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CIÊNCIA DOS MATERIAIS Prof. Dr. Lucas Bonan Gomes – DEMAT – UFRGS SÚMULA 1. INTRODUÇÃO AOS MATERIAIS 2. ESTRUTURA ATÔMICA 3. ESTRUTURA CRISTALINA 4. MICROESTRUTURA (FASES) 5. PROPRIEDADES VS. ESTRUTURA 6. DEGRADAÇÃO DOS MATERIAIS A disciplina objetiva apresentar os fundamentos da Ciência dos Materiais: a interrelação entre os diferentes níveis de estrutura que constituem os materiais e as propriedades aí definidas. OBJETIVO DA DISCIPLINA 1. Callister Jr., W.D., Materials Science and Engineering an introduction, 7ª Edição, New York, John Wiley & Sons, 2007. 2. Askeland, Donald R.: The Science and Engineering of Materials, 6ª Edição, London, Chapman and Hall, 2009. 3. Shackeldford, James F. Introduction to Materials Science for Engineers. New Jersey, Prentice-Hall, Inc., 7a. Ed. 2008. 4. van Vlack, Lawrence H.: Princípio de ciências dos materiais. São Paulo, Edgar Blücher, 1970. 5. van Vlack, Lawrence H.: Princípio de ciências e tecnologia dos materiais. 4º Edição, Rio de Janeiro, Campus, 1984. 6. Anderson, J.C. et alli: Materials Science. 4º Edição, London, Chapman and Hall, 1990. 7. Meyers, Marc A. e Chawla, Krishan K.: Princípios de Metalurgia Mecânica. São Paulo, Edgar Blücher, 1982. 8. Flinn, Richard A. e Trojan, Paul K.: Materiales de Ingeneria y sus Aplicaciones. Bogotá, Editorial McGRaw-Hill Latino Americana S.A., 1979. 9. Smith, William F.: Materials Science and Engineering. New York, McGraw-Hill Publ. Co., 2a. Ed. 1989. BIBLIOGRAFIA SUGERIDA CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO AOS MATERIAIS 1. INTRODUÇÃO AOS MATERIAIS 1-1 INTRODUÇÃO 1-2 TIPOS DE MATERIAIS 1-3 RELAÇÃO: ESTRUTURA-PROCESSAMENTO-PROPRIEDADES 1-4 SELEÇÃO DE MATERIAIS 1-1 INTRODUÇÃO MATERIAIS: ‘Matéria utilizada em aplicações práticas / industriais’ -máquinas -artefatos - dispositivos - componentes -estruturas (prédios) -outros ENGENHARIA! utilização – desde os primórdios da civilização são parte integrantes da vida humana o conhecimento dos materiais definiu algumas idades da história da humanidade: idade da pedra, idade do bronze, idade do ferro, idade dos plásticos, não? Com uso, por exemplo, em: - máquinas - estruturas - dispositivos - produtos 2 milhões de anos 5.000 anos 3.000 anos 150 anos 100 anos 400-300 anos 1-1 INTRODUÇÃO ENGENHARIA –manufatura materiais –processa materiais –projeta materiais –constrói com materiais –seleciona materiais –testa e analisa materiais Palheta de turbina ENGENHEIRO está preocupado em melhorar a performance do que está projetando ou manufaturando –elétricista (materiais elétricos/dielétricos) –civil (estruturas com durabilidade, estética, resistência à corrosão) –automotivos (leves, resistentes e duráveis) –aeroespacial (densidade/resistência mecânica, alta temperatura) –mecânico (estruturas, componentes) –materiais (materiais com melhor desempenho, com menor custo) PARA TANTO, É NECESSÁRIO... –ampliar os conhecimentos dos materiais disponíveis –entender seu comportamento em geral e seu POTENCIAL de utilização –reconhecer os efeitos do meio e condições de serviço - LIMITAÇÕES –fornecer subsídios para compreender o comportamento de materiais em serviço POTENCIAL e LIMITAÇÕES de utilização em função das condições de serviço e do meio Bruna Realce Bruna Realce Bruna Realce Bruna Realce Bruna Realce 1-1 INTRODUÇÃO EVOLUÇÃO DA CIÊNCIA DOS MATERIAIS: compreensão das propriedades dos materiais e a consequente capacidade de desenvolver e preparar novos materiais para aplicações particulares Materiais funcionais Nanomateriais Obtenção de materiais avançados 1-1 INTRODUÇÃO A Iniciativa Nacional em Nanotecnologia (EUA) considera Nanotecnologia somente se envolver os seguintes itens: 1. Pesquisa e desenvolvimento em escala atômica, molecular ou macromolecular, numa escala aproximada de 1-100 nm 2. Criação e uso de estruturas, dispositivos e sistemas com propriedades e funções inovadoras por seu tamanho reduzido 3. Habilidade em controlar ou manipular a matéria em escala atômica Estruturas de C Bruna Realce 1-1 INTRODUÇÃO Síntese de reagentes •Elevado número de átomos na superfície / Contorno de grão; ORIGEM DAS PROPRIEDADES DIFERENCIADAS DOS NANOMATERIAIS: Deformação plástica superior Maior dureza Difusividade Reatividade Tenacidade Condutividade térmica menor •Defeitos atômicos e discordâncias: -As discordâncias (tanto móveis ou não) são raras em nanopartículas ou materiais com tamanho de grão muito reduzido -Materiais com tamanho de grão muito reduzido podem ter tensão de escoamento muito próximo à tensão teórica. Negro de fumo em pneus Cores em vitrôs No passado No presente Microscopia eletrônica Controle + Simulação por computadores Bruna Realce Bruna Realce 1-1 INTRODUÇÃO Aplicações de Nanomateriais na Indústria Pintura resistente a intemperismos Carros mais leves, seguros, não-poluentes Carros elétricos com maior autonomia e de recarga rápida Nanopaint Convencional - Componentes estruturais com alta resistência mecânica; baixo peso; capazes de absorver vibrações Nanopartículas de TiO2 incorporadas no concreto (pavimento) 6000 m2 Redução de até 60% nos níveis de NOx Súper hidrofobicidade Bruna Nota A hidrofobicidade pode ser entendida como a repelência do solo à água, dificultando o seu molhamento Bruna Nota Meteorização ou intemperismo é o processo natural de decomposição ou desintegração de rochas e solos por ação dos efeitos químicos, físicos e biológicos que resultam da sua exposição aos agentes externos. Bruna Nota Dióxido de Titânio 1-1 INTRODUÇÃO reflexivo MATERIAIS 1-1 INTRODUÇÃO Gasoduto na Sibéria Ponte nos EUA FALHA EM SERVIÇO OLEODUTO ROMPIDO POR CORROSÃO EM CAMPINAS, 1990 Série LIBERTY: 1000 navios Plataforma off-shore Trilhos de trem 1-1 INTRODUÇÃO CICLO GLOBAL DOS MATERIAIS: TERRA: fonte e depósito de todos os materiais 1-1 INTRODUÇÃO Alumínio primário: bauxita CICLO GLOBAL DOS MATERIAIS: produção do Alumínio Alumínio secundário: reciclagem Economia de 95% da energia usada na obtenção do alumínio Economia de etapas: evita a extração, refino e redução Economia de tempo: uma lata reciclada volta ao mercado em 90 dias Economia de recursos naturais (bauxita): para se produzir 1 ton de alumínio são necessárias 5 ton de bauxita - mineral extraído do solo - o que pode ser evitado com a reciclagem. 1-2 TIPOS DE MATERIAIS • CLASSIFICAÇÃO DOS MATERIAIS: CRITÉRIOS APLICAÇÕES PELA INDÚSTRIA metais, cerâmicos, polímeros e compósitos GRAU DE DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO naturais, empíricos, desenvolvimento científico e projetados MORFOLOGIA ESTRUTURAL monoestruturados, recobrimentos, gradiente e aleatório •combinação de elementos metálicos. •elétrons livres: bons condutores de calor e eletricidade, brilho e opacos. •geralmente são resistentes e deformáveis. 1-2 TIPOS DE MATERIAIS •materiais não-metálicos e inorgânicos. •geralmente isolantes de térmicos e elétricos. •resistentes a altas temperaturas e a ambientes corrosivos. •frágeis e geralmente de alta dureza. METAIS COM C, N, O, P e S. •compostos orgânicos com C, H e não-metais (plásticos e borrachas). •moléculas muito grandes (macromoléculas). •geralmente tem baixa densidade e alta elasticidade. •constituídos de mais de um tipo de fases insolúveis entre si. •propriedades que não estão presentes em um material monofásico. 1-2 TIPOS DE MATERIAIS Classificação dos materiais pela indústria Competição entre os materiais: Boeing 777 Início do projeto: 1990 Entrada em Serviço: 1994 Porcentagem de materiais compósitos no peso do avião: 9% Boeing 787 Dreamliner Início do Projeto: Final de 2007 Entrada em Serviço: 2008 Porcentagem de materiais compósitos no peso do avião: Estimada entre50 e 60% 1-2 TIPOS DE MATERIAIS • Classificação dos materiais Metais Polímeros Cerâmicos Aplicação pela indústria Classificação dos materiais pela indústria Espessura de parede: 0,15 mm % peso embalagem/conteúdo: 3,85 Densidade (g/cm3): 2,70 Espessura de parede: 0,30 mm % peso embalagem/conteúdo: 2,90 Densidade (g/cm3): 1,35 Espessura de parede: 8,0 mm % peso embalagem/conteúdo: 46,80 Densidade (g/cm3): 2,70 1-2 TIPOS DE MATERIAIS Classificação dos materiais quanto ao grau de desenvolvimento tecnológico 1. Naturais: utilizados como se encontram na natureza 2. Empiricamente desenvolvidos: ex. argila vermelha 3. Desenvolvimento científico: a ciência no desenvolvimento dos materiais 4. Materiais projetados: fabricados com grau de conhecimento elevado PROJETADOS: Viabilização de projetos de alta tecnologia Exemplo: lâmpada de sódio (1000oC) com tubo de alumina (100 lúmens/W convencional 15 lúmens/W) Alumina convencional (opaca) Alumina translúcida 1-2 TIPOS DE MATERIAIS Materiais projetados: Classificação dos materiais quanto ao grau de desenvolvimento tecnológico porosidade: 3% porosidade: 0,3% Lâmpada de vapor de sódio: o gás em alta temperatura é guardado dentro de um cilindro translúcido de alumina. A presença de poros causa espalhamento de luz, e o material se torna opaco POROS A eliminação dos poros e a microestrutura do material com tamanho de grão menor gera um material translúcido 1-2 TIPOS DE MATERIAIS Classificação dos materiais segundo morfologia 1.Monoestruturados: único conjunto de propriedades 2.Recobrimentos: propriedades da superfície diferente das do corpo 3.Gradiente material: multicamadas com gradiente de propriedades 4.Composição aleatória de diferentes materiais: reforço por segunda fase Bruna Realce Bruna Realce Bruna Realce Bruna Realce MATERIAIS PARA ENGENHARIA desenvolvidos para uso na Indústria fundamento: CIÊNCIA DOS MATERIAIS Inter-relação entre ESTRUTURA e PROPRIEDADES ESTRUTURA PROPRIEDADES CIÊNCIA DOS MATERIAIS 1-3 RELAÇÃO ENTRE ESTRUTURA-PROCESSAMENTO-PROPRIEDADES • MATERIAIS PARA ENGENHARIA ESTRUTURA NOS MATERIAIS • ESTRUTURA ATÔMICA • ESTRUTURA CRISTALINA • MICROESTRUTURA • MACROESTRUTURA 1-3 RELAÇÃO ENTRE ESTRUTURA-PROCESSAMENTO-PROPRIEDADES – DIVISÃO DA ESTRUTURA NOS MATERIAIS Qual o critério da divisão da estrutura dos materiais? 1-3 RELAÇÃO ENTRE ESTRUTURA-PROCESSAMENTO-PROPRIEDADES 1-3 RELAÇÃO ENTRE ESTRUTURA-PROCESSAMENTO-PROPRIEDADES Engenharia de superfícies 1-3 RELAÇÃO ENTRE ESTRUTURA-PROCESSAMENTO-PROPRIEDADES 1-3 RELAÇÃO ENTRE ESTRUTURA-PROCESSAMENTO-PROPRIEDADES IMPORTANTE: - PROCESSOS DE FABRICAÇÃO 1-3 RELAÇÃO ENTRE ESTRUTURA-PROCESSAMENTO-PROPRIEDADES • MATERIAIS PARA ENGENHARIA – Exemplo da relação tripartite aplicada a uma barra de alumínio laminado 1-3 RELAÇÃO ENTRE ESTRUTURA-PROCESSAMENTO-PROPRIEDADES 1-3 RELAÇÃO ENTRE ESTRUTURA-PROCESSAMENTO-PROPRIEDADES DEGRADAÇÃO 1-4 SELEÇÃO DE MATERIAIS 1-4 SELEÇÃO DE MATERIAIS Material Resistência Mecânica (MPa) Densidade Resistência/peso (m2s-2103) Polietileno 7 0,83 8 Alumínio puro 45 2,7 17 Cobre puro 207 8,9 23 Aço baixo-carbono 393 7,8 50 Titânio puro 241 4,4 55 Al2O3 207 3,9 53 Nylon 76 1,11 68 Epóxi 103 1,4 74 Aço alto-carbono 614 7,8 79 Si3N4 483 3,2 151 Aço-liga tratado termicamente 1655 7,8 212 Liga de alumínio tratada termicamente 593 2,7 220 Compósito carbono-carbono 414 1,8 230 Liga de titânio tratada termicamente 1172 4,4 256 Compósito Kevlar-epóxi 448 1,4 320 Compósito carbono-epóxi 551 1,4 393 RELAÇÃO: RESISTÊNCIA/DENSIDADE Adaptado de C. P. Bergmann