Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Quais são as características do 
Romantismo na Literatura Brasileira?
O Romantismo, movimento literário que marcou o século XIX, chegou ao Brasil em meados da década 
de 1830, influenciado por correntes europeias e trazendo consigo um novo olhar sobre o mundo e a 
arte. No Brasil, o Romantismo encontrou um terreno fértil para florescer, expressando a identidade 
nacional, a busca pela liberdade e a idealização da natureza e do amor. Este movimento se desenvolveu 
em três fases distintas, cada uma com suas próprias características e representantes significativos.
As características mais marcantes do Romantismo na literatura brasileira são:
Individualismo e Subjetividade:
O Romantismo coloca o indivíduo em primeiro plano, valorizando seus sentimentos, emoções e 
pensamentos. O "eu" romântico é intenso, passional, buscando a liberdade individual e a expressão 
autêntica de seus anseios. Esta característica se manifesta especialmente na poesia lírica de Álvares de 
Azevedo, cujos versos em "Lira dos Vinte Anos" exemplificam a profunda introspecção e o mergulho 
nas emoções mais íntimas do ser humano. A melancolia, o spleen e o mal do século são temas 
recorrentes que refletem este individualismo exacerbado.
Nacionalismo e Exotismo:
O Romantismo buscava a construção de uma identidade nacional brasileira, explorando temas e 
elementos da cultura local, como a história, a natureza e o folclore. A natureza brasileira é idealizada, 
vista como um espaço de beleza, liberdade e inspiração. Gonçalves Dias, em "I-Juca Pirama" e "Canção 
do Exílio", representa magnificamente esta vertente nacionalista, enquanto José de Alencar, em seus 
romances indianistas como "O Guarani" e "Iracema", cria um verdadeiro mito de origem para a nação 
brasileira, idealizando o índio como herói nacional.
Idealização do Amor e da Natureza:
O amor romântico é idealizado, intenso, passional e muitas vezes trágico. A natureza é vista como um 
espelho da alma, um espaço de refúgio e inspiração para os amantes. Em "Senhora", José de Alencar 
explora as complexidades do amor romântico em meio às convenções sociais, enquanto Casimiro de 
Abreu, em seus poemas como "Meus Oito Anos", apresenta uma visão nostálgica e idealizada tanto do 
amor quanto da natureza. O amor impossível, o sofrimento amoroso e a morte por amor são temas 
frequentes nesta literatura.
Linguagem Sentimental e Melodramática:
A linguagem romântica é rica em adjetivos, metáforas, imagens poéticas e sentimentalismo. O exagero, 
o drama e o melodrama são elementos importantes, buscando expressar a intensidade das emoções. 
Esta característica se evidencia especialmente na poesia ultra-romântica de Álvares de Azevedo e na 
prosa de Manuel Antônio de Almeida, que, mesmo quando usa a ironia, mantém os traços estilísticos do 
período.
Engajamento Social:
Na terceira fase do Romantismo brasileiro, surge uma forte vertente social, principalmente na poesia de 
Castro Alves. O "Poeta dos Escravos" utiliza a linguagem romântica para denunciar as injustiças da 
escravidão em obras como "O Navio Negreiro" e "Vozes d'África", unindo o sentimentalismo romântico 
ao compromisso social.
Autores como José de Alencar, Gonçalves Dias, Castro Alves, e Machado de Assis (em sua primeira 
fase), exploraram os temas e características do Romantismo em seus romances, poemas e peças 
teatrais, deixando um legado importante para a literatura brasileira. O movimento romântico brasileiro 
não apenas estabeleceu as bases para uma literatura verdadeiramente nacional, mas também 
influenciou profundamente as gerações posteriores de escritores, que, mesmo ao reagir contra seus 
excessos, não puderam ignorar sua importância fundamental para a formação da identidade cultural 
brasileira.

Mais conteúdos dessa disciplina