crédito. 16) O candidato pode ser eliminado de concurso público quando omitir informações relevantes na fase de investigação social. 17) O termo inicial do prazo decadencial para a impetração de mandado de segurança, na hipótese de exclusão do candidato do concurso público, é o ato administrativo de efeitos concretos e não a publicação do edital, ainda que a causa de pedir envolva questionamento de critério do edital. 18) O termo inicial do prazo decadencial para a impetração de mandado segurança, na hipótese em que o candidato aprovado em concurso público não é nomeado, é o término do prazo de validade do concurso. 19) O encerramento do concurso público não conduz à perda do objeto do mandado de segurança que busca aferir suposta ilegalidade praticada em alguma das etapas do processo seletivo. JURISPRUDÊNCIA EM TESES Nº 11 DO STJ - CONCURSOS PÚBLICOS II 1) O candidato aprovado dentro do número de vagas previsto no edital tem direito subjetivo a ser nomeado no prazo de validade do concurso. 2) A desistência de candidatos convocados, dentro do prazo de validade do concurso, gera direito subjetivo à nomeação para os seguintes, observada a ordem de classificação e a quantidade de vagas disponibilizadas. 3) A abertura de novo concurso, enquanto vigente a validade do certame anterior, confere direito líquido e certo a eventuais candidatos cuja classificação seja alcançadapela divulgação das novas vagas. 4) O candidato aprovado fora do número de vagas previsto no edital possui mera expectativa de direito à nomeação, que se convola em direito subjetivo caso haja preterição na convocação, observada a ordem classificatória. 5) A simples requisição ou a cessão de servidores públicos não é suficiente para transformar a expectativa de direito do candidato aprovado fora do número de vagas em direito subjetivo à nomeação, porquanto imprescindível a comprovação da existência de cargos vagos. 6) O candidato aprovado fora do número de vagas previsto no edital possui mera expectativa de direito à nomeação, que se convola em direito subjetivo caso haja preterição em virtude de contratações precárias e comprovação da existência de cargos vagos. 7) Não ocorre preterição na ordem classificatória quando a convocação para próxima fase ou a nomeação de candidatos com posição inferior se dá por força de cumprimento de ordem judicial. 8) A surdez unilateral não autoriza o candidato a concorrer às vagas reservadas às pessoas com deficiência. 9) Deverão ser reservadas, no mínimo, 5% das vagas ofertadas em concurso público às pessoas com deficiência e, caso a aplicação do referido percentual resulte em número fracionado, este deverá ser elevado até o primeiro número inteiro subsequente, desde que respeitado o limite máximo de 20% das vagas ofertadas, conforme art. 37, §§ 1º e 2º, do Decreto n. 3.298/99, e art. 5º, §2º, da Lei n. 8.112/90. 111 10) O candidato sub judice não possui direito subjetivo à nomeação e à posse, mas à reserva da respectiva vaga até que ocorra o trânsito em julgado da decisão que o beneficiou. 11) A nomeação ou a convocação para determinada fase de concurso público após considerável lapso temporal entre uma fase e outra, sem a notificação pessoal do interessado, viola os princípios da publicidade e da razoabilidade, não sendo suficiente a publicação no Diário Oficial. 12) Não se aplica a teoria do fato consumado na hipótese em que o candidato toma posse em virtude de decisão liminar, salvo situações fáticas excepcionais. 13) É legítimo estabelecer no edital de concurso público critério de regionalização. 14) É legítimo estabelecer no edital de concurso público limite de candidatos que serão convocados para as próximas etapas do certame (Cláusula de Barreira). 15) O diploma ou habilitação legal para o exercício do cargo deve ser exigido na posse e não na inscrição para o concurso público. (Súmula 266 do STJ) 16) Nos concursos públicos para ingresso na Magistratura ou no Ministério Público a comprovação dos requisitos exigidos deve ser feita na inscrição definitiva e não na posse. 17) A prorrogação do prazo de validade de concurso público é ato discricionário da Administração, sendo vedado ao Poder Judiciário o reexame dos critérios de conveniência e oportunidade adotados. JURISPRUDÊNCIA EM TESES Nº 15 DO STJ - CONCURSOS PÚBLICOS III 1) A Administração atua com discricionariedade na escolha das regras do edital de concurso público, desde que observados os preceitos legais e constitucionais. 2) A exoneração de servidor público em razão da anulação do concurso pressupõe a observância do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. 3.1) Os candidatos aprovados fora do número de vagas previstas no edital não possuem direito subjetivo à nomeação, mesmo que surjam novas vagas no período de validade do concurso. 3.2) Os candidatos aprovados fora do número de vagas previstas no edital possuem direito subjetivo à nomeação caso surjam novas vagas no período de validade do concurso. 4) O candidato que possui qualificação superior à exigida no edital está habilitado a exercer o cargo a que prestou concurso público, nos casos em que a área de formação guardar identidade. 5) O Ministério Público possui legitimidade para propor ação civil pública com o objetivo de anular concurso realizado sem a observância dos princípios estabelecidos na Constituição Federal. 6) A nomeação tardia do candidato por força de decisão judicial não gera direito à indenização. 7) O servidor não tem direito à indenização por danos morais em face da anulação de concurso público eivado de vícios. 8) O militar aprovado em concurso público e convocado para a realização de curso de formação tem direito ao afastamento temporário do serviço ativo na qualidade de agregado. 9) O provimento originário de cargos públicos deve se dar na classe e padrão iniciais da carreira, conforme a legislação vigente na data da nomeação do servidor. 10.1) A Administração Pública pode promover a remoção de servidores concursados, sem que isso caracterize, por si só, preterição aos candidatos aprovados em novo concurso público. 10.2) Há preterição de candidatos aprovados se as vagas regionalizadas estabelecidas no edital de concurso público forem preenchidas por remoção lançada posteriormente ao início do certame. 11) O candidato aprovado dentro do número de vagas que requer transferência para o final da lista de classificados passa a ter mera expectativa de direito à nomeação. JURISPRUDÊNCIA EM TESES Nº 103 DO STJ - CONCURSOS PÚBLICOS IV 1) O Poder Judiciário não pode substituir a banca examinadora do certame e tampouco se imiscuir nos critérios de atribuição de notas e de correção de provas, visto que sua atuação se restringe ao controle jurisdicional da legalidade do concurso público e da observância do princípio da vinculação ao edital. 2) A divulgação, ainda que a posteriori, dos critérios de correção das provas dissertativas ou orais não viola, por si só, o princípio da igualdade, desde que os mesmos parâmetros sejam aplicados uniforme e indistintamente a todos os candidatos. 3) O provimento originário em concurso público não permite a invocação do instituto da remoção para acompanhamento de cônjuge ou companheiro, em razão do prévio conhecimento das normas expressas no edital do certame. 112 4) A administração pública pode anular, a qualquer tempo, o ato de provimento efetivo flagrantemente inconstitucional, pois o decurso do tempo não possui o condão de convalidar os atos administrativos que afrontem a regra do concurso público. 5) A investidura em cargo público efetivo submete-se a exigência de prévio concurso público, sendo vedado o provimento mediante transposição, ascensão funcional, acesso ou progressão. 6) Na hipótese de abertura de novo concurso público dentro do prazo de validade do certame anterior, o termo inicial do prazo decadencial para a impetração do mandado de segurança por candidatos remanescentes é a data da publicação do novo edital. 7) A nomeação ou a posse tardia de candidato aprovado em concurso público, por força de decisão judicial, não configura preterição ou ato ilegítimo da Administração Pública a justificar uma contrapartida indenizatória, salvo situação de arbitrariedade flagrante. 8) A nomeação tardia de candidatos aprovados em concurso público, por meio de decisão judicial, à qual atribuída eficácia retroativa, não gera direito às promoções e às progressões funcionais que alcançariam caso a nomeação houvesse ocorrido a tempo e a modo. 9) A vedação de execução provisória de sentença contra a Fazenda Pública inserida no art. 2º-B da Lei n. 9.494/1997 não incide na hipótese de nomeação e de posse em razão de aprovação em concurso público. 10) A contratação de servidores sem concurso público, quando realizada com base em lei municipal autorizadora, descaracteriza o ato de improbidade administrativa, em razão da ausência de dolo genérico do gestor público. 11) O titular da conta vinculada ao FGTS tem o direito de sacar o saldo respectivo quando declarado nulo seu contrato de trabalho por ausência de prévia aprovação em concurso público. (Súmula n. 466/STJ) (Tese julgada sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 – TEMA 141) JURISPRUDÊNCIA EM TESES Nº 115 DO STJ - CONCURSOS PÚBLICOS V 1) A Justiçado Trabalho não tem competência para decidir os feitos em que se discutem critérios utilizados pela administração para a seleção e a admissão de pessoal em seus quadros, uma vez que envolve fase anterior à investidura no emprego público. 2) Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar demandas visando a obtenção de prestações trabalhistas, nas hipóteses em que o trabalhador foi admitido na administração pública pelo regime celetista, antes da Constituição Federal de 1988 e sem concurso público. 3) As contratações temporárias celebradas pela administração pública, na vigência da Constituição Federal de 1988, ostentam caráter precário e submetem-se à regra do art. 37, inciso IX, não sendo passíveis de transmutação de sua natureza eventual pelo decurso do tempo. 4) Não ocorre a decadência administrativa prevista no art. 54 da Lei n. 9.784/1999 em situações de evidente inconstitucionalidade, como é o caso de admissão de servidores sem concurso público. 5) Não é possível estender a estabilidade excepcional do art. 19 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias - ADCT aos servidores contratados sem concurso público após a promulgação da Constituição Federal de 1988. 6) A contratação de servidores temporários ou o emprego de servidores comissionados, terceirizados ou estagiários, por si sós, não caracterizam preterição na convocação e na nomeação de candidatos advindos de concurso público, tampouco autorizam a conclusão de que tenham automaticamente surgido vagas correlatas no quadro efetivo, a ensejar o chamamento de candidatos aprovados em cadastro de reserva ou fora do número de vagas previstas no edital. 7) Ocorrida a vacância na titularidade da serventia extrajudicial na vigência da atual Constituição Federal, o provimento de novo titular deve ser realizado por meio de concurso público, nos termos do art. 236, § 3º, da CF/1988. 8) O direito à liberdade de crença, assegurado pela Constituição, não pode criar situações que importem tratamento diferenciado - seja de favoritismo, seja de perseguição - em relação a outros candidatos de concurso público que não professam a mesma crença religiosa. 9) É ilegítima a previsão de edital de concurso público que exige o prévio registro na Delegacia Regional do Trabalho como condição para que os graduados em Letras ou em Secretariado Bilíngue exerçam a atividade de Secretário-Executivo. 10) A investigação social em concursos públicos, além de servir à apuração de infrações criminais, presta-se a avaliar idoneidade moral e lisura daqueles que desejam ingressar nos quadros da administração pública. 11) Em concursos públicos, a inaptidão na avaliação psicológica ou no exame médico exige a devida fundamentação. javascript:document.frmDoc1Item0.submit(); javascript:document.frmDoc1Item0.submit(); javascript:document.frmDoc1Item0.submit(); javascript:document.frmDoc1Item1.submit(); javascript:document.frmDoc1Item1.submit(); javascript:document.frmDoc1Item1.submit(); javascript:document.frmDoc1Item2.submit(); javascript:document.frmDoc1Item2.submit(); javascript:document.frmDoc1Item2.submit(); javascript:document.frmDoc1Item3.submit(); javascript:document.frmDoc1Item3.submit(); javascript:document.frmDoc1Item4.submit(); javascript:document.frmDoc1Item4.submit(); javascript:document.frmDoc1Item5.submit(); javascript:document.frmDoc1Item5.submit(); javascript:document.frmDoc1Item5.submit(); javascript:document.frmDoc1Item5.submit(); javascript:document.frmDoc1Item5.submit(); javascript:document.frmDoc1Item6.submit(); javascript:document.frmDoc1Item6.submit(); javascript:document.frmDoc1Item6.submit(); javascript:document.frmDoc1Item7.submit(); javascript:document.frmDoc1Item7.submit(); javascript:document.frmDoc1Item7.submit(); javascript:document.frmDoc1Item8.submit(); javascript:document.frmDoc1Item8.submit(); javascript:document.frmDoc1Item8.submit(); javascript:document.frmDoc1Item9.submit(); javascript:document.frmDoc1Item9.submit(); javascript:document.frmDoc1Item10.submit(); javascript:document.frmDoc1Item10.submit(); 113 12) É indevida a acumulação de proventos de duas aposentadorias, de cargos públicos não acumuláveis na atividade, ainda que uma delas seja proveniente do reingresso no serviço público mediante aprovação em concurso, antes da Emenda Constitucional n. 20/98. #INFO JURISPRUDÊNCIA SOBRE CONCURSOS PÚBLICOS - Não é legítima a cláusula de edital de concurso público que restrinja a participação de candidato pelo simples fato de responder a inquérito ou a ação penal, salvo se essa restrição for instituída por lei e se mostrar constitucionalmente adequada. #IMPORTANTE Sem previsão constitucionalmente adequada e instituída por lei, não é legítima a cláusula de edital de concurso público que restrinja a participação de candidato pelo simples fato de responder a inquérito ou a ação penal. STF. Plenário. RE 560900/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 5 e 6/2/2020 (repercussão geral – Tema 22) (Info 965). - O simples fato de o candidato responder a inquérito policial ou ação penal sem trânsito em julgado não pode, por si só, implicar a sua eliminação do certame. A jurisprudência entende que o fato de haver instauração de inquérito policial ou propositura de ação penal contra candidato, por si só, não pode implicar a sua eliminação. A eliminação nessas circunstâncias, sem o necessário trânsito em julgado da condenação, violaria o princípio constitucional da presunção de inocência. Assim, em regra, para que seja configurado antecedente criminal, é necessário o trânsito em julgado. STJ. 2ª Turma. AgRg no RMS 39.580-PE, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, j. em 11/2/2014 (Info 535). - Restrição a candidatos com tatuagem. Editais de concurso público não podem estabelecer restrição a pessoas com tatuagem, salvo situações excepcionais em razão de conteúdo que viole valores constitucionais. STF. Plenário. RE 898450/SP, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 17/8/2016 (repercussão geral) (Info 835). - Estado responde subsidiariamente caso a prova do concurso público seja suspensa ou cancelada por indícios de fraude; a responsabilidade direta é da instituição organizadora. #IMPORTANTE O Estado responde subsidiariamente por danos materiais causados a candidatos em concurso público organizado por pessoa jurídica de direito privado (art. 37, § 6º, da CRFB/88), quando os exames são cancelados por indícios de fraude. STF. Plenário. RE 662405, Rel. Luiz Fux, julgado em 29/06/2020 (Repercussão Geral – Tema 512) (Info 986 – clipping). - É possível que o candidato a concurso público consiga a alteração das datas e horários previstos no edital por motivos religiosos, desde que cumpridos alguns requisitos. #IMPORTANTE Nos termos do art. 5º, VIII, da Constituição Federal, é possível a realização de etapas de concurso público em datas e horários distintos dos previstos em edital, por candidato que invoca escusa de consciência por motivo de crença religiosa, desde que presentes a razoabilidade da alteração, a preservação da igualdade entre todos os candidatos e que não acarrete ônus desproporcional à Administração Pública, que deverá decidir de maneira fundamentada. STF. Plenário. RE 611874/DF, rel. orig. Min. Dias Toffoli, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado em 19/11, 25/11 e 26/11/2020 (Repercussão Geral – Tema 386) (Info 1000). - Os candidatos possuem direito à segunda chamada nos testes físicos em concursos públicos? #IMPORTANTE REGRA: NÃO. Os candidatos em concurso público NÃO têm direito à prova de segunda chamada nos testes de aptidão física em razão de circunstâncias pessoais, ainda que de caráter fisiológico ou de força maior, salvo se houver previsão no edital permitindo essa possibilidade. STF. Plenário. RE 630733/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. em 15/5/2013 (repercussão geral) (Info 706). EXCEÇÃO: as candidatas gestantes possuem. É constitucional a remarcação do teste de aptidãofísica de candidata que esteja grávida à época de sua realização, independentemente da previsão expressa em edital do concurso público. javascript:document.frmDoc1Item11.submit(); javascript:document.frmDoc1Item11.submit(); javascript:document.frmDoc1Item11.submit(); 114 STF. Plenário. RE 1058333/PR, Rel. Min. Luiz Fux, j. em 21/11/2018 (repercussão geral) (Info 924). - A candidata que está amamentando (lactante) na época do curso de formação para o cargo de agente penitenciário tem direito de fazer o curso em um período posterior. É constitucional a remarcação de curso de formação para o cargo de agente penitenciário feminino de candidata que esteja lactante à época de sua realização, independentemente da previsão expressa em edital do concurso público. STJ. 1ª Turma. RMS 52.622-MG, Rel. Min. Gurgel de Faria, julgado em 26/03/2019 (Info 645). - É válida a alteração na ordem de aplicação das provas do teste físico desde que anunciada com antecedência. A simples alteração na ordem de aplicação das provas de teste físico em concurso público, desde que anunciada com antecedência e aplicada igualmente a todos, não viola direito líquido e certo dos candidatos inscritos. Ex: o edital inicial dizia que, no dia da prova de esforço físico, o teste de equilíbrio seria o primeiro e a corrida o último; depois foi publicado um novo edital alterando a ordem. STJ. 1ª Turma. RMS 36.064-MT, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 13/6/2017 (Info 608). - Direito subjetivo a nomeação. #IMPORTANTE O surgimento de novas vagas ou a abertura de novo concurso para o mesmo cargo, durante o prazo de validade do certame anterior, não gera automaticamente o direito à nomeaçào dos candidatos aprovados fora das vagas previstas no edital, ressalvadas as hipóteses de preterição arbitrária e imotivada por parte da administração, caracterizada por comportamento tácito ou expresso do Poder Público capaz de revelar a inequívoca necessidade de nomeação do aprovado durante o período de validade do certame, a ser demonstrada de forma cabal pelo candidato. Assim, o direito subjetivo à nomeação do candidato aprovado em concurso público exsurge nas seguintes hipóteses: a) quando a aprovação ocorrer dentro do número de vagas dentro do edital; b) quando houver preterição na nomeação por não observância da ordem de classificação; e c) quando surgirem novas vagas, ou for aberto novo concurso durante a validade do certame anterior, e ocorrer a preterição de candidatos de forma arbitrária e imotivada por parte da administração nos termos acima. STF. Plenário RE 837311/PI, Rel. Min. Luiz Fux. Julgado em 09/12/201S (repercussão geral) (lnfo 811). - Surgimento de novas vagas + necessidade do provimento + inexistência de restrição orçamentária = direito subjetivo à nomeação. O candidato aprovado em concurso público fora do número de vagas tem direito subjetivo à nomeação caso surjam novas vagas durante o prazo de validade do certame, haja manifestação inequívoca da administração sobre a necessidade de seu provimento e não tenha restrição orçamentária. STJ. 1ª Seção. MS 22.813-DF, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 13/06/2018 (Info 630). - Aprovado fora do número de vagas e desistência dos que estavam na sua frente. Situação 1: o candidato aprovado fora do número de vagas previstas no edital de concurso público tem direito subjetivo à nomeação quando o candidato imediatamente anterior na ordem de classificação, aprovado dentro do número de vagas, for convocado e manifestar desistência. Ex: eram 10 vagas e João passou em 11º lugar; ocorre que o 10º colocado foi convocado e desistiu de assumir; João tem direito subjetivo de ser nomeado. Em suma, tem direito subjetivo à nomeação o candidato aprovado fora do número de vagas previstas no edital, mas que passe a figurar entre as vagas em decorrência da desistência de candidatos classificados em colocação superior. Situação 2: o candidato aprovado fora do número de vagas previstas no edital de concurso público tem direito subjetivo à nomeação quando o candidato imediatamente anterior na ordem de classificação, embora aprovado fora do número de vagas, for convocado para vaga surgida posteriormente e manifestar desistência. Ex: João fez um concurso público para o cargo de Procurador do Estado, cujo edital previa 10 vagas, tendo sido aprovado e, na classificação final, ficou em 12º lugar. Os 10 candidatos aprovados nas primeiras posições foram nomeados e empossados. Um ano depois, é aprovada uma lei criando uma nova vaga para o cargo de Procurador 115 do Estado. Pedro, o candidato aprovado em 11º lugar no concurso, foi convocado para tomar posse no cargo, mas, por ter outros interesses, acabou desistindo de assumir. STJ. 1ª Turma. AgRg no ROMS 48.266-TO, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 18/8/2015 (Info 567). STJ. 1ª Turma. AgRg noRMS 41.031-PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 18/8/2015 (Info 567). - O candidato aprovado fora do número de vagas, mas que fique dentro do número de vagas em virtude da desistência de alguém melhor colocado, passa a ter direito subjetivo de ser nomeado. A desistência de candidatos melhor classificados em concurso público convola a mera expectativa em direito líquido e certo, garantindo a nomeação dos candidatos que passarem a constar dentro do número de vagas previstas no edital. STJ. 1ª Turma. RMS 53.506-DF, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 26/09/2017 (Info 612). STJ. 2ª Turma. RMS 52.251/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 05/09/2017. STF. 1ª Turma. ARE 1058317 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 01/12/2017. - Ação questionando critérios do psicotécnico previstos no edital deve ser proposta contra a entidade que promoveu o concurso (e não contra a instituição contratada). Em ação ordinária na qual se discute a eliminação de candidato em concurso público – em razão da subjetividade dos critérios de avaliação de exame psicotécnico previstos no edital – a legitimidade passiva será da entidade responsável pela elaboração do certame. Ex: o Estado do ES abriu concurso para agente penitenciário. O CESPE foi contratado para realizar as provas. João inscreveu-se no certame e foi aprovado nas provas teóricas, tendo sido, contudo, reprovado no exame psicotécnico. Diante disso, João quer ajuizar ação ordinária questionando os critérios de avaliação do exame psicotécnico previstos no edital sob o argumento de que eles eram subjetivos. Essa ação terá que ser proposta contra o Estado do ES (e não contra o CESPE). STJ. 1ª Turma. REsp 1.425.594-ES, Rel. Min. Regina Helena Costa, julgado em 7/3/2017 (Info 600). - Controle de questões de concurso pelo Poder Judiciário. É possível que o Poder Judiciário anule questão objetiva de concurso público que foi elaborada de maneira equivocada? É possível que seja alterada a pontuação dada ao candidato na questão sob o argumento de que a correção feita pela banca foi inadequada? Regra: NÃO. Os critérios adotados por banca examinadora de concurso público não podem ser revistos pelo Poder Judiciário. Não é possível controle jurisdicional sobre o ato administrativo que corrige questões de concurso público. Não compete ao Poder Judiciário substituir a banca examinadora para reexaminar o conteúdo das questões e os critérios de correção utilizados. Exceção: apenas em casos de flagrante ilegalidade ou inconstitucionalidade, a Justiça poderá ingressar no mérito administrativo para rever critérios de correção e de avaliação impostos pela banca examinadora. STF. Plenário. RE 632853/CE, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado 23/4/2015 (repercussão geral) (Info 782). - O grave erro no enunciado – reconhecido pela própria banca examinadora – constitui flagrante ilegalidade apta a ensejar a nulidade da questão. O STF, em recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, firmou a seguinte tese:"Não compete ao Poder Judiciário, no controle de legalidade, substituir banca examinadora para avaliar respostas dadas pelos candidatos e notas a elas atribuídas" (RE 632.853). Do voto condutor do mencionado acórdão, percebe-se que a tese nele constante buscou esclarecer que o Poder Judiciário não pode avaliar as respostas dadas pelo candidato e as notas a eles atribuídas se for necessário apreciar o conteúdo das questões ou os critérios utilizados na correção, exceto se flagrante a ilegalidade. Ao analisar uma prova para o cargo de assessor do MPRS, o STJ decidiu anular uma das questões discursivas pelo fato de que ela possuía um grave erro no enunciado, o que prejudicou o candidato na elaboração de sua resposta. No enunciado da questão constou a expressão “permissão de saída”, mas na verdade o examinador queria saber sobre a “saída temporária”, tanto que a resposta padrão do gabarito envolvia este segundo instituto. Houve, portanto, uma troca dos conceitos. A própria comissão examinadora reconheceu que houve o erro no enunciado, mas afirmou que isso não atrapalhou os candidatos e, por isso, manteve as notas. 116 O STJ, contudo, não concordou com isso e anulou a questão. Se a própria banca examinadora reconhece o erro na formulação da questão, não se pode fechar os olhos para tal constatação ao simplório argumento de que referido erro não influiria na análise do enunciado pelo candidato. Vale ressaltar que o STJ afirmou que esta anulação não contraria o que decidiu o STF no julgamento do RE 632.853 por duas razões: 1) o candidato não está buscando que o Poder Judiciário reexamine o conteúdo da questão ou o critério de correção para decidir se a resposta dada por ele está ou não correta. Em outras palavras, não se quer que recorrija a prova. O que o impetrante pretende é que seja reconhecido que o enunciado da questão apresenta um erro grave insuperável. 2) o STF decidiu que, em regra, não é possível a anulação de questões de concurso, salvo se houver ilegalidade a permitir a atuação do Poder Judiciário. Em outras palavras, existe uma “exceção” à tese fixada no RE 632.853. E, no presente caso, estamos diante de uma flagrante ilegalidade da banca examinadora. STJ. 2ª Turma. RMS 49.896-RS, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 20/4/2017 (Info 603). - O espelho de prova, com a motivação da avaliação do candidato, deve ser apresentado antes ou durante a divulgação do resultado, sob pena de nulidade. A banca examinadora do certame, por ocasião da divulgação dos resultados das provas, deve demonstrar, de forma clara e transparente, que os critérios de avaliação previstos no edital foram devidamente considerados, sob pena de nulidade da avaliação. As informações constantes dos espelhos de provas subjetivas representam a motivação do ato administrativo, consistente na atribuição de nota ao candidato. Essa motivação deve ser apresentada anteriormente ou concomitante à prática do ato administrativo, pois caso se permita a motivação posterior, isso pode dar ensejo para que se fabriquem, forjem ou criem motivações. Não é legítima a conduta da banca examinadora de divulgar o espelho de provas com a motivação das notas após ser contestada na via judicial ou administrativa. Destaque-se também que não há fundamentação válida se a banca apenas divulga critérios muito subjetivos e a nota global dos candidatos, desacompanhados do padrão de resposta e das notas atribuídas para cada um dos critérios adotados. STJ. 2ª Turma. RMS 49.896-RS, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 20/4/2017 (Info 603). - Justiça comum deve julgar ação de servidor contratado depois da CF/88, sem concurso público, contra Município, no qual ele cobra verbas trabalhistas decorrentes desta contratação. Compete à Justiça comum julgar conflitos entre Município e servidor contratado depois da CF/88, ainda que sem concurso público, pois, uma vez vigente regime jurídico-administrativo, este disciplinará a absorção de pessoal pelo poder público. Logo, eventual nulidade do vínculo e as consequências daí oriundas devem ser apreciadas pela Justiça comum, e não pela Justiça do Trabalho. STF. Plenário. ARE 1179455 AgR/PI, rel. orig. Min. Rosa Weber, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 5/5/2020 (Info 976). - Cabe à Justiça Comum (estadual ou federal) julgar ações contra concurso público realizado por órgãos e entidades da Administração Pública para contratação de empregados celetistas. Compete à Justiça comum processar e julgar controvérsias relacionadas à fase pré-contratual de seleção e de admissão de pessoal e eventual nulidade do certame em face da Administração Pública, direta e indireta, nas hipóteses em que adotado o regime celetista de contratação de pessoal. STF. Plenário. RE 960429/RN, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 4 e 5/3/2020 (repercussão geral – Tema 992) (Info 968). - O prazo para se questionar a preterição de nomeação de candidato em concurso público é de 5 anos, contado da data em que o outro servidor foi nomeado no lugar do aprovado. #IMPORTANTE Nos casos de preterição de candidato na nomeação em concurso público, o termo inicial do prazo prescricional quinquenal recai na data em que foi nomeado outro servidor no lugar do aprovado no certame. STJ. 2ª Turma. AgInt no REsp 1.643.048-GO, Rel. Min. Assusete Magalhães, j. em 05/03/2020 (Info 668). 117 - Termo inicial do mandado de segurança envolvendo concurso público. O termo inicial do prazo decadencial para a impetração de mandado de segurança no qual se discuta regra editalícia que tenha fundamentado eliminação em concurso público é a data em que o candidato toma ciência do ato administrativo que determina sua exclusão do certame, e não a da publicação do edital do certame. STJ. Corte Especial. REsp 1.124.254-PI. Rel. Min. Sidnei Beneti. Julgado em 1/7/2014 (lnfo 545). - Não se aplica a teoria do fato consumado a candidato que assumiu o cargo por força de decisão precária posteriormente revertida. Não é compatível com o regime constitucional de acesso aos cargos públicos a manutenção no cargo, sob fundamento de fato consumado, de candidato não aprovado que nele tomou posse em decorrência de execução provisória de medida liminar ou outro provimento judicial de natureza precária, supervenientemente revogado ou modificado. Igualmente incabível, em casos tais, invo:ar o princípio da segurança jurídica ou o da proteção da confiança Legítima. A posse ou o exercício em cargo público por força de decisão judicial de caráter provisório não implica a manutenção, em definitivo, do candidato que não atende a exigência de prévia aprovação em concurso pública (art. 37, 11, da CF/88), valor constitucional que prepondera sobre o interesse individual do candidato, que não pode invocar, na hipótese, o princípio da proteção da confiança legítima, pois conhece a precariedade da medida judicial. Em suma, não se aplica a teoria do fato consumado para candidatos que assumiram o cargo público por força de decisão judicial provisória posteriormente revista. STF. Plenário. RE 608482/RN, Rel. Min. Teori Zavascki. Julgado 7/8/2014 (repercussão geral) (lnfo 753). STJ. 1ª Turma. AgRg no AREsp 474.423/RS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 04/04/2017. - Em casos excepcionais, em que a restauração da estrita legalidade ocasionaria mais danos sociais que a manutenção da situação consolidada pelo decurso do tempo, a jurisprudência do STJ é firme no sentido de admitir a aplicação da teoria do fato consumado. Em regra, o STJ acompanha o entendimento do STF e decide que é inaplicável a teoria do fato consumado aos concursos públicos, não sendo possível o aproveitamento do tempo de serviço prestado pelo servidor que tomou posse por força de decisão judicial precária, para efeito de estabilidade. Contudo, em alguns casos, o STJ afirma que há a solidificação de situaçõesfáticas ocasionada em razão do excessivo decurso de tempo entre a liminar concedida e os dias atuais, de maneira que, a reversão desse quadro implicaria inexoravelmente em danos desnecessários e irreparáveis ao servidor. Em outras palavras, o STJ entende que existem situações excepcionais nas quais a solução padronizada ocasionaria mais danos sociais do que a manutenção da situação consolidada, impondo-se o distinguishing, e possibilitando a contagem do tempo de serviço prestado por força de decisão liminar, em necessária flexibilização da regra. Caso concreto: determinado indivíduo prestou concurso para o cargo de Policial Rodoviário Federal e foi aprovado nas provas teóricas, tendo sido, contudo, reprovado em um dos testes práticos. O candidato propôs mandado de segurança questionando esse teste. O juiz concedeu a liminar determinando a nomeação e posse, o que ocorreu em 1999. Em sentença, o magistrado confirmou a liminar e julgou procedente o pedido do autor. Anos mais tarde, o TRF, ao julgar a apelação, entendeu que a exigência do teste prático realizado não continha nenhum vício. Em virtude disso, reformou a sentença. O servidor, contudo, continuou cautelarmente no cargo até 2020, quando houve o trânsito em julgado da decisão contrária ao seu pleito. O STJ assegurou a manutenção definitiva do impetrante no cargo. STJ. 1ª Turma. AREsp 883.574-MS, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 20/02/2020 (Info 666). STJ. 2ª Turma. AgInt no REsp 1569719/SP, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 08/10/2019. - Situação excepcional: não se pode cassar a aposentadoria do servidor que ingressou por força de provimento judicial precário e se aposentou durante o processo. Se o candidato tomou posse por força de decisão judicial precária e esta, posteriormente, é revogada, ele perderá o cargo, mesmo que já o esteja ocupando há muitos anos. Não se aplica. ao caso, a teoria do fato consumado. STF. Plenário. RE 608482/RN, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado 7/8/2014 (repercussão geral) (lnfo 753). A situação será diferente se ele se aposentou antes do processo chegar ao fim. Imagine que o candidato tomou posse no cargo por força de decisão judicial precária. 118 Passaram-se vários anos e ele, após cumprir todos os requisitos, aposentou neste cargo por tempo de contribuição. Após a aposentadoria, a decisão que o amparou foi reformada. Neste caso, não haverá a cassação de sua aposentadoria. Nas palavras do STJ: quando o exercício do cargo foi amparado por decisões judiciais precárias e o servidor se aposentou, antes do julgamento final de mandado de segurança, por tempo de contribuição durante esse exercício e após legítima contribuição ao sistema, a denegação posterior da segurança que inicialmente permitira ao servidor prosseguir no certame não pode ocasionar a cassação da aposentadoria. STJ. 1ª Seção. MS 10.558-DF. Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 22/2/2017 (lnfo 600). - Posse em cargo público por determinação judicial e dever de indenizar. O candidato que teve postergada a assunção em cargo por conta de ato ilegal da Administração tem direito a receber a remuneração retroativa? Regra: NÃO. Não cabe indenização a servidor empossado por decisão judicial sob o argumento de que houve demora na nomeação. Dito de outro modo, a nomeação tardia a cargo público em decorrência de decisão judicial não gera direito à indenização. Exceção: será devida indenização se ficar demonstrado, no caso concreto, que o servidor não foi nomeado logo por conta de uma situação de arbitrariedade flagrante. “Na hipótese de posse em cargo público determinada por decisão judicial, o servidor não faz jus à indenização, sob fundamento de que deveria ter sido investido em momento anterior, salvo situação de arbitrariedade flagrante.” STF. Plenário. RE 724347/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 26/2/2015 (repercussão geral) (Info 775). - A nomeação tardia de candidato aprovado em concurso não gera direito à indenização, ainda que a demora tenha origem em erro reconhecido pela própria Administração Pública. O entendimento acima do STF aplica-se mesmo que o erro tenha sido reconhecido administrativamente pelo Poder Público (e não por decisão judicial). Assim, a nomeação tardia de candidatos aprovados em concurso público não gera direito à indenização, ainda que a demora tenha origem em erro reconhecido pela própria Administração Pública. STJ. 1ª Turma. REsp 1.238.344-MG, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 30/11/2017 (Info 617). - A nomeação tardia a cargo público em decorrência de decisão judicial não gera direito à promoção retroativa. A nomeação tardia de candidatos aprovados em concurso público, por meio de ato judicial, à qual atribuída eficácia retroativa, não gera direito às promoções ou progressões funcionais que alcançariam houvesse ocorrido, a tempo e modo, a nomeação. STF. Plenário. RE 629392 RG/MT, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado8/6/2017 (repercussão geral) (lnfo 868). - É INCONSTITUCIONAL lei estadual que define, como critério de desempate em concurso público, a preferência pelo servidor público daquele Estado. #IMPORTANTE É inconstitucional a fixação de critério de desempate em concursos públicos que favoreça candidatos que pertencem ao serviço público de um determinado ente federativo. Caso concreto: lei do Estado do Pará previa que, em caso de empate de candidatos no concurso público, teria preferência para a ordem de classificação o candidato que já pertencesse ao serviço público do Estado do Pará e, persistindo a igualdade, aquele que contasse com maior tempo de serviço público ao Estado do Pará. Essa previsão viola o art. 19, III, da CF/88, que veda a criação de distinções entre brasileiros ou preferências entre si. STF. Plenário. ADI 5358/PA, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 27/11/2020 (Info 1000). - É INCONSTITUCIONAL dispositivo legal que preveja a possibilidade de o indivíduo aprovado no concurso tomar posse e entrar em exercício, de imediato, na classe final da carreira. É inconstitucional lei que preveja a possibilidade de o indivíduo aprovado no concurso público ingressar imediatamente no último padrão da classe mais elevada da carreira. Essa disposição afronta os princípios da igualdade e da impessoalidade, os quais regem o concurso público. 119 Por essa razão, o STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 18 da Lei nº 8.691/93. STF. Plenário. ADI 1240/DF, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 28/2/2019 (Info 932). - É INCONSTITUCIONAL dispositivo da Constituição Estadual que afirme ser obrigatória a presença de um membro do MP nas comissões de concursos públicos da Administração Pública estadual. A Constituição Estadual não pode determinar que membro do Ministério Público participe de banca de concurso público relacionado com cargos externos aos quadros da instituição. Essa não é uma atribuição compatível com as finalidades constitucionais do Ministério Público. Assim, não pode o ato impugnado exigir a participação do Ministério Público nas bancas de concursos para os cargos e empregos públicos do Estado. STF. Plenário. ADI 3841, Rel. Gilmar Mendes, julgado em 16/06/2020 (Info 985 – clipping). - É INCONSTITUCIONAL lei que preveja a integração, no quadro do Tribunal de Contas, de servidores que estejam à disposição daquela Corte. É inconstitucional lei estadual que afirma que “o servidor público estadual à disposição do Tribunal de Contas em 30 de novembro de 1994 poderá requerer sua integração ao Quadro Especial de Pessoal do referido Tribunal, no prazo de 30 (trinta) dias contados da data da publicação desta lei.” Essa lei viola o princípio do concurso público, previsto no art. 37, II, da CF/88. STF. Plenário. ADI 1251/MG, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 6/8/2020 (Info 985). - A equiparação de carreira de nívelmédio a outra de nível superior constitui ascensão funcional, vedada pelo art. 37, II, da CF/88. A equiparação de carreira de nível médio a outra de nível superior constitui ascensão funcional, vedada pelo art. 37, II, da CF/88. STF. Plenário. ADI 3199, Rel. Roberto Barroso, julgado em 20/04/2020 (Info 977). - É constitucional lei estadual que preveja que o exercício da advocacia deve ser considerado como título em concursos para cartório. O exercício da advocacia é critério adequado para a atribuição de título em concursos para carreiras jurídicas. Assim, é constitucional lei estadual que preveja que o exercício da advocacia deve ser considerado como título em concursos para cartório (serventias notariais e de registro). STF. Plenário. ADI 3760, Rel. Gilmar Mendes, julgado em 15/04/2020 (Info 976). - Cláusula de barreira em concurso público é constitucional. É constitucional a regra denominada “cláusula de barreira”, inserida em edital de concurso público, que limita o número de candidatos participantes de cada fase da disputa, com o intuito de selecionar apenas os concorrentes mais bem classificados para prosseguir no certame. STF. Plenário. RE 635739/AL, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 19/2/2014 (Info 736). - Validade do psicotécnico, desde que previsto em lei e no edital, realizado segundo critérios objetivos e com a possibilidade de recurso. É admitida a realização de exame psicotécnico em concursos públicos se forem atendidos os seguintes requisitos: previsão em lei, previsão no edital com a devida publicidade dos critérios objetivos fixados e possibilidade de recurso. STJ. 2ª Turma. REsp 1.429.656-PR, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, j. em 11/2/2014 (Info 535). - Prova de títulos: classificatória. As provas de títulos em concurso público para provimento de cargos públicos efetivos na Administração Pública, em qualquer dos Poderes e em qualquer nível federativo, não podem ter natureza eliminatória. A finalidade da prova de títulos ê, unicamente, a de classificar os candidatos, sem jamais justificar sua eliminaçào do certame. STF. 1ª Turma. MS 31176/DF e MS 31074/DF. Rel. Min. Luiz Fux, julgados em 2/9/2014 (lnfo 757). 120 - Momento para comprovação do limite de idade. O limite de idade, quando regularmente fixado em lei e no edital de determinado concurso público, há de ser comprovado no momento da inscrição no certame. STF. 1ª Turma. ARE 840.592/CE, Min. Roberto Barroso, julgado em 23/6/2015 (Info 791). - Convocação do candidato aprovado apenas pelo diário oficial sendo que todas as demais haviam sido feitas também pela internet. A convocação de candidato para a fase posterior de concurso público não pode ser realizada apenas pelo diário oficial na hipótese em que todas as comunicações anteriores tenham ocorrido, conforme previsão editalícia de divulgação das fases do concurso, também pela internet. STJ. 2ª Turma. AgRg no RMS 33.696-RN. Rel. Min. Eliana Calmon. DJe 22/4/2013 (Info 522). - Constitucionalidade do sistema de cotas raciais em concursos públicos. A Lei nº 12.990/2014 estabeleceu uma cota aos negros de 20% das vagas em concursos públicos realizados no âmbito da administração pública federal, das autarquias, das fundações públicas, das empresas públicas e das sociedades de economia mista controladas pela União. O STF declarou que essa Lei é constitucional e fixou a seguinte tese de julgamento: "É constitucional a reserva de 20% das vagas oferecidas nos concursos públicos para provimento de cargos efetivos e empregos públicos no âmbito da administração pública direta e indireta.” - Além da autodeclaração, é possível que a Administração Pública adote critérios de heteroidentificação para analisar se o candidato se enquadra nos parâmetros da cota. A Lei nº 12.990/2014 estabeleceu uma cota aos negros de 20% das vagas em concursos públicos da administração pública federal, direta e indireta. Segundo o art. 2º da Lei, poderão concorrer às vagas reservadas a candidatos negros aqueles que se autodeclararem pretos ou pardos no ato da inscrição no concurso público, conforme o quesito cor ou raça utilizado pelo IBGE. Trata-se do chamado critério da autodeclaração. O STF afirmou que este critério é constitucional. Entretanto, é possível também que a Administração Pública adote um controle heterônomo, sobretudo quando existirem fundadas razões para acreditar que houve abuso na autodeclaração. Assim, é legítima a utilização de critérios subsidiários de heteroidentificação dos candidatos que se declararam pretos ou pardos. A finalidade é combater condutas fraudulentas e garantir que os objetivos da política de cotas sejam efetivamente alcançados. Vale ressaltar que tais critérios deverão respeitar a dignidade da pessoa humana e assegurar o contraditório e a ampla defesa. Exemplos desse controle heterônomo: exigência de autodeclaração presencial perante a comissão do concurso; exigência de apresentação de fotos pelos candidatos; formação de comissões com composição plural para entrevista dos candidatos em momento posterior à autodeclaração. Essa conclusão do STF foi resumida na seguinte tese de julgamento: "É legítima a utilização, além da autodeclaração, de critérios subsidiários de heteroidentificação, desde que respeitada a dignidade da pessoa humana e garantidos o contraditório e a ampla defesa". STF. Plenário. ADC 41/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 8/6/2017 (Info 868). - Candidato só pode ser excluído de concurso público por não se enquadrar na cota para negros se houver contraditório e ampla defesa. A exclusão do candidato, que concorre à vaga reservada em concurso público, pelo critério da heteroidentificação, seja pela constatação de fraude, seja pela aferição do fenótipo ou por qualquer outro fundamento, exige o franqueamento do contraditório e da ampla defesa. STJ. 2ª Turma. RMS 62.040-MG, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 17/12/2019 (Info 666). - Os serviços sociais autônomos precisam realizar concurso público para contratar seu pessoal? NÃO. Os serviços sociais autônomos, por possuírem natureza jurídica de direito privado e não integrarem a Administração Pública, mesmo que desempenhem atividade de interesse público em cooperação com o ente 121 estatal, NÃO estão sujeitos à observância da regra de concurso público (art. 37, II, da CF/88) para contratação de seu pessoal. STF. Plenário. RE 789874/DF, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 17/9/2014 (repercussão geral) (Info 759). - Não se anula prova prática de taquígrafo pelo simples fato de o edital prever que o ditado seria feito com velocidade crescente e, no dia do teste, o ditado ter sido feito de forma decrescente. Em concurso para taquígrafo, não se anula prova prática de registro taquigráfico pelo simples fato de o edital prever que o ditado seria feito com velocidade variável e crescente e, no dia do teste, o ditado ter sido realizado de forma decrescente. Não se evidencia que isso, em princípio, gere quebra de isonomia entre os candidatos, além de não haver prejuízo, aplicando-se o princípio pas de nullité sans grief. STF. 2ª Turma. RMS 36305/DF, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 17/9/2019 (Info 952). - Posse em cargo público por menor de idade emancipado. Ainda que o requisito da idade mínima de 18 anos conste em lei e no edital de concurso público, é possível que o candidato menor de idade aprovado no concurso tome posse no cargo de auxiliar de biblioteca no caso em que ele, possuindo 17 anos e 10 meses na data da sua posse, já havia sido emancipado voluntariamente por seus pais há 4 meses. STJ. 2ª Turma. REsp 1.462.659-RS, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 1º/12/2015 (Info 576). V - as funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em comissão, a serem preenchidos por servidoresde carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento; #NÃOCONFUNDA: CARGO EM COMISSÃO FUNÇÃO DE CONFIANÇA Exercido por qualquer pessoa, observado o percentual mínimo previsto em lei reservado ao servidor de carreira. Exercida exclusivamente por servidor ocupante de cargo efetivo. Sem concurso público, ressalvado o percentual mínimo reservado ao servidor de carreira. Com concurso público, já que somente pode exercê- la o servidor de cargo efetivo, mas a função em si não é imprescindível de concurso público. Destina-se apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento. Destina-se apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento. De livre nomeação e exoneração (exoneração ad nutum) De livre nomeação e exoneração no que se refere à função e não em relação ao cargo efetivo. #INFO - Em caso de ADI proposta contra lei que cria cargos em comissão, o Tribunal deve fazer a análise das atribuições dos cargos para saber se elas são compatíveis com a Constituição, ou seja, se são funções de direção, chefia e assessoramento. No julgamento de Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta para questionar a validade de leis que criam cargos em comissão, ao fundamento de que não se destinam a funções de direção, chefia e assessoramento, o Tribunal deve analisar as atribuições previstas para os cargos. Na fundamentação do julgamento, o Tribunal não está obrigado a se pronunciar sobre a constitucionalidade de cada cargo criado, individualmente. STF. Plenário. RE 719870/MG, rel. orig. Min. Marco, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 9/10/2020 (Repercussão Geral – Tema 670) (Info 994). 122 - Aposentadoria compulsória não se aplica a cargos comissionados. Os servidores ocupantes de cargo exclusivamente em comissão não se submetem à regra da aposentadoria compulsória prevista no art. 40, § 1º, II, da CF, a qual atinge apenas os ocupantes de cargo de provimento efetivo, inexistindo, também, qualquer idade limite para fins de nomeação a cargo em comissão. Ressalvados impedimentos de ordem infraconstitucional, não há óbice constitucional a que o servidor efetivo, aposentado compulsoriamente, permaneça no cargo comissionado que já desempenhava ou a que seja nomeado para cargo de livre nomeação e exoneração, uma vez que não se trata de continuidade ou criação de vínculo efetivo com a Administração. STF. Plenário. RE 786540/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 15/12/2016 (repercussão geral) (Info 851). VI - é garantido ao servidor público civil o direito à LIVRE ASSOCIAÇÃO SINDICAL; - Súmula nº 679, STF: “A fixação de vencimentos dos servidores públicos não pode ser objeto de convenção coletiva”. VII - o DIREITO DE GREVE será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica; Obs.: De acordo com o STF, o direito de greve do servidor público é assegurado e, diante da ausência de lei específica e observado o princípio da continuidade do serviço público, aplica-se a Lei nº 7.783/89 (STF, MI 708). DIREITO DE GREVE Quanto aos TRABALHADORES EM GERAL Norma de eficácia CONTIDA Quanto aos SERVIDORES PÚBLICOS Norma de eficácia LIMITADA #INFO JURISPRUDÊNCIA SOBRE DIREITO DE GREVE - Policiais são proibidos de fazer greve. O exercício do direito de greve, sob qualquer forma ou modalidade, é vedado aos policiais civis e a todos os servidores públicos que atuem diretamente na área de segurança pública. É obrigatória a participação do Poder Público em mediação instaurada pelos órgãos classistas das carreiras de segurança pública, nos termos do art. 165 do CPC, para vocalização dos interesses da categoria. STF. Plenário. ARE 654432/GO, Rel. orig. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 5/4/2017 (repercussão geral) (Info 860). - Administração Pública deve descontar os dias não trabalhados por servidor público em greve. A administração pública deve proceder ao desconto dos dias de paralisação decorrentes do exercício do direito de greve pelos servidores públicos, em virtude da suspensão do vínculo funcional que dela decorre. É permitida a compensação em caso de acordo. O desconto será, contudo, incabível se ficar demonstrado que a greve foi provocada por conduta ilícita do Poder Público. STF. Plenário. RE 693456/RJ, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 27/10/2016 (repercussão geral) (Info 845). - O desconto dos dias parados pode ser feito de forma parcelada. Não se mostra razoável a possibilidade de desconto em parcela única sobre a remuneração do servidor público dos dias parados e não compensados provenientes do exercício do direito de greve. STJ. 2ª Turma. RMS 49.339-SP, Rel. Min. Francisco Falcão, julgado em 6/10/2016 (Info 592). - Compete à Justiça Comum (estadual ou federal) decidir se a greve realizada por servidor público é ou não abusiva. A justiça comum, federal ou estadual, é competente para julgar a abusividade de greve de servidores públicos celetistas da Administração pública direta, autarquias e fundações públicas. STF. Plenário. RE 846854/SP, rel. orig. Min. Luiz Fux, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 1º/8/2017 (repercussão geral) (Info 871). 123 VIII - a LEI reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão; IX - a LEI estabelecerá os casos de contratação por tempo determinado para atender a necessidade temporária de excepcional interesse público; #INFO - Servidores temporários não possuem direito a 13º salário e férias, salvo se previsto em lei ou houver desvirtuamento da contratação. Servidores temporários não fazem jus a décimo terceiro salário e férias remuneradas acrescidas do terço constitucional, salvo: I) expressa previsão legal e/ou contratual em sentido contrário, ou II) comprovado desvirtuamento da contratação temporária pela Administração Pública, em razão de sucessivas e reiteradas renovações e/ou prorrogações. STF. Plenário. RE 1066677, Rel. Marco Aurélio, Rel. p/ Acórdão Alexandre de Moraes, julgado em 22/05/2020 (Repercussão Geral – Tema 551) (Info 984 – clipping). - Contratação por tempo determinado do art. 37, IX, da CF/88. A lei do ente federativo que regulamente o art. 37, IX, da CF/88, deverá especificar as hipóteses emergenciais que justificam as medidas de contratação excepcional. Caso não o faça, ela será tida por inconstitucional. STF. Plenário. ADI 3649/RJ, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 28/5/2014 (Info 748). X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o § 4º do art. 39 somente poderão ser fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa em cada caso, assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção de índices; Art. 39. (...) § 4º O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais serão remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remuneratória, obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, X e XI. #INFO - Judiciário não pode obrigar que o chefe do Poder Executivo encaminhe o projeto de lei para revisão geral anual dos servidores. #IMPORTANTE O Poder Judiciário não possui competência para determinar ao Poder Executivo a apresentação de projeto de lei que vise a promover a revisão geral anual da remuneração dos servidores públicos, tampouco para fixar o respectivo índice de correção. STF. Plenário. RE 843112, Rel. Luiz Fux, julgado em 22/09/2020 (Repercussão Geral – Tema 624) (Info 998). - Revisão anual de vencimentos não é obrigatória, mas chefe do Executivo deve justificar.ou Constituições-total São aqueles que diferenciam as normas constitucionais das demais, na medida em que as situa num plano de superioridade valorativo que as torna cogentes para os legisladores. 14 - QUANTO AO CONTEÚDO IDEOLÓGICO * Liberais São aquelas visam delimitar o exercício do poder estatal, assegurar liberdades individuais, oponíveis ao Estado. Exs.: Constituições dos EUA e da França de 1787. * Sociais (CF) Típicas de um constitucionalismo pós liberal, são aquelas que passam a consagrar em seus textos não só direitos relacionados à liberdade, mas também prerrogativas de cunho social, cultural e econômico. A atuação do Estado deixa de ser meramente negativa, como era nas Constituições liberais, para se tornar positiva. CLASSIFICAÇÃO DA CF/88 * Origem: Promulgada * Forma: Escrita * Sistemática: Codificada * Modo de Elaboração: Dogmática * Conteúdo: Formal * Extensão: Analítica * Estabilidade: Rígida * Ideologia: Eclética * Origem de Decretação: Autoconstituição * Sistema: Principiológica * Finalidade: Dirigente * Correspondência com a Realidade: Normativa (prevalece) * Conteúdo Ideológico: Social PODER CONSTITUINTE PODER CONSTITUINTE ORIGINÁRIO - Sinônimos: Inicial, Inaugural, Genuíno ou de 1º Grau - Conceito: É o poder de instaurar uma nova ordem jurídica, rompendo por completo com a ordem jurídica precedente. - Titularidade: POVO Obs.: Joseph Sieyès, em sua obra clássica “O que é o Terceiro Estado?”, defendia que o titular do poder constituinte seria a nação (corrente minoritária). - Natureza: * Jusnaturalista: Poder de direito ou jurídico, pois eles admitem a existência de um direito natural prévio ao direito positivo. * Juspositivista: Poder de fato ou político, pois é anterior ao próprio direito, metajurídico, não integrando o mundo jurídico. Adotado! - Características: * Inicial: A Constituição é a base do ordenamento jurídico. Dá início a uma nova ordem constitucional e, simultaneamente, desconstitui (revoga) a ordem pretérita. * Autônomo: É capaz de definir o conteúdo que será implantado na nova Constituição, bem como sua estrutura e os termos de seu estabelecimento. Independe de quaisquer fatores jurídicos ou políticos externos ao exercente do poder. * Ilimitado Juridicamente: Não se submete à limitações jurídicas prévias. Obs.: Há limites naturais ao PCO! 15 * Incondicionado: Não se submete a qualquer regra ou procedimento formal pré-fixado pelo ordenamento jurídico que o precede. * Permanente: Não se esgota quando da conclusão da constituição; ele permanece em situação de latência, sendo ativado o momento constituinte de necessária ruptura com a ordem estabelecida se apresentar novamente. - Espécies: * Histórico ou Fundacional: É aquele que produz a primeira Constituição de um Estado. Ex.: CF de 1824. * Revolucionário ou Pós Fundacional: São todos os posteriores ao histórico, rompendo por completo com a antiga ordem e instaurando uma nova, um novo Estado. Ex.: Demais CF’s após 1824. * Material: É o responsável por definir o conteúdo fundamental da constituição, elegendo os valores a serem consagrados e a ideia de direito que irá prevalecer. No momento seguinte, essas escolhas políticas são formalizadas no plano normativo. * Formal: É o responsável por formalizar as escolhas políticas do poder constituinte material. BIZU: O poder constituinte material precede o formal. - Limitações Materiais: (Jorge Miranda) * Transcendentes: São aqueles que, advindos de imperativos do direito natural, de valores éticos ou de uma consciência jurídica coletiva, impõem-se à vontade do Estado, demarcando sua esfera de intervenção. Nesse sentido, parte da doutrina sustenta o dever de manutenção, imposto ao Poder Constituinte Originário pelo princípio da proibição de retrocesso, dos direitos fundamentais objeto de consensos sociais profundos ou diretamente ligados à dignidade da pessoa humana. * Imanentes: Estão relacionados à configuração do Estado à luz do Poder Constituinte material ou à própria identidade do Estado de que cada Constituição representa apenas um momento da marcha histórica. Referem-se a aspectos como a soberania ou a forma de Estado. É, por exemplo, o que impede que um Estado Federal, que assim quer se manter, passe a condição de Estado Unitário. * Heterônomos: São provenientes da conjugação com outros ordenamentos jurídicos como, por exemplo, as obrigações impostas ao Estado por normas de direito internacional. Sob essa perspectiva, seria vedado às futuras constituições brasileiras consagrar a pena de morte para além dos casos de guerra externa (CF, art. 5º, XLVII, "a"), ante o disposto na Convenção Americana sobre Direitos Humanos que, promulgada pelo Decreto nº 678, dispõe em seu artigo 4º, § 3º: "Não se pode restabelecer a pena de morte nos Estados que a hajam abolido". Tal vedação encontra fundamento na proibição de retrocesso. - Direitos Adquiridos e Nova Constituição (Graus de Retroatividade): Inexiste alegação de "direitos adquiridos" perante nova Constituição, perante o trabalho do poder originário. Poder constituinte e direito adquirido. Graus de retroatividade da norma constitucional: máximo, médio ou mínimo: * retroatividade MÁXIMA OU RESTITUTÓRIA: a lei nova atinge fatos consumados. Verifica-se quando a lei nova prejudica a coisa julgada (sentença irrecorrível) ou os fatos jurídicos já consumados. Ex.: o art. 96, parágrafo único, da Carta de 1937, que permitia ao Parlamento rever a decisão do STF que declarara a inconstitucionalidade de uma lei; * retroatividade MÉDIA: a lei nova atinge os efeitos pendentes de atos jurídicos verificados antes dela. Ou seja, a lei nova atinge as prestações vencidas mas ainda não adimplidas. 16 Ex.: lei que diminuísse a taxa de juros e se aplicasse aos já vencidos mas não pagos (prestação vencida mas ainda não adimplida); * retroatividade MÍNIMA, TEMPERADA OU MITIGADA: a lei nova atinge apenas os efeitos futuros dos atos jurídicos anteriores, verificados após a data em que ela entra em vigor. Trata-se de prestações futuras de negócios firmados antes do advento da nova lei. Ex.: o art. 7º, IV, que, ao vedar a vinculação do salário mínimo para qualquer fim, significou que a nova regra deverá valer para fatos e prestações futuras de negócios celebrados antes de sua vigência (prestações periódicas). O STF vem se posicionando no sentido de que as normas constitucionais fruto da manifestação do poder constituinte originário têm, por regra geral, retroatividade mínima, ou seja, aplicam-se a fatos que venham a acontecer após a sua promulgação, referentes a negócios passados. Sendo regra, portanto, a retroatividade mínima, nada impede que a norma constitucional revolucionária, já que manifestação do poder constituinte originário ilimitado e incondicionado juridicamente, tenha retroatividade média ou máxima. Para tanto, contudo, deve existir expresso pedido na Constituição. #EMRESUMO: a) as normas constitucionais, por regra, têm retroatividade mínima, aplicando-se a fatos ocorridos a partir de seu advento, mesmo que relacionados a negócios celebrados no passado - ex.: art. 7º, IV; b) é possível a retroatividade máxima e média da norma introduzida pelo constituinte originário desde que haja expressa previsão, como é o caso do art. 51 do ADCT da CF/88. Nesse sentido, doutrina e jurisprudência afirmam que não há direito adquirido contra a nova Constituição; c) por outro lado, as Constituições Estaduais (poder constituinte derivado decorrente - limitado juridicamente) e demais dispositivos legais, vale dizer, as leis infraconstitucionais, bem como as emendas à Constituição (fruto do poder constituinte derivado reformador, também limitado juridicamente), estão sujeitos à observância do princípio constitucional da irretroatividadeO não encaminhamento de projeto de lei de revisão anual dos vencimentos dos servidores públicos, previsto no inciso X do art. 37 da CF/88, não gera direito subjetivo a indenização. Deve o Poder Executivo, no entanto, se pronunciar, de forma fundamentada, acerca das razões pelas quais não propôs a revisão. STF. Plenário. RE 565089 /SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 25/9/2019 (repercussão geral – Tema 19) (Info 953). XI - a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, NÃO PODERÃO EXCEDER o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsidio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, LIMITADO a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo 124 Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, APLICÁVEL este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; TETO REMUNERATÓRIO CONSTITUCIONAL ENTE SUBSÍDIO UNIÃO Ministro do STF ESTADOS/DF Poder Executivo Governador Poder Legislativo Deputados Estaduais e Distritais Poder Judiciário Desembargadores do TJ (90,25% do STF) Ministério Público Procuradores Defensores Públicos MUNICÍPIOS Prefeito #INFO JURISPRUDÊNCIA SOBRE TETO REMUNERATÓRIO CONSTITUCIONAL - Se a pessoa acumular licitamente dois cargos públicos ela poderá receber acima do teto. Nos casos autorizados constitucionalmente de acumulação de cargos, empregos e funções, a incidência do art. 37, XI, da Constituição Federal pressupõe consideração de cada um dos vínculos formalizados, afastada a observância do teto remuneratório quanto ao somatório dos ganhos do agente público. Ex.: se determinado Ministro do STF for também professor da UnB, ele irá receber seu subsídio integral como Ministro e mais a remuneração decorrente do magistério. Nesse caso, o teto seria considerado especificamente para cada cargo, sendo permitido que ele receba acima do limite previsto no art. 37, XI da CF se considerarmos seus ganhos globais. STF. Plená rio. RE 612975/MT e RE 602043/MT, Rel. Min. Márco Aure lio, julgádos em 26 e 27/4/2017 (repercussá o gerál) (Info 862). - Se o servidor público recebe remuneração (ou aposentadoria) mais pensão, a soma dos dois valores não pode ultrapassar o teto. Ocorrida a morte do instituidor da pensão em momento posterior ao da Emenda Constitucional 19/1998, o teto constitucional previsto no inciso XI do art. 37 da Constituição Federal incide sobre o somatório de remuneração ou provento e pensão percebida por servidor. STF. Plenário. RE 602584/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 6/8/2020 (Repercussão Geral – Tema 359) (Info 985). ASSIM, #NÃOCONFUNDA: 1) Pessoa ocupa dois cargos públicos que são acumuláveis (ex: magistrado e professor da universidade pública): a soma das duas remunerações pode ultrapassar o teto. O teto será considerado individualmente para cada cargo. 2) Pessoa recebe remuneração (ou aposentadoria) + pensão: a soma dos dois valores não pode ultrapassar o teto. - O caráter nacional da magistratura impede diferenciação remuneratória entre magistrados federais e estaduais; logo, o teto remuneratório da magistratura federal não pode ser superior que o da magistratura estadual. Não é possível o estabelecimento de subteto remuneratório para a magistratura estadual inferior ao teto remuneratório da magistratura federal. A correta interpretação do art. 37, XI e § 12, da Constituição Federal exclui a submissão dos membros da magistratura estadual ao subteto de remuneração. STF. Plenário. ADI 3854/DF e ADI 4014/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgados em 4/12/2020 (Info 1001). 125 - Os substitutos interinos dos cartórios extrajudiciais devem receber limitado ao teto do funcionalismo público (art. 37, XI, da CF/88). Incide o teto remuneratório constitucional aos substitutos interinos de serventias extrajudiciais. STF. 2ª Turma. MS 29.039/DF, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 13/11/2018 (Info 923). - É INCONSTITUCIONAL lei que preveja que o subsídio dos Procuradores será equivalente a um percentual do subsídio dos Ministros do STF. É inconstitucional lei que equipara, vincula ou referencia espécies remuneratórias devidas a cargos e carreiras distintos, especialmente quando pretendida a vinculação ou a equiparação entre servidores de Poderes e níveis federativos diferentes. STF. Plenário. ADI 6436/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 27/11/2020 (Info 1000). - Teto remuneratório de Procuradores Municipais é o subsídio de Desembargador de TJ. A expressão "Procuradores", contida na parte final do inciso XI do art. 37 da Constituição da República, compreende os procuradores municipais, uma vez que estes se inserem nas funções essenciais à Justiça, estando, portanto, submetidos ao teto de 90,25% (noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento) do subsídio mensal, em espécie, dos ministros do STF. STF. Plenário. RE 663696/MG, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 28/2/2019 (Info 932). - É CONSTITUCIONAL o pagamento de honorários sucumbenciais aos Procuradores dos Estados, observando-se, porém, o limite remuneratório previsto no art. 37, XI, da Constituição. É constitucional o pagamento de honorários sucumbenciais aos advogados públicos, observando-se, porém, o limite remuneratório previsto no art. 37, XI, da Constituição. STF. Plenário. ADI 6159 e ADI 6162, Rel. Min. Roberto Barroso, julgados em 25/08/2020. É constitucional a percepção de honorários de sucumbência por procuradores de estadosmembros, observado o teto previsto no art. 37, XI, da Constituição Federal no somatório total às demais verbas remuneratórias recebidas mensalmente. STF. Plenário. ADI 6135/GO, ADI 6160/AP, ADI 6161/AC, ADI 6169/MS, ADI 6177/PR e ADI 6182/RO, Rel. Min. Rosa Weber, julgados em 19/10/2020 (Info 995). - É CONSTITUCIONAL lei que preveja o pagamento de honorários de sucumbência aos advogados públicos; no entanto, a somatória do subsídio com os honorários não pode ultrapassar mensalmente o teto remuneratório, ou seja, o subsídio dos Ministros do STF. A percepção de honorários de sucumbência pelos advogados públicos não representa ofensa à determinação constitucional de remuneração exclusiva mediante subsídio (arts. 39, § 4º, e 135 da CF/88). O art. 39, § 4º, da Constituição Federal, não constitui vedação absoluta de pagamento de outras verbas além do subsídio. Os advogados públicos podem receber honorários sucumbenciais, mas, como eles recebem os valores em função do exercício do cargo, esse recebimento precisa se sujeitar ao regime jurídico de direito público. Por essa razão, mesmo sendo compatível com o regime de subsídio, sobretudo quando estruturado como um modelo de remuneração por performance, com vistas à eficiência do serviço público, a possibilidade de advogados públicos perceberem verbas honorárias sucumbenciais não afasta a incidência do teto remuneratório estabelecido pelo art. 37, XI, da Constituição Federal. STF. Plenário. ADI 6053, Rel. Marco Aurélio, Rel. p/ Acórdão: Alexandre de Moraes, julgado em 22/06/2020 (Info 985 – clipping). O entendimento acima vale tanto para os advogados públicos federais como tambémda lei (retroatividade mínima) (art. 5º, XXXVI — “lei” em sentido amplo), com pequenas exceções, como a regra da lei penal nova que beneficia o réu (nesse sentido, cf. AI 292.979-ED, Rel. Min. Celso de Mello, DJ de 19.12.2002). PODER CONSTITUINTE DERIVADO - Sinônimos: Instituído, constituído, secundário, de 2º grau, remanescente. - Conceito: O poder constituinte derivado é criado e instituído pelo originário. Ao contrário de seu “criador”, que é, do ponto de vista jurídico, ilimitado, incondicionado, inicial, o derivado deve obedecer às regras colocadas e impostas pelo originário, sendo, nesse sentido, limitado e condicionado aos parâmetros a ele impostos. - Natureza: Poder de direito ou jurídico, pois deve obedecer as limitações impostas pelo PCO. - Características: * Subordinado: Retira fundamento de validade da CF. * Condicionado: Precisa respeitar a forma pré-determinada para sua criação, que se encontra na CF. * Limitado: Encontra limites na CF. 17 - Espécies: Reformador (art. 60, CF); Revisor (art. 3º, ADCT); e Decorrente (art. 25, CF e art. 11, ADCT). 1. Poder Constituinte Derivado REFORMADOR (PCDR) - Conceito: É responsável pelas alterações no texto constitucional segundo as regras instituídas pelo Poder Constituinte Originário. - Natureza Jurídica: Poder de direito ou jurídico - Limitações: a. Expressas a.1. Formais ou Procedimentais * Subjetivas - Iniciativa: (art. 60, caput, I, II e III) Um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal; Presidente da República; mais da metade das Assembleias Legislativas das unidades da Federação, manifestando- se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus membros. * Objetivas - Discursão e Votação: (art. 60, § 2º) Será discutida e votada em cada casa do Congresso Nacional, em dois turnos, sendo aprovada se obtiver, em ambos, 3/5 dos votos dos membros. BIZU: 2C + 2T +3/5V - Promulgação: (art. 60, § 3º) pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem. - Proposta de EC rejeitada ou prejudicada: (art. 60, § 5º) Proposta de Emenda rejeitada ou prejudicada não poderá ser objeto de nova proposta na mesma sessão legislativa (princípio da irrepetibilidade). a.2. Circunstanciais (art. 60, § 1º) intervenção federal; estado de defesa; estado de sítio. a.3. Materiais ou Substanciais (art. 60, § 4º) - Cláusulas Pétreas: a forma federativa de Estado; o voto direto, secreto, universal e periódico. a separação dos Poderes; os direitos e garantias individuais. Obs.: Não há limitações TEMPORAIS ao PCDR! b. Implícitas (doutrina) - impossibilidade de se alterar o titular do poder constituinte originário; - impossibilidade de se alterar o titular do poder constituinte derivado reformador; - proibição de se violar as limitações expressas (aqui reside a impossibilidade da teoria da dupla revisão). 2. Poder Constituinte Derivado REVISOR (PCDREV) - Conceito: Poder encarregado de fazer a revisão constitucional. Via extraordinária de alteração da CT, utilizado para alterações gerais. 18 O poder revisor só é exercido uma única vez, como o foi em 1994, tendo dele resultado em seis Emendas Constitucionais de revisão. Uma vez exercido, o poder revisor teve sua eficácia exaurida e aplicabilidade esgotada. - Previsão: Art. 3º, do ADCT: “Art. 3º. A revisão constitucional será realizada após cinco anos, contados da promulgação da Constituição, pelo voto da maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, em sessão unicameral.” Revisão Constitucional: - Realizada: após 5 anos da promulgação da CF; - quórum de votação: maioria absoluta dos membros do CN; - sessão: unicameral. - Limitações * Temporais: 5 anos * Materiais: Idem as limitações do poder reformador - cláusulas pétreas (doutrina) 3. Poder Constituinte Derivado DECORRENTE (PCDD) - Conceito: É a capacidade conferida pelo poder originário aos Estados Membros, enquanto entidades integrantes da federação, para elaborarem e alterar suas próprias constituições. - Características: - Poder de direito ou jurídico, instituído pela Constituição, possuidor de natureza jurídica; - Limitado (ou subordinado), - Condicionado, e - Secundário ou de 2° grau. - Limitações: * Sensíveis: São os que representam a essência da organização constitucional da federação brasileira e estabelecem limites à autonomia organizatória dos Estados- membros (CF, art. 34, VII, “a” a “e”). * Extensíveis: São os que consagram normas centrais organizatórias para a União que se estendem aos Estados, por previsão constitucional expressa (CF, arts. 28 e 75) ou implícita (CF, art. 58, § 3º; arts. 59 e ss.) * Estabelecidos ou Organizatórios: São os que restringem a capacidade organizatória dos Estados federados por meio de limitações expressas (CF, art. 37) ou implícitas (CF, art. 21) PODER CONSTITUINTE DIFUSO O poder constituinte difuso pode ser caracterizado como um poder de fato e que serve de fundamento para os mecanismos de atuação da mutação constitucional. Se por um lado a mudança implementada pelo poder constituinte derivado reformador se verifica de modo formal, palpável, por intermédio das emendas à Constituição, a modificação produzida pelo poder constituinte difuso se instrumentaliza de modo informal e espontâneo, como verdadeiro poder de fato, e que decorre dos fatores sociais, políticos e econômicos, encontrando-se em estado de latência. Trata-se de processo informal de mudança da Constituição, alterando-se o seu sentido interpretativo, e não o seu texto, que permanece intacto e com a mesma literalidade. 19 PODER CONSTITUINTE SUPRANACIONAL Trata-se de um poder destinado a elaborar uma constituição supranacional, apta a vincular os Estados ajustados sob o seu comando e fundamentada na vontade do povo- cidadão universal, seu verdadeiro titular. Este poder é considerado constituinte por ter a força de criar uma ordem jurídica de cunho constitucional, na medida em que reorganiza a estrutura de cada um dos Estados que adere ao direito comunitário e submete as constituições nacionais ao seu poder supremo. O poder constituinte supranacional busca a sua fonte de validade na cidadania universal, no pluralismo de ordenamentos jurídicos, na vontade de integração e em um conceito remodelado de soberania. PREÂMBULO Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem- estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL. PREÂMBULO CONSTITUCIONAL - O preâmbulo é um elemento formal de aplicabilidade. - O preâmbulo não pode, por si só, servir de parâmetro de controle da constitucionalidade de uma norma. - O preâmbulo traz em seu bojo os valores, os fundamentos filosóficos, ideológicos, sociais e econômicos e, dessa forma, norteia a interpretação do texto constitucional. - Em termos estritamente formais, o Preâmbulo é uma espécie de introdução ao texto constitucional, um resumo dos direitos que permearão a textualização a seguir, apresentando o processo que resultou na elaboração da Constituição e o núcleo de valores e princípios de uma nação. - O termo "assegurar" constante no Preâmbulo da CF/88 constitui-se no marco da ruptura com o regime anterior e garante a instalação e asseguramento jurídico dos direitos listados em seguida e até então não dotados de força normativa constitucionalsuficiente para serem respeitados, sendo eles o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça. - A invocação à proteção de Deus, constante do Preâmbulo da Constituição da República vigente, não tem força normativa, não sendo de reprodução obrigatória pelos Estados. - Para o STF o preâmbulo constitucional situa-se no domínio da política e reflete a posição ideológica do constituinte. Logo, não contém relevância jurídica, não tem força normativa, sendo mero vetor interpretativo das normas constitucionais, não servindo como parâmetro para o controle de constitucionalidade. TEORIAS QUANTO À NATUREZA JURÍDICA DO PREÂMBULO: 1. Teoria da Irrelevância Jurídica: O preâmbulo está no âmbito da política, portanto, não possui relevância jurídica. Adotada! 2. Teoria da Plena Eficácia: O preâmbulo tem a mesma eficácia jurídica das normas constitucionais. 3. Teoria da Relevância Jurídica Indireta ou Específica: O preâmbulo faz parte das características jurídicas da Constituição Federal, entretanto, não deve ser confundido com as demais normas jurídicas desta. TÍTULO I Dos Princípios Fundamentais Art. 1º A REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO e tem como FUNDAMENTOS: I - a soberania; II - a cidadania; III - a dignidade da pessoa humana; IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; V - o pluralismo político. 20 Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. República Federativa do Brasil Forma de Estado Federado As duas iniciais formam FE de Federação Forma de Governo Republicano FOGO na República Sistema de Governo Presidencialista SIGO o Presidente Regime de Governo Democrático REGO Democrático Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário. Poder Função Típica Função Atípica Legislativo - Legislar - Fiscalização contábil, financeira, orçamentária e patrimonial do Poder Executivo Nat. Executiva: ao dispor sobre sua organização, provendo cargos, concedendo férias e licenças a servidores; Nat. Jurisdicional: Senado, quando julga o PR nos crimes de responsabilidade (art. 52, I, CF). Executivo - Administrar - Pratica de atos de chefia de Estado, chefia de governo e atos administrativos Nat. Legislativa: PR, quando adota Medida Provisória, com força de lei (art. 62, CF); Nat. Jurisdicional: Executivo julga, apreciando defesas e recursos administrativos. Judiciário - Julgar Nat. Executiva: quando concede férias e licenças aos magistrados e serventuários (art. 96, I, “f”, CF); Nat. Legislativa: regimento interno de seus tribunais (art. 96, I, “a”, CF). Art. 3º Constituem OBJETIVOS FUNDAMENTAIS da República Federativa do Brasil: Obs.: Norma constitucional de eficácia LIMITADA DE PRINCÍPIO PROGRAMÁTICO I - construir uma sociedade livre, justa e solidária; II - garantir o desenvolvimento nacional; III - erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; IV - promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Art. 4º A República Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos seguintes PRINCÍPIOS: I - independência nacional; II - prevalência dos direitos humanos; III - autodeterminação dos povos; IV - não-intervenção; V - igualdade entre os Estados; VI - defesa da paz; VII - solução pacífica dos conflitos; VIII - repúdio ao terrorismo e ao racismo; IX - cooperação entre os povos para o progresso da humanidade; X - concessão de asilo político. Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-americana de nações. 21 FUNDAMENTOS OBJETIVOS FUNDAMENTAIS PRINCÍPIOS NAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS Soberania; Cidadania; Dignidade da pessoa humana; Valores sociais do trabalho e da libre iniciativa; Pluralismo político. Construir uma sociedade livre, justa e solidária; Garantir o desenvolvimento nacional; Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; Promover o bem estar de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. Autodeterminação dos povos; Independência nacional; Não-intervenção; Concessão de asilo político; Prevalência dos direitos humanos; Igualdade entre os Estados; Defesa da paz; Repúdio ao terrorismo e ao racismo; Cooperação entre os povos para o progresso da humanidade; Solução pacífica dos conflitos. BIZU: “SoCiDiVaPlu” BIZU: “ConGaErPro”; Regra do verbo. BIZU: “AIndNãoConPreIDeReCoS” TÍTULO II Dos Direitos e Garantias Fundamentais CAPÍTULO I DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS DIREITOS FUNDAMENTAIS CARACTERÍSTICAS Historicidade Possuem caráter histórico, nascendo com o cristianismo, passando pelas diversas revoluções e chegando aos dias atuais. Universalidade Destinam-se, de modo indiscriminado, a todos os seres humanos. Relatividade Os direitos fundamentais não são absolutos (relatividade), havendo, muitas vezes, no caso concreto, confronto, conflito de interesses, o que é resolvido por um juízo de ponderação ou pelo princípio da proporcionalidade. Concorrência Podem ser exercidos cumulativamente uns com os outros. Irrenunciabilidade Eles podem ser nunca exercidos, mas nunca poderão ser renunciados. Inalienabilidade Como são conferidos a todos, são indisponíveis; não se pode aliená-los por não terem conteúdo econômico- patrimonial. Imprescritibilidade Não são perdidos se não forem usados. DIREITOS HUMANOS X DIREITOS FUNDAMENTAIS Direitos Humanos Conjunto de valores e direitos na ordem internacional para a proteção da dignidade da pessoa. Direitos Fundamentais Conjunto de valores e direitos positivados na ordem interna de determinado país para a proteção da dignidade da pessoa. 22 DIMENSÕES 1ª Dimensão -Valor-Fonte: liberdade -Tipo de Estado: liberal -Direitos: Políticos e Civis - BIZU: PC -Prestações Estatais: direitos negativos (abstenção Estatal) -Exemplos: liberdade de reunião e locomoção 2ª Dimensão -Valor-Fonte: igualdade -Tipo de Estado: social -Direitos: Econômicos, Sociais e Culturais - BIZU: ESC -Prestações Estatais: direitos positivos (prestação Estatal) -Exemplos: saúde e previdência social 3ª Dimensão -Valor-Fonte: fraternidade -Tipo de Estado: coletivo -Direitos: Coletivos e Difusos - BIZU: CD -Prestações Estatais: dever de toda a comunidade -Exemplos: meio ambiente e consumidor 4ª Dimensão * Engrenharia genética (Norberto Bobbio) * Direito à informação, democracia direta e pluralismo (Paulo Bonavides) 5ª Dimensão * Direito à paz (Paulo Bonavides) TEORIA DOS STATUS DE JELLINEK (Desenvolvida por Georg Jellinek na segunda métade do séxulo XIX e apresentada por Robert Alexy em seu livro “Teoria dos Direitos Fundamentais”, a Teoria dos Status de Jellinek busca explicar o papel dos Direitos Fundamentais nas relações entre o Estado e o particular) Status Passivo ou Subjectionis O indivíduo em posição de subordinação aos Poderes Públicos, vinculando-se ao Estado por mandamentos e proibições. O indivíduo aparece como detentor de deveres perante o Estado. BIZU: Sujeição do particular frente ao Estado. Status Negativo ou Libertatis O indivíduo, por possuir personalidade, goza de um espaço deliberdade diante das ingerências do Poder Público. Direito de garantir uma abstenção do Estado, de negar uma intervenção. BIZU: Defesa do particular frente ao Estado. Status Ativo ou Activus O indivíduo tem direito de participar ativamente da vida do Estado, de se inserir na tomada de decisão do Estado. Ex.: voto. BIZU: Participação do particular na tomada de decisões. Status Positivo ou Civitatis O indivíduo tem direito de exigir do Estado uma atuação positiva, uma intervenção prestacional. BIZU: Prestação do Estado ao particular. DIMENSÕES (SUBJETIVA X OBJETIVA) Dimensão Subjetiva Os direitos fundamentais, são direitos exigíveis perante o Estado: as pessoas podem exigir que o Estado se abstenha de intervir indevidamente na esfera privada (direitos de 1º geração) ou que o Estado atue ofertando prestações positivas, através de políticas e serviços públicos (direitos de 2º geração). Dimensão Objetiva Os direitos fundamentais são vistos como enunciados dotados de alta carga valorativa: eles são qualificados como princípios estruturantes do Estado, cuja eficácia se irradia por todo o ordenamento jurídico. Aplica-se às aplicações e interpretações dos direitos fundamentais. EFICÁCIAS Eficácia Vertical É aplicada às relações entre o Estado e o particular, que se encontra em uma relação de subordinação quanto ao Estado. BIZU: Estado x Particular 23 Eficácia Horizontal É chamada de horizontal, pois não existe subordinação, mas sim uma coordenação, uma igualdade entre as partes da relação. BIZU: Particular x Particular Eficácia Diagonal É aplicada às relações em que há um desequilíbrio entre os particulares, é um desequilíbrio fático, a exemplo das relações entre patrões e empregados, entre banco e consumidores. BIZU: Particular x Particular Vulnerável REGRAS X PRINCÍPIOS Regras - Mandados de determinação - Aplicado por subsunção - Técnica do "tudo ou nada" - Buscam fundamento nos princípios - Possuem reduzido grau de abstração e indeterminabilidade - Aplicação direta e imediata Princípios - Mandados de otimização - Aplicado por ponderação de interesses - Técnica do "mais ou menos" - Constituem a ratio das regras - Possuem elevado grau de abstração e de indeterminabilidade - Dependem da interpretação Art. 5º TODOS são iguais perante a lei, SEM DISTINÇÃO de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à Vida, à Liberdade, à Igualdade, à Segurança e à Propriedade, nos termos seguintes: BIZU: “V.I.L.P.S” Obs.: Abrange os estrangeiros não residentes e as pessoas jurídicas (STF e Doutrina Majoritária). I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição; #INFO - É INCONSTITUCIONAL lei que preveja requisitos diferentes entre homens e mulheres para que recebam pensão por morte. É inconstitucional, por transgressão ao princípio da isonomia entre homens e mulheres (art. 5º, I, da CF/88), a exigência de requisitos legais diferenciados para efeito de outorga de pensão por morte de ex-servidores públicos em relação a seus respectivos cônjuges ou companheiros/companheiras (art. 201, V, da CF/88). STF. Plenário. RE 659424/RS, Rel. Min. Celso de Mello, julgado em 9/10/2020 (Repercussão Geral – Tema 457) (Info 994). II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; (P. DA LEGALIDADE) PRINCÍPIO DA LEGALIDADE Aspectos - Positivo * aplicável à Administração Pública * só poderá atuar quando a lei determinar ou autorizar - Negativo * aplicável ao particular * podem fazer tudo o que não estiver proibido em lei Exceções * Medidas provisórias (art. 62, CF) * Estado de defesa (art. 136, CF) * Estado de sítio (art. 137, CF) 24 III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante; Obs.: Norma constitucional de eficácia PLENA IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo VEDADO o anonimato; V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem; VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, NA FORMA DA LEI, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias; #INFO - É CONSTITUCIONAL lei estadual que permite o sacrifício de animais em cultos de religiões de matriz africana. É constitucional a lei de proteção animal que, a fim de resguardar a liberdade religiosa, permite o sacrifício ritual de animais em cultos de religiões de matriz africana. STF. Plenário. RE 494601/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado em 28/3/2019 (Info 935). VII - é assegurada, NOS TERMOS DA LEI, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva; VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, SALVO se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei; (ESCUSA OU OBJEÇÃO DE CONSCIÊNCIA) Obs.: O direito de escusa de consciência não se restringe ao serviço militar obrigatório, quando se trata de crença religiosa, convicção filosófica ou religiosa, pois ele pode atingir, por exemplo, indivíduos que não aceitam trabalhar ou realizar prova aos sábados. #INFO - É possível que o servidor público cumpra seus deveres funcionais em dias alternativos por motivos religiosos, desde que cumpridos alguns requisitos. Nos termos do art. 5º, VIII, da Constituição Federal, é possível à Administração Pública, inclusive durante o estágio probatório, estabelecer critérios alternativos para o regular exercício dos deveres funcionais inerentes aos cargos públicos, em face de servidores que invocam escusa de consciência por motivos de crença religiosa, desde que presentes a razoabilidade da alteração, não se caracterize o desvirtuamento do exercício de suas funções e não acarrete ônus desproporcional à Administração Pública, que deverá decidir de maneira fundamentada. STF. Plenário. RE 611874/DF, rel. orig. Min. Dias Toffoli, red. p/ o ac. Min. Edson Fachin, julgado em 19/11, 25/11 e 26/11/2020 (Repercussão Geral – Tema 386) (Info 1000). IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, INDEPENDENTEMENTE de censura ou licença; X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; #INFO - A determinação judicial para identificação dos usuários que operaram em determinada área geográfica, suficientemente fundamentada, não ofende a proteção à privacidade e à intimidade. #IMPORTANTE A quebra do sigilo de dados armazenados não obriga a autoridade judiciária a indicar previamente as pessoas que estão sendo investigadas, até porque o objetivo precípuo dessa medida é justamente de proporcionar a identificação do usuário do serviço ou do terminal utilizado. Logo, a ordem judicial para quebra do sigilo dos registros, delimitada por parâmetros de pesquisa em determinada região e por período de tempo, não se mostra medida desproporcional, porquanto, tendo como norte a apuração 25 de gravíssimos crimes, não impõe risco desmedido à privacidade e à intimidade dos usuários possivelmente atingidos por tal diligência. STJ. 3ª Seção. RMS 61.302-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 26/08/2020 (Info 678). XI - a CASA é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, SALVO em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial;INVIOLABILIDADE DO DOMICÍLIO (EXCEÇÕES) Durante o DIA/NOITE - com o consentimento do morador - flagrante delito - desastre - prestar socorro Apenas durante DIA - determinação judicial #INFO - Parâmetros para a validade da entrada forçada em domicílio sem mandado judicial. A entrada forçada em domicílio sem mandado judicial só é lícita, mesmo em período noturno, quando amparada em fundadas razões, devidamente justificadas “a posteriori", que indiquem que dentro da casa ocorre situação de flagrante delito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade, e de nulidade dos atos praticados. STF. Plenário. RE 603616/RO. Rel. Min. Gilmar Mendes. Julgado 4-5/11/2015 (repercussão geral) (lnfo 806). - Ingresso em domicílio sem autorização. Não é permitido o ingresso na residência do indivíduo pelo simples fato de haver denúncias anônimas e ele ter fugido da polícia. A existência de denúncias anônimas somada à fuga do acusado, por si sós, não configuram fundadas razões a autorizar o ingresso policial no domicílio do acusado sem o seu consentimento ou determinação judicial. STJ. 6ª Turma. RHC 83.501-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro. Julgado em 06/03/2018 (Info 623). - Mera intuição de que está havendo tráfico de drogas na casa não autoriza o ingresso sem mandado judicial ou consentimento do morador. O ingresso regular da polícia no domicilio, sem autorização judicial, em caso de flagrante delito, para que seja válido, necessita que haja fundadas razões (justa causa) que sinalizem a ocorrência de crime no interior da residência. A mera intuição acerca de eventual traficância praticada pelo agente, embora pudesse autorizar abordagem policial em via pública, para averiguação, não configura, por si só, justa causa a autorizar o ingresso em seu domicílio, sem o seu consentimento e sem determinação judicial. STJ. 6ª Turma. REsp 1.574.681-RS. Rel. Min. Rogério Schietti Cruz. Julgado em 20/4/2017 (Info 606). - Configura invasão de domicílio a invasão de gabinete de Delegado de Polícia. Configura o crime de violação de domicílio (art. 150 do CP) o ingresso e a permanência, sem autorização, em gabinete de Delegado de Polícia, embora faça parte de um prédio ou de uma repartição públicos. No caso concreto, dezenas de manifestantes foram até a Delegacia de Polícia Federal cobrar agilidade na conclusão de um inquérito policial. Como não foram recebidos, decidiram invadir o gabinete do Delegado. STJ. 5ª Turma. HC 298.763-SC, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 7/10/2014 (Info 549). XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, SALVO, no último caso (comunicações telefônicas), por ORDEM JUDICIAL, nas hipóteses e na forma que a lei (Lei nº 9.296/96) estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; 26 SIGILO BANCÁRIO Os órgãos poderão requerer informações bancárias diretamente das instituições financeiras? POLÍCIA NÃO. É necessária autorização judicial. MP NÃO. É necessária autorização judicial (STJ. HC 160.646/SP). Exceção: É lícita a requisição pelo Ministério Público de informações bancárias de contas de titularidade de órgãos e entidades públicas, com o fim de proteger o patrimônio público, não se podendo falar em quebra ilegal de sigilo bancário (STJ. HC 308.493/CE). TCU NÃO. É necessária autorização judicial (STF. MS 22934/DF). Exceção: O envio de informações ao TCU relativas a operações de crédito originárias de recursos públicos não é coberto pelo sigilo bancário (STF. MS 33340/DF). Receita Federal SIM (art. 6º da LC 105/2001). O repasse das informações dos bancos para o Fisco não pode ser definido como sendo "quebra de sigilo bancário". Receita Estadual, Distrital, Municipal SIM, desde que regulamentem, no âmbito de suas esferas de competência, o art. 6º da LC 105/2001, de forma análoga ao Decreto Federal 3.724/2001. CPI CPI federal ou estadual/distrital SIM (art. 4º, § 1º da LC 105/2001); CPI municipal NÃO (prevalece). *Fonte: site Dizer o Direito. #INFO - É possível o compartilhamento, sem autorização judicial, dos relatórios de inteligência financeira da UIF e do procedimento fiscalizatório da Receita Federal com a Polícia e o Ministério Público. 1. É constitucional o compartilhamento dos relatórios de inteligência financeira da UIF e da íntegra do procedimento fiscalizatório da Receita Federal do Brasil (RFB), que define o lançamento do tributo, com os órgãos de persecução penal para fins criminais, sem a obrigatoriedade de prévia autorização judicial, devendo ser resguardado o sigilo das informações em procedimentos formalmente instaurados e sujeitos a posterior controle jurisdicional. 2. O compartilhamento pela UIF e pela RFB, referente ao item anterior, deve ser feito unicamente por meio de comunicações formais, com garantia de sigilo, certificação do destinatário e estabelecimento de instrumentos efetivos de apuração e correção de eventuais desvios. STF. Plenário. RE 1055941/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 4/12/2019 (repercussão geral – Tema 990) (Info 962). - É possível que a Receita Federal compartilhe, com a Polícia e o MP, os dados bancários que ela obteve em procedimento administrativo fiscal, para fins de instrução processual penal. Os dados do contribuinte que a Receita Federal obteve das instituições bancárias mediante requisição direta (sem intervenção do Poder Judiciário, com base nos arts. 5º e 6º da LC 105/2001), podem ser compartilhados, também sem autorização judicial, com o Ministério Público, para serem utilizados como prova emprestada no processo penal. Isso porque o STF decidiu que são constitucionais os arts. 5º e 6º da LC 105/2001, que permitem o acesso direto da Receita Federal à movimentação financeira dos contribuintes (RE 601314/SP, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 24/2/2016. Info 815). Este entendimento do STF deve ser estendido também para a esfera criminal. É lícito o compartilhamento promovido pela Receita Federal dos dados bancários por ela obtidos a partir de permissivo legal, com a Polícia e com o Ministério Público, ao término do procedimento administrativo fiscal, quando verificada a prática, em tese, de infração penal. STF. 1ª Turma. RE 1043002 AgR, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 01/12/2017. STF. 2ª Turma. RHC 121429/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 19/4/2016 (Info 822). STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1.601.127-SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Rel. Acd. Min. Felix Fischer, julgado em 20/09/2018 (Info 634). STJ. 6ª Turma. HC 422.473-SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 20/03/2018 (Info 623). - Requisição pelo MP de informações bancárias de ente da administração pública. Não são nulas as provas obtidas por meio de requisição do Ministério Público de informações bancárias de titularidade de Prefeitura para fins de apurar supostos crimes praticados por agentes públicos contra a Administração Pública. 27 É lícita a requisição pelo Ministério Público de informações bancárias de contas de titularidade da Prefeitura, com o fim de proteger o patrimônio público, não se podendo falar em quebra ilegal de sigilo bancário. O sigilo de informações necessário à preservação da intimidade é relativizado quando há interesse da sociedade em conhecer o destino dos recursos públicos. Diante da existência de indícios da prática de ilícitos penais envolvendo verbas públicas, cabe ao MP, no exercício de seus poderes investigatórios (art.129, VIII, da CF/88), requisitar os registros de operações financeiras relativos aos recursos movimentados a partir de conta-corrente de titularidade da Prefeitura. Essa requisição compreende, por extensão, o acesso aos registros das operações bancárias sucessivas, ainda que realizadas por particulares, e objetiva garantir o acesso ao