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Estética aplicada à cirurgia plástica GRUPO SER EDUCACIONAL ESTÉTICA APLICADA À CIRURGIA PLÁSTICA (Pré e Pós Operatório De Cirurgia Plástica) ORGANIZADORES: JULIA DA VEIGA; JESSICA SANTOS ESTÉTICA APLICADA À CIRURGIA PLÁSTICA ORGANIZADORES JULIA DA VEIGA; JESSICA SANTOS Este livro é fundamental para os estudantes e pro�ssionais de estética. Aqui você aprenderá tudo o que envolve a estética nos procedimentos para a cirurgia plástica, começando com as indicações ou contraindicações do procedimento até os cuidados pré e pós-operatório. Você terá acesso às informações sobre os cuidados e o acompanhamento multidisciplinar que deve acontecer para o processo de cicatrização da pele e a recuperação do corpo após uma cirurgia estética, sejam cirurgias faciais ou corporais. Detalhada e ilustrada com imagens que facilitam o aprendizado, esta obra apresenta um conteúdo didático e de fácil entendimento. I SBN 9786555580198 9 786555 580198 > C M Y CM MY CY CMY K ESTÉTICA APLICADA À CIRURGIA PLÁSTICA (PRÉ E PÓS OPERATÓRIO DE CIRURGIA PLÁSTICA) Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, do Grupo Ser Educacional. Diretor de EAD: Enzo Moreira Gerente de design instrucional: Paulo Kazuo Kato Coordenadora de projetos EAD: Manuela Martins Alves Gomes Coordenadora educacional: Pamela Marques Equipe de apoio educacional: Caroline Guglielmi, Danise Grimm, Jaqueline Morais, Laís Pessoa Designers gráficos: Kamilla Moreira, Mário Gomes, Sérgio Ramos,Tiago da Rocha Ilustradores: Anderson Eloy, Luiz Meneghel, Vinícius Manzi Veiga, Julia da. Estética aplicada à cirurgia plástica/ Julia da Veiga ; Jessica Santos. – São Paulo: Cengage, 2020. Bibliografia. ISBN: 9786555580198 1. Estética - cirurgia plástica. 2. Cirurgia plástica. 3. Cuidados. 4. Santos, Jessica. Grupo Ser Educacional Rua Treze de Maio, 254 - Santo Amaro CEP: 50100-160, Recife - PE PABX: (81) 3413-4611 E-mail: sereducacional@sereducacional.com “É através da educação que a igualdade de oportunidades surge, e, com isso, há um maior desenvolvimento econômico e social para a nação. Há alguns anos, o Brasil vive um período de mudanças, e, assim, a educação também passa por tais transformações. A demanda por mão de obra qualificada, o aumento da competitividade e a produtividade fizeram com que o Ensino Superior ganhasse força e fosse tratado como prioridade para o Brasil. O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego – Pronatec, tem como objetivo atender a essa demanda e ajudar o País a qualificar seus cidadãos em suas formações, contribuindo para o desenvolvimento da economia, da crescente globalização, além de garantir o exercício da democracia com a ampliação da escolaridade. Dessa forma, as instituições do Grupo Ser Educacional buscam ampliar as competências básicas da educação de seus estudantes, além de oferecer- lhes uma sólida formação técnica, sempre pensando nas ações dos alunos no contexto da sociedade.” Janguiê Diniz PALAVRA DO GRUPO SER EDUCACIONAL Autoria Julia da Veiga Graduada em Estética e Pós graduada em Estética no Pré e Pós Procedimentos Médicos pela Universidade Anhembi Morumbi - SP. Instrumentadora Cirúrgica com especialização em Cirurgia Plástica e Dermatologia Escola SEIC-SP. Atualmente é consultora técnica de clínicas e empresas de locação de aparelhos estéticos e médicos. Jéssica Sebastião dos Santos Graduada em Estética e Pós-Graduada em Estética no Pré e Pós procedimentos médicos pela Universidade Anhembi Morumbi. Pós-Graduada em Metodologia de Ensino na Educação Superior pela EAD Laureate. Atualmente é professora autora de materiais acadêmicos para cursos de Estética, Cosmetologia e Podologia, é profissional da área técnica em clínica Dermatológica. SUMÁRIO Prefácio .................................................................................................................................................8 UNIDADE 1 - Técnicas de cirurgias plásticas ...................................................................................9 Introdução.............................................................................................................................................10 1 História da cirurgia plástica ................................................................................................................ 11 2 Cicatrização da pele humana ............................................................................................................. 13 3 Técnicas de cirurgias plásticas faciais ................................................................................................. 16 4 Técnicas de cirurgias plásticas mamárias ........................................................................................... 17 5 Técnicas de cirurgias plásticas abdominais ........................................................................................ 22 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................25 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................26 UNIDADE 2 - Lifting facial, corporal e lipoaspiração .......................................................................27 Introdução.............................................................................................................................................28 1 Cirurgia plástica facial ........................................................................................................................ 29 2 Dermolipectomia ............................................................................................................................... 33 3 Orientações ....................................................................................................................................... 39 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................40 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................41 UNIDADE 3 - Complicações em cirurgia plástica e novas tecnologias..............................................45 Introdução.............................................................................................................................................46 1 Complicações cirúrgicas gerais ........................................................................................................... 47 2 Fatores que facilitam as complicações cirúrgicas ............................................................................... 50 3 Complicações em cirurgias plásticas .................................................................................................. 52 4 Alterações cicatriciais ......................................................................................................................... 55 5 Novas tecnologias em cirurgia plástica .............................................................................................. 57 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................62 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................63 UNIDADE 4 - Atuação do esteticista, eletroterapia e técnicas manuais aplicadas à cirurgia plástica ..........................................................................................................................65Introdução.............................................................................................................................................66 1 Esteticista ...........................................................................................................................................67 2 Equipe multidisciplinar....................................................................................................................... 69 3 Avaliação ............................................................................................................................................70 4 Eletroterapia aplicada à cirurgia plástica .......................................................................................... 71 5 Drenagem linfática manual ............................................................................................................... 77 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................81 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................82 A cirurgia plástica é um procedimento que requer muitos cuidados e o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar que conheça o processo de cicatrização da pele e a recuperação do corpo humano após a submissão a cirurgias estéticas. Este livro trará o conhecimento necessário em 4 unidades: técnicas de cirurgias plásticas; lifting faciais,corporais e lipoaspirações; complicações em cirurgia plástica e novas tecnologias; atuação do esteticista, eletroterapia e técnicas manuais aplicadas à cirurgia plástica. Vamos destrinchar o que será explicado. Na unidade 1, você aprenderá sobre a base das técnicas de cirurgias plásticas. Serão abordados nesta unidade a origem, as técnicas mais utilizadas em todo o mundo e quais os casos indicados ou não indicados para o procedimento. Ainda apresentaremos os cuidados que se deve ter durante a recuperação. O processo de recuperação do corpo humano após a cirurgia também será tratado aqui. Na sequência, será apresentado o lifting, tanto para a face como para o corpo e ainda discutiremos sobre as lipoaspirações. Encontre nesta unidade os conceitos, definições e descrições das técnicas de cirurgias plásticas bem como os cuidados e as orientações para desenvolver protocolos de atendimento. Na terceira unidade falaremos sobre as complicações em cirurgia plástica e novas tecnologias.Conheça aqui como é feita uma avaliação pré-cirúrgica para evitar complicações durante uma cirurgia. Vamos entender quais são os fatores de risco em cirurgias plásticas, as complicações pós-cirúrgicas que podemos encontrar e como a tecnologia tem influenciado na redução das complicações e na evolução dos procedimentos com o passar das décadas. Por fim, a unidade 4 tratará da atuação do esteticista e apresentará a eletroterapia e as técnicas manuais aplicadas à cirurgia plástica. Serão mostradas as técnicas e tecnologias disponíveis no mercado e também a literatura nesse sentido. Os cuidados e as orientações para desenvolver protocolos de atendimento pré e pós-operatório em cirurgia plástica também serão descritos aqui. Este é um livro fundamental para estudantes e profissionais da área estética. PREFÁCIO UNIDADE 1 Técnicas de cirurgias plásticas Olá, Você está na unidade Técnicas de cirurgias plásticas. Conheça aqui como surgiram as cirurgias plásticas, como são realizadas as técnicas das cirurgias plásticas mais comuns em todo o mundo, os casos indicados para tais cirurgias e quando são contraindicados, o procedimento cirúrgico e os cuidados durante a recuperação. A cirurgia plástica é um procedimento que requer muitos cuidados do paciente e do acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, portanto, conheça o processo de cicatrização da pele e a recuperação do corpo humano após a submissão a cirurgias estéticas. Bons estudos! Introdução 11 1 HISTÓRIA DA CIRURGIA PLÁSTICA Para compreender o avanço e a importância das cirurgias plásticas no Brasil e no mundo, falaremos um pouco sobre a história da cirurgia plástica, vista muitas vezes pela sociedade como procedimentos relacionados apenas ao embelezamento do corpo. O objetivo inicial da técnica não estava relacionado diretamente à beleza. O conceito e o fundamento das cirurgias plásticas tratavam-se inicialmente de procedimentos para correção de deformidades de diferentes situações, fossem elas originadas do nascimento ou de traumas, mas que impediam a perfeita função de um órgão ou atividade motora. Na Antiguidade, já eram realizadas cirurgias de reconstrução de nariz e reparo de traumas nos países Índia e Itália. No século XIX, ocorreu um grande avanço e diferenciação entre a cirurgia plástica estética e a cirurgia plástica reparadora, devido ao período de grandes guerras que ocorreu mesmo antes da Primeira Guerra Mundial, no século XX. No século XIX, a Guerra Franco-Prussiana, Guerra do Paraguai e Guerra Civil Americana tiveram grande proporção, já que deixaram um grande número de feridos que sofreram deformidades. Foram esses casos que originaram o início de um grande avanço da cirurgia plástica reparadora (MÉLEGA, 2011). Com o avanço da indústria e a criação das máquinas, trabalhadores por muitas vezes sofreram acidentes, o que aumentou a necessidade de cirurgias de reparo. Além disso, o avanço das cirurgias reparadoras despertou o interesse da sociedade em reparar deformidades de origem genética e, consequentemente, a correção das alterações causadas pelo envelhecimento, passando a se diferenciar a cirurgia plástica estética da cirurgia plástica reparadora (MÉLEGA, 2011). Atualmente, podemos afirmar que uma cirurgia de reparo também está relacionada com uma cirurgia estética, já que o médico cirurgião plástico tem o cuidado de tentar aproximar o resultado cirúrgico ao mais próximo do natural, para evitar alterações estéticas que prejudiquem a vida cotidiana e a autoestima do paciente. Porém, o aperfeiçoamento cirúrgico se deu ao longo de muitos anos, com o desenvolvimento de diferentes técnicas e instrumentações cirúrgicas. Portanto, as primeiras cirurgias não obtiveram resultados tão próximos à realidade de aperfeiçoamento estético como vemos nos dias de hoje. Para compreender melhor como chegamos aos resultados atuais, veremos brevemente o desenvolvimento das cirurgias plásticas. 1.1 Cirurgias de reparação É importante que o profissional que atende pacientes submetidos a cirurgias plásticas saiba diferenciar uma cirurgia somente estética de uma cirurgia de reparo, pois as cirurgias de reparo envolvem a correção de imperfeições. Por exemplo, uma cirurgia plástica no nariz pode incluir a correção de desvio de septo, uma cirurgia no abdome pode incluir uma correção de diástase 12 abdominal (separação dos músculos do abdome, geralmente causado por gravidez) ou uma remoção de hérnia umbilical. Há casos mais graves em que o paciente foi submetido a cirurgia plástica devido à remoção de tumores malignos, como por exemplo, quando há a remoção total da mama por causa de um câncer e, na mesma cirurgia, o médico já refaz uma mama pela cirurgia plástica, ou acidentes como queimaduras e outras situações que lhe causaram dor e traumas. Vale lembrar que, nessas situações, precisamos ter a compreensão de que o paciente está sensibilizado. Os profissionais que irão atender esse paciente precisam estar cientes de que se trata de um ser humano necessitado de atenção e cuidados que vão além do cuidado físico, o estado emocional interfere fortemente na imunidade, o que pode acelerar a recuperação ou deixá-la mais lenta. Neste momento, você pode estar se perguntando por que estamos falando de cirurgias de reparo, mas entramos nesse assunto porque muitas vezes o seu paciente terá feito uma cirurgia grande que inclua um reparo, ou seja, a correção de uma alteração que não se trata apenas deestética, mas de saúde, e isso interfere na recuperação do paciente. Portanto, falaremos no decorrer dessa unidade sobre cirurgias plásticas específicas, mas que podem incluir algum tipo de reparo, pois é uma tendência que se tornou muito comum. 1.2 Tendência das cirurgias estéticas Quando lemos sobre histórias da sociedade em diferentes épocas, seja através de livros, estórias em quadrinhos, filmes e desenhos, de acordo com a época e região em que eles foram criados, podemos identificar os costumes relacionados à cultura, religião, padrão social e os padrões de beleza. Desde escritos antigos, como a Bíblia, já se falavam em enfeites e vestes para embelezamento do corpo, que representavam a posição social e econômica do cidadão. No decorrer das décadas, o padrão de beleza sofreu muitas alterações de acordo com os costumes de cada localidade, porém a beleza sempre esteve relacionada, pelo menos na maioria das vezes, à forma como o cidadão seria visto na sociedade, ou seja, uma grande influenciadora do “status” social. A cor da pele, a maquiagem, o modelo e a qualidade das roupas diziam para a sociedade a posição social do cidadão. Com o passar do tempo, ocorreram muitas mudanças em relação ao preconceito relacionado ao padrão social, cor de pele e até mesmo no que diz respeito aos padrões de beleza, contudo, a busca pela beleza é incessante. Atualmente, continuam existindo padrões de beleza que levam as pessoas a procurarem tratamentos de embelezamento, e até a mudanças do corpo, como as cirurgias plásticas, modificando nariz, mama, abdome, em busca de um corpo perfeito que se encaixe nos costumes de cada cultura (MASIERO, 2015). O desenvolvimento das cirurgias plásticas e a modernização tecnológica têm favorecido a 13 evolução cirúrgica, que por sua vez tem obtido resultados cada vez mais próximos do natural. Antigamente, as mudanças do rosto ou do corpo feitas por procedimento cirúrgico eram mais visíveis e denunciavam a modificação, no entanto, nos dias atuais, podem ser feitas alterações minuciosas e quase imperceptíveis, como a blefaroplastia – cirurgia que remove excesso de pele da pálpebra – que deixa uma cicatriz quase imperceptível. As mudanças e modernidades socioeconômicas também favoreceram o acesso a cirurgias plásticas. O que em tempos mais remotos era acessível apenas a pessoas com alto poder aquisitivo, hoje é acessível a pessoas com renda mais baixa, com auxílio de empréstimos e parcelamentos (MASIERO, 2015). Há até mesmo coberturas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que favorecem o acesso a cirurgias plásticas tanto estética como reparadora, nos casos de pessoas que sofreram deformidades, ou necessitam melhorar a qualidade de vida, como por exemplo, pacientes que passaram por uma cirurgia bariátrica e com o emagrecimento apresentam muito excesso de pele, dificultando sua mobilidade. No quesito beleza e perfeição das cirurgias estéticas, a cicatriz cirúrgica final é uma preocupação importante, pois em muitos casos pode ser a única coisa que irá “denunciar” o processo cirúrgico. É uma preocupação do médico e do paciente que a cicatriz fique mais discreta possível, com aspecto fino e regular, quanto mais próximo dessas características, mais bonito é o resultado cirúrgico. Devido a essa importância, foram desenvolvidos medicamentos, pomadas e fitas com ativos cicatrizantes para colaborar com esses resultados, o que não tem custo muito acessível por serem tecnologias caras. Por ser tão importante no pós-operatório, vamos falar um pouco nesta unidade sobre os tipos de cicatriz. Assim, ao avaliar uma cicatriz cirúrgica, você saberá o quanto ela está próxima da estética natural, ou se sofreu alguma modificação indesejada e os motivos pelo quais ela pode ter ficado com aspecto inestético. 2 CICATRIZAÇÃO DA PELE HUMANA Cicatrizes são marcas na pele causadas por lesões traumáticas cirúrgicas ou não cirúrgicas. As não cirúrgicas são normalmente irregulares e, muitas vezes, não têm aspecto discreto, como são causadas por lesões acidentais, muitas dessas cicatrizes são bastante aparentes e, às vezes, desenvolvem um formato indesejado. Quando uma cicatriz é cirúrgica, há uma preocupação do médico em fazer com que a cicatriz fique regular e o menos perceptível possível. Apesar dessas tentativas, o paciente pode ter individualmente uma tendência a formar cicatrizes com algum tipo de desenvolvimento fora do natural. O processo de cicatrização é uma forma que o organismo tem para se proteger, como a pele é um órgão de proteção, quando sofremos traumas, a pele se recupera através da formação 14 de novo tecido, formando uma cicatriz. A cicatrização passa por fases, começando pela fase inflamatória: quando acabou de ocorrer o trauma e são as plaquetas e os macrófagos que entram em ação, as plaquetas irão formar coágulos para estancar o sangue e formar matriz extracelular (MEC) que permite a circulação das células com maior facilidade e dá sustentação a elas para formação de novo tecido (MÉLEGA, 2011). Os macrófagos, além de proteger contra agentes agressores como fungos e bactérias, favorecem a formação de novo tecido com a epitelização e proliferação de fibroblastos. A fase proliferativa inicia-se entre dois e quatro dias após trauma. Nessa fase, atuam macrófagos, queratinócitos, fibroblastos que favorecem a formação de tecido conjuntivo e células endoteliais. Após cinco dias, começam a se formar células que dão estrutura à pele, como o colágeno. Essa estrutura demora 21 dias para ficar pronta e, nessa fase, não se produz elastina, por isso, é um período em que a cicatriz fica sem flexibilidade, se apalparmos temos a sensação de que está densa (MÉLEGA, 2011). A fase proliferativa também é o momento de contração da cicatriz, quando se aproximam as bordas formando tecido epitelial caracterizado pela cor rosada. É aquela pele fina e rosada que vemos quando uma ferida ou um corte começa a fechar, ao que chamamos período de epitelização. Nessa fase, são produzidos diferentes tipos de fator de crescimento, um deles é o responsável pela formação de novos vasos, chamado de endotélio vascular (VEGF). Por esse motivo, a cicatriz recente tem um aspecto bastante avermelhado (MÉLEGA, 2011). Fase de remodelação ou maturação é o período em que acontece uma organização do colágeno produzido na fase proliferativa. O colágeno foi produzido de uma maneira desorganizada, o que auxilia na aceleração do fechamento da lesão com tecido epitelial. Agora, na fase de remodelação, esse colágeno sofre degradação e são formadas as fibras de colágeno, de acordo com a força de tensão local, pois essa força varia de acordo com a região da pele. Quando falamos de força, podemos entender observando as diferenças de resistência da pele nas diferentes partes do corpo, por exemplo, a pele do abdome é mais resistente do que a pele mais fina e menos resistente que existe no braço, na região que conhecemos popularmente como FIQUE DE OLHO Matriz extracelular – MEC, é um componente gelatinoso que preenche os espaços entre as células, rica em macromoléculas (colágeno, elastina e glicoproteínas). Ela permite a interação, diferenciação e proliferação celular, sendo um componente de extrema importância na formação do tecido conjuntivo (ROCHA, apud BAYNES E DOMINICKZAC, 2000). 15 “tchauzinho” (MÉLEGA, 2011). A fase de remodelação tem um período de seis a oito semanas, nesse período o volume da cicatriz diminui devido ao alinhamento das fibras de colágeno. Embora o colágeno diminua em quantidade, a pele consegue recuperar até 90% de sua força em relação à pele que não sofreu lesão. São por essas alterações que a pele onde há uma cicatriz tem maior sensibilidade e é menos resistente que uma região de pele que não tem cicatriz (MÉLEGA, 2011). A estética da cicatriz tem ligação com o tipo de cicatrização, são elas: Cicatriz de primeira intensão Ocorre quando, em um corte cirúrgico, as bordas são suturadas, ou seja, aproximadas por linha ou outratécnica para manter as bordas unidas e não há indícios de infecção. O processo de cicatrização é mais rápido devido à aproximação das bordas que requerem formação de menor quantidade de tecido fibrótico. Nesse caso, após 6h, já se inicia o processo de cicatrização (ROCHA, apud TATARUNA et al., 1998). Cicatriz de segunda intensão Acontece quando não há aproximação das bordas da lesão por perda de tecido. A cicatrização é mais prolongada em comparação à cicatrização de primeira intenção. O colágeno produzido é de má qualidade, o que pode causar hipertrofia (MÉLEGA, 2011). Cicatriz de terceira intensão ou primeira intensão retardada Sucede nos casos em que foi prolongado o início da cicatrização de primeira intenção. Antes de suturar a lesão e aguardar a cicatrização natural, foi necessário realizar uma descontaminação da lesão, podendo ser necessário curativos e antibióticos (MÉLEGA,2011). Os curativos e formas de sutura também são recursos que auxiliam uma boa cicatrização. Atualmente, os pontos são internos e, nas extremidades da cicatriz, vemos apenas os nós da linha de sutura. Além disso, são usadas fitas específicas como curativo. Veremos a partir do próximo tópico as técnicas cirúrgicas, cortes, cicatrizes e curativos de acordo com cada tipo de cirurgia. FIQUE DE OLHO A hipertrofia de uma cicatriz é causada pelo excesso de proliferação de fibroblastos da derme, decorrente de trauma ou inflamação. A cicatriz fica vermelha e elevada, mas não ultrapassa o limite das bordas (MÉLEGA, 2011). 16 3 TÉCNICAS DE CIRURGIAS PLÁSTICAS FACIAIS As cirurgias faciais incluem as técnicas utilizadas para remoção de excesso de pele do rosto, que destacam o envelhecimento e as rugas, chamada de lifting facial. As rinoplastias, que alteram o formato do nariz; blefaroplastias, para remoção de excesso de pele das pálpebras, e a bichectomia, que reduz o tamanho das bochechas. 3.1 Técnicas cirúrgicas para rejuvenescimento facial A estética do rosto é considerada um cartão de visita para as pessoas, influencia na autoestima no que diz respeito à beleza e ao envelhecimento. Em alguns casos, influencia até mesmo na funcionalidade natural de um órgão, como no caso de idosos que desenvolvem uma ptose palpebral tão significativa que chega a prejudicar o campo de visão. Às vezes, a pessoa fica sem conseguir enxergar pelas laterais dos olhos, por causa do excesso de pele. No que diz respeito à remoção de excesso de pele, as cirurgias plásticas mais comuns são lifting facial e blefaroplastia. O lifting facial é mais indicado para pessoas a partir dos 40 anos, atualmente não são feitas remoções de pele em excesso como antigamente, o objetivo é observar as partes do rosto individualmente e promover as alterações na pele de forma sutil, para que a pele mantenha uma aparência natural sem demonstrar alterações cirúrgicas. A incisão cirúrgica é iniciada no couro cabeludo, próximo a costeleta, segue para a região pré-auricular, contorna o glóbulo da orelha e, se for pequena, termina nessa região. Caso a incisão seja maior, ela pode se prolongar para a região occipital, de maneira que seja coberta pelo cabelo (THORNE et al., 2009). Para a blefaroplastia, o cirurgião avalia a órbita dos olhos, as sobrancelhas e a anatomia dos olhos, para que não ocorram alterações pós-cirúrgicas. A anatomia do rosto deve seguir a semelhança de quando o paciente era aproximadamente 10 anos mais jovem, inclusive faz parte da avaliação médica uma fotografia do paciente de 10 anos antes. A cicatriz da pálpebra superior deve ficar contida em uma das dobras do “pé de galinha”. Para isso, a marcação é feita com o paciente sentado e sorrindo, a cicatriz da pálpebra inferior fica localizada bem próxima aos cílios, é removido o excesso de pele, gordura e músculo. Trata-se de uma cirurgia delicada, que requer muita cautela médica e medidas exatas para evitar complicações (THORNE et al., 2009). 3.2 Técnicas cirúrgicas para contorno do rosto A rinoplastia é uma técnica que tem por objetivo melhorar a aparência estética do nariz, formato, tamanho e correções de alterações estruturais que prejudicam a respiração. É uma cirurgia que requer muito conhecimento anatômico e habilidade por parte do médico em relação ao músculo, pele, ossos, cartilagem e mímica facial. O nariz é uma estrutura complexa, que envolve a análise de todas essas estruturas. Nem sempre será necessário mexer em todas essas estruturas para realizar uma rinoplastia, depende da avaliação médica e das queixas do paciente (THORNE et al., 2009). 17 O pós-operatório é um pouco incômodo e requer muitos cuidados, é preciso evitar muitos movimentos, inclusive o de mastigação, se restringindo a dietas líquidas de início e progredir aos poucos. O rosto pode edemaciar e a aplicação de gelo na região dos olhos pode ajudar, a cabeça deve ficar apoiada na cabeceira elevada em 45 graus, são utilizadas gaze abaixo do nariz, enquanto não cessar a drenagem de sangue e secreções (THORNE et al, 2009). Atualmente, o tampão que se colocava no interior do nariz não é mais utilizado devido ao incômodo que causava, se usa placas de celulose retiradas após 15 dias. A sensação nesse período é de obstrução do nariz, como no período de gripe devido à cicatrização interna que forma crostas. O nariz não deve ser assoado para evitar sangramento, a recuperação ocorre após 30 dias. Uma das cirurgias estéticas mais atuais é a bichectomia, que consiste em uma técnica cirúrgica que remove o “excesso” de bochecha quando isso incomoda o paciente. A região é a de maior acúmulo de gordura na face, se estendendo da região das têmporas até a região da mandíbula. O objetivo inicial da cirurgia foi remover o excesso de gordura quando essa atrapalhava o movimento de mastigação e, constantemente, o paciente mordia a região da mucosa da boca devido ao volume das bochechas. Consequentemente, tornou-se uma cirurgia estética, por alterar o formato do rosto deixando-o mais fino (ALMEIDA, 2018). O procedimento é rápido, pode leva até 40 minutos, realizado pela cavidade oral, com pontos reabsorvíveis, apresenta edema inicial com recuperação pós-cirúrgica total de sete dias. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 4 TÉCNICAS DE CIRURGIAS PLÁSTICAS MAMÁRIAS As cirurgias mamárias têm sido uma das técnicas de cirurgia plástica mais procuradas devido à possibilidade de aumento, redução e melhora de toda a estética da mama. Alterações causadas pelo excesso de mama que prejudicam a postura da mulher, a amamentação e as remoções 18 de mama devido a tumores malignos são os principais motivos que aumentam a procura das cirurgias plásticas, também é muito comum a procura do aumento de tamanho das mamas. Cada objetivo de mudança da estética mamária requer um tipo de técnica cirúrgica, veremos a seguir as principais técnicas de cirurgias estéticas mamárias. 4.1 Mamoplastia de aumento A mama é uma região de muita importância para mulheres, ela está ligada à feminilidade, sexualidade e maternidade, o que já explica a crescente procura das cirurgias plásticas mamárias. Normalmente, o desejo pelo aumento das mamas está relacionado com o pouco desenvolvimento das mesmas, que já pode ser identificado durante a juventude, levando mulheres jovens a passar por uma cirurgia. Outro fator que leva à cirurgia de aumento é o pós-amamentação, nesse caso a pele além de ficar flácida, a alteração das glândulas mamárias faz com que a mama fique com aspecto caído e murcho, assim costuma-se realizar uma redução com aumento de mama. A mamoplastia de aumento consiste na colocação de implante de silicone para aumentar o volume das mamas. A avaliação do médico para a escolha da prótese consiste na avaliação da estrutura da pele da paciente no que diz respeito à elasticidade, firmeza e quantidade; avaliação da estrutura corpórea para que a escolha do tamanho da prótese esteja proporcional ao tamanho da paciente, evitando que efeitos indesejados, como alteração da postura e dores na colunaaconteçam caso a prótese seja muito grande, como também a quantidade de pele suficiente para suportar o tamanho da prótese é avaliada (ADAMS JUNIOR, 2013). Dentro dos padrões normais de estética e estrutura da mama, o médico avalia a opinião da paciente em relação ao tamanho da mama que ela deseja ficar após a cirurgia, e apresenta a ela os tamanhos de prótese em seu consultório, de acordo com os tamanhos para ela recomendados. Faz parte da avaliação médica explicar e escolher com a paciente o formato da mama e a localização da prótese, isso diferencia no formato da mama e na sensação e palpação da prótese mamária (ADAMS JUNIOR, 2013). Exames de palpação na mama e exames pré-operatórios a nível clínico, como os exames de sangue, fazem parte da preparação para a cirurgia. Com o resultado em mãos e a escolha da prótese, o médico começa a traçar o plano cirúrgico. A prótese no Brasil mais comum é a revestida de poliuretano e texturizada, preenchida de gel de silicone, as arredondadas e altas são para mulheres de estrutura larga, e as próteses anatômicas para as mulheres de estrutura estreita (MÉLEGA, 2011). Existem três vias de acesso para o implante de prótese mamária que o médico deve orientar a paciente para que ela opine sobre qual seria a sua preferência, de acordo com a localização da cicatriz, a estética da mama e a percepção da prótese ao tocar a mama. 19 1. Incisão transaxilar: é realizada na região da axila, para evitar cicatriz na mama, porém a implantação de prótese de poliuretano e anatômica (as mais comuns no Brasil) é mais complicada devido à estrutura da prótese (MÉLEGA, 2011). Por esse motivo, o uso da técnica não é muito comum. 2. Incisão periareolar: é realizada ao redor da aréola, mais recomendado nos casos em que a paciente deseja reduzir o tamanho da auréola, ou quando existe excesso de tecido ou formação tumoral na região, pois a cicatriz pós-cirúrgica e a posição da prótese por essa via podem prejudicar diagnósticos por exame nas mamas, ainda que a colocação da prótese seja por baixo da gordura, pode ser difícil estancar o sangramento. Por isso, é uma técnica utilizada em casos muito específicos (MÉLEGA, 2011). 3. Inframamária: esta é a mais comum das incisões. É a localizada na borda inferior da mama, uma via que facilita o campo de visão da estrutura da mama para o cirurgião. Ela permite o implante de diferentes tipos de prótese, a cicatriz pode ser escondida pelas roupas e a técnica é mais segura (MÉLEGA, 2011). Outra característica da mamoplastia de aumento é a forma que a prótese é posicionada. A escolha do posicionamento da prótese mamária está relacionada com a estrutura do corpo, como também a estética. As próteses posicionadas, antes do músculo peitoral, são apalpadas mais facilmente e, em pessoas muito magras, é possível perceber a borda do silicone durante uma palpação. A aparência é mais artificial do que quando a prótese é posicionada abaixo do músculo, pois o músculo reduz a facilidade em perceber as bordas da prótese, sem interferir no posicionando na camada de gordura da mama (ADAMS JUNIOR, 2013). A mamoplastia de aumento pode estar associada a outras técnicas de cirurgia plástica mamária, para tratar alterações inestéticas em diferentes situações, como veremos a seguir. 4.2 Mastopexia Mastopexia é a redução do volume da mama, devido a diferentes causas, como por exemplo, um desenvolvimento exacerbado da mama que ocasiona má postura, alterações de coluna e braços; pode estar associada ou não com ptose ou flacidez de pele. A mastopexia, na maioria das vezes, não é realizada junto com a colocação de prótese pois, nesse caso, a paciente deseja reduzir o volume. De acordo com o grau de ptose da mama, é escolhida a técnica de incisão para reduzir a mama. Quando a flacidez de pele é pequena, pode ser feita uma incisão na auréola e por ela ser removido o excesso de pele. Mas quando a redução da mama exige um processo cirúrgico grande, é utilizada a técnica de T invertido ou em âncora. A cicatriz é grande e a paciente precisa estar ciente do tamanho da cicatriz antes de fazer a cirurgia (THORNE et al, 2009). Antes de iniciar a cirurgia, o médico faz as marcações dos locais onde serão feitas as incisões 20 para demarcar o excesso de pele que deve ser removido, cada demarcação corresponde a um tipo de técnica. Na técnica de T invertido, as marcações são feitas em contorno da auréola, pois ela será removida durante o processo cirúrgico e as bordas da incisão são aproximadas e suturadas em volta da auréola. Quando o médico avalia a região em que serão removidos o excesso de pele, ele desenha a região da remoção em relação ao local em que devem ser aproximadas as bordas. A técnica de T invertido é assim chamada porque a sutura fica em torno da auréola, uma linha do centro da auréola até a borda da mama e outra na linha da borda da mama. Essa técnica também é chamada de âncora, pois o formato da cicatriz também se assemelha a uma âncora. Outra técnica de Mastopexia é a técnica de incisão em formato Pirulito ou Mastopexia vertical. É uma técnica que resulta no final em uma cicatriz ao redor da auréola e outra do centro da auréola para baixo na posição vertical. É recomendada para casos que precisam de menor remoção de pele. Ainda que as cicatrizes sejam grandes, quando elas são de primeira intenção, se tornam quase imperceptíveis. Com o passar dos meses, algumas inclusive ficam muito finas e quase não aparecem, principalmente ao redor da aréola e abaixo da mama. 4.3 Mastopexia com aumento Quando uma paciente está satisfeita com o volume da mama, mas o que a incomoda é a ptose da mama, o médico fará uma reorganização do volume mamário. Nesse caso, pode não ser necessária uma prótese mamária, porque o próprio volume que a paciente já tem é o suficiente. Esse processo pode reduzir a necessidade de uma mastopexia muito grande, pois reduz a quantidade de pele, mas não reduz o volume da mama. É uma cirurgia um pouco mais complexa, pelo fato de que a maioria das pacientes que se submetem ao procedimento tem uma idade mais avançada. Segundo Thorne et al. (2009), a mastopexia com aumento é mais complexa e requer mais atenção do que apenas a mastopexia, porque quando é necessário colocar uma prótese, é preciso ter muito cuidado para não prejudicar a irrigação sanguínea do mamilo. Embora seja mais dolorida no pós-operatório, a técnica mais segura é colocar a prótese mamária na posição submuscular, facilitando a irrigação sanguínea para o mamilo. Em procedimentos como a mastopexia, o mamilo é desconectado da pele reposicionado em outro lugar. Por esse motivo, há um rompimento dos vasos sanguíneos do mamilo e quando reposicionado, ele precisa formar novos vasos rapidamente para evitar necrose e perda do tecido. Algumas alterações de mama exigem, além de cirurgias de redução e aumento de mama, cirurgias mais complexas como uma reconstrução de mama e, consequentemente, de mamilo. Veremos, nesta unidade, os procedimentos para o cirurgião plástico. 21 4. 4 Reconstrução de mama e de mamilo As cirurgias de reconstrução mamária são realizadas, na maioria das vezes, em casos que a paciente foi submetida a mastectomia total, quando a mama é retirada totalmente devido ao câncer de mama. Pode acontecer que a cirurgia seja realizada no mesmo dia da retirada da mama, mas independente das condições, seja um caso mais simples ou mais grave, a paciente deve ser bem conscientizada antes de submeter a uma cirurgia tão agressiva. Os danos que ela sofre não são apenas físicos, mas um trauma psicológico. Com início nos anos 60, as próteses preenchidas com gel de silicone foram as mais seguras para reconstrução mamária. A técnica continuou se aperfeiçoando para que as mamas fossem reconstruídas com aspecto mais natural possível. Atualmente, foram desenvolvidas próteses anatômicas com uma válvula, ela ajuda a modelar a prótese para adequar à anatomia da paciente. A cirurgia para reconstrução total da mamaé mais adequada para pacientes magras, que farão as duas mamas ou apenas uma. Nesses casos, é mais fácil aproximar o tamanho das mamas (THORNE et al., 2009). A reconstrução mamária apresenta muitas particularidades, para cada caso há um perfil cirúrgico adequado. Após a cirurgia de reconstrução mamária, também é feita a reconstrução do mamilo, que deve se aproximar da cor, textura e formato do mamilo natural, o que é um grande desafio para o cirurgião. Um dos maiores cuidados do médico é medir a posição do mamilo nas duas mamas. Antes da cirurgia, a paciente também ajuda o médico a escolher a posição, indicando com uma fita adesiva a região que gostaria de ter o seu mamilo (THORNE et al., 2009). Os mamilos são reconstruídos por técnicas de retalhos, enxertos e até tatuagem. Cada caso é selecionado e fica à escolha do médico e do paciente. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 22 5 TÉCNICAS DE CIRURGIAS PLÁSTICAS ABDOMINAIS As cirurgias plásticas abdominais têm uma procura tão comum quanto as cirurgias de mama, o objetivo é remover o excesso de pele flácida acumulada do abdome. A procura é maior entre as mulheres que tiveram um grau acentuado de emagrecimento, ex-obesos e após gestações. Pode estar associada com outras cirurgias, como de mama e lipoaspiração, para remoção de excesso de gordura e modelagem do corpo, o que é muito comum acontecer. 5.1 Abdominoplastia A abdominoplastia pode ser realizada de três maneiras diferentes, quando a incisão é total, contornando praticamente toda a região de abdome e costas, chamada de abdominoplastia total. Essa técnica é mais utilizada em casos de paciente obesos que sofreram grande emagrecimento e acentuada flacidez de pele. Normalmente, a abdominoplastia é realizada com incisão de um lado a outro do abdome, essa é a mais comum das cirurgias de abdome. Outra técnica cirúrgica é a mini abdominoplastia, quando a incisão é realizada apenas na região central do abdome. Em todas essas técnicas, a incisão é feita na linha pubiana contornando a crista ilíaca, para que a roupa íntima ou o biquíni cubra a cicatriz e a paciente se sinta mais bonita sem precisar se preocupar em escondê-la. O último conceito de abdominoplastia consolidado em 1988 inclui a avaliação da existência de excesso de pele, excesso de gordura, diástase ou separação dos músculos reto e oblíquo, posição de implantação de umbigo, avaliação de alterações presentes na região supraumbilical (acima do umbigo) e infraumbilical (abaixo do umbigo). O ideal é que a cirurgia não dure mais que três horas. Porém, quando são acrescidas outras cirurgias, o tempo de intervenção aumenta (MÉLEGA, 2011). Antes de iniciar a cirurgia, é feita a demarcação das áreas de incisão com a paciente de pé. O médico faz o desenho da área que deve ser removida e as bordas que serão unidas no final do processo cirúrgico, como pode ser observado na imagem “Demarcação cirúrgica da abdominoplastia”. 23 Figura 1 - Demarcação cirúrgica da abdominoplastia Fonte: Ronstik, iStock, 2020. #ParaCegoVer: Na foto, o cirurgião está demarcando a região do abdome de uma mulher para realizar a abdominoplastia. A demarcação muda de acordo com o volume de pele que dever ser removida. Existem diferentes incisões, como a que forma um desenho de uma âncora, nos casos que necessitam grande remoção de pele (SONCINI et al., 2016), ou as incisões feitas na região pubiana, contornando todo o abdome, como representado na imagem “Suturas da abdominoplastia”. Figura 2 - Suturas da abdominoplastia Fonte: Marc Dufresne, iStock, 2020. #ParaCegoVer: A foto mostra o antes e o depois de uma abdominoplastia. Há casos em que se faz necessário refazer o umbigo, isso quando o deslocamento da pele é feito da região pubiana até a região do abdome superior próximo às costelas, quando normalmente é retirada grande quantidade de pele, e com ela é removido também o umbigo. Então, o cirurgião refaz também o umbigo (MÉLEGA, 2011). Entre as técnicas de abdominoplastia, existe a mini abdominoplastia, cirurgia que remove o excesso de pele localizado abaixo do umbigo. A incisão é pequena e feita apenas na extensão da região pubiana. 24 Finalizada a cirurgia, o paciente permanece no hospital por pelo menos 24h. Normalmente, já sai do centro cirúrgico com o dreno. Alguns médicos mantêm o paciente no hospital por três dias e já o libera sem o dreno, outros dão alta para o paciente, que vai embora com o dreno, e permanece por mais pelo menos 7 dias com ele. Essas variações acontecem de acordo com o perfil do médico e do paciente. 5.2 Cuidados no pós-cirurgias plásticas As recomendações para o pós-cirurgia plástica são basicamente as mesmas, independentemente do tipo de cirurgia a que o paciente se submeteu, como: manter alimentação saudável, não fumar, não ingerir bebidas alcóolicas, uso de cintas e meias compressivas, as quais o paciente já sai com elas do centro cirúrgico para evitar o excesso de edema. Tomar as medicações conforme orientação do médico, tomar cuidado com as limitações de movimento, como por exemplo, não dirigir, principalmente para pós-cirúrgico de mama, deve-se evitar mexer muito os braços, não pegar peso e não praticar atividades físicas. Com o acompanhamento médico necessário e os cuidados recomendados pelo médico, seguidos à risca, a recuperação é rápida, mas requer paciência, pois o paciente terá que seguir as orientações quanto ao limite de suas atividades, que aos poucos serão liberadas pelo médico. O uso da cinta compressiva ou do sutiã pós-cirúrgico é muito importante para evitar complicações e manter uma cicatriz bonita, isso vale também para o uso de fitas e curativos que devem permanecer na cicatriz conforme orientação do médico. Normalmente, após a cirurgia são colocadas microporagens nas cicatrizes, que auxiliam a cicatrização. Elas são laváveis e fáceis de secar, permanecendo na pele por dias, até a recomendação médica de troca. Também pode acontecer que o médico utilize uma cola cicatrizante em lugar de fitas, embora seja uma técnica cara, ela muito favorece a cicatrização e pode ficar na pele por até trinta dias. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 25 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • identificar casos clínicos em que há recomendação de cirurgia plástica; • conhecer as técnicas cirúrgicas para o embelezamento do rosto, plástica mamária e estética do abdome; • entender a importância da cicatrização da incisão cirúrgica e o processo de cicatrização da pele; • compreender o formato e dimensão das cicatrizes de cirurgia plástica; • aprender os cuidados pós-cirúrgicos. PARA RESUMIR ADAMS JUNIOR, W. P. Mamoplastia de aumento – Série atlas de cirurgia plástica. Porto Alegre: AMGH, 2013. ALMEIDA, A. V. V.; ALVARY, P. H. G . A bichectomia como procedimento cirúrgico estético- -funcional: um estudo crítico. Case report. J Business Techn. v.7, n.1, p. 3-14, 2018. MASIERO, L. M. Mudanças culturais: uma reflexão sobre a evolução das cirurgias plásti- cas. Revista Antropología del Cuerpo , Salamanca, n. 0, p. 62-77, jul./dec. 2015. Disponí- vel em: < https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=5192196 > . Acesso em: 3 fev. 2020. MÉLEGA, J. M.; VITERBO, F.; MENDES, F. H. Cirurgia plástica: os princípios e a atualidade. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. MENEGASSI, L.; GUIMARÃES, R. S. Cirurgia plástica estética: que expectativas são essas? Revista de Psicologia, v. 3, n. 1, p. 51-67, 1 jan. 2012. Disponível em: < http://periodicos. ufc.br/psicologiaufc/article/view/104 > . Acesso em: 2 fev. 2020. ROCHA, J. C. T. Terapia laser, cicatrização e angiogênese. Revista Brasileira em Promoção da Saúde , v.17, n. 1, p. 44-48, 2004. Disponível em: < https://periodicos.unifor.br/RBPS/ article/view/345/2044 > .Acesso em: 1 fev. 2020. SONCINI, J. A.; BAROUDI, R. Revisão da técnica de abdominoplastia com dissecção redu- zida e fixação com pontos de Baroudi. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica, v.31, n. 2, p. 166-171,2016.Disponível em: < http://www.rbcp.org.br/details/1730/pt-BR/revisao-da- -tecnica-de-abdominoplastia-com-disseccao-reduzida-e-fixacao-com-pontos-de-baroudi > . Acesso em 1 fev. 2020. THORNE, H., C.; GRABB, C., W.; SMITH, W., J. Grabb & Smith - Cirurgia Plástica. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS UNIDADE 2 Lifting facial, corporal e lipoaspiração Você está na unidade Lifting facial, corporal e lipoaspiração. Conheça aqui os conceitos, definições e descrições das técnicas de cirurgias plásticas, assim como cuidados e orientações para desenvolver protocolos de atendimento. Bons estudos! Introdução 29 1 CIRURGIA PLÁSTICA FACIAL A cirurgia é o ramo da medicina especializado no tratamento de deformidades, lesões e doenças externas ou internas, realizado por meio de operações. No contexto das possibilidades cirúrgicas, encontra-se a cirurgia plástica, que tem por finalidade a reconstituição artificial de uma parte do corpo. A cirurgia plástica é dividida em reparadora e estética. A primeira tem a finalidade de recuperar a função e restaurar a forma alterada por alguma enfermidade, traumatismo ou defeito congênito (LEAL, 2010). A cirurgia do tipo estética objetiva o embelezamento pela melhora da forma (LOPES; MEYER, 2014). A aparência física se relaciona de forma íntima com a autoestima dos seres humano e, de certa forma, torna as pessoas mais bem aceitas pela sociedade (PITANGUY, 1992). Lifting facial A face revela o íntimo de nossa expressão, é parte essencial da comunicação humana e seus traços marcam a nossa individualidade. Em razão do processo de envelhecimento, todos os tecidos da face são afetados de diferentes maneiras. A pele perde elasticidade, reabsorção de gordura, os músculos perdem tônus e volume. Além disso, os ossos perdem volume, o que leva a sua diminuição e aumento da flacidez dos tecidos moles sobrejacentes, que dependem desses para sustentação. A pele não é uma estrutura de suporte e essa é deslocada por meio da redução do tecido mole subcutâneo. Com o envelhecimento, tal tecido perde sua elasticidade, portanto aplica tração direta na pele causando maior deterioração, transformando-a em uma camada inerte, hipotônica e inatural (CAMPO, 2014). Para alcançar resultados naturais, a pele deve ser redistribuída indiretamente para reposicionamento dos tecidos moles profundos (MONTEDONIO; QUEIROZ FILHO; POUSA; PAIXÃO; ALMEIDA, 2010). A ritidoplastia possui diversos sinônimos. São exemplos ritidectomias, meloplastias, erguimento facial, lift (erguimento) facial e cirurgia de rejuvenescimento facial. Fatores intrínsecos, determinados pela genética do indivíduo, e extrínsecos, tais como exposição solar, tabagismo, radiações ionizantes etc (MONTEDONIO; QUEIROZ FILHO; POUSA; PAIXÃO; ALMEIDA, 2010), determinam a intensidade das alterações envolvidas no envelhecimento facial (PATROCÍNIO, 2006). A primeira geração foi a ritidoplastia cutânea, em que somente se remove pele. A segunda geração veio com a descrição do SMAS (sistema músculo-aponeurótico subcutâneo). Nesta, o cirurgião aplica um tratamento ao SMAS (plicatura, sutura, secção parcial, etc.), objetivando tornar mais duradoura a cirurgia. A terceira geração chegou justamente pela tentativa de se alcançar o sulco nasogeniano, que até então não era alterado pelas outras técnicas. É a ritidoplastia por planos profundos, em que se disseca profundamente ao SMAS. Porém, seu uso está cada vez menor devido aos altos índices de lesão de ramos do nervo facial (PATROCÍNIO, 2006). 30 Técnica cirúrgica A ritidoplastia pode ser realizada de forma completa ou parcial, conhecida também como mini lifting, dependendo da necessidade pelo grau de envelhecimento facial. Esta é dividida em completa, trata terço superior, médio e inferior. Terço superior ou frontal. Existe a técnica tradicional, na qual é realizado um corte na região coronal, que fica escondido na área do cabelo ou na linha do início do cabelo, e parte do tecido é ressecado. A outra técnica cirúrgica é realizada através de incisões pequenas no couro cabeludo, a região da testa é descolada, são enfraquecidos os músculos que proporcionam as rugas e as sobrancelhas são reposicionadas (SBCP, 2016). A ritidoplastia frontal videoassistida tem se revelado uma opção a mais no arsenal terapêutico do cirurgião plástico, por proporcionar o tratamento avançado das estruturas musculares, ligamentares e fibrosas da periórbita (BAKER; DAYAN; CRANE; KIM, 2007). Conjuntamente, esta forma de abordagem não altera a posição da linha de implantação do cabelo, bem como modifica o aspecto e o comportamento dinâmico da região frontal estendendo- se pela periórbita, na qual proporciona a reposição de tecidos e equilíbrio das forças musculares na região (TROILIUS, 2004). O terço médio da face (midface) é uma área da face limitada superiormente por uma linha imaginária, que une as duas suturas zigomático-frontais e inferiormente, no nível do implante dos dentes na maxilla (SCHELLINI; SAMPAIO, 2005). “Midface lift” subperiostal é uma técnica que se propõe a reorientar os tecidos da região média da face, já consagrada para correção estética do envelhecimento facial, geralmente associada a outros procedimentos como um “lifting” de toda a face (SCHELLINI; SAMPAIO, 2005). No terço inferior, os sinais característicos do envelhecimento incluem lipodistrofia, flacidez cutânea, ptose platismal, ptose da gordura submentual e glândulas salivares proeminentes (ROHRICH; RIOS; SMITH; GUTOWSKI, 2006). Na responsabilidade que nos é entregue de preparar e, posteriormente, reabilitar uma face para que este cliente possa voltar com tranquilidade à sua vida cotidiana, ter um conhecimento amplo sobre o assunto para entregar resultados com segurança é essencial. FIQUE DE OLHO O envelhecimento é inevitável por ser uma condição fisiológica. Contudo, temos tecnologias, práticas clínicas e cirúrgicas à disposição que auxiliam no processo de saúde e bem-estar. 31 Lipoenxertia facial Rostos magros tendem a parecerem mais envelhecidos. Os coxins de gordura que auxiliam na sustentação da face naturalmente vão sendo atrofiados. Uma alternativa é o uso de preenchedores ou biostimuladores de colágeno, a outra é a lipoenxertia. Esta gordura é aspirada do próprio indivíduo e injetada para melhorar o contorno facial (DORNELLES, 2013). A face pode ser dividida didaticamente em regiões anatômicas e dentro de limites precisos para lipoenxertia, cada uma delas recebendo volumes específicos de gordura em função da necessidade estética. As principais regiões lipoenxertadas são a glabela, região temporofrontal, malar, sulco nasogeniano, lábios, região mentual e rugas de expressão (MONTEDONIO; QUEIROZ FILHO; POUSA; PAIXÃO; ALMEIDA, 2010). Blefaroplastia A ritidoplastia pode vir acompanhada de outras cirurgias, que auxiliam e complementam o seu resultado, como a blefaroplastia, lifting de lábios e lifting de sobrancelhas (ISHIZUKA, 2012). Blefaroplastia é uma palavra de origem grega (blepharos refere-se às pálpebras e plástia relativo à forma), utilizada para denominar a cirurgia de rejuvenescimento palpebral. Essa cirurgia deve visar não somente aos benefícios estéticos, mas também ter um cuidado com o aspecto funcional das pálpebras. A blefaroplastia envolve a remoção da pele excessiva das pálpebras superiores e inferiores e do tecido adiposo periorbitário, que se desloca através de septos orbitários arqueados, podendo ser realizada isoladamente ou associada a outros procedimentos que completam o tratamento de sinais de envelhecimento facial (ISHIZUKA, 2012). A prevenção das complicações ou mesmo a predição das mesmas inicia-se com uma avaliação pré-operatória minuciosa (ISHIZUKA, 2012). Deve incluir uma história clínica detalhada (comorbidades, uso de medicações, antecedentes oftalmológicos, pessoais e familiares), e exame físico meticuloso(ISHIZUKA, 2012). A avaliação do aspecto psicológico do paciente e suas expectativas em relação à cirurgia são também bastante importantes (PATROCÍNIO, 2006). A programação da técnica cirúrgica a ser utilizada é baseada nas alterações anatômicas encontradas e nas queixas apresentadas, levando em conta as expectativas do paciente e as reais possibilidades cirúrgicas para melhora da estética. As complicações não são comuns e, quando ocorrem, são geralmente discretas e transitórias, como hematoma e equimose (ISHIZUKA, 2012). Entretanto, algumas vezes, podem ser definitivas, como cegueira, ou necessitarem de novas abordagens cirúrgicas para correção, como ectrópio e ptose palpebral. A posição da sobrancelha é importante tanto do ponto de vista estético quanto funcional, variando seu formato de acordo 32 com a raça, idade e gênero. Uma sobrancelha bem posicionada é sinal de juventude e beleza, havendo literatura que classifica sua posição (MIRANDA; MATAYOSHI, 2019). Classificação de posicionamento de sobrancelha, segundo Miranda e Matayoshi (2019): • Aspecto jovial e arqueamento alto da sobrancelha; • Moderado arqueamento de sobrancelha; • Leve arqueamento de sobrancelha; • Pouco arqueamento da sobrancelha, aspecto cansado e aparecimento de dobras; • Aspecto muito cansado, sobrancelha sem arqueamento, aparecimento intenso de dobras. Lifting nasolabial Assim como toda a face, os lábios também sofrem transformações com as alterações das estruturas faciais (CARDIM; SILVA; SALOMONS; DORNELLES; BOM JOS, 2011). A perda de volume e arquitetura, associada ao descenso do lábio, promove a perda de visualização dos dentes superiores, enquanto a rotação externa sofrida pelo lábio inferior permite a visualização da arcada dentária inferior, ocasionando o aspecto envelhecido (AUSTIN; WESTON, 1992). Existe uma grande procura do lifting facial pelos indivíduos que foram submetidos a grandes emagrecimentos ou gastroplastia. O rosto é uma região difícil de camuflar e, após a cirurgia, estes conseguem se encontrar como o indivíduo que era antes. É importante estar com estabilidade do peso corporal, que geralmente acontece entre 12 a 18 meses após a cirurgia (GERK, 2007). Percebe-se aumento da autoestima com a restruturação do contorno facial. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 33 Lifting corporal Uma condição constante nessa nova imagem corporal é a flacidez cutânea associada à ptose das diversas regiões anatômicas, como mamas, braços, coxas, glúteos e tronco. Ao lado do impacto psicossocial do dermatocalázio generalizado, também há implicações médicas, com doenças como o intertrigo e limitações funcionais para deambulação, micção e atividade sexual (ORPHEU, 2009). No escopo da cirurgia plástica, o tratamento do excesso de pele após perda ponderal maciça pode ser considerado desafiador, uma vez que atinge todo o corpo do paciente e requer estratégias para minimizar as complicações pelo cuidado integral, desde o planejamento das incisões até a avaliação dos resultados no período pós-operatório tardio (ORPHEU, 2009). A avaliação de resultados é complexa em cirurgia plástica, ao envolver parâmetros subjetivos e contar com poucas publicações comparativas, porém é necessária para permitir progressos (GERK, 2007). Em relação ao paciente, após perda ponderal maciça, o resultado da cirurgia plástica, seja de dermolipectomias, ou pexias de tecidos ptóticos, o que se observa no período pós-operatório tardio é a manutenção de flacideresidual em graus variados, a ponto de afligir o cirurgião, o paciente ou ambos (CINTRA JUNIOR, 2012). A perda do conteúdo gorduroso é acompanhada por modificações estruturais da derme, caracterizadas por alterações qualitativas e quantitativas de elastina e do colágeno, determinando diminuição da elasticidade do continente cutâneo, que perde a capacidade retrátil e permite a ptose das dobras (TAGLIOLATTO; MEDEIROS; LEITE, 2012). 2 DERMOLIPECTOMIA A dermolipectomia é o procedimento cirúrgico que remove o excesso de pele e pode ser realizada na região dos braços, conhecida como braquial; coxas, conhecida com crural, entre outras regiões (LEAL, 2010). Desta necessidade de remodelar o contorno corporal, entra em cena a cirurgia do contorno corporal (ROCHA, 2012). Ela é definida como uma cirurgia reconstrutiva e funcional, dados da literatura apontam que mais de 70% dos pacientes com perda maciça de peso buscam este tipo de procedimento para melhorar sua qualidade de vida (KITZINGER; ABAYEV; PITTERMAN; KARLE; BOHDJALIAN; LANGER, 2012). Dermolipectomia crural A dermolipectomia de coxa é a cirurgia plástica que tem como objetivo remover o excesso de pele e, em alguns casos, o excesso de gordura da região interna da coxa. A anestesia para este tipo de procedimento será a anestesia peridural ou geral. O tempo de internação pode variar de 24 a 34 48 horas, e vai depender muito da recuperação e orientação do médico. A cirurgia pode ser realizada de duas formas, quando existe apenas a flacidez próxima à virilha, a cicatriz fica posicionada na prega já existente nessa região. Quando a flacidez acomete toda a região entre as coxas, haverá uma cicatriz mais extensa, que poderá chegar até a proximidade dos joelhos. A extensão da cicatriz manterá estreita relação com a intensidade da flacidez e, portanto, com a quantidade de tecido a ser removido (KITZINGER; ABAYEV; PITTERMAN; KARLE; BOHDJALIAN; LANGER, 2012). Dermolipectomia braquial A flacidez dos membros superiores e da região do tórax logo abaixo das axilas é uma deformidade muito prevalente, tendo como principais causas predisposição familiar, abandono dos exercícios físicos e alterações decorrentes do processo natural do envelhecimento, e é comumente associada a perda ponderal acentuada de indivíduos obesos. A dermolipectomia de braço é a cirurgia plástica que tem como objetivo remover o excesso de pele e, em alguns casos, o excesso de gordura da região posterior do braço (ABRANTES; MAZZARONE; STEFANELLO, 2019). Essa pele, por ser muito fina, não contrai o suficiente após a perda de peso, acarretando em excesso de pele e flacidez (LIMA JUNIOR; CAVALCANTE; LIMA, 2013). Nos pacientes que tiveram grandes perdas ponderais, os membros superiores, geralmente, apresentam uma acentuada ptose dos tecidos do braço, que se localiza na região interna e inferior, estendendo-se da axila ao cotovelo, quando o braço está em abdução, determinando um exagerado contorno convexo, contendo ou não depósito de gordura (LIMA JUNIOR; CAVALCANTE; LIMA, 2013). A braquioplastia consiste no tratamento cirúrgico desta deformidade, que, na maioria dos casos, é realizada por meio de ressecções dermo-gordurosas e síntese dos retalhos por deslizamento, podendo estar ou não associada à lipoaspiração (RODRIGUES, 2013). Uma grande preocupação quanto à dermolipectomia dos membros superiores consiste na cicatriz resultante, o que certamente limita alguns cirurgiões a indicar esta cirurgia (RODRIGUES, 2013). A cicatriz tende à retração, o processo de cicatrização é lento, resultando muitas vezes em cicatrizes alargadas e aparentes (RODRIGUES; HELENE; MALHEIROS, MORENO; GUEDES, 2009). Observamos, ainda, que o processo de cicatrização é lento, sendo necessário aguardar de dez meses a dois anos para se obter uma cicatriz plana e esbranquiçada (RODRIGUES, 2013). Recomendações no pós-operatório: Evitar esforços por 30 dias. Evitar molhar o curativo durante a primeira fase (2 dias). 35 Dentre as dermolipectomias mais comuns, temos a dermolipectomia braquial e crural (RODRIGUES, 2013). Dermolipectomia braquial Nos membros superiores, a grande perda ponderal resulta em excedentes de pele e tecido celular subcutâneo que se estende do olécrano pela axila e parede lateral do tórax, lembrando o aspecto de asa de morcego (SOUTO; FREITAS; MERHEB, 2005). Lipoaspiração Alipoaspiração é a técnica cirúrgica utilizada para remoção de depósitos de gordura em locais considerados inestéticos (PINTARELLI; GOMES; ROCHA, 2014 ). Inicialmente, tinha a intenção de tratar regiões específicas, mas com os avanços da técnica, áreas maiores começaram a ser lipoaspiradas. Com isso, alterações hematológicas e metabólicas começaram a ser percebidas e algumas adaptações foram necessárias. Estas mudanças transformaram a lipoaspiração em um procedimento de extensão variável. São utilizadas cânulas, inseridas no tecido subcutâneo através de pequenas incisões posicionadas de forma estratégica. Estas cânulas podem ser acopladas em seringas ou aparelho de aspiração. promovendo sucção da gordura por pressão negativa. As regiões que são comumente operadas são mais abdômen, culote, flancos submentoniana, face interna da coxa e joelho, axilas, dorso e braço. A lipoaspiração não é indicada para tratamento de obesidade, apenas para tratamento de lipodistrofias localizadas (CARVALHO; RIBEIRO; BARBOSA; COELHO; FERREIA, 2003). A lipoaspiração passou, em mais de 20 anos de existência, de uma cirurgia pouco acreditada para uma das mais aceitas. Durante muitos anos, diversos autores publicaram diferentes técnicas colocadas em prática (ASSUMPÇÃO, 2012). A lipoaspiração, intervenção estética mais realizada no Brasil, foi definida também como a mais associada à manutenção de quadros dolorosos no pós-operatório (BENATTI; LIRA; OYAMA; NASCIMENTO; LANCHA, 2011). 36 Figura 1 - Lipoaspiração Fonte: BraunS, Istock, 2020. #ParaCegoVer: Na imagem, temos um momento cirúrgico que caracteriza a lipoaspiração. O médico está marcando com um pincel o abdome da paciente. Tipos de lipoaspiração Existem dois tipos de lipoaspiração, a seca, em que a região é aspirada sem infiltração de nenhum liquido, e a úmida, conhecida como tumescente, é injetada uma solução de soro com adrenalina, com ou sem anestésico. Com o desenvolvimento da técnica tumescente de lipoaspiração, a mesma permitiu a remoção de grande quantidade de gordura de forma mais segura. Com mais essa opção, junto ao conhecimento de que o tecido adiposo é um órgão endócrino, levou os pesquisadores a acreditarem que a lipoaspiração poderia ser um método viável para melhoria do perfil metabólico, por meio de imediata perda de massa de gordura corpórea, funcionando assim como um possível coadjuvante no tratamento da obesidade e comorbidades, associado à realização de atividade física e mudança de hábitos de vida (CARVALHO; RIBEIRO; BARBOSA; COELHO; FERREIRA 2003). Laser A introdução da tecnologia do laser na lipoaspiração inicialmente gerou muita dúvida sobre sua efetividade no tratamento do tecido, em decorrência da comercialização de equipamentos não adequados pelo comprimento de onda, sem afinidade/absorção pela água no tecido-alvo, a gordura (DORNELLES, 2013). Com a aplicação do laser no procedimento da lipoaspiração, há diminuição do trauma mecânico aos tecidos circunvizinhos, o que se traduz em menor estímulo à formação de fibrose, com diminuição do sangramento pela coagulação dos vasos sanguíneos, favorecendo o conforto pós-operatório, com recuperação mais rápida (MOTTA, 2018). Além disso, há acentuada retração tecidual, tanto imediata como tardia, pelo estímulo ao colágeno (ILUZ, 1989). 37 Vibro e ultrassônica Os avanços tecnológicos observados nos últimos anos, como o desenvolvimento da lipoaspiração ultrassônica e da vibrolipoaspiração, trouxeram benefícios ao paciente, como a diminuição do trauma tecidual, mas sobremaneira para o cirurgião, com a diminuição do estresse físico do ato cirúrgico (CARVALHO; RIBEIRO; BARBOSA; COELHO; FERREIRA 2003). Alta definição A tradicional lipoaspiração abdominal consiste em lipoaspiração da camada profunda e geralmente deixa uma camada de gordura por toda a parede do abdome, preservando a gordura subdérmica, o que minimiza irregularidades. O tratamento apenas desta camada falha em alcançar o objetivo da “barriga tanquinho”, porque a gordura subdérmica atrapalha a visibilidade dos detalhes da musculatura (MOTTA, 2018). A técnica da lipoaspiração superficial é realizada usando uma cânula fina para criar um refinamento da dobra cutânea ou sulco e foi primeiramente relatada por Illouz, para aprimorar a aparência da dobra infraglútea (ILUZ, 1989). Lipoescultura É uma evolução da lipoaspiração, porque ela permite o reaproveitamento da gordura aspirada. É possível fazer a enxertia em diversas regiões do corpo, como glúteos e sulcos da face. A anestesia depende muito da área a ser operada e do volume de gordura a ser retirado. Pode ser desde anestesia local, anestesia local com sedação, peridural ou ainda anestesia geral (CARVALHO; RIBEIRO; BARBOSA; COELHO; FERREIRA, 2003). Em 2003, foi introduzido o conceito de lipoescultura de alta definição, refinando o conceito original para uma abordagem tridimensional, na qual não apenas o abdômen, mas também as costas, braços e pernas eram tratados com a terceira geração (HOYOS; MILLARD, 2007). Indicada para quem tem objetivo de enaltecer a musculatura. Você deve estar se questionando a respeito de qual é a diferença entre lipoaspiração e lipoescultura, também conhecida como lipoenxertia. Vamos esclarecer de forma rápida e objetiva: a lipoaspiração apenas faz a retirada da gordura do corpo, e a lipoenxertia faz o reaproveitamento da gordura retirada. É possível fazer a enxertia em diversas regiões do corpo, como glúteos e sulcos da face. A anestesia depende muito da área a ser operada e do volume de gordura a ser retirado. Pode ser desde anestesia local, anestesia local com sedação, peridural ou ainda anestesia geral (CARVALHO; RIBEIRO; BARBOSA; COELHO; FERREIRA, 2003). A transferência de gordura vem sendo cada vez mais utilizada no contorno glúteo e mamário, porém a limitação volumétrica da lipoaspiração como método de colheita do material pode representar um impedimento formal para muitos pacientes, especialmente da população pós- 38 bariátrica. No entanto, como qualquer outro procedimento cirúrgico, a lipoaspiração não é isenta de complicações locais ou sistêmicas. Dentre as inúmeras complicações locais, destacam-se irregularidades na pele (visíveis e palpáveis), edema prolongado, equimoses, hiperpigmentação, alterações na sensibilidade da pele, seromas, hematomas, correção insuficiente da lipodistrofia, úlceras e necroses da pele, infecções locais, dermatites de contato, cicatrizes inestéticas e persistência do edema. E dentre as complicações sistêmicas da lipoaspiração clássica, destacam-se perfurações viscerais, reações alérgicas a medicações no intra e pós-operatório, reação febril, infecção sistêmica, arritmias cardíacas, taquicardias, anemia, choque hipovolêmico, tromboembolismo pulmonar e trombose venosa profunda, embolia gordurosa, síndrome da embolia gordurosa, sepse e, até mesmo, óbito (FRANCO; BASSO; TINCANI; KHARMANDAYAN, 2012). Invariavelmente, a mídia e a população em geral divulgam de forma maciça os casos de complicações, principalmente aqueles de maior gravidade. Dependendo da região do corpo lipoaspirada (abdômen, glúteos, braços e coxas), o repouso é indicado por mais de uma semana (ALMEIDA; MEJIA, 2020). Em geral, a paciente vai levar de um mês a dois para recuperar-se totalmente. As atividades físicas ficam restritas por quinze dias, e o banho de sol por um mês, ou até as manchas roxas desaparecerem completamente. O uso de cinta compressora é Indispensável. A cinta ajuda a pele a aderir novamente na camada gordurosa restante. Isso evita a flacidez e garante um contorno corporal perfeito. No pós-operatório é importante que se faça drenagem linfática nos locais em que a gordura foi retirada. No caso da lipoescultura, a drenagem linfática será feita apenas nas regiões aspiradas e jamais no local que ela foi implantada, porque a movimentação da gordura pela manipulação irá fazer com que essaneoformação vascular necessária não se forme (CAMPOS; BRANCO; GROTH, 2007). Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 39 3 ORIENTAÇÕES A eficiência de uma cirurgia plástica não depende somente do seu planejamento cirúrgico, mas também dos cuidados pré e pós-operatórios, que são fatores preventivos de possíveis complicações e promovem um resultado estético mais satisfatório (ALMEIDA; MEJIA, 2020). O não encaminhamento ao tratamento pós-operatório ou o encaminhamento tardio (após 25º– 30º dia de PO) podem privar o paciente de adquirir uma recuperação mais saudável, mais curta e com menos sofrimento físico e/ou psicológico, além de poderem comprometer o resultado final da cirurgia (CAMPOS; BRANCO; GROTH, 2007). Pós-operatório Sabemos que, após uma lesão, o tecido lesionado é substituído por tecido conjuntivo vascularizado, além disso, um conjunto de eventos bioquímicos se estabelece para reparar o dano e promover a cicatrização. Os eventos que desencadeiam a cicatrização são intercedidos por mediadores bioquímicos. Assim, o processo de cicatrização tem como finalidade restabelecer a homeostasia tecidual (CAMPOS; BRANCO; GROTH, 2007). Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 40 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • estudar as cirurgias faciais e corporais; • aprender sobre a evolução das técnicas cirúrgicas; • compreender a importância das orientações pré-cirúrgicas; • conhecer as indicações pós-cirúrgicas; • obter informações de segurança, risco, bem como arsenal científico confiável. PARA RESUMIR ABRANTES, D. S. E.; MAZZARONE, F.; STEFANELLO, B. Perfil epidemiológico e avaliação quantitativa da ressecção de pele em braquioplastia pela técnica de Pitanguy. Rev. Bras. Cir. Plást, v. 30, n. 3, p. 20-23, 2019. Disponível em: <www.rbcp.org.br/details/2371/ pt-BR/perfilepidemiologico-e-avaliacao-quantitativa-da-resseccao-de-pele-em- braquioplastia-pela-tecn>. Acesso em: 14 mar. 2020. ALMEIDA, I. M.; MEJIA, D. P. M. Tratamentos fisioterapêuticos no pré e pós-operatório de lipoaspiração no Brasil. 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Conheça aqui como é feita uma avaliação pré-cirúrgica para evitar complicações durante uma cirurgia. Sabemos que embora exista uma avaliação e preparação para todos os tipos de cirurgia, ainda assim, nos deparamos com intercorrências e complicações. Vamos entender quais são os fatores de risco em cirurgias plásticas, as complicações pós- cirúrgicas que podemos encontrar, e como a tecnologia tem influenciado para que elas sejam reduzidas, e a evolução dos procedimentos com o passar das décadas. Bons estudos! 47 1 COMPLICAÇÕES CIRÚRGICAS GERAIS Complicações cirúrgicas são situações que levam um paciente operado a uma situação de risco, seja essa situação simples ou grave, que pode ocorrer ainda no centro cirúrgico, ou em um recente pós-operatório na sala de cirurgia, durante a internação ou mesmo depois que o paciente teve alta. A partir do momento em que o paciente se submete a um procedimento cirúrgico, ele corre o risco de sofrer uma complicação. É certo que com o decorrer dos anos e avanço da tecnologia, muitas maneiras de prevenir complicações foram providenciadas, muitas medidas foram e continuam sendo tomadas para prevenir esses efeitos indesejados. Mesmo com o avanço da medicina no Brasil e no mundo, algumas complicações são inevitáveis, pois cabe a resposta do organismo do paciente. Entenderemos, a seguir, tais situações. 1.1 Pré-avaliação geral para prevenção de riscos De modo geral, antes de qualquer tipo de cirurgia, o paciente precisa passar por uma avaliação clínica, para saber seu estado de saúde geral, se o seu corpo está pronto para sofrer um trauma cirúrgico. Antes de mais nada, precisamos entender que qualquer tipo de cirurgia submete o organismo a um trauma, a destruição do tecido é o primeiro trauma, se destrói um tecido quando se faz a incisão cirúrgica, a lesão é um fator que facilita a entrada de microrganismos. Também se perde sangue pela incisão, o que aumenta a permeabilidade vascular, ou seja, a secreção de líquidos rico em eletrólitos e proteínas que, em excesso, leva ao edema, é a forma natural do organismo de defender da agressão. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 48 Ocorre também um aumento no metabolismo, isso porque o organismo quer se defender, então ele aumenta a produção de células, o que aumenta o consumo de energia e oxigênio. Como você pode perceber, essa é uma situação que requer um organismo preparado e saudável para sofrer alterações como essa e consiga se defender bem. O primeiro passo é uma boa avaliação com exame físico e laboratorial, que devem avaliar os exames de sangue (hemograma, glicose, colesterol, coagulação), exame de urina, exames que avaliam fígado, rim e coração. Com esses exames, o médico vai saber se o organismo do paciente está em condições de passar por um processo agressivo, que inclui sedação, anestesia, trauma físico, trauma metabólico. Paciente com anemia, por exemplo, não deve se submeter a uma cirurgia, por causa da perda de sangue, ou um paciente com uma pressão muito baixa ou muito alta, assim como um paciente diabético, que tem dificuldade para cicatrização. Para ser submetido a uma cirurgia, o paciente ainda que seja diabético ou hipertenso, precisa estar com medidas normais de pressão arterial e glicose para evitar riscos graves. Outro fator importante é a idade, quanto mais jovem o paciente, mais chances ele tem de se recuperar. 1.2 Riscos relacionados ao estressefisiológico A anestesia é um fator de risco em cirurgias devido ao estresse fisiológico que causa no organismo, isso significa que todos os tipos de cirurgia envolvem um risco em comum que é a própria anestesia, independente se ela é local, parcial ou geral, os riscos são praticamente os mesmos. Vale a pena discutirmos nesta unidade quais alterações a anestesia pode provocar no organismo e por quanto tempo ela surte efeito no corpo. Segundo Schwartzman (2011), uma das coisas mais importantes para evitar complicações cirúrgicas é realizar uma entrevista pré-anestésica, quando o anestesista e enfermeiros avaliam o paciente no centro cirúrgico antes de aplicar a anestesia. Essa avaliação busca saber os resultados dos exames pré-cirúrgicos do paciente, além de uma conversa, uma entrevista com o paciente, para coletar informações como se possui alergias, antecedentes pessoais como doenças pré- existentes, infecções e cirurgias anteriores, antecedentes familiares, como alterações e doenças na família, se foi feito corretamente o jejum pré-operatório, análise dos sinais vitais (temperatura corporal, cor da pele), análise das vias aéreas, para saber se o paciente tem alguma alteração que atrapalhe uma boa respiração durante a cirurgia. Para a classificação do estado físico do paciente antes da cirurgia, são utilizadas pelos FIQUE DE OLHO O débito cardíaco é o volume de sangue que flui pela circulação, a quantidade de sangue bombeada pela aorta é chamada de frequência cardíaca, definindo a pressão arterial que determina a quantidade e velocidade de sangue na circulação e nutrição e do corpo (PANISSI, 2017). 49 anestesistas tabelas criadas pela American Society of Anesthesiologists – ASA, como a orientação para indicar o grau de riscos que o paciente apresenta. Quanto maior for o grau de comorbidade que o paciente se classifica em relação à tabela, maior é o risco que ele corre. Em sua pesquisa, Schwartzman (2011) afirma que os fatores de risco mais comuns nas cirurgias plásticas foram o aumento ou queda de pressão arterial em pacientes com idade entre 45 e 65 anos, alguns já tinham problemas de diabetes e eram hipertensos. O quadro foi estabilizado ainda durante o processo anestésico, outras alterações envolveram problemas de tireoide, respiratório, doenças de pulmão, pacientes ex-fumantes e tempo de duração da cirurgia. Apesar de toda essa análise, podemos encontrar nos fatores de risco mais comuns as alterações respiratórias, sabemos que boa parte da população tem problemas respiratórios devido à poluição e tabagismo, além disso, é muito comum encontrarmos hipertensos e diabéticos. Os riscos de infecção estão classificados entre os mais comuns, entre as maiores preocupações está a hipotermia, pela perda significativa de sangue que pode acontecer, e pela anestesia, que prejudica a regulação da temperatura do corpo (SALDANHA, 2014). Quando se trata do tempo em que o paciente fica submetido à cirurgia e permanecer anestesiado há controvérsias entre autores, principalmente em relação às cirurgias plásticas, que é muito comum a associação com mais de um procedimento cirúrgico, como redução de mamas e abdominoplastia. Também quando está associado com lipoaspiração, um procedimento mais agressivo ao organismo. Muitas cirurgias plásticas em associação levam mais de uma hora e podem chegar em a aproximadamente 6 horas. É muito comum essa prática, pelo custo benefício do período de internação e despesas hospitalares em geral. O paciente economiza e passa por um processo de repouso de uma única vez, poupando o seu tempo de afastamento do trabalho (SALDANHA, 2014). Outro fator de risco importante que se deve dar muita atenção é o risco de trombose venosa profunda (TVP) e o tromboembolismo pulmonar (TEP), apesar de atualmente serem complicações mais incomuns de acontecer pela prevenção rigorosa, são situações que levam o paciente a um grande risco de morte. A TVP é ocasionada por um coágulo sanguíneo que se forma normalmente FIQUE DE OLHO Você pode aprofundar seus conhecimentos em relação às formas de avaliação pré-cirúrgica do paciente em: <https://www.anestesiologiausp.com.br/wp-content/uploads/graduacao/ informacoes-gerais/avaliacaoemedicacaopre-anestesica-graduacao-2010.pdf>, como entender, por exemplo, quando é seguro operar um paciente diabético. 50 nas veias de grande calibre das pernas. Pode se formar um ou mais coágulos, quando esses coágulos se formam e passam a percorrer a corrente sanguínea, em algum momento eles vão tentar passar e não vão conseguir, porque o nosso sistema circulatório é formado por veias de diferentes calibres. Quando o coágulo permanece nas pernas, ocasionam dor e edema, mas se ele se desprende, pode causar embolia no cérebro e, como consequência, um AVC. No pulmão, é a mais fatal causando TEP, que tem maior índice de mortalidade, classificada como a terceira maior causa de morte no mundo. Os pacientes que correm maior risco de formar coágulos e tromboses são os que apresentam fatores genéticos, diabéticos, tabagistas, hipertensos, que fazem reposição hormonal e que tomam anticoncepcional, nos casos de pacientes submetidos a cirurgias plásticas, a demora no procedimento é um agravante (SALDANHA, 2014). Para evitar que pacientes corram o risco de formar trombos, atualmente existem medicamentos que atuam na coagulação do sangue e são administrados antes do início da cirurgia. Em muitos casos, os médicos têm colocado bota pneumática nos pacientes nas duas pernas, essas botas fazem movimento de compressão e descompressão nos membros inferiores para que o sangue mantenha uma boa circulação mesmo durante a cirurgia em que o paciente se manterá muito tempo em repouso. No pós-operatório, o paciente mantém o uso de meias compressivas, o ideal é sempre caminhar e realizar movimentos de rotação dos pés nos momentos de repouso, para manter sempre uma boa circulação dos membros inferiores. 2 FATORES QUE FACILITAM AS COMPLICAÇÕES CIRÚRGICAS Algumas atitudes dos próprios pacientes, como mudança no hábito de vida, podem favorecer e muito a recuperação pós-cirúrgica. Existem cuidados que o paciente pode tomar para evitar desenvolver algum tipo de complicação, durante e após o processo cirúrgico. 2.1 Tabagismo e ingestão de álcool O Consumo de álcool, o tabagismo e o uso de drogas são prejudiciais à saúde e toda a população tem consciência disso, mesmo para aqueles que consomem continuamente essas substâncias. Em bulas de remédio ou quando um médico prescreve um medicamento ele avisa: não deve ser ingerido em associação a bebidas alcóolicas. Partindo do princípio que não podemos ingerir bebida alcóolica enquanto nos submetemos a um tratamento a base de medicamento, é óbvio dizer que não podemos nos submeter à uma cirurgia enquanto mantemos um ritmo de consumo de álcool ou nicotina. Ninguém pode se submeter a um procedimento cirúrgico alcoolizado ou tendo acabado de usar drogas, ou ter 51 fumado um maço de cigarro. Deve haver a conscientização da gravidade que essas substâncias podem causar durante ou depois de um procedimento cirúrgico. Acabamos de discutir as causas e a gravidade dos trombos, e um fator de alto risco para a formação de um trombo é o tabagismo. A nicotina é uma das substâncias do cigarro mais graves, pois prejudica todas as fases da cicatrização. O ideal seria que o paciente tabagista parasse de fumar por pelo menos oito semanas antes da cirurgia. Mas como para eles essa é uma situação muito difícil, é comum complicações com pacientes tabagistas, embora muitos não consigam se submeter a uma cirurgia plástica antes de parar de fumar, pois a cicatrização fica muito arriscada. A nicotina e outras substâncias tóxicas da fumaça do cigarro prejudicam a circulação sanguínea, fazendo vasoconstrição (diminuindo a quantidade de sangue), reduz a quantidade de oxigênio do sangue e dos tecidos ao que chamamos de hipóxia. Com a redução da quantidade de sangue e oxigênio, as células não conseguemmanter sua função normal, são reduzidas à presença de leucócitos, macrófagos e fibroblastos, células essenciais para a cicatrização. Sendo assim, há um alto risco de má cicatrização, cicatriz deformada e até mesmo necrose (MARTINS, 2019). Quando uma pele inicia o processo de necrose, ela fica pálida, perde a elasticidade, evoluindo para uma pele cinza escura. A região necrosada apresenta um tecido irrecuperável, visto que houve morte celular e é preciso remover o tecido necrosado para evitar contaminações e infecções da pele sadia. Se o tecido foi removido, como então ficará a cicatriz? No caso de uma pós-cirurgia plástica, não terá tecido saudável suficiente para reaproximar as bordas e suturar novamente, então é preciso um retalho, ou seja, a remoção de pele de outra parte do corpo para colocar na região que falta tecido. Nesse caso, já dá para entender que a cicatriz não vai ficar estética, ela apresentará deformidades e o paciente ainda terá outra cicatriz na região de onde foi retirado o retalho. A necrose e os trombos são as piores complicações que uma cirurgia pode apresentar, os trombos pelo risco à vida e a necrose pela deformidade e risco de infecção. Por isso, uma cirurgia em paciente que não parou de fumar ou usa drogas é totalmente desaconselhável, principalmente quando se trata de um objetivo estético, o que pode ser muito difícil ou impossível de ser alcançado. Nos casos de consumo de bebidas alcóolicas, o paciente deve suspender o consumo pelo menos duas semanas antes e duas semanas depois da cirurgia, devido a retenção de líquido que a bebida alcóolica provoca e a interação medicamentosa. 2.2 Medicamentos O paciente deve informar ao médico os medicamentos que está tomando ou deixou de tomar recentemente, pois existem medicamentos que são anticoagulantes que aumentam 52 o sangramento, o que é prejudicial em um procedimento cirúrgico. Os medicamentos de uso contínuo, como para colesterol e diabetes, geralmente não há apresentam problema de continuar, porém alguns medicamentos para o coração podem interferir no sangramento, por isso, o médico precisa saber de todos os detalhes. Inclusive os fitoterápicos a base de ervas, que muitas pessoas veem como totalmente inofensivos, podem influenciar no processo cirúrgico. A Valeriana, por exemplo, é natural, mas sedativa, e pode aumentar o efeito da sedação anestésica. O Ginsen, Ginko Biloba e Chá verde podem aumentar o risco de hemorragia. Portanto, é importante comunicar ao médico mesmo o consumo de chás e produtos naturais. 3 COMPLICAÇÕES EM CIRURGIAS PLÁSTICAS Existem complicações cirúrgicas gerais que podem acontecer em qualquer tipo de cirurgia, mas existem as particularidades de complicações para os diferentes tipos de intervenção cirúrgica, o que não é diferente em cirurgias plásticas. As diferentes incisões, o porte da cirurgia e a implantação de próteses de silicone levam consigo os riscos que veremos a seguir. Hematoma É comum no pós-cirurgias plásticas, principalmente em cirurgias faciais e lipoaspiração, devido ao impacto na região. O rompimento de pequenos vasos provoca o extravasamento de sangue nos tecidos e, consequentemente, o hematoma. Por isso, é muito comum encontrarmos hematomas em todos os tipos de cirurgia plástica. Seroma É o acúmulo de líquido entre os tecidos que foram descolados durante o processo cirúrgico. Devido ao estresse e impacto cirúrgico, o organismo produz muito edema, o seroma é um acúmulo isolado de líquido formando pequenas bolsas que se sobressaem próximo à cicatriz cirúrgica. É possível identificar o seroma no olhar, a pele fica elevada com um aspecto acolchoado ao toque e às vezes amarelada. A remoção é feita pelo médico através da punção com agulha e seringa. Para prevenir o seroma e mesmo o edema, tem sido feito pontos internos para aproximação dos tecidos descolados, com intuito de acelerar a junção dos tecidos, reduzindo o espaço entre eles e, consequentemente, acúmulo de líquido intersticial. 3.1 Complicações em cirurgias faciais As complicações cirúrgicas faciais são causadas mais comumente pela sensibilidade da pele do rosto. A face é uma região delicada, os músculos são mais sensíveis e a quantidade de gordura 53 é pequena, além disso é uma região muito inervada e sensível a impactos. O cuidado em uma cirurgia na face é maior, pode incluir também alterações em cartilagens, como na rinoplastia. O paciente tabagista jamais deve fumar durante a recuperação e mesmo antes da cirurgia, principalmente a facial, pela proximidade da pele, das mucosas e vias aéreas. Na rinoplastia, é comum o paciente ter edema, obstrução das vias aéreas e sangramento. São complicações, mas que fazem parte da recuperação da maioria dos pacientes. As complicações graves são causadas por deformidades, por inadequações à cirurgia pelo próprio cirurgião, alterando negativamente a aparência do paciente, por obstrução das vias aéreas, fazendo com que o paciente tenha dificuldade para respirar e desvios graves (TAUB, 2013). Além das complicações já apresentadas nesta aula, o lifting facial pode apresentar como complicação algum tipo de deformidade por remoção excessiva de pele, danos nos músculos, nervos ou vasos, excesso de dormência e edema. Alterações que só podem ser corrigidas e tratadas pelo médico responsável com medicamentos, drenagem e lasers. Alterações semelhantes a essas são as complicações em bichectomia e blefaroplastia, sendo que, nesse caso, a remoção do excesso de pele das pálpebras pode impedir a correta anatomia dos olhos, como o ato de piscar ou manter os olhos fechados. 3.2 Complicações em cirurgias mamárias As cirurgias mamárias são um tipo de procedimento que tem maior número de tipos de complicações cirúrgicas, pois as diferenças entre as cirurgias também são muitas, há uma variação entre aumento, redução de mama e até mesmo sua completa remoção. A colocação de prótese é um dos motivos que mais provoca complicações, pois a prótese é um corpo estranho e não sabemos como o organismo vai reagir ao entrar em contato com ela. Uma das complicações é a contratura capsular. Não existe uma definição exata para as causas dessa complicação, o que se sabe é que o organismo cria uma pele que envolve toda a prótese como se ela estivesse dentro de uma capa, há quem entenda que se trata de um estranhamento do corpo em relação à prótese e, para proteger o corpo, o próprio organismo envolve a prótese com uma camada de pele. As consequências para o paciente são dor, enrijecimento, deformidade da prótese e, consequentemente, da mama, pois o encapsulamento envolve e contrai a prótese. Nem sempre a contratura chega a ser tão severa a ponto de perceber a deformidade, há casos em que a contração é pouca e não precisa trocar a prótese (THORNE, 2009). O rompimento da prótese é uma alteração rara, mas que pode acontecer mesmo depois de anos, isso pela formação de fissuras ao redor da prótese. Nesse caso, é preciso fazer a substituição por outra prótese. Quando acontece o rompimento da prótese, a paciente sente dor, pode ter hematomas, às vezes redução do volume da mama ou deformidade (THORNE, 2009). 54 Infecções são raras, mas podem acontecer não somente nas cirurgias de mama, mas em todas as cirurgias plásticas. Elas colocam em risco a vida do paciente e acontecem normalmente por falta de correta assepsia de instrumentais. Causam febre, dor, vermelhidão na região inflamada, secreção com pus, edema e calor. No caso de implantes mamários, se a infecção é por microrganismo, a prótese deve ser removida e o paciente tratado por um período de três a seis meses. A recolocação da prótese deve ser feita somente após alguns meses ou anos (THORNE, 2009). 3.3 Complicações em cirurgias abdominais Cirurgias plásticas abdominais são as mais procuradas pela população. É um tipo de cirurgia que, na maioria das vezes, pode apresentar complicações de origem grave, isso porque podem ocorrer infecções, seroma, necrose, hematoma, edema e tromboses.Complicações específicas da cirurgia abdominal são as assimetrias de um lado em relação ao outro, e as pregas, que podem se formar quando a cirurgia sutura a cicatriz. Dependendo da qualidade da pele, pode acontecer de ficarem algumas sobras como um franzido próximo à cicatriz. Para evitar o excesso de acúmulo de líquido e muito edema, os médicos têm aplicado a técnica de pontos internos para unir os tecidos, como os realizados na face. Para evitar a formação de aderência (enrijecimento da pele evoluindo para fibrose) e fibroses (nódulos de fibras de colágeno), os cirurgiões recomendam o uso de cintas compressivas e drenagem linfática manual. Evitando alterações inestéticas, às vezes invisíveis na aparência, mas perceptíveis ao toque e podem causar dor. 3.4 Complicações em lipoaspiração A lipoaspiração é a cirurgia estética que apresenta um dos maiores graus de risco, perde apenas para a abdominoplastia e cirurgias faciais, por ser uma cirurgia agressiva e que envolve um procedimento cirúrgico arriscado, as cânulas do procedimento. O maior risco de complicação é o exagero na quantidade de gordura aspirada, limitada a remoção de 5 litros. Segundo Saldanha (2014), estudos comprovam que a remoção de gordura, na maioria das vezes, é de 2,5l e dificilmente um médico chega a remover 5 litros. Isso significa que os profissionais têm trabalhado dentro do padrão de segurança. Outro fator de risco é a infecção por bactéria, causada por falta de higienização adequada dos instrumentais, análise malfeita do perfil do paciente e alta precoce. A perfuração do abdome é uma complicação incomum, mas que já aconteceram por vezes devido a uma má avaliação do paciente, que é portador de hérnia umbilical, hérnia abdominal e vários tipos de variações causadas por cirurgias anteriores e o cirurgião desconhece antes de realizar o procedimento. São conhecidos também casos em que foram perfurados fígado, baço, órgão vitais e grandes vasos, o que pode causar a morte. Para evitar essa situação, o médico 55 precisa prestar atenção na posição do paciente na mesa de cirurgia, acompanhar a cânula com a mão e prestar atenção na sua angulação (MÉLEGA, et. al. 2011). Segundo Mélega et. al. (2011), é dever do médico realizar procedimentos cirúrgicos que não coloquem em risco a vida do paciente, se a lipoaspiração é realizada dentro dos padrões de segurança, ela não causará nenhum dano ao paciente. A lipoaspiração é um procedimento realizado para melhorar o contorno corporal e não para emagrecer o paciente. Para se submeter à lipoaspiração, o paciente precisa ter um limite mínimo de gordura e não pode estar obeso. O médico deve realizar a remoção de gordura, mas deixar uma capa gordurosa entre a pele e o músculo de pelo menos 5cm, para que a pele não cole no músculo e deforme a aparência do abdome. 4 ALTERAÇÕES CICATRICIAIS As cicatrizes são uma parte importante para os pacientes de cirurgia plástica, quase todas as pessoas se preocupam em ficar com uma cicatriz mais próxima ao tom da pele e bem fina. Porém, nem sempre isso é possível. Observe na imagem a seguir a representação em figura das cicatrizes. A primeira imagem é um tipo de cicatriz comum na acne, na qual há perda de tecido e a cicatriz fica atrófica, abaixo da superfície da pele; a segunda figura representa uma queloide, cicatriz em alto relevo e que ultrapassa as bordas da lesão; a cicatriz seguinte é uma contratura, são as cicatrizes de queimadura que ficam com uma aparência de encolhida pela retração da pele; a quarta figura são as marcas de estria, elas também são cicatrizes causadas pelo rompimento das fibras de colágeno; a última é uma cicatriz hipertrófica, formada em alto relevo, mas não ultrapassa as bordas da lesão. 56 Figura 1 - Tipos de cicatrizes Fonte: Scio21, Shutterstock, 2020. #ParaCegoVer: A imagem mostra o desenho de uma mulher com cicatrizes do tecido tegumentar. De acordo com as cicatrizes que encontramos na cirurgia plástica, vamos agora obter uma definição de cada uma delas: Deiscência: é a abertura da sutura cirúrgica de forma espontânea, que pode acontecer após a remoção de pontos, causada por inflamações das bordas da cicatriz, retirada precoce dos pontos ou meio do organismo expulsar acúmulo de líquido próximo a cicatriz, como o seroma (THORNE, 2009). Alargamento da cicatriz: após a cirurgia, a pele leva algumas semanas para recuperar sua resistência, por isso, o paciente deve manter repouso. O excesso de movimento e o estirar da pele da região podem levar ao alargamento da cicatriz por falta de elasticidade da pele (THORNE, 2009). 4.1 Cicatriz hipertrófica Tipo de cicatriz que fica elevada devido ao excesso de produção de colágeno, excesso de fibroblastos. Pode ser confundida com um queloide, mas a cicatriz hipertrófica se limita às bordas da lesão e não a ultrapassa. É um tipo de cicatrização da genética do paciente, normalmente a pessoa já tem uma tendência em formar cicatriz hipertrófica. 57 4.2 Queloide O queloide, assim como a cicatriz hipertrófica, tem uma grande proliferação de fibroblastos. É uma cicatriz que ultrapassa as bordas da lesão e se forma também em cima da pele íntegra, sua coloração é mais escura que a pele sã, geralmente tem uma origem genética e etiológica, muito comumente com uma tendência a se formar em pele afrodescendente (THORNE, 2009). Existe tratamento para o queloide, mas não é definitivo, apenas reduz o risco de formação queloidiana. 4.3 Cicatriz acrômica A cicatriz acrômica, normalmente cicatriza de forma regular, mas apresenta uma alteração em sua coloração e cicatriza sem pigmento, ficando mais clara que a cor natural da pele. A imagem a seguir mostra uma cicatriz acrômica, repare sua regularidade e a diferença de coloração em comparação à pele íntegra. Figura 2 - Cicatriz acrômica Fonte: Iri-s, Shutterstock, 2020. #ParaCegoVer: A imagem mostra uma foto real de uma cicatriz acrômica. Para tratar as cicatrizes e reduzir os riscos de complicações, a tecnologia tem favorecido muito. Veremos, a seguir, algumas das novas tecnologias em cirurgia plástica. 5 NOVAS TECNOLOGIAS EM CIRURGIA PLÁSTICA A princípio, as cirurgias plásticas foram desenvolvidas para reconstruir tecidos e partes do corpo deformadas por acidentes, balas, tumores, queimaduras e de formação. Durante os processos cirúrgicos e o pós-operatório, foram observados os efeitos estéticos indesejados e as complicações cirúrgicas, surgiram as técnicas de retalho, novas medicações e novos curativos. Com o passar dos anos, as técnicas foram se aperfeiçoando e evoluíram para os objetivos de melhora estética, que não estão ligados às deformidades, mas unicamente com intuito de embelezamento. 58 As cirurgias plásticas, como já vimos, apresentam complicações como outras cirurgias, mas a tecnologia melhorou muito todos os procedimentos, principalmente em relação ao desenvolvimento de curativos, próteses e materiais cirúrgicos. 5.1 Novas técnicas cirúrgicas Os avanços tecnológicos modificaram algumas técnicas em cirurgias plásticas que favorecem a segurança do médico, paciente e a recuperação pós-operatória. As cirurgias abdominais que antigamente descolavam toda a pele do abdome e aumentavam os riscos de complicações, atualmente possuem outras técnicas de incisão e, associadas à lipoaspiração, reduzem a necessidade de descolamento de muita pele para reduzir gordura. A associação entre cirurgias, também foi um fator que favoreceu médico e paciente, porque reduz o número de cirurgias a que o paciente é submetido, como por exemplo, associação das cirurgias de remoção de tumores mamários com a reconstrução da mama. Apesar de ser uma cirurgia que tem maior índice de complicações, a abdominoplastia já provocou maiores complicações no passado. Mesmo com a melhora nesses dados, devido à evolução nas técnicas cirúrgicas, ainda é comum os casos de seroma. Para reduzir esse índice, foi desenvolvida a técnica de Baroudi. Alguns estudos mostram que a técnica reduziua incidência de seroma em pacientes submetidos à abdominoplastia, vale ressaltar que os pacientes submetidos a técnica de Baroudi não usaram dreno e, no pós-operatório, usaram malha compressiva e realizaram drenagem linfática (COSTA, 2018). A técnica de Baroudi consiste na introdução de pontos na região em que aconteceu o descolamento da pele, para estabilizá-la, aproximar as estruturas internamente, acelerando a cicatrização e prevenindo os seromas. Os pontos formam uma rede hemostática, é visível por fora da pele formando um desenho de rede, mas são pontos que não deixam cicatriz, e são mantidos por apenas 48 horas (AUERSVALD, 2012). Atualmente, estuda-se uma técnica em que se utiliza a própria gordura do paciente removida pela lipoaspiração para reconstruir a mama, repondo gordura retirada durante a remoção de tumores de mama, ou em reconstruções faciais. A própria gordura do corpo também é usada para melhorar o contorno corporal, já que é rica em células-tronco, facilita a regeneração da pele. Com uma cicatrização mais rápida e de maior qualidade, o paciente se recupera com mais segurança, reduz o risco de complicações e os resultados são melhores (OHANA, 2011). A cânulas cirúrgicas utilizadas na remoção de gordura durante a lipoaspiração também se modernizaram, com o uso de cânulas o médico consegue aspirar gordura de regiões pequenas e mais sensíveis como braços e axilas, além disso, aumenta a segurança para o paciente e reduz o impacto no organismo. Há relatos médicos de que a modernidade das cânulas provoca menos dor e menos agressão ao corpo. 59 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 5.2 Próteses A criação de próteses mamárias foi um grande marco na evolução das cirurgias plásticas, pelo auxílio que proporcionou na reconstrução. Inicialmente, aconteceram muitos testes, ocorreram problemas de rejeição em maior número que atualmente, devido ao material utilizado em sua fabricação. Casos de rompimento de prótese eram mais frequentes, até surgirem as próteses mais modernas, mas que deveriam ser removidas após cinco ou dez anos. Hoje, contamos com próteses que não necessitam de troca, tudo isso favorecido pela tecnologia. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 5.3 Recursos de curativo Os curativos são importantes para manter no lugar a cicatriz, evitar a contaminação, alargamento e mesmo a abertura de pontos. Alguns tipos de curativos evitam que ocorra 60 vazamentos pela cicatriz o que evita a sua abertura e contaminação. Existem curativos que são fitas microporosas, que podem ser lavadas no banho e que secam facilmente. O auxílio de secador de cabelo ajuda bastante a manter a integridade da fita e da cicatriz. Esse tipo de fita é uma das mais utilizadas por cirurgiões plásticos, são práticas, o paciente não precisa trocar em casa, somente nos retornos com o médico. O uso da fita é suspenso somente após a retirada de pontos e quando a cicatriz está bem estabilizada. Existe o curativo por fitas de silicone gel, normalmente recomendado após a retirada dos pontos. O objetivo é melhorar a cicatriz e impedir a formação de hipertrofias e queloides, a fita é feita a base de água, que não permite o ressecamento da pele, e algumas ainda apresentam algum tipo de ativo cicatrizante. As fitas podem ser usadas em toda a extensão da cicatriz, existem algumas, como as de mama, que são fabricadas já em forma de T para serem colocadas na cicatriz de mama. Elas podem ser lavadas e deixadas para secar em cima de papel absorvente, não perdem a cola e a indicação de uso é para cerca de três a quatro meses (RADWANSKI, et. al. 2010). As fitas de silicone têm comprovada a sua eficácia na melhora das cicatrizes em relação aos pacientes que não usam, ou usam apenas a fita de micropor, além disso, os índices de alergia são muito menores em relação ao uso diário de micropor (RADWANSKI, et. al. 2010). Outro tipo de curativo são os feitos como consistência de cola, são eficazes para impedir a contaminação pela cicatriz, evitar vazamentos e para manter uma cicatriz fina evitando alterações indesejadas. Porém, não dispensam os fios de sutura para fechamento de corte, a cola somente não tem a eficácia de manter a integridade de cortes mais profundos e pode aumentar o risco de reação alérgica e toxicidade. 5.4 Mudanças no pós-cirúrgico Com a modernidade e a evolução dos estudos, as mudanças no pós-operatório também foram acontecendo. O uso de malha cirúrgica e as espumas de compressão foram se aperfeiçoando com o tempo, atualmente são muitos os modelos de malhas cirúrgicas para as diferentes partes do corpo. As cirurgias de mama contam com malhas compressivas específicas para as mamas, como tiras e sutiã, evitando ao máximo os movimentos da mama, que podem interferir na posição da prótese e nas cicatrizes. Como podemos ver na imagem a seguir, existem três níveis de largura no sutiã pós-cirúrgico e a paciente ainda conta com uma fita para fixar acima da mama e mantê-la imóvel. É importante para que a paciente, aos poucos, retome suas atividades com mais segurança e, acima de tudo, evite a formação de edemas e seromas. 61 Figura 3 - Sutiã pós-cirúrgico Fonte: Vasilii Kireev, Shutterstock, 2020. #ParaCegoVer:A imagem mostra uma foto real de uma mulher ajustando um sutiã pós- operatório feito com malha cirúrgica compressiva. As recomendações médicas também mudaram em relação aos cuidados pós-cirúrgicos. Hoje, com o uso das fitas cirúrgicas de micropor laváveis, as pacientes são liberadas para tomar banho no dia seguinte, em outras épocas os pacientes ficavam até uma semana sem banho. A recomendação de drenagem linfática manual, em alguns casos, a paciente só poderia iniciar depois de um mês ou sete dias. Hoje algumas recebem drenagem ainda no período de internação e, na maioria das vezes, são liberadas para o procedimento depois de três dias de pós-operatório. Outros detalhes mudaram em relação ao repouso, as pacientes que antes ficavam muito tempo na cama, tinham mais chances de trombose e fibrose. Hoje sabemos que é importante que o paciente se movimente para estimular a circulação do sangue, drenagem de líquidos, evitando edema e riscos de trombose. As tecnologias, pesquisas, desenvolvimento da indústria farmacêutica e da medicina têm favorecido para a prevenção de riscos e recuperações mais rápidas em cirurgias plásticas estéticas e de reconstrução. 62 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • identificar as complicações cirúrgicas de acordo com as diferentes cirurgias; • conhecer os riscos de um procedimento cirúrgico; • estudar situações que podem levar o paciente a óbito durante ou após uma cirurgia plástica; • aprender a analisar os padrões de segurança pré-cirúrgicos; • compreender os diferentes tipos de cicatrizes; • conhecer tecnologias que favoreçam a segurança nos processos cirúrgicos. PARA RESUMIR AUERSVALD, A.; LUIZ A. AUERSVALD, L. A. Rede hemostática para a prevenção de hematoma e seroma em cirurgia plástica. Arquivos Catarinenses de Medicina , v.41, s.01, 2012. Disponível em: < http://www.acm.org.br/revista/pdf/artigos/1176.pdf> . Acesso em: 20 fev. 2020. COSTA, R. G. S; et al. A técnica de Baroudi-Ferreira reduz o seroma pós-abdominoplastia? Revista Brasileira de Cirurgia Plástica. v.33, n.2, p.150-155, 2018. Disponível em: < http:// www.rbcp.org.br/details/2034/pt-BR/a-tecnica-de-baroudi-ferreira-reduz-o-seroma- pos-abdominoplastia> . Acesso em: 20 fev. 2020. MARTINS, J. M. P. Uso de células-tronco derivadas de tecido adiposo para redução de complicações da cicatrização cutânea em indivíduos tabagistas: um modelo experimental em ratos. Rio Grande do Sul, 2019. 84 f.Dissertação (Mestrado). Faculdade de Medicina – Universidade Federal do Rio Grande do Sul. MÉLEGA, J. M.; VITERBO, F.; MENDES, F. H. Cirurgia plástica: os princípios e a atualidade. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. OHANA, B. M. B. Enxerto de gordura em reconstrução mamária. Revista Brasileira de Cirurgia Plástica.v.26, p.1-102, 2011. Disponível em: < http://www.rbcp.org.br/ details/986/enxerto-de-gordura-em-reconstrucao-mamaria > .Acesso em: 20 fev. 2020. PANISSI, C. R. A. L. 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UNIDADE 4 Atuação do esteticista, eletroterapia e técnicas manuais aplicadas à cirur- gia plástica Você está na unidade Atuação do esteticista, eletroterapia e técnicas manuais aplicadas à cirurgia plástica. Conheça aqui técnicas e tecnologias disponíveis no mercado, assim como cuidados e orientações para desenvolver protocolos de atendimento em cirurgia plástica no pré e pós-operatório. Bons estudos! Introdução 67 1 ESTETICISTA Com o crescimento das áreas estética e cosmética, o mercado de trabalho exige profissionais que estejam altamente capacitados e informados, não só para aplicação dos serviços oferecidos, mas também com cuidados às normas de biossegurança. 1.1 Formação acadêmica A formação do esteticista tem evoluído ao longo dos anos. Estão disponíveis os cursos técnicos, tecnólogos, graduações e pós-graduações na área (GOES; BARRETO, 2019). Durante o percurso acadêmico do estudante de estética, diversas disciplinas teóricas e práticas são-lhe apresentadas com o objetivo de torná-lo capacitado intelectualmente e tecnicamente para exercitar com propriedade e segurança a profissão (GOES; BARRETO, 2019). Entretanto, um bom profissional precisa, além do conhecimento acerca dos inúmeros procedimentos que a profissão permite que sejam por ele realizados, possuir consciência e reflexão no tocante aos valores éticos, tanto no contato direto com o cliente, como no ambiente de trabalho, na biossegurança, no contexto comercial e no sigilo profissional (GOES; BARRETO, 2019). 1.2 Profissão O papel do esteticista é fundamental nas equipes interdisciplinares, podendo contribuir de forma coadjuvante nos tratamentos prescritos pelo médico, inclusive, opinando e sugerindo técnicas complementares ao tratamento, possibilitando resultados mais eficazes e atuação mais ética (BRITO, 2010). Hoje, com a alta tecnologia cosmetológica e com o avanço técnico da estética, temos obtido apoio de muitos médicos dermatologistas, cirurgiões plásticos, endocrinologistas, angiologistas (BRITO, 2010). Estes solicitam profissionais qualificados para atuar em seus consultórios, desenvolvendo atividades que vão desde uma limpeza de pele, com o objetivo de se retirar impurezas, ou o afinamento da camada córnea, até o uso de ácidos permitidos pela vigilância sanitária. O tecnólogo em estética é um profissional formado para interagir com diversas especialidades, com relação de interlocução e harmonia (BRITO, 2010). Sua esfera de atuação é determinada pelos outros campos profissionais do setor da saúde, mas sua autonomia é muito abrangente no que FIQUE DE OLHO É de grande valia sempre estar a par de tudo que acontece na área da estética. Principalmente no que se refere a novas resoluções, regras e assuntos pertinentes. 68 se refere ao processo de preservação da beleza para o bem-estar físico e psicológico do cliente (BRITO, 2010). O esteticista tem um papel fundamental em prevenir e solucionar os problemas que afetam a saúde e a beleza do tecido cutâneo (BRITO, 2010). Diante de tantas tecnologias, o homem moderno tem que se adaptar à realidade de conviver com novos desafios (BRITO, 2010). Dessa forma, há a necessidade vital da educação continuada para os docentes da educação profissional, já que esse professor é o “profissional dos profissionais” (GOES; BARRETO, 2019). A Vigilância Sanitária exige que os estabelecimentos garantam aos clientes segurança nos atendimentos e faz exigências específicas quanto à infraestrutura do estabelecimento, procedimentos realizados, esterilização dos materiais, biossegurança e outros itens. Sendo assim, para que seja liberado o funcionamento do estabelecimento é necessário o Alvará Sanitário ou Licença Sanitária, que é um documento expedido pelo órgão sanitário Municipal, Estadual ou do Distrito Federal que libera o funcionamento dos estabelecimentos que exerçam atividades sob o regime da Vigilância Sanitária (GOES; BARRETO, 2019). 1.3 Biossegurança No contexto da estética, a biossegurança tem o objetivo de controlar e minimizar os riscos químicos e biológicos (GOES; BARRETO, 2019). Para tanto, destaca-se a importância do uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), da higienização das mãos, do descarte de materiais perfurocortantes, da cobertura vacinal e do processamento de dispositivos usados na prática (GOES; BARRETO, 2019). A biossegurança abrange também cuidados que incluem os Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC), desinfecção e esterilização de todos os instrumentos não descartáveis, sejam perfuro cortantes ou não, além de cumprir as regras definidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), no tocante ao armazenamento, controle de produtos e manutenção dos equipamentos (GOES; BARRETO, 2019). 69 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 2 EQUIPE MULTIDISCIPLINAR O profissional da estética apresenta como principal competência a garantia do bem-estar do indivíduo, apresenta-se como um trabalho dinâmico, devido às inovações e modas, retrata como principal característica, a facilidade de inserção no mercado de trabalho, devido ao constante crescimento e desenvolvimento dessa área (SDREGOTTI; SOUZA; PAULA, 2010). Portanto, a atuação do tecnólogo em estética, quando trabalhada em parceria, complementa a atividade médica, pois visa endossar as indicações feitas pelo cirurgião, oferecendo ao paciente apoio e orientando o mesmo quanto à utilização de técnicas, recursos terapêuticos e cosméticos mais indicados (SDREGOTTI; SOUZA; PAULA, 2010). Dessa forma, um resultado tranquilo e seguro é obtido pelo paciente pós-operado, facilitando seu processo de recuperação (SILVA; MEJIA, 2012). 2.1 Atuação do esteticista na cirurgia plástica Ultimamente, a cirurgia plástica tem alcançado grande divulgação e enorme refinamento de suas técnicas (SILVA; MEJIA, 2012). Com o aumento do número de cirurgias plásticas e de informação a seu respeito, surgiu anecessidade de oferecer aos pacientes novas formas de suportar melhor, e com mais qualidade, o pós-operatório e evitar, assim, possíveis complicações (SILVA; MEJIA, 2012). Para tal objetivo, fez-se necessária a integração de profissionais em uma equipe multidisciplinar (SOUZA; BRAZ; CARVALHO; ALVARENGA, 2015). Com a crescente integração do profissional esteticista com outros profissionais da saúde em clínicas e consultórios de cirurgia plástica, sua participação nos cuidados pré e pós-cirúrgicos tornou-se mais pronunciada, operando em diferentes recursos terapêuticos envolvidos nos cuidados com a cirurgia plástica (ROMÃO, 2016) . 70 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: O pós-operatório é o período compreendido entre o momento em que o paciente sai da sala de operações e o dia do retorno de suas atividades normais, sem um tempo preciso cronologicamente, pois depende do tipo de intervenção praticada (ROMÃO, 2016). É dividido em três etapas especiais: imediato, mediato e tardio (ROMÃO, 2016). • Pós-operatório imediato Compreende as primeiras 12 a 24 horas após o término da cirurgia. • Pós-operatório mediato Inicia-se após as primeiras 24 ou 48 horas e se desenvolve por um período até o dia da alta hospitalar. • Pós-operatório tardio Sucede após os primeiros sete dias e dura até a completa cicatrização das lesões (SOUZA; BRAZ; CARVALHO; ALVARENGA, 2015). 3 AVALIAÇÃO É no preenchimento da ficha de anamnese que o profissional tem o primeiro contato com os dados informativos e anseios do cliente (SOUZA; BRAZ; CARVALHO; ALVARENGA, 2015). É quando, sob forma de entrevista, que deve ser feita sem pressa, o profissional coleta as informações necessárias que, analisadas, determinarão o melhor procedimento a ser realizado (SOUZA; BRAZ; CARVALHO; ALVARENGA, 2015). 71 As queixas mais comuns dos pacientes no pós-operatório são: inchaço; incômodo com nódulos fibróticos (MOREIRA; TAVARES, 2012); ansiedade para recuperar-se e dores. No planejamento do trabalho no pós-cirúrgico, devemos levar em consideração os seguintes tópicos: Características apresentadas na avaliação (COSTA; MEJIAH, 2014): Análise do trofismo cutâneo e muscular; Análise do edema; Análise da cicatriz; Análise da dor e sensibilidade; Tipo de cirurgia realizada; Tempo de pós-operatório. 3.1 Recursos terapêuticos As orientações podem variar de um cirurgião para outro, mas os aspectos essenciais são observados pela maioria, contudo, a colaboração do paciente é determinante no sucesso de qualquer tipo de procedimento (TACANI; ALEGRANCE; ASSUMPÇÃO, 2005). Entre outros recursos utilizados no pós-operatório estão: Drenagem linfática; massoterapia, liberação tecidual funcional, agentes térmicos, crioterapia, calor, ultrassom, microcorrentes, corrente galvânica, cinesioterapia (MACEDO; OLIVEIRA, 2010). 4 ELETROTERAPIA APLICADA À CIRURGIA PLÁSTICA No pré e pós-operatório de cirurgias plásticas, o uso da eletroterapia e técnicas manuais são imprescindíveis para se ter bons resultados. Laser de baixa potência A laserterapia pode auxiliar na resolução do processo inflamatório, estimulando a liberação de substâncias pré-formadas como histamina, serotonina e inibindo a formação de bradicinina, atuando similarmente às drogas anti-inflamatórias. 72 Ao mesmo tempo, atua na cicatrização através da reepitelização a partir de restos basais, melhora a troficidade tissular a partir do estímulo da produção de ATP (MELO; MEJIA, 2011). Secundariamente, proporciona estímulo da microcirculação através de mediadores químicos. Atualmente, o uso do laser encontrou aplicabilidade na aceleração seletiva de diversos processos e funções celulares, entre os quais a cicatrização e o reparo de feridas (DETERLING, 2010). No pós-cirúrgico, o laser de baixa potência é um instrumento de seleção por suas interações atérmicas com os tecidos biológicos (DETERLING, 2010). O uso desse equipamento nas primeiras 24 horas promove os melhores resultados, pois é nessa fase que se observa maior afluência de elementos defensivos e um elevado número da mitose das células do estrato germinativo na área lesada (DETERLING, 2010). Tudo isso provocará a retirada precoce dos detritos tissulares da lesão, favorecendo a redução de edema, por consequência a redução da dor, e acelerando o processo de cicatrização (ALENCAR; MEJIAH, 2007). Em suas discussões, descreve que o “laser após uma lesão da pele possibilita a angiogênese, estímulo da mitose celular, regulação dos fibroblastos, normalizando a produção de fibras elásticas e colágenas, impedindo a ocorrência de queloides, hipertrofias e alargamentos.” O protocolo de aplicação desse recurso utiliza (MACEDO; OLIVEIRA, 2010) “densidades de energia para as ações de aumento da circulação e diminuição da dor, restringem-se à faixa de 2,0 a 4,0 Jcm², sendo aumentadas para 6,0 a 8,0 Jcm² nos casos de regeneração e/ou cicatrização tecidual. Indicações (COSTA; MEJIAH, 2014): Diminuição do edema local; Diminuição de lesões; Diminuição do processo inflamatório; Implantação de baixo custo, entre outros. Entre os efeitos bioquímicos que o laser apresenta podemos citar: Estímulo à liberação de histamina, serotonina e bradicinina; Produção de ATP; Síntese de prostaglandinas; 73 Aumento do número de leucócitos e da atividade fagocitária; Vasodilatação capilar e arterial; Ação fibronolítica e antibactericida. “A ação do laser após uma lesão de pele possibilita a angiogênese, estímulo da mitose celular, regulação dos fibroblastos, normalizando a produção de fibras elásticas e colágenas, impedindo a ocorrência de queloides, hipertrofias e alargamentos” em alguns resultados apresentados em estudos experimentais, especificamente ao processo de cicatrização, são válidos tanto para laser HeNe, quanto para AsGa, porém existe maior ênfase nos estudos da ação do laser HeNe, nas diversas alterações de pele (COSTA; MEJIAH, 2014). 4.1 Ultrassom “Ultrassom refere-se às vibrações mecânicas, essencialmente as mesmas das ondas sonoras, mas com uma frequência mais alta (COSTA; MEJIAH, 2014). Essas ondas situam-se fora da audição humana e, portanto, podem ser chamadas de ultrassonoras (COSTA; MEJIAH, 2014). O ultrassom pode e deve ser usado nas diferentes fases de reparo por apresentar inúmeros benefícios ao paciente no pós-cirúrgico (COSTA; MEJIAH, 2014). O ultrassom é comumente utilizado em processos fibróticos e processos calcificados, transtornos circulatórios, tecidos de cicatrização, pós-lipoaspiração, fibro edema geloide, pós subcisão e tratamento de adiposidade localizada (COSTA; MEJIAH, 2014). As intenções com a utilização do ultrassom são a aceleração da cicatrização, alcançar força tênsil normal e até mesmo a prevenção de cicatrizes hipertróficas e queloides (COSTA; MEJIAH, 2014). O uso do ultrassom ainda incrementa a síntese defibroblastos e colágeno, melhora a circulação sanguínea e linfática, atuando na diminuição do edema (COSTA; MEJIAH, 2014). A utilização do ultrassom no modo pulsado na fase de inflamação favorece a liberação das histaminas pelos mastócitos, promovendo assim a formação de um novo tecido de reparação; no entanto, na fase proliferativa, o ultrassom pulsado possui a função de estimular fibroblastos para consolidar matriz extracelular (AGNES, 2013). O uso do ultrassom na fase proliferativa proporciona um aumento na proliferação dos fibroblastos, isso faz com que aumente a velocidade da angiogênese, da secreção de proteína e colágeno, além de estimular a contração da ferida, resultando assim em uma melhora significativa do tamanho da cicatriz. Logo, na fase de remodelamento, a aplicação do ultrassom aumenta a resistência do tecido, a reorientação e a quantidade de colágeno (BORGES, 2016). 74 Caso o reparo tecidual esteja finalizado e existam aderências ou fibroses, o uso do ultrassom melhoraria e diminuiria essas alterações. Então, a finalidade do uso dessa modalidade de energiaprecoce é, segundo Costa et al. (2016), proporcionar melhora para circulação sanguínea e para o sistema linfático. O modo de emissão indicado para o pós-operatório, na fase de remodelamento, é o contínuo (térmico), em 3MHZ, numa intensidade abaixo 1,5 a 1,8 W/cm2 e num tempo de 6 minutos, punho fechado. Tem por intuito desagregar as fibroses persistentes, promovendo a extensibilidade das estruturas colágenas (COSTA; MEJIAH; SILVA, 2016). 4.2 Microcorrentes Atualmente, cresce o interesse pelo uso de correntes de baixa intensidade como a MENS, pois seus efeitos ocorrem em nível celular (normalizando a bioeletricidade), e sua aplicação é subsensorial (não está associada à sensação desconfortável como em outras correntes, ou seja, é indolor), além de não apresentar efeitos colaterais, ser de baixo custo e de fácil aplicação (BRITO, 2010). As microcorrentes aceleram a síntese proteicas de adenosina trifosfato de 300 a 500%, o incremento do transporte das membranas e de aminoácidos de 30 a 40%, além de estimulação gerar alterações na cicatrização, liberação de íons bactericidas pelo eletrodo e estimulação de fagócitos (ROCHA, 2017). A microcorrente é excepcionalmente útil em danos de tecidos moles, como feridas, traumas, pós-cirurgia e, particularmente, nos tratamentos de dor residual em longo prazo, devido à cicatrização pós-cirúrgicas (SILVA, 2015). Os efeitos terapêuticos das microcorrentes estão relacionados com o aumento da recuperação tecidual, analgesia, efeito antiedematoso, aceleração da osteogênese e bactericida (SILVA, 2015). Esta técnica poderá ser utilizada no período pós-operatório durante todas as fases de cicatrização (SILVA, 2015). Pelos seus efeitos terapêuticos, sua utilização na cicatrização pode promover excelentes resultados (ROCHA, 2017). Recomenda-se o uso da técnica de microcorrente no pós-cirúrgico imediato, podendo ser aplicado 24h após a cirurgia, sem que exista restrições quanto à contaminação da lesão (ROCHA, 2017). 4.3 Endermologia e vácuo Na atualidade, a endermologia auxilia o combate a edemas como as fibroses, proporciona a recuperação da saúde do local e previne o aparecimento de nódulos, desfazendo as elevações provocadas pela cânula utilizada na lipoaspiração, suavizando assim o aspecto acolchoado na pele e melhorando também a autoestima do cliente (SILVA; MEJIAH, 2015). Essa técnica é outra opção de massagem para o tratamento de fibroses por meio de uma 75 ação mecânica simples no tecido conjuntivo (SILVA; MEJIAH, 2015). Deve ser utilizada de maneira suave, sem causar traumas no tecido, e não substitui a massagem manual do tecido conjuntivo, apenas auxilia na melhora da sua maleabilidade (SILVA; MEJIAH, 2015). A aplicação deve ser por pressão negativa sobre a pele, aplicando sobre a fibrose com cabeçote de vidro 100mmHG. 4.4 Radiofrequência Aparelho de alta frequência que, com corrente alternada com mais de 3.000 Hz, promove diatermia, ou seja, aquecimento por calor profundo (COSTA; MEKIAH, 2014). Trata-se de um tratamento não invasivo que melhora a circulação de nutrientes, hidratação tecidual, aumento da oxigenação, lipólise e promove a reorganização das fibras de colágeno (COSTA; MEKIAH, 2014). Deve-se salientar que pacientes portadores de marcapasso, desfibriladores, qualquer implante metálico e neoplasias são contraindicados para realizar esse tratamento (COSTA; MEKIAH, 2014). A radiofrequência é uma opção para a diminuição da fibrose, podendo em distintas dosagens diminuir ou aumentar a densidade de colágeno (SILVA; MEJIAH, 2015). Assim, a radiofrequência tem por objetivo amolecer o tecido de colágeno e absorver o tecido fibroso (SILVA; MEJIAH, 2015). A dosimetria indicada é temperaturas entre 36 °C a 38 °C, gerando a distensibilidade do colágeno, sendo indicadas três sessões semanais (SILVA; MEJIAH, 2015). A elevação da temperatura interna do tecido promove um aumento a circulação sanguínea, estimulando a drenagem linfática, diminuindo a concentração de toxinas no corpo e favorecendo as células responsáveis pela produção de colágeno (SILVA; MEJIAH, 2015). O aumento do metabolismo vai provocar instantaneamente uma contração das fibras de colágeno e uma imediata tonificação da pele (SILVA; MEJIAH, 2015). A estimulação dos fibroblastos (célula do tecido conjuntivo) vai acelerar a produção e regeneração dos depósitos de colágeno, permitindo assim um resultado muito satisfatório (SILVA; PINTO; BACELAR, 2018). Equipamentos de radiofrequência permitem realizar contração de fibras colágenas sem cortá- las. O aproveitamento da energia de radiofrequência para fornecer elevação da temperatura tecidual para estruturas dérmicas resulta na retração não cirúrgica e encurtamento do tecido sem ruptura da integridade da epiderme respeitando os limites térmicos, através de uma microinflamação que gera colágeno (SILVA; PINTO ; BACELAR, 2018). A radiofrequência também utiliza do aquecimento para redução de gordura, agindo em diversas partes do corpo, incluindo flacidez de papada, abdômen, coxas e braços, mas também, na redução de rugas, melhora da celulite e contorno corporal (SILVA; PINTO ; BACELAR, 2018). 76 4.5 Pressoterapia A técnica se caracteriza pela utilização de uma massagem pneumática realizada na direção do fluxo circulatório, por meio de uma pressão positiva sobre o segmento corpóreo, aumentado o retorno venoso e linfático. O equipamento consiste em artefatos pneumáticos em forma de botas, luvas e cinta que inflam e desinflam, de forma sequencial ou não, com ajuda de um compressor de ar (BOSI, 2018). Apesar de seu uso parecer substituir o da técnica de drenagem linfática manual, é de suma importância o desbloqueio pelo bombeamento dos linfonodos manualmente, já que isso não é possível apenas com o uso do equipamento. Após o bombeamento dos linfonodos, os artefatos são colocados com cuidado em região abdominal e nos membros inferiores, e estas são preenchidas. Após o preenchimento, o equipamento é programado para realizar a compressão pela insuflação de maneira organizada e seguindo a ordem do sistema linfático. O equipamento em momento algum deverá realizar uma pressão exagerada e, assim como na aplicação de qualquer outro recurso eletroterápico, a sensibilidade do cliente (paciente) deverá ser respeitada (PUJOL, 2011). A pressoterapia, através do sistema de ajuste de pressões externas, pode proporcionar os seguintes efeitos fisiológicos. Favorece a circulação de retorno, tanto linfática como venosa, prevenindo o aparecimento de varizes. Melhora no aparecimento do FEG, pois estimula na reabsorção dos líquidos intersticiais e de toxinas retidas. Sendo realizado o desbloqueio sobre os linfonodos, melhora a drenagem linfática atuando sobre os vasos linfáticos. Reabsorção de edemas. Efeito antálgico e relaxante em virtude da ação mecânica da compressão e descompressão. 4.6 Agentes térmicos Para que sejam obtidos níveis terapêuticos de aquecimento, a temperatura atingida nos tecidos deve situar-se entre 40º e 45º, abaixo desse nível os efeitos do aquecimento são FIQUE DE OLHO Como visto nesta unidade, muitos são os recursos para reabilitar-se pós-cirurgia plástica. Ter conhecimento das fases cicatriciais, dos efeitos fisiológicos das terapias, das particularidades clínicas do cliente promoverão resultados mais eficientes. 77 considerados brandos demais para que tenha qualquer valia terapêutica (MACEDO; OLIVEIRA, 2010). A utilização do calor em pós-cirurgia plástica tem como objetivo melhorar a qualidade do tecido cicatricial, tratar as fibroses e aderências (MACEDO; OLIVEIRA, 2010). Sua utilização será a partir do momento e que se avalia a presença de fibroses - normalmente a partir da fase de proliferação. 4.7 Agentes crioterápicos O resfriamento imediato reduz a temperatura tecidual limitando, portanto, o trauma tecidual (MACEDO; OLIVEIRA, 2010). A vasoconstrição ocorre por estimulo das fibras simpáticas e a diminuiçãoda pressão oncótica, agregado a diminuição da permeabilidade da membrana que leva uma redução do edema (MACEDO; OLIVEIRA, 2010). A redução do edema, que acompanha a aplicação da crioterapia, em seguida a uma lesão aguda, pode ser atribuída à vasoconstrição imediata das arteríolas e vênulas, o que reduz a circulação até a área e, portanto, diminui o extravasamento de líquido para o espaço intersticial (MACEDO; OLIVEIRA, 2010). Técnicas manuais aplicadas à cirurgia plástica A massoterapia só deverá ser usada a partir da fase de maturação, afinal, os tecidos que foram descolados no ato cirúrgico, precisam se aderir (MACEDO; OLIVEIRA, 2010). Seus movimentos podem provocar descolamento tecidual, além do risco existente, da formação de seromas e hematomas tardios (MACEDO; OLIVEIRA, 2010). 5 DRENAGEM LINFÁTICA MANUAL A Drenagem Linfática Manual (DLM) é indicada no PO da maioria dos procedimentos de cirurgia plástica, como nas cirurgias de face, lipoaspiração, mamas, abdominoplastias, entre outras, sendo que quando bem realizada, promove uma grande melhora no quadro álgico por diminuir a congestão tecidual (COSTA; MEJIAH, 2014). A DLM é representada, principalmente, por duas técnicas, a de Leduc e a de Vodder (ZANELLA; RUCKL; VOLOSZIN, 2011). Ambas as técnicas associam três categorias de manobras: captação, reabsorção e evacuação da linfa. Leduc, em suas manobras, aperfeiçoou e utilizou cinco movimentos, tais como (SILVA, 2012): 1) drenagem dos linfonodos, 2) círculos dos dedos (sem o polegar), 3) círculo com o polegar, 4) movimento combinados (polegar e dedos) e 5) pressão em bracelete. Já Vodder inclui mais quatro tipos de movimentos: a) círculos fixos, b) movimentos de bombeamento, c) movimentos do doador e d) movimentos giratórios ou de rotação. Godoy propõe uma nova técnica que foi baseada no uso de roletes no fluxo linfático 78 confeccionados de material macio ou feita pelas mãos, mas afirma ainda que a vantagem dos roletes pode drenar uma extensão ainda maior (SILVA, 2012). Entendemos que a drenagem linfática manual além de atuar sobre o edema e hematoma pós lesão, auxilia na reparação de ferimentos, pois o fibrinogênio da linfa é o elemento responsável pela formação de coágulos, que darão origem à barreira protetora das lesões. O trauma agudo ou a inflamação crônica no processo de cicatrização dependem inteiramente da eficiência da circulação sanguínea e linfática de uma cicatriz hipertrófica ou queloideana, além de que a região operada fica extremamente sensível (SILVA, 2012). A aplicação da drenagem linfática manual no pós-operatório deve obedecer aos seguintes princípios (SILVA, 2012): Ser suave para evitar possíveis lesões teciduais; Evitar os movimentos de deslizamentos; Seguir o trajeto das vias que não foram comprometidas pelo ato cirúrgico; Elevação do segmento a ser drenado; Ser realizada de modo que não promova um maior tensionamento na incisão cirúrgica, fixando-a com uma das mãos. A proposta da drenagem linfática reversa em cirurgias com grandes incisões é direcionar a linfa para vias próximas e íntegras até a reconstituição dos vasos, fato este que ocorre dentro de 30 dias (SILVA, 2012). A nova técnica é bem fundamentada, já que na dermolipectomia abdominal, por exemplo, a drenagem dos quadrantes inferiores (que confluem para região inguinal) fica interrompida pela retirada de tecido, restando apenas as vias dos quadrantes superiores que confluem para os linfonodos axilares (SILVA, 2012). A execução da massagem de drenagem no pós-operatório deve obedecer aos princípios de evitar lesões teciduais, movimentos de deslizamento, seguindo o trajeto das vias que não foram comprometidas pelo ato cirúrgico, devem ser realizados de modo que não promova um maior tensionamento na incisão cirúrgica, fixando-a com uma das mãos (SILVA, 2012). Para a execução correta da massagem de drenagem (SILVA, 2012) linfática manual, deve-se atentar para as seguintes questões: • Os segmentos corpóreos em questão devem estar em posição de drenagem; 79 • A pressão exercida deve seguir sempre os sentidos fisiológicos da drenagem; • O conhecimento das vias de drenagem linfática é de vital importância para o sucesso da terapia; • As manobras devem der realizadas de forma rítmica e intermitente com uma pressão de 45mmHg na presença de linfedema; • Em lesões recentes, as manobras de arraste devem ser dispensadas pelo risco de promo- ver cicatrização inadequada. Figura 1 - Drenagem linfática facial Fonte: Thomas_EyeDesign, iStock, 2020. #ParaCegoVer: Na imagem, temos um homem recebendo drenagem linfática manual após fazer cirurgia facial. 5.1 Liberação tecidual funcional Tensões mecânicas aplicadas ao tecido em cicatrização promovem uma organização dos feixes de colágeno de uma forma mais natural, com mais elasticidade que quando não aplica tensão (COSTA; MEJIAH, 2014). Essa é a maneira mais eficaz e rápida de tratamento especifico para fibroses e aderências em cirurgia plástica (COSTA; MEJIAH, 2014). Pelo fato de o colágeno se depositar de maneira aleatória, a manipulação deverá ser em todos os sentidos, para que se consiga a reorganização dos feixes de colágeno (COSTA; MEJIAH, 2014). A intensidade do estiramento é proporcional à resistência que o tecido oferece, sua utilização ideal, de forma preventiva, é a partir do 3º ao 5º dia pós-operatório, com aplicação de duas a três 80 vezes por semana, durante a fase de reparo (aproximadamente 30 a 40 dias), associada ou não aos outros recursos fisioterapêuticos disponíveis (COSTA; MEJIAH, 2014). Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 81 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • obter orientações sobre os cuidados necessários no pré e pós-operatório de cirurgias plásticas; • aprender sobre função de técnicas manuais e tecnologias que auxiliam no processo de reabilitação com cliente; • promover associações de técnicas nos períodos corretos e acompanhar as evoluções tendo em vista o bem-estar físico e mental do cliente; • compreender a importância do profissional esteticista como a integração de equipe multidisciplinar; • desenvolver habilidade e discernimento porque cada caso clínico é único e requer uma atenção personalizada. PARA RESUMIR AGNES, J. E. Eletrotermofototerapia. 2. ed. Santa Maria: Santa Maria, 2013. ALENCAR, C. P. M.; MEJIAH, D. P. M. Atenção dermato-funcional nas complicações imediatas da abdominoplastia clássica. Manaus, 2007. 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