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Qualidade do Ar Tópicos em Micrometeorologia e a Dispersão de Poluentes na Atmosfera Objetivos de aprendizagem Ao término desta aula, vocês serão capazes de: • compreender o conceito de Micrometeorologia; • identificar os tópicos em Micrometeorologia; • diferenciar os modelos de Dispersão de Poluentes na Atmosfera. Caros(as) alunos(as)! Nesta aula, vamos abordar o conceito de micrometeorologia, entender a importância dessa ciência e relacioná-la com a dispersão de poluentes da atmosfera. Desejo a todos(as) uma excelente aula. Boa leitura! Bons estudos! 4º Aula 23 1 – A Micrometeorologia. 2 – Tópicos em Micrometeorologia. 3 – Dispersão de Poluentes na Atmosfera. 1 - A Micrometeorologia Antes de abordarmos a micrometeorologia, vamos estudar um pouco sobre a meteorologia. A meteorologia é um ramo da ciência relacionado com a área da física que estuda os fenômenos atmosféricos. Pode ser dividida em várias modalidades como: a meteorologia física, a dinâmica, a sinótica, a aeronáutica, além da climatologia, aerologia, biometeorologia, hidrologia e a meteorologia agrícola. Reisser-Júnior, et al. (2016) descrevem a radiação, temperatura, precipitação, evaporação, granizo, descargas elétricas, movimentos da atmosfera e suas alterações, processos atmosféricos para previsão de tempo, distribuição geográfica dos parâmetros meteorológicos, a alta atmosfera e os princípios meteorológicos relacionados diretamente à navegação aérea e marítima, o ciclo da água na atmosfera, e também os fenômenos relacionados às atividades agropecuárias como os processos a serem estudados na meteorologia. Agora que já vimos o conceito da meteorologia e sabemos todos os processos que ela estuda, vamos falar da micrometeorologia. Classificada como um ramo da meteorologia, a micrometeorologia estuda os processos atmosféricos que ocorrem em regiões delimitadas na interface superfície-atmosfera, em períodos de tempo relativamente curtos. Como o seu próprio nome já diz, o Micro é ramo da ciência Meteorológica que estuda/ analisa/ investiga os fenômenos atmosféricos, caracterizados por microescala (pequena ou local), sendo a escala temporal inferior a 1 hora e espacial inferior a 2 km. Ocorrem na parte baixa da troposfera denominada de Camada Limite Atmosférica (CLA) ou Camada Limite Planetária (CLP). A CLP é definida como a região turbulenta da atmosfera que gera a mistura e o transporte de energia, massa e o momento entre a superfície e a atmosfera. É nela que as atividades humanas são desenvolvidas e onde se encontra grande parte das fontes naturais e antrópicas de gases e material particulado (Figura 1). Figura 1. Esboço da delimitação da Camada Limite Planetária. Disponível em: https://slideplayer.com.br/slide/1753870/. Acessado em: 10 de março de 2021. Seções de estudo Dentre os fenômenos que a micrometeorologia estuda, podemos ressaltar as trocas gasosas de calor/energia, movimento, massa, ocorrendo continuamente entre a superfície e a atmosfera. Como exemplos temos: os balanços de radiação e de energia, perfis verticais das propriedades, estatística dos processos turbulentos, atrito/cisalhamento do vento, processos convectivos etc. 2 - Tópicos em Micrometeorologia. Como já vimos, a Micrometeorologia estuda os fenômenos que ocorrem dentro da Camada Limite Planetária (CLP), de modo que podemos mencionar como os principais tópicos: • Turbulência atmosférica – Pode ser definida como o movimento caótico (transporte vertical eficiente) onde as representações de forma aleatória e irregular da velocidade, temperatura, concentração, juntamente com análise estatística permite se ter valores médios, desvios, momentos superiores nas escalas de tempo e espaço. A interação do campo de vento com o solo e seu aquecimento devido ao sol, ou de seu resfriamento durante a noite por irradiação terrestre, produz um movimento caótico do ar conhecido como turbulência atmosférica. Essa turbulência é responsável pela dispersão na atmosfera (a diluição dos poluentes na horizontal e na vertical). Esse último efeito é limitado pela altura da Camada Limite Planetária (CLP), que por sua vez está relacionada com a turbulência atmosférica. A CLP pode ser considerada a região onde a turbulência é importante, ao passo que a atmosfera livre possui um movimento mais laminar (portanto, topo da CLP pode ser interpretado também como o nível que a turbulência desaparece ou torna-se insignificante) (MOREIRA et al., 2008). O conceito pode também ser aplicado quando ocorre uma alteração na velocidade e na direção de deslocamento de uma corrente de ar por conta da presença de barreiras naturais como montanhas, ou artificiais, como prédios. • Dinâmica e termodinâmica dos fenômenos da Camada Limite Atmosférica – Podemos relatar que a Dinâmica lida com o movimento de objetos e que forças são responsáveis para tal movimento. A Meteorologia Dinâmica trata dos movimentos atmosféricos e sua evolução temporal; sua abordagem é baseada nas leis da Mecânica dos Fluídos e da Termodinâmica Clássica. É a base dos atuais modelos atmosféricos de previsão do tempo nos principais centros de previsão dos países desenvolvidos. O computador, como sua principal ferramenta, permite estudar a dinâmica das forças que acabam definindo os diferentes tipos de nuvens e sistemas precipitantes. Uma dessas forças é o empuxo associado à presença de parcelas 24Qualidade do Ar de ar quente e úmido, flutuantes em um ambiente atmosférico mais frio e seco. A força da gravidade, isto é, o peso das parcelas, e as forças de arrasto aerodinâmico também são muito importantes. A convergência do escoamento horizontal do vento também tem um papel destacado na formação das tempestades, assim como a existência de potencial de liberação de energia potencial pela troposfera. Já a termodinâmica trata de sistemas, como eles interagem, como a energia flui dentro e fora do sistema e também como a entropia é gerada e a quantidade de energia é convertida em trabalho útil. Obedece sempre às quatro leis, entropia, temperatura, calor e volume. O conjunto de variáveis que é utilizado para descrever as condições de um sistema é chamado de estado termodinâmico. Assim, o estado de um sistema simboliza a sua condição, por meio de parâmetros como pressão, volume, temperatura. Quando um sistema sofre uma mudança de estado termodinâmico, dizemos que ele sofreu uma transformação, essas transformações podem ser reversíveis, quando as transformações ocorrem muito próximas da situação de equilíbrio, onde rapidamente o sistema volta à situação de equilíbrio, e as irreversíveis, que são aquelas em que as condições de equilíbrio são cada vez menos acessíveis, de modo que todo o sistema altera suas características de tal maneira que não seja mais possível que ele volte ao estado anterior. • Fenômenos de troca de energia e massa na interface superfície-atmosfera - Fluxo de calor (o calor específico à pressão constante da atmosfera. Isto é geralmente positivo durante o dia e é negativo à noite, quando a superfície cede energia para a atmosfera sob a forma de radiação); massa e momento (a massa é a quantidade de matéria do objeto, sendo uma grandeza escalar, e sua unidade no Sistema Internacional é o quilograma (kg); o momento se refere à medida de massa em movimento: quanta massa há e em quanto movimento); balanço de energia superficial (esse método se baseia em medidas de flutuações da velocidade do vento e das concentrações de CO2); balanço de água superficial (esse método se baseia em medidas de flutuações da velocidade do vento e das concentrações de vapor d’água); evapotranspiração (a taxa de evapotranspiração é normalmente expressa em milímetros (mm) por unidade de tempo, a qual representa a quantidade de água perdida de um solo cultivado em unidades de profundidade de água. A unidade de tempo pode ser hora, dia, mês, década, ou atémesmo um ciclo inteiro de uma cultura). 3 - Dispersão de Poluentes na Atmosfera A poluição atmosférica ocorre em função das atividades antrópicas (queima de combustível fóssil, emissão de gases e material particulado) de uma comunidade e das condições atmosféricas em função do tempo (velocidade do vento e temperatura). Através das condições meteorológicas conseguimos estabelecer uma forma de ligação entre a fonte de poluição e o receptor, tendo como referência o transporte e a dispersão dos poluentes. A dispersão de um poluente na atmosfera depende de dois fatores, em primeiro lugar, as condições meteorológicas e, depois, os parâmetros e condições em que se produz essa emissão na fonte (chaminé), como a velocidade e temperatura dos gases, vazão etc. A difusão atmosférica é responsável pela transferência dos poluentes atmosféricos, sendo o vento o primeiro mecanismo de transporte. A diferenças de pressão em decorrência do aquecimento ou resfriamento da atmosfera pelo Sol, são os fatores responsáveis pelos ventos na Terra. Para se avaliar a difusão atmosférica ou dispersão de poluentes, usam-se modelos matemáticos, alimentados por um conjunto de dados necessários à sua aplicação. Entre esses dados, os relacionados com as condições meteorológicas de estabilidade e turbulência são importantes e estão agrupados nas chamadas “categorias de estabilidade” (DERISIO, 2012). Determina-se a estabilidade atmosférica mediante o gradiente térmico. As condições climáticas, os movimentos ascendentes e descendentes de volumes de ar, velocidade do vento, turbulência atmosférica, gradiente de temperatura, da insolação, da chuva, da neve. Assim, consideramos a atmosfera estável quando as forças ascensionais se opõem ao movimento vertical, e instável quando as forças ascensionais favorecem o movimento vertical. Considerando-se a aceleração (A) e a temperatura (T) do ar pode-se, de forma reduzida, chegar a três diferentes condições na atmosfera: • A = T estabilidade neutra • A > T instabilidade • Aestudo de dispersão atmosférica, inclusive pela EPA. Esse modelo baseia-se na hipótese da turbulência homogênea e estacionária, fluxo de emissão constante, contaminante quimicamente estável e topografia constante. Possibilitando assim: 1 - Determinar as coordenadas cartesianas do ponto onde se deseje descobrir a concentração do contaminante; 2 - Verificar qual a classe de estabilidade atmosférica, baseando- se nas condições meteorológicas; 3 - Calcular a velocidade do vento na altura do topo da chaminé; 4 - Calcular a altura efetiva de lançamento; 5 - Determinar o valor dos parâmetros σy e σz e 6 - Calcular a concentração de contaminante no ponto de interesse. Chegamos, assim, ao final de nossa quarta aula. Espera-se que agora tenha ficado mais claro o entendimento de vocês sobre micrometeorologia e parâmetros climáticos, e a importância de se estudar a dispersão de poluentes na atmosfera. Vamos, então, recordar? Retomando a aula 1 – A Micrometeorologia Abordamos o conceito de Micrometeorologia como um ramo da ciência relacionado com a área da física que estuda os fenômenos atmosféricos na Camada Limite Planetária (CLP), numa escala temporal inferior a 1 hora, e espacial inferior a 2 km. 2 – Tópicos em Micrometeorologia Estudamos os fenômenos que ocorrem dentro da Camada Limite Planetária (CLP), dentre os quais podemos mencionar a turbulência atmosférica, a dinâmica e termodinâmica dos fenômenos da Camada Limite Atmosférica e os fenômenos de troca de energia e massa na interface superfície-atmosfera. 3 – Dispersão de Poluentes na Atmosfera Averiguamos os principais modelos matemáticos disponíveis hoje, para quantificar a dispersão de poluentes atmosféricos (EPA - Environmental Protection Agency e o Gaussiano). Abordamos as características que os modelos matemáticos têm que adotar, conforme a intensão pretendida (modelos empíricos, modelos numéricos e modelos semiempíricos). MOREIRA, D.M.; TIRABASSI, T.; MORAES, M.R.. Meteorologia e poluição atmosférica. Ambient. soc., v. 11, n. 1, p. 1-13, 2008. DERISIO, J. C. Introdução ao controle de poluição ambiental. 4ª ed., Editora: Oficina de Textos, p. 228, 2012. Vale a pena ler Vale a pena Companhia Ambiental do Estado de São Paulo - CETESB – Aborda as principais fontes de poluição e a dispersão dos poluentes atmosféricos. Disponível em: https:// cetesb.sp.gov.br/posgraduacao/wp-content/uploads/ sites/33/2017/11/Apostila-Polui%C3%A7%C3%A3o- do-Ar-Gerenciamento-e-Controle-de-Fontes.pdf. Acesso em: 15 fev. 2022. Vale a pena acessar Reportagem: Tubo de Ensaio - Laboratório de Micrometeorologia – UFSM (https://www.youtube.com/watch?v=_9w-KjRzEo0). Vale a pena assistir