Logo Passei Direto
Buscar

AULA 06 - TEORIA DAS FINANÇAS PÚBLICAS

Ferramentas de estudo

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

1 
 
Finanças Públicas: objetivos e relevância 
O que são finanças públicas? 
 
Finanças públicas é um campo da administração e gestão pública voltado 
para questões relacionadas à economia, despesas, investimentos e outros 
tipos de uso de recursos financeiros do país, estado ou município. 
 
Assim como uma pessoa tem a sua gestão financeira, da sua família ou 
pessoal, a administração pública também tem. Ou seja, as finanças 
públicas constituem tudo o que engloba a administração dos recursos 
financeiros públicos em diferentes contextos: escolas públicas, tribunais, 
poderes públicos e tantos outros entes que compõem a gestão pública. 
 
Conceito de finanças públicas 
 
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as finanças 
públicas podem ser definidas como: 
Compreende as informações sobre execução orçamentária das 
administrações públicas federal, estadual e municipal e resultados das 
empresas públicas, abrangendo detalhamento de contas de receita e 
despesa, fluxos de caixa, ativo e passivo, entre outros aspectos. 
 
Finanças públicas na constituição de 1988 
 
Na Constituição Federal de 1988 o principal tópico sobre finanças públicas 
é o artigo 163. Nesse campo, fica estabelecido os principais pontos que 
envolvem as finanças públicas e também a função dos entes públicos: 
 
2 
 
Art. 163-A. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios 
disponibilizarão suas informações e dados contábeis, orçamentários e 
fiscais, conforme periodicidade, formato e sistema estabelecidos pelo órgão 
central de contabilidade da União, de forma a garantir a rastreabilidade, a 
comparabilidade e a publicidade dos dados coletados, os quais deverão ser 
divulgados em meio eletrônico de amplo acesso público. 
 
Objetivo das finanças públicas 
 
Segundo o Tribunal de Contas da União (TCU), o principal objetivo das 
finanças públicas é: 
 
controlar a trajetória da dívida soberana, retomar a confiança dos agentes 
econômicos e permitir o financiamento adequado das diversas políticas 
públicas de interesse nacional. 
 
Princípios das finanças públicas 
 
Os princípios das finanças públicas seguem a mesma linha dos princípios da 
gestão pública, afinal, estão intimamente relacionados. Tudo para garantir 
uma gestão financeira eficiente e legal: 
• Legalidade 
• Impessoalidade 
• Moralidade 
• Publicidade 
• Eficiência 
 
Finanças públicas e orçamento 
A principal diferença entre finanças públicas e orçamento é a seguinte: 
3 
 
• Orçamento Público: constitui a organização de despesas e receitas 
referente a um determinado órgão ou projeto; 
• Finanças Públicas: representa todo o conjunto de ferramentas, 
movimentações e recursos que compõem o dinheiro público. 
 
Como as finanças públicas impactam a economia? 
 
As finanças públicas desempenham um papel central na economia de 
qualquer país, influenciando diretamente o desenvolvimento econômico, o 
nível de emprego, a distribuição de renda e a estabilidade financeira. Através 
das finanças públicas, o governo pode estimular ou desacelerar o 
crescimento econômico, conforme necessário, utilizando políticas fiscais, 
como o aumento ou a redução de impostos e o controle de gastos. 
 
Legislação de finanças públicas 
As principais leis e normas referentes a finanças públicas são: 
• Lei no 4.320, de 17 de Março de 1964. Estatui Normas Gerais de 
Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e 
balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. 
• A Lei Complementar nº 101/2000, também conhecida como Lei de 
Responsabilidade Fiscal (LRF), é um importante marco das finanças 
públicas brasileiras. Em linhas gerais, ela determina formas de 
prevenção e correção de situações que comprometem o equilíbrio das 
contas públicas. 
• Constituição Federal de 1988, Título VI, da Tributação e do 
Orçamento, Capítulo II, das Finanças Públicas, Seção I, Normas 
Gerais. 
• Lei Orçamentária Anual; 
• Plano Plurianual; 
4 
 
• Lei de Diretrizes Orçamentárias; 
• Normas Internacionais de Contabilidade do Setor Público. 
 
Crimes contra as finanças públicas 
 
Alguns crimes contra as finanças públicas são: 
• Sonegação de imposto; 
• Lavagem de dinheiro; 
• Suborno; 
• Corrupção e desvio de dinheiro; 
• Falsificação de documentos financeiros e outros. 
 
Quem administra as finanças públicas? 
 
Os principais administradores das finanças públicas são as próprias 
instituições que possuem recursos financeiros a serem geridos. Ou seja, 
fica a cargo dos gestores públicos das respectivas instituições públicas a 
gestão do dinheiro, sempre seguindo a legislação e os princípios da 
administração pública. 
 
Quais são os instrumentos de finanças públicas? 
 
Os principais instrumentos de finanças públicas são: 
• Orçamento público; 
• Tributação e impostos; 
• Política fiscal; 
• Emissão de títulos públicos; 
• Subsídios; 
• Controle do déficit público, e afins. 
5 
 
Como o governo arrecada e gasta recursos nas finanças públicas? 
 
O governo arrecada recursos principalmente por meio de impostos, 
contribuições sociais, taxas, multas e dividendos de empresas estatais. 
 
No Brasil, por exemplo, há uma ampla variedade de tributos, como o 
Imposto de Renda (IR), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), 
Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), entre outros. 
 
Em relação aos gastos, os recursos são aplicados em serviços essenciais para 
a sociedade, como saúde, educação, segurança pública e infraestrutura. Além 
disso, os gastos também podem ser direcionados para investimentos 
estratégicos em setores que promovem o crescimento econômico, como 
ciência, tecnologia e transportes. 
 
Quem controla as finanças públicas? 
 
Apesar dos gestores públicos serem responsáveis por administrar as finanças 
públicas, é preciso fiscalizar. Nesse caso existem o Tribunal de Contas da 
União (TCU) e os Tribunais de Contas do Estado (TCEs) que buscam 
julgar casos de irregularidades na gestão das finanças públicas. 
 
Os profissionais responsáveis por isso são os Auditores e Analistas de 
Finanças Públicas. Trata-se de servidores capacitados à respeito de todos os 
campos relacionados ao uso de dinheiros públicos, irregularidades e outros 
tipos de questões relacionadas a controle e fiscalização 
 
Quais são os principais desafios das finanças públicas no Brasil? 
Os principais desafios das finanças públicas no Brasil são: 
6 
 
• Controle e fiscalização; 
• Conformidade legal; 
• Combate a corrupção; 
• Distribuição de recursos; 
• Transparência; 
• Priorização de investimentos, e afins. 
 
Qual é a importância das finanças públicas? 
 
A importância das finanças públicas se dá justamente no seu principal 
objetivo: garantir a eficiência, transparência e legalidade do uso de dinheiro 
público. Tudo para que o país funcione de forma saudável, sustentável 
financeiramente e defendendo o interesse público. 
 
É através do dinheiro público que uma série de benefícios e instituições 
funcionam atendendo a população. Além disso, é a partir das finanças 
públicas que se desenvolvem e executam uma série de projetos inovadores 
que buscam modernizar e desenvolver a nação. 
 
Atividade Financeira do Estado 
 
Antes de adentrarmos em seu embasamento constitucional, precisamos 
conhecer o conceito de Atividade Financeira do Estado – AFE, que, por 
sua vez, ENGLOBA 4 elementos que estão intimamente ligados: 
1 – obter Receita Pública (orçamentária); 
2 – criar o Crédito Público (empréstimo público); 
3 – gerenciar ou gerir o Orçamento Público (LOA – Lei Orçamentária 
Anual); 
7 
 
4 – despender Recursos (Gastar) – Executar a Despesa Pública 
(orçamentária). 
 
 
ATENÇÃO: 
Cuidado para não fazer confusão. Note que uma coisa é a atividade 
financeira do Estado (obtenção de receita, realização da despesa e gestão do 
orçamentoe da dívida pública) que é responsabilidade do DIREITO 
FINANCEIRO. Outra coisa é atividade econômica do Estado (controle e 
regulação da atividade econômica, atuação como produtor de bens e 
serviços, realização de concessões etc.) que é responsabilidade do DIREITO 
ECONÔMICO. 
Nota: Direito Financeiro é o ramo do Direito Público que disciplina a 
atividade financeira do estado. 
 
1 – O Estado, na realização da atividade financeira, tem como objetivo obter 
recursos (RECEITA PÚBLICA) para poder despendê-los (DESPESA 
PÚBLICA) na aplicação de seus fins. 
 
2 – Além disso, nem sempre os recursos obtidos são suficientes, por isso o 
Estado precisa criá-los (CRÉDITO PÚBLICO) para que sejam capazes de 
atender todos os dispêndios. 
8 
 
3 – Por fim, toda essa atividade deve ser gerenciada (ORÇAMENTO 
PÚBLICO). 
 
 
 
Para melhor visualização da Atividade Financeira do Estado, veja: 
 
 
 
 
9 
 
Política orçamentária 
 
A política orçamentária é aplicada através do planejamento feito pelo 
governo, de acordo com a sua capacidade, colocando à disposição da 
sociedade os recursos, através dos seus representantes no Senado Federal. 
Conforme definição de Baleeiro (1995, p. 8), a atividade financeira divide-
se em quatro atividades: 
• como obter a receita; 
• como criar crédito; 
• como gerir orçamento público; 
• como despender despesa. 
 
Nem todas as receitas públicas podem ser consideradas movimento de 
fundos, pois estão condicionadas à devolução, quando apenas estão em 
trânsito nos cofres do governo. Podemos citar alguns movimentos de fundos: 
• movimento de caixas; 
• empréstimo ao tesouro; 
• restituições de empréstimos; 
• caução, fiança e depósito; 
• indenizações de direito civil. 
 
Deodato (1973, p. 270) define a receita pública como “o capital arrecadado 
do povo coercitivamente, tomando por empréstimo (no caso, empréstimo 
compulsório) ou produzido pela renda dos bens ou pela sua atividade de que 
o Estado dispõe para fazer face às defesas públicas”. 
 
Observações: Movimento de fundos: ingressos que não alteram o patrimônio 
em sua totalidade. 
10 
 
Caução: depósito efetuado para garantir obrigações futuras (contratos 
continuados). Indenização de direito civil: ressarcimento para compensação 
de danos causados ao Estado. Fonte: Finanças Públicas – Maria Thereza 
Lopes Leite e Jairo da Matta 
 
Classificação da receita 
 
A classificação da receita pública tem como base a ação de regularidade e de 
obrigatoriedade, como: receita extraordinária e receita ordinária. 
 
• Receita extraordinária: sem regularidade na arrecadação. Podemos 
citar, como exemplo, os impostos decretados anormais ou 
esporadicamente, criados em tempo de guerra, provendo de fontes 
acidentais. São exemplos as alienações de bens e operações de crédito. 
 
• Receitas ordinárias: as que regularmente entram nos cofres públicos e 
provêm de fontes permanentes, como exemplos de tributos. 
A obrigatoriedade do ingresso está dividida em: receitas originárias e 
receitas derivadas. 
 
• Receita originária: deriva de empresas privadas de direitos públicos, 
em que as rendas são oriundas dos bens e de empresas comerciais e 
industriais do Estado, saindo do próprio setor público e do patrimônio, 
sendo que o preço corresponde à obtenção de receita original. 
Receita Originária: oriunda da atividade atípica do Estado. Serviços 
não-essenciais. Pode ser: 
• patrimonial (administração do próprio patrimônio – alugueis, 
alienação de bens; 
11 
 
• empresarial (atuação no domínio econômico, por meio das 
Empresas Públicas, Sociedades de Economia Mista, conforme art. 
173, CF, preço público ou tarifa. 
 
• Receita derivada: economia pública de direito público. Renda 
oriunda de arrecadação que o Estado faz no setor privado. A derivação 
da receita é formada pelos tributos. Ex: taxas de iluminação pública, 
do lixo. 
 Espécies: Penalidades pecuniárias (multas), Reparações de Guerra, 
Receitas creditícias ou impróprias, Tributos: objeto do estudo de 
direito tributário. 
 
Conceito de Atividade vinculada 
 
Atividade ou ato cuja execução está plenamente definida em lei, sendo seus 
elementos principais a competência (atributo de que pode fazer), a finalidade 
(o objetivo do ato) e a forma (a maneira de fazer). Sem a observância da 
obrigação legal relativa a esses três elementos, o ato será nulo. Seu oposto 
seria o ato discricionário, ou seja, dependente unicamente da autoridade de 
quem o comete.

Mais conteúdos dessa disciplina