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YASMIN CRISTINA DA SILVA FERREIRA
MATRÍCULA: 2024010704 - 1º Semestre
TEMA : “A IDEIA DE JUSTIÇA, NA PEÇA ‘ANTÍGONA, DE
SÓFOCLES’ ”
"Antígona" é uma tragédia grega escrita por Sófocles que se passa em Tebas. A peça começa
após uma guerra civil, na qual dois irmãos, Polinices e Etéocles, matam um ao outro em
combate. Creonte, o novo rei de Tebas, decreta que Etéocles, que defendeu a cidade, deve ser
honrado com um funeral adequado, enquanto Polinices, considerado um traidor, deve ser
deixado sem sepultura, sujeito à desonra pública.
Antígona, irmã de Polinices e Etéocles, desobedece ao decreto de Creonte e decide enterrar
seu irmão Polinices, alegando que é seu dever religioso e moral. Ela é presa por sua ação e
condenada à morte por Creonte, mesmo com o apelo de seu filho Hémon, noivo de Antígona.
Enquanto isso, o profeta Tirésias adverte Creonte sobre as consequências de suas ações e o
aconselha a mudar de ideia, mas Creonte não o escuta. Hemón tenta intervir para salvar
Antígona, mas chega tarde demais: Antígona se enforcou em sua cela, e Hemón, devastado
pela morte de Antígona e repudiado por Creonte, também comete suicídio.
A tragédia culmina com a rainha Eurídice, mãe de Hemón, ao saber da morte de seu filho, se
suicida, deixando Creonte sozinho, lamentando sua arrogância e cegueira diante da tragédia
que se abateu sobre sua família.
A peça "Antígona" explora questões de justiça, moralidade, autoridade e o destino humano,
revelando as consequências devastadoras da rigidez e da recusa em ouvir conselhos e respeitar
a moralidade e a divindade.
O conflito entre a moralidade, justiça e liberdade é complexa e multifacetada.
1. Moralidade: representa a moralidade individual e divina, agindo de acordo com sua
consciência e lealdade aos valores familiares e religiosos. Ela acredita no direito
natural de enterrar seu irmão, mesmo que isso desafie as leis estabelecidas pelo
Estado. Por outro lado, Creonte representa uma visão mais pragmática da moralidade,
baseada na estabilidade política e na obediência às leis do Estado.
2. Justiça: A peça examina diferentes concepções de justiça, incluindo a justiça divina,
defendida por Antígona, e a justiça legal, representada por Creonte. Antígona acredita
na supremacia das leis divinas sobre as leis humanas e age de acordo com sua noção
de justiça moral. Creonte, por sua vez, defende a justiça civil e a ordem social,
priorizando a obediência às leis do Estado.
3. Direito natural e positivo: Antígona invoca o direito natural para justificar suas ações,
argumentando que é seu dever sagrado enterrar seu irmão. Ela desafia o direito
positivo representado pelos decretos de Creonte. Creonte, por sua vez, enfatiza a
autoridade do direito positivo, insistindo na obediência às leis estabelecidas pelo
Estado como um fundamento para a ordem social.
Esses elementos se entrelaçam ao longo da peça, criando um conflito profundo e trágico entre
o que é moralmente correto, o que é legalmente exigido e quem tem o direito de determinar o
que é justo. A tragédia resulta da incapacidade dos personagens de reconciliar essas diferentes
visões de moralidade, justiça e autoridade.
O conflito entre essas duas formas de justiça levanta questões profundas sobre a moralidade, a
autoridade e os limites do poder humano. A tragédia resulta não apenas do choque direto entre
Antígona e Creonte, mas também da incapacidade de conciliar essas duas visões de justiça,
mostrando as consequências devastadoras da rigidez e da falta de entendimento mútuo.
O conceito de direito natural em "Antígona" refere-se às leis morais e divinas que são
consideradas universais e imutáveis, independentemente das leis criadas pelos seres humanos.
Antígona invoca o direito natural ao argumentar que é seu dever sagrado enterrar seu irmão
Polinices, mesmo que isso desafie o decreto de Creonte. Ela acredita que existe uma ordem
moral superior que transcende as leis humanas e que sua consciência e lealdade para com os
deuses a obrigam a agir de acordo com esses princípios, citada como no trecho:
"Pois não foi Zeus que decretou isso, nem Justiça, que mora com os
deuses infernais, autorizou leis humanas que os mortais têm poder
para determinar. Nem acredito que os teus decretos tivessem tal força,
a ponto de, num só dia ou numa só noite, os deuses instituírem tais
práticas para os homens. Não é de hoje, nem de ontem, mas existe
desde sempre, e nenhum homem sabe quando surgiu." - Antígona,
falando a Ismênia sobre a decisão de enterrar Polinices, destacando
sua crença nos decretos divinos sobre as leis humanas.
O direito positivo em "Antígona" refere-se às leis e decretos estabelecidos pelo Estado ou pela
autoridade governamental. Em outras palavras, são as leis humanas criadas por instituições
políticas ou legislativas. Creonte, como rei de Tebas, representa o direito positivo ao emitir um
decreto proibindo o enterro de Polinices, seu sobrinho, que lutou contra Tebas. Ele justifica
sua decisão com base na necessidade de manter a ordem e a estabilidade política na cidade.
"Por acaso hei de governar esta terra para que a mulher governe sobre
mim? Não, senhor! Nem ela nem nenhuma outra! Eu preferiria ver um
homem morto a ser subjugado por uma mulher. Não, eu não nasci para
dividir o poder com ninguém. Poder! Para isso é que eu fui feito. E essa
é a minha lei: obedecer ou comandar, mas jamais ser subordinado a
uma mulher. Pois saiba, se a essa mulher prevalecer, terá a mulher todo
o domínio e nós, os homens, seremos apenas os escravos dela." -
Creonte, expressando sua determinação em manter sua autoridade
como rei e rejeitando qualquer desafio a ela, inclusive vindo de
Antígona, destacando a importância da ordem e da estabilidade
política em sua governança.
O conflito entre o direito positivo e o direito natural é um dos temas principais da peça.
Antígona desafia o decreto de Creonte em nome do direito natural, alegando que é seu dever
sagrado enterrar seu irmão, mesmo que isso vá contra as leis estabelecidas pelo Estado. Esse
conflito entre as leis humanas e as leis divinas, ou morais, é o cerne da tragédia.
É importante ressaltar que as opiniões expressas por Creonte neste trecho refletem sua posição
dentro do contexto cultural e social da época em que a peça foi escrita. Creonte representa
uma visão patriarcal e autoritária do poder, onde a liderança é associada à masculinidade e
qualquer desafio a essa autoridade é visto como uma ameaça à ordem estabelecida.
Embora possa ser fácil julgar a postura de Creonte como antiquada ou injusta, é importante
reconhecer que ele está agindo de acordo com as normas e valores de sua sociedade. Sua
justificação baseada na necessidade de manter a ordem e a estabilidade política reflete
preocupações legítimas de um governante em um contexto de guerra civil e instabilidade.
No entanto, a peça também critica essa visão autoritária do poder, destacando as
consequências devastadoras de uma liderança inflexível e cega à justiça e à moralidade. O
conflito entre Creonte e Antígona mostra as falhas de uma abordagem unilateral e a
necessidade de considerar valores mais elevados, como a justiça e o respeito pelos direitos
humanos, ao tomar decisões políticas.
Portanto, enquanto podemos entender o ponto de vista de Creonte dentro do contexto da peça,
também é importante questionar e desafiar as noções de poder e autoridade que ele representa,
especialmente quando essas noções entram em conflito com valores fundamentais de justiça e
dignidade humana.
BIOGRAFIA
SÓFOCLES. Antígona; Tradução: J.B. de Mello e Souza. Versão para eBook,
Clássicos Jackson, Vol XXII, 2005. Disponível em: 
Acesso em: março. 2024.
ALVES, M. UMA LEITURA CRÍTICA DE ANTÍGONA PARA O DIREITO. Novos Estudos
Jurídicos, v. 2, pág. 325–376, 2005.
AULER, CM DAS. ANTÍGONA E O DIREITO NATURAL . Disponível em:
. Acesso em: 23 mar. 2024.
EnciclopédiaJurídica da PUCSP . Disponível em:
.
Acesso em: 23 mar. 2024.
MARTINS, MMB O conceito de justiça em Antígona de Sófocles e no livro de Jó. 2018.

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