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Questões de Sociologia – Acadêmicos: Gustavo Morais Isadora Medeiros Madalena Blatt Grando Maria Luísa Spada Bim Natália B. Fabris 1- Qual é o contexto histórico que dá origem à sociologia? A sociologia surgiu como ciência no século XIX, no contexto histórico das revoluções burguesas, principalmente das Revoluções Industriais (séc. XVIII e séc. XIX) e da Revolução Francesa (1789), que transformaram radicalmente a vida em sociedade, dando fim à sociedade feudal e originando uma sociedade capitalista embrionária (Renascimento) e industrializada (Século das Luzes). Essa passagem de uma sociedade descentralizada, teocrática, estamental, de economia agrária para uma sociedade centralizada (Estados Nacionais Modernos), antropocêntrica, estratificada (classes sociais), de economia mercantilista e posteriormente industrial deu origem, simultaneamente, a problemas inéditos e mais complexos, com um ritmo de proliferação intenso (do ponto de vista da época). Tais como: conflitos de classes (entre a nobreza e a burguesia emergente que passou a ocupar o lugar antes destinado à primeira; entre a burguesia que explorava e o proletariado explorado; entre burguesia e a nobreza contra a massa instável), desemprego, ao êxodo rural (devido aos cercamentos), jornadas de trabalho desumanas, exploração da mão de obra infantil e feminina, urbanização exacerbada, precário saneamento que levava às novas doenças, a fome generalizada, entre outros. Foi nesse sentido que se fez necessária uma ciência com intenções práticas, que tivesse como objeto de estudo a nascente sociedade capitalista juntamente com os problemas dela advindos, buscando compreendê-los e solucioná-los. 2- Descreva os principais pressupostos filosóficos que contribuíram para dar origem à filosofia. A partir do século XV, concomitantemente à decadência do sistema feudal, manifestaram-se mudanças que alterariam o modo de pensar da sociedade. Pondo em “cheque” a hegemonia da igreja católica e da fé como maneira de explicar a natureza e a sociedade. A Expansão Marítima, as Grandes Navegações, o Comércio Ultramarino, a ascensão da burguesia, as Reformas Protestantes, o surgimento dos Estados Modernos levaram o homem feudal a indagar acerca das explicações da fé pregadas pela igreja para situações do dia a dia. Assim, a razão como meio esclarecer o universo e as práticas da sociedade passa a se consolidar, confrontando-se com diretamente com os dogmas da igreja, e a ter influência entre os pensadores da época. Isso fica evidente com o desenvolvimento do pensamento Humanista, quando o Teocentrismo (Deus como medida de todas as coisas) começa a ser substituído, lentamente, pelo Antropocentrismo (homem como centro de todas as coisas) — perceptível nas obras artísticas que antes possuíam fundamentalmente temas religiosos e que passam, na Renascença, a retratar o homem, suas ações e valores (mesmo que com uma temática religiosa) —, assim como quando a Teoria Geocêntrica (Terra como centro do universo) defendida por Aristóteles e Ptolomeu passa a ser contestada por Nicolau Copérnico e Galileu Galilei, que propunham uma teoria na qual o Sol era o centro do Sistema Solar (Teoria Heliocêntrica). Além disso, um importante contribuinte para a construção desse novo pensar, com base na racionalidade, foi René Descartes, que fundou o método cartesiano, onde a dúvida é essencial para o a formação do conhecimento, e que a partir da dúvida que a existência é confirmada (“Penso, logo existo”). Outros pensadores foram fundamentais para o surgimento da sociologia, entre eles Thomas Morus, defensor do Estado centralizado; Maquiavel, defensor do absolutismo e da segregação entre a fé e a política; Thomas Hobbes, que tratou do Contrato Social. 3- Quais foram os primeiros passos/ensaios teóricos para dar origem à sociologia? Fale sobre. Os primeiros passos estão no pensamento iluminista, com origem nos filósofos franceses (Rousseau, Montesquieu, Voltaire) que defendiam a burguesia e principalmente o seu princípio de individualismo, explicado pela teoria de Descartes (“penso, logo, existo”), no entanto, Hobbes contesta que seja possível firmar a sociedade capitalista pretendida pelos burgueses, uma vez que um indivíduo apenas não conseguiria constituir uma sociedade. Outro que analisou a nova sociedade foi Robert Owen, que acreditou que seria possível realizar a transformação dela sem que houvesse um conflito entre burgueses e proletários, inclusive, estabeleceu em suas empresas práticas que negavam o individualismo e fornecessem melhores condições de vida para a comunidade operária e todos passariam a pertencer a mesma classe, de forma que se auto administrassem, sendo por isso, conhecido como socialista utópico. Já o também socialista utópico Saint-Simon, estabeleceu a nova ciência dos fenômenos sociais, citando pela primeira vez o método positivista e que a ciência deveria tomar o lugar da autoridade da Igreja. Além disso, no século XIX, devido ao empirismo de Hume e Bacon e o positivismo (que é justamente a construção do conhecimento pela apreensão empírica do mundo) explicado mais profundamente por Comte, que levaram a maior valorização da observação e da prática, que houve a acumulação de informações/fatos, e passou-se a dividir as ciências, inclusive ai surge a Sociologia como uma, delimitando-se o método (funcionalista, compreensão, auditivo) e o objeto (relações sociais), subordinados a razão. 4- Qual o objeto e método sociológicos segundo contribuições de Emile Durkheim? O objeto de estudo para Durkheim são os fatos sociais, o indivíduo deveria adaptar-se aos padrões da sociedade sendo que a sociologia seria um meio para estudar os fatos que não se encaixassem no considerado normal (anomalia). Durkheim faz uso do método chamado de funcionalismo, um pensamento naturalista que considera a sociedade como um organismo, como um corpo no qual os órgãos devem funcionar de forma harmoniosa. 5- Quais as características básicas do positivismo, segundo Carlos Benedito Martins? (Comte e Durkheim) Comte, frente a uma nova sociedade, quis criar um conjunto de ideias e crenças à todos os homens. A sua filosofia positiva era contra a iluminista (caráter destrutivo – negativo), ele estava preocupado em organizar a sociedade. Como a matemática, a física, a biologia eram ciências exatas e formadas, a "Física Social" também deveria ser assim, deveria buscar um padrão social que se encaixasse, deveria ser exata. Para Durkheim, a raiz dos problemas era a fragilidade moral da época. Acreditava em novas ideias morais capazes de guiar a conduta dos indivíduos. Vivendo numa sociedade capitalista desigual, pensava que a divisão do trabalho provocaria cooperação e solidariedade entre os cidadãos, mas a desordem era tanta que não cumpria essa função. Dessa forma, o positivismo acreditava que a sociedade poderia ser analisada da mesma forma que os fenômenos naturais. Logo, o sociólogo precisava se encontrar num estado de espírito como físicos e biólogos, buscava soluções para "problemas sociais" por meio do controle e manutenção do poder. 6- Qual é o objeto e método, segundo contribuições de Max Weber para a construção da sociologia? O objeto de estudo para Weber é a ação social. Dessa forma, interpreta o comportamento humano para compreendê-la e formular uma hipótese para sua causa e efeito. Para ele, uma ação social é condicionada por diversos fatores externos, e são essas motivações que Weber procura compreender. A comunicação é parte fundamental do método de estudo de Weber, assim como a detenção de conhecimento sobre as ações humanas para entender a sociedade. Tal método envolve observações, experiência de vida, interpretação e compreensão. 7- Karl Marx fundamenta o materialismo histórico-dialético, em que medida podemos dizer quea contribuição do autor favoreceu a teoria sociológica materialista? Karl Marx ao retomar a dialética hegeliana e o materialismo filosófico, corrigindo-os, porém, e atribuindo a eles nova interpretação contribui para a Teoria sociológica com a criação do materialismo histórico-dialético. Onde o materialismo adquiria não um caráter permanente mas de contínua transformação e a dialética fundamentada no material não mais nas ideias. Marx afirma que as contradições históricas entre as classes sociais produzem o sujeito, e essa existência social interfere na consciência de cada um, diferentemente de Hegel em que o sujeito é fruto da razão. No materialismo marxista a dialética é um método que permite analisar as relações contraditórias entre as forças sociais, que são o motor da história, e a transforma (“A história da humanidade é a história da luta de classes”). Segundo ele, é a partir do entendimento de “como” e “o que” o indivíduo produz (trabalho) que é possível conhecê-lo. Marx, por não acreditar numa revolução pacífica e baseada na boa vontade e autocrítica burguesa (socialismo utópico), defendia uma revolução armada do proletariado, por meio da qual esses tomariam o poder e instalariam um novo sistema político-econômico, o socialismo, sendo este uma fase transitória em que o Estado seria o detentor dos meios de produção e responsável pela distribuição das riquezas, no qual, após gerar estabilidade e igualdade social, levaria ao comunismo (modelo ideal de sociedade), onde ocorreria o desaparecimento do Estado, não sendo este mais necessário. Ele almejava o fim da sociedade de classes e da exploração do trabalho. 8- Fale a respeito do objeto e método marxista da construção sociológica. Em relação ao objeto, Marx busca sua construção sociológica com base nas relações sociais e a luta de classes como transformadores sociais. Utilizando-se do método dialético materialista, Marx faz referência aos meios de produção e as forças produtivas, levando em consideração a divisão do trabalho. Realiza duras críticas aos proprietários dos meios de produção, sendo que nunca pagam de forma justa os detentores da mão de obra, para o sociólogo a realidade social só seria passível se a matéria fosse investigada em seus pormenores.