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Higiene do trabalho Unidade 4 - Livro Didático Digital Sumário CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO Agentes Químicos: Conceituação e Classificação Agentes Químicos: Conhecendo as Vias de Penetração Classificação dos Agentes Químicos Classificação dos Agentes Químicos Avaliação de Riscos Químicos: Visão Geral Planejamento de Amostragem Limites de Tolerância para Agentes Químicos Trabalho em Espaços Confinados, Radiação e Pressão Espaços Confinados: Conceito e Riscos Ocupacionais Procedimentos de Segurança em Espaços Confinados Radiações e Pressões Anormais Ergonomia no Ambiente Ocupacional: Uma Visão Geral Ergonomia: Noções Gerais Metodologias de Avaliação Ergonômica Referências 5 17 31 43 57 Objetivos Definição Explicando Melhor Você Sabia? Acesse Resumindo Nota Importante Saiba Mais Reflita Atividades Testando Para o início do desenvolvimento de uma nova competência; Se houver necessidade de se apresentar um novo conceito; Algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; Curiosidades indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se form necessarias; Se for preciso acesar um ou mais sites para fazer dowload, assistir videos, ler textos, ouvir podcast; Quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; quando forem necessárias observações ou complementações para o seu conhecimento; As observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; Textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; Se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre; Quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada; Quando o desenvolvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas. @faculdadelibano_ 1 O direito e a sua relação com a justiça e a moral Higiene do trabalho Capítulo 1 Agentes Químicos: Conceituação e Classificação Objetivos Ao término deste capítulo você terá conhecimento de uma base teórica que permitirá a você entender o que são agentes químicos e como eles se classificam. Assim, você vai conhecer algumas definições básicas relacionadas ao organismo humano que estão diretamente vinculadas aos riscos químicos. Isso é de suma importância para a sua atuação profissional, uma vez que com esse conhecimento você terá condições de identificar em um ambiente de trabalho quais agentes químicos presentes podem provocar danos à saúde do trabalhador através da penetração deles no organismo humano por diferentes vias. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá. Avante! Agentes Químicos: Conhecendo as Vias de Penetração Nesta unidade vamos aprofundar o conhecimento sobre agentes químicos. Em unidades anteriores abordamos os agentes químicos de forma breve, e agora é o momento e entendermos as especificidades desses agentes. Para tanto, vamos recordar inicialmente o conceito de agente químicos. Na higiene ocupacional, os agentes químicos são definidos como substâncias, elementos, compostos ou resíduos de composição química que, durante sua fabricação, armazenamento, manuseio e transporte, podem exercer sua capacidade de ação tóxica sobre o organismo ou contaminar o ar do ambiente de trabalho. No campo nas normatização desse tipo de agentes, os agentes químicos são definidos Higiene do trabalho Agentes Químicos: Conceituação e Classificação Capítulo 1 pela legislação brasileira pela norma NR 09 - Programa de Gerenciamento de Riscos (1978) como: [...] as substâncias, compostos ou produtos que possam penetrar no organismo pela via respiratória, nas formas de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade da exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo organismo através da pele ou ingestão. (BRASIL, 1978) Produtos químicos têm sido utilizados desde o princípio da civilização humana para os mais diversos fins. Os agentes químicos se apresentam de forma massiva nos diferentes tipos de indústria, como produção de plásticos, fertilizantes, saneantes, álcool, galvanoplastia, têxtil, petroquímica, mineração, entre outras. Agora que revisamos o conceito de agentes químicos e sabemos que se apresentam em diversos tipos de indústria, podemos concluir que os trabalhadores nesse contexto diariamente lidam com essas substâncias. Então, como elas podem ser fonte de risco para a saúde deles? Sabemos que danos à saúde ao trabalhador acontecem quando ele entra em contato com os agentes químicos acima do limite permitido. Nesse contato, o agente químico pode penetrar no organismo humano por meio de diferentes vias: respiratória, via percutânea e digestiva. Vamos começar entendendo a penetração por via respiratória. Para tanto, você lembra quais órgãos compõem nosso sistema respiratório e como ele funciona? Vamos relembrar, pois isso nos ajudará a entender como em um ambiente ocupacional os agentes químicos podem penetrar por meio desse sistema e causar danos à saúde do trabalhador. Você Sabia? O Sistema respiratório humano é “o conjunto de órgãos que controlam a entrada, filtragem, aquecimento, umidificação e saída do ar. A função do sistema respiratório é trocar os gases envolvidos no processo de respiração celular, logo tem como função captar oxigênio atmosférico e liberar o CO2 produzido no organismo para o meio ambiente. Esse Higiene do trabalho Agentes Químicos: Conceituação e Classificação Capítulo 1 Agora que você já recordou como nosso sistema respiratório e composto, é importante saber que, ao inalar um agente químico acima dos limites de tolerância permitido, ele pode se manifestar em qualquer um desses órgãos e nas demais partes do corpo, uma vez que a substância química chega ao sangue. Além disso, deve-se considerar que o ar respirado deve ser respirável no ambiente ocupacional. A esse respeito, asseveram Peixoto e Ferreira (2013):] Ar respirável se constitui em uma composição na qual o organismo humano possa ficar exposto sem sofrer danos ou incômodos. Constituem-se riscos respiratórios a exposição a ambientes com deficiência de oxigênio (19,5 %), contaminados por aerodispersóides, gases e vapores que produzam situaçõe ambientais que possam ser consideradas imediatamente perigosas à vida e saúde ou situações que produzam efeitos nocivos a curto ou longo prazo. (PEIXOTO; FERREIRA, 2013, p. 18) Portanto, devemos ter em mente que, em um ambiente ocupacional seguro para o trabalhador, o ar deve conter oxigênio suficiente para a manutenção do organismo humano e estar livre de agentes químicos, como aerodispersóides, gases e vapores, pois a via respiratória é a principal via de penetração de agentes químicos no organismo humano e o trabalhador inala grande volume de ar e a maioria dos agentes químicos contaminantes se misturam a ele em forma de poeira gases e vapores. Portanto lembre-se: em ambientes de manipulação de agentes químicos, deve-se rigorosamente obedecer aos limites de tolerância e fazer uso de equipamentos de proteção, como máscaras respiradoras, uma vez que o ar essa é a principal fonte de contaminação. Além da contaminação por vias respiratórias, o trabalhador pode se contaminar por meio processo de troca gasosa entre sistema respiratório e o sangue é denominado hematose. O processo respiratório é fundamental no fornecimento do oxigênio para todas as células do corpo humano para a manutenção da vida” (PEIXOTO; FERREIRA, 2013, p. 15). Higiene do trabalho Agentes Químicos: Conceituação e Classificação Capítulo 1 da penetração da substância na pele (via percutânea) e pela ingestão (via digestiva). A pele é um mecanismo de proteção contra a penetração de muitas substâncias, como a poeira. Contudo uma poeira composta por agentes químicos, em contato com a pele, pode causar desde simples irritações e até atingir o sangue, dando origem a efeitos tóxicos. A respeito desse tipo de penetração, devemos ter cuidado em qualquer ambientede junho de 1978: Aprova as normas regulamentadoras que consolidam as leis do trabalho, relativas à segurança e medicina do trabalho. Norma Regulamentadora no 15 (NR 15): Atividades e Operações Insalubres. Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, 1978. Disponível em: http://portal. mte. gov.br/data/files/8A7C816A33EF45990134335E790F6C84/ NR-15%20 (atualizada%20 2011)%20II.pdf. Acesso em: 25 abr. 2020. BRISTOT, V. M. Introdução à engenharia de segurança do trabalho. Criciúma, SC: UNESC, 2019. Disponível em: http://repositorio.unesc.net/ handle/1/6948. Acesso em: 8 abr. 2020. Higiene do trabalho Referências COIMBRA, I. V. et al. A importância da ergonomia para a saúde dos colaboradores. In: Seminário Científico do UNIFACIG, n. 1. Anais [...], 2017. CONFINAMENTO. In: DICIO, Dicionário Online de Português. Porto: 7Graus, 2022. Disponível em: https://www.dicio.com.br/confinamento. Acesso em: 30 jun. 2020. ENTENDA a importância de saber ler e interpretar a ACGHI. Analytics Brasil, 2020. Disponível em: https://www.analyticsbrasil.com.br/blog/ entenda-a-importancia-de-saber-ler-e- interpretar-a-acgih/. Acesso em: 15 abr. 2020. ERGONOMIA. In: DICIO, Dicionário Online de Português. Porto: 7Graus, 2022. 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USA: Department of Health and Human Services, Centers of Disease Control, 1987.ocupacional com a presença e manipulação de agentes químicos, mesmo que os limites de tolerância atrelados ao ar sejam respeitados, uma vez que reações adversas na pele podem aparecer apenas com o contato, independentemente do grau de exposição do trabalhador. Nessas condições, o ideal é que o trabalhador desenvolva suas atividades sempre protegido por equipamentos de proteção individual, como luvas, capas e macacões resistentes à substância exposta. Já a contaminação por via digestiva ocorre de forma acidental quando, por exemplo, um trabalhador, pelo manuseio, contamina um alimento e o ingere. Para essa via de contaminação, os mecanismos de prevenção são os cuidados de higiene, como lavar as mãos. Classificação dos Agentes Químicos Aprendemos que os agentes químicos contaminantes podem se apresentar em forma de partículas (aerodispersóides) ou gases e vapores. Toda classificação dos agentes químicos de baseia em como esses agentes se apresentam. A contaminação de partículas sólidas ou líquidas, ou seja, a contaminação por aerodispersóides, é condicionada às seguintes variáveis da substância química: tamanho, forma, densidade, velocidade de reação e concentração na atmosfera. Por exemplo, o tamanho das partículas está relacionada diretamente com a forma de penetração do agente químico no organismo. Pelo tamanho da partícula, os aerodispersóides são classificados em inaláveis, torácicos, respiráveis e invisíveis. Essa classificação é apresentada no Quadro 1. Higiene do trabalho Agentes Químicos: Conceituação e Classificação Capítulo 1 É importante conhecermos essa classificação e o tamanho das partículas porque assim podemos, na prática da higiene ocupacional, identificar a via de contaminação mais suscetível e priorizar as medidas de proteção correspondentes, para reduzir o risco de contaminação do trabalhador no ambiente ocupacional. Além de serem classificados pelo tamanho, os aerodispersóides podem ser classificados pelo estado físico e pela sua ação no organismo humano, conforme o Quadro 2. QUADRO 1 Classificação do material particulado FONTE Peixoto e Ferreira (2013, p. 19).2020. Tipo de particulado Tamanho aproximado (μm) Observação Inalável 0 a 100 Entra através do nariz e da boca. Torácico 0 a 25 Penetra através da laringe. Respirável 0 a 10 Penetra nos bronquíolos, atingindo a região de trocas gasosas. Visível Ø 50 Partículas visíveis ao olho humano. Classificação Exemplos Forma Física Névoas Exemplos de processos que produzem pós: mineração, moagem, jato de areia, transformação de calcário, amianto, pós de madeira, etc. Neblinas Partículas líquidas geradas pela condensação de vapores de um líquido, como neblina de água e de ácidos. Névoas Partículas líquidas geradas pela ruptura mecânica de um líquido, como nebulização de agrotóxicos e pintura tipo spray. Higiene do trabalho Agentes Químicos: Conceituação e Classificação Capítulo 1 QUADRO 2 Classificação dos aerodispersóides FONTE Peixoto e Ferreira (2013, p. 20-22). Forma Física Fumaça Misturas de gases, vapores e aerodispersóides provenientes da combustão incompleta de materiais, como fumaça proveniente da combustão de madeira e plástico. Fibras São partículas sólidas produzidas por rompimento mecânico com característica física de um formato alongado, como amianto. Ação no organismo humano Incômodas Partículas não contendo asbesto (amianto) ou com teor de sílica cristalina abaixo de 1%, sem efeito tóxico conhecido, mas que não podem ser consideradas biologica- mente inertes. Exemplos: gesso, calcário, etc. São conhecidas como PNOC (Particulate Not Otherwise Classified) ou PNOS (Particulates Not Otherwise Specified). Fibrogênicas Alteram a estrutura celular dos alvéolos, restringindo a capacidade de troca de oxigênio, como sílica cristalina, amianto, berílio, ferro e algodão. Irritantes Irritam, inflamam e ulceram o trato respiratório, como névoas ácidas ou alcalinas. Produtoras de febre Produzem calafrios e febre, como fumos de cobre e zinco. Sistêmicas Provocam danos em órgãos ou sistemas do organismo, como cádmio, chumbo e manganês. Alergênicas Produzem reações alérgicas devido à formação de anticorpos, como pólen, pelos de animais e fungos. Cancerígenas Provocam câncer após período latente. Exemplos: amianto, cromatos e radionuclídeos. Mutagênicas e teratogênicas Induzem mutação e nível celular (mutagê- nicas) ou alterações genéticas (teratogênicas). Exemplos: chumbo e mercúrio. Higiene do trabalho Agentes Químicos: Conceituação e Classificação Capítulo 1 No âmbito da higiene ocupacional, tanto os gases como os vapores podem ser classificados por sua composição e sua ação no organismo humano quando contaminado. O Quadro 3 resume essa classificação. A contaminação por partículas gasosas pode dar-se por meio de gases e vapores. É importante que saibamos o que diferencia gás e vapor, embora na prática da higiene ocupacional as ações preventivas aplicadas a ambos são comuns. Por definição, segundo Fogaça (2018), gás é uma substância no estado gasoso submetida a condições normais de temperatura e pressão, enquanto os vapores são substâncias no estado gasoso que, quando condicionados a temperatura ambiente de 25 °C e pressão atmosférica de 760 mmHg, apresentam-se no estado líquido. Explicando Melhor Para melhor compreendermos a diferença entre gás e vapor, temos o seguinte exemplo: em um ambiente com temperatura de 29 °C e pressão de 760 mmHg, temos a presença de vapor de água e gás hélio. Por um motivo qualquer, esse ambiente foi resfriado à temperatura de 25 °C. Após o resfriamento, o hélio continuou no estado de gasoso, mas o vapor de água passou a ser água em estado líquido ou sólido. Classificação Exemplos Composição Vapores orgânicos Álcool etílico, benzeno e xileno. Gases ou vapores ácidos Cloro, ácido clorídrico e CO2. Gases ou vapores alcalinos Amônia e amina. Gases ou vapores especiais Monóxido de carbono e agrotóxicos. Higiene do trabalho Agentes Químicos: Conceituação e Classificação Capítulo 1 Ação no organismo humano Irritantes Irritantes primários atuam no local de contato com o organismo, isto é, não exercem ação tóxica no organismo como um todo (cloro e gás lacrimogêneo) e os irritantes secundários que, além de atuarem nos locais de contato, produzem efeitos tóxicos em todo o organismo (gás sulfídrico). Sensibilizantes Produzem uma resposta imunológica do organismo a um químico. Alguns ramos de indústria utilizam substâncias que são sensibilizantes, como: a indústria da borracha, dos corantes e dos aditivos de uma forma geral. Anestésicos Ação depressiva no sistema nervoso central, reduzindo a capacidade mental e física, e diminuindo a habilidade para a realização de tarefas. Exemplos: eteno, benzeno, tolueno e álcool etílico. Asfixiantes Bloqueio dos processos vitais devido à falta de oxigenação. Podem ser simples, quando em altas concentrações no ar substituem o oxigênio (metano, etano e CO2) ou químicos, quando interferem na oxigenação das células (monóxido de carbono). Sistêmicos Provocam alterações funcionais em órgãos ou sistemas do organismo. Exemplos: mercúrio (sistema nervoso e rim) e fósforo (ossos). Alergênicos Resinas epóxi. Cancerígenos Cloreto de vinila e benzeno. Mutagênicos e teratogênicos Diclorobuteno. QUADRO 3 Classificação dos gases e vapores FONTE Peixoto e Ferreira (2013, p. 22-23). Higiene do trabalho Agentes Químicos: Conceituação e Classificação Capítulo 1 Como podemos observar, as substâncias químicas agem de forma diferente no organismo humano. Então, como podemos o potencial tóxicos dos aerodispersóides e dos gases de vapores? Para fazer essa avaliação, são considerados os seguintes critérios: concentração, frequência respiratória e capacidade pulmonar, sensibilidade individual, toxicidade e tempo de exposição. A relação de cada um desses critérios com a ação da substância noorganismo humano é apresentada no Quadro 4 Critério Avaliação Definição/observações Concentração Quanto maior a concentração, maiores serão os efeitos nocivos sobre o organismo humano. Torna muito importante dimensionar corretamente os métodos de amostragem, principalmente na escolha dos equipamentos de medição envolvidos, que devem ser adequados e precisos. ABN Frequência respiratória e capacidade pulmonar Quanto maior a capacidade, maior será a absorção do agente químico. Quantidade de ar inalado pelo trabalhador durante a jornada de trabalho. Sensibilidade individual Quanto maiores os efeitos nocivos sobre o organismo humano. Nível de resistência varia de indivíduo para indivíduo. Portanto, um trabalhador pode apresentar características pessoais que podem levá-lo a sofrer os efeitos da exposição ao trabalho, de forma bastante particular, mesmo com exposições abaixo dos valores estabelecidos como limites. Toxicidade Quanto maiores os efeitos nocivos sobre o organismo humano. É o potencial tóxico da substância no organismo. Atenção redobrada deve ser dedicada àquelas substâncias que têm potencial tóxico mais elevado (normalmente limites de tolerância com valor muito pequeno), pois podem causar grandes efeitos nocivos mesmo em baixíssimas concentrações. Higiene do trabalho Agentes Químicos: Conceituação e Classificação Capítulo 1 Tempo de exposição Quanto maior o tempo de exposição, maior será a absorção do agente químico. É o tempo que o organismo fica exposto ao contaminante. No dimensionamento da exposição do trabalhador, devemos considerar todas as situações que constituem o ciclo de trabalho e de exposição, para assegurar que a amostragem é verdadeiramente representativa daquela exposição. QUADRO 3 Classificação dos gases e vapores FONTE Peixoto e Ferreira (2013, p. 22-23). Saiba Mais Para saber um pouco mais sobre exposição ocupacional aos resíduos de gases anestésicos, leia o artigo “Exposição ocupacional a resíduos de gases anestésicos”, de Oliveira (2009) Agora você já conhece os diferentes tipos de agentes químicos que podem estar presentes no ambiente ocupacional e os principais critérios de avaliação de riscos ocupacionais relacionados a esses agentes. No capítulo seguinte aprofundaremos sobre a avaliação, destacando os equipamentos de medição, limites de tolerância e outros aspectos importantes. Higiene do trabalho Agentes Químicos: Conceituação e Classificação Capítulo 1 Resumindo Você já se sente capaz de definir e diferenciar os tipos de agentes químicos que podem estar presentes em um ambiente ocupacional? Você reconhece as vias de contaminação do organismo nesse contexto? Para garantirmos, vamos revisar o que vimos neste capítulo. Inicialmente, recordamos o conceito de agentes químicos, que são substâncias, compostos ou produtos que podem penetrar no organismo pela via respiratória, em forma de poeiras, fumos, névoas, neblinas, gases ou vapores, ou que, pela natureza da atividade da exposição, possam ter contato ou ser absorvidos pelo organismo através da pele ou ingestão. Você também aprendeu que a principal via de penetração de agentes químicos no organismo humano é a respiratória, seguida pela percutânea e digestiva. Por último, vimos que os agentes químicos podem ser classificados considerando a forma física que se apresentam, o tamanho, a composição e principalmente pela sua ação no organismo contaminado. Assim sendo, deve-se avaliar esses agentes de acordo com os seguintes critérios em relação ao risco ocupacional: concentração, frequência respiratória e capacidade pulmonar, toxicidade e tempo de exposição. @faculdadelibano_ 2 Limites de Tolerância e Avaliação dos Agentes Químicos Higiene do trabalho Capítulo 2 Limites de Tolerância e Avaliação dos Agentes Químicos Objetivos Ao término deste capítulo você será capaz de avaliar os riscos e limites de tolerância à exposição de agentes químicos atribuídos pela legislação em vigor. Você aprenderá quais são os instrumentos utilizados para medir a presença de agentes químicos no ambiente ocupacional, limites de tolerância e outras informações importantes referentes à avaliação de agentes químicos. Esses conceitos direcionarão sua atuação profissional no estabelecimento de medidas preventivas e de controle de riscos ocupacionais relacionados à exposição do trabalhador a agentes químicos. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá. Avante! Avaliação de Riscos Químicos: Visão Geral Para a avaliarmos o risco químico ao qual um trabalhador está exposto em um dado ambiente ocupacional, o que devemos ter na nossa bagagem de conhecimento teórico? E na prática, por onde devemos começar o processo? Bem, essas são as perguntas que vamos responder aqui, porque em sua prática profissional uma boa avaliação é condicionada ao seu conhecimento a respeito dos agentes de risco e do ambiente de trabalho e à amostra do agente químico analisada. A Figura 1 representa a abrangência do que devemos conhecer para avaliar a exposição do trabalhador ao risco ocupacional relacionados a agentes químicos. Higiene do trabalho Limites de Tolerância e Avaliação dos Agentes Químicos Capítulo 2 Ao analisarmos o conteúdo da Figura 1 você vai perceber que a avaliação a exposição do trabalhador ao risco químico é algo complexo que reúne vários aspectos. Para ilustrar, vejamos no Quadro 5 um modelo para uma avaliação qualitativa dos riscos decorrentes da exposição do trabalhador à poeira do gesso que retrata as condições de saúde e segurança na qual estão submetidos os trabalhadores em indústrias relacionadas. FIGURA 1 Avaliação de risco ocupacional: o conhecimento necessário FONTE Elaborada pela autora (2022). Saiba Mais A American Conference of Governmental Industrial Hygienists (ACGHI), ou Conferência Americana de Higienistas Industriais Governamentais, é uma associação privada de profissionais de higiene ocupacional e outros relacionados, sediada nos Estados Unidos da América (ANALYTICS BRASIL, 2020). Higiene do trabalho Limites de Tolerância e Avaliação dos Agentes Químicos Capítulo 2 Modelo para Avaliação dos Riscos Decorrentes da Exposição do Trabalhador à Poeira do Gesso. FIGURA A Checklist FONTE Severo e Sousa (2017, p. 1.140-1.141). Higiene do trabalho Limites de Tolerância e Avaliação dos Agentes Químicos Capítulo 2 O modelo consiste em um checklist (Figura A) e um questionário (Figura B) fundamentados nas normas técnicas e na legislação em vigor relacionadas à exposição do trabalhador a agentes químicos. Esse modelo pode ser aplicado em empresas produtoras de gesso para observar conformidades e não conformidades em relação às normas técnicas e legislação aplicável acerca da saúde e segurança do trabalhador expostos à poeira do gesso. Após a aplicação do checklist, os dados serão avaliados com base nos parâmetros dispostos no Quadro A, bem como os dados questionário com base no Quadro B, ambos dispostos a seguir. Higiene do trabalho Limites de Tolerância e Avaliação dos Agentes Químicos Capítulo 2 QUADRO A Parâmetros de avaliação do checklist FONTE Adaptado de Severo e Sousa (2017). QUADRO B Parâmetros de avaliação do checklist FONTE Adaptado de Severo e Sousa (2017). Higiene do trabalho Limites de Tolerância e Avaliação dos Agentes Químicos Capítulo 2 Como podemos ver, o Quadro 5 traz um modelo que está embasado no conhecimento do agente químico avaliado e nas normas vigentes de proteção ao trabalhador. Com base nele, é possível elaborar modelos similares contemplando outros tipos de indústrias e agentes químicos. Contudo, o modelo apresentado permite uma análise qualitativa, mas, quando se busca, por exemplo, medir e avaliar a concentração de uma substância química no ambiente ocupacional, ou seja, uma análise quantitativa, devemos analisar uma amostra. Planejamento de Amostragem Os riscos químicospresentes em um ambiente ocupacional só podem ser avaliados de forma quantitativa a partir do momento em que o profissional responsável pela avaliação extrai uma amostra da ou das substâncias químicas presentes no ambiente estudado. Uma amostra é uma pequena porção do agente químico presente no ambiente analisado e que deve representá-lo como um todo extraída por um processo denominado amostragem. Um processo adequado de amostragem é importante para permitir uma análise que represente o mais próximo possível o quanto o trabalhador é exposto a substâncias no ambiente ocupacional. A esse respeito, asseveram Peixoto e Ferreira (2013): Evidentemente a amostragem de agentes químicos é complexa, e o que devemos sempre ter em mente é que uma avaliação bem realizada é aquela mais representativa possível da exposição do trabalhador. A exatidão e precisão dos resultados obtidos, bem como o grau de confiabilidade exigido, dependerão muito do correto dimensionamento da amostragem e da qualidade do sistema de medição adotado. [...]Quanto melhor for a sensibilidade, precisão e exatidão do sistema de medição e quanto maior for o Definição Amostragem de agentes químicos é o processo ou a técnica de escolha, seleção e coleta de agentes químicos presentes no ambiente ocupacional e que expõe o trabalhador a danos em sua saúde. Higiene do trabalho Limites de Tolerância e Avaliação dos Agentes Químicos Capítulo 2 número de amostras, mais próximo estará a avaliação da verdadeira concentração. (PEIXOTO; FERREIRA, 2013, p. 27) Vejamos na colocação de Peixoto e Ferreira (2013) a importância da amostragem: ela é quem define a exatidão e precisão dos dados obtidos e a serem avaliados. Os autores ainda destacam dois fatores importantes nesse contexto: dimensionamento da amostragem (tamanho da amostra, quantidade de amostras) e sistema de medição (procedimentos e coleta). Para tanto, o profissional responsável deve, antes de qualquer coisa, planejar a sua amostragem. O planejamento de uma amostra envolve os seguintes elementos: tempo de amostragem, quantidade de amostras, tipo de amostragem, instrumentos utilizados (amostradores) e métodos de coleta. Quanto ao tempo de amostra, devemos ter em mente que ele é determinado por análise do ciclo do trabalho, caraterística do agente a ser analisado, volume de ar a ser coletado que seja adequado para análise e quantidade mínima necessária do agente para permitir que a análise seja feita. A quantidade de amostras é condicionada ao que se busca avaliar e à variabilidade da exposição do trabalhador ao agente químico a ser analisado. Se essa exposição se mantiver em termos de volume e tempo constantes, uma quantidade pequena de amostra pode ser suficiente. Contudo, se a exposição varia muito em tempo de volume da substância, é necessária a coleta de várias amostras em períodos de tempos diferentes. O tipo de amostragem pode ser classificado tendo como critérios a posição do amostrador (instrumento de coleta da amostra) ou a duração da amostragem. O Quadro 6 resume essa classificação. Importante Na NHO, NR 15 e NIOSH podemos encontrar a normatização dos procedimentos que estabelecem tempos mínimos de amostragens em relação do volumes de contaminante a serem coletados para uma análise. Higiene do trabalho Limites de Tolerância e Avaliação dos Agentes Químicos Capítulo 2 QUADRO 6 Tipos de amostragem FONTE https://bit.ly/2KAuU30. Acesso em: 16 dez. 2020. Critério de classificação Tipo de amostragem Definição Posição do amostrador Pessoal O amostrador acompanha o trabalhador durante todo o período de trabalho e é colocado próximo à região respiratória. Ambiental, de área ou estática O amostrador é fixado em um determinado local próximo à fonte e fornece informações sobre a emissividade dessa fonte. Duração da amostragem Instantâneas Curta duração (normalmente menores que 5 minutos), para verificarmos se o valor máximo ou valor teto foi atingido, ou avaliar os instantes de maior concentração. Contínuas Em períodos maiores que 30 minutos, sendo mais adequadas para avaliação da média ponderada. Contínuas de amostra única de período Amostra única de período completo. A avaliação da exposição é feita com base em uma única amostragem. Contínuas de amostras consecutivas de período Amostras consecutivas de período completo. A amostragem é dividida em várias amostragens. Contínuas de amostras de período parcial Amostras de período parcial em que não é coberto integralmente o tempo de amostragem. Higiene do trabalho Limites de Tolerância e Avaliação dos Agentes Químicos Capítulo 2 Ainda no planejamento da amostragem deve-se definir o tipo de amostradores e o tipo de meio que será feito a coleta. Para facilitar a nossa visualização, o Quadro a seguir apresenta a definição de cada tipo de amostrador e meios de coleta. Importante Amostra única ou amostra consecutiva são utilizadas quando o objetivo da avaliação é verificar a média de concentração da substância à qual o trabalhador é exposto ao longo de uma jornada de trabalho. Já amostra de período parcial é mais adequada para avaliar picos de concentração da substância à qual o trabalhador é exposto em dada atividade/operação específica Tipo Informação relevantes Tipo de amos- tradores quanto à passagem do ar Ativos -Coletam de um volume conhecido de ar através da passagem forçada do ar pelo emprego de bombas de fluxo. -O contaminante que está sendo investi- gado é coletado em filtros ou substâncias específicas. Os procedimentos de amos- tragem apropriados, de acordo com o contaminante, encontram-se em normas nacionais e internacionais. -Utilizam-se os amostradores ativos quando é necessário avaliar a concentração média no tempo (TWA). Passivos - Não exigem a passagem forçada do ar, pois agem por difusão molecular. -Utilizam a tendência natural de os gases e vapores se moverem de uma área de maior concentração para uma área de menor concentração. Higiene do trabalho Limites de Tolerância e Avaliação dos Agentes Químicos Capítulo 2 QUADRO 7 Tipos de amostradores e meios coletores FONTE Adaptado de Peixoto e Ferreira (2013, p. 30-33). Meios coletores Filtros de membra- na -Utilizados na coleta dos aerodispersóides. -A retenção do contaminante se dá através da passagem forçada do ar (amos- tragem ativa) por esses filtros (cloreto de polivinila para poeiras, éster celulose para fumos metálicos e amianto) que os retêm. Posteriormente, esses filtros são enviados para análise em laboratórios especializados. Sólido adsor- vente - As moléculas do contaminante são aderidas a uma superfície sólida específica (carvão ativado para solventes orgânicos e sílica gel para solventes polares). Líquido absor- vente - As moléculas do contaminante introdu- zem-se em outra fase, normalmente, nos casos de avaliação ocupacional, líquida (impingers e borbulhadores). Tipos de amos- tra- dores quan- to à leitura da concen- tração Leitura direta -Fornecem imediatamente a concentra- ção do contaminante por leitura direta em superfícies graduadas (tubos colorimétri- cos) ou display de equipamentos (oxímetros, medidores de CO, CO2, H2S, SO2, explosímetros). - São indicados para monitoramento qualitativo, detecção de vazamentos, monitoramento contínuo e sistemas de alarme. Leitura indireta -Caracterizam pela retenção do contaminante para posterior análise em laboratório. Por fim, em um planejamento de amostragem, deve-se ainda definir os métodos de coleta, que podem ser de dois tipos: de ar total ou com separação de contaminantes. A respeito deles, esclarecem Peixoto e Ferreira (2013): Ar total – quando uma amostra de ar e recolhida (sacos de amostragem, frascos de amostragem e seringas). [...] Com Higiene do trabalho Limites de Tolerância e Avaliação dos Agentes Químicos Capítulo 2 separação dos contaminantes – o contaminante é separado através de retenção em filtros, absorção em meio líquido,adsorção em meio sólido ou condensação de vapores, para posterior análise em laboratório. Neste tipo de amostragem um volume conhecido de ar contaminado passa através de um meio coletor adequado, separando- se, assim, os contaminantes do restante do ar. Em ambos os casos a análise deve ser realizada o mais rápido possível, pois o contaminante pode permear através das paredes plásticas ou sofrer dessorção, perdendo-se parte da amostra. (PEIXOTO; FERREIRA, 2013, p. 32-33) Agora você já tem conhecimento suficiente para planejar uma análise por meio de amostragem de agentes químicos presentes no ambiente ocupacional. Portanto, feito esse planejamento, o responsável pela análise deve coletar a amostra e analisá-la, considerando os limites de tolerância dos agentes analisados. Vejamos a seguir os limites de tolerância. Limites de Tolerância para Agentes Químicos A questão que precisamos entender aqui é: onde encontramos definidos os limites de tolerância referentes a agentes químicos, a fim de compará-los com as análises feitas com base na amostra coletada? Bem, os limites de tolerância para agentes químicos são definidos nas legislações brasileira e internacionais, devendo-se, então, observar conformidades da prática no ambiente de trabalho das normativas. Lembre-se sempre de que os limites de tolerância ou limites de exposição ocupacional refletem a concentração ou intensidade dos agentes químicos presentes no ambiente ocupacional a níveis aceitáveis, onde o trabalhador possa estar exposto frequentemente, sem sofrer danos à saúde. Na legislação brasileira, os limites de tolerância são definidos no anexo 11 da NR 15, conforme apresenta o Quadro 8. Higiene do trabalho Limites de Tolerância e Avaliação dos Agentes Químicos Capítulo 2 FIGURA 8 Limites de tolerância segundo a NR 15 FONTE Peixoto e Ferreira (2013, p. 39). Higiene do trabalho Limites de Tolerância e Avaliação dos Agentes Químicos Capítulo 2 Resumindo Você já se sente capaz de avaliar os riscos e limites de tolerância à exposição de agentes químicos atribuídos pela legislação em vigor? Para mostrar que você adquiriu esse conhecimento, vamos recordar o que vimos. Aprendemos que avaliar riscos relacionados a agentes químicos não é uma tarefa simples e, para cumpri-la, é necessário conhecer os agentes químicos (características, ações no organismo, etc.), saber extrair uma amostra corretamente do ambiente ocupacional e saber analisar tais agentes a partir dos limites de tolerância atribuídos na legislação. Você aprendeu que uma boa amostra é de sua importância e que, para obtê-la, deve-se planejá-la, considerando os seguintes aspectos: tempo de amostragem, quantidade de amostras, tipo de amostragem, instrumentos utilizados (amostradores) e métodos de coleta. Por fim, você aprendeu que os limites de tolerância são definidos pela NR 15 e refletem a concentração ou intensidade dos agentes químicos presentes no ambiente ocupacional a níveis aceitáveis, onde o trabalhador possa estar exposto frequentemente, sem sofrer danos à saúde. @faculdadelibano_ 3 Trabalho em Espaços Confinados, Radiação e Pressão Higiene do trabalho Capítulo 3 Trabalho em Espaços Confinados, Radiação e Pressão Objetivos Ao término deste capítulo você será capaz de avaliar a atmosfera de espaços confinados e a presença de radiações e pressões anormais nesse tipo de espaço. Você também vai aprender aspectos específicos relacionados à higiene ocupacional em ambientes onde o trabalhador é exposto a radiações e pressões anormais, e compreender o que é um espaço confinado, radiação, pressões anormais e riscos que o trabalhador corre nesse tipo de ambiente. Assim, na sua prática profissional, você saberá como atribuir procedimentos de segurança adequados para proteger o trabalhador. E então? Pronto para desenvolver esta habilidade? Vamos lá. Avante! Espaços Confinados: Conceito e Riscos Ocupacionais Pense rápido: O que vem em sua mente quando falamos na palavra confinamento? Acredito que em sua mente veio a imagem de um ambiente fechado, ou ainda um sentimento de estar entre quatro paredes. Bem, para iniciarmos nos estudos sobre ambientes confinados, devemos saber inicialmente o significado básico das palavras que compõe esse termo: espaço e confinamento. Para isso, vamos recorrer a um dicionário. Espaço é uma extensão limitada, onde podemos entender por extensão por prolongamento de algo (ESPAÇO, 2022). Já a palavra confinamento remete a um estado ou condição do que ou de quem se encontra preso, cercado e impossibilitado de sair (CONFINAMENTO, 2022). Lembra-se da reflexão inicial? Se você imaginou uma situação em que estava preso, você tem uma ideia do Higiene do trabalho Trabalho em Espaços Confinados, Radiação e Pressão Capítulo 3 que é desenvolver atividades em um ambiente confinado. Imagine como exemplo dois homens trabalhando em uma espécie de caverna fechada e de difícil acesso. Agora temos uma ideia preliminar do que seja uma definição de ambiente confinado, contudo essa ideia ainda é abrangente quando remetemos ao campo da higiene ocupacional. Vejamos no Quadro 9 algumas definições específicas de espaço confinado no âmbito da higiene e segurança do trabalho. Com base nas definições de ambientes confinados dispostas no Quadro 9, as características principais de um ambiente confinado são: projeção para não ocupação humana contínua, limitação de locais de entrada e saída, e presença de ventilação natural limitada e insuficiente para remoção de contaminantes perigosos. QUADRO 9 Definições de espaços confinados FONTE Adaptado de Peixoto e Ferreira (2013, p. 114). Fonte Definição Norma regulamentadora Nº 33 (Segurança e Saúde nos Trabalhos em Espaços Confinados. Espaço confinado é aquele que é composto por área ou ambiente cujo projeto não foi feito para que houvesse uma exposição humana contínua, possuindo meios limitados de entrada e saída, com ventilação existente insuficiente para remoção de contaminantes ou onde possa existir deficiência ou enriquecimento de oxigênio. ABNT NBR 14787 Qualquer área que não tenha sido projetada para ocupação humana contínua, apresentando meios de entrada e saída na qual a ventilação existente é insuficiente para remover contaminantes perigosos, podendo, além de contaminantes, haver deficiência ou enriquecimento de oxigênio. NIOSH (National Institute for Occupational Safety and Health) Espaço que apresenta passagens limitadas de entrada e saída, com ventilação natural deficiente que contém ou produz perigosos contaminantes do ar e que não é destinado para ocupação humana contínua. Higiene do trabalho Trabalho em Espaços Confinados, Radiação e Pressão Capítulo 3 Agora que você sabe o que caracteriza um espaço confinado, seria capaz de listar algumas profissões cujos os trabalhadores desenvolvem suas atividades nessas condições? Vejamos uma pequena lista no Quadro 10. Definição Espaço confinado é qualquer área que não tenha sido projetada para ocupação humana contínua, possui meios limitados de entrada e saída, e ventilação existente insuficiente para remoção de contaminantes ou onde possa existir deficiência ou enriquecimento de oxigênio (ABNT NBR 14787, 2001). QUADRO 10 Exemplo de profissões que atuam em espaços confinados FONTE Intermercados (2018). Profissão Descrição Alpinista industrial Trabalhador que, a serviço de uma empresa, realiza funções como limpeza ou restauração de vidros, fachadas, telhados e caixas d’água. Em 2009, foram regulamentadas as regras que a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) criou para este tipo de trabalho, cujo acesso é por cordas. Os principais riscos da atividade são altura, vento forte, emissão de gases e perigo de explosão. Minerador O minerador é o profissional que perfura o minério com uma máquina hidráulica e o detona com explosivos. O produto dessas etapas é o minério fragmentado, que depois é transportado e processado. As minas dividem-seem dois tipos: subterrâneas e a céu aberto. Chama- se lavra o conjunto de operações da mineração, desde a extração de minérios até a etapa de aproveitamento industrial. Neste universo, os exemplos de espaço confinado são diversos. Técnico em proteção catódica Aplica corrente elétrica em dutos carregados, sejam eles de gás, derivados de petróleo ou com água. A junção entre corrente elétrica e materiais explosivos eleva muito o risco da profissão. A proteção catódica é a única solução para controlar a corrosão de estruturas enterradas ou imersas. O processo tem fases sequenciais: isolamento elétrico, revestimento do duto com material isolante e, por fim, passagem de corrente elétrica. Higiene do trabalho Trabalho em Espaços Confinados, Radiação e Pressão Capítulo 3 Listamos no Quadro 10 três profissões cujas atividades são realizadas em ambientes confinados, mas quais são efetivamente os riscos que correm esses profissionais? Em linhas gerais, os riscos relacionados a esse tipo de ambiente ocupacional podem ser divididos em dois grupos: perigos atmosféricos e perigos físicos ou gerais. Os perigos atmosféricos remetem justamente a uma característica do ambiente confinado: presença de ventilação natural limitada e insuficiente para remoção de contaminantes perigosos. Em um ambiente confinado, o trabalhador pode perder a consciência por falta de oxigênio ou inalação de substâncias químicas, por exemplo, ou ainda, em caso de emergência, pode encontrar dificuldades de sair do ambiente. Para facilitar o nosso entendimento, o Quadro 11 lista os principais riscos considerados perigos atmosféricos. QUADRO 11 Perigos atmosféricos em espaços confinados FONTE Peixoto e Ferreira (2013, p. 111-118). Riscos Implicações para o condutor Atmosfera corrosiva resultante de processos industriais produzidas por reações químicas ou biológicas. Em alguns casos, de acordo com propriedades das substâncias que ocupam o espaço e de sua quantidade, podem causar danos à pele ou aos olhos, não necessariamente de forma imediata, porém, não descartando a possibilidade de um efeito carcinogênico a uma exposição prolongada. Líquidos e gases inflamáveis, como o acetileno, o propano, o butano, o GLP (Gás Liquefeito de Petróleo), a gasolina e os álcoois. Estes produtos, quando confinados e em mistura com o oxigênio do ar, podem produzir uma explosão. Podemos incluir também grãos, fertilizantes à base de nitratos e produtos químicos aplicados no solo que produzem pós- combustíveis. Procedimentos industriais com o uso de gases inertes (como o nitrogênio, argônio, dióxido de carbono, etc.) para remoção do oxigênio (O2) do ar tornando o espaço confinado com deficiência de O2. Aplica corrente elétrica em dutos carregados, sejam eles de gás, derivados de petróleo ou com água. A junção entre corrente elétrica e materiais explosivos eleva muito o risco da profissão. A proteção catódica é a única solução para controlar a corrosão de estruturas enterradas ou imersas. O processo tem fases sequenciais: isolamento elétrico, revestimento do duto com material isolante e, por fim, passagem de corrente elétrica. Higiene do trabalho Trabalho em Espaços Confinados, Radiação e Pressão Capítulo 3 Como riscos físicos ou gerais se enquadram vibrações, ruídos, radiações, pressões anormais, entre outros, além de riscos de acidentes, como escorregamento, soterramento, afogamento, etc. Considerando os riscos que podem existir em um espaço confinado, vamos estudar alguns procedimentos de segurança. Procedimentos de Segurança em Espaços Confinados A primeiro procedimento de segurança é analisar se o ambiente em que o trabalhador está possui todas as características para ser classificado como espaço confinado. Para isso, as seguintes perguntas devem ser feitas obtendo-se uma resposta positiva, segundo Peixoto e Ferreira (2013): Havendo ainda alguma dúvida de como identificar tecnicamente se um ambiente específico é um espaço confinado, podemos seguir um guia desenvolvido pela OSHA, que através de três perguntas, nos ajuda a avaliar se este ambiente é de fato um espaço confinado. As questões são: • O espaço é grande o suficiente para o trabalhador entrar e executar completamente o seu trabalho? • Há limitação significativa para entrar e sair e que dificulte uma fuga? • Este espaço não está desenhado para ocupação humana contínua, inadequado para ocupação em condição normal de trabalho e não oferece condições de segurança e FIGURA 2 Teores de oxigênio e implicações para a saúde do trabalhador FONTE Adaptado de Torloni (2003); NIOSH (1987) e Peixoto e Ferreira (2013, p. 118). Higiene do trabalho Trabalho em Espaços Confinados, Radiação e Pressão Capítulo 3 de saúde adequada? Se para as questões acima todas as respostas forem do tipo “SIM”, o ambiente é considerado espaço confinado. Se assim for constatado, deve ser organizado e seguido um procedimento para a entrada do trabalhador de forma segura. (PEIXOTO; FERREIRA, 2013, p. 119) Uma vez o ambiente sendo um espaço confinado, os procedimentos de prevenção adotados devem seguir as normas NBR 1478 e NR 33. Essas normativas detalham como proceder antes, durante e depois que o trabalhador desenvolve suas atividades laborais no ambiente em questão. A partir delas, podemos concluir que os procedimentos de segurança são: FIGURA 3 Sinalização de espaço confinado FONTE Peixoto e Ferreira (2013, p. 120). • Manter os funcionários informados sobre o conteúdo das normas e da importância de serem cumpridas. • Averiguar se existem perigos atmosféricos e gerais no espaço confinado onde serão desenvolvidas as atividades laborais. • Informar aos trabalhadores os riscos que ele corre ao desempenhar suas atividades. • Aplicar os procedimentos de entrada segura, que consistem em: • Sinalização e restrição de acesso: isso é feito a partir do uso de fitas e cones de segurança, além de sinalização específica “Espaço confinado identificado”, exigida por norma regulamentadora (NR 33), que informa a proibição da entrada e do risco de morte no local de entrada do espaço. A Figura 3 apresenta essa sinalização. • Solicitação da entrada: por escrito a partir do preenchimento de um formulário específico, conforme ilustra a Figura 4. Higiene do trabalho Trabalho em Espaços Confinados, Radiação e Pressão Capítulo 3 • Verificação das condições do ambiente: essa verificação consiste no preenchimento do formulário de permissão pelo supervisor de entrada do local, ilustrado na Figura 5, a partir da verificação dos requisitos de segurança. FIGURA 4 Anexo I (NR 33): parte informativa da permissão FONTE Peixoto e Ferreira (2013, p. 121). FIGURA 4 Anexo I (NR 33): parte informativa da permissão FONTE Peixoto e Ferreira (2013, p. 121). Higiene do trabalho Trabalho em Espaços Confinados, Radiação e Pressão Capítulo 3 Na verificação das condições do ambiente o supervisor de entrada (pessoa que controla a entrada no espaço confinado) deve aplicar testes atmosféricos para verificar a presença de oxigênio e substâncias presentes no ar que podem comprometer a saúde do trabalhador. Após a verificação criteriosa e o preenchimento do formulário de permissão, o supervisor deve conferir se todos os campos foram informados com “SIM”, autorizando a entrada do trabalhador. Se algum dos campos for assinalado com “NÃO”, o trabalho não é autorizado e a entrada do trabalhador não poderá ser permitida. • Uso de equipamentos de proteção: uma vez concedida a entrada, o trabalhador deve fazê-la com o uso de todos os equipamentos de proteção necessários. Destacam-se Importante Em espaços confinados, nunca deve ser utilizado oxigênio puro para ventilar, pois isso aumenta os riscos de incêndio e de explosão. FIGURA 3 Sinalização de espaço confinado FONTE Peixoto e Ferreira (2013, p. 120). os seguintes equipamentos: máscara autônoma com cilindro de ar mandado, tripé, cinturões de segurança e aparelhos derádio e de iluminação artificial. A Figura 6 ilustra esses equipamentos. • Monitoração do trabalho pelo supervisor ou vigia: ao autorizar a entrada, o supervisor ou outro funcionário denominado como vigia deve ficar monitorando o ambiente enquanto o outro trabalhador permanece em seu interior. A função é monitorar para verificar alterações caso surjam e agir para evitar acidentes. O vigia deve estar atento a alarmes sonoros e detectores de gases que geralmente são instalados na cintura do trabalhador que está dentro do ambiente confinado. Higiene do trabalho Trabalho em Espaços Confinados, Radiação e Pressão Capítulo 3 • Preenchimento da finalização de permissão: após o término dos serviços previstos, o supervisor deve fazer o encerramento da permissão de entrada de forma documentada, especificando o horário do fim do procedimento no formulário de controle. Agora que você já está ciente de como prevenir danos ao trabalhador em um ambiente confinado, é importante destacarmos dois agentes de riscos que podem se fazer presentes nesse tipo de ambiente: a radiação e as pressões anormais. Radiações e Pressões Anormais Revisando: De modo geral, podemos definir radiação como emissão de raios ou partículas. No âmbito dos estudos ocupacionais, a radiação e seus efeitos são analisados considerando os seus dois tipos: ionizantes e não ionizantes. Pressões anormais são pressões acima ou abaixo da pressão atmosférica. Assim, atividades laborais podem ser realizadas em ambiente de pressão hiperbárica (acima) ou pressão hiperbárica (abaixo). No contexto de espaços confinados, a presença de radiação deve ser avaliada, considerando seus tipos e implicações para o organismo humano, conforme destaca o Quadro 12. Radiação Fontes Implicações Micro-ondas Produzidas em estações de radar, rádio transmissão e em alguns processos industriais e medicinais. Causam aquecimento localizado na pele. Tem como característica ser pouco pentrante (alguns milímetros) e sua absorção causa, basicamente, o aquecimento superficial (pele). Radiação infravermelha Origem natural (sol) ou artificial (fornos, metais incandescentes, solda). Tem como característi- ca ser pouco penetrante (alguns milímetros) e sua absorção causa, basicamente, o aquecimento superficial (pele). Higiene do trabalho Trabalho em Espaços Confinados, Radiação e Pressão Capítulo 3 O que devemos destacar mesmo no contexto de ambientes confinados são as pressões anormais. A pressão hiperbárica se dá em condições em que o trabalhador realiza suas atividades em ambientes sob ar comprimido. Veja um exemplo de tubulão pneumático ilustrado na Figura 7. FIGURA 12 A radiação e as implicações para a saúde do trabalhador FONTE Adaptado de Peixoto e Ferreira (2012, p. 46-48). Radiofrequência Emprego de cores em tubulações Pouco penetrante e seus efeitos serão sempre superficiais, normalmente envolvendo a pele e os olhos. Um efeito importante e reconhecido da radiação ultravioleta é o câncer de pele. Radiação de grande comprimento de onda encontradas em radiofusão AM, ondas VHF, UHF, radioamadorismo, Radionavegação e radioastronomia. Normalmente, não apresentam problemas ocupacionais. Os efeitos à saúde são predominantemente térmicos, ou seja, aquecimento por absorção da radiação pelos tecidos. FIGURA 7 Tubulão pneumático FONTE Persuhn (2013, p. 85). Higiene do trabalho Trabalho em Espaços Confinados, Radiação e Pressão Capítulo 3 Assim sendo, o tubulão pneumático é um exemplo de ambiente confinado, no qual o trabalhador exposto à alta pressão pode sofrer: lesões pulmonares, barotraumas (traumatismo provocado pela pressão), embolias, intoxicação por oxigênio, intoxicação por gás carbônico, toxicidade cerebral, etc. Resumindo Entendeu a atmosfera de espaços confinados e a presença de radiações e pressões anormais nesse tipo de espaço? Você também aprendeu que espaço confinado é qualquer área que não tenha sido projetada para ocupação humana contínua, possui meios limitados de entrada e saída, e ventilação existente insuficiente para remoção de contaminantes ou onde possa existir deficiência ou enriquecimento de oxigênio (ABNT NBR 14787, 2001). Sendo assim, em linhas gerais, os riscos relacionados a esse tipo de ambiente ocupacional podem ser divididos em dois grupos: perigos atmosféricos e perigos físicos ou gerais. Aprendemos que existem normas e procedimentos de segurança que devem ser cumpridos no desenvolvimento de atividades laborais em espaços confinados, a fim de proteger o trabalhador. Por último, destacamos como a radiação e as pressões anormais podem ser riscos presentes em espaços confinados. @faculdadelibano_ 4 Ergonomia no Ambiente Ocupacional: Uma Visão Geral Higiene do trabalho Capítulo 4 Ergonomia no Ambiente Ocupacional: Uma Visão Geral Objetivos Ao término deste capítulo você será capaz de compreender aspectos genéricos da ergonomia no ambiente ocupacional. Neste capítulo você vai aprender o que é ergonomia no ambiente de trabalho como um agente de risco, uma vez que esse agente é fonte de várias doenças de trabalho. Nesse sentido, esse conhecimento irá ajudar você em sua prática profissional a realizar avaliações ergonômicas e estabelecer medidas de prevenção à saúde do trabalhador. E então? Pronto para desenvolver esta habilidade? Vamos lá. Avante! Ergonomia: Noções Gerais Quando você ouve o termo “ergonomia no trabalho”, você automaticamente o associa a quais palavras ou imagens? Primeiramente, o que devemos ter em mente é que ela é um agente de risco ocupacional, assim como os agentes físicos, químicos e biológicos que já estudamos. E como agente de risco, ela se apresenta nos mais diferentes contextos de trabalho e ambientes. Mas afinal o que é ergonomia? O Dicionário Online de Português (2022) atribui o seguintes significados à palavra ergonomia: [...] Estudo científico que busca melhorar as condições de trabalho, visando um aumento de produtividade, através da análise das relações entre o homem e a máquina. Melhoria das condições de trabalho, através da utilização de mecanismos tecnológicos e/ou do uso de desenho industrial. (ERGONOMIA, 2022) Higiene do trabalho Ergonomia no Ambiente Ocupacional: Uma Visão Geral Capítulo 4 O significado do dicionário nos leva a concluir que a ergonomia está relacionada, assim como os demais riscos ocupacionais, às condições de trabalho, mas com destaque para a interação entre homem, máquinas, equipamentos e tecnologia que ele utiliza para desenvolver suas atividades. Para melhor pontuarmos o que abrange a ergonomia no âmbito da higiene ocupacional, vejamos algumas definições mais específicas de ergonomia no Quadro 13. Além dos conceitos apresentados no Quadro 13, é importante destacar que a ergonomia como campo de estudo científico pode ser dividida, de acordo com seus focos, em: ergonomia física, ergonomia cognitiva e ergonomia organizacional. Veja a Figura 8. QUADRO 10 Exemplo de profissões que atuam em espaços confinados FONTE Intermercados (2018). Autor (ano) Definição de ergonomia Grandjean (1969) O estudo do comportamento do homem em seu trabalho. Falzon (2007). A ergonomia é o estudo científico da relação entre o homem e seus meios, métodos e ambientes de trabalho. Seu objetivo é elaborar, com a colaboração das diversas disciplinas científicas que a compõem, um corpo de conhecimentos que, em uma perspectiva de aplicação, deve ter como finalidade uma melhor adaptação ao homtem dos meios tecnológicos de produção e dos ambientes de trabalho e de vida. Associação Brasileira de Ergonomia (ABERGO, 2010). A ergonomia é o estudo científico da relação entre o homem e seus meios, métodos e ambientes de trabalho. Seu objetivo é elaborar, com a colaboração das diversas disciplinas científicas que a compõem, um corpo de conhecimentos que, em uma perspectiva de aplicação, deve ter como finalidade uma melhor adaptação ao homem dos meiostecnológicos de produção e dos ambientes de trabalho e de vida. Higiene do trabalho Ergonomia no Ambiente Ocupacional: Uma Visão Geral Capítulo 4 No âmbito da higiene ocupacional, como podemos definir ergonomia no ambiente de trabalho? Para responder a esse questionamento, recordamos o conceito de higiene ocupacional e a abordagem multifuncional do estudo da saúde do trabalhador, conforme apresenta a Figura 14 FIGURA 13 Tubulão pneumático FONTE Persuhn (2013, p. 85). Higiene do trabalho Ergonomia no Ambiente Ocupacional: Uma Visão Geral Capítulo 4 FIGURA 14 Abordagem multifuncional da saúde ocupacional FONTE Adaptado de Rossete (2014; p. 9). Definição Higiene ocupacional é o campo de estudo científico que objetiva a antecipação, o reconhecimento, a avaliação e o controle de riscos para a saúde, no ambiente de trabalho, com foco em proteger a integridade física e o bem-estar do trabalhador, e salvaguardar a comunidade em geral. Diante do conceito de higiene na abordagem multifuncional da saúde ocupacional, podemos concluir que a ergonomia no âmbito da higiene ocupacional volta-se para o foco físico e pode ser definida como: o estudo da postura no trabalho, manuseio de materiais, movimentos repetitivos, distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao trabalho, projeto de posto de trabalho, segurança e saúde do trabalhador como agentes de riscos à saúde do trabalhador. Higiene do trabalho Ergonomia no Ambiente Ocupacional: Uma Visão Geral Capítulo 4 Desse modo, a ergonomia no trabalho ocupa-se em estabelecer relação entre o homem e seus meios, métodos e ambientes de trabalho, objetivando intervenções e projetos que visem melhorar, de forma integrada e não dissociada, a segurança, o conforto, o bem-estar e a eficácia das atividades humanas. Agora temos uma definição precisa do que é ergonomia no trabalho dentro do contexto que estamos estudando. Por exemplo, se nos referimos à ergonomia do trabalho em ambientes confinados, estamos buscando identificar como manuseio de materiais, movimentos repetitivo, postura, etc. dentro de um espaço confinado podem oferecer riscos à saúde do trabalhador. Para facilitar, podemos dizer que a ergonomia no trabalho tem sua definição vinculada aos seguintes palavras e termos: trabalho, posto de trabalho, biomecânica ocupacional, posturas corporais e antropometria. Para entender como se dá na prática dos estudos ergonômicos a identificação dos possíveis danos à saúde do trabalhador, é necessário entender o que significa cada termo, conforme o disposto no Quadro 14. Definição No campo da higiene ocupacional, a ergonomia no trabalho pode ser definida como o estudo da postura no trabalho, do manuseio de materiais, dos movimentos repetitivos, dos distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao trabalho, do projeto de posto de trabalho, da segurança e da saúde do trabalhador como agentes de riscos à saúde do trabalhador ‘ Termo Conceito (Significado) Trabalho O trabalho na perspectiva econômica é definido como um fator de produção, sendo esse considerado como toda e qualquer atividade desempenhada pelo homem com o objetivo de satisfação de necessidades. Higiene do trabalho Ergonomia no Ambiente Ocupacional: Uma Visão Geral Capítulo 4 Diante dos conceitos dispostos no Quadro 14, devemos ter em mente que as condições de posto de trabalho e a postura corporal são agentes que podem causar danos à saúde do trabalhador, e a ergonomia do ambiente ocupacional visa, portanto, a partir de estudos, prevenir esses danos por meio da identificação de ações corretivas. Por exemplo, uma postura inadequada durante a operação de uma máquina no posto de trabalho constantemente pode ocasionar lesões na coluna. Vejamos no Quadro 15 a relação entre postura e as implicações no organismo humano. ‘ QUADRO 10 Exemplo de profissões que atuam em espaços confinados FONTE Intermercados (2018). Posto de trabalho Ambiente laboral que interage com o trabalhador. É a configuração física do sistema humano-máquina-ambiente, ou seja, é a interação do trabalhador com as máquinas, equipamentos e procedimentos operacionais necessários para a transformação dos inputs em outputs. Biomecânica ocupacional É a parte da ergonomia que trata da análise postural e suas consequências. Postura corporal É a organização dos diversos segmentos corporais no espaço no processo de construção de um posto de trabalho ergonômico ou de adequação do posto de trabalho aos padrões ergonômicos da avaliação da postura. É de fundamental importância. Antropemetria É a técnica para expressar quantitativamente o corpo humano, a atividade ou prática científica relativa à observação, qualificação e análise do crescimento somático do homem, com o objetivo de projetar dimensões adequadas ao trabalhador em um determinado posto de trabalho. Higiene do trabalho Ergonomia no Ambiente Ocupacional: Uma Visão Geral Capítulo 4 FIGURA 14 Postura e suas implicações para o organismo humano FONTE Adaptado de Araújo (2005, p. 37-38) e Másculo (2011). Posição Implicações para o organismo humano Trabalho em pé Na imagem a pessoa 1 apresenta uma postura adequada, diferente da pessoa, 2. Uma postura inadequada por horas prolongadas pode implicar: diminuição do retorno nervosos, causado por pouca atuação do fator motobomba muscular, altas exigências das válvulas venosas, acúmulo de sangue nos membros inferiores e nas veias da pelves, com a possibilidade de edemas nesta região, nutrição inadequada da pele, favorecendo o surgimento de úlceras. Trabalho sentado A imagem apresenta duas pessoas trabalhando sentadas com o que se considera uma postura correta. De uma maneira mais sistêmica, a postura sentada pode causar consequências desfavoráveis para articulações do braço, para a coluna vertebral, para os membros do esqueleto e para coluna lombar. Você Sabia? Ao término deste capítulo, você será capaz de entender em que consiste a ciência do Direito e como ela está relacionada com a moral e com a justiça. Certamente isto será fundamental para a compreensão dos capítulos a seguir. Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Higiene do trabalho Ergonomia no Ambiente Ocupacional: Uma Visão Geral Capítulo 4 Danos Definição/Exemplos Causas LER (Lesões por Esforços Repetitivos) Conjunto de doenças como a Tendinite (inflamação dos tendões), Bursite (inflamação da bursa que funciona como um amortecedor entre os ossos), Tenossinovite (inflamação da membrana que envolve os tendões), entre outras. Entre os fatores causadores da doença, os mais comuns são: os funcionários realizam de maneira incorreta suas atividades, não respeitando seus limites, não mantendo uma postura adequada para o desempenho de suas atividades, a ausência de pausas para descanso e o estresse que pode acarretar, principalmente, irritabilidade e descontrole emocional. DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho) Distúrbios da DORT são devidos fun- damentalmente à utilização biome- canicamente incorreta dos membros superiores, com força excessiva, manutenção de posturas incorretas, alta repetitividade de um mesmo padrão de movimento e compressão mecânica das delicadas estruturas dos membros superiores. Agora que você já sabe do que trata a ergonomia no ambiente ocupacional, pare e reflita: quais danos ocupacionais estão ligadas a essa? São exemplos de danos relacionadas a ergonomia no ambiente ocupacional as LER (Lesões por Esforços Repetitivos) e DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho). O Quadro 15 resume objetivamente esses danos e possíveis causas. Higiene do trabalho Ergonomia no Ambiente Ocupacional: Uma Visão Geral Capítulo 4 Agora que já temos noções gerais sobre a ergonomia no ambiente ocupacional, podemos ter o conhecimento de algumas metodologias de avaliação ergonômica as quais você poderá fazer uso em sua atuação profissional para diagnosticar possíveis agentesde risco ergonômico. Metodologias de Avaliação Ergonômica Uma metodologia de avaliação, de modo geral, consiste em um guia de ações e procedimentos que norteiam o estudo de algo para um dado fim, um objetivo. Podemos listar como metodologias e avaliação ergonômica: a Análise Ergonômica do Ambiente de trabalho (AET), a Técnica da Escola OCRA e a elaboração de laudos técnicos. Vamos conhecer aqui objetivamente no que consistem essas metodologias, apontando para qual finalidade podem ser utilizadas, etapas metodológicas e variáveis consideradas para estudo. O Quadro 16 apresenta objetivamente essas metodologias. Você Sabia? As doenças LER/DORT foram detectadas no início do século XVIII, porém somente a partir de 1970, essas doenças foram relacionadas ao ambiente de trabalho. Higiene do trabalho Ergonomia no Ambiente Ocupacional: Uma Visão Geral Capítulo 4 Metodologia Finalidade de aplicação Etapas metodológicas Variáveis consideradas para avaliação de risco ergonômico Análise ergonômica do trabalho (AET) Procedimento universalmente aplicável e pode ser usado para vários desses propósitos. 1. Análise do sistema de trabalho, os tipos e as propriedades dos objetos de trabalho, os equipamentos utilizados e o ambiente (físico, sociais e organizacionais) são registrados e avaliados em escalas nominais e numéricas. Sistema de trabalho, as tarefas e a demanda do trabalho. Propósito de sua origem: verificar a carga de trabalho e a pressão dentro de um determinado sistema de trabalho. 2. Análise das tarefas, abrange as atividades necessárias para o trabalhador. 3. Análise da demanda de trabalho, em três seções: percepção, decisão e resposta/ atividade. Técnica OCRA-Oc- cupational Repetitive Actions Desenvolvido para prevenir lesões musculo- esqueléticas dos membros supriores. 1.Avaliação as características dos riscos de lesões dos membros superiores dos trabalhadores em consequência da tarefa executada. Repetição: O risco é maior à medida que aumenta a frequência dos movimentos e/ou diminui o tempo do ciclo. Higiene do trabalho Ergonomia no Ambiente Ocupacional: Uma Visão Geral Capítulo 4 Técnica OCRA-Oc- cupational Repetitive Actions Desenvolvido para prevenir lesões musculo- esqueléticas dos membros supriores. 2.Adequação das condi- ções dos postos de traba- lho, a partir das medidas do esforço muscular e da repetitividade. Força: O trabalho deverá envolver a execução de forças suaves, evitando movimentos bruscos ou irregulares. O manuseio preciso (pegar e colocar o objeto com precisão), o tipo e a natureza da aplicação da força podem gerar um esforço muscular adicional. 3.Previsão a quantidade de trabalhadores afetados. Postura e movimento: As tarefas e as operações realizadas no trabalho devem proporcionar variações de postura. As tarefas executadas no trabalho devem restringir faixas extremas de movimento das articulações e evitar as posturas estáticas prolongadas. Quando envolvem posturas com movimentos complexos combinados (por exemplo, flexão e torção) podem apresentar um risco maior. 4. Proposição de algumas soluções práticas e que sejam passíveis de se executar Duração do trabalho e recuperação fisiológica insuficiente: O tempo de duração do trabalho pode ser fragmentado de várias formas. A oportunidade para a recuperação ou o repouso pode estar dentro de cada um desses períodos de trabalho. A insuficiência do tempo para a recuperação do corpo entre movimentos repetitivos (por exemplo, a falta de tempo para a recuperação fisiológica) aumenta o risco de lesões musculoesqueléticas 5. Possibilitar a produtividade sem riscos. Higiene do trabalho Ergonomia no Ambiente Ocupacional: Uma Visão Geral Capítulo 4 Laudos Ergonômicos Atestar as condições ergonômicas de alguma atividade específica da organização. Introdução. Cenário geral do relatório é apresentada na introdução, junto com as justificativas relativas às razões científicas que motivam a realização do trabalho em questão. Estabeleci- mento de parâmetros para a adaptação das condições de trabalho, permitindo documentar e sistematizar a realização de um procedimento específico, garantindo segurança jurídica e operacional à empresa. Desenvolvimento Descrição da tarefa/atividade analisada, de maneira mais completa e esclarecedora possível. Método científico utilizado para a análise. Considerações finais. Conclusões inerentes aos proble-mas verificados: Biomecânico: com a solução indicada, o corpo humano do trabalhador apresenta melhor funcionamento. Fisiológico: objetiva diminuir a fadiga do trabalhador. Epidemiológico: a partir da implantação da medida indicada ocorre a diminuição das lesões. Psicofísico: refere-se à boa aceitabilidade da sugestão por parte dos trabalhadores. Produtividade: refere-se ao melhor rendimento no trabalho proporcionadas pelas sugestões apresentadas. FIGURA 16 Metodologias de avaliação ergonômica FONTE Adaptado de Bristot (2013, p. 2019). Higiene do trabalho Ergonomia no Ambiente Ocupacional: Uma Visão Geral Capítulo 4 Agora você conhece algumas metodologias que podem ser aplicadas em análises ergonômicas em ambientes ocupacionais. Com base nas informações contidas no Quadro 16, você pode escolher o método mais adequado para a situação que precisa analisar e definir técnicas de coleta de dados como observação das rotinas de trabalho, entrevistas, entre outros. Resumindo Chegamos ao fim desta unidade e você compreendeu aspectos genéricos da ergonomia no ambiente ocupacional. Você também aprendeu que no âmbito da higiene ocupacional a ergonomia é definida como o estudo da postura no trabalho, do manuseio de materiais, dos movimentosrepetitivos, dosdistúrbiosmusculoesqueléticos relacionados ao trabalho, do projeto de posto de trabalho, da segurança e da saúde do trabalhador como agentes de riscos à saúde do trabalhador. Diante desse conceito, é necessário que estudos ergonômicos sejam realizados no contexto do ambiente ocupacional. Para realização desses estudos, é importante a priori entender os seguintes conceitos relacionados à ergonomia: trabalho, posto de trabalho, biomecânica ocupacional, posturas corporais e astrometria. A realização de estudos ergonômicos requer o conhecimento das LER (Lesões por Esforços Repetitivos) e DORT (Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho), e de metodologias de avaliação que objetivam identificar e verificar riscos ergonômicos aos quais os trabalhadores são expostos ao longo de sua jornada de trabalho. Higiene do trabalho Referências ARAUJO, G. A. Riscos ergonômicos nas atividades de manutenção industrial em espaços confinados. 2015. Dissertação (Mestrado em Ergonomia) - Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2015. Disponível em: https://repositorio.ufpe.br/ handle/123456789/15046. Acesso em: 15 abr. 2020. ABERGO. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ERGONOMIA, [s.d.]. Disponível em: www.abergo.org.br. Acesso em: 15 abr. 2020. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS - ABNT. NBR 14787: Espaços confinados – Prevenção de acidentes, procedimentos e medidas de proteção. Rio de Janeiro, 2001. BERNARDO, D. C. R. et al. O estudo da ergonomia e seus benefícios no ambiente de trabalho: uma pesquisa bibliográfica. Saberes Interdisciplinares, v. 6, n. 11, p. 97-112, 2017. BRASIL. NHO 04. Método de coleta e análise de fibras em locais de trabalho. FUNDACENTRO, 2001. Disponível em: http://www.fundacentro. gov.br/dominios/ctn/anexos/Publicacao/ NHO04.pdf. Acesso em: 10 ago. 2020. BRASIL. NHO 08. Coleta de material particulado sólido suspenso no ar de ambientes de trabalho (procedimento técnico). FUNDACENTRO, 2009. Disponível em: http://www. fundacentro.gov.br/dominios/SES/ anexos/NHO08_portal.pdf. Acesso em: 10 ago. 2020. BRASIL. Portaria n° 3214, de 08