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Concepção COMO ELE NÃO SE AFOGA!? ISADORA ROSA -T10 1 OBJETIVOS *DESCREVER OS ANEXOS FETAIS, SUAS FUNÇÕES, IMPORTÂNCIA E EVOLUÇÃO DURANTE A GESTAÇÃO *DESCREVER A CIRCULAÇÃO FETAL, SUA RELAÇÃO MATERNA NA PLACENTA E A COMPOSIÇÃO DOS GASES *DEFINIR O LÍQUIDO AMNIÓTICO E DESCREVER SUA RENOVAÇÃO, SUA CLASSIFICAÇÃO QUANTO A ANORMALIDADES *DEFINIR O CORDÃO UMBILICAL E DESCREVER SUA ORIGEM/COMPOSIÇÃO, CLASSIFICAÇÃO QUANTO A ANOMALIAS *DIFERENCIAR A MEMBRANA AMNIONCORIONICA DA MEMBRANA PLACENTÁRIA ANEXOS FETAIS o ALANTOIDE A alantoide surge por volta do 16º dia do desenvolvimento embrionário como uma pequena evaginação da parede caudal da vesícula umbilical, estendendo-se para o pedículo de conexão. Embora permaneça reduzida em tamanho, o mesoderma associado à alantoide expande-se sob o córion e gera vasos sanguíneos que irão nutrir a placenta. Entre a 3ª e a 5ª semana, ocorre a formação de células sanguíneas nas paredes da alantoide. Seus vasos sanguíneos permanecem como a veia e as artérias umbilicais, fundamentais no transporte de sangue entre o embrião e a placenta. Na fase intraembrionária, a alantoide conecta-se com a bexiga urinária, criando um canal que vai do umbigo até a bexiga. Com o crescimento da bexiga, essa estrutura involui e forma o úraco, que, após o nascimento, se converte no ligamento umbilical mediano – um cordão fibroso que conecta o ápice da bexiga ao umbigo. Durante o segundo mês, a parte extraembrionária da alantoide degenera, e ela deixa de ter função em embriões humanos, mas possui importância no desenvolvimento vascular e na formação de estruturas anatômicas permanentes, como o ligamento umbilical mediano. o ÂMNIO O âmnio é uma membrana fina, mas resistente, que forma o saco amniótico, preenchido por líquido amniótico, e envolve o embrião e, posteriormente, o feto. À medida que o âmnio cresce, ele gradualmente ocupa o espaço da cavidade coriônica e se torna a cobertura do cordão umbilical. o LÍQUIDO AMNIÓTICO O líquido amniótico é fundamental para o crescimento e desenvolvimento fetal. Inicialmente, é secretado pelo âmnio e, em grande parte, provém do tecido materno e do líquido intersticial que passa por difusão pela membrana amniocoriônica. Mais tarde, o sangue materno contribui com líquido através da placa coriônica da placenta. Nos primeiros estágios do desenvolvimento, antes da queratinização da pele, o líquido amniótico e o fluido tecidual fetal se comunicam livremente através da pele do feto. Com a maturação, ele também recebe contribuições dos sistemas respiratório e digestório fetais. A partir da 11ª semana, o feto adiciona urina ao Concepção COMO ELE NÃO SE AFOGA!? ISADORA ROSA -T10 2 líquido amniótico, contribuindo com cerca de 500 mL por dia nas fases finais da gestação. O volume de líquido amniótico aumenta progressivamente, de 30 mL com 10 semanas até 1.000 mL próximo ao final da gestação. Circulação e Equilíbrio do Líquido Amniótico O conteúdo de água no líquido amniótico é trocado a cada três horas. A água passa pela membrana amniocoriônica em direção ao tecido materno e entra nos capilares uterinos. Parte do líquido é deglutida pelo feto, absorvida pelos sistemas respiratório e digestório e processada, com resíduos eliminados pela urina fetal. Esse processo mantém o equilíbrio com a circulação fetal. Composição O líquido amniótico é uma solução aquosa que contém células fetais e uma mistura equilibrada de compostos orgânicos (como proteínas, carboidratos, gorduras, hormônios) e sais inorgânicos. Com o avanço da gestação, essa composição muda, refletindo o crescimento e as funções fetais. Estudos do líquido amniótico, por meio de amniocentese, permitem a análise de enzimas fetais, hormônios e possíveis anormalidades cromossômicas, como a síndrome de Down. Níveis elevados de alfafetoproteína, por exemplo, podem indicar defeitos no tubo neural. Importância Funcional O líquido amniótico tem papéis vitais no desenvolvimento do feto, entre os quais: • Permitir crescimento simétrico; • Proteger contra infecções; • Auxiliar no desenvolvimento pulmonar; • Impedir a aderência do âmnio ao feto; • Amortecer impactos sobre o feto; • Manter a temperatura constante; • Facilitar movimentos fetais, essenciais para o desenvolvimento muscular; • Manter a homeostase de fluidos e eletrólitos. Esse ambiente protetor e nutritivo é essencial para o desenvolvimento saudável do embrião e do feto ao longo da gestação. Distúrbios no volume de líquido amniótico podem causar complicações significativas no desenvolvimento fetal e são divididos em dois principais tipos: 1. Oligoidrâmnio: Refere-se a uma quantidade insuficiente de líquido amniótico para a idade gestacional e é frequentemente causado por insuficiência placentária (reduzindo o fluxo sanguíneo para o feto) ou pela ruptura prematura da membrana amniocoriônica. Também pode ocorrer devido a problemas fetais, como agenesia renal (ausência dos rins) ou uropatia obstrutiva (obstrução no sistema urinário), que impedem a excreção normal de urina fetal para o líquido amniótico. O oligoidrâmnio pode causar complicações, como: • Hipoplasia pulmonar (subdesenvolvimento dos pulmões); • Defeitos faciais e nos membros devido à compressão uterina; • Risco de compressão do cordão umbilical, o que compromete o fluxo de nutrientes e oxigênio para o feto; • A sequência de Potter, uma condição grave que pode ser fatal, associada à ausência renal e a hipoplasia pulmonar. 2. Polidrâmnio: Caracterizado pelo excesso de líquido amniótico, é idiopático em cerca de 60% dos casos (sem causa aparente). Entre as causas conhecidas, 20% são atribuídas a fatores maternos e 20% a fatores fetais, como defeitos no sistema nervoso central (meroencefalia) e atresia esofágica (obstrução do esôfago), que impedem a absorção do líquido amniótico pelo trato digestivo fetal. Ambos os distúrbios são diagnosticáveis por ultrassonografia. A ruptura prematura da membrana amniocoriônica é uma complicação comum do oligoidrâmnio e pode levar ao parto prematuro e aumentar o risco de infecção fetal. Concepção COMO ELE NÃO SE AFOGA!? ISADORA ROSA -T10 3 Síndrome das Bandas Amnióticas (SBA) A SBA é uma condição em que faixas de tecido amniótico se desprendem e formam bandas que podem envolver partes do feto, causando defeitos físicos variados, como constrições em membros ou problemas craniofaciais e viscerais. Existem duas possíveis causas para a SBA: • Exógena: Devido à ruptura ou lesão no âmnio, que forma bandas ao redor do feto. • Endógena: Devido a rupturas vasculares internas. A SBA pode ser identificada por ultrassonografia e ocorre em aproximadamente 1 a cada 1.200 nascidos vivos. o CÓRION O córion, formado pelo mesoderma somático extraembrionário e pelas camadas do trofoblasto, é a membrana fetal mais externa que forma a parede do saco coriônico. Ele é dividido em duas partes: • Córion Liso: reveste todos os anexos. • Córion Viloso: localizado na região placentária e forma as vilosidades coriônicas, essenciais para a troca metabólica entre o embrião e a mãe. As vilosidades coriônicas primárias surgem ao final da 2ª semana e são o primeiro estágio do desenvolvimento placentário. O mesoderma extraembrionário se divide em: • Mesoderma Somático Extraembrionário: reveste o trofoblasto e cobre o âmnio. • Mesoderma Esplâncnico Extraembrionário: envolve a vesícula umbilical. O celoma extraembrionário, que separa essas camadas, torna-se a cavidade coriônica. A ultrassonografia transvaginal é usada para medir o saco coriônico, essencial para monitorar o desenvolvimento inicial. o VESÍCULA UMBILICAL A vesícula umbilical, ou saco vitelino, é observável por ultrassonografia a partirda quinta semana de gestação, tornando-se um marcador importante para identificação e mensuração precoce do embrião. No início, essa estrutura é grande, mas gradualmente reduz de tamanho, alcançando cerca de 5 mm na 10ª semana e se tornando praticamente invisível ao final do primeiro trimestre. Importância da vesícula umbilical: 1. Transferência de Nutrientes: Nas 2ª e 3ª semanas, antes do estabelecimento completo da circulação uteroplacentária, a vesícula umbilical ajuda a nutrir o embrião. 2. Formação Sanguínea: A vesícula umbilical é o primeiro local de desenvolvimento de células sanguíneas, que ocorre na parede bem vascularizada a partir da 3ª semana, até que o fígado assuma essa função na 6ª semana. 3. Desenvolvimento do Intestino Primitivo: Durante a 4ª semana, o endoderma da vesícula umbilical é incorporado ao embrião, originando estruturas como o tubo digestivo, traqueia e pulmões. 4. Células Germinativas: Na 3ª semana, as células germinativas primordiais surgem no revestimento da vesícula e migram para as gônadas, onde se desenvolverão como espermatogônias ou oogônias. A partir da 10ª semana, a vesícula atrofia e permanece entre o saco amniótico e o córion. Em alguns casos, ela persiste até o fim da gestação sem consequências clínicas. O ducto onfaloentérico, que conecta a vesícula ao intestino, geralmente se separa ao final da 6ª semana. Em cerca de 2% dos adultos, o remanescente deste ducto pode persistir como o divertículo de Meckel, uma pequena estrutura no intestino. Concepção COMO ELE NÃO SE AFOGA!? ISADORA ROSA -T10 4 CORDÃO UMBILICAL O cordão umbilical geralmente se insere no centro da superfície fetal da placenta, mas pode variar de posição, com inserções atípicas que podem trazer complicações. Por exemplo, a inserção velamentosa ocorre nas membranas fetais, o que aumenta o risco de ruptura dos vasos sanguíneos durante o parto. Desenvolve-se na 5ª semana de gestação. Características e Complicações: • Tamanho e Comprimento: Normalmente, o cordão tem entre 1 a 2 cm de diâmetro e 30 a 90 cm de comprimento. Cordões longos podem prolapsar ou se enrolar no feto, aumentando o risco de compressão. Se comprimido entre o feto e a pelve materna, pode resultar em falta de oxigênio para o bebê (hipoxia) e lesão cerebral. • Cordão Curto: Um cordão muito curto pode causar o descolamento prematuro da placenta, complicando o parto. Estrutura e Torções: O cordão tem duas artérias e uma veia, envoltas por tecido conjuntivo chamado geleia de Wharton. Devido ao comprimento dos vasos umbilicais, é comum que eles se dobrem, formando "nós falsos" inofensivos. Porém, em cerca de 1% das gestações, "nós verdadeiros" se formam, potencialmente comprometendo o fluxo sanguíneo e levando à anoxia fetal (falta de oxigênio). Hiperespiralação: trissomias, fetos pequenos, hipóxia fetal e artéria umbilical única. Hipoespiralação: mortalidade perinatal; sofrimento fetal, malformações e cromossopatias. Entrelaçamento: O cordão pode se entrelaçar ao redor de partes do corpo fetal, como tornozelos ou pescoço. Esse enrolamento pode ser perigoso se for apertado, mas, em cerca de 20% dos partos, o cordão envolve o pescoço de forma frouxa, sem consequências para o bebê. Essas anomalias podem ser identificadas com ultrassonografia Doppler, que avalia a posição, estrutura e fluxo sanguíneo do cordão, ajudando a monitorar riscos e prevenir complicações. Artéria Umbilical Única (AUU): É uma condição em que o cordão umbilical possui apenas uma artéria em vez das duas habituais. Acontece em aproximadamente 1% das gestações únicas e até 5% nas gestações múltiplas. As causas incluem: • Atrofia ou interrupção no desenvolvimento de uma das artérias, normalmente derivada do alantoide; • Falha na formação ou regressão da vascularização de origem vitelínica. A presença de uma única artéria no cordão está associada a um risco aumentado de problemas cardiovasculares,malformações musculoesqueléticas, renais, digestivas, placentárias e até anomalias cromossômicas. Esse diagnóstico é feito por ultrassonografia, ao observar a presença de apenas dois vasos no cordão. Prolapso do Cordão Umbilical: Ocorre quando o cordão se posiciona à frente do bebê, aumentando o risco de compressão e de interrupção do fluxo de oxigênio e nutrientes. É uma complicação rara, ocorrendo em 1 a cada 1.000 partos, e pode ser fatal para o bebê se não for prontamente tratada. Tipos de prolapso: • Oculto: Não visível. • Anterior: Detectável ao toque. • Completo: O cordão emerge pela vagina. É mais comum no início do trabalho de parto, especialmente se o bebê ainda não está na posição correta na pelve. Diagnóstico pode envolver palpação, monitoração do ritmo cardíaco fetal e observação de líquido amniótico com mecônio. Concepção COMO ELE NÃO SE AFOGA!? ISADORA ROSA -T10 5 *Os diferentes tecidos do cordão umbilical contêm células-tronco hematopoiéticas e mesenquimais com potencial de diferenciação multipotente que poderiam ser utilizadas em uma variedade de propostas terapêuticas. O sangue do cordão umbilical é uma das fontes de células-tronco para o transplante de medula óssea e tem sido bastante utilizado nesse procedimento atualmente. O transplante é indicado para pacientes com leucemias agudas, leucemia mieloide crônica, linfomas, anemias graves, anemias congênitas, imunodeficiências, mieloma múltiplo, síndromes mielodisplásicas, osteopetrose, mielofibrose primária em fase evolutiva, além de outras doenças do sistema sanguíneo e imune. PLACENTA A placenta é um órgão essencial no desenvolvimento materno-fetal, com duas partes principais: • Parte fetal: Originada do saco coriônico, a camada externa fetal. • Parte materna: Derivada do endométrio, camada interna do útero. Ela realiza funções de proteção, nutrição, respiração, excreção de resíduos metabólicos e produção de hormônios para o desenvolvimento do feto. Durante o parto, é expelida como secundinas. Decídua: A decídua é o endométrio modificado da gestante, dividido em três regiões: 1. Decídua basal: Forma a parte materna da placenta. 2. Decídua capsular: Recobre o embrião. 3. Decídua parietal: Revestimento do útero. As células deciduais se desenvolvem em resposta à progesterona, acumulando nutrientes e auxiliando na implantação do embrião. Desenvolvimento da Placenta O desenvolvimento inicial envolve a proliferação do trofoblasto e o crescimento do saco e das vilosidades coriônicas, regulados por genes como HLX e DLX3. Ao final da 4ª semana, uma rede vascular se forma para trocas entre a mãe e o feto. Estrutura e Funcionamento A placenta possui duas partes: 1. Fetal: Formada pelo cório viloso, com vilosidades que permitem trocas com o sangue materno. 2. Materna: Composta pela decídua basal, conectada à parte fetal pela capa citotrofoblástica. As vilosidades se ancoram na decídua basal, permitindo a circulação de sangue materno, essencial para o transporte de oxigênio e nutrientes. Concepção COMO ELE NÃO SE AFOGA!? ISADORA ROSA -T10 6 A placenta desempenha funções vitais na gestação, como: 1. Metabolismo: Produz nutrientes essenciais para o embrião/feto, como glicogênio, colesterol e ácidos graxos, que fornecem energia e sustentam o desenvolvimento. 2. Transporte: Realiza a troca de gases (oxigênio e dióxido de carbono) e nutrientes entre mãe e feto. Essa transferência ocorre por mecanismos como difusão simples, difusão facilitada, transporte ativo e pinocitose. Entre as semanas 11 e 14, o sangue materno começa a circular no espaço interviloso da placenta, permitindo trocas de nutrientes e remoção de resíduos do feto. 3. Secreção Endócrina: Produz hormônios importantes, como hCG, hCS, progesterona e estrogênios,que regulam o ambiente uterino e sustentam a gestação. 4. Proteção Imunológica: Age como uma barreira seletiva, evitando que células imunológicas maternas ataquem o feto. Também transfere anticorpos maternos (IgG) para conferir imunidade passiva ao feto. 5. Excreção: Elimina resíduos metabólicos fetais, como ureia e ácido úrico, mantendo o equilíbrio químico do feto. CIRCULAÇÃO PLACENTÁRIA O fluxo adequado de sangue materno é crucial para o desenvolvimento fetal. Qualquer restrição desse fluxo pode levar a hipóxia fetal e comprometer o crescimento intrauterino. Dessa forma, a estrutura e função da placenta são essenciais para garantir o desenvolvimento saudável do embrião/feto até o nascimento. As vilosidades coriônicas da placenta, derivadas das vilosidades-tronco, possuem muitas ramificações que aumentam a superfície de contato entre as circulações materna e fetal. Isso ocorre através de uma membrana placentária delgada que facilita a troca de nutrientes, oxigênio e produtos metabólicos sem misturar o sangue dos dois sistemas. Circulação Fetal O sangue desoxigenado chega à placenta pelas artérias umbilicais e se ramifica na placa coriônica para formar um sistema de vasos nas vilosidades, permitindo a troca eficiente de gases e nutrientes. Após essa troca, o sangue oxigenado retorna ao feto pela veia umbilical. Circulação Materna O sangue materno entra no espaço interviloso pelas artérias espiraladas, sendo ejetado com alta pressão, o que favorece sua distribuição e troca com o sangue fetal através das vilosidades. Ele retorna à circulação materna pelas veias endometriais. Concepção COMO ELE NÃO SE AFOGA!? ISADORA ROSA -T10 7 MEMBRANA PLACENTÁRIA A membrana placentária é uma estrutura essencial para a troca de substâncias entre a mãe e o feto, formada por tecidos que não pertencem ao feto (extrafetais). Até aproximadamente 20 semanas de gestação, ela possui quatro camadas principais: 1. Sinciciotrofoblasto: camada externa de células que recobre as vilosidades coriônicas. 2. Citotrofoblasto: camada interna de células- tronco do trofoblasto. 3. Tecido conjuntivo das vilosidades: estrutura de suporte dentro das vilosidades. 4. Endotélio dos capilares fetais: a camada mais interna que envolve os vasos sanguíneos fetais. Essas camadas protegem, mas também permitem a troca de nutrientes, gases e outros produtos. Mudanças com a Gestação Após a 20ª semana, o citotrofoblasto em algumas vilosidades se torna mais delgado e, em certos locais, desaparece, deixando uma estrutura mais simplificada e eficiente para as trocas, com apenas três camadas. Em áreas onde a membrana se torna muito fina, o sinciciotrofoblasto e o endotélio dos capilares fetais formam uma estrutura chamada membrana placentária vasculossincicial, otimizando a proximidade entre o sangue materno e fetal. Função como Barreira A membrana placentária é muitas vezes chamada de barreira, mas esse termo é impreciso. Ela impede a passagem de algumas substâncias, como moléculas grandes ou com características específicas de carga elétrica, mas permite a transferência da maioria dos nutrientes, medicamentos e pequenas moléculas. Por exemplo, substâncias como heparina não conseguem atravessar a membrana devido ao seu tamanho e características. Modificações no Final da Gestação Com a progressão da gravidez, a membrana torna-se mais fina, aumentando a eficiência das trocas. No terceiro trimestre, surgem agregados multinucleados, chamados nós sinciciais, que se desprendem regularmente e entram na circulação materna, sendo destruídos nos pulmões. Além disso, ao final da gestação, um material chamado fibrinoide eosinofílico se deposita nas vilosidades, ajudando a limitar a transferência de algumas substâncias, o que pode proteger o feto de exposições indesejadas. Essas adaptações da membrana placentária são cruciais para o desenvolvimento seguro e saudável do feto, ajustando-se continuamente para manter um equilíbrio ideal entre proteção e eficiência na troca de substâncias. MEMBRANA AMNIOCORIÔNICA Durante a gestação, o saco amniótico (formado pelo âmnio, a camada mais interna que envolve o feto) cresce de forma muito mais acelerada que o saco coriônico (formado pelo cório, camada externa que envolve o âmnio e que é mais próxima da parede uterina). Esse rápido crescimento do âmnio faz com que ele se aproxime e acabe por se fundir com o cório liso, originando a membrana amniocoriônica. Essa membrana dupla atua como uma barreira protetora ao redor do feto e do líquido amniótico. Posteriormente, a membrana amniocoriônica se adere à decídua capsular, que é uma parte da camada endometrial do útero modificada pela gravidez e que envolve o saco gestacional. Com o avançar da gestação e o desaparecimento gradual da decídua capsular, a membrana amniocoriônica passa a se aderir à decídua parietal, outra camada do endométrio. Durante o parto, é essa membrana amniocoriônica que se rompe – o que popularmente é conhecido como a "bolsa das águas" se rompendo. A ruptura dessa membrana resulta na saída do líquido amniótico através do colo do útero e da vagina, sinalizando o início do trabalho de parto. No entanto, se essa ruptura ocorre prematuramente, ou seja, antes do tempo ideal para o nascimento, pode causar parto prematuro devido à perda de líquido amniótico e ao aumento da vulnerabilidade do feto a infecções e outras complicações.