Prévia do material em texto
Edição 2024.1 Revisada Atualizada Ampliada Direito Empresarial http://www.iceni.com/infix.htm APRESENTAÇÃO ........................................................................................................................ 18 TEORIA GERAL DA EMPRESA ................................................................................................... 19 1. FONTES DO DIREITO EMPRESARIAL ................................................................................ 19 1.1. PRIMÁRIAS .................................................................................................................... 19 1.1.1. Constituição Federal ................................................................................................ 19 1.1.2. Código Civil ............................................................................................................. 19 1.1.3. Código Comercial .................................................................................................... 19 1.1.4. Leis Extravagantes .................................................................................................. 19 1.1.5. Tratados internacionais ............................................................................................ 19 1.2. SECUNDÁRIAS .............................................................................................................. 19 1.2.1. Costumes ................................................................................................................ 20 1.2.2. Princípios Gerais do Direito ..................................................................................... 20 1.2.3. Doutrina ................................................................................................................... 20 1.2.4. Jurisprudência ......................................................................................................... 20 2. CARACTERÍSTICAS ............................................................................................................. 20 2.1. COSMOPOLITISMO ....................................................................................................... 20 2.2. FRAGMENTÁRIO ........................................................................................................... 21 2.3. INFORMALISMO OU SIMPLICIDADE ............................................................................ 21 2.4. ELASTICIDADE .............................................................................................................. 21 2.5. ONEROSIDADE ............................................................................................................. 21 3. PRINCÍPIOS .......................................................................................................................... 21 3.1. LIVRE INICIATIVA .......................................................................................................... 22 3.2. FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA .................................................................................. 22 3.3. LIBERDADE DE COMPETIÇÃO ..................................................................................... 23 3.4. LIBERDADE DE ASSOCIAÇÃO ..................................................................................... 23 3.5. MAXIMIZAÇÃO DOS ATIVOS DO FALIDO .................................................................... 23 3.6. PRESERVAÇÃO DA EMPRESA .................................................................................... 24 3.7. AUTONOMIA DA VONTADE .......................................................................................... 24 3.8. CAMBIÁRIOS ................................................................................................................. 24 4. TEORIA DOS ATOS DE COMÉRCIO (francesa) ................................................................... 24 4.1. HISTÓRICO .................................................................................................................... 25 4.2. DEFINIÇÃO DO “COMERCIANTE”: ATOS DE COMÉRCIO ........................................... 25 4.3. REVOGAÇÃO DO CÓDIGO COMERCIAL DE 1850 ...................................................... 27 5. TEORIA DA EMPRESA (italiana) ........................................................................................... 27 6. EMPRESA E EMPRESÁRIO ................................................................................................. 29 6.1. EMPRESÁRIO ................................................................................................................ 29 6.1.1. Conceito de empresário: da caracterização e da inscrição ...................................... 29 http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 2 6.1.2. Excluídos da atividade empresária .......................................................................... 33 6.2. EMPRESA ...................................................................................................................... 35 6.2.1. Conceito de empresa. .............................................................................................. 35 6.2.2. Microempresa e Empresa de Pequeno Porte .......................................................... 36 7. EMPRESÁRIO INDIVIDUAL .................................................................................................. 36 7.1. CONCEITO ..................................................................................................................... 36 7.2. REQUISITOS.................................................................................................................. 36 7.2.1. Pleno gozo da capacidade civil ................................................................................ 36 7.2.2. Ausência de impedimentos legais ............................................................................ 39 7.3. RESPONSABILIDADE DO EMPRESÁRIO INDIVIDUAL ................................................ 43 7.4. EMPRESÁRIO CASADO ................................................................................................ 43 8. EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA - EIRELI .............................. 44 8.1. NOÇÕES GERAIS .......................................................................................................... 44 8.2. REQUISITOS.................................................................................................................. 45 8.3. VANTAGEM DA EIRELI ................................................................................................. 46 8.4. CRIAÇÃO DA SOCIEDADE UNIPESSOAL E ESVAZIAMENTO DA FUNÇÃO DA EIRELI 46 8.5. TRANSFORMAÇÃO DAS EIRELIS EM SOCIEDADES UNIPESSOAIS ......................... 47 8.6. REVOGAÇÃO DO INCISO IV DO ART. 1.033 DO CÓDIGO CIVIL ................................ 47 9. OBRIGAÇÕES DO EMPRESÁRIO ........................................................................................ 48 9.1. REGISTRO ..................................................................................................................... 48 9.1.1. Previsão legal e órgão encarregado ........................................................................ 48 9.1.2. Atos de registro........................................................................................................ 50 9.1.3. Novo Registro em caso de sucursal, filial ou agência .............................................. 50 9.1.4. Exceção ao Registro (art. 971 do CC) ..................................................................... 50 9.1.5. Natureza jurídica do Registro ................................................................................... 51 9.1.6. Inatividade da empresa ............................................................................................ 52 9.1.7. Consequências da ausência de registro ..................................................................se manter atualizado com os informativos, reserve um dia da semana para ler no site do Dizer o Direito. Como você pode perceber, reunimos em um único material diversas fontes (aulas + doutrina + informativos + + lei seca + questões) tudo para otimizar o seu tempo e garantir que você faça uma boa prova. Por fim, como forma de complementar o seu estudo, não esqueça de fazer questões. É muito importante!! As bancas costumam repetir certos temas. Vamos juntos!! Bons estudos!! Equipe Cadernos Sistematizados. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 19 TEORIA GERAL DA EMPRESA 1. FONTES DO DIREITO EMPRESARIAL Aqui, para fins didáticos, utilizamos a classificação proposta por Ricardo Negrão. 1.1. PRIMÁRIAS 1.1.1. Constituição Federal O Direito Empresarial deve ser interpretado à luz da CF, sempre. Há vários princípios na parte da Ordem Econômica. 1.1.2. Código Civil Em seus arts. 966 a 1.195 trata do Direito de Empresa, são as normas que conceituam empresário, estabelecem requisitos para o exercício do direito de empresa individualmente, regem as sociedades empresárias etc. 1.1.3. Código Comercial Para o Direito Marítimo. 1.1.4. Leis Extravagantes Como exemplo, citam-se a Lei de Falência (Lei 11.101/2005), a Lei das Duplicatas, a Lei do Cheque, dentre outras. Obs.: A Lei 11.101/2005 foi alterada pela Lei 14.112/2020 que não é uma nova Lei de Falências, mas apenas uma lei que reformou a Lei 11.101/2005. 1.1.5. Tratados internacionais Segundo André Santa Cruz, os tratados internacionais são uma fonte primária de suma importância, a exemplo da Convenção da União de Paris e os Acordos TRIPS, que orientam a nossa Lei de Propriedade Industrial, bem como a Lei Uniforme de Genebra 1.2. SECUNDÁRIAS http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 20 1.2.1. Costumes Devem ser uniformes, constantes, utilizados de acordo com a boa-fé. Além disso, devem observar a lei e a boa-fé, podem estar assentados na Junta Comercial. Ex.: Cheque pós-datado. A Lei 8934/94 estabelece que o costume pode ser assentado na Junta Comercial, podendo ser provado através de certidão emitida pela Junta. Como o tema foi cobrado em concurso? CESPE - DPE/ES - Questão: Cabe à junta comercial, de ofício ou por provocação da sua procuradoria ou de entidade de classe, reunir ou assentar em livro próprio os usos e práticas decorrentes (costumes) em sua jurisdição? Correto! Art. 8º Às Juntas Comerciais incumbe VI - O assentamento dos usos e práticas mercantis 1.2.2. Princípios Gerais do Direito Segundo Haroldo Malheiros, é necessário seguir uma ordem de preferência, prevista no art. 4º da LINDB. 1.2.3. Doutrina Segundo Juan Vasques, apesar de ser considerada por parte dos autores, não é fonte secundária. 1.2.4. Jurisprudência Com o CPC/15, que consagrou os precedentes, ganhou força o entendimento de que a jurisprudência é fonte secundária e não apenas em relação às súmulas vinculantes. 2. CARACTERÍSTICAS 2.1. COSMOPOLITISMO As regras de Direito Empresarial devem ser uniformes, independente da barreira geográfica que separa os países. Ex.: Lei Uniforme de Genebra. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 21 CESPE - DPE/ES: O cosmopolitismo, uma das características do direito empresarial, deu origem a usos e costumes comuns a todos os comerciantes, independentemente de sua nacionalidade (caráter internacional, transcende barreiras geográficas), a exemplo da criação, pela Convenção de Genebra, de uma lei uniforme para a letra de câmbio e a nota promissória. Correto! 2.2. FRAGMENTÁRIO O Direito Empresarial divide-se em Direito de Empresa, Direito Cambiário, Direito Falimentar e Direito Societário, para cada um desses ramos há leis esparsas que o regulamentam. 2.3. INFORMALISMO OU SIMPLICIDADE Segue a dinâmica das relações empresariais, que afastam o caráter formal, presente no Direito Civil. 2.4. ELASTICIDADE O Direito Empresarial sofre constantes mudanças, muitas vezes não conseguem ser acompanhadas pela lei. 2.5. ONEROSIDADE A atividade empresarial visa o lucro. 3. PRINCÍPIOS O Direito Empresarial é norteado por vários princípios, a seguir um fluxograma e após a análise. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 22 3.1. LIVRE INICIATIVA Norteia o Direito Empresarial. De acordo com Fábio Ulhôa Filho, o princípio da livre-iniciativa se desdobra em quatro condições fundamentais para o funcionamento eficiente do modo de produção capitalista: • Imprescindibilidade da empresa privada para que a sociedade tenha acesso aos bens e serviços de que necessita para sobreviver; • Busca do lucro como principal motivação dos empresários; • Necessidade jurídica de proteção do investimento privado; • Reconhecimento da empresa privada como polo gerador de empregos e de riquezas para a sociedade. É um dos fundamentos da República, igualmente, está prevista na ordem econômica. No entanto, não é absoluta, há cláusulas de não concorrência. Segundo Eros Grau, gera uma obrigação de fazer para a empresa e uma obrigação de não fazer (não causar danos a terceiros). 3.2. FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA Previsto na Lei de S/A. Princípios Livre Iniciativa Autonomia da Vontade Cambiários Preservação da Empresa Maximização dos ativos do Falido Liberdade de Associação Função Social da Empresa Liberdade de Competição http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 23 Art. 116, Parágrafo único. O acionista controlador deve usar o poder com o fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e cumprir sua função social, e tem deveres e responsabilidades para com os demais acionistas da empresa, os que nela trabalham e para com a comunidade em que atua, cujos direitos e interesses deve lealmente respeitar e atender. Art. 154. O administrador deve exercer as atribuições que a lei e o estatuto lhe conferem para lograr os fins e no interesse da companhia, satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa. Salienta-se que a empresa não deve apenas atender aos interesses individuais do empresário individual ou dos sócios da sociedade empresária, mas também aos interesses difusos e coletivos de todos aqueles que são afetados pelo seu exercício (trabalhadores, contribuintes, vizinhos, concorrentes, consumidores), conforme ensina André Santa Cruz. 3.3. LIBERDADE DE COMPETIÇÃO Está relacionado ao princípio da livre iniciativa, concretizando-o. 3.4. LIBERDADE DE ASSOCIAÇÃO Compreende a liberdade de associar-se e de não se associar, bem como o direito de retirada para os sócios que assim queiram. 3.5. MAXIMIZAÇÃO DOS ATIVOS DO FALIDO Previsto no art. 75 e 117 da Lei de Falências. Além disso, ampara o art. 141, II. Art. 75. A falência, ao promover o afastamento do devedor de suas atividades, visa a: I - preservar e a otimizar a utilização produtiva dos bens, dos ativos e dos recursos produtivos, inclusive os intangíveis, da empresa; II - permitir a liquidação célere das empresas inviáveis, com vistas à realocação eficiente de recursos na economia; e III - fomentar o empreendedorismo, inclusive por meio da viabilização do retorno célere do empreendedor falido à atividade econômica. § 1º O processo de falência atenderá aos princípios da celeridade e da economia processual, sem prejuízo do contraditório, da ampla defesa e dos demais princípios previstos na Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código de Processo Civil). § 2º A falência é mecanismo de preservação de benefícios econômicos e sociais decorrentes da atividade empresarial, por meio da liquidação imediata do devedor e da rápida realocação útil de ativos na economia.Art. 117. Os contratos bilaterais não se resolvem pela falência e podem ser cumpridos pelo administrador judicial se o cumprimento reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa falida ou for necessário à manutenção e preservação de seus ativos, mediante autorização do Comitê. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 24 § 1o O contratante pode interpelar o administrador judicial, no prazo de até 90 (noventa) dias, contado da assinatura do termo de sua nomeação, para que, dentro de 10 (dez) dias, declare se cumpre ou não o contrato. § 2o A declaração negativa ou o silêncio do administrador judicial confere ao contraente o direito à indenização, cujo valor, apurado em processo ordinário, constituirá crédito quirografário. Art. 141. Na alienação conjunta ou separada de ativos, inclusive da empresa ou de suas filiais, promovida sob qualquer das modalidades de que trata o art. 142: I – todos os credores, observada a ordem de preferência definida no art. 83 desta Lei, sub-rogam-se no produto da realização do ativo; II – o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as de natureza tributária, as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidentes de trabalho. § 1º O disposto no inciso II do caput deste artigo não se aplica quando o arrematante for: I – sócio da sociedade falida, ou sociedade controlada pelo falido; II – parente, em linha reta ou colateral até o 4º (quarto) grau, consanguíneo ou afim, do falido ou de sócio da sociedade falida; ou III – identificado como agente do falido com o objetivo de fraudar a sucessão. § 2º Empregados do devedor contratados pelo arrematante serão admitidos mediante novos contratos de trabalho e o arrematante não responde por obrigações decorrentes do contrato anterior. § 3º A alienação nas modalidades de que trata o art. 142 desta Lei poderá ser realizada com compartilhamento de custos operacionais por 2 (duas) ou mais empresas em situação falimentar. . Utilizar o ativo para reduzir o passivo. 3.6. PRESERVAÇÃO DA EMPRESA Tem sido amplamente difundido, seja pela legislação (a exemplo da Lei de Falências) seja fundamentando inúmeras decisões judiciais em matéria de dissolução de sociedades, de falências, de recuperação judicial. 3.7. AUTONOMIA DA VONTADE Relacionado aos contratos empresariais, ver enunciados da I Jornada. 3.8. CAMBIÁRIOS Serão analisados no estudo do Direito Cambiário. 4. TEORIA DOS ATOS DE COMÉRCIO (francesa) http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 25 4.1. HISTÓRICO A codificação napoleônica dividiu claramente o direito privado: de um lado o Direito Civil e de outro o Direito Comercial. O CC/FRA atendia fundamentalmente aos interesses da burguesia fundiária (direito de propriedade), já o CCom/FRA encarnava o espírito da burguesia comercial e industrial, valorizando a riqueza mobiliária. Função essencial era atribuir a quem praticasse os denominados “atos de comércio” a qualidade de comerciante, pressuposto para a aplicação das normas do CCom. De acordo com a doutrina, a codificação napoleônica operou uma objetivação do Direito Comercial, tendo em vista a formação dos Estados Nacionais da Idade Moderna que impunham sua soberania ao particularismo que imperava na ordem jurídica anterior e se inspiravam no princípio da igualdade, sendo, por conseguinte, avessos a qualquer tipo de distinção de disciplinas jurídicas que se baseiam em critérios subjetivos. Influência no Código Comercial do Brasil de 1850 a) Parte I - Do Comércio em geral. b) Parte II - Do Comércio marítimo. (Ainda vigora) c) Parte III - “Das quebras” → revogado pelo decreto lei 7.666/45 → revogado pela 11.101/05 Lei de Falências Comerciante (pessoa física) Sociedade Comercial (pessoa jurídica) 4.2. DEFINIÇÃO DO “COMERCIANTE”: ATOS DE COMÉRCIO Fases do Direito Empresarial Corporações de Ofício Idade Média Sistema fechado e protetivo Teoria dos Atos de Comércio Sistema frances Revolução Francesa Código Comercial 1807 Teoria da Empresa Sistema italiano Revolução Industrial Código Civil de 1812 http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 26 Para estabelecer quem se submetia à disciplina do CCom era feita uma análise objetiva: se praticava “ato de comércio” ou não. Só poderia chamar alguém de comerciante (pessoa física) ou de sociedade comercial (pessoa jurídica) estando presentes os elementos: • Habitualidade; • Finalidade lucrativa; “Atos de comércio” – eram elencados taxativamente no Regulamento 737/1850, em seu art. 19 (primeiro ato normativo de caráter processual do Brasil). Vejamos quais eram esses atos: • Compra e venda de bens móveis e semoventes para revenda ou locação; • Câmbio (troca de moeda estrangeira); • Bancos (comerciante nato: surge junto com o comércio; bancos podem falir, como qualquer comerciante, além de sofrer liquidação extrajudicial ou intervenção extrajudicial pelo Banco Central; nestes dois últimos casos, não poderá falir, exceto se requerido pelo liquidante ou interventor). • Transportes de mercadorias (atividade vinculada ao comércio); • Fabricação, consignação e depósito de mercadorias (industrial em geral); • Espetáculos públicos (teatro, cinema etc.); • Contratos marítimos em geral; • Fretamento de navios; • Títulos de créditos em geral (os títulos de créditos rurais eram reputados civis); Eram atividades excluídas da Mercancia: • Especulação imobiliária; • Agricultura e pecuária (produtor rural); • Prestação de serviços; • Profissões intelectuais; O inconveniente desse sistema era a taxatividade das atividades consideradas de comércio, de forma que aqueles que não constavam da lista ficavam sem direito ao tratamento dispensado aos comerciantes, especialmente no que se refere à concordata. Crítica: este regulamento pecava por não abranger todas as atividades comerciais, por exemplo, a imobiliária, visto que ele preconizava compra e venda de bens móveis. Compra e venda de serviços também não era prevista, não sendo considerada sociedade comercial. O problema disso, era que não sendo sociedade comercial, não teria direito a concordata no caso de problemas financeiros. Rubens Requião: não tem como definir satisfatoriamente o que são atos de comércio. Santa Cruz: e os atos mistos (unilateralmente comerciais)? Aplicam as normas do CCom para solução de controvérsia, era a chamada vis atractiva do Direito Comercial. Preocupava o fato de o cidadão ser submetido a normas distintas em razão da qualidade da pessoa com quem contrata. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 27 4.3. REVOGAÇÃO DO CÓDIGO COMERCIAL DE 1850 O CC revogou parcialmente ou totalmente o Código Comercial? Parcialmente, revogou a parte I, a parte III já havia sido revogada pelo decreto lei 7.666/45, que por sua vez também já foi revogado pela lei 11.101/05 (nova lei de falências). Restando apenas a parte II, que trata do COMÉRCIO MARÍTIMO. “Arribada forçada”: o navio normalmente não pode parar em lugares não previstos, caso ocorra, em situações excepcionais justificadas, é chamado de arribada forçada. Art. 741 do C. Comercial – temor fundado de inimigo ou pirata. Art. 740 - Quando um navio entra por necessidade em algum porto ou lugar distinto dos determinados na viagem a que se propusera, diz-se que fez arribada forçada (artigo nº. 510). Art. 741 - São causas justas para arribada forçada: 1 - Falta de víveres ou aguada; 2 - Qualquer acidente acontecido à equipagem, cargo ou navio, que impossibilite este de continuar a navegar; 3 - Temor fundado de inimigoou pirata. 5. TEORIA DA EMPRESA (italiana) Agora temos: • Empresário individual (pessoa física). • Sociedade empresária (pessoa jurídica). • EIRELI (pessoa jurídica), foi extinta pela MP 1.085/2021. Aqui fazemos uma análise subjetiva, ou seja, uma análise da estrutura. Com a entrada em vigor do CC/2002 foi revogada expressamente a Parte I (somente ela) do Código Comercial, abandonando a Teoria Francesa dos Atos de Comércio e passando a adotar a chamada TEORIA DA EMPRESA. Essa teoria surgiu na Itália, em meados de 1942, tendo como objetivo o alargamento do âmbito de incidência do Direito Comercial. O corporativismo fascista se contrapôs à ideia de um código de comércio autônomo e de um regime jurídico especial das relações travadas pelos agentes econômicos. Refletia, portanto, o caráter ideológico e a natureza político-econômica advindas da experiência fascista. Fala-se agora em empresário, sendo este o que exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços. Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 28 Santa Cruz: o direito comercial não se limita a regular apenas as relações jurídicas em que ocorra a prática de um determinado ato definido em lei como ato de comércio. A Teoria da Empresa faz com que o direito comercial não se ocupe apenas com alguns atos, mas com uma forma específica de exercer uma atividade econômica: a forma empresarial. O empresário individual é pessoa natural, possui CNPJ apenas para ter o mesmo tratamento tributário que a sociedade empresária, a fim de não violar a igualdade, pois a pessoa física não conseguiria concorrer com a sociedade empresária. Em 2011, foi inserida a EIRELI (empresa individual de responsabilidade limitada) no nosso sistema. Tratava-se de uma “sociedade” de um só indivíduo, funcionando como um instrumento para que o empresário blindasse o seu patrimônio particular, separando-o do patrimônio empresarial no exercício da atividade empresária. Desta forma, diferentemente do que ocorre com o empresário individual (cuja totalidade do seu patrimônio responde ilimitadamente pelas dívidas da atividade empresária, estejam ligadas à atividade empresarial ou não), na EIRELI havia uma limitação dos reflexos patrimoniais desta responsabilização. Contudo, a MP 1.085/2021 extinguiu a EIRELI. Há desconsideração da pessoa jurídica para EMPRESÁRIO INDIVIDUAL? Não há que se falar em desconsideração da PJ, visto que não há pessoa jurídica, não se desconsidera o que não existe. Como o tema foi cobrado em concurso? CESPE DPE/ES: No Código Comercial do Império do Brasil, adotou-se, por influência dos códigos francês, espanhol e português, a teoria dos atos de comércio, no que se refere à sua abrangência e aplicação. Errado. O Código Comercial foi influenciado pelos códigos francês, espanhol e português. No entanto, não trouxe a definição de atos de comércio, nem sua abrangência, que foi definida no Regulamento 737. TJ/MG: Com a vigência do CC/02, à luz do art. 966, é correto afirmar que o Direito brasileiro concluiu a transição para a: Teoria da empresa, de matriz italiana. Brasil CC/02: Busca de uma unificação, ainda que apenas formal, do direito privado. PARA MEMORIZAR! A EVOLUÇÃO DO DIREITO COMERCIAL NO MUNDO 1ª FASE ➔ Idade Média: renascimento mercantil e ressurgimento das cidades. ➔ Monopólio da jurisdição mercantil a cargo das Corporações de Ofício ➔ Aplicação dos usos e costumes mercantis pelos tribunais consulares “Codificação Privada” do direito comercial; normas “pseudo sistematizadas”. ➔ Caráter subjetivista: mercantilidade da relação jurídica definida pelos seus sujeitos. ➔ “Direito dos Comerciantes”. 2ª FASE ➔ Idade Moderna: formação dos Estados Nacionais monárquicos ➔ Monopólio da Jurisdição mercantil a cargo dos Estados ➔ Codificação Napoleônica ➔ Bipartição do direito privado ➔ “Teoria dos atos de comércio” como critério delimitador do âmbito de incidência do regime jurídico comercial http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 29 ➔ Objetivação do direito comercial: mercantilidade da relação jurídica definida pelo seu objeto. 3ª FASE ➔ CC Italiano 1942 ➔ Unificação formal do direito privado ➔ “Teoria da Empresa” como critério delimitador do âmbito de incidência do regime jurídico empresarial ➔ A empresa vista como atividade econômica organizada. A EVOLUÇÃO DO DIREITO COMERCIAL NO BRASIL As ordenações do Reino ➔ Aplicação das leis de Portugal ➔ Inspiração do direito estatutário italiano Código Comercial 1850 ➔ Inspiração do Code de Commerce napoleônico ➔ Adoção da Teoria dos Atos de Comércio. ➔ Regulamento nº737: rol dos atos de comércio. Código Civil 2002 ➔ Transição da Teoria dos Atos de Comércio para a Teoria de Empresa ➔ Tentativa de unificação formal do direito privado ➔ Definição do empresário como aquele que exerce profissionalmente atividade econômica organizada. 6. EMPRESA E EMPRESÁRIO São características fundamentais do Direito Empresarial que o diferenciam sobremaneira do Direito Civil: • Cosmopolitismo (integração entre os povos); • Onerosidade (caráter econômico); • Informalismo (devido ao dinamismo); • Fragmentarismo (série de sub-ramos, exemplo: direito falimentar, societário...) 6.1. EMPRESÁRIO 6.1.1. Conceito de empresário: da caracterização e da inscrição Art. 966. Considera-se empresário (gênero) quem exerce profissionalmente (habitualidade, continuidade) atividade econômica (finalidade lucrativa) organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. O art. 966 do CC incide sobre a pessoa física e sobre a pessoa jurídica. • PESSOA FÍSICA = empresário individual; • PESSOA JURÍDICA = sociedade empresária ou empresa individual de responsabilidade limitada (EIRELI – antes da sua revogação pela MP 1.085/2021). http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 30 Dentro do conceito legal de empresário, destacam-se alguns subconceitos: 1) “Profissionalismo” Está ligado aos conceitos de habitualidade/continuidade (para ser profissional a atividade não pode ser esporádica), pessoalidade (empresário deve contratar empregados) e monopólio das informações (o profissional deve ter amplo conhecimento do produto que está comercializando). Por exemplo, não é porque Fernanda vendeu seu carro para o vizinho que será considerada uma empresária do ramo de venda de automóveis. 2) “Atividade” A empresa é a atividade e o empresário é o sujeito de direito que a explora. É ele, por exemplo, que compra ou importa mercadorias e não a sua empresa. Ela é tão somente a atividade de produção ou circulação de bens ou serviços. 3) “Econômica” Finalidade lucrativa. É a característica que falta às associações. Como o tema foi cobrado em concurso? MPE/PI (2019) Celebram contrato de sociedade as pessoas que, reciprocamente, se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica e a partilhar dos resultados, podendo ser restrita a atividade a um ou mais negócios determinados. Correta! CESPE: Conforme entendimento dominante do STJ, a finalidade lucrativa não é um requisito para que determinada atividade seja considerada empresária. Errada! 4) “Organizada” Fábio Ulhôa Coelho: organização é a reunião dos 4 fatores de produção. Sendo eles: • Mão de obra; EMPRESÁRIO PESSOA JURÍDICA SOCIEDADE EMPRESÁRIA EIRELI PESSOA FÍSICA EMPRESÁRIO INDIVIDUAL http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 31 • Matéria prima; • Capital; • Tecnologia. Dica: “MAMACATE” Na ausência de um deles, não se fala mais em organização. Por exemplo, se não temmão de obra contratada (CLT, regime autônomo...) não se tem organização, e não tendo organização não pode ser considerado empresário. Este contexto se aplica tanto para o empresário individual como para a sociedade empresária. Exemplo1: pessoa que vende trufas, faz, embrulha etc. Não tem mão de obra contratada, sendo assim não pode ser considerada empresária. Exemplo2: dois irmãos, bar, cada um fica um dia. Não há sociedade empresária, pois não há mão de obra contratada. Hoje, em face da automação (em virtude do avanço tecnológico), entende-se não ser imprescindível a mão de obra. O entendimento atual é o seguinte: a organização ocorre quando a atividade-fim não depender exclusivamente da pessoa física empreendedora ou do sócio da sociedade (pode depender de pessoas ou bens). Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/RS (2022) Empresário exerce uma atividade “organizada”, entendida como a estruturação de dois elementos apenas, a saber: mão de obra e capital. Errada! Santa Cruz: Essa ideia fechada de que a organização dos fatores de produção é absolutamente imprescindível para a caracterização do empresário vem perdendo força no atual contexto da economia capitalista. Exemplo: microempresários (trabalho próprio), empresários virtuais. Exemplos de sociedade empresária: • Banco – habitualidade, finalidade lucrativa, organização (mão de obra, matéria prima etc.), produz serviços bancários. É sociedade empresária. • Loja de roupas no shopping, habitualidade, finalidade lucrativa, organização (vendedor, matéria prima = roupas), circulação de bens – sociedade empresária. • Agência de turismo, habitualidade, finalidade lucrativa, organização, circulação – sociedade empresária. OBS: não será considerada “empresa”, para efeitos jurídicos, a atividade cujos benefícios sejam exclusivamente para uso próprio ou, ainda, com sentido mutualístico, tal como ocorre com as cooperativas. 5) “Produção ou circulação de bens ou serviços” http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 32 No Código Comercial somente se falava em produção e circulação de bens. Bens têm “corpo”, são materiais; já os serviços são imateriais, não têm “corpo”. • Produção de bens: É a fabricação das mercadorias industrialmente (montadoras de veículos, confecção de roupas etc.) • Produção de serviços: É a própria prestação de serviços (bancos, hospitais, escolas etc.). • Circulação de bens: O comércio é a atividade que circula bens, faz uma intermediação quando busca o bem no produtor para repassar ao consumidor. Exemplo: Loja de venda de roupas. • Circulação de serviços: Nada mais é do que intermediar a prestação de serviços, como as agências de turismo que não prestam serviços de transporte, mas montam um pacote de viagem para o turista. Como o tema foi cobrado em concurso? TJRS/2018: O art. 966 do CC define empresário como aquele que exerce atividade profissional, econômica, organizada com a finalidade de produção ou circulação de bens ou de serviços. Correto! TJPI: Não é considerada empresária a pessoa que organiza episodicamente a produção de certa mercadoria, ainda que destinada à venda no mercado. Correta! RESUMINDO: OBS: O conceito de empresário aplica-se tanto para o empresário individual quanto para a sociedade empresária, haja vista o conceito legal de sociedade empresária contido no art. 982 do CC, in verbis: Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. A pessoa física, sócia de sociedade empresária, não é, tecnicamente, empresária, pois quem exerce a atividade empresária é a sociedade. Empresário é o titular da empresa? CORRETO. A empresa não é o sujeito de direito e sim a atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços. Sistematizando o art. 982 do CC temos: Produção e circulação de bens ou serviços Reunião dos fatores de produção Empresário http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 33 6.1.2. Excluídos da atividade empresária Em primeiro lugar: quem não possui organização empresarial. Art. 966 CC: Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. a) “Profissão intelectual” • Científica: São os chamados profissionais autônomos: médico (não é empresário, sua atividade é intelectual e científica), contador (ciências contábeis), advogado. Exemplo: sociedade entre médicos (não é empresária também), sociedade entre advogados (não é empresária também). • Literária: escritor/jornalista. PROVA ORAL MAGISTRATURA: Candidato, jornalista é considerado empresário? Excelência, o jornalista não é considerado empresário, tendo em vista que desempenha profissão intelectual literária. Portanto, nos termos do CC está excluído da atividade empresarial. • Artística: desenhista, artista plástico, cantor, ator, dançarino. b) “Ainda que tenha o concurso de auxiliares ou colaboradores” As atividades intelectuais são prestadas de forma pessoal e, ainda que contenham auxiliares ou colaboradores, o personalismo prevalece. Na profissão intelectual a exclusão decorre do papel secundário que a organização assume nessas atividades. Exemplo da clínica: mesmo que contrate enfermeira e secretária não será sociedade empresária. Será uma sociedade simples. NÃO É EMPRESÁRIO PESSOA JURÍDICA SOCIEDADE SIMPLES EIRELI SIMPLES PESSOA FÍSICA PROFISSIONAL LIBERAL (AUTONOMO) http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 34 c) “Salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa” Caso a profissão intelectual se torne apenas um dos vários elementos que formam uma empresa, haverá uma sociedade empresária. Em outras palavras: a atividade intelectual leva o seu titular a ser considerado empresário se ela estiver integrada em um objeto mais complexo, próprio da atividade empresarial. III JDC En.195 - Art. 966: A expressão “elemento de empresa” demanda interpretação econômica, devendo ser analisada sob a égide da absorção da atividade intelectual, de natureza científica, literária ou artística, como um dos fatores da organização empresarial. Exemplos: • A clínica, para atender melhor os pacientes, terá uma cafeteria e lanchonete. A clínica tem uma UTI (serviço de hospedagem). Agora tem uma sala de cirurgia tão moderna que todos os médicos da região alugam para realizar os procedimentos. Os médicos são meros elementos dentro de um grande complexo empresarial, deixou de ser uma atividade científica, literária ou artística pura para ser um elemento de empresa. Podemos afirmar, por isso, que hospital é uma sociedade empresária. • Veterinário com clínica. Se começa a vender ração de cachorro, brinquedo para cachorro, a clínica passa a ser uma sociedade, pois a atividade intelectual (veterinário) passa a ser só mais um dos elementos da empresa. Santa Cruz: quando o prestador de serviços profissionais se ‘impessoaliza’, e os serviços até então pessoalmente prestados, passam a ser oferecidos pela organização empresarial, perante a qual se torna um mero organizador, será considerado empresário. Dois médicos resolvem abrir uma clínica de ortopedia chamada “Só ossos”, contrataram uma secretária, faxineira e empregada. É sociedade empresária? NÃO. “Ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores” art. 966 § único CC, salvo se, o exercício da profissão constitui elemento de empresa. Como o tema foi cobrado em concurso? CESPE TJ/PI: é considerada empresária a pessoa que, exercendo profissão intelectual de natureza artística, contrateempregados para auxiliá-la no trabalho. Errada! Ainda que tenha colaboradores e auxiliares, não será considerado empresário. Melhor seria substituir a redação equivocada por ‘‘salvo se o exercício da profissão constituir parte do objeto da empresa’’. Além do profissional intelectual, NÃO É EMPRESÁRIO: a) a sociedade de advogados, b) o profissional rural não registrado e c) os empresários de cooperativas, abordados a seguir. a) Sociedade de advogados A sociedade de advogados, nos termos do art. 15 da Lei 8.906/94, está excluída do conceito de empresário, tendo em vista que se trata de uma sociedade simples. Não sendo admitidos registros e nem podem funcionar quando apresentarem forma ou características de sociedade empresária (art.16). http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 35 Art. 15. Os advogados podem reunir-se em sociedade simples de prestação de serviços de advocacia ou constituir sociedade unipessoal de advocacia, na forma disciplinada nesta Lei e no regulamento geral. Art. 16. Não são admitidas a registro nem podem funcionar todas as espécies de sociedades de advogados que apresentem forma ou características de sociedade empresária, que adotem denominação de fantasia, que realizem atividades estranhas à advocacia, que incluam como sócio ou titular de sociedade unipessoal de advocacia pessoa não inscrita como advogado ou totalmente proibida de advogar. b) Exercente de atividade rural sem registro na junta comercial Por força do art. 971 do CC, o registro para o rural é facultativo. Contudo, apenas, após a inscrição, será considerado empresário. Art. 971. O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro. Parágrafo único. Aplica-se o disposto no caput deste artigo à associação que desenvolva atividade futebolística em caráter habitual e profissional, caso em que, com a inscrição, será considerada empresária, para todos os efeitos. Como o tema foi cobrado em concurso? PGE/CE (2022) A associação futebolística em caráter habitual e profissional poderá inscrever-se no registro público de empresas mercantis, hipótese em que será considerada como empresária, para todos os efeitos. Correta! c) Empresários de Cooperativa (Sociedade cooperativa) Por disposição legal expressa (art. 982, parágrafo único), é considerada sociedade simples, portanto, excluída do conceito de empresário. Art. 982, Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa. 6.2. EMPRESA 6.2.1. Conceito de empresa. Não confundir a atividade com o praticante da atividade. É a ATIVIDADE econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 36 Sociedade empresária – pessoa jurídica: não é porque sou sócio de uma empresa que serei empresário. Empresário é quem desempenha e organiza a atividade empresarial sozinho; na sociedade empresária, quem pratica a atividade é a pessoa jurídica. Exemplo: a empresa de uma farmácia é a comercialização de remédios. 6.2.2. Microempresa e Empresa de Pequeno Porte Art. 3º da LC 123/06 Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideram-se microempresas ou empresas de pequeno porte a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: I - No caso da MICROEMPRESA, aufira, em cada ano-calendário, RECEITA BRUTA IGUAL OU INFERIOR A R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais); e II - no caso de empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano- calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 4.800.000,00 (quatro milhões e oitocentos mil reais). Podem ser ME ou EPP: empresário individual, sociedade empresária, sociedade simples. Essa qualificação diz respeito à tributação. 7. EMPRESÁRIO INDIVIDUAL 7.1. CONCEITO É a pessoa natural (pessoa física), que individualmente, de forma profissional exerce uma atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços. 7.2. REQUISITOS Encontram-se no art. 972 do CC. Art. 972. Podem exercer a atividade de empresário os que estiverem em pleno gozo da capacidade civil e não forem legalmente impedidos. Conforme o art. 972 do CC, dois são os requisitos: 1) pleno gozo da capacidade civil; 2) ausência de impedimento legal. 7.2.1. Pleno gozo da capacidade civil http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm#art966 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm#art966 http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 37 Não pode ser empresário o menor de 18 anos não emancipado, ébrios habituais, viciados em tóxicos, deficientes mentais, excepcionais, pródigos e, nos termos da legislação própria, os índios. Art. 3o São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os menores de 16 (dezesseis) anos Art. 4o São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer: I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico; III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir sua vontade; IV - os pródigos. Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será regulada por legislação especial. Ressalte-se que o menor emancipado tem plena capacidade civil, logo é apto para o exercício de empresa. Art. 974. Poderá o INCAPAZ, por meio de representante ou devidamente assistido, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor de herança. Iniciar a atividade o incapaz não pode. No entanto, pode continuar uma empresa (atividade), antes exercida por seus pais ou por autor de herança da qual é sucessor. É uma regra de preservação da empresa. Incapacidade civil superveniente: Aquele a quem sobreveio incapacidade também é permitida a continuidade do exercício empresarial. Essas regras excepcionais estão previstas no art. 974 do CC, que apresenta dois requisitos para a continuidade da empresa: • Assistência ou representação (a depender do grau de incapacidade); • Autorização judicial (realizada pelo chamado alvará judicial), ouvida a manifestação do MP (art. 178 do CPC). A qualquer tempo o juiz poderá revogar a autorização. Art. 974. Poderá o incapaz, por MEIO DE REPRESENTANTE ou DEVIDAMENTE ASSISTIDO, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor de herança. §1º Nos casos deste artigo, PRECEDERÁ AUTORIZAÇÃO JUDICIAL, após exame das circunstâncias e dos riscos da empresa, bem como da conveniência em continuá-la podendo a autorização ser revogada pelo juiz, ouvidos os pais, tutores ou representantes legais do menor ou do interdito, sem prejuízo dos direitos adquiridos por terceiros. Como o tema foi cobrado em concurso? DPE/TO (2022) O empresário que se tornar incapaz não poderá continuar sua empresa, ainda que assistido ou representado. Errada! http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 38 TJ/AP (2022) Nos casos em que a lei autoriza o prosseguimento da empresa por incapaz, ainda que seu representante ou assistente seja pessoa que possa exercer atividade de empresário, o juizpoderá nomear um ou mais gerentes, se entender ser conveniente. Correta! TJ/MG (2022) João, brasileiro, casado sob o regime de comunhão universal de bens com Maria, residente e domiciliado em Minas Gerais, pretende constituir sociedade empresária com Carlos, brasileiro, solteiro, nascido em 2007, residente e domiciliado em São Paulo, para a consecução de compra e venda de produtos alimentícios. Carlos, por ser absolutamente incapaz, não poderá exercer a administração da sociedade, porém poderá dela fazer parte desde que seja devidamente representado e o capital social esteja totalmente subscrito e integralizado. Correta! MPE/PI (2019) Pessoa que exercer atividade própria de empresário, apesar de legalmente impedida, não responderá pelas obrigações contraídas ao longo do exercício empresarial. Errada! ➔ Bens individuais X Bens empresariais Empresário individual possui uma distribuidora de bebidas. Na distribuidora existem bens (bens empresariais). As dívidas da distribuidora (dívidas empresariais) somente atingem os bens empresariais ou também recaem sobre os bens pessoais? Atingem também os bens pessoais, pois no Brasil se adotou o PRINCÍPIO DA UNIDADE PATRIMONIAL: o patrimônio da pessoa (seja pessoa física, seja pessoa jurídica) é ÚNICO. O inverso também é verdadeiro: as dívidas pessoais também atingem os bens empresariais. Frise-se: Isso quando a empresa é realizada por empresário individual. Diferente ocorre quando se trata de sociedade empresária. Nesse caso, os bens empresariais estão em nome de uma Pessoa Jurídica, ao passo que os bens pessoais estão em nome de uma Pessoa Física. Como são duas pessoas distintas, não há que se falar em unicidade patrimonial. Fala-se em: PRINCÍPIO DA AUTONOMIA PATRIMONIAL. Aqui, vai existir um patrimônio da pessoa física e um patrimônio da pessoa jurídica. As dívidas de um não recaem sobre as do outro, EM REGRA. Adiante veremos situações excepcionais em que as dívidas de uma pessoa atingem o patrimônio de outra, como nos casos de desconsideração da personalidade jurídica (os bens pessoais respondem pela dívida social) ou de desconsideração inversa (quando os bens sociais respondem pela dívida pessoal). Se o menor continuasse a atividade empresarial, teoricamente, seus bens passariam a responder pelas dívidas empresariais. Entretanto, o art. 974, §2º traz uma proteção ao patrimônio do incapaz, in verbis: Art. 974, § 2o Não ficam sujeitos ao resultado da empresa os bens que o incapaz já possuía, ao tempo da sucessão ou da interdição, desde que estranhos ao acervo daquela, devendo tais fatos constar do alvará que conceder a autorização. Ou seja, os bens que o incapaz já possuía não respondem pelas dívidas empresariais, desde que tais bens fiquem consignados no alvará de autorização. Este artigo traz um patrimônio de afetação. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 39 Como o tema foi cobrado em concurso? FCC TJ/GO: Thiago, titular de uma empresa individual do ramo de padaria, veio ser interditado judicialmente e declarado absolutamente incapaz para os atos da vida civil por conta de uma doença mental que lhe sobreveio. A Thiago, nesse caso, é permitido continuar a empresa por meio de representante, mediante prévia autorização judicial, que poderá ser revogada, também judicialmente, sem prejuízo dos direitos de terceiros. O menor não poderá iniciar como empresário individual. Contudo, poderá iniciar como sócio de uma sociedade, a exemplo de uma sociedade limitada, desde que preenchidos os requisitos do §3º do art. 974 do CC. Art. 974, § 3o O Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais deverá registrar contratos ou alterações contratuais de sociedade que envolva sócio incapaz, desde que atendidos, de forma conjunta, os seguintes pressupostos: I – o sócio incapaz não pode exercer a administração da sociedade; II – o capital social deve ser totalmente integralizado; III – o sócio relativamente incapaz deve ser assistido e o absolutamente incapaz deve ser representado por seus representantes legais. 7.2.2. Ausência de impedimentos legais São impedidos de ser empresário: • Membros do Ministério Público; • Magistrados; • Membros da Defensoria Pública; • Empresários falidos; • Leiloeiros; • Despachantes aduaneiros; • Cônsules, nos seus distritos; • Médicos, para o exercício simultâneo de farmácia, e farmacêuticos no exercício simultâneo da medicina; • Pessoas condenadas à pena que vede, ainda que temporariamente, o acesso a cargos públicos; • Servidores públicos civis da ativa; • Servidores militares da ativa das Forças Armadas e das Polícias Militares; • Os deputados e senadores não poderão ser proprietários, controladores ou diretores de empresa, que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público; http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 40 • Estrangeiros (sem visto permanente), em certos casos; • Estrangeiro (com visto permanente), em certos casos. Vejamos: 1) Membros do Ministério Público para exercer o comércio individual ou participar de sociedade comercial (art.128, § 5º, II, “c”, da CF), salvo se acionista ou cotista, obstada a função de administrador (art. 44, III, da Lei 8.625/1993 - LONMP); CF, Art. 128. O Ministério Público abrange: § 5º - Leis complementares da União e dos Estados, cuja iniciativa é facultada aos respectivos Procuradores-Gerais, estabelecerão a organização, as atribuições e o estatuto de cada Ministério Público, observadas, relativamente a seus membros: II - As seguintes vedações: c) participar de sociedade comercial, na forma da lei; LONMP, Art. 44. Aos membros do Ministério Público se aplicam as seguintes vedações: III - exercer o comércio ou participar de sociedade comercial, exceto como cotista ou acionista; Assim, o membro do MP, por exemplo, poderá ter franquia da Cacau Show, desde que seja sócio. 2) Magistrados (art. 36, I, Lei Complementar n. 35/1977 – Lei Orgânica da Magistratura) nos mesmos moldes da limitação imposta aos membros do Ministério Público; LOM, Art. 36 - É vedado ao magistrado: I - exercer o comércio ou participar de sociedade comercial, inclusive de economia mista, exceto como acionista ou quotista; 3) Membros da Defensoria Pública (art. 46, IV, da LC 80/94 - DPU; art. 91, IV da LC 80/94 – DPDFT; art. 130, IV – DPE) mesmos moldes do MP e Magistratura. Art. 46. Além das proibições decorrentes do exercício de cargo público, aos membros da Defensoria Pública da União é vedado IV - Exercer o comércio ou participar de sociedade comercial, exceto como cotista ou acionista Art. 91. Além das proibições decorrentes do exercício de cargo público, aos membros da Defensoria Pública do Distrito Federal e dos Territórios é vedado: IV - Exercer o comércio ou participar de sociedade comercial, exceto como cotista ou acionista; Art. 130. Além das proibições decorrentes do exercício de cargo público, aos membros da Defensoria Pública dos Estados é vedado: IV - Exercer o comércio ou participar de sociedade comercial, exceto como cotista ou acionista; 4) Empresários falidos, enquanto não forem reabilitados (Lei de Falências, art. 102); http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 41 LF, Art. 102. O falido fica inabilitado para exercer qualquer atividade empresarial a partir da decretação da falência e até a sentença que extingue suas obrigações, respeitado o disposto no § 1o do art. 181 desta Lei. Parágrafo único. Findo o período de inabilitação, o falido poderá requerer ao juiz da falência que proceda à respectiva anotação em seu registro. 5) Leiloeiros (art. 36 do Decreto n° 21.891/32 – proíbe os leiloeiros de exercerem a empresa direta ou indiretamente, bem como constituir sociedade empresária,sob pena de destituição); Decreto n° 21.891/32 - Art. 36. É proibido ao leiloeiro: a) sob pena de destituição: 1º, exercer o comércio direta ou indiretamente no seu ou alheio nome; 2º, constituir sociedade de qualquer espécie ou denominação; 3º, encarregar-se de cobranças ou pagamentos comerciais; 6) Pessoas condenadas à pena que vede, ainda que temporariamente, o acesso a cargos públicos, ou por crime falimentar, de prevaricação, peita ou suborno, concussão, peculato ou contra a economia popular, contra o sistema financeiro nacional, contra as normas de defesa da concorrência, contra as relações de consumo, a fé pública ou a propriedade, enquanto perdurarem os efeitos da condenação; 7) Servidores públicos civis da ativa (Lei 1.711/52) e servidores federais (Lei 8.112/90, art.117, X, inclusive Ministros de Estado e ocupantes de cargos públicos comissionados em geral). É importante observar que o funcionário público pode participar como sócio cotista, comanditário ou acionista, sendo obstada a função de administrador; Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/AP (2022) Caso um servidor militar da ativa exerça atividade própria de empresário, todos os atos relacionados à empresa serão declarados nulos pelo juiz, porém ele responderá pelas obrigações contraídas até dois anos seguintes da data de sua prática. Errada! CESPE – TRF2: Os funcionários públicos estão proibidos de exercer atividade empresarial, de acordo com a CF e normas específicas; contudo, a proibição diz respeito ao efetivo exercício da atividade empresarial, não existindo restrição quanto ao fato de o funcionário público ser simplesmente acionista ou quotista de sociedade empresária. Correto! 8) Servidores militares da ativa das Forças Armadas e das Polícias Militares (Código Penal Militar, arts. 180 e 204 e Decreto-Lei nº 1.029/69; arts 29 e 35 da lei nº 6.880/80), neste caso, também poderão integrar sociedade empresário, na qualidade de cotista ou acionista, sendo obstada a função de administrador; 9) Os deputados e senadores não poderão ser proprietários, controladores ou diretores de empresa, que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público, nem exercer nela função remunerada ou cargo de confiança, sob pena de perda do mandato – (arts. 54 e 55 da Constituição Federal). Conforme bem observa Ricardo Negrão, a lei não inclui alguns outros agentes políticos, como o Presidente da República, ministros de Estado, secretários de Estado e prefeitos municipais, no âmbito do Poder Executivo, mas menciona as mesmas restrições dos http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 42 senadores e deputados federais aos deputados estaduais e vereadores (art.29, IX, da Constituição Federal). Ademais, o prestigiado autor também afirma que por se tratar de norma de caráter restritivo, não há como estender a relação para englobar esses outros agentes políticos, quando a lei, podendo fazê-lo, não o fez. A esses membros do Executivo a lei não restringiu o exercício da atividade empresarial, e, assim, não cabe ao intérprete incluí-los na proibição, sob pena de estabelecer privação de direito não prevista em lei. Observa-se, contudo, que seus atos de administração deverão pautar-se pelos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e demais regras previstas no art. 37 da CF. Ao contratar, portanto, aplicam- se-lhe as mesmas restrições do art. 54, II, da CF. Art. 54. Os Deputados e Senadores não poderão: II - Desde a posse: a) ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função remunerada; b) ocupar cargo ou função de que sejam demissíveis "ad nutum", nas entidades referidas no inciso I, "a"; c) patrocinar causa em que seja interessada qualquer das entidades a que se refere o inciso I, "a"; d) ser titulares de mais de um cargo ou mandato público eletivo 10) Estrangeiro (com visto permanente), para o exercício das seguintes atividades: pesquisa ou lavra de recursos minerais ou de aproveitamento dos potenciais de energia hidráulica; atividade jornalística e de radiodifusão sonora e de sons e imagens, com recursos oriundos do exterior; atividade ligada, direta ou indiretamente, à assistência à saúde no País, salvo nos casos previstos em lei; serem proprietários ou armadores de embarcação nacional, inclusive nos serviços de navegação fluvial e lacustre, exceto embarcação de pesca; serem proprietários ou exploradores de aeronave brasileira ressalvada o disposto na legislação específica. Entenda-se bem: empresário não é quem, pessoalmente, produz os bens ou presta os serviços. Empresário é quem organiza a atividade de produção ou circulação de bens ou serviços. ORGANIZAÇÃO é a palavra-chave do conceito. Para realizá-la, ele dispõe de determinado capital, vale-se da contratação de empregados ou de prestadores de serviço, utiliza insumos e emprega tecnologia. Numa grande indústria automobilística, por exemplo, empresários não são os metalúrgicos responsáveis por operar as imensas prensas ou soldas, e assim produzir os carros. Empresário é a pessoa física ou jurídica que os contratou, que adquiriu as máquinas e os insumos, que escolheu a tecnologia utilizada e que é, portanto, quem organiza a atividade humana da produção dos veículos. OBS: a proibição para o exercício de empresa não se estende, a princípio, para ser sócio de sociedades empresárias, afinal quem exerce neste caso é a PJ. Entretanto, a possibilidade de participarem de sociedades empresárias não é absoluta, somente pode ocorrer se forem sócios de responsabilidade limitada e não exercerem funções de gerência e administração. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 43 7.3. RESPONSABILIDADE DO EMPRESÁRIO INDIVIDUAL A responsabilidade do empresário individual é ilimitada. Ou seja, a pessoa do empresário individual responde, com seus bens pessoais, por dívidas empresariais contraídas, em respeito ao Princípio da Unidade Patrimonial. SITUAÇÃO HIPOTÉTICA: Imagine que João da Silva, empresário individual, possui um posto de gasolina. Sem sombra de dúvidas, o posto possui bens (bomba de gasolina, equipamentos, maquinários, imóvel em que se localiza), destinados à sua atividade. Igualmente, João da Silva possui bens particulares, a exemplo de imóveis, veículos, ações, ouro. Diante da crise, o posto de gasolina não consegue pagar as dívidas no prazo que foi contratado. O credor poderá pegar os bens destinados ao posto de gasolina. Contudo, não sendo suficientes para saldar a dívida, o credor poderá requerer que a cobrança recaia sobre os bens particulares de João da Silva, tendo em vista que sua responsabilidade é ilimitada. A ordem de preferência (benefício de ordem), primeiro os bens do posto, depois bens de João da Silva, não está prevista no CC. Mas podemos utilizar o Enunciado 5 da I Jornada de Direito Comercial (IJDCom). Enunciado 5 IJDCom: Quanto às obrigações decorrentes de sua atividade, o empresário individual tipificado no art. 966 do CC responderá primeiramente com os bens vinculados à exploração de sua atividade econômica, nos termos do art. 1.024 do CC. CC Art. 1.024. Os bens particulares dos sócios não podem ser executados por dívidas da sociedade, senão depois de executados os bens sociais. Este entendimento deriva do princípio da unidade patrimonial, já que considera que tanto a pessoa física quanto a pessoa jurídica possuem apenas um patrimônio. Não se pode, por exemplo, afirmar que João da Silva possui dois patrimônios: um pessoal e um empresarial, e que as dívidas só poderiam recair sobre o patrimônio empresarial. O patrimônio é único e irá responder pelas dívidas empresariais e pelas dívidas pessoais. 7.4. EMPRESÁRIO CASADO Pode o empresárioindividual casado vender um bem empresarial sem a outorga conjugal? • Tratando-se de um bem de seu patrimônio pessoal, segue a regra do art. 1.647 do CC. Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648 (suprimento da outorga via judicial), nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta: I - Alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis; • Tratando-se de bens que integram o patrimônio da empresa, será permitida a alienação, sem necessidade de outorga conjugal, independente do regime de bens. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 44 Art. 978. O empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal, qualquer que seja o regime de bens, alienar os imóveis que integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real. Art. 979. Além de no Registro Civil, serão arquivados e averbados, no Registro Público de empresas Mercantis, os pactos e declarações antenupciais do empresário, o título de doação, herança, ou legado, de bens clausulados de incomunicabilidade ou inalienabilidade. Art. 980. A sentença que decretar ou homologar a separação judicial do empresário e o ato de reconciliação não podem ser opostos a terceiros, antes de arquivados e averbados no Registro Público de Empresas Mercantis. Como o tema foi cobrado em concurso? MPE/PI (2019) Em regra, o empresário individual casado sob qualquer regime matrimonial dependerá de outorga conjugal para alienar imóveis que integrarem o patrimônio da empresa. Errada! CESPE – TJ/PR: A empresária casada sob o regime de comunhão universal não precisa da outorga conjugal para alienar os imóveis que integrem o patrimônio da empresa. Correto! FCC – TJ/PB: O empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal, qualquer que seja o regime de bens, alienar os imóveis que integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real. Correto! Atenção para o Enunciado 58, se estes atos não forem devidamente registrados na Junta Comercial, o empresário não poderá opô-los contra terceiros. En. 58 da II JDC - O empresário individual casado é o destinatário da norma do art. 978 do CC e não depende da outorga conjugal para alienar ou gravar de ônus real o imóvel utilizado no exercício da empresa, desde que exista prévia averbação de autorização conjugal à conferência do imóvel ao patrimônio empresarial no cartório de registro de imóveis, com a consequente averbação do ato à margem de sua inscrição no registro público de empresas mercantis 8. EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA - EIRELI 8.1. NOÇÕES GERAIS A EIRELI era uma forma de pessoa jurídica composta por uma só pessoa física. Tratava-se de uma espécie de pessoa jurídica unipessoal autônoma e que apresentava, portanto, personalidade jurídica e patrimônio distintos daquele titularizado pela pessoa física que explora a atividade em questão. Consistia em uma técnica de limitação dos riscos empresariais em benefício dos empreendedores individuais. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 45 A EIRELI foi criada pela Lei nº 12.441/2011, que acrescentou o art. 980-A ao Código Civil, o qual foi revogado pela MP 1.085/2021, posteriormente convertida em lei (Lei n. 14.382/2022). Art. 980-A. A empresa individual de responsabilidade limitada será constituída por uma única pessoa titular da totalidade do capital social, devidamente integralizado, que não será inferior a 100 (cem) vezes o maior salário-mínimo vigente no País. § 1º O nome empresarial deverá ser formado pela inclusão da expressão "EIRELI" após a firma ou a denominação social da empresa individual de responsabilidade limitada. § 2º A pessoa natural que constituir empresa individual de responsabilidade limitada somente poderá figurar em uma única empresa dessa modalidade. § 3º A empresa individual de responsabilidade limitada também poderá resultar da concentração das quotas de outra modalidade societária num único sócio, independentemente das razões que motivaram tal concentração. § 4º ( VETADO). § 5º Poderá ser atribuída à empresa individual de responsabilidade limitada constituída para a prestação de serviços de qualquer natureza a remuneração decorrente da cessão de direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome, marca ou voz de que seja detentor o titular da pessoa jurídica, vinculados à atividade profissional. § 6º Aplicam-se à empresa individual de responsabilidade limitada, no que couber, as regras previstas para as sociedades limitadas §7º Somente o patrimônio social da empresa responderá pelas dívidas da empresa individual de responsabilidade limitada, hipótese em que não se confundirá, em qualquer situação, com o patrimônio do titular que a constitui, ressalvados os casos de fraude. Os primórdios das pessoas jurídicas sempre estiveram ligados à ideia de coletividade (Orlando Gomes justificava a existência das pessoas jurídicas afirmando que o ser humano é gregário por natureza), no entanto, essa noção não é mais verdadeira. Como dito, a EIRELI era uma pessoa jurídica formada por uma única pessoa natural, que a compõe. Antes da EIRELI, se "José" quisesse abrir uma loja no centro da cidade para vender vestuário, ele teria duas opções: 1ª) explorar essa atividade econômica como empresário individual; 2ª) encontrar um outro indivíduo para ser seu sócio e constituir uma sociedade empresária. A desvantagem de explorar como empresa no individual era o fato de que "José" iria responder com seus bens pessoais e de forma ilimitada por todas as dívidas que contraísse na atividade econômica. Tal situação fazia com que muitas pessoas arranjassem um "laranja" para figurar como sócio em uma sociedade limitada, normalmente com capital social de 1%. Obviamente que tal realidade não era simples nem correta, servindo como desestímulo à livre iniciativa. 8.2. REQUISITOS Os requisitos para a constituição da EIRELI eram os seguintes: http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 46 a) Uma única pessoa natural, que é o titular da totalidade do capital social; b) O capital social deve estar devidamente integralizado; c) O capital social não pode ser inferior a 100 (cem) vezes o salário-mínimo; d) A pessoa natural que constituir EIRELI somente poderá figurar em uma única empresa dessa modalidade. Assim, para evitar fraudes, ninguém pode ser titular de duas empresas individuais de responsabilidade limitada. 8.3. VANTAGEM DA EIRELI Com a criação da EIRELI no art. 980-A, o indivíduo passou a conseguir, sozinho, constituir uma pessoa jurídica para desempenhar sua atividade empresarial, com a vantagem de que, na EIRELI, a responsabilidade pelas dívidas era limitada ao valor do capital social. 8.4. CRIAÇÃO DA SOCIEDADE UNIPESSOAL E ESVAZIAMENTO DA FUNÇÃO DA EIRELI Sociedade unipessoal é aquela formada por um só sócio que detém a totalidade do capital social. A figura da sociedade unipessoal é admitida em alguns países do mundo. É possível a existência de sociedade unipessoal no Brasil? Antes da Lei nº 13.874/2019: NÃO Depois da Lei nº 13.874/2019: SIM Como regra, havia a necessidade de dois ou mais sócios. A doutrina apontava a existência de três exceções muito peculiares: 1) sociedade subsidiária integral (art. 251, § 2º, da Lei nº 6.404/76); 2) empresa pública unipessoal. 3) sociedade limitada que ficou com apenas um sócio, situação que podia durar por, no máximo, 180 dias (art. 1.033, IV, do CC – atualmente revogado). A Lei nº 13.874/2019 acrescentou dois parágrafos ao art. 1.052 do CC prevendo a possibilidade de a sociedade limitada ser composta por um único sócio: Art. 1.052. (...) § 1º A sociedade limitada pode ser constituída por 1 (uma) ou mais pessoas. § 2º Se for unipessoal, aplicar-se-ão ao documento de constituiçãodo sócio único, no que couber, as disposições sobre o contrato social. Assim, a Lei nº 13.874/2019 previu a possibilidade de ser, livremente, criada a sociedade limitada unipessoal. Vale ressaltar que, com a criação da sociedade limitada unipessoal, a EIRELI perdeu praticamente toda a sua importância e, na prática, passou a não mais ser adotada. Recentemente, inclusive, houve revogação expressa desta modalidade com a Lei nº 14.382, de 2022. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 47 Como o tema foi cobrado em concurso? DPE/MT (2022) Luan deseja abrir uma empresa na área de soldagem e procurou a Defensoria Pública para orientações acerca de sua responsabilidade no tocante a eventuais dívidas cíveis da pessoa jurídica. Ele afirmou que não possui outro interessado em ser sócio. Nessa situação hipotética, Luan deverá ser orientado no sentido de que é possível a criação de sociedade limitada constituída por apenas uma pessoa, ocasião em que, via de regra, sua responsabilidade estará restrita ao valor de sua quota, desde que o capital social esteja integralizado. Correta! PGE/AM (2022) A sociedade limitada unipessoal é pessoa jurídica de direito privado, podendo ter prazo de duração determinado ou indeterminado. Correta! PGE/GO (2021) Cláudio pescava num rio quando, ao observar as belas paisagens do lugar, teve a ideia de constituir uma empresa, sob a forma de sociedade limitada, para explorar o turismo na região. De acordo com o Código Civil, essa sociedade poderá ser constituída apenas por Cláudio, dado que a pluralidade de sócios não constitui exigência para a constituição de sociedade limitada. Correta! 8.5. TRANSFORMAÇÃO DAS EIRELIS EM SOCIEDADES UNIPESSOAIS Diante do modelo que caiu em desuso – e sua posterior revogação expressa, o legislador resolveu simplificar o panorama e decidiu transformar todas as EIRELIs ainda existentes em sociedades unipessoais. Confira o art. 41 da Lei nº 14.195/2021: Art. 41. As empresas individuais de responsabilidade limitada existentes na data da entrada em vigor desta Lei serão transformadas em sociedades limitadas unipessoais independentemente de qualquer alteração em seu ato constitutivo. Parágrafo único. Ato do Drei disciplinará a transformação referida neste artigo. 8.6. REVOGAÇÃO DO INCISO IV DO ART. 1.033 DO CÓDIGO CIVIL O inciso IV do art. 1.033 do Código Civil previa que se uma sociedade – que originalmente tivesse pluralidade de sócios – ficasse com apenas um sócio (ex: os demais morreram), esta sociedade deveria se regularizar – com a entrada de novos sócios – em um prazo de até 180 dias. Caso não fizesse isso, tal sociedade deveria ser dissolvida, salvo se fosse transformada em uma EIRELI. Veja: Art. 1.033. Dissolve-se a sociedade quando ocorrer: (...) IV - a falta de pluralidade de sócios, não reconstituída no prazo de cento e oitenta dias; (...) Parágrafo único. Não se aplica o disposto no inciso IV caso o sócio remanescente, inclusive na hipótese de concentração de todas as quotas da sociedade sob sua titularidade, requeira, no Registro Público de Empresas http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 48 Mercantis, a transformação do registro da sociedade para empresário individual ou para empresa individual de responsabilidade limitada, observado, no que couber, o disposto nos arts. 1.113 a 1.115 deste Código. Essa regra existia porque no Brasil não se admitia sociedade unipessoal. Ocorre que, com a autorização dada pela Lei nº 13.874/2019 para que exista sociedade unipessoal, essa regra prevista no inciso IV deixou de ter sentido. Ora, se uma sociedade, que era composta por pluralidade de sócios, passou a contar com apenas um único sócio, ela deve se tornar uma sociedade unipessoal, não havendo motivo para que seja dissolvida. Assim, a Lei nº 14.195/2021 – corretamente – decidiu revogar o inciso IV e o parágrafo único do art. 1.033 do Código Civil. Como o tema foi cobrado em concurso? MPE/PR (2021): A sociedade simples dissolve-se quando ocorrer a falta de pluralidade de sócios, não reconstituída no prazo de cento e oitenta dias. Errada! 9. OBRIGAÇÕES DO EMPRESÁRIO Antes de analisarmos cada uma das obrigações, é pertinente salientar que deverão ser cumpridas pelo empresário individual e pela sociedade empresária. 9.1. REGISTRO 9.1.1. Previsão legal e órgão encarregado Art. 967. É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade. O art. 967 do CC prevê que o empresário deve se inscrever no Registro Público de Empresas Mercantis, antes mesmo do início da atividade. Esse Registro Público de Empresas, estruturado de acordo com a Lei 8.934/94 (LRE – Lei de Registros Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins), é dividido em dois órgãos: 1) DREI (Departamento de Registro Empresarial e Integração) – órgão central do SINREM: Sistema Nacional de Registro de Empresas Mercantis): É um órgão federal, de caráter normatizador e fiscalizador. 2) Junta Comercial: É um órgão estadual, de caráter executor. É na junta comercial que se procede ao registro do empresário http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 49 DREI (ANTIGO DNRC) JUNTAS COMERCIAIS ➢ O departamento de Registro Empresarial e Integração (DREI) é o órgão central do sistema e fica localizado em Brasília; ➢ Trata-se de órgão federal, ligado à Secretaria da Micro e Pequena Empresa da Presidência da República; ➢ A principal função do DREI é a de estabelecer normas que devem ser observadas no registro das empresas, supervisionando e coordenando essas regras, do plano técnico. ➢ Vale ressaltar que o DREI substituiu o antigo DNRC (Departamento Nacional de Registro do Comércio). ➢ Em cada Estado-membro existe uma Junta Comercial (chamada de órgão local” do sistema de Registro de Empresas Mercantis); ➢ Trata-se de órgão vinculado e mantido pelo Governo do Estado; ➢ Tem a função de executar e administrar os serviços relacionados com o registro das empresas. É quem, na prática registra os empresários e as sociedades empresárias, cumprindo regramento estabelecido pelo DNRC. A junta comercial tem subordinação hierárquica híbrida: a) Subordinação técnica: Em questões de Direito Comercial se subordina ao DREI (órgão federal). b) Subordinação administrativa: Em questões de Direito Administrativo e Financeiro subordina-se ao Governo do Estado. Ou seja, quem paga o salário de quem trabalha na Junta Comercial é o estado. Conforme entendimento do STF, contra ato denegatório de registro na Junta Comercial, cabe a impetração de MS junto à Justiça Federal, dada a vinculação técnica da Junta ao DREI, órgão federal. Em outras palavras, o ato de registro diz respeito ao aspecto técnico, e sendo a Junta subordinada tecnicamente ao órgão federal, a impetração deve ser na JF. De quem é a competência para processar e julgar crimes envolvendo a Junta Comercial? As juntas comerciais subordinam-se administrativamente ao Governo Estadual e, tecnicamente, ao Departamento Nacional de Registro do Comércio (órgão federal). Os crimes envolvendo a Junta Comercial somente serão de competência da Justiça Federal se houver ofensa DIRETA a bens, serviços ou interesses da união, conforme art. 109. IV, CF/88. Nos demais casos, Junta Comercial DREI ( âmbito federal, normativa e fiscalizadora – subordinação técnica) Estado (subordinação administrativa http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 50 a competência será da Justiça Estadual. STJ. 3ª Seção. CC 130.516-SP. Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, julgado em 26/02/2014. INFORMATIVO 536-STJ – Competência. 9.1.2. Atos de registro1) Matrícula: Ato de inscrição dos profissionais de atividades “paracomerciais”. Se refere a alguns profissionais específicos. Grosso modo: regula algumas profissões. 2) Arquivamento: Ato de inscrição do empresário individual, bem como atos de inscrição, dissolução e alteração das sociedades empresárias, cooperativas, consórcios de empresas, grupos de sociedades, empresas mercantis estrangeiras, assim como declarações de microempresa e de empresas de pequeno porte. 3) Autenticação: É ligada aos demais instrumentos de escrituração, são os livros comerciais e as fichas escriturais. Requisito extrínseco de validade da escrituração. Art. 1.154 CC: ato sujeito a registro não pode ser oposto a terceiros antes do cumprimento das formalidades exigidas, salvo se houver prova que o terceiro o conhecia. 9.1.3. Novo Registro em caso de sucursal, filial ou agência Cabe observar uma situação muito comum na vida empresarial, qual seja, a instituição de filiais, sucursais ou agências de uma mesma sociedade empresária. Nestes casos, dispõe o Código Civil que o empresário que instituir sucursal, filial ou agência, em lugar sujeito à jurisdição de outro Registro Público de Empresas Mercantis, neste deverá também inscrevê-la, com a prova da inscrição originária. Não obstante, prevê ainda que em qualquer caso, a constituição do estabelecimento secundário deverá ser averbada no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede. Como o tema foi cobrado em concurso? DPE/TO (2022) O empresário que instituir filial em lugar sujeito à jurisdição de outro registro público de empresas mercantis deverá inscrevê-la também neste lugar, com a prova da inscrição originária. Porém, a constituição do estabelecimento secundário deverá ser averbada no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede. Correta! 9.1.4. Exceção ao Registro (art. 971 do CC) Atividades “Paracomerciais” Inscrição individual/sociedade Escrituração de livros e fichas Matrícula Arquivamento Autenticação http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 51 Art. 971. O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro. Parágrafo único. Aplica-se o disposto no caput deste artigo à associação que desenvolva atividade futebolística em caráter habitual e profissional, caso em que, com a inscrição, será considerada empresária, para todos os efeitos. (Incluído pela Lei nº 14.193, de 2021) Para o empresário rural o registro é facultativo. No entanto, enquanto não é feito o registro, não recebe tratamento de empresário. Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/PR (2019) Conforme o Código Civil, equipara-se à condição de pessoa empresária um empresário rural cuja principal atividade seja a agricultura e que esteja devidamente inscrito no Registro Público de Empresas Mercantis. Correta! CESPE TJ/PB: A inscrição no registro público de empresas mercantis é obrigatória ao empresário cuja atividade rural constitua sua principal profissão. ERRADA! FCC TJ/AL: Renato, empresário cuja atividade rural constitui sua principal profissão, tem a faculdade de se inscrever no Registro de Empresas, mesmo depois de iniciadas as suas atividades. CORRETA! ATENÇÃO: é questão recorrente em provas a indagação acerca do registro do empresário rural. 9.1.5. Natureza jurídica do Registro Para o empresário comum o registro é mera condição de regularidade, conforme os Enunciados 198 e 199 do Conselho da Justiça Federal. Ou seja, o empresário sem registro não deixa de ser empresário (o que torna o sujeito empresário é a atividade por ele empreendida), mas o é de forma irregular, ficando tolhido de uma série de benefícios assegurados aos empresários regulares, conforme veremos a seguir. Art. 967. É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade. 198 – Art. 967: A inscrição do empresário na Junta Comercial não é requisito para a sua caracterização, admitindo-se o exercício da empresa sem tal providência. O empresário irregular reúne os requisitos do art. 966, sujeitando-se às normas do Código Civil e da legislação comercial, salvo naquilo em que forem incompatíveis com a sua condição ou diante de expressa disposição em contrário. 199 – Art. 967: A inscrição do empresário ou sociedade empresária é requisito delineador de sua regularidade, e não da sua caracterização. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 52 Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/RS (2022) Conforme o Código Civil, é obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade. Correta! Entretanto, para o empresário rural o registro tem natureza constitutiva, ou seja, é condição “sine qua non” para que o sujeito receba o tratamento legal de empresário. Art. 971. O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, PODE, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro. Art. 984. A sociedade que tenha por objeto o exercício de atividade própria de empresário rural e seja constituída, ou transformada, de acordo com um dos tipos de sociedade empresária, pode, com as formalidades do art. 968, requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da sua sede, caso em que, depois de inscrita, ficará equiparada, para todos os efeitos, à sociedade empresária. Parágrafo único. Embora já constituída a sociedade segundo um daqueles tipos, o pedido de inscrição se subordinará, no que for aplicável, às normas que regem a transformação. 202 – Arts. 971 e 984: O registro do empresário ou sociedade rural na Junta Comercial é facultativo e de natureza constitutiva, sujeitando-o ao regime jurídico empresarial. É inaplicável esse regime ao empresário ou sociedade rural que não exercer tal opção. Portanto, a sociedade rural que não fizer o registro não será sociedade empresarial e sim sociedade simples. O ‘empresário’ rural não será empresário e sim profissional liberal autônomo. 9.1.6. Inatividade da empresa O empresário individual e a sociedade empresária que deixavam de proceder a qualquer arquivamento no prazo de 10 anos, se não comunicassem à Junta que ainda se encontravam em atividade, eram considerados inativos. A inatividade da empresa autorizava a Junta a proceder ao cancelamento do registro, perdendo assim, a proteção do nome empresarial pelo titular inativo. A lei exigia a comunicação da Junta ao empresário antes do cancelamento, atendendo a comunicação se desfaz a inatividade, não atendendo, efetuava-se o cancelamento do registro, informando o fisco. Art. 60. A firma individual ou a sociedade que não proceder a qualquer arquivamento no período de dez anos consecutivos deverá comunicar à junta comercial que deseja manter-se em funcionamento. § 1º Na ausência dessa comunicação, a empresa mercantil será considerada inativa, promovendo a junta comercial o cancelamento do registro, com a perda automática da proteção ao nome empresarial. § 2º A empresa mercantil deverá ser notificada previamente pela junta comercial, mediante comunicação direta ou por edital, para os fins deste artigo. § 3º A junta comercial fará comunicação do cancelamento às autoridades arrecadadoras, no prazo de até dez dias. http://www.iceni.com/infix.htm53 9.1.8. Registro da Cooperativa .......................................................................................... 53 9.2. ESCRITURAÇÃO DOS LIVROS COMERCIAIS OBRIGATÓRIOS ................................. 54 9.2.1. Livros obrigatórios x Livros facultativos .................................................................... 54 9.2.2. Consequências da não escrituração do Livro Diário ................................................ 55 9.2.3. Dispensados da escrituração ................................................................................... 55 9.2.4. Princípio da sigilosidade .......................................................................................... 57 9.2.5. Consequências da ausência de apresentação dos livros ......................................... 58 9.3. REALIZAÇÃO DE DEMONSTRATIVOS CONTÁBEIS PERIÓDICOS ............................ 59 http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 3 9.4. MANTER EM BOA GUARDA E CONSERVAÇÃO A ESCRITURAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO ................................................................................................................... 59 9.5. ESQUEMA GRÁFICO ..................................................................................................... 59 10. NOME EMPRESARIAL ...................................................................................................... 60 10.1. PREVISÃO CONSTITUCIONAL .................................................................................. 60 10.2. CONCEITO ................................................................................................................. 60 10.3. ESPÉCIES .................................................................................................................. 60 10.4. FIRMA ......................................................................................................................... 61 10.4.1. Composição da firma individual ............................................................................... 61 10.4.2. Composição da firma social (razão social) ............................................................... 61 10.5. DENOMINAÇÃO ......................................................................................................... 62 10.5.1. Composição da denominação .................................................................................. 62 10.6. CNPJ como nome empresarial .................................................................................... 63 10.7. ESQUEMAS ................................................................................................................ 63 10.8. PROTEÇÃO AO NOME EMPRESARIAL .................................................................... 65 10.9. NOME EMPRESARIAL ≠ MARCA .............................................................................. 66 10.10. NOME EMPRESARIAL ≠ TÍTULO DE ESTABELECIMENTO ..................................... 66 10.11. PRINCÍPIOS DO NOME EMPRESARIAL ................................................................... 67 10.11.1. Princípio da veracidade (autenticidade)................................................................ 67 10.11.2. Princípio DA NOVIDADE ...................................................................................... 67 10.12. CARACTERÍSTICAS ................................................................................................... 68 11. ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL .............................................................................. 68 11.1. PREVISÃO LEGAL ..................................................................................................... 68 11.2. CONCEITO ................................................................................................................. 70 11.3. ESTABELECIMENTO x PATRIMÔNIO EMPRESARIAL ............................................. 72 11.4. NATUREZA JURÍDICA DO ESTABELECIMENTO ...................................................... 73 11.5. COMPRA E VENDA DO ESTABELECIMENTO .......................................................... 73 11.5.1. “Trespasse” ............................................................................................................. 73 11.5.2. Produção de efeitos perante terceiros ..................................................................... 73 11.5.3. Penhora do estabelecimento ................................................................................... 74 11.5.4. Dívidas anteriores (art. 1.146) .................................................................................. 75 11.5.5. Trespasse X cessão de quotas ................................................................................ 77 11.5.6. Cláusula de não restabelecimento → não concorrência .......................................... 77 11.5.7. Sub-rogação nos contratos ...................................................................................... 78 11.5.8. Aviamento / Goodwill of trade/ Achalandage ............................................................ 79 12. PONTO COMERCIAL ........................................................................................................ 79 http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 4 12.1. CONCEITO ................................................................................................................. 79 12.2. AÇÃO RENOVATÓRIA ............................................................................................... 80 12.2.1. Requisitos ................................................................................................................ 80 12.2.2. Prazo ....................................................................................................................... 81 12.2.3. Sublocação .............................................................................................................. 81 12.2.4. Exceção de retomada .............................................................................................. 82 12.2.5. Sentença ................................................................................................................. 83 12.2.6. Esquema gráfico ação renovatória – renovação compulsória .................................. 84 12.3. LOCAÇÃO BUILT TO SUIT ......................................................................................... 84 PROPRIEDADE INDUSTRIAL ...................................................................................................... 86 1. FINALIDADE .......................................................................................................................... 86 2. ALOCAÇÃO DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL NO DIREITO ............................................... 86 3. OBJETO DE PROTEÇÃO DA LEI DE PROPRIEDADE INDUSTRIAL ................................... 86 4. PATENTE .............................................................................................................................. 87 4.1. CONCEITO ..................................................................................................................... 87 4.2. SEGREDO INDUSTRIAL ................................................................................................ 87 4.3. TEMPO ........................................................................................................................... 87 4.4. TERMO INICIAL ............................................................................................................. 88 4.5. PRORROGAÇÃO DO PRAZO ........................................................................................ 88 4.6. INVENÇÃO ..................................................................................................................... 88 4.7. MODELO DE UTILIDADE ...............................................................................................CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 53 § 4º A reativação da empresa obedecerá aos mesmos procedimentos requeridos para sua constituição. A Lei 14.195/2021 revogou o art. 60 da Lei 8.934, colocando fim à inatividade das empresas pela falta de arquivamento. 9.1.7. Consequências da ausência de registro A ausência de registro gera algumas consequências ao empresário ou sociedade empresária: 1) Não tem legitimidade para pedir a falência de outro empresário; 2) Não pode requerer a recuperação judicial; 3) Não pode participar de licitação. 4) Tratando-se de sociedade empresária: a responsabilidade do sócio será ilimitada. Como o tema foi cobrado em prova? AGU (2015) A sociedade empresária irregular não tem legitimidade ativa para pleitear a falência de outro comerciante, mas pode requerer recuperação judicial, devido ao princípio da preservação da empresa. Errada! 9.1.8. Registro da Cooperativa Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa. Não se utiliza o critério material previsto no art. 966 CC, mas um critério legal, estabelecido no 982. A cooperativa é sempre uma sociedade simples, não importa se exerce uma atividade empresarial de forma organizada com o intuito de lucro. Desta feita, onde é feito o REGISTRO da cooperativa? Uma primeira corrente, tradicional do direito brasileiro, com amparo na Lei 5.764/71, bem como no enunciado 69 da I JDC, afirma que a cooperativa deve ser inscrita na junta comercial. Lei 8934/94, art. 32. Art. 32. O registro compreende: I - a matrícula e seu cancelamento: dos leiloeiros, tradutores públicos e intérpretes comerciais, trapicheiros e administradores de armazéns-gerais; II - O arquivamento: a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas; b) dos atos relativos a consórcio e grupo de sociedade de que trata a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404.htm http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 54 c) dos atos concernentes a empresas mercantis estrangeiras autorizadas a funcionar no Brasil; d) das declarações de microempresa; e) de atos ou documentos que, por determinação legal, sejam atribuídos ao Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins ou daqueles que possam interessar ao empresário e às empresas mercantis; III - a autenticação dos instrumentos de escrituração das empresas mercantis registradas e dos agentes auxiliares do comércio, na forma de lei própria. Enunciado nº69 da CJF: “as sociedades cooperativas são sociedades simples sujeitas à inscrição nas Juntas Comerciais”. Uma segunda corrente (defendida por autores como Pablo Stolze, MHD, Paulo Restiffe, Nilson Reis Júnior, André Ramos Santa Cruz), sustenta que o registro da cooperativa deve ser feito no CRPJ. Argumentos: As disposições legais acima devem ser reinterpretadas a partir da entrada em vigor do CC/02, que atribuiu às cooperativas natureza de sociedade simples, afirmando ainda que as SS devem ser registradas no CRPJ. Art. 18 da Lei do Cooperativismo não foi recepcionada pela CF/88, eis que cuida da autorização estatal para criação das cooperativas, visto que é vedada a intervenção pelo Estado de acordo com a CF. Prova objetiva: responder que o registro deve ser feito na Junta Comercial. Como o tema foi cobrado em concurso? MPE/MG (2021) No que a lei for omissa, aplicam-se às sociedades cooperativas as disposições referentes à sociedade simples, desde que respeitadas as características da sociedade cooperativa. Correta! 9.2. ESCRITURAÇÃO DOS LIVROS COMERCIAIS OBRIGATÓRIOS 9.2.1. Livros obrigatórios x Livros facultativos É mais uma obrigação comum a todos empresários. Antes de adentrarmos no tema, cabe uma diferenciação entre livros obrigatórios e facultativos. 1) Livro obrigatório: Trata-se de exigência legal, cuja inobservância traz consequências sancionadoras para o empresário, conforme veremos a seguir. a) Especial: Exigido somente em casos excepcionais. Exemplo: Livro de registro de duplicatas. Só é obrigado a escriturar esse livro o empresário que emite duplicatas. b) Comum: Exigido sempre. Atualmente existe apenas um livro obrigatório no Direito Empresarial brasileiro: trata-se do chamado Livro Diário (Art. 1.180 do CC). Esse livro pode ser substituído por fichas em caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário, que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 55 2) Livro facultativo: Aquele que não está exigido em lei. A não escrituração não gera qualquer consequência. Exemplo: Livro Caixa e Livro conta corrente. 9.2.2. Consequências da não escrituração do Livro Diário A não escrituração ou a irregularidade da escrituração sujeita o empresário a sanções de órbita civil e penal, mas no campo empresarial não sofre nenhuma sanção. Na órbita civil, a consequência mais severa é que o empresário não terá direito a eficácia probatória que o Código de Processo Civil dá aos livros empresariais (art. 418 do CPC/2015); na esfera penal, essa ausência ou irregularidade na escrituração de livro obrigatório está sintetizada no art. 178 da Lei de Falências, podendo constituir crime falimentar (isso somente no caso de ele entrar em crise e for decretada falência). CPC Art. 418. Os livros empresariais que preencham os requisitos exigidos por lei provam a favor de seu autor no litígio entre empresários. Art. 178. Deixar de elaborar, escriturar ou autenticar, antes ou depois da sentença que decretar a falência, conceder a recuperação judicial ou homologar o plano de recuperação extrajudicial, os documentos de escrituração contábil obrigatórios: Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa, se o fato não constitui crime mais grave. Vale lembrar ainda que a falsificação do livro diário configura crime de falsificação de documento público, conforme previsão do art. 297 do CP, § 2º. Art. 297 - Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa. § 2º - Para os efeitos penais, equiparam-se a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. Por fim, de acordo com o art. 417 do CPC, os livros serão provas contra o empresário. Art. 417. Os livros empresariais provam contra seu autor, sendo lícito ao empresário, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/BA (2019) Em relação à eficácia probatória ou força probante dos livros mercantis obrigatórios de um empresário, é correto afirmar que os dados constantes da escrituração mercantil criam uma presunção relativa de veracidade a favor de um litigante quando este fizer prova contra o empresário. Correta! 9.2.3. Dispensados da escrituração O pequeno empresário está dispensado da escrituração (1.179, § 2º do CC). http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 56 Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondênciacom a documentação respectiva, e a levantar anualmente o BALANÇO PATRIMONIAL e o de RESULTADO ECONÔMICO. § 2o É dispensado das exigências deste artigo o pequeno empresário a que se refere o art. 970. Art. 970. A lei assegurará tratamento favorecido, diferenciado e simplificado ao empresário rural e ao PEQUENO EMPRESÁRIO, quanto à inscrição e aos efeitos daí decorrentes. OBS: A Lei Complementar 123/06, em seu art. 3º estabelece que MICROEMPRESA (ME) será quando auferir receita bruta anual igual ou inferior a R$ 360.000,00 e EMPRESA DE PEQUENO PORTE (EPP) quando auferir receita bruta anual superior a R$ 360.000,00 e igual ou inferior a R$ 4.800.000,00. Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideram-se microempresas ou empresas de pequeno porte, a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que: I - no caso da microempresa, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais); e II - no caso de empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 4.800.000,00 (quatro milhões e oitocentos mil reais). Mas aqui não se trata de ME ou EPP e sim, PEQUENO EMPRESÁRIO. No entanto, o conceito e características de pequeno empresário estão disciplinados nos arts. 68 c/c 18 – A, ambos da LC 123/06, que sofreu alterações pela LC 139/11, pela LC 147/14 e LC 155/2016 Art. 68. Considera-se PEQUENO EMPRESÁRIO, para efeito de aplicação do disposto nos arts. 970 e 1.179 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), o EMPRESÁRIO INDIVIDUAL caracterizado como microempresa na forma desta Lei Complementar que aufira receita bruta anual até o limite previsto no § 1o do art. 18-A. Art. 18-A. O Microempreendedor Individual - MEI poderá optar pelo recolhimento dos impostos e contribuições abrangidos pelo Simples Nacional em valores fixos mensais, independentemente da receita bruta por ele auferida no mês, na forma prevista neste artigo. § 1º Para os efeitos desta Lei Complementar, considera-se MEI quem tenha auferido receita bruta, no ano-calendário anterior, de até R$ 81.000,00 (oitenta e um mil reais), que seja optante pelo Simples Nacional e que não esteja impedido de optar pela sistemática prevista neste artigo, e seja empresário individual que se enquadre na definição do art. 966 da Lei nº http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm#art966 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm#art966 http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 57 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), ou o empreendedor que exerça: I - as atividades de que trata o § 4º-A deste artigo; II - as atividades de que trata o § 4º-B deste artigo estabelecidas pelo CGSN; e III - as atividades de industrialização, comercialização e prestação de serviços no âmbito rural. Conclusão: só pode ser Pequeno Empresário, chamado de Microempreendedor Individual (MEI), a Pessoa Física (empresário individual) que aufira receita bruta, no ano calendário anterior, de até R$ 81.000,00 ou que empreenda nas atividades de (novidade trazida pela LC 188/2021): • industrialização, comercialização e prestação de serviços no âmbito rural; • comercialização e processamento de produtos de natureza extrativista; • O CGSN (Comitê Gestor do Simples Nacional) determinará as atividades autorizadas a optar pela sistemática de recolhimento de que trata este artigo, de forma a evitar a fragilização das relações de trabalho, bem como sobre a incidência do ICMS e do ISS. ➔ Esquematizando: MICROEMPRESA (ME) EMPRESA DE PEQUENO PORTE (EPP) MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL (MEI) Pode ser: - Empresário individual; - Sociedade Empresária; - Sociedade Simples Pode ser: - Empresário Individual - Sociedade Empresária - Sociedade Simples APENAS o empresário individual. Igual ou inferior a R$ 360.000,00 Superior a R$ 360.000,00 e igual ou inferior 4.800.000,00. Igual ou inferior R$ 81.000,00 9.2.4. Princípio da sigilosidade Os livros comerciais são regidos pelo princípio da sigilosidade (art. 1.190 do CC), não podendo ser feita a exibição deles por simples vontade das partes ou por decisão do juiz que não esteja dentre as hipóteses previstas em lei. A intenção do sigilo é evitar concorrência desleal. Art. 1.190. Ressalvados os casos previstos em lei, nenhuma autoridade, juiz ou tribunal, sob qualquer pretexto, poderá fazer ou ordenar diligência para verificar se o empresário ou a sociedade empresária observam, ou não, em seus livros e fichas, as formalidades prescritas em lei. Exceções à sigilosidade: a) Exibição PARCIAL do livro: Extração de pequena parte do livro que interessa ao juízo e restituição imediata do livro ao empresário. É possível em qualquer ação judicial, podendo ser decretada de ofício. Nesse sentido: http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 58 Súmula 260 do STF - O exame de livros comerciais, em ação judicial, fica limitado às transações entre os litigantes. CPC - Art. 421. O juiz pode, de ofício, ordenar à parte a exibição parcial dos livros e dos documentos, extraindo-se deles a suma que interessar ao litígio, bem como reproduções autenticadas. b) Exibição TOTAL (INTEGRAL) do livro: Retenção do livro em cartório durante andamento da ação, não se assegurando o sigilo de seus dados e dificultando o acesso do empresário. Só é possível nas hipóteses do art. 1.191 do CC, mediante requerimento das partes. Não pode o juiz de ofício (art. 420 CPC). Art. 1.191. O juiz só poderá autorizar a exibição integral dos livros e papéis de escrituração quando necessária para resolver questões relativas a sucessão, comunhão ou sociedade, administração ou gestão à conta de outrem, ou em caso de falência. Art. 420. O juiz pode ordenar, a requerimento da parte, a exibição integral dos livros empresariais e dos documentos do arquivo: I - na liquidação de sociedade; II - na sucessão por morte de sócio; III - quando e como determinar a lei. c) Autoridades fazendárias: Art. 1.193 do CC, in verbis: Art. 1.193. As restrições estabelecidas neste Capítulo ao exame da escrituração, em parte ou por inteiro, não se aplicam às autoridades fazendárias, no exercício da FISCALIZAÇÃO do pagamento de impostos (TRIBUTOS), nos termos estritos das respectivas leis especiais. Uma vez exibido em juízo, o livro possui a carga probatória conferida pelo art. 417 e 418 do CPC, podendo ser usado tanto a favor como contra o seu titular (princípio da comunhão da prova). Art. 417. Os livros empresariais provam contra seu autor, sendo lícito ao empresário, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. Art. 418. Os livros empresariais que preencham os requisitos exigidos por lei provam a favor de seu autor no litígio entre empresários. Como o tema foi cobrado em concurso? Vunesp TJ/SP (2015) Quando preencherem os requisitos legais, os livros contábeis fazem prova a favor de seu titular, nos litígios entre empresários. Correta! 9.2.5. Consequências da ausência de apresentação dos livros Caso o empresário negue-se a apresentar os livros, após a determinação do juiz, haverá busca e apreensão, bem como haverá presunção relativa de veracidade do que for alegada pela parte contrária, nos termos do art. 1.192 do CC. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 59 Art. 1.192. Recusadaa apresentação dos livros, nos casos do artigo antecedente, serão apreendidos judicialmente e, no do seu § 1o, ter-se-á como verdadeiro o alegado pela parte contrária para se provar pelos livros. Parágrafo único. A confissão resultante da recusa pode ser elidida por prova documental em contrário. 9.3. REALIZAÇÃO DE DEMONSTRATIVOS CONTÁBEIS PERIÓDICOS O empresário é obrigado a fazer dois tipos de balanço: 1) Balanço Patrimonial (1.188 CC) – apura o ativo e o passivo (que compreende todos os bens, débitos e créditos da empresa). “PAssivo” Art. 1.188. O BALANÇO PATRIMONIAL deverá exprimir, com fidelidade e clareza, a situação real da empresa e, atendidas as peculiaridades desta, bem como as disposições das leis especiais, indicará, distintamente, o ativo e o passivo. Parágrafo único. Lei especial disporá sobre as informações que acompanharão o balanço patrimonial, em caso de sociedades coligadas. 2) Balanço econômico (1.189 CC) – apura o resultado, ou seja, a conta dos lucros e perdas. Art. 1.189. O BALANÇO DE RESULTADO ECONÔMICO, ou demonstração da conta de lucros e perdas, acompanhará o balanço patrimonial e dele constarão crédito e débito, na forma da lei especial. 9.4. MANTER EM BOA GUARDA E CONSERVAÇÃO A ESCRITURAÇÃO E DOCUMENTAÇÃO CC, Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados. 9.5. ESQUEMA GRÁFICO http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 60 v 10. NOME EMPRESARIAL 10.1. PREVISÃO CONSTITUCIONAL O art. 5º, XXIX consagra a proteção ao nome empresarial. Art. 5º, XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização, bem como proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, AOS NOMES DE EMPRESAS e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País; 10.2. CONCEITO É o elemento de identificação do empresário individual e da sociedade empresária. 10.3. ESPÉCIES Escrituração dos Livros Comerciais Obrigatórios Facultativos Especiais Comum P. da Sigilosidade EXCEÇÕES: *Exibição total (provocada) *Exibição parcial (ofício) *Autoridades fazendárias (tributo) Exceção: MEI (até R$81.000,00). Demonstrativos Periódicos Balanço patrimonial – ativo/passivo Balanço econômico - resultado Ex: Livro de duplicadas Obrigatório: Livro diário Ex: Livro conta corrente, Livro Caixa http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 61 O art. 1.155 do CC traz duas espécies e diz que o nome empresarial pode ser na modalidade de firma ou denominação. A firma se subdivide em firma individual e firma social. Art. 1.155. Considera-se nome empresarial a firma ou a denominação adotada, de conformidade com este Capítulo, para o exercício de empresa. Parágrafo único. Equipara-se ao nome empresarial, para os efeitos da proteção da lei, a denominação das sociedades simples, associações e fundações. 1) FIRMA a) Individual: Só o empresário individual. b) Social (Razão Social): Sociedade empresária, em que os sócios têm responsabilidade ilimitada. 2) DENOMINAÇÃO: sociedade empresária, em que os sócios têm responsabilidade limitada. 3) CNPJ como nome empresarial. O empresário individual e a sociedade empresária precisam ter um nome empresarial, que é a expressão que os identifica em suas relações jurídicas. A Lei 14.195/2021 também alterou a obrigatoriedade da indicação do objeto social no nome empresarial DENOMINAÇÃO. Assim, a firma DEVE conter o nome do empresário e PODE ter a designação do gênero de atividade; a denominação PODE ter a designação da atividade e PODE ter um nome (homenagem) ou um elemento fantasia. 10.4. FIRMA 10.4.1. Composição da firma individual Obrigatório: Nome do empresário (completo ou abreviado). Facultativo: Acrescentar uma designação mais precisa de sua pessoa ou do gênero de atividade. Exemplo: A. Barros, o anjinho barroco, comércio de miniaturas. Art. 1.156. O empresário opera sob firma constituída por seu nome, completo ou abreviado, aditando-lhe, se quiser, designação mais precisa da sua pessoa ou do gênero de atividade. 10.4.2. Composição da firma social (razão social) Obrigatório: Nome (s) do (s) sócio (s) somente. Só pode conter na firma social nome de sócio, ou seja, não pode haver designação mais precisa da pessoa. Exemplo: Pedro Henrique e Rogério Faustino; P. Henrique e R. Faustino; R. Henrique e CIA. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 62 Facultativo: Colocação de designação da atividade executada. A essa designação a doutrina dá o nome de ramo de atividade ou designação do objeto social. OBS: A expressão CIA significa que tem outros sócios na sociedade, mas SOMENTE se utiliza no fim do nome empresarial. Se colocar CIA no início ou no meio do nome empresarial muda todo o sentido. Vai significar que se trata de uma SOCIEDADE ANÔNIMA. Exemplo: CIA Vale do Rio Doce. A firma social só é aplicada às sociedades com sócios com responsabilidade ILIMITADA (art. 1.157). Exemplo: Sociedade em nome coletivo, os sócios que respondem com seu próprio patrimônio pelo passivo da sociedade. Exceção: A sociedade limitada (apesar de ser de responsabilidade limitada) também pode usar a firma social (além de poder usar a denominação). Sempre deverá trazer ao final do nome a expressão limitada (art. 1.158). Art. 1.157. A sociedade em que houver sócios de responsabilidade ilimitada operará sob firma, na qual somente os nomes daqueles poderão figurar, bastando para formá-la aditar ao nome de um deles a expressão "e companhia" ou sua abreviatura. Parágrafo único. Ficam solidária e ilimitadamente responsáveis pelas obrigações contraídas sob a firma social aqueles que, por seus nomes, figurarem na firma da sociedade de que trata este artigo. Art. 1.158. Pode a sociedade LIMITADA adotar firma ou denominação, integradas pela palavra final "limitada" ou a sua abreviatura. 10.5. DENOMINAÇÃO 10.5.1. Composição da denominação Regra geral: Designação do nome através de uma “Expressão linguística” (elemento fantasia). Exemplo: Globex; Fandangos, OMO, Samsung. Facultativo: Inserção do ramo da atividade ou objeto social (art. 1.158, §2º). Exemplo: Globex distribuidora de alimentos. A Lei 14.382 alterou o caput do art. 1.160 do CC. • Antes: na denominação da sociedade anônima e da sociedade em comandita por ações (quando esta adotasse denominação), era obrigatório que constasse a designação do objeto social. • Agora: a menção ao objeto social é facultativa. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 63 CÓDIGO CIVIL Antes da Lei 14.382/2022 Depois da Lei 14.382/2022 Art. 1.160. A sociedade anônima opera sob denominação designativa do objeto social, integrada pelas expressões "sociedade anônima" ou "companhia", por extenso ou abreviadamente. Parágrafo único. Pode constar da denominação o nome do fundador, acionista, ou pessoa que haja concorrido para o bom êxito da formação da empresa. Art. 1.160. A sociedade anônima opera sob denominação, integrada pelas expressões ‘sociedade anônima’ ou ‘companhia’, por extenso ou abreviadamente, facultada a designação do objeto social. Parágrafo único. Pode constar da denominação o nome do fundador, acionista, ou pessoa que haja concorrido para o bom êxito da formação da empresa. Art. 1.161. A sociedade em comandita por ações pode, em lugar de firma, adotar denominação designativa do objeto social, aditada da expressão “comandita por ações”.Art. 1.161. A sociedade em comandita por ações pode, em lugar de firma, adotar denominação, aditada da expressão ‘comandita por ações’, facultada a designação do objeto social. É possível colocar nome de sócio na denominação? Excepcionalmente, pode na S/A, conforme o art. 1.160, parágrafo único. Como forma de homenagem. Parágrafo único. pode constar da denominação o nome do fundador, acionista, ou pessoa que haja concorrido para o bom êxito da formação da empresa. A DENOMINAÇÃO só é utilizada quando se tratar de sociedade com responsabilidade LIMITADA. Exemplo: Sociedade LTDA e Sociedade Anônima. A S/A (sempre limitada) só pode ter denominação. A LTDA (sempre limitada) é exceção, pois tem tanto denominação quanto firma social, como vimos acima. A sociedade em comandita por ações é outra exceção: pode ter firma social ou denominação. 10.6. CNPJ como nome empresarial Com o objetivo de desburocratizar, a Lei nº 14.195/2021 acrescentou o art. 35-A na Lei nº 8.934/94 dizendo que o empresário ou pessoa jurídica poderá utilizar o CNPJ como nome empresarial. Art. 35-A. O empresário ou a pessoa jurídica poderá optar por utilizar o número de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) como nome empresarial, seguido da partícula identificadora do tipo societário ou jurídico, quando exigida por lei. 10.7. ESQUEMAS http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 64 FIRMA SOCIAL DENOMINAÇÃO CNPJ SOCIEDADE Com responsabilidade ILIMITADA Exceção: Sociedade limitada (deve vir ao fim: ‘LTDA’). Com responsabilidade LIMITADA (S/A ou LTDA). Empresário ou Pessoa jurídica – responsabilidade LIMITADA COMPOSIÇÃO Nome do empresário ou dos sócios. Expressão linguística (elemento fantasia) Exceção: Nome do sócio como homenagem na S/A. CNPJ como nome empresarial, seguido da partícula identificadora do tipo societário ou jurídico ASSINATURA É o nome empresarial. Não pode colocar assinatura pessoal. Deve ser escrito o nome empresarial. É a assinatura pessoal do representante legal. OBJETO SOCIAL Facultativo Facultativo A sociedade empresária de qualquer tipo que esteja em recuperação judicial deve adotar também a expressão “em Recuperação Judicial”. EMPRESÁRIO NOME EMPRESARIAL Empresário individual Firma individual Sociedade em nome coletivo e sociedade em comandita simples Firma coletiva ou razão social Sociedade anônima Denominação Sociedade limitada, sociedade em comandita por ações Podem escolher entre firma ou denominação Sociedade em conta de participação Não tem nome empresarial. Para que não restem dúvidas, mais um quadro esquemático. FIRMA DENOMINAÇÃO Empresário individual (ilimitada) TEM NÃO TEM Sociedade em comandita simples (ilimitada/limitada) TEM NÃO TEM Sociedade em nome coletivo (ilimitada) TEM NÃO TEM S/A NÃO TEM TEM Cooperativa NÃO TEM TEM Sociedade LTDA1 TEM TEM (art. 1.158 do CC) *Sociedade em comandita por ações2 TEM TEM http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 65 Sociedade em conta de participação3 NÃO TEM NÃO TEM OBSERVAÇÕES: A lei concede a possibilidade de adotar denominação. Deve constar LTDA ou limitada expresamente no nome, sob pena de responsabilidade. A lei concede a possibilidade de adotar firma. A sociedade em conta de participação é chamada de despersonificada, pois não possui personalidade jurídica. Desta forma, não poderá ter firma ou denominação. 10.8. PROTEÇÃO AO NOME EMPRESARIAL A Lei 8.934/94 (Lei de Registro Público de Empresas Mercantis), em seu art. 33, fala que a proteção ao nome empresarial decorre automaticamente do registro (ARQUIVAMENTO) do empresário ou da sociedade empresária no respectivo Registro Público (Junta Comercial). Art. 33. A proteção ao nome empresarial decorre automaticamente do arquivamento dos atos constitutivos de firma individual e de sociedades, ou de suas alterações. A proteção do nome empresarial se restringe ao âmbito estadual, uma vez que a junta comercial é de âmbito estadual, nos termos do art. 1.166 do CC. Art. 1.166. A inscrição do empresário, ou dos atos constitutivos das pessoas jurídicas, ou as respectivas averbações, no registro próprio, asseguram o uso exclusivo do nome nos limites do respectivo Estado. Parágrafo único. O uso previsto neste artigo estender-se-á a todo o território nacional, se registrado na forma da lei especial. Atenção para o parágrafo único do art. 1.166. Não há lei especial, portanto, a proteção se limita ao nível estadual. Se o empresário quiser proteger o nome comercial em todas as unidades da federação, deve fazer o devido registro em todas as respectivas juntas comerciais. REsp 1686154 / SP. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. NOME EMPRESARIAL. ÂMBITO DE PROTEÇÃO. UNIDADE DA FEDERAÇÃO EM QUE ARQUIVADOS OS ATOS CONSTITUTIVOS DA SOCIEDADE EMPRESÁRIA. PREQUESTIONAMENTO. INEXISTÊNCIA. REEXAME DE FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE. 1- Ação distribuída em 26/11/2010. Recurso especial interposto em 3/9/2014 e concluso à Relatora em 25/8/2016. 2- O propósito recursal é definir se o nome empresarial adotado e utilizado pelo recorrido viola direitos de propriedade industrial titulados pelo recorrente. 3- A ausência de decisão acerca das teses invocadas pelo recorrente impede, quanto a elas, o conhecimento do recurso especial. 4- O nome empresarial goza de proteção jurídica tão somente no âmbito do ente federativo onde se localiza a Junta Comercial em que arquivados os atos constitutivos da sociedade que o titula, podendo ser http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 66 estendida a todo território nacional apenas na hipótese de pedido de arquivamento nas demais Juntas Comerciais. Precedentes. 5- Na espécie, os atos constitutivos das partes foram arquivados em diferentes entes federativos, não havendo notícia de que o recorrente tenha pleiteado proteção em todo o território nacional, de modo que sua pretensão de abstenção de uso não merece prosperar. 6- Ademais, o acórdão recorrido concluiu que, dada a atividade desempenhada por cada uma das empresas, a existência simultânea dos nomes empresariais não é capaz de acarretar confusão e prejuízo aos consumidores. 7- O reexame de fatos e provas em recurso especial é inadmissível. 8- Recurso especial não provido. 10.9. NOME EMPRESARIAL ≠ MARCA O NOME EMPRESARIAL é elemento que identifica o empresário ou sociedade, registrado na junta (proteção estadual). A MARCA é elemento de identificação de um produto ou serviço, registrada no INPI, e tendo aplicação a todo o território nacional. Como o tema foi cobrado em concurso? TJPR: O registro da marca no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) garante, consequentemente, a proteção do nome empresarial, independentemente do registro deste nas juntas comerciais. Errado! Proteção do nome pressupõe registro na junta comercial. TJPR: A proteção conferida ao nome empresarial se exaure nos limites do estado federado onde fica a junta comercial na qual se fez seu registro, sendo sua proteção nos demais estados condicionada ao seu registro nas respectivas juntas comerciais. Correto! 10.10. NOME EMPRESARIAL ≠ TÍTULO DE ESTABELECIMENTO Nome empresarial (ex.: CIA Brasileira de distribuição) é diferente de título de estabelecimento (exemplo: Pão de Açúcar). Esse último é o apelido comercial dado a um estabelecimento empresarial. Outro exemplo: Globex distribuição e comércio S/A → Identificação de sociedade → Denominação (pois é S/A). Título de estabelecimento → Ponto frio. Alguns autores costumam chamar o título de estabelecimento de nome fantasia. Mais um exemplo: Pedro Almeida e Renata Franco Sorveteria LTDA → Nome empresarial. (Firma social – exceção Ltda.) Beijo gelado → Título de estabelecimento.Produto Panegel® → Marca. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 67 Como se protege o título de estabelecimento? Não tem proteção. A única proteção legal é a do art. 195, VI da Lei 9.279/96, que prevê que o uso indevido de título de estabelecimento configura crime de concorrência desleal. Por isso, que os títulos de estabelecimento são comumente também registrados como marcas, a fim de serem protegidos indiretamente. 10.11. PRINCÍPIOS DO NOME EMPRESARIAL O art. 34 da Lei 8.934/94 prevê que o nome empresarial obedecerá aos princípios da veracidade e da novidade. Art. 34. O nome empresarial obedecerá aos princípios da veracidade e da novidade. 10.11.1. Princípio da veracidade (autenticidade) Impõe que a firma individual ou firma social seja composta a partir do nome do empresário ou dos sócios, respectivamente. Por conta desse princípio, se um dos sócios morrer, seu nome deve ser retirado da firma. Art. 1.165. O nome de sócio que vier a falecer, for excluído ou se retirar, não pode ser conservado na firma social. Como o tema foi cobrado em concurso? TJAM: Em observância ao princípio da veracidade, o nome do sócio que falecer não pode ser considerado na firma social. Correto! Quanto à denominação, esse princípio não se aplica integralmente, haja vista a possibilidade de as sociedades anônimas levarem o nome de um ex-sócio na denominação como forma de homenagem. Se for caso de elemento fantasia (denominação), impõe o referido princípio de que a expressão linguística não induza o consumidor a erro, guardando, assim, alguma correspondência do nome para com a atividade desempenhada. 10.11.2. Princípio DA NOVIDADE Não poderão coexistir, na mesma unidade federativa (estado), dois nomes empresariais idênticos ou semelhantes, prevalecendo aquele já protegido pelo prévio arquivamento (registro). Se sobrevier um nome igual ou parecido, cabe àquele que primeiro registrou o nome propor a chamada ação anulatória de nome empresarial, que segundo o art. 1.167 do CC é imprescritível. Art. 1.167. Cabe ao prejudicado, a qualquer tempo, ação para anular a inscrição do nome empresarial feita com violação da lei ou do contrato. OBS: O nome empresarial, ao contrário do nome civil, não admite homonímia, nem semelhança que possa causar confusão. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 68 10.12. CARACTERÍSTICAS O nome empresarial pode ser objeto de alienação? Conforme o art. 1.164 do CC, o nome empresarial é INALIENÁVEL → Resposta para primeira fase. Art. 1.164. O nome empresarial não pode ser objeto de alienação. Parágrafo único. O adquirente de estabelecimento, por ato entre vivos, pode, se o contrato o permitir, usar o nome do alienante, precedido do seu próprio, com a qualificação de sucessor. No entanto, em caso de alienação de sociedade empresária denominada por elemento fantasia, não ofenderia o princípio da veracidade a manutenção do nome. Assim sendo, há quem admita que nesse caso haveria a alienação do nome empresarial. Como o tema foi cobrado em concurso? TJMG (2022) O nome empresarial não pode ser objeto de alienação. O adquirente de estabelecimento, por ato entre vivos, pode, se o contrato o permitir, usar o nome do alienante, precedido do seu próprio, com a qualificação de sucessor. Correta! TJPE: É vedada a alienação do nome empresarial. Correto! Qualquer interessado pode solicitar o cancelamento da inscrição do nome empresarial, nos termos do art. 1.168 do CC. Art. 1.168. A inscrição do nome empresarial será cancelada, a requerimento de qualquer interessado, quando cessar o exercício da atividade para que foi adotado, ou quando ultimar-se a liquidação da sociedade que o inscreveu. Como o tema foi cobrado em concurso? TJPE: A inscrição do nome empresarial somente será cancelada a requerimento do seu titular, mesmo quando cessado o exercício da atividade para que foi dotado. Errado! O requerimento pode ser feito por qualquer interessado. O nome empresarial é um direito de personalidade? O art. 52 do CC estendeu os direitos de personalidade à pessoa jurídica. Doutrina majoritária: o nome empresarial é um direito de personalidade. Art. 52. Aplica-se às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos direitos da personalidade 11. ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL 11.1. PREVISÃO LEGAL Previsão legal: Art. 1.142 a 1.149 do CC. ATENÇÃO: Cai pelo menos uma questão disso em prova. Basta ler esses artigos. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 69 CC, Art. 1.142. Considera-se estabelecimento todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária. (Vide Lei nº 14.195, de 2021) § 1º O estabelecimento não se confunde com o local onde se exerce a atividade empresarial, que poderá ser físico ou virtual. (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) § 2º Quando o local onde se exerce a atividade empresarial for virtual, o endereço informado para fins de registro poderá ser, conforme o caso, o endereço do empresário individual ou o de um dos sócios da sociedade empresária. (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) § 3º Quando o local onde se exerce a atividade empresarial for físico, a fixação do horário de funcionamento competirá ao Município, observada a regra geral prevista no inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 13.874, de 20 de setembro de 2019. (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) Art. 1.143. Pode o estabelecimento ser objeto unitário de direitos e de negócios jurídicos, translativos ou constitutivos, que sejam compatíveis com a sua natureza. Art. 1.144. O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou arrendamento do estabelecimento, só produzirá efeitos quanto a terceiros depois de averbado à margem da inscrição do empresário, ou da sociedade empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis, e de publicado na imprensa oficial. Art. 1.145. Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu passivo, a eficácia da alienação do estabelecimento depende do pagamento de todos os credores, ou do consentimento destes, de modo expresso ou tácito, em trinta dias a partir de sua notificação. Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados, continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento. Art. 1.147. Não havendo autorização expressa, o alienante do estabelecimento não pode fazer concorrência ao adquirente, nos cinco anos subsequentes à transferência. Parágrafo único. No caso de arrendamento ou usufruto do estabelecimento, a proibição prevista neste artigo persistirá durante o prazo do contrato. Art. 1.148. Salvo disposição em contrário, a transferência importa a sub- rogação do adquirente nos contratos estipulados para exploração do estabelecimento, se não tiverem caráter pessoal, podendo os terceiros rescindir o contrato em noventa dias a contar da publicação da transferência, se ocorrer justa causa, ressalvada, neste caso, a responsabilidade do alienante. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 70 Art. 1.149. A cessão dos créditos referentes ao estabelecimento transferido produzirá efeito em relação aos respectivos devedores, desde o momento da publicação da transferência, mas o devedor ficará exonerado se de boa-fé pagar ao cedente. Doutrina majoritária: Estabelecimento comercial = Fundo de comércio = Azienda = Fundo Empresarial. Como o tema foi cobrado em concurso? TJMG (2022) O estabelecimento não se confunde com o local onde se exerce a atividade empresarial, que poderá ser físico ouvirtual. Correta! DPE/TO (2022) A natureza do estabelecimento empresarial é necessariamente física, de modo que ambientes virtuais não recebem a proteção conferida. Errada! TJ/SP (2021) Sobre o estabelecimento, é correto afirmar que salvo disposição expressa em contrário, é vedado ao titular do estabelecimento fazer concorrência ao arrendatário ou usufrutuário durante o prazo do contrato. Correta! DPE/MG (2019) A cláusula de não concorrência empresarial proíbe que o alienante do estabelecimento comercial se restabeleça no mesmo ramo empresarial, porque a cláusula de não concorrência empresarial tem prazo de duração de 5 anos. Errada! 11.2. CONCEITO Conforme o art. 1.142 do CC, estabelecimento comercial é o complexo de bens organizado, reunidos pelo empresário, para o exercício da atividade econômica. Oscar Barreto Filho: é o complexo de bens, materiais e imateriais, que constituem o instrumento utilizado pelo empresário para a exploração de uma determinada atividade de empresa. BENS CORPÓREOS (MATERIAIS) BENS INCORPÓREOS (IMATERIAIS) Móveis, maquinários, imóvel, equipamentos Ponto comercial, marca, patente, título de estabelecimento, nome de domínio e perfis de redes sociais Atentar: a palavra-chave é ORGANIZAÇÃO. Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/PA (2019) “Ponto Comercial” a denominação dada ao elemento incorpóreo do estabelecimento empresarial pertencente ao empresário e que concerne à localização do imóvel onde é exercida a mercancia ou atividade industrial, que não se confunde com o imóvel propriamente dito e que muitas vezes assume papel preponderante para o sucesso da empresa, seja pela relação com os clientes, seja pela relação com os fornecedores, e que é protegido pela lei de locações. Correta! A MP 1.085/2021, posteriormente convertida na Lei 14.382/2022, incluiu os parágrafos 1º, 2º e 3º ao art. 1.142 do CC. Art. 1.142. (...) http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 71 § 1º O estabelecimento não se confunde com o local onde se exerce a atividade empresarial, que poderá ser físico ou virtual. Essa previsão corresponde àquilo que já era defendido por André Santa Cruz: “A expressão estabelecimento empresarial parece se referir, numa primeira leitura, ao local em que o empresário exerce sua atividade empresarial. Trata-se, todavia, de uma visão equivocada, que representa apenas uma noção vulgar da expressão, correspondendo tão somente ao sentido coloquial que ela possui para as pessoas em geral. Portanto, o local em que o empresário exerce suas atividades - ponto de negócio - é apenas um dos elementos que compõem o estabelecimento empresarial, o qual, como visto, é composto também de outros bens materiais (equipamentos, máquinas etc.) e até mesmo bens imateriais (marca, patente de invenção etc.).” Art. 1.142. (...) § 2º Quando o local onde se exerce a atividade empresarial for virtual, o endereço informado para fins de registro poderá ser, conforme o caso, o do empresário individual ou o de um dos sócios da sociedade empresária. Atualmente, é muito comum que várias atividades empresariais sejam desenvolvidas de modo virtual, não necessitando de uma sede física para atendimento de clientes, fornecedores e público em geral. A despeito disso, algumas leis locais proibiam que o endereço informado para fins de registro fosse a própria residência do sócio. Logo, o novo § 2º do art. 1.142 do Código Civil traz uma relevante novidade ao autorizar expressamente essa prática, facilitando a situação de inúmeros empresários que não mais precisam ser obrigados a contratar um endereço apenas para fins de registro. Sobre o tema, vale a pena mencionar o § 25 do art. 18-A da LC 123/2006, que autoriza o microempreendedor individual a utilizar sua residência como sede do estabelecimento: Art. 18-A. (...) § 25. O MEI poderá utilizar sua residência como sede do estabelecimento, quando não for indispensável a existência de local próprio para o exercício da atividade. Art. 1.142. (...) § 3º Quando o local onde se exerce a atividade empresarial for físico, a fixação do horário de funcionamento competirá ao Município, observada a regra geral do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 13.874, de 20 de setembro de 2019. A competência é MUNICIPAL, conforme entendimento sumulado do STF: Súmula Vinculante 38-STF: É competente o município para fixar o horário de funcionamento de estabelecimento comercial. Compete aos Municípios legislar sobre o horário de funcionamento dos estabelecimentos comerciais situados no âmbito de seus territórios. Isso porque essa matéria é entendida como sendo “assunto de interesse local”, cuja competência é municipal, nos termos do art. 30, I, da CF/88. Cada cidade tem suas peculiaridades, tem seu modo de vida, umas são mais cosmopolitas, com estilo de vida agitado, muitos serviços, turistas. Por outro lado, existem aquelas menos http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 72 urbanizadas, com costumes mais tradicionais etc. Assim, o horário de funcionamento dos estabelecimentos comerciais deve atender a essas características próprias, análise a ser feita pelo Poder Legislativo local. Existe uma “exceção” à Súmula Vinculante 38: o horário de funcionamento dos bancos. Segundo o STF e o STJ, as leis municipais não podem estipular o horário de funcionamento dos bancos. A competência para definir o horário de funcionamento das instituições financeiras é da União. Isso porque esse assunto (horário bancário) traz consequências diretas para transações comerciais intermunicipais e interestaduais, transferências de valores entre pessoas em diferentes partes do país, contratos etc., situações que transcendem (ultrapassam) o interesse local do Município. Enfim, o horário de funcionamento bancário é um assunto de interesse nacional (STF RE 118363/PR). O STJ possui, inclusive, um enunciado que espelha esse entendimento: Súmula 19-STJ: A fixação do horário bancário, para atendimento ao público, é da competência da União. Lei municipal pode dispor sobre: a) Horário de funcionamento de estabelecimento comercial: SIM (SV 38). b) Horário de funcionamento dos bancos (horário bancário): NÃO (Súmula 19 do STJ). Veja agora o que diz o art. 3º, II, da Lei nº 13.874/2019 (Declaração de Direitos de Liberdade Econômica): Art. 3º São direitos de toda pessoa, natural ou jurídica, essenciais para o desenvolvimento e o crescimento econômicos do País, observado o disposto no parágrafo único do art. 170 da Constituição Federal: (...) II - desenvolver atividade econômica em qualquer horário ou dia da semana, inclusive feriados, sem que para isso esteja sujeita a cobranças ou encargos adicionais, observadas: a) as normas de proteção ao meio ambiente, incluídas as de repressão à poluição sonora e à perturbação do sossego público; b) as restrições advindas de contrato, de regulamento condominial ou de outro negócio jurídico, bem como as decorrentes das normas de direito real, incluídas as de direito de vizinhança; e c) a legislação trabalhista; 11.3. ESTABELECIMENTO x PATRIMÔNIO EMPRESARIAL Os bens devem estar DIRETAMENTE relacionados com a atividade empresarial. Muitas vezes o bem pode integrar o patrimônio da sociedade empresária ou do empresário, mas isso não implica em considerá-lo parte do estabelecimento comercial, se não houver um vínculo direto com a atividade. De acordo com André Luiz Santa Cruz, pode, portanto, ser considerado um “patrimônio de afetação”. Exemplo: Uma padaria tem dois imóveis. No imóvel ‘A’ funciona a padaria, o imóvel ‘B’ é alugado e o dinheiro é utilizado para comprar mercadorias para o seu funcionamento. Esse imóvel ‘B’ não faz parte do estabelecimento, e sim do patrimônio. Não podemos confundir! Às vezes o estabelecimento está acompanhado de outros bens, que nãofazem parte dele. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 73 Vimos que os bens, para fazer parte do estabelecimento, devem estar diretamente relacionados com a atividade empresarial. O estabelecimento é essencial ao exercício da atividade empresarial. 11.4. NATUREZA JURÍDICA DO ESTABELECIMENTO O estabelecimento é um objeto de direito, nos termos do art. 1.146 do CC, pode ser vendido, arrendado, dado como usufruto. Salienta-se que o sujeito de direito é o empresário ou a sociedade empresária. Art. 1.143. Pode o estabelecimento ser objeto unitário de direitos e de negócios jurídicos, translativos ou constitutivos, que sejam compatíveis com a sua natureza. Além disso, o estabelecimento é considerado uma universalidade. Trata-se de universalidade de fato ou de direito? UNIVERSALIDADE DE DIREITO UNIVERSALIDADE DE FATO São os bens reunidos por vontade da lei, como, por exemplo, herança e massa falida São aqueles bens reunidos pela vontade das partes, como ocorre com o estabelecimento, que é uma reunião de bens formada pela vontade do empresário ou sociedade empresária. Prevalece 11.5. COMPRA E VENDA DO ESTABELECIMENTO 11.5.1. “Trespasse” O contrato de compra e venda de estabelecimento comercial recebe uma denominação específica: TRESPASSE. OBS: cessão de quotas não ocorre transferência de estabelecimento, mas sim modificação do quadro social. 11.5.2. Produção de efeitos perante terceiros Conforme o art. 1.144, o contrato de trespasse só produz efeitos perante terceiros se for averbado no Registro Público de Empresas Mercantis (Junta Comercial) e publicado na Imprensa Oficial. Art. 1.144. O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou arrendamento do estabelecimento, só produzirá efeitos quanto a terceiros depois de averbado à margem da inscrição do empresário, ou da sociedade empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis, e de publicado na imprensa oficial. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 74 Além disso, de acordo com o art. 1.145, a venda do estabelecimento depende do prévio pagamento dos credores da empresa ou, pelo menos, da anuência destes, podendo esta ser expressa ou tácita (falta de manifestação nos 30 dias posteriores à notificação implica em anuência tácita). Art. 1.145. Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu passivo, a eficácia da alienação do estabelecimento depende do pagamento de todos os credores, ou do consentimento destes, de modo expresso ou tácito, em trinta dias a partir de sua notificação. O estabelecimento empresarial, por integrar o patrimônio do empresário, é garantia dos seus credores. Assim, a alienação do estabelecimento empresarial tem cautelas específicas que a lei criou com vistas para a tutela dos interesses dos credores de seu titular, sujeitando a alienação à anuência dos seus credores. Somente em uma hipótese resta dispensada a obrigatoriedade da anuência ou do pagamento dos credores: no caso de o alienante ter bens suficientes para cobrir o passivo da empresa. Exemplo: Se a “Kipão” possui 02 unidades, uma no valor de R$ 70.000 e outra no valor de R$ 150.000,00, se houver credores com crédito de R$80.000,00, por exemplo, pode vender a Unidade I sem que haja autorização dos credores, já que continuará com bens suficientes para saldar as dívidas. Contudo, não poderá vender a Unidade II sem autorização. A falta dessas cautelas torna o contrato de TRESPASSE ineficaz. Poderá ser pedida a ineficácia, voltando ao estado anterior, caso no qual o comprador terá que devolver o estabelecimento ao alienante devedor. E mais, de acordo com a Lei de Falências, (art. 94, III, c), se o empresário sem patrimônio suficiente para solver o passivo aliena seu estabelecimento sem observar as cautelas necessárias (pagamento ou consentimento dos credores) poderá ter decretada sua falência. Art. 94. Será decretada a falência do devedor que: III – pratica qualquer dos seguintes atos, exceto se fizer parte de plano de recuperação judicial: ... c) transfere estabelecimento a terceiro, credor ou não, sem o consentimento de todos os credores e sem ficar com bens suficientes para solver seu passivo. 11.5.3. Penhora do estabelecimento http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 75 STJ - Súmula 451 É legítima a penhora da sede do estabelecimento comercial. Entretanto, se o empresário comprovar que o imóvel é essencial ao exercício da atividade empresarial ele não pode ser penhorado. Exemplo: distribuidora de bebidas não pode ter seu depósito penhorado. Destarte, é de se concluir que a regra contida na Súmula 451 do STJ é relativa, cuja aplicabilidade dependerá da análise de cada caso, não podendo, assim, ser utilizada para julgamento de processos em massa, já que comporta exceções. Por fim, uma vez amparado na orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça é legítima a penhora da sede do estabelecimento comercial desde que (i) inexistam outros bens passíveis de penhora e (ii) não seja servil à residência da família. Tanto FCC (TJ/AL) quanto CESPE (TJ/PB) cobraram o entendimento sumulado do STJ. Vejamos: Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/SC (2019) Um juiz de direito substituto que considerar as normas previstas no Código Civil e no Código de Processo Civil acerca de estabelecimento comercial procederá corretamente se reconhecer efeito da cessão dos créditos referentes ao estabelecimento transferido aos devedores, desde a publicação da transferência, porém o devedor será exonerado da obrigação se, de boa-fé, pagar ao cedente. Correta! CESPE TJ/PB: De acordo com entendimento sumulado pelo STJ, é vedada a penhora da sede do estabelecimento comercial. Errada! FCC TJ/AL: É legítima a penhora da sede do estabelecimento comercial. Correta! 11.5.4. Dívidas anteriores (art. 1.146) Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados, continuando o devedor primitivo SOLIDARIAMENTE obrigado pelo prazo de um ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento. O adquirente do estabelecimento responde pelas dívidas anteriores ao trespasse, DESDE QUE a dívida esteja regularmente contabilizada, podendo até abater do preço da transação. Essa regra se aplica para toda e qualquer dívida QUE NÃO SEJA: dívida trabalhista - art. 10 e 448 da CLT ou dívida tributária - art. 133 do CTN. Estas dívidas têm regras próprias. CLT, Art. 10 - Qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os direitos adquiridos por seus empregados Art. 448 - A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 76 CTN, Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos TRIBUTOS, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I - INTEGRALMENTE, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II - SUBSIDIARIAMENTE com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. Vale lembrar que o alienante também responde por essas dívidas, de forma solidária, mas apenas pelo prazo de UM ANO. Em se tratando de DÍVIDA VENCIDA: conta-se o prazo a partir da PUBLICAÇÃO do trespassena Imprensa. Em se tratando de DÍVIDA VINCENDA: conta-se da data do VENCIMENTO DA DÍVIDA. Como o tema foi cobrado em concurso? TJMG (2022) O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados, continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de 2 (dois) anos, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento. Errada! Vale lembrar que o adquirente não responde pelas dívidas do alienante quando a compra do estabelecimento se deu em leilão judicial promovido em processo de recuperação judicial ou falência (LF, art. 60, parágrafo único; art. 141, II). Trata-se de um incentivo à compra do bem. LF Art. 60 Parágrafo-único. O objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor de qualquer natureza, incluídas, mas não exclusivamente, as de natureza ambiental, regulatória, administrativa, penal, anticorrupção, tributária e trabalhista, observado o disposto no § 1º do art. 141 desta Lei. Responsabilidade Solidária Prazo 1 ano Dívida Vincenda - a contar do vencimento Dívida Vencida - a contar da publicação http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 77 Enunciado 47 da I Jornada de Direito Comercial: Nas alienações realizadas nos termos do art. 60 da Lei n. 11.101/2005, não há sucessão do adquirente nas dívidas do devedor, inclusive nas de natureza tributária, trabalhista e decorrentes de acidentes de trabalho Art. 141. Na alienação conjunta ou separada de ativos, inclusive da empresa ou de suas filiais, promovida sob qualquer das modalidades de que trata o art. 142: II – o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as de natureza tributária, as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de acidentes de trabalho. Como o tema foi cobrado em concurso? MPE/SP (2019) Empregados do devedor contratados pelo arrematante serão admitidos mediante novos contratos de trabalho, e o arrematante não responde por obrigações decorrentes do contrato anterior. Correta! 11.5.5. Trespasse X cessão de quotas No trespasse ocorre a transferência da titularidade do estabelecimento comercial. A cessão de quotas é o contrato que se faz para a transferência de quotas sociais. Na cessão de quotas, não ocorre a mudança da titularidade do estabelecimento, mas apenas a titularidade das quotas da sociedade (alteração do quadro social). No caso da cessão, o cedente também continua respondendo (solidariamente) pelas dívidas, só que por um prazo maior: dois anos (parágrafo único do art. 1.003 do CC). Art. 1.003. A cessão total ou parcial de quota, sem a correspondente modificação do contrato social com o consentimento dos demais sócios, não terá eficácia quanto a estes e à sociedade. Parágrafo único. Até dois anos depois de averbada a modificação do contrato, responde o cedente solidariamente com o cessionário, perante a sociedade e terceiros, pelas obrigações que tinha como sócio. 11.5.6. Cláusula de não restabelecimento → não concorrência Essa cláusula, implícita em todos os contratos de trespasse, impõe ao alienante a vedação de restabelecer-se em ramo idêntico de atividade empresarial nos cinco anos subsequentes à alienação, salvo se de modo diverso consta em contrato, nos termos do art. 1.147 do CC, in verbis: Art. 1.147. Não havendo autorização expressa, o alienante do estabelecimento não pode fazer concorrência ao adquirente, nos cinco anos subsequentes à transferência. Parágrafo único. No caso de arrendamento ou usufruto do estabelecimento, a proibição prevista neste artigo persistirá durante o prazo do contrato. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 78 Como o tema foi cobrado em concurso? DPE/TO (2022) O estabelecimento empresarial pode ser alienado mediante contrato oneroso, denominado trespasse, hipótese em que o alienante não poderá fazer concorrência ao adquirente nos 10 anos seguintes ao negócio. Errada! O art. 1.147 do CC prevê um prazo de 5 anos para a cláusula de não concorrência. Esse prazo poderá ser ampliado? SIM, é possível que seja ampliado, mas ele não pode ser fixado em prazo indeterminado e, no caso concreto, é possível que tal ampliação seja considerada abusiva se ampliar demais a restrição. Nesse sentido, confira o Enunciado 490 da Jornada de Direito Civil do CJF: Enunciado 490: A ampliação do prazo de 5 (cinco) anos de proibição de concorrência pelo alienante ao adquirente do estabelecimento, ainda que convencionada no exercício da autonomia da vontade, pode ser revista judicialmente, se abusiva. Neste sentido, sobre o trespasse (alienação do estabelecimento comercial), entende o STJ: Nos contratos de trespasse (alienação do estabelecimento comercial) existe, de forma implícita, por força de lei, uma cláusula de não concorrência (cláusula de não restabelecimento). Isso significa que, em regra, o alienante não pode fazer concorrência ao adquirente. Segundo o art. 1147, o prazo da cláusula de não concorrência é de 5 anos. As partes não podem prever cláusula de “não restabelecimento” será por prazo indeterminado. O ordenamento jurídico pátrio, salvo expressas exceções, não aceita que cláusulas que limitem ou vedem direitos sejam estabelecidas por prazo determinado. Logo, a cláusula de não restabelecimento fixada por prazo indeterminado é considerada abusiva. STJ. 4ª Turma. REsp 680.815-PR. Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 20/03/2014 (info 554). 11.5.7. Sub-rogação nos contratos Quando ocorre a venda do estabelecimento (do complexo de bens), de acordo com o art. 1.148, haverá uma sub-rogação do adquirente nos contratos estipulados pelo alienante (de fornecimento de matéria prima, por exemplo). Art. 1.148. Salvo disposição em contrário, a transferência importa a sub- rogação do adquirente nos contratos estipulados para exploração do estabelecimento, se não tiverem caráter pessoal, podendo os terceiros rescindir o contrato em noventa dias a contar da publicação da transferência, se ocorrer justa causa, ressalvada, neste caso, a responsabilidade do alienante. Exceção à sub-rogação: Contrato de locação. Pela regra do art. 1.148 poderíamos dizer que o adquirente se sub-roga na condição de locatário do imóvel, vale dizer, ocorreria uma transferência do ponto. No entanto, a doutrina, a jurisprudência e o art. 13 da Lei de Locação (8.245/91) dizem diversamente: O locador deve autorizar a cessão do contrato (cessão de posição contratual - civil). Mais recentemente, na I Jornada de Direito Comercial, foi aprovado o Enunciado 8. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 79 Lei de locação - Art. 13. A cessão da locação, a sublocação e o empréstimo do imóvel, total ou parcialmente, dependem do consentimento prévio e escrito do locador. § 1º Não se presume o consentimento pela simples demora do locador em manifestar formalmente a sua oposição. § 2º Desde que notificado por escrito pelo locatário, de ocorrência de uma das hipóteses deste artigo, o locador terá o prazo de trinta dias para manifestar formalmente a sua oposição. Enunciado 234 do CJF - Art. 1.148: Quando do trespasse do estabelecimento empresarial, o contrato de locação do respectivo ponto não se transmite automaticamente ao adquirente. Fica cancelado o Enunciado n. 64. En. 8 da I JDE - 8. A sub-rogação do adquirente nos contratos de exploração atinentes ao estabelecimento adquirido, desde que não possuam caráter pessoal, é a regra geral, incluindo o contrato de locação. Santa Cruz: A matéria, como se pode perceber, é deveras polêmica. De acordo com o autor, pela legislação brasileira (art.13 da Lei 8.245/1991), o contrato de locação tem caráter pessoal (intuitu personae). Portanto, na interpretação do art. 1.148 do Código Civil, deve-se entender necessária a concordância prévia do locador do imóvel onde se situa o ponto de negócio para que o adquirente do estabelecimento suceda o alienante como locatário. 11.5.8. Aviamento / Goodwill of trade/ Achalandage Oscar Barreto Filho: aviamento é o potencial de lucratividade do estabelecimento. A articulação dos bens que compõem o estabelecimento na exploração de uma atividade econômica agregou-lhes um valor, este é chamado de aviamento. Em outras palavras, é um atributo do estabelecimento, o aviamento está para o estabelecimento, assim como a saúde para o corpo, assim como a velocidade está para o carro. Não há como vender separadamente, ele é inerente ao estabelecimento. O atributo entra no cálculo do valor de venda do estabelecimento. OBS: clientela não é elemento do estabelecimento, não se pode vender cliente, pois ele é uma mera situação de fato, obviamente que quanto maior a clientela, maior será o valor agregado ao estabelecimento, acaba gerando maior potencial de lucro, entretanto, ainda assim, não faz parte dele, não se confunde com aviamento. 12. PONTO COMERCIAL 12.1. CONCEITO Trata-se de um bem incorpóreo. É a localização específica do estabelecimento empresarial, que, por vezes, pode significar um acréscimo substancial em seu valor (exemplo: quando uma pessoa em um imóvel alugado conquista um ponto, através do trabalho, do enriquecimento do lugar, conquista da clientela etc.). Em virtude disso, a lei dispensa proteção especial ao ponto comercial. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 80 No caso do ponto de propriedade do empresário, a proteção se dá pela tutela genérica da propriedade do direito civil. No caso de ponto alugado, a proteção se dá através da renovação compulsória do contrato, prevista no art. 51 da Lei do Inquilinato (Lei 8.245/91). Art. 51. Nas locações de imóveis destinados ao comércio, o locatário terá direito a renovação do contrato, por igual prazo, desde que, cumulativamente: I - o contrato a renovar tenha sido celebrado por escrito e com prazo determinado; II - o prazo mínimo do contrato a renovar ou a soma dos prazos ininterruptos dos contratos escritos seja de cinco anos; III - o locatário esteja explorando seu comércio, no mesmo ramo, pelo prazo mínimo e ininterrupto de três anos. Como o tema foi cobrado em concurso? TJPA: Ponto comercial é a denominação dada ao elemento incorpóreo do estabelecimento empresarial pertencente ao empresário e que concerne à localização do imóvel onde é exercida a mercancia ou atividade industrial, que não se confunde com o imóvel propriamente dito e que muitas vezes assume papel preponderante para o sucesso da empresa, seja pela relação com os clientes, seja pela relação com os fornecedores, e que é protegido pela lei de locações. Correto. 12.2. AÇÃO RENOVATÓRIA 12.2.1. Requisitos O objetivo é a renovação compulsória do contrato de locação empresarial. Para que o empresário tenha direito à renovação compulsória, é necessário o preenchimento de alguns requisitos cumulativos (art. 51): 1) Contrato escrito e com prazo determinado (se o contrato tem prazo indeterminado, não cabe renovatória, exemplo: 20 anos de aluguel); 2) O contrato ou a soma (acessio temporis) ininterrupta dos contratos tem que totalizar prazo contratual mínimo de 05 anos. 3) É necessário que o locatário esteja explorando o mesmo ramo de atividade econômica nos três anos anteriores à data da propositura da ação, ininterruptamente. O STJ (REsp 1.790.074-SP) entendeu que a "estação rádio base" (ERB) instalada em imóvel locado caracteriza fundo de comércio de empresa de telefonia móvel celular, a conferir-lhe o interesse processual no manejo de ação renovatória fundada no art. 51 da Lei n. 8.245/1991. STJ: A Anatel, ao editar a Resolução n. 477, de 07 de agosto de 2007, no art. 3º, XVI, de seu anexo, define a Estação Rádio Base (ERB) como sendo a "estação de radiocomunicações de base do SMP (serviço móvel pessoal), usada para radiocomunicação com Estações Móveis". As ERBs, popularmente conhecidas como antenas, se apresentam como verdadeiros centros de comunicação espalhados por todo o território nacional, cuja http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 81 estrutura, além de servir à própria operadora, responsável por sua instalação, pode ser compartilhada com outras concessionárias do setor de telecomunicações, segundo prevê o art. 73 da Lei n. 9.472/1997, o que, dentre outras vantagens, evita a instalação de diversas estruturas semelhantes no mesmo local e propicia a redução dos custos do serviço. As ERBs são, portanto, estruturas essenciais ao exercício da atividade de prestação de serviço de telefonia celular, que demandam investimento da operadora, e, como tal, integram o fundo de comércio e se incorporam ao seu patrimônio. Por sua relevância econômica e social para o desenvolvimento da atividade empresarial, e, em consequência, para a expansão do mercado interno, o fundo de comércio mereceu especial proteção do legislador, ao instituir, para os contratos de locação não residencial por prazo determinado, a ação renovatória, como medida tendente a preservar a empresa da retomada injustificada pelo locador do imóvel onde está instalada (art. 51 da Lei n. 8.245/1991). No que tange à ação renovatória, seu cabimento não está adstrito ao imóvel para onde converge a clientela, mas se irradia para todos os imóveis locados com o fim de promover o pleno desenvolvimento da atividade empresarial, porque, ao fim e ao cabo, contribuem para a manutenção ou crescimento da clientela. Nessa toada, conclui-se que a locação de imóvel por empresa prestadora de serviço de telefonia celular para a instalação das ERBs está sujeita à ação renovatória. 12.2.2. Prazo Do direito à renovação decai aquele que não propuser a ação no interregno de um ano, no máximo, até seis meses, no mínimo, anteriores à data da finalização do prazo do contrato em vigor. Art. 51, § 5º Do direito a renovação decai aquele que não propuser a ação no interregno de um ano, no máximo, até seis meses, no mínimo, anteriores à data da finalização do prazo do contrato em vigor. Como o tema foi cobrado em concurso? MPE/SP (2019) Aquele que pretende renovar seu contrato de locação empresarial deve propor ação renovatória no interregno de um ano, no máximo, até seis meses, no mínimo, anteriores à data de finalização do prazo do contrato em vigor, sob pena de prescrição da ação. Errada! 12.2.3. Sublocação A lei protege o ponto comercial, portanto, a ideia é de que será o sublocatário o legitimado a propor a renovatória, isto porque ele que está explorando o ponto comercial. Lei 8245/91 Art. 51, § 1º O direito assegurado neste artigo poderá ser exercido pelos cessionários ou sucessores da locação; no caso de SUBLOCAÇÃO total do imóvel, o direito a renovação somente poderá ser exercido pelo sublocatário. Tratando-se de contrato de franquia, após o advento da Lei 13.966/2019, a competência para o ajuizamento da ação renovatória, nos casos em que o franqueador alugue ao franqueado http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 82 (sublocatário), será de qualquer uma das partes (locatário - franqueador ou sublocatário - franqueado). Art. 3º Nos casos em que o franqueador subloque ao franqueado o ponto comercial onde se acha instalada a franquia, qualquer uma das partes terá legitimidade para propor a renovação do contrato de locação do imóvel, vedada a exclusão de qualquer uma delas do contrato de locação e de sublocação por ocasião da sua renovação ou prorrogação, salvo nos casos de inadimplência dos respectivos contratos ou docontrato de franquia. Parágrafo único. O valor do aluguel a ser pago pelo franqueado ao franqueador, nas sublocações de que trata o caput, poderá ser superior ao valor que o franqueador paga ao proprietário do imóvel na locação originária do ponto comercial, desde que: I - essa possibilidade esteja expressa e clara na Circular de Oferta de Franquia e no contrato; e II - o valor pago a maior ao franqueador na sublocação não implique excessiva onerosidade ao franqueado, garantida a manutenção do equilíbrio econômico-financeiro da sublocação na vigência do contrato de franquia. 12.2.4. Exceção de retomada A renovação COMPULSÓRIA só é possível quando não restringir o direito constitucional de propriedade garantido ao locador. A própria Lei do Inquilinato (art. 72) aponta um rol exemplificativo de casos em que o direito de renovação do contrato de locação não prevalece sobre o direito constitucional de propriedade. Vejamos: • Quando o Poder Público solicitar reforma no imóvel que implique em sua radical transformação; • Quando o locador realizar reforma no imóvel que aumente o valor do negócio ou da propriedade; • Quando houver proposta melhor de terceiros; • Quando a proposta for insuficiente; • Quando o uso for próprio; • Quando houver transferência de estabelecimento empresarial existe há mais de um ano do locador, do seu cônjuge, de ascendente ou descendente. Lei 8245/91, Art. 72. A contestação do locador, além da defesa de direito que possa caber, ficará adstrita, quanto à matéria de fato, ao seguinte: I - Não preencher o autor os requisitos estabelecidos nesta lei; II - Não atender, a proposta do locatário, o valor locativo real do imóvel na época da renovação, excluída a valorização trazida por aquele ao ponto ou lugar; III - ter proposta de terceiro para a locação, em condições melhores; IV - Não estar obrigado a renovar a locação (incisos I e II do art. 52). Art. 52. O locador não estará obrigado a renovar o contrato se: http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 83 I - por determinação do Poder Público, tiver que realizar no imóvel obras que importarem na sua radical transformação; ou para fazer modificações de tal natureza que aumente o valor do negócio ou da propriedade; II - o imóvel vier a ser utilizado por ele próprio ou para transferência de fundo de comércio existente há mais de um ano, sendo detentor da maioria do capital o locador, seu cônjuge, ascendente ou descendente. 1º Na hipótese do inciso II, o imóvel não poderá ser destinado ao uso do mesmo ramo do locatário, salvo se a locação também envolvia o fundo de comércio, com as instalações e pertences. 2º Nas locações de espaço em shopping centers, o locador não poderá recusar a renovação do contrato com fundamento no inciso II deste artigo. 3º O locatário terá direito a indenização para ressarcimento dos prejuízos e dos lucros cessantes que tiver que arcar com mudança, perda do lugar e desvalorização do fundo de comércio, se a renovação não ocorrer em razão de proposta de terceiro, em melhores condições, ou se o locador, no prazo de três meses da entrega do imóvel, não der o destino alegado ou não iniciar as obras determinadas pelo Poder Público ou que declarou pretender realizar. O locatário também terá direito a indenização no caso do §1º. Salienta-se que o shopping center poderá alegar exceção de retomada, salvo nos casos de alegação fundada em uso próprio ou no caso de transferência de estabelecimento empresarial existente há mais de um ano do locador, do seu cônjuge, de ascendente ou descente. 12.2.5. Sentença Se a ação renovatória for julgada procedente, a locação é renovada. Se a ação renovatória for julgada improcedente: a locação comercial não será renovada e o juiz determinará a desocupação do imóvel alugado no prazo de 30 dias, desde que haja pedido na contestação: Art. 74. Não sendo renovada a locação, o juiz determinará a expedição de mandado de despejo, que conterá o prazo de 30 (trinta) dias para a desocupação voluntária, se houver pedido na contestação. (Redação dada pela Lei nº 12.112, de 2009) A partir de quando é contado este prazo de 30 dias? O termo inicial desse prazo é a data da intimação pessoal do locatário, realizada por meio de mandado de despejo. Segundo o STJ, a Lei 12.112/2009, que alterou o prazo previsto no art. 74 da Lei de Locações, possui natureza processual, incidindo, portanto, sobre os processos em andamento no estado em que se encontram quando do início da vigência da lei, ainda que se refiram a contratos anteriores à alteração legislativa. Súmula 370 do STF - Julgada improcedente a ação renovatória da locação, terá o locatário, para desocupar o imóvel, o prazo de seis meses, acrescido de tantos meses quantos forem os anos da ocupação, até o limite total de dezoito meses. Desatualizada! http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 84 Este enunciado, apesar de não ter sido formalmente cancelado, não é mais aplicado porque se baseava na Lei 1.300/1950, que foi revogada há tempos. Portanto, trata-se de súmula completamente desatualizada e que deve ser ignorada. 12.2.6. Esquema gráfico ação renovatória – renovação compulsória 12.3. LOCAÇÃO BUILT TO SUIT De acordo com Alexandre Gialluca, “cada vez mais utilizado, o built to suit é um contrato de locação no qual o locatário encomenda a construção ou a reforma de imóvel para atender às suas necessidades, sendo que cabe ao locador, por si ou por terceiros, construir ou promover a reforma no imóvel que será locado.” Art. 54-A. Na locação não residencial de imóvel urbano na qual o locador procede à prévia aquisição, construção ou substancial reforma, por si mesmo ou por terceiros, do imóvel então especificado pelo pretendente à locação, a fim de que seja a este locado por prazo determinado, prevalecerão Ação Renovatória (renovação compulsória) Escrito + prazo determinado Explorar ininterruptamente mesma atividade: 03 anos. Renovação mínima ou soma de prazos: 05 anos. Locador poderá evitar alegando Não preenche requisitos da lei Proposta não atende o valor do imóvel à época da renovação Proposta de 3º melhor Não estar obrigado a renovar Determinação do poder público ou obras que aumente valor Transferência de estabelecimento de + 1 ano, sendo sócio ou do cônjuge, ascendente ou descendente *Não pode ser usado para mesmo ramo *Em shopping Center não pode alegar. *Se não der destino em 3 meses, locatário terá indenização. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 85 as condições livremente pactuadas no contrato respectivo e as disposições procedimentais previstas nesta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.744, de 2012) O professor apresenta o seguinte esquema: Citam-se as seguintes vantagens: PARA O PROPRIETÁRIO PARA O LOCADOR Rentabilidade para o investimento Não utiliza capital da empresa para a construção da sede Investimento de baixo risco Adequação do imóvel à necessidade da empresa Baixo risco de extinção antecipada do contrato Baixo risco de extinção antecipada do contrato Atenção para os parágrafos 1º e 2º do art. 54-A: Art. 54, § 1o Poderá ser convencionada a renúncia ao direito de revisão do valor dos aluguéis durante o prazo de vigência do contrato de locação. § 2o Em caso de denúncia antecipada do vínculo locatício pelo locatário, compromete-se este a cumprir a multa convencionada, que não excederá, porém, a soma dos valores dos aluguéis a receber até o termo final da locação. Como o tema foi cobrado em concurso? TJRJ: Nos contratos de locação não residencial em que há “construção sob medida", amplamente conhecidos pela expressão inglesa built-to-suit90 4.8. REQUISITOS DA PATENTEABILIDADE ........................................................................ 91 4.8.1. Novidade ................................................................................................................. 91 4.8.2. Atividade inventiva ................................................................................................... 92 4.8.3. Aplicação industrial .................................................................................................. 92 4.8.4. Não impedimento ..................................................................................................... 92 4.9. LICENCIAMENTO DA PATENTE: LICENÇA VOLUNTÁRIA .......................................... 93 4.10. LICENCIAMENTO DA PATENTE: LICENÇA COMPULSÓRIA ................................... 93 4.10.1. Abuso de direito ou de poder econômico e não exploração ou não satisfação das necessidades do mercado ..................................................................................................... 94 4.10.2. Emergência nacional, internacional ou interesse público ......................................... 95 4.11. PATENTE PIPELINE ................................................................................................. 100 4.12. PATENTE MAILBOX ................................................................................................. 102 4.13. NULIDADE DA PATENTE ......................................................................................... 104 4.13.1. Disposição legal..................................................................................................... 104 4.13.2. Processo administrativo de nulidade de patente .................................................... 104 http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 5 4.14. EXTINÇÃO DA PATENTE ......................................................................................... 105 5. REGISTRO .......................................................................................................................... 106 5.1. DESENHO INDUSTRIAL (“DESIGN”) ........................................................................... 106 5.1.1. Novidade ............................................................................................................... 107 5.1.2. Originalidade ......................................................................................................... 108 5.1.3. Impedimentos ........................................................................................................ 108 5.1.4. Nulidade do registro do desenho de utilidade art. 112 ........................................... 108 5.1.5. Extinção do REGISTRO do desenho de utilidade .................................................. 109 5.2. MARCA......................................................................................................................... 109 5.2.1. Espécies de Marca (art. 123) ................................................................................. 109 5.2.2. Espécies de marca quanto à sua apresentação..................................................... 110 5.2.3. Princípios da marca ............................................................................................... 110 5.2.4. Requisitos para registro de marca ......................................................................... 111 5.2.5. MARCAS EVOCATIVAS E O STJ ......................................................................... 116 5.2.6. Marca degenerativa ............................................................................................... 118 5.2.7. Nulidade do registro marca .................................................................................... 118 5.2.8. Uso indevido da marca e dano moral ..................................................................... 119 5.2.9. Conflito entre marca e nome empresarial .............................................................. 120 5.2.10. Trade Dress ........................................................................................................... 121 5.2.11. Extinção do REGISTRO da marca ......................................................................... 123 6. ASPECTOS PROCESSUAIS DA LPI................................................................................... 124 7. PRESCRIÇÃO ..................................................................................................................... 125 8. FORMAS DE EXTINÇÃO DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL .............................................. 126 DIREITO SOCIETÁRIO .............................................................................................................. 127 1. QUADRO SOCIETÁRIO EMPRESARIAL ............................................................................ 127 1.1. SOCIEDADE NÃO PERSONIFICADA .......................................................................... 127 1.2. SOCIEDADE PERSONIFICADA ................................................................................... 127 2. CONCEITO DE SOCIEDADE .............................................................................................. 127 3. SOCIEDADES NÃO PERSONIFICADAS ............................................................................ 127 3.1. SOCIEDADE EM COMUM............................................................................................ 127 3.1.1. Responsabilidade dos sócios ................................................................................. 128 3.2. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO ............................................................ 129 3.2.1. Sócio Ostensivo ..................................................................................................... 129 3.2.2. Sócio Participante .................................................................................................. 130 4. SOCIEDADES PERSONIFICADAS ..................................................................................... 131 4.1. VISÃO GERAL .............................................................................................................. 131 http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 6 4.2. REGISTRO DA SOCIEDADE ....................................................................................... 131 4.3. CLASSIFICAÇÃO DAS SOCIEDADES PERSONIFICADAS ......................................... 132 4.3.1. Quanto ao objeto ................................................................................................... 132 4.3.2. Quanto à forma (tipo societário) ............................................................................. 133 Sociedade em nome coletivo ...................................................................................................... 133 Sociedade em comandita simples ............................................................................................... 133 Sociedade em comandita por ações (C/A) .................................................................................. 133 Sociedade anônima (S/A) ........................................................................................................... 133 Sociedade LTDA ......................................................................................................................... 133 Sociedade em nome coletivo ...................................................................................................... 133 Sociedade em comandita simples ............................................................................................... 133 Sociedade LTDA ......................................................................................................................... 133 Cooperativas ...............................................................................................................................ou build-to-suit, é correto afirmar que a cláusula penal estabelecida por denúncia antecipada do locatário poderá alcançar a soma dos valores dos aluguéis a receber até o termo final da locação. Correta! http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 86 PROPRIEDADE INDUSTRIAL 1. FINALIDADE A proteção às criações, aos inventos e às marcas visa ao interesse social e ao desenvolvimento tecnológico e econômico do país. Possui previsão constitucional. Observe: CF, art. 5º, XXIX: a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização, bem como proteção às criações industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País”. 2. ALOCAÇÃO DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL NO DIREITO A propriedade intelectual (GÊNERO) engloba: a) Direito autoral (estudado pelo Direito Civil) b) Propriedade Industrial (Direito Empresarial) – Lei 9.279/96. Quatro são os bens imateriais protegidos pelo Direito Industrial na Lei 9.279/96: • Patentes de invenção; • Patentes de modelo de utilidade; • Registro de marcas; • Registro de desenho industrial. OBS: programa de computador não é assunto de propriedade industrial e sim direito autoral. A propriedade industrial faz parte do estabelecimento comercial. 3. OBJETO DE PROTEÇÃO DA LEI DE PROPRIEDADE INDUSTRIAL A Lei visa proteger o uso desses bens por seu titular, com total exclusividade, ou seja, só o empresário titular desses bens tem o direito de explorar economicamente o objeto. Outra pessoa que não for titular do bem, só poderá explorá-lo com autorização ou licença do titular (caso no qual deverá pagar ao titular do bem os famosos royalties), entretanto as patentes e os registros podem ser alienados por ato inter vivos ou mortis causa. Bens (imateriais) protegidos pela lei de propriedade industrial: • Invenção; http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 87 • Modelo de utilidade; • Desenho Industrial; • Marca. Dica (para quem utiliza mnemônicos): “Ih, Me Dei Mal”. A lei de propriedade também abriga: a) Repressão à concorrência desleal; b) Repressão às falsas indicações de lugar (geográficas). Invenção e Modelo de utilidade só terão exclusividade de uso se tiverem uma PATENTE, que possui o escopo de proteção ao desenvolvimento tecnológico, bem como de incentivar a pesquisa. Desenho industrial e marca, para terem exclusividade, hão de ter REGISTRO. Tanto a patente quanto o registro são feitos no INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial, que é uma autarquia federal. 4. PATENTE 4.1. CONCEITO Trata-se de um título de monopólio temporário sobre a invenção ou o modelo de utilidade, outorgado pelo Estado aos inventores ou autores (pessoas físicas ou jurídicas) detentores de direitos sobre a criação para a exploração econômica. O inventor, de outro lado, se obriga a revelar detalhadamente todo conteúdo técnico da matéria protegida pela patente. 4.2. SEGREDO INDUSTRIAL Nada mais é do que a invenção não levada à patente, que por não ter seus dados revelados publicamente, terá proteção à informação por tempo indeterminado, a exemplo do que ocorre com a Coca-Cola, com o Chanel 5 e com o Johnnie Walker. 4.3. TEMPO A invenção terá o prazo máximo de 20 anos. Já o modelo de utilidade terá prazo máximo de 15 anos. Os prazos mínimos de 10 anos para invenção e de 7 anos de modelo foram revogados pela Lei 14.195/2021. Art. 40. A patente de invenção vigorará pelo prazo de 20 (vinte) anos e a de modelo de utilidade pelo prazo 15 (quinze) anos contados da data de depósito. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 88 Parágrafo único. O prazo de vigência não será inferior a 10 (dez) anos para a patente de invenção e a 7 (sete) anos para a patente de modelo de utilidade, a contar da data de concessão, ressalvada a hipótese de o INPI estar impedido de proceder ao exame de mérito do pedido, por pendência judicial comprovada ou por motivo de força maior. Revogado pela Lei 14.195/2021 Por outro lado, tanto o desenho industrial (art. 108) quanto a marca (art. 133) terão o prazo de 10 anos. Art. 108. O registro vigorará pelo prazo de 10 (dez) anos contados da data do depósito, prorrogável por 3 (três) períodos sucessivos de 5 (cinco) anos cada. Art. 133. O registro da marca vigorará pelo prazo de 10 (dez) anos, contados da data da concessão do registro, prorrogável por períodos iguais e sucessivos. Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/RS (2022) O pedido de prorrogação do registro de marca pode ser realizado a qualquer momento, desde que durante a sua vigência. Errada! TJ/RS (2022) Marcas semelhantes podem coexistir para identificar produtos distintos e sem afinidade mercadológica, segundo o princípio da especialidade. Correta! 4.4. TERMO INICIAL Invenção, Modelo e Desenho: conta-se a partir do DEPÓSITO do projeto no INPI. Para posterior concessão da patente. Marca: conta-se a partir da CONCESSÃO do registro. 4.5. PRORROGAÇÃO DO PRAZO A patente é improrrogável, portanto, após o prazo de 20 (invenção) ou 15 anos (modelo de utilidade), a patente cai em domínio público. O registro é prorrogável, tendo os seguintes prazos: • Desenho industrial: Prorrogável por até 03 vezes, tendo o prazo de 05 anos cada prorrogação (após as 03 prorrogações o desenho industrial cai em domínio público). Então, temos: 10+05+05+05. • Marca: Não tem limite de prorrogação, podendo sempre ser prorrogável por igual período (ou seja, de 10 em 10 anos). Desta forma, temos: 10+10+10... ad infinitum 4.6. INVENÇÃO Art. 8º É patenteável a INVENÇÃO que atenda aos requisitos de novidade, atividade inventiva e aplicação industrial. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 89 Art. 13. A invenção é dotada de atividade inventiva sempre que, para um técnico no assunto, não decorra de maneira evidente ou óbvia do estado da técnica. A invenção não é definida pela lei. Trata-se da criação de algo que não existe, a exemplo da urna eletrônica. Para Fábio Ulhôa Coelho, a invenção é o ato original de gênio, pelo qual se cria algo até então desconhecido. Já André Santa Cruz afirma que “trata-se de um ato original decorrente da atividade criativa do ser humano”. A lei limita-se a dizer o que NÃO é invenção e nem modelo de utilidade (art. 10). A saber: • Programa de computador. • Métodos cirúrgicos (importante, despenca em concurso!). • Regras de jogo. • Planejamento tributário. • Obras científicas, literárias ou artísticas. • Métodos matemáticos. OBS: não confundir o art. 10 (o que não é invenção nem modelo de utilidade), com o art. 18 (o que não pode ser patenteado, pois ilícito). Art. 10. Não se considera INVENÇÃO nem MODELO DE UTILIDADE: I - Descobertas, teorias científicas e métodos matemáticos; II - Concepções puramente abstratas; III - esquemas, planos, princípios ou métodos comerciais, contábeis, financeiros, educativos, publicitários, de sorteio e de fiscalização; IV - As obras literárias, arquitetônicas, artísticas e científicas ou qualquer criação estética; V - Programas de computador em si; VI - Apresentação de informações; VII - regras de jogo; VIII - técnicas e métodos operatórios ou cirúrgicos, bem como métodos terapêuticos ou de diagnóstico, para aplicação no corpo humano ou animal; IX - O todo ou parte de seres vivos naturais e materiais biológicos encontrados na natureza, ou ainda que dela isolados, inclusive o genoma ou germoplasma de qualquer ser vivo natural e os processos biológicos naturais. Como o tema foi cobrado em concurso? TRF4 (2022) Os programas de computador em si são considerados invenções, mas não são considerados modelosde utilidade. Errada! TJ/MS (2019) Se dois ou mais autores tiverem realizado a mesma invenção ou modelo de utilidade, de forma independente, o direito de obter patente será assegurado àquele cuja invenção ou criação for mais antiga, independentemente da data do depósito. Errada! http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 90 TJ/MS (2019) É patenteável a invenção que atenda aos requisitos de novidade e atividade inventiva, ainda que desprovida de aplicação industrial. Errada! Observe a redação do art. 18: Art. 18. Não são patenteáveis (leia-se: não podem ser patenteados, pois ILÍCITOS): I - o que for contrário à moral, aos bons costumes e à segurança, à ordem e à saúde públicas; II - as substâncias, matérias, misturas, elementos ou produtos de qualquer espécie, bem como a modificação de suas propriedades físico-químicas e os respectivos processos de obtenção ou modificação, quando resultantes de transformação do núcleo atômico; e (lembrar: tudo que for resultado de transformação do núcleo atômico não poderá ser patenteado) III - o todo ou parte dos seres vivos, exceto os micro-organismos transgênicos que atendam aos três requisitos de patenteabilidade - novidade, atividade inventiva e aplicação industrial - previstos no art. 8º e que não sejam mera descoberta. Parágrafo único. Para os fins desta Lei, micro-organismos transgênicos são organismos, exceto o todo ou parte de plantas ou de animais, que expressem, mediante intervenção humana direta em sua composição genética, uma característica normalmente não alcançável pela espécie em condições naturais. Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/MS (2019) Não são patenteáveis o todo ou parte dos seres vivos, com exceção dos microrganismos transgênicos que atendam aos requisitos legais de patenteabilidade e que não sejam mera descoberta. Correta! TJ/MS (2019) À pessoa de boa-fé que, antes da data de depósito ou de prioridade de pedido de patente, explorava seu objeto no País, será assegurado o direito de continuar a exploração, sem ônus, na forma e condição anteriores. 4.7. MODELO DE UTILIDADE Art. 9º É patenteável como MODELO DE UTILIDADE o objeto de uso prático, ou parte deste, suscetível de aplicação industrial, que apresente nova forma ou disposição, envolvendo ato inventivo, que resulte em melhoria funcional no seu uso ou em sua fabricação. O art. 9º da Lei trata do “objeto de uso prático, ou parte deste, suscetível de aplicação industrial, que apresente nova forma ou disposição, envolvendo ato inventivo, que resulte em melhoria funcional no seu uso ou em sua fabricação”. É algo que traz uma utilidade maior para algo que já é considerado invenção (assim como a contravenção é um crime anão, pode-se dizer que o modelo de utilidade é uma invenção anã). É uma invenção melhorada. Algumas provas cobram como “mini invenção”, o CESPE já cobrou como “invenção anã” e “microinvenção”. Deve haver melhoramento de uma invenção. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 91 Segundo André Santa Cruz, “o modelo de utilidade tem que ser um objeto de uso prático, e não meramente artístico ou ornamental; tem que apresentar nova forma ou disposição, diferenciando-se, assim, do que já existe no mercado. E precisa, necessariamente, produzir uma melhoria no uso ou na fabricação da coisa” STF já reconheceu que churrasqueira sem fumaça é modelo de utilidade, o dispositivo que retira a fumaça é modelo de utilidade, agregado à churrasqueira. 4.8. REQUISITOS DA PATENTEABILIDADE • Novidade; • Atividade inventiva; • Aplicação industrial; • Não impedimento (licitude); 4.8.1. Novidade Aquilo que não está compreendido no estado da técnica (art. 11), vale dizer, a criação deve ser desconhecida pela comunidade científica, técnica ou industrial. Art. 11. A invenção e o modelo de utilidade são considerados NOVOS quando NÃO compreendidos no estado da técnica. § 1º O estado da técnica é constituído por tudo aquilo tornado acessível ao público antes da data de depósito do pedido de patente, por descrição escrita ou oral, por uso ou qualquer outro meio, no Brasil ou no exterior, ressalvado o disposto nos arts. 12, 16 e 17. Art. 12. Não será considerada como estado da técnica a divulgação de invenção ou modelo de utilidade, quando ocorrida durante os 12 (doze) meses que precederem a data de depósito ou a da prioridade do pedido de patente, se promovida: I - pelo inventor; Requisitos de patenteabilidade Novidade (art. 11) Não compreendido no estado de técnica Atividade inventiva (art. 13) A criação não decorre de maneira óbvia do estado de técnica Aplicação Industrial (art. 15) Possa ser industrializado http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 92 II - pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial - INPI, através de publicação oficial do pedido de patente depositado sem o consentimento do inventor, baseado em informações deste obtidas ou em decorrência de atos por ele realizados; ou III - por terceiros, com base em informações obtidas direta ou indiretamente do inventor ou em decorrência de atos por este realizados. Destaca-se que, conforme ensina André Santa Cruz, a Lei de Propriedade Industrial adotou o critério da novidade absoluta de modo que para ser privilegiável, a invenção deve ser nova de maneira absoluta. Ela não possuirá esta característica se, antes da patente, houver sido conhecida mesmo no país mais longínquo ou nos tempos mais recuados. 4.8.2. Atividade inventiva Não basta que a criação seja original (conceito subjetivo). A invenção deve despertar nos técnicos da área o sentido de um real progresso, ou seja, não pode a criação decorrer de maneira óbvia do estado da técnica (art. 13). Quanto ao modelo de utilidade, não pode decorrer de maneira comum ou vulgar do estado da técnica, segundo parecer de experts no assunto (art. 14). Art. 13. A invenção é dotada de ATIVIDADE INVENTIVA sempre que, para um técnico no assunto, não decorra de maneira evidente ou óbvia do estado da técnica. Art. 14. O modelo de utilidade é dotado de ATO INVENTIVO sempre que, para um técnico no assunto, não decorra de maneira comum ou vulgar do estado da técnica. 4.8.3. Aplicação industrial Somente criações com aproveitamento industrial podem ser patenteadas. Exemplo de Fábio Ulhôa Coelho: um carro com o motor mais rápido do mundo que só funciona com um combustível que não existe na terra, não tem aplicação industrial, logo não pode ser considerado uma invenção. Art. 15. A invenção e o modelo de utilidade são considerados suscetíveis de APLICAÇÃO INDUSTRIAL quando possam ser utilizados ou produzidos em qualquer tipo de indústria. 4.8.4. Não impedimento Salienta-se que para André Santa Cruz trata-se de licitude do objeto da patente. O art. 18 traz exemplos de criações não patenteáveis. Art. 18. Não são patenteáveis: I - o que for contrário à moral, aos bons costumes e à segurança, à ordem e à saúde públicas; http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 93 II - as substâncias, matérias, misturas, elementos ou produtos de qualquer espécie, bem como a modificação de suas propriedades físico-químicas e os respectivos processos de obtenção ou modificação, quando resultantes de transformação do núcleo atômico; e (intenção do legislador: evitar o incentivo às armas atômicas) III - o todo ou parte dos seres vivos, exceto os microrganismos transgênicos que atendam aos três requisitos de patenteabilidade - novidade, atividade inventiva e aplicação industrial - previstos no art. 8º e que não sejam mera descoberta. Novamente, destacamos que o art. 18 não se confunde com o disposto no art. 10, que arrola, em diversos incisos, o que a lei não considera invenção e nem modelo de utilidade. Nos dizeresde André Santa Cruz: “o art. 18 da LPI trata de casos que, em tese, podem ser considerados uma invenção ou um modelo de utilidade, porque preenchidos os requisitos de novidade, de atividade inventiva e da aplicação industrial. Todavia, o ordenamento jurídico prefere não lhes conferir proteção, em homenagem a valores supostamente mais elevados, como a moral, a segurança, entre outros”. 4.9. LICENCIAMENTO DA PATENTE: LICENÇA VOLUNTÁRIA Os arts. 61 a 63 da LPI disciplinam a licença voluntária Art. 61. O titular de patente ou o depositante poderá celebrar contrato de licença para exploração. Parágrafo único. O licenciado poderá ser investido pelo titular de todos os poderes para agir em defesa da patente. Art. 62. O contrato de licença deverá ser averbado no INPI para que produza efeitos em relação a terceiros. § 1º A averbação produzirá efeitos em relação a terceiros a partir da data de sua publicação. § 2º Para efeito de validade de prova de uso, o contrato de licença não precisará estar averbado no INPI. Art. 63. O aperfeiçoamento introduzido em patente licenciada pertence a quem o fizer, sendo assegurado à outra parte contratante o direito de preferência para seu licenciamento Destaca-se, conforme as lições de André Santa Cruz, que “para celebrar o contrato de licença voluntária, obviamente, o titular da patente vai exigir do licenciado uma contraprestação, chamada royalty. No caso de licenciamento do pedido de patente, embora a lei não vede expressamente a cobrança de royalties, o INPI não tem admitido tal prática, negando pedidos de averbação que contenham tal previsão. Assim, os royalties só são admitidos nos casos d licenciamento de patente, mas nos casos de licenciamento de pedido de patente”. 4.10. LICENCIAMENTO DA PATENTE: LICENÇA COMPULSÓRIA Aqui, o titular da patente fica obrigado a licenciá-la, contra sua vontade. Será determinada como forma de sancionar o titular da patente, bem como para atender imperativos de ordem pública. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 94 4.10.1. Abuso de direito ou de poder econômico e não exploração ou não satisfação das necessidades do mercado Perceba que, aqui, a licença compulsória da patente decorre de condutas do seu próprio titular, as quais não se coadunam com os princípios que justificam a concessão de um privilégio legal que lhe assegura um direito de exploração exclusiva do seu invento. Assim, configurada uma dessas situações, como o exercício abusivo dos direitos decorrentes da patente, poderá um interessado (um concorrente, por exemplo) requerer ao INPI a licença compulsória (André Santa Cruz). Art. 68. O titular ficará sujeito a ter a patente licenciada compulsoriamente se exercer os direitos dela decorrentes de forma abusiva, ou por meio dela praticar abuso de poder econômico, comprovado nos termos da lei, por decisão administrativa ou judicial. § 1º Ensejam, igualmente, licença compulsória: I - a não exploração do objeto da patente no território brasileiro por falta de fabricação ou fabricação incompleta do produto, ou, ainda, a falta de uso integral do processo patenteado, ressalvados os casos de inviabilidade econômica, quando será admitida a importação; ou II - a comercialização que não satisfizer às necessidades do mercado. § 2º A licença só poderá ser requerida por pessoa com legítimo interesse e que tenha capacidade técnica e econômica para realizar a exploração eficiente do objeto da patente, que deverá destinar-se, predominantemente, ao mercado interno, extinguindo-se nesse caso a excepcionalidade prevista no inciso I do parágrafo anterior. § 3º No caso de a licença compulsória ser concedida em razão de abuso de poder econômico, ao licenciado, que propõe fabricação local, será garantido um prazo, limitado ao estabelecido no art. 74, para proceder à importação do objeto da licença, desde que tenha sido colocado no mercado diretamente pelo titular ou com o seu consentimento. § 4º No caso de importação para exploração de patente e no caso da importação prevista no parágrafo anterior, será igualmente admitida a importação por terceiros de produto fabricado de acordo com patente de processo ou de produto, desde que tenha sido colocado no mercado diretamente pelo titular ou com o seu consentimento. § 5º A licença compulsória de que trata o § 1º somente será requerida após decorridos 3 (três) anos da concessão da patente. Art. 69. A licença compulsória não será concedida se, à data do requerimento, o titular: I - justificar o desuso por razões legítimas; II - comprovar a realização de sérios e efetivos preparativos para a exploração; ou III - justificar a falta de fabricação ou comercialização por obstáculo de ordem legal. Art. 70. A licença compulsória será ainda concedida quando, cumulativamente, se verificarem as seguintes hipóteses: I - ficar caracterizada situação de dependência de uma patente em relação a outra; II - o objeto da patente dependente constituir substancial progresso técnico em relação à patente anterior; e http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 95 III - o titular não realizar acordo com o titular da patente dependente para exploração da patente anterior. § 1º Para os fins deste artigo considera-se patente dependente aquela cuja exploração depende obrigatoriamente da utilização do objeto de patente anterior. § 2º Para efeito deste artigo, uma patente de processo poderá ser considerada dependente de patente do produto respectivo, bem como uma patente de produto poderá ser dependente de patente de processo. § 3º O titular da patente licenciada na forma deste artigo terá direito a licença compulsória cruzada da patente dependente. Art. 72. As licenças compulsórias serão sempre concedidas sem exclusividade, não se admitindo o sublicenciamento. OBS: não existe licença voluntária e compulsória para REGISTRO, somente para patentes. Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/SP (2022) A licença compulsória de patente por interesse público não afasta a remuneração ao seu titular. Correta! 4.10.2. Emergência nacional, internacional ou interesse público Art. 71. Nos casos de EMERGÊNCIA NACIONAL OU INTERNACIONAL OU DE INTERESSE PÚBLICO declarados em lei ou em ato do Poder Executivo federal, ou de reconhecimento de estado de calamidade pública de âmbito nacional pelo Congresso Nacional, poderá ser concedida licença compulsória, de ofício, temporária e não exclusiva, para a exploração da patente ou do pedido de patente, sem prejuízo dos direitos do respectivo titular, desde que seu titular ou seu licenciado não atenda a essa necessidade. § 1º O ato de concessão da licença estabelecerá seu prazo de vigência e a possibilidade de prorrogação. § 2º Nos casos previstos no caput deste artigo, o Poder Executivo federal publicará lista de patentes ou de pedidos de patente, não aplicável o prazo de sigilo previsto no art. 30 desta Lei, potencialmente úteis ao enfrentamento das situações previstas no caput deste artigo, no prazo de até 30 (trinta) dias após a data de publicação da declaração de emergência ou de interesse público, ou do reconhecimento de estado de calamidade pública, excluídos as patentes e os pedidos de patente que forem objetos de acordos de transferência da tecnologia de produção ou de licenciamento voluntário capazes de assegurar o atendimento da demanda interna, nos termos previstos em regulamento. § 3º Entes públicos, instituições de ensino e pesquisa e outras entidades representativas da sociedade e do setor produtivo deverão ser consultados no processo de elaboração da lista de patentes ou de pedidos de patente que poderão ser objeto de licença compulsória, nos termos previstos em regulamento. § 4º Qualquer instituição pública ou privada poderá apresentar pedido para inclusão de patenteou de pedido de patente na lista referida no § 2º deste artigo. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 96 § 5º A lista referida no § 2º deste artigo conterá informações e dados suficientes para permitir a análise individualizada acerca da utilidade de cada patente e pedido de patente e contemplará, pelo menos: I – o número individualizado das patentes ou dos pedidos de patente que poderão ser objeto de licença compulsória; II – a identificação dos respectivos titulares; III – a especificação dos objetivos para os quais será autorizado cada licenciamento compulsório. § 6º A partir da lista publicada nos termos do § 2º deste artigo, o Poder Executivo realizará, no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, a avaliação individualizada das invenções e modelos de utilidade listados e somente concederá a licença compulsória, de forma não exclusiva, para produtores que possuam capacidade técnica e econômica comprovada para a produção do objeto da patente ou do pedido de patente, desde que conclua pela sua utilidade no enfrentamento da situação que a fundamenta. § 7º Patentes ou pedidos de patente que ainda não tiverem sido objeto de licença compulsória poderão ser excluídos da lista referida no § 2º deste artigo nos casos em que a autoridade competente definida pelo Poder Executivo considerar que seus titulares assumiram compromissos objetivos capazes de assegurar o atendimento da demanda interna em condições de volume, de preço e de prazo compatíveis com as necessidades de emergência nacional ou internacional, de interesse público ou de estado de calamidade pública de âmbito nacional por meio de uma ou mais das seguintes alternativas: I – exploração direta da patente ou do pedido de patente no País; II – licenciamento voluntário da patente ou do pedido de patente; ou III – contratos transparentes de venda de produto associado à patente ou ao pedido de patente. § 8º (VETADO). § 9º (VETADO). § 10. (VETADO). § 11. As instituições públicas que possuírem informações, dados e documentos relacionados com o objeto da patente ou do pedido de patente ficam obrigadas a compartilhar todos os elementos úteis à reprodução do objeto licenciado, não aplicáveis, nesse caso, as normas relativas à proteção de dados nem o disposto no inciso XIV do caput do art. 195 desta Lei. § 12. No arbitramento da remuneração do titular da patente ou do pedido de patente, serão consideradas as circunstâncias de cada caso, observados, obrigatoriamente, o valor econômico da licença concedida, a duração da licença e as estimativas de investimentos necessários para sua exploração, bem como os custos de produção e o preço de venda no mercado nacional do produto a ela associado. § 13. A remuneração do titular da patente ou do pedido de patente objeto de licença compulsória será fixada em 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento) sobre o preço líquido de venda do produto a ela associado até que seu valor venha a ser efetivamente estabelecido. § 14. A remuneração do titular do pedido de patente objeto de licença compulsória somente será devida caso a patente venha a ser concedida, e o pagamento, correspondente a todo o período da licença, deverá ser efetivado somente após a concessão da patente. § 15. A autoridade competente dará prioridade à análise dos pedidos de patente que forem objeto de licença compulsória. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 97 § 16. Os produtos que estiverem sujeitos ao regime de vigilância sanitária deverão observar todos os requisitos previstos na legislação sanitária e somente poderão ser comercializados após a concessão de autorização, de forma definitiva ou para uso em caráter emergencial, pela autoridade sanitária federal, nos termos previstos em regulamento. § 17. (VETADO). § 18. Independentemente da concessão de licença compulsória, o poder público dará prioridade à celebração de acordos de cooperação técnica e de contratos com o titular da patente para a aquisição da tecnologia produtiva e de seu processo de transferência. Art. 71-A. Poderá ser concedida, por razões humanitárias e nos termos de tratado internacional do qual a República Federativa do Brasil seja parte, licença compulsória de patentes de produtos destinados à exportação a países com insuficiente ou nenhuma capacidade de fabricação no setor farmacêutico para atendimento de sua população. Art. 73. O pedido de licença compulsória deverá ser formulado mediante indicação das condições oferecidas ao titular da patente. § 1º Apresentado o pedido de licença, o titular será intimado para manifestar- se no prazo de 60 (sessenta) dias, findo o qual, sem manifestação do titular, será considerada aceita a proposta nas condições oferecidas. § 2º O requerente de licença que invocar abuso de direitos patentários ou abuso de poder econômico deverá juntar documentação que o comprove. § 3º No caso de a licença compulsória ser requerida com fundamento na falta de exploração, caberá ao titular da patente comprovar a exploração. § 4º Havendo contestação, o INPI poderá realizar as necessárias diligências, bem como designar comissão, que poderá incluir especialistas não integrantes dos quadros da autarquia, visando arbitrar a remuneração que será paga ao titular. § 5º Os órgãos e entidades da administração pública direta ou indireta, federal, estadual e municipal, prestarão ao INPI as informações solicitadas com o objetivo de subsidiar o arbitramento da remuneração. § 6º No arbitramento da remuneração, serão consideradas as circunstâncias de cada caso, levando-se em conta, obrigatoriamente, o valor econômico da licença concedida. § 7º Instruído o processo, o INPI decidirá sobre a concessão e condições da licença compulsória no prazo de 60 (sessenta) dias. § 8º O recurso da decisão que conceder a licença compulsória não terá efeito suspensivo. Art. 74. Salvo razões legítimas, o licenciado deverá iniciar a exploração do objeto da patente no prazo de 1 (um) ano da concessão da licença, admitida a interrupção por igual prazo. § 1º O titular poderá requerer a cassação da licença quando não cumprido o disposto neste artigo. § 2º O licenciado ficará investido de todos os poderes para agir em defesa da patente. § 3º Após a concessão da licença compulsória, somente será admitida a sua cessão quando realizada conjuntamente com a cessão, alienação ou arrendamento da parte do empreendimento que a explore. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 98 É o que vulgarmente se conhece por “quebra de patente”. Ocorre quando o titular da patente não exerce o seu direito de exclusividade satisfatoriamente, caso no qual, por razões de interesse público, emergência nacional ou emergência internacional, o titular é obrigado a licenciar sua criação a terceiros, sendo por isso remunerado (LPI, art. 68, §§ 1º e 5º - acima). Requisitos: • Em caso de interesse público, emergência nacional ou internacional; • Deve ser dada em lei ou por ato poder executivo federal, ou quando for reconhecimento de estado de calamidade pública de âmbito nacional pelo Congresso Nacional; • Temporária; • Não exclusiva; • O titular não terá prejuízo (será remunerado pelo licenciamento), desde que seu titular ou seu licenciado não atenda a essa necessidade. O Decreto 6.108/07, que trata da licença compulsória de patentes referentes ao Efavirenz (medicamento contra o HIV), apresenta todos esses requisitos. Outro exemplo, é o Decreto que quebrou a patente do Viagra. Estão em negrito e sublinhado as alterações trazidas pela Lei 14.200/2022. Além disso, a nova lei previu que: a) Publicação de lista com as patentes e pedidos de patente que podem auxiliar O Poder Executivo federal publicarálista de patentes ou de pedidos de patente, não aplicável o prazo de sigilo previsto no art. 30 da LPI, potencialmente úteis ao enfrentamento das situações previstas no caput do art. 71, no prazo de até 30 (trinta) dias após a data de publicação da declaração de emergência ou de interesse público, ou do reconhecimento de estado de calamidade pública, excluídos as patentes e os pedidos de patente que forem objetos de acordos de transferência da tecnologia de produção ou de licenciamento voluntário capazes de assegurar o atendimento da demanda interna, nos termos previstos em regulamento (novo § 2º do art. 71). b) Entidades especializadas serão consultadas para a elaboração dessa lista Entes públicos, instituições de ensino e pesquisa e outras entidades representativas da sociedade e do setor produtivo deverão ser consultados no processo de elaboração da lista de patentes ou de pedidos de patente que poderão ser objeto de licença compulsória (novo § 3º do art. 71). Qualquer instituição pública ou privada poderá apresentar pedido para inclusão de patente ou de pedido de patente na lista (novo § 4º do art. 71). d) Informações que deverão constar na lista A lista conterá informações e dados suficientes para permitir a análise individualizada acerca da utilidade de cada patente e pedido de patente e contemplará, pelo menos: I – o número individualizado das patentes ou dos pedidos de patente que poderão ser objeto de licença compulsória; II – a identificação dos respectivos titulares; http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 99 III – a especificação dos objetivos para os quais será autorizado cada licenciamento compulsório. (novo § 5º do art. 71) e) Avaliação individualizada das patentes A partir da lista publicada, o Poder Executivo realizará, no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, a avaliação individualizada das invenções e modelos de utilidade listados e somente concederá a licença compulsória, de forma não exclusiva, para produtores que possuam capacidade técnica e econômica comprovada para a produção do objeto da patente ou do pedido de patente, desde que conclua pela sua utilidade no enfrentamento da situação que a fundamenta (novo § 6º do art. 71). f) Exclusão da lista Patentes ou pedidos de patente que ainda não tiverem sido objeto de licença compulsória poderão ser excluídos da lista referida no § 2º deste artigo nos casos em que a autoridade competente definida pelo Poder Executivo considerar que seus titulares assumiram compromissos objetivos capazes de assegurar o atendimento da demanda interna em condições de volume, de preço e de prazo compatíveis com as necessidades de emergência nacional ou internacional, de interesse público ou de estado de calamidade pública de âmbito nacional por meio de uma ou mais das seguintes alternativas: I – exploração direta da patente ou do pedido de patente no País; II – licenciamento voluntário da patente ou do pedido de patente; ou III – contratos transparentes de venda de produto associado à patente ou ao pedido de patente. (novo § 7º do art. 71) g) Critérios para o arbitramento da remuneração do titular No arbitramento da remuneração do titular da patente ou do pedido de patente, serão consideradas as circunstâncias de cada caso, observados, obrigatoriamente, o valor econômico da licença concedida, a duração da licença e as estimativas de investimentos necessários para sua exploração, bem como os custos de produção e o preço de venda no mercado nacional do produto a ela associado (novo § 12 do art. 71). A remuneração do titular da patente ou do pedido de patente objeto de licença compulsória será fixada em 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento) sobre o preço líquido de venda do produto a ela associado até que seu valor venha a ser efetivamente estabelecido (novo § 13 do art. 71) A remuneração do titular do pedido de patente objeto de licença compulsória somente será devida caso a patente venha a ser concedida, e o pagamento, correspondente a todo o período da licença, deverá ser efetivado somente após a concessão da patente (novo § 14 do art. 71) A autoridade competente dará prioridade à análise dos pedidos de patente que forem objeto de licença compulsória (novo § 15 do art. 71) h) Produtos somente podem ser comercializados após a autorização da vigilância sanitária Os produtos que estiverem sujeitos ao regime de vigilância sanitária deverão observar todos os requisitos previstos na legislação sanitária e somente poderão ser comercializados após a concessão de autorização, de forma definitiva ou para uso em caráter emergencial, pela autoridade sanitária federal (novo § 16 do art. 71) i) Art. 71-A: de produtos farmacêuticos destinados à exportação por razões humanitárias. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 100 Trata-se de importante inovação incluída pela Lei nº 14.200/2021: Art. 71-A. Poderá ser concedida, por razões humanitárias e nos termos de tratado internacional do qual a República Federativa do Brasil seja parte, licença compulsória de patentes de produtos destinados à exportação a países com insuficiente ou nenhuma capacidade de fabricação no setor farmacêutico para atendimento de sua população. Interesse da defesa nacional Previsto no art. 75 da LPI, vejamos: Art. 75. O pedido de patente originário do Brasil cujo objeto interesse à defesa nacional será processado em caráter sigiloso e não estará sujeito às publicações previstas nesta Lei. (Regulamento) § 1º O INPI encaminhará o pedido, de imediato, ao órgão competente do Poder Executivo para, no prazo de 60 (sessenta) dias, manifestar-se sobre o caráter sigiloso. Decorrido o prazo sem a manifestação do órgão competente, o pedido será processado normalmente. § 2º É vedado o depósito no exterior de pedido de patente cujo objeto tenha sido considerado de interesse da defesa nacional, bem como qualquer divulgação do mesmo, salvo expressa autorização do órgão competente. § 3º A exploração e a cessão do pedido ou da patente de interesse da defesa nacional estão condicionadas à prévia autorização do órgão competente, assegurada indenização sempre que houver restrição dos direitos do depositante ou do titular. (Vide Decreto nº 2.553, de 1998) 4.11. PATENTE PIPELINE É quando o depósito internacional é válido como interno, por conta do acordo de TRIPS. Também chamada de patente de revalidação, prevista nos arts. 230 e 231 da LPI, vejamos: Art. 230. Poderá ser depositado pedido de patente relativo às substâncias, matérias ou produtos obtidos por meios ou processos químicos e as substâncias, matérias, misturas ou produtos alimentícios, químico- farmacêuticos e medicamentos de qualquer espécie, bem como os respectivos processos de obtenção ou modificação, por quem tenha proteção garantida em tratado ou convenção em vigor no Brasil, ficando assegurada a data do primeiro depósito no exterior, desde que seu objeto não tenha sido colocado em qualquer mercado, por iniciativa direta do titular ou por terceiro com seu consentimento, nem tenham sido realizados, por terceiros, no País, sérios e efetivos preparativos para a exploração do objeto do pedido ou da patente. § 1º O depósito deverá ser feito dentro do prazo de 1 (um) ano contado da publicação desta Lei, e deverá indicar a data do primeiro depósito no exterior. § 2º O pedido de patente depositado com base neste artigo será automaticamente publicado, sendo facultado a qualquer interessado manifestar-se, no prazo de 90 (noventa) dias, quanto ao atendimento do disposto no caput deste artigo. § 3º Respeitados os arts. 10 e 18 desta Lei, e uma vez atendidas as condições estabelecidas neste artigo e comprovada a concessão da patente no país onde foi depositado o primeiro pedido, será concedida a patente no Brasil, tal como concedida no país de origem.http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 101 § 4º Fica assegurado à patente concedida com base neste artigo o prazo remanescente de proteção no país onde foi depositado o primeiro pedido, contado da data do depósito no Brasil e limitado ao prazo previsto no art. 40, não se aplicando o disposto no seu parágrafo único. § 5º O depositante que tiver pedido de patente em andamento, relativo às substâncias, matérias ou produtos obtidos por meios ou processos químicos e as substâncias, matérias, misturas ou produtos alimentícios, químico- farmacêuticos e medicamentos de qualquer espécie, bem como os respectivos processos de obtenção ou modificação, poderá apresentar novo pedido, no prazo e condições estabelecidos neste artigo, juntando prova de desistência do pedido em andamento. § 6º Aplicam-se as disposições desta Lei, no que couber, ao pedido depositado e à patente concedida com base neste artigo. Art. 231. Poderá ser depositado pedido de patente relativo às matérias de que trata o artigo anterior, por nacional ou pessoa domiciliada no País, ficando assegurada a data de divulgação do invento, desde que seu objeto não tenha sido colocado em qualquer mercado, por iniciativa direta do titular ou por terceiro com seu consentimento, nem tenham sido realizados, por terceiros, no País, sérios e efetivos preparativos para a exploração do objeto do pedido. § 1º O depósito deverá ser feito dentro do prazo de 1 (um) ano contado da publicação desta Lei. § 2º O pedido de patente depositado com base neste artigo será processado nos termos desta Lei. § 3º Fica assegurado à patente concedida com base neste artigo o prazo remanescente de proteção de 20 (vinte) anos contado da data da divulgação do invento, a partir do depósito no Brasil. § 4º O depositante que tiver pedido de patente em andamento, relativo às matérias de que trata o artigo anterior, poderá apresentar novo pedido, no prazo e condições estabelecidos neste artigo, juntando prova de desistência do pedido em andamento. Foi o que aconteceu com o Viagra. Para o Brasil, é válido esse primeiro depósito internacional. Explicação Dizer o Direito Em palavras muito simples, porque o tema é bem complexo, a patente “pipeline”, também chamada de “patente de importação” ou “patente de revalidação”, é aquela em que em fica demonstrado que já houve expedição de patente no exterior, razão pela qual o INPI registra no Brasil essa patente exigindo menores formalidades. O sistema pipeline de patentes, disciplinado no art. 230 da Lei 9.279⁄96, desde que cumpridos requisitos e condições próprias, reconhece o direito a exploração com exclusividade ao inventor cujo invento – embora não patenteável quando da vigência da Lei 5.772⁄71 – seja objeto de patente estrangeira.” (STJ. 3ª Turma. REsp nº 1.092.139/RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 21/10/2010). Outra característica da patente do tipo “pipeline” é que ela se refere a substâncias, matérias ou produtos que farão parte da fórmula de produtos finais que ainda estão em fase de desenvolvimento, ou seja, não se encontram disponíveis para o comércio. Como o produto ainda http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 102 não está pronto, não poderia ser protegido, mas, mesmo assim, a legislação abre uma exceção e aceita a patente da substância. Segundo o STJ, a concessão da patente “pipeline” representa uma mitigação ao princípio da novidade. Além disso, nesse sistema de patente não são examinados os requisitos usuais de patenteabilidade. Trata-se, portanto, de um sistema de exceção, não previsto em tratados internacionais, que deve ser interpretado restritivamente, seja por contrapor ao sistema comum de patentes, seja por restringir a concorrência e a livre iniciativa (STJ. 3ª Turma. REsp nº 1.145.637/RJ, Rel. Desembargador Convocado Vasco Della Giustina, julgado em 15⁄12⁄2009). Sobre as regras aplicáveis ao registro de patentes no modelo pipeline, se manifestou o STJ: O registro sob o sistema “pipeline” não se submete à regra do art. 8º, ou seja, não se exige dele novidade, atividade inventiva e aplicação industrial. Os requisitos para a concessão da patente “pipeline” estão disciplinados nos arts. 230 e 231 da Lei de Propriedade industrial e, uma vez concedida a patente “pipeline” por outa jurisdição, ela não podrá ser anilada invocando-se a ausência de um dos requisitos de mérito previstos no art. 8º da LPI para a concessão das patentes ordinárias (novidade, atividade inventiva e aplicação industrial). Assim, uma patente pipeline concedida no exterior e revalidada no Brasil não pode ser anulada ao fundamento de falta de um dos requisitos de mérito do art. 8º da Lei 9279/96 (Lei da Propriedade Industrial – LPI), mas apenas por ausência de requisito especificamente aplicável a ela (como, por exemplo, por falta de pagamento da anuidade no Brasil) ou em razão de irregularidades formais. STJ. 3ªTurma, REsp 1.201.454-RJ, Rel. Min. Ricardo Villas Bôas Cueva, julgado em 14/10/2014 (Info 550). 4.12. PATENTE MAILBOX Inicialmente, importante destacar que: • A Lei de Propriedade Industrial entrou em vigor 15 de maio de 1997, um ano após a sua publicação; • A legislação anterior não previa a patente de produtos farmacêuticos e produtos químicos voltados para a agricultura; • Em 1º de janeiro de 1995, foi internalizado o Acordo Sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (TRIPS), mediante o Decreto 1.355/1994; • Em 15 de maio de 1997, entraram em vigor dispositivos da Lei 9.279/96 referentes ao exame de patentes; • Art. 229 visou proteger os pedidos de patente depositados entre 1º de janeiro de 1995 e 14 de maio de 1997. Art. 229. Aos pedidos em andamento serão aplicadas as disposições desta Lei, exceto quanto à patenteabilidade dos pedidos depositados até 31 de dezembro de 1994, cujo objeto de proteção sejam substâncias, matérias ou produtos obtidos por meios ou processos químicos ou substâncias, matérias, misturas ou produtos alimentícios, químico-farmacêuticos e medicamentos de http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 103 qualquer espécie, bem como os respectivos processos de obtenção ou modificação e cujos depositantes não tenham exercido a faculdade prevista nos arts. 230 e 231 desta Lei, os quais serão considerados indeferidos, para todos os efeitos, devendo o INPI publicar a comunicação dos aludidos indeferimentos. Parágrafo único. Aos pedidos relativos a produtos farmacêuticos e produtos químicos para a agricultura, que tenham sido depositados entre 1o de janeiro de 1995 e 14 de maio de 1997, aplicam-se os critérios de patenteabilidade desta Lei, na data efetiva do depósito do pedido no Brasil ou da prioridade, se houver, assegurando-se a proteção a partir da data da concessão da patente, pelo prazo remanescente a contar do dia do depósito no Brasil, limitado ao prazo previsto no caput do art. 40. O sistema denominado mailbox consistiu em mecanismo transitório adotado para salvaguarda de pedidos de patentes relacionadas a produtos farmacêuticos e produtos agroquímicos, cuja tutela jurídica resultou da internalização no País, em 1/1/1995, do Acordo TRIPS (Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio). O prazo de vigência das patentes concedidas pelo sistema mailbox é de 20 anos contados da data do depósito. STJ. 3ª Turma. REsp 1.840.910-RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/11/2019 (Info 660). Resumindo: • o prazo de vigência das patentes é de 20 anos, contados do depósito (art. 40, caput); • o depositante não pode ser prejudicado se o INPI demorar muito para conceder a patente depois de o depósito ser feito. Por isso, o parágrafo único do art. 40 prevê que o prazo de vigência da patentede invenção não pode ser inferior a 10 anos, a contar da data de concessão. Exceção: esse prazo pode ser menor que 10 anos se o INPI estava impedido de proceder ao exame de mérito do pedido, por pendência judicial comprovada ou por motivo de força maior; • no caso da patente pelo sistema mailbox, o legislador previu uma regra específica e disse apenas que o prazo de vigência das patentes concedidas pelo sistema mailbox é de 20 anos contados da data do depósito (art. 229, parágrafo único, da LPI); • assim, no caso da patente pelo sistema mailbox, não se aplica a regra do parágrafo único do art. 40 (revogado), ou seja, o prazo de vigência das patentes concedidas pelo sistema mailbox NÃO é de 10 anos contados de sua concessão. Seguindo este raciocínio, recentemente o STJ decidiu sob a sistemática de repercussão geral sobre as patentes mailbox: O sistema denominado mailbox consistiu em mecanismo transitório adotado para salvaguarda de pedidos de patentes relacionadas a produtos farmacêuticos e produtos agroquímicos, cuja tutela jurídica resultou da internalização no País, em 1/1/1995, do Acordo TRIPS (Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio). Tratando-se de patentes excepcionalmente requeridas pelo sistema mailbox, a Lei de Propriedade Industrial, em suas disposições finais e transitórias, estabeleceu regra expressa assegurando proteção, a partir da data da http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 104 respectiva concessão, limitada ao prazo remanescente previsto no caput do seu art. 40 (20 anos contados do dia do depósito). Assim, o legislador afasta a possibilidade de incidência do prazo excepcional do parágrafo único do art. 40 (10 anos a partir da concessão). Tese fixada: O marco inicial e o prazo de vigência previstos no parágrafo único do art. 40 da LPI não são aplicáveis às patentes depositadas na forma estipulada pelo art. 229, parágrafo único, dessa mesma lei (patentes mailbox). Obs: o STF decidiu que o parágrafo único do art. 40 da LPI é inconstitucional: ADI 5529/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 12/5/2021 (Info 1017). STJ. 2ª Seção. REsp 1869959-RJ, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi, julgado em 27/04/2022 (Recurso Repetitivo – Tema 1065) (Info 734). 4.13. NULIDADE DA PATENTE 4.13.1. Disposição legal Art. 46. É nula a patente concedida contrariando as disposições desta Lei. Art. 47. A nulidade poderá não incidir sobre todas as reivindicações, sendo condição para a nulidade parcial o fato de as reivindicações subsistentes constituírem matéria patenteável por si mesmas. Art. 48. A nulidade da patente produzirá efeitos a partir da data do depósito do pedido. Art. 49. No caso de inobservância do disposto no art. 6º, o inventor poderá, alternativamente, reivindicar, em ação judicial, a adjudicação da patente. 4.13.2. Processo administrativo de nulidade de patente Art. 50. A nulidade da patente será declarada ADMINISTRATIVAMENTE quando: I - não tiver sido atendido qualquer dos requisitos legais; II - o relatório e as reivindicações não atenderem ao disposto nos arts. 24 e 25, respectivamente; Art. 24. O relatório deverá descrever clara e suficientemente o objeto, de modo a possibilitar sua realização por técnico no assunto e indicar, quando for o caso, a melhor forma de execução. Parágrafo único. No caso de material biológico essencial à realização prática do objeto do pedido, que não possa ser descrito na forma deste artigo e que não estiver acessível ao público, o relatório será suplementado por depósito do material em instituição autorizada pelo INPI ou indicada em acordo internacional. Art. 25. As reivindicações deverão ser fundamentadas no relatório descritivo, caracterizando as particularidades do pedido e definindo, de modo claro e preciso, a matéria objeto da proteção. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 105 III - o objeto da patente se estenda além do conteúdo do pedido originalmente depositado; ou IV - no seu processamento, tiver sido omitida qualquer das formalidades essenciais, indispensáveis à concessão. Prazo para o processo ADMINISTRATIVO requerendo a nulidade da patente: Art. 51: 06 meses da concessão. Art. 51. O processo de nulidade poderá ser instaurado de ofício ou mediante requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse, no prazo de 6 (SEIS) MESES contados da CONCESSÃO da PATENTE. OBS: para declaração de nulidade no âmbito administrativo do REGISTRO (desenho industrial ou marca) o prazo é de 05 anos. Parágrafo único. O processo de nulidade prosseguirá ainda que extinta a patente. Art. 52. O titular será intimado para se manifestar no prazo de 60 (sessenta) dias. Art. 53. Havendo ou não manifestação, decorrido o prazo fixado no artigo anterior, o INPI emitirá parecer, intimando o titular e o requerente para se manifestarem no prazo comum de 60 (sessenta) dias. Art. 54. Decorrido o prazo fixado no artigo anterior, mesmo que não apresentadas as manifestações, o processo será decidido pelo Presidente do INPI, encerrando-se a instância administrativa. Art. 55. Aplicam-se, no que couber, aos certificados de adição, as disposições desta Seção. Prazo para pleitear JUDICIALMENTE (ação de competência da Justiça Federal) requerendo a nulidade: art. 56. Não tem prazo Art. 56. A AÇÃO DE NULIDADE poderá ser proposta a qualquer tempo da vigência da patente, pelo INPI ou por qualquer pessoa com legítimo interesse. § 1º A nulidade da patente poderá ser arguida, a qualquer tempo, como matéria de defesa. § 2º O juiz poderá, preventiva ou incidentalmente, determinar a suspensão dos efeitos da patente, atendidos os requisitos processuais próprios. Art. 57. A ação de nulidade de patente será ajuizada no foro da Justiça Federal e o INPI, quando não for autor, intervirá no feito. § 1º O prazo para resposta do réu titular da patente será de 60 (sessenta) dias. § 2º Transitada em julgado a decisão da ação de nulidade, o INPI publicará anotação, para ciência de terceiros 4.14. EXTINÇÃO DA PATENTE http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 106 O art. 78 da LPI prevê as hipóteses em que haverá a extinção da patente. Art. 78. A patente extingue-se: I - pela expiração do prazo de vigência; II - pela renúncia de seu titular, ressalvado o direito de terceiros; III - pela caducidade; IV - pela falta de pagamento da retribuição anual, nos prazos previstos no § 2º do art. 84 e no art. 87; e V - pela inobservância do disposto no art. 217. Parágrafo único. Extinta a patente, o seu objeto cai em domínio público. Art. 79. A renúncia só será admitida se não prejudicar direitos de terceiros. Conforme o art. 80, terminado o prazo do licenciamento compulsório e permanecendo a situação que ensejou a medida (exploração insatisfatória da invenção, por exemplo), ocorrerá a caducidade da patente, perdendo o inventor todos os direitos industriais que possuía, caindo a invenção em domínio público. Art. 80. Caducará a patente, de ofício ou a requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse, se, decorridos 2 (dois) anos da concessão da primeira licença compulsória, esse prazo não tiver sido suficiente para prevenir ou sanar o abuso ou desuso, salvo motivos justificáveis. § 1º A patente caducará quando, na data do requerimento da caducidade ou da instauração de ofício do respectivo processo, não tiver sido iniciada a exploração. § 2º No processo de caducidade instaurado a requerimento, o INPI poderá prosseguir se houver desistência do requerente. Art. 81. O titular será intimado mediante publicação para se manifestar, no prazo de 60 (sessenta) dias, cabendo-lhe o ônus da prova quanto à exploração. Art. 82. A decisão será proferidadentro de 60 (sessenta) dias, contados do término do prazo mencionado no artigo anterior. Art. 83. A decisão da caducidade produzirá efeitos a partir da data do requerimento ou da publicação da instauração de ofício do processo. Por fim, a inobservância da regra do art. 217 da LPI é causa de extinção da patente. Art. 217. A pessoa domiciliada no exterior deverá constituir e manter procurador devidamente qualificado e domiciliado no País, com poderes para representá-la administrativa e judicialmente, inclusive para receber citações. 5. REGISTRO 5.1. DESENHO INDUSTRIAL (“DESIGN”) Art. 95. Considera-se DESENHO INDUSTRIAL a forma plástica ornamental de um objeto ou o conjunto ornamental de linhas e cores que possa ser aplicado a um produto, proporcionando resultado visual novo e original na http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 107 sua configuração externa e que possa servir de tipo de fabricação industrial. Conforme o art. 95 é “a forma plástica ornamental, de um objeto ou o conjunto ornamental de linhas e cores, que possa ser aplicado a um produto, proporcionando resultado visual novo e original na sua configuração externa e que possa servir de tipo de fabricação industrial”. Expressões: visual novo, configuração externa, estética, design, visual arrojado. Doutrina: desenho industrial é elemento fútil, pois não traz nenhum tipo de utilidade, só está preocupado com a configuração externa. Preservativo com sabor é o que? Modelo de utilidade. Diferentemente de preservativo colorido, como muda a estética, é desenho industrial. André Ramos sujeita o desenho industrial aos seguintes requisitos: NOVIDADE - art. 96 §3º, ORIGINALIDADE (ao invés da ‘atividade inventiva’ da patente) – art. 97, APLICAÇÃO INDUSTRIAL e LICITUDE (ou desimpedimento). - “NOA” 5.1.1. Novidade Estará atendida quando o desenho industrial não for compreendido no estado de técnica. Art. 96. O desenho industrial é considerado NOVO quando não compreendido no estado da técnica. § 1º O estado da técnica é constituído por tudo aquilo tornado acessível ao público antes da data de depósito do pedido, no Brasil ou no exterior, por uso ou qualquer outro meio, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e no art. 99. § 2º Para aferição unicamente da novidade, o conteúdo completo de pedido de patente ou de registro depositado no Brasil, e ainda não publicado, será considerado como incluído no estado da técnica a partir da data de depósito, ou da prioridade reivindicada, desde que venha a ser publicado, mesmo que subsequentemente. § 3º Não será considerado como incluído no estado da técnica o desenho industrial cuja divulgação tenha ocorrido durante os 180 (cento e oitenta) dias que precederem a data do depósito ou a da prioridade reivindicada, se promovida nas situações previstas nos incisos I a III do art. 12. Art. 12. Não será considerada como estado da técnica a divulgação de invenção ou modelo de utilidade, quando ocorrida durante os 12 (doze) meses que precederem a data de depósito ou a da prioridade do pedido de patente, se promovida: I - pelo inventor; II - pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial - INPI, através de publicação oficial do pedido de patente depositado sem o consentimento do inventor, baseado em informações deste obtidas ou em decorrência de atos por ele realizados; ou III - por terceiros, com base em informações obtidas direta ou indiretamente do inventor ou em decorrência de atos por este realizados. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 108 5.1.2. Originalidade Trata-se da necessidade de o desenho industrial apresentar um caráter distinto em relação aos demais já existentes. Art. 97. O desenho industrial é considerado original quando dele resulte uma configuração visual distintiva, em relação a outros objetos anteriores. Parágrafo único. O resultado VISUAL ORIGINAL poderá ser decorrente da combinação de elementos conhecidos 5.1.3. Impedimentos Art. 100. Não é registrável como desenho industrial: I - o que for contrário à moral e aos bons costumes ou que ofenda a honra ou imagem de pessoas, ou atente contra liberdade de consciência, crença, culto religioso ou ideia e sentimentos dignos de respeito e veneração; II - a forma necessária comum ou vulgar do objeto ou, ainda, aquela determinada essencialmente por considerações técnicas ou funcionais. 5.1.4. Nulidade do registro do desenho de utilidade art. 112 Art. 112. É NULO o registro concedido em desacordo com as disposições desta Lei. § 1º A nulidade do registro produzirá efeitos a partir da data do depósito do pedido. § 2º No caso de inobservância do disposto no art. 94, o autor poderá, alternativamente, reivindicar a adjudicação do registro. Prazo para o processo administrativo: art. 113 – 05 anos da concessão. Art. 113. A nulidade do registro será declarada administrativamente quando tiver sido concedido com infringência dos arts. 94 a 98. § 1º O processo de nulidade poderá ser instaurado de ofício ou mediante requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse, no prazo de 05 (cinco) anos contados da CONCESSÃO do registro, ressalvada a hipótese prevista no parágrafo único do art. 111. OBS: para declaração de nulidade no âmbito administrativo da PATENTE (invenção ou modelo de utilidade) o prazo é de 06 meses. § 2º O requerimento ou a instauração de ofício suspenderá os efeitos da concessão do registro se apresentada ou publicada no prazo de 60 (sessenta) dias da concessão. Prazo judicial (ação de nulidade): art. 56/57 - sem prazo. Art. 118. Aplicam-se à ação de nulidade de registro de desenho industrial, no que couber, as disposições dos arts. 56 e 57. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 109 Art. 56. A ação de nulidade poderá ser proposta a qualquer tempo da vigência da patente, pelo INPI ou por qualquer pessoa com legítimo interesse. § 1º A nulidade da patente poderá ser arguida, a qualquer tempo, como matéria de defesa. § 2º O juiz poderá, preventiva ou incidentalmente, determinar a suspensão dos efeitos da patente, atendidos os requisitos processuais próprios. Art. 57. A ação de nulidade de patente será ajuizada no foro da Justiça Federal e o INPI, quando não for autor, intervirá no feito. § 1º O prazo para resposta do réu titular da patente será de 60 (sessenta) dias. § 2º Transitada em julgado a decisão da ação de nulidade, o INPI publicará anotação, para ciência de terceiros. 5.1.5. Extinção do REGISTRO do desenho de utilidade Art. 119. O registro extingue-se: I - pela expiração do prazo de vigência; II - pela renúncia de seu titular, ressalvado o direito de terceiros; III - pela falta de pagamento da retribuição prevista nos arts. 108 e 120; ou IV - pela inobservância do disposto no art. 217. Não haverá extinção por caducidade. 5.2. MARCA Art. 122. São suscetíveis de REGISTRO como marca os sinais distintivos visualmente perceptíveis, não compreendidos nas proibições legais. A marca é um sinal visualmente perceptível que serve como meio distintivo. Um sinal sonoro não pode ser registrado como marca, pois não é visual. 5.2.1. Espécies de Marca (art. 123) Art. 123. Para os efeitos desta Lei, considera-se: I - marca de produto ou serviço: aquela usada para distinguir produto ou serviço de outro idêntico, semelhante ou afim, de origem diversa; ATENÇÃO: NÃO se confunde com nome empresarial (designativo do empresário ou sociedade) nem com título do estabelecimento (designativo do próprio do estabelecimento empresarial). II - marca de certificação: aquela usada para atestar a conformidade de um produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas, notadamente quanto à qualidade, natureza, material utilizado e metodologia empregada; e Exemplo:INMETRO, ISO. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 110 III - marca coletiva: aquela usada para identificar produtos ou serviços provindos de membros de uma determinada entidade. Exemplo: Lata de café = Associação Brasileira dos Produtores de Café, serve para trazer maior credibilidade ao produto. 5.2.2. Espécies de marca quanto à sua apresentação ESPÉCIES NOMINATIVA OU VERBAL É o sinal constituído por uma ou mais palavras no sentido amplo do alfabeto romano, compreendendo, também, os neologismos e as combinações de letras e/ou algarismos romanos e/ou arábicos, desde que esses elementos não se apresentem sob forma fantasiosa ou figurativa. Exemplo: SONY, Google FIGURATIVA OU EMBLEMÁTICA É o sinal constituído por desenho, imagem, figura e/ou símbolo; qualquer forma fantasiosa ou figurativa de letra ou algarismo isoladamente, ou acompanhado por desenho, imagem, figura ou símbolo; palavras compostas por letras de alfabetos distintos da língua vernácula, tais como hebraico, cirílico, árabe, etc.; ideogramas, tais como o japonês e o chinês. Exemplo: Globo, Apple MISTA OU COMPOSTA É o sinal constituído pela combinação de elementos nominativos e figurativos ou mesmo apenas por elementos nominativos cuja grafia se apresente sob forma fantasiosa ou estilizada. Exemplos: Nike, Cadernos Sistematizados, Toyota TRIDIMENSIONAL É o sinal constituído pela forma plástica distintiva em si, capaz de individualizar os produtos ou serviços a que se aplica. Assim, é possível registrar a marca da própria forma plástica desse produto ou mesmo da embalagem. Exemplo: Coca-Cola Como o tema foi cobrado em concurso? DPE/PI (2022) O sinal constituído pela combinação de elementos nominativos e figurativos cuja grafia se apresente sob forma fantasiosa ou estilizada é considerado marca mista. Correta! 5.2.3. Princípios da marca O Direito de Marcas é regido por três princípios fundamentais. Vejamos: • Princípio da Territorialidade (art. 129 da LPI) – o âmbito de proteção da marca é todo o território nacional. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 111 Art. 129. A propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente expedido, conforme as disposições desta Lei, sendo assegurado ao titular seu uso exclusivo em todo o território nacional, observado quanto às marcas coletivas e de certificação o disposto nos arts. 147 e 148. • Princípio da Especialidade – a proteção assegurada à marca recai sobre produtos ou serviços correspondentes à atividade do requerente, visando a distingui-los de outros idênticos ou similares, de origem diversa. Por exemplo, há um produto de limpeza VEJA e a revista VEJA, mesmo nome, mas produtos e serviços diversos. • Princípio do Sistema Atributivo - o sistema de registro de marca adotado no Brasil é atributivo de direito, isto é, sua propriedade e seu uso exclusivo só são adquiridos pelo registro, conforme define o art. 129 da LPI. O titular da marca é aquele que tem o seu registo. 5.2.4. Requisitos para registro de marca • Novidade (Relativa); • Originalidade (Não colidência com marca notória); • Não há impedimento legal. Vejamos: 1) Novidade (Relativa) Não se exige novidade absoluta, ou seja, não se exige que o sinal distintivo tenha sido criado pelo empresário. O que deve ser nova é a utilização daquele sinal em relação àquele tipo de produto ou serviço (princípio da especificidade ou especialidade). Ex: Produtos com a marca “Sol”, existem vários, desde cerveja a bronzeador. A novidade está relacionada à classificação do INPI. Se não estiver presente na lista do INPI, pode ser utilizada. Veja como o STJ decidiu no caso a seguir. A empresa “A oferece serviços de orientação e reeducação pedagógica a alunos com dificuldades escolares. Essa instituição registrou no INPI a expressão “CRESCER”, adquirindo o direito de uso da marca. Alguns anos depois, foi inaugurada uma escola (empresa “B”) e passou a também utilizar a palavra “CRESCER” em suas atividades empresariais. O STJ entendeu que o uso da expressão “CRESCER” por parte da escola viola o direito de uso exclusivo de marca pertencente à empresa “A”. Isso porque, embora as atividades exercidas sejam distintas, elas se enquadram na mesma classe de serviços, a de serviços de educação. Ainda sobre o julgado, colacionamos um trecho da ementa para reforçar alguns dos argumentos usados pela Corte como ratio decidendi: http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 112 DIREITO EMPRESARIAL. DIREITO DE USO EXCLUSIVO DE MARCA REGISTRADA. O uso, por quem presta serviço de ensino regular, da mesma marca anteriormente registrada, na classe dos serviços de educação, por quem presta, no mesmo Município, serviços de orientação e reeducação pedagógica a alunos com dificuldades escolares viola o direito de uso exclusivo de marca. O registro da marca, embora garanta proteção nacional à exploração exclusiva por parte do titular, encontra limite no princípio da especialidade, que restringe a exclusividade de utilização do signo a um mesmo nicho de produtos e serviços. Assim, uma mesma marca pode ser utilizada por titulares distintos se não houver qualquer possibilidade de se confundir o consumidor. Para se verificar a possibilidade de confusão na utilização da mesma marca por diferentes fornecedores de produtos e serviços, deve ser observada, inicialmente, a Classificação Internacional de Produtos e de Serviços, utilizada pelo INPI como parâmetro para concessão ou não do registro de uma marca. É verdade que a tabela de classes não deve ser utilizada de forma absoluta para fins de aplicação do princípio da especialidade, servindo apenas como parâmetro inicial na análise de possibilidade de confusão. Porém, na hipótese, embora os serviços oferecidos sejam distintos, eles são complementares, pois têm finalidades idênticas, além de ocuparem os mesmos canais de comercialização. REsp 1.309.665-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 4/9/2014. d) Originalidade (não colidência com marca notória) Marca notória é aquela ostensivamente pública e conhecida, de popularidade internacional, que é protegida independentemente de registro no INPI, devido à Convenção da União de Paris, da qual o Brasil é signatário. Atenção: MARCA NOTÓRIA é somente protegida no seu ramo de atividade (ou seja, protegida em relação a produtos idênticos ou similares), diferentemente da MARCA DE ALTO RENOME, que após ser registrada no INPI e ter reconhecida essa qualificação especial (alto renome), passa a ser protegida em TODOS OS RAMOS da atividade econômica, conforme o art. 125 da LPI (proteção em todos os itens da classificação do INPI). Não confundir: MARCA DE ALTO RENOME MARCA NOTÓRIA Precisa de registro Não precisa de registro (Convenção da União de Paris) Proteção em todos os itens de classificação Apenas no ramo de atividade Brasil Internacional Exceção ao Princípio da Especialidade Exceção ao Princípio da Territorialidade Art. 125. À marca registrada no Brasil considerada de ALTO RENOME será assegurada proteção especial, em todos os ramos de atividade. Em relação à marca de alto renome, importante conhecer a decisão do STJ: É legítimo o interesse do titular de uma marca em obter do INPI, pela via direta, uma declaração geral e abstrata de que sua marca é de alto renome. http://www.stj.jus.br/webstj/processo/justica/jurisprudencia.asp?tipo=num_pro&valor=REsp1309665 http://www.stj.jus.br/webstj/processo/justica/jurisprudencia.asp?tipo=num_pro&valor=REsp1309665 http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 113 Caso inexista uma declaração administrativa do INPI a respeito da caracterização, ou não, de uma marca como sendo de alto renome, não pode o Poder Judiciário conferir,pela via judicial, a correspondente proteção especial. A 3ª Turma do STJ alterou, em parte, seu entendimento. O STJ decidiu que o titular da marca possui legítimo interesse em obter, por via direta, uma declaração geral e abstrata de que sua marca é de alto renome. Veja alguns argumentos veiculados pela Min. Nancy Andrighi: • O reconhecimento do alto renome só pela via incidental (de defesa) imporia ao titular um ônus injustificado de ficar constantemente acompanhando todos os pedidos de registro de marcas a fim de identificar eventuais ofensas ao seu direito marcário; • Ademais, acontece muitas vezes de a pessoa que está utilizando indevidamente a marca de alto renome nem sequer tentar fazer o registro no INPI por saber que seria questionado. Ex: a pessoa possui uma confecção de roupas Natura (com o mesmo símbolo da marca registrada). Logo, ela nem vai tentar registrar esta marca porque tem consciência de que haveria oposição por parte da empresa de cosméticos. Nesses casos, a controvérsia não chega ao INPI, impedindo que o titular da marca adote qualquer medida administrativa incidental visando à declaração do alto renome. • Verifica-se, portanto, haver efetivo interesse do titular em obter uma declaração geral e abstrata de que sua marca é de alto renome. • Os atos do INPI relacionados com o registro do alto renome de uma marca, por derivarem do exercício de uma discricionariedade técnica e vinculada, encontram-se sujeitos a controle pelo Poder Judiciário, sem que isso implique violação do princípio da separação dos poderes. O STJ decidiu, no entanto, que o Poder Judiciário não poderá declarar diretamente que a marca é de alto renome por meio de uma decisão judicial. O que o Judiciário pode fazer é determinar que o INPI examine, em um certo prazo, se a marca é realmente de alto renome. Art. 126. A marca notoriamente conhecida em seu ramo de atividade nos termos do art. 6º bis (I), da Convenção da União de Paris para Proteção da Propriedade Industrial, goza de proteção especial, independentemente de estar previamente depositada ou registrada no Brasil. § 1º A proteção de que trata este artigo aplica-se também às marcas de serviço. § 2º O INPI poderá indeferir de ofício pedido de registro de marca que reproduza ou imite, no todo ou em parte, marca notoriamente conhecida. Lembrar de processo civil: fato notório não precisa ser provado, assim como a marca notória não precisa de registro no INPI para ser protegida. A proteção de marca notória registrada no INPI produz efeitos ex nunc, não atingindo registros regularmente constituídos em data anterior. O direito de exclusividade ao uso da marca em decorrência do registro no INPI, excetuadas as hipóteses de marcas notórias, é limitado à classe para a qual foi deferido, não abrangendo produtos não similares, enquadrados em outras classes. O registro da marca como notória, ao afastar o princípio da especialidade, confere ao seu titular proteção puramente defensiva e acautelatória, a fim de impedir futuros registros ou uso por terceiros de http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 114 outras marcas iguais ou parecidas, não retroagindo para atingir registros anteriores. Precedente citado: REsp 246.652-RJ, DJ 16/4/2007. AgRg no REsp 1.163.909-RJ, Rel. Min. Massami Uyeda, julgado em 2/10/2012. Como o tema foi cobrado em concurso? DPE/PI (2022) Marca de alto renome, registrada no Brasil, alcança proteção em seu ramo de atividade, apresentando-se como exceção ao princípio da especialidade. Errada! DPE/PI (2022) Marca notoriamente conhecida detém proteção especial em todos os ramos de atividade, apresentando-se como exceção ao princípio da territorialidade. Errada! PGE/MS (2021) Determinado empreendedor brasileiro criou dois produtos, sendo o primeiro deles um perfume e o outro um sabonete. Deu ao primeiro nome idêntico ao de uma famosa marca francesa, a qual não tinha registro no Brasil. Batizou o segundo com o mesmo nome de uma marca nacional registrada havia mais de cinquenta anos e com pedido de renovação deferido havia cinco anos. Nessa situação hipotética, o deferimento do registro da marca nacional pelo INPI não impediria que o mesmo título dessa marca fosse utilizado pelo empreendedor brasileiro como nome de um edifício residencial, pois, nesse caso, se trataria de um ato da vida civil. Correta! e) Não impedimento legal Os signos impedidos por lei de serem registrados como marcas estão previstos no art. 124 da LPI (ler todos), desatando-se como os mais importantes: • Símbolo oficial e monumentos nacionais ou internacionais não podem ser registrados como marca. Exemplo: Não é possível registrar a bandeira do Brasil como marca de um produto. • A marca não pode representar falsa indicação geográfica. Exemplo: Se fiz um perfume em Campinas, não posso registrar como francês; se faço um chocolate em Santo André, não posso chamar de Gramado, sendo assim estaria induzindo o consumidor a erro. • Designação ou sigla de entidade ou órgão público, quando não requerido o registro pela própria entidade ou órgão público. Exemplo: Não posso abrir um cursinho jurídico com nome de STF, STJ. Art. 124. Não são registráveis como marca: I - brasão, armas, medalha, bandeira, emblema, distintivo e monumento oficiais, públicos, nacionais, estrangeiros ou internacionais, bem como a respectiva designação, figura ou imitação; II - letra, algarismo e data, isoladamente, salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva; III - expressão, figura, desenho ou qualquer outro sinal contrário à moral e aos bons costumes ou que ofenda a honra ou imagem de pessoas ou atente contra liberdade de consciência, crença, culto religioso ou ideia e sentimento dignos de respeito e veneração; http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 115 IV - designação ou sigla de entidade ou órgão público, quando não requerido o registro pela própria entidade ou órgão público; V - reprodução ou imitação de elemento característico ou diferenciador de título de estabelecimento ou nome de empresa de terceiros, suscetível de causar confusão ou associação com estes sinais distintivos; VI - sinal de caráter genérico, necessário, comum, vulgar ou simplesmente descritivo, quando tiver relação com o produto ou serviço a distinguir, ou aquele empregado comumente para designar uma característica do produto ou serviço, quanto à natureza, nacionalidade, peso, valor, qualidade e época de produção ou de prestação do serviço, salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva; VII - sinal ou expressão empregada apenas como meio de propaganda; VIII - cores e suas denominações, salvo se dispostas ou combinadas de modo peculiar e distintivo; IX - indicação geográfica, sua imitação suscetível de causar confusão ou sinal que possa falsamente induzir indicação geográfica; X - sinal que induza a falsa indicação quanto à origem, procedência, natureza, qualidade ou utilidade do produto ou serviço a que a marca se destina; XI - reprodução ou imitação de cunho oficial, regularmente adotada para garantia de padrão de qualquer gênero ou natureza; XII - reprodução ou imitação de sinal que tenha sido registrado como marca coletiva ou de certificação por terceiro, observado o disposto no art. 154; XIII - nome, prêmio ou símbolo de evento esportivo, artístico, cultural, social, político, econômico ou técnico, oficial ou oficialmente reconhecido, bem como a imitação suscetível de criar confusão, salvo quando autorizados pela autoridade competente ou entidade promotora do evento; XIV - reprodução ou imitação de título, apólice, moeda e cédula da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios, dos Municípios, ou de país; XV - nome civil ou sua assinatura, nome de família ou patronímico e imagem de terceiros, salvo com133 Simples/simples (S/S – simples pura – não sofre influência de nenhum outro tipo societário)¹ ... 133 4.3.3. Quando ao grau de dependência às qualidades dos sócios .................................. 134 4.3.4. Quanto à constituição e dissolução........................................................................ 136 4.3.5. Quanto à responsabilidade do sócio pelas obrigações sociais ............................... 137 5. SOCIEDADE SIMPLES ....................................................................................................... 138 5.1. CONTRATO SOCIAL .................................................................................................... 138 5.2. PLURIPESSOALIDADE ................................................................................................ 139 5.3. QUOTAS SOCIAIS ....................................................................................................... 139 5.3.1. Conceito ................................................................................................................ 139 5.3.2. Titularidade das quotas .......................................................................................... 140 5.3.3. Formas de integralização ....................................................................................... 140 5.3.4. Sócio remisso ........................................................................................................ 140 5.3.5. Cessão de quotas sociais ...................................................................................... 141 5.3.6. (Im) possibilidade de penhora das quotas sociais .................................................. 141 5.4. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO ............................................................................... 142 5.5. DIREITOS DOS SÓCIOS ............................................................................................. 142 5.6. ADMINISTRADOR ........................................................................................................ 144 5.6.1. Nomeação ............................................................................................................. 144 5.6.2. Sócio/não sócio ..................................................................................................... 144 5.6.3. Poderes do administrador ...................................................................................... 144 5.6.4. Responsabilidade do administrador ....................................................................... 145 6. SOCIEDADE EM NOME COLETIVO ................................................................................... 146 6.1. PREVISÃO LEGAL ....................................................................................................... 146 http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 7 6.2. SÓCIOS........................................................................................................................ 146 6.3. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS .......................................................................... 147 6.4. NOME EMPRESARIAL ................................................................................................. 147 6.5. ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE ............................................................................ 147 6.6. LIQUIDAÇÃO DA QUOTA ............................................................................................ 147 7. SOCIEDADE EM COMANDITA SIMPLES ........................................................................... 148 7.1. PREVISÃO LEGAL ....................................................................................................... 148 7.2. SÓCIOS........................................................................................................................ 149 7.2.1. Sócio comanditado ................................................................................................ 149 7.2.2. Sócio comanditário ................................................................................................ 150 8. SOCIEDADE LIMITADA ...................................................................................................... 150 8.1. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL ........................................................................................... 150 8.2. CARACTERÍSTICAS .................................................................................................... 151 8.3. CONSTITUIÇÃO DA SOCIEDADE LIMITADA .............................................................. 152 8.3.1. Requisitos gerais de validade do contrato social (TRÊS) ....................................... 152 8.3.2. Requisitos específicos de validade dos contratos sociais (DOIS) .......................... 153 8.3.3. Cláusulas Essenciais do contrato da Sociedade limitada (art. 997 do CC) ............ 155 8.4. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO NA SOCIEDADE LIMITADA (ART. 1.052 DO CC) . 156 8.5. QUOTAS SOCIAIS ....................................................................................................... 159 8.5.1. Natureza jurídica: ................................................................................................... 159 8.5.2. Transferência de quotas (cessão de quotas) ......................................................... 159 8.6. DEVERES DOS SÓCIOS ............................................................................................. 160 8.7. DIREITOS DOS SÓCIOS ............................................................................................. 160 8.8. DELIBERAÇÕES SOCIAIS........................................................................................... 161 8.8.1. Assembleia X Reunião ........................................................................................... 162 8.8.2. Regras de votação nas deliberações ..................................................................... 162 8.8.3. Dispensa de assembleia ou reunião ...................................................................... 162 8.9. DIREITO DE RETIRADA (DIREITO DE RECESSO)..................................................... 163 8.10. DIREITO DE FISCALIZAÇÃO ................................................................................... 164 8.11. INFLUÊNCIA DOS SÓCIOS MINORITÁRIOS NA FORMAÇÃO DO CONSELHO FISCAL 165 8.12. DIREITO DE PREFERÊNCIA (ART. 1.081 DO CC) .................................................. 165 8.13. ADMINISTRADOR DA SOCIEDADE LIMITADA ....................................................... 165 8.13.1. Responsabilidade do Administrador ....................................................................... 167 8.13.2. Teoria “ultra vires” (Além das forças) ..................................................................... 168 8.13.3. Teoria da Aparência. ............................................................................................. 169 http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 8 8.14. DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE LIMITADA .............................................................. 169 8.14.1. Casos de dissolução parcial: ................................................................................. 169 8.14.2. Casos de dissolução total ...................................................................................... 171 9. SOCIEDADE ANÔNIMA (LEI 6.404/76) ............................................................................... 173 9.1. CONCEITO ................................................................................................................... 173 9.2. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS ............................................................................... 173 9.3. ESPÉCIES DE SOCIEDADE ANÔNIMA (ART. 4º DA LSA) ......................................... 174 9.4. CONSTITUIÇÃO DA SOCIEDADE ANÔNIMA ..............................................................consentimento do titular, herdeiros ou sucessores; XVI - pseudônimo ou apelido notoriamente conhecidos, nome artístico singular ou coletivo, salvo com consentimento do titular, herdeiros ou sucessores; XVII - obra literária, artística ou científica, assim como os títulos que estejam protegidos pelo direito autoral e sejam suscetíveis de causar confusão ou associação, salvo com consentimento do autor ou titular; XVIII - termo técnico usado na indústria, na ciência e na arte, que tenha relação com o produto ou serviço a distinguir; XIX - reprodução ou imitação, no todo ou em parte, ainda que com acréscimo, de marca alheia registrada, para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico, semelhante ou afim, suscetível de causar confusão ou associação com marca alheia; XX - dualidade de marcas de um só titular para o mesmo produto ou serviço, salvo quando, no caso de marcas de mesma natureza, se revestirem de suficiente forma distintiva; XXI - a forma necessária, comum ou vulgar do produto ou de acondicionamento, ou, ainda, aquela que não possa ser dissociada de efeito técnico; XXII - objeto que estiver protegido por registro de desenho industrial de terceiro; e XXIII - sinal que imite ou reproduza, no todo ou em parte, marca que o requerente evidentemente não poderia desconhecer em razão de sua atividade, cujo titular seja sediado ou domiciliado em território nacional ou em http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 116 país com o qual o Brasil mantenha acordo ou que assegure reciprocidade de tratamento, se a marca se destinar a distinguir produto ou serviço idêntico, semelhante ou afim, suscetível de causar confusão ou associação com aquela marca alheia. OBS: pode-se utilizar para divulgação, para marketing o que é não registrável. Neste sentido, entendeu recentemente o STJ: Vocábulos genéricos, de uso comum, e que designam produtos ou serviços inseridos do segmento de atuação da empresa, bem como as cores e suas denominações, exceto se combinadas de modo peculiar e distintivo, não são registráveis como marca. Caso concreto: STJ entendeu que os elementos nominativos da marca “ROSE & BLEU” não alcançam distintividade suficiente para serem registrados como marca de uso exclusivo. Isso porque, além de tratarem de signos referentes a cores, que não são registráveis, configuram expressão sugestiva que possui laço conotativo com a atividade comercial desempenhada pela empresa (comércio de roupas infantis). Fundamento: art. 124, incisos VI e VIII, da Lei de Propriedade Industrial: Art. 124. Não são registráveis como marca: (...) VI - sinal de caráter genérico, necessário, comum, vulgar ou simplesmente descritivo, quando tiver relação com o produto ou serviço a distinguir, ou aquele empregado comumente para designar uma característica do produto ou serviço, quanto à natureza, nacionalidade, peso, valor, qualidade e época de produção ou de prestação do serviço, salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva; (...) VIII - cores e suas denominações, salvo se dispostas ou combinadas de modo peculiar e distintivo; STJ. 4ª Turma. REsp 1339817-RJ, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 11/10/2022 (Info 753). Como o tema foi cobrado em concurso? DPE/PI (2022) É possível registrar como marca qualquer forma fantasiosa ou figurativa de letra ou algarismo isoladamente ou acompanhado por desenho, imagem, figura ou símbolo. Correta! DPE/PI (2022) É possível registrar como marca termo técnico usado na indústria, na ciência e na arte e que tenha relação como produto ou serviço a distinguir. Errada! TJ/PR (2021) Não são registráveis como marca as expressões ou sinais empregados apenas como meio de propaganda e tais elementos distintivos são insuscetíveis de registro no âmbito da propriedade industrial. 5.2.5. MARCAS EVOCATIVAS E O STJ É aquela que se utiliza, em sua composição, de uma palavra de uso comum que remete ao produto ou serviço. Evocativa vem de “evocar”, verbo que significa “trazer à lembrança”. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 117 Assim, a marca evocativa é aquela que traz à lembrança (que evoca) o próprio nome do produto ou serviço. A marca evocativa possui reduzido grau de distintividade, por estar associada ao produto ou serviço que pretende assinalar. Em outras palavras, ela não se distingue tanto de outras marcas porque utiliza, no todo ou em parte, o próprio nome do produto ou serviço. Não possui, portanto, “características distintivas”. Chokito®, Chocobon® (são marcas que remetem ao chocolate). Caso alguém registre uma marca parecida envolvendo, no todo ou em parte, a palavra “chocolate”, não se poderá dizer, a princípio, que houve uma violação a essas marcas anteriormente registradas. Por não ter características distintivas, as marcas evocativas são consideradas “marcas fracas”. Possuem um âmbito de proteção limitado, de modo que a exclusividade a elas conferida admite mitigação. Assim, a ideia de que somente quem registrou a marca evocativa poderá utilizar aquele nome ou nomes parecidos é flexibilizada. Segundo aponta, com razão, a Min. Nancy Andrighi, conferir monopólio para que apenas um comerciante utilize um nome ou sinal genérico seria aceitar uma exclusividade inadmissível. Isso porque os demais comerciantes ficariam impedidos de divulgar a fabricação de produtos semelhantes através de expressões de conhecimento comum, obrigando-os à busca de nomes alternativos estranhos ao domínio público. O monopólio de um nome ou sinal genérico em benefício de um comerciante implicaria uma exclusividade inadmissível, a favorecer a detenção e o exercício do comércio de forma única, com prejuízo não apenas à concorrência empresarial — impedindo os demais industriais do ramo de divulgarem a fabricação de produtos semelhantes através de expressões de conhecimento comum, obrigando-os à busca de nomes alternativos estranhos ao domínio público — mas sobretudo ao mercado em geral, que teria dificuldades para identificar produtos similares aos do detentor da marca. STJ. 3ª Turma. REsp 1315621-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 4/6/2013 (Info 526). STJ – Resp. 1.848.654: O registro do medicamento "Nebacetin" não impede que outras farmacêuticas usem os radicais "Neba" ou "Nebac", como o "Nebacimed". Assim decidiu a 4ª turma do STJ, ao considerar que a semelhança entre o nome das marcas decorre do fato de que o início de suas denominações advém dos prefixos das substâncias que as compõem. NEBACETIN é uma marca fraca, sem originalidade, por utilizar expressão evocativa/sugestiva do produto que identifica. O Prefixo NEBA remete, ainda que indiretamente, à substância que compõem o medicamento (sulfato de neomicina e bacitrina zínica). A marca evocativa goza de proteção. No entanto, essa proteção é mitigada. Por que se diz que é mitigada? Porque o seu titular é obrigado a conviver com outras marcas parecidas, semelhantes. Vale ressaltar, no entanto, que o titular de uma marca evocativa pode se insurgir e conseguir a proibição de outra marca semelhante se isso gerar confusão no público consumidor. Ex: uma loja de calçados que registre a marca “Shopping do Pé” pode ser obrigada a conviver com outra marca chamada de “Mercado do pé”; por outro lado, é possível que essa loja http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 118 consiga, em tese, a proibição de outra marca chamada “Shop do Pé” porque, nesse caso, haveria um potencial muito grande de gerar confusão no público consumidor. TEORIA DA DISTINTIVIDADE ADQUIRIDA (significação secundária ou secondary meaning) – ocorre quando um signo de caráter comum, descritivo ou evocativo foi utilizado durante tanto tempo, alcançando tantas pessoas, que passou a adquirir eficácia distintiva suficiente, a ponto de possibilitarseu registro como marca. Por exemplo, Iphone. De acordo com o STJ, o único efeito que a “distintividade adquirida” gera é o de permitir o registro da marca, mesmo ela sendo “comum”. Essa teoria não autoriza, contudo, que se impeça o registro de marcas semelhantes. Em se tratando de marcas “fracas”, descritivas ou evocativas, é descabida qualquer alegação de anterioridade de registro quando o intuito da parte for o de assegurar o uso exclusivo de expressão dotada de baixo vigor inventivo. 5.2.6. Marca degenerativa Com o passar do tempo, algumas marcas ficam muito famosas e acabam sendo extremamente conhecidas do público, a ponto de perderem a capacidade distintiva que possuíam na época do registro, no fenômeno conhecido por degeneração. A degeneração representa a perda da capacidade distintiva das marcas; ela passa a se confundir com o próprio produto. A população em geral substitui a identificação do produto por aquela marca mais famosa, de tal modo que não importa mais o fabricante titular da marca, uma vez que todos os produtos passam a ter a mesma designação. Por exemplo, isopor (polímero estendido), zíper (fecho corrediço), gilete (lâmina de barbear), maisena (amido de milho), pincel atômico (marcador para quadro branco), durex (fita adesiva). 5.2.7. Nulidade do registro marca Administrativo: art. 169. 06 meses da concessão. Art. 169. O processo de nulidade poderá ser instaurado de ofício ou mediante requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias contados da data da expedição do certificado de registro. Destaca-se que para declaração de nulidade no âmbito administrativo da PATENTE (invenção ou modelo de utilidade) o prazo também é de 06 meses. Judicial: art. 174: 05 anos da concessão. Art. 174. Prescreve em 5 (cinco) anos a ação para declarar a nulidade do REGISTRO, contados da data da sua concessão. Art. 175. A ação de nulidade do registro será ajuizada no foro da justiça federal e o INPI, quando não for autor, intervirá no feito. § 1º O prazo para resposta do réu titular do registro será de 60 sessenta) dias. § 2º Transitada em julgado a decisão da ação de nulidade, o INPI publicará anotação, para ciência de terceiros. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 119 Importante salientar que, em ação de nulidade de registro de marca, a natureza da participação processual do INPI, quando não figurar como autor ou corréu, é de intervenção sui generis (ou atípica) obrigatória, na condição de assistente especial. Em ação de nulidade de registro de marca, a natureza da participação processual do INPI, quando não figurar como autor ou corréu, é de intervenção sui generis (ou atípica) obrigatória, na condição de assistente especial (ou até de amicus curiae). STJ. 4ª Turma. REsp 1.817.109-RJ, Rel. Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 23/02/2021 (Info 686). Para declaração de nulidade no âmbito judicial da PATENTE (invenção ou modelo de utilidade) e do REGISTRO de desenho industrial não há prazo. PATENTE (invenção e modelo de utilidade) REGISTRO do desenho de utilidade REGISTRO da marca Prazo para declaração de nulidade no âmbito administrativo 06 meses 05 anos 180 dias (06 meses) Prazo para ação de nulidade (âmbito judicial) Enquanto vigente Enquanto vigente 05 anos 5.2.8. Uso indevido da marca e dano moral De acordo com o STJ, o dano moral pelo uso indevido da marca decorre de mera comprovação da prática da conduta ilícita. Em outras palavras, a utilização da marca sem autorização configura dano moral, sendo desnecessária a demonstração de prejuízos concretos ou a comprovação de abalo moral. STJ - REsp 1327773: “RECURSO ESPECIAL. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. USO INDEVIDO DE MARCA DE EMPRESA. SEMELHANÇA DE FORMA. DANO MATERIAL. OCORRÊNCIA. PRESUNÇÃO. DANO MORAL. AFERIÇÃO. IN RE IPSA. DECORRENTE DO PRÓPRIO ATO ILÍCITO. INDENIZAÇÃO DEVIDA. RECURSO PROVIDO. 1. A marca é qualquer sinal distintivo (tais como palavra, letra, numeral, figura), ou combinação de sinais, capaz de identificar bens ou serviços de um fornecedor, distinguindo-os de outros idênticos, semelhantes ou afins de origem diversa. Trata-se de bem imaterial, muitas vezes o ativo mais valioso da empresa, cuja proteção consiste em garantir a seu titular o privilégio de uso ou exploração, sendo regido, entre outros, pelos princípios constitucionais de defesa do consumidor e de repressão à concorrência desleal. 2. Nos dias atuais, a marca não tem apenas a finalidade de assegurar direitos ou interesses meramente individuais do seu titular, mas objetiva, acima de tudo, proteger os adquirentes de produtos ou serviços, conferindo- lhes subsídios para aferir a origem e a qualidade do produto ou serviço, tendo por escopo, ainda, evitar o desvio ilegal de clientela e a prática do proveito econômico parasitário. 3. A lei e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça reconhecem a existência de dano material no caso de uso indevido da marca, uma vez que a própria violação do direito revela-se capaz de gerar http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 120 lesão à atividade empresarial do titular, como, por exemplo, no desvio de clientela e na confusão entre as empresas, acarretando inexorável prejuízo que deverá ter o seu quantum debeatur, no presente caso, apurado em liquidação por artigos. 4. Por sua natureza de bem imaterial, é ínsito que haja prejuízo moral à pessoa jurídica quando se constata o uso indevido da marca. A reputação, a credibilidade e a imagem da empresa acabam atingidas perante todo o mercado (clientes, fornecedores, sócios, acionistas e comunidade em geral), além de haver o comprometimento do prestígio e da qualidade dos produtos ou serviços ofertados, caracterizando evidente menoscabo de seus direitos, bens e interesses extrapatrimoniais. 5. O dano moral por uso indevido da marca é aferível in re ipsa, ou seja, sua configuração decorre da mera comprovação da prática de conduta ilícita, revelando-se despicienda a demonstração de prejuízos concretos ou a comprovação probatória do efetivo abalo moral. 6. Utilizando-se do critério bifásico adotado pelas Turmas integrantes da Segunda Seção do STJ, considerado o interesse jurídico lesado e a gravidade do fato em si, o valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), a título de indenização por danos morais, mostra-se razoável no presente caso. 7. Recurso especial provido.” Como o tema foi cobrado em prova? TJRS (2022) Segundo a legislação brasileira, na indenização pelo uso indevido de marca, os lucros cessantes serão determinados pelo critério mais favorável ao prejudicado. Correta! TJ/AC (2019) A respeito dos direitos da proteção conferida pela patente, dispõe a Lei n° 9.279/96 que ao titular da patente é assegurado o direito de obter indenização pela exploração indevida de seu objeto, inclusive em relação à exploração ocorrida entre a data da publicação do pedido e a da concessão da patente. Correta! 5.2.9. Conflito entre marca e nome empresarial Como já vimos, o nome empresarial possui proteção estadual e a marca proteção federal. 1ª Hipótese: Nome empresarial registrado no Estado X e marca quer registro nacional. Não haverá conflito, poderão coexistir. 2ª Hipótese: Nome empresarial registrado em todos os estados da federação e a marca quer registro nacional. Aplica-se o Princípio da Especialidade, deve-se verificar o ramo da atividade de cada um. • Atividades diversas – não haverá conflito, podem coexistir; • Mesma atividade – a marca não poderá fazer o registro 3ª Hipótese http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 121 Há uma marca registrada e se quer registrar um nome empresarial. Neste caso, é necessário avaliar se a marca é de alto renome ou não. • Marca de alto renome:está protegida em todos os ramos de atividade. Portanto, não poderá haver o registro; • Não é marca de alto renome: aplica-se o Princípio da Especialidade. Portanto, se o ramo de atividade for distinto, poderão coexistir; caso seja o mesmo, não poderá haver o registro do nome empresarial. STJ (RESp. 1209919/SC): RECURSO ESPECIAL. DIREITO MARCÁRIO. PRETENSÃO DA AUTORA DE EXCLUSIVIDADE DE USO DO NOME "CHANDON" EM QUALQUER ATIVIDADE. AUSÊNCIA DE REGISTRO COMO MARCA DE ALTO RENOME. MARCA NOTORIAMENTE CONHECIDA. PROTEÇÃO RESTRITA AO RESPECTIVO RAMO DE ATIVIDADE. MANUTENÇÃO DO REGISTRO DE MARCA DA RECORRIDA. EXERCÍCIO DE RAMOS DE ATIVIDADES DIVERSOS. RECURSO IMPROVIDO. 1. As marcas de alto renome, registradas previamente no INPI como tal, gozam, nos termos do art. 125 da Lei 9.279/96, de proteção em todos os ramos de atividade, enquanto as marcas notoriamente conhecidas gozam de proteção internacional, independentemente de formalização de registro no Brasil, apenas em seu ramo de atividade, consoante dispõem os arts. 126 da referida lei e 6º bis, 1, da Convenção da União de Paris, ratificada pelo Decreto 75.572/75. Neste último, é plenamente aplicável o princípio da especialidade, o qual autoriza a coexistência de marcas idênticas, desde que os respectivos produtos ou serviços pertençam a ramos de atividades diversos. 2. O aludido princípio visa a evitar a confusão no mercado de consumo do produto ou serviço prestado por duas ou mais marcas, de modo que, para tanto, deve ser levado em consideração o consumidor sob a perspectiva do homem médio. 3. No caso dos autos, o uso das duas marcas não é capaz de gerar confusão aos consumidores, assim considerando o homem médio, mormente em razão da clara distinção entre as atividades realizadas por cada uma delas. Não há risco, de fato, de que o consumidor possa ser levado a pensar que a danceteria seria de propriedade (ou franqueada) da MOET CHANDON francesa, proprietária do famoso champanhe. 4. Não se tratando a recorrente de marca de alto renome, mas de marca notoriamente conhecida e, portanto, protegida apenas no seu mesmo ramo de atividade, não há como alterar as conclusões constantes do acórdão recorrido. 5. Recurso especial improvido. 5.2.10. Trade Dress Trade dress ou conjunto-imagem consiste no conjunto de elementos distintivos que caracterizam um produto, um serviço ou um estabelecimento comercial fazendo com que o mercado consumidor os identifique. É o conjunto de características visuais que forma a aparência geral de um produto ou serviço. O denominado trade dress, não disciplinado na legislação nacional atual, tem por finalidade proteger o conjunto visual global de um produto ou a forma de prestação de um serviço. Materializa- se, portanto, pela associação de variados elementos que, conjugados, traduzem uma forma peculiar http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 122 e suficientemente distintiva de inserção do bem no mercado consumidor, vinculando-se à identidade visual dos produtos ou serviços. Apesar de não haver legislação específica, a proteção do trade dress é assegurada com fundamento no dever geral de garantia de livre mercado, ou seja, no dever estatal de assegurar o funcionamento saudável do mercado, de forma a expurgar condutas desleais tendentes a criar distorções de concorrência. (...) A despeito da ausência de expressa previsão no ordenamento jurídico pátrio acerca da proteção ao trade dress, é inegável que o arcabouço legal brasileiro confere amparo ao conjunto-imagem, sobretudo porque sua usurpação encontra óbice na repressão da concorrência desleal. Incidência de normas de direito de propriedade industrial, de direito do consumidor e do Código Civil. (...) STJ. 3ª Turma. REsp 1677787/SC, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 26/09/2017. O trade dress é violado quando uma empresa imita sutilmente diversas características da marca concorrente (normalmente a líder do mercado) com o objetivo de confundir o público e angariar vendas com base na fama da marca copiada. Em um caso concreto, o TJ/SP entendeu que uma empresa cuja marca era “Uai in box” teria violado a trade dress da “China in box”. Além do nome parecido, a empresa “Uai in box” também oferecia comida em delivery com pacotes iguais ao da “China in box”. Segundo já decidiu o STJ (REsp 1.677.787/SC, Terceira Turma, DJe 02/10/2017), para a configuração da prática de atos de concorrência desleal derivados de imitação de trade dress, não basta que o titular comprove que utiliza determinado conjunto-imagem, sendo necessária a observância de alguns requisitos básicos para garantia da proteção jurídica. Vejamos: 1) Em primeiro lugar, há que se atentar para o fato de que as características gráfico-visuais do produto ou embalagem não podem guardar relação com exigências inerentes à técnica ou à funcionalidade precípua do produto. Ou seja, os elementos que formam o conjunto-imagem não podem ter outra função ou propósito que não seja especificamente a diferenciação do bem no mercado onde está inserido. 2) Deve haver a possibilidade de confusão ou associação indevida entre os produtos, na medida em que configura prática anticoncorrencial a utilização de artifícios capazes de ensejar desvio de clientela (art. 195, III, da LPI). 3) Outro elemento que deve estar presente para que o titular do direito possa reclamar tutela jurisdicional - além da anterioridade do uso do conjunto-imagem - é sua distintividade frente aos concorrentes. Em outras palavras, protege-se o trade dress que é diferente, distinto dos demais, e não o que é comum, ordinário. Para a caracterização da infringência de marca, não é suficiente que se demonstrem a semelhança dos sinais e a sobreposição ou afinidade das atividades, é necessário que a coexistência das marcas seja apta a causar confusão no consumidor ou prejuízo ao titular da marca anterior, configurando concorrência desleal. STJ. 3ª Turma. REsp 1726804-RJ, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 27/09/2022 (Info 752). http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 123 Para configuração da prática de atos de concorrência desleal derivados de imitação de trade dress, não basta que o titular, simplesmente, comprove que utiliza determinado conjunto-imagem, sendo necessária a observância de alguns pressupostos para garantia da proteção jurídica: a) ausência de caráter meramente funcional; b) distintividade; c) confusão ou associação indevida; d) anterioridade de uso. STJ. 3ª Turma. REsp 1.943.690-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 19/10/2021 (Info 715). 5.2.11. Extinção do REGISTRO da marca Caducidade: 05 anos (art. 143). Art. 142. O registro da marca extingue-se: I - pela expiração do prazo de vigência; II - pela renúncia, que poderá ser total ou parcial em relação aos produtos ou serviços assinalados pela marca; III - pela caducidade; ou IV - pela inobservância do disposto no art. 217. Art. 143 - Caducará o registro, a requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse se, decorridos 5 (cinco) anos da sua concessão, na data do requerimento: I - o uso da marca não tiver sido iniciado no Brasil; ou II - o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 (cinco) anos consecutivos, ou se, no mesmo prazo, a marca tiver sido usada com modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original, tal como constante do certificado de registro. § 1º Não ocorrerá caducidade se o titular justificar o desuso da marca por razões legítimas. § 2º O titular será intimado para se manifestar no prazo de 60 (sessenta) dias, cabendo-lhe o ônus de provar o uso da marca ou justificar seu desuso por razões legítimas. Sobre a possibilidade de o registro da marca caducar em função do não uso, vejamos o esquema construído pelo Dizer o Direito1 sobre ojulgado a seguir. A Lei 9.279/96 prevê a possibilidade de o registro da marca caducar se não for usada: Art. 143. Caducará o registro, a requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse se, decorridos 5 (cinco) anos da sua concessão, na data do requerimento: I — o uso da marca não tiver sido iniciado no Brasil; ou II — o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 (cinco) anos consecutivos, ou se, no mesmo prazo, a marca tiver sido usada com modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original, tal como constante do certificado de registro. 1 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Caducidade de marca (art. 143 da LPI). Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 16/12/2022. https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/c1fea270c48e8079d8ddf7d06d26ab52 http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 124 Imagine que uma marca é registrada no INPI. A empresa começa a fabricá-lo aqui no Brasil, mas ele só é vendido para o mercado externo, nunca sendo comercializado aqui. Há risco de haver a caducidade da marca com base no inciso I? NÃO. Se o titular da marca registrada no Brasil industrializa, fabrica, elabora o produto em território nacional, claramente inicia e faz uso da marca no Brasil, merecendo toda proteção legal, pois aqui empreende, gerando produção, empregos e riqueza, sendo indiferente que a mercadoria aqui produzida seja destinada ao mercado interno ou exclusivamente ao externo. Produzir no País o produto com a marca aqui registrada atende suficientemente ao requisito legal de “uso da marca iniciado no Brasil”. Imagine que uma marca é registrada no INPI. A empresa (de grande porte) começa a fabricá- lo aqui no Brasil, mas depois de mais de 5 anos, somente produziu cerca de 70 pacotes do produto. Há risco de haver a caducidade da marca com base no inciso II? SIM. É possível que se reconheça a caducidade do registro da marca quando, em um período de cinco anos, o valor e o volume de vendas do produto relacionado à marca forem inexpressivos. No caso analisado pelo STJ, o uso esporádico da marca, com escassas negociações no mercado, foi considerado inexpressivo dentro da magnitude das operações bilionárias realizadas pela empresa, portanto, insuficiente para configurar e comprovar o uso efetivo da marca. 6. ASPECTOS PROCESSUAIS DA LPI Ações de Nulidade do registro ou patente: Tanto pode ser ação judicial quanto ação administrativa. a) Patente (invenção / modelo de utilidade) Prazo administrativo: 06 meses contados da CONCESSÃO da patente. Prazo judicial: Pode ingressar com a ação enquanto a patente estiver vigente. Art. 51. O processo de nulidade poderá ser instaurado de ofício ou mediante requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse, no prazo de 6 (seis) meses contados da concessão da patente. Parágrafo único. O processo de nulidade prosseguirá ainda que extinta a patente. b) Desenho industrial Prazo administrativo: 05 anos contados da CONCESSÃO do registro. Prazo Judicial: Enquanto permanecer o registro. Art. 113. A nulidade do registro será declarada administrativamente quando tiver sido concedido com infringência dos arts. 94 a 98. § 1º O processo de nulidade poderá ser instaurado de ofício ou mediante requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse, no prazo de 5 (cinco) anos contados da concessão do registro, ressalvada a hipótese prevista no parágrafo único do art. 111. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 125 § 2º O requerimento ou a instauração de ofício suspenderá os efeitos da concessão do registro se apresentada ou publicada no prazo de 60 (sessenta) dias da concessão. c) Marca Prazo administrativo: 180 dias contados da EXPEDIÇÃO do certificado de registro. Prazo judicial: 05 anos contados da concessão. Art. 169. O processo de nulidade poderá ser instaurado de ofício ou mediante requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse, no prazo de 180 (cento e oitenta) dias contados da data da expedição do certificado de registro Art. 174. Prescreve em 5 (cinco) anos a ação para declarar a nulidade do registro, contados da data da sua concessão. A ação de nulidade (seja de marca/patente) deve ser ajuizada na JF. Se o INPI não for o autor da ação, ele deverá intervir no processo. O prazo de resposta do réu é de 60 dias, tanto nas ações judiciais quanto administrativas (art. 175, §1º). Art. 175. A ação de nulidade do registro será ajuizada no foro da justiça federal e o INPI, quando não for autor, intervirá no feito. § 1º O prazo para resposta do réu titular do registro será de 60 (sessenta) dias. INVENÇÃO MODELO DE U. DESENHO INDU. MARCA ADMINISTRATIVO 06 meses 06 meses 05 anos 180 dias JUDICIAL - - - 05 anos 7. PRESCRIÇÃO Art. 225 da LPI, será de cinco anos. Art. 225. Prescreve em 5 (cinco) anos a ação para reparação de dano causado ao direito de propriedade industrial. ➔ Qual o termo inicial deste prazo prescricional? O termo inicial do prazo prescricional de cinco anos (art. 225, Lei 9279/1996) para pleitear indenização pelos prejuízos decorrentes do uso de marca industrial que imite outa preexistente, suscetível de causar confusão ou associação com marca alheia registrada (Art. 124, XIX) é a data da violação do direito à propriedade intelectual e se renova enquanto houve o indevido uso. Isso porque o prazo prescricional começa a correr tão logo nasça a pretensão, a qual tem origem com a violação do direito subjetivo (o direito de propriedade industrial). No entanto, considerando que a citada violação é permanente, enquanto o réu continuar a utilizar marca alheia registrada, diariamente o direito será violado, nascendo nova pretensão indenizatória. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 126 8. FORMAS DE EXTINÇÃO DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL 1) Expiração do prazo de vigência (cai em domínio público). 2) Renúncia (que somente poderá ser feita se não houver prejuízo para terceiros, como licenciados, por exemplo). Art. 79. A RENÚNCIA só será admitida se não prejudicar direitos de terceiros. 3) Caducidade: Falta de uso da propriedade ou uso insatisfatório. Exemplo: art. 143, ambos da LPI. Art. 143 - Caducará o registro, a requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse se, decorridos 5 (cinco) anos da sua concessão, na data do requerimento: I - o uso da marca não tiver sido iniciado no Brasil; ou II - o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 (cinco) anos consecutivos, ou se, no mesmo prazo, a marca tiver sido usada com modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original, tal como constante do certificado de registro. Tem-se uma marca e não utiliza por 5 anos, haverá caducidade da marca. 4) Falta de pagamento da retribuição anual (taxa anual devida ao INPI) 5) Inobservância do art. 217 da LPI: Art. 217. A pessoa domiciliada no exterior deverá constituir e manter procurador devidamente qualificado e domiciliado no País, com poderes para representá-la administrativa e judicialmente, inclusive para receber citações. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 127 DIREITO SOCIETÁRIO 1. QUADRO SOCIETÁRIO EMPRESARIAL Quadro geral das sociedades (empresárias): 1.1. SOCIEDADE NÃO PERSONIFICADA Aquela que não possui personalidade jurídica, divide-se em: a) Sociedade em comum b) Sociedade em conta de participação 1.2. SOCIEDADE PERSONIFICADA Possui personalidade jurídica, são as: a. Sociedade em nome coletivo (1.039 a 1.044 CC) b. Sociedade em comandita simples (1.045 a 1.051 CC) c. Sociedade limitada (1.052 a 1.087CC) d. Sociedade anônima (1.088 a 1.089 CC e Lei 6.404/76 - LSA) e. Sociedade em comandita por ações (1.090 a 1.092 CC) 2. CONCEITO DE SOCIEDADE O conceito de sociedade está previsto no art. 981 do CC. Observe: Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. É possível perceber pela redação do art. 981 do CC que a sociedade exige, em regra, pluralidade de sócios. Admite-se, excepcionalmente, a sociedade unipessoal, formada por um único sócio, a exemplo da subsidiária integral, da sociedade unipessoal LTDA, da sociedade unipessoal de advocacia. 3. SOCIEDADES NÃO PERSONIFICADAS 3.1. SOCIEDADE EM COMUM http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 128 Muitos a chamavam de irregular ou sociedade de fato, não existe mais esta denominação, quando uma sociedade não tem registro, se chama sociedade em comum. Sociedade que ainda não inscreveu seus atos constitutivos no órgão de registro competente, qual seja, a Junta Comercial. O entendimento majoritário é no sentido de se tratar de sociedades contratuais em formação. Art. 986. Enquanto não inscritos os atos constitutivos, reger-se-á a sociedade, exceto por ações em organização, pelo disposto neste Capítulo, observadas, subsidiariamente e no que com ele forem compatíveis, as normas da sociedade simples (= não empresária). 3.1.1. Responsabilidade dos sócios A responsabilidade do sócio é ilimitada. Não basta só saber que a sociedade é ilimitada, a responsabilidade que o sócio tem perante a sociedade é subsidiária. Enunciado 212 da JDC - Embora a sociedade em comum não tenha personalidade jurídica, o sócio que tem seus bens constritos por dívida contraída em favor da sociedade, e não participou do ato por meio do qual foi contraída a obrigação, tem o direito de indicar bens afetados às atividades empresariais para substituir a constrição. O sócio tem o chamado benefício de ordem (ordem a ser seguida: 1º bens da sociedade, 2º bens dos sócios, art. 1.024 CC). Art. 1.024. Os bens particulares dos sócios não podem ser executados por dívidas da sociedade, senão depois de executados os bens sociais. Regra 2: responsabilidade que sócio tem perante os demais sócios → solidária. Aquele que contratou pela sociedade não pode alegar benefício de ordem, somente podem alegar os demais sócios. Art. 990 cc. Art. 990. Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais, excluído do benefício de ordem, previsto no art. 1.024, aquele que contratou pela sociedade. Art. 988 do CC chama o patrimônio da sociedade comum de patrimônio especial e diz que quem vai ser o titular deste patrimônio serão os sócios desta sociedade, serão cotitulares deste patrimônio. Não é da sociedade pois ela não tem personalidade jurídica, consequentemente não tem autonomia patrimonial. Art. 987. Os sócios, nas relações entre si ou com terceiros, somente por escrito podem provar a existência da sociedade, mas os terceiros podem prová-la de qualquer modo. Art. 988. Os bens e dívidas sociais constituem patrimônio especial, do qual os sócios são titulares em comum. Perceber: Sócio → Sociedade. Responsabilidade subsidiária. 1.024 CC. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 129 Sócio → Sócio(s). Responsabilidade solidária. 990 CC. Art. 1.024. Os bens particulares dos sócios não podem ser executados por dívidas da sociedade, senão depois de executados os bens sociais. Art. 990. Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais, excluído do benefício de ordem, previsto no art. 1.024, aquele que contratou pela sociedade. Responsabilidade subsidiária perante a sociedade Como o tema foi cobrado em concurso? TRF4 (2022) A sociedade em comum caracteriza-se pela não inscrição dos atos constitutivos e pela responsabilidade solidária e ilimitada dos sócios pelas obrigações sociais. Correta! DPE/SC (2021) Em uma sociedade em comum, todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais, excluído do benefício de ordem aquele que contratou pela sociedade. Correta! 3.2. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO Art. 991. Na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando os demais dos resultados correspondentes. Aqui, então temos duas categorias de sócio: 3.2.1. Sócio Ostensivo Exerce o objeto social. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 130 Responsabilidade exclusiva (responde perante terceiros). Agir em seu nome individual Obs.: como ela não tem personalidade jurídica, não terá nome empresarial. Tudo que o sócio ostensivo faz, faz em favor da sociedade, mas em seu nome individual e não em nome da sociedade. 3.2.2. Sócio Participante Participa dos resultados. André Santa Cruz diz que na verdade não se trata, propriamente de uma sociedade, mas de um contrato especial de investimento. Mais de 90% dos “Flats” no Brasil são em conta de participação. Temos uma construtora com equipamentos e funcionários suficientes para levantar uma obra, entretanto não há dinheiro suficiente para levantar uma obra, faço uma sociedade em conta de participação, eu serei o sócio ostensivo, e vocês os participantes, me concederão o capital e eu farei a obra. Em decorrência da administração, peço ainda uma parcela do rendimento mensal dos aluguéis, e apartamentos. Caso caia este prédio, a priori, somente eu responderei. Tudo que eu faço tenho que fazer em meu nome individual, visto que a sociedade não tem nome empresarial. Se sofre uma ação, quem figura no polo passivo é o sócio ostensivo, e não a sociedade. Quando se leva o contrato para registro na Junta Comercial do Estado se está querendo obter a sua personalidade jurídica. Logo, não tem justificativa registrar este contrato. Por esta razão, o sócio é chamado de “oculto” ou “participante”, pois não se tem como tomar ciência do contrato. Logo, para quem está vendendo móveis está vendendo para a construtora (sócio ostensivo) e não para a sociedade em conta de participação. Art. 985. A sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição, no registro próprio e na forma da lei, dos seus atos constitutivos (arts. 45 e 1.150). Entretanto: Exceção da Sociedade em Conta de Participação: Art. 993. O contrato social produz efeito somente entre os sócios, e a eventual inscrição de seu instrumento em qualquer registro não confere personalidade jurídica à sociedade. Parágrafo único. Sem prejuízo do direito de fiscalizar a gestão dos negócios sociais, o sócio participante não pode tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros, sob pena de responder solidariamente com este pelas obrigações em que intervier. Como o tema foi cobrado em concurso? TRF4 (2022) Na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva do objeto social deverá ser exercida em conjunto pelo sócio ostensivo e pelo sócio participante. Errada! http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 131 TRF4 (2022) A inscrição em registro do contrato conferirá personalidade jurídica à sociedade em conta de participação. Errada! DPE/TO (2022) Na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva do objeto social deve ser exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando os demais dos resultados correspondentes. Correta! TJ/RS (2022) A sociedade em conta de participação é regida, subsidiariamente,pelas regras aplicáveis à sociedade simples. Correta! TJ/RS (2022) Os bens e dívidas sociais não constituem patrimônio especial na sociedade em comum. Errada! 4. SOCIEDADES PERSONIFICADAS 4.1. VISÃO GERAL Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. Quanto ao objeto (natureza), a sociedade personificada pode ser uma sociedade empresária ou uma sociedade simples. 4.2. REGISTRO DA SOCIEDADE http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 132 Sociedade empresária: Registro na Junta Comercial (art. 1.150) (que como já vimos é a ‘faceta’ estadual do Registro Público de Empresas Mercantis, ver acima). Sociedade simples: Registro no Registro Civil de Pessoa Jurídica (art. 1.150) → Cartório. Art. 1.150. O empresário e a sociedade empresária vinculam-se ao Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais, e a sociedade simples ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas, o qual deverá obedecer às normas fixadas para aquele registro, se a sociedade simples adotar um dos tipos de sociedade empresária Exceções: • Sociedade de advogados (sociedade simples) é registrada na OAB para adquirir personalidade jurídica. • Cooperativa, que apesar de sempre ser sociedade simples (mesmo se desenvolver atividade empresária), deve ser registrada na Junta Comercial (Lei 8.934/94, art. 32). Art. 32. O registro compreende: I - a matrícula e seu cancelamento: dos leiloeiros, tradutores públicos e intérpretes comerciais, trapicheiros e administradores de armazéns-gerais; II - O arquivamento: a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas; 4.3. CLASSIFICAÇÃO DAS SOCIEDADES PERSONIFICADAS 4.3.1. Quanto ao objeto a) Sociedade empresária É aquela que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário, sujeito a registro. Organização empresarial e produção ou circulação de bens ou serviços. b) Sociedade simples Tida por não empresária. Não classificada como de empresário, se a sociedade simples tem como atividade uma profissão intelectual (de natureza científica, literária ou artística – ver início do caderno), como diz o código civil, será uma sociedade simples. A sociedade não deve possuir também organização empresarial. Profissão intelectual + sociedade que não possui organização empresarial. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 133 4.3.2. Quanto à forma (tipo societário) Sociedade Empresária (DEVE constituir-se por alguma dessas formas – 982 CC primeira parte) Sociedade Simples (PODE constituir-se por alguma dessas formas – 982 CC segunda parte) Sociedade em nome coletivo Sociedade em comandita simples Sociedade em comandita por ações (C/A) Sociedade anônima (S/A) Sociedade LTDA *não pode ser cooperativa, assim como não pode ser “empresária/simples”. Sociedade em nome coletivo Sociedade em comandita simples Sociedade LTDA Cooperativas Simples/simples (S/S – simples pura – não sofre influência de nenhum outro tipo societário)¹ *perceber, só não pode constituir-se em sociedade por ações (C/A e S/A)! Registro: Junta Comercial Registro: Registro Civil de Pessoa Jurídica. Art. 983. A sociedade empresária deve constituir-se segundo um dos tipos regulados nos arts. 1.039 a 1.092; a sociedade simples pode constituir-se de conformidade com um desses tipos, e, não o fazendo, subordina-se às normas que lhe são próprias. Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. Exceções: Sociedade de Advogados é simples, sendo o registro feito na OAB. Cooperativa – ainda que seja sociedade simples, deve ser registrada na Junta Comercial (lei 8934/94). Art. 982 - Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera- se empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa. ¹Assim, a “sociedade simples” pode ser: - Natureza jurídica da sociedade (não empresária) - Tipo societário (simples pura) - Regras gerais de direito societário (dispositivos referentes a outros tipos remetem a este, de maneira suplementar). Exemplos (regra geral): art. 1.040, 1.053. Art. 1.040. A sociedade em nome coletivo se rege pelas normas deste Capítulo e, no que seja omisso, pelas do Capítulo antecedente (capítulo da sociedade simples). Art. 1.053. A sociedade limitada rege-se, nas omissões deste Capítulo, pelas normas da sociedade simples. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 134 Muito importante é estudar a estrutura das Sociedades Simples, pois será a base de quase todos os tipos societários no caso de omissão. Portanto, o mais interessante foi perceber que alguns institutos previstos para as sociedades simples não aparecem nas demais sociedades, assim, no momento de estudo precisamos sempre compará-los, porque poderão ser aplicados supletivamente quando previsto em lei. OBS: Tendo em vista que as S/A são formalizadas por Estatuto com regramento próprio, as regras das sociedades simples são, na maioria das vezes, aplicadas em grande quantidade às LTDA. Sendo assim, iremos confrontar os dois institutos para trabalharmos apenas com as diferenças, pois é assim que vem sendo cobrado em provas. Assim, após as confrontações chegamos às seguintes conclusões: As seguintes seções das sociedades simples são de leitura OBRIGATÓRIA, pois nas provas eles pedem esse conteúdo nas LTDA. Seção I Do Contrato Social (art. 997 a 1.009); Seção II Dos Direitos e Obrigações dos Sócios; Seção IV Das Relações com Terceiros (art. 1.022 a 1.027). 4.3.3. Quando ao grau de dependência às qualidades dos sócios http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 135 Critério: Leva em conta o grau de dependência da sociedade em relação às qualidades subjetivas dos sócios (competência, honestidade etc.). a) Sociedade de pessoas Quando os atributos dos sócios são relevantes para o sucesso da atividade empresarial, estamos diante de sociedade de pessoas. Ex.: Sociedade de conserto de computadores. Nesses casos, os integrantes da sociedade precisam ter garantias acerca do perfil de quem pretenda integrar o quadro social. Por isso, a alienação de uma cota ou ação dessa sociedade depende de prévia anuência dos demais sócios. Ou seja, na sociedade de pessoas os sócios têm o direito de vetar o ingresso de estranho no quadro associativo. É o caso da sociedade em nome coletivo (N/C) e em comandita simples (C/S). É em razão disso que se entende que as quotas sociais das sociedades de pessoas são impenhoráveis, ou seja, para garantir que um terceiro não venha a fazer parte da sociedade sem a anuência dos demais integrantes. O STJ, no entanto, já decidiu de modo diverso ao dizer que as quotas da sociedade limitada são penhoráveis, mesmo que seja sociedade de pessoa. Argumentos do STJ: • Princípio da ordem pública (art. 789 do CPC): Art. 789. O devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros para o cumprimento de suas obrigações, salvo as restrições estabelecidas em lei. • O CPC/2015 (art. 833) estabelece quais são os bens impenhoráveis, não estando as quotas sociais entre eles. Temos ainda no art. 835, IX do CPC/2015 a possibilidade penhora de ações e quotas de sociedades empresárias. Art. 835. A penhora observará, preferencialmente, a seguinte ordem: IX - ações e quotas de sociedades simples e empresárias; Entretanto, ao credor, hoje o mais interessante é a utilização do art. 1.026 do CC:Art. 1.026. O credor particular de sócio pode, na insuficiência de outros bens do devedor, fazer recair a execução sobre o que a este couber nos lucros da sociedade, ou na parte que lhe tocar em liquidação. Ou seja, nem precisa penhorar a cota, não entra nessa discussão. Nesse sentido, o STJ entende que a penhora sobre as quotas sociais não deve ser a primeira opção porque esta medida poderá acarretar o fim da pessoa jurídica e nosso Direito consagra os princípios da conservação da empresa e da menor onerosidade da execução. Assim, não se pode autorizar desde logo a penhora sobre as quotas sociais. Cabia ao exequente requerer, antes disso, a penhora dos lucros relativos às quotas sociais correspondentes à meação do devedor, não podendo ser deferida, de imediato, a penhora das quotas sociais de sociedade empresária que se encontra em plena atividade, o que poderia causar prejuízo a http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 136 terceiros, como funcionários, fornecedores etc. Somente se não houvesse lucros é que poderia ser feita a penhora das quotas com a liquidação da sociedade (art. 1.026 do CC). b) Sociedade de capital Por outro lado, quando as características subjetivas dos sócios forem irrelevantes para o sucesso da empresa, ou seja, quando somente tem importância o capital investido, nesse caso estaremos diante de sociedade de capital. Quanto à sociedade de capital, vige o princípio da livre circulação na participação societária, ou seja, os integrantes sociais não têm o direito de vetar o ingresso de terceiro estranho. É o caso da sociedade anônima (S/A) e da sociedade em comandita por ações (C/A). Esta classificação é importante para falarmos em 03 assuntos: Sociedade de pessoas Sociedade de Capital Cessão de Quotas A característica pessoal é importante. Então precisa de autorização dos sócios para a cessão das quotas. A cessão de quotas é livre. Ingresso de herdeiro em caso de falecimento de sócio/acionista Da mesma forma que a anterior, precisa de autorização dos sócios. O ingresso do herdeiro é livre. Penhora de Quotas Impenhoráveis, pois o ingresso do terceiro estranho pode comprometer o funcionamento da sociedade Penhoráveis. Por isso as quotas de uma S/A são penhoráveis, por serem uma sociedade de capital. 4.3.4. Quanto à constituição e dissolução Critério de distinção: Regime de constituição e dissolução do vínculo societário. a) Contrato Social Na sociedade contratual o ato constitutivo é o contrato social. É o caso da sociedade em nome coletivo, comandita simples e limitada (LTDA). Além da despersonificada sociedade em conta de participação. b) Estatuto Social Na sociedade institucional o ato constitutivo é o estatuto social. É o caso da sociedade em comandita por ações e sociedade anônima. Estatuto X Contrato Sobre o contrato incidem os princípios contratuais. Sobre o Estatuto não incidem princípios contratuais, mas sim a lei de sociedades por ações (Lei 6.404/76). http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 137 As sociedades contratuais são constituídas em função de interesses particulares, por isso, a interferência do legislador é mínima, entretanto, nas sociedades institucionais o vínculo dos sócios não é contratual, mas estatutário, estes cuidam de interesse geral da sociedade como instituição. Por isso, a intervenção do legislador é importante, principalmente pelo fato destas se dedicarem, na maioria dos casos, ao macro empreendimento. Exemplos: • Sociedade limitada é contratual. Se morrer um sócio, o herdeiro só assume a posição se quiser (ninguém é obrigado a contratar). • Sociedade anônima é institucional. Se morrer um acionista, os herdeiros automaticamente têm as ações, como manda a lei. 4.3.5. Quanto à responsabilidade do sócio pelas obrigações sociais Critério: Responsabilidade do sócio pelas obrigações sociais. a) Responsabilidade ilimitada Se o patrimônio social é insuficiente, o sócio responde ilimitadamente pelas dívidas sociais com seu patrimônio pessoal. Ex.: sociedade em nome coletivo. b) Responsabilidade limitada O sócio só responde pelo valor das suas quotas ou ações, não recaindo a dívida sobre seu patrimônio pessoal, salvo se houver quotas subscritas e não integralizadas. Ex.: Sociedade anônima. c) Responsabilidade mista Presença de Sócios com responsabilidade limitada e sócios com responsabilidade ilimitada. Ex.: Sociedade em comandita simples. 4.3.6. Quanto à nacionalidade Pouco importa a nacionalidade dos sócios ou a origem do capital. Para a sociedade ser considerada brasileira deve preencher os dois requisitos do art. 1.126 do CC: • A sociedade deve ser organizada de acordo com a lei brasileira. • Sede da administração deve ser no Brasil. Art. 1.126. É nacional a sociedade organizada de conformidade com a lei brasileira e que tenha no País a sede de sua administração. O CC não traz definição de sociedade estrangeira. Assim, faltando qualquer dos requisitos, a sociedade é considerada estrangeira. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 138 OBS: o art. 1.134 é importantíssimo, fala da sociedade estrangeira: não importa que tipo de atividade a sociedade estrangeira exerça, ela somente poderá ser constituída no Brasil, se o poder executivo federal autorizar. Art. 1.134. A sociedade estrangeira, qualquer que seja o seu objeto, não pode, sem autorização do Poder Executivo, funcionar no País, ainda que por estabelecimentos subordinados, podendo, todavia, ressalvados os casos expressos em lei, ser acionista de sociedade anônima brasileira. Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/BA (2019) De acordo com o Código Civil, é característica das sociedades cooperativas o concurso de sócios em número mínimo necessário para compor a administração da sociedade, sem limitação de número máximo. Correta! MPE/PR (2019) Não é característica da sociedade cooperativa Intransferibilidade das quotas do capital a terceiros estranhos à sociedade, salvo por herança. Correta! Vamos agora ao estudo pormenorizado de cada um dos tipos societários (de sociedades empresárias). 5. SOCIEDADE SIMPLES 5.1. CONTRATO SOCIAL A sociedade simples é uma sociedade contratual, consequentemente será regida por um contrato social, o qual será regido pelo art. 997 do CC. Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: I - nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência dos sócios, se pessoas naturais, e a firma ou a denominação, nacionalidade e sede dos sócios, se jurídicas; II - denominação, objeto, sede e prazo da sociedade; III - capital da sociedade, expresso em moeda corrente, podendo compreender qualquer espécie de bens, suscetíveis de avaliação pecuniária; IV - a quota de cada sócio no capital social, e o modo de realizá-la; V - as prestações a que se obriga o sócio, cuja contribuição consista em serviços; VI - as pessoas naturais incumbidas da administração da sociedade, e seus poderes e atribuições; VII - a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas; VIII - se os sócios respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais. Parágrafo único. É ineficaz em relação a terceiros qualquer pacto separado, contrário ao disposto no instrumento do contrato. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 139 5.2. PLURIPESSOALIDADE A sociedade simples, ao ser constituída, precisa de dois ou mais sócios. Salienta-se que a sociedade unipessoal de advocacia admite apenas um sócio, sendo uma exceção à pluripessoalidade. Estatuto da OAB Art. 15. Os advogados podem reunir-se em sociedade simples de prestação de serviços de advocacia ou constituir sociedade unipessoal de advocacia,na forma disciplinada nesta Lei e no regulamento geral. (Redação dada pela Lei nº 13.247, de 2016) Art. 16. Não são admitidas a registro nem podem funcionar todas as espécies de sociedades de advogados que apresentem forma ou características de sociedade empresária, que adotem denominação de fantasia, que realizem atividades estranhas à advocacia, que incluam como sócio ou titular de sociedade unipessoal de advocacia pessoa não inscrita como advogado ou totalmente proibida de advogar. (Redação dada pela Lei nº 13.247, de 2016) Após a constituição da sociedade simples, admitia-se a unipessoalidade temporária ou incidental. Ou seja, pelo prazo de 180 dias, sob pena de dissolução, era possível que a sociedade simples tivesse apenas um sócio, nos termos do revogado inciso IV, do art. 1.033 do CC. Art. 1.033. Dissolve-se a sociedade quando ocorrer: (...) IV - a falta de pluralidade de sócios, não reconstituída no prazo de cento e oitenta dias; (Revogado pela Lei nº 14.195, de 2021) (...) Parágrafo único. Não se aplica o disposto no inciso IV caso o sócio remanescente, inclusive na hipótese de concentração de todas as quotas da sociedade sob sua titularidade, requeira, no Registro Público de Empresas Mercantis, a transformação do registro da sociedade para empresário individual ou para empresa individual de responsabilidade limitada, observado, no que couber, o disposto nos arts. 1.113 a 1.115 deste Código. (Revogado pela Lei nº 14.195, de 2021) Essa regra existia porque no Brasil não se admitia sociedade unipessoal. Ocorre que, com a autorização dada pela Lei nº 13.874/2019 para que exista sociedade unipessoal, a previsão do inciso IV deixou de ter sentido. Ora, se uma sociedade, que era composta por pluralidade de sócios, passou a contar com apenas um único sócio, ela deve se tornar uma sociedade unipessoal, não havendo motivo para que seja dissolvida. Assim, a Lei nº 14.195/2021 decidiu revogar o inciso IV e o parágrafo único do art. 1.033 do Código Civil. 5.3. QUOTAS SOCIAIS 5.3.1. Conceito http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13247.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13247.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13247.htm#art2 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13247.htm#art2 http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 140 Trata-se de frações do capital social que conferem ao seu titular o direito de sócio de uma sociedade. 5.3.2. Titularidade das quotas Tanto a pessoa física quanto a pessoa jurídica podem ser sócios de uma sociedade simples. Ressalta-se que o incapaz poderá ser sócio, desde que preencha os três requisitos cumulativos previsto no art. 974, §3º do CC: • Não pode exercer administração; • Capital social totalmente integralizado; • Esteja devidamente assistido ou representado. Vale destacar que faculta-se a sociedade entre os cônjuges, desde que o regime de bens seja diverso da comunhão universal de bens ou da separação obrigatória de bens. Art. 977. Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com terceiros, desde que não tenham casado no regime da comunhão universal de bens, ou no da separação obrigatória. JDC CJF204 Art. 977: A proibição de sociedade entre pessoas casadas sob o regime da comunhão universal ou da separação obrigatória só atinge as sociedades constituídas após a vigência do Código Civil de 2002. 5.3.3. Formas de integralização Trata-se do pagamento das quotas, podendo ser feito através de: • Dinheiro; • Bens móveis; • Bens imóveis; • Prestação de serviços. Art. 1.006. O sócio, cuja contribuição consista em serviços, não pode, salvo convenção em contrário, empregar-se em atividade estranha à sociedade, sob pena de ser privado de seus lucros e dela excluído. 5.3.4. Sócio remisso É aquele sócio que não integralizou as suas quotas sociais. Imagine, por exemplo, que Fernanda possui 50% das quotas, Antônio 30% e Rafaela 20%. Fernanda e Antônio integralizaram o valor total das quotas, enquanto Rafaela integralizou apenas http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 141 10%. Diante disso, é possível cobrar uma indenização, excluir o sócio remisso ou reduzir a sua quota. Art. 1.004. Os sócios são obrigados, na forma e prazo previstos, às contribuições estabelecidas no contrato social, e aquele que deixar de fazê- lo, nos trinta dias seguintes ao da notificação pela sociedade, responderá perante esta pelo dano emergente da mora. Parágrafo único. Verificada a mora, poderá a maioria dos demais sócios preferir, à indenização, a exclusão do sócio remisso, ou reduzir-lhe a quota ao montante já realizado, aplicando-se, em ambos os casos, o disposto no § 1º do art. 1.031. 5.3.5. Cessão de quotas sociais Está disciplinada no art. 1.003 do CC, só será possível com a modificação do contrato social, bem como com a autorização dos demais sócios. Art. 1.003. A cessão total ou parcial de quota, sem a correspondente modificação do contrato social com o consentimento dos demais sócios, não terá eficácia quanto a estes e à sociedade. Parágrafo único. Até dois anos depois de averbada a modificação do contrato, responde o cedente solidariamente com o cessionário, perante a sociedade e terceiros, pelas obrigações que tinha como sócio. Como o tema foi cobrado em concurso? PGE/CE (2021) Quando omisso o contrato social, a cessão, total ou parcial, da quota de uma sociedade limitada a quem seja sócio independerá da audiência dos demais sócios. Correta! 5.3.6. (Im) possibilidade de penhora das quotas sociais Conforme entendimento do STJ, é perfeitamente possível a penhora das quotas sociais, inclusive estão previstas no art. 835 do CPC. Art. 835. A penhora observará, preferencialmente, a seguinte ordem: I - dinheiro, em espécie ou em depósito ou aplicação em instituição financeira; II - títulos da dívida pública da União, dos Estados e do Distrito Federal com cotação em mercado; III - títulos e valores mobiliários com cotação em mercado; IV - veículos de via terrestre; V - bens imóveis; VI - bens móveis em geral; VII - semoventes; VIII - navios e aeronaves; IX - ações e quotas de sociedades simples e empresárias; X - percentual do faturamento de empresa devedora; XI - pedras e metais preciosos; XII - direitos aquisitivos derivados de promessa de compra e venda e de alienação fiduciária em garantia; XIII - outros direitos. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 142 § 1º É prioritária a penhora em dinheiro, podendo o juiz, nas demais hipóteses, alterar a ordem prevista no caput de acordo com as circunstâncias do caso concreto. § 2º Para fins de substituição da penhora, equiparam-se a dinheiro a fiança bancária e o seguro garantia judicial, desde que em valor não inferior ao do débito constante da inicial, acrescido de trinta por cento. § 3º Na execução de crédito com garantia real, a penhora recairá sobre a coisa dada em garantia, e, se a coisa pertencer a terceiro garantidor, este também será intimado da penhora. 5.4. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO Deve constar no contrato social se os sócios respondem ou não pelas obrigações sociais. Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: Assim, a responsabilidade do sócio na sociedade simples poderá ser: • LIMITADA – o sócio não responde com seus bens particulares sociais por dívidas da sociedade; • ILIMITADA – o sócio responde com seus bens pessoais por dívidas da sociedade. Podendo ser de forma: o Subsidiária – os bens do sócio só serão atingidos após o esgotamento dos bens da sociedade. Portanto, primeiro o credor cobra a sociedade, não sendo suficientepara o pagamento da dívida, irá cobrar os sócios. o Solidária – a dívida pode recair diretamente sobre os bens dos sócios. Em caso de omissão do contrato social, a responsabilidade será ilimitada (art. 1.023 do CC) de forma subsidiária (art. 1.024 do CC) Art. 1.023. Se os bens da sociedade não lhe cobrirem as dívidas, respondem os sócios pelo saldo, na proporção em que participem das perdas sociais, salvo cláusula de responsabilidade solidária. Art. 1.024. Os bens particulares dos sócios não podem ser executados por dívidas da sociedade, senão depois de executados os bens sociais. Nesse sentido, o Enunciado 479 da V Jornada de Direito Civil. ENUNCIADO 479 Art. 997, VII. Na sociedade simples pura (art. 983, parte final, do CC/2002), a responsabilidade dos sócios depende de previsão contratual. Em caso de omissão, será ilimitada e subsidiária, conforme o disposto nos arts. 1.023 e 1.024 do CC/2002. 5.5. DIREITOS DOS SÓCIOS São direitos dos sócios: http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 143 • Direito de participação dos lucros sociais de forma proporcional às suas quotas, salvo estipulação em contrário. A participação dos lucros, remuneração decorrente do investimento, não se confunde com o pró-labore que é uma remuneração decorrente do trabalho. Art. 1.008. É nula a estipulação contratual que exclua qualquer sócio de participar dos lucros e das perdas. Art. 1.007. Salvo estipulação em contrário, o sócio participa dos lucros e das perdas, na proporção das respectivas quotas, mas aquele, cuja contribuição consiste em serviços, somente participa dos lucros na proporção da média do valor das quotas. • Direito de retirada (sair) da sociedade No caso de contrato de prazo determinado, é necessária justa causa, devendo ser comprovada de forma judicial. No caso de contrato de prazo indeterminado, deverá comunicar aos demais sócios a saída, através de uma notificação com antecedência mínima de 60 dias. Art. 1.029. Além dos casos previstos na lei ou no contrato, qualquer sócio pode retirar-se da sociedade; se de prazo indeterminado, mediante notificação aos demais sócios, com antecedência mínima de sessenta dias; se de prazo determinado, provando judicialmente justa causa. Parágrafo único. Nos trinta dias subsequentes à notificação, podem os demais sócios optar pela dissolução da sociedade. • Direito de exclusão de sócio É possível a exclusão do sócio remisso, do sócio que cometer falta grave ou que tiver se tornado incapaz (incapacidade superveniente). Art. 1.004. Os sócios são obrigados, na forma e prazo previstos, às contribuições estabelecidas no contrato social, e aquele que deixar de fazê- lo, nos trinta dias seguintes ao da notificação pela sociedade, responderá perante esta pelo dano emergente da mora. Parágrafo único. Verificada a mora, poderá a maioria dos demais sócios preferir, à indenização, a exclusão do sócio remisso, ou reduzir-lhe a quota ao montante já realizado, aplicando-se, em ambos os casos, o disposto no § 1º do art. 1.031. Art. 1.030. Ressalvado o disposto no art. 1.004 e seu parágrafo único, pode o sócio ser excluído judicialmente, mediante iniciativa da maioria dos demais sócios, por falta grave no cumprimento de suas obrigações, ou, ainda, por incapacidade superveniente. Parágrafo único. Será de pleno direito excluído da sociedade o sócio declarado falido, ou aquele cuja quota tenha sido liquidada nos termos do parágrafo único do art. 1.026. • Direito de participar das deliberações sociais http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 144 As deliberações são tomadas em reunião ou em assembleia. Art. 1.010. Quando, por lei ou pelo contrato social, competir aos sócios decidir sobre os negócios da sociedade, as deliberações serão tomadas por maioria de votos, contados segundo o valor das quotas de cada um. § 1 o Para formação da maioria absoluta são necessários votos correspondentes a mais de metade do capital. § 2 o Prevalece a decisão sufragada por maior número de sócios no caso de empate, e, se este persistir, decidirá o juiz. § 3 o Responde por perdas e danos o sócio que, tendo em alguma operação interesse contrário ao da sociedade, participar da deliberação que a aprove graças a seu voto. 5.6. ADMINISTRADOR 5.6.1. Nomeação Poderá ocorrer no contrato social ou em ato separado (ex.: ata da assembleia). Art. 1.012. O administrador, nomeado por instrumento em separado, deve averbá-lo à margem da inscrição da sociedade, e, pelos atos que praticar, antes de requerer a averbação, responde pessoal e solidariamente com a sociedade. 5.6.2. Sócio/não sócio O administrador poderá ser um sócio ou um não sócio. A administração só pode ser feita por pessoa natural (art. 997, VI) Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: VI - as pessoas naturais incumbidas da administração da sociedade, e seus poderes e atribuições; Caso o contrato seja omisso em relação ao administrador, todos os sócios irão administrar a sociedade. Art. 1.013. A administração da sociedade, nada dispondo o contrato social, compete separadamente a cada um dos sócios. § 1 o Se a administração competir separadamente a vários administradores, cada um pode impugnar operação pretendida por outro, cabendo a decisão aos sócios, por maioria de votos. § 2 o Responde por perdas e danos perante a sociedade o administrador que realizar operações, sabendo ou devendo saber que estava agindo em desacordo com a maioria. 5.6.3. Poderes do administrador http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 145 CONTRATO SOCIAL ATO EM SEPARADO SÓCIO Poderes IRREVOGÁVEIS Poderes REVOGÁVEIS NÃO SÓCIO Poderes REVOGÁVEIS Poderes REVOGÁVEIS Art. 1.018. Ao administrador é vedado fazer-se substituir no exercício de suas funções, sendo-lhe facultado, nos limites de seus poderes, constituir mandatários da sociedade, especificados no instrumento os atos e operações que poderão praticar. Art. 1.019. São irrevogáveis os poderes do sócio investido na administração por cláusula expressa do contrato social, salvo justa causa, reconhecida judicialmente, a pedido de qualquer dos sócios. Parágrafo único. São revogáveis, a qualquer tempo, os poderes conferidos a sócio por ato separado, ou a quem não seja sócio. 5.6.4. Responsabilidade do administrador O administrador representa a vontade da pessoa jurídica (é a sua voz). Portanto, quem responde pelos atos praticados pelo administrador é a própria sociedade. Excepcionalmente, o administrador irá responder solidariamente com a sociedade quando age com culpa no desempenho das suas funções. Art. 1.016. Os administradores respondem solidariamente perante a sociedade e os terceiros prejudicados, por culpa no desempenho de suas funções. Antes do advento da Lei 14.195/2021, o administrador respondia sozinho nos seguintes casos: • Se a limitação de poderes estiver inscrita ou averbada no contrato social; • Provando-se que era conhecida de terceiros; • Tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da sociedade. Tratava-se da aplicação da Teoria Ultra Vires, introduzida no nosso ordenamento jurídico pelo CC/02, segundo a qual a pessoa jurídica só responde pelos atos praticados em seu nome quando compatíveis com o seu objeto. Se estranhos às finalidades da pessoa jurídica o ato deve ser imputado à pessoa física que agiu em nome da sociedade. Até o CC/2002, adotava-se a Teoria da Aparência, segundo a qual serão considerados válidos os atos praticados em nome da sociedade, ainda que a possibilidade da prática desses atos não esteja prevista em contrato ou seja estranha aos negócios da sociedade, desde que, perante terceiros que contratem coma sociedade, exista uma aparência de que as pessoas que praticaram o ato em nome da sociedade detinham poderes para tanto. Atualmente, com a revogação do parágrafo único do art. 1.015 do CC, pela Lei 14.195/2021, não se fala mais em Teoria Ultra Vires. Portanto, aplica-se a Teoria da Aparência no tocante à responsabilidade do administrador, cabendo à sociedade responder pelos seus atos. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 146 Como o tema foi cobrado em concurso? TRF4 (2022) Na sociedade simples, os herdeiros do cônjuge de sócio poderão exigir desde logo a parte que lhes couber na quota social. Errada! 6. SOCIEDADE EM NOME COLETIVO 6.1. PREVISÃO LEGAL Art. 1.039 a 1.044 do CC. Art. 1.039. Somente pessoas físicas podem tomar parte na sociedade em nome coletivo, respondendo todos os sócios, solidária e ilimitadamente, pelas obrigações sociais. Parágrafo único. Sem prejuízo da responsabilidade perante terceiros, podem os sócios, no ato constitutivo, ou por unânime convenção posterior, limitar entre si a responsabilidade de cada um. Art. 1.040. A sociedade em nome coletivo se rege pelas normas deste Capítulo e, no que seja omisso, pelas do Capítulo antecedente. Art. 1.041. O contrato deve mencionar, além das indicações referidas no art. 997, a firma social. Art. 1.042. A administração da sociedade compete exclusivamente a sócios, sendo o uso da firma, nos limites do contrato, privativo dos que tenham os necessários poderes. Art. 1.043. O credor particular de sócio não pode, antes de dissolver-se a sociedade, pretender a liquidação da quota do devedor. Parágrafo único. Poderá fazê-lo quando: I - a sociedade houver sido prorrogada tacitamente; II - tendo ocorrido prorrogação contratual, for acolhida judicialmente oposição do credor, levantada no prazo de noventa dias, contado da publicação do ato dilatório. Art. 1.044. A sociedade se dissolve de pleno direito por qualquer das causas enumeradas no art. 1.033 e, se empresária, também pela declaração da falência. 6.2. SÓCIOS Pode ser simples ou empresária. É uma sociedade contratual, ou seja, constituída na forma de contrato social, obedecendo às regras do CC. Apenas pessoas físicas podem ser sócias, nos termos do art. 1.039 do CC. Art. 1.039. Somente pessoas físicas podem tomar parte na sociedade em nome coletivo, respondendo todos os sócios, solidária e ilimitadamente, pelas obrigações sociais. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm#art997 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm#art997 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm#art1033 http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 147 Não admite incapaz como sócio, eis que os sócios têm contribuição não só pessoal como patrimonial e os incapazes não podem se obrigar. Sócios têm ampla liberdade para disciplinar suas relações sociais, desde que não desnaturem o tipo societário. É uma sociedade de pessoas, o que significa que depende do consentimento dos demais sócios a entrada de estranhos ao quadro social. Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/PR (2019) Sociedade em nome coletivo admite como sócio pessoa jurídica de responsabilidade limitada, que responderá por até o valor de seu capital social subscrito. Errada! 6.3. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS A responsabilidade é solidária, todos responderão de forma ilimitada. Ressalta-se que é subsidiária, pois há o benefício de ordem. Ou seja, primeiro cobra-se a sociedade e, havendo saldo remanescente, demanda-se os sócios. Parágrafo único. Sem prejuízo da responsabilidade perante terceiros, podem os sócios, no ato constitutivo, ou por unânime convenção posterior, limitar entre si a responsabilidade de cada um. 6.4. NOME EMPRESARIAL Firma social, pois é sociedade com responsabilidade ilimitada. Como todos os sócios têm responsabilidade ilimitada, o nome de qualquer um pode constar da firma social (art. 1.157). Art. 1.157. A sociedade em que houver sócios de responsabilidade ilimitada operará sob firma, na qual somente os nomes daqueles poderão figurar, bastando para formá-la aditar ao nome de um deles a expressão "e companhia" ou sua abreviatura. 6.5. ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE De acordo com o art. 1.042 do CC, a administração só poderá ser feita por sócios. Art. 1.042. A administração da sociedade compete exclusivamente a sócios, sendo o uso da firma, nos limites do contrato, privativo dos que tenham os necessários poderes. Não pode ser administrada por pessoa jurídica, já que só pessoa física pode ser sócia. 6.6. LIQUIDAÇÃO DA QUOTA Em regra, não se admite pedido de liquidação de quota na sociedade em nome coletivo. Somente após a dissolução da sociedade (art. 1.043 do CC). http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 148 Art. 1.043. O credor particular de sócio não pode, antes de dissolver-se a sociedade, pretender a liquidação da quota do devedor. Parágrafo único. Poderá fazê-lo quando: I - a sociedade houver sido prorrogada tacitamente; II - tendo ocorrido prorrogação contratual, for acolhida judicialmente oposição do credor, levantada no prazo de noventa dias, contado da publicação do ato dilatório. Porém, há duas exceções: • Prorrogação tácita da sociedade: após o prazo estipulado, pode-se requerer. • Juiz acolhe oposição do credor, em até 90 dias, contra a prorrogação contratual É um tipo societário muito raro atualmente, exatamente por não trazer proteção ao patrimônio pessoal dos sócios. 7. SOCIEDADE EM COMANDITA SIMPLES 7.1. PREVISÃO LEGAL Está prevista nos arts. 1.045 a 1051 do CC. Art. 1.045. Na sociedade em comandita simples tomam parte sócios de duas categorias: os comanditados, pessoas físicas, responsáveis solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais; e os comanditários, obrigados somente pelo valor de sua quota. Parágrafo único. O contrato deve discriminar os comanditados e os comanditários. Art. 1.046. Aplicam-se à sociedade em comandita simples as normas da sociedade em nome coletivo, no que forem compatíveis com as deste Capítulo. Parágrafo único. Aos comanditados cabem os mesmos direitos e obrigações dos sócios da sociedade em nome coletivo. Art. 1.047. Sem prejuízo da faculdade de participar das deliberações da sociedade e de lhe fiscalizar as operações, não pode o comanditário praticar qualquer ato de gestão, nem ter o nome na firma social, sob pena de ficar sujeito às responsabilidades de sócio comanditado. Parágrafo único. Pode o comanditário ser constituído procurador da sociedade, para negócio determinado e com poderes especiais. Art. 1.048. Somente após averbada a modificação do contrato, produz efeito, quanto a terceiros, a diminuição da quota do comanditário, em consequência de ter sido reduzido o capital social, sempre sem prejuízo dos credores preexistentes. Art. 1.049. O sócio comanditário não é obrigado à reposição de lucros recebidos de boa-fé e de acordo com o balanço. Parágrafo único. Diminuído o capital social por perdas supervenientes, não pode o comanditário receber quaisquer lucros, antes de reintegrado aquele. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 149 Art. 1.050. No caso de morte de sócio comanditário, a sociedade, salvo disposição do contrato, continuará com os seus sucessores, que designarão quem os represente. Art. 1.051. Dissolve-se de pleno direito a sociedade: I - por qualquer das causas previstas no art. 1.044; II - quando por mais de cento e oitenta dias perdurar a falta de uma das categorias de sócio. Parágrafo único. Na falta de sócio comanditado, os comanditários nomearão administrador provisório para praticar, durante o período referido no inciso II e sem assumir a condição de sócio, os atos de administração.175 9.4.1. Requisitos preliminares (art. 80 da LSA) ................................................................ 175 9.4.2. Constituição propriamente dita (arts. 82 a 93 da LSA) ........................................... 176 9.4.3. Regras gerais acerca do procedimento de subscrição ........................................... 177 9.4.4. Formalidades complementares .............................................................................. 178 9.5. ÓRGÃOS DA S/A ......................................................................................................... 178 9.5.1. Assembleia Geral .................................................................................................. 178 9.5.2. Conselho de Administração ................................................................................... 180 9.5.3. Diretoria ................................................................................................................. 183 9.5.4. Conselho fiscal ...................................................................................................... 184 9.6. VALORES MOBILIÁRIOS ............................................................................................. 187 9.7. AÇÃO ........................................................................................................................... 187 9.7.1. Conceito ................................................................................................................ 187 9.7.2. Formas de integralização ....................................................................................... 187 9.7.3. Classificação das ações quanto à espécie ............................................................. 188 9.7.4. Acionista controlador e o “Acordo de Acionistas” ................................................... 193 9.7.5. Valor das ações ..................................................................................................... 195 9.7.6. Responsabilidade do acionista de uma sociedade anônima (art. 1º) ..................... 197 9.7.7. Deveres e direitos essenciais do acionista ............................................................. 197 9.8. DEBÊNTURES ............................................................................................................. 198 9.9. COMMERCIAL PAPER ................................................................................................ 200 9.10. BÔNUS DE SUBSCRIÇÃO ....................................................................................... 200 9.10.1. Partes beneficiárias ............................................................................................... 200 10. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA ................................................................................... 201 10.1. TRANSFORMAÇÃO ................................................................................................. 202 10.2. FUSÃO ...................................................................................................................... 202 10.3. INCORPORAÇÃO ..................................................................................................... 202 10.4. CISÃO ....................................................................................................................... 203 11. SOCIEDADES COLIGADAS (ARTS. 1.097 e seguintes do CC) ....................................... 203 http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 9 12. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA .............................................................. 203 12.1. ORIGEM ................................................................................................................... 203 12.1.1. Caso Bank of United States X Deveaux ................................................................. 203 12.1.2. Caso Salomon X Salomon CB ............................................................................... 204 12.2. TERMINOLOGIA ....................................................................................................... 204 12.3. CLASSIFICAÇÃO...................................................................................................... 205 12.3.1. Teoria Maior .......................................................................................................... 205 12.3.2. Teoria Menor ......................................................................................................... 205 12.3.3. Teoria Inversa ........................................................................................................ 206 12.3.4. Teoria Indireta ....................................................................................................... 206 12.3.5. Teoria expansiva ................................................................................................... 208 12.4. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA E O CPC/15 ................... 208 12.5. A DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA E A MP DA LIBERDADE ECONÔMICA .......................................................................................................................... 209 13. SOCIEDADE ANÔNIMA DO FUTEBOL - SAF ................................................................. 212 13.1. CONCEITO ............................................................................................................... 213 13.2. CONSTITUIÇÃO ....................................................................................................... 213 13.3. OBJETO SOCIAL ...................................................................................................... 213 13.4. SUCESSÃO CONTRATUAL ..................................................................................... 214 13.5. DISPUTA DE CAMPEONATOS ................................................................................ 214 13.6. TRANSFERÊNCIA DE PATRIMÔNIO ....................................................................... 214 13.7. AÇÕES ORDINÁRIAS DE CLASSE A ...................................................................... 214 13.8. GOVERNANÇA ......................................................................................................... 215 13.9. OBRIGAÇÕES DA SAF ............................................................................................ 215 13.10. FINANCIAMENTO DA SAF ....................................................................................... 216 TÍTULOS DE CRÉDITO .............................................................................................................. 217 1. NOÇÕES GERAIS DE TÍTULOS DE CRÉDITOS ................................................................ 217 1.1. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL ........................................................................................... 217 1.2. CONCEITO DE TÍTULOS DE CRÉDITO ...................................................................... 217 2. CARACTERÍSTICAS DOS TÍTULOS DE CRÉDITO ............................................................ 218 2.1. DOCUMENTOS FORMAIS ........................................................................................... 218 2.2. BENS MÓVEIS ............................................................................................................. 218 2.3. TÍTULOS DE APRESENTAÇÃO .................................................................................. 218 2.4. TÍTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL ....................................................................... 218 2.5. OBRIGAÇÕES QUESÍVEIS .......................................................................................... 218 2.6. TÍTULO DE RESGATE ................................................................................................. 218 http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 10 2.7. TÍTULO DE CIRCULAÇÃO ...........................................................................................*Pode ser simples ou empresária. 7.2. SÓCIOS Possui duas categorias de sócios, é uma característica peculiar. É essencial que haja as duas categorias, na ausência de uma delas, o prazo será de 180 dias para regularizar. 7.2.1. Sócio comanditado Somente a pessoa natural poderá ser sócia comanditada. A responsabilidade é ilimitada e solidária. Poderá ser administrador, é o único, em verdade, que pode administrar. Seu nome poderá constar no nome empresarial. Exemplo: O nome empresarial, na espécie firma, só poderá usar Bernardo e Bruno, jamais os nomes de Sabrina e Saulo, podendo ser: • Bernardo, Bruno & Cia livros jurídicos; • Bernardo & Cia livros jurídicos Sociedade em comandita simples Comanditados Bernardo Bruno Comandatários Sabrina Saulo http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 150 • Bruno & Cia livros jurídicos Comanditado → Advogado (com responsabilidade maior). 7.2.2. Sócio comanditário Tanto a pessoa natural quanto a pessoa jurídica poderão ser sócias, não há restrição aqui. Possui responsabilidade limitada ao preço de sua quota. Não poderá administrar a sociedade e nem emprestar seu nome ao nome empresarial. Caso o faça, sua responsabilidade será ilimitada. RELEMBRANDO: Neste tipo de sociedade, é necessário SEMPRE ter as duas categorias de sócio. A ausência de uma das categorias implica que, em 180 dias, seja recomposta a categoria faltante. Faltando a categoria comanditado, não poderá o comanditário exercer a administração, haverá a necessidade de designação de um administrador provisório. Parágrafo único. Na falta de sócio comanditado, os comanditários nomearão administrador provisório para praticar, durante o período referido no inciso II e sem assumir a condição de sócio, os atos de administração Comanditário → Estagiário (responsabilidade menor). Entre os comanditados a sociedade é “de pessoas”; entre os comanditários é “de capital”; salvo se o contrato dispuser de modo diverso (ver acima). 8. SOCIEDADE LIMITADA 8.1. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL O Código Civil trata a sociedade limitada em capítulo próprio, devendo, nos casos de omissão, ser aplicada as regras da sociedade simples. Art. 1.053. A sociedade limitada rege-se, nas omissões deste Capítulo, pelas normas da sociedade simples. Parágrafo único. O contrato social poderá prever a regência supletiva da sociedade limitada pelas normas da sociedade anônima. E a regência supletiva da LSA (Lei 6.404/76 - Lei de sociedades por ações), é aplicável? É aplicável, desde que o contrato social assim preveja (art. 1.053, parágrafo único do CC). Ou seja, em havendo essa previsão expressa, as regras da sociedade simples são afastadas para a aplicação supletiva das regras da LSA (especificamente as regras da sociedade anônima). É a situação que Ulhôa Coelho chama de “duas limitadas”, pois o CC permite que a limitada seja regida nos casos de omissão pelas regras da sociedade simples (limitada de vínculo instável) ou pelas regras da LSA (limitada de vínculo estável). Essa instabilidade decorre da possibilidade de na sociedade simples o sócio se retirar imotivadamente, o que não ocorre nas S/A. http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 151 Como o tema foi cobrado em concurso? TJ/SP (2021) As omissões do seu regime legal são, em qualquer hipótese, supridas pelas normas de sociedades anônimas. Errada! TJ/GO (2021) A sociedade limitada pode ser constituída por uma ou mais pessoas; se for unipessoal, aplicar-se-ão ao documento de constituição do sócio único, no que couber, as disposições do contrato social. Correta! TJ/MS (2020) Um grupo de amigos constituiu uma sociedade limitada para exploração da atividade de organização de festas de casamento. O capital social dessa espécie de sociedade divide-se em quotas, que poderão ser desiguais. Correta! 8.2. CARACTERÍSTICAS • Possui natureza de simples ou empresária; • Sociedade contratual (ato constitutivo é um contrato social). É uma das três sociedades personificadas contratuais, junto com a sociedade em nome coletivo e sociedade em comandita simples; • Pluripessoal – precisa ter dois ou mais sócios no momento da sua constituição. Contudo, desde a Lei 13.874/2019 admite-se a sociedade limitada unipessoal. Portanto, é possível que a sociedade limitada tenha um único sócio. Art. 1.052. Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização do capital social. § 1º A sociedade limitada pode ser constituída por 1 (uma) ou mais pessoas. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) § 2º Se for unipessoal, aplicar-se-ão ao documento de constituição do sócio único, no que couber, as disposições sobre o contrato social. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) Em 2011, criou-se a figura da EIRELI (empresa individual de responsabilidade limitada), regida pelo revogado art. 980-A. Posteriormente, em 2019, criou-se a sociedade limitada unipessoal. A Lei 14.195/21 transformou todas as empresas EIRELIs existentes em sociedades limitadas unipessoais. Art. 41. As empresas individuais de responsabilidade limitada existentes na data da entrada em vigor desta Lei serão transformadas em sociedades limitadas unipessoais independentemente de qualquer alteração em seu ato constitutivo. Parágrafo único. Ato do Drei disciplinará a transformação referida neste artigo. No final de 2021, a MP 1.035/2021 revogou expressamente o art. 44, VI do CC, excluindo de vez a EIRELI do ordenamento jurídico brasileiro. • “Affectio Societatis” http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7 http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 152 Conforme Ulhôa Coelho, a “affectio societatis” é a disposição dos sócios em formar e manter a sociedade uns com os outros. Quando não existe ou desaparece esse ânimo, a sociedade não se constitui ou deve ser dissolvida. Trata-se da vontade comum entre os sócios. O ajuste de vontade entre os sócios. 8.3. CONSTITUIÇÃO DA SOCIEDADE LIMITADA É constituída por meio de contrato social, que exige, para ter plena validade, o preenchimento de certos requisitos e pressupostos. *OBS: Os requisitos e pressupostos que veremos a seguir se referem a todos os contratos sociais, ou seja, aos atos constitutivos de todas as sociedades contratuais e não somente da sociedade limitada (+ comandita simples e em nome coletivo). 8.3.1. Requisitos gerais de validade do contrato social (TRÊS) São os mesmos requisitos de validade do negócio jurídico. a) Agente capaz O incapaz pode ser sócio de sociedade limitada? SIM, desde que preencha determinados requisitos: - Estar devidamente assistido ou representado - Não pode exercer a administração; - Capital social deve estar totalmente integralizado. Do contrário, ele pode ser responsabilizado solidariamente pela cota não integralizada de outro sócio. Art. 974, § 3o O Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais deverá registrar contratos ou alterações contratuais de sociedade que envolva sócio incapaz, desde que atendidos, de forma conjunta, os seguintes pressupostos: I – o sócio incapaz não pode exercer a administração da sociedade; II – o capital social deve ser totalmente integralizado; III – o sócio relativamente incapaz deve ser assistido e o absolutamente incapaz deve ser representado por seus representantes legais. Como o tema foi cobrado em concurso? DPE/SE (2022) A responsabilização dos sócios é solidária em relação à integralização do capital social. Correta! b) Objeto lícito Ex.: Sociedade219 3. PRINCÍPIOS DOS TÍTULOS DE CRÉDITO ......................................................................... 219 3.1. PRINCÍPIO DA CARTULARIDADE (PRINCÍPIO DA INCORPORAÇÃO, “DOCUMENTOS DISPOSITIVOS”) ..................................................................................................................... 219 3.2. PRINCÍPIO DA LITERALIDADE ................................................................................... 220 3.3. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA ....................................................................................... 221 3.3.1. Subprincípio da inoponibilidade de exceções pessoais a terceiros de boa-fé ........ 222 3.3.2. Subprincípio da abstração ..................................................................................... 222 3.4. CONCLUSÃO ............................................................................................................... 223 4. CLASSIFICAÇÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO ................................................................. 223 4.1. QUANTO ÀS HIPÓTESES DE EMISSÃO: CAUSAL E NÃO CAUSAL ......................... 223 4.1.1. Causal ................................................................................................................... 223 4.1.2. Não-causal (abstratos) ........................................................................................... 224 4.2. QUANTO AO MODELO: VINCULADO OU LIVRE ........................................................ 224 4.2.1. Modelo Livre .......................................................................................................... 224 4.2.2. Modelo Vinculado .................................................................................................. 224 4.3. QUANTO À SUA CIRCULAÇÃO (DUAS CLASSIFICAÇÕES) ...................................... 224 4.3.1. Classificação clássica/tradicional: ao portador ou nominativo. ............................... 224 4.3.2. Classificação moderna (CC/2002): ao portador, nominativo e nominal .................. 226 4.4. QUANTO À ESTRUTURA: ORDEM DE PAGAMENTO OU PROMESSA DE PAGAMENTO ......................................................................................................................... 226 4.4.1. ORDEM de pagamento .......................................................................................... 226 4.4.2. PROMESSA de pagamento ................................................................................... 226 5. ENDOSSO: TRANSFERÊNCIA DO DIREITO DO TÍTULO DE CRÉDITO ........................... 226 5.1. CONCEITO ................................................................................................................... 226 5.2. EFEITOS DO ENDOSSO ............................................................................................. 227 5.3. MODALIDADES DE ENDOSSO ................................................................................... 227 5.3.1. Endosso em branco ............................................................................................... 227 5.3.2. Endosso em preto .................................................................................................. 228 5.3.3. Endosso póstumo .................................................................................................. 228 5.3.4. Endosso impróprio ................................................................................................. 230 5.3.5. Endosso “sem garantia” ......................................................................................... 231 6. AVAL: GARANTIA DO PAGAMENTO DO TÍTULO DE CRÉDITO ....................................... 232 6.1. CONCEITO ................................................................................................................... 232 6.2. COMO É FEITO O AVAL? ............................................................................................ 233 6.3. ESPÉCIES DE AVAL .................................................................................................... 233 http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 11 6.4. AUTORIZAÇÃO DO CÔNJUGE ................................................................................... 234 6.5. AVAL X FIANÇA ........................................................................................................... 235 7. LETRA DE CÂMBIO (REGRAS GERAIS DOS TÍTULOS DE CRÉDITOS) .......................... 235 7.1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 235 7.2. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL ........................................................................................... 235 7.3. CONCEITO ................................................................................................................... 236 7.4. REQUISITOS................................................................................................................ 236 7.5. SAQUE E ACEITE ........................................................................................................ 236 7.5.1. Noções gerais ........................................................................................................ 236 7.5.2. Efeitos da recusa do aceite (total ou parcial) ......................................................... 237 7.5.3. Efeitos do aceite .................................................................................................... 238 7.5.4. Prazo de respiro .................................................................................................... 238 7.6. EXIGIBILIDADE DA LETRA DE CÂMBIO ..................................................................... 239 7.7. TIPOS DE VENCIMENTO DE UMA LETRA DE CÂMBIO............................................. 239 7.8. PROTESTO DA LETRA DE CÂMBIO ........................................................................... 240 7.9. PRAZO PRESCRICIONAL ........................................................................................... 240 7.10. GRÁFICO: LETRA DE CÂMBIO ................................................................................ 240 8. NOTA PROMISSÓRIA ......................................................................................................... 240 8.1. CONCEITO ................................................................................................................... 241 8.2. NÃO HÁ ACEITE NA NOTA PROMISSÓRIA ............................................................... 241 8.3. FORMAS DE VENCIMENTO DA NOTA PROMISSÓRIA ............................................. 241 8.4. SÚMULA 258 DO STJ: NOTA PROMISSÓRIA E CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO ................................................................................................................................ 241 8.5. SÚMULA 504 DO STJ .................................................................................................. 242 8.6. REQUISITOS................................................................................................................ 243 8.7. GRÁFICO: NOTA PROMISSÓRIA ................................................................................ 243 9. DUPLICATA (Lei 5.474/68) .................................................................................................. 244 9.1. CONCEITO ................................................................................................................... 244 9.2. ACEITE DA DUPLICATA .............................................................................................. 245 9.2.1. Obrigatoriedade do aceite ...................................................................................... 245 9.2.2. Hipóteses legais que permitem a recusa do aceite (art. 8º) ................................... 245 9.2.3. Categorias de aceite (em virtude do caráter obrigatório) ........................................245 9.3. ENDOSSO NA DUPLICATA ......................................................................................... 246 9.4. AVAL NA DUPLICATA .................................................................................................. 246 9.5. VENCIMENTO DA DUPLICATA ................................................................................... 246 9.6. MODALIDADES DE PROTESTO DE UMA DUPLICATA (ART. 13) .............................. 246 http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 12 9.7. PERDA OU EXTRAVIO DE DUPLICATA (ART. 23) ..................................................... 247 9.8. FURTO OU ROUBO DE DUPLICATA .......................................................................... 247 9.9. É POSSÍVEL EXECUÇÃO DE DUPLICATA SEM ACEITE? ......................................... 247 9.10. DUPLICADA VIRTUAL E SUA EXECUTIVIDADE ..................................................... 248 9.11. GRÁFICO: DUPLICATA ............................................................................................ 252 10. CHEQUE (LEI 7.357/85) .................................................................................................. 252 10.1. CONCEITO ............................................................................................................... 252 10.2. REQUISITOS DO CHEQUE (ART. 1º, 2º E 3º) ......................................................... 252 10.3. ACEITE DO CHEQUE ............................................................................................... 254 10.4. CHEQUE PRÉ-DATADO (PÓS-DATADO) ................................................................ 254 10.5. ENDOSSO DO CHEQUE .......................................................................................... 255 10.6. AVAL NO CHEQUE .................................................................................................. 256 10.7. PRAZO DE APRESENTAÇÃO DO CHEQUE ........................................................... 256 10.7.1. Noção geral ........................................................................................................... 256 10.7.2. Inobservância do prazo de apresentação do cheque ao sacado ............................ 257 10.7.3. Protesto ................................................................................................................. 258 10.8. CONTA CONJUNTA ................................................................................................. 259 10.9. DEVOLUÇÃO INDEVIDA .......................................................................................... 259 10.10. SUSTAÇÃO DE CHEQUE ........................................................................................ 259 10.10.1. Contraordem/revogação (art. 35) ....................................................................... 259 10.10.2. Sustação/oposição (art. 36) ................................................................................ 260 10.11. CHEQUE SEM FUNDOS .......................................................................................... 260 10.12. AÇÃO MONITÓRIA E CHEQUE ............................................................................... 262 10.13. JUROS MORATÓRIOS ............................................................................................. 263 10.14. GRÁFICO: CHEQUE ................................................................................................. 265 11. ESQUEMA TÍTULOS DE CRÉDITO EM ESPÉCIE .......................................................... 266 12. PRAZO PRESCRICIONAL PARA EXECUÇÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO ................ 267 12.1. GRÁFICO 01 ............................................................................................................. 267 13. OUTROS TÍTULOS DE CRÉDITO ................................................................................... 268 13.1. TÍTULOS DE CRÉDITO COMERCIAL ...................................................................... 268 13.2. TÍTULOS DE CRÉDITO INDUSTRIAL ...................................................................... 269 13.3. TÍTULOS DE CRÉDITO RURAL ............................................................................... 269 13.4. TÍTULOS DE CRÉDITO IMOBILIÁRIO ...................................................................... 269 13.5. NOVOS TÍTULOS IMOBILIÁRIOS ............................................................................ 270 13.6. TÍTULOS DE CRÉDITO BANCÁRIO ......................................................................... 270 13.7. LETRA DE ARRENDAMENTO MERCANTIL ............................................................ 272 http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 13 CONTRATOS EMPRESARIAIS .................................................................................................. 273 1. CONTRATO DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA......................................................................... 273 1.1. CONCEITO ................................................................................................................... 273 1.2. REGRAMENTO ............................................................................................................ 273 1.3. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA DE BENS MÓVEIS NO ÂMBITO DO MERCADO FINANCEIRO E DE CAPITAIS (DL 911/69) ............................................................................ 273 1.4. APLICAÇÃO DAS REGRAS DO DL 911/69 AO LEASING ........................................... 279 1.5. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA REGIDA PELO CÓDIGO CIVIL .......................................... 280 1.6. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA DE BENS IMÓVEIS ............................................................ 281 1.7. OUTROS PRONTOS IMPORTANTES ......................................................................... 282 1.7.1. CONTRATO INSTRUMENTAL .............................................................................. 282 1.7.2. PROPRIEDADE RESOLÚVEL E ‘AD TEMPUS’ (DIREITOS REAIS) .................... 283 1.7.3. PROPRIEDADE FIDUCIÁRIA x RESERVA DE DOMÍNIO ..................................... 283 2. CONTRATO DE ARRENDAMENTO MERCANTIL (“LEASING”) ......................................... 284 2.1. CONCEITO ................................................................................................................... 284 2.2. MODALIDADES DE LEASING ..................................................................................... 284 2.2.1. Leasing financeiro .................................................................................................. 284 2.2.2. Leasing operacional ............................................................................................... 285 2.2.3. “Lease back” (leasing de retorno) .......................................................................... 285 2.2.4. Quadro resumo ...................................................................................................... 286 2.3. INADIMPLEMENTO DAS PRESTAÇÕES DO LEASING .............................................. 286 2.4. PURGAÇÃO DA MORA ................................................................................................ 287 3. CONTRATO DE FRANQUIA (franchising) ........................................................................... 288 3.1. CONCEITO ................................................................................................................... 288 3.2. CONTRATANTES ........................................................................................................ 288 3.3. OBJETOS DO CONTRATO .......................................................................................... 289 3.4. INEXISTÊNCIA DA RELAÇÃO DE CONSUMO ENTRE FRANQUEADOR E FRANQUEADO ....................................................................................................................... 2893.5. INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO .......................................................... 289 3.6. COF - CIRCULAR DE OFERTA DE FRANQUIA .......................................................... 289 3.6.1. Conceito ................................................................................................................ 289 3.6.2. Prazo legal e obrigatoriedade ................................................................................ 292 3.6.3. Novidades da COF trazidas pela Lei 13.966/2019 ................................................. 292 3.6.4. COF e falsidade de informações ............................................................................ 293 3.7. SUBLOCAÇÃO DO PONTO ......................................................................................... 293 4. CONTRATO DE FACTORING OU FOMENTO MERCANTIL ............................................... 294 http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 14 4.1. CONCEITO E CARACTERÍSTICAS ............................................................................. 294 4.2. ESPÉCIES DE CONTRATO DE FACTORING ............................................................. 295 4.2.1. Factoring tradicional .............................................................................................. 295 4.2.2. Factoring de vencimento ........................................................................................ 296 4.3. JURISPRUDÊNCIA ...................................................................................................... 296 5. REPRESENTAÇÃO COMERCIAL ....................................................................................... 298 5.1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 298 5.2. CONTRATO DE REPRESENTAÇÃO X CONTRATO DE AGÊNCIA (ART. 710 DO CC) 298 5.3. EXCLUSIVIDADE NA REPRESENTAÇÃO COMERCIAL ............................................. 299 5.3.1. Exclusividade de zona geográfica (art. 31 da Lei) .................................................. 299 5.3.2. Exclusividade de representação (art. 31, parágrafo único) .................................... 299 5.4. RESCISÃO DO CONTRATO ........................................................................................ 300 5.4.1. Contrato com prazo INDETERMINADO ................................................................. 300 5.4.2. Contrato com prazo DETERMINADO .................................................................... 301 DIREITO FALIMENTAR (Lei 11.101/05) ..................................................................................... 302 1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ............................................................................................... 302 2. ÂMBITO DE INCIDÊNCIA DA LEI ....................................................................................... 302 3. JUÍZO COMPETENTE ......................................................................................................... 304 4. DA FALÊNCIA ..................................................................................................................... 305 4.1. CONCEITO ................................................................................................................... 305 4.2. OBJETIVOS ................................................................................................................. 306 4.3. PROCESSO FALIMENTAR (VISÃO GERAL) ............................................................... 306 4.4. LEGITIMIDADE ATIVA DO PEDIDO DE FALÊNCIA .................................................... 307 4.4.1. Próprio devedor (art. 97, I: empresário ou sociedade empresária) ......................... 307 4.4.2. Cônjuge sobrevivente, herdeiro e inventariante (art. 97, II) .................................... 308 4.4.3. Sócio ou acionista da empresa (art. 97, III) ............................................................ 308 4.4.4. Qualquer credor (art. 97, IV) .................................................................................. 308 4.5. LEGITIMIDADE PASSIVA DA FALÊNCIA .................................................................... 311 4.6. FUNDAMENTOS JURÍDICOS DA FALÊNCIA .............................................................. 312 4.6.1. Impontualidade injustificada (art. 94, I) .................................................................. 313 4.6.2. Execução frustrada (art. 94, II) ............................................................................... 314 4.6.3. Atos de falência (art. 94, III) ................................................................................... 314 4.6.4. Esquema Gráfico da Insolvência do Devedor (art. 94) ........................................... 315 4.7. COMPORTAMENTO DO DEVEDOR APÓS A SUA CITAÇÃO .................................... 316 4.7.1. Apresentar contestação (art. 98) ............................................................................ 316 http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 15 4.7.2. Depósito elisivo + contestação .............................................................................. 317 4.7.3. Depósito elisivo (impeditivo) .................................................................................. 318 4.7.4. Requerer a recuperação judicial ............................................................................ 318 4.8. SENTENÇA e RECURSOS .......................................................................................... 319 4.8.1. Natureza jurídica .................................................................................................... 319 4.8.2. Legitimidade recursal ............................................................................................. 321 4.8.3. Prazo do recurso ................................................................................................... 321 4.9. SENTENÇA DECLARATÓRIA ...................................................................................... 322 4.9.1. Determinações que devem constar da sentença (art. 99 da Lei) ........................... 323 4.9.2. Efeitos jurídicos da sentença declaratória de falência quanto ao FALIDO (DEVEDOR) ......................................................................................................................... 329 4.9.3. Efeitos da sentença declaratória quanto aos CREDORES .................................... 332 4.9.4. Efeitos da sentença declaratória de falência quanto aos CONTRATOS (art. 117) . 335 4.9.5. Efeitos da sentença declaratória de falência quanto aos ATOS (ineficácia objetiva e ineficácia subjetiva dos atos - art. 129 e art. 130) ................................................................ 335 4.10. FASE FALIMENTAR PROPRIAMENTE DITA ........................................................... 337 4.10.1. Arrecadação .......................................................................................................... 337 4.10.2. Avaliação ............................................................................................................... 340 4.10.3. Venda judicial dos bens ......................................................................................... 341 4.10.4. Habilitação de crédito ............................................................................................ 345 4.10.5. Incidente de classificação de crédito público ......................................................... 346 4.10.6. Quadro geral de credores ...................................................................................... 349 4.11. ORDEM DE CLASSIFICAÇÃO DOS CRÉDITOS ...................................................... 349 4.11.1. Créditos concursais ...............................................................................................350 4.11.2. Créditos extraconcursais ....................................................................................... 354 4.12. ENCERRAMENTO .................................................................................................... 356 4.13. SENTENÇA DE ENCERRAMENTO .......................................................................... 357 4.14. REABILITAÇÃO ........................................................................................................ 357 4.14.1. Hipóteses de extinção das obrigações do falido (art. 158) ..................................... 358 4.15. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DO CPC ........................................................................ 358 5. DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL ........................................................................................... 359 5.1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 359 5.2. INCIDÊNCIA ................................................................................................................. 360 5.3. FINALIDADE DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL .............................................................. 361 5.4. COMPETÊNCIA ........................................................................................................... 361 5.5. REQUISITOS DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL ............................................................. 361 http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 16 5.5.1. Somente o DEVEDOR empresário, sociedade empresária ou a SAF pode pedir a recuperação judicial ............................................................................................................. 362 5.5.2. O devedor deve ser empresário ou sociedade empresária que esteja em atividade regular há mais de 02 anos. ................................................................................................. 363 5.5.3. Não ser falido ........................................................................................................ 365 5.5.4. Não ter, há menos de 05 anos, obtido concessão de outra recuperação judicial. .. 366 5.5.5. Não ter, há menos de 05 anos, obtido concessão de recuperação judicial especial 366 5.5.6. Não ter sido condenado por crime falimentar ......................................................... 366 5.6. CONSOLIDAÇÃO PROCESSUAL ................................................................................ 367 5.7. CONSOLIDAÇÃO PROCESSUAL ................................................................................ 368 5.8. CRÉDITOS SUJEITOS AOS EFEITOS DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL ...................... 369 5.9. PROCEDIMENTO DA RECUPERAÇÃO ...................................................................... 374 5.9.1. Distribuição de lucros............................................................................................. 374 5.9.2. Petição inicial ......................................................................................................... 374 5.9.3. Constatação prévia ................................................................................................ 376 5.9.4. Despacho de processamento ................................................................................ 378 5.9.5. Publicação do despacho (art. 52, §1º) ................................................................... 380 5.9.6. Comunicado .......................................................................................................... 382 5.9.7. Meios de recuperação judicial ................................................................................ 383 5.9.8. Assembleia-Geral de Credores (AGC) ................................................................... 384 5.9.9. Cram Down ............................................................................................................ 387 5.9.10. Apresentação de plano de recuperação judicial pelos credores ............................. 388 5.9.11. Conversão da recuperação judicial em falência ..................................................... 388 5.9.12. Formas de aprovação do plano de recuperação judicial ........................................ 389 5.9.13. Decisão concessiva (art. 59) .................................................................................. 389 5.9.14. Prazo da recuperação judicial ................................................................................ 390 5.10. CONVOLAÇÃO EM FALÊNCIA ................................................................................ 390 5.11. FINANCIAMENTO DIP .............................................................................................. 391 6. DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL ESPECIAL ........................................................................ 392 6.1. PREVISÃO LEGAL ....................................................................................................... 392 6.2. DIFERENÇAS PARA A RECUPERAÇÃO JUDICIAL COMUM ..................................... 393 7. DA RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL ............................................................................... 394 7.1. CONSIDERAÇÕES ...................................................................................................... 394 7.2. DEVEDOR (QUEM PODE REQUERER) ...................................................................... 394 7.3. REQUISITOS................................................................................................................ 395 7.4. CRÉDITOS SUJEITOS À RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL ..................................... 395 http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 17 7.5. ÓRGÃOS DA RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL ....................................................... 396 7.6. EFEITOS JURÍDICOS DA RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL .................................... 397 7.6.1. Efeitos restritos ...................................................................................................... 397 7.7. HOMOLOGAÇÃO ......................................................................................................... 397 7.7.1. Homologação facultativa ........................................................................................ 397 7.7.2. Homologação obrigatória ....................................................................................... 398 7.7.3. Vantagens ............................................................................................................. 399 7.8. PROCEDIMENTO DA RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL .......................................... 399 http://www.iceni.com/infix.htm CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 18 APRESENTAÇÃO Olá! Inicialmente gostaríamos de agradecer a confiança em nosso material. Esperamos que seja útil na sua preparação, em todas as fases. A grande maioria dos concurseiros possui o hábito de trocar o material de estudo constantemente, principalmente, em razão da variedade que se tem hoje, a cada dia surge algo novo. O ideal é você utilizar sempre a mesma fonte, fazendo a complementação necessária, eis que quanto mais contato temos com determinada fonte de estudo, mais familiarizados ficamos, o que se torna primordial na hora da prova. O Caderno Sistematizado de Direito Empresarial possui como base as aulas do Prof. Juan Vasquez (CERS) e do Prof. Alexandre Gialluca (G7), com o intuito de deixar o material mais completo, utilizados o livro de Direito Empresarial – Volume Único (9ª Ed) do André Santa Cruz. Na parte jurisprudencial, utilizamos os informativos do site Dizer o Direito (www.dizerodireito.com.br), os livros: Principais Julgados STF e STJ Comentados, Vade Mecum de Jurisprudência Dizer o Direito, Súmulas do STF e STJ anotadas por assunto (Dizer o Direito). Destacamos é importante você