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11/11/2024 1 MATERIAIS DIELÉTRICOS CARACTERIZAÇÃO ESTRUTURAL 1 PRINCIPAIS CLASSES DE DIELÉTRICOS Dielétricos Cerâmicas Polímeros Líquidos Gases Compósitos 2 11/11/2024 2 CERÂMICAS 3 CERÂMICAS Cerâmicas compõem umas das classes mais usadas de dielétricos, compondo as porcelanas, os vidros e alguns compostos especiais; São materiais inorgânicos, normalmente compostos de metais e não metais: Predomínio de ligações iônicas; Possíveis ligações covalentes. Obtidas através de um tratamento a altas temperaturas. 4 keramikos = argila queimada 11/11/2024 3 ESTRUTURA Para materiais com predominância iônica, a estrutura é semelhante à dos metais, com íons no lugar de átomos; Cátions: Metais; Ânions: Não metais. A carga e o tamanho dos íons tem impacto direto sobre a estrutura cristalina e sua estabilidade; 5 ESTRUTURA Em relação à carga dos íons, e estrutura do cristal deve manter a sua neutralidade: A carga define então o número de ligações; O balanço de cargas está expresso na formulação do material; 6 CaF2 = 1 Ca2+ + 2 F1- 11/11/2024 4 ESTRUTURA Em relação ao tamanho dos íons, cátions costumam ser menores que os ânions, de modo que a relação entre seus raios é menor que a unidade; Via de regra, cátions tendem a se agregar com o maior número possível de ânions, e vice-versa; Entretanto, em função das diferenças de tamanho, cristais estáveis se formam quando todos os ânions ao redor de um cátion estão em contato com este cátion: 7 ESTRUTURA Através do número de coordenação dos átomos, é possível chegar a uma relação mínima entre raios dos cátions e ânions que levam a uma estrutura estável: 8 11/11/2024 5 ESTRUTURA 9 DENSIDADE DAS CERÂMICAS É possível calcular a densidade teórica de uma cerâmica a partir dos dados da célula unitária: 16 𝝆 = 𝒏′ σ𝑨𝑪 + σ𝑨𝑨 𝑽𝒄𝑵𝑨 n’ = Número de unidades de fórmula na célula unitária; AC = Soma das massas atômicas dos cátions; AA = Soma das massas atômicas dos ânions; VC = Volume da célula unitária; NA = Número de Avogadro; 11/11/2024 6 EXEMPLO Considerando a estrutura cristalina do cloreto de sódio, calcule a sua densidade: Dados: MCl = 22,99 g/mol MNa = 35,45 g/mol rNa = 0,102 nm rCl = 0,181 nm NA = 6,023 x 1023 mol-1 17 𝝆 = 𝒏′ σ𝑨𝑪 + σ𝑨𝑨 𝑽𝒄𝑵𝑨 𝜌 = 4 22,99 + 35,45 1,81𝑥10−22 ∙ 6,023𝑥1023 = 2,14 ൗ 𝑔 𝑐𝑚³ Resolução: AA = MCl = 22,99 g/mol AC = MNa = 35,45 g/mol n’ = 4 𝑉 = 𝑙3 = 2 𝑟𝑁𝑎 + 𝑟𝐶𝑙 3 V = 1,81x10-28 m³ ou 1,81 x 10-22 cm³ CERÂMICAS DE SILICATOS As cerâmicas de silicatos, são compostos a base de silício e oxigênio, dos quais os vidros e porcelanas são os maiores representantes; Si e O estão entre os elementos mais abundantes na crosta terrestre, daí a fácil obtenção e baixo custo destes materiais; A estrutura básica de sua célula é o tetraedro de 𝑆𝑖𝑂4 4−, a qual pode ser organizada em diferentes arranjos tridimensionais: 18 11/11/2024 7 SILICATOS A forma como as unidades básicas se unem, compartilhando oxigênios entre os tetraedros dá origem a diferentes tipos de silicato; Nos mais simples, observam-se poucas uniões, normalmente não ordenadas; Nos mais complexos, estruturas cristalinas uniformes se formam; Cátions de diferentes elementos podem fazer parte destas ligações, compensando a carga negativa das unidades básicas e unindo ionicamente os tetraedros. 19 20 11/11/2024 8 SILICATOS EM CAMADAS Quando as células básicas se organizam bidimensionalmente formando folhas, temos a formação de silicatos em camadas; Estas camadas se sobrepõem estruturando o material sólido, muitas vezes com camadas intermediárias formadas por outros compostos. 21 A SÍLICA O composto de silicato mais simples é o dióxido de silício, SiO2, mais conhecido como sílica; Considerando a célula tetraédrica básica, a sílica se forma quando cada oxigênio de um tetraedro é compartilhado por outro tetraedro, resultando em uma estrutura neutra e estável; As sílicas mais comuns são o quartzo, a cristobalita e a tridimita, todos formando arranjos abertos, de baixa densidade. 23 11/11/2024 9 VIDROS DE SÍLICA São sólidos não cristalinos, caraterizada por uma organização altamente randômica de suas unidades básicas: Materiais amorfos; Os vidros, em geral, apresentam óxidos aditivos inseridos entre as estruturas tetraédricas básicas; Em alguns casos, materiais diferentes substituem o silício em algumas das unidades base; Estes óxidos e átomos substitutivos alteram a organização estrutural, melhorando determinadas características dos vidros. 24 CARACTERIZAÇÃO MECÂNICA DAS CERÂMICAS 29 11/11/2024 10 VISÃO GERAL Cerâmicas, via de regra, são materiais frágeis, duros, de baixa tenacidade, e susceptíveis a uma fratura catastrófica; Tais características limitam seu uso a aplicações em que o dielétrico não esteja submetido a grandes forças de tração mecânica, já que estes materiais não tem capacidade de absorver grandes quantidades de energia ou de se deformar plasticamente. 30 TENSÃO X DEFORMAÇÃO A maioria das cerâmicas, em temperatura ambiente, apresentam apenas a possibilidade de deformação elástica; Excedido o limite de deformação elástica, o material entre em processo de ruptura. 31 11/11/2024 11 TENSÃO X DEFORMAÇÃO 32 Metais Cerâmicas Material Módulo de Young [Gpa] Material Módulo de Young [Gpa] Alumínio 69 Sílica fundida 93 Cobre 110 Cerâmica vítrea 120 Níquel 207 Carboneto de silício 345 Tungstênio 407 Óxido de alumínio 393 A DEFORMAÇÃO PLÁSTICA A deformação plástica costuma ser observada em cerâmicas quando em temperaturas mais elevadas; Isto é particularmente verdadeiro em cerâmicas cristalinas, onde as fortes ligações iônicas não permitem a existência de planos de escorregamentos preferenciais; Neste caso, a deformação plástica é resultado da movimentação de discordâncias; Nas cerâmicas não cristalinas, a deformação plástica ocorre por escoamento, em função da viscosidades destes materiais. 33 11/11/2024 12 O PROCESSO DE FRATURA Cerâmicas a temperatura ambiente se quebram antes que qualquer deformação plástica possa acontecer; Nas cerâmicas, a chamada fratura frágil ocorre a partir da propagação de trincas através da seção reta do material, numa direção perpendicular à carga aplicada; Este processo pode ser: Intergranular; Transgranular; 34 TENSÃO CRÍTICA A resistência mecânica à tração de uma cerâmica real é substancialmente menor que os valores teóricos previstos nas teorias das forças interatômicas; Isto ocorre em função das falhas presentes no material: Tornam-se elevadores da tensão mecânica – regiões onde a tração mecânica aplicada é amplificada; São trincas na superfície ou no interior do material, poros, cantos de grãos, impossíveis de se eliminar por completo. O efeito de elevação [Pa] é dado pela expressão: 35 𝝈𝑴 = 𝟐𝝈𝟎 𝒂 𝝆𝒕 0: estresse mecânico aplicado; t: raio de curvatura da falha; a: comprimento de uma trinca superficial, ou metade do comprimento de uma trinca interna. A razão 𝑲𝒕 = 𝝈𝑴 𝝈𝟎 é chamada de fator de concentração de tensão. 11/11/2024 13 TENSÃO CRÍTICA 36 TENSÃO CRÍTICA A tensão crítica à qual a cerâmica pode ser submetida sem que dê início ao processo de fratura pode ser dada pela expressão: Deve-se considerar que um volume de um material cerâmico contém inúmeras microfalhas: Basta que uma delas chegue ao valor de tensão crítica para propagação da falha. 37 𝝈𝒄 = 𝟐𝑬 ∙ 𝜸𝒔 𝝅𝒂 E: Módulo de elasticidade; s: Energia superficial específica; a: metade do comprimento de uma falha interna. 11/11/2024 14 A FADIGA ESTÁTICA OU FRATURA RETARDADA É um processo de lenta evolução de uma falha no material a partir da aplicação de uma tensão constante, com valor abaixo da tenacidade àfratura; Este processo normalmente está associado à condições ambientais, como umidade, sendo acompanhado por outros processos destrutivos, como a corrosão; Neste caso, a trinca vai se afilando e prolongando até a ruptura completa. Não confundir o processo de fadiga, explicado para os metais. Este processo é raro nas cerâmicas. 40 A EVOLUÇÃO DAS TRINCAS Existem três maneiras básicas a partir das quais uma carga mecânica opera sobre uma trinca, fazendo-a evoluir: Modo de abertura ou tração; Modo de deslizamento; Modo de rasgamento; 41 11/11/2024 15 MODOS DE FRATURA Dependem basicamente do tipo de esforço, sendo normalmente possível identificar a origem da fratura. 42 MODOS DE FRATURA A fratura dos materiais frágeis normalmente segue uma sequência; A partir do núcleo, a propagação da falha aumenta de velocidade até atingir um valor terminal; 50% da velocidade do som para o vidro, por exemplo; Atingida a velocidade terminal, a falha se ramifica; A interação entre a falha e a microestrutura do material produz diferentes padrões que podem ser rastreados até a origem. 43 11/11/2024 16 44 MODOS DE FRATURA OS ESFORÇOS DE COMPRESSÃO Para os esforços de compressão, não há efeito elevador da tensão mecânica em função de falhas internas; Dessa forma, cerâmicas apresentam resistência aos esforços de compressão cerca de 10 vezes superiores aos de tração, sendo especialmente úteis para aplicações onde os esforços de compressão são elevados. 45 11/11/2024 17 ESFORÇOS MECÂNICOS 46 ESFORÇOS ELÉTRICOS 47 11/11/2024 18 POROSIDADE A porosidade é resultado do processo de fabricação de algumas cerâmicas, resultando num efeito deletério as suas propriedades elásticas e de resistência mecânica; 48 PRINCIPAIS CERÂMICAS DE INTERESSE 49 11/11/2024 19 50 Materiais cerâmicos Vidros Vidros Vitrocerâmicas Argilas Produtos estruturais Louça branca Refratários Sílico aluminosos Sílica Básicos Especiais Abrasivos Cimentos Materiais avançados VIDROS São silicatos amorfos, ao qual são adicionados aditivos de acordo com o seu uso: CaO, Na2O, K2O, Al2O3; Seus principais atributos são a transparência e a facilidade de fabricação; O vidro mais comum é o chamado viro soda-cal ou cal de soda: Sílica, CaO e Na2O; Sua caracterização, como um líquido super- resfriado, provém do processo diferenciado de resfriamento do material fundido. 51 11/11/2024 20 52 VIDROSTipo Composição Características SiO2 Na2O CaO Al2O3 B2O3 Outros Sílica fundida > 99,5 Alta temperatura de fusão Baixo coeficiente de expansão Vycor® 96 4 Resistente ao choque térmico a reações químicas (Laboratorial) Pyrex® (Borossilicato) 81 3,5 2,5 13 Resistente ao choque térmico a reações químicas (Uso doméstico) Cal de soda 74 16 5 1 4 MgO Baixa temperatura de fusão, facilmente moldável, durável Fibra de vidro 55 16 15 10 4 MgO Moldável em fibras, composição com resinas Sílex óptico 54 1 37 PbO 8 K2O Alta densidade e índice de refração (lentes) Pyroceram® Vitrocerâmica 43,5 14 30 5,5 6,5 TiO2 0,5 As2O3 Fácil fabricação, forte, resistente ao choque térmico. VIDROS 53 Características: Ponto de fusão; Ponto de operação; Ponto de amolecimento; Ponto de recozimento; Ponto de deformação. 11/11/2024 21 VIDROS - FABRICAÇÃO Sílica: obtida da areia comum; Aditivos; Aquecimento a uma temperatura de baixa viscosidade; Eliminação de bolhas de gás; Moldagem: Prensagem; Insulflação; Estiramento; Conformação. 54 VIDROS – TRATAMENTOS Recozimento: Têmpera: Devitrificação: 55 Técnica utilizada para redução das tensões térmicas; Consiste no lento resfriamento do vidro após a elevação à temperatura de recozimento. Processo de introdução de tensões mecânicas no vidro, tornando-o mais resistente mecanicamente. Tratamento térmico que gera a formação de regiões cristalinas no vidro, a partir de um agente nucleante (TiO2). Como resultado, tem-se um material policristalino, com baixo coeficiente de expansão térmica, alta resistência mecânica e baixa condutividade térmica. 11/11/2024 22 A FIBRA DE VIDRO Processo através do qual o vidro em seu estado de fusão e transformado em finas fibras; A fibra de vidro apresenta diversas aplicações: Isolante elétrico, térmico e acústico; Quando compactada e aglutinada, forma uma estrutura rígida com elevada resistência mecânica e boa elasticidade. 56 57 11/11/2024 23 ARGILAS São aluminossilicatos, Al2O3 e SiO2, adicionados de produtos não plásticos, como quartzo e feldspato. Produto abundante e de fácil conformação; Devem passar por processos de: Mistura; Moldagem; Secagem. Estes processos determinarão as características do produto final. 58 ARGILAS Fabricação mais comum: Conformação hidroplástica; Fundição por suspensão. Secagem; Cozimento; Vitrificação. 59 11/11/2024 24 ARGILAS 60 ARGILAS Refratários: Inertes; Isolantes térmicos; Resistentes a altas temperaturas; 61 11/11/2024 25 CIMENTOS Materiais que, quando misturados à água, assim como as argilas, permitem uma fácil moldagem; A secagem permite a formação de ligações fortes no interior do material, formando uma estrutura rígida; Diferencia-se das argilas comuns em função do processo de secagem à temperatura ambiente; Normalente utilizado como elemento de formação estrutural ou de agregação de diferentes materiais. 62 VIDRO X PORCELANA Vidro Porcelana Rigidez Dielétrica 140 kV/cm 120 kV/cm Permissividade 4 a 10 4 a 8 Módulo de elasticidade 70 GPa 120 GPa Resistência à flexão 69 GPa 247 GPa 63 11/11/2024 26 CERÂMICAS AVANÇADAS Fibra óptica: Fibras ópticas são vidros compostos de sílica com alto grau de pureza, permitindo a transmissão de feixes de luz sem distorções ou atenuações significativas; Sua aplicação em sistemas elétricos tem crescido, como dispositivos de transmissão de dados e medição de sinais; No caso da medição de sinais, fibras especiais são desenvolvidas de modo a interagir com sinais de temperatura e campo elétrico. 64 CERÂMICAS AVANÇADAS Varistores: Cerâmicas especiais que apresentam variação não linear na curva v x i; Aplicadas em dispositivos de proteção contra sobretensões: para-raios; Seu processo de manufatura envolve a utilização de diversos componentes, sendo os principais o SiC e o ZnO; Processo de fabricação envolve um tratamento térmico chamado de sinterização. 65 11/11/2024 27 CERÂMICAS AVANÇADAS Sinterização: Formação de um composto base na forma de pó; Compactação; Rápido aquecimento a elevadas temperaturas; Resfriamento. 66 APLICAÇÕES 67 11/11/2024 28 ISOLADORES Vidro; Cerâmica; Fibra de vidro. 68 CAPACITORES Cerâmicas em geral pode ser utilizado como meio dielétrico em capacitores; Cerâmicas com polarização espontânea são utilizadas em capacitores para aplicações especiais. 69 11/11/2024 29 PARA-RAIOS Os varistores, em função de sua curva características, são utilizados amplamente na construção de para- raios. 70