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Brasília-DF. Patologias em sistemas de imPermeabilização – diagnóstico e reabilitação Elaboração Daniela Glizt S. de Carvalho, M.a. Produção Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração Sumário APRESENTAÇÃO ................................................................................................................................. 4 ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA .................................................................... 5 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 7 UNIDADE I PROJETO DE IMPERMEABILIZAÇÃO E NORMAS TÉCNICAS .................................................................... 11 CAPÍTULO 1 PROJETO DE IMPERMEABILIZAÇÃO ......................................................................................... 13 CAPÍTULO 2 NORMAS TÉCNICAS ............................................................................................................... 18 UNIDADE II CARACTERIZAÇÃO DO SISTEMA DE IMPERMEABILIZAÇÃO..................................................................... 24 CAPÍTULO 1 FUNÇÕES DA IMPERMEABILIZAÇÃO ........................................................................................ 24 CAPÍTULO 2 CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS DE IMPERMEABILIZAÇÃO ....................................................... 27 UNIDADE III PATOLOGIAS ........................................................................................................................................ 31 CAPÍTULO 1 PATOLOGIA E MANIFESTAÇÃO PATOLÓGICA ........................................................................... 31 CAPÍTULO 2 MECANISMOS DE MANIFESTAÇÃO DAS ÁGUAS NAS EDIFICAÇÕES ......................................... 34 CAPÍTULO 3 MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS CAUSADAS POR FLUIDOS – ÁGUA ......................................... 39 UNIDADE IV SISTEMA DE IMPERMEABILIZAÇÃO ........................................................................................................ 62 CAPÍTULO 1 SELEÇÃO DO SISTEMA ............................................................................................................ 62 CAPÍTULO 2 IMPERMEABILIZAÇÃO FLEXÍVEL ............................................................................................... 66 CAPÍTULO 3 IMPERMEABILIZAÇÃO RÍGIDA .................................................................................................. 74 REFERÊNCIAS .................................................................................................................................. 77 4 Apresentação Caro aluno A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da Educação a Distância – EaD. Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém ao profissional que busca a formação continuada para vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo. Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira. Conselho Editorial 5 Organização do Caderno de Estudos e Pesquisa Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam tornar sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta para aprofundar seus estudos com leituras e pesquisas complementares. A seguir, apresentamos uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de Estudos e Pesquisa. Provocação Textos que buscam instigar o aluno a refletir sobre determinado assunto antes mesmo de iniciar sua leitura ou após algum trecho pertinente para o autor conteudista. Para refletir Questões inseridas no decorrer do estudo a fim de que o aluno faça uma pausa e reflita sobre o conteúdo estudado ou temas que o ajudem em seu raciocínio. É importante que ele verifique seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. As reflexões são o ponto de partida para a construção de suas conclusões. Sugestão de estudo complementar Sugestões de leituras adicionais, filmes e sites para aprofundamento do estudo, discussões em fóruns ou encontros presenciais quando for o caso. Atenção Chamadas para alertar detalhes/tópicos importantes que contribuam para a síntese/conclusão do assunto abordado. 6 Saiba mais Informações complementares para elucidar a construção das sínteses/conclusões sobre o assunto abordado. Sintetizando Trecho que busca resumir informações relevantes do conteúdo, facilitando o entendimento pelo aluno sobre trechos mais complexos. Para (não) finalizar Texto integrador, ao final do módulo, que motiva o aluno a continuar a aprendizagem ou estimula ponderações complementares sobre o módulo estudado. 7 Introdução Antecedendo a existência das edificações como conhecemos no mundo atual, o homem já buscava se abrigar em locais seguros, utilizava, assim as cavernas para se proteger do frio, das chuvas e de animais perigosos. Devido às temperaturas amenas do período de glaciação, nesses locais era comum a existência de infiltrações e umidade que tornavam esses locais insalubres. Logo, quando do aprimoramento dos sistemas construtivos, tornando as edificações cada vez mais seguras e resistentes, a impermeabilização, assim como outras etapas da construção, tornou-se melhor assistida. A ação das intempéries pode vir a prejudicar as estruturas, armações, alvenaria e revestimentos, tornando o ambiente insalubre com a proliferação de fungos e mofo e principalmente comprometendo a segurança da edificação, reduzindo assim a sua vida útil. Mesmo com todos os avanços tecnológicos dos sistemas construtivos, o incremento no mercado de produtos específicos considerando as várias possibilidades do aparecimento de patologias ligadas ao sistema de impermeabilização, é fato que o processo de execução permanece um dos problemas mais graves quando o assunto é impermeabilização. Ou seja, a mão de obra para a realização desse serviço deve ser especializada, não podendo o serviço ser executado negligenciando a boa técnica e materiais de qualidade. Outra situação comum, por se tratar de um problema observado somente após a obra, diz respeito ao baixo investimento neste item, por parte do construtor. A partir de 1968, no Brasil, especificamente quando da construção da linha norte sul do metrô no município de São Paulo foi percebida a necessidade de termos diretrizes para materiais e serviços de impermeabilização. 8 Figura 1. Túnel entre as estações Saúde e Praça da Árvore, Zona Sul de São Paulo Primeiro túnel concretado do metro – dezembro 1969. Fonte: https://theurbanearth.wordpress.com/2009/10/11/a-construcao-da-linha-azul-linha-1-do-metro-de-sao-paulo/. Ocorrem assim as primeiras reuniões com o objetivo de se criar normas técnicas a respeito deste tema. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) publicou em 1975 a primeira norma brasileira de impermeabilização. Data deste mesmo ano a criação do Instituto Brasileiro de Impermeabilização (IBI) tendo como diretriz o estudo, a pesquisa, o desenvolvimento de produtos e serviços, além de divulgar a importância dos serviços de impermeabilização.» características da superfície, https://www.tecnosilbr.com.br/o-que-e-e-como-ocorre-a-carbonatacao-do-concreto/ 57 PATOLOGIAS │ UNIDADE III » condições climáticas. » umidade provocada por vazamentos e infiltrações nas paredes e pisos onde estão assentadas as cerâmicas; Figura 49. Revestimento de piso soltando. Fonte: https://andrelit.com.br/patologias-de-descolamento-saiba-porque-lajota-de-ceramica-descola/. As manifestações patológicas vão intensificando ao longo do tempo. Por exemplo, a percolação da água em peça de concreto, inicialmente causa o surgimento de eflorescência e posteriormente o desplacamento. A umidade pode influenciar no desplacamento do revestimento pois esse a absorve e provoca uma expansão nas suas dimensões. “A expansão por umidade (EPU), também chamada de dilatação higroscópica, é o aumento de tamanho da placa cerâmica na presença de umidade” (BAUER; RAGO, 2000, p. 41). Figura 50. Revestimento de cerâmico em parede soltado. Fonte: https://reformweb.com.br/blog/post/22/Pisos-e-Revestimentos-Soltando%3A-E-Agora%3F. https://reformweb.com.br/blog/post/22/Pisos-e-Revestimentos-Soltando:-E-Agora 58 UNIDADE III │ PATOLOGIAS Não só nos revestimentos cerâmicos pode ocorrer o descolamento, mas também é comum ocorrer em revestimentos argamassados. Neste caso ocorrerá devido ao traço de cimento utilizado, qualidade dos materiais, espessura do revestimento, aplicação do revestimento, tipo de pintura, da umidade e da expansão da argamassa de assentamento. Figura 51. Destacamento de revestimento argamassado. Fonte: https://blogdaliga.com.br/conheca-as-patologias-mais-comuns-em-revestimentos/. Há três tipos comuns de deslocamentos em revestimentos argamassados: » Descolamento com empolamento: ocorre quando as vesículas (corresponde ao empolamento da estrutura) se descolam do emboço devido a hidratação tardia da cal, excesso de umidade, presença de matéria orgânica na areia. As partes internas podem se apresentar brancas, pretas ou vermelho-ferrugem. Figura 52. Destacamento de revestimento argamassado. Fonte: http://o-portico.blogspot.com/2015/07/patologias-das-argamassas-de.html. https://blogdaliga.com.br/conheca-as-patologias-mais-comuns-em-revestimentos/ http://o-portico.blogspot.com/2015/07/patologias-das-argamassas-de.html 59 PATOLOGIAS │ UNIDADE III » Descolamento em placas: caracteriza-se pela perda de aderência entre as placas cerâmicas e o substrato, ou seja, ocorre o descolamento de placas endurecidas e formação de vazios abaixo da camada de revestimento. Entre as prováveis causas estão: argamassa muito rica ou pouca aderência à superfície de base. Figura 53. Destacamento de revestimento cerâmico e argamassado. Fonte: https://sindusconchapeco.com.br/ckeditor_assets/attachments/81/material_palestra_dia_24-05-18_-_a_onda_dos_ desplacamentos_ceramicos.pdf. » Descolamento com pulverulência: quando o reboco se desagrega com facilidade (esfarinhamento) e apresenta som cavo sob percussão. Excesso de finos nos agregados, traços pobres em aglomerante ou ricos em cal. Figura 54. Deslocamento com pulverulência. Fonte: https://www.cimentoitambe.com.br/patologias-do-concreto/esfarelamento-concreto.html. https://sindusconchapeco.com.br/ckeditor_assets/attachments/81/material_palestra_dia_24-05-18_-_a_onda_dos_desplacamentos_ceramicos.pdf https://sindusconchapeco.com.br/ckeditor_assets/attachments/81/material_palestra_dia_24-05-18_-_a_onda_dos_desplacamentos_ceramicos.pdf 60 UNIDADE III │ PATOLOGIAS Bolhas, manchas e tinta descamada na pintura: são os problemas mais comuns e mais evidentes causados por infiltração e umidade. Podem ser causados por vazamentos de instalações hidráulicas, umidade do ar, infiltrações na pintura. No caso das bolhas, podem ocorrer por diversos fatores, entre os quais podemos destacar: » aplicação de massa corrida em áreas sujeitas ao contato com a água; » pintura sobre superfície pulverulenta; » repintura sem lixamento prévio. Figura 55. Bolhas na pintura. Fonte: http://www.orionet.net.br/site/wp-content/uploads/2012/08/Bolhas-em-pinturas-sobre-alvenaria.png. Já as manchas podem ser provenientes da eflorescência (já comentado nesse texto), reboco úmido (não foi dado o tempo de espera adequado para a secagem da base – tempo ideal 30 dias), ou ainda devido a chuvas irregulares (chuvas tipo garoa) que molham somente pontos isolados da parede, quando a tinta ainda não está totalmente curada. Figura 56. Manchas na pintura. Fonte: http://bematintas.com.br/blog/principais-defeitos-de-pintura/. http://www.orionet.net.br/site/wp-content/uploads/2012/08/Bolhas-em-pinturas-sobre-alvenaria.png http://bematintas.com.br/blog/principais-defeitos-de-pintura/ 61 PATOLOGIAS │ UNIDADE III Destacamento na pintura: o destacamento da tinta, pode ocorrer em escamas, resultante da perda de adesão e integridade do filme. A descamação pode ser entre camadas ou até o substrato. Figura 57. Destacamento da pintura. Fonte: http://bematintas.com.br/blog/principais-defeitos-de-pintura/. Pode ocorrer ainda o desbotamento da tinta principalmente devido as intempéries ou a: » fenômeno natural que ocorre em todos os materiais; » resistência física e química de alguns pigmentos, as cores que os utilizam podem apresentar um desbotamento mais acelerado; » aplicação de tinta sobre superfícies de alvenaria ainda não curadas; » presença de cal e/ou outras substâncias de alta alcalinidade; » eflorescência. Figura 58. Desbotamento da tinta. ANTES DEPOIS Expostos por 12 meses a intempéries Fonte: http://sohelices.com.br/cores-para-fachadas-x-solidez-a-luz-e-intemperies/. http://bematintas.com.br/blog/principais-defeitos-de-pintura/ http://sohelices.com.br/cores-para-fachadas-x-solidez-a-luz-e-intemperies/ 62 UNIDADE IVSISTEMA DE IMPERMEABILIZAÇÃO A seguir comentaremos a respeito dos produtos mais viáveis para garantir a impermeabilização e reabilitação das obras, lembrando que, devido à diversidade de produtos encontrados no mercado, é recomendável treinamento de equipe técnica, visando ter mão de especializada para cada tipo de procedimento. Muitas vezes as falhas não estão nas especificações de projeto, mas na execução dos serviços. Nesses casos é necessária a fiscalização, e seguindo esse raciocínio, Righi (2009) afirma que, o controle da execução da impermeabilização é fundamental para sua eficácia e o mesmo deve ser feito pela empresa aplicadora e pelo responsável da obra. CAPÍTULO 1 Seleção do Sistema O tipo de impermeabilização a ser utilizado deverá ser escolhido de modo a atender as solicitações da estrutura, material, flexibilidade, temas anteriormente já apresentados neste texto, em conjunto com as obrigatoriedades que as normas técnicas estipulam. Existem dois sistemas principais, a impermeabilização rígida e a impermeabilização flexível. O critério principal de divisão é a possibilidade ou não das partes construtivas admitirem algum tipo de fissuração (MORAES, 2002). Ainda segundo Moraes (2002), os sistemas flexíveis são aqueles aplicáveis a estruturas sujeitas a variações térmicas e/ou grandes vibrações, cargas dinâmicas, recalques e/ou forte exposição solar. O sistema flexível sob pressão positiva por membrana se caracteriza pela aplicação de produtos de impermeabilização flexíveis. Já o sistema sob pressão positiva por manta, é um sistema flexível cuja indicação básica se dá para estruturas muito deformáveis, nas quais as membranas poderiam apresentar falhas (MORAES, 2002). 63 SISTEMA DE IMPERMEABILIZAÇÃO │ UNIDADE IV Quanto à impermeabilização rígida, ela torna a área trabalhada impermeável pela inclusão de aditivos químicos, juntamente com a granulometria correta dos agregados e a diminuição da porosidade do elemento. Souza e Melhado (1998), afirmam que a seleção do sistema de impermeabilização deve ter como diretrizes: » atender aos requisitos de desempenho; » a máxima racionalização construtiva; » a máxima construtibilidade;» a adequação do sistema de impermeabilização aos demais subsistemas, elementos e componentes do edifício; » custo compatível com o empreendimento; » durabilidade do sistema. A impermeabilização será escolhida considerando as características da estrutura que receberá a proteção, o substrato envolvido e o ambiente no qual será utilizado o material considerando, nesse caso, todas as situações possíveis de ocorrência neste local, tais como flexibilidade da estrutura, incidência de chuvas etc. Quadro 6. Principais características dos sistemas. DESCRIÇÃO RÍGIDOS FLEXÍVEIS APLICAÇÕES INDICADAS Sua aplicação é recomendada para as partes estáveis da edificação. São locais menos sujeitos ao aparecimento de trincas e fissuras, que poderiam comprometer a impermeabilização. Por isso, sua principal utilização ocorre em fundações, pisos internos em contato com o solo, contenções e piscinas enterradas. A elasticidade desses produtos faz com que eles sejam mais indicados para estruturas sujeitas a movimentações, vibrações, isolação e variações térmicas (dilatações e contrações). Portanto, são mais usados em lajes (térreo e cobertura), banheiros, cozinhas, terrações e reservatórios elevados. COMO SÃO VENDIDOS Como aditivos para argamassa ou como argamassa industrializada. Também são encontradas misturas aplicadas em forma de pintura, formando um revestimento impermeável. Os sistemas flexíveis são encontrados na forma de mantas, aderidas ou não à estrutura. Também fazem parte desse grupo misturas moldadas no local, que depois de secas, formam uma membrana elástica protetora. EXEMPLOS Argamassa impermeável com aditivo hidrófugo Impermeabilizantes Cimentos poliméricos Cristalizantes Resinas epóxi Mantas asfálticas Membranas asfálticas moldadas no local (a quente ou a frio) Mantas de PEAD, PVC EPDM Membranas de poliuretano, de poliureia, resinas acrílicas, etc. Fonte: Equipe Obra, 2012. 64 UNIDADE IV │ SISTEMA DE IMPERMEABILIZAÇÃO Sistema genérico de impermeabilização De modo genérico, o sistema de impermeabilização é composto por um conjunto de etapas ou, dependendo do material empregado, camadas exigidas pelo sistema utilizado a fim de proporcionar a manutenção da integridade do local. A seguir apresentaremos um sistema que consta não só com o produto destinado a impermeabilizar, mas também com uma serie de camadas exigidas para o seu funcionamento. Figura 59. Sistema genérico de impermeabilização. Base Impermeabilização Fonte: https://silo.tips/download/universidade-federal-de-santa-maria-centro-de-tecnologia-curso-de-engenharia-civ-5, adaptado. O sistema genérico apresentado acima possui as seguintes camadas: » Base: o sistema a ser empregado para base dependerá das diversas variações encontradas de materiais utilizadas para sua composição, tais como movimentação térmica, cargas aplicadas, geometria da peça. » Regularização: esta camada tem como função regularizar o substrato (base), visando a uniformidade da superfície com inclinação de no mínimo de 1%, quando o local exigir. » Berço: proteção da camada impermeável. » Camada Impermeável: esta camada tem como função criar barreira contra a passagem de fluidos (água). https://silo.tips/download/universidade-federal-de-santa-maria-centro-de-tecnologia-curso-de-engenharia-civ-5 65 SISTEMA DE IMPERMEABILIZAÇÃO │ UNIDADE IV » Camada Amortecimento: a camada de amortecimento evitar danos provocados por movimentações diferenciais. » Proteção Mecânica: tem como função criar barreira contra a passagem de fluidos, água por exemplo. 66 CAPÍTULO 2 Impermeabilização Flexível O sistema flexível está dividido em dois grupos: » sistema flexível moldado no local (membranas): asfálticas, acrílicas e poliméricas; » sistema flexível pré-fabricado (mantas): asfálticas, elastoméricas (butílicas, EPDM), e plásticas (PVC, PEAD). Entre os sistemas moldados no local, destacamos: Sistema flexível moldado no local a frio (membranas): a impermeabilização por esse sistema consiste na aplicação de um produto impermeabilizante líquido que, após a secagem, se converte numa membrana flexível. Figura 60. Aplicação de sistema flexível a frio. Fonte: https://fibersals.com.br/blog/mantas-x-membranas-na-impermeabilizacao/. É indicada, principalmente, para espaços pequenos ou locais de difícil acesso. Diferente da impermeabilização pré-fabricada, a moldada in loco exige maior atenção na execução, e existem diversos tipos de materiais que podem ser utilizados como membranas impermeabilizantes. Portanto, as características de resistência, flexibilidade, durabilidade, modo de aplicação também variam de acordo com o material a ser utilizado. https://fibersals.com.br/blog/mantas-x-membranas-na-impermeabilizacao/ 67 SISTEMA DE IMPERMEABILIZAÇÃO │ UNIDADE IV Aplicação: » imprimação – ou com próprio produto (diluído, a frio); » necessárias várias demãos podendo ser executadas com auxílio de rolo, trincha, vassoura (ideal é intercalar as camadas com estruturantes-véu de noiva, por exemplo); » aplicação de proteção mecânica. Figura 61. Camadas de uma membrana asfáltica. Véu de poliéster imprimação Regularização Proteção Camadas de emulsão asfáltica Laje Fonte: Construnormas, 2017. Para as áreas sujeitas a água de percolação (tais como pisos de banheiro, cozinhas e outras áreas frias, floreiras e lajes em geral) é importante adotar o caimento mínimo de 1%. Sistema flexível moldado no local a quente: um dos mais conhecidos no Brasil, é obtido através de várias camadas de material asfáltico derretido intercalado com telas ou mantas estruturantes. O termo “a quente” se refere, portanto, ao calor necessário para realizar a execução do serviço. É indicado para áreas menores, com muitos recortes, de forma a evitar o uso de juntas de dilatação e emendas. Aplicação: » imprimação; » pintura primária com solução de asfalto diluída em solvente ou água; » aquecimento do asfalto de forma homogênea e em temperatura adequada; 68 UNIDADE IV │ SISTEMA DE IMPERMEABILIZAÇÃO » aplicação de uma demão do asfalto utilizando meada de fios de juta e extensão do estruturante com sobreposição mínima de 10 cm, aplicando sobre este a quantidade de demãos necessárias para a sua saturação; » em caso de aplicação de mais de um estruturante, o procedimento deve ser repetido (NBR 9574 – 2008). Já como sistemas flexíveis pré-fabricados, apresentamos: Mantas asfálticas: Trata-se de um sistema de impermeabilização industrializada por calandragem do asfalto modificado e estruturado com armadura de poliéster ou fibra de vidro. O processo consiste no aquecimento do asfalto por volta de 200 °C armazenado em um tanque no qual é inserido o estruturante que fica impregnado pelo asfalto. Depois, entra em um processo que define a espessura da manta e o posicionamento do estruturante. No final, ocorre o resfriamento, a aplicação do material de acabamento e, por último, o Embobinamento (VEDACIT, 2016). A manta impermeabilizante, ou manta asfáltica como é mais conhecida, é classificada como um sistema pré-fabricado flexível, justamente pela sua capacidade de acompanhar movimentações da estrutura. Em sua aplicação deve-se utilizar reforço estruturante como véu de poliéster, véu de fibra de vidro, filme de polietileno, filme de poliéster etc. Principais características segundo Guarizo (2008), possuem: » alta resistência aos esforços mecânicos; » elevada flexibilidade; » alta resistência ao funcionamento estático e dinâmico; » ampla faixa de resistência a temperatura; » alta resistência a fadiga mecânica; » elevada durabilidade; » estabilidade térmica e dimensional. https://fibersals.com.br/blog/tudo-sobre-manta-asfaltica/ 69 SISTEMA DE IMPERMEABILIZAÇÃO │ UNIDADE IV Aplicação: de acordo com as recomendações contidas no site mapa da obra temos que: » Verificar se a superfície está limpa, seca e bem regularizada,com caimento para os ralos e meia-cana nas quinas, que eliminam os cantos vivos. » Aplicar um primer (imprimação), que é uma tinta de ligação, entre a manta e o local onde ela será aplicada. Aguardar o tempo indicado pelo fabricante. » Quando o primer estiver seco, desenrolar a manta, que tem 1 m x 10 m, do ponto mais baixo para o mais alto. » Com o maçarico, colar a manta na base. A chama do maçarico derrete a manta e a fixa à superfície. » Para fazer o arremate, a intensidade da chama do maçarico deve ser diminuída. Com a espátula, assentar a manta de forma que fique bem fixa, sem vãos por onde possa entrar água. » Quando um rolo de manta chegar ao fim, desenrolar outra manta e soldá-la sobre a primeira. Nas emendas, é preciso sobrepor uma sobre a outra em 10 cm. » Fazer o teste da lâmina d’água durante 72 horas para verificação da estanqueidade. Figura 62. Detalhe de aplicação de manta asfáltica em superfície horizontal. 5 Proteção mecânica 3 Manta asfál�ca 4 Camada separadora 2 Primer 1Regularização Laje de concreto Fonte: https://www.aecweb.com.br/cls/catalogos/4/51133/47catalogo-vedacit.pdf. https://www.aecweb.com.br/cls/catalogos/4/51133/47catalogo-vedacit.pdf 70 UNIDADE IV │ SISTEMA DE IMPERMEABILIZAÇÃO Figura 63. Detalhe de aplicação de manta asfáltica em superfície horizontal com acréscimo de isolação térmica. 5 Proteção mecânica 3 Manta asfál�ca 4 Isolação térmica 2 Primer 1Regularização Laje de concreto Fonte: https://www.aecweb.com.br/cls/catalogos/4/51133/47catalogo-vedacit.pdf. Recomenda-se a utilização das mantas para lajes externas, térreo, lajes de cobertura, jardins, varandas descobertas, piscinas e espelhos d’água. A aplicação da manta asfáltica é um processo bastante específico, sendo altamente recomendado que seja executado por profissionais e empresas qualificadas. Por ser um sistema pré-fabricado, as chances maiores de ocorrer falhas são justamente no momento da instalação, caso seja malfeita. Depois de aplicada, a manta asfáltica deve ser revestida (regularização) para evitar choques mecânicos que podem comprometer a vida útil do sistema. Detalhes relacionados a superfícies verticais, rodapé, ralos e caimentos devem ser observados para total garantia do sistema. Nas superfícies verticais, em primeiro lugar, deve-se levar a manta do piso até cobrir parte da meia-cana. Depois, colar outra manta, fazendo a parte do rodapé e descendo no piso 10 cm (transpasse). O trecho do rodapé fica com manta dupla. Nas paredes, estruturar a argamassa com tela galvanizada ou plástica, malha 1/2 a 1”. https://www.aecweb.com.br/cls/catalogos/4/51133/47catalogo-vedacit.pdf 71 SISTEMA DE IMPERMEABILIZAÇÃO │ UNIDADE IV Figura 64. Detalhes de aplicação de manta asfáltica em superfície vertical. 1-Substrato 2-Chapisco 3-Regularização 4-Primer 5-Manta 6-Camada separadora 7-Tela de fixação 8-Proteção superficial 9-Junta elástica Fonte: https://docente.ifrn.edu.br/valtencirgomes/disciplinas/construcao-civil-ii-1/manual-sobre-impermeabilizacao. Figura 65. Detalhe de rodapé e caimento. 1-Biselamento 2-Papel Kraft 3-Tela “galinheiro” metálica 40cm 2 cm ≥ 1 m R=8 cm Fonte: https://docente.ifrn.edu.br/valtencirgomes/disciplinas/construcao-civil-ii-1/manual-sobre-impermeabilizacao. Figura 66. Detalhe do ralo. ralo impermeabilização caixa condutor ~10 cm Fonte: https://docente.ifrn.edu.br/valtencirgomes/disciplinas/construcao-civil-ii-1/manual-sobre-impermeabilizacao. https://docente.ifrn.edu.br/valtencirgomes/disciplinas/construcao-civil-ii-1/manual-sobre-impermeabilizacao https://docente.ifrn.edu.br/valtencirgomes/disciplinas/construcao-civil-ii-1/manual-sobre-impermeabilizacao https://docente.ifrn.edu.br/valtencirgomes/disciplinas/construcao-civil-ii-1/manual-sobre-impermeabilizacao 72 UNIDADE IV │ SISTEMA DE IMPERMEABILIZAÇÃO O passo a passo executivo compreende todos os itens mencionados acima, sempre tendo o cuidado de corrigir possíveis imperfeições na área que se pretende impermeabilizar. Figura 67. Execução de manta asfáltica – correções de imperfeições. Fonte: https://www.ufrgs.br/eso/content/?p=1443. Figura 68. Execução de manta asfáltica – aplicação de prime. Fonte: https://www.ufrgs.br/eso/content/?p=1443. https://www.ufrgs.br/eso/content/?p=1443 https://www.ufrgs.br/eso/content/?p=1443 73 SISTEMA DE IMPERMEABILIZAÇÃO │ UNIDADE IV Figura 69. Execução de manta asfáltica – cuidado com superfícies verticais e ralos. Fonte: https://www.ufrgs.br/eso/content/?p=1443. Figura 70. Execução de manta asfáltica – cuidado com sobreposição. Fonte: https://www.ufrgs.br/eso/content/?p=1443. Figura 71. Execução de manta asfáltica – cuidado com sobreposição. Fonte: https://www.ufrgs.br/eso/content/?p=1443. https://www.ufrgs.br/eso/content/?p=1443 https://www.ufrgs.br/eso/content/?p=1443 https://www.ufrgs.br/eso/content/?p=1443 74 CAPÍTULO 3 Impermeabilização Rígida Os sistemas rígidos são utilizados em estruturas não sujeitas a movimentação ou fissuração. Os impermeabilizantes rígidos não funcionam em conjunto com os elementos estruturais, ou seja, não podem ser aplicados em superfícies sujeitas a grandes variações de temperatura. Mas são ideais para locais que não fiquem sobre ação de condições de temperaturas constantes. São mais utilizados em: » subsolos; » poços de elevador; » reservatórios de água enterrados; » piscinas enterradas; » galerias de barragens. » silos; » baldrames; » muros de arrimo. Entre os sistemas rígidos, destacamos: Argamassa impermeável com aditivo hidrófugo: a argamassa impermeável é feita de maneira semelhante à argamassa convencional, porém, com o uso de aditivos hidrófugos na água de amassamento, que conferem propriedades impermeabilizantes ao produto final. Figura 72. Argamassa com aditivo hidrófugo. Fonte: https://www.inovacivil.com.br/os-principais-sistemas-de-impermeabilizacao/. https://www.inovacivil.com.br/os-principais-sistemas-de-impermeabilizacao/ 75 SISTEMA DE IMPERMEABILIZAÇÃO │ UNIDADE IV A aplicação será de duas a três camadas de emboço aditivado (2 litros por saco de cimento). Sua principal vantagem é a facilidade para realizar a aplicação já que o processo é o mesmo do convencional e de baixo custo, pois o aditivo hidrófugo possui baixo custo e não é necessária mão de obra especializada. Cristalizantes: os materiais de impermeabilização cristalizantes são compostos químicos de cimentos aditivados, resina e água que possuem a propriedade de penetração por osmose nos capilares da estrutura. São aplicados na região que se deseja impermeabilizar de modo que, ao entrar em contato com a água de infiltração, o composto sofre cristalização e preenche os poros presentes no concreto, estabelecendo, assim, uma barreira impermeável (FERREIRA, 2012). Figura 73. Aplicação de cristalização. Fonte: https://www.diprotec.com.br/produto/cristalizantes/. Entre as principais vantagens temos: » não altera a potabilidade da água; » resiste a pressões negativas e positivas; » gera maior resistência química ao concreto. Em projetos de reabilitação e restauro, é necessário que os engenheiros, arquitetos e técnicos envolvidos entendam os mecanismos de infiltração da água na obra (edificação) para que seja possível indicar a melhor solução bem como seu processo executivo, evitando-se assim o surgimento de patologias. https://www.diprotec.com.br/produto/cristalizantes/ 76 UNIDADE IV │ SISTEMA DE IMPERMEABILIZAÇÃO Quadro 7. Resumo das soluções de patologias de impermeabilização. RESUMO DAS SOLUÇÕES DE PATOLOGIAS DE IMPERMEABILIZAÇÃO Local do problema Tipo de solução Materiais Estruturas enterradas Pelo lado interno Argamassa polimérica + argamassa com aditivo hidrófugo Pelo lado externo Mantas asfálticas + dreno Membranas acrílicas ou asfálticas + dreno Membranas de cimento a base de polímeros + dreno Fundações Alvenaria de tijolos maciços Cristalizantes Alvenaria de tijolosfurados Argamassa polimérica + argamassa com aditivo hidrófugo Boxes de banheiro Reimpermeabilização total Membranas acrílicas ou asfálticas Mantas asfálticas Argamassa polimérica com tela de poliéster Lajes de cobertura Reimpermeabilização total Áreas com muitas interferências - Membranas Áreas sem interferências - Mantas asfálticas Reimpermeabilização localizada Utilização do mesmo sistema do existente no local Reservatórios Reservatórios elevados Membranas acrílicas Membranas de cimento a base de polímeros Mantas de PVC Reservatórios enterrados Argamassa polimérica Membranas acrílicas Membranas de cimento a base de polímeros Mantas de PVC Fonte: Righi, 2009. Figura 74. Aplicação impermeabilização rígida em reservatório. Fonte: https://www.impermab.com.br/impermeabilizacao/impermeabilizacao-de-reservatorios/impermeabilizacao-de- reservatorios-enterrados/empresa-de-impermeabilizacao-de-reservatorios-de-concreto-pocos-de-caldas. É importante verificar as orientações do fabricante, para tanto, temos que seguir todas as orientações e características técnicas informadas por ele, contidas nas embalagens ou em seus boletins técnicos. 77 Referências ALIPRANDINI, I.D – Avaliação de Incidências de Fissuras em Imóveis Residenciais, 2015, p.35. ANTUNES, B. Construção estanque. Construção e Mercado, São Paulo, n.39 pp. 183-188, out. 2004. ARANTES, Y.K. Uma visão geral sobre impermeabilização na construção civil. 2007. 67f. Monografia (Especialização em Construção Civil) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2007. Artigo – Expansão por Umidade de Placas Cerâmicas para Revestimento: Roberto José Falcão Bauer e Fabiola Rago – L.A. 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Com esta substituição foi agregada a nova norma as exigências e recomendações relativas à seleção e projeto de impermeabilização, para que sejam atendidos os requisitos mínimos de proteção da construção contra a passagem de fluidos, bem como os requisitos de salubridade, segurança e conforto do usuário, de forma a ser garantida a estanqueidade das partes construtivas que a requeiram. No que se refere à execução dos serviços de impermeabilização, temos a orientação através da norma ABNT NBR 9574:2008. about:blank 9 A partir da publicação do Código de Defesa do Consumidos - por meio da Lei no 8.078/1990 – houve o incremento das exigências dos consumidores, o que antes era tido como aceitável e razoável tornou-se inaceitável. Para a construção civil essa realidade foi enfatizada com a criação da Norma de Desempenho NBR 15.575 de 2013, e tornou-se um divisor de águas para a qualidade das edificações entregues, obrigando as empresas do ramo conceberem e executarem as obras considerando um determinado nível de desempenho para as obras que já devem constar em projeto e ser atendidas ao longo de uma vida útil. Segundo Dinis (1997), os sistemas de impermeabilização que hoje existem trazem um hall de diferentes concepções e princípios de funcionamento, passando pelos materiais utilizados e pelas técnicas de aplicação. Esta diversidade gera várias possibilidades de classificações que ajudam no melhor entendimento e possibilitam de forma geral comparar os diferentes tipos de sistemas existentes no mercado nacional. Apesar desta informação ter mais de 20 anos, permanece ainda atual tendo em vista o aparecimento de uma série de fabricantes e produtos. Objetivos Para que possamos chegar a uma melhor qualidade no que se refere a materiais, serviços e produtos destinados a diferentes tipos de obras que fazem parte Engenharia de Impermeabilizações dando ênfase à compreensão e utilização das normas técnicas vigentes, se faz necessário alinharmos nosso conhecimento a partir dos seguintes objetivos: » Conceituar impermeabilização e seus respectivos tipos. » Verificar os produtos específicos indicados para cada elemento analisando suas possíveis vantagens e desvantagens. » Identificar as principais ocorrências relacionadas à inexistência e/ou falta de qualidade nos sistemas de impermeabilização. 10 11 UNIDADE I PROJETO DE IMPERMEABILIZAÇÃO E NORMAS TÉCNICAS Como já mencionado, a busca por estanqueidade nas edificações iniciou-se há muito tempo. Em se tratando dos primeiros materiais usados para a impermeabilização, Arantes (2007, p. 8) diz que foram usados os betuminosos, asfaltos e alcatrões, produtos tradicionalmente utilizados nos banhos romanos e proteção das estacas de madeira na antiguidade. A partir do século XIX, com o avanço da industrialização, ocorreu também no setor de impermeabilização, a utilização de materiais e técnicas que visavam maior proteção das edificações com relação às chuvas e umidades. A princípio, os telhados eram executados com maior inclinação para escoamento das águas, posteriormente as construções optaram por fazer grandes vãos horizontais que facilitariam o escoamento das águas de chuvas. Também no século XIX, já era conhecido o betume com a utilização do asfalto em lajes planas. Ainda segundo Arantes (2007, p. 9), no Brasil as primeiras impermeabilizações utilizavam óleo de baleia na mistura das argamassas para o assentamento de tijolos e revestimentos das paredes das obras que necessitavam dessa proteção. Para a durabilidade das construções a impermeabilização se faz necessária, uma vez que a água para as obras somente é importante durante a construção (mistura de materiais, água e agregados). Concluída a construção, a água passa a ser grande inimigo da durabilidade, a partir da mistura desta com os poluentes que reduz a vida útil dos empreendimentos. A impermeabilização nas diversas construções é obtida a partir da aplicação de materiais ou produtos diversos em áreas molhadas (banheiros, cozinhas, lajes e áreas externas) expostas às águas das chuvas, umidades etc., que podem danificar os elementos construtivos da construção. A não execução da impermeabilização ou a utilização de produtos ou técnicas impróprias podem gerar retrabalhado e custos adicionais acima do previstos inicialmente para a construção. Os prejuízos materiais poderão ser grandes ou 12 UNIDADE I │ PROJETO DE IMPERMEABILIZAÇÃO E NORMAS TÉCNICAS pequenos dependendo do problema apresentado, porém, há possibilidade de causar danos à saúde. Dessa forma, é fundamental estudar o local de aplicação, quanto a materiais e serviços a serem aplicados. Ainda hoje temos empresas de pequeno, médio e até grande porte que definem o tipo de impermeabilização a ser aplicada somente no momento de sua execução, sem o prévio desenvolvimento de projetos básico ou executivo. A situação ainda pode ser agravada pela falta de conhecimento dos produtos existentes no mercado. 13 CAPÍTULO 1 Projeto de Impermeabilização Assim como o projeto de arquitetura, fundações, estruturas, instalações de hidráulica e elétrica, elaborar o projeto do sistema de impermeabilização somente trará benefícios não apenas para o usuário final, mas também para o construtor, pois reduzirá expressivamente as queixas do pós-obra, seja esta comercial, residencial, mista, túnel, barragem ou qualquer outra. Esse projeto deve ser executado conforme técnicas e normas de forma a evitar, ao máximo, possíveis manifestações patológicas, ou seja, especificar, detalhar os produtos bem como as respectivas aplicações das técnicas do sistema de impermeabilização para cada tipo de obra. A ABNT NBR9575:2010 – Impermeabilização - seleção e projeto da Associação Brasileira de Normas Técnicas apresenta definições no que diz respeito ao termo impermeabilização e estanqueidade, como apresentado a seguir: Estanqueidade: propriedade de um elemento (ou de um conjunto de componentes) de impedir a penetração ou passagem de fluidos através de si. A sua determinação está associada a uma pressão-limite de utilização (a que se relaciona com as condições de exposição do elemento fluido); Impermeabilização: conjunto de operações e técnicas construtivas (serviços), composto por uma ou mais camadas, que tem por finalidade proteger as construções contra a ação deletéria de fluidos, de vapores e da unidade. Fonte: NBR 9575:2010 A NBR9575:2010 propõe o desenvolvimento do projeto de impermeabilização em etapas, sendo essas divididas em estudo preliminar, projeto básico e projeto executivo. Estudo preliminar: esta etapa será destinada à obtenção de informações legais, técnicas e custo. Objetiva verificar as áreas que necessitarão do sistema de impermeabilização, focando nas exigências de desempenho quanto a estanqueidade e ação das águas (fluidos em geral). Falaremos mais à frente especificamente sobre a norma de desempenho. 14 UNIDADE I │ PROJETO DE IMPERMEABILIZAÇÃO E NORMAS TÉCNICAS Projeto básico: quando da elaboração do projeto básico, as peças gráficas são desenvolvidas em conjunto com memorial descritivo do sistema a ser adotado para determinado tipo de obra visando a durabilidade frente à ação dos fluidos, vapores e umidades. Projeto executivo: desenvolvimento das peças gráficas e descritivas contendo o detalhamento de todos os sistemas de impermeabilização envolvidos em determinada construção. É importante que este projeto seja executado em conjunto com as demais disciplinas bem como a sua compatibilização. Quadro1. Exemplo de projeto básico em área de implantação – térreo. TIPO LOCAL DESCRIÇÃO 1 LIXO SOBRESOLO CIMENTO POLIMÉRICO 2Kg/m². ESPESSURA 2mm. CONFORME NORMA NBR 11905 ABNT 2 PISO CHURRASQUEIRA DUPLA CAMADA 7mm: MANTA 4mm TIPO III - B. NBR 9952 ABNT ADERIDA COM ASFALTO 3kg/ m² NBR 9910 ABNT. CONFORME A NORMA NBR 9952/9910 ABNT.3 COBERTURA CURRASQUEIRA Fonte: Carvalho, 2020. Figura 2. Projeto – Sugestão. Lixo Gradil = 2,50 m 1 2 3 Espaço Gourmet Muro Churrasqueira M ur et a = 1, 50 m M ur o =2 ,5 0 m M ur o =2 ,5 0 m Fonte: Carvalho, 2020. 15 PROJETO DE IMPERMEABILIZAÇÃO E NORMAS TÉCNICAS │ UNIDADE I Para que o resultado seja eficiente, não só a elaboração do projeto deverá seguir as normas técnicas, mas durante a execução será necessário respeitar o projeto de impermeabilização mantendo a correta execução. O ideal é que esse projeto seja específico para determinadas áreas de atuação (piscinas, coberturas, áreas frias etc.) sendo desenvolvido por um profissional legalmente habilitado ou por empresa especializada. Segundo Antunes (2004), a existência de um projeto de impermeabilização minimiza a ocorrência de patologias já que permite controlar a execução, além de prever detalhes construtivos e arremates. O profissional ou empresa responsável pela execução do projeto de impermeabilização deverá ter em mãos não só o projeto de arquitetura, mas também as disciplinas de estrutura, instalações elétricas e hidráulicas, pois estas também terão ligação com a impermeabilização. Há menos de duas décadas tínhamos uma oferta reduzida de produtos no mercado para realização desses serviços. No entanto, com a evolução tecnológica dos materiais ligados a construção civil, surgiu uma gama significativa de produtos que permitem uma estanqueidade adequada. Figura 3. Exemplo de projeto executivo – detalhamento. 5 – Borda pedra goiás verde 3 – Assentamento Acerto de superfície (0,2 cm) 4 - Pastilha cerâmica jatobá 2,5x2,5 – JD4716 – verde Macau 2 – Impermeabilização Sistema 2 e 3 1 - Estrutura Fonte: Carvalho, 2020. 16 UNIDADE I │ PROJETO DE IMPERMEABILIZAÇÃO E NORMAS TÉCNICAS Figura 4. Exemplo de projeto executivo – detalhamento. PREPARAÇÃO DE RODAPÉ (MEIA CANA): ARREDONDAR OS CANTOS VIVOS DA REGULARIZAÇÃO MEIA CANA 5 A 8cm ACABAMENTO TELA PEAD MASTIQUE POLIURETANO PROTEÇÃO MECÂNICA CAMADA SEPARADORA LAJE DE CONCRETO REGULARIZAÇÃO PRIMER MANTA ASFÁLTICA VERIFICAR TIPO DO LOCAL DETALHE MEIA CANA E RODAPÉ Fonte: Carvalho, 2020. As informações gráficas e descritivas desses projetos vão permitir a realização de uma programação adequada da execução sem interferir nas diversas etapas das obras. Finalizado o desenvolvimento do projeto executivo, a contratação do prestador de serviços deverá ocorrer a partir da fixação de critérios tais como: o conhecimento do aplicador do material que será utilizado bem como a norma técnica aplicável. Caso haja alguma alteração de fabricante e/ou produto indicado em projeto, é recomendável consultar o projetista, uma vez que esse terá condições de validar os produtos equivalentes. Segundo o Instituto Brasileiro de Impermeabilização, a contratação dos serviços de impermeabilização deve ser conforme as situações a seguir. 17 PROJETO DE IMPERMEABILIZAÇÃO E NORMAS TÉCNICAS │ UNIDADE I Quadro 2. Contratação dos serviços de impermeabilização – situações. Edifício comercial As empresas devem procurar profissionais com expertise na área e integrá-los aos outros projetistas da obra. Com a proposta técnica na mão, pode-se buscar no mercado a melhor relação custo-benefício. Hospital público Para obras de hospitais em que há o envolvimento de muitas disciplinas, faz-se necessário que haja a compatibilização dos projetos entre todas envolvidas. No momento da contratação da mão de obra (subcontratado), o incorporador/construtor deve verificar a idoneidade e a saúde financeira dele. Condomínio habitado Os fornecedores ou fabricantes poderão ser consultados para fornecer melhores informações no que diz respeito aos produtos a serem utilizados, principalmente devido aos inúmeros produtos disponíveis no mercado. Mas, como várias pessoas participam da decisão de contratar, os orçamentos (no mínimo três) devem ser bem detalhados. A própria residência Para essa situação, é necessário ter orientação de um especialista, a aplicação pode ser contratada por empreitada global, considerando material e mão de obra, mas é vital que haja a fiscalização. Importante: o projetista pode ser o fiscal, mas o aplicador, não. Pequena reforma Por ter uma dimensão pequena, o maior problema é controlar a qualidade do serviço. Mas muitos fabricantes possuem instaladores associados que resultam em acréscimo da credibilidade. Fonte: https://ibibrasil.org.br/projetos/, 2020, adaptado. https://ibibrasil.org.br/projetos/ 18 CAPÍTULO 2 Normas Técnicas No que diz respeito às normas técnicas, além da norma NBR 9575 – Impermeabilização – Seleção e Projeto, temos inúmeras outras relacionadas a execução e materiais que podemos especificar visando o incremento da qualidade. A utilização dessas normas tem sido um importante agente de mudanças no que se refere a uma série de conceitos e terminologias importantes, além de ter incorporado diversos conceitos e tipos de impermeabilização até então sem normalização. Destacamos no quadro abaixo um resumo de normas relacionadas ao sistema de impermeabilização. Quadro 3. Normas Técnicas (ABNT) relacionadas ao sistema de impermeabilização. Comitê Brasileiro de Impermeabilização (CB-022) da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) ABNT NBR 9574:2008 Execução de impermeabilização. ABNT NBR 9575:2010 Impermeabilização - Seleção e projeto. ABNT NBR 9685:2005 Emulsão asfáltica para impermeabilização. ABNT NBR 9686:2006 Solução e emulsão asfáltica empregados como material de imprimação. ABNT NBR 9690:2007 Impermeabilização - Mantas de cloreto de polivinila (PVC). ABNT NBR 9910:2002 Asfaltos modificados para impermeabilização sem adição de polímeros - características de desempenho. ABNT NBR 9952:2014 Manta asfáltica para impermeabilização. ABNT NBR 11797:1992 Manta de etileno-propileno-dieno-monômero (EPDM) para impermeabilização - Especificação. ABNT NBR 11905:2015 Argamassa polimérica industrializada para impermeabilização. ABNT NBR 12170:2009 Potabilidade da água aplicável em sistema de impermeabilização - Método de ensaio. ABNT NBR 12171:1992 Aderência aplicável em sistema de impermeabilização composto por cimento impermeabilizante e polímeros - Método de ensaio. ABNT NBR 13121:2009 Asfalto elastomérico para impermeabilização. ABNT NBR 13176:1994 Polímeros - Determinação do índice de acidez de dispersão - Método de ensaio. ABNT NBR 13321:2008 Membrana acrílica para impermeabilização. ABNT NBR 15352:2006 Mantas termoplásticas de polietileno de alta densidade (PEAD) e de polietileno linear (PEBDL) para impermeabilização. ABNT NBR 15375:2007 Bocal de etileno-propileno-dieno monômero (EPDM) para impermeabilização de descida de águas. ABNT NBR 15375:2006 Bocal de etileno-propileno-dieno monômero (EPDM) para impermeabilização de descida de águas - Emenda 1. ABNT NBR 15414:2006 Membrana de poliuretano com asfalto para impermeabilização. ABNT NBR 15487:2007 Membrana de poliuretano para impermeabilização. ABNT NBR 15885:2010 Membrana de polímero acrílico com ou sem cimento, para impermeabilização. ABNT NBR 16072:2012 Argamassa impermeável. ABNT NBR 16411:2015 Fita asfáltica autoadesiva. Fonte: Coletânea ABNT. 19 PROJETO DE IMPERMEABILIZAÇÃO E NORMAS TÉCNICAS │ UNIDADE I É importante ressaltar que a NBR 9574 – Execução de Impermeabilização, recomenda a necessidade de realização de ensaios para a verificação de falhas no sistema executado. Entre os ensaios, destacamos: » teste com lâmina de água; » teste com equipamentos eletrônicos, termografiaetc. O teste de lâmina d’água deve ser feito com água limpa e durante um período de 72 horas para verificar a estanqueidade do sistema. Figura 5. Teste de lâmina d´água. Fonte: https://www.picuki.com/profile/engenhariadaobra. Ocorrendo a necessidade de reparos, esses deverão ser executados e posteriormente o ensaio deverá ser repetido para liberação do local ao cliente e/ou usuário. Já o teste com equipamento eletrônico poderá ser utilizado um ensaio não destrutivo por meio da termografia infravermelha que avalia os sistemas em uma edificação quanto à existência de inconsistências nos seus padrões de temperatura. Havendo divergências nos padrões, há indicação de patologias. https://www.picuki.com/profile/engenhariadaobra 20 UNIDADE I │ PROJETO DE IMPERMEABILIZAÇÃO E NORMAS TÉCNICAS Figura 6. Presença de água na emenda do rodapé da manta. Fonte: http://ibibrasil.org.br/simposio2018/wp-content/uploads/2018/06/A-utiliza%C3%A7%C3%A3o-da-termografia-para- completar-o-ensaio-de-estanqueidade-em-locais-impermeabilizados-Estudo-de-caso.pdf. Podemos complementar os ensaios utilizando os testes eletrostáticos que são detectores de furos. Esses equipamentos elétricos operam por meio do fechamento de arco voltaico. São utilizados sobre as impermeabilizações para comprovação da estanqueidade, segundo procedimento não destrutivo. NBR 15.575 edificações habitacionais – desempenho O objetivo de termos uma Norma de Desempenho foi buscar atender aos usuários quanto às suas exigências no que diz respeito à qualidade do empreendimento. Independente da tecnologia utilizada ou do tipo do material este deverá atender os requisitos da Norma, especificamente no que se refere a impermeabilização ou, considerando uma maneira mais ampla, a estanqueidade. A norma NBR 15.575 entrou em vigor em julho de 2013 e estabeleceu importantes critérios para a construção civil. Apesar do processo contínuo de adaptação do setor, empreendimentos contemplando a norma somente começaram a se tornar realidade a partir de 2016. A NBR 15.575 está dividia em seis partes: » requisitos gerais; » requisitos para os sistemas estruturais; 21 PROJETO DE IMPERMEABILIZAÇÃO E NORMAS TÉCNICAS │ UNIDADE I » requisitos para o sistema de pisos; » requisitos para o sistema de vedações verticais internas e externas; » requisitos para os sistemas de coberturas; » requisitos para os sistemas hidrossanitários. Quando apresentamos os requisitos, é necessário entender que cada um deles diz respeito a sistemas, ou seja, serão necessário diversos elementos para compor um sistema e não apenas um único item. Exemplificando, para composição do sistema de vedação vertical temos as janelas formadas por alumínio e vidros, blocos, revestimentos argamassados etc. Esses elementos deverão ser avaliados não somente pelos materiais, mas por todo o conjunto que compõe a parede. A norma de desempenho, apesar de se aplicar somente para as edificações habitacionais, fez com que o setor de construção se adaptasse mudando de modo geral seus parâmetros de qualidade. Muitas empresas passaram a implantar o Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ). A indicação do desempenho, ou melhor, o comportamento que uma edificação deverá ter durante o seu uso envolvem não só a durabilidade, mas também a segurança e conforto. A norma ainda apresenta o tempo mínimo de durabilidade dos diversos subsistemas que compõem a edificação, sendo informados nesta norma os níveis de desempenho. » Mínimo; » Intermediário; » Superior. Já no desenvolvimento dos projetos deverá ser verificado o entorno da construção para que as condições mínimas sejam sempre atendidas. A Norma de Desempenho da ABNT divide a casa em cinco sistemas diferentes. Veja quais são eles e o que cada um deve garantir em termos de segurança e conforto ao usuário. 22 UNIDADE I │ PROJETO DE IMPERMEABILIZAÇÃO E NORMAS TÉCNICAS Figura 7. Novos padrões de qualidade para a construção civil. 1 2 3 4 5 Fonte: https://www.caubr.gov.br/mudancasnormadesempenho/ - adaptado. 1. Vedações: paredes externas e internas devem garantir a estanqueidade, proteção acústica contra sons externos e conforto térmico. A norma apresenta os níveis internos de variação de temperatura obrigatórios de acordo com cada região climática brasileira. 2. Cobertura: o pé direto mínimo de um imóvel deve ser de 2,5 metros de altura, com variações em banheiros e corredores. A norma estabelece quais os pesos que a cobertura deve aguentar e quantas horas ela deve resistir ao fogo sem ceder. 3. Estrutura: a norma estabelece os critérios de estabilidade e resistência do imóvel, inclusive com métodos para medir que tipos de impactos a estrutura pode aguentar sem apresentar falhas ou rachaduras. 4. Sistema hidrossanitários: a norma garante que todas as edificações devem estar ligadas a rede de esgoto ou possuir alternativas próprias de tratamentos dos dejetos. Também diz que pressão e peso dos canos d´água devem suportar. 5. Pisos: devem aguentar a força de certos impactos especificados e manter níveis seguros contra escorregamento, para evitar acidentes domésticos. No que se refere a impermeabilização, a norma estabelece aspectos relacionados a segurança, habitabilidade, sustentabilidade e condições de exposição. Especificamente sobre a impermeabilização no item habitabilidade, verifica-se a necessidade de atendermos à estanqueidade. https://www.caubr.gov.br/mudancasnormadesempenho/ 23 PROJETO DE IMPERMEABILIZAÇÃO E NORMAS TÉCNICAS │ UNIDADE I Estanqueidade: » estanqueidade a fontes de UMIDADE EXTERNAS à edificação; » estanqueidade a fontes de UMIDADE INTERNAS à edificação; » estanqueidade à água utilizada na operação do imóvel. A norma de Desempenho NBR 15575:2013 também cita e “exige” o teste de estanqueidade como quesito mínimo para desempenho das edificações. 24 UNIDADE II CARACTERIZAÇÃO DO SISTEMA DE IMPERMEABILIZAÇÃO CAPÍTULO 1 Funções da Impermeabilização Como já apontado anteriormente, a água torna-se inimiga da edificação após a entrega da obra, promovendo o processo de aceleração da deterioração do concreto, comprometimento das armaduras, anomalias em tintas e outros revestimentos, resultando na redução da vida útil da edificação. Figura 8. Falha na impermeabilização de laje de cobertura. Fonte: https://fibersals.com.br/blog/como-impermeabilizar-laje-antiga/. Funções da Impermeabilização: » garantir maior vida útil da construção; » impedir a corrosão das armaduras do concreto; » preservar a construção de intempéries; » diminuir a necessidade de reformas e pinturas; » preservar a saúde dos moradores evitando ambientes insalubres devido a umidade, fungos e mofos. https://fibersals.com.br/blog/como-impermeabilizar-laje-antiga/ 25 CARACTERIZAÇÃO DO SISTEMA DE IMPERMEABILIZAÇÃO │ UNIDADE II O IBI (2018), em seu guia, elenca os procedimentos necessários visando garantir a estanqueidade das obras: » elaboração de Projeto de Impermeabilização (básico e executivo). Como já apresentado, deve ser bem detalhado e elaborado por profissional habilitado; » qualidade dos materiais e sistemas impermeabilizantes; » qualidade da execução da mão de obra de aplicação; » dimensionamento das diversas camadas que compõem o sistema; » qualidade da construção; » adequação e compatibilização com as interfaces dos demais sistemas existentes; » fiscalização e acompanhamento constantes por profissional habilitado; » correta execução dos detalhes constantes dos projetos de impermeabilização; » prazos exequíveis para execução, além de ensaios e testes do sistema de impermeabilização aplicado; » preservação da impermeabilização, por meio de programas de manutenção da construção; » conformidade dos sistemas, projetos e aplicações às normas técnicas da ABNT e do CB-022 – Comitê Brasileiro de Impermeabilização. Segundo o Guia de Aplicação da Norma de Desempenho para Impermeabilização do Instituto Brasileirode Impermeabilização – IBI (2018), o sistema de impermeabilização deve atender às exigências de desempenho, compatíveis com as solicitações previstas em projeto, tais como: » resistir às cargas estáticas e dinâmicas; » resistir aos efeitos dos movimentos de dilatação e retração do substrato e dos acabamentos ocasionados por variações térmicas; » resistir à degradação ocasionada por influências climáticas, térmicas, químicas ou biológicas decorrentes da ação da água, gases ou ar atmosférico; 26 UNIDADE II │ CARACTERIZAÇÃO DO SISTEMA DE IMPERMEABILIZAÇÃO » resistir às pressões hidrostáticas, de percolação, coluna d’água e umidade do solo; » apresentar aderência, flexibilidade, resistência e estabilidade físico-mecânica; » apresentar vida útil compatível com as condições previstas em projeto; » resistir à água de percolação, água de condensação, umidade de solo e pressão unilateral e bilateral. 27 CAPÍTULO 2 Classificação dos Sistemas de Impermeabilização Os sistemas impermeabilizantes são classificados de acordo com as suas características quanto a solicitação, aderência, flexibilidade, composição, exposição ao intemperismo e método de sua aplicação. Quanto à solicitação: é importante ressaltar que precedido ao estudo preliminar, o técnico responsável pela elaboração do projeto deverá verificar a solicitação imposta pela água (fluido) junto às partes construtivas que necessitam de estanqueidade. Essa solicitação poderá ocorrer de quatro formas distintas, segundo a ABNT NBR 9575:2010: » imposta pela água de percolação: água superficial; » imposta pela água de condensação: condensação de vapor; » imposta pela umidade do solo: capilaridade; » imposta pelo fluido sob pressão unilateral ou bilateral. Pressão Positiva: contato direto da água com a superfície a ser impermeabilizada; Exemplo: Impermeabilização de caixa d’água. Pressão Negativa: contato indireto da água com a superfície a ser impermeabilizada. Exemplo: Parte aterrada de um muro de arrimo. Figura 9. Pressões – Positiva e Negativa. Pressão Positiva (+) Pressão Negativa (-) impermeabilização impermeabilização Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=MpAsUa3OzG4. 28 UNIDADE II │ CARACTERIZAÇÃO DO SISTEMA DE IMPERMEABILIZAÇÃO Quanto ao material: os sistemas de impermeabilização podem ser classificados de acordo com a composição do material como: argamassas, cristalizantes, asfálticos e poliméricos, segundo Oliveira (2015). Os mais comumente utilizados são: Asfálticos: » manta asfáltica; » membrana de asfalto elastomérico, em solução; » asfálticos membrana de asfalto modificado sem adição de polímero; » membrana de asfalto elastomérico; » membrana de emulsão asfáltica. Poliméricos: » membrana de poliuretano; » manta de acetato de etilvinila (EVA); » membrana epoxídica; » manta de polietileno de alta densidade (PEAD); » membrana elastomérica de estilenobutadieno-estireno (SBS); Cimentícios » argamassa polimérica; » argamassa com aditivo impermeabilizante; » argamassa modificada com polímero; » cimento modificado com polímero. Quanto à flexibilidade: segundo a NBR 9575/10, temos dois grupos de sistemas impermeabilizantes: rígidos e flexíveis. Porém, no mercado é possível encontrar as empresas fornecedores ofertando o semiflexível, ainda não normatizado. 29 CARACTERIZAÇÃO DO SISTEMA DE IMPERMEABILIZAÇÃO │ UNIDADE II A escolha do sistema a ser utilizado vai depender das características das estruturas e dos materiais em que serão aplicadas. Dessa forma será escolhido o material destinado a determinada superfície, ou seja, somente rígido ou somente flexível. A NBR 9575 define o sistema rígido e flexível da seguinte forma: Impermeabilização Rígida: Conjunto de materiais e ou produtos que não apresentam características de flexibilidade compatíveis e aplicáveis às partes construtivas não sujeitas à movimentação do elemento construtivo. Impermeabilização Flexível: Conjunto de materiais e ou produtos que apresentam características de flexibilidade compatíveis e aplicáveis às partes construtivas sujeitas à movimentação do elemento construtivo. Para ser caracterizada como flexível, a camada impermeável deve ser submetida a ensaio específico. Os materiais flexíveis podem ser moldados no local ou pré-fabricados, sendo os principais: » moldados no local: as membranas por meio de processos sob calor ou frio (emulsões); » pré-fabricadas: as mantas. Já para os rígidos, temos a inclusão de aditivos químicos e agregados na argamassa ou a aplicação de membranas acrílicas rígidas. A impermeabilização rígida é considerada eficiente para locais não sujeitos às fissuras, tais como galerias, piscinas, subsolos, uma vez que esses locais possuem pouca variação de temperaturas. Portanto, não estão sujeitos a movimentação ou grandes deformações. Destacamos a seguir os mais utilizados: » argamassa impermeável; » argamassas poliméricas. https://www.blok.com.br/impermeabilizantes-acrilicos 30 UNIDADE II │ CARACTERIZAÇÃO DO SISTEMA DE IMPERMEABILIZAÇÃO Figura 10. Classificação dos sistemas de impermeabilização quanto a flexibilidade Flexível e Rígido. rígido flexível movimentação Sistema rígido executado no local Sistema flexível Pré-fabricados: as Mantas rígido flexível movimentação Argamassa com aditivo impermeabilizante Emulsões Manta Cimentícios Fonte: Manual Técnico Vedacit, 2016. 31 UNIDADE IIIPATOLOGIAS CAPÍTULO 1 Patologia e Manifestação Patológica Muitas vezes utilizamos o conceito de patologia para descrever ocorrências, tais como: infiltração, manchas na pintura, fissuras e etc. Na verdade, tais ocorrências são resultado de um problema sofrido na construção, seja em sua estrutura, sistema de vedação, instalações elétricas ou hidráulicas, cobertura entre outros. Ou seja, na verdade, o que observamos são as manifestações patológicas. A seguir apresentaremos os respectivos conceitos para melhor compreensão. Patologia: segundo Silva (2011), a patologia é uma ciência que estuda e procura explicar os mecanismos de degradação, anomalias ou problemas de uma construção. Normalmente sua ocorrência se deve à falta de projetos ou erro na concepção desse, como. por exemplo, inexistência de detalhes executivos ou referências quanto a fabricantes ou ainda baixa qualidade da mão de obra. A falta de manutenções preventivas ou corretivas é outro fator que reduz a vida útil da edificação. Sucintamente, a patologia é a causa/motivo de determinada ocorrência. Manifestação patológica: segundo Silva (2011), é a expressão resultante de um mecanismo de degradação (eflorescências, fissuras etc.). Sucintamente, a manifestação patológica é o efeito de uma ocorrência. Figura 11. Patologia x Manifestação patológica. Patologia – falta de impermeabilização na laje Manifestação Patológica - infiltração Fonte: https://www.masterplate.com.br/vazamento-na-laje-o-que-fazer/. https://www.masterplate.com.br/vazamento-na-laje-o-que-fazer/ 32 UNIDADE III │ PATOLOGIAS A água é um dos maiores causadores de patologias, de forma direta ou indireta, quer se encontre no estado de gelo, no líquido ou mesmo enquanto vapor de água. Pode ser vista como um agente de degradação ou como meio para instalação de outros agentes. (QUERUZ, 2007). Para melhor entendimento e diagnóstico da atuação das águas junto à edificação, bem como a sua ocorrência, é importante saber: » onde agem as infiltrações; » como funcionam os mecanismos de entrada e proliferação dos fluidos. Figura 12. Águas nas edificações. chuva chuva Condensação Condensação Infiltrações Infiltrações Capilaridade Falta de ventilação e insolação Percolações Superficial Lençol freático Vazamentos subterrâneos Vazamentos Fonte: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-civil/manifestacoes-patologicas, adaptado. De acordo com Storte (2006), a água pode penetrar em umaconstrução das seguintes formas: » estado líquido; » águas pluviais; » águas de infiltração; » umidade ascendente; » estado de vapor; » condensação capilar; https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-civil/manifestacoes-patologicas 33 PATOLOGIAS │ UNIDADE III » absorção higroscópica; » condensação. Na imagem acima é possível verificar diversos problemas tendo como origem a água (fluidos) podendo se manifestar em muitos elementos de uma edificação, tais como: paredes, pisos, fachadas, elementos de concreto armado, dentre outros. 34 CAPÍTULO 2 Mecanismos de Manifestação das Águas nas Edificações Umidade por percolação: em física, química e ciência dos materiais, percolação se refere ao movimento e filtragem de fluidos por materiais porosos. Em uma edificação podemos referenciar como a água que escoa com a ação da gravidade livre, ou seja, a migração da água por meio dos poros, trincas e fissuras. Podemos representar a percolação de acordo com a imagem abaixo. Figura 13. Percolação – Fluxo subterrâneo. D E S C E N D E N T E chuva Percolação: fluxo d´água subterrâneo 2 – O fluxo perto do barranco Minas e bicas d´água rio A água que entrou no terreno forma caminhos e vai sair do barranco By WATANABE Fonte: http://www.ebanataw.com.br/roberto/percolacao/perc2.htm, adaptado. Já na representação do processo de percolação que ocorre na imagem a seguir, é possível verificar que, na base do caixilho, há percolação de água acumulada no parapeito da janela. Tal situação pode ocorrer devido à falta de calafetação adequada no caixilho (vedação), falta da existência de pingadeiras ou má fixação delas. Outros exemplos, podemos citar: terraço, cobertura e lavagem. Figura 14. Percolação pela esquadria. D E S C E N D E N T E esquadria Água ou umidade sobre o parapeito – pressão menor que 0,1 m c.d.a Água ou unidade percolada Parede de alvenaria Fonte: Pozzobon, 2007. 35 PATOLOGIAS │ UNIDADE III Umidade por infiltração: ocasionada na grande maioria das vezes pelas águas das chuvas, ou seja, ocorre uma penetração da água no interior dos edifícios pelas paredes, portas, janelas por meio de trincas, podendo ser intensificada pela ação do vento. Outra possibilidade de sua ocorrência se dá pela existência de tubulações mal executadas afetando tanto as instalações hidráulicas quanto as instalações elétricas. As consequências observadas são as manchas de umidade e infiltrações maiores, com o aparecimento ou “afloramento” da água na superfície. Quando a ocorrência é ocasionada por vazamentos em sistemas de tubulação (águas pluviais e recalque, esgoto, gás), reservatórios ou canalizações, pode estar ligada à vida útil dos imóveis e as respectivas manutenções. Figura 15. Infiltração decorrente de laje. Fonte: https://zonasul.portalje.com.br/noticias/obras/como-evitar-infiltracoes-em-paredes-e-lajes/2017/01/09/. Figura 16. Infiltração por meio de conduítes. Fonte: https://www.cec.com.br/dicas-manutencao-infiltracao-e-goteiras-de-aguas-pluviais-em-telhado-laje-ou-forro?id=306. https://zonasul.portalje.com.br/noticias/obras/como-evitar-infiltracoes-em-paredes-e-lajes/2017/01/09/ 36 UNIDADE III │ PATOLOGIAS Umidade por condensação: nesse caso temos a transformação da água em estado gasoso para o líquido. Ocorre devido à presença de grande quantidade de umidade no ar. Quando este ar entra em contato com superfícies mais frias, como vidros, metais e paredes, ocorre a formação de pequenas gotas de água. Esse fenômeno está associado à falta de ventilação. Figura 17. Condensação. Fonte: https://planville2u.com.br/2017/07/mofo-ou-bolor-umidade-por-condensacao.html#prettyPhoto. A condensação é mais comum em períodos chuvosos, inverno ou áreas molhadas nas residências, como, por exemplo, banheiros. É importante tratar pois tornam-se lugares insalubres ao morador, além, é claro, do fator estético do local, com a formação de bolor nas paredes. Figura 18. Formação de bolor. Fonte: https://planville2u.com.br/2017/07/mofo-ou-bolor-umidade-por-condensacao.html#prettyPhoto. 37 PATOLOGIAS │ UNIDADE III Umidade ascensional: também conhecida como infiltração por capilaridade, ocorre através dos poros dos materiais, por exemplo (tijolos, concretos porosos etc.) em contato com a presença do solo úmido pela ação da tensão superficial, no qual a situação mais comum é a presença de umidade do solo que se eleva no material. Figura 19. Infiltração por capilaridade. Fonte: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-civil/manifestacoes-patologicas. Resulta no aparecimento de manchas na parte inferior das paredes, que absorvem a água do solo pela fundação. Pode estar relacionado a vigas de fundação que ficam enterradas. Figura 20. Infiltração por capilaridade. Fonte: https://www.fazfacil.com.br/wp-content/uploads/2015/06/20150622-umidade-3.jpg. https://www.nucleodoconhecimento.com.br/engenharia-civil/manifestacoes-patologicas 38 UNIDADE III │ PATOLOGIAS Quando há situações específicas como a presença de lençol freático aflorado ou quase superficial, próximo ou no próprio terreno, o risco de ocorrer ascensão da umidade é intensificado. A infiltração por capilaridade afeta pisos e paredes segundo Souza (2008 apud ALIPRANDINI, 2015, p. 35) no máximo até 0,8 metros, porém, para Hillesheim et al. (2016), essa subida poderá atingir até no máximo 1,0 metro. Água sob pressão: quando apresentamos a classificação dos sistemas com relação à solicitação, já havíamos tratado deste assunto, demostrando a ação da pressão na estrutura. Aqui apresentaremos as definições segundo a norma ABNT NBR 9575:2010. Água sob pressão negativa: água, confinada ou não, que exerce pressão hidrostática superior a 1 kPa (0,1 m.c.a), de forma inversa à impermeabilização. Água sob pressão positiva: água, confinada ou não, que exerce pressão hidrostática superior a 1 kPa (0,1 m.c.a), de forma direta à impermeabilização. Figura 21. Água sob pressão – negativa e positiva. Alvenaria, chapisco e reboco Impermeabilização para pressão positiva Impermeabilização para pressão negativa Fonte: https://www.blok.com.br/blog/impermeabilizacao-pressao-negativa-positiva. Tendo conhecimento sobre como funcionam os mecanismos de entrada e proliferação dos fluidos na edificação (obras diversas), bem como a sua forma de agir, ou melhor, após a análise dos tipos de umidade e das condições da obra, será possível determinar quais as manifestações patológicas causadas pela umidade. https://www.blok.com.br/blog/impermeabilizacao-pressao-negativa-positiva 39 CAPÍTULO 3 Manifestações patológicas causadas por fluidos – água Na maioria das vezes as manifestações patológicas nas edificações estão atreladas às falhas nas fases de projeto e execução, podendo chegar a 68% somando as duas possibilidades. Figura 22. Origem das patologias em impermeabilização. Fonte: Helene; Figueiredo, 2003 apud Silva; Jonov, 2016. Os custos com impermeabilização, quando prevista desde a fase do projeto de construção do imóvel, giram em torno de 0,5% a 3% do valor total da obra. Já os gastos para correção desses problemas ocasionados pela falta de impermeabilização, durante ou após terminada a construção, superam 15% do valor final da obra. A título de verificação do investimento, podemos pensar em um empreendimento com área construída de 100 metros quadrados e com padrão médio de acabamento, cujo valor de investimento por metro quadrado gira em torno de R$ 2.400,00 reais, portanto, essa edificação chegaria a R$ 240.000,00 reais. 40 UNIDADE III │ PATOLOGIAS Durante a sua construção teríamos um investimento do sistema de impermeabilização na ordem de R$ 4.800,00 reais, cerca de 2% do investimento total, porém quando do término da construção as despesas poderiam chegar a R$ 36.000,00, cerca de 15% do total, porque, nesse caso, teríamos o investimento em serviços já finalizados alémdo fornecimento e aplicação dos impermeabilizantes. Segundo pesquisa do Sindicato de Habitação do Rio de Janeiro, feita em cinquenta e dois edifícios de oito construtoras, as maiores queixas e reclamações extraídas dos ocupantes sobre as patologias mais comuns nesses edifícios referem-se à parte hidráulica (o que comprova a grande frequência das infiltrações nos edifícios), a trincas nas paredes, a problemas de esquadrias, impermeabilizações etc. (BOSCARRIOL, 2013). Figura 23. Principais patologias em edificações no Rio de Janeiro. Fonte: Helene; Figueiredo, 2003 apud Silva; Jonov, 2016. Especificamente nesta pesquisa, os problemas relacionados à parte hidráulica superaram os de impermeabilização. Todavia, os reflexos dos problemas hidráulicos resultam em consequências para os sistemas de impermeabilização, uma vez que comprometem sua vida útil. 41 PATOLOGIAS │ UNIDADE III Nem sempre será simples identificar as causas das patologias. O que conseguimos observar mais facilmente são as consequências, as manifestações, entre as quais podemos destacar: » bolor – mofo; » infiltrações – goteiras; » corrosão; » fissuras; » eflorescências; » carbonatação do concreto; » descolamento dos revestimentos cerâmico e argamassado; » bolhas, manchas e tinta descamada na pintura. Bolor – mofo: são espécies de fungos e podem existir vários tipos. Porém enquanto o bolor apenas infecta as paredes e os objetos, o mofo corrói o material afetado. O bolor normalmente apresenta uma tonalidade acinzentada e pode ser mais facilmente removido com pano úmido. Já o mofo apresenta pontos pretos mais difíceis de serem retirados. Segundo Trauzzola (1998), o desenvolvimento do bolor ou mofo é um problema de grande importância econômica e uma ocorrência comum em áreas tropicais. Além de afetar as paredes, telhas, tubulações dos imóveis, podem atingir os seus usuários, causando problemas respiratórios ou agravando os já existentes, tais como: asma alérgica, rinite alérgica, sinusite fúngica, alergias. Figura 24. Bolor nas paredes internas. Fonte: https://www.aecweb.com.br/revista/materias/bolor-nas-paredes-pode-causar-danos-as-estruturas-das-edificacoes/7490. https://drlavatudo.com/alergia/rinite-alergica-causas-sintomas/ https://www.aecweb.com.br/revista/materias/bolor-nas-paredes-pode-causar-danos-as-estruturas-das-edificacoes/7490 42 UNIDADE III │ PATOLOGIAS Figura 25. Mofo nas paredes externas. Fonte: http://g1.globo.com/goias/mercado-imobiliario/noticia/2017/04/especialistas-explicam-como-evitar-e-tratar-mofo-nas- paredes-e-moveis.html. Figura 26. Mofo no rejunte de azulejos. Fonte: https://www.tuacasa.com.br/como-tirar-mofo-da-parede/. Figura 27. Mofo em pisos. Fonte: https://www.tuacasa.com.br/como-tirar-mofo-da-parede/. http://g1.globo.com/goias/mercado-imobiliario/noticia/2017/04/especialistas-explicam-como-evitar-e-tratar-mofo-nas-paredes-e-moveis.html http://g1.globo.com/goias/mercado-imobiliario/noticia/2017/04/especialistas-explicam-como-evitar-e-tratar-mofo-nas-paredes-e-moveis.html https://www.tuacasa.com.br/como-tirar-mofo-da-parede/ https://www.tuacasa.com.br/como-tirar-mofo-da-parede/ 43 PATOLOGIAS │ UNIDADE III No momento da compra/venda de uma edificação com a identificação destas manifestações, haverá a desvalorização do imóvel. No Brasil os custos de aquisição de uma edificação são elevados, sendo assim, a constatação de tais problemas leva à diminuição de seu valor e consequentemente de sua atratividade. Quem pretende adquirir um imóvel leva em consideração tais questões para negociar preços e prazos. Dessa forma, a impermeabilização não é apenas uma questão de conservação, mas um investimento que poderá ser resgatado no futuro com a conservação do imóvel. Infiltrações – goteiras: as goteiras provocadas principalmente em épocas de chuva, utilizam pequenas frestas, rachaduras ou buracos em telhados ou lajes impermeabilizadas ou não, por onde a água possa entrar resultando em grandes estragos em uma casa (qualquer tipo de obra), tirando de vez o sossego de seu morador. Dependendo da quantidade de chuvas a água pode ficar acumulada causando manchas ou pode infiltrar diretamente em forma de gotas ou até na forma de jorro de água. Figura 28. Infiltrações e goteiras – danos no forro. Fonte: https://fibersals.com.br/blog/goteira-como-resolver/. Figura 29. Infiltrações e goteiras - manchas no forro. Fonte: https://fibersals.com.br/blog/goteira-como-resolver/. https://fibersals.com.br/blog/goteira-como-resolver/ https://fibersals.com.br/blog/goteira-como-resolver/ 44 UNIDADE III │ PATOLOGIAS Essa quantidade de água afeta não só esteticamente, mas também é factível o comprometimento da estrutura da edificação. Na ocorrência da falha da impermeabilização, deverá ser providenciado o reparo o mais brevemente possível. Segundo Bauer (2008) “as manchas podem se apresentar com colorações diferenciadas, como marrom, verde e preta, entre outras, conforme a causa. A de coloração marrom pode representar a existência de elementos com ferrugem com as estruturas metálicas dos telhados”. Além da possiblidade de telhas quebradas ou soltas, podemos encontrar ainda ausência de condutores, ou entupimento das calhas e rufos. A falta de limpeza desses dispositivos pode causar entupimentos nos coletores e tubos de descida, reduzindo a capacidade de vazão ou até mesmo impedindo o escoamento. Figura 30. Entupimento de calhas. Fonte: https://www.aecweb.com.br/revista/materias/manutencao-e-limpeza-de-calhas-sao-fundamentais-para-evitar- obstrucoes/18279. A inclinação do telhado também é um fator fundamental para o escoamento das águas de chuvas. Além disso, um telhado com pouca inclinação pode provocar a sobrecarga nas ripas, e isso pode ocasionar problemas na estrutura. A inclinação do telhado é obtida considerando o tipo do material usado na confecção da telha, sendo que cada material necessita de uma inclinação diferente. O material utilizado na confecção do produto poderá ser de cerâmica (mais comumente utilizado), de concreto, metal, aço galvanizado, vidro, policarbonato, fibrocimento e outros. Temos ainda as coberturas ecológicas com a utilização de telhas com fibra natural ou material reciclado. As telhas ecológicas retêm pouco calor e não retêm umidade, proporcionando um excelente conforto. Quando da escolha da telha, também é https://www.aecweb.com.br/revista/materias/manutencao-e-limpeza-de-calhas-sao-fundamentais-para-evitar-obstrucoes/18279 https://www.aecweb.com.br/revista/materias/manutencao-e-limpeza-de-calhas-sao-fundamentais-para-evitar-obstrucoes/18279 https://blog.regionaltelhas.com.br/telhas-galvanizadas-o-que-elas-sao-e-quais-seus-beneficios/ http://glory-handsomely-club.blogs.rockstage.io/telha-ecologica-3-solucoes-criativas-e-tecnicamente-viaveis/ 45 PATOLOGIAS │ UNIDADE III importante observar a cor do material: cores escuras como o preto e o marinho retêm mais calor e devem ser usadas em regiões frias. Já as cores claras, como o branco e o bege, absorvem pouco calor e são escolhas ideias para regiões quentes. Figura 31. Tipos de telhas cerâmicas. Americana Colonial Portuguesa Francesa imin=36% - 16 un/m² Italiana imin=30% - 14 un/m² Romana imin=30% - 16 un/m² Fonte: https://www.suaobra.com.br/dicas/8-tipos-de-telha-entenda-as-diferencas. Além das telhas cerâmicas, podemos utilizar: » telhas metálicas: mínimo de 3% de inclinação; » telhas de concreto: de 30 a 40% de inclinação; Recordando os cálculos: o primeiro passo é a escolha da telha que será utilizada no telhado. Como observado acima, podemos investir em diversos tipos e marcas. No entanto, devemos atentar para a qualidade do material ofertado. Existem materiais de boa qualidade e com bom custo-benefício. Mas é essencial não se atentar somente ao preço, pois a construção precisa estar dentro das normas técnicas que garantem sua qualidade e durabilidade. Figura 32. Ação dos ventos sobre o telhado. Fonte:https://blogdoroque.com.br/2015/03/23/vento-arranca-parte-de-telhado-de-uma-residencia/. https://www.suaobra.com.br/dicas/8-tipos-de-telha-entenda-as-diferencas https://blogdoroque.com.br/2015/03/23/vento-arranca-parte-de-telhado-de-uma-residencia/ 46 UNIDADE III │ PATOLOGIAS As inclinações aplicadas aos telhados são medidas em porcentagem (%) e não por ângulos (º), visando facilitar o processo e evitar possíveis erros quando utilizados ângulos. Há recomendação, por parte dos fabricantes, da utilização de inclinações de 30%, como por exemplo para as telhas americanas, significa então que a cada 1 metro – 100 centímetros de estrutura, é necessário que o telhado suba 30 centímetros. Figura 33. Telhado com inclinação de 30%. Telhado com inclinação de 30% 30cm 100cm Fonte: https://www.vivadecora.com.br/pro/estudante/inclinacao-telhado/. No caso da telha de fibrocimento (sem amianto) o fabricante recomenta uma inclinação de 10%, ou seja, a cada 1 metro – 100 centímetros de estrutura, é necessário que o telhado suba 10 centímetros. Figura 34. Telhado com inclinação de 30%. 10cm 100cm Fonte: https://www.vivadecora.com.br/pro/estudante/inclinacao-telhado/. E, no caso da avaliação da inclinação de uma cobertura existente, será necessário verificar os projetos e, na ausência desses, verificar in loco os comprimentos e as alturas, como no exemplo abaixo: Figura 35. Telhado com inclinação de 30%. 0,87 cm 7 m Fonte: https://www.vivadecora.com.br/pro/estudante/inclinacao-telhado/. https://www.vivadecora.com.br/pro/estudante/inclinacao-telhado/ https://www.vivadecora.com.br/pro/estudante/inclinacao-telhado/ https://www.vivadecora.com.br/pro/estudante/inclinacao-telhado/ 47 PATOLOGIAS │ UNIDADE III Logo, teremos que dividir a altura do telhado pelo comprimento: » 0,87/7,00 = 0,124 → 12,40% Corrosão: no Brasil a maioria das unidades habitacionais utilizam na sua fabricação o concreto armado, ou seja, concreto mais armadura em aço. Sabemos que o concreto resiste bem apenas aos esforços de compressão, já malhas de aço são adicionadas com o objetivo de resistir aos outros esforços solicitantes, sendo o principal deles a flexão. Figura 36. Esforços Solicitantes – concreto armado. COMPRESSÃO TRAÇÃO TORÇÃO FLEXÃO CISALHAMENTO Fonte: https://fibersals.com.br/blog/danos-estruturais-causados-pela-infiltracao/, adaptado. A utilização do concreto acrescido do aço torna a estrutura mais resistente a todos os esforços, ou seja, mais completa. Essa parceria de aço e concreto só é possível com a ausência de água pois é fato que os metais em geral são materiais que oxidam facilmente. Figura 37. Corrosão na armadura em vigas. Fonte: https://www.asope.com.br/single-post/2018/10/09/Corrosao-de-armadura. https://fibersals.com.br/blog/danos-estruturais-causados-pela-infiltracao/ https://www.asope.com.br/single-post/2018/10/09/Corrosao-de-armadura 48 UNIDADE III │ PATOLOGIAS Por esse motivo, a armadura de uma estrutura de concreto armado deve estar sempre longe de qualquer contato com a água, ar ou ambiente que favoreça a corrosão. A corrosão de armaduras se dá pela formação de uma pilha eletroquímica no interior do concreto armado, desenvolvendo-se assim um cátodo e um ânodo numa barra de aço, sendo oxidado na parte anódica e reduzido na parte catódica. Vários fatores são necessários para que haja a corrosão de armaduras sendo um deles a água, porque esta é essencial para que ocorra a reação catódica de redução do oxigênio, e porque influi na resistividade do concreto e na permeabilidade ao oxigênio (FIGUEIREDO; MEIRA, 2013). Figura 38. Corrosão na armadura base do pilar. Fonte: https://www.aecweb.com.br/revista/materias/corrosao-do-concreto-e-causada-por-umidade-e-gases-nocivos/6412. Helene (1993) associa a patologia de corrosão de armaduras às propriedades intrínsecas do concreto. Essas devem ser consideradas, pois o cobrimento do concreto tem a finalidade de proteger fisicamente a armadura e propiciar um meio alcalino elevado que evite a corrosão por promover a proteção do aço, principalmente, da ação de íons cloretos. É importante ressaltar que, segundo Meira (2017), a chegada de íons cloreto à região próxima da armadura não representa, por si só, o início do processo de corrosão. Uma das condições para que esse processo possa se iniciar é que os cloretos cheguem em quantidade suficiente para despassivar a armadura. https://www.aecweb.com.br/revista/materias/corrosao-do-concreto-e-causada-por-umidade-e-gases-nocivos/6412 49 PATOLOGIAS │ UNIDADE III Meira (2017) complementa que essa quantidade é conhecida como limite crítico de cloretos e depende de um número importante de variáveis, as quais estão relacionadas com o meio ambiente, as características dos materiais e a interface aço-concreto, como se apresenta no Quadro 4. O teor crítico de cloretos apresenta uma extensa variação. Quadro 4. Fatores que influenciam o limite crítico de cloreto em % em relação à massa aglomerante. Interface com aço Fatores relacionados com concreto Fatores externos Materiais cimentícios Barreira representada pelo concreto Vazios/falhas Quantidade de CA Cura Quantidade de umidade Oxidação prévia pH Relação água/aglomerante Variações de umidade Cinza volante Espessura de recobrimento Concentração de oxigênio Escória Origem dos íons cloreto Sílica ativa Tipo de cátion que acompanha o cloreto Quantidade de aglomerante Temperatura Fonte: Glass e Buenfeld, 1997a. Segundo publicação do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento da Arquitetura (IBDA), a corrosão das armaduras é uma das principais manifestações patológicas, responsáveis por prejuízos da ordem de 0,5% do PIB, segundo algumas estatísticas (STORTE, 2020). Figura 39. Corrosão na armadura em laje. Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=hFrnFpiswNc. Entre as principais ocorrências que resultam nessas manifestações destacamos: » cobrimento da armadura abaixo dos valores preconizados pelas normas da ABNT; » concreto executado com elevado fator água/cimento, acarretando incremento da porosidade e fissuras de retração; 50 UNIDADE III │ PATOLOGIAS Cobrimento das armaduras: no que se refere ao cobrimento das armaduras atendendo aos critérios normativos ligados à durabilidade, está disposto no item 7.4.7 da NBR 6118:2014, que ele é definido em função das condições de exposição da estrutura. O item 7.4.7.2 prescreve que seja respeitado um cobrimento nominal (cobrimento mínimo + tolerância de execução Δc) determinado no quadro 5 em função da classe de agressividade ambiental. Quadro 5. Correspondência entre a classe de agressividade ambiental e o cobrimento nominal para Δc = 10mm (7.2 – Norma). Tipo de Estrutura Componente ou elemento Classe de agressividade ambiental (Tabela 6.1) I II III IV Cobrimento nominal mm Concreto armado Lajeb 20 25 35 45 Viga/pilar 25 30 40 50 Elementos estruturais em contato com o solo d 30 40 50 Concreto protendido a Laje 25 30 40 50 Viga/pilar 30 35 45 55 a Cobrimento nominal da bainha ou dos fios, cabos e cordoalhas. O cobrimento da armadura passiva deve respeitar os cobrimentos para concreto armado. b Para a face superior de lajes e vigas que serão revestidas com argamassa de contrapiso, com revestimentos finais secos tipo carpete e madeira, com argamassa de revestimento e acabamento, como pisos de elevado desempenho, pisos cerâmicos, pisos asfálticos e outros, as exigências desta tabela podem ser substituídas pelas de 7.4.7.5, respeitado um cobrimento nominal ≥ 15mm. c Nas superfícies expostas a ambientes agressivos, como reservatórios, estações de tratamento de água e esgoto, condutos de esgoto, canaletas de efluentes e outras obras em ambientes química e intensamente agressivos, devem ser atendidos os cobrimentos da classe de agressividades IV. d No trecho dos pilares em contato com o solo junto aos elementos de fundação, a armadura deve ter cobrimento nominal ≥ 45mm. Fonte: https://suporte.altoqi.com.br/hc/pt-br/articles/115004562174-Prescri%C3%A7%C3%B5es-normativas-para-cobrimento-das-armaduras. A corrosão da armadura merece uma atenção redobrada, uma vez que pode levar ao colapso da estrutura. Dessa forma, cabe ao projetista analisar o ambiente ao qual o material será exposto. Figura 40. Barras de aço com leve oxidação. Fonte: https://eduqc.com.br/concursos/engenharia/edificacoes-concreto-armado/. https://suporte.altoqi.com.br/hc/pt-br/articles/115004562174-Prescri%C3%A7%C3%B5es-normativas-para-cobrimento-das-armaduras https://suporte.altoqi.com.br/hc/pt-br/articles/115004562174-Prescri%C3%A7%C3%B5es-normativas-para-cobrimento-das-armaduras 51 PATOLOGIAS │ UNIDADE III Uma das grandes dúvidas quando da execução das obras é quanto à utilização da armadura que tenha ficado exposta por longos períodos e apresenta indícios de oxidação (ferrugem). Para que possamos utilizar esse material a superfície das barras deve estar livre de ferrugem uma vez que esta poderá afetar de maneira adversa o concreto, o aço ou a aderência entre esses materiais. Será possível a utilização desse material quando: » As barras de aço apresentarem, sobre a sua superfície, produtos descartáveis em função do processo de corrosão, todavia deverão passar por uma limpeza superficial antes da sua aplicação. » As barras de aço em exposição prolongada podem ficar levemente oxidadas em ambientes de agressividade fraca a moderada agressividade, por períodos de até três meses, todavia quando da sua utilização deve-se verificar se ocorreu a perda de seção. Essa perda poderá ser de, no máximo, 10% em relação ao diâmetro da barra, e claro após a devida limpeza. Trincas ou fissuras: as trincas ou fissuras podem ocorrer durante a vida útil da obra, sendo a patologia mais comum encontrada nas edificações de modo geral. Muitas vezes são causadas por motivos simples e de fácil resolução, porém algumas delas podem indicar sérios riscos à edificação e a todos que vivem nela. Figura 41. Trincas – fissuras. Fonte: https://www.mapadaobra.com.br/inovacao/entendendo-as-trincas-e-fissuras/. https://www.mapadaobra.com.br/inovacao/entendendo-as-trincas-e-fissuras/ 52 UNIDADE III │ PATOLOGIAS Entre as principais causas do aparecimento das trincas e fissuras no concreto, podemos destacar: » corrosão da armadura e cobrimento insuficiente; » impermeabilização inexistente e armadura mal posicionada; » elemento estrutural sobrecarregado; » movimentações térmicas; » deformações lentas e retração do concreto; » impacto acidental; » ações de fogo; » recalque de fundação. Neste conteúdo vamos focar nas fissuras provocadas pela umidade. As fissuras que ocorrem provocadas pela umidade são muitos semelhantes às causadas pelas variações de temperatura. Elas podem aparecer em qualquer local, mas principalmente junto às bases das paredes e também nas formas verticais. Figura 42. Trincas – fissuras. Fonte: https://dansolucao.com.br/principais-patologias-causadas-por-infiltracoes-e-umidade/#:~:text=Fissuras%20ou%20 trincas&text=Nem%20sempre%20s%C3%A3o%20causados%20por,pela%20estrutura%2C%20aumentando%20o%20dano. Conforme Thomaz (1989), as mudanças higroscópicas ocasionam modificações nas dimensões dos materiais porosos que integram os elementos e componentes da construção. Com o aumento da umidade, há uma expansão do material e com a redução, ocorre o contrário, uma contração dele. 53 PATOLOGIAS │ UNIDADE III Existem então vínculos que irão impedir ou restringir essas movimentações por umidade, ocorrerão fissuras. As movimentações podem ser reversíveis ou irreversíveis (THOMAZ, 1989). Figura 43. Movimentações reversíveis e irreversíveis devido a variações de umidade. Movimentação (%) Movimentação irreversível tempo Movimentação reversível Fonte: Thomaz, 1989. Thomaz complementa que a movimentação irreversível está associada geralmente à fabricação do material, originadas da perda ou ganho de água até que a umidade higroscópica de equilíbrio do material fabricado seja atingida. Por outro lado, as movimentações reversíveis ocorrem devido a variações de teor de umidade do material, são delimitadas por um certo intervalo, mesmo se o material estiver totalmente seco ou totalmente saturado. Eflorescências: de modo simplista podemos dizer que a eflorescência é uma formação esbranquiçada que pode aparecer não apenas nas paredes, mas também nos pisos sendo que pode ocorrer em diversos tipos de materiais, tais como revestimentos cerâmicos, paredes de blocos de concretos, argamassas, revestimentos em pedras etc. Figura 44. Eflorescência em paredes de fachada. Fonte: https://www.mapadaobra.com.br/capacitacao/diga-adeus-eflorescencia-as-manchas-brancas-nas-fachadas/. https://www.mapadaobra.com.br/capacitacao/diga-adeus-eflorescencia-as-manchas-brancas-nas-fachadas/ 54 UNIDADE III │ PATOLOGIAS Eflorescência é a formação de depósitos salinos na superfície do concreto ou argamassas etc. como resultado da sua exposição à água de infiltrações ou intempéries. Esses depósitos de sais podem ser de metais alcalinos (sódio e potássio) e alcalino-ferrosos (cálcio e magnésio). Figura 45. Eflorescência no fundo de uma laje de concreto. Fonte: https://cimentomaua.com.br/blog/eflorescencia-descubra-como-evitar/. Quando estes são expostos à água, se dissolvem e vão para a superfície ocorre a evaporação da água e resulta na formação desses depósitos salinos. Há casos em que seus sais constituintes podem alternar não só a aparência do elemento no qual se deposita, mas também pode resultar na degradação dele. Bauer (2008) afirma que existem três condições necessárias para a que eflorescência exista: » o teor de sais solúveis presentes nos materiais ou componentes; » a presença de água; » a pressão necessária para que a solução seja transportada para a superfície. Podem ocorrer também: » quando a pintura é feita sobre o revestimento argamassado ainda úmido, não respeitando o tempo necessário para a secagem da base; » quando há utilização para a limpeza de ácidos em alta concentração sem remoção do produto por lavagem do local. https://cimentomaua.com.br/blog/eflorescencia-descubra-como-evitar/ 55 PATOLOGIAS │ UNIDADE III Figura 46. Eflorescência em pisos. Fonte: http://www.empresascity.com.br/sem-categoria/o-que-e-eflorescencia-e-como-resolver/. Carbonatação do concreto: a reação do cimento com a água resulta em compostos hidratados. Dessa reação resulta o hidróxido de cálcio que, em combinação com os hidróxidos ferrosos do aço, forma uma capa protetora para a armadura. Figura 47. Carbonatação do concreto. Fonte: https://fibersals.com.br/blog/danos-estruturais-causados-pela-infiltracao/. http://www.empresascity.com.br/sem-categoria/o-que-e-eflorescencia-e-como-resolver/ https://fibersals.com.br/blog/danos-estruturais-causados-pela-infiltracao/ 56 UNIDADE III │ PATOLOGIAS Verifica-se a carbonatação do concreto em concretos muito porosos ou com baixo cobrimento das armaduras reduzindo assim a alcalinidade do concreto para valores de PH inferiores a 10. A consequência é a destruição da capa passivadora da armadura, resultando no início do processo de corrosão, quando em presença de água (eletrólito), oxigênio e diferença de potencial da armadura. É comum a carbonatação avançar de fora para dentro no concreto, por meio de uma frente carbonatada, devido à existência de trincas e fissuras por onde avançam as águas. Figura 48. Processo de carbonatação do concreto. Fonte: https://www.tecnosilbr.com.br/o-que-e-e-como-ocorre-a-carbonatacao-do-concreto/. Descolamento dos revestimentos cerâmico e argamassado: a umidade e a infiltração podem levar ao descolamento dos pisos e azulejos que perdem aderência por conta das deformações causadas. Esse descolamento, quando ocorre em fachadas, pode representar risco aos usuários. Entre as principais causas para a ocorrência dos descolamentos e desplacamentos, podemos citar: » falta de aderência do revestimento à base; » tipo de argamassa empregado; » processo de execução;