Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Colegiado de Psicologia 
UNIME – Itabuna/BA 
 
 
Colegiado de Psicologia: Dayane Souza Ferreira – Itabuna/2017 
 
1 
 
MULHERES EM RELACIONAMENTOS VIOLENTOS: CONTRIBUIÇÕES DA 
PSICANÁLISE 
 
Dayane Souza Ferreira1 
 
 
RESUMO: A violência contra a mulher é um dos problemas mais graves enfrentado pela mulher, 
sendo ele cultural e histórico, imposto através dos papéis sociais determinados tanto para os homens 
quanto para as mulheres por meio de um modelo patriarcal. A supremacia masculina sobre a 
feminina vem de muito longe, pensadores de variadas épocas contribuíram para a construção da 
ideologia de inferioridade e submissão da mulher em relação ao homem que se arrasta até os dias 
atuais. Nessa perspectiva, esse artigo objetiva, através de uma revisão bibliográfica, conhecer 
através do contexto sócio histórico questões relacionadas às mulheres e analisar as mesmas pela 
ótica da Teoria Psicanalítica, tendo como foco a violência conjugal, procurando compreender a busca 
das mulheres pelo amor idealizado e a permanência das mesmas em relações violentas a fim de 
comprovar que esta problemática não está apenas relacionada a questões históricas e culturais. 
 
Palavras Chave: Violência conjugal. Teoria Psicanalítica. Mulheres. Amor Idealizado. Inferioridade. 
Submissão. 
 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
A violência sempre se fez presente na sociedade em todo seu contexto e a 
mesma está diretamente relacionada às questões de discriminação e preconceito, 
sendo as mulheres as que mais a têm sentido desde os tempos bíblicos até os dias 
atuais. A perpetuação da violência contra mulher pode ser observada nos mais 
diversos contextos, entre eles os mais frequentes são o familiar, o doméstico e o 
conjugal. Cabe ressaltar que a violência contra mulher não se restringe apenas a 
violência física, sendo ela manifestada também como psicológica e moral. 
Na busca por se relacionar com seus semelhantes, o ser humano almeja 
construir vínculos duradouros e seguros ao longo da vida. Isso torna a presença da 
violência nos relacionamentos íntimos algo inesperado, embora esta aconteça com 
certa frequência. A mulher que sempre imaginou o lar e o casamento como 
significados de proteção e estrutura se vê em um ambiente de dor e sofrimento. 
 
1 Discente do 9º período do curso de Psicologia – Orientador (a): Maria da Conceição Almeida Vita. 
 
Colegiado de Psicologia 
UNIME – Itabuna/BA 
 
 
Colegiado de Psicologia: Dayane Souza Ferreira – Itabuna/2017 
 
2 
Durante muito tempo a mulher esteve subjugada ao homem e teve como 
função principal corresponder aos interesses masculinos. Com o decorrer do tempo 
muitas mudanças ocorreram em relação à posição da mulher nas sociedades, 
principalmente ocidentais, favorecendo assim a construção de uma identidade social 
própria, porém ainda hoje se perpetua a idéia de que existe uma supremacia do 
homem sobre a mulher. 
Assim como a relação de poder entre os gêneros, também foi construída a 
idealização do amor romântico, fenômeno este que se manifesta de forma diferente 
em homens e mulheres. Mesmo com todos os avanços no cenário feminino e a 
busca pela igualdade, ainda prevalece um investimento maior por parte da mulher 
nesse fenômeno. 
Na busca por esse amor, as mulheres muitas vezes encontram-se vinculadas 
a relacionamentos violentos com os quais não conseguem, na maioria das vezes, 
romper. Questionam-se então as razões que fazem com que as mesmas continuem 
vivendo nesses relacionamentos conflituosos. Por meio da teoria psicanalítica nota-
se que essa problemática social contém mais do que apenas elementos culturais e 
históricos, sendo assim possível fundamentar esse fato através da abordagem 
supracitada. 
 
 
 
2. A VIOLÊNCIA CONTRA MULHER E AS RELAÇÕES DE PODER ENTRE 
GÊNEROS 
 
 
 A violência contra mulher é uma das maiores problemáticas sociais 
contemporâneas. Entretanto, não é de hoje que esse acontecimento se faz presente 
no mundo. Inserida nas sociedades por meio de uma cultura que acredita na 
superioridade do homem sobre a mulher, esse evento foi disseminado ao longo do 
tempo. 
 
A violência contra as mulheres resulta de uma ideologia que define a 
condição “feminina” como inferior à condição “masculina”. As diferenças 
entre o feminino e o masculino são transformadas em desigualdades 
hierárquicas através de discursos masculinos sobre a mulher, os quais 
Colegiado de Psicologia 
UNIME – Itabuna/BA 
 
 
Colegiado de Psicologia: Dayane Souza Ferreira – Itabuna/2017 
 
3 
incidem especificamente sobre o corpo da mulher. (CHAUÍ, 1985 apud 
Santos e Izumino) 
 
 
 Como resultado de muita luta ocorreram várias mudanças, sobretudo, 
nas sociedades ocidentais trazendo algumas melhorias e possibilidades para as 
mulheres. Contudo a violência ainda se faz presente, tendo crescido 
aceleradamente a cada dia, mesmo havendo hoje vários meios de punição para os 
que a praticam. Para Beauvoir: 
 
Economicamente, homens e mulheres constituem como que duas castas; 
em igualdade de condições, os primeiros têm situações mais vantajosas, 
salários mais altos, maiores possibilidades de êxito que suas concorrentes 
recém-chegadas. Ocupam nas indústrias, na política etc, maior número de 
lugares e os postos mais importantes. Além dos poderes concretos que 
possuem, revestem-se de um prestígio cuja tradição a educação da criança 
mantém: o presente envolve o passado e no passado toda a história foi feita 
pelos homens. No momento em que as mulheres começam a tomar parte 
na elaboração do mundo, esse mundo é ainda um mundo que pertence aos 
homens. (BEAUVOIR, 1949. p.14) 
 
Durante muito tempo a mulher não teve representatividade nem espaço 
próprio na sociedade, era vista como um objeto e estava apta apenas para ser 
instrumento de procriação e obedecer ao pai e ao marido. Beauvoir (1949) afirma 
que “A soberania do pai é um fato de ordem social e Freud malogra em explicá-lo; 
ele próprio confessa que é impossível saber que autoridade decidiu, em um 
momento da história, que o pai superaria a mãe.” (BEAUVIOR, 1949. pag. 69) 
A partir dos papéis sociais estabelecidos a homens e mulheres, corroborados 
pelas culturas patriarcais, se instituem as relações violentas entre os gêneros. Para 
Silva (1992): “A questão do gênero ultrapassa as barreiras da categoria biológica. Os seres 
humanos nascem macho e fêmea. Contudo, desde o nascimento passam por uma 
elaboração social de masculino e feminino.” (SILVA, 1992. Apud Silva, Lima e Mafra) 
Em sua obra denominada “Feminilidade” Freud (1931) afirma que aquilo que 
constitui a masculinidade ou a feminilidade é uma característica desconhecida que foge ao 
alcance da anatomia. (FREUD, 1931. Apud Almeida) 
 Oliveira, Costa e Souza (2015) citando BOURDIEU, 2010; BUTLER, 2008; 
BEAUVOIR, 2015, dizem que a dominação do masculino sobre o feminino abrange 
Colegiado de Psicologia 
UNIME – Itabuna/BA 
 
 
Colegiado de Psicologia: Dayane Souza Ferreira – Itabuna/2017 
 
4 
aspectos culturais, psicológicos, morais e também sexuais. Sua origem é remota, 
imensurável no tempo e se projeta nas mais variadas estruturas sociais, desde as 
atividades produtivas, baseadas na divisão sexual do trabalho, até nas atividades 
reprodutivas, correspondentes aos papeis do homem e da mulher na reprodução 
humana. Ser masculino e/ou ser feminino não é uma condição meramente natural, 
tão pouco aleatória, mas uma construção sociocultural. 
Compreende-se então que existe uma desigualdade nas relações entre 
gêneros, desigualdade essa que foi estabelecida social e culturalmente ao longo do 
tempo tornando a mulher subjugada, fazendo assim com que a violência nos 
relacionamentos entre homens e mulheres seja entendida como resultado de uma 
hierarquia onde o homem é soberano e tal vem sendo reproduzida freqüentemente 
no contexto conjugal. 
 
 
 
3. O AMOR IDEALIZADO 
 
É sabido que grandes mudanças ocorreram no contexto feminino aolongo 
dos tempos, porém ainda hoje podemos notar algumas contradições. A mulher tem 
buscado incessantemente por sua independência tanto no que diz respeito a sua 
vida social quanto profissional e por igualdade, no entanto é visto que em relação a 
sua vida amorosa ela ainda procura pelo “homem de sua vida”. 
 
 
Em o “Mal-estar na civilização”, Freud indica que amar e ser amado é um 
dos meios dos quais dispõe o ser humano na busca da felicidade. E que a 
perda do amor, para uma mulher, ou do objeto amado, para o homem, 
constitui uma das fontes de infelicidade e desamparo. (FREUD, 1968 apud 
Llttig) 
 
 
Haddad (2009 apud Bucher- Maluschke) diz que “(...) o verdadeiro amor exige 
sacrifícios e renúncias...” (p. 28). Algo que transcende o fato de estar amando; Freud 
(1921/2000) um estado de servidão ou fascínio. Assim, é legítimo tudo que é 
demandado e feito pelo objeto de amor. Haddad (2009) segue seus postulados 
Colegiado de Psicologia 
UNIME – Itabuna/BA 
 
 
Colegiado de Psicologia: Dayane Souza Ferreira – Itabuna/2017 
 
5 
afirmando que “a busca do amor incondicional guarda o desejo de ser amado como 
um eterno presente de plenitude. É essa fantasia de completude que todos querem 
resgatar pelo viés do amor” (p.106). 
A criação do amor romântico teve sua origem há alguns séculos atrás e desde 
sempre foi possível se notar que este não tem o mesmo significado para homens e 
mulheres. 
Bucher-Maluschke citando Swain (2006) discorre sobre o dispositivo amoroso, 
tal dispositivo faz com que as mulheres, por estarem inseridas em uma sociedade 
patriarcal despertam em seu imaginário o desejo do amor romântico que por sua vez 
é fruto de uma construção social. A relação entre o patriarcalismo e o construto 
social do amor romântico, induzem algumas mulheres a permanecerem sob o jugo 
da violência, sobretudo conjugal. Mesmo perante as constantes alterações no 
cenário atual, ainda acredita-se que a forma ideal de relacionamento amoroso 
constitui-se a partir do amor romântico. 
 
 
Freud, ao longo de sua obra, não cessa de falar da importância do amor 
para a mulher. Ao fazer da dimensão do amor uma questão mais feminina 
do que masculina, ele a torna um dos principais eixos em torno dos quais 
desenvolve sua teoria da sexualidade feminina. (ZALCBERG, 2007, 2) 
 
 
 
Segundo Cardoso (1997) a mulher acredita que é necessário manter a 
relação a qualquer custo, ainda que para isso ela tenha que arcar com as 
conseqüências de tudo que acontecer no relacionamento e isso é resultado de uma 
socialização feminina tradicional, a qual coloca que, para a mulher ser considerada 
completa, deve ter um companheiro permanente. (CARDOSO, 1997. Apud Souza e 
Ros) 
 
 
A necessidade de amar, a ternura, a sensibilidade, a total dependência em 
relação ao amado e seu devotamento a este aparecendo cada vez mais 
como atributos especificamente femininos, o amor continua, ao longo de 
séculos, a se impor como um pólo constitutivo da identidade feminina. Essa 
ideologia do amor contribui, de certa forma, para reforçar a representação 
da mulher como dependente econômica e socialmente do homem, incapaz 
de assumir a autonomia de sua vida, um padrão construtivo da sociedade 
por séculos não questionados. (ZALCBERG, 2007) 
Colegiado de Psicologia 
UNIME – Itabuna/BA 
 
 
Colegiado de Psicologia: Dayane Souza Ferreira – Itabuna/2017 
 
6 
O amor é definido por Freud como sendo narcísico, sendo assim podemos 
entender que na verdade amamos a nós mesmos, não amamos o outro 
propriamente, mas sim o que identificamos no outro como nosso ou aquilo que 
gostaríamos de ter. 
Freud (1996 [1914]), ao falar sobre narcisismo na relação homem-mulher 
afirma que as mulheres têm mais necessidade de serem amadas do que amar. 
 
 
A mulher busca ser eleita por um homem. É uma das soluções encontradas 
pela mulher para a sua condição feminina: ser amada. É a identificação 
feminina pelo amor. O amor é o tratamento espontâneo, quase natural da 
tristeza e do abatimento, como também dos afetos de plenitude e de alegria 
que a posição feminina suscita por estrutura. (ZALCBERG, 2007. p. 57) 
 
Seguindo o pensamento freudiano, Lacan (1972) vem afirmar que “amar é dar 
ao outro o que não se tem: a pura falta.” Imaginamos que podemos encontrar no 
outro a nossa completude e esse outro entende que há nele algo que nos atrai, mas 
não se sabe o quê, não saber esse que é da ordem do inconsciente. (LACAN, 1972. 
Apud Llttig) 
 
Para uma mulher, amor e existência estão intimamente ligados. O amor na 
mulher tem papel relevante, justamente na captura do desejo do homem e 
pelo qual ela garante a parceria da qual necessita pra obter alguma 
consistência para o seu ser, é o que motiva as demanda de amor, mais e 
mais. (ZALCBERG, 2007, p.58) 
 
 
 
 Podemos afirmar então que é através do amor que a mulher se identifica 
como tal, por isso ao findar de um relacionamento o sentimento de perda estará 
mais ligado ao amor que a identifica como mulher do que ao homem. 
 
 
 
 
Colegiado de Psicologia 
UNIME – Itabuna/BA 
 
 
Colegiado de Psicologia: Dayane Souza Ferreira – Itabuna/2017 
 
7 
4. A PERMANÊNCIA DAS MULHERES EM RELACIONAMENTOS 
VIOLENTOS 
 
Ao falar sobre a violência contra mulheres um dos principais questionamentos 
é: o que mantém as mulheres nessas relações violentas? Tal indagação será 
analisada a seguir sob a ótica da Psicanálise. 
Em O mal-estar na civilização, Freud (1929) diz que há três maneiras de o 
sofrimento nos ameaçar: o sofrimento pelo corpo condenado a decadência, pela 
possível oposição do mundo para com nós, e com os outros seres humanos através 
dos relacionamentos, sendo essa ultima considerada a mais penosa de todas. Neste 
texto, Freud (1929) argumenta sobre questões acerca dos problemas relacionados 
aos “instintos destrutivos” dos seres humanos. (FREUD, 1929. Apud Miranda e 
Ramos) 
 Freud introduz o conceito de pulsão de morte e, a partir disto, todas as 
pulsões passam a ser pensadas em sua origem, como algo para além da economia 
do princípio do prazer. É a partir do entendimento da pulsão de morte que o sadismo 
e o masoquismo inerentes em qualquer sujeito, são vistos como um dado irredutível 
da pulsão (LIMA E LEITE, 2010 apud Pinto e Ferreira). 
O termo masoquismo foi utilizado pela primeira vez no texto “Três ensaios 
sobre a Teoria da Sexualidade” (FREUD, 1996 [1905] apud Miranda e Ramos). A 
partir daí o masoquismo deixou de fazer parte do contexto das patologias perversas 
e passa a ser elemento universal da sexualidade humana. Freud define o 
masoquismo como: “[...] a designação que abarca todas as atitudes passivas em 
relação à vida e aos objetos sexuais, a mais extrema das quais é o padecimento de 
uma dor física ou anímica, infligida pelo objeto sexual”. Freud afirma que a resposta 
para o problema do masoquismo está em encontrar as relações entre o principio do 
prazer e as pulsões de vida e de morte. 
Do ponto de vista do princípio do prazer e do ponto de vista econômico, Freud 
(1924) analisou que o masoquismo era incompreensível, uma vez que o 
masoquismo se caracterizava como a sensação de prazer com o aumento de 
desprazer, com o sofrimento. (Pinto e Ferreira, 2013) 
 
 
Colegiado de Psicologia 
UNIME – Itabuna/BA 
 
 
Colegiado de Psicologia: Dayane Souza Ferreira – Itabuna/2017 
 
8 
O sujeito oferece ao outro o seu corpo e o seu psiquismo para que aquele 
possa gozar como queira desde que, em contrapartida, ele lhe ofereça 
proteção para o desamparo (...) pacto masoquista, realizado à custa de uma 
imensa humilhação da autoestima (BIRMAN. 2006. p. 52 apud Bucher-
Maluschke). 
 
 
Em 1919 Freud publica o trabalho: “Uma criança é espancada: uma 
contribuição ao estudo da origem das perversões sexuais.“ Nessa perspectiva “ser 
espancada” revela o amor sexual da menina pelo pai gerando assim um castigo por 
essa relação incestuosa, ideia essa reforçadano artigo “O problema econômico do 
masoquismo” (1996 [1924a]). Nele Freud apresenta as três formas de masoquismo: 
masoquismo erógeno (prazer na dor), masoquismo feminino (introdução da potência 
através do ato sexual em si, ser forçado à obediência incondicional – passividade / 
princípio feminino, que é, na perversão, associado a ser aviltado, maltratado, sujo) e 
masoquismo moral (sentimento de culpa). 
Sendo assim, o masoquismo erógeno, seria a pulsão de morte operante no 
organismo, da qual uma parte é dirigida para fora, para os objetos, e a outra parte 
permanece dentro do organismo, ligando-se a libido, a Eros. O masoquismo erógeno 
acompanha a libido por todas as suas fases de desenvolvimento, desde uma 
organização oral primitiva até a organização genital final. 
O masoquismo moral está relacionado à obediência do Eu a um Supereu, a 
esta instância moral interna. Por outro lado, o masoquismo feminino está 
relacionado à obediência, a submissão ao outro, ao qual o sujeito se oferece como 
objeto (FREUD, 1924 apud Pinto e Ferreira). 
Para Freud as fantasias masoquistas perpetuam no individuo o desejo de ser 
tratado como uma criança travessa e abandonada, buscando ser conduzida e 
dominada. 
 
 
 
Por esta razão chamei essa forma de masoquismo, a potiori por assim dizer 
[isto é, com base em seus exemplos extremos], de forma feminina, embora 
tantas de suas características apontem para a vida infantil. Essa 
estratificação superposta do infantil e do feminino encontrará posteriormente 
uma explicação simples. Ser castrado – ou ser cegado, que o representa – 
Com frequência deixa um traço negativo de si próprio nas fantasias, na 
condição de que nenhum dano deve ocorrer precisamente aos órgãos 
genitais ou aos olhos (FREUD, 1996 [1924a, p.180 apud Miranda e Ramos, 
2014, p.45). 
Colegiado de Psicologia 
UNIME – Itabuna/BA 
 
 
Colegiado de Psicologia: Dayane Souza Ferreira – Itabuna/2017 
 
9 
Ao findar essa obra muitas especulações permaneceram sobre o que seriam 
esses traços negativos, porém só em 1931, na sua conferência “Feminilidade”, 
Freud retoma o assunto e explica que “a supressão da agressividade nas mulheres, 
imposta pelo social e instituída em seu psiquismo colabora para o desenvolvimento 
de poderosos impulsos masoquistas que se ligam de forma erótica as tendências 
destrutivas que foram desviadas para dentro.” (FREUD, 1931. Apud Miranda e 
Ramos) 
 
 
5 CONCLUSÃO 
 
 
 A guisa de conclusão percebeu-se na confecção deste artigo, como foi 
instituída a problemática da violência contra a mulher e como tal problemática existe 
desde épocas remotas e perdura até os dias atuais. Através de uma interlocução 
entre os fatos observados durante a história e a psicanálise foi constatado que essa 
problemática vai além de um contexto sócio histórico e que deve ser analisado 
também pela via da construção psíquica de cada individuo. 
Assim é possível tornar compreensível algumas questões acerca do âmbito 
feminino, como a idealização do amor romântico, que faz com que as mulheres 
busquem incansavelmente serem amadas, pois crê que só por esse viés elas podem 
alcançar completude do seu ser, fenômeno esse que foi constatado pelo olhar da 
psicanálise através do conceito de narcisismo. 
 Em relação às questões acerca da permanência das mulheres em 
relacionamentos violentos, pode-se explicar tal questionamento através das teorias 
freudianas da pulsão de morte e do masoquismo, que esta vinculada a constituição 
do psiquismo e a subjetividade de cada mulher, não deixando de reconhecer a 
importância do contexto histórico, cultural, social e político, pois a própria 
constituição da subjetividade depende dos mesmos. 
 
 
 
 
 
Colegiado de Psicologia 
UNIME – Itabuna/BA 
 
 
Colegiado de Psicologia: Dayane Souza Ferreira – Itabuna/2017 
 
10 
REFERÊNCIAS 
 
 
ALMEIDA, Marizabel. A mulher e o amor. Trabalho apresentado na Escola 
Lacaniana da Bahia, em 2005. Disponível em: > Acesso em: mai, 2017. 
 
BEAUVOIR, Simone. O segundo sexo: fatos e mitos. São Paulo: Difusão Europeia 
do Livro, 1970. 
 
BUCHER-MALUSCHKE, Júlia S. N. F. A Permanência de Mulheres em Situações 
de Violência: Considerações de Psicólogas. Psic.: Teor. e Pesq., Brasília, Jul-Set 
2014, Vol. 30 n. 3, pp. 125-276 > 
Acesso em: dez de 2016 
 
FREUD, S. O problema econômico do masoquismo (1924a). In: FREUD, S. Edição 
Standard das Obras Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996, 
v. XIX, p. 175--‐188. 
 
______. Sobre o narcisismo: Uma introdução (1914). In: FREUD, S. Edição 
Standard das Obras Completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996, 
v. XIV, p. 30--‐59. 
 
LLGGIT, Liria Helena M G. O amor entre um homem e uma mulher – Um olhar 
Psicanalítico. Website da Somática Educar, 2013. Disponível em: > 
Acesso em: mar, 2017 
 
MIRANDA, Cassio Eduardo Soares; RAMOS, Juliana Souza. Uma mulher é 
espancada: a violência doméstica contra a mulher a luz da psicanálise. Ecos. v. 4, 
n. 1, p. 35-49, 2014. Disponível em: > 
Acesso em: dez, 2016. 
 
OLIVEIRA, Ana Carolina Gondim de A.; COSTA, Mônica Josy Sousa; SOUSA, 
Eduardo Sérgio Soares. Feminicídio e Violência de Gênero: Aspectos 
Sóciojurídico. Revista online do Cesed- Centro de Ensino Superior e 
Desenvolvimento. v. 16, n. 24/25, janeiro a dezembro de 2015. > 
Acesso em: Nov de 2016 
http://www.elba-br.org/elb-publicacoes/pdf/mulher-amor.pdf
http://www.elba-br.org/elb-publicacoes/pdf/mulher-amor.pdf
http://www.scielo.br/pdf/ptp/v30n3/04.pdf
http://www.somaticaeducar.com.br/arquivo/artigo/1-2013-06-16-10-55-24.pdf
http://www.uff.br/periodicoshumanas/index.php/ecos/article/viewFile/1297/973
Colegiado de Psicologia 
UNIME – Itabuna/BA 
 
 
Colegiado de Psicologia: Dayane Souza Ferreira – Itabuna/2017 
 
11 
PINTO, Aline de Oliveira, FERREIRA, Maria Cristina da Silva. O desejo 
inconsciente masoquista de ser espancada: posição subjetiva da mulher em se 
manter em vínculos que lhe causem violência. Trabalho de conclusão de curso de 
Especialização em Psicologia Clínica de Base Psicanalítica, do Estudos 
Psicanalíticos do Pará-EPA, Instituto Investy, Faculdade da Amazônia-FAAM, em 
2013. > 
 
SANTOS, Cecília MacDowell; IZUMINO, Wânia Pasinato; Violência contra as 
Mulheres e Violência de Gênero: Notas sobre Estudos Feministas no Brasil. 
Revista E.I.A.L, da Universidade de Tel Aviv, 2005. > 
 
 
SILVA, Odacyr Roberth Moura da; LIMA, Fernanda Gonçalves de; MAFRA, Victória 
Amélia Salvino de Oliveira. Algumas Considerações Acerca da Violência 
Doméstica Contra a Mulher. Revista Científica do ITPAC, Araguaína, v.8, n.2, 
Pub.7, Agosto 2015. > 
Acesso em: Nov de 2016 
 
SOUZA, Patrícia Alves de, ROS, Marco Aurélio da. Os motivos que mantêm as 
mulheres vitimas de violência no relacionamento violento. Revista de Ciências 
Humanas, Florianópolis, EDUFSC, n. 40, p. 509-527, Outubro de 2006. > 
 
ZALCBERG, Malvine. Amor paixão feminina. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2007. 
 
 
 
http://www.psicopatologiafundamental.org/uploads/files/vi_congresso/Mesas%20Redondas/83.2.pdf
http://www.psicopatologiafundamental.org/uploads/files/vi_congresso/Mesas%20Redondas/83.2.pdf
http://www.nevusp.org/downloads/down083.pdf
http://www.nevusp.org/downloads/down083.pdf
http://www.nevusp.org/downloads/down083.pdf
http://www.itpac.br/arquivos/Revista/75/Artigo_7.pdfhttps://periodicos.ufsc.br/index.php/revistacfh/article/viewFile/17670/16234

Mais conteúdos dessa disciplina