Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Concepção 
COMO ELE NÃO SE AFOGA!? 
 
ISADORA ROSA -T10 1 
 
OBJETIVOS 
*DESCREVER OS ANEXOS FETAIS, SUAS FUNÇÕES, 
IMPORTÂNCIA E EVOLUÇÃO DURANTE A GESTAÇÃO 
*DESCREVER A CIRCULAÇÃO FETAL, SUA RELAÇÃO 
MATERNA NA PLACENTA E A COMPOSIÇÃO DOS GASES 
*DEFINIR O LÍQUIDO AMNIÓTICO E DESCREVER SUA 
RENOVAÇÃO, SUA CLASSIFICAÇÃO QUANTO A 
ANORMALIDADES 
*DEFINIR O CORDÃO UMBILICAL E DESCREVER SUA 
ORIGEM/COMPOSIÇÃO, CLASSIFICAÇÃO QUANTO A 
ANOMALIAS 
*DIFERENCIAR A MEMBRANA AMNIONCORIONICA DA 
MEMBRANA PLACENTÁRIA 
 
 ANEXOS FETAIS 
o ALANTOIDE 
A alantoide surge por volta do 16º dia do 
desenvolvimento embrionário como uma pequena 
evaginação da parede caudal da vesícula umbilical, 
estendendo-se para o pedículo de conexão. Embora 
permaneça reduzida em tamanho, o mesoderma 
associado à alantoide expande-se sob o córion e gera 
vasos sanguíneos que irão nutrir a placenta. 
Entre a 3ª e a 5ª semana, ocorre a formação de células 
sanguíneas nas paredes da alantoide. Seus vasos 
sanguíneos permanecem como a veia e as artérias 
umbilicais, fundamentais no transporte de sangue 
entre o embrião e a placenta. Na fase intraembrionária, 
a alantoide conecta-se com a bexiga urinária, criando 
um canal que vai do umbigo até a bexiga. Com o 
crescimento da bexiga, essa estrutura involui e forma o 
úraco, que, após o nascimento, se converte no 
ligamento umbilical mediano – um cordão fibroso que 
conecta o ápice da bexiga ao umbigo. 
Durante o segundo mês, a parte extraembrionária da 
alantoide degenera, e ela deixa de ter função em 
embriões humanos, mas possui importância no 
desenvolvimento vascular e na formação de 
estruturas anatômicas permanentes, como o 
ligamento umbilical mediano. 
 
 
 
o ÂMNIO 
O âmnio é uma membrana fina, mas resistente, que 
forma o saco amniótico, preenchido por líquido 
amniótico, e envolve o embrião e, posteriormente, o 
feto. À medida que o âmnio cresce, ele gradualmente 
ocupa o espaço da cavidade coriônica e se torna a 
cobertura do cordão umbilical. 
o LÍQUIDO AMNIÓTICO 
O líquido amniótico é fundamental para o crescimento 
e desenvolvimento fetal. Inicialmente, é secretado pelo 
âmnio e, em grande parte, provém do tecido materno 
e do líquido intersticial que passa por difusão pela 
membrana amniocoriônica. Mais tarde, o sangue 
materno contribui com líquido através da placa 
coriônica da placenta. 
Nos primeiros estágios do desenvolvimento, antes da 
queratinização da pele, o líquido amniótico e o fluido 
tecidual fetal se comunicam livremente através da 
pele do feto. Com a maturação, ele também recebe 
contribuições dos sistemas respiratório e digestório 
fetais. A partir da 11ª semana, o feto adiciona urina ao 
Concepção 
COMO ELE NÃO SE AFOGA!? 
 
ISADORA ROSA -T10 2 
 
líquido amniótico, contribuindo com cerca de 500 mL 
por dia nas fases finais da gestação. O volume de 
líquido amniótico aumenta progressivamente, de 30 
mL com 10 semanas até 1.000 mL próximo ao final da 
gestação. 
Circulação e Equilíbrio do Líquido Amniótico 
O conteúdo de água no líquido amniótico é trocado a 
cada três horas. A água passa pela membrana 
amniocoriônica em direção ao tecido materno e entra 
nos capilares uterinos. Parte do líquido é deglutida pelo 
feto, absorvida pelos sistemas respiratório e digestório 
e processada, com resíduos eliminados pela urina fetal. 
Esse processo mantém o equilíbrio com a circulação 
fetal. 
Composição 
O líquido amniótico é uma solução aquosa que contém 
células fetais e uma mistura equilibrada de compostos 
orgânicos (como proteínas, carboidratos, gorduras, 
hormônios) e sais inorgânicos. Com o avanço da 
gestação, essa composição muda, refletindo o 
crescimento e as funções fetais. 
Estudos do líquido amniótico, por meio de 
amniocentese, permitem a análise de enzimas fetais, 
hormônios e possíveis anormalidades cromossômicas, 
como a síndrome de Down. Níveis elevados de 
alfafetoproteína, por exemplo, podem indicar defeitos 
no tubo neural. 
Importância Funcional 
O líquido amniótico tem papéis vitais no 
desenvolvimento do feto, entre os quais: 
• Permitir crescimento simétrico; 
• Proteger contra infecções; 
• Auxiliar no desenvolvimento pulmonar; 
• Impedir a aderência do âmnio ao feto; 
• Amortecer impactos sobre o feto; 
• Manter a temperatura constante; 
• Facilitar movimentos fetais, essenciais para o 
desenvolvimento muscular; 
• Manter a homeostase de fluidos e eletrólitos. 
Esse ambiente protetor e nutritivo é essencial para o 
desenvolvimento saudável do embrião e do feto ao 
longo da gestação. 
Distúrbios no volume de líquido amniótico podem 
causar complicações significativas no desenvolvimento 
fetal e são divididos em dois principais tipos: 
1. Oligoidrâmnio: Refere-se a uma quantidade 
insuficiente de líquido amniótico para a idade 
gestacional e é frequentemente causado por 
insuficiência placentária (reduzindo o fluxo 
sanguíneo para o feto) ou pela ruptura prematura 
da membrana amniocoriônica. Também pode 
ocorrer devido a problemas fetais, como agenesia 
renal (ausência dos rins) ou uropatia obstrutiva 
(obstrução no sistema urinário), que impedem a 
excreção normal de urina fetal para o líquido 
amniótico. O oligoidrâmnio pode causar 
complicações, como: 
• Hipoplasia pulmonar (subdesenvolvimento dos 
pulmões); 
• Defeitos faciais e nos membros devido à 
compressão uterina; 
• Risco de compressão do cordão umbilical, o que 
compromete o fluxo de nutrientes e oxigênio para 
o feto; 
• A sequência de Potter, uma condição grave que 
pode ser fatal, associada à ausência renal e a 
hipoplasia pulmonar. 
2. Polidrâmnio: Caracterizado pelo excesso de 
líquido amniótico, é idiopático em cerca de 60% 
dos casos (sem causa aparente). Entre as causas 
conhecidas, 20% são atribuídas a fatores maternos 
e 20% a fatores fetais, como defeitos no sistema 
nervoso central (meroencefalia) e atresia esofágica 
(obstrução do esôfago), que impedem a absorção 
do líquido amniótico pelo trato digestivo fetal. 
Ambos os distúrbios são diagnosticáveis por 
ultrassonografia. A ruptura prematura da membrana 
amniocoriônica é uma complicação comum do 
oligoidrâmnio e pode levar ao parto prematuro e 
aumentar o risco de infecção fetal. 
 
 
Concepção 
COMO ELE NÃO SE AFOGA!? 
 
ISADORA ROSA -T10 3 
 
Síndrome das Bandas Amnióticas (SBA) 
A SBA é uma condição em que faixas de tecido 
amniótico se desprendem e formam bandas que 
podem envolver partes do feto, causando defeitos 
físicos variados, como constrições em membros ou 
problemas craniofaciais e viscerais. Existem duas 
possíveis causas para a SBA: 
• Exógena: Devido à ruptura ou lesão no âmnio, que 
forma bandas ao redor do feto. 
• Endógena: Devido a rupturas vasculares internas. 
A SBA pode ser identificada por ultrassonografia e 
ocorre em aproximadamente 1 a cada 1.200 nascidos 
vivos. 
 
o CÓRION 
O córion, formado pelo mesoderma somático 
extraembrionário e pelas camadas do trofoblasto, é a 
membrana fetal mais externa que forma a parede do 
saco coriônico. Ele é dividido em duas partes: 
• Córion Liso: reveste todos os anexos. 
• Córion Viloso: localizado na região placentária e 
forma as vilosidades coriônicas, essenciais para a 
troca metabólica entre o embrião e a mãe. 
As vilosidades coriônicas primárias surgem ao final da 
2ª semana e são o primeiro estágio do 
desenvolvimento placentário. O mesoderma 
extraembrionário se divide em: 
• Mesoderma Somático Extraembrionário: reveste 
o trofoblasto e cobre o âmnio. 
• Mesoderma Esplâncnico Extraembrionário: 
envolve a vesícula umbilical. 
O celoma extraembrionário, que separa essas 
camadas, torna-se a cavidade coriônica. A 
ultrassonografia transvaginal é usada para medir o saco 
coriônico, essencial para monitorar o desenvolvimento 
inicial. 
o VESÍCULA UMBILICAL 
A vesícula umbilical, ou saco vitelino, é observável por 
ultrassonografia a partirda quinta semana de 
gestação, tornando-se um marcador importante para 
identificação e mensuração precoce do embrião. No 
início, essa estrutura é grande, mas gradualmente 
reduz de tamanho, alcançando cerca de 5 mm na 10ª 
semana e se tornando praticamente invisível ao final 
do primeiro trimestre. 
Importância da vesícula umbilical: 
1. Transferência de Nutrientes: Nas 2ª e 3ª semanas, 
antes do estabelecimento completo da circulação 
uteroplacentária, a vesícula umbilical ajuda a nutrir 
o embrião. 
2. Formação Sanguínea: A vesícula umbilical é o 
primeiro local de desenvolvimento de células 
sanguíneas, que ocorre na parede bem 
vascularizada a partir da 3ª semana, até que o 
fígado assuma essa função na 6ª semana. 
3. Desenvolvimento do Intestino Primitivo: Durante 
a 4ª semana, o endoderma da vesícula umbilical é 
incorporado ao embrião, originando estruturas 
como o tubo digestivo, traqueia e pulmões. 
4. Células Germinativas: Na 3ª semana, as células 
germinativas primordiais surgem no revestimento 
da vesícula e migram para as gônadas, onde se 
desenvolverão como espermatogônias ou 
oogônias. 
A partir da 10ª semana, a vesícula atrofia e permanece 
entre o saco amniótico e o córion. Em alguns casos, ela 
persiste até o fim da gestação sem consequências 
clínicas. O ducto onfaloentérico, que conecta a vesícula 
ao intestino, geralmente se separa ao final da 6ª 
semana. Em cerca de 2% dos adultos, o remanescente 
deste ducto pode persistir como o divertículo de 
Meckel, uma pequena estrutura no intestino. 
Concepção 
COMO ELE NÃO SE AFOGA!? 
 
ISADORA ROSA -T10 4 
 
 CORDÃO UMBILICAL 
O cordão umbilical geralmente se insere no centro da 
superfície fetal da placenta, mas pode variar de 
posição, com inserções atípicas que podem trazer 
complicações. Por exemplo, a inserção velamentosa 
ocorre nas membranas fetais, o que aumenta o risco 
de ruptura dos vasos sanguíneos durante o parto. 
Desenvolve-se na 5ª semana de gestação. 
Características e Complicações: 
• Tamanho e Comprimento: Normalmente, o cordão 
tem entre 1 a 2 cm de diâmetro e 30 a 90 cm de 
comprimento. Cordões longos podem prolapsar 
ou se enrolar no feto, aumentando o risco de 
compressão. Se comprimido entre o feto e a pelve 
materna, pode resultar em falta de oxigênio para o 
bebê (hipoxia) e lesão cerebral. 
• Cordão Curto: Um cordão muito curto pode causar 
o descolamento prematuro da placenta, 
complicando o parto. 
Estrutura e Torções: 
O cordão tem duas artérias e uma veia, envoltas por 
tecido conjuntivo chamado geleia de Wharton. Devido 
ao comprimento dos vasos umbilicais, é comum que 
eles se dobrem, formando "nós falsos" inofensivos. 
Porém, em cerca de 1% das gestações, "nós 
verdadeiros" se formam, potencialmente 
comprometendo o fluxo sanguíneo e levando à anoxia 
fetal (falta de oxigênio). 
Hiperespiralação: trissomias, fetos pequenos, hipóxia 
fetal e artéria umbilical única. 
Hipoespiralação: mortalidade perinatal; sofrimento 
fetal, malformações e cromossopatias. 
Entrelaçamento: 
O cordão pode se entrelaçar ao redor de partes do 
corpo fetal, como tornozelos ou pescoço. Esse 
enrolamento pode ser perigoso se for apertado, mas, 
em cerca de 20% dos partos, o cordão envolve o 
pescoço de forma frouxa, sem consequências para o 
bebê. 
Essas anomalias podem ser identificadas com 
ultrassonografia Doppler, que avalia a posição, 
estrutura e fluxo sanguíneo do cordão, ajudando a 
monitorar riscos e prevenir complicações. 
 
Artéria Umbilical Única (AUU): É uma condição em que 
o cordão umbilical possui apenas uma artéria em vez 
das duas habituais. Acontece em aproximadamente 
1% das gestações únicas e até 5% nas gestações 
múltiplas. As causas incluem: 
• Atrofia ou interrupção no desenvolvimento de uma 
das artérias, normalmente derivada do alantoide; 
• Falha na formação ou regressão da vascularização 
de origem vitelínica. 
A presença de uma única artéria no cordão está 
associada a um risco aumentado de problemas 
cardiovasculares,malformações musculoesqueléticas, 
renais, digestivas, placentárias e até anomalias 
cromossômicas. 
Esse diagnóstico é feito por ultrassonografia, ao 
observar a presença de apenas dois vasos no cordão. 
Prolapso do Cordão Umbilical: Ocorre quando o 
cordão se posiciona à frente do bebê, aumentando o 
risco de compressão e de interrupção do fluxo de 
oxigênio e nutrientes. É uma complicação rara, 
ocorrendo em 1 a cada 1.000 partos, e pode ser fatal 
para o bebê se não for prontamente tratada. Tipos de 
prolapso: 
• Oculto: Não visível. 
• Anterior: Detectável ao toque. 
• Completo: O cordão emerge pela vagina. 
É mais comum no início do trabalho de parto, 
especialmente se o bebê ainda não está na posição 
correta na pelve. Diagnóstico pode envolver palpação, 
monitoração do ritmo cardíaco fetal e observação de 
líquido amniótico com mecônio. 
Concepção 
COMO ELE NÃO SE AFOGA!? 
 
ISADORA ROSA -T10 5 
 
*Os diferentes tecidos do cordão umbilical contêm 
células-tronco hematopoiéticas e mesenquimais com 
potencial de diferenciação multipotente que poderiam 
ser utilizadas em uma variedade de propostas 
terapêuticas. O sangue do cordão umbilical é uma das 
fontes de células-tronco para o transplante de medula 
óssea e tem sido bastante utilizado nesse 
procedimento atualmente. O transplante é indicado 
para pacientes com leucemias agudas, leucemia 
mieloide crônica, linfomas, anemias graves, anemias 
congênitas, imunodeficiências, mieloma múltiplo, 
síndromes mielodisplásicas, osteopetrose, 
mielofibrose primária em fase evolutiva, além de 
outras doenças do sistema sanguíneo e imune. 
 
 PLACENTA 
A placenta é um órgão essencial no desenvolvimento 
materno-fetal, com duas partes principais: 
• Parte fetal: Originada do saco coriônico, a camada 
externa fetal. 
• Parte materna: Derivada do endométrio, camada 
interna do útero. 
Ela realiza funções de proteção, nutrição, respiração, 
excreção de resíduos metabólicos e produção de 
hormônios para o desenvolvimento do feto. Durante o 
parto, é expelida como secundinas. 
Decídua: A decídua é o endométrio modificado da 
gestante, dividido em três regiões: 
1. Decídua basal: Forma a parte materna da placenta. 
2. Decídua capsular: Recobre o embrião. 
3. Decídua parietal: Revestimento do útero. 
As células deciduais se desenvolvem em resposta à 
progesterona, acumulando nutrientes e auxiliando na 
implantação do embrião. 
Desenvolvimento da Placenta 
O desenvolvimento inicial envolve a proliferação do 
trofoblasto e o crescimento do saco e das vilosidades 
coriônicas, regulados por genes como HLX e DLX3. Ao 
final da 4ª semana, uma rede vascular se forma para 
trocas entre a mãe e o feto. 
 
Estrutura e Funcionamento 
A placenta possui duas partes: 
1. Fetal: Formada pelo cório viloso, com vilosidades 
que permitem trocas com o sangue materno. 
2. Materna: Composta pela decídua basal, conectada 
à parte fetal pela capa citotrofoblástica. 
As vilosidades se ancoram na decídua basal, permitindo 
a circulação de sangue materno, essencial para o 
transporte de oxigênio e nutrientes. 
 
Concepção 
COMO ELE NÃO SE AFOGA!? 
 
ISADORA ROSA -T10 6 
 
 
A placenta desempenha funções vitais na gestação, 
como: 
1. Metabolismo: Produz nutrientes essenciais para o 
embrião/feto, como glicogênio, colesterol e ácidos 
graxos, que fornecem energia e sustentam o 
desenvolvimento. 
2. Transporte: Realiza a troca de gases (oxigênio e 
dióxido de carbono) e nutrientes entre mãe e feto. 
Essa transferência ocorre por mecanismos como 
difusão simples, difusão facilitada, transporte ativo 
e pinocitose. Entre as semanas 11 e 14, o sangue 
materno começa a circular no espaço interviloso da 
placenta, permitindo trocas de nutrientes e 
remoção de resíduos do feto. 
3. Secreção Endócrina: Produz hormônios 
importantes, como hCG, hCS, progesterona e 
estrogênios,que regulam o ambiente 
uterino e sustentam a gestação. 
4. Proteção Imunológica: Age como uma 
barreira seletiva, evitando que células 
imunológicas maternas ataquem o feto. 
Também transfere anticorpos maternos 
(IgG) para conferir imunidade passiva ao 
feto. 
5. Excreção: Elimina resíduos metabólicos 
fetais, como ureia e ácido úrico, mantendo 
o equilíbrio químico do feto. 
 CIRCULAÇÃO PLACENTÁRIA 
O fluxo adequado de sangue materno é crucial 
para o desenvolvimento fetal. Qualquer 
restrição desse fluxo pode levar a hipóxia fetal 
e comprometer o crescimento intrauterino. 
Dessa forma, a estrutura e função da placenta 
são essenciais para garantir o desenvolvimento 
saudável do embrião/feto até o nascimento. 
As vilosidades coriônicas da placenta, 
derivadas das vilosidades-tronco, possuem muitas 
ramificações que aumentam a superfície de contato 
entre as circulações materna e fetal. Isso ocorre através 
de uma membrana placentária delgada que facilita a 
troca de nutrientes, oxigênio e produtos metabólicos 
sem misturar o sangue dos dois sistemas. 
 
Circulação Fetal 
O sangue desoxigenado chega à placenta pelas artérias 
umbilicais e se ramifica na placa coriônica para formar 
um sistema de vasos nas vilosidades, permitindo a 
troca eficiente de gases e nutrientes. Após essa troca, 
o sangue oxigenado retorna ao feto pela veia 
umbilical. 
Circulação Materna 
O sangue materno entra no espaço interviloso pelas 
artérias espiraladas, sendo ejetado com alta pressão, 
o que favorece sua distribuição e troca com o sangue 
fetal através das vilosidades. Ele retorna à circulação 
materna pelas veias endometriais. 
 
 
 
 
 
 
Concepção 
COMO ELE NÃO SE AFOGA!? 
 
ISADORA ROSA -T10 7 
 
 MEMBRANA PLACENTÁRIA 
A membrana placentária é uma estrutura essencial 
para a troca de substâncias entre a mãe e o feto, 
formada por tecidos que não pertencem ao feto 
(extrafetais). Até aproximadamente 20 semanas de 
gestação, ela possui quatro camadas principais: 
1. Sinciciotrofoblasto: camada externa de células 
que recobre as vilosidades coriônicas. 
2. Citotrofoblasto: camada interna de células-
tronco do trofoblasto. 
3. Tecido conjuntivo das vilosidades: estrutura de 
suporte dentro das vilosidades. 
4. Endotélio dos capilares fetais: a camada mais 
interna que envolve os vasos sanguíneos fetais. 
Essas camadas protegem, mas também permitem a 
troca de nutrientes, gases e outros produtos. 
Mudanças com a Gestação 
Após a 20ª semana, o citotrofoblasto em algumas 
vilosidades se torna mais delgado e, em certos locais, 
desaparece, deixando uma estrutura mais simplificada 
e eficiente para as trocas, com apenas três camadas. 
Em áreas onde a membrana se torna muito fina, o 
sinciciotrofoblasto e o endotélio dos capilares fetais 
formam uma estrutura chamada membrana 
placentária vasculossincicial, otimizando a 
proximidade entre o sangue materno e fetal. 
Função como Barreira 
A membrana placentária é muitas vezes chamada de 
barreira, mas esse termo é impreciso. Ela impede a 
passagem de algumas substâncias, como moléculas 
grandes ou com características específicas de carga 
elétrica, mas permite a transferência da maioria dos 
nutrientes, medicamentos e pequenas moléculas. Por 
exemplo, substâncias como heparina não conseguem 
atravessar a membrana devido ao seu tamanho e 
características. 
Modificações no Final da Gestação 
Com a progressão da gravidez, a membrana torna-se 
mais fina, aumentando a eficiência das trocas. No 
terceiro trimestre, surgem agregados multinucleados, 
chamados nós sinciciais, que se desprendem 
regularmente e entram na circulação materna, sendo 
destruídos nos pulmões. Além disso, ao final da 
gestação, um material chamado fibrinoide eosinofílico 
se deposita nas vilosidades, ajudando a limitar a 
transferência de algumas substâncias, o que pode 
proteger o feto de exposições indesejadas. 
Essas adaptações da membrana placentária são 
cruciais para o desenvolvimento seguro e saudável do 
feto, ajustando-se continuamente para manter um 
equilíbrio ideal entre proteção e eficiência na troca de 
substâncias. 
 MEMBRANA AMNIOCORIÔNICA 
Durante a gestação, o saco amniótico (formado pelo 
âmnio, a camada mais interna que envolve o feto) 
cresce de forma muito mais acelerada que o saco 
coriônico (formado pelo cório, camada externa que 
envolve o âmnio e que é mais próxima da parede 
uterina). Esse rápido crescimento do âmnio faz com 
que ele se aproxime e acabe por se fundir com o cório 
liso, originando a membrana amniocoriônica. Essa 
membrana dupla atua como uma barreira protetora ao 
redor do feto e do líquido amniótico. 
Posteriormente, a membrana amniocoriônica se adere 
à decídua capsular, que é uma parte da camada 
endometrial do útero modificada pela gravidez e que 
envolve o saco gestacional. Com o avançar da gestação 
e o desaparecimento gradual da decídua capsular, a 
membrana amniocoriônica passa a se aderir à decídua 
parietal, outra camada do endométrio. 
Durante o parto, é essa membrana amniocoriônica 
que se rompe – o que popularmente é conhecido 
como a "bolsa das águas" se rompendo. A ruptura 
dessa membrana resulta na saída do líquido amniótico 
através do colo do útero e da vagina, sinalizando o 
início do trabalho de parto. No entanto, se essa ruptura 
ocorre prematuramente, ou seja, antes do tempo ideal 
para o nascimento, pode causar parto prematuro 
devido à perda de líquido amniótico e ao aumento da 
vulnerabilidade do feto a infecções e outras 
complicações.

Mais conteúdos dessa disciplina