Prévia do material em texto
UNIVERSIDADE PAULISTA CURSO DE DIREITO STHEPHANY INGRYD CORREIA DA SILVA O PRINCÍPIO DA CELERIDADE PROCESSUAL APLICADO ÀS AÇÕES POSSESSÓRIAS, COMO FORMA DE EVITAR A MOROSIDADE PROCESSUAL SÃO PAULO 2024 STHEPHANY INGRYD CORREIA DA SILVA O PRINCÍPIO DA CELERIDADE PROCESSUAL APLICADO ÀS AÇÕES POSSESSÓRIAS, COMO FORMA DE EVITAR A MOROSIDADE PROCESSUAL Monografia apresentada à faculdade de Direito de São Paulo como parte dos requisitos para conclusão de curso em / /2024 Professor Orientador: Dr. Adriano Lichtenberger Parra. SÃO PAULO 2024 STHEPHANY INGRYD CORREIA DA SILVA O PRINCÍPIO DA CELERIDADE PROCESSUAL APLICADO ÀS AÇÕES POSSESSÓRIAS, COMO FORMA DE EVITAR A MOROSIDADE PROCESSUAL Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) apresentado a Banca Examinadora da Universidade Paulista (UNIP), como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Bacharel em Direito. São Paulo, de 2024. Aprovada em: / /2024. BANCA EXAMINADORA / / Dr. Adriano Lichtenberger Parra. (Orientador-Unip) Universidade Paulista –UNIP / / Prof. Universidade Paulista – UNIP / / Prof. Universidade Paulista – UNIP Dedico este trabalho ao meu pai, que partiu na metade desta minha jornada, antes de poder me ver alcançar este sonho. Cada página deste TCC carrega a saudade imensa e o amor infinito que sinto por ele. Meu pai sempre acreditou em mim, muito antes de eu mesma acreditar. Me fez enxergar que eu era capaz de ser o que quisesse, e seu incentivo foi o combustível que me trouxe até aqui. Mesmo não estando fisicamente presente, sei que me acompanhou em cada passo desta jornada, me guiando, me protegendo e torcendo por mim, como sempre fez. Ao senhor, pai, dedico esta conquista de todo o meu coração. O amor e a fé do senhor e da mãe em mim continuam a ser a minha maior inspiração. Este diploma é tanto meu quanto seu, porque tudo que sou e tudo que conquistei tem sua marca. Assim como me disse no nosso ultimo dia juntos, sei que, de onde estiver o senhor estará orgulhoso de mim, Sinto sua falta todos os dias. Esta vitória é para o senhor. AGRADECIMENTOS Primeiramente, agradeço a Deus, por ter me capacitado e por estar sempre à frente de tudo na minha vida. Sem Sua luz e sabedoria, eu não estaria aqui hoje, concretizando esse sonho. Em segundo lugar, agradeço ao meu pai, que hoje está no céu. Antes mesmo de eu sonhar com meu futuro, ele já acreditava em mim. Ele me fazia acreditar que eu poderia ser qualquer coisa que desejasse, mesmo que fosse a Barbie Popstar. Ele me mostrou que eu era capaz, responsável e que alcançaria todos os meus objetivos. Sinto sua falta a cada passo, mas sei que ele está orgulhoso de mim, onde quer que esteja. Minha querida mãe, a quem devo tudo, nunca mediu esforços para me ajudar nessa longa caminhada. Ela chorou minhas lágrimas e sorriu minhas alegrias. Obrigada por ser meu exemplo de bondade, amor, compaixão e humanidade. Sua força e dedicação me inspiram todos os dias. Ao meu companheiro, a pessoa que escolhi para compartilhar minhas felicidades, tristezas, choros, alegrias e palhaçadas: obrigada, meu amor! Obrigada por acreditar em mim, por ver em mim um potencial que às vezes nem eu mesma conseguia enxergar. Obrigada pelas madrugadas de estudo, pelas broncas quando eu ficava sem estudar e, principalmente, por ser meu alicerce. Obrigada por ser você! Aos meus irmãos, Michelle, Pamella, Natasha, Emilly, Eduardo e Nicolle, que sempre acreditaram em mim, me fazendo acreditar que sou capaz de tudo. Cada um de vocês tem um pedaço dessa conquista. Aos meus cunhados, Yohan e Mike, vocês fizeram parte dessa jornada de uma forma tão especial. Yohan, obrigada pelos chocolates que aliviavam minha cabeça cansada de tanto estudo. Mike, obrigada por entrar de cabeça nessa loucura comigo, vivenciando cada vitória, conquista e tombos. A parceria de vocês foi fundamental para que eu chegasse até aqui. Minhas maravilhosas amigas Thalita, Paloma e Stefani, vocês me mostraram o Direito de uma forma linda, engraçada, pura e transparente. Foram meus braços direitos na DPE e continuam sendo na minha vida. Obrigada por cada troca sincera. Aos meus tutores ao longo dessa jornada, Dr. Leonardo, que foi meu tutor durante dois anos, ensinando-me não só o dia a dia do processo civil, mas também que a humanidade deve vir antes de tudo. Você me ensinou o verdadeiro profissionalismo e me ajudou em um dos momentos mais difíceis da minha vida. Serei eternamente grata! Por fim, agradeço à Dra. Erica Bareze, que entrou na minha vida recentemente, mas com quem me identifiquei profundamente por ter os mesmos propósitos e ideiais de vida. Obrigada por todos os ensinamentos jurídicos e de vida que você me dá constantemente. Essa conquista não é só minha. Cada um de vocês tem uma parcela fundamental nisso. Obrigada por tudo! ‘ Porque Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação. 2 Timóteo 1:7’. RESUMO Este Trabalho de Conclusão de Curso - TCC, aborda o tema: O Princípio da Celeridade processual aplicado às ações possessórias, como forma de evitar a morosidade processual, com a principal problemática da morosidade processual no Brasil, infelizmente muito presente no nosso ordenamento jurídico, nesta monografia é apresentado o conceito das ações possessórias e seus princípios conforme a ouvidoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a morosidade processual é o tema mais recorrente nas manifestações recebidas, representando 69,12% das demandas em setembro de 2023, ou seja, os processos têm um alto índice de lentidão na justiça no Brasil, sendo contraditório ao princípio da Celeridade Processual. A metodologia aplicada a esta monografia é a de pesquisa bibliográfica com base em documentação indireta. Palavras-Chave: Conselho Nacional de Justiça. Ações possessórias. Morosidade Processual. ABSTRACT This Final Course Work - TCC, addresses the theme: The Principle of Procedural Speed applied to possessory actions, as a way to avoid procedural delays, with the main problem of procedural delays in Brazil, unfortunately very present in our legal system, this monograph presents the concept of possessory actions and their principles according to the ombudsman of the National Council of Justice (CNJ), procedural delays are the most recurring theme in the manifestations received, representing 69.12% of the demands in September 2023, that is, the processes have a high rate of slowness in the justice system in Brazil, being contradictory to the principle of Procedural Speed. The methodology applied to this monograph is that of bibliographic research based on indirect documentation. Keywords: National Council of Justice. Possessory actions. Procedural delays. SUMÁRIO INTRODUÇÃO.............................................................................................12 1.0 EVOLUÇÃO DAS AÇÕES POSSESSÓRIAS............................................13 1.1 Evolução histórica das ações possessórias.........................................13 1.2 Teoria das ações possesórias atuais...................................................16 1.3 Natureza Jurídica das ações possessórias e sua defiição de posse...18 1.4 Ações Possesórias e seus principios...................................................21 2.0 IMPACTO DA CELERIDADE NAS AÇÕES POSSESSÓRIAS................23 2.1 Conceito de Celeridade Processual.....................................................23 2.2 Prejuízos da Morosidade nas Ações Possessórias.............................252.3 Relação entre Celeridade e Justiça Efetiva nas Ações Possessórias.26 2.4 Exemplos de Casos onde a Morosidade Gerou Prejuízos...................26 3.0 ANÁLISE CRITICA E PROPOSTAS DE MELHORIA...............................28 3.1 Principais desafios para a celeridade nas ações possessória..............28 3.2 Propostas para a melhoria da celeridade processual...........................29 3.3 Considerações sobre o futuro das ações possessórias.......................31 4.0 CONCLUSÃO.............................................................................................33 5.0 BIBLIOGRAFIA..........................................................................................34 12 INTRODUÇÃO Neste Trabalho de Conclusão de Curso – TCC, é abordado o tema: ‘O PRINCÍPIO DA CELERIDADE PROCESSUAL APLICADO ÀS AÇÕES POSSESSÓRIAS, COMO FORMA DE EVITAR A MOROSIDADE PROCESSUAL’ ,atualmente conforme a ouvidoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a morosidade processual é o tema mais recorrente nas manifestações recebidas, representando 69,12% das demandas em setembro de 2023, ou seja, os processos tem um alto índice de lentidão na justiça, esta monografia tem o objetivo de explanar o motivo pelo qual a morosidade processual no Brasil é tão comum, e especificar os principais princípios No Capítulo 1, trata-se da Evolução das ações possessórias, como nasceu as ações possessórias desde os primórdios, no subtópico posterior a teoria das ações possessórias atuais, é analisada a teoria objetiva e a teoria subjetiva, as teorias das ações possessórias atuais, e a natureza jurídica das ações possessórias e a definição de posse. No Capítulo 2, refere-se ao conceito de Celeridade processual, quais os prejuízos da morosidade nas ações possessórias, e qual a relação da celeridade com a justiça efetiva nas ações possessórias. No Capítulo 3, aborda-se a Análise crítica e propostas de melhoria, os principais desafios para a celeridade processual nas ações possessórias e a proposta de melhoria da celeridade processual. A metodologia adotada neste Trabalho de Conclusão de Curso – Tcc, é aplicada a pesquisa bibliográfica com livros, e todo tipo de documentação indireta. A estrutura do trabalho é formatada de acordo com as Alinhamento do texto justificado, as margens: 3 cm na parte superior e esquerda, e 2 cm na parte inferior e direita, com espaçamento: 1,5 cm no texto e 1,0 cm para citações com mais de três linhas no Papel: Formato A-4 (210 x 297 mm), com a presença de títulos sem indicativo numérico: títulos como Agradecimentos, Resumo, Sumário, Referências. 13 1.0 EVOLUÇÃO DAS AÇÕES POSSESSÓRIAS Neste Capítulo é abordado a definição de posse, as ações possessórias no direito brasileiro, e a evolução histórica das ações possessórias. 1.1 Evolução histórica das ações possessórias A Posse no direito romano: A posse não despertou, entre os jurisconsultos romanos, a necessidade de desenvolvimento de uma teoria. O gênio romano, espírito prático, limitou-se à casuística, tendo o instituto conhecido desenvolvimento nas fases pré-clássica, clássica e pós-clássica. Para Ebert Chamoun: ‘ A posse era chamada de ‘possessio’ era um senhorio que o chefe da ‘gens’ concedia sobre as terras aos seus clientes, que estavam obrigados à restituição quando exigido1’ . Seu objeto eram os campos ou “fundos de terra”, localizados fora da cidade propriamente dita. Eram utilizadas pelos habitantes da cidade, que não podiam apropriar-se, limitando-se ao uso, que recebia a denominação de ‘usus’, ‘usus fructus’ e ‘possessio’2. Era uma situação de fato que se apoiava em três circunstâncias: a) não havia como adquirir a propriedade, como se dava com os bens destinados ao uso comum – é o que se passava com o ‘ager publicus’, que não admitia apropriação, b) uma das partes não reunia, segundo o ‘ius Quiritum’, qualidades para ser proprietário; c) o meio utilizado para a transferência do domínio não era hábil para transferir a propriedade. Os requisitos exigidos para transferir a propriedade eram as seguintes: ter por objeto um imóvel romano ou itálico; pertencer a um cidadão romano; e só ser transferível por um modo solene (‘mancipatio’ ou ‘in iure cessio’). Conforme leciona Adriano Azevedo Andrade na falta de qualquer um desses requisitos, e o bem em mãos de alguém, tínhamos a ‘possessio’3. Nessa linha, o uso e gozo das coisas decorriam ou da propriedade, ou da posse. Naquela época não padece qualquer dúvida quanto à distinção entre exercício do direito (propriedade) e de fato (posse), que assim se qualificava porque não tinha origem em um direito subjetivo resultante do ‘jus Quiritium’. 1 CHAMOUN, Ebert, Instituições de direito romano, Revista Forense. 1954 2 GIFFARD, Précis de droit romain. Dalloz, 1938 3 ANDRADE, adriano de Azevedo, Pesquisa em torno do conceito de posse. Disponível em: https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/391/r139-08.pdf?sequence=4&isAllowed=y. Acesso em: 06 nov 2024. 14 O espírito prático do romano acabou por estender a posse como exercício de fato a várias outras situações em que, por necessidade prática, se fazia necessário proteger o uso e gozo de bens por parte de quem a eles não tinha direito por força do domínio. A criação do direito pretoriano passou a ser empregada em todos os casos previstos no direito quiritário. Marco Aurélio S. Viana leciona que: É quando surge a proteção pelos interditos, que alcança todas as posses que conduzem à usucapião, vindo a posse separada da propriedade, como a posse do proprietário. O vocábulo possessio designava, também, o poder do credor pignoratício, ou seja, de quem tinha em suas mãos coisa alheia a título de garantia, de sequestro, como depositário de coisa alheia.4 No período clássico deparamo-nos com a possessio irrevogável, reunindo a disponibilidade física da coisa, acompanhada do desejo de possuí-la em definitivo, hábil à aquisição pela usucapião. Este reclama a posse, a justa causa e a boa-fé. A posse do precarista, do credor pignoratício e do sequestrário apresentava caráter excepcional, porque exigia, então, a boa-fé ‘animus domini’. Durante o período clássico, a possessão estava ligada à verdadeira propriedade. Determina-se uma ligação entre a propriedade e a posse, sendo a base legal. Toda interação entre indivíduo e objeto, que não se baseia em título ou motivo justo, é equivalente à detenção5. A posse se torna uma relação jurídica e não mais uma relação de fato. Sob Justiniano, a proteção possessória abrange os direitos sobre propriedades. Em relação à origem da posse, alguns acreditam que está na proteção possessória através dos interditos, que tinha como objetivo proteger a posse dos agentes públicos. O território romano Durante o período clássico, a possessão estava ligada à verdadeira propriedade. Determina-se uma ligação entre a propriedade e a posse, sendo esta a base legal desta. Toda interação entre indivíduo e objeto, que não se baseia em título ou motivo justo, é equivalente à detenção. A posse se torna uma relação jurídica e não mais uma relação de fato6. Sob Justiniano, a proteção possessória abrange os direitos sobre propriedades. Em relação à origem da posse, alguns acreditam que está na proteção possessória através dos interditos, que tinha como objetivo proteger a posse dos agentes públicos. Trata-se de uma invenção do pretor. 4 VIANA, Marco Aurélio S. Curso cit. – Direito das coisas. Rio de Janeiro, Forense, 2006. 5 RUIZ, Arangio. Instituciones de derecho romano. Depalma, 1986. 6 ANDRADE, Adriano de Azevedo. Fundamento da proteção possessória. Belo Horizonte, Universidade deMinas Gerais, 1964. 15 Os juízes, com o objetivo de manter a ordem estabelecida, devido ao ‘imperium’, promulgaram restrições e proibições: interdicta. O território romano. Conforme Adriano de Azevedo Andrade: A Lei Licínia, 387 a.C., atendeu aos plebeus, multiplicando-se os conflitos e criando o ‘interdito uti possidetis’. Esse interdito complementava o sistema destinado a assegurar a manutenção do statu quo possessório. Não se admitia que a posse fosse viciada em relação ao adversário, ou seja, o possuidor não havia conseguido a coisa da outra parte nec vi clam precário7. A tese é perfilhada por Ihering e Karlowa, que entendem que a posse teria sido considerada como objeto de proteção, pela primeira vez, no direito romano, na colação das vindicae, que versava em geral sobre o ager privatus. No direito clássico surge a tripartição da posse em civil, natural e ad interdicta. A posse natural é mera detenção, sem animus possidendi, e que não gozava de proteção possessória. Em textos interpolados, Justiniano emprega a locução com o significado de possessio injusta, como aquele que não se reveste de ‘animus possidendi’. Já a possessio civilis é sinônimo de possessio ad usucapionem, de boa-fé. Ela tem por base uma justa causa, constituindo verdadeiro direito protegido pela ação pauliana. A transferência dos bens, segundo o direito quiritário, reclamava determinados requisitos, cuja inobservância prejudicava a aquisição do domínio. Surgia, então, uma propriedade de direito, ex iure Quiritium, e outra, de fato, com proteção do pretor, incindindo sobre o mesmo objeto. Ao lado da propriedade propriamente dita tínhamos outra, denominada pretória ou bonitária, que prescindia de base jurídica. A posse civil conduzia à aquisição do domínio iure Quiritium, pelo decurso do tempo, apoiado no elemento psíquico, o animus domini8. A ‘possessio ad’ interdicta assegurava proteção interdital, supondo apenas o ‘animus possidendi’. A distinção da posse civil se fazia porque nesta, primitivamente, o adquirente era dono da coisa, enquanto naquela não chegava a proprietário, gozando, portanto, do direito à usucapião9. 7 ANDRADE, Adriano de Azevedo. Fundamento da proteção possessória. Belo Horizonte, Universidade de Minas Gerais, 1964. 8 BONFANTE, Pedro. Instituciones de Derecho romano. Reus. 1852. 9 RUIZ, Arangio. Instituciones de derecho romano. Depalma, 1986. 16 No direito justinianeu a tripartição é reduzida à bipartição entre posse civil e posse natural, compreendendo a primeira a posse ad usucapionem e a posse ad interdicta, definindo-se como a posse fundada em causa reconhecida como idônea, pelo ius civile, continuando a posse natural a ser considerada mera detenção. Se o conceito de posse conheceu modificações na fase pré-clássica, clássica e pós-clássica, não tendo o mesmo significado nas três épocas, isso não afastou a presença dos dois elementos: o corpus e o animus. Eles estão presentes na concepção subjetiva (Savigny) e na objetiva (Ihering). O corpus é o elemento material, significando que o possuidor pode dispor fisicamente da coisa, submetendo-a à sua dominação, inclusive fisicamente. É o contato material com ela, ou os atos simbólicos que o representam. Os romanos expressam essa situação com as expressões tenere ou detinere, esse in possessione, possessio naturalis ou corporalis, possessio ou possidere corpore10. 1.2 Teoria das ações possesórias Atuais Mariana Ribeiro Santiago10: Uma das teorias das ações possessórias é a teoria subjetiva coforme o ‘corpus‘ de Savigny é o fato material pelo qual a coisa está submetida à vontade humana. Criando para o titular da coisa a possibilidade de dispor fisicamente desta, excluindo a intromissão de todas as outras pessoas11’. Conforme leciona Silvio de Salvo Venosa12: O corpus não é a coisa em si, mas o poder físico do possuidor sobre a coisa, a “possibilidade de ter contato direto e físico com a coisa”. Nas palavras de Caio Mário da Silva Pereira13, “é o fato exterior, em oposição ao fato interior”, ou, Conforme Jhering14, “a supremacia de fato sobre a coisa”. Ao discutir posse, é importante enfatizar que a primeira teoria sobre posse, Sobre o tema, estabelecia-se que para obter a posse era imprescindível que a propriedade fosse adquirida. No caso são pessoas que atendessem a dois critérios: corpo e alma (Savigny). Para ter um bom desempenho. Para ter posse, a pessoa precisava ter um contato físico com o objeto. 10 SANTIAGO, Mariana Ribeiro. Teoria subjetiva da posse. Jus Navigandi. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/5277/teoria-subjetiva-da-posse. Acesso em: 14 dez. 2022. 11 DINIZ, Maria Helena Diniz; SANTIAGO, Mariana Ribeiro. Função Social e solidária da posse. Edição única. Saraiva Jur. São Paulo. 2023. 12 VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil: direitos reais. 2. ed. São Paulo: Atlas, v. 5, 2002. p. 47. 13 PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de direito civil: posse. Propriedade. Direitos reais de fruição. Garantia e aquisição. 14. ed. Rio de Janeiro: Forense, v. IV, 2000. 14 JHERING, Rudolf Von. Teoria simplificada da posse. Tradução de Vicente Sabino Junior. São Paulo: Bushatsky, 1974. 17 Para que ela não fosse vista apenas como uma mera detentora, era necessário um elemento subjetivo, o animus domini, que representa a intenção de obter o benefício próprio. Esta teoria recebeu críticas, principalmente porque o inquilino seria apenas um detentor, sem possuir o animus domini, e o senhorio não teria nada, já que não possui o corpus. A teoria subjetiva é definida por o poder físico sobre a coisa, a detenção da coisa, esta é definição de ‘Corpus’, mencionada acima é um elemento material que se traduz no poder físico da pessoa sobre a coisa. É a intenção de ter a coisa como sua, como um ‘assenhoramento’, a intenção de exercer sobre a coisa o direito de propriedade, esta é a definição de ‘Animus’: É um elemento intelectual, representado por o assenhoramento. Na definição de Savigny, os dois elementos devem estar sempre conjugados para que exista a posse por fazerem parte da estrutura, significa dizer que a posse não vai se dar somente pela apreensão física ou somente com a intenção de ser dono, mas sim motivada por duas estruturas conjuntamente. Após surgiu a segunda teoria, desenvolvida por Ihering e adotada pela legislação brasileira, que considerava como possuidor a pessoa que ostenta em nome próprio qualquer um dos poderes inerentes à propriedade, como usar, gozar, fruir, dispor e reaver (art. 1.196, NCC). A posse, para essa teoria, seria a exteriorização do domínio. Tanto o Código Civil de 1916 quanto o Código Civil de 2002 adotaram a teoria Objetiva. A Teoria Objetiva é defendida por Jhering que diz: ”Para que a posse seja constituída basta o Corpus”, negando completamente a existência do ‘Animus’ . Ele da ênfase nas diferenças entre as noções de posse e propriedade para ser definido o instituto. Para ele, não existe distinção quando a posse e a propriedade estão reunidas na mesma pessoa. A posse é poder de fato, já a propriedade é o poder de direito sobre a coisa. Sendo que, esta separação do sujeito e a coisa pode ocorrer tanto com a vontade do proprietário como contra sua vontade. Por ser normalmente o proprietário aquele que transfere a outrem o seu poder de fato sobre a coisa, trata-se ai da Posse Justa. Quando ocorre a separação em consequência da subtração da coisa ser contra a vontade do possuidor, trata-se da Posse Injusta. Entende-se portanto que, para Ihering posse é um fatoe não um direito por ser um exercício de fato dos poderes que se têm sobre 18 1.3 Natureza Jurídica das ações Possesórias e Definição de posse Conforme Leciona Silvio de Salvo Venosa: A posse continua sendo, sem dúvida, o instituto mais controvertido de todo o Direito, não apenas do Direito Civil. De fato, tudo quanto a ela se vincula é motivo de divergência doutrinária: conceito, origem, elementos, natureza jurídica etc. Essas dificuldades devem-se em parte aos textos romanos, na maioria das vezes contraditórios e interpolados. Na história romana, o próprio conceito de posse foi sendo alterado nas diversas épocas, recebendo influências do direito natural, direito canônico e direito germânico. Ademais, os ordenamentos jurídicos existentes não são homogêneos, tratando do tema com enfoques diversos. Enfim, o conceito de posse nunca logrará atingir unanimidade na doutrina e nas legislações15. Conforme Tito Fulgêncio e Marco Aurelio da Silva Viana: Há significados impróprios para a palavra posse – A palavra posse emprega-se às vezes para designar: A propiedade no uso linguístico dos romanos possessor era o ‘dominus’, possessio, a propriedade territorial. É considerado vulgar, na linguagem do povo e mesmo de juristas, o dizer: Pedro possui uma grande fazenda, um belo cavalo, um relógio-cronômetro16. É que a posse exprime em regra o conteúdo da propriedade, é a condição de aquisição do domínio. Entre os romanos, não se o obtinha sem a tradição, que era entrega da posse pelo alienante ao adquirente, efetiva a princípio, simplificada mais tarde, constituto possessorio repousando sobre dupla tradição ficta. O que é posse? Trata-se de uma expressão plurissignificativa, ou seja, uma expressão com muitos significados, conforme Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Mário Veiga Filhox. Com efeito, conforme observa Gagliano, Filho ‘apud’ Maria Helena Diniz17: Árdua é a tarefa de definir a “posse”, devido à ambiguidade desse termo. Deveras, o vocábulo “posse” é, às vezes, empregado em sentido impróprio para designar: A “propriedade”, pois é comum na linguagem popular afirmar-se: “A possui uma casa”. Nesta frase não se está dizendo que A é possuidor, mas sim proprietário. Convém esclarecer que não é apenas o leigo quetem essa acepção, pois a nossa Constituição de 1891, cuja redação é das mais perfeitas, em seu art. 69, § 5.º, prescrevia18: 15 VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil reais. Ed 24. Gen. São Paulo. 2024. 16 FULGÊNCIO,Tito; VIANA, Marco Aurelio da Silva. Da Posse e das Ações Possessórias - Teoria Legal - Prática, 12ª edição. Rio de Janeiro, 2015. 17 GAGLIANO, Pablo Stolze; FILHO, Rodolfo Mário Veiga. Novo Curso de Direito Civil. Direitos Reais. Ed 6. Saraiva Jur. São Paulo. 2024. 18 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: direito das coisas. 32. ed. São Paulo: Saraiva, 2018. 19 “São cidadãos brasileiros os estrangeiros que possuírem bens imóveis no Brasil”. Isso é assim porque a posse pretende exprimir o conteúdo da propriedade’19. b) A "condição de aquisição do domínio", uma vez que, na era romana, só se conseguia o domínio com a tradição, que era a entrega da posse pelo alienante ao adquirente. O alienante somente pode transferir o domínio ao comprador mediante a transcrição no Registro de Imóveis. Além disso, não se pode adquirir res nullius sem ocupação. O “domínio político”, uma vez que no direito internacional público fala-se em possessão de um país. Camões emprega o vocábulo “posse” nesse sentido, em sua obra Os Lusíadas, Canto III, estrofe 103, ao escrever: “Para vir possuir a nobre Espanha”. O significado de "exercício de um direito", que é descrito em nosso Código Civil no artigo 1.547, diz respeito à posse do estado de casados para aqueles que eram ou são considerados assim perante o mundo. O "compromisso do funcionário público" de desempenhar sua função com honra. É nesse sentido de assumir um cargo que, em direito administrativo, se fala em posse de um funcionário. A Constituição de 1891 empregava o termo “empossar”, referindo-se ao Presidente da República, no seu artigo 44. No entanto, a Constituição vigente, no artigo 78, traz a expressão “tomar posse”. O "poder sobre uma pessoa", como é comum no direito de família se referir à "posse dos filhos", que é a capacidade do pai de mante-los em sua companhia e de reclamá-los de quem os detenha. Conforme Grace Mussalem Calil: ‘A posse é o poder de fato, exercido em nome próprio com autonomia, quem exerce a posse em nome alheio, ou seja, em nome de terceiro é mero detentor e não possuidor20’. Conforme leciona Grace Mussalem Calil: Referente a natureza jurídica da posse, há dois entendimentos. 19 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: direito das coisas. 32. ed. São Paulo: Saraiva, 2018. v. 4. p. 49-50. 20 CALIL, Grace Mussalem. Ações Possessórias. Disponível em: https://emerj.tjrj.jus.br/files/pages/publicacoes/serieaperfeicoamentodemagistrados/paginas/series/10/processocivil_131.pdf. Acesso em: 30 de setembro de 2024. 20 A posse pode ser entendida como um fato ou como um direito, sendo que esta última corrente, para Grace Mussalem Calil parece ser a mais correta, pois a posse é protegida juridicamente por os interditos possessórios, assim como todos os direitos. Também é discutida a sua natureza de direito real ou pessoal. Há quem diga que é direito pessoal por não constar do rol de direitos reais do art. 1.225 do Código Civil e há quem sustente que é direito real por conter todas as características inerentes aos direitos desta natureza, como oponibilidade ‘erga omnes’, sujeito passivo indeterminado e objeto determinado, e continuar a ser tratada no art. 95 do CPC como direito real, sendo esta a meu ver a melhor posição. RECURSO ESPECIAL Nº 1.296.964 - DF (2011/0292082-2) RELATOR : MINISTRO LUIS FELIPE SALOMÃO RECORRENTE : DISTRITO FEDERAL PROCURADOR : ANA MARIA ISAR DOS SANTOS GOMES E OUTRO(S) - DF013048 RECORRIDO : MIGUEL GONÇALVES DE MELO ADVOGADO : WALTER DE CASTRO COUTINHO - DF005951 RECORRIDO : MIGUEL ANGEL VILLAR BUSTO ADVOGADO : PAULO HENRIQUE PERNA CORDEIRO - DF018559 EMENTA RECURSO ESPECIAL. POSSE. DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. BEM PÚBLICO DOMINICAL. LITÍGIO ENTRE PARTICULARES. INTERDITO POSSESSÓRIO. POSSIBILIDADE. FUNÇÃO SOCIAL. OCORRÊNCIA. 2. A posse deve ser protegida como um fim em si mesma, exercendo o particular o poder fático sobre a res e garantindo sua função social, sendo que o critério para aferir se há posse ou detenção não é o estrutural e sim o funcional. É a afetação do bem a uma finalidade pública que dirá se pode ou não ser objeto de atos possessórias por um particular21. Conforme o julgado acima a posse deve ser protegida como um fim em si própria, ela exerce um poder fático, e tem a sua função social. Segundo Cristiano Chaves e Rosenvald: "o critério para aferir se há posse ou detenção não é o estrutural mas sim funcional. É a afetação do bem a uma finalidade pública que dirá se pode ou não ser objeto de atos possessórios por um particular. A distinção releva, pois nos bens públicos de uso comum do povo e especiais o possuidor não poderá ajuizar ações possessórias, eis que não pode haver posse individualizada de um ou de outro22. 21 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, RECURSO ESPECIAL Nº 1.296.964 - DF (2011/0292082-2). Disponível em: https://scon.stj.jus.br/SCON/GetInteiroTeorDoAcordao?num_registro=201102920822&dt_publicacao=07/12/2016.Acesso em: 30 de set de 2024. 22 CHAVES, Cristiano; ROSENVALD, Curso de direito civil: direitos reais. vol. 5. Salvador: Juspodivm, 2013. 21 1.4 Ações possessórias e seus Principios Conforme Pablo Stlze Gagliano e Rodolfo Mário Veiga Filho: ‘A proteção da posse é matéria que diz respeito, em especial, ao Processo Civil23’. Com efeito, o Código de Processo Civil de 2015 reservou, para as ações possessórias, todo o Capítulo III do Título III (“Dos Procedimentos Especiais”), organizando em três seções, a saber, “Disposições Gerais” (arts. 554 a 559), “Da Manutenção e da Reintegração de Posse” (arts. 560 a 566) e “Do Interdito Proibitório” (arts. 567 a 568). Fundamentalmente, temos três demandas possessórias mais comuns, dentre elas: a ação de reintegração de posse – em caso de esbulho (privação ou perda da posse); Art. 560. O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação e reintegrado em caso de esbulho. b) a ação de manutenção de posse – em caso de turbação (embaraço ou perturbação da posse); c) o interdito proibitório – em caso de ameaça à posse. Tais demandas são caracterizadas pela fungibilidade, nos termos do art. 554 do CPC/2015: Art. 554. A propositura de uma ação possessória em vez de outra não obstará a que o juiz conheça do pedido e outorgue a proteção legal correspondente àquela cujos pressupostos estejam provados. O princípio da Fungibilidade dá a possibilidade da propositura de uma ação possessória no lugar de outra, sendo que este ato não acarreta a invalidade do processo, por força do princípio da fungibilidade das ações possessórias. Entretanto, o juiz pode conceder medida diferente da postulada. Nesse etendimento, dispõe o art. 920 do Código de Processo Civil. As ações possessórias possuem identidade de procedimento, e a utilização da via processual inadequada não acarretará a falta e interesse de agir. Deve ser ressaltado que, se no curso da ação, o possuidor verificar que houve mudanças no estado de sua posse. De acordo com o princípio da socialidade, há uma nova concepção de posse, a posse-trabalho ou posse pro labore, a qual reduz o prazo de usucapião de um imóvel se os proprietários nele estabelecerem residência ou realizarem investimentos de interesse social e econômico. Entretanto, o conceito anterior de posse foi revisto e atualizado, em conformidade com os propósitos soci- 23 GAGLIANO, Pablo Stolze; FILHO, Rodolfo Mário Veiga. Novo Curso de Direito Civil. Direitos Reais. Ed 6. Saraiva Jur. São Paulo. 2024. 22 ais com os propósitos sociais da propriedade. A disciplina da propriedade é cada vez mais necessária devido à sua já mencionada 'função social', o que, conforme explicado na Exposição de Motivos, afeta diversos princípios, como a posse, que não é avaliada de acordo com os critérios formalistas da tradição romanista, que não distinguem a posse simples, ou improdutiva, da posse acompanhada de obras e serviços realizados nos bens possuídos, o que requer atenção especial aos valores do trabalho. Esse novo conceito de posse é, fora de dúvida, uma das contribuições originais do Direito pátrio, já consagrado em nossa legislação agrária sob a denominação usual, embora imprópria, de posse pro labore. Além disso, é crucial encontrar uma solução jurídica para os problemas sócio-econômicos recorrentes de conflitos entre os proprietários de terras, vencedores em ações reivindicatórias após dezenas de anos de demanda, e aqueles que, de boa-fé, construíram suas moradias, realizando benfeitorias de grande alcance social. 23 2 CAPÍTULO: IMPACTO DA CELERIDADE NAS AÇÕES POSSESSÓRIAS 2.1 Conceito de Celeridade Processual O princípio da Celeridade processual é um direito fundamental à duração razoável do processo e aos meios que garantam a celeridade da sua tramitação (art. 5.º, LXXVIII, da CF/88), é um princípio que foi introduzido por a Emenda Constitucional nº 45, de 08 de dezembro de 2004, que assegura a todos, no âmbito judicial e administrativo, a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação, ‘in verbis’: LXXVIII - a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. A morosidade jurídica no ordenamento Jurídico Brasileiro tem gerado muitas polêmicas e discussões nas últimas décadas frente às demandas processuais existentes, que se perpetuam ao longo dos anos, criando uma descrença popular vertiginosa, merecedora de criticas infindáveis. Para promover a harmonia social, o Direito possui meios legais que visam dissipar incertezas, o que não é diferente no âmbito processual, onde se busca garantir um processo justo. A necessidade de se ter uma Justiça mais célere, eficiente e eficiente, faz com que o legislador promova constantemente alterações legislativas, que visam, sobretudo, diminuir o excesso de demandas judiciais, mas também o comprometimento da celeridade processual, o que, certamente, implicará em obstáculos ao seu objetivo final, que é a prestação de uma tutela jurídica adequada à solução das situações jurídicas concretamente levadas ao Judiciário24. Com o objetivo de garantir o acesso à justiça, a Emenda Constitucional no 45/2004 introduziu o princípio da celeridade processual, acrescentando ao artigo 5o o inciso LXXVIII da Reforma do Judiciário: Todos, tanto no âmbito judicial quanto administrativo, têm direito a um tempo razoável de duração do processo e a meios para acelerar sua tramitação, conforme informações do Conselho Nacional de Justiaçax. Todos devem ter acesso à justiça, tendo seus direitos garantidos de forma eficaz. Por isso, não basta a admissão ao processo, mas a conclusão dele é crucial, essa é a finalidade da celeridade processual. 24 CNJ. Justiça em números 2017: ano-base 2024. Brasília: CNJ. 2024. Disponível em: https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2024/05/justica-em-numeros-2024.pdf. Acesso em: 05 nov 2024. 24 A garantia do tempo razoável do processo, tutela para que os direitos garantidos sejem postos em prática de forma eficaz25. A constitucionalização acrescentou uma proteção adicional ao instituto do processo nos processos administrativos. Os procedimentos adotados como regras tornaram o Estado de Direito cada vez mais democrático, uma vez que a demora constante no desenvolvimento dos procedimentos processuais sempre foi um obstáculo para o exercício de outros direitos considerados fundamentais26. Misael Montenegro Filho leciona que: ‘Quanto mais complexo for o procedimento, no sentido de admitir a prática de vários atos, seguidamente, mais lento é o processo, característica marcante do procedimento comum’. Diferentemente, quanto menos complexo for o procedimento, o que é alcançado com a vedação da prática de alguns atos, em respeito aos princípios da oralidade, da celeridade, da informalidade, da concentração, entre outros, menor é o tempo de duração do processo, característica do procedimento sumaríssimo27. Felipe Cesar Araújo Silva: O novo Código Processual Civil de 2015, no seu art. 4º consagra três princípios em um só texto legal, sendo eles: princípio da celeridade, princípio da primazia da decisão de mérito e princípio da efetividade processual, essas mudanças tornaramse um marco processual que originou na referida lei que fora aprovada pelo Congresso nacional tendo seu principal fundamento a celeridade processual, conforme o artigo descrito abaixo28: Art. 4º As partes têm o direitode obter em prazo razoável a solução integral do mérito, incluída a atividade satisfativa. Já para Marcelo Bonicio29: É nesse cenário que se insere o atual Código de Processo Civil, ele nasce com a missão de ser mais ágil do que o antigo Código de Processo Civil de 1913. É necessário verificar se há alguma medida no novo diploma legal que possa tornar efetiva a promessa de um “processo com duração razoável” feita por o legislador. O novo CPC confere, em seu art.1.048, “prioridade de tramitação” aos processos em que figuram como partes os idosos, os portadores de doença grave ou que cuidem da aplicação das regras do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n. 8.069, de 1990). 25 COSTA, Silvia Azevedo da. A crise no sistema de justiça brasileiro. Revista Brasileira de Direito e Gestão Pública. 2015 26 ASSIS, Carlos Augusto de. Nova Sistemática dos Recursos e Celeridade Processual. Revista Magister de Direito Civil e Processual Civil, São Paulo, n. 16, p.39-54, 2007. Jan/fev. 27 FILHO, Misael Montenegro. Ações Possessórias no Novo CPC. Ed 4. Gen. São Paulo. 2017. 28 SILVA. Felipe Cesar Araújo da. Análise da atuação do conselho nacional de justiça no monitoramento e avaliação de políticas judiciárias – ENAPE – 39 Escola Nacional de Administração Pública. Tese de Especialização em Gestão Pública. Brasília, 2018. 29 BONICIO. Marcelo. Princípios do processo no novo Código de Processo Civil. Ed única. São Paulo. 2016. 25 2.2 Prejuízos da Morosidade nas Ações Possessórias Se o juiz levar mais de dois anos para proferir a decisão, restará claro que a responsabilidade pela morosidade será exclusiva do Poder Judiciário, hipótese em que o autor poderá, através de caminhos fixados pelo novo CPC, apresentar reclamação ao próprio Poder Judiciário e, ainda, pedir reparação por danos morais e materiais (que poderiam ser resolvidos no próprio processo em que ocorreu o atraso), se assim desejar. O ministro Humberto Martins em 27 de agosto de 2020 ao tomar posse como presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Conselho da Justiça Federal (CJF), disse: "A demora na entrega da prestação jurisdicional deve ser erradicada, deve ser dizimada, pois implica serviço público ineficiente, e a espera, para o direito, pode representar a perda irreversível de seu objeto." Há um senso comum que é bem aceito e fundamentado a seguinte frase: “direito tardio não é justiça”, ou seja, um processo longo, exaustivo, perdido em seus próprios fins, causa mais prejuízos que benefícios para as partes do processo. A algumas medidas processuais que tentam resolver o problema da morosidade, como a antecipação de tutela, a ação cautelar, mandado de segurança, e a liminar possessória. São medidas desesperadas ou urgentes, mas às vezes ineficientes, que tentam de todo jeito evitar a perda do direito com o tempo. São instrumentos que não atendem a todos os procedimentos, resultando em uma grande demora. Além disso, são medidas que nem sempre alcançam seus objetivos, já que exigem uma série de requisitos para que o processo possa se beneficiar delas. As razões da demora e seus efeitos são diversos. As deficiências estruturais do sistema judiciário podem ser destacadas. A falta de atenção dos magistrados, o abuso das partes em relação aos seus direitos. Contraditório, a chicana dos procuradores, as normas legais e a não, é importante observar o tempo em que o processo deve ser conduzido para assegurar a eficácia30. Do mesmo jeito. 30 COSTA, Silvia Azevedo da. A crise no sistema de justiça brasileiro. Revista Brasileira de Direito e Gestão Pública. 2015 26 2.3 Relação entre Celeridade e Justiça Efetiva nas Ações Possessórias Conforme Daniel Amorim Assumpção Neves: O princípio da duração razoável do processo ou celeridade processual é consagrado no art. 5.º, LXXVIII, da CF, previsto no art. 4.º do Novo CPC. Conforme o dispositivo legal, as partes têm direito de obter em prazo razoável a solução integral do processo, incluída a atividade satisfativa. A novidade concernente ao dispositivo constitucional é a inclusão expressa da atividade executiva dentre aquelas a merecerem a duração razoável. O ditado popular diz que aquilo que abunda não prejudica, mas é duvidoso que mesmo diante da omissão legal a execução não fosse incluída no ideal de duração razoável do processo. Para Daniel Amorim Assumpção Neves: embora tenham sido propaganda constante na aprovação do Novo Código de Processo Civil a celeridade processual e a diminuição dos processos, não há nada que concretamente confirme tal desejo. E provavelmente esse seja o pior perigo do Novo Código de Processo Civil: vender uma mercadoria que não poderá entregar. De qualquer forma, certamente não é a repetição da regra constitucional da duração razoável do processo que trará a tão almejada celeridade processual31. 2.4 Exemplos de Casos onde a Morosidade Gerou Prejuízos Resta aos prejudicados pelos atrasos na prestação da tutela jurisdicional o direito a uma indenização, que será pedida ao próprio Poder Judiciário que gerou os danos decorrentes desse atraso, e que provavelmente demorará para julgar esse pedido de reparação tanto quanto demorou para julgar o processo anterior, gerando um curioso e irônico, mas em tese admissível, ciclo de indenizações32. Agravo de Instrumento nº 2198613-92.2024.8.26.0000 Agravante: Defensoria Pública do Estado de São Paulo Agravado: Maria Cândida Hoop Meirelles Bittencourt Interessado: Ocupantes Desconhecidos e Ignorados Comarca: São Paulo Voto nº 33792 AGRAVO DE INSTRUMENTO Ação de reintegração de posse Decisão que rejeitou os embargos de declaração opostos Insurgência da Defensoria Pública. NULIDADE POR AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DA DEFENSORIA PÚBLICA Inocorrência - Decisão de fls. 155/157 dos autos principais que intimou a Defensoria Pública e o Ministério Público para se manifestarem antes da concessão da liminar, conforme manda o art. 554, §1º, do CPC Juiz de primeiro grau que procedeu à devida intimação da Defensoria nos termos do artigo supracitado para intervenção no feito Ausência de qualquer prejuízo Entendimento. 31 NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Novo CPC - Código de Processo Civil - Lei 13.105/2015, Ed 3ª. Método. São Paulo. 2016. 32 Italo ANDOLINA. Il tempo e Il processo. Revista de Processo, v. 176. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2009. 27 Agravo de Instrumento nº 2198613-92.2024.8.26.0000 Agravante: Defensoria Pública do Estado de São Paulo Agravado: Maria Cândida Hoop Meirelles Bittencourt Interessado: Ocupantes Desconhecidos e Ignorados Comarca: São Paulo Voto nº 33792 AGRAVO DE INSTRUMENTO Ação de reintegração de posse Decisão que rejeitou os embargos de declaração opostos Insurgência da Defensoria Pública. NULIDADE POR AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DA DEFENSORIA PÚBLICA Inocorrência - Decisão de fls. 155/157 dos autos principais que intimou a Defensoria Pública e o Ministério Público para se manifestarem antes da concessão da liminar, conforme manda o art. 554, §1º, do CPC Juiz de primeiro grau que procedeu à devida intimação da Defensoria nos termos do artigo supracitado para intervenção no feito Ausência de qualquer prejuízo Entendimento do C. STJ no sentido de que a decretação de nulidade do julgado depende da demonstração do efetivo prejuízo para as partes ou para a apuração da verdade substancial da controvérsia jurídica, à luz do princípio pas de nullités sans grief Recurso não provido. NULIDADE POR AUSÊNCIA DE CITAÇÃO DE TODOS OS OCUPANTES Inocorrência - Extrai-se da Certidão de fls. 257 que o Sr. Oficial de Justiça identificou e citou ocupantes, sem qualquer menção a outros que não tivessem sido identificados no dia 23/11/2021 Ademais,houve o comparecimento do Oficial de Justiça e de agentes de Secretarias Municipais em diversas oportunidades, de forma que não há que se falar em ausência de ciência de todos os ocupantes, especialmente por se tratar de imóvel de tamanho reduzido Ausência de nulidade - Precedentes Recurso não provido. PEDIDO DE OBSERVÂNCIA DO REGIME DE TRANSIÇÃO DETERMINADO NA ADPF Nº 828 Possibilidade - Nos autos da ADPF nº 828, em v. acórdão publicado em 01.12.2022, o E. STF referendou a tutela provisória incidental parcialmente deferida, para determinar a adoção de um regime de transição para a retomada da execução de decisões suspensas com fundamento nesta ação Presente processo que foi suspenso em razão da ADPF nº 828, de forma que a sujeição da presente ação ao regime de transição determinado pelo STF é incontestável Imóvel objeto da reintegração de posse que possui PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO ocupação de aproximadamente 20 famílias, entre as quais estão mais 30 crianças e adolescentes e uma pessoa com deficiência Caso que trata de remoção coletiva de pessoas vulneráveis Necessidade de atuação da Comissão Regional de Soluções Fundiárias (antigo GAORP), nos termos determinados pelo E. STF na ADPF 828, a fim de reduzir os impactos habitacionais e humanitários da desocupação coletiva, observada a participação do Ministério Público e da Defensoria Pública Assim, a r. decisão agravada deve ser reformada, para ser determinada a atuação da Comissão Regional de Soluções Fundiárias, bem como observada as diretrizes determinadas pelo regime de transição na ADPF nº 828, a fim de que seja, posteriormente, reintegrada a autora na posse do imóvel, conforme já determinado pelo Juiz de primeiro grau - Precedentes Recurso provido. DISPOSITIVO Recurso parcialmente provido33. 33 PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO Registro: 2024.0000798980. Disponível em: https://esaj.tjsp.jus.br/cjsg/getArquivo.do?cdAcordao=18420985&cdForo=0. Acesso em: 7 nov 2024. 28 3.0 ANÁLISE CRITICA E PROPOSTAS DE MELHORIA Neste Capítulo é definido quais as formas de diminuir a morosidade processual nas ações possessórias. 3.1 Principais desafios para a celeridade nas ações possessória Ao realizar uma análise das razões externas e internas que influenciam o aumento da demanda judicial no Brasil, a pesquisa parte da premissa de que um conjunto de agentes tem um impacto significativo no aumento da demanda e da demora no processo judicial no Brasil. O estudo sugere que, além do indivíduo, que tem se tornado cada vez mais consciente de seus direitos, existem diversas formas de incentivar a solução judicial de conflitos no Brasil, como o próprio setor público, a advocacia e a mídia. A advocacia, em busca de novos nichos de atuação que favoreçam o ingresso de novos clientes, incentiva a reprodução da litigiosidade através da criação de novas teses jurídicas. Observa-se a expansão da advocacia massiva contenciosa (especialmente no âmbito previdenciário, um único escritório pode ser responsável por 25% dos processos de uma vara) Grandes escritórios conseguem oferecer formas de cobrança mais atraentes, muitas vezes ligadas ao êxito da demanda. Havendo a concessão da gratuidade processual, o ajuizamento representa ao cliente apenas um possível ganho, não implicando qualquer ônus com despesas processuais. Nessa advocacia de massa é perceptível que há deficiências frequentes na postulação técnica (petição inicial e documentação) e na condução do processo que requerem a necessidade de mais atos judiciais e tornam o processo judicial mais demoradox. Conforme, os dados de gestão processual: Os processos vinculados a assuntos possessórios no període de 2011 a 2019, houve mais de 80 mil prcessos de ações possessórias TJSP 84.022, logicamente São Paulo por ser uma grande métropole brasileira houve mais processos, mas os outros Estados os números também são altosx. X CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. CNJ. DEMANDAS REPETITIVAS E A MOROSIDADE NA JUSTIÇA CÍVEL BRASILEIRA. Disponível em: https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2011/02/f7b1f72a0d31cc1724647c9147c4b66b.pdf. Acesso em: 24 out 2024. X Relatório Final de Pesquisa. CONFLITOS FUNDIÁRIOS COLETIVOS URBANOS E RURAIS: UMA VISÃO DAS AÇÕES POSSESSÓRIAS DE ACORDO COM O IMPACTO DO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Disponível em: file:///C:/Users/GAMER%2012K%202022/Downloads/Relatorio-Final-INSPER.pdf. Acesso em: 23 out 2024. 29 3.2 Propostas para a melhoria da celeridade processual Alterações legislativas: Estas mudanças estariam fulcradas na observação da prática forense de que instituições financeiras e seus usuários não costumam privilegiar a conciliação extrajudicial como instrumento para a solução de seus conflitos. A primeira proposta prevê a constituição de mecanismo extrajudicial prévio, mediante a inclusão de novo artigo no Código de Processo Civil, Ancorada em uma perspectiva multidisciplinar, a equipe de pesquisadores da PUC-RS abordou o problema do crescimento das demandas cíveis em nosso país a partir de dois planos distintos de análise: da oferta da prestação jurisdicional e, por outro lado, da demanda por estes serviços. A opção por esta divisão buscou propiciar uma abordagem mais completa para o entendimento do problema, na medida em que a demanda pela jurisdição é pouco pesquisada em nosso país, sendo muito mais São frequentes os trabalhos que tratam da organização do Poder Judiciário (e não do jurisdicionado) O trabalho apresentou duas perspectivas distintas em relação à oferta de serviços jurisdicionais: A primeira consistiu em uma comparação entre a eficiência relativa dos tribunais, utilizando o método DEA (Data Envelopment Analysis), e a segunda consistiu em uma análise gerencial dos cartórios judiciais, com o objetivo de identificar possíveis melhorias na gestão dos serviços jurisdicionais. Em relação à solicitação, o trabalho consistiu em entrevistar os diversos atores que atuam no âmbito jurídico, partindo da premissa fundamental de que é necessário investigar mais detalhadamente as razões que levam indivíduos, tanto físicos quanto jurídicos, a procurarem o Poder Judiciário. Eficiência relativa dos Tribunais Estaduais: A partir de correlações entre indicadores judiciais é possível afirmar, de forma sintética, que uma alta demanda judicial se traduz em maior carga de trabalho, a qual por sua vez induz a uma maior produtividade. Este aumento de produtividade, por sua vez, pode acabar impactando negativamente a qualidade do produto. Em síntese, os resultados do 30 estudos mostram que, em linhas gerais, os maiores tribunais são os mais eficientes. Com esses resultados é possível lançar o seguinte raciocínio: quanto maior o número de casos judiciais por habitante, maior o número de casos por magistrado, maior o número de sentenças por magistrado e, em consequência, menor a taxa de congestionamento dos processos. Em outras palavras, uma alta demanda judicial se traduz em maior carga de trabalho, a qual induz a uma maior produtividade. Avaliação da administração de procedimentos administrativos: Ao contrário do que se esperava inicialmente, o conjunto de atividades não apresentou maiores dificuldades de organização. As tarefas executadas pelas varas foram bem distribuídas em diferentes locais (Rio Grande do Sul, São Paulo e Pará) Os principais problemas e os principais pontos de melhoria é referente as questões de pessoais, organização do trabalho, infra-estruturae motivação das equipes. No que diz respeito ao pessoal, foram identificadas discrepâncias em conceitos fundamentais de administração, o que resulta em perdas de chances de otimizar o tempo ou recursos para acelerar o processo. Uma outra questão a ser considerada é a motivação dos funcionários. A atividade desempenhada requer incentivo, tanto por ser repetitiva quanto por considerar o juiz ou desembargador como a única fonte de trabalho intelectual. Sobre a infraestrutura, em geral, não há espaço nos locais, sobretudo nos cartórios. Nota-se também uma tensão entre a primeira e a segunda instância em relação à infraestrutura de acesso aos recursos. Há uma grande percepção de que a 2a instância teria acesso diferenciado a recursos materiais e humanos, enquanto a 1a instância não teria acesso a recursos similares. X CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. CNJ. DEMANDAS REPETITIVAS E A MOROSIDADE NA JUSTIÇA CÍVEL BRASILEIRA. Disponível em: https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2011/02/f7b1f72a0d31cc1724647c9147c4b66b.pdf. Acesso em: 24 out 2024. 31 3.3 Considerações sobre o futuro das ações possessórias Após a promulgação da Constituição Federal de 1988, nota-se um aumento significativo da demanda judicial no Brasil, o que se deve ao amplo conjunto de direitos oferecidos pela Nova Carta, quase como um complemento da redemocratização e das décadas de restrições aos direitos da população. Enquanto em 1990 o Judiciário recebeu 3,6 milhões de processos2, em 2000, esse número rapidamente ultrapassou a marca de 20 milhões de ações. Esse crescimento verificado entre 2004 e 2009, mostra a evolução recente da litigiosidade brasileira. Propostas do lado da demanda pela prestação jurisdicional: 1) A revisão dos critérios da assistência judiciária gratuita e a definição de pobreza devem ser baseadas em dados estatísticos e não no entendimento dos juízes. Somente se adotar um limite de remuneração para fins de isenção de imposto de renda, é possível obter assistência judiciária gratuita. Essa alteração pode ser realizada por meio de uma alteração legislativa (inclusão de um limite específico na Lei 1.060/50) ou por meio de uma padronização estabelecida pelo CNJ em conjunto com outros tribunais. 2) Estabelecer limites mais rigorosos para permitir que o advogado firmar honorários pelo êxito, uma vez que esse tipo de remuneração estimula o ingresso de ações judiciais. 3) Incentivo à realização de mais acordos. Por exemplo, dentre os critérios do artigo 20 do CPC para a fixação da sucumbência, poderia ser inserida uma regra expressa – para aumentar/minorar os honorários – sobre se aquele caso poderia ou não ter sido previamente encerrado por acordo. Se o Autor apresentar uma proposta para um acordo nos autos e a Ré negar, os honorários de sucumbência seriam aumentados. Com o objetivo seria que a parte analisasse melhor a hipótese de encerrar o processo por acordo. 4) A penalidade para a prática de atos de má-fé deve ser significativamente elevada (sem restrições ao valor da causa, podendo ultrapassá-lo) e deve ser estabelecida de forma a prevenir futuras condutas desse tipo. 5) Como regra, os recursos passariam a não ter efeito suspensivo; X CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. CNJ. DEMANDAS REPETITIVAS E A MOROSIDADE NA JUSTIÇA CÍVEL BRASILEIRA. Disponível em: https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2011/02/f7b1f72a0d31cc1724647c9147c4b66b.pdf. Acesso em: 24 out 2024. 32 6) É necessário ser consolidade efetivamente, um sistema de ações coletivas para atuar no sentido de que, havendo julgamento de determinada questão,a decisão passa a ser vinculante para todos os envolvidos, inclusive aos que ainda não ingressaram com ações no Poder Judiciário. X CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. CNJ. DEMANDAS REPETITIVAS E A MOROSIDADE NA JUSTIÇA CÍVEL BRASILEIRA. Disponível em: https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2011/02/f7b1f72a0d31cc1724647c9147c4b66b.pdf. Acesso em: 24 out 2024. 33 4.0 CONCLUSÃO 5.0 BIBLIOGRAFIA 34 ANDRADE, adriano de Azevedo, Pesquisa em torno do conceito de posse. Disponível em: https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/391/r139-08.pdf?sequence=4&isAllowed=y. Acesso em: 06 nov 2024. ANDRADE, Adriano de Azevedo. Fundamento da proteção possessória. Belo Horizonte, Universidade de Minas Gerais, 1964. ASSIS, Carlos Augusto de. Nova Sistemática dos Recursos e Celeridade Processual. Revista Magister de Direito Civil e Processual Civil, São Paulo, n. 16, p.39-54, 2007. Jan/fev. BONFANTE, Pedro. Instituciones de Derecho romano. Reus. 1852. BONICIO. Marcelo. Princípios do processo no novo Código de Processo Civil. Ed única. São Paulo. 2016. CALIL, Grace Mussalem. Ações Possessórias. Disponível em: https://emerj.tjrj.jus.br/files/pages/publicacoes/serieaperfeicoamentodemagistrados/paginas/series/10/processocivil_131.pdf. Acesso em: 30 de setembro de 2024. CHAMOUN, Ebert, Instituições de direito romano, Revista Forense. 1954 CHAVES, Cristiano; ROSENVALD, Curso de direito civil: direitos reais. vol. 5. Salvador: Juspodivm, 2013, p. 137. CNJ. Justiça em números 2024: ano-base 2024. Brasília: CNJ. 2024. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA. CNJ. DEMANDAS REPETITIVAS E A MOROSIDADE NA JUSTIÇA CÍVEL BRASILEIRA. Disponível em: https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2011/02/f7b1f72a0d31cc1724647c9147c4b66b.pdf. Acesso em: 24 out 2024. COSTA, Silvia Azevedo da. A crise no sistema de justiça brasileiro. Revista Brasileira de Direito e Gestão Pública. 2015 35 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro: direito das coisas. 32. ed. São Paulo: Saraiva, 2018. v. 4. p. 49-50. DINIZ, Maria Helena Diniz; SANTIAGO, Mariana Ribeiro. Função Social e solidária da posse. Edição única. Saraiva Jur. São Paulo. 2023. JHERING, Rudolf Von. Teoria simplificada da posse. Tradução de Vicente Sabino Junior. São Paulo: Bushatsky, 1974. p. 107. FILHO, Misael Montenegro. Ações Possessórias no Novo CPC. Ed 4. Gen. São Paulo. 2017. FULGÊNCIO,Tito; VIANA, Marco Aurelio da Silva. Da Posse e das Ações Possessórias - Teoria Legal - Prática, 12ª edição. Rio de Janeiro, 2015. LIMA, Virna. A celeridade processual no novo CPC. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/artigos/a-celeridade-processual-no-novo-cpc/317221324. Acesso em: 15 out 2024. GAGLIANO, Pablo Stolze; FILHO, Rodolfo Mário Veiga. Novo Curso de Direito Civil. Direitos Reais. Ed 6. Saraiva Jur. São Paulo. 2024. GIFFARD, Précis de droit romain. Dalloz, 1938 Relatório ANUAL 2023 Ouvidoria do Conselho Nacional de Justiça. https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2024/06/relatorio-anual-ouvidoria-2023-aprovado.pdf. Acesso em: 20 de set de 2024. SANTIAGO, Mariana Ribeiro. Teoria subjetiva da posse. Jus Navigandi. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/5277/teoria-subjetiva-da-posse. Acesso em: 14 dez. 2022. VENOSA, Silvio de Salvo. Direito Civil reais. Ed 24. Gen. São Paulo. 2024. VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito civil: direitos reais. 2. ed. São Paulo: Atlas, v. 5, 36 2002. p. 47. VIANA, Marco Aurélio S. Curso cit. – Direito das coisas. Rio de Janeiro, Forense, 2006. NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Novo CPC - Código de Processo Civil - Lei 13.105/2015, Ed 3ª. Método. 2016. PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições dedireito civil: posse. Propriedade. Direitos reais de fruição. Garantia e aquisição. 14. ed. Rio de Janeiro: Forense, v. IV, 2000. REALE, Miguel. O projeto de código civil: situação após a aprovação pelo Senado Federal. São Paulo: Saraiva, 1999. Relatório Final de Pesquisa. CONFLITOS FUNDIÁRIOS COLETIVOS URBANOS E RURAIS: UMA VISÃO DAS AÇÕES POSSESSÓRIAS DE ACORDO COM O IMPACTO DO NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Disponível em: file:///C:/Users/GAMER%2012K%202022/Downloads/Relatorio-Final-INSPER.pdf. Acesso em: 23 out 2024. RUIZ, Arangio. Instituciones de derecho romano. Depalma, 1986. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, RECURSO ESPECIAL Nº 1.296.964 - DF (2011/0292082-2). Disponível em: https://scon.stj.jus.br/SCON/GetInteiroTeorDoAcordao?num_registro=201102920822&dt_publicacao=07/12/2016. Acesso em: 30 de set de 2024. STJ. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. Morosidade na Justiça deve ser erradicada, defende novo presidente do STJ. Disponível em: https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/27082020-Morosidade-na-Justica-deve-ser-erradicada--defende-novo-presidente-do-STJ.aspx. Acesso em: 16 out de 2024. OLIVEIRA, Ada Bittar Carneiro de. TEORIA SUJETIVA E TEORIA OBJETIVA DA POSSE. Jornal Eletrênico, Faculdades Integradas Vianna junior. Disponível em: 37 file:///C:/Users/GAMER%2012K%202022/Downloads/593-Texto%20do%20artigo-517-1119-10-20190215.pdf. Acesso em: 30 de set de 2024.