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Gestão Estratégica de Custos Unidade 1 Contabilidade gerencial de custos Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria ANDRÉ FARIA DE THOMAZ AUTORIA André Faria de Thomaz Sou bacharel em Ciências Contábeis pela Faculdade de Minas (2006); e mestre (2011) e doutor (2018) em Administração pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Atuo como contabilista e como professor, nas modalidades presencial e a distância, nas áreas de auditoria contábil de departamentos, de finanças e de pessoal. Durante minha atuação como contabilista, tenho vasta experiência na área de Obrigações Acessórias e Obrigatórias. Por outro lado, ao longo de minha experiência como docente, além de ter sido coordenador de curso, lecionei, principalmente, as seguintes disciplinas: Contabilidade Básica; Economia; Planejamento e Contabilidade Tributária; Contabilidade de Custos e Análise de Custos; Gestão por Processos; Estrutura das Demonstrações Contábeis; Análise das Demonstrações; Contabilidade Gerencial; Teoria da Contabilidade; Contabilidade Intermediária; Contabilidade Internacional; Auditoria; Contabilidade Empresarial; Controle Interno; Matemática; Logística; Recursos Humanos; e Gestão de Risco. Sou apaixonado pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que se iniciam em suas profissões. Por isso, fui convidado a integrar o elenco de autores independentes da editora TeleSapiens. Estou muito feliz por poder ajudá-lo, aluno, nesta fase da vida de muito estudo e de muito trabalho. ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO: para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO Aplicabilidade da contabilidade de custos .................................... 10 Contabilidade de Custos ........................................................................................................... 10 Eras Mercantilista e Industrial .............................................................................. 11 A terminologia da Contabilidade de Custos ............................................ 12 Custos de Absorção ................................................................................................... 15 Tipos de custos ................................................................................................................................ 16 Custos primários ...................................................................................... 17 Custos de transformação .................................................................. 17 Custo fixo ......................................................................................................... 17 Custo variável ............................................................................................... 17 Custo direto ................................................................................................... 17 Custo indireto ............................................................................................... 18 Sistemas de custeio .................................................................................. 19 Sistema de custeio por oportunidade ............................................................................ 19 Sistema de custeio por meta ................................................................................................. 20 Outros sistemas de custeio .................................................................................................... 21 Custeio do ciclo de vida (CCV) ........................................................ 21 Custeio-Alvo ou Kaizen ........................................................................ 21 Custeio por qualidade ...........................................................................22 Tomada de decisão por análise de custos ....................................... 25 Do RKW ao ABC ...............................................................................................................................26 Gestão de custos nas organizações ....................................................29 Importância da gestão de custos ........................................................................................29 A Gestão de Custos na prática ..............................................................................................32 Custo por Controle .........................................................................................................................34 Custo por Planejamento.............................................................................................................35 7 UNIDADE 01 Gestão Estratégica de Custos 8 INTRODUÇÃO Em um ambiente empresarial, todos os que lidam com custos, seja diretamente, seja indiretamente, devem ter noção de que os considerar é essencial em todas as etapas produtivas. Sabe por que isso é necessário? Quando os custos são geridos adequadamente, muitos benefícios podem ser agregados à organização, pondo-nos mais próximos de alcançar os objetivos institucionais. Ao mencionar custos, devemos ter à vista o quanto o mercado atual é competitivo. Nesse sentido, a todo momento, precisamos aperfeiçoar nossos processos e tentar manter nos custos em um patamar mínimo. Como o número de concorrentes aumenta a cada dia; e como, também, os clientes exigem produtos e serviços de qualidade com preços justos, o controle de custos é a solução capaz de alinhar o interesse das empresas com os dos clientes, sem que isso resulte em prejuízos. Preocupados com esse cenário e com indicar o quanto a gestão de custos é importante, trazemos, neste material, conceitos fundamentais da área, com a intenção de aumentar o seu conhecimento sobre o tema e, consequentemente, expandir o seu sucesso comercial. Aqui, estudaremos princípios, métodos e sistemas que sejam capazes de nos auxiliar a gerir os custos de uma empresa, perpassando, também, pelo modo como evoluíram. Seja bem-vindo e mãos à obra! Gestão Estratégica de Custos 9 OBJETIVOS Olá, aluno! Seja muito bem-vindo à Unidade 1. Quando finalizar esta etapa de nossa disciplina, você terá desenvolvido, com o nosso auxílio, as seguintes competências: 1. Compreender a aplicabilidade da contabilidade de custos. 2. Entender os sistemas de custeio e sua aplicação. 3. Aplicar os indicadores de custo em tomadas de decisão. 4. Aplicar as técnicas de gestão de custos nas organizações. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! Gestão Estratégica de Custos 10 Aplicabilidade da contabilidade de custos OBJETIVO: Quando finalizar o estudo desta seção, você terá compreendido como a Contabilidade de Custos opera e ajuda na tomada de decisões estratégicas. Ter esses conhecimentos é algo fundamentalpara o exercício da sua profissão, e não lhes dar a devida atenção pode representar o insucesso comercial. Motivado para desenvolver esses conhecimentos? Então, vamos lá. Avante! Contabilidade de Custos Conforme dissemos na Introdução, devemos sempre procurar maneiras de aprimorar os processos produtivos de nossas empresas e de controlar nossos custos. Essa necessidade se baseia na quantidade de concorrentes que enfrentamos; na velocidade com que as mudanças tecnológicas acontecem; e nas demandas apresentadas pelos clientes. Portanto, as decisões que uma empresa tomar não poderão ser unilaterais. Figura 1 – Controle de custos Fonte: Freepik Gestão Estratégica de Custos 11 Em um cenário acirrado como esse, o controle de custos deve começar por cada produto, fazendo com que os mecanismos de controle associados à produção se tornem mais eficientes e mais precisos. Em troca, teremos um ritmo de troca de informações capaz de incrementar a lucratividade das empresas, a despeito de existirmos em um ambiente repleto de incertezas; e de colaborar com a melhora do desempenho de todos os setores que as compõem. Olhando para trás, percebemos que, concomitantemente ao início das práticas comerciais, o homem desenvolveu as primeiras técnicas de mensuração de custos, sobretudo para a formação do preço de venda de seus produtos. Séculos e milênios se passaram desde então, e assistimos ao surgimento de necessidades empresariais inéditas, motivadas pelos novos hábitos de consumo e pelos modernos meios de produção. Assim, com a substituição do trabalho manual pelo uso máquinas, permitiu-se tanto a produção em ampla escala quanto a padronização dos produtos e dos serviços, aparecendo as atividades da Contabilidade de Custos. Logo, conforme os processos manufatureiros foram abandonados, saímos de uma era de relações mercantis para uma era capitalista, com revoluções tecnológicas que nos surpreendem a todos os instantes. Os questionamentos na área contábil não demoraram a vir, principalmente no que tange ao valor do estoque de mercadorias. Portanto, tornou premente uma resposta à seguinte pergunta: como poderemos determinar os custos associados a um único produto, considerando que, geralmente, determinado gasto representa a produção simultânea de diversos produtos? Eras Mercantilista e Industrial Para que consigamos determinar o contexto histórico em que a Contabilidade de Custos irrompe como uma área da Contabilidade, temos de tratar da Era Mercantilista. Nesse período, predominava, nos modos de produção, o uso de mão de obra. Segundo Martins (2010), o principal motivo subjacente ao controle de estoques, nessa época, era a apuração de resultados. Para isso, havia o seguinte cálculo: Gestão Estratégica de Custos 12 • estoques iniciais • (+) compras • (–) estoques finais • (=) custo das mercadorias vendidas Nota-se, com esse cálculo, como a apuração de resultados era simples. Seus objetivos eram somente financeiros: de um lado, aferir o valor dos estoques; de outro, determinar o resultado obtido em certo período, prevendo os valores a serem gastos com tributos. A Era Mercantilista foi sucedida pela Era Industrial, e, junto com essa mudança, vieram impactos sobre a Contabilidade Financeira. A primeira Revolução Industrial ocorrer no século XVIII e sinalização a entrada de máquinas nos processos produtivos, em concorrência com a mão de obra. Dessa forma, se, antes, um produto qualquer, como uma peça de roupa, era produzido, do início ao fim, por métodos artesanais, houve o começo da produção em ampla escala. Não é surpreendente que, nesse contexto, a introdução de máquinas nas indústrias dificultou a tarefa de contabilizar o valor do estoque de mercadorias. Isso está relacionado à pergunta que apontamos anteriormente: um único gasto produtivo deixava de se ligar a um único produto para se associar a vários. Apesar de ter surgido no contexto das demandas de empresas fabricantes de produtos, podemos empregá-la, com igual eficiência, na estrutura das empresas prestadoras de serviços. A terminologia da Contabilidade de Custos Compreender como se dão os gastos de uma empresa é o primeiro passo para que consigamos determinar os custos de um produto. A importância disso está no entendimento de que nem todas as despesas de uma empresa decorrem de seu processo produtivo. Pensando nisso, a Contabilidade de Custos desenvolveu uma terminologia técnica própria, a qual veremos a seguir. Gestão Estratégica de Custos 13 a. Gastos Trata-se de uma definição genérica, englobando todos os gastos efetuados por uma empresa: perdas, despesas, custos, investimentos e outras formas de desembolsar recursos financeiros. No entanto, um gasto não implica, em todos os casos, um empenho de dinheiro. Um bom exemplo disso é a depreciação a que os equipamentos de uma empresa estão sujeitos: assumimos que se trata de um gasto, mas não registramos uma saída de recursos financeiros da empresa. Figura 2 – Custos Fonte: Freepik b. Custos e despesas Identificar e classificar os gastos de uma maneira adequada ao contexto das empresas são dois dos maiores dilemas que assolam a Gestão de Custos. Quando não processamos os gastos corretamente, incidiremos na criação e na divulgação de informações contábeis não fidedignas. Quais devem ser ações da Gestão de Custos caso o seu propósito seja reduzir gastos e aplicações? De acordo com Crepaldi (2010), de uma perspectiva teórica, diferir custos de despesas é simples: será avaliado como custo o gasto que estiver associado à produção de bens e de serviços, ao passo que será avaliado Gestão Estratégica de Custos 14 como despesa o gasto que estiver associado à geração de receitas. Sendo assim, está explicada a dificuldade e a importância de se classificar essas grandezas corretamente. No momento de fazer isso, em geral, lidaremos com a dúvida. Quer ver um exemplo? Quando lidamos com aluguel, determinar a sua natureza dependerá da sua finalidade: caso tenha sido contraído para produzir produtos, será custo; contudo, caso tenha sido contraído para albergar a loja que vende os produtos, será despesa. Temos outro exemplo para lhe apresentar: o da matéria-prima. No momento em que a compramos, será um investimento, com vistas à manutenção do negócio e ao aumento da lucratividade. Porém, quando a empregamos nos processos produtivos, passará a ser um custo. Voltará a ser investimento quando for incorporada aos nossos estoques, e se transformará em despesa quando for vendida como produto. Confuso, não é? Mas se trata de um ciclo essencial para nossas atividades. Podemos concluir, com base no exemplo da matéria-prima, que gastos apresentam estágios. Pensando em outro elemento da cadeia produtiva, a energia elétrica terá uma dinâmica semelhante: quando for adquirida, será um gasto; e, quando for utilizada, será um custo, o qual, automaticamente, passa a compor o custo dos produtos fabricados. Então, a fronteira entre custos e despesas é ou não tão intrincada quanto mencionamos anteriormente? c. Perdas Qualquer negócio está sujeito a gastos que não lhe renderão nenhuma forma de lucro. Esse é o conceito de perda. Quando algum desastre natural afeta nossa empresa, arcaremos com o gasto involuntariamente, por exemplo. d. Investimentos Um gasto pode ser considerado um investimento. Mas, para que isso aconteça, algumas características têm de estar presentes na transação: • possibilidade de ativar-se. • vida útil determinada. • expectativa de benefícios econômicos. Gestão Estratégica de Custos 15 De acordo com essas características, o primeiro estágio de muitos gastos de nossas empresas é um investimento. É o que acontece com a aquisição de matéria-prima, como abordamos anteriormente. Custos de Absorção Na Contabilidade de Custos, existe o chamado “princípio da apropriação de custos deabsorção”. Por intermédio desse princípio, chegamos ao resultado da soma de todos os recursos financeiros aplicados na produção de bens e de serviços. As despesas deverão ser incluídas em tal resultado, mas não serão inseridas no resultado do Balanço Patrimonial. Observando a questão por outro prisma, temos que os custos são alocados em cada produto fabricado: durante o período em que permanecem no estoque da empresa, entrarão no Balanço Patrimonial, mas, quando são vendidos e pagos, entrarão na Demonstração de Resultado do Exercício (DRE). Com o diagrama seguinte, conseguiremos entender melhor essa situação. Figura 3 – Apropriação de custos aos produtos InvestimentosPerdasDespesasCustos Gastos Fixos Variáveis Diretos Indiretos Fonte: Martins, 2010, p. 37. Neste outro diagrama, encontraremos a absorção de custos de uma empresa prestadora de serviços. Como serviços não podem ser estocados, em razão da sua própria natureza, seus custos entraram, Gestão Estratégica de Custos 16 diretamente, na Demonstração de Resultados. A rubrica utilizada é Custo dos Serviços Prestados (CSP). Figura 4 – Custeio por absorção Demonstração de resultados Receita Custo serviços prestados Lucro bruto Despesas Lucro operacional Prestação de serviço CustosDespesas Fonte: Martins (2010, p. 37). Está claro que apenas uma diferença separa o custeio de absorção de uma empresa que vende produtos do de outra que vende serviços? Essa diferença, obviamente, está no fato que, no caso das empresas que vendem produtos, os custos produtos serão apresentados como estoques antes de serem considerados no resultado. Nos dois diagramas, é possível notar, também, que as despesas seguem para a Demonstração de Resultados, sem qualquer estágio intermediário, visto que não mantêm qualquer vínculo com os processos produtivos. Tipos de custos Os custos apresentam subclassificações. Isso ocorre porque, quando processamos os dados sobre os custos e os transformamos em informações, depreenderemos comportamentos diferentes. Para que isso fique mais nítido, pensemos naqueles custos que existem menos quando o processo produtivo for interrompido, como é o caso de um aluguel, por exemplo. Há, ainda, custos que relacionam, de maneira estrita, com produtos, embora outros não o façam. As duas subclassificações que mencionamos segregam o que é essencial na composição do custo de um produto do custo embutido na conversão de matéria-prima em produtos acabamos. A seguir, veremos essa divisão com mais detalhes. Gestão Estratégica de Custos 17 Custos primários De modo geral, o custo associado a um produto é a soma do valor gasto com matéria-prima com o valor gasto com mão-de-obra implicada na sua produção. Em trabalhos da área de Contabilidade de Custos, costumamos deparar com a definição de custos primários como a soma do valor gasto com materiais direito com o valor gasto com mão de obra direta, o que deixa explícita a necessária e direta relação entre gastos e produtos. Custos de transformação Trata-se dos custos associados à transformação de matéria-prima, que chega à fábrica em estado bruto, em produto, que sai da empresa bem-acabado e pronto para ser consumido. Um bom exemplo de custo associado à transformação Custo fixo Corresponde ao custo que se mantém estável ou por certo período ou durante certo volume de produção. O exemplo mais comum de custo fixo é o aluguel, que, a despeito das variações contratuais que sofre de tempos em tempos, permanece o mesmo por longos períodos. Custo variável Varia proporcionalmente ao volume de produção: se produzirmos uma quantidade maior de produtos, gastaremos mais. Custo direto É o custo que pode ser rastreado até um produto específico, como é o caso da matéria-prima. Gestão Estratégica de Custos 18 Custo indireto Inversamente ao custo direto, não pode ser rastreado até um produto específico. Caso nossa empresa alugue um espaço para acomodar a produção de mais de um produto, não teremos como associar o custo do aluguel a um produto específico. Assim será, também, com a conta de energia desse espaço. Portanto, concluímos que a subclassificação de custos nos ajudará a ter precisão no momento de associar os custos às suas fontes. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir algo do que vimos. Você deve ter compreendido como é a aplicabilidade da contabilidade de custos. Gestão Estratégica de Custos 19 Sistemas de custeio OBJETIVO: Quando lidamos com gestão de custos, temos uma fórmula simples e infalível para aferir lucros e prejuízos: a subtração dos custos e das despesas das receitas auferidas em certo período. Porém, existem diferem maneiras de custear as nossas operações. Abordaremos essas maneiras a seguir. Sistema de custeio por oportunidade Em algum momento da vida, mesmo que tenha sido apenas por um telejornal, você ter ouvido a expressão “custo de oportunidade”, certo? Mas você o que significa? Trata-se, simplesmente, do custo gerado por não se optar por determinada opção de investimento de recursos financeiros. Nesse sentido, a referência é aquilo de renunciamos para que os investimentos que realizamos se concretizassem. Figura 5 – Cálculo do custo de oportunidade Fonte: Freepik Gestão Estratégica de Custos 20 Como forma de abordar os custos de oportunidade de uma maneira menos abstrata, adotemos uma situação em que um investidor tenha R$ 100.000,00. As suas opções de investimento, em dado momento, são comprar as ações de uma empresa, o que é rentável e, ao mesmo tempo arriscado; e depositar o capital em uma caderneta de poupança, que é seguro e pouco lucrativo. Considerando que a taxa média de juros da caderneta de poupança seja 0,5%, para que o investimento em ações supere o custo de oportunidade, deverá ter um rendimento maior do R$ 500,00 por mês, que é o valor da taxa de juros aplicado ao capital. No universo das receitas e dos custos, podemos definir o custo de oportunidade como o retorno mínimo que se espera de um investimento, a fim de que seja viável para quem deseje tomá-lo como investimento. Geralmente, o retorno mínimo é calculado ou com base em um percentual do investimento concretizado (ROI); ou com base no patrimônio líquido de uma empresa (ROE). O segundo método costuma ser o mais empregado pelos investidores. Sistema de custeio por meta A globalização acarretou uma concorrência jamais vista no meio empresarial. A máximo do livre mercado tornou os preços suscetíveis à apreensão de todos e de cada consumidor. Para superar os concorrentes diretos – muitas vezes, em questão de poucos centavos –, as grandes marcas estabeleceram diversas estratégias de preço, como são os casos dos preços promocionais, dos preços psicológicos e dos combos econômicos. Quando os preços de venda são formados, existem limites a que as empresas devem obedecer; caso contrário, o seu produto não será absorvido pelos consumidores. Nesses casos, como a gestão de custos pode auxiliar-nos? Por essa via, entramos no assunto desta seção, o sistema de custeio por meta. De acordo com Martins (2010), trata-se de um planejamento dos lucros vindouros, dos preços e dos custos: do preço de venda, tenta-se ao custo por produto. Gestão Estratégica de Custos 21 Outros sistemas de custeio Custeio do ciclo de vida (CCV) Basicamente, é um método que visa à tomada de decisões acertadas nas transações que envolvem aquisição de capital, sobre as quais os aspectos econômicos e sociais podem influenciar grandemente. Tal método promove uma análise das alternativas em termos de competição, baseando-se em dados econômicos, para projetar a melhor conformação de dados que for possível. Custeio-Alvo ou Kaizen É um modelo gerenciamento tanto de lucros quantode custos. Foi desenvolvido no Japão, na década de 1970, e alcançou os países ocidentes em meados da década de 1980. Seu foco está no desenvolvimento de produtos e na alteração de produtos consolidados no mercado, tendo, como objetivo, conceder-lhes uma situação de mercado favorável frente aos concorrentes. Assim, o retorno e o custo associados ao investimento. O custeio-alvo recebe, ainda, as seguintes designações: custeio- meta e target costing. De acordo com Ansari et al. (1997), estes são os principais objetivos do modelo. Figura 6 – Principais objetivos do modelo custeio-alvo de acordo Ansari et al. (1997) Promover uma completa integração entre todos os setores da empresa, visto que, para que o custeio-alvo funcione corretamente, todos os setores da empresa têm que estar em perfeita sintonia a fim de que os esforços para a redução de custos consigam ser plenamente atingidos. Fazer a análise do custo do produto, não apenas no seu estágio de produção, mas no seu ciclo de vida completo, visando que melhorias contínuas sejam apresentadas. Reduzir os custos de novos produtos para que o lucro proposto seja alcançado, mantendo os níveis esperados de qualidade, prazo de entrega, preço e demais itens exigidos pelo mercado. Gestão Estratégica de Custos 22 Planejar estrategicamente os lucros, formulando planos estratégicos de lucros e integrando informação de marketing com fatores de engenharia e de produção. Mudança na visão da formação do preço de venda, na qual o custo não é o fator que determina o preço e sim o contrário. Fonte: Ansari et al. (1997). Três características, consideradas a base do cálculo de preço, do custo máximo permitido e da margem de lucro, são adotadas pelo modelo custeio-alvo: 1. Os custos que costumavam ser decididos pelas empresas se transformaram nos custos que são permitidos pelo mercado – nesse sentido, a questão não é mais quanto um produto custa, mas, sim, quanto deve custar; REFLITA: Para que cheguemos ao preço permitido pelo mercado, devemos subtrair o lucro-alvo do preço de mercado. Assim, obteremos um custo unitário total para um produto de acordo com as possibilidades do mercado. 2. O modelo custeio-alvo funciona como uma ferramenta que mobiliza os diversos setores de uma empresa, intuindo alcançar os custos de mercado; 3. O modelo custeio-alvo pode ser encarado, em longo prazo, tanto como um sistema de planejamento de lucros quanto como um sistema de gestão de custos – sendo assim, direciona-se para o gerenciamento de custos de longo prazo, ao contrário dos sistemas tradicionais, que visam aos custos de curto prazo. Custeio por qualidade Atualmente, é comum depararmos com empresas que mantêm a crença de que podem definir, solitariamente, o preço a ser cobrado dos consumidores por seus produtos. De acordo com essa linha de raciocínio, Gestão Estratégica de Custos 23 a fórmula do preço de venda ainda é esta: custo + margem de lucro = preço de venda. Contrariando essa maneira de pensar, as maiores empresas de todo o mundo demonstraram, com suas ações, que o preço de um produto é designado por quem o consome. Para essas empresas, em vez da fórmula anterior, assume-se esta: preço de venda – custo = lucro. Portanto, para determinar o preço a ser cobrado por seus produtos, a empresará dependerá de pesquisas de mercado e do reconhecimento de consumidores em potencial. Quando o modelo custeio-alvo é aplicado em empresas do primeiro tipo, as dificuldades não demoram a aparecer. Obviamente, acreditar na demarcação tradicional de preços e implementar o modelo custeio-alvo são atitudes contraditórias. Assim que uma empresa adota o modelo custeio-alvo, a diminuição nos custos que resultará desse processo retirará o foco da demarcação de preços dos custos. Em seguida, veremos que a nova forma de compor preços mudará, por um lado, a margem de lucro-alvo e, por outro lado, o preço de venda. Figura 7 – Quando vale o meu produto? X Quanto, de acordo com o mercado, meu produto pode valer? Fonte: Freepik Gestão Estratégica de Custos 24 Talvez, não tenha ficado tão claro, mas existe uma confusão nesse processo: o preço de venda é um fator importante para o custo-alvo, embora seja o foco da determinação de preços com base em custos. Por isso, anteriormente, criticamos a combinação desses métodos. O mecanismo responsável por decidir a alocação de recursos, com a meta de compatibilizar os interesses de empresários e de consumidores, é chamado de sistema de preços. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir algo do que vimos. Você deve ter entendido os sistemas de custeio e sua aplicação. Gestão Estratégica de Custos 25 Tomada de decisão por análise de custos OBJETIVO: Conforme os indicadores de custos evoluíram, as informações obtidas a partir desses dados se tornaram uma fonte de decisões reconhecida por gestores. Para Martins (2010), em um mercado competitivo como o nosso é, as informações sobre custos se transformaram em pontos estratégicos para as empresas. Inevitavelmente, conforme as informações sobre custos se consolidaram como fortes apoiadoras das decisões dos gestores, surgiu a necessidade de que os métodos de custeio de orientação mais tradicional fossem adaptados à nova realidade. Por detrás disso, está a inequívoca constatação de que a informação contábil, quando tem somente fins gerenciais, não tem a obrigação de se reduzir aos métodos de custeio do tipo atendimento de normas, do tipo princípios e do tipo pronunciamentos. REFLITA: Um dos métodos de custeio mais úteis, por possibilitar a análise de informações financeiras e por, assim, fornecer as informações devidas para o planejamento e para a tomada de decisão, é o custo variável. Segundo Crepaldi (2010), uma das vantagens mais importantes que o custeio variável nos agrega é a simplicidade no cálculo dos custos, visto que não há alocação de custos fixos. Por sua vez, uma segunda geração do custeio variável mantém o seu enfoque em atividades que visam à produção de informações sobre custos que subsidiem as decisões empresariais e ao gerenciamento de custos. Conforme a adaptação se deu, novos métodos de custeios, considerados mais eficientes quanto ao planejamento e à tomada de decisões, veio à tona. Contudo, para a Contabilidade Financeira, esses métodos não são considerados seguros, uma vez que não incorporam os seus princípios. Gestão Estratégica de Custos 26 No século XVIII, quando as sementes da Revolução Industrial eram plantadas, a Contabilidade de Custos se mostrou como uma solução para empresas. Como sabemos, a sua primeira função foi a de mensurar os custos dos estoques. A fim de que isso se tornasse real, a área englobou muitos dos princípios da Contabilidade Financeira, os quais, na época, preocupavam-se bastante com os usuários externos das informações contábeis. E quanto aos usuários internos? Como a informação de custos evoluiu e se tornou disponível para esses usuários? Com o crescimento dos níveis de globalização, houve um aumento no tamanho e na concorrência dos mercados. Em decorrência disso, a informação contábil se tornou preciosa, transformando a Contabilidade de Custos em uma área estratégica, ainda que se mantenha ligada à Contabilidade Financeira. Do RKW ao ABC O século XX assistiu ao começo das eras científicas da Contabilidade e da Gestão de Custos. Nesse sentido, podemos apontar o aparecimento exponencial de métodos passíveis de serem aplicados no contexto de empresas muito distintas, sem quaisquer adaptações necessárias. De acordo com Martins (2010), o primeiro método de custeio a ser adotado globalmente foi o RKW, que é a sigla da expressão alemã Reichskuratoriumfür Wirtschaftlichtkeit. Tendo sido formulado logo no iníciodo século XX, defende a distribuição dos custos de produção e das despesas das empresas por todos os produtos fabricados e vendidos. O método RKW foi o primeiro a considerar a ideia de distribuição/ rateio de custos. Gradualmente, foi substituído por técnicas mais eficientes, como o custeio por absorção e o ABC), embora seja mantido, até hoje, por várias empresas, sobretudo na Alemanha. O método RKW passou a ser questionado após a Segunda Guerra Mundial, sobretudo por empresas estadunidenses. O motivo das queixas era a dificuldade inerente à sua implantação e à sua operacionalização. Desse modo, origina-se a procura por métodos de mensuração de custos mais simples. Então, dois grandes métodos se fizeram conhecidos das Gestão Estratégica de Custos 27 empresas: o custeio por absorção, que se vale da apropriação de todos os custos de produção de um bem – apenas esses; e o custeio variável, que assume que o custo de produção de qualquer produto envolve apenas os custos variáveis – as despesas variáveis entrariam no cálculo posteriormente, apenas para fins de tomada de decisão. O critério adotado pelo custeio variável é compatível com análises gerenciais– relação custo/volume/ lucro –, visto que, por um lado, especifica inúmeros pontos de equilíbrio; e, por outro, desburocratiza a decisão sobre a composição do mix de produção. Apesar de serem apreciados em suas primeiras décadas, ambos os métodos passam a receber duras críticas a partir das décadas de 1980 e de 1990. O alvo era a simplicidade de seus procedimentos, que acarretaria certa perda de informações. Então, despontou o modelo de custeio baseado em atividades, também conhecido como ABC. Hansen e Mowen (2001), Martins (2010) e outros autores o tomam como um método capaz de rastrear todos os custos associados a um negócio, averiguando como são mobilizados tanto para a geração de receitas quanto para o consumo de recursos. Seu passo inicial é acumular os custos indiretos de cada atividade produtiva e, em seguida, distribui-os pelos elementos que ensejam tais custos. IMPORTANTE: O custeio ABC consiste em uma versão aperfeiçoada do custeio por absorção. Nesse sentido, é uma ferramenta que, com base na análise das atividades de uma empresa, exibe, da melhor forma que for possível, os custos e o modo como se ligam com os produtos. Para implementar o ABC, devemos, antes de tudo, indicar as atividades mais relevantes de cada setor; e os direcionadores de recursos, que serão responsáveis por ratear os custos incorridos entre as atividades. Todavia, o custeio ABC diverge do custeio por absorção em um ponto fundamental: a maneira como os custos se acumulam. Enquanto o ABC visa aos recursos e entende que as atividades produtivas geram Gestão Estratégica de Custos 28 os custos, o custeio por absorção defende que os produtos são os verdadeiros causadores de custos, ignorando as atividades produtivas da empresa. O custeio baseado em atividades é o único método atual que admite que as despesas operacionais, que são custos não produtivos, sejam rateadas entre as atividades, na hipótese de bons direcionadores de custos serem identificados. Em consequência disso, o método distribui a maior quantidade de itens que conseguir em prol do custo final do produto. Logo, é, também, o único em que a fórmula de margem de lucro tradicional é utilizada. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir algo do que vimos. Você deve ter compreendido como aplicar os indicadores de custo em tomadas de decisão. Gestão Estratégica de Custos 29 Gestão de custos nas organizações OBJETIVO: No âmbito das diversas empresas, a gestão de custos pode ser investigada por muitos meios e com auxílio de diferentes áreas do conhecimento. Os principais focos das pesquisas sobre gestão de custos tendem a ser, dentre outros, formação de preços, rentabilidade, lucratividade, controle e gestão. Devido às próprias especificidades, cada área de conhecimento lidará com a gestão de custos à sua maneira, mas todas frisam a importância da gestão organizacional. Importância da gestão de custos A concorrência que caracteriza a economia de mercado não se circunscreve a fronteiras geográficas e tem incentivado que as empresas se adequem à nova ordem econômica. Conforme discutimos anteriormente, a informação, em nossos tempos, converteu-se em comodity. Atualmente, administrar e organizar representam imensos desafios para os gestores, devido, sobretudo, à competição fortíssima que se observa nesse contexto. Costumeiramente, as empresas enfrentam pressões externas que afetam suas atividades e suas decisões. Em vista de tudo isso, um auxílio especializado para a tomada de decisões se tornou premente, a fim de que todos os parâmetros da empresa foquem a ampliação dos resultados positivos e, em consequência, alargando o patrimônio da empresa e dos seus sócios. A maneira como os custos se comportam serve a diversos propósitos do gestor. Como exemplos, podemos afirmar que determinar a maneira como os custos se comportam dotará os gerentes da capacidade de analisar as variações no volume de produção e de venda e, pois, no índice de lucratividade da sua empresa. Gestão Estratégica de Custos 30 Figura 8 – Economia de mercado Fonte: Freepik Quer por exigências legais, quer por exigências dos processos gerenciais, a Contabilidade faz parte do mundo econômico. Seu método é empregar eventos financeiros passados para obter informações que possam sustentar as decisões dos gestores empresariais. Tradicionalmente, os sistemas da área de contabilidade adotam um processo contábil baseado nos seguintes procedimentos: identificação, mensuração, acumulação, análise, preparação, interpretação e comunicação dos relatórios para os usuários interessados, tanto os internos quanto os externos às empresas. Duas áreas formam a Contabilidade: por um lado, há a Contabilidade Financeira, cujo foco está nos usuários externos às organizações; e, por outro lado, existe a Contabilidade Gerencial, cujo foco está nas decisões dos gestores e nas diversas funções de planejamento. No âmbito da Contabilidade Gerencial, temos, ainda, a Contabilidade de Custos, cujo foco está na criação de informações com base em dados sobre custos. As empresas industriais, que, de uma maneira geral, agregam inúmeros processos entre a aquisição de matéria-prima e o acabamento Gestão Estratégica de Custos 31 do produto. Nesses casos, a mensuração dos custos de fabricação reunirá o custo das matérias-primas e todos os demais custos associados à sua conversão em produtos com valor de mercado. Normalmente, tais custos são fixos e tendem a ter uma fatia maior de participação na estrutura de custos da organização. Por esse motivo, o sistema de gestão de custos das empresas deve operar em harmonia com os demais sistemas. Uma forma eficiente de fazer isso é adoção de um banco de dados integrado, alimentando o sistema de custos com informações que sustentem a decisão do gestor. Um sistema automatizado como esse não é exclusividade de grandes empresas; ao contrário, está ao alcance de todos os tipos de empresas. Observemos que todas as empresas, independentemente do seu porte e do seu segmento, lidarão com uma gama ampla de informações, dependendo da coleta e do processamento de dados, os quais são consolidados em relatórios contábeis. Por sua vez, os relatórios contábeis devem conter todas as informações de que o gestor necessitará para embasar as suas decisões, seja na fase de planejamento, seja na execução de decisões diárias, seja após as ações terem sido implementadas, com o reconhecimento dos pontos fortes e dos pontos fracos da empresa. Conforme as informações sobre custos passaram a ser demandadas pelos gestores, sobretudoos das empresas que adotam tecnologias muito avançadas, começou-se a utilizar sistemas de gestão chamados Enterprise Resource Planning Empreendiment – em português, Planejamento dos Recursos do Empreendimento –, os quais integram e centralizam as atividades e as necessidades das estruturas organizacionais das empresas. O emprego de um sistema ERP que atenda às necessidades de uma empresa – por exemplo, que atenda à maneira como seus produtos são fabricados e vendidos – é um passo de que deve ser analisado com muito cuidado: ao mesmo tempo, o sistema escolhido deve ater- se, concomitante, a como os custos são acumulados, ao seu próprio funcionamento e ao método de custeio implementado. Gestão Estratégica de Custos 32 No caso de acertamos na adoção dos sistemas, poderemos, ainda, enfrentar problemas com a gestão empresarial, que pode preferir as suas práticas às do novo sistema. Erroneamente, as empresas costumam acreditar que um sistema integrado, sem auxílio, origina tudo o que estiver implicado na análise de custos e na tomada de decisões. Os benefícios de um sistema de informações integrado que seja eficiente são notáveis: veremos a duração dos processos reduzir-se, e a produtividade da organização aumentar-se. Em consequência, as avaliações de desempenho poderão ser feitas com mais acurácia e em menor tempo, reservando uma folga as decisões do gestor. Quando houver a admissão de um sistema de informações integrado, mormente se a empresa estiver acostumada a utilizar outro sistema, não haverá como evitar problemas no período de conformação à dinâmica nova. Isso pode durar algum e resultar em improdutividade. Para evitar que os colaboradores se desanimem quanto ao sistema de informações integrado e aos rumos que a empresa decidiu tomar, os gestores devem ser transparentes em relação a tudo o que for proposto. Os sistemas de custos são muito semelhantes aos sistemas de informações integrados no que tange à sua implementação. Possivelmente, observaremos o comportamento dos nossos colaboradores modificar-se, criando uma espécie de barreira ao novo grau de controle que o sistema nos concede. Novamente, o que pode fazer, no papel de um gestor, é ser transparente quanto as propostas de curto, de médio e de longo prazo. A Gestão de Custos na prática Sabemos que um sistema de custos tem a capacidade de agregar benefícios relevantes para as empresas, uma vez que tem a possibilidade de aprimorar as decisões dos gestores. Se falamos em gestão de custos no âmbito de uma empresa qualquer, trataremos, certamente, de todas as atividades que envolvam coleta de dados e fornecimento de informações que subjazam às decisões de todos os níveis. Gestão Estratégica de Custos 33 Por experimentarmos um cenário de competição muito agressiva, a importância da gestão de custos cresce, a cada dia, como uma solução para que as empresas se mantenham no mercado econômico. Assim que obtiver, concretamente, os valores de seus custos, o gerenciamento dessas informações poderá ser operacionalizado por meio de sistemas e de métodos de custeios, com a condição de que respeitem as características da empresa. Respeitar as características da empresa é importante porque o pode ser relevante para uma empresa não o será para outra. Sendo assim, estudar gestão de custos depende, por um lado, de conceitos fundamentais da área; e, por outro, de terminologia de custos e de sistemas de informações capazes de processar essa combinação. Devido ao fato de que as empresas devem tomar decisões seguras, a sua Contabilidade de Custos deve priorizar o aspecto gerencial e fundamentar-se de maneira sólida, com a finalidade de orientar as decisões dos gestores. Os dados gerenciais são fundamentais, pois, a todo momento, situações nas quais estão envolvidos aspectos como a rentabilidade de produtos e clientes, a entrada em novos mercados, a extinção ou o aumento de linhas de produtos e serviços e mudança de mix exigem informações adequadas e oportunas, sobretudo as de custo. Figura 9 – Capital Fonte: Pixabay Gestão Estratégica de Custos 34 Custo por Controle Muitos fatores condicionam o bom desempenho de uma empresa. Desses, podemos citar a constante supervisão dos custos, o que é essencial para quaisquer empresas despeito de seu porte e de seu segmento. Certamente, o nicho de mercado em que a empresa atuará e a sua imagem frente ao mercado serão aspectos que ou a destacarão ou a camuflarão. Logo, é necessário que o gerenciamento de custos analise a empresa integralmente, ao mesmo tempo em que dedica a devida atenção às suas menores partes. Por intermédio de uma análise como essa, seremos capazes de julgar se os métodos adotados para atingir os objetivos da empresa são, de fato, rentáveis; e se a sua situação financeira é sólida. De forma geral, os custos das empresas são classificados em fixos e em variáveis, chamados, também, de custos direitos e indiretos. A estrutura de custos de uma empresa deve saber diferenciar os dois tipos de custos, pensando, sempre, em manter as receitas em progressivo aumento. Nesse sentido, a Contabilidade de Custos processa todas as informações de aquisição e de consumo de recursos de uma empresa, entregando seus resultados à Contabilidade Financeira e à Contabilidade Gerencial. Faz parte da rotina dos contabilistas de custos cuidar, a todo momento, dos processos produtivos e do aprimoramento dos produtos, visando, por outro, reduzir custos. Para que realizem seu trabalho a contento, os contabilistas dependem de medidas de controle de custos eficientes, as quais precisam ser planejadas com foco nas metas organizacionais. Na maioria dos casos, as medidas de controle se preocuparão com três elementos: com a definição correta do custo dos produtos; com a comparação dos custos prospectados com os custos reais; e com a definição dos custos de cada etapa produtiva. Gestão Estratégica de Custos 35 Custo por Planejamento Juntamente com o controle de custos, as empresas devem focar o planejamento empresarial. Isso acontece porque, hoje em dia, a concorrência regula as relações empresariais. Investimentos em marketing, em produção e em outros setores costumam ser realizados, a fim de a empresa aumente a sua fatia de mercado e, ainda, que adentre mercados novos. Ademais, segundo Mentzer e Moon (2005), as empresas têm de resistir a pressões econômicas oriundas dos contextos da macroeconômico e microeconômico. Nos dois casos, o da concorrência e o das pressões econômicas, temos um panorama dúbio: as situações são saudáveis, na medida em que estimulam a dinamicidade das empresas, mas, ao mesmo tempo, representam desafios para as etapas de planejamento empresarial, afetando o equilíbrio entre projeção e realização de vendas. A variação entre o que se prospecta e o que se consolida variam conforme o porte for o porte e o segmento da empresa, afetando, principalmente, os setores de produção e de finanças. Na maioria das vezes, as oscilações descendem dos métodos utilizados na previsão e vendas, que podem ser ineficientes frente ao contexto da empresa. Quando as previsões são de médio e de longo prazos, isso pode piorar sensivelmente. Atualmente, o gestor deve manter uma atenção sobrenatural ao seu negócio, tentando antecipar os riscos a que está sujeito. Isso decorre de vários fatores associados à globalização: dentre outros, a evolução tecnológica, os mercados de amplitude mundial, a produção massiva de bens e a competição intranacional e internacional. Isso significa, basicamente, que o gestor deve ser um exímio estrategista. A missão e continuidade – que são, respectivamente, o objetivo determinado e o objetivo natural de uma empresa – devem ser buscadas continuamente, visto que se originam de um planejamento anterior a qualquer outro. Sendo assim, na nossa acepção, planejamento é determinas objetivose meios por meio do qual atingi-los. Gestão Estratégica de Custos 36 RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir algo do que vimos. Você deve ter compreendido como aplicar as técnicas de gestão de custos nas organizações. Gestão Estratégica de Custos 37 REFERÊNCIAS HANSEN, D. R.; MOWEN, M. M. Gestão de Custos. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2001. IFRAH, G. Os Números: a história de uma grande invenção. Rio de Janeiro: Globo, 1989. MARTINS, E. Contabilidade de Custos. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2010. MENTZER, J. T.; MOON, M. A. Sales Forecasting Management: a demand management approach. Thousand Oaks, CA: Sage Publications, 2005. SING, S. O Último Teorema de Fermat. São Paulo: Record, 2008. SANTOS, J. L. dos; SCHMIDT, P. História da Contabilidade: foco na evolução das escolas do pensamento contábil. São Paulo: Atlas, 2008. Gestão Estratégica de Custos Aplicabilidade da contabilidade de custos Contabilidade de Custos Eras Mercantilista e Industrial A terminologia da Contabilidade de Custos Custos de Absorção Tipos de custos Custos primários Custos de transformação Custo fixo Custo variável Custo direto Custo indireto Sistemas de custeio Sistema de custeio por oportunidade Sistema de custeio por meta Outros sistemas de custeio Custeio do ciclo de vida (CCV) Custeio-Alvo ou Kaizen Custeio por qualidade Tomada de decisão por análise de custos Do RKW ao ABC Gestão de custos nas organizações Importância da gestão de custos A Gestão de Custos na prática Custo por Controle Custo por Planejamento