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EXPEDIÇÃO Prepare-se para estudar as maiores economias da América Latina: México, Argentina e Brasil. No Percurso 17, você vai entender como esses países chegaram a essa posição e quais fatores contribuíram para que, ao longo do século XX, ocorresse seu desenvolvimento industrial. Nos percursos seguintes, você estudará as regiões naturais, além de aspectos populacionais e econômicos do México e da Argentina. Também conhecerá os impasses e as soluções que acompanharam a delimitação das atuais fronteiras e limites entre o Brasil e os países platinos e compreenderá sua integração econômica por meio do Mercosul (Mercado Comum do Sul). 5América: países emergentes 154 PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 154 01/06/16 01:01 México, Argentina e Brasil: da industrialização tardia à inserção global México Argentina Brasil: conflitos e cooperação na Bacia Platina 17 18 19 20 PERCURSOS Verifique sua bagagem 1. Você sabe por que o México, a Argentina e o Brasil são chamados de países emergentes? 2. O Brasil se relaciona economicamente com a Argentina, o México e outros países da América Latina? Em 1519, Fernão Cortez, liderando uma expedição espanhola, invadiu o território do atual México e, aliado aos inimigos dos astecas, ocupou a ca- pital do Império Asteca, Tenochtitlán, em 1521. À conquista juntaram-se as epidemias e a desestruturação econômica do Império, provocando sua ruína, além de um grande despovoamento (em 1519, a população estimada era de 11 milhões e, em 1600, de apenas 2,5 milhões). Na foto (2013), a imensa praça (Zócalo) no centro da Cidade do México, capital do país, com a catedral católica, erguida sobre as ruínas do templo mais importante de Tenochtitlán, e o Palácio do Governo, erguido sobre a residência de um chefe asteca. RA N D Y FA RI S/ CO RB IS /L A TI N ST O CK 155 1. Em decorrência de certas características que apresentam: considerável industrialização, crescimento econômico, atração de investimentos estrangeiros e domínio de alguns setores avançados de ciência e tecnologia, entre outras. A terminologia “emergentes” mascara a realidade social ainda encontrada nessas três sociedades: pobreza de grandes parcelas da população, problemas graves de habitação e de saneamento básico, como também desigual distribuição da riqueza entre as suas classes sociais, entre outros problemas. 2. Espera-se que o aluno reconheça a Argentina como importante parceiro comercial do Brasil, mencione o Mercosul e perceba que o México e os demais países latino-americanos mantêm relações comerciais com o Brasil. PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 155 01/06/16 01:01 PERCURSO 17 Das economias representadas no mapa, quais delas ocupam o primeiro e o segundo lugares quanto ao PIB? Quais são seus valores? México, Argentina e Brasil: da industrialização tardia à inserção global As maiores economias da América Latina No conjunto dos países latino-americanos, México, Argentina e Bra- sil formam um grupo à parte: são os chamados países emergentes. Suas economias estão entre as maiores do continente americano ao sul dos Estados Unidos, incluindo o Caribe, e representaram cerca de 68% do Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina em 2014 (figura 1). Ape- nas a economia mexicana supera a soma do PIB das economias dos pa- íses da América Central e da América Andina. Em 2014, o PIB brasileiro foi de aproximadamente 2,3 trilhões de dólares, o do México, de 1,3 tri- lhão, e o da Argentina, de 540 bilhões. 1 Figura 1. América Latina: Produto Interno Bruto – 2014 Fontes: elaborado com base em Banco Mundial. 4.2 World Development Indicators: Structure of output. Disponível em: . Acesso em: 18 nov. 2015; FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 71. FE RN A N D O JO SÉ F ER RE IR A América Andina Conjunto de países onde se localiza a Cordilheira dos Andes: Venezuela, Colômbia, Equador, Bolívia, Peru e Chile. MÉXICO 1.282,7 COSTA RICA COLÔMBIA VENEZUELA TRINIDAD E TOBAGO PERU BRASIL 2.346,1 CHILE ARGENTINA 540,2 0° 70° O TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO EQUADOR TRÓPICO DE CÂNCER OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO Produto Interno Bruto (em bilhões de dólares) 300 100 Sem dados 10 830 km NE LO SE S N NO SO 156 EXPEDIÇÃO 5 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Brasil, com 2 trilhões, trezentos e quarenta e seis bilhões e cem milhões de dólares; e o México, com 1 trilhão, duzentos e oitenta e dois bilhões e setecentos milhões de dólares. PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 156 01/06/16 01:01 A industrialização tardia A diversificação econômica atual de México, Argentina e Brasil se deve, entre outros fatores, ao fato de terem assumido, no passado, a dianteira na industrialização de suas economias em relação a outros países latino-americanos. Com África do Sul, Índia e China, esses países são denominados países de industrialização tardia ou retardatária, pois se industrializaram cer- ca de um século depois dos países desenvolvidos, que iniciaram suas re- voluções industriais nos séculos XVIII e XIX (figura 2). 2 • Períodos da industrialização latino-americana Ao longo do século XX, alguns acontecimentos favoreceram o desen- volvimento industrial na América Latina, particularmente no México, na Argentina e no Brasil. Conheça, a seguir, alguns deles. A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) Durante a Primeira Guerra Mundial, Inglaterra, França, Alemanha e Estados Unidos, tradicionais fornecedores de produtos industrializados para a América Latina, diminuíram suas exportações para a região, pois precisavam direcionar seus recursos para a guerra (figura 3). Isso esti- mulou o desenvolvimento industrial do México, da Argentina, do Brasil e de outros países da América Latina, que passa- ram a produzir alguns artigos industriais para abastecer seus mercados internos, substituin- do as importações. Figura 2. Operárias da Tecelagem Mariangela, das Indústrias Reunidas F. Matarazzo, em São Paulo, SP (anos 1920). O Brasil completou a primeira fase de sua industrialização em 1930, cem anos depois da Inglaterra, que a realizou entre 1750 e 1830. Figura 3. Armamentos britânicos no front de batalha durante a Primeira Guerra Mundial (1914- -1918). Enquanto os países em guerra usavam o desenvolvimento econômico e tecnológico que haviam alcançado para fabricar armamentos, a América Latina começava a se desenvolver em setores industriais de bens de consumo, como vestuário e alimentação. CO RB IS /L A TI N ST O CK A CE RV O IC O N O G RA PH IA No seu contexto Onde você vive, as mulheres participam no mercado de trabalho? Explique. 157 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Espera-se que os alunos reconheçam que as mulheres desempenham papel importante na força de trabalho, ocupando diferentes cargos em diversas atividades, inclusive de liderança. Lembre ainda que muitas possuem maior nível de instrução, em comparação com os homens, e também são chefes de família. PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 157 01/06/16 01:01 A Crise de 1929 Para compreender a Crise de 1929 e sua relação com a industrializa- ção dos atuais países emergentes da América Latina, é preciso lembrar que, durante a Primeira Guerra Mundial, a economia dos Estados Uni- dos apresentou grande desenvolvimento: o país abasteceu muitos paí- ses europeus de matérias-primas, alimentos, produtos industrializados e capitais (empréstimos em dinheiro). Dessa forma, após a Primeira Grande Guerra, quase toda a Europa passou a dever para os Estados Unidos, que, mesmo antes da guerra, eram a maior potência industrial do mun- do e já apresentavam grande desenvolvimento econômico.São Paulo: Moderna, 2013. p. 68-69. Grande concentração de indústrias alimentícias Jazida de petróleo Jazida de gás Oleoduto Gasoduto Refinaria de petróleo Urânio Beneficiamento de urânio Central nuclear Central hidrelétrica Siderurgia Metalurgia Indústria mecânica Indústria química Indústria têxtil Indústria automobilística Salta Córdoba Rosário Santa Fé Mendoza Neuquén Comodoro Rivadavia Yaciretá San Nicolás Salto Grande El Chocón Campo Durán Baía Blanca La Plata Tucumán Atucha Río Chico El Cóndor S. Sebastián Buenos Aires OCEANO ATLÂNTICO O C EA N O P A C ÍF IC O 30°S 60°O PARAGUAI URUGUAI BRASIL CHILE San Luis Formosa Ushuaia San Salvador de Jujuy Santa Rosa Corrientes Rawson Viedma Is. Falkland (Malvinas) Estreito de Magalhães 55°S 60°O Is. Falkland (Malvinas) (RUN pret. ARG.)TERRA DO FOGO Punta Arenas Santa Cruz Ushuaia Stanley Rio Gallegos Canal de Beagle Cabo Horn OCEANO ATLÂNTICO Grande concentração de indústrias alimentícias Jazida de petróleo Jazida de gás Oleoduto Gasoduto Refinaria de petróleo Urânio Beneficiamento de urânio Central nuclear Central hidrelétrica Siderurgia Metalurgia Indústria mecânica Indústria química Indústria têxtil Indústria automobilística Salta Córdoba Rosário Santa Fé Mendoza Neuquén Comodoro Rivadavia Yaciretá San Nicolás Salto Grande El Chocón Campo Durán Baía Blanca La Plata Tucumán Atucha Río Chico El Cóndor S. Sebastián Buenos Aires OCEANO ATLÂNTICO O C EA N O P A C ÍF IC O 30°S 60°O PARAGUAI URUGUAI BRASIL CHILE San Luis Formosa Ushuaia San Salvador de Jujuy Santa Rosa Corrientes Rawson Viedma Is. Falkland (Malvinas) 370 km NE LO SE S N NO SO 280 km NE LO SE S N NO SO FE RN A N D O JO SÉ F ER RE IR A A N D ER SO N D E A N D RA D E PI M EN TE L 180 EXPEDIÇÃO 5 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Indústria química e mecânica. PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 180 01/06/16 01:02 • As Malvinas ou Ilhas Falkland O arquipélago das Malvinas, ou Ilhas Falkland (figura 30), situa-se no Oceano Atlântico, a 500 km a leste do litoral extremo sul do território argentino. Assentado sobre a plataforma continental, o arquipélago ofi- cialmente pertence ao Reino Unido, que também mantém domínio so- bre outras ilhas mais distantes, como Geórgia do Sul e Sandwich do Sul. A Argentina, no entanto, reivindica a posse do arquipélago das Mal- vinas alegando antecedentes históricos, entre os quais a ocupação efe- tiva do território até 1833, ano em que os britânicos expulsaram os argentinos que aí tinham se estabelecido em 1820. Em abril de 1982, sob a ditadura militar argentina, tropas desse país desembarcaram nas Malvinas com o propósito de reaver o domínio do ar- quipélago. Prontamente, o Reino Unido reagiu à invasão enviando forças militares para a região de conflito, com o apoio dos Estados Unidos. Após cerca de 45 dias de combate, 750 argentinos e 250 ingleses mortos, a Argentina se rendeu e o arquipélago continuou sob domínio britânico. O desejo de recuperar o arquipélago permanece bastante vivo na so- ciedade argentina. A partir da década de 1990, foram retomadas as ne- gociações entre os dois países para resolver o impasse. Contudo, estudos do subsolo da região das Malvinas, em 1993, indicaram a existência de petróleo no arquipélago, o que passou a ser mais um complicador na resolução desse impasse. Em 1999, o Reino Unido propôs a realização de uma consulta para que a população das Malvinas decidisse se desejava pertencer à Argentina ou ao Reino Unido. A Argentina recusou a proposta, argumentando que essa não seria uma decisão acertada, considerando que a maioria da população, de origem britânica (chamada de kelpers), votaria pela permanência da soberania do Reino Unido sobre o arquipélago. Mesmo assim, o Reino Unido realizou uma consulta em 2013 e, dos 1.500 votan- tes, 99% decidiram que o arquipélago deve pertencer a esse país. Figura 30. Com cerca de 3 mil habitantes, o arquipélago das Malvinas tem 12,2 mil km2. Embora seja autossuficiente na agricultura e na pecuária leiteira, precisa importar praticamente todos os produtos industrializados, pois não há indústrias locais. Na foto, vista de Port Stanley, capital das Malvinas ou Ilhas Falkland (2013). KO N RA D W O TH E/ LO O K FO TO /G LO W IM A G ES 181 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 181 01/06/16 01:02 PERCURSO 20 Brasil: conflitos e cooperação na Bacia Platina Das disputas territoriais à consolidação das fronteiras políticas O Brasil divide fronteiras com dez das doze nações sul-americanas (incluindo a Guiana Francesa). Nas últimas décadas, os go- vernantes brasileiros têm visto as fronteiras do país como linhas de cooperação e não de separação com seus vizinhos. Mas nem sem- pre foi assim, principalmente na Bacia Plati- na, também conhecida como Bacia do Prata (figura 31). • Rivalidades coloniais No passado colonial, os atuais terri tórios da Argentina, do Paraguai e do Uruguai integraram o Vice-Reinado do Rio da Prata, su bordinado à Espanha. Como parte da América portuguesa, o Brasil teve uma história marca- da por conflitos na consoli dação das fron- teiras políticas com esses e outros países sul-americanos. Isso ocorreu porque Portugal e Espanha, por meio do Tratado de Tordesilhas, assinado em 1494, haviam definido os princípios gerais para a determinação dos limites de seus territórios na América, porém não os haviam delimitado, ou seja, traçado linhas divisórias sobre os mapas que permitissem definir marcos de fronteira (figura 32). Ao longo do tempo, essa situação deu origem a disputas territoriais expansionistas entre as duas potências co- loniais ibéricas. Em 1676, por exemplo, em suas investidas para o sul, os portugueses fundaram Laguna, no litoral do atual estado de Santa Catarina, próximo à linha do Tratado de Tordesilhas. Em seguida, em 1680, desejosos por controlar a entrada do estuário platino, fundaram, nesse local, a Colô- nia de Sacramento. Na mesma época, também realizaram incursões pe- las terras que, mais tarde, formariam o estado do Rio Grande do Sul. Pelo Tratado de Tordesilhas, tanto essa área como a Colônia de Sacramento localizavam-se em terras pertencentes à Espanha. 1 Figura 31. Bacia Platina Ri o P ar an á 50°O TRÓPICO DE CAPRICÓRNIOÓPICO DE CAPRICÓRNIOÓPICO DE CAPRICÓRNIOÓPICO DE CAPRICÓRNIOÓPICO DE CAPRICÓRNIOÓPICO DE CAPRICÓRNIOÓPICO DE CAPRICÓRNIOÓPICO DE CAPRICÓRNIOÓPICO DE CAPRICÓRNIOPARAGUAI BOLÍVIA URUGUAI BRASIL ARGENTINA C H IL E Ri o U ru gu ai R io P ar an á Ri o Pa ra g u ai R io P ar ag u ai O C EA N O P A C ÍF IC O OCEANO ATLÂNTICO Limite da Bacia do Prata Fonte: elaborado com base em IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 40-41. 350 km A N D ER SO N D E A N D RA D E PI M EN TE L NE LO SE S N NO SO Tratado de Tordesilhas Tratado que fixou critérios de partilha das terras recém-descobertas pelos europeus no final do século XV e que teve por base um meridiano situado a 370 léguas a oeste do Arquipélago de Cabo Verde. Marco de fronteira Marco físico colocado em ponto notável do terreno, que identifica o limite de uma linha de fronteira terrestre. 182 EXPEDIÇÃO 5 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . As disputas territoriais expansionistas entre as duas potências coloniais ibéricas, Espanha e Portugal, poderão ser enriquecidas por meio de trabalho interdisciplinar com o professor de História. PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 182 01/06/16 01:02 No noroestedo que hoje corresponde ao estado do Rio Grande do Sul, no início do século XVII, padres jesuítas espanhóis implantaram missões ou reduções com o objetivo de converter os indígenas à fé cristã (figura 33). Essas missões foram invadidas diversas vezes por bandeirantes paulistas que buscavam escravizar os indígenas — o que mais uma vez infringia o tratado luso-espanhol. A presença portuguesa em terras que per- tenciam à Espanha pelo Tratado de Tordesi- lhas provocou tensões na região. A Colônia de Sacramento, por exemplo, fundada pelos por- tugueses, foi invadida pelos espanhóis, mas reconquistada pelos portugueses — essa troca de domínio ocorreu outras vezes. Na tentativa de pôr fim às disputas territo- riais, na segunda metade do século XVIII Portu- gal e Espanha assinaram vários tratados para a definição de limites entre seus respectivos territórios. Apenas em 1801, pelo Tratado de Badajós, fi- caram estabelecidas as fronteiras do Rio Grande do Sul com o Vice-Reinado Espanhol do Rio da Prata, que deu origem, posteriormente, à Ar- gentina, ao Uruguai e ao Paraguai. Figura 32. Portugal e Espanha: tratados de delimitação de fronteiras – 1494-1801 Fonte: elaborado com base em CAMPOS, Flávio de; DOLHNIKOFF, Miriam. Atlas: história do Brasil. 3. ed. São Paulo: Scipione, 1993. p. 16. OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO São José do Rio Negro (Manaus) VICE-REINADO DO RIO DA PRATA Bogotá Quito Lima Assunção Buenos Aires Belém São Luís Olinda Recife Salvador (capital até 1763) Porto Seguro Vila Real (Cuiabá) Vila Boa Sabará Vila Rica (Ouro Preto) Vitória São João del Rei São Paulo Rio de Janeiro (capital a partir de 1763) São VicenteCuritiba Vila do DesterroLaguna Porto Alegre Vila de São Pedro Colônia de Sacramento VICE-REINADO DO PERU VICE-REINADO D E N OVA G RA N A D A Tratado de Tordesilhas, 1494 Tratado de Utrecht, 1713-1715 Tratado de Madri, 1750 Tratado de Santo Idelfonso, 1777 Tratado de Badajós, 1801 Território atual do Brasil Áreas em litígio com os países vizinhos no decorrer do séc. XIX Área disputada por Portugal e Espanha Figura 33. Ruínas de igreja construída entre 1735 e 1750, no Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo, município de São Miguel das Missões, RS (2015). A redução de São Miguel foi edificada a partir de 1687 pelos portugueses; é uma das sete reduções jesuítico-guaranis na região dos Sete Povos das Missões. A N D RE D IB /P U LS A R IM A G EN S FE RN A N D O JO SÉ F ER RE IR A 510 km NE LO SE S N NO SO Navegar é preciso Missões – Movimento Tradicionalista Gaúcho Saiba mais sobre a história das missões jesuíticas no Rio Grande do Sul, como processo de ocupação e cultura, acessando esse site. O Brasil Audiovisual 183PERCURSO 20 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 183 01/06/16 01:02 • A questão Cisplatina no Império do Brasil Em 1816, a mando de dom João, luso-brasileiros ocuparam a Banda Oriental do Uruguai (nome dado, na época, ao atual território uruguaio). Em 1821, essa região foi incorporada ao Brasil com o nome de Provín- cia Cisplatina. Os habitantes locais, predominantemente descendentes de espa- nhóis, não aceitaram que esse território pertencesse ao Brasil. Em 1825, liderados pelo general Lavalleja, conquistaram a autonomia da Cisplati- na em relação ao Império do Brasil, passando a fazer parte da República das Províncias Unidas do Rio da Prata. Em resposta ao ato de Lavalleja, no mesmo ano dom Pedro I declarou uma guerra que terminaria em 1828, com a derrota brasileira. A Província Cisplatina, independente, deu origem à República Oriental do Uruguai e enfraqueceu a pretensão brasi- leira de ampliar seu território. • A era Rio Branco (1902-1912) A negociação com êxito das fronteiras definitivas entre o Brasil e os vizinhos platinos e demais países sul-americanos somente ocorreu a par- tir do período republicano, durante a chamada “era Rio Branco” (1902- -1912), quando José Maria da Silva Paranhos Júnior — conhecido como Barão do Rio Branco — foi ministro das Relações Exteriores do Brasil. Considerado o pai da diplomacia contemporânea brasileira, o barão consolidou uma tradição diplomática baseada na negociação pacífica de conflitos, o que ajuda a explicar por que, desde o fim da Guerra do Pa- raguai (1870), o Brasil não se envolveu em outros conflitos interestatais. Brasil e Argentina: da desconfiança à aproximação As relações políticas e econômicas entre Brasil e Argentina foram in- fluenciadas, na maior parte do século XX, pelos mais de três séculos de disputas fronteiriças. • A competição geopolítica Na década de 1930, militares, estrategistas e geopolíticos argentinos e brasileiros mantiveram desconfiança e competição mútuas. Do lado argentino, considerava-se que o Brasil era o maior rival na América do Sul e desejava-se contrabalançar seu poder com base na lembrança de que, durante a demarcação das fronteiras brasileiras nos períodos colonial e imperial, ocorrera considerável expansão do terri- tório, do litoral para o interior do continente. O governo da Argentina almejava, assim, tornar o país o núcleo de um poder regional, articulan- do-se com os demais países hispano-americanos. Os geopolíticos brasileiros, por sua vez, consideravam que o principal objetivo da Argentina era isolar o Brasil na América do Sul. Também temiam que o país vizinho planejasse atacar os estados brasileiros da Região Sul com o apoio do Uruguai, do Paraguai e da Bolívia. 2 Navegar é preciso Fundação Alexandre de Gusmão No link “Biblioteca Digital”, você encontra a seção “Download gratuito”, com textos relativos a temas de interesse da política externa brasileira trabalhados neste Percurso. 184 EXPEDIÇÃO 5 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 184 01/06/16 01:02 • A OPA e os acordos de Uruguaiana Sinais de aproximação entre os dois países somen- te surgiriam na década de 1950, durante os governos do presidente brasileiro Juscelino Kubitschek (1956-1961) e do argentino Arturo Frondizi (1958-1962). Em 1958, o presidente Juscelino Kubitschek lançou a Operação Pan-Americana (OPA), cujo objetivo era estrei- tar relações entre os países da América e pressionar os Estados Unidos para que tomassem iniciativas de maior cooperação com o desenvolvimento continental. Com o apoio do presidente argentino, instaurou-se maior cooperação entre os dois governos, levantando-se a neces- sidade da integração dos países da América do Sul. Assim, em 1960 foi criada a Associação Latino-Americana de Livre-Comércio (Alalc). Em 20 de abril de 1961 os governos do Brasil e da Ar- gentina realizaram um encontro histórico na cidade de Uruguaiana (RS), na fronteira com a Argentina (figura 34), no qual concordaram em superar as desconfianças his- tóricas e intensificar um esforço comum de cooperação econômica, financeira, judiciária e cultural, além do esta- belecimento de uma ação comum na solução de problemas internacionais. • Governos militares Após os acordos de Uruguaiana, o estreitamento dos laços de coopera- ção entre Brasil e Argentina não avançou, pois governos militares assu- miram o poder em ambos os países, reavivando desconfianças mútuas. No Brasil, o regime militar teve início em 1964 e estendeu-se até 1985, enquanto na Argentina os militares permaneceram no poder en- tre 1962 e 1983. No Brasil, os militares buscaram consolidar a hegemonia do país na América do Sul. Para isso, consideravam necessário isolar a Argentina por meio da articulação de diversas iniciativas na Bacia Platina, região de maior influência da Argentina. Priorizaram, assim, o fortalecimentodas relações bilaterais do Brasil, principalmente com a Bolívia e com o Para- guai, países que dependiam da Argentina para escoar produtos para o exterior, por meio do Porto de Buenos Aires. Com o intuito de atrair o Paraguai para a órbita de influência brasilei- ra, em 1969 foi inaugurada a Rodovia BR-277, que liga o eixo econômi- co paraguaio, Assunção-Ciudad del Este, ao litoral do estado do Paraná, permitindo as exportações paraguaias. Em 1966, assinou-se a Ata das Cataratas ou Ata de Iguaçu, que estabeleceu regras para o aproveita- mento hidrelétrico do médio Paraná. Anos mais tarde, em 1973, foi as- sinado o Tratado de Itaipu, à revelia dos protestos argentinos, e foram iniciadas as obras para a construção da Hidrelétrica de Itaipu (figura 35, na página seguinte), empresa paraguaio-brasileira que tornou o Para- guai autossuficiente na produção de energia elétrica. U H /F O LH A PR ES S Figura 34. Jânio Quadros (sentado no banco de trás do carro) e Arturo Frondizi (em pé no carro), em Uruguaiana, RS (1961). No encontro de Uruguaiana, os presidentes brasileiro e argentino discutiram alternativas de cooperação econômica entre os países sul-americanos. Também proclamaram a repulsa a interferências extracontinentais nos assuntos da América do Sul. Associação Latino- -Americana de Livre-Comércio (Alalc) Organização internacional cujo objetivo era incrementar o comércio entre Brasil, Argentina, Chile, México, Paraguai, Peru, Uruguai, Equador, Colômbia, Venezuela e Bolívia por meio de redução de tarifas e outras providências. 185PERCURSO 20 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 185 01/06/16 01:02 A partir de meados da década de 1980, período em que no Brasil e na Argentina ocorreu a transição do regime militar para os governos demo- cráticos, os governantes desses países deram início à superação da visão recíproca de que eram “inimigos históricos”. Diante da percepção de que a economia mundial passava por transformações importantes, começa- ram a se aproximar com o objetivo de cooperação e complementaridade de suas economias. Essa aproximação permitiu que representantes dos governos do Bra- sil, Uruguai, Argentina e Paraguai iniciassem conversações a fim de in- tegrar comercialmente seus países, o que mais adiante culminou com a assinatura do Tratado de Assunção, na cidade de Assunção, capital do Paraguai, criando-se, em 1991, o Mercado Comum do Sul (Mercosul). O Mercosul Nos seus primeiros anos, o Mercosul funcionou como uma zona de livre- -comércio, transformando-se a partir de 1995 em uma união adua neira. Apesar dessa evolução, o Mercosul não atingiu seu principal objetivo: tornar- -se um mercado comum plenamente constituído, o que permitiria o aprofun- damento da associação comercial entre os países integrantes (figura 36). Além dos países fundadores, Chile, Bolívia, Peru, Colômbia e Equador são países associados do Mercosul. Em 2006 iniciou-se o processo de en- trada da Venezuela como país-membro, efetivado em julho de 2013. 3 Figura 35. Vista aérea da Usina Hidrelétrica de Itaipu no Rio Paraná, na fronteira entre Brasil e Paraguai (2015). Figura 36. Reunião do Mercosul em Caracas, capital da Venezuela, em 28 de julho de 2014. IT A IP U B IN A CI O N A L/ A LE XA N D RE M A RC H ET TI M IG U EL R O JO /A FP Zona de livre-comércio Área em que impostos, tarifas e taxas de importação de mercadorias e serviços são eliminados ou reduzidos. União aduaneira Zona de livre-comércio em que os países-membros cobram os mesmos impostos, taxas e tarifas de importação no comércio com outros países não pertencentes ao bloco. Mercado comum Associação comercial com base na eliminação de todos os impostos, taxas e tarifas de importação e na livre circulação de pessoas, capitais e serviços entre os países-membros. 186 EXPEDIÇÃO 5 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 186 01/06/16 01:02 Figura 37. Brasil: evolução do comércio com os países do Mercosul – 1994-2014 • O comércio intrabloco Desde a criação do Mercosul, em 1991, o volume do comércio entre os países-membros tem crescido. Em 2006, impulsionadas pelo aumento do comércio bilateral do Brasil com a Ar- gentina, as exportações no interior do bloco aumentaram mais de 20%. Dez anos depois de firmado o blo- co, o Brasil assumiu a liderança entre os parceiros comerciais, e, entre 2004 e 2014, manteve-se numa situação comercial favorável no relacionamen- to com os demais integrantes. Veja na figura 37 a tendência de crescimento do comércio entre o Brasil e os outros membros do Mercosul. • A crise dos anos 1999-2001 A partir de 1999, alguns problemas nas economias, principalmente do Brasil e da Argentina, influíram na redução das trocas comerciais do Mercosul. A desvalorização do real em relação ao dólar, em janeiro de 1999, causou a alta dos preços dos produtos argentinos, paraguaios e uruguaios no mercado brasileiro e, em consequência, a redução das im- portações brasileiras de produtos desses países. Tal situação afetou profundamente a Argentina, pois somente o Brasil era responsável pela compra de 31% do total de suas exportações. Em 2000 e 2001, esse quadro de recessão e desemprego, que já existia em 1999, agravou-se. Com isso, o comércio entre os países do Mercosul declinou, mas manteve-se muito acima do que era no início dos anos 1990. • Limites e desafios A criação do Mercosul foi um marco de aproximação política e eco- nômica entre Brasil e Argentina; entretanto, não eliminou disputas re- lacionadas à liderança no bloco econômico, à atração de investimentos estrangeiros e à obtenção de maior influência política na ONU. Apesar desses desacordos, ambos os países acreditam que o bloco re- gional é o principal meio pelo qual os países da América do Sul podem negociar em âmbito mundial seus interesses políticos e econômicos. Po- rém, no Uruguai e no Paraguai essa visão é menos compartilhada; esses países acreditam que o Mercosul lhes trouxe poucos benefícios. Em perspectiva histórica, o Mercosul mudou definitivamente as rela- ções entre os países platinos e deles em relação aos demais países sul- -americanos, colocando-os diante do desafio da integração regional. Fonte: Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Intercâmbio Comercial Brasileiro: Mercosul. Série histórica. Disponível em: . Acesso em: 7 out. 2015. A D IL SO N S EC CO 0 35 25 30 20 15 5 10 B ilh õ es d e d ó la re s 45 40 50 20 14 19 94 19 95 19 96 19 97 19 98 19 99 20 00 20 01 20 02 20 03 20 04 20 05 20 06 20 07 20 08 20 09 20 10 20 11 20 12 20 13 Recessão Queda da atividade produtiva de um país, geralmente acompanhada por aumento do desemprego; crise. Navegar é preciso Mercosul Conheça os documentos oficiais e fique por dentro do que acontece no Mercosul. 187PERCURSO 20 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Em 2009 ocorreu uma queda significativa do comércio do Brasil com os países do Mercosul (US$ 28,9 bilhões), por causa da crise da economia mundial. PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 187 01/06/16 01:02 Atividades dos percursosAtividades dos percursos 19 e 20 Revendo conteúdos 1 Descreva os aspectos naturais da região da Cordilheira dos Andes que explicam sua baixa densidade demográfica. 2 A Mesopotâmia argentina se encontra entre quais rios? Explique por que essa região é importante economicamente. 3 Brasil e Argentina têm em comum uma imensa planície formadapor terras úmi- das que apresenta grande biodiversidade. Dê o nome desse conjunto de terras úmidas no Brasil e na Argentina e indi- que sua localização geográfica. 4 Observe o mapa abaixo e, depois, faça o que se pede. b) Segundo o Tratado de Tordesilhas, de 1494, a qual país pertenciam os territórios coloridos no mapa? c) Como está indicada a área onde se loca- lizava aproximadamente a Província Cisplatina? A que país ela deu origem? d) Durante o regime militar, o governo bra- sileiro se aproximou de dois países (colo- ridos em amarelo no mapa). Explique o contexto estratégico dessa aproximação e aponte o nome desses países. e) Qual é o nome do arquipélago indicado pela cor rosa, localizado próximo ao li- toral sul do continente americano? Quais países reivindicam a posse desse terri- tório? 5 Um professor de Geografia elaborou um jogo e dividiu a classe em dois grupos: o grupo A ficou encarregado de anotar no quadro os nomes das regiões natu- rais argentinas, enquanto o grupo B tinha de relacioná-las corretamente às suas atividades econômicas ou produ- tos. Sabendo que as relações corretas valem 1 ponto para B e as incorretas 1 ponto para A, observe o que eles fizeram e responda às questões. Regiões naturais da Argentina Principais atividades econômicas ou produtos Cordilheira dos Andes (base) Petróleo e frutas Grande Chaco Petróleo e gás natural Mesopotâmia Extração de quebracho Pampas Produção de arroz e aves Patagônia Pecuária bovina a) Quem ganhou o jogo? Por quê? b) Como o grupo B deveria ter preenchido o quadro para fazer 5 pontos? c) Em qual dessas regiões naturais se concentra a maior parte da população argentina? Que características naturais favoreceram sua ocupação? EQUADOR 0° TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO 60°O Buenos Aires Assunção Montevidéu Brasília Santiago La Paz OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO Fonte: elaborado com base em IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 40-41. a) A linha azul indica o limite da segunda maior Bacia Hidrográfica da América do Sul. Qual é o nome dessa bacia e por quais países ela se estende? A N D ER SO N D E A N D RA D E PI M EN TE L 980 km NE LO SE S N NO SO EXPEDIÇÃO 5188 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 188 01/06/16 01:02 Leituras cartográficas 6 Observe a figura 28, na página 180, e faça o que se pede. a) Identifique a principal região geoe- conômica da Argentina. Quais são as principais indústrias instaladas nessa região? b) Que localidades com jazidas petrolífe- ras estão conectadas a Buenos Aires por oleodutos? 7 Observe o mapa a seguir e, depois, assi- nale a alternativa incorreta, justificando sua escolha. a) A região de menor umidade é a Patagônia. b) Nos Pampas a precipitação situa-se entre 600 e 1.000 mm anuais. c) Córdoba, a segunda maior cidade, situa- -se em uma região de baixa precipita- ção anual. d) A baixa umidade da Patagônia decorre dos Andes, que dificultam a chegada de massas de ar úmidas. Explore 8 Leia o fragmento de texto e responda. “[…] A Bolívia e o Paraguai foram então classificados como ‘prisioneiros geopolíti- cos’ da Argentina, por dependerem do es- tuário platino e do porto de Buenos Aires para ter acesso aos mercados extraconti- nentais. Uma operação estratégica e diplo- mática de larga envergadura foi posta em andamento, pelo Brasil, com a finalidade de ‘libertar’ esses países, fazendo-os gravitar na órbita do Brasil […].” MAGNOLI, Demétrio; ARAÚJO, Regina. Para entender o Mercosul. São Paulo: Moderna, 1994. p. 26-27. a) A que contexto político vivido no Brasil e na Argentina podemos relacionar o texto acima? Explique. b) Cite as infraestruturas construídas pelo governo brasileiro a fim de atrair o Para- guai para sua área de influência. Investigue seu lugar 9 As embalagens de alguns produtos com- prados no comércio são bilíngues. Em grupo, investigue se os produtos consumi- dos por você e pelas pessoas que conhece apresentam informações em espanhol e explique a relação entre esse fato e os acordos do Mercosul. Em seguida, veja o levantamento de outro grupo e comple- mente sua pesquisa. Argentina: precipitações anuais Fonte: elaborado com base em Atlas National Geographic: América do Sul. São Paulo: Abril, 2005. p. 98-99. 60ºO 40ºS TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO San Salvador de Jujuy Catamarca Córdoba Neuquén Ushuaia San Miguel de Tucumán La Rioja Mendoza CHILE URUGUAI BRASIL PARAGUAI BOLÍVIA Viedma Corrientes San Juan Buenos Aires Gobernador Costa OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO entre 1.400 e 2.000 entre 1.000 e 1.400 Precipitações anuais (mm) entre 600 e 1.000 entre 400 e 600 entre 200 e 400 FE RN A N D O JO SÉ F ER RE IR A 350 km NE LO SE S N NO SO PERCURSO 20 189 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 189 01/06/16 18:01 Desembarque em outras linguagens DesembarqueDesembarqueDesembarque em outras linguagens 190 A arte pública Os pintores muralistas mexica- nos procuraram o engajamento político por meio de uma arte na- cional, capaz de alcançar o maior núme ro de pes soas. Assim, apoia- dos pelo governo revolucionário, pintaram gigantescos murais nos espaços públicos, que contam a história econômica, social e po- lítica do México, retratando a luta de seu povo contra a opressão e a espoliação estrangeira. Tecnicamente, os muralis- tas costumavam usar o afresco, ou seja, a aplicação de pigmen- tos diluídos em água sobre ar- gamassa úmida. Grandes obras da pintura mundial, como A última ceia, de Leonardo da Vinci, e o teto da Capela Sistina, de Michelangelo, são exemplos de afrescos. UMA VIDA NA ARTE © B A N CO D E M EX IC O D IE G O R IV ER A & F RI D A K A H LO M U SE U M S TR U ST , M EX IC O , D .F ./ A U TV IS , B RA SI L, 2 01 5- M U SE U N A CI O N A L D E A RT E, M U N A L- IN BA , C ID A D E D O M ÉX IC O 1907 a 1921 Estuda Artes na Europa, onde é influenciado por outros artistas e movimentos, como o cubismo. Mulher frente ao poço, de Diego Rivera (óleo sobre tela, 1913). DIEGO RIVERA: GEOGRAFIA E PINTURA MURALISTA Diego Rivera (1886-1957) foi um dos pintores mais importantes do século XX, cujo trabalho exalta a his- tória e a cultura do povo mexicano. Ao vivenciar um dos períodos mais contestadores da história do México — a Revolução Mexicana de 1910 —, procurou novas formas para expressar a identidade de seu povo, resgatando o muralismo, forma de pintura por meio da qual procu- rava recuperar os valores culturais de uma nação que parecia haver esque- cido a grandiosidade de seu histórico pré-colombiano. Ao longo de seus anos de traba- lho, Diego Rivera criou mais de 2 mil quadros, 5 mil desenhos e pintou cerca de 6.730 m² de murais, espa- lhados por 19 edifícios no México, 8 nos Estados Unidos, 1 na China e 1 na Polônia. Com isso, o pintor teve oportunidade de mostrar ao mundo suas influên cias culturais. BE TT M A N N /C O RB IS /L A TI N ST O CK Caixa de informações 1. O que foi o muralismo mexicano? 2. Que detalhes da obra analisada ao lado mostram a subjugação dos povos ameríndios pelos espanhóis? Interprete 3. Por que obras do tamanho de quadros não teriam o mesmo efeito artístico e político que os murais de Rivera? 4. Você conhece outro tipo de expressão artística, semelhante ao muralis- mo, usada com objetivos de contestação sociopolítica? Qual? 190 EXPEDIÇÃO 5 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Com o professor de Arte, os temas da arte de Diego Riverae do muralismo como forma de pintura poderão ser explorados. PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 190 01/06/16 01:02 191191 1921 Em viagem a Chichén Itzá (México), encanta-se com os murais pré-colombianos. A N G U S M CC O M IS KE Y/ A LA M Y/ G LO W IM A G ES 1951 Pinta o Desembarque dos espanhóis em Veracruz, no Palácio Nacional do México (Cidade do México). 1957 Morre no México, deixando inacabada a série de murais épicos sobre a história do México, no Palácio Nacional, que havia iniciado em 1930. 1929 Casa-se com a pintora mexicana Frida Kahlo. 1954 Em protesto ao golpe militar na Guatemala, pinta Vitória gloriosa, que denunciava a política imperialista estadunidense. Parte de mural da civilização maia na cidade arqueológica de Chichén Itzá, no estado de Iucatã, México (2011). Vitória gloriosa, de Diego Rivera (1954). Mural exposto no Palácio de Belas Artes, Cidade do México (2007). © B A N CO D E M EX IC O DI EG O RI VE RA & F RI DA K A H LO M U SE U M S TR U ST , M EX IC O, D .F. /A U TV IS , B RA SI L, 2 01 5. ED UA RD O VE RD U GO /A P PH OT O/ GL OW IM A GE S- TH E PU SH KI N S TA TE M U SE U M O F FI N E A RT S, M OS CO W A. O catolicismo, imposto pelos colonizadores espanhóis no México a partir do século XVI, tornou-se a religião predominante no país. B. “Oferenda de boas-vindas aos deuses recém-chegados.” Os astecas, a princípio, acreditavam que os colonizadores espanhóis eram deuses. C. Os colonizadores exterminaram muitas comunidades indígenas que resistiram à conquista espanhola. D. A base econômica de muitas colônias espanholas foi a mineração. E. Para manter o monopólio comercial de suas colônias, a Coroa espanhola criou uma série de restrições e obrigações comerciais. F. A exploração da madeira era realizada por meio do trabalho escravo e acarretou intensa destruição da vegetação nativa. G. Em muitas áreas, as tradicionais técnicas agrícolas praticadas pelos povos indígenas foram substituídas por um sistema predatório. © B A N CO D E M EX IC O D IE G O R IV ER A & F RI D A K A H LO M U SE U M S TR U ST , M EX IC O , D .F ./ A U TV IS , B RA SI L, 2 01 5 - PA LA CI O N A CI O N A L, C ID A D E D O M ÉX IC O B E G D FC Desembarque dos espanhóis em Veracruz (1951), mural de Diego Rivera, no Palácio Nacional da Cidade do México. A 191PERCURSO 20 Nesta seção, por uma questão de espaço, optamos por uma linha do tempo que não mantém a proporcionalidade da escala de tempo. R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 191 01/06/16 01:02Entretanto, em 1929, a Europa, praticamente re- cuperada dos desastres e prejuízos causados pela Pri- meira Guerra Mundial, diminuiu suas importações dos Estados Unidos, o que gerou grande impacto na eco- nomia estadunidense. Sem compradores para sua ele- vada produção agrícola e industrial, muitas empresas começaram a demitir os funcionários. As falências se multiplicaram, e setores da economia mergulharam em uma profunda crise. Nesse período, aumentou mui- to o número de pessoas desempregadas no campo e nas cidades (figura 4). A crise, além de afetar a economia dos Estados Uni- dos, atingiu muitos outros países que dependiam de suas importações. O Brasil, por exemplo, era um gran- de vendedor de café para aquele país. Como a economia brasileira na época dependia das exportações desse produto, com a diminuição das vendas, muitos cafeicultores foram à falência, e, consequentemente, o Brasil entrou em crise econômica e social. Com o declínio de suas exportações agrícolas e de matérias-primas, México, Argentina e Brasil, com menos capital, deixaram de ter condi- ções de importar produtos industrializados para atender às suas pró- prias necessidades. Diante dessa situação, homens de negócios que haviam enriquecido com as exportações agropecuárias e de matérias-primas, aproveitando o conhecimento de técnicas trazidas por imigrantes europeus, passaram a investir no setor industrial com o apoio do governo de seus países. Isso favoreceu o surgimento de fábricas nacionais e permitiu a substituição das importações de diversos produtos (figura 5). Figura 4. Voluntários doam pacotes de comida para desempregados durante a crise econômica, em Nova York, Estados Unidos (1930). BE TT M A N N /C O RB IS /L A TI N ST O CK Figura 5. Veículos construídos pela empresa brasileira Fábrica Nacional de Motores (FNM) desfilam na Avenida Rio Branco, na cidade do Rio de Janeiro, RJ (1949). Durante o período da história brasileira conhecido como Estado Novo (1937-1945), ao lado de outras iniciativas, a criação dessa fábrica teve por objetivo transformar o Brasil em uma economia industrializada. A CE RV O IC O N O G RA PH IA 158 EXPEDIÇÃO 5 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 158 01/06/16 01:01 A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) A Segunda Guerra Mundial estimulou a expansão industrial de alguns países da América Latina por razões semelhantes às da Primeira Guer- ra Mundial. Diante da impossibilidade de importar produtos industriais, intensificou-se o processo de industrialização por meio de substituição de importações na América Latina. Várias indústrias de capital nacional, aproveitando-se desse cenário favorável, consolidaram-se, sobretudo no México, na Argentina e no Brasil. Durante a guerra, por exemplo, a frota de veículos do Brasil (figura 6), importados principalmente dos Estados Unidos, ficou ameaçada de pa- ralisação por falta de peças de reposição. Diante disso, muitos torneiros mecânicos passaram a fabricá-las. Quando a guerra chegou ao fim, as chamadas “fábricas de porão” já tinham se transformado em indústrias de autopeças. Isso ocorreu também em outros ramos industriais. De 1950 aos dias atuais No início do período pós-guerra, grandes empresas industriais e de serviços transnacionais estadunidenses e europeias intensificaram a ins- talação de filiais em países da América Latina, África e Ásia, visando à ampliação de capital, lucro e poder econômico no contexto do processo da globalização da produção, da economia e das finanças. Passaram, en- tão, a contar com a publicidade e a propaganda para divulgar seus pro- dutos pelos meios de comunicação, como o rádio, o jornal e a televisão, atingindo grande número de pessoas e influenciando seus hábitos de consumo (figura 7, na página seguinte). Figura 6. Carros e ônibus na Praça da Sé, no centro da cidade de São Paulo, SP (cerca de 1940). Ao fundo, no canto direito, a Catedral da Sé em construção. Você já viu alguma fotografia antiga do centro da cidade onde você mora? Existem diferenças ou semelhanças entre ela e a retratada abaixo? Quais? H IL D EG A RD R O SE N TH A L/ A CE RV O IN ST IT U TO M O RE IR A S A LL ES 159PERCURSO 17 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Depende da cidade onde mora o aluno. PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 159 01/06/16 01:01 Figura 8. México: destino das exportações – 2000-2013 Exportações totais Desse modo, a partir de 1950 ocorreu uma intensa internacio- nalização da economia da América Latina, estimulada pela partici- pação crescente de poderosas empresas transnacionais em vários setores da economia. Na década de 1990, com a abertura da economia mundial, ou seja, o aumento de facilidades para exportação e importação, somada à aceleração do processo de globalização, a concorrência entre empresas nacionais latino-americanas e transnacionais se acirrou. Para se mante- rem competitivas, muitas empresas nacionais foram obrigadas a passar por um processo de modernização tecnológica e de gerenciamento dos seus negócios. • Diversificação econômica e inserção global As maiores economias da América Latina são distintas entre si, e cada uma delas trilhou diferentes caminhos de desenvolvimento para enfren- tar as incertezas e oportunidades da economia global. Enquanto o Mé- xico, em 1992, se aliou aos Estados Unidos e ao Canadá, aderindo ao Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta), o Brasil e a Ar- gentina passaram a integrar o Mercado Comum do Sul (Mercosul), que será abordado no Percurso 20. Nos últimos anos, México, Argentina e Brasil aprofundaram a integra- ção comercial com outros países e regiões do globo. Isso se deve, entre outros motivos, à sua diversificação econômica e ao desenvolvimento de parques industriais com emprego de tecnologia, que se destacam no contexto regional. Brasil e Argentina, além do Chile, destacam-se por terem diversifica- do mais intensamente o destino de suas exportações, sobretudo no mer- cado asiático — principalmente na Índia e na China. O México, por sua vez, manteve o predomínio de relações comerciais com os Estados Uni- dos, mas também diversificou o destino de suas exportações (figura 8). Figura 7. Propaganda da Lambretta do Brasil S.A., empresa italiana, publicada em revista de grande circulação nacional em 1957. Na década de 1950, a economia brasileira se internacionalizava. RE PR O D U ÇÃ O – C O LE ÇÃ O P A RT IC U LA R Entre 2000 e 2013, de quanto foi o declínio, em porcentagem, das exportações do México para os Estados Unidos? Fontes: DÍAZ, Rafael F. Relaciones económicas México-Unión Europea. Caracas: Sistema Económico Latinoamericano y del Caribe (Sela), p. 4, mar. 2011; Instituto Geografico De Agostini. Calendario Atlante de Agostini 2014. Novara: De Agostini, 2013. p. 806; World Trade Organization. Documents, data and resources: Statistics. Disponível em: . Acesso em: 18 nov. 2015. Ano Bilhões de dólares 2000 166,1 2003 164,8 2006 249,9 2010 298,1 2013 380,2 Estados Unidos Canadá Outros países 88% 2% 10% 2000 80% 4% 16% 2010 86% 2% 12% 2005 78,9% 2,7% 18,4% 2013 A D IL SO N S EC CO 160 EXPEDIÇÃO 5 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Verifique se os alunos interpretaram corretamente o gráfico antes de responderem à questão.O declínio foi de 9,1%. PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 160 01/06/16 01:01 Outras rotas Um tesouro asteca “Antiga e moderna, a Cidade do México pulsa de vida e cultura e oferece um verdadeiro banquete de história, arte, música e culinária. Conhecidacomo Tenochtitlán pelos astecas, que fundaram sua cidade numa cratera de vulcão em 1325, é a cidade mais antiga da América do Norte e uma das maiores do mundo. Seus imensos contrastes podem tanto deliciar como ferir os sentidos. Ruas estreitas cheias de trânsito e pedest res, e o aroma forte de comida misturado ao dos escapamen- tos. Elegantes edifícios de escritórios erguendo-se acima de palacetes coloniais espanhóis e ruínas astecas. Um labirinto de bancas coloridas de mercado espremendo-se ao longo de elegantes lojas de roupas e de joias da última moda, e por toda parte a harmonia de sinos de igreja e de músi- cos de rua competindo com os apitos dos guardas de trânsito. As ruas de pedra na área histórica oferecem uma variedade de butiques, restaurantes e galerias alojadas em re- quintadas mansões coloniais, museus excepcionais, igrejas barrocas e belos parques urbanos. No coração da cida- de, o amplo Zócalo é o local de reunião para eventos sociais e políticos. Nos feria- dos, a praça se enche de gente em volta de dançarinos com trajes espetaculares, que cantam e dançam ao ritmo de uma batida de tambor. Acima da confusão estão algumas das estruturas que defi- nem a cidade: a magnífica Catedral Me- tropolitana, as ruínas astecas do Templo Mayor e o Palacio Nacional, onde o mural de Diego Rivera Épico do povo mexica- no conta a história do país. Afastados do Zócalo, tocadores de realejo desfiam can- ções doces e tristes sob o domo dourado do espetacular Palacio de Bellas Artes e na vizinha Alameda Central. O Paseo de la Reforma é ocupado por arranha-céus cintilantes, embaixadas, galerias, ho- téis e monumentos de mármore e ouro, e alguns quilômetros adiante fica a extensão verde do Parque Chapultepec e lá em cima o Castillo, que da sua altura oferece uma vista desta esplêndida e sempre surpre- endente cidade.” DOYLE, Craig. As melhores viagens das Américas. São Paulo: Publifolha, 2010. p. 61. Palacio de Bellas Artes no centro histórico da Cidade do México, México (2014). Interprete 1. Transcreva em seu caderno um trecho do texto que exempli� que a coexistência de construções históricas e modernas na Cidade do México. Argumente 2. As cidades históricas conservam características, especialmente na arquitetura, que remontam a um ou mais contextos históricos. Nesse sentido, a Cidade do México pode ser considerada uma cidade histórica? Explique sua resposta. Contextualize 3. Que construções de sua cidade ou de outra que você conheça podem ser consideradas históricas ou exemplos de modernidade? ED U V IS IO N /A LA M Y/ G LO W IM A G ES 161PERCURSO 17 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Com o professor de História, a partir de edificações urbanas que são um tipo de bem material do Patrimônio Cultural Brasileiro (casa, museu, edifício público ou privado, mercado, cinema, escola etc.), é possível desenvolver atividades interdisciplinares com o objetivo de levar os alunos a reconhecer e valorizar as referências culturais locais, regionais ou nacionais. Para tanto, sugerimos consultar publicações do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) a respeito da Educação Patrimonial, no site: . Pluralidade Cultural PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 161 01/06/16 01:01 PERCURSO 18 Figura 9. México: físico México Regiões naturais Localizado na América do Norte, o México é o terceiro país da América Latina em extensão e o quinto das Américas, com 1.964.375 km2. Com a terceira maior população do continente americano — 119.713.203 ha- bitantes em 2014 —, é superado apenas por Estados Unidos e Brasil. Por causa da grande diversidade climática, o território mexicano apresenta paisagens variadas e pode ser dividido em três regiões naturais principais: a costa ocidental, próxima ao Oceano Pacífico, a costa oriental do Golfo do México e a Meseta ou Planalto do México. • A costa ocidental A costa oeste ou ocidental do território mexicano é banhada pelas águas frias do Oceano Pacífico. O relevo litorâneo é acidentado, e as planícies cos- teiras são estreitas e limitadas a leste por montanhas (figura 9). Destaca-se nessa região a Península da Califórnia, também conheci- da como Baixa Califórnia. Desértica, situa-se entre o Oceano Pacífico e o Golfo da Califórnia, abrigando parte do Deserto de Sonora. 1 Fonte: elaborado com base em IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 36-37. 100ºO TRÓPICO DE CÂNCER Tijuana MonterreyTorreón Matamoros Tampico Veracruz Salina Cruz La Paz Ciudad Juárez Chihuahua Hermosillo Culiacán León Guadalajara Cidade do México Acapulco Mérida Cancún PENÍNSULA DE IUCATÃ PENÍNSULA DA CALIFÓRNIA DESERTO DE SONORA ESTADOS UNIDOS BELIZEBELIZEBELIZE GUATEMALAGUATEMALAGUATEMALAGUATEMALAGUATEMALA HONDURAS NICARÁGUANICARÁGUANICARÁGUA EL SALVADOREL SALVADOREL SALVADOREL SALVADOREL SALVADOREL SALVADOREL SALVADOREL SALVADOR SERRA M A DRE OCIDENTAL PLA N A LTO DO M ÉXICO SERRA M A D R E O RIENTAL SERRA MADRE DO SUL POPOCATÉPETL 5.452 m CITLALTÉPETL 5.610 m Golfo do México Baía de Campeche Golfo de Tehuantepec OCEANO PACÍFICO MAR DO CARIBE G olfo da Califórnia CUBA Cozumel Altitudes (metros) Pico 3.000 2.500 2.000 1.500 1.000 600 400 200 100 50 0 Caracterize as altitudes do território mexicano. FE RN A N D O JO SÉ F ER RE IR A 240 km NE LO SE S N NO SO 162 EXPEDIÇÃO 5 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . O território mexicano caracteriza-se por apresentar terras de altitudes elevadas. Apenas no litoral do Pacífico e do Golfo do México surgem as terras de baixas altitudes, que correspondem às planícies costeiras, entre 0 m e 50 m e de 50 m a 100 m. PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 162 01/06/16 01:01 • A costa oriental Na costa oriental, de clima tropical úmido, predominam as grandes planícies costeiras. Banhada pelas águas quentes do Golfo do México, essa área está sujeita a fortes precipitações por causa dos ventos úmi- dos procedentes do Atlântico e costuma ser atingida por furacões entre o fim do verão e o início do outono. Na extremidade sul do Golfo do México localiza-se a Península de Iu- catã, planalto calcário recoberto por floresta tropical e banhado, na face oriental, pelo Mar das Antilhas (Mar do Caribe). As planícies costeiras são mais amplas que as da costa do Pacífico. Por causa da beleza natural que apresentam, nelas foram construídas famosas cidades balneárias, como Cozumel e Cancún (figura 10). A Península de Iucatã guarda ainda o patrimônio histórico da civiliza- ção maia, que, somado ao patrimônio asteca da Cidade do México e ao de outras localidades ligadas à colonização espanhola, contribui para que o México seja um dos doze países do mundo que mais atraem turistas: em 2014, cerca de 29 milhões de pessoas o visitaram (apenas para efeito de comparação, o Brasil recebeu, no mesmo ano, pouco mais de 6,4 mi- lhões de turistas). • A Meseta ou Planalto do México No centro do território mexicano, localiza-se a Meseta ou Planalto do México. Trata-se de um vasto altiplano que se estende de norte a sul do país. Suas temperaturas médias oscilam entre 18 °C e 20 °C, as chuvas são escassas e a vegetação típica é formada por plantas espi- nhosas de estepe. A Meseta é rodeada por duas cadeias montanhosas de maior altitude, com alinhamentos relativamente paralelos às costas litorâneas: a Serra Madre Oriental, a leste — um prolongamento das Montanhas Rocho- sas —, e a Serra Madre Ocidental, a oeste — uma continuação das cor- dilheiras do Pacífico dos Estados Unidos (figura 11, na página seguinte). A Meseta é limitada ao sul por um eixo vulcânico imponente, alinhado de oestepara leste, do Pacífico ao Golfo do México, onde se localizam os picos mais altos do país e numerosos vulcões ativos. LU IS D AV IL LA /P H O TO D IS C/ G ET TY IM A G ES Figura 10. Vista de praia em Cancún, polo turístico importante no litoral da Península de Iucatã, México (2014). Navegar é preciso Instituto Nacional de Estatística e Geografia (Inegi) – México Site mexicano, em espanhol, equivalente ao IBGE Teen, com informações sobre território, população e economia. Clique em “Geografía” e, depois, em “Accesos Directos” para acessar o mapa digital do México. 163 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Em 2014, o deslocamento de turistas no mundo foi de 1 bilhão e 133 milhões de pessoas. A França é o país que mais recebeu turistas: 83,7 milhões de pessoas. PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 163 01/06/16 01:01 Figura 12. México: densidade demográfica – 2011 População Mais de 75% da população do país está concentrada no Planalto do México, principalmente em sua porção central (figura 12). Isso se deve ao predomínio de temperaturas amenas e solos férteis de ori- gem vulcânica. É nesse planalto, a 2.240 metros de altitude, que se localiza a capital e principal núcleo econômico do país, a Cidade do México. Outras áreas mais povoadas são a costa ocidental da Península de Iuca- tã e as faixas costeiras do Pacífico e do Golfo do México. As densidades de- mográficas mais baixas surgem na Baixa Califórnia e nas regiões desérticas da fronteira com os Estados Unidos. 2 Compare este mapa com o da figura 9, na página 162, e aponte a unidade do relevo mexicano mais povoada. Fontes: elaborado com base em FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 70; Atlas National Geographic: América do Norte. Portugal: National Geographic Society, 2005. p. 58-59. Figura 11. Vista de parte da Serra Madre Ocidental, México (2013), e de rodovia que liga o interior do país até o Oceano Pacífico. A N D ER SO N D E A N D RA D E PI M EN TE L 100º O TRÓPICO DE CÂNCER Golfo do México OCEANO PACÍFICO Densidade demográfica (habitantes por km2) Menos de 1,0 De 1,1 a 10,0 De 10,1 a 50,0 De 50,1 a 100,0 Mais de 100,0 População (milhões de habitantes) Mais de 10,0 De 0,5 a 1,0 De 1,1 a 5,0 De 5,1 a 10,0 Tijuana Mexicali Monterrey Ciudad Juárez Chihuahua Culiacán Saltillo Guadalupe Aguascalientes LeónGuadalajara Cidade do México Puebla Mérida ESTADOS UNIDOSESTADOS UNIDOS BELIZEBELIZEBELIZEBELIZEBELIZE GUATEMALAGUATEMALAGUATEMALAGUATEMALA HONDURASHONDURASHONDURASHONDURAS NICARÁGUANICARÁGUANICARÁGUANICARÁGUANICARÁGUAEL SALVADOREL SALVADOREL SALVADOREL SALVADOREL SALVADOREL SALVADOREL SALVADOREL SALVADOREL SALVADOR CUBA CUBA CUBA CUBA CUBA M A TT M A W SO N /E N CY CL O PE D IA B Y CO RB IS /L A TI N ST O CK 340 km NE LO SE S N NO SO No seu contexto As áreas mais povoadas do México correspondem às áreas de maior industrialização. Essa relação também ocorre no Brasil? Explique. 164 EXPEDIÇÃO 5 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 .Sim. As elevadas densidades demográficas estão no estado de São Paulo, no eixo que abarca desde Campinas até o litoral do estado (Santos). Nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro (RJ) e de Belo Horizonte (MG) o fato se r epete, com densidades superiores a 280 hab./km2. A industrialização dessas áreas foi um fator importante, associado a outros como o de serem sedes de governos estaduais e, no passado, o Rio de Janeiro ter sediado o Governo Federal. O Planalto do México. PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 164 01/06/16 01:01 • Composição Na época pré-colombiana, o atual território mexicano apresentava as mais elevadas concentrações populacionais do continente americano. Com a chegada dos espanhóis, iniciou-se um longo processo de miscige- nação entre os ameríndios e os colonizadores. Hoje, a população é com- posta de 60% de eurameríndios (cujos ascendentes provêm de etnias europeias e ameríndias), 30% de ameríndios, 9% de europeus ibéricos (de ascendência portuguesa ou espanhola) e 1% de outros grupos. Outras heranças coloniais são a religião católica — difundida entre 89% dos habitantes — e o espanhol como língua oficial — o México é o país com maior número de falantes desse idioma. • Cidade do México: a maior metrópole das Américas A região metropolitana da Cidade do México (figura 13) tem cerca de 21 milhões de habitantes. Aí se concentram quase metade das indús- trias e cerca de 17% da população do México. Trata-se da maior metró- pole do continente americano. Erguida sobre as ruínas da capital do antigo Império Asteca, Tenochti- tlán, a Cidade do México apresenta contrastes socioespaciais marcantes entre os bairros prósperos centrais e aqueles que formam uma imensa periferia, composta de aglomerações de habitações precárias. Em gran- de parte, isso se deve ao crescimento demográfico explosivo e desorde- nado a partir da década de 1950 e ao intenso êxodo rural. Além de enfrentar graves problemas de habitação e saneamento, a população da capital mexicana convive com índices alarmantes de polui- ção atmosférica. A cidade está localizada no Vale do México, cercada por montanhas e vulcões; por isso, sobretudo no inverno, torna-se mais di- fícil a dispersão dos gases poluentes das indústrias e da frota de veícu- los. Por estar próxima a uma extensa falha geológica, a Cidade do México também está sujeita a terremotos, como o que ocorreu em 1985 e dei- xou mais de 20 mil mortos. Construída em terras drenadas do Lago Texcoco, o maior de cinco que for- mavam o Vale do México, a cidade enfrenta problemas na obtenção de água, feita por meio do bombeamen- to de reservas do subsolo. Na Cidade do México, a su- perexploração desse recurso natural provoca o rebaixa- mento do terreno, chama- do de subsidência. Enten- da melhor esse processo no infográfico das páginas 166 e 167. Figura 13. Em 60% do território mexicano predominam os climas árido e semiárido. Na Meseta, as temperaturas amenizadas pela altitude favoreceram a ocupação humana. Na foto, Cidade do México, localizada na porção centro-sul, em um dos vales da Meseta, México (2013). IM A G E BR O KE R/ A LA M Y/ G LO W IM A G ES Navegar é preciso Museu Nacional de Antropologia – Cidade do México Amplie seus conhecimentos sobre as origens do México consultando esse site, em espanhol. 165PERCURSO 18 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 165 01/06/16 01:01 A Cidade do México está localizada no Vale do México, cercada por montanhas que impedem a drenagem das águas de seus rios. Por essa razão, ao longo de milhares de anos, as águas formaram grandes lagos. Desde 1324, quando aí chegaram os astecas, essa planície passou a ser povoada. Os astecas se assentaram em uma pequena ilha, onde fundaram a capital do império, Tenochtitlán, uma cidade adaptada às águas, com canais, pontes, aquedutos e diques, que a protegiam de inundações. A subsidência na Cidade do México Cobrindo o aquífero, há um aquitarde (camada com pouca permeabilidade) de materiais argilosos. No subsolo encontram-se materiais aluviais, constituídos essencialmente por cascalho e areia, misturados com materiais de origem vulcânica, como lava e cinzas. Aí está o aquífero. Quando os espanhóis conquistaram Tenochtitlán, em 1521, arrasaram a capital e construíram outra cidade no mesmo local. Com seu crescimento ao longo do tempo e o uso intensivo das águas... ... os lagos sumiram quase totalmente. Hoje, todaa região metropolitana da Cidade do México utiliza as águas do lençol freático. Como o uso é intenso, a cidade sofre com a subsidência, ou seja, a retirada excessiva de água tem provocado seu afundamento. NE LO SE S N NO SO 13 km NE LO SE S N NO SO 550 km 100o 80o 20o Trópico de Câncer O aquífero, quando confinado, exerce pressão ascendente na camada argilosa. México IL U ST RA ÇÕ ES : L U CI A N O V ER O N EZ I; M A PA S: F ER N A N D O JO SÉ F ER RE IR A A mancha urbana tem 1.926 km² e uma população de mais de 21 milhões de habitantes. Um aquífero não é um grande lago subterrâneo, mas sim uma formação geológica que armazena água. Tem essa capacidade porque as rochas são porosas e permeáveis, e retêm água. 99o O 99o O 19o N 19o N INFOGRÁFICO 166 EXPEDIÇÃO 5 PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 166 01/06/16 01:01 99° 19° CO PE RN IC U S D A TA ( 20 14 )/ ES A /D LR M IC RO W AV E A N D R A D A R IN ST IT U TE – S EO M IN SA RA P ST U D Y CIDADE DO MÉXICO, DF ESTADO DE MORELOS ESTADO DO MÉXICO ESTADO DO MÉXICO CIDADE DO MÉXICO, DF O rebaixamento da cidade A composição ao lado, feita com base em imagens de satélite e leituras da superfície do solo por radares ao longo de 2014, mostra que o rebaixamento do solo é diferente nos vários pontos da cidade. Enquanto as áreas em verde têm variação próxima de zero, as áreas indicadas em vermelho- -escuro chegam a afundar em um ritmo de 2,5 centímetros por mês. A Cidade do México corresponde ao Distrito Federal, uma das 32 unidades federativas mexicanas. O peso das construções também contribui para o afundamento e corresponde a cerca de 15% da subsidência na Cidade do México. Catedral Metropolitana da Cidade do México Água consumida 72% da água que se consome na Cidade do México vem do lençol freático e é extraída por meio de seis mil poços perfurados. Para garantir o abastecimento, a capital conta com água de reservas de cidades vizinhas. Extração e capacidade de reposição do aquífero Fontes: ILLADES, Juan M. L.; PÉREZ, Miguel A. C. El hundimiento del terreno en la ciudad de México y sus implicaciones en el sistema de drenaje. Ingeniería Hidráulica en México, v. XIII, n. 3, p. 13-18, set.-dez. 1998; DÍAZ-RODRÍGUEZ, Jorge A. Los suelos lacustres de la Ciudad de México. Revista Internacional de Desastres Naturales, Accidentes e Infraestructura Civil, v. 6, 2006; A mancha urbana avança, a água desaparece. O Estado de S. Paulo, São Paulo, 3 ago. 2008. Megacidades; VILLA, Enrique S. Historia y actualidad del hundimiento regional de la Ciudad de México. Disponível em: ; Registran hundimiento de la ciudad. El universal, Cidade do México, 15 nov. 2007. Disponível em: . Acessos em: 19 nov. 2015. Variação em centímetros por mês –2,5 2,5 28 m³/s A quantidade de água reposta naturalmente é de: 52,3 m³/s Enquanto a quantidade de água extraída é de: NE LO SE S N NO SO 15 km 99o O 19o N Interprete 1. Explique por que a Cidade do México está afundando. 2. Estabeleça a relação entre as � guras da área do lago em 1521 e da área da Cidade do México nos dias atuais com a � gura da Catedral Metropolitana. 167PERCURSO 18 1. A Cidade do México está afundando por causa da subsidência decorrente da intensa exploração do lençol freático. 2. A diminuição da área do lago e o afundamento da Catedral Metropolitana estão relacionados ao uso intensivo da água dos grandes lagos, além do crescimento da mancha urbana. A retirada excessiva das águas do lençol freático também leva ao afundamento da Cidade do México. O aquífero confinado no solo faz pressão ascendente na camada acima dele. Como a água é retirada, essa pressão diminui, levando ao abaixamento do terreno da cidade. O peso das construções também colabora. Por isso, a sobre-exploração da água, que é representada pela figura da diminuição da área do lago, e o afundamento das construções, representado pela figura da Catedral, podem ser relacionados. PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 167 01/06/16 01:01 Figura 14. México: indústria e recursos minerais – 2012 Economia Com a criação do Nafta, em 1992, a economia mexicana apresentou grande crescimento graças aos investimentos estrangeiros e ao aumen- to das exportações. Além do turismo, destacam-se a agropecuária e a in- dústria. Conheça, a seguir, os principais setores da economia mexicana. Indústria e recursos minerais Além do maior complexo industrial do país, localizado ao redor da Ci- dade do México, outros centros industriais se destacam, como Guada- lajara, Monterrey, Lázaro Cárdenas e Monclova (figura 14). Os setores mais importantes são o têxtil, o alimentício, o automobilístico, o petro- químico, o siderúrgico e o metalúrgico. 3 O México, rico em recursos minerais, está entre os maiores produtores mundiais de prata, chumbo e zinco, além de possuir abundantes reser- vas de ferro, manganês, níquel, cobre, ouro e outros minérios essenciais à indústria. Na porção oriental do território, voltada para o Golfo do México, locali- zam-se as grandes jazidas petrolíferas e as indústrias petroquímicas, nas cidades de Tampico e Veracruz. O petróleo, extraído por uma grande empresa estatal, a Pemex (Petróleo Mexicano), é o mais importante produ- to de exportação do país e tem como principal destino os Estados Unidos (figuras 15 e 16). O México foi o décimo primeiro produtor mundial de petróleo em 2014, ano em que a Arábia Saudita, a Rússia e os Estados Unidos ocuparam os três primeiros lugares. Figura 15. Plataforma de petróleo contratada pela estatal mexicana Pemex, no Golfo do México (2013). Fontes: elaborado com base em Le Grand Atlas du XXIe Siécle. Paris: Gallimard, 2013. p. 41; Capital: l’encyclopédie du monde 2006. Paris: Nathan, 2005. p. 418; Atlas National Geographic: América do Norte e Central. v. 6. São Paulo: Abril, 2008. p. 59. O petróleo é explorado em que porção do território mexicano? FE RN A N D O JO SÉ F ER RE IR A Zonas petrolíferas Carvão Minério de ferro Região industrial Zona Franca Cobre Zinco Hidreletricidade Produção de gás natural Indústria maquiadora de fronteira Refinaria e centro petroquímico Siderurgia Indústria química Metalurgia Indústria automobilística Indústria têxtil Indústria de bebidas Indústria de conservas Indústria eletrônica Indústria alimentícia Durango Campeche Mérida ESTADOS UNIDOSESTADOS UNIDOS OCEANO PACÍFICO San Diego Tijuana Calexico Mexicali Nogales El Paso Chihuahua Torreón Mazatlán Aguascalientes Guadalajara Lázaro Cárdenas GUATEMALAGUATEMALAGUATEMALAGUATEMALAGUATEMALAGUATEMALA EL SALVADOREL SALVADOREL SALVADOREL SALVADOR HONDURASHONDURASHONDURASHONDURASHONDURASHONDURAS BELIZEBELIZEBELIZEBELIZEBELIZE TabascoMinatitlán Tonale Tuxpan Brownsville Golfo do México Del Rio Acuna Piedras Negras Monclova Eagle Pass Laredo Nuevo Laredo Mac Allen Monterrey Matamoros Tampico Reynosa San Luis Potosí Heroica VeracruzCidade do México Agua Prieta Ciudad Juárez Heroica Nogales Douglas 100° O TRÓPICO DE CÂNCER 280 km NE LO SE S N NO SO O M A R TO RR ES /A FP 168 EXPEDIÇÃO 5 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Na porção oriental ou leste voltada para o Golfo do México. Em 2014, os dez países maiores produtores de petróleo foram: Arábia Saudita (12,9%); Rússia (12,7%); Estados Unidos (12,3%); China (5,0%); Canadá (5,0%); Irã (4,0%); Emirados Árabes Unidos (4,0%); Iraque (3,8%); Kuwait (3,6%); Venezuela (3,3%); México (3,2%). O Brasil se classificou nesse ano em 12o lugar, com uma produção de 2,9% em relação à produção mundial. PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 168 01/06/16 01:01 Explique a função deste animal. Agropecuária O território mexicano é pouco favorável à agropecuária. A presença de montanhas e declimas áridos e semiáridos reduz a disponibilidade de áreas cultiváveis. Ainda assim, esse setor emprega cerca de 14% da População Economicamente Ativa (PEA) do país (figura 17). Cerca de 39% do território é ocupado pela pecuária, voltada princi- palmente para a criação de gado bovino e praticada no centro-norte do país (figura 18, na página seguinte). Figura 16. México: destino das exportações de petróleo – 2014 Fontes: elaborado com base em IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 34; Anuario estadístico 2014. Cidade do México: Pemex, s/d. p. 63. Disponível em: . Acesso em: 18 nov. 2015. Figura 17. A cultura do milho é praticada há milhares de anos no México. Na foto, trabalhador arando a terra no estado de Puebla, México (2013) e o vulcão Popocatepetl ao fundo. Nota: O Convênio de San José é um acordo de cooperação petrolífera (vigente desde 1980) entre México e Venezuela que beneficia os países da América Central Continental e Insular. Cada signatário garante a entrega de 80 mil barris diários de petróleo cru com condições de venda favoráveis. FE RN A N D O JO SÉ F ER RE IR A OCEANO PACÍFICO OCEANO PACÍFICO OCEANO ÍNDICO OCEANO ATLÂNTICO EQUADOR 0º TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO CÍRCULO POLAR ANTÁRTICO 0° CÍRCULO POLAR ÁRTICO TRÓPICO DE CÂNCER OCEANO PACÍFICO Os quadrados são proporcionais à quantidade exportada de petróleo, em milhares de barris por dia (1 barril equivale a aproximadamente 159 litros). Canadá 20,5 Estados Unidos 792,3 Espanha 162,6 Holanda 24,6 Índia 80,5 China 13,9 2.330 km NE LO SE S N NO SO RO N A LD O S CH EM ID T/ A FP 169PERCURSO 18 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Espera-se que o aluno reconheça que a força do animal é empregada para arar a terra. Já na agricultura moderna, ou na que dispõe de capital, emprega-se o trator para puxar o arado. PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 169 01/06/16 01:01 Os produtos com maior área de cultivo e voltados para o abasteci- mento do mercado externo são: algodão, sisal, café e cana-de-açúcar. Para o mercado interno, são cultivados milho, batata, trigo, arroz e soja. Após a entrada em vigor do Nafta, a produção de milho perdeu espaço diante da concorrência estadunidense. As transnacionais de alimentos no México Grandes empresas transnacionais de alimentos têm se estabeleci- do no México. Compram as melhores terras e orientam a produção para atender ao mercado externo, principalmente os Estados Unidos. Contro- lam 90% da produção mexicana de algodão, aspargos, morangos, cebo- las, hortaliças e outros vegetais. Embora as grandes empresas também cultivem esses produtos nos Estados Unidos, preferem o México, onde podem obter lucros maiores, uma vez que a terra e a mão de obra são mais baratas, além da proximi- dade do mercado consumidor estadunidense. Entre as consequências desse estabelecimento de empresas transnacio- nais de alimentos no México, destacam-se: diminuição da área de cul- tivo de milho e de feijão — produtos básicos e tradicionais na alimen- tação do mexicano — e sua consequente alta de preços; aumento da carência alimentar; alteração dos hábitos alimentares da população em decorrência da influência da propaganda das transnacionais; va- lorização da terra rural, dificultando seu acesso aos camponeses e aos sem-terra etc. Figura 18. México: exploração do solo e do mar – 2012 Explique a localização das culturas de café e de algodão com base na posição do Trópico de Câncer. Tijuana Torreón Monterrey Guadalajara Tampico Mérida Acapulco Puebla León San Luis Potosí Heroica Veracruz Cidade do México Ciudad Juárez Golfo do México ESTADOS UNIDOS OCEANO PACÍFICO TRÓPICO DE CÂNCER 100° O BELIZE GUATEMALA HONDURAS EL SALVADOR Mexicali Hermosillo Chihuahua Culiacán Oaxaca Tuxtla Gutiérrez Villahermosa Campeche Sisal Milho Algodão Florestas Cana-de-açúcar Criação extensiva Milho e trigo Capital Cidade principal Peixe Madeira Baunilha Marisco Café Arroz Fontes: elaborado com base em Le Grand Atlas du XXIe Siécle. Paris: Gallimard, 2013. p. 40; Capital: l’encyclopédie du monde 2006. Paris: Nathan, 2005. p. 418; Atlas National Geographic: América do Norte e Central. v. 6. São Paulo: Abril, 2008. p. 57. FE RN A N D O JO SÉ F ER RE IR A 280 km NE LO SE S N NO SO Pausa para o cinema Viva Zapata! Direção: Elia Kazan, Estados Unidos: Twentieth Century Fox Film Corporation, 1952. Duração: 113 min. O filme conta a história do líder revolucionário mexicano Emiliano Zapata. Camponês e indígena, liderou a luta pela reforma agrária a partir de 1910 contra o governo e os grandes proprietários de terra. 170 EXPEDIÇÃO 5 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . As culturas de café se localizam ao sul do Trópico de Câncer, pois necessitam de maior umidade, e as de algodão, ao norte, pois se desenvolvem bem em altas temperaturas com baixa umidade, o que ocorre na região semiárida da porção norte do México. PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 170 01/06/16 01:01 Ranking Classificação ordenada segundo critérios definidos. stação Socioambiental Cidade do México: de cidade mais poluída do mundo a exemplo de mobilidade sustentável “Após um crescimento desordenado, com indústrias dentro da cidade e muitos carros circulando, a Cidade do México alcançou o título de cidade mais poluída do mundo na década de 80. Todos sofriam muito com a poluição, prin- cipalmente idosos e crianças. Havia dias crí- ticos em que não se podia sair para trabalhar, estudar, e era proibido qualquer atividade ao ar livre. Os níveis de poluição ultrapassavam em até quatro vezes as normas de proteção à saúde. […] A população começou a pressionar o governo cobrando medidas para combater este problema. […] Atualmente, a Cidade do México deixou o ranking das 10 cidades mais poluídas do mun- do. O trânsito ainda é caótico, mas há quartei- rões do centro que são exclusivamente para pedestres, e muitos mexicanos preferem isso. O problema de poluição na capital mexica- na é ainda mais agravado por sua localização geográfica. Como fica em um vale, a poluição encontra uma cadeia de montanhas ao sul, com altitude de 3.800 m, e não consegue se disper- sar. A cidade também fica no alto, a 2.200 m de altitude, o que a deixa muito próxima da cama- da de poluentes que paira no ar. Além disso, por ficar longe do mar, tem 23% menos de oxigênio do que as cidades costeiras […]. Victor Hugo Paramo, diretor de gestão da qualidade do ar, relata que ‘quando se compa- ra a qualidade do ar de hoje com a do início dos anos 90, percebe-se uma grande melhoria. […]’ Os veículos são responsáveis por 80% das emissões de poluentes, e, portanto, o trânsito é responsável direto do problema da poluição. […] Para estimular a troca de carros antigos, que poluem muito mais, o governo também criou um programa de substituição de frota. Os car- ros e ônibus antigos são destruídos e reciclados, e o governo financia a compra de um novo veí- culo ou paga pelo ferro-velho. […] Outra medida muito importante adotada na Cidade do México diz respeito às bicicletas: é a Ecobici, um programa de compartilhamen- to de bicicletas no centro da capital. Conforme afirma Tanya Muller, responsável pelo Ecobici, ‘este programa é uma ação que permite aos ci- dadãos terem acesso às bicicletas. Cerca de 50% de todas as viagens diárias na Cidade do México são menores que 8 km. Então a bicicleta é mui- to eficiente. Além disso, há compartilhamento da Ecobici com o metrô e com o Metrobus.’ […]” SCHÖRNER, Anderson Ricardo. Cidade do México. Revista Bicicleta, 13 jan. 2014. Disponível em:. Acesso em: 18 nov. 2015. ED U V IS IO N /A LA M Y/ G LO W IM A G ES Ciclovia na Cidade do México (2014). Interprete 1. Além dos veículos automotores em circu- lação na Cidade do México, determinadas condições naturais ali existentes agravam a sua poluição atmosférica? Quais são? Argumente 2. Se você tivesse que explicar para um colega as vantagens do uso da bicicleta como meio de transporte em substituição aos veículos automotores, que argumentos utilizaria? 171PERCURSO 18 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Com o professor de Ciências, podem-se apresentar e discutir princípios e práticas para a construção de cidades sustentáveis no Brasil e no mundo. Para essa finalidade, sugerimos consultar o Programa Cidades Sustentáveis: . Meio Ambiente PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 171 01/06/16 01:01 Atividades dos percursosAtividades dos percursos 17 e 18 México: condições de vida – 2010 Revendo conteúdos 1 Com base nos dados fornecidos no Percur- so 17, explique por que México, Argentina e Brasil são considerados as maiores eco- nomias latino-americanas. 2 Em um debate realizado entre grupos de alunos do 8o ano sobre as maiores economias latino-americanas — México, Argentina e Brasil —, três afirmações resumiram os fatores que aceleraram a industrialização desses países e lhes permitiram chegar a essa posição, mas apenas uma está correta. Assinale-a e justifique sua escolha. Afirmação I: Esses países se industrializa- ram ao mesmo tempo que os países desen- volvidos e, portanto, com o apoio deles, não foram afetados pelas grandes guerras mundiais, nem pela Crise de 1929. Afirmação II: Nesses países, a industria- lização aconteceu tardiamente em relação aos países desenvolvidos e foi beneficiada pelas grandes guerras mundiais e pela Crise de 1929 nos Estados Unidos. Afirmação III: Esses países só chegaram a essa posição porque continuaram sendo grandes importadores durante as gran- des guerras e a Crise de 1929, mantendo ativo o mercado interno. 3 Por que a Crise de 1929 não ficou restrita aos Estados Unidos e afetou outros paí- ses em todo o mundo, entre eles o Brasil? 4 Que aspectos físicos explicam a maior concentração populacional na porção central do Planalto do México? 5 Explique o que é “subsidência” e por que ela tem ocorrido na Cidade do México. 6 Por que para as transnacionais de alimen- tos é vantajoso se estabelecer no México? FE RN A N D O JO SÉ F ER RE IR A Leituras cartográficas 7 O México, a exemplo do Brasil, tem seu território dividido em estados e distrito federal. Observe o mapa que mostra as condições de vida em cada um deles e escreva um texto interpretativo sobre o que ele representa. Fonte: FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 72. TRÓPICO DE CÂNCER 100º O ESTADOS UNIDOSESTADOS UNIDOS Baixa Califórnia do Norte Sonora Baixa Califórnia do Sul Chihuahua Coahuila Durango Sinaloa Zacatecas Nuevo León Tamaulipas Guanajuato Querétaro Hidalgo Tlaxcala Tabasco Puebla D.F. Morelos Nayarit San Luis Potosí Jalisco Colima Veracruz Guerrero Michoacán Cidade do México Oaxaca Chiapas Campeche Iucatã Quintana Roo BELIZEBELIZEBELIZE GUATEMALAGUATEMALAGUATEMALA EL SALVADOREL SALVADOREL SALVADOREL SALVADOREL SALVADOREL SALVADOREL SALVADOREL SALVADOREL SALVADOREL SALVADOREL SALVADOR NICARÁGUAGUAGUAGUAGUAGUA HONDURASHONDURASHONDURASHONDURAS Golfo de Campeche Golfo do México OCEANO PACÍFICO CUBA Nível de condição de vida Muito alto Alto Regular Baixo Muito baixo 360 km NE LO SE S N NO SO EXPEDIÇÃO 5172 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Os dados do mapa são de 2010, ano do último recenseamento do México. PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 172 01/06/16 01:01 Participação dos setores de produção no PIB (em %) – 2014 A N D ER SO N D E A N D RA D E PI M EN TE L 10 Leia o fragmento de texto abaixo e res- ponda. “[…] A Cidade do México é o principal exemplo de superexploração das águas sub- terrâneas. Estima-se que é extraído dos aquí- feros da região um volume de água 30 a 65% superior aos níveis de recarga, fazendo com que os mananciais do subsolo estejam dimi- nuindo a um ritmo médio de 1 metro por ano. Em alguns locais, o afundamento do solo pro- vocado pela redução do nível das águas dos aquíferos chegou a 7,5 metros abaixo do ní- vel original […]. Para piorar, as áreas de recar- ga dos mananciais vêm sendo ocupadas pela expansão da cidade […].” WHATELY, Marussia; BLAUTH, Fernanda; WEIS, Bruno. Água nas metrópoles, o risco da escassez. De olho nos mananciais, 3 set. 2011. Disponível em: . Acesso em: 18 nov. 2015. a) Qual problema socioambiental é retra- tado no texto? b) Qual é a principal consequência desse problema para a Cidade do México? c) A que se refere “um volume de água 30 a 65% superior dos níveis de recarga” das águas subterrâneas? Pratique 11 Com base nos dados sobre a composição da população mexicana apresentados na página 165, construa um gráfico de setores e, em seguida, responda às questões. Lem- bre-se de que a circunferência possui 360° e, dividindo-os por 100, cada 3,6° corres- ponde a 1%. Multiplique cada informação percentual por 3,6 para obter o ângulo que ela terá no gráfico. Anote os valores, pinte os setores, elabore uma legenda e dê um título ao gráfico. a) Indique o grupo que predomina na com- posição da população mexicana. Você saberia explicar por que ele é predomi- nante no total da população mexicana? b) Qual é a vantagem do uso do gráfico de setores para a visualização desse tipo de dado? Explore 8 Você está planejando uma viagem à Cidade do México. Com base no climogra- ma representado a seguir, que meses do ano você escolheria para visitar essa cidade? Por quê? 9 Observe a tabela e, em seguida, responda às questões. Países Setor primário Setor secundário Setor terciário Argentina 10,4 29,5 60,1 Brasil 5,8 23,8 70,4 México 3,5 36,4 60,1 Fonte: CIA. The World Factbook. Disponível em: . Acesso em: 18 nov. 2015. a) Com base em seus conhecimentos, ex- plique quais são as atividades econômicas que cada setor de produção abrange. b) Pode-se afirmar que a maior parte da geração de riquezas no México, na Argentina e no Brasil provém da agri- cultura? Explique sua resposta com base nos dados fornecidos pela tabela. Cidade do México: climograma Fonte: Atlas National Geographic: América do Norte e Central. São Paulo: Abril, 2008. v. 6. p. 56; Instituto Nacional de Estadística y Geografía. Anuario estadístico y geográfico de los Estados Unidos Mexicanos 2014. México: INEGI, 2014. p. 52. 0 5 10 15 20 25 30 Tem p eratu ra m éd ia (ºC ) 300 250 200 150 100 50 0 Pr ec ip it aç ão ( m m ) J F M A M J J A S O N D Latitude: 19° 26‘ N Longitude: 99° 8‘ O Altitude: 2.240 m PERCURSO 18 173 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 173 01/06/16 01:01 PERCURSO 19 Argentina Regiões naturais, uso da terra e recursos minerais Com área territorial de 2.780.403 km², a Argentina é o maior país da América Latina espanhola e o segundo maior da América do Sul, depois do Brasil. Seu nome originou-se de “Terra Argentea” (“terra da prata”), como foi chamada pelos antigos conquistadores e exploradores espa- nhóis, que, no século XVI, adentraram o atual território argentino em busca de jazidas desse mineral. O território argentino pode serdividido em cinco regiões naturais: Cordilheira dos Andes, Grande Chaco, Mesopotâmia, Pampas e Patagônia. • Cordilheira dos Andes No oeste da Argentina, de norte a sul, a Cordilheira dos Andes delimita uma longa fronteira natural com o Chile. Na parte cen- tral, localizam-se as maiores altitudes: o Pico General Manuel Belgrano (6.250 metros) e o Pico do Aconcágua (6.962 metros), entre outros (figura 19). O Aconcágua é o segundo de maior altitude do mundo, superado apenas pelo Monte Everest, com 8.848 me- tros, localizado na Ásia. Na base da cordilheira, região de cli- ma semiárido, destacam-se a extração de petróleo e o cultivo irrigado de frutas nas cidades importantes e populosas de San Juan e Mendoza (figura 20), onde uma rede de canais de irrigação recebe e dis- tribui a água do degelo de glaciais que desce dos cumes andinos, regando os campos de frutas e os famosos vinhedos (figura 21). 1 Fonte: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 2012. p. 40. Figura 19. Argentina: físico 60ºO 40ºS TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO LIPEZ 5.929 m CH A CO PA M PA S PA TA G Ô N IA M ES O PO TÂ M IA LLULLAILLACO 6.723 m GAL. M. BELGRANO 6.250 m ACONCÁGUA 6.962 m V. MAIPO 5.323 m CAMPANÁRIO 4.002 m TRONADOR 3.410 m Is. Falkland (Malvinas) I. dos Estados Canal de Beagle BOLÍVIA PARAGUAI BRASIL URUGUAI CHILE R io Paraná Golfo de São M atia s Rio da Prata Rio Colorado Rio Deseado Estreito de Estreito de Drake Magalhães Rio Salado R io Salad o Ri o U ru gu ai Baía Blanca Baía Grande Golfo de São Jorge C. Três Pontas Rio Negro Rio Chubut OCEANO PACÍFICO OCEANO ATLÂNTICO PLANÍCIE PLATINA 4.000 Pico Altitudes (metros) 3.000 2.500 2.000 1.500 1.000 600 400 200 100 50 0 C O RD IL H EI RA D O S A N D ES A N D ER SO N D E A N D RA D E PI M EN TE L 300 km NE LO SE S N NO SO 174 EXPEDIÇÃO 5 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 174 01/06/16 01:01 Que porção do relevo argentino pode ser vista no terceiro plano da foto? Na extremidade norte, a cordilheira se ramifica, abrigando o Planalto da Puna de Atacama, parcialmente chileno, com altitude média que varia de 3 a 4 mil metros. Em virtude do clima semiárido e da escassez de chuvas, os cursos regulares de água nessa região são quase inexistentes. Entretanto, obras de irrigação permitiram o cultivo da cana-de-açúcar. Existem importantes depósitos de sal nas depressões das cadeias mon- tanhosas que rodeiam esse extenso planalto, como a Salina de Arizaro e a de Antofalha (figura 22). Figura 20. Argentina: agricultura e pecuária Fontes: elaborado com base em Capital: l’encyclopédie du monde 2006. Paris: Nathan, 2005. p. 110-111; CHARLIER, Jacques (Org.). Atlas du 21e siècle 2013. Paris: Nathan, 2011. p. 154. Figura 21. Cultura de uva (vinhedo) na província de Mendoza, Argentina (2012). Essa província é a principal do país na exportação de produtos vitivinícolas: detém 70% dos vinhedos da Argentina e quase 70% das vinícolas do país. TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO 60°O 35°S PARAGUAIPARAGUAI URUGUAI CHILECHILECHILECHILE BRASIL Buenos Aires Rosário Corrientes Santa Fé Baía Blanca TERRA DO FOGO Neuquén Mendoza San Juan Córdoba Tucumán Salta P A T A G Ô N I A CHA CO P A M P A S OCEANO ATLÂNTICO O C EA N O P A C ÍF IC O Trigo Milho Algodão Cana-de-açúcar Vinha e oliveira Frutas (irrigação) Criação intensiva de bovinos Criação extensiva de ovinos Criação extensiva de bovinos Quebracho Erva-mate FE RN A N D O JO SÉ F ER RE IR A 400 km NE LO SE S N NO SO JE RE M Y H O A RE /A G E FO TO ST O CK /E A SY PI X BR A SI L H ES H PH O TO /C U LT U RA /G LO W IM A G ES Figura 22. Salina ao sul do Planalto da Puna de Atacama, noroeste da Argentina (2015). Ao secarem, antigos lagos deixaram grandes depósitos de sal, hoje explorados economicamente. 175 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . A Cordilheira dos Andes. PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 175 01/06/16 01:02 • Grande Chaco Localizado no norte do território argentino (reveja a figura 19), na fronteira com o Paraguai, o Grande Chaco é formado por planícies onde, no passado geológico, havia lagos que, ao longo do tempo, secaram, dando origem a salinas e pântanos. A rede hidrográfica é formada por rios cujos cursos seguem de oeste para leste. O Grande Chaco divide-se em duas porções distintas, uma úmida e ou- tra seca. No Chaco úmido, região voltada para o Oceano Atlântico e com maior pluviosidade, a formação vegetal típica é a mata tropical. Desta- ca-se nessa área a diversidade de espécies animais e vegetais, tal como ocorre no Pantanal brasileiro — juntos, formam um dos mais belos, extensos e diversos conjuntos de terras úmidas do mundo. Existem, no entanto, diferenças importantes entre eles no que diz respeito à infraes- trutura (mais desenvolvida no Chaco) e às políticas de conservação (mais avançadas no Pantanal). No Chaco seco, de clima semiárido e mais próximo à Cordilheira dos Andes, a menor pluviosidade contribui para o predomínio da savana. Grandes extensões da região chaquenha (cerca de 4.000.000 ha), in- cluindo o Chaco seco, estão ocupadas pela agricultura, em virtude das obras de irrigação. Destacam-se a atividade algodoeira, com centro na província do Chaco, e, em outras áreas, as plantações de feijão, soja e arroz. No Chaco também existem grandes rebanhos de pecuária bovina extensiva e é rea- lizada a extração vegetal do quebracho e da erva-mate (figura 23), utili- zada no preparo do chimarrão, bebida tradicional e popular consumida na Argentina, no sul do Brasil e no Uruguai. Figura 23. Trabalhador carregando folhas de erva-mate em plantação próxima à cidade de Oberá, na província de Misiones, Argentina (2013). A XE L FA SS IO /G ET TY IM A G ES Navegar é preciso Argentina Esse site, em espanhol, traz vários tipos de informações sobre o país. Consulte o menu “País” e, no item em “Acerca de la Argentina”, obtenha informações históricas e geográficas sobre as diferentes regiões naturais do país. Quebracho Planta da qual se extrai o tanino, substância usada para produzir medicamentos antivômito. 176 EXPEDIÇÃO 5 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 176 01/06/16 01:02 Mesopotâmia A leste do Grande Chaco, no nordeste da Argentina, a planície úmida da Mesopotâmia (localize-a na figura 19) está situada entre dois dos principais cursos fluviais do país: os rios Paraná e Uruguai, que formam um delta de 14 mil km2 antes de desembocarem no Rio da Prata, um dos maiores estuários do mundo (figura 24). Nessa região são cultivados al- godão, milho, erva-mate etc. Na Mesopotâmia localiza-se Entre Rios, a principal província do país produtora e exportadora de arroz e frutas cí- tricas (laranja, tangerina, limão etc.), destinados aos grandes centros ur- banos argentinos e países europeus. A região também se destaca pela atividade avícola e pela pecuá ria extensiva de bovinos, cuja produção é exportada para países europeus e Estados Unidos. • Pampas Situados no centro da Argentina e ao redor do Rio da Prata, os Pam- pas abrangem uma grande área de terras, com formato semelhante ao de um leque, tendo na base Buenos Aires, a capital da Argentina. Esten- dem-se ainda por outras cidades importantes, como Santa Fé, Rosário e Baía Blanca (localize-as na figura 20). Sob influência do clima temperado, os Pampas são formados, princi- palmente, por uma planície úmida com solos escuros, considerados entre os mais férteis domundo; embora haja algumas áreas mais secas, to- das as porções dos Pampas são produtivas, constituindo uma região de grande importância econômica para a Argentina. Aí se concentram 66% do rebanho bovino (figura 25, na página seguinte) e 50% do rebanho ovino do país, cuja produção de carne é exportada principalmente para os Estados Unidos e para a Europa. O relevo plano e pouco ondulado dos Pampas permite a mecaniza- ção da agricultura. Entre os cultivos, destacam-se alfafa, trigo, milho, soja, algodão e produtos hortifrutigranjeiros para abastecer os cen- tros urbanos. Figura 24. Parte do delta que origina o Rio da Prata entre a Argentina e o Uruguai (2013). Você sabe distinguir estuário de delta? Explique a diferença e identifique na imagem um elemento que caracterize um delta. A N IB A L TR EJ O /D EP O SI T PH O TO S/ G LO W IM A G ES 177 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Enquanto estuário é a foz de um rio que forma boca única e é, geralmente, assolado por correntes marítimas e correntes de marés que impedem o acúmulo de detritos, o delta é a foz de um rio com depósitos de sedimentos que formam vários canais e têm a con� guração de um leque em direção ao mar. Na fotogra� a, é possível perceber que há acúmulo de sedimentos devido à formação de ilhas na foz do rio. PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 177 01/06/16 01:02 • Patagônia Situada ao sul do Rio Colorado, no sul da Argentina, a Patagônia é for- mada por planaltos e planícies de clima frio e semiárido (localize-a na figura 19). Com 930.731 km2, abriga paisagens diversas que atraem tu- ristas de muitos países, como a área montanhosa dos Andes, a oeste, e a costa marcada por penhascos na fachada leste. Além da pecuária bovina, desde o século XIX pratica-se nessa região a pecuária ovina (criação de ovelhas), favorecida pelas baixas tempera- turas (figura 26). Entre os recursos minerais aí explorados estão o cobre, o carvão e o ouro. O petróleo e o gás natural, no entanto, são as principais riquezas da região — a cidade de Comodoro Rivadávia é chamada de “capital do petróleo” argentino. Em virtude dos constantes e fortes ventos dessa região, nela foram construídos parques eólicos, iniciativa que está sendo seguida em outras províncias do país, como ao sul da província de Buenos Aires. H A G EN M U LL ER JE A N -F RA N ÇO IS /H EM IS .F R/ A FP Figura 25. Vaqueiro conduz rebanho de gado bovino nos Pampas da Argentina, na província de Buenos Aires (2015). VI CT O R J. BL U E/ BL O O M BE RG /G ET TY IM A G ES Navegar é preciso Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) – Argentina No site do Indec, que corresponde ao IBGE da Argentina, você encontra mapas, informações e dados estatísticos sobre o território, a população e a economia do país. Figura 26. Ovinos em estepe da Patagônia argentina, próximo à cidade de El Calafate (2013). Os fortes ventos que caracterizam a Patagônia são oriundos principalmente do Oceano Pacífico. A umidade que eles carregam causa precipitação nas montanhas situadas em território chileno. Assim, os ventos que chegam do lado argentino vêm com pouca umidade, o que torna as estepes patagônicas uma região semidesértica, especialmente no nordeste, apesar da proximidade com o Oceano Atlântico. 178 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 178 01/06/16 01:02 População Com 43,4 milhões de habitantes em 2015, a Argentina apresentava den- sidade demográfica média de 15,6 hab./km2 nesse ano. Assim como em ou- tros países, essa população está distribuída de forma desigual pelo território. Cerca de 66% dos habitantes concentram-se nos Pampas, incluindo- -se a região metropolitana de Buenos Aires, a terceira maior aglomeração urbana da América Latina, onde vivem quase 16 milhões de habitantes. Em contraste, a Patagônia corresponde à “Argentina do vazio de- mográfico”, concentrando apenas cerca de 5% da população do país. Baixas densidades demográficas também são encontradas na Cordilheira dos Andes, por causa do clima semiárido na base e do clima frio e relevo acidentado em suas altitudes mais elevadas. • Composição A maioria dos argentinos é descendente de italianos, espanhóis e ou- tras nacionalidades europeias. Quase todos os povos indígenas nativos foram exterminados durante a colonização, restando apenas algumas comunidades ao norte e nas zonas andinas. Diferenciando-se de outros países da América Latina, a população ar- gentina apresenta baixo crescimento demográfico anual (0,93%), alta taxa de urbanização (91,8%), reduzido índice de analfabetismo de maio- res de 15 anos (2%) e de média a baixa mortalidade infantil (9,7‰). Indústria e energia O maior complexo industrial argentino localiza-se na região metropoli- tana de Buenos Aires (figura 27), onde se concentram indústrias de dife- rentes setores, como siderúrgico, metalúrgico, mecânico, naval, químico, têxtil, de refino de petróleo e de alimentos (figura 28, na página seguinte). O eixo que se estende a noroeste de Buenos Aires, que abrange as cidades de Rosário, Santa Fé e Córdoba — a segunda cidade mais populosa do país —, forma a mais importante região de diversificação industrial do país. 2 3 Figura 27. Avenida 9 de Julho e o obelisco da Praça da República, área importante de Buenos Aires, capital da Argentina (2013). D IE G O G IU D IC E/ BL O O M BE RG /G ET TY IM A G ES Pausa para o cinema Argentina latente. Direção: Fernando E. Solanas. Argentina/França/ Espanha: Cinesur, 2007. Duração: 100 min. Nesse documentário são discutidas as contradições da sociedade argentina diante de suas potencialidades humanas, naturais e econômicas. Diários de motocicleta. Direção: Walter Salles. Estados Unidos/Alemanha/ Inglaterra/Argentina, 2004. Duração: 130 min. O filme é baseado nos diários de Ernesto “Che” Guevara e de Alberto Granado, escritos durante uma viagem dos dois argentinos por países da América Latina. 179PERCURSO 19 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt . 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . PDF-154-191-EG8-U05-M.indd 179 01/06/16 01:02 Conflitos territoriais recentes Há tempos os governos argentinos lidam com dois impasses geopo- líticos: a disputa com o Chile pelas ilhas Picton, Nueva e Lennox, no Canal de Beagle, situado no extremo sul do continente americano; e a disputa pela posse das Ilhas Falkland (Malvinas, para os argentinos) com o Reino Unido (figura 29). 4 • Canal de Beagle Esse canal estreito, no extremo meridional da América do Sul, separa a Terra do Fogo das ilhas da Antártida chilena. No final da década de 1970 e no início dos anos 1980, Chile e Argentina quase chegaram a um conflito ar- mado ao disputarem a posse das três ilhas situadas na entrada oriental do canal. Em 1984, com a mediação do Vaticano, a questão foi resolvida: o Chi- le ficou com a sua posse, mas, em contrapartida, a Argentina obteve direitos sobre o petróleo que poderá ser encontrado nas águas dessa área. Figura 28. Argentina: indústria e energia Além de se destacar na produção vinícola, Mendoza é um centro industrial da Argentina. Cite pelo menos dois ramos industriais dessa localidade. Fontes: elaborado com base em Capital: l’encyclopédie du monde 2006. Paris: Nathan, 2005. p. 136; CHARLIER, Jacques (Org.). Atlas du 21e siècle 2013. Paris: Nathan, 2011. p. 154; Atlas National Geographic: América do Sul. São Paulo: Abril, 2008. v. 1. p. 84. Figura 29. Canal de Beagle e Malvinas ou Ilhas Falkland Fonte: elaborado com base em FERREIRA, Graça M. L. Atlas geográfico: espaço mundial. 4. ed.