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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO
CURSO DE LICENCIATURA EM CIÊNCIAS SOCIAIS
SÂMARA ALMEIDA BARROS
1ª AVALIAÇÃO: CIÊNCIA POLÍTICA III.
SÃO LUIS
2025
SÂMARA ALMEIDA BARROS
1ª AVALIAÇÃO: CIÊNCIA POLÍTICA III.
Avaliação para obtenção de primeira nota na disciplina de Ciência Política III.
Docente: Dra. Isis Oliveira Bastos Matos.
SÃO LUIS
2025
1. Considerando a gênese conflituosa e a manutenção dos resquícios policêntricos na constituição do Estado Moderno disserte sobre como a forma Estado estrutura e/ou mantém desigualdades do atributo Poder.
A formação do Estado Moderno foi marcada por diversas lutas de poder e a formação de centros de autoridade, o que culminou em uma estrutura que perpetua desigualdades. O objetivo sempre foi a centralização do poder, onde classes dominantes como a nobreza e burguesia, buscavam aumentar seus lucros e privilégios, além de manter a servidão e fortalecer o seu poder, marginalizando vozes e grupos, favorecendo apenas as elites, mas sempre com a justificativa de um bem comum. Desta forma, o modelo de organização do Estado, contribui diretamente para a manutenção de hierarquias sociais e econômicas onde reforçam as desigualdades e o exercício do poder. Weber define o Estado como uma “relação de dominação de homens sobre homens” sustentada pelo monopólio legítimo da força, implicando desta forma que o Estado não é uma entidade abstrata, mas sim um conjunto de ações e relações sociais entre indivíduos, tornando assim de fundamental importância a legitimidade da dominação para sua subsistência, garantindo assim a aceitação e reconhecimento da autoridade pela população. A concentração de poder no Estado, que possui como princípios a Laicidade, a territorialidade, obrigação política e progressiva impessoalidade, contribui para as desigualdades, ao restringir as decisões a um número reduzido de indivíduos, muitas vezes pertencentes a elites econômicas e políticas. Como consequência, as políticas elaboradas tendem a favorecer os interesses desses grupos privilegiados, negligenciando as necessidades e os anseios das comunidades marginalizadas. Adicionalmente, essa centralização torna mais difícil a participação democrática e o acesso ao poder, consolidando as hierarquias sociais e econômicas já estabelecidas, pois negligencia as necessidades e interesses das minorias, o que limita recursos e acessos para grupos menos favorecidos.
2. Considerando os sucessivos processos de modernização da categoria Estado, explique a partir da literatura sugerida, de que forma estes processos de modernização estão relacionados com os processos de expansão capitalista.
A modernização do Estado, caracterizada pela burocratização e pela racionalização das funções administrativas, promove a separação entre os trabalhadores e os meios de produção, criando desta forma um ambiente institucional que favorece a eficiência econômica e a estabilidade necessária para o crescimento capitalista assegurando de fato,  uma gestão mais eficiente e impessoal assim reduzindo a influência de interesses privados nas decisões públicas, além de ser essencial para regular as relações de mercado um dos fatores cruciais para a expansão do capitalismo. Garantindo que os administradores atuem com base em normas e procedimentos racionais, a modernização cria um ambiente propício para o desenvolvimento econômico e a expansão capitalista.
Por outro lado, a expansão capitalista gera a necessidade de um Estado forte e eficiente, capaz de regular as atividades econômicas, garantir a concorrência leal e intervir em crises econômicas, o que, por sua vez, legitima e fortalece a autoridade estatal. Assim, enquanto o Estado moderno fornece a infraestrutura legal e institucional necessária para o crescimento econômico, a prosperidade do capitalismo, em contrapartida, sustenta a continuidade e a evolução das instituições estatais, criando um ciclo de reforço mútuo que impulsiona tanto a política quanto a economia.
Desta forma a evolução do Estado moderno e a expansão capitalista se reforçam mutuamente com o Estado, proporcionando as condições necessárias para o desenvolvimento econômico e, por sua vez, beneficiando-se da prosperidade gerada pelo capitalismo.
3. Nos termos weberianos, defina o papel desempenhado pela Burocracia no exercício da Dominação (i) e diferencie as atuações do dirigente político/econômico e especialista/técnico/burocrata (ii)
Sob a ótica weberiana, a burocracia se configura como um elemento essencial para a prática da dominação, já que proporciona uma estrutura administrativa que é racional e impessoal, garantindo a efetiva aplicação das ordens e políticas estatais. Esse sistema burocrático funciona conforme regras e procedimentos pré-definidos, o que promove a previsibilidade e a permanência da administração, além de reforçar a legitimidade dos líderes, que atuam com base em normas objetivas.
Assim, a burocracia não apenas facilita a realização da dominação por parte do Estado, mas também desempenha um papel crucial na preservação da legitimidade do sistema, visto que sua eficiência e imparcialidade são vistas como fundamentais para a confiança que a população deposita na autoridade governamental. Dirigentes e especialistas desenvolvem um papel crucial para a burocracia, onde o Dirigente/político/econômico, atua com foco em obter resultados e maximizar a eficiência, é responsável por tomar decisões estratégicas visando o sucesso da organização ou do Estado, influenciado diretamente por interesses e objetivos específicos. Já o especialista/técnico/burocrata, segue regras e procedimentos estabelecidos aplicando seus conhecimentos técnicos para executar tarefas específicas, assegurando que as diretrizes dos dirigentes sejam cumpridas de maneira eficiente e impessoal.
Resumidamente, enquanto o dirigente busca inovação e adaptação para alcançar metas, o especialista se concentra em manter a ordem administrativa, refletindo uma clara distinção entre liderança e execução.
4. “É preciso abolir o Estado”. Considerando a argumentação marxista, explique (i) quais as etapas para a dissolução do Estado, apontando argumentos concorrentes e contraditórios e (ii) explique qual/quais as alternativas contemporâneas de transformação da ordem capitalista considerando que o Estado não possui potencial transformador em si.
Na visão Marxista o Estado existe, como uma manifestação de interesses econômicos que prioriza a elite, um meio de dominação de classes dominantes sobre as classes subalternas o que culmina em uma desigualdade social e acredita ser necessária sua abolição por se basear em objetivos contrários à classe trabalhadora. Para Marx o Estado precisa passar por algumas etapas para sua dissolução, a primeira se trata da Revolução, em que a classe trabalhadora levanta-se contra a burguesia visando derrubar o sistema capitalista, buscando abolir a propriedade privada dos meios de produção e estabelecer uma sociedade sem classes. Após a revolução, estabelece-se, como uma forma de transição a Ditadura do proletariado, um Estado temporário que visa proteger os interesses da classe trabalhadora, reprimir a resistência da burguesia e implementar as transformações sociais necessárias. Em sua etapa final, a Dissolução do Estado com a eliminação das classes sociais e a plena realização do comunismo, o estado que é visto como um instrumento de dominação de classe, se tornaria irrelevante e portanto, se dissolveria, dando lugar a uma sociedade gerida por si.
A ideia da dissolução do Estado levanta questionamentos ao se analisar historicamente, regimes que se autodenominam socialistas, e tornaram-se autoritários, a exemplo da União Soviética, visto que contraria a visão marxista onde a sociedade é totalmente livre e igualitária. Essa tensão entre a necessidade de um estado temporário para a transição e o resultado final de sua completa dissolução gera inconsistências sobre a eficácia e moralidade que envolvem as etapas propostas por Marx. A ideia de uma “ditadura do proletariado” poderia levara um resultado contrário, como a centralização de poder e a perpetuação do Estado, assim indo contra a proposta de sua dissolução.
Algumas formas de transformação da ordem capitalista seriam: Ampliando a participação cidadã, para a construção de uma democracia mais direta, promovendo a colaboração entre classes, pois dessa forma desafiaria a dominação da burguesia resultando em significativas mudanças sociais. Outra forma seriam iniciativas que priorizam a sustentabilidade ambiental e a justiça social, promovendo formas de economia que desafiam os modelos capitalistas tradicionais com práticas de consumo consciente fruto de uma ação coletiva instigando a reestruturação das relações sociais.

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