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ROUND PROFISSIONAL I PROFA. ELISANGELA RONCONI Rislândia S.Camilo RA : 3113175 e Laysla M.Bueno RA : 2872503 1) Impactos dos incêndios na biodiversidade, economia e sociedade : Os incêndios florestais provocam consequências devastadoras que se estendem além da área queimada, afetando diretamente a biodiversidade, a economia e a sociedade. Impactos na biodiversidade: Os incêndios destroem habitats, resultando na morte de inúmeras espécies de fauna e flora. Essa perda compromete a biodiversidade local, reduzindo não apenas a quantidade, mas também a diversidade genética dos organismos sobreviventes. Os ciclos ecológicos naturais, como o ciclo de nutrientes, são profundamente alterados, criando condições favoráveis para a proliferação de espécies invasoras em detrimento das nativas, o que pode perpetuar o desequilíbrio ecológico. Impactos econômicos: Os prejuízos econômicos são significativos. Na agropecuária, os incêndios destroem plantações, pastagens e infraestrutura rural, impactando diretamente a subsistência de agricultores e a economia regional. Além disso, os recursos destinados ao combate aos incêndios e à recuperação das áreas degradadas aumentam os custos para governos e comunidades. A perda de serviços ecossistêmicos essenciais, como a regulação climática e a proteção dos recursos hídricos, compromete ainda mais a estabilidade econômica. Impactos na sociedade: Do ponto de vista social, os incêndios agravam problemas de saúde pública devido à inalação de fumaça, que aumenta a incidência de doenças respiratórias e cardiovasculares, especialmente entre os mais vulneráveis. As perdas materiais, incluindo habitações e infraestrutura, frequentemente resultam no deslocamento de comunidades. Além disso, a devastação ambiental gera impactos emocionais, como estresse e ansiedade, em populações diretamente afetadas e naquelas que dependem dos recursos naturais degradados. 2) Os incêndios de setembro de 2024 podem ser considerados espontâneos? Embora o mês de setembro seja caracterizado por um clima seco devido à sazonalidade do inverno, as temperaturas elevadas registradas em 2024 indicam uma influência adicional de mudanças climáticas globais, que intensificaram as condições de propagação do fogo. Contudo, é importante destacar que a grande maioria dos incêndios no Brasil possui origem antrópica, sendo resultado de práticas humanas, intencionais ou acidentais. Entre as principais causas estão: - Queimadas descontroladas: Amplamente utilizadas para manejo de áreas agrícolas e pastagens, mas que frequentemente fogem ao controle. - Atos de negligência ou vandalismo: Como o descarte inadequado de bitucas de cigarro ou a soltura de balões, prática comum, porém extremamente perigosa. Portanto, embora os fatores climáticos tenham contribuído para a severidade dos incêndios, sua origem não pode ser atribuída apenas a fenômenos naturais, mas sim a uma combinação de atividades humanas e condições ambientais desfavoráveis. 3) Desafios e metodologias para a recuperação de áreas degradadas pelo fogo A restauração ecológica de áreas afetadas por incêndios exige estratégias adequadas ao grau de degradação e ao uso prévio da terra. A chave de decisão para restauração ecológica orienta a escolha das metodologias apropriadas, considerando áreas de uso agropecuário e remanescentes florestais. Áreas de uso agropecuário: - Regeneração natural assistida: Proteger áreas com capacidade de regeneração espontânea, promovendo o retorno de espécies nativas por meio de manejo adequado e controle de espécies invasoras. - Sistemas agroflorestais: Integrar espécies arbóreas nativas com culturas agrícolas ou pastagens, combinando restauração ambiental com benefícios econômicos para produtores rurais. - Plantio de espécies pioneiras: Introduzir espécies com rápido crescimento para estabilização do solo e promoção da recuperação da fertilidade, criando condições para o estabelecimento de espécies secundárias. Remanescentes florestais: - Plantio de mudas nativas: Priorizar espécies pioneiras e secundárias iniciais para restaurar a estrutura ecológica da área. - Controle de espécies invasoras: Identificar e eliminar competidores exóticos que possam prejudicar a regeneração de espécies nativas. - Enriquecimento da biodiversidade: Após a estabilização do ecossistema, introduzir espécies clímax para garantir a restauração completa da funcionalidade e diversidade ecológica. Essas abordagens devem ser adaptadas ao contexto local, considerando fatores como disponibilidade hídrica, qualidade do solo e proximidade de fragmentos florestais. 4) Restauração do Parque Estadual do Juquery: espécies indicadas O Parque Estadual do Juquery, reconhecido como o último grande remanescente de Cerrado na Região Metropolitana de São Paulo, foi severamente impactado pelo fogo. Para sua recuperação, é essencial selecionar espécies nativas do Cerrado que atendam aos requisitos ecológicos do bioma, garantindo a regeneração da vegetação e a atração da fauna dispersora. A tabela abaixo apresenta espécies indicadas para restauração, com base na Lista de Espécies Indicadas para Restauração no Estado de São Paulo (2019): Nome Científico Grupo Ecológico Síndrome de Dispersão Qualea grandiflora Pioneira Zoocórica Machaerium villosum Secundária Inicial Zoocórica Copaifera langsdorffii Secundária Inicial Zoocórica Aspidosperma tomentosum Secundária Clímax Zoocórica Vochysia thyrsoidea Pioneira Zoocórica Hymenaea courbaril Secundária Clímax Zoocórica Eugenia dysenterica Secundária Inicial Zoocórica A seleção dessas espécies considera sua capacidade de adaptação ao clima e ao solo do Cerrado, além de sua importância ecológica para a recuperação de interações com a fauna, como a dispersão de sementes por animais.