Logo Passei Direto
Buscar

Cópia de Anemias na infância (1)

Ferramentas de estudo

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Programa de Residência Médica – Pediatria
R1 Mariana Barbosa Marques
 
Pelotas-Julho de 2024
ANEMIAS NA
INFÂNCIA
DEFINIÇÃO OMS:
Condição na qual a concentração sanguínea de
hemoglobina (Hb) se encontra abaixo dos valores
esperados, tornando-se insuficiente para atender as
necessidades fisiológicas exigidas de acordo com idade,
sexo, gestação e altitude;
Queda da hemoglobina no sangue;
SEMPRE investigar anemia;
É um sintoma, procurar a causa;
Antes de tratar. Por que está
acontecendo??
O QUE É?
Medula óssea- órgão produtor de células sanguíeas
HEMATOPOIESE
Até os cinco anos de idade, a medula de todos os ossos do corpo participa desse
processo. À medida que os anos avançam, ocorre uma substituição gordurosa na
medula dos ossos longos;
Na idade adulta, somente os ossos da pelve (como o ilíaco), o esterno, os ossos do
crânio, os arcos costais, vértebras e as epífises femorais e umerais são capazes de
gerar células sanguíneas;
A medula óssea com atividade hematopoiética é denominada medula óssea vermelha,
devido à presença de grande quantidade de hemácias e precursores eritroides;
O restante dos ossos contém a denominada medula óssea amarela, preenchida por
tecido adiposo, porém com potencial para voltar a produzir células sanguíneas sob
determinados estímulos;
LINHAGEM LINFOIDELINHAGEM MIELOIDE
CÉLULA 
TRONCO
BT
Linfócitos
Plaquetas
Hemácias
Monócitos Neutrófilo Eosinófilo Basófilos
CFU-
E/MEGA
CFU-G/M
ESTÍMULO
ERITROPOIETINA
MATÉRIA PRIMA
Ferro (hemoglobina)
Ácido fólico (DNA)
Vitamina B12 (DNA)
ERITROPOIESE
RETICULÓCITOS HEMÁCIAS
Transformação 1-2 dias
PRÓ-ERITROBLASTO
Passagem pelos cordões esplênicos, as hemácias encontram um
ambiente "hostil", marcado pela hipóxia, acidez e grande quantidade
de macrófagos capazes de reconhecer qualquer anormalidade na
membrana eritrocítica.;
Os macrófagos esplênicos podem fagocitar "pedacinhos" de
hemácia;
Ou então, fagocitam a hemácia "inteira", removendo-a da circulação;
São removidas apenas as hemácias senescentes (com 120 dias) e
patológicas;
 
HEMOCATERESE
Função
seletiva
HEMOGLOBINA:
Transporta O2
HEMO: HEME (FERRO + PROTOPORFIRINA)
GLOBINA: 2 CADEIAS ALFA + 2 CADEIAS BETA
NO EXAME FÍSICO ATENTAR PARA:
Palidez, icterícia, peso e estatura, desenvolvimento
psicomotor, má formações em mãos, pés, segmento craniano,
pesquisar hepatomegalia, esplenomegalia e adenomegalias;
Ausculta cardíaca: frequência cardíaca, presença de sopros,
principalmente 3ª bulha e ritmo de galope, sinais sugestivos de
insuficiência cardíaca;
Fâneros: pele, unhas, cabelos, queilites angulares (boqueiras),
língua;
Pode ocorrer perversão do apetite. Pica ou parorexia, isto é,
desejo de comer alimentos de baixo valor nutricional, como
amido, gelo e terra.
Hematimetria: contagem de hemácias; 
Hemoglobina: principal parâmetro;
Hematócrito: quantidade de hemoglobina no volume plasmático;
VCM: volume corpuscular médio – é o tamanho da hemácia – alterações
microcíticas ou macrocíticas;
HCM: hemoglobina corpuscular média – “cor da hemácia” – se a concentração
da Hb for baixa, a hemácia será mais apagada (hipocromia); se a
concentração for alta, (hipercromia);
CHCM: concentração de hemoglobina corpuscular média; 
RDW: índice de anisocitose – distribuição das células vermelhas – observa a
diferença de tamanho entre as hemácias – tem baixa especificidade – se a
causa da anemia for carencial, o RDW é aumentado;
Plaquetometria: contagem de plaquetas
HEMOGRAMA:
ANEMIA FERROPRIVA
ANEMIA FERROPRIVA
Ferro
Duodeno e jejuno
Medula óssea
Eritropoiese
Ferritina
Ferro 
+
transferrina
Estoque de
ferro
ANEMIA FERROPRIVA
Hemocaterese
INVESTIGAÇÃO:
Recomenda-se a investigação laboratorial da deficiência de ferro,
com ou sem anemia, aos 12 meses de vida;
Porém, no caso de identificação de fatores de risco ou suspeita clínica
(sinais clínicos), devem ser solicitados os exames laboratoriais e
iniciar tratamento, caso seja positiva a pesquisa;
Em lactentes é recomendado início da terapia com ferro oral mesmo
sem realização de exames laboratoriais pois espera-se que os
estoques se esgotem entre quatro e seis meses de idade sendo
necessário reposição de acordo com fatores de risco maternos,
gestacionais e do bebê;
Fase 1: Depleção dos estoques de ferro (ferritina)
Ferritina p90);
Clampeamento precoce de cordão umbilical (exclusivo até o 6º
mês, sem fatores de risco: iniciar a suplementação
medicamentosa profilática, com 1mg/kg/dia de ferro
elementar, a partir dos 180 dias de vida, até o final do
segundo ano;
Lactentes em aleitamento materno, com fatores de
risco: iniciar 1 mg/kg/dia aos 90 dias,
independentemente do tipo da alimentação;
PROFILAXIA EM LACTENTES:
Recém-nascidos prematuros (idade gestacional inferior a 37 semanas) ou
com peso inferior a 2,5 kg ou prematuros com peso superior a 1,5 kg:
iniciar aos 30 dias com 2mg/kg/dia até 12 meses e 1mg/kg/dia até
completar 2 anos de idade. 
Recém-nascidos prematuros com peso entre 1,5 e 1,0 kg: 
3mg/kg/dia a partir de 30 dias até 12 meses e 1 mg/kg/dia até 2 anos
de idade. 
Recém-nascidos prematuros com peso inferior a 1.0 kg:
 4mg/kg/dia a partir de 30 dias até 12 meses e 1 mg/kg/dia até 2 anos
de idade.
PROFILAXIA EM RNP:
1
2
2
VAMOS CALCULAR:
Sulfato ferroso 125 mg/ml 25 MG de FE (1MG/GOTA) 
MACETE: O N° DE MG É O NÚMERO DE GOTAS
Dexfer 100 MG de FE (5MG/gota)
MACETE: DOSE DE TRATAMENTO É IGUAL O PESO 
Neutrofer 250 mg/ml 50 MG de FE (2,5 MG/GOTA) 
 A resposta ao tratamento deve ser observada avaliando-se a contagem de
reticulócitos. Aumentam nos primeiros dias de reposição, atingindo um
pico entre 5-10 dias;
A hemoglobina e o hematócrito começam a subir em duas semanas (o
início da melhora é mais rápido quanto mais grave for a anemia)
Geralmente voltando ao normal em dois meses após o início da terapia;
O controle pode ser feito com a ferritina sérica;
AVALIAR RESPOSTA:
QUESTÃO SUS-SP 
ANEMIAS MEGALOBLÁSTICAS:
ANEMIAS MEGALOBLÁSTICAS:
Vitamina B12 e ácido fólico: co-fatores interferem na síntese de
DNA;
Célula grande, núcleo não consegue se dividir; Macrocítica com
neutrófilos hipersegmentados; 
VITAMINA B12:
Dissociação
em ambiente
ácido
Origem
animal
Íleo distal
B12 + ligante
R
B12 B12
Desenvolvimento do sistema nervoso central;
Deficiência é caracterizada por anemia, inabilidade de
ganho de peso, e atraso ou decréscimo no
desenvolvimento;
Alterações neurológicas (transforma ac. metilmalônico em
succinil-coa (neurotoxicidade);
Recém-nascidos têm reservas limitadas de vitamina B12 e
os sintomas podem se estabelecer em 2 a 12 meses se uma
fonte não for oferecida;
Mães vegetarianas possuem baixos níveis de vitamina B12
no soro e no leite materno. Sintomas de deficiência podem
ser detectados nestes bebês a partir de 4-6 meses de idade;
Defeitos na absorção: 
Gastrite, gastrectomia total, parasitoses;
Nutrição inadequada: 
Veganos, deficiência materna afetando o bebê;
Defeitos no transporte: 
Deficiência de transcobalamina;
Defeitos no metabolismo:
Intoxicação por óxido nitroso, herdado;
CAUSAS DE DEFICIÊNCIA DE VITAMINA B12:
SINTOMAS DE DEFICIÊNCIA DE VITAMINA B12:
Irritabilidade, insônia, rejeição de alimentos
complementares, atraso em caminhar, microcefalia, além
de atraso no crescimento, vômitos, hipotonia,
hiporeatividade e raramente crises convulsivas e sintomas
extra-piramidais;
DIAGNÓSTICO:
Na deficiência de cobalamina há aumento dos níveis de DHL,
bilirrubinas, ferro, saturação da transferrina;
Colesterol sérico, lipídeos e imunoglobulinas podem estar diminuídos;
Não há consenso sobre o valor normal da vitamina B12 sérica, maioria
dos estudos definem diagnóstico como sintomas clínicos e dosagem de
vitamina B12 15µmol/L) em algumas circunstâncias, para
confirmar deficiência de folato;
Na prática casos de deficiência isolada de folato são extremamente
raros, geralmente está associado a deficiência de cobalamina;
 Neste caso o tratamento inicial deve ser feito com cobalamina antes de
associar a reposição de folato. Além do folato sérico estar diminuído na
deficiência de cobalamina;
DIAGNÓSTICO:
TRATAMENTO:
Crianças com idade acima de 1 ano devem ser
tratadas com ácido fólico 1-5mg/dia, doses de 5mg
são preferidas devido a possível má absorção;
Em bebês a dose de 0,5mg pode ser suficiente;
O tratamento deve durar 3-4 meses para repor os
estoques; 
A dosagem de vitamina B12 sempre deve ser
checada antes do início da terapia com ácido fólico,
pois se não tratada previamente pode causar
degeneração neurológica.
REFERÊNCIAS:
Sociedade Brasileira de Pediatria, 2018. Departamentos de Nutrologia e
Hematologia. Consenso sobre anemia ferropriva: mais que uma doença, uma
urgência médica Disponível em
https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/21019f
Diretrizes_Consenso_sobre_anemia_ferropriva-ok. pdf . Acessado em julho de 2024
Sociedade Brasileira de Pediatria, 2021. Consenso sobre Anemia Ferropriva:
Atualização: Destaques 2021. Departamentos Científicos de Nutrologia e
Hematologia. Disponível em: https://www.sbp.com.br/. Acessado em julho de 2024.
Campanaro,CM e Chopard, MRT: Anemias: investigação e diagnóstico diferencial. In:
Loggetto, SR; Braga, JAP; Tone, LG. Hematologia e Hemoterapia pediátrica. Atheneu,
1 a edição, 2014. p. 26-39.
OBRIGADA!

Mais conteúdos dessa disciplina