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Lei Geral de Proteção de
Dados e a Administração
Pública
 
 
 
Módulo IV
 
Lei Geral de Proteção de
Dados: 
Regulação e Controle
 
 
CURITIBA - 2021
 
 
Rua Jacy Loureiro de Campos S/N I Palácio das Araucárias I Centro Cívico I Curitiba/PR I CEP 80.530-915 I 41 3313.6264 I 3313.6670 www.administracao.pr.gov.br 
 
 
 
Sumário 
Apresentação ......................................................................................................... 5 
Módulo IV 
LEI GERAL DE PROTEÇÃO DE DADOS: REGULAÇÃO E CONTROLE .............. 6 
1.1 Introdução ................................................................................................ 6 
1.2 Sujeitos Ativos da Regulação Nacional ................................................. 8 
1.2.1 Autoridade Nacional de Proteção de Dados: Organização e 
Competências ............................................................................................ 10 
1.2.2 Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade: 
Organização e Competências ..................................................................... 22 
1.3 Responsabilidade de Entidades e Órgãos Públicos Estaduais em 
Relação à ANPD (arts. 31 e 32 da LGPD) ................................................ 24 
1.4 Instâncias Estaduais: O Modelo Paranaense......................................... 28 
1.5 O Papel do Controle Externo .................................................................. 30 
1.5.1 Controle Externo em Sentido Amplo ........................................................... 30 
1.5.2 Tribunal de Contas ..................................................................................... 32 
Referências ............................................................................................................ 32 
 
 
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Apresentação 
Trataremos no módulo IV sobre a regulação e o controle da Proteção de Dados. 
 
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Módulo IV 
LEI GERAL DE PROTEÇÃO DE DADOS: REGULAÇÃO E 
CONTROLE 
Diogo Luiz Cordeiro Rodrigues* 
 
* Doutorando em Direito Econômico 
e Financeiro pela Universidade de 
São Paulo. MSc in Regulation 
(Financial and Commercial 
Regulation) pela London School of 
Economics and Political Science - 
LSE (2018-2019). Mestre em 
Direito do Estado pela Faculdade 
de Direito da Universidade Federal 
do Paraná (2013-2015). "Visiting 
Researcher" na Universidade de 
Toronto (2014). Graduado em 
Direito pela Faculdade de Direito da 
Universidade do Estado do Rio de 
Janeiro (2009). Procurador do 
Estado do Paraná (2012 e atual). 
Membro da Associação 
Paranaense de Direito & Economia 
- ADEPAR. Membro e 
ex-Coordenador do Grupo 
Permanente de Trabalho em 
Orçamento e Finanças da 
Procuradoria-Geral do Estado do 
Paraná. Foi Conselheiro Titular do 
Conselho Estadual de Assistência 
Social (Decreto Estadual nº 
9.989/2014). Foi Procurador da 
Assembleia Legislativa do Estado 
do Amazonas (2012) e também foi 
assistente de Ministro do STF 
(2010-2012). 
1.1 Introdução 
A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) formaliza 
um regime regulatório. Como tal, compreende organizações, normas 
e procedimentos destinados à modificação de comportamentos 
com base em certos princípios, diretrizes, objetivos e metas, podendo 
envolver mecanismos de produção normativa (standard-setting), 
captura de informações e atividades de controle, monitoramento, 
influência ou punição dos órgãos, entidades e agentes regulados.1 
Todo regime regulatório baseia-se em direitos fundamentais 
(p. ex. o direito à privacidade), marcos normativos constitucionais e 
legais, (como os artigos 2º e 6º da LGPD) e políticas públicas de 
alcance mais amplo, que norteiam a atividade regulatória propriamente 
dita, que se encontra no plano administrativo, mais concreto. 
No caso da LGPD, seu regime regulatório é norteado pela 
Política Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade, 
cuja elaboração e cujo monitoramento são protagonizados pelo 
Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade, 
de caráter político, e que integra a estrutura da Autoridade Nacional de 
Proteção de Dados (ANPD), a qual, por seu turno, detém o poder 
regulatório sobre a matéria em questão (proteção de dados 
pessoais). Pode-se dizer que a ANPD e o Conselho Nacional de 
Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade são os principais 
sujeitos ativos do regime regulatório nacional de proteção de dados 
pessoais (cf. artigos 55-A a 58-B da LGPD). 
 
 
1
 Sobre o conceito de regime regulatório, cf. BLACK, 2006. 
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A LGPD contempla ainda certos instrumentos regulatórios, que cumprem as 
funções de modular comportamentos em prol da proteção de dados pessoais e de gerar 
informações para o exercício das funções de competência da ANPD. Além da edição de 
normas, instrumentos básicos da função regulatória (v. art. 55-J, incisos XIII, XVII e §2º), a 
LGPD prevê o relatório de impacto à proteção de dados pessoais, “documentação 
do controlador que contém a descrição dos processos de tratamento de dados 
pessoais que podem gerar riscos às liberdades civis e aos direitos fundamentais, bem 
como medidas, salvaguardas e mecanismos de mitigação de risco” (cf. art. 5º, XVII; v. 
também art. 10, §3º; art. 32, art. 38; 55-J, XIII). A LGPD também prevê a instauração de 
processos administrativos, a fim de que, por meio do contraditório e da ampla defesa, a 
ANPD possa, e.g., verificar (e, eventualmente, impor) sanções pelo descumprimento da 
Lei (cf. art. 55-J, IX e XVII). Todos esses instrumentos, e outros, serão examinados 
quando da análise da competência da ANPD. 
Ademais, a LGPD prevê regras de responsabilidade de entidades e órgãos 
públicos em relação à ANPD (cf. arts. 31 e 32 da LGPD). Essas regras, que serão 
examinadas no momento oportuno, encarregam-se de conferir uniformidade ao regime 
na Administração Pública, ao mesmo tempo em que garantem aos órgãos públicos um 
espaço próprio de autonomia, diferindo eventual imposição de mandamentos e sanções 
típicas da regulação de “comando e controle”. Contudo, as empresas estatais que 
exercem atividades econômicas em sentido estrito (mas não as prestadoras de 
serviços públicos) podem se sujeitar às sanções previstas no art. 52 da LGPD 
em caráter imediato, em respeito ao princípio constitucional da livre concorrência e 
nos termos do art. 24 da LGPD, salvo na hipótese de seu parágrafo único (v. item 3 
deste E-book). 
Convém lembrar, ainda, que a LGPD é uma lei nacional, cujos ditames 
aplicam-se não só à União, mas também aos Estados, Municípios e Distrito Federal (art. 
1º, parágrafo único, da LGPD). Nada obstante, pode-se dizer que o regime regulatório da 
LGPD ostenta clara natureza multinível, razão pela qual se desdobra em regimes 
subnacionais, a exemplo daquele formalizado pelo Decreto nº 6.474/2020, que adapta 
o regime regulatório de proteção de dados pessoais às peculiaridades do Estado do 
Paraná. Sobre a competência do Estado para legislar sobre a matéria, cf. a lição de 
Ricardo Marcondes Martins: 
A disciplina das relações privadas é objeto do direito civil e é competência 
privativa da União legislar sobre direito civil (CF, art. 22, I). Essa utilização 
dá-se, muitas vezes, para fins lucrativos, sendo, pois, ínsita à atividade 
comercial. É também competência privativa da União legislar sobre 
direito comercialdo regime 
paranaense de proteção de dados pessoais, a CGE possui competências situadas 
precipuamente no campo da regulação suave (competências pedagógicas, 
informativas ou de cunho preventivo). Possui, ainda, competência normativa ou 
regulamentar, de caráter supletivo, no caso do RIPD, e competência fiscalizatória 
para fins de ouvidoria (art. 11, I) e do Observatório da Despesa Pública (art. 17). 
ATENÇÃO: O regime estadual paranaense preserva a competência da ANPD 
como única autoridade regulatória para a proteção de dados no Brasil, razão 
pela qual a CGE exerce um papel de coordenação do regime (mas não de regulação 
em sentido técnico). 
Competências da CGE: 
Art. 4º Cabe aos órgãos e entidades elencados no art. 1º deste Decreto 
preparar relatório de impacto à proteção de dados pessoais – RIPD, na 
forma e nos prazos indicados pela Controladoria-Geral do Estado e pela 
Autoridade Nacional de Proteção de Dados Pessoais, quando for o caso. 
Art. 5º Compete à Controladoria-Geral do Estado: 
I- orientar os encarregados dos órgãos e entidades quanto a 
implementação da LGPD; 
II- disponibilizar canal de atendimento ao titular de dados, considerando as 
atribuições da Coordenadoria de Ouvidoria da Controladoria-Geral do 
Estado; 
III- desenvolver ações que contribuam para a consolidação de uma 
cultura de ética, probidade e transparência no tratamento de dados 
pessoais; 
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IV- produzir manuais e documentos de apoio para a implementação da 
LGPD no Estado, observada a Política Nacional de Proteção de Dados 
Pessoais e da Privacidade. 
Art. 11. As manifestações do titular de dados ou seu representante legal 
serão atendidas: 
I- eletronicamente: através do Sistema Integrado para Gestão de 
Ouvidorias – SIGO, disponível no Portal da Controladoria Geral do 
Estado – CGE PR, no seguinte endereço eletrônico: 
http://www.cge.pr.gov.br/Pagina/Registre-sua-Reivindicacao observada 
a garantia da prevenção à fraude e à segurança do titular, nos 
processos de identificação e autenticação de cadastro em sistemas 
eletrônicos; 
II- presencialmente: junto a Ouvidoria-Geral da Controladoria Geral do 
Estado ou no órgão ou entidade onde os dados se encontram, mediante a 
apresentação de documentos oficiais que permitam a identificação. 
Art. 17. A Controladoria-Geral do Estado – CGE, por meio da sua 
unidade de operação Observatório da Despesa Pública (ODP), terá 
acesso aos dados pessoais disponíveis nos demais órgãos e entidades 
do Poder Público do Estado, comunicado o respectivo controlador, 
através do operador, para o exclusivo cumprimento das finalidades 
previstas no artigo 1º do Decreto nº 4.334, de 08 de junho de 2016. 
Parágrafo único. Os órgãos e entidades do Poder Público Estadual 
somente poderão acessar os dados pessoais disponíveis em outros 
órgãos ou entidades estatais, mediante autorização da Controladoria 
Geral do Estado, observado o disposto no artigo 15 deste Decreto. 
 Procuradoria-Geral do Estado (PGE): responsável pela consultoria e pelo 
assessoramento jurídicos sobre a matéria. 
Art. 7º Compete à Procuradoria-Geral do Estado – PGE: 
I- disponibilizar minutas padronizadas de contratos, convênios, acordos 
de cooperação, termos de uso de sistema de informação da 
Administração Pública e demais instrumentos jurídicos congêneres 
necessários à implementação da Lei Federal nº 13.709, de 2018, nos 
termos do Decreto nº 3203, de 22 de Dezembro de 2015; 
II- responder a consultas específicas referentes à aplicação da LGPD no 
Estado, desde que encaminhadas pelo Controlador-Geral do Estado e 
observado o disposto no Regulamento da PGE (anexo que acompanha 
o Decreto nº 2.709, de 10 de setembro de 2019. 
 Conselho de políticas de tecnologia da informação e comunicação (CETIC): 
responsável por editar políticas de TIC. 
Art. 6º Compete ao Conselho Estadual de Tecnologia da Informação e 
Comunicação – Paraná – CETIC – PR orientar a aplicação de soluções 
de TI e TIC relacionadas à proteção de dados pessoais. 
http://www.cge.pr.gov.br/Pagina/Registre-sua-Reivindicacao
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 CELEPAR: empresa de tecnologia da informação e comunicação responsável pela 
operação de dados pessoais em meios virtuais. 
Art. 6º § 1º Compete à Companhia de Tecnologia da Informação e 
Comunicação do Paraná – CELEPAR: 
I- propor ao CETIC padrões de desenvolvimento de novas soluções de 
Tecnologia da Informação – TI e Tecnologia da Informação e 
Comunicação – TIC, considerando a proteção de dados pessoais, desde 
a fase de concepção do produto e serviço até a sua execução; 
II- adequar os sistemas de TI e TIC de propriedade do Estado do Paraná 
às exigências da LGPD. 
1.5 O Papel do Controle Externo 
1.5.1 Controle Externo em Sentido Amplo 
A Autoridade Nacional de Proteção de Dados tem um claro papel de 
proeminência dentro do sistema nacional de proteção de dados 
inaugurado pela LGPD. Isso porque a tutela mais eficaz para a 
„prevenção da utilização indevida de dados‟, o que é possibilitado pelas 
competências fiscalizatórias atribuídas à ANPD. Além disso, a tutela 
jurisdicional possui algumas desvantagens na tutela da proteção de 
dados, uma vez que esta exige: agilidade na solução da demanda e 
amplos conhecimentos técnicos. 
Ainda que um sistema completo e eficiente não possa abrir mão do 
papel a ser cumprido pelo Poder Judiciário, inclusive por previsão 
constitucional, a ANPD foi arquiteta para poder agir com eficiência e 
tratar de todas as questões envolvendo o conflito entre o direito à 
proteção de dados e o uso econômico dos dados pessoais. 
[...] 
No entanto, existem fatores limitadores, como a falta de autonomia 
organizacional e, pior, a falta de real autonomia financeira, os quais 
podem tornar-se barreira fática a uma atuação independente, equânime 
e completa da ANPD (FERRAZ, 2020, p.621-643.) 
A esse respeito, vale lembrar que, independentemente da atuação 
reguladora da ANPD, a lei será aplicada a partir de agosto de 2020 e o 
seu cumprimento, conforme deixa claro o texto da LGPD, poderá ser 
exigido em esferas diferentes, tais como órgãos de proteção ao 
consumidor, atuação específica do Ministério Público, bem como pelo 
próprio Poder Judiciário. 
A judicialização do tema é evidentemente boa e necessária! A Lei 
nº 13.709/2018 precisa ser testada! No entanto, a mera interpretação da 
nova lei isoladamente pelo Poder Judiciário – com respostas 
descentralizadas e não uniformes – pode penalizar sobremaneira as 
partes envolvidas, até pela latente dificuldade de entendimento pelos 
representantes do Poder Judiciário acerca de questões técnicas e 
tecnológicas que estão diretamente envolvidas com a aplicação da 
nova norma. 
 
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De todo o exposto e considerando a função reguladora conferida à 
ANPD, as definições que a ela foram relegadas pela Lei Geral de 
Proteção de Dados devem ser tomadas como prioridade. A omissão ou 
demora no cumprimento dessa função privilegia uma enorme 
insegurança jurídica sobre o tema e tem o condão de colocar em risco a 
eficácia da própria legislação (BROTTO, 2020, p.91-103). 
Por evidente, o regime legal da LGPD não afasta eventual intervenção judicial 
para o fim de tutelar dados pessoais, já que a inafastabilidade da jurisdição radica no 
próprio texto constitucional (art. 5º, XXXV, da CRFB 88). De modo semelhante, ficam 
asseguradas as perrogativas do Ministério Público, que poderá, no âmbito de suas 
competências, agir administrativamente ou em juízo para a resguardar direitos coletivose 
difusos. Vale mencionar que a própria LGPD, em seu art. 52, §3º, menciona a Lei de 
Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/1992), que tem, no Ministério Público, um de 
seus protagonistas: 
LEI Nº 8.429, DE 2 DE JUNHO DE 1992 
Art. 7º Quando o ato de improbidade causar lesão ao patrimônio público 
ou ensejar enriquecimento ilícito, caberá a autoridade administrativa 
responsável pelo inquérito representar ao Ministério Público, para a 
indisponibilidade dos bens do indiciado. 
Parágrafo único. A indisponibilidade a que se refere o caput deste artigo 
recairá sobre bens que assegurem o integral ressarcimento do dano, ou 
sobre o acréscimo patrimonial resultante do enriquecimento ilícito. 
Art. 15. A comissão processante dará conhecimento ao Ministério Público e 
ao Tribunal ou Conselho de Contas da existência de procedimento 
administrativo para apurar a prática de ato de improbidade. 
Parágrafo único. O Ministério Público ou Tribunal ou Conselho de Contas 
poderá, a requerimento, designar representante para acompanhar o 
procedimento administrativo. 
Art. 16. Havendo fundados indícios de responsabilidade, a comissão 
representará ao Ministério Público ou à procuradoria do órgão para que 
requeira ao juízo competente a decretação do seqüestro dos bens do 
agente ou terceiro que tenha enriquecido ilicitamente ou causado dano 
ao patrimônio público. 
§ 1º O pedido de seqüestro será processado de acordo com o disposto 
nos arts. 822 e 825 do Código de Processo Civil. 
Art. 17. A ação principal, que terá o rito ordinário, será proposta pelo 
Ministério Público ou pela pessoa jurídica interessada, dentro de trinta 
dias da efetivação da medida cautelar. 
[…] 
§ 4º O Ministério Público, se não intervir no processo como parte, atuará 
obrigatoriamente, como fiscal da lei, sob pena de nulidade. 
Art. 22. Para apurar qualquer ilícito previsto nesta lei, o Ministério 
Público, de ofício, a requerimento de autoridade administrativa ou 
mediante representação formulada de acordo com o disposto no art. 14, 
poderá requisitar a instauração de inquérito policial ou procedimento 
administrativo. 
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1.5.2 Tribunal de Contas 
A nova Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais veio proteger os 
direitos do indivíduo diante desse crescimento desenfreado dos 
relacionamentos digitais e do mundo virtual. Não possui, contudo, o 
condão de prejudicar ou obstaculizar a atuação fiscalizatória das cortes 
de contas no exercício do controle externo, mas apenas possibilitar e 
favorecer um controle límpido, ético, legítimo, focado em seus objetivos, 
sem, contudo, desrespeitar os interesses privados, assegurando o interesse 
de toda a coletividade que se sentirá segura e devidamente amparada. 
Ademais, é entendimento pacificado e consolidado que quando em 
conflito, o princípio da supremacia do interesse público acaba por limitar 
os efeitos do princípio da privacidade, já que o interesse coletivo deve 
estar acima dos interesses puramente privados. 
Restará a todo o Estado e também a suas cortes de contas se adequar 
ao conteúdo da nova lei, investindo em questões de segurança digital e em 
treinamento e capacitação de pessoal, ciente de que o texto legislativo 
veio contribuir e não prejudicar as atividades estatais, bem como o 
exercício da função fiscalizadora e sancionadora dos tribunais de contas. 
[...] 
No que concerne às cortes de contas, a nova Lei Geral de Proteção de 
Dados Pessoais brasileira não gera impactos negativos, sendo a eles 
aplicada, consoante o disposto em seu próprio texto legal que, por sua 
vez, já excetua da obrigatoriedade de observância normativa os casos de 
exercício das funções fiscalizadoras e sancionadoras, típicas (mas não 
únicas) dos tribunais de contas. Nesses casos, a lei prevê expressamente 
a sua inaplicabilidade no sentido de não ser obrigatório o consentimento 
prévio do titular dos dados pessoais, no entanto determina a observância 
dos princípios da finalidade, da necessidade, da proporcionalidade, de 
modo que devem utilizar tais dados com o intuito exclusivo de atender ao 
interesse público, limitando o seu compartilhamento para fins outros. 
A finalidade da lei é protetiva e seu impacto perante o exercício das 
funções dos tribunais de contas se dá no sentido de determinar 
responsabilidade no tratamento dos dados pessoais, mitigando o direito à 
privacidade e à intimidade dos indivíduos, a fim de garantir algo maior, 
qual seja: o bem-estar social (MACIEL, 2020). 
Referências 
AUTORIDADE NACIONAL DE PROTEÇÃO DE DADOS (ANPD). Regimento Interno. 
Disponível em: . Acesso em: 14 jun. 2021. 
BLACK, Julia. What is regulatory innovation? In: BLACK, Julia; LODGE, Martin; 
THATCHER, Mark (Eds.). Regulatory innovation: a comparative analysis. Northampton: 
Edward Elgar Publishing, 2006. p. 1-15. 
BRASIL. Decreto nº 10.411 de 30 de junho de 2020. Regulamenta a análise de impacto 
regulatório, de que tratam o art. 5º da Lei nº 13.874, de 20 de setembro de 2019, e o art. 
6º da Lei nº 13.848, de 25 de junho de 2019. Disponível em: 
Acesso em: 14 jun. 2021. 
BRASIL. Decreto nº 10.474, de 26 de agosto de 2020. Aprova a Estrutura Regimental e o 
Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e das Funções de Confiança da 
Autoridade Nacional de Proteção de Dados e remaneja e transforma cargos em comissão 
e funções de confiança. Disponível em:. Acesso em: 14 jun. 2021. 
https://www.gov.br/anpd/pt-br
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEC%2010.411-2020?OpenDocument
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/DEC%2010.474-2020?OpenDocument
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BRASIL. Lei nº 13.848, de 25 de junho de 2019. Dispõe sobre a gestão, a organização, o 
processo decisório e o controle social das agências reguladoras, altera a Lei nº 9.427, de 
26 de dezembro de 1996, a Lei nº 9.472, de 16 de julho de 1997, a Lei nº 9.478, de 6 de 
agosto de 1997, a Lei nº 9.782, de 26 de janeiro de 1999, a Lei nº 9.961, de 28 de janeiro 
de 2000, a Lei nº 9.984, de 17 de julho de 2000, a Lei nº 9.986, de 18 de julho de 2000, a 
Lei nº 10.233, de 5 de junho de 2001, a Medida Provisória nº 2.228-1, de 6 de setembro 
de 2001, a Lei nº 11.182, de 27 de setembro de 2005, e a Lei nº 10.180, de 6 de fevereiro 
de 2001. Disponível em: . Acesso em: 14 jun. 2021. 
BROTTO, Natália; CAMARGO, Pedro Henrique Dalgallo. Autoridade Nacional de 
Proteção de Dados, aspectos pendentes de regulação e cultura de proteção de dados. 
In: PIRONTI, Rodrigo (Coord.). Lei Geral de Proteção de Dados: estudos sobre um 
novo cenário de Governança Corporativa. Belo Horizonte: Fórum, 2020. p.91-103. 
CARNEIRO, Claudio; NEPOMUCENO, Augusto Moutella. LGPD e seus limites 
regulatórios no âmbito do direito administrativo. In: DAL POZZO, Augusto Neves; 
MARTINS, Ricardo Marcondes. LGPD & administração pública. São Paulo: RT, 2020. 
p.147-164. 
CONTROLADORIA-GERAL DA UNIÃO (CGU). Guia de boas práticas: Lei Geral de 
Proteção de Dados. Brasília: CGU, ago. 2020. Disponível em: . 
Acesso em: 14 jun. 2021. 
FERRAZ, Pedro da Cunha. Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD): 
apontamentos sobre sua natureza e regime jurídico. In: DAL POZZO, Augusto Neves; 
MARTINS, Ricardo Marcondes. LGPD & administração pública. São Paulo: RT, 2020. 
p.621- 643. 
GARCIA, Fábio Henrique Falcone; CUNHA FILHO, Alexandre Jorge Carneiro da. 
A regulação do uso de dados pessoais: desafios inerentes à atividade e perspectivas 
com o advento da LGPD: um novo risco? In: DAL POZZO, Augusto Neves; MARTINS, 
Ricardo Marcondes.LGPD & administração pública. São Paulo: RT, 2020. p.123-136. 
MACIEL, Moises. Os tribunais de contas no exercício do controle externo de acordo com 
nova Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais. Revista Controle: Doutrinas e artigos, 
v.18, n.1, p.20-45, 2020. 
MARTINS, Ricardo Marcondes. Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais e direito 
administrativo: questões polêmicas. In: DAL POZZO, Augusto Neves; MARTINS, Ricardo 
Marcondes. LGPD & administração pública. São Paulo: RT, 2020. p.17-31. 
PARANÁ. Decreto º 6.474, de 14 de dezembro de 2020. Regulamenta a aplicação da Lei 
Federal nº 13.709, de 14 de agosto de 2018 - Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais 
(LGPD), no âmbito da Administração Pública Estadual direta, autárquica e fundacional 
do Poder Executivo do Estado do Paraná. Disponível em: . 
Acesso em: 14 jun. 2021. 
SANTOS, Marcela de Oliveira; MOTTA, Fabricio. Regulação do tratamento de dados 
pessoais no Brasil – o estado da arte. In: DAL POZZO, Augusto Neves; MARTINS, 
Ricardo Marcondes. LGPD & administração pública. São Paulo: RT, 2020. p.81-103. 
TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. Glossário de termos do controle interno. 
Disponível em: Acesso em: 14 jun. 2021. 
 
http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%2013.848-2019?OpenDocument
Rua: Jacy Loureiro de Campos, s/n - Térreo
Centro Cívico | Curitiba/PR | CEP 80530-140
https://www.administracao.pr.gov.br/Escola-de-Gestao(CF, art. 22, I). Quando, porém, os dados são utilizados 
pela Administração Pública, seja a Administração Direta, seja a Indireta, a 
Rua Jacy Loureiro de Campos S/N I Palácio das Araucárias I Centro Cívico I Curitiba/PR I CEP 80.530-915 I 41 3313.6264 I 3313.6670 www.administracao.pr.gov.br 
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disciplina da utilização diz respeito ao direito administrativo. Enquanto o 
direito civil disciplina as relações privadas em geral, e o direito comercial 
disciplina a exploração privada da atividade econômica, o direito 
administrativo é o conjunto de normas que rege a Administração Pública 
ou, em termos objetivos, o exercício da função administrativa. [...] 
Não compete à União legislar privativamente sobre o direito administrativo. 
[...] legislar sobre direito administrativo é decorrência direta da 
autonomia federativa. Assim, ao atribuir autonomia à União, Estados, 
Distrito Federal e Municípios, no art. 18, atribuiu a essas entidades a 
competência para legislar sobre direito administrativo. [...] Perceba-se: o 
acesso administrativo a dados privados diz respeito ao direito 
administrativo, ao exercício da função administrativa. Consequentemente, 
é competência de cada entidade federativa legislar sobre a utilização 
administrativa de dados privados (MARTINS, 2020, p.17-31.). 
Por fim, não se pode esquecer que, além dos mecanismos de controle e 
monitoramento próprios da LGPD, os controles interno e externo exercem relevante 
papel na conformação do regime regulatório de proteção de dados, tanto na esfera 
nacional quanto nas subnacionais (v. art. 55-J, XXII, da LGPD). 
Os sujeitos responsáveis pelos controles interno e externo serão brevemente 
examinados neste módulo, com ênfase no que dispõe a LGPD. 
1.2 Sujeitos Ativos da Regulação Nacional 
O principal sujeito ativo do regime regulatório de proteção de dados pessoais é, 
certamente, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Neste trabalho, 
consideramos também como sujeito ativo do regime, o Conselho Nacional de Proteção 
de Dados Pessoais e da Privacidade. Ainda que o Conselho integre a estrutura da própria 
ANPD, a LGPD é clara no sentido de que esse colegiado é responsável por delinear a 
política pública que deve guiar o exercício das competências da ANPD, juntamente com 
os marcos normativos constitucionais e legais pertinentes. 
Vale ressaltar, também, que os próprios sujeitos regulados são também sujeitos 
ativos do regime regulatório, porquanto encarregados de elaborar suas próprias regras 
de boas práticas e de governança (v. art. 50 da LGPD). 
[...] os meios tecnológicos de compartilhamento de informações são 
muitos e é praticamente impossível rastrear de onde vem a massa de 
dados que é operada por cada uma das gigantes de tecnologia. 
Os usuários, por seu turno, aceitam os termos do serviço porque as 
facilidades que derivam da comunicação eletrônica proporcionada num e 
noutro caso superam os riscos que se imaginam em relação ao tratamento 
que é conferido a seus dados (isso para aqueles que suspeitam de tal 
risco, o qual possivelmente é ignorado, à vista da mais completa falta de 
informações a respeito, pela grande maioria das pessoas). 
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9 
 
É como se a privacidade individual não correspondesse a um bem digno de 
tutela, já que: a) ninguém se interessaria por conversas privadas de 
terceiros, sobretudo, as quais não se revistam de teor mais significativo; 
b) como o tratamento de dados seria feito por algoritmos, algo um tanto 
etéreo, não haveria o porquê cada um buscar acautelar-se contra 
eventuais abusos. 
No entanto, a lei não tem como tutelar a privacidade sem garantir a 
liberdade econômica para o desenvolvimento de plataformas que usam 
o fluxo informacional como ativo, pois do contrário esses serviços 
sequer existiriam. 
Daí a tentativa de regulação por um modelo de corregulação ou 
autorregulação regulada (MARANHÃO; CAMPOS, 2018, p.219-220). 
Trata-se de um modelo normativo que procuraria combinar as vantagens 
da autorregulação (elevado conhecimento interno; eficiência na revisão de 
conceitos) com as da regulação por terceiro (que permite coercitivamente 
observância de valores e interesses não privados). A autorregulação 
regulada busca estimular o setor privado a contribuir para execução de 
tarefas públicas (GARCIA, 2020, p.123-136). 
Seção II 
Das Boas Práticas e da Governança 
Art. 50. Os controladores e operadores, no âmbito de suas competências, 
pelo tratamento de dados pessoais, individualmente ou por meio de 
associações, poderão formular regras de boas práticas e de governança 
que estabeleçam as condições de organização, o regime de funcionamento, 
os procedimentos, incluindo reclamações e petições de titulares, as 
normas de segurança, os padrões técnicos, as obrigações específicas 
para os diversos envolvidos no tratamento, as ações educativas, os 
mecanismos internos de supervisão e de mitigação de riscos e outros 
aspectos relacionados ao tratamento de dados pessoais. 
§1º Ao estabelecer regras de boas práticas, o controlador e o operador 
levarão em consideração, em relação ao tratamento e aos dados, a 
natureza, o escopo, a finalidade e a probabilidade e a gravidade dos 
riscos e dos benefícios decorrentes de tratamento de dados do titular. 
§2º Na aplicação dos princípios indicados nos incisos VII e VIII do caput 
do art. 6º desta Lei, o controlador, observados a estrutura, a escala e o 
volume de suas operações, bem como a sensibilidade dos dados 
tratados e a probabilidade e a gravidade dos danos para os titulares dos 
dados, poderá: 
I- implementar programa de governança em privacidade que, no mínimo: 
a) demonstre o comprometimento do controlador em adotar processos e 
políticas internas que assegurem o cumprimento, de forma abrangente, 
de normas e boas práticas relativas à proteção de dados pessoais; 
b) seja aplicável a todo o conjunto de dados pessoais que estejam sob 
seu controle, independentemente do modo como se realizou sua coleta; 
c) seja adaptado à estrutura, à escala e ao volume de suas operações, 
bem como à sensibilidade dos dados tratados; 
d) estabeleça políticas e salvaguardas adequadas com base em 
processo de avaliação sistemática de impactos e riscos à privacidade; 
e) tenha o objetivo de estabelecer relação de confiança com o titular, por 
meio de atuação transparente e que assegure mecanismos de 
participação do titular; 
f) esteja integrado a sua estrutura geral de governança e estabeleça e 
aplique mecanismos de supervisão internos e externos; 
g) conte com planos de resposta a incidentes e remediação; e 
h) seja atualizado constantemente com base em informações obtidas a 
partir de monitoramento contínuo e avaliações periódicas; 
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10 
 
II- demonstrar a efetividade de seu programa de governança em 
privacidade quando apropriado e, em especial, a pedido da autoridade 
nacional ou de outra entidade responsável por promover o cumprimento de 
boas práticas ou códigos de conduta, os quais, de forma independente, 
promovam o cumprimento desta Lei. 
§3º As regras de boas práticas e de governança deverão ser publicadas 
e atualizadas periodicamente e poderão ser reconhecidas e divulgadas 
pela autoridade nacional. 
Art. 51. A autoridade nacional estimulará a adoção de padrões técnicos 
que facilitem o controle pelos titulares dos seus dados pessoais. 
1.2.1 Autoridade Nacional de Proteção de Dados: Organização e Competências 
A LGPD, como se sabe, inspira-se no regime regulatório europeu de proteção de 
dados pessoais, denominado General Data Protection Regulation (EU) 2016/679 
(GDPR), instituído em substituição à Diretiva 95/46. 
A principal inspiraçãoda LGPD foi a General Data Protection Regulation 
(GDPR), editada em 24 de maio de 2016 e que, após um período de 
vacância de dois anos para adequação das empresas, entrou em vigor 
no dia 25 de maio de 2018, enquadrando no regulamento todos os 
países da União Europeia; trata-se de instrumento regulatório que deve ser 
seguido na sua integralidade e de maneira obrigatória por todos os 
países-membros. A GDPR reforça a proteção de dados e impõe novas 
obrigações às instituições que façam tratamento de dados (CARNEIRO, 
2020, p.147-164). 
O GDPR, assim como todos os regimes regulatórios, sustenta-se sobre a ideia de 
que a efetivação do seu objeto precípuo (proteção de dados pessoais, nesse caso 
específico) requer a instituição de entidades administrativas dotadas de regimes 
jurídicos especiais e autonomia reforçada, de modo que, insuladas do processo 
político, possam exercer, da maneira mais técnica e imparcial possível, a sua autoridade 
regulatória, derivada de suas competências legais. No caso da proteção de dados 
pessoais, entende-se, ainda, que a autoridade regulatória deve, sempre que possível, 
manejar instrumentos regulatórios suaves (em contraste com a imposição desmedida de 
sanções, comum na regulação de tipo “comando e controle”), tendo em vista as 
características da circulação de dados pessoais em meios virtuais, por exemplo. 
A LGPD, ao instituir a ANPD, teve por objetivo reproduzir o modelo de autoridade 
regulatória consagrado no GDPR, embora com certas peculiaridades. 
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11 
 
Ademais, deve-se falar das entidades reguladoras de proteção de 
dados no exterior em um estudo comparado com a entidade brasileira 
que é a ANPD. Cada país na União Europeia possui sua entidade de 
proteção de dados e todas essas respeitam a Autoridade Europeia para 
Proteção de Dados (AEPD), sendo criada em 2004 e com sede em 
Bruxelas na Bélgica. O objetivo primário da autoridade é de servir como 
um centro de excelência imparcial para que seja executado os padrões 
estabelecidos na GDPR por outras entidades pertencentes à União 
Europeia. 
Um exemplo de entidade de proteção de dados de um país integrante 
da União Europeia é a Garante per la protezione dei dati personali, que 
se trata da Autoridade Italiana para proteção de dados pessoais, foi 
criada através da Lei de Privacidade de nº 675, de 1996, e foi modificada 
pelo Decreto Legislativo nº 101, de 2018, para se adequar à GDPR. A 
entidade de proteção de dados atua de forma autônoma e transparente, 
visto que é de fácil acesso as informações referentes aos dados que 
estão sendo tratados por agentes de tratamento. 
Outro exemplo de entidade de proteção de dados que segue a GDPR é 
a Commission Nationale de I‟Informatique et des Libertés – CNIL, que foi 
criada em 1978 e é a autoridade nacional francesa encarregada pela 
proteção de dados. Assim como a entidade italiana, a autoridade francesa 
foi atualizada conforme o tempo e se atualizou diante da GDPR. Outro 
detalhe que merece a devida atenção é que a entidade francesa goza de 
total autonomia das demais atividades executadas pelo Estado francês. 
[...] 
A Autoridade Nacional de Proteção de Dados tem como objetivo 
regular, fiscalizar e zelar o tratamento de dados e características de 
fiscalização. [...] 
A criação da ANPD é essencial para que a lei de proteção de dados seja 
cumprida na sua integralidade, a própria lei cita a agência que iria regular 
de maneira independente por diversas vezes. Portanto, é essencial para 
a melhor adaptação de todos que a agência já esteja funcionando 
normalmente desde o primeiro dia de implantação da LGPD. 
O propósito da ANPD é educativo e não tem como objetivo a aplicação 
de multas e, nos moldes em que foi previsto na Lei 13.709, objetiva uma 
maior efetividade no sistema de compliance e melhora na governança 
de dados (CARNEIRO, 2020, p.147-164). 
A dimensão não espacial e transnacional do ambiente interacional a ser 
regulado, a natureza privada da própria infraestrutura de rede e a 
dimensão inexorável de uma navegação que deixa rastros são fatores 
que tornam muito difícil o controle eficiente da atividade de tratamento 
de dados a partir de um modelo regulatório tradicional. 
Mesmo a noção de responsabilização dos intermediários, porque porosa e 
duvidosa a sua capacidade de domínio sobre o fluxo de dados que por 
eles trafegam, perturba a missão a cargo do controlador. 
Talvez por esses motivos as autoridades de diversos sistemas jurídicos 
têm preferido o manejo de técnicas de soft law no lugar daquelas que se 
valem de uma atuação estatal com foco em políticas de comando e 
controle com o propósito de perseguir a satisfação de pautas de 
interesse geral em tal âmbito (GARCIA, 2020, p.123-136). 
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12 
 
A estrutura da ANPD está discriminada nos artigos 55-A a 55-I da LGPD, 
destacados abaixo: 
CAPÍTULO IX 
DA AUTORIDADE NACIONAL DE PROTEÇÃO DE DADOS (ANPD) E 
DO CONSELHO NACIONAL DE PROTEÇÃO DE DADOS PESSOAIS 
E DA PRIVACIDADE 
Seção I 
Da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) 
 Art. 55. (VETADO). 
Art. 55-A. Fica criada, sem aumento de despesa, a Autoridade Nacional 
de Proteção de Dados (ANPD), órgão da administração pública 
federal, integrante da Presidência da República. (Incluído pela Lei 
nº 13.853, de 2019) 
§1º A natureza jurídica da ANPD é transitória e poderá ser transformada 
pelo Poder Executivo em entidade da administração pública federal 
indireta, submetida a regime autárquico especial e vinculada à 
Presidência da República. (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
§2º A avaliação quanto à transformação de que dispõe o §1º deste 
artigo deverá ocorrer em até 2 (dois) anos da data da entrada em vigor 
da estrutura regimental da ANPD. (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
§3º O provimento dos cargos e das funções necessários à criação e 
à atuação da ANPD está condicionado à expressa autorização física 
e financeira na lei orçamentária anual e à permissão na lei de 
diretrizes orçamentárias. (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
Art. 55-B. É assegurada autonomia técnica e decisória à ANPD. 
Art. 55-C. A ANPD é composta de: (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
I- Conselho Diretor, órgão máximo de direção; (Incluído pela Lei 
nº 13.853, de 2019) 
II- Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da 
Privacidade; (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
III- Corregedoria; (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
IV - Ouvdoria; (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
V- órgão de assessoramento jurídico próprio; (Incluído pela Lei 
nº 13.853, de 2019) 
VI- unidades administrativas e unidades especializadas necessárias à 
aplicação do disposto nesta Lei. (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
Art. 55-D. O Conselho Diretor da ANPD será composto de 5 (cinco) 
diretores, incluído o Diretor-Presidente. (Incluído pela Lei nº 13.853, 
de 2019) 
§1º Os membros do Conselho Diretor da ANPD serão escolhidos pelo 
Presidente da República e por ele nomeados, após aprovação pelo 
Senado Federal, nos termos da alínea „f‟ do inciso III do art. 52 da 
Constituição Federal, e ocuparão cargo em comissão do Grupo-Direção 
e Assessoramento Superiores - DAS, no mínimo, de nível 5 (Incluído 
pela Lei nº 13.853, de 2019) 
§2º Os membros do Conselho Diretor serão escolhidos dentre brasileiros 
que tenham reputação ilibada, nível superior de educação e elevado 
conceito no campo de especialidade dos cargos para os quais 
serão nomeados. (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
§3º O mandato dos membros do Conselho Diretor será de 4 (quatro) 
anos. (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
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13 
 
§4º Os mandatos dos primeiros membros do Conselho Diretor 
nomeados serão de 2 (dois), de 3 (três), de 4 (quatro), de 5 (cinco) e de 6 
(seis) anos, conforme estabelecido no ato de nomeação. (Incluído pela 
Lei nº 13.853, de 2019) 
§5º Na hipótese de vacância do cargo no curso do mandato de membro 
do Conselho Diretor, o prazo remanescente será completado pelo 
sucessor. (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
Art. 55-E. Os membros do Conselho Diretor somente perderão seus 
cargos em virtude de renúncia, condenação judicial transitada em 
julgado ou pena de demissão decorrente de processo administrativo 
disciplinar. (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
§1º Nos termos do caput deste artigo, cabe ao Ministro de Estado 
Chefe da Casa Civil da Presidência da República instaurar o processo 
administrativo disciplinar, que será conduzido por comissão especial 
constituída por servidores públicos federais estáveis. (Incluído pela 
Lei nº 13.853, de 2019) 
§2º Compete ao Presidente da República determinar o afastamento 
preventivo, somente quando assim recomendado pela comissão 
especial de que trata o §1º deste artigo, e proferir o julgamento. 
(Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
Art. 55-F. Aplica-se aos membros do Conselho Diretor, após o exercício 
do cargo, o disposto no art. 6º da Lei nº 12.813, de 16 de maio de 2013. 
(Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
Parágrafo único. A infração ao disposto no caput deste artigo 
caracteriza ato de improbidade administrativa. (Incluído pela Lei 
nº 13.853, de 2019) 
Art. 55-G. Ato do Presidente da República disporá sobre a 
estrutura regimental da ANPD. (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
§1º Até a data de entrada em vigor de sua estrutura regimental, a 
ANPD receberá o apoio técnico e administrativo da Casa Civil da 
Presidência da República para o exercício de suas atividades. (Incluído 
pela Lei nº 13.853, de 2019) 
§2º O Conselho Diretor disporá sobre o regimento interno da 
ANPD. (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
Art. 55-H. Os cargos em comissão e as funções de confiança da ANPD 
serão remanejados de outros órgãos e entidades do Poder Executivo 
federal. (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
Art. 55-I. Os ocupantes dos cargos em comissão e das funções de 
confiança da ANPD serão indicados pelo Conselho Diretor e nomeados ou 
designados pelo Diretor-Presidente. (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
Como se pode perceber, a ANPD possui natureza jurídica transitória. Trata-se 
atualmente de órgão público integrante da Presidência da República, que poderá ser 
transformado pelo Poder Executivo em entidade da administração pública federal 
indireta, submetida a regime autárquico especial e vinculada à Presidência da República 
(art. 55-A , caput e §1º da LGPD). A natureza jurídica transitória da ANPD gera 
controvérsias na doutrina, haja vista a necessidade de que essa entidade possua 
autonomia para regular a proteção de dados pessoais de maneira efetiva. Questiona-se 
também se a ANPD poderia ser transformada em autarquia de regime especial sem a 
edição de lei específica. 
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14 
 
Além disso, é necessário que a Autoridade tenha independência e 
autonomia, que tendem a ser mais garantidas com a estruturação 
jurídico-subjetiva sob o modelo de autarquia. Como se sabe, a autarquia é 
pessoa jurídica de direito público instituída pelo Estado, por meio de lei, 
para realização de fins que lhe são próprios. Na clássica lição, trata-se da 
longa manus do Estado, submetida ao mesmo regime jurídico do ente 
federativo central. O reconhecimento de prerrogativas jurídicas 
instrumentais traz como contrapartida a submissão a restrições igualmente 
instrumentais, e a figura jurídica da autarquia, por ostentar a típica 
personalidade jurídica pública descentralizada, atualmente é a que se 
apresenta como mais adequada para o exercício de atividades de 
regulação. Como a criação de cada autarquia é feita por intermédio de lei, 
caberá a essa mesma lei estabelecer as características singulares do 
desenho institucional e do regime jurídico da instituição para que possa 
atender aos objetivos que justificaram sua criação (SANTOS, 2020, 
p.81-103). 
A repercussão decorrente da opção legislativa de se atribuir à LGPD a 
natureza de órgão em detrimento da de autarquia opera, principalmente, 
no plano da autonomia da qual a autoridade é dotada. Essa autonomia 
se reflete em dois planos: o do controle e o da influência, a serem 
exercidos pelo órgão à qual a ANPD está sujeita, no caso: a Presidência da 
República, conforme consta do art. 55-A, caput, da LGPD. 
[...] 
No entanto, a questão da autonomia da ANPD não pode ser tratada em 
termos genéricos, reconduzindo a discussão para os caracteres que 
compõem a natureza jurídica abstratamente considerada de órgão ou 
autarquia. O controle pelo ente central da Administração sempre dependerá 
das características que a lei conferiu ao sujeito administrativo criado. 
A LGPD assegura, expressamente, autonomia técnica e decisória à 
Autoridade Nacional de Proteção de Dados. Essas características do 
regime jurídico da ANPD devem ser consideradas em toda a sua 
potencialidade [...]. 
A ANPD, enquanto possuir natureza de órgão, está sujeita ao recurso 
hierárquico, com exceção de questões técnicas e decisórias, as quais 
não são passíveis de recursos hierárquicos próprios , pois o artigo 55-B, 
caput, da LGPD determinou estar „[...] assegurada autonomia técnica e 
decisória à ANPD‟. 
A autonomia técnica se refere ao exercício autônomo da competência de 
elaborar normas secundárias gerais e abstratas referentes a tratamento de 
dados pessoais, enquanto a autonomia decisória garante a não 
reconsideração das decisões que aplicam sanções e resolvem conflitos, 
em outras palavras, impede que os atos de produção de norma jurídica 
individual e concreta sejam reapreciados pela Presidência da República, 
Ambas as autonomias podem ser reunidas dentro do conceito de 
„autonomia funcional‟, a qual se refere à „capacidade de orientar o modo 
de exercício das competências recebidas por lei. 
Assim, as competências decisivas dentro do sistema brasileiro de proteção 
de dados (regulamentadora e fiscalizatória) podem ser exercidas pela 
ANPD, em termos jurídicos, com o mesmo grau de autonomia de que 
gozaria se tivesse sido atribuída para si personalidade jurídica própria. 
[...] 
Apesar de a ANPD já existir como órgão e a Lei autorizar a sua conversão 
em autarquia, tais fatos não são capazes de elidir a exigência de o 
veículo apto a qualificá-la como autarquia ser a lei e não decreto do 
Poder Executivo, como pretende o art. 55-A, §1º, da LGPD (FERRAZ, 
2020, p.621-643). 
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15 
 
De relevante, para os fins deste curso, destaca-se ainda que o Decreto Federal 
nº 10.474, de 26 de agosto de 2020 aprova a Estrutura Regimental da ANPD, 
conforme o art. 55-G, caput, da LGPD. Já o Regimento Interno da ANPD foi aprovado 
pela Portaria nº 1 do Conselho Diretor da ANPD, de 8 de março de 2021, nos termos do 
art. 55-G, §2º, da LGPD. 
As competências básicas da ANPD estão dispostas nos artigos 55-J e 55-K da 
LGPD, abaixo transcritos: 
Art. 55-J. Compete à ANPD: (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
I- zelar pela proteção dos dados pessoais, nos termos da legislação; 
(Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
II- zelar pela observância dos segredos comercial e industrial, 
observada a proteção de dados pessoais e do sigilo das informações 
quando protegido por lei ou quando a quebra do sigilo violar os 
fundamentos do art. 2º desta Lei; (Incluído pelaLei nº 13.853, de 2019) 
III- elaborar diretrizes para a Política Nacional de Proteção de Dados 
Pessoais e da Privacidade; (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
IV- fiscalizar e aplicar sanções em caso de tratamento de dados 
realizado em descumprimento à legislação, mediante processo 
administrativo que assegure o contraditório, a ampla defesa e o 
direito de recurso; (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
V- apreciar petições de titular contra controlador após comprovada 
pelo titular a apresentação de reclamação ao controlador não 
solucionada no prazo estabelecido em regulamentação; (Incluído 
pela Lei nº 13.853, de 2019) 
VI- promover na população o conhecimento das normas e das 
políticas públicas sobre proteção de dados pessoais e das medidas 
de segurança; (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
VII- promover e elaborar estudos sobre as práticas nacionais e 
internacionais de proteção de dados pessoais e privacidade; 
(Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
VIII- estimular a adoção de padrões para serviços e produtos que 
facilitem o exercício de controle dos titulares sobre seus dados 
pessoais, os quais deverão levar em consideração as especificidades 
das atividades e o porte dos responsáveis; (Incluído pela Lei 
nº 13.853, de 2019) 
IX- promover ações de cooperação com autoridades de proteção de 
dados pessoais de outros países, de natureza internacional ou 
transnacional; (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
X- dispor sobre as formas de publicidade das operações de 
tratamento de dados pessoais, respeitados os segredos comercial 
e industrial; (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
XI- solicitar, a qualquer momento, às entidades do poder público que 
realizem operações de tratamento de dados pessoais informe específico 
sobre o âmbito, a natureza dos dados e os demais detalhes do 
tratamento realizado, com a possibilidade de emitir parecer técnico 
complementar para garantir o cumprimento desta Lei; (Incluído pela 
Lei nº 13.853, de 2019) 
XII- elaborar relatórios de gestão anuais acerca de suas atividades; 
(Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
XIII- editar regulamentos e procedimentos sobre proteção de 
dados pessoais e privacidade, bem como sobre relatórios de 
impacto à proteção de dados pessoais para os casos em que o 
tratamento representar alto risco à garantia dos princípios gerais de 
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16 
 
proteção de dados pessoais previstos nesta Lei; (Incluído pela Lei nº 
13.853, de 2019) 
XIV- ouvir os agentes de tratamento e a sociedade em matérias de 
interesse relevante e prestar contas sobre suas atividades e 
planejamento; (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
XV- arrecadar e aplicar suas receitas e publicar, no relatório de 
gestão a que se refere o inciso XII do caput deste artigo, o detalhamento 
de suas receitas e despesas; (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
XVI- realizar auditorias, ou determinar sua realização, no âmbito da 
atividade de fiscalização de que trata o inciso IV e com a devida 
observância do disposto no inciso II do caput deste artigo, sobre o 
tratamento de dados pessoais efetuado pelos agentes de tratamento, 
incluído o poder público; (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
XVII- celebrar, a qualquer momento, compromisso com agentes de 
tratamento para eliminar irregularidade, incerteza jurídica ou 
situação contenciosa no âmbito de processos administrativos, de 
acordo com o previsto no Decreto-Lei nº 4.657, de 4 de setembro de 
1942; (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
XVIII- editar normas, orientações e procedimentos simplificados e 
diferenciados, inclusive quanto aos prazos, para que microempresas e 
empresas de pequeno porte, bem como iniciativas empresariais de 
caráter incremental ou disruptivo que se autodeclarem startups ou 
empresas de inovação, possam adequar-se a esta Lei; (Incluído pela 
Lei nº 13.853, de 2019) 
XIX- garantir que o tratamento de dados de idosos seja efetuado de 
maneira simples, clara, acessível e adequada ao seu entendimento, nos 
termos desta Lei e da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003 (Estatuto 
do Idoso); (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
XX- deliberar, na esfera administrativa, em caráter terminativo, 
sobre a interpretação desta Lei, as suas competências e os casos 
omissos; (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
XXI- comunicar às autoridades competentes as infrações penais 
das quais tiver conhecimento; (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
XXII- comunicar aos órgãos de controle interno o descumprimento 
do disposto nesta Lei por órgãos e entidades da administração 
pública federal; (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
XXIII- articular-se com as autoridades reguladoras públicas para 
exercer suas competências em setores específicos de atividades 
econômicas e governamentais sujeitas à regulação; e (Incluído pela 
Lei nº 13.853, de 2019) 
XXIV- implementar mecanismos simplificados, inclusive por meio 
eletrônico, para o registro de reclamações sobre o tratamento de 
dados pessoais em desconformidade com esta Lei. (Incluído pela 
Lei nº 13.853, de 2019) 
§1º Ao impor condicionantes administrativas ao tratamento de 
dados pessoais por agente de tratamento privado, sejam eles 
limites, encargos ou sujeições, a ANPD deve observar a exigência de 
mínima intervenção, assegurados os fundamentos, os princípios e 
os direitos dos titulares previstos no art. 170 da Constituição Federal 
e nesta Lei. (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
§2º Os regulamentos e as normas editados pela ANPD devem ser 
precedidos de consulta e audiência públicas, bem como de análises de 
impacto regulatório. (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
§3º A ANPD e os órgãos e entidades públicos responsáveis pela 
regulação de setores específicos da atividade econômica e 
governamental devem coordenar suas atividades, nas correspondentes 
esferas de atuação, com vistas a assegurar o cumprimento de suas 
atribuições com a maior eficiência e promover o adequado 
funcionamento dos setores regulados, conforme legislação específica, 
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17 
 
e o tratamento de dados pessoais, na forma desta Lei. (Incluído pela 
Lei nº 13.853, de 2019) 
§4º A ANPD manterá fórum permanente de comunicação, inclusive 
por meio de cooperação técnica, com órgãos e entidades da 
administração pública responsáveis pela regulação de setores 
específicos da atividade econômica e governamental, a fim de facilitar 
as competências regulatória, fiscalizatória e punitiva da ANPD. 
(Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
§5º No exercício das competências de que trata o caput deste artigo, a 
autoridade competente deverá zelar pela preservação do segredo 
empresarial e do sigilo das informações, nos termos da lei. 
(Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
§6º As reclamações colhidas conforme o disposto no inciso V do caput 
deste artigo poderão ser analisadas de forma agregada, e as 
eventuais providências delas decorrentes poderão ser adotadas de 
forma padronizada. (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
Art. 55-K. A aplicação das sanções previstas nesta Lei compete 
exclusivamente à ANPD, e suas competências prevalecerão, no que se 
refere à proteção de dados pessoais, sobre as competências correlatas 
de outras entidades ou órgãos da administração pública. (Incluído pela 
Lei nº 13.853, de 2019) 
Parágrafo único. A ANPD articulará sua atuação com outros órgãos 
e entidades com competências sancionatórias e normativas afetas 
ao tema de proteção de dados pessoais e será o órgão central de 
interpretação desta Lei e do estabelecimento de normas e 
diretrizes para a sua implementação. (Incluído pela Lei nº 13.853, de 
2019) 
As competências da ANPD podem ser assim classificadas:2 
 Competênciasregulamentares ou normativas: são aquelas que conduzem à 
edição de atos normativos regulamentares. 
 Competências fiscalizatórias, de controle ou de ordenação administrativa: são 
aquelas exercidas mediante atos e processos administrativos com vistas à tutela dos 
dados pessoais com base na LGPD e nos regulamentos aplicáveis à matéria, 
inclusive aqueles editados pela própria ANPD. Compreende auditorias, soluções 
judicantes e consensuais de controvérsias, articulação com outros órgãos reguladores e 
de controle, bem como imposição de eventuais sanções.3 
 Competências pedagógicas, informativas ou de cunho-preventivo (regulação 
suave): trata-se do uso da influência e técnicas suaves de regulação sobre os 
agentes regulados. 
 
2
 Outras competências da ANPD: v. artigos 12, 30, 41, §3º e 46, §1º,da LGPD. 
3
 Fiscalização é o “poder-dever de vigilância, exame ou verificação atribuído por lei a órgão, entidade ou agente público” , 
conforme o Glossário de Controle de Termos do Controle Externo, elaborado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). 
(Disponível em: ). A expressão 
“ordenação administrativa”, de alcance mais amplo e formulada por Carlos Ari Sundfeld, compreende (1) competências 
para impor condicionamentos; (2) para fiscalizar; (3) para reprimir a não observância dos condicionamentos; (4) para 
executar as medidas necessárias ao cumprimento dos condicionamentos. (Cf. FERRAZ, 2020, p.621-643). 
https://portal.tcu.gov.br/biblioteca-digital/glossario-de-termos-do-controle-externo.htm
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18 
 
 Competências de gestão própria e accountability: trata-se de competências que 
possibilitam a prestação de contas da ANPD ao público e aos demais órgãos de 
controle a respeito de suas próprias atividades. 
O quadro a seguir sintetiza as competências da ANPD: 
Competências 
regulamentares ou 
normativas 
Competências 
fiscalizatórias, de 
controle ou de 
ordenação 
administrativa 
Competências 
pedagógicas, 
informativas ou de 
cunho-preventivo 
(regulação suave) 
Competências de 
gestão própria e 
accountability 
Art. 55-J, III - elaborar 
diretrizes para a Política 
Nacional de Proteção de 
Dados Pessoais e da 
Privacidade. 
Art. 55-J. I - zelar pela 
proteção dos dados 
pessoais, nos termos da 
legislação. 
Art. 55-J. VI - promover na 
população o conhecimento 
das normas e das políticas 
públicas sobre proteção 
de dados pessoais e das 
medidas de segurança. 
Art. 55-J, XII - elaborar 
relatórios de gestão 
anuais acerca de suas 
atividades. 
Art. 55-J, X - dispor sobre 
as formas de publicidade 
das operações de 
tratamento de dados 
pessoais, respeitados os 
segredos comercial e 
industrial. 
Art. 55-J. II - zelar pela 
observância dos segredos 
comercial e industrial, 
observada a proteção de 
dados pessoais e do 
sigilo das informações 
quando protegido por lei 
ou quando a quebra do 
sigilo violar os 
fundamentos do art. 2º 
desta Lei. 
Art. 55-J. VII - promover e 
elaborar estudos sobre 
as práticas nacionais e 
internacionais de proteção 
de dados pessoais e 
privacidade. 
Art. 55-J, XV - arrecadar 
e aplicar suas receitas e 
publicar, no relatório de 
gestão a que se refere o 
inciso XII do caput deste 
artigo, o detalhamento de 
suas receitas e despesas. 
Art. 55-J, XIII - editar 
regulamentos e 
procedimentos sobre 
proteção de dados 
pessoais e privacidade, 
bem como sobre 
relatórios de impacto à 
proteção de dados 
pessoais para os casos 
em que o tratamento 
representar alto risco à 
garantia dos princípios 
gerais de proteção de 
dados pessoais previstos 
nesta Lei. 
Art. 55-J. IV - fiscalizar e 
aplicar sanções em caso 
de tratamento de dados 
realizado em 
descumprimento à 
legislação, mediante 
processo administrativo 
que assegure o 
contraditório, a ampla 
defesa e o direito de 
recurso. 
Art. 55-J. VIII - estimular 
a adoção de padrões 
para serviços e produtos 
que facilitem o exercício 
de controle dos titulares 
sobre seus dados 
pessoais, os quais 
deverão levar em 
consideração as 
especificidades das 
atividades e o porte dos 
responsáveis. 
Art. 55-J. XIV - ouvir os 
agentes de tratamento e 
a sociedade em matérias 
de interesse relevante e 
prestar contas sobre 
suas atividades e 
planejamento; 
' 
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19 
 
Competências 
regulamentares ou 
normativas 
Competências 
fiscalizatórias, de 
controle ou de 
ordenação 
administrativa 
Competências 
pedagógicas, 
informativas ou de 
cunho-preventivo 
(regulação suave) 
Competências de 
gestão própria e 
accountability 
Art. 55-J, XVIII - editar 
normas, orientações e 
procedimentos 
simplificados e 
diferenciados, inclusive 
quanto aos prazos, para 
que microempresas e 
empresas de pequeno 
porte, bem como 
iniciativas empresariais 
de caráter incremental 
ou disruptivo que se 
autodeclarem startups 
ou empresas de 
inovação, possam 
adequar-se a esta Lei. 
Art. 55-J. V - apreciar 
petições de titular contra 
controlador após 
comprovada pelo titular a 
apresentação de 
reclamação ao 
controlador não 
solucionada no prazo 
estabelecido em 
regulamentação. 
Art. 55-J. IX - promover 
ações de cooperação 
com autoridades de 
proteção de dados 
pessoais de outros 
países, de natureza 
internacional ou 
transnacional. 
 
Art. 55-J, XX - deliberar, 
na esfera administrativa, 
em caráter terminativo, 
sobre a interpretação 
desta Lei, as suas 
competências e os casos 
omissos. 
Art. 55-J. XVI - realizar 
auditorias, ou determinar 
sua realização, no âmbito 
da atividade de 
fiscalização de que trata 
o inciso IV e com a devida 
observância do disposto 
no inciso II do caput deste 
artigo, sobre o tratamento 
de dados pessoais 
efetuado pelos agentes 
de tratamento, incluído o 
poder público. 
Art. 55-J.XI - solicitar, a 
qualquer momento, às 
entidades do poder 
público que realizem 
operações de tratamento 
de dados pessoais 
informe específico sobre 
o âmbito, a natureza dos 
dados e os demais 
detalhes do tratamento 
realizado, com a 
possibilidade de emitir 
parecer técnico 
complementar para 
garantir o cumprimento 
desta Lei. 
 
Art. 55-J, XXIV - 
implementar 
mecanismos 
simplificados, inclusive 
por meio eletrônico, para 
o registro de 
reclamações sobre o 
tratamento de dados 
pessoais em 
desconformidade com 
esta Lei. 
Art. 55-J. XVII - celebrar, 
a qualquer momento, 
compromisso com 
agentes de tratamento 
para eliminar 
irregularidade, incerteza 
jurídica ou situação 
contenciosa no âmbito de 
processos administrativos, 
de acordo com o previsto 
no Decreto- Lei nº 4.657, 
de 4 de setembro de 1942. 
 
Aet. 12. Dispor sobre 
padrões e técnicas 
utilizados em processos 
de anonimização e 
realizar verificações 
acerca de sua 
segurança, ouvido o 
Conselho Nacional de 
Proteção de Dados 
Pessoais. 
Art. 55-J. XIX - garantir 
que o tratamento de 
dados de idosos seja 
efetuado de maneira 
simples, clara, acessível 
e adequada ao seu 
entendimento, nos 
termos desta Lei e da Lei 
nº 10.741, de 1º de 
outubro de 2003 
(Estatuto do Idoso). 
Art. 55-J. XXIII - 
articular-se com as 
autoridades reguladoras 
públicas para exercer 
suas competências em 
setores específicos de 
atividades econômicas e 
governamentais sujeitas 
à regulação. 
 
 
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20 
 
Competências 
regulamentares ou 
normativas 
Competências 
fiscalizatórias, de 
controle ou de 
ordenação 
administrativa 
Competências 
pedagógicas,informativas ou de 
cunho-preventivo 
(regulação suave) 
Competências de 
gestão própria e 
accountability 
Art. 41, §3º. A autoridade 
nacional poderá 
estabelecer normas 
complementares sobre a 
definição e as atribuições 
do encarregado, 
inclusive hipóteses de 
dispensa da 
necessidade de sua 
indicação, conforme a 
natureza e o porte da 
entidade ou o volume de 
operações de tratamento 
de dados. 
Art. 55-J. XX - deliberar, 
na esfera administrativa, 
em caráter terminativo, 
sobre a interpretação 
desta Lei, as suas 
competências e os casos 
omissos. 
 
Art. 46, §1º. A autoridade 
nacional poderá dispor 
sobre padrões técnicos 
mínimos para tornar 
aplicável o disposto no 
caput deste artigo, 
considerados a natureza 
das informações tratadas, 
as características 
específicas do 
tratamento e o estado 
atual da tecnologia, 
especialmente no caso 
de dados pessoais 
sensíveis, assim como 
os princípios previstos no 
caput do art. 6º desta Lei. 
Art. 55-J. XXI - comunicar 
às autoridades 
competentes as infrações 
penais das quais tiver 
conhecimento. 
 
Art. 30. A autoridade 
nacional poderá 
estabelecer normas 
complementares para as 
atividades de 
comunicação e de uso 
compartilhado de dados 
pessoais. 
Art. 55-J. XXII - 
comunicar aos órgãos de 
controle interno o 
descumprimento do 
disposto nesta Lei por 
órgãos e entidades da 
administração pública 
federal. 
 
 Art. 55-J. XXIV - 
implementar mecanismos 
simplificados, inclusive 
por meio eletrônico, para o 
registro de reclamações 
sobre o tratamento de 
dados pessoais em 
desconformidade com 
esta Lei. 
 
 
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21 
 
Requisitos para o exercício das competências regulamentares ou normativas: 
Art. 55-J, §2º Os regulamentos e as normas editados pela ANPD devem 
ser precedidos de consulta e audiência públicas, bem como de análises 
de impacto regulatório. 
 Consulta pública 
A consulta pública é o instrumento de apoio à tomada de decisão por 
meio do qual a sociedade é consultada previamente, por meio do envio 
de críticas, sugestões e contribuições por quaisquer interessados, sobre 
proposta de norma regulatória aplicável ao setor de atuação da agência 
reguladora (art. 9º, §1º, Lei nº 13.848/2019 – Lei das Agências 
Reguladoras). 
 Audiência pública 
A audiência pública é o instrumento de apoio à tomada de decisão por 
meio do qual é facultada a manifestação oral por quaisquer interessados 
em sessão pública previamente destinada a debater matéria relevante 
(art. 10, §1º, Lei nº 13.848/2019 – Lei das Agências Reguladoras). 
 Análise de impacto regulatório (AIR) 
procedimento, a partir da definição de problema regulatório, de avaliação 
prévia à edição dos atos normativos de que trata este Decreto, que 
conterá informações e dados sobre os seus prováveis efeitos, para 
verificar a razoabilidade do impacto e subsidiar a tomada de decisão 
(art. 2º, I, Decreto nº 10.411/2020) 
Relatório de impacto à proteção de dados pessoais (RIPD) 
O Relatório de Impacto à Proteção dos Dados Pessoais (RIPD) representa 
documento fundamental a fim de demonstrar os dados pessoais que 
são coletados, tratados, usados, compartilhados e quais medidas são 
adotadas para mitigação dos riscos que possam afetar as liberdades 
civis e direitos fundamentais dos titulares desses dados (CGU, 2020). 
Os dispositivos relevantes da LGPD sobre o relatório de impacto à proteção de 
dados pessoais são destacados abaixo: 
Art. 5º, XVII - relatório de impacto à proteção de dados pessoais: 
documentação do controlador que contém a descrição dos processos de 
tratamento de dados pessoais que podem gerar riscos às liberdades 
civis e aos direitos fundamentais, bem como medidas, salvaguardas e 
mecanismos de mitigação de risco. 
Art. 10. O legítimo interesse do controlador somente poderá fundamentar 
tratamento de dados pessoais para finalidades legítimas, consideradas 
a partir de situações concretas, que incluem, mas não se limitam a: 
I- apoio e promoção de atividades do controlador; e 
II- proteção, em relação ao titular, do exercício regular de seus direitos 
ou prestação de serviços que o beneficiem, respeitadas as legítimas 
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22 
 
expectativas dele e os direitos e liberdades fundamentais, nos termos 
desta Lei. 
§1º Quando o tratamento for baseado no legítimo interesse do 
controlador, somente os dados pessoais estritamente necessários para 
a finalidade pretendida poderão ser tratados. 
§2º O controlador deverá adotar medidas para garantir a transparência do 
tratamento de dados baseado em seu legítimo interesse. 
§3º A autoridade nacional poderá solicitar ao controlador relatório de 
impacto à proteção de dados pessoais, quando o tratamento tiver como 
fundamento seu interesse legítimo, observados os segredos comercial e 
industrial. 
Art. 32. A autoridade nacional poderá solicitar a agentes do Poder 
Público a publicação de relatórios de impacto à proteção de dados 
pessoais e sugerir a adoção de padrões e de boas práticas para os 
tratamentos de dados pessoais pelo Poder Público. 
Art. 38. A autoridade nacional poderá determinar ao controlador que 
elabore relatório de impacto à proteção de dados pessoais, inclusive de 
dados sensíveis, referente a suas operações de tratamento de dados, 
nos termos de regulamento, observados os segredos comercial e 
industrial. 
Parágrafo único. Observado o disposto no caput deste artigo, o relatório 
deverá conter, no mínimo, a descrição dos tipos de dados coletados, a 
metodologia utilizada para a coleta e para a garantia da segurança das 
informações e a análise do controlador com relação a medidas, 
salvaguardas e mecanismos de mitigação de risco adotados. 
Art. 55-J. XIII - editar regulamentos e procedimentos sobre proteção de 
dados pessoais e privacidade, bem como sobre relatórios de impacto à 
proteção de dados pessoais para os casos em que o tratamento 
representar alto risco à garantia dos princípios gerais de proteção de 
dados pessoais previstos nesta Lei. 
1.2.2 Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade: 
Organização e Competências 
A estrutura do Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da 
Privacidade está discriminada no art. 58-A da LGPD, abaixo transcrito: 
Seção II 
Do Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade 
 Art. 58. (VETADO). 
Art. 58-A. O Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e 
da Privacidade será composto de 23 (vinte e três) representantes, 
titulares e suplentes, dos seguintes órgãos: (Incluído pela Lei nº 13.853, 
de 2019) 
I - 5 (cinco) do Poder Executivo federal; (Incluído pela Lei nº 13.853, 
de 2019) 
II - 1 (um) do Senado Federal; (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
III- 1 (um) da Câmara dos Deputados; (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
IV- 1 (um) do Conselho Nacional de Justiça; (Incluído pela Lei nº 13.853, de 
2019) 
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23 
 
V- 1 (um) do Conselho Nacional do Ministério Público; (Incluído pela Lei 
nº 13.853, de 2019) 
VI - 1 (um) do Comitê Gestor da Internet no Brasil; (Incluído pela Lei 
nº 13.853, de 2019) 
VII- 3 (três) de entidades da sociedade civil com atuação relacionada a 
proteção de dados pessoais; (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
VIII- 3 (três) de instituições científicas, tecnológicas e de inovação; 
(Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
IX- 3 (três) de confederações sindicais representativas das categorias 
econômicas do setor produtivo; (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
X- 2 (dois) de entidades representativas do setorempresarial relacionado à 
área de tratamento de dados pessoais; e (Incluído pela Lei nº 13.853, de 
2019) 
XI- 2 (dois) de entidades representativas do setor laboral. (Incluído pela 
Lei nº 13.853, de 2019) 
§1º Os representantes serão designados por ato do Presidente da 
República, permitida a delegação. (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
§2º Os representantes de que tratam os incisos I, II, III, IV, V e VI do 
caput deste artigo e seus suplentes serão indicados pelos titulares dos 
respectivos órgãos e entidades da administração pública. (Incluído pela 
Lei nº 13.853, de 2019) 
§3º Os representantes de que tratam os incisos VII, VIII, IX, X e XI do 
caput deste artigo e seus suplentes: (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
I- serão indicados na forma de regulamento; (Incluído pela Lei nº 13.853, 
de 2019) 
II- não poderão ser membros do Comitê Gestor da Internet no Brasil; 
(Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
III- terão mandato de 2 (dois) anos, permitida 1 (uma) recondução. 
(Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
§4º A participação no Conselho Nacional de Proteção de Dados Pessoais e 
da Privacidade será considerada prestação de serviço público 
relevante, não remunerada. (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
Quanto às competências do Conselho, transcreve-se abaixo o art. 58-B da LGPD: 
Art. 58-B. Compete ao Conselho Nacional de Proteção de Dados 
Pessoais e da Privacidade: (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
I- propor diretrizes estratégicas e fornecer subsídios para a elaboração 
da Política Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade e 
para a atuação da ANPD; (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
II- elaborar relatórios anuais de avaliação da execução das ações da 
Política Nacional de Proteção de Dados Pessoais e da Privacidade; 
(Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
III- sugerir ações a serem realizadas pela ANPD; (Incluído pela Lei 
nº 13.853, de 2019) 
IV- elaborar estudos e realizar debates e audiências públicas sobre a 
proteção de dados pessoais e da privacidade; e (Incluído pela Lei 
nº 13.853, de 2019) 
V- disseminar o conhecimento sobre a proteção de dados pessoais e 
da privacidade à população. (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
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24 
 
1.3 Responsabilidade de Entidades e Órgãos Públicos Estaduais em 
Relação à ANPD (arts. 31 e 32 da LGPD) 
O tema da responsabilidade de órgãos públicos por infração à LGPD 
encontra-se disciplinado nos arts. 31 e 32 da Lei. Vejamos: 
Seção II 
Da Responsabilidade 
Art. 31. Quando houver infração a esta Lei em decorrência do 
tratamento de dados pessoais por órgãos públicos, a autoridade 
nacional poderá enviar informe com medidas cabíveis para fazer 
cessar a violação. 
Art. 32. A autoridade nacional poderá solicitar a agentes do Poder 
Público a publicação de relatórios de impacto à proteção de dados 
pessoais e sugerir a adoção de padrões e de boas práticas para os 
tratamentos de dados pessoais pelo Poder Público. 
À luz dos artigos 31 e 32 da LGPD, como se pode perceber, a LGPD parece 
não atribuir à ANPD competência para impor as sanções administrativas previstas no 
art. 52 da Lei aos órgãos públicos. Sobre o tema, confira-se a lição de Ricardo 
Marcondes Martins: 
Apesar de a literalidade da Lei não deixar claro, não cabe à ANPD 
aplicar as referidas sanções administrativas às pessoas jurídicas 
de direito público. Não existe controle administrativo de uma entidade 
federativa sobre a outra. Assim, a União não tem competência para 
impor uma sanção administrativa a Estados e Municípios e vice- 
versa. A imposição de uma sanção administrativa pressupõe uma relação 
de sujeição, uma relação vertical entre o sancionador e o sancionado. 
Todas as entidades feerativas estão numa relação horizontal, não há 
sujeição administrativa entre uma e outra, e, por isso, inexiste 
possibilidade de uma entidade federativa impor, administrativamente, 
uma sanção sobre outra. Idêntica regra se estende às autarquias e 
fundações públicas, pessoas jurídicas de direito público, integrantes 
da Administração indireta da entidade que as instituiu. Da mesma 
forma que a ANPD não tem competência para sancionar Estados e 
Municípios, também não tem competência para sancionar as pessoas 
de direito público por eles instituídas. 
[...] 
Poder-se-ia argumentar: pode a ANPD impor sanção administrativa 
aos órgãos federais e às pessoas de direito público federal? [...] 
Em que pese eventuais discordâncias, não há razão jurídica para, no 
âmbito do controle interno, um órgão sancionar outro, ou uma entidade 
pública sancionar outra. Trata-se de uma regra elementar: a Administração 
pública não deve sancionar a si mesma. Todos os órgãos e entes 
públicos são regidos pelos princípios da cooperação e da 
coordenação, de modo que todos devem atuar como engrenagem da 
mesma Administração, cooperando uns com os outros e atuando em 
coordenação em prol do cumprimento eficiente das respectivas 
competências. Se um órgão ou uma entidade não cumpre suas 
funções, o controle interno deve responsabilizar os respectivos 
agentes públicos, mas não o próprio órgão ou entidade. [...] 
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Evidentemente, essa regra não se aplica ao controle externo, seja o 
controle administrativo, seja o controle jurisdicional. É perfeitamente 
possível que o Tribunal de Contas, no primeiro caso, ou o Poder 
Judiciário, no segundo, imponham sanções a pessoas de direito 
público. 
[...] 
Da mesma forma que descabe à ANPD sancionar autarquias federais – 
por força dos princípios da cooperação e da coordenação –, estaduais e 
municipais – por força da própria autonomia federativa –, também 
descabe a ela, pelos mesmos motivos, sancionar empresas estatais 
prestadoras de serviço públicom sejam empresas federais, sejam 
empresas estaduais ou municipais. 
As sanções administrativas, elencadas no art. 52, são, porém, 
aplicáveis às empresas estatais exploradoras de atividade econômica. 
[...] As estatais exploradoras de atividade econômica não podem ter 
tratamento privilegiado em relação às empresas particulares, sob pena 
de a concorrência entre elas ser desleal (MARTINS, 2020, p.17-31). 
Quanto à possibilidade de aplicação de sanções administrativas aos órgãos 
públicos, no entanto, confira-se o teor do art. 52 da LGPD, em especial o seu §3º: 
Art. 52. Os agentes de tratamento de dados, em razão das infrações 
cometidas às normas previstas nesta Lei, ficam sujeitos às seguintes 
sanções administrativas aplicáveis pela autoridade nacional: (Vigência) 
I- advertência, com indicação de prazo para adoção de medidas 
corretivas; 
II- multa simples, de até 2% (dois por cento) do faturamento da pessoa 
jurídica de direito privado, grupo ou conglomerado no Brasil no seu 
último exercício, excluídos os tributos, limitada, no total, a 
R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais) por infração; 
III- multa diária, observado o limite total a que se refere o inciso II; 
IV- publicização da infração após devidamente apurada e confirmada a 
sua ocorrência; 
V- bloqueio dos dados pessoais a que se refere a infração até a sua 
regularização; 
VI- eliminação dos dados pessoais a que se refere a infração; 
VII - (VETADO); 
VIII - (VETADO); IX - (VETADO). 
IX- suspensão parcial do funcionamento do banco de dados a que se 
refere a infração pelo período máximo de 6 (seis) meses, prorrogável por 
igual período, até a regularização da atividade de tratamento pelo 
controlador; (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
X- suspensão do exercício da atividade de tratamento dos dados 
pessoais a que se refere a infração pelo período máximo de 6 (seis) 
meses, prorrogável por igual período; (Incluído pela Lei nº 13.853,de 
2019) 
XI- proibição parcial ou total do exercício de atividades relacionadas a 
tratamento de dados. (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
§1º As sanções serão aplicadas após procedimento administrativo que 
possibilite a oportunidade da ampla defesa, de forma gradativa, isolada 
ou cumulativa, de acordo com as peculiaridades do caso concreto e 
considerados os seguintes parâmetros e critérios: 
I - a gravidade e a natureza das infrações e dos direitos pessoais afetados; 
 II - a boa-fé do infrator; 
III - a vantagem auferida ou pretendida pelo infrator; 
IV - a condição econômica do infrator; 
V - a reincidência; 
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VI - o grau do dano; 
VII- a cooperação do infrator; 
VIII- a adoção reiterada e demonstrada de mecanismos e procedimentos 
internos capazes de minimizar o dano, voltados ao tratamento seguro e 
adequado de dados, em consonância com o disposto no inciso II do §2º 
do art. 48 desta Lei; 
IX- a adoção de política de boas práticas e governança; 
X - a pronta adoção de medidas corretivas; e 
XI - a proporcionalidade entre a gravidade da falta e a intensidade 
da sanção. 
§2º O disposto neste artigo não substitui a aplicação de sanções 
administrativas, civis ou penais definidas na Lei nº 8.078, de 11 de 
setembro de 1990, e em legislação específica. (Redação dada pela Lei 
nº 13.853, de 2019) 
§3º O disposto nos incisos I, IV, V, VI, X, XI e XII do caput deste artigo 
poderá ser aplicado às entidades e aos órgãos públicos, sem prejuízo do 
disposto na Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, na Lei nº 8.429, 
de 2 de junho de 1992, e na Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011. 
(Promulgação partes vetadas) 
§4º No cálculo do valor da multa de que trata o inciso II do caput deste 
artigo, a autoridade nacional poderá considerar o faturamento total da 
empresa ou grupo de empresas, quando não dispuser do valor do 
faturamento no ramo de atividade empresarial em que ocorreu a 
infração, definido pela autoridade nacional, ou quando o valor for 
apresentado de forma incompleta ou não for demonstrado de forma 
inequívoca e idônea. 
§5º O produto da arrecadação das multas aplicadas pela ANPD, inscritas 
ou não em dívida ativa, será destinado ao Fundo de Defesa de Direitos 
Difusos de que tratam o art. 13 da Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985, e 
a Lei nº 9.008, de 21 de março de 1995. (Incluído pela Lei nº 13.853, de 
2019) 
§6º As sanções previstas nos incisos X, XI e XII do caput deste artigo 
serão aplicadas: (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
I- somente após já ter sido imposta ao menos 1 (uma) das sanções de 
que tratam os incisos II, III, IV, V e VI do caput deste artigo para o mesmo 
caso concreto; e (Incluído pela Lei nº 13.853, de 2019) 
II- em caso de controladores submetidos a outros órgãos e entidades 
com competências sancionatórias, ouvidos esses órgãos. (Incluído pela 
Lei nº 13.853, de 2019) 
§7º Os vazamentos individuais ou os acessos não autorizados de que 
trata o caput do art. 46 desta Lei poderão ser objeto de conciliação direta 
entre controlador e titular e, caso não haja acordo, o controlador estará 
sujeito à aplicação das penalidades de que trata este artigo. (Incluído 
pela Lei nº 13.853, de 2019) 
Art. 53. A autoridade nacional definirá, por meio de regulamento próprio 
sobre sanções administrativas a infrações a esta Lei, que deverá ser 
objeto de consulta pública, as metodologias que orientarão o cálculo do 
valor-base das sanções de multa. (Vigência) 
§1º As metodologias a que se refere o caput deste artigo devem ser 
previamente publicadas, para ciência dos agentes de tratamento, e devem 
apresentar objetivamente as formas e dosimetrias para o cálculo do 
valor-base das sanções de multa, que deverão conter fundamentação 
detalhada de todos os seus elementos, demonstrando a observância 
dos critérios previstos nesta Lei. 
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§2º O regulamento de sanções e metodologias correspondentes deve 
estabelecer as circunstâncias e as condições para a adoção de multa 
simples ou diária. 
Art. 54. O valor da sanção de multa diária aplicável às infrações a esta Lei 
deve observar a gravidade da falta e a extensão do dano ou prejuízo 
causado e ser fundamentado pela autoridade nacional. (Vigência) 
Parágrafo único. A intimação da sanção de multa diária deverá conter, 
no mínimo, a descrição da obrigação imposta, o prazo razoável e 
estipulado pelo órgão para o seu cumprimento e o valor da multa diária a 
ser aplicada pelo seu descumprimento. 
Em relação aos órgãos públicos, portanto, fato é que o art. 52, §3º da LGPD, prevê a 
possibilidade de imposição, por parte da ANPD, das seguintes sanções administrativas: 
 Advertência, com indicação de prazo para adoção de medidas corretivas (art. 52, I); 
 Publicização da infração após devidamente apurada e confirmada a sua ocorrência 
(art. 52, IV); 
 Bloqueio dos dados pessoais a que se refere a infração até a sua regularização 
(art. 52, V); 
 Suspensão parcial do funcionamento do banco de dados a que se refere a infração 
pelo período máximo de 6 (seis) meses, prorrogável por igual período, até a 
regularização da atividade de tratamento pelo controlador (art. 52, X); 
 Suspensão do exercício da atividade de tratamento dos dados pessoais a que se 
refere a infração pelo período máximo de 6 (seis) meses, prorrogável por igual período 
(art. 52, XI); 
 Proibição parcial ou total do exercício de atividades relacionadas ao tratamento de 
dados (art. 52, XII). 
Nada obstante, concorda-se com Ricardo Marcondes Martins (2020), ao menos no 
sentido de que tais disposições (aquelas do art. 52) em nenhuma hipótese aplicam-se a 
órgãos e entidades estaduais, que ficam sujeitos exclusivamente à responsabilidade 
delineada nos artigos 31 e 32 da LGPD. 
Sobre a possibilidade de imposição das sanções previstas no art. 52 às empresas 
estatais exploradoras de atividade econômica, rememore-se o art. 24 da LGPD: 
Art. 24. As empresas públicas e as sociedades de economia mista que 
atuam em regime de concorrência, sujeitas ao disposto no art. 173 da 
Constituição Federal, terão o mesmo tratamento dispensado às pessoas 
jurídicas de direito privado particulares, nos termos desta Lei. 
Parágrafo único. As empresas públicas e as sociedades de economia 
mista, quando estiverem operacionalizando políticas públicas e no 
âmbito da execução delas, terão o mesmo tratamento dispensado aos 
órgãos e às entidades do Poder Público, nos termos deste Capítulo. 
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Em razão disso, no caso do caput do art. 24 da LGPD, as estatais exploradoras de 
atividade econômica, inclusive as estaduais, podem vir a sofrer as sanções previstas no 
art. 52 da LGPD como se entidades puramente privadas fossem. No entanto, o critério 
adotado na LGPD suscita dúvidas, já que estatais que exercem atividade 
econômica, em sentido estrito, também podem capitanear políticas públicas. 
Quanto à responsabilidade administrativa dos agentes públicos, cf. módulo 
ministrado pelo Prof. Roberto Altheim. 
1.4 Instâncias Estaduais: O Modelo Paranaense 
O regime estadual de proteção de dados pessoais foi estruturado pelo Decreto 
Estadual nº 6.474, de 14 de dezembro de 2020. Aplica-se à Administração Pública 
Estadual direta, autárquica e fundacional do Poder Executivo do Estado do Paraná e 
inclui os Serviços Sociais Autônomos (art. 1º). 
Os principais sujeitos ativos do regime regulatório paranaense são os seguintes: 
 Controladoria-Geral do Estado (CGE): na condição de coordenadora

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