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CONTRAINTELIGÊNCIA 
 
 
 
2 
 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empre-
sários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação 
e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade ofere-
cendo serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a partici-
pação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação 
contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos 
e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber atra-
vés do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Sumário 
 
NOSSA HISTÓRIA ............................................................................................. 2 
1. INTRODUÇÃO ............................................................................................ 4 
2. A ATIVIDADE DE INTELIGÊNCIA .............................................................. 8 
2.1 Inteligência e Informação .......................................................................... 9 
2.2 Produção bibliográfica brasileira ............................................................. 11 
2.3 Segurança e segredo.............................................................................. 14 
2.4 Estigma ................................................................................................... 18 
3. INTELIGÊNCIA ............................................................................................ 20 
3.1 Dinâmicas Operacionais ......................................................................... 22 
3.2 Ciclo da inteligência ................................................................................ 24 
CONCLUSÃO ................................................................................................... 29 
REFERÊNCIAS ................................................................................................ 30 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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1. INTRODUÇÃO 
Serviços de inteligência são agências governamentais responsáveis 
pela coleta, análise e disseminação de informações consideradas relevantes 
para o processo de tomada de decisões e de implementação de políticas públi-
cas nas áreas de política externa, defesa nacional e provimento de ordem pú-
blica. Estas agências governamentais também são conhecidas como serviços 
secretos ou serviços de informação. Embora o uso de espiões e informantes 
especializados remonte à Antiguidade em áreas tão dispersas quanto a China, 
o Oriente Próximo e o Império Romano, a atividade de inteligência adquiriu uma 
nova escala operacional como função social organizada, profissional e perma-
nente com o surgimento do Estado moderno na Europa. Mesmo então, os servi-
ços de inteligência, tal como os conhecemos hoje, só começaram realmente a 
institucionalizar-se no século XX. Por institucionalização, entende-se aqui o pro-
cesso através do qual organizações e procedimentos adquirem estabilidade e 
valor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Após o final da Guerra Fria, em muitos países foi debatida a própria ne-
cessidade e o papel desses serviços, o que poderia indicar que seu crescente 
peso institucional fora, na verdade, apenas um fenômeno passageiro, um sub-
produto das duas guerras mundiais e da própria Guerra Fria. Durante a primeira 
metade da década de 1990, os serviços de inteligência tiveram de fato seus or-
çamentos reduzidos de forma significativa, ao mesmo tempo em que o novo con-
texto internacional tornava-se mais volátil e, por conseguinte, as demandas por 
informações tornavam-se mais exigentes e diversificadas. Por outro lado, a 
emergência e o crescimento vertiginoso das novas tecnologias de comunicação 
 
 
 
5 
e informação (TIC’s) possibilitou o surgimento de empresas privadas que ofertam 
informações sobre temas de segurança em escala global, competindo em muitas 
áreas com os próprios serviços de inteligência pela atenção e os recursos orça-
mentários dos governantes. A resposta dos serviços de inteligência a esses de-
safios tendeu inicialmente a ser reativa, adaptando-se aos novos orçamentos e 
ao novo cenário internacional. 
Contudo, na medida em que se aproximava o começo do século XXI e 
os serviços de inteligência continuavam sendo uma parte estável da maquinaria 
governamental dos países, a resposta típica aos desafios da nova realidade in-
ternacional tendeu a deslocar-se para uma discussão muito mais “low profile” 
sobre as condições de eficiência e efetividade dos serviços de inteligência no 
cumprimento de suas missões. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
No caso norte-americano, 
por exemplo, Frederick T. Martin 
(1999:317-352) afirma que há uma 
crescente convergência entre os pro-
jetos de modernização tecnológica 
coordenados pelo Pentágono e pelo 
escritório do Diretor Central de Inteli-
gência (DCI).7 No contexto de uma 
competição mais direta com outros 
provedores de informações, recursos 
mais escassos e situação internacio-
nal cambiante, a busca por agilidade 
corresponderia a uma estratégia ba-
seada em três eixos integrados: 
Velocidade: os processos de coleta, análise e disseminação de informa-
ções relevantes para a segurança nacional deveriam operar com ciclos tempo-
rais mais curtos para atender às mudanças bruscas de atenção e prioridade 
dos usuários, sejam eles policymakers, legisladores ou comandantes militares. 
Capacidade: como as tecnologias de coleta e produção de dados brutos 
ultrapassaram imensamente a capacidade de processamento, produção e dis-
seminação de inteligência “finalizada”, um aumento de capacidade nessas áreas 
torna-se decisivo para que as organizações de inteligência possam acrescentar 
inputs de maior valor agregado aos processos decisórios da área de segurança 
nacional. 
Flexibilidade: na medida em que as crises e temas de política externa 
aparecem e desaparecem sem muito aviso prévio, sobrepondo-se à agenda 
cada vez mais exigente dos governantes, as relações de custo e benefício dos 
recursos investidos nas organizações de inteligência envolvem pressões cres-
centes por maior flexibilidade e também por maior integração entre as várias 
agências. 
 
Embora o livro de Frederick Martin lide extensamente com as inúmeras 
dificuldades tecnológicas e de cultura organizacional para a realização desse 
 
 
 
7 
conceito de “agilidade” nas agências de inteligência norte- americanas, os pro-
blemas decorrentes das próprias características operacionais e da organização 
das atividades de inteligência são largamente subestimados. Decidi então per-
correr um caminho distinto, procurando entender como as próprias característi-
cas operacionais e o design organizacional da atividade de inteligência afetam 
suas chances de institucionalização no Estado contemporâneo. 
Nesse sentido, um outro traço persistente da trajetória dos serviços de 
inteligência é justamente sua relativa opacidade, o manto de segredo que cerca 
suas atividades. Como a transparência dos atos governamentais é um dos re-
quisitos mais valorizados da prática política contemporânea (e a principal pro-
messa não cumprida da democracia), não é de se estranhar que a mera existên-
cia de serviços de inteligência gere desconfiança e insegurança nos cidadãos 
dos próprios países quetêm organizações desse tipo. A visão negativa que os 
cidadãos tendem a ter dos serviços de inteligência de seus próprios países faz 
da transparência um enorme desafio no processo de institucionalização dessas 
atividades. 
Segundo Calvino, a visibilidade como um valor literário envolve não ape-
nas a capacidade de ver a realidade do mundo e dela partir para a criação escrita 
de uma estória. Calvino estava mais preocupado justamente com a perda con-
temporânea da capacidade de imaginar visualmente conteúdos e significados 
para então tentar expressá-los através da escrita. Numa época em que a litera-
tura já não se refere à tradição, mas sim à originalidade e à invenção, a capaci-
dade de imaginação invidual in absentia é decisiva e vem sendo afetada negati-
vamente pela saturação de imagens pré-fabricadas. Esse fenômeno torna impe-
rativo o que Calvino chama de “pedagogia da imaginação”, uma educação que 
nos torne capazes de expressar verbalmente e através da escrita as visões po-
limorfas obtidas através dos olhos e da alma. 
Embora a idéia de visibilidade em Calvino seja incomensurável em rela-
ção à idéia de transparência como dilema de institucionalização, ela é sugestiva 
pois evoca o tipo de ambigüidade e desafio com que se tem de lidar na aborda-
gem do fenômeno da transparência dos atos governamentais. Ambigüidade que 
se expressa, inclusive, pelo fato de transparência poder significar simultanea-
mente visibilidade e invisibilidade. 
 
 
 
8 
Na área de informática, por exemplo, transparência é uma metáfora ótica 
utilizada para destacar a propriedade invisível das interfaces, que garante que 
os usuários possam usar recursos e resolver problemas sem que tenham que 
passar por (“visualizar”) todas as etapas e operações intermediárias realizadas 
pelos sistemas.De modo geral, as chamadas atividades-meio do Estado (onde 
se incluem as atividades de provimento de informações para a tomada de 
decisões) seriam, nesse sentido, transparentes para os cidadãos, que olhariam 
através delas para visualizar e controlar os atos dos governantes em relação aos 
fins considerados desejáveis pela comunidade política (polity). Entretanto, o gi-
gantismo burocrático, a ineficiência e a corrupção tornam o meio administra-
tivo opaco e os próprios atos governamentais invisíveis. 
2. A ATIVIDADE DE INTELIGÊNCIA 
A atividade de inteligência é definida no âmbito de suas missões e ca-
pacidades, de forma a possibilitar a compreensão de sua competência. Com 
uma definição mais precisa, ficamos aptos a estabelecer comparações e a per-
ceber os excessos cometidos por órgãos dessa área, bem como a analisar a 
nova estrutura que está sendo proposta. O conceito de “segredo governamental” 
é útil nesta discussão porque aborda a 
relação do Estado com o manejo, pro-
teção e publicização de informações 
consideradas sensíveis para a segu-
rança nacional. Neste caso, o objetivo 
é perceber quais mecanismos foram e 
estão sendo criados para proteger in-
formações que são consideradas sensíveis à segurança do Estado e observar 
os regulamentos criados para a classificação destes documentos. Procuro per-
ceber quais mecanismos o Estado brasileiro vem adotando para fugir ao caráter 
pejorativo e deteriorado a que ficou associada a atividade de inteligência e de 
que forma esse estigma vem dificultando a implementação da ABIN. Com a in-
tenção de deixar o trabalho mais fluído e compreensível, optamos por dividir este 
capítulo em duas seções. A primeira aborda essencialmente os conceitos utili-
zados e a segunda demonstra o processo funcional de uma atividade de inteli-
gência. 
 
 
 
9 
 
 
2.1 Inteligência e Informação 
 
A atividade de inteligência é uma componente atual e significativa do 
poder de Estado, enquadrando-se no núcleo coercitivo que provê a prestação 
de serviços públicos de defesa externa e manutenção da ordem, as duas fun-
ções constituindo os atributos do monopólio legítimo do uso da força na acepção 
weberiana do Estado. O grande fluxo de informações que marca o final do século 
XX demanda, em primeiro lugar, uma diferenciação entre informações e inteli-
gência. Essa distinção, embora útil como um ponto de partida operacional, será 
revista posteriormente à luz das especificidades do contexto histórico brasileiro. 
Outra diferenciação faz-se necessária entre inteligência e espionagem. Tais se-
parações buscam fugir das generalizações que ora classificam a inteligência 
apenas como espionagem e ora a classificam como coleta e análise de quais-
quer informações relevantes para uma tomada de decisão. No que se refere à 
diferença entre inteligência e informação é preciso buscar subsídios nos debates 
acadêmicos anglo-saxões, uma vez que a bibliografia brasileira em relação ao 
assunto é extremamente escassa. Em meio ao debate sobre inteligência que 
surge na década de 1990, Jennifer Sims afirmou que inteligência não estaria 
envolvida apenas com o segredo e que quaisquer tipos de informações coleta-
das para o processo de decisão seriam inteligência. Em sua concepção, “intelli-
gence is best defined as information collected, organized, or analyzed on behalf 
of the actors or decision makers. Such information include technical data, trends, 
rumors, pictures, or hardware.” 
Em contrapartida à posição de Sims, tem-se a definição de Abram Shu-
lsky. Este autor restringe a área de atuação da atividade de inteligência e a vin-
cula à sua forma de organização, ao segredo, e à competição entre estados. Na 
nova dinâmica políticoeconômica mundial, extremamente marcada pela compe-
titividade, o conhecimento e sua proteção se tornaram fatores essenciais para 
assegurar aos Estados a sua sobrevivência. O fim da Guerra Fria e a rapidez da 
circulação da informação provocada pelo advento da globalização determinaram 
novas áreas de interesse a serem protegidas. Mudou-se a concepção sobre se-
gurança nacional e, consequentemente, os interesses a serem resguardados. 
 
 
 
10 
Desta forma, de acordo com Shulsky, uma vez que o governo tem que estar todo 
o tempo processando informações, é justamente o segredo e a necessidade de 
proteção que definem o que deve e o que não deve ser considerado um produto 
de inteligência. 
O terceiro aspecto é que um governo precisa organizar e estruturar me-
canismos para prover alguns tipos específicos de informação. O que importa é 
saber o que são estes mecanismos estruturados pelo governo e o que eles iden-
tificam como inteligência. Trata-se de observar o fenômeno para o qual o termo 
inteligência é aplicado “Intelligence refers to information relevant to a govern-
ments formulating and implementing policy to further its national security interests 
and to deal with threats to those interests from actual or potential adversaries.” 
São informações que estão normalmente relacionadas com assuntos mi-
litares, tais como plano de ação dos adversários, atividades diplomáticas e in-
tenções, bem como as informações sobre inteligência. Ainda podem ser consi-
deradas inteligência, mesmo que o governo adversário não faça questão de pro-
teger, assuntos que envolvam informações sobre casos políticos internos, de-
senvolvimento social, assim como estatísticas demográficas e econômicas. 
A definição de inteligência como coleta e análise de informações que 
interessam à segurança nacional também é muito imprecisa, uma vez que o pró-
prio conceito de segurança nacional é obscuro. Os interesses de segurança na-
cional estão diretamente relacionados ao tipo de governo, de regime político e 
com o contexto sócio-econômico. As ameaças podem incidir tanto sobre aspec-
tos internos quanto externos de um país. Quanto mais fechado for o regime, mais 
o governo está propenso a enfatizar a segurança interna e preocupar-se com a 
repressão política dentro do próprio território. 
Ao definir que inteligência é o que as organizações de inteligência fazem 
e asações que elas desenvolvem, fica muito mais prático estabelecer o que deve 
e o que não deve ser considerado inteligência. A inteligência neste caso não é 
definida como um conceito a partir do qual se possa afirmar que informações 
sobre o meio-ambiente não dizem respeito à atividade de inteligência e que in-
formações sobre a fabricação de armamento nuclear dizem mas a partir do seu 
contexto organizacional. Outra diferenciação que devemos fazer em relação à 
atividade de inteligência diz respeito à sua compreensão enquanto espionagem. 
O senso comum normalmente associa a atividade de inteligência à espionagem, 
 
 
 
11 
trapaças e chantagens, imagem amplamente incentivada pela literatura ficcional 
e pela mídia. Não obstante o termo intelligence seja um eufemismo anglo-saxão 
para a espionagem, esta é apenas uma parte do processo de inteligência, que é 
muito mais amplo e que será posteriormente discutido. Portanto, a atividade de 
inteligência refere-se a certos tipos de informações, relacionadas à segurança 
do Estado, às atividades desempenhadas no sentido de obtê-las ou impedir que 
outros países a obtenham e às organizações responsáveis pela realização e co-
ordenação da atividade na esfera estatal. Trata-se de uma definição mais precisa 
sobre o escopo da atividade de inteligência, que permite iluminar certas incom-
preensões que vêm sendo percebidas no debate brasileiro. 
 
2.2 Produção bibliográfica brasileira 
 
O termo inteligência, entendido neste sentido, passou a fazer parte do 
debate político brasileiro principalmente a partir da década de 1990, após a ex-
tinção do Serviço Nacional de Informações (SNI), não obstante haja referências 
a este tipo de atividade desde 1927. Emergiu de uma tentativa de acobertar e 
superar uma identidade deteriorada que havia se formado em torno da atividade 
de Informações no regime militar, equivalente a repressão e violação dos direitos 
civis. No Brasil, assim como nos demais países do Cone Sul, existe uma forte 
desconfiança em relação a essa atividade, que decorre do perfil assumido por 
seus órgãos de informações durante o ciclo recente de regimes militares. Nesses 
 
 
 
12 
países, os serviços de informações converteram-se em estados paralelos com 
alto grau de autonomia, enorme poder e capacidade operacional. A produção 
acadêmica brasileira sobre a atividade de informações e inteligência é quase 
inexistente. A maioria de trabalhos sobre o assunto foi produzida no período ime-
diatamente posterior à transição brasileira para o regime democrático. Contudo, 
tal produção era dirigida à discussão do controle e subordinação do aparato mi-
litar à sociedade civil e, apenas por extensão, ao problema das missões, capa-
cidades e controles específicos das agências de informaçõesa e segurança. Na 
visão de autores como Walder de Goés e Alfred Stepan, o controle civil sobre o 
governo atingiria o cerne dos serviços de informações do regime militar. Alfred 
Stepan alertou para a necessidade das sociedades civil e política brasileiras en-
volverem-se em assuntos acadêmicos acerca da 
democracia e das formas de controle sobre as 
forças armadas e os serviços de informações. 
Para ele, o controle destes sistemas era requisito 
necessário para a consolidação democrática. 
Stepan propunha a desmilitarização do SNI e a 
formação de comissões permanentes no Legisla-
tivo ou nos gabinetes do governo, as quais deve-
riam ocupar-se exclusivamente da monitoração e 
supervisão rotineira dos serviços de informações. 
Propunha ainda que se retirasse do chefe do SNI o status de ministro e que se 
suprimisse seu caráter operacional. O autor destacava, sobremaneira, a neces-
sidade de se aumentar o poder legislativo sobre este órgão. 
Na produção acadêmica sobre inteligência de cunho mais conceitual, 
destaca-se o trabalho de Luís Antônio Emílio Bittencourt, ex-diretor do Centro de 
Formação Aperfeiçoamento e Recursos Humanos (CEFARH), a antiga Escola 
Nacional de Informações criada em 1972 (ESNI). Em sua dissertação de mes-
trado O Poder Legislativo e os Serviços Secretos no Brasil buscou perceber a 
compatibilidade entre a atividade dos serviços de informações e a nascente de-
mocracia brasileira. Tomou como base a ação do Poder Legislativo em relação 
à atividade de informações no Brasil e o contexto analisado foi o da elaboração 
da Constituição de 1988. O autor fez uma discussão sobre os mecanismos de 
 
 
 
13 
controle existentes, os limites e as possibilidades desses controles e buscou per-
ceber se no Congresso havia, realmente, interesse em estabelecer tais meca-
nismos. Bittencourt afirma que o assunto foi tratado com superficialidade e critica 
a falta de esclarecimento por parte do Legislativo em relação aos serviços de 
informações. Conclui que não foi necessariamente a ação do Legislativo, mas 
as repercussões indiretas do processo democratizante, associadas às contradi-
ções inerentes aos serviços de informações, que acarretaram o esgotamento da 
concepção do SNI. 
Outro trabalho que não poderia deixar de ser citado é A História da Ati-
vidade de Inteligência no Brasil, obra produzida pela Sub-Secretaria de Inteli-
gência da Casa Militar da Presidência da República (SSI/CMPR) em 1999. O 
livro foi escrito por Lúcio Sérgio Porto Oliveira e contém um preâmbulo apresen-
tado pelo então chefe da Casa Militar, general 
Alberto Mendes Cardoso, um dos principais 
envolvidos na criação da ABIN. No entanto, o 
livro deve ser relevado mais como obra de re-
ferência do que por seu conteúdo, uma vez 
que se trata de divulgação institucional, forte-
mente marcado pela necessidade de conven-
cer o leitor da importância da atividade de in-
teligência no Brasil. Deste modo, a natureza 
do livro, ou seja, o fato dele ser obra de divul-
gação, inviabilizou uma postura realmente 
crítica no que tange ao desempenho da ativi-
dade dos órgãos de informações durante o 
governo militar. Se na área acadêmica a produção e discussão sobre a atividade 
de inteligência é escassa, no debate político não é diferente. Salvo um seminário 
realizado em 1994 pelo Congresso Nacional em conjunto com algumas univer-
sidades, inclusive americanas, e a Audiência Pública promovida em 21 de maio 
de 1996 pela Comissão de Defesa Nacional, a discussão atual é superficial e 
vaga. Existe no país, por conta da experiência autoritária recente, uma resistên-
cia a discussões que abordem aspectos relativos à atividade de inteligência e à 
segurança nacional. Esta resistência além de ter atrasado o projeto de criação 
 
 
 
14 
da ABIN no Congresso Nacional, também dificulta o debate sobre a regulamen-
tação dos mecanismos responsáveis pela classificação e proteção dos “segre-
dos governamentais”. 
 
2.3 Segurança e segredo 
 
Na atividade de inteligência, ao mesmo tempo em que se procura obter 
informações de outros atores, precisa-se proteger e neutralizar as capacidades 
destes outros atores em relação às suas próprias informações: “they want accu-
rate information and good forecasts about other than them, but they also want to 
control what these others are able to find out about them, so they erect informa-
tion defenses.” Desse modo, os governos procuram manter em segurança um 
amplo campo de informações sensíveis, considerando-se que, por segurança, 
entende-se uma condição relativa de proteção na qual se é capaz de neutralizar 
ameaças discerníveis. Dentro da atividade de inteligência, a proteção envolve 
uma série de medidas de segurança que visam a frustrar a inteligência adversá-
ria. No que compete aos órgãos de inteligência, em termos organizacionais, a 
segurança é obtida através de padrões e medidas de proteção para conjuntos 
definidos de informações, instalações, comunicações, pessoal, equipamentos ou 
operações. Uma das medidas de segurança considerada essencial dentro do 
Estado é a salvaguarda de assuntos sigilosos. As agências responsáveis pelaatividade de inteligência, enquanto provedoras de informações, bem como por-
tadoras de informações consideradas sensíveis para a segurança nacional, têm 
importante participação dentro deste setor de segurança informacional. 
A segurança de informações está relacionada com medidas de proteção 
que se pautam por técnicas ofensivas de inteligência, que incluem restrição de 
pessoas a determinados lugares, proteção física de documentos e pessoas, con-
trole de viajantes, de contatos estrangeiros, além de regras para a classificação, 
custódia e transmissão dos documentos. A literatura especializada estabelece 
alguns parâmetros internacionais para a área de segurança de informações que 
fica dividida, basicamente, em três componentes: segurança defensiva; detec-
ção e neutralização de ameaças; e fraude. Todas elas são disciplinas de defesa 
que, no entanto, podem envolver atitudes ativas e/ou passivas. A Segurança de-
 
 
 
15 
fensiva passiva se divide em Segurança de Comunicações, Segurança de Com-
putadores e Controle de Emissão. A Segurança de Comunicações inclui segu-
rança de transmissão, cripto-segurança, segurança física de comunicações e 
segurança material de informações. A Segurança de Computadores, uma 
atividade mais recente, procura proteger os computadores da invasão de hac-
kers. 
 
 O Controle de Emissão é responsável pela limitação das emissões ele-
trônicas de todos os tipos, através de satélites, cabos etc. Detecção e neutrali-
zação são disciplinas defensivas de segurança que têm postura ativa e que po-
dem envolver a eliminação física de agentes, contra-espionagem e contrainteli-
gência. À parte das medidas de segurança passiva, a defesa tem, às vezes, a 
possibilidade de eliminar ou neutralizar a coleta de informações da inteligência 
adversária, através da prisão de agentes, da expulsão de oficiais de inteligência 
sob cobertura diplomática, entre outros. Este é um tipo de atividade que ocorre 
principalmente em época de guerra. Fraude ou Deception, como é conhecida no 
jargão anglo-saxão, é uma disciplina defensiva e ativa. Envolve o uso de agentes 
duplos e também é aplicada principalmente em época de guerra. É definida pela 
Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) como “those measures de-
signed to mislead the enemy by manipulations, distortion or falsification of evi-
dence to induce him to react in a manner prejudicial to his interests.” Apesar de 
lidar com apenas um tipo de ameaça em específico as fontes humanas a contra-
espionagem também traz uma discreta contribuição para a segurança. Provê in-
formações sobre ameaças discerníveis e produz evidências específicas do fluxo 
 
 
 
16 
de penetrações tanto do seu lado quanto do lado adversário, permitindo o forta-
lecimento do aparato de segurança e impedindo a exploração de suas fraquezas 
pelos agentes adversários. A relação entre a atividade de inteligência e a segu-
rança é estreita. O aparato de segurança precisa se basear na avaliação da in-
teligência para definir as medidas de segurança defensivas a serem tomadas, 
pois é ela quem faz a avaliação das ameaças existentes. Desta forma, a ativi-
dade de inteligência se insere em um conflito constante entre as capacidades 
ofensivas e de segurança e o sistema de inteligência, enquanto órgão especiali-
zado na proteção e roubo de segredos. Entretanto, as responsabilidades pela 
segurança não fazem parte da atividade de inteligência. Cabe ao Estado manter 
um aparato específico, responsável pela proteção de documentos e segredos, e 
cabe às agências de inteligência, enquanto especialistas em roubo de segredos, 
responsáveis pelo monitoramento das tentativas dos outros de roubarem segre-
dos e geradoras de segredos estabelecer um debate com os órgãos estatais 
responsáveis pela segurança. Elas têm um papel consultivo e não executivo. No 
Brasil, a atividade de informações confundiu-se com a própria segurança nacio-
nal. Dois dos três órgãos de informações das forças armadas foram criados no 
final da década de 60 para combater a subversão: o Centro de Informações do 
Exército (CIE) e o Centro de Informações e Segurança da Aeronáutica (CISA). 
O único órgão de informações das forças armadas que já existia antes da tomada 
do poder pelos militares em 1964 era o Centro de Informações da Marinha (CE-
NIMAR), mas que, em função da entrada das forças armadas no combate à sub-
versão, redimensionou sua atividade. Em 1967 o SNI se uniu a estes órgãos 
para, através do culto ao segredo, atuar em defesa do Estado de Segurança 
Nacional. Mas, a seguir os modelos teóricos, a segurança não deveria ser vista 
como parte da atividade de inteligência, seria apenas um dos usuários da ativi-
dade de inteligência, embora haja um envolvimento íntimo entre eles. No Brasil, 
como em qualquer lugar, os órgãos de informações sempre privilegiaram o se-
gredo como ferramenta de poder. Por segredo podemos compreender um saber 
de acesso particularizado a uma informação privilegiada, que cria alianças e di-
visões sociais e espaciais por aqueles que o compartilham. Em uma definição 
precisa, o segredo é “a piece of information that is intentionally withheld by one 
or more social actor(s) from one or more other social actor(s).”23 Uma importante 
característica do segredo é que a informação em questão é intencionalmente 
 
 
 
17 
retida. O mero fracasso em transmitir uma informação não é bastante para que 
esteja estabelecido um segredo. “The requirement that a secret be an intentional 
withholding means that there must be a self-conscious and identifiable motivation 
for keeping someone else in the dark about something in particular.” Os segredos 
normalmente escondem informações relevantes que são retidas ou como pro-
posta para influenciar as ações e o pensamento dos outros, ou para proteger 
informações consideradas relevantes. Além da retenção intencional da informa-
ção, o segredo também pode ser apresentado de duas formas diferentes: a men-
tira, em que se retém a informação e a substitui por outra, e a meia-verdade, que 
é uma revelação parcial do segredo. O conhecimento parcial de uma informação 
pode conduzir a diferentes tipos de inferências sobre a verdade que o outro co-
nhece plenamente. Ao mesmo tempo em que os fatos verdadeiros são revela-
dos, a meia-verdade cria uma impressão que é falsa. Segredos estratégicos são 
aqueles retidos com uma motivação particular de alterar as ações e os pensa-
mentos dos outros. Eles não são um fim em si mesmo, são meios realizados 
para alcançar outros fins e ocorrem quando os interesses dos atores envolvidos 
não são coincidentes, quando há uma assimetria de interesses relevantes. O 
grau de um segredo pode ser especificado pelo exame do número e qualidade 
de diferentes contextos no qual o fluxo de informações é intencionalmente blo-
queado. Quando a informação é mostrada em um contexto e restringida em ou-
tro, pode-se perceber as diferenças nos tipos de relações sociais. É possível 
discernir os dois grupos essenciais: 
“Nós”, que somos aqueles que retemos a informação, e “eles”, aqueles 
a quem a informação é bloqueada. No que diz respeito aos objetivos deste tra-
balho, interessa perceber a atuação do Estado perante os segredos conhecidos 
como “segredos governamentais”, pois é a ele que cabe regular as informações 
que são classificadas como sensíveis para a proteção individual e para o inte-
resse e segurança nacionais. Em geral, o controle é feito através da distribuição 
de informações em duas categorias, uma relacionada a casos domésticos, em 
que o governo procura prescrever o que o cidadão pode fazer, e outra relacio-
nada a casos externos, em que o governo prescreve o que o cidadão pode saber. 
No primeiro caso encontramos uma regulamentação estatal relacionada aos pro-
cessos judiciais, à propriedade industrial e à privacidade dos cidadãos, e no se-
gundo o Estado regulamenta os segredos relacionados à defesanacional e à 
 
 
 
18 
política externa. Segredos de defesa nacional e relacionados à política externa 
são um tipo de segredo particular em relação aos outros. Nestes casos, a infor-
mação é retida do inimigo e também de uma vasta maioria daqueles a quem o 
segredo busca proteger. A permeabilidade das redes de trabalho e a desconfi-
ança da população são revelados por este modelo de distribuição. Múltiplas co-
munidades de “nós” e “eles” são criadas, conduzindo não apenas para uma ten-
são na comunicação entre Estados potencialmente em guerra, mas também 
para um isolamento das comunidades militares e de segurança nacional, em re-
lação ao público em geral. No Brasil, a manutenção de alguns segredos por parte 
de pessoas relacionadas com os órgãos de informações possibilitou que perma-
necessem impunes vários crimes cometidos em nome da Segurança Nacional. 
Esta retenção de informações é responsável, ainda hoje, por um abismo entre a 
sociedade e os organismos responsáveis pela atividade de inteligência no país 
e colabora substancialmente para a estigmatização da atividade de inteligência 
no país. 
 
2.4 Estigma 
 Por estigma, entende-se a situação de um determinado sujeito que se 
encontra inabilitado para a aceitação social plena. Este é um termo criado pelos 
gregos “para se referirem a sinais corporais com os quais se procurava eviden-
ciar alguma coisa de extraordinário ou mau sobre o status moral de quem os 
apresentava.” Atualmente o termo é mais facilmente compreendido pelo fator 
pejorativo que conota. A sociedade como um todo é quem estabelece os meios 
de categorizar os sujeitos e o total de atributos considerados comuns e naturais 
para os membros de cada uma destas categorias que são criadas. Quando o 
sujeito que possui algum desvio em relação ao que se entende por normal e 
aceitável é apresentado à sociedade, seus aspectos permitem prever sua cate-
goria e atributos, determinando-lhe assim uma identidade social. Esta identidade 
é atribuída a partir das pré-concepções, que são transformadas pela sociedade 
em expectativas normativas e em exigências que são apresentadas de modo 
rigoroso. Deixa-se de considerar o sujeito estigmatizado como alguém comum e 
total, reduzindo-o à estagnação. Quando a sociedade lhe faz este tipo de avali-
ação, normalmente não considera todos seus atributos, mas apenas os que são 
incongruentes com o estereótipo que foi criado. Ou seja, um sujeito que poderia 
 
 
 
19 
ter sido facilmente recebido na relação social quotidiana possui um traço que 
pode-se impor à atenção e afastar aqueles que ele encontra, destruindo a pos-
sibilidade de atenção para outros atributos seus. Deste modo, a sociedade reduz 
suas chances de vida social. Como afirma Goffman, “constrói-se uma teoria do 
estigma, uma ideologia para dar conta de sua inferioridade e dar conta do perigo 
que ele representa, racionalizando algumas vezes uma animosidade baseada 
em outras diferenças.” A sociedade não consegue dar ao sujeito estigmatizado 
o respeito e a consideração que os aspectos não contaminados de sua identi-
dade social os haviam levado a prever e que o sujeito havia previsto receber. O 
importante, neste contexto, é saber como o sujeito estigmatizado responde a tal 
pressão. Existem várias formas de um sujeito estigmatizado responder a esta 
não-aceitação social. Ele pode se retrair; pode simplesmente optar por ignorar o 
estigma que lhe foi imposto (o que é mais difícil, uma vez que na sociedade atual 
o sujeito tende a compartilhar as mesmas crenças sobre a identidade que a so-
ciedade tem); pode atuar de forma defensiva e agressiva e pode, ainda, tentar 
corrigir diretamente o que considera a base objetiva de seu defeito. 
O uso deste conceito neste trabalho explica-se pelo fato de que a ativi-
dade de inteligência, em si mesma, já carrega uma conotação negativa ante a 
sociedade democrática, dado o conflito entre a vigilância estatal que ela pressu-
põe e os direitos individuais do cidadão. No Brasil, onde a atuação dos órgãos 
de informações durante o governo militar, sobretudo no final da década de 1960 
e no começo da década de 1970, se encontram diretamente relacionados à tor-
tura, corrupção, violação dos direitos e liberdades civis, esta estigmatização 
ainda é mais forte. Como várias vezes enfatizado, a memória sobre a atuação 
destes órgãos e de suas práticas durante aquele período e a insistência em man-
ter em segredo certas informações vêm prejudicando o debate político e acadê-
mico brasileiro a respeito da atividade de inteligência. A aprovação do projeto da 
ABIN demorou mais de dois anos para se concretizar. Neste intervalo, a Agência 
passou por uma situação delicada, na qual existia e funcionava sem que sua 
função fosse regulamentada. A resistência ao debate e a ignorância em relação 
ao assunto, aliados à falta de vontade política, cooperaram na manutenção 
dessa situação. Um dos objetivos deste trabalho é justamente perceber quais 
mecanismos foram e estão sendo criados pelo Poder Executivo e pelo Con-
gresso Nacional para tentar reverter esta situação, para chamar a atenção da 
 
 
 
20 
sociedade política e do público em geral, para a importância da institucionaliza-
ção da atividade de inteligência no país. Perceber o que está sendo feito para 
superar o caráter autoritário da Doutrina de Segurança Nacional e a experiência 
dos órgãos de informações. 
 
 
3. INTELIGÊNCIA 
Há dois usos principais do termo inteligência fora do âmbito das ciências 
cognitivas. Uma definição ampla diz que inteligência é toda informação coletada, 
organizada ou analisada para atender as demandas de um tomador de decisões 
qualquer. Para a Ciência da Informação, inteligência é uma camada específica 
de agregação e tratamento analítico em uma pirâmide informacional, formada, 
na base, por dados brutos e, no vértice, por conhecimentos reflexivos. A sofisti-
cação tecnológica crescente dos sistemas de informação que apóiam a tomada 
de decisões tornou corrente o uso do termo inteligência para designar essa fun-
ção de suporte, seja na rotina dos governos, no meio empresarial ou mesmo em 
organizações sociais. Nesta acepção ampla, inteligência é o mesmo que conhe-
cimento ou informação analisada. 
Certamente é possível teorizar sobre a natureza da informação e sobre 
o impacto dos fluxos totais de informação na economia, no Estado e na vida 
social de modo geral. Porém, a inteligência de que trata esse trabalho refere-se 
a conjuntos mais delimitados de fluxos informacionais estruturados. Nesse caso, 
uma definição mais restrita diz que inteligência é a coleta de informações sem o 
consentimento, a cooperação ou mesmo o conhecimento por parte dos alvos da 
ação. Nesta acepção restrita, inteligência é o mesmo que segredo ou informação 
secreta. 
Para superar essa discrepância entre a definição restrita e o leque de 
atividades concretamente desenvolvidas pelos serviços de inteligência, é preciso 
levar em conta uma segunda dimensão do conceito restrito de inteligência que 
tomarei como ponto de partida para esse trabalho. Enquanto a primeira di-
mensão destaca os meios especiais utilizados para coletar informações sem a 
cooperação e/ou o conhecimento de um adversário, essa segunda dimensão é 
analítica e diz basicamente que inteligência diferencia-se da mera informação 
 
 
 
21 
por sua capacidade explicativa e/ou preditiva. A combinação dessas duas faces 
ou dimensões fundamentais do conceito de inteligência traduz-se numa organi-
zação. 
Característica do processo de trabalho aí envolvido. Essa organização 
foi descrita de forma mais precisa por Michael Herman (1996) como um processo 
de trabalho sequencial, separado entre um estágio de coleta que é especializado 
segundo as fontes e meios utilizados para a obtenção das informações (single-
sources collection), seguido de um estágio de análise das informações obtidas a 
partir dasdiversas fontes singulares e de outros fluxos não estruturados (all-
sources analysis). 
Apesar da tensão potencial entre as duas dimensões do conceito (ope-
racional e analítica), não me parece que as associações históricas entre inteli-
gência e os aspectos mais ásperos da política sejam meramente idiossincráticas, 
acidentais ou espúrias. A associação persistente entre inteligência e conflito é 
forte justamente porque as duas dimensões do conceito são indissociáveis na 
práxis das organizações encarregadas do provimento desse tipo de informação 
e conhecimento. Tanto as dificuldades práticas quanto os critérios para uma di-
ferenciação da atividade que justifique essa associação entre inteligência e con-
flito podem ser demonstrados através de duas delimitações epistêmicas, cada 
uma delas baseada em uma das faces do conceito. 
Em relação à dimensão analítica do conceito, a diferença entre as aná-
lises e estimativas elaboradas no âmbito das atividades de inteligência e 
quaisquer outras análises de órgãos de assessoramento técnico governamental 
está nos fins a que se destinam as análises de inteligência: aumentar o grau de 
conhecimento sobre os adversários e os problemas que afetam a segurança 
estatal e nacional (situational awareness). Diferentemente de institutos de geo-
grafia e estatística ou de centros de pesquisa econômica aplicada, serviços de 
inteligência estão voltados para a compreensão de relações adversariais e por 
isso a maioria de seus alvos e/ou problemas são principalmente internacionais 
e “difíceis”. Inteligência lida com o estudo do “outro” e procura elucidar situações 
nas quais as informações mais relevantes são potencialmente manipuladas ou 
escondidas, onde há um esforço organizado por parte de um adversário para 
desinformar, tornar turvo o entendimento e negar conhecimento. Os chamados 
 
 
 
22 
serviços de inteligência de segurança (security intelligence) têm muitos alvos pu-
ramente domésticos, mas mesmo esses compartilham a condição de “outro” aos 
olhos do arcabouço constitucional e da ordem política constituída. 
Em relação à dimensão operacional do conceito, a diferença entre a co-
leta de informações para fins de produção de inteligência e outras operações 
governamentais que envolvem a aquisição sistemática de informações sobre 
atores e problemas relevantes para a segurança nacional é mais nebulosa, 
embora não impossível de ser traçada. Duas situações típicas em que se pode 
visualizar essa diferença são as próprias relações diplomáticas entre Estados e 
as operações militares. 
Do ponto de vista operacional, portanto, os critérios mais importantes 
para a distinção entre inteligência e outros tipos de aquisição de informações 
são o grau de intervenção humana requerido para a análise e disseminação 
dos dados obtidos, associado ao grau de vulnerabilidade das fontes de informa-
ção às contramedidas de segurança e à conseqüente necessidade de segredo 
para a proteção das atividades de inteligência. 
Essas características analíticas e operacionais da atividade governa-
mental de inteligência oferecem um ponto de partida para o estudo dos proces-
sos de institucionalização desses serviços no Estado contemporâneo. Mas é ne-
cessário avançar mais, e na próxima seção serão consideradas as etapas fun-
damentais do chamado ciclo da inteligência. 
3.1 Dinâmicas Operacionais 
 
Esse capítulo discute as principais dinâmicas operacionais que caracte-
rizam as atividades de inteligência. Sem isso, qualquer discussão sobre os re-
quisitos de agilidade e transparência no processo de institucionalização dos ser-
viços de inteligência ficaria prejudicada. 
Como avaliar, por exemplo, se as comissões de supervisão congressual 
atualmente existentes são adequadas sem que se tenha uma noção razoável 
sobre o que, afinal, tais comissões deveriam estar supervisionando? Como saber 
se os governantes poderão receber as informações solicitadas e consideradas 
vitais sem se ter uma noção conceitual mínima sobre os diversos métodos, pro-
cedimentos, fontes, tecnologias e técnicas através dos quais os serviços de in-
teligência coletam, analisam e distribuem informações? 
 
 
 
23 
Além de estabelecer pontos de partida para os demais capítulos, o 
texto que segue examina um problema específico: se a dinâmica operacional 
das atividades de inteligência é caracterizada por interações conflitivas entre 
atores que buscam suplantar os procedimentos de segurança do adversário e 
obter informações sem o seu consentimento ou conhecimento, como então 
essa dinâmica delimita as expectativas sobre a agilidade das atividades de inte-
ligência no mundo contemporâneo? 
O capítulo está dividido em cinco seções principais. Na primeira seção a 
atividade de inteligência é definida de forma restritiva como um tipo de conflito 
que lida com a obtenção/negação de informações. Uma vez obtidas as informa-
ções de fontes diversas e através de meios e técnicas especializadas, uma se-
gunda dimensão característica das atividades de inteligência é a produção e dis-
seminação de análises sobre problemas e atores considerados relevantes pelos 
usuários em seus processos de formulação, decisão e execução de políticas pú-
blicas (policymaking) nas áreas de política externa, defesa nacional e provimento 
de ordem pública. Ainda na primeira seção, discute-se brevemente a nebulosa 
fronteira entre o trabalho de inteligência e outros tipos de atividade informacional 
em dinâmicas conflitivas (especialmente as chamadas informações de combate). 
A segunda seção apresenta o chamado ciclo da inteligência, uma 
noção bastante utilizada na literatura para descrever as principais características 
operacionais da atividade. Apesar de chegar a ser dividido em até dez etapas 
ou “passos” diferentes dependendo do autor, a idéia de um ciclo na atividade de 
inteligência refere-se essencialmente a duas etapas, a primeira, de coleta de 
informações, sendo caracterizada pela especialização funcional entre as diver-
sas disciplinas de coleta segundo fontes singulares, e a segunda, caracterizada 
pela integração das informações obtidas de fontes diversas em análises e 
relatórios disseminados para os usuários finais. As cinco áreas mais importantes 
de especialização na coleta de inteligência estão dividas entre fontes humanas 
(humint), inteligência obtida a partir da interceptação de comunicações e de 
sinais eletro-magnéticos (sigint), inteligência obtida a partir de imagens (imint), 
inteligência extraída de medidas e identificação de uma variedade de outros 
sinais (masint) e a inteligência obtida a partir da vasta diversidade e quanti-
dade de fontes ostensivas, impressas ou eletrônicas (osint). As características 
 
 
 
24 
operacionais dessas disciplinas especializadas de coleta, bem como os proble-
mas de integração entre a fase de coleta e processamento de informações e a 
fase posterior de análise e disseminação dos relatórios e produtos analíticos, 
discutidos nessa segunda seção do capítulo, permitirão ao leitor ter uma visão 
mais sistemática do que fazem, afinal, os serviços de inteligência. 
Entretanto, a apresentação mais ou menos convencional do ciclo da ati-
vidade de inteligência deixa de lado algo decisivo: a dialética existente entre in-
teligência e segurança. Assim, a terceira seção do capítulo procura explicitar os 
principais níveis do conflito entre segurança informacional (infosec) e inteligência 
(intelligence), a partir dos quais torna-se compreensível a chamada área de con-
tra-inteligência (counterintelligence). Feito isso, a quarta seção do capítulo trata 
da polêmica noção de operações encobertas (covert operations) e de sua rela-
ção problemática com as demais dimensões da atividade de inteligência. Final-
mente, na conclusão do capítulo procura-se sintetizar quais seriamas expecta-
tivas razoáveis sobre a utilidade geral da atividade de inteligência para os usuá-
rios finais, sejam eles governantes no poder executivo, parlamentares, diploma-
tas, chefes de polícia ou comandantes militares. 
 
3.2 Ciclo da inteligência 
 
As descrições convencionais do ciclo da inteligência chegam a des-
tacar até dez passos ou etapas principais que caracterizariam a atividade, a 
saber: 
1) Requerimentos informacionais. 
2) Planejamento. 
3) Gerenciamento dos meios técnicos de coleta. 
 4) Coleta a partir de fontes singulares. 
5) Processamento. 
6) Análise das informações obtidas de fontes diversas. 
7) Produção de relatórios, informes e estudos. 
8) Disseminação dos produtos. 
 9) Consumo pelos usuários. 
10) Avaliação (feedback). 
 
 
 
25 
 Entretanto, na maior parte dessa seção serão destacadas basica-
mente as duas etapas fundamentais de coleta (single sources) e de análise (all- 
sources). 
A própria ideia de ciclo de inteligência deve ser vista como uma metá-
fora, um modelo simplificado que não corresponde exatamente a nenhum sis-
tema de inteligência realmente existente. Por outro lado, essa falta de acuidade 
descritiva não é o que mais importa, pois a caracterização das atividades 
de inteligência enquanto um processo de trabalho complexo e dinâmico é impor-
tante para que se possa distingüir as mudanças qualitativas que a informação 
sofre ao longo de um ciclo ininterrupto e interrelacionado de trabalho. A princi-
pal contribuição da idéia de ciclo de inteligência é justamente ajudar a compre-
ender essa transformação da informação e explicitar a existência desses fluxos 
informacionais entre diferentes atores (usuários, gerentes, coletores, analistas 
etc). 
Como a atividade de inteligência é ela mesma uma função subsidi-
ária dos processos de formulação, decisão e implementação de política ex-
terna, de defesa e segurança pública, pode-se pensar também o ciclo da inte-
ligência como um sub-conjunto de atividades do chamado “ciclo das políticas 
públicas”: um ciclo formado pelo surgimento de problemas (issues), o estabe-
lecimento de uma agenda, a formulação de políticas e linhas de ação alternati-
vas, os processos de tomada de decisão, a implementação e a avaliação.39 
Nesse sentido, as informações que os serviços de inteligência coletam e anali-
sam para os usuários deveriam ser determinadas pelas necessidades e priori-
dades daqueles mesmos usuários. 
Idealmente, os responsáveis pela tomada de decisões, sejam eles polí-
ticos eleitos, ministros, altos burocratas civis, comandantes militares ou chefes 
de polícia, identificam lacunas e necessidades informacionais, estabelecem pri-
oridades e as transmitem para os dirigentes da área de inteligência. Esses, por 
sua vez, transformam aquelas necessidades percebidas pelos usuários em re-
querimentos informacionais para os setores responsáveis pela coleta e análise. 
Dado que mesmo os recursos dos países mais ricos são escassos, os 
responsáveis pelas diversas disciplinas de coleta precisam planejar a utilização 
dos meios técnicos e fontes humanas disponíveis para produzir a máxima 
sinergia possível e atender às demandas dos policymakers. O gerenciamento 
 
 
 
26 
dos meios técnicos de coleta, dependendo das plataformas utilizadas (aviões, 
estações fixas de interceptação, satélites etc), é uma atividade especializada e 
altamente complexa. É importante destacar essa diferença entre o planejamento 
geral da coleta de informações e o gerenciamento dos meios técnicos, principal-
mente porque a atividade de inteligência tende a ser cada vez mais um tipo de 
produção massiva, com algumas linhas de produção operando 24h e certos 
produtos sendo gerados praticamente sem interferência humana (nas áreas 
de elint e masint por exemplo). As funções de direção, planejamento e geren-
ciamento constituem etapas preliminares e relativamente invisíveis (a despeito 
de sua importância) para o que costuma ser considerado tradicionalmente 
como inteligência: a coleta de informações (inclusive através de espionagem) 
e a produção de análises sobre temas e alvos. 
Antes de passar para essas etapas mais visíveis do processo de tra-
balho em inteligência, é preciso acrescentar ainda um comentário. Um dos 
problemas com a metáfora de ciclo de inteligência é que muitos autores assu-
mem acriticamente que o ciclo é completamente dirigido pelos requerimentos 
informacionais dos usuários finais. Isso é problemático justamente porque induz 
expectativas exageradas sobre o tipo de racionalidade que orienta os proces-
sos decisórios governamentais e sobre o próprio papel da inteligência. 
Como lembram Michael Herman (1996: 283-304) e Mark Lowenthal 
(2000: 40-52), na maioria das situações os policymakers não têm tempo nem 
clareza para especificar os tipos de informações que eles necessitam ou irão 
necessitar para quais processos de tomada de decisão e implementação. Nes-
ses casos, as listas de demandas tendem a ser genéricas (por exemplo, uma 
solicitação de informes sobre a “situação” na Colômbia), ou são formuladas sem 
que os oficiais de inteligência tenham uma idéia precisa sobre a finalidade da 
informação no âmbito mais geral dos desafios enfrentados pelo governo (por 
exemplo, um requerimento sobre o desempenho dos helicópteros de transporte 
de tropas de um determinado fabricante russo, sem que se comunique à área de 
inteligência que aquele relatório é necessário para a tomada de decisão refe-
rente às alternativas de ação em relação ao conflito na Colômbia). Ou seja, a 
natureza incerta da política e a pressão de padrões de pensamento derivados 
das experiências passadas mais ou menos recentes tendem a tornar os “reque-
rimentos” dos usuários algo muito menos estruturado do que a suposição inicial 
 
 
 
27 
do modelo. Esses requerimentos formais legitimam e fornecem uma autorização 
para que as agências mobilizem seus meios para a produção de inteligência so-
bre determinado problema ou alvo, mas estão longe de ser o único fator a deter-
minar o ciclo da atividade de inteligência. 
Caberia, portanto, aos responsáveis pela área de inteligência utilizar um 
conjunto de ferramentas organizacionais e analíticas para completar, detalhar e 
priorizar aquelas demandas, transformando-as em requerimentos informacionais 
mais efetivos. Embora seja imprescindível que as agências de inteligência atuem 
nessa especificação para evitar uma “falha de requerimentos” que compromete-
ria todo o ciclo, há aqui um risco evidente de “intromissão” e autonomização das 
agências em áreas que seriam prerrogativas dos usuários (principals). Mesmo 
levando em conta tais riscos, Michael Herman (1996:288) sustenta que um papel 
pró-ativo das agências é preferível e compatível com a manutenção de um nível 
alto de responsividade, desde que acompanhado de procedimentos de avaliação 
sistemática da satisfação dos usuários com os produtos de inteligência recebidos 
e de mecanismos de controle externo. 
Uma analogia freqüentemente utilizada na literatura é com as grandes 
empresas de notícias, tais como a Reuters, Associated Press ou CNN. Assim 
como essas empresas, mas levando em conta as especificidades técnicas e po-
líticas, as agências de inteligência seriam estruturadas a partir de um ciclo infor-
macional governado simultaneamente por iniciativa (coleta e análise de informa-
ções que o órgão avalia que seriam úteis para o usuário – ‘pushes’) e responsi-
vidade (coleta e análise de informações solicitadas diretamente pelos usuários – 
‘pulls’). 
Segundo Lisa Krizan (1999:13-20), mesmo com uma correta utilização 
de ferramentas voltadas para a identificação das necessidades dos usuários 
(e.g. taxonomia de problemas, listas de questões-chave e matriz de tempestivi-
dade e escopo), é preciso ter em mente que osfluxos informacionais associados 
aos requerimentos apresentam uma grande complexidade. Além de requerimen-
tos estruturados a partir das necessidades dos diversos tipos de usuários finais 
e que são comunicados para as agências de coleta pelos responsáveis nacionais 
da área de inteligência, é preciso considerar ainda que muitos desses usuários 
comunicam suas necessidades diretamente às agências de coleta. E que os pró-
 
 
 
28 
prios analistas de inteligência solicitam não apenas informações sobre os reque-
rimentos atuais dos usuários, mas também um leque mais amplo de informações 
necessárias para a atualização de bases de dados e/ou a compreensão mais 
ampla de alvos e problemas sobre os quais os analistas estão trabalhando. Fi-
nalmente, é preciso observar que as agências de coleta também trabalham a 
partir de oportunidades criadas por eventuais falhas de segurança dos adversá-
rios. 
Portanto, as limitações procedimentais, cognitivas e mesmo a escassez 
de recursos mostram que o chamado ciclo da atividade de inteligência depende 
muito mais da iniciativa das próprias agências de inteligência do que a metáfora 
de um ciclo iniciado e dirigido por requerimentos formais dos usuários indicaria 
à primeira vista. 
Afinal, como também destaca Mark Lowenthal (2000:42), as “falhas de 
requerimento” ocorrem não apenas quando os usuários são incapazes de trans-
mitir suas necessidades com clareza, mas principalmente quando as agências 
falham em perceber as necessidades cambiantes dos usuários e não respondem 
de forma ágil, seja por inércia burocrática ou por incapacidade de interagir ade-
quadamente com os policymakers e comandantes. 
Seja como for, para além da questão dos requerimentos ainda estão os 
problemas relacionados aos recursos e meios de coleta, que afinal definem 
que informações podem ou não ser obtidas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
29 
CONCLUSÃO 
Sistemas governamentais de inteligência consistem de organizações 
permanentes e atividades especializadas na coleta, análise e disseminação de 
informações sobre problemas e alvos relevantes para a política externa, a defesa 
nacional e a garantia da ordem pública de um país. Serviços de inteligência são 
órgãos do poder executivo que trabalham prioritariamente para os chefes de Es-
tado e de governo e, dependendo de cada ordenamento constitucional, para ou-
tras autoridades na administração pública e mesmo no parlamento. São organi-
zações que desempenham atividades ofensivas e defensivas na área de infor-
mações, em contextos adversariais onde um ator tenta compelir o outro à sua 
vontade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
30 
 
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