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Direito Empresarial: Teoria e Princípios

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Edição 2024.1
Revisada
Atualizada
Ampliada
Direito
Empresarial
http://www.iceni.com/infix.htm
 
APRESENTAÇÃO ........................................................................................................................ 18 
TEORIA GERAL DA EMPRESA ................................................................................................... 19 
1. FONTES DO DIREITO EMPRESARIAL ................................................................................ 19 
1.1. PRIMÁRIAS .................................................................................................................... 19 
1.1.1. Constituição Federal ................................................................................................ 19 
1.1.2. Código Civil ............................................................................................................. 19 
1.1.3. Código Comercial .................................................................................................... 19 
1.1.4. Leis Extravagantes .................................................................................................. 19 
1.1.5. Tratados internacionais ............................................................................................ 19 
1.2. SECUNDÁRIAS .............................................................................................................. 19 
1.2.1. Costumes ................................................................................................................ 20 
1.2.2. Princípios Gerais do Direito ..................................................................................... 20 
1.2.3. Doutrina ................................................................................................................... 20 
1.2.4. Jurisprudência ......................................................................................................... 20 
2. CARACTERÍSTICAS ............................................................................................................. 20 
2.1. COSMOPOLITISMO ....................................................................................................... 20 
2.2. FRAGMENTÁRIO ........................................................................................................... 21 
2.3. INFORMALISMO OU SIMPLICIDADE ............................................................................ 21 
2.4. ELASTICIDADE .............................................................................................................. 21 
2.5. ONEROSIDADE ............................................................................................................. 21 
3. PRINCÍPIOS .......................................................................................................................... 21 
3.1. LIVRE INICIATIVA .......................................................................................................... 22 
3.2. FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA .................................................................................. 22 
3.3. LIBERDADE DE COMPETIÇÃO ..................................................................................... 23 
3.4. LIBERDADE DE ASSOCIAÇÃO ..................................................................................... 23 
3.5. MAXIMIZAÇÃO DOS ATIVOS DO FALIDO .................................................................... 23 
3.6. PRESERVAÇÃO DA EMPRESA .................................................................................... 24 
3.7. AUTONOMIA DA VONTADE .......................................................................................... 24 
3.8. CAMBIÁRIOS ................................................................................................................. 24 
4. TEORIA DOS ATOS DE COMÉRCIO (francesa) ................................................................... 24 
4.1. HISTÓRICO .................................................................................................................... 25 
4.2. DEFINIÇÃO DO “COMERCIANTE”: ATOS DE COMÉRCIO ........................................... 25 
4.3. REVOGAÇÃO DO CÓDIGO COMERCIAL DE 1850 ...................................................... 27 
5. TEORIA DA EMPRESA (italiana) ........................................................................................... 27 
6. EMPRESA E EMPRESÁRIO ................................................................................................. 29 
6.1. EMPRESÁRIO ................................................................................................................ 29 
6.1.1. Conceito de empresário: da caracterização e da inscrição ...................................... 29 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 2 
 
6.1.2. Excluídos da atividade empresária .......................................................................... 33 
6.2. EMPRESA ...................................................................................................................... 35 
6.2.1. Conceito de empresa. .............................................................................................. 35 
6.2.2. Microempresa e Empresa de Pequeno Porte .......................................................... 36 
7. EMPRESÁRIO INDIVIDUAL .................................................................................................. 36 
7.1. CONCEITO ..................................................................................................................... 36 
7.2. REQUISITOS.................................................................................................................. 36 
7.2.1. Pleno gozo da capacidade civil ................................................................................ 36 
7.2.2. Ausência de impedimentos legais ............................................................................ 39 
7.3. RESPONSABILIDADE DO EMPRESÁRIO INDIVIDUAL ................................................ 43 
7.4. EMPRESÁRIO CASADO ................................................................................................ 43 
8. EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA - EIRELI .............................. 44 
8.1. NOÇÕES GERAIS .......................................................................................................... 44 
8.2. REQUISITOS.................................................................................................................. 45 
8.3. VANTAGEM DA EIRELI ................................................................................................. 46 
8.4. CRIAÇÃO DA SOCIEDADE UNIPESSOAL E ESVAZIAMENTO DA FUNÇÃO DA EIRELI
 46 
8.5. TRANSFORMAÇÃO DAS EIRELIS EM SOCIEDADES UNIPESSOAIS ......................... 47 
8.6. REVOGAÇÃO DO INCISO IV DO ART. 1.033 DO CÓDIGO CIVIL ................................ 47 
9. OBRIGAÇÕES DO EMPRESÁRIO ........................................................................................ 48 
9.1. REGISTRO ..................................................................................................................... 48 
9.1.1. Previsão legal e órgão encarregado ........................................................................ 48 
9.1.2. Atos de registro........................................................................................................ 50 
9.1.3. Novo Registro em caso de sucursal, filial ou agência .............................................. 50 
9.1.4. Exceção ao Registro (art. 971 do CC) ..................................................................... 50 
9.1.5. Natureza jurídica do Registro ................................................................................... 51 
9.1.6. Inatividade da empresa ............................................................................................ 52 
9.1.7. Consequências da ausência de registro ..................................................................se manter atualizado com os informativos, reserve um dia da 
semana para ler no site do Dizer o Direito. 
Como você pode perceber, reunimos em um único material diversas fontes (aulas + doutrina 
+ informativos + + lei seca + questões) tudo para otimizar o seu tempo e garantir que você faça uma 
boa prova. 
Por fim, como forma de complementar o seu estudo, não esqueça de fazer questões. É muito 
importante!! As bancas costumam repetir certos temas. 
Vamos juntos!! Bons estudos!! 
Equipe Cadernos Sistematizados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 19 
 
TEORIA GERAL DA EMPRESA 
1. FONTES DO DIREITO EMPRESARIAL 
Aqui, para fins didáticos, utilizamos a classificação proposta por Ricardo Negrão. 
1.1. PRIMÁRIAS 
1.1.1. Constituição Federal 
O Direito Empresarial deve ser interpretado à luz da CF, sempre. Há vários princípios na 
parte da Ordem Econômica. 
1.1.2. Código Civil 
Em seus arts. 966 a 1.195 trata do Direito de Empresa, são as normas que conceituam 
empresário, estabelecem requisitos para o exercício do direito de empresa individualmente, regem 
as sociedades empresárias etc. 
1.1.3. Código Comercial 
Para o Direito Marítimo. 
1.1.4. Leis Extravagantes 
Como exemplo, citam-se a Lei de Falência (Lei 11.101/2005), a Lei das Duplicatas, a Lei do 
Cheque, dentre outras. 
Obs.: A Lei 11.101/2005 foi alterada pela Lei 14.112/2020 que não é 
uma nova Lei de Falências, mas apenas uma lei que reformou a Lei 
11.101/2005. 
1.1.5. Tratados internacionais 
Segundo André Santa Cruz, os tratados internacionais são uma fonte primária de suma 
importância, a exemplo da Convenção da União de Paris e os Acordos TRIPS, que orientam a nossa 
Lei de Propriedade Industrial, bem como a Lei Uniforme de Genebra 
1.2. SECUNDÁRIAS 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 20 
 
1.2.1. Costumes 
Devem ser uniformes, constantes, utilizados de acordo com a boa-fé. Além disso, devem 
observar a lei e a boa-fé, podem estar assentados na Junta Comercial. 
Ex.: Cheque pós-datado. 
A Lei 8934/94 estabelece que o costume pode ser assentado na Junta Comercial, podendo 
ser provado através de certidão emitida pela Junta. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
CESPE - DPE/ES - Questão: Cabe à junta comercial, de ofício ou por 
provocação da sua procuradoria ou de entidade de classe, reunir ou assentar 
em livro próprio os usos e práticas decorrentes (costumes) em sua jurisdição? 
Correto! 
Art. 8º Às Juntas Comerciais incumbe 
VI - O assentamento dos usos e práticas mercantis 
1.2.2. Princípios Gerais do Direito 
Segundo Haroldo Malheiros, é necessário seguir uma ordem de preferência, prevista no art. 
4º da LINDB. 
1.2.3. Doutrina 
Segundo Juan Vasques, apesar de ser considerada por parte dos autores, não é fonte 
secundária. 
1.2.4. Jurisprudência 
Com o CPC/15, que consagrou os precedentes, ganhou força o entendimento de que a 
jurisprudência é fonte secundária e não apenas em relação às súmulas vinculantes. 
2. CARACTERÍSTICAS 
2.1. COSMOPOLITISMO 
As regras de Direito Empresarial devem ser uniformes, independente da barreira geográfica 
que separa os países. 
Ex.: Lei Uniforme de Genebra. 
 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 21 
 
CESPE - DPE/ES: O cosmopolitismo, uma das características do direito 
empresarial, deu origem a usos e costumes comuns a todos os comerciantes, 
independentemente de sua nacionalidade (caráter internacional, transcende 
barreiras geográficas), a exemplo da criação, pela Convenção de Genebra, 
de uma lei uniforme para a letra de câmbio e a nota promissória. Correto! 
2.2. FRAGMENTÁRIO 
O Direito Empresarial divide-se em Direito de Empresa, Direito Cambiário, Direito Falimentar 
e Direito Societário, para cada um desses ramos há leis esparsas que o regulamentam. 
2.3. INFORMALISMO OU SIMPLICIDADE 
Segue a dinâmica das relações empresariais, que afastam o caráter formal, presente no 
Direito Civil. 
2.4. ELASTICIDADE 
O Direito Empresarial sofre constantes mudanças, muitas vezes não conseguem ser 
acompanhadas pela lei. 
2.5. ONEROSIDADE 
A atividade empresarial visa o lucro. 
3. PRINCÍPIOS 
O Direito Empresarial é norteado por vários princípios, a seguir um fluxograma e após a 
análise. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 22 
 
 
3.1. LIVRE INICIATIVA 
Norteia o Direito Empresarial. 
De acordo com Fábio Ulhôa Filho, o princípio da livre-iniciativa se desdobra em quatro 
condições fundamentais para o funcionamento eficiente do modo de produção capitalista: 
• Imprescindibilidade da empresa privada para que a sociedade tenha acesso aos bens e 
serviços de que necessita para sobreviver; 
• Busca do lucro como principal motivação dos empresários; 
• Necessidade jurídica de proteção do investimento privado; 
• Reconhecimento da empresa privada como polo gerador de empregos e de riquezas 
para a sociedade. 
É um dos fundamentos da República, igualmente, está prevista na ordem econômica. No 
entanto, não é absoluta, há cláusulas de não concorrência. 
Segundo Eros Grau, gera uma obrigação de fazer para a empresa e uma obrigação de não 
fazer (não causar danos a terceiros). 
3.2. FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA 
Previsto na Lei de S/A. 
Princípios
Livre Iniciativa
Autonomia da 
Vontade
Cambiários
Preservação 
da Empresa
Maximização 
dos ativos do 
Falido
Liberdade de 
Associação
Função Social 
da Empresa
Liberdade de 
Competição
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 23 
 
Art. 116, Parágrafo único. O acionista controlador deve usar o poder com o 
fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e cumprir sua função social, e 
tem deveres e responsabilidades para com os demais acionistas da empresa, 
os que nela trabalham e para com a comunidade em que atua, cujos direitos 
e interesses deve lealmente respeitar e atender. 
 
Art. 154. O administrador deve exercer as atribuições que a lei e o estatuto 
lhe conferem para lograr os fins e no interesse da companhia, satisfeitas as 
exigências do bem público e da função social da empresa. 
 
Salienta-se que a empresa não deve apenas atender aos interesses individuais do 
empresário individual ou dos sócios da sociedade empresária, mas também aos interesses difusos 
e coletivos de todos aqueles que são afetados pelo seu exercício (trabalhadores, contribuintes, 
vizinhos, concorrentes, consumidores), conforme ensina André Santa Cruz. 
3.3. LIBERDADE DE COMPETIÇÃO 
Está relacionado ao princípio da livre iniciativa, concretizando-o. 
3.4. LIBERDADE DE ASSOCIAÇÃO 
Compreende a liberdade de associar-se e de não se associar, bem como o direito de retirada 
para os sócios que assim queiram. 
3.5. MAXIMIZAÇÃO DOS ATIVOS DO FALIDO 
Previsto no art. 75 e 117 da Lei de Falências. Além disso, ampara o art. 141, II. 
Art. 75. A falência, ao promover o afastamento do devedor de suas atividades, 
visa a: 
I - preservar e a otimizar a utilização produtiva dos bens, dos ativos e dos 
recursos produtivos, inclusive os intangíveis, da empresa; 
II - permitir a liquidação célere das empresas inviáveis, com vistas à 
realocação eficiente de recursos na economia; e 
III - fomentar o empreendedorismo, inclusive por meio da viabilização do 
retorno célere do empreendedor falido à atividade econômica. 
§ 1º O processo de falência atenderá aos princípios da celeridade e da 
economia processual, sem prejuízo do contraditório, da ampla defesa e dos 
demais princípios previstos na Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015 (Código 
de Processo Civil). 
§ 2º A falência é mecanismo de preservação de benefícios econômicos e 
sociais decorrentes da atividade empresarial, por meio da liquidação imediata 
do devedor e da rápida realocação útil de ativos na economia.Art. 117. Os contratos bilaterais não se resolvem pela falência e podem ser 
cumpridos pelo administrador judicial se o cumprimento reduzir ou evitar o 
aumento do passivo da massa falida ou for necessário à manutenção e 
preservação de seus ativos, mediante autorização do Comitê. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13105.htm
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 24 
 
§ 1o O contratante pode interpelar o administrador judicial, no prazo de até 90 
(noventa) dias, contado da assinatura do termo de sua nomeação, para que, 
dentro de 10 (dez) dias, declare se cumpre ou não o contrato. 
§ 2o A declaração negativa ou o silêncio do administrador judicial confere ao 
contraente o direito à indenização, cujo valor, apurado em processo ordinário, 
constituirá crédito quirografário. 
 
Art. 141. Na alienação conjunta ou separada de ativos, inclusive da empresa 
ou de suas filiais, promovida sob qualquer das modalidades de que trata o 
art. 142: 
I – todos os credores, observada a ordem de preferência definida no art. 83 
desta Lei, sub-rogam-se no produto da realização do ativo; 
II – o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão 
do arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as de natureza 
tributária, as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de 
acidentes de trabalho. 
§ 1º O disposto no inciso II do caput deste artigo não se aplica quando o 
arrematante for: 
I – sócio da sociedade falida, ou sociedade controlada pelo falido; 
II – parente, em linha reta ou colateral até o 4º (quarto) grau, consanguíneo 
ou afim, do falido ou de sócio da sociedade falida; ou 
III – identificado como agente do falido com o objetivo de fraudar a sucessão. 
§ 2º Empregados do devedor contratados pelo arrematante serão admitidos 
mediante novos contratos de trabalho e o arrematante não responde por 
obrigações decorrentes do contrato anterior. 
§ 3º A alienação nas modalidades de que trata o art. 142 desta Lei poderá ser 
realizada com compartilhamento de custos operacionais por 2 (duas) ou mais 
empresas em situação falimentar. . 
 
Utilizar o ativo para reduzir o passivo. 
3.6. PRESERVAÇÃO DA EMPRESA 
Tem sido amplamente difundido, seja pela legislação (a exemplo da Lei de Falências) seja 
fundamentando inúmeras decisões judiciais em matéria de dissolução de sociedades, de falências, 
de recuperação judicial. 
3.7. AUTONOMIA DA VONTADE 
Relacionado aos contratos empresariais, ver enunciados da I Jornada. 
3.8. CAMBIÁRIOS 
Serão analisados no estudo do Direito Cambiário. 
4. TEORIA DOS ATOS DE COMÉRCIO (francesa) 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 25 
 
4.1. HISTÓRICO 
A codificação napoleônica dividiu claramente o direito privado: de um lado o Direito Civil e 
de outro o Direito Comercial. O CC/FRA atendia fundamentalmente aos interesses da burguesia 
fundiária (direito de propriedade), já o CCom/FRA encarnava o espírito da burguesia comercial e 
industrial, valorizando a riqueza mobiliária. 
Função essencial era atribuir a quem praticasse os denominados “atos de comércio” a 
qualidade de comerciante, pressuposto para a aplicação das normas do CCom. 
De acordo com a doutrina, a codificação napoleônica operou uma objetivação do Direito 
Comercial, tendo em vista a formação dos Estados Nacionais da Idade Moderna que impunham sua 
soberania ao particularismo que imperava na ordem jurídica anterior e se inspiravam no princípio 
da igualdade, sendo, por conseguinte, avessos a qualquer tipo de distinção de disciplinas jurídicas 
que se baseiam em critérios subjetivos. 
 
 
Influência no Código Comercial do Brasil de 1850 
a) Parte I - Do Comércio em geral. 
b) Parte II - Do Comércio marítimo. (Ainda vigora) 
c) Parte III - “Das quebras” → revogado pelo decreto lei 7.666/45 → revogado pela 
11.101/05 Lei de Falências 
Comerciante (pessoa física) 
Sociedade Comercial (pessoa jurídica) 
4.2. DEFINIÇÃO DO “COMERCIANTE”: ATOS DE COMÉRCIO 
Fases do Direito 
Empresarial 
Corporações de Ofício
Idade Média
Sistema fechado
e protetivo
Teoria dos Atos de 
Comércio
Sistema frances
Revolução Francesa
Código Comercial 1807
Teoria da Empresa
Sistema italiano
Revolução Industrial
Código Civil de 1812
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 26 
 
Para estabelecer quem se submetia à disciplina do CCom era feita uma análise objetiva: 
se praticava “ato de comércio” ou não. Só poderia chamar alguém de comerciante (pessoa física) 
ou de sociedade comercial (pessoa jurídica) estando presentes os elementos: 
• Habitualidade; 
• Finalidade lucrativa; 
 “Atos de comércio” – eram elencados taxativamente no Regulamento 737/1850, em seu 
art. 19 (primeiro ato normativo de caráter processual do Brasil). Vejamos quais eram esses atos: 
• Compra e venda de bens móveis e semoventes para revenda ou locação; 
• Câmbio (troca de moeda estrangeira); 
• Bancos (comerciante nato: surge junto com o comércio; bancos podem falir, como 
qualquer comerciante, além de sofrer liquidação extrajudicial ou intervenção extrajudicial 
pelo Banco Central; nestes dois últimos casos, não poderá falir, exceto se requerido pelo 
liquidante ou interventor). 
• Transportes de mercadorias (atividade vinculada ao comércio); 
• Fabricação, consignação e depósito de mercadorias (industrial em geral); 
• Espetáculos públicos (teatro, cinema etc.); 
• Contratos marítimos em geral; 
• Fretamento de navios; 
• Títulos de créditos em geral (os títulos de créditos rurais eram reputados civis); 
Eram atividades excluídas da Mercancia: 
• Especulação imobiliária; 
• Agricultura e pecuária (produtor rural); 
• Prestação de serviços; 
• Profissões intelectuais; 
O inconveniente desse sistema era a taxatividade das atividades consideradas de comércio, 
de forma que aqueles que não constavam da lista ficavam sem direito ao tratamento dispensado 
aos comerciantes, especialmente no que se refere à concordata. 
Crítica: este regulamento pecava por não abranger todas as atividades comerciais, por 
exemplo, a imobiliária, visto que ele preconizava compra e venda de bens móveis. Compra e venda 
de serviços também não era prevista, não sendo considerada sociedade comercial. O problema 
disso, era que não sendo sociedade comercial, não teria direito a concordata no caso de problemas 
financeiros. 
Rubens Requião: não tem como definir satisfatoriamente o que são atos de comércio. 
Santa Cruz: e os atos mistos (unilateralmente comerciais)? Aplicam as normas do CCom 
para solução de controvérsia, era a chamada vis atractiva do Direito Comercial. Preocupava o fato 
de o cidadão ser submetido a normas distintas em razão da qualidade da pessoa com quem 
contrata. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 27 
 
4.3. REVOGAÇÃO DO CÓDIGO COMERCIAL DE 1850 
O CC revogou parcialmente ou totalmente o Código Comercial? 
Parcialmente, revogou a parte I, a parte III já havia sido revogada pelo decreto lei 7.666/45, 
que por sua vez também já foi revogado pela lei 11.101/05 (nova lei de falências). Restando apenas 
a parte II, que trata do COMÉRCIO MARÍTIMO. 
“Arribada forçada”: o navio normalmente não pode parar em lugares não previstos, caso 
ocorra, em situações excepcionais justificadas, é chamado de arribada forçada. 
Art. 741 do C. Comercial – temor fundado de inimigo ou pirata. 
Art. 740 - Quando um navio entra por necessidade em algum porto ou lugar 
distinto dos determinados na viagem a que se propusera, diz-se que fez 
arribada forçada (artigo nº. 510). 
 
Art. 741 - São causas justas para arribada forçada: 
1 - Falta de víveres ou aguada; 
2 - Qualquer acidente acontecido à equipagem, cargo ou navio, que 
impossibilite este de continuar a navegar; 
3 - Temor fundado de inimigoou pirata. 
5. TEORIA DA EMPRESA (italiana) 
Agora temos: 
• Empresário individual (pessoa física). 
• Sociedade empresária (pessoa jurídica). 
• EIRELI (pessoa jurídica), foi extinta pela MP 1.085/2021. 
Aqui fazemos uma análise subjetiva, ou seja, uma análise da estrutura. 
Com a entrada em vigor do CC/2002 foi revogada expressamente a Parte I (somente ela) 
do Código Comercial, abandonando a Teoria Francesa dos Atos de Comércio e passando a adotar 
a chamada TEORIA DA EMPRESA. Essa teoria surgiu na Itália, em meados de 1942, tendo como 
objetivo o alargamento do âmbito de incidência do Direito Comercial. 
O corporativismo fascista se contrapôs à ideia de um código de comércio autônomo e de um 
regime jurídico especial das relações travadas pelos agentes econômicos. Refletia, portanto, o 
caráter ideológico e a natureza político-econômica advindas da experiência fascista. 
 Fala-se agora em empresário, sendo este o que exerce profissionalmente atividade 
econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços. 
Art. 966. Considera-se empresário quem exerce profissionalmente atividade 
econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de 
serviços. 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 28 
 
Santa Cruz: o direito comercial não se limita a regular apenas as relações jurídicas em que 
ocorra a prática de um determinado ato definido em lei como ato de comércio. A Teoria da Empresa 
faz com que o direito comercial não se ocupe apenas com alguns atos, mas com uma forma 
específica de exercer uma atividade econômica: a forma empresarial. 
O empresário individual é pessoa natural, possui CNPJ apenas para ter o mesmo tratamento 
tributário que a sociedade empresária, a fim de não violar a igualdade, pois a pessoa física não 
conseguiria concorrer com a sociedade empresária. 
Em 2011, foi inserida a EIRELI (empresa individual de responsabilidade limitada) no nosso 
sistema. Tratava-se de uma “sociedade” de um só indivíduo, funcionando como um instrumento 
para que o empresário blindasse o seu patrimônio particular, separando-o do patrimônio empresarial 
no exercício da atividade empresária. Desta forma, diferentemente do que ocorre com o empresário 
individual (cuja totalidade do seu patrimônio responde ilimitadamente pelas dívidas da atividade 
empresária, estejam ligadas à atividade empresarial ou não), na EIRELI havia uma limitação dos 
reflexos patrimoniais desta responsabilização. Contudo, a MP 1.085/2021 extinguiu a EIRELI. 
Há desconsideração da pessoa jurídica para EMPRESÁRIO INDIVIDUAL? 
Não há que se falar em desconsideração da PJ, visto que não há pessoa jurídica, não se 
desconsidera o que não existe. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
CESPE DPE/ES: No Código Comercial do Império do Brasil, adotou-se, por 
influência dos códigos francês, espanhol e português, a teoria dos atos de 
comércio, no que se refere à sua abrangência e aplicação. Errado. O Código 
Comercial foi influenciado pelos códigos francês, espanhol e português. 
No entanto, não trouxe a definição de atos de comércio, nem sua 
abrangência, que foi definida no Regulamento 737. 
 
TJ/MG: Com a vigência do CC/02, à luz do art. 966, é correto afirmar que o 
Direito brasileiro concluiu a transição para a: Teoria da empresa, de matriz 
italiana. 
Brasil CC/02: Busca de uma unificação, ainda que apenas formal, do direito privado. 
PARA MEMORIZAR! 
A EVOLUÇÃO DO DIREITO COMERCIAL NO MUNDO 
1ª FASE 
➔ Idade Média: renascimento mercantil e ressurgimento das cidades. 
➔ Monopólio da jurisdição mercantil a cargo das Corporações de Ofício 
➔ Aplicação dos usos e costumes mercantis pelos tribunais consulares 
“Codificação Privada” do direito comercial; normas “pseudo 
sistematizadas”. 
➔ Caráter subjetivista: mercantilidade da relação jurídica definida pelos seus 
sujeitos. 
➔ “Direito dos Comerciantes”. 
2ª FASE 
➔ Idade Moderna: formação dos Estados Nacionais monárquicos 
➔ Monopólio da Jurisdição mercantil a cargo dos Estados 
➔ Codificação Napoleônica 
➔ Bipartição do direito privado 
➔ “Teoria dos atos de comércio” como critério delimitador do âmbito de 
incidência do regime jurídico comercial 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 29 
 
➔ Objetivação do direito comercial: mercantilidade da relação jurídica 
definida pelo seu objeto. 
3ª FASE 
➔ CC Italiano 1942 
➔ Unificação formal do direito privado 
➔ “Teoria da Empresa” como critério delimitador do âmbito de incidência do 
regime jurídico empresarial 
➔ A empresa vista como atividade econômica organizada. 
A EVOLUÇÃO DO DIREITO COMERCIAL NO BRASIL 
As ordenações 
do Reino 
➔ Aplicação das leis de Portugal 
➔ Inspiração do direito estatutário italiano 
Código 
Comercial 1850 
➔ Inspiração do Code de Commerce napoleônico 
➔ Adoção da Teoria dos Atos de Comércio. 
➔ Regulamento nº737: rol dos atos de comércio. 
Código Civil 
2002 
➔ Transição da Teoria dos Atos de Comércio para a Teoria de Empresa 
➔ Tentativa de unificação formal do direito privado 
➔ Definição do empresário como aquele que exerce profissionalmente 
atividade econômica organizada. 
 
6. EMPRESA E EMPRESÁRIO 
São características fundamentais do Direito Empresarial que o diferenciam sobremaneira do 
Direito Civil: 
• Cosmopolitismo (integração entre os povos); 
• Onerosidade (caráter econômico); 
• Informalismo (devido ao dinamismo); 
• Fragmentarismo (série de sub-ramos, exemplo: direito falimentar, societário...) 
6.1. EMPRESÁRIO 
6.1.1. Conceito de empresário: da caracterização e da inscrição 
Art. 966. Considera-se empresário (gênero) quem exerce profissionalmente 
(habitualidade, continuidade) atividade econômica (finalidade lucrativa) 
organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. 
 
O art. 966 do CC incide sobre a pessoa física e sobre a pessoa jurídica. 
• PESSOA FÍSICA = empresário individual; 
• PESSOA JURÍDICA = sociedade empresária ou empresa individual de responsabilidade 
limitada (EIRELI – antes da sua revogação pela MP 1.085/2021). 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 30 
 
 
Dentro do conceito legal de empresário, destacam-se alguns subconceitos: 
1) “Profissionalismo” 
Está ligado aos conceitos de habitualidade/continuidade (para ser profissional a atividade 
não pode ser esporádica), pessoalidade (empresário deve contratar empregados) e monopólio das 
informações (o profissional deve ter amplo conhecimento do produto que está comercializando). 
Por exemplo, não é porque Fernanda vendeu seu carro para o vizinho que será considerada 
uma empresária do ramo de venda de automóveis. 
2) “Atividade” 
A empresa é a atividade e o empresário é o sujeito de direito que a explora. É ele, por 
exemplo, que compra ou importa mercadorias e não a sua empresa. Ela é tão somente a atividade 
de produção ou circulação de bens ou serviços. 
3) “Econômica” 
Finalidade lucrativa. É a característica que falta às associações. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/PI (2019) Celebram contrato de sociedade as pessoas que, 
reciprocamente, se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o 
exercício de uma atividade econômica e a partilhar dos resultados, podendo 
ser restrita a atividade a um ou mais negócios determinados. Correta! 
 
CESPE: Conforme entendimento dominante do STJ, a finalidade lucrativa 
não é um requisito para que determinada atividade seja considerada 
empresária. Errada! 
4) “Organizada” 
Fábio Ulhôa Coelho: organização é a reunião dos 4 fatores de produção. Sendo eles: 
• Mão de obra; 
EMPRESÁRIO
PESSOA 
JURÍDICA
SOCIEDADE 
EMPRESÁRIA
EIRELI
PESSOA 
FÍSICA
EMPRESÁRIO 
INDIVIDUAL
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 31 
 
• Matéria prima; 
• Capital; 
• Tecnologia. 
Dica: “MAMACATE” 
Na ausência de um deles, não se fala mais em organização. Por exemplo, se não temmão 
de obra contratada (CLT, regime autônomo...) não se tem organização, e não tendo organização 
não pode ser considerado empresário. Este contexto se aplica tanto para o empresário individual 
como para a sociedade empresária. 
Exemplo1: pessoa que vende trufas, faz, embrulha etc. Não tem mão de obra contratada, 
sendo assim não pode ser considerada empresária. 
Exemplo2: dois irmãos, bar, cada um fica um dia. Não há sociedade empresária, pois não 
há mão de obra contratada. 
Hoje, em face da automação (em virtude do avanço tecnológico), entende-se não ser 
imprescindível a mão de obra. 
O entendimento atual é o seguinte: a organização ocorre quando a atividade-fim não 
depender exclusivamente da pessoa física empreendedora ou do sócio da sociedade (pode 
depender de pessoas ou bens). 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/RS (2022) Empresário exerce uma atividade “organizada”, entendida 
como a estruturação de dois elementos apenas, a saber: mão de obra e 
capital. Errada! 
Santa Cruz: Essa ideia fechada de que a organização dos fatores de produção é 
absolutamente imprescindível para a caracterização do empresário vem perdendo força no atual 
contexto da economia capitalista. Exemplo: microempresários (trabalho próprio), empresários 
virtuais. 
Exemplos de sociedade empresária: 
• Banco – habitualidade, finalidade lucrativa, organização (mão de obra, matéria prima 
etc.), produz serviços bancários. É sociedade empresária. 
• Loja de roupas no shopping, habitualidade, finalidade lucrativa, organização (vendedor, 
matéria prima = roupas), circulação de bens – sociedade empresária. 
• Agência de turismo, habitualidade, finalidade lucrativa, organização, circulação – 
sociedade empresária. 
OBS: não será considerada “empresa”, para efeitos jurídicos, a 
atividade cujos benefícios sejam exclusivamente para uso próprio ou, 
ainda, com sentido mutualístico, tal como ocorre com as 
cooperativas. 
5) “Produção ou circulação de bens ou serviços” 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 32 
 
No Código Comercial somente se falava em produção e circulação de bens. Bens têm 
“corpo”, são materiais; já os serviços são imateriais, não têm “corpo”. 
• Produção de bens: É a fabricação das mercadorias industrialmente (montadoras 
de veículos, confecção de roupas etc.) 
• Produção de serviços: É a própria prestação de serviços (bancos, hospitais, 
escolas etc.). 
• Circulação de bens: O comércio é a atividade que circula bens, faz uma 
intermediação quando busca o bem no produtor para repassar ao consumidor. 
Exemplo: Loja de venda de roupas. 
• Circulação de serviços: Nada mais é do que intermediar a prestação de serviços, 
como as agências de turismo que não prestam serviços de transporte, mas 
montam um pacote de viagem para o turista. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJRS/2018: O art. 966 do CC define empresário como aquele que exerce 
atividade profissional, econômica, organizada com a finalidade de produção 
ou circulação de bens ou de serviços. Correto! 
 
TJPI: Não é considerada empresária a pessoa que organiza episodicamente 
a produção de certa mercadoria, ainda que destinada à venda no mercado. 
Correta! 
RESUMINDO: 
 
OBS: O conceito de empresário aplica-se tanto para o empresário 
individual quanto para a sociedade empresária, haja vista o conceito 
legal de sociedade empresária contido no art. 982 do CC, in verbis: 
Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade 
que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a 
registro (art. 967); e, simples, as demais. 
 
A pessoa física, sócia de sociedade empresária, não é, tecnicamente, empresária, pois 
quem exerce a atividade empresária é a sociedade. 
Empresário é o titular da empresa? CORRETO. A empresa não é o sujeito de direito e sim 
a atividade econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou serviços. 
Sistematizando o art. 982 do CC temos: 
Produção e 
circulação 
de bens ou 
serviços 
Reunião 
dos fatores 
de 
produção
Empresário
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 33 
 
 
6.1.2. Excluídos da atividade empresária 
Em primeiro lugar: quem não possui organização empresarial. 
 
Art. 966 CC: Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce 
profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o 
concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão 
constituir elemento de empresa. 
a) “Profissão intelectual” 
• Científica: São os chamados profissionais autônomos: médico (não é empresário, 
sua atividade é intelectual e científica), contador (ciências contábeis), advogado. 
Exemplo: sociedade entre médicos (não é empresária também), sociedade entre 
advogados (não é empresária também). 
• Literária: escritor/jornalista. 
PROVA ORAL MAGISTRATURA: Candidato, jornalista é considerado 
empresário? Excelência, o jornalista não é considerado empresário, tendo em 
vista que desempenha profissão intelectual literária. Portanto, nos termos do 
CC está excluído da atividade empresarial. 
• Artística: desenhista, artista plástico, cantor, ator, dançarino. 
b) “Ainda que tenha o concurso de auxiliares ou colaboradores” 
As atividades intelectuais são prestadas de forma pessoal e, ainda que contenham auxiliares 
ou colaboradores, o personalismo prevalece. Na profissão intelectual a exclusão decorre do papel 
secundário que a organização assume nessas atividades. 
Exemplo da clínica: mesmo que contrate enfermeira e secretária não será sociedade 
empresária. Será uma sociedade simples. 
NÃO É
EMPRESÁRIO
PESSOA 
JURÍDICA
SOCIEDADE 
SIMPLES
EIRELI 
SIMPLES
PESSOA FÍSICA
PROFISSIONAL 
LIBERAL 
(AUTONOMO)
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 34 
 
c) “Salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa” 
Caso a profissão intelectual se torne apenas um dos vários elementos que formam uma 
empresa, haverá uma sociedade empresária. Em outras palavras: a atividade intelectual leva o seu 
titular a ser considerado empresário se ela estiver integrada em um objeto mais complexo, próprio 
da atividade empresarial. 
III JDC En.195 - Art. 966: A expressão “elemento de empresa” demanda 
interpretação econômica, devendo ser analisada sob a égide da absorção da 
atividade intelectual, de natureza científica, literária ou artística, como um dos 
fatores da organização empresarial. 
 
Exemplos: 
• A clínica, para atender melhor os pacientes, terá uma cafeteria e lanchonete. A 
clínica tem uma UTI (serviço de hospedagem). Agora tem uma sala de cirurgia 
tão moderna que todos os médicos da região alugam para realizar os 
procedimentos. Os médicos são meros elementos dentro de um grande complexo 
empresarial, deixou de ser uma atividade científica, literária ou artística pura para 
ser um elemento de empresa. Podemos afirmar, por isso, que hospital é uma 
sociedade empresária. 
• Veterinário com clínica. Se começa a vender ração de cachorro, brinquedo para 
cachorro, a clínica passa a ser uma sociedade, pois a atividade intelectual 
(veterinário) passa a ser só mais um dos elementos da empresa. 
Santa Cruz: quando o prestador de serviços profissionais se ‘impessoaliza’, e os serviços 
até então pessoalmente prestados, passam a ser oferecidos pela organização empresarial, perante 
a qual se torna um mero organizador, será considerado empresário. 
Dois médicos resolvem abrir uma clínica de ortopedia chamada “Só ossos”, contrataram uma 
secretária, faxineira e empregada. É sociedade empresária? NÃO. “Ainda com o concurso de 
auxiliares ou colaboradores” art. 966 § único CC, salvo se, o exercício da profissão constitui 
elemento de empresa. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
CESPE TJ/PI: é considerada empresária a pessoa que, exercendo profissão 
intelectual de natureza artística, contrateempregados para auxiliá-la no 
trabalho. Errada! Ainda que tenha colaboradores e auxiliares, não será 
considerado empresário. 
Melhor seria substituir a redação equivocada por ‘‘salvo se o exercício da profissão constituir 
parte do objeto da empresa’’. 
Além do profissional intelectual, NÃO É EMPRESÁRIO: a) a sociedade de advogados, b) 
o profissional rural não registrado e c) os empresários de cooperativas, abordados a seguir. 
a) Sociedade de advogados 
A sociedade de advogados, nos termos do art. 15 da Lei 8.906/94, está excluída do conceito 
de empresário, tendo em vista que se trata de uma sociedade simples. Não sendo admitidos 
registros e nem podem funcionar quando apresentarem forma ou características de sociedade 
empresária (art.16). 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 35 
 
Art. 15. Os advogados podem reunir-se em sociedade simples de prestação 
de serviços de advocacia ou constituir sociedade unipessoal de advocacia, 
na forma disciplinada nesta Lei e no regulamento geral. 
 
Art. 16. Não são admitidas a registro nem podem funcionar todas as espécies 
de sociedades de advogados que apresentem forma ou características de 
sociedade empresária, que adotem denominação de fantasia, que realizem 
atividades estranhas à advocacia, que incluam como sócio ou titular de 
sociedade unipessoal de advocacia pessoa não inscrita como advogado ou 
totalmente proibida de advogar. 
b) Exercente de atividade rural sem registro na junta comercial 
Por força do art. 971 do CC, o registro para o rural é facultativo. Contudo, apenas, após a 
inscrição, será considerado empresário. 
Art. 971. O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, 
pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus 
parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da 
respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para 
todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro. 
Parágrafo único. Aplica-se o disposto no caput deste artigo à associação que 
desenvolva atividade futebolística em caráter habitual e profissional, caso em 
que, com a inscrição, será considerada empresária, para todos os 
efeitos. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
PGE/CE (2022) A associação futebolística em caráter habitual e profissional 
poderá inscrever-se no registro público de empresas mercantis, hipótese em 
que será considerada como empresária, para todos os efeitos. Correta! 
c) Empresários de Cooperativa (Sociedade cooperativa) 
Por disposição legal expressa (art. 982, parágrafo único), é considerada sociedade simples, 
portanto, excluída do conceito de empresário. 
Art. 982, Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se 
empresária a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa. 
6.2. EMPRESA 
6.2.1. Conceito de empresa. 
Não confundir a atividade com o praticante da atividade. 
É a ATIVIDADE econômica organizada para a produção ou circulação de bens ou de 
serviços. 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 36 
 
Sociedade empresária – pessoa jurídica: não é porque sou sócio de uma empresa que serei 
empresário. Empresário é quem desempenha e organiza a atividade empresarial sozinho; na 
sociedade empresária, quem pratica a atividade é a pessoa jurídica. 
Exemplo: a empresa de uma farmácia é a comercialização de remédios. 
6.2.2. Microempresa e Empresa de Pequeno Porte 
Art. 3º da LC 123/06 
Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideram-se 
microempresas ou empresas de pequeno porte a sociedade empresária, 
a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o 
empresário a que se refere o art. 966 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 
2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas 
Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde 
que: 
I - No caso da MICROEMPRESA, aufira, em cada ano-calendário, RECEITA 
BRUTA IGUAL OU INFERIOR A R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil 
reais); e 
II - no caso de empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano-
calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e 
sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 4.800.000,00 
(quatro milhões e oitocentos mil reais). 
 
Podem ser ME ou EPP: empresário individual, sociedade empresária, sociedade simples. 
Essa qualificação diz respeito à tributação. 
7. EMPRESÁRIO INDIVIDUAL 
7.1. CONCEITO 
É a pessoa natural (pessoa física), que individualmente, de forma profissional exerce uma 
atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços. 
7.2. REQUISITOS 
Encontram-se no art. 972 do CC. 
Art. 972. Podem exercer a atividade de empresário os que estiverem em 
pleno gozo da capacidade civil e não forem legalmente impedidos. 
 
Conforme o art. 972 do CC, dois são os requisitos: 1) pleno gozo da capacidade civil; 2) 
ausência de impedimento legal. 
7.2.1. Pleno gozo da capacidade civil 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm#art966
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm#art966
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 37 
 
Não pode ser empresário o menor de 18 anos não emancipado, ébrios habituais, viciados 
em tóxicos, deficientes mentais, excepcionais, pródigos e, nos termos da legislação própria, os 
índios. 
Art. 3o São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da 
vida civil os menores de 16 (dezesseis) anos 
 
Art. 4o São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os 
exercer: 
I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; 
II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico; 
III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem exprimir 
sua vontade; 
IV - os pródigos. 
Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será regulada por legislação 
especial. 
 
Ressalte-se que o menor emancipado tem plena capacidade civil, logo é apto para o 
exercício de empresa. 
Art. 974. Poderá o INCAPAZ, por meio de representante ou devidamente 
assistido, continuar a empresa antes exercida por ele enquanto capaz, por 
seus pais ou pelo autor de herança. 
 
 Iniciar a atividade o incapaz não pode. No entanto, pode continuar uma empresa 
(atividade), antes exercida por seus pais ou por autor de herança da qual é sucessor. É uma regra 
de preservação da empresa. 
Incapacidade civil superveniente: Aquele a quem sobreveio incapacidade também é 
permitida a continuidade do exercício empresarial. 
Essas regras excepcionais estão previstas no art. 974 do CC, que apresenta dois requisitos 
para a continuidade da empresa: 
• Assistência ou representação (a depender do grau de incapacidade); 
• Autorização judicial (realizada pelo chamado alvará judicial), ouvida a 
manifestação do MP (art. 178 do CPC). A qualquer tempo o juiz poderá revogar 
a autorização. 
Art. 974. Poderá o incapaz, por MEIO DE REPRESENTANTE ou 
DEVIDAMENTE ASSISTIDO, continuar a empresa antes exercida por ele 
enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor de herança. 
§1º Nos casos deste artigo, PRECEDERÁ AUTORIZAÇÃO JUDICIAL, após 
exame das circunstâncias e dos riscos da empresa, bem como da 
conveniência em continuá-la podendo a autorização ser revogada pelo juiz, 
ouvidos os pais, tutores ou representantes legais do menor ou do interdito, 
sem prejuízo dos direitos adquiridos por terceiros. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
DPE/TO (2022) O empresário que se tornar incapaz não poderá continuar 
sua empresa, ainda que assistido ou representado. Errada! 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 38 
 
TJ/AP (2022) Nos casos em que a lei autoriza o prosseguimento da empresa 
por incapaz, ainda que seu representante ou assistente seja pessoa que 
possa exercer atividade de empresário, o juizpoderá nomear um ou mais 
gerentes, se entender ser conveniente. Correta! 
 
TJ/MG (2022) João, brasileiro, casado sob o regime de comunhão universal 
de bens com Maria, residente e domiciliado em Minas Gerais, pretende 
constituir sociedade empresária com Carlos, brasileiro, solteiro, nascido em 
2007, residente e domiciliado em São Paulo, para a consecução de compra 
e venda de produtos alimentícios. Carlos, por ser absolutamente incapaz, não 
poderá exercer a administração da sociedade, porém poderá dela fazer parte 
desde que seja devidamente representado e o capital social esteja totalmente 
subscrito e integralizado. Correta! 
 
MPE/PI (2019) Pessoa que exercer atividade própria de empresário, apesar 
de legalmente impedida, não responderá pelas obrigações contraídas ao 
longo do exercício empresarial. Errada! 
➔ Bens individuais X Bens empresariais 
Empresário individual possui uma distribuidora de bebidas. Na distribuidora existem bens 
(bens empresariais). As dívidas da distribuidora (dívidas empresariais) somente atingem os bens 
empresariais ou também recaem sobre os bens pessoais? Atingem também os bens pessoais, pois 
no Brasil se adotou o PRINCÍPIO DA UNIDADE PATRIMONIAL: o patrimônio da pessoa (seja 
pessoa física, seja pessoa jurídica) é ÚNICO. 
O inverso também é verdadeiro: as dívidas pessoais também atingem os bens empresariais. 
Frise-se: Isso quando a empresa é realizada por empresário individual. 
Diferente ocorre quando se trata de sociedade empresária. Nesse caso, os bens 
empresariais estão em nome de uma Pessoa Jurídica, ao passo que os bens pessoais estão em 
nome de uma Pessoa Física. Como são duas pessoas distintas, não há que se falar em unicidade 
patrimonial. Fala-se em: PRINCÍPIO DA AUTONOMIA PATRIMONIAL. Aqui, vai existir um 
patrimônio da pessoa física e um patrimônio da pessoa jurídica. As dívidas de um não recaem sobre 
as do outro, EM REGRA. Adiante veremos situações excepcionais em que as dívidas de uma 
pessoa atingem o patrimônio de outra, como nos casos de desconsideração da personalidade 
jurídica (os bens pessoais respondem pela dívida social) ou de desconsideração inversa (quando 
os bens sociais respondem pela dívida pessoal). 
Se o menor continuasse a atividade empresarial, teoricamente, seus bens passariam a 
responder pelas dívidas empresariais. Entretanto, o art. 974, §2º traz uma proteção ao patrimônio 
do incapaz, in verbis: 
Art. 974, § 2o Não ficam sujeitos ao resultado da empresa os bens que o 
incapaz já possuía, ao tempo da sucessão ou da interdição, desde que 
estranhos ao acervo daquela, devendo tais fatos constar do alvará que 
conceder a autorização. 
 
Ou seja, os bens que o incapaz já possuía não respondem pelas dívidas empresariais, desde 
que tais bens fiquem consignados no alvará de autorização. Este artigo traz um patrimônio de 
afetação. 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 39 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
FCC TJ/GO: Thiago, titular de uma empresa individual do ramo de padaria, 
veio ser interditado judicialmente e declarado absolutamente incapaz para os 
atos da vida civil por conta de uma doença mental que lhe sobreveio. A 
Thiago, nesse caso, é permitido continuar a empresa por meio de 
representante, mediante prévia autorização judicial, que poderá ser 
revogada, também judicialmente, sem prejuízo dos direitos de terceiros. 
O menor não poderá iniciar como empresário individual. Contudo, poderá iniciar como sócio 
de uma sociedade, a exemplo de uma sociedade limitada, desde que preenchidos os requisitos do 
§3º do art. 974 do CC. 
Art. 974, § 3o O Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas 
Comerciais deverá registrar contratos ou alterações contratuais de sociedade 
que envolva sócio incapaz, desde que atendidos, de forma conjunta, os 
seguintes pressupostos: 
I – o sócio incapaz não pode exercer a administração da sociedade; 
II – o capital social deve ser totalmente integralizado; 
III – o sócio relativamente incapaz deve ser assistido e o absolutamente 
incapaz deve ser representado por seus representantes legais. 
7.2.2. Ausência de impedimentos legais 
São impedidos de ser empresário: 
• Membros do Ministério Público; 
• Magistrados; 
• Membros da Defensoria Pública; 
• Empresários falidos; 
• Leiloeiros; 
• Despachantes aduaneiros; 
• Cônsules, nos seus distritos; 
• Médicos, para o exercício simultâneo de farmácia, e farmacêuticos no exercício 
simultâneo da medicina; 
• Pessoas condenadas à pena que vede, ainda que temporariamente, o acesso a cargos 
públicos; 
• Servidores públicos civis da ativa; 
• Servidores militares da ativa das Forças Armadas e das Polícias Militares; 
• Os deputados e senadores não poderão ser proprietários, controladores ou diretores de 
empresa, que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito 
público; 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 40 
 
• Estrangeiros (sem visto permanente), em certos casos; 
• Estrangeiro (com visto permanente), em certos casos. 
Vejamos: 
1) Membros do Ministério Público para exercer o comércio individual ou participar de 
sociedade comercial (art.128, § 5º, II, “c”, da CF), salvo se acionista ou cotista, obstada 
a função de administrador (art. 44, III, da Lei 8.625/1993 - LONMP); 
CF, Art. 128. O Ministério Público abrange: 
§ 5º - Leis complementares da União e dos Estados, cuja iniciativa é facultada 
aos respectivos Procuradores-Gerais, estabelecerão a organização, as 
atribuições e o estatuto de cada Ministério Público, observadas, relativamente 
a seus membros: 
II - As seguintes vedações: 
c) participar de sociedade comercial, na forma da lei; 
 
LONMP, Art. 44. Aos membros do Ministério Público se aplicam as seguintes 
vedações: 
III - exercer o comércio ou participar de sociedade comercial, exceto como 
cotista ou acionista; 
 
Assim, o membro do MP, por exemplo, poderá ter franquia da Cacau Show, desde que 
seja sócio. 
 
2) Magistrados (art. 36, I, Lei Complementar n. 35/1977 – Lei Orgânica da Magistratura) 
nos mesmos moldes da limitação imposta aos membros do Ministério Público; 
LOM, Art. 36 - É vedado ao magistrado: 
I - exercer o comércio ou participar de sociedade comercial, inclusive de 
economia mista, exceto como acionista ou quotista; 
 
3) Membros da Defensoria Pública (art. 46, IV, da LC 80/94 - DPU; art. 91, IV da LC 80/94 
– DPDFT; art. 130, IV – DPE) mesmos moldes do MP e Magistratura. 
Art. 46. Além das proibições decorrentes do exercício de cargo público, aos 
membros da Defensoria Pública da União é vedado 
IV - Exercer o comércio ou participar de sociedade comercial, exceto como 
cotista ou acionista 
 
Art. 91. Além das proibições decorrentes do exercício de cargo público, aos 
membros da Defensoria Pública do Distrito Federal e dos Territórios é 
vedado: 
IV - Exercer o comércio ou participar de sociedade comercial, exceto como 
cotista ou acionista; 
 
Art. 130. Além das proibições decorrentes do exercício de cargo público, aos 
membros da Defensoria Pública dos Estados é vedado: 
IV - Exercer o comércio ou participar de sociedade comercial, exceto como 
cotista ou acionista; 
 
4) Empresários falidos, enquanto não forem reabilitados (Lei de Falências, art. 102); 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 41 
 
LF, Art. 102. O falido fica inabilitado para exercer qualquer atividade 
empresarial a partir da decretação da falência e até a sentença que extingue 
suas obrigações, respeitado o disposto no § 1o do art. 181 desta Lei. 
Parágrafo único. Findo o período de inabilitação, o falido poderá requerer ao 
juiz da falência que proceda à respectiva anotação em seu registro. 
 
5) Leiloeiros (art. 36 do Decreto n° 21.891/32 – proíbe os leiloeiros de exercerem a empresa 
direta ou indiretamente, bem como constituir sociedade empresária,sob pena de 
destituição); 
Decreto n° 21.891/32 - Art. 36. É proibido ao leiloeiro: 
a) sob pena de destituição: 
1º, exercer o comércio direta ou indiretamente no seu ou alheio nome; 
2º, constituir sociedade de qualquer espécie ou denominação; 
3º, encarregar-se de cobranças ou pagamentos comerciais; 
 
6) Pessoas condenadas à pena que vede, ainda que temporariamente, o acesso a cargos 
públicos, ou por crime falimentar, de prevaricação, peita ou suborno, concussão, 
peculato ou contra a economia popular, contra o sistema financeiro nacional, contra as 
normas de defesa da concorrência, contra as relações de consumo, a fé pública ou a 
propriedade, enquanto perdurarem os efeitos da condenação; 
7) Servidores públicos civis da ativa (Lei 1.711/52) e servidores federais (Lei 8.112/90, 
art.117, X, inclusive Ministros de Estado e ocupantes de cargos públicos comissionados 
em geral). É importante observar que o funcionário público pode participar como sócio 
cotista, comanditário ou acionista, sendo obstada a função de administrador; 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/AP (2022) Caso um servidor militar da ativa exerça atividade própria de 
empresário, todos os atos relacionados à empresa serão declarados nulos 
pelo juiz, porém ele responderá pelas obrigações contraídas até dois anos 
seguintes da data de sua prática. Errada! 
 
CESPE – TRF2: Os funcionários públicos estão proibidos de exercer 
atividade empresarial, de acordo com a CF e normas específicas; contudo, a 
proibição diz respeito ao efetivo exercício da atividade empresarial, não 
existindo restrição quanto ao fato de o funcionário público ser simplesmente 
acionista ou quotista de sociedade empresária. Correto! 
8) Servidores militares da ativa das Forças Armadas e das Polícias Militares (Código Penal 
Militar, arts. 180 e 204 e Decreto-Lei nº 1.029/69; arts 29 e 35 da lei nº 6.880/80), neste 
caso, também poderão integrar sociedade empresário, na qualidade de cotista ou 
acionista, sendo obstada a função de administrador; 
9) Os deputados e senadores não poderão ser proprietários, controladores ou diretores de 
empresa, que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito 
público, nem exercer nela função remunerada ou cargo de confiança, sob pena de perda 
do mandato – (arts. 54 e 55 da Constituição Federal). 
Conforme bem observa Ricardo Negrão, a lei não inclui alguns outros agentes políticos, 
como o Presidente da República, ministros de Estado, secretários de Estado e prefeitos 
municipais, no âmbito do Poder Executivo, mas menciona as mesmas restrições dos 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 42 
 
senadores e deputados federais aos deputados estaduais e vereadores (art.29, IX, da 
Constituição Federal). Ademais, o prestigiado autor também afirma que por se tratar de 
norma de caráter restritivo, não há como estender a relação para englobar esses outros 
agentes políticos, quando a lei, podendo fazê-lo, não o fez. 
A esses membros do Executivo a lei não restringiu o exercício da atividade empresarial, 
e, assim, não cabe ao intérprete incluí-los na proibição, sob pena de estabelecer privação 
de direito não prevista em lei. Observa-se, contudo, que seus atos de administração 
deverão pautar-se pelos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, 
publicidade e demais regras previstas no art. 37 da CF. Ao contratar, portanto, aplicam-
se-lhe as mesmas restrições do art. 54, II, da CF. 
Art. 54. Os Deputados e Senadores não poderão: 
II - Desde a posse: 
a) ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor 
decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer 
função remunerada; 
b) ocupar cargo ou função de que sejam demissíveis "ad nutum", nas 
entidades referidas no inciso I, "a"; 
c) patrocinar causa em que seja interessada qualquer das entidades a que se 
refere o inciso I, "a"; 
d) ser titulares de mais de um cargo ou mandato público eletivo 
 
10) Estrangeiro (com visto permanente), para o exercício das seguintes atividades: pesquisa 
ou lavra de recursos minerais ou de aproveitamento dos potenciais de energia hidráulica; 
atividade jornalística e de radiodifusão sonora e de sons e imagens, com recursos 
oriundos do exterior; atividade ligada, direta ou indiretamente, à assistência à saúde no 
País, salvo nos casos previstos em lei; serem proprietários ou armadores de embarcação 
nacional, inclusive nos serviços de navegação fluvial e lacustre, exceto embarcação de 
pesca; serem proprietários ou exploradores de aeronave brasileira ressalvada o disposto 
na legislação específica. 
Entenda-se bem: empresário não é quem, pessoalmente, produz os bens ou presta os 
serviços. Empresário é quem organiza a atividade de produção ou circulação de bens ou serviços. 
ORGANIZAÇÃO é a palavra-chave do conceito. Para realizá-la, ele dispõe de determinado capital, 
vale-se da contratação de empregados ou de prestadores de serviço, utiliza insumos e emprega 
tecnologia. 
Numa grande indústria automobilística, por exemplo, empresários não são os metalúrgicos 
responsáveis por operar as imensas prensas ou soldas, e assim produzir os carros. Empresário é 
a pessoa física ou jurídica que os contratou, que adquiriu as máquinas e os insumos, que escolheu 
a tecnologia utilizada e que é, portanto, quem organiza a atividade humana da produção dos 
veículos. 
OBS: a proibição para o exercício de empresa não se estende, a 
princípio, para ser sócio de sociedades empresárias, afinal quem 
exerce neste caso é a PJ. Entretanto, a possibilidade de participarem 
de sociedades empresárias não é absoluta, somente pode ocorrer se 
forem sócios de responsabilidade limitada e não exercerem funções 
de gerência e administração. 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 43 
 
7.3. RESPONSABILIDADE DO EMPRESÁRIO INDIVIDUAL 
A responsabilidade do empresário individual é ilimitada. Ou seja, a pessoa do empresário 
individual responde, com seus bens pessoais, por dívidas empresariais contraídas, em respeito ao 
Princípio da Unidade Patrimonial. 
SITUAÇÃO HIPOTÉTICA: Imagine que João da Silva, empresário individual, possui um posto 
de gasolina. Sem sombra de dúvidas, o posto possui bens (bomba de gasolina, equipamentos, 
maquinários, imóvel em que se localiza), destinados à sua atividade. Igualmente, João da Silva 
possui bens particulares, a exemplo de imóveis, veículos, ações, ouro. Diante da crise, o posto 
de gasolina não consegue pagar as dívidas no prazo que foi contratado. O credor poderá pegar 
os bens destinados ao posto de gasolina. Contudo, não sendo suficientes para saldar a dívida, 
o credor poderá requerer que a cobrança recaia sobre os bens particulares de João da Silva, 
tendo em vista que sua responsabilidade é ilimitada. 
 
A ordem de preferência (benefício de ordem), primeiro os bens do posto, depois bens de 
João da Silva, não está prevista no CC. Mas podemos utilizar o Enunciado 5 da I Jornada de Direito 
Comercial (IJDCom). 
Enunciado 5 IJDCom: Quanto às obrigações decorrentes de sua atividade, 
o empresário individual tipificado no art. 966 do CC responderá primeiramente 
com os bens vinculados à exploração de sua atividade econômica, nos 
termos do art. 1.024 do CC. 
CC Art. 1.024. Os bens particulares dos sócios não podem ser executados 
por dívidas da sociedade, senão depois de executados os bens sociais. 
 
Este entendimento deriva do princípio da unidade patrimonial, já que considera que tanto a 
pessoa física quanto a pessoa jurídica possuem apenas um patrimônio. 
Não se pode, por exemplo, afirmar que João da Silva possui dois patrimônios: um pessoal e 
um empresarial, e que as dívidas só poderiam recair sobre o patrimônio empresarial. 
O patrimônio é único e irá responder pelas dívidas empresariais e pelas dívidas pessoais. 
7.4. EMPRESÁRIO CASADO 
Pode o empresárioindividual casado vender um bem empresarial sem a outorga conjugal? 
• Tratando-se de um bem de seu patrimônio pessoal, segue a regra do art. 1.647 do CC. 
Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648 (suprimento da outorga via 
judicial), nenhum dos cônjuges pode, sem autorização do outro, exceto no 
regime da separação absoluta: 
I - Alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis; 
 
• Tratando-se de bens que integram o patrimônio da empresa, será permitida a alienação, 
sem necessidade de outorga conjugal, independente do regime de bens. 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 44 
 
Art. 978. O empresário casado pode, sem necessidade de outorga 
conjugal, qualquer que seja o regime de bens, alienar os imóveis que 
integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real. 
 
Art. 979. Além de no Registro Civil, serão arquivados e averbados, no 
Registro Público de empresas Mercantis, os pactos e declarações 
antenupciais do empresário, o título de doação, herança, ou legado, de 
bens clausulados de incomunicabilidade ou inalienabilidade. 
 
Art. 980. A sentença que decretar ou homologar a separação judicial do 
empresário e o ato de reconciliação não podem ser opostos a terceiros, 
antes de arquivados e averbados no Registro Público de Empresas 
Mercantis. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/PI (2019) Em regra, o empresário individual casado sob qualquer regime 
matrimonial dependerá de outorga conjugal para alienar imóveis que 
integrarem o patrimônio da empresa. Errada! 
CESPE – TJ/PR: A empresária casada sob o regime de comunhão universal 
não precisa da outorga conjugal para alienar os imóveis que integrem o 
patrimônio da empresa. Correto! 
 
FCC – TJ/PB: O empresário casado pode, sem necessidade de outorga 
conjugal, qualquer que seja o regime de bens, alienar os imóveis que 
integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de ônus real. Correto! 
Atenção para o Enunciado 58, se estes atos não forem devidamente registrados na Junta 
Comercial, o empresário não poderá opô-los contra terceiros. 
En. 58 da II JDC - O empresário individual casado é o destinatário da norma 
do art. 978 do CC e não depende da outorga conjugal para alienar ou gravar 
de ônus real o imóvel utilizado no exercício da empresa, desde que exista 
prévia averbação de autorização conjugal à conferência do imóvel ao 
patrimônio empresarial no cartório de registro de imóveis, com a consequente 
averbação do ato à margem de sua inscrição no registro público de empresas 
mercantis 
8. EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA - EIRELI 
8.1. NOÇÕES GERAIS 
A EIRELI era uma forma de pessoa jurídica composta por uma só pessoa física. 
Tratava-se de uma espécie de pessoa jurídica unipessoal autônoma e que apresentava, 
portanto, personalidade jurídica e patrimônio distintos daquele titularizado pela pessoa física que 
explora a atividade em questão. 
Consistia em uma técnica de limitação dos riscos empresariais em benefício dos 
empreendedores individuais. 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 45 
 
A EIRELI foi criada pela Lei nº 12.441/2011, que acrescentou o art. 980-A ao Código Civil, o 
qual foi revogado pela MP 1.085/2021, posteriormente convertida em lei (Lei n. 14.382/2022). 
Art. 980-A. A empresa individual de responsabilidade limitada será constituída 
por uma única pessoa titular da totalidade do capital social, devidamente 
integralizado, que não será inferior a 100 (cem) vezes o maior salário-mínimo 
vigente no País. 
§ 1º O nome empresarial deverá ser formado pela inclusão da expressão 
"EIRELI" após a firma ou a denominação social da empresa individual de 
responsabilidade limitada. 
§ 2º A pessoa natural que constituir empresa individual de responsabilidade 
limitada somente poderá figurar em uma única empresa dessa 
modalidade. 
§ 3º A empresa individual de responsabilidade limitada também poderá 
resultar da concentração das quotas de outra modalidade societária num 
único sócio, independentemente das razões que motivaram tal concentração. 
§ 4º ( VETADO). 
§ 5º Poderá ser atribuída à empresa individual de responsabilidade limitada 
constituída para a prestação de serviços de qualquer natureza a remuneração 
decorrente da cessão de direitos patrimoniais de autor ou de imagem, nome, 
marca ou voz de que seja detentor o titular da pessoa jurídica, vinculados à 
atividade profissional. 
§ 6º Aplicam-se à empresa individual de responsabilidade limitada, no que 
couber, as regras previstas para as sociedades limitadas 
§7º Somente o patrimônio social da empresa responderá pelas dívidas da 
empresa individual de responsabilidade limitada, hipótese em que não se 
confundirá, em qualquer situação, com o patrimônio do titular que a constitui, 
ressalvados os casos de fraude. 
 
Os primórdios das pessoas jurídicas sempre estiveram ligados à ideia de coletividade 
(Orlando Gomes justificava a existência das pessoas jurídicas afirmando que o ser humano é 
gregário por natureza), no entanto, essa noção não é mais verdadeira. Como dito, a EIRELI era 
uma pessoa jurídica formada por uma única pessoa natural, que a compõe. 
Antes da EIRELI, se "José" quisesse abrir uma loja no centro da cidade para vender 
vestuário, ele teria duas opções: 
1ª) explorar essa atividade econômica como empresário individual; 
2ª) encontrar um outro indivíduo para ser seu sócio e constituir uma sociedade empresária. 
A desvantagem de explorar como empresa no individual era o fato de que "José" iria 
responder com seus bens pessoais e de forma ilimitada por todas as dívidas que contraísse na 
atividade econômica. 
Tal situação fazia com que muitas pessoas arranjassem um "laranja" para figurar como sócio 
em uma sociedade limitada, normalmente com capital social de 1%. Obviamente que tal realidade 
não era simples nem correta, servindo como desestímulo à livre iniciativa. 
8.2. REQUISITOS 
Os requisitos para a constituição da EIRELI eram os seguintes: 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 46 
 
a) Uma única pessoa natural, que é o titular da totalidade do capital social; 
b) O capital social deve estar devidamente integralizado; 
c) O capital social não pode ser inferior a 100 (cem) vezes o salário-mínimo; 
d) A pessoa natural que constituir EIRELI somente poderá figurar em uma única empresa 
dessa modalidade. Assim, para evitar fraudes, ninguém pode ser titular de duas empresas 
individuais de responsabilidade limitada. 
8.3. VANTAGEM DA EIRELI 
Com a criação da EIRELI no art. 980-A, o indivíduo passou a conseguir, sozinho, constituir 
uma pessoa jurídica para desempenhar sua atividade empresarial, com a vantagem de que, na 
EIRELI, a responsabilidade pelas dívidas era limitada ao valor do capital social. 
8.4. CRIAÇÃO DA SOCIEDADE UNIPESSOAL E ESVAZIAMENTO DA FUNÇÃO DA EIRELI 
Sociedade unipessoal é aquela formada por um só sócio que detém a totalidade do capital 
social. 
A figura da sociedade unipessoal é admitida em alguns países do mundo. 
É possível a existência de sociedade unipessoal no Brasil? 
Antes da Lei nº 13.874/2019: NÃO Depois da Lei nº 13.874/2019: SIM 
Como regra, havia a necessidade de dois 
ou mais sócios. 
A doutrina apontava a existência de três 
exceções muito peculiares: 
1) sociedade subsidiária integral (art. 251, 
§ 2º, da Lei nº 6.404/76); 
2) empresa pública unipessoal. 
3) sociedade limitada que ficou com 
apenas um sócio, situação que podia 
durar por, no máximo, 180 dias (art. 
1.033, IV, do CC – atualmente revogado). 
A Lei nº 13.874/2019 acrescentou dois 
parágrafos ao art. 1.052 do CC prevendo 
a possibilidade de a sociedade limitada 
ser composta por um único sócio: 
Art. 1.052. (...) 
§ 1º A sociedade limitada pode ser 
constituída por 1 (uma) ou mais pessoas. 
§ 2º Se for unipessoal, aplicar-se-ão ao 
documento de constituiçãodo sócio 
único, no que couber, as disposições 
sobre o contrato social. 
 
Assim, a Lei nº 13.874/2019 previu a possibilidade de ser, livremente, criada a sociedade 
limitada unipessoal. Vale ressaltar que, com a criação da sociedade limitada unipessoal, a EIRELI 
perdeu praticamente toda a sua importância e, na prática, passou a não mais ser adotada. 
Recentemente, inclusive, houve revogação expressa desta modalidade com a Lei nº 14.382, 
de 2022. 
 
 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 47 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
DPE/MT (2022) Luan deseja abrir uma empresa na área de soldagem e 
procurou a Defensoria Pública para orientações acerca de sua 
responsabilidade no tocante a eventuais dívidas cíveis da pessoa jurídica. Ele 
afirmou que não possui outro interessado em ser sócio. Nessa situação 
hipotética, Luan deverá ser orientado no sentido de que é possível a criação 
de sociedade limitada constituída por apenas uma pessoa, ocasião em que, 
via de regra, sua responsabilidade estará restrita ao valor de sua quota, desde 
que o capital social esteja integralizado. Correta! 
 
PGE/AM (2022) A sociedade limitada unipessoal é pessoa jurídica de direito 
privado, podendo ter prazo de duração determinado ou indeterminado. 
Correta! 
 
PGE/GO (2021) Cláudio pescava num rio quando, ao observar as belas 
paisagens do lugar, teve a ideia de constituir uma empresa, sob a forma de 
sociedade limitada, para explorar o turismo na região. De acordo com o 
Código Civil, essa sociedade poderá ser constituída apenas por Cláudio, 
dado que a pluralidade de sócios não constitui exigência para a constituição 
de sociedade limitada. Correta! 
8.5. TRANSFORMAÇÃO DAS EIRELIS EM SOCIEDADES UNIPESSOAIS 
Diante do modelo que caiu em desuso – e sua posterior revogação expressa, o legislador 
resolveu simplificar o panorama e decidiu transformar todas as EIRELIs ainda existentes em 
sociedades unipessoais. Confira o art. 41 da Lei nº 14.195/2021: 
Art. 41. As empresas individuais de responsabilidade limitada existentes na 
data da entrada em vigor desta Lei serão transformadas em sociedades 
limitadas unipessoais independentemente de qualquer alteração em seu ato 
constitutivo. 
Parágrafo único. Ato do Drei disciplinará a transformação referida neste 
artigo. 
8.6. REVOGAÇÃO DO INCISO IV DO ART. 1.033 DO CÓDIGO CIVIL 
O inciso IV do art. 1.033 do Código Civil previa que se uma sociedade – que originalmente 
tivesse pluralidade de sócios – ficasse com apenas um sócio (ex: os demais morreram), esta 
sociedade deveria se regularizar – com a entrada de novos sócios – em um prazo de até 180 dias. 
Caso não fizesse isso, tal sociedade deveria ser dissolvida, salvo se fosse transformada em uma 
EIRELI. Veja: 
Art. 1.033. Dissolve-se a sociedade quando ocorrer: 
(...) 
IV - a falta de pluralidade de sócios, não reconstituída no prazo de cento e 
oitenta dias; 
(...) 
Parágrafo único. Não se aplica o disposto no inciso IV caso o sócio 
remanescente, inclusive na hipótese de concentração de todas as quotas da 
sociedade sob sua titularidade, requeira, no Registro Público de Empresas 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 48 
 
Mercantis, a transformação do registro da sociedade para empresário 
individual ou para empresa individual de responsabilidade limitada, 
observado, no que couber, o disposto nos arts. 1.113 a 1.115 deste Código. 
 
Essa regra existia porque no Brasil não se admitia sociedade unipessoal. 
Ocorre que, com a autorização dada pela Lei nº 13.874/2019 para que exista sociedade 
unipessoal, essa regra prevista no inciso IV deixou de ter sentido. Ora, se uma sociedade, que era 
composta por pluralidade de sócios, passou a contar com apenas um único sócio, ela deve se tornar 
uma sociedade unipessoal, não havendo motivo para que seja dissolvida. 
Assim, a Lei nº 14.195/2021 – corretamente – decidiu revogar o inciso IV e o parágrafo único 
do art. 1.033 do Código Civil. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/PR (2021): A sociedade simples dissolve-se quando ocorrer a falta de 
pluralidade de sócios, não reconstituída no prazo de cento e oitenta dias. 
Errada! 
9. OBRIGAÇÕES DO EMPRESÁRIO 
Antes de analisarmos cada uma das obrigações, é pertinente salientar que deverão ser 
cumpridas pelo empresário individual e pela sociedade empresária. 
9.1. REGISTRO 
9.1.1. Previsão legal e órgão encarregado 
Art. 967. É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de 
Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade. 
 
O art. 967 do CC prevê que o empresário deve se inscrever no Registro Público de Empresas 
Mercantis, antes mesmo do início da atividade. 
 
Esse Registro Público de Empresas, estruturado de acordo com a Lei 8.934/94 (LRE – Lei de 
Registros Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins), é dividido em dois órgãos: 
 
1) DREI (Departamento de Registro Empresarial e Integração) – órgão central do SINREM: 
Sistema Nacional de Registro de Empresas Mercantis): É um órgão federal, de caráter 
normatizador e fiscalizador. 
2) Junta Comercial: É um órgão estadual, de caráter executor. É na junta comercial que se 
procede ao registro do empresário 
 
 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 49 
 
 
DREI (ANTIGO DNRC) JUNTAS COMERCIAIS 
➢ O departamento de Registro Empresarial e 
Integração (DREI) é o órgão central do sistema 
e fica localizado em Brasília; 
 
➢ Trata-se de órgão federal, ligado à Secretaria da 
Micro e Pequena Empresa da Presidência da 
República; 
 
➢ A principal função do DREI é a de estabelecer 
normas que devem ser observadas no registro 
das empresas, supervisionando e coordenando 
essas regras, do plano técnico. 
 
➢ Vale ressaltar que o DREI substituiu o antigo 
DNRC (Departamento Nacional de Registro do 
Comércio). 
 
➢ Em cada Estado-membro existe uma Junta 
Comercial (chamada de órgão local” do sistema 
de Registro de Empresas Mercantis); 
 
➢ Trata-se de órgão vinculado e mantido pelo 
Governo do Estado; 
 
➢ Tem a função de executar e administrar os 
serviços relacionados com o registro das 
empresas. É quem, na prática registra os 
empresários e as sociedades empresárias, 
cumprindo regramento estabelecido pelo DNRC. 
 
A junta comercial tem subordinação hierárquica híbrida: 
a) Subordinação técnica: Em questões de Direito Comercial se subordina ao DREI 
(órgão federal). 
b) Subordinação administrativa: Em questões de Direito Administrativo e Financeiro 
subordina-se ao Governo do Estado. Ou seja, quem paga o salário de quem trabalha 
na Junta Comercial é o estado. 
Conforme entendimento do STF, contra ato denegatório de registro na Junta Comercial, cabe 
a impetração de MS junto à Justiça Federal, dada a vinculação técnica da Junta ao DREI, órgão 
federal. Em outras palavras, o ato de registro diz respeito ao aspecto técnico, e sendo a Junta 
subordinada tecnicamente ao órgão federal, a impetração deve ser na JF. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
De quem é a competência para processar e julgar crimes envolvendo a Junta 
Comercial? 
As juntas comerciais subordinam-se administrativamente ao Governo Estadual e, 
tecnicamente, ao Departamento Nacional de Registro do Comércio (órgão federal). Os crimes 
envolvendo a Junta Comercial somente serão de competência da Justiça Federal se houver ofensa 
DIRETA a bens, serviços ou interesses da união, conforme art. 109. IV, CF/88. Nos demais casos, 
Junta Comercial 
DREI ( âmbito federal, 
normativa e fiscalizadora 
– subordinação técnica) 
Estado 
(subordinação 
administrativa
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 50 
 
a competência será da Justiça Estadual. STJ. 3ª Seção. CC 130.516-SP. Rel. Min. Rogério Schietti 
Cruz, julgado em 26/02/2014. INFORMATIVO 536-STJ – Competência. 
9.1.2. Atos de registro1) Matrícula: Ato de inscrição dos profissionais de atividades “paracomerciais”. Se refere a 
alguns profissionais específicos. Grosso modo: regula algumas profissões. 
2) Arquivamento: Ato de inscrição do empresário individual, bem como atos de inscrição, 
dissolução e alteração das sociedades empresárias, cooperativas, consórcios de empresas, 
grupos de sociedades, empresas mercantis estrangeiras, assim como declarações de 
microempresa e de empresas de pequeno porte. 
3) Autenticação: É ligada aos demais instrumentos de escrituração, são os livros comerciais e 
as fichas escriturais. Requisito extrínseco de validade da escrituração. 
Art. 1.154 CC: ato sujeito a registro não pode ser oposto a terceiros antes do 
cumprimento das formalidades exigidas, salvo se houver prova que o terceiro 
o conhecia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9.1.3. Novo Registro em caso de sucursal, filial ou agência 
Cabe observar uma situação muito comum na vida empresarial, qual seja, a instituição de 
filiais, sucursais ou agências de uma mesma sociedade empresária. Nestes casos, dispõe o Código 
Civil que o empresário que instituir sucursal, filial ou agência, em lugar sujeito à jurisdição de outro 
Registro Público de Empresas Mercantis, neste deverá também inscrevê-la, com a prova da 
inscrição originária. 
Não obstante, prevê ainda que em qualquer caso, a constituição do estabelecimento 
secundário deverá ser averbada no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
DPE/TO (2022) O empresário que instituir filial em lugar sujeito à jurisdição 
de outro registro público de empresas mercantis deverá inscrevê-la também 
neste lugar, com a prova da inscrição originária. Porém, a constituição do 
estabelecimento secundário deverá ser averbada no Registro Público de 
Empresas Mercantis da respectiva sede. Correta! 
9.1.4. Exceção ao Registro (art. 971 do CC) 
Atividades “Paracomerciais” Inscrição individual/sociedade Escrituração de livros e fichas 
Matrícula Arquivamento Autenticação 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 51 
 
Art. 971. O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, 
pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus 
parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da 
respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para 
todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro. 
Parágrafo único. Aplica-se o disposto no caput deste artigo à associação que 
desenvolva atividade futebolística em caráter habitual e profissional, caso em 
que, com a inscrição, será considerada empresária, para todos os efeitos. 
(Incluído pela Lei nº 14.193, de 2021) 
 
Para o empresário rural o registro é facultativo. No entanto, enquanto não é feito o registro, 
não recebe tratamento de empresário. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/PR (2019) Conforme o Código Civil, equipara-se à condição de pessoa 
empresária um empresário rural cuja principal atividade seja a agricultura e 
que esteja devidamente inscrito no Registro Público de Empresas Mercantis. 
Correta! 
 
CESPE TJ/PB: A inscrição no registro público de empresas mercantis é 
obrigatória ao empresário cuja atividade rural constitua sua principal 
profissão. ERRADA! 
 
FCC TJ/AL: Renato, empresário cuja atividade rural constitui sua principal 
profissão, tem a faculdade de se inscrever no Registro de Empresas, mesmo 
depois de iniciadas as suas atividades. CORRETA! 
ATENÇÃO: é questão recorrente em provas a indagação acerca do registro do empresário 
rural. 
9.1.5. Natureza jurídica do Registro 
Para o empresário comum o registro é mera condição de regularidade, conforme os 
Enunciados 198 e 199 do Conselho da Justiça Federal. Ou seja, o empresário sem registro não 
deixa de ser empresário (o que torna o sujeito empresário é a atividade por ele empreendida), mas 
o é de forma irregular, ficando tolhido de uma série de benefícios assegurados aos empresários 
regulares, conforme veremos a seguir. 
Art. 967. É obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de 
Empresas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade. 
 
198 – Art. 967: A inscrição do empresário na Junta Comercial não é requisito 
para a sua caracterização, admitindo-se o exercício da empresa sem tal 
providência. O empresário irregular reúne os requisitos do art. 966, 
sujeitando-se às normas do Código Civil e da legislação comercial, salvo 
naquilo em que forem incompatíveis com a sua condição ou diante de 
expressa disposição em contrário. 
199 – Art. 967: A inscrição do empresário ou sociedade empresária é requisito 
delineador de sua regularidade, e não da sua caracterização. 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 52 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/RS (2022) Conforme o Código Civil, é obrigatória a inscrição do 
empresário no Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede, 
antes do início de sua atividade. Correta! 
Entretanto, para o empresário rural o registro tem natureza constitutiva, ou seja, é condição 
“sine qua non” para que o sujeito receba o tratamento legal de empresário. 
Art. 971. O empresário, cuja atividade rural constitua sua principal profissão, 
PODE, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 e seus 
parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da 
respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará equiparado, para 
todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro. 
 
Art. 984. A sociedade que tenha por objeto o exercício de atividade própria 
de empresário rural e seja constituída, ou transformada, de acordo com um 
dos tipos de sociedade empresária, pode, com as formalidades do art. 968, 
requerer inscrição no Registro Público de Empresas Mercantis da sua sede, 
caso em que, depois de inscrita, ficará equiparada, para todos os efeitos, à 
sociedade empresária. 
Parágrafo único. Embora já constituída a sociedade segundo um daqueles 
tipos, o pedido de inscrição se subordinará, no que for aplicável, às normas 
que regem a transformação. 
 
202 – Arts. 971 e 984: O registro do empresário ou sociedade rural na Junta 
Comercial é facultativo e de natureza constitutiva, sujeitando-o ao regime 
jurídico empresarial. É inaplicável esse regime ao empresário ou 
sociedade rural que não exercer tal opção. 
Portanto, a sociedade rural que não fizer o registro não será sociedade empresarial e sim 
sociedade simples. O ‘empresário’ rural não será empresário e sim profissional liberal autônomo. 
9.1.6. Inatividade da empresa 
O empresário individual e a sociedade empresária que deixavam de proceder a qualquer 
arquivamento no prazo de 10 anos, se não comunicassem à Junta que ainda se encontravam em 
atividade, eram considerados inativos. A inatividade da empresa autorizava a Junta a proceder ao 
cancelamento do registro, perdendo assim, a proteção do nome empresarial pelo titular inativo. A 
lei exigia a comunicação da Junta ao empresário antes do cancelamento, atendendo a comunicação 
se desfaz a inatividade, não atendendo, efetuava-se o cancelamento do registro, informando o fisco. 
Art. 60. A firma individual ou a sociedade que não proceder a qualquer 
arquivamento no período de dez anos consecutivos deverá comunicar à junta 
comercial que deseja manter-se em funcionamento. 
§ 1º Na ausência dessa comunicação, a empresa mercantil será considerada 
inativa, promovendo a junta comercial o cancelamento do registro, com a 
perda automática da proteção ao nome empresarial. 
§ 2º A empresa mercantil deverá ser notificada previamente pela junta 
comercial, mediante comunicação direta ou por edital, para os fins deste 
artigo. 
§ 3º A junta comercial fará comunicação do cancelamento às autoridades 
arrecadadoras, no prazo de até dez dias. 
http://www.iceni.com/infix.htm53 
9.1.8. Registro da Cooperativa .......................................................................................... 53 
9.2. ESCRITURAÇÃO DOS LIVROS COMERCIAIS OBRIGATÓRIOS ................................. 54 
9.2.1. Livros obrigatórios x Livros facultativos .................................................................... 54 
9.2.2. Consequências da não escrituração do Livro Diário ................................................ 55 
9.2.3. Dispensados da escrituração ................................................................................... 55 
9.2.4. Princípio da sigilosidade .......................................................................................... 57 
9.2.5. Consequências da ausência de apresentação dos livros ......................................... 58 
9.3. REALIZAÇÃO DE DEMONSTRATIVOS CONTÁBEIS PERIÓDICOS ............................ 59 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 3 
 
9.4. MANTER EM BOA GUARDA E CONSERVAÇÃO A ESCRITURAÇÃO E 
DOCUMENTAÇÃO ................................................................................................................... 59 
9.5. ESQUEMA GRÁFICO ..................................................................................................... 59 
10. NOME EMPRESARIAL ...................................................................................................... 60 
10.1. PREVISÃO CONSTITUCIONAL .................................................................................. 60 
10.2. CONCEITO ................................................................................................................. 60 
10.3. ESPÉCIES .................................................................................................................. 60 
10.4. FIRMA ......................................................................................................................... 61 
10.4.1. Composição da firma individual ............................................................................... 61 
10.4.2. Composição da firma social (razão social) ............................................................... 61 
10.5. DENOMINAÇÃO ......................................................................................................... 62 
10.5.1. Composição da denominação .................................................................................. 62 
10.6. CNPJ como nome empresarial .................................................................................... 63 
10.7. ESQUEMAS ................................................................................................................ 63 
10.8. PROTEÇÃO AO NOME EMPRESARIAL .................................................................... 65 
10.9. NOME EMPRESARIAL ≠ MARCA .............................................................................. 66 
10.10. NOME EMPRESARIAL ≠ TÍTULO DE ESTABELECIMENTO ..................................... 66 
10.11. PRINCÍPIOS DO NOME EMPRESARIAL ................................................................... 67 
10.11.1. Princípio da veracidade (autenticidade)................................................................ 67 
10.11.2. Princípio DA NOVIDADE ...................................................................................... 67 
10.12. CARACTERÍSTICAS ................................................................................................... 68 
11. ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL .............................................................................. 68 
11.1. PREVISÃO LEGAL ..................................................................................................... 68 
11.2. CONCEITO ................................................................................................................. 70 
11.3. ESTABELECIMENTO x PATRIMÔNIO EMPRESARIAL ............................................. 72 
11.4. NATUREZA JURÍDICA DO ESTABELECIMENTO ...................................................... 73 
11.5. COMPRA E VENDA DO ESTABELECIMENTO .......................................................... 73 
11.5.1. “Trespasse” ............................................................................................................. 73 
11.5.2. Produção de efeitos perante terceiros ..................................................................... 73 
11.5.3. Penhora do estabelecimento ................................................................................... 74 
11.5.4. Dívidas anteriores (art. 1.146) .................................................................................. 75 
11.5.5. Trespasse X cessão de quotas ................................................................................ 77 
11.5.6. Cláusula de não restabelecimento → não concorrência .......................................... 77 
11.5.7. Sub-rogação nos contratos ...................................................................................... 78 
11.5.8. Aviamento / Goodwill of trade/ Achalandage ............................................................ 79 
12. PONTO COMERCIAL ........................................................................................................ 79 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 4 
 
12.1. CONCEITO ................................................................................................................. 79 
12.2. AÇÃO RENOVATÓRIA ............................................................................................... 80 
12.2.1. Requisitos ................................................................................................................ 80 
12.2.2. Prazo ....................................................................................................................... 81 
12.2.3. Sublocação .............................................................................................................. 81 
12.2.4. Exceção de retomada .............................................................................................. 82 
12.2.5. Sentença ................................................................................................................. 83 
12.2.6. Esquema gráfico ação renovatória – renovação compulsória .................................. 84 
12.3. LOCAÇÃO BUILT TO SUIT ......................................................................................... 84 
PROPRIEDADE INDUSTRIAL ...................................................................................................... 86 
1. FINALIDADE .......................................................................................................................... 86 
2. ALOCAÇÃO DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL NO DIREITO ............................................... 86 
3. OBJETO DE PROTEÇÃO DA LEI DE PROPRIEDADE INDUSTRIAL ................................... 86 
4. PATENTE .............................................................................................................................. 87 
4.1. CONCEITO ..................................................................................................................... 87 
4.2. SEGREDO INDUSTRIAL ................................................................................................ 87 
4.3. TEMPO ........................................................................................................................... 87 
4.4. TERMO INICIAL ............................................................................................................. 88 
4.5. PRORROGAÇÃO DO PRAZO ........................................................................................ 88 
4.6. INVENÇÃO ..................................................................................................................... 88 
4.7. MODELO DE UTILIDADE ...............................................................................................CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 53 
 
§ 4º A reativação da empresa obedecerá aos mesmos procedimentos 
requeridos para sua constituição. 
 
A Lei 14.195/2021 revogou o art. 60 da Lei 8.934, colocando fim à inatividade das empresas 
pela falta de arquivamento. 
9.1.7. Consequências da ausência de registro 
A ausência de registro gera algumas consequências ao empresário ou sociedade 
empresária: 
1) Não tem legitimidade para pedir a falência de outro empresário; 
2) Não pode requerer a recuperação judicial; 
3) Não pode participar de licitação. 
4) Tratando-se de sociedade empresária: a responsabilidade do sócio será ilimitada. 
Como o tema foi cobrado em prova? 
AGU (2015) A sociedade empresária irregular não tem legitimidade ativa para 
pleitear a falência de outro comerciante, mas pode requerer recuperação 
judicial, devido ao princípio da preservação da empresa. Errada! 
9.1.8. Registro da Cooperativa 
Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade 
que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a 
registro (art. 967); e, simples, as demais. 
Parágrafo único. Independentemente de seu objeto, considera-se empresária 
a sociedade por ações; e, simples, a cooperativa. 
 
Não se utiliza o critério material previsto no art. 966 CC, mas um critério legal, estabelecido 
no 982. A cooperativa é sempre uma sociedade simples, não importa se exerce uma atividade 
empresarial de forma organizada com o intuito de lucro. 
Desta feita, onde é feito o REGISTRO da cooperativa? 
Uma primeira corrente, tradicional do direito brasileiro, com amparo na Lei 5.764/71, bem 
como no enunciado 69 da I JDC, afirma que a cooperativa deve ser inscrita na junta comercial. Lei 
8934/94, art. 32. 
Art. 32. O registro compreende: 
I - a matrícula e seu cancelamento: dos leiloeiros, tradutores públicos e 
intérpretes comerciais, trapicheiros e administradores de armazéns-gerais; 
II - O arquivamento: 
a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção 
de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas; 
b) dos atos relativos a consórcio e grupo de sociedade de que trata a Lei nº 
6.404, de 15 de dezembro de 1976; 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404.htm
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 54 
 
c) dos atos concernentes a empresas mercantis estrangeiras autorizadas a 
funcionar no Brasil; 
d) das declarações de microempresa; 
e) de atos ou documentos que, por determinação legal, sejam atribuídos ao 
Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins ou daqueles que 
possam interessar ao empresário e às empresas mercantis; 
III - a autenticação dos instrumentos de escrituração das empresas mercantis 
registradas e dos agentes auxiliares do comércio, na forma de lei própria. 
 
Enunciado nº69 da CJF: “as sociedades cooperativas são sociedades 
simples sujeitas à inscrição nas Juntas Comerciais”. 
Uma segunda corrente (defendida por autores como Pablo Stolze, MHD, Paulo Restiffe, 
Nilson Reis Júnior, André Ramos Santa Cruz), sustenta que o registro da cooperativa deve ser 
feito no CRPJ. Argumentos: 
As disposições legais acima devem ser reinterpretadas a partir da entrada em vigor do 
CC/02, que atribuiu às cooperativas natureza de sociedade simples, afirmando ainda que as SS 
devem ser registradas no CRPJ. 
Art. 18 da Lei do Cooperativismo não foi recepcionada pela CF/88, eis que cuida da 
autorização estatal para criação das cooperativas, visto que é vedada a intervenção pelo Estado de 
acordo com a CF. 
Prova objetiva: responder que o registro deve ser feito na Junta Comercial. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/MG (2021) No que a lei for omissa, aplicam-se às sociedades 
cooperativas as disposições referentes à sociedade simples, desde que 
respeitadas as características da sociedade cooperativa. Correta! 
9.2. ESCRITURAÇÃO DOS LIVROS COMERCIAIS OBRIGATÓRIOS 
9.2.1. Livros obrigatórios x Livros facultativos 
É mais uma obrigação comum a todos empresários. Antes de adentrarmos no tema, cabe 
uma diferenciação entre livros obrigatórios e facultativos. 
1) Livro obrigatório: Trata-se de exigência legal, cuja inobservância traz consequências 
sancionadoras para o empresário, conforme veremos a seguir. 
a) Especial: Exigido somente em casos excepcionais. Exemplo: Livro de registro de 
duplicatas. Só é obrigado a escriturar esse livro o empresário que emite duplicatas. 
b) Comum: Exigido sempre. Atualmente existe apenas um livro obrigatório no Direito 
Empresarial brasileiro: trata-se do chamado Livro Diário (Art. 1.180 do CC). Esse 
livro pode ser substituído por fichas em caso de escrituração mecanizada ou 
eletrônica. 
Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário, 
que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou 
eletrônica. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 55 
 
 
2) Livro facultativo: Aquele que não está exigido em lei. A não escrituração não gera 
qualquer consequência. Exemplo: Livro Caixa e Livro conta corrente. 
9.2.2. Consequências da não escrituração do Livro Diário 
A não escrituração ou a irregularidade da escrituração sujeita o empresário a sanções de 
órbita civil e penal, mas no campo empresarial não sofre nenhuma sanção. 
Na órbita civil, a consequência mais severa é que o empresário não terá direito a eficácia 
probatória que o Código de Processo Civil dá aos livros empresariais (art. 418 do CPC/2015); na 
esfera penal, essa ausência ou irregularidade na escrituração de livro obrigatório está sintetizada 
no art. 178 da Lei de Falências, podendo constituir crime falimentar (isso somente no caso de ele 
entrar em crise e for decretada falência). 
CPC Art. 418. Os livros empresariais que preencham os requisitos exigidos 
por lei provam a favor de seu autor no litígio entre empresários. 
 
 Art. 178. Deixar de elaborar, escriturar ou autenticar, antes ou depois da 
sentença que decretar a falência, conceder a recuperação judicial ou 
homologar o plano de recuperação extrajudicial, os documentos de 
escrituração contábil obrigatórios: 
Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos, e multa, se o fato não constitui 
crime mais grave. 
 
Vale lembrar ainda que a falsificação do livro diário configura crime de falsificação de 
documento público, conforme previsão do art. 297 do CP, § 2º. 
Art. 297 - Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar 
documento público verdadeiro: 
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa. 
§ 2º - Para os efeitos penais, equiparam-se a documento público o emanado 
de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as 
ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. 
 
Por fim, de acordo com o art. 417 do CPC, os livros serão provas contra o empresário. 
Art. 417. Os livros empresariais provam contra seu autor, sendo lícito ao 
empresário, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, 
que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/BA (2019) Em relação à eficácia probatória ou força probante dos livros 
mercantis obrigatórios de um empresário, é correto afirmar que os dados 
constantes da escrituração mercantil criam uma presunção relativa de 
veracidade a favor de um litigante quando este fizer prova contra o 
empresário. Correta! 
9.2.3. Dispensados da escrituração 
O pequeno empresário está dispensado da escrituração (1.179, § 2º do CC). 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 56 
 
Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir 
um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração 
uniforme de seus livros, em correspondênciacom a documentação 
respectiva, e a levantar anualmente o BALANÇO PATRIMONIAL e o de 
RESULTADO ECONÔMICO. 
§ 2o É dispensado das exigências deste artigo o pequeno empresário a que 
se refere o art. 970. 
 
Art. 970. A lei assegurará tratamento favorecido, diferenciado e simplificado 
ao empresário rural e ao PEQUENO EMPRESÁRIO, quanto à inscrição e aos 
efeitos daí decorrentes. 
 
OBS: A Lei Complementar 123/06, em seu art. 3º estabelece que 
MICROEMPRESA (ME) será quando auferir receita bruta anual igual 
ou inferior a R$ 360.000,00 e EMPRESA DE PEQUENO PORTE 
(EPP) quando auferir receita bruta anual superior a R$ 360.000,00 e 
igual ou inferior a R$ 4.800.000,00. 
Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideram-se 
microempresas ou empresas de pequeno porte, a sociedade empresária, a 
sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o 
empresário a que se refere o art. 966 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 
2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas 
Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde 
que: 
I - no caso da microempresa, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta 
igual ou inferior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais); e 
II - no caso de empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano-calendário, 
receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual 
ou inferior a R$ 4.800.000,00 (quatro milhões e oitocentos mil reais). 
 
Mas aqui não se trata de ME ou EPP e sim, PEQUENO EMPRESÁRIO. 
No entanto, o conceito e características de pequeno empresário estão disciplinados nos arts. 
68 c/c 18 – A, ambos da LC 123/06, que sofreu alterações pela LC 139/11, pela LC 147/14 e LC 
155/2016 
Art. 68. Considera-se PEQUENO EMPRESÁRIO, para efeito de aplicação do 
disposto nos arts. 970 e 1.179 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 
(Código Civil), o EMPRESÁRIO INDIVIDUAL caracterizado como 
microempresa na forma desta Lei Complementar que aufira receita bruta 
anual até o limite previsto no § 1o do art. 18-A. 
 
Art. 18-A. O Microempreendedor Individual - MEI poderá optar pelo 
recolhimento dos impostos e contribuições abrangidos pelo Simples Nacional 
em valores fixos mensais, independentemente da receita bruta por ele 
auferida no mês, na forma prevista neste artigo. 
§ 1º Para os efeitos desta Lei Complementar, considera-se MEI quem tenha 
auferido receita bruta, no ano-calendário anterior, de até R$ 81.000,00 
(oitenta e um mil reais), que seja optante pelo Simples Nacional e que não 
esteja impedido de optar pela sistemática prevista neste artigo, e seja 
empresário individual que se enquadre na definição do art. 966 da Lei nº 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm#art966
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm#art966
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 57 
 
10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), ou o empreendedor que 
exerça: 
I - as atividades de que trata o § 4º-A deste artigo; 
II - as atividades de que trata o § 4º-B deste artigo estabelecidas pelo CGSN; 
e 
III - as atividades de industrialização, comercialização e prestação de serviços 
no âmbito rural. 
 
Conclusão: só pode ser Pequeno Empresário, chamado de Microempreendedor Individual 
(MEI), a Pessoa Física (empresário individual) que aufira receita bruta, no ano calendário anterior, 
de até R$ 81.000,00 ou que empreenda nas atividades de (novidade trazida pela LC 188/2021): 
• industrialização, comercialização e prestação de serviços no âmbito rural; 
• comercialização e processamento de produtos de natureza extrativista; 
• O CGSN (Comitê Gestor do Simples Nacional) determinará as atividades autorizadas a 
optar pela sistemática de recolhimento de que trata este artigo, de forma a evitar a 
fragilização das relações de trabalho, bem como sobre a incidência do ICMS e do ISS. 
 
➔ Esquematizando: 
MICROEMPRESA (ME) 
EMPRESA DE PEQUENO 
PORTE (EPP) 
MICROEMPREENDEDOR 
INDIVIDUAL (MEI) 
Pode ser: 
- Empresário individual; 
- Sociedade Empresária; 
- Sociedade Simples 
Pode ser: 
- Empresário Individual 
- Sociedade Empresária 
- Sociedade Simples 
APENAS o empresário 
individual. 
Igual ou inferior a R$ 
360.000,00 
Superior a R$ 360.000,00 e 
igual ou inferior 4.800.000,00. 
Igual ou inferior R$ 81.000,00 
9.2.4. Princípio da sigilosidade 
Os livros comerciais são regidos pelo princípio da sigilosidade (art. 1.190 do CC), não 
podendo ser feita a exibição deles por simples vontade das partes ou por decisão do juiz que não 
esteja dentre as hipóteses previstas em lei. A intenção do sigilo é evitar concorrência desleal. 
Art. 1.190. Ressalvados os casos previstos em lei, nenhuma autoridade, juiz 
ou tribunal, sob qualquer pretexto, poderá fazer ou ordenar diligência para 
verificar se o empresário ou a sociedade empresária observam, ou não, em 
seus livros e fichas, as formalidades prescritas em lei. 
 
Exceções à sigilosidade: 
a) Exibição PARCIAL do livro: Extração de pequena parte do livro que interessa ao juízo e 
restituição imediata do livro ao empresário. É possível em qualquer ação judicial, 
podendo ser decretada de ofício. Nesse sentido: 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 58 
 
Súmula 260 do STF - O exame de livros comerciais, em ação judicial, fica 
limitado às transações entre os litigantes. 
CPC - Art. 421. O juiz pode, de ofício, ordenar à parte a exibição parcial dos 
livros e dos documentos, extraindo-se deles a suma que interessar ao litígio, 
bem como reproduções autenticadas. 
 
b) Exibição TOTAL (INTEGRAL) do livro: Retenção do livro em cartório durante andamento 
da ação, não se assegurando o sigilo de seus dados e dificultando o acesso do 
empresário. Só é possível nas hipóteses do art. 1.191 do CC, mediante requerimento 
das partes. Não pode o juiz de ofício (art. 420 CPC). 
Art. 1.191. O juiz só poderá autorizar a exibição integral dos livros e papéis 
de escrituração quando necessária para resolver questões relativas a 
sucessão, comunhão ou sociedade, administração ou gestão à conta de 
outrem, ou em caso de falência. 
 
Art. 420. O juiz pode ordenar, a requerimento da parte, a exibição integral 
dos livros empresariais e dos documentos do arquivo: 
I - na liquidação de sociedade; 
II - na sucessão por morte de sócio; 
III - quando e como determinar a lei. 
 
c) Autoridades fazendárias: Art. 1.193 do CC, in verbis: 
Art. 1.193. As restrições estabelecidas neste Capítulo ao exame da 
escrituração, em parte ou por inteiro, não se aplicam às autoridades 
fazendárias, no exercício da FISCALIZAÇÃO do pagamento de impostos 
(TRIBUTOS), nos termos estritos das respectivas leis especiais. 
 
Uma vez exibido em juízo, o livro possui a carga probatória conferida pelo art. 417 e 418 do 
CPC, podendo ser usado tanto a favor como contra o seu titular (princípio da comunhão da prova). 
Art. 417. Os livros empresariais provam contra seu autor, sendo lícito ao 
empresário, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, 
que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos. 
 
Art. 418. Os livros empresariais que preencham os requisitos exigidos por lei 
provam a favor de seu autor no litígio entre empresários. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
Vunesp TJ/SP (2015) Quando preencherem os requisitos legais, os livros 
contábeis fazem prova a favor de seu titular, nos litígios entre empresários. 
Correta! 
9.2.5. Consequências da ausência de apresentação dos livros 
Caso o empresário negue-se a apresentar os livros, após a determinação do juiz, haverá 
busca e apreensão, bem como haverá presunção relativa de veracidade do que for alegada pela 
parte contrária, nos termos do art. 1.192 do CC. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 59 
 
Art. 1.192. Recusadaa apresentação dos livros, nos casos do artigo 
antecedente, serão apreendidos judicialmente e, no do seu § 1o, ter-se-á 
como verdadeiro o alegado pela parte contrária para se provar pelos livros. 
Parágrafo único. A confissão resultante da recusa pode ser elidida por prova 
documental em contrário. 
9.3. REALIZAÇÃO DE DEMONSTRATIVOS CONTÁBEIS PERIÓDICOS 
O empresário é obrigado a fazer dois tipos de balanço: 
1) Balanço Patrimonial (1.188 CC) – apura o ativo e o passivo (que compreende todos os 
bens, débitos e créditos da empresa). “PAssivo” 
Art. 1.188. O BALANÇO PATRIMONIAL deverá exprimir, com fidelidade e 
clareza, a situação real da empresa e, atendidas as peculiaridades desta, 
bem como as disposições das leis especiais, indicará, distintamente, o ativo 
e o passivo. 
Parágrafo único. Lei especial disporá sobre as informações que 
acompanharão o balanço patrimonial, em caso de sociedades coligadas. 
 
2) Balanço econômico (1.189 CC) – apura o resultado, ou seja, a conta dos lucros e perdas. 
Art. 1.189. O BALANÇO DE RESULTADO ECONÔMICO, ou demonstração 
da conta de lucros e perdas, acompanhará o balanço patrimonial e dele 
constarão crédito e débito, na forma da lei especial. 
9.4. MANTER EM BOA GUARDA E CONSERVAÇÃO A ESCRITURAÇÃO E 
DOCUMENTAÇÃO 
CC, Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a 
conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais 
papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou 
decadência no tocante aos atos neles consignados. 
9.5. ESQUEMA GRÁFICO 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 60 
 
 
 
 
 
 
v 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10. NOME EMPRESARIAL 
10.1. PREVISÃO CONSTITUCIONAL 
O art. 5º, XXIX consagra a proteção ao nome empresarial. 
Art. 5º, XXIX - a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio 
temporário para sua utilização, bem como proteção às criações industriais, à 
propriedade das marcas, AOS NOMES DE EMPRESAS e a outros signos 
distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico 
e econômico do País; 
10.2. CONCEITO 
É o elemento de identificação do empresário individual e da sociedade empresária. 
10.3. ESPÉCIES 
Escrituração dos Livros Comerciais 
Obrigatórios 
Facultativos 
Especiais 
Comum 
P. da Sigilosidade 
EXCEÇÕES: 
*Exibição total (provocada) 
*Exibição parcial (ofício) 
*Autoridades fazendárias 
(tributo) 
Exceção: MEI (até 
R$81.000,00). 
Demonstrativos Periódicos 
Balanço patrimonial – ativo/passivo 
Balanço econômico - resultado 
Ex: Livro de duplicadas 
Obrigatório: Livro diário 
Ex: Livro conta corrente, Livro Caixa 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 61 
 
O art. 1.155 do CC traz duas espécies e diz que o nome empresarial pode ser na modalidade 
de firma ou denominação. A firma se subdivide em firma individual e firma social. 
Art. 1.155. Considera-se nome empresarial a firma ou a denominação 
adotada, de conformidade com este Capítulo, para o exercício de empresa. 
Parágrafo único. Equipara-se ao nome empresarial, para os efeitos da 
proteção da lei, a denominação das sociedades simples, associações e 
fundações. 
 
1) FIRMA 
a) Individual: Só o empresário individual. 
b) Social (Razão Social): Sociedade empresária, em que os sócios têm 
responsabilidade ilimitada. 
2) DENOMINAÇÃO: sociedade empresária, em que os sócios têm responsabilidade 
limitada. 
3) CNPJ como nome empresarial. O empresário individual e a sociedade empresária 
precisam ter um nome empresarial, que é a expressão que os identifica em suas relações 
jurídicas. 
A Lei 14.195/2021 também alterou a obrigatoriedade da indicação do objeto social no nome 
empresarial DENOMINAÇÃO. 
Assim, a firma DEVE conter o nome do empresário e PODE ter a designação do gênero de 
atividade; a denominação PODE ter a designação da atividade e PODE ter um nome (homenagem) 
ou um elemento fantasia. 
10.4. FIRMA 
10.4.1. Composição da firma individual 
Obrigatório: Nome do empresário (completo ou abreviado). 
Facultativo: Acrescentar uma designação mais precisa de sua pessoa ou do gênero de 
atividade. 
Exemplo: A. Barros, o anjinho barroco, comércio de miniaturas. 
Art. 1.156. O empresário opera sob firma constituída por seu nome, 
completo ou abreviado, aditando-lhe, se quiser, designação mais precisa 
da sua pessoa ou do gênero de atividade. 
10.4.2. Composição da firma social (razão social) 
Obrigatório: Nome (s) do (s) sócio (s) somente. Só pode conter na firma social nome de 
sócio, ou seja, não pode haver designação mais precisa da pessoa. Exemplo: Pedro Henrique e 
Rogério Faustino; P. Henrique e R. Faustino; R. Henrique e CIA. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 62 
 
Facultativo: Colocação de designação da atividade executada. A essa designação a doutrina 
dá o nome de ramo de atividade ou designação do objeto social. 
OBS: A expressão CIA significa que tem outros sócios na sociedade, 
mas SOMENTE se utiliza no fim do nome empresarial. 
Se colocar CIA no início ou no meio do nome empresarial muda todo 
o sentido. Vai significar que se trata de uma SOCIEDADE ANÔNIMA. 
Exemplo: CIA Vale do Rio Doce. 
 A firma social só é aplicada às sociedades com sócios com responsabilidade ILIMITADA 
(art. 1.157). 
Exemplo: Sociedade em nome coletivo, os sócios que respondem com seu próprio 
patrimônio pelo passivo da sociedade. 
Exceção: A sociedade limitada (apesar de ser de responsabilidade limitada) também pode 
usar a firma social (além de poder usar a denominação). Sempre deverá trazer ao final do nome a 
expressão limitada (art. 1.158). 
Art. 1.157. A sociedade em que houver sócios de responsabilidade ilimitada 
operará sob firma, na qual somente os nomes daqueles poderão figurar, 
bastando para formá-la aditar ao nome de um deles a expressão "e 
companhia" ou sua abreviatura. 
Parágrafo único. Ficam solidária e ilimitadamente responsáveis pelas 
obrigações contraídas sob a firma social aqueles que, por seus nomes, 
figurarem na firma da sociedade de que trata este artigo. 
 
Art. 1.158. Pode a sociedade LIMITADA adotar firma ou denominação, 
integradas pela palavra final "limitada" ou a sua abreviatura. 
10.5. DENOMINAÇÃO 
10.5.1. Composição da denominação 
Regra geral: Designação do nome através de uma “Expressão linguística” (elemento 
fantasia). Exemplo: Globex; Fandangos, OMO, Samsung. 
Facultativo: Inserção do ramo da atividade ou objeto social (art. 1.158, §2º). 
Exemplo: Globex distribuidora de alimentos. 
A Lei 14.382 alterou o caput do art. 1.160 do CC. 
• Antes: na denominação da sociedade anônima e da sociedade em comandita por ações 
(quando esta adotasse denominação), era obrigatório que constasse a designação do 
objeto social. 
• Agora: a menção ao objeto social é facultativa. 
 
 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 63 
 
 CÓDIGO CIVIL 
Antes da Lei 14.382/2022 Depois da Lei 14.382/2022 
Art. 1.160. A sociedade anônima opera sob 
denominação designativa do objeto social, 
integrada pelas expressões "sociedade 
anônima" ou "companhia", por extenso ou 
abreviadamente. 
Parágrafo único. Pode constar da 
denominação o nome do fundador, 
acionista, ou pessoa que haja concorrido 
para o bom êxito da formação da empresa. 
Art. 1.160. A sociedade anônima opera sob 
denominação, integrada pelas expressões 
‘sociedade anônima’ ou ‘companhia’, por 
extenso ou abreviadamente, facultada a 
designação do objeto social. 
Parágrafo único. Pode constar da 
denominação o nome do fundador, 
acionista, ou pessoa que haja concorrido 
para o bom êxito da formação da empresa. 
Art. 1.161. A sociedade em comandita por 
ações pode, em lugar de firma, adotar 
denominação designativa do objeto social, 
aditada da expressão “comandita por 
ações”.Art. 1.161. A sociedade em comandita por 
ações pode, em lugar de firma, adotar 
denominação, aditada da expressão 
‘comandita por ações’, facultada a 
designação do objeto social. 
 
É possível colocar nome de sócio na denominação? 
Excepcionalmente, pode na S/A, conforme o art. 1.160, parágrafo único. Como forma de 
homenagem. 
Parágrafo único. pode constar da denominação o nome do fundador, 
acionista, ou pessoa que haja concorrido para o bom êxito da formação da 
empresa. 
 
A DENOMINAÇÃO só é utilizada quando se tratar de sociedade com responsabilidade 
LIMITADA. Exemplo: Sociedade LTDA e Sociedade Anônima. 
A S/A (sempre limitada) só pode ter denominação. 
A LTDA (sempre limitada) é exceção, pois tem tanto denominação quanto firma social, como 
vimos acima. 
A sociedade em comandita por ações é outra exceção: pode ter firma social ou 
denominação. 
10.6. CNPJ como nome empresarial 
Com o objetivo de desburocratizar, a Lei nº 14.195/2021 acrescentou o art. 35-A na Lei nº 
8.934/94 dizendo que o empresário ou pessoa jurídica poderá utilizar o CNPJ como nome 
empresarial. 
Art. 35-A. O empresário ou a pessoa jurídica poderá optar por utilizar o 
número de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) como 
nome empresarial, seguido da partícula identificadora do tipo societário ou 
jurídico, quando exigida por lei. 
10.7. ESQUEMAS 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 64 
 
 FIRMA SOCIAL DENOMINAÇÃO CNPJ 
SOCIEDADE 
Com responsabilidade 
ILIMITADA 
Exceção: Sociedade limitada 
(deve vir ao fim: ‘LTDA’). 
Com responsabilidade 
LIMITADA (S/A ou LTDA). 
Empresário ou 
Pessoa jurídica – 
responsabilidade 
LIMITADA 
COMPOSIÇÃO 
Nome do empresário ou dos 
sócios. 
Expressão linguística 
(elemento fantasia) 
Exceção: Nome do sócio 
como homenagem na S/A. 
CNPJ como nome 
empresarial, 
seguido da 
partícula 
identificadora do 
tipo societário ou 
jurídico 
ASSINATURA 
É o nome empresarial. Não 
pode colocar assinatura 
pessoal. Deve ser escrito o 
nome empresarial. 
É a assinatura pessoal do 
representante legal. 
OBJETO 
SOCIAL 
Facultativo Facultativo 
 
A sociedade empresária de qualquer tipo que esteja em recuperação judicial deve adotar 
também a expressão “em Recuperação Judicial”. 
EMPRESÁRIO NOME EMPRESARIAL 
Empresário individual Firma individual 
Sociedade em nome coletivo e 
sociedade em comandita 
simples 
Firma coletiva ou razão social 
Sociedade anônima Denominação 
Sociedade limitada, sociedade 
em comandita por ações 
Podem escolher entre firma ou 
denominação 
Sociedade em conta de 
participação 
Não tem nome empresarial. 
 
Para que não restem dúvidas, mais um quadro esquemático. 
 FIRMA DENOMINAÇÃO 
Empresário individual 
(ilimitada) 
TEM NÃO TEM 
Sociedade em comandita 
simples (ilimitada/limitada) 
TEM NÃO TEM 
Sociedade em nome coletivo 
(ilimitada) 
TEM NÃO TEM 
S/A NÃO TEM TEM 
Cooperativa NÃO TEM TEM 
Sociedade LTDA1 TEM TEM (art. 1.158 do CC) 
*Sociedade em comandita por 
ações2 TEM TEM 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 65 
 
Sociedade em conta de 
participação3 
NÃO TEM NÃO TEM 
 
OBSERVAÇÕES: 
A lei concede a possibilidade de adotar denominação. 
Deve constar LTDA ou limitada expresamente no nome, sob pena de 
responsabilidade. 
A lei concede a possibilidade de adotar firma. 
A sociedade em conta de participação é chamada de 
despersonificada, pois não possui personalidade jurídica. Desta forma, 
não poderá ter firma ou denominação. 
10.8. PROTEÇÃO AO NOME EMPRESARIAL 
A Lei 8.934/94 (Lei de Registro Público de Empresas Mercantis), em seu art. 33, fala que a 
proteção ao nome empresarial decorre automaticamente do registro (ARQUIVAMENTO) do 
empresário ou da sociedade empresária no respectivo Registro Público (Junta Comercial). 
Art. 33. A proteção ao nome empresarial decorre automaticamente do 
arquivamento dos atos constitutivos de firma individual e de sociedades, ou 
de suas alterações. 
 
A proteção do nome empresarial se restringe ao âmbito estadual, uma vez que a junta 
comercial é de âmbito estadual, nos termos do art. 1.166 do CC. 
Art. 1.166. A inscrição do empresário, ou dos atos constitutivos das pessoas 
jurídicas, ou as respectivas averbações, no registro próprio, asseguram o uso 
exclusivo do nome nos limites do respectivo Estado. 
Parágrafo único. O uso previsto neste artigo estender-se-á a todo o território 
nacional, se registrado na forma da lei especial. 
 
Atenção para o parágrafo único do art. 1.166. Não há lei especial, portanto, a proteção se 
limita ao nível estadual. 
Se o empresário quiser proteger o nome comercial em todas as unidades da federação, deve 
fazer o devido registro em todas as respectivas juntas comerciais. 
REsp 1686154 / SP. PROPRIEDADE INDUSTRIAL. NOME EMPRESARIAL. 
ÂMBITO DE PROTEÇÃO. UNIDADE DA FEDERAÇÃO EM QUE 
ARQUIVADOS OS ATOS CONSTITUTIVOS DA SOCIEDADE 
EMPRESÁRIA. PREQUESTIONAMENTO. INEXISTÊNCIA. REEXAME DE 
FATOS E PROVAS. INADMISSIBILIDADE. 1- Ação distribuída em 
26/11/2010. Recurso especial interposto em 3/9/2014 e concluso à Relatora 
em 25/8/2016. 2- O propósito recursal é definir se o nome empresarial 
adotado e utilizado pelo recorrido viola direitos de propriedade industrial 
titulados pelo recorrente. 3- A ausência de decisão acerca das teses 
invocadas pelo recorrente impede, quanto a elas, o conhecimento do recurso 
especial. 4- O nome empresarial goza de proteção jurídica tão somente 
no âmbito do ente federativo onde se localiza a Junta Comercial em que 
arquivados os atos constitutivos da sociedade que o titula, podendo ser 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 66 
 
estendida a todo território nacional apenas na hipótese de pedido de 
arquivamento nas demais Juntas Comerciais. Precedentes. 5- Na 
espécie, os atos constitutivos das partes foram arquivados em diferentes 
entes federativos, não havendo notícia de que o recorrente tenha pleiteado 
proteção em todo o território nacional, de modo que sua pretensão de 
abstenção de uso não merece prosperar. 6- Ademais, o acórdão recorrido 
concluiu que, dada a atividade desempenhada por cada uma das empresas, 
a existência simultânea dos nomes empresariais não é capaz de acarretar 
confusão e prejuízo aos consumidores. 7- O reexame de fatos e provas em 
recurso especial é inadmissível. 8- Recurso especial não provido. 
10.9. NOME EMPRESARIAL ≠ MARCA 
O NOME EMPRESARIAL é elemento que identifica o empresário ou sociedade, registrado 
na junta (proteção estadual). 
A MARCA é elemento de identificação de um produto ou serviço, registrada no INPI, e tendo 
aplicação a todo o território nacional. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJPR: O registro da marca no Instituto Nacional da Propriedade Industrial 
(INPI) garante, consequentemente, a proteção do nome empresarial, 
independentemente do registro deste nas juntas comerciais. Errado! Proteção 
do nome pressupõe registro na junta comercial. 
 
TJPR: A proteção conferida ao nome empresarial se exaure nos limites do 
estado federado onde fica a junta comercial na qual se fez seu registro, sendo 
sua proteção nos demais estados condicionada ao seu registro nas 
respectivas juntas comerciais. Correto! 
10.10. NOME EMPRESARIAL ≠ TÍTULO DE ESTABELECIMENTO 
Nome empresarial (ex.: CIA Brasileira de distribuição) é diferente de título de 
estabelecimento (exemplo: Pão de Açúcar). Esse último é o apelido comercial dado a um 
estabelecimento empresarial. 
Outro exemplo: 
Globex distribuição e comércio S/A → Identificação de sociedade → Denominação (pois é 
S/A). 
Título de estabelecimento → Ponto frio. 
Alguns autores costumam chamar o título de estabelecimento de nome fantasia. 
Mais um exemplo: 
Pedro Almeida e Renata Franco Sorveteria LTDA → Nome empresarial. (Firma social – 
exceção Ltda.) 
Beijo gelado → Título de estabelecimento.Produto Panegel® → Marca. 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 67 
 
Como se protege o título de estabelecimento? Não tem proteção. A única proteção legal é 
a do art. 195, VI da Lei 9.279/96, que prevê que o uso indevido de título de estabelecimento 
configura crime de concorrência desleal. Por isso, que os títulos de estabelecimento são 
comumente também registrados como marcas, a fim de serem protegidos indiretamente. 
10.11. PRINCÍPIOS DO NOME EMPRESARIAL 
O art. 34 da Lei 8.934/94 prevê que o nome empresarial obedecerá aos princípios da 
veracidade e da novidade. 
 
Art. 34. O nome empresarial obedecerá aos princípios da veracidade e da 
novidade. 
10.11.1. Princípio da veracidade (autenticidade) 
Impõe que a firma individual ou firma social seja composta a partir do nome do empresário 
ou dos sócios, respectivamente. Por conta desse princípio, se um dos sócios morrer, seu nome 
deve ser retirado da firma. 
Art. 1.165. O nome de sócio que vier a falecer, for excluído ou se retirar, não 
pode ser conservado na firma social. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJAM: Em observância ao princípio da veracidade, o nome do sócio que 
falecer não pode ser considerado na firma social. Correto! 
Quanto à denominação, esse princípio não se aplica integralmente, haja vista a possibilidade 
de as sociedades anônimas levarem o nome de um ex-sócio na denominação como forma de 
homenagem. 
Se for caso de elemento fantasia (denominação), impõe o referido princípio de que a 
expressão linguística não induza o consumidor a erro, guardando, assim, alguma correspondência 
do nome para com a atividade desempenhada. 
10.11.2. Princípio DA NOVIDADE 
Não poderão coexistir, na mesma unidade federativa (estado), dois nomes empresariais 
idênticos ou semelhantes, prevalecendo aquele já protegido pelo prévio arquivamento (registro). 
Se sobrevier um nome igual ou parecido, cabe àquele que primeiro registrou o nome propor 
a chamada ação anulatória de nome empresarial, que segundo o art. 1.167 do CC é 
imprescritível. 
Art. 1.167. Cabe ao prejudicado, a qualquer tempo, ação para anular a 
inscrição do nome empresarial feita com violação da lei ou do contrato. 
 
OBS: O nome empresarial, ao contrário do nome civil, não admite 
homonímia, nem semelhança que possa causar confusão. 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 68 
 
10.12. CARACTERÍSTICAS 
O nome empresarial pode ser objeto de alienação? 
Conforme o art. 1.164 do CC, o nome empresarial é INALIENÁVEL → Resposta para 
primeira fase. 
Art. 1.164. O nome empresarial não pode ser objeto de alienação. 
Parágrafo único. O adquirente de estabelecimento, por ato entre vivos, pode, 
se o contrato o permitir, usar o nome do alienante, precedido do seu 
próprio, com a qualificação de sucessor. 
 
No entanto, em caso de alienação de sociedade empresária denominada por elemento 
fantasia, não ofenderia o princípio da veracidade a manutenção do nome. Assim sendo, há quem 
admita que nesse caso haveria a alienação do nome empresarial. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJMG (2022) O nome empresarial não pode ser objeto de alienação. O 
adquirente de estabelecimento, por ato entre vivos, pode, se o contrato o 
permitir, usar o nome do alienante, precedido do seu próprio, com a 
qualificação de sucessor. Correta! 
TJPE: É vedada a alienação do nome empresarial. Correto! 
Qualquer interessado pode solicitar o cancelamento da inscrição do nome empresarial, nos 
termos do art. 1.168 do CC. 
Art. 1.168. A inscrição do nome empresarial será cancelada, a requerimento 
de qualquer interessado, quando cessar o exercício da atividade para que 
foi adotado, ou quando ultimar-se a liquidação da sociedade que o inscreveu. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJPE: A inscrição do nome empresarial somente será cancelada a 
requerimento do seu titular, mesmo quando cessado o exercício da atividade 
para que foi dotado. Errado! O requerimento pode ser feito por qualquer 
interessado. 
O nome empresarial é um direito de personalidade? 
O art. 52 do CC estendeu os direitos de personalidade à pessoa jurídica. Doutrina 
majoritária: o nome empresarial é um direito de personalidade. 
Art. 52. Aplica-se às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos direitos 
da personalidade 
11. ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL 
11.1. PREVISÃO LEGAL 
Previsão legal: Art. 1.142 a 1.149 do CC. 
ATENÇÃO: Cai pelo menos uma questão disso em prova. Basta ler esses artigos. 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 69 
 
CC, Art. 1.142. Considera-se estabelecimento todo complexo de bens 
organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade 
empresária. (Vide Lei nº 14.195, de 2021) 
 
§ 1º O estabelecimento não se confunde com o local onde se exerce a 
atividade empresarial, que poderá ser físico ou virtual. (Incluído pela Lei nº 
14.382, de 2022) 
 
§ 2º Quando o local onde se exerce a atividade empresarial for virtual, o 
endereço informado para fins de registro poderá ser, conforme o caso, o 
endereço do empresário individual ou o de um dos sócios da sociedade 
empresária. (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) 
 
§ 3º Quando o local onde se exerce a atividade empresarial for físico, a 
fixação do horário de funcionamento competirá ao Município, observada a 
regra geral prevista no inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 13.874, de 20 de 
setembro de 2019. (Incluído pela Lei nº 14.382, de 2022) 
 
Art. 1.143. Pode o estabelecimento ser objeto unitário de direitos e de 
negócios jurídicos, translativos ou constitutivos, que sejam compatíveis com 
a sua natureza. 
 
Art. 1.144. O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou 
arrendamento do estabelecimento, só produzirá efeitos quanto a terceiros 
depois de averbado à margem da inscrição do empresário, ou da 
sociedade empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis, e de 
publicado na imprensa oficial. 
 
Art. 1.145. Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu 
passivo, a eficácia da alienação do estabelecimento depende do pagamento 
de todos os credores, ou do consentimento destes, de modo expresso ou 
tácito, em trinta dias a partir de sua notificação. 
 
Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos 
débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados, 
continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo prazo de um 
ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto aos 
outros, da data do vencimento. 
 
Art. 1.147. Não havendo autorização expressa, o alienante do 
estabelecimento não pode fazer concorrência ao adquirente, nos cinco anos 
subsequentes à transferência. 
Parágrafo único. No caso de arrendamento ou usufruto do 
estabelecimento, a proibição prevista neste artigo persistirá durante o prazo 
do contrato. 
 
Art. 1.148. Salvo disposição em contrário, a transferência importa a sub-
rogação do adquirente nos contratos estipulados para exploração do 
estabelecimento, se não tiverem caráter pessoal, podendo os terceiros 
rescindir o contrato em noventa dias a contar da publicação da 
transferência, se ocorrer justa causa, ressalvada, neste caso, a 
responsabilidade do alienante. 
 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 70 
 
Art. 1.149. A cessão dos créditos referentes ao estabelecimento transferido 
produzirá efeito em relação aos respectivos devedores, desde o momento da 
publicação da transferência, mas o devedor ficará exonerado se de boa-fé 
pagar ao cedente. 
 
Doutrina majoritária: Estabelecimento comercial = Fundo de comércio = Azienda = Fundo 
Empresarial. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJMG (2022) O estabelecimento não se confunde com o local onde se exerce 
a atividade empresarial, que poderá ser físico ouvirtual. Correta! 
DPE/TO (2022) A natureza do estabelecimento empresarial é 
necessariamente física, de modo que ambientes virtuais não recebem a 
proteção conferida. Errada! 
TJ/SP (2021) Sobre o estabelecimento, é correto afirmar que salvo 
disposição expressa em contrário, é vedado ao titular do estabelecimento 
fazer concorrência ao arrendatário ou usufrutuário durante o prazo do 
contrato. Correta! 
DPE/MG (2019) A cláusula de não concorrência empresarial proíbe que o 
alienante do estabelecimento comercial se restabeleça no mesmo ramo 
empresarial, porque a cláusula de não concorrência empresarial tem prazo 
de duração de 5 anos. Errada! 
11.2. CONCEITO 
Conforme o art. 1.142 do CC, estabelecimento comercial é o complexo de bens 
organizado, reunidos pelo empresário, para o exercício da atividade econômica. 
Oscar Barreto Filho: é o complexo de bens, materiais e imateriais, que constituem o 
instrumento utilizado pelo empresário para a exploração de uma determinada atividade de empresa. 
BENS CORPÓREOS (MATERIAIS) BENS INCORPÓREOS (IMATERIAIS) 
Móveis, maquinários, imóvel, equipamentos 
Ponto comercial, marca, patente, título de 
estabelecimento, nome de domínio e perfis de 
redes sociais 
 
Atentar: a palavra-chave é ORGANIZAÇÃO. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/PA (2019) “Ponto Comercial” a denominação dada ao elemento 
incorpóreo do estabelecimento empresarial pertencente ao empresário e que 
concerne à localização do imóvel onde é exercida a mercancia ou atividade 
industrial, que não se confunde com o imóvel propriamente dito e que muitas 
vezes assume papel preponderante para o sucesso da empresa, seja pela 
relação com os clientes, seja pela relação com os fornecedores, e que é 
protegido pela lei de locações. Correta! 
A MP 1.085/2021, posteriormente convertida na Lei 14.382/2022, incluiu os parágrafos 1º, 
2º e 3º ao art. 1.142 do CC. 
Art. 1.142. (...) 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 71 
 
§ 1º O estabelecimento não se confunde com o local onde se exerce a 
atividade empresarial, que poderá ser físico ou virtual. 
 
Essa previsão corresponde àquilo que já era defendido por André Santa Cruz: “A expressão 
estabelecimento empresarial parece se referir, numa primeira leitura, ao local em que o empresário 
exerce sua atividade empresarial. Trata-se, todavia, de uma visão equivocada, que representa 
apenas uma noção vulgar da expressão, correspondendo tão somente ao sentido coloquial que ela 
possui para as pessoas em geral. Portanto, o local em que o empresário exerce suas atividades - 
ponto de negócio - é apenas um dos elementos que compõem o estabelecimento empresarial, o 
qual, como visto, é composto também de outros bens materiais (equipamentos, máquinas etc.) e 
até mesmo bens imateriais (marca, patente de invenção etc.).” 
 Art. 1.142. (...) 
§ 2º Quando o local onde se exerce a atividade empresarial for virtual, o 
endereço informado para fins de registro poderá ser, conforme o caso, o do 
empresário individual ou o de um dos sócios da sociedade empresária. 
 
Atualmente, é muito comum que várias atividades empresariais sejam desenvolvidas de 
modo virtual, não necessitando de uma sede física para atendimento de clientes, fornecedores e 
público em geral. 
A despeito disso, algumas leis locais proibiam que o endereço informado para fins de registro 
fosse a própria residência do sócio. Logo, o novo § 2º do art. 1.142 do Código Civil traz uma 
relevante novidade ao autorizar expressamente essa prática, facilitando a situação de inúmeros 
empresários que não mais precisam ser obrigados a contratar um endereço apenas para fins de 
registro. 
 Sobre o tema, vale a pena mencionar o § 25 do art. 18-A da LC 123/2006, que autoriza o 
microempreendedor individual a utilizar sua residência como sede do estabelecimento: 
Art. 18-A. (...) 
§ 25. O MEI poderá utilizar sua residência como sede do estabelecimento, 
quando não for indispensável a existência de local próprio para o exercício da 
atividade. 
 
Art. 1.142. (...) 
§ 3º Quando o local onde se exerce a atividade empresarial for físico, a 
fixação do horário de funcionamento competirá ao Município, observada a 
regra geral do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 13.874, de 20 de setembro 
de 2019. 
 
A competência é MUNICIPAL, conforme entendimento sumulado do STF: 
Súmula Vinculante 38-STF: É competente o município para fixar o horário de 
funcionamento de estabelecimento comercial. 
 
Compete aos Municípios legislar sobre o horário de funcionamento dos estabelecimentos 
comerciais situados no âmbito de seus territórios. Isso porque essa matéria é entendida como sendo 
“assunto de interesse local”, cuja competência é municipal, nos termos do art. 30, I, da CF/88. 
Cada cidade tem suas peculiaridades, tem seu modo de vida, umas são mais cosmopolitas, 
com estilo de vida agitado, muitos serviços, turistas. Por outro lado, existem aquelas menos 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 72 
 
urbanizadas, com costumes mais tradicionais etc. Assim, o horário de funcionamento dos 
estabelecimentos comerciais deve atender a essas características próprias, análise a ser feita pelo 
Poder Legislativo local. 
Existe uma “exceção” à Súmula Vinculante 38: o horário de funcionamento dos bancos. 
Segundo o STF e o STJ, as leis municipais não podem estipular o horário de funcionamento dos 
bancos. A competência para definir o horário de funcionamento das instituições financeiras é da 
União. Isso porque esse assunto (horário bancário) traz consequências diretas para transações 
comerciais intermunicipais e interestaduais, transferências de valores entre pessoas em diferentes 
partes do país, contratos etc., situações que transcendem (ultrapassam) o interesse local do 
Município. Enfim, o horário de funcionamento bancário é um assunto de interesse nacional (STF 
RE 118363/PR). O STJ possui, inclusive, um enunciado que espelha esse entendimento: 
Súmula 19-STJ: A fixação do horário bancário, para atendimento ao público, 
é da competência da União. 
 
Lei municipal pode dispor sobre: 
a) Horário de funcionamento de estabelecimento comercial: SIM (SV 38). 
b) Horário de funcionamento dos bancos (horário bancário): NÃO (Súmula 19 do STJ). 
 Veja agora o que diz o art. 3º, II, da Lei nº 13.874/2019 (Declaração de Direitos de Liberdade 
Econômica): 
Art. 3º São direitos de toda pessoa, natural ou jurídica, essenciais para o 
desenvolvimento e o crescimento econômicos do País, observado o disposto 
no parágrafo único do art. 170 da Constituição Federal: 
(...) 
II - desenvolver atividade econômica em qualquer horário ou dia da semana, 
inclusive feriados, sem que para isso esteja sujeita a cobranças ou encargos 
adicionais, observadas: 
a) as normas de proteção ao meio ambiente, incluídas as de repressão à 
poluição sonora e à perturbação do sossego público; 
b) as restrições advindas de contrato, de regulamento condominial ou de 
outro negócio jurídico, bem como as decorrentes das normas de direito real, 
incluídas as de direito de vizinhança; e 
c) a legislação trabalhista; 
11.3. ESTABELECIMENTO x PATRIMÔNIO EMPRESARIAL 
Os bens devem estar DIRETAMENTE relacionados com a atividade empresarial. Muitas 
vezes o bem pode integrar o patrimônio da sociedade empresária ou do empresário, mas isso não 
implica em considerá-lo parte do estabelecimento comercial, se não houver um vínculo direto com 
a atividade. De acordo com André Luiz Santa Cruz, pode, portanto, ser considerado um 
“patrimônio de afetação”. 
Exemplo: Uma padaria tem dois imóveis. No imóvel ‘A’ funciona a padaria, o imóvel ‘B’ é 
alugado e o dinheiro é utilizado para comprar mercadorias para o seu funcionamento. Esse imóvel 
‘B’ não faz parte do estabelecimento, e sim do patrimônio. Não podemos confundir! Às vezes o 
estabelecimento está acompanhado de outros bens, que nãofazem parte dele. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 73 
 
Vimos que os bens, para fazer parte do estabelecimento, devem estar diretamente 
relacionados com a atividade empresarial. 
O estabelecimento é essencial ao exercício da atividade empresarial. 
11.4. NATUREZA JURÍDICA DO ESTABELECIMENTO 
O estabelecimento é um objeto de direito, nos termos do art. 1.146 do CC, pode ser 
vendido, arrendado, dado como usufruto. Salienta-se que o sujeito de direito é o empresário ou a 
sociedade empresária. 
Art. 1.143. Pode o estabelecimento ser objeto unitário de direitos e de 
negócios jurídicos, translativos ou constitutivos, que sejam compatíveis com 
a sua natureza. 
 
Além disso, o estabelecimento é considerado uma universalidade. Trata-se de 
universalidade de fato ou de direito? 
UNIVERSALIDADE DE DIREITO UNIVERSALIDADE DE FATO 
São os bens reunidos por vontade da lei, 
como, por exemplo, herança e massa falida 
São aqueles bens reunidos pela vontade das 
partes, como ocorre com o estabelecimento, 
que é uma reunião de bens formada pela 
vontade do empresário ou sociedade 
empresária. Prevalece 
11.5. COMPRA E VENDA DO ESTABELECIMENTO 
11.5.1. “Trespasse” 
O contrato de compra e venda de estabelecimento comercial recebe uma denominação 
específica: TRESPASSE. 
OBS: cessão de quotas não ocorre transferência de estabelecimento, 
mas sim modificação do quadro social. 
11.5.2. Produção de efeitos perante terceiros 
Conforme o art. 1.144, o contrato de trespasse só produz efeitos perante terceiros se for 
averbado no Registro Público de Empresas Mercantis (Junta Comercial) e publicado na Imprensa 
Oficial. 
Art. 1.144. O contrato que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou 
arrendamento do estabelecimento, só produzirá efeitos quanto a terceiros 
depois de averbado à margem da inscrição do empresário, ou da 
sociedade empresária, no Registro Público de Empresas Mercantis, e de 
publicado na imprensa oficial. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 74 
 
 
 
 
Além disso, de acordo com o art. 1.145, a venda do estabelecimento depende do prévio 
pagamento dos credores da empresa ou, pelo menos, da anuência destes, podendo esta ser 
expressa ou tácita (falta de manifestação nos 30 dias posteriores à notificação implica em anuência 
tácita). 
Art. 1.145. Se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu 
passivo, a eficácia da alienação do estabelecimento depende do pagamento 
de todos os credores, ou do consentimento destes, de modo expresso ou 
tácito, em trinta dias a partir de sua notificação. 
 
O estabelecimento empresarial, por integrar o patrimônio do empresário, é garantia dos seus 
credores. Assim, a alienação do estabelecimento empresarial tem cautelas específicas que a lei 
criou com vistas para a tutela dos interesses dos credores de seu titular, sujeitando a alienação à 
anuência dos seus credores. 
Somente em uma hipótese resta dispensada a obrigatoriedade da anuência ou do 
pagamento dos credores: no caso de o alienante ter bens suficientes para cobrir o passivo da 
empresa. 
Exemplo: Se a “Kipão” possui 02 unidades, uma no valor de R$ 70.000 e outra no valor de 
R$ 150.000,00, se houver credores com crédito de R$80.000,00, por exemplo, pode vender a 
Unidade I sem que haja autorização dos credores, já que continuará com bens suficientes para 
saldar as dívidas. Contudo, não poderá vender a Unidade II sem autorização. 
A falta dessas cautelas torna o contrato de TRESPASSE ineficaz. Poderá ser pedida a 
ineficácia, voltando ao estado anterior, caso no qual o comprador terá que devolver o 
estabelecimento ao alienante devedor. 
E mais, de acordo com a Lei de Falências, (art. 94, III, c), se o empresário sem patrimônio 
suficiente para solver o passivo aliena seu estabelecimento sem observar as cautelas necessárias 
(pagamento ou consentimento dos credores) poderá ter decretada sua falência. 
 
Art. 94. Será decretada a falência do devedor que: 
III – pratica qualquer dos seguintes atos, exceto se fizer parte de plano de 
recuperação judicial: 
... 
c) transfere estabelecimento a terceiro, credor ou não, sem o consentimento 
de todos os credores e sem ficar com bens suficientes para solver seu 
passivo. 
11.5.3. Penhora do estabelecimento 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 75 
 
STJ - Súmula 451 É legítima a penhora da sede do estabelecimento 
comercial. 
Entretanto, se o empresário comprovar que o imóvel é essencial ao exercício da atividade 
empresarial ele não pode ser penhorado. 
Exemplo: distribuidora de bebidas não pode ter seu depósito penhorado. 
Destarte, é de se concluir que a regra contida na Súmula 451 do STJ é relativa, cuja 
aplicabilidade dependerá da análise de cada caso, não podendo, assim, ser utilizada para 
julgamento de processos em massa, já que comporta exceções. Por fim, uma vez amparado na 
orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça é legítima a penhora da sede do 
estabelecimento comercial desde que (i) inexistam outros bens passíveis de penhora e (ii) não seja 
servil à residência da família. 
Tanto FCC (TJ/AL) quanto CESPE (TJ/PB) cobraram o entendimento sumulado do STJ. 
Vejamos: 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/SC (2019) Um juiz de direito substituto que considerar as normas previstas 
no Código Civil e no Código de Processo Civil acerca de estabelecimento 
comercial procederá corretamente se reconhecer efeito da cessão dos 
créditos referentes ao estabelecimento transferido aos devedores, desde a 
publicação da transferência, porém o devedor será exonerado da obrigação 
se, de boa-fé, pagar ao cedente. Correta! 
CESPE TJ/PB: De acordo com entendimento sumulado pelo STJ, é vedada 
a penhora da sede do estabelecimento comercial. Errada! 
 
FCC TJ/AL: É legítima a penhora da sede do estabelecimento comercial. 
Correta! 
11.5.4. Dívidas anteriores (art. 1.146) 
Art. 1.146. O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento dos 
débitos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados, 
continuando o devedor primitivo SOLIDARIAMENTE obrigado pelo prazo 
de um ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, e, quanto 
aos outros, da data do vencimento. 
 
O adquirente do estabelecimento responde pelas dívidas anteriores ao trespasse, DESDE 
QUE a dívida esteja regularmente contabilizada, podendo até abater do preço da transação. 
Essa regra se aplica para toda e qualquer dívida QUE NÃO SEJA: dívida trabalhista - art. 
10 e 448 da CLT ou dívida tributária - art. 133 do CTN. Estas dívidas têm regras próprias. 
CLT, Art. 10 - Qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará 
os direitos adquiridos por seus empregados 
 
Art. 448 - A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não 
afetará os contratos de trabalho dos respectivos empregados. 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 76 
 
CTN, Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de 
outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, 
industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma 
ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos 
TRIBUTOS, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à 
data do ato: 
I - INTEGRALMENTE, se o alienante cessar a exploração do comércio, 
indústria ou atividade; 
II - SUBSIDIARIAMENTE com o alienante, se este prosseguir na exploração 
ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade 
no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão. 
 
Vale lembrar que o alienante também responde por essas dívidas, de forma solidária, mas 
apenas pelo prazo de UM ANO. 
Em se tratando de DÍVIDA VENCIDA: conta-se o prazo a partir da PUBLICAÇÃO do 
trespassena Imprensa. 
Em se tratando de DÍVIDA VINCENDA: conta-se da data do VENCIMENTO DA DÍVIDA. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJMG (2022) O adquirente do estabelecimento responde pelo pagamento 
dos débitos anteriores à transferência, desde que regularmente 
contabilizados, continuando o devedor primitivo solidariamente obrigado pelo 
prazo de 2 (dois) anos, a partir, quanto aos créditos vencidos, da publicação, 
e, quanto aos outros, da data do vencimento. Errada! 
Vale lembrar que o adquirente não responde pelas dívidas do alienante quando a compra 
do estabelecimento se deu em leilão judicial promovido em processo de recuperação judicial ou 
falência (LF, art. 60, parágrafo único; art. 141, II). Trata-se de um incentivo à compra do bem. 
LF Art. 60 Parágrafo-único. O objeto da alienação estará livre de qualquer 
ônus e não haverá sucessão do arrematante nas obrigações do devedor de 
qualquer natureza, incluídas, mas não exclusivamente, as de natureza 
ambiental, regulatória, administrativa, penal, anticorrupção, tributária e 
trabalhista, observado o disposto no § 1º do art. 141 desta Lei. 
 
Responsabilidade 
Solidária 
Prazo 1 ano
Dívida Vincenda - a contar 
do vencimento
Dívida Vencida
- a contar da publicação
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 77 
 
Enunciado 47 da I Jornada de Direito Comercial: Nas alienações realizadas 
nos termos do art. 60 da Lei n. 11.101/2005, não há sucessão do adquirente 
nas dívidas do devedor, inclusive nas de natureza tributária, trabalhista e 
decorrentes de acidentes de trabalho 
 
Art. 141. Na alienação conjunta ou separada de ativos, inclusive da empresa 
ou de suas filiais, promovida sob qualquer das modalidades de que trata o 
art. 142: 
II – o objeto da alienação estará livre de qualquer ônus e não haverá sucessão 
do arrematante nas obrigações do devedor, inclusive as de natureza 
tributária, as derivadas da legislação do trabalho e as decorrentes de 
acidentes de trabalho. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/SP (2019) Empregados do devedor contratados pelo arrematante serão 
admitidos mediante novos contratos de trabalho, e o arrematante não 
responde por obrigações decorrentes do contrato anterior. Correta! 
11.5.5. Trespasse X cessão de quotas 
No trespasse ocorre a transferência da titularidade do estabelecimento comercial. 
A cessão de quotas é o contrato que se faz para a transferência de quotas sociais. Na cessão 
de quotas, não ocorre a mudança da titularidade do estabelecimento, mas apenas a titularidade das 
quotas da sociedade (alteração do quadro social). 
No caso da cessão, o cedente também continua respondendo (solidariamente) pelas 
dívidas, só que por um prazo maior: dois anos (parágrafo único do art. 1.003 do CC). 
Art. 1.003. A cessão total ou parcial de quota, sem a correspondente 
modificação do contrato social com o consentimento dos demais sócios, não 
terá eficácia quanto a estes e à sociedade. 
Parágrafo único. Até dois anos depois de averbada a modificação do 
contrato, responde o cedente solidariamente com o cessionário, perante 
a sociedade e terceiros, pelas obrigações que tinha como sócio. 
11.5.6. Cláusula de não restabelecimento → não concorrência 
Essa cláusula, implícita em todos os contratos de trespasse, impõe ao alienante a vedação 
de restabelecer-se em ramo idêntico de atividade empresarial nos cinco anos subsequentes à 
alienação, salvo se de modo diverso consta em contrato, nos termos do art. 1.147 do CC, in verbis: 
Art. 1.147. Não havendo autorização expressa, o alienante do 
estabelecimento não pode fazer concorrência ao adquirente, nos cinco anos 
subsequentes à transferência. 
Parágrafo único. No caso de arrendamento ou usufruto do estabelecimento, 
a proibição prevista neste artigo persistirá durante o prazo do contrato. 
 
 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 78 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
DPE/TO (2022) O estabelecimento empresarial pode ser alienado mediante 
contrato oneroso, denominado trespasse, hipótese em que o alienante não 
poderá fazer concorrência ao adquirente nos 10 anos seguintes ao negócio. 
Errada! 
O art. 1.147 do CC prevê um prazo de 5 anos para a cláusula de não concorrência. 
Esse prazo poderá ser ampliado? 
SIM, é possível que seja ampliado, mas ele não pode ser fixado em prazo indeterminado e, 
no caso concreto, é possível que tal ampliação seja considerada abusiva se ampliar demais a 
restrição. Nesse sentido, confira o Enunciado 490 da Jornada de Direito Civil do CJF: 
Enunciado 490: A ampliação do prazo de 5 (cinco) anos de proibição de 
concorrência pelo alienante ao adquirente do estabelecimento, ainda que 
convencionada no exercício da autonomia da vontade, pode ser 
revista judicialmente, se abusiva. 
Neste sentido, sobre o trespasse (alienação do estabelecimento comercial), entende o STJ: 
Nos contratos de trespasse (alienação do estabelecimento comercial) existe, 
de forma implícita, por força de lei, uma cláusula de não concorrência 
(cláusula de não restabelecimento). Isso significa que, em regra, o alienante 
não pode fazer concorrência ao adquirente. Segundo o art. 1147, o prazo da 
cláusula de não concorrência é de 5 anos. As partes não podem prever 
cláusula de “não restabelecimento” será por prazo indeterminado. O 
ordenamento jurídico pátrio, salvo expressas exceções, não aceita que 
cláusulas que limitem ou vedem direitos sejam estabelecidas por prazo 
determinado. Logo, a cláusula de não restabelecimento fixada por prazo 
indeterminado é considerada abusiva. STJ. 4ª Turma. REsp 680.815-PR. 
Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 20/03/2014 (info 554). 
11.5.7. Sub-rogação nos contratos 
Quando ocorre a venda do estabelecimento (do complexo de bens), de acordo com o art. 
1.148, haverá uma sub-rogação do adquirente nos contratos estipulados pelo alienante (de 
fornecimento de matéria prima, por exemplo). 
 
Art. 1.148. Salvo disposição em contrário, a transferência importa a sub-
rogação do adquirente nos contratos estipulados para exploração do 
estabelecimento, se não tiverem caráter pessoal, podendo os terceiros 
rescindir o contrato em noventa dias a contar da publicação da 
transferência, se ocorrer justa causa, ressalvada, neste caso, a 
responsabilidade do alienante. 
 
Exceção à sub-rogação: Contrato de locação. Pela regra do art. 1.148 poderíamos dizer 
que o adquirente se sub-roga na condição de locatário do imóvel, vale dizer, ocorreria uma 
transferência do ponto. No entanto, a doutrina, a jurisprudência e o art. 13 da Lei de Locação 
(8.245/91) dizem diversamente: O locador deve autorizar a cessão do contrato (cessão de posição 
contratual - civil). Mais recentemente, na I Jornada de Direito Comercial, foi aprovado o Enunciado 
8. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 79 
 
Lei de locação - Art. 13. A cessão da locação, a sublocação e o empréstimo 
do imóvel, total ou parcialmente, dependem do consentimento prévio e 
escrito do locador. 
§ 1º Não se presume o consentimento pela simples demora do locador em 
manifestar formalmente a sua oposição. 
§ 2º Desde que notificado por escrito pelo locatário, de ocorrência de uma 
das hipóteses deste artigo, o locador terá o prazo de trinta dias para 
manifestar formalmente a sua oposição. 
 
Enunciado 234 do CJF - Art. 1.148: Quando do trespasse do estabelecimento 
empresarial, o contrato de locação do respectivo ponto não se transmite 
automaticamente ao adquirente. Fica cancelado o Enunciado n. 64. 
En. 8 da I JDE - 8. A sub-rogação do adquirente nos contratos de exploração 
atinentes ao estabelecimento adquirido, desde que não possuam caráter 
pessoal, é a regra geral, incluindo o contrato de locação. 
Santa Cruz: A matéria, como se pode perceber, é deveras polêmica. De acordo com o autor, 
pela legislação brasileira (art.13 da Lei 8.245/1991), o contrato de locação tem caráter pessoal 
(intuitu personae). Portanto, na interpretação do art. 1.148 do Código Civil, deve-se entender 
necessária a concordância prévia do locador do imóvel onde se situa o ponto de negócio para que 
o adquirente do estabelecimento suceda o alienante como locatário. 
11.5.8. Aviamento / Goodwill of trade/ Achalandage 
Oscar Barreto Filho: aviamento é o potencial de lucratividade do estabelecimento. 
A articulação dos bens que compõem o estabelecimento na exploração de uma atividade 
econômica agregou-lhes um valor, este é chamado de aviamento. Em outras palavras, é um atributo 
do estabelecimento, o aviamento está para o estabelecimento, assim como a saúde para o corpo, 
assim como a velocidade está para o carro. Não há como vender separadamente, ele é inerente ao 
estabelecimento. O atributo entra no cálculo do valor de venda do estabelecimento. 
OBS: clientela não é elemento do estabelecimento, não se pode 
vender cliente, pois ele é uma mera situação de fato, obviamente que 
quanto maior a clientela, maior será o valor agregado ao 
estabelecimento, acaba gerando maior potencial de lucro, entretanto, 
ainda assim, não faz parte dele, não se confunde com aviamento. 
12. PONTO COMERCIAL 
12.1. CONCEITO 
Trata-se de um bem incorpóreo. É a localização específica do estabelecimento empresarial, 
que, por vezes, pode significar um acréscimo substancial em seu valor (exemplo: quando uma 
pessoa em um imóvel alugado conquista um ponto, através do trabalho, do enriquecimento do lugar, 
conquista da clientela etc.). Em virtude disso, a lei dispensa proteção especial ao ponto comercial. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 80 
 
No caso do ponto de propriedade do empresário, a proteção se dá pela tutela genérica da 
propriedade do direito civil. No caso de ponto alugado, a proteção se dá através da renovação 
compulsória do contrato, prevista no art. 51 da Lei do Inquilinato (Lei 8.245/91). 
 
Art. 51. Nas locações de imóveis destinados ao comércio, o locatário terá 
direito a renovação do contrato, por igual prazo, desde que, cumulativamente: 
I - o contrato a renovar tenha sido celebrado por escrito e com prazo 
determinado; 
II - o prazo mínimo do contrato a renovar ou a soma dos prazos ininterruptos 
dos contratos escritos seja de cinco anos; 
III - o locatário esteja explorando seu comércio, no mesmo ramo, pelo prazo 
mínimo e ininterrupto de três anos. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJPA: Ponto comercial é a denominação dada ao elemento incorpóreo do 
estabelecimento empresarial pertencente ao empresário e que concerne à 
localização do imóvel onde é exercida a mercancia ou atividade industrial, 
que não se confunde com o imóvel propriamente dito e que muitas vezes 
assume papel preponderante para o sucesso da empresa, seja pela relação 
com os clientes, seja pela relação com os fornecedores, e que é protegido 
pela lei de locações. Correto. 
12.2. AÇÃO RENOVATÓRIA 
12.2.1. Requisitos 
O objetivo é a renovação compulsória do contrato de locação empresarial. Para que o 
empresário tenha direito à renovação compulsória, é necessário o preenchimento de alguns 
requisitos cumulativos (art. 51): 
1) Contrato escrito e com prazo determinado (se o contrato tem prazo indeterminado, não 
cabe renovatória, exemplo: 20 anos de aluguel); 
2) O contrato ou a soma (acessio temporis) ininterrupta dos contratos tem que totalizar 
prazo contratual mínimo de 05 anos. 
3) É necessário que o locatário esteja explorando o mesmo ramo de atividade econômica 
nos três anos anteriores à data da propositura da ação, ininterruptamente. 
O STJ (REsp 1.790.074-SP) entendeu que a "estação rádio base" (ERB) instalada em imóvel 
locado caracteriza fundo de comércio de empresa de telefonia móvel celular, a conferir-lhe o 
interesse processual no manejo de ação renovatória fundada no art. 51 da Lei n. 8.245/1991. 
STJ: A Anatel, ao editar a Resolução n. 477, de 07 de agosto de 2007, no art. 
3º, XVI, de seu anexo, define a Estação Rádio Base (ERB) como sendo a 
"estação de radiocomunicações de base do SMP (serviço móvel pessoal), 
usada para radiocomunicação com Estações Móveis". As ERBs, 
popularmente conhecidas como antenas, se apresentam como verdadeiros 
centros de comunicação espalhados por todo o território nacional, cuja 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 81 
 
estrutura, além de servir à própria operadora, responsável por sua instalação, 
pode ser compartilhada com outras concessionárias do setor de 
telecomunicações, segundo prevê o art. 73 da Lei n. 9.472/1997, o que, 
dentre outras vantagens, evita a instalação de diversas estruturas 
semelhantes no mesmo local e propicia a redução dos custos do serviço. As 
ERBs são, portanto, estruturas essenciais ao exercício da atividade de 
prestação de serviço de telefonia celular, que demandam investimento da 
operadora, e, como tal, integram o fundo de comércio e se incorporam ao seu 
patrimônio. Por sua relevância econômica e social para o desenvolvimento 
da atividade empresarial, e, em consequência, para a expansão do mercado 
interno, o fundo de comércio mereceu especial proteção do legislador, ao 
instituir, para os contratos de locação não residencial por prazo determinado, 
a ação renovatória, como medida tendente a preservar a empresa da 
retomada injustificada pelo locador do imóvel onde está instalada (art. 51 da 
Lei n. 8.245/1991). No que tange à ação renovatória, seu cabimento não está 
adstrito ao imóvel para onde converge a clientela, mas se irradia para todos 
os imóveis locados com o fim de promover o pleno desenvolvimento da 
atividade empresarial, porque, ao fim e ao cabo, contribuem para a 
manutenção ou crescimento da clientela. Nessa toada, conclui-se que a 
locação de imóvel por empresa prestadora de serviço de telefonia celular para 
a instalação das ERBs está sujeita à ação renovatória. 
12.2.2. Prazo 
Do direito à renovação decai aquele que não propuser a ação no interregno de um ano, no 
máximo, até seis meses, no mínimo, anteriores à data da finalização do prazo do contrato em vigor. 
Art. 51, § 5º Do direito a renovação decai aquele que não propuser a ação no 
interregno de um ano, no máximo, até seis meses, no mínimo, anteriores à 
data da finalização do prazo do contrato em vigor. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
MPE/SP (2019) Aquele que pretende renovar seu contrato de locação 
empresarial deve propor ação renovatória no interregno de um ano, no 
máximo, até seis meses, no mínimo, anteriores à data de finalização do prazo 
do contrato em vigor, sob pena de prescrição da ação. Errada! 
12.2.3. Sublocação 
A lei protege o ponto comercial, portanto, a ideia é de que será o sublocatário o legitimado 
a propor a renovatória, isto porque ele que está explorando o ponto comercial. 
Lei 8245/91 Art. 51, § 1º O direito assegurado neste artigo poderá ser exercido 
pelos cessionários ou sucessores da locação; no caso de SUBLOCAÇÃO 
total do imóvel, o direito a renovação somente poderá ser exercido pelo 
sublocatário. 
 
Tratando-se de contrato de franquia, após o advento da Lei 13.966/2019, a competência 
para o ajuizamento da ação renovatória, nos casos em que o franqueador alugue ao franqueado 
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(sublocatário), será de qualquer uma das partes (locatário - franqueador ou sublocatário - 
franqueado). 
Art. 3º Nos casos em que o franqueador subloque ao franqueado o ponto 
comercial onde se acha instalada a franquia, qualquer uma das partes terá 
legitimidade para propor a renovação do contrato de locação do imóvel, 
vedada a exclusão de qualquer uma delas do contrato de locação e de 
sublocação por ocasião da sua renovação ou prorrogação, salvo nos casos 
de inadimplência dos respectivos contratos ou docontrato de franquia. 
Parágrafo único. O valor do aluguel a ser pago pelo franqueado ao 
franqueador, nas sublocações de que trata o caput, poderá ser superior ao 
valor que o franqueador paga ao proprietário do imóvel na locação originária 
do ponto comercial, desde que: 
I - essa possibilidade esteja expressa e clara na Circular de Oferta de 
Franquia e no contrato; e 
II - o valor pago a maior ao franqueador na sublocação não implique 
excessiva onerosidade ao franqueado, garantida a manutenção do equilíbrio 
econômico-financeiro da sublocação na vigência do contrato de franquia. 
12.2.4. Exceção de retomada 
A renovação COMPULSÓRIA só é possível quando não restringir o direito constitucional de 
propriedade garantido ao locador. A própria Lei do Inquilinato (art. 72) aponta um rol exemplificativo 
de casos em que o direito de renovação do contrato de locação não prevalece sobre o direito 
constitucional de propriedade. Vejamos: 
• Quando o Poder Público solicitar reforma no imóvel que implique em sua radical 
transformação; 
• Quando o locador realizar reforma no imóvel que aumente o valor do negócio ou da 
propriedade; 
• Quando houver proposta melhor de terceiros; 
• Quando a proposta for insuficiente; 
• Quando o uso for próprio; 
• Quando houver transferência de estabelecimento empresarial existe há mais de um ano 
do locador, do seu cônjuge, de ascendente ou descendente. 
Lei 8245/91, Art. 72. A contestação do locador, além da defesa de direito 
que possa caber, ficará adstrita, quanto à matéria de fato, ao seguinte: 
I - Não preencher o autor os requisitos estabelecidos nesta lei; 
II - Não atender, a proposta do locatário, o valor locativo real do imóvel na 
época da renovação, excluída a valorização trazida por aquele ao ponto ou 
lugar; 
III - ter proposta de terceiro para a locação, em condições melhores; 
IV - Não estar obrigado a renovar a locação (incisos I e II do art. 52). 
 
Art. 52. O locador não estará obrigado a renovar o contrato se: 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 83 
 
I - por determinação do Poder Público, tiver que realizar no imóvel obras 
que importarem na sua radical transformação; ou para fazer modificações de 
tal natureza que aumente o valor do negócio ou da propriedade; 
II - o imóvel vier a ser utilizado por ele próprio ou para transferência de fundo 
de comércio existente há mais de um ano, sendo detentor da maioria do 
capital o locador, seu cônjuge, ascendente ou descendente. 
1º Na hipótese do inciso II, o imóvel não poderá ser destinado ao uso do 
mesmo ramo do locatário, salvo se a locação também envolvia o fundo de 
comércio, com as instalações e pertences. 
2º Nas locações de espaço em shopping centers, o locador não poderá 
recusar a renovação do contrato com fundamento no inciso II deste artigo. 
3º O locatário terá direito a indenização para ressarcimento dos prejuízos 
e dos lucros cessantes que tiver que arcar com mudança, perda do lugar e 
desvalorização do fundo de comércio, se a renovação não ocorrer em razão 
de proposta de terceiro, em melhores condições, ou se o locador, no 
prazo de três meses da entrega do imóvel, não der o destino alegado ou 
não iniciar as obras determinadas pelo Poder Público ou que declarou 
pretender realizar. 
 
O locatário também terá direito a indenização no caso do §1º. 
Salienta-se que o shopping center poderá alegar exceção de retomada, salvo nos casos de 
alegação fundada em uso próprio ou no caso de transferência de estabelecimento empresarial 
existente há mais de um ano do locador, do seu cônjuge, de ascendente ou descente. 
12.2.5. Sentença 
Se a ação renovatória for julgada procedente, a locação é renovada. 
Se a ação renovatória for julgada improcedente: a locação comercial não será renovada e o 
juiz determinará a desocupação do imóvel alugado no prazo de 30 dias, desde que haja pedido na 
contestação: 
Art. 74. Não sendo renovada a locação, o juiz determinará a expedição de 
mandado de despejo, que conterá o prazo de 30 (trinta) dias para a 
desocupação voluntária, se houver pedido na contestação. (Redação dada 
pela Lei nº 12.112, de 2009) 
 
A partir de quando é contado este prazo de 30 dias? O termo inicial desse prazo é a data da 
intimação pessoal do locatário, realizada por meio de mandado de despejo. 
Segundo o STJ, a Lei 12.112/2009, que alterou o prazo previsto no art. 74 da Lei de 
Locações, possui natureza processual, incidindo, portanto, sobre os processos em andamento no 
estado em que se encontram quando do início da vigência da lei, ainda que se refiram a contratos 
anteriores à alteração legislativa. 
Súmula 370 do STF - Julgada improcedente a ação renovatória da locação, 
terá o locatário, para desocupar o imóvel, o prazo de seis meses, acrescido 
de tantos meses quantos forem os anos da ocupação, até o limite total de 
dezoito meses. Desatualizada! 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 84 
 
Este enunciado, apesar de não ter sido formalmente cancelado, não é mais aplicado porque 
se baseava na Lei 1.300/1950, que foi revogada há tempos. Portanto, trata-se de súmula 
completamente desatualizada e que deve ser ignorada. 
12.2.6. Esquema gráfico ação renovatória – renovação compulsória 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12.3. LOCAÇÃO BUILT TO SUIT 
De acordo com Alexandre Gialluca, “cada vez mais utilizado, o built to suit é um contrato de 
locação no qual o locatário encomenda a construção ou a reforma de imóvel para atender às suas 
necessidades, sendo que cabe ao locador, por si ou por terceiros, construir ou promover a reforma 
no imóvel que será locado.” 
Art. 54-A. Na locação não residencial de imóvel urbano na qual o locador 
procede à prévia aquisição, construção ou substancial reforma, por si 
mesmo ou por terceiros, do imóvel então especificado pelo pretendente à 
locação, a fim de que seja a este locado por prazo determinado, prevalecerão 
Ação Renovatória 
(renovação compulsória) 
Escrito + prazo determinado 
Explorar ininterruptamente mesma atividade: 03 anos. 
Renovação mínima ou soma de prazos: 05 anos. 
Locador poderá evitar alegando 
Não preenche requisitos da lei 
 Proposta não atende o valor do 
imóvel à época da renovação 
 Proposta de 3º melhor 
 Não estar obrigado a renovar 
Determinação do poder público ou 
obras que aumente valor 
Transferência de estabelecimento de + 
1 ano, sendo sócio ou do cônjuge, 
ascendente ou descendente 
*Não pode ser usado para mesmo ramo 
*Em shopping Center não pode alegar. 
*Se não der destino em 3 meses, locatário 
terá indenização. 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 85 
 
as condições livremente pactuadas no contrato respectivo e as disposições 
procedimentais previstas nesta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.744, de 2012) 
 
O professor apresenta o seguinte esquema: 
 
Citam-se as seguintes vantagens: 
PARA O PROPRIETÁRIO PARA O LOCADOR 
Rentabilidade para o investimento 
Não utiliza capital da empresa para a 
construção da sede 
Investimento de baixo risco 
Adequação do imóvel à necessidade 
da empresa 
Baixo risco de extinção antecipada do 
contrato 
Baixo risco de extinção antecipada do 
contrato 
 
Atenção para os parágrafos 1º e 2º do art. 54-A: 
Art. 54, 
§ 1o Poderá ser convencionada a renúncia ao direito de revisão do valor dos 
aluguéis durante o prazo de vigência do contrato de locação. 
§ 2o Em caso de denúncia antecipada do vínculo locatício pelo locatário, 
compromete-se este a cumprir a multa convencionada, que não excederá, 
porém, a soma dos valores dos aluguéis a receber até o termo final da 
locação. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJRJ: Nos contratos de locação não residencial em que há “construção sob 
medida", amplamente conhecidos pela expressão inglesa built-to-suit90 
4.8. REQUISITOS DA PATENTEABILIDADE ........................................................................ 91 
4.8.1. Novidade ................................................................................................................. 91 
4.8.2. Atividade inventiva ................................................................................................... 92 
4.8.3. Aplicação industrial .................................................................................................. 92 
4.8.4. Não impedimento ..................................................................................................... 92 
4.9. LICENCIAMENTO DA PATENTE: LICENÇA VOLUNTÁRIA .......................................... 93 
4.10. LICENCIAMENTO DA PATENTE: LICENÇA COMPULSÓRIA ................................... 93 
4.10.1. Abuso de direito ou de poder econômico e não exploração ou não satisfação das 
necessidades do mercado ..................................................................................................... 94 
4.10.2. Emergência nacional, internacional ou interesse público ......................................... 95 
4.11. PATENTE PIPELINE ................................................................................................. 100 
4.12. PATENTE MAILBOX ................................................................................................. 102 
4.13. NULIDADE DA PATENTE ......................................................................................... 104 
4.13.1. Disposição legal..................................................................................................... 104 
4.13.2. Processo administrativo de nulidade de patente .................................................... 104 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 5 
 
4.14. EXTINÇÃO DA PATENTE ......................................................................................... 105 
5. REGISTRO .......................................................................................................................... 106 
5.1. DESENHO INDUSTRIAL (“DESIGN”) ........................................................................... 106 
5.1.1. Novidade ............................................................................................................... 107 
5.1.2. Originalidade ......................................................................................................... 108 
5.1.3. Impedimentos ........................................................................................................ 108 
5.1.4. Nulidade do registro do desenho de utilidade art. 112 ........................................... 108 
5.1.5. Extinção do REGISTRO do desenho de utilidade .................................................. 109 
5.2. MARCA......................................................................................................................... 109 
5.2.1. Espécies de Marca (art. 123) ................................................................................. 109 
5.2.2. Espécies de marca quanto à sua apresentação..................................................... 110 
5.2.3. Princípios da marca ............................................................................................... 110 
5.2.4. Requisitos para registro de marca ......................................................................... 111 
5.2.5. MARCAS EVOCATIVAS E O STJ ......................................................................... 116 
5.2.6. Marca degenerativa ............................................................................................... 118 
5.2.7. Nulidade do registro marca .................................................................................... 118 
5.2.8. Uso indevido da marca e dano moral ..................................................................... 119 
5.2.9. Conflito entre marca e nome empresarial .............................................................. 120 
5.2.10. Trade Dress ........................................................................................................... 121 
5.2.11. Extinção do REGISTRO da marca ......................................................................... 123 
6. ASPECTOS PROCESSUAIS DA LPI................................................................................... 124 
7. PRESCRIÇÃO ..................................................................................................................... 125 
8. FORMAS DE EXTINÇÃO DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL .............................................. 126 
DIREITO SOCIETÁRIO .............................................................................................................. 127 
1. QUADRO SOCIETÁRIO EMPRESARIAL ............................................................................ 127 
1.1. SOCIEDADE NÃO PERSONIFICADA .......................................................................... 127 
1.2. SOCIEDADE PERSONIFICADA ................................................................................... 127 
2. CONCEITO DE SOCIEDADE .............................................................................................. 127 
3. SOCIEDADES NÃO PERSONIFICADAS ............................................................................ 127 
3.1. SOCIEDADE EM COMUM............................................................................................ 127 
3.1.1. Responsabilidade dos sócios ................................................................................. 128 
3.2. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO ............................................................ 129 
3.2.1. Sócio Ostensivo ..................................................................................................... 129 
3.2.2. Sócio Participante .................................................................................................. 130 
4. SOCIEDADES PERSONIFICADAS ..................................................................................... 131 
4.1. VISÃO GERAL .............................................................................................................. 131 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 6 
 
4.2. REGISTRO DA SOCIEDADE ....................................................................................... 131 
4.3. CLASSIFICAÇÃO DAS SOCIEDADES PERSONIFICADAS ......................................... 132 
4.3.1. Quanto ao objeto ................................................................................................... 132 
4.3.2. Quanto à forma (tipo societário) ............................................................................. 133 
Sociedade em nome coletivo ...................................................................................................... 133 
Sociedade em comandita simples ............................................................................................... 133 
Sociedade em comandita por ações (C/A) .................................................................................. 133 
Sociedade anônima (S/A) ........................................................................................................... 133 
Sociedade LTDA ......................................................................................................................... 133 
Sociedade em nome coletivo ...................................................................................................... 133 
Sociedade em comandita simples ............................................................................................... 133 
Sociedade LTDA ......................................................................................................................... 133 
Cooperativas ...............................................................................................................................ou 
build-to-suit, é correto afirmar que a cláusula penal estabelecida por denúncia 
antecipada do locatário poderá alcançar a soma dos valores dos aluguéis a 
receber até o termo final da locação. Correta! 
 
 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 86 
 
PROPRIEDADE INDUSTRIAL 
1. FINALIDADE 
A proteção às criações, aos inventos e às marcas visa ao interesse social e ao 
desenvolvimento tecnológico e econômico do país. 
Possui previsão constitucional. Observe: 
CF, art. 5º, XXIX: a lei assegurará aos autores de inventos industriais 
privilégio temporário para sua utilização, bem como proteção às criações 
industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros 
signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento 
tecnológico e econômico do País”. 
2. ALOCAÇÃO DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL NO DIREITO 
A propriedade intelectual (GÊNERO) engloba: 
a) Direito autoral (estudado pelo Direito Civil) 
b) Propriedade Industrial (Direito Empresarial) – Lei 9.279/96. 
Quatro são os bens imateriais protegidos pelo Direito Industrial na Lei 9.279/96: 
• Patentes de invenção; 
• Patentes de modelo de utilidade; 
• Registro de marcas; 
• Registro de desenho industrial. 
OBS: programa de computador não é assunto de propriedade 
industrial e sim direito autoral. 
A propriedade industrial faz parte do estabelecimento comercial. 
3. OBJETO DE PROTEÇÃO DA LEI DE PROPRIEDADE INDUSTRIAL 
A Lei visa proteger o uso desses bens por seu titular, com total exclusividade, ou seja, só o 
empresário titular desses bens tem o direito de explorar economicamente o objeto. 
Outra pessoa que não for titular do bem, só poderá explorá-lo com autorização ou licença 
do titular (caso no qual deverá pagar ao titular do bem os famosos royalties), entretanto as patentes 
e os registros podem ser alienados por ato inter vivos ou mortis causa. 
Bens (imateriais) protegidos pela lei de propriedade industrial: 
• Invenção; 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 87 
 
• Modelo de utilidade; 
• Desenho Industrial; 
• Marca. 
Dica (para quem utiliza mnemônicos): “Ih, Me Dei Mal”. 
A lei de propriedade também abriga: 
a) Repressão à concorrência desleal; 
b) Repressão às falsas indicações de lugar (geográficas). 
Invenção e Modelo de utilidade só terão exclusividade de uso se tiverem uma PATENTE, 
que possui o escopo de proteção ao desenvolvimento tecnológico, bem como de incentivar a 
pesquisa. 
Desenho industrial e marca, para terem exclusividade, hão de ter REGISTRO. 
Tanto a patente quanto o registro são feitos no INPI – Instituto Nacional de Propriedade 
Industrial, que é uma autarquia federal. 
4. PATENTE 
4.1. CONCEITO 
Trata-se de um título de monopólio temporário sobre a invenção ou o modelo de utilidade, 
outorgado pelo Estado aos inventores ou autores (pessoas físicas ou jurídicas) detentores de 
direitos sobre a criação para a exploração econômica. 
O inventor, de outro lado, se obriga a revelar detalhadamente todo conteúdo técnico da 
matéria protegida pela patente. 
4.2. SEGREDO INDUSTRIAL 
Nada mais é do que a invenção não levada à patente, que por não ter seus dados revelados 
publicamente, terá proteção à informação por tempo indeterminado, a exemplo do que ocorre com 
a Coca-Cola, com o Chanel 5 e com o Johnnie Walker. 
4.3. TEMPO 
A invenção terá o prazo máximo de 20 anos. Já o modelo de utilidade terá prazo máximo de 
15 anos. 
Os prazos mínimos de 10 anos para invenção e de 7 anos de modelo foram revogados pela 
Lei 14.195/2021. 
Art. 40. A patente de invenção vigorará pelo prazo de 20 (vinte) anos e a de 
modelo de utilidade pelo prazo 15 (quinze) anos contados da data de 
depósito. 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 88 
 
Parágrafo único. O prazo de vigência não será inferior a 10 (dez) anos para 
a patente de invenção e a 7 (sete) anos para a patente de modelo de utilidade, 
a contar da data de concessão, ressalvada a hipótese de o INPI estar 
impedido de proceder ao exame de mérito do pedido, por pendência judicial 
comprovada ou por motivo de força maior. Revogado pela Lei 14.195/2021 
 
Por outro lado, tanto o desenho industrial (art. 108) quanto a marca (art. 133) terão o prazo 
de 10 anos. 
Art. 108. O registro vigorará pelo prazo de 10 (dez) anos contados da data do 
depósito, prorrogável por 3 (três) períodos sucessivos de 5 (cinco) anos cada. 
 
Art. 133. O registro da marca vigorará pelo prazo de 10 (dez) anos, contados 
da data da concessão do registro, prorrogável por períodos iguais e 
sucessivos. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/RS (2022) O pedido de prorrogação do registro de marca pode ser 
realizado a qualquer momento, desde que durante a sua vigência. Errada! 
TJ/RS (2022) Marcas semelhantes podem coexistir para identificar produtos 
distintos e sem afinidade mercadológica, segundo o princípio da 
especialidade. Correta! 
4.4. TERMO INICIAL 
Invenção, Modelo e Desenho: conta-se a partir do DEPÓSITO do projeto no INPI. Para 
posterior concessão da patente. 
Marca: conta-se a partir da CONCESSÃO do registro. 
4.5. PRORROGAÇÃO DO PRAZO 
A patente é improrrogável, portanto, após o prazo de 20 (invenção) ou 15 anos (modelo de 
utilidade), a patente cai em domínio público. 
O registro é prorrogável, tendo os seguintes prazos: 
• Desenho industrial: Prorrogável por até 03 vezes, tendo o prazo de 05 anos cada 
prorrogação (após as 03 prorrogações o desenho industrial cai em domínio público). 
Então, temos: 10+05+05+05. 
• Marca: Não tem limite de prorrogação, podendo sempre ser prorrogável por igual período 
(ou seja, de 10 em 10 anos). 
Desta forma, temos: 10+10+10... ad infinitum 
4.6. INVENÇÃO 
Art. 8º É patenteável a INVENÇÃO que atenda aos requisitos de novidade, 
atividade inventiva e aplicação industrial. 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 89 
 
 
Art. 13. A invenção é dotada de atividade inventiva sempre que, para um 
técnico no assunto, não decorra de maneira evidente ou óbvia do estado da 
técnica. 
 
A invenção não é definida pela lei. Trata-se da criação de algo que não existe, a exemplo da 
urna eletrônica. 
Para Fábio Ulhôa Coelho, a invenção é o ato original de gênio, pelo qual se cria algo até 
então desconhecido. Já André Santa Cruz afirma que “trata-se de um ato original decorrente da 
atividade criativa do ser humano”. 
A lei limita-se a dizer o que NÃO é invenção e nem modelo de utilidade (art. 10). A saber: 
• Programa de computador. 
• Métodos cirúrgicos (importante, despenca em concurso!). 
• Regras de jogo. 
• Planejamento tributário. 
• Obras científicas, literárias ou artísticas. 
• Métodos matemáticos. 
OBS: não confundir o art. 10 (o que não é invenção nem modelo de 
utilidade), com o art. 18 (o que não pode ser patenteado, pois ilícito). 
Art. 10. Não se considera INVENÇÃO nem MODELO DE UTILIDADE: 
I - Descobertas, teorias científicas e métodos matemáticos; 
II - Concepções puramente abstratas; 
III - esquemas, planos, princípios ou métodos comerciais, contábeis, 
financeiros, educativos, publicitários, de sorteio e de fiscalização; 
IV - As obras literárias, arquitetônicas, artísticas e científicas ou qualquer 
criação estética; 
V - Programas de computador em si; 
VI - Apresentação de informações; 
VII - regras de jogo; 
VIII - técnicas e métodos operatórios ou cirúrgicos, bem como métodos 
terapêuticos ou de diagnóstico, para aplicação no corpo humano ou animal; 
IX - O todo ou parte de seres vivos naturais e materiais biológicos 
encontrados na natureza, ou ainda que dela isolados, inclusive o genoma ou 
germoplasma de qualquer ser vivo natural e os processos biológicos naturais. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TRF4 (2022) Os programas de computador em si são considerados 
invenções, mas não são considerados modelosde utilidade. Errada! 
 
TJ/MS (2019) Se dois ou mais autores tiverem realizado a mesma invenção 
ou modelo de utilidade, de forma independente, o direito de obter patente será 
assegurado àquele cuja invenção ou criação for mais antiga, 
independentemente da data do depósito. Errada! 
 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 90 
 
TJ/MS (2019) É patenteável a invenção que atenda aos requisitos de 
novidade e atividade inventiva, ainda que desprovida de aplicação industrial. 
Errada! 
Observe a redação do art. 18: 
Art. 18. Não são patenteáveis (leia-se: não podem ser patenteados, pois 
ILÍCITOS): 
I - o que for contrário à moral, aos bons costumes e à segurança, à ordem e 
à saúde públicas; 
II - as substâncias, matérias, misturas, elementos ou produtos de qualquer 
espécie, bem como a modificação de suas propriedades físico-químicas e os 
respectivos processos de obtenção ou modificação, quando resultantes de 
transformação do núcleo atômico; e (lembrar: tudo que for resultado de 
transformação do núcleo atômico não poderá ser patenteado) 
III - o todo ou parte dos seres vivos, exceto os micro-organismos transgênicos 
que atendam aos três requisitos de patenteabilidade - novidade, atividade 
inventiva e aplicação industrial - previstos no art. 8º e que não sejam mera 
descoberta. 
Parágrafo único. Para os fins desta Lei, micro-organismos transgênicos são 
organismos, exceto o todo ou parte de plantas ou de animais, que expressem, 
mediante intervenção humana direta em sua composição genética, uma 
característica normalmente não alcançável pela espécie em condições 
naturais. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/MS (2019) Não são patenteáveis o todo ou parte dos seres vivos, com 
exceção dos microrganismos transgênicos que atendam aos requisitos legais 
de patenteabilidade e que não sejam mera descoberta. Correta! 
 
TJ/MS (2019) À pessoa de boa-fé que, antes da data de depósito ou de 
prioridade de pedido de patente, explorava seu objeto no País, será 
assegurado o direito de continuar a exploração, sem ônus, na forma e 
condição anteriores. 
4.7. MODELO DE UTILIDADE 
Art. 9º É patenteável como MODELO DE UTILIDADE o objeto de uso prático, 
ou parte deste, suscetível de aplicação industrial, que apresente nova forma 
ou disposição, envolvendo ato inventivo, que resulte em melhoria funcional 
no seu uso ou em sua fabricação. 
 
O art. 9º da Lei trata do “objeto de uso prático, ou parte deste, suscetível de aplicação 
industrial, que apresente nova forma ou disposição, envolvendo ato inventivo, que resulte em 
melhoria funcional no seu uso ou em sua fabricação”. 
É algo que traz uma utilidade maior para algo que já é considerado invenção (assim como a 
contravenção é um crime anão, pode-se dizer que o modelo de utilidade é uma invenção anã). 
É uma invenção melhorada. Algumas provas cobram como “mini invenção”, o CESPE já 
cobrou como “invenção anã” e “microinvenção”. Deve haver melhoramento de uma invenção. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 91 
 
Segundo André Santa Cruz, “o modelo de utilidade tem que ser um objeto de uso prático, e 
não meramente artístico ou ornamental; tem que apresentar nova forma ou disposição, 
diferenciando-se, assim, do que já existe no mercado. E precisa, necessariamente, produzir uma 
melhoria no uso ou na fabricação da coisa” 
STF já reconheceu que churrasqueira sem fumaça é modelo de utilidade, o dispositivo que 
retira a fumaça é modelo de utilidade, agregado à churrasqueira. 
4.8. REQUISITOS DA PATENTEABILIDADE 
• Novidade; 
• Atividade inventiva; 
• Aplicação industrial; 
• Não impedimento (licitude); 
 
4.8.1. Novidade 
Aquilo que não está compreendido no estado da técnica (art. 11), vale dizer, a criação deve 
ser desconhecida pela comunidade científica, técnica ou industrial. 
Art. 11. A invenção e o modelo de utilidade são considerados NOVOS quando 
NÃO compreendidos no estado da técnica. 
§ 1º O estado da técnica é constituído por tudo aquilo tornado acessível ao 
público antes da data de depósito do pedido de patente, por descrição escrita 
ou oral, por uso ou qualquer outro meio, no Brasil ou no exterior, ressalvado 
o disposto nos arts. 12, 16 e 17. 
 
Art. 12. Não será considerada como estado da técnica a divulgação de 
invenção ou modelo de utilidade, quando ocorrida durante os 12 (doze) 
meses que precederem a data de depósito ou a da prioridade do pedido de 
patente, se promovida: 
I - pelo inventor; 
Requisitos de 
patenteabilidade
Novidade (art. 11)
Não compreendido no 
estado de técnica
Atividade inventiva
(art. 13)
A criação não decorre 
de maneira óbvia do 
estado de técnica
Aplicação Industrial
(art. 15)
Possa ser 
industrializado
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 92 
 
II - pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial - INPI, através de 
publicação oficial do pedido de patente depositado sem o consentimento do 
inventor, baseado em informações deste obtidas ou em decorrência de atos 
por ele realizados; ou 
III - por terceiros, com base em informações obtidas direta ou indiretamente 
do inventor ou em decorrência de atos por este realizados. 
 
Destaca-se que, conforme ensina André Santa Cruz, a Lei de Propriedade Industrial adotou 
o critério da novidade absoluta de modo que para ser privilegiável, a invenção deve ser nova de 
maneira absoluta. Ela não possuirá esta característica se, antes da patente, houver sido conhecida 
mesmo no país mais longínquo ou nos tempos mais recuados. 
4.8.2. Atividade inventiva 
Não basta que a criação seja original (conceito subjetivo). A invenção deve despertar nos 
técnicos da área o sentido de um real progresso, ou seja, não pode a criação decorrer de maneira 
óbvia do estado da técnica (art. 13). Quanto ao modelo de utilidade, não pode decorrer de maneira 
comum ou vulgar do estado da técnica, segundo parecer de experts no assunto (art. 14). 
Art. 13. A invenção é dotada de ATIVIDADE INVENTIVA sempre que, para 
um técnico no assunto, não decorra de maneira evidente ou óbvia do estado 
da técnica. 
 
 Art. 14. O modelo de utilidade é dotado de ATO INVENTIVO sempre que, 
para um técnico no assunto, não decorra de maneira comum ou vulgar do 
estado da técnica. 
4.8.3. Aplicação industrial 
Somente criações com aproveitamento industrial podem ser patenteadas. 
Exemplo de Fábio Ulhôa Coelho: um carro com o motor mais rápido do mundo que só 
funciona com um combustível que não existe na terra, não tem aplicação industrial, logo não pode 
ser considerado uma invenção. 
Art. 15. A invenção e o modelo de utilidade são considerados suscetíveis de 
APLICAÇÃO INDUSTRIAL quando possam ser utilizados ou produzidos em 
qualquer tipo de indústria. 
4.8.4. Não impedimento 
Salienta-se que para André Santa Cruz trata-se de licitude do objeto da patente. 
O art. 18 traz exemplos de criações não patenteáveis. 
Art. 18. Não são patenteáveis: 
I - o que for contrário à moral, aos bons costumes e à segurança, à ordem e 
à saúde públicas; 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 93 
 
II - as substâncias, matérias, misturas, elementos ou produtos de qualquer 
espécie, bem como a modificação de suas propriedades físico-químicas e os 
respectivos processos de obtenção ou modificação, quando resultantes de 
transformação do núcleo atômico; e (intenção do legislador: evitar o 
incentivo às armas atômicas) 
III - o todo ou parte dos seres vivos, exceto os microrganismos transgênicos 
que atendam aos três requisitos de patenteabilidade - novidade, atividade 
inventiva e aplicação industrial - previstos no art. 8º e que não sejam mera 
descoberta. 
 
Novamente, destacamos que o art. 18 não se confunde com o disposto no art. 10, que arrola, 
em diversos incisos, o que a lei não considera invenção e nem modelo de utilidade. 
Nos dizeresde André Santa Cruz: “o art. 18 da LPI trata de casos que, em tese, podem ser 
considerados uma invenção ou um modelo de utilidade, porque preenchidos os requisitos de 
novidade, de atividade inventiva e da aplicação industrial. Todavia, o ordenamento jurídico prefere 
não lhes conferir proteção, em homenagem a valores supostamente mais elevados, como a moral, 
a segurança, entre outros”. 
4.9. LICENCIAMENTO DA PATENTE: LICENÇA VOLUNTÁRIA 
Os arts. 61 a 63 da LPI disciplinam a licença voluntária 
Art. 61. O titular de patente ou o depositante poderá celebrar contrato de 
licença para exploração. 
Parágrafo único. O licenciado poderá ser investido pelo titular de todos os 
poderes para agir em defesa da patente. 
 
Art. 62. O contrato de licença deverá ser averbado no INPI para que produza 
efeitos em relação a terceiros. 
§ 1º A averbação produzirá efeitos em relação a terceiros a partir da data de 
sua publicação. 
§ 2º Para efeito de validade de prova de uso, o contrato de licença não 
precisará estar averbado no INPI. 
 
Art. 63. O aperfeiçoamento introduzido em patente licenciada pertence a 
quem o fizer, sendo assegurado à outra parte contratante o direito de 
preferência para seu licenciamento 
 
Destaca-se, conforme as lições de André Santa Cruz, que “para celebrar o contrato de 
licença voluntária, obviamente, o titular da patente vai exigir do licenciado uma contraprestação, 
chamada royalty. No caso de licenciamento do pedido de patente, embora a lei não vede 
expressamente a cobrança de royalties, o INPI não tem admitido tal prática, negando pedidos de 
averbação que contenham tal previsão. Assim, os royalties só são admitidos nos casos d 
licenciamento de patente, mas nos casos de licenciamento de pedido de patente”. 
4.10. LICENCIAMENTO DA PATENTE: LICENÇA COMPULSÓRIA 
Aqui, o titular da patente fica obrigado a licenciá-la, contra sua vontade. Será determinada 
como forma de sancionar o titular da patente, bem como para atender imperativos de ordem pública. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 94 
 
4.10.1. Abuso de direito ou de poder econômico e não exploração ou não satisfação das 
necessidades do mercado 
Perceba que, aqui, a licença compulsória da patente decorre de condutas do seu próprio 
titular, as quais não se coadunam com os princípios que justificam a concessão de um privilégio 
legal que lhe assegura um direito de exploração exclusiva do seu invento. Assim, configurada uma 
dessas situações, como o exercício abusivo dos direitos decorrentes da patente, poderá um 
interessado (um concorrente, por exemplo) requerer ao INPI a licença compulsória (André Santa 
Cruz). 
Art. 68. O titular ficará sujeito a ter a patente licenciada compulsoriamente se 
exercer os direitos dela decorrentes de forma abusiva, ou por meio dela 
praticar abuso de poder econômico, comprovado nos termos da lei, por 
decisão administrativa ou judicial. 
§ 1º Ensejam, igualmente, licença compulsória: 
I - a não exploração do objeto da patente no território brasileiro por falta de 
fabricação ou fabricação incompleta do produto, ou, ainda, a falta de uso 
integral do processo patenteado, ressalvados os casos de inviabilidade 
econômica, quando será admitida a importação; ou 
II - a comercialização que não satisfizer às necessidades do mercado. 
§ 2º A licença só poderá ser requerida por pessoa com legítimo interesse e 
que tenha capacidade técnica e econômica para realizar a exploração 
eficiente do objeto da patente, que deverá destinar-se, predominantemente, 
ao mercado interno, extinguindo-se nesse caso a excepcionalidade prevista 
no inciso I do parágrafo anterior. 
§ 3º No caso de a licença compulsória ser concedida em razão de abuso de 
poder econômico, ao licenciado, que propõe fabricação local, será garantido 
um prazo, limitado ao estabelecido no art. 74, para proceder à importação do 
objeto da licença, desde que tenha sido colocado no mercado diretamente 
pelo titular ou com o seu consentimento. 
§ 4º No caso de importação para exploração de patente e no caso da 
importação prevista no parágrafo anterior, será igualmente admitida a 
importação por terceiros de produto fabricado de acordo com patente de 
processo ou de produto, desde que tenha sido colocado no mercado 
diretamente pelo titular ou com o seu consentimento. 
§ 5º A licença compulsória de que trata o § 1º somente será requerida após 
decorridos 3 (três) anos da concessão da patente. 
Art. 69. A licença compulsória não será concedida se, à data do requerimento, 
o titular: 
I - justificar o desuso por razões legítimas; 
II - comprovar a realização de sérios e efetivos preparativos para a 
exploração; ou 
III - justificar a falta de fabricação ou comercialização por obstáculo de ordem 
legal. 
 
Art. 70. A licença compulsória será ainda concedida quando, 
cumulativamente, se verificarem as seguintes hipóteses: 
I - ficar caracterizada situação de dependência de uma patente em relação a 
outra; 
II - o objeto da patente dependente constituir substancial progresso técnico 
em relação à patente anterior; e 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 95 
 
III - o titular não realizar acordo com o titular da patente dependente para 
exploração da patente anterior. 
§ 1º Para os fins deste artigo considera-se patente dependente aquela cuja 
exploração depende obrigatoriamente da utilização do objeto de patente 
anterior. 
§ 2º Para efeito deste artigo, uma patente de processo poderá ser 
considerada dependente de patente do produto respectivo, bem como uma 
patente de produto poderá ser dependente de patente de processo. 
§ 3º O titular da patente licenciada na forma deste artigo terá direito a licença 
compulsória cruzada da patente dependente. 
 
Art. 72. As licenças compulsórias serão sempre concedidas sem 
exclusividade, não se admitindo o sublicenciamento. 
 
OBS: não existe licença voluntária e compulsória para REGISTRO, somente para patentes. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/SP (2022) A licença compulsória de patente por interesse público não 
afasta a remuneração ao seu titular. Correta! 
4.10.2. Emergência nacional, internacional ou interesse público 
Art. 71. Nos casos de EMERGÊNCIA NACIONAL OU INTERNACIONAL OU 
DE INTERESSE PÚBLICO declarados em lei ou em ato do Poder Executivo 
federal, ou de reconhecimento de estado de calamidade pública de âmbito 
nacional pelo Congresso Nacional, poderá ser concedida licença 
compulsória, de ofício, temporária e não exclusiva, para a exploração da 
patente ou do pedido de patente, sem prejuízo dos direitos do respectivo 
titular, desde que seu titular ou seu licenciado não atenda a essa 
necessidade. 
§ 1º O ato de concessão da licença estabelecerá seu prazo de vigência e a 
possibilidade de prorrogação. 
§ 2º Nos casos previstos no caput deste artigo, o Poder Executivo federal 
publicará lista de patentes ou de pedidos de patente, não aplicável o prazo 
de sigilo previsto no art. 30 desta Lei, potencialmente úteis ao enfrentamento 
das situações previstas no caput deste artigo, no prazo de até 30 (trinta) dias 
após a data de publicação da declaração de emergência ou de interesse 
público, ou do reconhecimento de estado de calamidade pública, excluídos 
as patentes e os pedidos de patente que forem objetos de acordos de 
transferência da tecnologia de produção ou de licenciamento voluntário 
capazes de assegurar o atendimento da demanda interna, nos termos 
previstos em regulamento. 
§ 3º Entes públicos, instituições de ensino e pesquisa e outras entidades 
representativas da sociedade e do setor produtivo deverão ser consultados 
no processo de elaboração da lista de patentes ou de pedidos de patente que 
poderão ser objeto de licença compulsória, nos termos previstos em 
regulamento. 
§ 4º Qualquer instituição pública ou privada poderá apresentar pedido para 
inclusão de patenteou de pedido de patente na lista referida no § 2º deste 
artigo. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 96 
 
§ 5º A lista referida no § 2º deste artigo conterá informações e dados 
suficientes para permitir a análise individualizada acerca da utilidade de cada 
patente e pedido de patente e contemplará, pelo menos: 
I – o número individualizado das patentes ou dos pedidos de patente que 
poderão ser objeto de licença compulsória; 
II – a identificação dos respectivos titulares; 
III – a especificação dos objetivos para os quais será autorizado cada 
licenciamento compulsório. 
§ 6º A partir da lista publicada nos termos do § 2º deste artigo, o Poder 
Executivo realizará, no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, 
a avaliação individualizada das invenções e modelos de utilidade listados e 
somente concederá a licença compulsória, de forma não exclusiva, para 
produtores que possuam capacidade técnica e econômica comprovada para 
a produção do objeto da patente ou do pedido de patente, desde que conclua 
pela sua utilidade no enfrentamento da situação que a fundamenta. 
§ 7º Patentes ou pedidos de patente que ainda não tiverem sido objeto de 
licença compulsória poderão ser excluídos da lista referida no § 2º deste 
artigo nos casos em que a autoridade competente definida pelo Poder 
Executivo considerar que seus titulares assumiram compromissos objetivos 
capazes de assegurar o atendimento da demanda interna em condições de 
volume, de preço e de prazo compatíveis com as necessidades de 
emergência nacional ou internacional, de interesse público ou de estado de 
calamidade pública de âmbito nacional por meio de uma ou mais das 
seguintes alternativas: 
I – exploração direta da patente ou do pedido de patente no País; 
II – licenciamento voluntário da patente ou do pedido de patente; ou 
III – contratos transparentes de venda de produto associado à patente ou ao 
pedido de patente. 
§ 8º (VETADO). 
§ 9º (VETADO). 
§ 10. (VETADO). 
§ 11. As instituições públicas que possuírem informações, dados e 
documentos relacionados com o objeto da patente ou do pedido de patente 
ficam obrigadas a compartilhar todos os elementos úteis à reprodução do 
objeto licenciado, não aplicáveis, nesse caso, as normas relativas à proteção 
de dados nem o disposto no inciso XIV do caput do art. 195 desta Lei. 
§ 12. No arbitramento da remuneração do titular da patente ou do pedido de 
patente, serão consideradas as circunstâncias de cada caso, observados, 
obrigatoriamente, o valor econômico da licença concedida, a duração da 
licença e as estimativas de investimentos necessários para sua exploração, 
bem como os custos de produção e o preço de venda no mercado nacional 
do produto a ela associado. 
§ 13. A remuneração do titular da patente ou do pedido de patente objeto de 
licença compulsória será fixada em 1,5% (um inteiro e cinco décimos por 
cento) sobre o preço líquido de venda do produto a ela associado até que seu 
valor venha a ser efetivamente estabelecido. 
§ 14. A remuneração do titular do pedido de patente objeto de licença 
compulsória somente será devida caso a patente venha a ser concedida, e o 
pagamento, correspondente a todo o período da licença, deverá ser efetivado 
somente após a concessão da patente. 
§ 15. A autoridade competente dará prioridade à análise dos pedidos de 
patente que forem objeto de licença compulsória. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 97 
 
§ 16. Os produtos que estiverem sujeitos ao regime de vigilância sanitária 
deverão observar todos os requisitos previstos na legislação sanitária e 
somente poderão ser comercializados após a concessão de autorização, de 
forma definitiva ou para uso em caráter emergencial, pela autoridade sanitária 
federal, nos termos previstos em regulamento. 
§ 17. (VETADO). 
§ 18. Independentemente da concessão de licença compulsória, o poder 
público dará prioridade à celebração de acordos de cooperação técnica e de 
contratos com o titular da patente para a aquisição da tecnologia produtiva e 
de seu processo de transferência. 
 
Art. 71-A. Poderá ser concedida, por razões humanitárias e nos termos de 
tratado internacional do qual a República Federativa do Brasil seja parte, 
licença compulsória de patentes de produtos destinados à exportação a 
países com insuficiente ou nenhuma capacidade de fabricação no setor 
farmacêutico para atendimento de sua população. 
 
Art. 73. O pedido de licença compulsória deverá ser formulado mediante 
indicação das condições oferecidas ao titular da patente. 
§ 1º Apresentado o pedido de licença, o titular será intimado para manifestar-
se no prazo de 60 (sessenta) dias, findo o qual, sem manifestação do titular, 
será considerada aceita a proposta nas condições oferecidas. 
§ 2º O requerente de licença que invocar abuso de direitos patentários ou 
abuso de poder econômico deverá juntar documentação que o comprove. 
§ 3º No caso de a licença compulsória ser requerida com fundamento na falta 
de exploração, caberá ao titular da patente comprovar a exploração. 
§ 4º Havendo contestação, o INPI poderá realizar as necessárias diligências, 
bem como designar comissão, que poderá incluir especialistas não 
integrantes dos quadros da autarquia, visando arbitrar a remuneração que 
será paga ao titular. 
§ 5º Os órgãos e entidades da administração pública direta ou indireta, 
federal, estadual e municipal, prestarão ao INPI as informações solicitadas 
com o objetivo de subsidiar o arbitramento da remuneração. 
§ 6º No arbitramento da remuneração, serão consideradas as circunstâncias 
de cada caso, levando-se em conta, obrigatoriamente, o valor econômico da 
licença concedida. 
§ 7º Instruído o processo, o INPI decidirá sobre a concessão e condições da 
licença compulsória no prazo de 60 (sessenta) dias. 
§ 8º O recurso da decisão que conceder a licença compulsória não terá efeito 
suspensivo. 
 
Art. 74. Salvo razões legítimas, o licenciado deverá iniciar a exploração do 
objeto da patente no prazo de 1 (um) ano da concessão da licença, admitida 
a interrupção por igual prazo. 
§ 1º O titular poderá requerer a cassação da licença quando não cumprido o 
disposto neste artigo. 
§ 2º O licenciado ficará investido de todos os poderes para agir em defesa da 
patente. 
§ 3º Após a concessão da licença compulsória, somente será admitida a sua 
cessão quando realizada conjuntamente com a cessão, alienação ou 
arrendamento da parte do empreendimento que a explore. 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 98 
 
É o que vulgarmente se conhece por “quebra de patente”. Ocorre quando o titular da 
patente não exerce o seu direito de exclusividade satisfatoriamente, caso no qual, por razões de 
interesse público, emergência nacional ou emergência internacional, o titular é obrigado a licenciar 
sua criação a terceiros, sendo por isso remunerado (LPI, art. 68, §§ 1º e 5º - acima). 
Requisitos: 
• Em caso de interesse público, emergência nacional ou internacional; 
• Deve ser dada em lei ou por ato poder executivo federal, ou quando for 
reconhecimento de estado de calamidade pública de âmbito nacional pelo 
Congresso Nacional; 
• Temporária; 
• Não exclusiva; 
• O titular não terá prejuízo (será remunerado pelo licenciamento), desde que seu titular 
ou seu licenciado não atenda a essa necessidade. 
O Decreto 6.108/07, que trata da licença compulsória de patentes referentes ao Efavirenz 
(medicamento contra o HIV), apresenta todos esses requisitos. Outro exemplo, é o Decreto que 
quebrou a patente do Viagra. 
Estão em negrito e sublinhado as alterações trazidas pela Lei 14.200/2022. Além disso, a 
nova lei previu que: 
a) Publicação de lista com as patentes e pedidos de patente que podem auxiliar 
O Poder Executivo federal publicarálista de patentes ou de pedidos de patente, não aplicável 
o prazo de sigilo previsto no art. 30 da LPI, potencialmente úteis ao enfrentamento das situações 
previstas no caput do art. 71, no prazo de até 30 (trinta) dias após a data de publicação da 
declaração de emergência ou de interesse público, ou do reconhecimento de estado de calamidade 
pública, excluídos as patentes e os pedidos de patente que forem objetos de acordos de 
transferência da tecnologia de produção ou de licenciamento voluntário capazes de assegurar o 
atendimento da demanda interna, nos termos previstos em regulamento (novo § 2º do art. 71). 
b) Entidades especializadas serão consultadas para a elaboração dessa lista 
Entes públicos, instituições de ensino e pesquisa e outras entidades representativas da 
sociedade e do setor produtivo deverão ser consultados no processo de elaboração da lista de 
patentes ou de pedidos de patente que poderão ser objeto de licença compulsória (novo § 3º do art. 
71). 
Qualquer instituição pública ou privada poderá apresentar pedido para inclusão de patente 
ou de pedido de patente na lista (novo § 4º do art. 71). 
d) Informações que deverão constar na lista 
A lista conterá informações e dados suficientes para permitir a análise individualizada acerca 
da utilidade de cada patente e pedido de patente e contemplará, pelo menos: 
I – o número individualizado das patentes ou dos pedidos de patente que poderão ser objeto 
de licença compulsória; 
II – a identificação dos respectivos titulares; 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 99 
 
III – a especificação dos objetivos para os quais será autorizado cada licenciamento 
compulsório. (novo § 5º do art. 71) 
 e) Avaliação individualizada das patentes 
A partir da lista publicada, o Poder Executivo realizará, no prazo de 30 (trinta) dias, 
prorrogável por igual período, a avaliação individualizada das invenções e modelos de utilidade 
listados e somente concederá a licença compulsória, de forma não exclusiva, para produtores que 
possuam capacidade técnica e econômica comprovada para a produção do objeto da patente ou 
do pedido de patente, desde que conclua pela sua utilidade no enfrentamento da situação que a 
fundamenta (novo § 6º do art. 71). 
f) Exclusão da lista 
Patentes ou pedidos de patente que ainda não tiverem sido objeto de licença compulsória 
poderão ser excluídos da lista referida no § 2º deste artigo nos casos em que a autoridade 
competente definida pelo Poder Executivo considerar que seus titulares assumiram compromissos 
objetivos capazes de assegurar o atendimento da demanda interna em condições de volume, de 
preço e de prazo compatíveis com as necessidades de emergência nacional ou internacional, de 
interesse público ou de estado de calamidade pública de âmbito nacional por meio de uma ou mais 
das seguintes alternativas: 
I – exploração direta da patente ou do pedido de patente no País; 
II – licenciamento voluntário da patente ou do pedido de patente; ou 
III – contratos transparentes de venda de produto associado à patente ou ao pedido de 
patente. (novo § 7º do art. 71) 
g) Critérios para o arbitramento da remuneração do titular 
No arbitramento da remuneração do titular da patente ou do pedido de patente, serão 
consideradas as circunstâncias de cada caso, observados, obrigatoriamente, o valor econômico da 
licença concedida, a duração da licença e as estimativas de investimentos necessários para sua 
exploração, bem como os custos de produção e o preço de venda no mercado nacional do produto 
a ela associado (novo § 12 do art. 71). 
A remuneração do titular da patente ou do pedido de patente objeto de licença compulsória 
será fixada em 1,5% (um inteiro e cinco décimos por cento) sobre o preço líquido de venda do 
produto a ela associado até que seu valor venha a ser efetivamente estabelecido (novo § 13 do art. 
71) 
A remuneração do titular do pedido de patente objeto de licença compulsória somente será 
devida caso a patente venha a ser concedida, e o pagamento, correspondente a todo o período da 
licença, deverá ser efetivado somente após a concessão da patente (novo § 14 do art. 71) 
A autoridade competente dará prioridade à análise dos pedidos de patente que forem objeto 
de licença compulsória (novo § 15 do art. 71) 
h) Produtos somente podem ser comercializados após a autorização da vigilância sanitária 
Os produtos que estiverem sujeitos ao regime de vigilância sanitária deverão observar todos 
os requisitos previstos na legislação sanitária e somente poderão ser comercializados após a 
concessão de autorização, de forma definitiva ou para uso em caráter emergencial, pela autoridade 
sanitária federal (novo § 16 do art. 71) 
i) Art. 71-A: de produtos farmacêuticos destinados à exportação por razões humanitárias. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 100 
 
Trata-se de importante inovação incluída pela Lei nº 14.200/2021: 
Art. 71-A. Poderá ser concedida, por razões humanitárias e nos termos de 
tratado internacional do qual a República Federativa do Brasil seja parte, 
licença compulsória de patentes de produtos destinados à exportação a 
países com insuficiente ou nenhuma capacidade de fabricação no setor 
farmacêutico para atendimento de sua população. Interesse da defesa 
nacional 
 
Previsto no art. 75 da LPI, vejamos: 
Art. 75. O pedido de patente originário do Brasil cujo objeto interesse à 
defesa nacional será processado em caráter sigiloso e não estará sujeito às 
publicações previstas nesta Lei. (Regulamento) 
§ 1º O INPI encaminhará o pedido, de imediato, ao órgão competente do 
Poder Executivo para, no prazo de 60 (sessenta) dias, manifestar-se sobre o 
caráter sigiloso. Decorrido o prazo sem a manifestação do órgão competente, 
o pedido será processado normalmente. 
§ 2º É vedado o depósito no exterior de pedido de patente cujo objeto tenha 
sido considerado de interesse da defesa nacional, bem como qualquer 
divulgação do mesmo, salvo expressa autorização do órgão competente. 
§ 3º A exploração e a cessão do pedido ou da patente de interesse da defesa 
nacional estão condicionadas à prévia autorização do órgão competente, 
assegurada indenização sempre que houver restrição dos direitos do 
depositante ou do titular. (Vide Decreto nº 2.553, de 1998) 
4.11. PATENTE PIPELINE 
É quando o depósito internacional é válido como interno, por conta do acordo de TRIPS. 
Também chamada de patente de revalidação, prevista nos arts. 230 e 231 da LPI, vejamos: 
Art. 230. Poderá ser depositado pedido de patente relativo às substâncias, 
matérias ou produtos obtidos por meios ou processos químicos e as 
substâncias, matérias, misturas ou produtos alimentícios, químico-
farmacêuticos e medicamentos de qualquer espécie, bem como os 
respectivos processos de obtenção ou modificação, por quem tenha proteção 
garantida em tratado ou convenção em vigor no Brasil, ficando assegurada a 
data do primeiro depósito no exterior, desde que seu objeto não tenha sido 
colocado em qualquer mercado, por iniciativa direta do titular ou por terceiro 
com seu consentimento, nem tenham sido realizados, por terceiros, no País, 
sérios e efetivos preparativos para a exploração do objeto do pedido ou da 
patente. 
§ 1º O depósito deverá ser feito dentro do prazo de 1 (um) ano contado da 
publicação desta Lei, e deverá indicar a data do primeiro depósito no exterior. 
§ 2º O pedido de patente depositado com base neste artigo será 
automaticamente publicado, sendo facultado a qualquer interessado 
manifestar-se, no prazo de 90 (noventa) dias, quanto ao atendimento do 
disposto no caput deste artigo. 
§ 3º Respeitados os arts. 10 e 18 desta Lei, e uma vez atendidas as condições 
estabelecidas neste artigo e comprovada a concessão da patente no país 
onde foi depositado o primeiro pedido, será concedida a patente no Brasil, tal 
como concedida no país de origem.http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 101 
 
§ 4º Fica assegurado à patente concedida com base neste artigo o prazo 
remanescente de proteção no país onde foi depositado o primeiro pedido, 
contado da data do depósito no Brasil e limitado ao prazo previsto no art. 40, 
não se aplicando o disposto no seu parágrafo único. 
§ 5º O depositante que tiver pedido de patente em andamento, relativo às 
substâncias, matérias ou produtos obtidos por meios ou processos químicos 
e as substâncias, matérias, misturas ou produtos alimentícios, químico-
farmacêuticos e medicamentos de qualquer espécie, bem como os 
respectivos processos de obtenção ou modificação, poderá apresentar novo 
pedido, no prazo e condições estabelecidos neste artigo, juntando prova de 
desistência do pedido em andamento. 
§ 6º Aplicam-se as disposições desta Lei, no que couber, ao pedido 
depositado e à patente concedida com base neste artigo. 
 
Art. 231. Poderá ser depositado pedido de patente relativo às matérias de que 
trata o artigo anterior, por nacional ou pessoa domiciliada no País, ficando 
assegurada a data de divulgação do invento, desde que seu objeto não tenha 
sido colocado em qualquer mercado, por iniciativa direta do titular ou por 
terceiro com seu consentimento, nem tenham sido realizados, por terceiros, 
no País, sérios e efetivos preparativos para a exploração do objeto do pedido. 
§ 1º O depósito deverá ser feito dentro do prazo de 1 (um) ano contado da 
publicação desta Lei. 
§ 2º O pedido de patente depositado com base neste artigo será processado 
nos termos desta Lei. 
§ 3º Fica assegurado à patente concedida com base neste artigo o prazo 
remanescente de proteção de 20 (vinte) anos contado da data da divulgação 
do invento, a partir do depósito no Brasil. 
§ 4º O depositante que tiver pedido de patente em andamento, relativo às 
matérias de que trata o artigo anterior, poderá apresentar novo pedido, no 
prazo e condições estabelecidos neste artigo, juntando prova de desistência 
do pedido em andamento. 
 
Foi o que aconteceu com o Viagra. Para o Brasil, é válido esse primeiro depósito 
internacional. 
Explicação Dizer o Direito 
Em palavras muito simples, porque o tema é bem complexo, a patente “pipeline”, também 
chamada de “patente de importação” ou “patente de revalidação”, é aquela em que em fica 
demonstrado que já houve expedição de patente no exterior, razão pela qual o INPI registra no 
Brasil essa patente exigindo menores formalidades. 
O sistema pipeline de patentes, disciplinado no art. 230 da Lei 9.279⁄96, 
desde que cumpridos requisitos e condições próprias, reconhece o direito a 
exploração com exclusividade ao inventor cujo invento – embora não 
patenteável quando da vigência da Lei 5.772⁄71 – seja objeto de patente 
estrangeira.” (STJ. 3ª Turma. REsp nº 1.092.139/RJ, Rel. Min. Paulo de Tarso 
Sanseverino, julgado em 21/10/2010). 
 
Outra característica da patente do tipo “pipeline” é que ela se refere a substâncias, matérias 
ou produtos que farão parte da fórmula de produtos finais que ainda estão em fase de 
desenvolvimento, ou seja, não se encontram disponíveis para o comércio. Como o produto ainda 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 102 
 
não está pronto, não poderia ser protegido, mas, mesmo assim, a legislação abre uma exceção e 
aceita a patente da substância. 
Segundo o STJ, a concessão da patente “pipeline” representa uma mitigação ao princípio 
da novidade. Além disso, nesse sistema de patente não são examinados os requisitos usuais de 
patenteabilidade. Trata-se, portanto, de um sistema de exceção, não previsto em tratados 
internacionais, que deve ser interpretado restritivamente, seja por contrapor ao sistema comum de 
patentes, seja por restringir a concorrência e a livre iniciativa (STJ. 3ª Turma. REsp nº 1.145.637/RJ, 
Rel. Desembargador Convocado Vasco Della Giustina, julgado em 15⁄12⁄2009). 
Sobre as regras aplicáveis ao registro de patentes no modelo pipeline, se manifestou o STJ: 
O registro sob o sistema “pipeline” não se submete à regra do art. 8º, ou seja, 
não se exige dele novidade, atividade inventiva e aplicação industrial. Os 
requisitos para a concessão da patente “pipeline” estão disciplinados nos arts. 
230 e 231 da Lei de Propriedade industrial e, uma vez concedida a patente 
“pipeline” por outa jurisdição, ela não podrá ser anilada invocando-se a 
ausência de um dos requisitos de mérito previstos no art. 8º da LPI para a 
concessão das patentes ordinárias (novidade, atividade inventiva e aplicação 
industrial). Assim, uma patente pipeline concedida no exterior e revalidada 
no Brasil não pode ser anulada ao fundamento de falta de um dos requisitos 
de mérito do art. 8º da Lei 9279/96 (Lei da Propriedade Industrial – LPI), mas 
apenas por ausência de requisito especificamente aplicável a ela (como, por 
exemplo, por falta de pagamento da anuidade no Brasil) ou em razão de 
irregularidades formais. STJ. 3ªTurma, REsp 1.201.454-RJ, Rel. Min. Ricardo 
Villas Bôas Cueva, julgado em 14/10/2014 (Info 550). 
4.12. PATENTE MAILBOX 
Inicialmente, importante destacar que: 
• A Lei de Propriedade Industrial entrou em vigor 15 de maio de 1997, um ano após a sua 
publicação; 
• A legislação anterior não previa a patente de produtos farmacêuticos e produtos 
químicos voltados para a agricultura; 
• Em 1º de janeiro de 1995, foi internalizado o Acordo Sobre Aspectos dos Direitos de 
Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio (TRIPS), mediante o Decreto 
1.355/1994; 
• Em 15 de maio de 1997, entraram em vigor dispositivos da Lei 9.279/96 referentes ao 
exame de patentes; 
• Art. 229 visou proteger os pedidos de patente depositados entre 1º de janeiro de 1995 e 
14 de maio de 1997. 
Art. 229. Aos pedidos em andamento serão aplicadas as disposições desta 
Lei, exceto quanto à patenteabilidade dos pedidos depositados até 31 de 
dezembro de 1994, cujo objeto de proteção sejam substâncias, matérias ou 
produtos obtidos por meios ou processos químicos ou substâncias, matérias, 
misturas ou produtos alimentícios, químico-farmacêuticos e medicamentos de 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 103 
 
qualquer espécie, bem como os respectivos processos de obtenção ou 
modificação e cujos depositantes não tenham exercido a faculdade prevista 
nos arts. 230 e 231 desta Lei, os quais serão considerados indeferidos, para 
todos os efeitos, devendo o INPI publicar a comunicação dos aludidos 
indeferimentos. 
Parágrafo único. Aos pedidos relativos a produtos farmacêuticos e produtos 
químicos para a agricultura, que tenham sido depositados entre 1o de janeiro 
de 1995 e 14 de maio de 1997, aplicam-se os critérios de patenteabilidade 
desta Lei, na data efetiva do depósito do pedido no Brasil ou da prioridade, 
se houver, assegurando-se a proteção a partir da data da concessão da 
patente, pelo prazo remanescente a contar do dia do depósito no Brasil, 
limitado ao prazo previsto no caput do art. 40. 
 
O sistema denominado mailbox consistiu em mecanismo transitório adotado para 
salvaguarda de pedidos de patentes relacionadas a produtos farmacêuticos e produtos 
agroquímicos, cuja tutela jurídica resultou da internalização no País, em 1/1/1995, do Acordo TRIPS 
(Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio). 
O prazo de vigência das patentes concedidas pelo sistema mailbox é de 20 
anos contados da data do depósito. STJ. 3ª Turma. REsp 1.840.910-RJ, Rel. 
Min. Nancy Andrighi, julgado em 05/11/2019 (Info 660). 
 
Resumindo: 
• o prazo de vigência das patentes é de 20 anos, contados do depósito (art. 40, caput); 
• o depositante não pode ser prejudicado se o INPI demorar muito para conceder a patente 
depois de o depósito ser feito. Por isso, o parágrafo único do art. 40 prevê que o prazo 
de vigência da patentede invenção não pode ser inferior a 10 anos, a contar da data de 
concessão. Exceção: esse prazo pode ser menor que 10 anos se o INPI estava impedido 
de proceder ao exame de mérito do pedido, por pendência judicial comprovada ou por 
motivo de força maior; 
• no caso da patente pelo sistema mailbox, o legislador previu uma regra específica e disse 
apenas que o prazo de vigência das patentes concedidas pelo sistema mailbox é de 20 
anos contados da data do depósito (art. 229, parágrafo único, da LPI); 
• assim, no caso da patente pelo sistema mailbox, não se aplica a regra do parágrafo 
único do art. 40 (revogado), ou seja, o prazo de vigência das patentes concedidas pelo 
sistema mailbox NÃO é de 10 anos contados de sua concessão. 
Seguindo este raciocínio, recentemente o STJ decidiu sob a sistemática de repercussão 
geral sobre as patentes mailbox: 
O sistema denominado mailbox consistiu em mecanismo transitório adotado 
para salvaguarda de pedidos de patentes relacionadas a produtos 
farmacêuticos e produtos agroquímicos, cuja tutela jurídica resultou da 
internalização no País, em 1/1/1995, do Acordo TRIPS (Acordo sobre 
Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio). 
Tratando-se de patentes excepcionalmente requeridas pelo sistema mailbox, 
a Lei de Propriedade Industrial, em suas disposições finais e transitórias, 
estabeleceu regra expressa assegurando proteção, a partir da data da 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 104 
 
respectiva concessão, limitada ao prazo remanescente previsto no caput do 
seu art. 40 (20 anos contados do dia do depósito). Assim, o legislador afasta 
a possibilidade de incidência do prazo excepcional do parágrafo único do art. 
40 (10 anos a partir da concessão). Tese fixada: O marco inicial e o prazo de 
vigência previstos no parágrafo único do art. 40 da LPI não são aplicáveis às 
patentes depositadas na forma estipulada pelo art. 229, parágrafo único, 
dessa mesma lei (patentes mailbox). Obs: o STF decidiu que o parágrafo 
único do art. 40 da LPI é inconstitucional: ADI 5529/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, 
julgado em 12/5/2021 (Info 1017). STJ. 2ª Seção. REsp 1869959-RJ, Rel. 
Min. Maria Isabel Gallotti, Rel. Acd. Min. Nancy Andrighi, julgado em 
27/04/2022 (Recurso Repetitivo – Tema 1065) (Info 734). 
4.13. NULIDADE DA PATENTE 
4.13.1. Disposição legal 
Art. 46. É nula a patente concedida contrariando as disposições desta Lei. 
 
Art. 47. A nulidade poderá não incidir sobre todas as reivindicações, sendo 
condição para a nulidade parcial o fato de as reivindicações subsistentes 
constituírem matéria patenteável por si mesmas. 
 
Art. 48. A nulidade da patente produzirá efeitos a partir da data do depósito 
do pedido. 
 
Art. 49. No caso de inobservância do disposto no art. 6º, o inventor poderá, 
alternativamente, reivindicar, em ação judicial, a adjudicação da patente. 
4.13.2. Processo administrativo de nulidade de patente 
Art. 50. A nulidade da patente será declarada ADMINISTRATIVAMENTE 
quando: 
I - não tiver sido atendido qualquer dos requisitos legais; 
II - o relatório e as reivindicações não atenderem ao disposto nos arts. 24 e 
25, respectivamente; 
 
Art. 24. O relatório deverá descrever clara e suficientemente o objeto, de 
modo a possibilitar sua realização por técnico no assunto e indicar, quando 
for o caso, a melhor forma de execução. 
Parágrafo único. No caso de material biológico essencial à realização prática 
do objeto do pedido, que não possa ser descrito na forma deste artigo e que 
não estiver acessível ao público, o relatório será suplementado por depósito 
do material em instituição autorizada pelo INPI ou indicada em acordo 
internacional. 
 
Art. 25. As reivindicações deverão ser fundamentadas no relatório descritivo, 
caracterizando as particularidades do pedido e definindo, de modo claro e 
preciso, a matéria objeto da proteção. 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 105 
 
III - o objeto da patente se estenda além do conteúdo do pedido originalmente 
depositado; ou 
IV - no seu processamento, tiver sido omitida qualquer das formalidades 
essenciais, indispensáveis à concessão. 
 
Prazo para o processo ADMINISTRATIVO requerendo a nulidade da patente: Art. 51: 06 
meses da concessão. 
Art. 51. O processo de nulidade poderá ser instaurado de ofício ou mediante 
requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse, no prazo de 6 
(SEIS) MESES contados da CONCESSÃO da PATENTE. 
 
OBS: para declaração de nulidade no âmbito administrativo do 
REGISTRO (desenho industrial ou marca) o prazo é de 05 anos. 
Parágrafo único. O processo de nulidade prosseguirá ainda que extinta a 
patente. 
 
Art. 52. O titular será intimado para se manifestar no prazo de 60 (sessenta) 
dias. 
 
Art. 53. Havendo ou não manifestação, decorrido o prazo fixado no artigo 
anterior, o INPI emitirá parecer, intimando o titular e o requerente para se 
manifestarem no prazo comum de 60 (sessenta) dias. 
 
Art. 54. Decorrido o prazo fixado no artigo anterior, mesmo que não 
apresentadas as manifestações, o processo será decidido pelo Presidente do 
INPI, encerrando-se a instância administrativa. 
 
Art. 55. Aplicam-se, no que couber, aos certificados de adição, as disposições 
desta Seção. 
 
Prazo para pleitear JUDICIALMENTE (ação de competência da Justiça Federal) requerendo 
a nulidade: art. 56. Não tem prazo 
Art. 56. A AÇÃO DE NULIDADE poderá ser proposta a qualquer tempo da 
vigência da patente, pelo INPI ou por qualquer pessoa com legítimo interesse. 
§ 1º A nulidade da patente poderá ser arguida, a qualquer tempo, como 
matéria de defesa. 
§ 2º O juiz poderá, preventiva ou incidentalmente, determinar a suspensão 
dos efeitos da patente, atendidos os requisitos processuais próprios. 
 
Art. 57. A ação de nulidade de patente será ajuizada no foro da Justiça 
Federal e o INPI, quando não for autor, intervirá no feito. 
§ 1º O prazo para resposta do réu titular da patente será de 60 (sessenta) 
dias. 
§ 2º Transitada em julgado a decisão da ação de nulidade, o INPI publicará 
anotação, para ciência de terceiros 
4.14. EXTINÇÃO DA PATENTE 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 106 
 
O art. 78 da LPI prevê as hipóteses em que haverá a extinção da patente. 
Art. 78. A patente extingue-se: 
I - pela expiração do prazo de vigência; 
II - pela renúncia de seu titular, ressalvado o direito de terceiros; 
III - pela caducidade; 
IV - pela falta de pagamento da retribuição anual, nos prazos previstos no § 
2º do art. 84 e no art. 87; e 
V - pela inobservância do disposto no art. 217. 
Parágrafo único. Extinta a patente, o seu objeto cai em domínio público. 
 
Art. 79. A renúncia só será admitida se não prejudicar direitos de terceiros. 
 
Conforme o art. 80, terminado o prazo do licenciamento compulsório e permanecendo a 
situação que ensejou a medida (exploração insatisfatória da invenção, por exemplo), ocorrerá a 
caducidade da patente, perdendo o inventor todos os direitos industriais que possuía, caindo a 
invenção em domínio público. 
 
Art. 80. Caducará a patente, de ofício ou a requerimento de qualquer pessoa 
com legítimo interesse, se, decorridos 2 (dois) anos da concessão da primeira 
licença compulsória, esse prazo não tiver sido suficiente para prevenir ou 
sanar o abuso ou desuso, salvo motivos justificáveis. 
§ 1º A patente caducará quando, na data do requerimento da caducidade ou 
da instauração de ofício do respectivo processo, não tiver sido iniciada a 
exploração. 
§ 2º No processo de caducidade instaurado a requerimento, o INPI poderá 
prosseguir se houver desistência do requerente. 
 
Art. 81. O titular será intimado mediante publicação para se manifestar, no 
prazo de 60 (sessenta) dias, cabendo-lhe o ônus da prova quanto à 
exploração. 
 
Art. 82. A decisão será proferidadentro de 60 (sessenta) dias, contados do 
término do prazo mencionado no artigo anterior. 
 
Art. 83. A decisão da caducidade produzirá efeitos a partir da data do 
requerimento ou da publicação da instauração de ofício do processo. 
 
Por fim, a inobservância da regra do art. 217 da LPI é causa de extinção da patente. 
Art. 217. A pessoa domiciliada no exterior deverá constituir e manter 
procurador devidamente qualificado e domiciliado no País, com poderes para 
representá-la administrativa e judicialmente, inclusive para receber citações. 
5. REGISTRO 
5.1. DESENHO INDUSTRIAL (“DESIGN”) 
Art. 95. Considera-se DESENHO INDUSTRIAL a forma plástica ornamental 
de um objeto ou o conjunto ornamental de linhas e cores que possa ser 
aplicado a um produto, proporcionando resultado visual novo e original na 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 107 
 
sua configuração externa e que possa servir de tipo de fabricação 
industrial. 
 
 Conforme o art. 95 é “a forma plástica ornamental, de um objeto ou o conjunto ornamental 
de linhas e cores, que possa ser aplicado a um produto, proporcionando resultado visual novo e 
original na sua configuração externa e que possa servir de tipo de fabricação industrial”. 
Expressões: visual novo, configuração externa, estética, design, visual arrojado. 
Doutrina: desenho industrial é elemento fútil, pois não traz nenhum tipo de utilidade, só está 
preocupado com a configuração externa. 
Preservativo com sabor é o que? Modelo de utilidade. Diferentemente de preservativo 
colorido, como muda a estética, é desenho industrial. 
André Ramos sujeita o desenho industrial aos seguintes requisitos: NOVIDADE - art. 96 §3º, 
ORIGINALIDADE (ao invés da ‘atividade inventiva’ da patente) – art. 97, APLICAÇÃO INDUSTRIAL 
e LICITUDE (ou desimpedimento). - “NOA” 
5.1.1. Novidade 
Estará atendida quando o desenho industrial não for compreendido no estado de técnica. 
Art. 96. O desenho industrial é considerado NOVO quando não compreendido 
no estado da técnica. 
§ 1º O estado da técnica é constituído por tudo aquilo tornado acessível ao 
público antes da data de depósito do pedido, no Brasil ou no exterior, por uso 
ou qualquer outro meio, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e no art. 
99. 
§ 2º Para aferição unicamente da novidade, o conteúdo completo de pedido 
de patente ou de registro depositado no Brasil, e ainda não publicado, será 
considerado como incluído no estado da técnica a partir da data de depósito, 
ou da prioridade reivindicada, desde que venha a ser publicado, mesmo que 
subsequentemente. 
§ 3º Não será considerado como incluído no estado da técnica o desenho 
industrial cuja divulgação tenha ocorrido durante os 180 (cento e oitenta) dias 
que precederem a data do depósito ou a da prioridade reivindicada, se 
promovida nas situações previstas nos incisos I a III do art. 12. 
 
Art. 12. Não será considerada como estado da técnica a divulgação de 
invenção ou modelo de utilidade, quando ocorrida durante os 12 (doze) 
meses que precederem a data de depósito ou a da prioridade do pedido de 
patente, se promovida: 
I - pelo inventor; 
II - pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial - INPI, através de 
publicação oficial do pedido de patente depositado sem o consentimento do 
inventor, baseado em informações deste obtidas ou em decorrência de atos 
por ele realizados; ou 
III - por terceiros, com base em informações obtidas direta ou indiretamente 
do inventor ou em decorrência de atos por este realizados. 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 108 
 
5.1.2. Originalidade 
Trata-se da necessidade de o desenho industrial apresentar um caráter distinto em relação 
aos demais já existentes. 
Art. 97. O desenho industrial é considerado original quando dele resulte uma 
configuração visual distintiva, em relação a outros objetos anteriores. 
Parágrafo único. O resultado VISUAL ORIGINAL poderá ser decorrente da 
combinação de elementos conhecidos 
5.1.3. Impedimentos 
Art. 100. Não é registrável como desenho industrial: 
I - o que for contrário à moral e aos bons costumes ou que ofenda a honra ou 
imagem de pessoas, ou atente contra liberdade de consciência, crença, culto 
religioso ou ideia e sentimentos dignos de respeito e veneração; 
II - a forma necessária comum ou vulgar do objeto ou, ainda, aquela 
determinada essencialmente por considerações técnicas ou funcionais. 
5.1.4. Nulidade do registro do desenho de utilidade art. 112 
Art. 112. É NULO o registro concedido em desacordo com as disposições 
desta Lei. 
§ 1º A nulidade do registro produzirá efeitos a partir da data do depósito do 
pedido. 
§ 2º No caso de inobservância do disposto no art. 94, o autor poderá, 
alternativamente, reivindicar a adjudicação do registro. 
 
Prazo para o processo administrativo: art. 113 – 05 anos da concessão. 
Art. 113. A nulidade do registro será declarada administrativamente quando 
tiver sido concedido com infringência dos arts. 94 a 98. 
§ 1º O processo de nulidade poderá ser instaurado de ofício ou mediante 
requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse, no prazo de 05 
(cinco) anos contados da CONCESSÃO do registro, ressalvada a hipótese 
prevista no parágrafo único do art. 111. 
 
OBS: para declaração de nulidade no âmbito administrativo da PATENTE (invenção ou 
modelo de utilidade) o prazo é de 06 meses. 
 
§ 2º O requerimento ou a instauração de ofício suspenderá os efeitos da 
concessão do registro se apresentada ou publicada no prazo de 60 (sessenta) 
dias da concessão. 
 
Prazo judicial (ação de nulidade): art. 56/57 - sem prazo. 
Art. 118. Aplicam-se à ação de nulidade de registro de desenho industrial, no 
que couber, as disposições dos arts. 56 e 57. 
 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 109 
 
Art. 56. A ação de nulidade poderá ser proposta a qualquer tempo da 
vigência da patente, pelo INPI ou por qualquer pessoa com legítimo 
interesse. 
§ 1º A nulidade da patente poderá ser arguida, a qualquer tempo, como 
matéria de defesa. 
§ 2º O juiz poderá, preventiva ou incidentalmente, determinar a suspensão 
dos efeitos da patente, atendidos os requisitos processuais próprios. 
 
Art. 57. A ação de nulidade de patente será ajuizada no foro da Justiça 
Federal e o INPI, quando não for autor, intervirá no feito. 
§ 1º O prazo para resposta do réu titular da patente será de 60 (sessenta) 
dias. 
§ 2º Transitada em julgado a decisão da ação de nulidade, o INPI publicará 
anotação, para ciência de terceiros. 
5.1.5. Extinção do REGISTRO do desenho de utilidade 
Art. 119. O registro extingue-se: 
I - pela expiração do prazo de vigência; 
II - pela renúncia de seu titular, ressalvado o direito de terceiros; 
III - pela falta de pagamento da retribuição prevista nos arts. 108 e 120; ou 
IV - pela inobservância do disposto no art. 217. 
 
Não haverá extinção por caducidade. 
5.2. MARCA 
Art. 122. São suscetíveis de REGISTRO como marca os sinais distintivos 
visualmente perceptíveis, não compreendidos nas proibições legais. 
 
A marca é um sinal visualmente perceptível que serve como meio distintivo. Um sinal 
sonoro não pode ser registrado como marca, pois não é visual. 
5.2.1. Espécies de Marca (art. 123) 
Art. 123. Para os efeitos desta Lei, considera-se: 
 I - marca de produto ou serviço: aquela usada para distinguir produto ou 
serviço de outro idêntico, semelhante ou afim, de origem diversa; 
 
ATENÇÃO: NÃO se confunde com nome empresarial (designativo do empresário ou 
sociedade) nem com título do estabelecimento (designativo do próprio do estabelecimento 
empresarial). 
II - marca de certificação: aquela usada para atestar a conformidade de um 
produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas, 
notadamente quanto à qualidade, natureza, material utilizado e metodologia 
empregada; e 
 
Exemplo:INMETRO, ISO. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 110 
 
III - marca coletiva: aquela usada para identificar produtos ou serviços 
provindos de membros de uma determinada entidade. 
 
Exemplo: Lata de café = Associação Brasileira dos Produtores de Café, serve para trazer 
maior credibilidade ao produto. 
5.2.2. Espécies de marca quanto à sua apresentação 
ESPÉCIES 
NOMINATIVA OU 
VERBAL 
É o sinal constituído por uma ou mais palavras no sentido 
amplo do alfabeto romano, compreendendo, também, os 
neologismos e as combinações de letras e/ou algarismos 
romanos e/ou arábicos, desde que esses elementos não se 
apresentem sob forma fantasiosa ou figurativa. 
Exemplo: SONY, Google 
FIGURATIVA OU 
EMBLEMÁTICA 
É o sinal constituído por desenho, imagem, figura e/ou 
símbolo; qualquer forma fantasiosa ou figurativa de letra ou 
algarismo isoladamente, ou acompanhado por desenho, 
imagem, figura ou símbolo; palavras compostas por letras 
de alfabetos distintos da língua vernácula, tais como 
hebraico, cirílico, árabe, etc.; ideogramas, tais como o 
japonês e o chinês. 
Exemplo: Globo, Apple 
MISTA OU COMPOSTA 
É o sinal constituído pela combinação de elementos 
nominativos e figurativos ou mesmo apenas por elementos 
nominativos cuja grafia se apresente sob forma fantasiosa 
ou estilizada. 
Exemplos: Nike, Cadernos Sistematizados, Toyota 
TRIDIMENSIONAL 
É o sinal constituído pela forma plástica distintiva em si, 
capaz de individualizar os produtos ou serviços a que se 
aplica. Assim, é possível registrar a marca da própria forma 
plástica desse produto ou mesmo da embalagem. 
Exemplo: Coca-Cola 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
DPE/PI (2022) O sinal constituído pela combinação de elementos 
nominativos e figurativos cuja grafia se apresente sob forma fantasiosa ou 
estilizada é considerado marca mista. Correta! 
5.2.3. Princípios da marca 
O Direito de Marcas é regido por três princípios fundamentais. Vejamos: 
• Princípio da Territorialidade (art. 129 da LPI) – o âmbito de proteção da marca é todo o 
território nacional. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 111 
 
Art. 129. A propriedade da marca adquire-se pelo registro validamente 
expedido, conforme as disposições desta Lei, sendo assegurado ao titular 
seu uso exclusivo em todo o território nacional, observado quanto às marcas 
coletivas e de certificação o disposto nos arts. 147 e 148. 
 
• Princípio da Especialidade – a proteção assegurada à marca recai sobre produtos ou 
serviços correspondentes à atividade do requerente, visando a distingui-los de outros 
idênticos ou similares, de origem diversa. 
Por exemplo, há um produto de limpeza VEJA e a revista VEJA, mesmo nome, mas 
produtos e serviços diversos. 
• Princípio do Sistema Atributivo - o sistema de registro de marca adotado no Brasil é 
atributivo de direito, isto é, sua propriedade e seu uso exclusivo só são adquiridos pelo 
registro, conforme define o art. 129 da LPI. O titular da marca é aquele que tem o seu 
registo. 
5.2.4. Requisitos para registro de marca 
• Novidade (Relativa); 
• Originalidade (Não colidência com marca notória); 
• Não há impedimento legal. 
Vejamos: 
1) Novidade (Relativa) 
Não se exige novidade absoluta, ou seja, não se exige que o sinal distintivo tenha sido criado 
pelo empresário. O que deve ser nova é a utilização daquele sinal em relação àquele tipo de produto 
ou serviço (princípio da especificidade ou especialidade). Ex: Produtos com a marca “Sol”, 
existem vários, desde cerveja a bronzeador. 
A novidade está relacionada à classificação do INPI. Se não estiver presente na lista do 
INPI, pode ser utilizada. 
Veja como o STJ decidiu no caso a seguir. 
A empresa “A oferece serviços de orientação e reeducação pedagógica a alunos com 
dificuldades escolares. Essa instituição registrou no INPI a expressão “CRESCER”, adquirindo o 
direito de uso da marca. 
Alguns anos depois, foi inaugurada uma escola (empresa “B”) e passou a também utilizar a 
palavra “CRESCER” em suas atividades empresariais. 
O STJ entendeu que o uso da expressão “CRESCER” por parte da escola viola o direito de 
uso exclusivo de marca pertencente à empresa “A”. Isso porque, embora as atividades exercidas 
sejam distintas, elas se enquadram na mesma classe de serviços, a de serviços de educação. 
Ainda sobre o julgado, colacionamos um trecho da ementa para reforçar alguns dos 
argumentos usados pela Corte como ratio decidendi: 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 112 
 
DIREITO EMPRESARIAL. DIREITO DE USO EXCLUSIVO 
DE MARCA REGISTRADA. O uso, por quem presta serviço de ensino 
regular, da mesma marca anteriormente registrada, na classe dos 
serviços de educação, por quem presta, no mesmo Município, serviços 
de orientação e reeducação pedagógica a alunos com dificuldades 
escolares viola o direito de uso exclusivo de marca. O registro da 
marca, embora garanta proteção nacional à exploração exclusiva por parte 
do titular, encontra limite no princípio da especialidade, que restringe a 
exclusividade de utilização do signo a um mesmo nicho de produtos e 
serviços. Assim, uma mesma marca pode ser utilizada por titulares distintos 
se não houver qualquer possibilidade de se confundir o consumidor. Para se 
verificar a possibilidade de confusão na utilização da mesma marca por 
diferentes fornecedores de produtos e serviços, deve ser observada, 
inicialmente, a Classificação Internacional de Produtos e de Serviços, 
utilizada pelo INPI como parâmetro para concessão ou não do registro de 
uma marca. É verdade que a tabela de classes não deve ser utilizada de 
forma absoluta para fins de aplicação do princípio da 
especialidade, servindo apenas como parâmetro inicial na análise de 
possibilidade de confusão. Porém, na hipótese, embora os serviços 
oferecidos sejam distintos, eles são complementares, pois têm finalidades 
idênticas, além de ocuparem os mesmos canais de comercialização. REsp 
1.309.665-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 
4/9/2014. 
d) Originalidade (não colidência com marca notória) 
Marca notória é aquela ostensivamente pública e conhecida, de popularidade internacional, 
que é protegida independentemente de registro no INPI, devido à Convenção da União de Paris, 
da qual o Brasil é signatário. 
Atenção: MARCA NOTÓRIA é somente protegida no seu ramo de atividade (ou seja, 
protegida em relação a produtos idênticos ou similares), diferentemente da MARCA DE ALTO 
RENOME, que após ser registrada no INPI e ter reconhecida essa qualificação especial (alto 
renome), passa a ser protegida em TODOS OS RAMOS da atividade econômica, conforme o art. 
125 da LPI (proteção em todos os itens da classificação do INPI). 
Não confundir: 
MARCA DE ALTO RENOME MARCA NOTÓRIA 
Precisa de registro Não precisa de registro (Convenção da 
União de Paris) 
Proteção em todos os itens de 
classificação 
Apenas no ramo de atividade 
Brasil Internacional 
Exceção ao Princípio da Especialidade Exceção ao Princípio da Territorialidade 
 
Art. 125. À marca registrada no Brasil considerada de ALTO RENOME será 
assegurada proteção especial, em todos os ramos de atividade. 
 
Em relação à marca de alto renome, importante conhecer a decisão do STJ: 
É legítimo o interesse do titular de uma marca em obter do INPI, pela via 
direta, uma declaração geral e abstrata de que sua marca é de alto renome. 
http://www.stj.jus.br/webstj/processo/justica/jurisprudencia.asp?tipo=num_pro&valor=REsp1309665
http://www.stj.jus.br/webstj/processo/justica/jurisprudencia.asp?tipo=num_pro&valor=REsp1309665
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 113 
 
Caso inexista uma declaração administrativa do INPI a respeito da 
caracterização, ou não, de uma marca como sendo de alto renome, não pode 
o Poder Judiciário conferir,pela via judicial, a correspondente proteção 
especial. 
A 3ª Turma do STJ alterou, em parte, seu entendimento. 
O STJ decidiu que o titular da marca possui legítimo interesse em obter, por via direta, uma 
declaração geral e abstrata de que sua marca é de alto renome. Veja alguns argumentos veiculados 
pela Min. Nancy Andrighi: 
• O reconhecimento do alto renome só pela via incidental (de defesa) imporia ao titular um 
ônus injustificado de ficar constantemente acompanhando todos os pedidos de registro 
de marcas a fim de identificar eventuais ofensas ao seu direito marcário; 
• Ademais, acontece muitas vezes de a pessoa que está utilizando indevidamente a marca 
de alto renome nem sequer tentar fazer o registro no INPI por saber que seria 
questionado. Ex: a pessoa possui uma confecção de roupas Natura (com o mesmo 
símbolo da marca registrada). Logo, ela nem vai tentar registrar esta marca porque tem 
consciência de que haveria oposição por parte da empresa de cosméticos. Nesses 
casos, a controvérsia não chega ao INPI, impedindo que o titular da marca adote 
qualquer medida administrativa incidental visando à declaração do alto renome. 
• Verifica-se, portanto, haver efetivo interesse do titular em obter uma declaração geral e 
abstrata de que sua marca é de alto renome. 
• Os atos do INPI relacionados com o registro do alto renome de uma marca, por derivarem 
do exercício de uma discricionariedade técnica e vinculada, encontram-se sujeitos a 
controle pelo Poder Judiciário, sem que isso implique violação do princípio da separação 
dos poderes. 
O STJ decidiu, no entanto, que o Poder Judiciário não poderá declarar diretamente que a 
marca é de alto renome por meio de uma decisão judicial. O que o Judiciário pode fazer é determinar 
que o INPI examine, em um certo prazo, se a marca é realmente de alto renome. 
Art. 126. A marca notoriamente conhecida em seu ramo de atividade nos 
termos do art. 6º bis (I), da Convenção da União de Paris para Proteção da 
Propriedade Industrial, goza de proteção especial, independentemente de 
estar previamente depositada ou registrada no Brasil. 
§ 1º A proteção de que trata este artigo aplica-se também às marcas de 
serviço. 
§ 2º O INPI poderá indeferir de ofício pedido de registro de marca que 
reproduza ou imite, no todo ou em parte, marca notoriamente conhecida. 
 
Lembrar de processo civil: fato notório não precisa ser provado, assim como a marca notória 
não precisa de registro no INPI para ser protegida. 
A proteção de marca notória registrada no INPI produz efeitos ex nunc, 
não atingindo registros regularmente constituídos em data anterior. O 
direito de exclusividade ao uso da marca em decorrência do registro no INPI, 
excetuadas as hipóteses de marcas notórias, é limitado à classe para a qual 
foi deferido, não abrangendo produtos não similares, enquadrados em outras 
classes. O registro da marca como notória, ao afastar o princípio da 
especialidade, confere ao seu titular proteção puramente defensiva e 
acautelatória, a fim de impedir futuros registros ou uso por terceiros de 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 114 
 
outras marcas iguais ou parecidas, não retroagindo para atingir registros 
anteriores. Precedente citado: REsp 246.652-RJ, DJ 16/4/2007. AgRg 
no REsp 1.163.909-RJ, Rel. Min. Massami Uyeda, julgado em 2/10/2012. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
DPE/PI (2022) Marca de alto renome, registrada no Brasil, alcança proteção 
em seu ramo de atividade, apresentando-se como exceção ao princípio da 
especialidade. Errada! 
 
DPE/PI (2022) Marca notoriamente conhecida detém proteção especial em 
todos os ramos de atividade, apresentando-se como exceção ao princípio da 
territorialidade. Errada! 
 
PGE/MS (2021) Determinado empreendedor brasileiro criou dois produtos, 
sendo o primeiro deles um perfume e o outro um sabonete. Deu ao primeiro 
nome idêntico ao de uma famosa marca francesa, a qual não tinha registro 
no Brasil. Batizou o segundo com o mesmo nome de uma marca nacional 
registrada havia mais de cinquenta anos e com pedido de renovação deferido 
havia cinco anos. 
Nessa situação hipotética, o deferimento do registro da marca nacional pelo 
INPI não impediria que o mesmo título dessa marca fosse utilizado pelo 
empreendedor brasileiro como nome de um edifício residencial, pois, nesse 
caso, se trataria de um ato da vida civil. Correta! 
e) Não impedimento legal 
Os signos impedidos por lei de serem registrados como marcas estão previstos no art. 124 
da LPI (ler todos), desatando-se como os mais importantes: 
• Símbolo oficial e monumentos nacionais ou internacionais não podem ser registrados 
como marca. Exemplo: Não é possível registrar a bandeira do Brasil como marca de um 
produto. 
• A marca não pode representar falsa indicação geográfica. Exemplo: Se fiz um perfume 
em Campinas, não posso registrar como francês; se faço um chocolate em Santo André, 
não posso chamar de Gramado, sendo assim estaria induzindo o consumidor a erro. 
• Designação ou sigla de entidade ou órgão público, quando não requerido o registro pela 
própria entidade ou órgão público. Exemplo: Não posso abrir um cursinho jurídico com 
nome de STF, STJ. 
Art. 124. Não são registráveis como marca: 
I - brasão, armas, medalha, bandeira, emblema, distintivo e monumento 
oficiais, públicos, nacionais, estrangeiros ou internacionais, bem como a 
respectiva designação, figura ou imitação; 
II - letra, algarismo e data, isoladamente, salvo quando revestidos de 
suficiente forma distintiva; 
III - expressão, figura, desenho ou qualquer outro sinal contrário à moral e 
aos bons costumes ou que ofenda a honra ou imagem de pessoas ou atente 
contra liberdade de consciência, crença, culto religioso ou ideia e sentimento 
dignos de respeito e veneração; 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 115 
 
IV - designação ou sigla de entidade ou órgão público, quando não requerido 
o registro pela própria entidade ou órgão público; 
V - reprodução ou imitação de elemento característico ou diferenciador de 
título de estabelecimento ou nome de empresa de terceiros, suscetível de 
causar confusão ou associação com estes sinais distintivos; 
VI - sinal de caráter genérico, necessário, comum, vulgar ou simplesmente 
descritivo, quando tiver relação com o produto ou serviço a distinguir, ou 
aquele empregado comumente para designar uma característica do produto 
ou serviço, quanto à natureza, nacionalidade, peso, valor, qualidade e época 
de produção ou de prestação do serviço, salvo quando revestidos de 
suficiente forma distintiva; 
VII - sinal ou expressão empregada apenas como meio de propaganda; 
VIII - cores e suas denominações, salvo se dispostas ou combinadas de modo 
peculiar e distintivo; 
IX - indicação geográfica, sua imitação suscetível de causar confusão ou sinal 
que possa falsamente induzir indicação geográfica; 
X - sinal que induza a falsa indicação quanto à origem, procedência, natureza, 
qualidade ou utilidade do produto ou serviço a que a marca se destina; 
XI - reprodução ou imitação de cunho oficial, regularmente adotada para 
garantia de padrão de qualquer gênero ou natureza; 
XII - reprodução ou imitação de sinal que tenha sido registrado como marca 
coletiva ou de certificação por terceiro, observado o disposto no art. 154; 
XIII - nome, prêmio ou símbolo de evento esportivo, artístico, cultural, social, 
político, econômico ou técnico, oficial ou oficialmente reconhecido, bem como 
a imitação suscetível de criar confusão, salvo quando autorizados pela 
autoridade competente ou entidade promotora do evento; 
XIV - reprodução ou imitação de título, apólice, moeda e cédula da União, dos 
Estados, do Distrito Federal, dos Territórios, dos Municípios, ou de país; 
XV - nome civil ou sua assinatura, nome de família ou patronímico e imagem 
de terceiros, salvo com133 
Simples/simples (S/S – simples pura – não sofre influência de nenhum outro tipo societário)¹ ... 133 
4.3.3. Quando ao grau de dependência às qualidades dos sócios .................................. 134 
4.3.4. Quanto à constituição e dissolução........................................................................ 136 
4.3.5. Quanto à responsabilidade do sócio pelas obrigações sociais ............................... 137 
5. SOCIEDADE SIMPLES ....................................................................................................... 138 
5.1. CONTRATO SOCIAL .................................................................................................... 138 
5.2. PLURIPESSOALIDADE ................................................................................................ 139 
5.3. QUOTAS SOCIAIS ....................................................................................................... 139 
5.3.1. Conceito ................................................................................................................ 139 
5.3.2. Titularidade das quotas .......................................................................................... 140 
5.3.3. Formas de integralização ....................................................................................... 140 
5.3.4. Sócio remisso ........................................................................................................ 140 
5.3.5. Cessão de quotas sociais ...................................................................................... 141 
5.3.6. (Im) possibilidade de penhora das quotas sociais .................................................. 141 
5.4. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO ............................................................................... 142 
5.5. DIREITOS DOS SÓCIOS ............................................................................................. 142 
5.6. ADMINISTRADOR ........................................................................................................ 144 
5.6.1. Nomeação ............................................................................................................. 144 
5.6.2. Sócio/não sócio ..................................................................................................... 144 
5.6.3. Poderes do administrador ...................................................................................... 144 
5.6.4. Responsabilidade do administrador ....................................................................... 145 
6. SOCIEDADE EM NOME COLETIVO ................................................................................... 146 
6.1. PREVISÃO LEGAL ....................................................................................................... 146 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 7 
 
6.2. SÓCIOS........................................................................................................................ 146 
6.3. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS .......................................................................... 147 
6.4. NOME EMPRESARIAL ................................................................................................. 147 
6.5. ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE ............................................................................ 147 
6.6. LIQUIDAÇÃO DA QUOTA ............................................................................................ 147 
7. SOCIEDADE EM COMANDITA SIMPLES ........................................................................... 148 
7.1. PREVISÃO LEGAL ....................................................................................................... 148 
7.2. SÓCIOS........................................................................................................................ 149 
7.2.1. Sócio comanditado ................................................................................................ 149 
7.2.2. Sócio comanditário ................................................................................................ 150 
8. SOCIEDADE LIMITADA ...................................................................................................... 150 
8.1. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL ........................................................................................... 150 
8.2. CARACTERÍSTICAS .................................................................................................... 151 
8.3. CONSTITUIÇÃO DA SOCIEDADE LIMITADA .............................................................. 152 
8.3.1. Requisitos gerais de validade do contrato social (TRÊS) ....................................... 152 
8.3.2. Requisitos específicos de validade dos contratos sociais (DOIS) .......................... 153 
8.3.3. Cláusulas Essenciais do contrato da Sociedade limitada (art. 997 do CC) ............ 155 
8.4. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO NA SOCIEDADE LIMITADA (ART. 1.052 DO CC) . 156 
8.5. QUOTAS SOCIAIS ....................................................................................................... 159 
8.5.1. Natureza jurídica: ................................................................................................... 159 
8.5.2. Transferência de quotas (cessão de quotas) ......................................................... 159 
8.6. DEVERES DOS SÓCIOS ............................................................................................. 160 
8.7. DIREITOS DOS SÓCIOS ............................................................................................. 160 
8.8. DELIBERAÇÕES SOCIAIS........................................................................................... 161 
8.8.1. Assembleia X Reunião ........................................................................................... 162 
8.8.2. Regras de votação nas deliberações ..................................................................... 162 
8.8.3. Dispensa de assembleia ou reunião ...................................................................... 162 
8.9. DIREITO DE RETIRADA (DIREITO DE RECESSO)..................................................... 163 
8.10. DIREITO DE FISCALIZAÇÃO ................................................................................... 164 
8.11. INFLUÊNCIA DOS SÓCIOS MINORITÁRIOS NA FORMAÇÃO DO CONSELHO 
FISCAL 165 
8.12. DIREITO DE PREFERÊNCIA (ART. 1.081 DO CC) .................................................. 165 
8.13. ADMINISTRADOR DA SOCIEDADE LIMITADA ....................................................... 165 
8.13.1. Responsabilidade do Administrador ....................................................................... 167 
8.13.2. Teoria “ultra vires” (Além das forças) ..................................................................... 168 
8.13.3. Teoria da Aparência. ............................................................................................. 169 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 8 
 
8.14. DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE LIMITADA .............................................................. 169 
8.14.1. Casos de dissolução parcial: ................................................................................. 169 
8.14.2. Casos de dissolução total ...................................................................................... 171 
9. SOCIEDADE ANÔNIMA (LEI 6.404/76) ............................................................................... 173 
9.1. CONCEITO ................................................................................................................... 173 
9.2. PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS ............................................................................... 173 
9.3. ESPÉCIES DE SOCIEDADE ANÔNIMA (ART. 4º DA LSA) ......................................... 174 
9.4. CONSTITUIÇÃO DA SOCIEDADE ANÔNIMA ..............................................................consentimento do titular, herdeiros ou sucessores; 
XVI - pseudônimo ou apelido notoriamente conhecidos, nome artístico 
singular ou coletivo, salvo com consentimento do titular, herdeiros ou 
sucessores; 
XVII - obra literária, artística ou científica, assim como os títulos que estejam 
protegidos pelo direito autoral e sejam suscetíveis de causar confusão ou 
associação, salvo com consentimento do autor ou titular; 
XVIII - termo técnico usado na indústria, na ciência e na arte, que tenha 
relação com o produto ou serviço a distinguir; 
XIX - reprodução ou imitação, no todo ou em parte, ainda que com acréscimo, 
de marca alheia registrada, para distinguir ou certificar produto ou serviço 
idêntico, semelhante ou afim, suscetível de causar confusão ou associação 
com marca alheia; 
XX - dualidade de marcas de um só titular para o mesmo produto ou serviço, 
salvo quando, no caso de marcas de mesma natureza, se revestirem de 
suficiente forma distintiva; 
XXI - a forma necessária, comum ou vulgar do produto ou de 
acondicionamento, ou, ainda, aquela que não possa ser dissociada de efeito 
técnico; 
XXII - objeto que estiver protegido por registro de desenho industrial de 
terceiro; e 
XXIII - sinal que imite ou reproduza, no todo ou em parte, marca que o 
requerente evidentemente não poderia desconhecer em razão de sua 
atividade, cujo titular seja sediado ou domiciliado em território nacional ou em 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 116 
 
país com o qual o Brasil mantenha acordo ou que assegure reciprocidade de 
tratamento, se a marca se destinar a distinguir produto ou serviço idêntico, 
semelhante ou afim, suscetível de causar confusão ou associação com 
aquela marca alheia. 
 
OBS: pode-se utilizar para divulgação, para marketing o que é não 
registrável. 
Neste sentido, entendeu recentemente o STJ: 
Vocábulos genéricos, de uso comum, e que designam produtos ou serviços 
inseridos do segmento de atuação da empresa, bem como as cores e suas 
denominações, exceto se combinadas de modo peculiar e distintivo, não são 
registráveis como marca. 
Caso concreto: STJ entendeu que os elementos nominativos da marca 
“ROSE & BLEU” não alcançam distintividade suficiente para serem 
registrados como marca de uso exclusivo. Isso porque, além de tratarem de 
signos referentes a cores, que não são registráveis, configuram expressão 
sugestiva que possui laço conotativo com a atividade comercial 
desempenhada pela empresa (comércio de roupas infantis). 
Fundamento: art. 124, incisos VI e VIII, da Lei de Propriedade Industrial: 
Art. 124. Não são registráveis como marca: (...) VI - sinal de caráter genérico, 
necessário, comum, vulgar ou simplesmente descritivo, quando tiver relação 
com o produto ou serviço a distinguir, ou aquele empregado comumente para 
designar uma característica do produto ou serviço, quanto à natureza, 
nacionalidade, peso, valor, qualidade e época de produção ou de prestação 
do serviço, salvo quando revestidos de suficiente forma distintiva; (...) VIII - 
cores e suas denominações, salvo se dispostas ou combinadas de modo 
peculiar e distintivo; 
STJ. 4ª Turma. REsp 1339817-RJ, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 
11/10/2022 (Info 753). 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
DPE/PI (2022) É possível registrar como marca qualquer forma fantasiosa ou 
figurativa de letra ou algarismo isoladamente ou acompanhado por desenho, 
imagem, figura ou símbolo. Correta! 
 
DPE/PI (2022) É possível registrar como marca termo técnico usado na 
indústria, na ciência e na arte e que tenha relação como produto ou serviço a 
distinguir. Errada! 
 
TJ/PR (2021) Não são registráveis como marca as expressões ou sinais 
empregados apenas como meio de propaganda e tais elementos distintivos 
são insuscetíveis de registro no âmbito da propriedade industrial. 
5.2.5. MARCAS EVOCATIVAS E O STJ 
É aquela que se utiliza, em sua composição, de uma palavra de uso comum que remete ao 
produto ou serviço. 
Evocativa vem de “evocar”, verbo que significa “trazer à lembrança”. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 117 
 
Assim, a marca evocativa é aquela que traz à lembrança (que evoca) o próprio nome do 
produto ou serviço. 
A marca evocativa possui reduzido grau de distintividade, por estar associada ao produto ou 
serviço que pretende assinalar. Em outras palavras, ela não se distingue tanto de outras marcas 
porque utiliza, no todo ou em parte, o próprio nome do produto ou serviço. Não possui, portanto, 
“características distintivas”. 
Chokito®, Chocobon® (são marcas que remetem ao chocolate). Caso alguém registre uma 
marca parecida envolvendo, no todo ou em parte, a palavra “chocolate”, não se poderá dizer, a 
princípio, que houve uma violação a essas marcas anteriormente registradas. 
Por não ter características distintivas, as marcas evocativas são consideradas “marcas 
fracas”. Possuem um âmbito de proteção limitado, de modo que a exclusividade a elas conferida 
admite mitigação. Assim, a ideia de que somente quem registrou a marca evocativa poderá utilizar 
aquele nome ou nomes parecidos é flexibilizada. 
Segundo aponta, com razão, a Min. Nancy Andrighi, conferir monopólio para que apenas um 
comerciante utilize um nome ou sinal genérico seria aceitar uma exclusividade inadmissível. Isso 
porque os demais comerciantes ficariam impedidos de divulgar a fabricação de produtos 
semelhantes através de expressões de conhecimento comum, obrigando-os à busca de nomes 
alternativos estranhos ao domínio público. 
O monopólio de um nome ou sinal genérico em benefício de um comerciante 
implicaria uma exclusividade inadmissível, a favorecer a detenção e o 
exercício do comércio de forma única, com prejuízo não apenas à 
concorrência empresarial — impedindo os demais industriais do ramo de 
divulgarem a fabricação de produtos semelhantes através de expressões de 
conhecimento comum, obrigando-os à busca de nomes alternativos 
estranhos ao domínio público — mas sobretudo ao mercado em geral, que 
teria dificuldades para identificar produtos similares aos do detentor da marca. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1315621-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 
4/6/2013 (Info 526). 
 
STJ – Resp. 1.848.654: O registro do medicamento "Nebacetin" não impede 
que outras farmacêuticas usem os radicais "Neba" ou "Nebac", como o 
"Nebacimed". Assim decidiu a 4ª turma do STJ, ao considerar que a 
semelhança entre o nome das marcas decorre do fato de que o início de suas 
denominações advém dos prefixos das substâncias que as compõem. 
NEBACETIN é uma marca fraca, sem originalidade, por utilizar expressão 
evocativa/sugestiva do produto que identifica. O Prefixo NEBA remete, ainda 
que indiretamente, à substância que compõem o medicamento (sulfato de 
neomicina e bacitrina zínica). 
 
A marca evocativa goza de proteção. No entanto, essa proteção é mitigada. Por que se diz 
que é mitigada? Porque o seu titular é obrigado a conviver com outras marcas parecidas, 
semelhantes. Vale ressaltar, no entanto, que o titular de uma marca evocativa pode se insurgir e 
conseguir a proibição de outra marca semelhante se isso gerar confusão no público consumidor. 
Ex: uma loja de calçados que registre a marca “Shopping do Pé” pode ser obrigada a 
conviver com outra marca chamada de “Mercado do pé”; por outro lado, é possível que essa loja 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 118 
 
consiga, em tese, a proibição de outra marca chamada “Shop do Pé” porque, nesse caso, haveria 
um potencial muito grande de gerar confusão no público consumidor. 
TEORIA DA DISTINTIVIDADE ADQUIRIDA (significação secundária ou secondary 
meaning) – ocorre quando um signo de caráter comum, descritivo ou evocativo foi utilizado durante 
tanto tempo, alcançando tantas pessoas, que passou a adquirir eficácia distintiva suficiente, a ponto 
de possibilitarseu registro como marca. Por exemplo, Iphone. 
De acordo com o STJ, o único efeito que a “distintividade adquirida” gera é o de permitir o 
registro da marca, mesmo ela sendo “comum”. Essa teoria não autoriza, contudo, que se impeça o 
registro de marcas semelhantes. Em se tratando de marcas “fracas”, descritivas ou evocativas, é 
descabida qualquer alegação de anterioridade de registro quando o intuito da parte for o de 
assegurar o uso exclusivo de expressão dotada de baixo vigor inventivo. 
5.2.6. Marca degenerativa 
Com o passar do tempo, algumas marcas ficam muito famosas e acabam sendo 
extremamente conhecidas do público, a ponto de perderem a capacidade distintiva que possuíam 
na época do registro, no fenômeno conhecido por degeneração. 
A degeneração representa a perda da capacidade distintiva das marcas; ela passa a se 
confundir com o próprio produto. A população em geral substitui a identificação do produto por 
aquela marca mais famosa, de tal modo que não importa mais o fabricante titular da marca, uma 
vez que todos os produtos passam a ter a mesma designação. 
Por exemplo, isopor (polímero estendido), zíper (fecho corrediço), gilete (lâmina de barbear), 
maisena (amido de milho), pincel atômico (marcador para quadro branco), durex (fita adesiva). 
5.2.7. Nulidade do registro marca 
Administrativo: art. 169. 06 meses da concessão. 
Art. 169. O processo de nulidade poderá ser instaurado de ofício ou mediante 
requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse, no prazo de 180 
(cento e oitenta) dias contados da data da expedição do certificado de 
registro. 
 
Destaca-se que para declaração de nulidade no âmbito administrativo da PATENTE 
(invenção ou modelo de utilidade) o prazo também é de 06 meses. 
Judicial: art. 174: 05 anos da concessão. 
Art. 174. Prescreve em 5 (cinco) anos a ação para declarar a nulidade do 
REGISTRO, contados da data da sua concessão. 
 
Art. 175. A ação de nulidade do registro será ajuizada no foro da justiça 
federal e o INPI, quando não for autor, intervirá no feito. 
§ 1º O prazo para resposta do réu titular do registro será de 60 sessenta) dias. 
§ 2º Transitada em julgado a decisão da ação de nulidade, o INPI publicará 
anotação, para ciência de terceiros. 
 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 119 
 
Importante salientar que, em ação de nulidade de registro de marca, a natureza da 
participação processual do INPI, quando não figurar como autor ou corréu, é de intervenção sui 
generis (ou atípica) obrigatória, na condição de assistente especial. 
Em ação de nulidade de registro de marca, a natureza da participação 
processual do INPI, quando não figurar como autor ou corréu, é de 
intervenção sui generis (ou atípica) obrigatória, na condição de assistente 
especial (ou até de amicus curiae). STJ. 4ª Turma. REsp 1.817.109-RJ, Rel. 
Min. Luis Felipe Salomão, julgado em 23/02/2021 (Info 686). 
 
Para declaração de nulidade no âmbito judicial da PATENTE (invenção ou modelo de 
utilidade) e do REGISTRO de desenho industrial não há prazo. 
 
PATENTE (invenção 
e modelo de 
utilidade) 
REGISTRO do 
desenho de utilidade 
REGISTRO da marca 
Prazo para 
declaração de 
nulidade no âmbito 
administrativo 
06 meses 05 anos 180 dias (06 meses) 
Prazo para ação de 
nulidade (âmbito 
judicial) 
Enquanto vigente Enquanto vigente 05 anos 
5.2.8. Uso indevido da marca e dano moral 
De acordo com o STJ, o dano moral pelo uso indevido da marca decorre de mera 
comprovação da prática da conduta ilícita. Em outras palavras, a utilização da marca sem 
autorização configura dano moral, sendo desnecessária a demonstração de prejuízos concretos ou 
a comprovação de abalo moral. 
STJ - REsp 1327773: “RECURSO ESPECIAL. PROPRIEDADE 
INDUSTRIAL. USO INDEVIDO DE MARCA DE EMPRESA. SEMELHANÇA 
DE FORMA. DANO MATERIAL. OCORRÊNCIA. PRESUNÇÃO. DANO 
MORAL. AFERIÇÃO. IN RE IPSA. DECORRENTE DO PRÓPRIO ATO 
ILÍCITO. INDENIZAÇÃO DEVIDA. RECURSO PROVIDO. 1. A marca é 
qualquer sinal distintivo (tais como palavra, letra, numeral, figura), ou 
combinação de sinais, capaz de identificar bens ou serviços de um 
fornecedor, distinguindo-os de outros idênticos, semelhantes ou afins de 
origem diversa. Trata-se de bem imaterial, muitas vezes o ativo mais valioso 
da empresa, cuja proteção consiste em garantir a seu titular o privilégio de 
uso ou exploração, sendo regido, entre outros, pelos princípios 
constitucionais de defesa do consumidor e de repressão à concorrência 
desleal. 2. Nos dias atuais, a marca não tem apenas a finalidade de assegurar 
direitos ou interesses meramente individuais do seu titular, mas objetiva, 
acima de tudo, proteger os adquirentes de produtos ou serviços, conferindo-
lhes subsídios para aferir a origem e a qualidade do produto ou serviço, tendo 
por escopo, ainda, evitar o desvio ilegal de clientela e a prática do proveito 
econômico parasitário. 3. A lei e a jurisprudência do Superior Tribunal de 
Justiça reconhecem a existência de dano material no caso de uso indevido 
da marca, uma vez que a própria violação do direito revela-se capaz de gerar 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 120 
 
lesão à atividade empresarial do titular, como, por exemplo, no desvio de 
clientela e na confusão entre as empresas, acarretando inexorável prejuízo 
que deverá ter o seu quantum debeatur, no presente caso, apurado em 
liquidação por artigos. 4. Por sua natureza de bem imaterial, é ínsito que haja 
prejuízo moral à pessoa jurídica quando se constata o uso indevido da marca. 
A reputação, a credibilidade e a imagem da empresa acabam atingidas 
perante todo o mercado (clientes, fornecedores, sócios, acionistas e 
comunidade em geral), além de haver o comprometimento do prestígio e da 
qualidade dos produtos ou serviços ofertados, caracterizando evidente 
menoscabo de seus direitos, bens e interesses extrapatrimoniais. 5. O dano 
moral por uso indevido da marca é aferível in re ipsa, ou seja, sua 
configuração decorre da mera comprovação da prática de conduta ilícita, 
revelando-se despicienda a demonstração de prejuízos concretos ou a 
comprovação probatória do efetivo abalo moral. 6. Utilizando-se do critério 
bifásico adotado pelas Turmas integrantes da Segunda Seção do STJ, 
considerado o interesse jurídico lesado e a gravidade do fato em si, o valor 
de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), a título de indenização por danos 
morais, mostra-se razoável no presente caso. 7. Recurso especial provido.” 
 
Como o tema foi cobrado em prova? 
TJRS (2022) Segundo a legislação brasileira, na indenização pelo uso 
indevido de marca, os lucros cessantes serão determinados pelo critério mais 
favorável ao prejudicado. Correta! 
 
TJ/AC (2019) A respeito dos direitos da proteção conferida pela patente, 
dispõe a Lei n° 9.279/96 que ao titular da patente é assegurado o direito de 
obter indenização pela exploração indevida de seu objeto, inclusive em 
relação à exploração ocorrida entre a data da publicação do pedido e a da 
concessão da patente. Correta! 
5.2.9. Conflito entre marca e nome empresarial 
Como já vimos, o nome empresarial possui proteção estadual e a marca proteção federal. 
1ª Hipótese: 
Nome empresarial registrado no Estado X e marca quer registro nacional. 
Não haverá conflito, poderão coexistir. 
2ª Hipótese: 
Nome empresarial registrado em todos os estados da federação e a marca quer registro 
nacional. 
Aplica-se o Princípio da Especialidade, deve-se verificar o ramo da atividade de cada um. 
• Atividades diversas – não haverá conflito, podem coexistir; 
• Mesma atividade – a marca não poderá fazer o registro 
3ª Hipótese 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 121 
 
Há uma marca registrada e se quer registrar um nome empresarial. Neste caso, é necessário 
avaliar se a marca é de alto renome ou não. 
• Marca de alto renome:está protegida em todos os ramos de atividade. Portanto, não 
poderá haver o registro; 
• Não é marca de alto renome: aplica-se o Princípio da Especialidade. Portanto, se o ramo 
de atividade for distinto, poderão coexistir; caso seja o mesmo, não poderá haver o 
registro do nome empresarial. 
STJ (RESp. 1209919/SC): RECURSO ESPECIAL. DIREITO MARCÁRIO. 
PRETENSÃO DA AUTORA DE EXCLUSIVIDADE DE USO DO NOME 
"CHANDON" EM QUALQUER ATIVIDADE. AUSÊNCIA DE REGISTRO 
COMO MARCA DE ALTO RENOME. MARCA NOTORIAMENTE 
CONHECIDA. PROTEÇÃO RESTRITA AO RESPECTIVO RAMO DE 
ATIVIDADE. MANUTENÇÃO DO REGISTRO DE MARCA DA RECORRIDA. 
EXERCÍCIO DE RAMOS DE ATIVIDADES DIVERSOS. RECURSO 
IMPROVIDO. 1. As marcas de alto renome, registradas previamente no INPI 
como tal, gozam, nos termos do art. 125 da Lei 9.279/96, de proteção em 
todos os ramos de atividade, enquanto as marcas notoriamente conhecidas 
gozam de proteção internacional, independentemente de formalização de 
registro no Brasil, apenas em seu ramo de atividade, consoante dispõem os 
arts. 126 da referida lei e 6º bis, 1, da Convenção da União de Paris, ratificada 
pelo Decreto 75.572/75. Neste último, é plenamente aplicável o princípio da 
especialidade, o qual autoriza a coexistência de marcas idênticas, desde que 
os respectivos produtos ou serviços pertençam a ramos de atividades 
diversos. 2. O aludido princípio visa a evitar a confusão no mercado de 
consumo do produto ou serviço prestado por duas ou mais marcas, de modo 
que, para tanto, deve ser levado em consideração o consumidor sob a 
perspectiva do homem médio. 3. No caso dos autos, o uso das duas marcas 
não é capaz de gerar confusão aos consumidores, assim considerando o 
homem médio, mormente em razão da clara distinção entre as atividades 
realizadas por cada uma delas. Não há risco, de fato, de que o consumidor 
possa ser levado a pensar que a danceteria seria de propriedade (ou 
franqueada) da MOET CHANDON francesa, proprietária do famoso 
champanhe. 4. Não se tratando a recorrente de marca de alto renome, mas 
de marca notoriamente conhecida e, portanto, protegida apenas no seu 
mesmo ramo de atividade, não há como alterar as conclusões constantes do 
acórdão recorrido. 5. Recurso especial improvido. 
5.2.10. Trade Dress 
Trade dress ou conjunto-imagem consiste no conjunto de elementos distintivos que 
caracterizam um produto, um serviço ou um estabelecimento comercial fazendo com que o mercado 
consumidor os identifique. É o conjunto de características visuais que forma a aparência geral de 
um produto ou serviço. 
O denominado trade dress, não disciplinado na legislação nacional atual, tem por finalidade 
proteger o conjunto visual global de um produto ou a forma de prestação de um serviço. Materializa-
se, portanto, pela associação de variados elementos que, conjugados, traduzem uma forma peculiar 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 122 
 
e suficientemente distintiva de inserção do bem no mercado consumidor, vinculando-se à identidade 
visual dos produtos ou serviços. 
Apesar de não haver legislação específica, a proteção do trade dress é assegurada com 
fundamento no dever geral de garantia de livre mercado, ou seja, no dever estatal de assegurar o 
funcionamento saudável do mercado, de forma a expurgar condutas desleais tendentes a criar 
distorções de concorrência. 
(...) A despeito da ausência de expressa previsão no ordenamento jurídico 
pátrio acerca da proteção ao trade dress, é inegável que o arcabouço legal 
brasileiro confere amparo ao conjunto-imagem, sobretudo porque sua 
usurpação encontra óbice na repressão da concorrência desleal. Incidência 
de normas de direito de propriedade industrial, de direito do consumidor e do 
Código Civil. (...) STJ. 3ª Turma. REsp 1677787/SC, Rel. Min. Nancy Andrighi, 
julgado em 26/09/2017. 
 
O trade dress é violado quando uma empresa imita sutilmente diversas características da 
marca concorrente (normalmente a líder do mercado) com o objetivo de confundir o público e 
angariar vendas com base na fama da marca copiada. 
Em um caso concreto, o TJ/SP entendeu que uma empresa cuja marca era “Uai in box” teria 
violado a trade dress da “China in box”. Além do nome parecido, a empresa “Uai in box” também 
oferecia comida em delivery com pacotes iguais ao da “China in box”. 
Segundo já decidiu o STJ (REsp 1.677.787/SC, Terceira Turma, DJe 02/10/2017), para a 
configuração da prática de atos de concorrência desleal derivados de imitação de trade dress, não 
basta que o titular comprove que utiliza determinado conjunto-imagem, sendo necessária a 
observância de alguns requisitos básicos para garantia da proteção jurídica. Vejamos: 
1) Em primeiro lugar, há que se atentar para o fato de que as características gráfico-visuais 
do produto ou embalagem não podem guardar relação com exigências inerentes à técnica ou à 
funcionalidade precípua do produto. Ou seja, os elementos que formam o conjunto-imagem não 
podem ter outra função ou propósito que não seja especificamente a diferenciação do bem no 
mercado onde está inserido. 
2) Deve haver a possibilidade de confusão ou associação indevida entre os produtos, na 
medida em que configura prática anticoncorrencial a utilização de artifícios capazes de ensejar 
desvio de clientela (art. 195, III, da LPI). 
3) Outro elemento que deve estar presente para que o titular do direito possa reclamar tutela 
jurisdicional - além da anterioridade do uso do conjunto-imagem - é sua distintividade frente aos 
concorrentes. Em outras palavras, protege-se o trade dress que é diferente, distinto dos demais, e 
não o que é comum, ordinário. 
Para a caracterização da infringência de marca, não é suficiente que se 
demonstrem a semelhança dos sinais e a sobreposição ou afinidade das 
atividades, é necessário que a coexistência das marcas seja apta a causar 
confusão no consumidor ou prejuízo ao titular da marca anterior, configurando 
concorrência desleal. 
STJ. 3ª Turma. REsp 1726804-RJ, Rel. Min. Moura Ribeiro, julgado em 
27/09/2022 (Info 752). 
 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 123 
 
Para configuração da prática de atos de concorrência desleal derivados de 
imitação de trade dress, não basta que o titular, simplesmente, comprove que 
utiliza determinado conjunto-imagem, sendo necessária a observância de 
alguns pressupostos para garantia da proteção jurídica: a) ausência de 
caráter meramente funcional; b) distintividade; c) confusão ou associação 
indevida; d) anterioridade de uso. STJ. 3ª Turma. REsp 1.943.690-SP, Rel. 
Min. Nancy Andrighi, Terceira Turma, por unanimidade, julgado em 
19/10/2021 (Info 715). 
5.2.11. Extinção do REGISTRO da marca 
Caducidade: 05 anos (art. 143). 
Art. 142. O registro da marca extingue-se: 
I - pela expiração do prazo de vigência; 
II - pela renúncia, que poderá ser total ou parcial em relação aos produtos ou 
serviços assinalados pela marca; 
III - pela caducidade; ou 
IV - pela inobservância do disposto no art. 217. 
 
Art. 143 - Caducará o registro, a requerimento de qualquer pessoa com 
legítimo interesse se, decorridos 5 (cinco) anos da sua concessão, na data 
do requerimento: 
I - o uso da marca não tiver sido iniciado no Brasil; ou 
II - o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 (cinco) anos 
consecutivos, ou se, no mesmo prazo, a marca tiver sido usada com 
modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original, tal como 
constante do certificado de registro. 
§ 1º Não ocorrerá caducidade se o titular justificar o desuso da marca por 
razões legítimas. 
§ 2º O titular será intimado para se manifestar no prazo de 60 (sessenta) dias, 
cabendo-lhe o ônus de provar o uso da marca ou justificar seu desuso por 
razões legítimas. 
 
 Sobre a possibilidade de o registro da marca caducar em função do não uso, vejamos 
o esquema construído pelo Dizer o Direito1 sobre ojulgado a seguir. 
A Lei 9.279/96 prevê a possibilidade de o registro da marca caducar se não for usada: 
Art. 143. Caducará o registro, a requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse se, 
decorridos 5 (cinco) anos da sua concessão, na data do requerimento: 
I — o uso da marca não tiver sido iniciado no Brasil; ou 
II — o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 (cinco) anos consecutivos, ou se, 
no mesmo prazo, a marca tiver sido usada com modificação que implique alteração de seu caráter 
distintivo original, tal como constante do certificado de registro. 
 
1 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Caducidade de marca (art. 143 da LPI). Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: 
. Acesso em: 
16/12/2022. 
https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/c1fea270c48e8079d8ddf7d06d26ab52
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 124 
 
Imagine que uma marca é registrada no INPI. A empresa começa a fabricá-lo aqui no Brasil, 
mas ele só é vendido para o mercado externo, nunca sendo comercializado aqui. Há risco de haver 
a caducidade da marca com base no inciso I? 
NÃO. Se o titular da marca registrada no Brasil industrializa, fabrica, elabora o produto em 
território nacional, claramente inicia e faz uso da marca no Brasil, merecendo toda proteção legal, 
pois aqui empreende, gerando produção, empregos e riqueza, sendo indiferente que a mercadoria 
aqui produzida seja destinada ao mercado interno ou exclusivamente ao externo. Produzir no País 
o produto com a marca aqui registrada atende suficientemente ao requisito legal de “uso da marca 
iniciado no Brasil”. 
Imagine que uma marca é registrada no INPI. A empresa (de grande porte) começa a fabricá-
lo aqui no Brasil, mas depois de mais de 5 anos, somente produziu cerca de 70 pacotes do produto. 
Há risco de haver a caducidade da marca com base no inciso II? 
SIM. É possível que se reconheça a caducidade do registro da marca quando, em um 
período de cinco anos, o valor e o volume de vendas do produto relacionado à marca forem 
inexpressivos. 
No caso analisado pelo STJ, o uso esporádico da marca, com escassas negociações no 
mercado, foi considerado inexpressivo dentro da magnitude das operações bilionárias realizadas 
pela empresa, portanto, insuficiente para configurar e comprovar o uso efetivo da marca. 
6. ASPECTOS PROCESSUAIS DA LPI 
Ações de Nulidade do registro ou patente: Tanto pode ser ação judicial quanto ação 
administrativa. 
 
a) Patente (invenção / modelo de utilidade) 
Prazo administrativo: 06 meses contados da CONCESSÃO da patente. 
Prazo judicial: Pode ingressar com a ação enquanto a patente estiver vigente. 
Art. 51. O processo de nulidade poderá ser instaurado de ofício ou mediante 
requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse, no prazo de 6 (seis) 
meses contados da concessão da patente. 
Parágrafo único. O processo de nulidade prosseguirá ainda que extinta a 
patente. 
 
b) Desenho industrial 
Prazo administrativo: 05 anos contados da CONCESSÃO do registro. 
Prazo Judicial: Enquanto permanecer o registro. 
 
Art. 113. A nulidade do registro será declarada administrativamente quando 
tiver sido concedido com infringência dos arts. 94 a 98. 
§ 1º O processo de nulidade poderá ser instaurado de ofício ou mediante 
requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse, no prazo de 5 
(cinco) anos contados da concessão do registro, ressalvada a hipótese 
prevista no parágrafo único do art. 111. 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 125 
 
§ 2º O requerimento ou a instauração de ofício suspenderá os efeitos da 
concessão do registro se apresentada ou publicada no prazo de 60 (sessenta) 
dias da concessão. 
 
c) Marca 
Prazo administrativo: 180 dias contados da EXPEDIÇÃO do certificado de registro. 
Prazo judicial: 05 anos contados da concessão. 
 
Art. 169. O processo de nulidade poderá ser instaurado de ofício ou mediante 
requerimento de qualquer pessoa com legítimo interesse, no prazo de 180 
(cento e oitenta) dias contados da data da expedição do certificado de registro 
 
Art. 174. Prescreve em 5 (cinco) anos a ação para declarar a nulidade do 
registro, contados da data da sua concessão. 
 
A ação de nulidade (seja de marca/patente) deve ser ajuizada na JF. Se o INPI não for o 
autor da ação, ele deverá intervir no processo. 
O prazo de resposta do réu é de 60 dias, tanto nas ações judiciais quanto administrativas 
(art. 175, §1º). 
Art. 175. A ação de nulidade do registro será ajuizada no foro da justiça 
federal e o INPI, quando não for autor, intervirá no feito. 
 § 1º O prazo para resposta do réu titular do registro será de 60 (sessenta) 
dias. 
 
 INVENÇÃO MODELO DE U. 
DESENHO 
INDU. 
MARCA 
ADMINISTRATIVO 06 meses 06 meses 05 anos 180 dias 
JUDICIAL - - - 05 anos 
7. PRESCRIÇÃO 
Art. 225 da LPI, será de cinco anos. 
Art. 225. Prescreve em 5 (cinco) anos a ação para reparação de dano 
causado ao direito de propriedade industrial. 
 
➔ Qual o termo inicial deste prazo prescricional? 
O termo inicial do prazo prescricional de cinco anos (art. 225, Lei 9279/1996) para pleitear 
indenização pelos prejuízos decorrentes do uso de marca industrial que imite outa preexistente, 
suscetível de causar confusão ou associação com marca alheia registrada (Art. 124, XIX) é a data 
da violação do direito à propriedade intelectual e se renova enquanto houve o indevido uso. 
Isso porque o prazo prescricional começa a correr tão logo nasça a pretensão, a qual tem 
origem com a violação do direito subjetivo (o direito de propriedade industrial). No entanto, 
considerando que a citada violação é permanente, enquanto o réu continuar a utilizar marca alheia 
registrada, diariamente o direito será violado, nascendo nova pretensão indenizatória. 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 126 
 
8. FORMAS DE EXTINÇÃO DA PROPRIEDADE INDUSTRIAL 
1) Expiração do prazo de vigência (cai em domínio público). 
 
2) Renúncia (que somente poderá ser feita se não houver prejuízo para terceiros, como 
licenciados, por exemplo). 
 
Art. 79. A RENÚNCIA só será admitida se não prejudicar direitos de terceiros. 
 
3) Caducidade: Falta de uso da propriedade ou uso insatisfatório. Exemplo: art. 143, ambos da 
LPI. 
 
Art. 143 - Caducará o registro, a requerimento de qualquer pessoa com 
legítimo interesse se, decorridos 5 (cinco) anos da sua concessão, na data 
do requerimento: 
I - o uso da marca não tiver sido iniciado no Brasil; ou 
II - o uso da marca tiver sido interrompido por mais de 5 (cinco) anos 
consecutivos, ou se, no mesmo prazo, a marca tiver sido usada com 
modificação que implique alteração de seu caráter distintivo original, tal como 
constante do certificado de registro. 
 
Tem-se uma marca e não utiliza por 5 anos, haverá caducidade da marca. 
 
4) Falta de pagamento da retribuição anual (taxa anual devida ao INPI) 
 
5) Inobservância do art. 217 da LPI: 
 
Art. 217. A pessoa domiciliada no exterior deverá constituir e manter 
procurador devidamente qualificado e domiciliado no País, com poderes para 
representá-la administrativa e judicialmente, inclusive para receber citações. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 127 
 
DIREITO SOCIETÁRIO 
1. QUADRO SOCIETÁRIO EMPRESARIAL 
Quadro geral das sociedades (empresárias): 
1.1. SOCIEDADE NÃO PERSONIFICADA 
Aquela que não possui personalidade jurídica, divide-se em: 
a) Sociedade em comum 
b) Sociedade em conta de participação 
1.2. SOCIEDADE PERSONIFICADA 
Possui personalidade jurídica, são as: 
a. Sociedade em nome coletivo (1.039 a 1.044 CC) 
b. Sociedade em comandita simples (1.045 a 1.051 CC) 
c. Sociedade limitada (1.052 a 1.087CC) 
d. Sociedade anônima (1.088 a 1.089 CC e Lei 6.404/76 - LSA) 
e. Sociedade em comandita por ações (1.090 a 1.092 CC) 
2. CONCEITO DE SOCIEDADE 
O conceito de sociedade está previsto no art. 981 do CC. Observe: 
Art. 981. Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se 
obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exercício de atividade 
econômica e a partilha, entre si, dos resultados. 
 
É possível perceber pela redação do art. 981 do CC que a sociedade exige, em regra, 
pluralidade de sócios. 
Admite-se, excepcionalmente, a sociedade unipessoal, formada por um único sócio, a 
exemplo da subsidiária integral, da sociedade unipessoal LTDA, da sociedade unipessoal de 
advocacia. 
3. SOCIEDADES NÃO PERSONIFICADAS 
3.1. SOCIEDADE EM COMUM 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 128 
 
Muitos a chamavam de irregular ou sociedade de fato, não existe mais esta denominação, 
quando uma sociedade não tem registro, se chama sociedade em comum. Sociedade que ainda 
não inscreveu seus atos constitutivos no órgão de registro competente, qual seja, a Junta Comercial. 
O entendimento majoritário é no sentido de se tratar de sociedades contratuais em 
formação. 
Art. 986. Enquanto não inscritos os atos constitutivos, reger-se-á a sociedade, 
exceto por ações em organização, pelo disposto neste Capítulo, observadas, 
subsidiariamente e no que com ele forem compatíveis, as normas da 
sociedade simples (= não empresária). 
3.1.1. Responsabilidade dos sócios 
A responsabilidade do sócio é ilimitada. 
Não basta só saber que a sociedade é ilimitada, a responsabilidade que o sócio tem perante 
a sociedade é subsidiária. 
Enunciado 212 da JDC - Embora a sociedade em comum não tenha 
personalidade jurídica, o sócio que tem seus bens constritos por dívida 
contraída em favor da sociedade, e não participou do ato por meio do qual foi 
contraída a obrigação, tem o direito de indicar bens afetados às atividades 
empresariais para substituir a constrição. 
O sócio tem o chamado benefício de ordem (ordem a ser seguida: 1º bens da sociedade, 2º 
bens dos sócios, art. 1.024 CC). 
Art. 1.024. Os bens particulares dos sócios não podem ser executados por 
dívidas da sociedade, senão depois de executados os bens sociais. 
 
Regra 2: responsabilidade que sócio tem perante os demais sócios → solidária. 
Aquele que contratou pela sociedade não pode alegar benefício de ordem, somente podem 
alegar os demais sócios. Art. 990 cc. 
Art. 990. Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas 
obrigações sociais, excluído do benefício de ordem, previsto no art. 1.024, 
aquele que contratou pela sociedade. 
 
Art. 988 do CC chama o patrimônio da sociedade comum de patrimônio especial e diz que 
quem vai ser o titular deste patrimônio serão os sócios desta sociedade, serão cotitulares deste 
patrimônio. Não é da sociedade pois ela não tem personalidade jurídica, consequentemente não 
tem autonomia patrimonial. 
Art. 987. Os sócios, nas relações entre si ou com terceiros, somente por 
escrito podem provar a existência da sociedade, mas os terceiros podem 
prová-la de qualquer modo. 
 
 Art. 988. Os bens e dívidas sociais constituem patrimônio especial, do qual 
os sócios são titulares em comum. 
 
Perceber: 
Sócio → Sociedade. Responsabilidade subsidiária. 1.024 CC. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 129 
 
Sócio → Sócio(s). Responsabilidade solidária. 990 CC. 
Art. 1.024. Os bens particulares dos sócios não podem ser executados por 
dívidas da sociedade, senão depois de executados os bens sociais. 
 
Art. 990. Todos os sócios respondem solidária e ilimitadamente pelas 
obrigações sociais, excluído do benefício de ordem, previsto no art. 1.024, 
aquele que contratou pela sociedade. 
 
 
 
 
 Responsabilidade subsidiária 
 perante a sociedade 
 
 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TRF4 (2022) A sociedade em comum caracteriza-se pela não inscrição dos 
atos constitutivos e pela responsabilidade solidária e ilimitada dos sócios 
pelas obrigações sociais. Correta! 
 
DPE/SC (2021) Em uma sociedade em comum, todos os sócios respondem 
solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais, excluído do benefício de 
ordem aquele que contratou pela sociedade. Correta! 
3.2. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO 
Art. 991. Na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva do 
objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome 
individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando os 
demais dos resultados correspondentes. 
 
Aqui, então temos duas categorias de sócio: 
3.2.1. Sócio Ostensivo 
Exerce o objeto social. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 130 
 
Responsabilidade exclusiva (responde perante terceiros). 
Agir em seu nome individual 
Obs.: como ela não tem personalidade jurídica, não terá nome 
empresarial. Tudo que o sócio ostensivo faz, faz em favor da 
sociedade, mas em seu nome individual e não em nome da sociedade. 
3.2.2. Sócio Participante 
Participa dos resultados. 
André Santa Cruz diz que na verdade não se trata, propriamente de uma sociedade, mas de 
um contrato especial de investimento. 
Mais de 90% dos “Flats” no Brasil são em conta de participação. Temos uma construtora 
com equipamentos e funcionários suficientes para levantar uma obra, entretanto não há dinheiro 
suficiente para levantar uma obra, faço uma sociedade em conta de participação, eu serei o sócio 
ostensivo, e vocês os participantes, me concederão o capital e eu farei a obra. Em decorrência da 
administração, peço ainda uma parcela do rendimento mensal dos aluguéis, e apartamentos. Caso 
caia este prédio, a priori, somente eu responderei. 
Tudo que eu faço tenho que fazer em meu nome individual, visto que a sociedade não tem 
nome empresarial. Se sofre uma ação, quem figura no polo passivo é o sócio ostensivo, e não 
a sociedade. 
Quando se leva o contrato para registro na Junta Comercial do Estado se está querendo 
obter a sua personalidade jurídica. Logo, não tem justificativa registrar este contrato. Por esta razão, 
o sócio é chamado de “oculto” ou “participante”, pois não se tem como tomar ciência do contrato. 
Logo, para quem está vendendo móveis está vendendo para a construtora (sócio ostensivo) e não 
para a sociedade em conta de participação. 
Art. 985. A sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição, no 
registro próprio e na forma da lei, dos seus atos constitutivos (arts. 45 e 
1.150). 
 
Entretanto: 
Exceção da Sociedade em Conta de Participação: 
Art. 993. O contrato social produz efeito somente entre os sócios, e a eventual 
inscrição de seu instrumento em qualquer registro não confere 
personalidade jurídica à sociedade. 
Parágrafo único. Sem prejuízo do direito de fiscalizar a gestão dos negócios 
sociais, o sócio participante não pode tomar parte nas relações do sócio 
ostensivo com terceiros, sob pena de responder solidariamente com este 
pelas obrigações em que intervier. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TRF4 (2022) Na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva 
do objeto social deverá ser exercida em conjunto pelo sócio ostensivo e pelo 
sócio participante. Errada! 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 131 
 
TRF4 (2022) A inscrição em registro do contrato conferirá personalidade 
jurídica à sociedade em conta de participação. Errada! 
 
DPE/TO (2022) Na sociedade em conta de participação, a atividade 
constitutiva do objeto social deve ser exercida unicamente pelo sócio 
ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva 
responsabilidade, participando os demais dos resultados correspondentes. 
Correta! 
 
TJ/RS (2022) A sociedade em conta de participação é regida, 
subsidiariamente,pelas regras aplicáveis à sociedade simples. Correta! 
 
TJ/RS (2022) Os bens e dívidas sociais não constituem patrimônio especial 
na sociedade em comum. Errada! 
4. SOCIEDADES PERSONIFICADAS 
4.1. VISÃO GERAL 
Art. 982. Salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade 
que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a 
registro (art. 967); e, simples, as demais. 
 
Quanto ao objeto (natureza), a sociedade personificada pode ser uma sociedade empresária 
ou uma sociedade simples. 
 
 
 
4.2. REGISTRO DA SOCIEDADE 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 132 
 
Sociedade empresária: Registro na Junta Comercial (art. 1.150) (que como já vimos é a 
‘faceta’ estadual do Registro Público de Empresas Mercantis, ver acima). 
Sociedade simples: Registro no Registro Civil de Pessoa Jurídica (art. 1.150) → Cartório. 
Art. 1.150. O empresário e a sociedade empresária vinculam-se ao Registro 
Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais, e a 
sociedade simples ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas, o qual deverá 
obedecer às normas fixadas para aquele registro, se a sociedade simples 
adotar um dos tipos de sociedade empresária 
 
Exceções: 
• Sociedade de advogados (sociedade simples) é registrada na OAB para adquirir 
personalidade jurídica. 
• Cooperativa, que apesar de sempre ser sociedade simples (mesmo se desenvolver 
atividade empresária), deve ser registrada na Junta Comercial (Lei 8.934/94, art. 32). 
Art. 32. O registro compreende: 
I - a matrícula e seu cancelamento: dos leiloeiros, tradutores públicos e 
intérpretes comerciais, trapicheiros e administradores de armazéns-gerais; 
II - O arquivamento: 
a) dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção 
de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas; 
4.3. CLASSIFICAÇÃO DAS SOCIEDADES PERSONIFICADAS 
4.3.1. Quanto ao objeto 
a) Sociedade empresária 
É aquela que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário, sujeito a registro. 
Organização empresarial e produção ou circulação de bens ou serviços. 
b) Sociedade simples 
Tida por não empresária. Não classificada como de empresário, se a sociedade simples tem 
como atividade uma profissão intelectual (de natureza científica, literária ou artística – ver início do 
caderno), como diz o código civil, será uma sociedade simples. 
A sociedade não deve possuir também organização empresarial. 
Profissão intelectual + sociedade que não possui organização empresarial. 
 
 
 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 133 
 
4.3.2. Quanto à forma (tipo societário) 
Sociedade Empresária (DEVE constituir-se 
por alguma dessas formas – 982 CC 
primeira parte) 
Sociedade Simples (PODE constituir-se por 
alguma dessas formas – 982 CC segunda 
parte) 
Sociedade em nome coletivo 
Sociedade em comandita simples 
Sociedade em comandita por ações (C/A) 
Sociedade anônima (S/A) 
Sociedade LTDA 
 
 
*não pode ser cooperativa, assim como não 
pode ser “empresária/simples”. 
Sociedade em nome coletivo 
Sociedade em comandita simples 
Sociedade LTDA 
Cooperativas 
Simples/simples (S/S – simples pura – 
não sofre influência de nenhum 
outro tipo societário)¹ 
 
*perceber, só não pode constituir-se em 
sociedade por ações (C/A e S/A)! 
Registro: Junta Comercial Registro: Registro Civil de Pessoa Jurídica. 
Art. 983. A sociedade empresária deve 
constituir-se segundo um dos tipos regulados 
nos arts. 1.039 a 1.092; a sociedade simples 
pode constituir-se de conformidade com um 
desses tipos, e, não o fazendo, subordina-se 
às normas que lhe são próprias. 
Art. 982. Salvo as exceções expressas, 
considera-se empresária a sociedade que tem 
por objeto o exercício de atividade própria de 
empresário sujeito a registro (art. 967); e, 
simples, as demais. 
Exceções: 
Sociedade de Advogados é simples, sendo o 
registro feito na OAB. 
 
Cooperativa – ainda que seja sociedade 
simples, deve ser registrada na Junta 
Comercial (lei 8934/94). 
Art. 982 - Parágrafo único. 
Independentemente de seu objeto, considera-
se empresária a sociedade por ações; e, 
simples, a cooperativa. 
 
¹Assim, a “sociedade simples” pode ser: 
 
- Natureza jurídica da sociedade (não empresária) 
- Tipo societário (simples pura) 
- Regras gerais de direito societário (dispositivos referentes a outros tipos remetem a este, 
de maneira suplementar). 
Exemplos (regra geral): art. 1.040, 1.053. 
Art. 1.040. A sociedade em nome coletivo se rege pelas normas deste 
Capítulo e, no que seja omisso, pelas do Capítulo antecedente (capítulo da 
sociedade simples). 
 
Art. 1.053. A sociedade limitada rege-se, nas omissões deste Capítulo, pelas 
normas da sociedade simples. 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 134 
 
Muito importante é estudar a estrutura das Sociedades Simples, pois será a base de quase 
todos os tipos societários no caso de omissão. 
Portanto, o mais interessante foi perceber que alguns institutos previstos para as sociedades 
simples não aparecem nas demais sociedades, assim, no momento de estudo precisamos sempre 
compará-los, porque poderão ser aplicados supletivamente quando previsto em lei. 
OBS: Tendo em vista que as S/A são formalizadas por Estatuto com 
regramento próprio, as regras das sociedades simples são, na maioria 
das vezes, aplicadas em grande quantidade às LTDA. Sendo assim, 
iremos confrontar os dois institutos para trabalharmos apenas com as 
diferenças, pois é assim que vem sendo cobrado em provas. 
Assim, após as confrontações chegamos às seguintes conclusões: As seguintes seções das 
sociedades simples são de leitura OBRIGATÓRIA, pois nas provas eles pedem esse conteúdo nas 
LTDA. 
Seção I Do Contrato Social (art. 997 a 1.009); 
Seção II Dos Direitos e 
Obrigações dos Sócios; Seção IV Das Relações com Terceiros (art. 1.022 a 1.027). 
 
 
4.3.3. Quando ao grau de dependência às qualidades dos sócios 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 135 
 
Critério: Leva em conta o grau de dependência da sociedade em relação às qualidades 
subjetivas dos sócios (competência, honestidade etc.). 
a) Sociedade de pessoas 
Quando os atributos dos sócios são relevantes para o sucesso da atividade empresarial, 
estamos diante de sociedade de pessoas. Ex.: Sociedade de conserto de computadores. 
Nesses casos, os integrantes da sociedade precisam ter garantias acerca do perfil de quem 
pretenda integrar o quadro social. Por isso, a alienação de uma cota ou ação dessa sociedade 
depende de prévia anuência dos demais sócios. 
Ou seja, na sociedade de pessoas os sócios têm o direito de vetar o ingresso de estranho 
no quadro associativo. É o caso da sociedade em nome coletivo (N/C) e em comandita simples 
(C/S). 
É em razão disso que se entende que as quotas sociais das sociedades de pessoas são 
impenhoráveis, ou seja, para garantir que um terceiro não venha a fazer parte da sociedade sem 
a anuência dos demais integrantes. 
O STJ, no entanto, já decidiu de modo diverso ao dizer que as quotas da sociedade limitada 
são penhoráveis, mesmo que seja sociedade de pessoa. Argumentos do STJ: 
 
• Princípio da ordem pública (art. 789 do CPC): 
 
Art. 789. O devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros 
para o cumprimento de suas obrigações, salvo as restrições estabelecidas 
em lei. 
 
• O CPC/2015 (art. 833) estabelece quais são os bens impenhoráveis, não estando as 
quotas sociais entre eles. Temos ainda no art. 835, IX do CPC/2015 a possibilidade 
penhora de ações e quotas de sociedades empresárias. 
Art. 835. A penhora observará, preferencialmente, a seguinte ordem: 
IX - ações e quotas de sociedades simples e empresárias; 
 
Entretanto, ao credor, hoje o mais interessante é a utilização do art. 1.026 do CC:Art. 1.026. O credor particular de sócio pode, na insuficiência de outros bens 
do devedor, fazer recair a execução sobre o que a este couber nos lucros da 
sociedade, ou na parte que lhe tocar em liquidação. 
 
Ou seja, nem precisa penhorar a cota, não entra nessa discussão. 
Nesse sentido, o STJ entende que a penhora sobre as quotas sociais não deve ser a primeira 
opção porque esta medida poderá acarretar o fim da pessoa jurídica e nosso Direito consagra os 
princípios da conservação da empresa e da menor onerosidade da execução. 
Assim, não se pode autorizar desde logo a penhora sobre as quotas sociais. Cabia ao 
exequente requerer, antes disso, a penhora dos lucros relativos às quotas sociais correspondentes 
à meação do devedor, não podendo ser deferida, de imediato, a penhora das quotas sociais de 
sociedade empresária que se encontra em plena atividade, o que poderia causar prejuízo a 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 136 
 
terceiros, como funcionários, fornecedores etc. Somente se não houvesse lucros é que poderia 
ser feita a penhora das quotas com a liquidação da sociedade (art. 1.026 do CC). 
b) Sociedade de capital 
Por outro lado, quando as características subjetivas dos sócios forem irrelevantes para o 
sucesso da empresa, ou seja, quando somente tem importância o capital investido, nesse caso 
estaremos diante de sociedade de capital. 
Quanto à sociedade de capital, vige o princípio da livre circulação na participação societária, 
ou seja, os integrantes sociais não têm o direito de vetar o ingresso de terceiro estranho. É o caso 
da sociedade anônima (S/A) e da sociedade em comandita por ações (C/A). 
Esta classificação é importante para falarmos em 03 assuntos: 
 Sociedade de pessoas Sociedade de Capital 
Cessão de Quotas 
A característica pessoal é importante. 
Então precisa de autorização dos 
sócios para a cessão das quotas. 
A cessão de quotas é livre. 
Ingresso de herdeiro 
em caso de 
falecimento de 
sócio/acionista 
Da mesma forma que a anterior, 
precisa de autorização dos sócios. 
O ingresso do herdeiro é livre. 
Penhora de Quotas 
Impenhoráveis, pois o ingresso do 
terceiro estranho pode comprometer o 
funcionamento da sociedade 
Penhoráveis. Por isso as 
quotas de uma S/A são 
penhoráveis, por serem uma 
sociedade de capital. 
4.3.4. Quanto à constituição e dissolução 
 
Critério de distinção: Regime de constituição e dissolução do vínculo societário. 
a) Contrato Social 
Na sociedade contratual o ato constitutivo é o contrato social. É o caso da sociedade em 
nome coletivo, comandita simples e limitada (LTDA). Além da despersonificada sociedade em conta 
de participação. 
b) Estatuto Social 
Na sociedade institucional o ato constitutivo é o estatuto social. É o caso da sociedade em 
comandita por ações e sociedade anônima. 
Estatuto X Contrato 
Sobre o contrato incidem os princípios contratuais. Sobre o Estatuto não incidem princípios 
contratuais, mas sim a lei de sociedades por ações (Lei 6.404/76). 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 137 
 
As sociedades contratuais são constituídas em função de interesses particulares, por isso, 
a interferência do legislador é mínima, entretanto, nas sociedades institucionais o vínculo dos sócios 
não é contratual, mas estatutário, estes cuidam de interesse geral da sociedade como instituição. 
Por isso, a intervenção do legislador é importante, principalmente pelo fato destas se 
dedicarem, na maioria dos casos, ao macro empreendimento. 
Exemplos: 
• Sociedade limitada é contratual. Se morrer um sócio, o herdeiro só assume a posição se 
quiser (ninguém é obrigado a contratar). 
• Sociedade anônima é institucional. Se morrer um acionista, os herdeiros 
automaticamente têm as ações, como manda a lei. 
4.3.5. Quanto à responsabilidade do sócio pelas obrigações sociais 
Critério: Responsabilidade do sócio pelas obrigações sociais. 
a) Responsabilidade ilimitada 
Se o patrimônio social é insuficiente, o sócio responde ilimitadamente pelas dívidas sociais 
com seu patrimônio pessoal. Ex.: sociedade em nome coletivo. 
b) Responsabilidade limitada 
O sócio só responde pelo valor das suas quotas ou ações, não recaindo a dívida sobre seu 
patrimônio pessoal, salvo se houver quotas subscritas e não integralizadas. Ex.: Sociedade 
anônima. 
c) Responsabilidade mista 
Presença de Sócios com responsabilidade limitada e sócios com responsabilidade ilimitada. 
Ex.: Sociedade em comandita simples. 
4.3.6. Quanto à nacionalidade 
Pouco importa a nacionalidade dos sócios ou a origem do capital. Para a sociedade ser 
considerada brasileira deve preencher os dois requisitos do art. 1.126 do CC: 
• A sociedade deve ser organizada de acordo com a lei brasileira. 
• Sede da administração deve ser no Brasil. 
Art. 1.126. É nacional a sociedade organizada de conformidade com a lei 
brasileira e que tenha no País a sede de sua administração. 
 
O CC não traz definição de sociedade estrangeira. Assim, faltando qualquer dos requisitos, 
a sociedade é considerada estrangeira. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 138 
 
OBS: o art. 1.134 é importantíssimo, fala da sociedade estrangeira: 
não importa que tipo de atividade a sociedade estrangeira exerça, ela 
somente poderá ser constituída no Brasil, se o poder executivo federal 
autorizar. 
Art. 1.134. A sociedade estrangeira, qualquer que seja o seu objeto, não 
pode, sem autorização do Poder Executivo, funcionar no País, ainda que por 
estabelecimentos subordinados, podendo, todavia, ressalvados os casos 
expressos em lei, ser acionista de sociedade anônima brasileira. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/BA (2019) De acordo com o Código Civil, é característica das sociedades 
cooperativas o concurso de sócios em número mínimo necessário para 
compor a administração da sociedade, sem limitação de número máximo. 
Correta! 
 
MPE/PR (2019) Não é característica da sociedade cooperativa 
Intransferibilidade das quotas do capital a terceiros estranhos à sociedade, 
salvo por herança. Correta! 
Vamos agora ao estudo pormenorizado de cada um dos tipos societários (de sociedades 
empresárias). 
 
5. SOCIEDADE SIMPLES 
5.1. CONTRATO SOCIAL 
A sociedade simples é uma sociedade contratual, consequentemente será regida por um 
contrato social, o qual será regido pelo art. 997 do CC. 
Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou 
público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: 
I - nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência dos sócios, se 
pessoas naturais, e a firma ou a denominação, nacionalidade e sede dos 
sócios, se jurídicas; 
II - denominação, objeto, sede e prazo da sociedade; 
III - capital da sociedade, expresso em moeda corrente, podendo 
compreender qualquer espécie de bens, suscetíveis de avaliação pecuniária; 
IV - a quota de cada sócio no capital social, e o modo de realizá-la; 
V - as prestações a que se obriga o sócio, cuja contribuição consista em 
serviços; 
VI - as pessoas naturais incumbidas da administração da sociedade, e seus 
poderes e atribuições; 
VII - a participação de cada sócio nos lucros e nas perdas; 
VIII - se os sócios respondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações 
sociais. 
Parágrafo único. É ineficaz em relação a terceiros qualquer pacto separado, 
contrário ao disposto no instrumento do contrato. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 139 
 
5.2. PLURIPESSOALIDADE 
A sociedade simples, ao ser constituída, precisa de dois ou mais sócios. 
Salienta-se que a sociedade unipessoal de advocacia admite apenas um sócio, sendo uma 
exceção à pluripessoalidade. 
Estatuto da OAB 
Art. 15. Os advogados podem reunir-se em sociedade simples de prestação 
de serviços de advocacia ou constituir sociedade unipessoal de advocacia,na forma disciplinada nesta Lei e no regulamento geral. (Redação dada 
pela Lei nº 13.247, de 2016) 
 
Art. 16. Não são admitidas a registro nem podem funcionar todas as espécies 
de sociedades de advogados que apresentem forma ou características de 
sociedade empresária, que adotem denominação de fantasia, que realizem 
atividades estranhas à advocacia, que incluam como sócio ou titular de 
sociedade unipessoal de advocacia pessoa não inscrita como advogado ou 
totalmente proibida de advogar. (Redação dada pela Lei nº 13.247, de 
2016) 
 
Após a constituição da sociedade simples, admitia-se a unipessoalidade temporária ou 
incidental. Ou seja, pelo prazo de 180 dias, sob pena de dissolução, era possível que a sociedade 
simples tivesse apenas um sócio, nos termos do revogado inciso IV, do art. 1.033 do CC. 
Art. 1.033. Dissolve-se a sociedade quando ocorrer: 
(...) 
IV - a falta de pluralidade de sócios, não reconstituída no prazo de cento e 
oitenta dias; (Revogado pela Lei nº 14.195, de 2021) 
(...) 
Parágrafo único. Não se aplica o disposto no inciso IV caso o sócio 
remanescente, inclusive na hipótese de concentração de todas as quotas da 
sociedade sob sua titularidade, requeira, no Registro Público de Empresas 
Mercantis, a transformação do registro da sociedade para empresário 
individual ou para empresa individual de responsabilidade limitada, 
observado, no que couber, o disposto nos arts. 1.113 a 1.115 deste Código. 
(Revogado pela Lei nº 14.195, de 2021) 
 
Essa regra existia porque no Brasil não se admitia sociedade unipessoal. 
Ocorre que, com a autorização dada pela Lei nº 13.874/2019 para que exista sociedade 
unipessoal, a previsão do inciso IV deixou de ter sentido. Ora, se uma sociedade, que era composta 
por pluralidade de sócios, passou a contar com apenas um único sócio, ela deve se tornar uma 
sociedade unipessoal, não havendo motivo para que seja dissolvida. Assim, a Lei nº 14.195/2021 
decidiu revogar o inciso IV e o parágrafo único do art. 1.033 do Código Civil. 
5.3. QUOTAS SOCIAIS 
5.3.1. Conceito 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13247.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13247.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13247.htm#art2
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2016/Lei/L13247.htm#art2
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 140 
 
Trata-se de frações do capital social que conferem ao seu titular o direito de sócio de uma 
sociedade. 
5.3.2. Titularidade das quotas 
Tanto a pessoa física quanto a pessoa jurídica podem ser sócios de uma sociedade simples. 
Ressalta-se que o incapaz poderá ser sócio, desde que preencha os três requisitos 
cumulativos previsto no art. 974, §3º do CC: 
• Não pode exercer administração; 
• Capital social totalmente integralizado; 
• Esteja devidamente assistido ou representado. 
Vale destacar que faculta-se a sociedade entre os cônjuges, desde que o regime de bens 
seja diverso da comunhão universal de bens ou da separação obrigatória de bens. 
Art. 977. Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade, entre si ou com 
terceiros, desde que não tenham casado no regime da comunhão universal 
de bens, ou no da separação obrigatória. 
 
JDC CJF204 Art. 977: A proibição de sociedade entre pessoas casadas sob 
o regime da comunhão universal ou da separação obrigatória só atinge as 
sociedades constituídas após a vigência do Código Civil de 2002. 
5.3.3. Formas de integralização 
Trata-se do pagamento das quotas, podendo ser feito através de: 
• Dinheiro; 
• Bens móveis; 
• Bens imóveis; 
• Prestação de serviços. 
Art. 1.006. O sócio, cuja contribuição consista em serviços, não pode, salvo 
convenção em contrário, empregar-se em atividade estranha à sociedade, 
sob pena de ser privado de seus lucros e dela excluído. 
5.3.4. Sócio remisso 
É aquele sócio que não integralizou as suas quotas sociais. 
Imagine, por exemplo, que Fernanda possui 50% das quotas, Antônio 30% e Rafaela 20%. 
Fernanda e Antônio integralizaram o valor total das quotas, enquanto Rafaela integralizou apenas 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 141 
 
10%. Diante disso, é possível cobrar uma indenização, excluir o sócio remisso ou reduzir a sua 
quota. 
Art. 1.004. Os sócios são obrigados, na forma e prazo previstos, às 
contribuições estabelecidas no contrato social, e aquele que deixar de fazê-
lo, nos trinta dias seguintes ao da notificação pela sociedade, responderá 
perante esta pelo dano emergente da mora. 
Parágrafo único. Verificada a mora, poderá a maioria dos demais sócios 
preferir, à indenização, a exclusão do sócio remisso, ou reduzir-lhe a quota 
ao montante já realizado, aplicando-se, em ambos os casos, o disposto no § 
1º do art. 1.031. 
5.3.5. Cessão de quotas sociais 
Está disciplinada no art. 1.003 do CC, só será possível com a modificação do contrato social, 
bem como com a autorização dos demais sócios. 
Art. 1.003. A cessão total ou parcial de quota, sem a correspondente 
modificação do contrato social com o consentimento dos demais sócios, não 
terá eficácia quanto a estes e à sociedade. 
Parágrafo único. Até dois anos depois de averbada a modificação do 
contrato, responde o cedente solidariamente com o cessionário, perante a 
sociedade e terceiros, pelas obrigações que tinha como sócio. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
PGE/CE (2021) Quando omisso o contrato social, a cessão, total ou parcial, 
da quota de uma sociedade limitada a quem seja sócio independerá da 
audiência dos demais sócios. Correta! 
5.3.6. (Im) possibilidade de penhora das quotas sociais 
Conforme entendimento do STJ, é perfeitamente possível a penhora das quotas sociais, 
inclusive estão previstas no art. 835 do CPC. 
Art. 835. A penhora observará, preferencialmente, a seguinte ordem: 
I - dinheiro, em espécie ou em depósito ou aplicação em instituição financeira; 
II - títulos da dívida pública da União, dos Estados e do Distrito Federal com 
cotação em mercado; 
III - títulos e valores mobiliários com cotação em mercado; 
IV - veículos de via terrestre; 
V - bens imóveis; 
VI - bens móveis em geral; 
VII - semoventes; 
VIII - navios e aeronaves; 
IX - ações e quotas de sociedades simples e empresárias; 
X - percentual do faturamento de empresa devedora; 
XI - pedras e metais preciosos; 
XII - direitos aquisitivos derivados de promessa de compra e venda e de 
alienação fiduciária em garantia; 
XIII - outros direitos. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 142 
 
§ 1º É prioritária a penhora em dinheiro, podendo o juiz, nas demais 
hipóteses, alterar a ordem prevista no caput de acordo com as circunstâncias 
do caso concreto. 
§ 2º Para fins de substituição da penhora, equiparam-se a dinheiro a fiança 
bancária e o seguro garantia judicial, desde que em valor não inferior ao do 
débito constante da inicial, acrescido de trinta por cento. 
§ 3º Na execução de crédito com garantia real, a penhora recairá sobre a 
coisa dada em garantia, e, se a coisa pertencer a terceiro garantidor, este 
também será intimado da penhora. 
5.4. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO 
Deve constar no contrato social se os sócios respondem ou não pelas obrigações sociais. 
Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou 
público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: 
 
Assim, a responsabilidade do sócio na sociedade simples poderá ser: 
• LIMITADA – o sócio não responde com seus bens particulares sociais por dívidas da 
sociedade; 
• ILIMITADA – o sócio responde com seus bens pessoais por dívidas da sociedade. 
Podendo ser de forma: 
o Subsidiária – os bens do sócio só serão atingidos após o esgotamento dos bens 
da sociedade. Portanto, primeiro o credor cobra a sociedade, não sendo 
suficientepara o pagamento da dívida, irá cobrar os sócios. 
o Solidária – a dívida pode recair diretamente sobre os bens dos sócios. 
Em caso de omissão do contrato social, a responsabilidade será ilimitada (art. 1.023 do CC) 
de forma subsidiária (art. 1.024 do CC) 
Art. 1.023. Se os bens da sociedade não lhe cobrirem as dívidas, respondem 
os sócios pelo saldo, na proporção em que participem das perdas sociais, 
salvo cláusula de responsabilidade solidária. 
Art. 1.024. Os bens particulares dos sócios não podem ser executados por 
dívidas da sociedade, senão depois de executados os bens sociais. 
 
Nesse sentido, o Enunciado 479 da V Jornada de Direito Civil. 
ENUNCIADO 479 Art. 997, VII. Na sociedade simples pura (art. 983, parte 
final, do CC/2002), a responsabilidade dos sócios depende de previsão 
contratual. Em caso de omissão, será ilimitada e subsidiária, conforme o 
disposto nos arts. 1.023 e 1.024 do CC/2002. 
5.5. DIREITOS DOS SÓCIOS 
São direitos dos sócios: 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 143 
 
• Direito de participação dos lucros sociais de forma proporcional às suas quotas, salvo 
estipulação em contrário. 
A participação dos lucros, remuneração decorrente do investimento, não se confunde 
com o pró-labore que é uma remuneração decorrente do trabalho. 
Art. 1.008. É nula a estipulação contratual que exclua qualquer sócio de 
participar dos lucros e das perdas. 
 
Art. 1.007. Salvo estipulação em contrário, o sócio participa dos lucros e das 
perdas, na proporção das respectivas quotas, mas aquele, cuja contribuição 
consiste em serviços, somente participa dos lucros na proporção da média do 
valor das quotas. 
 
• Direito de retirada (sair) da sociedade 
No caso de contrato de prazo determinado, é necessária justa causa, devendo ser 
comprovada de forma judicial. 
No caso de contrato de prazo indeterminado, deverá comunicar aos demais sócios a 
saída, através de uma notificação com antecedência mínima de 60 dias. 
Art. 1.029. Além dos casos previstos na lei ou no contrato, qualquer sócio 
pode retirar-se da sociedade; se de prazo indeterminado, mediante 
notificação aos demais sócios, com antecedência mínima de sessenta dias; 
se de prazo determinado, provando judicialmente justa causa. 
Parágrafo único. Nos trinta dias subsequentes à notificação, podem os 
demais sócios optar pela dissolução da sociedade. 
 
• Direito de exclusão de sócio 
É possível a exclusão do sócio remisso, do sócio que cometer falta grave ou que tiver se 
tornado incapaz (incapacidade superveniente). 
Art. 1.004. Os sócios são obrigados, na forma e prazo previstos, às 
contribuições estabelecidas no contrato social, e aquele que deixar de fazê-
lo, nos trinta dias seguintes ao da notificação pela sociedade, responderá 
perante esta pelo dano emergente da mora. 
Parágrafo único. Verificada a mora, poderá a maioria dos demais sócios 
preferir, à indenização, a exclusão do sócio remisso, ou reduzir-lhe a quota 
ao montante já realizado, aplicando-se, em ambos os casos, o disposto no § 
1º do art. 1.031. 
 
Art. 1.030. Ressalvado o disposto no art. 1.004 e seu parágrafo único, pode 
o sócio ser excluído judicialmente, mediante iniciativa da maioria dos demais 
sócios, por falta grave no cumprimento de suas obrigações, ou, ainda, por 
incapacidade superveniente. 
Parágrafo único. Será de pleno direito excluído da sociedade o sócio 
declarado falido, ou aquele cuja quota tenha sido liquidada nos termos do 
parágrafo único do art. 1.026. 
 
• Direito de participar das deliberações sociais 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 144 
 
As deliberações são tomadas em reunião ou em assembleia. 
Art. 1.010. Quando, por lei ou pelo contrato social, competir aos sócios decidir 
sobre os negócios da sociedade, as deliberações serão tomadas por maioria 
de votos, contados segundo o valor das quotas de cada um. 
§ 1 o Para formação da maioria absoluta são necessários votos 
correspondentes a mais de metade do capital. 
§ 2 o Prevalece a decisão sufragada por maior número de sócios no caso de 
empate, e, se este persistir, decidirá o juiz. 
§ 3 o Responde por perdas e danos o sócio que, tendo em alguma operação 
interesse contrário ao da sociedade, participar da deliberação que a aprove 
graças a seu voto. 
5.6. ADMINISTRADOR 
5.6.1. Nomeação 
Poderá ocorrer no contrato social ou em ato separado (ex.: ata da assembleia). 
Art. 1.012. O administrador, nomeado por instrumento em separado, deve 
averbá-lo à margem da inscrição da sociedade, e, pelos atos que praticar, 
antes de requerer a averbação, responde pessoal e solidariamente com a 
sociedade. 
5.6.2. Sócio/não sócio 
O administrador poderá ser um sócio ou um não sócio. 
A administração só pode ser feita por pessoa natural (art. 997, VI) 
Art. 997. A sociedade constitui-se mediante contrato escrito, particular ou 
público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: 
VI - as pessoas naturais incumbidas da administração da sociedade, e seus 
poderes e atribuições; 
 
Caso o contrato seja omisso em relação ao administrador, todos os sócios irão administrar 
a sociedade. 
Art. 1.013. A administração da sociedade, nada dispondo o contrato social, 
compete separadamente a cada um dos sócios. 
§ 1 o Se a administração competir separadamente a vários administradores, 
cada um pode impugnar operação pretendida por outro, cabendo a decisão 
aos sócios, por maioria de votos. 
§ 2 o Responde por perdas e danos perante a sociedade o administrador que 
realizar operações, sabendo ou devendo saber que estava agindo em 
desacordo com a maioria. 
5.6.3. Poderes do administrador 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 145 
 
 CONTRATO SOCIAL ATO EM SEPARADO 
SÓCIO Poderes IRREVOGÁVEIS Poderes REVOGÁVEIS 
NÃO SÓCIO Poderes REVOGÁVEIS Poderes REVOGÁVEIS 
 
Art. 1.018. Ao administrador é vedado fazer-se substituir no exercício de suas 
funções, sendo-lhe facultado, nos limites de seus poderes, constituir 
mandatários da sociedade, especificados no instrumento os atos e operações 
que poderão praticar. 
Art. 1.019. São irrevogáveis os poderes do sócio investido na administração 
por cláusula expressa do contrato social, salvo justa causa, reconhecida 
judicialmente, a pedido de qualquer dos sócios. 
Parágrafo único. São revogáveis, a qualquer tempo, os poderes conferidos a 
sócio por ato separado, ou a quem não seja sócio. 
5.6.4. Responsabilidade do administrador 
O administrador representa a vontade da pessoa jurídica (é a sua voz). Portanto, quem 
responde pelos atos praticados pelo administrador é a própria sociedade. 
Excepcionalmente, o administrador irá responder solidariamente com a sociedade quando 
age com culpa no desempenho das suas funções. 
Art. 1.016. Os administradores respondem solidariamente perante a 
sociedade e os terceiros prejudicados, por culpa no desempenho de suas 
funções. 
 
Antes do advento da Lei 14.195/2021, o administrador respondia sozinho nos seguintes 
casos: 
• Se a limitação de poderes estiver inscrita ou averbada no contrato social; 
• Provando-se que era conhecida de terceiros; 
• Tratando-se de operação evidentemente estranha aos negócios da sociedade. 
Tratava-se da aplicação da Teoria Ultra Vires, introduzida no nosso ordenamento jurídico 
pelo CC/02, segundo a qual a pessoa jurídica só responde pelos atos praticados em seu nome 
quando compatíveis com o seu objeto. Se estranhos às finalidades da pessoa jurídica o ato deve 
ser imputado à pessoa física que agiu em nome da sociedade. 
Até o CC/2002, adotava-se a Teoria da Aparência, segundo a qual serão considerados 
válidos os atos praticados em nome da sociedade, ainda que a possibilidade da prática desses atos 
não esteja prevista em contrato ou seja estranha aos negócios da sociedade, desde que, perante 
terceiros que contratem coma sociedade, exista uma aparência de que as pessoas que praticaram 
o ato em nome da sociedade detinham poderes para tanto. 
Atualmente, com a revogação do parágrafo único do art. 1.015 do CC, pela Lei 14.195/2021, 
não se fala mais em Teoria Ultra Vires. Portanto, aplica-se a Teoria da Aparência no tocante à 
responsabilidade do administrador, cabendo à sociedade responder pelos seus atos. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 146 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TRF4 (2022) Na sociedade simples, os herdeiros do cônjuge de sócio 
poderão exigir desde logo a parte que lhes couber na quota social. Errada! 
6. SOCIEDADE EM NOME COLETIVO 
6.1. PREVISÃO LEGAL 
Art. 1.039 a 1.044 do CC. 
Art. 1.039. Somente pessoas físicas podem tomar parte na sociedade em 
nome coletivo, respondendo todos os sócios, solidária e ilimitadamente, pelas 
obrigações sociais. 
Parágrafo único. Sem prejuízo da responsabilidade perante terceiros, podem 
os sócios, no ato constitutivo, ou por unânime convenção posterior, limitar 
entre si a responsabilidade de cada um. 
 
Art. 1.040. A sociedade em nome coletivo se rege pelas normas deste 
Capítulo e, no que seja omisso, pelas do Capítulo antecedente. 
 
Art. 1.041. O contrato deve mencionar, além das indicações referidas no art. 
997, a firma social. 
 
Art. 1.042. A administração da sociedade compete exclusivamente a sócios, 
sendo o uso da firma, nos limites do contrato, privativo dos que tenham os 
necessários poderes. 
 
Art. 1.043. O credor particular de sócio não pode, antes de dissolver-se a 
sociedade, pretender a liquidação da quota do devedor. 
Parágrafo único. Poderá fazê-lo quando: 
I - a sociedade houver sido prorrogada tacitamente; 
II - tendo ocorrido prorrogação contratual, for acolhida judicialmente oposição 
do credor, levantada no prazo de noventa dias, contado da publicação do ato 
dilatório. 
 
Art. 1.044. A sociedade se dissolve de pleno direito por qualquer das causas 
enumeradas no art. 1.033 e, se empresária, também pela declaração da 
falência. 
6.2. SÓCIOS 
Pode ser simples ou empresária. 
É uma sociedade contratual, ou seja, constituída na forma de contrato social, obedecendo 
às regras do CC. 
Apenas pessoas físicas podem ser sócias, nos termos do art. 1.039 do CC. 
Art. 1.039. Somente pessoas físicas podem tomar parte na sociedade em 
nome coletivo, respondendo todos os sócios, solidária e ilimitadamente, pelas 
obrigações sociais. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm#art997
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm#art997
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406.htm#art1033
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 147 
 
 
Não admite incapaz como sócio, eis que os sócios têm contribuição não só pessoal como 
patrimonial e os incapazes não podem se obrigar. 
Sócios têm ampla liberdade para disciplinar suas relações sociais, desde que não 
desnaturem o tipo societário. 
É uma sociedade de pessoas, o que significa que depende do consentimento dos demais 
sócios a entrada de estranhos ao quadro social. 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/PR (2019) Sociedade em nome coletivo admite como sócio pessoa 
jurídica de responsabilidade limitada, que responderá por até o valor de seu 
capital social subscrito. Errada! 
6.3. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS 
A responsabilidade é solidária, todos responderão de forma ilimitada. 
Ressalta-se que é subsidiária, pois há o benefício de ordem. Ou seja, primeiro cobra-se a 
sociedade e, havendo saldo remanescente, demanda-se os sócios. 
Parágrafo único. Sem prejuízo da responsabilidade perante terceiros, podem 
os sócios, no ato constitutivo, ou por unânime convenção posterior, limitar 
entre si a responsabilidade de cada um. 
6.4. NOME EMPRESARIAL 
Firma social, pois é sociedade com responsabilidade ilimitada. Como todos os sócios têm 
responsabilidade ilimitada, o nome de qualquer um pode constar da firma social (art. 1.157). 
Art. 1.157. A sociedade em que houver sócios de responsabilidade ilimitada 
operará sob firma, na qual somente os nomes daqueles poderão figurar, 
bastando para formá-la aditar ao nome de um deles a expressão "e 
companhia" ou sua abreviatura. 
6.5. ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE 
De acordo com o art. 1.042 do CC, a administração só poderá ser feita por sócios. 
Art. 1.042. A administração da sociedade compete exclusivamente a sócios, 
sendo o uso da firma, nos limites do contrato, privativo dos que tenham os 
necessários poderes. 
 
Não pode ser administrada por pessoa jurídica, já que só pessoa física pode ser sócia. 
6.6. LIQUIDAÇÃO DA QUOTA 
Em regra, não se admite pedido de liquidação de quota na sociedade em nome coletivo. 
Somente após a dissolução da sociedade (art. 1.043 do CC). 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 148 
 
Art. 1.043. O credor particular de sócio não pode, antes de dissolver-se a 
sociedade, pretender a liquidação da quota do devedor. 
Parágrafo único. Poderá fazê-lo quando: 
I - a sociedade houver sido prorrogada tacitamente; 
II - tendo ocorrido prorrogação contratual, for acolhida judicialmente oposição 
do credor, levantada no prazo de noventa dias, contado da publicação do ato 
dilatório. 
 
Porém, há duas exceções: 
• Prorrogação tácita da sociedade: após o prazo estipulado, pode-se requerer. 
• Juiz acolhe oposição do credor, em até 90 dias, contra a prorrogação contratual 
É um tipo societário muito raro atualmente, exatamente por não trazer proteção ao 
patrimônio pessoal dos sócios. 
7. SOCIEDADE EM COMANDITA SIMPLES 
7.1. PREVISÃO LEGAL 
Está prevista nos arts. 1.045 a 1051 do CC. 
Art. 1.045. Na sociedade em comandita simples tomam parte sócios de duas 
categorias: os comanditados, pessoas físicas, responsáveis solidária e 
ilimitadamente pelas obrigações sociais; e os comanditários, obrigados 
somente pelo valor de sua quota. 
Parágrafo único. O contrato deve discriminar os comanditados e os 
comanditários. 
 
Art. 1.046. Aplicam-se à sociedade em comandita simples as normas da 
sociedade em nome coletivo, no que forem compatíveis com as deste 
Capítulo. 
Parágrafo único. Aos comanditados cabem os mesmos direitos e obrigações 
dos sócios da sociedade em nome coletivo. 
 
Art. 1.047. Sem prejuízo da faculdade de participar das deliberações da 
sociedade e de lhe fiscalizar as operações, não pode o comanditário praticar 
qualquer ato de gestão, nem ter o nome na firma social, sob pena de ficar 
sujeito às responsabilidades de sócio comanditado. 
Parágrafo único. Pode o comanditário ser constituído procurador da 
sociedade, para negócio determinado e com poderes especiais. 
 
Art. 1.048. Somente após averbada a modificação do contrato, produz efeito, 
quanto a terceiros, a diminuição da quota do comanditário, em consequência 
de ter sido reduzido o capital social, sempre sem prejuízo dos credores 
preexistentes. 
 
Art. 1.049. O sócio comanditário não é obrigado à reposição de lucros 
recebidos de boa-fé e de acordo com o balanço. 
Parágrafo único. Diminuído o capital social por perdas supervenientes, não 
pode o comanditário receber quaisquer lucros, antes de reintegrado aquele. 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 149 
 
 
Art. 1.050. No caso de morte de sócio comanditário, a sociedade, salvo 
disposição do contrato, continuará com os seus sucessores, que designarão 
quem os represente. 
 
Art. 1.051. Dissolve-se de pleno direito a sociedade: 
I - por qualquer das causas previstas no art. 1.044; 
II - quando por mais de cento e oitenta dias perdurar a falta de uma das 
categorias de sócio. 
Parágrafo único. Na falta de sócio comanditado, os comanditários nomearão 
administrador provisório para praticar, durante o período referido no inciso II 
e sem assumir a condição de sócio, os atos de administração.175 
9.4.1. Requisitos preliminares (art. 80 da LSA) ................................................................ 175 
9.4.2. Constituição propriamente dita (arts. 82 a 93 da LSA) ........................................... 176 
9.4.3. Regras gerais acerca do procedimento de subscrição ........................................... 177 
9.4.4. Formalidades complementares .............................................................................. 178 
9.5. ÓRGÃOS DA S/A ......................................................................................................... 178 
9.5.1. Assembleia Geral .................................................................................................. 178 
9.5.2. Conselho de Administração ................................................................................... 180 
9.5.3. Diretoria ................................................................................................................. 183 
9.5.4. Conselho fiscal ...................................................................................................... 184 
9.6. VALORES MOBILIÁRIOS ............................................................................................. 187 
9.7. AÇÃO ........................................................................................................................... 187 
9.7.1. Conceito ................................................................................................................ 187 
9.7.2. Formas de integralização ....................................................................................... 187 
9.7.3. Classificação das ações quanto à espécie ............................................................. 188 
9.7.4. Acionista controlador e o “Acordo de Acionistas” ................................................... 193 
9.7.5. Valor das ações ..................................................................................................... 195 
9.7.6. Responsabilidade do acionista de uma sociedade anônima (art. 1º) ..................... 197 
9.7.7. Deveres e direitos essenciais do acionista ............................................................. 197 
9.8. DEBÊNTURES ............................................................................................................. 198 
9.9. COMMERCIAL PAPER ................................................................................................ 200 
9.10. BÔNUS DE SUBSCRIÇÃO ....................................................................................... 200 
9.10.1. Partes beneficiárias ............................................................................................... 200 
10. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA ................................................................................... 201 
10.1. TRANSFORMAÇÃO ................................................................................................. 202 
10.2. FUSÃO ...................................................................................................................... 202 
10.3. INCORPORAÇÃO ..................................................................................................... 202 
10.4. CISÃO ....................................................................................................................... 203 
11. SOCIEDADES COLIGADAS (ARTS. 1.097 e seguintes do CC) ....................................... 203 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 9 
 
12. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA .............................................................. 203 
12.1. ORIGEM ................................................................................................................... 203 
12.1.1. Caso Bank of United States X Deveaux ................................................................. 203 
12.1.2. Caso Salomon X Salomon CB ............................................................................... 204 
12.2. TERMINOLOGIA ....................................................................................................... 204 
12.3. CLASSIFICAÇÃO...................................................................................................... 205 
12.3.1. Teoria Maior .......................................................................................................... 205 
12.3.2. Teoria Menor ......................................................................................................... 205 
12.3.3. Teoria Inversa ........................................................................................................ 206 
12.3.4. Teoria Indireta ....................................................................................................... 206 
12.3.5. Teoria expansiva ................................................................................................... 208 
12.4. DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA E O CPC/15 ................... 208 
12.5. A DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA E A MP DA LIBERDADE 
ECONÔMICA .......................................................................................................................... 209 
13. SOCIEDADE ANÔNIMA DO FUTEBOL - SAF ................................................................. 212 
13.1. CONCEITO ............................................................................................................... 213 
13.2. CONSTITUIÇÃO ....................................................................................................... 213 
13.3. OBJETO SOCIAL ...................................................................................................... 213 
13.4. SUCESSÃO CONTRATUAL ..................................................................................... 214 
13.5. DISPUTA DE CAMPEONATOS ................................................................................ 214 
13.6. TRANSFERÊNCIA DE PATRIMÔNIO ....................................................................... 214 
13.7. AÇÕES ORDINÁRIAS DE CLASSE A ...................................................................... 214 
13.8. GOVERNANÇA ......................................................................................................... 215 
13.9. OBRIGAÇÕES DA SAF ............................................................................................ 215 
13.10. FINANCIAMENTO DA SAF ....................................................................................... 216 
TÍTULOS DE CRÉDITO .............................................................................................................. 217 
1. NOÇÕES GERAIS DE TÍTULOS DE CRÉDITOS ................................................................ 217 
1.1. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL ........................................................................................... 217 
1.2. CONCEITO DE TÍTULOS DE CRÉDITO ...................................................................... 217 
2. CARACTERÍSTICAS DOS TÍTULOS DE CRÉDITO ............................................................ 218 
2.1. DOCUMENTOS FORMAIS ........................................................................................... 218 
2.2. BENS MÓVEIS ............................................................................................................. 218 
2.3. TÍTULOS DE APRESENTAÇÃO .................................................................................. 218 
2.4. TÍTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL ....................................................................... 218 
2.5. OBRIGAÇÕES QUESÍVEIS .......................................................................................... 218 
2.6. TÍTULO DE RESGATE ................................................................................................. 218 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 10 
 
2.7. TÍTULO DE CIRCULAÇÃO ...........................................................................................*Pode ser simples ou empresária. 
7.2. SÓCIOS 
Possui duas categorias de sócios, é uma característica peculiar. 
É essencial que haja as duas categorias, na ausência de uma delas, o prazo será de 180 
dias para regularizar. 
7.2.1. Sócio comanditado 
Somente a pessoa natural poderá ser sócia comanditada. 
A responsabilidade é ilimitada e solidária. 
Poderá ser administrador, é o único, em verdade, que pode administrar. 
Seu nome poderá constar no nome empresarial. 
Exemplo: 
 
O nome empresarial, na espécie firma, só poderá usar Bernardo e Bruno, jamais os nomes 
de Sabrina e Saulo, podendo ser: 
• Bernardo, Bruno & Cia livros jurídicos; 
• Bernardo & Cia livros jurídicos 
Sociedade em 
comandita 
simples
Comanditados
Bernardo
Bruno
Comandatários
Sabrina
Saulo
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 150 
 
• Bruno & Cia livros jurídicos 
Comanditado → Advogado (com responsabilidade maior). 
7.2.2. Sócio comanditário 
Tanto a pessoa natural quanto a pessoa jurídica poderão ser sócias, não há restrição aqui. 
Possui responsabilidade limitada ao preço de sua quota. 
Não poderá administrar a sociedade e nem emprestar seu nome ao nome empresarial. Caso 
o faça, sua responsabilidade será ilimitada. 
RELEMBRANDO: Neste tipo de sociedade, é necessário SEMPRE ter as duas categorias 
de sócio. A ausência de uma das categorias implica que, em 180 dias, seja recomposta a categoria 
faltante. 
Faltando a categoria comanditado, não poderá o comanditário exercer a administração, 
haverá a necessidade de designação de um administrador provisório. 
Parágrafo único. Na falta de sócio comanditado, os comanditários nomearão 
administrador provisório para praticar, durante o período referido no inciso II 
e sem assumir a condição de sócio, os atos de administração 
 
Comanditário → Estagiário (responsabilidade menor). 
Entre os comanditados a sociedade é “de pessoas”; entre os comanditários é “de capital”; 
salvo se o contrato dispuser de modo diverso (ver acima). 
8. SOCIEDADE LIMITADA 
8.1. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL 
O Código Civil trata a sociedade limitada em capítulo próprio, devendo, nos casos de 
omissão, ser aplicada as regras da sociedade simples. 
Art. 1.053. A sociedade limitada rege-se, nas omissões deste Capítulo, pelas 
normas da sociedade simples. 
Parágrafo único. O contrato social poderá prever a regência supletiva da 
sociedade limitada pelas normas da sociedade anônima. 
 
E a regência supletiva da LSA (Lei 6.404/76 - Lei de sociedades por ações), é aplicável? 
É aplicável, desde que o contrato social assim preveja (art. 1.053, parágrafo único do CC). Ou seja, 
em havendo essa previsão expressa, as regras da sociedade simples são afastadas para a 
aplicação supletiva das regras da LSA (especificamente as regras da sociedade anônima). 
É a situação que Ulhôa Coelho chama de “duas limitadas”, pois o CC permite que a limitada 
seja regida nos casos de omissão pelas regras da sociedade simples (limitada de vínculo instável) 
ou pelas regras da LSA (limitada de vínculo estável). Essa instabilidade decorre da possibilidade de 
na sociedade simples o sócio se retirar imotivadamente, o que não ocorre nas S/A. 
 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 151 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
TJ/SP (2021) As omissões do seu regime legal são, em qualquer hipótese, 
supridas pelas normas de sociedades anônimas. Errada! 
 
TJ/GO (2021) A sociedade limitada pode ser constituída por uma ou mais 
pessoas; se for unipessoal, aplicar-se-ão ao documento de constituição do 
sócio único, no que couber, as disposições do contrato social. Correta! 
 
TJ/MS (2020) Um grupo de amigos constituiu uma sociedade limitada para 
exploração da atividade de organização de festas de casamento. O capital 
social dessa espécie de sociedade divide-se em quotas, que poderão ser 
desiguais. Correta! 
8.2. CARACTERÍSTICAS 
• Possui natureza de simples ou empresária; 
• Sociedade contratual (ato constitutivo é um contrato social). É uma das três sociedades 
personificadas contratuais, junto com a sociedade em nome coletivo e sociedade em 
comandita simples; 
• Pluripessoal – precisa ter dois ou mais sócios no momento da sua constituição. 
Contudo, desde a Lei 13.874/2019 admite-se a sociedade limitada unipessoal. Portanto, 
é possível que a sociedade limitada tenha um único sócio. 
Art. 1.052. Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita 
ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela 
integralização do capital social. 
§ 1º A sociedade limitada pode ser constituída por 1 (uma) ou mais 
pessoas. (Incluído pela Lei nº 13.874, de 2019) 
§ 2º Se for unipessoal, aplicar-se-ão ao documento de constituição do sócio 
único, no que couber, as disposições sobre o contrato social. (Incluído pela 
Lei nº 13.874, de 2019) 
 
Em 2011, criou-se a figura da EIRELI (empresa individual de responsabilidade limitada), 
regida pelo revogado art. 980-A. Posteriormente, em 2019, criou-se a sociedade limitada 
unipessoal. A Lei 14.195/21 transformou todas as empresas EIRELIs existentes em 
sociedades limitadas unipessoais. 
Art. 41. As empresas individuais de responsabilidade limitada existentes na 
data da entrada em vigor desta Lei serão transformadas em sociedades 
limitadas unipessoais independentemente de qualquer alteração em seu ato 
constitutivo. 
Parágrafo único. Ato do Drei disciplinará a transformação referida neste 
artigo. 
 
No final de 2021, a MP 1.035/2021 revogou expressamente o art. 44, VI do CC, excluindo 
de vez a EIRELI do ordenamento jurídico brasileiro. 
• “Affectio Societatis” 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13874.htm#art7
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 152 
 
Conforme Ulhôa Coelho, a “affectio societatis” é a disposição dos sócios em formar e manter 
a sociedade uns com os outros. Quando não existe ou desaparece esse ânimo, a sociedade não 
se constitui ou deve ser dissolvida. 
Trata-se da vontade comum entre os sócios. O ajuste de vontade entre os sócios. 
8.3. CONSTITUIÇÃO DA SOCIEDADE LIMITADA 
É constituída por meio de contrato social, que exige, para ter plena validade, o 
preenchimento de certos requisitos e pressupostos. 
*OBS: Os requisitos e pressupostos que veremos a seguir se referem 
a todos os contratos sociais, ou seja, aos atos constitutivos de todas 
as sociedades contratuais e não somente da sociedade limitada (+ 
comandita simples e em nome coletivo). 
8.3.1. Requisitos gerais de validade do contrato social (TRÊS) 
São os mesmos requisitos de validade do negócio jurídico. 
a) Agente capaz 
 
O incapaz pode ser sócio de sociedade limitada? SIM, desde que preencha determinados 
requisitos: 
- Estar devidamente assistido ou representado 
- Não pode exercer a administração; 
- Capital social deve estar totalmente integralizado. Do contrário, ele pode ser 
responsabilizado solidariamente pela cota não integralizada de outro sócio. 
Art. 974, § 3o O Registro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas 
Comerciais deverá registrar contratos ou alterações contratuais de sociedade 
que envolva sócio incapaz, desde que atendidos, de forma conjunta, os 
seguintes pressupostos: 
I – o sócio incapaz não pode exercer a administração da sociedade; 
II – o capital social deve ser totalmente integralizado; 
III – o sócio relativamente incapaz deve ser assistido e o absolutamente 
incapaz deve ser representado por seus representantes legais. 
 
Como o tema foi cobrado em concurso? 
DPE/SE (2022) A responsabilização dos sócios é solidária em relação à 
integralização do capital social. Correta! 
b) Objeto lícito 
 
Ex.: Sociedade219 
3. PRINCÍPIOS DOS TÍTULOS DE CRÉDITO ......................................................................... 219 
3.1. PRINCÍPIO DA CARTULARIDADE (PRINCÍPIO DA INCORPORAÇÃO, “DOCUMENTOS 
DISPOSITIVOS”) ..................................................................................................................... 219 
3.2. PRINCÍPIO DA LITERALIDADE ................................................................................... 220 
3.3. PRINCÍPIO DA AUTONOMIA ....................................................................................... 221 
3.3.1. Subprincípio da inoponibilidade de exceções pessoais a terceiros de boa-fé ........ 222 
3.3.2. Subprincípio da abstração ..................................................................................... 222 
3.4. CONCLUSÃO ............................................................................................................... 223 
4. CLASSIFICAÇÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO ................................................................. 223 
4.1. QUANTO ÀS HIPÓTESES DE EMISSÃO: CAUSAL E NÃO CAUSAL ......................... 223 
4.1.1. Causal ................................................................................................................... 223 
4.1.2. Não-causal (abstratos) ........................................................................................... 224 
4.2. QUANTO AO MODELO: VINCULADO OU LIVRE ........................................................ 224 
4.2.1. Modelo Livre .......................................................................................................... 224 
4.2.2. Modelo Vinculado .................................................................................................. 224 
4.3. QUANTO À SUA CIRCULAÇÃO (DUAS CLASSIFICAÇÕES) ...................................... 224 
4.3.1. Classificação clássica/tradicional: ao portador ou nominativo. ............................... 224 
4.3.2. Classificação moderna (CC/2002): ao portador, nominativo e nominal .................. 226 
4.4. QUANTO À ESTRUTURA: ORDEM DE PAGAMENTO OU PROMESSA DE 
PAGAMENTO ......................................................................................................................... 226 
4.4.1. ORDEM de pagamento .......................................................................................... 226 
4.4.2. PROMESSA de pagamento ................................................................................... 226 
5. ENDOSSO: TRANSFERÊNCIA DO DIREITO DO TÍTULO DE CRÉDITO ........................... 226 
5.1. CONCEITO ................................................................................................................... 226 
5.2. EFEITOS DO ENDOSSO ............................................................................................. 227 
5.3. MODALIDADES DE ENDOSSO ................................................................................... 227 
5.3.1. Endosso em branco ............................................................................................... 227 
5.3.2. Endosso em preto .................................................................................................. 228 
5.3.3. Endosso póstumo .................................................................................................. 228 
5.3.4. Endosso impróprio ................................................................................................. 230 
5.3.5. Endosso “sem garantia” ......................................................................................... 231 
6. AVAL: GARANTIA DO PAGAMENTO DO TÍTULO DE CRÉDITO ....................................... 232 
6.1. CONCEITO ................................................................................................................... 232 
6.2. COMO É FEITO O AVAL? ............................................................................................ 233 
6.3. ESPÉCIES DE AVAL .................................................................................................... 233 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 11 
 
6.4. AUTORIZAÇÃO DO CÔNJUGE ................................................................................... 234 
6.5. AVAL X FIANÇA ........................................................................................................... 235 
7. LETRA DE CÂMBIO (REGRAS GERAIS DOS TÍTULOS DE CRÉDITOS) .......................... 235 
7.1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 235 
7.2. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL ........................................................................................... 235 
7.3. CONCEITO ................................................................................................................... 236 
7.4. REQUISITOS................................................................................................................ 236 
7.5. SAQUE E ACEITE ........................................................................................................ 236 
7.5.1. Noções gerais ........................................................................................................ 236 
7.5.2. Efeitos da recusa do aceite (total ou parcial) ......................................................... 237 
7.5.3. Efeitos do aceite .................................................................................................... 238 
7.5.4. Prazo de respiro .................................................................................................... 238 
7.6. EXIGIBILIDADE DA LETRA DE CÂMBIO ..................................................................... 239 
7.7. TIPOS DE VENCIMENTO DE UMA LETRA DE CÂMBIO............................................. 239 
7.8. PROTESTO DA LETRA DE CÂMBIO ........................................................................... 240 
7.9. PRAZO PRESCRICIONAL ........................................................................................... 240 
7.10. GRÁFICO: LETRA DE CÂMBIO ................................................................................ 240 
8. NOTA PROMISSÓRIA ......................................................................................................... 240 
8.1. CONCEITO ................................................................................................................... 241 
8.2. NÃO HÁ ACEITE NA NOTA PROMISSÓRIA ............................................................... 241 
8.3. FORMAS DE VENCIMENTO DA NOTA PROMISSÓRIA ............................................. 241 
8.4. SÚMULA 258 DO STJ: NOTA PROMISSÓRIA E CONTRATO DE ABERTURA DE 
CRÉDITO ................................................................................................................................ 241 
8.5. SÚMULA 504 DO STJ .................................................................................................. 242 
8.6. REQUISITOS................................................................................................................ 243 
8.7. GRÁFICO: NOTA PROMISSÓRIA ................................................................................ 243 
9. DUPLICATA (Lei 5.474/68) .................................................................................................. 244 
9.1. CONCEITO ................................................................................................................... 244 
9.2. ACEITE DA DUPLICATA .............................................................................................. 245 
9.2.1. Obrigatoriedade do aceite ...................................................................................... 245 
9.2.2. Hipóteses legais que permitem a recusa do aceite (art. 8º) ................................... 245 
9.2.3. Categorias de aceite (em virtude do caráter obrigatório) ........................................245 
9.3. ENDOSSO NA DUPLICATA ......................................................................................... 246 
9.4. AVAL NA DUPLICATA .................................................................................................. 246 
9.5. VENCIMENTO DA DUPLICATA ................................................................................... 246 
9.6. MODALIDADES DE PROTESTO DE UMA DUPLICATA (ART. 13) .............................. 246 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 12 
 
9.7. PERDA OU EXTRAVIO DE DUPLICATA (ART. 23) ..................................................... 247 
9.8. FURTO OU ROUBO DE DUPLICATA .......................................................................... 247 
9.9. É POSSÍVEL EXECUÇÃO DE DUPLICATA SEM ACEITE? ......................................... 247 
9.10. DUPLICADA VIRTUAL E SUA EXECUTIVIDADE ..................................................... 248 
9.11. GRÁFICO: DUPLICATA ............................................................................................ 252 
10. CHEQUE (LEI 7.357/85) .................................................................................................. 252 
10.1. CONCEITO ............................................................................................................... 252 
10.2. REQUISITOS DO CHEQUE (ART. 1º, 2º E 3º) ......................................................... 252 
10.3. ACEITE DO CHEQUE ............................................................................................... 254 
10.4. CHEQUE PRÉ-DATADO (PÓS-DATADO) ................................................................ 254 
10.5. ENDOSSO DO CHEQUE .......................................................................................... 255 
10.6. AVAL NO CHEQUE .................................................................................................. 256 
10.7. PRAZO DE APRESENTAÇÃO DO CHEQUE ........................................................... 256 
10.7.1. Noção geral ........................................................................................................... 256 
10.7.2. Inobservância do prazo de apresentação do cheque ao sacado ............................ 257 
10.7.3. Protesto ................................................................................................................. 258 
10.8. CONTA CONJUNTA ................................................................................................. 259 
10.9. DEVOLUÇÃO INDEVIDA .......................................................................................... 259 
10.10. SUSTAÇÃO DE CHEQUE ........................................................................................ 259 
10.10.1. Contraordem/revogação (art. 35) ....................................................................... 259 
10.10.2. Sustação/oposição (art. 36) ................................................................................ 260 
10.11. CHEQUE SEM FUNDOS .......................................................................................... 260 
10.12. AÇÃO MONITÓRIA E CHEQUE ............................................................................... 262 
10.13. JUROS MORATÓRIOS ............................................................................................. 263 
10.14. GRÁFICO: CHEQUE ................................................................................................. 265 
11. ESQUEMA TÍTULOS DE CRÉDITO EM ESPÉCIE .......................................................... 266 
12. PRAZO PRESCRICIONAL PARA EXECUÇÃO DOS TÍTULOS DE CRÉDITO ................ 267 
12.1. GRÁFICO 01 ............................................................................................................. 267 
13. OUTROS TÍTULOS DE CRÉDITO ................................................................................... 268 
13.1. TÍTULOS DE CRÉDITO COMERCIAL ...................................................................... 268 
13.2. TÍTULOS DE CRÉDITO INDUSTRIAL ...................................................................... 269 
13.3. TÍTULOS DE CRÉDITO RURAL ............................................................................... 269 
13.4. TÍTULOS DE CRÉDITO IMOBILIÁRIO ...................................................................... 269 
13.5. NOVOS TÍTULOS IMOBILIÁRIOS ............................................................................ 270 
13.6. TÍTULOS DE CRÉDITO BANCÁRIO ......................................................................... 270 
13.7. LETRA DE ARRENDAMENTO MERCANTIL ............................................................ 272 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 13 
 
CONTRATOS EMPRESARIAIS .................................................................................................. 273 
1. CONTRATO DE ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA......................................................................... 273 
1.1. CONCEITO ................................................................................................................... 273 
1.2. REGRAMENTO ............................................................................................................ 273 
1.3. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA DE BENS MÓVEIS NO ÂMBITO DO MERCADO 
FINANCEIRO E DE CAPITAIS (DL 911/69) ............................................................................ 273 
1.4. APLICAÇÃO DAS REGRAS DO DL 911/69 AO LEASING ........................................... 279 
1.5. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA REGIDA PELO CÓDIGO CIVIL .......................................... 280 
1.6. ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA DE BENS IMÓVEIS ............................................................ 281 
1.7. OUTROS PRONTOS IMPORTANTES ......................................................................... 282 
1.7.1. CONTRATO INSTRUMENTAL .............................................................................. 282 
1.7.2. PROPRIEDADE RESOLÚVEL E ‘AD TEMPUS’ (DIREITOS REAIS) .................... 283 
1.7.3. PROPRIEDADE FIDUCIÁRIA x RESERVA DE DOMÍNIO ..................................... 283 
2. CONTRATO DE ARRENDAMENTO MERCANTIL (“LEASING”) ......................................... 284 
2.1. CONCEITO ................................................................................................................... 284 
2.2. MODALIDADES DE LEASING ..................................................................................... 284 
2.2.1. Leasing financeiro .................................................................................................. 284 
2.2.2. Leasing operacional ............................................................................................... 285 
2.2.3. “Lease back” (leasing de retorno) .......................................................................... 285 
2.2.4. Quadro resumo ...................................................................................................... 286 
2.3. INADIMPLEMENTO DAS PRESTAÇÕES DO LEASING .............................................. 286 
2.4. PURGAÇÃO DA MORA ................................................................................................ 287 
3. CONTRATO DE FRANQUIA (franchising) ........................................................................... 288 
3.1. CONCEITO ................................................................................................................... 288 
3.2. CONTRATANTES ........................................................................................................ 288 
3.3. OBJETOS DO CONTRATO .......................................................................................... 289 
3.4. INEXISTÊNCIA DA RELAÇÃO DE CONSUMO ENTRE FRANQUEADOR E 
FRANQUEADO ....................................................................................................................... 2893.5. INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO .......................................................... 289 
3.6. COF - CIRCULAR DE OFERTA DE FRANQUIA .......................................................... 289 
3.6.1. Conceito ................................................................................................................ 289 
3.6.2. Prazo legal e obrigatoriedade ................................................................................ 292 
3.6.3. Novidades da COF trazidas pela Lei 13.966/2019 ................................................. 292 
3.6.4. COF e falsidade de informações ............................................................................ 293 
3.7. SUBLOCAÇÃO DO PONTO ......................................................................................... 293 
4. CONTRATO DE FACTORING OU FOMENTO MERCANTIL ............................................... 294 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 14 
 
4.1. CONCEITO E CARACTERÍSTICAS ............................................................................. 294 
4.2. ESPÉCIES DE CONTRATO DE FACTORING ............................................................. 295 
4.2.1. Factoring tradicional .............................................................................................. 295 
4.2.2. Factoring de vencimento ........................................................................................ 296 
4.3. JURISPRUDÊNCIA ...................................................................................................... 296 
5. REPRESENTAÇÃO COMERCIAL ....................................................................................... 298 
5.1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 298 
5.2. CONTRATO DE REPRESENTAÇÃO X CONTRATO DE AGÊNCIA (ART. 710 DO CC)
 298 
5.3. EXCLUSIVIDADE NA REPRESENTAÇÃO COMERCIAL ............................................. 299 
5.3.1. Exclusividade de zona geográfica (art. 31 da Lei) .................................................. 299 
5.3.2. Exclusividade de representação (art. 31, parágrafo único) .................................... 299 
5.4. RESCISÃO DO CONTRATO ........................................................................................ 300 
5.4.1. Contrato com prazo INDETERMINADO ................................................................. 300 
5.4.2. Contrato com prazo DETERMINADO .................................................................... 301 
DIREITO FALIMENTAR (Lei 11.101/05) ..................................................................................... 302 
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS ............................................................................................... 302 
2. ÂMBITO DE INCIDÊNCIA DA LEI ....................................................................................... 302 
3. JUÍZO COMPETENTE ......................................................................................................... 304 
4. DA FALÊNCIA ..................................................................................................................... 305 
4.1. CONCEITO ................................................................................................................... 305 
4.2. OBJETIVOS ................................................................................................................. 306 
4.3. PROCESSO FALIMENTAR (VISÃO GERAL) ............................................................... 306 
4.4. LEGITIMIDADE ATIVA DO PEDIDO DE FALÊNCIA .................................................... 307 
4.4.1. Próprio devedor (art. 97, I: empresário ou sociedade empresária) ......................... 307 
4.4.2. Cônjuge sobrevivente, herdeiro e inventariante (art. 97, II) .................................... 308 
4.4.3. Sócio ou acionista da empresa (art. 97, III) ............................................................ 308 
4.4.4. Qualquer credor (art. 97, IV) .................................................................................. 308 
4.5. LEGITIMIDADE PASSIVA DA FALÊNCIA .................................................................... 311 
4.6. FUNDAMENTOS JURÍDICOS DA FALÊNCIA .............................................................. 312 
4.6.1. Impontualidade injustificada (art. 94, I) .................................................................. 313 
4.6.2. Execução frustrada (art. 94, II) ............................................................................... 314 
4.6.3. Atos de falência (art. 94, III) ................................................................................... 314 
4.6.4. Esquema Gráfico da Insolvência do Devedor (art. 94) ........................................... 315 
4.7. COMPORTAMENTO DO DEVEDOR APÓS A SUA CITAÇÃO .................................... 316 
4.7.1. Apresentar contestação (art. 98) ............................................................................ 316 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 15 
 
4.7.2. Depósito elisivo + contestação .............................................................................. 317 
4.7.3. Depósito elisivo (impeditivo) .................................................................................. 318 
4.7.4. Requerer a recuperação judicial ............................................................................ 318 
4.8. SENTENÇA e RECURSOS .......................................................................................... 319 
4.8.1. Natureza jurídica .................................................................................................... 319 
4.8.2. Legitimidade recursal ............................................................................................. 321 
4.8.3. Prazo do recurso ................................................................................................... 321 
4.9. SENTENÇA DECLARATÓRIA ...................................................................................... 322 
4.9.1. Determinações que devem constar da sentença (art. 99 da Lei) ........................... 323 
4.9.2. Efeitos jurídicos da sentença declaratória de falência quanto ao FALIDO 
(DEVEDOR) ......................................................................................................................... 329 
4.9.3. Efeitos da sentença declaratória quanto aos CREDORES .................................... 332 
4.9.4. Efeitos da sentença declaratória de falência quanto aos CONTRATOS (art. 117) . 335 
4.9.5. Efeitos da sentença declaratória de falência quanto aos ATOS (ineficácia objetiva e 
ineficácia subjetiva dos atos - art. 129 e art. 130) ................................................................ 335 
4.10. FASE FALIMENTAR PROPRIAMENTE DITA ........................................................... 337 
4.10.1. Arrecadação .......................................................................................................... 337 
4.10.2. Avaliação ............................................................................................................... 340 
4.10.3. Venda judicial dos bens ......................................................................................... 341 
4.10.4. Habilitação de crédito ............................................................................................ 345 
4.10.5. Incidente de classificação de crédito público ......................................................... 346 
4.10.6. Quadro geral de credores ...................................................................................... 349 
4.11. ORDEM DE CLASSIFICAÇÃO DOS CRÉDITOS ...................................................... 349 
4.11.1. Créditos concursais ...............................................................................................350 
4.11.2. Créditos extraconcursais ....................................................................................... 354 
4.12. ENCERRAMENTO .................................................................................................... 356 
4.13. SENTENÇA DE ENCERRAMENTO .......................................................................... 357 
4.14. REABILITAÇÃO ........................................................................................................ 357 
4.14.1. Hipóteses de extinção das obrigações do falido (art. 158) ..................................... 358 
4.15. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DO CPC ........................................................................ 358 
5. DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL ........................................................................................... 359 
5.1. INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 359 
5.2. INCIDÊNCIA ................................................................................................................. 360 
5.3. FINALIDADE DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL .............................................................. 361 
5.4. COMPETÊNCIA ........................................................................................................... 361 
5.5. REQUISITOS DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL ............................................................. 361 
http://www.iceni.com/infix.htm
 
 
CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 16 
 
5.5.1. Somente o DEVEDOR empresário, sociedade empresária ou a SAF pode pedir a 
recuperação judicial ............................................................................................................. 362 
5.5.2. O devedor deve ser empresário ou sociedade empresária que esteja em atividade 
regular há mais de 02 anos. ................................................................................................. 363 
5.5.3. Não ser falido ........................................................................................................ 365 
5.5.4. Não ter, há menos de 05 anos, obtido concessão de outra recuperação judicial. .. 366 
5.5.5. Não ter, há menos de 05 anos, obtido concessão de recuperação judicial especial
 366 
5.5.6. Não ter sido condenado por crime falimentar ......................................................... 366 
5.6. CONSOLIDAÇÃO PROCESSUAL ................................................................................ 367 
5.7. CONSOLIDAÇÃO PROCESSUAL ................................................................................ 368 
5.8. CRÉDITOS SUJEITOS AOS EFEITOS DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL ...................... 369 
5.9. PROCEDIMENTO DA RECUPERAÇÃO ...................................................................... 374 
5.9.1. Distribuição de lucros............................................................................................. 374 
5.9.2. Petição inicial ......................................................................................................... 374 
5.9.3. Constatação prévia ................................................................................................ 376 
5.9.4. Despacho de processamento ................................................................................ 378 
5.9.5. Publicação do despacho (art. 52, §1º) ................................................................... 380 
5.9.6. Comunicado .......................................................................................................... 382 
5.9.7. Meios de recuperação judicial ................................................................................ 383 
5.9.8. Assembleia-Geral de Credores (AGC) ................................................................... 384 
5.9.9. Cram Down ............................................................................................................ 387 
5.9.10. Apresentação de plano de recuperação judicial pelos credores ............................. 388 
5.9.11. Conversão da recuperação judicial em falência ..................................................... 388 
5.9.12. Formas de aprovação do plano de recuperação judicial ........................................ 389 
5.9.13. Decisão concessiva (art. 59) .................................................................................. 389 
5.9.14. Prazo da recuperação judicial ................................................................................ 390 
5.10. CONVOLAÇÃO EM FALÊNCIA ................................................................................ 390 
5.11. FINANCIAMENTO DIP .............................................................................................. 391 
6. DA RECUPERAÇÃO JUDICIAL ESPECIAL ........................................................................ 392 
6.1. PREVISÃO LEGAL ....................................................................................................... 392 
6.2. DIFERENÇAS PARA A RECUPERAÇÃO JUDICIAL COMUM ..................................... 393 
7. DA RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL ............................................................................... 394 
7.1. CONSIDERAÇÕES ...................................................................................................... 394 
7.2. DEVEDOR (QUEM PODE REQUERER) ...................................................................... 394 
7.3. REQUISITOS................................................................................................................ 395 
7.4. CRÉDITOS SUJEITOS À RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL ..................................... 395 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 17 
 
7.5. ÓRGÃOS DA RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL ....................................................... 396 
7.6. EFEITOS JURÍDICOS DA RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL .................................... 397 
7.6.1. Efeitos restritos ...................................................................................................... 397 
7.7. HOMOLOGAÇÃO ......................................................................................................... 397 
7.7.1. Homologação facultativa ........................................................................................ 397 
7.7.2. Homologação obrigatória ....................................................................................... 398 
7.7.3. Vantagens ............................................................................................................. 399 
7.8. PROCEDIMENTO DA RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL .......................................... 399 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CS – DIREITO EMPRESARIAL 2024.1 18 
 
APRESENTAÇÃO 
Olá! 
Inicialmente gostaríamos de agradecer a confiança em nosso material. Esperamos que seja 
útil na sua preparação, em todas as fases. A grande maioria dos concurseiros possui o hábito de 
trocar o material de estudo constantemente, principalmente, em razão da variedade que se tem 
hoje, a cada dia surge algo novo. O ideal é você utilizar sempre a mesma fonte, fazendo a 
complementação necessária, eis que quanto mais contato temos com determinada fonte de estudo, 
mais familiarizados ficamos, o que se torna primordial na hora da prova. 
O Caderno Sistematizado de Direito Empresarial possui como base as aulas do Prof. 
Juan Vasquez (CERS) e do Prof. Alexandre Gialluca (G7), com o intuito de deixar o material mais 
completo, utilizados o livro de Direito Empresarial – Volume Único (9ª Ed) do André Santa Cruz. 
Na parte jurisprudencial, utilizamos os informativos do site Dizer o Direito 
(www.dizerodireito.com.br), os livros: Principais Julgados STF e STJ Comentados, Vade Mecum de 
Jurisprudência Dizer o Direito, Súmulas do STF e STJ anotadas por assunto (Dizer o Direito). 
Destacamos é importante você

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