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SEMANA 04
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Sumário
META 1 .............................................................................................................................................................. 9
DIREITO PENAL: CAUSAS EXTINTIVAS DA PUNIBILIDADE .................................................................................. 9
1. AÇÃO PENAL ................................................................................................................................................ 10
1.1. Espécies ................................................................................................................................................................. 10
1.2 Condições da Ação Penal ........................................................................................................................................ 11
1.2.1. Representação do ofendido ............................................................................................................................ 12
1.2.2. Requisição do Ministro da Justiça ................................................................................................................... 13
1.3. Princípios da Ação Penal Pública ........................................................................................................................... 13
1.4. Ação Penal Privada ................................................................................................................................................ 14
1.5. Procedimento ........................................................................................................................................................ 17
1.6. Denúncia ou Queixa Crime .................................................................................................................................... 18
2. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE ....................................................................................................................... 23
2.1 Causas de Extinção da Punibilidade ....................................................................................................................... 25
2.1.1 Morte do Agente ............................................................................................................................................. 25
2.1.2 Anistia .............................................................................................................................................................. 26
2.1.3 Graça e Indulto ................................................................................................................................................ 27
2.1.4 Abolitio Criminis ............................................................................................................................................... 30
2.1.5 Decadência....................................................................................................................................................... 32
2.1.6 Perempção ....................................................................................................................................................... 32
2.1.7 Prescrição ......................................................................................................................................................... 33
2.1.7 Perempção ....................................................................................................................................................... 48
2.1.8 Renúncia .......................................................................................................................................................... 48
2.1.9 Perdão Aceito ou Perdão do Ofendido ............................................................................................................ 48
2.1.10 Retratação ..................................................................................................................................................... 49
2.1.11 Perdão Judicial ............................................................................................................................................... 49
QUESTÕES PROPOSTAS ................................................................................................................................... 52
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL: LEI DE CRIMES HEDIONDOS............................................................................ 60
1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................... 61
2. EVOLUÇÃO HISTÓRICA................................................................................................................................. 61
3. CRITÉRIOS PARA A DEFINIÇÃO DE HEDIONDEZ ........................................................................................... 62
4. ANÁLISE DO ROL DE CRIMES HEDIONDOS .................................................................................................. 64
5. CRIMES HEDIONDOS PREVISTOS NO ART. 1º PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 8.072/90 ............................. 85
5.1 Crimes Equiparados Ao Hediondos ........................................................................................................................ 93
5.1.1 Tráfico de Drogas ............................................................................................................................................. 93
5.1.2 Tortura ............................................................................................................................................................. 94
5.1.3 Terrorismo ....................................................................................................................................................... 95
6. ESPECIFICIDADES DOS CRIMES HEDIONDOS ............................................................................................... 95
6.1 Insuscetibilidade de Graça, Anistia e Indulto ......................................................................................................... 95
6.2 Insuscetibilidade de Fiança ..................................................................................................................................... 96
6.3 Regime Inicial Fechado para o Cumprimento da Pena Privativa de Liberdade ...................................................... 96
6.4 Critérios Diferenciados para Concessão de Livramento Condicional. .................................................................... 99
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Riscado
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6.5 Progressão de Regime ............................................................................................................................................ 99
6.6 Direito de Recorrer em Liberdade ........................................................................................................................ 101
6.7 Estabelecimentos Penais De Segurança Máxima ................................................................................................. 102
6.8 Prioridade no Trâmite dos Processos ................................................................................................................... 102
7. PRISÃO TEMPORÁRIA E CRIMES HEDIONDOS ........................................................................................... 102
8. CAUSA DE AUMENTO DO §9º DA LEI DE CRIMES HEDIONDOS ................................................................. 104
QUESTÕES PROPOSTAS ................................................................................................................................. 106
META 2 .......................................................................................................................................................... 111
DIREITO PENAL: TEORIAque indulto é a graça coletiva;
● Graça: Benefício concedido a pessoa determinada.
I) Competência: Presidente da República (por decreto), permitida a delegação para Ministros de Estado;
Advogado Geral da União; Procurador Geral da República.
II) Formas:
● Total: Abrange todas as sanções;
● Parcial: Quando houver redução ou substituição da sanção penal
● Condicionados: impõe condições para ser beneficiado. Ex.: ressarcimento do dano.
● Incondicionados: não impõe qualquer requisito.
III) Efeitos: Extingue a pena, mas permanecem os efeitos penais secundários e os efeitos extrapenais.
Súmula 631-STJ: O indulto extingue os efeitos primários da condenação (pretensão
executória), mas não atinge os efeitos secundários, penais ou extrapenais.
Obs.: O réu condenado que foi beneficiado com graça ou indulto, se cometer novo crime, será reincidente.
IV) Momento da concessão: Em regra, após o trânsito em julgado da sentença, pois se refere à pena
imposta.
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V) Inaplicabilidade:
● Crimes hediondos;
● Tortura;
● Tráfico de entorpecentes;
● Terrorismo.
STF-HC 123.381/PE: o período de prova do sursis não é computado para o
preenchimento do requisito temporal para a concessão de indulto.
STF-HC 628.658/RS: pode ser concedido indulto aos inimputáveis ou semi-
imputáveis que cumprem medida de segurança.
Súmula 535-STJ: a prática de falta grave não interrompe o prazo para fim de
comutação de pena ou indulto.
JURISPRUDÊNCIA EM TESES Nº 139 DO STJ - DO INDULTO E DA COMUTAÇÃO DE PENA
1) O instituto da graça, previsto no art. 5º, XLIII, da Constituição Federal, engloba o
indulto e a comutação de pena, estando a competência privativa do Presidente da
República para a concessão desses benefícios limitada pela vedação estabelecida no
referido dispositivo constitucional.
2) A sentença que concede o indulto ou a comutação de pena tem natureza
declaratória, não havendo como impedir a concessão dos benefícios ao
sentenciado, se cumpridos todos os requisitos exigidos no decreto presidencial.
3) O deferimento do indulto e da comutação das penas deve observar estritamente
os critérios estabelecidos pela Presidência da República no respectivo ato de
concessão, sendo vedada a interpretação ampliativa da norma, sob pena de
usurpação da competência privativa disposta no art. 84, XII, da Constituição e,
ainda, ofensa aos princípios da separação entre os poderes e da legalidade.
4) A análise do preenchimento do requisito objetivo para a concessão dos benefícios
de indulto e de comutação de pena deve considerar todas as condenações com
trânsito em julgado até a data da publicação do decreto presidencial, sendo
indiferente o fato de a juntada da guia de execução penal ter ocorrido em momento
posterior à publicação do referido decreto.
5) A superveniência de condenação, seja por fato anterior ou posterior ao início do
cumprimento da pena, não altera a data-base para a concessão da comutação de
pena e do indulto.
6) O indulto e a comutação de pena incidem sobre as execuções em curso no
momento da edição do decreto presidencial, não sendo possível considerar na base
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de cálculo dos benefícios as penas já extintas em decorrência do integral
cumprimento.
7) Para a concessão de indulto, deve ser considerada a pena originalmente imposta,
não sendo levada em conta, portanto, a pena remanescente em decorrência de
comutações anteriores.
8) O cumprimento da fração de pena prevista como critério objetivo para a
concessão de indulto deve ser aferido em relação a cada uma das sanções
alternativas impostas, consideradas individualmente.
9) Compete ao Juízo da Execução Fiscal a apreciação do pedido de indulto em
relação à pena de multa convertida em dívida de valor.
Segundo pensa Márcio Cavalcante, do Dizer o Direito, essa tese está superada.
Isso porque o STF, ao julgar a ADI 3150/DF, decidiu que, a Lei nº 9.268/96, ao
considerar a multa penal como dívida de valor, não retirou dela o caráter de
sanção criminal que lhe é inerente por força do art. 5º, XLVI, “c”, da CF/88. Como
consequência, por ser uma sanção criminal, a legitimação prioritária para a
execução da multa penal é do Ministério Público perante a Vara de Execuções
Penais (ADI 3150 e AP 470/MG, Rel. Min. Roberto Barroso, julgados em 12 e
13/12/2018).
O Pacote Anticrime (Lei nº 13.964/2019) acolheu esse entendimento e alterou a
redação do art. 51 do CP para dizer expressamente que a competência para
executar a multa é do juízo da vara de execuções penais: Art. 51. Transitada em
julgado a sentença condenatória, a multa será executada perante o juiz da
execução penal e será considerada dívida de valor, aplicáveis as normas relativas
à dívida ativa da Fazenda Pública, inclusive no que concerne às causas
interruptivas e suspensivas da prescrição. Logo, se a multa, convertida em dívida
de valor, estiver sendo executada no juízo da execução penal, caberá a ele apreciar
o pedido de indulto.
10) Não dispondo o decreto autorizador de forma contrária, os condenados por
crimes de natureza hedionda têm direito aos benefícios de indulto ou de comutação
de pena, desde que as infrações penais tenham sido praticadas antes da vigência da
Lei n. 8.072/1990 e suas modificadoras.
11) É possível a concessão de comutação de pena aos condenados por crime comum
praticado em concurso com crime hediondo, desde que o apenado tenha cumprido
as frações referentes aos delitos comum e hediondo, exigidas pelo respectivo
decreto presidencial.
12) É possível a concessão de indulto aos condenados por crime de tráfico de drogas
privilegiado (§4º do art. 33 da Lei n. 11.343/2006), por estar desprovido de natureza
hedionda.
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13) O indulto humanitário requer, para sua concessão, a necessária comprovação,
por meio de laudo médico oficial ou por médico designado pelo juízo da execução,
de que a enfermidade que acomete o sentenciado é grave, permanente e exige
cuidados que não podem ser prestados no estabelecimento prisional.
14) O indulto extingue os efeitos primários da condenação (pretensão executória),
mas não atinge os efeitos secundários, penais ou extrapenais. (Súmula n. 631/STJ)
2.1.4 Abolitio Criminis
Ocorre quando lei nova deixa de considerar fato como crime, havendo uma supressão formal e
material do fato criminoso do campo de incidência do direito penal.
Efeitos:
● Cessa a execução e efeitos penais da sentença condenatória
● Os efeitos extrapenais permanecem.
● NÃO gera reincidência.
Obs.1: A extinção da punibilidade se dará mesmo após o trânsito em julgado da sentença.
Obs.2: Como fato praticado deixa de ser considerado crime, se houver abolitio criminis em relação ao crime
antecedente ao delito de lavagem, o crime de lavagem não subsistirá!!!
Obs.3: Cuidado para não confundir abolitio criminis com princípio da continuidade normativo típica. Nesse
caso, há apenas a revogação formal do tipo, de modo que a conduta continua sendo típica, porém abarcada
em tipo penal diverso. O princípio da continuidade normativa ocorre “quando uma norma penal é revogada,
mas a mesma conduta continua sendo crime no tipo penal revogador, ou seja, a infração penal continua
tipificada em outro dispositivo, ainda que topologicamente ou normativamente diverso do originário.” (Min.
Gilson Dipp, em voto proferido no HC 204.416/SP).
CAIU EM PROVA! DELEGADO-MS 2021 - A abolitio criminis e a novatio legis in mellius são causas de extinção
da punibilidade aplicáveis para beneficiar o réu, ainda que tenha havido o trânsito em julgado da sentença
penal condenatória. (Item incorreto).
A lei penal nova que beneficia o réu não respeita a coisa julgada, sendo aplicada mesmo quando o agente já
tenha sido condenado definitivamente,entretanto, ela não é causa de extinção de punibilidade.
ATENÇÃO PARA JULGADO RECENTE!
A revogação da contravenção de perturbação da tranquilidade (art. 65 da LCP) pela Lei nº
14.132/2021 não significa que tenha ocorrido abolitio criminis em relação a todos os fatos que estavam
enquadrados na referida infração penal.
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A Lei nº 14.132/2021 acrescentou o art. 147-A ao Código Penal, para prever o crime
de perseguição, também conhecido como stalking:
Art. 147-A, CP. Perseguir alguém, reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando-
lhe a integridade física ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção
ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou
privacidade.
Pena – reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.
Antes da Lei nº 14.132/2021, a conduta acima explicada era fato atípico? NÃO. Antes da criação do
crime do art. 147-A, a conduta era punida como contravenção penal pelo art. 65 do Decreto-lei 3.688/41,
que tinha a seguinte redação:
Art. 65. Molestar alguém ou perturbar-lhe a tranquilidade, por acinte ou por motivo
reprovável: Pena – prisão simples, de quinze dias a dois meses, ou multa, de
duzentos mil réis a dois contos de réis.
A Lei nº 14.132/2021 revogou a contravenção de molestamento (art. 65 do DL 3.688/41), punindo
de forma mais severa essa conduta, que pode trazer graves consequências psicológicas à vítima. A revogação
da contravenção de perturbação da tranquilidade pela Lei nº 14.132/2021 não significa que tenha ocorrido
abolitio criminis em relação a todos os fatos que estavam enquadrados na referida infração penal.
De fato, a parte final do art. 147-A do Código Penal prevê a conduta de perseguir alguém,
reiteradamente, por qualquer meio e “de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade
ou privacidade”, circunstância que, a toda evidência, já estava contida na ação de “molestar alguém ou
perturbar-lhe a tranquilidade, por acinte ou por motivo reprovável”, quando cometida de forma reiterada,
porquanto a tutela da liberdade também abrange a tranquilidade.
No caso concreto apreciado pelo STJ, o acusado, mesmo depois de processado e condenado em
primeira instância pela contravenção penal do art. 65 da LCP, voltou a tentar contato com a mesma vítima
ao lhe enviar três e-mails e um presente. Desse modo, houve reiteração.
Com a entrada em vigor da Lei nº 14.132/2021, ele pediu o reconhecimento de que teria havido
abolitio criminis. O STJ, contudo, não aceitou essa tese. Isso porque houve reiteração, de modo que a sua
conduta se amolda ao que passou a ser punido pelo art. 147-A do CP, inserido pela Lei nº 14.132/2021. Logo,
houve evidente continuidade normativo-típica. Vale ressaltar, contudo, que o STJ afirmou que esse réu
deveria continuar respondendo pelas sanções da contravenção do art. 65 do Decreto-Lei nº 3.688/1941 (e
não pelo art. 147-A do CP). Isso porque a lei anterior era mais benéfica. STJ. 6ª Turma. AgRg nos EDcl no
REsp 1863977-SC, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 14/12/2021 (Info 722).
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2.1.5 Decadência
Art. 103, CP. SALVO disposição expressa em contrário, o ofendido decai do direito
de queixa ou de representação se não o exerce dentro do prazo de 6 (seis) meses,
contado do dia em que veio a saber quem é o autor do crime, ou, no caso do § 3º
(ação privada subsidiária da pública) do art. 100 deste Código, do dia em que se
esgota o prazo para oferecimento da denúncia.
Perda do direito de propor, mediante queixa, ação penal privada ou ação privada subsidiária, ou de
oferecer representação nos crimes de ação penal pública condicionada.
∘ Prazo de 06 meses do dia do conhecimento de quem foi o autor do fato.
∘ Regra: dia em que souber quem é o autor do crime;
∘ Exceção: ação privada subsidiária da pública – dia em que se esgotar o prazo para
oferecimento da denúncia pelo MP.
∘ Caso a vítima seja menor de 18 anos, não haverá o termo inicial da contagem do prazo. Até os 18
anos, a vítima é representada pelo seu representante legal. Caso o representante não ingresse com
a representação, a vítima poderá representar a partir do momento em que completar 18 anos,
correndo a partir desse momento o prazo de 6 meses.
2.1.6 Perempção
PEREMPÇÃO, que é a desídia processual, com consequente extinção da punibilidade;
Art. 60. Nos casos em que SOMENTE se procede mediante QUEIXA, considerar-se-
á PEREMPTA a ação penal:
I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de promover o andamento do processo
durante 30 dias seguidos;
II - quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua incapacidade, não
comparecer em juízo, para prosseguir no processo, dentro do prazo de 60
(sessenta) dias, qualquer das pessoas a quem couber fazê-lo, ressalvado o disposto
no art. 36 (CADI);
III - quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo justificado, a qualquer
ato do processo a que deva estar presente, ou deixar de formular o pedido de
condenação nas alegações finais;
IV - quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir sem deixar
sucessor.
Obs.: A Perempção aplica-se única e exclusivamente a ação penal EXCLUSIVAMENTE PRIVADA. Muita
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atenção aos prazos na lei, cai muito!
2.1.7 Prescrição
É a perda da pretensão punitiva ou da pretensão executória, ou seja, é a perda do direito de punir
ou de executar a pena. Elimina os efeitos penais do crime.
Por ser matéria de ordem pública, a prescrição deve ser conhecida de ofício pelo magistrado,
podendo ocorrer em qualquer fase do processo.
Decadência x prescrição:
DECADÊNCIA PRESCRIÇÃO
Atinge diretamente o direito de ação e
indiretamente o direito de punir ou executar a
punição.
Atinge diretamente o direito de punir ou de
executar uma punição e indiretamente o direito
de ação.
Ocorre em ação penal privada ou em ação penal
pública condicionada à representação.
Poderá ocorrer em qualquer ação, seja pública ou
privada, condicionada ou incondicionada.
Somente ocorre antes da ação penal. Pode ocorrer a qualquer momento.
Não se suspende, nem se interrompe. Admite causas suspensivas e interruptivas.
Conforme a CF, são imprescritíveis: (art. 5º, XLIV)
⦁ Racismo (Lei 7.716);
⦁ Ações de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional ou contra o estado
democrático de direito.
⦁ Injúria racial (Info 1036).
Modalidades de prescrição:
(1) Prescrição da pretensão punitiva: antes do trânsito em julgado para ambas as partes. Extingue o direito
de punir / de condenar do Estado.
(2) Prescrição da pretensão executória: após o trânsito em julgado para ambas as partes. Extingue o
direito de executar a pena imposta. Os efeitos penais secundários continuam vigentes.
PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA:
Os marcos iniciais estão no artigo 112 do CP.
A prescrição da pretensão punitiva poderá se dividir em:
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a. Prescrição da pretensão punitiva propriamente dita / em abstrato: ocorre enquanto ainda não houver
sentença condenatória com trânsito em julgado para a acusação. Se regula pela pena em abstrato
cominada ao delito;
— Previsão legal: art. 109, CP
— Termo inicial da PPP em abstrato: dia em que se consumou o delito. Adota-se, em regra, a
Teoria do Resultado (art. 111, CP).
Art. 109, CP - A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, salvo o
disposto no § 1o do art. 110 deste Código, regula-se pelo máximo da pena privativa
de liberdade cominada ao crime, verificando-se:
I - em vinte anos, se o máximo da pena é superior a doze;
II - em dezesseis anos, se o máximo da pena é superior a oito anos e não excede a
doze;
III - em doze anos, se o máximoda pena é superior a quatro anos e não excede a
oito;
IV - em oito anos, se o máximo da pena é superior a dois anos e não excede a
quatro;
V - em quatro anos, se o máximo da pena é igual a um ano ou, sendo superior, não
excede a dois;
VI - em 3 (três) anos, se o máximo da pena é inferior a 1 (um) ano.
Espécies de
Prescrição
Prescrição da Pretensão
Punitiva:
Ocorre antes do trânsito em
julgado e faz desaparecer
todos os efeitos de eventual
condenação – penais e
extrapenais. Esta espécie de
prescrição se divide em 4
subespécies:
a.1) PPP propriamente dita (art.109, CP);
a.2) PPP retroativa (art. 110, §1º, CP);
a.3) PPP superveniente ou intercorrente (art.
110, §1º, CP);
a.4) PPP virtual ou antecipada ou por
prognose ou em perspectiva - jurisprudência;
Prescrição da Pretensão Executória (art. 110, caput, CP):
Ocorre depois do trânsito em julgado e impede a execução da sanção. Os demais efeitos
da condenação permanecem, pouco importando se penais ou extrapenais.
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Art. 111, CP - A prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final (PPPA),
começa a correr:
I - do dia em que o crime se consumou;
LEVA-SE EM CONSIDERAÇÃO NÃO SE LEVA EM CONSIDERAÇÃO
Qualificadora Circunstâncias judicias (art. 59 CP)
- O valor de uma circunstância judicial não tem
previsão legal.
Causas de aumento e diminuição
Atenção: tratando-se de aumento ou diminuição
variável (p. ex. 1/3 a 2/3), considerar o maior
aumento e a menor diminuição.
Agravantes e atenuantes
Atenção: A atenuante da menoridade e da
senilidade reduz o prazo prescricional pela metade
(art. 115 CP).
Concurso de crimes (art. 119 CP)
Caiu na prova Delegado/RN 2021 – FGV - O termo inicial da prescrição da pretensão punitiva é o do dia em
que cessar a permanência, em crimes desta natureza. (item correto)
b. Prescrição da pretensão punitiva retroativa: Leva esse nome por ser analisada da seguinte maneira:
após a publicação da sentença condenatória, deve-se pegar a pena em concreto fixada, verificar o prazo
prescricional definido para ela no artigo 109, e voltar no tempo para ver se ele foi ultrapassado entre a
data do recebimento da denúncia e a publicação da sentença ou acórdão condenatório, ou seja, é uma
análise retroativa baseada na pena em concreto.
(Por expressa previsão legal, não há aqui o intervalo entre a consumação e o recebimento da
denúncia.)
Art. 110, §1o, CP - A prescrição, depois da sentença condenatória com trânsito em
julgado para a acusação ou depois de improvido seu recurso, regula-se pela pena
aplicada, não podendo, em nenhuma hipótese, ter por termo inicial data anterior à
da denúncia ou queixa.
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Características da PPP Retroativa:
✔ Pressupõe sentença ou acórdão penal condenatório;
✔ Leva em conta a pena efetivamente imposta na sentença;
✔ Pressupõe trânsito em julgado para acusação no que se relaciona à pena aplicada;
✔ Os prazos prescricionais são os mesmos do art. 109, do CP;
✔ Conta-se a PPP Retroativa da publicação da sentença condenatória até o recebimento da
inicial;
c. Prescrição da pretensão punitiva superveniente / intercorrente: utiliza o mesmo método da prescrição
retroativa, porém, contada “para frente”. Havendo a publicação da sentença condenatória, pega-se a
pena em concreto fixada e verifica-se o transcurso ou não do lapso temporal previsto no artigo 109 entre
a publicação da sentença ou do acórdão condenatório e a data do trânsito em julgado para ambas as
partes.
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Prescrição da pretensão punitiva virtual (antecipada ou em perspectiva ou prognose): Sem previsão legal.
Faz-se uma análise hipotética considerando as circunstâncias que seriam levadas em conta quando o juiz
fosse graduar a pena, para que se chegue a uma provável condenação, sendo tal pena virtualmente
considerada como base para se averiguar uma possível prescrição, de modo que, caso presente essa
possibilidade, não haveria interesse do Estado em dar andamento a uma ação penal que levaria à extinção
da punibilidade. Alega-se a ausência do interesse de agir. Não é admitida. Entendimento sumulado pelo STJ,
enunciado 438.
Súmula 438, STJ - É inadmissível a extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva com
fundamento em pena hipotética, independentemente da existência ou sorte do processo penal.
● Termo inicial da prescrição da pretensão punitiva: Artigo 111 do CP. Adota-se a teoria do resultado.
- Crime consumado – regra geral: data da consumação;
- Tentativa – regra geral: data da cessação da atividade criminosa;
- Crimes permanentes e habituais: data da cessação da permanência;
- Bigamia e falsificação ou alteração de assentamento do registro civil: Data do conhecimento do
fato.
- Crimes contra a dignidade sexual contra criança e adolescente ou que envolvam violência contra
criança e adolescente, data em que a vítima completar 18 (dezoito) anos, salvo se já houver sido
proposta ação penal.
- Crime do artigo 2º, I da Lei nº 8.137/90 praticado com fraude: data em que a fraude é praticada,
e não a data em que ela é descoberta. Trata-se de crime formal e instantâneo de efeitos
permanentes.
- Crime do artigo 1º, I da Lei nº 8.137/90: data da constituição do crédito tributário (lançamento
definitivo). Crime material.
● Causas suspensivas da prescrição da pretensão punitiva: Art. 116 do CP. O lapso temporal anterior é
contabilizado quando cessar a causa.
Causas impeditivas da prescrição
Art. 116 - Antes de passar em julgado a sentença final, a prescrição não corre:
I - enquanto não resolvida, em outro processo, questão de que dependa o
reconhecimento da existência do crime;
II - enquanto o agente cumpre pena no exterior; (Redação dada pela Lei nº 13.964,
de 2019)
III - na pendência de embargos de declaração ou de recursos aos Tribunais
Superiores, quando inadmissíveis; e (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
IV - enquanto não cumprido ou não rescindido o acordo de não persecução
penal. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art2
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Parágrafo único - Depois de passada em julgado a sentença condenatória, a
prescrição não corre durante o tempo em que o condenado está preso por outro
motivo.
ANTES DO PACOTE ANTICRIME APÓS O PACOTE ANTICRIME
I - enquanto não resolvida, em outro processo,
questão de que dependa o reconhecimento da
existência do crime;
II - enquanto o agente cumpre pena no estrangeiro.
I - enquanto não resolvida, em outro processo,
questão de que dependa o reconhecimento da
existência do crime;
II - enquanto o agente cumpre pena no exterior;
III - na pendência de embargos de declaração ou de
recursos aos Tribunais Superiores, quando
inadmissíveis; e
IV - enquanto não cumprido ou não rescindido o
acordo de não persecução penal.
∘ Inciso I – Apesar de o presente inciso referir-se apenas à questão prejudicial obrigatória, prevalece na
doutrina a aplicação dessa causa suspensiva de prescrição também para as questões prejudiciais
facultativas, desde que o Juiz decida atacá-las.
Para relembrar... (arts. 92 a 94 do CPP)
DAS QUESTÕES PREJUDICIAIS
Art. 92, CPP. Se a decisão sobre a existência da infração depender da solução de
controvérsia, que o juiz repute séria e fundada, sobre o estado civil das pessoas, o
curso da ação penal ficará suspenso até que no juízo cível seja a controvérsia
dirimida por sentença passada em julgado, sem prejuízo, entretanto, da inquirição
das testemunhas e de outras provas de natureza urgente.
Parágrafo único. Se for crime de ação pública, o Ministério Público, quando
necessário, promoverá aação civil ou prosseguirá na que tiver sido iniciada, com a
citação dos interessados.
Art. 93, CPP. Se o reconhecimento da existência da infração penal depender de
decisão sobre questão diversa da prevista no artigo anterior, da competência do
juízo cível, e se neste houver sido proposta ação para resolvê-la, o juiz criminal
poderá, desde que essa questão seja de difícil solução e não verse sobre direito cuja
prova a lei civil limite, suspender o curso do processo, após a inquirição das
testemunhas e realização das outras provas de natureza urgente.
§ 1o O juiz marcará o prazo da suspensão, que poderá ser razoavelmente
prorrogado, se a demora não for imputável à parte. Expirado o prazo, sem que o
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juiz cível tenha proferido decisão, o juiz criminal fará prosseguir o processo,
retomando sua competência para resolver, de fato e de direito, toda a matéria da
acusação ou da defesa.
§ 2o Do despacho que denegar a suspensão não caberá recurso.
§ 3o Suspenso o processo, e tratando-se de crime de ação pública, incumbirá ao
Ministério Público intervir imediatamente na causa cível, para o fim de promover-
lhe o rápido andamento.
Art. 94, CPP. A suspensão do curso da ação penal, nos casos dos artigos anteriores,
será decretada pelo juiz, de ofício ou a requerimento das partes.
∘ Inciso II - A prescrição ficará suspensa enquanto o agente cumpre pena no exterior. (Atenção com as
pegadinhas aqui, pois o Pacote Anticrime substituiu a palavra “estrangeiro” por “exterior”)
∘ Inciso III – A terceira causa suspensiva foi inserida pelo Pacote Anticrime e impede o curso do prazo
prescricional na pendência de embargos de declaração ou de recursos aos Tribunais Superiores,
quando inadmissíveis. Com isso, evita-se que os embargos (no geral, incapazes de modificar
substancialmente a decisão) e os recursos de índole extraordinária sejam utilizados como
instrumentos meramente protelatórios para se alcançar a prescrição por meio do adiamento do
julgamento final.
Trata-se de causa suspensiva irretroativa, aplicando-se somente a fatos cometidos após sua entrada
em vigor!
Caiu na Prova Delegado ES (aplicação 11/09/22) A respeito da extinção da punibilidade, assinale a opção
correta à luz do disposto no Código Penal e da jurisprudência dos tribunais superiores: Não corre prescrição
antes do trânsito em julgado da sentença final de recurso inadmissível nos tribunais superiores e pendente
de julgamento. (item correto).
∘ Inciso IV – Esta causa suspensiva também foi inserida pelo Pacote Anticrime, e incide enquanto não
cumprido ou não rescindido o acordo de não persecução penal (previsto no art. 28-A, CPP).
∘ Parágrafo único – esta causa suspensiva somente é aplicada em relação prescrição da pretensão
executória, no sentido de que, após passada em julgado a sentença condenatória, a prescrição não
corre durante o tempo em que o condenado está preso por outro motivo.
Obs.: Embora o rol do art. 116 não comporte analogia, não se trata de um rol taxativo, haja vista que existem
outras causas suspensivas em nosso ordenamento jurídico. Como por exemplo:
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· Art. 366 do CPP, que regula a citação por edital no processo penal, suspendendo-se o curso
prescricional durante este lapso. Lembrando que o STJ entende, conforme súmula 415, que este
período de suspensão é regulado pelo máximo da pena cominada.
· Art. 386 do CPP, que regula a suspensão do prazo prescricional em caso de carta rogatória, quando
o acusado se encontra no estrangeiro.
· Art. 53, §§ 3º a 5º da CF/88, que disciplina a suspensão do processo contra parlamentares.
· Suspensão condicional da pena:
Durante a suspensão condicional da pena não corre o prazo prescricional. STF. 2ª
Turma. Ext 1254/Romênia, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 29/4/2014 (Info
744).
Facilitando:
Causas suspensivas da prescrição:
- questões prejudiciais
- suspensão condicional do processo parlamentar
- suspensão condicional da pena
- suspensão condicional do processo
- revel citado por edital
Atenção!! STJ: A transação penal não suspende o curso do prazo prescricional.
- Transação Penal: prescrição continua a correr.
- Suspensão condicional da pena e do processo: prescrição NÃO corre.
Impende rememorar, nesse sentido, que, “em observância ao princípio da legalidade,
as causas suspensivas da prescrição demandam expressa previsão legal” (AgRg no
REsp n. 1.371.909/SC, relator Ministro JOEL ILAN PACIORNIK, QUINTA TURMA,
julgado em 23/8/2018, DJe de 3/9/2018).
Cabe destacar que a Lei n. 9.099/1995, ao tratar da suspensão condicional do processo, instituto
diverso, previu, expressamente, no art. 89, § 6º, que “não correrá a prescrição durante o prazo de suspensão
do processo”.
Da mesma forma, semelhante previsão consta do art. 366 do Código de Processo Penal, que, ao cuidar da
suspensão do processo, impõe, conjuntamente, a suspensão do curso do prazo prescricional. Assim, a
permissão de suspensão do curso do prazo prescricional sem a existência de determinação legal
consubstancia flagrante violação ao princípio da legalidade”.
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● Causas interruptivas da prescrição da pretensão punitiva: Art. 117 do CP. Diante da ocorrência de
uma delas, o prazo prescricional é reiniciado por inteiro e valerá contra todos os autores e partícipes
do delito.
✔ Incisos I a IV – interrompem a prescrição da pretensão punitiva
✔ Incisos V e VI – interrompem a prescrição da pretensão executória (estudaremos adiante)
Causas interruptivas da prescrição
Art. 117 - O curso da prescrição interrompe-se:
I - Pelo recebimento da denúncia ou da queixa;
II - Pela pronúncia;
III - pela decisão confirmatória da pronúncia;
IV - Pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios recorríveis;
V - Pelo início ou continuação do cumprimento da pena;
VI - pela reincidência. (Redação dada pela Lei nº 9.268, de 1º.4.1996)
§ 1º - Excetuados os casos dos incisos V e VI deste artigo, a interrupção da
prescrição produz efeitos relativamente a todos os autores do crime. Nos crimes
conexos, que sejam objeto do mesmo processo, estende-se aos demais a
interrupção relativa a qualquer deles.
§ 2º - Interrompida a prescrição, salvo a hipótese do inciso V deste artigo, todo o
prazo começa a correr, novamente, do dia da interrupção. (Redação dada pela Lei
nº 7.209, de 11.7.1984)
CAIU EM PROVA – Vunesp - entre as causas que interrompem a prescrição, estão o início ou a continuação
do cumprimento da pena. (item correto).
Considerações importantes:
● O que vale é o RECEBIMENTO da denúncia ou queixa. Oferecimento ou rejeição não.
● Embora o artigo fale em sentença de pronúncia, entende-se que a desclassificação imprópria nos casos
do tribunal do júri (desclassifica para outro crime, também de competência do júri) também interrompe
a prescrição. A desclassificação própria, impronúncia ou absolvição sumária não interrompem a
prescrição. Cuidado com a interpretação da súmula 191 do STJ.
● No caso de crimes conexos que sejam objeto do mesmo processo, havendo sentença condenatória para
um dos crimes e acórdão condenatório para o outro delito, tem-se que a prescrição da pretensão punitiva
de ambos é interrompida a cada provimento jurisdicional (art. 117, § 1º, do CP). STJ. 5ª Turma. RHC
40.177-PR, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 25/8/2015 (Info 568) (fonte: Dizer o
direito).
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9268.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htm#art117
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/1980-1988/L7209.htm#art117
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● O termo inicial no caso de fuga do preso é da data da recaptura, por ser umainfração disciplinar de
natureza permanente.
● O cumprimento da pena imposta em outro processo, ainda que em regime aberto ou prisão domiciliar,
impede o curso da prescrição executória (STF, Informativo 670).
● Acórdão que confirma ou reduz a pena interrompe a prescrição?
SIM. É a posição atual da 1ª Turma do STF, que foi confirmada pelo Plenário do STF
em abril de 2020.
O acórdão confirmatório da sentença implica a interrupção da prescrição.
A prescrição é, como se sabe, o perecimento da pretensão punitiva ou da pretensão
executória pela inércia do próprio Estado.
No art. 117 do Código Penal que deve ser interpretado de forma sistemática todas
as causas interruptivas da prescrição demonstram, em cada inciso, que o Estado
não está inerte. Não obstante a posição de parte da doutrina, o Código Penal não
faz distinção entre acórdão condenatório inicial e acórdão condenatório
confirmatório da decisão. Não há, sistematicamente, justificativa para tratamentos
díspares.
A ideia de prescrição está vinculada à inércia estatal e o que existe na confirmação
da condenação é a atuação do Tribunal. Consequentemente, se o Estado não está
inerte, há necessidade de se interromper a prescrição para o cumprimento do
devido processo legal. STF. 1ª Turma. RE 1237572 AgR, Rel. Min. Marco Aurélio,
Relator p/ Acórdão Min. Alexandre de Moraes, julgado em 26/11/2019.STF. 1ª
Turma. RE 1241683 AgR/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 4/2/2020 (Info 965).
Nos termos do inciso IV do artigo 117 do Código Penal, o acórdão condenatório
sempre interrompe a prescrição, inclusive quando confirmatório da sentença de 1º
grau, seja mantendo, reduzindo ou aumentando a pena anteriormente imposta.
STF. Plenário. HC 176473/RR, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
27/04/2020.
● Prazos prescricionais: fixados no artigo 109 do CP.
● Redução do prazo prescricional:
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- Se o agente for menor de 21 na data do fato ou maior de 70 anos na data da sentença, o prazo prescricional
será reduzido pela metade.
● Prescrição dos atos infracionais: a prescrição será regulada pelos mesmos prazos. Porém, há de se
salientar que sempre incidirá a redução do prazo pela metade, prevista no artigo 115 do CP, vez que são
praticados por pessoas inevitavelmente menores de 21 anos.
Art. 115 - São reduzidos de metade os prazos de prescrição quando o criminoso
era, ao tempo do crime, menor de 21 (vinte e um) anos, ou, na data da sentença,
maior de 70 (setenta) anos
Veja a jurisprudência sobre o tema:
Para que incida a redução do prazo prescricional prevista no art. 115 do CP, é
necessário que, no momento da sentença, o condenado possua mais de 70 anos.
Se ele só completou a idade após a sentença, não terá direito ao benefício, mesmo
que isso tenha ocorrido antes do julgamento de apelação interposta contra a
sentença. Existe, no entanto, uma situação em que o condenado será beneficiado
pela redução do art. 115 do CP mesmo tendo completado 70 anos após a
"sentença" (sentença ou acórdão condenatório): isso ocorre quando o condenado
opõe embargos de declaração contra a sentença/acórdão condenatórios e esses
embargos são conhecidos. Nesse caso, o prazo prescricional será reduzido pela
metade se o réu completar 70 anos até a data do julgamento dos embargos. Nesse
sentido: STF. Plenário. AP 516 ED/DF, rel. orig. Min. Ayres Britto, red. p/ o acórdão
Min. Luiz Fux, julgado em 5/12/2013 (Info 731). STF. 2ª Turma. HC 129696/SP, Rel.
Min. Dias Toffoli, julgado em 19/4/2016 (Info 822).
Cuidado! O STJ entende que é possível aplicar a redução do art. 115 do CP no momento do acórdão
(ou seja, após a sentença), se a sentença foi absolutória e o primeiro decreto condenatório foi a apelação.
Ex.: João tinha 68 anos quando foi prolatada a sentença; a sentença foi absolutória; o MP apelou e o TJ
reformou a sentença, condenando o réu; ocorre que, no momento do acórdão condenatório, João já tinha
mais de 70 anos; neste caso, será possível aplicar a redução pela metade do prazo prescricional, conforme
previsto no art. 115 do CP. Nesse sentido:
"A redução do prazo prescricional à metade, com base no art. 115 do Código Penal,
aplica-se aos réus que atingirem a idade de 70 anos até a primeira condenação,
tenha ela se dado na sentença ou no acórdão, situação que não ocorreu na
hipótese”. STJ. 6ª Turma. AgRg nos EDcl no AREsp 491.258/TO, Rel. Min. Antônio
Saldanha Palheiro, julgado em 07/02/2019. Assim, o termo "sentença",
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mencionado no art. 115 do CP, deve ser entendido como "primeira decisão
condenatória, seja sentença ou acórdão proferido em apelação" (STJ. 6ª Turma.
HC 316.110/SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 25/06/2019).
● Prescrição das medidas de segurança:
- STF: não pode ser superior a 40 anos. (Alteração promovida pelo Pacote Anticrime)
- STJ: A prescrição da medida de segurança imposta em sentença absolutória imprópria é regulada
pela pena máxima abstratamente prevista para o delito. (Info 535/2014)
Em provas objetivas, utilize o entendimento do STF! No entanto, em uma prova
discursiva, é importantíssimo mencionar a divergência jurisprudencial e o
entendimento do STJ!
● Pena de multa:
- Se fixada isoladamente: 2 anos.
- Se fixada cumulada ou alternativamente com pena privativa de liberdade: será regulada pelo prazo
prescricional da pena privativa de liberdade.
Caiu em prova - Vunesp - A prescrição da pena de multa ocorrerá sempre em dois anos. (item incorreto).
● Crime do artigo 28 da lei de drogas: em 2 anos, conforme art. 30 da Lei 11.343/2006.
● Substituição da pena privativa de liberdade em restritiva de direitos: deve ser analisada a pena privativa
de liberdade fixada antes da conversão para se chegar ao prazo prescricional.
● Causas de aumento ou diminuição para o cálculo em abstrato: utilizar a fração que mais aumente ou
que menos diminua, ou seja, pensar sempre na pior das hipóteses.
● Atenuantes e agravantes: não são consideradas.
● Concurso de crimes: Art. 119 do CP: No caso de concurso de crimes, a extinção da punibilidade incidirá
sobre a pena de cada um, isoladamente
● Crime continuado: Súmula 497 do STF: Quando se tratar de crime continuado, a prescrição regula-se
pela pena imposta na sentença, não se computando o acréscimo decorrente da continuação.
● FACILITANDO O ENTENDIMENTO:
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A prescrição da pretensão punitiva propriamente dita leva em conta a pena máxima prevista de
forma abstrata para o delito. Como não há pena imposta ao indivíduo, leva-se em consideração a maior pena
que pode ser aplicada no caso, sem análise do mérito, apenas considerando qual a pena mais alta que pode
ser calculada pelo juiz em relação à conduta de que se acusa o indivíduo. Eventual qualificadora deve ser
considerada. A forma qualificada estipula uma pena abstrata diversa para o caso de sua configuração, com
novas balizas máxima e mínima. Deste modo, é o limite máximo próprio do delito qualificado que deve ser
utilizado como parâmetro para o estabelecimento do prazo prescricional daquele caso. As majorantes são
levadas em conta para se fixar o prazo prescricional de cada infração. Quando a lei prevê majorantes, pode
haver uma fixação de um mínimo e máximo para o aumento. Ex.: Nas hipóteses do roubo majorado, previsto
no art. 157, §2º, do CP, o legislador estabeleceu que a pena deve ser aumentada de 1/3 à metade. Nestes
casos, deve-se considerar o maior aumento possível para se obter a maior pena abstratamente cominada
àquele fato. Adota-se a chamada TEORIA DA PIOR DAS HIPÓTESES, já que o cálculo deve encontrar a maior
pena possível abstratamente cominada ao delito. Se o indivíduoé acusado ou investigado em relação à
prática de um delito majorado deve-se considerar o maior aumento possível. No caso de incidir uma
minorante ou uma causa de diminuição de pena considera-se a menor diminuição possível.
Em resumo: a fração de aumento decorrente de concurso formal ou crime continuado deve ser
desconsiderada. O cálculo deve ser só sobre a pena principal.
Via de regra, deve ser feita, basicamente, a seguinte análise:
a. Verificar a pena em abstrato a depender da hipótese, com as respectivas causas de aumento
(fração que mais aumenta) ou diminuição (fração que mais diminui);
b. Colocar essa pena da “tabela” do artigo 109 do CP e verificar seu prazo prescricional;
c. Verificar se não é caso de prazo especial (pena de multa isolada ou artigo 28 da Lei de Drogas);
d. Verificar se é cabível a redução do art. 115 do CP;
e. Verificar se transcorreu o prazo prescricional obtido pelos passos anteriores dentro de algum dos
intervalos do artigo 117 do CP.
ATENÇÃO A JURISPRUDÊNCIA RECENTE!
O inadimplemento da pena de multa impede a extinção da punibilidade mesmo que já tenha sido
cumprida a pena privativa de liberdade ou a pena restritiva de direitos?
Regra: SIM. Se o indivíduo for condenado a pena privativa de liberdade e multa, o inadimplemento
da sanção pecuniária obsta (impede) o reconhecimento da extinção da punibilidade. Em outras palavras,
somente haverá a extinção da punibilidade se, além do cumprimento da pena privativa de liberdade, houver
o pagamento da multa.
Exceção: se o condenado comprovar que não tem como pagar a multa. Se o condenado comprovar
a impossibilidade de pagar a sanção pecuniária, neste caso, será possível a extinção da punibilidade mesmo
sem a quitação da multa. Bastará cumprir a pena privativa de liberdade e comprovar que não tem condições
de pagar a multa. O STJ fixou a seguinte tese:
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Na hipótese de condenação concomitante a pena privativa de liberdade e multa, o
inadimplemento da sanção pecuniária, pelo condenado que comprovar impossibilidade de
fazê-lo, não obsta o reconhecimento da extinção da punibilidade. STJ. 3ª Seção. REsp
1785861/SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 24/11/2021 (Recurso Repetitivo –
Tema 931).
d. Prescrição da Pretensão Executória: A Prescrição da Pretensão Executória é prescrição de pena em
concreto (regula-se pela pena aplicada na sentença) e pressupõe sentença condenatória com trânsito
em julgado para ambas as partes (decisão irrecorrível).
Aqui, SOMENTE AQUI, se o réu for reincidente, aumenta-se o prazo prescricional em 1/3, conforme
o artigo 110 do CP e Súmula 220/STJ.
Súmula 220-STJ: A reincidência não influi no prazo da prescrição da pretensão
punitiva.
Art. 110, caput, do CP - A prescrição depois de transitar em julgado a sentença
condenatória (para acusação e defesa) regula-se pela pena aplicada e verifica-se
nos prazos fixados no artigo anterior, os quais se aumentam de um terço, se o
condenado é reincidente.
Obs1: Do mesmo modo que a PPP em abstrato, a PPP retroativa e a PPP superveniente, a prescrição
executória, havendo concurso de crimes, incide sobre cada delito isoladamente (art. 119, do CP).
Art. 119, CP - No caso de concurso de crimes, a extinção da punibilidade incidirá
sobre a pena de cada um, isoladamente.
Obs2: A PPE extingue a pena aplicada, sem rescindir a sentença condenatória (que continua produzindo
efeitos penais e extrapenais).
PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO EXECUTÓRIA
Rescinde eventual sentença condenatória, não
operando efeitos penais e extrapenais.
Não rescinde condenação, produzindo efeitos
penais e extrapenais.
Extingue o direito de punir. Extingue o direito de executar a pena imposta.
Não gera reincidência. Gera reincidência.
A sentença não serve como título executivo. A sentença serve como título executivo.
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● Termo inicial: art. 112, CP: A prescrição depois do trânsito em julgado é prescrição de pena efetivamente
imposta, que pressupõe trânsito em julgado para ambas as partes. Porém, tem termo inicial no trânsito
em julgado para a acusação, verificando-se dentro dos prazos estabelecidos pelo art. 109, do CP, os
quais são aumentados de 1/3 se o condenado é reincidente.
Art. 112, CP - No caso do art. 110 deste Código, a prescrição começa a correr:
I - do dia em que transita em julgado a sentença condenatória, para a acusação
(regra), ou a que revoga a suspensão condicional da pena ou o livramento
condicional;
II - do dia em que se interrompe a execução, salvo quando o tempo da interrupção
deva computar-se na pena.
● Causas Interruptivas da PPE: art. 117, V e VI do CP.
Art. 117, CP - O curso da prescrição interrompe-se:
V - pelo início ou continuação do cumprimento da pena;
VI - pela reincidência.
§1º - Excetuados os casos dos incisos V e VI deste artigo, a interrupção da prescrição
produz efeitos relativamente a todos os autores do crime. Nos crimes conexos, que
sejam objeto do mesmo processo, estende-se aos demais a interrupção relativa a
qualquer deles.
§ 2º - Interrompida a prescrição, salvo a hipótese do inciso V deste artigo, todo o
prazo começa a correr, novamente, do dia da interrupção.
Atente-se à recente jurisprudência sobre o tema:
O cumprimento de pena imposta em outro processo, ainda que em regime aberto
ou em prisão domiciliar, impede o curso da prescrição executória
De acordo com o parágrafo único do art. 116 do Código Penal, “depois de passada
em julgado a sentença condenatória, a prescrição não corre durante o tempo em
que o condenado está preso por outro motivo”. Ao interpretar o referido
dispositivo legal, o STJ pacificou o entendimento de que o cumprimento de pena
imposta em outro processo, ainda que em regime aberto ou em prisão domiciliar,
impede o curso da prescrição executória. Assim, não há que se falar em fluência do
prazo prescricional, o que impede o reconhecimento da extinção de sua
punibilidade. O fato de o prazo prescricional não correr durante o tempo em que o
condenado está preso por outro motivo não depende da unificação das penas. STJ.
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/439fca360bc99c315c5882c4432ae7a4?categoria=11&subcategoria=101
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/439fca360bc99c315c5882c4432ae7a4?categoria=11&subcategoria=101
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5ª Turma. AgRg no RHC 123523-SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 13/04/2020
(Info 670).
2.1.7 Perempção
Sanção processual imposta ao querelante omisso na ação penal exclusivamente privada, impedindo
o seu prosseguimento.
Não são todas as ações penais privadas que comportam perempção. No caso da ação penal privada
subsidiária da pública, o MP retomará a titularidade da ação (ação penal indireta).
Dar-se-á caso ocorra uma das seguintes hipóteses:
● O querelante deixar de promover o andamento do processo durante 30 dias seguidos, salvo se
houver motivo justo;
● Falecimento do querelante, ou sobrevindo sua incapacidade, e ninguém compareceu para dar
seguimento ao processo, dentro do prazo de 60 dias;
● O querelante deixar de comparecer, injustificadamente, a qualquer ato do processo a que deva estar
presente, ou deixar de formular o pedido de condenação nas alegações finais;
● Quando o querelante for pessoa jurídica e se extinguir sem deixar sucessor.
● Quando houver recurso da defesa e o querelante não apresentar contrarrazões recursais
(entendimento jurisprudencial).
Caso haja dois querelantes e um deles seja desidioso, haverá perempção apenas para este, não sendo
o outro prejudicado.
2.1.8 Renúncia
Ato voluntário do ofendido desistindo do direito de propor a ação penal privada. A renúncia em
relaçãoa um dos autores se estenderá a todos, se houver concurso de pessoas.
2.1.9 Perdão Aceito ou Perdão do Ofendido
● É ato voluntário para obstar o prosseguimento da ação penal privada.
● Pode haver recusa do querelado, tratando-se de ato bilateral. Logo, o que extingue a
punibilidade NÃO é o perdão, mas o perdão aceito.
● Deve ser exercido APÓS a propositura da ação penal privada, mas ANTES do trânsito em
julgado da sentença penal condenatória.
● Se um dos ofendidos conceder o perdão, NÃO prejudicará o direito dos outros, no caso de
haver ofensa a mais de uma pessoa.
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2.1.10 Retratação
É ato de retirar o que foi dito.
● Por ser ato pessoal, a retratação por um dos querelados NÃO se aplica aos demais.
● Deve ser irrestrita e incondicional.
● Aplicável nos casos de calúnia, difamação, falso testemunho.
2.1.11 Perdão Judicial
Possibilidade de o juiz deixar de aplicar a sanção penal ao autor do crime, se evidenciadas certas
circunstâncias que demonstrem a desnecessidade de pena.
Requisitos para aplicar o perdão judicial:
1) As consequências podem ser físicas ou morais
2) A gravidade deve ser aferida no caso concreto.
Obs.: Natureza jurídica da sentença concessiva de perdão judicial:
Súmula 18, STJ: a sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção
da punibilidade, não subsistindo qualquer efeito condenatório.
RECURSO ESPECIAL. HOMICÍDIO CULPOSO NO TRÂNSITO. ART. 302, CAPUT, DA LEI
N. 9.503/1997. PERDÃO JUDICIAL. ART. 121, § 5º, DO CÓDIGO PENAL. VÍNCULO
AFETIVO ENTRE RÉU E VÍTIMA. NECESSIDADE. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO.
1. O texto do § 5º do art. 121 do Código Penal não definiu o caráter das
consequências, mas não deixa dúvidas quanto à forma grave com que essas devem
atingir o agente, ao ponto de tornar desnecessária a sanção penal.
2. Não há empecilho a que se aplique o perdão judicial nos casos em que o agente
do homicídio culposo - mais especificamente nas hipóteses de crime de trânsito -
sofra sequelas físicas gravíssimas e permanentes, como, por exemplo, ficar
tetraplégico, em estado vegetativo, ou incapacitado para o trabalho.
3. A análise do grave sofrimento, apto a ensejar, também, a inutilidade da função
retributiva da pena, deve ser aferido de acordo com o estado emocional de que é
acometido o sujeito ativo do crime, em decorrência da sua ação culposa.
4. A melhor doutrina, quando a avaliação está voltada para o sofrimento psicológico
do agente, enxerga no § 5º a exigência de um vínculo, de um laço prévio de
conhecimento entre os envolvidos, para que seja "tão grave" a consequência do
crime ao agente. A interpretação dada, na maior parte das vezes, é no sentido de
que só sofre intensamente o réu que, de forma culposa, matou alguém conhecido
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e com quem mantinha laços afetivos.5. Entender pela desnecessidade do vínculo
seria abrir uma fenda na lei, que se entende não haver desejado o legislador, pois,
além de difícil aferição - o tão grave sofrimento -, serviria como argumento de
defesa para todo e qualquer caso de delito de trânsito, com vítima fatal.6. O que
se pretende é conferir à lei interpretação mais razoável e humana, sem jamais
perder de vista o desgaste emocional (talvez perene) que sofrerá o acusado dessa
espécie de delito, que não conhecia a vítima. Solidarizar-se com o choque
psicológico do agente não pode, por outro lado, conduzir a uma eventual
banalização do instituto, o que seria, no atual cenário de violência no trânsito - que
tanto se tenta combater -, no mínimo, temerário.7. Recurso especial a que se nega
provimento. (REsp 1455178/DF, Rel. Ministro ROGERIO SCHIETTI CRUZ, SEXTA
TURMA, julgado em 05/06/2014, DJe 06/06/2014)
STJ-Resp 1.455.178/DF: O perdão judicial não pode ser concedido ao agente do
homicídio culposo na direção de veículo automotor (art. 302 do CTB) que, embora
atingido moralmente de forma grave pelas consequências do acidente, não tinha
vínculo afetivo com a vítima nem sofreu sequelas físicas gravíssimas e
permanentes.
JURISPRUDÊNCIAS SOBRE O TEMA
→ Em caso de inatividade processual decorrente de citação por edital, ressalvados
os crimes previstos na Constituição Federal como imprescritíveis, é constitucional
limitar o período de suspensão do prazo prescricional ao tempo de prescrição da
pena máxima em abstrato cominada ao crime, a despeito de o processo permanecer
suspenso. STF. Plenário. RE 600851, Rel. Min. Edson Fachin, julgado em 04/12/2020
(Repercussão Geral – Tema 438) (Info 1001).
→ A comunicabilidade da interrupção do prazo prescricional alcança tão somente
os corréus do mesmo processo. Dessa forma, havendo desmembramento, os feitos
passam a tramitar de forma autônoma, possuindo seus próprios prazos, inclusive
em relação à prescrição.STJ. 5ª Turma. AgRg no RHC 121.697/SP, Rel. Min. Joel Ilan
Paciornik, julgado em 19/10/2021.
→ O recebimento da denúncia é previsto como causa de interrupção do prazo
prescricional (art. 117, I, do CP). Situação1: se a denúncia foi recebida por juízo
absolutamente incompetente, pode-se dizer que houve interrupção do prazo de
prescrição?
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NÃO. Doutrina e jurisprudência são uniformes no sentido de que o recebimento da
denúncia por magistrado absolutamente incompetente não interrompe o curso do
prazo prescricional. Assim, mesmo que, posteriormente, a denúncia seja recebida
pelo juízo competente, aquele primeiro recebimento feito pelo magistrado
absolutamente incompetente não servirá como marco interruptivo da prescrição.
Ex.: se um juiz de 1ª instância recebe denúncia formulada contra réu que detém
foro por prerrogativa de função no Tribunal (STJ. Corte Especial. APn 295-RR, Rel.
Min. Jorge Mussi, julgado em 17/12/2014).
→ Situação 2: se o vício fosse de incompetência relativa, haveria interrupção da
prescrição? A denúncia recebida por juízo relativamente incompetente
interrompe a prescrição se depois for ratificada pelo juízo competente?
SIM. Pelo princípio da convalidação, o recebimento da denúncia por parte de Juízo
territorialmente incompetente tem o condão de interromper o prazo prescricional.
Se a denúncia foi recebida pelo juízo relativamente incompetente em 2010 e depois
foi ratificada em 2011, considera-se que houve interrupção em 2010. A
convalidação posterior possui natureza declaratória, servindo apenas para
confirmar a validade daquela primeira decisão. Repetindo: o recebimento da
denúncia por parte de Juízo territorialmente incompetente tem o condão de
interromper o prazo prescricional (STJ. 5ª Turma. RHC 40.514/MG, Rel. Min. Laurita
Vaz, julgado em 08/05/2014). STJ. Corte Especial. APn 295-RR, Rel. Min. Jorge
Mussi, julgado em 17/12/2014 (Info 555).
ATENÇÃO!! Conforme o STJ, a queixa-crime apresentada perante juízo incompetente OBSTA (impede) a
decadência, se tiver sido observado o prazo de seis meses previsto no CPP.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
- Direito Penal – Parte Geral – Volume 1 – 16ª edição – Cleber Masson;
- Sinopse nº1 – Direito Penal – Parte geral – 7ª edição – Alexandre Salim e Marcelo André de Azevedo;
- Manual de Direito Penal – Parte geral – 7ª edição – Rogério Sanches Cunha.
- Site Dizer o Direito – www.dizerodireito.com.br
http://www.dizerodireito.com.br/
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QUESTÕES PROPOSTAS
1 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Delegado de Polícia - Edital nº 01
No dia 13 de dezembro de 2021, Joaquim trafegava em seu veículo automotor, em via urbana, no Município
de Manaus, com sinalização expressa de velocidade máxima de 40 km/h, por estar em área escolar. No
entanto, violando seu dever de cuidado, fez o carro alcançar a marca de 80 km/h, vindo a atropelar
motociclista quetrafegava pela mesma via, que, em virtude das lesões sofridas, veio a falecer no local.
Instaurada a devida investigação, enquanto se aguardava a elaboração das peças técnicas, surgiu a
informação de que a escola havia sido desativada e que o local passou a ter nova velocidade limite, de 90
km/h, determinada por ato administrativo municipal.
Diante dessa hipótese assinale a afirmativa correta.
A-Não há alteração da situação jurídico-penal, pois não houve modificação do fim de proteção do tipo penal.
B-Houve abolitio criminis, em razão da alteração ocorrida na norma integradora, acarretando extinção da
punibilidade.
C-Houve abolitio criminis, em razão da sucessão de normas convocadas pelos elementos normativos.
D-Houve abolitio criminis, em razão da ocorrência de novatio legis administrativa, que favorece o agente.
E-Não há alteração da situação jurídico-penal, em razão da incidência da regra do tempus regit actum.
2 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Delegado de Polícia - Edital nº 01
Determinado agente foi imputado pela prática de crime de roubo, na forma simples. No curso da instrução,
a partir do surgimento de novas provas, foi realizado o aditamento à denúncia, com inclusão de dois novos
coautores, com a caracterização de concurso de agentes entre estes e o agente original.
O recebimento do aditamento à denúncia
A-sempre constitui marco interruptivo da pretensão punitiva e produz efeitos relativos a todos os acusados.
B-sempre constitui marco interruptivo da pretensão punitiva, mas não produz efeitos relativos ao réu
original.
C-constitui, ressalvados os casos de cumprimento de pena e reincidência, marco interruptivo da pretensão
punitiva, mas não produz efeitos relativos ao réu original.
D-constitui, ressalvados os casos de cumprimento de pena e reincidência, marco interruptivo da pretensão
punitiva e produz efeitos relativos a todos os acusados.
E-não produz efeitos no marco interruptivo da pretensão punitiva, posto já operados com a imputação
original, a inclusão superveniente de novos imputados.
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3 - 2022 - FGV - PC-AM - FGV - 2022 - PC-AM - Delegado de Polícia - Edital nº 01
No que toca ao acórdão condenatório, assinale a afirmativa correta.
A-Interrompe a prescrição, desde que aumente a pena anteriormente imposta.
B-Interrompe a prescrição, desde que não importe em diminuição da pena anteriormente imposta.
C-Não interrompe a prescrição, quando meramente confirmatório da sentença de primeiro grau.
D-Sempre interrompe a prescrição, desde que o fato seja posterior ao julgamento do HC 176.473/PR pelo
STF.
E-Sempre interrompe a prescrição, inclusive quando confirmatório da sentença de primeiro grau.
4 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-PB - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Delegado de Polícia Civil
Em 16/11/2011, um indivíduo, réu primário com 21 anos de idade à época, cometeu furto simples (art.
155, caput, Código Penal – pena de reclusão, de um a quatro anos, e multa). A denúncia foi oferecida em
10/11/2015 e recebida em 16/11/2015. Após a tramitação regular do processo, esse indivíduo foi condenado
à pena de dois anos de reclusão, sentença publicada em 16/11/2018. Apenas a defesa recorreu, e o acórdão
publicado em 16/11/2021 reduziu a pena para um ano de reclusão.
A partir dessa situação hipotética, é correto afirmar que
A-o juiz deveria ter reconhecido, com base na pena aplicada na sentença, a prescrição virtual ocorrida entre
a data do fato e a do recebimento da denúncia.
B-não ocorreu prescrição nem em razão da pena em abstrato nem em razão da pena em concreto.
C-houve, devido à pena em concreto final, prescrição retroativa entre a data do fato e a do recebimento da
denúncia.
D-houve, por pena em concreto final, prescrição retroativa entre o recebimento da denúncia e a sentença,
pois há causa de redução do prazo prescricional.
E-ocorreu, em razão da pena efetivamente aplicada, a prescrição superveniente entre a data de publicação
da sentença e a do julgamento do acórdão.
5 - 2022 - CESPE / CEBRASPE - PC-PB - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Delegado de Polícia Civil
Extinguem a punibilidade do agente
A-renúncia e perempção na ação pública condicionada.
B-decadência e retratação na ação pública incondicionada.
C-retratação e perdão aceito na ação pública condicionada.
D-perdão aceito e perempção na ação privada propriamente dita.
E-decadência e renúncia na ação privada subsidiária da pública.
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6 - 2021 - FAPEC - PC-MS - FAPEC - 2021 - PC-MS - Delegado de Polícia
Considerando o regramento das leis penais no tempo e a história do Direito Penal na República Federativa
do Brasil, assinale a alternativa correta.
A-O Código Penal de 1969 (Decreto-lei n. 1.004/69) revogou alguns dispositivos do Código Penal de 1940
(Decreto-lei n. 2.848/40), produzindo efeitos jurídicos, muito embora tenha sido revogado ainda em seu
período de vacatio legis.
B-Desde que seja em caráter benéfico, a doutrina majoritária entende ser possível aplicar leis penais antes
de consumada sua vigência.
C-Tanto o STF quanto o STJ não admitem a combinação de leis penais.
D-A abolitio criminis e a novatio legis in mellius são causas de extinção da punibilidade aplicáveis para
beneficiar o réu, ainda que tenha havido o trânsito em julgado da sentença penal condenatória.
E-Nos crimes permanentes e continuados, a lei penal aplicável será aquela mais benéfica ao agente e não a
lei mais grave em vigor antes da cessação da permanência ou da continuidade. Isso porque, de acordo com
a CF/1988, vige o princípio da retroatividade da lei penal mais benéfica ao agente.
7 - 2021 - NC-UFPR - PC-PR - NC-UFPR - 2021 - PC-PR - Delegado de Polícia
Considere o seguinte caso hipotético:
J.J. respondeu processo pelo crime de peculato (art. 312 do Código Penal) cometido no dia 30/09/2010,
quando tinha 66 anos de idade.Adenúncia foi oferecida pelo Ministério Público em 16/10/2014 e recebida
pelo(a) Magistrado(a) competente no dia 18/10/2014. O processo tramitou regularmente e J.J. foi condenado
a cumprir pena de 2 anos de reclusão, em regime inicial semiaberto, e ao pagamento de 10 dias-multa no
valor de 1/30 do salário mínimo vigente à época do fato. A sentença foi proferida em 16/11/2016 e publicada
no dia 18/11/2016. Não houve interposição de recurso pelas partes e foi certificado o trânsito em julgado,
ocorrido em 05/12/2016. Em 20/10/2018 se iniciou o cumprimento da pena.
A partir das normas aplicáveis à extinção da punibilidade, é correto afirmar que nesse caso:
A-houve prescrição da pretensão punitiva pela pena em abstrato.
B-houve prescrição da pretensão punitiva intercorrente (subsequente) pela pena em concreto.
C-houve prescrição da pretensão punitiva retroativa pela pena em concreto.
D-houve somente prescrição da pretensão executória.
E-não houve prescrição.
8- 2021 - FGV - PC-RN - FGV - 2021 - PC-RN - Delegado de Polícia Civil Substituto
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Prescrição é a perda pelo Estado do direito de punir ou executar a pena em razão do decurso do tempo,
tratando-se de causa de extinção da punibilidade. Sobre o tema, analise as afirmativas a seguir.
I. O termo inicial da prescrição da pretensão punitiva é o do dia em que cessar a permanência, em crimes
desta natureza.
II. A publicação do acórdão condenatório interrompe o prazo da prescrição da pretensão executória. III. A
desclassificação posterior pelo Tribunal do Júri faz desaparecera causa de interrupção da prescrição em razão
da pronúncia.
Está correto somente o que se afirma em:
A-I;
B-II;
C-III;
D-I e III;
E-II e III.
9 - 2021 - INSTITUTO AOCP - PC-PA - INSTITUTO AOCP - 2021 - PC-PA - Delegado de Polícia Civil
Deacordo com o Direito Penal, assinale a alternativa INCORRETA.
A-Aplica-se a lei brasileira ao crime de homicídio cometido na Argentina contra o Presidente da República do
Brasil. Trata-se de hipótese de extraterritorialidade incondicionada, dada a incidência do princípio da
representação.
B-A sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção da punibilidade, não subsistindo
qualquer efeito condenatório.
C-Consuma-se o crime de roubo com a inversão da posse do bem mediante emprego de violência ou grave
ameaça, ainda que por breve tempo e em seguida à perseguição imediata ao agente e recuperação da coisa
roubada, sendo prescindível a posse mansa e pacífica ou desvigiada.
D-Para a configuração do delito de violação de direito autoral e a comprovação de sua materialidade, é
suficiente a perícia realizada por amostragem do produto apreendido, nos aspectos externos do material, e
é desnecessária a identificação dos titulares dos direitos autorais violados ou daqueles que os representem.
E-O crime de estupro de vulnerável se configura com a conjunção carnal ou prática de ato libidinoso com
menor de catorze anos, sendo irrelevante eventual consentimento da vítima para a prática do ato, sua
experiência sexual anterior ou existência de relacionamento amoroso com o agente.
10 - 2021 - INSTITUTO AOCP - PC-PA - INSTITUTO AOCP - 2021 - PC-PA - Delegado de Polícia Civil
Referente ao Direito Penal, assinale a alternativa correta.
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A-São exemplos de crimes que não admitem a tentativa: os preterdolosos, os unissubsistentes, os omissivos
próprios e os de perigo concreto.
B-Os crimes próprios são incompatíveis com a coautoria, haja vista que são delitos em que o tipo penal exige
uma situação de fato ou de direito diferenciada por parte do sujeito ativo.
C-Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até
o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um terço até
a metade.
D-O indulto extingue os efeitos primários da condenação (pretensão executória), mas não atinge os efeitos
secundários, penais ou extrapenais.
E-Em relação ao concurso formal próprio, o Código Penal adotou o sistema da exasperação, aplicando-se a
pena de qualquer dos crimes, se idênticos, ou então a mais grave, aumentada, em qualquer caso, de um
sexto até dois terços.
11 - 2021 - INSTITUTO AOCP - PC-PA - INSTITUTO AOCP - 2021 - PC-PA - Delegado de Polícia Civil
Analise a seguinte situação hipotética: Romeu, funcionário público, praticou dois crimes de peculato (art.
312, caput, CP), devendo o segundo, pelas condições de tempo, local, modo de execução e outras
semelhantes, ser considerado continuação do primeiro. Foi regularmente processado e condenado, com a
aplicação da pena privativa de liberdade no patamar mínimo. Nesse caso, considerando que ocorreu o
trânsito em julgado da sentença penal condenatória para ambas as partes, a extinção da punibilidade pela
prescrição ocorrerá em
A-quatro anos.
B-oito anos.
C-doze anos.
D-dezesseis anos.
E-vinte anos.
12 - 2021 - CESPE / CEBRASPE - Polícia Federal - CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de
Polícia Federal
Acerca da teoria da pena, julgue o item que se segue.
O inadimplemento da pena de multa não obsta a extinção da punibilidade do apenado.
Certo
Errado
13 - 2021 - CESPE / CEBRASPE - Polícia Federal - CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de
Polícia Federal
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Acerca da teoria da pena, julgue o item que se segue.
O acórdão confirmatório da condenação interrompe a prescrição.
Certo
Errado
14 - 2021 - CESPE / CEBRASPE - Polícia Federal - CESPE / CEBRASPE - 2021 - Polícia Federal - Delegado de
Polícia Federal
No que concerne aos crimes previstos na parte especial do Código Penal, julgue o item subsequente.
Em se tratando do crime de falsidade ideológica, o prazo prescricional se reinicia com a eventual reiteração
de seus efeitos.
Certo
Errado
15 - 2019 - Instituto Acesso - PC-ES - Instituto Acesso - 2019 - PC-ES - Delegado de Polícia - Anulado
“A extinção da punibilidade significa o desaparecimento do poder de punir do Estado em relação a fatos
definidos como crimes, pela ocorrência de eventos, situações ou acontecimentos determinados na lei como
causas de extinção da punibilidade (art. 107, CP).” (SANTOS, Juarez Cirino dos. Direito Penal Parte Geral. 5ª
ed., Florianópolis: Conceito, 2012).
Tendo em vista as causas de extinção de punibilidade conhecidas em âmbito de Direito Penal, assinale a
alternativa correta com relação ao indulto.
A-seus efeitos atingem quaisquer crimes previstos no ordenamento jurídico pátrio.
B-o indulto individual ou graça depende exclusivamente, para sua concessão, de pedido provocado por
petição do condenado.
C-trata-se de benefício concedido exclusivamente pelo Presidente da República por meio de lei delegada.
D-pode ser delegado pelo Presidente da República aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da República
ou ao Defensor Público-Geral Federal.
E-é atribuição privativa do Presidente da República, podendo ser delegada, na forma estabelecida na
Constituição Federal, aos Ministros de Estado, ao Procurador-Geral da República ou ao Advogado-Geral da
União
16 - 2018 - CESPE / CEBRASPE - Polícia Federal - CESPE - 2018 - Polícia Federal - Delegado de Polícia Federal
Em cada item seguinte, é apresentada uma situação hipotética seguida de uma assertiva a ser julgada com
base na legislação de regência e na jurisprudência dos tribunais superiores a respeito de exclusão da
culpabilidade, concurso de agentes, prescrição e crime contra o patrimônio.
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Júnior, maior e capaz, foi processado e julgado pelo crime de estelionato. Tendo verificado que Júnior tinha
sido condenado pelo mesmo crime havia dois anos, o juiz aumentou a pena em um terço. Nessa situação, o
aumento da pena não influirá no prazo da prescrição da pretensão punitiva.
Certo
Errado
17 - 2018 - UEG - PC-GO - UEG - 2018 - PC-GO - Delegado de Polícia
“Com efeito, é sabido que a prescrição é um instituto vocacionado a realizar a estabilização das situações
jurídicas em razão do decurso do tempo, com a finalidade de proporcionar a paz social mediante a promoção
da segurança jurídica, sendo certo que, embora possua um fundamento comum, suas características diferem
em cada ramo do Direito em que se faça presente.” (STJ, RMS 043771, DJe 03/05/2018, Rel. Min. Assusete
Magalhães).
No Código Penal brasileiro, verifica-se que a prescrição,
A-no caso de concurso de crimes, incidirá sobre o somatório das respectivas penas.
B-no caso de evadir-se o condenado ou de revogar-se o livramento condicional, é regulada pelo tempo que
resta da pena.
C-no caso de pena de multa, ocorrerá em três anos, quando a multa for a única cominada ou aplicada.
D-quando o criminoso era, na data da sentença, maior de sessenta anos, tem seu prazo reduzido pela
metade.
E-antes de transitar em julgado a sentença final, começa a correr, nos crimes permanentes, a partir do dia
em que se iniciou a permanência.
18 - 2018 - VUNESP - PC-SP - VUNESP - 2018 - PC-SP - Delegado de Polícia
A ação penal privada subsidiária é cabível no crime de
A-exercício arbitrário das próprias razões, sem emprego de violência (CP, art. 345, parágrafo único).
B-furto de coisa comum (CP, art. 156).
C-esbulho possessório de propriedade particular, sem emprego de violência (CP, art. 161, II, § 3o ).
D-fraude à execução (CP, art. 179).
E-dano (CP, art. 163, caput).
19 - 2018 - VUNESP - PC-SP - VUNESP - 2018 - PC-SP - Delegado de Polícia
No que concerne ao art. 107 do CP,que enumera as causas extintivas da punibilidade, trata-se de rol
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A-exemplificativo, já que são admitidas pela legislação causas ali não contidas, como, por exemplo, o
cumprimento da suspensão condicional do processo.
B-taxativo, já que não admite exceção.
C-taxativo, uma vez que as causas supralegais de extinção da punibilidade não são reconhecidas pela
jurisprudência.
D-exemplificativo, já que são admitidas pela legislação causas ali não contidas, como, por exemplo, a
incapacidade mental superveniente ao crime.
E-exemplificativo, já que são admitidas pela legislação causas ali não contidas, como, por exemplo, o indulto.
20 - 2018 - NUCEPE - PC-PI - NUCEPE - 2018 - PC-PI - Delegado de Polícia Civil
As causas interruptivas da prescrição têm o objetivo de fazer com que o prazo, a partir delas, seja novamente
reiniciado, o curso da prescrição interrompe-se, conforme a enumeração contida no Código Penal. Qual
destas situações NÃO é causa interruptiva da prescrição?
A-Pela pronúncia.
B-Pela decisão confirmatória da pronúncia.
C-Pelo recebimento do inquérito ou da denúncia.
D-Pela publicação da sentença ou acórdão condenatório recorrível.
E-Pelo início ou continuação do cumprimento da pena.
Respostas2
2 1: A 2: D 3: E 4: B 5: D 6: C 7: C 8: A 9: A 10: D 11: A 12: E 13: C 14: E 150: E 16: E 17: B 18: B 19: A 20: C
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LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL: LEI DE CRIMES HEDIONDOS
TODOS OS ARTIGOS RELACIONADOS AO TEMA
LEI 8072/90 INTEIRA
CONSTITUIÇÃO FEDERAL
⦁ Art. 5º, XLIII, CF/88
⦁ Art. 142 e 144, CF/88
CÓDIGO PENAL
⦁ Art. 121, §2º e 2-A
⦁ Art. 129, §2º e §3º
⦁ art. 155, § 4º-A (Cuidado para não confundir com o art. 155, §7º)
⦁ Art. 157, §2º, V
⦁ Art. 157, §2-A, I
⦁ Art. 157, §2-B e §3º
⦁ Art. 158, §3º (art. 158, §2º não é mais considerado hediondo)
⦁ Art. 159, §§1º, 2º e 3º
⦁ Art. 213, caput, §§1º e 2º
⦁ art. 217-A, caput e §§ 1o, 2o, 3o e 4o
⦁ art. 218-B, caput, e §§ 1º e 2º
⦁ art. 267, § 1o (caput não é hediondo)
⦁ art. 273, caput e § 1o, § 1o-A e § 1o-B
OUTROS DIPLOMAS LEGAIS
⦁ Art. 1º, 2º e 3º da Lei 2889/56
⦁ Art. 16, §2º, Estatuto do Desarmamento
⦁ Art. 17 e 18, Estatuto do Desarmamento
⦁ Lei 9455/97 (Lei de tortura – crime equiparado a hediondo)
⦁ Lei 13.260/16 (Lei de terrorismo – crime equiparado a hediondo)
⦁ Lei 11.343/06 (Lei de tráfico de drogas – crime equiparado a hediondo)
ARTIGOS MAIS IMPORTANTES – NÃO DEIXE DE LER!
⦁ Art. 5º, XLIII, CF/88
⦁ Art. 155, § 4º-A e 7º, CP
⦁ Art. 157, CP
⦁ Art. 158, §3º, CP
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⦁ Art. 16, §2º Estatuto do Desarmamento
PRINCIPAIS ARTIGOS DA LEI 8072/90:
⦁ Art. 1º, caput, inc. II, III, IV e IX
⦁ Art. 1º, §único (muito importante!)
⦁ Art. 2º, inc. I e II
⦁ Art. §4º (leitura conjunta com a lei 7960/89
1. INTRODUÇÃO
A definição semântica do termo hediondo está ligada a tudo aquilo que apresenta deformidade, que
causa horror, repulsa ou aversão, sendo, portanto, os crimes dessa natureza aqueles que, por algum critério
específico, são considerados de auto alto potencial de causar dano à sociedade.
Tal orientação encontra guarida na Constituição, uma vez que o artigo 5º, em seu inciso XLIII orienta
a criação de uma forma de tratamento mais enérgica do estado para com os agentes ativos dos crimes desta
natureza.
Art. 5º, XLIII, CF - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou
anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o
terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os
mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;
Trata-se de verdadeiro mandado de recrudescimento e criminalização por parte do Poder
Constituinte Originário, que impõe um regime jurídico mais gravoso aos crimes de tortura, tráfico de
entorpecentes e terrorismo, assim como aos delitos – definidos em lei - como crimes hediondos.
Obs.: Dos Mandados Constitucionais de Criminalização decorre a diminuição da liberdade de
conformação do legislador e de interpretação do julgador, evitando normas ou interpretações que ensejam
insuficiente proteção estatal.
Obs. Estamos diante de uma norma constitucional de eficácia limitada e de aplicabilidade mediata,
pois depende de complementação por lei ordinária.
2. EVOLUÇÃO HISTÓRICA
A nossa Constituição Federal é de 1988 e a Lei de Crimes Hediondos é de 1990, e há uma razão
histórica para isso.
As décadas de 80 e 90 no Brasil, especificamente no Rio de Janeiro, foram marcadas por uma onda
de criminalidades absurdamente violentas. No final da década de 80, houve uma onda de extorsões mediante
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sequestro, instalando uma enorme criminalidade. (Curiosidade: dois fatos marcaram a história da
criminalidade no Rio de Janeiro nesse interregno temporal: o sequestro de Roberto Medina juntamente com
o sequestro do empresário Abílio Diniz.)
Foi dentro desse contexto histórico que a Constituição trouxe os crimes etiquetados de hediondos e
equiparou três crimes aos crimes hediondos: tráfico, tortura e terrorismo. E, apenas dois anos depois, surgiu
a Lei de crimes hediondos, que nada mais é do que resultado de manifestações de movimentos penais no
mundo inteiro, mais especificamente nos Estados Unidos.
O primeiro movimento foi capitaneado por Ralf Dahrendorf chamado de “Movimento de Lei e
Ordem” que surgiu como consequência do movimento do Direito Penal Máximo buscando reprimir o
aumento dos índices de criminalidade. O Direito Penal Máximo apresenta fundamento oposto ao do Direito
Penal Mínimo, pois entende ser o Direito Penal a solução para todos os problemas da sociedade, ocasionando
o aumento excessivo da tutela penal. Assim, é possível dizer que tal movimento baseia-se na ideia de
repressão e castigo, e de que somente leis endurecidas, que imponham longas penas privativas de liberdade
ou até mesmo a pena de morte, possuem aptidão para controlar e inibir a prática de crimes.
Soma-se a isso estudo feito em 1982 realizado por dois cientistas chamados James Wilson e George
Kelling que criaram a “The broken Windows theory” (Teoria das Janelas Quebradas), a qual estabelecia uma
relação entre desordem e criminalidade.
Foi nesse clima de Direito Penal do Terror que surgiu a lei de crimes hediondos (Lei nº 8.072/90),
trazendo preceitos severos, tanto de natureza penal quanto de natureza processual penal.
3. CRITÉRIOS PARA A DEFINIÇÃO DE HEDIONDEZ
Em regra, a doutrina e a análise do direito comparado indicam a existência de três critérios possíveis
para definir um crime como hediondo:
• Critério legal – Somente o legislador pode definir os delitos considerados hediondos, que devem estar
previstos em um rol exaustivo e com previsão legal.
• Critério judicial – Cabe ao juiz definir os delitos classificados como hediondos, a luz das circunstâncias
em concreto.
• Critério misto – Estabelece ao legislador a atribuição de um rol exemplificativo de delitos de natureza
hedionda, podendo o juiz analogicamente atribuir hediondez a outros delitos, de acordo com as
circunstâncias em concreto.
Vamos esquematizar?
SISTEMA LEGAL SISTEMA JUDICIAL SISTEMA MISTO
Compete ao legislador, em um
rol taxativo, enumerar quais os
delitos considerados
hediondos. Será hediondo
O juiz quem, na apreciação do caso
concreto, decide se a infração é
hedionda ou não. O juiz analisando
o caso concreto ele irá determinar
No primeiro momento, o legislador
apresenta um rol exemplificativo
de crime hediondos, permitindo ao
juiz, na análise do caso concreto
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aquilo que o legislador disse
em um rol taxativo.GERAL DA PENA ..................................................................................................... 111
1. SANÇÃO PENAL .......................................................................................................................................... 112
2. PENA ......................................................................................................................................................... 113
2.1 Fundamentos da Pena ......................................................................................................................................... 113
2.2 Finalidade da Pena ............................................................................................................................................... 113
2.3 Princípios Relacionados à Pena ............................................................................................................................ 116
2.4 Modalidades de cominação ................................................................................................................................. 118
2.5 Classificação das penas ........................................................................................................................................ 118
2.6 Aplicação da Pena ................................................................................................................................................ 119
2.6.1 Sistemas ......................................................................................................................................................... 119
2.7 Fixação de Regime (Art. 33 Do CP) ....................................................................................................................... 139
2.7.1 Progressão de Regime (Art. 112 da LEP) ........................................................................................................ 146
3. LIVRAMENTO CONDICIONAL ..................................................................................................................... 150
4. PENAS RESTRITIVAS DE DIREITO ................................................................................................................ 157
4.1 3.1. Substituição da PPL Por PRD.......................................................................................................................... 159
5. SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA – SURSIS ......................................................................................... 162
5.1 Requisitos para a concessão do sursis (art. 77, CP) .............................................................................................. 162
5.2 Espécies de sursis ................................................................................................................................................. 162
5.3. Sursis Ineficaz ou Sem Efeito ou Cassação do Sursis ........................................................................................... 165
5.4 Revogação do Sursis (Art. 81 do CP) ..................................................................................................................... 165
5.5 Prorrogação do Período de Prova ........................................................................................................................ 166
5.6 Extinção Do Sursis ................................................................................................................................................ 166
6. PENA DE MULTA ........................................................................................................................................ 167
6.1 Multa x Concurso de crimes ................................................................................................................................. 169
5.2. Violência contra a mulher ................................................................................................................................... 169
5.3. Adimplemento da multa ..................................................................................................................................... 169
5.4. Prescrição da multa ............................................................................................................................................. 170
5.5. Execução da pena de multa ................................................................................................................................. 170
7. MEDIDAS DE SEGURANÇA ......................................................................................................................... 173
7.1. Pressupostos De Aplicação Da Medida De Segurança ........................................................................................ 174
7.2. Espécies De Medida De Segurança ...................................................................................................................... 175
7.3. Duração Da Medida De Segurança ...................................................................................................................... 176
7.4. Desinternação Ou Liberação Condicional ............................................................................................................ 176
8. EFEITOS DA CONDENAÇÃO ........................................................................................................................ 177
User
Riscado
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9. REABILITAÇÃO ........................................................................................................................................... 192
9.1 Conceito ............................................................................................................................................................... 192
9.2 Finalidades ............................................................................................................................................................ 192
9.3 Requisitos Para A Reabilitação (Art. 94, Do CP): .................................................................................................. 192
QUESTÕES PROPOSTAS ................................................................................................................................. 195
META 3 .......................................................................................................................................................... 204
DIREITO CIVIL: CONSTITUCIONALIZAÇÃO DO DIREITO CIVIL ......................................................................... 204
1. CONSTITUCIONALIZAÇÃO DO DIREITO BRASILEIRO .................................................................................. 204
1.1 Conceito ............................................................................................................................................................... 204
1.2 A Codificação Do Direito Civil ............................................................................................................................... 205
1.3 O Código Civil De 2002 ......................................................................................................................................... 205
1.4 Princípios Norteadores Do Novo Código: Eticidade, Sociabilidade E Operabilidade ........................................... 206
1.5 Do Direito Civil-Constitucional ............................................................................................................................. 209
1.6 Da Eficácia Horizontal Dos Direitos Fundamentais .............................................................................................. 211
1.8 A Eficácia Diagonal Dos Direitos Fundamentais ................................................................................................... 212
2. LEI DE INTRODUÇÃO ÀS NORMAS DO DIREITO BRASILEIRO .....................................................................Sistema
adotado pelo Brasil.
se o caso é hediondo ou não.
Apreciação do caso concreto.
encontrar outros fatos
assemelhados. Trabalha com a
interpretação analógica.
Crítica:
O sistema Legal trabalha com a
gravidade abstrata, ao invés
de adotar a gravidade
concreta (ignora a gravidade
do crime no caso concreto)
Crítica:
Não traz a segurança jurídica,
podemos ser surpreendidos com
um crime considerado hediondo
por análise do juiz. Fere o princípio
da taxatividade ou mandado de
certeza. Arbítrio do Juiz.
Crítica:
Reúne o que tem de ruim nos dois
outros sistemas.
Em respeito ao princípio da legalidade, o direito brasileiro utiliza o Critério ou Sistema legal. Ora,
não se pode admitir que a definição de um crime fique a cargo do magistrado e de seu livre convencimento,
de modo que só a lei pode decidir quais condutas são consideradas criminosas, bem como definir quais
crimes são hediondos. É o que se extrai do art.5º XLIII, CF.
Art. 5º, XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou
anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o
terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os
mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;
Nesse sentido, a lei 8.072 estabeleceu, em seu art. 1°, um ROL TAXATIVO de crimes como hediondos,
que terão essa característica ainda que na modalidade tentada (pegadinha de prova!).
Obs.1: A natureza tentada de um crime rotulado pela lei não exclui a sua hediondez. A tentativa não
altera a classificação do crime como hediondo, funcionando como uma mera causa de redução de pena (1/3
a 2/3). Dessa forma, temos que, para fins de reconhecimento da natureza hedionda, pouco importa que o
delito seja consumado ou tentado. Isso, inclusive, está expresso no art. 1º, caput da Lei 8.072/90.
Art. 1o São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados no Decreto-Lei
no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, consumados ou tentados:
Já caiu em prova e foi considerada INCORRETA a seguinte assertiva: À luz do que dispõe o direito brasileiro
sobre os crimes hediondos, somente recebem essa classificação os crimes consumados em razão do princípio
da reserva legal.
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Obs.2: Crimes militares: o CPM traz o latrocínio. É crime hediondo? Não. Os crimes correspondentes
no CPM não são considerados hediondos por falta de previsão legal.
4. ANÁLISE DO ROL DE CRIMES HEDIONDOS
ATENÇÃO! O rol de crimes hediondos é frequentemente cobrado nas provas. Tem que decorar e saber
na ponta da língua!
ATENÇÃO! O Rol de Crimes Hediondos foi substancialmente alterado pelo Pacote Anticrime! Portanto,
tenha atenção redobrada, pois certamente será objeto de questionamento nas próximas provas!
Art. 1o São considerados hediondos os seguintes crimes, todos tipificados
no Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, consumados ou
tentados:
I - homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de
extermínio, ainda que cometido por um só agente, e homicídio qualificado (art.
121, § 2º, incisos I, II, III, IV, V, VI, VII e VIII); (Redação dada pela Lei nº 13.964, de
2019)
I-A – lesão corporal dolosa de natureza gravíssima (art. 129, § 2o) e lesão corporal
seguida de morte (art. 129, § 3o), quando praticadas contra autoridade ou agente
descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal, integrantes do sistema
prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no exercício da função ou em
decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo
até terceiro grau, em razão dessa condição; (Incluído pela Lei nº 13.142, de 2015)
II - roubo: (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
Circunstanciado pela restrição de liberdade da vítima (art. 157, § 2º, inciso
V); (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
Circunstanciado pelo emprego de arma de fogo (art. 157, § 2º-A, inciso I) ou pelo
emprego de arma de fogo de uso proibido ou restrito (art. 157, § 2º)
Qualificado pelo resultado lesão corporal grave ou morte (art. 157, § 3º); (Incluído
pela Lei nº 13.964, de 2019)
III - extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima, ocorrência de lesão
corporal ou morte (art. 158, § 3º); (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art5
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art5
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art142
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm#art144
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13142.htm#art3
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art5
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art5
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art5
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art5
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art5
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IV - Extorsão mediante sequestro e na forma qualificada (art. 159, caput, e §§ 1o,
2o e 3o);
V - Estupro (art. 213, caput e §§ 1o e 2o);
VI - Estupro de vulnerável (art. 217-A, caput e §§ 1o, 2o, 3o e 4o);
VII - epidemia com resultado morte (art. 267, § 1o).
VII-A – (VETADO)
VII-B - Falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a
fins terapêuticos ou medicinais (art. 273, caput e § 1o, § 1o-A e § 1o-B, com a
redação dada pela Lei no 9.677, de 2 de julho de 1998).
VIII - favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de
criança ou adolescente ou de vulnerável (art. 218-B, caput, e §§ 1º e 2º).
IX - Furto qualificado pelo emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause
perigo comum (art. 155, § 4º-A). (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
Parágrafo único. Consideram-se também hediondos, tentados ou
consumados: (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
I - o crime de genocídio, previsto nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 2.889, de 1º de
outubro de 1956; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
II - o crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso proibido, previsto
no art. 16 da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003; (Incluído pela Lei nº
13.964, de 2019)
III - o crime de comércio ilegal de armas de fogo, previsto no art. 17 da Lei nº
10.826, de 22 de dezembro de 2003; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
IV - o crime de tráfico internacional de arma de fogo, acessório ou munição,
previsto no art. 18 da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003; (Incluído pela Lei
nº 13.964, de 2019)
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9677.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art5
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art5
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L2889.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L2889.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art5
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.826.htm#art16
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art5
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art5
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.826.htm#art17
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.826.htm#art17
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art5
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2003/L10.826.htm#art18
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art5http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art5
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V - o crime de organização criminosa, quando direcionado à prática de crime
hediondo ou equiparado. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
Vamos começar esquematizando as mudanças que ocorreram com o Pacote Anticrime?
ANTES DA LEI 13.964/2019 DEPOIS DA LEI 13.964/2019
Homicídio (art. 121), quando praticado em atividade
típica de grupo de extermínio, ainda que cometido
por um só agente, e homicídio qualificado (art. 121,
§ 2º, incisos I, II, III, IV, V, VI e VII);
Homicídio (art. 121), quando praticado em
atividade típica de grupo de extermínio, ainda que
cometido por um só agente, e homicídio
qualificado (art. 121, § 2º, incisos I, II, III, IV, V, VI,
VII e VIII);
Latrocínio (art. 157, § 3º, in fine)
Roubo:
a) Circunstanciado pela restrição de liberdade da
vítima (art. 157, § 2º, inciso V);
b) Circunstanciado pelo emprego de arma de
fogo (art. 157, § 2º-A, inciso I) ou pelo emprego
de arma de fogo de uso proibido ou restrito
(art. 157, § 2º-B);
c) Qualificado pelo resultado lesão corporal
grave ou morte (Latrocínio) (art. 157, § 3º);
Extorsão qualificada pela morte (art. 158, § 2o); Extorsão qualificada pela restrição da liberdade da
vítima, ocorrência de lesão corporal ou morte (art.
158, § 3º);
-------- Furto qualificado pelo emprego de explosivo ou de
artefato análogo que cause perigo comum (art.
155, § 4ºA)
Consideram-se também hediondos:
⦁ Genocídio
⦁ Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso
restrito
Consideram-se também hediondos:
⦁ Genocídio, previsto nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei
nº 2.889, de 1º de outubro de 1956;
⦁ Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso
proibido, previsto no art. 16 da Lei nº 10.826,
de 22 de dezembro de 2003;
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art5
RETA FINAL
DELEGADO GOIÁS
SEMANA 04/13
67
⦁ Comércio ilegal de armas de fogo, previsto no
art. 17 da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de
2003;
⦁ Tráfico internacional de arma de fogo,
acessório ou munição, previsto no art. 18 da Lei
nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003;
⦁ Organização criminosa, quando direcionado à
prática de crime hediondo ou equiparado
CRIMES HEDIONDOS ≠ EQUIPARADOS A HEDIONDOS:
Os crimes de tortura, tráfico de drogas e terrorismo não são crimes hediondos, mas são crimes
equiparados a hediondos justamente por sofrerem as mesmas consequências legais ofertadas aos crimes
hediondos (veremos adiante).
∘ Tráfico de drogas - não é crime hediondo. É crime equiparado a hediondo
∘ Tortura - não é crime hediondo. É crime equiparado a hediondo
∘ Terrorismo - não é crime hediondo. É crime equiparado a hediondo
Inciso I: HOMICÍDIO (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que
cometido por um só agente, e HOMICÍDIO QUALIFICADO (art. 121, § 2º, I, II, III, IV, V, VI, VII e VIII); (Redação
dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
Todas as hipóteses de homicídio qualificado são consideradas crime hediondo, incluindo o
feminicídio e o homicídio praticado contra agentes de segurança pública!
Questão relevante trata da possibilidade de consideração do homicídio simples como hediondo na
hipótese de ser praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que realizado por apenas um
agente.
Considerações importantes:
• Para ser hediondo, não precisa que o homicídio seja praticado por grupo de extermínio. Basta que seja
praticado em atividade típica de grupo de extermínio (ideia de limpeza social) o que permite a prática
por uma única pessoa (não exigindo o concurso de pessoas)
Já caiu em prova e foi considerada INCORRETA a seguinte alternativa: É considerado crime hediondo o
homicídio, quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, exceto se cometido por um só
agente.
• Não abrange milícia privada, sob pena de configurar analogia in malam partem!!!
RETA FINAL
DELEGADO GOIÁS
SEMANA 04/13
68
• Homicídio híbrido ou Homicídio qualificado-privilegiado: aquele em que há, ao mesmo tempo, a
presença de uma qualificadora e de uma hipótese de privilégio, não é considerado crime hediondo
pela jurisprudência.
STJ: “(...) Entendendo não haver contradição no reconhecimento de qualificadora
de caráter objetivo (modo de execução do crime), e do privilégio, sempre de
natureza subjetiva”. (STF, 1º Turma, HC 89.921|PR). O homicídio qualificado-
privilegiado não pode ser considerado hediondo (STJ, HC 153.728|SP)
Relembrando...
É importante lembrar que só há “homicídio qualificado privilegiado” quando umas
das causas especiais de diminuição de pena coexiste com uma qualificadora objetiva (não
é possível coexistir com qualificadora de ordem subjetiva).
Causas especiais de diminuição de pena do homicídio:
- Motivo de relevante valor social.
- Motivo de relevante valor Moral
- Sob domínio de violenta emoção, logo após injusta emoção da vítima.
Qualificadoras de ordem objetiva que admitem o privilégio:
- Emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou
cruel, ou de que possa resultar perigo comum;
- Por emboscada ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne
impossível a defesa do ofendido;
- Feminicídio (embora para a doutrina majoritária se trate de uma qualificadora de
ordem subjetiva, os Tribunais Superiores entendem que se trata de uma qualificadora de
ordem objetiva).
Obs.: O Pacote Anticrime conferiu nova redação ao inciso I do art. 1 º da Lei n. 8.072/90 para também
rotular como hediondo o crime de homicídio qualificado previsto no inciso "VIII - com emprego de arma de
fogo de uso restrito ou proibido" do §2° do art. 121 do Código Penal. O Presidente da República vetou essa
alteração, contudo o veto foi derrubado pelo Congresso Nacional. Portanto, o crime de homicídio cometido
com o emprego de arma de fogo de uso restrito ou proibido será considerado hediondo.
Esquematizando:
HOMICÍDIO SIMPLES. Regra - NÃO É hediondo.
Exceção- é hediondo quando praticado em atividade típica de
grupo de extermínio, ainda que cometido por um só agente.
RETA FINAL
DELEGADO GOIÁS
SEMANA 04/13
69
HOMICÍDIO PRIVILEGIADO NÃO é hediondo
HOMICÍDIO QUALIFICADO É hediondo.
HOMICÍDIO HÍBRIDO
(QUALIFICADO-PRIVILEGIADO)
NÃO É crime hediondo.
Inciso I-A: LESÃO CORPORAL DOLOSA DE NATUREZA GRAVÍSSIMA (art. 129, § 2º) e LESÃO CORPORAL
SEGUIDA DE MORTE (art. 129, § 3º), quando praticadas contra autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e
144 da Constituição Federal, integrantes do sistema prisional e da Força Nacional de Segurança Pública, no
exercício da função ou em decorrência dela, ou contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo
até terceiro grau, em razão dessa condição; (Incluído pela Lei nº 13.142, de 2015)
A referida hipótese legal fora acrescentada com o advento da Lei 13.142/2015, a qual alterou o
Código Penal, assim como a Lei de Crimes Hediondos.
A lesão corporal, em regra, não é crime hediondo. Atualmente, apenas em duas hipóteses é que a
lesão corporal será considerada crime hediondo:
1) Lesão corporal gravíssima
2) Lesão corporal seguida de morte
PEGADINHA– lesão corporal grave não será hediondo, somente a gravíssima!!!
Quando praticadas, no exercício da função ou em decorrência dela, contra:
⦁ Autoridade ou agente descrito nos arts. 142 e 144 da Constituição Federal
⦁ Integrantes do sistema prisional
⦁ Integrantes da Força Nacional de Segurança Pública
⦁ Contra seu cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau, em razão dessa
condição.
Obs.: Na eventualidade de um crime de lesão corporal gravíssima ou seguida de morte ser cometido
contra autoridadesou agentes não elencados no inciso I-A do art. 1° da Lei n. 8.072/90, como, por exemplo,
Promotores de Justiça ou membros do Poder Judiciário, não nos parece possível o etiquetamento de crimes
hediondos, sob pena de indevida analogia in malam partem.
Esquematizando...
SÃO CRIMES
HEDIONDOS:
REQUISITO 1: CONDIÇÃO DA VÍTIMA REQUISITO 2:
NEXO FUNCIONAL
RETA FINAL
DELEGADO GOIÁS
SEMANA 04/13
70
Lesão corporal
gravíssima
(art. 129, §2º)
Lesão corporal seguida
de morte
(art. 129, §3º)
1) Autoridade, agente ou integrante da:
⦁ Forças Armadas
⦁ Polícia Federal
⦁ Polícia Rodoviária Federal
⦁ Polícia Ferroviária Federal
⦁ Polícias Civis
⦁ Corpo de Bombeiros Militares
⦁ Guardas Municipais (doutrina
majoritária)
⦁ Sistema prisional
⦁ Força Nacional de Segurança Pública
⦁ Polícias Penais
2) Contra seu cônjuge, companheiro ou
parente consanguíneo até terceiro grau.
Desde que o crime tenha sido
praticado:
⦁ No exercício da função
⦁ Em decorrência dela
Já caiu em prova e foi considerada INCORRETA a seguinte assertiva: o crime de lesão corporal dolosa, em
nenhuma de suas modalidades, é, para efeito da lei brasileira, hediondo.
Inciso II: ROUBO:
- Circunstanciado pela restrição de liberdade da vítima
- Circunstanciado pelo emprego de arma de fogo ou pelo emprego de arma de fogo de uso proibido ou
restrito
- Qualificado pelo resultado lesão corporal grave ou morte
Trata-se de inovação legislativa introduzida pelo “pacote anticrime” Lei 13.964/19. Nesse sentido,
considera-se hediondo o previsto no artigo 157 do Código Penal:
ROUBO
Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave
ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à
impossibilidade de resistência:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa. (...)
§ 2º A pena aumenta-se de 1/3 (um terço) até metade: (Redação dada pela Lei nº
13.654, de 2018)
V - se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade.
(Incluído pela Lei nº 9.426, de 1996) (...)
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13654.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13654.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9426.htm#art1
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§ 2º-A A pena aumenta-se de 2/3 (dois terços): (Incluído pela Lei nº 13.654, de
2018)
I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma de fogo; (Incluído
pela Lei nº 13.654, de 2018) (...)
§ 2º-B. Se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de arma de fogo
de uso restrito ou proibido, aplica-se em dobro a pena prevista no caput deste
artigo. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
§ 3º Se da violência resulta: (Redação dada pela Lei nº 13.654, de 2018)
I – lesão corporal grave, a pena é de reclusão de 7 (sete) a 18 (dezoito) anos, e
multa; (Incluído pela Lei nº 13.654, de 2018)
II – morte, a pena é de reclusão de 20 (vinte) a 30 (trinta) anos, e multa. (Incluído
pela Lei nº 13.654, de 2018)
O Pacote Anticrime ampliou sobremaneira as hipóteses de hediondez relativas ao crime de roubo.
Antes da Lei 13.964/2019, o único crime de roubo que era considerado hediondo era o roubo qualificado
pela morte da vítima, chamado pela doutrina de latrocínio. Com o advento do Pacote Anticrime, outras
modalidades de roubo também passaram a ser etiquetadas como hediondas. Vejamos cada uma delas
separadamente:
→ ROUBO CIRCUNSTANCIADO PELA RESTRIÇÃO DA LIBERDADE DA VÍTIMA
Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave
ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à
impossibilidade de resistência:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa. (...)
§ 2º A pena aumenta-se de 1/3 (um terço) até metade:
V - se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade.
De acordo com o disposto no art. 157, §2°, inciso V, do Código Penal, aumenta-se a pena do crime
de roubo de 1/3 (um terço) até metade se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua
liberdade.
Ressalta-se que a restrição da liberdade da vítima deve perdurar por tempo juridicamente
relevante, ou seja, o autor do delito deve permanecer com a vítima em seu poder por tempo superior àquele
estritamente necessário para a execução do roubo, quer para assegurar o produto do crime, quer para não
ser localizado pela Polícia.
De se notar que o roubo circunstanciado pela restrição da liberdade da vítima foi a única figura
delituosa constante do §2° do art. 157 do CP alçada à natureza hedionda.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13654.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13654.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13654.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13654.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9426.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13654.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13654.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13654.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13654.htm#art1
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→ ROUBO CIRCUNSTANCIADO PELO EMPREGO DE ARMA DE FOGO
Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave
ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à
impossibilidade de resistência:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa. (...)
§ 2º-A A pena aumenta-se de 2/3 (dois terços):
I – se a violência ou ameaça é exercida com emprego de ARMA DE FOGO;
De acordo com o art. 157, §2°-A, inciso I, do CP, a pena do crime de roubo aumenta-se de 2/3 (dois
terços) se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma de fogo.
Atenção, a lei foi taxativa em dizer “arma de fogo”, logo, o emprego de violência ou grave ameaça
para subtração de coisa alheia com arma branca, não será considerado hediondo.
Vale salientar que a Lei 13.964/2019 reestabeleceu a majorante da pena, se a violência ou grave
ameaça é exercida com emprego de “arma branca”, nesse caso, porém, o delito não será considerado
hediondo e majorante será de 1/3 a ½.
→ ROUBO MEDIANTE O EMPREGO DE ARMA DE FOGO DE USO PROIBIDO OU
RESTRITO
Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave
ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à
impossibilidade de resistência:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa. (...)
§ 2º-B Se a violência ou grave ameaça é exercida com emprego de arma de fogo
de uso restrito ou proibido, aplica-se em dobro a pena prevista no caput deste
artigo.
Se a violência ou grave ameaça for exercida com emprego de arma de fogo de uso restrito ou
proibido, aplica-se em dobro a pena prevista no caput do art. 157. Essa causa de aumento de pena funciona
como verdadeira norma penal em branco heterogênea, pois a definição do que seja arma de fogo de uso
restrito ou proibido está inserida em ato administrativo, notadamente no Anexo I do Decreto nº 10.030/19,
que aprova o “Regulamento de Produtos Controlados”.
Art. 3º As definições dos termos empregados neste Regulamento são aquelas
constantes deste artigo e do Anexo III. (Redação dada pelo Decreto nº 10.627, de
2021) Vigência
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/decreto/D10030.htm#anexo3
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Decreto/D10627.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Decreto/D10627.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Decreto/D10627.htm#art4
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DELEGADO GOIÁS
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Parágrafo único. Para fins do disposto neste Regulamento, considera-se: (Incluído
pelo Decreto nº 10.627, de 2021) Vigência (...)
II - ARMA DE FOGO DE USO RESTRITO - as armas de fogo automáticas, de qualquer
tipo ou calibre, semiautomáticas ou de repetição que sejam: (Incluído pelo
Decreto nº 10.627, de 2021) Vigência
a) não portáteis; (Incluído pelo Decreto nº 10.627, de 2021) Vigência
b) de porte, cujo calibre nominal, com a utilização de munição comum, atinja, na
saída do cano de prova, energia cinética superior a mil e duzentas libras-pé ou mil
seiscentos e vinte joules; ou (Incluído pelo Decreto nº 10.627, de 2021) Vigência
c) portáteis de alma raiada, cujo calibre nominal, com a utilização de munição
comum, atinja, na saída do cano de prova, energia cinética superior a mil e duzentas
libras-pé ou mil seiscentos e vinte joules; (Incluído pelo Decreto nº 10.627, de
2021) Vigência
III - ARMA DE FOGO DE USO PROIBIDO: (Incluído pelo Decreto nº 10.627, de
2021) Vigência
a) as armas de fogo classificadas como de uso proibido em acordos ou tratados
internacionais dos quais a República Federativa do Brasil seja signatária; e (Incluído
pelo Decreto nº 10.627, de 2021) Vigência
b) as armas de fogo dissimuladas, com aparência de objetos inofensivos; (Incluído
pelo Decreto nº 10.627, de 2021)
Conclusão: A utilização de QUALQUER ARMA DE FOGO (de uso permitido, restrito ou proibido) torna
o roubo hediondo. Mas não se esqueça: o roubo com arma branca não é crime hediondo!
Vamos esquematizar?
A violência ou grave ameaça do crime de roubo é exercida com emprego de
arma de fogo.
É crime hediondo
A violência ou grave ameaça do crime de roubo é exercida com emprego de
arma de fogo uso restrito ou proibido.
É crime hediondo
A violência ou grave ameaça do crime de roubo é exercida com emprego de
arma branca.
NÃO É crime hediondo
→ ROUBO QUALIFICADO PELA LESÃO CORPORAL GRAVE OU MORTE
(LATROCÍNIO)
Art. 157, § 3º - Se da violência resulta:
I – Lesão corporal grave, a pena é de reclusão de 7 (sete) a 18 (dezoito) anos, e
multa;
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Decreto/D10627.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Decreto/D10627.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Decreto/D10627.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Decreto/D10627.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Decreto/D10627.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Decreto/D10627.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Decreto/D10627.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Decreto/D10627.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Decreto/D10627.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Decreto/D10627.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Decreto/D10627.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Decreto/D10627.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Decreto/D10627.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Decreto/D10627.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Decreto/D10627.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Decreto/D10627.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Decreto/D10627.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Decreto/D10627.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Decreto/D10627.htm#art4
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Decreto/D10627.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Decreto/D10627.htm#art1
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De acordo com a doutrina, a expressão "lesão corporal grave" abrange não apenas a lesão corporal
grave propriamente dita, mas também a lesão corporal gravíssima (CP, art. 129, §§1° e 2°, respectivamente).
É dominante o entendimento no sentido de que eventual lesão corporal leve resultante do emprego
da violência durante a prática do crime de roubo não terá o condão de qualificá-lo.
O resultado agravador pode ter sido suportado pela vítima da subtração ou por terceiro.
Atenção! Somente será crime de roubo qualificado se o resultado agravador “lesão corporal grave”
resultar do emprego de violência. Logo, se a lesão corporal grave for fruto do emprego de grave ameaça, não
será crime de roubo qualificado (art. 157, §3º do CP) e, por conseguinte, também não será crime hediondo!
→ ROUBO QUALIFICADO PELA MORTE (LATROCÍNIO)
Art. 157, § 3º - Se da violência resulta:
II – Morte, a pena é de reclusão de 20 (vinte) a 30 (trinta) anos, e multa.
Ocorre quando, da violência empregada no roubo, ocorre a morte da vítima, podendo ser a título de
dolo ou de culpa.
Em relação ao latrocínio, é importante lembrar que:
• Para que haja latrocínio é necessário que a morte decorra da violência empregada durante e em
razão do roubo (fator tempo e o fator nexo).
• À luz do entendimento dos Tribunais Superiores, o crime se consuma com a morte da vítima, ainda
que o agente não subtraia o bem:
Súmula 610 – STF - Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda
que não se realize o agente a subtração de bens da vítima.
• Por se tratar de um crime contra o patrimônio, a competência é do juiz singular, e não do Tribunal
do Júri:
SÚMULA 603 – STF: A competência para o processo e julgamento de latrocínio é
do juiz singular e não do tribunal do júri.
Um crime preterdoloso pode ser crime hediondo?
R.: SIM! Veja a explicação do Professor Renato Brasileiro:
“De mais a mais, é perfeitamente possível que um delito preterdoloso seja
considerado hediondo. Basta ver o exemplo do crime hediondo (Lei nº 8.072/90,
art. 1 º, VII) de epidemia com resultado morte (CP, art. 267, § 1°), no qual a morte
é provocada a título de culpa. Logo, o coautor que, de maneira consciente, participa
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DELEGADO GOIÁS
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de um crime de roubo armado, responde pelo crime hediondo de latrocínio ainda
que o disparo fatal tenha sido efetuado por seus comparsas. Afinal, se tinha
consciência de que o crime de roubo seria executado com o emprego de arma de
fogo, era no mínimo previsível a superveniência do resultado morte”
Inciso III: EXTORSÃO QUALIFICADA PELA RESTRIÇÃO DA LIBERDADE DA VÍTIMA, OCORRÊNCIA DE LESÃO
CORPORAL OU MORTE (ART. 158, § 3º);
Dispõe o §3º do art. 158, do Código Penal:
Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito
de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que
se faça ou deixar de fazer alguma coisa:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa. (...)
§ 3o Se o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da vítima, e essa
condição é necessária para a obtenção da vantagem econômica, a pena é de
reclusão, de 6 (seis) a 12 (doze) anos, além da multa; se resulta lesão corporal grave
ou morte, aplicam-se as penas previstas no art. 159, §§ 2o e 3o, respectivamente.
Trata-se de inciso que sofreu alteração importante pela Lei 13.964/2019 (PAC).
• Antes das alterações promovidas pelo PAC: a Lei de Crimes hediondos previa apenas a extorsão
qualificada pela morte (art. 158, §2º do CP) como crime hediondo.
• Após a Lei 13.964/2019: o legislador alterou o inciso III da Lei nº 8.072/90, passando a prever que será
hediondo a “extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima, ocorrência de lesão corporal ou
morte (art. 158, § 3º)”
PARA PROVA DISCURSIVA: VEJA A DIVERGÊNCIA QUE FOI PACIFICADA PELO PACOTE ANTICRIME!!!
Extorsão com restrição da liberdade qualificadapelo resultado LC grave ou morte é crime hediondo? Pois o
art. 1, III da Lei 8072/90 faz remissão expressa ao art. 158, §2º, sendo silente acerca do §3º.
1ª posição - Majoritária: Não é hediondo
A lei de crimes hediondos adotou o sistema legal, elencando um rol exaustivo de crimes etiquetados como
tal de modo que não é possível considerar o sequestro relâmpago com resultado morte como hediondo em
apreço ao P. da Legalidade Penal.
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DELEGADO GOIÁS
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“Defendendo uma interpretação restritiva da lei, como forma de preservar a garantia da legalidade penal e
evitar a analogia, muitos juristas afastavam o caráter hediondo do “sequestro-relâmpago” com resultado
morte”.
2ª posição–LFG e Sanches: É hediondo
1- O art. 158, §3º é desdobramento formal e apenas exemplificativo de uma das possíveis formas de se
praticar o crime de extorsão que podem culminar no evento morte (art. 158, §2º). Não é crime autônomo. A
qualificadora “com resultado morte” já está presente no art. 158, §2º. O §3º apenas disciplina um meio de
execução específico. A interpretação literal tem que ser acompanhada da interpretação teleológica, racional,
da norma. Assim, as regras aplicadas ao delito geral (art. 158, §2º) devem ser igualmente aplicadas ao crime
específico (art. 158, §3º) permanecendo hediondo quando ocorre o evento morte.
2- Para a admissão do sequestro relâmpago com resultado morte (art. 158, §3º) como hediondo basta utilizar
a interpretação extensiva, que não é vedada pelo Direito Penal, ainda que utilizada contra o réu, desde que
seja essa a inequívoca vontade do legislador.
3 - Posição em sentido diverso contraria o princípio da proporcionalidade: é aceitar que a extorsão simples
com resultado morte configura crime hediondo ao passo que a extorsão qualificada pelo meio executório
empregado (restrição da liberdade) com resultado morte – que sinaliza o maior reprovabilidade do
comportamento – não é etiquetado como hediondo.
Antes do Pacote Anticrime discutia-se se o crime de extorsão com restrição da liberdade, qualificado
pelo resultado lesão grave ou morte, era ou não hediondo. Essa discussão foi sepultada com a Lei nº
13.964/19. De acordo com a doutrina majoritária, com o advento do Pacote Anticrime, passaram a ser
consideradas hediondas todas as formas de extorsão mediante a restrição da liberdade da vítima,
independentemente de haver resultado qualificador ou não. Ou seja, são hediondos:
(1) Extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima;
(2) Extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima com ocorrência de lesão corporal;
(3) Extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima com morte.
Mas e o crime de extorsão qualificada previsto no art. 158, §2°, do Código Penal? Continua sendo
hediondo diante das mudanças produzidas pelo Pacote Anticrime?
R.: NÃO! E é aí que entra a crítica doutrinária acerca da mudança trazida pelo Pacote Anticrime. Isso
porque a extorsão com restrição da liberdade da vítima sem resultados especialmente agravadores (ou seja,
sem que produza morte ou lesão corporal grave) tem pena de 6 a 12 anos de reclusão (§ 3º) é considerado
crime hediondo, ao passo que a extorsão qualificada pelo resultado, prevista no § 2º, é mais grave (quando
há lesão grave, a pena é de 7 a 18 anos e quando há morte, reclusão, de 20 a 30 anos) não é etiquetada como
hediondo.
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DELEGADO GOIÁS
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Em outras palavras: no § 3º, temos crime hediondo (pena de 6 a 12); no § 2º, não, apesar de as
sanções penais serem mais severas (pena de 7 a 8 ou 20 a 30 anos). Ou seja, há uma clara violação ao princípio
da proporcionalidade!
Veja a explicação do Professor Renato Brasileiro sobre o assunto:
“De fato, ao promover a alteração do inciso III do art. 1 ° da Lei n. 8.072/90 para
incluir a extorsão qualificada pela restrição da liberdade da vítima, ocorrência de
lesão corporal ou morte, citando entre parênteses o art. 158, §3°, do CP, o
legislador, deliberadamente (ou não) - pensamos que foi um erro grosseiro mesmo
- excluiu do rol dos crimes hediondos a extorsão qualificada pela morte, tipificada
no art. 158, §2°, do Código Penal. Por mais absurdo e desproporcional que possa
parecer - tome-se como exemplo o fato de o roubo qualificado pelo resultado
morte ser hediondo -, a extorsão - e não a extorsão qualificada pela restrição da
liberdade da vítima -, que sempre recebeu igual tratamento dispensado ao roubo,
inclusive no tocante à sua gravidade, não é delito hediondo, nem mesmo se
qualificado pela morte.”
Resumindo:
• Extorsão qualificada pela morte (§2º) – DEIXOU DE SER HEDIONDO com o PAC.
• Extorsão qualificada pela LC grave (§2º) – continua NÃO SENDO HEDIONDO
• Extorsão mediante restrição da liberdade da vítima – PASSOU A SER HEDIONDO.
• Extorsão mediante restrição da liberdade qualificada pela LC grave – PASSOU A SER HEDIONDO
• Extorsão mediante restrição da liberdade qualificada pela morte – PASSOU A SER HEDIONDO
Vamos esquematizar?
ANTES DA LEI 13.964/2019 DEPOIS DA LEI 13.964/2019
Extorsão qualificada pela morte (art. 158, § 2º); Ou
seja:
• Extorsão simples com resultado morte (art. 158,
§2º) era crime hediondo.
São hediondos:
• Extorsão qualificada pela restrição da
liberdade da vítima;
• Extorsão qualificada pela restrição da
liberdade da vítima com ocorrência de lesão
corporal;
• Extorsão qualificada pela restrição da
liberdade da vítima com morte.
RETA FINAL
DELEGADO GOIÁS
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INCISO IV: EXTORSÃO MEDIANTE SEQUESTRO E NA FORMA QUALIFICADA (ART. 159, CAPUT, E §§ 1O, 2O E
3O);
O delito de extorsão mediante sequestro é etiquetado como hediondo independentemente da
modalidade, seja na modalidade simples ou na modalidade qualificada, na forma tentada ou consumada.
Art. 159 - Sequestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer
vantagem, como condição ou preço do resgate:
Pena - reclusão, de oito a quinze anos.
§ 1o Se o sequestro dura mais de 24 (vinte e quatro) horas, se o seqüestrado é
menor de 18 (dezoito) ou maior de 60 (sessenta) anos, ou se o crime é cometido
por bando ou quadrilha.
Pena - reclusão, de doze a vinte anos.
§ 2º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - reclusão, de dezesseis a vinte e quatro anos.
§ 3º - Se resulta a morte:
Pena - reclusão, de vinte e quatro a trinta anos.
INCISO V: ESTUPRO (ART. 213, CAPUT E §§ 1O E 2O);
Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter
conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato
libidinoso:
Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos.
§ 1o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor
de 18 (dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos:
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos.
§ 2o Se da conduta resulta morte:
Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos
O delito de estupro é considerado hediondo independentemente da modalidade.
INCISO VI: ESTUPRO DE VULNERÁVEL (ART. 217-A, CAPUT E §§ 1O, 2O, 3O E 4O);
Estupro de vulnerável
Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14
(catorze) anos:
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.
RETA FINAL
DELEGADO GOIÁS
SEMANA 04/13
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§ 1o Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém
que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento
para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer
resistência.
§ 2o (VETADO)§ 3o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave:
Pena - reclusão, de 10 (dez) a 20 (vinte) anos.
§ 4o Se da conduta resulta morte:
Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.
§ 5º As penas previstas no caput e nos §§ 1º, 3º e 4º deste artigo aplicam-se
independentemente do consentimento da vítima ou do fato de ela ter mantido
relações sexuais anteriormente ao crime. (Incluído pela Lei nº 13.718, de 2018)
ANTES DA LEI 12.015/09 APÓS A LEI 12.015/09
1ª Corrente: estupro com violência presumida não é
hediondo.
2ª Corrente: estupro com violência presumida, a
exemplo do estupro com violência real é crime
hediondo.
Prevê como hediondo o estupro de vulnerável,
não importando se com ou sem violência.
STJ (2013- inf. 519): estupro com violência presumida (vulnerável), praticado antes da Lei 12.015/09 é
hediondo.
“Os crimes de estupro e atentado violento ao pudor praticados anteriormente à Lei
n.º 12.015/2009, ainda que mediante violência presumida, configuram crimes
hediondos. Precedentes desta Corte e do Supremo Tribunal Federal. 2. Embargos
de divergência acolhidos a fim de reconhecer a hediondez do crime praticado pelo
Embargado” (REsp. 1225387/RS, rel. Min. Laurita Vaz, Dje 04/09/2013)
INCISO VII: EPIDEMIA COM RESULTADO MORTE (ART. 267, § 1º).
Art. 267 - Causar epidemia, mediante a propagação de germes patogênicos:
Pena - reclusão, de dez a quinze anos.
§ 1º - Se do fato resulta morte, a pena é aplicada em dobro.
§ 2º - No caso de culpa, a pena é de detenção, de um a dois anos, ou, se resulta
morte, de dois a quatro anos.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Msg/VEP-640-09.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13718.htm#art1
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Epidemia é a difusão de doença mediante a propagação de genes patogênicos.
Ressalta-se que somente a propagação de doença humana é que configura o crime do art. 267, §1º
do Código Penal, já que, em se tratando de enfermidade que atinja animais ou plantas, o crime será o do art.
61, Lei nº 9.605/98, não hediondo por falta de previsão legal.
A epidemia, por si só, não é crime hediondo. Exige-se que seja qualificada pela morte (crime
preterdoloso).
Ressalta-se que o crime de epidemia com resultado morte desafia a prisão temporária (Lei nº
7.960/09).
INCISO VII: B - FALSIFICAÇÃO, CORRUPÇÃO, ADULTERAÇÃO OU ALTERAÇÃO DE PRODUTO DESTINADO A
FINS TERAPÊUTICOS OU MEDICINAIS (ART. 273, CAPUT E § 1º, § 1º-A E § 1º-B, COM A REDAÇÃO DADA
PELA LEI Nº 9.677, DE 2 DE JULHO DE 1998).
Art. 273 - Falsificar, corromper, adulterar ou alterar produto destinado a fins
terapêuticos ou medicinais:
Pena - reclusão, de 10 (dez) a 15 (quinze) anos, e multa.
§ 1º - Nas mesmas penas incorre quem importa, vende, expõe à venda, tem em
depósito para vender ou, de qualquer forma, distribui ou entrega a consumo o
produto falsificado, corrompido, adulterado ou alterado.
§ 1º-A - Incluem-se entre os produtos a que se refere este artigo os medicamentos,
as matérias-primas, os insumos farmacêuticos, os cosméticos, os saneantes e os de
uso em diagnóstico.
§ 1º-B - Está sujeito às penas deste artigo quem pratica as ações previstas no § 1º
em relação a produtos em qualquer das seguintes condições:
I - sem registro, quando exigível, no órgão de vigilância sanitária competente
[DISPENSA PERÍCIA, BASTA A AUSÊNCIA DE REGISTRO NA ANVISA]
II - em desacordo com a fórmula constante do registro previsto no inciso anterior;
III - sem as características de identidade e qualidade admitidas para a sua
comercialização;
IV - com redução de seu valor terapêutico ou de sua atividade;
V - de procedência ignorada (não há dados quanto a origem do produto, o que
dificulta a fiscalização);
VI - adquiridos de estabelecimento sem licença da autoridade sanitária competente
(o produto não é necessariamente corrompido, mas originário de estabelecimento
clandestino, o que dificulta a fiscalização).
A hediondez conferida ao art. 273 estende-se à todas às suas modalidades, exceto
à modalidade culposa.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9677.htm
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Importa salientar, ainda, que este crime admite a PRISÃO TEMPORÁRIA. Apesar de não estar
expressamente no rol de crimes que admitem prisão temporária previsto no art. 1º, inciso III da Lei 7.960/89,
não se pode esquecer o art. 2º, §4º da Lei 8.072/90, de acordo com a doutrina majoritária e a jurisprudência
dos Tribunais Superiores, ao prever o prazo de 30 dias de duração da prisão temporária no caso de ser crime
hediondo, acabou ampliando o rol de cabimento dessa modalidade de prisão, de modo que para todo crime
hediondo e equiparado – esteja ou não elencado no art. 1º, III, da Lei nº 7.960/09 – caberá prisão temporária.
Vamos relembrar alguns aspectos importantes acerca deste crime?
De acordo com a doutrina e com a jurisprudência, o preceito secundário do art. 273, é
inconstitucional por violar a proporcionalidade, tendo em vista prever uma reprimenda demasiadamente
exagerada para o bem jurídico em questão. (10 a 15 anos de reclusão). Na visão dos Tribunais Superiores,
impõe-se ao legislador o dever de observância do princípio da proporcionalidade como proibição de excesso
e como proibição de proteção insuficiente.
O § 1º-B foi inserido no art. 273 do CP por força da Lei 9.677/98. O objetivo do legislador foi o de
punir pessoas que vendem determinados “produtos destinados a fins terapêuticos ou medicinais” e que,
embora não se possa dizer que sejam falsificados, estão em determinadas condições que fazem com que seu
uso seja potencialmente perigoso para a população. A pena prevista pelo legislador para o § 1º-B foi de 10 a
15 anos de reclusão. Ocorre que essa pena é muito alta e, por conta disso, começou a surgir entre os
advogados que militam na área a constante alegação de que essa reprimenda seria inconstitucional por violar
o princípio da proporcionalidade.
A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do HC 239.363/PR, considerou
inconstitucional o preceito secundário do art. 273, § 1º-B, inciso V, do CP, autorizando a aplicação analógica
das penas previstas para o tráfico de drogas. Apesar da divergência3 entre as turmas que compõem a Terceira
Seção, o Tribunal tem admitido a aplicação a diminuição da pena com base no art. 33, §4º, da Lei nº
11.343/06, até mesmo em sede de revisão criminal.
1. A intervenção estatal por meio do Direito Penal deve ser sempre guiada pelo
princípio da proporcionalidade, incumbindo também ao legislador o dever de
observar esse princípio como proibição de excesso e como proibição de proteção
insuficiente. 2. É viável a fiscalização judicial da constitucionalidade dessa atividade
legislativa, examinando, como diz o Ministro Gilmar Mendes, se o legislador
considerou suficientemente os fatos e prognoses e se utilizou de sua margem de
ação de forma adequada para a proteção suficiente dos bens jurídicos
fundamentais. 3. Em atenção ao princípio constitucional da proporcionalidade e
razoabilidade das leis restritivas de direitos (CF, art. 5º, LIV), é imprescindível a
atuação do Judiciário para corrigir o exagero e ajustar a pena cominada à conduta
3 5ª Turma – pela possibilidade; AgRg no REsp 1810273/SP. 6ª Turma: Pela impossibilidade - AgRg no REsp
1740663/PR.
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inscrita no art. 273, § 1º-B, do Código Penal. 4. O crime de ter em depósito, para
venda, produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais de procedência
ignorada é de perigo abstrato e independe da prova da ocorrência de efetivo risco
para quem quer que seja. E a indispensabilidade do dano concreto à saúde do
pretenso usuário do produtoevidencia ainda mais a falta de harmonia entre o
delito e a pena abstratamente cominada (de 10 a 15 anos de reclusão) se
comparado, por exemplo, com o crime de tráfico ilícito de drogas – notoriamente
mais grave e cujo bem jurídico também é a saúde pública. 5. A ausência de
relevância penal da conduta, a desproporção da pena em ponderação com o dano
ou perigo de dano à saúde pública decorrente da ação e a inexistência de
consequência calamitosa do agir convergem para que se conclua pela falta de
razoabilidade da pena prevista na lei. A restrição da liberdade individual não pode
ser excessiva, mas compatível e proporcional à ofensa causada pelo
comportamento humano criminoso. 6. Arguição acolhida para declarar
inconstitucional o preceito secundário da norma” (AI no HC 239.363/PR, Rel. Min.
Sebastião Reis Júnior, DJe 10/4/2015).
Declarada a inconstitucionalidade do preceito secundário previsto no art. 273, § 1º-
B, do Código Penal pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça, no
julgamento da Arguição de Inconstitucionalidade no Habeas Corpus 239.363/PR, as
Turmas que compõem a Terceira Seção do STJ passaram a determinar a aplicação
da pena prevista no crime de contrabando ou no crime de tráfico de drogas do art.
33 da Lei de Drogas. A partir da solução da quaestio, verifica-se oscilação na
jurisprudência desta Corte. Destarte, a maioria dos julgadores da Terceira Seção
passou a adotar a orientação de aplicação da minorante prevista no § 4º do art. 33
da Lei n. 11.343/2006 nos crimes previstos no art. 273, § 1º-B, do Código Penal.
Assim, embora não tenha havido necessariamente alteração jurisprudencial, e sim
mudança de direcionamento, ainda que não pacífica, a respeito do tema, a
interpretação que deve ser dada ao artigo 621, I, do CPP é aquela de acolhimento
da revisão criminal para fins de aplicação do entendimento desta Corte mais
benigno e atual.” (RvCr 5.627/DF, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, j. 13/10/2021)
O STF julgou inconstitucional a pena cominada à conduta de importar medicamento sem registro na
ANVISA (art. 273, § 1º-B, inciso I, do CP) e decidiu repristinar, a pena (de 1 a 3 anos, multa) cominada ao art.
273, antes da Lei nº 9.677/93:
STF (RE 979.962 - tese com repercussão geral): “É inconstitucional a aplicação do
preceito secundário do artigo 273, do Código Penal, com a redação dada pela Lei
9.677/98 (reclusão de 10 a 15 anos), na hipótese prevista no seu parágrafo 1º-B,
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inciso I, que versa sobre importação de medicamento sem registro no órgão de
vigilância sanitária. Para essa situação específica, fica repristinado o preceito
secundário do artigo 273, na redação originária (reclusão de 1 a 3 anos, multa)”.
INCISO VIII: FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU DE OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL DE
CRIANÇA OU ADOLESCENTE OU DE VULNERÁVEL (ART. 218-B, CAPUT, E §§ 1º E 2º).
Art. 218-B. Submeter, induzir ou atrair à prostituição ou outra forma de exploração
sexual alguém menor de 18 (dezoito) anos ou que, por enfermidade ou deficiência
mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, facilitá-la,
impedir ou dificultar que a abandone:
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 10 (dez) anos.
§ 1o Se o crime é praticado com o fim de obter vantagem econômica, aplica-se
também multa.
§ 2o Incorre nas mesmas penas:
I - quem pratica conjunção carnal ou outro ato libidinoso com alguém menor de 18
(dezoito) e maior de 14 (catorze) anos na situação descrita no caput deste
artigo;
II - o proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em que se verifiquem as
práticas referidas no caput deste artigo.
Com o advento da Lei nº 12.978, que entrou em vigor no dia 22 de maio de 2014, para além da
mudança do nome jurídico do art. 218-B do Código Penal, também foi acrescentado ao art. 1º da Lei nº
8.072/90 o inciso VIII para rotular tal crime como hediondo.
Nas modalidades submeter, induzir, atrair e facilitar, consuma-se o delito no momento em que a
vítima passa a se dedicar à prostituição, colocando-se, de forma constante, à disposição dos clientes, ainda
que não tenha atendido nenhum. Trata-se, portanto, de um crime instantâneo, ainda que de efeitos
permanentes.
Já na modalidade de impedir ou dificultar o abandono da prostituição, o crime consuma-se no
momento em que a vítima delibera por deixar a atividade e o agente obsta esse intento, protraindo a
consumação durante todo o período de embaraço (crime permanente). Ou seja, aqui, temos um crime
permanente. Assim, considerando a natureza permanente do crime, quem antes da lei, dificultou o
abandono, persistindo o embaraço na vigência da nova lei, vai ser alcançado pela mudança legislativa,
conforme o entendimento da Súmula 711, STF
Súmula 711, STF: A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime
permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da
permanência.
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Obs.: Vamos relembrar alguns entendimentos recentes do STJ sobre esse crime?
• Nos termos do art. 218-B do Código Penal, são punidos tanto aquele que capta a vítima, inserindo-a na
prostituição ou outra forma de exploração sexual (caput), como também o cliente do menor prostituído
ou sexualmente explorado (§ 1º). STJ. 5ª Turma. HC 371633/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em
19/03/2019 (Info 645).
• A vulnerabilidade no caso do art. 218-B do CP é relativa. No art. 218-B do Código Penal não basta aferir
a idade da vítima, devendo-se averiguar se o menor de 18 (dezoito) anos ou a pessoa enferma ou doente
mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou por outra causa não pode oferecer
resistência. STJ. 5ª Turma. HC 371633/SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 19/03/2019 (Info 645).
• O tipo penal não exige habitualidade. Basta um único contato consciente com a adolescente submetida
à prostituição para que se configure o crime.
INCISO IX: FURTO QUALIFICADO PELO EMPREGO DE EXPLOSIVO OU DE ARTEFATO ANÁLOGO QUE CAUSE
PERIGO COMUM (ART. 155, § 4º-A).
O ingresso do parágrafo 4º do art. 5º do Código Penal no art. 1º da Lei nº 8.072 é uma novidade
oriunda do “pacote anticrime” Lei nº 13.964/2019.
Furto
Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:
Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Furto qualificado
§ 4º-A A pena é de reclusão de 4 (quatro) a 10 (dez) anos e multa, se houver
emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum. (Incluído
pela Lei nº 13.654, de 2018)
Até a entrada em vigor do Pacote Anticrime, nenhuma modalidade de furto era rotulada como
hedionda, justamente por não envolver violência e grave ameaça contra a pessoa e por tutelar única e
exclusivamente o patrimônio da vítima (bem jurídico considerado disponível).
No entanto, com base no critério de maior reprovabilidade da conduta do agente que utiliza
instrumentos que possam resultar em perigo comum, a Lei nº 13.964/19 conferiu caráter hediondo ao crime
de furto qualificado pelo emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum.
Crítica doutrinária: O crime de furto mediante a utilização de explosivos ou artefato análogo é crime
hediondo, ao passo que o roubo mediante o emprego de explosivos não foi considerado hediondo, mesmo
sendo claramente mais grave que o furto, indicando uma evidente violação ao princípio da
proporcionalidade. Nas palavras de Renato Brasileiro (2020):
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13654.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13654.htm#art1
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Interessante notar que o Pacote Anticrime rotulou como hediondo o crime de furtoqualificado pelo emprego de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo
comum - CP, art. 155, §4°-A, incluído pela Lei n. 13.654/18 -, porém,
inexplicavelmente, olvidou-se de fazer o mesmo com o crime de roubo
circunstanciado pela destruição ou rompimento de obstáculo mediante o emprego
de explosivo ou de artefato análogo que cause perigo comum - CP, art. 157, §2°-A,
inciso II, também incluído pela Lei n. 13.654/18 -, delito este inegavelmente muito
mais grave do que o furto em questão. Sem embargo do evidente equívoco do
legislador, como se adota o sistema legal como critério para determinação dos
crimes hediondos, ao magistrado não se defere a possibilidade de considerá-lo
hediondo sob o argumento de que as circunstâncias fáticas dos crimes são
semelhantes - e até mais gravosas -, sob pena de evidente violação ao princípio da
legalidade.
CUIDADO COM POSSÍVEL PEGADINHA DE PROVA!
Somente será crime hediondo quando o agente empregar explosivo ou artefato análogo que cause perigo
comum como instrumento do crime de furto. Quando o agente furtar substâncias explosivas (enquanto
objeto material do crime de furto), incidindo no art. 155, §7º, não será crime hediondo!
Art. 155, §4º-A – furto mediante emprego de explosivo - crime hediondo.
Art. 155, §7º – furto de explosivo – não é crime hediondo.
Adentraremos agora, na maior alteração ocorrida na lei, introduzida pelo “pacote anticrime” Lei nº
13.964/2019, qual seja, o parágrafo único do art. 1º. Particularmente, acreditamos que as alterações feitas
no parágrafo único organizaram e facilitaram o entendimento sobre o tema, sendo bastante preciso e
taxativo naquilo que pretendeu o legislador.
5. CRIMES HEDIONDOS PREVISTOS NO ART. 1º PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 8.072/90
Art. 1º. (...) Parágrafo único. Consideram-se também hediondos, tentados ou
consumados: (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
I - o crime de genocídio, previsto nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 2.889, de 1º de
outubro de 1956; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
II - o crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso proibido, previsto no
art. 16 da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003; (Incluído pela Lei nº 13.964,
de 2019)
III - o crime de comércio ilegal de armas de fogo, previsto no art. 17 da Lei nº
10.826, de 22 de dezembro de 2003; (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
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IV - o crime de tráfico internacional de arma de fogo, acessório ou munição,
previsto no art. 18 da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003; (Incluído pela Lei
nº 13.964, de 2019)
V - o crime de organização criminosa, quando direcionado à prática de crime
hediondo ou equiparado. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
ANTES DO PACOTE ANTICRIME APÓS O PACOTE ANTICRIME
Consideram-se também hediondos:
⦁ Genocídio
⦁ Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso
restrito
Consideram-se também hediondos:
⦁ Genocídio, previsto nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº
2.889, de 1º de outubro de 1956;
⦁ Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso
proibido, previsto no art. 16 da Lei nº 10.826, de
22 de dezembro de 2003;
⦁ Comércio ilegal de armas de fogo, previsto no
art. 17 da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de
2003;
⦁ Tráfico internacional de arma de fogo, acessório
ou munição, previsto no art. 18 da Lei nº 10.826,
de 22 de dezembro de 2003;
⦁ Organização criminosa, quando direcionado à
prática de crime hediondo ou equiparado.
→ INCISO I: CRIME DE GENOCÍDIO
O inciso I do parágrafo único da Lei 8.072/90 estabelece o crime de Genocídio, nas modalidades
constantes dos art. 1º, 2º e 3º, da Lei 2.889/56, como crime hediondo, sendo consumados ou tentados.
Vejamos:
Art. 1º Quem, com a intenção de destruir, no todo ou em parte, grupo nacional,
étnico, racial ou religioso, como tal:
a) matar membros do grupo;
b) causar lesão grave à integridade física ou mental de membros do grupo;
c) submeter intencionalmente o grupo a condições de existência capazes de
ocasionar-lhe a destruição física total ou parcial;
d) adotar medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo;
e) efetuar a transferência forçada de crianças do grupo para outro grupo;
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Art. 2º Associarem-se mais de 3 (três) pessoas para prática dos crimes mencionados
no artigo anterior.
Pena: Metade da cominada aos crimes ali previstos.
Art. 3º Incitar, direta e publicamente alguém a cometer qualquer dos crimes de que
trata o art. 1º:
Pena: Metade das penas ali cominadas.
§ 1º A pena pelo crime de incitação será a mesma de crime incitado, se este se
consumar.
§ 2º A pena será aumentada de 1/3 (um terço), quando a incitação for cometida
pela imprensa.
Portanto, são considerados crimes hediondos:
(1) Crime de genocídio – art. 1º
(2) Crime de associação para a pratica de genocídio – art. 2º
(3) Crime de incitação ao genocídio – art. 3º
Perceba que as condutas que caracterizam o crime de genocídio como crime hediondo vão além do
crime propriamente dito, pois será considerada também como hedionda a conduta de quem associa-se para
praticá-lo, assim como quem promove a sua incitação.
Ressalta-se que o art. 8º da Lei 8.072/90 prevê uma pena de 3 (três) a 6 (seis) anos para o crime de
associação criminosa quando se tratar de crimes hediondos. Ora, considerando-se que, por força do art. 1º,
parágrafo único, da Lei nº 8.072/90, o crime de associação para a prática de genocídio previsto no art. 2°
da Lei nº 2.889/56 também é considerado crime hediondo, a ele deve ser aplicada a pena cominada no art.
8° da Lei nº 8.072/90, que prevê a pena de três a seis anos de reclusão para toda forma de associação para
a prática de crime hediondo.
Fato que merece nossa atenção é a distinção do crime de Genocídio para o crime de homicídio
praticado por grupo de extermínio. Há características próprias entre os mesmos que os diferem de forma
clara.
GENOCÍDIO GRUPO DE EXTERMÍNIO
✓ Dolo específico de destruir, no todo ou em parte,
determinado grupo;
✓ Eliminar apenas alguns de seus integrantes;
✓ Visam um grupo específico nacional, étnico, racial
ou religioso
✓ Visam qualquer grupo por características
econômicas, sociais, raciais, religiosas, etc.
✓ Caracteriza-se não somente pela morte, mas
também pela lesão grave à integridade física ou
mental de membros do grupo, submissão
✓ Caracteriza-se, obrigatoriamente, pela morte de
alguém do grupo.
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intencional do grupo a condições de existência
capazes de ocasionar-lhes a destruição física total
ou parcial, bem como adoção de medidas
destinadas a impedir os nascimentos no seio do
grupo e, por fim, efetuar a transferência forçada de
crianças do grupo para outro grupo.
✓ Na hipótese de morte, no todo ou em parte, do
grupo, não se trata de crime contra a vida, mas tem
natureza supranacional. Aqui cuida-se da
preservação da pessoa humana, devendo ser
julgado e processado por um juiz singular.
✓ Crime doloso contra a vida de competência do
Tribunal do Júri, para processá-lo e julgá-lo.
Vale relembrar!
Cumpre recordarmos que o genocídio é um típico exemplo de norma penal em branco “ao avesso”, isto é,
temos as condutas criminosas, mas faltam as respectivas penas, o preceito secundário está incompleto.
A norma penal em branco ao avesso é aquela em que o preceito primário é completo, mas o preceito
secundário carece de complemento normativo, sendo certo que este complemento deve derivar da lei, sob
pena de lesão ao princípio da reserva legal.
• INCISO II: POSSE OU PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PROIBIDO
Trata-se da posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso PROIBIDO, previsto no art. 16 da Lei no
10.826, de 22 de dezembro de 2003.
Ocorre que o Pacote Anticrimetambém promoveu alterações no Estatuto do Desarmamento,
ocasião em que o legislador passou a diferenciar as condutas que envolvem arma de fogo de uso restrito e
proibido, colocando esta última como qualificadora do delito em questão, no §2º. Veja:
Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito,
transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar,
manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição de uso
restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou
regulamentar: (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019)
Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.
§ 1º Nas mesmas penas incorre quem: (Redação dada pela Lei nº 13.964, de
2019)
I – Suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de identificação de arma
de fogo ou artefato;
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2003/L10.826.htm#art16
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/2003/L10.826.htm#art16
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art9
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art9
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art9
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II – Modificar as características de arma de fogo, de forma a torná-la equivalente a
arma de fogo de uso proibido ou restrito ou para fins de dificultar ou de qualquer
modo induzir a erro autoridade policial, perito ou juiz;
III – possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou incendiário, sem
autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar;
IV – Portar, possuir, adquirir, transportar ou fornecer arma de fogo com
numeração, marca ou qualquer outro sinal de identificação raspado, suprimido ou
adulterado;
V – Vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo,
acessório, munição ou explosivo a criança ou adolescente; e
VI – Produzir, recarregar ou reciclar, sem autorização legal, ou adulterar, de
qualquer forma, munição ou explosivo.
§ 2º Se as condutas descritas no caput e no § 1º deste artigo envolverem ARMA
DE FOGO DE USO PROIBIDO, a pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 12 (doze)
anos. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
Aqui, neste tipo penal, não há a necessidade de diferenciar a posse do porte de arma de uso proibido, vez
que ambas as condutas encontram-se tipificadas no mesmo §2º.
REDAÇÃO ANTIGA REDAÇÃO NOVA
Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer,
receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda
que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar,
manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo,
acessório ou munição de uso proibido ou restrito,
sem autorização e em desacordo com
determinação legal ou regulamentar:
Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.
§ ÚNICO (...)
“Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer,
receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda
que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar,
manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo,
acessório ou munição de uso restrito, sem
autorização e em desacordo com determinação
legal ou regulamentar:
§ 1º (...)
Sem §2º § 2º Se as condutas descritas no caput e no § 1º
deste artigo envolverem arma de fogo de uso
proibido, a pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 12
(doze) anos.” (NR)
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art9
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Assim, antes do Pacote Anticrime, considerava-se hediondo o crime "de posse ou porte ilegal de
arma de fogo de uso restrito previsto no art. 16 da Lei n. 10.826/03”, suscitando, inclusive, controvérsias
sobre a abrangência ou não dos incisos I a VI do referido artigo.
No entanto, com o advento do Pacote Anticrime e as alterações promovidas no próprio Estatuto do
Desarmamento, que deslocou todas as condutas referentes ao “uso proibido” do caput para o §2º, passou-
se a considerar hediondo apenas o PORTE OU POSSE ILEGAL DE ARMA DE FOGO DE USO PROIBIDO.
Ressalta-se que a Lei de crimes hediondos fala somente em ARMA DE FOGO DE USO PROIBIDO, não
mencionando os demais objetos materiais previstos no art. 16, quais sejam, acessório ou munição. Por este
motivo, a doutrina majoritária entende que o PORTE/POSSE ILEGAL DE ACESSÓRIO OU MUNIÇÃO DE USO
PROIBIDO NÃO É CONSIDERADO CRIME HEDIONDO, sob pena de caracterizar analogia in malam partem e
consequente violação ao princípio da legalidade. Explica o professor Renato Brasileiro:
“Fosse a intenção do legislador de tratar como hedionda toda e qualquer conduta
relativa a artefatos de uso proibido, o inciso II ora sob comento deveria ter sido
redigido nos seguintes termos: "O crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo,
acessório ou munição de uso proibido ". In casu, não se pode querer aplicar o
mesmo raciocínio anteriormente desenvolvido (itens 1 e 2 acima) quanto ao antigo
crime hediondo de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito (redação
do parágrafo único do art. 1 º da Lei n. 8.072/90 dada pela Lei n. 13.497/17), de
modo a se concluir que toda e qualquer conduta atinente a artefatos de uso
proibido seria hedionda por uma razão muito simples: posse ou porte ilegal de arma
de fogo de uso proibido não é o nomen iuris do delito, mas sim uma mera
qualificadora do crime do art. 16, doravante inserida no §2°, que, portanto, há de
ser interpretada restritivamente, sob pena de odiosa violação ao princípio da
legalidade.
Obs.: pensamos que a referida norma possuiu natureza dúplice. Isso porque:
✓ A norma será benéfica em relação àqueles praticaram a conduta de posse ou porte ilegal de arma de
fogo de uso restrito, pois essa modalidade não é mais considerada hedionda (novatio legis in mellius
e caráter retroativo).
✓ A norma será maléfica em relação àqueles que cometerem o porte de arma de fogo de uso proibido,
considerando que, além de ser tratada como hediondo, tornou-se qualificadora do delito previsto no
artigo 16 do Estatuto do Desarmamento, com pena maior de 4 a 12 anos de reclusão.
• INCISO III: CRIME DE COMÉRCIO ILEGAL DE ARMAS DE FOGO
Comércio ilegal de arma de fogo
Art. 17. Adquirir, alugar, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito,
desmontar, montar, remontar, adulterar, vender, expor à venda, ou de qualquer
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forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial
ou industrial, arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização ou em
desacordo com determinação legal ou regulamentar:
Pena - reclusão, de 6 (seis) a 12 (doze) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº
13.964, de 2019)
§ 1º Equipara-se à atividade comercial ou industrial, para efeito deste artigo,
qualquer forma de prestação de serviços, fabricação ou comércio irregular ou
clandestino, inclusive o exercido em residência. (Redação dada pela Lei nº 13.964,
de 2019)
§ 2º Incorre na mesma pena quem vende ou entrega arma de fogo, acessório ou
munição, sem autorização ou em desacordo com a determinação legal ou
regulamentar, a agente policial disfarçado, quando presentes elementos
probatórios razoáveis de conduta criminal preexistente. (Incluído pela Lei nº
13.964, de 2019)
REDAÇÃO ANTIGA REDAÇÃO NOVA
Art. 17. (...)
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.
“Art. 17. (...)
Pena - reclusão, de 6 (seis) a 12 (doze) anos, e multa.
§ 1º
Sem §2º § 2º Incorre na mesma pena quem vende ou entrega
arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização
ou em desacordo com a determinação legal ou
regulamentar, a agente policial disfarçado, quando
presentes elementos probatórios razoáveis de
conduta criminal preexistente.” (NR)
Trata-se de atualização introduzida pela lei 13.964/2019“pacote anticrime”, incluindo, no rol
taxativo dos crimes hediondos, o comércio ilegal de arma de fogo previsto no art. 17 do Estatuto do
Desarmamento.
Assim, todas as modalidades deste delito, incluindo as previstas no §2º, passam a ser consideradas
como hediondas.
Explica Renato Brasileiro (2020):
Por conseguinte, todas as figuras delituosas previstas no art. 17 e 18 são
consideradas hediondas, não apenas aquelas previstas no caput, mas também as
equiparadas. A uma porque o legislador fez referência ao crime de comércio ilegal
de arma de fogo e ao delito de tráfico internacional de arma de fogo, acessório ou
munição, porque estas são as rubricas marginais (nomen iuris) constantes dos arts.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art9
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art9
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art9
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art9
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art9
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art9
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17 e 18 do Estatuto do Desarmamento. A duas porque, quisesse o legislador
conferir natureza hedionda apenas a determinadas condutas ali previstas, deveria
ter feito menção explícita ao caput do art. 17 (ou ao do art. 18). Se não o fez, não é
dado ao intérprete fazê-lo. Enfim, hão de ser consideradas hediondas tanto as
condutas do caput, quanto aquelas equiparadas.
• INCISO IV: CRIME DE TRÁFICO INTERNACIONAL DE ARMA DE FOGO, ACESSÓRIO OU MUNIÇÃO
Tráfico internacional de arma de fogo
Art. 18. Importar, exportar, favorecer a entrada ou saída do território nacional, a
qualquer título, de arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização da
autoridade competente:
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 16 (dezesseis) anos, e multa. (Redação dada pela Lei
nº 13.964, de 2019)
Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem vende ou entrega arma de fogo,
acessório ou munição, em operação de importação, sem autorização da autoridade
competente, a agente policial disfarçado, quando presentes elementos probatórios
razoáveis de conduta criminal preexistente. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)
REDAÇÃO ANTIGA REDAÇÃO NOVA
Art. 18. .....
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e
multa.
“Art. 18. ....
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 16 (dezesseis) anos, e
multa.
Sem § único. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem
vende ou entrega arma de fogo, acessório ou
munição, em operação de importação, sem
autorização da autoridade competente, a agente
policial disfarçado, quando presentes elementos
probatórios razoáveis de conduta criminal
preexistente.” (NR)
Mais uma inovação trazida pelo “pacote anticrime” lei 13.964/2019, rotulando o crime de tráfico
internacional de armas de fogo, acessórios e munições como crime hediondo. Doravante, o delito ora em
comento, será reprimido com maior rigor.
• INCISO V: CRIME DE ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA, QUANDO DIRECIONADO À PRÁTICA DE CRIME
HEDIONDO OU EQUIPARADO
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art9
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art9
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art9
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Art. 1º, Lei nº 12.850/13. Esta Lei define organização criminosa e dispõe sobre a
investigação criminal, os meios de obtenção da prova, infrações penais correlatas
e o procedimento criminal a ser aplicado.
§ 1º Considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas
estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que
informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de
qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas
sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional.
A Lei 13.964/19 acrescentou o inc. V ao parágrafo único do art. 1º da lei ora em comento, etiquetando
como hediondo o crime de organização criminosa, quando esta tiver por finalidade a prática de crime
hediondo ou equiparado.
Veja bem, a Lei 13.964/19 não tornou o crime de organização criminosa, em si, um delito hediondo,
mas tão somente quando se destinar à pratica de crime hediondo ou equiparado.
Lembre-se que o crime de organização criminosa independe da prática efetiva de crimes, bastando
que haja a reunião estável, permanente e hierárquica das pessoas para a prática de crimes. E se ela for para
a prática de crime hediondo ou equiparado, aí sim, será hediondo.
Ressalta-se outras formas de associação, como, por exemplo, a associação criminosa (CP, art. 288) e
a constituição de milícia privada (CP, art. 288-A, incluído pela Lei n. 12.720/12), não devem ser rotuladas
como hediondas, ainda que direcionadas à prática de crime hediondo ou equiparado, sob pena de evidente
violação ao princípio da legalidade. (Não esqueça da exceção comentada acima acerca da associação para a
prática de genocídio!)
5.1 Crimes Equiparados Ao Hediondos
3 T
TRÁFICO
TORTURA
TERRORISMO
Frente à expressa determinação da Constituição Federal, são equiparados aos crimes hediondos os
delitos de tráfico de droga, tortura e terrorismo.
Tal conceituação é exaustivamente cobrada em provas objetivas, uma vez que, mesmo ensejando o
procedimento de recrudescimento idêntico aos dos crimes hediondos, eles são considerados equiparados, e
não propriamente hediondos pela doutrina, fique atento!
5.1.1 Tráfico de Drogas
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Encontra-se tipificado pela Lei 11.343/03, mas são todos os tipos penais ali elencados que
caracterizam tráfico de drogas. Segundo doutrina majoritária e jurisprudência do STF e STJ:
SÃO CONSIDERADOS
TRÁFICO DE
DROGAS
SÃO EQUIPARADOS
A CRIMES
HEDIONDOS
NÃO SÃO
CONSIDERADOS
TRÁFICO DE
DROGAS
NÃO SÃO
EQUIPARADOS A
CRIMES HEDIONDOS
1) Art. 33, caput
2) Art. 33, §1º
3) Art. 34 – delito de maquinário
4) Art. 36 – o delito de financiamento
ao tráfico
1) Art. 28
2) Art. 33, §2º
3) Art. 33, §3º
4) Art. 33, §4º - tráfico
privilegiado!
5) Art. 35 – associação para o tráfico
6) Art. 37 – o delito de colaboração
como informante
7) Art. 38
8) Art. 39.
De acordo com o STF, o tráfico privilegiado de drogas não tem natureza de crime hediondo, por
conseguinte não são exigíveis requisitos mais severos para o livramento condicional e para a progressão de
regime. (HC 118533, Pleno STF)
Lembre-se que essa figura privilegiada reclama a presença de quatro requisitos cumulativos (diminuição de
1/6 a 2/3):
1. Agente primário;
2. Bons antecedentes;
3. Não se dedica a atividades criminosas;
4. Não integrar organizações criminosas.
5.1.2 Tortura
Encontra-se previsto ao teor da Lei nº 9.455/97.
De acordo com a doutrina majoritária, o crime de tortura por omissão NÃO é considerado crime
equiparado a hediondo!
Lei 9.455/97, Art. 1º Constitui crime de tortura:
§ 2º Aquele que se omite em face dessas condutas, quando tinha o dever de evitá-
las ou apurá-las, incorre na pena de detenção de um a quatro anos.
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5.1.3 Terrorismo
O crime de terrorismo é definido pelo art. 2°, caput, da Lei n. 13.260/16
6. ESPECIFICIDADES DOS CRIMES HEDIONDOS
O art. 2º da Lei 8.072/90 elenca um rol de consequências legais – de natureza penal e processual
penal – mais gravosas que são aplicáveis os crimes rotulados como hediondos e os crimes equiparados a
hediondos
Inicialmente, cumpre destacarmos que as consequências/vedações também são aplicadas aos crimes
“equiparados” a hediondos, quais sejam,212
2.1 Vigência, aplicação, obrigatoriedade, interpretação e integração das leis .......................................................... 212
2.2 Antinomias ........................................................................................................................................................... 216
2.3 Aplicação temporal das normas ........................................................................................................................... 217
2.4 Aplicação do direito público ................................................................................................................................. 219
QUESTÕES PROPOSTAS ................................................................................................................................. 226
DIREITO CIVIL: DAS PESSOAS ......................................................................................................................... 234
1. PESSOAS NATURAIS ................................................................................................................................... 234
1.1 Incapacidade ........................................................................................................................................................ 235
1.2 Personalidade ....................................................................................................................................................... 236
1.3 Nascituro .............................................................................................................................................................. 250
1.4 Emancipação ........................................................................................................................................................ 251
1.5 Morte Presumida e ausência ................................................................................................................................ 251
1.6 Domicílio ............................................................................................................................................................... 256
2. PESSOAS JURÍDICAS ................................................................................................................................... 257
2.1 Características ...................................................................................................................................................... 257
2.2 Requisitos para constituição ................................................................................................................................ 257
2.3 Classificação das pessoas jurídicas ....................................................................................................................... 258
2.4 Classificação quanto à função .............................................................................................................................. 258
2.5 Extinção da pessoa jurídica .................................................................................................................................. 259
QUESTÕES PROPOSTAS ................................................................................................................................. 266
META 4 .......................................................................................................................................................... 275
DIREITO TRIBUTÁRIO: LIMITAÇÕES AO PODER DE TRIBUTAR ....................................................................... 275
1. LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS AO PODER DE TRIBUTAR ........................................................................ 276
1.1. Princípios do Direito Tributário ..................................................................................................................... 277
1.1.1 Princípio da Legalidade .................................................................................................................................. 278
1.1.2 Princípio da Tipicidade Tributária .................................................................................................................. 284
User
Riscado
User
Riscado
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1.1.3. Princípio da Anterioridade ou Não Surpresa ................................................................................................ 284
1.1.4 Princípio da Irretroatividade .......................................................................................................................... 290
1.1.5 Princípio da Isonomia .................................................................................................................................... 294
1.1.6. Princípio do Não-confisco ............................................................................................................................. 298
1.1.7 Princípio da Liberdade de Tráfego ................................................................................................................. 300
1.1.8 Princípio da Uniformidade Geográfica ........................................................................................................... 301
1.1.9 Não discriminação em razão da procedência ou destino .............................................................................. 302
1.1.10 Vedação à concessão de isenções heterônomas ......................................................................................... 302
1.1.11 Vedação à utilização do IR como instrumento de concorrência desleal – Princípio da uniformidade da
tributação da renda ................................................................................................................................................ 303
1.2 Imunidades ........................................................................................................................................................... 303
1.2.1 Imunidade Recíproca ..................................................................................................................................... 308
1.2.2. Imunidade Religiosa ...................................................................................................................................... 314
1.2.3. Imunidade tributária dos partidos políticos, sindicatos de trabalhadores e entidades educacionais e
assistenciais sem fins lucrativos ............................................................................................................................. 316
1.2.4. Imunidade Cultural ou Imunidade de Imprensa ........................................................................................... 320
1.2.5. Imunidade musical ........................................................................................................................................ 323
1.2.6. Demais imunidades previstas na CF/88 ........................................................................................................ 324
2. COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA ...................................................................................................................... 324
2.1. Competência Tributária ....................................................................................................................................... 324
2.2.1. Espécies de competência .............................................................................................................................. 327
2.2.2. Repartição de competências tributárias ....................................................................................................... 328
QUESTÕES PROPOSTAS ................................................................................................................................. 333
META 5 ..........................................................................................................................................................tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, tortura e terrorismo.
6.1 Insuscetibilidade de Graça, Anistia e Indulto
Nos termos do art. 2º, inciso I, da Lei nº 8.072/90, os crimes hediondos são insuscetíveis de anistia,
graça e indulto. Nesse sentido, dispõe o texto supracitado, bem como, a Constituição Federal, senão vejamos.
Art. 2º, Lei nº 8072/90: Os crimes hediondos, a prática da tortura, o tráfico ilícito
de entorpecentes e drogas afins e o terrorismo são insuscetíveis de: I - anistia, graça
e indulto;
Art. 5º, XLIII, CF - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou
anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o
terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os
mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem.
Repare que, enquanto a Lei de Crimes Hediondos proíbe a concessão de anistia, graça e indulto, a
CF/88 proíbe apenas anistia e a graça, sem fazer menção expressa ao indulto. Essa vedação do indulto
prevista na lei 8.072/90 (e não está na CF) é constitucional?
1º corrente: Inconstitucional – A lei extrapolou a vedação constitucional. Considerando que a CF/88 traz
proibições máximas, não pode o legislador ordinário suplantá-las. A concessão do indulto é atribuição do
chefe do Poder Executivo (Presidente da República), não podendo o legislador ordinário limitá-lo.
2º corrente – STF/ Majoritária - Constitucional. A CF traz vedações mínimas ("a lei considerará"), quem irá
trabalhar é o legislador, a CF/88 dá um PATAMAR MÍNIMO DE PROIBIÇÃO. A vedação da graça abrange
indulto, que nada mais é do que uma graça coletiva.
RETA FINAL
DELEGADO GOIÁS
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Obs.: Chama-se indulto humanitário aquele concedido por razões de grave deficiência física ou em
virtude de debilitado estado de saúde do executado. Temos decisões admitindo o indulto humanitário com
fundamento no princípio da humanidade das penas, até mesmo para condenados por crimes hediondos e
equiparados (STJ). O STF, no HC 118/213 SP, não permitiu indulto humanitário para tráfico de drogas.
6.2 Insuscetibilidade de Fiança
Os crimes hediondos e equiparados são inafiançáveis.
Art. 2º. Os crimes hediondos, a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes
e drogas afins e o terrorismo são insuscetíveis de:
II - fiança.
Cumpre destacar que, na redação original da Lei dos Crimes Hediondos, também era vedada a
liberdade provisória sem fiança. Essa proibição, contudo, foi abolida pela Lei 11.464/2007.
ANTES DA LEI 11.464/2007 DEPOIS DA LEI 11.464/2007
Vedava:
1) Fiança
2) Liberdade provisória
Veda:
1) Fiança
Permite:
1) Liberdade provisória
A doutrina majoritária entende ser possível a concessão de liberdade provisória sem fiança, a
depender do convencimento do juiz, quanto à ausência dos requisitos para a decretação da prisão
preventiva.
6.3 Regime Inicial Fechado para o Cumprimento da Pena Privativa de Liberdade
Art. 2º, § 1º, da Lei 8.072/90: “A pena por crime previsto neste artigo será cumprida
inicialmente em regime fechado”.
Em sua redação original, a Lei dos Crimes Hediondos previa que o regime deveria ser integralmente
fechado, ou seja, iniciaria e terminaria o cumprimento da pena em regime fechado, sem direito à progressão
de regime.
No entanto, no HC 82959, o STF decidiu pela inconstitucionalidade desse regime, haja vista a clara
violação aos princípios da individualização da pena, da proporcionalidade e também da dignidade da pessoa
humana. Nessa esteira, passou-se a admitir a progressão de regime nos termos da LEP.
RETA FINAL
DELEGADO GOIÁS
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Ressalta-se que a obrigatoriedade do regime inicial fechado continua no texto da lei, mas a
jurisprudência e doutrina já se manifestaram pela inconstitucionalidade da previsão por entenderem que
viola o princípio da individualização da pena, devendo o juiz analisar o caso concreto para fundamentar sua
decisão (STF, Pleno, HC 111.840, Info 672).
O legislador não pode obrigar o juiz a aplicar um determinado regime prisional. A fixação de regime
inicial mais severo não deve basear-se na gravidade em abstrato do delito, exigindo, do magistrado,
motivação idônea.
Súmula 718 do STF: A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime
não constitui motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o
permitido segundo a pena aplicada.
Súmula 719 do STF: A imposição do regime de cumprimento mais severo do que a
pena aplicada permitir exige motivação idônea.
CESPE/2019 - Júnia, de quatorze anos de idade, acusa Pierre, de dezoito anos de idade, de ter praticado crime
de natureza sexual consistente em conjunção carnal forçada no dia do último aniversário da jovem. Pierre,
contudo, alega que o ato sexual foi consentido. Se Pierre for condenado por estupro, o regime de
cumprimento de pena será integralmente fechado, por se tratar de crime hediondo. Item incorreto.
Obs.: Regime Inicial de Cumprimento de Pena na Lei de Tortura
Art. 1º, Lei nº 9.455/97. (...) § 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, salvo a
hipótese do § 2º, iniciará o cumprimento da pena em regime fechado.
O § 7º dispõe que o condenado por crime previsto na Lei de Tortura, salvo a hipótese do § 2º (omissão
perante a tortura), iniciará o cumprimento da pena em regime fechado.
O STF entende já decidiu que a imposição de regime inicial fechado para os crimes hediondos e
equiparados é inconstitucional por violar o princípio constitucional da individualização da pena (STF, HC
111.840/ES). Para a doutrina majoritária, é evidente que essa interpretação também deve ser aplicada aos
crimes equiparados a hediondo, a exemplo da tortura. A posição do STJ é nesse mesmo sentido:
RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. CRIME DE TORTURA. REGIME INICIAL
FECHADO FIXADO EXCLUSIVAMENTE COM BASE NO ART. 1º, § 7º, DA LEI 9.455/97.
INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA. RECONHECIMENTO DA ILEGALIDADE PELO
TRIBUNAL DE ORIGEM. ALTERAÇÃO DO REGIME PARA O SEMIABERTO, COM
FULCRO NO ART. 33 E PARÁGRAFOS DO CÓDIGO PENAL. REFORMATIO IN PEJUS.
AUSÊNCIA. REPRIMENDA FINAL INFERIOR A 4 ANOS DE RECLUSÃO. REGIME INICIAL
SEMIABERTO. CIRCUNSTÂNCIA JUDICIAL. AUSÊNCIA DE CONSTRANGIMENTO
ILEGAL. RECURSO A QUE SE NEGA PROVIMENTO.
RETA FINAL
DELEGADO GOIÁS
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1. A obrigatoriedade do regime inicial fechado prevista na Lei do Crime de Tortura
foi superada pela Suprema Corte, de modo que a mera natureza do crime não
configura fundamentação idônea a justificar a fixação do regime mais gravoso
para os condenados pela prática de crimes hediondos e equiparados. Para
estabelecer o regime prisional, deve o magistrado avaliar o caso concreto,
seguindo os parâmetros estabelecidos pelo artigo 33 e parágrafos do Código
Penal.
2. O regime inicial fechado foi fixado pelo Magistrado de primeiro grau com base,
exclusivamente, no disposto pelo art. 1°, § 7°, da Lei n° 9.455/97, em manifesta
contrariedade ao hodierno entendimento dos Tribunais Superiores. A Corte de
origem, por sua vez, ao reconhecer a existência de flagrante ilegalidade na
imposição do regime inicial fechado - diante da mera alusão ao § 7° do art. 1° da Lei
n° 9.455/97 -, alterou o regime inicial para o semiaberto à luz do art. 33, §§ 2º e 3º,
do Código Penal, o que não evidencia reformatio in pejus. (...) (RHC 76.642/RN, Rel.
Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, SEXTA TURMA, julgado em
11/10/2016, DJe 28/10/2016).
Em 2015, o Info. 789 do STF, noticia julgamento em que, o Min. Marco Aurélio manifesta posição
pessoal de que o art. 1º, § 7º, da Lei nº 9.455/97 seria constitucional, ou seja, seria legítima a regra que
impõe o regime inicial fechado para o crime de tortura. Todavia, é uma posição minoritária e isolada do Min.Marco Aurélio. Os demais Ministros acompanharam o Relator mais por uma questão de praticidade em razão
do que de
tese jurídica, pois eles não aderiram expressamente à tese do Relator.
CUIDADO COM INF. 789, STF (2015): CRIME DE TORTURA E REGIME INICIAL DE
CUMPRIMENTO DA PENA. O condenado por crime de tortura iniciará o
cumprimento da pena em regime fechado, nos termos do disposto no § 7º do art.
1º da Lei 9.455/1997 - Lei de Tortura. Com base nessa orientação, a Primeira Turma
denegou pedido formulado em “habeas corpus”, no qual se pretendia o
reconhecimento de constrangimento ilegal consubstanciado na fixação, em
sentença penal transitada em julgado, do cumprimento das penas impostas aos
pacientes em regime inicialmente fechado. (...) O Ministro Marco Aurélio (relator)
denegou a ordem. Considerou que, no caso, a dosimetria e o regime inicial de
cumprimento das penas fixadas atenderiam aos ditames legais. Asseverou não
caber articular com a Lei de Crimes Hediondos, pois a regência específica (Lei
9.455/1997) prevê expressamente que o condenado por crime de tortura iniciará o
cumprimento da pena em regime fechado, o que não se confundiria com a
imposição de regime de cumprimento da pena integralmente fechado. Assinalou
que o legislador ordinário, em consonância com a CF/1988, teria feito uma opção
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DELEGADO GOIÁS
SEMANA 04/13
99
válida, ao prever que, considerada a gravidade do crime de tortura, a execução da
pena, ainda que fixada no mínimo legal, deveria ser cumprida inicialmente em
regime fechado, sem prejuízo de posterior progressão. Os Ministros Roberto
Barroso e Rosa Weber acompanharam o relator, com a ressalva de seus
entendimentos pessoais no sentido do não conhecimento do “writ”. O Ministro Luiz
Fux, não obstante entender que o presente “habeas corpus” faria as vezes de
revisão criminal, ante o trânsito em julgado da decisão impugnada, acompanhou o
relator. HC 123316/SE, rel. Min. Marco Aurélio, 9.6.2015. (HC-123316)
6.4 Critérios Diferenciados para Concessão de Livramento Condicional.
É possível o livramento para os crimes hediondos e assemelhados (3T – tráfico, tortura e terrorismo),
depois de ter havido o cumprimento de 2/3 da pena e não ser reincidente especifico (hediondo ou
assemelhado), independentemente de ser o mesmo delito ou não.
Atente-se que a vedação ao reincidente específico é apenas para a concessão do livramento
condicional, e não para a concessão dos demais benefícios.
LIVRAMENTO CONDICIONAL
Regra geral – art. 83, CP Hediondos – art. 83, V, CP Tráfico de drogas - art. 44,
Lei 11.343/06
+ 1/3 do cumprimento de pena se
não reincidente em crime doloso
+ 1/3 do cumprimento de pena se
reincidente em crime doloso
+ 2/3 do cumprimento de pena se
não reincidente específico
VEDADO O LIVRAMENTO
CONDICIONAL EM CASO DE
REINCIDENTE ESPECÍFICO!
2/3 do cumprimento de pena
(Art. 44, único, Lei 11.343/06
– princípio da especialidade)
6.5 Progressão de Regime
Em sua redação originária, a Lei nº 8.072/90 vedava a progressão de regime para os crimes
hediondos, já que era previsto o regime integral fechado de cumprimento da pena (art. 1º, §1º). O STF
declarou a inconstitucionalidade do art. 1º, §1º, da Lei nº 8.072/90. Com isso, a progressão de regime foi
autorizada e seguia o disposto na LEP, ou seja, o condenado progredia com o tempo comum - 1/6 da pena.
Posteriormente, a Lei nº 11.464 inseriu o §2º ao art.2º da Lei 8.072/90, trazendo parâmetros distintos para
a progressão de regime para condenados por crimes hediondos e equiparados:
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DELEGADO GOIÁS
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§ 2o A progressão de regime, no caso dos condenados aos crimes previstos neste
artigo, dar-se-á após o cumprimento de 2/5 (dois quintos) da pena, se o apenado
for primário, e de 3/5 (três quintos), se reincidente. (Redação dada pela Lei nº
11.464, de 2007)
Por se tratar de uma inovação legislativa mais prejudicial ao réu, foram editadas as seguintes
súmulas:
Súmula 471 do STJ: Os condenados por crimes hediondos ou assemelhados
cometidos antes da vigência da Lei n. 11.464/2007 sujeitam-se ao disposto no art.
112 da Lei n. 7.210/1984 (Lei de Execução Penal) para a progressão de regime
prisional.
SV nº 26: Para efeito de progressão de regime no cumprimento de pena por crime
hediondo, ou equiparado, o juízo da execução observará a inconstitucionalidade do
art.2 da lei 8.072, de 25 de julho de 1990, sem prejuízo de avaliar se o condenado
preenche, ou não, os requisitos objetivos e subjetivos do benefício, podendo
determinar, para tal fim, de modo fundamentado, a realização de exame
criminológico.
Ocorre que, com o advento da Lei 13.964/19, o “pacote anticrime”, tal dispositivo foi revogado!! A
partir de agora, a progressão de regime voltará a ser guiada pelo art. 112 da Lei de Execução Penal (LEP), que
também sofreu alterações pela referida Lei, estabelecendo novos prazos a serem cumpridos, conforme
esquema abaixo:
ESQUEMATIZANDO:
PROGRESSÃO DE
REGIME NOS
CRIMES
HEDIONDOS
50%
PRIMÁRIO
CONDENADO PELA PRÁTICA DE CRIME
HEDIONDO OU EQUIPARADO, COM
RESULTADO MORTE, SE FOR PRIMÁRIO,
VEDADO O LIVRAMENTO CONDICIONAL
CONDENADO POR EXERCER O COMANDO,
INDIVIDUAL OU COLETIVO, DE
ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA ESTRUTURADA
PARA A PRÁTICA DE CRIME HEDIONDO OU
EQUIPARADO
CONDENADO PELA PRÁTICA DO CRIME DE
CONSTITUIÇÃO DE MILÍCIA PRIVADA
VEDADO O
LIVRAMENTO
CONDICIOANAL
CONDENADO POR CRIME HEDIONDO OU
EQUIPARADO SE O RÉU
FOR PRIMÁRIO
40%
%%
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11464.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11464.htm#art1
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DELEGADO GOIÁS
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PROGRESSÃO DE REGIME AOS CRIMES HEDIONDOS
40% Primário + Crime Hediondo/equiparado
50 %
Primário + Crime Hediondo/Equiparado, COM RESULTADO MORTE,
VEDADO O LIVRAMENTO CONDICIONAL **
** Obs.: Note que o PAC criou uma nova vedação ao livramento
condicional neste caso. Isso porque, se seguisse a regra geral prevista no
CP, caberia o livramento condicional.
Exercer o COMANDO, individual ou coletivo, de organização criminosa
estruturada para a prática de crime hediondo ou equiparado
Condenado pela prática do crime de constituição de MILÍCIA PRIVADA
60% Reincidente + Crime Hediondo/Equiparado **
** Obs.: Embora a LEP não inviabilize o livramento condicional, o CP o faz
quando o agente for reincidente específico em crime hediondo (art. 83, V)
70% Reincidente [ESPECÍFICO] + Crime Hediondo/Equiparado, COM RESULTADO
MORTE, VEDADO O LIVRAMENTO CONDICIONAL
6.6 Direito de Recorrer em Liberdade
§3º Em caso de sentença condenatória, o juiz decidirá fundamentadamente se o
réu poderá apelar em liberdade.
Interpretação conforme a CF: Réu processado preso, recorre preso, salvo se desaparecerem os
fundamentos que determinaram a decretação da prisão preventiva. Por outro lado, réu processado solto,
60%
70% REINCIDENTE
ESPECÍFICO
REINCIDENTE
SE O APENADO FOR REINCIDENTE NA
PRÁTICA DE CRIME HEDIONDO OU
EQUIPARADO
SE O APENADO FOR REINCIDENTE
EM CRIME HEDIONDO OU
EQUIPARADO COM RESULTADO
MORTE, VEDADO O
LIVRAMENTO CONDICIONAL.
VEDADO O
LIVRAMENTO
CONDICIOANAL
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DELEGADO GOIÁS
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via de regra, recorre solto, salvo se presentes os fundamentos da prisão preventiva, eis a interpretação
conforme a Constituição.
Ante o exposto, contemplamos que está vedado a imposição da condição de recolhimento ao cárcere para
recorrer, devendo a sua decretação quando necessária ser fundamentada, em observância ao art. 93, IX,
da CF.
6.7 Estabelecimentos Penais De Segurança Máxima
“Art. 3º da Lei 8.072/90: A União manterá estabelecimentos penais,de segurança
máxima, destinados ao cumprimento de penas impostas a condenados de alta
periculosidade, cuja permanência em presídios estaduais ponha em risco a ordem
ou incolumidade pública”.
Obs.: O condenado de alta periculosidade pode não ser necessariamente um condenado por crime
hediondo ou equiparado.
• Condenado federal cumprindo pena em estabelecimento estadual: Competência da execução é do
JUIZ ESTADUAL - Súmula 192 do STJ.
Súmula 192 do STJ - compete ao juízo das execuções penais do estado a execução
das penas impostas a sentenciados pela justiça federal, militar ou eleitoral, quando
recolhidos a estabelecimentos sujeitos a administração estadual.
• Condenado no âmbito estadual, cumprindo pena em estabelecimento federal: A competência para
atuar na execução é da JUSTIÇA FEDERAL.
Mesma lógica: a competência é de quem fiscaliza o estabelecimento.
6.8 Prioridade no Trâmite dos Processos
Em atendimento ao Código de Processo Penal, haverá prioridade de tramitação dos processos que
versarem sobre crimes hediondos.
Art. 394-A. Os processos que apurem a prática de crime hediondo terão prioridade
de tramitação em todas as instâncias.
7. PRISÃO TEMPORÁRIA E CRIMES HEDIONDOS
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DELEGADO GOIÁS
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Por fim, e com alto índice de cobrança nas provas objetivas, bem como relevância para a confecção
de representações rotineiramente presentes em provas de segunda fase, há a previsão de prazo excepcional
para a prisão temporária nos crimes hediondos.
A prisão temporária é uma modalidade de prisão provisória, decretada antes do trânsito em julgado
da condenação, e tem natureza cautelar. No Brasil a prisão temporária é possível apenas na fase
investigatória, por esse motivo ela não pode ser decretada de ofício pelo juiz, dependendo de requerimento
do MP ou representação da autoridade policial.
§ 4o A prisão temporária, sobre a qual dispõe a Lei no 7.960, de 21 de dezembro
de 1989, nos crimes previstos neste artigo, terá o prazo de 30 (trinta) dias,
prorrogável por igual período em caso de extrema e comprovada necessidade.
Atenção ao prazo de 30 dias que pode ser prorrogado por igual período na hipótese de comprovada
necessidade, desde que demostrado em concreto.
PRISÃO TEMPORÁRIA – REGRA GERAL PRISÃO TEMPORÁRIA – HEDIONDOS
5 dias, prorrogáveis por igual período. 30 dias, prorrogáveis por igual período
Rol de crimes que aceitam a Prisão Temporária
(previsto pela lei 7.960 de 1989):
II - quando houver fundadas razões, de acordo com qualquer prova admitida na legislação penal,
de autoria ou participação do indiciado nos seguintes crimes:
a) homicídio doloso (art. 121, caput, e seu § 2°);
b) sequestro ou cárcere privado (art. 148, caput, e seus §§ 1° e 2°);
c) roubo (art. 157, caput, e seus §§ 1°, 2° e 3°);
d) extorsão (art. 158, caput, e seus §§ 1° e 2°);
e) extorsão mediante sequestro (art. 159, caput, e seus §§ 1°, 2° e 3°);
f) estupro (art. 213, caput, e sua combinação com o art. 223, caput, e parágrafo único);
g) atentado violento ao pudor (art. 214, caput, e sua combinação com o art. 223, caput, e parágrafo
único);
h) rapto violento (art. 219, e sua combinação com o art. 223 caput, e parágrafo único);
i) epidemia com resultado de morte (art. 267, § 1°);
j) envenenamento de água potável ou substância alimentícia ou medicinal qualificado pela morte
(art. 270, caput, combinado com art. 285);
l) quadrilha ou bando (art. 288), todos do Código Penal;
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7960.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7960.htm
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DELEGADO GOIÁS
SEMANA 04/13
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m) genocídio (arts. 1°, 2° e 3° da Lei n° 2.889, de 1° de outubro de 1956), em qualquer de sua formas
típicas;
n) tráfico de drogas (art. 12 da Lei n° 6.368, de 21 de outubro de 1976);
o) crimes contra o sistema financeiro (Lei n° 7.492, de 16 de junho de 1986).
O crime de envenenamento de água potável já foi considerado hediondo, mas hoje em
dia é crime simples, de modo que o prazo da prisão temporária será 5 + 5 dias.
Existem crimes hediondos que não estão previstos no rol de crimes que admitem temporária (art.
1º, III da Lei. 7960/89). Esses crimes admitem essa modalidade de prisão cautelar? Ex.: crimes de estupro de
vulnerável (art.217 CP), falsificação de remédios (art.273 CP) e tortura.
R.: Para a doutrina majoritária, a Lei 7.960 é lei ordinária, assim como a lei 8.072. Nesse sentido, a lei
8.072 poderá aumentar o prazo da prisão temporária (de 5+5 para 30 +30), bem como aumentar o rol de
crimes hediondos.
O §4º do art.2º da lei 8.072/1990 ampliou, não apenas, o prazo da prisão temporária, mas também
o rol dos delitos passiveis de prisão temporária.
8. CAUSA DE AUMENTO DO §9º DA LEI DE CRIMES HEDIONDOS
Explicação retirada do site Dizer o Direito:
Veja a redação do art. 9º da Lei nº 8.072/90:
Art. 9º As penas fixadas no art. 6º para os crimes capitulados nos arts. 157, § 3º,
158, § 2º, 159, caput e seus §§ 1º, 2º e 3º, 213, caput e sua combinação com o art.
223, caput e parágrafo único, 214 e sua combinação com o art. 223, caput e
parágrafo único, todos do Código Penal, são acrescidas de metade, respeitado o
limite superior de trinta anos de reclusão, estando a vítima em qualquer das
hipóteses referidas no art. 224 também do Código Penal.
Essa causa de aumento prevista no art. 9º da Lei de Crimes Hediondos ainda está em vigor?
NÃO. O entendimento do STJ e do STF é o de que o art. 9º da Lei de Crimes Hediondos foi
revogado tacitamente pela Lei nº 12.015/2009, considerando que esta Lei revogou o art. 224 do CP, que era
mencionado pelo art. 9º.
Logo, como não mais existe o art. 224 no CP, conclui-se que o art. 9º da Lei de Crimes Hediondos
perdeu a eficácia (expressão utilizada em um voto do Min. Dias Toffoli).
O art. 9º da Lei de Crimes Hediondos ficou carente de complemento normativo em vigor, razão pela
qual foi revogada a causa de aumento nele consignada.
RETA FINAL
DELEGADO GOIÁS
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Imagine que uma pessoa foi condenada, antes da Lei nº 12.015/2009, pela prática de estupro
contra menor de 14 anos com a incidência da causa de aumento do art. 9º da Lei de Crimes Hediondos.
Como ocorreu a revogação tácita do art. 9º, essa pessoa poderá alegar que houve novatio legis in mellius e
pedir para retirar de sua condenação a causa de aumento do art. 9º?
SIM. Essa causa de aumento deve ser extirpada da reprimenda já imposta, por força do princípio
da novatio legis in mellius (art. 2º, parágrafo único, do CP):
Art. 2º (...)
Parágrafo único. A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-
se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada
em julgado.
Com a revogação expressa do art. 224 do Código Penal pela Lei nº 12.015/2009, há de ser
redimensionada a pena aplicada ao condenado, subtraindo-lhe o acréscimo sofrido em razão do aumento da
pena previsto no art. 9º da Lei nº 8.072/90, considerando-se o princípio da novatio legis in mellius, previsto
no art. 2º, parágrafo único, do CP. STJ. 5ª Turma. HC 428.251/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em
17/04/2018.
Em suma:
A causa de aumento prevista no art. 9º da Lei de Crimes Hediondos foi tacitamente
revogada pela Lei nº 12.015/2009, considerando que esta Lei revogou o art. 224 do
CP, que era mencionado pelo referido art. 9º.
Se um indivíduo foi condenado, antes da Lei nº 12.015/2009, pela prática de estupro
contra menor de 14 anos com a incidência da causa de aumento do art. 9º da Lei de
Crimes Hediondos, esta majorante deverá ser retirada de sua condenação por força
da novatio legis in mellius (art. 2º, parágrafo único, do CP).
Diante da revogação do art. 224 do CP pela Lei nº 12.015/2009, ainda que o fato
delituoso seja anterior a esta alteração,é o caso de se decotar da pena do
condenado o acréscimo baseado no art. 9º da Lei nº 8.072/90. STF. Plenário. HC
100181/RS, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes,
julgado em 15/8/2019 (Info 947).
RETA FINAL
DELEGADO GOIÁS
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QUESTÕES PROPOSTAS
1 - 2022 - CESPE / CEBRASPE -PC-PB - CESPE / CEBRASPE - 2022 - PC-PB - Delegado de Polícia Civil
Considerando as disposições penais e processuais penais estabelecidas na Lei n.º 8.072/1990 (Lei de Crimes
Hediondos) e a jurisprudência dos tribunais superiores acerca da matéria, assinale a opção correta.
A-Os crimes hediondos e equiparados estão listados na Constituição Federal, não dispondo o legislador
ordinário de liberdade para ampliar tal rol.
B-O prazo de prisão temporária para os crimes hediondos e equiparados é de 30 dias, não sendo admitida
prorrogação, porque ele já é ampliado em relação ao regramento da Lei n.º 7.960/1989.
C-Se associação criminosa destinada à prática de crimes hediondos for desmantelada em razão de
informações fornecidas por participante ou associado do grupo criminoso, este receberá perdão judicial.
D-O rol de crimes hediondos inclui o roubo qualificado por lesão corporal grave, porém não abrange o
homicídio simples, salvo se praticado em atividade típica de grupo de extermínio.
E-Os crimes hediondos são insuscetíveis de anistia, graça, indulto, liberdade provisória e fiança.
2 -2019 -Instituto Acesso -PC-ES -Instituto Acesso - 2019 - PC-ES - Delegado de Polícia - Anulado
A Lei 8.072/90 já foi alvo de muitas controvérsias e, por isso, diversas alterações. Da obrigação do regime
fechado, como início do cumprimento da pena, à frações diferenciadas na execução penal, a própria criação
da Lei e sua contextualização na sociedade brasileira ainda é alvo de críticas. Em relação ao processo penal e
às alterações feitas nesta Lei, assinale a seguir a afirmativa correta.
A-Os prazos processuais podem ser diminuídos quando se tratar de processos que versarem sobre crimes
hediondos.
B-Os prazos processuais podem ser diminuídos, apenas para a defesa, quando se tratar de processos que
versarem sobre crimes hediondos.
C-A Lei 13.285/16 estabeleceu prioridade de tramitação dos processos que versarem sobre crimes hediondos
apenas quando envolverem tipos da Lei 11.343/06.
D-Os prazos processuais podem ser relativizados para uma maior celeridade nos processos que versarem
sobre crimes hediondos.
E-A Lei 13.285/16 estabeleceu a prioridade de tramitação dos processos que versarem sobre crimes
hediondos.
3 - 2018 - CESPE - Polícia Federal - Delegado de Polícia
Em cada item que se segue, é apresentada uma situação hipotética seguida de uma assertiva a ser julgada
com relação a crime de tortura, crime hediondo, crime previdenciário e crime contra o idoso.
RETA FINAL
DELEGADO GOIÁS
SEMANA 04/13
107
Paula, proprietária de uma casa de prostituição, induziu e passou a explorar sexualmente duas garotas de
quinze anos de idade. Nessa situação, o crime praticado por Paula é hediondo e, por isso, insuscetível de
anistia, graça e indulto.
( ) Certo ( ) Errado
4 - 2018 - NUCEPE - PC-PI - Delegado de Polícia
Acerca dos Crimes hediondos, marque a alternativa CORRETA.
a)São considerados hediondos o Infanticídio e o Estupro.
b)A tentativa de homicídio simples ou de homicídio qualificado constituem-se crimes hediondos.
c)É possível a liberdade provisória aos autores de crimes hediondos e equiparados.
d)Dependendo da gravidade do crime, é cabível ao juiz classificar o crime como hediondo.
e)Tratando-se de crime hediondo ou equiparado, o condenado por crime de tortura, em qualquer
modalidade, deverá iniciar o cumprimento da pena em regime fechado.
5 - 2018 - VUNESP - PC-BA - Delegado de Polícia
Considere o seguinte caso hipotético.
A Força Nacional está atuando legalmente em Salvador. O civil “X”, irmão de um Policial Militar do Estado de
São Paulo que integra a Força Nacional, residente na referida cidade, se envolveu em acidente de trânsito
sem vítimas, ao abalroar o veículo do condutor “Y”. Após se identificar como irmão do Militar do Estado
integrante da Força Nacional, foi violentamente agredido por “Y”, que confessou ter assim agido apenas por
saber dessa condição. As agressões provocaram lesões corporais gravíssimas no civil “X”. Diante do exposto,
é correto afirmar que o crime praticado por “Y”
a)não é considerado hediondo, pois a legislação contempla apenas o crime de homicídio doloso perpetrado
contra o Militar do Estado.
b)é considerado hediondo, apenas por se tratar de uma lesão corporal dolosa de natureza gravíssima,
independentemente da condição da eventual vítima.
c)não é considerado hediondo, pois a legislação não contempla lesão corporal dolosa de natureza gravíssima
como crime hediondo.
d)é considerado hediondo, pois o civil “X” foi vítima de lesão corporal dolosa de natureza gravíssima apenas
por ser irmão de Militar do Estado em razão de sua função.
e)somente seria considerado hediondo se o crime de lesão corporal dolosa de natureza gravíssima fosse
perpetrado contra o próprio Militar do Estado em razão de sua função.
6 - 2017 - IBADE - PC-AC - Delegado de Polícia
RETA FINAL
DELEGADO GOIÁS
SEMANA 04/13
108
Sobre o crime de extorsão mediante sequestro, é correto afirmar que:
a)a consumação do crime do art. 159 do CP se opera com a exigência de uma vantagem como condição ou
preço do resgate, o que faz com que o delito seja doutrinariamente classificado como crime formal.
b)o crime é hediondo mesmo em sua forma simples, dispensando a verificação de resultados morte ou lesão
corporal de natureza grave para a incidência da Lei n°8.072, de 1990.
c)o concurso de pessoas é uma das circunstâncias qualificadoras concernentes ao crime de extorsão
mediante sequestro, nos mesmos moldes do furto e diferentemente do que ocorre no roubo, no qual a
pluralidade de agentes tem a natureza de causa de aumento da pena.
d)há, no art. 159 do Código Penal, previsão expressa de delação premiada, determinando diminuição da pena
ao participante que revelar o crime à autoridade, permitindo a libertação do sequestrado ou a recuperação
do produto ou do proveito do crime.
e)ocorre a forma qualificada da extorsão mediante sequestro, entre outras hipóteses, quando a restrição à
liberdade da vítima dura mais de quinze dias, mas nunca em tempo inferior.
7 - 2017 - IBADE - PC-AC - Delegado de Polícia
No que concerne à Lei que trata dos crimes Hediondos (Lei n° 8.072/1990 e suas alterações), assinale a
alternativa correta.
a)A progressão de regime, no caso dos condenados por crimes hediondos, dar-se-á após o cumprimento de
3/5 (três quintos) da pena, se o apenado for primário.
b)O crime de homicídio qualificado previsto no Código Penal Militar é considerado hediondo.
c)O fato de o crime ser considerado hediondo, por si só, não impede a concessão da liberdade provisória, de
acordo com o entendimento dos Tribunais Superiores.
d)O sistema adotado pela legislação brasileira para rotular uma conduta como hediondo é o sistema misto.
e)Dentre os crimes equiparados aos hediondos estão: tortura, tráfico ilícito de drogas e racismo.
8 - 2012 - CESPE - PC-AL - Delegado de Polícia
No que concerne aos aspectos processuais das leis penais extravagantes e às inovações legais havidas no
sistema processual penal, julgue o item a seguir.
A prisão temporária para os crimes hediondos e equiparados, em função da gravidade objetiva dessas
infrações penais, é de 30 dias, prorrogável por igual período em caso de extrema e comprovada necessidade.
( ) Certo ( ) Errado
9 - 2010 - FGV - PC-AP - Delegado de Polícia
De acordo com a Lei 8.072/90, assinale a alternativa que não apresenta um crime considerado hediondo.
RETA FINAL
DELEGADOGOIÁS
SEMANA 04/13
109
a)latrocínio (art. 157, § 3º, in fine); extorsão qualificada pela morte (art. 158, § 2o) e envenenamento de água
potável ou de substância alimentícia ou medicinal (art. 270).
b)epidemia com resultado morte (art. 267, § 1o); homicídio qualificado (art. 121, § 2o, I, II, III, IV e V) e
extorsão qualificada pela morte (art. 158, § 2o).
c)latrocínio (art. 157, § 3o, in fine); epidemia com resultado morte (art. 267, § 1o); e homicídio qualificado
(art. 121, § 2o, I, II, III, IV e V).
d)latrocínio (art. 157, § 3o, in fine); falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a
fins terapêuticos ou medicinais (art. 273, caput e § 1o, § 1º-A e § 1o-B; e homicídio qualificado (art. 121, §
2o, I, II, III, IV e V).
e)latrocínio (art. 157, § 3o, in fine); epidemia com resultado morte (art. 267, § 1o); falsificação, corrupção,
adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais (art. 273, caput e § 1o, §
1o-A e § 1o-B e homicídio qualificado (art. 121, § 2o, I, II, III, IV e V).
10 - 2009 - CEPERJ - PC-RJ - Delegado de Polícia
Relativamente à legislação penal extravagante, assinale a afirmativa incorreta.
a)Considera-se autoridade, para os efeitos da Lei nº 4898/65, o serventuário da justiça.
b)Constitui crime de tortura constranger alguém com emprego de grave ameaça, causando-lhe sofrimento
mental, em razão de discriminação religiosa.
c)Constitui crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente submeter à tortura criança ou adolescente
sob sua autoridade, guarda ou vigilância.
d)De acordo com a doutrina, os sistemas de definição dos crimes hediondos são o legal, o misto e o judicial,
sendo certo que o ordenamento jurídico brasileiro adotou o sistema legal
e)A pena do crime de tortura é aumentada se o crime é cometido mediante sequestro.
11 - 2006 - FAPEC - PC-MS - Delegado de Polícia
São crimes hediondos, previstos na Lei 8072/90:
a)Epidemia com resultado morte (art. 267, § 1o). (Inciso incluído pela Lei nº 8.930, de 6.9.1994).
b)Falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais
(art. 273, caput e § 1o, § 1o-A e § 1o-B, com a redação dada pela Lei no 9.677, de 2 de julho de 1998). (Inciso
incluído pela Lei nº 9.695, de 20.8.1998), Tráfico de Entorpecentes (Lei 6368/76).
c)Homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que cometido
por um só agente, e homicídio qualificado (art. 121, § 2o, I, II, III, IV e V); (Inciso incluído pela Lei nº 8.930, de
6.9.1994), Latrocínio (art. 157, § 3o, in fine); (Inciso incluído pela Lei nº 8.930, de 6.9.1994), Extorsão
qualificada pela morte (art. 158, § 2o); (Inciso incluído pela Lei nº 8.930, de 6.9.1994), Tortura (Lei 9455/97).
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DELEGADO GOIÁS
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d)Extorsão mediante seqüestro e na forma qualificada (art. 159, caput, e §§ lo, 2o e 3o); (Inciso incluído pela
Lei nº 8.930, de 6.9.1994), Estupro (art. 213 e sua combinação com o art. 223, caput e parágrafo único);
(Inciso incluído pela Lei nº 8.930, de 6.9.1994), Atentado violento ao pudor (art. 214 e sua combinação com
o art. 223, caput e parágrafo único); (Inciso incluído pela Lei nº 8.930, de 6.9.1994), Terrorismo.
e)Todas acima estão corretas.
Respostas4
4 1: D 2: E 3: C 4: C 5: D 6: B 7: C 8: C 9: A 10: C 11: A
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DELEGADO GOIÁS
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META 2
DIREITO PENAL: TEORIA GERAL DA PENA
CONSTITUIÇÃO FEDERAL
⦁ Art. 1º, III
⦁ Art. 5º, XLV, XLVI, XLIX
CÓDIGO PENAL
⦁ Art. 26, §único
⦁ Art. 31 a 99
OUTROS DIPLOMAS LEGAIS
⦁ Art. 5º, CADH
⦁ Art. 89, Lei 9099/95
⦁ Art. 105 a 179 da LEP
⦁ Art. 78, CDC
⦁ Art. 292, CTB
⦁ Art. 44, Lei 11.343/06
⦁ Art. 5º, Lei 13.869/19
⦁ Art. 183, CPP
⦁ Art. 1º, §5º, Lei de Tortura
⦁ Art. 16, Lei de Racismo
⦁ Art. 7º, II, Lei de Lavagem de Capitais
⦁ Art. 83 da Lei de Licitações
ARTIGOS MAIS IMPORTANTES – NÃO DEIXE DE LER!
⦁ Art. 5º, XLV, XLVI, XLIX, CF/88
⦁ Art. 31, 33 , 41 e 42, CP
⦁ Art. 44, CP
⦁ Art. 51, CP (importantíssimo!)
⦁ Art. 55 e 59, CP
⦁ Art. 63, 67 e 68, CP (importantíssimos!)
⦁ Art. 75, 77 e 78, CP
⦁ Art. 81, 83 e 88, CP
⦁ Art. 90, 91, 91-A e 92, CP (importantíssimo!!!)
PRINCIPAIS ARTIGOS DA LEP
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⦁ Art. 112 (importantíssimo!!!)
⦁ Art. 141, 142 e 145
⦁ Art. 156 e 157
⦁ Art. 161 e 162
OUTROS DIPLOMAS LEGAIS
⦁ Art. 89, Lei 9099/95
⦁ Art. 5º, Lei 13.869/19
⦁ Art. 1º, §5º, Lei de Tortura
⦁ Art. 16, Lei de Racismo
⦁ Art. 7º, II, Lei de Lavagem de Capitais
⦁ Art. 2º, §6º, Lei de Organização Criminosa
SÚMULAS RELACIONADAS AO TEMA
Súmula 527-STJ: O tempo de duração da medida de segurança não deve ultrapassar o limite
máximo da pena abstratamente cominada ao delito praticado.
Súmula 525-STF: A medida de segurança não será aplicada em segunda instância, quando só
o réu tenha recorrido.
Súmula 422-STF: A absolvição criminal não prejudica a medida de segurança, quando couber,
ainda que importe privação da liberdade.
Súmula 520-STF: Não exige a lei que, para requerer o exame a que se refere o art. 777 do
Código de Processo Penal, tenha o sentenciado cumprido mais de metade do prazo da medida
de segurança imposta.
Súmula 499-STF: Não obsta a concessão do "sursis" condenação anterior a pena de multa.
Devido à amplitude do tema, com o objetivo de reduzir este arquivo e otimizar o tempo de estudo
dos senhores, tendo em vista ainda que boa parte das explicações relacionadas cobradas estão na letra fria
da lei, nos limitaremos em alguns pontos a fazer a indicação dos artigos que contêm a explicação do
respectivo instituto, leitura que, desde já, afirmamos ser importantíssima.
1. SANÇÃO PENAL
Sanção penal é gênero, que tem como subespécies as penas e as medidas de segurança.
Conforme leciona Cleber Masson, “trata-se da a resposta estatal, no exercício do ius puniendi e após
o devido processo legal, ao responsável pela prática de um crime ou de uma contravenção penal”.
Enquanto a aplicação de pena demanda culpabilidade do agente, fazendo uma análise retroativa
(juízo de diagnose) e se dirige a imputáveis e semi-imputáveis sem periculosidade, a aplicação de medida de
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DELEGADO GOIÁS
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segurança requer periculosidade, que é uma análise prospectiva (juízo de prognose), que considera o perigo
futuro desse agente voltar a delinquir, dirigindo-se aos inimputáveis e semi-imputáveis com periculosidade
– demandando tratamento curativo.
Diz-se que o direito penal é uma via de mão dupla, sendo a pena a primeira via e as medidas de
segurança a segunda.
Hoje já se fala em terceira via da pena, que seria a reparação do dano à vítima, nas situações em que
o Estado abre mão do seu direito de punir, caso reparado o dano pelo autor.
1ª via do DP 2ª via do DP 3ª via do DP
Pena Medidas de segurança Reparação do dano
2. PENA
● Espécie de sanção penal. 1ª via do DP.
● É a privação ou restrição de determinado bem jurídico do agente como resposta pela prática de um
delito.
2.1 Fundamentos da Pena
a Fundamento político-estatal: Sem a pena, o ordenamento jurídico deixaria de ser um ordenamento
coativo, capaz de reagir com eficácia diante das infrações;
b Fundamento psicossocial: A pena é indispensável porque satisfaz o anseio de justiça da comunidade;
c Fundamento ético-individual: A pena permite ao próprio delinquente liberar-se de algum
sentimento de culpa.
2.2 Finalidade da Pena
São várias as teorias que definem quais seriam os objetivos do Estado com a aplicação de pena.
a) Teoria absolutista: finalidade retributiva. A pena é um fim em si mesmo. Sua única missão é punir, castigar.
É uma decorrência da delinquência. Diz-se que a pena é ummal justo, em resposta a um mal injusto, que é
o crime. É a negação da negação do direito.
● Tem por base a ideia do contrato social. Quem o viola não é digno do direito de cidadania. A pena
serve para restabelecer a vigência da vontade geral
● Crítica: a pena é mero instrumento de vingança do Estado, sem finalidade prática. Não se ocupa da
ressocialização do agente.
● Principais autores: Kant e Hegel.
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DELEGADO GOIÁS
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Caiu prova CESPE!!! Referentes a teoria da finalidade da pena: A teoria justificacionista absoluta concebe a
pena como uma finalidade em si mesma, por caracterizar a pena pelo seu intrínseco valor axiológico. (item
correto)
b) Teoria relativa/utilitarista: finalidade preventiva, que divide-se em geral e especial.
Prevenção geral: é dirigida à sociedade.
● Prevenção geral negativa: É uma coação psicológica. Efeito intimidatório da pena é uma
ameaça legal dirigida à sociedade para que se abstenham de cometer delitos.
● Prevenção geral positiva, integradora ou estabilizadora: reafirmação da força do DP,
demonstração de que a lei ainda está vigente, criando uma sensação de confiança na
sociedade, com a ideia de que o crime é combatido.
obs:. Para Regis Prado aponta três efeitos principais da fundamentação da pena na prevenção geral positiva:
o efeito da aprendizagem, indica a sociedade as regras sociais básicas cuja violações não são toleradas no
Direito Penal; o efeito da confiança, a partir da percepção pelo sujeito de que o direito se impõe; e o efeito
de pacificação social, produzido a partir da intervenção estatal diante de uma infração normativa para
restabelecimento da paz jurídica violadora.
2 obs:. Lembrando que essa teoria se desdobra em duas vertentes: A vertente eticizante (Welzel) Sustenta
que o Direito Penal promove uma integração social, na medida em que enfatiza valores ético-sociais e a
atitude de respeito à vigência da norma, com o escopo de tutelar os bens jurídicos relevantes. A outra
vertente, é a sistêmica (Jakobs) Sob inspiração da teoria dos sistemas de Luhmann, visualiza o direito como
um instrumento de estabilização do sistema e integração social. Em outros termos, o sistema, desequilibrado
com a prática de crime, deve ser reequilibrado por meio da aplicação da pena.
Prevenção especial: dirige-se ao criminoso.
● Prevenção especial negativa: visa a neutralização do condenado por meio do cárcere,
visando evitar a reincidência, quando outros meios menos lesivos não se mostrarem eficazes
para sua ressocialização.
● Prevenção especial positiva: preocupa-se com a ressocialização do condenado.
c) Teoria eclética/mista/unificadora/conciliatória:
● Adotada pelo Brasil (art. 59 do CP, LEP e Pacto de San José da Costa Rica). Há quem diga que
é dupla (retribuição e prevenção) ou tripla (retribuição, prevenção geral e prevenção
especial).
● Para o STF (HC 91.874) – as finalidades da pena devem ser buscadas com igual ênfase pelo
Estado e pelo condenado.
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DELEGADO GOIÁS
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d) Teoria agnóstica da pena (Zaffaroni):
● Também chamada de Teoria Negativa da pena.
● Para esta teoria, a pena não teria nenhuma utilidade prática, servindo apenas para
neutralizar o condenado do convívio social, não sendo capaz de cumprir, de fato, os fins
divulgados nos discursos oficiais, como ressocialização, por exemplo.
Segundo o autor André Stefan, tal teoria, originada das ideias de Barreto, tem Eugênio Raul Zaffaroni
como seu maior defensor na atualidade.O Direito Penal, portanto, não teria como objetivo a prevenção, a
repressão, uma função mista ou a ressocialização através da pena. Na verdade, ele se prestaria a conter o
poder punitivo estatal, legitimando a atuação do Poder Judiciário, o qual, por meio do manejo da dogmática
e da observância das garantias constitucionais, imporia limites a uma atuação desmedida do “Estado
Polícia”, reservando à pena o espaço do necessário ao convívio social, preservando, desse modo, o Estado
Constitucional de Direito.
Caiu na prova CESPE! O estudo das teorias relaciona-se intimamente com as finalidades da pena. Nesse
sentido, a teoria que sustenta que a única função efetivamente desempenhada pela pena seria a
neutralização do condenado, especialmente quando a prisão acarreta seu afastamento, da sociedade é a
teoria agnóstica. (item correto).
e) Teoria eclética da pena (art. 59 CP)
As teorias unitárias ecléticas ou mistas, majoritárias na atualidade, visam conciliar a finalidade de
retribuição jurídica da pena com os fins de prevenção geral e especial, de sorte que a pena apenas será
legítima se for justa e útil, isto é, além de justa deve ser necessária para a preservação de bens jurídicos.
Para a fixação da pena justa, a noção de retribuição jurídica afigura-se relevante, na medida em que
se extrai seu fundamento e o seu limite do delito praticado deve ser proporcional à gravidade do injusto e da
culpabilidade. Por sua vez, a pena justa melhor se prestará a prevenção geral e especial, na medida em que
potencialmente compreendida e aceita pelos cidadãos e pelo autor do delito, o qual, a partir dela, encontrará
a possibilidade de expiação e reconciliação com a sociedade.
As teorias mistas partem do pressuposto de que as funções retributivas e preventivas não são
inconciliáveis. Por esse motivo, pode-se identificar na pena um duplo papel: retribuir e prevenir.
Nosso Código Penal se filiou a esse pensamento. Em seu no art. 59, caput, parte final, declara que
o juiz, ao aplicar a pena, deverá dosá-la “conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção
do crime”. Significa que o magistrado deve voltar-se ao passado e, ao impor a pena, focar na retribuição pelo
ato cometido e, fazendo-o, graduar a pena segundo a gravidade do ato praticado; deve ele também mirar o
futuro e impor a sanção de modo a que sirva de exemplo para todos (prevenção geral) e de fator interno de
reflexão (prevenção especial).
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DELEGADO GOIÁS
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2.3 Princípios Relacionados à Pena
● Princípio da legalidade: não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação
legal.
● Princípio da anterioridade: a lei deve ser anterior ao fato que se pretende punir.
● Princípio da personalidade ou da intranscendência da pena: a pena não passará da pessoa do
condenado, art. 5º, XLV.
● Princípio da individualização da pena: a pena não pode ser padronizada ou coletiva. Cada um será
punido na medida de sua culpabilidade, que é individual. A lei regulará essa individualização.
-Individualização da pena legislativa ou abstrata – cominação da pena, ocorre com a criação do
tipo penal.
-Individualização da pena judicial ou concreta – efetuada pelo magistrado mediante a
dosimetria da pena.
-Individualização da pena administrativa ou executória – ocorre no cumprimento da pena.
● Princípio da proporcionalidade: é um princípio implícito, que decorre do devido processo legal. Se
orienta pela proibição do excesso, bem como pela proibição da proteção deficiente. A ideia é de que
deve ter razoabilidade na aplicação da pena. Deve ser observado tanto pelo legislador na previsão
abstrata da pena; quanto pelo o juiz na dosimetria para a sua aplicação em concreto.
● Princípio da inevitabilidade ou da inderrogabilidade da pena: não há escolha por parte do agente
criminoso. Se o sujeito praticar um fato típico, ilícito e culpável, deverá obrigatoriamente cumprir a
pena. A depender do caso, pode haver mitigação desse princípio, como por exemplo, pela aplicação
do perdão judicial na hipótese em que não há interesse estatal ou aplicação de algum instituto
despenalizador.
E é aqui que nasce o princípio da bagatela imprópria.
PRINCÍPIO DA BAGATELA PRÓPRIA PRINCÍPIO DA BAGATELA IMPRÓPRIA
O fato não gera relevante e intolerável
lesão ou perigode lesão a bem jurídico
tutelado.
Apesar de o fato gerar relevante e intolerável
lesão ou perigo de lesão a bem jurídico
tutelado, a pena é desnecessária, pois falta
interesse de punir.
Exclui a tipicidade material. Falta de interesse de punir.
● Princípio da dignidade da pessoa humana ou da humanidade: Esse princípio está no art. 1º, III, da
CF; art. 5º, XLIX, CF; art. 5º CADH. Por ele, a pena não pode violar a integridade física e moral do
condenado, vedando-se tratamento desumano, cruel e degradante. Hoje, devemos viver num Estado
constitucional e humanista.
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DELEGADO GOIÁS
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Art. 1º, CF - A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos
Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de
Direito e tem como fundamentos:
III - a dignidade da pessoa humana;
Art. 5º, XLIX, CF - é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral;
Artigo 5º CADH - Direito à integridade pessoal
1. Toda pessoa tem direito a que se respeite sua integridade física, psíquica e moral.
2. Ninguém deve ser submetido a torturas, nem a penas ou tratos cruéis,
desumanos ou degradantes. Toda pessoa privada de liberdade deve ser tratada
com o respeito devido à dignidade inerente ao ser humano.”
● Princípio da humanidade das penas: É um desdobramento lógico do princípio da dignidade da
pessoa humana. Se por um lado, o crime jamais deixará de existir no atual estágio da humanidade,
por outro, há formas humanizadas de garantir a eficiência do Estado para punir o infrator,
corrigindo-o, sem humilhação, com perspectiva de pacificação social.
São vedadas penas cruéis ou degradantes, que desrespeitem a dignidade da pessoa humana. Diz-se
que este seria um postulado (não um princípio) sobre o qual os princípios são consagrados. Ex.: não
haverá pena de morte (salvo guerra declarada), nem de trabalhos forçados, de caráter perpétuo, de
banimento, cruéis, etc.
● Princípio da vedação do bis in idem: ninguém pode ser processado duas vezes pelo mesmo fato.
Previsto no Estatuto de Roma. Não tem caráter absoluto. Ex: é possível dupla condenação pelo
mesmo fato no caso de extraterritorialidade incondicionada (embora a pena já cumprida possa ser
atenuada).
O STF já enfrentou um caso em que havia duas sentenças. No caso, o Supremo
reconheceu a nulidade da segunda sentença, ainda que fosse mais benéfica, visto
que o indivíduo não poderia ser processado e condenado duas vezes pelo mesmo
fato.
Juris sobre o tema:
O agente não pode responder a ação penal no Brasil se já foi processado
criminalmente, pelos mesmos fatos, em um Estado estrangeiro. Vale ressaltar,
contudo, que a proibição de dupla persecução penal em âmbito internacional
deve ser ponderada com a soberania dos Estados e com as obrigações processuais
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DELEGADO GOIÁS
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positivas impostas pela CIDH. STF. 2ª Turma. HC 171118/SP, Rel. Min. Gilmar
Mendes, julgado em 12/11/2019 (Info 959).
2.4 Modalidades de cominação
Refere-se ao preceito secundário do tipo penal.
a Cominação isolada: há a cominação de uma única espécie de pena.
b Cominação cumulativa: são cominadas duas espécies de pena. Ex. furto: pena privativa de liberdade
e multa.
c Cominação alternativa: a lei prevê mais de uma espécie de pena e determina que o juiz escolha um
eles. Art. 140 – injúria – detenção de um a seis meses ou multa
Obs.: STJ: É cabível a suspensão condicional do processo e a transação penal aos delitos que
preveem a pena de multa alternativamente à privativa de liberdade, ainda que o preceito
secundário da norma legal comine pena mínima superior a um ano.
d Cominação paralela (lado a lado - iguais): o legislador coloca à disposição do juiz duas penas da
mesma espécie e ele só pode aplicar uma delas. Ex. crime de bigamia - punido com reclusão ou
detenção (ambas são privativas de liberdade).
2.5 Classificação das penas
Art. 5º, XLVI da CF:
XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:
a Privação ou restrição da liberdade
b Perda de bens;
c Multa;
d Prestação social alternativa;
e Suspensão ou interdição de direitos;
Por sua vez, segundo o CP:
Art. 32 - As penas são:
I - PRIVATIVAS DE LIBERDADE; (Reclusão, detenção e prisão simples – lembrando que a prisão simples é a
pena privativa de liberdade para contravenções penais, esta é uma diferença de crime para contravenção).
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DELEGADO GOIÁS
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RECLUSÃO – MAIS RÍGIDA DETENÇÃO – MAIS BRANDA
Nos crimes com penas de reclusão admite-
se interceptação telefônica.
Não admite interceptação telefônica.
CUIDADO: O STF admitiu como prova
interceptação telefônica produzida em crime
punido com detenção, desde que conexo a um
crime punido com reclusão.
Regime inicial de cumprimento da pena:
Fechado, semi aberto e aberto.
Só admite o semi aberto e o aberto. Ou seja, não
admite o regime fechado inicialmente. Mas
veremos depois se existem exceções.
Medida de Segurança: Na reclusão, é a
internação.
Medida de Segurança: Na detenção, é a
internação ou tratamento ambulatorial.
II - RESTRITIVAS DE DIREITOS: Prestação de serviços à comunidade, limitação de fim de semana, prestação
pecuniária, perda de bens e valores (não se confunde com a pena de confisco, pois esta não passa da pessoa
do condenado), e interdição temporária de direitos.
Obs.: Importante ler no código e saber quais são as penas restritivas de direito (art. 43 do CP) para saber
diferenciá-las, por exemplo, das condições que podem ser impostas para a suspensão condicional do
processo (art. 89 da Lei 9.099/95).
III - DE MULTA.
Obs.¹: Privação x restrição: Enquanto a primeira retira o direito de locomoção do agente por determinado
tempo, a segunda apenas limita.
2.6 Aplicação da Pena
● Poder/dever exclusivo do Poder Judiciário.
● Tem como pressuposto para a sua aplicação a culpabilidade (assim como a periculosidade é o
pressuposto para medidas de segurança, como já vimos).
2.6.1 Sistemas
a) Bifásico: a pena deve ser aplicada em duas fases.
No Brasil, é o adotado em relação à pena de multa.
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DELEGADO GOIÁS
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Art. 49 - A pena de multa consiste no pagamento ao fundo penitenciário da quantia
fixada na sentença e calculada em dias-multa. Será, no mínimo, de 10 (dez) e, no
máximo, de 360 (trezentos e sessenta) dias-multa. § 1º - O valor do dia-multa será
fixado pelo juiz não podendo ser inferior a um trigésimo do maior salário mínimo
mensal vigente ao tempo do fato, nem superior a 5 (cinco) vezes esse salário.
1ª fase: cálculo da quantidade de dias-multa.
2ª fase: cálculo do valor dos dias-multa, ambos seguindo o critério do artigo 49.
b) Trifásico: Sistema adotado no Brasil para a fixação da pena privativa de liberdade, nos termos do
artigo 68 do CP.
● 1ª fase: fixação da pena base (análise das circunstâncias judiciais – art. 59 do CP);
● 2ª fase: análise de atenuantes e agravantes;
● 3ª fase: causas de aumento e de diminuição (obs.: qualificadoras não, vez que elas preveem um novo
patamar mínimo e máximo da pena, sendo a partir dele que essas 3 fases são calculadas).
Obs.: Penas restritivas de direito: Em regra, não são previstas diretamente no tipo penal. Possuem
característica da substitutividade. Após a aplicação da PPL (pena privativa de liberdade), se presentes os
requisitos do art. 44 do CP o magistrado substitui por PRD (penas restritivas de direito).
2.6.1.1 Primeira Fase: Pena Base (Circunstâncias Judiciais)
O juiz deve fixar a pena base, analisando as circunstâncias judiciais (ou inominadas) previstas no art.
59 do CP, que são:
● Culpabilidade
● Antecedentes
● Conduta social
● Personalidade do agente
● Motivos● Circunstâncias
● Consequências do crime
● Comportamento da vítima
Diz ainda o artigo que deve ser estabelecida conforme seja necessário e suficiente para a reprovação
e prevenção do crime.
As expressões “necessário” e “suficiente” demonstram a necessidade de observância da
proporcionalidade, enquanto as da parte final revelam a finalidade da pena no Brasil.
RETA FINAL
DELEGADO GOIÁS
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Para que a pena seja fixada acima do mínimo legal há necessidade de fundamentação. Ao contrário,
caso se mantenha no mínimo, o STF dispensa fundamentos (embora a doutrina majoritária entenda que
sempre deve haver fundamentação, em razão da previsão do art. 93, IX da CF).
Não há no artigo previsão específica do patamar de aumento, de modo que o magistrado é quem
deverá decidir. Salienta-se, porém, que ele está limitado pelo máximo e pelo mínimo da pena (na 1ª e na 2ª
fase da dosimetria), ou seja, se a pena é de 4 a 12 anos, não pode ser inferior a 4 e nem superior a 12. A isso
dá-se o nome de “teoria das margens” ou “discricionariedade vinculada”.
Também não há definição de como se dará a compensação das circunstâncias, sendo que parte da
doutrina defende que deve ser utilizado analogicamente o artigo 67 do CP, não podendo, no entanto, haver
prejuízos ao réu por esta analogia.
Os elementos que já integram o tipo penal NÃO podem ser valorados neste momento, em razão da
vedação ao bis in idem.
Algumas observações sobre as circunstâncias em espécie:
a) Culpabilidade: não se confunde com a culpabilidade como elemento do crime. Aqui traz uma ideia
de “grau” de culpa, reprovabilidade maior ou menor. Ex: o fato de o crime de corrupção passiva ter sido
praticado por um promotor de justiça no exercício da função pode servir como circunstância judicial
desfavorável, vez que há maior reprovabilidade da conduta.
Info 851, STF - Determinado réu foi condenado por furto qualificado por
rompimento de obstáculo (art. 155, § 4º, I, do CP). O STF considerou incorreta a
sentença do juiz que, na 1ª fase da dosimetria da pena, aumentou a pena-base com
fundamento em três argumentos: a) Culpabilidade. O magistrado afirmou que era
patente a culpabilidade do réu considerando que ele tinha plena consciência da
ilicitude de seu ato. O juiz confundiu os conceitos. Para fins de dosimetria da pena,
a culpabilidade consiste na reprovação social que o crime e o autor do fato
merecem. Essa culpabilidade de que trata o art. 59 do CP não tem nada a ver com
a culpabilidade como requisito do crime (imputabilidade, potencial consciência da
ilicitude do fato e exigibilidade de conduta diversa)
A condição de policial militar que pratica o crime de extorsão indica maior
reprovabilidade e censura da conduta praticada, o que justifica a majoração da
pena base. EDcl no AgRg no REsp 1.903.213-MG, Rel. Min. Olindo Menezes
(Desembargador convocado do TRF da 1ª Região), Sexta Turma, por unanimidade,
julgado em 07/06/2022, DJe 10/06/2022. O fato de ser policial militar justifica a
maior reprovabilidade da conduta (culpabilidade) e, por conseguinte, a
exasperação da pena-base, uma vez que o comportamento dele esperado seria
exatamente o de evitar a prática de crimes. A referida característica não é
elementar do crime de extorsão, não havendo que se falar em bis in idem.
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DELEGADO GOIÁS
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b) Antecedentes: Verifica-se a vida pretérita do acusado, o que ele fez ANTES da prática do crime a
ser julgado, considerando neste ponto apenas a questão criminal, ou seja, não se analisa aqui o
comportamento do agente e suas atividades em geral, o que será analisado na personalidade ou na conduta
social.
● Apenas é portador de maus antecedentes quem, na data da sentença, possui condenação definitiva
(com trânsito em julgado) por crime praticado em data anterior ao que está sendo julgado.
● Ex.: crime 1 → crime 2 → trânsito em julgado da sentença condenatória do crime 1 → sentença do
crime 2 = será considerado portador de maus antecedentes (e aqui não valeria como reincidência).
Súmula 636-STJ: A folha de antecedentes criminais é documento suficiente a
comprovar os maus antecedentes e a reincidência. STJ. 3ª Seção. Aprovada em
26/06/2019, DJe 27/06/2019.
Mais à frente, faremos novas considerações e compararemos com a reincidência.
c) Conduta social: é a forma como o agente se comporta em sociedade (trabalho, família,
relacionamento com outros indivíduos etc). Elemento também chamado de “antecedentes sociais”, que não
se confundem com os criminais.
Se o erro do juiz na dosimetria da pena foi apenas na denominação da circunstância
judicial (chamou de “conduta social”, porém era “maus antecedentes”), é possível
que a pena seja mantida. Demonstrada mera falta de técnica na sentença, o habeas
corpus pode ser deferido para nominar de forma correta os registros pretéritos da
paciente, doravante chamados de maus antecedentes, e não de conduta social,
sem afastar, todavia, o dado desabonador que, concretamente, existe nos autos e
justifica diferenciada individualização da pena. O juiz mencionou cinco
condenações definitivas do réu como justificativa para o aumento da pena na
primeira fase da dosimetria. O magistrado deveria ter denominado os registros
como “maus antecedentes”, mas, em vez disso, os enquadrou como “conduta
social” negativa. O erro do pronunciamento está relacionado somente à atecnia na
nomeação da circunstância legal. Assim, em habeas corpus, deve ser corrigida a
palavra imprópria, para que o dado concreto levado em conta pelo juiz seja
chamado de maus antecedentes. STJ. 6ª Turma. HC 501144/SP, Rel. Min. Rogerio
Schietti Cruz, julgado em 10/03/2020 (Info 669).
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/fbefa505c8e8bf6d46f38f5277fed8d6?categoria=11&subcategoria=96&ano=2020
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RETA FINAL
DELEGADO GOIÁS
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Condenações anteriores transitadas em julgado não podem ser utilizadas como
conduta social desfavorável
A circunstância judicial “conduta social”, prevista no art. 59 do Código Penal,
representa o comportamento do agente no meio familiar, no ambiente de trabalho
e no relacionamento com outros indivíduos. Os antecedentes sociais do réu não se
confundem com os seus antecedentes criminais. São circunstâncias distintas, com
regramentos próprios. Assim, não se mostra correto o magistrado utilizar as
condenações anteriores transitadas em julgado como “conduta social
desfavorável”. Não é possível a utilização de condenações anteriores com trânsito
em julgado como fundamento para negativar a conduta social. STF. 2ª Turma. RHC
130132, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 10/5/2016 (Info 825). STJ. 5ª Turma.
HC 475436/PE, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 13/12/2018. STJ. 6ª Turma.
REsp 1760972-MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 08/11/2018 (Info
639).
d) Personalidade do agente: qualidades morais e sociais do agente. Seu retrato psíquico. Deve ser
aferido objetivamente, não podendo ser valorado de forma negativa por razões abstratas. Há necessidade
de argumentação em concreto. Aqui também não podem ser utilizadas condenações anteriores para dizer
que o agente tem má personalidade, sob pena de acarretar bis in idem, vez que são analisadas em outro
momento.
ATENÇÃO!!! Fique atento à jurisprudência sobre o tema!!!
Os atos infracionais podem ser valorados negativamente na circunstância judicial
referente à personalidade do agente?
Existecerta polêmica no STJ sobre o tema:
1ª corrente: NÃO. Atos infracionais não podem ser considerados maus
antecedentes para a elevação da pena-base, tampouco podem ser utilizados para
caracterizar personalidade voltada para a prática de crimes ou má conduta social.
Há impropriedade na majoração da pena-base pela consideração negativa da
personalidade do agente em razão da prévia prática de atos infracionais, pois é
incompossível exacerbar a reprimenda criminal com base em passagens pela Vara
da Infância. STJ. 5ª Turma. HC 499987/SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em
30/05/2019. STJ. 6ª Turma. REsp 1702051/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis
Moura, julgado em 06/03/2018.
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/091bc5440296cc0e41dd60ce22fbaf88?categoria=11&subcategoria=96&assunto=253
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/091bc5440296cc0e41dd60ce22fbaf88?categoria=11&subcategoria=96&assunto=253
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/806a19775027cf2f84c129d410ce1c8a?categoria=11&subcategoria=96&assunto=253
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/806a19775027cf2f84c129d410ce1c8a?categoria=11&subcategoria=96&assunto=253
RETA FINAL
DELEGADO GOIÁS
SEMANA 04/13
124
2ª corrente: SIM A prática de ato infracional, embora não possa ser utilizada para
fins de reincidência ou maus antecedentes, por não ser considerada crime, pode
ser sopesada na análise da personalidade do paciente, reforçando os elementos já
suficientes dos autos que o apontam como pessoa perigosa e cuja segregação é
necessária. STJ. 5ª Turma. HC 510354/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca,
julgado em 18/06/2019.
Condenações anteriores transitadas em julgado não podem ser utilizadas como
personalidade ou conduta social desfavorável
Eventuais condenações criminais do réu transitadas em julgado e não utilizadas
para caracterizar a reincidência somente podem ser valoradas, na primeira fase da
dosimetria, a título de antecedentes criminais, não se admitindo sua utilização
também para desvalorar a personalidade ou a conduta social do agente. A conduta
social e a personalidade do agente não se confundem com os antecedentes
criminais, porquanto gozam de contornos próprios - referem-se ao modo de ser e
agir do autor do delito -, os quais não podem ser deduzidos, de forma automática,
da folha de antecedentes criminais do réu. Trata-se da atuação do réu na
comunidade, no contexto familiar, no trabalho, na vizinhança (conduta social), do
seu temperamento e das características do seu caráter, aos quais se agregam
fatores hereditários e socioambientais, moldados pelas experiências vividas pelo
agente (personalidade social). Já a circunstância judicial dos antecedentes se presta
eminentemente à análise da folha criminal do réu, momento em que eventual
histórico de múltiplas condenações definitivas pode, a critério do julgador, ser
valorado de forma mais enfática, o que, por si só, já demonstra a desnecessidade
de se valorar negativamente outras condenações definitivas nos vetores
personalidade e conduta social. STJ. 3ª Seção. EAREsp 1311636-MS, Rel. Min.
Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 10/04/2019 (Info 647).
e) Motivos do crime: razão pela qual o sujeito praticou o ato delituoso. Atenção ao bis in idem. Não
será válida a valoração negativa de motivo que já conste como qualificadora (motivo fútil) ou como algo
inerente ao tipo, por exemplo.
A simples falta de motivos para o delito não constitui fundamento idôneo para o
incremento da pena-base ante a consideração desfavorável da circunstância
judicial, que exige a indicação concreta de motivação vil para a prática delituosa.
STJ. 6ª Turma. HC 289788/TO, Rel. Min. Ericson Maranho (Des. Conv. do TJ/SP),
julgado em 24/11/2015.
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/6600e06fe9350b62c1e343504d4a7b86?categoria=11&subcategoria=96&assunto=253
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/6600e06fe9350b62c1e343504d4a7b86?categoria=11&subcategoria=96&assunto=253
RETA FINAL
DELEGADO GOIÁS
SEMANA 04/13
125
f) Circunstâncias do crime: modus operandi. Forma como foi cometido nas circunstâncias de tempo,
local, meios etc. Cuidado também com o bis in idem.
g) Consequências do crime: efeitos decorrentes da prática do delito para a vítima, familiares etc.
Atenção: O fato de o Estado ter gasto muitos recursos para investigar os crimes (no caso, era uma grande
operação policial) e de o réu ter obtido enriquecimento ilícito com as práticas delituosas não servem como
motivo para aumentar a pena-base. STF. 2ª Turma. HC 134193/GO, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em
26/10/2016 (Info 845) (via @dizerodireito)
h) Comportamento da vítima: analisa-se se a vítima, com seu comportamento, facilitou ou até
mesmo ensejou a prática do crime. MAS ATENÇÃO: o comportamento da vítima NUNCA será avaliado aqui
em desfavor ao réu. Ou será favorável, ou será considerada uma circunstância neutra, que em nada
interferirá na pena.
Jurisprudência em Teses do STJ:
1) O aumento da pena-base em virtude das circunstâncias judiciais desfavoráveis
(art. 59 CP) depende de fundamentação concreta e específica que extrapole os
elementos inerentes ao tipo penal.
2) Não há ilegalidade na análise conjunta das circunstâncias judiciais comuns aos
corréus, desde que seja feita de forma fundamentada e com base nas semelhanças
existentes.
3) A culpabilidade normativa, que engloba a consciência da ilicitude e a
exigibilidade de conduta diversa e que constitui elementar do tipo penal, não se
confunde com a circunstância judicial da culpabilidade (art. 59 do CP), que diz
respeito à demonstração do grau de reprovabilidade ou censurabilidade da
conduta praticada.
4) A premeditação do crime evidencia maior culpabilidade do agente criminoso,
autorizando a majoração da pena-base.
5) O prazo de cinco anos do art. 64, I, do Código Penal, afasta os efeitos da
reincidência, mas não impede o reconhecimento de maus antecedentes.
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DELEGADO GOIÁS
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6) Os atos infracionais não podem ser considerados maus antecedentes para a
elevação da pena-base, tampouco para a reincidência.
7) Os atos infracionais podem ser valorados negativamente na circunstância judicial
referente à personalidade do agente.
8) Os atos infracionais não podem ser considerados como personalidade
desajustada ou voltada para a criminalidade para fins de exasperação da pena-
base.
9) A reincidência penal não pode ser considerada como circunstância agravante e,
simultaneamente, como circunstância judicial. (Súmula n. 241/STJ)
10) O registro decorrente da aceitação de transação penal pelo acusado não serve
para o incremento da pena-base acima do mínimo legal em razão de maus
antecedentes, tampouco para configurar a reincidência.
11) É vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso para
agravar a pena-base. (Súmula n. 444/STJ)
12) Havendo diversas condenações anteriores com trânsito em julgado, não há bis
in idem se uma for considerada como maus antecedentes e a outra como
reincidência.
13) Para valoração da personalidade do agente é dispensável a existência de laudo
técnico confeccionado por especialistas nos ramos da psiquiatria ou da psicologia.
14) O expressivo prejuízo causado à vítima justifica o aumento da pena-base, em
razão das consequências do crime.
15) O comportamento da vítima em contribuir ou não para a prática do delito não
acarreta o aumento da pena-base, pois a circunstância judicial é neutra e não pode
ser utilizada em prejuízodo réu.
Jurisprudência recente!!
Dadas as peculiaridades do caso concreto, admite-se que ao réu primário,
condenado à pena igual ou inferior a 4 (quatro) anos de reclusão, seja fixado o
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DELEGADO GOIÁS
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127
regime inicial aberto, ainda que negativada circunstância judicial A despeito de o
§ 3º do art. 33 do Código Penal dispor que para a escolha do modo inicial de
cumprimento da pena deverão ser observados os critérios do art. 59, não fica o
julgador compelido a fixar regime mais gravoso do que o cabível em razão do
quantitativo da sanção imposta, ainda que presente circunstância judicial
desfavorável. Assim, embora a definição da pena-base acima do mínimo
legalmente previsto autorize, nos termos do art. 33, § 3º, do Código Penal, a fixação
do regime inicial imediatamente mais grave do que o estabelecido em razão do
quantum da pena aplicada, nada impede que o julgador deixe de recrudescer o
modo prisional se entender que aquele cominado ao montante da pena imposta se
mostra suficiente à reprovação do delito. É possível, portanto, concluir que a
negativação de circunstâncias judiciais, ao contrário do que ocorre quando
reconhecida a agravante da reincidência, confere ao julgador a faculdade - e não
a obrigatoriedade - de recrudescer o regime prisional. REsp 1.970.578-SC, Rel.
Min. Olindo Menezes (Desembargador convocado do TRF1ª Região), Sexta Turma,
por maioria, julgado em 03/05/2022.
2.6.1.2 Segunda Fase – Atenuantes e Agravantes
Momento em que são analisadas as circunstâncias agravantes e atenuantes. Não integram o tipo
penal, mas estão ligadas ao crime.
Podem ser genéricas (previstas na parte geral do CP) ou específicas (previstas na parte especial ou
legislação extravagante).
Aqui também não há previsão legal do quantum de aumento ou diminuição, sendo que a doutrina e
alguns entendimentos jurisprudências entendem que a valoração deve ser em 1/6. Contudo,
majoritariamente, o que é inquestionável é apenas que deve haver observância do mínimo e do máximo da
pena em abstrato, como na primeira fase da dosimetria.
Tanto as atenuantes quanto as agravantes, caso não funcionem já como qualificadoras / privilégios /
causas de aumento / causas de diminuição, são de aplicação obrigatória.
Pode ser que, ainda que aplicadas, não produzam efeitos, como por exemplo, atenuante – após pena
base aplicada no mínimo legal (não pode ficar aquém do mínimo) e agravante – após pena base aplicada no
máximo legal (não pode ficar além do máximo).
1 Agravantes: arts. 61 e 62 do CP. Rol taxativo (aqui se inclui a reincidência, já explicada
anteriormente).
Obs.: É possível aplicar agravantes genéricas do art.61 aos crimes preterdolosos.
RETA FINAL
DELEGADO GOIÁS
SEMANA 04/13
128
Importante!!!
Qual é a fração de aumento que deve ser aplicada pelo magistrado para cada circunstância judicial
desfavorável (art. 59 do CP)?
O Código Penal não prevê um critério objetivo. A maioria da doutrina afirma que
deveria ser aplicada a fração de 1/8 para cada circunstância judicial negativa. Isso
porque existem oito circunstâncias judiciais. Assim, se o juiz detectasse a existência
de três circunstâncias judiciais desfavoráveis, aumentaria a pena-base em 3/8. O
STJ, contudo, possui jurisprudência majoritária no sentido de que deve ser
aplicada a fração de 1/6 para cada circunstância judicial negativa:
O entendimento desta Corte firmou-se no sentido de que, na falta de razão especial
para afastar esse parâmetro prudencial, a exasperação da pena-base, pela
existência de circunstâncias judiciais negativas, deve obedecer à fração de 1/6
sobre o mínimo legal, para cada vetorial desfavorecida.
STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 666815/PA, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca,
julgado em 01/06/2021.
A jurisprudência desta Corte firmou-se no sentido de que a exasperação da pena-
base, pela existência de circunstâncias judiciais negativas, deve seguir o parâmetro
da fração de 1/6 para cada circunstância judicial negativa, fração que se firmou em
observância aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade.STJ. 6ª Turma.
AgRg no HC 647642/SC, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 15/06/2021.
Vale ressaltar, contudo, que não se trata de tema pacífico.
2 Atenuantes: arts. 65 e 66 do CP. Rol exemplificativo, inclusive porque o art. 66 traz uma
atenuante inominada. (A teoria da coculpabilidade de Zaffaroni entraria aqui).
Súmula 231-STJ: A incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à
redução da pena abaixo do mínimo legal.
Súmula 630-STJ: A incidência da atenuante da confissão espontânea no crime de
tráfico ilícito de entorpecentes exige o reconhecimento da traficância pelo acusado,
não bastando a mera admissão da posse ou propriedade para uso próprio. •
Importante. • Aprovada em 24/04/2019
RETA FINAL
DELEGADO GOIÁS
SEMANA 04/13
129
É possível, a depender do caso concreto, que o juiz reconheça a teoria da
coculpabilidade como sendo uma atenuante genérica prevista no art. 66 do
Código Penal. STJ. 5ª Turma. HC 411.243/PE, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em
07/12/2017.
O fato de o réu ter bons antecedentes pode ser considerado como uma atenuante
inominada do art. 66 do CP? NÃO. Não caracteriza circunstância relevante anterior
ao crime (art. 66 do CP) o fato de o condenado possuir bons antecedentes criminais.
Isso porque os antecedentes criminais são analisados na 1ª fase da dosimetria da
pena, na fixação da pena-base, considerando que se trata de uma circunstância
judicial do art. 59 do CP. STJ. 6ª Turma. REsp 1405989/SP, Rel. Min. Sebastião Reis
Júnior, Rel. p/ Acórdão Min. Nefi Cordeiro, julgado em 18/08/2015 (Info 569).
As circunstâncias agravantes genéricas não se aplicam aos crimes culposos, com
exceção da reincidência. STF. 1ª Turma. HC 120165/RS, Rel. Min. Dias Toffoli,
julgado em 11/2/2014 (Info 735).
A atenuante da menoridade relativa deve ser considerada circunstância
preponderante na exasperação da pena. AgRg no HC 693.079-SP, Sexta Turma,
por unanimidade, julgado em 14/06/2022, DJe 20/06/2022.Nesse sentido: "1. O
Superior Tribunal de Justiça já firmou o entendimento de que a confissão
espontânea (Recurso Especial Representativo de Controvérsia 1.341.370/MT) e a
menoridade relativa, sendo atributos da personalidade do agente, são igualmente
preponderantes com a reincidência e os motivos do delito, consoante disposto no
art. 67 do Código Penal." (AgRg no REsp 1627502/RO. Havendo agravante
reconhecida pelo conselho de sentença (motivo fútil), com uma atenuante
preponderante, menoridade do réu, a pena não deve sofrer alteração na segunda
fase da dosimetria da pena.
* ARTIGOS DE LEITURA OBRIGATÓRIA!!!
CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES:
◘ REINCIDÊNCIA (uma das circunstâncias agravantes)
● Reincidência – novo crime após o trânsito em julgado de sentença penal condenatória por crime
anterior.
RETA FINAL
DELEGADO GOIÁS
SEMANA 04/13
130
Obrigatoriamente deve ser assim: crime 1 → trânsito em julgado da condenação pelo crime 1 → crime 2 =
será considerado reincidente.
Outros exemplos:
Crime 1 → crime 2 → trânsito em julgado da condenação pelo crime 1 → sentença condenatória do crime 2
= não será reincidente, mas será portador de maus antecedentes.
Crime 1 → crime 2 → crime 3 → sentença condenatória do crime 1 → não será considerado reincidente, nem
portador de maus antecedentes.
Crime 1 → trânsito em julgado da condenação pelo crime 1 → crime 2 → crime 3 → trânsito em julgado da
condenação pelo crime 2 → sentença341
MEDICINA LEGAL: PERÍCIAS E PERITOS E DOCUMENTOS MÉDICO-LEGAIS ................................................... 341
1. CONCEITO DE MEDICINA LEGAL ................................................................................................................ 341
2. SUBDIVISÕES DA MEDICINA LEGAL ........................................................................................................... 343
3. PERÍCIAS E PERITOS ................................................................................................................................... 344
3.1. Perícia .................................................................................................................................................................. 344
3.2. Peritos ................................................................................................................................................................. 352
3.3. Crime de Falsa Perícia .......................................................................................................................................... 357
4. DOCUMENTOS MÉDICO LEGAIS ................................................................................................................ 358
4.1. Relatórios (Laudos e Autos) ................................................................................................................................. 358
4.2. Parecer Médico-Legal .......................................................................................................................................... 361
4.3 Atestado ............................................................................................................................................................... 362
4.3.1 Tipos de Atestados ......................................................................................................................................... 363
4.3.2 Classificação quanto ao modo de fazer ou conteúdo, os atestados podem ser: ........................................... 364
4.3.3 Atestado de óbito .......................................................................................................................................... 364
4.3.4 Notificação Compulsória ................................................................................................................................ 366
4.5. Depoimentos Orais .............................................................................................................................................. 367
4.6 Prontuários ........................................................................................................................................................... 368
QUESTÕES PROPOSTAS ................................................................................................................................. 369
MEDICINA LEGAL: ANTROPOLOGIA FORENSE ............................................................................................... 377
RETA FINAL
DELEGADO GOIÁS
SEMANA 04/13
1. ANTROPOLOGIA FORENSE ......................................................................................................................... 377
2. IDENTIDADE E IDENTIFICAÇÃO .................................................................................................................. 377
2.1 Identidade ............................................................................................................................................................ 377
2.2 Identificação ......................................................................................................................................................... 378
2.3 Métodos de Identificação ..................................................................................................................................... 379
3. IDENTIFICAÇÃO MÉDICO-LEGAL ................................................................................................................ 382
3.1 Identificação quanto à espécie ............................................................................................................................. 382
3.2 Identificação quanto à Raça ................................................................................................................................. 384
3.3 Identificação Do Sexo ........................................................................................................................................... 387
3.4 Identificação da Idade .......................................................................................................................................... 392
3.5 Identificação Pela Estatura ................................................................................................................................... 394
3.6 Identificação pela Arcada Dentária ...................................................................................................................... 395
3.7 Outras Formas de Identificação ........................................................................................................................... 395
3.8 Identificação Judiciária ......................................................................................................................................... 396
3.8.1 Classificação / Tipos fundamentais ................................................................................................................ 398
3.8.2 Elementos de identificação ............................................................................................................................ 402
QUESTÕES PROPOSTAS ................................................................................................................................. 404
META 6 – REVISÃO SEMANAL ........................................................................................................................ 411
DIREITO PENAL: CAUSAS EXTINTIVAS DA PUNIBILIDADE .............................................................................. 411
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL: LEI DE CRIMES HEDIONDOS.......................................................................... 413
DIREITO PENAL: TEORIA GERAL DA PENA ..................................................................................................... 415
DIREITO CIVIL: CONSTITUCIONALIZAÇÃO DO DIREITO CIVIL ......................................................................... 417
DIREITO CIVIL: DAS PESSOAS ......................................................................................................................... 418
DIREITO TRIBUTÁRIO: LIMITAÇÕES AO PODER DE TRIBUTAR ....................................................................... 419
MEDICINA LEGAL: PERÍCIAS E PERITOS E DOCUMENTOS MÉDICO-LEGAIS ................................................... 421
MEDICINA LEGAL: ANTROPOLOGIA FORENSE ............................................................................................... 422
RETA FINAL
DELEGADO GOIÁS
SEMANA 04/13
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO DA SEMANA 04
META DIA ASSUNTO
1 SEG
DIREITO PENAL: Causas de Extinção da Punibilidade
LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL: Lei de Crimes Hediondos
2 TER DIREITO PENAL: Teoria Geral da Pena
3 QUA
DIREITO CIVIL: Constitucionalização do Direito Civil
DIREITO CIVIL: Das Pessoas
4 QUI DIREITO TRIBUTÁRIO: Limitações ao Poder de Tributar
5 SEX
MEDICINA LEGAL: Perícias e Peritos e Documentos Médico-Legais
MEDICINA LEGAL: Antropologia Forense
6 SÁB REVISÃO SEMANAL
7 DOM QUESTÕES DE TREINAMENTO
ATENÇÃO
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Conte sempre conosco.
Equipe DD
RETA FINAL
DELEGADO GOIÁS
SEMANA 04/13
9
META 1
DIREITO PENAL: CAUSAS EXTINTIVAS DA PUNIBILIDADE
TODOScondenatória do crime 3 = será considerado reincidente e portador de
maus antecedentes.
▪ Reincidência real x ficta – para a real o agente deve ter cumprido a pena para ser reincidente,
enquanto para a ficta pouco importa se houve o cumprimento ou não
▪ Reincidência genérica x específica – crimes aleatórios e crimes da mesma espécie, respectivamente.
Mas atenção: no caso de crimes hediondos, para ser considerado reincidente em hediondo, basta
que o agente pratique dois crimes do rol apresentado na lei que os define, independente se do
mesmo tipo penal ou diversos.
Vai influenciar, por exemplo, na proibição do livramento condicional para reincidente em crimes
hediondos.
💣 Multireincidente – quem possui 3 ou mais condenações transitadas em julgado.
Atenção!! A multirreincidência revela maior necessidade de repressão e rigor penal, a prevalecer
sobre a atenuante da confissão, sendo vedada a compensação integral. Assim, em caso de multirreincidência,
prevalecerá a agravante e haverá apenas a compensação parcial/proporcional (mas não integral).STJ. 5ª
Turma. HC 620640, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 02/02/2021
Atenção ao INFO 742 STJ!! É possível, na segunda fase da dosimetria da pena, a compensação
integral da atenuante da confissão espontânea com a agravante da reincidência, seja ela específica ou não.
Todavia, nos casos de multirreincidência, deve ser reconhecida a preponderância da agravante prevista no
art. 61, I, do Código Penal, sendo admissível a sua compensação proporcional com a atenuante da confissão
espontânea, em estrito atendimento aos princípios da individualização da pena e da proporcionalidade.
#TUDOJUNTOEMISTURADO:
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● A diferença em relação aos maus antecedentes (circunstância judicial da 1ª fase da dosimetria) e da
reincidência (agravante) é que, para a configuração desta, obrigatoriamente, na data da prática do
novo crime, já deve ter havido o trânsito em julgado da sentença condenatória pelo anterior.
● Já nos maus antecedentes, não se exige que a data do novo crime seja posterior à data do trânsito em
julgado do primeiro (como é na reincidência), mas apenas que seja posterior à data da prática do
primeiro crime e que o trânsito em julgado da condenação pelo primeiro ocorra antes da sentença do
segundo (as palavras ficaram repetidas para evitar confusão nessa explicação que é um pouco
complexa). Leia e reveja também os exemplos com atenção para não confundir!
● Assim, inquéritos policiais e ações penais ainda em curso não configuram nem maus antecedentes e
nem reincidência, entendimento sumulado também pelo STJ, na forma do enunciado 444 (o STF já
decidiu em sentido contrário, mas hoje corrobora do mesmo entendimento).
CONDENAÇÃO TRANSITADA EM
JULGADO POR
PRATICA NOVO É...
CRIME CRIME REINCIDENTE
CRIME CONTRAVENÇÃO REINCIDENTE
CONTRAVENÇÃO CONTRAVENÇÃO REINCIDENTE
CONTRAVENÇÃO CRIME PRIMÁRIO
● Não geram reincidência os crimes políticos e os crimes militares próprios (aqueles que estão previstos
apenas na lei militar, mas não estão previsto nos CP, exemplo: crime de deserção – está na previsto na
legislação militar sem correspondente no CP comum).
● Transação penal e suspensão condicional do processo não geram maus antecedentes ou reincidência.
Nesses casos, não existe sentença penal condenatória transitada em julgado.
● Atos infracionais pretéritos não se prestam a configurar reincidência (STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp
1665758/RO de 19.05.2020
● A prova da reincidência se dá através de certidão cartorária, sendo que o STJ admite também a folha de
antecedentes criminais para a comprovação.
● Admite-se o uso de informações processuais extraídas dos sítios eletrônicos dos tribunais, quando
completas, a fim de demonstrar a reincidência do réu
Para fins de comprovação da reincidência, é necessária documentação hábil que
traduza o cometimento de novo crime depois de transitar em julgado a sentença
condenatória por crime anterior, mas não se exige, contudo, forma específica
para a comprovação. Desse modo, é possível que a reincidência do réu seja
demonstrada com informações processuais extraídas dos sítios eletrônicos dos
tribunais. STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 448972/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/acd9bdac8824615154e7f1868f29acf6?categoria=11&subcategoria=96&ano=2020
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Fonseca, julgado em 16/08/2018. STF. 1ª Turma. HC 162548 AgR/SP, Rel. Min.
Rosa Weber, julgado em 16/6/2020 (Info 982).
● Ademais, no caso de sentença condenatória estrangeira, NÃO é preciso que seja homologada pelo STJ
para a reincidência seja configurada (contravenção praticada no exterior nunca gerará reincidência)
Obs1: Uma mesma condenação não pode servir para configurar ao mesmo tempo maus antecedentes (1ª
fase da dosimetria) e reincidência (2ª fase da dosimetria), pois isso caracterizaria bis in idem, o que é vedado.
Caso exista apenas uma condenação com trânsito em julgado de crime anterior em desfavor do agente, você
deve primeiro verificar se representa reincidência e, se não for o caso, verifica se é caso de maus
antecedentes.
Obs2: Caso existam duas condenações com trânsito em julgado por crime anterior você pode caracterizar
tanto reincidência, quanto maus antecedentes que não será considerado bis in idem pois tem os dois.
Obs3: Em relação à reincidência, após 5 anos da extinção/termino de cumprimento da pena, cessam seus
efeitos e o agente é considerado “tecnicamente primário”, por expressa previsão legal (art. 64, CP). Porém,
não há regra nesse sentido em relação aos maus antecedentes. Uma vez com maus antecedentes, sempre
com maus antecedentes! A regra dos 5 anos serve apenas para reincidência.
Nesse sentido: A existência de condenação anterior, ocorrida em prazo superior a cinco anos,
contado da extinção da pena, poderá ser considerada como maus antecedentes? Após o período depurador,
ainda será possível considerar a condenação como maus antecedentes?
R.: Em 2019 havia divergência jurisprudencial entre as Turmas do STF, tendo em vista que a 2ª Turma
entendia que não poderia considerar maus antecedentes. No entanto, no bojo do RE 593.818, julgado em
18.08.2020, o Plenário virtual do Supremo Tribunal Federal PACIFICOU O TEMA, ao afastar a impossibilidade
de considerar, para fixação de pena-base, condenações criminais extintas há mais de 5 anos. O relator,
Ministro Luis Roberto Barroso, explicou que, no sistema normativo brasileiro, o conceito de reincidência não
se confunde com maus antecedentes. Portanto, não é possível aplicar o mesmo prazo quinquenal para os
dois institutos. Em suas palavras: "Cinco anos valem para apagar a reincidência, não os maus antecedentes.
Assim, entendo que não é possível alargar a interpretação da reincidência de modo a incluir os maus
antecedentes", afirmou.
A decisão pacifica o entendimento no âmbito do Supremo, já que as turmas fracionárias se
posicionavam de maneira oposta. A 2ª Turma entendia, por maioria, que constatado o decurso de 5 anos do
cumprimento ou extinção da pena, condenações pretéritas não podem ser tidas como maus antecedentes.
A 1ª Turma, a princípio, tinha o mesmo entendimento. Mas com mudanças em sua composição e o
reconhecimento da repercussão geral da matéria, passou a considerar inviável considerar abusivas as
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decisões que valoraram como maus antecedentes essas condenações anteriores, passados cinco anos desde
o cumprimento ou extinção da pena.
A tese fixada no voto do relator foi: “Não se aplica ao reconhecimento dos maus antecedentes o
prazo quinquenal deprescrição da reincidência, previsto no art. 64, I, do Código Penal”.
Ressalta-se que o STJ possui posição no mesmo sentido:
A existência de condenação anterior, ocorrida em prazo superior a cinco anos,
contado da extinção da pena, poderá ser considerada como maus antecedentes?
Após o período depurador, ainda será possível considerar a condenação como
maus antecedentes? SIM. As condenações atingidas pelo período depurador
quinquenal do art. 64, inciso I, do CP, embora afastem os efeitos da reincidência,
não impedem a configuração de maus antecedentes, na primeira etapa da
dosimetria da pena.
STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 558.745/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca,
julgado em 15/09/2020. STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 471.346/MS, Rel. Min. Rogerio
Schietti Cruz, julgado em 21/05/2019.
Caiu em prova Cespe 2022 - Só as condenações penais transitadas em julgado que não configurem
reincidência são consideradas como maus antecedentes, não se aplicando, portanto, aos maus antecedentes
a limitação do prazo quinquenal contado do término do cumprimento da pena. (item correto)
CONCLUSÃO
- Reincidência: adota-se o sistema da temporariedade.
- Maus antecedentes: acolhe-se o sistema da perpetuidade.
Obs4: O período de prova do sursis e do livramento condicional contam dentro desses 5 anos.
Obs5: sempre faça uma “linha do tempo” com as datas dos crimes e de cada ato mencionado na questão
para facilitar a identificação correta das datas. É mais garantido!
Súmula 241 do STJ: "A reincidência penal não pode ser considerada como
circunstância agravante e, simultaneamente, como circunstância judicial."
◘ CONFISSÃO ESPONTÂNEA (uma das circunstâncias atenuantes)
● Como o inciso exige que seja espontânea, ou seja, que parta do agente, não pode ter sido instigada ou
induzida por ninguém. Caso seja apenas voluntária (o agente quis, mas porque houve influência, por
ex.) poderá ser considerada como atenuante inominada, do art. 66.
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● A confissão pode ser:
a.a Simples: o indivíduo apenas admite a prática do crime. Que pode ser:
⦁ Total: sujeito admite a prática do fato em sua integralidade;
⦁ Parcial: sujeito confessa apenas parte do fato. (Ex.: acusado de furto qualificado admite
apenas furto simples).
a.b Qualificada: o indivíduo admite a prática do crime, mas alega incidir em seu favor uma excludente de
culpabilidade ou ilicitude
● Para o STF, se o juiz se vale da confissão do autor como meio de prova, deverá incidir a atenuante,
ainda que se trate da confissão qualificada ou que tenha havido retratação. Ou seja, se o agente
confessa o crime no curso do inquérito, mas se retrata durante a ação penal, a confissão poderá ser
usada como atenuante, caso seja valorada para a condenação.
● Segundo o STJ, a confissão, ainda que parcial, poderá ser considerada para atenuar a pena também.
Contudo, apenas caso o agente confesse o fato típico que está sendo acusado. Ex.: o sujeito cometeu
um furto qualificado, mas o indivíduo afirma que cometeu um furto simples = se aplica a atenuante.
Por outro lado, caso o indivíduo esteja sendo acusado pelo crime de roubo, mas afirme que não
cometeu o roubo, e sim um furto, haverá descaracterização o fato típico, razão pela qual não haveria a
incidência da atenuante.
Súmula 545-STJ: Quando a confissão for utilizada para a formação do
convencimento do julgador, o réu fará jus à atenuante prevista no artigo 65, III, d,
do Código Penal. STJ. 3ª Seção. Aprovada em 14/10/2015, DJe 19/10/2015.
Súmula 630-STJ: A incidência da atenuante da confissão espontânea no crime de
tráfico ilícito de entorpecentes exige o reconhecimento da traficância pelo acusado,
não bastando a mera admissão da posse ou propriedade para uso próprio.
◘ PREPONDERÂNCIA:
Em caso de concurso de causas, ou seja, havendo atenuantes e agravantes, em regra, deve haver a
compensação, ou seja, uma compensa outra. No entanto, por expressa previsão legal (art. 67 do CP), há
algumas preponderantes, que são as que resultam:
● Dos motivos determinantes do crime (atenuantes ou agravantes)
● Da personalidade do agente (atenuantes ou agravantes) – ex. mais comum: idade
● Da reincidência (apenas agravante)
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Assim, como podemos notar, preponderam as de cunho subjetivo, que estão relacionadas ao agente
e não ao fato criminoso em si.
O STJ tem feito a compensação entre a agravante da reincidência (expressamente prevista no 67)
e a atenuante da confissão espontânea (ligada à personalidade do agente); a agravante de crime praticado
com violência contra a mulher e a confissão espontânea; atenuante da confissão espontânea com a
agravante da promessa de recompensa, dentre outras hipóteses.
No entanto, em caso de reincidência específica ou multireincidência X confissão espontânea, por
exemplo, aquela irá preponderar.
É possível compensar a atenuante da confissão espontânea (art. 65, III, "d", do CP)
com a agravante da promessa de recompensa (art. 62, IV). STJ. 5ª Turma. HC
318594-SP, Rel. Min. Felix Fischer, julgado em 16/2/2016 (Info 577).
Conforme o art. 385 do CPP, ainda que não haja previsão de agravante ou atenuante na denúncia, é
possível o magistrado reconhecê-las na sentença.
STJ: Caso o Tribunal, na análise de apelação exclusiva da defesa, afaste uma das
circunstâncias judiciais (art. 59 do CP) valoradas de maneira negativa na sentença,
a pena base imposta ao réu deverá, como consectário lógico, ser reduzida, e não
mantida inalterada. STJ. 6a turma. HC 251/417-MG, Rel. Min. Rodrigo Schietti Cruz,
j. em 3/11/2015. Info 573 (via @dizerodireito)
Jurisprudência em Teses:
1) A incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à redução da pena
abaixo do mínimo legal. (Súmula n. 231/STJ)
2) Em observância ao critério trifásico da dosimetria da pena estabelecido no art.
68 do Código Penal - CP, não é possível a compensação entre institutos de fases
distintas.
3) O aumento na terceira fase de aplicação da pena no crime de roubo
circunstanciado exige fundamentação concreta, não sendo suficiente para a sua
exasperação a mera indicação do número de majorantes. (Súmula n. 443/STJ)
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4) Incide a atenuante prevista no art. 65, inciso III, alínea d, do CP na chamada
confissão qualificada, hipótese em que o autor confessa a autoria do crime, embora
alegando causa excludente de ilicitude ou culpabilidade.
5) A condenação transitada em julgado pelo crime de porte de substância
entorpecente para uso próprio gera reincidência e maus antecedentes, sendo
fundamento idôneo para agravar a pena tanto na primeira como na segunda fase
da dosimetria.
OBS. Entendimento mais atualizado da jurisprudência: A CONDENAÇÃO PELO ART.
28 DA LEI 11.343/2006 (PORTE DE DROGA PARA USO PRÓPRIO) NÃO CONFIGURA
REINCIDÊNCIA. Com a entrada em vigor da Lei nº 11.343/06, iniciou-se uma
discussão a respeito de qual seria a natureza do artigo 28, já que não havia mais a
cominação de pena privativa de liberdade. Para alguns, o fato deixou de ser tratado
formalmente como crime, embora a posse de drogas continuasse ilícita. Trata-se
de um delito sui generis, pois houve descriminalização sem retirar o fato da seara
criminal, isto é, não houve abolitio criminis (Luiz Flávio Gomes). Outros, no entanto,
sustentam que a posse de drogas para consumo próprio continua sendo
caracterizada como crime, mas com penas diversas daquelas estabelecidas
tradicionalmente para as infrações penais. É a orientação majoritária. MAS O STJ
TEM DECIDIDO QUE, EMBORA O ART. 28 DA LEI 11.343/06 TENHA CARÁTER
CRIMINOSO, FAZER INCIDIR A AGRAVANTE DA REINCIDÊNCIA EM VIRTUDEDE
CONDENAÇÃO ANTERIOR POR ESTE CRIME VIOLA O PRINCÍPIO DA
PROPORCIONALIDADE. ISTO PORQUE SE NÃO HÁ PREVISÃO LEGAL DE PENA
PRIVATIVA DE LIBERDADE, CONSIDERAR EM DESFAVOR DO AGENTE A
REINCIDÊNCIA SIGNIFICA LHE CONFERIR TRATAMENTO MAIS SEVERO DO QUE SE
HOUVESSE SIDO CONDENADO POR CONTRAVENÇÃO PENAL, QUE, PASSÍVEL DE
PRISÃO SIMPLES, NÃO GERA REINCIDÊNCIA QUANDO SEGUIDA DA PRÁTICA DE
UM CRIME, COMO SE EXTRAI DOS ARTIGOS 63 DO CÓDIGO PENAL E 7º DO
DECRETO-LEI 3.688/41 (REsp 1.672.654/SP, j. 21/08/2018) – fonte: meu site
jurídico
6) Para efeitos penais, o reconhecimento da menoridade do réu requer prova por
documento hábil. (Súmula n. 74/STJ)
7) Diante do reconhecimento de mais de uma qualificadora, somente uma enseja
o tipo qualificado, enquanto as outras devem ser consideradas circunstâncias
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agravantes, na hipótese de previsão legal, ou, de forma residual, como
circunstância judicial do art. 59 do Código Penal.
8) A agravante da reincidência pode ser comprovada com a folha de antecedentes
criminais, não sendo obrigatória a apresentação de certidão cartorária.
9) É possível, na segunda fase do cálculo da pena, a compensação da agravante da
reincidência com a atenuante da confissão espontânea. (Tese julgada sob o rito do
art. 543-C do CPC)
10) Nos casos em que há múltipla reincidência, é inviável a compensação integral
entre a reincidência e a confissão.
2.6.1.3 Terceira Fase – Causas de Aumento e Diminuição
Também chamadas de majorantes e minorantes, respectivamente.
Também podem ser genéricas (previstas na parte geral do CP e aplicáveis a todos os crimes) ou
específicas (previstas na parte especial do CP ou na legislação extravagante e aplicáveis apenas a
determinados crimes).
* Nesta fase a pena pode ultrapassar os limites legais (máximo e mínimo), já que o legislador previu
expressamente o quantum de aumento ou de redução.
● Diferença de causas de aumento e diminuição para qualificadoras e privilégios: Enquanto nas primeiras
o legislador previu uma fração de aumento a ser aplicada sobre a pena na 2ª fase da dosimetria, nos
segundos há a modificação da própria pena do crime, do quantum máximo e mínimo, sendo que a
dosimetria partirá dessa nova pena.
● Pluralidade de causas de aumento ou de diminuição de pena
Art. 68, Parágrafo único do CP: “No concurso de causas de aumento ou de
diminuição previstas na parte especial, pode o juiz limitar-se a um só aumento ou
a uma só diminuição, prevalecendo, todavia, a causa que mais aumente ou
diminua”.
Ou seja: se o concurso envolver apenas causas da parte geral ou causas da parte geral e especial, o
juiz deve aplicar todas. Se, no entanto, houver pluralidade de causas de aumento ou diminuição previstas na
parte especial ou na legislação extravagante, o juiz PODE (ou seja, ele decide, não é obrigatório) aplicar só
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uma, sendo a que mais aumente ou mais diminua (estamos tratando aqui do concurso homogêneo =
aumento com aumento e diminuição com diminuição).
Prevalece, embora seja controverso, que no tocante às causas de aumento, aplica-se o princípio da
incidência isolada, sendo que, caso sejam aplicadas mais de uma, todas incidirão sobre a pena intermediária,
resultado da segunda fase.
Quanto às causas de diminuição, aplica-se o princípio da incidência cumulativa, ou seja, uma segunda
causa de diminuição será aplicada sobre a pena já diminuída pela minorante anterior, com o fim de evitar a
“pena zero”.
Em caso de concurso heterogêneo, ou seja, de causas de aumento com causas de diminuição, devem
ser aplicadas ambas, com base no princípio da incidência cumulativa.
Chegando na pena definitiva, o juiz desprezará as frações de dias. E então, calculada a pena privativa
de liberdade, o juiz fixará o regime inicial da pena, com base no art. 33, §2 do CP
Em seguida, verificará a possibilidade de substituição da pena, nos termos do art. 44. Caso negativo,
há a possibilidade de suspensão da pena, com base no art. 77.
Por fim, deve ainda fixar o valor mínimo para reparação dos danos causados (art. 387, IV do CPP) e
analisar se é ou não caso de decretação de preventiva ou de outra medida cautelar diversa da prisão.
Vamos esquematizar?
AGRAVANTES E ATENUANTES CAUSAS DE AUMENTO E DE DIMINUIÇÃO DE PENA
São consideradas na 2ª fase do cálculo, na qual se
fixa a pena intermediária
São consideradas na 3ª fase do cálculo, em que se fixa a
pena definitiva
Localizadas: parte geral; legislação extravagante. Localizadas: parte geral; parte especial;
legislação extravagante.
O quantum não tem previsão legal, ficando a sua
fixação a critério do juiz, que deve fundamentar a
sua decisão
O quantum tem previsão legal, podendo ser fixo ou
variável.
Na aplicação da agravante ou atenuante, o juiz
não pode ultrapassar os limites mínimo e máximo
previstos no preceito secundário. (Súmula 231, do
STJ)
Não há limites mínimo e máximo. A pena pode ficar
aquém do mínimo ou além do máximo.
CAUSAS DE AUMENTO DE PENA QUALIFICADORAS
É considerada na 3ª Fase do cálculo da pena
(majora a pena dos delitos)
É o ponto de partida da 1ª Fase (qualifica o
delito substituindo penas abstratamente
cominadas).
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Incide sobre a pena intermediária) Substitui preceito secundário simples
2.7 Fixação de Regime (Art. 33 Do CP)
Art. 33, do CP - A pena de reclusão deve ser cumprida em regime fechado,
semiaberto ou aberto. A de detenção, em regime semiaberto, ou aberto, salvo
necessidade de transferência a regime fechado.
§ 1º - Considera-se:
a) regime fechado a execução da pena em estabelecimento de segurança máxima
ou média;
b) regime semiaberto a execução da pena em colônia agrícola, industrial ou
estabelecimento similar;
c) regime aberto a execução da pena em casa de albergado ou estabelecimento
adequado.
§ 2º - As penas privativas de liberdade deverão ser executadas em forma
progressiva, segundo o mérito do condenado, observados os seguintes critérios e
ressalvadas as hipóteses de transferência a regime mais rigoroso:
a) o condenado a pena superior a 8 (oito) anos deverá começar a cumpri-la em
regime fechado;
b) o condenado não reincidente, cuja pena seja superior a 4 (quatro) anos e não
exceda a 8 (oito), poderá, desde o princípio, cumpri-la em regime semi-aberto;
c) o condenado não reincidente, cuja pena seja igual ou inferior a 4 (quatro) anos,
poderá, desde o início, cumpri-la em regime aberto.
§3º - A determinação do regime inicial de cumprimento da pena far-se-á com
observância dos critérios previstos no art. 59 deste Código.
§4o O condenado por crime contra a administração pública terá a progressão de
regime do cumprimento da pena condicionada à reparação do dano que causou,
ou à devolução do produto do ilícito praticado, com os acréscimos legais. (Incluído
pela Lei nº 10.763, de 12.11.2003)
Caiu Prova Delegado São Paulo 2022!!! De acordo com o que determina expressamente o art. 33 do CP, o
condenado por crime contra a Administração Pública, terá a progressão do regime do cumprimento de pena
condicionada à reparação do dano que causou, ou à devolução do produto ilícito praticado, com os
acréscimos legais. (ITEM CORRETO)
O regime é o modo como será executada a pena privativa de liberdade.
O juiz, quando vai fixar o regime inicial do cumprimento da pena privativa de liberdade, observará os
seguintes fatores:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.763.htm#art33%C2%A74
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.763.htm#art33%C2%A74RETA FINAL
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a.b.1 O tipo de pena aplicada: se reclusão ou detenção;
- Lembrando que reclusão admite qualquer regime inicial e detenção apenas o aberto e o
semiaberto.
a.b.2 O quantum da pena definitiva;
a.b.3 Se o condenado é reincidente ou não;
a.b.4 as circunstâncias judiciais (art. 59 do CP).
* Inicial, tendo em vista que o Brasil adota um sistema progressivo.
Os regimes de cumprimento de pena são:
● Aberto: a execução da pena ocorre em casa de albergado ou estabelecimento adequado –
características: art. 36 do CP;
● Semiaberto (ou semifechado): em colônia agrícola, industrial ou estabelecimento similar –
características: art. 35 do CP;
● Fechado: em estabelecimento de segurança máxima ou média – características: art. 34 do CP.
Reclusão Detenção
Pena igual ou inferior a 4 Regime Aberto
Regime Semiaberto (STJ)
Regime Fechado (CP)
Regime Aberto
Regime Semiaberto
Pena superior a 4 mas inferior a
8
Regime Semiaberto
Regime Fechado
Regime Semiaberto
Pena superior a 8 anos
Regime Fechado
Regime Semiaberto
Atenção a Informativo 736 do STJ: Sobrevindo condenação por pena privativa de liberdade no curso
da execução de pena restritiva de direitos, as penas serão objeto de unificação, com a reconversão da pena
alternativa em privativa de liberdade, ressalvada a possibilidade de cumprimento simultâneo aos apenados
em regime aberto e vedada a unificação automática nos casos em que a condenação substituída por pena
alternativa é superveniente. REsp 1.918.287-MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. Acd. Min. Laurita Vaz,
Terceira Seção, por maioria, julgado em 27/04/2022
Obs.1: É inviável o Regime inicial fechado na pena de detenção.
Obs.2: LINK COM PROCESSO PENAL: Segundo o STJ, não é possível conceder liberdade para o acusado
preso preventivamente sob o argumento de que, ao final, se condenado, ele receberá regime diverso do
fechado (STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 559.434/SP)
https://processo.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=%28RESP.clas.+e+%40num%3D%221918287%22%29+ou+%28RESP+adj+%221918287%22%29.suce.
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/1943102704f8f8f3302c2b730728e023?categoria=12&subcategoria=128
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/1943102704f8f8f3302c2b730728e023?categoria=12&subcategoria=128
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/1943102704f8f8f3302c2b730728e023?categoria=12&subcategoria=128
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Obs.3: Situações excepcionais que admitem Regime mais grave: (Exceções de Regime):
1 REINCIDÊNCIA: Para o CP deverá ser aplicado sempre o regime mais grave possível ou seja (fechado
para reclusão e semiaberto para detenção)
No entanto, o STJ, conforme sua Súmula 269, entende que o reincidente condenado a pena que não
supera 4 anos de reclusão poderá receber regime inicial semiaberto, se favoráveis às circunstâncias judiciais.
#GANCHO: se o agente tornou a delinquir, é porque a pena não cumpriu sua finalidade (retribuição e
prevenção geral e especial), de modo que, quanto ao reincidente, há um recrudescimento da pena no intuito
de que essa finalidade seja atingida.
#PERGUNTADEPROVA: Reincidência é manifestação do direito penal do autor ou caracteriza bis in idem?
Para o STF não. O agente é considerado reincidente por ter praticado um novo FATO, ou seja, relaciona-se
ao fato, não ao autor. Além disso, não é bis in idem, vez que não será punido duas vezes pelo mesmo crime.
2 CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS DESFAVORÁVEIS (art. 59): quando as circunstâncias judiciais (art. 59)
forem desfavoráveis no caso concreto e recomendarem regime mais grave. A decisão deve ser
fundamentada. Exemplo: Caso do Copinho, réu primário que colocou arma na boca da criança.
Observações:
2.1 Havendo concurso de crimes, o magistrado deve considerar o total das penas para fixar o regime.
2.2 Havendo mais de uma espécie de pena a ser cumprida, deve ser executada primeiro a mais grave.
2.3 A pena de detenção não admite o regime INICIAL fechado, mas admite a transferência para ele caso
necessário em sede de regressão de regime.
2.4 Pena de prisão simples: de acordo com Masson, na prática, a prisão simples não existe, pois, ou a pena
prescreve ou há uma transação.
2.5 Se o juiz fixa a pena base no mínimo legal, não pode ele fixar regime prisional mais gravoso do que o
referente à pena aplicada sem motivação idônea.
2.6 Nos termos dos artigos 42 do CP e 387, parágrafo 2º CPP, antes de fixar o regime inicial o juiz deverá
descontar o tempo de prisão processual (ou seja, deve ocorrer a detração penal).
Obs.: A detração da pena privativa de liberdade não abrange o cumprimento de medidas cautelares diversas
da prisão por falta de previsão legal. STF (HC 205740 AgR. 22/04/2022) Essa decisão é recente do STF que é
divergente do entendimento atual do STJ que através do informativo 693 menciona que o tempo que o réu
ficou submetido à medida cautelar de recolhimento domiciliar com tornozeleira pode ser descontado da
pena imposta na condenação.
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DELEGADO GOIÁS
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2.7 Regime Inicial Fechado automático por força de lei: Exemplo: Lei de Crimes Hediondos (possui
dispositivo que impõe o regime inicial fechado automático ao agente que praticar crimes hediondos) –
Inconstitucional para o STF, por violar a individualização da pena.
L. 13964/19. Art. 310. [...]
§ 2º Se o juiz verificar que o agente é reincidente ou que integra organização
criminosa armada ou milícia, ou que porta arma de fogo de uso restrito, deverá
denegar a liberdade provisória, com ou sem medidas cautelares.
Ao aprovar o novo §2º do Art. 310 do CPP, o Congresso Nacional aprovou lei que
nasce com presunção de inconstitucionalidade, tendo em vista que a referida lei vai
de encontrou ao que já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal. A tendência na
jurisprudência é que o dispositivo seja igualmente declarado inconstitucional.
8. Regime especial para mulheres: É importante correlacionar o tema com os direitos fundamentais,
como por exemplo, o direito de que a mulher cumpra a pena em estabelecimento próprio e que lhes lhe
sejam asseguradas as condições para que permaneça com o os filhos no período de amamentação.
Atenção às súmulas sobre o tema, caem muito!
Súmula 718-STF: A opinião do julgador sobre a gravidade em abstrato do crime não
constitui motivação idônea para a imposição de regime mais severo do que o
permitido segundo a pena aplicada.
Súmula 719-STF: A imposição do regime de cumprimento mais severo do que a
pena aplicada permitir exige motivação idônea.
Súmula 440-STJ: Fixada a pena-base no mínimo legal, é vedado o estabelecimento
de regime prisional mais gravoso do que o cabível em razão da sanção imposta,
com base apenas na gravidade do delito.
Fique atento também à jurisprudência sobre o tema:
Imposição do regime semiaberto para réu reincidente, condenado a 1 ano e 4
meses de reclusão pelo furto de uma garrafa de licor
João, reincidente, foi condenado a uma pena de 1 ano e 4 meses de reclusão, em
regime inicial fechado, pela prática do crime de furto simples (art. 155, caput, do
CP). A defesa postulou a aplicação do regime aberto com base no princípio da
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/a8a427afafda854020c951467cc2b4b7?categoria=11&subcategoria=99
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insignificância, considerado o objeto furtado ter sido apenas uma garrafa de licor.
O STF decidiu impor o regime semiaberto. Entendeu-se que, de um lado, o regime
fechado deve ser afastado. Por outro, não se pode conferir o regime abertopara
um condenado reincidente, uma vez que isso poderia se tornar um incentivo à
criminalidade, ainda mais em cidades menores, onde o furto é, via de regra,
perpetrado no mesmo estabelecimento. A reincidência delitiva do paciente, que
praticou o quinto furto em pequeno município, eleva a gravidade subjetiva de sua
conduta. STF. 1ª Turma. HC 136385/SC, Rel. Min. Marco Aurélio, red. p/ ac. Min.
Alexandre de Moraes, julgado em 7/8/2018 (Info 910)
Fixada a pena-base no mínimo legal, não é possível a imposição de regime inicial
mais severo do que aquele abstratamente imposto - Se todas as circunstâncias
judiciais são favoráveis, de forma que a pena-base foi fixada no mínimo legal, então,
neste caso, não cabe a imposição de regime inicial mais gravoso. STF. 2ª Turma.
RHC 131133/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 10/10/2017 (Info 881). Obs: o STJ
possui um enunciado nesse sentido: Súmula 440-STJ: Fixada a pena-base no mínimo
legal, é vedado o estabelecimento de regime prisional mais gravoso do que o
cabível em razão da sanção imposta, com base apenas na gravidade abstrata do
delito.
Fixada a pena-base no mínimo legal, não é possível a imposição de regime inicial
mais severo do que aquele abstratamente imposto - Se a pena-base foi fixada no
mínimo legal (circunstâncias judiciais favoráveis), o juiz deverá estabelecer o
regime inicial semiaberto para o condenado a pena superior a 4 e que não exceda
a 8 anos. Aplica-se ao caso a Súmula 440 do STJ: Fixada a pena-base no mínimo
legal, é vedado o estabelecimento de regime prisional mais gravoso do que o
cabível em razão da sanção imposta, com base apenas na gravidade abstrata do
delito. STF. 2ª Turma. RHC 135298/SP, rel. orig. Min. Ricardo Lewandowski, red. p/
o ac. Min. Teori Zavascki, julgado em 18/10/2016 (Info 844).
Fixada a pena no mínimo legal não se justifica a fixação do regime prisional mais
gravoso - Se a pena privativa de liberdade foi fixada no mínimo legal, é possível a
fixação de regime inicial mais severo do que o previsto pela quantidade de pena?
Ex.: Paulo, réu primário, foi condenado a uma pena de seis anos de reclusão. As
circunstâncias judiciais foram favoráveis. Pode o juiz fixar o regime inicial fechado?
NÃO. A posição que prevalece no STJ é a de que, fixada a pena-base no mínimo
legal e sendo o acusado primário e sem antecedentes criminais não se justifica a
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fixação do regime prisional mais gravoso. STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 303275/SP,
Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 03/02/2015.
É possível o aumento de pena-base fundado nos abalos psicológicos causados à
vítima sobrevivente. No caso concreto, a pena-base foi exasperada em razão do
abalo psicológico causado à ofendida que precisou vender sua residência por valor
muito inferior ao de mercado, pois não conseguia conviver com as lembranças que
o local lhe trazia e precisou adquirir com urgência outro imóvel para morar.A
presença de sequelas psicológicas decorrentes do crime tem sido considerado
fundamento idôneo para justificar o afastamento da pena-base do piso legal, pois
demonstra que a conduta do agente extrapolou os limites ordinários do tipo penal
violado, merecendo, portanto, maior repreensão. Para tanto, a exasperação da
pena-base deve estar fundamentada em dados concretos extraídos da conduta
imputada ao acusado, os quais devem desbordar dos elementos próprios do tipo
penal.STJ. 5ª Turma. HC 624.350/SC, Rel. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca,
julgado em 09/12/2020.
Se o Tribunal, em recurso exclusivo da defesa, exclui circunstância judicial
reconhecida na sentença, isso deve gerar a diminuição da pena. STJ. 3ª Seção.
EREsp 1826799-RS, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Rel. Acd. Min. Antonio Saldanha
Palheiro, julgado em 08/09/2021, DJe 08/10/2021 (Info 713).
Para incidência da agravante prevista no art. 61, II, “j”, do CP, basta que o crime
seja praticado durante a calamidade pública ou é necessário provar que o agente
teve a intenção de valer-se da especial vulnerabilidade da vítima decorrente da
situação calamitosa?
É necessário que se prove a intenção do agente de valer-se da especial
vulnerabilidade da vítima decorrente da situação calamitosa. Trata-se de agravante
de natureza subjetiva. Assim, para que incida o aumento de pena, é necessário
provar que o agente se aproveitou das circunstâncias de fragilidade,
vulnerabilidade ou incapacidade geradas pelo estado de calamidade pública
decretado em virtude da pandemia da Covid-19 para a prática do crime. Desse
modo, não havendo nexo causal entre a situação de pandemia e a conduta do
agente, deve ser afastada a agravante em questão. Exemplo: Não é possível
aumentar a pena pelo crime de tráfico de drogas em razão da situação de pandemia
da Covid-19. Isso porque o crime, em si, não está diretamente relacionado a essa
circunstância de calamidade em questão, situação diferente de quando um delito
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é praticado durante um incêndio, naufrágio ou inundação.STJ. 6ª Turma. HC
660.930/SP, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 14/09/2021.
As hipóteses de reincidência específica ou multirreincidência podem justificar a
exasperação da pena, na segunda fase da dosimetria, acima do patamar de 1/6,
para a agravante de reincidência. STJ. 6ª Turma. AgRg no HC 548.769/RJ, Rel. Min.
Nefi Cordeiro Aurélio, em 10/03/2020. STJ. 5ª Turma. HC 462.137/SP, Rel. Min.
Ribeiro Dantas, julgado em 02/04/2019.
O roubo em transporte coletivo vazio é circunstância concreta que não justifica a
elevação da pena-base. STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 693.887-ES, Rel. Min. Ribeiro
Dantas, julgado em 15/02/2022 (Info 727).
Não se aplica a agravante do art. 61, II, “h”, do CP ao furto praticado aleatoriamente
em residência sem a presença do morador idoso. STJ. 5ª Turma. HC 593219-SC, Rel.
Min. Ribeiro Dantas, julgado em 25/08/2020 (Info 679).
O deslocamento da majorante sobejante para outra fase da dosimetria, além de
não contrariar o sistema trifásico, é a que melhor se coaduna com o princípio da
individualização da pena. STJ. 3ª Seção. HC 463434-MT, Rel. Min. Reynaldo Soares
da Fonseca, julgado em 25/11/2020 (Info 684).
Veja agora algumas decisões importantes do STJ em relação a pena-base e violência de gênero:
→ O ciúme é de especial reprovabilidade em situações de violência de gênero, por
reforçar as estruturas de dominação – exterioriza a noção de posse do homem em
relação á mulher e é fundamento apto para aumentar a pena. ARESP 1441372
→ Ameaçar a vítima, nas dependências do fórum, momentos antes da audiência.
→ descumprimento reiterado de medidas protetivas HC452391
→ Segurar a vítima pelo cabelo e arrastá-la pelo quintal da residência, fazendo-a
bater a cabeça na escada, desmaiando – serve de fundamento idôneo para justificar
a elevação da pena.
→ A prática do crime de lesão corporal mediante violência doméstica, por agente
sob efeito de bebidas alcoólicas, autoriza o aumento da pena-base. ARESP 1871481
→ A incessante perseguição e vigília, causando intensa sensação de insegurança e
intranquilidade,representa o que é conhecido na psicologia como stalking,
comportamento apto a aumentar a pena.
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→ Ameaçar a vítima diante dos filhos (criança ou adolescente pode justificar
avaliação negativa da culpabilidade e o consequente aumento da pena.
→ Em casa de violência sexual, a falta do uso do preservativo é fundamento idôneo
a alicerçar a elevação da pena pela vetorial culpabilidade. Resp 1726211.
2.7.1 Progressão de Regime (Art. 112 da LEP)
Como já dito, as penas privativas de liberdade serão executadas de forma progressiva, segundo o
mérito do condenado. A progressão possui critério objetivo (tempo mínimo de cumprimento de pena) com
e critério subjetivo (mérito do condenado).
Concedida a progressão, os novos cálculos se basearão apenas na pena restante, vez que pena
cumprida é pena extinta.
De acordo com o CP, em seu art. 75, “Art. 75. O tempo de cumprimento das penas privativas de
liberdade não pode ser superior a 40 (quarenta) anos. Quando o agente for condenado a penas privativas
de liberdade cuja soma seja superior a 40 (quarenta) anos, devem elas ser unificadas para atender ao limite
máximo deste artigo. ”
Ademais, caso sobrevenha condenação por fato posterior ao início do cumprimento da pena, far-se-
á nova unificação, desprezando-se, para esse fim, o período de pena já cumprido.
Uma dúvida: mas e nas condenações superiores a 40 anos, qual a base de cálculo para os benefícios, como
a progressão?
Segundo o STF, conforme previsão de sua súmula 715: “a pena unificada para atender ao limite de trinta
anos de cumprimento, determinado pelo art. 75 do código penal, não é considerada para a concessão de
outros benefícios, como o livramento condicional ou regime mais favorável de execução”, ou seja, o cálculo
é feito sobre a pena total.
✔ Requisito objetivo:
Art. 112. A pena privativa de liberdade será executada em forma progressiva com
a transferência para regime menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, quando o
preso tiver cumprido ao menos:
I - 16% (dezesseis por cento) da pena, se o apenado for primário e o crime tiver sido
cometido sem violência à pessoa ou grave ameaça;
II - 20% (vinte por cento) da pena, se o apenado for reincidente em crime cometido
sem violência à pessoa ou grave ameaça;
III - 25% (vinte e cinco por cento) da pena, se o apenado for primário e o crime tiver
sido cometido com violência à pessoa ou grave ameaça;
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IV - 30% (trinta por cento) da pena, se o apenado for reincidente em crime cometido
com violência à pessoa ou grave ameaça;
V - 40% (quarenta por cento) da pena, se o apenado for condenado pela prática de
crime hediondo ou equiparado, se for primário;
VI - 50% (cinquenta por cento) da pena, se o apenado for:
a) condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, com resultado morte,
se for primário, vedado o livramento condicional;
b) condenado por exercer o comando, individual ou coletivo, de organização
criminosa estruturada para a prática de crime hediondo ou equiparado; ou
c) condenado pela prática do crime de constituição de milícia privada;
VII - 60% (sessenta por cento) da pena, se o apenado for reincidente na prática de
crime hediondo ou equiparado;
VIII - 70% (setenta por cento) da pena, se o apenado for reincidente em crime
hediondo ou equiparado com resultado morte, vedado o livramento condicional.
§ 1º Em todos os casos, o apenado só terá direito à progressão de regime se
ostentar boa conduta carcerária, comprovada pelo diretor do estabelecimento,
respeitadas as normas que vedam a progressão. (Requisito subjetivo).
§ 2º A decisão do juiz que determinar a progressão de regime será sempre motivada
e precedida de manifestação do Ministério Público e do defensor, procedimento
que também será adotado na concessão de livramento condicional, indulto e
comutação de penas, respeitados os prazos previstos nas normas vigentes.
✔ Crimes hediondos e equiparados:
A progressão de Regime para os crimes hediondos era tipificada no §2º do art.2º da Lei 8.072/90,
assim previa:
§ 2o A progressão de regime, no caso dos condenados aos crimes previstos neste
artigo, dar-se-á após o cumprimento de 2/5 (dois quintos) da pena, se o apenado
for primário, e de 3/5 (três quintos), se reincidente. (Redação dada pela Lei nº
11.464, de 2007).
Ocorre que com o advento da Lei 13.964/19 o “pacote anticrime”, tal dispositivo foi revogado!!
Doravante, a progressão de regime voltará a ser guiado pelo art. 112 da Lei de Execução Penal (LEP), onde o
mesmo também foi alterado pela nova lei.
Atenção juris sobre o tema!
Tendo em vista a legalidade e a taxatividade da norma penal (art. 5º, XXXIX, CF), a
alteração promovida pela Lei 13.964/2019 no art. 112 da LEP não autoriza a
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11464.htm#art1
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11464.htm#art1
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incidência do percentual de 60% (inc. VII) aos condenados reincidentes não
específicos para o fim de progressão de regime. Diante da omissão legislativa,
impõe-se a analogia in bonam partem, para aplicação, inclusive retroativa, do inciso
V do artigo 112 da LEP (lapso temporal de 40%) ao condenado por crime hediondo
ou equiparado sem resultado morte reincidente não específico. STF. Plenário. ARE
1327963/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 17/09/2021 (Repercussão Geral
– Tema 1169) (Info 1032).
✔ Crimes contra a administração pública: impõe-se, como condição para a progressão de regime, a
reparação integral do dano causado ou a devolução do produto do ilícito praticado, com os
acréscimos legais, nos termos do artigo 33, §4o, do Código Penal.
✔ Mulher gestante, mãe ou responsável por crianças ou pessoas com deficiência –
Art. 112, §3º da LEP – requisitos cumulativos:
I - não ter cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa; (Incluído pela
Lei nº 13.769, de 2018)
II - não ter cometido o crime contra seu filho ou dependente; (Incluído pela Lei nº
13.769, de 2018)
III - ter cumprido ao menos 1/8 (um oitavo) da pena no regime anterior; (Incluído
pela Lei nº 13.769, de 2018)
IV - ser primária e ter bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do
estabelecimento; (Incluído pela Lei nº 13.769, de 2018).
§ 4º O cometimento de novo crime doloso ou falta grave implicará a revogação do
benefício previsto no § 3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 13.769, de 2018)
(Fruto de alteração recente na LEP!)
✔ Requisito subjetivo:
§ 1º Em todos os casos, o apenado só terá direito à progressão de regime se
ostentar boa conduta carcerária, comprovada pelo diretor do estabelecimento,
respeitadas as normas que vedam a progressão. (Requisito subjetivo).
Atenção! Não há mais obrigatoriedade do exame criminológico. No entanto, a jurisprudência dos Tribunais
Superiores admite sua realização caso haja necessidade. Nesse sentido:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13769.htm#art3
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13769.htm#art3
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2018/Lei/L13769.htm#art3
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Súmula 439 do STJ: Admite-se o exame criminológico pelas peculiaridades do caso,
desde que em decisão motivada.
Súmula Vinculante 26: Para efeito de progressão de regime no cumprimento de
pena por crime hediondo, ou equiparado, o juízo da execução observará a
inconstitucionalidade do art. 2o da Lei n. 8.072, de 25 de julho de 1990, sem
prejuízo de avaliar se o condenado preenche, ou não, os requisitos objetivos e
subjetivos do benefício, podendo determinar, para tal fim, de modo
fundamentado, a realização de examecriminológico.
✔ Obrigatoriedade de motivação judicial – Art. 93, IX, da CRFB e Art. 112 §2º da LEP.
§ 2º A decisão do juiz que determinar a progressão de regime será sempre motivada
e precedida de manifestação do Ministério Público e do defensor, procedimento
que também será adotado na concessão de livramento condicional, indulto e
comutação de penas, respeitados os prazos previstos nas normas vigentes.
ALGUMAS SÚMULAS E JURISPRUDÊNCIA SOBRE O TEMA: STF
Súmula vinculante 56: A falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a
manutenção do condenado em regime prisional mais gravoso, devendo-se
observar, nessa hipótese, os parâmetros fixados no RE 641.320/RS. Nos termos
deste RE 641.320/RS:
A falta de estabelecimento penal adequado não autoriza a manutenção do condenado em regime
prisional mais gravoso;
Os juízes da execução penal poderão avaliar os estabelecimentos destinados aos regimes semiaberto
e aberto, para qualificação como adequados a tais regimes. São aceitáveis estabelecimentos que não se
qualifiquem como “colônia agrícola, industrial” (regime semiaberto) ou “casa de albergado ou
estabelecimento adequado” (regime aberto) (art. 33, §1º, alíneas “b” e “c”, do CP);
Havendo déficit de vagas, deverá determinar-se:
⋅ A saída antecipada de sentenciado no regime com falta de vagas;
⋅ A liberdade eletronicamente monitorada ao sentenciado que sai antecipadamente ou é posto em
prisão domiciliar por falta de vagas;
⋅ O cumprimento de penas restritivas de direito e/ou estudo ao sentenciado que progride ao regime
aberto.
STJ
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Súmula 441 - A falta grave não interrompe o prazo para obtenção de livramento
condicional.
Súmula 491/STJ: É inadmissível a chamada progressão per saltum de regime
prisional.
Súmula 493-STJ: É inadmissível a fixação de pena substitutiva (artigo 44 do CP)
como condição especial ao regime aberto.
Súmula 534-STJ: A prática de falta grave interrompe a contagem do prazo para a
progressão de regime de cumprimento de pena, o qual se reinicia a partir do
cometimento dessa infração.
Súmula 535-STJ: A prática de falta grave não interrompe o prazo para fim de
comutação de pena ou indulto.
Súmula 562-STJ: É possível a remição de parte do tempo de execução da pena
quando o condenado, em regime fechado ou semiaberto, desempenha atividade
laborativa, ainda que extramuros.
Outros temas afetos, como remição, falta grave, regressão de regime, monitoramento eletrônico,
saída temporária etc, devem ser estudados quando da leitura da LEP.
3. LIVRAMENTO CONDICIONAL
Inicialmente, vamos diferenciar:
RESTRITIVAS DE DIREITO E MULTA
“SURSIS” E LIVRAMENTO
CONDICIONAL
Espécies de pena alternativa Espécies de medida alternativa
Substituir a pena privativa de
liberdade de curta duração,
restringindo direitos do condenado.
Mantém a pena privativa de liberdade,
mas modificam a sua execução.
Livramento condicional e a mudança promovida pelo Pacote anticrime:
ANTES DEPOIS
Art. 83. O juiz poderá conceder livramento condicional
ao condenado a pena privativa de liberdade igual ou
superior a 2 (dois) anos, desde que:
I - cumprida mais de um terço da pena se o condenado
“Art. 83. .................................................................
III - comprovado:
a) bom comportamento durante a execução da pena;
b) não cometimento de falta grave nos últimos 12
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DELEGADO GOIÁS
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não for reincidente em crime doloso e tiver bons
antecedentes;
II - cumprida mais da metade se o condenado for
reincidente em crime doloso;
III - comprovado comportamento satisfatório durante a
execução da pena, bom desempenho no trabalho que
lhe
foi atribuído e aptidão para prover à própria subsistência
mediante trabalho honesto;
IV - tenha reparado, salvo efetiva impossibilidade de
fazê-lo, o dano causado pela infração;
V - cumpridos mais de dois terços da pena, nos casos de
condenação por crime hediondo, prática de tortura,
tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, tráfico de
pessoas e terrorismo, se o apenado não for reincidente
específico em crimes dessa natureza.
Parágrafo único - Para o condenado por crime doloso,
cometido com violência ou grave ameaça à pessoa, a
concessão do livramento ficará também subordinada à
constatação de condições pessoais que façam presumir
que o liberado não voltará a delinquir.
(doze) meses;
c) bom desempenho no trabalho que lhe foi
atribuído; e
d) aptidão para prover a própria subsistência
mediante trabalho honesto;
Iniciaremos o nosso estudo com uma pergunta: O que é livramento condicional?
O livramento condicional é um benefício prisional, concedido durante a execução penal, ao
condenado preso e consiste no direito de entrar em liberdade antecipada, isto é, antes do término da
execução da pena, desde que cumpridos requisitos próprios. Após o término do período de prova, sem
descumprimento das condições, gera a extinção da punibilidade pelo total cumprimento da pena.
O indivíduo que está no gozo do livramento condicional desfruta de uma liberdade antecipada,
condicional e precária.
✔ Antecipada: porque o condenado é solto antes de ter cumprido integralmente a pena.
✔ Condicional: uma vez que, durante o período restante da pena (chamado de período de prova), ele
terá que cumprir certas condições fixadas na decisão que conceder o benefício.
✔ Precária: tendo em vista que o benefício poderá ser revogado (e ele retornar à prisão) caso
descumpra as condições impostas. 5
5 (MASSON, Cleber. Direito Penal esquematizado. 8. ed., São Paulo: Saraiva, 2014, p. 808)
RETA FINAL
DELEGADO GOIÁS
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Para estudarmos o tema liberdade condicional, devemos nos ater a dois pontos:
1 Requisitos para a sua concessão.
2 Condições a serem estabelecidas.
Vamos analisar cada um desses dois temas.
1.a.1 REQUISITOS PARA A SUA CONCESSÃO:
REQUISITOS OBJETIVOS
O condenado deve ter:
1) sido sentenciado a uma pena privativa de liberdade igual ou superior a 2 anos;
2) reparado o dano causado com o crime, salvo se for impossível fazê-lo;
3) cumprido parte da pena, quantidade que irá variar conforme ele seja reincidente ou não:
• condenado não reincidente em crime doloso e com bons antecedentes: basta cumprir mais
de 1/3 (um terço) da pena. É chamado de livramento condicional SIMPLES;
• condenado reincidente em crime doloso: deve cumprir mais de 1/2 (metade) da pena para
ter direito ao benefício. É o livramento condicional QUALIFICADO;
• condenado por crime hediondo ou equiparado, se não for reincidente específico em crimes
dessa natureza: deve cumprir mais de 2/3 (dois terços) da pena. É o livramento condicional
ESPECÍFICO;
REQUISITOS SUBJETIVOS
O condenado deve ter:
1) bom comportamento carcerário, a ser comprovado pelo diretor da unidade prisional;
2) bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído;
3) Não ter cometido falta grave nos últimos 12 meses. (nova exigência).
4) aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho honesto;
5) para o condenado por crime doloso, cometido com violência ou grave ameaça à pessoa, a
concessão do livramento ficará também subordinada à constatação de condições pessoais
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que façam presumir que o liberado não voltará a delinquir.
Questão de prova: Vunesp/Delegado RR 2022 (não aplicada). Não se concederá livramento condicional da
pena ao condenado reincidente específico em crime hediondo. (Gab DD: correto)
Nesse sentido, observa-se que o cometimento de falta grave nos últimos 12 meses impede a
concessão do livramento condicional. É muito importante relembrarmos o teor da súmula 441 – STJ.
Súmula 441 – STJ: A falta grave não interrompeo prazo para obtenção do
livramento condicional (Súmula 441-STJ).
Assim, a súmula há de ser lida e acordo com o novo dispositivo constitucional, apesar de não
interromper o prazo (requisito objetivo) para a concessão do livramento, quando cometida nos últimos 12
meses, impede a concessão do benefício.
ATENÇÃO! Recentemente houve a I Jornada de Direito Penal e Processo Penal CJF/STJ. Veja os enunciados
elaborados sobre o livramento condicional:
💣 É importantíssimo tê-los decorados, pois certamente serão
objeto de prova objetiva em breve!
● Enunciado 2 - O requisito previsto no art. 83, III, b, do Código Penal, consistente em o agente não ter
cometido falta grave nos últimos 12 (doze) meses, poderá ser valorado, com base no caso concreto,
para fins de concessão de livramento condicional quanto a fatos ocorridos antes da entrada em vigor
da Lei 13.964/2019, sendo interpretado como comportamento insatisfatório durante a execução da
pena.
● Enunciado 24 - A ausência de falta grave nos últimos 12 (doze) meses como requisito à obtenção do
livramento condicional (art. 83, III, "b", do CP) aplica-se apenas às infrações penais praticadas a partir
de 23/01/2020, quando entrou em vigor a Lei n. 13.964/2019.
● Enunciado 32 - É PRESCINDÍVEL a decisão final sobre a prática de falta grave para obstar o livramento
condicional com base no art. 83, III, "b", do CP.
Vamos responder mais algumas perguntas:
◘ Quem concede o benefício?
O juiz da execução, considerando que estamos no curso da execução da pena. É importante observar
que o juiz antes de decidir deverá:
✔ Requerer parecer do diretor do estabelecimento prisional a respeito do comportamento do preso.
✔ Oitiva prévia do Ministério Público e da defesa.
https://buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/02c27682b80b462437ba4efc71267562?categoria=11&subcategoria=102&ano=2020
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◘ Quem possuiu legitimidade para requerer o benefício?
✔ O sentenciado;
✔ Cônjuge ou de parente em linha reta do sentenciado;
✔ Diretor do estabelecimento penal; ou
✔ Por iniciativa do Conselho Penitenciário.
◘ Quando o requerimento não for formulado pelo Conselho Penitenciário, será necessária a prévia oitiva
deste órgão?
Não se exige a prévia oitiva do Conselho Penitenciário para fins de concessão do
livramento condicional, segundo a nova redação do art. 112 da LEP dada pela Lei
nº 10.792/2003. STJ. 5ª Turma. HC 350.902/SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado
em 21/06/2016.
Terminada a análise dos requisitos passamos a analisar, as condições a serem estabelecidas,
considerando que existem condições obrigatórias e condições de ordem facultativa.
O livramento condicional consiste na última etapa da execução da pena, visando à
ressocialização do apenado, quando ele é colocado em liberdade mediante o
cumprimento de determinadas condições previstas nos Arts. 83, do Código Penal e
132, § 1º, da Lei de Execução Penal, algumas obrigatórias, outras facultativas. STJ.
5ª Turma. HC 235.480/SP, Rel. Min. Gilson Dipp, julgado em 26/06/2012.
1.a.2 CONDIÇÕES DO LIVRAMENTO CONDICIONAL.
CONDIÇÕES OBRIGATÓRIAS. CONDIÇÕES FACULTATIVAS
São condições obrigatórias:
2.o.a Obter ocupação lícita, dentro de prazo
razoável se for apto para o trabalho;
2.o.b Comunicar periodicamente ao Juiz sua
ocupação;
2.o.c Não mudar do território da comarca do
Juízo da execução, sem prévia autorização.
São condições facultativas:
a Não mudar de residência sem comunicação ao
Juiz e à autoridade incumbida da observação
cautelar e de proteção;
b Recolher-se à habitação em hora fixada;
c Não frequentar determinados lugares.
Trata-se de rol taxativo. Trata-se de rol exemplificativo.
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Observe que o prazo do livramento condicional é justamente aquele restante para o cumprimento
da pena. Assim, não há um prazo específico e definido.
Passaremos agora a analisar as causas de revogação, as quais também se dividem em causas de
revogação obrigatórias e causas de revogação facultativas. Além de analisarmos as causas de revogação,
também devemos analisar os efeitos do período cumprido, quando o benefício é revogado antes de sua
extinção. Vamos lá?
CAUSAS DE REVOGAÇÃO OBRIGATÓRIAS CAUSAS DE REVOGAÇÃO
FACULTATIVAS
Agente for condenado definitivamente à pena
privativa de liberdade por crime cometido durante
a vigência do benefício.
Se o liberado deixar de cumprir qualquer das
obrigações constantes da sentença;
Efeitos. Efeitos.
✔ Não se computa o período de livramento já
gozado como pena cumprida. O condenado
irá “perder” o período que ficou sob
livramento condicional.
✔ Não poderá ser concedido novo livramento
condicional no processo em que se apura o
crime em que o benefício foi revogado. Em
relação a outro delito, seria possível a
concessão do benefício.
✔ Não se computa o período de livramento já
gozado como pena cumprida. O condenado
irá “perder” o período que ficou sob
livramento condicional.
✔ Não poderá ser concedido novo livramento
condicional no processo em que se apura o
crime em que o benefício foi revogado. Em
relação a outro delito, seria possível a
concessão do benefício.
Se o agente for condenado definitivamente à pena
privativa de liberdade por crime anterior à vigência
do benefício.
Se o liberado for condenado definitivamente por
crime ou contravenção e não receber pena privativa
de liberdade. Ex: recebeu pena restritiva de direitos.
Efeitos. Efeitos.
✔ Computa-se o período de livramento
gozado como pena cumprida.
✔ Poderá ser concedido novamente o
benefício.
Aplica-se as regras da revogação obrigatória a
depender de o crime ou a contravenção penal ser
praticado antes ou durante o gozo do benefício.
Vamos à análise dos dispositivos legais:
(LEP) Art. 141. Se a revogação for motivada por infração penal anterior à vigência
do livramento, computar-se-á como tempo de cumprimento da pena o período de
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DELEGADO GOIÁS
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prova, sendo permitida, para a concessão de novo livramento, a soma do tempo
das 2 (duas) penas.
(LEP) Art. 142. No caso de revogação por outro motivo, não se computará na pena
o tempo em que esteve solto o liberado, e tampouco se concederá, em relação à
mesma pena, novo livramento.
(CP) Art. 88. Revogado o livramento, não poderá ser novamente concedido, e, salvo
quando a revogação resulta de condenação por outro crime.
Ponto Muito Importante: Observe que o fator para determinar a perda é a condenação, pergunta-
se: Se o juiz for informado do cometimento de uma infração penal praticada durante a vigência do livramento
condicional, contudo ainda sem condenação, qual a medida que o magistrado deverá adotar?
A resposta está no artigo 145, Lei de Execuções Penais:
Art. 145. Praticada pelo liberado outra infração penal, o Juiz poderá ordenar a sua
prisão, ouvidos o Conselho Penitenciário e o Ministério Público, suspendendo o
curso do livramento condicional, cuja revogação, entretanto, ficará dependendo da
decisão final.
A medida a ser adotada é a suspensão do livramento condicional, pois caso a medida não seja
suspensa o exaurimento do prazo de livramento condicional sem sua suspensão ou revogação gera a extinção
da punibilidade pelo integral cumprimento da pena.
Nesse sentido, é a súmula 617 – STJ, vejamos:
Súmula 617-STJ: A ausência de suspensão ou revogação
do livramento condicional antes do término do período de prova enseja a extinção
da punibilidade pelo integral cumprimento da pena. STJ. 3ª Seção. Aprovada em
26/09/2018, DJe 01/10/2018.
Diante de todas análises feitas até agora, retiramos as seguintes conclusões do site dizer o direito a
respeito do entendimento e da súmula editada pelo STJ:
CONCLUSÕES:✔ Se o réu cometeu crime durante a vigência do livramento condicional, não haverá a suspensão,
prorrogação ou revogação automática do benefício;
✔ Em caso de prática de crime durante o período de prova, o juiz deverá determinar:
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✔ A suspensão do livramento condicional (caso o processo criminal pelo segundo delito ainda não
tenha se encerrado) ou a sua revogação (caso já tenha sentença condenatória transitada em julgado);
✔ Se o juiz não suspender nem revogar expressamente o livramento condicional durante o período de
prova, não poderá mais fazê-lo depois que esgotado esse prazo;
✔ Se o período de prova transcorrer sem decisão formal do juiz suspendendo ou revogando
o livramento, considera-se que houve o cumprimento integral da pena, não havendo outra solução
a não ser reconhecer a extinção da punibilidade;
✔ Logo, a ausência de suspensão ou revogação do livramento condicional antes do término do período
de prova enseja a extinção da punibilidade pelo integral cumprimento da pena;
✔ Decorrido o período de prova do livramento condicional sem que seja proferido uma decisão formal
e expressa de suspensão ou revogação do benefício, a pena deve ser extinta, nos termos do art. 90
do CP.
Vedação à concessão do livramento condicional ex lege:
Art. 112. [...]
VI - 50% (cinquenta por cento) da pena, se o apenado for:
a) condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, com resultado morte,
se for primário, vedado o livramento condicional;
[...]
VIII - 70% (setenta por cento) da pena, se o apenado for reincidente em crime
hediondo ou equiparado com resultado morte, vedado o livramento condicional.
Contrariando a Posição do Supremo Tribunal Federal, que possui entendimento de que a vedação ex
lege ao livramento condicional viola a individualização da penal, tendo em vista que tal análise deve ser feita
casuisticamente pelo juiz e não pelo legislador, o pacote anticrime vedou expressamente o livramento
condicional em alguns casos. Vamos aguardar a manifestação da Suprema Corte quanto ao tema.
4. PENAS RESTRITIVAS DE DIREITO
A finalidade é possibilitar a quem foi condenado a uma pena privativa de liberdade branda, que não
venha efetivamente a cumpri-la, por entender o legislador que, nestes casos, a pena restritiva é mais eficaz
e menos gravosa.
Trata-se de um direito público subjetivo do réu, isto é, se ele cumprir as exigências legais, o
magistrado é obrigado a promover a substituição da pena privativa.
Possuem como características:
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DELEGADO GOIÁS
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o.c.1 Autonomia (não podem ser cumuladas com PPL)
Cuidado! Há exceções a essa característica: Existem restritivas de direitos que podem ser cumuladas com
penas privativas de liberdade:
1ª Exceção – Art. 78, do CDC
Além das penas privativas de liberdade e de multa, podem ser impostas, cumulativa ou alternadamente,
observado o disposto nos arts. 44 a 47, do Código Penal:
I - a interdição temporária de direitos;
II - a publicação em órgãos de comunicação de grande circulação ou audiência, às expensas do condenado,
de notícia sobre os fatos e a condenação;
III - a prestação de serviços à comunidade.
2ª Exceção – CTB – Art. 292, CTB
- A suspensão ou a proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor pode
ser imposta como penalidade principal, isolada ou cumulativamente com outras penalidades.
Obs.: Lembre-se que a Lei nº 14.071/2020 inseriu o art. 312-B do CTB com o objetivo de proibir a aplicação
de penas restritivas de direitos para os crimes do art. 302, § 3º e do art. 303, § 2º do CTB.
o.c.2 Substitutividade (primeiro é fixada a PPL, que depois é substituída por PRD).
Cuidado! Essa característica também comporta exceções, em casos em que a pena restritiva de direitos não
é substitutiva, mas sim principal.
Exceção – Exemplo: Art. 28, da Lei 11.343/06
Traz uma restritiva de direitos não substitutiva, mas principal. Por isso, o art. 30, da Lei de Drogas prevê um
prazo prescricional somente para esse artigo 28, tendo em vista que este dispositivo não prevê pena privativa
de liberdade alguma.
Art. 28, Lei 11.343/06 - Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para
consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar será
submetido às seguintes penas:
I - advertência sobre os efeitos das drogas;
II - prestação de serviços à comunidade;
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art44
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art47
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DELEGADO GOIÁS
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Art. 30, da Lei 11.343/06 - Prescrevem em 02 (dois) anos a imposição e a execução das penas, observado, no
tocante à interrupção do prazo, o disposto nos arts. 107 e seguintes do Código Penal.
São espécies de penas restritivas de direito (art. 43 do CP):
● Prestação pecuniária (art. 45, §§1º e 2º do CP)
● Perda de bens e valores (art. 45, §3º do CP);
● Prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas (art. 46 do CP);
● Interdição temporária de direitos (art. 47 c/c 55, 56 e 57 do CP);
o A hipótese de suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo foi revogada
tacitamente pelo CTB.
● Limitação de fim de semana (art. 48 do CP);
o Neste caso, em se tratando de violência doméstica e familiar contra a mulher, poderá o juiz
determinar o comparecimento obrigatório do agressor a programa de recuperação e educação,
conforme art. 152, p.ú., da LEP.
4.1 3.1. Substituição da PPL Por PRD
Os requisitos estão do art. 44 do CP: (são requisitos cumulativos):
● Crimes dolosos: Pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e se o crime não tiver sido
cometido com violência ou grave ameaça à PESSOA (se for à COISA pode).
● Crimes culposos: qualquer que seja a pena;
CRIME DOLOSO CRIME CULPOSO
Requisitos:
1 Pena imposta não superior a 04 anos;
2 Crime cometido sem violência ou grave
ameaça à pessoa;
Cuidado com a legislação especial que pode
estabelecer requisitos distintos do CP. Ex: Lei
9.605/98 – LCA: (inferior a 04 anos)
- Qualquer que seja a pena aplicada e tipo de
crime;
Requisitos comuns:
● Se o réu não for reincidente em crime doloso (Exceção – o juiz poderá aplicar a substituição, desde
que, em face de condenação anterior, a medida seja socialmente recomendável e a reincidência não
se tenha operado em virtude da prática do mesmo crime.)
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DELEGADO GOIÁS
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Observe o art. 44, §3º, do CP, que excepciona essa proibição.
Art. 44, §3o, do CP - Se o condenado for reincidente, o juiz poderá aplicar a
substituição, desde que, em face de condenação anterior, a medida seja
socialmente recomendável (considerando os fins da pena) e a reincidência não se
tenha operado em virtude da prática do mesmo crime.
→ O que se entende por reincidente específico para os fins do § 3º do art. 44?
É o indivíduo que cometeu um novo crime doloso idêntico.
• se o condenado tiver praticado um novo crime doloso idêntico: não terá direito à substituição. Ex:
João foi condenado por furto simples. Depois, foi novamente condenado por furto simples. Não terá direito
à substituição
porque a reincidência se operou em virtude da prática do mesmo crime.
• se o condenado tiver praticado um novo crime doloso da mesma espécie (mas que não seja
idêntico): pode ter direito à substituição. Ex: Pedro foi condenado por furto simples (art. 155, caput). Depois,
foi novamente condenado, mas agora por furto qualificado (art. 155, § 4º). Em tese, o juiz poderia conceder
a substituição porque o furto simples e o furto qualificado são crimes da “mesmaespécie”, mas não são o
“mesmo crime”.
STJ. 3ª Seção. AREsp 1716664-SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 25/08/2021 (Info 706).
● Se a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os
motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente.
Caiu na prova Vunesp!! - É(São) requisito(s) para a substituição da pena privativa de liberdade por restritivas
de direitos: a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social, a reparação do dano, salvo impossibilidade
de fazê-lo, bem como os motivos e circunstâncias indicarem que a substituição seja suficiente. (item
incorreto) A condição apontada: “reparação do dano, salvo impossibilidade de fazê-lo” não é requisito para
a substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, tendo em vista que não existe tal
previsão em nenhum dos incisos do art. 44 do CP. trata-se de requisito para obtenção do livramento
condicional.
Obs.: Critérios para a substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos:
1 Condenação igual ou inferior a um ano = a substituição pode ser feita por multa ou por uma pena
restritiva de direitos;
o Ou seja, aqui pode ser aplicada a pena de multa de forma isolada – observando-se todos os requisitos
do 44.
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DELEGADO GOIÁS
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o Mas atenção: O art. 60, em seu §2º, prevê ainda que a PPL aplicada, não superior a 6 (seis) meses,
pode ser substituída pela de multa, observados os critérios dos incisos II e III do art. 44 deste Código
(ou seja, se a pena for de até 6 meses, pode ser substituída por multa mesmo que seja crime
praticado com violência ou grave ameaça à pessoa).
2 Condenação superior a um ano = a pena privativa de liberdade pode ser substituída por uma pena
restritiva de direitos e multa ou por duas restritivas de direitos.
3 (RE)Conversão da PRD em PPL novamente: se ocorrer o descumprimento injustificado da restrição
imposta.
o Neste caso, no cálculo da pena privativa de liberdade a executar será deduzido o tempo cumprido
da pena restritiva de direitos, respeitado o saldo mínimo de trinta dias de detenção ou reclusão.
4 Sobrevindo condenação a pena privativa de liberdade, por outro crime, o juiz da execução penal
decidirá sobre a conversão, podendo deixar de aplicá-la se for possível ao condenado cumprir a pena
substitutiva anterior.
Penas restritivas de direitos x ameaça, lesão leve e constrangimento ilegal
Apesar de serem crimes caracterizados por violência contra a pessoa ou por grave ameaça, por serem
consideradas infrações de menor potencial ofensivo – razão pela qual seria cabível a transação penal, faz-se
uma aplicação do diálogo das fontes entre a Lei de Juizados e o Código Penal, possibilitando a aplicação da
pena restritiva de direitos a esses delitos.
PORÉM, não será possível sejam cometidos com violência ou grave ameaça contra a mulher, no
ambiente doméstico e familiar, tendo em vista que a Lei Maria da Penha veda a utilização da Lei 9.099/95,
restando apenas a leitura do CP. Assim sendo, não caberia a substituição da pena privativa de liberdade por
restritiva de direitos nesses casos.
Este é inclusive um entendimento sumulado, conforme se infere da súmula 588 do STJ.
Súmula 588 do STJ: A prática de crime ou contravenção penal contra a mulher com
violência ou grave ameaça no ambiente doméstico impossibilita a substituição de
pena privativa de liberdade por restritiva de direitos
Penas restritivas de direitos x roubo
No caso do roubo com violência própria, obviamente não cabe a substituição. No entanto, a doutrina
discute se em se tratando de violência imprópria seria possível, sendo que o entendimento levemente
majoritário é de que sim, pois se exigiria violência real, mas há muita controvérsia.
Penas restritivas de direitos x crimes militares
O Código Penal Militar não prevê penas restritivas de direito, o que abre o questionamento se os
dispositivos do CP sobre o tema poderiam ser aplicados. Todavia, o STF entendeu que não é possível, por ter
sido uma omissão voluntária do legislador.
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DELEGADO GOIÁS
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5. SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA – SURSIS
Art. 156, LEP. O Juiz poderá suspender, pelo período de 2 (dois) a 4 (quatro) anos,
a execução da pena privativa de liberdade, não superior a 2 (dois) anos, na forma
prevista nos artigos 77 a 82 do Código Penal. (sursis simples)
Instituto de política criminal. Medida descarcerizadora, cuja finalidade é evitar o aprisionamento dos
condenados a penas privativas de liberdade de curta duração, na qual a pena é suspensa por um “período
de prova”. É direito público subjetivo do acusado. Se preenchidos os requisitos deve ser deferido.
Art. 157. O Juiz ou Tribunal, na sentença que aplicar pena privativa de liberdade, na
situação determinada no artigo anterior, deverá pronunciar-se, motivadamente,
sobre a suspensão condicional, quer a conceda, quer a denegue.
Contra o indeferimento dos sursis, cabe agravo em execução.
Inclusive, cabe e é permitido ao juiz da execução fazer modificações nas condições durante o
cumprimento (art. 158, §2º da LEP).
5.1 Requisitos para a concessão do sursis (art. 77, CP)
a.1 Objetivos: condenação à pena privativa de liberdade não superior a 2 (dois) anos em que não seja
indicada ou cabível a substituição por pena restritiva de direitos;
Em concurso de crimes considera-se a soma das penas.
#PULODOGATO: É subsidiário! Se aplica principalmente aos crimes violentos, em que a substituição pelo
44 não é possível. Vejam que aqui não há essa restrição!
a.2 Subjetivos: o apenado não seja reincidente em crime doloso, ressalvada a condenação anterior a pena
de multa;
a.3 Circunstâncias Judiciais favoráveis: a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e personalidade
do agente, os motivos e as circunstâncias do crime.
5.2 Espécies de sursis
a.3.A SIMPLES: requisitos acima.
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DELEGADO GOIÁS
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Período de prova: 2 a 4 anos, caso condenado por crime, ou de 1 a 3 anos, caso condenado por
contravenção.
Aplica-se quando o condenado não reparou o dano injustificadamente ou quando as circunstâncias
do art. 59 não são inteiramente favoráveis.
Primeiro ano – prestar serviços à comunidade ou limitação de fim de semana.
a.3.B ESPECIAL – Caso tenha reparado o dano e as circunstâncias do art. 59 sejam inteiramente
favoráveis.
É dispensada a exigência acima (primeiro ano...), tendo ele reparado o dano, que será substituída
pelas seguintes condições cumulativas:
Proibição de frequentar determinados lugares
Proibição de ausentar-se da comarca onde reside, sem autorização judicial
Comparecimento pessoal e obrigatório ao juízo, mensalmente, para informar e justificar suas
atividades.
Os demais requisitos são iguais.
Vamos esquematizar?
Sursis Simples Sursis Especial
PREVISÃO
LEGAL
Art. 77 c/c art. 78, §1º, do CP Art. 77 c/c art. 78, §2º, do CP
PRESSUPOSTOS
Pena imposta não superior a 2 anos
(considera-se o concurso de crimes para avaliar esse pressuposto).
PERÍODO DE
PROVA
(PRAZO DE
SUSPENSÃO)
Varia de 2 a 4 anos. (O mínimo do
prazo de suspensão deve ser igual ao
máximo da pena).
No primeiro ano, ocorre prestação de
serviços à comunidade ou limitação
de fim de semana (art. 78, §1º, do CP)
Varia de 2 a 4 anos.
No primeiro ano, ocorre a proibição de
frequentar determinados lugares, proibição de
ausentar da comarca sem autorização ou
comparecimento em juízo, pois o agente
reparou o dano ou comprovou a impossibilidade
de fazê-lo (art. 78, §2º, do CP).
Esse sursis é especial, pois tem condições menos
rigorosas.
REQUISITOS
● Condenado não reincidente em crime doloso.
● Circunstâncias judiciais favoráveis, considerando-se os fins da pena (princípioOS ARTIGOS RELACIONADOS AO TEMA
CF/88
⦁ Art. 5º, XLII, XLIII e XLIV
⦁ Art. 21, XVII
⦁ Art. 48, VIII
⦁ Art. 53, §§3º a 5º
⦁ Art. 84, XII
CÓDIGO PENAL:
⦁ Art. 2º (abolitio criminis)
⦁ Art. 100 a 120
⦁ Art. 121, §5º (perdão judicial no homicídio)
⦁ Art. 129, §8º (perdão judicial na lesão corporal)
⦁ Art. 312, §3º
CÓDIGO DE PROCESSO PENAL
⦁ Art. 25 (retratação no processo penal)
⦁ Art. 28, 30, 36, 41
⦁ Art. 49 e 60
⦁ Art. 92 a 94
⦁ Art. 366 e 386
OUTROS DIPLOMAS LEGAIS
⦁ Art. 16 da Lei Nº 11.340 (retratação na Lei Maria da Penha)
ARTIGOS MAIS IMPORTANTES – NÃO DEIXE DE LER!
⦁ Art. 107, CP (importantíssimo)
⦁ Art. 109 a 112, CP
⦁ Art. 116 e 117, CP
SÚMULAS RELACIONADAS AO TEMA
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DELEGADO GOIÁS
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Súmula 497-STF: Quando se tratar de crime continuado, a prescrição regula-se pela pena
imposta na sentença, não se computando o acréscimo decorrente da continuação.
Súmula 146-STF: A prescrição da ação penal regula-se pela pena concretizada na sentença,
quando não há recurso da acusação.
Súmula 220-STJ: A reincidência não influi no prazo da prescrição da pretensão punitiva.
Súmula 191-STJ: A pronúncia é causa interruptiva da prescrição, ainda que o Tribunal do Júri
venha a desclassificar o crime.
Súmula 592-STF: Nos crimes falimentares, aplicam-se as causas interruptivas da prescrição,
previstas no Código Penal.
Súmula 438-STJ: É inadmissível a extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão
punitiva com fundamento em pena hipotética, independentemente da existência ou sorte do
processo penal.
Súmula 18-STJ: A sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção da
punibilidade, não subsistindo qualquer efeito condenatório.
1. AÇÃO PENAL
Embora seja um tema mais afeto ao processo penal, tendo em vista que várias questões relacionadas
à ação penal implicam na extinção de punibilidade, o assunto também foi tratado pelo Código Penal, de modo
que abordaremos aqui de modo breve e objetivo apenas algumas ideias iniciais.
Ação penal x pretensão punitiva:
● Ação penal: É o direito público e subjetivo de exigir do Estado-juiz o exercício da prestação
jurisdicional, aplicando, no caso concreto, o direito penal objetivo ao indivíduo que praticou infração
penal. Há juristas que dizem que a ação seria o instrumento, o mecanismo, e não o direito em si. É
instrumentalmente conexa a uma pretensão punitiva, pois, ao propor a ação penal, o Ministério
Público pede a condenação do réu, o que só será possível quando procedente a pretensão punitiva.
● Pretensão punitiva: Possui o jus puniendi (direito de punir) como seu elemento intersubjetivo,
situado dentro da relação jurídico-penal que se forma após a prática do crime. Sabe-se que o Estado
é titular do direito de punir. Descumprida a norma incriminadora, o direito de punir do Estado passa
ao plano concreto.
1.1. Espécies
O critério utilizado é a titularidade da ação penal.
A ação penal pode ser:
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● Pública, cujo titular é o Ministério Público, subdividindo-se em:
o Incondicionada – sem necessidade de manifestação da vontade de terceiros.
o Condicionada à representação: Depende da manifestação de vontade do legítimo
interessado para que a persecução penal possa se iniciar.
▪ Pode ser representação da vítima ou requisição do Ministro da Justiça.
▪ No entanto, ainda que haja tal manifestação, o MP não é obrigado a oferecer
denúncia, apenas não pode oferecer sem ela.
● Privada: A titularidade da persecução criminal pertence ao particular ofendido.
Pode ser:
o Exclusivamente privada;
o Personalíssima;
o Subsidiária da pública.
Regra: Ação penal pública incondicionada.
* ATENÇÃO: Os crimes de lesões corporais leves e culposas no contexto da Lei Maria da Penha são de ação
penal pública incondicionada.
Súmula 542, STJ: A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de
violência doméstica contra a mulher é pública incondicionada.
1.2 Condições da Ação Penal
São requisitos mínimos indispensáveis ao julgamento da causa.
a) Condições genéricas da ação:
● Possibilidade jurídica do pedido: O fato deve encontrar amparo no direito;
● Interesse de agir:
o Necessidade;
o Adequação;
o Utilidade da ação penal.
* ATENÇÃO: O TAC entre MP e autor de crime contra o meio ambiente de menor potencial ofensivo é causa
suspensiva de punibilidade suspendendo o período de prescrição.
● Legitimidade: a legitimidade ativa é, via de regra, do MP. Sendo ação privada, a legitimidade é da
vítima. Já a passiva, via de regra, é a pessoa física autora do delito, podendo ser pessoa jurídica em
crimes ambientais.
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● Justa causa: É o fumus comissi delicti para o exercício da função penal. É o lastro probatório mínimo.
b) Condições específicas (de procedibilidade):
● Representação do ofendido;
● Requisição do Ministro da Justiça;
● Sentença anulatória de casamento, no crime do art. 236, do CP;
● Ingresso no país do autor do crime praticado no estrangeiro;
● Declaração de procedência da acusação pela Câmara dos Deputados, no julgamento do Presidente
da República;
● Sentença que decreta a falência, nas ações falimentares.
1.2.1. Representação do ofendido
É condição de procedibilidade para o exercício da ação penal pública condicionada à representação,
por meio da qual o ofendido informa a prática do crime e postula que seja instaurada a persecução penal.
a) Prazo: Em regra, deve ser oferecida no prazo decadencial de 6 (seis) meses, contados do conhecimento
da autoria (art. 38 do CPP).
Art. 38, CPP. Salvo disposição em contrário, o ofendido, ou seu representante
legal, decairá no direito de queixa (ação penal privada) ou de representação (ação
penal pública condicionada a representação do ofendido), se não o exercer dentro
do prazo de seis meses, contado do dia em que vier a saber quem é o autor do
crime, ou, no caso do art. 29 (ação penal privada subsidiária), do dia em que se
esgotar o prazo para o oferecimento da denúncia.
Parágrafo único. Verificar-se-á a decadência do direito de queixa ou
representação, dentro do mesmo prazo, nos casos dos arts. 24, parágrafo único, e
31 (morte do ofendido).
ATENÇÃO: Pessoas jurídicas, se vítimas de infrações penais, podem oferecer representação por quem os
respectivos contratos ou estatutos designarem ou, no silêncio destes, pelos seus diretores ou sócios-
gerentes.
Em que pese estejamos tratando do oferecimento da representação, cumpre destacar que o prazo
decadencial para o exercício do direito de queixa, nos crimes que se processam mediante ação penal privada,
também é de 06 meses.
Na ação penal privada subsidiária da pública, esse prazo é contado do dia em que se esgotar o prazo
para o oferecimento da denúncia por parte do Ministério Público (art. 38, parte final, do CPP).
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689compilado.htm#art29
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689compilado.htm#art24
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689compilado.htm#art31
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b) Capacidade Processual: A representação pode ser feita pessoalmente ou por procurador maior de 18
anos, desde que possua poderes especiais.
Súmula 594-STF: Os direitos de queixa e de representação podem ser exercidos, independentemente, pelo
ofendido ou por seu representante legal.
c) Destinatários: Autoridade policial, juiz ou membro do Ministério Público.
Apresentada a representação ao MP, há uma vinculação, não podendo alargá-la para, por exemplo,
incluir crime não mencionado. No entanto, pode enquadrar a conduta em dispositivo legal diverso do
apontado pela vítima.
A representação oferecida contra um dos autoresda
suficiência);
● Não indicadas ou cabíveis restritivas de direitos (o sursis é, então, subsidiário).
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Ex.1: Roubo simples tentado, com violência à pessoa – pena aplicada em 2 anos.
Ex.2: Lesão corporal grave ou gravíssima.
Caiu na prova Cespe 2022!! Ao indivíduo não reincidente, condenado por tentativa de roubo a uma pena de
um ano e quatro meses, será cabível a suspensão condicional da pena.(item correto). Nesse caso será
aplicado o SURSIS PENAL no art. 77 caput e inciso III do CPP, pois, é incabível a aplicação da pena restritiva
de direito previsto que se trata de um crime cometido com violência ou grave ameaça, Art. 44, I do CPP.
a.3.C ETÁRIO: idade de mais de 70 anos (lembre-se de que não é idoso, é 70 anos).
⦁ Nesse caso, exige-se que a pena não seja superior a 4 anos, ficando o período de prova entre
4 a 6 anos. Os demais requisitos são iguais (simples ou especial).
a.3.D HUMANITÁRIO (enfermidade/doença grave).
- Como a hipótese acima, exige pena não seja superior a 4 anos, ficando o período de prova entre 4 a
6 anos. Os demais requisitos são iguais (simples ou especial).
Vamos esquematizar?
SURSIS ETÁRIO
PREVISÃO LEGAL Art. 77, §2º, 1ª parte, do CP.
PRESSUPOSTOS
Pena Imposta não superior a 4 anos.
Condenado maior de 70 anos (a idade não foi alterada pelo estatuto do idoso, de
modo que nem todo idoso tem direito ao sursis etário).
PERÍODO DE PROVA
(PRAZO DE SUSPENSÃO)
Varia de 4 a 6 anos. (O mínimo do prazo de suspensão deve ser igual ao máximo
da pena).
No primeiro ano, o agente fica sujeito ao art. 71, §1º, do CP ou, se tiver reparado
o dano, ficará sujeito às condições do art. 78, §2º, do CP.
REQUISITOS
● Condenado não reincidente em crime doloso.
● Circunstâncias judiciais favoráveis, considerando-se os fins da pena (princípio da
suficiência);
● Não indicadas ou cabíveis restritivas de direitos (o sursis é, então, subsidiário).
◘ SURSIS NAS LEI DE CRIMES AMBIENTAIS
A Lei de Crimes Ambientais cria uma outra hipótese de suspensão condicional da pena. Neste caso, é
possível o sursis quando a condenação não for superior a 3 anos.
◘ SURSIS E CRIMES HEDIONDOS
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A lei de crimes hediondos não impede a concessão de sursis. Este também é o entendimento dos
Tribunais Superiores.
◘ SURSIS E TRÁFICO DE DROGAS.
A lei de drogas veda expressamente a concessão de sursis em relação ao crime de tráfico de
entorpecentes (art. 44, da Lei 11.343/2006). E quanto a essa previsão, há divergência nos Tribunais
superiores se seria ou não constitucional.
Embora o STF tenha decisões permitindo, o entendimento majoritário, inclusive proferido em plenário
é de que a vedação prevista na LD é CONSTITUCIONAL.
5.3. Sursis Ineficaz ou Sem Efeito ou Cassação do Sursis
(LEP). Art. 161. Se, intimado pessoalmente ou por edital com prazo de 20 (vinte)
dias, o réu não comparecer injustificadamente à audiência admonitória, a
suspensão ficará sem efeito e será executada imediatamente a pena.
ATENÇÃO! Aqui não é caso de revogação dos sursis, já que o período de prova sequer começou.
Segundo Sanches, esta é uma das modalidades de cassação do sursis (que diferentemente da
revogação, ocorrem antes do início do período de prova).
As outras duas seriam:
- Provimento de recurso da acusação contra a concessão do benefício;
- Se o condenado recusar as condições.
5.4 Revogação do Sursis (Art. 81 do CP)
Caso descumpridas as condições, o sursis pode ou deve ser revogado.
(LEP). Art. 162. A revogação da suspensão condicional da pena e a prorrogação do
período de prova dar-se-ão na forma do artigo 81 e respectivos parágrafos do
Código Penal.
Ou seja: a decisão que concede o sursis não faz coisa julgada.
A REVOGAÇÃO SERÁ OBRIGATÓRIA QUANDO:
● For o beneficiário condenado, em sentença irrecorrível, por crime doloso;
Obs.: pouco importa se o crime foi praticado antes ou depois do período de prova.
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Obs.: Trata-se de causa de revogação automática (doutrina majoritária), de modo que, nesse caso, dispensa-
se a oitiva do condenado (o condenado já exerceu sua defesa no processo judicial pelo qual foi condenado.
● Não efetuar, sem motivo justificado, a reparação do dano;
● Ou descumprir, no primeiro ano do período de prova, as condições de prestação de serviços à
comunidade ou limitação de fim de semana (esta modalidade de revogação exige a prévia oitiva do
beneficiário);
● Condenado, em sentença irrecorrível, por crime doloso;
● Frustra, embora solvente, a execução de pena de multa
A REVOGAÇÃO SERÁ FACULTATIVA QUANDO:
● O condenado descumprir qualquer outra condição imposta;
● For irrecorrivelmente condenado, por crime culposo ou por contravenção, a pena privativa de
liberdade ou restritiva de direitos.
ATENÇÃO: Se for condenado exclusivamente à pena de multa, não há que se falar em revogação facultativa
do sursis.
No caso de revogação facultativa, o juiz também poderá optar:
● Pela revogação;
● Por nova advertência;
● Por prorrogar o período de prova até o máximo; ou
● Por exacerbar as condições impostas: neste caso, fixa outras condições.
5.5 Prorrogação do Período de Prova
Se o beneficiário está sendo processado por outro crime ou contravenção, considera-se prorrogado o
prazo da suspensão até o julgamento definitivo (81, §2º).
Atenção! Cuidado com as seguintes pegadinhas:
⋅ A mera instauração de inquérito não prorroga o período de prova;
⋅ Não importa aqui se o novo processo é por crime doloso ou culposo;
⋅ A prorrogação perdura até o julgamento definitivo do processo;
⋅ Durante o prazo de prorrogação, não subsistem as condições impostas;
5.6 Extinção Do Sursis
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A extinção é o término do sursis pelo término do prazo. Neste caso, a pena privativa de liberdade
estará extinta.
6. PENA DE MULTA
É uma espécie de sanção penal, de natureza patrimonial, que consiste na obrigação de determinado
valor em dinheiro ao fundo penitenciário.
O Código Penal, adota o sistema de dias-multa, ou seja, o tipo penal não indica o valor da pena de
multa, mas apenas a elenca como pena. Assim, para que seja valorada devem ser observados dois critérios:
1 Características e circunstâncias do crime
2 Capacidade econômica e características do sentenciado
Excepcionalmente, em algumas leis, são previstos critérios diversos, como o que ocorre no art. 99 da Lei de
Licitações.
● 1ª fase: número de dias-multa – que deve observar o número de 10 dias-multa (mínimo) a 360 dias-
multa (máximo).
- Devem ser observadas as circunstâncias judiciais, atenuantes e agravantes e as causas de
aumento e de diminuição de pena.
● 2ª fase: Valor de cada dia-multa, não podendo ser inferior a 1/30 do salário-mínimo e nem superior
5x o salário-mínimo.
Se for insuficiente o valor do dia-multa de 5 vezes do salário mínimo à época dos fatos, por conta da
condição econômica do sentenciado, poderá o juiz elevá-la até o triplo. Ou seja, poderá o sentenciado ser
condenado a pagar 15 vezes o valor do salário mínimo por dias-multa.
Importa salientar que algumas leis especiais preveem um aumento maior que o previsto no CP, para
alcançar a proporcionalidade no caso concreto, como por exemplo:
- Lei de Drogas, art. 43:
Parágrafo único. As multas, que em caso de concurso de crimes serão impostas
sempre cumulativamente, podem ser aumentadas até o décuplo se, em virtude da
situação econômica do acusado, considerá-las o juiz ineficazes, ainda que aplicadas
no máximo.
- Lei dos crimes contra a propriedade industrial (9.279/1996) – art. 197:
Parágrafo único. A multa poderá ser aumentada ou reduzida, em até 10 (dez) vezes,
em face dasou partícipes de uma infração penal permite que
o Ministério Público a considere para todos os demais, por força do princípio da obrigatoriedade da ação
penal, conforme já decidiu o STF.
d) Retratação: É cabível até o oferecimento da denúncia (art. 25, CPP).
Na Lei Maria da Penha, a retratação da vítima demanda audiência especial, com oitiva do juiz e MP,
e é admissível até o recebimento da inicial acusatória.
1.2.2. Requisição do Ministro da Justiça
É ato de conveniência política, autorizando a persecução penal em alguns crimes.
a) Prazo: A lei é omissa. Logo, pode ocorrer desde que não extinta a punibilidade;
b) Destinatário: MP (PGJ);
c) Há discricionariedade do Ministro da Justiça e a requisição NÃO vincula o MP.
d) Hipóteses:
● Crimes cometidos por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil;
● Crimes contra a honra praticados contra o Presidente ou Chefe de Governo Estrangeiro.
1.3. Princípios da Ação Penal Pública
● Obrigatoriedade ou legalidade: O MP, titular da ação penal pública, está obrigado a oferecê-la,
sempre que constatar a presença de prova da materialidade e indícios de autoria ou participação. A
exceção se dá nas infrações de menor potencial ofensivo, em que o MP pode propor transação penal;
● Indisponibilidade: O MP NÃO pode desistir da ação penal;
● Oficialidade: O titular da ação é o órgão oficial do Estado;
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● Indivisibilidade ou divisibilidade: Não é pacífico sobre o que prevalece na ação penal pública. A ação
penal deve se estender a todos aqueles que praticaram a infração penal. No entanto, o STF já
entendeu que a ação penal pública estaria regida pelo princípio da divisibilidade, pois o processo
poderia ser desmembrado, com o oferecimento de denúncia contra um ou mais réu, e posterior
aditamento para inclusão de outros;
● Oficiosidade: O MP, titular da ação penal, pode agir de ofício, não dependendo da autorização de
ninguém.
1.4. Ação Penal Privada
Ocorre quando o Estado legitima o ofendido ou seu representante legal a ingressar com ação penal,
pleiteando a condenação do agressor, em hipóteses excepcionais. O particular, portanto, passa a ter o direito
de ação, a legitimidade para o oferecimento da ação penal privada, embora a titularidade do direito de punir
permaneça com o Estado.
a) Princípios:
● Oportunidade e conveniência: Compete à vítima ou ao seu representante analisar a conveniência e
oportunidade para o exercício da ação.
o A vítima dispõe do prazo decadencial de 06 (seis) meses para o exercício da ação privada,
contados do conhecimento do responsável pelo delito, sob pena de extinção da punibilidade
(art. 107, IV, CP).
EXCEÇÃO: No crime de induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento (art. 236, CP), o prazo
exercício do direito de queixa começa do trânsito em julgado da sentença que anulou o casamento. Além
disso, por se tratar de ação penal privada personalíssima, caso haja a morte do ofendido, extingue-se a
punibilidade.
o A renúncia da vítima é ato irretratável, incidindo nesse aspecto de oportunidade e
conveniência, ensejando a extinção da punibilidade.
● Disponibilidade: Iniciada a ação penal privada, a vítima pode dispor do direito de ação e desistir do
feito já em curso, pelos seguintes institutos:
o Perdão: Ato de liberalidade, que requer a aceitação pelo réu (ato bilateral).
o Perempção: É sanção processual pela desídia do querelante na ação privada (art. 60, CPP).
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● Indivisibilidade: Proposta ação penal privada, o querelante deve promovê-la contra todos os que
contribuíram para o delito, não podendo deixar de processar os que sabidamente concorreram para
a prática do crime. Caso o querelante renuncie, deliberadamente, em relação a um, será reconhecida
a extinção da punibilidade de todos os agentes.
● Intranscendência ou pessoalidade: Os efeitos da ação penal privada são de natureza pessoal, não
podendo atingir outras pessoas que não aquelas que contribuíram para o delito.
b) Legitimidade ativa: É do ofendido ou o seu representante legal (art. 30 do CPP).
-Se houver morte ou declaração de ausência do ofendido, passam a ter legitimidade ativa o cônjuge,
ascendentes, descendentes e irmãos, nesta ordem de preferência (art. 31 do CPP), embora qualquer um
possa prosseguir na ação, caso o querelante desista da instância ou a abandone (art. 36 do CPP).
Relevante julgado do STJ ventilado no informativo 654 (09/2019), estendendo o direito à representação ao
companheiro(a).
A companheira, em união estável homoafetiva reconhecida, goza do mesmo
status de cônjuge para o processo penal, possuindo legitimidade para ajuizar ação
penal privada.
No caso, trata-se de crime de calúnia contra pessoa morta, o que aponta que os
querelantes – mãe, pai, irmã e companheira em união estável da vítima falecida –
são partes legítimas para ajuizar a ação penal privada, nos termos do art. 24, § 1º,
do CPP. Cumpre anotar que a companheira, em união estável reconhecida, goza
do mesmo status de cônjuge para o processo penal, podendo figurar como legítima
representante da falecida. Vale ressaltar que a interpretação extensiva da norma
processual penal tem autorização expressa do art. 3º do CPP ("a lei processual penal
admitirá interpretação extensiva e aplicação analógica, bem como o suplemento
dos princípios gerais de direito"). Ademais, o STF, ao apreciar o tema 498 da
repercussão geral, reconheceu a "inexistência de hierarquia ou diferença de
qualidade jurídica entre as duas formas de constituição de um novo e
autonomizado núcleo doméstico, aplicando-se à união estável entre pessoas do
mesmo sexo as mesmas regras e mesmas consequências da união estável
heteroafetiva" (RE 646.721, Rel. Min. Marco Aurélio, Rel. Acd. Min. Roberto
Barroso, Tribunal Pleno, julgado em 10/05/2017, DJe 11/09/2017).
c) Renúncia: É ato unilateral do ofendido, e ocorre quando a vítima se recusa a tomar providência contra o
seu agressor.
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● Opera-se até o oferecimento da ação penal;
● É irretratável;
● A renúncia deliberada feita a um dos autores necessariamente beneficia os demais (art. 49, do CPP);
● Pode ser expressa ou tácita (atos do ofendido incompatíveis com o desejo de processar o autor).
Aqui cabe um alerta, só se pode falar em indivisibilidade da ação penal privada quando todos os agentes são
conhecidos pela vítima ou pelo seu representante legal. Somente se a vítima possuía condições de oferecer
queixa-crime todos os envolvidos e, deliberadamente, não o faz, é que poderemos falar em renúncia tácita.
A não inclusão de eventuais suspeitos na queixa-crime não configura, por si só,
renúncia tácita ao direito de queixa. Com efeito, o direito de queixa é indivisível, é
dizer, a queixa contra qualquer dos autores do crime obrigará ao processo de todos
(art. 48 do CPP). Dessarte, o ofendido não pode limitar a este ou aquele autor da
conduta tida como delituosa o exercício do jus accusationis, tanto que o art. 49 do
CPP dispõe que a renúncia do direito de queixa em relação a um dos autores do
crime, a todos se estenderá. Portanto, o princípio da indivisibilidade da ação penal
privada torna obrigatória a formulação da queixa-crime em face de todos os
autores, coautores e partícipes do injusto penal, sendo que a inobservância de tal
princípio acarreta renúncia ao direito de queixa, que de acordo com o art. 107, V,
do CP, é causa de extinção da punibilidade. Contudo, para o reconhecimento da
renúncia tácita ao direito de queixa, exige-se a demonstração de que a não inclusão
de determinados autores ou partícipes na queixa-crime se deu de forma deliberada
pelo querelante. STJ, RHC 55.142/MG, rel. Min. Felix Fischer, 5ª Turma, j.
12.05.2015.
● CleberMasson ressalta que há três posições quanto à possibilidade de o Ministério Público
aditar a queixa-crime para incluir eventuais coautores e partícipes:
1ª Posição: O MP não pode aditar a queixa-crime para incluir coautores e partícipes.
2ª Posição: O aditamento é possível e previsto expressamente no art. 46, § 2º, do CPP.
3ª Posição: O aditamento não é possível e a inicial acusatória deve ser rejeitada, em razão
da renúncia tácita em relação aos não incluídos, vez que referida causa de extinção da
punibilidade se comunica aos demais.
RENÚNCIA PERDÃO
Instituto pré-processual. Instituto processual.
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Ato unilateral. Ato bilateral.
A renúncia feita a um dos agentes se estende
aos demais (art. 49, CP).
O perdão concedido a apenas um dos agentes
delitivos não necessariamente se estende aos
demais.
● Cabe a condenação do querelante em honorários advocatícios quando houver a rejeição da queixa-
crime, por aplicação subsidiária do CPC.
O princípio geral da sucumbência é aplicável no âmbito do processo penal quando
se tratar de ação penal privada. Em outras palavras, é possível haver condenação
em honorários advocatícios em ação penal privada.
Assim, julgada improcedente a queixa-crime, é cabível a condenação do querelante
ao pagamento dos honorários sucumbenciais ao advogado do querelado.
Conclusão que se extrai da incidência dos princípios da sucumbência e da
causalidade, o que permite a aplicação analógica do art. 85 do CPC/2015, conforme
previsão constante no art. 3º do CPP.
STJ. 5ª Turma. AgRg no AREsp 992.183/DF, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em
07/06/2018.
STJ. Corte Especial. EDcl na APn 881/DF, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em
03/10/2018.
Fonte: Dizer o direito.
ATENÇÃO: O MP também pode recorrer da sentença condenatória em ações penais exclusivamente privadas,
seja em favor ou desfavor do acusado, até mesmo pleiteando o aumento da pena fixada. Porém, haja vista
que a ação penal privada é regida pelo princípio da disponibilidade, o MP não pode recorrer de sentença
absolutória, caso o querelante não recorra.
1.5. Procedimento
Com o inquérito policial ou outras peças de informação, o MP pode adotar as seguintes hipóteses:
● Oferecer denúncia;
● Requisitar novas diligências, com retorno dos autos à DP, indispensáveis à denúncia;
● Requerer/ promover o arquivamento;
● Propor acordo de não persecução penal;
Enunciado 10, CJF: Recomenda-se a realização de práticas restaurativas nos
acordos de não persecução penal, observada a principiologia das Resoluções n. 225
do CNJ e 118/2014 do CNMP.
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● Suscitar conflito de atribuição caso entenda não ter atribuição para atuar no feito;
● E, ainda, declinar a atribuição para órgão do MP que entender ter atribuição no feito.
Com a reforma produzida pela Lei 13.964/19, não há mais que se falar em arquivamento indireto ou
arquivamento implícito, tendo em vista que o arquivamento passou a ser providência administrativa no
âmbito do Ministério Público e não mais depende de decisão judicial.
Entretanto, em razão da medida cautelar na ADI 6298, o novo art. 28 do CPP encontra-se com sua eficácia
suspensa.
ARQUIVAMENTO INDIRETO X ARQUIVAMENTO IMPLÍCITO
Arquivamento indireto: O juiz, não concordando com o pedido de declinação de competência formulado
pelo MP, recebe tal manifestação como se fosse pedido de arquivamento, aplicando o art. 28, do CPP por
analogia.
DICA: INDIRETO = INCOMPETÊNCIA.
Arquivamento implícito: O titular da ação deixa de incluir na denúncia algum fato investigado ou alguns dos
indiciados – NÃO é admitido pela doutrina e jurisprudência, devendo aplicar o art. 28, do CPP.
ATENÇÃO: Delegado não arquiva e nem manda arquivar inquérito.
1.6. Denúncia ou Queixa Crime
● Denúncia: É a peça privativa do Ministério Público que dá início à ação penal pública.
● Queixa-crime: É a peça privativa do ofendido, de seu representante legal, seu sucessor ou ainda seu
curador que dá início à ação penal privada.
Súmula 714-STF: É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do
Ministério Público, condicionada à representação do ofendido, para ação penal por
crime contra a honra de servidor público em razão do exercício de suas funções1.
Súmula 234-STJ: A participação de membro do Ministério Público na fase
investigatória criminal não acarreta o seu impedimento ou suspeição para o
oferecimento da denúncia.
1 Chamada de “ação penal privada concorrente”. Na visão do STJ (HC 259.870/ES), a opção por uma das vias torna a outra preclusa.
Portanto, se a vítima representa, não poderá, posteriormente, oferecer ela própria a queixa-crime.
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No momento da denúncia, prevalece o princípio do in dubio pro societate. STF. 1ª Turma. Inq 4506/DF, rel.
Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Roberto Barroso, julgado em 17/04/2018 (Info 898).
O princípio do in dubio pro societate significa que, na dúvida, havendo indícios mínimos da autoria, deve-se
dar prosseguimento à ação penal, ainda que não se tenha certeza de que o réu foi o autor do suposto delito.
Em uma tradução literal, seria algo como “na dúvida, em favor da sociedade”. O princípio do in dubio pro
societate contrapõe-se ao princípio do in dubio pro reo (“na dúvida, em favor do réu”). Fonte: Dizer o direito
– Comentários aos Informativo 898 do STF.
a) Requisitos formais da denúncia ou queixa crime:
Art. 41. A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas
as suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se
possa identificá-lo, a classificação do crime e, quando necessário, o rol das
testemunhas.
● Exposição do fato criminoso e suas circunstâncias;
● Qualificação do acusado e demais esclarecimentos de identificação: Se os elementos são incertos
ou incompletos, admite-se a utilização de elementos para a identificação física do acusado, a
exemplo do sexo e estatura;
● Classificação da infração: É o enquadramento típico;
● Rol de testemunhas e demais diligências;
● Nome e assinatura da parte acusadora.
b) Não preenchimento dos requisitos formais: Se não preenchidos os requisitos formais da denúncia ou da
queixa e isso implicar prejuízo à ampla defesa (vício insanável), deverá ocorrer a rejeição da inicial acusatória
(art. 395, I, CPP), bem como se faltar alguma condição da ação ou pressuposto processual ou se faltar justa
causa à ação penal.
- Decisão de rejeição da denúncia ou queixa: Cabe recurso em sentido estrito (prazo de 05 dias).
c) Prazos para oferecer a denúncia:
Regra do CPP ● Réu preso: 05 dias;
● Réu solto: 15 dias.
Crimes eleitorais 10 dias
Tráfico de drogas 10 dias
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Crimes contra a economia popular 2 dias
Lei de falências Mesma regra do CPP.
Se queixa crime: Prazo decadencial de 6 (seis) meses, contados a partir do conhecimento da autoria
(art. 38, CPP), via de regra.
Atenção! Art. 42. O Ministério Público NÃO PODERÁ desistir da ação penal.
Art. 576, CPP. O Ministério Público não poderá desistir de recurso que haja interposto.
JURISPRUDÊNCIAS:
→ Rejeição de queixa-crime desacompanhada de documentos hábeis a
demonstrar, ainda que de modo indiciário, a autoria e a materialidade do crime.
Deve ser rejeitada a queixa-crime que, oferecida antes de qualquer procedimento
prévio, impute a prática de infração de menor potencial ofensivo com base apenas
na versão do autor e na indicação de rol de testemunhas, desacompanhada de
Termo Circunstanciado ou de qualquer outro documento hábil a demonstrar, ainda
que de modo indiciário, a autoria e a materialidade do crime. STJ. 5ª Turma. RHC
61822-DF, Rel.Min. Felix Fischer, julgado em 17/12/2015 (Info 577).
→ Queixa-crime deverá demonstrar o elemento subjetivo do agente.
Deve ser rejeitada a queixa-crime que impute ao querelado a prática de crime
contra a honra, mas que se limite a transcrever algumas frases, escritas pelo
querelado em sua rede social, segundo as quais o querelante seria um litigante
habitual do Poder Judiciário (fato notório, publicado em inúmeros órgãos de
imprensa), sem esclarecimentos que possibilitem uma análise do elemento
subjetivo da conduta do querelado consistente no intento positivo e deliberado de
lesar a honra do ofendido. STJ. Corte Especial. AP 724-DF, Rel. Min. Og Fernandes,
julgado em 20/8/2014 (Info 547).
→ Denúncia em crimes de autoria coletiva.
Nos crimes de autoria coletiva, não é necessária a descrição MINUCIOSA e
INDIVIDUALIZADA da ação de cada acusado. Basta que o MP narre as condutas
delituosas e a suposta autoria, com elementos suficientes para garantir o direito à
ampla defesa e ao contraditório. Embora não seja necessária a descrição
PORMENORIZADA da conduta de cada denunciado, o Ministério Público deve
narrar qual é o vínculo entre o denunciado e o crime a ele imputado, sob pena de
ser a denúncia inepta. STJ. 5ª Turma. HC 214861-SC, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado
em 28/2/2012.
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→ Denúncia formulada com base em inquérito civil.
É possível o oferecimento de ação penal (denúncia) com base em provas colhidas
no âmbito de inquérito civil conduzido por membro do Ministério Público. STF.
Plenário. AP 565/RO, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 7e 8/8/2013 (Info 714).
→ Denúncia inepta em caso de homicídio na forma omissiva imprópria.
É inepta a denúncia que, ao descrever a conduta do acusado como sendo dolosa, o
faz de forma genérica, a ponto de ser possível enquadrá-la tanto como culpa
consciente quanto como dolo eventual. Com efeito, o elemento psíquico que
caracteriza o injusto penal, em sua forma dolosa ou culposa, deve estar bem
caracterizado, desde a denúncia, pois é tênue a linha entre o dolo eventual e a culpa
consciente. Na hipótese em análise, há nítida violação da garantia do contraditório
e da plenitude de defesa, por não despontar da exordial acusatória, com a clareza
e a precisão exigidas, o dolo, em sua forma eventual, que teria animado o agente,
sendo impossível conhecer no caso em apreço as circunstâncias subjetivas STJ. 6ª
Turma. RHC 39.627-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 8/4/2014 (Info
538).
→ Em caso de norma penal em branco, a denúncia deverá explicitar qual é o
complemento, sob pena de ser considerada inepta.
A denúncia que deixa de mencionar a legislação complementar a que se refere o
tipo penal não atende o disposto no art. 41 do CPP porque não descreve por
completo a conduta delitiva, dificultando a compreensão da acusação e, por
conseguinte, o exercício do direito de defesa. STJ. 5ª Turma. RHC 64430/SP, Rel.
Min. Gurgel de Faria, julgado em 19/11/2015.
→ Consequências da proposta de composição civil feita apenas para parte dos
querelados.
Se o querelante oferece queixa-crime contra três querelados e propõe a
composição civil dos danos apenas para dois deles, isso significa que ele renunciou
tacitamente ao direito de ação (art. 104 do CP), devendo essa renúncia ser
estendida ao terceiro querelado para quem a proposta não foi feita. Na ação penal
privada, vigora o princípio da indivisibilidade segundo o qual se, houver dois ou
mais querelados e o querelante manifestar a sua intenção de não processar uma
parte dos envolvidos, essa manifestação se estenderá aos demais. Assim, a
renúncia em relação ao direito de processar um dos querelados beneficia todos os
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envolvidos. STJ. Corte Especial. AP 724-DF, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em
20/8/2014 (Info 547).
FACILITANDO:
CRIMES DE AÇÃO PENAL PRIVADA NO CP:
→ Calúnia, difamação e injúria (arts. 138, 139 e 140 c/c art. 145, caput);
Atenção!!! Segundo o Código Penal, quando da injúria real (ou qualificada) resulta lesão corporal, a ação
penal passa a ser pública incondicionada (art. 140, § 2º CP).
→ Alteração de limites, usurpação de águas e esbulho possessório - quando não houver emprego de
violência e a propriedade for particular (art. 161, § 1º, I e II e § 3º);
→ Dano simples e dano qualificado por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima (art.
163, caput e p. único, IV c/c art. 167);
→ introdução ou abandono de animais em propriedade alheia, desde que o fato resulte prejuízo (art. 164
c/c art. 167);
→ Fraude à execução (art. 179 e p. único);
→ Violação de direito autoral na forma simples (art. 184, caput c/c art. 186, I);
→ Induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento (art. 236 e p. único); Obs.: Única ação penal
personalíssima. A ação penal depende de queixa do contraente enganado e não pode ser intentada senão
depois de transitar em julgado a sentença que, por motivo de erro ou impedimento, anule o casamento.
→ exercício arbitrário das próprias razões - se não houver emprego de violência (art. 345 e p. único).
CRIMES DE AÇÃO PENAL PÚBLICA CONDICIONADA À REPRESENTAÇÃO NO CP
→ Perigo de contágio venéreo (art. 130 e § 2º);
→ Crimes contra a honra de funcionário público e injúria preconceituosa (art. 141, II e § 3º c/c art. 145, p.
único)
→ Ameaça (art. 147 e p. único);
→ Perseguição (art. 147-A, § 3º);
→ Violação de correspondência, salvo nos casos do § 1º, IV, e do § 3º (art. 151 e § 4º);
→ Correspondência comercial (art. 152 e p. único);
→ Divulgação de segredo (art. 153 e § 1º) Exceção: Incondicionada se resultar prejuízo para Administração
Pública (§ 2º);
→ Violação de segredo profissional (art. 154 e p. único);
→ Invasão de dispositivo informático (art. 154-A c/c art. 154-B, 1ª parte)
EXCEÇÃO: Ação Penal Pública Incondicionada, se contra a administração pública direta ou indireta ou
empresas concessionárias de serviços públicos (art. 154-B, 2ª parte);
→ Furto de coisa comum (art. 156 e § 1º);
→ Estelionato (art. 171, § 5º)
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EXCEÇÃO: Ação Penal Pública Incondicionada (§ 5º, I a IV) se a vítima for: Administração Pública, direta ou
indireta; criança ou adolescente; pessoa com deficiência mental; ou maior de 70 (setenta) anos de idade ou
incapaz.
→ Outras fraudes (art. 176 e p. único);
→ Crimes contra o patrimônio: do cônjuge desquitado ou judicialmente separado; de irmão, legítimo ou
ilegítimo; ou de tio ou sobrinho, com quem o agente coabita (art. 182);
EXCEÇÃO: Ação Penal Pública Incondicionada (art. 183), se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral,
quando haja emprego de grave ameaça ou violência à pessoa; ao estranho que participa do crime; se o crime
é praticado contra pessoa com idade igual ou superior a 60 anos.
→ Violação de direito autoral na hipótese do § 3º (art. 184, § 3º c/c 186, IV).
CAIU EM PROVA:
→ (FGV 2022) O crime de racismo, constante na Lei nº. 7.716/1989, é de ação penal pública incondicionada,
inafiançável e imprescritível. Por sua vez, o crime de injúria racial, disposto no art. 140, § 3º, do Código Penal,
é de ação penal pública condicionada à representação, inafiançável e imprescritível, conforme entendimento
atual do Supremo Tribunal Federal. (item correto)
→ (Delegado PCPB 2022) Considerando o sistema de juizados especiais criminais, previsto na Lei nº
9.099/1995, e a jurisprudência do STJ e STF sobre a matéria: Tratando-se de crime de ação penal privada ou
pública condicionada à representação, a realização de composição civil dos danos entre autor e vítima gera
a extinção da punibilidade. (item correto)
AP. pública condicionada e A. P. Privada: a composição dos danos gera renúncia ao direito de representação
ou queixa; MPnão pode propor transação penal.
AP. pública incondicionada: a composição dos danos não impede a transação; MP pode propor transação
penal.
2. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE
A punibilidade consiste em consequência da infração penal. Conforme doutrina amplamente
majoritária, não é seu elemento, razão pela qual o crime e a contravenção penal permanecem íntegros com
a superveniência de causa extintiva de punibilidade. Desaparece do mundo jurídico somente o poder de punir
do Estado, embora continue existindo o ilícito penal.
Extinção da punibilidade nos crimes acessórios, complexos e conexos: a extinção da punibilidade
do crime principal não se estende ao crime acessório; a extinção da punibilidade da parte (um dos crimes)
não alcança o todo (crime complexo); a extinção da punibilidade do crime conexo não afasta a qualificadora
da conexão.
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Princípio da consunção: nesse caso, a extinção da punibilidade do crime-fim atinge o direito de punir
do Estado em relação ao crime-meio (STJ, RHC 31.321/PR).
As causas de extinção da punibilidade podem recair sobre:
1) A pretensão punitiva: eliminam todos os efeitos penais de eventual sentença condenatória.
Espécies: decadência, perempção, renúncia do direito de queixa, perdão aceito, retratação do
agente e perdão judicial.
2) A pretensão executória: retiram unicamente o efeito principal da condenação (a pena),
subsistindo os efeitos secundários da sentença condenatória, salvo em relação à abolitio criminis
e à anistia. Espécies: graça, sursis e livramento condicional.
3) Ambas as pretensões: os efeitos dependem do momento em que ocorrem. Espécies: morte do
agente, anistia, abolitio criminis e prescrição.
Podem ser encontradas primordialmente no rol descrito no artigo 107 do Código Penal, embora não
seja este um rol taxativo, havendo outras causas de extinção da punibilidade, como por exemplo:
⦁ Suspensão condicional do processo
⦁ Transação penal
⦁ Composição Civil dos Danos
⦁ Reparação do dano antes da sentença no peculato culposo (art. 312, §3º, CP)
⦁ Cumprimento integral do Acordo de não persecução penal
Condições objetivas de punibilidade: Em alguns casos, para ocorrer a punibilidade, NÃO basta a
prática de um crime e a ausência de alguma causa de extinção da punibilidade, mas devem ser verificadas
situações objetivas exteriores à conduta. Ex.: Crimes contra a ordem tributária.
A condição objetiva de punibilidade é um elemento exterior ao fato delituoso, não integrante do
tipo penal, independente do dolo ou culpa do agente, que deve advir para a formação de um injusto culpável
e punível, ou seja, são condições exigidas por lei para que o fato se torne punível, que estão fora do injusto
penal, vinculadas à superveniência de determinado acontecimento. Trata-se de uma condição incerta e
futura. Relaciona-se ao Direito Penal.
Exemplo1: Sentença declaratória da falência, que concede a recuperação judicial e a que concede a
recuperação extrajudicial (art. 180 da Lei nº 11.101/05);
Exemplo2: Decisão final do procedimento administrativo de lançamento nos crimes materiais contra
a ordem tributária previstos no art. 1º, I a IV da Lei nº 8.137/90 (Súmula Vinculante 24 STF)
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Simplificando:
– está ligada ao Direito Penal;
– cuida-se de condição exigida pelo legislador para que o fato se torne punível;
– se a condição objetiva de punibilidade não foi implementada não há fundamento de direito para o
ajuizamento de uma ação penal.
Vamos aprofundar para uma dissertativa?
Qual a diferença entre condição objetiva de punibilidade e condição de procedibilidade?
Conforme ensinamentos do Professor Luiz Flávio Gomes, a condição objetiva de punibilidade é
aquela situação criada pelo legislador por razões de política criminal destinada a regular o exercício da ação
penal sob a ótica da sua necessidade. Não está contida na noção de tipicidade, antijuridicidade ou
culpabilidade, mas é parte integrante do fato punível. Ex.: constituição definitiva do crédito tributário para
que seja instaurada a ação penal por crime de sonegação. Já a condição de procedibilidade é o requisito que
submete a relação processual à existência ou validez. Ex.: representação do ofendido nas ações públicas
condicionadas.
2.1 Causas de Extinção da Punibilidade
Art. 107, CP - Extingue-se a punibilidade:
I - pela morte do agente;
II - pela anistia, graça ou indulto;
III - pela retroatividade de lei que não mais considera o fato como criminoso;
IV - pela prescrição, decadência ou perempção;
V - pela renúncia do direito de queixa ou pelo perdão aceito, nos crimes de ação
privada;
VI - pela retratação do agente, nos casos em que a lei a admite;
IX - pelo perdão judicial, nos casos previstos em lei.
2.1.1 Morte do Agente
Pegadinha de prova: Cuidado para não confundir com morte do ofendido!!!
● Decorre do princípio da intranscendência da pena, segundo o qual a pena não pode passar da pessoa
do condenado. Os efeitos extrapenais subsistem, de sorte que os herdeiros respondem até o limite
da herança;
● Comprovação: Certidão de óbito;
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Lembrando que se o inquérito policial for arquivado com base numa certidão
de óbito falsa, não faz coisa julgada material.
● Concurso de pessoas: NÃO se estende aos demais concorrentes;
● NÃO impede ação civil por danos contra os herdeiros;
● NÃO desautoriza os familiares a ajuizarem revisão criminal.
Art. 62, CPP. No caso de morte do acusado, o juiz somente à vista da certidão de
óbito, e depois de ouvido o Ministério Público, declarará extinta a punibilidade
→ Atenção ao Informativo 746 do STJ - Extinção da punibilidade de Pessoas
Jurídicas:
O princípio da intranscendência da pena, previsto no art. 5º, XLV da Constituição
Federal, tem aplicação às pessoas jurídicas, de modo que, extinta legalmente a
pessoa jurídica - sem nenhum indício de fraude -, aplica-se analogicamente o art.
107, I, do Código Penal, com a consequente extinção de sua punibilidade. STJ, REsp
1.977.172-PR, julgado em 24/08/2022
2.1.2 Anistia
É o esquecimento jurídico da infração, concedido por lei ordinária.
● Atinge fatos e não pessoas;
● Competência do Congresso Nacional;
● Ato do Poder Legislativo de renúncia ao poder-dever de punir em virtude de necessidade ou
conveniência política;
I. Espécies:
● Própria: Concedida ANTES do trânsito em julgado;
● Imprópria: APÓS o trânsito em julgado;
● Especial: Concedida a crimes políticos;
● Comum: Aplicada a crimes comuns;
● Geral ou plena: Aplica-se a todos os agentes;
● Condicionada: É imposta a prática de algum ato como condição para concessão.
II. Efeitos: Ex tunc – Cessam os efeitos penais, mas não os civis. Isso significa que:
● Na anistia, o fato praticado deixa de ser considerado crime. Por esse motivo, na Lei de Lavagem
de Capitais, se o crime antecedente ao delito de lavagem for anistiado, o crime de lavagem não
subsistirá!!!
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● Não gera reincidência.
III. Inaplicabilidade: Vedação constitucional prevista no art. 5º, XLIII
● Crimes hediondos; (Não esqueça que o rol de crimes hediondos foi alterado pelo pacote
Anticrime!)
● Tortura;
● Tráfico de entorpecentes;
● Terrorismo.
Art. 5º, CR. (...) XLIII - a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça
ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o
terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os
mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem;
2.1.3 Graça e Indulto
● Indulto: É uma forma de clemência. NÃO diz respeito a fatos, como na anistia, mas sim às pessoas,
no plural. Diz-se