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PEDRA BRANCA- CE
PREFEITURA MUNICIPAL DE PEDRA BRANCA – CEARÁ
Guarda Municipal
EDITAL Nº 125/2023
CÓD: OP-128JL-23
7908403539673
• A Opção não está vinculada às organizadoras de Concurso Público. A aquisição do material não garante sua inscrição ou ingresso na
carreira pública,
• Sua apostila aborda os tópicos do Edital de forma prática e esquematizada,
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no prazo de até 05 dias úteis.,
• É proibida a reprodução total ou parcial desta apostila, de acordo com o Artigo 184 do Código Penal.
Apostilas Opção, a Opção certa para a sua realização.
ÍNDICE
Língua Portuguesa
1. Compreensão e interpretação de textos ................................................................................................................................ 5
2. Ortografia; ............................................................................................................................................................................. 14
3. Acentuação gráfica ................................................................................................................................................................. 15
Raciocínio Lógico
1. Estrutura lógica de relações arbitrárias entre pessoas, lugares, objetos ou eventos fictícios; deduzir novas informações
das relações fornecidas e avaliar as condições usadas para estabelecer a estrutura daquelas relações. Compreensão e
elaboração da lógica das situações por meio de: raciocínio verbal, raciocínio matemático, raciocínio sequencial, orien-
tação espacial e temporal, formação de conceitos, discriminação de elementos. Compreensão do processo lógico que,
a partir de um conjunto de hipóteses, conduz, de forma válida, a conclusões determinadas. ....................................... 19
Conhecimentos Gerais/Atualidades
2. Conhecimentos Gerais: Tópicos Relevantes Nas Áreas De História, Sociedade, Educação, Tecnologia, Energia, Ecologia, Rela-
ções Internacionais, Sustentabilidade E Globalização ............................................................................................................... 43
3. ATUALIDADES: Acontecimentos de caráter econômico, político, social e cultural que foram destaque no Ceará, no Brasil e no
mundo nos últimos anos, noticiados nas mídias digitais, redes sociais e imprensa a partir do ano de 1980 ........................... 43
Conhecimentos Específicos
Guarda Municipal
1. Noções sobre segurança pública: definição. Componentes........................................................................................................ 89
2. Forças armadas e forças auxiliares. Diferenças e atribuições. Competência municipal. ............................................................ 89
3. Noções sobre segurança patrimonial: definições. Atribuições das empresas que realizam segurança patrimonial. ................. 91
4. O município e a sua segurança patrimonial. ............................................................................................................................... 94
5. Conceito de administração pública. ............................................................................................................................................ 94
6. Fundamentos da ética na administração pública........................................................................................................................ 96
7. Procedimento em caso de assalto (antes e depois). ................................................................................................................... 97
8. Noções de Segurança do Trabalho: acidentes do trabalho: conceito, causas e prevenção; normas de segurança: conceito de
proteção e equipamentos de proteção. ...................................................................................................................................... 98
9. Estatuto da Criança e do Adolescente. ....................................................................................................................................... 102
10. Estatuto do Idosos. .................................................................................................................................................................... 138
11. Relações humanas. Ética, moral e cidadania. ............................................................................................................................. 149
12. Lei Federal nº 13.022, de 08 de agosto de 2014 (Estatuto Geral das Guardas Municipais). ....................................................... 151
13. Lei Municipal nº 698, de 02 de maio de 2018 (institui o Regimento Interno e o Plano de Cargos e Carreiras da GCM de Pedra
Branca/CE). ................................................................................................................................................................................. 153
14. Lei Municipal nº 686, de 10 de outubro de 2017 (cria a Corregedoria e Ouvidoria da GCM de Pedra Branca/CE). ................... 153
15. Artigo 5º da Constituição Federal (dos Direitos e Garantias Fundamentais). ............................................................................. 153
16. Artigo 144 da Constituição Federal. ............................................................................................................................................ 159
17. Lei Federal nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003, e suas alterações (Estatuto do Desarmamento). ...................................... 160
18. Lei Federal nº 11.340, de 07 de agosto de 2006, e suas alterações (Lei Maria da Penha). ......................................................... 166
19. Lei Municipal nº 709, de 27 de novembro de 2018, e suas alterações (dispõe sobre a regulamentação e do funcionamento de
bares e similares, bem como uso de equipamentos sonoros em vias públicas na circunscrição do Município de Pedra Branca/
CE). .............................................................................................................................................................................................. 173
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LÍNGUA PORTUGUESA
COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS
COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO DE TEXTO
Cada vez mais, é comprovada a dificuldade dos estudantes, de
qualquer idade, e para qualquer finalidade em compreender o que
se pede em textos, e também os enunciados. Qual a importância
em se entender um texto?
Para a efetiva compreensão precisa-se, primeiramente, enten-
der o que um texto não é, conforme diz Platão e Fiorin:
“Não é amontoando os ingredientes que se prepara uma receita;
assim também não é superpondo frases que se constrói um texto”.1
Ou seja, ele não é um aglomerado de frases, ele tem um come-
ço, meio, fim, uma mensagem a transmitir, tem coerência, e cada
frase faz parte de um todo. Na verdade, o texto pode ser a questão
em si, a leitura que fazemos antes de resolver o exercício. E como
é possível cometer um erro numa simples leitura de enunciado?
Mais fácil de acontecer do que se imagina. Se na hora da leitura,
deixamos de prestar atenção numa só palavra, como um “não”, já
alteramos a interpretação e podemos perder algum dos sentidos ali
presentes. Veja a diferença:
Qual opção abaixo não pertence ao grupo?
Qual opção abaixo pertence ao grupo?
Isso já muda totalmente a questão, e se o leitor está desatento,
vai marcar a primeira opção que encontrar correta. Pode parecer
exagero pelo exemplo dado, mas tenha certeza que isso acontece
mais do que imaginamos, ainda mais na pressão da prova, tempo
curto e muitas questões.
Partindo desse princípio, se podemos errar num simples enun-
ciado, que é um texto curto, imagine os erros que podemos come-
ter ao ler um texto maior, sem prestar a devida atenção aos de-
talhes. É por isso que é preciso melhorar a capacidade de leitura,
compreensão e interpretação.
Apreender X Compreensãosua habilidade de resolver proble-
mas matemáticos, e é uma forma de medir seu domínio das dife-
rentes áreas do estudo da Matemática: Aritmética, Álgebra, leitura
de tabelas e gráficos, Probabilidade e Geometria etc. Essa parte
consiste nos seguintes conteúdos:
- Operação com conjuntos.
- Cálculos com porcentagens.
- Raciocínio lógico envolvendo problemas aritméticos, geomé-
tricos e matriciais.
- Geometria básica.
- Álgebra básica e sistemas lineares.
- Calendários.
- Numeração.
- Razões Especiais.
- Análise Combinatória e Probabilidade.
- Progressões Aritmética e Geométrica.
RACIOCÍNIO LÓGICO DEDUTIVO
Este tipo de raciocínio está relacionado ao conteúdo Lógica de
Argumentação.
ORIENTAÇÕES ESPACIAL E TEMPORAL
O raciocínio lógico espacial ou orientação espacial envolvem
figuras, dados e palitos. O raciocínio lógico temporal ou orientação
temporal envolve datas, calendário, ou seja, envolve o tempo.
O mais importante é praticar o máximo de questões que envol-
vam os conteúdos:
- Lógica sequencial
- Calendários
RACIOCÍNIO VERBAL
Avalia a capacidade de interpretar informação escrita e tirar
conclusões lógicas.
Uma avaliação de raciocínio verbal é um tipo de análise de ha-
bilidade ou aptidão, que pode ser aplicada ao se candidatar a uma
vaga. Raciocínio verbal é parte da capacidade cognitiva ou inteli-
gência geral; é a percepção, aquisição, organização e aplicação do
conhecimento por meio da linguagem.
Nos testes de raciocínio verbal, geralmente você recebe um
trecho com informações e precisa avaliar um conjunto de afirma-
ções, selecionando uma das possíveis respostas:
A – Verdadeiro (A afirmação é uma consequência lógica das in-
formações ou opiniões contidas no trecho)
B – Falso (A afirmação é logicamente falsa, consideradas as in-
formações ou opiniões contidas no trecho)
C – Impossível dizer (Impossível determinar se a afirmação é
verdadeira ou falsa sem mais informações)
ESTRUTURAS LÓGICAS
Precisamos antes de tudo compreender o que são proposições.
Chama-se proposição toda sentença declarativa à qual podemos
atribuir um dos valores lógicos: verdadeiro ou falso, nunca ambos.
Trata-se, portanto, de uma sentença fechada.
Elas podem ser:
• Sentença aberta: quando não se pode atribuir um valor lógi-
co verdadeiro ou falso para ela (ou valorar a proposição!), portanto,
não é considerada frase lógica. São consideradas sentenças abertas:
- Frases interrogativas: Quando será prova? - Estudou ontem?
– Fez Sol ontem?
- Frases exclamativas: Gol! – Que maravilhoso!
- Frase imperativas: Estude e leia com atenção. – Desligue a televisão.
- Frases sem sentido lógico (expressões vagas, paradoxais, am-
bíguas, ...): “esta frase é falsa” (expressão paradoxal) – O cachorro
do meu vizinho morreu (expressão ambígua) – 2 + 5+ 1
• Sentença fechada: quando a proposição admitir um ÚNICO
valor lógico, seja ele verdadeiro ou falso, nesse caso, será conside-
rada uma frase, proposição ou sentença lógica.
Proposições simples e compostas
• Proposições simples (ou atômicas): aquela que NÃO contém
nenhuma outra proposição como parte integrante de si mesma. As
proposições simples são designadas pelas letras latinas minúsculas
p,q,r, s..., chamadas letras proposicionais.
• Proposições compostas (ou moleculares ou estruturas lógi-
cas): aquela formada pela combinação de duas ou mais proposições
simples. As proposições compostas são designadas pelas letras lati-
nas maiúsculas P,Q,R, R..., também chamadas letras proposicionais.
ATENÇÃO: TODAS as proposições compostas são formadas
por duas proposições simples.
RACIOCÍNIO LÓGICO
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Proposições Compostas – Conectivos
As proposições compostas são formadas por proposições simples ligadas por conectivos, aos quais formam um valor lógico, que po-
demos vê na tabela a seguir:
OPERAÇÃO CONECTIVO ESTRUTURA LÓGICA TABELA VERDADE
Negação ~ Não p
Conjunção ^ p e q
Disjunção Inclusiva v p ou q
Disjunção Exclusiva v Ou p ou q
Condicional → Se p então q
Bicondicional ↔ p se e somente se q
RACIOCÍNIO LÓGICO
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Em síntese temos a tabela verdade das proposições que facilitará na resolução de diversas questões
Exemplo:
(MEC – CONHECIMENTOS BÁSICOS PARA OS POSTOS 9,10,11 E 16 – CESPE)
A figura acima apresenta as colunas iniciais de uma tabela-verdade, em que P, Q e R representam proposições lógicas, e V e F corres-
pondem, respectivamente, aos valores lógicos verdadeiro e falso.
Com base nessas informações e utilizando os conectivos lógicos usuais, julgue o item subsecutivo.
A última coluna da tabela-verdade referente à proposição lógica P v (Q↔R) quando representada na posição horizontal é igual a
( ) Certo
( ) Errado
Resolução:
P v (Q↔R), montando a tabela verdade temos:
R Q P [ P v (Q ↔ R) ]
V V V V V V V V
V V F F V V V V
V F V V V F F V
V F F F F F F V
F V V V V V F F
F V F F F V F F
F F V V V F V F
F F F F V F V F
Resposta: Certo
RACIOCÍNIO LÓGICO
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Proposição
Conjunto de palavras ou símbolos que expressam um pensamento ou uma ideia de sentido completo. Elas transmitem pensamentos,
isto é, afirmam fatos ou exprimem juízos que formamos a respeito de determinados conceitos ou entes.
Valores lógicos
São os valores atribuídos as proposições, podendo ser uma verdade, se a proposição é verdadeira (V), e uma falsidade, se a proposi-
ção é falsa (F). Designamos as letras V e F para abreviarmos os valores lógicos verdade e falsidade respectivamente.
Com isso temos alguns aximos da lógica:
– PRINCÍPIO DA NÃO CONTRADIÇÃO: uma proposição não pode ser verdadeira E falsa ao mesmo tempo.
– PRINCÍPIO DO TERCEIRO EXCLUÍDO: toda proposição OU é verdadeira OU é falsa, verificamos sempre um desses casos, NUNCA
existindo um terceiro caso.
“Toda proposição tem um, e somente um, dos valores, que são: V ou F.”
Classificação de uma proposição
Elas podem ser:
• Sentença aberta: quando não se pode atribuir um valor lógico verdadeiro ou falso para ela (ou valorar a proposição!), portanto, não
é considerada frase lógica. São consideradas sentenças abertas:
- Frases interrogativas: Quando será prova? - Estudou ontem? – Fez Sol ontem?
- Frases exclamativas: Gol! – Que maravilhoso!
- Frase imperativas: Estude e leia com atenção. – Desligue a televisão.
- Frases sem sentido lógico (expressões vagas, paradoxais, ambíguas, ...): “esta frase é falsa” (expressão paradoxal) – O cachorro do
meu vizinho morreu (expressão ambígua) – 2 + 5+ 1
• Sentença fechada: quando a proposição admitir um ÚNICO valor lógico, seja ele verdadeiro ou falso, nesse caso, será considerada
uma frase, proposição ou sentença lógica.
Proposições simples e compostas
• Proposições simples (ou atômicas): aquela que NÃO contém nenhuma outra proposição como parte integrante de si mesma. As
proposições simples são designadas pelas letras latinas minúsculas p,q,r, s..., chamadas letras proposicionais.
Exemplos
r: Thiago é careca.
s: Pedro é professor.
• Proposições compostas (ou moleculares ou estruturas lógicas): aquela formada pela combinação de duas ou mais proposições
simples. As proposições compostas são designadas pelas letras latinas maiúsculas P,Q,R, R..., também chamadas letras proposicionais.
Exemplo
P: Thiago é careca e Pedro é professor.
ATENÇÃO: TODAS as proposições compostas são formadas por duas proposições simples.
Exemplos:
1. (CESPE/UNB) Na lista de frases apresentadas a seguir:
– “A frase dentro destas aspas é uma mentira.”
– A expressão x + y é positiva.
– O valor de √4 + 3 = 7.
– Pelé marcou dez gols para a seleção brasileira.
– O que é isto?
Há exatamente:
(A) uma proposição;
(B) duas proposições;
(C) três proposições;
(D) quatro proposições;
(E) todas são proposições.
RACIOCÍNIO LÓGICO
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Resolução:
Analisemos cada alternativa:
(A) “A frase dentro destas aspas é uma mentira”, não podemos atribuir valores lógicos a ela, logo não é uma sentença lógica.
(B) A expressão x + y é positiva, não temos como atribuir valores lógicos, logo não é sentença lógica.
(C) O valor de √4 + 3 = 7; é uma sentença lógica pois podemosatribuir valores lógicos, independente do resultado que tenhamos
(D) Pelé marcou dez gols para a seleção brasileira, também podemos atribuir valores lógicos (não estamos considerando a quantidade
certa de gols, apenas se podemos atribuir um valor de V ou F a sentença).
(E) O que é isto? - como vemos não podemos atribuir valores lógicos por se tratar de uma frase interrogativa.
Resposta: B.
Conectivos (conectores lógicos)
Para compôr novas proposições, definidas como composta, a partir de outras proposições simples, usam-se os conectivos. São eles:
OPERAÇÃO CONECTIVO ESTRUTURA LÓGICA TABELA VERDADE
Negação ~ Não p
Conjunção ^ p e q
Disjunção Inclusiva v p ou q
Disjunção Exclusiva v Ou p ou q
Condicional → Se p então q
Bicondicional ↔ p se e somente se q
RACIOCÍNIO LÓGICO
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Exemplo:
2. (PC/SP - Delegado de Polícia - VUNESP) Os conectivos ou
operadores lógicos são palavras (da linguagem comum) ou símbo-
los (da linguagem formal) utilizados para conectar proposições de
acordo com regras formais preestabelecidas. Assinale a alternativa
que apresenta exemplos de conjunção, negação e implicação, res-
pectivamente.
(A) ¬ p, p v q, p ∧ q
(B) p ∧ q, ¬ p, p -> q
(C) p -> q, p v q, ¬ p
(D) p v p, p -> q, ¬ q
(E) p v q, ¬ q, p v q
Resolução:
A conjunção é um tipo de proposição composta e apresenta o
conectivo “e”, e é representada pelo símbolo ∧. A negação é repre-
sentada pelo símbolo ~ou cantoneira (¬) e pode negar uma proposi-
ção simples (por exemplo: ¬ p ) ou composta. Já a implicação é uma
proposição composta do tipo condicional (Se, então) é representa-
da pelo símbolo (→).
Resposta: B.
Tabela Verdade
Quando trabalhamos com as proposições compostas, determi-
namos o seu valor lógico partindo das proposições simples que a
compõe. O valor lógico de qualquer proposição composta depen-
de UNICAMENTE dos valores lógicos das proposições simples com-
ponentes, ficando por eles UNIVOCAMENTE determinados.
• Número de linhas de uma Tabela Verdade: depende do nú-
mero de proposições simples que a integram, sendo dado pelo se-
guinte teorema:
“A tabela verdade de uma proposição composta com n* pro-
posições simples componentes contém 2n linhas.”
Exemplo:
3. (CESPE/UNB) Se “A”, “B”, “C” e “D” forem proposições sim-
ples e distintas, então o número de linhas da tabela-verdade da pro-
posição (A → B) ↔ (C → D) será igual a:
(A) 2;
(B) 4;
(C) 8;
(D) 16;
(E) 32.
Resolução:
Veja que podemos aplicar a mesma linha do raciocínio acima,
então teremos:
Número de linhas = 2n = 24 = 16 linhas.
Resposta D.
Conceitos de Tautologia , Contradição e Contigência
• Tautologia: possui todos os valores lógicos, da tabela verdade
(última coluna), V (verdades).
Princípio da substituição: Seja P (p, q, r, ...) é uma tautologia,
então P (P0; Q0; R0; ...) também é uma tautologia, quaisquer que
sejam as proposições P0, Q0, R0, ...
• Contradição: possui todos os valores lógicos, da tabela ver-
dade (última coluna), F (falsidades). A contradição é a negação da
Tautologia e vice versa.
Princípio da substituição: Seja P (p, q, r, ...) é uma contradição,
então P (P0; Q0; R0; ...) também é uma contradição, quaisquer que
sejam as proposições P0, Q0, R0, ...
• Contingência: possui valores lógicos V e F ,da tabela verdade
(última coluna). Em outros termos a contingência é uma proposição
composta que não é tautologia e nem contradição.
Exemplos:
4. (DPU – ANALISTA – CESPE) Um estudante de direito, com o
objetivo de sistematizar o seu estudo, criou sua própria legenda, na
qual identificava, por letras, algumas afirmações relevantes quanto
à disciplina estudada e as vinculava por meio de sentenças (proposi-
ções). No seu vocabulário particular constava, por exemplo:
P: Cometeu o crime A.
Q: Cometeu o crime B.
R: Será punido, obrigatoriamente, com a pena de reclusão no
regime fechado.
S: Poderá optar pelo pagamento de fiança.
Ao revisar seus escritos, o estudante, apesar de não recordar
qual era o crime B, lembrou que ele era inafiançável.
Tendo como referência essa situação hipotética, julgue o item
que se segue.
A sentença (P→Q)↔((~Q)→(~P)) será sempre verdadeira, in-
dependentemente das valorações de P e Q como verdadeiras ou
falsas.
( ) Certo
( ) Errado
Resolução:
Considerando P e Q como V.
(V→V) ↔ ((F)→(F))
(V) ↔ (V) = V
Considerando P e Q como F
(F→F) ↔ ((V)→(V))
(V) ↔ (V) = V
Então concluímos que a afirmação é verdadeira.
Resposta: Certo.
RACIOCÍNIO LÓGICO
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Equivalência
Duas ou mais proposições compostas são equivalentes, quando mesmo possuindo estruturas lógicas diferentes, apresentam a mesma
solução em suas respectivas tabelas verdade.
Se as proposições P(p,q,r,...) e Q(p,q,r,...) são ambas TAUTOLOGIAS, ou então, são CONTRADIÇÕES, então são EQUIVALENTES.
Exemplo:
5. (VUNESP/TJSP) Uma negação lógica para a afirmação “João é rico, ou Maria é pobre” é:
(A) Se João é rico, então Maria é pobre.
(B) João não é rico, e Maria não é pobre.
(C) João é rico, e Maria não é pobre.
(D) Se João não é rico, então Maria não é pobre.
(E) João não é rico, ou Maria não é pobre.
Resolução:
Nesta questão, a proposição a ser negada trata-se da disjunção de duas proposições lógicas simples. Para tal, trocamos o conectivo
por “e” e negamos as proposições “João é rico” e “Maria é pobre”. Vejam como fica:
Resposta: B.
Leis de Morgan
Com elas:
– Negamos que duas dadas proposições são ao mesmo tempo verdadeiras equivalendo a afirmar que pelo menos uma é falsa
– Negamos que uma pelo menos de duas proposições é verdadeira equivalendo a afirmar que ambas são falsas.
ATENÇÃO
As Leis de Morgan exprimem que NEGAÇÃO
transforma:
CONJUNÇÃO em DISJUNÇÃO
DISJUNÇÃO em CONJUNÇÃO
RACIOCÍNIO LÓGICO
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CONECTIVOS
Para compôr novas proposições, definidas como composta, a partir de outras proposições simples, usam-se os conectivos.
OPERAÇÃO CONECTIVO ESTRUTURA LÓGICA EXEMPLOS
Negação ~ Não p A cadeira não é azul.
Conjunção ^ p e q Fernando é médico e Nicolas é Engenheiro.
Disjunção Inclusiva v p ou q Fernando é médico ou Nicolas é Engenheiro.
Disjunção Exclusiva v Ou p ou q Ou Fernando é médico ou João é Engenheiro.
Condicional → Se p então q Se Fernando é médico então Nicolas é Engenheiro.
Bicondicional ↔ p se e somente se q Fernando é médico se e somente se Nicolas é Engenheiro.
Conectivo “não” (~)
Chamamos de negação de uma proposição representada por “não p” cujo valor lógico é verdade (V) quando p é falsa e falsidade (F)
quando p é verdadeira. Assim “não p” tem valor lógico oposto daquele de p. Pela tabela verdade temos:
Conectivo “e” (˄)
Se p e q são duas proposições, a proposição p ˄ q será chamada de conjunção. Para a conjunção, tem-se a seguinte tabela-verdade:
ATENÇÃO: Sentenças interligadas pelo conectivo “e” possuirão o valor verdadeiro somente quando todas as sentenças, ou argumen-
tos lógicos, tiverem valores verdadeiros.
Conectivo “ou” (v)
Este inclusivo: Elisabete é bonita ou Elisabete é inteligente. (Nada impede que Elisabete seja bonita e inteligente).
RACIOCÍNIO LÓGICO
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Conectivo “ou” (v)
Este exclusivo: Elisabete é paulista ou Elisabete é carioca. (Se
Elisabete é paulista, não será carioca e vice-versa).
• Mais sobre o Conectivo “ou”
– “inclusivo”(considera os dois casos)
– “exclusivo”(considera apenas um dos casos)
Exemplos:
R: Paulo é professor ou administrador
S: Maria é jovem ou idosa
No primeiro caso, o “ou” é inclusivo,pois pelo menos uma das
proposições é verdadeira, podendo ser ambas.
No caso da segunda, o “ou” é exclusivo, pois somente uma das
proposições poderá ser verdadeira
Ele pode ser “inclusivo”(considera os dois casos) ou “exclusi-
vo”(considera apenas um dos casos)
Exemplo:
R: Paulo é professor ou administrador
S: Maria é jovem ou idosa
No primeiro caso, o “ou” é inclusivo,pois pelo menos uma das
proposições é verdadeira, podendo ser ambas.
No caso da segunda, o “ou” é exclusivo, pois somente uma das
proposições poderá ser verdadeiro
Conectivo “Se... então” (→)
Se p e q são duas proposições, a proposição p→qé chamada
subjunção ou condicional. Considere a seguinte subjunção: “Se fizer
sol, então irei à praia”.
1. Podem ocorrer as situações:
2. Fez sol e fui à praia. (Eu disse a verdade)
3. Fez sol e não fui à praia. (Eu menti)
4. Não fez sol e não fui à praia. (Eu disse a verdade)
5. Não fez sol e fui à praia. (Eu disse a verdade, pois eu não dis-
se o que faria se não fizesse sol. Assim, poderia ir ou não ir à praia).
Temos então sua tabela verdade:
Observe que uma subjunção p→q somente será falsa quando
a primeira proposição, p, for verdadeira e a segunda, q, for falsa.
Conectivo “Se e somente se” (↔)
Se p e q são duas proposições, a proposição p↔q1 é chamada
bijunção ou bicondicional, que também pode ser lida como: “p é
condição necessária e suficiente para q” ou, ainda, “q é condição
necessária e suficiente para p”.
Considere, agora, a seguinte bijunção: “Irei à praia se e somen-
te se fizer sol”. Podem ocorrer as situações:
1. Fez sol e fui à praia. (Eu disse a verdade)
2. Fez sol e não fui à praia. (Eu menti)
3. Não fez sol e fui à praia. (Eu menti)
4. Não fez sol e não fui à praia. (Eu disse a verdade). Sua tabela verdade:
Observe que uma bicondicional só é verdadeira quando as pro-
posições formadoras são ambas falsas ou ambas verdadeiras.
ATENÇÃO: O importante sobre os conectivos é ter em mente a
tabela de cada um deles, para que assim você possa resolver qual-
quer questão referente ao assunto.
Ordem de precedência dos conectivos:
O critério que especifica a ordem de avaliação dos conectivos
ou operadores lógicos de uma expressão qualquer. A lógica mate-
mática prioriza as operações de acordo com a ordem listadas:
Em resumo:
Exemplo:
(PC/SP - DELEGADO DE POLÍCIA - VUNESP) Os conectivos ou ope-
radores lógicos são palavras (da linguagem comum) ou símbolos (da
linguagem formal) utilizados para conectar proposições de acordo com
regras formais preestabelecidas. Assinale a alternativa que apresenta
exemplos de conjunção, negação e implicação, respectivamente.
(A) ¬ p, p v q, p ∧ q
(B) p ∧ q, ¬ p, p -> q
(C) p -> q, p v q, ¬ p
(D) p v p, p -> q, ¬ q
(E) p v q, ¬ q, p v q
RACIOCÍNIO LÓGICO
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Resolução:
A conjunção é um tipo de proposição composta e apresenta o
conectivo “e”, e é representada pelo símbolo ∧. A negação é repre-
sentada pelo símbolo ~ou cantoneira (¬) e pode negar uma proposi-
ção simples (por exemplo: ¬ p ) ou composta. Já a implicação é uma
proposição composta do tipo condicional (Se, então) é representa-
da pelo símbolo (→).
Resposta: B
CONTRADIÇÕES
São proposições compostas formadas por duas ou mais propo-
sições onde seu valor lógico é sempre FALSO, independentemente
do valor lógico das proposições simples que a compõem. Vejamos:
A proposição: p ̂ ~p é uma contradição, conforme mostra a sua
tabela-verdade:
Exemplo:
(PEC-FAZ) Conforme a teoria da lógica proposicional, a propo-
sição ~P ∧ P é:
(A) uma tautologia.
(B) equivalente à proposição ~p ∨ p.
(C) uma contradição.
(D) uma contingência.
(E) uma disjunção.
Resolução:
Montando a tabela teremos que:
P ~p ~p ^p
V F F
V F F
F V F
F V F
Como todos os valores são Falsidades (F) logo estamos diante
de uma CONTRADIÇÃO.
Resposta: C
A proposição P(p,q,r,...) implica logicamente a proposição Q(p,-
q,r,...) quando Q é verdadeira todas as vezes que P é verdadeira.
Representamos a implicação com o símbolo “⇒”, simbolicamente
temos:
P(p,q,r,...) ⇒ Q(p,q,r,...).
ATENÇÃO: Os símbolos “→” e “⇒” são completamente distin-
tos. O primeiro (“→”) representa a condicional, que é um conec-
tivo. O segundo (“⇒”) representa a relação de implicação lógica
que pode ou não existir entre duas proposições.
Exemplo:
Observe:
- Toda proposição implica uma Tautologia:
- Somente uma contradição implica uma contradição:
Propriedades
• Reflexiva:
– P(p,q,r,...) ⇒ P(p,q,r,...)
– Uma proposição complexa implica ela mesma.
• Transitiva:
– Se P(p,q,r,...) ⇒ Q(p,q,r,...) e
Q(p,q,r,...) ⇒ R(p,q,r,...), então
P(p,q,r,...) ⇒ R(p,q,r,...)
– Se P ⇒ Q e Q ⇒ R, então P ⇒ R
Regras de Inferência
• Inferência é o ato ou processo de derivar conclusões lógicas
de proposições conhecidas ou decididamente verdadeiras. Em ou-
tras palavras: é a obtenção de novas proposições a partir de propo-
sições verdadeiras já existentes.
Regras de Inferência obtidas da implicação lógica
RACIOCÍNIO LÓGICO
29
• Silogismo Disjuntivo
• Modus Ponens
• Modus Tollens
Tautologias e Implicação Lógica
• Teorema
P(p,q,r,..) ⇒ Q(p,q,r,...) se e somente se P(p,q,r,...) → Q(p,q,r,...)
Observe que:
→ indica uma operação lógica entre as proposições. Ex.: das
proposições p e q, dá-se a nova proposição p → q.
⇒ indica uma relação. Ex.: estabelece que a condicional P →
Q é tautológica.
Inferências
• Regra do Silogismo Hipotético
Princípio da inconsistência
– Como “p ^ ~p → q” é tautológica, subsiste a implicação lógica
p ^ ~p ⇒ q
– Assim, de uma contradição p ^ ~p se deduz qualquer propo-
sição q.
A proposição “(p ↔ q) ^ p” implica a proposição “q”, pois a
condicional “(p ↔ q) ^ p → q” é tautológica.
Lógica de primeira ordem
Existem alguns tipos de argumentos que apresentam proposi-
ções com quantificadores. Numa proposição categórica, é impor-
tante que o sujeito se relacionar com o predicado de forma coeren-
te e que a proposição faça sentido, não importando se é verdadeira
ou falsa.
Vejamos algumas formas:
- Todo A é B.
- Nenhum A é B.
- Algum A é B.
- Algum A não é B.
Onde temos que A e B são os termos ou características dessas
proposições categóricas.
• Classificação de uma proposição categórica de acordo com
o tipo e a relação
Elas podem ser classificadas de acordo com dois critérios fun-
damentais: qualidade e extensão ou quantidade.
– Qualidade: O critério de qualidade classifica uma proposição
categórica em afirmativa ou negativa.
– Extensão: O critério de extensão ou quantidade classifica
uma proposição categórica em universal ou particular. A classifica-
ção dependerá do quantificador que é utilizado na proposição.
Entre elas existem tipos e relações de acordo com a qualidade
e a extensão, classificam-se em quatro tipos, representados pelas
letras A, E, I e O.
RACIOCÍNIO LÓGICO
30
• Universal afirmativa (Tipo A) – “TODO A é B”
Teremos duas possibilidades.
Tais proposições afirmam que o conjunto “A” está contido no
conjunto “B”, ou seja, que todo e qualquer elemento de “A” é tam-
bém elemento de “B”. Observe que “Toda A é B” é diferente de
“Todo B é A”.
• Universal negativa (Tipo E) – “NENHUM A é B”
Tais proposições afirmam que não há elementos em comum
entre os conjuntos “A” e “B”. Observe que “nenhum A é B” é o mes-
mo que dizer “nenhum B é A”.
Podemos representar esta universal negativa pelo seguinte dia-
grama (A ∩ B = ø):
• Particular afirmativa (Tipo I) - “ALGUM A é B”
Podemos ter 4 diferentes situações para representar esta pro-
posição:
Essas proposições Algum A é B estabelecem que o conjunto “A”
tem pelo menos um elemento em comum com o conjunto “B”. Con-
tudo, quando dizemos que Algum A é B, presumimos que nem todo
A é B. Observe “Algum A é B” é o mesmo que “Algum B é A”.
• Particular negativa (Tipo O) - “ALGUM A não é B”
Se a proposição Algum A não é B é verdadeira, temos as três
representações possíveis:
Proposições nessa forma: Algum A não é B estabelecem que o
conjunto “A” tem pelo menos um elemento que não pertence ao
conjunto “B”. Observe que: Algum A não é B não significa o mesmo
que Algum B não é A.
• Negação das Proposições Categóricas
Ao negarmos uma proposição categórica, devemos observar as
seguintes convenções de equivalência:
– Ao negarmos uma proposição categórica universal geramos
uma proposição categórica particular.
– Pela recíproca de uma negação, ao negarmos uma proposição
categórica particular geramos uma proposição categórica universal.
– Negando uma proposição de natureza afirmativa geramos,
sempre, uma proposição de natureza negativa; e, pela recíproca,
negando uma proposição de natureza negativa geramos, sempre,uma proposição de natureza afirmativa.
Em síntese:
RACIOCÍNIO LÓGICO
31
Exemplos:
(DESENVOLVE/SP - CONTADOR - VUNESP) Alguns gatos não
são pardos, e aqueles que não são pardos miam alto.
Uma afirmação que corresponde a uma negação lógica da afir-
mação anterior é:
(A) Os gatos pardos miam alto ou todos os gatos não são pardos.
(B) Nenhum gato mia alto e todos os gatos são pardos.
(C) Todos os gatos são pardos ou os gatos que não são pardos
não miam alto.
(D) Todos os gatos que miam alto são pardos.
(E) Qualquer animal que mia alto é gato e quase sempre ele é pardo.
Resolução:
Temos um quantificador particular (alguns) e uma proposição
do tipo conjunção (conectivo “e”). Pede-se a sua negação.
O quantificador existencial “alguns” pode ser negado, seguindo
o esquema, pelos quantificadores universais (todos ou nenhum).
Logo, podemos descartar as alternativas A e E.
A negação de uma conjunção se faz através de uma disjunção,
em que trocaremos o conectivo “e” pelo conectivo “ou”. Descarta-
mos a alternativa B.
Vamos, então, fazer a negação da frase, não esquecendo de
que a relação que existe é: Algum A é B, deve ser trocado por: Todo
A é não B.
Todos os gatos que são pardos ou os gatos (aqueles) que não
são pardos NÃO miam alto.
Resposta: C
(CBM/RJ - CABO TÉCNICO EM ENFERMAGEM - ND) Dizer que a
afirmação “todos os professores é psicólogos” e falsa, do ponto de
vista lógico, equivale a dizer que a seguinte afirmação é verdadeira
(A) Todos os não psicólogos são professores.
(B) Nenhum professor é psicólogo.
(C) Nenhum psicólogo é professor.
(D) Pelo menos um psicólogo não é professor.
(E) Pelo menos um professor não é psicólogo.
Resolução:
Se a afirmação é falsa a negação será verdadeira. Logo, a nega-
ção de um quantificador universal categórico afirmativo se faz atra-
vés de um quantificador existencial negativo. Logo teremos: Pelo
menos um professor não é psicólogo.
Resposta: E
• Equivalência entre as proposições
Basta usar o triângulo a seguir e economizar um bom tempo na
resolução de questões.
Exemplo:
(PC/PI - ESCRIVÃO DE POLÍCIA CIVIL - UESPI) Qual a negação
lógica da sentença “Todo número natural é maior do que ou igual
a cinco”?
(A) Todo número natural é menor do que cinco.
(B) Nenhum número natural é menor do que cinco.
(C) Todo número natural é diferente de cinco.
(D) Existe um número natural que é menor do que cinco.
(E) Existe um número natural que é diferente de cinco.
Resolução:
Do enunciado temos um quantificador universal (Todo) e pede-
-se a sua negação.
O quantificador universal todos pode ser negado, seguindo o
esquema abaixo, pelo quantificador algum, pelo menos um, existe
ao menos um, etc. Não se nega um quantificador universal com To-
dos e Nenhum, que também são universais.
Portanto, já podemos descartar as alternativas que trazem
quantificadores universais (todo e nenhum). Descartamos as alter-
nativas A, B e C.
Seguindo, devemos negar o termo: “maior do que ou igual a
cinco”. Negaremos usando o termo “MENOR do que cinco”.
Obs.: maior ou igual a cinco (compreende o 5, 6, 7...) ao ser
negado passa a ser menor do que cinco (4, 3, 2,...).
Resposta: D
Diagramas lógicos
Os diagramas lógicos são usados na resolução de vários proble-
mas. É uma ferramenta para resolvermos problemas que envolvam
argumentos dedutivos, as quais as premissas deste argumento po-
dem ser formadas por proposições categóricas.
ATENÇÃO: É bom ter um conhecimento sobre conjuntos para
conseguir resolver questões que envolvam os diagramas lógicos.
RACIOCÍNIO LÓGICO
32
Vejamos a tabela abaixo as proposições categóricas:
TIPO PREPOSIÇÃO DIAGRAMAS
A TODO
A é B
Se um elemento pertence ao conjunto A,
então pertence também a B.
E NENHUM
A é B
Existe pelo menos um elemento que
pertence a A, então não pertence a B, e
vice-versa.
I ALGUM
A é B
Existe pelo menos um elemento co-
mum aos conjuntos A e B.
Podemos ainda representar das seguin-
tes formas:
O ALGUM
A NÃO é B
Perceba-se que, nesta sentença, a aten-
ção está sobre o(s) elemento (s) de A que
não são B (enquanto que, no “Algum A é
B”, a atenção estava sobre os que eram B,
ou seja, na intercessão).
Temos também no segundo caso, a dife-
rença entre conjuntos, que forma o con-
junto A - B
Exemplo:
(GDF–ANALISTA DE ATIVIDADES CULTURAIS ADMINISTRAÇÃO
– IADES) Considere as proposições: “todo cinema é uma casa de
cultura”, “existem teatros que não são cinemas” e “algum teatro é
casa de cultura”. Logo, é correto afirmar que
(A) existem cinemas que não são teatros.
(B) existe teatro que não é casa de cultura.
(C) alguma casa de cultura que não é cinema é teatro.
(D) existe casa de cultura que não é cinema.
(E) todo teatro que não é casa de cultura não é cinema.
Resolução:
Vamos chamar de:
Cinema = C
Casa de Cultura = CC
Teatro = T
Analisando as proposições temos:
- Todo cinema é uma casa de cultura
RACIOCÍNIO LÓGICO
33
- Existem teatros que não são cinemas
- Algum teatro é casa de cultura
Visto que na primeira chegamos à conclusão que C = CC
Segundo as afirmativas temos:
(A) existem cinemas que não são teatros- Observando o último
diagrama vimos que não é uma verdade, pois temos que existe pelo
menos um dos cinemas é considerado teatro.
(B) existe teatro que não é casa de cultura. – Errado, pelo mes-
mo princípio acima.
(C) alguma casa de cultura que não é cinema é teatro. – Errado,
a primeira proposição já nos afirma o contrário. O diagrama nos
afirma isso
(D) existe casa de cultura que não é cinema. – Errado, a justifi-
cativa é observada no diagrama da alternativa anterior.
(E) todo teatro que não é casa de cultura não é cinema. – Cor-
reta, que podemos observar no diagrama abaixo, uma vez que todo
cinema é casa de cultura. Se o teatro não é casa de cultura também
não é cinema.
Resposta: E
LÓGICA DE ARGUMENTAÇÃO
Chama-se argumento a afirmação de que um grupo de proposi-
ções iniciais redunda em outra proposição final, que será consequên-
cia das primeiras. Ou seja, argumento é a relação que associa um
conjunto de proposições P1, P2,... Pn , chamadas premissas do argu-
mento, a uma proposição Q, chamada de conclusão do argumento.
Exemplo:
P1: Todos os cientistas são loucos.
P2: Martiniano é louco.
Q: Martiniano é um cientista.
O exemplo dado pode ser chamado de Silogismo (argumento
formado por duas premissas e a conclusão).
A respeito dos argumentos lógicos, estamos interessados em
verificar se eles são válidos ou inválidos! Então, passemos a enten-
der o que significa um argumento válido e um argumento inválido.
Argumentos Válidos
Dizemos que um argumento é válido (ou ainda legítimo ou bem
construído), quando a sua conclusão é uma consequência obrigató-
ria do seu conjunto de premissas.
Exemplo:
O silogismo...
P1: Todos os homens são pássaros.
P2: Nenhum pássaro é animal.
Q: Portanto, nenhum homem é animal.
... está perfeitamente bem construído, sendo, portanto, um
argumento válido, muito embora a veracidade das premissas e da
conclusão sejam totalmente questionáveis.
RACIOCÍNIO LÓGICO
34
ATENÇÃO: O que vale é a CONSTRUÇÃO, E NÃO O SEU CON-
TEÚDO! Se a construção está perfeita, então o argumento é válido,
independentemente do conteúdo das premissas ou da conclusão!
• Como saber se um determinado argumento é mesmo válido?
Para se comprovar a validade de um argumento é utilizando
diagramas de conjuntos (diagramas de Venn). Trata-se de um mé-
todo muito útil e que será usado com frequência em questões que
pedem a verificação da validade de um argumento. Vejamos como
funciona, usando o exemplo acima. Quando se afirma, na premissa
P1, que “todos os homens são pássaros”, poderemos representar
essa frase da seguinte maneira:
Observem que todos os elementos do conjunto menor (ho-
mens) estão incluídos, ou seja, pertencem ao conjunto maior (dos
pássaros). E será sempre essa a representação gráfica da frase
“Todo A é B”. Dois círculos, um dentro do outro, estando o círculo
menor a representar o grupo de quem se segue à palavraTODO.
Na frase: “Nenhum pássaro é animal”. Observemos que a pa-
lavra-chave desta sentença é NENHUM. E a ideia que ela exprime é
de uma total dissociação entre os dois conjuntos.
Será sempre assim a representação gráfica de uma sentença “Ne-
nhum A é B”: dois conjuntos separados, sem nenhum ponto em comum.
Tomemos agora as representações gráficas das duas premissas
vistas acima e as analisemos em conjunto. Teremos:
Comparando a conclusão do nosso argumento, temos:
NENHUM homem é animal – com o desenho das premissas
será que podemos dizer que esta conclusão é uma consequência
necessária das premissas? Claro que sim! Observemos que o con-
junto dos homens está totalmente separado (total dissociação!) do
conjunto dos animais. Resultado: este é um argumento válido!
Argumentos Inválidos
Dizemos que um argumento é inválido – também denominado
ilegítimo, mal construído, falacioso ou sofisma – quando a verdade
das premissas não é suficiente para garantir a verdade da conclusão.
Exemplo:
P1: Todas as crianças gostam de chocolate.
P2: Patrícia não é criança.
Q: Portanto, Patrícia não gosta de chocolate.
Este é um argumento inválido, falacioso, mal construído, pois as
premissas não garantem (não obrigam) a verdade da conclusão. Patrícia
pode gostar de chocolate mesmo que não seja criança, pois a primeira
premissa não afirmou que somente as crianças gostam de chocolate.
Utilizando os diagramas de conjuntos para provar a validade
do argumento anterior, provaremos, utilizando-nos do mesmo arti-
fício, que o argumento em análise é inválido. Comecemos pela pri-
meira premissa: “Todas as crianças gostam de chocolate”.
Analisemos agora o que diz a segunda premissa: “Patrícia não é
criança”. O que temos que fazer aqui é pegar o diagrama acima (da pri-
meira premissa) e nele indicar onde poderá estar localizada a Patrícia,
obedecendo ao que consta nesta segunda premissa. Vemos facilmente
que a Patrícia só não poderá estar dentro do círculo das crianças. É a
única restrição que faz a segunda premissa! Isto posto, concluímos que
Patrícia poderá estar em dois lugares distintos do diagrama:
1º) Fora do conjunto maior;
2º) Dentro do conjunto maior. Vejamos:
RACIOCÍNIO LÓGICO
35
Finalmente, passemos à análise da conclusão: “Patrícia não gosta de chocolate”. Ora, o que nos resta para sabermos se este argumen-
to é válido ou não, é justamente confirmar se esse resultado (se esta conclusão) é necessariamente verdadeiro!
- É necessariamente verdadeiro que Patrícia não gosta de chocolate? Olhando para o desenho acima, respondemos que não! Pode
ser que ela não goste de chocolate (caso esteja fora do círculo), mas também pode ser que goste (caso esteja dentro do círculo)! Enfim, o
argumento é inválido, pois as premissas não garantiram a veracidade da conclusão!
Métodos para validação de um argumento
Aprenderemos a seguir alguns diferentes métodos que nos possibilitarão afirmar se um argumento é válido ou não!
1º) Utilizando diagramas de conjuntos: esta forma é indicada quando nas premissas do argumento aparecem as palavras TODO, AL-
GUM E NENHUM, ou os seus sinônimos: cada, existe um etc.
2º) Utilizando tabela-verdade: esta forma é mais indicada quando não for possível resolver pelo primeiro método, o que ocorre quan-
do nas premissas não aparecem as palavras todo, algum e nenhum, mas sim, os conectivos “ou” , “e”, “” e “↔”. Baseia-se na construção
da tabela-verdade, destacando-se uma coluna para cada premissa e outra para a conclusão. Este método tem a desvantagem de ser mais
trabalhoso, principalmente quando envolve várias proposições simples.
3º) Utilizando as operações lógicas com os conectivos e considerando as premissas verdadeiras.
Por este método, fácil e rapidamente demonstraremos a validade de um argumento. Porém, só devemos utilizá-lo na impossibilidade
do primeiro método.
Iniciaremos aqui considerando as premissas como verdades. Daí, por meio das operações lógicas com os conectivos, descobriremos o
valor lógico da conclusão, que deverá resultar também em verdade, para que o argumento seja considerado válido.
4º) Utilizando as operações lógicas com os conectivos, considerando premissas verdadeiras e conclusão falsa.
É indicado este caminho quando notarmos que a aplicação do terceiro método não possibilitará a descoberta do valor lógico da con-
clusão de maneira direta, mas somente por meio de análises mais complicadas.
Em síntese:
RACIOCÍNIO LÓGICO
36
Exemplo:
Diga se o argumento abaixo é válido ou inválido:
(p ∧ q) → r
_____~r_______
~p ∨ ~q
Resolução:
-1ª Pergunta) O argumento apresenta as palavras todo, algum
ou nenhum?
A resposta é não! Logo, descartamos o 1º método e passamos
à pergunta seguinte.
- 2ª Pergunta) O argumento contém no máximo duas proposi-
ções simples?
A resposta também é não! Portanto, descartamos também o
2º método.
- 3ª Pergunta) Há alguma das premissas que seja uma proposi-
ção simples ou uma conjunção?
A resposta é sim! A segunda proposição é (~r). Podemos optar
então pelo 3º método? Sim, perfeitamente! Mas caso queiramos
seguir adiante com uma próxima pergunta, teríamos:
- 4ª Pergunta) A conclusão tem a forma de uma proposição
simples ou de uma disjunção ou de uma condicional? A resposta
também é sim! Nossa conclusão é uma disjunção! Ou seja, caso
queiramos, poderemos utilizar, opcionalmente, o 4º método!
Vamos seguir os dois caminhos: resolveremos a questão pelo
3º e pelo 4º métodos.
Resolução pelo 3º Método
Considerando as premissas verdadeiras e testando a conclusão
verdadeira. Teremos:
- 2ª Premissa) ~r é verdade. Logo: r é falsa!
- 1ª Premissa) (p ∧ q)r é verdade. Sabendo que r é falsa,
concluímos que (p ∧ q) tem que ser também falsa. E quando uma
conjunção (e) é falsa? Quando uma das premissas for falsa ou am-
bas forem falsas. Logo, não é possível determinamos os valores
lógicos de p e q. Apesar de inicialmente o 3º método se mostrar
adequado, por meio do mesmo, não poderemos determinar se o
argumento é ou NÃO VÁLIDO.
Resolução pelo 4º Método
Considerando a conclusão falsa e premissas verdadeiras. Tere-
mos:
- Conclusão) ~p v ~q é falso. Logo: p é verdadeiro e q é verda-
deiro!
Agora, passamos a testar as premissas, que são consideradas
verdadeiras! Teremos:
- 1ª Premissa) (p∧q)r é verdade. Sabendo que p e q são ver-
dadeiros, então a primeira parte da condicional acima também é
verdadeira. Daí resta que a segunda parte não pode ser falsa. Logo:
r é verdadeiro.
- 2ª Premissa) Sabendo que r é verdadeiro, teremos que ~r é
falso! Opa! A premissa deveria ser verdadeira, e não foi!
Neste caso, precisaríamos nos lembrar de que o teste, aqui no
4º método, é diferente do teste do 3º: não havendo a existência si-
multânea da conclusão falsa e premissas verdadeiras, teremos que
o argumento é válido! Conclusão: o argumento é válido!
Exemplos:
(DPU – AGENTE ADMINISTRATIVO – CESPE) Considere que as
seguintes proposições sejam verdadeiras.
• Quando chove, Maria não vai ao cinema.
• Quando Cláudio fica em casa, Maria vai ao cinema.
• Quando Cláudio sai de casa, não faz frio.
• Quando Fernando está estudando, não chove.
• Durante a noite, faz frio.
Tendo como referência as proposições apresentadas, julgue o
item subsecutivo.
Se Maria foi ao cinema, então Fernando estava estudando.
( ) Certo
( ) Errado
Resolução:
A questão trata-se de lógica de argumentação, dadas as pre-
missas chegamos a uma conclusão. Enumerando as premissas:
A = Chove
B = Maria vai ao cinema
C = Cláudio fica em casa
D = Faz frio
E = Fernando está estudando
F = É noite
A argumentação parte que a conclusão deve ser (V)
Lembramos a tabela verdade da condicional:
A condicional só será F quando a 1ª for verdadeira e a 2ª falsa,
utilizando isso temos:
O que se quer saber é: Se Maria foi ao cinema, então Fernando
estava estudando. // B → ~E
Iniciando temos:
4º - Quando chove (F), Maria não vai ao cinema. (F) // A → ~B
= V – para que o argumento seja válido temos que Quando chove
tem que ser F.
3º - Quando Cláudiofica em casa (V), Maria vai ao cinema (V).
// C → B = V - para que o argumento seja válido temos que Maria
vai ao cinema tem que ser V.
2º - Quando Cláudio sai de casa(F), não faz frio (F). // ~C → ~D
= V - para que o argumento seja válido temos que Quando Cláudio
sai de casa tem que ser F.
5º - Quando Fernando está estudando (V ou F), não chove (V).
// E → ~A = V. – neste caso Quando Fernando está estudando pode
ser V ou F.
1º- Durante a noite(V), faz frio (V). // F → D = V
Logo nada podemos afirmar sobre a afirmação: Se Maria foi ao
cinema (V), então Fernando estava estudando (V ou F); pois temos
dois valores lógicos para chegarmos à conclusão (V ou F).
Resposta: Errado
RACIOCÍNIO LÓGICO
37
(PETROBRAS – TÉCNICO (A) DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO JÚNIOR – INFORMÁTICA – CESGRANRIO) Se Esmeralda é uma fada, então
Bongrado é um elfo. Se Bongrado é um elfo, então Monarca é um centauro. Se Monarca é um centauro, então Tristeza é uma bruxa.
Ora, sabe-se que Tristeza não é uma bruxa, logo
(A) Esmeralda é uma fada, e Bongrado não é um elfo.
(B) Esmeralda não é uma fada, e Monarca não é um centauro.
(C) Bongrado é um elfo, e Monarca é um centauro.
(D) Bongrado é um elfo, e Esmeralda é uma fada
(E) Monarca é um centauro, e Bongrado não é um elfo.
Resolução:
Vamos analisar cada frase partindo da afirmativa Trizteza não é bruxa, considerando ela como (V), precisamos ter como conclusão o
valor lógico (V), então:
(4) Se Esmeralda é uma fada(F), então Bongrado é um elfo (F) → V
(3) Se Bongrado é um elfo (F), então Monarca é um centauro (F) → V
(2) Se Monarca é um centauro(F), então Tristeza é uma bruxa(F) → V
(1) Tristeza não é uma bruxa (V)
Logo:
Temos que:
Esmeralda não é fada(V)
Bongrado não é elfo (V)
Monarca não é um centauro (V)
Como a conclusão parte da conjunção, o mesmo só será verdadeiro quando todas as afirmativas forem verdadeiras, logo, a única que
contém esse valor lógico é:
Esmeralda não é uma fada, e Monarca não é um centauro.
Resposta: B
LÓGICA MATEMÁTICA QUALITATIVA
Aqui veremos questões que envolvem correlação de elementos, pessoas e objetos fictícios, através de dados fornecidos. Vejamos o
passo a passo:
01. Três homens, Luís, Carlos e Paulo, são casados com Lúcia, Patrícia e Maria, mas não sabemos quem ê casado com quem. Eles tra-
balham com Engenharia, Advocacia e Medicina, mas também não sabemos quem faz o quê. Com base nas dicas abaixo, tente descobrir o
nome de cada marido, a profissão de cada um e o nome de suas esposas.
a) O médico é casado com Maria.
b) Paulo é advogado.
c) Patrícia não é casada com Paulo.
d) Carlos não é médico.
Vamos montar o passo a passo para que você possa compreender como chegar a conclusão da questão.
1º passo – vamos montar uma tabela para facilitar a visualização da resolução, a mesma deve conter as informações prestadas no
enunciado, nas quais podem ser divididas em três grupos: homens, esposas e profissões.
Medicina Engenharia Advocacia Lúcia Patrícia Maria
Carlos
Luís
Paulo
Lúcia
Patrícia
Maria
Também criamos abaixo do nome dos homens, o nome das esposas.
RACIOCÍNIO LÓGICO
38
2º passo – construir a tabela gabarito.
Essa tabela não servirá apenas como gabarito, mas em alguns casos ela é fundamental para que você enxergue informações que ficam
meio escondidas na tabela principal. Uma tabela complementa a outra, podendo até mesmo que você chegue a conclusões acerca dos
grupos e elementos.
HOMENS PROFISSÕES ESPOSAS
Carlos
Luís
Paulo
3º passo preenchimento de nossa tabela, com as informações mais óbvias do problema, aquelas que não deixam margem a nenhuma
dúvida. Em nosso exemplo:
- O médico é casado com Maria: marque um “S” na tabela principal na célula comum a “Médico” e “Maria”, e um “N” nas demais
células referentes a esse “S”.
Medicina Engenharia Advocacia Lúcia Patrícia Maria
Carlos
Luís
Paulo
Lúcia N
Patrícia N
Maria S N N
ATENÇÃO: se o médico é casado com Maria, ele NÃO PODE ser casado com Lúcia e Patrícia, então colocamos “N” no cruzamento
de Medicina e elas. E se Maria é casada com o médico, logo ela NÃO PODE ser casada com o engenheiro e nem com o advogado (logo
colocamos “N” no cruzamento do nome de Maria com essas profissões).
– Paulo é advogado: Vamos preencher as duas tabelas (tabela gabarito e tabela principal) agora.
– Patrícia não é casada com Paulo: Vamos preencher com “N” na tabela principal
– Carlos não é médico: preenchemos com um “N” na tabela principal a célula comum a Carlos e “médico”.
Medicina Engenharia Advocacia Lúcia Patrícia Maria
Carlos N N
Luís S N N
Paulo N N S N
Lúcia N
Patrícia N
Maria S N N
Notamos aqui que Luís então é o médico, pois foi a célula que ficou em branco. Podemos também completar a tabela gabarito.
RACIOCÍNIO LÓGICO
39
Novamente observamos uma célula vazia no cruzamento de Carlos com Engenharia. Marcamos um “S” nesta célula. E preenchemos
sua tabela gabarito.
Medicina Engenharia Advocacia Lúcia Patrícia Maria
Carlos N S N
Luís S N N
Paulo N N S N
Lúcia N
Patrícia N
Maria S N N
HOMENS PROFISSÕES ESPOSAS
Carlos Engenheiro
Luís Médico
Paulo Advogado
4º passo – após as anotações feitas na tabela principal e na tabela gabarito, vamos procurar informações que levem a novas conclu-
sões, que serão marcadas nessas tabelas.
Observe que Maria é esposa do médico, que se descobriu ser Luís, fato que poderia ser registrado na tabela-gabarito. Mas não vamos
fazer agora, pois essa conclusão só foi facilmente encontrada porque o problema que está sendo analisado é muito simples. Vamos con-
tinuar o raciocínio e fazer as marcações mais tarde. Além disso, sabemos que Patrícia não é casada com Paulo. Como Paulo é o advogado,
podemos concluir que Patrícia não é casada com o advogado.
Medicina Engenharia Advocacia Lúcia Patrícia Maria
Carlos N S N
Luís S N N
Paulo N N S N
Lúcia N
Patrícia N N
Maria S N N
Verificamos, na tabela acima, que Patrícia tem de ser casada com o engenheiro, e Lúcia tem de ser casada com o advogado.
Medicina Engenharia Advocacia Lúcia Patrícia Maria
Carlos N S N
Luís S N N
Paulo N N S N
Lúcia N N S
Patrícia N S N
Maria S N N
Concluímos, então, que Lúcia é casada com o advogado (que é Paulo), Patrícia é casada com o engenheiro (que e Carlos) e Maria é
casada com o médico (que é Luís).
RACIOCÍNIO LÓGICO
40
Preenchendo a tabela-gabarito, vemos que o problema está
resolvido:
HOMENS PROFISSÕES ESPOSAS
Carlos Engenheiro Patrícia
Luís Médico Maria
Paulo Advogado Lúcia
Exemplo:
(TRT-9ª REGIÃO/PR – TÉCNICO JUDICIÁRIO – ÁREA ADMINIS-
TRATIVA – FCC) Luiz, Arnaldo, Mariana e Paulo viajaram em janeiro,
todos para diferentes cidades, que foram Fortaleza, Goiânia, Curi-
tiba e Salvador. Com relação às cidades para onde eles viajaram,
sabe-se que:
− Luiz e Arnaldo não viajaram para Salvador;
− Mariana viajou para Curitiba;
− Paulo não viajou para Goiânia;
− Luiz não viajou para Fortaleza.
É correto concluir que, em janeiro,
(A) Paulo viajou para Fortaleza.
(B) Luiz viajou para Goiânia.
(C) Arnaldo viajou para Goiânia.
(D) Mariana viajou para Salvador.
(E) Luiz viajou para Curitiba.
Resolução:
Vamos preencher a tabela:
− Luiz e Arnaldo não viajaram para Salvador;
Fortaleza Goiânia Curitiba Salvador
Luiz N
Arnaldo N
Mariana
Paulo
− Mariana viajou para Curitiba;
Fortaleza Goiânia Curitiba Salvador
Luiz N N
Arnaldo N N
Mariana N N S N
Paulo N
− Paulo não viajou para Goiânia;
Fortaleza Goiânia Curitiba Salvador
Luiz N N
Arnaldo N N
Mariana N N S N
Paulo N N
− Luiz não viajou para Fortaleza.
Fortaleza Goiânia Curitiba Salvador
Luiz N N N
Arnaldo N N
Mariana N N S N
Paulo N N
Agora, completando o restante:
Paulo viajou para Salvador, pois a nenhum dos três viajou. En-
tão, Arnaldo viajou para Fortaleza e Luiz para Goiânia
Fortaleza Goiânia Curitiba Salvador
Luiz N S N N
Arnaldo S N N N
Mariana N N S N
Paulo N N N S
Resposta: B
Quantificador
É um termo utilizado para quantificar uma expressão. Os quan-
tificadores são utilizados para transformar uma sentença abertaou
proposição aberta em uma proposição lógica.
QUANTIFICADOR + SENTENÇA ABERTA = SENTENÇA FECHADA
Tipos de quantificadores
• Quantificador universal (∀)
O símbolo ∀ pode ser lido das seguintes formas:
Exemplo:
Todo homem é mortal.
A conclusão dessa afirmação é: se você é homem, então será
mortal.
Na representação do diagrama lógico, seria:
ATENÇÃO: Todo homem é mortal, mas nem todo mortal é ho-
mem.
A frase “todo homem é mortal” possui as seguintes conclusões:
1ª) Algum mortal é homem ou algum homem é mortal.
2ª) Se José é homem, então José é mortal.
RACIOCÍNIO LÓGICO
41
A forma “Todo A é B” pode ser escrita na forma: Se A então B.
A forma simbólica da expressão “Todo A é B” é a expressão (∀
(x) (A (x) → B).
Observe que a palavra todo representa uma relação de inclusão
de conjuntos, por isso está associada ao operador da condicional.
Aplicando temos:
x + 2 = 5 é uma sentença aberta. Agora, se escrevermos da for-
ma ∀ (x) ∈ N / x + 2 = 5 ( lê-se: para todo pertencente a N temos x
+ 2 = 5), atribuindo qualquer valor a x a sentença será verdadeira?
A resposta é NÃO, pois depois de colocarmos o quantificador,
a frase passa a possuir sujeito e predicado definidos e podemos jul-
gar, logo, é uma proposição lógica.
• Quantificador existencial (∃)
O símbolo ∃ pode ser lido das seguintes formas:
Exemplo:
“Algum matemático é filósofo.” O diagrama lógico dessa frase
é:
O quantificador existencial tem a função de elemento comum.
A palavra algum, do ponto de vista lógico, representa termos co-
muns, por isso “Algum A é B” possui a seguinte forma simbólica: (∃
(x)) (A (x) ∧ B).
Aplicando temos:
x + 2 = 5 é uma sentença aberta. Escrevendo da forma (∃ x) ∈
N / x + 2 = 5 (lê-se: existe pelo menos um x pertencente a N tal que x
+ 2 = 5), atribuindo um valor que, colocado no lugar de x, a sentença
será verdadeira?
A resposta é SIM, pois depois de colocarmos o quantificador,
a frase passou a possuir sujeito e predicado definidos e podemos
julgar, logo, é uma proposição lógica.
ATENÇÃO:
– A palavra todo não permite inversão dos termos: “Todo A é B”
é diferente de “Todo B é A”.
– A palavra algum permite a inversão dos termos: “Algum A é
B” é a mesma coisa que “Algum B é A”.
Forma simbólica dos quantificadores
Todo A é B = (∀ (x) (A (x) → B).
Algum A é B = (∃ (x)) (A (x) ∧ B).
Nenhum A é B = (~ ∃ (x)) (A (x) ∧ B).
Algum A não é B= (∃ (x)) (A (x) ∧ ~ B).
Exemplos:
Todo cavalo é um animal. Logo,
(A) Toda cabeça de animal é cabeça de cavalo.
(B) Toda cabeça de cavalo é cabeça de animal.
(C) Todo animal é cavalo.
(D) Nenhum animal é cavalo.
Resolução:
A frase “Todo cavalo é um animal” possui as seguintes conclu-
sões:
– Algum animal é cavalo ou Algum cavalo é um animal.
– Se é cavalo, então é um animal.
Nesse caso, nossa resposta é toda cabeça de cavalo é cabeça
de animal, pois mantém a relação de “está contido” (segunda forma
de conclusão).
Resposta: B
(CESPE) Se R é o conjunto dos números reais, então a proposi-
ção (∀ x) (x ∈ R) (∃ y) (y ∈ R) (x + y = x) é valorada como V.
Resolução:
Lemos: para todo x pertencente ao conjunto dos números reais
(R) existe um y pertencente ao conjunto dos números dos reais (R)
tal que x + y = x.
– 1º passo: observar os quantificadores.
X está relacionado com o quantificador universal, logo, todos
os valores de x devem satisfazer a propriedade.
Y está relacionado com o quantificador existencial, logo, é ne-
cessário pelo menos um valor de x para satisfazer a propriedade.
– 2º passo: observar os conjuntos dos números dos elementos
x e y.
O elemento x pertence ao conjunto dos números reais.
O elemento y pertence ao conjunto os números reais.
– 3º passo: resolver a propriedade (x+ y = x).
A pergunta: existe algum valor real para y tal que x + y = x?
Existe sim! y = 0.
X + 0 = X.
Como existe pelo menos um valor para y e qualquer valor de
x somado a 0 será igual a x, podemos concluir que o item está cor-
reto.
Resposta: CERTO
ANOTAÇÕES
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RACIOCÍNIO LÓGICO
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43
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
CONHECIMENTOS GERAIS: TÓPICOS RELEVANTES
NAS ÁREAS DE HISTÓRIA, SOCIEDADE, EDUCAÇÃO,
TECNOLOGIA, ENERGIA, ECOLOGIA, RELAÇÕES
INTERNACIONAIS, SUSTENTABILIDADE E
GLOBALIZAÇÃO
A importância do estudo de atualidades
Dentre todas as disciplinas com as quais concurseiros e estu-
dantes de todo o país se preocupam, a de atualidades tem se tor-
nado cada vez mais relevante. Quando pensamos em matemática,
língua portuguesa, biologia, entre outras disciplinas, inevitavelmen-
te as colocamos em um patamar mais elevado que outras que nos
parecem menos importantes, pois de algum modo nos é ensinado a
hierarquizar a relevância de certos conhecimentos desde os tempos
de escola.
No, entanto, atualidades é o único tema que insere o indivíduo
no estudo do momento presente, seus acontecimentos, eventos
e transformações. O conhecimento do mundo em que se vive de
modo algum deve ser visto como irrelevante no estudo para concur-
sos, pois permite que o indivíduo vá além do conhecimento técnico
e explore novas perspectivas quanto à conhecimento de mundo.
Em sua grande maioria, as questões de atualidades em con-
cursos são sobre fatos e acontecimentos de interesse público, mas
podem também apresentar conhecimentos específicos do meio po-
lítico, social ou econômico, sejam eles sobre música, arte, política,
economia, figuras públicas, leis etc. Seja qual for a área, as questões
de atualidades auxiliam as bancas a peneirarem os candidatos e se-
lecionarem os melhores preparados não apenas de modo técnico.
Sendo assim, estudar atualidades é o ato de se manter cons-
tantemente informado. Os temas de atualidades em concursos são
sempre relevantes. É certo que nem todas as notícias que você vê
na televisão ou ouve no rádio aparecem nas questões, manter-se
informado, porém, sobre as principais notícias de relevância nacio-
nal e internacional em pauta é o caminho, pois são debates de ex-
trema recorrência na mídia.
O grande desafio, nos tempos atuais, é separar o joio do trigo.
Com o grande fluxo de informações que recebemos diariamente, é
preciso filtrar com sabedoria o que de fato se está consumindo. Por
diversas vezes, os meios de comunicação (TV, internet, rádio etc.)
adaptam o formato jornalístico ou informacional para transmitirem
outros tipos de informação, como fofocas, vidas de celebridades,
futebol, acontecimentos de novelas, que não devem de modo al-
gum serem inseridos como parte do estudo de atualidades. Os in-
teresses pessoais em assuntos deste cunho não são condenáveis de
modo algum, mas são triviais quanto ao estudo.
Ainda assim, mesmo que tentemos nos manter atualizados
através de revistas e telejornais, o fluxo interminável e ininterrupto
de informações veiculados impede que saibamos de fato como es-
tudar. Apostilas e livros de concursos impressos também se tornam
rapidamente desatualizados e obsoletos, pois atualidades é uma
disciplina que se renova a cada instante.
O mundo da informação está cada vez mais virtual e tecnoló-
gico, as sociedades se informam pela internet e as compartilham
em velocidades incalculáveis. Pensando nisso, a editora prepara
mensalmente o material de atualidades de mais diversos campos
do conhecimento (tecnologia, Brasil, política, ética, meio ambiente,
jurisdição etc.) na “Área do Cliente”.
Lá, o concurseiro encontrará um material completo de aula pre-
parado com muito carinho para seu melhor aproveitamento. Com
o material disponibilizado online, você poderá conferir e checar os
fatos e fontes de imediato através dos veículos de comunicação vir-
tuais, tornando a ponte entre o estudo desta disciplina tão fluida e
a veracidade das informações um caminho certeiro.
ATUALIDADES: ACONTECIMENTOS DE CARÁTER
ECONÔMICO, POLÍTICO, SOCIAL E CULTURAL QUE
FORAM DESTAQUE NO CEARÁ, NO BRASIL E NO
MUNDO NOS ÚLTIMOS ANOS, NOTICIADOS NAS
MÍDIAS DIGITAIS, REDES SOCIAIS E IMPRENSA A
PARTIR DO ANO DE 1980
BRASIL
CULTURA
Cultura é um complexo que inclui necessariamente a com-
preensão de diversos valores morais e éticos que guiam nosso com-
portamento social. É estudado um grande conjunto de atividades e
modos de agir, costumes e instruções de um povo.
É o meio pelo qual o homem se adapta às condições de exis-
tência transformando a realidade. Alcançar estes conhecimentos
tendo como condução nossas emoções e a avaliação do outro, é
um grande desafio.
A cultura é dinâmica. Como construção de ajustamento a cul-
tura sofre modificações, traços são perdidos, outros se adicionam,
em velocidades diferentes e nas diferentes sociedades, mudanças
que sucedidas em uma cultura de uma determinada geração pas-
sam à geração seguinte, aonde vai se transformando, perdendo e
agrupando outros aspectos buscando assim aperfeiçoar a vivência
das novas gerações.
O ambiente cumpre uma ação fundamental sobre as mudanças
culturais, embora não apenas isso: os homens mudam sua maneira
de encarar o mundo tanto por contingências ambientais quanto por
transformações da consciência social. Cada país possui a sua pró-
pria cultura, que é influenciada por múltiplos fatores.
A cultura brasileira, por exemplo, é marcada pela boa disposi-
ção e alegria, e isso reflete também na música, no caso do samba,
que também faz parte da cultura brasileira. No caso da cultura por-
tuguesa, o fado é o patrimônio musical mais famoso, que reflete
uma característica do povo português (o saudosismo).
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
44
É um processo em intensa evolução, diversificação e de gran-
de riqueza. É o desenvolvimento de um grupo social, uma nação,
uma comunidade; fruto do esforço coletivo pelo aprimoramento de
valores espirituais e materiais, conjunto de fenômenos materiais e
ideológicos que caracterizam um grupo étnico ou uma nação (lín-
gua, costumes, rituais, culinária, vestuário, religião, etc).
A fundamental característica da cultura está no fato de os in-
divíduos terem sempre de responder ao meio de acordo com a
mudança de hábitos, mais até que possivelmente uma evolução
biológica A cultura também é definida em ciências sociais como um
conjunto de ideias, comportamentos, símbolos e práticas sociais,
aprendidos de geração em geração através da vida em sociedade.
Seria a herança social da humanidade ou ainda de forma espe-
cífica, uma determinada variante da herança social. É um conceito
que está sempre em desenvolvimento, e com o passar do tempo ela
é influenciada por novas maneiras de pensar inerentes ao desenvol-
vimento dos seres humanos.
Tipos e exemplos de cultura
Podemos estabelecer três tipos básicos de cultura, tomando
uma concepção restrita da palavra que se refere mais ao ambiente
estético e artístico do que a um conjunto de saberes coletivos. Esses
tipos são:
Cultura erudita
A cultura erudita, muitas vezes utilizada como sinônimo de
uma cultura muito desenvolvida esteticamente e de alto valor, é um
termo que, quando empregado, pode resultar em uma visão etno-
cêntrica. Cultura erudita é a cultura criada por uma elite, econômi-
ca, social ou intelectual, que tenta se sobrepor aos outros tipos de
cultura por meio de sua própria classificação.
Muitos lementos culturais criados pelas elites foram ampla-
mente difundidos, sobretudo da elites europeias, muitas vezes de
grande desenvolvimento técnico, como a música erudita barroca e
clássica, a ópera, a pintura e a escultura renascentista etc. Dessa
feita, podemos elencar como exemplos mais específicos as óperas
do compositor alemão Richard Wagner, como Tristão e Isolda ou O
Anel dos Nibelungos; as pinturas de Caravaggio; as peças musicais
de Bach, de Vivaldi ou a ópera de Bizet.
Cultura popular
É a expressão cultural geral de um povo que, em muitos casos,
em especial em países como o Brasil, está fora do eixo erudito, por
ser uma manifestação popular criada por povos marginais, ou seja,
que estão à margem da sociedade,fora das elites.
Se pensarmos no Brasil, temos uma vasta e rica cultura nor-
destina, nortista, sertaneja e indígena e, nos centros urbanos, das
periferias e favelas, as quais não se enquadram ao padrão erudito,
pois a nossa “erudição cultural” importou padrões essencialmente
europeus.
Tomemos, como exemplos, a cultura indígena; o cordel nordes-
tino; a literatura de Ariano Suassuna (de uma estética linguística
erudita, no sentido de rebuscada, mas partindo de elementos da
cultura nordestina); a música sertaneja de raiz; o samba, que foi
rechaçado pela cultura erudita por muito tempo por ter surgido
como expressão cultural dos negros, descendentes de escravos e
favelados; o rap brasileiro e o funk carioca autêntico (o funk cario-
ca de origem, sem a interferência da indústria cultural), que hoje
passam pela mesma discriminação que o samba sofreu no início do
século XX.
Essas mudanças de visão demostram que os padrões culturais
e estéticos mudam ao longo do tempo. O mesmo aconteceu com o
jazz, nos Estados Unidos, que era visto como uma cultura inferior
por ter suas raízes fincadas nos negros escravizados, mas hoje pos-
sui o status de cultura erudita.
Teodor Adorno, por exemplo, que, além de filósofo, era músi-
co, considerava o jazz uma degeneração musical dançante, fruto da
cultura de massa, pois fugia do padrão estético da cultura erudita
europeia da qual Adorno utilizava como padrão de medida.
Cultura de massa
A cultura de massa é diferente da cultura popular e da cultura
erudita, mas pode mesclar elementos de ambas. A cultura de massa
não é uma manifestação cultural autêntica criada por um povo ou
por uma elite intelectual, mas é um produto da indústria cultural,
que visa a atender as normas do mercado e fazer da cultura e da
arte um negócio lucrativo, produzindo e vendendo elementos cul-
turais como se fossem objetos que as pessoas desejam comprar.
O principal eixo produtor e disseminador dos padrões culturais
massificados hoje é os Estados Unidos, que importa os seus produ-
tos culturais para vários países globalizados, que assimilam aqueles
produtos como uma cultura autêntica.
Cultura Nacional
Nós, brasileiros, somos parte de um enorme grupo que com-
partilha uma determinada cultura e, dentro desse grupo, há outros
grupos, menores, que compartilham outras culturas. Ou seja, há
certas características comuns a todos os brasileiros, porém, cada
povo dentro do Brasil compartilha outras características particula-
res. Descomplicando isso tudo, o que se quer dizer é que paulistas,
baianos, cearenses, gaúchos, cariocas, todos nós somos brasileiros
e compartilhamos costumes e valores comuns como, por exemplo,
a nossa receptividade. No entanto, há características particulares
dentro de cada um desses grupos. Por exemplo: o funk, apesar de
ser escutado e dançado em muitas partes do país, é uma particula-
ridade dos imaginários culturais do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Ainda assim, o mesmo funk, por vezes, tem características dife-
rentes em cada um desses estados. Indo direto ao ponto: o Brasil,
como o grande país que é, tem uma diversidade cultural tão exten-
sa quanto seu tamanho.
É importante, ou melhor, é imprescindível sabermos a razão
dessa diversidade toda. A razão está na formação da nossa cultura,
que se divide em quatro momentos. São eles: o período da coloni-
zação, o período da independência política do Brasil para com a sua
metrópole, o período da república e o período que vivemos atual-
mente, o da globalização.
Durante a colonização, nossa nação começa a dar os primeiros
passos, pelo menos em termos de formação cultural. Foi nesse mo-
mento que houve o primeiro contato de três povos muito diferen-
tes, responsáveis pelo nosso hibridismo cultural: os europeus, os in-
dígenas e os africanos. É importante lembrar que esses termos são
uma generalização e que eles englobam diversos povos africanos e
indígenas e, por isso, quando os usamos, não estamos falando de
uma unidade cultural oriunda da áfrica e das tribos que aqui havia,
mas de uma pluralidade imensa. Além disso, quando mencionamos
os europeus, estamos falando não só dos portugueses, mas tam-
bém de outras nacionalidades que aqui estiveram por tanto tempo,
como os holandeses. O que isso tudo significa? A nossa cultura já
começa sendo formada pela mistura de váaaarias outras. Por isso,
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
45
hoje, somos um país cheio de religiões, estilos musicais, danças…
Você não pode deixar de levar isso em consideração caso o tema da
redação esteja relacionado a isso.
O segundo momento que mencionamos, junto ao terceiro,
também é de extrema importância. Na independência do Brasil co-
meçamos, timidamente, a buscar a nossa independência cultural da
Europa, já que, desde o século XVI, éramos reprodutores de tudo
o que a nossa metrópole criava. Foi nesse momento que o roman-
tismo começou a ser patrocinado aqui no Brasil, como uma tenta-
tiva de produção nacional, se tornando o primeiro passo da nossa
emancipação cultural. O terceiro momento, a república, foi um grito
de liberdade ainda maior. Na época, com tudo o que acontecia den-
tro e fora do país, a tendência era, cada vez mais, produzir coisas
nossas. Nesse período, surgiu o modernismo, que veio pra mostrar
como é o Brasil e pra provar que o povo brasileiro podia ser tema da
nossa própria arte. (Vale lembrar que, nesse momento, os Estados
Unidos da América já tinham virado o jogo e, assim como a Europa,
também exportava novidades artísticas, sendo outro foco do nosso
desejo de emancipação.).
O quarto momento que temos de analisar é um pouco mais
simples de entendermos, já que está tão próximo de nós: a globa-
lização. Através do avanço dos meios de comunicação, da ampla
utilização da internet, de computadores, e a facilidade com que
a informação circula no mundo todo, temos a sensação de que o
mundo está mais dinâmico e próximo. Por conta de toda essa faci-
lidade, é comum que haja um diálogo maior entre as culturas. Por
isso temos a sensação de que nossos valores e costumes são cada
vez mais iguais. Porém, as coisas não são assim como imaginamos.
Esse diálogo não ocorre de forma homogênea, sendo assim, não
podemos considerar que a mistura de culturas que a globalização
possibilitou foi igualitária. O que queremos dizer com isso? Na ver-
dade, com a globalização, o imperialismo cultural que sofríamos da
Europa não se findou, mas passou a ser um imperialismo oriundo
dos EUA. Trocamos, apenas, de metrópole. O mundo todo passou
pelo mesmo processo.
Cultura brasileira
A cultura brasileira é rica e diversa, o que se explica pela forma-
ção geográfica e histórica do país. Indígenas, africanos e portugue-
ses contribuíram muito para essa construção.
A cultura brasileira, assim como a formação étnica do povo bra-
sileiro, é vasta e diversa. Nossos hábitos culturais receberam ele-
mentos e influências de povos indígenas, africanos, portugueses,
espanhóis, italianos e japoneses, entre outros, devido à coloniza-
ção, à imigração e aos povos que já habitavam aqui.
São elementos característicos da cultura brasileira a música po-
pular, a literatura, a culinária, as festas tradicionais nacionais, como
o Carnaval, e as festas tradicionais locais, como as Cavalhadas de
Pirenópolis, em Goiás, e o Festival de Parintins, no Amazonas.
A religião, como elemento cultural, também sofreu miscige-
nação, formando o que chamamos de sincretismo religioso. O sin-
cretismo religioso brasileiro reúne elementos do candomblé, do
cristianismo e das religiões indígenas, formando uma concepção
religiosa plural.
Como a cultura brasileira nasceu?
Podemos dizer que os elementos mais antigos da cultura ge-
nuinamente brasileira remontam aos povos indígenas que já habi-
tavam o território de nosso país antes da chegada dos portugueses
em 1500. Donos de uma cultura extensa, os povos nativos manti-
nham as suas crenças e praticavam seus elementos culturais aliados
a um modo de vida simples e em contatocom a natureza.
Com a chegada dos portugueses e o início da colonização, a
cultura europeia foi introduzida, à força, nos povos indígenas, e as
missões da Companhia de Jesus (formadas por padres jesuítas) vie-
ram para o Brasil com o intuito de catequizar os índios.
No século XVII, devido ao grande número de engenhos de ca-
na-de-açúcar, os europeus começaram a capturar e trazer os negros
africanos, à força, para o Brasil, como escravos. Esses, tiranicamen-
te escravizados, trouxeram consigo elementos da sua cultura e de
seus hábitos, como as religiões de matriz africana, a sua culinária e
seus instrumentos musicais.
No século XIX, o Brasil vivenciou mais um processo migratório
composto por trabalhadores italianos que vieram trabalhar nas la-
vouras de café, quando os primeiros indícios da abolição da escra-
vatura já apontavam no governo brasileiro. Outros grandes fluxos
migratórios significativos aconteceram durante a Segunda Guerra
Mundial, quando japoneses, alemães e judeus buscaram refúgio
em terras brasileiras.
Toda essa vastidão de povos provocou a formação de uma cul-
tura plural e de culturas diferentes. As diferenças geográficas tam-
bém contribuíram para que o processo cultural brasileiro se tornas-
se plural e diversificado.
Se considerarmos como exemplo a música sertaneja de raiz,
encontramos nela elementos que remetem à vida no campo. Já o
funk carioca fala da vida nas favelas, de onde ele surgiu. A literatu-
ra de cordel, por sua vez, trata de temas recorrentes ao sertanejo
nordestino, enquanto os elementos da vida gaúcha tratam da vida
dos povos que se estabeleceram no Sul do país, sob influência de
alemães e argentinos.
Hábitos e costumes
Os costumes brasileiros são variados. Tratando de termos mo-
rais, a nossa influência toma como base, principalmente, a moral
judaico-cristã. O cristianismo constitui a maior influência para a for-
mação de nosso povo, principalmente pela vertente católica, que
compõe o maior grupo religioso brasileiro. Também sofremos in-
fluências morais de outros povos que vieram para o Brasil por meio
dos fluxos migratórios, como os africanos.
A diversidade de hábitos e costumes morais também se deu
por conta dos regionalismos que foram surgindo ao longo do tem-
po. Por possuir um território de proporções continentais, o Brasil
viu, ao longo de sua história, o desenvolvimento de diferentes ver-
tentes culturais, devido às diferenças geográficas que separam o
território.
Pensando em termos culinários (a culinária é um valioso ele-
mento cultural de um povo), temos pratos típicos e ingredientes
que provêm da cultura indígena, dos estados nordestinos e do Cen-
tro-Oeste brasileiro, por exemplo. Enquanto vatapá e acarajé são
pratos típicos baianos de origem africana, os habitantes do Cerrado
consomem pequi, e a culinária tradicional paulista é fortemente in-
fluenciada pela culinária portuguesa e italiana.
Influências
• Influência europeia
A cultura europeia é uma das principais fornecedoras de ele-
mentos culturais para o Brasil. Foram os europeus que mais migra-
ram para o país. Culinária, festas, músicas e literatura foram trazi-
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
46
das para o território brasileiro, fundindo-se com outros elementos
de outros povos. Além da cultura popular dos países europeus, foi
trazida também a cultura erudita, marca essencial das elites intelec-
tuais e financeiras europeias.
• Influência indígena
Hoje nós consumimos pratos típicos indígenas, além de incor-
porarmos em nosso vocabulário palavras oriundas da família lin-
guística tupi-guarani. Palavras como caju, acerola, guaraná, man-
dioca e açaí têm origem indígena, além do hábito alimentar que
desenvolvemos comendo esses frutos e da mandioca ter nascido na
cultura indígena antes da chegada dos portugueses.
• Influência africana
Os africanos trouxeram para o Brasil as suas práticas religiosas
expressas hoje, principalmente, pelo candomblé e pela umbanda,
que mistura elementos do candomblé com o espiritismo kardecista.
Também trouxeram pratos típicos de suas regiões e desenvolveram
aqui pratos com inspiração naquilo que compunha a culinária afri-
cana dos locais de onde vieram. Outra marca cultural que herdamos
dos africanos é a capoeira, praticada até os dias atuais.
Cultura brasileira atual
Atualmente, a cultura brasileira sofre diversas influências além da-
quelas raízes apontadas no tópico anterior. A cultura brasileira atual é
influenciada fortemente pelos elementos da indústria cultural. Além
desses fatores, existem outros oriundos da cultura produzida nas peri-
ferias, que não necessariamente são frutos da indústria cultural.
Hoje, podemos elencar o hip hop e o funk como elementos
que impulsionam a cultura brasileira atual, para além da cultura de
massa produzida pela indústria cultural. Nesses casos, podemos re-
lacionar esses elementos a uma cultura autêntica, produzida pela
periferia e para a periferia, sendo muitas vezes confundidos com os
elementos da indústria cultural ou incorporado por eles.
Alguns elementos culturais do século XX também resistem e
colocam-se como fatores que ainda influenciam a cultura brasileira
atual, como o carnaval, que movimenta grande parte da população
brasileira entre nos meses de fevereiro e março de cada ano.
Diversidade Cultural no Brasil
A diversidade cultural refere-se aos diferentes costumes de
uma sociedade, entre os quais podemos citar: vestimenta, culiná-
ria, manifestações religiosas, tradições, entre outros aspectos. O
Brasil, por conter um extenso território, apresenta diferenças climá-
ticas, econômicas, sociais e culturais entre as suas regiões.
Os principais disseminadores da cultura brasileira são os colo-
nizadores europeus, a população indígena e os escravos africanos.
Posteriormente, os imigrantes italianos, japoneses, alemães, polo-
neses, árabes, entre outros, contribuíram para a pluralidade cultu-
ral do Brasil.
Nesse contexto, alguns aspectos culturais das regiões brasilei-
ras serão abordados.
Região Nordeste
Entre as manifestações culturais da região estão danças e fes-
tas como o bumba meu boi, maracatu, caboclinhos, carnaval, ciran-
da, coco, terno de zabumba, marujada, reisado, frevo, cavalhada e
capoeira. Algumas manifestações religiosas são a festa de Iemanjá e
a lavagem das escadarias do Bonfim. A literatura de Cordel é outro
elemento forte da cultura nordestina. O artesanato é representa-
do pelos trabalhos de rendas. Os pratos típicos são: carne de sol,
peixes, frutos do mar, buchada de bode, sarapatel, acarajé, vatapá,
cururu, feijão-verde, canjica, arroz-doce, bolo de fubá cozido, bolo
de massa de mandioca, broa de milho verde, pamonha, cocada, ta-
pioca, pé de moleque, entre tantos outros.
Região Norte
A quantidade de eventos culturais do Norte é imensa. As duas
maiores festas populares do Norte são o Círio de Nazaré, em Belém
(PA); e o Festival de Parintins, a mais conhecida festa do boi-bumbá
do país, que ocorre em junho, no Amazonas. Outros elementos cul-
turais da região Norte são: o carimbó, o congo ou congada, a folia
de reis e a festa do divino.
A influência indígena é fortíssima na culinária do Norte, ba-
seada na mandioca e em peixes. Outros alimentos típicos do povo
nortista são: carne de sol, tucupi (caldo da mandioca cozida), tacacá
(espécie de sopa quente feita com tucupi), jambu (um tipo de erva),
camarão seco e pimenta-de-cheiro.
Região Centro-Oeste
A cultura do Centro-Oeste brasileiro é bem diversificada, rece-
bendo contribuições principalmente dos indígenas, paulistas, mi-
neiros, gaúchos, bolivianos e paraguaios. São manifestações cultu-
rais típicas da região: a cavalhada e o fogaréu, no estado de Goiás;
e o cururu, em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A culinária re-
gional é composta por arroz com pequi, sopa paraguaia, arroz car-
reteiro, arroz boliviano, maria-isabel, empadão goiano, pamonha,
angu, cural, os peixes do Pantanal - como o pintado, pacu, dourado,
entre outros.
Região Sudeste
OsX Interpretação2
Há vários níveis na leitura e no entendimento de um texto. O pro-
cesso completo de interpretação de texto envolve todos esses níveis.
Apreensão
Captação das relações que cada parte mantém com as outras
no interior do texto. No entanto, ela não é suficiente para entender
o sentido integral.
Uma pessoa que conhece todas as palavras do texto, mas não
compreende o universo dos discursos, as relações extratextuais
desse texto, não entende o significado do mesmo. Por isso, é preci-
so colocá-lo dentro do universo discursivo a que ele pertence e no
interior do qual ganha sentido.
1 PLATÃO, Fiorin, Lições sobre o texto. Ática 2011.
2 LEFFA, Vilson. Interpretar não é compreender: um estudo preliminar sobre a
interpretação de texto.
Compreensão
Alguns teóricos chamam o universo discursivo de “conhecimen-
to de mundo”, mas chamaremos essa operação de compreensão.
A palavra compreender vem da união de duas palavras grega:
cum que significa ‘junto’ e prehendere que significa ‘pegar’. Dessa
forma, a compreensão envolve além da decodificação das estrutu-
ras linguísticas e das partes do texto presentes na apreensão, mas
uma junção disso com todo o conhecimento de mundo que você já
possui. Ela envolve entender os significados das palavras juntamen-
te com todo o contexto de discursos e conhecimentos em torno do
leitor e do próprio texto. Dessa maneira a compreensão envolve
uma série de etapas:
1. Decodificação do código linguístico: conhecer a língua em
que o texto foi escrito para decodificar os significados das palavras
ali empregadas.
2. A montagem das partes do texto: relacionar as palavras,
frases e parágrafos dentro do texto, compreendendo as ideias cons-
truídas dentro do texto
3. Recuperação do saber do leitor: aliar as informações ob-
tidas na leitura do texto com os conhecimentos que ele já possui,
procurando em sua memória os saberes que ele tem relacionados
ao que é lido.
4. Planejamento da leitura: estabelecer qual seu objetivo ao
ler o texto. Quais informações são relevantes dentro do texto para o
leitor naquele momento? Quais são as informações ele precisa para
responder uma determinada questão? Para isso utilizamos várias
técnicas de leitura como o escaneamento geral das informações
contidas no texto e a localização das informações procuradas.
E assim teremos:
Apreensão + Compreensão = Entendimento do texto
Interpretação
Envolve uma dissecação do texto, na qual o leitor além de com-
preender e relacionar os possíveis sentidos presentes ali, posicio-
na-se em relação a eles. O processo interpretativo envolve uma es-
pécie de conversa entre o leitor e o texto, na qual o leitor identifica
e questiona a intenção do autor do texto, deduz sentidos e realiza
conclusões, formando opiniões.
Elementos envolvidos na interpretação textual3
Toda interpretação de texto envolve alguns elementos, os quais
precisam ser levados em consideração para uma interpretação completa
a) Texto: é a manifestação da linguagem. O texto4 é uma unidade
global de comunicação que expressa uma ideia ou trata de um assunto
determinado, tendo como referência a situação comunicativa concreta
em que foi produzido, ou seja, o contexto. São enunciados constituídos
de diferentes formas de linguagem (verbal, vocal, visual) cujo objetivo
3 https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/redacao/o-que-texto.htm
KOCH, Ingedore V. e ELIAS, Vanda M. Ler e Compreender os Sentidos do Texto.
São Paulo: Contexto, 2006.
4 https://www.enemvirtual.com.br/o-que-e-texto-e-contexto/
LÍNGUA PORTUGUESA
6
é comunicar. Todo texto se constrói numa relação entre essas linguagens, as informações, o autor e seus leitores. Ao pensarmos na linguagem ver-
bal, ele se estrutura no encadeamento de frases que se ligam por mecanismos de coesão (relação entre as palavras e frases) e coerência (relação
entre as informações). Essa relação entre as estruturas linguísticas e a organização das ideias geram a construção de diferentes sentidos. O texto
constitui-se na verdade em um espaço de interação entre autores e leitores de contextos diversos. 5Dizemos que o texto é um todo organizado
de sentido construído pela relação de sentido entre palavras e frases interligadas.
b) Contexto: é a unidade maior em que uma menor se insere. Pode ser extra ou intralinguístico. O primeiro refere-se a tudo mais
que possa estar relacionado ao ato da comunicação, como época, lugar, hábitos linguísticos, grupo social, cultural ou etário dos falantes
aos tempos e lugares de produção e de recepção do texto. Toda fala ou escrita ocorre em situações sociais, históricas e culturais. A con-
sideração desses espaços de circulação do texto leva-nos a descobrir sentidos variados durante a leitura. O segundo se refere às relações
estabelecidas entre palavras e ideias dentro do texto. Muitas vezes, o entendimento de uma palavra ou ideia só ocorre se considerarmos
sua posição dentro da frase e do parágrafo e a relação que ela estabelece com as palavras e com as informações que a precedem ou a
sucedem. Vamos a dois exemplos para entendermos esses dois contextos, muito necessários à interpretação de um texto.
Observemos o primeiro texto
https://epoca.globo.com/vida/noticia/2015/01/o-mundo-visto-bpor-mafaldab.html
Na tirinha anterior, a personagem Mafalda afirma ao Felipe que há um doente na casa dela. Quando pensamos na palavra doente, já pensamos
em um ser vivo com alguma enfermidade. Entretanto, ao adentrar o quarto, o leitor se depara com o globo terrestre deitado sobre a cama. A inter-
pretação desse texto, constituído de linguagem verbal e visual, ocorre pela relação que estabelecemos entre o texto e o contexto extralinguístico. Se
pensarmos nas possíveis doenças do mundo, há diversas possibilidades de sentido de acordo com o contexto relacionado, dentre as quais listamos:
problemas ambientais, corrupção, problemas ditatoriais (relacionados ao contexto de produção das tiras da Mafalda), entre outros.
Observemos agora um exemplo de intralinguístico
https://www.imagemwhats.com.br/tirinhas-do-calvin-e-haroldo-para-compartilhar-143/
Nessa tirinha anterior, podemos observar que, no segundo quadrinho, a frase “eu acho que você vai” só pode ser compreendida se
levarmos em consideração o contexto intralinguístico. Ao considerarmos o primeiro quadrinho, conseguimos entender a mensagem com-
pleta do verbo “ir”, já que obstemos a informação que ele não vai ou vai à escola
5 PLATÃO, Fiorin, Lições sobre o texto. Ática 2011.
LÍNGUA PORTUGUESA
7
c) Intertexto/Intertextualidade: ocorre quando percebemos a
presença de marcas de outro(s) texto(s) dentro daquele que esta-
mos lendo. Observemos o exemplo a seguir
https://priscilapantaleao.wordpress.com/2013/06/26/tipos-de-inter-
textualidade/
Na capa do gibi anterior, vemos a Magali na atuação em uma
peça de teatro. Ao pronunciar a frase “comer ou não comer”, pela
estrutura da frase e pelos elementos visuais que remetem ao teatro
e pelas roupas, percebemos marca do texto de Shakespeare, cuja
frase seria “ser ou não”. Esse é um bom exemplo de intertexto.
Conhecimentos necessários à interpretação de texto6
Na leitura de um texto são mobilizados muitos conhecimentos
para uma ampla compreensão. São eles:
Conhecimento enciclopédico: conhecimento de mundo; co-
nhecimento prévio que o leitor possui a partir das vivências e lei-
turas realizadas ao longo de suas trajetórias. Esses conhecimentos
são essenciais à interpretação da variedade de sentidos possíveis
em um texto.
O conceito de conhecimento Prévio7 refere-se a uma informa-
ção guardada em nossa mente e que pode ser acionada quando
for preciso. Em nosso cérebro, as informações não possuem locais
exatos onde serão armazenadas, como gavetas. As memórias são
complexas e as informações podem ser recuperadas ou reconstruí-
das com menor ou maior facilidade. Nossos conhecimentos não são
estáticos, pois o cérebro está captando novas informações a cada
momento, assim como há informações que se perdem. Um conhe-principais elementos da cultura regional são: festa do divi-
no, festejos da páscoa e dos santos padroeiros, congada, cavalha-
das, bumba meu boi, carnaval, peão de boiadeiro, dança de velhos,
batuque, samba de lenço, festa de Iemanjá, folia de reis, caiapó.
A culinária do Sudeste é bem diversificada e apresenta forte influên-
cia do índio, do escravo e dos diversos imigrantes europeus e asiáticos.
Entre os pratos típicos se destacam a moqueca capixaba, pão de queijo,
feijão-tropeiro, carne de porco, feijoada, aipim frito, bolinho de bacalhau,
picadinho, virado à paulista, cuscuz paulista, farofa, pizza, etc.
Região Sul
O Sul apresenta aspectos culturais dos imigrantes portugueses,
espanhóis e, principalmente, alemães e italianos. As festas típicas são:
a Festa da Uva (italiana) e a Oktoberfest (alemã). Também integram a
cultura sulista: o fandango de influência portuguesa, a tirana e o anuo
de origem espanhola, a festa de Nossa Senhora dos Navegantes, a con-
gada, o boi-de-mamão, a dança de fitas, boi na vara. Na culinária estão
presentes: churrasco, chimarrão, camarão, pirão de peixe, marreco as-
sado, barreado (cozido de carne em uma panela de barro), vinho.
Principais Movimentos Artísticos do Século XX
O século XX é marcado por profundas mudanças históricas, as
quais afetaram drasticamente o comportamento político-social do
nosso tempo. Foi onde acentuaram-se as diferenças entre a alta
burguesia e o proletariado, dando maior força ao capitalismo e fa-
zendo surgir os primeiros movimentos sindicais, como algumas das
consequências do Pós Guerra.
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
47
Mediante todo o acúmulo de acontecimentos pertencentes à
esse período, cheio de contradições e complexidades, é possível
encontrar um terreno farto para a criação de novos conceitos no
campo das artes.
Assim, os movimentos e as tendências artísticas, tais como o Ex-
pressionismo, o Fauvismo, o Cubismo, o Futurismo, o Abstracionis-
mo, o Dadaísmo, o Surrealismo, a Op-art e a Pop-art expressam, de
um modo ou de outro, a perplexidade do homem contemporâneo.
O Expressionismo surge como uma reação ao Impressionismo,
pois no primeiro, a preocupação está em expressar as emoções hu-
manas, transparecendo em linhas e cores vibrantes os sentimentos
e angústias do homem moderno. Enquanto que no Impressionismo,
o enfoque resumia-se na busca pela sensação de luz e sombra.
O Fauvismo foi um movimento que teve basicamente dois prin-
cípios: a simplificação das formas das figuras e o emprego das cores
puras, sem mistura. As figuras não são representadas tal qual a for-
ma real, ao passo que as cores são usadas da maneira que saem do
tubo de tinta.O nome deriva de ‘fauves’ (feras, no francês), devido
a agressividade no emprego das cores.
Os 7 principais artistas:
1. Henri Matisse (1869 – 1954), Le Cateau-Cambrésis, França
Henri-Émile-Benoît Matisse, conhecido por seu uso da cor e
sua arte de desenhar, fluida e original. Foi um desenhista, gravu-
rista e escultor, mas é principalmente conhecido como um pintor.
Matisse é considerado, juntamente a Picasso e Marcel Duchamp,
como um dos três artistas seminais do século XX, responsável por
uma evolução significativa na pintura e na escultura.
2. Andre Derain (1880 – 1954), Chatou, França
Foi um pintor totalmente autodidata, começou a pintar com
quinze anos. Se encontrou com Matisse e depois com Vlaminck em
1900, pintaram juntos e desenvolveram suas ideias com a cor em
suas obras de arte.
3. Maurice de Vlaminck (1876 – 1958) Paris, França
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
48
Nasceu em Paris, em uma família de músicos. Foi o mais autên-
tico fauvista, dizia: “Quero incendiar a Escola de Belas Artes com
meus vermelhos e azuis”. Trabalhou com André Derain em um estú-
dio que mantinham juntos.
4. Raoul Dufy (1877 – 1953), Le Havre, França
Foi um pintor, desenhista, gravador, ceramista, ilustrador de teci-
dos, de tapeçarias e de móveis, decorador de interiores, espaços públi-
cos e teatro francês. Impressionista a princípio, evoluiu gradativamente
para o fauvismo, depois de travar contato com Henri Matisse.
5. Jean Puy (1876 – 1960) Roanne, França
Foi um pintor fauvista, conhecido como um dos principais in-
tervenientes deste movimento artístico, surgido em 1905. Puy é
igualmente lembrado como sendo um dos primeiros fauvistas, já
que participou na escandalosa exposição no Salon d’Automne, jun-
to a Henri Matisse, Henri Manguin, George Rouault e Derain.
6. Albert Marquet (1875 – 1947), Bordéus, França
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
49
Realizou diversas exposições no Salon des Indépendants, não
tendo vendido quaisquer obras. Todavia, consolidou a sua carreira
artística e ganho reconhecimento entre a aristocracia parisiense.
A maioria das suas obras, datadas deste período, seguiam uma
linha impressionista, na qual provou o seu controlo do desenho e
testou a distribuição da luz pela tela. Embora sendo fauvista, Mar-
quet não utilizava cores tão violentas ou brilhantes, usando e abu-
sando dos cinzentos e do branco.
7. Georges Rouault (1851 – 1958) Paris, França
Era um artista francês cujo trabalho unia o fauvismo e o expres-
sionismo. Influenciado por Henri Matisse e André Derain, Rouault
extraiu de seu fervor espiritual e conhecimento de vitrais medievais
a capacidade para produzir retratos ressonantes, paisagens, cenas
religiosas e naturezas-mortas.
Principais características do fauvismo
Uso de cores intensas como: roxo, verde, amarelo, azul e ver-
melho;
- Busca de estabelecer harmonia, tranquilidade, pureza e equi-
líbrio nas obras de arte;
- Uso de formatos planos, grandes, simples e com traços largos;
- Intenção de demonstrar sentimentos nas obras;
- Temas preferidos: cenas urbanas e rurais, retratos, ambientes
internos, nus e cenas ao ar livre.
No Cubismo podemos observar a mesma despreocupação em
representar realisticamente as formas de um objeto, porém aqui,
a intenção era representar um mesmo objeto visto de vários ângu-
los, em um único plano. Com o tempo, o Cubismo evoluiu em duas
grandes tendências chamadas Cubismo Analítico e Cubismo Sintéti-
co. O movimento teve o seu melhor momento entre 1907 e 1914, e
mudou para sempre a forma de ver a realidade.
Artistas que fizeram parte do cubismo
1. Pablo Picasso, 1881-1973, Málaga, Espanha
Pablo Ruiz Picasso foi um pintor espanhol, escultor, ceramista,
cenógrafo, poeta e dramaturgo que passou a maior parte da sua
vida adulta na França.
A maior figura da pintura moderna espanhola, Picasso é clas-
sificado como um dos principais pintores do século XX e, provavel-
mente, um dos artistas mais influentes na história da arte.
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
50
Rejeitou a visão de Matisse sobre a importância e o papel pri-
mário da cor; e concentrou-se em outras representações pictóricas
de retratar a forma e o espaço. Isto levou-o, em associação com
Georges Braque, a desenvolver um movimento cubista inteiramen-
te novo, que rapidamente se tornou a vanguarda da arte moderna.
2. Georges Braque, 1882 – 1963, Argenteuil, França
Foi um pintor e escultor francês, que fundou o cubismo com
Pablo Picasso. Braque iniciou a sua ligação às cores na empresa de
pintura decorativa de seu pai.
3. Albert Gleizes, 1881-1953, Paris, França
Foi um artista francês, teórico, filósofo, fundador auto-procla-
mado do cubismo. Começou a pintar mais metodicamente durante
o serviço militar. Nessa época, seus principais temas voltaram-se
para questões sociais e misteriosas cenas noturnas.
Ao conhecer Picasso, interessou-se pelo movimento cubista e
publicou, com Jean Metzinger, o primeiro tratado sobre o Cubismo,
1912. A partir da Primeira Guerra Mundial, sua produção tornou-se
mais abstrata.
4. Fernand Léger, 1881 – 1955, Argentan, França
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
51
Jules-Fernand-Henri Léger foi um pintor francês que se distin-
guiu como pintor e desenhador cubista, autor de muitas litografias.
5. Tarsila do Amaral, 1886 – 1973, Capivari, São PauloFoi uma pintora e desenhista brasileira e uma das figuras cen-
trais da pintura e da primeira fase do movimento modernista no
Brasil, ao lado de Anita Malfatti. Em 1922, introduziu o cubismo no
Brasil com suas formas geométricas representadas, na maioria das
vezes, por cubos e cilindros. Seu quadro Abaporu, de 1928, inaugu-
ra o movimento antropofágico nas artes plásticas.
O Futurismo abrange sua criação em expressar o real, assina-
lando a velocidade exposta pelas figuras em movimento no espaço.
Foi um movimento que desenvolveu-se em todas as artes e exerceu
influência sobre vários artistas que, posteriormente, criaram outros
movimentos de arte moderna. Repercutiu principalmente na Fran-
ça e na Itália, onde diversos artistas se identificaram com o fascismo
nascente.
Artistas futuristas
1. Umberto Boccioni, 1882-1916, Régio da Calábria, Itália
Foi um pintor e escultor, contribui muito para levar a polêmica
“anticultural” do futurismo no âmbito das artes plásticas. A sensa-
ção dinâmica é o principal valor de sua arte, ação que se traduz
na pintura pela prática das técnicas neo-impressionistas, associadas
aos princípios do Cubismo. No campo da escultura procurou solu-
cionar todos os aspectos da forma dinâmica na linguagem tridimen-
sional, estudou de forma intensiva o movimento dinâmico de um
corpo humano no espaço.
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
52
2. Luigi Russolo, 1885-1947, Portogruaro, Itália
Foi um pintor e compositor italiano, futurista e o autor da L’Arte
dei Rumori e Música Futurista. Acreditava que a vida contemporâ-
nea era demasiado ruidosa e que os ruídos deveriam ser utilizados
para música.
3. Carlo Carrá, 1881-1966, Quargnento, Itália
O pintor assinou o primeiro manifesto futurista. Participou em
diversas edições da Bienal de Arte de São Paulo, iniciou seus primei-
ros estudos e esboços de Ritmo dos Objetos e Trens, por definição
suas obras mais futuristas. Entrou em contato com o cubismo junto
com outros futuristas, mas em 1915 rompe com o movimento, jun-
tou-se a De Chirico e realizou sua primeira pintura metafísica.
4. Giacomo Balla, 1871-1958
Em 1910 declarou publicamente sua filiação ao movimento
futurista do qual se afastou em 1931. O pintor e escultor italiano
durante a sua obra tentou endeusar os novos avanços científicos e
técnicos por meio de representações totalmente desnaturalizadas,
sem chegar a uma total abstracção. Mesmo assim, mostrou grande
preocupação com o dinamismo das formas, com a situação da luz e
a integração do espectro cromático.
O abstracionismo é a arte que se opõe à arte figurativa ou ob-
jetiva. A principal característica da pintura abstrata é a ausência de
relação imediata entre suas formas e cores e as formas e cores de
um ser. A pintura abstrata é uma manifestação artística que despre-
za completamente a simples cópia das formas naturais.
Artistas brasileiros de arte abstrata
No Brasil, a arte abstrata ganhou força a partir da I Bienal de
São Paulo (1951). Entre os artistas brasileiros de arte abstrata, po-
demos destacar:
1. Antônio Bandeira, 1922 – 1967, Fortaleza, Ceará
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
53
É um dos mais valorizados pintores brasileiros e tem obras nas
maiores coleções particulares em museus do Brasil e do mundo.
Com Aldemir Martins, Inimá de Paula e outros, fez parte do Movi-
mento Modernista de Fortaleza, nos anos 1940.
Renomado mestre da pintura abstrata brasileira — e também
mestre das aquarelas —, viveu grande parte de sua vida na França.
Conviveu com os pintores da tradicional École de Paris, integrando-
-se a eles plenamente até seu retorno ao Brasil em 1960.
2. Ivan Serpa, 1923 – 1973, Rio de Janeiro
Foi um pintor, desenhista, professor e gravador brasileiro. A
obra de Ivan Serpa, desde o início de sua carreira, oscilou entre o
figurativismo e a arte concreta. Recebeu vários prêmios no Brasil e
participou de várias bienais realizadas em São Paulo, além de Ve-
neza (1952, 1954 e 1962) e Zurique (1960), quando foi igualmente
premiado.
Entre o final dos anos 50 e começo dos anos 60, seu trabalho
ganhou novos contornos, passando a incorporar elementos menos
determinados como gestos, manchas e respingos de tinta. Em 1960,
influenciado pelo desenho infantil, construiu imagens entre a abs-
tração e a figuração.
3. Iberê Camargo, 1914 – 1994, Restinga Seca, Rio Grande do
Sul
Foi um pintor, gravurista e professor brasileiro; uma grande re-
ferência para a arte gaúcha e brasileira, em geral.
Embora Camargo tenha estudado com figuras marcantes re-
presentativas de variadas correntes estéticas e formas de vista, não
se pode afirmar que tenha se filiado a alguma. Suas obras estiveram
presentes, e sempre reapresentadas, em grandes exposições pelo
mundo inteiro, como na Bienal de São Paulo e na Bienal de Veneza.
O pintor matou a tiros o engenheiro Sérgio Alexandre Esteves
Areal, de 32 anos. Uma versão diz que o homem discutia com uma
mulher quando Camargo se intrometeu. Após uma luta, o pintor
teria atirado no engenheiro. Segundo a Fundação Iberê Camargo,
ele passou um mês preso e foi absolvido por legítima defesa. Ao
ser absolvido, em 1982, ele volta a viver em Porto Alegre. A pintura
que começa a fazer depois ganha tom dramático. A princípio, insere
figuras humanas que convivem, em grandes telas, com signos mais
corriqueiros de sua obra. Ele se retrata em meio a carretéis e cubos.
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
54
4. Manabu Mabe, 1924 – 1997, Kumamoto
No Dadaísmo, podemos encontrar um movimento que abran-
ge a arte em todos os seus campos, pois não foi apenas uma corren-
te artística, mas sim, um verdadeiro movimento literário, musical,
filosófico e até mesmo político. Embora a palavra dada em fran-
cês signifique cavalo de madeira, sua utilização marca o non-sense
ou falta de sentido que pode ter a linguagem (como na fala de um
bebê). A princípio, o movimento não envolveu uma estética especí-
fica, mas talvez as principais expressões do Dadaísmo tenham sido
o poema aleatório e o ready-made.
O intuito deste movimento era mais de protestar contra os
estragos trazidos da guerra, denunciando de forma irônica toda
aquela loucura que estava acontecendo. Sendo a negação total da
cultura, o Dadaísmo defende o absurdo, a incoerência, a desordem,
o caos.
Artistas do dadaísmo
1. Hugo Ball, 1886-1927, Pirmasens, Alemanha
Foi um poeta, escritor e filósofo alemão. Foi um dos principais
artistas do Dadaísmo e escreveu o Manifesto Dadaísta, sendo consi-
derado por muitos teóricos o inventor da poesia fonética.
2. Marcel Duchamp, 1887 – 1968, Blainville-Crevon, França
Foi um pintor, escultor, poeta francês e um dos precursores da
arte conceitual. Cidadão dos Estados Unidos a partir de 1955, e in-
ventor dos ready made.
Seu modo de vida boêmio e paixão pelos jogos de xadrez, dos
quais participou em torneios, podem ser vistos ao longo de sua car-
reira artística, na qual temos obras de inspiração romântica, expres-
sionista, até mesmo de natureza cubista e futurista. Além disso, era
contra a “arte retiniana”, ou seja, aquela que agrada à vista.
3. Hans Arp, 1886 – 1966, Estrasburgo, França
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
55
Figura marcante no cenário das Vanguardas Europeias, parti-
cipou do Grupo Cavaleiro Azul, foi importante artista dadaísta, sur-
realista e ligado ao abstracionismo.
Pintor, escultor, artista gráfico e poeta, Hans Arp buscou em sua
arte a simplicidade e a pureza das formas. Um dos pioneiros da Arte
Abstrata, já não se preocupava com a expressão plástica do ser e do
objeto, mas com a “forma pela forma”.
4. Raoul Hausmann, 1886 – 1971, Viena, Áustria
Foi um artista plástico, poeta e romancista austríaco. Com o
pseudônimo Der Dadasophe exerceu um destacado papel como
dadaísta, participando dos grupos de Zurique e posteriormente
de Berlim. Foi crítico às instituições da Alemanha durante os anos
transcorridos entre as duas guerras mundiais.
O Surrealismo foi um movimento artístico e literário surgido
primeiramenteem Paris nos anos 20, inserido no contexto das van-
guardas que viriam a definir o modernismo no período entre as
duas Grandes Guerras Mundiais.
A priori, a característica deste movimento era unir uma combi-
nação do representativo, do abstrato, do irreal e do inconsciente.
Segundo os surrealistas, a arte deve se libertar das exigências da
lógica e da razão e ir além da consciência cotidiana, buscando ex-
pressar o mundo do inconsciente e dos sonhos.
O surrealismo é também uma espécie de mecanismo que não
se limita a transcrever passivamente o sonho e sim descobrir um
modo de acionar o inconsciente mediante ao “automatismo psíqui-
co”. Dessa maneira, uma ideia segue a outra sem a consequência
lógica das demonstrações usuais e sim automaticamente. Técnicas
como a escrita automática da literatura, da colagem e a decalco-
mania, em relação às artes plásticas, tornaram-se muito populares
entre os surrealistas que as utilizavam na produção dos seus jogos
de associação livre de sentidos.
Artistas do surrealismo
1. Salvador Dalí, (1904-1986)
1. Salvador Dalí, (1904-1986)
Salvador Dalí, foi um importante pintor catalão, conhecido pelo
seu trabalho surrealista. O trabalho de Dalí chama a atenção pela
incrível combinação de imagens bizarras, oníricas, com excelente
qualidade plástica. Dalí foi influenciado pelos mestres do classicis-
mo. O seu trabalho mais conhecido, A Persistência da Memória, foi
concluído em 1931.
Salvador Dalí teve também trabalhos artísticos no cinema, es-
cultura, e fotografia. Ele colaborou com a Walt Disney no curta de
animação Destino, que foi Lançado postumamente em 2003 e, ao
lado de Alfred Hitchcock, no filme Spellbound. Também foi autor de
poemas dentro da mesma linha surrealista.
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
56
2. Max Ernst, (1891-1976)
Max Ernst foi um pintor alemão, naturalizado norte-americano
e depois francês. Também praticou a poesia. Em 1914 Ernst veio
a conhecer o surrealismo através de um grande pintor surrealista,
Jean Arp, pelo qual manteve a amizade pela vida inteira.
3. René Magritte, (1898-1967)
René François Ghislain Magritte foi um dos principais artistas
surrealistas belgas, ao lado de Paul Delvaux. Ele nasceu na Bélgi-
ca e depois de frequentar a escola de arte em Bruxelas, trabalhou
com publicidade para se sustentar enquanto experimentava a sua
pintura.
4. André Masson, (1896-1987)
Esse importante artista surrealista, que está na origem do Ex-
pressionismo Abstrato norte-americano, dedicou toda a sua vida à
arte, salvo nos anos que se seguiram à guerra, quando, gravemente
ferido e após longa estadia em hospitais, viu-se em dificuldades fi-
nanceiras e passou a trabalhar em outras atividades.
Os maiores escritores brasileiros de todos os tempos
Aqui listamos alguns dos escritores brasileiros indispensáveis.
São nomes que mudaram a literatura nacional, que todo mundo já
ouviu falar (mas nem todo mundo leu). Se você quer ter uma boa
ideia da literatura brasileira essencial, pode começar por aqui.
Monteiro Lobato (1882-1948)
Um dos primeiros escritores brasileiros e latino-americanos a
escrever para crianças. Também foi precursor dos editores no Brasil,
numa época em que os livros eram feitos apenas no exterior.
Além dos livros infantis que incluem os personagens de mui-
to sucesso do Sítio do Pica-Pau Amarelo, Lobato também escreveu
contos, e um único romance, polêmico, em 1926, chamado O Cho-
que das Raças.
José de Alencar (1829-1877)
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
57
José de Alencar inaugurou o que é chamado de romance de
temática nacional. Formou em direito, mas sua paixão sempre foi
a escrita e depois do sucesso de O Guarani (1857), investiu ainda
mais na sua carreira, depois mesclando-a com a política. Escreveu
romances, contos, crônicas, peças de teatro e a sua própria auto-
biografia.
Cecília Meireles (1901-1964)
A primeira escritora brasileira a se tornar realmente famosa no
meio literário. Assinando mais de cinquenta obras, Cecília estreou
no mundo editoral com apenas dezoito anos de idade com a obra
Espectros (1919). Poemas, romances, livros infantis e textos jorna-
lísticos estão no currículo premiado da autora.
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
A poesia de Drummond é conhecida no mundo inteiro e con-
siderada a maior influência para este gênero literário no Brasil.
Versos soltos, palavras simples e uma extensa obra, sendo a mais
renomada A Rosa do Povo (1945) fazem dele um nome sempre lem-
brado entre os clássicos escritores nacionais.
Machado de Assis (1839-1908)
O nome brasileiro mais reconhecido no exterior, traduzido para
inúmeras línguas, estudado e aclamado pôr mais de um século. Ma-
chado de Assis foi o primeiro presidente da Academia Brasileira de
Letras e sua obra Dom Casmurro (1899) é leitura obrigatória para
qualquer pessoa que queira conhecer a literatura nacional.
Clarice Lispector (1920-1977)
A profundidade e sentimentalismo da obra de Clarice Lispector
faz dela um dos nomes mais adorados por jovens brasileiros de vá-
rias gerações. Nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira, Clarice
escreveu poemas, romances, matérias para jornal e livros infantis.
João Cabral de Melo Neto (1920-1999)
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
58
Um dos maiores nomes da Geração de 45, João Cabral de Melo
Neto é autor do clássico poema dramático Morte e Vida Severina
(1955). Com obras marcadas por uma rigidez formal, seus versos
bebem muito da cultura popular e fazem uso de uma série de ima-
gens surrealistas.
Graciliano Ramos (1892-1953)
O prosador mais importante da segunda metade do moder-
nismo brasileiro, com a publicação de Vidas Secas (1938) o autor
alagoano entrou de vez para o hall da fama da literatura nacional.
Com mais de vinte obras publicadas, Graciliano é um autor para
não perder de vista quando falamos em literatura clássica brasileira.
Mario Quintana (1906-1994)
“Todos esses que aí estão atravancando meu caminho: eles
passarão, eu passarinho”, quem nunca ouviu esses famosos versos?
O autor de tamanha delicadeza foi Mario Quintana, um poeta gaú-
cho que foi também jornalista e tradutor.
Dono de uma linguagem simples e singela, que promove enor-
me identificação no leitor, Quintana é tido como um dos maiores
poetas do século XX.
Guimarães Rosa (1908-1967)
O livro épico mais famoso do Brasil, Grande Sertão Veredas saiu
da cabeça e mãos desse médico mineiro que sabia falar mais de
nove idiomas. Depois de longos anos em carreira diplomática em
nome do país, Guimarães passou a se dedicar a escrita e foi sucesso
absoluto desde a primeira publicação.
Os autores brasileiros contemporâneos consagrados
Aqui selecionamos alguns dos nomes mais reconhecidos do
mundo editorial brasileiro, que ainda estão em plena atividade, lan-
çando novos livros, trabalhando em atividades jornalística e outras
coisas. São pessoas que fizeram e ainda fazem muito pela literatura
nacional.
Ruth Rocha (1931)
O nome feminino mais conhecido da literatura infantil. Seu
maior clássico, Marcelo, Marmelo, Martelo, já vendeu mais de um
milhão de cópias. A escritora já venceu o Prêmio Jabuti quatro vezes
e continua criando histórias que marcam gerações e mais gerações
de crianças brasileiras.
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
59
Luis Fernando Veríssimo (1936)
Mais de sessenta títulos estão no currículo deste que é um dos
escritores contemporâneos mais renomados do país. Seu talento
para a escrita criativa, especialmente voltada para o cotidiano (con-
tos) já lhe rendeu dois Prêmios Jabuti.
Ana Maria Machado (1941)
Outra gigante da literatura infantil, também premiada, traduzi-
da para várias línguas e membro da Academia Brasileira de Letras.
Fundou a primeira livraria voltada para livros infantis do Brasil e
possui mais de cem livros publicados.
Chico Buarque de Holanda (1944)
Chico é mais conhecido pelo seu trabalho na música, mas tam-
bém é um grande autor, tendo escrito oito livros, além de peças de
teatro e romance. O autor já conquistoutrês prêmios Jabuti com
os seus romances e diversos outros prêmios nacionais e interna-
cionais.
Ceará
Com a decisão do rei de Portugal D. João III em dividir o Brasil
em capitanias hereditárias, coube ao português Antônio Cardoso de
Barros, em 1535, administrar a Capitania do Siará (como era cha-
mada a região correspondente as capitanias do Rio Grande, Ceará
e Maranhão). Entretanto a região não lhe despertou interesse. Só
então, em 1603, é que o açoriano Pero Coelho de Sousa liderou a
primeira expedição a região, demostrando interesse em colonizar
aquelas terras.
Pero Coelho se instalou às margens do rio Pirangi (depois bati-
zado rio Siará), onde construiu o Forte de São Tiago, depois destruí-
do por piratas franceses. A esquadra de Pero Coelho teve que en-
frentar ainda a revolta dos índios da região que inconformados com
a escravidão, destruíram o forte obrigando os europeus a migrarem
para a ribeira do rio Jaguaribe. Lá, a esquadra de Pero Coelho cons-
truiu o Forte de São Lourenço. Em 1607, uma seca assolou a região
e Pero Coelho abandonou a capitania.
Em 1612 foi enviado ao Siará o português Martim Soares Mo-
reno, considerado o fundador do Ceará, que também se instalou às
margens do Rio Siará (atualmente Barra do Ceará), onde recuperou
e ampliou o Forte São Thiago e o batizou de Forte de São Sebastião.
Deu-se início a colonização da capitania do Siará, dificultada pela
oposição das tribos indígenas e invasões de piratas europeus.
No ano de 1637, região foi invadida por holandeses, enviados
pelo príncipe Maurício de Nassau, que tomaram o Forte São Sebas-
tião. Anos depois a expedição foi dizimada pelos ataques indígenas.
Os holandeses ainda voltaram ao litoral brasileiro em 1649, numa
expedição chefiada por Matias Beck e se instalaram nas proximi-
dades do rio Pajéu, no Siará, onde construíram o Forte Schoonen-
borch.
Em 1654, o Schoonenborch foi tomado por portugueses, chefia-
dos por Álvaro de Azevedo Barreto, e o forte foi renomeado de Forte
de Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção. A sua volta formou-se
a segunda vila do Ceará, chamada de vila do Forte ou Fortaleza. A
primeira vila reconhecida foi a de Aquiraz. Em 1726, a vila de Forta-
leza passou a ser oficialmente a capital do Ceará após disputas com
Aquiraz.
Ocupação
Duas frentes de ocupação atuaram no Siará, a primeira, cha-
mada de sertão-de-fora foi controlada por pernambucanos que vi-
nham do litoral, e a segunda, do sertão-de-dentro, controlada por
baianos. Ao longo do tempo o Siará foi sendo ocupado o que impul-
sionou o surgimento de várias cidades. A pecuária serviu de motor
para o povoamento e crescimento da região, transformado o Siará
na “Civilização do Couro”.
Entre os séculos XVIII e XIX, o comércio do charque alavancou o
crescimento econômico da região. Durante esse período, surgiram
as cidades de Aracati, principal região comerciária do charque, So-
bral, Icó, Acaraú, Camocim e Granja. Outras cidades como Caucaia,
Crato, Pacajus, Messejana e Parangaba (as duas últimas bairros de
Fortaleza) surgiram a partir da colonização indígena por parte dos
jesuítas.
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
60
A partir de 1680, o Siará passou à condição de capitania subal-
terna de Pernambuco, desligada do Estado do Maranhão. A região
só se tornou administrativamente independente em 1799, quando
foi desmembrada de Pernambuco e o cultivo do algodão despontou
como uma importante atividade econômica. Às vésperas da Inde-
pendência do Brasil, em 28 de fevereiro de 1821, o Siará tornou-se
uma província e assim permaneceu durante todo o período do Im-
pério. Com a Proclamação da República Brasileira, no ano de 1889,
a província tornou-se o atual estado do Ceará.
Momentos históricos
Em 1817, os cearenses, liderados pela família Alencar, apoia-
ram a Revolução Pernambucana. O movimento, que se restringiu
ao município do Cariri, especialmente na cidade do Crato, foi rapi-
damente sufocado.
Em 1824, após a independência, foi a vez dos cearenses das
cidades do Crato, Icó e Quixeramobim demonstrarem sua insatisfa-
ção com o governo imperial. Assim eles se aderiram aos revoltosos
pernambucanos na Confederação do Equador.
No século XIX, vários fatos marcaram a história do Ceará, como
o fim da escravidão no Estado, em 25 de março de 1884, antes da
Lei Áurea, assinada em 1888. O Ceará foi portanto o primeiro esta-
do brasileiro a abolir a escravidão. Um cearense se destacou nessa
época: o jangadeiro Francisco José do Nascimento que se recusou
a transportar escravos em sua jangada. José do Nascimento ficou
conhecido como Dragão do Mar (atualmente nome de um centro
cultural em Fortaleza).
Entre 1896 e 1912, o comendador Antônio Pinto Nogueira
Accioly governou o Estado de forma autoritária e monolítica. Seu
mandato ficou conhecido como a “Política Aciolina” que deu início
ao surgimento de diversos movimentos messiânicos, alguns deles
liderados por Antônio Conselheiro, Padre Ibiapina, Padre Cícero e o
beato Zé Lourenço. Os movimentos foram uma forma que a popula-
ção encontrou de fugir da miséria a qual se encontrava a região. Foi
também nessa época que surgiu o movimento do cangaço, liderado
por Lampião.
Nos anos 30, cerca de 3 mil pessoas se reuniram, sob a lideran-
ça do beato Zé Lourenço, na região no sítio Baixa Danta, em Juazeiro
do Norte. O sítio prosperou e desagradou a elite cearense. Em se-
tembro de 1936, a comunidade foi dispersa e o sítio incendiado e
bombardeado. O beato e seus seguidores rumaram para uma nova
comunidade. Alguns moradores resolveram se vingar e preparam
uma emboscada, que culminou num verdadeiro massacre. O episó-
dio ficou conhecido como “Caldeirão”.
Nos anos 40, com a Segunda Guerra Mundial, foi montado uma
base norte-americana no Ceará mudando os costumes da popula-
ção, que passou a realizar diversos manifestos contra o nazismo.
Também na mesma década, o governo, afim de estimular a migra-
ção dos sertanejos para a Amazônia realizou uma intensa propagan-
da. Esse contingente formou o “Exército da Borracha”, que trabalha-
ram na exploração do látex das seringüeiras. Milhares de cearenses
migraram para o Norte e acabaram morrendo no combate entre
Estados Unidos e Aliados com os exércitos do Eixo, sem os seringais
da Ásia para abastecê-los.
Fonte: www.secult.ce.gov.br
O TERRITÓRIO CEARENSE NA FORMAÇÃO NACIONAL
A expansão capitalista européia produziu espacialidades que
foram importantes na formação do território brasileiro. Um pro-
cesso nem sempre contínuo, que se iniciou com a colonização ao
associar uma soma considerável de capitais com formas primitivas
de escravidão.
Tal combinação permitiu a expropriação da população nativa e
o desmatamento de grandes porções do espaço pelo extrativismo,
que seria depois ampliado pela produção agrícola e o beneficia-
mento da cana-de-açúcar, além da pecuária extensiva.
Neste capítulo, procura-se resgatar o processo de uso e de ocu-
pação do espaço na formação do território brasileiro e, consequen-
temente, na confi guração do território cearense.
Observa-se tal movimento no contexto de integração entre o
sertão e as áreas de colonização portuguesa, com seus movimentos
populacionais e correntes migratórias dos principais centros (Salva-
dor e Olinda). Relacionam-se os deslocamentos com a ampliação da
fronteira agrícola e a apropriação de terras para o criatório de bo-
vinos e equinos, suprindo às necessidades de alimento e de tração
animal dos lugares de produção para exportação, conforme maio-
res detalhes a seguir.
A Formação do Território Nacional
O território dominado pelos portugueses, desde 1500, já havia
sido antes povoado por diversas tribos indígenas. Assim, a expro-
priação de terra das populações nativas e a devastação das florestas
litorâneas pelo colonizador deram-se desde o século XVI. A atuação
da metrópole portuguesa visava à expansão capitalista necessária à
acumulação ampliada do capital mercantil, sendo introduzidas for-
mas antigas de escravidão para o cultivoda cana-de-açúcar.
Os índios que não se submeteram ao processo de colonização,
pois fizeram resistência à capitulação de seus territórios e à escra-
vidão, entraram em confronto com o colonizador (com seus servos
e vassalos), movimentando-se pelo território em busca de locais
de resistência e de sobrevivência alternativas ao jugo português
(ARAÚJO; CARLEIAL, 2001).
A ocupação do território brasileiro fez-se, inicialmente, pelo
litoral (cultivo da cana-deaçúcar) e foi adentrando para o interior
com atividades complementares, contando com a presença de
rios caudalosos, de fundamental importância para o transporte e
o acesso às áreas de florestas, destacando-se o São Francisco, o Pa-
raguaçu, dentre outros. Assim, os engenhos tanto localizaram-se no
litoral como em áreas de várzeas, nas margens de rios ou em canais,
contribuindo para a formação dos povoados e vilas mais importan-
tes. Hoje, nestas áreas, concentra-se a maior parte da população
(ANDRADE, 1995).
As condições naturais e a proximidade com a metrópole euro-
péia, de certa forma, deter minaram as primeiras formas de ocu-
pação portuguesa no espaço brasileiro. Os indígenas tanto avança-
ram para o confronto, nessas terras banhadas pelos principais rios,
quanto seguiram em sentido contrário, adentrando em áreas ainda
pouco exploradas, e situando-se, estrategicamente, em pontos de
alto relevo (nas montanhas e serras) para a resistência e o refúgio.
Distante do litoral e a montante dos rios navegáveis, alguns
povoados surgiram em torno da pecuária e da agricultura de sub-
sistência, com a presença dos pequenos engenhos. Essa produção
sertaneja necessitava de animais para ser escoada internamente,
bem como para chegar até o litoral e seguir por via marítima aos
diferentes pontos do país, lugares que, na sequência, também se
transformaram em povoados (IPLANCE, 1982).
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
61
Mas, a ocupação portuguesa não teve um movimento de opo-
sição proveniente apenas da população nativa. A efetivação da
conquista com a exploração sistemática da colônia portuguesa re-
quereu combate a corsários e confl ito com outras metrópoles eu-
ropéias dominantes. Em particular, os corsários exploravam o litoral
clandestinamente e fundavam feitorias, tais como: Itamaracá, em
Pernambuco, Santa Cruz, na Bahia e Cabo Frio, no Rio de Janeiro
(ANDRADE, 1995).
Esta divisão de forças com as demais metrópoles européias
poderosas suscitou a fragmentação do território brasileiro em 15
capitanias hereditárias, na quarta década do séculoXVI, seguindo o
modelo das ilhas do Atlântico, embora não obtendo o mesmo su-
cesso. Ascapitanias tiveram destinos bem diferentes: algumas se-
quer foram ocupadas, a exemplo doMaranhão, Ceará, Rio Grande
e Santana; outras tiveram um pequeno povoamento inicial, coma
implantação de vilas e de engenhos de açúcar, fracassando, porém,
em decorrência de váriosfatores (Itamaracá, Ilhéus, Porto Seguro,
Espírito Santo, Paraíba do Sul e Santo Amaro); e houve sucesso limi-
tado às capitanias de Pernambuco e de São Vicente, com a expan-
são de culturastropicais, que deram surgimento às vilas e povoados
no seu entorno (ANDRADE, 1995).
O sistema de capitanias não duraria muito no Brasil, embora a
alternativa seguinte aindanão rompesse com o domínio português
e abafasse o sentimento nacionalista que estava emergindo no
território brasileiro. Este sistema que dependia de Lisboa, possuía
relativa autonomia,por serem administradas por seus Donatários
retrocedeu para um modelo de total centralização administrativa,
que era o Governo-Geral. A capitania da Bahia e a cidade de Salva-
dor teriam sido escolhidas como sede para a capital do Brasil, des-
locando o poder da zona canavieiraapenas de um lugar para outro,
mantendo-se na faixa litorânea (IPLANCE, 1982).
A influência da Bahia e do Sudeste cresceu com a expansão ter-
ritorial do fi nal do séculoXVI, quando os bandeirantes retornaram
do interior do continente após o movimento que fi -zeram para pro-
curar pedras e metais preciosos. Andrade (1995, p. 22) observa no
número deescravos trazidos para o Sudeste com as Bandeiras uma
dupla consequência: “a expansão territorial e o despovoamento do
interior”. Na Bahia, as correntes migratórias buscavam o desenvol-
vimento da pecuária e a proteção de vilas e fazendas próximas ao
litoral contra o ataque deíndios. Mas pelas necessidades de supor-
te à produção principal (cana-de-açúcar), emergiu ummovimento
contrário, partindo do Recôncavo para os Sertões, sendo feito pe-
los grandes criadores de gado. As fazendas estendiam-se do morro
do Chapéu, na Bahia, até o rio das Velhas,em Minas Gerais. O fato
de a pecuária e a mineração não absorverem grandes contingen-
tes demão-de-obra, assim como a agricultura, que fi cou restrita ao
alimento de subsistência, foramos motivos pelos quais os centros
urbanos de expressão nos Sertões Nordestinos tiveram relativo re-
tardo em relação àqueles dos espaços litorâneos.
A divisão territorial do trabalho naquele período fazia-se pela
ocupação litorânea do açúcar e a ocupação do interior pelo gado,
além da extração de minerais preciosos. Isto é, a partirde Pernam-
buco, Bahia e São Vicente, a ocupação do interior seguiu caminhos
e motivos variados: para o Nordeste, a procura de pastagens deu
origem à formação de grandes latifúndios;para o Sul, o trabalho es-
cravo indígena e a descoberta das minas de ouro e diamantes ori-
ginaram três novas capitanias- Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.
No século XVIII, o domínio dos latifúndios já se fazia presen-
te, sendo expressivo naBahia, no território banhado pelo Rio São
Francisco e no Sertão Setentrional do Nordeste,incluindo o Estado
do Ceará. A ocupação destes territórios está associada tanto à eco-
nomiaaçucareira quanto à pecuária extensiva, sendo que, no últi-
mo caso, a exploração da terra sedava por sesmeiros e por sitiantes
posseiros.
Ainda de acordo com Andrade (op. cit., p. 148), o gado teve
grande importância na formação do território nordestino, em es-
pecial no Sertão e no Litoral Setentrional, embora apareçaem toda
extensão da região. As necessidades de terras motivaram as con-
cessões de sesmarias,nas áreas sertanejas, em direção ao Rio São
Francisco. Vaqueiros e prepostos ocupavam terrase estabeleciam
currais na margem esquerda do rio, no território de Pernambuco
até chegar aoPiauí e ao Cariri cearense.
As sesmarias consistiam em grandes extensões de terras dos
Sertões Nordestinos quemotivavam as disputas de famílias. Isto é,
a conquista do sertão foi marcada pela luta entreos poderosos (em
particular, de Salvador) e aqueles que, sem prestígio para obter ter-
ras, assumiram a condição de foreiros. Iniciava-se o arrendamento
da terra e as relações clientelísticasentre proprietários e trabalha-
dores. Estes foreiros, na Bahia, eram colocados sob a proteçãodos
“grãos-senhores”, ao reconhecê-los com domínio sobre a terra,
comprometendo-se com opagamento de 10 mil réis, em foro, por
um lote de uma légua de terra em quadra, dando margem à forma-
ção de sítios a partir dos currais de reses.
Na luta pela ocupação das terras férteis entre proprietários de
currais de gado e população nativa, teve início a Guerra dos Bárba-
ros que durou dez anos, aniquilando várias tribose conduzindo ao
aldeamento dos remanescentes, à escravização de índios e à forma-
ção deagregados nas fazendas de gado. Assim se deu a ocupação
do Ceará, Rio Grande do Norte equase toda Paraíba. Aqui o sistema
de criação era o mesmo do Agreste, o que as diferenciavaeram as
fazendas serem mais importantes, mais extensas e terem maior nú-
mero de cabeças(ANDRADE, 1989).
A pecuária, sem dúvida, foi o modelo de produção que deter-
minou a ocupação dos SertõesNordestinos. No séc. XVII, os “cur-
rais” estavam relacionados às duas correntes que adentraram para
o interior. Os “currais baianos se estabeleceram à margem direita
do São Francisco epelas ribeiras do Rio das Velhas (território Mi-
neiro), das Rãs, Parnamirim,Jacuipe, Itapecuru,Real, Várzea Barris
e Sergipe. E, os “currais” pernambucanos, assentados à margem es-
querdado São Francisco e nos vales do Rio Preto, Guaraira, Corren-
te, Pajeú, Moxotó, São Miguel, emAlagoas, do Paraíba do Norte, do
Piranha, Açu, do Apodi, do Jaguaribe, do Acaraú, do Piauíe até do
Parnaíba. Ainda conforme Andrade (2005), se estendia desde Olin-
da até a fronteirado Maranhão a Oeste.
O caminho do gado de Olinda e, posteriormente, de Recife ser-
viu para o surgimento depequenas povoações e vilas nos sertões
do Nordeste. De Olinda, se dirigia para o Norte porGoiana, Espírito
Santo (PB), Mamanguape, Canguaretama, Papari, São José do Mi-
pibu, Natal,Açu, Mossoró, Praia do Tibau (RN), Aracati e Fortaleza
(CE). Outra estrada que fazia escoar ogado piauiense para Olinda se
fazia através do Ceará, Paraíba e Pernambuco, partindo do Piauíe,
em Crateús, cruzando várias localidades até chegar a Olinda (IPLAN-
CE, 1982).
Constata-se, portanto, que o território nordestino foi confi
gurado visando tanto o mercadoexterno, para suprir a metrópole
portuguesa de bens e mercadorias, quanto o fornecimento alimen-
tar do mercado interno. Nos espaços da produção açucareira hou-
ve abundância e riquezamontada na escravidão indígena e negra,
mas nos espaços da pecuária contou-se apenas como trabalho de
poucos escravos, que foi substituído pelo trabalhador agregado à
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
62
fazenda, dandoorigem aos parceiros e posseiros, ou pequenos pro-
dutores de subsistência, que ainda hoje perduram em algumas lo-
calidades.
O Processo de Formação Territorial do Ceará
O processo de formação do território do Ceará pode ser visto
pela ocupação desta capitania pelos europeus, que aconteceu de
forma tardia, comparada à conquista da zona da mata nordestina
ou ao litoral açucareiro, cuja ocupação foi no início do século XVI.
No território da pecuária no Nordeste, ela só vem acontecer no fi
nal do século XVII. A produção açucareira avançava pelas terras do
litoral, desde a Paraíba até a Bahia, enquanto a pecuária, atividade
subsidiária, expandia-se para o interior. Desta forma, a interioriza-
ção das capitanias do Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte se de-
ram pela formação de territórios da pecuária, onde as populações
nativas foram dizimadas em função da mercantilização do território,
além da subordinação ao europeu, como retrata Pinheiro (2000).
“As terras deveriam ser doadas de acordo com o número de
índios de cada aldeia. Nesse caso o que prevalecia era a noção mer-
cantil de propriedade, deixando-se de lado não só todo o caráter
simbólico do território como a necessidade de áreas de dispersão,
que era um dado marcante no modo de vida dos povos originários.”
(2000, p. 23).
É importante ressaltar que o confl ito entre colonizadores e po-
vos indígenas acentuou-se em todo o Nordeste, em função das ati-
vidades desenvolvidas e do processo de “limpeza” dos nativos para
a efetivação da produção mercantil. No Ceará, a problemática foi
a mesma, pois, à medida em que as terras foram sendo ocupadas
pela pecuária, ia-se expulsando indígenas.
No contexto geral da colonização, cabe destacar a atuação dos
sesmeiros e dos bandeirantes no processo de restrição do território
dos povos indígenas.
A pecuária possibilitou a ocupação da capitania do Ceará a par-
tir da necessidade de terra para o desenvolvimento da atividade.
As primeiras doações de sesmarias ocorreram no período de 1678-
1782, nas imediações do Rio Jaguaribe no sentido Aracati para o
Sul, em direção ao Rio Salgado.
“Das 2.378 datas solicitadas, num período de mais de um sécu-
lo e meio, 91% justifi cava a necessidade de terra para ocupar com
a pecuária. [...] Entre 1679-1699, num período de 20 anos, foram
doadas 261 sesmarias, o que representa uma média de 13 cartas ao
ano. [...] entre 1700 e 1740, num período de 40 anos foram 1.700
sesmarias, representando uma média de 42 sesmarias por ano. [...]
há um subperíodo entre 1700-1720. Nestes decênios foram distri-
buídas 932 cartas, dando uma média de 46 por ano.” (op. cit, p. 30).
Ainda segundo Pinheiro (2000), a ocupação da capitania do
Ceará se consolida em 1720,com a transformação do território dos
indígenas em território da pecuária. Tal atividade inviabilizou o uso
de mão-de-obra escrava negra, pelos altos preços diante dos va-
lores obtidos comos produtos agrícolas no mercado interno. Por-
tanto, necessitou de mão-de-obra livre e migrante de outras áreas
de produção, além de parte da população indígena que havia sido
aculturadae catequizada nos aldeamentos indígenas. Daí porque a
expansão das culturas agrícolas, emtermos de áreas, fi cou restrita
à agricultura de subsistência.
Discute-se, contudo, que a agricultura não expandiu neste pe-
ríodo colonial devido tanto às grandes distâncias do mercado (en-
tre sertão e litoral), quanto às péssimas condiçõesdas estradas que,
assim, reduziam a comercialização interna dos produtos agrícolas
(GIRÃO,1995, p.36). Mas, não se pode deixar de considerar o fato
de que havia uma agricultura desubsistência sendo praticada pelos
trabalhadores das fazendas pecuárias, que se mantinhampratica-
mente auto-sufi cientes, não fosse a importação de determinados
produtos vindos daMetrópole ou das principais Vilas. O algodão é
um exemplo desta fase, em que a agricultura eo beneficiamento
artesanal eram praticados apenas para o consumo de servos e tra-
balhadoresdos latifúndios.
Além disso, desde os primórdios da ocupação do território cea-
rense pode-se falar de uma espécie de industrialização e urbaniza-
ção no Estado, que teria se formado a partir da indústria da carne
seca, ou da charqueada, e do comércio que se desenvolveu no seu
entorno. Tal processo surgiu como estratégia para superar a concor-
rência e para minimizar o fato de o gado sofrer consideravelmente
com seu transporte para o mercado interno, em direção às zonas
produtoras de cana-de-açúcar, inclusive para áreas de mineração.
A charqueada foi uma espécie de benefi ciamento que se fez à
carne do gado para evitar as perdas e manter-se na concorrência do
mercado. Tanto havia perda por mortalidade quanto pela redução
do peso do rebanho ao fi nal do percurso, entre as fazendas e as
feiras, onde seriam vendidos (op. cit., p.38).
O beneficiamento da carne do gado proporcionou uma nova
expressão econômica ao território cearense, pois possibilitou uma
outra estratégia de participação no mercado interno deabasteci-
mento alimentar para as principais regiões produtoras. Quando o
ciclo econômico dacana-de-açúcar esteve localizado em Pernambu-
co, o gado poderia ser transportado vivo, por rotas terrestres que
abriam novas estradas e ocupações nos territórios cearense, per-
nambucano, se extendendo até a Bahia. Entretanto, com o desloca-
mento da economia, através do cicloda mineração, para o sudeste
do país (Minas Gerais), havia a necessidade de outra inserção do
principal produto cearense no mercado interno.
A “industrialização” da carne, contudo, não permaneceu como
um modo de saber fazerapenas dos cearenses. Tal técnica migrou
para longe, chegando ao Rio Grande do Sul, atravésde viajantes que
conheciam a arte do benefi ciamento da carne do sol, adaptando-a
para a realidade do clima frio e úmido dos pampas gaúchos. Assim,
enquanto parte do rebanho cearenseera dizimada pela grande seca
(1790-1793), os produtores do sul, há mais de uma década,apro-
veitavam os altos níveis de produtividade de seu rebanho, favoreci-
dos por pastagens naturais, para avançar e concorrer com o benefi
ciamento da carne. Os sulistas aplicavam preçosalternativos para
atingir o principal mercado interno- a zona da mineração. As locali-
dadesvizinhas da zona produtora de Aracati (Açu e Mossoró), per-
tencentes ao Rio Grande do Norte,também tiveram acesso à técnica
e instalaram ofi cinas que foram, contudo, controladas pelaProvín-
cia de Pernambuco, que também se benefi ciava de parte da riqueza
gerada pelo Ceará(GIRÃO, 1995, p.71-72).
Segundopesquisa histórica do IPLANCE (1982, p.36) “o Cea-
rá participou de uma formaexclusivamente dependente da zona
produtora de açúcar, e, indiretamente, de Portugal”. Masnão ha-
via somente dependência de produtos e tecnologias importadas,
houve também sangriade recursos que muito atrasou a ocupação e
o desenvolvimento cearense, cessando somente aofinal do século
XVIII (1799), com a separação das duas províncias. Isto signifi cou
que, durantetodo período do gado e do charque, parte da riqueza
produzida pelo território cearense foradestinada ao território per-
nambucano, além da metrópole portuguesa colonizadora.
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
63
Nesse momento de emancipação política da província do Ceará
inicia-se um novo ciclo econômico, o do algodão, que seria favore-
cido pelos novos rumos políticos e econômicos tomados em níveis
nacionais e mundiais.
O algodão já era explorado no território nordestino desde o
início de seu povoamentocomo forma de suprir os trabalhadores
de tecidos para suas confecções pessoais e domésticas,como já co-
mentado anteriormente. Contudo, em termos de mercado externo,
ainda em 1777, osprodutores e comerciantes cearenses de algodão
tentaram atingir o mercado europeu, atravésde Portugal. Mas as
relações de subordinação à Capitania de Pernambuco impediram
esta intenção mercadológica e, de certo modo, contiveram a pro-
dução. Mas foi a abertura dos Portos,em 1808, que permitiu, não
apenas o Ceará abrir-se para o mundo, bem como os investidoresin-
ternacionais passarem a aplicar capital em território cearense, com
destaque para os comerciantes portugueses e ingleses em Fortaleza
(IPLANCE, 1982, p.36).
Em particular, a economia algodoeira motivou a fi xação e a
imigração de trabalhadores,além de demandar o trabalho da po-
pulação indígena residente nos aldeamentos ou sob o controle dos
padres e jesuítas nas missões. Entretanto, o auge desta economia
no território cearense e nordestino se deu durante a Guerra de Se-
cessão dos Estados Unidos (1861-1865), que erao principal fornece-
dor desta matéria-prima no mercado europeu têxtil.
O algodão foi uma cultura que se adequou à realidade cearense
não apenas em termosnaturais, mas sociais e econômicos, tal como
foi brevemente resumido no parágrafo seguinte:“Uma nova fase
inicia-se na economia do Ceará, em fi ns do Século XVIII, quandoo
algodão surge como negócio altamente rentável, adaptando-se ao
clima da zonasemi-árida, bem como ao sistema existente, fornecen-
do, das folhas, a alimentaçãopara o gado e liberando área para a
agricultura de subsistência. A expansão das exportações de algodão
acentua-se no século XIX, graças à demanda por matérias-primas,
provocada pela Revolução Industrial.” (IPLANCE, 1982, p.36)
A Capitania experimentaria outros ciclos econômicos, sem dei-
xar de obter riqueza pela pecuária consorciada ao algodão. Assim,
entraria em nova fase de ocupação e uso de seu território, tal como
foi observado por diversos historiadores e geógrafos, dentre eles
cita-se Silva (2000).
A cana-de-açúcar e o café tiveram pouca importância no ter-
ritório cearense, pois nuncachegaram a ser produto principal ou
monocultura, afi nal o regime de semi-aridez que assolaquase todo
território cearense, torna-o impróprio para tais culturas, ficando
restritas a determinadas áreas de exceção. A título de exemplifi
cação, inicia-se com o plantio de canaviais,que deram sustento ao
mercado interno pelo fornecimento de alimentos, e, em 1840, tais
canaviais, com suas matas adjacentes, foram transformados em
cafezais, como se exemplifi cara nasSerras de Meruoca, Baturité,
Ibiapaba, além de parte do Cariri cearense. Ceará e Pernambuco-
tornaram-se exportadores de café em determinados momentos fa-
voráveis ao mercado externoe, em Baturité (CE), surge uma peque-
na nobreza dos proprietários dos cafezais, a exemplo doque havia
no sudeste do país.
A economia algodoeira e a produção de cana e de café, entre-
tanto, não foram a base do período inicial que chamamos de confi
guração do território cearense, apesar de sua contribuição na proli-
feração de cidades e de municípios.
A Configuração Inicial do Território Cearense
As análises históricas sobre a ocupação do território cearense
referem-se a duas possibilidades: uma decorrente da imigração in-
terna, ou dos deslocamentos das atividades subsidiáriasà economia
principal da Colônia; ou aquela referente à defesa do território con-
tra as investidasde outros países europeus interessados em explo-
rar esta porção da América recém descoberta (IPLANCE, 1982). Sem
entrar no mérito da questão, considera-se que ambas as situações-
contribuíram para a formação de cidades e municípios e merecem,
portanto, atenção destetrabalho.
Como consequência da defesa territorial e dos aldeamentos, as
vilas surgiram também por razões econômicas, que foram a pecuá-
ria, com suas rotas e percursos no mercado interno, além de seus
efeitos multiplicadores. Pode-se observar, portanto, dois grandes
períodos dedefinição das primeiras células básicas do Estado, que
chamamos de confi guração inicial doterritório, que estaria sendo
formado pelas primeiras 16 Vilas, que deram origem aos atuais184
municípios cearenses. O primeiro período foi relativo ao início da
ocupação, referente àcolonização portuguesa e à retirada do indí-
gena do território que seria destinado à pecuária(de 1699 a 1762).
No segundo momento, a atividade pecuária teria desencadeado um
fl uxo comercial e de serviços a partir de seus produtos.
As vilas foram erguidas à princípio nas regiões litorâneas, ratifi
cando a hipótese de defesa, tendo em vista que a economia pecuá-
ria nascente se fazia no sentido contrário, do sertão para o litoral,
ou internamente no sentido leste e oeste, quase que reconfiguran-
do os caminhosdos primeiros migrantes baianos e pernambucanos
(Figura1). Foram poucos os casos de Vilaserguidas para a defesa do
litoral cearense: a Vila de Aquiraz, criada em 1699 e a de Fortale-
za,em 1725. As vilas oriundas da penetração pernambucana, com
um raio de ação maior sobreo território cearense, surgiram do mo-
vimento leste-oeste, do Aracati (1747) em direção aoterritório do
Piauí, espraiando-se também do norte para o sul, saindo também
do Aracati, peloJaguaribe, até a vila de Icó (1735). A penetração
baiana, por sua vez, teria sido feita pelo sul doEstado, através dos
vales dos Rios Salgado e Jaguaribe e passando por Crato (criado em
1762)até a Paraíba. Ainda na fase das primeiras vilas, destacam-se
aquelas que foram erigidas emfunção do aldeamento indígena, que
foram: Viçosa do Ceará (1759), Caucaia (1759) e Baturité(1762)
(vide Figura 1).
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
64
Até 1758, havia somente Aquiraz, Fortaleza, Icó e Aracati. Esta
data corresponde a ummarco na instalação de Vilas, quando os aldea-
mentos indígenas foram elevados a categoria deVila e os povos nativos
supostamente seriam igualados aos colonos, de acordo com Pinheiro.
“[...] a partir de 1758, as aldeias indígenas foram transformadas
em vilas. Com a expulsão dos jesuítas, a administração dos povos
indígenas passou para a órbita laica e os povos nativos foram igua-
lados aos demais moradores.” (2000, p. 46)
Diz-se que somente por hipótese houve uma igualação de di-
reitos, pois, conforme análise anterior, os indígenas foram contro-
lados como mão-de-obra semi-escrava nestas aldeias e depois nas
Vilas, servindo de trabalhadores para as novas Vilas emancipadas.
Na segunda fase, intensifi ca-se o criatório e o comércio do
gado, bem como o benefi ciamento da carne e do couro para o mer-
cado interno, fatos que impulsionaram a formação das outras oito
primeiras Vilas. Na bacia do Banabuiu-Quixeramobim prosperou a
primeira Vila da região central do Estado, que foi a de Quixeramo-
bim (1789); As bacias do Acaraú e do Coreaú tornaram-se os ber-
ços das vilas de Sobral (1766), Granja (1776) e Guaraciaba do Norte
(1791); assim como a bacia do Rio Jaguaribe deu origem às vilas de
Russas(1799) e Tauá (1801) na bacia do Salgado foram criadas as
Vilas de Jardim (1814) e Lavras da Mangabeira (1816) (Figura 2 e
Quadro 1).
Assim, em pouco mais de um século, entre 1699 a 1822, já ha-
via uma relativa concentração populacional e de Vilas ao longo dos
Rios Jaguaribe-Salgado, Acaraú e do Coreaú, com menor destaque
para as bacias do Banabuiu-Quixeramobim.
Cabe destacar que o Ceará, com seu espaço quase totalmente
exposto ao regime de semiaridez, encontrou possibilidades de pe-
cuária extensiva ao longo das margens de seus rios intermitentes.
O historiador Geraldo Nobre comenta que as sesmarias ocupavam
as margens dos rios de forma perpendicular, talvez para possibilitar
um maior número de benefi ciados com este recurso tão escasso no
semi-árido, que é a água potável:
“As sesmarias geralmente eram 3x1, 3x2, 3x3, 2x1. Que signifi
ca três léguas à margem do rio e uma légua de largura e assim por
diante. Assim, as fazendas se constituíam em regra com três léguas
dispostas ao longo de um curso de água por uma de largura, sendo
meia para a margem, as léguas eram desiguais entre si e quase sem-
pre pequenas.” (NOBRE apud MAPURUNGA, 2003, p.171)
Além disso, chama-se atenção para o fato de que, nestes pri-
mórdios da Capitania do Ceará, as sesmarias iam sendo ocupadas
deixando espaços vazios entre elas, ou seja, sem limites definidos,
colocando-se tal com uma fronteira de faixa, vista na concepção de
Mattos (1990).
Tais espaços vazios foram sendo ocupados por posseiros, ge-
rando confl ito com os latifundiários vizinhos, visto que seus limi-
tes não eram bem demarcados ou protegidos, tendendo o gado a
ultrapassá-los, provocando perdas, queixas, desavenças e mortes.
Em 1850, com a lei das Terras, tais glebas foram consideradas devo-
lutas e somente poderiam ser adquiridas mediante compra. O de-
poimento de Nobre sobre as terras devolutas no Ceará é bastante
elucidativo da questão:
“É que elas [terras devolutas] existiam limitando as fazendas
entre si. Uma légua de terra permanecia devoluta entre elas. Nes-
ses espaços, os donos das fazendas não podiam levantar pontes ou
quaisquer outras construções, pois a sua utilidade era de servir de
marco divisório, pela ausência de muros e cercas na região. Tal me-
dida buscava evitar a mistura entre as cabeças dos reb nhos e as
incursões do gado nas plantações vizinhas e, mesmo, o seu extravio.
A idéia era evitar também confrontos entre os vizinhos”. (NOBRE
apud MAPURUNGA, 2003, p. 172).
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
65
Neste período colonial, portanto, o gado foi o grande responsável não apenas pela permanência do homem no sertão, mas também
pela movimentação e expansão destas áreas e,
posteriormente, pelo início da urbanização. Além disso, surgiram diversas outras Vilas que assumiram funções de destaque na econo-
mia sertaneja, seja como entreposto para parada e recuperação do gado, no cruzamento de rotas para o mercado, ou ainda nas cidades
litorâneas, que se especializaram no benefi ciamento da carne salgada com destino a locais mais longínquos.
Dentre as Vilas erigidas pelo maior peso da atividade pecuária destacam-se: Icó, Sobral, Quixeramobim, Russas e Tauá.As charqueadas
e alguns dos subprodutos do couro iniciaram-se em Aracati, como principal entreposto marítimo, que fazia entrega para Pernambuco e
de lá saíam para as áreas demineração e para a metrópole portuguesa (IPLANCE, 1982, p. 56). Conforme Girão (1995,p. 65), as ofi cinas
que se instalaram em Aracati começaram a desenvolver suas atividades apartir da primeira década do século XVIII. Araújo (2002, s/p.), por
sua vez, observa que taisoficinas rapidamente se expandiram, associadas às atividades terciárias de prestação de serviços (administrativa,
comunicação, fi nanceiro, comercial e etc.), atraindo bastante populaçãopara o local, inclusive de estrangeiros, ampliando e enriquecendo
a construção dos principaisequipamentos e de moradias.
Mas nem toda vila se prestava ao benefi ciamento da carne (ou para instalar ofi cinas). Erade grande importância, por exemplo, que
o local dispusesse de condições para extração dosal marinho, além de permitir a embarcação e o transporte por cabotagem, o que impli-
cavana existência de uma enseada natural (barras de rios). No território da Vila de Granja, maisespecifi camente na localidade praiana de
Camocim, e na Vila de Sobral, no porto de Acaraú,as condições ambientais também favoreciam (barra do rio, clima e extração de sal) o
desenvolvimento de ofi cinas de carne seca, tal como comprovado por vários historiadores, dentre elesValdelice Girão:
“As povoações de Aracati, Granja, Camocim e Acaraú, possuíam as condiçõesexigidas. Ali, em toscas ofi cinas, passou a ser fabricado
um tipo de carne seca,não prensada, moderadamente salgada e desidratada ao sol e ao vento, por temponecessário à sua conservação.
Isso com o aperfeiçoamento da técnica empregadapelo índio, transferida ao vaqueiro, no preparo da carne seca, ainda hoje comumnas
regiões sertanejas nordestinas-a chamada carne-de-sol.” (1995, p.65)
Em resumo, quando se quer reportar a este quadro inicial que conformou as primeirasVilas do território cearense com suas fronteiras,
tal qual hoje se conhece, pode-se atribuirao fato econômico da pecuária extensiva e de sua comercialização, além do benefi ciamentode
seus principais produtos (carne e couro). Uma produção que reunida à do Piauí, foi levadaem direção aos mercados interno e externo,
tanto por deslocamento interno quanto utilizandotransporte marítimo. Tais trajetórias comerciais teriam expandido os movimentos de
instalação de fazendas, bem como haveria fomentado pontos de entrepostos e de portos marítimospara circulação dos principais produtos
exportados e importados, defi nindo rotas que ligavamos diversos quadrantes do território cearense.
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
66
As vilas foram as menores unidades territoriais com autonomia
política e administrativa,característica do território brasileiro em
formação, da fase da colonização até o fi nal do séculoXIX. A vila é
equivalente a município na divisão administrativa de origem roma-
na, cuja designação foi adotada na Península Ibérica e transferida
de Portugal para suas colônias, conformeFurtado (2007, p.202-203)
Ainda neste período, designava-se como termo “o território da
vila, cujos limites são imprecisos; tinha sua sede nas vilas ou cidades
respectivas; era dividido em freguesias (que é um conceito eclesiás-
tico) [...]” (op.cit., p.203).
A partir de tais conceitos, pode-se entender melhor a Carta
Marítima e Geográfi ca da Capitania do Ceará, elaborada por An-
tonio José da Silva Paulet, em 1817, sobre a qual se trabalhou os
principais destaques (Figura 3). Nesta Carta, os territórios de 13 das
antigas Vilas são delimitados e considerados como Termos, cujas
sedes lhe prestam o nome. Verifi cam-se algumas diferenciações
em relação à Figura 2 construída para representar essa fase inicial
de configuração do território cearense.
À primeira vista, cada um dos 16 municípios que formaram as
células básicas originais do território cearense está representado
nesta Carta de 1817, com exceção das vilas erigidas posteriormente
a esta data que, na ocasião, ainda eram povoados: a Villa de Lavras
da Mangabeira (antigo Povoado de São Vicente de Lavras), incluída
no Termo da Villa de Icó. Outros dois casos chamam ainda atenção:
Caucaia (antiga Villa de Soire) por não possuir um território deli-
mitado, fazendo parte do Termo da Villa de Fortaleza; ao contrá-
rio, Baturité (antiga Villa de Monte Mor O Novo), apesar de estar
delimitado por território específi co, não estava sendo identificado
como um Termo e nem fazia parte de outro.
Assim, o desenvolvimento e a evolução político-administrativa
do Estado estiveram e estão relacionados às atividades sociais, eco-
nômicas, políticas e culturais que se desenvolverama partir deste
período colonial. As primeiras Vilas fi rmaram-se como células bá-
sicas originais,com múltiplasfunções dentro da economia pecuá-
ria, como: produtoras, comerciais, administrativas, industriais e de
serviços. Algumas com mais de uma função adotada em períodos-
diferentes, e com movimentos de crescimento e de estagnação na
história do Ceará e do Brasil,tal qual pode-se acompanhar nos des-
dobramentos seguintes sobre o território cearense.
FORMAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA DO CEARÁ E A BASE LEGAL
A retrospectiva da formação territorial nacional possibilitou anali-
sar os fatores econômicos como determinantes dos fatores políticos e
sociais na confi guração básica do território cearense. O modelo de ocu-
pação do Ceará traçado pela pecuária extensiva deu-se, praticamente,no
século XVIII, atendendo aos interesses dos pecuaristas, diante da neces-
sidade de grandesextensões de terras para a atividade, infl uenciando
o surgimento de confl itos e de manipulação/dominação política da
classe trabalhadora.Após essa confi guração básica, o território seria in-
tensamente fragmentado por ação degrandes proprietários de terra ou
latifundiários, cuja dominação política se fazia sentir desdeas fazendas
de criação do gado e de produção do algodão destinados ao mercado
distribuidore em direção aos centros industriais mais dinâmicos do país.
Assim, as estruturas de poderpolítico e econômico que comandaram o
Estado do Ceará durante séculos, ainda hoje, mantêmfortes elementos
que se manifestam e se materializam nas relações políticas clientelísti-
cas,nas desigualdades sócio-espaciais e na concentração da renda, com
ampliação da pobreza e da miséria, dentre outros problemas.
Este processo de ocupação, contudo, somente foi acompa-
nhado de uma base legal, que regulamentaria o território como
um todo, bem depois da ocupação e do processo de fragmentação
iniciado durante o Império. Apesar da propriedade privada da ter-
ra ser fundamental para a dominação política, não havia interesse
local de registrar, formalmente, a transformação do território mu-
nicipal com suas fronteiras demarcadas empiricamente. E, mesmo
em termos nacionais, houve apenas um determinado momento
político no qual se procurou dar uma coerência e uma organização
territorial interna e fronteiriça ao país, dentro de uma perspectiva
nacionalista, conforme será demonstrado neste capítulo.
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
67
Por outro lado, não havia um contingente populacional expres-
sivo que viesse ocupar todo o território das Vilas e fazer pressão so-
bre suas fronteiras. O processo de criação de Vilas, identificado por
Andrade, na província de Minas Gerais, pode ser extensivo às de-
mais províncias brasileiras, qual seja a princípio, as vilas eram muito
distantes umas das outras e praticamente não possuíam fronteiras
bem delimitadas, tal como se apreende da passagem referida por
Andrade:
“O povoamento não era continuo, ele se adensava em torno
dos garimpos, dando origem as vilas que se situavam muitas vezes,
à grande distância uma das outras [...]. Nos grandes espaços que
se estendiam entre estas vilas desenvolveram-se lavouras de sub-
sistência, voltadas para o seu abastecimento e também atividades
pecuárias [...].” (1995, p.22-23)
Portanto, como não havia necessidade de separar as Vilas por
fronteiras, e, anteriormente, nas sesmarias, não havia uma delimi-
tação nítida de grandes regiões brasileiras, tal como nos faz concluir
Costa:
“[...] O espaço para o qual reclamavam providências para o Es-
tado Imperial ainda não tinha fronteiras defi nidas capazes de cir-
cunscrevê-la como região [...].” (2005, p.41)
Por sua vez, a falta de um critério legal para delimitar fronteiras
e separar vilas viriaser reclamada, localmente, somente bem mais
tarde, sendo levantada, parcialmente, ou deacordo com os inte-
resses confl itantes de algumas das partes envolvidas. Portanto, a
divisãopolítico-administrativa da atualidade está permeada de pro-
blemas, ou seja, com pendênciasde litígios e confl itos de fronteiras
tanto entre os municípios quanto entre outros estados doNordeste.
São exemplos de litígio do Ceará: os ocorridos com o Rio Grande
do Norte quantoà defi nição do limite na chapada do Apodi; e com
o Piauí, quanto à definição do limite sobrea chapada da Ibiapaba.
Áreas consideradas de exceção do ponto de vista ambiental de
umaregião semi-árida como a nordestina.
A Fragmentação do Território Cearense
Apesar de reconhecer que a fragmentação do território cea-
rense teve forte impulso daeconomia algodeira, durante o século
XIX, acompanhada de maciços investimentos em infraestrutura
econômica e urbana, não se pode deixar de observar as questões
de ordem política edemográfi ca.De acordo com Girão apud Rodri-
gues (1995), as estruturas de poder ligadas à propriedadeda terra,
aos latifundiários que se interpuseram no contexto político local e
nacional, fi zeramdas emancipações dos municípios uma relação di-
reta com os interesses políticos, ao afi rmarque:
“A divisão do território cearense, como acontecia com os de-
mais Estados, esteve sujeita aos inconfessáveis interesses políticos e
outros de ordens diversas não inspirados no bem comum. Criava-se,
extinguia-se, restaurava-se Municípios sem obediência à sistema
lógico, justo e geral, e daí a confusão reinante neste âmbito da ad-
ministração pública.” (1995, p. 22).
Mesmo nos tempos mais remotos, o processo de criação dos
municípios também esteve associado ao crescimento e ao movi-
mento populacional pelo território, mostrando a relação entre o
problema de fronteiras municipais e a pressão demográfi ca.
Portanto, procura-se, realizar análise sobre o processo econô-
mico de ocupação do espaço, associado à população. Tais aborda-
gens são seguidas de considerações sobre a atuação do Estado Bra-
sileiro,31 notadamente quanto às formas de governo e de política
nacional e estadual, para então elucidar-se a discussão do aparato
legal no processo de fragmentação do território cearense.
A Questão Populacional Durante a Colônia
No decorrer da formação básica inicial do Estado do Ceará, en-
tre 1699 e 1822, referente à criação das 16 Vilas no período colonial
brasileiro, o contingente populacional era ainda bastante diminu-
to. Apenas a Vila de Crato detinha uma relativa concentração po-
pulacional (quase 21 mil habitantes), podendo ser considerada a
principal vila em termos populacionais, embora não fosse a mais
importante em termos de mercado (Tabela 1).
A explicação para tal destaque populacional estava nas bases
de sobrevivência dos trabalhadores. A fartura de água e de terras
úmidas permitiu uma base agrícola diversifi cada, incluindo cultu-
ra da cana-de-açúcar, algodão e pecuária, benefi ciamento da cana
(açúcar, rapadura, melado e outros derivados) e do algodão. Além
disso, no Crato deu-se início a um processo de benefi ciamento in-
dustrial que fora importante para a confi guração dos territórios
cearense, piauiense e pernambucano. Mas, seriam a intelectuali-
dade e a política as bases de sustentação mais forte desta vila, que
se tornou município-pólo da região sul do estado e cominfluência
sobre os estados vizinhos (AMORA, 1995).
Tauá, Sobral e Icó foram as demais Vilas de maior atração po-
pulacional nesses primórdios da ocupação cearense. Suas funções
administrativas e suas bases terciárias de comércio e serviços for-
maram as principais razões para manter a população ali residente,
embora não se comparassem com a Vila de Crato.
Aracati surpreendia pela contradição de ser a principal Vila
econômica (industrial, comercial e de serviços), aquela que daria
formação à rede de cidades (SILVA, 2000, p.227), teve pouca ex-
pressão em termos populacionais, com menos de 5 mil habitantes.
Um contingente que era, em 1804, quatro vezes menor que a po-
pulação de Crato.
O Período Correspondente ao Império
No período do Império, considerando o intervalo de anos entre
1823 a 1889, foram erigidas 48 novas Vilas, que somadas às 16 an-
teriores, totalizavam 64 municípios. Na primeira metade do século
XIX, o processo era lento e foramcriados somente 11 novos muni-
cípios, desmembrados42 de 6 das 16 células originais, estando con-
centrados do seguinte modo: dois oriundos do desmembramento
de Crato (Barbalha e Milagres) e Sobral (Itapipoca e Acaraú), três
do Município de Icó (Jucás,Jaguaribe e Pereiro). Itapipoca apesar de
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
68
ter sido criado neste período passou por desmembramento, originando o Município de Itapajé (1849). Entre 1851 e 1889, ao contrário, a
fragmentação territorial foi bem mais acelerada, pois aconteceram 37 emancipações, sendo que das células originais, à exceção de Tauá e
Guaraciaba do Norte, todos os outros 14 municípios deram origem a novos municípios (Quadro 2).
Faz-se destaque ao quantitativo de municípios criados a partir dos municípios de Quixeramobim (4) e Lavras da Mangabeira (3). O
restante dos municípios originou-se de forma quantitativamente homogênea em 26 dos 64 municípios existentes. Neste período, também
passou a fazer parte do Ceará dois municípios (Crateús e Independência) originários da Vila de Marvão pertencentes ao território do Piauí
(Figura 4).
Essas vilas passaram por experiências comuns, enquanto principais territórios de concentração da riqueza pecuária que, associada à
produção do algodão, permitiu que a população local se estabelecesse e pudesse enfrentar as adversidades climáticas.
A economia algodoeira, além de permitir o consórcio com o gado, constituiu-se no grande fomentador econômico da fragmentação
territorial, tendo por suporte a política local e imperial de enfrentamento das questões da seca, pois adequou-se aos sistemas de poder e
de produção vigente.
Conforme Neves (2000), a seca fazia com que se quebrassem as relações paternalistas entre patrão e empregados, que mantinham
um sistema de lealdade dos moradores (votando em seus partidos e representantes políticos) pela reciprocidade dos donos da terra (que
amparavam seus moradores durante a crise climática).
Mas a seca também gerou motivo político para que os governantes locais conseguissem mobilizar recursos para investimentos em obras,
utilizando os trabalhadores rurais como mãode-obra. Assim, conforme Celeste Cordeiro (2000, p. 140-141), a seca afetaria o sistema político,
pois intensifi cava a dependência local ao governo central; ao mesmo tempo, permitia o favorecimento, a barganha e a corrupção nas eleições.
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
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CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
70
Ainda na opinião de Celeste Cordeiro, a política local possuía características que seriam dadas por essas relações políticas com a seca,
que em resumo expõe:
“A ausência de autonomia provincial, a dependência agravada nos períodos de seca, a privatização da política, com seu exercício ad-
mini trado a partir de interesses familiares, a utilização dos partidos com objetivos de manutenção do mandonismo local, a impotência do
eleitor sertanejo, a força policial como extensão do poder dos ‘coronéis’, a vitória política como legalização do arbítrio, o controle total dos
postos da administração, da professora ao juiz, a violência como forma mais efi caz de intimidação dos adversários.” (2000, p.77)
Vê-se, portanto, a política sendo assentada em base territorial, fazendo com que houvesseuma disputa por territórios entre diferentes
grupos de poder. Tais fatos, certamente, vinhamcontribuir com a emancipação dos municípios e com o surgimento de discordância em
relaçãoàs fronteiras, a princípio entre as fazendas, depois provocando litígios entre os estados e osmunicípios.
Vários foram os momentos políticos que, durante o Império, romperam disputas regionaise locais. Para citar apenas os mais impor-
tantes, Cruz Filho (1966, p.39-40) faz menção às Vilasde Crato e de Icó, com o movimento revolucionário separatista de 1824, nascido em
Pernambuco, intitulado a Confederação do Equador. Em sentido contrário, em 1831, a guerra civiliniciada por Pinto Madeira, ao sul do Es-
tado do Ceará, na Vila de Jardim, procurava restauraro Império, avançando sobre o Crato, com uma ação violenta de saque e depredação.
Portanto, não é por acaso que no século XIX, tenha se ‘resolvido’ uma antiga divergênciareferente ao litígio das terras entre o Piauí e
o Ceará, que culminou no acréscimo da porçãosudoeste do Ceará, quando fora incorporada, em 1880, parte do território da Vila de Mar-
vão,pertencente ao Estado do Piauí e que dera origem às Vilas de Crateús e de Independência,conforme já foi citado.
O litígio, é confi gurado quando no processo de negociação as partes interessadas nãochegam ao consenso na defi nição das fronteiras,
limites e divisas. Entre o Piauí e o Ceará, eleteve início na Serra da Ibiapaba, enquanto local e território de resistência indígena à colonização
portuguesa, que perdurou por mais de meio século (PINHEIRO, 2000). Contudo, após acapitulação indígena aos portugueses, tal território
passou a ser do interesse dos maranhenses,que estavam sob a infl uência holandesa, disputando tal área com a metrópole portuguesa. Tal-
linha de raciocínio foi observada nos fatos relativos à ordem do rei de Portugal que, em determinado momento, decidiu a polêmica entre os
dois governos (Maranhão e Pernambuco), sendofavorável ao Ceará, na época, província subordinada a Pernambuco:
“Em 31 de outubro de 1721, [...] pareceu ao El Rei ordenar, que dita aldeia fi que como dantes no domínio desse governo de Pernam-
buco e capitão–mor do Ceará, e que se suspendam por ora as ordens de se unir ao Maranhão.” (TORRES, 1988, p.26)
O representante da capitania do Piauí, ainda insatisfeito, e, juntamente com o governador do Maranhão, recorreu à Coroa solicitando
o reconhecimento de seus direitos sobre o território da Serra da Ibiapaba e do distrito de Crateús. Tal polêmica perdurou, por mais de 30
anos, quando a decisão régia pendeu a favor do Ceará.
Desta experiência vivida entre os territórios cearense e piauiense, percebe-se que o litígio é tratado dentro de uma esfera de poder
que parte do nível local e mais próximo, até o mais distante e hierarquicamente superior. Sob a influência do litígio, as decisões referentes
ao cotidiano das pessoas e famílias, tais como aquelas sobre a propriedade de suas terras são conduzidas em níveis locais e mais próximos,
tomando encaminhamento diferente se fossem conduzidas ao nível das decisões superiores e distantes. Por exemplo, em 1721, a metró-
pole portuguesa já havia se decidido em favor do Ceará para ter direito sobre o território de Crateús. Entretanto, determinado proprietário,
ao adquirir terras no local, recebeu confi rmação de propriedade do representante de Oeiras, província do Piauí, tal como se pode verifi
car no seguinte depoimento:
“[...] Garcia de Ávila Pereira, da Casa da Torre, compra um extenso vale do Crateús, com área de 180 quilômetros de comprimento por 120
km de largura, pela quantia de 4.000 cruzados. A posse lhe foi conferida pelo Ouvidor de Oeiras, [...] A escritura trazia chancela do Ouvidor de Oeiras,
sede então da vasta capitania do Piauí [...].” (op.cit., p.26).
Tais terras foram adquiridas posteriormente por D. Luiza Coelho da Rocha Passos da Casa da Torre (Garcia D’Ávila), na Bahia, para o
desenvolvimento da pecuária e foram elas que deram origem aos atuais Municípios de Crateús e Independência. A fazenda denominada
Piranhas, situada às margens do Rio Poty, originou o povoado de mesmo nome, onde foi erguida a capela de Piranhas em 1770, marco
para o desenvolvimento do povoado que, posteriormente, foi elevado à categoria de Vila, pelo Decreto Regencial de 6 de julho de 1832,
recebendo a denominação de Príncipe Imperial, nome com que se pretendeu homenagear o jovem Imperador.
Este território foi anexado defi nitivamente, ao Estado do Ceará, em troca de uma parte doMunicípio de Granja (Vila de Amarração),
localizado na barra do Rio Parnaíba. Conforme oargumento da época, tal abertura para o litoral seria de relevante importância para a pro-
víncia do Piauí, devido às possibilidades de relação direta com a metrópole portuguesacimento muito utilizado será sempre recuperado mais facilmente,
assim como um pouco usado precisará de um grande esforço para
ser recuperado. Existem alguns tipos de conhecimento prévio: o in-
tuitivo, o científico, o linguístico, o enciclopédico, o procedimental,
entre outros. No decorrer de uma leitura, por exemplo, o conheci-
6 KOCH, Ingedore V. e ELIAS, Vanda M. Ler e Compreender os Sentidos do
Texto. São Paulo: Contexto, 2006.
7 https://bit.ly/2P415JM.
mento prévio é criado e utilizado. Por exemplo, um livro científico
que explica um conceito e depois fala sobre a utilização desse con-
ceito. É preciso ter o conhecimento prévio sobre o conceito para
se aprofundar no tema, ou seja, é algo gradativo. Em leitura, o co-
nhecimento prévio são informações que a pessoa que está lendo
necessita possuir para ler o texto e compreendê-lo sem grandes
dificuldades. Isso é muito importante para a criação de inferências,
ou seja, a construção de informações que não são apresentadas no
texto de forma explícita e para a pessoa que lê conectar partes do
texto construindo sua coerência.
Conhecimento linguístico: conhecimento da linguagem; Capa-
cidade de decodificar o código linguístico utilizado; Saber acerca do
funcionamento do sistema linguístico utilizado (verbal, visual, vo-
cal).
Conhecimento genérico: saber relacionado ao gênero textual
utilizado. Para compreender um texto é importante conhecer a es-
trutura e funcionamento do gênero em que ele foi escrito, espe-
cialmente a função social em que esse gênero é usualmente em-
pregado.
Conhecimento interacional: relacionado à situação de produ-
ção e circulação do texto. Muitas vezes, para entender os sentidos
presente no texto, é importante nos atentarmos para os diversos
participantes da interação social (autor, leitor, texto e contexto de
produção).
Diferentes Fases de Leitura8
Um texto se constitui de diferentes camadas. Há as mais super-
ficiais, relacionadas à organização das estruturas linguísticas, e as
mais profundas, relacionadas à organização das informações e das
ideias contidas no texto. Além disso, existem aqueles sentidos que
não estão imediatamente acessíveis ao leitor, mas requerem uma
ativação de outros saberes ou relações com outros textos.
Para um entendimento amplo e profundo do texto é necessário
passar por todas essas camadas. Por esse motivo, dizemos que há
diferentes fases da leitura de um texto.
Leitura de reconhecimento ou pré-leitura: classificada como
leitura prévia ou de contato. É a primeira fase de leitura de um
texto, na qual você faz um reconhecimento do “território” do tex-
to. Nesse momento identificamos os elementos que compõem o
enunciado. Observamos o título, subtítulos, ilustrações, gráficos. É
nessa fase que entramos em contato pela primeira vez com o as-
sunto, com as opiniões e com as informações discutidas no texto.
Leitura seletiva: leitura com vistas a localizar e selecionar in-
formações específicas. Geralmente utilizamos essa fase na busca de
alguma informação requerida em alguma questão de prova. A lei-
tura seletiva seleciona os períodos e parágrafos que possivelmente
contém uma determinada informação procurada.
Leitura crítica ou reflexiva: leitura com vistas a analisar infor-
mações. Análise e reflexão das intenções do autor no texto. Muito
utilizada para responder àquelas questões que requerem a identifi-
cação de algum ponto de vista do autor. Analisamos, comparamos e
julgamos as informações discutidas no texto.
Leitura interpretativa: leitura mais completa, um aprofunda-
mento nas ideias discutidas no texto. Relacionamos as informações
presentes no texto com diferentes contextos e com problemáticas
em geral. Nessa fase há um posicionamento do leitor quanto ao
que foi lido e criam-se opiniões que concordam ou se contrapõem
8 CAVALCANTE FILHO, U. ESTRATÉGIAS DE LEITURA, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO
DE TEXTOS NA UNIVERSIDADE: DA DECODIFICAÇÃO À LEITURA CRÍTICA. In:
ANAIS DO XV CONGRESSO NACIONAL DE LINGUÍSTICA E FILOLOGIA
LÍNGUA PORTUGUESA
8
Os sentidos no texto
Interpretar é lidar com diferentes sentidos construídos dentro
do texto. Alguns desses sentidos são mais literais enquanto outros
são mais figurados, e exigem um esforço maior de compreensão
por parte do leitor. Outros são mais imediatos e outros estão mais
escondidos e precisam se localizados.
Sentidos denotativo ou próprio
O sentido próprio é aquele sentido usual da palavra, o sentido
em estado de dicionário. O sentido geral que ela tem na maioria dos
contextos em que ocorre. No exemplo “A flor é bela”, a palavra flor
está em seu sentido denotativo, uma vez que esse é o sentido lite-
ral dessa palavra (planta). O sentido próprio, na acepção tradicional
não é próprio ao contexto, mas ao termo.
Sentido conotativo ou figurado
O sentido conotativo é aquele sentido figurado, o qual é muito
presente em metáforas e a interpretação é geralmente subjetiva e
relacionada ao contexto. É o sentido da palavra desviado do usual,
isto é, aquele que se distancia do sentido próprio e costumeiro. As-
sim, em “Maria é uma flor” diz-se que “flor” tem um sentido figura-
do, pois significa delicadeza e beleza.
Sentidos explícitos e implícitos9
Os sentidos podem estar expressos linguisticamente no texto
ou podem ser compreendidos por uma inferência (uma dedução) a
partir da relação com os contextos extra e intralinguísticos. Frente
a isso, afirmamos que há dois tipos de informações: as explícitas e
as implícitas.
As informações explícitas são aquelas que estão verbalizadas
dentro de um texto, enquanto as implícitas são aquelas informa-
ções contidas nas “entrelinhas”, as quais precisam ser interpretadas
a partir de relações com outras informações e conhecimentos pré-
vios do leitor.
Observemos o exemplo abaixo
Maria é mãe de Joana e Luzia.
Na frase anterior, podemos encontrar duas informações: uma
explícita e uma implícita. A explícita refere-se ao fato de Maria ter
duas filhas, Joana e Luzia. Essa informação já acessamos instanta-
neamente, em um primeiro nível de leitura. Já a informação implí-
cita, que é o fato de Joana ser irmã de Luzia, só é compreendida a
medida que o leitor entende previamente que duas pessoas que
possuem a mesma mãe são irmãs.
Observemos mais um exemplo:
“Neto ainda está longe de se igualar a qualquer um desses cra-
ques (Rivelino, Ademir da Guia, Pedro Rocha e Pelé), mas ainda tem
um longo caminho a trilhar (...).”
(Veja São Paulo,1990)
Esse texto diz explicitamente que:
- Rivelino, Ademir da Guia, Pedro Rocha e Pelé são craques;
- Neto não tem o mesmo nível desses craques;
- Neto tem muito tempo de carreira pela frente.
9 http://educacao.globo.com/portugues/assunto/estudo-do-texto/implicitos-e-
-pressupostos.html
O texto deixa implícito que:
- Existe a possibilidade de Neto um dia aproximar-se dos cra-
ques citados;
- Esses craques são referência de alto nível em sua especialida-
de esportiva;
- Há uma oposição entre Neto e esses craques no que diz res-
peito ao tempo disponível para evoluir.
Há dois tipos de informações implícitas: os pressupostos e os
subentendidos
A) Pressupostos: são sentidos implícitos que decorrem logica-
mente a partir de ideias e palavras presentes no texto. Apesar do
pressuposto não estar explícito, sua interpretação ocorre a partir
da relação com marcas linguísticas e informações explícitas. Obser-
vemos um exemplo:
Maria está bem melhor hoje
Na leitura da frase acima, é possível compreender a seguinte
informação pressuposta: Maria não estava bem nos dias passados.
Consideramos essa informação um pressuposto pois ela pode ser
deduzida a partir da presença da palavra “hoje”.
Marcadores de Pressupostos
- Adjetivos ou palavras similares modificadoras do substantivo
Ex.: Julinha foi minha primeira filha.
“Primeira” pressupõe que tenho outras filhas e que as outras
nasceram depois de Julinha.
Ex.: Destruíram a outra igreja do povoado.
“Outra” pressupõe a existência de pelo menos uma igreja além
da usadae demaismercados europeus.
O povoado de Amarração foi uma estratégia de ocupação territorial que partiu da Igreja, por meio da ação dos padres, em 1823, que
ampliou sua freguesia com a realização de batizados e casamentos, passando a exercer infl uência direta sobre seus habitantes. Como
desdobramentos políticos e econômicos, fundados na relação comercial do povoado com a cidade de Granja, a Assembléia Provincial do
Ceará elevou o povoado à categoria de distrito (Lei nº 1.777, de 29 de agosto de 1865). Após nove anos, o distrito foi transformado em Vila
(Lei nº 1.596, de 5 de agosto de 1874), sendo instalada somente em 23 de julho de 1879 pelo presidente da Câmara Municipal de Granja,
de cujo território havia sido desmembrado. Contudo, em 1880, a província do Piauí reivindica a sua posse e seu território foi então anexado
ao desta província, mediante a lei geral nº 3.012 de 22 de outubro de 1880, na ocasião de anexação das Vilas de Crateús e Independência
ao Estado do Ceará.
Ainda neste período, a título das conquistas políticas sobre o governo central e comoresultado das exportações cearenses de algodão
para os ingleses, realizaram-se diversos investimentos públicos e privados que visaram apoiar a economia do algodão. Já em 1857, antes
doauge da economia algodoeira (durante 1860 e 1865), foi inaugurado o Trapiche do porto de Fortaleza. Dezoito anos após, o primeiro
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
71
trecho da estrada de ferro de Baturité foi entregue paraligar Arronches (Parangaba) a Mondubim e a Maranguape. Em 1876, Pacatuba
estaria sendobeneficiada pela ferrovia. O trecho até Baturité, somente concluiria-se em 1882, no mesmo anoem que se disponibilizava o
telégrafo por cabo submarino, melhorando a comunicação entreFortaleza e o sul do país, bem como com a Europa. O ramal da ferrovia
Camocim a Granja havia sido ligado um ano antes (1881) (IPLANCE, 1982).
Toda essa infra-estrutura e essa melhoria das comunicações representavam dupla possibilidade: o ir e vir das mercadorias e o trans-
porte de passageiros. A ferrovia e suas estações foram muito utilizadas para a imigração dos cearenses e para tentativa política de controle
da migração vinda do interior do Estado para Fortaleza e seu destino final, ao norte ou ao sudeste do país. Com isto, muitos dos imigrantes
que deveriam apenas fazer um trampolim nas cidades menores, permaneceram ali. Tais fatos viriam modifi car o processo de erguimento
dos povoados em vilas, com suas emancipações políticas.
Diferentemente deste desenvolvimento econômico e de infra-estrutura neste período, não havia um sistema de organização da di-
visão político-administrativa; para cada novo município correspondia uma legislação individual, tendo por base as Leis Provinciais, os
Decretos Leis e as Resoluções.
O Período Relativo à República Velha
Entre 1890 e 1929, cerca de 40 anos após o conturbado período político imperial, vive-se uma nova fase do algodão na economia cea-
rense, aquela voltada para seu mercado interno de beneficiamento industrial, a criação de novos municípios foi equivalente à registrada no
Império, quando se faz a relação entre o número de anos do período com as emancipações ocorridas. Foram criados 23 municípios, vindo
a se consolidar 87 municípios no território cearense (Quadro 3 e Figura 5).
Desta vez, o destaque é dado a Baturité, que serviu de exemplo tanto na expansão econômica quanto populacional e, portanto, no
desmembramento territorial. Isto porque, possuindo uma economia voltada para produção cafeeira, ela foi fortalecida pela produção
algodoeira, possibilitando seu crescimento populacional.
De acordo com informações populacionais de 1804, Baturité não figurava entre as principais Vilas do Estado, bem como em 1860 não
estava entre as principais áreas produtivas. Em 1872, já era a segunda vila produtiva com maior contingente populacional, atingindo 27
mil habitantes (Tabela 2). A população de Baturité passou a fi xar-se ali como resultado da economia algodoeira, dando origem a cinco
municípios desmembrados de seu território no início da República, no ano de 1890: Mulungu, Aratuba, Aracoiaba, Pacoti e Guaramiranga.
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
72
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
73
Na crítica de Andrade (1995, p. 56 a 58), a República não viria atender às expectativas dos que defendiam a necessidade de uma Re-
forma Agrária no Brasil. Ao contrário, a Constituição de 1891 reforçou o fato de as terras públicas continuarem sob o poder dos Estados,
de seus coronéis e currais eleitorais, reforçando o destino traçado, em 1850, pela Lei das Terras, que era de concentrar terra na mão dos
poderosos. Portanto, os confl itos pela terra persistiram, a exemplo da Guerra dos Canudos, na Bahia, entre 1896 e 1897.
O sistema político local continuava utilizando suas estratégias de obter recursos federais mediante o apelo social e o drama da seca. A
política hidráulica, que havia sido iniciada no século XIX, se amplia com a criação da Inspetoria de Obras Contra as Secas (IOCS) em 1909.
Entretanto, mais uma vez, tais benefícios políticos viriam favorecer as oligarquias dominantes.
A infra-estrutura básica do Nordeste foi implantada nos períodos de secas, contando com as instituições federais, construindo não apenas açu-
des, mas estradas, campos de pouso, reservatórios d’água, cercas nas propriedades privadas e etc. De acordo com IPLANCE: “a infra-estrutura física,
como elemento de base para o desenvolvimento das relações econômicas, evoluiu rapidamente desde fi ns do século passado [XIX], progredindo
para o nível de atividade contínua a partir de 1909, com a criação da Inspetoria de Obras Contra as Secas (IOCS atual DNOCS) [...].” (1982, p.58).
Tais instituições, criadas em resposta às crises climáticas nordestinas, de certo modo, favoreceram a ocupação mais consolidada do
território regional, contribuindo para a demarcação de suas fronteiras, tal como textualmente revela Costa:
“A delimitação das fronteiras político-administrativas do Nordeste é acionada principalmente na esfera política, sendo o Estado nacio-
nal seu protagonista mais significativo. As ações de socorro ao fl agelo em tempos de seca, a criação de instituições como o Departamento
Nacional de Obras Contra as Secas, o Instituto do Açúcar e do Álcool, a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco, a Compa-
nhia Hidroelétrica do São Francisco, o Banco do Nordeste do Brasil, culminando com a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste,
a qual está diretamente ligada a demarcação das atuais fronteiras do Nordeste, são exemplares desse protagonismo.” (2005, p. 38)
A dependência da província cearense dos recursos centrais não se limitava à questão das crises climáticas. A sedição de Juazeiro do
Norte, conduzida por Padre Cícero entre 1912 e 1914, constitui-se um exemplo da repressão do poder constituído e uma consequência ne-
gativa dessa dependência ao poder centralizado. Desta vez, tal confl ito popular motivou a intervenção Federal, em que, como nos anterio-
res, o Imperador controlara nomeando 43 Presidentes, entre 1841 e 1889. O Ceará, como todo o Norte, além de fi car ilhado das decisões
que favoreciam a economia sudeste (café com leite), não possuía nem o direito de escolher seus dirigentes (CRUZ FILHO, 1966, p.41-46).
Fatos que viriam justifi car porque tantas pessoas e famílias, até multidões de cearenses, abandonariam seu lugar de origem em busca
de melhores condições de vida. Assim, com a emigração dos cearenses, os desmembramentos perderam força, mas, em contrapartida, a
expansão populacional e territorial de Fortaleza tornara-se bastante visível.
As estatísticas populacionais no Brasil vieram melhorar com a criação do Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística (IBGE) em 1939.
Entretanto, com as fontes disponíveis, constata-se o crescimento populacional vertiginoso do Estado no início do século XX, cuja população
viria a concentrar-se, notadamente, em Fortaleza.
Desde 1860, verifi cava-se que a populaçãode Fortaleza tornara-se a mais representativa do Estado. Assim, entre 1890 e 1920, a população esta-
dual mudou de 806 mil para 1.319 mil habitantes, enquanto Fortaleza variou de 41 mil para 79 mil habitantes. Mas, duas décadas depois, em 1940, a
população cearense quase duplicara (chegou a 2.091 mil pessoas), enquanto a fortalezense crescera duas vezes mais (180 mil hab.) (SILVA, 2000, p.221).
Apesar de todo este crescimento populacional e de novos fatos econômicos, durante o período da República Velha ainda não havia
sido concebido um sistema de organização da divisão político-administrativa para dar condução ao intenso processo de criação, extinção e
restauração de municípios, o qual permanecera da mesma forma do período anterior (desordenada e conflituosa).
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
74
A Era Vargas e da República Populista
Este período que compreende o Estado Novo até a Ditadura Militar, ou seja, de 1930 a 1963, foi marcado por grandes transformações
políticas, sociais e econômicas, com fortes impactos sobre o território e a população
Ainda no período da Segunda Guerra, o governo populista de Vargas apóia a emigração demilhares de cearenses e nordestinos para a
Amazônia. Tais imigrantes viriam formar o chamado exército da borracha, pois foram trabalhadores que atuaram como em regime de guerra,
naexploração da borracha, visando o comércio externo. Para tanto, havia sido criada, em 1942, ainstituição Serviço Especial de Mobilização de
Trabalhadores para a Amazônia (SEMTA) e aHospedaria Getúlio Vargas para os imigrantes em Fortaleza, em 1943 (IPLANCE, 1982).
A população recenseada pelo IBGE, entre 1950 e 1960, mostrou que, apesar da forte perda populacional pela migração e pelas altas
taxas de mortalidade, ainda assim, tinha-se um crescimento expressivo da população urbana e rural.
Pode-se explicar este fato por ser nos anos 50 o período em que se inicia o processo deurbanização no Ceará, quando chega à maioria
das cidades médias a energia da Hidroelétricade Paulo Afonso. É também o tempo de uma nova institucionalização com uma linha maisde-
senvolvimentista do Estado, onde são criados o Banco do Nordeste do Brasil (BNB), a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste
(SUDENE), por exemplos (IPLANCE, 1982).
Foi o momento mais marcante para a industrialização cearense e nordestina, após a políticanacional de regionalização dos recursos
Federais via novas instituições (BNB, SUDENE), queviria transformar as relações sociais e de poder local e, com elas, o espaço.
Assim, deu-se o início da urbanização verifi cada durante os anos 1950 e 1960, embora acaracterística da maioria das sociedades cea-
renses ainda fosse rural, pois boa parte dos municípios ainda concentrava sua população nessas áreas e, apenas algumas principais cida-
dese outras recém emancipadas, possuíam esse atributo urbano. Em 1950, Fortaleza e Juazeirodo Norte destacavam-se neste processo de
urbanização, com taxas superiores à metade da população total. Em seguida, vinham Camocim, Sobral, Crato, Aracati e Maranguape, que
nãochegaram a 40% de urbanização. Alguns municípios com mais de 50 mil habitantes, considerados populosos para a época, contudo,
ainda eram predominantemente rurais, por exemplo,Cascavel, Acaraú e São Gonçalo do Amarante (Tabela 3).
O processo de urbanização parecia irreversível, pois alguns municípios que sofreram perdas populacionais, motivadas pelo desmem-
bramento de parte de seu território, continuaramcom sua população urbana em crescimento e, portanto, elevando a participação desta
sobreo total. Um exemplo deste fato pode ser visto em Camocim, que sofreu um desmembramentono período, relativo à Chaval; portanto,
sua população total em 1960 foi subtraída em 4.663pessoas, em relação a 1950, porém sua população urbana aumentou na mesma déca-
da de 1.385pessoas. Russas, Icó, São Benedito, Cascavel, Canindé, Itapajé e Tauá são outros casos com omesmo fenômeno de urbanização,
apesar da emancipação de municípios provenientes deles.
Mas poucos foram os casos onde a população total e urbana declinaram: Granja, Baturité e São Gonçalo do Amarante.
Tal pressão demográfi ca nem sempre era acompanhada dos recursos necessários para as necessidades básicas da população, seja
pela centralização Federal ou pela política clientelística local que favorecia seus apadrinhados. E esta função político-administrativa viria a
fazer diferença nas questões de emancipação, que colocaram em segundo plano a ordem econômica.
Assim foi esta a conclusão do IPLANCE (op. cit., p.63) à respeito da formação de cidades, onde, “as cidades brasileiras, de uma maneira
geral, e as cearenses, em particular, foram criadas com a função predominantemente de controle, não um controle mercantil de explora-
ção, mas principalmente político-administrativo”.
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
75
É deste período (1930-1963) que fl ui, pela primeira vez, a revisão geral territorial interna e externa, com a preocupação de delimitar,
além das fronteiras nacionais, os limites municipais.
Como já havia sido comentada anteriormente, a criação do IBGE foi um grande marco desta política territorial. O controle sobre a po-
pulação sobre o território viria dar força e prestígio a esta instituição, responsável pelo recenseamento, estimativas populacionais e cartas
geográfi cas, cujas bases de toda política territorial de distribuição dos recursos estaduais e municipais estavam centralizados no governo
federal (ANDRADE, 1995, p.121).
A centralização do poder, característica deste período, não foi um fato novo para os brasileiros. Contudo, a visão intervencionista do Estado
na economia e a versão populista do governo e da política fizeram toda a diferença, conduzindo a novos fatos, inclusive de cunho territorial.
No Estado Novo e na República Populista, o desmembramento chegou a 54 novos municípios,totalizando 141. Neste último período,
a fragmentação territorial ocorreu com maior densidade emalguns anos, uma vez que durante 20 anos (1930 até 1950) ocorreu a criação
apenas do Municípiode Baixio, em 1932, desmembrado de Lavras da Mangabeira. Constata-se uma concentração nacriação de municípios,
em dois anos desse período: em 1951, com onze emancipações, e em 1957,com 29 emancipações. Os municípios restantes foram criados
em 1953 (dois), 1956 (cinco), 1958(cinco) e um município no ano de 1959 (Quadro 4 e Figura 6)
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
76
O surgimento de novos municípios acontecera em 8 das 16 células básicas originais do Estado, onde Lavras da Mangabeira, Gran-
ja, Sobral , Russas e Tauá estãodentre aquelas com maior número de desmembramentos. Embora não conste comomunicípio original,
Limoeiro do Norte foi a célula em que ocorrera maior número dedesmembramentos no período, dando origem a três novas unidades
administrativas.
Na centralização administrativa, emerge uma contradição no processo de desmembramento dos municípios. Há um movimento que
procura a fragmentação, visando autonomia e decisão própria sobre os destinos de seu território e de sua população, querendo fugir do
descaso municipal em que se encontrava na forma de povoado ou de distrito. Alguns municípios, contudo, por serem tão minúsculos
(econômica e demograficamente), persistem na dependência direta dos recursos federais e, posteriormente, tendem a serem extintos,
tal como fora observado pelo IPLANCE:
“[...] a centralização no tocante à elaboração de planos, programas e projetos a nível federal, contribui para que os municípios percam
cada vez mais a sua autonomia. Em contrapartida, certos municípios, não apresentando o mínimo de condições de sobrevivência, tornam-
-se um ônus para a União, que os extingue.” (1982, p. 62).
Foi o que aconteceu com 160 municípios criados, no período de 1958 a 1963, que não chegaram sequer a serem instalados. Destes
municípios, 9 foram criados entre os anos de 1958 e 1962 e os 151 restantes no ano de 1963, não sendo, portanto, contabilizados nas
análises anteriores (Quadro 5).
Nas décadas seguintes,entre os anos 1970 e 1980, durante a ditadura militar, a urbanização tomou um forte impulso, bem como a
metropolização de Fortaleza.
A centralização do poder implicou na centralização dos investimentos públicos e privados no espaço urbano.
A Ditadura Militar e a Nova República
Considerando o longo período de 1964 aos dias atuais, pode-se resgatar pelo menos três grandes momentos políticos, que, de certo
modo, estão diretamente ligados ao movimento de fragmentação territorial do Ceará.
No primeiro momento, o regime militar em seus dez “anos de chumbo”, entre 1964 e 1974, teve por característica principal a centra-
lização política, a repressão das liberdades individuais regimentada nos anos de 1964 a 1967 pelos Atos Institucionais (1, 2, 3 e 4).
Originário de Uruoca, Campanário foi o único município criado neste período pela lei n.º 7135 de 10/01/1964, sendo extinto em
14/12/1965 pela Lei n.º 8.339 juntamente com os municípios do Quadro 5. A Lei Complementar Nº 1 de 1967, volta a definir critérios para
a criação de municípios como forma de ordenar a evolução política do Estado.
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
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O Ato Institucional nº 5 de 1968, conhecido como AI 5, foi o mais abrangente e autoritário de todos os outros Atos Institucionais, fe-
chou o Legislativo, suspendeu os direitos políticos e as garantias constitucionais, deixou os estados e municípios sob intervenção federal,
resultando na paralisação do processo de emancipação municipal em todo o país.
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
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CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
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CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
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Os dez anos seguintes, de 1975 a 1985, foram marcados pelo agravamento da crise econômica, com o aumento da inflação, da dívida
interna e externa, resultando em recessão e no final do milagre econômico. A pressão social e política aumentou com as demandas popu-
lares por maiores liberdades que desestabilizavam o governo brasileiro no fim da década 70.
Inicia-se, então, lenta e gradualmente, a transição para a democracia com reformas políticas e econômicas, visando a reestruturação
do Brasil. Temos como exemplo a revogação do Ato Institucional nº 5 (AI 5) em 1978; a Anistia Geral e Irrestrita, a todos os presos políticos;
a implementação do pluripartidarismo; e, no ano de 1982, a realização das eleições direta para Governadores dos Estados.
Nova alteração na divisão político-administrativa ocorreu somente em 1983, já no período de abertura política, com uma única eman-
cipação do município de Maracanaú, desmembrado de Maranguape, fato explicado pela alta concentração populacional e industrial.
Neste ano, tem início o movimento da sociedade civil pelas Diretas-já, sendo, no ano seguinte, apresentada e rejeitada a Emenda Dante
de Oliveira, que propunha o restabelecimento das eleições diretas para Presidente da República.
Depois desta fase, tem início no ano de 1985 a Nova República, momento de transição democrática e de abertura política, consolidada
com a convocação da Assembléia Constituinte que elaborou e promulgou a Constituição Federal de 1988, grande marco na redemocrati-
zação brasileira, quando importantes avanços políticos e sociais são conquistados.
Neste período, também considerado um outro intervalo político favorável às emancipações municipais, até 30/06/1988 e ainda ante-
rior a Constituição de 05/10/1988, 36 distritos foram elevados a categoria de municípios (Quadro 6 e Figura 7)
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
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CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
82
Na sequência, a Constituição Federal institui novas regras de emancipação dos municípios, descentralizando as competências para
esfera estadual e municipal. A Constituição Estadual de 1989 regulamenta parcialmente o processo de ordenamento territorial. Depois
deste momento, foram emancipados somente seis municípios.
Assim, 43 novos municípios obtiveram autonomia politico-administrativa durante todos os anos posteriores ao Golpe Militar de 1964,
totalizando os atuais 184 municípios cearenses (Quadro 6 e 7, Tabela 4 e Figura 7 e 8).
Merece destaque que, à exceção de sete municípios (Barreira, Eusébio, Banabuiú, Barroquinha, Jijoca de Jericoacoara, Itaitinga e
Fortim) todos os outros 36 municípios criados nesteperíodo, haviam sido extintos pela Lei Nº. 8.339 de 14/12/1965. Os outros municípios
extintospor esta mesma legislação, também entraram com processo de emancipação na AssembléiaLegislativa. Mas foi o momento em
que o Executivo encaminhou para o Legislativo a LeiComplementar Nº 1 (de 5/11/1991) com definição de critérios necessários para a
emancipaçãomunicipal, visando a regimentação e o ordenamento para estas pretensões de emancipação
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
83
Nestes últimos quarenta anos, perceberam-se mudanças políticas, econômicas e sociais,que espacialmente se fi zeram visíveis dentro
e no entorno das grandes e médias cidades, sem,necessariamente, terem relação com o território estadual como um todo. E, assim, o
processode emancipação dos municípios que possuía um maior estreitamento com a economia ruralsofreu uma mudança considerável ao
fi car mais intimamente relacionado à urbanização e àterceirização. Com relação à industrialização, nota-se uma relativa infl uência somen-
te na fasemais recente, revelando-se mais como uma tendência dos anos 90, e da metropolização comoconsequência da reestruturação
produtiva e de abertura de mercado, em resposta à crise capitalista mundial.
Em 2000, segundo censo demográfi co do IBGE, tanto a urbanização estaria sendo generalizada, quanto permaneceria uma concen-
tração populacional metropolitana numa relativarede de cidades médias. Apenas 15 dos 184 municípios possuíam taxa de urbanização
inferiora 30%. Ao mesmo tempo, 116 municípios estavam com sua população rural passando por taxasnegativas, ou seja, o fenômeno da
urbanização ainda não se completou, mas está bastante avançado. Logo, é coerente dizer que a urbanização esteja afetando, inclusive, a
formação dos novosmunicípios (IPLANCE, 2002, p. 194-196).
Aracati, Aquiraz, Sobral, Quixeramobim, Guaraciaba do Norte, Itapipoca foram os municípios dos 16 originais que sofreram fragmen-
tação territorial neste período. Além de densamente povoados, possuíam um território expressivo, passível de desdobramentos. Seriam,
noentanto, as razões políticas e econômicas mais fortes que estariam subjacentes ao fenômenourbano e populacional.
A redemocratização do país, com a Constituição Federal (1988), gerou mais expectativasdo que realizações. Ainda assim, o diálogo
pode ser considerado aberto, bem como a participação popular nos movimentos sociais e urbanos. E com isto, também muda o processo
deemancipação dos municípios, inclusive na sua forma legal, que corresponde aos costumes eusos vigentes de cada época.
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
84
Acompanhar toda essa transformação sócio-territorial por instrumento legal seria desejável, porém, não necessariamente possível.
Isto porque a legislação é fruto de uma ordem políticadominante que tende a conservar as relações de forças em seu benefício e reverter
as que lheacarretam prejuízo. Então, compreende-se melhor porque permanecem tão longos períodos emtotal descaso institucional,
quando outros, bastante curtos, estão repletos de instrumentos legais. É, portanto, esta a discussão que se remete para a análise fi nal a
respeito da fragmentaçãodo espaço cearense, ao longo de sua história até os dias atuais.
As Transformações Ordenadas com Base Legal
As emancipações municipais requerem decisões administrativas e políticas. Necessitam de base legal que defi na critérios para a
criação de municípios, determine os limites municipais e consolide o território como um todo. Mas tal processo não é tão ordenado e
contínuo, temporal e geografi camente falando, como espera-se ou supõe os menos avisados.
Já comentou-se bastante a respeito das razões que emergiram para as decisões políticoadministrativas ao longo do processo de frag-
mentação do território cearense.Entretanto, especifi camente quanto ao aparato legal, é preciso que se detalhe melhor a problemática
relativa às fronteiras municipais.
A questão legal é um assunto específi co do problema de fronteiras, ao permitir solução para sua delimitação precisa. Isto porque, as
leis tanto podem surgir individualmente, atendendo situações particulares dos municípios, como podem corrigir e regular todas as confi
gurações municipais, dirimindo problemas e ordenando todo o território. No caso cearense, houve período sem qualquer regulação geral,
sendo poucas as iniciativas neste sentido, acentuando a importância dessa base legal de acordo com a evolução político-administrativa.
Antes de entrar nos detalhes do caso cearense é importante citar que, no Brasil, os Governos Estaduais seguem, mais ou menos, o
parâmetro nacional da questão territorial tratada em sete constituições republicanas,51 assim como foi no período do Império, com a
pequena abertura introduzida na Constituição de 1824.
O que há de comum nas Constituições Brasileiras sobre o assunto do território é a relativa autonomia que se dá ao município, exceto
na Constituição de 1937, durante a ditadura populista. Na sequência dos grandes períodos do Estado Brasileiro, o ordenamento territorial
sofreu diversas alterações. O sistema de transferências de recursos, por exemplo, foi criado por ocasião da Constituição de 1946. Mas a
Ditadura Militar modifi cou as regras institucionais de transferências e de fragmentação do território, entre 1964 e 1982, destacando-se a
perda de competência dos Governos Estaduais para regulamentarem o assunto.
Com a Constituição de 1988, surge um novo pacto federativo, ampliando os recursos fi scais e a competência tributária dos Estados
e Municípios.
A descentralização de recursos fi scais transferidos para os municípios é uma característica da Nova República, destacando-se ainda a
autonomia de defi nição de critérios para a criação de municípios em lei estadual e lei municipal para a criação de distritos.
O Estado perdeu o poder formal de decisão interna aos municípios, em compensação assumiu a liderança nas transferências do
Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), principal fonte de renda dos pequenos municípios, voltando a regulamentar a
criação de municípios.
Tal descentralização motivou o aumento da quantidade de desmembramentos municipais tal como pode-se acompanhar no desenro-
lar das emancipações cearenses, tendo em vista a perspectiva de recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Tais fatos recentes estimularam uma nova onda de fragmentação em todo território nacional, fazendo que o governo federal, a exem-
plo do governo cearense da época, emitisse medidas de controle e restritivas, criando a Emenda Constitucional Nº 15/1996 (TOMIO, 2005,
p.2-3, 8-9).
A Legislação Territorial
Ao longo desta investigação, procurou-se ter o cuidado de mostrar que para cada município cearense emancipado corresponde uma
lei de criação e outra de consolidação, conforme os Quadros 1 a 4, que também revelam durante longos anos a não preocupação, de ado-
tar critérios ou de ordenar tal processo de fragmentação do território como um todo.
No Estado Novo, foi criada legislação dispondo sobre a divisão do território (o DecretoLei nº 193 de 20/05/1931), sendo este o primei-
ro instrumento normativo da divisão territorial e administrativa do Ceará. Apesar de introduzir um novo regime na ordenação do território,
manteve o mesmo contexto de criações, extinções e restaurações de municípios e com alterações de topônimos.
Mas esta legislação teve pouca duração sendo revista logo a seguir, pois fi cou em desacordo com o Decreto Federal nº 20.348 de
29/08/1931, baixado três meses depois ordenando a descrição dos limites, que deviam seguir os acidentes naturais, dando praticidade à
população quanto ao acesso aos serviços públicos. O Decreto Estadual nº 1.156, de 04/12/1933 defi niu, parcialmente, os limites adminis-
trativos municipais, consolidando 66 (75%) dos 88 municípios existentes no Ceará.
Mesmo ordenando boa parte do território cearense, a legislação de 1933 ainda não defi nia critérios gerais, pois se aplicava apenas a
alguns casos conhecidos. E, assim, em 1938, fez-se necessário um Decreto Federal (nº 311 de 02/03/1938) dispondo sobre a divisão ter-
ritorial do país e defi nindo os requisitos fundamentais para o seu ordenamento. A partir de então, o quadro territorial vigente só poderia
ser alterado pelas leis gerais quinquenais e determinando a exigência da confecção de um mapa, no intervalo máximo de um ano para cada
novo município criado (MAIA, 1992) (ANEXO A).
Tendo em vista o cumprimento do referido Decreto Federal, foi homologado o DecretoEstadual nº 448, de 20/12/1938, que modifi cou
alguns topônimos e fi xou os limites de 79 municípios e 388 distritos cearenses, com vigência de 01/01/1939 a 31/12/1943. Esta legislação
foieditada pelo Interventor Federal no Estado do Ceará Francisco Menezes Pimentel, momentoem que a nova divisão político-administra-
tiva entrou em vigor em todo o país.
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
85
Na divisão administrativa de 1938, foram consolidados 14 municípios deixados de ladoem 1933, apesar de terem sido criados por leis
anteriores, quais foram: Araripe, Boa Viagem,Cariré, Coreaú (antiga Palma), Farias Brito (Ex-Quixará), Ipueiras, Jaguaretama (Frade), Pacajus (Gua-
rani), Pedra Branca, Pentecoste, Reriutaba (Santa Cruz), Saboeiro, São Gonçalo doAmarante (São Gonçalo) e Solonópole (Cachoeira). Ressalte-se,
contudo, o caso de Paracuruque tendo sido consolidado em 1933, não permaneceu nesta situação em 1938.
O Decreto Estadual nº 1.114 de 30/12/1943 veio cumprir a determinação de leis quinque-nais, embora sem criar ou extinguir qualquer
município, cujas alterações eram previstas parasomente o quinquênio de 1944/1948, mas permanecendo em vigor até a Lei nº 1.153,
de22/11/1951. Mencionada lei de 1951, ao contrário da anterior, foi prevista para abranger somente doisanos, mas até hoje não foi atua-
lizada ou substituída, mantendo-se em vigência apesar dos inúmerosproblemas decorrentes desta defasagem (MAIA, 1992).
Esta lei, de 1951, descreve os limites dos 99 municípios e de 545 distritos cearenses existentes àépoca, determinando também o im-
pedimento de alterações na divisão territorial e administrativa até31/12/1953. Dos municípios consolidados em 1938 e em 1943, foram
alteradas algumas toponímiase emancipados 11 municípios, tais como: Barro, Capistrano, Cariús, Chaval, Frecheirinha, Iracema,Itatira,
Jatí, Marco, Monsenhor Tabosa e São Luís do Curu. Os municípios de Beberibe, Meruoca,Porteiras, Trairi, criados anteriormente, porém
sem constarem nas três consolidações anteriores, foramincluídos no quadro territorial de 1951. O município de Paracuru voltou a ser
consolidado por esta Lei.
Esta é a legislação mais completa de consolidação do quadro territorial do Estado e, pode-se dizeraté em termos de parâmetros téc-
nicos para o ordenamento territorial. No Art. 1º, parágrafos 1º e 2º,está determinado um fato relevante na realização de trabalho técnico,
conforme transcrição do Diário Oficial do Estado do Ceará do ano de 1952:
“§1º - Não constituem alteração os atos interpretativos de linhas divisórias intermunicipais e interdistritais, que se tornarem necessá-
rios para melhor e mais fi el caracterização destas linhas, à luz de documentação geográfi ca ou cartográfi ca mais perfeita, desde que da
interpretação não resulte um deslocamento tal da uma divisória que qualquer cidade ou vila, saia do seu âmbito municipal ou distrital.”
“§2º - Mediante licença da Assembléia Legislativa, poderão os Municípios fi rmar acordos para modifi car os seus limites.”
Então, conforme determinam estes parágrafos da legislação, são válidas as interpretações técnicas e os ajustes realizados visando uma me-
lhor confi guração do território e representação cartográfi ca.
Também vale ressaltar a importância da Assembléia Legislativa na ofi cializaçãodos acordos realizados entre os municípios, visando a
preservação da identidade cultural e política das populações, assim como a facilidade e o histórico administrativo.
A partir de 1953, os municípios criados possuem uma legislação que defi ne apenas o seu território, sem alterar a descrição dos limites
dos municípios vizinhos. De 1953 à 1959, foram criados 42 municípios, Entre 1983 e 1992, 43 novas unidades administrativas obtiveram
autonomia perfazendo um total de 184 municípios, sendo que deste total, 85 municípios com a legislação defi nidora dos limites desa-
tualizada, ampliando mais ainda o problema de defasagem de legislação com suas consequências refletindo na imprecisão das fronteiras
municipais cearenses (Figura 9).
Ressalte-se que o descontrole na criação de municípios pode gerar consequências mais sérias, tal como ocorreu no fi nal da década
50 até o ano de 1964, quando foram criados 161 municípios sem qualquer critério de emancipação ou de defi nição das linhas de divisas,
sendo extintos pela Lei Estadual nº 8.339 de 14/12/1965. Esta é uma situação que representa instabilidade política e fi nanceira que faz
sofrer a população local e desgasta toda a gestão municipal.
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
86
A Lei Federal Complementar nº 1, de 1967, voltou a defi nir critérios para a emancipação de municípios; após esta legislação, não
ocorreu nenhuma alteração na divisão político-administrativa durante os anos 70. A partir de 1983, deu-se início novo processo de eman-
cipação, com a criação de 37 novos municípios, já dentro do período de relativa descentralização administrativa e de redemocratização
do país, e ainda anterior à Constituição Federal vigente de 5/10/1988 quando a regulamentação da divisão territorial foi transferida para
os Estados.
No Título III, “Da organização do Estado” e no Capítulo I, “Da Organização Político-Administrativa” o Art. 18 defi ne a organização po-
lítico-administrativa, determinando no § 4º essa descentralização com participação da população:
“A criação, a incorporação, a fusão e o desmembramento de Municípios preservarão a continuidade e a unidade histórico-cultural do
ambiente urbano, far-se-ão por lei estadual, obedecidos os requisitos previstos em lei complementar estadual, e dependerão de consulta
prévia, mediante plebiscito, às populações diretamente interessadas.”
Por sua vez, a Constituição do Estado do Ceará, de 1989, em seu Art. 31, defi ne os requisitos para a emancipação de municípios,
alterados pela Emenda Constitucional nº 3, de 15/08/1991, que determinou: “nenhum Município será criado sem a verifi cação da exis-
tência na respectiva área territorial dos requisitos relacionados com a população, densidade eleitoral, infra-estrutura, renda, ou potencial
econômico e demais critérios estabelecidos em Lei Complementar”.
Em novembro de 1991, foi homologada a Lei Complementar nº 1 de 5/11/1991, pioneira no paísem disciplinar e regimentar o proces-
so de criação dos municípios. Dentre os requisitos constam: aexigência de população igual ou superior a 1,5 (um vírgula cinco) milésimo da
população do Estado,com no mínimo vinte por cento de eleitores; com distrito defi nido por lei e centro urbano constituído,com no míni-
mo 400 prédios construídos; renda tributária de no mínimo dez milésimos por cento daarrecadação tributária do Estado, permanecendo
esta condição para o município do qual está sendodesmembrado o distrito.
Os requisitos defi nidos nesta Lei barraram uma avalanche de desmembramentos em tramitação na Assembléia Legislativa do Estado
na época. Na última década do século XX surgiram apenas seis novos municípios, não sendo observada nenhuma emancipação no século
atual.
No sentido de controle da criação de municípios na instância Federal, tal como a Emenda Constitucional Estadual de 1991, foi sancio-
nada a Emenda Constitucional nº 15 de 12/09/1996, determinando a necessidade da realização de estudos para verifi cação da viabilidade
municipal; a consulta prévia às populações envolvidas, mediante plebiscito; além da defi nição de período para criação de novos municí-
pios, conforme Lei Complementar a ser editada, seguindo novamente, desta forma, o percurso do Estado do Ceará.
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
87
Até o ano 2009, não foi editada a lei Complementar Federal para regimentar sobre o assunto, encontrando-se suspensa a criação de
municípios em todo o país.
Considerando que, desde 1991, o Estado do Ceará já havia editado a Lei Complementar nº 1 que disciplinou o processo de criação de
novos municípios, houve entendimento da Assembléia Legislativa do Ceará que se pode continuar a criar municípios no Estado cearense,
já que esta temática está devidamente regimentada.
Diante deste entendimento, foi aprovada pela Assembléia Legislativa e sancionada pelo Governador do Estado a Lei Complementar nº
84 alterando e atualizando os requisitos da Lei Complementar nº 1 de 05/11/1991.
Após a publicação desta nova legislação, frente à possibilidade de autonomia político-administrativa, foram protocolados, na Assem-
bléia Legislativa do Ceará, pelas lideranças locais, até o mês de março de 2010, 40 processos que foram encaminhados ao IBGE e IPECE
para a realização dos estudos de viabilidade municipal, e, mediante o atendimento dos requisitos defi nidos na legislação, a elaboração do
memorial descritivo e do mapa do pretenso município para posterior consulta as populações envolvidas.
Essa legislação permite ainda a alteração dos limites municipais com a incorporação e a fusão de áreas, viabilizando soluções para as
questões de desobediência administrativa e litígios municipais, possibilitando, desta forma, o reordenamento do quadro político-adminis-
trativo do Estado do Ceará
fonte: https://www.ipece.ce.gov.br/wp-content/uploads/sites/45/2015/02/Formacao_Territorio_Evolucao_Politico_Administrativa_Cea-
ra_Questao_Limites_Municipais.pd
QUESTÕES
1.IDECAN - 2023 - Prefeitura de Fortaleza - CE - Guarda Municipal
Do ponto de vista histórico, o nome da cidade de Fortaleza faz referência:
(A) aos índios Tapebas da Fortis Brasilis.
(B) a Mem de Sá, primeiro capitão da Capitania Fortaleza.
(C) ao Forte Harmar, construído às margens do riacho Pajeú.
(D) ao Forte Schoonenborch, resultante do domínio holandês sobre a região.
2.IDECAN - 2023 - Prefeitura de Fortaleza - CE - Guarda Municipal
São pontos turísticos da cidade de Fortaleza:
(A) Estoril, Mercado dos Peixes e Beach Park.
(B) Praia do Futuro, Estoril e Campo do América.
(C) Ponte dos Ingleses, Mercado dos Peixes e Praça do Ferreira.
(D) Igreja de Fátima, Parque do Cocó e Centro de Eventos.
3.IDECAN - 2023 - Prefeitura de Fortaleza - CE - Guarda Municipal
O Produto Interno Bruto (PIB) não se destina exclusivamente à medição de todas as riquezas produzidas no País, podendo ser calcu-
lado também pelos Estados e Municípios da Federação. No caso da cidade de Fortaleza, segundo levantamentos econômicos recentes, é
correto afirmar que o seu PIB está atualmente no intervalo de:
(A) 50 a 100 bilhões de reais.
(B) 20 a 30 bilhões de reais.
(C) 100 a 200 bilhões de reais.
(D) 150 a 300 bilhões de reais.
4.CETREDE - 2023 - CPSMBS - CE - Técnico em Enfermagem
O Parque Estadual do Cânion Cearense, inserido no contexto rural dos municípios de Crateús e Poranga, foi criado dentro da APA do
Rio
(A) Orós.
(B) São Francisco
(C) Poti.
(D) Jaguaribe.
(E) Salgado.
5.CETREDE - 2023 - Prefeitura de Santana do Acaraú - CE - Professor PEB II - Ciências da Natureza
Segundo registros históricos, a construção da igreja Nossa Senhora Sant’ Ana remonta os anos de 1739 e é fruto da promessa de
(A) Frei Cristóvão de Lisboa.
(B) Capitão Manoel Ferreira.
(C) Jeronimo de Albuquerque.
(D) Padre Silveira.
(E) Coronel Sebastião de Sá.
CONHECIMENTOS GERAIS/ATUALIDADES
88
6.CETREDE - 2023 - Prefeitura de Santana do Acaraú - CE - Agen-
te Administrativo
Segundo informações da Secretaria da Segurança Pública e De-
fesa Social do Ceará, o ano de 2023 começou com o aumento deregistros de violência doméstica no Estado, sendo que os números
registrados em janeiro e fevereiro são os maiores dos últimos seis
anos.
Lei que estabelece punição adequada e coibição de atos de vio-
lência doméstica contra a mulher.
(A) Lei da Mulher.
(B) Lei Maria da Penha.
(C) Lei Marielle.
(D) Lei Margarida Alves.
(E) Lei Marlene da Penha
7.CETREDE - 2023 - Prefeitura de Caucaia - CE - Gestão em
Acompanhamento, Suporte e Apoio na Área Educacional
Caucaia é uma denominação de origem indígena que quer dizer
(A) queimado.
(B) iluminado.
(C) congelado.
(D) cozido.
(E) assado.
8.CETREDE - 2023 - CPSMBS - CE - Enfermeiro
De acordo com registros históricos, a imagem de Nossa Se-
nhora de Fátima saiu de Portugal para cruzar cidades brasileiras.
A passagem da imagem por Crateús ocorreu. No entanto, devotos
impediram que ela deixasse a cidade e, como consequência,
(A) foi fechada a igreja de Crateús temporariamente.
(B) a construção do Arco de Nossa Senhora de Fátima não foi
reprovada.
(C) as populações de Crateús não puderam mais receber pere-
grinação de imagens.
(D) Crateús ficou conhecida como a cidade do castigo.
(E) a imagem de Nossa Senhora de Fátima não permaneceu o
tempo previsto na cidade.
9.CCV-UFC - 2022 - UFC - Casas de Cultura Estrangeira - Primei-
ro Semestre (Todas as Casas)
Uma das principais características do clima do Ceará é o fenô-
meno da seca, que se manifesta, periodicamente, pela total falta
de chuvas, na estação chuvosa, ou pela irregularidade das precipi-
tações. Marque a alternativa que identifica o fenômeno conhecido
como “Seca Verde”.
(A) A vegetação natural não nasce, somente se for plantada
manualmente.
(B) A vegetação natural não nasce, desta forma não há produ-
ção agrícola.
(C) A vegetação natural nasce, mas a produção agrícola é pre-
judicada.
(D) A vegetação natural nasce e a produção agrícola não é pre-
judicada.
10. CCV-UFC - 2022 - UFC - Casas de Cultura Estrangeira - Se-
gundo Semestre
Sobre os povos indígenas que habitavam o Ceará antes da colo-
nização, assinale a opção correta.
(A) Para melhor cristianizar os índios, os jesuítas usaram como
estratégia a substituição das línguas originais nativas pelo
nheengatu, língua geral, que tinha como base o vocabulário e
a pronúncia tupi, e como referência a gramática da língua por-
tuguesa.
(B) Com o objetivo de escravizar os índios, os jesuítas se instala-
ram na Serra da Ibiapaba e fundaram, em 1615, o aldeamento
de Nossa Senhora de Assunção da Ibiapaba, atual cidade de
Viçosa do Ceará.
(C) Martim Soares Moreno, quando esteve no Ceará, em 1607,
registrou a existência de 10 grupos indígenas.
(D) Segundo Pompeu Sobrinho (1937), a população indígena do
Ceará, no início da colonização portuguesa, chegava a 75.000
Tapuias.
GABARITO
1 D
2 C
3 A
4 C
5 A
6 B
7 A
8 A
9 D
10 A
ANOTAÇÕES
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89
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
Guarda Municipal
NOÇÕES SOBRE SEGURANÇA PÚBLICA: DEFINIÇÃO.
COMPONENTES.
CAPÍTULO III
DA SEGURANÇA PÚBLICA
Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e res-
ponsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem
pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos
seguintes órgãos:
I - polícia federal;
II - polícia rodoviária federal;
III - polícia ferroviária federal;
IV - polícias civis;
V - polícias militares e corpos de bombeiros militares.
VI - polícias penais federal, estaduais e distrital.(Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 104, de 2019)
§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanen-
te, organizado e mantido pela União e estruturado em carreira,
destina-se a:” (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998)
I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou
em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou de suas
entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras in-
frações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacio-
nal e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei;
II - prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e dro-
gas afins, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fa-
zendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de com-
petência;
III - exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de
fronteiras; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998)
IV - exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária
da União.
§ 2º A polícia rodoviária federal, órgão permanente, organizado
e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se, na for-
ma da lei, ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais. (Reda-
ção dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
§ 3º A polícia ferroviária federal, órgão permanente, organi-
zado e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se,
na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das ferrovias fede-
rais. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
§ 4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de car-
reira, incumbem, ressalvada a competência da União, as funções
de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as mi-
litares.
§ 5º Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preser-
vação da ordem pública; aos corpos de bombeiros militares, além
das atribuições definidas em lei, incumbe a execução de atividades
de defesa civil.
§ 5º-A. Às polícias penais, vinculadas ao órgão administrador
do sistema penal da unidade federativa a que pertencem, cabe a se-
gurança dos estabelecimentos penais. (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 104, de 2019)
§ 6º As polícias militares e os corpos de bombeiros militares,
forças auxiliares e reserva do Exército subordinam-se, juntamente
com as polícias civis e as polícias penais estaduais e distrital, aos Go-
vernadores dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios. (Reda-
ção dada pela Emenda Constitucional nº 104, de 2019)
§ 7º A lei disciplinará a organização e o funcionamento dos ór-
gãos responsáveis pela segurança pública, de maneira a garantir a
eficiência de suas atividades. (Vide Lei nº 13.675, de 2018) Vigência
§ 8º Os Municípios poderão constituir guardas municipais des-
tinadas à proteção de seus bens, serviços e instalações, conforme
dispuser a lei.(Vide Lei nº 13.022, de 2014)
§ 9º A remuneração dos servidores policiais integrantes dos ór-
gãos relacionados neste artigo será fixada na forma do § 4º do art.
39. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
§ 10. A segurança viária, exercida para a preservação da ordem
pública e da incolumidade das pessoas e do seu patrimônio nas vias
públicas: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 82, de 2014)
I - compreende a educação, engenharia e fiscalização de trân-
sito, além de outras atividades previstas em lei, que assegurem ao
cidadão o direito à mobilidade urbana eficiente; e (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 82, de 2014)
II - compete, no âmbito dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, aos respectivos órgãos ou entidades executivos e seus
agentes de trânsito, estruturados em Carreira, na forma da lei. (In-
cluído pela Emenda Constitucional nº 82, de 2014)
FORÇAS ARMADAS E FORÇAS AUXILIARES.
DIFERENÇAS E ATRIBUIÇÕES. COMPETÊNCIA
MUNICIPAL
Antes de iniciar o tema segurança pública, há a necessidade de
se dar uma visão sobre o conceito de poder de polícia. Trata-se da
faculdade de que dispõe a Administração Pública para condicionar
e restringiro uso e gozo de bens, atividades e direitos individuais,
em benefício da coletividade ou do próprio Estado.
Pode-se afirmar, contudo, que o poder de polícia é o mecanis-
mo de frenagem de que dispõe a Administração Pública para conter
os abusos do direito individual.
Entretanto, se os representantes da Administração Pública ex-
trapolarem os limites da legalidade deverão, observados o contradi-
tório e a ampla defesa, sem prejuízo de outras sanções previstas em
lei, serem punidos pelo crime de abuso de poder ou de autoridade
descrito na lei 4898, de 09 de dezembro de 1965.
O artigo 5º, inciso II, da Constituição Federal reza que “ninguém
será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma senão em virtude
de lei”. O artigo 37, parágrafo 6º, do mesmo texto federal, trata da
responsabilidade civil e objetiva da Administração Pública.
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
90
O artigo 144, da Constituição Federal de 05 de outubro de
1988, nos ensina que a segurança pública, dever do Estado, direito
e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da or-
dem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, atra-
vés dos seguintes órgãos: polícia federal, polícia rodoviária federal,
polícia ferroviária federal, policias civis, polícias militares e corpos
de bombeiros militares e, também, guardas municipais.
O parágrafo 8º, do mesmo diploma constitucional, reza que os
municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à pro-
teção de bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei.
Passemos a analisar, à luz do texto constitucional federal, as
funções de cada órgão:
Polícia Federal – artigo 144, inciso I, parágrafo 1º:
→ Apurar infrações penais contra a ordem política e social ou
em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou de suas
entidades autárquicas e empresas públicas, assim como outras in-
frações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacio-
nal e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei.
→ Prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas
afins, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendá-
ria e outros órgãos públicos nas respectivas áreas de competência.
→ Exercer as funções de polícia marítima, aéreo-portuária e
de fronteiras.
→ Exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária
da União.
Polícia Rodoviária Federal e Polícia Ferroviária Federal - Artigo
144, incisos II e III, parágrafos 2º e 3º:
Trata-se de órgãos permanentes, estruturados em carreira e
destinam-se, na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das ro-
dovias e ferrovias federais.
Vale frisar que o patrulhamento das rodovias e ferrovias esta-
duais é matéria de competência das polícias dos Estados.
Polícias Civis – Artigo 144, inciso IV, parágrafo 4º:
Às policias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira,
incubem, ressalvada a competência da União, as funções de polícia
judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares.
Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares – Artigo 144,
inciso V, parágrafos 5º e 6º:
Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação
da ordem pública; aos corpos de bombeiros militares, além das
atribuições definidas em lei, incumbe a execução de atividades de
defesa civil.
Às policias militares e corpos de bombeiros militares, forças au-
xiliares e reserva do exército, subordinam-se, juntamente com as
polícias civis, aos Governadores dos Estados e do Distrito Federal.
Guarda Municipal – Artigo 144, parágrafo 8º:
Os Municípios poderão constituir guardas municipais destina-
das à proteção de seus bens, serviços e instalações, conforme dis-
puser a lei.
Forças Armadas
Tema disciplinado no artigo 142, da Constituição Federal, na
seguinte conformidade:
As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e
pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regula-
res, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a auto-
ridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa
da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de
qualquer destes, da lei e da ordem.
Às Forças Armadas compete atribuir serviço alternativo aos
que, em tempo de paz, depois de alistados, alegarem imperativo de
consciência, entendendo-se como tal o decorrente de crença reli-
giosa e de convicção filosófica ou política, para se eximirem de ativi-
dades de caráter essencialmente militar (Lei n. 8.239, de 4-10- 1991
e Portaria n. 2.681, de 28-7-1992, que aprova o Regulamento da Lei
de Prestação do Serviço Alternativo ao Serviço Militar Obrigatório).
As mulheres e os eclesiásticos ficam isentos do serviço militar
obrigatório em tempo de paz, sujeitos, porém, a outros encargos
que a lei lhes atribuir (Lei n. 8.239, de 4-10-1991).
Em resumo: A exigência constitucional tem ainda o sentido de
que ninguém poderá deixar de prestar a obrigação militar fundado
em especial condição social ou religiosa.
Aquele que, convocado para o serviço militar, não se apresen-
ta, fica considerado insubmisso, e aquele que estiver em serviço e
abandoná-lo, será tido como desertor, prevendo a lei penas rigo-
rosas para esses crimes militares. Se alguém invocar imperativo de
consciência para não servir e recusar-se a cumprir prestação alter-
nativa, sujeitar-se-á á pena de perda dos direitos políticos (artigo
5º, inciso VIII, da Constituição Federal de 1988 c/c o artigo 15, inciso
IV, do mesmo Diploma Legal).
A Constituição Federal determina a obrigatoriedade de servi-
ços destinados à defesa da pátria a todos os brasileiros, dado que
essa defesa já decorre da própria situação de cada um em função de
sua exclusiva pertinência à comunidade nacional, o que, por si, im-
plica a necessidade ética de cada membro dessa comunidade lutar
por sua sobrevivência contra qualquer inimigo. Justifica-se, porém,
a determinação constitucional, pois se trata de obrigação suma-
mente onerosa, não só por afastar o indivíduo do seio da família e
de suas atividades, como por exigir, às vezes, o tributo da própria
vida. (Observar a Lei Complementar nº 97, de 09 de junho de 1999).
As Forças Armadas têm por missão essencial a defesa da Pátria
e a garantia dos poderes constitucionais, o que vale dizer defesa,
por um lado, contra agressões estrangeiras em caso de guerra ex-
terna e, por outro lado, defesa das instituições democráticas, pois
a isso corresponde à garantia dos poderes constitucionais, que, nos
termos da Constituição, emanam do povo.
Só subsidiária e eventualmente lhes incumbe à defesa da lei e
da ordem, porque essa defesa é de competência primária das forças
de segurança pública, que compreendem a polícia federal e as polí-
cias civis e militares dos Estados e do Distrito Federal.
Sua interferência na defesa da lei e da ordem depende, além do
mais, de convocação dos legítimos representantes de qualquer dos
poderes federais: Presidente da Mesa do Congresso Nacional, Pre-
sidente da República ou Presidente do Supremo Tribunal Federal.
Há, também, a Guarda Nacional ou Força Nacional formada
por integrantes das polícias militares, dos corpos de bombeiros mi-
litares e da polícia rodoviária federal podendo intervir, em caráter
excepcional, nos Estados Membros da Federação sob questão rela-
cionada à segurança pública.
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
91
NOÇÕES SOBRE SEGURANÇA PATRIMONIAL:
DEFINIÇÕES. ATRIBUIÇÕES DAS EMPRESAS QUE
REALIZAM SEGURANÇA PATRIMONIAL
Segurança pública
Serviço essencial que deve ser universal, abrangendo todas as
pessoas, com o propósito de proteger a integridade física dos cida-
dãos e de seus bens. Para cumprir essa importante missão, existem
as forças de segurança, como a polícia, que trabalham em conjunto
com o Poder Judicial.
A principal responsabilidade da segurança pública é garantir a
proteção dos direitos individuais de cada pessoa que compõe a so-
ciedade. Isso permite que as pessoas possam desfrutar plenamente
de seus direitos, incluindo o direito ao convíviosocial, trabalho, la-
zer, segurança e outros aspectos fundamentais da vida em comu-
nidade. Com a atuação das forças de segurança e a colaboração
do sistema judicial, busca-se assegurar a ordem pública, prevenir e
combater crimes, e promover a segurança e tranquilidade do am-
biente em que vivemos.
A Constituição Federal de 1988 estabelece que a segurança pú-
blica é dever do Estado, mas também é um direito e responsabilida-
de de todos os cidadãos. Seu objetivo é preservar a ordem pública e
a integridade das pessoas e do patrimônio. Para isso, existem diver-
sos órgãos responsáveis, como a Polícia Federal, Polícia Rodoviária
Federal, Polícia Ferroviária Federal, Polícias Civis, Polícias Militares
e Corpo de Bombeiros Militares.
A sociedade tem um papel fundamental na garantia da segu-
rança pública e da democracia, atuando de forma conjunta para
combater a criminalidade e proteger os direitos de todos os cida-
dãos. A segurança pública é essencial para assegurar a paz social e
a tranquilidade de cada indivíduo.
Nas grandes metrópoles, é comum enfrentar problemas de se-
gurança pública, com altas taxas de delitos. Isso está relacionado,
em parte, ao anonimato que prevalece em meio à grande popula-
ção dessas cidades. Já nas pequenas localidades, as condições de
segurança tendem a ser melhores, pois as pessoas se conhecem e
há uma maior coesão social.
A eficácia da polícia, o funcionamento do Poder Judicial, as po-
líticas estatais e as condições sociais são fatores determinantes para
a segurança pública. Embora haja debates sobre a relação entre po-
breza e insegurança, muitos especialistas acreditam que exista uma
correlação entre a taxa de pobreza e a incidência de delitos.
Segurança Patrimonial
A Segurança Patrimonial é um conjunto de medidas, capazes
de gerar um estado, no qual os interesses vitais de uma empresa
estejam livres de interferências e perturbações.
Conjunto de medidas: A segurança patrimonial não depende
apenas do departamento de segurança da empresa, mas envolve
todos os seus setores e todo o seu pessoal.
Estado: significa uma coisa permanente. É diferente de uma si-
tuação, que é temporária.
Interesses vitais: Os interesses vitais de uma empresa não
estão apenas em não ser roubada ou incendiada. O mercado, os
segredos, a estratégia de marketing, pesquisas de novos produtos
devem igualmente ser protegidos.
Interferências e perturbações: Nada deve impedir o curso nor-
mal da empresa. Deve-se prevenir não apenas contra incêndios e
assaltos, mas também contra espionagem, sequestros de empresá-
rios, greves, sabotagem, chantagem, etc.
A segurança é satisfatória quando:
- É capaz de retardar ao máximo uma possibilidade de agres-
são;
- É capaz de desencadear forças, no menor espaço de tempo
possível, capazes de neutralizar a agressão verificada.
Conceitos Básicos
Segurança Patrimonial ou Vigilância Preventiva: É a atividade
preventiva e defensiva associada à ação de pessoas treinadas, pro-
cedimentos e equipamentos de segurança, com a finalidade de pro-
teger os bens patrimoniais contra riscos ocasionais ou provocados
por terceiros.
Bens Patrimoniais: São todos os bens que possuem algum valor
aos seus proprietários. Podem ser materiais (máquinas, instalações,
objetos, etc.) ou imateriais (imagem, etc.). Para especialistas em Re-
cursos Humanos, funcionários de uma empresa quando desempe-
nhando suas funções, também são patrimônios desta.
Risco: É o produto das ameaças que estão sujeitos os patrimô-
nios e os seus pontos de vulnerabilidades.
Ameaças: São fatores externos peculiares à atividade principal
exercida pela instituição, dificilmente serão eliminados, mas pode-
rão ser minimizados. Podem ser geradas pela natureza (condições
climáticas) e/ou sociedade (questões ambientais, políticas, econô-
micas, etc.).
Vulnerabilidades: Toda a carência e/ou falha do sistema defen-
sivo que permita que a instituição seja atingida de forma “violenta”
por uma ameaça que se concretizou.
Sistemas defensivos (de segurança)/meios de proteção: Medi-
das e procedimentos adotados que visam detectar, dificultar, aler-
tar, dissuadir e/ou retardar os fatores ameaçadores que poderiam
romper a proteção da instituição, através de uma ou mais de suas
vulnerabilidades.
Ronda: Exercer atividade móvel de observação, de fiscalização,
de proteção e de reconhecimento.
Permanência: É a atividade predominante estática desempe-
nhada pelo vigia ou segurança em locais de risco ou em posto de
serviço.
Posto periculoso ou área periculosa: É todo posto ou área que,
por suas características, apresenta elevada probabilidade de ocor-
rência.
Ocorrência: É todo o fato que exige intervenção dos profissio-
nais de segurança, por intermédio de ações ou operações.
Abordagem: É a ação conjugada ou isolada realizada por profis-
sionais, em indivíduos praticantes de atos suspeitos.
Partes envolvidas: São as pessoas ou indivíduos envolvidos
numa ocorrência, sendo: autores de delito, vítimas, testemunhas,
etc.,
Autoridade de plantão: É o Delegado de polícia que está de ser-
viço no Distrito Policial.
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
92
Vigilância do Patrimônio Público
A Proteção ao Patrimônio Público tem como foco a proteção
dos bens públicos, sendo realizada em todo o município através do
sistema de rondas periódicas. Naqueles considerados vulneráveis
ou prioritários há o policiamento com efetivo fixo.
Tem como objetivo erradicar as ocorrências de danos e violên-
cias no patrimônio público.
Vigilância em Prédios Municipais
O vigilante é profissional capacitado, e autorizado a exercer a
vigilância patrimonial, desde que vinculado a Administração Pública
Direta do Município (órgãos municipais ou distritais).
Em todos esses locais de atuação, seu objetivo deve estar vol-
tado à garantia da ordem interna, à preservação da integridade
patrimonial, à proteção da integridade pessoal, à constatação de
irregularidades com as correspondentes providências e a satisfação
do usuário final.
Vigilância em Hospitais
Outra instituição que utiliza o serviço de vigilância para prote-
ger o patrimônio e pessoas são os Hospitais. Nestes locais, os prin-
cipais delitos são furtos de medicamentos, sequestro e troca de re-
cém-nascidos, assassinatos e sequestro de criminosos internados.
O vigia de serviço neste local de trabalho deve estar atento a
todos os movimentos internos, em especial nas dependências em
que o acesso seja restrito a determinadas pessoas e horários pré-
-estabelecidos pela Direção.
O equilíbrio emocional é de fundamental importância, pois se
trata de local onde as pessoas constantemente entram em desespe-
ro e, por vezes, demonstrando real insatisfação em relação ao aten-
dimento dos médicos e seus auxiliares, sendo, portanto, propício ao
conflito e desgaste psíquico.
A portaria é o local de acesso ao público em geral, devendo o
vigia ficar atento às vias de acesso para a parte interna das instala-
ções que são restritas a funcionários e pessoas autorizadas.
Outro momento crítico é o horário das visitas, em que a aten-
ção deve ser redobrada, pois os grupos criminosos que praticam
delitos em hospitais são estrategistas e na maioria das vezes se pas-
sam por enfermeiros, médicos, funcionários de empresas prestado-
ras de serviços, etc.
Como em todos os locais de vigilância, a instalação de medidas
de segurança é de fundamental importância para prevenir as ações
criminosas, como por exemplo: Circuito Fechado de TV, em todos os
pontos possíveis, inclusive nos berçários; pulseiras com código de
barras pelos pacientes; controle de visitantes através de identifica-
ção e biometria (íris, impressões digitais), com o devido registro de
dados; câmeras nas farmácias, com monitoramento e acesso con-
trolado eletronicamente através de senhas pessoais, etc.
Vigilância em Escolas
A vigilância em estabelecimentos de ensino é a que requer o
melhor preparo, pois nestes locais o profissional é mais que um vi-
gilante. É um auxiliar direto dos educadores.Sua postura, seu comportamento maduro, suas atitudes coe-
rentes e discretas permitirão o sucesso no relacionamento com os
alunos, pois qualquer tipo de liberdade ou brincadeira pode com-
prometer a boa imagem de toda a equipe de segurança.
O controle de acesso e as rondas permanentes é que garantirão
a segurança e irão impedir a prática de atos ilegais. O acesso deve
ser restrito aos alunos matriculados, funcionários, membros do cor-
po docente e pessoas devidamente autorizadas.
A utilização de medidas de segurança, como por exemplo, ca-
tracas eletrônicas, circuito fechado de TV, uso de uniforme pelos
alunos e o vigia controlando acesso e realizando rondas permanen-
tes, são as melhores maneiras de evitar qualquer ocorrência no es-
tabelecimento de ensino.
Os problemas nos estabelecimentos de ensino não são apenas
internos, portanto, o profissional deve ficar atento quanto à pre-
sença de pessoas estranhas nas imediações da escola, pois ocorrên-
cias de tráfico de entorpecentes são bastante comuns nestes locais,
onde traficantes se aproveitam da pouca experiência e imaturidade
dos jovens.
Caso perceba tal ação, o vigilante deve relatar o fato ao Diretor
da escola a fim de que sejam adotadas providências junto à Secreta-
ria de Segurança Pública, ou acionando a Ronda Escolar da Guarda
Municipal.
Vigilância Preventiva
A vigilância preventiva tem como objetivo principal prevenir a
ocorrência de crimes através da implantação de medidas estratégi-
cas, tais como a instalação de equipamentos eletrônicos de segu-
rança; contratação de vigilantes e implantação de rondas; ilumina-
ção adequada do estabelecimento.
Meios de Proteção
Os meios de proteção podem ser classificados em:
Meios de proteção física: constituídos de forma permanente
ou provisória, com a finalidade de dissuadir ou retardar a ação de
ameaça ao patrimônio. Exemplos: barreiras perimetrais (cercas,
muros, guaritas, portões, etc.); barreiras estruturais (paredes, por-
tas, caixas-fortes, etc.); barreiras provisórias (concertinas de arame
farpado, cancelas, divisórias, etc.); sistemas de iluminação de prote-
ção (holofotes com sensores de presença, holofotes, etc.), sistemas
de combate a incêndios.
Meios eletrônicos de proteção: propiciam proteção adicional
e são empregados em locais vitais à instituição, onde pelos mais
variados motivos, a ação humana não vai ser empregada ou neces-
sita de complemento para melhoria de seu desempenho. Exemplos:
Circuito Fechado de Televisão; sistemas de alarme; detectores de
metais; acionadores eletroeletrônicos de portas, portões; sistemas
de radiocomunicação.
Meios metodológicos de proteção: são as normas, diretrizes,
determinações, sistemas e orientações adotadas pela instituição vi-
sando diminuir as vulnerabilidades existentes que por necessidade
de funcionamento, não podem ser totalmente eliminadas. Exem-
plos de meios: sistemas de identificação de pessoal; controle de en-
trada e saída de pessoal, veículos e cargas; levantamento de antece-
dentes de candidatos; controle de circulação interna; integração de
novos empregados; controle, arquivo e destruição de documentos
sigilosos; controle de estoque e armazenamento de ferramentas,
materiais, etc.; investigação de incidentes de segurança; treinamen-
tos de segurança patrimonial; busca e coleta de informações; siste-
ma de supervisão.
Força de resposta: a força de resposta de uma instituição é o ser
humano, que por sinal é o mais importante componente do siste-
ma de segurança. De nada adiantariam sofisticados equipamentos
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
93
eletrônicos, se não haverem pessoas para aciona-los, controla-los e
reagirem, nos momentos em que esses equipamentos cumprissem
suas finalidades (detectar, alarmar, filmar, etc.), portanto, os seres
humanos, são os únicos dentro do sistema, capazes de interpreta-
rem os sinais emitidos pelos equipamentos, analisarem os riscos e
planejarem as medidas apropriadas, para reagirem aos efeitos das
ameaças. Pela sua importância, ao ser constituída, deve-se ter cui-
dado com os seguintes itens: avaliação de riscos; análise do efetivo
necessário; organização da guarda, seleção, treinamento, qualifica-
ção e responsabilidades do efetivo; meios de supervisão e controle
das atividades.
Objetivos da Segurança Patrimonial
Assegurar:
Pessoas (diretores, empregados, visitantes, moradores, pacien-
tes etc.);
Informações (patentes, pesquisas, informações financeiras
etc.);
Propriedade (recursos, propriedades, bens negociáveis etc.).
Metas que Devem ser Contempladas no Planejamento de um
Projeto de Segurança
1. Prevenir (a perda de vidas e minimizar as perdas físicas);
2. Controlar (acessos, pessoas, materiais);
3. Detectar (vigilância);
4. Intervir (responder às agressões).
Análise da Atratividade do Bem
Monetário - valor em moeda do patrimônio;
Intrínseco - valor embutido na edificação;
Econômico - valor de produto no mercado;
Operacional - valor da infraestrutura e instalações;
Regulador - valor de produto no mercado, taxas, impostos;
Intangível - valor de propriedade que em caso de perda não
pode ser restituído;
Pessoal - valor emocional.
Avaliação da Segurança
A avaliação da segurança consiste em avaliar principalmente:
os riscos, as ameaças e as vulnerabilidades.
Atribuições das empresas que realizam segurança patrimonial
As empresas que realizam segurança patrimonial desempe-
nham um papel fundamental na proteção de bens, instalações e
pessoas. Suas atribuições variam de acordo com o tipo de serviço
contratado e as necessidades específicas de cada cliente.
1) Vigilância e monitoramento: Uma das principais atribuições
das empresas de segurança patrimonial é fornecer vigilância e mo-
nitoramento constante das instalações do cliente. Isso pode ser re-
alizado por meio de vigilantes presenciais em postos estratégicos,
bem como por sistemas de monitoramento eletrônico, como câme-
ras de segurança e alarmes.
2) Controle de acesso: As empresas de segurança patrimonial
são responsáveis por garantir o controle de acesso adequado às ins-
talações do cliente. Isso pode incluir a identificação e verificação
de pessoas autorizadas a entrar nas áreas protegidas, bem como o
registro de visitantes e prestadores de serviços.
3) Rondas de segurança: Em muitos casos, os vigilantes reali-
zam rondas periódicas nas dependências do cliente para garantir
que tudo esteja em ordem e identificar qualquer atividade suspeita.
4) Gestão de crises e emergências: As empresas de segurança
patrimonial devem estar preparadas para lidar com situações de
crise ou emergência, como incêndios, desastres naturais, assaltos
ou invasões. Isso inclui a implementação de planos de contingência
e ações adequadas para minimizar danos e garantir a segurança de
todos.
5) Treinamento de funcionários: Para empresas que possuem
seguranças próprios, as empresas de segurança patrimonial podem
fornecer treinamento especializado para esses profissionais. Isso
inclui capacitação em técnicas de segurança, primeiros socorros,
abordagem a situações de risco e uso adequado de equipamentos.
6) Consultoria em segurança: Algumas empresas de segurança
patrimonial também oferecem serviços de consultoria, onde espe-
cialistas avaliam as necessidades de segurança do cliente e forne-
cem recomendações para melhorar a proteção patrimonial.
7) Integração de sistemas de segurança: As empresas de segu-
rança patrimonial podem ser responsáveis pela integração de dife-
rentes sistemas de segurança, como câmeras de vigilância, alarmes,
controle de acesso e sistemas de detecção de intrusão, para criar
uma solução completa e eficaz.
8) Acompanhamento e relatórios: As empresas de segurança
geralmente fornecem relatórios periódicos ao cliente, descreven-
do as atividades de segurança realizadas, incidentes registrados e
quaisquer outras informações relevantes.
Destacamos ainda que o profissional de segurança patrimonial
tem como principal responsabilidade proteger e zelar pelo patri-
mônio da organização,garantindo a segurança de clientes e cola-
boradores. Sua atuação inclui o monitoramento da entrada e saída
de pessoas nas instalações da empresa, bem como a realização de
rondas nas dependências e áreas de acesso.
Durante sua rotina de trabalho, o segurança patrimonial per-
manece atento para identificar qualquer atividade suspeita, ado-
tando as medidas adequadas conforme as normas da empresa.
Suas atribuições também abrangem a inspeção das instalações para
prevenir incêndios, roubos e o ingresso de pessoas não autorizadas.
O profissional desempenha um papel importante na orienta-
ção do fluxo de pessoas, direcionando-as para os locais apropriados
dentro da organização. Ao final do expediente, é de sua responsa-
bilidade verificar se portas, janelas e portões estão devidamente
fechados. Além disso, o acompanhamento das imagens de monito-
ramento e a prestação de atendimento pessoal em caso de necessi-
dade também fazem parte de suas atribuições.
O segurança patrimonial é um agente fundamental na preser-
vação da integridade do patrimônio da empresa e no resguardo da
segurança dos indivíduos que transitam em suas dependências. Sua
atuação se baseia em procedimentos preventivos e reativos, visan-
do garantir um ambiente seguro e protegido para todos.
Referências bibliográficas:
Disponível em https://conceito.de/seguranca-publica Acesso
22.07.2023
Disponível em https://www.politize.com.br/seguranca-publica-no-mu-
nicipio/ Acesso 22.07.2023
Manual de prevenção contra roubos e assaltos – São Paulo – Disponí-
vel em https://flitparalisante.files.wordpress.com/2010/07/manual.
pdf Acesso 22.07.2023
Disponível em https://cmqv.org/dicas/o-que-fazer-apos-um-roubo-fur-
to-ou-assalto/ Acesso 22.07.2023
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
94
O MUNICÍPIO E A SUA SEGURANÇA PATRIMONIAL
O município tem como uma das principais responsabilidades
a proteção de seu patrimônio. O termo “patrimônio” refere-se a
todos os bens, infraestruturas e recursos que pertencem ao muni-
cípio e que têm valor econômico ou histórico. Isso inclui edifícios
públicos, escolas, hospitais, parques, sistemas de abastecimento de
água, sistemas de transporte, entre outros ativos.
As ações de prevenção à violência podem ser desenvolvidas
pelo governo municipal por meio da implementação de equipa-
mentos públicos, tais como sistemas de iluminação adequados e
câmeras de monitoramento. Além disso, é possível criar guardas
municipais para proteger bens, serviços e instalações dentro do
município. Uma cidade bem cuidada, com boa infraestrutura e ma-
nutenção, contribui para inibir a criminalidade. Investimentos em
iluminação adequada e pavimentação de ruas, por exemplo, podem
reduzir significativamente a ocorrência de assaltos e outros crimes.
Cada esfera de governo tem seu papel na definição de políticas
de segurança, coordenação das forças de segurança e implementa-
ção de medidas preventivas e repressivas para garantir a proteção
dos cidadãos e do patrimônio público e privado.
A segurança patrimonial é um dos pilares fundamentais para
o bem-estar e a prosperidade de uma comunidade. A proteção
adequada do patrimônio municipal não apenas resguarda o investi-
mento público e preserva a história da região, mas também garante
a segurança dos cidadãos e visitantes que utilizam essas instalações
diariamente. Alguns pontos que são de responsabilidade do muni-
cípio para uma segurança patrimonial:
Elaboração de planos de segurança
O município deve desenvolver planos estratégicos de seguran-
ça patrimonial, levando em consideração as peculiaridades de cada
local, a natureza dos bens a serem protegidos e os riscos existentes.
Esses planos devem ser revisados periodicamente para garantir a
eficácia e a adaptação a possíveis mudanças nas circunstâncias.
Investimento em tecnologia e infraestrutura
O uso de sistemas de vigilância por câmeras, alarmes, controle
de acesso e outras tecnologias de segurança é fundamental para a
proteção do patrimônio municipal. Além disso, é importante garan-
tir que as instalações estejam em boas condições físicas para evitar
riscos desnecessários.
Treinamento e capacitação dos funcionários
Os colaboradores responsáveis pela segurança do patrimônio
municipal devem receber treinamentos periódicos para lidar com
emergências, identificação de comportamentos suspeitos e medi-
das preventivas.
Parceria com órgãos de segurança pública
Estabelecer uma estreita colaboração com as forças de segu-
rança pública, como a Polícia Militar, a Guarda Municipal e outros
órgãos competentes. Essa cooperação permite uma ação mais rápi-
da e coordenada em emergências ou eventos que possam ameaçar
o patrimônio local.
Sensibilização e participação da comunidade
A população também desempenha um papel importante na
segurança patrimonial. O município pode promover campanhas de
conscientização para que os cidadãos colaborem na proteção dos
bens públicos e denunciem atividades suspeitas.
Avaliação de riscos
Condução de avaliações regulares de riscos para identificar
possíveis vulnerabilidades no patrimônio. Essas análises permitem
a implementação de medidas preventivas adequadas.
Plano de contingência
Ter um plano de contingência é essencial para lidar com emer-
gências, como incêndios, desastres naturais ou atos de vandalismo.
Esse plano deve ser atualizado e testado periodicamente.
Conclusão
A segurança patrimonial não é apenas uma questão de preser-
var bens materiais, mas também de garantir um ambiente seguro
e confiável para todos os habitantes e visitantes do município. Ao
priorizar a segurança patrimonial, a administração municipal de-
monstra compromisso com o bem-estar da comunidade e contribui
para o desenvolvimento sustentável e a qualidade de vida de seus
cidadãos.
CONCEITO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
Administração pública
Conceito
Administração Pública em sentido geral e objetivo, é a ativida-
de que o Estado pratica sob regime público, para a realização dos
interesses coletivos, por intermédio das pessoas jurídicas, órgãos e
agentes públicos.
A Administração Pública pode ser definida em sentido amplo e
estrito, além disso, é conceituada por Di Pietro (2009, p. 57), como
“a atividade concreta e imediata que o Estado desenvolve, sob re-
gime jurídico total ou parcialmente público, para a consecução dos
interesses coletivos”.
Nos dizeres de Di Pietro (2009, p. 54), em sentido amplo, a
Administração Pública é subdividida em órgãos governamentais e
órgãos administrativos, o que a destaca em seu sentido subjetivo,
sendo ainda subdividida pela sua função política e administrativa
em sentido objetivo.
Já em sentido estrito, a Administração Pública se subdivide em
órgãos, pessoas jurídicas e agentes públicos que praticam funções
administrativas em sentido subjetivo, sendo subdividida também
na atividade exercida por esses entes em sentido objetivo.
Em suma, temos:
SENTIDO
SUBJETIVO
Sentido amplo {órgãos governamentais e
órgãos administrativos}.
SENTIDO
SUBJETIVO
Sentido estrito {pessoas jurídicas, órgãos e
agentes públicos}.
SENTIDO
OBJETIVO
Sentido amplo {função política e adminis-
trativa}.
SENTIDO
OBJETIVO
Sentido estrito {atividade exercida por
esses entes}.
Existem funções na Administração Pública que são exercidas
pelas pessoas jurídicas, órgãos e agentes da Administração que são
subdivididas em três grupos: fomento, polícia administrativa e ser-
viço público.
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
95
Para melhor compreensão e conhecimento, detalharemos cada
uma das funções. Vejamos:
a. Fomento: É a atividade administrativa incentivadora do de-
senvolvimento dos entes e pessoas que exercem funções de utilida-
de ou de interesse público.
b. Polícia administrativa: É a atividade de polícia administrati-
va. São os atos da Administração que limitam interesses individuais
em prol do interesse coletivo.
c. Serviço público: resume-se em toda atividade que a Admi-
nistração Pública executa, de forma direta ou indireta, para satis-
fazer os anseioscomo referência.
- Certos verbos
Ex.: Renato continua doente.
O verbo “continua” indica que Renato já estava doente no mo-
mento anterior ao presente.
Ex.: Nossos dicionários já aportuguesaram a palavra copydesk.
O verbo “aportuguesar” estabelece o pressuposto de que copi-
desque não existia em português.
- Certos advérbios
Ex.: A produção automobilística brasileira está totalmente nas
mãos das multinacionais.
O advérbio “totalmente” pressupõe que não há no Brasil indús-
tria automobilística nacional.
Ex.: Você conferiu o resultado da loteria?
Hoje não.
A negação precedida de um advérbio de tempo de âmbito limi-
tado estabelece o pressuposto de que apenas nesse intervalo (hoje) é
que o interrogado não praticou o ato de conferir o resultado da loteria.
- Orações adjetivas
Ex.: Os brasileiros, que não se importam com a coletividade,
só se preocupam com seu bemestar e, por isso, jogam lixo na rua,
fecham os cruzamentos, etc.
O pressuposto é que “todos” os brasileiros não se importam
com a coletividade.
LÍNGUA PORTUGUESA
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Ex.: Os brasileiros que não se importam com a coletividade só
se preocupam com seu bemestar e, por isso, jogam lixo na rua, fe-
cham os cruzamentos, etc.
Nesse caso, o pressuposto é outro: “alguns” brasileiros não se
importam com a coletividade.
No primeiro caso, a oração é explicativa; no segundo, é restriti-
va. As explicativas pressupõem que o que elas expressam se refere à
totalidade dos elementos de um conjunto; as restritivas, que o que
elas dizem concerne apenas a parte dos elementos de um conjun-
to. O produtor do texto escreverá uma restritiva ou uma explicativa
segundo o pressuposto que quiser comunicar.
B) Subentendidos: são sentidos e valorações entendidos que
não estão marcados linguisticamente no texto. A compreensão do
subentendido se dá a partir de relações que você estabelece com
seus conhecimentos prévios e fatos extralinguísticos. Observemos
o exemplo a seguir:
Uma visita, em um dia muito quente e ensolarado, chega em
sua casa. Após sentar em seu sofá, ela diz:
- Nossa! Esse calor dá uma sede.
A partir dessa frase, você pode interpretar que a pessoa precisa
ou quer água, o que poderia levá-lo a oferecer água para a visita.
Essa interpretação não ocorre pela presença de uma palavra expres-
sa, mas pela relação entre a frase e o contexto de produção dela.
Inferência
A inferência é um processo de dedução dos sentidos contidos
no texto. Ela consiste em descobrir os significados que estão nas
entrelinhas. Por meio de relações intra e extratextuais, podemos
compreender e interpretar aqueles sentidos que não estão linguis-
ticamente materializados no texto. Toda vez que uma questão de
prova pedir para você inferir sobre um determinado sentido, você
deverá deduzir os sentidos baseados na relação que essa palavra ou
frase estabelece com as outras ao seu redor (contexto intralinguís-
tico) e nas relações estabelecidas com os contextos sócio-histórico-
-cultural (contexto extralinguístico).
Segue abaixo uma ilustração para análise exemplificação:
https://esteeomeusangue.wordpress.com/2010/09/28/cristo-reden-
tor-e-eleito-uma-das-maravilhas-do-mundo
Na imagem há uma combinação de linguagem verbal e não ver-
bal, juntas elas fornecem o insumo necessário para o bom entendi-
mento e compreensão da temática.
Em uma leitura superficial, uma leitura sem inferências, o leitor
poderia cair no erro de não perceber a intenção real do autor, a
denúncia sobre a violência. Portanto, para realizar uma boa inter-
pretação é necessário atentar-se aos detalhes e fazer certos ques-
tionamentos como:
- Por que o Cristo Redentor sente-se “incomodado” e “exposto
a riscos”?
- O que significam as balas que o cercam por todos os lados?
- Por que o Cristo Redentor está usando colete à prova de ba-
las?
A partir de questionamentos como os citados acima é possível
adentrar no contexto social, Rio de Janeiro violento, que instaura
críticas e denúncias a determinada realidade.
Portanto, ao inferir, o leitor é capaz de constatar os detalhes
ocultos que transformam a leitura simples em uma leitura reflexiva.
Ampliação de Sentido
Fala-se em ampliação de sentido quando a palavra passa a de-
signar uma quantidade mais ampla de objetos ou noções do que
originariamente.
“Embarcar”, por exemplo, que originariamente era usada para
designar o ato de viajar em um barco, ampliou consideravelmente
o sentido e passou a designar a ação de viajar em outros veículos.
Hoje se diz, por ampliação de sentido, que um passageiro:
- embarcou num ter.
- embarcou no ônibus dás dez.
- embarcou no avião da força aérea.
- embarcou num transatlântico.
“Alpinista”, na origem, era usado para indicar aquele que esca-
la os Alpes (cadeia montanhosa europeia). Depois, por ampliação
de sentido, passou a designar qualquer tipo de praticante do espor-
te de escalar montanhas.
Restrição de Sentido
Ao lado da ampliação de sentido, existe o movimento inverso,
isto é, uma palavra passa a designar uma quantidade mais restrita
de objetos ou noções do que originariamente. É o caso, por exem-
plo, das palavras que saem da língua geral e passam a ser usadas
com sentido determinado, dentro de um universo restrito do co-
nhecimento.
A palavra aglutinação, por exemplo, na nomenclatura grama-
tical, é bom exemplo de especialização de sentido. Na língua geral,
ela significa qualquer junção de elementos para formar um todo,
porém em Gramática designa apenas um tipo de formação de pa-
lavras por composição em que a junção dos elementos acarreta al-
teração de pronúncia, como é o caso de pernilongo (perna + longa).
Se não houver alteração de pronúncia, já não se diz mais aglu-
tinação, mas justaposição. A palavra Pernalonga, por exemplo, que
designa uma personagem de desenhos animados, não se formou
por aglutinação, mas por justaposição.
Em linguagem científica é muito comum restringir-se o signifi-
cado das palavras para dar precisão à comunicação.
LÍNGUA PORTUGUESA
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A palavra girassol, formada de gira (do verbo girar) + sol, não
pode ser usada para designar, por exemplo, um astro que gira em
torno do Sol: seu sentido sofreu restrição, e ela serve para designar
apenas um tipo de flor que tem a propriedade de acompanhar o
movimento do Sol.
Há certas palavras que, além do significado explícito, contêm
outros implícitos (ou pressupostos).
Os exemplos são muitos. É o caso do adjetivo outro, por exem-
plo, que indica certa pessoa ou coisa, pressupondo necessariamen-
te a existência de ao menos uma além daquela indicada.
Prova disso é que não faz sentido, para um escritor que nunca
lançou um livro, dizer que ele estará autografando seu outro livro.
O uso de outro pressupõe necessariamente ao menos um livro além
daquele que está sendo autografado.
A interpretação e a organização do texto e a ideia central
Em muitas questões de prova, é requerido ao candidato a iden-
tificação da ideia principal do texto e do ponto de vista defendido
pelo autor. Isso exige de você a capacidade de localizar, selecionar
e resumir informações dentro do texto. Para isso é necessário um
conhecimento acerca da forma como um texto é construído e como
as ideias são organizadas.
Geralmente, esse tipo de questão aborda, predominantemen-
te, o tipo argumentativo. Dessa forma, abordaremos essa organiza-
ção das informações dentro de um texto argumentativo e as formas
de como encontrar as ideias principais bem como as opiniões de-
fendidas pelo autor.
Observemos o seguinte exemplo
O que é arquitetura?
Definir o que seja arquitetura, tal como ela significa na atua-
lidade, é como tentar fazê-lo para as demais artes, técnicas ou
ciências, pois, em um mundo complexo e sujeito a mudanças tão
aceleradas, a dinâmica da vida toma indispensável um constante
reexame do pensamento teórico e prático. Entretanto, há um notá-
vel consenso acerca da definição dada a seguir, conforme foi sugeri-
da, já em 1940, pelo arquiteto e urbanista Lúcio Costa (1902-1998):
“Arquitetura é antese as necessidades coletivas do povo, sob o regime
jurídico e com predominância pública. O serviço público também
regula a atividade permanente de edição de atos normativos e con-
cretos sobre atividades públicas e privadas, de forma implementati-
va de políticas de governo.
A finalidade de todas essas funções é executar as políticas de
governo e desempenhar a função administrativa em favor do in-
teresse público, dentre outros atributos essenciais ao bom anda-
mento da Administração Pública como um todo com o incentivo das
atividades privadas de interesse social, visando sempre o interesse
público.
A Administração Pública também possui elementos que a com-
põe, são eles: as pessoas jurídicas de direito público e de direito
privado por delegação, órgãos e agentes públicos que exercem a
função administrativa estatal.
— Observação importante:
Pessoas jurídicas de direito público são entidades estatais aco-
pladas ao Estado, exercendo finalidades de interesse imediato da
coletividade. Em se tratando do direito público externo, possuem
a personalidade jurídica de direito público cometida à diversas na-
ções estrangeiras, como à Santa Sé, bem como a organismos inter-
nacionais como a ONU, OEA, UNESCO.(art. 42 do CC).
No direito público interno encontra-se, no âmbito da adminis-
tração direta, que cuida-se da Nação brasileira: União, Estados, Dis-
trito Federal, Territórios e Municípios (art. 41, incs. I, II e III, do CC).
No âmbito do direito público interno encontram-se, no campo
da administração indireta, as autarquias e associações públicas (art.
41, inc. IV, do CC). Posto que as associações públicas, pessoas jurídi-
cas de direito público interno dispostas no inc. IV do art. 41 do CC,
pela Lei n.º 11.107/2005,7 foram sancionadas para auxiliar ao con-
sórcio público a ser firmado entre entes públicos (União, Estados,
Municípios e Distrito Federal).
Princípios da administração pública
De acordo com o administrativista Alexandre Mazza (2017),
princípios são regras condensadoras dos valores fundamentais de
um sistema. Sua função é informar e materializar o ordenamento
jurídico bem como o modo de atuação dos aplicadores e intérpre-
tes do direito, sendo que a atribuição de informar decorre do fato
de que os princípios possuem um núcleo de valor essencial da or-
dem jurídica, ao passo que a atribuição de enformar é denotada
pelos contornos que conferem à determinada seara jurídica.
Desta forma, o administrativista atribui dupla aplicabilidade
aos princípios da função hermenêutica e da função integrativa.
Referente à função hermenêutica, os princípios são amplamen-
te responsáveis por explicitar o conteúdo dos demais parâmetros
legais, isso se os mesmos se apresentarem obscuros no ato de tute-
la dos casos concretos. Por meio da função integrativa, por sua vez,
os princípios cumprem a tarefa de suprir eventuais lacunas legais
observadas em matérias específicas ou diante das particularidades
que permeiam a aplicação das normas aos casos existentes.
Os princípios colocam em prática as função hermenêuticas e in-
tegrativas, bem como cumprem o papel de esboçar os dispositivos
legais disseminados que compõe a seara do Direito Administrativo,
dando-lhe unicidade e coerência.
Além disso, os princípios do Direito Administrativo podem ser
expressos e positivados escritos na lei, ou ainda, implícitos, não po-
sitivados e não escritos na lei de forma expressa.
— Observação importante:
Não existe hierarquia entre os princípios expressos e implíci-
tos. Comprova tal afirmação, o fato de que os dois princípios que
dão forma o Regime Jurídico Administrativo, são meramente im-
plícitos.
Regime Jurídico Administrativo: é composto por todos os prin-
cípios e demais dispositivos legais que formam o Direito Adminis-
trativo. As diretrizes desse regime são lançadas por dois princípios
centrais, ou supraprincípios que são a Supremacia do Interesse Pú-
blico e a Indisponibilidade do Interesse Público.
SUPREMACIA DO
INTERESSE PÚBLICO
Conclama a necessidade da sobreposi-
ção dos interesses da coletividade sobre
os individuais.
INDISPONIBILIDA-
DE DO INTERESSE
PÚBLICO
Sua principal função é orientar a
atuação dos agentes públicos para que
atuem em nome e em prol dos interes-
ses da Administração Pública.
Ademais, tendo o agente público usufruído das prerrogativas
de atuação conferidas pela supremacia do interesse público, a in-
disponibilidade do interesse público, com o fito de impedir que tais
prerrogativas sejam utilizadas para a consecução de interesses pri-
vados, termina por colocar limitações aos agentes públicos no cam-
po de sua atuação, como por exemplo, a necessidade de aprovação
em concurso público para o provimento dos cargos públicos.
Princípios Administrativos
Nos parâmetros do art. 37, caput da Constituição Federal, a Ad-
ministração Pública deverá obedecer aos princípios da Legalidade,
Impessoalidade, Moralidade, Publicidade e Eficiência.
Vejamos:
– Princípio da Legalidade: Esse princípio no Direito Administra-
tivo, apresenta um significado diverso do que apresenta no Direito
Privado. No Direito Privado, toda e qualquer conduta do indivíduo
que não esteja proibida em lei e que não esteja contrária à lei, é
considerada legal. O termo legalidade para o Direito Administrativo,
significa subordinação à lei, o que faz com que o administrador deva
atuar somente no instante e da forma que a lei permitir.
— Observação importante: O princípio da legalidade considera
a lei em sentido amplo. Nesse diapasão, compreende-se como lei,
toda e qualquer espécie normativa expressamente disposta pelo
art. 59 da Constituição Federal.
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
96
– Princípio da Impessoalidade: Deve ser analisado sob duas
óticas:
a) Sob a ótica da atuação da Administração Pública em relação
aos administrados: Em sua atuação, deve o administrador pautar
na não discriminação e na não concessão de privilégios àqueles que
o ato atingirá. Sua atuação deverá estar baseada na neutralidade e
na objetividade.
b) Em relação à sua própria atuação, administrador deve exe-
cutar atos de forma impessoal, como dispõe e exige o parágrafo
primeiro do art. 37 da CF/88 ao afirmar que: ‘‘A publicidade dos
atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos
deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social,
dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que carac-
terizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.’’
– Princípio da Moralidade: Dispõe que a atuação administrati-
va deve ser totalmente pautada nos princípios da ética, honestida-
de, probidade e boa-fé. Esse princípio está conexo à não corrupção
na Administração Pública.
O princípio da moralidade exige que o administrador tenha
conduta pautada de acordo com a ética, com o bom senso, bons
costumes e com a honestidade. O ato administrativo terá que obe-
decer a Lei, bem como a ética da própria instituição em que o agen-
te atua. Entretanto, não é suficiente que o ato seja praticado apenas
nos parâmetros da Lei, devendo, ainda, obedecer à moralidade.
– Princípio da Publicidade: Trata-se de um mecanismo de con-
trole dos atos administrativos por meio da sociedade. A publicidade
está associada à prestação de satisfação e informação da atuação
pública aos administrados. Via de regra é que a atuação da Admi-
nistração seja pública, tornando assim, possível o controle da socie-
dade sobre os seus atos.
Ocorre que, no entanto, o princípio em estudo não é abso-
luto. Isso ocorre pelo fato deste acabar por admitir exceções pre-
vistas em lei. Assim, em situações nas quais, por exemplo, devam
ser preservadas a segurança nacional, relevante interesse coletivo e
intimidade, honra e vida privada, o princípio da publicidade deverá
ser afastado.
Sendo a publicidade requisito de eficácia dos atos administra-
tivos que se voltam para a sociedade, pondera-se que os mesmos
não poderão produzir efeitos enquanto não forem publicados.
– Princípio da Eficiência:A atividade administrativa deverá ser
exercida com presteza, perfeição, rendimento, qualidade e econo-
micidade. Anteriormente era um princípio implícito, porém, hodier-
namente, foi acrescentado, de forma expressa, na CFB/88, com a
EC n. 19/1998.
São decorrentes do princípio da eficiência:
a. A possibilidade de ampliação da autonomia gerencial, orça-
mentária e financeira de órgãos, bem como de entidades adminis-
trativas, desde que haja a celebração de contrato de gestão.
b. A real exigência de avaliação por meio de comissão especial
para a aquisição da estabilidade do servidor Efetivo, nos termos do
art. 41, § 4º da CFB/88.
FUNDAMENTOS DA ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO
PÚBLICA
Uma vez que é através das atividades desenvolvidas pela Ad-
ministração Pública que o Estado alcança seus fins, seus agentes
públicos são os responsáveis pelas decisões governamentais e pela
execução dessas decisões.
Para que tais atividades não desvirtuem as finalidades estatais
a Administração Pública se submete às normas constitucionais e às
leis especiais. Todo esse aparato de normas objetiva a um compor-
tamento ético e moral por parte de todos os agentes públicos que
servem ao Estado.
Princípios constitucionais que balizam a atividade administra-
tiva:
Devemos atentar para o fato de que a Administração deve pau-
tar seus atos pelos princípios elencados na Constituição Federal, em
seu art. 37 que prevê: “A administração pública direta e indireta de
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e
dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoali-
dade, moralidade, publicidade e eficiência (...)”.
Quanto aos citados princípios constitucionais, o entendimento
do doutrinador pátrio Hely Lopes Meirelles é o seguinte:
“- Legalidade - A legalidade, como princípio da administração
(CF, art. 37, caput), significa que o administrador público está, em
toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei e às
exigências do bem comum, e deles não se pode afastar ou desviar,
sob pena de praticar ato inválido e expor-se a responsabilidade dis-
ciplinar, civil e criminal, conforme o caso. (...)
- Impessoalidade – O princípio da impessoalidade, (...), nada
mais é que o clássico princípio da finalidade, o qual impõe ao admi-
nistrador público que só pratique o ato para o seu fim legal. E o fim
legal é unicamente aquele que a norma de Direito indica expressa
ou virtualmente como objetivo do ato, de forma impessoal. Esse
princípio também deve ser entendido para excluir a promoção pes-
soal de autoridades ou servidores públicos sobre suas realizações
administrativas (...)
- Moralidade – A moralidade administrativa constitui, hoje em
dia, pressuposto de validade de todo ato da Administração Pública
(...). Não se trata – diz Hauriou, o sistematizador de tal conceito –
da moral comum, mas sim de uma moral jurídica, entendida como
“o conjunto de regras de conduta tiradas da disciplina interior da
Administração” (...)
- Publicidade - Publicidade é a divulgação oficial do ato para
conhecimento público e início de seus efeitos externos. (...) O prin-
cípio da publicidade dos atos e contratos administrativos, além de
assegurar seus efeitos externos, visa a propiciar seu conhecimento
e controle pelos interessados diretos e pelo povo em geral, através
dos meios constitucionais (...)
- Eficiência – O princípio da eficiência exige que a atividade
administrativa seja exercida com presteza, perfeição e rendimen-
to funcional. É o mais moderno princípio da função administrativa,
que já não se contenta em ser desempenhada apenas com legali-
dade, exigindo resultados positivos para o serviço público e satis-
fatório atendimento das necessidades da comunidade e de seus
membros. (...).”
Função pública é a competência, atribuição ou encargo para o
exercício de determinada função. Ressalta-se que essa função não
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
97
é livre, devendo, portanto, estar o seu exercício sujeito ao interesse
público, da coletividade ou da Administração. Segundo Maria Sylvia
Z. Di Pietro, função “é o conjunto de atribuições às quais não corres-
ponde um cargo ou emprego”.
No exercício das mais diversas funções públicas, os servidores,
além das normatizações vigentes nos órgão e entidades públicas
que regulamentam e determinam a forma de agir dos agentes pú-
blicos, devem respeitar os valores éticos e morais que a sociedade
impõe para o convívio em grupo. A não observação desses valores
acarreta uma série de erros e problemas no atendimento ao públi-
co e aos usuários do serviço, o que contribui de forma significativa
para uma imagem negativa do órgão e do serviço.
Um dos fundamentos que precisa ser compreendido é o de que
o padrão ético dos servidores públicos no exercício de sua função
pública advém de sua natureza, ou seja, do caráter público e de sua
relação com o público.
O servidor deve estar atento a esse padrão não apenas no exer-
cício de suas funções, mas 24 horas por dia durante toda a sua vida.
O caráter público do seu serviço deve se incorporar à sua vida priva-
da, a fim de que os valores morais e a boa-fé, amparados constitu-
cionalmente como princípios básicos e essenciais a uma vida equili-
brada, se insiram e seja uma constante em seu relacionamento com
os colegas e com os usuários do serviço.
O Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Po-
der Executivo Federal estabelece no primeiro capítulo valores que
vão muito além da legalidade.
II – O servidor público não poderá jamais desprezar o elemento
ético de sua conduta. Assim, não terá que decidir somente entre o
legal e o ilegal, o justo e o injusto, o conveniente e o inconveniente,
o oportuno e o inoportuno, mas principalmente entre o honesto e
o desonesto, consoante as regras contidas no art. 37, caput, e§ 4°,
da Constituição Federal.
Cumprir as leis e ser ético em sua função pública. Se ele cum-
prir a lei e for antiético, será considerada uma conduta ilegal, ou
seja, para ser irrepreensível tem que ir além da legalidade.
Os princípios constitucionais devem ser observados para que
a função pública se integre de forma indissociável ao direito. Esses
princípios são:
– Legalidade – todo ato administrativo deve seguir fielmente
os meandros da lei.
– Impessoalidade – aqui é aplicado como sinônimo de igualda-
de: todos devem ser tratados de forma igualitária e respeitando o
que a lei prevê.
– Moralidade – respeito ao padrão moral para não comprome-
ter os bons costumes da sociedade.
– Publicidade – refere-se à transparência de todo ato público,
salvo os casos previstos em lei.
– Eficiência – ser o mais eficiente possível na utilização dos
meios que são postos a sua disposição para a execução do seu tra-
balho.
PROCEDIMENTO EM CASO DE ASSALTO (ANTES E
DEPOIS)
A questão da violência e criminalidade não é um fato recente,
mas atualmente, encontra-se em um estágio preocupante. As ações
de repressão e a existência de leis já não parecem ser suficientes
para controlar a situação. Diariamente, cresce a sensação de que o
respeito às instituições e o temor em relação às leis estão em declí-
nio. A sociedade enfrenta desafios cada vez maiores para lidar com
esse cenário e buscar soluções efetivas para garantir a segurança e
o bem-estar de todos.
Procedimento antes de um assalto:
- Prevenção: é a primeira linha de defesa contra assaltos. Certi-
fique-se de tomar medidas preventivas, como evitar áreas conheci-
das por serem perigosas, estar atento ao seu entorno e evitar exibir
objetos de valor em público.
- Conhecimento do local: Seja você um cidadão comum ou um
funcionário de um estabelecimento, conhecer o local onde você
está é importante. Esteja ciente das saídas de emergência, câmeras
de segurança e áreas seguras no caso de um assalto.
- Treinamento: Funcionários de estabelecimentos comerciais
devem receber treinamento em procedimentos de segurança,
como lidar com situações de roubo, como acionar alarmes e con-
tatar a polícia.
- Comunicação:Mantenha um meio de comunicação disponí-
vel, como um celular, para chamar a polícia em caso de emergência.
- Colaboração com autoridades: Empresas podem estabelecer
parcerias com a polícia local para melhorar a segurança na região e
receber orientações específicas para reduzir riscos.
- Sistemas de segurança: Implemente sistemas de seguran-
ça adequados, como câmeras de vigilância, alarmes e controle de
acesso, para dissuadir possíveis criminosos e facilitar a identificação
em caso de ocorrência.
Esteja sempre atento, especialmente ao comportamento de
pessoas próximas a você ou paradas perto dos lugares que frequen-
ta.
Caso você seja vítima:
- Mantenha a calma e comunique-se de forma calma e com
movimentos lentos.
- Responda somente ao que lhe for perguntado ou para avisar
sobre qualquer gesto ou movimento que você irá fazer.
- Evite discutir. Entregue ao criminoso o que ele exigir, dessa
forma, o tempo do roubo será menor.
- Evite brincadeiras ou conversas, foque em fazer apenas o que
o criminoso mandar.
- Evite movimentos bruscos: O assaltante pode interpretá-los
como uma reação, por isso, avise sobre os gestos que pretende fa-
zer.
- Não olhe diretamente para os criminosos, pois isso pode ser
interpretado como uma ameaça.
- Procure memorizar todos os detalhes possíveis, como fisiono-
mia, modo de falar, roupas, gírias, trajetos e locais visitados, veícu-
los utilizados, entre outros.
- Não tente fugir ou reagir, pois é comum que outros crimino-
sos estejam dando cobertura ao assalto.
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
98
- Não tente negociar: Entregue o que o assaltante pedir sem
tentar negociar.
- Não acione a buzina ou grite: Isso pode deixar o criminoso
mais nervoso.
- Ligue para a polícia assim que possível e transmita a descrição
exata do ocorrido, incluindo detalhes sobre o trajeto seguido pelos
criminosos.
- Se você estiver portando arma e/ou identidade funcional (po-
liciais, guardas municipais, agentes penitenciários, juízes, promoto-
res), tenha atenção redobrada.
- Não persiga o assaltante, a pé ou com veículo, após o crime.
Priorize sua segurança e acione as autoridades competentes.
- Preservação da cena: Caso seja um estabelecimento comer-
cial, evite mexer ou limpar a área onde o assalto ocorreu, pois a
polícia precisará coletar evidências para investigação.
- Registre a ocorrência em uma Delegacia de Polícia para que as
autoridades possam tomar as providências adequadas.
- Se você presenciar um assalto, mantenha-se afastado do local
e evite interferir diretamente. Ligue para a polícia e passe todas as
informações possíveis. Após a saída do assaltante, ajude a vítima.
Obs.: Não ande armado nem tenha armas em casa. Mesmo que
você saiba atirar e tenha porte de arma, suas chances de reagir com
sucesso são muito pequenas, e o risco de que a arma seja usada
contra você é muito grande. Priorize sempre sua segurança e de
terceiros.
NOÇÕES DE SEGURANÇA DO TRABALHO: ACIDENTES
DO TRABALHO: CONCEITO, CAUSAS E PREVENÇÃO;
NORMAS DE SEGURANÇA: CONCEITO DE PROTEÇÃO E
EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO
Higiene e Segurança no trabalho
De modo genérico, Higiene e Segurança do Trabalho compõem
duas atividades intimamente relacionadas, no sentido de garantir
condições pessoais e materiais de trabalho capazes de manter certo
nível de saúde dos empregados.
Do ponto de vista da Administração de Recursos Humanos, a
saúde e a segurança dos empregados constituem uma das principais
bases para a preservação da força de trabalho adequada através da
Higiene e Segurança do trabalho.
Segundo o conceito emitido pela Organização Mundial de
Saúde, a saúde é um estado completo de bem-estar físico, mental
e social e que não consiste somente na ausência de doença ou de
enfermidade.
A higiene do trabalho refere-se ao conjunto de normas e
procedimentos que visa à proteção da integridade física e mental
do trabalhador, preservando-o dos riscos de saúde inerentes às
tarefas do cargo e ao ambiente físico onde são executadas.
Segurança do trabalho é o conjunto de medidas técnicas,
educacionais, médicas e psicológicas, empregadas para prevenir
acidentes, quer eliminando as condições inseguras do ambiente,
quer instruindo ou convencendo as pessoas da implantação de
práticas preventivas.
A atividade de Higiene do Trabalho no contexto da gestão
de RH inclui uma série de normas e procedimentos, visando
essencialmente, à proteção da saúde física e mental do empregado.
Procurando também resguardá-lo dos riscos de saúde
relacionados com o exercício de suas funções e com o ambiente
físico onde o trabalho é executado.
Hoje a Higiene do Trabalho é vista como uma ciência do
reconhecimento, avaliação e controle dos riscos à saúde, na
empresa, visando à prevenção de doenças ocupacionais.
O que é higiene e segurança do trabalho?
A higiene do trabalho compreende normas e procedimentos
adequados para proteger a integridade física e mental do
trabalhador, preservando-o dos riscos de saúde inerente às tarefas
do cargo e ao ambiente físico onde são executadas.
A higiene do trabalho está ligada ao diagnóstico e à prevenção
das doenças ocupacionais, a partir do estudo e do controle do
homem e seu ambiente de trabalho.
Ela tem caráter preventivo por promover a saúde e o conforto
do funcionário, evitando que ele adoeça e se ausente do trabalho.
Envolve, também, estudo e controle das condições de trabalho.
A iluminação, a temperatura e o ruído fazem parte das
condições ambientais de trabalho.
Uma má iluminação, por exemplo, causa fadiga à visão, afeta
o sistema nervoso, contribui para a má qualidade do trabalho
podendo, inclusive, prejudicar o desempenho dos funcionários.
A falta de uma boa iluminação também pode ser considerada
responsável por uma razoável parcela dos acidentes que ocorrem
nas organizações.
Envolvem riscos os trabalhos noturnos ou turnos, temperaturas
extremas – que geram desde fadiga crônica até incapacidade
laboral.
Um ambiente de trabalho com temperatura e umidade
inadequadas é considerado doentio.
Por isso, o funcionário deve usar roupas adequadas para se
proteger do que “enfrenta” no dia-a-dia corporativo.
O mesmo ocorre com a umidade. Já o ruído provoca perca da
audição e quanto maior o tempo de exposição a ele maior o grau da
perda da capacidade auditiva.
A segurança do trabalho implica no uso de equipamentos
adequados para evitar lesões ou possíveis perdas.
É preciso, conscientizar os funcionários da importância do uso
dos EPIs, luvas, máscaras e roupas adequadas para o ambiente em
que eles atuam.
Fazendo essa ação específica, a organização está mostrando
reconhecimento ao trabalho do funcionário e contribuindo para
sua melhoria da qualidade de vida.
Ao invés de obrigar os funcionários a usarem, é melhor realizar
esse tipo de trabalho de conscientização, pois o retorno será bem
mais positivo.
Já ouvi muitos colaboradores falarem, por exemplo, que os EPIs
e as máscaras incomodam e, algumas vezes, chagaram a pedir aos
gestores que usassem os equipamentos para ver se era bom.
Ora, na verdade os equipamentos incomodam, mas o
trabalhador deve pensar o uso desses que é algo válido, pois o
ajuda a prevenir problemas futuros.
Na segurança do trabalho também é importante que a empresa
forneça máquinas adequadas, em perfeito estado de uso e de
preferência com um sistema de travas de segurança.
É fundamental que as empresas treinem os funcionários e os
alertem em relação aos riscos que máquinas podem significar no
dia-a-dia.
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
99
Caso algum funcionário apresente algum problema de saúde
mais tarde ou sofra algum acidente, a responsabilidade será
toda da empresa por não ter obrigado o funcionário a seguir os
procedimentos adequados de segurança.
Caso o funcionário se recuse a usar os equipamentos que o
protegerão de possíveis acidentes, a organização poderá demiti-lo
por justa causa.
As prevenções dessas lesões/acidentes podem ser feitas
através de:
- Estudos e modificações ergonômicasdos postos de trabalho.
- Uso de ferramentas e equipamentos ergonomicamente
adaptados ao trabalhador.
- Diminuição do ritmo do trabalho.
- Estabelecimento de pausas para descanso.
- Redução da jornada de trabalho.
- Diversificação de tarefas.
- Eliminação do clima autoritário no ambiente de trabalho.
- Maior participação e autonomia dos trabalhadores nas
decisões do seu trabalho.
- Reconhecimento e valorização do trabalho.
- Valorização das queixas dos trabalhadores.
É preciso mudar os hábitos e as condições de trabalho para
que a higiene e a segurança no ambiente de trabalho se tornem
satisfatórios. Nessas mudanças se faz necessário resgatar o valor
humano.
Nesse contexto, a necessidade de reconhecimento pode ser
frustrada pela organização quando ela não valoriza o desempenho.
Por exemplo, quando a política de promoção é baseada nos anos
de serviço e não no mérito ou, então, quando a estrutura salarial
não oferece qualquer possibilidade de recompensa financeira por
realização como os aumentos por mérito.
Se o ambiente enfatizar as relações distantes e impessoais
entre os funcionários e se o contato social entre os mesmos for
desestimulado, existirão menos chances de reconhecimento.
Conforme Arroba e James (1988) uma maneira de reconhecer
os funcionários é admitir que eles têm outras preocupações além
do desempenho imediato de seu serviço.
Uma outra causa da falta de reconhecimento dos funcionários
na organização são os estereótipos, pois seus julgamentos não são
baseados em evidências ou informações sobre a pessoa.
A partir do momento que as pessoas fazem parte de uma
organização podem obter reconhecimento positivo ou negativo.
Os grupos de trabalho, por exemplo, podem satisfazer ou
frustrar as necessidades de reconhecimento.
Quem a higiene e segurança do trabalho beneficia?
A Segurança e Higiene do Trabalho beneficia qualquer tipo
negócio, além de ser uma obrigação legal e social.
Todas as organizações deverão entender que este ramo serve
para prevenir acidentes e doenças laborais, mas que também é uma
parte essencial para o sucesso do seu negócio.
Todas as empresas podem gozar de benefícios significativos ao
investirem em medidas de Segurança e Higiene do Trabalho.
Pequenos melhoramentos podem levar ao aumento da
competitividade e da motivação dos trabalhadores.
A qualidade das condições de trabalho é um dos fatores
fundamentais para o sucesso do sistema produtivo de qualquer
Empresa.
Nesse âmbito, a melhoria da produtividade e da competitividade
das Empresas passa, necessariamente, por uma intervenção no
sentido da melhoria das condições de trabalho.
Os benefícios da manutenção de um ambiente de trabalho
seguro são muitos, mas em primeiro lugar, a segurança é saber o
que é que pode fazer para proteger os seus trabalhadores.
Na realidade, a prática da segurança nos locais de trabalho traz
também inúmeros benefícios financeiros para a Empresa através
da Higiene e Segurança do trabalho.
O impacto de um ambiente de trabalho seguro é desde logo
benéfico tanto direta como indiretamente.
Senão vejamos, diretamente, falamos na prevenção de custos
associados aos incidentes e acidentes, incluindo os custos com
as indemnização e salários aos trabalhadores, os custos com a
assistência médica, os custos com seguros e as contra ordenações
aplicáveis.
Estes só serão minimizados quando existe um Sistema de
Gestão da Segurança e Saúde implementado, que vise e contemple
todas as áreas da Segurança.
Indiretamente, a inexistência deste sistema pode levar a perdas
acentuadas de produtividade, custos com a reparação de produtos
e equipamentos danificados, custos associados à substituição de
trabalhadores, custos administrativos, perdas de competitividade,
perdas associadas à imagem e custos sociais diversos.
É sabido que, um ambiente de trabalho seguro aumenta a
moral do trabalhador, o que, por sua vez, aumenta a produtividade
a eficiência e, consequentemente, as margens de lucro.
Quando os trabalhadores têm um ambiente de trabalho seguro,
sentem que podem fazer a diferença, verificam-se maiores índices
de assiduidade, menos rotatividade de pessoal e uma melhor
qualidade de trabalho.
Outra área não menos importante, e que deve ser parte
integrante da Empresa, é a formação dos trabalhadores em matéria
de segurança e saúde.
A formação contínua nesta matéria assume um papel
fundamental na melhoria do nível de vida dos trabalhadores.
Uma formação eficaz permite:
Contribuir para que os trabalhadores se tornem competentes
em matéria de saúde e segurança;
Desenvolver uma cultura de segurança e saúde positiva, onde
o trabalho e o ambiente seguro sejam parte integrante e natural do
dia-a-dia dos trabalhadores;
Informar os trabalhadores dos riscos existentes e inerentes
ao seu local de trabalho, das medidas de prevenção e proteção e
respectiva aplicação;
Tanto em termos de postos de trabalho, como em termos
gerais da empresa;
Dotar o trabalhador das competências necessárias para atuar
em caso de perigo grave e iminente;
Evitar os custos associados aos acidentes e problemas de saúde
ocupacional;
Em especial, os associados às perdas materiais, paragens e
consequente perda de produção, absentismo e a desmotivação dos
trabalhadores;
Cumprir a legislação legal e obrigatória em matéria de
Segurança e Saúde.
A importância da higiene e segurança do trabalho
Qualquer empresa de hoje em dia conhece bem as implicações
e requisitos legais quando se fala em HSST- Higiene, Segurança e
Saúde no trabalho, tendo consciência de que uma falha neste âmbito
dentro da empresa, pode gerar automaticamente o pagamento de
uma multa por incumprimento legal.
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
100
A Higiene, Segurança e Saúde no trabalho é um conjunto de
ações que nasceu das preocupações dos trabalhadores da indústria
em meados do século 20, pois as condições de trabalho nunca eram
levadas em conta, mesmo que tal implicasse riscos de doença ou
mesmo de morte dos trabalhadores.
Numa época em que a indústria era a principal atividade
econômica em Portugal, os trabalhadores morriam ou tinham
acidentes onde ficavam impossibilitados para toda a vida por não
terem os devidos processos de Higiene e Segurança do trabalho.
Simplesmente porque a mentalidade corrente era a de que o
valor da vida humana era para apenas útil para trabalhar e porque
não existia qualquer legislação que protegesse o trabalhador.
O cenário demorou tempo a mudar e apenas a partir da
década de 50/60, surgiram as primeiras tentativas sérias de integrar
os trabalhadores em atividades devidamente adequadas às suas
capacidades, e dar-lhes conhecimento dos riscos a que estariam
expostos aquando do seu desempenhar de funções.
Atualmente a dimensão que encontramos neste âmbito é muito
diferente, sobretudo porque a Lei-Quadro de Segurança, Higiene e
Saúde no Trabalho faz impender sobre as entidades empregadoras
a obrigatoriedade de organizarem os serviços de Segurança e Saúde
no Trabalho.
Desta forma, para além de análises minuciosas aos postos
de trabalho a empresa tem que garantir também as condições de
saúde dos trabalhadores (como a existência de um posto médico
dentro de cada empresa).
E ainda garantir que são objeto de estudo as investigações de
quaisquer tipo de incidentes ocorridos, sendo sempre analisada a
utilização ou não de equipamentos de proteção individual (vulgo
EPI).
Em resumo, todas as atividades de HSST se constituem como
as atividades cujo objetivo é o de garantir condições de trabalho em
qualquer empresa “num estado de bem-estar físico, mental e social
e não somente a ausência de doença e enfermidade” (de acordo
com a Organização Mundial de Saúde.)
Analisando parcelarmente este tipo de atividades temos que:
A higiene e saúde no trabalho procura combater de um ponto
de vista não médico, as doenças profissionais, identificando os
fatores que podem afetar o ambiente do trabalho e o trabalhador,
procurando eliminar ou reduzir os riscos profissionais.A segurança do trabalho por outro lado, propõe-se combater,
também dum ponto de vista não médico, os acidentes de trabalho,
eliminando para isso não só as condições inseguras do ambiente,
como sensibilizando também os trabalhadores a utilizarem medidas
preventivas.
Dadas as características específicas de algumas atividades
profissionais, nomeadamente as que acarretam algum índice
de perigosidade, é necessário estabelecer procedimentos de
segurança, para que estas sejam desempenhadas dentro de
parâmetros de segurança para o trabalhador.
Nesse sentido, é necessário fazer desde logo um levantamento
dos fatores que podem contribuir para ocorrências de acidentes,
como sejam:
- Acidentes devido a ações perigosas;
- Falta de cumprimento de ordens (não usar E.P.I.)
- Ligado à natureza do trabalho (erros na armazenagem)
- Nos métodos de trabalho (trabalhar a ritmo anormal,
manobrar empilhadores inadequadamente, distrações).
- Acidentes devido a Condições perigosas:
- Máquinas e ferramentas;
- Condições de ambiente físico, (iluminação, calor, frio, poeiras,
ruído).
Condições de organização (Layout mal feito, armazenamento
perigoso, falta de Equipamento de Proteção Individual – E.P.I.)
Após o processo de identificação deste tipo de condições é
importante desenvolver uma análise de riscos, sendo para isso
necessária à sua identificação e mapeamento.
A fim de que posteriormente se possa estudar a possibilidade
de aplicação de medidas que visam incrementar um maior nível de
segurança no local de trabalho, e que concretizam na eliminação do
risco de acidente, tornando-o inexistente ou neutralizando-o.
Por fim, importa ter ainda em conta que para além da matriz
de identificação de riscos no trabalho é imprescindível considerar
o risco ergonômico que surge da não adaptação dos postos de
trabalho às características do operador através da Higiene e
Segurança do trabalho.
Quer quanto à posição da máquina com que trabalha, quer no
espaço disponível ou na posição das ferramentas e materiais que
utiliza nas suas funções.
Desta feita torna-se mais do que evidente de que o sucesso
de um sistema produtivo passa inevitavelmente pela qualidade das
condições de trabalho que este proporciona aos seus colaboradores.
Nesta perspectiva, a melhoria da produtividade e da
competitividade das empresas portuguesas passa, necessariamente,
por uma intervenção no sentido da melhoria das condições de
trabalho.
Ainda que este conjunto de atividades seja visto atualmente,
pela gestão das empresas, mais como um gasto, do que
propriamente um incentivo à produtividade.
Ao tornar evidentes junto dos colaboradores os riscos a que
estão expostos durante o seu período de trabalho, a Higiene,
Segurança e Saúde no Trabalho permite relembrar todos os
colaboradores de que para um trabalho feito em condições é
preciso que as condições permitam que o trabalho se faça.
Legislação aplicada a higiene e segurança do trabalho
A legislação da higiene e segurança do trabalho é bem específica
e grande, sabendo disso iremos mostrar abaixo apenas os artigos e
incisos principais.
Art. 163 – Será obrigatória a constituição de Comissão Interna
de Prevenção de Acidentes (CIPA), de conformidade com instruções
expedidas pelo Ministério do Trabalho, nos estabelecimentos ou
locais de obra nelas especificadas.
As instruções do Ministério do Trabalho e Emprego
correspondem à NR5, que trata especificamente das Comissões
Internas de Prevenção de Acidentes – CIPA.
O item 5.1, da NR 5, estabelece que o objetivo da CIPA é a
prevenção de acidentes e doenças decorrentes do trabalho, de
modo a tornar compatível permanentemente o trabalho com a
preservação da vida e a promoção da saúde do trabalhador.
O emprego da palavra “permanentemente”, traz a ideia de
“sem interrupção”.
O item 5.2, da NR 5, dispõe que devem constituir CIPA,
por estabelecimento, e mantê-la em regular funcionamento as
empresas privadas, públicas, sociedades de economia mista,
órgãos da administração direta e indireta, instituições beneficentes,
associações recreativas, cooperativas, bem como outras instituições
que admitam trabalhadores como empregados.
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
101
Como já vimos, a noção correta, para os obrigados a obedecer
toda e qualquer disposição de Norma Regulamentadora, não só
relativa à CIPA, é de empregador.
Na aula 4 conceituamos, de acordo com a CLT, e através de
exemplos, o que se entende, juridicamente, por empregador.
Numa palavra: empregador é aquele que contrata força de
trabalho através do regime celetista.
O item 5.3 dispõe que as normas da NR5 aplicam-se, no que
couber, aos trabalhadores avulsos e às entidades que lhes tomem
serviços, observadas as disposições estabelecidas em Normas
Regulamentadoras de setores econômicos específicos.
Sabemos que não existe vínculo empregatício, celetista, na
relação de trabalho avulso. Sabemos, também, que as normas
de SST, em regra, só se aplicam aos trabalhadores regidos pela
Consolidação das Leis do Trabalho.
Entretanto, no caso específico da NR5, suas disposições,
quando não forem incompatíveis com as características do trabalho
avulso, são plenamente aplicáveis a esta relação de trabalho.
Parágrafo único – O Ministério do Trabalho regulamentará as
atribuições, a composição e o funcionamento das CIPA (s).
Art. 164 – Cada CIPA será composta de representantes da
empresa e dos empregados, de acordo com os critérios que vierem
a ser adotados na regulamentação de que trata o parágrafo único
do artigo anterior.
1º – Os representantes dos empregadores, titulares e suplentes,
serão por eles designados.
2º – Os representantes dos empregados, titulares e
suplentes, serão eleitos em escrutínio secreto, do qual participem,
independentemente de filiação sindical, exclusivamente os
empregados interessados.
Escrutínio secreto significa votação secreta, sigilosa.
Vejamos quais são as disposições específicas da NR5, acerca
das atribuições e composição dos processos de higiene e segurança
do trabalho. Não abordaremos o funcionamento da CIPA, pois a
matéria foge do nosso estudo.
A CIPA será composta de representantes do empregador e
dos empregados, de acordo com o dimensionamento previsto no
Quadro I desta NR, ressalvadas as alterações disciplinadas em atos
normativos para setores econômicos específicos.
Semelhante ao que ocorre para o dimensionamento do SESMT,
a NR5 estabelece grupos de atividades, e os relaciona ao número de
empregados do estabelecimento, para fixar o número de membros
da CIPA.
Os representantes dos empregadores, titulares e suplentes,
serão por eles designados.
Os representantes dos empregados, titulares e suplentes,
serão eleitos em escrutínio secreto, do qual participem,
independentemente de filiação sindical, exclusivamente os
empregados interessados.
A CIPA é um “fórum”, um local de discussão e debate, que se
beneficia das opiniões do empregador e dos empregados. Por isso a
necessidade de cada uma dessas categorias indicar seus membros,
para que todos sejam representados nas decisões.
A CIPA terá por atribuição:
- Identificar os riscos do processo de trabalho, e elaborar o mapa
de riscos, com a participação do maior número de trabalhadores,
com assessoria do SESMT, onde houver;
- Elaborar plano de trabalho que possibilite a ação preventiva
na solução de problemas de segurança e saúde no trabalho;
- Participar da implementação e do controle da qualidade das
medidas de prevenção necessárias, bem como da avaliação das
prioridades de ação nos locais de trabalho;
- Realizar, periodicamente, verificações nos ambientes e
condições de trabalho visando a identificação de situações que
venham a trazer riscos para a segurança e saúde dos trabalhadores;
- Realizar, a cada reunião, avaliação do cumprimento das metas
fixadas em seu plano de trabalho e discutir as situações de risco
que foram identificadas; divulgar aos trabalhadores informações
relativas à segurança e saúde no trabalho;
- Participar,com o SESMT, onde houver, das discussões
promovidas pelo empregador, para avaliar os impactos de alterações
no ambiente e processo de trabalho relacionados à segurança e
saúde dos trabalhadores;
- Requerer ao SESMT, quando houver, ou ao empregador, a
paralisação de máquina ou setor onde considere haver risco grave e
iminente à segurança e saúde dos trabalhadores;
- O mandato dos membros eleitos da CIPA terá a duração de 1
(um) ano, permitida uma reeleição.
- O disposto no parágrafo anterior não se aplicará ao membro
suplente que, durante o seu mandato, tenha participado de menos
da metade do número de reuniões da CIPA.
Como as atividades da CIPA são permanentes, os seus membros
devem participar assiduamente, das reuniões.
O empregador designará, anualmente, dentre os seus
representantes, o Presidente da CIPA e os empregados elegerão,
dentre eles, o Vice–Presidente.
Art. 165 – Os titulares da representação dos empregados nas
CIPA (s) não poderão sofrer despedida arbitrária, entendendo–
se como tal a que não se fundar em motivo disciplinar, técnico,
econômico ou financeiro.
Parágrafo único – Ocorrendo a despedida, caberá ao
empregador, em caso de reclamação à Justiça do Trabalho,
comprovar a existência de qualquer dos motivos mencionados
neste artigo, sob pena de ser condenado a reintegrar o empregado.
Fatores que afetam a higiene e segurança do trabalho
Dadas as especificidades de algumas atividades profissionais
através da Higiene e Segurança do trabalho., as quais acarretam
algum índice de perigosidade, é necessário que sobre as mesmas
incidam procedimentos de segurança para que as mesmas sejam
desempenhadas dentro de parâmetros de segurança para o
trabalhador.
Nesse sentido, é necessário fazer desde logo um levantamento
dos fatores que podem contribuir para ocorrências de acidentes,
como sejam:
- Máquinas e ferramentas;
- Condições de organização;
- Condições de ambiente físico, (iluminação, calor, frio, poeiras,
ruído).
-Acidentes devido a ações perigosas:
- Falta de comprimento de ordens (não usar E.P.I);
- Ligado à natureza do trabalho (Erros na armazenagem);
- Nos métodos de trabalho (trabalhar a ritmo anormal, manobrar
empilhadores inadequadamente, distrações, brincadeiras).
Fundamentos de higiene e segurança do trabalho
É preciso mudar os hábitos e as condições de trabalho para
que a higiene e a segurança no ambiente de trabalho se tornem
satisfatórios.
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
102
Nessas mudanças se faz necessário resgatar o valor humano
através dos processos de higiene e segurança do trabalho.
Nesse contexto, a necessidade de reconhecimento pode ser
frustrada pela organização quando ela não valoriza o desempenho.
Por exemplo, quando a política de promoção é baseada nos anos
de serviço e não no mérito ou, então, quando a estrutura salarial
não oferece qualquer possibilidade de recompensa financeira por
realização como os aumentos por mérito.
Se o ambiente enfatizar as relações distantes e impessoais
entre os funcionários e se o contato social entre os mesmos for
desestimulado, existirão menos chances de reconhecimento.
Conforme Arroba e James (1988) uma maneira de reconhecer
os funcionários é admitir que eles têm outras preocupações além
do desempenho imediato de seu serviço.
Uma outra causa da falta de reconhecimento dos funcionários
na organização são os estereótipos, pois seus julgamentos não são
baseados em evidências ou informações sobre a pessoa.
A partir do momento que as pessoas fazem parte de uma
organização podem obter reconhecimento positivo ou negativo.
Os grupos de trabalho, por exemplo, podem satisfazer ou
frustrar as necessidades de reconhecimento.
Pois, a importância do reconhecimento pela higiene e
segurança do trabalho é que a partir do momento que a organização
está preocupada com a higiene e a segurança do trabalho, ele está
sendo valorizado.
E quando os colaboradores percebem o fato de serem
valorizados, reconhecidos isso os torna mais motivados para o
trabalho.
ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
LEI FEDERAL Nº 8.069/1990
TÍTULOI
DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
Art. 1º Esta Lei dispõe sobre a proteção integral à criança e ao
adolescente.
Art. 2º Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa
até doze anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre
doze e dezoito anos de idade.
Parágrafo único. Nos casos expressos em lei, aplica-se excep-
cionalmente este Estatuto às pessoas entre dezoito e vinte e um
anos de idade.
Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos
fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da prote-
ção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou
por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de
lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e
social, em condições de liberdade e de dignidade.
Parágrafo único. Os direitos enunciados nesta Lei aplicam-se a
todas as crianças e adolescentes, sem discriminação de nascimento,
situação familiar, idade, sexo, raça, etnia ou cor, religião ou crença,
deficiência, condição pessoal de desenvolvimento e aprendizagem,
condição econômica, ambiente social, região e local de moradia ou
outra condição que diferencie as pessoas, as famílias ou a comuni-
dade em que vivem. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)
Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em
geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efe-
tivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à edu-
cação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignida-
de, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.
Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende:
a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer cir-
cunstâncias;
b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de re-
levância pública;
c) preferência na formulação e na execução das políticas sociais
públicas;
d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas rela-
cionadas com a proteção à infância e à juventude.
Art. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qual-
quer forma de negligência, discriminação, exploração, violência,
crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado,
por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.
Art. 6º Na interpretação desta Lei levar-se-ão em conta os fins
sociais a que ela se dirige, as exigências do bem comum, os direitos
e deveres individuais e coletivos, e a condição peculiar da criança e
do adolescente como pessoas em desenvolvimento.
TÍTULOII
DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
CAPÍTULO I
DO DIREITO À VIDA E À SAÚDE
Art. 7º A criança e o adolescente têm direito a proteção à vida
e à saúde, mediante a efetivação de políticas sociais públicas que
permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso,
em condições dignas de existência.
Art. 8 o É assegurado a todas as mulheres o acesso aos progra-
mas e às políticas de saúde da mulher e de planejamento reprodu-
tivo e, às gestantes, nutrição adequada, atenção humanizada à gra-
videz, ao parto e ao puerpério e atendimento pré-natal, perinatal e
pós-natal integral no âmbito do Sistema Único de Saúde. (Redação
dada pela Lei nº 13.257, de 2016)
§ 1 o O atendimento pré-natal será realizado por profissionais
da atenção primária. (Redação dada pela Lei nº 13.257, de 2016)
§ 2 o Os profissionais de saúde de referência da gestante garan-
tirão sua vinculação, no último trimestre da gestação, ao estabeleci-
mento em que será realizado o parto, garantido o direito de opção
da mulher. (Redação dada pela Lei nº 13.257, de 2016)
§ 3 o Os serviços de saúde onde o parto for realizado assegu-
rarão às mulheres e aos seus filhos recém-nascidos alta hospitalar
responsável e contrarreferência na atenção primária, bem como o
acesso a outros serviços e a grupos de apoio à amamentação. (Re-
dação dada pela Lei nº 13.257, de 2016)
§ 4 o Incumbe ao poder público proporcionar assistência psi-
cológicaà gestante e à mãe, no período pré e pós-natal, inclusive
como forma de prevenir ou minorar as consequências do estado
puerperal. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
§ 5 o A assistência referida no § 4 o deste artigo deverá ser
prestada também a gestantes e mães que manifestem interesse em
entregar seus filhos para adoção, bem como a gestantes e mães que
se encontrem em situação de privação de liberdade. (Redação dada
pela Lei nº 13.257, de 2016)
§ 6 o A gestante e a parturiente têm direito a 1 (um) acompa-
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
103
nhante de sua preferência durante o período do pré-natal, do traba-
lho de parto e do pós-parto imediato. (Incluído pela Lei nº 13.257,
de 2016)
§ 7 o A gestante deverá receber orientação sobre aleitamento
materno, alimentação complementar saudável e crescimento e de-
senvolvimento infantil, bem como sobre formas de favorecer a cria-
ção de vínculos afetivos e de estimular o desenvolvimento integral
da criança. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)
§ 8 o A gestante tem direito a acompanhamento saudável du-
rante toda a gestação e a parto natural cuidadoso, estabelecendo-
-se a aplicação de cesariana e outras intervenções cirúrgicas por
motivos médicos. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)
§ 9 o A atenção primária à saúde fará a busca ativa da gestante
que não iniciar ou que abandonar as consultas de pré-natal, bem
como da puérpera que não comparecer às consultas pós-parto. (In-
cluído pela Lei nº 13.257, de 2016)
§ 10. Incumbe ao poder público garantir, à gestante e à mulher
com filho na primeira infância que se encontrem sob custódia em
unidade de privação de liberdade, ambiência que atenda às normas
sanitárias e assistenciais do Sistema Único de Saúde para o acolhi-
mento do filho, em articulação com o sistema de ensino competen-
te, visando ao desenvolvimento integral da criança. (Incluído pela
Lei nº 13.257, de 2016)
Art. 8º-A. Fica instituída a Semana Nacional de Prevenção da
Gravidez na Adolescência, a ser realizada anualmente na semana
que incluir o dia 1º de fevereiro, com o objetivo de disseminar in-
formações sobre medidas preventivas e educativas que contribuam
para a redução da incidência da gravidez na adolescência. (Incluído
pela Lei nº 13.798, de 2019)
Parágrafo único. As ações destinadas a efetivar o disposto
no caput deste artigo ficarão a cargo do poder público, em conjun-
to com organizações da sociedade civil, e serão dirigidas priorita-
riamente ao público adolescente. (Incluído pela Lei nº 13.798, de
2019)
Art. 9º O poder público, as instituições e os empregadores pro-
piciarão condições adequadas ao aleitamento materno, inclusive
aos filhos de mães submetidas a medida privativa de liberdade.
§ 1 o Os profissionais das unidades primárias de saúde de-
senvolverão ações sistemáticas, individuais ou coletivas, visando
ao planejamento, à implementação e à avaliação de ações de pro-
moção, proteção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação
complementar saudável, de forma contínua. (Incluído pela Lei nº
13.257, de 2016)
§ 2 o Os serviços de unidades de terapia intensiva neonatal de-
verão dispor de banco de leite humano ou unidade de coleta de
leite humano. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)
Art. 10. Os hospitais e demais estabelecimentos de atenção à
saúde de gestantes, públicos e particulares, são obrigados a:
I - manter registro das atividades desenvolvidas, através de
prontuários individuais, pelo prazo de dezoito anos;
II - identificar o recém-nascido mediante o registro de sua im-
pressão plantar e digital e da impressão digital da mãe, sem preju-
ízo de outras formas normatizadas pela autoridade administrativa
competente;
III - proceder a exames visando ao diagnóstico e terapêutica
de anormalidades no metabolismo do recém-nascido, bem como
prestar orientação aos pais;
IV - fornecer declaração de nascimento onde constem neces-
sariamente as intercorrências do parto e do desenvolvimento do
neonato;
V - manter alojamento conjunto, possibilitando ao neonato a
permanência junto à mãe.
VI - acompanhar a prática do processo de amamentação, pres-
tando orientações quanto à técnica adequada, enquanto a mãe
permanecer na unidade hospitalar, utilizando o corpo técnico já
existente. (Incluído pela Lei nº 13.436, de 2017) (Vigência)
§ 1º Os testes para o rastreamento de doenças no recém-nas-
cido serão disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde, no âmbito
do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), na forma da
regulamentação elaborada pelo Ministério da Saúde, com imple-
mentação de forma escalonada, de acordo com a seguinte ordem
de progressão: (Incluído pela Lei nº 14.154, de 2021) Vigência
I – etapa 1: (Incluído pela Lei nº 14.154, de 2021) Vigência
a) fenilcetonúria e outras hiperfenilalaninemias; (Incluída
pela Lei nº 14.154, de 2021) Vigência
b) hipotireoidismo congênito; (Incluída pela Lei nº 14.154, de
2021) Vigência
c) doença falciforme e outras hemoglobinopatias; (Incluída
pela Lei nº 14.154, de 2021) Vigência
d) fibrose cística; (Incluída pela Lei nº 14.154, de 2021) Vi-
gência
e) hiperplasia adrenal congênita; (Incluída pela Lei nº 14.154,
de 2021) Vigência
f) deficiência de biotinidase; (Incluída pela Lei nº 14.154, de
2021) Vigência
g) toxoplasmose congênita; (Incluída pela Lei nº 14.154, de
2021) Vigência
II – etapa 2: (Incluído pela Lei nº 14.154, de 2021) Vigência
a) galactosemias; (Incluída pela Lei nº 14.154, de 2021) Vi-
gência
b) aminoacidopatias; (Incluída pela Lei nº 14.154, de
2021) Vigência
c) distúrbios do ciclo da ureia; (Incluída pela Lei nº 14.154, de
2021) Vigência
d) distúrbios da betaoxidação dos ácidos graxos; (Incluída pela
Lei nº 14.154, de 2021) Vigência
III – etapa 3: doenças lisossômicas; (Incluído pela Lei nº 14.154,
de 2021) Vigência
IV – etapa 4: imunodeficiências primárias; (Incluído pela Lei nº
14.154, de 2021) Vigência
V – etapa 5: atrofia muscular espinhal. (Incluído pela Lei nº
14.154, de 2021) Vigência
§ 2º A delimitação de doenças a serem rastreadas pelo teste do
pezinho, no âmbito do PNTN, será revisada periodicamente, com
base em evidências científicas, considerados os benefícios do ras-
treamento, do diagnóstico e do tratamento precoce, priorizando as
doenças com maior prevalência no País, com protocolo de trata-
mento aprovado e com tratamento incorporado no Sistema Único
de Saúde. (Incluído pela Lei nº 14.154, de 2021) Vigência
§ 3º O rol de doenças constante do § 1º deste artigo poderá ser
expandido pelo poder público com base nos critérios estabelecidos
no § 2º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 14.154, de 2021) Vi-
gência
§ 4º Durante os atendimentos de pré-natal e de puerpério
imediato, os profissionais de saúde devem informar a gestante e os
acompanhantes sobre a importância do teste do pezinho e sobre as
eventuais diferenças existentes entre as modalidades oferecidas no
Sistema Único de Saúde e na rede privada de saúde. (Incluído pela
Lei nº 14.154, de 2021) Vigência
Art. 11. É assegurado acesso integral às linhas de cuidado vol-
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
104
tadas à saúde da criança e do adolescente, por intermédio do Siste-
ma Único de Saúde, observado o princípio da equidade no acesso
a ações e serviços para promoção, proteção e recuperação da saú-
de. (Redação dada pela Lei nº 13.257, de 2016)
§ 1 o A criança e o adolescente com deficiência serão atendi-
dos, sem discriminação ou segregação, em suas necessidades gerais
de saúde e específicas de habilitação e reabilitação. (Redação dada
pela Lei nº 13.257, de 2016)
§ 2 o Incumbe ao poder público fornecer gratuitamente, àque-
les que necessitarem, medicamentos, órteses, próteses e outras
tecnologias assistivas relativas ao tratamento, habilitação ou rea-
bilitação para crianças e adolescentes, de acordo com as linhas de
cuidado voltadas às suas necessidades específicas. (Redação dada
pela Lei nº 13.257, de 2016)
§ 3o Os profissionais que atuam no cuidado diário ou frequen-
te de crianças na primeira infância receberão formação específica
e permanente para a detecção de sinais de risco para o desenvol-
vimento psíquico, bem como para o acompanhamento que se fizer
necessário. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)
Art. 12. Os estabelecimentos de atendimento à saúde, inclu-
sive as unidades neonatais, de terapia intensiva e de cuidados in-
termediários, deverão proporcionar condições para a permanência
em tempo integral de um dos pais ou responsável, nos casos de
internação de criança ou adolescente. (Redação dada pela Lei nº
13.257, de 2016)
Art. 13. Os casos de suspeita ou confirmação de castigo físico,
de tratamento cruel ou degradante e de maus-tratos contra criança
ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho
Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de outras providên-
cias legais. (Redação dada pela Lei nº 13.010, de 2014)
§ 1 o As gestantes ou mães que manifestem interesse em en-
tregar seus filhos para adoção serão obrigatoriamente encaminha-
das, sem constrangimento, à Justiça da Infância e da Juventude. (In-
cluído pela Lei nº 13.257, de 2016)
§ 2 o Os serviços de saúde em suas diferentes portas de entra-
da, os serviços de assistência social em seu componente especia-
lizado, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social
(Creas) e os demais órgãos do Sistema de Garantia de Direitos da
Criança e do Adolescente deverão conferir máxima prioridade ao
atendimento das crianças na faixa etária da primeira infância com
suspeita ou confirmação de violência de qualquer natureza, formu-
lando projeto terapêutico singular que inclua intervenção em rede
e, se necessário, acompanhamento domiciliar. (Incluído pela Lei nº
13.257, de 2016)
Art. 14. O Sistema Único de Saúde promoverá programas de
assistência médica e odontológica para a prevenção das enfermida-
des que ordinariamente afetam a população infantil, e campanhas
de educação sanitária para pais, educadores e alunos.
§ 1 o É obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomen-
dados pelas autoridades sanitárias. (Renumerado do parágrafo úni-
co pela Lei nº 13.257, de 2016)
§ 2 o O Sistema Único de Saúde promoverá a atenção à saúde
bucal das crianças e das gestantes, de forma transversal, integral e
intersetorial com as demais linhas de cuidado direcionadas à mu-
lher e à criança. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)
§ 3 o A atenção odontológica à criança terá função educativa
protetiva e será prestada, inicialmente, antes de o bebê nascer, por
meio de aconselhamento pré-natal, e, posteriormente, no sexto e
no décimo segundo anos de vida, com orientações sobre saúde bu-
cal. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)
§ 4 o A criança com necessidade de cuidados odontológicos
especiais será atendida pelo Sistema Único de Saúde. (Incluído pela
Lei nº 13.257, de 2016)
§ 5 º É obrigatória a aplicação a todas as crianças, nos seus pri-
meiros dezoito meses de vida, de protocolo ou outro instrumento
construído com a finalidade de facilitar a detecção, em consulta
pediátrica de acompanhamento da criança, de risco para o seu de-
senvolvimento psíquico. (Incluído pela Lei nº 13.438, de 2017) (Vi-
gência)
CAPÍTULO II
DO DIREITO À LIBERDADE, AO RESPEITO E À DIGNIDADE
Art. 15. A criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao
respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de de-
senvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais
garantidos na Constituição e nas leis.
Art. 16. O direito à liberdade compreende os seguintes aspec-
tos:
I - ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitá-
rios, ressalvadas as restrições legais;
II - opinião e expressão;
III - crença e culto religioso;
IV - brincar, praticar esportes e divertir-se;
V - participar da vida familiar e comunitária, sem discriminação;
VI - participar da vida política, na forma da lei;
VII - buscar refúgio, auxílio e orientação.
Art. 17. O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da inte-
gridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abran-
gendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos
valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos pessoais.
Art. 18. É dever de todos velar pela dignidade da criança e do
adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano,
violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor.
Art. 18-A. A criança e o adolescente têm o direito de ser educa-
dos e cuidados sem o uso de castigo físico ou de tratamento cruel
ou degradante, como formas de correção, disciplina, educação ou
qualquer outro pretexto, pelos pais, pelos integrantes da família
ampliada, pelos responsáveis, pelos agentes públicos executores de
medidas socioeducativas ou por qualquer pessoa encarregada de
cuidar deles, tratá-los, educá-los ou protegê-los. (Incluído pela Lei
nº 13.010, de 2014)
Parágrafo único. Para os fins desta Lei, considera-se: (Incluído
pela Lei nº 13.010, de 2014)
I - castigo físico: ação de natureza disciplinar ou punitiva apli-
cada com o uso da força física sobre a criança ou o adolescente que
resulte em: (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014)
a) sofrimento físico; ou (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014)
b) lesão; (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014)
II - tratamento cruel ou degradante: conduta ou forma cruel de
tratamento em relação à criança ou ao adolescente que: (Incluído
pela Lei nº 13.010, de 2014)
a) humilhe; ou (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014)
b) ameace gravemente; ou (Incluído pela Lei nº 13.010, de
2014)
c) ridicularize. (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014)
Art. 18-B. Os pais, os integrantes da família ampliada, os res-
ponsáveis, os agentes públicos executores de medidas socioeduca-
tivas ou qualquer pessoa encarregada de cuidar de crianças e de
adolescentes, tratá-los, educá-los ou protegê-los que utilizarem
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
105
castigo físico ou tratamento cruel ou degradante como formas de
correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto estarão
sujeitos, sem prejuízo de outras sanções cabíveis, às seguintes me-
didas, que serão aplicadas de acordo com a gravidade do caso: (In-
cluído pela Lei nº 13.010, de 2014)
I - encaminhamento a programa oficial ou comunitário de pro-
teção à família; (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014)
II - encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátri-
co; (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014)
III - encaminhamento a cursos ou programas de orientação; (In-
cluído pela Lei nº 13.010, de 2014)
IV - obrigação de encaminhar a criança a tratamento especiali-
zado; (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014)
V - advertência. (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014)
VI - garantia de tratamento de saúde especializado à víti-
ma. (Incluído pela Lei nº 14.344, de 2022) Vigência
Parágrafo único. As medidas previstas neste artigo serão apli-
cadas pelo Conselho Tutelar, sem prejuízo de outras providências
legais. (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014)
CAPÍTULO III
DO DIREITO À CONVIVÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA
SEÇÃO I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 19. É direito da criança e do adolescente ser criado e edu-
cado no seio de sua família e, excepcionalmente, em família substi-
tuta, assegurada a convivência familiar e comunitária, em ambiente
que garanta seu desenvolvimento integral. (Redação dada pela Lei
nº 13.257, de 2016)
§ 1 o Toda criança ou adolescente que estiver inserido em pro-
grama de acolhimento familiar ou institucional terá sua situação re-
avaliada, no máximo, a cada 3 (três) meses, devendo a autoridade
judiciária competente, com base em relatório elaborado por equipe
interprofissional ou multidisciplinar, decidir de forma fundamenta-
da pela possibilidade de reintegração familiar ou pela colocação em
família substituta, em quaisquer das modalidades previstas no art.
28 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 13.509, de 2017)
§ 2 o A permanência da criança e do adolescente em progra-
ma de acolhimento institucionalnão se prolongará por mais de 18
(dezoito meses), salvo comprovada necessidade que atenda ao seu
superior interesse, devidamente fundamentada pela autoridade ju-
diciária. (Redação dada pela Lei nº 13.509, de 2017)
§ 3 o A manutenção ou a reintegração de criança ou adolescen-
te à sua família terá preferência em relação a qualquer outra pro-
vidência, caso em que será esta incluída em serviços e programas
de proteção, apoio e promoção, nos termos do § 1 o do art. 23, dos
incisos I e IV do caput do art. 101 e dos incisos I a IV do caput do art.
129 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 13.257, de 2016)
§ 4 o Será garantida a convivência da criança e do adolescente
com a mãe ou o pai privado de liberdade, por meio de visitas perió-
dicas promovidas pelo responsável ou, nas hipóteses de acolhimen-
to institucional, pela entidade responsável, independentemente de
autorização judicial. (Incluído pela Lei nº 12.962, de 2014)
§ 5 o Será garantida a convivência integral da criança com a
mãe adolescente que estiver em acolhimento institucional. (Inclu-
ído pela Lei nº 13.509, de 2017)
§ 6 o A mãe adolescente será assistida por equipe especializada
multidisciplinar. (Incluído pela Lei nº 13.509, de 2017)
Art. 19-A. A gestante ou mãe que manifeste interesse em en-
tregar seu filho para adoção, antes ou logo após o nascimento, será
encaminhada à Justiça da Infância e da Juventude. (Incluído pela Lei
nº 13.509, de 2017)
§ 1 o A gestante ou mãe será ouvida pela equipe interprofissio-
nal da Justiça da Infância e da Juventude, que apresentará relatório
à autoridade judiciária, considerando inclusive os eventuais efeitos
do estado gestacional e puerperal. (Incluído pela Lei nº 13.509, de
2017)
§ 2 o De posse do relatório, a autoridade judiciária poderá de-
terminar o encaminhamento da gestante ou mãe, mediante sua
expressa concordância, à rede pública de saúde e assistência so-
cial para atendimento especializado. (Incluído pela Lei nº 13.509,
de 2017)
§ 3 o A busca à família extensa, conforme definida nos termos
do parágrafo único do art. 25 desta Lei, respeitará o prazo máximo
de 90 (noventa) dias, prorrogável por igual período. (Incluído pela
Lei nº 13.509, de 2017)
§ 4 o Na hipótese de não haver a indicação do genitor e de não
existir outro representante da família extensa apto a receber a guar-
da, a autoridade judiciária competente deverá decretar a extinção
do poder familiar e determinar a colocação da criança sob a guarda
provisória de quem estiver habilitado a adotá-la ou de entidade que
desenvolva programa de acolhimento familiar ou institucional. (In-
cluído pela Lei nº 13.509, de 2017)
§ 5 o Após o nascimento da criança, a vontade da mãe ou de
ambos os genitores, se houver pai registral ou pai indicado, deve ser
manifestada na audiência a que se refere o § 1 o do art. 166 desta
Lei, garantido o sigilo sobre a entrega. (Incluído pela Lei nº 13.509,
de 2017)
§ 6º Na hipótese de não comparecerem à audiência nem o ge-
nitor nem representante da família extensa para confirmar a inten-
ção de exercer o poder familiar ou a guarda, a autoridade judiciária
suspenderá o poder familiar da mãe, e a criança será colocada sob
a guarda provisória de quem esteja habilitado a adotá-la. (Incluído
pela Lei nº 13.509, de 2017)
§ 7 o Os detentores da guarda possuem o prazo de 15 (quinze)
dias para propor a ação de adoção, contado do dia seguinte à data
do término do estágio de convivência. (Incluído pela Lei nº 13.509,
de 2017)
§ 8 o Na hipótese de desistência pelos genitores - manifesta-
da em audiência ou perante a equipe interprofissional - da entrega
da criança após o nascimento, a criança será mantida com os geni-
tores, e será determinado pela Justiça da Infância e da Juventude
o acompanhamento familiar pelo prazo de 180 (cento e oitenta)
dias. (Incluído pela Lei nº 13.509, de 2017)
§ 9 o É garantido à mãe o direito ao sigilo sobre o nascimen-
to, respeitado o disposto no art. 48 desta Lei. (Incluído pela Lei nº
13.509, de 2017)
§ 10. Serão cadastrados para adoção recém-nascidos e crian-
ças acolhidas não procuradas por suas famílias no prazo de 30 (trin-
ta) dias, contado a partir do dia do acolhimento. (Incluído pela Lei
nº 13.509, de 2017)
Art. 19-B. A criança e o adolescente em programa de acolhi-
mento institucional ou familiar poderão participar de programa de
apadrinhamento. (Incluído pela Lei nº 13.509, de 2017)
§ 1 o O apadrinhamento consiste em estabelecer e proporcio-
nar à criança e ao adolescente vínculos externos à instituição para
fins de convivência familiar e comunitária e colaboração com o seu
desenvolvimento nos aspectos social, moral, físico, cognitivo, edu-
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
106
cacional e financeiro. (Incluído pela Lei nº 13.509, de 2017)
§ 2º Podem ser padrinhos ou madrinhas pessoas maiores de
18 (dezoito) anos não inscritas nos cadastros de adoção, desde que
cumpram os requisitos exigidos pelo programa de apadrinhamento
de que fazem parte. (Incluído pela Lei nº 13.509, de 2017)
§ 3 o Pessoas jurídicas podem apadrinhar criança ou adoles-
cente a fim de colaborar para o seu desenvolvimento. (Incluído pela
Lei nº 13.509, de 2017)
§ 4 o O perfil da criança ou do adolescente a ser apadrinha-
do será definido no âmbito de cada programa de apadrinhamento,
com prioridade para crianças ou adolescentes com remota possibi-
lidade de reinserção familiar ou colocação em família adotiva. (In-
cluído pela Lei nº 13.509, de 2017)
§ 5 o Os programas ou serviços de apadrinhamento apoiados
pela Justiça da Infância e da Juventude poderão ser executados por
órgãos públicos ou por organizações da sociedade civil. (Incluído
pela Lei nº 13.509, de 2017)
§ 6 o Se ocorrer violação das regras de apadrinhamento, os res-
ponsáveis pelo programa e pelos serviços de acolhimento deverão
imediatamente notificar a autoridade judiciária competente. (Inclu-
ído pela Lei nº 13.509, de 2017)
Art. 20. Os filhos, havidos ou não da relação do casamento,
ou por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas
quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação.
Art. 21. O pátrio poder poder familiar será exercido, em igual-
dade de condições, pelo pai e pela mãe, na forma do que dispuser
a legislação civil, assegurado a qualquer deles o direito de, em caso
de discordância, recorrer à autoridade judiciária competente para a
solução da divergência. (Expressão substituída pela Lei nº 12.010,
de 2009) Vigência
Art. 22. Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e edu-
cação dos filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes,
a obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais.
Parágrafo único. A mãe e o pai, ou os responsáveis, têm direi-
tos iguais e deveres e responsabilidades compartilhados no cuida-
do e na educação da criança, devendo ser resguardado o direito
de transmissão familiar de suas crenças e culturas, assegurados
os direitos da criança estabelecidos nesta Lei. (Incluído pela Lei nº
13.257, de 2016)
Art. 23. A falta ou a carência de recursos materiais não cons-
titui motivo suficiente para a perda ou a suspensão do pátrio po-
der poder familiar . (Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de
2009) Vigência
§ 1 o Não existindo outro motivo que por si só autorize a decre-
tação da medida, a criança ou o adolescente será mantido em sua
família de origem, a qual deverá obrigatoriamente ser incluída em
serviços e programas oficiais de proteção, apoio e promoção. (Re-
dação dada pela Lei nº 13.257, de 2016)
§ 2º A condenação criminal do pai ou da mãe não implicará a
destituição do poder familiar, exceto na hipótese de condenação
por crime doloso sujeito à pena de reclusão contra outrem igual-
mente titular do mesmo poder familiar ou contra filho, filha ou ou-
tro descendente. (Redação dada pela Lei nº 13.715, de 2018)
Art. 24. A perda e a suspensão do pátrio poder poder fami-
liar serão decretadas judicialmente, em procedimento contraditó-
rio, nos casos previstos na legislaçãocivil, bem como na hipótese de
descumprimento injustificado dos deveres e obrigações a que alude
o art. 22. (Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vi-
gência
SEÇÃO II
DA FAMÍLIA NATURAL
Art. 25. Entende-se por família natural a comunidade formada
pelos pais ou qualquer deles e seus descendentes.
Parágrafo único. Entende-se por família extensa ou ampliada
aquela que se estende para além da unidade pais e filhos ou da
unidade do casal, formada por parentes próximos com os quais a
criança ou adolescente convive e mantém vínculos de afinidade e
afetividade. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
Art. 26. Os filhos havidos fora do casamento poderão ser reco-
nhecidos pelos pais, conjunta ou separadamente, no próprio termo
de nascimento, por testamento, mediante escritura ou outro docu-
mento público, qualquer que seja a origem da filiação.
Parágrafo único. O reconhecimento pode preceder o nascimen-
to do filho ou suceder-lhe ao falecimento, se deixar descendentes.
Art. 27. O reconhecimento do estado de filiação é direito per-
sonalíssimo, indisponível e imprescritível, podendo ser exercitado
contra os pais ou seus herdeiros, sem qualquer restrição, observado
o segredo de Justiça.
SEÇÃO III
DA FAMÍLIA SUBSTITUTA
SUBSEÇÃO I
DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 28. A colocação em família substituta far-se-á mediante
guarda, tutela ou adoção, independentemente da situação jurídica
da criança ou adolescente, nos termos desta Lei.
§ 1 o Sempre que possível, a criança ou o adolescente será
previamente ouvido por equipe interprofissional, respeitado seu
estágio de desenvolvimento e grau de compreensão sobre as im-
plicações da medida, e terá sua opinião devidamente considera-
da. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
§ 2 o Tratando-se de maior de 12 (doze) anos de idade, será ne-
cessário seu consentimento, colhido em audiência. (Redação dada
pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
§ 3 o Na apreciação do pedido levar-se-á em conta o grau de
parentesco e a relação de afinidade ou de afetividade, a fim de evi-
tar ou minorar as consequências decorrentes da medida. (Incluído
pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
§ 4 o Os grupos de irmãos serão colocados sob adoção, tutela
ou guarda da mesma família substituta, ressalvada a comprovada
existência de risco de abuso ou outra situação que justifique plena-
mente a excepcionalidade de solução diversa, procurando-se, em
qualquer caso, evitar o rompimento definitivo dos vínculos frater-
nais. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
§ 5 o A colocação da criança ou adolescente em família subs-
tituta será precedida de sua preparação gradativa e acompanha-
mento posterior, realizados pela equipe interprofissional a serviço
da Justiça da Infância e da Juventude, preferencialmente com o
apoio dos técnicos responsáveis pela execução da política munici-
pal de garantia do direito à convivência familiar. (Incluído pela Lei nº
12.010, de 2009) Vigência
§ 6 o Em se tratando de criança ou adolescente indígena ou
proveniente de comunidade remanescente de quilombo, é ainda
obrigatório: (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
I - que sejam consideradas e respeitadas sua identidade social e
cultural, os seus costumes e tradições, bem como suas instituições,
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
107
desde que não sejam incompatíveis com os direitos fundamentais
reconhecidos por esta Lei e pela Constituição Federal; (Incluído pela
Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
II - que a colocação familiar ocorra prioritariamente no seio de
sua comunidade ou junto a membros da mesma etnia; (Incluído
pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
III - a intervenção e oitiva de representantes do órgão federal
responsável pela política indigenista, no caso de crianças e adoles-
centes indígenas, e de antropólogos, perante a equipe interprofis-
sional ou multidisciplinar que irá acompanhar o caso. (Incluído pela
Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
Art. 29. Não se deferirá colocação em família substituta a pes-
soa que revele, por qualquer modo, incompatibilidade com a natu-
reza da medida ou não ofereça ambiente familiar adequado.
Art. 30. A colocação em família substituta não admitirá transfe-
rência da criança ou adolescente a terceiros ou a entidades gover-
namentais ou não-governamentais, sem autorização judicial.
Art. 31. A colocação em família substituta estrangeira constitui
medida excepcional, somente admissível na modalidade de adoção.
Art. 32. Ao assumir a guarda ou a tutela, o responsável prestará
compromisso de bem e fielmente desempenhar o encargo, median-
te termo nos autos.
SUBSEÇÃO II
DA GUARDA
Art. 33. A guarda obriga a prestação de assistência material,
moral e educacional à criança ou adolescente, conferindo a seu de-
tentor o direito de opor-se a terceiros, inclusive aos pais. (Vide Lei
nº 12.010, de 2009) Vigência
§ 1º A guarda destina-se a regularizar a posse de fato, podendo
ser deferida, liminar ou incidentalmente, nos procedimentos de tu-
tela e adoção, exceto no de adoção por estrangeiros.
§ 2º Excepcionalmente, deferir-se-á a guarda, fora dos casos de
tutela e adoção, para atender a situações peculiares ou suprir a fal-
ta eventual dos pais ou responsável, podendo ser deferido o direito
de representação para a prática de atos determinados.
§ 3º A guarda confere à criança ou adolescente a condição de
dependente, para todos os fins e efeitos de direito, inclusive previ-
denciários.
§ 4 o Salvo expressa e fundamentada determinação em con-
trário, da autoridade judiciária competente, ou quando a medida
for aplicada em preparação para adoção, o deferimento da guarda
de criança ou adolescente a terceiros não impede o exercício do
direito de visitas pelos pais, assim como o dever de prestar alimen-
tos, que serão objeto de regulamentação específica, a pedido do
interessado ou do Ministério Público. (Incluído pela Lei nº 12.010,
de 2009) Vigência
Art. 34. O poder público estimulará, por meio de assistência
jurídica, incentivos fiscais e subsídios, o acolhimento, sob a forma
de guarda, de criança ou adolescente afastado do convívio fami-
liar. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
§ 1 o A inclusão da criança ou adolescente em programas de
acolhimento familiar terá preferência a seu acolhimento institucio-
nal, observado, em qualquer caso, o caráter temporário e excepcio-
nal da medida, nos termos desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.010,
de 2009)
§ 2 o Na hipótese do § 1 o deste artigo a pessoa ou casal cadas-
trado no programa de acolhimento familiar poderá receber a crian-
ça ou adolescente mediante guarda, observado o disposto nos arts.
28 a 33 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
§ 3 o A União apoiará a implementação de serviços de acolhi-
mento em família acolhedora como política pública, os quais de-
verão dispor de equipe que organize o acolhimento temporário de
crianças e de adolescentes em residências de famílias selecionadas,
capacitadas e acompanhadas que não estejam no cadastro de ado-
ção. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)
§ 4 o Poderão ser utilizados recursos federais, estaduais, distri-
tais e municipais para a manutenção dos serviços de acolhimento
em família acolhedora, facultando-se o repasse de recursos para a
própria família acolhedora. (Incluído pela Lei nº 13.257, de 2016)
Art. 35. A guarda poderá ser revogada a qualquer tempo, me-
diante ato judicial fundamentado, ouvido o Ministério Público.
SUBSEÇÃO III
DA TUTELA
Art. 36. A tutela será deferida, nos termos da lei civil, a pessoa
de até 18 (dezoito) anos incompletos. (Redação dada pela Lei nº
12.010, de 2009) Vigência
Parágrafo único. O deferimento da tutela pressupõe a prévia
decretação da perda ou suspensão do pátrio poder poder familiar e
implica necessariamente o dever de guarda. (Expressão substituída
pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
Art. 37. O tutor nomeado por testamento ou qualquer do-
cumento autêntico, conforme previsto no parágrafo únicode mais nada construção, mas constru-
ção concebida com o propósito primordial de ordenar e organizar
o espaço para determinada finalidade e visando a determinada in-
tenção. E, nesse processo fundamental de ordenar e expressar-se,
ela se revela igualmente arte plástica, porquanto nos inumeráveis
problemas com que se defronta o arquiteto desde a germinação do
projeto até a conclusão efetiva da obra, há sempre, para cada caso
específico, certa margem final de opção entre os limites — máximo
e mínimo —determinados pelo cálculo, preconizados pela técnica,
condicionados pelo meio, reclamados pela função ou impostos pelo
programa, — cabendo então ao sentimento individual do arquiteto,
no que ele tem de artista, portanto, escolher, na escala dos valores
contidos entre dois valores extremos, a forma plástica apropriada a
cada pormenor em função da unidade última da obra idealizada.”
COSTA, Lúcio (1902-1998). Considerações sobre arte contemporânea
(1940). In: Lúcio Costa. Registro de uma vivência. São Paulo: Empresa
das Artes, 1995 (fragmento), com adaptações.
Todo texto dissertativo-argumentativo desenvolve-se em torno
de uma ideia principal. No texto anterior podemos observar que
toda construção de frases e parágrafos se faz em torno da ideia de
se conceituar arquitetura. Essa discussão em um texto argumentati-
vo não é desordenada, mas há um padrão de estruturação da ideia
central e das ideias secundárias.
As ideias discutidas são estruturadas entre os parágrafos que
constituem o texto. Cada parágrafo se constrói em torno de uma
ideia diferente. Porém, todas elas apontam para a ideia central.
Dentre os vários períodos que compõem o parágrafo, um traz a
ideia principal, denominado tópico-frasal. Para localizar as ideias
principais do texto, é necessário encontrar cada um deles nos pa-
rágrafos.
No texto acima possuímos dois parágrafos. Cada um deles é
construído em torno de uma ideia núcleo. No primeiro parágrafo
podemos perceber que a ideia principal está expressa já no primei-
ro período “Definir o que seja arquitetura, tal como ela significa na
atualidade, é como tentar fazê-lo para as demais artes técnicas ou
ciências”. Por ser a introdução desse parágrafo, sabemos que essa
também é a ideia principal do texto. Dessa forma, concluímos que
todo o texto se construirá em torno da definição do conceito de
arquitetura. Já no segundo parágrafo, também temos uma ideia
principal, expressa no período “Arquitetura é antes de mais nada
construção, mas construção concebida com o propósito primordial
de ordenar e organizar o espaço para determinada finalidade e vi-
sando a determinada intenção”. Todas as informações que apare-
cem no restante de cada um desses parágrafos apontam para as
respectivas ideias principais, com vistas a desenvolvê-la, justificá-la,
exemplificá-la, entre outros propósitos.
Para compreender as temáticas bem como as opiniões discuti-
das é importante encontrar cada uma dessas ideias núcleos como
veremos no exemplo abaixo
“Incalculável é a contribuição do famoso neurologtista aus-
tríaco no tocante aos estudos sobre a formação da personalidade
humana. Sigmund Freud (1859-1939) conseguiu acender luzes nas
camadas mais profundas da psique humana: o inconsciente e sub-
consciente. Começou estudando casos clínicos de comportamentos
anômalos ou patológicos, com a ajuda da hipnose e em colabora-
ção com os colegas Joseph Breuer e Martin Charcot (Estudos sobre
a histeria, 1895). Insatisfeito com os resultados obtidos pelo hipno-
tismo, inventou o método que até hoje é usado pela psicanálise: o
das ‘livres associações’ de ideias e de sentimentos, estimuladas pela
terapeuta por palavras dirigidas ao paciente com o fim de descobrir
a fonte das perturbações mentais. Para este caminho de regresso às
origens de um trauma, Freud se utilizou especialmente da lingua-
gem onírica dos pacientes, considerando os sonhos como compen-
sação dos desejos insatisfeitos na fase de vigília.
Mas a grande novidade de Freud, que escandalizou o mundo
cultural da época, foi a apresentação da tese de que toda neurose
é de origem sexual.”
(Salvatore D’Onofrio)
Primeiro Conceito do Texto: “Incalculável é a contribuição do
famoso neurologista austríaco no tocante aos estudos sobre a
formação da personalidade humana. Sigmund Freud (1859-1939)
conseguiu acender luzes nas camadas mais profundas da psique
humana: o inconsciente e subconsciente.” O autor do texto afirma,
inicialmente, que Sigmund Freud ajudou a ciência a compreender
os níveis mais profundos da personalidade humana, o inconsciente
e subconsciente.
LÍNGUA PORTUGUESA
11
Segundo Conceito do Texto: “Começou estudando casos clíni-
cos de comportamentos anômalos ou patológicos, com a ajuda da
hipnose e em colaboração com os colegas Joseph Breuer e Martin
Charcot (Estudos sobre a histeria, 1895). Insatisfeito com os resul-
tados obtidos pelo hipnotismo, inventou o método que até hoje
é usado pela psicanálise: o das ‘livres associações’ de ideias e de
sentimentos, estimuladas pela terapeuta por palavras dirigidas ao
paciente com o fim de descobrir a fonte das perturbações mentais.”
A segunda ideia núcleo mostra que Freud deu início a sua pesquisa
estudando os comportamentos humanos anormais ou doentios por
meio da hipnose. Insatisfeito com esse método, criou o das “livres
associações de ideias e de sentimentos”.
Terceiro Conceito do Texto: “Para este caminho de regresso às
origens de um trauma, Freud se utilizou especialmente da lingua-
gem onírica dos pacientes, considerando os sonhos como compen-
sação dos desejos insatisfeitos na fase de vigília.” Aqui, está explici-
tado que a descoberta das raízes de um trauma se faz por meio da
compreensão dos sonhos, que seriam uma linguagem metafórica
dos desejos não realizados ao longo da vida do dia a dia.
Quarto Conceito do Texto: “Mas a grande novidade de Freud,
que escandalizou o mundo cultural da época, foi a apresentação da
tese de que toda neurose é de origem sexual.” Por fim, o texto afir-
ma que Freud escandalizou a sociedade de seu tempo, afirmando
a novidade de que todo o trauma psicológico é de origem sexual.
Relação entre ideias
A relação entre ideias é um dos elementos mais importantes na
construção de um texto coeso e coerente. A capacidade de conec-
tar pensamentos e conceitos de forma lógica é fundamental para
que o leitor possa compreender a mensagem que o autor deseja
transmitir.
Essa conexão pode ser estabelecida de diversas maneiras,
como por exemplo através de palavras-chave que indicam uma
relação de causa e efeito, comparação, contraste, exemplificação,
entre outras. Também é possível utilizar recursos de coesão textual,
como pronomes e conectivos, para indicar a relação entre as ideias.
Além disso, é importante que as ideias apresentadas no texto
estejam organizadas de forma coerente e estruturada. Isso significa
que as informações devem ser apresentadas de forma clara e em
uma ordem que faça sentido, de modo que o leitor possa acompa-
nhar o raciocínio do autor e compreender a mensagem de maneira
efetiva.
Vale ressaltar que a relação entre as ideias não se limita apenas
à conexão entre frases e parágrafos, mas também envolve a relação
entre o tema do texto e as informações apresentadas. É fundamen-
tal que o autor mantenha o foco no assunto abordado e estabeleça
uma relação clara entre as ideias e o tema central do texto.
Portanto, para produzir um texto de qualidade e eficiente, é
necessário dominar a habilidade de estabelecer relações entre as
ideias apresentadas. Essa habilidade é essencial para garantir que
o texto seja coeso, coerente e capaz de transmitir a mensagem de
forma clara e objetiva ao leitor.
Outras dicas para Interpretar um Texto
- Faça uma primeira leitura superficial, para identificar a ideia cen-
tral do texto, e assim, levantar hipóteses e saber sobre o que se fala.
- Leia as questões antes de fazer uma segunda leitura mais de-
talhada. Assim, você economiza tempo se no meiodo art.
1.729 da Lei n o 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil ,
deverá, no prazo de 30 (trinta) dias após a abertura da sucessão, in-
gressar com pedido destinado ao controle judicial do ato, observan-
do o procedimento previsto nos arts. 165 a 170 desta Lei. (Redação
dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
Parágrafo único. Na apreciação do pedido, serão observados
os requisitos previstos nos arts. 28 e 29 desta Lei, somente sendo
deferida a tutela à pessoa indicada na disposição de última vonta-
de, se restar comprovado que a medida é vantajosa ao tutelando
e que não existe outra pessoa em melhores condições de assumi-
-la. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
Art. 38. Aplica-se à destituição da tutela o disposto no art. 24.
SUBSEÇÃO IV
DA ADOÇÃO
Art. 39. A adoção de criança e de adolescente reger-se-á segun-
do o disposto nesta Lei.
§ 1 o A adoção é medida excepcional e irrevogável, à qual se
deve recorrer apenas quando esgotados os recursos de manuten-
ção da criança ou adolescente na família natural ou extensa, na
forma do parágrafo único do art. 25 desta Lei. (Incluído pela Lei nº
12.010, de 2009) Vigência
§ 2 o É vedada a adoção por procuração. (Incluído pela Lei nº
12.010, de 2009) Vigência
§ 3 o Em caso de conflito entre direitos e interesses do ado-
tando e de outras pessoas, inclusive seus pais biológicos, devem
prevalecer os direitos e os interesses do adotando. (Incluído pela
Lei nº 13.509, de 2017)
Art. 40. O adotando deve contar com, no máximo, dezoito anos
à data do pedido, salvo se já estiver sob a guarda ou tutela dos ado-
tantes.
Art. 41. A adoção atribui a condição de filho ao adotado, com
os mesmos direitos e deveres, inclusive sucessórios, desligando-o
CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS
108
de qualquer vínculo com pais e parentes, salvo os impedimentos
matrimoniais.
§ 1º Se um dos cônjuges ou concubinos adota o filho do outro,
mantêm-se os vínculos de filiação entre o adotado e o cônjuge ou
concubino do adotante e os respectivos parentes.
§ 2º É recíproco o direito sucessório entre o adotado, seus des-
cendentes, o adotante, seus ascendentes, descendentes e colate-
rais até o 4º grau, observada a ordem de vocação hereditária.
Art. 42. Podem adotar os maiores de 18 (dezoito) anos, inde-
pendentemente do estado civil. (Redação dada pela Lei nº 12.010,
de 2009) Vigência
§ 1º Não podem adotar os ascendentes e os irmãos do ado-
tando.
§ 2 o Para adoção conjunta, é indispensável que os adotantes
sejam casados civilmente ou mantenham união estável, comprova-
da a estabilidade da família. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de
2009) Vigência
§ 3º O adotante há de ser, pelo menos, dezesseis anos mais
velho do que o adotando.
§ 4 o Os divorciados, os judicialmente separados e os ex-com-
panheiros podem adotar conjuntamente, contanto que acordem
sobre a guarda e o regime de visitas e desde que o estágio de con-
vivência tenha sido iniciado na constância do período de convivên-
cia e que seja comprovada a existência de vínculos de afinidade e
afetividade com aquele não detentor da guarda, que justifiquem a
excepcionalidade da concessão. (Redação dada pela Lei nº 12.010,
de 2009) Vigência
§ 5 o Nos casos do § 4 o deste artigo, desde que demonstrado
efetivo benefício ao adotando, será assegurada a guarda comparti-
lhada, conforme previsto no art. 1.584 da Lei n o 10.406, de 10 de
janeiro de 2002 - Código Civil . (Redação dada pela Lei nº 12.010,
de 2009) Vigência
§ 6 o A adoção poderá ser deferida ao adotante que, após ine-
quívoca manifestação de vontade, vier a falecer no curso do pro-
cedimento, antes de prolatada a sentença. (Incluído pela Lei nº
12.010, de 2009) Vigência
Art. 43. A adoção será deferida quando apresentar reais vanta-
gens para o adotando e fundar-se em motivos legítimos.
Art. 44. Enquanto não der conta de sua administração e saldar
o seu alcance, não pode o tutor ou o curador adotar o pupilo ou o
curatelado.
Art. 45. A adoção depende do consentimento dos pais ou do
representante legal do adotando.
§ 1º. O consentimento será dispensado em relação à criança ou
adolescente cujos pais sejam desconhecidos ou tenham sido desti-
tuídos do pátrio poder poder familiar . (Expressão substituída pela
Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
§ 2º. Em se tratando de adotando maior de doze anos de idade,
será também necessário o seu consentimento.
Art. 46. A adoção será precedida de estágio de convivência
com a criança ou adolescente, pelo prazo máximo de 90 (noventa)
dias, observadas a idade da criança ou adolescente e as peculiarida-
des do caso. (Redação dada pela Lei nº 13.509, de 2017)
§ 1 o O estágio de convivência poderá ser dispensado se o ado-
tando já estiver sob a tutela ou guarda legal do adotante duran-
te tempo suficiente para que seja possível avaliar a conveniência
da constituição do vínculo. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de
2009) Vigência
§ 2 o A simples guarda de fato não autoriza, por si só, a dispen-
sa da realização do estágio de convivência. (Redação dada pela Lei
nº 12.010, de 2009) Vigência
§ 2 o -A. O prazo máximo estabelecido no caput deste artigo
pode ser prorrogado por até igual período, mediante decisão fun-
damentada da autoridade judiciária. (Incluído pela Lei nº 13.509,
de 2017)
§ 3 o Em caso de adoção por pessoa ou casal residente ou do-
miciliado fora do País, o estágio de convivência será de, no mínimo,
30 (trinta) dias e, no máximo, 45 (quarenta e cinco) dias, prorro-
gável por até igual período, uma única vez, mediante decisão fun-
damentada da autoridade judiciária. (Redação dada pela Lei nº
13.509, de 2017)
§ 3 o -A. Ao final do prazo previsto no § 3 o deste artigo, deverá
ser apresentado laudo fundamentado pela equipe mencionada no
§ 4 o deste artigo, que recomendará ou não o deferimento da ado-
ção à autoridade judiciária. (Incluído pela Lei nº 13.509, de 2017)
§ 4 o O estágio de convivência será acompanhado pela equi-
pe interprofissional a serviço da Justiça da Infância e da Juventude,
preferencialmente com apoio dos técnicos responsáveis pela exe-
cução da política de garantia do direito à convivência familiar, que
apresentarão relatório minucioso acerca da conveniência do defe-
rimento da medida. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
§ 5 o O estágio de convivência será cumprido no território na-
cional, preferencialmente na comarca de residência da criança ou
adolescente, ou, a critério do juiz, em cidade limítrofe, respeitada,
em qualquer hipótese, a competência do juízo da comarca de resi-
dência da criança. (Incluído pela Lei nº 13.509, de 2017)
Art. 47. O vínculo da adoção constitui-se por sentença judicial,
que será inscrita no registro civil mediante mandado do qual não se
fornecerá certidão.
§ 1º A inscrição consignará o nome dos adotantes como pais,
bem como o nome de seus ascendentes.
§ 2º O mandado judicial, que será arquivado, cancelará o regis-
tro original do adotado.
§ 3 o A pedido do adotante, o novo registro poderá ser lavrado
no Cartório do Registro Civil do Município de sua residência. (Reda-
ção dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
§ 4 o Nenhuma observação sobre a origem do ato poderá cons-
tar nas certidões do registro. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de
2009) Vigência
§ 5 o A sentença conferirá ao adotado o nome do adotante e,
a pedido de qualquer deles, poderá determinar a modificação do
prenome. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
§ 6 o Caso a modificação de prenome seja requerida pelo ado-
tante, é obrigatória a oitiva do adotando, observado o disposto nos
§§ 1 o e 2 o do art. 28 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 12.010,
de 2009) Vigência
§ 7 o A adoção produz seus efeitos a partir do trânsito em julga-
do da sentença constitutiva, exceto na hipótese prevista no § 6 o do
art. 42 desta Lei, caso em que terá força retroativa à data do óbi-
to. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
§ 8 o O processo relativo à adoção assim como outros a ele
relacionadosda leitura identi-
ficar uma possível resposta.
- Preste atenção nas informações não verbais. Tudo que vem
junto com o texto, é para ser usado ao seu favor. Por isso, imagens,
gráficos, tabelas, etc., servem para facilitar nossa leitura.
- Use o texto. Rabisque, anote, grife, circule... enfim, procure a
melhor forma para você, pois cada um tem seu jeito de resumir e
pontuar melhor os assuntos de um texto.
- Durante a interpretação grife palavras-chave, passagens im-
portantes; tente localizar a ideia central de cada parágrafo.
- Marque palavras como não, exceto, respectivamente, etc.,
pois fazem diferença na escolha adequada.
- Retorne ao texto mesmo que pareça ser perda de tempo. Leia
a frase anterior e posterior para ter ideia do sentido global proposto
pelo autor.
- Leia bastantes textos de diversas áreas, assuntos distintos nos
trazem diferentes formas de pensar. Leia textos de bom nível.
- Pratique com exercícios de interpretação. Questões simples,
mas que nos ajudam a ter certeza que estamos prestando atenção
na leitura.
- Cuidado com o “olho ninja”, aquele que quando damos conta,
já está no final da página, e nem lembra o que lemos no meio dela.
Talvez seja hora de descansar um pouco, ou voltar a ler aquele pon-
to no qual estávamos mais atentos.
- Ative seu conhecimento prévio antes de iniciar o texto. Qual-
quer informação, mínima que seja, nos ajuda a compreender me-
lhor o assunto do texto.
Além dessas dicas importantes, você também pode grifar pa-
lavras novas, e procurar seu significado para aumentar seu vocabu-
lário, fazer atividades como caça-palavras, ou cruzadinhas são uma
distração, mas também um aprendizado.
Não se esqueça, além da prática da leitura aprimorar a com-
preensão do texto e ajudar a aprovação, ela também estimula nossa
imaginação, distrai, relaxa, informa, educa, atualiza, melhora nos-
so foco, cria perspectivas, nos torna reflexivos, pensantes, além de
melhorar nossa habilidade de fala, de escrita e de memória.
Erros de Interpretação
Existem alguns erros de interpretação que podem prejudicar a
seleção e compreensão das ideias presentes no texto:
1. Desatenção: Todo tipo de linguagem e toda informação, por
menor que pareça, deve ser levada em consideração. Às vezes uma
pequena desatenção a um dos aspectos do texto pode gerar uma
falha na interpretação.
2. Extrapolação10: É uma superinterpretação do texto. A partir
de relações excessivas com outras ideias e contextos, você pode fa-
zer conclusões e entendimentos sem fundamento no texto. Ocorre
quando encontramos informações nas entrelinhas que não estão
sugeridas ou motivadas pelo texto.
3. Redução: Oposto à extrapolação. É atentar-se apenas a al-
guns aspectos e ideias do texto, deixando de lado outras que pa-
recem irrelevantes. Tudo o que está no texto é importante e con-
siderável.
10 http://www.ceale.fae.ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/extra-
polacao-na-leitura
LÍNGUA PORTUGUESA
12
4. Contradição: a contradição às vezes pode ser um recurso
de argumentação dentro do texto. A fim de defender um ponto de
vista, o autor coloca opiniões em contradição. É necessário tomar
cuidado para não interpretar erroneamente e confundir a opinião
defendida pelo autor.
5. Atenção: mesmo que você tenha sua opinião, na hora de
discutir as ideias do texto, você deve considerar a opiniões do autor,
materializadas e defendidas no texto.
ESTRUTURA E ORGANIZAÇÃO DO TEXTO E DOS
PARÁGRAFOS
São três os elementos essenciais para a composição de um tex-
to: a introdução, o desenvolvimento e a conclusão. Vamos estudar
cada uma de forma isolada a seguir:
Introdução
É a apresentação direta e objetiva da ideia central do texto. A
introdução é caracterizada por ser o parágrafo inicial.
Desenvolvimento
Quando tratamos de estrutura, é a maior parte do texto. O
desenvolvimento estabelece uma conexão entre a introdução e a
conclusão, pois é nesta parte que as ideias, argumentos e posicio-
namento do autor vão sendo formados e desenvolvidos com a fina-
lidade de dirigir a atenção do leitor para a conclusão.
Em um bom desenvolvimento as ideias devem ser claras e ap-
tas a fazer com que o leitor anteceda qual será a conclusão.
São três principais erros que podem ser cometidos na elabora-
ção do desenvolvimento:
- Distanciar-se do texto em relação ao tema inicial.
- Focar em apenas um tópico do tema e esquecer dos outros.
- Falar sobre muitas informações e não conseguir organizá-las,
dificultando a linha de compreensão do leitor.
Conclusão
Ponto final de todas as argumentações discorridas no desen-
volvimento, ou seja, o encerramento do texto e dos questionamen-
tos levantados pelo autor.
Ao fazermos a conclusão devemos evitar expressões como:
“Concluindo...”, “Em conclusão, ...”, “Como já dissemos antes...”.
Parágrafo
Se caracteriza como um pequeno recuo em relação à margem
esquerda da folha. Conceitualmente, o parágrafo completo deve
conter introdução, desenvolvimento e conclusão.
- Introdução – apresentação da ideia principal, feita de maneira
sintética de acordo com os objetivos do autor.
- Desenvolvimento – ampliação do tópico frasal (introdução),
atribuído pelas ideias secundárias, a fim de reforçar e dar credibili-
dade na discussão.
- Conclusão – retomada da ideia central ligada aos pressupos-
tos citados no desenvolvimento, procurando arrematá-los.
Exemplo de um parágrafo bem estruturado (com introdução,
desenvolvimento e conclusão):
“Nesse contexto, é um grave erro a liberação da maconha.
Provocará de imediato violenta elevação do consumo. O Estado
perderá o precário controle que ainda exerce sobre as drogas psico-
trópicas e nossas instituições de recuperação de viciados não terão
estrutura suficiente para atender à demanda. Enfim, viveremos o
caos. ”
(Alberto Corazza, Isto É, com adaptações)
Elemento relacionador: Nesse contexto.
Tópico frasal: é um grave erro a liberação da maconha.
Desenvolvimento: Provocará de imediato violenta elevação do
consumo. O Estado perderá o precário controle que ainda exerce
sobre as drogas psicotrópicas e nossas instituições de recuperação
de viciados não terão estrutura suficiente para atender à demanda.
Conclusão: Enfim, viveremos o caos.
Tipologia Textual
A partir da estrutura linguística, da função social e da finali-
dade de um texto, é possível identificar a qual tipo e gênero ele
pertence. Antes, é preciso entender a diferença entre essas duas
classificações.
Tipos textuais
A tipologia textual se classifica a partir da estrutura e da finali-
dade do texto, ou seja, está relacionada ao modo como o texto se
apresenta. A partir de sua função, é possível estabelecer um padrão
específico para se fazer a enunciação.
Veja, no quadro abaixo, os principais tipos e suas característi-
cas:
TEXTO NARRATIVO
Apresenta um enredo, com ações e
relações entre personagens, que ocorre
em determinados espaço e tempo. É
contado por um narrador, e se estrutura
da seguinte maneira: apresentação >
desenvolvimento > clímax > desfecho
TEXTO
DISSERTATIVO
ARGUMENTATIVO
Tem o objetivo de defender determinado
ponto de vista, persuadindo o leitor a
partir do uso de argumentos sólidos.
Sua estrutura comum é: introdução >
desenvolvimento > conclusão.
TEXTO EXPOSITIVO
Procura expor ideias, sem a necessidade
de defender algum ponto de vista. Para
isso, usa-se comparações, informações,
definições, conceitualizações etc. A
estrutura segue a do texto dissertativo-
argumentativo.
TEXTO DESCRITIVO
Expõe acontecimentos, lugares, pessoas,
de modo que sua finalidade é descrever,
ou seja, caracterizar algo ou alguém.
Com isso, é um texto rico em adjetivos e
em verbos de ligação.
TEXTO INJUNTIVO
Oferece instruções, com o objetivo de
orientar o leitor. Sua maior característica
são os verbos no modo imperativo.
LÍNGUA PORTUGUESA
13
Gêneros textuais
Existem diferentes nomenclaturas11 relacionadas à questão dos
gêneros, porém nem todas se referem a mesma coisa. É essencial
saber distinguiro que é gênero textual, gênero literário e tipo tex-
tual. Cada uma dessas classificações é referente aos textos, porém
é preciso ter atenção, cada uma possui um significado totalmente
diferente da outra. Veja uma breve descrição do que é um gênero
literário e um tipo textual:
Gênero Textuais: referem-se às formas de organização dos tex-
tos de acordo com as diferentes situações de comunicação. Podem
ocorrer nas diferentes esferas de comunicação (literária, jornalísti-
ca, digital, judiciária, entre outras). São exemplos de gêneros tex-
tuais: romance, conto, receita, notícia, bula de remédio.
Gênero Literário – são os gêneros textuais em que a consti-
tuição da forma, a aplicação do estilo autoral e a organização da
linguagem possuem uma preocupação estética. São classificados de
acordo com a sua forma, podendo ser do gênero lírico, dramático
ou épico. Pode-se afirmar que todo gênero literário é um gênero
textual, mas nem todo gênero textual é um gênero literário.
Tipo Textual - é a forma como a linguagem se estrutura dentro
de cada um dos gêneros. Refere-se ao emprego dos verbos, poden-
do ser classificado como narrativo, descritivo, expositivo, dissertati-
vo-argumentativo, injuntivo, preditivo e dialogal. Cada uma dessas
classificações varia de acordo como o texto se apresenta e com a
finalidade para o qual foi escrito.
Exporemos abaixo os gêneros discursivos mais comuns. Cada
um dos gêneros são agrupados segundo a predominância do tipo
textual.
A classificação dos gêneros textuais se dá a partir do reconhe-
cimento de certos padrões estruturais que se constituem a partir
da função social do texto. No entanto, sua estrutura e seu estilo
não são tão limitados e definidos como ocorre na tipologia textual,
podendo se apresentar com uma grande diversidade. Além disso, o
padrão também pode sofrer modificações ao longo do tempo, as-
sim como a própria língua e a comunicação, no geral.
Alguns exemplos de gêneros textuais:
• Artigo
• Bilhete
• Bula
• Carta
• Conto
• Crônica
• E-mail
• Lista
• Manual
• Notícia
• Poema
• Propaganda
• Receita culinária
• Resenha
• Seminário
11 O gênero textual também pode ser denominado de gênero discursivo. Essa
nomenclatura se altera de acordo com a perspectiva teórica, sendo que em uma
as questões discursivas ideológicas e sociais são levadas mais em consideração,
enquanto em outra há um enfoque maior na forma. Nesse momento não trabalha-
remos com essa diferença.
Vale lembrar que é comum enquadrar os gêneros textuais em
determinados tipos textuais. No entanto, nada impede que um tex-
to literário seja feito com a estruturação de uma receita culinária,
por exemplo. Então, fique atento quanto às características, à finali-
dade e à função social de cada texto analisado.
Gêneros Textuais e Gêneros Literários
Conforme o próprio nome indica, os gêneros textuais se refe-
rem a qualquer tipo de texto, enquanto os gêneros literários se re-
ferem apenas aos textos literários.
Os gêneros literários são divisões feitas segundo características
formais comuns em obras literárias, agrupando-as conforme crité-
rios estruturais, contextuais e semânticos, entre outros.
- Gênero lírico;
- Gênero épico ou narrativo;
- Gênero dramático.
Gênero Lírico
É certo tipo de texto no qual um eu lírico (a voz que fala no poe-
ma e que nem sempre corresponde à do autor) exprime suas emo-
ções, ideias e impressões em face do mundo exterior. Normalmente
os pronomes e os verbos estão em 1ª pessoa e há o predomínio da
função emotiva da linguagem.
Elegia
Um texto de exaltação à morte de alguém, sendo que a mor-
te é elevada como o ponto máximo do texto. O emissor expressa
tristeza, saudade, ciúme, decepção, desejo de morte. É um poema
melancólico. Um bom exemplo é a peça Roan e Yufa, de William
Shakespeare.
Epitalâmia
Um texto relativo às noites nupciais líricas, ou seja, noites ro-
mânticas com poemas e cantigas. Um bom exemplo de epitalâmia é
a peça Romeu e Julieta nas noites nupciais.
Ode (ou hino)
É o poema lírico em que o emissor faz uma homenagem à
pátria (e aos seus símbolos), às divindades, à mulher amada, ou a
alguém ou algo importante para ele. O hino é uma ode com acom-
panhamento musical.
Idílio (ou écloga)
Poema lírico em que o emissor expressa uma homenagem à
natureza, às belezas e às riquezas que ela dá ao homem. É o poema
bucólico, ou seja, que expressa o desejo de desfrutar de tais belezas
e riquezas ao lado da amada (pastora), que enriquece ainda mais
a paisagem, espaço ideal para a paixão. A écloga é um idílio com
diálogos (muito rara).
Sátira
É o poema lírico em que o emissor faz uma crítica a alguém
ou a algo, em tom sério ou irônico. Tem um forte sarcasmo, pode
abordar críticas sociais, a costumes de determinada época, assun-
tos políticos, ou pessoas de relevância social.
Acalanto
Canção de ninar.
LÍNGUA PORTUGUESA
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Acróstico
Composição lírica na qual as letras iniciais de cada verso for-
mam uma palavra ou frase. Ex.:
Amigos são
Muitas vezes os
Irmãos que escolhemos.
Zelosos, eles nos
Ajudam e
Dedicam-se por nós, para que nossa relação seja verdadeira e
Eterna
https://www.todamateria.com.br/acrostico/
Balada
Uma das mais primitivas manifestações poéticas, são cantigas de amigo
(elegias) com ritmo característico e refrão vocal que se destinam à dança.
Canção (ou Cantiga, Trova)
Poema oral com acompanhamento musical.
Gazal (ou Gazel)
Poesia amorosa dos persas e árabes; odes do oriente médio.
Soneto
É um texto em poesia com 14 versos, dividido em dois quarte-
tos e dois tercetos.
Vilancete
São as cantigas de autoria dos poetas vilões (cantigas de escár-
nio e de maldizer); satíricas, portanto.
Gênero Épico ou Narrativo
Na Antiguidade Clássica, os padrões literários reconhecidos eram
apenas o épico, o lírico e o dramático. Com o passar dos anos, o gênero
épico passou a ser considerado apenas uma variante do gênero literá-
rio narrativo, devido ao surgimento de concepções de prosa com carac-
terísticas diferentes: o romance, a novela, o conto, a crônica, a fábula.
Épico (ou Epopeia)
Os textos épicos são geralmente longos e narram histórias de
um povo ou de uma nação, envolvem aventuras, guerras, viagens,
gestos heroicos, etc. Normalmente apresentam um tom de exalta-
ção, isto é, de valorização de seus heróis e seus feitos. Dois exem-
plos são Os Lusíadas, de Luís de Camões, e Odisseia, de Homero.
Ensaio
É um texto literário breve, situado entre o poético e o didático,
expondo ideias, críticas e reflexões morais e filosóficas a respeito de
certo tema. É menos formal e mais flexível que o tratado.
Consiste também na defesa de um ponto de vista pessoal e sub-
jetivo sobre um tema (humanístico, filosófico, político, social, cultu-
ral, moral, comportamental, etc.), sem que se paute em formalidades
como documentos ou provas empíricas ou dedutivas de caráter cien-
tífico. Exemplo: Ensaio sobre a tolerância, de John Locke.
Gênero Dramático
Trata-se do texto escrito para ser encenado no teatro. Nesse
tipo de texto, não há um narrador contando a história. Ela “aconte-
ce” no palco, ou seja, é representada por atores, que assumem os
papéis das personagens nas cenas.
Tragédia
É a representação de um fato trágico, suscetível de provocar compaixão e
terror. Aristóteles afirmava que a tragédia era “uma representação duma ação
grave, de alguma extensão e completa, em linguagem figurada, com atores agin-
do, não narrando, inspirando dó e terror”. Ex.: Romeu e Julieta, de Shakespeare.
Farsa
A farsa consiste no exagero do cômico, graças ao emprego de pro-
cessos como o absurdo, as incongruências, os equívocos, a caricatura,
o humor primário, as situações ridículas e, em especial, o engano.
Comédia
É a representação de um fato inspirado na vida e no sentimento
comum, de riso fácil. Sua origem grega está ligada às festas populares.
Tragicomédia
Modalidade em que se misturam elementos trágicos e cômi-
cos. Originalmente, significava a mistura do real com o imaginário.
Poesia de cordelTexto tipicamente brasileiro em que se retrata, com forte apelo
linguístico e cultural nordestinos, fatos diversos da sociedade e da
realidade vivida por este povo.
ORTOGRAFIA;
A ortografia oficial diz respeito às regras gramaticais referentes à escrita cor-
reta das palavras. Para melhor entendê-las, é preciso analisar caso a caso. Lem-
bre-se de que a melhor maneira de memorizar a ortografia correta de uma língua
é por meio da leitura, que também faz aumentar o vocabulário do leitor.
Neste capítulo serão abordadas regras para dúvidas frequentes
entre os falantes do português. No entanto, é importante ressaltar que
existem inúmeras exceções para essas regras, portanto, fique atento!
Alfabeto
O primeiro passo para compreender a ortografia oficial é conhecer o al-
fabeto (os sinais gráficos e seus sons). No português, o alfabeto se constitui 26
letras, divididas entre vogais (a, e, i, o, u) e consoantes (restante das letras).
Com o Novo Acordo Ortográfico, as consoantes K, W e Y foram
reintroduzidas ao alfabeto oficial da língua portuguesa, de modo
que elas são usadas apenas em duas ocorrências: transcrição de
nomes próprios e abreviaturas e símbolos de uso internacional.
Uso do “X”
Algumas dicas são relevantes para saber o momento de usar o
X no lugar do CH:
• Depois das sílabas iniciais “me” e “en” (ex: mexerica; enxergar)
• Depois de ditongos (ex: caixa)
• Palavras de origem indígena ou africana (ex: abacaxi; orixá)
Uso do “S” ou “Z”
Algumas regras do uso do “S” com som de “Z” podem ser observadas:
• Depois de ditongos (ex: coisa)
• Em palavras derivadas cuja palavra primitiva já se usa o “S”
(ex: casa > casinha)
• Nos sufixos “ês” e “esa”, ao indicarem nacionalidade, título ou
origem. (ex: portuguesa)
• Nos sufixos formadores de adjetivos “ense”, “oso” e “osa” (ex:
populoso)
LÍNGUA PORTUGUESA
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Uso do “S”, “SS”, “Ç”
• “S” costuma aparecer entre uma vogal e uma consoante (ex: diversão)
• “SS” costuma aparecer entre duas vogais (ex: processo)
• “Ç” costuma aparecer em palavras estrangeiras que passaram pelo processo de aportuguesamento (ex: muçarela)
Os diferentes porquês
POR QUE Usado para fazer perguntas. Pode ser substituído por “por qual motivo”
PORQUE Usado em respostas e explicações. Pode ser substituído por “pois”
POR QUÊ O “que” é acentuado quando aparece como a última palavra da frase, antes da pontuação final (interrogação, exclamação, ponto final)
PORQUÊ É um substantivo, portanto costuma vir acompanhado de um artigo, numeral, adjetivo ou pronome
Parônimos e homônimos
As palavras parônimas são aquelas que possuem grafia e pronúncia semelhantes, porém com significados distintos.
Ex: cumprimento (saudação) X comprimento (extensão); tráfego (trânsito) X tráfico (comércio ilegal).
Já as palavras homônimas são aquelas que possuem a mesma grafia e pronúncia, porém têm significados diferentes. Ex: rio (verbo
“rir”) X rio (curso d’água); manga (blusa) X manga (fruta).
ACENTUAÇÃO GRÁFICA
A acentuação é uma das principais questões relacionadas à Ortografia Oficial, que merece um capítulo a parte. Os acentos utilizados
no português são: acento agudo (´); acento grave (`); acento circunflexo (^); cedilha (¸) e til (~).
Depois da reforma do Acordo Ortográfico, a trema foi excluída, de modo que ela só é utilizada na grafia de nomes e suas derivações
(ex: Müller, mülleriano).
Esses são sinais gráficos que servem para modificar o som de alguma letra, sendo importantes para marcar a sonoridade e a intensi-
dade das sílabas, e para diferenciar palavras que possuem a escrita semelhante.
A sílaba mais intensa da palavra é denominada sílaba tônica. A palavra pode ser classificada a partir da localização da sílaba tônica,
como mostrado abaixo:
• OXÍTONA: a última sílaba da palavra é a mais intensa. (Ex: café)
• PAROXÍTONA: a penúltima sílaba da palavra é a mais intensa. (Ex: automóvel)
• PROPAROXÍTONA: a antepenúltima sílaba da palavra é a mais intensa. (Ex: lâmpada)
As demais sílabas, pronunciadas de maneira mais sutil, são denominadas sílabas átonas.
Regras fundamentais
CLASSIFICAÇÃO REGRAS EXEMPLOS
OXÍTONAS • terminadas em A, E, O, EM, seguidas ou não do plural
• seguidas de -LO, -LA, -LOS, -LAS
cipó(s), pé(s), armazém
respeitá-la, compô-lo, comprometê-los
PAROXÍTONAS
• terminadas em I, IS, US, UM, UNS, L, N, X, PS, Ã, ÃS, ÃO, ÃOS
• ditongo oral, crescente ou decrescente, seguido ou não do plural
(OBS: Os ditongos “EI” e “OI” perderam o acento com o Novo Acordo Ortográfico)
táxi, lápis, vírus, fórum, cadáver, tórax, bíceps,
ímã, órfão, órgãos, água, mágoa, pônei, ideia,
geleia, paranoico, heroico
PROPAROXÍTONAS • todas são acentuadas cólica, analítico, jurídico, hipérbole, último, álibi
Regras especiais
REGRA EXEMPLOS
Acentua-se quando “I” e “U” tônicos formarem hiato com a vogal anterior, acompanhados ou não de
“S”, desde que não sejam seguidos por “NH”
OBS: Não serão mais acentuados “I” e “U” tônicos formando hiato quando vierem depois de ditongo
saída, faísca, baú, país
feiura, Bocaiuva, Sauipe
Acentua-se a 3ª pessoa do plural do presente do indicativo dos verbos “TER” e “VIR” e seus compostos têm, obtêm, contêm, vêm
Não são acentuados hiatos “OO” e “EE” leem, voo, enjoo
Não são acentuadas palavras homógrafas
OBS: A forma verbal “PÔDE” é uma exceção pelo, pera, para
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QUESTÕES
1. (ENEM - 2012) “Ele era o inimigo do rei”, nas palavras de seu biógrafo, Lira Neto. Ou, ainda, “um romancista que colecionava desa-
fetos, azucrinava D. Pedro II e acabou inventando o Brasil”. Assim era José de Alencar (1829-1877), o conhecido autor de O guarani e Ira-
cema, tido como o pai do romance no Brasil.
Além de criar clássicos da literatura brasileira com temas nativistas, indianistas e históricos, ele foi também folhetinista, diretor de
jornal, autor de peças de teatro, advogado, deputado federal e até ministro da Justiça. Para ajudar na descoberta das múltiplas facetas
desse personagem do século XIX, parte de seu acervo inédito será digitalizada.
História Viva, n.º 99, 2011.
Com base no texto, que trata do papel do escritor José de Alencar e da futura digitalização de sua obra, depreende-se que
(A) a digitalização dos textos é importante para que os leitores possam compreender seus romances.
(B) o conhecido autor de O guarani e Iracema foi importante porque deixou uma vasta obra literária com temática atemporal.
(C) a divulgação das obras de José de Alencar, por meio da digitalização, demonstra sua importância para a história do Brasil Imperial.
(D) a digitalização dos textos de José de Alencar terá importante papel na preservação da memória linguística e da identidade nacional.
(E) o grande romancista José de Alencar é importante porque se destacou por sua temática indianista.
2. (FUVEST - 2013) A essência da teoria democrática é a supressão de qualquer imposição de classe, fundada no postulado ou na
crença de que os conflitos e problemas humanos – econômicos, políticos, ou sociais – são solucionáveis pela educação, isto é, pela coope-
ração voluntária, mobilizada pela opinião pública esclarecida. Está claro que essa opinião pública terá de ser formada à luz dos melhores
conhecimentos existentes e, assim, a pesquisa científica nos campos das ciências naturais e das chamadas ciências sociais deverá se fazer a
mais ampla, a mais vigorosa, a mais livre, e a difusão desses conhecimentos, a mais completa, a mais imparcial e em termos que os tornem
acessíveis a todos.
(Anísio Teixeira, Educação é um direito. Adaptado.)
No trecho “chamadas ciências sociais”, o emprego do termo “chamadas” indica que o autor
(A) vê, nas “ciências sociais”, uma panaceia, não uma análise crítica da sociedade.
(B) considera utópicos os objetivos dessas ciências.
(C) prefere a denominação “teoria social” à denominação “ciências sociais”.
(D) discorda dos pressupostos teóricos dessas ciências.
(E) utiliza com reserva a denominação “ciências sociais”.
3. (UERJ - 2016)
A última fala da tirinha causa um estranhamento, porque assinalaa ausência de um elemento fundamental para a instalação de um
tribunal: a existência de alguém que esteja sendo acusado.
Essa fala sugere o seguinte ponto de vista do autor em relação aos usuários da internet:
(A) proferem vereditos fictícios sem que haja legitimidade do processo.
(B) configuram julgamentos vazios, ainda que existam crimes comprovados.
(C) emitem juízos sobre os outros, mas não se veem na posição de acusados.
(D) apressam-se em opiniões superficiais, mesmo que possuam dados concretos.
LÍNGUA PORTUGUESA
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4 - (UEA - 2017) Leia o trecho de Quincas Borba, de Machado
de Assis:
E enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu rico se-
nhor; é a perfeição universal. Tudo chorando seria monótono, tudo
rindo cansativo; mas uma boa distribuição de lágrimas e polcas1, so-
luços e sarabandas2, acaba por trazer à alma do mundo a variedade
necessária, e faz-se o equilíbrio da vida.
(Quincas Borba, 1992.)
1 polca: tipo de dança.
2 sarabandas: tipo de dança.
De acordo com o narrador,
(A) os erros do passado não afetam o presente.
(B) a existência é marcada por antagonismos.
(C) a sabedoria está em perseguir a felicidade.
(D) cada instante vivido deve ser festejado.
(E) os momentos felizes são mais raros que os tristes.
5 – (ENEM 2013)
Cartum de Caulos, disponível em www.caulos.com
O cartum faz uma crítica social. A figura destacada está em
oposição às outras e representa a
(A) opressão das minorias sociais.
(B) carência de recursos tecnológicos.
(C) falta de liberdade de expressão.
(D) defesa da qualificação profissional.
(E) reação ao controle do pensamento coletivo.
6. (INSTITUTO AOCP/2017 – EBSERH) Assinale a alternativa em
que todas as palavras estão adequadamente grafadas.
(A) Silhueta, entretenimento, autoestima.
(B) Rítimo, silueta, cérebro, entretenimento.
(C) Altoestima, entreterimento, memorização, silhueta.
(D) Célebro, ansiedade, auto-estima, ritmo.
(E) Memorização, anciedade, cérebro, ritmo.
7. (ALTERNATIVE CONCURSOS/2016 – CÂMARA DE BANDEI-
RANTES-SC) Algumas palavras são usadas no nosso cotidiano de
forma incorreta, ou seja, estão em desacordo com a norma culta
padrão. Todas as alternativas abaixo apresentam palavras escritas
erroneamente, exceto em:
(A) Na bandeija estavam as xícaras antigas da vovó.
(B) É um privilégio estar aqui hoje.
(C) Fiz a sombrancelha no salão novo da cidade.
(D) A criança estava com desinteria.
(E) O bebedoro da escola estava estragado.
8. (SEDUC/SP – 2018) Preencha as lacunas das frases abaixo
com “por que”, “porque”, “por quê” ou “porquê”. Depois, assinale a
alternativa que apresenta a ordem correta, de cima para baixo, de
classificação.
“____________ o céu é azul?”
“Meus pais chegaram atrasados, ____________ pegaram trân-
sito pelo caminho.”
“Gostaria muito de saber o ____________ de você ter faltado
ao nosso encontro.”
“A Alemanha é considerada uma das grandes potências mun-
diais. ____________?”
(A) Porque – porquê – por que – Por quê
(B) Porque – porquê – por que – Por quê
(C) Por que – porque – porquê – Por quê
(D) Porquê – porque – por quê – Por que
(E) Por que – porque – por quê – Porquê
9. (CEITEC – 2012) Os vocábulos Emergir e Imergir são parô-
nimos: empregar um pelo outro acarreta grave confusão no que
se quer expressar. Nas alternativas abaixo, só uma apresenta uma
frase em que se respeita o devido sentido dos vocábulos, selecio-
nando convenientemente o parônimo adequado à frase elaborada.
Assinale-a.
(A) A descoberta do plano de conquista era eminente.
(B) O infrator foi preso em flagrante.
(C) O candidato recebeu despensa das duas últimas provas.
(D) O metal delatou ao ser submetido à alta temperatura.
(E) Os culpados espiam suas culpas na prisão.
10. (FMU) Assinale a alternativa em que todas as palavras estão
grafadas corretamente.
(A) paralisar, pesquisar, ironizar, deslizar
(B) alteza, empreza, francesa, miudeza
(C) cuscus, chimpazé, encharcar, encher
(D) incenso, abcesso, obsessão, luxação
(E) chineza, marquês, garrucha, meretriz
LÍNGUA PORTUGUESA
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11. (VUNESP/2017 – TJ-SP) Assinale a alternativa em que todas
as palavras estão corretamente grafadas, considerando-se as regras
de acentuação da língua padrão.
(A) Remígio era homem de carater, o que surpreendeu D. Firmi-
na, que aceitou o matrimônio de sua filha.
(B) O consôlo de Fadinha foi ver que Remígio queria desposa-la
apesar de sua beleza ter ido embora depois da doença.
(C) Com a saúde de Fadinha comprometida, Remígio não con-
seguia se recompôr e viver tranquilo.
(D) Com o triúnfo do bem sobre o mal, Fadinha se recuperou,
Remígio resolveu pedí-la em casamento.
(E) Fadinha não tinha mágoa por não ser mais tão bela; agora,
interessava-lhe viver no paraíso com Remígio.
12. (PUC-RJ) Aponte a opção em que as duas palavras são acen-
tuadas devido à mesma regra:
(A) saí – dói
(B) relógio – própria
(C) só – sóis
(D) dá – custará
(E) até – pé
13. (UEPG ADAPTADA) Sobre a acentuação gráfica das palavras
agradável, automóvel e possível, assinale o que for correto.
(A) Em razão de a letra L no final das palavras transferir a tonici-
dade para a última sílaba, é necessário que se marque graficamente
a sílaba tônica das paroxítonas terminadas em L, se isso não fosse
feito, poderiam ser lidas como palavras oxítonas.
(B) São acentuadas porque são proparoxítonas terminadas em L.
(C) São acentuadas porque são oxítonas terminadas em L.
(D) São acentuadas porque terminam em ditongo fonético – eu.
(E) São acentuadas porque são paroxítonas terminadas em L.
14. (IFAL – 2016 ADAPTADA) Quanto à acentuação das palavras,
assinale a afirmação verdadeira.
(A) A palavra “tendem” deveria ser acentuada graficamente,
como “também” e “porém”.
(B) As palavras “saíra”, “destruída” e “aí” acentuam-se pela
mesma razão.
(C) O nome “Luiz” deveria ser acentuado graficamente, pela
mesma razão que a palavra “país”.
(D) Os vocábulos “é”, “já” e “só” recebem acento por constituí-
rem monossílabos tônicos fechados.
(E) Acentuam-se “simpática”, “centímetros”, “simbólica” por-
que todas as paroxítonas são acentuadas.
15. (MACKENZIE) Indique a alternativa em que nenhuma pala-
vra é acentuada graficamente:
(A) lapis, canoa, abacaxi, jovens
(B) ruim, sozinho, aquele, traiu
(C) saudade, onix, grau, orquídea
(D) voo, legua, assim, tênis
(E) flores, açucar, album, virus
GABARITO
1 D
2 E
3 C
4 B
5 E
6 A
7 B
8 C
9 B
10 A
11 E
12 B
13 E
14 B
15 B
ANOTAÇÕES
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RACIOCÍNIO LÓGICO
ESTRUTURA LÓGICA DE RELAÇÕES ARBITRÁRIAS
ENTRE PESSOAS, LUGARES, OBJETOS OU EVENTOS
FICTÍCIOS; DEDUZIR NOVAS INFORMAÇÕES DAS RELA-
ÇÕES FORNECIDAS E AVALIAR AS CONDIÇÕES USADAS
PARA ESTABELECER A ESTRUTURA DAQUELAS RELA-
ÇÕES. COMPREENSÃO E ELABORAÇÃO DA LÓGICA
DAS SITUAÇÕES POR MEIO DE: RACIOCÍNIO VERBAL,
RACIOCÍNIO MATEMÁTICO, RACIOCÍNIO SEQUENCIAL,
ORIENTAÇÃO ESPACIAL E TEMPORAL, FORMAÇÃO DE
CONCEITOS, DISCRIMINAÇÃO DE ELEMENTOS. COM-
PREENSÃO DO PROCESSO LÓGICO QUE, A PARTIR DE
UM CONJUNTO DE HIPÓTESES, CONDUZ, DE FORMA
VÁLIDA, A CONCLUSÕES DETERMINADAS.
RACIOCÍNIO LÓGICO MATEMÁTICO
Este tipo de raciocínio testa