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Automação Industrial - Introdução Prof. Carlos A. V. Cardoso DEL UFS Pneumática • A humanidade utiliza-se de fluídos sob pressão há alguns séculos, porém somente a partir da segunda Grande Guerra que os fluidos passaram a ter sua aplicação na industria. • No Brasil, o grande impulso e difusão da pneumática se deu a partir da década de 60 com a chegada da indústria automobilística e o surgimento da chamada “automação industrial”. • A automação industrial por meio de fluidos sob pressão dividiu-se em dois grupos bem definidos: • Fluido Hidráulico – Líquido sob pressão • Fluido Pneumático – Fluido gasoso sob pressão Pneumática • Todo sistema de automação industrial tem em comum três elementos: Sensores, Controladores (comando e regulagem) e Atuadores (acionamento). • Estes três elementos poderão ser implementados utilizando três tipos de tecnologias: Pneumática, Hidráulica e Elétrica. • A utilização de elementos eletroeletrônicos como motores, atuadores e sensores eletrônicos são amplamente difundidos, porém existem situações onde a tecnologia hidráulica e pneumática constituem soluções mais eficientes e de baixo custo. Além disso, existem aplicações onde a ocorrência de faíscas elétricas constitui um perigo iminente (pintura de automóveis, mina de carvão, fábrica de armamentos, etc.). • Com a ajuda de atuadores pneumáticos é possível trabalhar com cargas da ordem de até uma tonelada, principalmente onde se deseja movimentos de duas posições (inicio e fim). Definições • Fluido. É qualquer substancia capaz de escoar e assumir a forma do recipiente que a contém. • Pneumática. Provém da raiz grega PNEUMA que significa fôlego, vento, sopro. Logo a Pneumática é conceituada como sendo a matéria que trata dos movimentos e fenômenos dos gases. • Pneumática é o ramo da engenharia que estuda a aplicação do ar comprimido como uma tecnologia de acionamento e comando. • Eletro pneumática. Ramo da pneumática que passa a utilizar a energia elétrica CC ou CA como fonte de energia para o acionamento de válvulas direcionais. • Pneutrônica. Vocábulo utilizado para indicar uma evolução da eletro pneumática, em que a eletrônica passa a ter uma aplicação muito maior, com CLPs, sensores, sistemas robóticos. Pneumática Vantagens • Quantidade ilimitada; • Transporte através de tubos sem precisar retorno; • Armazenagem através de reservatórios; • A viscosidade não é afetada com a variação da temperatura; • A pressão do ar utilizado em pneumática é relativamente baixa (6 a 12 bar); • O ar comprimido não é um elemento significativamente poluidor; • Como as pressões não são muito altas os elementos podem ser construídos a partir de alumínio por exemplo; • Permite altas velocidades de deslocamento normalmente entre 1 a 2m/s podendo atingir 10 m/s no caso de cilindros especiais e 500.000 rpm no caso de turbinas pneumáticas; • Os elementos são regulados em velocidade e força conforme a necessidade; • Os elementos podem ser solicitados em carga até parar, sem sofrer qualquer dano Pneumática Desvantagens • Os sistemas pneumáticos exigem uma preparação da qualidade do ar de forma a estar isento de impurezas e umidade (filtros e purgadores); • Devido a compressibilidade dos gases a pneumática não oferece controle de velocidade preciso e constante; • Considerando uma pressão de 6bar é possível chegar a uma força de 48250 N (suficiente para erguer uma massa de 494 kg) com um atuador linear ISO de Dp=320mm; • Algumas vezes torna-se ruidoso quando não utilizados silenciadores; • Custos elevados no caso de vazamentos. Propriedades físicas dos gases: V1 V2 V3 F1 F2 F3 p1 . v1 = p2 . v2 Ar: o ar pode ser comprimido ou expandido, dependendo da variação da temperatura, pressão e do volume. A lei de Boyle-Marriotte: ar confinado a uma temperatura constante (transformação isotérmica). Propriedades físicas dos gases: V2 T2 V1 T1 2 11 2 T T V V Lei de Gay-Lussac. A uma pressão constante (transformação isobárica). Lei de Charles: a um volume constante (transformação isométrica). V1 T1 p1 V2 T2 p2 2 21 1 T P T P Propriedades físicas dos gases: Lei Geral dos Gases Perfeitos. Propriedades físicas dos gases: Sistema de Preparação de Ar Compressores Tipos: Compressores Volumétricos Neste tipo de compressores a elevação da pressão é conseguida com a redução do volume ocupado pelo gás. Possuem ciclos de funcionamento, onde inicialmente uma certa quantidade de gás é admitida no interior de uma câmara de compressão, que sofre redução de seu volume. Compressores Dinâmicos Conhecidos também como turbo compressores possuem dois órgãos principais: • Impelidor. O impelidor é um órgão rotativo munido de pás que transfere ao gás a energia recebida do acionador • Diffusor. Que tem a função de promover a transformação da energia cinética em entalpia. Os compressores dinâmicos efetuam o processo de compressão de maneira contínua Compressores Compressores Ciclo de trabalho de Compressor Ação Simples Ciclo de trabalho de Compressor Ação Dupla Compressores Pressão Número de Estágios Até 400 kpa (4 bar) 1 De 400 a 1500 kpa (15 bar) 2 De 1500 a 15000 (150 bar) 3 ou mais Compressores Compressor de Palhetas Compressor de Parafuso Compressor de Lóbulos Compressores Compressores Dinâmicos Compressor Centrifugo Compressores Características importantes dos compressores: Volume de ar fornecido • Volume teórico • Volume efetivo Pressão • Pressão de regime • Pressão de trabalho Acionamento • Motor Elétrico • Motor a explosão Sistema de Regulagem • Regulagem por descarga • Regulagem por fechamento • Regulagem por Rotação • Regulagem Intermitente Compressores Regulagem por Descarga – Neste tipo de regulagem é utilizada uma válvula limitadora de pressão, a qual se abre a partir de uma pressão desejada deixando o excesso de pressão escapar para a atmosfera. Regulagem por Fechamento – é fechado o lado da sucção, com a entrada de ar fechada, o compressor não pode aspirar e continua funcionando vazio. Esta regulagem é utilizada nos compressores rotativos e nos de êmbolo. Regulagem na Rotação – É um tipo de regulagem onde ajusta – se a rotação do motor a explosão. A regulagem pode ser feita manualmente ou também automaticamente, dependendo do equipamento utilizado. Regulagem Intermitente – Neste tipo de regulagem são definidos dois campos (carga máxima e parada total). Na pressão máxima, o motor do compressor é desligado e quando a mesma atingir um valor mínimo o motor do compressor é religado. De forma que que os períodos de comando possam ser limitados a uma média aceitável é necessário um grande reservatório de ar comprimido. Compressores Volume de Ar Fornecido É a quantidade total em m3 de ar que pode ser fornecido pelo compressor, em atividade máxima. Entretanto, pode ser definido de forma teórica ou efetiva. Volume Teórico É calculado a partir do produto do volume cilíndrico pelo número de rotações do compressor. Esse dado, porém, não é de grande importância, pois na prática tem que ser considerado o rendimento do compressor. Volume Efetivo É o volume que efetivamente será necessário para o acionamento e comando dos diversos automatismos pneumáticos. Seu valor é calculado em função da eficiência volumétrica dos compressores (rendimento), que varia de acordo com o tipo de compressor. Compressores Pressão É uma das características de maior importância na operação do compressor uma vez que é responsável pela força desenvolvida pelos atuadores, classificando-se assim em dois níveis. Pressão de Regime É a pressão efetiva fornecida pelo compressor e que se distribui por toda a linha, alimentando todos os pontos de utilização. É, portanto, a pressão com a qual o ar é armazenado no reservatório.Não é recomendada sua aplicação direta nos automatismos uma vez que ela esta sujeita a frequentes flutuações por causa da temperatura. Pressão de Trabalho É a pressão necessária ao acionamento dos diversos automatismos que deve ser menor que a pressão em regime. A redução é realizada com a utilização de uma válvula redutora de normalmente um conjunto LUBRIFIL (conjunto válvula redutora de pressão com manômetro e lubrificador). É comum na industria adotar como pressão de trabalho 6kgf/cm2, por outro lado a pressão de regime gira em torno de 7 a 8 kgf/cm2, podendo chegar até 12 kgf/cm2 Redes de Distribuição de Ar Redes de Distribuição de Ar Linha secundaria Linhas de Alimentação Filtro de ar comprimido A função do filtro de ar comprimido é de reter as partículas sólidas e a umidade condensada existente no ar comprimido. Simbologia Filtro de ar comprimido Regulador de pressão O regulador de pressão mantém constante a pressão de trabalho (secundária), independentemente da pressão da rede (primária) e de consumo do ar. Simbologia Regulador de pressão Lubrificador O lubrificador permite uma distribuição de óleo em uma larga faixa de fluxo de ar. Neste caso utiliza- se um sistema agulha de forma a garantir a distribuição de óleo repetitiva. Permitindo o abastecimento do copo com a linha pressurizada. O lubrificador acrescenta ao ar comprimido uma fina névoa de óleo que irá se depositar nas válvulas e cilindros, proporcionando a esses elementos a necessária lubrificação. Simbologia Lubrificador Unidade Lubrifil A unidade lubrifil tem por função filtrar e lubrificar o ar, além de possibilitar a regulagem de pressão de alimentação necessária ao acionamento do automatismo Filtro Regulador Unidade filtro e regulador de pressão Atuadores Pneumáticos Atuadores Pneumáticos São elementos mecânicos que por meio de movimentos lineares ou rotativos transformam a energia cinética gerada pelo ar pressurizado e em expansão, em energia mecânica, produzindo trabalho [F, A. B. 2008]. Os atuadores pneumáticos são regidos por normas internacionais, tais como: • ISO 6431 e 6432 (internacional) • DIN ISO 6431 e VDMA 24562 (Alemanha) • NF E 49003.1 (França) • UNI 20.290 (Itália) Classificação Atuadores Pneumáticos Os atuadores pneumáticos são basicamente classificados em duas famílias: • Atuadores pneumáticos lineares de simples efeito • Atuadores pneumáticos lineares de duplo efeito Atuadores Pneumáticos Lineares de Efeito Simples Recebe esta denominação porque utiliza ar comprimido para conduzir trabalho em um único sentido de movimento, seja para avanço ou retorno. Este tipo de cilindro possui somente um orifício por onde o ar entra e sai do seu interior, comandado por uma válvula. Na extremidade oposta à de entrada, é dotado de um pequeno orifício que serve de respiro, visando impedir a formação de contrapressão internamente, causada pelo ar residual de montagem. O retorno, em geral, é efetuado por ação de mola e força externa. Quando o ar é exaurido, o pistão (haste + êmbolo) volta para a posição inicial. Atuador linear simples efeito normalmente retraído com retorno por mola Representação DIN/ISO 1929 Atuador linear simples efeito normalmente distendido com retorno por mola Representação DIN/ISO 1929 Atuadores Pneumáticos Lineares de Duplo Efeito Neste tipo de atuadores é possível produzir trabalho em ambos sentidos de movimento (avanço e retorno), desta forma pode ser utilizado para acionamento tanto no avanço quanto no retorno. Nos cilindros de dupla ação, como também são conhecidos, a alimentação e exaustão ocorrem por conexões localizadas em ambas extremidades do dispositivo. No que diz respeito aos esforços de avanço e retorno, existe porém uma diferença as áreas efetivas de atuação da pressão são diferentes; a área da câmera traseira é maior que a câmara dianteira, pois nesta há de se levar em conta o diâmetro da haste, que impede a ação do ar sobre toda a área. Atuador Linear Duplex Contínuo Este atuador equivale a dois atuadores lineares de duplo efeito, do mesmo diâmetro, montados em série, sendo a característica principal deste arranjo a elevação da força de avanço em (82% a 97%) e a duplicação da força de retorno. Atuador Linear Duplex Contínuo Força de avanço A força de avanço de um atuador linear é dada pela seguinte função: Onde: Pt – Pressão de trabalho; Ap- área do pistão. Quando operado para avanço as conexões de avanço serão alimentadas simultaneamente, enquanto as outras duas serão de exaustão. Neste caso a força de avanço será dada pela soma das forças individuais de cada atuador. Ap Ac1 Fa1 Fr1 Fr2 Fa2 Ac Ac32 Fa1Fa = Fa2+ Fr1Fr = Fr2+ Pt Pt Atuador Linear Duplex Contínuo Desta forma a força de avanço será dada pela seguintes expressões: Como: e Atuador Linear Duplex Contínuo Analise da Força de Retorno: , sendo Ac1=Ac2=Ac, a força equivalente será Atuador Linear Duplex Contínuo Pressão de trabalho (6bar) Atuador normal (N) Atuador duplex contínuo (N) Diferen ça % na Fa Diferen ça % na Fr Dp dh Fa1 Fr1 Fa2 Fr2 32 12 482 415 897 829 +86,00 +100 40 16 753 633 1387 1267 +84,19 +100 50 20 1178 990 2168 1979 +84,00 +100 63 20 1870 1682 3552 3364 +89,94 +100 80 25 3015 2720 5737 5443 +90,28 +100 100 25 4712 4418 9130 8836 +93,73 +100 125 32 7360 6880 14244 13761 +93,53 +100 160 40 12064 11310 23373 22619 +93,74 +100 200 40 18850 18096 36945 36191 +95,99 +100 Dimensionamento Atuador de Efeito Duplo No caso do dimensionamento dos atuadores, primeiramente torna-se necessário determinar a força do projeto Fp, a qual será requerida para realizar a movimentação da carga. Adicionalmente a força de projeto o atuador terá que vencer os atritos tanto estáticos como cinéticos que não apenas agem externamente, mas também internamente no atuador. Estes atritos dependem de vários aspectos, como por exemplo: aplicação da carga, a natureza dos materiais, seu acabamento, velocidade do deslocamento e o tipo de lubrificação. A força de projeto é então modificada por um fator j, o qual é apresentado na tabela seguinte (Fialho 2003). Dimensionamento Atuador de Efeito Duplo Velocidade de deslocamento da haste do atuador Exemplo Fator de Correção j Lenta e carga aplicada somente no fim do curso Operação de rebitagem 1,25 Lenta e carga aplicada em todo o desenvolvimento do curso Talha Pneumática 1,35 Rápida com carga aplicada somente no fim do curso Operação de estampagem 1,35 Rápida com carga aplicada em todo o desenvolvimento do curso Deslocamento de mesas 1,50 Situações gerais não descritas 1,25 Fonte: Fialho 2003 Dimensionamento Atuador de Efeito Duplo Onde Dp – Mínimo diâmetro aceitável do pistão [cm] Fp – Força do Projeto, força necessária para execução da operação [kp] j Fator de correção da força de projeto Pt – Pressão de trabalho [kp/cm2] 𝐷𝑝 = 4. 𝐹𝑝. 𝜑 𝜋 𝑃𝑡 Fonte: Fialho 2003 Dimensionamento Atuador de Efeito Duplo Exemplo (Fialho, 2003) Deseja-se movimentar uma mesa utilizando para tanto um força de projeto de 150kp, tendo uma pressão de trabalho de 6kp/cm2, com um percurso de 100cm. 1 kgf ≈ 9,80665 N => 1,5*150kp=1470*1,5 N=2206N 𝐷𝑝 = 4.150𝑘𝑝. 1,5 𝜋 6𝑘𝑝 𝑐𝑚2 = 6,9𝑐𝑚 = 69𝑚𝑚 Dimensionamento Atuador de Efeito Duplo Atuadores Pneumáticos Atuadores Rotativos Cilindro dupla ação rotativo (cremalheira) Cilindro dupla ação duplo torque rotativo (cremalheira) Atuadores Pneumáticos Atuadores Rotativos Cilindro Rotativo DSR Motor pneumático palhetas Válvulas Pneumáticas As válvulas pneumáticas servem para orientar os fluxos de ar, impor bloqueios, controlar suas intensidades de vazão ou pressão. Para facilidade de estudo as válvulas foram classificadas nosseguintes grupos: • Válvulas de controle direcional • Válvulas de bloqueio (anti-retorno) • Válvulas de controle de fluxo • Válvulas de controle de pressão Válvulas de Controle Direcional Tem por função orientar a direção que o fluxo de ar deve seguir, afim de realizar um trabalho proposto. Características de uma válvula • Posições • Vias • Tipo de acionamento • Tipo de retorno Válvulas de Controle Direcional Posições • Normalmente uma válvula pneumática tem um número de posições que lhe permite executar manobras distintas. Por exemplo, uma torneira seria uma válvula que tem duas posições: ora permite a passagem da água ora não o permite. • As válvulas direcionais são sempre representadas por um retângulo. Este retângulo é dividido em quadrados. • O número de quadrados é igual ao número de posições da válvula, representando a quantidade de movimentos que executa através dos acionamentos Válvulas de Controle Direcional Vias São passagens de ar dentro da válvula, servem para fazer a conexão de entrada de pressão, conexões de utilização e as de escape. Direção de fluxo Passagens bloqueadas Válvulas de Controle Direcional Identificação dos orifícios da Válvula A identificação dos orifícios das válvulas pneumáticas, reguladoras e filtros é padronizada desde 1976 pelo CETOP – Comitê Europeu de Transmissão Oleo Hidráulica e Pneumática 1 )Alimentação 2 e 4) Utilização saída aplicação 3) Escape ou exaustão 3 e 5) Escape ou exaustão Os orifícios de pilotagem são identificados como 10 , 12 e 14. Válvulas de Controle Direcional Válvulas de Controle Direcional As válvulas precisam de um agente externo ou interno que desloque suas partes internas de uma posição para outra. Esse acionamento pode ser classificado em: • Comando Direto • Comando Indireto Comando Direto: É definido assim quando a força de acionamento atua diretamente sobre qualquer mecanismo que cause a inversão da válvula. Comando Indireto: Corresponde a situação onde a força de acionamento atua sobre qualquer dispositivo intermediário, o qual libera o comando principal que será responsável pela inversão da válvula. Estes acionamentos são chamados de combinados ou servos. Tipos da Acionamentos Para que as válvulas operem entre as suas posições existentes, é necessário que elas sejam comandadas pelos seguintes tipos de acionamentos: Acionamento Muscular Acionamento Mecânico Acionamento Elétrico Acionamento Pneumático Acionamento Muscular Este tipo de válvulas são conhecidas como válvulas de painel Estes acionamentos representam circuitos que findam uma cadeia de operações, proporcionam condições de segurança e emergência. A mudança das válvulas é geralmente realizada pelo operador do sistema. Acionamento Mecânico O comando da válvula é realizado através de uma ação mecânica sobre o acionamento, colocado estrategicamente ao longo do percurso, de forma a desenrolar as sequencias operacionais que o sistema precisa. Comumente, este tipo de válvulas recebem o nome de válvulas de fim de curso. Acionamento Mecânico Acionamento Pneumático O comando deste tipo de válvula é realizado pela ação de ar comprimido, proveniente do resultado lógico dos demais componentes pneumáticos do circuito do qual a válvula faz parte. Piloto positivo Um sinal de pressão de ar proveniente de um comando externo, é aplicado diretamente sobre um pistão resultando no acionamento da válvula Acionamento Elétrico Neste caso a operação das válvulas é realizada através de sinais elétricos. São utilizadas onde a rapidez dos sinais de comando é o fator importante, quando os circuitos são complicados e as distâncias são longas entre o emissor e o receptor. Formas Construtivas De acordo a forma construtiva as válvulas direcionais podem ser divididas em dois grupos: Válvulas de sede ou de assento - Válvulas de sede Esféricas - Válvulas de sede Prato Válvulas corrediças - Válvulas corrediças Carretel - Válvulas corrediças Plana (comutador) - Válvulas corrediças Giratória Disco Válvula tipo Assento No gráfico seguinte a válvula 2/2 do tipo assento com disco Válvula tipo Assento Válvula 3/2 do tipo assento com cone Válvula tipo Assento Exemplo de aplicação da válvula de 3/2 posições Comando Básico Direto Válvula tipo Assento Válvula 3/2 do tipo assento com Disco Acionada por Piloto Válvula tipo Assento Exemplo de aplicação da válvula de 3/2 posições Comando Básico Indireto Válvula tipo Distribuidor Axial Válvula 3/2 do tipo Axial com Botão e retorno por mola Válvula tipo Duplo Piloto Positivo Válvula 3/2 acionada por duplo piloto positivo Válvula tipo Duplo Piloto Positivo Exemplo de aplicação da Válvula 3/2 acionada por duplo piloto positivo Válvula tipo Spool Acionada por Duplo Piloto Positivo Válvula 5/2 tipo spool acionada por duplo piloto positivo Válvula tipo Spool Acionada por Duplo Piloto Positivo Exemplo de aplicação da válvula 5/2 tipo spool acionada por duplo piloto positivo Elemento “OU” Exemplo de aplicação do elemento OU (a.02), o qual ativará a válvula a0, para o acionamento de qualquer das suas entradas (a2 ou a4) Elemento “E” Exemplo de aplicação do elemento E (a.02), que ativará a válvula a0, unicamente para o acionamento simultâneo de suas entradas (a2 ou a4) Válvula de Controle de Fluxo Unidirecional Fluxo Controlado Fluxo Livre Controle de Velocidade pelo Ar de Entrada Neste tipo de controle o ar de entrada ao atuador será controlada através de uma válvula de controle de fluxo direcional. Na figura ao lado a entrada é representada pela cavidade amarela. A medida que o atua- dor se desloca a direita o volume da cavidade amarela aumentará diminuindo a pressão. Este modo de controle de velocidade determinará um movimento irregular do pistão, geralmente prejudicial ao excelente funcionamento do equipamento. Controle de Velocidade pelo Ar de Saída Neste tipo de controle o fluxo de ar de saída do atuador será controlado através de uma válvula de controle de fluxo direcional. Na figura ao lado a entrada é representada pela cavidade vermelhas. O ar comprimido na câmara amarela com toda a intensidade de pressão, exercendo força sobre o êmbolo (2). O ar confinado na câmara (3), escapará pela válvula de controle de fluxo, determinando, assim, um avanço com velocidade mais uniforme que o método anterior. Controle de Velocidade de Atuadores Comando de Cilindro com avanço lento e retorno acelerado Temporizador Pneumático As válvulas denominadas de temporizadores pneumáticos permitem o retardo de um sinal pneumático; um período de tempo ajustável que passa entre o aparecimento do sinal de controle pneumático e o sinal de saída. O ajuste é através da rotação do botão graduado, a faixa de ajuste é completada por uma revolução completa do botão. Faixas de ajuste de temporização de 0 a 3 s, 0 a 30 s e 0 a 180 s. Válvula Temporizadora NF Válvula Temporizadora NA Temporizador Pneumático Exemplo de Aplicação (Fialho, 2003) Circuito de semiautomatização de um dispositivo de termoformagem. Vácuo Etimologicamente a palavra vácuo, vem do latim Vacuus. que significa vazio. Por outro lado é possível definir que um sistema encontra-se em vácuo quando o mesmo esta submetido a uma pressão inferior a pressão atmosférica. Vácuo O vácuo na automação industrial tem várias aplicações dentre as quais podemos mencionar: Movimentação de cargas; Manipulação de peças frágeis; Manipulação de peças com temperatura elevada, usando ventosas de silicone; Operações que requerem condições de higiene; Movimentação de peças muito pequenas; Movimentação de materiais com superfícies lisas. Vantagens do Vácuo Eficiência. Baixo consumo de ar dos geradores de vácuo na produção de vácuo. Flexibilidade. Uma grande variedade de produtosque podem ser combinados entre si, atendendo a qualquer necessidade. E-Stop. Existem elementos, como por exemplo os da parker, que mantém o nível de vácuo em caso de falha ou parada de energia, o que resulta em um alto grau de confiabilidade no manuseio e transporte de materiais. Economia de ar. Sistema de economia de ar que interrompe o fluxo de ar, assim que atingido o nível de vácuo ideal para suportar a peça. Respostas rápidas. A velocidade de geração do vácuo, aliada à função de liberação rápida (opcional), permite a aplicação do produto em máquinas de alta ciclagem. Versatilidade. A maioria dos fabricantes oferecem diversos modelos de ventosas, produzidos com materiais apropriados, formas e diferentes detalhes de montagem que permitem as mais variadas aplicações em diversas condições de trabalho. Geração de Vácuo Geração de pressão negativa através de força contrária. Efeito de Venturi Ventosas Ventosas são dispositivos pneumáticos adequados para fixação e levantamento de peças ou materiais. Diferentemente das garras, que tem aplicações similares, as ventosas, são adequadas para peças com frágeis e com acabamentos especiais. Quando não dimensionadas adequadamente as garras podem danificar peças e ou seu acabamento. Ventosas Geradores de Vácuo O gerador de vácuo tem como princípio o venturi, que gera alto vácuo com tempo de resposta rápido usando ar comprimido, proporcionando excelentes soluções para a indústria de automação. Vantagens dos Geradores de Vácuo • Sem movimento de componentes internos • Baixa manutenção • Vida prolongada • Tempo de resposta rápido • Dimensões reduzidas Aplicação do Gerador de Vácuo com princípio de Venturi Métodos de Projeto de Circuitos Pneumáticos O primeiro passo no projeto de circuitos pneumáticos é identificar o tipo de sequencia do acionamentos, podendo ser de dois tipos: direta ou indireta. Para tanto dividimos a sequencia ao meio como mostrado abaixo. Se as letras estiverem na mesma ordem da sequencia trata-se de uma sequência direta, caso contrário é um sequencia indireta. A seguir alguns exemplos destas sequencias. Métodos de Projeto de Circuitos Pneumáticos Em sequencias que apresentam movimento simultâneo de dois ou mais cilindros, pode-se inverter a ordem dos cilindros dentro dos parênteses sem alterar a sequencia original. Desta forma, sequencias aparentemente indiretas podem ser diretas como mostrado abaixo. Método Intuitivo Este é um método adequado para sequencias diretas e segue os seguintes passos: Selecionar os elementos de trabalho junto com as válvulas de comando e os sensores de fim de curso. Por exemplo para o acionamento de dois cilindros A e B, abaixo são selecionados seus principais elementos para uma sequencia A+B+A-B-. Método Intuitivo O seguinte passo é desenhar todas as linhas de trabalho, pilotagem, alimentação de ar e exaustão. Método Intuitivo De acordo a sequencia de movimento, desenhar os acionadores dos elementos de sinal e representar a posição de cada uma das válvulas piloto entre os cilindros. Método Intuitivo Método Intuitivo Método Intuitivo Método Passo a Passo Para uma sequencia indireta como por exemplo A+B+B-A- utilizar o método intuitivo não seria adequado. Na figura abaixo vemos que mesmo que se queira acionar A com 1.2 este cilindro não funcionará pois como 1.3 que é inicio de curso de B esta pisado que impede a saída do cilindro A (Silva, 2002). Fonte: Silva 2002 Método Passo a Passo Para implementar a sequencia A+B+B-A-, os passos serão os seguintes: Passo 1: dividir a sequencia de movimentos do circuito em grupos lembrando que cada movimento (passo) da sequencia corresponde a um grupo. Em geral, teremos um número par de grupos de alimentação de ar, com exceção das sequencias com movimentos simultâneos que poderão apresentar um número ímpar de grupos. Método Passo a Passo Passo 2: desenhar os atuadores do circuito bem como suas válvulas de comando de duplo piloto. Passo 3: desenhar o comando passo a passo com tantos grupos de alimentação de ar quantos forem encontrados na primeira etapa. O número de válvulas necessárias para controlar as linhas de alimentação de ar é igual ao número de grupos encontrados na divisão da sequencia. Para quatro grupos temos: Fonte: Silva 2002 Método Passo a Passo Passo 4: Conectar os pilotos das válvulas de comando dos cilindros às linhas de alimentação de ar de acordo com os grupos determinados na divisão da sequencia de movimentos do circuito. Fonte: Silva 2002 Método Passo a Passo Passo 5: Desenhar os elementos de sinal pilotando as válvulas do comando passo a passo de acordo com a sequencia de movimentos do circuito. Os elementos de sinal devem ser acionados por rolete mecânico, com exceção daqueles que são responsáveis pela partida, geralmente acionados por botão. Fonte: Silva 2002 Método Passo a Passo Fonte: Silva 2002 Método Passo a Passo Fonte: Silva 2002 Método Passo a Passo Fonte: Silva 2002 Método Passo a Passo Fonte: Silva 2002 Método Passo a Passo Fonte: Silva 2002 Vídeos Apresentados • http://www.youtube.com/watch?v=RJr4LfZbfjI • http://www.youtube.com/watch?v=WFZ1bhFEh2U • http://www.youtube.com/watch?v=E6_jw841vKE • http://www.youtube.com/watch?v=2z8dwFsdRLg Bibliografia •Bustamante Fialho, A. Automação Pneumática, 3 Edição. Editora: Érica, 2003. •Parker Automation. Tecnologia Pneumática Industrial. Apostila M1001-1BR. Jacarei São Paulo, 2007. •Silva, E. C. N. Apostila de Pneumática. PMR 2481 Sistemas Fluidomecânicos. Departamento de Engenharia Mecatrônica e de Sistemas Mecânicos. Escola Politécnica da USP. Universidade de São Paulo. São Paulo 2002. Disponível em: Acesso em: 10 nov. 2020.