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Revolução Inglesa e Iluminismo 
 
No início dos anos 1600, a Inglaterra apresentava-se como um país em 
desenvolvimento e expansão. Nos reinados do século anterior, de Henrique 
VIII e Elizabeth I, o território foi unificado, a nobreza foi colocada sob 
controle, a ingerência da Igreja Católica fora afastada pela criação da Igreja 
anglicana. Desse modo, os britânicos já disputavam com os espanhóis os 
domínios coloniais na América Central e Caribe. 
 
No entanto, Elizabeth 1ª, da dinastia Tudor, não deixou descendentes e subiu 
ao trono, em 1603, Jaime I, da dinastia escocesa Stuart, unindo as coroas da 
Inglaterra, da Irlanda e da Escócia. O rei, entretanto, pretendia governar sem o 
Parlamento, a quem cabia o poder de direito, de acordo com a Carta Magna de 
1215. No entanto, o rei podia convocá-lo somente quando julgasse necessário 
e, assim, exercia o poder de fato. 
Durante o século XVII, a Inglaterra vivia um período de grande crescimento 
econômico. Durante a dinastia Tudor, o país passou a exportar seus produtos, 
principalmente lã e alimentos, para muitos países da Europa. Nesse contexto, 
as propriedades rurais passaram a ter grande importância, uma vez que a 
matéria-prima era essencial para a fabricação de produtos manufaturados. Em 
virtude disso, os grandes proprietários de terra passaram a realizar a prática do 
cercamento, que de forma bem simples, consistia na expulsão dos camponeses 
de suas terras. 
Assim, inúmeros camponeses foram tentar viver nas cidades, tendo que se 
sujeitarem a péssimas condições de trabalho e vida. Desta forma, a Inglaterra 
viveu um momento de desenvolvimento bastante contraditório, baseado na 
exclusão social de grande parte de sua população. 
Além disso, a própria burguesia, cada vez mais atuante, estava insatisfeita com 
o poder absoluto nas mãos do rei, uma vez que isso poderia ser um obstáculo 
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à expansão de seus negócios. O que a rica classe queria, na verdade, é ter um 
poder político correspondente ao seu poder econômico. 
A necessidade de aumentar os impostos foi a questão central do 
desentendimento entre os reis Jaime I e seu filho Carlos I com o Parlamento. 
Por muitas vezes, Carlos I mandou dissolver o mesmo, atuando como um 
tirano. Outro fator que causou o que chamamos de Revolução Inglesa foi a 
tentativa de imposição do anglicanismo, feita por Carlos I, a todos os cidadãos 
ingleses, escoceses e irlandeses, o que desagradou muitos puritanos e 
presbiterianos que habitavam a região. 
 
 
Todas estas questões causaram a insatisfação de grande parte do povo, da 
burguesia e do Parlamento para com o rei e seus poderes absolutos. A guerra 
civil propriamente dita se estendeu de 1642 a 1649. 
Embora as tropas ligadas ao Parlamento, conhecidas como Cabeças Redondas, 
tenham sofrido muitas derrotas no começo das batalhas, se recuperaram 
posteriormente, graças à liderança de Oliver Cromwell. Por fim, venceram as 
tropas de Carlos I, o prenderam e o mataram. 
Entre os anos de 1649 e 1658, a Inglaterra foi dirigida por Oliver Cromwell, o 
qual soube conter diversas resistências contra seu reinado e impulsionar ainda 
mais o desenvolvimento econômico inglês. Nesse sentido, o mesmo aprovou 
o Ato de Navegação, no qual estabelecia que todos os produtos ingleses 
deveriam ser comercializados somente em navios ingleses, o que transformou 
a Inglaterra na maior potência naval da época. 
 
O filho e sucessor de Cromwell, Richard, não tinha a mesma habilidade de seu 
pai e acabou renunciando ao cargo. Assim, os adversários da república 
conseguiram restabelecer a monarquia novamente e proclamar Carlos II, da 
família Stuart, como rei. Esta nova imposição da monarquia ficou conhecida 
como Restauração. 
Carlos II e seu irmão Jaime II eram católicos, o que não agradava a burguesia. 
Assim, era necessário derrubar a monarquia outra vez. A solução encontrada 
foi um Golpe de Estado, no qual o Parlamento permitiu que o príncipe holandês 
Guilherme de Orange destituísse Jaime II e se tornasse rei sob diversas 
condições. Assim, Guilherme de Orange foi obrigado a jurar a Declaração 
de Direitos (Bill of Rights), documento no qual cedia amplos poderes ao 
Parlamento. Após a Revolução Inglesa, a Inglaterra passou a ter um governo 
parlamentarista, no qual todas as decisões são tomadas pelo Parlamento (o rei 
reina, mas não governa), e a burguesia confirmou ainda mais sua ascensão. 
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Iluminismo 
 
Ao longo dos séculos XVI a XVIII, o desenvolvimento do comércio e das 
manufaturas, a exploração das colônias e as transformações no campo, 
favoreceram o crescimento dos grupos sociais burgueses na Europa. 
 
Grandes mudanças econômicas e políticas costumam vir acompanhados de 
transformações no modo de pensar dos homens, principalmente os 
intelectuais. 
No século XVIII, conhecido como Século das Luzes (da razão), um grupo de 
pensadores começou a se mobilizar contra a injustiça, a intolerância religiosa 
e a concentração de privilégios nas mãos dos ricos e poderosos. Eram os 
filósofos iluministas. 
Esses pensadores iluministas, apoiados pela burguesia, foram os precursores 
de um movimento intelectual, político, econômico e social europeu que ficou 
conhecido como Iluminismo. 
 
Os pensadores iluministas defendiam a não interferência do Estado na 
economia, a igualdade jurídica entre os homens, a liberdade religiosa, de 
expressão, de escolher seus próprios governantes, entre outros direitos. O 
objetivo desses filósofos era a busca da felicidade e a razão como grande 
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instrumento de reflexão, capazes de melhorar e empreender instituições mais 
justas e funcionais. 
Eles eram contra o absolutismo monárquico, porque protegia a nobreza e 
mantinha seus privilégios, o mercantilismo, porque a intervenção do Estado na 
vida econômica era considerada prejudicial ao individualismo burguês, à livre 
iniciativa e ao desenvolvimento espontâneo do capitalismo e o poder da igreja 
que se chocava com a autonomia intelectual defendida pelo individualismo e 
pelo racionalismo burguês. Assim, à burguesia não interessava apenas a 
religião. Ela desejava o avanço da ciência e das técnicas, que favoreciam os 
transportes, as comunicações, a medicina, etc. 
 
 
 
 
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DESPOTISMO ESCLARECIDO 
Essas ideias iluministas influenciaram alguns governantes, que logo passaram 
a praticar essas teorias, mas com um tom soberano, ou seja, procuravam 
governar com a razão e com os interesses do povo, mas com um toque de 
absolutismo real. 
Essa união de princípios filosóficos e poder real deu origem ao Despotismo 
esclarecido. Seus principais adeptos foram: 
• Frederico II, da Prússia - discípulo de Voltaire- deu liberdade 
religiosa, investiu na educação para o ensino básico e na liberdade de 
expressão. Estimulou a economia, com medidas protecionistas, isto 
quer dizer, a Prússia permaneceu um estado feudal, com servos sujeitos 
aos seus senhores. 
• Catarina II, na Rússia, teve contato com os iluministas franceses, 
entre eles, Voltaire. Também deu liberdade religiosa ao povo e fez 
mudanças de hábitos na alta sociedade. Claro que os servos tiveram 
prejuízos, pois o poder dos senhores aumentou, com direito até mesmo 
sobre a vida dos servos. 
• José II, na Áustria, aboliu a servidão no país, concedeu igualdade 
entre todos, até em sua administração imperial deu liberdade de culto a 
todos. 
• O Marquês de Pombal, em Portugal, fez importantes reformas 
baseadas no iluminismo. Houve mais desenvolvimento no país. A 
agricultura foi estimulada. A nobreza foi perseguida para fortalecer o 
poder real e os jesuítas foram “incentivados” para não dizer, expulsos 
de Portugal. 
• O Ministro Anistro Aranda, na Espanha, fez diversas reformas no 
comércio, na indústria e na sua administração. Onde criou os 
intendentes, que fortaleceram o poder real de Carlos III. 
 
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