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Cumprimento de Sentença e Execução

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Cumprimento de Sentença e Execução 
 
Você sabe qual é a diferença entre cumprimento de sentença e ação de 
execução? A realidade é que por contarem com nomes semelhantes, até mesmo os 
profissionais da área costumam ter dúvidas sobre o tema. 
 
Para ajudá-lo a diferenciar cada um desses institutos preparamos este post com 
todos os detalhes sobre o tema, levando em consideração a sua base legal. Continue a 
leitura para conferir todos os detalhes! 
 
Qual é a diferença entre execução e cumprimento de sentença? 
Execução e cumprimento de sentença são figuras jurídicas relacionadas à 
satisfação de um direito reconhecido judicialmente, mas possuem diferenças 
significativas no direito processual brasileiro, tanto em sua origem quanto em sua forma 
de procedimento. 
 
A execução se refere ao processo que visa a satisfação de um título executivo 
extrajudicial (como um cheque, contrato de dívida ou duplicata), previsto nos artigos 771 
a 925 do Código de Processo Civil (CPC). Ou seja, a execução ocorre sem a necessidade 
de uma sentença judicial prévia, pois o título já tem força de obrigar o devedor a cumprir 
determinada obrigação. Nessa modalidade, o credor ajuíza uma ação de execução 
diretamente, já com um título que possua os requisitos de certeza, liquidez e exigibilidade 
(CPC, art. 783). 
 
Já o cumprimento de sentença é a fase que ocorre dentro de um processo judicial, 
após o trânsito em julgado da sentença ou decisão que condena alguém a uma obrigação 
(como pagar quantia, entregar coisa ou realizar um fazer ou não fazer). Trata-se, portanto, 
da execução de um título judicial. 
 
O cumprimento de sentença está regulado no Código de Processo Civil nos 
artigos 513 a 538. Ele se aplica quando a obrigação decorre de uma decisão proferida 
pelo Poder Judiciário e exige o cumprimento forçado, caso o devedor não cumpra 
voluntariamente o comando judicial. 
 
 
A principal diferença entre os dois institutos, portanto, reside na origem do título 
executivo: a execução tem por base um título extrajudicial, enquanto o cumprimento de 
sentença resulta de um título judicial. 
 
O que é e como funciona a execução e o cumprimento de sentença? 
Os títulos judiciais, como uma sentença, criam um vínculo jurídico que concedem 
o direito à parte vencedora de exigir da outra parte determinada coisa (objeto da ação), 
seja para pagar uma quantia certa, uma declaração de direito, alteração de uma situação 
jurídica ou prestação de um serviço. 
 
O próprio título judicial, além de declarar a existência de um direito ao credor, 
também já dispõe acerca da sanção que deve ser aplicada quando o devedor não realizar 
de maneira espontânea a prestação que lhe cabe — atitude que tem como principal 
objetivo coibir atitudes omissivas frente ao comando judicial. 
 
Nesse sentido, o cumprimento de sentença é a fase do processo civil que tem 
como objetivo satisfazer o título de execução judicial, ou seja, se trata do procedimento 
que concretiza a decisão do magistrado realizada no final do processo de conhecimento. 
 
Dessa maneira, o primeiro requisito para que seja possível realizar o cumprimento 
de sentença é a existência de um título executivo judicial. Também é preciso que haja 
uma obrigação certa, líquida e exigível. 
 
Isso quer dizer que é necessário contar com a certeza da existência dessa 
obrigação, quando ela deve ser cumprida e quem é o devedor. Além disso, também é 
preciso ter liquidez, isso é, ser quantificada em valores exatos (o devedor precisa saber 
quanto deve pagar) e ser exigível. 
 
Quais são as etapas do cumprimento de sentença? 
Nos casos em que há uma sentença transitada em julgado e o devedor não 
cumpriu com a sua obrigação voluntariamente, a parte vencedora pode manejar o pedido 
de cumprimento de sentença dentro do próprio processo, a fim de executar o seu título 
judicial. 
 
É válido ressaltar que o cumprimento de sentença não ocorre por iniciativa do 
magistrado e, portanto, a parte vencedora deve ter iniciativa para protocolar um 
requerimento em que conste o título de execução judicial, junto com o demonstrativo de 
débito atualizado com juros e correção monetária. 
 
Depois do requerimento, o magistrado deve intimar o réu na pessoa de seu 
advogado. Nos casos em que o devedor não tiver procurador constituído nos autos, a 
intimação deve ser pessoal e enviada para o endereço da última atualização do processo. 
 
Após a intimação o réu tem 15 dias para realizar o pagamento espontâneo de sua 
dívida. Nos casos em que há a satisfação da dívida nessa etapa, o credor é considerado 
satisfeito e o processo, por sua vez, é extinto. 
 
Já nos casos em que depois de 15 dias o credor não realiza o pagamento, há a 
incidência da cobrança de 10% dos honorários advocatícios, além de multa de 10%. 
Quando o pagamento não é feito de forma espontânea, o credor pode solicitar a penhora 
dos bens do devedor, a fim de garantir a quitação da dívida. 
 
O devedor também pode oferecer impugnação ao cumprimento da sentença. 
Como a sentença já transitou em julgado a referida impugnação não conta com efeito 
suspensivo, mas o instituto deve ser utilizado nos casos em que há excesso de execução 
ou fraude à execução, como quando é preciso contestar o valor da dívida ou se defender 
de possíveis irregularidades na penhora dos bens. 
 
Contra essa impugnação, cabe resposta à impugnação ao cumprimento de 
sentença. 
 
O que é e como funciona a ação de execução? 
Já no caso da ação de execução não há necessidade de ter um processo de 
conhecimento, uma vez que já há resolução para o conflito, pois, nesse caso, o credor é 
portador de um título extrajudicial. 
 
Os títulos extrajudiciais, apesar de serem produzidos fora de um processo judicial, 
contam com o mesmo valor de exigibilidade dos títulos judiciais. Nesse caso, como o 
título extrajudicial não advém de um processo judicial anterior, é preciso instaurar um 
novo processo para que ocorra a ação de execução (cobrança) da dívida. 
 
De acordo com o Código de Processo Civil existem diferentes tipos de títulos 
extrajudiciais, são alguns deles: 
 
escritura pública; 
letra de câmbio; 
cheque; 
duplicata; 
nota promissória; 
documento particular assinado pelo devedor e mais duas testemunhas, entre 
outros. 
É válido ressaltar que é possível observar todas as hipóteses de títulos 
extrajudiciais no artigo 784, do CPC. 
 
Quais são as etapas da ação de execução? 
Agora que você já sabe que a ação de execução é o instrumento utilizado para 
executar um título extrajudicial, chegou o momento de apresentarmos cada uma de suas 
etapas. 
 
Quando há a ação de execução, como vimos, surge um novo processo autônomo, 
uma vez que não há a necessidade do processo de conhecimento previamente. Por essa 
razão, o executado deve ser citado — o que não é necessário no Cumprimento de 
Sentença, pois não há um novo processo e, portanto, o executado já integra a relação 
processual. 
 
Depois da citação o executado tem 15 dias para apresentar Embargos à Execução, 
peça utilizada para a sua defesa. Nesse caso, como o executado ainda não teve 
oportunidade de defesa, ele pode alegar toda matéria prevista no Art. 917 do CPC, quais 
sejam: 
 
I - inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação; 
II - penhora incorreta ou avaliação errônea; 
III - excesso de execução ou cumulação indevida de execuções; 
IV - retenção por benfeitorias necessárias ou úteis, nos casos de execução para 
entrega de coisa certa; 
V - incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução; 
VI - qualquer matéria que lhe seria lícito deduzir como defesa em processo de 
conhecimento. 
Dessa defesa (Embargos), pelo princípio do contraditório, cabe ao Exequente 
rebater os argumentos por meio da Impugnação aos Embargos à execução. 
 
Nos casos em que o credor tiver um título judicial, o processo deve seguir o rito do 
Cumprimento de Sentença. Já quando o título é extrajudicial, o processo deve obedecer o 
rito do Processode Execução. 
 
Qual é o recurso cabível da decisão no cumprimento de sentença? 
Se a decisão acolhe a impugnação ao cumprimento de sentença, e põe fim ao 
cumprimento de sentença, o recurso cabível é a Apelação. Afinal, houve o provimento das 
impugnações arguidas na encerrando a fase executiva. 
 
Mas, se houver rejeição da Impugnação ao Cumprimento de Sentença, ou seja, 
com o seguimento do processo executivo e configurando uma decisão interlocutória, é 
cabível o Agravo de Instrumento. 
 
Qual é o recurso cabível da decisão que encerra a Execução? 
Quando se tratar de decisão terminativa, o recurso cabível é o Recurso de 
Apelação. 
 
Qual é a diferença entra ação monitória, ação de cobrança e ação de execução? 
A ação monitória pode ser proposta por aquele que afirmar, com base em prova 
escrita sem eficácia de título executivo. Já a ação de cobrança é a intervenção judicial 
cabível em face do devedor, quando não existir um título executável e for necessário o 
reconhecimento do direito (ação de conhecimento), nos termos do Art. 389 do Código 
Civil. E por fim, a ação de execução é a fase processual que se inicia caso o devedor não 
satisfaça a obrigação certa, líquida e exigível, comprovada por meio de título executivo 
(que pode ser judicial ou extrajudicial). 
 
Como foi possível observar ao longo dos tópicos anteriores, a execução e 
cumprimento de sentença são instrumentos distintos, sendo que cada um deles deve ser 
utilizado em uma situação. 
 
Sobre o tema, veja uma modelo de Ação de Execução.

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