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1 2 SUMÁRIO 1. NOÇÕES GERAIS ......................................................................................................................... 4 1.1. OBJETO DA LEI...................................................................................................................... 4 1.2. INTRODUÇÃO ........................................................................................................................ 4 1.3. CONCEITOS RELEVANTES ................................................................................................. 6 1.3.1. REQUISITO CONSTITUCIONAL: OBSERVÂNCIA DA LEI .......................................... 6 1.3.2. REQUISITO CONSTITUCIONAL: FINALIDADE CRIMINAL ..................................... 11 1.3.3. REQUISITO CONSTITUCIONAL: ORDEM JUDICIAL ............................................... 12 1.3.3.1. Modificação superveniente de competência e suas consequências ............................ 13 1.4. REQUISITOS LEGAIS .......................................................................................................... 16 1.4.1. INC. I: INDÍCIOS RAZOÁVEIS DA AUTORIA OU PARTICIPAÇÃO EM INFRAÇÃO PENAL 17 1.4.2. INC. II: CARÁTER SUBSIDIÁRIO DA MEDIDA .......................................................... 19 1.4.3. INC. III: INFRAÇÃO PENAL PUNIDA COM RECLUSÃO .......................................... 21 1.4.4. TEORIA DA SERENDIPIDADE .................................................................................... 23 1.4.4.1. Serendipidade objetiva ............................................................................................... 24 1.4.4.2. Serendipidade subjetiva .............................................................................................. 24 1.4.4.3. Serendipidade de 1º grau ............................................................................................ 24 1.4.4.4. Serendipidade de 2º grau ............................................................................................ 24 2. PROCEDIMENTO DA INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA ................................................ 25 2.1. LEGITIMADOS ..................................................................................................................... 25 2.1.1. DETERMINAÇÃO DE OFÍCIO PELO JUIZ ................................................................. 26 2.1.2. REPRESENTAÇÃO DA AUTORIDADE POLICIAL ..................................................... 26 2.1.3. REQUERIMENTO DO MINISTÉRIO PÚBLICO .......................................................... 27 2.2. ASPECTOS PRÁTICOS ........................................................................................................ 31 3. CAPTAÇÃO AMBIENTAL ........................................................................................................ 35 3.1. REQUISITOS PARA CAPTAÇÃO AMBIENTAL............................................................... 35 3.2. PROCEDIMENTOS .............................................................................................................. 37 3.3. CAPTAÇÃO AMBIENTAL ILEGAL ................................................................................... 39 4. PACOTE ANTICRIME ............................................................................................................... 39 3 4.1. ANÁLISE PONTUAL – ALTERAÇÕES NA LEI DE INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS – LEI N. 9.296/96. .............................................................................................................................. 42 5. CRIME DE CATÁLOGO ........................................................................................................... 43 Conceito e Aplicação ..................................................................................................................... 43 Fonte Histórica .............................................................................................................................. 44 Resumo ........................................................................................................................................... 44 6. INFORMATIVOS ........................................................................................................................ 45 7. JURISPRUDÊNCIA EM TESES ................................................................................................ 53 8. LEGISLAÇÃO ............................................................................................................................. 54 9. JÁ CAIU. VAMOS TREINAR? .................................................................................................. 56 10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................... 62 4 Interceptação Telefônica Lei nº 9.296/96 ATUALIZADO em 01/10/202427. Prezado aluno, passaremos nesse momento ao estudo da Lei de Interceptação Telefônica. O presente material tem por objetivo reunir todas as informações que o candidato precisa para resolver questões dos certames públicos. Dessa forma, nosso material trouxe uma abordagem doutrinária sobre o tema objeto de estudo, novidades legislativas, a legislação, questões já cobradas em concurso público, alterações promovidas pelo PAC, jurisprudência em teses, e, por fim, os informativos. A Lei de Interceptação Telefônica também foi objeto de modificação pelo Pacote Anticrime. 1. NOÇÕES GERAIS 1.1. OBJETO DA LEI Segundo preleciona o professor Gabriel Habib (Leis Penais Especiais – Vol. Único, pág. 419, 2024): A presente lei trata da autorização, regulamentação e limites para a realização da interceptação telefônica como meio de prova no curso da persecução penal. Em poucos artigos, o legislador tratou da regulamentação do tema, da competência para a autorização da sua realização, das hipóteses de incidência e de não incidência deste meio de prova, dos requisitos a serem demonstrados para que a interceptação seja autorizada, do tempo de sua duração, do procedimento a ser seguido na interceptação, do destino do objeto dessa prova, e, por fim, puniu como crime a conduta de realizar a interceptação telefônica fora dos moldes previstos na lei. 1.2. INTRODUÇÃO A Lei de Interceptação Telefônica traz um dilema em sua essência, a violação de um grande direito fundamental protegido pela Constituição Federal de 1988. Vejamos: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. 27 Revisto, atualizado e editado em 01/10/2024. O manual caseiro é constantemente atualizado e aperfeiçoado. Caso o aluno identifique algum ponto que demande atualização, entre em contato através do nosso e-mail: equipemanualcaseiro@outtlook.com Nossa Equipe encontra-se à disposição para juntos sempre melhorarmos o material. mailto:equipemanualcaseiro@outtlook.com 5 Observe que a Constituição Federal traz claramente a inviolabilidade à intimidade e à vida privada, e uma interceptação telefônica faz essa violação de forma muito incisiva, tendo em vista que as autoridades competentes têm acesso direto as conversas em tempo real dos indivíduos envolvidos. No decorrer das investigações as autoridades colherão provas de fatos criminosos importantes, mas também terão acesso a conversas com esposas, amantes, colegas de trabalho, mãe etc. Apesar da violação da intimidade,a interceptação, caso em que a concessão será condicionada à sua redução a termo. Candidato, é possível que o pedido seja feito de forma verbal? Excepcionalmente, o juiz poderá admitir que o pedido seja formulado VERBALMENTE, desde que estejam presentes os pressupostos que autorizem a interceptação, caso em que a concessão será condicionada a sua redução a termo. Dessa forma, contemplamos que ainda de forma excepcional, é possível sim que o pedido seja feito de forma verbal. Nesse caso, a concessão da medida ficará condicionada a sua redução a termo. 29 Como #JÁCAIU esse assunto em prova de Concursos? Ano: 2024 Órgão: MPE-GO Prova: FGV - 2024 - MPE-GO - Promotor de Justiça Substituto. João, Delegado de Polícia, preside investigação complexa, que versa sobre dois latrocínios, em concurso material, que ocorreram no Município Alfa, chocando a comunidade local. Em assim sendo, a autoridade policial estuda a possibilidade de representar, em juízo, pela interceptação telefônica em detrimento dos investigados, seguindo uma das linhas investigatórias sugeridas pela sua equipe de policiais, visando à correta elucidação dos fatos. Nesse cenário, considerando as disposições da Lei nº 9.296/1996, assinale a afirmativa correta. A. A decisão que autoriza a interceptação telefônica será fundamentada, sob pena de nulidade, indicando também a forma de execução da diligência, que não poderá exceder o prazo de dez dias, renovável por igual tempo uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova. B. O juiz poderá, excepcionalmente, admitir que o pedido seja formulado verbalmente, desde que estejam presentes os pressupostos que autorizem a interceptação telefônica, caso em que a concessão será condicionada à sua redução a termo. C. A autoridade policial, cumprida a diligência, encaminhará o resultado da interceptação telefônica ao juiz e ao Ministério Público, acompanhado de auto circunstanciado, que conterá o resumo das operações realizadas. D. A autoridade policial, deferido o pedido, conduzirá os procedimentos de interceptação telefônica, dando ciência ao Ministério Público, que deverá acompanhar a sua realização. E. O juiz, no prazo máximo de quarenta e oito horas, decidirá sobre o pedido de interceptação telefônica. Gabarito B. Alternativa A: o prazo é de 15 dias, renovável por igual período, assertiva errada. Alternativa C: o resultado será encaminhado ao juiz, não ao Ministério público, assertiva errada. Alternativa D: o Ministério Público PODERÁ acompanhar a diligência, não é DEVERÁ, assertiva errada. Alternativa E: o prazo máximo é de 24 horas. Como #JÁCAIU esse assunto em prova de Concursos? Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: PC-SP Prova: Delegado de Polícia. Nos termos da Lei n° 9.296/1996 (Lei de Interceptação Telefônica), é correto afirmar: A. excepcionalmente, o juiz poderá admitir que o pedido seja formulado verbalmente, desde que estejam presentes os pressupostos que autorizem a interceptação das comunicações telefônicas, caso em que a concessão será condicionada à sua redução a termo. B. a interceptação das comunicações telefônicas somente poderá ser determinada pelo juiz a requerimento da autoridade policial, na investigação criminal, exigindo-se que, do referido requerimento, conste a necessidade de se utilizar o meio de investigação na apuração realizada. C. a interceptação das comunicações telefônicas não poderá ser determinada de ofício pelo juiz, sendo admitida apenas na hipótese de requerimento do representante do Ministério Público, devidamente fundamentado, demonstrando a necessidade de se utilizar esse meio de investigação. D. a interceptação das comunicações telefônicas poderá ser determinada pelo juiz a requerimento da autoridade policial, do representante do Ministério Público ou do Assistente de Acusação, na investigação criminal, nas hipótese de crimes punidos com pena de detenção ou reclusão. E. o juiz decidirá sobre o pedido de interceptação das comunicações telefônicas, no prazo máximo de quarenta e oito horas, em despacho fundamentado, definindo a autoria ou a participação em infração penal. Gab. A. https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/institutos/mpe-go https://www.qconcursos.com/questoes-de-concursos/provas/fgv-2024-mpe-go-promotor-de-justica-substituto 30 Como #JÁCAIU esse assunto em prova de Concursos? Ano: 2021. Banca: VUNESP Órgão: TJ-GO Prova: Titular de Serviços de Notas e de Registros. No que concerne à interceptação telefônica (Lei nº 9.296/96), é correto afirmar que: A. ao juiz não cabe decidir qual a forma de execução da diligência, cabendo à autoridade policial tal decisão técnica. B. excepcionalmente, o juiz poderá admitir que o pedido seja formulado verbalmente. C. é legalmente admitida ainda que a prova possa ser feita por outros meios disponíveis. D. o juiz não pode determiná-la de ofício. Gab. B. JÁ CAIU CESPE: Excepcionalmente, o juiz poderá admitir que o pedido de interceptação telefônica seja formulado verbalmente, desde que estejam presentes os pressupostos que autorizem a interceptação, caso em que a concessão será condicionada à sua redução a termo. Gab. CERTO. § 2° O juiz, no prazo máximo de vinte e quatro horas, decidirá sobre o pedido. Candidato, qual o prazo fixado em lei para que o juiz decida sobre o pedido da interceptação? Nos termos do art. 4º, §2º da Lei nº 9.296/96 o prazo é de no MÁXIMO 24 horas. Assim, temos que uma vez protocolado o pedido de interceptação telefônica, o Juiz tem o prazo de 24 horas para decidir sobre a sua concessão ou não. A lei não estabelece nenhuma sanção a ser aplicada ao Juiz caso ele não respeite esse prazo. Contudo, o atraso na decisão pode comprometer as investigações, sobretudo por ser a interceptação telefônica o único meio de prova viável para investigar a infração penal. Como #JÁCAIU esse assunto em prova de Concursos? Ano: 2018 Banca: VUNESP Órgão: PC-BA Prova: Investigador de Polícia. Diante do previsto na Lei n° 9.296/96 – Lei de Interceptação Telefônica, assinale a alternativa correta. A. A interceptação telefônica será admitida mesmo que a prova possa ser feita por outros meios disponíveis. B. A interceptação telefônica poderá ser determinada pelo representante do Ministério Público, de ofício, mediante idônea fundamentação durante a instrução criminal. C. O juiz deverá decidir, no prazo máximo de 24 (vinte e quatro) horas, sobre o pedido de interceptação. D. Somente será admitido o pedido de interceptação telefônica feito por escrito. E. Não é necessária a presença de indícios razoáveis da autoria ou participação em infração penal para que seja determinada a interceptação telefônica. Gab. C. Justificativa: Conforme literal disposição do art. 4°, §2° da Lei n° 9.296/96. Art. 4° O pedido de interceptação de comunicação telefônica conterá a demonstração de que a sua realização é necessária à 31 apuração de infração penal, com indicação dos meios a serem empregados. § 2° O juiz, no prazo máximo de vinte e quatro horas, decidirá sobre o pedido. Art. 6° Deferido o pedido, a autoridade policial conduzirá os procedimentos de interceptação, dando ciência ao Ministério Público, que poderá acompanhar a sua realização. Praticamente, o que acontece muitas vezes é a Polícia Militar conduzindo uma interceptação telefônica e não o Delegado de Polícia, apesar de ser um procedimento típico de polícia judiciária de investigação. O STJ em virtude de ser um procedimento já se manifestou acerca do tema, autorizando de fato a PM a conduzir a interceptação nos casos em que requerida pelo MP. Vejamos: Tese STJ, edição 117: O art. 6º da Lei n. 9.296/1996 não restringe à polícia civil a atribuição para a execução de interceptação telefônica ordenada judicialmente. Acompanhamento da interceptação por outros órgãos que não a Polícia Civil ou Federal. Segundo o art. 6º,da Lei nº 9.296/96, os procedimentos de interceptação telefônica serão conduzidos pela autoridade policial (Delegado de Polícia Civil ou Federal). O STJ e o STF, contudo, entendem que tal acompanhamento poderá ser feito por outros órgãos, como, por exemplo, a polícia militar (o que ocorreu no caso concreto), não sendo atribuição exclusiva da autoridade policial. STF. 2ª Turma. HC 96986/MG, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/5/2012 (Info 666). 2.2. ASPECTOS PRÁTICOS Candidato, é necessária a degravação integral das conversas interceptadas? Muitas das vezes nem todo o teor da conversa é necessário para investigação, apenas alguns pontos determinados. Desta forma o STJ entende que: Tese STJ, edição 117: Não há necessidade de degravação dos diálogos objeto de interceptação telefônica, em sua integralidade, visto que a Lei n. 9.296/1996 não faz qualquer exigência nesse sentido. É necessária realização de perícia para identificação da voz? Em regra, não, o STJ também já se pronuncia acerca do tema. Vejamos: Tese STJ, edição 117: É desnecessária a realização de perícia para a identificação de voz captada nas interceptações telefônicas, salvo quando houver dúvida plausível que justifique a medida. A degravação precisa ser realizada por peritos oficiais? A lei não prevê essa condição, e na prática sequer é o perito que faz, mas sim os próprios investigadores e agentes. Vejamos: 32 Tese STJ, edição 117: Em razão da ausência de previsão na Lei n. 9.296/1996, é desnecessário que as degravações das escutas sejam feitas por peritos oficiais. Art. 6°, § 2° Cumprida a diligência, a autoridade policial encaminhará o resultado da interceptação ao juiz, acompanhado de auto circunstanciado, que deverá conter o resumo das operações realizadas. O resultado da interceptação será encaminhado para o juiz contendo o resumo (análise das conversas) e a gravação que não interessar, será inutilizada por decisão judicial: é realizado um incidente de inutilização que é assistido pelo MP e facultado a presença do investigado ou de representante conforme descrito no art. 9º desta lei. Art. 5° A decisão será fundamentada, sob pena de nulidade, indicando também a forma de execução da diligência, que não poderá exceder o prazo de quinze dias, renovável por igual tempo uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova. A exigência da fundamentação tem por base o disposto no art. 93, IX da Constituição Federal, segundo o qual “todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade...” Desse modo, como decorrência do princípio constitucional da motivação das decisões judiciais, a decisão que determina a interceptação telefônica deverá ser FUNDAMENTADA. Para além da fundamentação, indicará ainda a forma da execução da diligência. Esse prazo de 15 dias na maior parte das vezes não é suficiente, no entanto é permitido sua renovação, por igual tempo, quantas vezes se mostrar necessário para aquisição de provas. Desse modo, temos que o legislador estabeleceu o prazo máximo de 15 dias. Quanto a este, importante faz destacarmos que o termo inicial desse prazo é o dia em que a interceptação é efetivada, e não o dia da autorização judicial, devendo, pois, os 15 dias serem contabilizados a partir do dia efetivo da interceptação. Nesse sentido, vejamos o entendimento da Jurisprudência: Em relação às interceptações telefônicas, o prazo de 15 dias, previsto na Lei nº 9.296/96, é contado a partir do dia em que se iniciou a escuta telefônica e não da data da decisão judicial. STJ. 6ª Turma. HC 113477-DF, Rel. Min. Maria Thereza. JÁ CAIU CESPE: Segundo a jurisprudência do STJ. são impossíveis sucessivas prorrogações de interceptações telefônicas, ainda que o pedido de quebra sigilo telefônico seja devidamente fundamentado, em razão da previsão legal de prazo máximo de quinze dias para tal medida, renovável por igual período. Gab. ERRADO. Justificativa: o entendimento da Jurisprudência é no sentido de serem admitidas as prorrogações sucessivas. 33 Como #JÁCAIU esse assunto em prova de Concursos? Ano: 2018 Banca: FCC Órgão: DPE-AP Prova: Defensor Público. A interceptação de comunicações telefônicas pode ser realizada: A. mesmo que a prova possa ser feita por outros meios disponíveis. B. por ato fundamentado de Delegado de Polícia no curso do inquérito policial em caso de crime hediondo ou equiparado. C. pelo prazo de quinze dias, que só pode ser prorrogado por igual prazo em caso de indispensabilidade do meio de prova. D. pela autoridade policial em caso de prisão em flagrante apenas para acesso de dados de aplicativos como WhatsApp e Facebook, independentemente de ordem judicial. E. para apurar crime de ameaça quando esta estiver sendo cometida por meio de ligação telefônica. Gab. C. Justificativa: É o dizer do art. 5º da Lei, que prevê os 15 dias mencionados e sua renovação quando for indispensável. Como #JÁCAIU esse assunto em prova de Concursos? Ano: 2021 Banca: NC-UFPR Órgão: PC-PR Prova: Delegado de Polícia. Sobre a Lei nº 9.296/1996, assinale a alternativa correta. A. A interceptação telefônica, preenchidos os demais requisitos legais, pode ser determinada quando o fato investigado isoladamente constituir infração penal punida com detenção ou reclusão, não sendo admitida nas hipóteses de prisão simples. B. De acordo com o entendimento do STF, a interceptação telefônica poderá ser decretada pelo prazo de 15 dias, podendo ser renovada por uma única vez, por igual prazo. C. Deferido o pedido de interceptação telefônica, a autoridade policial conduzirá os procedimentos de forma sigilosa, não sendo prevista nessa fase a participação do Juízo ou do Ministério Público. D. De acordo com o STJ, é admissível a utilização da técnica de fundamentação per relationem para a prorrogação de interceptação telefônica quando mantidos os pressupostos que autorizaram a decretação da medida originária. E. As quebras de sigilo tanto de estação de rádio base (ERB) quanto de mensagens trocadas por e-mails ou por aplicativos de mensagens não dependem de prévia autorização judicial. Gab. D. Justificativa: Tese do STJ sobre Interceptação Telefônica. 2) É admissível a utilização da técnica de fundamentação per relationem para a prorrogação de interceptação telefônica quando mantidos os pressupostos que autorizaram a decretação da medida originária. Como #JÁCAIU esse assunto em prova de Concursos? Ano: 2022 Banca: FGV Órgão: PC-AM Prova: Delegado de Polícia A interceptação de comunicações telefônicas depende de decisão judicial fundamentada, a qual não excederá quinze dias, renovável por igual período, apontando a indispensabilidade do meio de prova, indícios razoáveis de autoria e fato investigado constituir infração penal punida com pena de reclusão, que poderá ser determinada de ofício ou por representação da autoridade policial ou do Parquet, devendo, 34 nesses casos, o pedido demonstrar a necessidade da medida, com indicação dos meios a serem empregados. Quanto ao uso da fundamentação per relationem, na jurisprudência do STJ, na interceptação telefônica é correto afirmar que A. a utilização da técnica, seja para fim de reafirmar a fundamentação de decisões anteriores, seja para incorporar à nova decisão os termos de manifestação ministerial anterior, não implica vício de fundamentação. B. não se admite a utilização da técnica da fundamentação per relationem para justificar a quebra do sigilo das comunicações telefônicas ou sua prorrogação. C. a existência de representação da autoridade policial é suficiente para a aplicação da técnica da fundamentação per relationem, ainda que não haja incorporação formal na decisão judicial. D. a existência de manifestação do Ministério Público é suficiente para a aplicação da técnica da fundamentaçãoper relationem, ainda que não haja incorporação formal na decisão judicial. E. a utilização da técnica, para fim de reafirmar a fundamentação de decisões anteriores, depende de prévia decisão judicial fundamentada de forma autônoma. Gab. A. Justificativa: A motivação per relationem ou aliunde é uma técnica de fundamentação por meio da qual o juiz faz remissão ou referência às alegações de uma das partes, a precedente ou a decisão anterior nos autos do mesmo processo. Trata-se de prática que o STF não entende equivaler à ausência de fundamentação, desde que as peças referidas contenham os motivos que ensejam a decisão do feito. O STJ admite o uso da motivação per relationem para justificar a quebra do sigilo das comunicações telefônicas. No entanto, as decisões que deferem a interceptação telefônica e respectiva prorrogação devem prever, expressamente, os fundamentos da representação que deram suporte à decisão - o que constituiria meio apto a promover a formal incorporação, ao ato decisório, da motivação reportada como razão de decidir - sob pena de ausência de fundamento idôneo para deferir a medida cautelar. STJ. 6ª Turma. HC 654.131-RS, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em 16/11/2021 (Info 723). Art. 8° A interceptação de comunicação telefônica, de qualquer natureza, ocorrerá em autos apartados, apensados aos autos do inquérito policial ou do processo criminal, preservando-se o sigilo das diligências, gravações e transcrições respectivas. A interceptação ocorrerá em autos apartados por ser um procedimento sigiloso. Conforme prevê o art. 8º, o legislador determinou que o conteúdo da interceptação telefônica seja objeto de autos apartados, ou seja, diversos dos autos principais do inquérito ou do processo. Inclusive, a interceptação telefônica possui autuação e numeração próprias. Além disso, os autos da interceptação devem ficar apensados aos autos principais, o que significa dizer que eles ficam anexados aos autos principais. Candidato, haverá nulidade caso a interceptação não seja formalizada em autos apartados? Excelência, não haverá nulidade no caso de a interceptação não ter sido formalizado em autos apartados, configurando-se em mera irregularidade. Assim, uma vez preenchidas as exigências previstas na Lei nº 35 9.296/96 (ex: autorização judicial, prazo etc.), não deve ser considerada ilícita a interceptação telefônica pela simples ausência de autuação. Ausência de autos apartados configura mera irregularidade. Segundo o art. 8º da Lei 9.296/96, o procedimento de interceptação telefônica (requerimento, decisão, transcrição dos diálogos etc.) deverá ser instrumentalizado em autos apartados. Haverá nulidade caso a interceptação não seja formalizada em autos apartados? NÃO. Preenchidas as exigências previstas na Lei nº 9.296/96 (ex: autorização judicial, prazo etc.), não deve ser considerada ilícita a interceptação telefônica pela simples ausência de autuação. A ausência de autos apartados configura mera irregularidade que não viola os elementos essenciais à validade da interceptação. STF. 1ª Turma. HC 128102/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 9/12/2015 (Info 811). 3. CAPTAÇÃO AMBIENTAL INTERCEPTAÇÃO AMBIENTAL ESCUTA AMBIENTAL GRAVAÇÃO AMBIENTAL Interceptação ambiental - É a captação da conversa ambiente por um terceiro sem o conhecimento dos interlocutores. Exemplo. Dois traficantes no meio da rua conversando, a polícia de longe no carro disfarçada, fazendo a captação da imagem e do áudio. Dois Interlocutores + Interceptador. Escuta ambiental - É a captação da conversa ambiente por um terceiro com o conhecimento de um dos interlocutores e sem o conhecimento do outro. Dois Interlocutores (um deles sabe que há um terceiro interceptando) + Interceptador. Gravação ambiental - É a captação da conversa ambiente por um dos interlocutores sem o conhecimento do outro. Exemplo. Conversa com um amigo e ele tem um relógio que grava. Dois Interlocutores. 3.1. REQUISITOS PARA CAPTAÇÃO AMBIENTAL Lei 9.296/96 Art. 8º-A. Para investigação ou instrução criminal, poderá ser autorizada pelo juiz, a requerimento da autoridade policial ou do Ministério Público, a captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos, quando: I - a prova não puder ser feita por outros meios disponíveis e igualmente eficazes; e II - houver elementos probatórios razoáveis de autoria e participação em infrações criminais cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos ou em infrações penais conexas. Portanto temos como requisitos para a captação ambiental: • Requerimento da autoridade policial ou do Ministério Público; • Autorização judicial; • Indispensabilidade do meio de prova; • Crimes com pena máxima superior a 4 anos. 36 Atenção! No que se refere à captação ambiental, o texto legal não faz referência à decretação de ofício pelo juiz, há exigência expressa de requerimento da autoridade policial ou do MP. Vejamos as principais diferenças entre os dois institutos: INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA CAPTAÇÃO AMBIENTAL Art. 2º Art. 8º-A PODE ser decretada de ofício pelo juiz; NÃO PODE ser decretada de ofício pelo juiz; Infração penal punida com RECLUSÃO; Crimes com pena máxima SUPERIOR a 4 anos; Cabível se a prova NÃO puder ser feita por outros meios disponíveis; Cabível se prova NÃO puder ser feita por outros meios disponíveis; Deve haver indícios razoáveis de autoria ou participação em infração penal. Deve haver indícios razoáveis de autoria ou participação em infração penal. Como #JÁCAIU esse assunto em prova de Concursos? Ano: 2024 Banca: FGV Órgão: TJ-SC Prova: FGV - 2024 - TJ-SC - Oficial de Justiça. Lucas, promotor de justiça, responsável por complexa investigação em curso, debateu com colegas do Ministério Público sobre a medida cautelar de captação ambiental, com todos os consectários processuais daí decorrentes. Nesse cenário, considerando as disposições da Lei no 9.296/1996, é correto afirmar que: A. para investigação ou instrução criminal, poderá ser autorizada pelo juiz, a requerimento da autoridade policial ou do Ministério Público, a captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos, quando a prova não puder ser feita por outros meios disponíveis e igualmente eficazes e desde que existam elementos probatórios razoáveis de autoria e participação em infrações criminais cujas penas máximas sejam iguais ou superiores a quatro anos de reclusão ou em infrações penais conexas; B. a captação ambiental não poderá exceder o prazo de dez dias, renovável por decisão judicial por iguais períodos, se comprovada a indispensabilidade do meio de prova e quando presente atividade criminal permanente, habitual ou continuada; C. a captação ambiental feita por um dos interlocutores sem o prévio conhecimento da autoridade policial ou do Ministério Público poderá ser utilizada, em matéria de acusação ou de defesa, quando demonstrada a integridade da gravação; D. a instalação do dispositivo de captação ambiental poderá ser realizada, quando necessária, por meio de operação policial disfarçada ou no período noturno, inclusive na casa; E. o requerimento deverá descrever circunstanciadamente o local e a forma de instalação do dispositivo de captação ambiental. Gabarito E. Alternativa A: A legislação menciona que deve ser crimes com pena máxima SUPERIOR a 4 anos; Alternativa B: O prazo não poderá exceder 15 dias; Alternativa C: De acordo com a legislação, poderá ser utilizada como matéria de DEFESA apenas; Alternativa D: A instalação do dispositivo de captação ambiental poderá ser realizada, quando necessária, por meio de operação policial disfarçada ou no período noturno, exceto na casa. 37 3.2. PROCEDIMENTOS Art. 8º-A § 1º O requerimento deverá descrever circunstanciadamente o local e a forma de instalaçãodo dispositivo de captação ambiental. § 2º (VETADO). § 2º A instalação do dispositivo de captação ambiental poderá ser realizada, quando necessária, por meio de operação policial disfarçada ou no período noturno, exceto na casa, nos termos do inciso XI do caput do art. 5º da Constituição Federal. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) Após a derrubada de vetos do Pacote Anticrime pelo Congresso Nacional, os §§ 2º e 4º do artigo 8-A retornaram para Lei n° 9.296. A redação § 2º do referido dispositivo deixa claro que a instalação de dispositivo de captação ambiental poderá ser realizada por meio de operação policial disfarçada, não ostensiva, visando dessa forma garantir a efetividade da medida. Em relação ao período do dia para instalação do dispositivo, não há dúvidas em relação a possibilidade de instalação no período diurno em locais considerados casa ou equiparados a casa, desde que respeitados os requisitos legais. Entretanto, em determinados contextos se faz necessário que a instalação se dê no período noturno para que seja efetiva. Corroborando esse sentido, jurisprudência do Superior Tribunal Federal, em seu informativo 529, reconheceu a licitude da instalação de dispositivos de captação ambiental em escritório de advocacia durante o período noturno. Portanto, sugere-se ao candidato que em provas objetivas leve em consideração a literalidade do dispositivo. Como #JÁCAIU esse assunto em prova de Concursos? Ano: 2023 Banca: CESPE Órgão: DPE-RO Prova: Defensor Público. Na investigação ou na instrução criminal, a captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos A. poderá ser autorizada pelo juiz, quando a pena for igual ou superior a quatro anos. B. poderá ser realizada, quando necessária, por meio de operação policial disfarçada. C. não poderá exceder o prazo de quinze dias, sem possibilidade de renovação. D. não poderá ser realizada no período noturno. E. não poderá ser utilizada, mesmo que em matéria de defesa, se feita por um dos interlocutores sem o prévio conhecimento da autoridade policial ou do Ministério Público. Gab. B. § 3º A captação ambiental não poderá exceder o prazo de 15 (quinze) dias, renovável por decisão judicial por iguais períodos, se comprovada a indispensabilidade do meio de prova e quando presente atividade criminal permanente, habitual ou continuada. 38 Diferentemente da interceptação telefônica para prorrogação da captação, terá de provar que o crime é permanente, habitual ou continuado, requisito esse, que não possui na interceptação telefônica. § 4º (VETADO). § 4º A captação ambiental feita por um dos interlocutores sem o prévio conhecimento da autoridade policial ou do Ministério Público poderá ser utilizada, em matéria de defesa, quando demonstrada a integridade da gravação. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) O parágrafo quarto trata-se de um dispositivo que visa limitar a utilização de gravações ambientais feita por um dos interlocutores sem o conhecimento da autoridade policial ou do Ministério Público como meio de prova da acusação. Admitindo-se, contudo, em matéria de defesa. Todavia, tal dispositivo se demonstra inócuo, visto que a ciência da medida por parte da autoridade policial ou Ministério Público não é requisito de validade da gravação ambiental. Embora exista essa crítica, deve- se levar em consideração a literalidade da lei para fins de provas objetivas. § 5º Aplicam-se subsidiariamente à captação ambiental as regras previstas na legislação específica para a interceptação telefônica e telemática. (Incluído pela Lei nº 13.964 de 2019). Cuidado. A interceptação ambiental e escuta ambiental como regra terão que ter autorização judicial, no entanto não será necessária autorização quando se tratar de um lugar público, sem expectativa de publicidade. - Local público sem expectativa de privacidade: A via pública, uma instituição financeira, etc. Não necessita de autorização judicial. - Local público com expectativa de privacidade: Gabinete do Delegado de polícia, conversa com padre, etc. Será necessária autorização judicial. - Local privado: Exemplo casa. A casa possui proteção constitucional específica, neste caso necessitando de autorização judicial. Art. 8º- A. A gravação ambiental segundo a própria jurisprudência, dispensa autorização judicial. Questão de Ordem no RE 583.937/RJ. Bem como dispõe a própria Lei; Art. 10-A, § 1º Não há crime se a captação é realizada por um dos interlocutores. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) Candidato, a gravação clandestina de conversa mantida entre policiais e o investigado (interrogatório sub-reptício) é considerada lícita? Essa prova é ilícita por ferir o princípio constitucional e convencional da não autoincriminação (nemo tenetur se detegere) – STF, HC 80.949. 39 3.3. CAPTAÇÃO AMBIENTAL ILEGAL Art. 10-A. Realizar captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos para investigação ou instrução criminal sem autorização judicial, quando esta for exigida: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) A captação ambiental ilegal será punida pelo novo Art. 10 – A, e não pelo Art. 10 caput. RELEMBRANDO: Tipo de Crime Descrição Base Legal Interceptação Telefônica Ilícita Realização de interceptação sem autorização judicial. Art. 10, Lei 9.296/96 Captação Ambiental Ilícita Realização de captação de sons em local privado sem autorização. Art. 10 –A, Lei 9.296/96 Divulgar Trecho de Interceptação Telefônica Lícita Divulgação indevida de informações de interceptação que foram legalmente obtidas. Art. 28 da Lei 13.869/19 Divulgar Trecho de Interceptação Ambiental Lícita Divulgação indevida de informações de captação ambiental que foram legalmente obtidas. Art. 10 –A, § 2º da Lei 9.296/96 4. PACOTE ANTICRIME O que fez o Pacote Anticrime em relação a Lei de Interceptações Telefônicas? Acrescentou os arts. 8º-A e 10-A, que passou a regulamentar a captação ambiental e a tipificar um novo tipo penal, respectivamente. Dessa forma, temos que a Lei n. 13.964/2019 trouxe a regulamentação da captação ambiental e tipificou como crime a seguinte conduta: “captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos para investigação ou instrução criminal sem autorização judicial, quando esta for exigida”, exceto se a conduta for realizada por um dos interlocutores. Nesse sentido, vejamos a redação acrescida ao dispositivo legal: Lei n. 13.964/2019, Art. 8-A da Lei nº 9.296, de 24 de julho de 1996, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 8º-A e 10-A. Art. 8º-A. Para investigação ou instrução criminal, poderá ser autorizada pelo juiz31, a requerimento da autoridade policial ou do Ministério Público, a captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos, quando: 31 Cláusula de Reserva de Jurisdição: Segundo o Min. Celso de Mello no julgamento do MS 23452/RJ , o postulado de reserva constitucional de jurisdição importa em submeter, à esfera única de decisão dos magistrados, a prática de determinados atos cuja realização, 40 I - a prova não puder ser feita por outros meios disponíveis e igualmente eficazes; e II - houver elementos probatórios razoáveis de autoria e participação em infrações criminais cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos ou em infrações penais conexas. § 1º O requerimento deverá descrever circunstanciadamente o local e a forma de instalação do dispositivo de captação ambiental. § 2º A instalação do dispositivo de captação ambiental poderá ser realizada, quando necessária, por meio de operação policial disfarçada ou no período noturno, exceto na casa, nos termos do inciso XI do caput do art. 5º da Constituição Federal. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019)– acrescido após a Derrubada dos Vetos. § 3º A captação ambiental não poderá exceder o prazo de 15 (quinze) dias, renovável por decisão judicial por iguais períodos, se comprovada a indispensabilidade do meio de prova e quando presente atividade criminal permanente, habitual ou continuada. § 4º A captação ambiental feita por um dos interlocutores sem o prévio conhecimento da autoridade policial ou do Ministério Público poderá ser utilizada, em matéria de defesa, quando demonstrada a integridade da gravação. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência) – acrescido após a Derrubada dos Vetos. § 5º Aplicam-se subsidiariamente à captação ambiental as regras previstas na legislação específica para a interceptação telefônica e telemática.” Art. 10-A. Realizar captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos para investigação ou instrução criminal sem autorização judicial, quando esta for exigida: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. § 1º Não há crime se a captação é realizada por um dos interlocutores. § 2º A pena será aplicada em dobro ao funcionário público que descumprir determinação de sigilo das investigações que envolvam a captação ambiental ou revelar o conteúdo das gravações enquanto mantido o sigilo judicial. Com as alterações ocasionadas pelo Pacote Anticrime, a Lei de Interceptações Telefônicas passou a regulamentar a captação ambiental expressamente, bem como, criminalizar a conduta de realizar captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos para investigação ou instrução criminal sem autorização judicial, quando esta for exigida, salvo quando a captação for realizada por um dos interlocutores. O art. 8-A passou a regulamentar a captação ambiental. De início, reforçou o seu caráter subsidiário ao dispor que a prova somente será realizada quando não puder ser feita por outros meios disponíveis e igualmente eficazes. Além disso, fez exigência expressa da existência de elementos probatórios razoáveis de autoria e participação em infrações criminais cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos ou em infrações penais conexas, para a decretação da medida. Denota-se que os requisitos se assemelham aos da interceptação telefônica 32. por efeito de explícita determinação constante do próprio texto da Carta Política , somente pode emanar do juiz, e não de terceiros, inclusive daqueles a quem haja eventualmente atribuído o exercício de poderes de investigação próprios das autoridades judiciais. 32 Lei n. 9.296/96. Art. 2° Não será admitida a interceptação de comunicações telefônicas quando ocorrer qualquer das seguintes hipóteses: I - não houver indícios razoáveis da autoria ou participação em infração penal; II - a prova puder ser feita por outros meios disponíveis; III - o fato investigado constituir infração penal punida, no máximo, com pena de detenção. Parágrafo único. Em qualquer hipótese deve ser descrita com clareza a situação objeto da investigação, inclusive com a indicação e qualificação dos investigados, salvo impossibilidade manifesta, devidamente justificada. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art7 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art7 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019-2022/2019/Lei/L13964.htm#art20 http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/155571402/constituição-federal-constituição-da-republica-federativa-do-brasil-1988 41 O requerimento da medida deverá descrever circunstanciadamente o local e a forma de instalação do dispositivo de captação ambiental. A instalação de dispositivo de captação ambiental poderá ser realizada por meio de operação policial disfarçada e poderá ser realizada no período noturno, SALVO se o local da instalação for considerado casa conforme o inciso XI do artigo 5º da Constituição Federal. No que se refere ao prazo, não poderá exceder o prazo de 15 (quinze) dias, renovável por decisão judicial por iguais períodos, se comprovada a indispensabilidade do meio de prova e quando presente atividade criminal permanente, habitual ou continuada. Em relação a utilização de gravação ambiental feita por um dos interlocutores sem o conhecimento por parte da autoridade de polícia e do Ministério Público, o Pacote Anticrime restringiu seu uso unicamente à defesa. Muitos alegam que tal disposição é inconstitucional e fere o princípio da paridade de armas do Processo Penal. Deve-se considerar, entretanto, a nova redação em sua literalidade para fins de provas objetivas enquanto os tribunais superiores não se manifestam sobre o tema. Por fim, dispôs sobre a aplicação subsidiária das regras referente a interceptação telefônica. Dessa forma, naquilo que foi silente, aplicar-se-á as regras previstas para o procedimento da interceptação telefônica a captação ambiental. Insta reforçarmos que a medida deverá ser decretada para fins de investigação ou instrução criminal. O art. 10-A passou a prevê uma nova figura criminosa, consistente na conduta de realizar captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos para investigação ou instrução criminal sem autorização judicial, quando esta for exigida. O tipo penal prevê uma pena de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, além da multa. Incabível a suspensão condicional do processo, pois a pena mínima cominada ultrapassa 1 ano (art. 89 da Lei n. 9.099/95). O §1º disciplina que “não há crime se a captação é realizada por um dos interlocutores”. O § 2º, por sua vez, trouxe uma causa de aumento de pena. Conforme dispositivo legal, a pena será aplicada em dobro ao funcionário público que descumprir determinação de sigilo das investigações que envolvam a captação ambiental ou revelar o conteúdo das gravações enquanto mantido o sigilo judicial. Constitui causa especial de aumento de pena que deverá incidir na terceira fase do critério trifásico da dosimetria da pena disposto no art. 68 do Código Penal. 42 Cumpre destacarmos ainda que a alteração produzida na Lei de Interceptações Telefônicas trata- se de novatio legis in pejus33, ou seja, refere-se a norma penal que prejudica a situação do acusado/réu, isto porque criou uma nova figura criminosa (art. 10-A), a conduta de realizar captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos para investigação ou instrução criminal sem autorização judicial, quando esta for exigida, salvo quando a captação for realizada por um dos interlocutores. Em se tratando de novatio legis in pejus, deve respeitar a regra constitucional-penal da irretroatividade da lei penal prejudicial. Nessa perspectiva, a regra da retroatividade benéfica ou irretroatividade prejudicial trata-se de uma garantia fundamental, albergada na Constituição de 1988, no inciso XL do art. 5°, o qual dispõe que “a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu”. Esse é também o conceito que se contém no âmbito normativo internacional, valendo registrar, nesse sentido, que a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), em seu art. 9. Vejamos: Artigo 9° Princípio da legalidade e da retroatividade Ninguém poderá ser condenado por atos ou omissões que, no momento em que foram cometidos, não constituam delito, de acordo com o direito aplicável. Tampouco poder- se-á impor pena mais grave do que a aplicável no momento da ocorrência do delito. Se, depois de perpetrado o delito, a lei estipular a imposição de pena mais leve, o deliquente deverá dela beneficiar-se. Por fim, e não menos importante, destaca-se que a Lei n. 13.964/2019 trouxe um prazo de vacatio legis de 30 dias. 4.1. ANÁLISE PONTUAL – ALTERAÇÕES NA LEI DE INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS – LEI N. 9.296/96. Art. 8-A e Art. 10-A, da Lei de Interceptações Telefônicas – Lei n. 9.296/96. Redação Anterior Nova Redação – Pacote Anticrime Sem dispositivo correspondente.Art. 8º-A. Para investigação ou instrução criminal, poderá ser autorizada pelo juiz, a requerimento da autoridade policial ou do Ministério Público, a captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos, quando: I - a prova não puder ser feita por outros meios disponíveis e igualmente eficazes; e II - houver elementos probatórios razoáveis de autoria e participação em infrações criminais cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos ou em infrações penais conexas. § 1º O requerimento deverá descrever circunstanciadamente o local e a forma de instalação do dispositivo de captação ambiental. 33 O fenômeno jurídico da novatio legis in pejus refere-se à lei nova mais severa do que a anterior. Ante o princípio da retroatividade da lei penal benigna, a novatio legis in pejus não tem aplicação na esfera penal brasileira. 43 § 2º (VETADO). § 2º A instalação do dispositivo de captação ambiental poderá ser realizada, quando necessária, por meio de operação policial disfarçada ou no período noturno, exceto na casa, nos termos do inciso XI do caput do art. 5º da Constituição Federal. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) § 3º A captação ambiental não poderá exceder o prazo de 15 (quinze) dias, renovável por decisão judicial por iguais períodos, se comprovada a indispensabilidade do meio de prova e quando presente atividade criminal permanente, habitual ou continuada. § 4º (VETADO). § 4º A captação ambiental feita por um dos interlocutores sem o prévio conhecimento da autoridade policial ou do Ministério Público poderá ser utilizada, em matéria de defesa, quando demonstrada a integridade da gravação. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) § 5º Aplicam-se subsidiariamente à captação ambiental as regras previstas na legislação específica para a interceptação telefônica e telemática. Sem dispositivo correspondente. Art. 10-A. Realizar captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos para investigação ou instrução criminal sem autorização judicial, quando esta for exigida: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. § 1º Não há crime se a captação é realizada por um dos interlocutores. § 2º A pena será aplicada em dobro ao funcionário público que descumprir determinação de sigilo das investigações que envolvam a captação ambiental ou revelar o conteúdo das gravações enquanto mantido o sigilo judicial. 5. CRIME DE CATÁLOGO Candidato, em que consiste o crime de catálogo? O chamado crime de catálogo no âmbito da Lei de Interceptação Telefônica (Lei 9.296/1996) refere-se ao tipo de infração penal que autoriza a decretação de interceptação telefônica como meio de prova, em consonância com os limites estabelecidos no art. 2º da referida lei. Conceito e Aplicação De acordo com o art. 2º da Lei de Interceptação Telefônica, a interceptação de comunicações telefônicas só pode ser admitida para investigações criminais quando: a) Houver indícios razoáveis da autoria ou participação em infrações penais; b) Não for possível obter a prova por outros meios (caráter subsidiário); c) A infração penal investigada tiver uma pena de reclusão. Portanto, crimes de catálogo são aqueles que se enquadram nesse terceiro requisito. Em outras palavras, somente crimes punidos com pena de reclusão podem justificar o uso da interceptação 44 telefônica. Crimes com penas de detenção, como delitos de menor gravidade (contravenções, por exemplo), estão excluídos desse meio de prova, formando, assim, uma espécie de "catálogo" implícito de crimes mais graves que permitem a interceptação. Fonte Histórica A origem histórica da expressão "crime de catálogo" pode ser rastreada a legislações de outros países, particularmente a legislação norte-americana, que influenciou o desenvolvimento das normas de interceptação de comunicações telefônicas no Brasil. Nos Estados Unidos, o Title III of the Omnibus Crime Control and Safe Streets Act of 1968estabelece um "catálogo" de crimes graves (como homicídio, tráfico de drogas, sequestro) que autorizam a interceptação. No Brasil, a Lei 9.296/1996, ao limitar a interceptação telefônica a infrações penais punidas com reclusão e excluir as de detenção, cria uma seleção implícita de crimes, formando o que se convencionou chamar de crime de catálogo. Resumo Assim, os crimes de catálogo são aqueles punidos com reclusão e que, por sua gravidade, permitem a utilização da interceptação telefônica como meio de prova, excluindo delitos menos graves (punidos com detenção). A base histórica desse conceito encontra-se em legislações estrangeiras que serviram de inspiração para a criação de limites e critérios na interceptação de comunicações como ferramenta investigativa. Corroborando ao exposto, explica Klaus Negri, Fábio Roque e Nestor Távora (2024, pág.787): O Código de Processo Penal de Portugal, no seu art. 187, dispõe sobre as “escutas telefónicas”, trazendo expressamente os crimes que admitem referido meio de investigação. Diante disso, a doutrina portuguesa adota a expressão “crime de catálogo” quando se menciona um delito que admite a interceptação telefônica, já que eles estão, na lei, num catálogo, isto é, num rol. Ex.: crimes puníveis com prisão máxima superior a 3 anos, tráfico de drogas, contrabando etc. No Brasil, utilizou-se, certa feita, referida expressão para mencionar os crimes que admitem interceptação telefônica (STF, HC n° 100.524/PR, rel. p/ ac. Min. Joaquim Barbosa, j. 27.03.12). Nota-se que tal expressão não possui muito sentido no Brasil, já que a Lei n° 9.296/96 não traz um catálogo (um rol) de crimes que admite a interceptação telefônica, mas apenas requisitos gerais de cabimento (art. 2°). Tanto é assim que, em Portugal, há intensa discussão sobre a inclusão e a interpretação dos crimes catalogados na lei que admitem interceptação telefônica - algo parecido com o que se dá, no Brasil, em relação à inclusão e interpretação dos crimes Lei de Crimes Hediondos. 45 6. INFORMATIVOS O espólio possui legitimidade para contestar a validade de interceptações telefônicas em processo penal, mesmo após o falecimento do acusado, especialmente quando tais provas impactam significativamente o patrimônio dos herdeiros em ações de improbidade Embora a extinção da punibilidade pelo falecimento do agente encerre sua responsabilidade penal, não se elimina a necessidade de resolver pendências civis e indenizatórias. Essas questões perduram até que se obtenha uma resolução que esteja em conformidade com o direito substantivo e processual aplicável. Assim, o espólio e os herdeiros do falecido podem ser convocados a responder pelas consequências civis de seus atos, garantindo justiça e a devida reparação às partes afetadas. Conforme o art. 107, I, do CP, a morte do agente extingue sua punibilidade. No entanto, isso não elimina os efeitos civis de decisões anteriores que repercutem sobre o patrimônio do espólio. Portanto, apesar de a responsabilidade penal ser extinta, os impactos patrimoniais de decisões em ações penais ou de improbidade administrativa — que se basearam em interceptações — podem continuar afetando o espólio. STJ. 5ª Turma. AREsp 2.384.044-SP, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 11/6/2024 (Info 816). A interceptação telefônica demanda ordem judicial fundamentada em elementos concretos que justifiquem sua necessidade, bem como que afastem a possibilidade de obtenção das provas por outros meios O STJ entende que é lícita a autorização para interceptação telefônica quando observados os ditames normativos previstos na Lei nº 9.296/96 e, dentre eles, o de haver indícios razoáveis da prática de delitos penais punidos com reclusão e não haver possibilidade de a prova ser obtida por outros meios. No caso, todos os requisitos e critérios legais foram observados. As instâncias ordinárias evidenciaram aimprescindibilidade da interceptação ao apontar que Daniel e os corréus estavam envolvidos no tráfico de grandes quantidades de entorpecentes. Os elementos probatórios indicavam a movimentação de drogas entre diferentes estados e a estreita ligação do recorrente com os demais membros da organização. A interceptação telefônica permitiu rastrear essa rede de contatos e obter provas concretas da atuação conjunta nos crimes investigados. STJ. 6ª Turma.AgRg no RHC 183.085-SP, Rel. Min.Antonio Saldanha Palheiro, julgado em 16/4/2024 (Info 809). É possível a fundamentação per relationem para decretar ou prorrogar a interceptação telefônica, desde que o magistrado faça considerações autônomas, ainda que sucintas, justificando a medida. Em decisões que autorizem a interceptação das comunicações telefônicas de investigados, é inválida a utilização da técnica da fundamentação per relationem (por referência) sem tecer nenhuma consideração autônoma, ainda que sucintamente, justificando a indispensabilidade da autorização de inclusão ou de prorrogação de terminais em diligência de interceptação telefônica. STJ. 6ª Turma. RHC 119342-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 20/09/2022 (Info 751). Não comete o crime do art. 10 da Lei 9.296/96 o advogado que grava escondido o depoimento do seu cliente prestado em procedimento de investigação criminal. Situação adaptada: o Ministério Público instaurou procedimento de investigação criminal e notificou o investigado para ser interrogado no órgão. O investigado compareceu acompanhado de sua advogada. A profissional gravou o depoimento com um gravador próprio que estava dentro de sua bolsa. Posteriormente, o MP soube que houve essa gravação e iniciou investigação contra a advogada pela suposta prática do crime previsto no art. 10 da Lei nº 9.296/96: 46 Art. 10. Constitui crime realizar interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou telemática, promover escuta ambiental ou quebrar segredo da Justiça, sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. O STJ não concordou e determinou o trancamento do PIC. A gravação ambiental em que advogados participam do ato, na presença do inquirido e dos representantes do Ministério Público, inclusive se manifestando oralmente durante a sua realização, ainda que clandestina ou inadvertida, realizada por um dos interlocutores, não configura crime, escuta ambiental, muito menos interceptação telefônica. STJ. 5ª Turma. HC 662690-RJ, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em 17/05/2022 (Info 737) A conversão do conteúdo das interceptações telefônicas em formato escolhido pela defesa não é ônus atribuído ao Estado. Caso concreto: o juízo disponibilizou acesso integral aos arquivos digitais com os áudios das interceptações telefônicas. Ocorre que a defesa pediu para ter acesso aos arquivos do sistema Vigia, software utilizado pelas companhias de telefonia para viabilizar os procedimentos de interceptação telefônica autorizados pela Justiça no curso de investigações criminais. O pedido se fundou em alegada quebra de cadeia de custódia da prova, cuja comprovação, segundo a defesa, depende de acesso aos dados armazenados pelas operadoras de telefonia no mencionado sistema. A Lei nº 9.296/96 exige apenas que se confira às partes acesso aos diálogos interceptados. No caso concreto, os elementos de prova estão disponíveis para a defesa, de maneira que não se pode falar em vício por ser um formato de arquivo preferível a outro. A disponibilização dos arquivos com os diálogos interceptados supre a demanda da defesa quanto ao acesso do conteúdo das interceptações, em observância às garantias constitucionais no âmbito do processo penal democrático, não sendo viável a imposição de ônus ao Estado quanto à conversão dos arquivos digitais contendo os elementos de prova para o formato mais conveniente para a defesa. O reconhecimento do vício depende de demonstração concreta do prejuízo suportado pela parte, o que não ocorreu no caso sob exame. A alegação de quebra de cadeia de custódia é feita de forma genérica e, portanto, não traz elementos que permitam vislumbrar qualquer ocorrência que comprometa a idoneidade das provas. STJ. 5ª Turma. AgRg no RHC 155813-PE, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, julgado em 15/02/2022 (Info 731). É ilegal a quebra do sigilo telefônico mediante a habilitação de chip da autoridade policial em substituição ao do investigado titular da linha. A Lei nº 9.296/96 não autoriza a suspensão do serviço telefônico ou do fluxo da comunicação telemática mantida pelo usuário, tampouco a substituição do investigado e titular da linha por agente indicado pela autoridade policial. STJ. 6ª Turma. REsp 1806792-SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 11/05/2021 (Info 696). É lícita a gravação ambiental realizada por um dos interlocutores sem o conhecimento do outro. As inovações do Pacote Anticrime na Lei n. 9.296/1996 não alteraram o entendimento de que é lícita a prova consistente em gravação ambiental realizada por um dos interlocutores sem conhecimento do outro. STJ. 6ª Turma. HC 512290-RJ, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 18/08/2020 (Info 677). Obs.: o julgado acima foi proferido antes da derrubada dos vetos relativos ao Pacto Anticrime (Lei nº 13.964/2019). Depois que o Congresso Nacional rejeitou a maioria dos vetos, entrou em vigor o § 4º do 47 art. 8º-A da Lei nº 9.296/96, inserido pela Lei nº 12.964/2019. Veja o que diz esse dispositivo que, repito, é posterior ao julgado do STJ: Art. 8º-A (...) § 4º A captação ambiental feita por um dos interlocutores sem o prévio conhecimento da autoridade policial ou do Ministério Público poderá ser utilizada, em matéria de defesa, quando demonstrada a integridade da gravação. Assim, pela redação literal do dispositivo, a gravação ambiental realizada por um dos interlocutores sem o conhecimento do outro só poderá ser utilizada em matéria de defesa. Não seria possível utilizá-la para imputar crimes ao outro interlocutor que não sabe que está sendo gravado. Logo, pela redação literal do dispositivo, teria havido mudança naquilo que se entendia na jurisprudência. No mesmo sentido: É lícita a prova consistente em gravação ambiental realizada por um dos interlocutores sem conhecimento do outro. STF. Plenário. RE 583937 QO-RG, Rel. Min. Cezar Peluso, 19/11/2009 (Reperc. Geral – Tema 237). É dever do Estado a disponibilização da integralidade das conversas advindas nos autos de forma emprestada, sendo inadmissível a seleção pelas autoridades de persecução de partes dos áudios interceptados. Situação concreta: durante uma investigação para apurar tráfico de drogas, o juiz da vara criminal decretou a interceptação telefônica dos suspeitos. Durante os diálogos, constatou-se a participação de um militar. O militar foi, então, denunciado na Justiça Militar. Os diálogos interceptados foram juntados aos autos do processo penal militar como prova emprestada, oriundos da vara criminal. Ocorre que o juiz da vara criminal não remeteu à Justiça Militar a integralidade dos áudios, mas apenas os trechos em que se entendia que havia a participação do militar. O STJ entendeu que esse procedimento não foi correto. Isso porque houve “quebra da cadeia de custódia da prova”. A cadeia de custódia da prova consiste no caminho que deve ser percorrido pela prova até a sua análise pelo magistrado, sendo certo que qualquer interferência indevida durante esse trâmite processual pode resultar na sua imprestabilidade (RHC 77.836/PA, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em 05/02/2019). A defesa deve ter acesso à integralidade das conversas advindas nos autos de forma emprestada, sendo inadmissível que as autoridades de persecução façam a seleção dos trechos que ficarão no processo e daqueles que serãoextraídos. A apresentação de somente parcela dos áudios, cuja filtragem foi feita sem a presença do defensor, acarreta ofensa ao princípio da paridade de armas e ao direito à prova, porquanto a pertinência do acervo probatório não pode ser realizada apenas pela acusação, na medida em que gera vantagem desarrazoada em detrimento da defesa. STJ. 6ª Turma. REsp 1.795.341-RS, Rel. Min. Nefi Cordeiro, julgado em 07/05/2019 (Info 648). Obs.: vale ressaltar que o caso acima explicado trata sobre falta de acesso à integralidade da interceptação telefônica e não sobre falta de transcrição ou degravação integral das conversas obtidas. O entendimento da jurisprudência do STF e do STJ é o de que não é obrigatória a transcrição integral do conteúdo das interceptações telefônicas. Isso não foi alterado pelo julgado acima, que trata sobre hipótese diferente. STF retifica ementa de acórdão deixando expresso o entendimento de que, em regra, não é necessária a transcrição integral das interceptações. 48 O Plenário do STF reafirmou o entendimento de que não é imprescindível que a transcrição de interceptações telefônicas seja feita integralmente, salvo nos casos em que esta for determinada pelo relator do processo. Além disso, acolheu o pedido do MP para que a redação da ementa do acórdão seja revista com o objetivo de ser mais clara sobre o entendimento do STF e afastar a ambiguidade. STF. Plenário. AP 508 AgR/AP, rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 08/02/2019. Constitucionalidade da Resolução 36/2009-CNMP. É constitucional a Resolução 36/2009 do CNMP, que dispõe sobre o pedido e a utilização de interceptações telefônicas, no âmbito do Ministério Público, nos termos da Lei nº 9.296/96. A norma foi editada no exercício das atribuições previstas diretamente no art. 130-A, § 2º, I e II, da CF/88. A Resolução apenas regulamentou questões administrativas e disciplinares relacionadas ao procedimento de interceptação telefônica, sem adentrar em matéria de direito penal, processual ou relativa a nulidades. Não foram criados novos “requisitos formais de validade” das interceptações. Tanto isso é verdade que a inobservância dos preceitos contidos na resolução não constitui causa de nulidade, mas sim motivo para a instauração de procedimento administrativo disciplinar contra o agente público infrator, pois consistem em regras ligadas aos deveres funcionais de sigilo na atuação ministerial. A independência funcional do MP foi preservada. A resolução não impõe uma linha de atuação ministerial, apenas promove a padronização formal mínima dos ritos adotados nos procedimentos relacionados a interceptações telefônicas, em consonância com as regras previstas na Lei nº 9.296/96.STF. Plenário. ADI 4263/DF, Rel. Min. Roberto Barroso, julgado em 25/4/2018 (Info 899). É inconstitucional Resolução do CNJ que proíbe o juiz de prorrogar a interceptação telefônica durante o plantão judiciário ou durante o recesso do fim de ano. A Resolução 59/2008 do CNJ disciplina e uniformiza o procedimento de interceptação de comunicações telefônicas e de sistemas de informática e telemática nos órgãos jurisdicionais do Poder Judiciário. Foi proposta uma ADI contra esse ato normativo. O STF decidiu que essa Resolução é constitucional, com exceção do § 1º do art. 13, que prevê o seguinte: “§ 1º Não será admitido pedido de prorrogação de prazo de medida cautelar de interceptação de comunicação telefônica, telemática ou de informática durante o plantão judiciário, ressalvada a hipótese de risco iminente e grave à integridade ou à vida de terceiros, bem como durante o Plantão de Recesso previsto artigo 62 da Lei nº 5.010/66”. Em relação ao § 1º do art. 13 da Resolução 59/2008, o CNJ extrapolou sua competência normativa, adentrando em seara que lhe é imprópria. Essa previsão violou: a) a competência dos Estados para editar suas leis de organização judiciária (art. 125, § 1º, da CF/88); b) a competência legislativa na União para a edição de normas processuais (art. 22, I); c) a norma constante do art. 5º, XXXV, da CF, no que respeita à inafastabilidade da jurisdição. STF. Plenário. ADI 4145/DF, Rel. Min. Edson Fachin, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 26/4/2018 (Info 899). “Denúncia anônima”, quebra de sigilo e renovação das interceptações. Segundo a jurisprudência do STJ e do STF, não há ilegalidade em iniciar investigações preliminares com base em "denúncia anônima" a fim de se verificar a plausibilidade das alegações contidas no documento apócrifo. 49 A Polícia, com base em diligências preliminares para atestar a veracidade dessas “denúncias” e também lastreada em informações recebidas pelo Ministério da Justiça e pela CGU, requereu ao juízo a decretação da interceptação telefônica do investigado. O STF entendeu que a decisão do magistrado foi correta considerando que a decretação da interceptação telefônica não foi feita com base unicamente na "denúncia anônima" e sim após a realização de diligências investigativas e também com base nas informações recebidas dos órgãos públicos de fiscalização. Renovação das interceptações A Lei nº 9.296/96 prevê que a interceptação telefônica "não poderá exceder o prazo de quinze dias, renovável por igual tempo uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova." (art. 5º). A interceptação telefônica não pode exceder 15 dias. Contudo, pode ser renovada por igual período, não havendo restrição legal ao número de vezes para tal renovação, se comprovada a sua necessidade. STF. 2ª Turma. RHC 132115/PR, Rel. Min. Dias Tóffoli, julgado em 6/2/2018 (Info 890). Crime Achado. O réu estava sendo investigado pela prática do crime de tráfico de drogas. Presentes os requisitos constitucionais e legais, o juiz autorizou a interceptação telefônica para apurar o tráfico. Por meio dos diálogos, descobriu-se que o acusado foi o autor de um homicídio. A prova obtida a respeito da prática do homicídio é LÍCITA, mesmo a interceptação telefônica tendo sido decretada para investigar outro delito que não tinha relação com o crime contra a vida. Na presente situação, tem-se aquilo que o Min. Alexandre de Moraes chamou de “crime achado”, ou seja, uma infração penal desconhecida e não investigada até o momento em que, apurando-se outro fato, descobriu- se esse novo delito. Para o Min. Alexandre de Moraes, a prova é considerada lícita, mesmo que o “crime achado” não tenha relação (não seja conexo) com o delito que estava sendo investigado, desde que tenham sido respeitados os requisitos constitucionais e legais e desde que não tenha havido desvio de finalidade ou fraude. STF. 1ª Turma. HC 129678/SP, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o ac. Min. Alexandre de Moraes, julgado em 13/6/2017 (Info 869). Se após a denúncia anônima houve investigação preliminar, poderá ser decretada a a interceptação telefônica Após receber diversas denúncias de fraudes em licitações realizadas no Município, o Ministério Público Estadual promoveu diligências preliminares e instaurou Procedimento Investigativo. Segundo a jurisprudência do STJ e do STF, não há ilegalidade em iniciar investigações preliminares com base em "denúncia anônima" a fim de se verificar a plausibilidade das alegações contidas no documento apócrifo. Após confirmar a plausibilidade das "denúncias", o MP requereu ao juízo a decretação da interceptação telefônica dos investigados alegando que não havia outro meio senão a utilização de tal medida, como forma de investigação dos supostos crimes. O juiz acolheu o pedido. O STJ e o STF entenderam que a decisão do magistrado foi correta considerando que a decretação da interceptação telefônica não foi feita com base unicamente na "denúncia anônima" e sim após a realização de diligências investigativas por parte do Ministério Público e a constatação de que a interceptação era indispensável neste caso.STJ. 6ª Turma. RHC 38.566/ES, Rel. Min. Ericson Maranho (Des. Conv. do TJ/SP), 19/11/2015. STF. 2ª Turma. HC 133148/ES, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 21/2/2017 (Info 855). Renovação das interceptações. A Lei nº 9.296/96 prevê que a interceptação telefônica "não poderá exceder o prazo de quinze dias, renovável por igual tempo uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova." (art. 5º). A interceptação telefônica não pode exceder 15 dias. Contudo, pode ser renovada por igual período, não https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/6adbe8b2ab3a52e619c526eff905468a?categoria=12&subcategoria=131 50 havendo restrição legal ao número de vezes para tal renovação, se comprovada a sua necessidade. STF. 2ª Turma. HC 133148/ES, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado em 21/2/2017 (Info 855). Interceptação do número do advogado do investigado e consequências processuais. O simples fato de o advogado do investigado ter sido interceptado não é causa, por si só, para gerar a anulação de todo o processo e da condenação que foi imposta ao réu. Se o Tribunal constatar que houve indevida interceptação do advogado do investigado e que, portanto, foram violadas as prerrogativas da defesa, essa situação poderá gerar três consequências processuais: 1ª) Cassação ou invalidação do ato judicial que determinou a interceptação; 2ª) Invalidação dos atos processuais subsequentes ao ato atentatório e com ele relacionados; 3ª) Afastamento do magistrado caso se demonstre que, ao assim agir, atuava de forma parcial. Se o próprio juiz, ao perceber que o advogado do investigado foi indevidamente "grampeado", anula as gravações envolvendo o profissional e, na sentença, não utiliza nenhuma dessas conversas nem qualquer prova derivada delas, não há motivo para se anular a condenação imposta. STF. 2ª Turma. HC 129706/PR, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 28/6/2016 (Info 832). Validade da interceptação decretada por Juiz da Central de Inquéritos Criminais que não será o competente para julgar a ação penal. É possível que a interceptação telefônica seja decretada por um juiz que atue em Vara de Central de Inquéritos Criminais mesmo que ele não seja o competente para conhecer da futura ação penal que será proposta. Não há, neste caso, nulidade na prova colhida, nem violação ao art. 1º da Lei nº 9.296/96, considerando que este dispositivo não fixa regra de competência, mas sim reserva de jurisdição para quebra do sigilo das comunicações. Em outras palavras, ele não trata sobre qual juízo é competente, mas apenas quer dizer que a interceptação deve ser decretada pelo magistrado (Poder Judiciário). Admite-se a divisão de tarefas entre juízes que atuam na fase de inquérito e na fase da ação penal. Assim, um juiz pode atuar na fase pré- processual decretando medidas que dependam da intervenção do Poder Judiciário, como a interceptação telefônica, mesmo que ele não seja o competente para julgar a ação penal que será proposta posteriormente. STF. 2ª Turma. HC 126536/ES, Rel. Min. Teori Zavascki, julgado em 1º/3/2016 (Info 816). Possibilidade de compartilhamento das provas obtidas em outro processo criminal. O fato de a interceptação telefônica ter visado elucidar outra prática delituosa não impede a sua utilização em persecução criminal diversa por meio do compartilhamento da prova. STF. 1ª Turma. HC 128102/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 9/12/2015 (Info 811). Ausência de autos apartados configura mera irregularidade. Segundo o art. 8º da Lei 9.296/96, o procedimento de interceptação telefônica (requerimento, decisão, transcrição dos diálogos etc.) deverá ser instrumentalizado em autos apartados. Haverá nulidade caso a interceptação não seja formalizada em autos apartados? NÃO. Preenchidas as exigências previstas na Lei nº 9.296/96 (ex: autorização judicial, prazo etc.), não deve ser considerada ilícita a interceptação telefônica pela simples ausência de autuação. A ausência de autos apartados configura mera irregularidade que não viola os elementos essenciais à validade da interceptação. STF. 1ª Turma. HC 128102/SP, Rel. Min. Marco Aurélio, julgado em 9/12/2015 (Info 811). Desnecessidade de transcrição integral dos diálogos captados. https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/88bfcf02e7f554f9e9ea350b699bc6a7?categoria=12&subcategoria=131 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/46a558d97954d0692411c861cf78ef79?categoria=12&subcategoria=131 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/46a558d97954d0692411c861cf78ef79?categoria=12&subcategoria=131 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/778609db5dc7e1a8315717a9cdd8fd6f?categoria=12&subcategoria=131 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/f976b57bb9dd27aa2e7e7df2825893a6?categoria=12&subcategoria=131 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/6211080fa89981f66b1a0c9d55c61d0f?categoria=12&subcategoria=131 51 Não é necessária a transcrição integral das conversas interceptadas, desde que possibilitado ao investigado o pleno acesso a todas as conversas captadas, assim como disponibilizada a totalidade do material que, direta e indiretamente, àquele se refira, sem prejuízo do poder do magistrado em determinar a transcrição da integralidade ou de partes do áudio. STF. Plenário. Inq 3693/PA, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgado em 10/4/2014 (Info 742). Indícios de autoria surgidos fortuitamente durante interceptação. A sentença de pronúncia pode ser fundamentada em indícios de autoria surgidos, de forma fortuita, durante a investigação de outros crimes no decorrer de interceptação telefônica determinada por juiz diverso daquele competente para o julgamento da ação principal. STJ. 5ª Turma. REsp 1.355.432-SP, Rel. Min. Jorge Mussi, Rel. para acórdão Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 21/8/2014 (Info 546). Gravação realizada pela mãe da conversa telefônica do filho menor com o autor do crime. Em processo que apure a suposta prática de crime sexual contra adolescente absolutamente incapaz, é admissível a utilização de prova extraída de gravação telefônica efetivada a pedido da genitora da vítima, em seu terminal telefônico, mesmo que solicitado auxílio técnico de detetive particular para a captação das conversas. STJ. 6ª Turma. REsp 1.026.605-ES, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 13/5/2014 (Info 543). Interceptação telefônica e gravação de conversa do investigado com seu advogado . As comunicações telefônicas do investigado legalmente interceptadas podem ser utilizadas para formação de prova em desfavor do outro interlocutor, ainda que este seja advogado do investigado. STJ. 5ª Turma. RMS 33.677-SP, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 27/5/2014 (Info 541). Competência para decretar a interceptação e teoria do juízo aparente. Determinado juiz decreta a interceptação telefônica dos investigados e, posteriormente, chega-se à conclusão de que o juízo competente para a medida era o Tribunal. Esta prova colhida é ilícita? Não necessariamente. A prova obtida poderá ser ratificada se ficar demonstrado que a interceptação foi decretada pelo juízo aparentemente competente. Não é ilícita a interceptação telefônica autorizada por magistrado aparentemente competente ao tempo da decisão e que, posteriormente, venha a ser declarado incompetente. Trata-se da aplicação da chamada “teoria do juízo aparente”. STF. 2ª Turma. HC 110496/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 9/4/2013 (Info 701). Não se exige a realização de perícia para o reconhecimento das vozes. É necessária a realização de perícia nas vozes captadas durante a interceptação para que sejam confirmados os participantes das conversas? Em regra, não. Não existe uma imposição legal quanto a, em todos os casos, ser realizada perícia nos diálogos interceptados.Excepcionalmente, no entanto, a perícia pode ser necessária em caso de fundada dúvida sobre o interlocutor. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1233396/DF, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 18/06/2013. Degravação não precisa ser feita por peritos oficiais. É obrigatório que a degravação das conversas interceptadas seja feita por perito oficial? NÃO. A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que não há necessidade de degravação dos diálogos em sua integridade por peritos oficiais, visto que a Lei 9.296/96 não faz qualquer exigência nesse sentido. STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 1233396/DF, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 18/06/2013. Consentimento posterior não supre a falta de autorização judicial prévia. https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/046ddf96c233a273fd390c3d0b1a9aa4?categoria=12&subcategoria=131 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/3de568f8597b94bda53149c7d7f5958c?categoria=12&subcategoria=131 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/2b45c629e577731c4df84fc34f936a89?categoria=12&subcategoria=131 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/e58aea67b01fa747687f038dfde066f6?categoria=12&subcategoria=131 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/e6c2dc3dee4a51dcec3a876aa2339a78?categoria=12&subcategoria=131 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/40b5f25a228570053bc64a043c3f1833?categoria=12&subcategoria=131 52 Não é válida a interceptação telefônica realizada sem prévia autorização judicial, ainda que haja posterior consentimento de um dos interlocutores para ser tratada como escuta telefônica e utilizada como prova em processo penal. Ex: “A” realizou, sem autorização judicial, a interceptação telefônica dos diálogos travados entre “B” e “C”. Posteriormente, “B”, quando soube da interceptação realizada, consentiu com a prática.Segundo decidiu o STJ, o fato de um dos interlocutores dos diálogos gravados de forma clandestina ter consentido posteriormente com a divulgação dos seus conteúdos não tem o condão de legitimar o ato, pois no momento da gravação não tinha ciência do artifício que foi implementado pelo responsável pela interceptação, não se podendo afirmar, portanto, que, caso soubesse, manteria tais conversas pelo telefone interceptado. Não existindo prévia autorização judicial, tampouco configurada a hipótese de gravação de comunicação telefônica, já que nenhum dos interlocutores tinha ciência de tal artifício no momento dos diálogos interceptados, se faz imperiosa a declaração de nulidade da prova, para que não surta efeitos na ação penal. STJ. 5ª Turma. HC 161.053-SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 27/11/2012. Caráter subsidiário da interceptação telefônica. A interceptação telefônica é subsidiária e excepcional, só podendo ser determinada quando não houver outro meio para se apurar os fatos tidos por criminosos, nos termos do art. 2º, inc. II, da Lei nº 9.296/1996. Desse modo, é ilegal que a interceptação telefônica seja determinada apenas com base em “denúncia anônima”. STF. Segunda Turma. HC 108147/PR, rel. Min. Cármen Lúcia, 11/12/2012. Acompanhamento da interceptação por outros órgãos que não a Polícia Civil ou Federal. Segundo o art. 6º, da Lei nº 9.296/96, os procedimentos de interceptação telefônica serão conduzidos pela autoridade policial (Delegado de Polícia Civil ou Federal). O STJ e o STF, contudo, entendem que tal acompanhamento poderá ser feito por outros órgãos, como, por exemplo, a polícia militar (o que ocorreu no caso concreto), não sendo atribuição exclusiva da autoridade policial. STF. 2ª Turma. HC 96986/MG, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 15/5/2012. Servidores do MP podem fazer a transcrição das interceptações. No exercício de investigação criminal, o membro do Ministério Público pode requerer ao juízo a interceptação telefônica dos investigados. A eventual escuta e posterior transcrição das interceptações pelos servidores do Ministério Público não têm o condão de macular a mencionada prova, pois não passa de mera divisão de tarefas dentro do próprio órgão, o que não retira do membro que conduz a investigação a responsabilidade pela condução das diligências. STJ. 5ª Turma. HC 244.554-SP, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 9/10/2012. Prazo das interceptações e início da contagem. Em relação às interceptações telefônicas, o prazo de 15 dias, previsto na Lei nº 9.296/96, é contado a partir do dia em que se iniciou a escuta telefônica e não da data da decisão judicial. STJ. 6ª Turma. HC 113.477-DF, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 20/3/2012. Prorrogação do prazo da interceptação. I — As interceptações telefônicas podem ser prorrogadas sucessivas vezes pelo tempo necessário, especialmente quando o caso for complexo e a prova indispensável. II — A fundamentação da prorrogação pode manter-se idêntica à do pedido original, pois a repetição das razões que justificaram a escuta não constitui, por si só, ilicitude. STJ. 5ª Turma. HC 143.805-SP, Rel. originário Min. Adilson Vieira Macabu (Desembargador Convocado do TJRJ), Rel. para o acórdão Min. Gilson Dipp, julgado em 14/2/2012. É válida a gravação se autoridade com foro mantém contato telefônico com interceptado. https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/ffedf5be3a86e2ee281d54cdc97bc1cf?categoria=12&subcategoria=131 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/d827f12e35eae370ba9c65b7f6026695?categoria=12&subcategoria=131 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/2d2ca7eedf739ef4c3800713ec482e1a?categoria=12&subcategoria=131 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/f516dfb84b9051ed85b89cdc3a8ab7f5?categoria=12&subcategoria=131 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/49c0b9d84c2a16fcaf9d25694fda75e1?categoria=12&subcategoria=131 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/69dafe8b58066478aea48f3d0f384820?categoria=12&subcategoria=131 53 Se uma autoridade com foro privativo mantém contato telefônico com pessoa que está com seu telefone “grampeado” por decisão de juiz de 1ª instância, a gravação dessas conversas NÃO é nula por violação ao foro por prerrogativa de função considerando que não era a autoridade quem estava sendo interceptada. STJ. 6ª Turma. HC 227.263-RJ, Rel. Min. Vasco Della Giustina (Des. convocado do TJ- RS), julgado em 27/3/2012. 7. JURISPRUDÊNCIA EM TESES Jurisprudência em Teses do STJ EDIÇÃO N. 117: INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA - I34 1) A alteração da competência não torna inválida a decisão acerca da interceptação telefônica determinada por juízo inicialmente competente para o processamento do feito. 2) É admissível a utilização da técnica de fundamentação per relationem para a prorrogação de interceptação telefônica quando mantidos os pressupostos que autorizaram a decretação da medida originária. 3) O art. 6º da Lei n. 9.296/1996 não restringe à polícia civil a atribuição para a execução de interceptação telefônica ordenada judicialmente. 4) É possível a determinação de interceptações telefônicas com base em denúncia anônima, desde que corroborada por outros elementos que confirmem a necessidade da medida excepcional. 5) A interceptação telefônica só será deferida quando não houver outros meios de prova disponíveis à época na qual a medida invasiva foi requerida, sendo ônus da defesa demonstrar violação ao disposto no art. 2º, inciso II, da Lei n. 9. 296/1996. 6) É legítima a prova obtida por meio de interceptação telefônica para apuração de delito punido com detenção, se conexo com outro crime apenado com reclusão. 7) A garantia do sigilo das comunicações entre advogado e cliente não confere imunidade para a prática de crimes no exercício da advocacia, sendo lícita a colheita de provas em interceptaçãohá um interesse muito maior envolvido, que pesa mais na balança do Direito, prevalecendo o interesse público em detrimento do interesse privado, havendo uma relativização deste último. Assim, contemplamos que a própria Constituição Federal que garante a inviolabilidade do direito à intimidade e à vida privada (direito fundamental), também prevê e dá respaldo a interceptação telefônica em seu Art. 5º (igualmente, direito fundamental): CF, Art. 5º, XII - é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. O Art. 5º, XII da Constituição Federal trata-se de uma normal constitucional de eficácia jurídica limitada28, sendo necessário que uma Lei posterior traga as hipóteses devidas. Em suma o sigilo é inviolável, salvo, no último caso, por ordem judicial e na forma que a lei estabelecer. A Lei que traz, portanto, o respaldo para a interceptação, é exatamente a Lei 9.296/1996. REQUISITOS CONSTITUCIONAIS Observância da Lei - Lei n.° 9.296/96 (Hipótese e forma). Finalidade criminal - Fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Ordem Jurídica - Necessidade ou não de autorização judicial. Candidato, as provas obtidas mediante interceptação telefônica antes do advento da Lei n.° 9.296/96 foram consideradas válidas? Não, todas as provas obtidas antes da Lei n.º 9.296/96 foram consideradas ilícitas, mesmo estas contendo decisão judicial que autorizasse, sendo para fins criminais e ainda baseadas em Lei (Código Brasileiro de Telecomunicações). Segundo o STF, apesar de preencher os requisitos e ser baseada em Lei, o Código Brasileiro de Telecomunicações não traz as hipóteses de interceptação, tão pouco as formas de interceptação, tornando as provas obtidas antes da Lei n.º 9.296/96 ilícitas. Deste modo, temos que as interceptações que foram realizadas ANTES DA EDIÇÃO da Lei n.º 9.296/96 são consideradas como provas ilícitas segundo o entendimento do STF. 28 As normas constitucionais de eficácia limitada são normas cuja aplicabilidade é mediata, indireta e reduzida. Dependem da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador, integrando-lhes a eficácia mediante lei, dê-lhes capacidade de execução dos interesses visados. 6 “Interceptação telefônica. Prova ilícita. Autorização judicial deferida anteriormente à Lei 9.296/1996, que regulamentou o inciso XII do art. 5º da CF. Nulidade da ação penal, por fundar-se exclusivamente em conversas obtidas mediante quebra dos sigilos telefônicos dos pacientes”. (HC 81.154, rel. min. Maurício Corrêa, julgamento em 2-10-2001, Segunda Turma, DJ de 19-12-2001). No mesmo sentido: HC 74.116, rel. p/ o ac. min. Maurício Corrêa, julgamento em 5-11-1996, Segunda Turma, DJ de 14-3-1997. Observação. Admite-se a interceptação da comunicação de dados, comunicação telegráfica ou de correspondência, não apenas da forma telefônica, tendo em vista que estes não são direitos absolutos, podendo o juiz afastar o sigilo diante da supremacia do interesse público sobre o individual. Exemplo: o Diretor do presídio pode ter acesso ao conteúdo da correspondência do preso (desde que fundamentadamente) quando suspeitar que ele está utilizando essa liberdade como forma de praticar atividades ilícitas. Art. 41, parágrafo único, da LEP. Vejamos: Art. 41. Constituem direitos do preso: (...) V - proporcionalidade na distribuição do tempo para o trabalho, o descanso e a recreação; (...) X - visita do cônjuge, da companheira, de parentes e amigos em dias determinados; (...) XV - contato com o mundo exterior por meio de correspondência escrita, da leitura e de outros meios de informação que não comprometam a moral e os bons costumes. (...) Parágrafo único. Os direitos previstos nos incisos V, X e XV poderão ser suspensos ou restringidos mediante ato motivado do diretor do estabelecimento. O STF já decidiu desta forma ao entender válida a regra disposta no art. 41, parágrafo único, da Lei de Execução Penal (Lei n.º 7.210/84), que prevê que a autoridade administrativa responsável pela gestão do presídio pode interceptar correspondência de presos que se destinem ao exterior do presídio. A Suprema Corte assim decidiu por entender que o direito à privacidade e à intimidade do preso deve ceder espaço aos ditames de segurança pública, disciplina prisional e a própria preservação da ordem jurídica, uma vez que “a cláusula tutelar da inviolabilidade do sigilo epistolar não pode constituir instrumento de salvaguarda de práticas ilícitas” (HC. 70.814-5/SP). 1.3. CONCEITOS RELEVANTES 1.3.1. REQUISITO CONSTITUCIONAL: OBSERVÂNCIA DA LEI Inicialmente, é fundamental compreender as diferenças entre interceptação telefônica, escuta telefônica e gravação telefônica, pois cada uma delas envolve diferentes níveis de invasão da privacidade e distintas exigências legais. Na Interceptação Telefônica, um terceiro capta a conversa telefônica sem o conhecimento de nenhum dos interlocutores. De acordo com a Lei n.º 9.296/96, a interceptação só pode ocorrer mediante autorização judicial. Um exemplo típico seria a polícia interceptar os diálogos telefônicos de membros de uma associação criminosa para obtenção de provas. Essa prática envolve três partes: dois interlocutores e o interceptador (geralmente a polícia ou outra autoridade investigativa). 7 Já a Escuta Telefônica, é a captação da conversa é feita também por um terceiro (como a polícia), mas com a ciência de um dos interlocutores e sem o conhecimento do outro. Um exemplo é a polícia monitorando a conversa telefônica de um pai com o sequestrador de seu filho, sendo que o pai tem conhecimento da interceptação, enquanto o criminoso não sabe que está sendo gravado. Aqui, dois interlocutores participam, mas um deles está ciente da presença de um interceptador. Por fim, a chamada Gravação Telefônica (ou gravação clandestina), envolve a gravação da conversa por um dos próprios interlocutores sem o conhecimento do outro. Ao contrário das modalidades anteriores, não há a necessidade de autorização judicial para a gravação, já que um dos participantes da conversa está realizando a captação. Um exemplo comum seria uma pessoa gravando uma chamada em que está sendo ameaçada, sem que o autor da ameaça saiba que está sendo gravado. Aqui, há apenas dois interlocutores, sem a intervenção de um terceiro. A principal diferença entre essas três práticas reside no conhecimento (ou desconhecimento) dos interlocutores sobre a captação e na necessidade de autorização judicial. A interceptação telefônica é a mais invasiva, pois nenhum dos participantes tem ciência da ação, exigindo sempre decisão judicial. A escuta também envolve captação por um terceiro, mas um dos interlocutores é consciente da gravação. Já a gravação telefônica pode ser realizada por um dos próprios interlocutores, sem que isso configure interceptação, embora possa gerar controvérsias quanto à sua admissibilidade como prova, dependendo do contexto jurídico. Vejamos de forma ESQUEMATIZADA: INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA ESCUTA TELEFÔNICA GRAVAÇÃO TELEFÔNICA Interceptação telefônica em sentido estrito – Trata-se de captação da conversa telefônica feita por um terceiro SEM o conhecimento dos interlocutores. Exemplo: Polícia, com autorização judicial, intercepta os telefones dos membros de uma associação criminosa, gravando os diálogos mantidos entre eles. Dois Interlocutores + Interceptador Escuta telefônica – É a captação da conversa telefônica feita por um terceiro COM o conhecimento de um dos interlocutores e sem o conhecimento do outro. Exemplo: Polícia intercepta a conversa telefônica que Fulano mantém com o sequestrador de seu filho.telefônica devidamente autorizada e motivada pela autoridade judicial. 8) É desnecessária a realização de perícia para a identificação de voz captada nas interceptações telefônicas, salvo quando houver dúvida plausível que justifique a medida. 9) Não há necessidade de degravação dos diálogos objeto de interceptação telefônica, em sua integralidade, visto que a Lei n. 9.296/1996 não faz qualquer exigência nesse sentido. 10) Em razão da ausência de previsão na Lei n. 9.296/1996, é desnecessário que as degravações das escutas sejam feitas por peritos oficiais. 34https://www.buscadordizerodireito.com.br/teses/detalhes/37a749d808e46495a8da1e5352d03cae?categoria=12&palavra- chave=Interceptação&criterio-pesquisa=e https://www.buscadordizerodireito.com.br/teses/detalhes/37a749d808e46495a8da1e5352d03cae?categoria=12&palavra-chave=Interceptação&criterio-pesquisa=e https://www.buscadordizerodireito.com.br/teses/detalhes/37a749d808e46495a8da1e5352d03cae?categoria=12&palavra-chave=Interceptação&criterio-pesquisa=e 54 8. LEGISLAÇÃO Art. 1º A interceptação de comunicações telefônicas, de qualquer natureza, para prova em investigação criminal e em instrução processual penal, observará o disposto nesta Lei e dependerá de ordem do juiz competente da ação principal, sob segredo de justiça. Parágrafo único. O disposto nesta Lei aplica-se à interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática. Art. 2º Não será admitida a interceptação de comunicações telefônicas quando ocorrer qualquer das seguintes hipóteses: I - não houver indícios razoáveis da autoria ou participação em infração penal; II - a prova puder ser feita por outros meios disponíveis; III - o fato investigado constituir infração penal punida, no máximo, com pena de detenção. Parágrafo único. Em qualquer hipótese deve ser descrita com clareza a situação objeto da investigação, inclusive com a indicação e qualificação dos investigados, salvo impossibilidade manifesta, devidamente justificada. Art. 3º A interceptação das comunicações telefônicas poderá ser determinada pelo juiz, de ofício ou a requerimento: I - da autoridade policial, na investigação criminal; II - do representante do Ministério Público, na investigação criminal e na instrução processual penal. Art. 4º O pedido de interceptação de comunicação telefônica conterá a demonstração de que a sua realização é necessária à apuração de infração penal, com indicação dos meios a serem empregados. § 1º Excepcionalmente, o juiz poderá admitir que o pedido seja formulado verbalmente, desde que estejam presentes os pressupostos que autorizem a interceptação, caso em que a concessão será condicionada à sua redução a termo. § 2º O juiz, no prazo máximo de vinte e quatro horas, decidirá sobre o pedido. Art. 5º A decisão será fundamentada, sob pena de nulidade, indicando também a forma de execução da diligência, que não poderá exceder o prazo de quinze dias, renovável por igual tempo uma vez comprovada a indispensabilidade do meio de prova. Art. 6º Deferido o pedido, a autoridade policial conduzirá os procedimentos de interceptação, dando ciência ao Ministério Público, que poderá acompanhar a sua realização. § 1º No caso de a diligência possibilitar a gravação da comunicação interceptada, será determinada a sua transcrição. § 2º Cumprida a diligência, a autoridade policial encaminhará o resultado da interceptação ao juiz, acompanhado de auto circunstanciado, que deverá conter o resumo das operações realizadas. § 3º Recebidos esses elementos, o juiz determinará a providência do art. 8° , ciente o Ministério Público. Art. 7º Para os procedimentos de interceptação de que trata esta Lei, a autoridade policial poderá requisitar serviços e técnicos especializados às concessionárias de serviço público. Art. 8º A interceptação de comunicação telefônica, de qualquer natureza, ocorrerá em autos apartados, apensados aos autos do inquérito policial ou do processo criminal, preservando-se o sigilo das diligências, gravações e transcrições respectivas. Parágrafo único. A apensação somente poderá ser realizada imediatamente antes do relatório da autoridade, quando se tratar de inquérito policial (Código de Processo Penal, art.10, § 1°) ou na conclusão do processo ao juiz para o despacho decorrente do disposto nos arts. 407, 502 ou 538 do Código de Processo Penal. 55 Art. 8º-A. Para investigação ou instrução criminal, poderá ser autorizada pelo juiz, a requerimento da autoridade policial ou do Ministério Público, a captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos, quando: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) I - a prova não puder ser feita por outros meios disponíveis e igualmente eficazes; e (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) II - houver elementos probatórios razoáveis de autoria e participação em infrações criminais cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos ou em infrações penais conexas. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) § 1º O requerimento deverá descrever circunstanciadamente o local e a forma de instalação do dispositivo de captação ambiental. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 35§ 2º A instalação do dispositivo de captação ambiental poderá ser realizada, quando necessária, por meio de operação policial disfarçada ou no período noturno, exceto na casa, nos termos do inciso XI do caput do art. 5º da Constituição Federal. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência) § 3º A captação ambiental não poderá exceder o prazo de 15 (quinze) dias, renovável por decisão judicial por iguais períodos, se comprovada a indispensabilidade do meio de prova e quando presente atividade criminal permanente, habitual ou continuada. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 36§ 4º A captação ambiental feita por um dos interlocutores sem o prévio conhecimento da autoridade policial ou do Ministério Público poderá ser utilizada, em matéria de defesa, quando demonstrada a integridade da gravação. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência) § 5º Aplicam-se subsidiariamente à captação ambiental as regras previstas na legislação específica para a interceptação telefônica e telemática. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) Art. 9º A gravação que não interessar à prova será inutilizada por decisão judicial, durante o inquérito, a instrução processual ou após esta, em virtude de requerimento do Ministério Público ou da parte interessada. Parágrafo único. O incidente de inutilização será assistido pelo Ministério Público, sendo facultada a presença do acusado ou de seu representante legal. Art. 10. Constitui crime realizar interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou telemática, promover escuta ambiental ou quebrar segredo da Justiça, sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei: (Redação dada pela Lei nº 13.869. de 2019) (Vigência) Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 13.869. de 2019) (Vigência) Parágrafo único. Incorre na mesma pena a autoridade judicial que determina a execução de conduta prevista no caput deste artigo com objetivo não autorizado em lei. (Incluído pela Lei nº 13.869. de 2019) (Vigência) Art. 10-A. Realizar captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos para investigação ou instrução criminal sem autorização judicial, quando esta for exigida: (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) § 1º Não há crime se a captação é realizada por um dos interlocutores. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) 35 Vigência após a Derrubada dos Vetos do Pacote Anticrime. 36 Vigência após a Derrubada dos Vetos do Pacote Anticrime. 56 § 2º A pena será aplicadaem dobro ao funcionário público que descumprir determinação de sigilo das investigações que envolvam a captação ambiental ou revelar o conteúdo das gravações enquanto mantido o sigilo judicial. (Incluído pela Lei nº 13.964, de 2019) Art. 11. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Art. 12. Revogam-se as disposições em contrário. 9. JÁ CAIU. VAMOS TREINAR? 1. (Ano: 2023 Banca: CONSULPAM Órgão: TCM-PA Prova: Auditor Controle Externo). Sobre a Lei n.º 9.296 de 1996 (Interceptação telefônica), assinale a alternativa INCORRETA. A. Deferido o pedido de interceptação telefônica, a autoridade policial conduzirá os procedimentos, dando ciência ao Ministério Público. B. Não será admitida a interceptação de comunicações telefônicas quando a prova puder ser feita por outros meios disponíveis. C. O pedido de interceptação de comunicação telefônica não será admitido quando o fato investigado constituir infração penal punida, no máximo, com pena de detenção. D. O pedido de interceptação de comunicação telefônica conterá a demonstração de que a sua realização é necessária à apuração de infração penal e, excepcionalmente, o juiz poderá admitir que o pedido seja formulado verbalmente, caso em que a concessão não será registrada nos autos ou condicionada à sua redução a termo, para preservar a confidencialidade do ato. 2. (Ano: 2023 Banca: CESPE Órgão: CNMP Prova: Analista). Klaus, réu primário, está sendo processado pelo crime tipificado no art. 171 do Código Penal (CP), sob a acusação de ter obtido vantagem econômica de uma mulher residente em outro estado, com quem fingia manter relacionamento amoroso pela Internet, ao exigir dela transferências de altas quantias como prova de amor, tendo sido alto o valor do prejuízo financeiro da vítima. A denúncia foi instruída com a transcrição de interceptação telefônica e telemática autorizada pelo juiz, que entendeu ser este o único meio de prova possível. Klaus não foi localizado no endereço que consta nos autos e acabou sendo citado por edital. Considerando a situação hipotética anterior, julgue o item a seguir. A prova obtida pela interceptação das comunicações telefônicas e telemáticas é lícita e regular como meio de prova do crime praticado por Klaus. 3. (Ano: 2023 Banca: CESPE Órgão: TJ-CE Prova: Técnico Judiciário). Assinale a opção correta no que diz respeito à interceptação telefônica. A. Não se admite interceptação telefônica de ofício pelo juiz. B. No pedido de interceptação telefônica, a situação objeto da investigação deve ser descrita com clareza, inclusive com a indicação e qualificação dos investigados, salvo impossibilidade manifesta, devidamente justificada. C. A gravação que não interessar à prova poderá será inutilizada por decisão da autoridade policial que presidir o inquérito. D. Não há qualquer possibilidade de o pedido de interceptação telefônica ser feito verbalmente. E. O pedido de interceptação de comunicação telefônica deve conter a demonstração de que a sua realização seja necessária à apuração de infração penal, dispensando-se a indicação dos meios a serem empregados. 57 4. (Ano: 2023 Banca: CESPE Órgão: MPE-SC Prova: Promotor de Justiça). Acerca das questões e procedimentos incidentes, do sequestro de bens e das provas, julgue o seguinte item. Segundo a jurisprudência do STF, são lícitas as sucessivas renovações de interceptação telefônica, desde que, verificados os requisitos legais e demonstradas a necessidade da medida diante de elementos concretos e a complexidade da investigação, a decisão judicial inicial e as prorrogações sejam devidamente motivadas, com justificativa legítima, ainda que sucinta, a embasar a continuidade das investigações. 5. (Ano: 2023 Banca: CESPE Órgão: PO-AL Prova: Perito Criminal). Durante uma investigação de homicídio, o autor do fato foi identificado, e a autoridade policial solicitou autorização judicial para realizar a interceptação telefônica e a decretação da prisão, tendo sido a interceptação indeferida pelo juiz, que entendeu que haveria outras formas de se obter a prova. Considerando-se a situação hipotética em comento e os aspectos suscitados pelo tema, julgue o item subsequente. O indeferimento da interceptação telefônica pelo juiz foi equivocado, já que essa é admitida em caso de crime punível com reclusão. 6. (Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: PC-SP Prova: Investigador de Polícia). Considerando a Lei de Interceptação Telefônica, assinale a alternativa correta. A. A interceptação telefônica só pode ser executada por ordem judicial, mas é vedada a decretação, de ofício, pelo Juiz. B. O prazo da captação ambiental é de 15 dias, prorrogável por igual período, uma única vez. C. A captação ambiental realizada por um dos interlocutores poderá ser usada para fins de defesa ou de acusação, demonstrada a integridade da gravação. D. A captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos e acústicos é cabível apenas para investigação e apuração de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores a 2 anos ou praticadas por intermédio de organização criminosa. E. Não cabe interceptação telefônica quando em causa apurações de contravenção penal. 7. (Ano: 2022 Banca: CEBRASPE Órgão: PC-PB Prova: Escrivão de Polícia). À luz da Lei n.º 9.296/1996, que dispõe sobre as interceptações telefônicas e em sistemas de informática e telemática, julgue os seguintes itens. I É permitida a interceptação de comunicações telefônicas, independentemente da pena que seja aplicada ao delito inicialmente investigado. II Para investigação ou instrução criminal, poderá ser autorizada pelo juiz, a requerimento da autoridade policial ou do MP, a captação ambiental de sinais eletromagnéticos, ópticos ou acústicos, quando a prova não puder ser feita por outros meios disponíveis e igualmente eficazes e, também, houver elementos probatórios razoáveis de autoria e participação em infrações criminais cujas penas máximas sejam superiores a dois anos ou em infrações penais conexas. III É possível a renovação sucessiva e automática da diligência de interceptação das comunicações telefônicas, desde que necessária à colheita da prova. IV A lei em questão determina a transcrição das comunicações interceptadas, mas, segundo entendimento jurisprudencial do STJ, não se faz necessária a transcrição integral das conversas interceptadas. Assinale a opção correta. A. Apenas o item I está certo. 58 B. Apenas o item IV está certo. C. Apenas os itens I e II estão certos. D. Apenas os itens II e III estão certos. E. Apenas os itens III e IV estão certos. 8. (Ano: 2022 Banca: FGV Órgão: TJ-DFT Prova: Oficial de Justiça Avaliador Federal). Ao proceder a investigação de associação para o tráfico de drogas, o Ministério Público, seguindo os requisitos e formalidades legais, solicitou a interceptação telefônica de diversos alvos. Em determinada etapa, ficou caracterizado que Rambão, sargento da Polícia Militar, durante o expediente, acobertava o tráfico ilícito, recebendo remuneração indevida para tanto. Em razão da caracterização de crime militar, houve a extração de peças para o órgão com atribuição para avaliar o oferecimento de denúncia perante a Justiça Militar Estadual. No que se refere à interceptação telefônica, deve ser compartilhado o seguinte material: A. apenas os áudios que contêm conversas relevantes; B. apenas os áudios selecionados para renovação da medida; C. apenas os áudios que tenham locução do policial militar; D. apenas os áudios que indiquem condutas criminosas; E. a integralidade dos áudios. 9. (Ano: 2022 Banca: FGV Órgão: PC-AM Prova: Escrivão de Polícia). Durante as investigações da prática de crimes de corrupção ativa e passiva, delitos previstos no Art. 317 e 333 do Código Penal, a autoridade policial representou pela interceptação dos ramais telefônicos de dois investigados.Sobre a medida de interceptação telefônica, aponte a afirmação correta. A. O juiz deve decidir o pedido no prazo de 48 horas. B. Durante a fase de investigação criminal, apenas o delegado de polícia pode requerer a interceptação. C. Preenchidos seus requisitos, a interceptação das comunicações telefônicas não poderá exceder o prazo de quinze dias, sem possibilidade de renovação. D. A interceptação é admissível no caso de crime punido com pena de detenção ou reclusão. E. Preenchidos seus requisitos, a interceptação das comunicações telefônicas não poderá exceder o prazo de quinze dias, renovável por igual período quando ficar comprovada sua indispensabilidade. 10. (Ano: 2022 Banca: FGV Órgão: TJ-MG Prova: Juiz de Direito Substituto). Considerando o entendimento do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, bem como os dispositivos da Lei nº 9.296/1996, acerca da interceptação telefônica, analise as afirmativas a seguir. I. O prazo previsto na Lei nº 9.296/1996 para a duração de interceptação telefônica é de 15 (quinze) dias, podendo ser prorrogado de forma sucessiva, enquanto for imprescindível como meio de prova, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal. II. Segundo jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça, a transcrição de todas as conversas captadas pela interceptação telefônica é necessária para garantir a fidedignidade das provas. III. A interceptação das comunicações telefônicas poderá ser determinada pelo juiz a requerimento do Ministério Público somente na investigação criminal. Está correto o que se afirma em A. II, somente. B. III, somente. C. I, somente. D. I e III, somente. 59 11. (Ano: 2021. Banca: IDECAN. Órgão: PC-CE. Prova: Inspetor de Polícia). Ricardo está sendo processado por crime de tráfico de entorpecentes e, durante a instrução criminal, descobriu que foi alvo de interceptação telefônica. Em conversa reservada com seu advogado, especialista em matéria penal, pediu para que fosse esclarecido como o Superior Tribunal de Justiça tem se posicionado acerca da complexidade do tema. Nesse cenário, assinale a afirmativa INCORRETA. A. Embora não haja previsão na Lei 9.296/96 sobre o procedimento de degravação dos diálogos objeto da interceptação telefônica, é necessário que as degravações das escutas sejam feitas por peritos oficiais. B. É possível a determinação de interceptações telefônicas com base em denúncia anônima, desde que corroborada por outros elementos que confirmem a necessidade da medida excepcional. C. A interceptação telefônica só será deferida quando não houver outros meios de prova disponíveis à época na qual a medida invasiva foi requerida, sendo ônus da defesa demonstrar violação ao disposto no art. 2º, inciso II, da Lei 9.296/96. D. A interceptação telefônica só será deferida quando não houver outros meios de prova disponíveis à época na qual a medida invasiva foi requerida, sendo ônus da defesa demonstrar violação ao disposto no art. 2º, inciso II, da Lei 9.296/96. E. Não há necessidade de degravação dos diálogos objeto de interceptação telefônica, em sua integralidade, visto que a Lei 9.296/96 não faz qualquer exigência nesse sentido. 12. (Ano: 2021. Banca: INSTITUTO AOCP. Órgão: PC-PA. Prova: Escrivão de Polícia). Assinale a alternativa correta quanto à Lei de Interceptação Telefônica (Lei nº 9.296/1996). A. As interceptações das comunicações telefônicas são admitidas como meio de prova para qualquer crime, desde que devidamente fundamentadas B. A captação ambiental não poderá exceder o prazo de quinze dias, renovável por decisão judicial por iguais períodos, se comprovada a indispensabilidade do meio de prova e quando presente atividade criminal permanente, habitual ou continuada C. A interceptação das comunicações telefônicas poderá ser determinada pelo juiz, de ofício ou a requerimento da autoridade policial, na instrução processual penal. D. Durante o inquérito, a gravação que não interessar à prova será inutilizada por decisão da autoridade policial, em virtude de requerimento do Ministério Público ou da parte interessada. E. O incidente de inutilização será assistido pelo Ministério Público, sendo compulsória a presença do acusado ou de seu representante legal. 13. (Ano: 2021. Banca: FGV. Órgão: PC-RN. Prova: Delegado de Polícia). Tramita no âmbito interno da Polícia Civil do Estado do Rio Grande do Norte processo administrativo disciplinar (PAD) que apura eventual falta funcional praticada por certo delegado de polícia. Durante a instrução do PAD, foi verificada pela autoridade competente que o conduz a necessidade de obtenção de prova emprestada, consistente em interceptação telefônica realizada no bojo de processo criminal. De acordo com a jurisprudência dos Tribunais Superiores, o compartilhamento de prova pretendido é: A. inviável, pois a Constituição da República de 1988 prevê que é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas; B. inviável, pois a Constituição da República de 1988 prevê que a interceptação telefônica somente pode ser utilizada para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; C. viável, desde que devidamente autorizada pelo juízo criminal competente e respeitados os princípios do contraditório e da ampla defesa; 60 D. viável, independentemente de prévia autorização pelo juízo criminal, porque, uma vez produzida, a prova pertence ao Estado que é uno; E. inviável, pois a Constituição da República de 1988 prevê que a interceptação telefônica somente pode ser produzida no âmbito de investigação e processo criminal ou ação de improbidade administrativa. 14. (Ano: 2021. Banca: FGV. Órgão: PC-RN. Prova: Agente e Escrivão). A Lei nº 9.296/1996 (Lei de Interceptação Telefônica) disciplina o procedimento de interceptação telefônica, tratando-se de medida cautelar probatória. A referida medida: A. pode ser decretada pelo juiz, durante o inquérito, de ofício ou após representação da autoridade policial, por prazo indeterminado se o crime for de natureza hedionda; B. não admite prorrogação, caso fixada pelo prazo inicial de quinze dias; C. pode ser requerida e deferida diretamente pelo juiz com base exclusivamente em denúncia anônima D. pode ser deferida independentemente da espécie de sanção penal cominada ao crime investigado; E. não será admitida quando a prova puder ser feita por outros meios disponíveis 15. (Ano: 2018. Banca: FCC. Órgão: DPE-AP. Prova: Defensor Público). A interceptação de comunicações telefônicas pode ser realizada: A. mesmo que a prova possa ser feita por outros meios disponíveis. B. por ato fundamentado de Delegado de Polícia no curso do inquérito policial em caso de crime hediondo ou equiparado. C. pelo prazo de quinze dias, que só pode ser prorrogado por igual prazo em caso de indispensabilidade do meio de prova. D. pela autoridade policial em caso de prisão em flagrante apenas para acesso de dados de aplicativos como WhatsApp e Facebook, independentemente de ordem judicial. E. para apurar crime de ameaça quando esta estiver sendo cometida por meio de ligação telefônica. 16. (Ano: 2015. Banca: VUNESP. Órgão: TJ-MS. Prova: Juiz de Direito). Com relação ao pedido de interceptação telefônica, disciplinado pela Lei no 9.296/96, assinale a alternativa correta. A. Poderá ser formulado verbalmente, desde que presentes os pressupostos autorizadores e demonstrada a excepcionalidade da situação, caso em que a concessão será reduzida a termo. B. Na investigação criminal, será formulado ao representante do Ministério Público, e na instrução processual penal, ao juiz, com prazo de 24 horas para decisão. C. Deferido o pedido, o juiz conduzirá os procedimentos de interceptação, dando ciência ao Ministério Público, que poderá acompanhar a sua realização. D. Conterá prova dematerialidade e indícios de autoria ou participação em crime apenado com detenção ou reclusão, além de demonstração da indispensabilidade do meio de prova. E. Na decisão de deferimento, será consignado, para a execução da diligência, o prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por uma vez, comprovada a indispensabilidade do meio de prova. 17. (Ano: 2015. Banca: VUNESP. Órgão: PC-CE. Prova: Delegado de Polícia). No curso das investigações, a Autoridade Policial toma conhecimento de intenso tráfico de drogas realizado por uma associação em determinada região da cidade e, com vistas à identificação e prisão dos criminosos, intercepta as conversas telefônicas de quatro suspeitos. Com relação a essa conduta, é correto afirmar que a Autoridade Policial 61 A. agiu corretamente, considerando que uma vez presentes fortes indícios de autoria e materialidade de delito punido com pena de reclusão, pode a Autoridade Policial determinar a interceptação das conversas telefônicas com base na Lei no 9.296/96. B. incorreu no crime previsto no artigo 10 da Lei no 9.296/96. C. agiu corretamente, considerando que a interceptação de comunicações telefônicas sobrepõe-se e dispensa outros meios de provas. D. não agiu corretamente, porque, segundo a lei, somente se autoriza interceptação de comunicação telefônica no curso da instrução processual e não no curso das investigações. E. não agiu corretamente, porque deveria ter submetido a análise da necessidade dessa prova ao Ministério Público, buscando autorização com o órgão ministerial. 18. (Ano: 2015. Banca: VUNESP. Órgão: PC-CE. Prova: Escrivão de Polícia Civil). Segundo o disposto na Lei no 9.296/96 (Interceptação Telefônica), a gravação dos áudios decorrente da interceptação telefônica que não interessar à prova será inutilizada por decisão judicial: A. somente durante a execução da pena imposta na condenação ou após o trânsito em julgado da decisão que absolveu o acusado. B. após a instrução processual independentemente de requerimento do Ministério Público ou da parte interessada. C. durante o inquérito, a instrução processual ou após esta, em virtude de requerimento do Ministério Público ou da parte interessada. D. somente após a instrução processual, em virtude de requerimento do Ministério Público ou da parte interessada. E. somente durante a instrução processual ou após esta, em virtude de requerimento do Ministério Público ou da parte interessada 19. (Ano: 2014. Banca: FCC. Órgão: DPE-CE. Prova: Defensor Público). Antônio é investigado em inquérito policial. Para que seja determinada interceptação telefônica de suas comunicações de acordo com o texto legal, é necessário que A. sua duração não exceda 10 (dez) dias. B. haja certeza de que Antônio é autor ou partícipe na infração penal que se investiga. C. haja requerimento do Ministério Público, na fase de investigação criminal. D. o crime cuja prática se investiga seja punido com penal igual ou superior a quatro anos. E. a decisão que a decrete indique a forma de execução da diligência. 20. (Ano: 2014. Banca: CESPE. Órgão: TJ-DFT. Prova: Juiz de Direito). Com referência à interceptação telefônica, assinale a opção correta: A. O objetivo primordial da interceptação telefônica é reunir o maior número possível de informações, a fim de produzir substrato probatório mínimo hábil a desencadear eventual persecução penal, cabendo aos policiais executores da medida proceder a uma espécie de filtragem das escutas interceptadas, conforme a linha investigatória adotada. B. A Lei n.º 9.296/1996, que trata da interceptação das comunicações telefônicas, estipula o prazo de quinze dias para a interceptação de comunicações telefônicas, renovável uma vez por igual período, vedadas, de acordo com o entendimento jurisprudencial do STF e do STJ, as prorrogações por período superior a esse prazo. 62 C. A quebra do sigilo telefônico pode ter por base, exclusivamente, denúncia anônima sobre a autoria em determinado delito, ainda que a denúncia apócrifa esteja desacompanhada de investigações preliminares acerca dos fatos noticiados. D. Segundo entendimento do STJ, é inadmissível a utilização de prova produzida em feito criminal diverso, obtida por meio de interceptação telefônica e relacionada com os fatos do processo-crime, ainda que seja oferecida à defesa oportunidade de proceder ao contraditório. E. O contraditório das provas obtidas por meio de interceptação telefônica é postergado para os autos da ação penal deflagrada, quando as partes terão acesso ao seu conteúdo e, diante desses elementos, poderão impugnar e contraditar as provas obtidas por meio da medida cautelar. GABARITO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 D Certo B Certo Errado E B E E C 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 A B C E C A B C E E 10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Leis Penais Especiais - Volume Único / Gabriel Habib - 14. ed. rev., atual. e ampl. – São Paulo: JusPodivm, 2023. Leis Penais Especiais - Volume Único / Gabriel Habib - 14. ed. rev., atual. e ampl. – São Paulo: JusPodivm, 2024. Curso de Legislação Criminal Especial / Klaus Negri Costa, Fábio Roque Araújo e Nestor Távora. - 3.ed., rev., atual. e ampl. - São Paulo: Editora JusPodivm, 2024. Acesso em 09.10.2021 Acesso em 09.10.2021 Acesso em 09.10.2021 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Súmula 591-STJ. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: . Acesso em: 10/06/2020 Disponível em Acesso em: 10/06/2020 ALBECHE , Thiago Solon Gonçalves. A derrubada de vetos ao Pacote Anticrime: repercussões na Lei 9.296/96. Disponível em https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/2021/04/22/derrubada-de- vetos-ao-pacote-anticrime-repercussoes-na-lei-9-29696/>. Acesso em 09/10/2021. http://www.dizerodireito.com.br/ http://www.qconcursos.com.br/ http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9296.htm https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/1d98edfd003bcd59e957739802965f19 https://www.buscadordizerodireito.com.br/jurisprudencia/detalhes/1d98edfd003bcd59e957739802965f19 http://lfg.jusbrasil.com.br/noticias/2586994/artigos-do-prof-lfginterceptacao-telefonica-serendipidade-e-aceita-pelo-stj http://lfg.jusbrasil.com.br/noticias/2586994/artigos-do-prof-lfginterceptacao-telefonica-serendipidade-e-aceita-pelo-stj https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/2021/04/22/derrubada-de-vetos-ao-pacote-anticrime-repercussoes-na-lei-9-29696/ https://meusitejuridico.editorajuspodivm.com.br/2021/04/22/derrubada-de-vetos-ao-pacote-anticrime-repercussoes-na-lei-9-29696/ 1. NOÇÕES GERAIS 1.1. OBJETO DA LEI 1.2. INTRODUÇÃO 1.3. CONCEITOS RELEVANTES 1.3.1. REQUISITO CONSTITUCIONAL: OBSERVÂNCIA DA LEI 1.3.2. REQUISITO CONSTITUCIONAL: FINALIDADE CRIMINAL 1.3.3. REQUISITO CONSTITUCIONAL: ORDEM JUDICIAL 1.3.3.1. Modificação superveniente de competência e suas consequências 1.4. REQUISITOS LEGAIS 1.4.1. INC. I: INDÍCIOS RAZOÁVEIS DA AUTORIA OU PARTICIPAÇÃO EM INFRAÇÃO PENAL 1.4.2. INC. II: CARÁTER SUBSIDIÁRIO DA MEDIDA 1.4.3. INC. III: INFRAÇÃO PENAL PUNIDA COM RECLUSÃO 1.4.4. TEORIA DA SERENDIPIDADE 1.4.4.1. Serendipidade objetiva 1.4.4.2. Serendipidade subjetiva 1.4.4.3. Serendipidade de 1º grau 1.4.4.4. Serendipidade de 2º grau 2. PROCEDIMENTO DA INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA 2.1. LEGITIMADOS 2.1.1. DETERMINAÇÃO DE OFÍCIO PELO JUIZ 2.1.2. REPRESENTAÇÃO DA AUTORIDADE POLICIAL 2.1.3. REQUERIMENTO DO MINISTÉRIO PÚBLICO 2.2. ASPECTOS PRÁTICOS 3. CAPTAÇÃO AMBIENTAL 3.1. REQUISITOS PARA CAPTAÇÃO AMBIENTAL 3.2. PROCEDIMENTOS 3.3. CAPTAÇÃO AMBIENTAL ILEGAL 4. PACOTE ANTICRIME4.1. ANÁLISE PONTUAL – ALTERAÇÕES NA LEI DE INTERCEPTAÇÕES TELEFÔNICAS – LEI N. 9.296/96. 5. CRIME DE CATÁLOGO Conceito e Aplicação Fonte Histórica Resumo 6. INFORMATIVOS 7. JURISPRUDÊNCIA EM TESES 8. LEGISLAÇÃO 9. JÁ CAIU. VAMOS TREINAR? 1. 1. 1. 10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASEsse monitoramento é realizado com o conhecimento do pai da vítima. Dois Interlocutores (um deles sabe que há um terceiro interceptando) + Interceptador. Gravação telefônica ou gravação clandestina – É a captação da conversa telefônica por um dos interlocutores sem o conhecimento do outro. Exemplo: Mulher grava a conversa telefônica no qual o ex-marido ameaça matá-la Dois Interlocutores. Cumpre destacar, que há uma exceção para a gravação telefônica se tornar ilícita sem autorização judicial, seria o caso em que a conversa está amparada por sigilo. Exemplo: a conversa 8 entre advogados e clientes (neste caso, por se tratar de gravação telefônica uma das partes grava). Bem como a conversa entre padres e fiéis. Candidato, a interceptação telefônica, a escuta telefônica e a gravação telefônica precisam de autorização judicial? De acordo com o STF a autorização judicial só será necessária para a interceptação e a escuta telefônica. Vejamos: “De acordo com a jurisprudência do STF e do STJ, a Lei 9.296/96 se aplica tão somente à interceptação telefônica e à escuta telefônica, pois apenas nestas hipóteses há comunicação telefônica e a figura do terceiro interceptador. Assim, a gravação telefônica é válida mesmo que tenha sido realizada SEM autorização judicial. STF, 2ª Turma, RE-AgR 453.562/SP, julgado em 23.09.2008.” Corroborando ainda com os conceitos acima expostos, o Informativo 510 do STJ trabalhou bem essas definições. Vejamos: Não é válida a interceptação telefônica realizada sem prévia autorização judicial, ainda que haja posterior consentimento de um dos interlocutores para ser tratada como escuta telefônica e utilizada como prova em processo penal. A interceptação telefônica é a captação de conversa feita por um terceiro, sem o conhecimento dos interlocutores, que depende de ordem judicial, nos termos do inciso XII do artigo 5º da CF, regulamentado pela Lei n. 9.296/1996. A ausência de autorização judicial para captação da conversa macula a validade do material como prova para processo penal. A escuta telefônica é a captação de conversa feita por um terceiro, com o conhecimento de apenas um dos interlocutores. A gravação telefônica é feita por um dos interlocutores do diálogo, sem o consentimento ou a ciência do outro. A escuta e a gravação telefônicas, por não constituírem interceptação telefônica em sentido estrito, não estão sujeitas à Lei 9.296/1996, podendo ser utilizadas, a depender do caso concreto, como prova no processo. O fato de um dos interlocutores dos diálogos gravados de forma clandestina ter consentido posteriormente com a divulgação dos seus conteúdos não tem o condão de legitimar o ato, pois no momento da gravação não tinha ciência do artifício que foi implementado pelo responsável pela interceptação, não se podendo afirmar, portanto, que, caso soubesse, manteria tais conversas pelo telefone interceptado. Não existindo prévia autorização judicial, tampouco configurada a hipótese de gravação de comunicação telefônica, já que nenhum dos interlocutores tinha ciência de tal artifício no momento dos diálogos interceptados, se faz imperiosa a declaração de nulidade da prova, para que não surta efeitos na ação penal. STJ. Quinta Turma. EDcl no HC 130.429-CE, DJe 17/5/2010. HC 161.053-SP, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 27/11/2012 (Info 510) Em RESUMO: INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA 9 Strictu Sensu Escuta Telefônica Gravação Telefônica Terceiro registra diálogo sem a ciência dos interlocutores Terceiro registra diálogo com a ciência de um dos interlocutores Um dos interlocutores registra o diálogo PRECISA de autorização judicial PRECISA de autorização judicial NÃO precisa de autorização judicial Candidato, sabendo que a conversa entre advogados e clientes é sigilosa, é válida a interceptação telefônica desse tipo de conversa? Segundo o STJ (Jurisprudência em Teses, edição 117): Tese n. 7: A garantia do sigilo das comunicações entre advogado e cliente não confere imunidade para a prática de crimes no exercício da advocacia, sendo lícita a colheita de provas em interceptação telefônica devidamente autorizada e motivada pela autoridade judicial. Quanto a interceptação telefônica ilegal, seria aquela realizada sem autorização judicial, ou com objetivo não autorizado em Lei, incorrendo nas penas do Art. 10 da Lei n.º 9.296/96. Vejamos: Art. 10. Constitui crime realizar interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou telemática, promover escuta ambiental ou quebrar segredo da Justiça, sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei: (Redação dada pela Lei nº 13.869 de 2019) Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena a autoridade judicial que determina a execução de conduta prevista no caput deste artigo com objetivo não autorizado em lei. Vamos ESQUEMATIZAR? INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA ILEGAL Interceptação Telefônica realizada sem autorização legal. Interceptação Telefônica realizada com objetivo não previsto em lei. Pena: reclusão, de 2 a 4 anos, e multa. Figura equiparada: Incorre na mesma pena a autoridade judicial que determina a execução de conduta prevista no caput deste artigo com objetivo não autorizado em lei. Cuidado. A interceptação telefônica é a interceptação da conversa realizada em tempo real, enquanto os dados telefônicos são apenas a relação das ligações efetuadas e recebidas (data, horário, duração, números), sem acesso ao conteúdo das conversas. Neste aspecto, o acesso a DADOS telefônicos, necessita de autorização judicial? Existem duas correntes acerca desse tema: A primeira corrente diz que a Constituição Federal, em seu artigo 5º, inciso XII, ao conferir reserva de jurisdição para a quebra de sigilo das comunicações telefônicas sem mencionar especificamente o acesso a dados pessoais por parte das autoridades de investigação, permitiria que esse acesso fosse realizado sem a necessidade de autorização judicial. Além disso, os dados são estáticos e 10 não revelam o teor de qualquer comunicação. Ressalta-se que essa corrente encontra amparo na doutrina e era adotada pelas bancas de concurso. A segunda corrente afirma que existe uma confusão na busca pela cláusula de reserva expressa no texto constitucional, o que acaba transformando o inciso X da CF/88, do qual é primário em relação ao XII, em letra morta. Eventuais lacunas no texto constitucional não necessariamente conferem tom permissivo a práticas estatais que atingem os direitos fundamentais. Assim, se é devida a proteção legal à quebra das comunicações telefônicas por representar violação à intimidade, também é devida a proteção àquelas medidas que, no mesmo sentido, ainda que em outros objetos de tutela, violam a intimidade das pessoas em igual ou até em maior grau. Em resumo essa corrente afirma que não é porque a CF não traz uma cláusula expressa de reserva de jurisdição, que nesse caso não necessitaria de uma autorização judicial para acessar os DADOS, porque ainda assim há uma violação da intimidade e da vida privada. É uma corrente minoritária na doutrina, mas foi acolhida pelo Supremo em 2019. Vejamos: “O Plenário do STF, no informativo 945 (junho 2019), ao analisar a validade das provas coligidas no âmbito da Operação Métis, deflagrada em 2016 pela Polícia Federal em face de policiais legislativos que, em tese, estariam embaraçando investigações da Lava Jato, assentou o entendimento de que exibição de extratos telefônicos dos policiais legislativos investigados é diligência sujeita ao prévio crivo do Estado-Juiz. ” INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA QUEBRA DE DADOS TELEFÔNICOS QUEBRA DE DADOS CADASTRAIS • Autorização Judicial. • Fundamento Lei 9.296/96. • Fundamento Art. 5º, XII, CF/88. • 1º Corrente: Não precisa de Aut. Judicial(Doutrina + STJ). • 2º Corrente: Precisa de Aut. Judicial (STF). • Não precisa de Aut. Judicial. • Entendimento pacífico (Não viola intimidade ou vida privada). Candidato, comete crime a empresa de telefonia que se recusa a fornecer dados cadastrais requisitados pelo Delegado de Polícia ou membro do MP? Sim, no entanto para este caso deverão ser analisadas duas situações: Situação 1: Investigação ou processo que envolve crime praticado por organização criminosa: Será crime se a empresa não fornecer esses dados, com base no Art. 21 da Lei 12.850/13 (LOC). Art. 21. Recusar ou omitir dados cadastrais, registros, documentos e informações requisitadas pelo juiz, Ministério Público ou delegado de polícia, no curso de investigação ou do processo: Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. 11 Situação 2: Investigação ou processo não envolve crime praticado por organizações criminosas: Será crime de desobediência do CP; Art. 330. Desobedecer a ordem legal de funcionário público: Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, e multa. Observação. Para se obter os dados pretéritos de uma Estação Rádio Base – ERB, não será necessária autorização judicial. No entanto se esses dados forem online, instantâneos, com a alteração legislativa promovida no art. 13-B do CPP, conclui-se que a requisição de dados de localização em tempo real (ERBs) exige ordem judicial (se os fatos envolverem o crime de tráfico de pessoas ou a ele relacionados, o juiz deve decidir em 12h. Ultrapassado esse prazo sem decisão, passa-se para a esfera do poder requisitório do Delegado). Art. 13-B. Se necessário à prevenção e à repressão dos crimes relacionados ao tráfico de pessoas, o membro do Ministério Público ou o delegado de polícia poderão requisitar, mediante autorização judicial, às empresas prestadoras de serviço de telecomunicações e/ou telemática que disponibilizem imediatamente os meios técnicos adequados – como sinais, informações e outros – que permitam a localização da vítima ou dos suspeitos do delito em curso. § 4º Não havendo manifestação judicial no prazo de 12 (doze) horas, a autoridade competente requisitará às empresas prestadoras de serviço de telecomunicações e/ou telemática que disponibilizem imediatamente os meios técnicos adequados – como sinais, informações e outros – que permitam a localização da vítima ou dos suspeitos do delito em curso, com imediata comunicação ao juiz. 1.3.2. REQUISITO CONSTITUCIONAL: FINALIDADE CRIMINAL Art. 5º, XII – é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Conforme prevê o texto constitucional, a interceptação telefônica será decretada para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Candidato, considerando que a finalidade para a interceptação terá de ser criminal, a prova adquirida no âmbito penal pode ser utilizada como prova emprestada em processos não criminais? Sim. De acordo com a Súmula 591, STJ: É permitida a “prova emprestada” no processo administrativo disciplinar, desde que devidamente autorizada pelo juízo competente e respeitados o contraditório e a ampla defesa. A jurisprudência do STJ e do STF são firmes no sentido de que é admitida a utilização no processo administrativo de “prova emprestada” do inquérito policial ou do processo penal, desde 12 que autorizada pelo juízo criminal e respeitados o contraditório e a ampla defesa (STJ. 1ª Seção. MS 17.472/DF, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 13/6/2012). Nesse mesmo sentido, já decidiu o STF. Vejamos: A prova colhida mediante autorização judicial e para fins de investigação ou processo criminal pode ser utilizada para instruir procedimento administrativo punitivo. Assim, é possível que as provas provenientes de interceptações telefônicas autorizadas judicialmente em processo criminal sejam emprestadas para o processo administrativo disciplinar. STF. 1ª Turma. RMS 28774/DF, rel. orig. Min. Marco Aurélio, red. p/ o acórdão Min. Roberto Barroso, julgado em 9/8/2016 (Info 834).29 Atenção! Apenas são admitidas as provas emprestadas se, na sua produção, forem observadas as normas constitucionais e legais. Nesse sentido: São inadmissíveis, em processos administrativos de qualquer espécie, provas consideradas ilícitas pelo Poder Judiciário. As provas declaradas ilícitas pelo Poder Judiciário não podem ser utilizadas, valoradas ou aproveitadas em processos administrativos de qualquer espécie. Caso concreto: o CADE, em processo administrativo, condenou uma empresa pela prática de cartel. Essa condenação se baseou em provas obtidas a partir de interceptação telefônica decretada em investigação criminal. Ocorre que essa interceptação foi declarada ilegal porque autorizada unicamente com base em denúncia anônima. Logo, o processo administrativo também deve ser declarado nulo porque fundamentado em prova ilícita. STF. Plenário. ARE 1316369/DF, Rel. Min. Edson Fachin, redator do acórdão Min. Gilmar Mendes, julgado em 9/12/2022 (Repercussão Geral – Tema 1238) (Info 1079). 1.3.3. REQUISITO CONSTITUCIONAL: ORDEM JUDICIAL Art. 5º, XII – é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Art. 1º A interceptação de comunicações telefônicas, de qualquer natureza, para prova em investigação criminal e em instrução processual penal, observará o disposto nesta Lei e dependerá de ordem do juiz competente da ação principal, sob segredo de justiça. A interceptação telefônica constitui-se em verdadeira restrição ao direito fundamental da intimidade e ao sigilo das comunicações telefônicas assegurados pela Constituição Federal. Nessa esteira, por constituir-se em valor tão supremo, a sua restrição somente pode ocorrer com intervenção judicial prévia, o que significa dizer, necessita de AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. 29 CAVALCANTE, Márcio André Lopes. Súmula 591-STJ. Buscador Dizer o Direito, Manaus. Disponível em: .Acesso em: 10/06/2020 13 Dessa forma, temos que a decretação de interceptação telefônica deve observar a chamada CLÁUSULA DE RESERVA DE JURISDIÇÃO, sua decretação depende de autorização do magistrado. A ausência de autorização judicial para captação da conversa macula a validade do material como prova para o processo penal. Candidato, se um juiz estadual autoriza a interceptação por tráfico local, mas no curso da investigação, descobre-se que o tráfico é transnacional e o processo é remetido para a Justiça Federal. A prova produzida na Justiça Estadual é válida ou deve ser considerada nula? Será considerada válida, segundo os Tribunais Superiores, havendo modificação de competência a interceptação autorizada pelo juiz anterior é válida perante o novo juízo ou tribunal. STF, 2ª Turma, HC 110.496/RJ, julgado em 09/04/2013. Bem como a Tese do STJ, edição 117: “A alteração da competência não torna inválida a decisão acerca da interceptação telefônica determinada por juízo inicialmente competente para o processamento do feito”. 1.3.3.1. Modificação superveniente de competência e suas consequências Os Tribunais Superiores têm entendido que caso haja posteriormente a modificação da competência para processar e julgar o delito, a interceptação telefônica já realizada não se torna prova ilícita. Vejamos: Competência para decretar a interceptação e teoria do juízo aparente. Determinado juiz decreta a interceptação telefônicados investigados e, posteriormente, chega- se à conclusão de que o juízo competente para a medida era o Tribunal. Esta prova colhida é ilícita? Não necessariamente. A prova obtida poderá ser ratificada se ficar demonstrado que a interceptação foi decretada pelo juízo aparentemente competente. Não é ilícita a interceptação telefônica autorizada por magistrado aparentemente competente ao tempo da decisão e que, posteriormente, venha a ser declarado incompetente. Trata-se da aplicação da chamada “teoria do juízo aparente”. STF. 2ª Turma. HC 110496/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 9/4/2013 (Info 701). Vislumbra-se do presente caso, que o Supremo tem adotado a TEORIA DO JUÍZO APARENTE, de modo que o posterior conhecimento da incompetência do juízo que deferiu a diligência não implica, necessariamente, a invalidação da prova legalmente produzida. 14 Candidato, em que consiste a chamada teoria do juízo aparente? A teoria do juízo aparente, aplicada ao âmbito da interceptação telefônica, surge como uma solução para situações em que se verifica um erro quanto à competência do magistrado que autorizou a medida, com base em elementos que, à época da decisão, indicavam sua legitimidade para tanto. No contexto da interceptação telefônica, essa teoria tem importância especialmente nos casos em que, após a interceptação, se descobre que o juiz que autorizou a medida não era o competente. A Lei n.º 9.296/1996, que regulamenta a interceptação telefônica no Brasil, estabelece, em seu art. 1º, que a medida deve ser autorizada por ordem judicial, diante de indícios razoáveis de autoria ou participação em infrações criminais, e quando a prova não puder ser obtida por outros meios. Contudo, para que a decisão judicial seja válida, o juiz que a autoriza precisa ser competente para atuar no processo em questão, sob pena de nulidade. No entanto, podem ocorrer situações em que o magistrado que determina a interceptação aparenta ser o competente com base nas informações que ele possuía no momento da decisão, mas posteriormente se descobre que, por uma mudança no quadro de fatos ou pela revelação de novas informações, outro juízo seria o correto. Exemplo típico seria uma interceptação telefônica autorizada por um juiz estadual que, com base nas informações disponíveis, acreditava que o caso envolvia um crime de competência estadual. Após a investigação, constata-se que o crime está relacionado à atuação de organização criminosa transnacional, matéria de competência federal, devendo, portanto, ser apreciada por um juiz federal. Nesses casos, a teoria do juízo aparente propõe que a interceptação telefônica autorizada por um juiz que, no momento, parecia ser o competente, seja considerada válida, desde que o magistrado tenha agido de boa-fé e com base nos elementos então disponíveis. O objetivo dessa teoria é proteger a boa-fé processual, evitando que as investigações sejam comprometidas por meras questões de competência que não eram aparentes no momento da autorização da medida. Dessa forma, ainda que se descubra posteriormente que o juiz não era o competente, a prova colhida por meio da interceptação não seria automaticamente anulada, porque a decisão foi tomada de maneira legítima com os dados disponíveis na época. A jurisprudência brasileira tem reconhecido a validade da teoria do juízo aparente. Art. 1º, parágrafo único. O disposto nesta Lei aplica-se à interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática. O parágrafo único traz a possibilidade de serem analisadas as conversas realizadas via Skype e WhatsApp por exemplo. 15 Cuidado. Se em uma situação hipotética o Delegado efetua uma prisão em flagrante de um traficante de drogas e com ele foi apreendido um smartphone, a autoridade policial só poderá verificar as mensagens trocadas no WhatsApp se possuir autorização judicial, conforme Tese do STJ. Vejamos: Tese STJ, edição 111. É ilícita a prova colhida mediante acesso aos dados armazenados no aparelho celular, relativos a mensagens de texto, SMS, conversas por meio de aplicativos (WhatsApp), e obtida diretamente pela polícia, sem prévia autorização judicial. Essa interpretação do STJ está em sintonia com a Lei n. 12.965/14 (Marco Civil da Internet). Vejamos: Lei 12.965/14 Art. 7º O acesso à internet é essencial ao exercício da cidadania, e ao usuário são assegurados os seguintes direitos: I - inviolabilidade da intimidade e da vida privada, sua proteção e indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação; II - inviolabilidade e sigilo do fluxo de suas comunicações pela internet, salvo por ordem judicial, na forma da lei; III - inviolabilidade e sigilo de suas comunicações privadas armazenadas, salvo por ordem judicial; Candidato, se a apreensão do aparelho smartphone se der em função de cumprimento de mandado de busca e apreensão, pode ser aberta conversas de WhatsApp, por exemplo, sem autorização judicial? O STJ entende possível o acesso imediato às mensagens pela polícia, tendo em vista que o próprio mandado judicial de busca e apreensão já serviria como autorização judicial para tal acesso. Este tema envolve diretamente os direitos probatórios de terceira geração, que são aquelas provas invasivas, altamente tecnológicas, que permitem alcançar conhecimentos e resultados inatingíveis pelos sentidos e técnicas tradicionais. Ou seja, são as provas voltadas a tecnologia, Smartphone, por exemplo, hoje tem informações de toda a vida, dados bancários, conversas, etc. Adentrando no campo da tecnologia temos uma decisão interessante do STJ, acerca de uma apreensão de um indivíduo e seu celular no qual foi solicitada uma autorização judicial para averiguar mensagens existentes no aplicativo, a autorização foi concedida e antes que o aparelho fosse entregue de volta, a autoridade policial usou o QR e acessou via computador, passando a acompanhar via WhatsApp Web. No entanto o STJ afirmou que será nula a decisão judicial que autoriza o espelhamento via Código QR para acesso no WhatsApp Web. Também são nulas todas as provas e atos que dela diretamente dependam ou sejam consequência, ressalvadas eventuais fontes independentes. Não é possível aplicar a analogia entre o instituto da interceptação telefônica e o espelhamento, por meio do WhatsApp Web, das conversas realizadas pelo WhatsApp. STJ. 6ª Turma. RHC 99735-SC, Rel. Min. Laurita Vaz, julgado em 27/11/2018 (Info 640). 16 O entendimento não é válido porque o agente não se torna apenas um mero observador, tendo em vista que com WhatsApp web pode-se enviar mensagens, apagar mensagens, etc. Em outro caso peculiar o STJ entendeu que o Delegado de Polícia pode acessar conversas de WhatsApp de vítima morta. Vejamos a situação caso-concreto: Mesmo sem autorização judicial, polícia pode acessar conversas do Whatsapp da vítima morta, cujo celular foi entregue pela sua esposa. Não há ilegalidade na perícia de aparelho de telefonia celular pela polícia, sem prévia autorização judicial, na hipótese em que seu proprietário – a vítima – foi morto, tendo o referido telefone sido entregue à autoridade policial por sua esposa. STJ. 6ª Turma. RHC 86.076-MT, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, Rel. Acd. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado em 19/10/2017 (Info 617). JÁ CAIU CESPE: De acordo com a CF, prescinde de prévia decisão judicial a interceptação de comunicações telefônicas para prova em investigação criminal e em instrução processual penal. Gab. ERRADO. Justificativa: Prescindir significa dispensar. No caso, a autorização judicial é imprescindível para a decretação da interceptação telefônica no âmbito da investigação criminal e da instrução processual penal. JÁ CAIU CESPE: O juiz competente para determinar a interceptação é o competente para processar e julgar o crime de cuja prática se suspeita.No entanto, a verificação posterior de que se trata de crime para o qual o juiz seria incompetente não deve acarretar a nulidade absoluta da prova colhida. Gab. CERTO. 1.4. REQUISITOS LEGAIS Conforme já destacado acima, a interceptação telefônica, é uma medida excepcional e intrusiva na esfera da privacidade individual, estando restrita a situações em que a sua utilização seja absolutamente necessária. O artigo 2º da referida lei impõe restrições claras, visando assegurar que a interceptação seja um recurso de última instância, respeitando os direitos fundamentais, como a intimidade e a inviolabilidade das comunicações, previstos no artigo 5º, inciso XII, da Constituição Federal. Vejamos: Art. 2º Não será admitida a interceptação de comunicações telefônicas quando ocorrer qualquer das seguintes hipóteses: I – não houver indícios razoáveis da autoria ou participação em infração penal; 17 II – a prova puder ser feita por outros meios disponíveis; III – o fato investigado constituir infração penal, punida, no máximo, com pena de detenção. Parágrafo único. Em qualquer hipótese deve ser descrita com clareza a situação objeto da investigação, inclusive com a indicação e qualificação dos investigados, salvo impossibilidade manifesta, devidamente justificada. Da análise do dispositivo legal acima, contemplamos que o legislador optou pelo emprego de uma técnica negativa, ou seja, elencou as hipóteses em que não caberá a interceptação telefônica. Corroborando ao exposto, Gabriel Habib (Leis Penais Especiais – Vol. Único, pág. 451, 2023): Pode parecer estranho que o legislador tenha tratado dos casos em que não cabe a interceptação telefônica. Normalmente, o legislador trata das hipóteses de cabimento. Contudo, é compreensível a forma pela qual o legislador tratou o tema. Com efeito, ao que parece, o legislador quis que o cabimento desse meio de obtenção de prova fosse a regra e, o seu não cabimento, a exceção. Assim, não seria possível ao legislador prever todas as hipóteses de cabimento, simplesmente porque quis fazer dele a regra geral. Portanto, ele optou por trazer as hipóteses excepcionais, ou seja, de não cabimento. Dessa forma, para melhor compreensão do tema, vamos fazer nesse momento uma leitura inversa, de modo a constatarmos os reais requisitos necessários para a decretação da interceptação telefônica. Somente será admitido a interceptação telefônica: • Se houver indícios suficientes de autoria ou participação da infração penal; • O crime investigado for punido com pena de reclusão; • Não houver outro meio disponível para a prova ser produzida (caráter subsidiário). 1.4.1. INC. I: INDÍCIOS RAZOÁVEIS DA AUTORIA OU PARTICIPAÇÃO EM INFRAÇÃO PENAL Por indícios razoáveis entendam-se indícios suficientes de autoria ou participação. A medida de interceptação telefônica depende de indícios pré-existentes de autoria ou participação do agente no delito a ser investigado. Em outras palavras, já deve haver algum elemento de prova que traga, no mínimo, indícios da concorrência do agente. Lei 9.296/96 Art. 2°. Não será admitida a interceptação de comunicações telefônicas quando ocorrer qualquer das seguintes hipóteses: I - não houver indícios razoáveis da autoria ou participação em infração penal; A interceptação acontece após o delito (pós-delitual), não pode se admitir uma interceptação antes de que aconteça alguma infração penal (interceptação de prospecção). A intitulada “interceptação de prospecção” é a interceptação que acontece sem que tenhamos indícios de autoria, realizada para a descoberta eventual de um delito. Não se admite em nosso Ordenamento Jurídico Brasileiro a interceptação de prospecção, que é aquela realizada por meras 18 conjecturas para descobrir se uma pessoa qualquer está envolvida em alguma infração penal. A interceptação telefônica é um procedimento caracteristicamente “pós-delitual” e não “pré-delitual”. Candidato, em que consiste a chamada interceptação de prospecção? A chamada “interceptação de prospecção” refere-se a uma interceptação telefônica realizada sem que existam indícios prévios de autoria ou participação em infração penal, sendo empregada de forma especulativa, na esperança de que, ao monitorar comunicações, possa ser descoberto algum crime ainda não identificado ou atribuído a um indivíduo. Em outras palavras, trata-se de uma interceptação investigativa sem base em fatos concretos, usada para prospectar ou tentar descobrir delitos de maneira aleatória. No ordenamento jurídico brasileiro, essa prática é expressamente vedada pela Lei n. 9.296/1996, que regula a interceptação telefônica. Conforme o art. 2º, inciso I, um dos requisitos para a autorização judicial dessa medida é a existência de “indícios razoáveis da autoria ou participação em infração penal”. Ou seja, o uso da interceptação não pode ser fundamentado em meras conjecturas ou especulações sobre o envolvimento de alguém em um crime. A interceptação telefônica é um instrumento pós-delitual, isto é, pressupõe que já houve uma infração penal e que a medida visa investigar um fato criminoso que tenha indícios prévios. Isso significa que ela só pode ser utilizada para aprofundar investigações já em curso, quando outros meios não são suficientes para esclarecer a autoria ou a dinâmica do crime. O que caracteriza a interceptação de prospecção como incompatível com o sistema jurídico brasileiro é que ela inverte essa lógica, sendo uma ferramenta pré-delitual, que busca a descoberta de crimes não identificados, sem base em fatos ou elementos investigativos. Tal prática viola direitos fundamentais, como a privacidade e a inviolabilidade das comunicações, pois submete as pessoas a uma devassa em suas conversas pessoais sem justificativa legal. Como #JÁCAIU esse assunto em prova de Concursos? Ano: 2018 Banca: TRF - 3ª Região Órgão: TRF - 3ª Região Prova: Juiz Federal. Relativamente à interceptação de comunicações telefônicas, de qualquer natureza, para prova em investigação criminal e em instrução processual penal, assinale a alternativa que contém uma afirmação CORRETA: A. Somente pode ser deferida a requerimento do Ministério Público, em qualquer fase da investigação policial ou na instrução processual penal. B. É admissível para a investigação de qualquer tipo de infração penal. C. Não poderá ser deferida se não houver indícios razoáveis da autoria ou participação em infração penal. D. Será deferida, ainda que a prova possa ser feita por outros meios disponíveis. Gab. C. 19 Justificativa: De fato, conforme o art. 2º, inciso I, da Lei de Interceptação Telefônica, não será admitida a interceptação caso não existam indícios razoáveis da autoria ou participação em infração penal. A razão de ser dessa exigência é que a interceptação telefônica possui natureza cautelar e a sua admissibilidade está condicionada à presença dos elementos das cautelares, quais sejam: o fumus comissi delicti e do periculum in mora - que correspondem respectivamente à comprovação da existência de um crime e de indícios suficientes de autoria, e ao risco que o criminoso em liberdade pode criar para a ordem pública, a ordem econômica, a instrução criminal e para a aplicação da lei penal. Como #JÁCAIU esse assunto em prova de Concursos? Ano: 2018 Banca: NUCEPE Órgão: PC-PI Prova Delegado de Polícia Civil Sabe-se que a interceptação de comunicações telefônicas é, atualmente, prova bastante utilizada em investigação criminal, inclusive, para a própria instrução processual penal. Sobre o tema, marque a alternativa CORRETA. A. A ordem da interceptação de comunicações telefônicas depende da ordem da autoridade policial e, em seguida, para instrução processual, submete ao juiz competente para validação. B. A interceptação de comunicações telefônicas tem, mesmo que seja possível outros meios disponíveis, o objetivode corroborar com os demais meios de prova. C. Não é permitida a interceptação de comunicações telefônicas quando não houver indícios razoáveis da autoria ou participação em infração penal. D. É permitida a interceptação de comunicações telefônicas quando o fato investigado constituir infração penal punida com pena de detenção E. Mesmo que estejam presentes os pressupostos que autorizam a interceptação de comunicações telefônicas, é inadmissível que o pedido seja formulado verbalmente, nem que seja excepcionalmente. Gab. C. Justificativa: Trata-se de um dos requisitos previsto na Lei de Interceptação Telefônica. Nesse sentido, a questão correta é a letra C em conformidade com o art. Art. 2°. Vejamos: Art. 2° Não será admitida a interceptação de comunicações telefônicas quando ocorrer qualquer das seguintes hipóteses: I - não houver indícios razoáveis da autoria ou participação em infração penal. 1.4.2. INC. II: CARÁTER SUBSIDIÁRIO DA MEDIDA O inciso II do artigo 2º estabelece a interceptação telefônica como uma medida subsidiária, isto é, somente deve ser autorizada quando a prova necessária à investigação não puder ser obtida por outros meios disponíveis. Essa restrição é crucial, pois a interceptação telefônica é considerada uma medida altamente invasiva, atingindo diretamente a privacidade das comunicações, o que exige um uso criterioso e restrito. Esse critério de subsidiariedade exige que o magistrado analise, com base nos elementos apresentados, se há outros métodos menos gravosos que possam ser utilizados pela autoridade policial ou pelo Ministério Público para a obtenção da prova. Somente quando esses métodos se revelarem 20 insuficientes ou inviáveis é que a interceptação se legitima. A jurisprudência tem ressaltado que não basta que a interceptação seja conveniente; ela deve ser imprescindível ao sucesso da investigação. Desse modo, temos que o legislador, ao prever que a medida não será decretada quando a prova puder ser feita por outros meios disponíveis, conferiu a essa medida o caráter subsidiário, de forma que ela tem que ser o único meio de prova disponível para a investigação de determinado delito, só assim poderá ser decretada de forma válida, ou seja, obedecendo os requisitos legais. II - a prova puder ser feita por outros meios disponíveis; A interceptação deverá de ser imprescindível, só será cabível se for o único meio de obter a prova. Ressalta-se que se recebida denúncia anônima, não poderá ser realizada de imediato uma interceptação, diante de uma situação como essa, o caminho correto deverá ser a determinação de diligências para confirmação da denúncia (verificação preliminar de informações). Tese – STJ, Edição 117: É possível a determinação de interceptações telefônicas com base em denúncia anônima, desde que corroborada por outros elementos que confirmem a necessidade da medida excepcional. Nessa linha, vejamos o entendimento dos Tribunais sobre o tema: Caráter subsidiário da interceptação telefônica A interceptação telefônica é subsidiária e excepcional, só podendo ser determinada quando não houver outro meio para se apurar os fatos tidos por criminosos, nos termos do art. 2º, inc. II, da Lei nº 9.296/1996. Desse modo, é ilegal que a interceptação telefônica seja determinada APENAS com base em “denúncia anônima”. STF. Segunda Turma. HC 108147/PR, rel. Min. Cármen Lúcia, 11/12/2012. Como #JÁCAIU esse assunto em prova de Concursos? Ano: 2023 Banca: CONSULPAM Órgão: TCM-PA Prova: Conselheiro Substituto. Levando-se em consideração o inteiro teor da Lei n.º 9.296/1996, será admitida a interceptação de comunicações telefônicas quando: A. Não houver indícios razoáveis da participação em infração penal. B. O fato investigado constituir infração penal punida, no máximo, com pena de detenção. C. Não houver indícios razoáveis da autoria. D. A prova não puder ser feita por outros meios disponíveis. Gab. D. JÁ CAIU CESPE: É possível a autorização judicial de interceptação de comunicações telefônicas, mesmo quando possível a comprovação, por outros meios, dos fatos a elas relacionados. Gab. ERRADO. 21 Justificativa: A interceptação telefônica tem caráter subsidiário, assim, se há outros meios de se provar os fatos, a sua decretação não será possível, dever de observância do art. 2º, Inc. II, da Lei nº 9.296/96. JÁ CAIU CESPE: A violação do sigilo telefônico é admitida pela norma constitucional, para fins de investigação criminal ou instrução processual penal, desde que a decisão judicial que a determine esteja devidamente fundamentada e que tenham sido esgotados todos os outros meios disponíveis de obtenção de prova. Gab. CERTO. Obs.: não se inicia investigação criminal com a decretação direta da interceptação telefônica, posto seu caráter subsidiário. A denúncia anônima, nesse contexto deve servir de base tão somente para as investigações iniciais, não fundamentando a decretação da medida extrema da interceptação telefônica. Como #JÁCAIU esse assunto em prova de Concursos? Ano: 2018 Banca: Instituto AOCP Órgão: ITEP - RN Provas: Perito Criminal. A respeito da interceptação telefônica, assinale a alternativa correta. A. Não será admitida a interceptação de comunicações telefônicas, dentre outras hipóteses, quando a prova puder ser feita por outros meios disponíveis. B. Será admitida a interceptação para investigar crimes punidos com detenção ou reclusão. C. A interceptação das comunicações telefônicas somente poderá ser determinada pelo juiz a requerimento do Ministério Público. D. Deferido o pedido, o juiz conduzirá os procedimentos de interceptação, dando ciência ao Delegado e ao Ministério Público, que poderão acompanhar a sua realização. E. Constitui contravenção penal realizar interceptação de comunicações telefônicas sem autorização judicial. Gab. A. Justificativa: Segundo o art. 2°, inciso II da Lei 9.296/96, não será admitida a interceptação telefônica quando a prova puder ser produzida por outros meios, já que a interceptação telefônica é uma forma muito invasiva de investigação. 1.4.3. INC. III: INFRAÇÃO PENAL PUNIDA COM RECLUSÃO Conforme dispõe o art. 2, III, da Lei, a interceptação telefônica não pode ser decretada para fins de investigação de crime punido com pena de detenção, ou seja, a interceptação telefônica somente é cabível nas infrações penais punidas com reclusão. O inciso III do artigo 2º estabelece a proporcionalidade entre a gravidade da infração penal investigada e a adoção da interceptação telefônica como medida probatória. A lei limita a utilização da interceptação a crimes punidos com pena de reclusão, vedando sua aplicação para crimes cuja sanção máxima seja a pena de detenção. 22 A distinção entre reclusão e detenção, no direito penal brasileiro, sinaliza que os delitos puníveis com detenção são considerados de menor gravidade, para os quais as medidas probatórias não precisam ser tão intrusivas. Assim, a interceptação telefônica será inadmissível para investigar crimes de menor potencial ofensivo, ainda que outras condições estejam presentes. Esse critério reflete o princípio da proporcionalidade, segundo o qual as restrições aos direitos fundamentais, como a privacidade, devem ser proporcionais à gravidade do delito investigado. III - o fato investigado constituir infração penal punida, no máximo, com pena de detenção. O crime deve ser apenado com reclusão para que a interceptação possa entrar em cena. Atente para o fato de que aqui temos requisitos cumulativos. Terá de haver situações presentes nos três incisos para que seja admitida a interceptação. Como #JÁCAIU esse assunto em prova de Concursos? Ano: 2023 Banca: VUNESP Órgão: TJ-SP Prova: Juiz Substituto. Das alternativas a seguir, assinale aquela que não será admitida a interceptação telefônica. A. Quando vem requerida exclusivamentepelo Ministério Público. B. Quando não existirem indícios suficientes de autoria. C. Quando os crimes são apenados com detenção. D. Quando o pedido é postulado verbalmente pelo interessado. Gab. C. Como #JÁCAIU esse assunto em prova de Concursos? Em concurso de Delegado de Polícia Civil de Goiás (2022), foi apontada como CORRETA a seguinte afirmação: “Nos termos da Lei da Interceptação de Comunicações Telefônicas, quando o fato investigado constituir infração penal punida, no máximo, com pena de detenção, não será admitida a interceptação de comunicações telefônicas”. Como #JÁCAIU esse assunto em prova de Concursos? Ano: 2021 Banca: CESPE Órgão: MPE-SC Prova: Promotor de Justiça. Com exceção das contravenções penais, a interceptação telefônica é cabível em qualquer tipo de crime, seja ele punido com reclusão ou com detenção, desde que haja indícios robustos do envolvimento dos requeridos no crime e a informação pretendida não possa ser alcançada por meio investigativo menos gravoso. Gab. ERRADO. Justificativa: A interceptação telefônica somente é cabível nas infrações penais punidas com reclusão. Como #JÁCAIU esse assunto em prova de Concursos? Ano: 2019 Banca: CESPE Órgão: TJ-AM Prova: Analista Judiciário. 23 Hugo é investigado pela prática de lesão corporal seguida de morte contra Márcia, crime esse cometido em Manaus. A autoridade policial realizou interceptação telefônica e tomou conhecimento de que Hugo havia confessado ser o autor do crime ao irmão da vítima, Miguel. Acerca dessa situação hipotética, julgue o item a seguir, com base no que dispõe a legislação de regência. Por se tratar de crime de lesão corporal seguida de morte, não se admite o emprego de interceptação telefônica nas investigações. Gab. ERRADO. Justificativa: O crime de lesão corporal seguida de morte está previsto no artigo 129, § 3º do Código Penal. A pena cominada para a infração penal ora tratada é a de quatro a doze anos de reclusão. Assim, diante das normas dos incisos do artigo 2º da Lei nº 9.296 de 1996, que trata das hipóteses em que é cabível a interceptação das comunicações telefônicas, não há impedimento legal à utilização desse método investigativo, pois o referido crime não é apenado com detenção e sim reclusão. Em suma temos como requisitos constitucionais e requisitos legais para a interceptação telefônica: REQUISITOS CONSTITUCIONAIS REQUISITOS LEGAIS Lei autorizadora Indícios de autoria e participação em infração penal Ordem judicial Único meio de prova Finalidade criminal Crime punível com reclusão Por fim, e não menos importante, o parágrafo único, do art. 2º exigiu que “em qualquer hipótese deve ser descrita com clareza a situação objeto da investigação, inclusive com a indicação e qualificação dos investigados, salvo impossibilidade manifesta, devidamente justificada”. Vejamos: Art. 2º, Parágrafo único. Em qualquer hipótese deve ser descrita com clareza a situação objeto da investigação, inclusive com a indicação e qualificação dos investigados, salvo impossibilidade manifesta, devidamente justificada. Quando se vai representar por uma Interceptação, deverá estar descrito o crime, as informações de esgotamento dos meios de provas, os indícios de autoria e participação, etc. 1.4.4. TEORIA DA SERENDIPIDADE O fenômeno da serendipidade consiste na descoberta fortuita de delitos que não são objeto da investigação. A serendipidade (tradução literal da palavra inglesa serendipity), também é conhecida como “descoberta casual” ou “encontro fortuito”. Para Luiz Flávio Gomes, “serendipidade é o ato de fazer descobertas relevantes ao acaso, em forma de aparentes coincidências. De acordo com o dicionário Houaiss, a palavra vem do inglês serendipity: descobrir coisas por acaso.”30 30 http://lfg.jusbrasil.com.br/noticias/2586994/artigos-do-prof-lfginterceptacao-telefonica-serendipidade-e-aceita-pelo-stj http://lfg.jusbrasil.com.br/noticias/2586994/artigos-do-prof-lfginterceptacao-telefonica-serendipidade-e-aceita-pelo-stj 24 Essa teoria trata da descoberta fortuita de crimes ou criminosos que não são objeto da investigação inicial. Vejamos: 1.4.4.1. Serendipidade objetiva A serendipidade objetiva ocorre quando, no curso da medida, surgirem indícios da prática de outro crime que não estava sendo investigado. 1.4.4.2. Serendipidade subjetiva Serendipidade subjetiva ocorre quando, no curso da medida, surgirem indícios do envolvimento criminoso de outra pessoa que inicialmente não estava sendo investigada. 1.4.4.3. Serendipidade de 1º grau É o encontro fortuito de provas quando houver conexão ou continência com o fato que se apurava. Nessa linha, a serendipidade de 1º grau consiste na descoberta de provas de outra infração penal que tenha conexão ou continência entre a infração penal investigada. Em razão da conexão ou da continência, é possível que os elementos encontrados sejam utilizados como meios de prova. Não se trata de prova ilícita. 1.4.4.4. Serendipidade de 2º grau É o encontro fortuito de provas quando não houver conexão ou continência com o fato que se apurava. A serendipidade de 2º grau dá-se quando não há relação de conexão ou continência entre a infração investigada e a infração encontrada. Nesses casos, os elementos de prova encontrados não podem ser utilizados como meio de prova, embora possam servir de notitia criminis. Candidato, o juiz autoriza interceptação para apurar um tráfico ilícito de drogas praticado por A e B. Durante as interceptações a polícia descobre também um crime de ameaça e uma contravenção penal de jogo do bicho. Indaga-se: Pode a interceptação ser utilizada como prova do crime de ameaça e da contravenção do jogo do bicho? Temos duas correntes para essa resposta, a primeira dirá que sim, desde que o crime apenado com detenção seja conexo; “Tese STJ, Edição 117: É legítima a prova obtida por meio de interceptação telefônica para apuração de delito punido com detenção, se conexo com outro 25 crime apenado com reclusão”. A segunda corrente afirma que a prova é lícita. Teoria da visão aberta, o Estado não pode fechar os olhos para condutas ilícitas. (STF RHC 120.739/RO; HC 129678/SP). Observação. Não é cabível interceptação para apurar crime punido com detenção e tampouco contravenção penal (art. 2º, inciso III, Lei 9.296/96). Entretanto, é possível que no curso de uma interceptação telefônica para apurar delito apenado com reclusão, surjam provas de crime punido com detenção (ex.: ameaça) e contravenção penal (jogo do bicho). Para o STF: temos precedentes admitindo como válida essa prova obtida fortuitamente em função da aplicação da teoria da serendipidade, independente de conexão entre os fatos. Para o STJ, Tese STJ, Edição 117: É legítima a prova obtida por meio de interceptação telefônica para apuração de delito punido com detenção, se conexo com outro crime apenado com reclusão. ESQUEMATIZANDO: Classificação Descrição Utilização como Prova Serendipidade Objetiva Ocorre quando, no curso da interceptação, surgem indícios da prática de outro crime que não estava sendo investigado. Pode ser usada como prova, dependendo da conexão/continência. Serendipidade Subjetiva Acontece quando, durante a interceptação, surgem indícios do envolvimento criminoso de outra pessoa que inicialmente não era alvo da investigação. Pode ser utilizada, desde que cumpridos os requisitos legais. Serendipidade de 1º Grau Ocorre o encontro fortuito de provas de outra infração penal, mas que tenha conexão ou continência com o fato investigado originalmente. Pode ser utilizada como prova. Não é considerada ilícita. Serendipidade de 2º Grau Refere-se ao encontro fortuito de provas de outra infração penal, sem conexão ou continência com o fato investigado. Não pode ser usada como prova, mas pode gerarnotitia criminis. 2. PROCEDIMENTO DA INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA 2.1. LEGITIMADOS Art. 3° A interceptação das comunicações telefônicas poderá ser determinada pelo juiz, de ofício ou a requerimento: I - da autoridade policial, na investigação criminal; II - do representante do Ministério Público, na investigação criminal e na instrução processual penal. 26 Da análise do dispositivo legal, contemplamos que são três as formas de se decretar a interceptação telefônica, sendo elas: • Determinação de ofício pelo juiz; • Representação da autoridade policial; • Requerimento do Ministério Público. 2.1.1. DETERMINAÇÃO DE OFÍCIO PELO JUIZ A determinação de ofício pelo juiz na fase da investigação criminal é questionada pelos doutrinadores, pois nesse caso haveria patente violação ao sistema acusatório. Inobstante a questão doutrina, sugiro em provas objetivas observar a literalidade do texto legal. Como #JÁCAIU esse assunto em prova de Concursos? Ano: 2023 Banca: FGV Órgão: TJ-RN Prova: Oficial de Justiça. João é investigado, no bojo de um inquérito policial, pela suposta prática dos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico, ambos punidos com reclusão, considerando que a Polícia Civil possui informações de que o agente é integrante de facção criminosa com forte atuação no Município de Natal/RN. Nesse cenário, considerando as disposições da Lei nº 9.296/1996, é correto afirmar que a interceptação telefônica: A. não poderá ser decretada no caso concreto narrado, considerando que a interceptação telefônica somente pode ser deferida no curso de um processo penal já instaurado, em razão da gravidade da medida cautelar e desde que o objeto da persecução penal seja um crime hediondo; B. poderá ser decretada de ofício, a requerimento do Ministério Público ou mediante representação da autoridade policial, desde que haja indícios suficientes de autoria de João na infração penal e a prova não possa ser produzida por outros meios disponíveis; C. poderá ser decretada a requerimento do Ministério Público ou mediante representação da autoridade policial, desde que haja indícios suficientes de autoria de João na infração penal e a prova não possa ser produzida por outros meios disponíveis; D. poderá ser decretada de ofício ou a requerimento do Ministério Público, desde que haja indícios suficientes de autoria de João na infração penal e a prova não possa ser produzida por outros meios disponíveis; E. não poderá ser decretada no caso concreto narrado, considerando que a interceptação telefônica somente pode ser deferida no curso de um processo penal já instaurado, em razão da gravidade da medida cautelar. Gab. B. 2.1.2. REPRESENTAÇÃO DA AUTORIDADE POLICIAL A autoridade policial é quem detém a atribuição para as investigações criminais, por excelência. Logo, ela tem condições de avaliar os meios de obtenção de provas para a investigação de determinada infração penal. A representação da autoridade policial é dirigida diretamente ao juiz. 27 2.1.3. REQUERIMENTO DO MINISTÉRIO PÚBLICO Na condição de titular da ação penal, o MP tem legitimidade para requerer ao Juiz a decretação da interceptação telefônica e poderá fazê-lo tanto na fase da investigação criminal, quanto na fase da instrução processual penal. Como #JÁCAIU esse assunto em prova de Concursos? Ano: 2024 Banca: FGV Órgão: Câmara dos Deputados Prova: FGV - 2024 - Câmara dos Deputados - Analista Legislativo/Consultoria - Consultor Legislativo - Área XXII (Reaplicação). No que diz respeito à interceptação de comunicações telefônicas, disciplinada nos termos da Lei nº 9.296/1996, assinale a afirmativa correta. A. A disciplina legal da interceptação de comunicações telefônicas não se aplica à interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática. B. É admissível a interceptação de comunicações telefônicas quando o fato investigado constituir infração penal punida com reclusão ou detenção, além de multa. C. Sob pena de nulidade, a interceptação de comunicações telefônicas demanda a descrição, com clareza, da situação objeto da investigação, sendo imprescindível indicação e qualificação dos alvos investigados. D. É admissível a interceptação de comunicações telefônicas quando o fato investigado for considerado crime hediondo, ainda que a prova possa ser também produzida ou reforçada por outros meios disponíveis. E. A interceptação das comunicações telefônicas poderá ser determinada por meio requerimento da autoridade policial, na investigação criminal, ou do representante do Ministério Público, na investigação criminal e na instrução processual penal. Gabarito E. Alternativa A: Art. 1°. Parágrafo único. O disposto nesta Lei aplica-se à interceptação do fluxo de comunicações em sistemas de informática e telemática. Alternativa B: Art. 2° NÃO será admitida a interceptação de comunicações telefônicas quando ocorrer qualquer das seguintes hipóteses: III - o fato investigado constituir infração penal punida, no máximo, com pena de detenção. Logo, no caso de pena de detenção, não cabe decretação da interceptação. Alternativa C: Art. 2°. Parágrafo único. Em qualquer hipótese deve ser descrita com clareza a situação objeto da investigação, inclusive com a indicação e qualificação dos investigados, salvo impossibilidade manifesta, devidamente justificada. Alternativa D: Art. 2° Não será admitida a interceptação de comunicações telefônicas quando ocorrer qualquer das seguintes hipóteses: II - a prova puder ser feita por outros meios disponíveis; JÁ CAIU CESPE: A interceptação das comunicações telefônicas poderá ser determinada pelo juiz a requerimento: 28 A. do assistente de acusação, durante a investigação criminal. B. do ministro da Fazenda, quando da investigação de crimes contra a ordem tributária. C. da autoridade policial, durante a investigação criminal. D. o MP, somente após o recebimento da denúncia. E. do ministro da Justiça, se o crime praticado envolver a violação de direitos humanos. Gab. C. JÁ CAIU CESPE: De acordo com a Lei n.º 9.296/1996, a intercepção das comunicações telefônicas poderá ser determinada a requerimento da autoridade policial, na fase de investigação criminal, ou a requerimento do MP, somente na fase de instrução criminal. Gab. ERRADO. Justificativa: o Ministério Público poderá proceder com o requerimento tanto na fase da investigação criminal, quanto na fase da instrução criminal. Dessa forma, é equivocado dizer que poderá ser somente na fase de instrução criminal. Pelo exposto, no que tange ao procedimento, tanto o juiz de ofício ou a requerimento do Delegado de Polícia ou do Ministério Público, pode iniciar o procedimento de instauração de interceptação telefônica. Como #JÁCAIU esse assunto em prova de Concursos? Em concurso de Delegado de Polícia Civil de Goiás (2022), foi apontada como INCORRETA a seguinte afirmação: “A interceptação das comunicações telefônicas poderá ser determinada pelo juiz, de ofício ou a exclusivo requerimento do representante do Ministério Público, na investigação criminal e na instrução processual penal”. Justificativa: A interceptação das comunicações telefônicas poderá ser determinada pelo juiz, de ofício, ou a requerimento da autoridade policial, durante a investigação criminal, ou do representante do Ministério Público, durante a investigação criminal e a instrução processual penal (e não a exclusivo requerimento do representante do Ministério Público como afirmado na questão). Art. 4° O pedido de interceptação de comunicação telefônica conterá a demonstração de que a sua realização é necessária à apuração de infração penal, com indicação dos meios a serem empregados. § 1° Excepcionalmente, o juiz poderá admitir que o pedido seja formulado verbalmente, desde que estejam presentes os pressupostos que autorizem